Relação entre o ciclo da maré e rendimentos.....
INSTITUTO NACIONAL DE INVESTIGAÇÃO PESQUEIRA
REVISTA MOÇAMBICANA DE INVESTIGAÇÃO PESQUEIRA
RIP 34
Relação entre o ciclo da maré e rendimentos de Thryssa vitrirostris (Ocar de
cristal), Sillago sihama (Pescadinha comum) e Sardinela albella capturados por
arrasto a praia no distrito de Angoche, norte de Moçambique
Por
Ernesto Casimiro CAVARIATO
Escola Superior de Ciências Marinhas e Costeiras-Universidade Eduardo Mondlane. Quelimane-Moçambique,
[email protected]
e
Daniel Oliveira MUALEQUE
Instituto Nacional de Investigação Pesqueira, Delegação de Nampula, Moçambique, Email: [email protected]
Autor correspondente: D.O.M
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Índice
Resumo ............................................................................................................................................................................... 4
Abstract............................................................................................................................................................................... 4
1. Introdução ....................................................................................................................................................................... 5
2. Material e Métodos ......................................................................................................................................................... 5
2.1. Àrea de estudo ........................................................................................................................................................ 5
2.2. Fonte de dados ........................................................................................................................................................ 6
2.3. Processamento de estatísticas de pesca ................................................................................................................... 6
2.4. Análise de dados ..................................................................................................................................................... 7
2.4.1. Análise da influência das marés nos rendimentos de pesca ............................................................................ 7
2.4.2. Análise da composição específica da captura ................................................................................................. 7
2.4.3. Análise da composição por tamanho das espécies .......................................................................................... 7
3. Resultados e discussão .................................................................................................................................................... 8
3.1. Capturas e rendimentos de pesca ............................................................................................................................ 8
3.3. Composição por tamanho ....................................................................................................................................... 9
4. Conclusões e recomendações........................................................................................................................................ 12
5.Agradecimentos ............................................................................................................................................................. 12
6. Referências bibliográficas ............................................................................................................................................ 13
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Resumo
O presente estudo tem como objectivo, analizar a influência da maré sobre as capturas de engraulídeos na pesca de
arrasto a praia no distrito de Angoche, norte de Moçambique. Foram utilizados dados de amostragem biológica aleatória
e estratificada aos desembarques diários desta pescaria no distrito de Angoche no período de 2004 à 2009, disponíveis
na base de dados do Instituto de Investigação Pesqueira de Moçambique. As capturas (kg) e rendimentos (CPUE) foram
processados da base de dados e agrupados por tipo de maré (viva e morta). As proporções (peso) da composição por
espécies e tamanhos médios das espécies capturadas foram comparadas por tipo de maré (morta e viva). Teste t foi
usado para verificar se existem diferenças dos CPUE’s dos tamanhos médios em função das marés de três espécies,
Thryssa vitrirostris (Ocar de cristal), Sillago sihama (Pescadinha comum) e Sardinela albella (Sardinha branca).
Resultados mostram que existem diferenças significativas dos rendimentos (CPUE) entre a maré morta e viva (t = - 4,89
e p = 0,002). Resultados significativos foram também encontrados para os tamanhos médios capturados da sardinha
branca (Sardinella albella) entre as duas marés (t = 1,9142 e p = 0,0409 ). Para as espécies Thryssa vitrirostris e
Sillago sihama, o teste t não mostrou existirem diferenças dos tamanhos capturados entre a maré morta e viva, (t = 0,0160 e p = 0,4938) e (t = - 0,6464 e p = 0,2656), respectivamente. Sugere-se que, futuros estudos da mesma natureza
tenham em consideração o nível de maré, fases da lua e factor dia e noite. Contudo, o presente estudo pode ser usado
para aconselhamento técnico aos pescadores que a maré viva , de acordo com os resultados pode ser propícia para a
pesca.
Palavras-chave: Marés, ictiofauna, arrasto para a praia, norte de Moçambique.
Abstract
The present study aims, analyze the influence of the tide on the engraulids catches in fishing of beach-seine in Angoche,
northern Mozambique. Data sampling of this fishery in Angoche district from 2004 to 2009 available in the database,
Pescart for that district were used. The catch data (Kg) and catch rates (CPUE) were processed in the database and
organized by type of tide (alive and dead). The proportions (weight) of the species composition and average size of
species caught were compared by tide type tide. T-Test was used to check whether there are differences in CPUE's and
medium sizes depending on the tides of three species, Thryssa vitrirostris, Sillago sihama and Sardinella albella.
Results show that there are significant differences in catch rates (CPUE) between the dead and alive tide (t = - 4.89, p =
0.002). Significant results were also found for the medium sizes of the Sardinella albella between the two tides (t =
1.9142 and p = 0,0409). For the species Thryssa vitrirostris and Sillago sihama, the t-test showed no differences exist
of sizes caught between the dead and alive tide (t = -0,0160 and p = 0,4938) and (t = - 0.6464 and p = 0, 2656),
respectively. It is suggested that future studies of this nature have in consideration the tide level, phases of the moon and
factor day and night. However, the present study can be used for technical advice to fishermen that the alive tide, in
accordance with the results can be favourable for fishing.
Keywords: Tides, ichthyofauna , beach seine, north of Nampula, Mozambique.
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1. Introdução
A pesca artesanal no distrito de Angoche, no norte de Moçambique, é caracterizada pela ocorrência de um grande
número de espécies e pela diversidade das embarcações e artes de pesca utilizadas, sendo arrasto para a praia, a pescaria
mais importante representando 48% do total dos desembarques por todas as artes. A rede de arrasto para a praia é
manobrada em média por 12 pescadores, o que significa que esta pescaria contribui muito para o emprego das
populações costeiras. Esta arte é pouco selectiva, capturando muito do que estiver na sua zona de acção, principalmente
os pequenos pelágicos como a família Engraulidae, Clupeidae e outras (Mualeque, 2008).
A eficiência de captura da ictiofauna varia consideravelmente, sendo o seu sucesso dependente da vulnerabilidade dos
peixes a arte usada, o que pode variar entre dia e noite, fases da lua e marés. Como há flutuação do nível de água com a
maré e a fase lunar, pode haver alteração dos hábitats, e conseqüentemente a distribuição das espécies de peixes e os
níveis de densidade podem ser grandemente alterados (Rozas e Minello, 1997). Regra geral, durante as marés vivas
associadas às correntes fortes, os pescadores pescam mais a montante dos estuários e nos pântanos de mangais usando
armadilhas e/ou redes de emalhar. E durante as marés mortas, associadas ao baixo nível de água, os pescadores pescam
nas baías e/ou no mar adjacente, usando linha e rede de arrasto (Hoguane et al., 2007).
Uma revisão da literatura mostra não exitir na região trabalhos que discutem a influência da maré e das fases lunares
sobre as capturas. No litoral do distrito de Angoche, somente um trabalho relacionou o efeito da precipitação sobre as
capturas de peixes (Hoguane et al, 2012).
Neste sentido, o presente trabalho visa avaliar os possíveis efeitos da maré sobre a composição das capturas e de
tamanho de peixes capturadas pela arte de arrasto para a praia na costa marítima do distrito de Angoche com o intuito de
contribuir para actividade pesqueira, no que diz respeito o tipo de maré propício para esta pescaria, considerada a mais
importante no distrito.
2. Material e Métodos
2.1. Àrea de estudo
O distrito de Angoche está localizado na zona costeira a sul da província de Nampula (Moçambique) entre os paralelos
15⁰ e 52,9' e 16⁰ e 21,8' na latitude Sul e entre os meridianos 39⁰ e 54,2' e 39⁰ e 45,2' de longitude Este. É um dos
distritos que se localiza norte do Banco de Sofala. Esta região estende-se desde as latitudes 16o05’S e os 21o00’S (figura
1). A temperatura da água varia de 24 a 29o C e a salinidade entre 32 a 35%o (IIP, 2008). As marés medidas variam de
0.4 a 4.5 metros nas marés vivas extremas e são semi-diurnas, as ondas seguem as direcções dos ventos dominantes
(leste e sudeste) mas têm fraca energia e raramente excedem dois metros de altura (INAHINA, 2011).
Observações e modelos recentes indicam que o sistema de correntes costeiras ao longo do canal de Mocambique é
extremamente dinâmico, existindo um certo número de vórtices persistentes que induzem fortes correntes de norte para
sul, além de sistemas de contracorrente na direcção oposta (Segtnan, 2006; Lutjeharms, 2007).
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N
Figura 1: Banco de Sofala e o distrito costeiro de Angoche (círculo escuro), onde foram feitas as amostragens durante o estudo. As setas indicam os
principais sistemas actuais de correntes: um transporte sul do mar em forma de redemoinhos e contínuas ou intermitentes costeiras que fluem para o
norte (Adaptado de Mualeque D. e J. Santos. 2011).
2.2. Fonte de dados
Os dados usados neste trabalho são originários do sistema de amostragem da pesca artesanal do Instituto Nacional de
Investigação Pesqueira (IIP), Delegação de Nampula, no distrito de Angoche. Foi usada a série temporal de dados de
2004 a 2009 disponíveis na base de dados Pescart do IIP referente a arte de arrasto para a praia. Foram consideradas
algumas espécies indicadoras, aquelas que tinham registo de informação sobre os tamanhos de captura e tipos de maré
em que as capturas foram feitas.
2.3. Processamento de estatísticas de pesca
O processamento dos dados foi feito na base de dados Pescart desenhada em ACCESS pelo IIP, especialmente para este
efeito, seguindo a metodologia definida por Baloi et al (2007).
De acordo com estes autores, o processamento decorre em várias etapas. A primeira etapa é a extrapolação da média da
captura observada nos lances amostrados para o total dos lances efectuados pela unidade de pesca nesse dia. A segunda
etapa engloba toda a unidade primária de amostragem (UPA) (definida com um dia de dados num determinado centro
de pesca). O esforço total é a soma do número de unidades activas observadas nessa UPA. O cálculo da captura total é
feito multiplicando a média das capturas totais das unidades amostradas pelo número de unidades activas naquela UPA.
Na etapa temporal (dia ou noite) ou tipo de dia (dias de semana ou fins de semana), o processamento é feito em
separado. Neste estudo foi usado apenas o período diurno de dias úteis, pois, as capturas de outros períodos eram
insignificantes. Na etapa seguinte, o estrato geográfico, o esforço total é obtido multiplicando a média do número de
unidades de pesca activas por UPA amostradas pelo número máximo de UPA do estrato, considerado como conjunto
das UPS com características ecológicas iguais. A captura no estrato é calculada multiplicando a captura média das UPA
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amostradas pelo número máximo de UPAs. Da combinação das estimativas do esforço e desembarques dentro de cada
estrato obtêm-se as estimativas do distrito. A composição de espécies foi obtida agrupando e somando capturas em peso
da mesma. Para qualquer nível de definição desejado (diário, mensal, anual, etc.), a composição específica das capturas
é fornecida ao utilizador como uma percentagem do desembarque total (kg) nesse período.
2.4. Análise de dados
2.4.1. Análise da influência das marés nos rendimentos de pesca
Os dados das capturas e esforço de pesca usados correspondem a dados brutos (amostrados). Não foram feitas
estimativas, pois, eram significativos para o estudo.
Para esta análise foram separados dados das capturas (toneladas) e os seus respectivos esforços de pesca (redes activas)
por tipo de maré (viva e morta). Com estes dados foram calculados os rendimentos, as capturas por unidade de esforço
(CPUE, equação 1), Baloi et al, 2007). O teste t foi usado para comparar os valores médios anuais das capturas por
unidade de esforço (CPUE) de modo a verificar se existem diferenças entre os rendimentos registados nas duas marés
descritas anteriormente.
CPUEyx =
(1)
Onde:
y - ano (2004 a 2009) e x = tipo de maré (viva ou morta);
Cyx - é capturas em toneladas na maré x do ano y;
Fyx - é esforço de pesca em redes activas na maré x do ano y.
2.4.2. Análise da composição específica da captura
Foram consideradas espécies indicadoras as mais capturadas pela arte em estudo e que tem-se feito a monitoria dos
tamanhos de captura. Foram calculadas proporções destas espécies e organizadas de acordo com os tipos de maré para
descrever a composição específica a partir de esboços de gráficos de barras.
2.4.3. Análise da composição por tamanho das espécies
Os dados de tamanho foram organizados em classes de comprimentos com amplitude de 0,5 cm das espécies
indicadoras Thryssa vitrirostris (Ocar de cristal), Sillago sihama (Pescadinha comum) e Sardinela albella (Sardinha
branca) obtidas na base de dados (Pescart), por tipo de maré. A escolha de apenas estas espécies foi devido a
regularidade dos dados de tamanho ao longo da série de anos estudados e as outras que não tinham dados de
comprimento regulares foram omissas nesta análise. Para estas espécies foram calculados os tamanhos médios mensais
de captura (equação 2) (Fowler & Cohen, 1990). O teste t foi usado para comparar os comprimentos médios mensais
entre as duas marés de modo a verificar se existem diferenças entre os comprimentos registados nos dois tipos de maré,
morta e vivas.
=
; i = (0,5; 1; 1,5; 2; 2,5;… )
(2)
Onde:
i - é a classe de comprimento;
Ni - é o número de indivíduos na classe i;
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Li - é o comprimento do indivíduo na classe i.
3. Resultados e discussão
3.1. Capturas e rendimentos de pesca
12
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
CPUE [Kg/rede.dia]
Captura [t]
Foram registadas 371,1 t de peixe de diferentes famílias, nos seis anos analizados. As capturas da maré morta (CMM)
totalizaram 124,2 t e da maré viva (CMV) 247 t (Figura 2, a esquerda). O rendimento médio anual (Captura por unidade
de esforço – CPUE) foi de 5,3 kg/rede.dia, sendo o rendimento médio da maré morta (CPUE MM) de 3,9±0.9
Kg/rede.dia e da maré viva (CPUE MV) de 6,8±2,2 kg/rede.dia (Figura 2, a direita). O teste t (t = -4,89 e p = 0,002)
mostrou existirem diferenças altamente significativas nos rendimentos entre as duas marés. E o esforço médio anual no
período de estudo foi de 5.377 e 5.789 artes activas durante a maré morta e viva, respectivamente.
10
8
6
4
2
0
2004
2005
2006
2007
Ano
CMM CMV
2008
2009
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Ano
CPUE MM
CPUE MV
Figura 2: Variação anual das capturas (toneladas) e rendimentos de pesca (Kg/rede.dia) em função das marés no distrito de Angoche no período entre
2004 e 2009. A esquerda: captura da maré morta (
), captura da maré viva. ( ). A direita: CPUE maré morta (__), CPUE maré viva (- -).
De acordo com Hoguane et al., (2007), os pescadores artesanais detêm um conhecimento impírico sobre a
disponibilidade dos vários tipos de peixe e as artes de pesca a empregar em função das marés. Regra geral, ainda
conforme estes autores, durante as marés vivas, associadas à inundações e às correntes fortes, os pescadores pescam
mais a montante dos estuários e nos pântanos de mangais usando armadilhas e/ou redes de emalhar, e durante as marés
mortas, associadas ao baixo nível de água, os pescadores pescam nas baías e/ou no mar adjacente, usando linha e rede
de arrasto. Assim, durante a maré viva é esperado que o esforço de pesca no mar adjacente seja menor em relação a
maré morta, e como resultado ter-se-á maior rendimento na maré viva. No presente estudo, o esforço e rendimento de
pesca foi maior na maré viva em relação a maré morta. Estes resultados não coroboram com os obtidos por Hoguane et
al (2007). Desta forma, estes resultados a serem confirmados sugerem que o rendimento de pesca pode não depender
unicamente do esforço de pesca, portanto, outros factores devem ser considerados quando se análisa o rendimento de
pesca. Depoimento de um pescador artesanal em Moma, refere que durante a maré morta, a água torna-se mais limpa e a
rede fica visível afugentando assim o peixe (comunicação dos autores). Neste caso, a turbidez pode ser um factor
determinante no rendimento de pesca principalmente para a arte de arrasto a praia.
3.2. Composição específica das capturas
Foram monitoradas nas duas marés 28 espécies de diferentes géneros e famílias. Destas espécies, 17 tiveram
contribuição inferior a 1% da captura total registada, tendo sido somadas no grupo de outras. Três das outras 11
espécies (Thryssa baelama, Stolephorus commersonii e Scomberomorus commerson) foram registadas apenas na maré
viva. As espécies Sillago sihama, Thryssa vitrirostris, Upeneus vittatus, Sardinella albella, Upeneus sulphureus e
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Sardinella gibbosa, ambas costeiras (Fischer et al, 1990), embora tenham sido capturadas nas duas marés, foram mais
abundantes também na maré viva (Tabela 1). Apenas as espécies Hilsa kelee e Thryssa setirostris, ambas pelágicas e
costeiras (Fischer et al, 1990) foram relativamente abundantes na maré morta.
Tabela 1: Proporção da capturada desembarcada por tipo de maré na pesca de arrasto a praia no distrito de Angoche no período de 2004-2009.
Espécie
Captura Maré
viva (t)
Captura Maré
morta (t)
Total (t)
% da captura
Maré viva (t)
% da captura
Maré morta (t)
Sillago sihama
Thryssa vitrirostris
Upeneus vittatus
Sardinella albella
Upeneus sulphureus
Thryssa baelama
Stolephorus commersonii
Hilsa kelee
Thryssa setirostris
Sardinella gibbosa
Scomberomorus commerson
Outras
Total
58,5
41,9
35,7
23,2
20,6
18,5
14,0
12,3
12,1
3,6
2,8
3,7
246,9
30,6
22,9
6,3
13,7
13,0
0,0
0,0
16,4
14,0
2,8
0,0
3,2
123,1
89,2
64,9
42,1
36,9
33,6
18,5
14,0
28,7
26,2
6,4
2,8
6,9
370,0
65,7
64,7
84,9
62,9
61,4
100,0
100,0
42,7
46,4
55,8
100,0
53,6
66,7
34,3
35,3
15,1
37,1
38,6
0,0
0,0
57,3
53,6
44,2
0,0
46,4
33,3
De acordo com Godefroid et al., (2003), o ritmo das marés impõe um padrão comportamental em peixes, tornando-os
mais activos em correntes de baixa velocidade e menos activos quando a corrente possui maior velocidade. O efeito da
maré é mais marcante na zona entremarés e nos peixes residentes nestes locais. Na maioria dos casos, os indivíduos
entram nestas áreas com a maré enchente, alimentando-se e retirando-se com a maré vazante; além disso, há o
movimento de peixes pequenos que procuram estas áreas para proteção, resultando assim em modelos rítmicos de
composição e abundância de espécies nestes locais. As espécies descritas na tabela 1, são na sua maioria pequenos
pelágicos que se movimentam na coluna da água o que sugere que estas espécies estariam se deslocando na zona
entremarés, acompanhando o movimento da maré, seja para alimentação ou proteção. Em estudos realizados por
Delancey (1989), em uma praia da costa leste americana, e por Godefroid et al (1998), na zona de arrebentação da praia
de Pontal do Sul, Paraná, observou-se maior diversidade na captura durante a maré baixa. No presente trabalho, a maior
captura e maior número de espécies, embora não significativo (Tabela 1) foi observado na maré viva. Todavia, não se
sabe se terá sido na baixamar ou preiamar, uma vez que a análise resumiu-se apenas aos tipos de maré e não aos níveis.
3.3. Composição por tamanho
Os resultados da composição por tamanho estão apresentados na figura 3. O ocar de cristal (Thryssa vitrirostris) foi
capturado na maré morta com comprimento médio de 11,8±0,9 cm e na maré viva de 11,8±1,6 cm. O resultados do teste
t (t = -0,0160 e p = 0,4938), mostrou não existirem diferenças entre os tamanhos capturados nas duas marés.
Durante o ano, os tamanhos médios de captura variaram na maré morta entre 10,8 cm (Novembro) a 13,2 cm (Agosto) e
na maré viva entre 9,4 cm (Junho) a 14,9 cm (Agosto). Omitiu-se das analises os meses de Janeiro, Fevereiro, Setembro,
Outubro e Dezembro da maré morta, e na maré viva os meses de Janeiro, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro
por inconsistência verificada no registo dos tamanhos desta espécie (Figura 3).
O tamanho médio de captura da Pescadinha comum (Sillago sihama) foi de 13,3±1,2 cm na maré morta enquanto que
na maré viva o tamanho médio de captura foi de 13,7±1,2 cm. O teste t (t = - 0,6464 e p = 0,2656), indicou não
existirem diferenças significativas entre os tamanhos de captura nas duas marés.
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Ao longo do ano, os indivíduos mais pequenos foram capturados nos meses de Novembro (11,6 cm) a Dezembro (11,8
cm) na maré viva e morta, respectivamente. E para os individuos mais grandes foram capturados nos meses de Março
(15,5 cm) e Outubro (16,1 cm), em ambas as marés (Figura 4).
O tamanho médio da espécie Sardinella albella capturada na maré morta foi de 12,3±0,5 cm e 11,8±0,7 cm na maré
viva. O teste t (t = 1,9142 e p = 0,0409) mostrou existirem diferenças entre os tamanhos desta sardinha capturada nas
duas marés.
Durante o ano, os tamanhos médios variaram na maré morta entre 11,4 cm (Dezembro) a 13 cm (Fevereiro e
Novembro) e na maré viva entre 10 cm (Novembro) a 12,5 cm (Julho) (Figura 3). Observa-se ainda a partir desta figura
que as capturas desta espécie entre Outubro e Fevereiro, em especial na maré viva, eram constituídas por indivíduos
mais pequenos, o que sugere recrutamento.
Os resultados da espécie Sardinella albella ao se confirmarem sugerem que indivíduos de diferentes classes de tamanho
ocupam a área estudada em diferentes tipos de maré. Entretanto, os tamanhos médios de captura das outras duas
espécies não parecem ter um padrão definido com os tipos de maré. Contudo, a limitação dos dados não permite tirar
ilações genéricas.
Godefroid et al. (1998), ao estudar os efeitos combinados entre a lua e maré com o ciclo diurno, observaram diferenças
significativas nas capturas de algumas das espécies mais representativas na zona de arrebentação, onde se realizaram
amostragens, indicando que os efeitos dos factores dia e noite são mais importantes na dinâmica de captura dessas
espécies do que somente a combinação de lua com maré, sugerindo-se que futuros estudos tomem em consideração
estes aspectos.
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Maré morta
TVI
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Janeiro
Lmédio (cm)
Maré viva
Mês [2004-2009]
Maré morta
SAL
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
14
12
10
8
6
4
2
0
Janeiro
Lmédio (cm)
Maré viva
Mês [2004-2009]
Maré morta
SSI
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Janeiro
Lmédio (cm)
Maré viva
Mês [2004-2009]
Figura 3: Variação mensal (ano médio) dos comprimentos médios das especies Thryssa vitrirostris (TVI), Sardinella albella (SAL) e Sillago sihama
(SSI) capturadas pelo arrasto para a apraia no período entre 2004 e 2009 no distrito de Angoche em função das marés.
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4. Conclusões e recomendações
Os resultados deste estudo dão indicações que o ciclo das marés influencia nas capturas, rendimentos de pesca, bem
como na composição esecífica e por tamanho de espécies capturadas. O tamanho médio de captura da sardinha branca
(Sardinella albella) mostrou diferenças nas duas marés. Porém, o mesmo não aconteceu para outras duas espécies
(Thryssa vitrirostris e Sillago sihama). E, sugere-se que fututros estudos deste tipo, para além de relacionar apenas as
capturas com as marés, tenham em consideração também as fases lunares e factores dia e noite, aspectos que não foram
explorados no presente estudo.
5.Agradecimentos
Os dados usados para a realização deste trabalho foram fornecidos pela Delegação provincial do IIP em Nampula, por
isso, os autores querem deixar uma palavra de agradecimento à Direcção desta Delegação e pelo todo apoio logístico
fornecido aos autores durante o tempo da realização deste trabalho.
O agradecimento é extensivo para toda equipa de amostradores que têm feito um trabalho àrduo na recolha dos dados.
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Relação entre o ciclo da maré e rendimentos.....
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