UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ NÚCLEO DE MEIO AMBIENTE - NUMA PROGRAMA DE FORMAÇÃO INTERDISCIPLINAR EM MEIO AMBIENTE - PROFIMA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO AMBIENTAL José Bruno Araujo de Almeida Percepção ambiental e ações ambientais voltadas à gestão dos Resíduos Sólidos em espaço costeiro BELÉM-PA 2012 José Bruno Araujo de Almeida Percepção ambiental e ações ambientais voltadas à gestão dos Resíduos Sólidos em espaço costeiro Monografia apresentada ao Programa de Formação Interdisciplinar em Meio Ambiente – PROFIMA como requisito à obtenção do grau de Especialista em Gestão Ambiental no Curso de pós-graduação Lato sensu em Gestão Ambiental da Universidade Federal do Pará. Orientador: M.Sc. Wylfredo Pragana de Oliveira BELÉM-PA 2012 Almeida, José Bruno Araujo de Percepção ambiental e ações ambientais voltadas à gestão dos Resíduos Sólidos em espaço costeiro / (José Bruno Araujo de Almeida); orientador, Wylfredo Pragana de Oliveira. – 2012. 31 f. il. 28 cm Monografia (Especialização) – Universidade Federal do Pará. Núcleo de Meio Ambiente. Programa de Formação Interdisciplinar em Meio Ambiente. Curso de Pós-graduação Lato sensu em Gestão Ambiental, Belém, 2012. 1. Gestão Ambiental. I. Oliveira, Wylfredo Pragana de Oliveira, orient. II. Universidade Federal do Pará, Núcleo de Meio Ambiente. Programa de Formação Interdisciplinar em Meio Ambiente, Curso de Pós-graduação Lato sensu em Gestão Ambiental. III. Título. José Bruno Araújo de Almeida Percepção ambiental e ações ambientais voltadas à gestão dos Resíduos Sólidos em espaço costeiro Monografia apresentada ao Programa de Formação Interdisciplinar em Meio Ambiente – PROFIMA como requisito à obtenção do grau de Especialista em Gestão Ambiental no Curso de pós-graduação Lato sensu em Gestão Ambiental da Universidade Federal do Pará. Belém, 28 de setembro de 2012. COMISSÃO EXAMINADORA: Agradecimentos Agradeço primeiramente a Deus, pelo mistério e experimento da Vida; Aos meus pais (José e Maria) por toda incansável dedicação e apoio até o presente momento; Ao M.Sc. Wylfredo Pragana, pelas recomendações e orientação; Aos M.Sc. Cristiane Gonçalves e Olavo Bilac pelo apoio imediato; Aos colegas de sala de aula do curso de Especialização em Gestão Ambiental (NUMA/UFPA), pelas várias, oportunas e interessantes perguntas no momento de cada aula, as quais ajudaram a ilustrar e enriquecer o conhecimento obtido, assim como, aos momentos rápidos de descontração; A todos os professores do programa Lato sensu em Gestão Ambiental. Pela contribuição de cada um no processo de pós-graduação; A Universidade Federal do Pará e ao Núcleo de Meio Ambiente (NUMA), pela oferta do Curso de Especialização em Gestão Ambiental; Ao Site globalgarbage.com, por incentivar e divulgar o questionário virtual socioambiental; Agradeço a contribuição de todos os demais envolvidos na execução deste estudo. i Resumo O presente estudo buscou avaliar, descritivamente, a percepção ambiental dos usuários de praia diante da presença de resíduos sólidos, bem como destacar ações ambientais em espaço costeiro. Para tal avaliação, foi realizado um levantamento bibliográfico sobre a presença de resíduos sólidos em áreas costeiras e suas águas, além disso, houve a aplicação de um questionário virtual previamente elaborado e aplicado a um total de 131 pessoas. Todas as respostas foram ilustradas em gráficos percentuais, nos quais foi possível observar as diferentes percepções ambientais dos entrevistados frente a possíveis alternativas fornecidas. A maioria das pessoas entrevistadas possuía pós-graduação, estavam na faixa etária entre 20 a 30 anos de idade e costumavam ir à praia em frequência semestral. A avaliação da percepção ambiental dos entrevistados demonstra que, teoricamente, as pessoas possuem considerável sensibilização ambiental diante de espaços costeiros poluídos com resíduos sólidos. No entanto, se faz necessário que tal sensibilidade ambiental, juntamente com as alternativas de ações ambientais, se propague às comunidades regionais, tanto por meio da disponibilização de informação quanto por iniciativas do poder público e privado, visando atingir a conservação deste espaço, especialmente pelo fato de nem toda área costeira ser formada por praias acessíveis e adequada ao lazer. Palavra-Chave: Resíduos; Praia; Percepção ambiental; Conservação. ii Abstract The present study tried to evaluate, descriptive, the beach users' environmental perception before the presence of solid residues, as well as, to detach the main initiatives of environmental actions in coastal space. For such evaluation, a bibliographical rising was accomplished on the presence of solid residues in coastal areas and your waters, besides, there was the application of a virtual questionnaire previously elaborated and applied the a total of 131 people. All the answers were cultured in percentile graphs, us which it was possible to observe the different environmental perceptions of the interviewee’s front to possible supplied alternatives. Most of the interviewed people possessed master’s degree; they were in the age group among 20 to 30 years of age and go to the beach in half-yearly frequency. The evaluation of the interviewees' environmental perception demonstrates that, theoretically, the people possess considerable environmental sensibility before coastal spaces polluted with solid residues. However, it is done necessary that such an environmental sensibility, together with the alternatives of environmental actions, spread to the regional communities, so much through the available of information as for initiatives of the public and private power, seeking to reach the conservation of this space, especially for the fact of nor every coastal area to be formed by beaches accessible and appropriate to the leisure. Key-words: Residues; Beach; Environmental perception; Conservation. iii Sumário Resumo ........................................................................................................................... ii Abstract .......................................................................................................................... iii 1. Introdução ................................................................................................................ 8 2. Objetivo .................................................................................................................... 9 2.1. Objetivo geral ........................................................................................................... 9 2.2. Objetivos específicos ............................................................................................ 10 3. Metodologia ............................................................................................................ 10 4. Resultados e Discussão........................................................................................ 11 4.1. Informações pessoais ........................................................................................... 11 4.2. Percepção ambiental quanto à presença de resíduos em espaço costeiro. .... 13 4.3. Ações voltadas à gestão ambiental em ambiente costeiro ................................ 23 4.3.1. Ações ambientais referentes ao poder civil: ................................................ 24 4.3.2. Ações ambientais referentes ao poder público: .......................................... 24 4.3.3. Ações ambientais referentes ao poder privado: .......................................... 26 5. Considerações finais ............................................................................................. 27 6. Referencial Bibliográfico....................................................................................... 27 7. Webgrafia ............................................................................................................... 29 ANEXO .......................................................................................................................... 30 1. Introdução Um dos problemas inerentes à concentração de população humana é à disposição de resíduos por ela gerado (OLIVEIRA; FEICHAS, 2005), principalmente se for considerado o acelerado processo de urbanização mundial, aliado ao crescimento populacional, à produção e ao consumo crescente de produtos e materiais menos duráveis (RIBEIRO, 2003; FRANZ; FREITAS, 2011). Basicamente, o crescimento da população gera um excedente de subprodutos oriundos de suas atividades, o qual supera a capacidade de resiliência do meio ambiente (SILVA; OLIVEIRA; MARTINS, 2008), culminando em antagonismos entre o meio cultural em oposição ao ambiente natural; do apelo a não consumir bens supérfluos ao da geração de volumes cada vez maiores de resíduos; da sofisticação e ampliação da paisagem urbana ao da degradação do entorno ambiental (EHRHARDT, 2006). A geração de resíduos é um grande problema ambiental que vem exigindo cada vez mais atenção para a busca de soluções adequadas, sobretudo, no que diz respeito à poluição marinha (PEREIRA; OLIVEIRA; TURRA, 2011), onde a presença de resíduos sólidos de origem doméstica e industrial é, também, reflexo da ineficiência ou inexistência de infraestrutura relativa à armazenagem e de serviços voltados à coleta e destinação adequada, levando ao carreamento destes resíduos para os oceanos pelos sistemas de densa drenagem (FARRAPEIRA, 2011). Dessa forma, a poluição marinha constitui uma das piores catástrofes ambientais do planeta e se agrava a cada ano (ÁVILA, 2011), acometendo a saúde de seres marinhos por ingestão de resíduos e do homem através da bioacumulação trófica. Os resíduos sólidos presentes em área costeira normalmente é denominado de “lixo marinho” (em inglês, marine debris ou marine litter), o qual, tradicionalmente, é classificado por alguns pesquisadores segundo sua origem, podendo ser proveniente de fontes terrestres ou marinhas (FRANZ; FREITAS, 2011), fazendo com que esses resíduos deixem de ser um problema estritamente sanitário em zonas urbanas tornando-se um dos principais grupos de poluentes em ecossistema marinho, juntamente com os derivados de petróleo e os metais pesados (MOURA et al., 2011). 8 A preocupação global, principalmente da rede turística, com a qualidade de vida e conservação do ambiente é um componente de grande auxílio no processo de manejo ambiental (VIEIRA et al., 2011). No entanto, em locais propícios ao turismo, os resíduos gerados pelos próprios turistas tornam-se cada vez mais perceptíveis (SANTANA NETO et al., 2011), tornando os rios somente como mais um meio de concentrar resíduos em espaço costeiro. A presença de resíduos com capacidade de flutuabilidade por longos períodos são transportados pelas correntezas oceânicas por grandes distâncias, até que alcançam o litoral (BARNES et al., 2009). O risco de introdução de espécies exóticas por resíduos flutuantes parece menor em comparação a outros meios, como a água de lastro (SANTOS, 2005), em todo caso, Macieira et al., (2012) já registraram no litoral paraense a espécie exótica de peixe denominada Butis koilomatodon, a qual é nativa do Oceano Indo-Pacífico e pode causar desequilíbrios na biodiversidade local. Na América do Sul os estudos envolvendo resíduos sólidos em ambiente costeiro foram publicados, principalmente, a partir do ano 2000, sendo que a maioria destes estudos foram realizados no Brasil, mais precisamente nas regiões Nordeste e Sul (BAPTISTA NETO; FONSECA, 2011), porém nenhum estudo sobre resíduos sólidos em espaço costeiro da região Norte do Pará (Brasil) foi publicado até o momento. Em linhas gerais, a minimização do problema de resíduos sólidos em ecossistemas costeiros depende de uma constante investigação da conduta dos frequentadores perante as estruturas e serviços oferecidos aos mesmos (ARAÚJO; COSTA, 2000), assim como, do conhecimento quanto à percepção ambiental dos usuários, visto que a mesma é fundamental à elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (DIAS FILHO et al., 2011). Nesse sentido, o presente estudo objetivou avaliar a percepção ambiental dos usuários de praia frente à geração e destinação de resíduos sólidos, bem como destacar ações ambientais em ambiente costeiro. 2. Objetivo 2.1. Objetivo geral Avaliar a percepção ambiental dos frequentadores de praia frente à geração e destinação de resíduos sólidos. 9 2.2. Objetivos específicos Avaliar a percepção ambiental através das possibilidades de respostas ao questionário eletrônico socioambiental; Avaliar o cenário de ambiente poluído em uma praia no Norte do Brasil, após a geração e destinação de resíduos sólidos in loco; Destacar ações ambientais necessárias à gestão dos resíduos sólidos dispostos em ambiente costeiro. 3. Metodologia O presente estudo adotou uma pesquisa descritiva exploratória de abordagem categórica (qualitativa), a qual foi baseada em um levantamento bibliográfico, bem como na aplicação de um questionário eletrônico direcionado às pessoas que são frequentadoras do ambiente praiano. As perguntas foram elaboradas envolvendo as informações pessoais e de percepção diante de circunstâncias hipotéticas quanto à problemática da geração e destinação dos resíduos sólidos em ambiente costeiro. A elaboração do questionário eletrônico foi realizada por meio da ferramenta informacional denominada Google Docs® 2011 (http://docs.google.com), na qual foram criadas 9 perguntas com 4 alternativas de resposta cada (ANEXO). Após a elaboração do questionário, a ferramenta Google Docs® 2011 disponibilizou um Link para acessar, gratuitamente, o questionário eletrônico, o qual foi divulgado no site globalgarbage.org especializado sobre temáticas voltadas à poluição por resíduos sólidos em ambiente costeiro, assim como, esteve disponível ao público em geral ao utilizarem a ferramenta de busca da empresa Google®. Uma vez disponível na internet, o acesso ao questionário ocorreu de maneira aleatória e descompromissada (sem identificação do entrevistado), a fim de atingir internautas de diferentes faixas etárias e escolaridades. As limitações do presente estudo ficaram por conta: Do público-alvo consultado, ou seja, devido à utilização de um questionário eletrônico, não foram entrevistadas pessoas in loco (pescadores, filho dos pescadores, marisqueiras, etc.), assim como, as que não possuem acesso à internet, mas que também frequentam o espaço costeiro. 10 As vantagens da utilização de um questionário eletrônico, diz respeito a não utilização de papel, economia de tempo, acesso aos dados automaticamente tabulados e ao fato de ser preenchido por qualquer usuário e em qualquer lugar do globo com acesso à internet. Todas as respostas foram tabuladas em planilhas eletrônicas do programa Microsoft Excel® 2007 para a realização de estatísticas descritivas no intuito de calcular as porcentagens de respostas para cada pergunta, bem como à confecção de gráficos. 4. Resultados e Discussão 4.1. Informações pessoais Os dados foram oriundos de todas as respostas obtidas no período de 27/04/2011 a 23/02/2012, onde um total de 131 entrevistados responderam ao questionário virtual. No presente estudo a maioria dos entrevistados, um total de 54%, pertencia à faixa etária entre 20 a 30 anos e a segunda maioria esteve contida na faixa com mais de 40 anos (Fig. 01). 100% Sua idade está entre? 80% 60% 54% 40% 20% 21% 30 a 40 Mais de 40 20% 5% 0% 18 a 20 20 a 30 Intervalo de idades em anos Figura 01 - Histograma dos intervalos de idades entrevistados. dos Resultados semelhantes foram encontrados por Santana Neto et al. (2011), após realizarem 337 entrevistas pessoalmente, observaram que as faixas etárias predominantes foram 21 a 30 e de 31 a 40 anos. Considerando as diferentes quantidades de entrevistados, entre o trabalho citado acima e o presente estudo, é interessante notar que as faixas etárias que predominaram foram às mesmas, o que 11 pode indicar que a empregabilidade de um formulário eletrônico (à distância) ou pessoalmente não influencia as faixas etárias registradas. Entretanto, no presente estudo a minoria dos entrevistados pertenciam à faixa etária entre 18 a 20 anos, o que pode representar uma preocupação do ponto de vista da participação do público mais jovem, corroborando com Santana Neto et al. (2011), os quais afirmam que a aplicação dos conceitos e práticas de cidadania nas escolas e universidades não demonstra ser eficiente junto às gerações mais novas, pelo menos quando se trata da poluição por resíduo marinho. De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) instituída pela Lei n° 9.795/99, a educação ambiental é composta por processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas à conservação do meio ambiente, além disso, é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal (ProNEA, 2005). Apesar dos conceitos e práticas de cidadania não demonstrarem eficiência, ainda assim o presente estudo sugere que as atividades de educação ambiental envolvendo a temática de resíduos sólidos em ambiente costeiro sejam direcionadas de maneira enfática a um público jovem tornando-os aptos a agir, individual e coletivamente, e a contribuir na solução de problemas ambientais presentes e futuros. No que diz respeito ao grau de escolaridade dos entrevistados, um total de 56% respondeu que possuíam o nível de pós-graduação, e somente 1% dos entrevistados afirmou ter somente o nível fundamental (Fig. 02). 12 Grau de Escolaridade Qual grau de escolaridade possui? Fundamental. 1% Ensino Médio. 11% Ensino Superior. 31% Pós-graduação. 56% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 02 – Grau de escolaridade dos entrevistados. Além do critério idade, a escolaridade também corroborou com os resultados de Santana Neto et al. (2011), os quais registraram, em entrevistas in loco, que a maioria dos usuários de praias possuía curso superior completo ou em andamento. Este fato pode ser reflexo da sensibilização para as questões ambientais estar relacionada ao grau de escolaridade da maioria dos entrevistados, visto que os entrevistados com nível superior completo e pós-graduado tiveram maior participação nas pesquisas, tanto por meio pessoal quanto por meio de formulário eletrônico. 4.2. Percepção ambiental quanto à presença de resíduos em espaço costeiro. Quase a metade dos entrevistados (42%) admitiu que frequentam a praia semestralmente, sendo que a outra metade ficou distribuída em: 20% diariamente, 27% trimestralmente e os outros 11% frequentam a praia após 1 ano (Fig. 03). 13 100% Qual a frequência que você costuma ir à praia? 80% 60% 42% 40% 27% 20% 20% 11% 0% Diariamente. Trimestralmente. Semestralmente. Após 1 ano. Frequência de ida à praia Figura 03 – Frequência de ida à praia, segundo os entrevistados. O fato de quase a metade dos entrevistados afirmarem que frequentam a praia semestralmente pode ser devido aos movimentos migratórios ocorridos no período de férias escolares (julho e dezembro). Apesar do acesso humano ao espaço costeiro brasileiro estar assegurado pelo artigo 10 do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), os pesquisadores Oliveira, Tessler e Turra (2011) afirmam que a maior frequência de turistas em praias, normalmente durante verão, é um fator que tende a aumentar a quantidade de resíduos sólidos em praias. Apesar de o turismo ter potencial para colaborar com a proteção e conservação do meio ambiente, quando mal gerido pode ter um efeito devastador (FIGUEIREDO E SOARES, 2008). Além disso, a presença de usuários em praias urbanas com potencial recreacional e turístico possui estreita relação com a presença de lixo marinho na zona costeira (SANTANA NETO et al., 2011). A união dos sentimentos de revolta e decepção, com 69%, predominou como percepção ambiental dos entrevistados quando os mesmos foram questionados sobre o fato de encontrar resíduos em ambiente costeiro, entretanto cerca de 2% dos entrevistados mostraram-se indiferentes diante do fato proposto (Fig. 04). 14 Reação dos entrevistados Quando você encontra lixo em ambiente costeiro. Qual o sentimento predomina em você? Conf ormismo (Indif erença). 2% Revolta. 12% Decepção. 17% Mistura de revolta e decepção. 69% 0% 20% 40% 60% 80% Figura 04 – Percepção ambiental dos entrevistados encontrarem resíduo disposto em ambiente costeiro. 100% ao A gestão de resíduos sólidos em ambiente costeiro aparece como uma forma de mitigar este problema que não pode ser contestado quanto a sua existência. De acordo com Nucci e Dall’occo (2011) a gestão de resíduos sólidos, em muitas vezes, está vinculada a falta de investimentos em serviços e em infraestrutura do espaço físico adequada para realizar a deposição final de resíduos. Entretanto independente do tipo de vínculo, a iniciativa do processo de gestão destes resíduos se faz extremamente urgente, pois apesar da mistura de revolta e decepção ter sido a percepção predominante entre os entrevistados, tem-se que cerca de 2% mostraram-se indiferentes, o que pode indicar uma percepção de insensibilidade ambiental, a qual pode ser replicada para outros usuários (nativos, turistas, crianças, etc.), contribuindo assim para a continuidade do hábito de descartar inadequadamente os resíduos. A poluição por resíduos sólidos é uma realidade percebida em todas as zonas marinhas do mundo, principalmente em áreas povoadas (SANTOS; FRIEDRICH; IVAR, 2009), infelizmente as políticas adotadas tem sido insuficientes para resolver este problema, pois apesar de vários acordos internacionais tratarem sobre o despejo de resíduos sólidos nos oceanos, nenhum deles possui o rigor necessário para conter significativamente tal situação (NUCCI; DALL’OCCO, 2011). O PNGC instituído pela Lei nº 7.661/88, é coordenado pelo governo federal e gerenciado por cada Estado costeiro, porém, não apresenta critérios para gestão 15 integrada e não aborda especificamente o problema do resíduo marinho (NICOLODI; ZAMBONI; BARROSO, 2009), o mesmo ocorre com o Decreto nº 5.377/2005, o qual aprova a Política Nacional para os Recursos do Mar (PNRM) indicando assim a necessidade de uma nova revisão destas legislações objetivando um acordo mútuo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída pela Lei nº 12.305/2010. Além disso, segundo Franz e Freitas (2011), o problema da geração de resíduo flutuante está relacionado à falta de fiscalização referente ao cumprimento das legislações ambientais pelos três níveis de governo. Apesar dessa relação, o controle da poluição marinha está ligado também à gestão ambiental da zona costeira, fazendose necessário à participação das comunidades locais (MOURA et al., 2011), onde as mesmas devem assumir uma nova postura, visando controlar os resíduos gerados de modo mais adequado, sem atribuir a responsabilidade de tratar e dispor os resíduos integralmente ao poder público e privado (VIEIRA et al., 2011). A falta de bom senso e educação das pessoas, segundo 59% das escolhas, bem como a ação conjunta do governo, empresas e pessoas em geral, segundo 49% dos entrevistados, são os principais responsáveis pelos resíduos sólidos encontrados em ambiente costeiro. Nenhum dos entrevistados atribuiu à responsabilidade apenas a falta de vontade política do governo e somente 1% atribuíram a responsabilidade às empresas por incentivar o consumismo e não recolher suas embalagens (logística reversa) (Fig. 05). Atribuição de Responsabilidade Quando você encontra lixo em ambiente costeiro. Quem você costuma responsabilizar? A f alta de vontade política do governo. 0% As empresas por incentivar o consumismo e não recolher suas embalagens. 1% Ao governo, empresas e as pessoas em geral. 40% A f alta de bom senso e educação das pessoas. 59% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 05 – Percepção dos entrevistados diante do fato de encontrar resíduos em ambiente costeiro. 16 O fato de a maioria dos entrevistados responsabilizar a falta de bom senso e educação das pessoas como causa principal para encontrar resíduos em ambiente costeiro demonstra que, possivelmente, a maioria dos entrevistados acredita que a ação individual pode fazer a diferença coletivamente, quando cada cidadão procura evitar um problema ambiental. No entanto, a não existência de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) ocasiona um problema ambiental, o qual tem como uma das soluções complementares a implantação do processo de educação ambiental (MONTEIRO JR; VENDRAMETTO, 2009), onde, de acordo com Silva (2007), é o caminho mais indicado para erradicar ou reduzir a ocorrência de degradações ao meio ambiente. Os entrevistados ao encontrarem resíduo próximo a uma lixeira na praia, responderam, com 41%, que sempre recolhem o resíduo e destinam o mesmo à lixeira, porém 48% admitiram que, somente “às vezes”, destinam o resíduo à lixeira mais próxima. Ainda nesta arguição, foi possível constatar pessoas que, representando 11% dos entrevistados, admitiram não recolher e destinar o resíduo à lixeira, mesmo que a lixeira esteja próximo do resíduo encontrado (Fig. 06). Comportamento dos entrevistados Ao encontrar lixo próximo a uma lixeira na praia. Você recolhe o lixo e destina à lixeira? Não. Não é um problema meu. 0% Não. 11% Sim. Sempre. 41% Sim. As vezes. 48% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 06 – Percepção ambiental dos entrevistados diante da alternativa de recolher e destinar à lixeira o resíduo encontrado na praia. O fato de 11% dos entrevistados responderem que mesmo encontrando resíduo próximo a uma lixeira na praia não se dariam ao trabalho de recolher e fazer a correta destinação do mesmo mostra que infelizmente a sensibilização diante da necessidade de conservação de um bem tão único como o ambiente costeiro, ainda não é unânime 17 entre seus usuários. Apesar da maioria dos entrevistados admitir que possui alto grau de escolaridade, tal percepção deixa probabilismos de que essa insensibilidade detectada esteja relacionada a uma educação deficitária ou a fatores sócio culturais. Na falta de lixeiras na praia, os entrevistados, de forma quase unânime (99%), responderam que acondicionam e levam para casa ou para lixeira mais próxima os resíduos gerados por eles e apenas 1% admitiu acondicionar seu lixo gerado e deixa na própria areia (Fig. 07). Comportamento dos entrevistados Quando você vai à praia. Na falta de lixeiras por perto, você: Não acondiciona e deixa exposto na areia. É indiferente. 0% Não acondiciona, porém enterra tudo na areia. 0% Acondiciona seu lixo gerado e deixa na própria areia. 1% Acondiciona e leva para casa ou para lixeira mais próxima. 99% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 07 – Percepção ambiental dos entrevistados sobre o fato de não encontrar lixeiras em praias após a geração dos seus próprios resíduos. Aparentemente quando o resíduo é de geração própria a sensibilização parece ser maior do que quando o resíduo é gerado por outra pessoa. No entanto, tal resultado não traduz a realidade cotidiana, o que também foi evidenciado por Guimarães e Garcia (2012), os quais enfatizam que a percepção individual muitas vezes não representa a realidade absoluta do que acontece na prática. Na praia denominada Atalaia localizada no município de Salinópolis (nordeste do Pará) em março de 2012, ou seja, fora da época de alta temporada o presente estudo registrou um cenário, no qual várias pessoas deixavam seu lixo sobre a mesa, de maneira que ao final da utilização dos serviços ambientais (função paisagística, lazer contemplativo, etc.) os garçons acondicionavam os resíduos em uma sacola plástica, amarravam sua extremidade superior e além da sacola, recolhiam as mesas e cadeiras, 18 porém abandonavam os restos de resíduos no local, onde em poucos minutos os mesmos eram alcançados pelas águas da maré alta (Fig. 08). (a) (b) (c) (d) (e) (f) Fotos: Almeida, J.B.A. Figura 08 – Destinação dada aos resíduos sólidos gerados pelos clientes dos bares na praia denominada Atalaia no município de Salinópolis/PA em março de 2012. (a) Inicialmente os garçons acondicionam os resíduos em sacolas plásticas. (b) Limpam os restos de comidas e bebidas das mesas jogando as migalhas na areia. (c) Desmontam os guarda-sóis mantendo os resíduos acondicionados relativamente organizados. (d) No momento de recolher os resíduos percebe-se a insuficiência de destinação para com o mesmo. (e) O garçom retorna ao bar com parte dos resíduos. (f) Os resíduos que não couberam na sacola ficam na areia poluindo a faixa do meso litoral. 19 Tal observação expõe duas realidades: A primeira onde se pode observar uma iniciativa dos próprios comerciantes em tentar acondicionar os resíduos de forma que os mesmos não sejam rapidamente espalhados no ambiente praiano, mostrando certa preocupação ambiental, porém insuficiente, mas intimamente ligada ao fator econômico, visto que praia suja é uma condição repulsiva de clientes. Na segunda realidade, nota-se que nem sempre pesquisas subjetivas correspondem à realidade dos fatos, visto que a quase unanimidade dos respondentes do questionário, os quais afirmaram acondicionar o resíduo gerado e leva-lo à lixeira mais próxima, não condisse a real tendência de percepção ambiental praticada in loco pelos frequentadores da praia Atalaia. De acordo com Vieira e Wada (2008) nas pesquisas de opinião pública existem muitas fontes de tendenciosidade, onde muitas pessoas respondem o que se espera delas, ou o que lhes parece mais conveniente. Nesse caso, vale ressaltar que além dos cuidados quanto à elaboração e emprego das perguntas, é extremamente necessária a realização de autocríticas sobre as possíveis interpretações obtidas, especialmente quando se trata da percepção humana, a qual é altamente complexa por ser variada. No que diz respeito às viagens realizadas em embarcações os passageiros costumam gerar resíduos sólidos ao longo do percurso, nesse caso os entrevistados quando colocados sobre tal situação revelaram que, 76% quando não encontram lixeiras na embarcação, acondicionam seu resíduo para destinação posterior. Uma parcela de 19,8% admitiram que procuram lixeiras não importando a distância da mesma, porém 3,1% afirmaram deixar o resíduo gerado em qualquer parte da embarcação. Cerca de 2% dos entrevistados afirmaram que jogam o resíduo diretamente nas águas, pelo fato de acreditar que não fará diferença e o mesmo irá decompor-se em curto prazo (Fig. 09). 20 Comportamento dos entrevistados Quando você viaja em embarcações. O que costuma fazer com o lixo que você gera? Joga o lixo nas águas, pois acredita que não f ará dif erença e irá se decompor em pouco tempo. 2% Deixa em qualquer parte da embarcação. 3,1% Procura lixeiras não importando a distância. 19,8% Não encontrando lixeiras na embarcação, acondiciona seu lixo para destinação posterior. 76% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 09 – Percepção ambiental dos entrevistados diante da situação de precisar destinar seus próprios resíduos, gerados no interior de embarcações. O fato de 2% dos entrevistados afirmarem que jogam o resíduo diretamente nas águas e 3,1% afirmarem que deixam o resíduo gerado em qualquer parte da embarcação indica que os resíduos encontrados em ambiente costeiros, em parte, advêm da contribuição das próprias embarcações quando essas não possuem uma política de resíduos ou instalações adequadas para destinação dos mesmos, o que pode culminar com a deposição do resíduo às águas, tanto por ação mecânica (vento, trepidação, etc.), quanto pela insensibilidade dos tripulantes e passageiros. Para atingir minorias como essa, os autores Monteiro Jr e Vendrametto (2009), afirmam que a prática da Educação Ambiental é de grande importância para possibilitar a consciência sobre os impactos ambientais provocados à natureza. De acordo com Ehrhardt (2006) o homem está sujeito a todo tipo de mal, devido a sua incapacidade de gerenciar os recursos naturais do planeta que habita. Nesse sentido, a presença de resíduos sólidos dispostos de forma inadequada pode ocasionar graves consequências à saúde da população (SILVA; OLIVEIRA; MARTINS, 2008). Essas afirmações corroboram com Santana Neto et al. (2011), os quais em uma pesquisa na Praia do Porto da Barra (Bahia, Brasil), constataram que os prejuízos relativos à presença de resíduos sólidos na praia estiveram relacionados diretamente à saúde humana e ao meio ambiente (Fig. 10). 21 (a) (b) Fotos: Almeida, J.B.A. Figura 10 – Imagens do meso litoral da praia denominada Atalaia em Salinópolis/PA em março de 2012. (a) Presença de resíduos sólidos (microlixo) ao longo da praia, podendo ocasionar acidentes por perfuração ou cortes, bem como prejuízo ao lazer contemplativo do ser humano. (b) Resíduos sólidos dispostos em micro-habitat como os pedrais (rochas lateríticas), os quais na baixa-mar podem promover o aprisionamento de animais, riscos de ingestão e abrigar vários espécimes da fauna aquática (peixes, crustáceos, moluscos, etc.), inclusive espécies exóticas. Ao serem questionados sobre a situação de ver alguém jogando resíduo no meio ambiente, independente de ser no meio urbanizado ou não urbanizado, os entrevistados apresentaram diferentes percepções, onde 36,6% admitiu que não avisa, pois tem receio da reação ser negativa, 31,3% admitiu que avisa, independente de qual seja a reação da pessoa. Uma minoria, representando 4% dos entrevistados, afirmou que é indiferente, não avisa e deixa o resíduo no mesmo local, contrariando a minoria foi possível registrar que 28% de pessoas que não avisam, porém em seguida jogam o Comportamento dos entrevistados resíduo alheio na lixeira mais próxima (Fig. 11). Quando você vê alguém jogando lixo no meio ambiente em geral (Urbano e não-urbano). Você: Não avisa. E deixa o lixo no mesmo local. É indif erente. Não avisa. Pois tem receio da reação ser negativa. Avisa. Independente de qual seja a reação da pessoa. Não avisa. Porém em seguida joga o lixo dela na lixeira mais próxima. 4% 36,6% 31,3% 28% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 11 – Percepção ambiental dos entrevistados diante da situação de ver alguém jogando resíduo no meio ambiente urbanizado e não urbanizado. 22 As percepções referentes às pessoas que não avisam por ter receio da reação alheia ser negativa e as que admitiram ser indiferentes deixando o lixo no mesmo lugar, corrobora com Pereira et al. (2011), os quais afirmam ser fundamental considerar que mudanças nas formas de produção e consumo de materiais passam necessariamente pelo questionamento de um modelo de educação voltado para o consumo que ainda norteia a educação formal e informal no Brasil. 4.3. Ações voltadas à gestão ambiental em ambiente costeiro O gerenciamento de resíduos em praia normalmente se resume à limpeza física que por sua vez representa, além do problema de aumento de custo, uma ação temporária (FRANZ; FREITAS, 2011), esporádica, portanto insuficiente na ausência de políticas permanentes (MOURA et al., 2011), como agravante tem-se que as políticas públicas brasileiras não apresentam o necessário comprometimento com o problema específico do resíduo marinho (NUCCI; DALL’OCCO, 2011). De acordo com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, há, em média, 18.000 pedaços visíveis de plástico flutuando em cada quilômetro quadrado do mar, sendo que algumas ilhas de lixo flutuante são visíveis até mesmo em imagens de satélite (ÁVILA, 2011), em todo caso, uma adequada gestão começa pela prevenção da geração de resíduo flutuante, pois é mais eficiente que ações de remediação (UNEP, 2009). Dessa forma, é preciso utilizar as diversas ferramentas disponíveis, desde investimentos científicos, iniciativas político-econômicas, atividades socioeducativas para as mudanças individuais de hábitos (VIEIRA et al., 2011), onde para alcançar mudanças efetivas nas lógicas e padrões produtivos, se faz necessário adotar a perspectiva da sustentabilidade como modelo norteador (PEREIRA; OLIVEIRA; TURRA, 2011). De acordo com Carvalho-Souza e Tinôco (2011), os impactos, devido à presença de resíduos sólidos em ambiente costeiro, dizem respeito a perdas sociais, ambientais, culturais e econômicas, uma vez que os mesmos estão relacionados com a saúde do ambiente, a biota, a paisagem, as atividades recreacionais e ao comércio. O problema dos resíduos sólidos em ambiente costeiro necessita de uma política pública baseada no gerenciamento de bacias hidrográficas, as quais devem conter aterros sanitários coletivos, educação ambiental coletiva, assim como, executar a reciclagem de material. 23 No entanto, a reciclagem não deve ser vista como a principal solução para os resíduos sólidos, mas como uma das alternativas para o problema, sendo que antes de decidir pela implantação de um programa de reciclagem, deve ser realizada uma análise de mercado a fim de indicar quais produtos depois de reciclados terão possibilidades de escoamento (venda ou doação) (SEMA/PA, 2010). Nesse sentido, visando à atuação de uma responsabilidade solidária para o encontro de soluções mais inclusivas, justas e economicamente factíveis, o presente estudo destaca algumas ações ambientais necessárias à gestão dos resíduos sólidos dispostos em ambiente costeiro, salvaguardando as sub etapas inerentes a cada tipo de ação, o vínculo entre elas e a ordem em que devem ocorrer: 4.3.1. Ações ambientais referentes ao poder civil: Implementar de forma contínua ações de educação ambiental em todas as séries escolares, independente de estarem situadas em municípios costeiros; Executar de forma contínua ações de educação ambiental, em finais de semana, nas praias voltadas aos frequentadores (p.ex.: Evitar o uso de descartáveis; Evitar quebrar o resíduo plástico em pequenos pedaços; Incentivar o recolhimento, armazenamento e destinação do resíduo gerado); Participar e apoiar ações de ONG’s voltadas à realização de oficinas sobre o reaproveitamento econômico de material reciclável e limpeza do ambiente praiano (p.ex.: www.escritorionaspraias.com.br). 4.3.2. Ações ambientais referentes ao poder público: Criar uma legislação específica para o Estado do Pará direcionada a manutenção das praias, independente de pertencerem a localidades de água doce ou salgada, respeitando a realidade socioeconômica de cada região; Realizar o levantamento social de todos os moradores que possuem estabelecimento comercial em praia; Investir na capacitação técnica dos comerciantes não fixos (ambulantes) e no próprio corpo técnico do órgão ambiental quanto ao manejo de resíduos sólidos; Criar programas sociais para inclusão de catadores e formação de cooperativas, a fim de incentivar a venda de recicláveis; 24 Construir unidades de triagem a serem operadas por cooperativas de catadores; Construir Postos de Coleta Voluntária (PEV) ou ecopontos instalados em pontos estratégicos da cidade, especialmente próximo à orla; Construir eco barreiras nos principais rios da cidade para contenção diária do resíduo flutuante ao caminho do mar; Orçar e investir na implantação de coleta seletiva dos resíduos úmidos (cerca de 60% do total gerado nos domicílios), para cumprir a PNRS (Art.33, § 1º); Destinar os resíduos sólidos selecionados preferencialmente para compostagem; Criar programas sociais para incentivar a população praiana a separar os resíduos adequadamente; Implantar um sistema de controle e incentivo ao cidadão que aderir às iniciativas de ações ambientais em ambiente costeiro (descontos em impostos municipais, contas de energia, contas de água); Ampliar os programas sociais para todas as praias vizinhas e não concentrar as ações apenas na praia mais frequentada; Responsabilizar o fabricante, importadores, distribuidores e comerciantes pelas embalagens produzidas; Realizar visita técnica gradativa em cronogramas divulgados para orientação dos frequentadores; Realizar fiscalização à quiosques (comerciantes) em cronogramas não divulgados; Aplicar multas aos comerciantes após as fases de orientações e tentativas de manutenção da ordem por parte dos mesmos; Suspender a licença da prefeitura para o comerciante que desobedecer às orientações; Executar monitoramento para determinar às características quali-quantitativas (teor de matéria orgânica, massa, quantidade de água, peso específicos, composição química, etc.) e espaço-temporais dos resíduos gerados em ambiente costeiro. 25 4.3.3. Ações ambientais referentes ao poder privado: Investir na instrumentalização dos seus respectivos estabelecimentos (restaurantes, bares, hotéis, etc.), de forma a complementar as iniciativas do poder civil e público; Manter os seus respectivos quiosques padronizados (quantidade de lugares, disposição no litoral, higienização e incentivo ao armazenamento adequado dos resíduos gerados), de maneira a evitar poluições, sobre tudo à paisagem do litoral; Investir na capacitação dos próprios comerciantes e funcionários, a fim de conscientizar sobre as perdas econômicas tanto para o empreendedor quanto para os funcionários; Implantação de manejo (logística reversa) considerando todas as fases de manipulação do produto; Incentivar a necessária participação do poder público e civil à efetivação da logística reversa (segregação de resíduos e entrega em pontos voluntários); Investir na coleta seletiva dos resíduos secos (aproximadamente 40% do total) e rejeito seco, a fim de cumprir a PNRS (Art.33, § 1º); Revisar e repensar o “padrão de produção”, projetando os produtos de forma que os mesmos possam ser consertados ao invés de ser apenas descartados, diminuindo assim a obsolescência programada. Todas as ações ambientais listadas visam atingir, em médio prazo, o principal objetivo da gestão costeira, que por sua vez refere-se à mudança de percepção ambiental dos atores sociais (civil, público, privado), a fim de complementar quaisquer ações ambientais tomadas em ambiente urbano, e assim atingir em longo prazo uma maior conservação do meio ambiente. 26 5. Considerações finais Os espaços costeiros possuem diversos ecossistemas vulneráveis, mas não se pode negar o caráter urbano do litoral, em geral o ideal é realizar o planejamento do uso e ocupação desses ambientes de forma a mitigar os impactos negativos. A percepção ambiental dos entrevistados demonstra que, teoricamente, as pessoas possuem considerável sensibilização perante ambientes costeiros poluídos com resíduos sólidos. No entanto, se faz necessário que tal sensibilidade se propague sobre as comunidades regionais ainda não incluídas nos benefícios das ações ambientais, tanto por meio da disponibilização de informação quanto por meio de ações concretas do poder público e privado no que diz respeito as suas, respectivas, obrigações. 6. Referencial Bibliográfico Araújo, M.C.B. e Costa, M.F. Análise quali-quantitativa do lixo deixado na Baía de Tamandaré-PE-Brasil, por excursionistas. Revista da Gestão Costeira Integrada, 3:58-61. 2000. Baptista Neto, J.A.; Fonseca, E.M. Variação sazonal, espacial e composicional de lixo ao longo das praias da margem oriental da Baía de Guanabara (Rio de Janeiro) período de 1999-2008. Revista da Gestão Costeira Integrada 11(1):31-39. UNIVALI. 2011. Barnes, D.K.A.; Galgani, F.; Thompson, R.C. e Barlaz, M. Accumulation and fragmentation of plastic debris in global environments. Philosophical Transactions of the Royal Society of London, Ser. B- Biological Sciences, 364 (1526), 1985-1998. 2009. Carvalho-Souza, G.F.; Tinôco, M.S. Avaliação do Lixo Marinho em Costões Rochosos na Baía de Todos os Santos, Bahia, Brasil. Revista da Gestão Costeira Integrada 11(1):135-143. Univali. 2011. Dias Filho, M.; Silva-Cavalcanti, J.S.; Araujo, M.C.B. e SILVA, A.C.M. Avaliação da Percepção Pública na Contaminação por Lixo Marinho de acordo com o Perfil do Usuário: Estudo de Caso em uma Praia Urbana no Nordeste do Brasil. Revista da Gestão Costeira Integrada 11(1):49-55. 2011. Ehrhardt, N. O Discurso do Meio Ambiente: práticas e representações. UNI revista v.1, n°2. 2006. Figueiredo, M.S. e Soares, T.S. Correlacionando Turismo e Resíduos Sólidos: Uma análise da vila de Algodoal, Pará, Brasil. Anais. II seminário Internacional de Turismo Sustentável. Fortaleza, CE. 2008. 27 Franz, B. e Freitas, M.A.F. Projeto Ecobarreira: Solução para o lixo flutuante presente nos estuários do Município do Rio de Janeiro? V SBO - Simpósio Brasileiro de Oceanografia. Oceanografia e Políticas Públicas Santos, SP, Brasil. 2011. Guimarães, G.C. e Garcia, M.C.D. Análise gravimétrica dos Resíduos Sólidos e perfil dos usuários amostrados da Praia da Curva da Jurema (Vitória-ES). Universidade Federal do Espírito Santo. Centro Tecnológico do Departamento de Engenharia Ambiental. Trabalho de Conclusão de Curso. 95 p.: 2012. Macieira, R.M.; Giarrizzo, T.; Gasparini, J.L. e Sazima, I. Geographic expansion of the invasive mud sleeper Butis koilomatodon (Perciformes: Eleotridae) in the western Atlantic Ocean. Journal of Fish Biology. 81, 308–313. 2012. Monteiro, Jr e Vendrametto, O. O tratamento dado aos Resíduos Sólidos pela Administração do Porto de Santos. Internacional Workshop Advances In Cleaner Production. Key elements for a sustainable world: Energy, Water and Climate change. São Paulo – Brasil. 2009. Moura, C.M.; Moura, A.C.; Silva, E.V.; Rocha, F.S.P.; Pontes-Neto, J.G.; Cavalcanti, K.P.S.; Carvalho, R.C.X.; Jimenez, G.C.; Anjos, F.B.R.; Souza, I.A. e Passavante, J.Z.O. Estudo dos impactos ambientais Decorrentes da deposição de Resíduos Sólidos na Zona Costeira do Jaboatão dos Guararapes – Pernambuco. V SBO - Simpósio Brasileiro de Oceanografia. Oceanografia e Políticas Públicas Santos, SP, Brasil. 2011. Nicolodi, J.L.; Zamboni, A. e Barroso, G.F. Gestão Integrada de Bacias Hidrográficas e Zonas Costeiras no Brasil. RGCI. 9 (2), 9-32. 2009. Nucci, J.M.R. e Dall’Occo, P.L. Lixo Marinho: Políticas públicas no Brasil e Estados Unidos. V SOB – Simpósio Brasileiro de Oceanografia. Oceanografia e Políticas Públicas Santos, SP, Brasil. 2011. Oliveira, A.A. e Feichas, S.A.Q. Termo de Ajustamento de Conduta da Ilha Grande RJ: O Lixo na Vila de Abraão. IVT - Caderno Virtual de Turismo. Nº5. UFRJ. 2005. Pereira, F.C.; Oliveira, A.L. e Turra, A. Gestão de Resíduos Sólidos no Ambiente Marinho: Pellets Plásticos. V SBO - Simpósio Brasileiro de Oceanografia. Oceanografia e Políticas Públicas Santos, SP, Brasil. 2011. ProNEA - Programa Nacional de Educação Ambiental / Ministério do Meio Ambiente, Diretoria de Educação Ambiental; Ministério da Educação. Coordenação Geral de Educação Ambiental. - 3. ed - Brasília : Ministério do Meio Ambiente, 2005. 102p.: il. 21 cm Ribeiro, W.C. Patrimônio ambiental brasileiro. São Paulo, EDUSP. 2003. 28 Santos, I.R. Naves flutuantes de plástico. Ciência Hoje, 37 (220), 64-64. 2005. Santos, I.R., Friedrich, A.C. e Ivar do Sul, J.A. Marine debris contamination along undeveloped tropical beaches from northeast Brazil. Environ Monit Assess, N° 148, 455-462. 2009. SEMA/PA – Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Estado do Pará). Lixo: Este problema tem solução. Série Saneamento Ambiental Nº 1. Informativo CDU – 628.4(811.5). 2010. Silva, B.D.; Oliveira, F.C. e Martins, D.L. Resíduos Eletroeletrônicos no Brasil, Santo André. Creative Commons Licença 2.5 Brasil. 2008. Silva, F. Guia de meio ambiente. São Paulo: Barsa Planeta, t. ex.: 1c. 50 p. 2007. UNEP - United Nations Environment Programme. Marine litter: a global challenge. Nairobi: UNEP, 232p. 2009. Vieira, S. e Wada, R. O que é estatística? Editora e livraria Brasiliense. Coleção primeiros passos. 2ª reimpr. da 3ª ed. 2008. 7. Webgrafia Ávila, F. UE quer pagar pescadores para recolher plástico no mar. Instituto Carbono Brasil/Agências Internacionais. Disponível em: www.institutocarbonobrasil.org.br/rep ortagens_carbonobrasil/noticia=727461. Acesso em: 06 de mai. de 2011. Farrapeira, C.M.R. Invertebrados macro bentônicos detectados na costa brasileira transportados por resíduos flutuantes sólidos abiogênicos. Disponível em: www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci-200_Farrapeira.pdf. Acesso em 02 mai. 2011. Oliveira, A.L.; Tessler, M.G. e Turra, A. Distribuição de lixo ao longo de praias arenosas – Estudo de caso na Praia de Massaguaçu, Caraguatatuba, SP. Disponível em: www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci-#_#_small.pdf. Acesso em: 02 mai. 2011. Santana Neto, S.P.; Silva, I.R.; Cerqueira, M.B. e Tinôco, M.S. Perfil socioeconômico de usuários de praia e percepção sobre a poluição por lixo marinho: Praia do Porto da Barra, BA, Brasil. Revista de Gestão Costeira Integrada / Journal of Integrated Coastal Zone Management. Disponível em: www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci240_Neto.pdf Acesso em: 02 mai. 2011. Vieira, B.P.; Dias, D. e Hanazaki, N. Homogeneidade de Encalhe de Resíduos Sólidos em um Manguezal da Ilha de Santa Catarina, Brasil. Revista de Gestão Costeira Integrada. Disponível em: www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci-188_Vieira.pdf Acesso em: 03 mai. 2011. 29 ANEXO Pesquisa envolvendo a destinação dos Resíduos Sólidos em praias. Prezados colegas. Estou desenvolvendo uma pesquisa, a qual procura consultar a opinião das pessoas quanto à questão da destinação dos resíduos sólidos (lixo) dispostos em praias. Abaixo está o Link com algumas perguntas que irão contribuir à pesquisa. As pessoas que responderem não serão identificadas. Se puderem doar alguns segundos do vosso tempo, agradeço imensamente. Basta abrir o link, escolher a alternativa e clicar em enviar. Atenciosamente: Bruno Almeida (http://lattes.cnpq.br/5747367955655280). [email protected] Sua idade está entre? ( ) 18 a 20 anos ( ) 20 a 30 anos ( ) 30 a 40 anos ( ) Mais de 40 anos Qual grau de escolaridade possui? ( ) Fundamental. ( ) Ensino Médio. ( ) Ensino Superior. ( ) Pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado) Qual a frequência que você costuma ir à praia? ( ) Diariamente. ( ) Trimestralmente. ( ) Semestralmente. ( ) Após 1 ano. Quando você encontra lixo em ambiente costeiro (mar, rios, praias, mangues, pedrais). Qual o sentimento predomina em você? ( ) Revolta. ( ) Decepção. ( ) Conformismo (Indiferença). ( ) Mistura de revolta e decepção. Quando você encontra lixo em ambiente costeiro. Quem você costuma responsabilizar? ( ) A falta de vontade política do governo. ( ) As empresas por incentivar o consumismo e não recolher suas embalagens. ( ) A falta de bom senso e educação das pessoas. ( ) Ao governo, empresas e as pessoas em geral. Ao encontrar lixo próximo a uma lixeira na praia. Você recolhe o lixo e destina à lixeira? ( ) Sim. Sempre. ( ) Sim. Às vezes. ( ) Não. ( ) Não. Não é um problema meu. Quando você vai à praia. Na falta de lixeiras por perto, você: ( ) Acondiciona seu lixo gerado e deixa na própria areia. ( ) Acondiciona e leva para casa ou para lixeira mais próxima. ( ) Não acondiciona, porém enterra tudo na areia. ( ) Não acondiciona e deixa exposto na areia. É indiferente. Quando você viaja em embarcações. O que costuma fazer com o lixo que você gera? ( ) Procura lixeiras não importando a distância. ( ) Joga o lixo nas águas, pois acredita que não fará diferença e irá se decompor em pouco tempo. ( ) Não encontrando lixeiras na embarcação, acondiciona seu lixo para destinação posterior. ( ) Deixa em qualquer parte da embarcação. Quando você vê alguém jogando lixo no meio ambiente em geral (Urbano e não-urbano). Você: ( ) Não avisa. Pois tem receio da reação ser negativa. ( ) Avisa. Independente de qual seja a reação da pessoa. ( ) Não avisa. Porém em seguida joga o lixo dela na lixeira mais próxima. ( ) Não avisa. E deixa o lixo no mesmo local. É indiferente. Link: https://spreadsheets.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dFd6LXgtekwxdUtOQlF3SS1SYXV0Q2c6MQ 30