Revista do Grupo Cemig
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
a amazônia
que não se vê
nos postais
Em campo
para a COPA
DE 2014
Expandindo
horizontes
Aos 58 anos, o Grupo Cemig prepara-se para outro
desafio: alcançar, em até 10 anos, a posição de segunda
maior empresa do setor de energia das Américas
Expediente
Diretor-Presidente:
Djalma Bastos de Morais
Diretor Vice-Presidente:
Arlindo Porto Neto
Diretor de Distribuição e Comercialização:
Fernando Henrique Schuffner Neto
Diretor de Finanças, Relações com Investidores
e Controle de Participações:
Luiz Fernando Rolla
Diretor de Geração e Transmissão:
Luiz Henrique de Castro Carvalho
Diretor de Gestão Empresarial:
Marco Antonio Rodrigues da Cunha
Diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios:
José Carlos de Mattos
Diretor Comercial:
Bernardo Afonso Salomão de Alvarenga
Diretor de Gás:
Márcio Augusto Vasconcelos Nunes
Revista institucional do Grupo Cemig
Ano I – número 1
Maio/Junho - 2010
Av. Barbacena, 1.200 - 19º andar
Tel.: (31) 3506-4949/3506-2052
Caixa Postal 992
Belo Horizonte/MG
E-mail: [email protected]
End. internet: www.cemig.com.br
08
Copa 2014
Robert Serbinenko
Editor responsável:
Luiz Henrique Michalick - Reg. nº 2.211 SJPMG
Coordenação de edição:
João Batista Pereira e Carlos Henrique Santiago
Apoio:
Jonatas Andrade
Projeto Gráfico:
Press Comunicação Empresarial
Produção, revisão e edição:
Rede Comunicação de Resultado
Redação:
Beatriz Debien
Danielle Queiroz
Flávio Viégas
Rodolpho Sélos
Diagramação:
Obah Design
Impressão:
Tamóios Editora Gráfica
Tiragem:
22.500
Filiado à:
Companhia já prepara
projetos para
modernização do sistema
elétrico da capital
mineira que vai receber
um dos maiores eventos
esportivos do mundo
Missão da Cemig: Atuar no setor de
energia com rentabilidade, qualidade
e responsabilidade social
12
Sumário
Expansão – Chile
Linhas de transmissão
e subestações no Chile
permanecem intactas
após o tremor de 8,8
graus na escala Richter
16
Aquário do Zoológico
de BH mostra um
pouco das riquezas
do Rio São Francisco
com apoio da Cemig
04
05
Editorial
18
De Minas para o mundo
Nas pistas
Nas pistas
22
Fibra Óptica
Cemig Telecom investe na
disponibilização da internet
banda larga via rede de
eletricidade e gasodutos
30
Gás Natural
24
Foco Social
32
Regionalismos
Conheça a diversidade cultural
escondida nas cidades da região
Amazônica do Maranhão e Pará
Dicas Culturais
Cinema, música e literatura de Minas
para o Brasil
34
Projetos da companhia distribuem
eletrodomésticos novos, eficientes
e mais econômicos para famílias
de baixa renda
26
Vitrine
Conheça os produtos distribuídos
pelo Programa de Eficiência
Energética que podem diminuir o
valor da conta de luz
Gasmig investe na ampliação da
rede de gasoduto para uso
residencial em Minas Gerais
Cemig incentiva prática da
corrida entre os empregados e
leva seus melhores atletas à Meia
Maratona de Miami
14
Capa – DNA da Cemig
Grupo completa 58 anos e mostra
que está preparado para expandir
seus negócios no Brasil e no
exterior
Com o apoio da Cemig, Raphael
Matos chega em quarto lugar na
São Paulo Indy 300
06
Eugênio Paccelli
Meio Ambiente
Com a Palavra
Natureza em fúria - Por Lars Grael
Como a civilidade pode influenciar
na postura da população e dos
governantes na questão do lixo
urbano
35
Retratos do Brasil
A arte e a decoração das fazendas
mineiras do período colonial
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
3
editorial
De Minas
para o mundo
Uma revista não é novidade na Cemig. Nossa Comunicação já editou diversos números especiais
nos aniversários da Empresa e sobre assuntos
específicos, como tecnologia e uso eficiente de
energia. Esta Universo Cemig, entretanto, é nova
em sua proposta. Pela primeira vez, teremos uma
publicação periódica nesse formato.
O nome já entrega parte da linha editorial. Neste
início de século, a Cemig expandiu sua atuação
com rapidez, marcando presença em 19 Estados
brasileiros e negociando ações nas maiores bolsas de valores do mundo. Ou seja, tornou-se um
grande competidor do mercado de energia com
ampla demarcação territorial.
Mundo, grande, ampla. Esses termos servem para
ilustrar o universo em que se transformou a Empresa, pela grandeza dos números, pela complexa
variedade das atividades e pelo envolvimento de
novas e diferentes culturas. É, de fato, um Grupo,
uma holding, como previu Juscelino Kubitscheck,
naquele famoso bilhete, que determinou a criação
da Cemig há 58 anos.
Para esse novo mundo, e acompanhando essa
nova realidade, nasce a Universo Cemig. Uma revista com os objetivos e conceitos desse tipo de
publicação: textos mais analíticos dos fatos, atividades e realizações da Empresa, além de artigos
e entrevistas sobre assuntos ligados, de alguma
forma, aos negócios do Grupo e seus públicos de
relacionamento.
Esse novo veículo substitui o Cemig Notícias, editado há 38 anos e que fez história na comunicação
empresarial brasileira, inclusive vencendo prêmios da categoria. O CN abriu muitas portas e
4
manteve ligados, através de suas páginas, Empresa e empregados, investidores e executivos,
clientes e prestadora de serviços. Seu legado permanece ainda nas páginas da UC, pois não se pode
prescindir de tão rica experiência.
Começamos, então, nova era. Novos caminhos
e novos desafios para a Empresa. Novos planos
que levarão a outras realidades e a outras propostas. Como na canção de Milton e Brant, que
situa uma mesa rodeada de outras mesas, que
por sua vez estão numa rua que tem a cidade
em sua volta, e, em volta da cidade...
Aqui começa esta nova revista, que vai trazer
bimestralmente uma amostra das mesas, ruas,
cidades e de tudo o mais que compõe o grande
Universo Cemig.
Djalma Bastos de Morais
Diretor-Presidente
NAS PISTAS
Em um time
de campeões
A equipe Luczo Dragon Racing/De Ferran Motorsports e o Grupo Cemig mostraram a
força dos mineiros na São Paulo Indy 300
M
inas Gerais foi bem representada
e fez história na primeira edição
da São Paulo Indy 300. Raphael
Matos, único piloto mineiro a participar da
corrida, terminou o circuito em 4º lugar
com o nome da Cemig estampada na asa dianteira do carro de sua equipe Luczo Dragon
Racing/De Ferran Motorsports. Segundo o
piloto, é motivo de grande orgulho ter uma
empresa do porte da Cemig como parceira.
“A Cemig reflete a imagem de tecnologia e
inovação e é o que a Indy busca. Esse apoio,
ter essa corrida no Brasil e ser o único representante mineiro é algo muito significativo”,
destaca Raphael Matos.
Gil de Ferran, sócio da equipe Luczo Dragon
Racing/De Ferran Motorsports, ressaltou o
valor desse apoio do grupo mineiro. “O pa-
trocínio da Cemig foi importante em vários
aspectos. Ter uma companhia brasileira dando
suporte a um piloto brasileiro em um evento
de prestígio como a São Paulo Indy 300 certamente agregou ao nosso perfil”, acentuou.
A corrida levou cerca de 40 mil pessoas ao
Circuito do Anhembi e foi transmitida para
aproximadamente 200 países. Para o presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, a
parceria projetou a marca mundialmente,
além de ser um marco na história da Empresa.
“Para a Cemig estar presente na Indy Racing
Series 2010 foi um momento mágico. Trata-se
de uma grande oportunidade para nossa Empresa, que nasceu em Minas Gerais e que agora projeta-se conforme o seu plano estratégico
de negócios: rompendo as divisas do Estado e
as fronteiras do Brasil e se apresentando como
um novo player no setor de utilities”, afirma.
Carro da equipe
Luczon Dragon Racing
/ De Ferran Motorsports, com a marca da
Cemig, durante a São
Paulo Indy 300
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
5
nas pistas
Energia para
superar desafios
Empregados atletas recebem apoio para disputar
a Meia Maratona de Miami
Empregados que
venceram a Corrida
da Cemig em 2009 e
participaram da Meia
Maratona de Miami
2010
6
P
ara qualquer atleta correr 1, 2, 5,
10, 21 quilômetros ou mesmo os
42 quilômetros da maratona é essencial ter preparo físico apurado, boa
alimentação, dedicação e disciplina, além
de estímulo e apoio financeiro. É preciso,
enfim, muita energia e uma “saúde de
ferro”, como diriam nossos avós. Vários
atletas que disputam provas de longa distância, os chamados corredores fundistas,
descobriram o gosto para esse tipo de
corrida nas primeiras caminhadas com os
amigos. Com a empolgação e a superação
das provas iniciais, vieram os eventos esportivos patrocinados pelas empresas nas
quais trabalham, que optam por promover
o entretenimento, o lazer, o bem estar, a
integração e a saúde entre seus empregados. Essa é a filosofia da Cemig, que desde
2006, sempre no mês de dezembro, realiza
a Corrida Cemig em Belo Horizonte.
Em 2009, a quarta edição do evento contabilizou 2,2
mil inscritos das diversas unidades da própria Companhia, das empresas integrantes do Grupo Cemig e
também atletas profissionais e amadores do Brasil. No
ano passado, Adriana Duarte Coelho, 31 anos, analista
de Desenvolvimento de Recursos Humanos, levantou
o troféu de campeã da Corrida Cemig pela quarta vez
consecutiva, na categoria empregados, sexo feminino.
Com o título, Adriana e outros sete atletas foram selecionados para correr os 21 quilômetros da Meia
Maratona de Miami, uma das provas do calendário da
Federação Internacional de Atletismo (FIA). A maratona deste ano, realizada nas ruas da cidade, a maior
da Flórida (EUA), reuniu 11,5 mil corredores de todo
o mundo. “Na Meia Maratona de Miami cheguei em
5º lugar, na categoria feminina de 30 a 34 anos, e consegui o 13º melhor tempo no campeonato”, comemora a fundista mineira, que conquistou a façanha entre
seis mil mulheres de várias nacionalidades e, estimulada pelo excelente resultado internacional, já treina
para as próximas corridas.
Empenho e superação
Em alguns casos, as corridas surgem na vida das pessoas por caminhos, digamos, inesperados. Por conta
de colesterol alto, a comunicadora social da Cemig Wilma Maria Alves, 53 anos, foi orientada pelos médicos a
praticar atividade física e caminhadas. No início, ritmo
lento e cauteloso. Mas agora, com passadas largas e
firmes, o colesterol despencou, e Wilma já treina para
correr os 21 quilômetros da Meia Maratona do Rio de
Janeiro, em agosto, após a experiência em Miami.
Nessa prova, a Cemig participará com incentivos e
ajuda de custos para os atletas da Companhia. “O
evento terá uma tenda com assistência médica e fisioterapeuta para os corredores participantes”, conta
Wilma, que atuou na organização da Corrida Cemig,
em Belo Horizonte. De frente para o mar e na Cidade
Maravilhosa, a corredora garante que tem gás suficiente para deixar muita gente “comendo poeira” nas
próximas competições nacionais e internacionais de
que planeja participar.
Sentir-se como parte de um projeto saudável e bem
sucedido também é a vontade da técnica de Gestão
Administrativa Rosângela Simões, que trabalha há 23
anos na Cemig. “Por enquanto continuo com minhas
caminhadas pela Lagoa da Pampulha, mas tenho o
desejo de participar das corridas. Estímulo da empresa eu já tenho, agora é preciso força de vontade da
minha parte”, admite.
Depois da experiência
em Miami, Wilma
treina para a Meia
Maratona do Rio de
Janeiro
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
7
Henry Yu.
Copa 2014
A Copa
2014 já
começou
Time da Cemig já entrou em
campo, projetando a
modernização do sistema de
distribuição de energia para o
maior evento esportivo
do planeta
D
o alto do Mirante das Mangabeiras, na Serra do Curral, se avista
boa parte da capital mineira. Assim como a montanha mais distante da
paisagem, a Copa do Mundo de 2014
ainda parece um evento longe nesse Belo
Horizonte, pois as atenções estão voltadas
para o Campeonato Mundial de Futebol de
2010, que será realizado entre 11 de junho
e 11 de julho, na África do Sul.
Entretanto, do lado de cá do Atlântico,
muitos brasileiros já pensam em abrilhantar uma conquista inédita até mesmo
para a seleção canarinho, única a se sagrar
cinco vezes campeã mundial de futebol:
vencer a Copa em casa, em 2014. A bola
ainda não rolou no tapete verde do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão. Porém,
desde dezembro do ano passado o time
da Cemig está em campo para elaborar,
desenvolver e preparar a execução dos
projetos de melhorias e modernização do
8
sistema de distribuição de energia elétrica
da capital mineira e de todo o Estado.
A Companhia trabalha em diversas frentes
para implementar todo tipo de melhoria
possível. Estão em desenvolvimento projetos para implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em Minas Gerais,
de eficientização energética da capital mineira e de energia solar para o Mineirão.
O KFW (banco de fomento do Governo
Alemão) será responsável pelo financiamento desses empreendimentos.
Em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a Cemig estuda a implementação de projetos estruturantes não apenas para apoiar a realização dos jogos, mas
O Mineirão terá um
novo projeto de iluminação e fornecimento
de energia elaborado
pela Cemig
Robert Serbinenko
A Avenida Afonso
Pena será uma das
vias da capital
mineira a contar
com rede
subterrânea de
energia
também para inovar no fornecimento de energia na cidade. Dessa maneira, a Companhia vai
garantir toda a infraestrutura necessária para
receber turistas, dirigentes esportivos, jogadores estrangeiros e a seleção brasileira. Rodolfo de Souza Monteiro, gestor da Cemig, diz
que a Empresa está agindo de acordo com a
filosofia da Federação Internacional de Futebol
(Fifa), que estabelece que a Copa do Mundo
garanta uma série de melhorias para a população dos locais onde os jogos serão realizados.
“Os trabalhos visam a qualidade de vida e o
turismo. Queremos fazer o possível para o visitante sair com a melhor impressão e também
para deixar um legado de maior conforto e segurança na cidade”, esclarece Rodolfo.
Iluminação moderna para encantar
A Cemig também vai trabalhar na modernização e na estética do sistema elétrico da capital
mineira, investindo em redes subterrâneas de
distribuição de energia nas principais avenidas
e corredores, que irão desobstruir e tornar
mais bonito o espaço aéreo da cidade. Essas
redes subterrâneas vão reduzir a quantidade
de interrupções de energia e preservar
o meio ambiente. Um dos projetos está
voltado para o desenvolvimento de uma
iluminação especial das avenidas Afonso
Pena e Agulhas Negras, que inclui a implantação de uma rede subterrânea entre
o cruzamento da Avenida do Contorno e o
da Bandeirantes.
Nos principais corredores de acesso da
cidade, está prevista a substituição dos
semáforos convencionais, que utilizam
lâmpadas comuns, por semáforos a LED
(sigla em inglês para emissão de luz por
diodo), que é ativada por baixíssima corrente e possibilita economia de consumo
energético, melhor visualização para os
motoristas e menos manutenção. Esse
projeto será executado até o final deste
ano, transformando BH na primeira capital
brasileira com todos os semáforos a LED.
Os principais pontos turísticos da capital
também serão contemplados pelos projetos estruturantes da Cemig. “A ideia é
realçar a iluminação desses locais, conAno 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
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A Serra do Curral vai receber um projeto inovador de iluminação que
vai deixar seu entorno
visível de qualquer ponto da cidade
tribuindo para transformar a capital mineira
em um grande pólo turístico e referência internacional em segurança pública, qualidade da
energia elétrica e preservação do meio ambiente”, explica o gestor Alexandre Heringer Lisboa, da Cemig.
A iluminação da Serra do Curral será uma das
inovações do projeto para a Copa de 2014. A
iniciativa vai tornar o seu entorno visível durante a noite, em qualquer ponto da capital.
Energia limpa para o templo mineiro do
futebol
Além das melhorias programadas para a cidade, a Cemig participa do processo de revitalização do complexo esportivo Mineirão/Mineirinho. O estádio de futebol, que vai receber
os jogos disputados em Belo Horizonte, terá
tratamento especial com relação à iluminação.
A Empresa estuda a melhoria do fornecimen-
10
to de energia durante os jogos, por meio
da implantação de rede subterrânea, alimentadores expressos e energia solar.
No estádio, a Companhia analisa a viabilidade técnica para implantação de uma
usina solar fotovoltaica (energia solar), em
parceria com a Agência de Cooperação
Técnica Alemã (GTZ). O acordo, assinado
em dezembro passado, visa a montagem,
operação e manutenção dessas centrais de
geração fotovoltaicas que serão conectadas à rede de distribuição da Cemig. Entre as alternativas estudadas estão o
aproveitamento da cobertura de concreto
do Mineirão para esse projeto ou da nova
cobertura em policarbonato que pode ser
construída. Nesse último caso, as placas
fotovoltaicas ficaram embutidas.
Segundo Lisboa, a modernização do Mineirão e do Mineirinho será desenvolvida
com base em uma consultoria técnica de
acordo com os requisitos e créditos da Leed
– Greenbuilding, certificação norte-americana de normas sustentáveis que exige a
construção ecoeficiente de um empreendimento. “O projeto também será elaborado
em conformidade com as rigorosas regras
e exigências da Fifa”, acrescenta Lisboa.
Para conceder a mais alta certificação em
eficiência energética, o projeto está previsto para ser concluído até dezembro de
2012, pois no ano seguinte o Mineirão já
receberá algumas partidas da Copa das
Confederações, torneio entre as seleções
campeãs de seus continentes. Esse campeonato, também organizado pela Fifa,
será a melhor oportunidade para o time da
Cemig colocar à prova toda essa infraestrutura, antes do mais popular evento futebolístico e, talvez, esportivo do mundo.
Para receber os jogos da Copa 2014,
a Companhia analisa a viabilidade técnica para implantação de uma usina
solar fotovoltaica no Mineirão
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
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Expansão
Torre da Cemig no Chile
suportou recente tremor de 8,8 graus na Escala Richter
12
Sem fronteiras
R
nou grande aprendizado para todos os técnicos da Cemig envolvidos diretamente no projeto, que até então não tinham tido oportunidade de atuar em áreas vulneráveis a abalos
sísmicos. “Foi uma experiência que possibilitou bastante conhecimento prático, tanto
para nós quanto para os chilenos. Aprendemos, principalmente, sobre a tecnologia
de construção de torres, redes e subestações
resistentes a terremotos. O barramento das
linhas de alta tensão, por exemplo, é feito
com cabos, enquanto aqui no Brasil realizamos esse procedimento com materiais rígidos”, salienta o engenheiro.
Em parceria com a Alupar – empresa brasileira
sediada em São Paulo, do ramo de construção
civil –, a Cemig participou de uma licitação internacional promovida pelo governo chileno
para a construção de 204 quilômetros de linhas de transmissão de alta tensão (linhas de
220 kilovolts) ligando as cidades de Charrua e
Nuevo Temuco.
Além da experiência profissional e empresarial, confirmada e coroada com o êxito da
obra, o consórcio brasileiro – denominado
TransChile, com sede em Santiago – já se
qualifica para participar de novas concorrências no Chile. “Os representantes da empresa
no país estão atentos a novas oportunidades
de negócios, pois o governo chileno manifestou desejo de modernizar as demais linhas de
transmissão. Esse será o maior plano de melhorias do país”, comenta Carlos Henrique.
Experiência no Chile mostra o potencial da
Companhia para executar projetos audaciosos e
de alta complexidade também fora do Brasil
econhecida mundialmente como uma
Empresa sustentável sob o aspecto
econômico financeiro e com larga experiência no Brasil na construção de redes de
alta tensão, a Cemig está ultrapassando as
fronteiras brasileiras. Desde 2005, a Companhia decidiu atuar no mercado internacional e começou pelo Chile.
As obras consumiram 33 meses e a linha foi
inaugurada em janeiro deste ano, semanas
antes do terremoto que atingiu o Chile. Apesar de estarem a apenas 150 quilômetros
do epicentro do abalo sísmico, localizado na
região de Concepción, as torres de transmissão construídas pelo consórcio brasileiro permaneceram intactas e resistiram ao intenso
tremor de 8,8 graus na escala Richter, o mais
forte ocorrido no Chile nos últimos tempos.
“As torres e as subestações suportaram bem
o terremoto. Foi uma prova da qualidade do
trabalho executado pela Cemig e pela Alupar”, destaca Carlos Henrique Afonso, engenheiro eletricista da Cemig que acompanhou
as obras de execução no Chile, entre 2007 e
2010.
Segundo Afonso, que está há 21 anos na empresa, a experiência internacional proporcio-
Uma novidade para os chilenos, levada pela
Cemig, é a manutenção em linhas vivas (linhas
energizadas, com carga) nas redes de transmissão de alta tensão. As torres são erguidas
de forma que a estrutura das construções
possibilite aos técnicos a manutenção dessas
estruturas e redes de alta tensão, mesmo nos
pontos mais distantes do solo. “É um procedimento que desenvolvemos desde o projeto,
mas lá no Chile eles não têm essa prática”, diz
o engenheiro Carlos Henrique. Ele acredita
que essa primeira obra internacional executada pelo Consórcio TransChile, do qual a Cemig detém 49% do capital, é um bom cartão
de visitas para que a holding mineira alcance
sua meta de, em 2020, ser o segundo maior
e mais importante grupo de energia do Brasil,
com presença relevante nas Américas.
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
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Fibra Óptica
Novos rumos para
a inovação e o
desenvolvimento
Cemig Telecom está entre as empresas do Grupo que busca expandir negócios e
aumentar a presença no Brasil e no exterior
A
Cemig sempre se dedicou à geração,
produção e distribuição de energia
elétrica em Minas Gerais, afinal, esse é
o principal negócio da Companhia. Entretanto,
diante do crescimento da população, com a
evolução da sociedade e o natural surgimento
de novas tecnologias e demandas, a Cemig
também optou por acompanhar o ritmo intenso e cibernético do século 21.
Dessa forma, no final dos anos 1990 a direção
da Companhia vislumbrou uma boa possibilidade para ampliação e diversificação dos negócios e decidiu participar do capital da Infovias,
empresa constituída em parceria com a norteamericana AES e dedicada ao fornecimento e
instalação de infraestrutura para empresas de
telecomunicações.
Até 2002, a Infovias contabilizava faturamento
da ordem de R$ 450 mil por mês. Uma receita
baixa para o tamanho do investimento e também pelo aporte que a companhia deveria
executar para manter o negócio e permanecer
na sociedade com os norte-americanos. Após
uma cuidadosa avaliação do mercado de telecomunicações feita por empregados, a direção
da Cemig concluiu pela compra de 50% do
capital da Infovias, em 2002. A aquisição apresentou resultados satisfatórios e, em janeiro
deste ano, a nova empresa – batizada Cemig
Telecom – já registrava um faturamento 14
vezes maior, de R$ 11 milhões por mês.
14
Esse crescimento vertiginoso, argumenta o
economista Sérgio Belizário, presidente da Cemig Telecom, deve-se à expansão dos negócios
em infraestrutura para operadoras de telefonia
– fixa e móvel –, emissoras de rádio, TV, internet banda larga, transmissão de dados, de voz
e de imagens em alta velocidade, cabeamento
para TV a cabo e telefonia IP. “A Cemig reuniu
um grupo de profissionais para transformar
um negócio nada rentável em uma atividade
lucrativa e autosustentável, sem a necessidade
de aportes constantes para salvar o caixa da
empresa”, conta Belizário. Atualmente, conforme o Anuário de Telecomunicações, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Cemig
Telecom está entre as dez maiores empresas do
segmento em rentabilidade. “É só uma questão
de tempo para nos tornarmos uma potência
internacional nesse setor”, afirma Belizário.
A explicação para tamanha crença está, certamente, no trabalho de parcerias, seja com empresas do grupo ou não. É assim, por exemplo,
com a Gasmig, que tem realizado investimentos importantes na expansão do gasoduto para
diversas regiões de Minas Gerais. “Quando a
Gasmig contrata as construtoras para a instalação dos dutos e da tubulação da rede de gás
(industrial e residencial), nos associamos a eles
e já construímos nossa rede de fibra óptica. O
mais caro é abrir o chão para fazer a vala, colocar os dutos e preparar a rede”, argumenta
Belizário. Também nas redes de alta tensão do
Arquivo Cemig Telecom
Instalações da Cemig Telecom,
empresa do Grupo que se prepara para expandir seus negócios em Minas e, futuramente,
no Brasil e no exterior
Grupo Cemig, presentes em todas as regiões
do País, o presidente da Cemig Telecom vê
perspectivas de boas parcerias. Isso porque
na mesma torre é possível e viável instalar os
dutos com fibras ópticas para transmissão de
dados e telefonia.
Segundo Belizário, por enquanto a Cemig Telecom mantém sua atuação dentro dos limites
do território mineiro, mas o planejamento estratégico da empresa aponta para outros estados e, naturalmente, para terras bem mais
distantes, dentro e fora do continente americano. Um dos focos da empresa é a ampliação
do relacionamento comercial com empresários e a abertura de novas frentes de atuação
do outro lado do Atlântico, em especial nos
países de língua portuguesa, como Angola,
Moçambique, Luanda e Timor Leste. “Os africanos conhecem, de longa data, a qualidade
do trabalho que a Cemig realiza na área de geração e transmissão de energia”, diz Belizário.
Já na Região Metropolitana de Belo Horizonte
(RMBH), a empresa fortalece sua participação no mercado mineiro com o projeto Condomínio, uma iniciativa para levar rede de
fibra óptica a 31 residenciais de alto luxo de
Belo Horizonte e Nova Lima. A segunda etapa,
programada para 2011, destina-se aos condomínios verticais do bairro Belvedere.
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Meio Ambiente
Preservando
espécies do
Velho Chico
Cemig participa de trabalho de coleta, seleção e
transporte de peixes nativos do Rio São Francisco
para o aquário do Zoológico da capital mineira
C
Devido à sua excelência e pioneirismo na
pesquisa, criação e peixamento dos rios
que cortam o Estado, a Cemig não poderia
ficar de fora dessa iniciativa, participando
com a coleta, seleção e transporte de algumas das 50 espécies de peixes que hoje
16
Eugênio Paccelli
arinhosamente chamado de Velho
Chico, o Rio São Francisco nas- ce
a 1.200 metros de altitude, na Serra
da Canastra, município de São Roque de
Minas, região Centro-Oeste de Minas. Após
atravessar quatro estados brasileiros –
Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas
e Sergipe –, deságua no Oceano Atlântico, a 1.371 quilômetros da sua nascente.
Com toda essa dimensão, dá para imaginar as riquezas naturais que o rio esconde
em seus leitos. Uma pequena amostra do
Velho Chico pode ser vista no aquário do
Jardim Zoológico de Belo Horizonte. Tratase de uma boa oportunidade para conhecer
a fauna do rio e saber como preservá-la.
O aquário do Jardim Zoológico de Belo Horizonte abriga
amostras de 50 espécies do
“Velho Chico”
podem ser vistas e admiradas também no
aquário mineiro, a centenas de quilômetros
de seu habitat original. Esse trabalho foi realizado pela companhia em parceria com a
Fundação Zoo-Botânica, de Belo Horizonte.
A captura dos espécimes nativos foi feita
perto da confluência dos rios Abaeté com
São Francisco, local conhecido como Pontal
do Abaeté, próximo à Usina de Três Marias,
da Cemig.
Newton Prado, gerente de Estudos e
Manejo de Ictiofauna e Programas Especiais da Cemig, explica que após a pesca
os peixes permaneceram em quarentena
nos aquários da Estação de Hidro-biologia
e Piscicultura da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), no município de Três Marias (MG), que apoiou o trabalho de coleta
junto com o Instituto Estadual de Florestas
(IEF). Após esse período, os peixes foram
transportados para o aquário da capital mineira. “A Cemig fez um trabalho minucioso
e de grande responsabilidade, cujo objetivo
é estimular a preservação do meio ambiente e o conhecimento da fauna”, destaca
Newton.
Para auxiliar na implantação do aquário
temático, a Cemig também custeou a
vinda de duas especialistas do Vancouver
Aquarium, importante centro de estudos
marinhos que abriga o maior aquário do
Canadá. Elas prestam consultoria técnica
ao aquário do São Francisco e avaliam as
condições de funcionamento e manutenção
do espaço.
Preservação ambiental gera cidadania
O cuidado com o meio ambiente também abre
espaço para ações sociais. Na esteira de suas
missões, a Cemig criou um espaço onde as pessoas podem difundir políticas de preservação
do meio ambiente e estimular a mudança social
dos cidadãos. Trata-se do Centro de Educação
Permanente Mário Bhering, inaugurado em
abril, em Três Marias, a 300 quilômetros de Belo
Horizonte. O espaço visa a integração cultural
e social da comunidade do município, onde a
Cemig construiu, em 1955, a primeira usina hidrelétrica de grande porte do Brasil.
O centro também integra o projeto Ver Sol, que
contempla aulas de artesanato e de produções
literárias, canoagem, natação e oficinas profissionalizantes, com 150 alunos já matriculados.
“A meta é fomentar o turismo sustentável na
cidade, gerando empregos e capacitação aos
cidadãos, além de promover ferramentas de
preservação da fauna a várias entidades e instituições, centros de pesquisas e laboratórios da
região”, explica Newton.
Para 2011, a companhia prepara a inauguração
do Centro de Excelência na Estação de Piscicultura, em Conceição da Alagoas, no Triângulo
Mineiro, que promete fomentar o turismo na
região e estará aberto às visitações do público,
que poderá conferir as amostras de várias espécies nativas do Rio Grande.
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
17
Capa
O DNA Cemig
Aos 58 anos de existência, o Grupo Cemig se
consolida como um dos maiores do país e mostra
potencial para se destacar nas Américas
C
ompetência para planejar, empreender,
operar e manter grandes obras de geração, transmissão e distribuição, assim
como a excelência da equipe de engenharia
e a capacidade de inovar permanentemente.
Além dessas características que fazem parte
do setor elétrico brasileiro como um todo, uma
grande parte dos empreendimentos construídos nos últimos 58 anos tem uma característica em comum: fazer parte do Grupo Cemig.
Em Minas Gerais, construiu obras que repercutiram em todo o mundo, como as hidrelétricas de Três Marias, São Simão e, mais recentemente, Irapé, premiada na Espanha por
sua importância técnica e social. No século 21,
agregou seu parque gerador e a maior rede de
distribuição da América do Sul ao plano diretor
que tem como meta a permanente expansão
da Companhia.
Assim, a acanhada Centrais Elétricas de Minas
Gerais, planejada para administrar as usinas do
Estado, transformou-se na holding Companhia
Energética de Minas Gerais, que hoje reúne 59
empresas e 10 consórcios, com presença em
19 Estados brasileiros, além do Distrito Federal
e do Chile, e com ações nas bolsas de valores
do Brasil, Estados Unidos e Espanha. Só em
Minas e no Estado do Rio, o Grupo atende um
mercado de 10,7 milhões de clientes. Em 2009,
a Companhia obteve lucro líquido ajustado de
R$ 2 bilhões.
Para o executivo Luiz Fernando Rolla, diretor
de Finanças, Relações com Investidores e Con-
18
Arquivo TBE
Subestação da TBE, uma das
empresas do Grupo Cemig
trole de Participações, o sucesso da empresa, formalmente constituída em 1952 pelo
então governador Juscelino Kubitschek,
é resultado de um cuidadoso e detalhado
plano diretor ancorado no relacionamento
transparente com todos os seus públicos.
“O modelo de governança corporativa da
Cemig é baseado em princípios de transparência, equidade e prestação de contas,
com a definição clara dos papéis e responsabilidades do Conselho de Administração
e da Diretoria Executiva na formulação,
aprovação e execução das políticas e diretrizes referentes à condução dos negócios”,
destaca.
Naturalmente, também há outras razões
que colocam a Cemig no topo do ranking
como um dos mais sólidos e importantes
grupos da área de energia elétrica do Brasil. Entre elas, a competência técnica reconhecida pela sua atuação sustentável.
Em 2009, a companhia foi incluída, pela
décima vez consecutiva, no Índice Dow
Jones de Sustentabilidade, e pelo segundo ano
como líder mundial do setor de utilities.
E sustentabilidade também está diretamente
vinculada ao investimento na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), para a busca de
soluções inovadoras, criativas e com elevado
grau de tecnologia. Nesse sentido, a Cemig está
muito além de sua época, pois a tecnologia é
um de seus pilares de sustentação, servindo de
modelo a outras concessionárias do setor.
O genoma da companhia
Quando as Centrais Elétricas de Minas Gerais
entraram em operação, havia poucos profissionais no Brasil para o setor de energia e a
Cemig ainda era uma promessa. Aos poucos,
a Companhia conquistou a confiança das pessoas e se mostrou ser um bom lugar para trabalhar e crescer profissionalmente. O engenheiro eletricista Evandro Vasconcelos, diretor
de Energia da Light, no Rio de Janeiro, chegou
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
19
Com a aquisição de
participação na Light, o
Grupo Cemig ingressou
no Rio de Janeiro
20
à Companhia em 1983, passou por várias áreas
e fez diversos cursos, entre eles o mestrado em
Planejamento Energético na Universidade Federal
Fluminense (UFF/Cope). “A formação profissional
é um dos pilares da Cemig”, enfatiza. Na sua
avaliação, os investimentos na formação profissional – em todos os níveis – contribuíram para a
criação de uma cultura fundamentada em ética,
seriedade, eficiência, responsabilidade e qualidade, reconhecida em todo o País e no exterior.
“Esse é o DNA Cemig”, assinala.
Para o mecânico de aeronaves Evanildo de
Almeida Severino, o `Tchê´, que ingressou
na Cemig em 1989 como torneiro mecânico na Praça da Cemig, em Contagem (MG),
a companhia mudou bastante a sua forma
de encarar a vida. ‘‘Entrei para a Cemig no
último ano em que era possível ser selecionado sem concurso público. E de lá pra
cá minha vida profissional deu um grande
salto, para a frente e para o alto”, afirma
o técnico de aeronaves, que após a con-
clusão do curso, em 2006, foi transferido
para o hangar da Cemig, no Aeroporto da
Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
Já o engenheiro Túlio Marcus Machado Alves, após 23 anos de Cemig foi convidado
para ocupar o posto de gerente geral da
Efficientia Energética S/A. Na nova empresa e no novo cargo, ele e a equipe
desenvolvem projetos para aprimorar a
eficiência energética de grandes empresas estabelecidas em Minas Gerais. “Já
trabalhei em outras organizações e posso
dizer, com certeza, que a Cemig é a melhor empresa do setor elétrico para se trabalhar”, declara.
Marcus Vinícius do Nascimento, gerente
de Engenharia na Transmissoras Brasileiras de Energia (TBE), chegou à Cemig em
1976, com 19 anos para o estágio orientado. Formado em Eletrotécnica, ele foi
admitido na área de projetos de subestações de transmissão e em seguida cursou
Engenharia Elétrica, na PUC Minas. Com
o diploma nas mãos, Marcus andou por
Minas como gerente das áreas de Operação e Manutenção de Subestações de
Transmissão nas cidades de Barbacena,
Caxambu e Juiz de Fora, passou pelo
Planejamento Elétrico do Sistema de
Transmissão da Cemig e, finalmente, foi
superintendente de Planejamento da
Operação da Geração e da Transmissão
da Companhia até janeiro de 2005 – 30
anos depois de começar como estagiário.
De manuscritos a papéis
valorizados em todo o mundo
Após assumir o Governo de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek
iniciava a constituição da Cemig,
planejada na administração do
governador Milton Campos. Para
levar o projeto adiante, no dia
22 de fevereiro de 1951 escreveu
uma carta ao então secretário de
Obras, José Esteves Rodrigues, sobre os planos que desejava colocar
em prática a fim de “estabelecer
uma holding que controle as atividades das diversas centrais elétricas” em construção no Estado.
A carta, manuscrita, tem lugar de honra ao
lado da porta da Diretoria de Finanças, Participações e Relações com Investidores, no
18º andar do edifício-sede da Cemig, em
Belo Horizonte (MG).
Como governador de Minas, o
visionário JK já
planejava fazer
da Cemig uma
holding
A partir dos pedaços de papel começou a
vigorosa história de 58 anos da Empresa,
que já atravessou as montanhas geladas da
Cordilheira dos Andes, e hoje está presente
no Chile e em quase todo o território brasileiro. Se o reconhecido visionário e empreendedor JK pudesse constatar o atual cenário
da Cemig hoje, certamente estaria orgulhoso
e preparado para novos desafios. O próximo
deles é alcançar, em 2020, o posto de segunda maior empresa do setor de energia das
Américas, conforme prevê seu plano diretor.
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Gás Natural
Na porta de casa
Gasmig amplia fornecimento de gás natural para indústrias e prepara licitação para
construção de redes de abastecimento residenciais em Minas
A
Se o gás natural já é um velho conhecido
da indústria brasileira e de inúmeros proprietários de automóveis de Minas Gerais,
somente a partir deste ano os proprietários de casas e prédios residenciais
poderão escolher entre Gás Liquefeito de
Petróleo (GLP), ou o gás de cozinha, e os
benefícios e vantagens proporcionadas
pelo gás natural. “Sem dúvida, trata-se de
uma melhoria para a população de Minas
Gerais, o último Estado brasileiro a investir
na implantação de gasoduto para residências”, conta Vasconcelos Nunes.
Poços de Caldas, no Sul de Minas, a 468
quilômetros de Belo Horizonte, será a
primeira cidade mineira a contar com
gás natural residencial. Até julho deste
ano, a Gasmig pretende licitar a obra
Arquivo Gasmig
té o final de 2009, o plano de ação
da Companhia de Gás de Minas
Gerais (Gasmig) fundamentou-se,
essencialmente, na expansão da rede de
gás natural para atender a demanda da
indústria, especialmente do segmento
voltado para o grande consumidor de
energia elétrica e de carvão vegetal.
Com esse objetivo, a Gasmig contribuiu,
por exemplo, para garantir a instalação
da siderúrgica Vallourec & Sumitomo do
Brasil (V&SB), no município de Jeceaba
(MG), na região Metalúrgica. “A proximidade do gasoduto foi decisiva para o consórcio Vallourec & Sumitomo escolher essa
região, onde foi realizado um investimento
da ordem de R$ 1,2 bilhão”, comenta Márcio Augusto Vasconcelos Nunes, presidente da Gasmig.
22
para construção de nove quilômetros
de gasoduto, cujo investimento será em
torno de R$ 12 milhões. “Em seguida, e
até 2014, a Gasmig vai levar gás natural a
200 mil famílias de Belo Horizonte. Ainda
neste ano, vamos selecionar os bairros da
capital mineira que serão contemplados
com as redes de abastecimento”, comenta
Vasconcelos Nunes. Ele acrescenta que no
prazo de 15 anos, ou seja, até 2025, todos
os bairros de Belo Horizonte terão gás
natural para uso em casas e apartamentos.
Contudo, distribuição e comercialização
de gás natural – industrial, veicular ou residencial – são apenas dois dos negócios da
Gasmig. O novo planejamento estratégico
do Grupo Cemig prevê a presença da companhia de gás em outras atividades e em
parceria com empresas da holding, como na
construção da rede de gasoduto de Poços
de Caldas. A Gasmig também é responsável por contratar a obra para execução da
rede de dutos de fibra óptica, em associação com a Cemig Telecom. “Cerca de 4,2%
do total do investimento no gasoduto de
Poços de Caldas estão previstos para essa
estrutura da Cemig Telecom”, observa Vasconcelos Nunes. No futuro a própria Gasmig poderá usufruir da rede de fibra óptica
e da prestação de serviços oferecida pela
Cemig Telecom, como a leitura online e em
tempo real dos medidores de gás em casas,
lojas e prédios comerciais e residenciais.
Gasmig passará a
fornecer gás natural
às residências de Minas Gerais
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Foco social
Técnico da Cemig faz a troca de chuveiro em residência pelo Projeto Conviver
Energia
eficiente,
consumo
inteligente
Programa Eficiência Energética
beneficia famílias de baixa renda,
asilos e creches com eletrodomésticos
mais econômicos
L
âmpadas acesas nos cômodos vazios, chuveiro com mau
contato na chave, geladeira
com porta aberta ou com a borracha sem pressão, interruptores estragados, roupas atrás da geladeira
para secar e vários equipamentos
ligados ao mesmo tempo nos benjamins. Esses detalhes provocam
desconforto, aumento do consumo
de eletricidade e levam o valor da
conta de luz às alturas, estourando o orçamento e deixando muita
gente de mau humor. Para evitar
tais transtornos a Cemig ampliou, a
partir do ano passado, o Programa
de Eficiência Energética, dando mais
ênfase aos programas de substituição
de equipamentos “esbanjadores” por
outros mais econômicos.
Com o Projeto Conviver, a Cemig
troca os equipamentos usados (geladeiras, chuveiros, lâmpadas incandescentes) por outros novos e mais
econômicos das casas das famílias
24
de menor poder aquisitivo (renda mensal de até um
salário mínimo) que vivem nos bairros mais carentes
das grandes cidades e nos municípios de menor Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas Gerais.
Outra ação do Programa de Eficiência Energética promove a mudança de equipamentos das instituições
beneficentes (asilos, creches e berçários) cadastradas
no Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas).
Na implementação das duas ações, estão previstos investimentos da ordem de R$ 45 milhões para superar
a meta de atendimento de 200 mil famílias de baixo
poder aquisitivo da Região Metropolitana de Belo
Horizonte (RMBH) e de outros 62 municípios mineiros.
As visitas de técnicos especializados e a troca dos
equipamentos podem representar uma redução de até
50% na conta do mês, segundo o gestor do Programa
de Eficiência Energética, Rodolfo Monteiro. “Em 2010,
serão beneficiadas 4,2 mil famílias, 1,2 mil creches e
511 asilos, principalmente do Vale do Jequitinhonha e
Norte de Minas, além de municípios do Sul de Minas,
Triângulo Mineiro e região Central. Mais que a troca
dos equipamentos, a Cemig orienta as famílias e instituições para a importância do uso racional e da conservação da energia elétrica”, salienta.
Os adolescentes Wesley e Larissa, netos de Hamilton
e também moradores da casa, receberam orientações
dos técnicos da Cemig sobre conservação e uso racional da energia elétrica. Com isso, mudaram os hábitos
e agora não deixam a televisão ligada depois da partida de vídeo game. “É bom saber que eles aprenderam
e estão preocupados com o orçamento doméstico.
Assim, pouco a pouco despertam para a preservação
do meio ambiente”, alegra-se o avô.
Essas medidas simples resultam em ganhos importantes para as famílias e podem, ao mesmo tempo,
incrementar a economia dos pequenos municípios
mineiros. Por exemplo, o consumo de eletricidade
de uma geladeira nova representa R$ 14 a menos na
despesa mensal da família. E com esse dinheiro é possível comprar alimentos de primeira necessidade.
O aposentado Hamilton teve sua
geladeira trocada e recebeu dicas
dos técnicos do Projeto Conviver,
da Cemig, que contribuíram para a
redução do consumo de energia
Famílias já recebem visitas técnicas
Várias famílias têm aprendido a economizar energia
e, de fato, já sentem alívio no bolso. “Estamos felizes
com a visita dos técnicos da Cemig. Em dezembro de
2009, cheguei a pagar R$ 95 na conta de luz. Mas no
mês passado paguei R$ 70”, revela o pintor Wilson Ribeiro, um dos beneficiados de Belo Horizonte. A economia de R$ 25 tem destino certo, diz Ribeiro, pai de
duas filhas pequenas. “A mesa ficou mais farta e agora
todos os dias tem frutas e verduras para minha família. Antes, sacolão era apenas duas vezes por mês, mas
agora compramos toda semana”, conta, satisfeito.
Os gastos com alimentação são prioridade também
para famílias como a do aposentado Hamilton Soares
Rodrigues, de 72 anos, morador do bairro Alto Vera
Cruz, em Belo Horizonte. Com a troca da geladeira antiga, que apresentava problemas na borracha da porta,
além da tampa do congelador estragada e os vidros internos quebrados, Hamilton já contabiliza a economia
no bolso. “Acredito que nas próximas contas vamos
gastar bem menos, talvez menos de R$ 40 por mês.
Às vezes, a conta chegava a R$ 80, para desespero de
minha mulher”, comenta.
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25
regionalismo
A arte e a vida na
Amazônia Oriental
Na porta de entrada da Floresta Amazônica, o projeto Mestres do
Futuro convida a conhecer a cultura e a arte dos pequenos municípios
A
300 quilômetros da cidade de Belém (PA), em
Goianésia do Pará, comer tucunaré ou surubim
ao som do carimbó faz parte do cotidiano da
pequena e “arretada” população de 29 mil habitantes.
“Vários tipos de peixes são encontrados por aqui e a cultura é muito rica, muito diversificada”, anuncia o artesão
Ananias dos Santos Cordeiro. Ele conta que o carimbó é
um gênero musical de origem indígena que faz alusão
ao tambor de mesmo nome, surgido na periferia da
cidade de Belém, há centenas de anos. “Hoje, a dança
tradicional ganhou um tom e um ritmo mais moderno,
com um toque de lambada. Já está diferente daquela
música tradicional considerada a preferida dos pescadores da Ilha do Marajó”, lembra Cordeiro.
E não é para menos. O artesão conta que a cidade é
calorosa, receptiva e o turista de primeira viagem tem
surubim e tucunaré assados garantidos no prato. “A
cidade é repleta de peculiaridades. Vários moradores
de outros municípios do Pará desembocam por aqui
querendo uma qualidade de vida melhor, pois o município é pequeno. É o interior do interior”, diz.
26
Arquivo TBE/Mestres do Futuro
Natural de Tucuruí (PA), o artesão, de 38 anos, é morador de Goianésia há sete e divide seu tempo entre o
cargo de funcionário da prefeitura e a arte em buriti,
ofício que desenvolve no projeto “Mestres do Futuro”,
patrocinado pelas Transmissoras Brasileiras de Energia
(TBE), uma das empresas do Grupo Cemig. “Vim pra cá
por conta da nomeação no concurso. Estava na minha
cidade natal e gostava de lá. Mas não imaginava que me
apaixonaria por Goianésia do Pará”, revela.
Mas o forte da cidade, diz Cordeiro, continua sendo o
artesanato. “Faço arte com as palmeiras de buriti. Além
dessa matéria-prima, trabalho com reciclagem de jornais e papéis, assim posso contribuir também com o
meio ambiente”, disse o artesão, que, experiente, foi
escolhido para ser um dos professores do programa
Mestres do Futuro. “Formei 15 jovens alunos em três
meses de oficina. É bonito ver a cultura do Estado sendo resgatada por quem ainda está começando a vida”,
registra.
mudou de vida após começar a dar aulas de artesanato
e a resgatar a cultura local.
O município tropical, aparentemente tímido pela demarcação geográfica, se destaca economicamente,
desde o início, pela produção de grãos. Oficialmente
criada em 1994, quando foi desmembrada de
Imperatriz (MA), a cidade abriga também uma grande
plantação de eucalipto, de onde se extrai a madeira
para a produção de carvão que alimenta as siderúrgicas
de Marabá (PA) e Açailândia (MA).
Fé preservada pelas raízes culturais
No Oeste do Maranhão, a 641 quilômetros da capital São
Luiz, o pequeno município de São Pedro da Água Branca
conta com apenas 12 mil habitantes. Esses personagens
distantes da realidade dos grandes centros urbanos são
célebres protagonistas do enredo enriquecedor da Floresta Amazônica e ícones reveladores de uma fé preservada pelas raízes culturais e religiosas.
“Rezava todo dia, meu Deus me ajude! Durante três
meses estávamos reunidos no projeto. Hoje tenho uma
casa simples, mas é minha.” O depoimento emocionado
é de Maria Mundica, que ministra a oficina de arte em
palha de tucum, do projeto Mestres do Futuro. A artesã
Mas a indústria siderúrgica não ceifou a cultura popular
e a identidade regional de São Pedro da Água Branca. A
perseverança, a religiosidade e a fé de um Brasil forte,
sonhador e que tem sede de oportunidades dão força
ao artesanato. O tucum, uma palmeira nativa do norte
e oeste da região Amazônica, é a matéria-prima usada
para a confecção de redes para dormir e pescar, linha
de pesca, além de roupas e outros utensílios, como bolsas e chapéus.
Maria Mundica, que há anos sustentava sua família de
oito pessoas com a renda do artesanato, pôde finalmente passar seu conhecimento para a comunidade
onde mora, por meio das oficinas. “Estou me sentindo
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
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A mestre Maria Mundica ensina a arte de
fazer peças com palha
de tucum, no projeto
Mestres do Futuro
importante. Não sabia que um dia eu
mostraria o meu trabalho. Não só o Brasil, mas o mundo todo vai ver minha arte”,
avisa a artesã.
No berço dos Guajajaras
No século passado, os índios guajajaras
ainda habitavam o pequeno município
maranhense de Buriticupu. A cidade, fundada por meio de um projeto de colonização em 1973, é um dos berços da culinária e artesanato que caracterizam a
região Norte do País. No vasto e saboroso
cenário da gastronomia de Buriticupu,
o visitante é surpreendido por uma raridade nos tempos modernos: a utilização
do pilão para socar o alimento.
Entre os pratos regionais que usam este
recurso, a pedagoga Mirian da Silva
Pereira, uma das coordenadoras de oficinas promovidas pelo Mestres do Futuro,
aponta o cuxá. A moradora de São Pedro
28
das Águas Claras (MA), mas que realiza
visitas frequentes a Buriticupu, conta que
o curioso prato leva pimenta de cheiro,
uma planta chamada vinagreira e camarão
seco. “E ainda leva farinha de mandioca,
registrada historicamente como a base da
alimentação.
A comida retrata bem a diversidade cultural do Norte brasileiro, influenciado pelo
processo de colonização, conta a pedagoga. “O cuxá é um prato que traz hábitos
das culinárias portuguesa e africana para
os dias atuais. É a prova de que os costumes e hábitos são preservados, mesmo
com os processos de industrialização e
globalização”, analisa.
Do cuxá à arte da palha ou cerâmica, o
Maranhão se revela como um Estado fiel
à memória de suas raízes. “Nosso povo
precisa apenas de oportunidades e motivação. Somos empreendedores, temos
garra e preservamos nossa identidade
cultural”, diz Mirian, que lembra que o artesanato também preserva a memória coletiva dos cidadãos maranhenses nas cidades de Buriticupu e em São Pedro
das Águas Claras. Os artesãos Antônio Carlos e Francisca dos Santos, mestres na arte da palha e cerâmica,
respectivamente, ficam orgulhosos com os jovens alunos e futuros cidadãos maranhenses. “Os alunos são
dedicados, obedientes. É muito bom passar o conhecimento para as pessoas”, diz Francisca. Antônio também
registra sua satisfação em perpetuar a sua arte. “A experiência é muito boa, na medida em que muita gente
passou a viver e saber o que é arte”, diz.
Cidadania resgatada pela arte
“Quando chegamos à cidade de Tailândia (PA), flagramos crianças trabalhando com queima de carvão. O
cenário assustou a equipe e, no princípio, não conseguimos entrar na cidade. Há uma exploração tanto da
riqueza natural quanto de seres humanos.” O pesado
depoimento da coordenadora do projeto Mestres do
Futuro, a socióloga e pedagoga paulista Sônia Kavantan, refere-se à prática de desmatamento e à triste realidade da exploração do trabalho infantil, que retratam
a desigualdade social, econômica e cultural na Floresta
Amazônica.
Ações como resgatar a cultura popular, preservar a
identidade regional, estimular a geração de renda são
os objetivos do projeto Mestres do Futuro e visam,
principalmente, sensibilizar o poder público e a comunidade local para a importância do artesanato nessas
regiões. Entre agosto de 2008 e junho do ano passado,
18 mestres artesãos orientados por 12 coordenadores
ensinaram a arte do artesanato para 253 aprendizes.
“Em algumas cidades tivemos dificuldades para levar o
projeto adiante, pois a população, resignada pela dura
realidade, se mostrava desconfiada das ações”, lembra
Sônia Kabantan.
Há dois anos, o município foi palco de uma violenta
manifestação em 2008 contra as forças de segurança
que deram apoio ao Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
no combate às atividades de madeireiras ilegais na
região. “No início, nos sentimos inseguros, mas tivemos o apoio de entidades. A situação foi delicada, mas
conseguimos formar 18 jovens artesãos com as aulas
de esculturas em restos de madeiras, artesanato típico
da cidade”, conta.
Marcado por duros conflitos de terras desde a década
de 70, o município recebeu esse nome em função
de uma comparação à guerra ocorrida em 1977 na
Tailândia, País asiático. “Foi interessante resgatar a
cultura do artesanato local e desenvolver ações sociais
em uma cidade calejada por crises. Com o projeto, conseguimos estimular a cultura e mobilizar movimentos
sociais na cidade”, diz.
SAIBA MAIS SOBRE O PROJETO
MESTRES DO FUTURO:
Alunos do projeto Mestres
do Futuro: resgate da cidadania e da cultura
O projeto “Mestres do Futuro”, patrocinado pelas Transmissoras Brasileiras de Energia (TBE),
empresa do grupo Cemig, contou, no ano passado, com a participação de 14 mestres, 255
aprendizes e 12 coordenadores de oficinas em
seis cidades do interior do Maranhão e seis do
Pará. Entre as oficinas de arte, destacaram-se
a técnica de escultura em miriti para a criação de miniaturas de barcos, o tratamento e
manuseio de cipó e a retirada de miolo de
palha de tucum para confeccionar cestarias e
objetos decorativos.
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Vitrine
Eficiência
energética
Veja algumas dicas de produtos distribuídos
em ações do Programa de Eficiência
Energética da Cemig que podem agregar
economia à conta de luz
FLUORESCENTES EM ALTA
A lâmpada fluorescente é hoje a melhor opção
para minimizar impactos ambientais, diminuir
gastos de energia em até 80% e a emissão de
CO2. A alemã Osram lançou uma nova família de
lâmpadas fluorescentes compactas eletrônicas
Duluxstar que oferece alta eficiência energética,
com vida útil aumentada em 33%, alcançando oito
mil horas de uso. A embalagem do produto, a Eco
Blister, também é uma alternativa sustentável,
composta por 100% de papelão reciclável.
Disponível nas potências 10W, 15W, 20W e
22/23W e nas tensões 110/130V e 220/240V.
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CONSUMO CONSCIENTE
Manter refrigeradores com mais de cinco anos de uso
em casa há muito deixou de ser sinônimo de economia.
Hoje, há uma grande variedade de opções no mercado
de produtos com baixo valor de consumo. Os novos
refrigeradores, por exemplo, possibilitam média de
30kWh/mês a menos de consumo contra 55kWh/mês
das geladeiras antigas, segundo os técnicos da Cemig.
Para fabricantes, refrigeradores com cinco a dez anos
de uso consomem cerca de 76kWh/mês, podendo
chegar a até 95kWh/mês. Por isso, investir em novos
eletrodomésticos é uma iniciativa inteligente. Uma
dica é o refrigerador Dako REDK-280, cuja média de
consumo é de 24kWh/mês. Trocar sua geladeira antiga
por uma nova pode gerar uma economia média de 620
kWh ou cerca de R$ 350 por ano.
BANHO QUENTE E ECONÔMICO
Ele é um dos figurantes do quadro
“Lar Doce Lar” do programa global
“Caldeirão do Huck”. Trata-se do
recuperador de calor para chuveiros
da mineira Rewatt. Composto por
uma base instalada no chão, abaixo
do chuveiro, o equipamento recicla
a energia térmica da água do banho.
Sua função é pré-aquecer a água
que sai da caixa antes de passar pelo
chuveiro elétrico, gerando economia
de energia. Com o recuperador,
pode-se substituir chuveiros de
5.400W por um aparelho de 3.000W,
sem perda de conforto, com uma
economia de 2.400W e energia 10%
mais limpa. Mais informações pelo
telefone (31) 2555-0638 ou pelo site
www.rewatt.com.br.
ÁGUA COM O CALOR DO SOL
Que tal utilizar a energia solar
para esquentar a água? Essa é a
função do aquecedor solar para
água. São várias marcas existentes
no mercado hoje. O importante é
que o produto seja aprovado pelo
Inmetro. Basicamente são placas
de aquecimento solar, com medidas
que variam de 1,5 a 2,5 metros
quadrados, para captação do calor
do sol que vai para um reservatório
térmico onde a água é conservada
quente. A economia de energia
pode variar entre 20% e 40% na
conta, dependendo da classe de
consumo. Pode ser encontrado em
lojas especializadas no aquecimento
de água e ambientes.
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Dicas Culturais
Para ler,
ver e ouvir
CD / COM HARMONIA E IMPROVISOS
Que o samba e o jazz são referências no cenário musical mundial, ninguém discute. É misturando esses dois ritmos no disco “Samba e jazz – Um século de
música” (Trem Mineiro) que Wagner Tiso encerra a trilogia em que revisita sua
memória musical, iniciada com os CDs “Debussy e Fauré encontram Milton e Tiso”,
de 1997, e “Tom Jobim Villa-Lobos”, de 2000. O novo CD de Tiso privilegia o período de 1920 a 1960 desses dois gêneros marcados pelas harmonias inovadoras e
pelos improvisos. Com 12 faixas, o disco homenageia os compositores de samba
Sinhô, Ary Barroso, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Chico Buarque e Paulinho da Viola e os jazzistas Count Basie, John Coltrane, Bill Evans e Miles Davis. Produção
independente do próprio selo do artista, o Trem Mineiro, “Samba e Jazz” contou
com patrocínio do Programa Cemig Cultural, através da Lei Rouanet.
“Samba e jazz - Um século de música”
Wagner Tiso
Trem Mineiro Produções Artísticas Ltda.
Onde encontrar: [email protected]
32
LIVRO | VOZES DO VELHO CHICO
CINEMA | A TRAJETÓRIA DE CHICO XAVIER
Histórias, relatos e personagens se reúnem
no livro “Rio São Francisco: Vapores e
Vapozeiros”, que retrata um período em
que dezenas de embarcações povoavam
um dos mais importantes rios brasileiros,
responsável por ligar o Norte de Minas ao
Nordeste. A obra é um registro inédito da
atividade dos vapores no Rio São Francisco,
entre 1871 e 1970, com depoimentos de 27
vapozeiros e imagens de 45 vapores, além
de descobertas de arquivos particulares.
Os autores, naturais da região do Médio
São Francisco, tiveram apoio do Programa
Cemig Cultural para a edição do livro.
Baseado no livro “As Vidas de Chico Xavier”, do
jornalista Marcel Souto Maior, o filme “Chico Xavier”
já é sucesso nos cinemas brasileiros. O longa descreve
a trajetória de Chico Xavier, que viveu 92 anos e se
destacou na atividade mediúnica e filantrópica. Vida
conturbada, marcada por lutas, amor e mais de
400 livros psicografados que consolaram os vivos,
pregaram a paz e estimularam caridade. O filme foi
um dos vencedores na categoria incentivo Minas Film
Commission ao cinema nacional, da 4ª edição do
programa Filme em Minas, parceria da Secretaria de
Estado da Cultura e Cemig de incentivo às produções
cinematográficas mineiras e de outros Estados que
tenham locações em Minas.
“Rio São Francisco: Vapores e Vapozeiros”
Domingos Diniz, Ivan Passos Bandeira
da Mota e Mariângela Diniz
355 páginas
Onde encontrar: Quixote Livraria (Rua
Fernandes Tourinho, 274 , Savassi, Belo
Horizonte, telefone 31 3227-3077)
“Chico Xavier – O Filme”
Direção: Daniel Filho
Elenco: Nelso Xavier, Ângelo Antônio, Matheus Costa,
Tony Ramos e Christiane Torloni
Em exibição em cinemas de todo o País.
Mais informações: www.chicoxavierofilme.com.br
Ano 1 - N0 1 - Maio - Junho / 2010
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COM A PALAVRA
Natureza em
fúria
A
o acompanhar a tragédia e o caos gerado pelas fortes chuvas no estado do Rio de Janeiro,
fiquei refletindo sobre as conseqüências e a
necessidade de pensarmos como evitar novas situações semelhantes. É necessária uma mudança de
postura da população e dos seus governantes quanto à questão da civilidade. E esta envolve a consciência da população e dos poderes públicos quanto ao
lixo urbano, às construções irregulares nas encostas
e áreas de proteção ambiental, à coleta de lixo e
meios alternativos de transporte urbano.
Enchentes ocorrem várias vezes ao ano e com maior
ou menor intensidade. No caso da futura cidade
olímpica, que será o Rio de Janeiro em 2016, acho
que se deveria copiar o modelo de outra cidade
olímpica, Sidney, que também possui uma bela baía
e sabe aproveitar e muito, o transporte aquaviário
e marítimo.
Formalizar metrópoles que avançaram na informalidade há décadas é tarefa difícil. Só se dará por
união e conscientização da sociedade e do Estado.
Enfim: civilidade! No caso do Rio de Janeiro, a Cemig
também está presente através da sua participação
e controle operacional da centenária Light onde fui
superintendente do Público e, atualmente, consultor. Comprometer-se com a agenda do Rio Sustentável torna-se fundamental!
A natureza está em fúria e as catástrofes não escolhem datas e local. Dentro deste quadro de mudanças climáticas, valorizam-se empresas como a Cemig
que há anos despontou com uma séria política de
sustentabilidade que atua no tripé ambiental, social
e econômico. Suas práticas foram precursoras no
cenário das empresas do setor energético e atingiram reconhecimento internacional através do Índice
Dow Jones de Sustentabilidade.
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No aspecto ambiental e social, a Cemig atua em
diversos projetos em sua área de concessão. Recentemente inovou ao estabelecer parceria com
o Instituto Rumo Náutico (Projeto Grael), Governo do Estado de Minas Gerais e a Prefeitura Municipal de Três Marias para implantar um núcleo
de ação sócio-ambiental para jovens da rede
pública de ensino através de esportes náuticos
como a canoagem e a vela.
Participei desta idéia desde o dia que fui acionado pelo presidente Djalma Bastos de Morais e,
ao longo do relacionamento com diversos níveis
da administração, constatei o exercício dos valores da empresa: integridade, ética, riqueza,
responsabilidade social, entusiasmo no trabalho e espírito empreendedor.
A matriz energética do nosso país, assim como a
da Cemig, está na geração hidroelétrica. A água
é o maior valor que dispomos para a vida. Educar, conscientizar, prevenir, sanear e proteger a
água é dever de todos nós e também missão da
Cemig.
Como velejador, desenvolvemos paixão pela
água e pelo vento. Encontrar empresas dispostas
a preservar esta riqueza é acreditar no futuro da
nação brasileira. A questão ambiental deixa de
ser um discurso, passa a ser uma necessidade.
É hora de bater neste bumbo!
Lars Grael
Medalhista olímpico e campeão mundial de
vela, atua como Consultor da Light e membro
do Conselho Diretor do Instituto Rumo Náutico
Eugênio Paccelli
A história de Minas Gerais está
preservada no interior de suas
fazendas coloniais. Fazenda
Rochedo, distrito de Glória,
em Cataguases (MG)
Retratos do Brasil
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Maio/Junho