XVI SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CCSA
ISSN 1808 - 6381
O TREMENDO PODER EXPLORATÓRIO DO CUIDAR E SER CUIDADO:
EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS QUÂNTICAS HUMANESCENTE
Áurea Emília da Silva Pinto
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RESUMO
Esse estudo foi elaborado a partir de experiências e vivências realizadas durante o ateliê
Reflexões Teóricas e Metodológicas da Corporeidade, com educadores-pesquisadores da
Base de Pesquisa Corporeidade e Educação, do Programa de Pós Graduação em Educação,
na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ano letivo 2010.1. Aprofunda-se o
conhecimento sobre algumas discussões em torno da Física Quântica, Teoria Quântica, Saúde
Quântica, Bioenergética tendo a energia como princípio básico para tratamento e cura através
do campo de energia, revolucionando o pensamento humano e as ciências, enfrentando os
desafios da formação na sociedade do conhecimento, contribuindo com o processo de
transformação e qualificação do papel do educador tão necessária na contemporaneidade.
Busca-se ampliar saberes do campo da energia humana. Destaca-se a utilização o pêndulo de
cristal para avaliação dos movimentos existentes nos campos de energia. Evidenciamos o
processo formativo e autoformativo de atitudes pedagógica inter e transdisciplinar que
possibilita a reflexividade, o sentipensar sobre os saberes quânticos tão necessários às
práticas educativas humanescentes, fundamentado numa epistemologia de convergência das
ciências como forma de buscar um saber unificado. O estudo apóia-se nas formulações
teórico-metodológicas apontadas por Resnick Eiseberg, Barbara Ann Brennan, Fritjof Capra,
Thomas Kuhn, Wallace Carvalho, Leonardo Boff, Katia Brandão Cavalcanti, entre outros.
Coloca-se em prática a abordagem Sistêmica da Saúde Quântica, evidenciando alguns
cenários na água representando nossas impressões imagéticas sobre os estudos do campo
energético. Constata-se que após as experiências e vivências onde compartilhamos afetos e
carinho para consigo mesmo e com os outros, as energias positivas predominaram com mais
intensidade, reconduzindo o nosso sistema energético à harmonia. Consideramos que esse
tipo de informação pode ser bastante útil para os que desejam alcançar visões mais amplas
sobre nós mesmos como seres humanos e da nossa realidade energética. Essas experiências
e vivências são significativas para a vida pessoal, acadêmica e social, e mostram o quanto
necessitamos aprofundar o conhecimento sobre a Teoria Quântica.
Palavras-chave: Humanescência, Corporeidade, Teoria Quântica.
Na atualidade, são muitas as discussões em torno da Física Quântica, Teoria
Quântica, Saúde Quântica, Bioenergética tendo a energia como princípio básico para
tratamento e cura através do campo de energia, revolucionando o pensamento humano e as
ciências. Suas origens, no início do século XX, ganharam muitos adeptos que passaram a
investigar as novidades, trazendo esses conhecimentos para o cotidiano da vida das pessoas.
A Teoria Quântica, ao contrário da física clássica, não se baseia em relações de
causa e efeito. Estudos mostraram que elétrons, prótons e nêutrons comportam-se,
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Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação, na linha de pesquisa Corporeidade e Educação
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Contato: [email protected]
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dubiamente, ora como partículas (matéria) ora como ondas (energia, luz). Um elétron não é
uma partícula nem uma onda, mas pode apresentar ambos os aspectos em situações
diferentes. (EISBERG, 1979)
Através dessas teorias é possível compreender o que acontece com as células,
átomos, moléculas, sólidos, núcleos e partículas existentes no interior do nosso corpo, as
relações químicas, elétricas e eletrônicas presentes no nosso modo de ser e viver no mundo. O
pensamento de Brennan (2006, p. 47) expressa bem nosso entendimento quando afirma,
“descobriram os físicos que as partículas também podem ser ondas, porque não são ondas
físicas reais, como as do som ou da água, são, pelo contrário, ondas de probabilidade”.
Muitos estudos científicos na atualidade, assim como o pensamento de David Bohm,
acreditam que de uma forma profunda, todas as coisas do Universo estão infinitamente
interconectadas. O Universo em si próprio é uma projeção holográfica. Esta nova forma de ver
a realidade, proposta por Bohm e Pribram, passou a ser chamada de “Paradigma Holográfico.”
Ou seja, saímos do olhar cartesiano fragmentado e entramos no paradigma sistêmico, da
interligação de todas as coisas, para além do espaço e do tempo convencional.
A palavra “holografia” vem do grego “holos”, todo, inteiro e “graphos”, sinal, escrita.
Holografia é a forma de se registrar imagens em três dimensões. É uma “fotografia”
tridimensional, produzida por um processo fotográfico sem lentes. Foi criada pelo físico inglês
Dennis Gabor (1900-1979), em 1947. Em 1969, Karl Pribram, propôs que o holograma
funcionava como um modelo dos processos cerebrais. Em 1971, David Bohm, apontou que a
organização do Universo, é holográfica. Pribram e Bohm confirmaram a idéia de que o cérebro
humano funciona como um holograma, coletando e interpretando informações provenientes de
um Universo holográfico. De acordo com esta concepção, é impossível considerar pessoas,
acontecimentos, coisas, de forma isolada. Brennan (2006, p. 51) realça que “afiançam os
físicos que a matéria não é formada de blocos básicos de construção, mas que o universo é
um conjunto inseparável, uma extensa teia de probabilidades que interagem entre si e se
entrelaçam”.
Estudos inovadores da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação, do Programa de
Pós Graduação em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte acerca da
teoria quântica têm contribuído com importantes informações acerca dessa temática, na
perspectiva de colocar em prática a abordagem Sistêmica da Saúde Quântica, voltada para um
cuidado integral do Ser humano, mostrando o quanto é fascinante essa teoria.
Relatamos a seguir algumas experiências e vivências no Seminário Reflexões
Teóricas e Metodológicas da Corporeidade, ano letivo 2010.1, na busca de ampliar saberes do
campo da energia humana. Na primeira experiência, utilizamos uma maça e um pêndulo de
cristal, para observação do campo energético. Sentados ao chão, em posição ereta, coloca-se
a nossa frente uma maça inteira e com casca, centraliza-se um pêndulo de cristal de cinco a
dez centímetros acima do fruto, e a seguir observa-se o pêndulo se movimentar em linha reta,
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no sentido vertical. Posteriormente, repetimos a experiência com a maça sem casca e
sementes, retirando em parte o agrotóxico existente no fruto. Repete-se a operação para
observação do movimento do pêndulo. Desta vez, o pêndulo girou no sentido horário.
Mostrando um campo energético positivo. Percebe-se o quanto o agrotóxico interfere
negativamente no campo energético, o quanto precisamos ter atividade física e uma
alimentação correta e saudável, com alimentos naturais. Preferencialmente, vegetais sem
agrotóxicos. Na atualidade, há evidências de que a humanidade adoece pelo consumo de
alimentos com alta quantidade de conservantes e outras substâncias intoxicantes.
Na segunda experiência utilizamos dois depósitos com água. Com o pêndulo
verificamos o campo energético da água e observamos que o pendulo movimentou-se no
sentido horário. A seguir, colocamos a palavra amor em um depósito com água, e no outro a
palavra ódio. O resultado foi surpreendente! No depósito contendo a palavra ódio o pêndulo
movimentou-se em sentido anti-horário; no depósito contendo a palavra amor o pêndulo
movimentou-se em sentido horário. Portanto, foi visível a diferença do movimento entre esses
campos energéticos.
Entendemos que se estivermos impregnados de emoções negativas, eleva-se o
campo energético negativo levando-nos à dor, ao sofrimento, às doenças. Já quando
estivermos envolvidos em emoções positivas, canalizamos o campo energético positivo,
consequentemente estaremos promovendo a saúde, o bem-estar, a cura quântica. Muitas das
doenças e dos males que atingem a maioria das pessoas não possuem causas externas. Nós
somos produto do meio em que vivemos. Brennan (2006, 73) orienta que “a doença do sistema
é causada por um desequilíbrio da energia ou uma obstrução de seu fluxo. Portanto, quanto
mais energia deixarmos fluir em nosso corpo, mais saúde teremos.
Educadores que lidam com as diversas maneiras de cuidar da saúde, o modo de vida
das pessoas, principalmente de cuidados originados a partir de experiências e valores culturais
populares, devem não só conhecer, mas vivenciar as novas tendências da educação e da
saúde quântica, aprendendo a lidar com os desafios da formação na sociedade do
conhecimento. Afinal, “toda a gente tem um campo de energia, ou aura, que rodeia e penetra o
corpo físico, intimamente ligado à saúde” sublinha Brennan (2006, p. 23).
Outro momento experiencial que despertou nossa curiosidade foi o momento de
avaliação dos chacras. Ao iniciar a atividade, a Prof Katia Brandão Cavalcanti e as duas
assistentes terapeutas ressaltaram a importância de verificar os chacras dos participantes da
atividade, para identificar a existência de algum bloqueio de energia, na busca de harmonizar o
campo energético, conscientizando sobre esses centros energéticos que transitam e movem
energias sutis do corpo. Os sete chacras estão localizados ao longo da coluna vertebral,
dispostos verticalmente, atuando em funções específicas, mediante o recebimento de energias
internas e externas. Brennan (2006, p. 119) ressalta que “à proporção que o ser humano
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amadurece e os chacras de desenvolvem, cada qual representa os padrões psicológicos que
envolvem a vida do indivíduo”.
Antes e depois da atividade, foi feito avaliação energética dos chacras utilizando o
pêndulo de cristal, um excelente instrumento de trabalho, pois ele pontua com precisão,
através do movimento, o grau de saúde ou desequilíbrio em que a pessoa se encontra naquele
determinado momento. Para avaliação dos chacras do corpo, primeiro as pessoas deitaram no
chão com as pernas estendidas para o centro da sala, formando um círculo. Com o pêndulo
apontado na direção de cada chacra, se verificou o movimento energético do corpo de cada
participante. Cavalcanti (2010) esclarecendo que, quando o pêndulo gira em sentido horário o
chacra não está bloqueado. Ao contrário, se o pêndulo gira no sentido anti-horário, em linha
reta ou ficou parado, o chacra está bloqueado. Para fazer o trabalho de realinhamento e
equilíbrio do campo energético os participantes contaram com a ajuda de terapeutas que
utilizando o pêndulo percorreu todo o corpo, fazendo uma limpeza do campo energético.
A vivência com água, que denominamos de “lava-pés da corporeidade” também
merece destaque. Para a vivência levamos pétalas de rosas, sabonete líquido, hidratante e
outros produtos para limpeza dos pés, além de utilizarmos um depósito com água. Iniciamos a
vivência mergulhando os pés na água contendo pétalas de rosas. Massageando os pés
levemente retiramos a sujeira com os produtos já citados. A seguir fomos orientadas a colocar
o pé direito na bandeja da pessoa sentada ao nosso lado direito, possibilitando o outro cuidar
um pouco de nosso pé. Ao mesmo tempo, cuidamos do pé da pessoa que estava sentado ao
lado esquerdo. Posteriormente, invertemos a posição, para limpeza do pé esquerdo. Quando
concluímos esta etapa, avaliamos o desequilíbrio do campo energético existente na água com
resíduos da lavagem. Utilizando o pêndulo observamos o movimento no sentido anti-horário.
Trocamos a água e lavamos mais uma vez os pés, possibilitando observar as mudanças no
campo energético na água menos poluída. Vemos que nosso corpo, até mesmo nossos pés,
avisa quando algo não vai bem. Mas, normalmente ignoramos esses avisos em detrimento de
inúmeros motivos e fatores que, obviamente, não incluem nosso bem estar e a qualidade de
vida.
Ao concluir a atividade sobre a teoria quântica coloca-se em prática a abordagem
Sistêmica da Saúde Quântica. Para tanto, construímos um cenário na água representando
nossas impressões imagéticas sobre os estudos do campo energético. Utilizando o pendulo de
cristal avaliamos o movimento nesses campos de energia, na qual constatamos a intensidade
do movimento sentido horário em todos os cenários construídos. Esse tipo de informação pode
ser muito útil para os que desejam alcançar visões mais amplas sobre nós mesmos como seres
humanos e da nossa realidade energética. Essas vivências são significativas para a vida
pessoal, acadêmica e social, e mostra o quanto necessitamos aprofundar o conhecimento
sobre a Teoria Quântica.
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Ao final, a professora Katia Brandão Cavalcanti e as terapeutas fizeram uma nova
avaliação dos chacras dos participantes do seminário para verificação do campo energético.
Constatamos que após as experiências e vivências, na qual se compartilha atenção, afeto,
carinho para consigo mesmo e com os outros, as energias positivas predominaram com mais
intensidade, reconduzindo o nosso sistema energético à harmonia, ao bem-estar.
A arte de cuidar e ser cuidado é uma atividade humana por excelência. Surge no seio
da relação dialógica e interpessoal. Durante toda a nossa existência e ciclos da vida somos
cuidados, aprendemos a nos cuidar e a zelar pelo cuidado do outro. Uma atividade
eminentemente humana transmitida através da nossa cultura e educação. Leonardo Boff
(2006), no livro Cuidar do Ser narra a necessidade que cada um de nós temos em cuidar e ser
cuidado. Relacionando esta necessidade com o amor, ele ressalta que todos nós temos a
capacidade de amar e desejamos ser amados e correspondidos em nosso amor.
Como educadores, somos testemunhas da pouca importância dada para o cuidado
com o corpo, para as habilidades corporais, especialmente nos territórios convencionais
escolares. Centrados no desenvolvimento da inteligência lógico-racional, levam a separações
dramáticas entre razão e sentimentos, mente e corpo, deixando de lado potencialidades
humanas, limitando a educação e o desenvolvimento dos educandos. A problemática se
agrava pela fragmentação da educação do corpo. Timidamente e como uma matéria de
segunda escala, vemos a disciplina Educação Física, o único espaço dedicado ao cuidado do
corpo nas escolas. Infelizmente, muitos programas de Educação Física estão centrados na
construção dos músculos. Sem dúvida, hoje em dia, cada vez mais se admite a necessidade
de pensarmos a conexão entre mente, corpo e saúde. Afinal, cuidar implica cuidar-se.
Com o objetivo de refletir e sensibilizar para a importância da atenção e cuidado que
o educador deve ter em relação ao seu próprio Ser, de forma a cuidar conscientemente do
outro, a Base de Pesquisa Corporeidade e Educação do Programa de Pós-Graduação em
Educação, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte no contexto da pedagogia
vivencial humanescente vem há algum tempo desenvolvendo alguns princípios para a
configuração de uma terapia corporal humanescente, capaz de constribuir para a
sustentabilidade de ambientes saudáveis (CAVALCANTI, 2010).
É na perspectiva de ampliar os saberes humanescentes para a educação, que
descrevemos e refletimos sobre algumas experiências e vivências no ateliê Reflexões Teóricas
e Metodológicas da Corporeidade, ano letivo 2010.1, na busca de aprofundar os estudos da
humanescência pela via da corporeidade. Esta entendida como um campo energético,
vibracional, pulsante. Para tanto se coloca como exigência a autoformação humanescente para
os educadores. Trata-se de um processo interno, singular, próprio de cada subjetividade
humana, caracterizado como processo autopoiético (CAVALCANTI, 2010).
Daí a Reflexividade sobre a energética ser tão enriquecedora, tanto o quanto é
encantador o processo da ludopoiese, fenômeno capaz de fazer emergir a alegria de viver a
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vida com sentido humanescente. Os estudos da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação
passaram a reconhecer a ludopoiese como um sistema autopoiético, um processo autoorganizador das vivências que ocorrem ao longo da vida do ser humano. Este encontro se deu
a partir da formação do espírito transdisciplinar pela via da corporeidade, e tornou-se o centro
da Pedagogia Vivencial Humanescente (CAVALCANTI, 2010).
Falar de corporeidade nessa relação com o corpo é perceber o corpo como espaço
que habita e se constitui humano em sua inteireza, na singularidade de sua existência, a
essência do Ser. É ter o corpo como seu modo de ser e estar no mundo, e que não é somente
um corpo que transita pelo mundo. A corporeidade revela o ser humano como um ser uno,
portanto, não dividido em suas manifestações e constituição, um ser pluridimensional, um
sistema autopoiético que se revela pela sua ludopoiese, conforme nos revela a teoria da
autopoiese de Humberto Maturana (1997).
Devemos, portanto, alimentar a convicção de unidade cósmica, que continua a
inspirar as investigações orientais da realidade. John Pierrakos (2007, p. 33) nos estudos sobre
Energética da Essência reconhece que “nossa espécie, Home Sapiens, concentrou-se,
inicialmente, em descobrir quem somos através da experiência de nossos próprios movimentos
pulsatórios interiores, e em tomar consciência do mundo dentro de nós”. Neste sentido, faz-se
necessário criarmos as condições necessárias para desenvolvermos o processo da
humanescência; aprendermos novas formas de cuidar do ser humano, compreendendo melhor
o que acontece no nosso corpo, nas relações com o modo de ser e viver no mundo, tendo a
corporeidade como um campo energético, que possibilita ampliar o processo de construção do
conhecimento, bem como nosso desenvolvimento enquanto Ser humanescente. Entendendo
que para cuidar, é necessário cuidar-se.
Geralmente os educadores são pessoas que inspiram confiança, estimulam valores,
praticam ações positivas e produtivas, proporcionando mudanças sociais, nas relações
interpessoais, nos estados emocionais, tanto dentro de si mesmo quanto no contexto da
realidade externa. John Pierrakos (2007, p. 70) em seus estudos mostra que “O equilíbrio de
nosso bem-estar fisiológico depende intimamente não apenas de nossa condição inata, mas
também de toda a realidade exterior que nos cerca, incluindo as forças do macrocosmo”.
Certamente, a influência do atual cenário mundial, fruto da era capitalista, que deu enfoque a
produtividade e ao lucro a qualquer preço, valorizando os atributos intelectuais e físicos em
detrimento dos valores espirituais, no qual seres humanos estão cada vez mais ameaçados
pelas ondas da violência, fazem com que pessoas adoeçam, percam a alegria e a expectativa
de melhoria da qualidade de vida, os cuidados com a saúde do trabalhador, da trabalhadora,
especialmente aqueles que atuam no campo da educação.
Estudos confirmam os benefícios do cuidado com o corpo, a mente, o espírito. Além
de ajudar a combater o estresse e o cansaço, alivia tensões, regulariza o sono e as funções
intestinais. Katia Brandão Cavalcanti (2010) ressalta que “as tradições milenares já sabem
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disto e nós ocidentais fazemos questão de não querer aprender”. Barbara Ann Brennan (2006)
apresenta em Mãos de Luz um estudo profundo sobre o campo energético humano, dirigido
aos que estão procurando a autocompreensão dos seus processos físicos e emocionais, que
extrapolam a estrutura da medicina clássica. Segundo a autora, nosso corpo físico existe
dentro de um “corpo” mais amplo, um campo de energia humana ou aura. Nele criamos nossa
experiência da realidade, inclusive a saúde e a doença. Acredita-se que através desse campo
temos o poder de curar a nós mesmos.
Apesar dos grandes avanços tecnológicos na área da saúde, nota-se que a
humanidade nunca esteve tão doente. O atual modelo biomédico vigente em nossa sociedade,
de base alopática, está sendo largamente questionada, uma vez que as pessoas estão se
tornando dependentes químicos de medicamentos, e muitos passam a vida inteira tomando
remédios, sem obterem a cura desejável.
Estudos mostram que a partir de revolucionárias descobertas da Física Quântica,
bem como das recentes pesquisas na área da Neurociência, surgem perspectivas favoráveis
para evolução de uma saúde integral e preventiva, que considera o ser humano não só nos
aspectos físicos, mas nos aspectos mentais, emocionais, espirituais, culturais e transpessoais,
base da Saúde Quântica.
Para Wallace Carvalho (2009), estudioso do Paradigma Quântico-relativista e suas
aplicações na saúde, essa nova perspectiva mostra uma Medicina menos invasiva e capaz de
curar definitivamente os males, onde o paciente abandona o aspecto passivo e passa a ser coresponsável pelo seu estado de saúde ou de doença.
Nesta direção as práticas educativas em saúde no contexto da Articulação Nacional
dos Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde no estado do Rio Grande do Norte
- ANEPS-RN, vêm sendo uma realidade cada vez mais efetivada devido à mudança de
paradigmas de atenção à saúde, partindo do modelo biomédico falido para a implantação do
conceito da promoção da saúde humana. Atividades educativas em saúde se configuram como
ações voltadas para a promoção da saúde, entendida como uma estratégia utilizada para
enfrentar os problemas de saúde existentes, por meio da articulação técnica e popular.
É notório a existência de uma energia circulante nos movimentos sociais e populares,
na cultura e nas vivências das práticas integrativas e complementares, no cuidado com a
saúde, criando um campo de força que se move na grande roda, que impulsiona, une, fortalece
e anima os integrantes. Para Pierrakos (2007, p. 33) “Essa energia também fluem para fora do
corpo, da mesma forma que o calor irradia de um forno”. Para tanto, o fenômeno da força vital
e dos campos de energia vêm sendo estudados, pesquisados, ao longo da história.
Através do relato de nossa experiência na grande roda da ANEPS/RN, da troca de
idéias, vivenciamos o intercâmbio de energia, a observação e experimentação dos
conhecimentos adquiridos. Compreende-se que “nós mesmos criamos a nossa vida através do
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que fazemos com a nossa energia: para onde decidimos ir com ela e como a dirigimos”
(PIERRAKOS, 2007, p. 16). Sentimos o movimento e a energia se moldarem. As novas
percepções, ações e emoções interagindo com o pulsar da vida, na mais completa unidade.
Reside aí a alegria e a capacidade criadora do ser humano, todo o poder transformador,
manifestando assim a vida em sua plenitude, possibilitando mudanças nas nossas práticas
educativas, melhoria da saúde e da qualidade de vida.
Entende-se que o ato de reunir pessoas, conversar em grupo, partilhar saberes e
experiências vivenciadas nas práticas educativas ajudam a captar esse campo de energia tão
presente na ludicidade, na corporeidade, no movimento, na sensibilidade, na criatividade, no
imaginário. Permite o corpo entrar em conexão com a energia do ambiente, das pessoas, do
universo. John Pierrakos (2005, p. 36) realça “Quanto mais tomamos consciência de que
estamos perdidos no universo e mergulhados numa aventura desconhecida, mais temos
necessidade de nos religarmos com os nossos irmãos e irmãs da humanidade”. Para tanto,
busca-se a reconectividade, a religação entre os elementos do próprio grupo.
Quanto mais integrado o corpo, a mente, mais energia sentimos, captamos,
transmitimos. Percebe-se a energia agir, pulsar, entrar e sair do corpo, penetrando em todo
espaço. A sensação imediata é que voluntariamente à medida que se doa também se recebe
energia. Essa troca nos dá sensações de paz, tranquilidade, harmonia, alegria, ternura,
libertação, cuidado com o próprio corpo, com o corpo do outro, em sua integralidade. Pierrakos
(2007, p. 119) salienta: “É a capacidade que consiste em agir voluntariamente, boa parte da
qual, como as razões inconscientes descobertas por Freud, é subjacente ao limiar da
autoconsciência imediata”. Portanto, aprender a arte de cuidar e ser cuidado é algo
extremamente importante para a saúde e a vida humana, devendo ser estimulada e praticada
cotidianamente, especialmente nos Serviços e Unidades de Saúde.
Portanto, para evoluirmos na vivência de valores humanos, precisamos compreender
como funciona o nosso corpo, reconhecendo que a boa e a má saúde são determinadas pelos
centros de energia do nosso Ser. Quando estão equilibradas, o organismo está saudável. Ao
contrário, se a energia estiver desviada ou em desarmonia, criamos as condições para o
adoecimento do nosso corpo físico, e da nossa corporeidade (CAVALCANTI, 2010).
Concluimos que a arte de cuidar e ser cuidado através da Terapia Quântica
Humanescente ajuda na compreensão da nossa desarmonização energética, e nos orienta na
busca de uma Saúde Quântica Humanescente, como tão bem evidencia Katia Brandão
Cavalcanti nos estudos da Linha de Pesquisa Corporeidade e Educação do PPGED/UFRN.
Assim, aprendemos uma nova forma de olhar o ser humano, compreendendo o
tremendo poder exploratório da Teoria Quântica, o que acontece e existente no interior do
nosso corpo, e suas relações com o modo de ser e viver no mundo, tendo a corporeidade
como campo energético, que possibilita ampliar o processo de construção do conhecimento
bem como nosso desenvolvimento enquanto Ser humanescente.
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O olhar sistêmico da abordagem quântica nos ensina a buscar ações e atitudes
solidárias, desenvolvermos uma consciência ecológica como consciência espiritual, no sentido
de que a humanidade e cada Ser humano está ligado ao cosmo. Segundo Capra (2000), essa
percepção surgiu de forma espontânea, num surto de contemplação da natureza.
Coloca-se, portanto, o desafio individual e coletivo de compreendermos e aceitarmos
o paradigma holográfico, sabermos como utilizá-lo no nosso cotidiano, principalmente no
campo da saúde. Certamente os estudos da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação, no
Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
acerca do desenvolvimento das propriedades ludopoiéticas nos dará conhecimento e energia
suficiente para continuar essa caminhada. Desafio a ser partilhado.
REFERÊNCIAS
BACOR. Seminário Reflexões Teóricas e Metodológicas da Corporeidade. Base de Pesquisa
Corporeidade e Educação. Programa de Pós Graduação em Educação. Natal: UFRN, 2010.
BRENNAN, Barbara Ann. Mãos de luz. Tradução Octavio Mendes Cajado. 21 ed. São Paulo:
Pensamento, 2006.
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do humano – compaixão pela terra. Petropólis: Vozes,
1999.
CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. Cultrix, 2000.
CAVALCANTI, Katia Brandão. Comunicação pessoal. Natal: BACOR/PPGED/UFRN, 2010.
EISEBERG; Resnick. Física Quântica. Tradução de Paulo Costa Ribeiro, Enio Frota da Silveira
de Marta Feijó Barroso. 29ª Ed. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 1979.
KUHN, Thomas. A Estrutura das Revoluções Cientifica. São Paulo: Perspectiva, 1974.
PIERRAKOS, M.D. John C. Energética da Essência. (Core Energetics). Desenvolvendo a
Capacidade de Amar e de Curar. Tradução Carlos A. L. Salum e Ana Lúcia Franco. 6 ed. São
Paulo: Editora Pensamento, 2007.
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