Bio
ha
ia Marin
log
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE BIOLOGIA
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P
ós
duação
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA MARINHA
IMPACTOS EM CURTO PRAZO SOBRE A ESTRUTURA
DA COMUNIDADE DO MACROBENTOS E DE PEIXES
RECIFAIS EM COSTÃO PRÓXIMO AO CULTIVO DA
MACROALGA Kappaphycus alvarezii EM PARATY, RJ.
LEONARDO LARA DE CARVALHO
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Biologia
Marinha do Departamento de Biologia
Marinha, Instituto de Biologia, Universidade
Federal Fluminense, como requisito parcial
para a obtenção do Grau de Biologia
Marinha.
Orientador: Roberto Campos Villaça
Niterói
Fevereiro de 2011
II
FICHA CATALOGRÁFICA
Carvalho, Leonardo Lara de
Impactos em curto prazo sobre a estrutura da comunidade de
macrobentos e de peixes recifais em costão próximo ao cultivo de macroalga
Kappaphycus alvarezii em Paraty, RJ / Leonardo Lara de Carvalho – Niterói,
RJ : [s.n.], 2011.
96 f.
Dissertação_(Mestrado
Federal Fluminense, 2011.
em Biologia
Marinha)_
Universidade
Dissertação: Mestrado em Biologia Marinha.
1. Maricultura. 2. Impacto ambiental. 3. Algas marinhas 4. Macrobentos
5.Peixes recifais. I Título.
III
Aos meus pais Zenildo e Maria Helena
IV
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, Zenildo e Maria Helena, que sempre me deram apoio, em todos os sentidos,
por todo carinho, amor e incentivo para crescer intelectualmente.
Ao meu irmão, Leandro, pelos conselhos, orientações e carinho.
À minha namorada, Julianne Quinellato, por todo o amor e carinho, pelos momentos de
alegria e distração, que sem ela os momentos finais deste trabalho se tornariam muito mais
árduos.
Ao meu orientador, Dr. Roberto Villaça, por confiar na minha capacidade de realizar este
trabalho e por orientar todos os meus passos no meio acadêmico durante o mestrado.
Ao colega de trabalho, Pitter Ronfini, por ajudar com todas as análises de censo visual e por
toda a logística durante as saídas de campo.
Ao colega de mestrado, Maurício da Matta, por auxiliar nos trabalhos de campo e pelos
momentos de descontração.
À minha amiga de mestrado, Patrícia Mazurek, pela ajuda de algumas identificações de
poliquetas e pelo companheirismo nos momentos de diversão e tristeza.
Às minhas amigas de mestrado, Viviane Martins e Elisabetta Santos, pelos momentos de
alegria, pela amizade e por estarem sempre dispostas a ajudar.
Aos companheiros de mestrado, Ricardo Rogers e Gabriel Correal, que de alguma forma
acabaram ajudando com alguns conselhos ou orientações.
Ao meu amigo de infância, Rodrigo Garcia, pelos 19 anos de amizade.
Ao professor, Dr. Abílio Soares, por disponibilizar seu laboratório para realização de algumas
análises de sedimento.
À professora, Elisamara, pela ajuda nas análises iniciais de nutriente.
Ao professor, Aguinaldo N. Marques, por disponibilizar o Laboratório de Oceanografia Química
para realização de análises de nutrientes.
À aluna de iniciação científica, Patrícia Borges, Pela realização das análises finais de nutrientes.
Ao Subsecretário da secretaria de pesca de Paraty, Cesar Romero, pelo apoio durante todo o
projeto.
V1
ÍNDICE
PÁGINAS
RESUMO........................................................................................................................... 1
ABSTRACT ....................................................................................................................... 2
INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 3
OBJETIVOS ...................................................................................................................... 9
Objetivo Geral ............................................................................................................ 9
Objetivos específicos................................................................................................. 9
MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................... 10
Área de estudo ............................................................................................................ 10
Balsa de cultivo ........................................................................................................... 12
Perfil do costão rochoso.............................................................................................. 14
Estimativa de abundância de peixes por censo visual ............................................... 16
Composição do bentos associado ao costão ............................................................. 17
Composição do bentos no fundo arenoso .................................................................. 19
Granulometria .............................................................................................................. 20
Análise de matéria orgânica do fundo arenoso .......................................................... 20
Variáveis abióticas ...................................................................................................... 21
Nutrientes na água .................................................................................................. 21
Material particulado suspenso................................................................................. 22
Pressão da herbivoria sobre a K. alvarezii ................................................................. 23
Análises de dados ....................................................................................................... 24
RESULT ADOS ................................................................................................................ 26
Ictiofauna recifal .......................................................................................................... 26
Estrutura de comunidade da ictiofauna ...................................................................... 28
Grupos tróficos de peixes ........................................................................................... 32
Impacto do cultivo no macrobentos do costão rochoso. ............................................ 42
Bentos de sedimento arenoso .................................................................................... 56
Deposição de matéria orgânica e granulometria ........................................................ 60
Análise de nutrientes ................................................................................................... 66
Material particulado suspenso .................................................................................... 68
Herbivoria .................................................................................................................... 69
DISCUSSÃO ................................................................................................................... 71
2VI
Ictiofauna ..................................................................................................................... 71
Bentos.......................................................................................................................... 73
Sedimento ................................................................................................................... 75
Nutrientes .................................................................................................................... 77
Herbivoria .................................................................................................................... 79
CONCLUSÕES ............................................................................................................... 81
LITERATURA CIT ADA ................................................................................................... 83
Anexo I ............................................................................................................................ 92
Anexo II ........................................................................................................................... 95
Anexo III. ......................................................................................................................... 96
1
VII
LISTA DE FIGURAS
PÁGINAS
Figura 1. Mapa da área de estudo. Região de Paraty Mirim, Paraty. CO1 (ponto
controle 1), BEX (ponto balsa experimental), CO2 (ponto controle 2).
Quadro inferior com detalhe do ponto BEX (linhas paralelas – esquema
das balsas do cultivo; traçado pontilhado – área monitorada nos censos
visuais e fotoquadrados). .................................................................. 11
Figura 2. Esquema da balsa de cultivo. ....................................................... 13
Figura 3. Esquema do perfil do costão nos três pontos de amostragem. ........ 15
Figura 4. Fotoquadrado do bentos associado ao costão rochoso. Pontos de 1 a
50 plotados pelo software Coral Point Count. ..................................... 18
Figura 5. Análise de Cluster da estrutura da ictiofauna (quadro superior) e
ordenação multidimensional não métrica nMDS (quadro inferior).
Agrupamento entre os pontos CO1 e BEX. Comparações entre os
meses Janeiro (M1), Fevereiro (M2), Abril (M4), Maio (M5), Junho (M6),
Julho (M7), Agosto (M8) e Setembro (M9).......................................... 30
Figura 6. Análise de Cluster da estrutura da ictiofauna (A) e ordenação
multidimensional nMDS não métrica (B). Agrupamento entre os pontos
CO2 e BEX. Comparações entre os meses Janeiro (M1), Fevereiro (M2),
Abril (M4), Maio (M5), Junho (M6), Julho (M7), Agosto (M8) e Setembro
(M9). ............................................................................................... 31
Figura 7. Abundância média de herbívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro),
2VIII
balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza
escuro), Censo não realizado (*). ...................................................... 33
Figura 8. Abundância média de Carnívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro),
balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza
escuro), Censo não realizado (*). ...................................................... 36
Figura 9. Abundância média de invertívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro),
balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza
escuro), Censo não realizado (*). ...................................................... 38
Figura 10. Abundância média de Onívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro),
balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza
escuro), Censo não realizado (*). ...................................................... 40
Figura 11. Análise de Cluster da estrutura bentônica associada ao costão
(Quadro superior) e ordenação multidimensional não métrica nMDS
(Quadro Inferior).
Agrupamento entre os pontos CO1 e BEX.
Comparações entre os meses Dezembro de 2009 (M12), Janeiro (M1),
Fevereiro (M2), Abril (M4), Julho (M7), Agosto (M8) e Outubro (M10). . 44
Figura 12. Análise de Cluster da estrutura bentônica associada ao costão
(Quadro superior) e ordenação multidimensional não métrica nMDS
(Quadro Inferior).
Agrupamento entre os pontos CO2 e BEX.
Comparações entre os meses Dezembro de 2009 (M12), Janeiro (M1),
Fevereiro (M2), Abril (M4), Julho (M7), Agosto (M8) e Outubro (M10). . 45
3
IX
Figura 13. Porcentagem média de cobertura de macroalgas de Dezembro de
2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza
claro), balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra
cinza escuro), Censo não realizado (*)............................................... 47
Figura 14. Porcentagem média de cobertura de Tufos de algas de Dezembro
de 2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza
claro), balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra
cinza escuro), Censo não realizado (*)............................................... 49
Figura 15. Porcentagem média de cobertura de zoantídeos de Dezembro de
2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza
claro), balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra
cinza escuro), Censo não realizado (*)............................................... 50
Figura 16. Porcentagem média de cobertura de coralíneas incrustantes de
Dezembro de 2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1,
Barra cinza claro), balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2
(CO2, Barra cinza escuro), Censo não realizado (*). ........................... 52
Figura 17. Porcentagem média de cobertura de coralíneas articuladas de
Dezembro de 2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1,
Barra cinza claro), balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2
(CO2, Barra cinza escuro), Censo não realizado (*). ........................... 54
Figura 18. Porcentagem média de cobertura de corais de Dezembro de 2009
(12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro),
balsa experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza
escuro), Censo não realizado (*). ...................................................... 56
X4
Figura 19. Análise de Cluster do bentos de fundo arenoso (A) e ordenação
multidimensional
não
métrica
nMDS
(B).
Agrupamento
entre
amostragem abaixo da balsa de cultivo (B) e um grupo controle a direita
do cultivo em relação ao costão (D). .................................................. 58
Figura 20. Análise de Cluster do bentos de fundo arenoso (A) e ordenação
multidimensional
não
métrica
nMDS
(B).
Agrupamento
entre
amostragem abaixo da balsa de cultivo (B) e um grupo controle a
esquerda do cultivo em relação ao costão (E). ................................... 59
Figura 21. Esquema das balsas de cultivo ao lado do costão e os pontos de
coleta de sedimento (X, Y), círculos pretos de áreas proporcionais a
concentração de matéria orgânica. Representação granulométrica de
cada ponto de amostragem (barras verticais) e pontos de coleta de core
de sedimento para identificação da fauna bentônica (LE, B, LD). Barra
inferior indica o gradiente de profundidade em metros. Esquema fora de
escala. ............................................................................................. 62
Figura 22. Média das concentrações de nutrientes dissolvidos na coluna
d’água, coletados mensalmente de fevereiro a setembro, em µ mol.mL -1,
nos três pontos de amostragem e em duas profundidades (CO1 – ponto
controle 1; BEX – ponto balsa experimental; CO2 – ponto controle 2;
superfície – S; Fundo – F). ................................................................ 67
Figura 23. Concentração média de material particulado suspenso na coluna
d’água de Fevereiro a Outubro. Amostra coletadas na superfície (S) e no
fundo (F) nos três pontos de amostragem (CO1 – ponto controle 1; BEX
– ponto balsa experimental; CO2 – ponto controle 2). ........................ 68
1
XI
LISTA DE TABELAS
PÁGINAS
Tabela 1. Lista de espécies encontradas. Abundância e freqüência relativa em
%. ................................................................................................... 27
Tabela 2. Análise de similaridade ANOSIM da comunidade de peixes.
Comparações entre os pontos controles e balsa de cultivo.................. 32
Tabela 3. Comparações da abundância média dos grupos tróficos em cada
ponto de amostragem por análise de variância não paramétrica KruskalWallis one-way. ................................................................................ 33
Tabela 4. Comparações de abundância média de herbívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
CO1
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 34
Tabela 5. Comparações de abundância média de herbívoros entre Janeiro a
Setembro
nos pontos BEX (comparações Múltiplas de médias
ranqueadas)..................................................................................... 34
Tabela 6. Comparações de abundância média dos grupos tróficos entre um
ponto controle e o ponto da balsa experimental em cada mês por teste U
de Mann-Whitney. ............................................................................ 35
Tabela 7. Comparações de abundância média de carnívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
BEX
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 36
Tabela 8. Comparações de abundância média de invertívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
BEX
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 38
2XII
Tabela 9. Comparações de abundância média de invertívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
CO1
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 39
Tabela 10. Comparações de abundância média de invertívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
CO2
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 39
Tabela 11. Comparações de abundância média de onívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
BEX
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 41
Tabela 12. Comparações de abundância média de onívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
CO1
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 41
Tabela 13. Comparações de abundância média de onívoros entre Janeiro a
Setembro
no
ponto
CO2
(comparações
Múltiplas
de
médias
ranqueadas)..................................................................................... 42
Tabela 14. Análise de similaridade ANOSIM. Comparação do bentos entre
locais. .............................................................................................. 46
Tabela 15. Comparações de porcentagem de cobertura de bentos associados
ao costão entre os meses em cada ponto de amostragem por teste de
Kruskal-Wallis one-way..................................................................... 47
Tabela 16. Comparações de porcentagem de cobertura de bentoss associados
ao costão entre um ponto controle e o ponto da balsa experimental em
cada mês por teste U de Mann-Whitney............................................. 48
3XIII
Tabela 17. Comparações de porcentagem de cobertura média de tufos de
algas entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto CO1
(comparações Múltiplas de médias ranqueadas). ............................... 49
Tabela 18. Comparações de porcentagem de cobertura média de zoantídeos
entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto BEX (comparações
Múltiplas de médias ranqueadas). ..................................................... 50
Tabela 19. Comparações de porcentagem de cobertura média de zoantídeos
entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto CO1 (comparações
Múltiplas de médias ranqueadas). ..................................................... 51
Tabela 20. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas
coralíneas incrustantes entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no
ponto BEX (comparações Múltiplas de médias ranqueadas). .............. 52
Tabela 21. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas
coralíneas incrustantes entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no
ponto CO1 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas). .............. 53
Tabela 22. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas
coralíneas articuladas entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no
ponto BEX (comparações Múltiplas de médias ranqueadas). .............. 54
Tabela 23. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas
coralíneas articuladas entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no
ponto CO1 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas). .............. 55
Tabela 24. Teste de similaridade ANOSIM para o bentos de fundo arenoso.
Comparações entre os pontos controles do lado direito da balsa (L.D) e
do lado esquerdo da balsa (L.E) com o ponto a baixo da balsa (B). ..... 60
4XIV
Tabela 25. Classificação granulométrica do sedimento das amostragens da
fauna bentônica nos pontos controle do lado direito da balsa (L.D) e do
lado esquerdo da balsa (L.E) com o ponto a baixo da balsa (B). .......... 60
Tabela 26. Análise de granulometria dos pontos de coleta de matéria orgânica
e fauna bentônica (ver figura 22). ...................................................... 64
Tabela 27. Teste post hoc paramétrico de Newman-Keuls. Comparações de
concentração de matéria orgânica entre os pontos de coleta............... 65
Tabela 28. Análise de variância ANOVA para concentrações de nutrientes entre
os pontos de amostragem. ................................................................ 66
Tabela 29. Pressão de herbivoria sobre a K. alvarezii. *, Propágulo perdido... 69
Tabela 30. Pressão de herbivoria sobre as pontas dos propágulos de K.
alvarezii. .......................................................................................... 70
1
RESUMO
As macroalgas, além de fonte de alimento, têm sido utilizadas na indústria
farmacêutica, de cosméticos, de papel e biotecnológica (Jensen, 1993;
Matulewicz, 1996; McHugh, 2003). Uma das macroalgas mais conhecidas na
indústria é a Kappaphycus alvarezii, com bancos naturais distribuídos nas
Filipinas, Indonésia e Tanzânia. Esta alga é uma das mais importantes fontes
de carragenanas no mundo. Neste trabalho, foram avaliados alguns dos
possíveis impactos de um cultivo pioneiro na região de Paraty, sobre o
macrobentos dos costões rochosos, do fundo arenoso e ictiofauna, em duas
áreas controles e uma área de cultivo propriamente dito. A estrutura de
comunidade de peixes não mostrou diferença significativa entre as áreas
controles e a área de cultivo. O macrobentos associado ao costão, também não
apresentou diferença significativa entre os pontos. O bentos de fundo arenoso,
apesar de apresentar comunidades diferentes abaixo do cultivo, não diferiu dos
pontos controles de mesmo padrão granulométrico. Além disso, dados
abióticos como matéria orgânica, materiais particulados e nutrientes dissolvidos
apresentaram resultados similares entre os locais de amostragem. Testes de
herbivoria mostraram que há presença de herbívoros consumindo K. alvarezii.
Concluiu-se que a presença do cultivo de K. alvarezii não está provocando um
impacto significativo na área de cultivo.
PALAVRAS-CHAVE: Maricultura,
Macrobentos, Peixes recifais.
Impacto
ambiental,
Algas
marinhas,
2
ABSTRACT
The macroalgae, besides food source, have been used in the pharmaceutical
industry, cosmetics, paper manufacturing and biotechnological (Jensen, 1993;
Matulewicz, 1996; McHugh, 2003). At better known macroalgae in the industry
is the Kappaphycus alvarezii, with natural banks distributed in Philippines,
Indonesia and Tanzania, one of the most important carrageenans sources in
the world. In this work, it was evaluated some of the possible impacts of a
pioneering cultivation in the area of Paraty, on the rocky reef macrobenthos,
sandy bottom macrobenthos and rocky reef fish, in two controls area and one
cultivation area. The fish communities structures didn't show significant
differences between the control areas and the cultivation area. The rocky reef
macrobenthos associated, didn't also present significant difference among the
points. The sandy bottom macrobenthos, in spite of presenting different
communities below the cultivation, didn't differ of the points controls of same
granulometric pattern. Besides, abiotic data as organic matter, particulated
matter and dissolved nutrient presented similar results among the sampling
area. Herbivory tests showed that there are herbivores consuming k. alvarezii.
This study concluded that the presence of Kappaphycus alvarezii cultivation is
not provoking a significant impact in the cultivation area.
PALAVRAS-CHAVE:
Mariculture,
Macrobentoss, Reef fishes.
Environmental
impact,
Seaweeds,
3
INTRODUÇÃO
A maricultura ou cultivo de organismos marinhos tem sido uma atividade
de desenvolvimento crescente nos últimos anos (FAO, 2000), fruto de uma
grave estagnação da produção pesqueira e da necessidade de promover
alternativas econômicas às populações costeiras que já não conseguem
sobreviver da pesca.
As macroalgas vêm sendo cultivadas há séculos, com registros de
atividades de cultivo por volta de 1650 (Ohno e Largo, 1998). Inicialmente, os
cultivos foram desenvolvidos empiricamente e voltados para a produção de
alimento humano em países com histórico de consumo de macroalgas
marinhas como Japão, Coréia e China (Oohusa, 1993). Atualmente, além de
fonte de alimento, fazem parte de um grande número de produtos da indústria
farmacêutica, de cosméticos, de papel, têxtil e biotecnológica (Jensen, 1993;
Matulewicz, 1996; McHugh, 2003), atuando como agente espessante e
estabilizante, graças aos colóides extraídos de diversas espécies (agaranas,
carragenanas e alginatos). São utilizados ainda como fármacos (vermífugos,
anestésicos, antipiréticos, remédios para tosse e cicatrizantes) e na
composição de adubos e rações (Oliveira, 1997; Oliveira et al., 2005), além de
apresentar atividades antivirais contra herpes e dengue (Tischer et al., 2006).
Sendo assim, entre os diversos organismos do mar cultivados, as algas estão
entre os principais.
A espécie Kappaphycus alvarezii, comercialmente conhecida como
“Cottoni”, é uma alga vermelha e principal fonte produtora de carragenana
4
kappa no mundo, graças aos cultivos comerciais existentes principalmente nas
Filipinas, Indonésia e Tanzânia (Ask e Azanza, 2002), enquanto que a espécie
Eucheuma denticulatum, conhecida como “espinosa”, é a principal fonte de
carragenana iota. Ambas as espécies são responsáveis por aproximadamente
88% da matéria prima processada para a produção de carragenana, rendendo
em torno de 120.000 toneladas de alga seca por ano, principalmente das
Filipinas, Indonésia e Tanzânia (Zanzibar) (McHugh, 2003).
A produção mundial de carragenana kappa se concentra nas regiões de
Brunei-Indonésia-Malasia-Filipinas, conhecidas como “East Association of
Southeast Asian Nations” (ASEAN). Juntos, contribuem com 96.5% da
produção total, dos quais 55% são das Filipinas, 38% da Indonésia e 2,5% da
Malasia. A produção restante é contribuída com pequenos volumes em outros
países, sendo que o Brasil contribui com apenas 0,3% (Hayashi, 2010a)
O gênero Kappaphycus Doty pertence à divisão Rhodophyta, classe
Florideophyceae, ordem Gigartinales e Família Areschougiaceae, foram
segregadas do gênero Eucheuma por Doty (1987) pela presença de
carragenana kappa, cistocarpos hemisféricos inseridos diretamente nos eixos
principais do talo e formação do eixo central a partir de células medulares
organizadas em feixes (Areces, 1995).
De acordo Zemke-White e Smith (2006), o gênero Kappaphycus foi
introduzido em 19 países tropicais enquanto que o gênero Eucheuma está
inserido em, pelo menos, 13 países tropicais. A K. alvarezii foi introduzida no
Brasil experimentalmente em 1995, no Instituto de Pesca da Secretaria de
Agricultura e Abastecimento (Ubatuba, São Paulo), com o objetivo de
5
desenvolver estudos básicos, como suporte para a implantação de cultivos
comerciais no litoral brasileiro, sendo aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) (Paula, 2001). Por ser
uma espécie exótica, a expansão dos seus cultivos gera discussões na
comunidade científica referentes a impactos ambientais potenciais.
Os efeitos ambientais trazidos pelo cultivo de K. alvarezii, apesar de
pouco documentados, sugerem aspectos positivos e negativos (Paula &
Pereira, 1998). Entre os aspectos positivos, são descritos a renovação de
águas poluídas devido à oxigenação obtida pela fotossíntese das algas e a
atração e proteção de peixes (Paula & Pereira, 1998; Jory et al., 1999; Tewari
et al., 2006). Alguns autores, no entanto, demonstram que os cultivos da algas,
assim como outros tipos de maricultura, podem afetar componentes do
ecossistema no qual o cultivo se encontra devido à modificação na circulação
da água, decomposição e formação de manchas anaeróbias no substrato,
alteração da composição e estrutura das comunidades marinhas locais,
desprendimento de artefatos do cultivo, poluição visual e impactos sobre a
pesca e turismo, entre outros aspectos (Bergman et al., 2001; Bryceson, 2002;
Paula & Oliveira, 2004; Eklöf et al., 2005; Bastos, 2006 apud Reis et al., 2007;
Morberg, 2006). Tais efeitos ambientais, por serem pouco conhecidos,
denotam a importância da realização de estudos contínuos de monitoramento
ambiental (Oliveira, 2005).
O caso mais estudado de impacto referente ao cultivo de K. alvarezii é a
invasão dessa alga no Havaí. O primeiro estudo realizado na Baía de Kaneohe
foi feito por Russel (1983) dois anos depois da introdução da alga na região, na
6
qual o autor se refere como Eucheuma striatum. Russel afirmou que a
Eucheuma não tinha potencial para se estabelecer em águas profundas, canais
ou grandes depressões e não ser capaz de colonizar recifes vizinhos sem a
ajuda humana. Além disso, observou a ocorrência da alga na borda dos recifes,
porém essa população não seria estável. Em 1996, Rodgers e Cox estudaram
a mesma área e observaram que a alga (agora mencionada como K. alvarezii e
K. striatum) se estendeu por 6 km da área inicial de introdução a uma taxa de
250 m ao ano (Rodgers and Cox, 1999). Em 2001, estudos conduzidos por
Smith et al. (2002) foi observado que a Kappaphycus spp. ainda não tinha
saído da baía, mas continuava a se estender para o Norte da baía desde os
estudos de Rodgers e Cox, em 1999.
Estudos moleculares mostraram que a alga introduzida no Havaí é de
linhagem diferente de todas as outras Kappaphycus cultivadas no mundo e que
seu genótipo único pode explicar seu potencial invasivo (Zuccarello et al.,
2006). No trabalho de Conklin et al. (2009), o autor confirma que a espécie
cultivada na baía de Kaneohe é a Kappaphycus alvarezii, mas que as cepas
formam grupos separados daquelas cultivadas na Venezuela, Tanzânia e
Madagascar.
Outro caso relatado de invasão ocorreu nos recifes da Índia, na ilha
Kurusadai, realizado por Chandrasekaran et al. (2008). Foi observado que a K.
alvarezii invadiu e se estabeleceu com sucesso tanto sobre corais vivos como
mortos, principalmente sobre as espécies Acropora formosa e A. nobilis
causando efeito de sombreamento e sufocamento tanto em colônias de corais
monoespecificas ou misturado com outras comunidades de corais vivos e
7
mortos. Segundo o autor, a alga formou um tapete sobre os corais e nas
laterais, apresentando uma alta plasticidade fenotípica de cor, forma de talo,
espessura do eixo principal, características morfológicas e frequência de
ramificação primária e secundária. Como resultado da cobertura de alga, os
corais perderam a integridade esquelética, estabilidade e são facilmente
quebrado. Acredita-se que as condições para o sucesso da invasão foram as
ótimas condições de temperatura e disponibilidade de nutriente durante todo o
ano.
Além dos fatores físicos como luz, temperatura e nutriente, a herbivoria
também exerce um papel importante no controle do crescimento das algas.
Desta forma, a herbivoria sobre a K. alvarezii é um dos aspectos ambientais a
serem elucidados.
Experimentos em campo realizados por diversos pesquisadores
demonstraram que a herbivoria é um fator limitante para o crescimento e
estabelecimento de espécies de macroalgas, atuando como uma importante
força seletiva (Hay, 1981; Carpenter, 1986; Lewis, 1986; Sala & Boudouresque,
1997; Stimson et al., 2001; McClanahan et al., 2003; Hereu, 2006; Mantyka &
Bellwood, 2007). No Brasil, estudos também comprovam a importância da
herbivoria. Em fevereiro de 2006, na baia de Sepetiba, estudos de
monitoramento foram realizados numa parceria com a empresa Sete Ondas
Biomar e o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro nessa
região. Segundo Reis (2007), um dos principais fatores que controlam a alga
fora do sistema de cultivo é a herbivoria e a alta turbidez da água.
8
A variação espacial e temporal na abundância e diversidade de
macroalgas
em
ambientes
recifais
e
costões
rochosos
podem
ser
determinados, direta ou indiretamente, pela herbivoria (Hay, 1981; Carpenter,
1986; Lewis, 1986; Hay, 1991; Sala e Boudouresque, 1997; Stimson et al.,
2001; McClanahan et al., 2003). Desta forma, a entrada de uma espécie de
alga exótica pode redirecionar a preferência alimentar dos herbívoros e
influenciar na abundância e diversidade de macroalgas nativas.
O estudo de impactos ambientais sobre a área de cultivo de
Kappaphycus foi o primeiro realizado no Brasil. Neste trabalho, foi realizado um
estudo
de
impacto,
estabelecendo
comparações
sobre
a
estrutura
macrobentônica dos costões rochosos e do sedimento arenoso, assim como as
comunidades de peixes na região de cultivo de K. alvarezii, em Paraty mirim,
Paraty.
9
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Avaliar possíveis impactos ambientais no ambiente bentônico e sobre a
ictiofauna em virtude da implantação do cultivo de Kappaphycus alvarezii, na
Ponta da Cajaíba, em Paraty, sul do Estado do Rio de Janeiro.
Objetivos específicos
 Detectar possíveis alterações na comunidade de peixes recifais e na
comunidade macrobentônica do costão rochoso, próximas ao cultivo.
 Comparar a composição macrobentônica de fundo arenoso abaixo e a
100 m do cultivo
 Quantificar a matéria orgânica do fundo arenoso abaixo e fora do cultivo.
 Avaliar a pressão de herbivoria sobre a Kappaphycus alvarezii.
 Comparar as concentrações de nutrientes presentes na água na área de
cultivo e nas áreas controle.
10
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
O trabalho foi desenvolvido próximo a localidade de Paraty-Mirim,
(Paraty, RJ), em um costão rochoso na ponta da Cajaíba, correspondendo à
área de implantação do cultivo (Fig. 1).
Recentemente, a região de Paraty foi considerada como um das mais
importantes no Estado para a demarcação de parques aquícolas, devido as
suas diversas características oceanográficas (Wasserman 2007). A região
apresenta condições muito favoráveis, pois possui um litoral extremamente
recortado, com muitas reentrâncias naturais. Paraty apresenta grandes áreas
abrigadas, nas quais existem baías menores, com águas claras, várias
enseadas, inúmeras ilhas e praias, que vão de Tarituba, ao lado de Angra dos
Reis, até a Ponta da Trindade, na divisa com São Paulo. (Estudo sócio
econômico de Paraty, 2007).
11
CO2
CO1
BEX
BEX
Figura 1. Mapa da área de estudo. Região de Paraty Mirim, Paraty. CO1 (ponto
controle 1), BEX (ponto balsa experimental), CO2 (ponto controle 2). Quadro inferior
com detalhe do ponto BEX (linhas paralelas – esquema das balsas do cultivo; traçado
pontilhado – área monitorada nos censos visuais e fotoquadrados).
12
As comparações foram realizadas entre dois pontos controles e um
ponto experimental, no qual se encontram as balsas de cultivo de K. alvarezii,
ao longo do costão da Ponta da Cajaíba, Paraty Mirim (Fig. 1). O primeiro
ponto de amostragem encontra-se ao extremo da Ponta da Cajaíba (230 13'
35,0" S; 440 33' 42,6" W), nomeado ponto Controle 1 (CO1). A segunda região
de amostragem é caracterizada pela presença do cultivo de K. alvarezii e local
de possível impacto, que se encontra a cerca de 1,5 Km do ponto CO1 (23 0 13'
59,0" S; 440 34' 31,2" W), chamada de ponto Balsa Experimental (BEX), o
terceiro e o mais distanciado da ponta da Cajaíba, está cerca de 1,3 Km do
ponto BEX (230 13' 55,3" S; 440 35' 20,2" W), nomeado ponto Controle 2 (CO2).
Balsa de cultivo
O cultivo de k. alvarezii, assim como as áreas controle, foi monitorado
mensalmente. As balsas do cultivo foram instaladas em fevereiro de 2010 e
estão a 50 m do costão rochoso dispostos paralelamente. Os census para
avaliar a comunidade de peixe se iniciaram em Janeiro de 2010 até Setembro
de 2010. Os fotoquadrados no costão rochoso começaram em Dezembro de
2009 até Outubro de 2010. A estrutura da balsa é composta por módulos de 4 x
3 m, construídos com canos de PVC de 3 m de comprimento e 75 mm de
diâmetro, com suas extremidades vedadas e dispostos paralelamente ao longo
de 80 m (Fig. 2). Todos os tubos de PVC são interligados por cordas de
13
polipropileno de 6 mm e distanciados a 4 m, totalizando 80 m de comprimento
cada balsa e resulta em uma área de 240 m 2. As extremidades foram presas
através de cabos de polipropileno de 14 mm que se estendem até o fundo
arenoso e são fixados por pinos galvanizados. Foram instaladas quatro balsas
dispostas paralelamente ao costão e separadas por 10 m de distância e a partir
de Outubro foram instaladas mais 3 balsas. A profundidade do fundo arenoso
abaixo da balsa varia de 5 m na balsa mais próxima do costão (50 m) e 10 m
na última balsa. A área total do cultivo ocupa entorno de 7300 m2 e produz uma
biomassa total 22,2 T após um ciclo de 50 dias.
Figura 2. Esquema da balsa de cultivo.
Em cada módulo foram colocados, perpendicularmente aos tubos de
PVC, 12 fileiras de redes tubulares de 80 mm com propágulos de Kapapphycus
alvarezii. As redes tubulares são originalmente utilizadas em cultivos de
mexilhões e foram adaptadas para o cultivo de algas, pois oferecem maior
proteção para as algas quando comparadas com o sistema de cultivo “tié-tie”,
14
onde os talos são amarrados individualmente por cabos e mantidos flutuando
na superfície. O sistema “tié-tie” além de ser mais laborioso e demorado,
provoca recorrentes rupturas dos talos devido à ação das ondas. Variações
desse tipo de sistema têm sido testadas, porém sem muito sucesso (Areces,
1995, Bouzon et al. 2009 e Hayashi et al., 2010b).
Perfil do costão rochoso
A similaridade do perfil dos costões monitorados é importante para
estabelecer comparações entre as comunidades que residem nesses costões,
reduzindo as variáveis ambientais.
O perfil foi traçado com o auxílio de um mergulhador e uma trena, na
qual foi fixada no costão na altura da linha d’água na maré alta. O Mergulhador
percorreu junto ao substrato, em linha reta, até alcançar o fundo arenoso e, a
cada metro, registrou a profundidade que se encontrava com o auxílio de um
profundímetro. Este perfil foi realizado nos pontos controle CO1 e CO2 e onde
se encontra as balsas de cultivo (ponto BEX). Para cada ponto de
monitoramento foram realizadas três réplicas de perfil.
Os três pontos de amostragens no costão rochoso apresentam
características semelhantes. A profundidade média dos costões varia entre
cinco e seis metros com extensão média de 17 metros (Fig. 3). Tanto nos
pontos controles quanto na área de cultivo a formação rochosa é caracterizada
15
por grandes rochas e formações de platôs que se estendem por dois a três
metros de distância com uma suave inclinação. Em geral os costões
apresentam inclinações brandas, aprofundando cerca de meio metro a cada
metro percorrido verticalmente.
Figura 3. Esquema do perfil do costão nos três pontos de amostragem.
16
Estimativa de abundância de peixes por censo visual
Para comparar a estrutura de comunidade de peixes que habitam a
região do cultivo e nas áreas controles, foram realizados censos visuais,
utilizando equipamento autônomo (SCUBA) seguindo uma transecção. O
método de transecção foi conduzido similarmente como descrito por diversos
autores (Brock, 1954; Bortone et al., 1989) em que o mergulhador nada
lentamente ao longo da linha de transecção por 20 m e conta todas as
espécies que ocorrem em sua frente e entre 1 metro de cada lado da linha. Os
nomes e a abundância das espécies foram listados em tubos de PVC, escritas
com lápis.
Para determinar se houve mudanças nas comunidades na área do
cultivo e nos costões das áreas controle, as observações “in situ” foram feitas
mensalmente durante o período de amostragens, de janeiro de 2010 a outubro
de 2010. Os dados foram dispostos em tabelas de abundância e subdivididos
em grupos tróficos (herbívoros, carnívoros, invertívoros, onívoros e piscívoros)
baseado em Ferreira et al. (2001). O grupo dos planctívoros não fez parte das
análises porque apenas Chromis multilineata foi observado na região. Para as
análises exploratórias, foram utilizadas tabelas com as médias das transecções
por mês e local de amostragem (Anexo I).
17
Composição do bentos associado ao costão
Para avaliar possíveis alterações na composição da flora e da fauna dos
costões, o substrato foi amostrado por fotoquadrados, que posteriormente foi
analisado pelo software Coral Point Count (Kohler & Gill, 2006) (Fig. 4). As
fotografias foram tiradas a 50 cm de distância com auxílio de uma armação de
PVC, com moldura de 25 cm de lado. O procedimento de amostragem foi
realizado por um mergulhador, em uma profundidade entre 1 a 3 m, seguindo
uma linha imaginária por 60 m horizontalmente ao longo do costão. A cada 2 m
o mergulhador fotografou o substrato posicionando a estrutura de PVC sobre o
mesmo, totalizando trinta fotos por sítio de amostragem. Deste total de
fotoquadrados, foram selecionadas aleatoriamente quinze fotos para serem
analisadas no software. Os principais espécimes de macroalgas encontrados
foram coletados para facilitar a identificação das fotografias.
Com auxílio do software Coral Point Count (National Coral Reef
Institute), foram plotados 50 pontos aleatórios sobre as fotografias, a partir dos
quais a porcentagem de cobertura dos organismos bentônicos foi quantificada.
A investigação da composição do substrato bentônico foi realizada nos três
sítios de amostragem.
Os dados foram dispostos em tabelas de porcentagem de cobertura e
subdivididos em grupos (coral, zoantídeos, macroalgas, tufos de algas, algas
coralíneas articuladas e algas coralíneas incrustantes). Para as análises
exploratórias, foram utilizadas tabelas com as médias de porcentagem de
18
cobertura dos grupos por fotoquadrados por mês e local de amostragem
(Anexo II). Os valores de porcentagens de cobertura foram transformados para
arco seno.
Figura 4. Fotoquadrado do bentos associado ao costão rochoso. Pontos de 1 a 50
plotados pelo software Coral Point Count.
19
Composição do bentos no fundo arenoso
Para avaliar se a comunidade bentônica do fundo arenoso, abaixo do
cultivo, está sendo alterada pela presença das algas e pelo sombreamento da
estrutura de cultivo, foram coletadas amostras de sedimento abaixo do cultivo e
amostras a 100 m a esquerda e a direita das estruturas de cultivo,
consideradas amostras controles. As amostras foram coletadas entorno de 7 m
de profundidade (Fig. 21). Em cada ponto de coleta as amostras foram
coletadas em triplicata.
Cada amostra foi coletada com um core de PVC de 20 cm de
comprimento e 75 mm de diâmetro. Após a coleta, o sedimento foi embebido
em álcool a 70% para conservação dos organismos e para posterior análise em
laboratório.
O sedimento coletado foi elutriado três vezes passando por uma peneira
com malha de 0,5 mm, retendo toda a macrofauna. Posteriormente os animais
foram identificados na maior resolução taxonômica possível, de classe a
espécie.
Os dados foram dispostos em tabelas de abundância e para as análises
exploratórias, foi utilizada a abundância total de cada indivíduo de cada
amostragem (Anexo III).
20
Granulometria
O sedimento foi coletado nos 5 primeiros centímetros com auxílio de um
frasco de plástico. Em laboratório, foi colocado na estufa a 60 C0 por 24 h para
secar totalmente. Após seco, o sedimento foi macerado para que todos os
grãos se desgrudassem. O material macerado foi posto em um agitador com
uma sequência de peneiras de malhas decrescentes em mm (4,000; 2,830;
2,000; 1,410; 1,000; 0,710; 0,500; 0,350; 0,250; 0,180; 0,125; 0,090; 0,063) por
15 minutos. Cada fração granulométrica retida em cada peneira foi pesada
para posterior análise no software SysGran 3.0.
Análise de matéria orgânica do fundo arenoso
Análises comparativas de matéria orgânica do sedimento abaixo da
região do cultivo e em áreas controle foram realizadas para determinar se há
influência do cultivo em relação à concentração.
As coletas de sedimentos foram feitas em forma de “cruz” (Fig. 21),
totalizando 12 pontos de coleta abaixo do cultivo com 3 réplicas cada um.
Como controle, foram estabelecido dois pontos de coleta a 100 metros da
estrutura do cultivo da alga com 3 réplicas cada um.
As amostras foram coletadas com um testemunho de plástico adaptado
feito com uma seringa de 60 mL cortada na ponta. Para coletar o sedimento a
21
seringa foi enterrada até o final e, posteriormente, o sedimento foi extrudado
até restar apenas os primeiros 5 cm de sedimento superficial. Este sedimento
restante foi coletado em um recipiente e posteriormente congelado para futuras
análises.
As amostras foram descongeladas e secas na estufa a 60 C0 por 24 h.
Depois de secas, de cada amostra foi pesada 2 g de sedimento e levados para
a mufla a 540 C0 por 3 h para calcinar toda a matéria orgânica. Depois de
calcinado, as amostras foram mantidas em um dessecador por 1 h e 30 min
para esfriar e depois foram pesadas novamente. A concentração de matéria
orgânica foi estabelecida pela fórmula:
MO (%) = [(Peso Inicial) – (Peso Final)] / Peso Inicial * 100
Variáveis abióticas
Nutrientes na água
Para determinação da concentração de nutrientes na coluna d’água,
foram coletadas amostras mensais de fevereiro a Setembro de 2010. As
amostras foram coletadas nos 3 pontos de amostragem, tanto na superfície,
quanto no fundo. A partir da água coletada, foram realizadas medidas de PO 4,
NH4, NO2, NO 3. Para isso as amostras foram previamente filtradas em um filtro
Whatman GF/C com 0,45 µm, para separação da porção particulada de
22
nutrientes (seston). A medição da concentração dos referidos nutrientes foram
medidas no espectrofotômetro.
Material particulado suspenso
A quantidade de material particulado presente em suspensão na coluna
d’água influencia diretamente a turbidez da água e a profundidade de
penetração da luz, e indiretamente as taxas fotossintéticas de organismos
autotróficos.
Para avaliar se a presença do cultivo de alga aumenta a quantidade de
material particulado em suspensão na água, devido o desprendimento de
pedaços de algas e de outros organismos incrustados nas balsas, foram
utilizados filtros de fibra de vidro, previamente pesados, com porosidade de
0,45µm utilizados para as mesmas amostras de água coletadas para análises
de nutrientes. Os filtros foram colocados na estufa a 60 graus Célsius por 2
horas e após o seu resfriamento em um dessecador foram pesados. Cada
amostra teve o volume filtrado anotado e a concentração de material
particulado foi calculado pela fórmula e dado em mg/mL:
C = (Peso final – Peso inicial) / volume filtrado
23
Pressão da herbivoria sobre a K. alvarezii
Com a finalidade de determinar a pressão da herbivoria sobre K.
alvarezii, foram realizados experimentos de herbivoria em campo na área do
cultivo da alga e no costão rochoso próximo.
Os experimentos foram realizados a partir da oferta de fragmentos de K.
alvarezii aos herbívoros locais. A técnica empregada foi adaptada do trabalho
de Marques et al. (2006). Foram retirados fragmentos de porções apicais do
talo da alga com biomassa inicial entre 80,0 a 150,0 g. Os talos foram presos
por pregadores plásticos de roupa fixados, através de abraçadeiras plásticas,
em cordas chumbadas (gramatura entre 100 e 105 g/m) com 1,0 m de
comprimento. As biomassas dos fragmentos foram obtidas através de uma
balança digital de gancho com precisão de 1 g. Cada corda com 10 pregadores
distantes 10,0 cm entre si. Foram fixadas 2 cordas junto ao substrato do costão
rochoso próximo ao cultivo e 2 cordas penduradas nas estruturas do cultivo em
uma altura semelhante à altura onde são amarradas as algas cultivadas.
As cordas foram monitoradas por 4 h de exposição. O consumo das
algas
expostas
à
herbivoria
foi
determinado
pelas
diferenças,
em
porcentagens, entre a biomassa inicial e final dos fragmentos.
Outro experimento de herbivoria realizado no cultivo foi feito pela
quantificação de todas as pontas de cada ramo de alga. Pois, por observações
pessoais, os herbívoros presentes na região tendem a predar apenas as
24
pontas meristemáticas e abandonar a porção restante. Após serem expostas
por um período de 4 h tanto ao lado da balsa quanto no fundo do costão
rochoso, as pontas foram novamente quantificadas para estabelecer a
porcentagem consumida.
Análises de dados
As análises de estrutura de comunidade e abundância de grupos tróficos
de peixes foram baseadas apenas com as espécies que apresentaram mais de
10% de freqüência. O critério foi tomado para evitar falsas interpretações que
algumas espécies raras, porém abundantes, poderiam causar, como espécies
pelágicas de grandes cardumes (Willis et al., 2006; McClanahan et al., 2007).
Além disso, segundo Valetin (2000), as espécies raras geram um grande
número de valores nulos que são prejudiciais para estabelecer associações
biológicas com base no cálculo de coeficientes, sejam paramétricos ou não
paramétricos. Isto ocorre porque as espécies que formam duplo zero distorcem
significativamente a dispersão elíptica dos pontos com relação ao eixo das
espécies (Legendre, 1998).
Tabelas
de
abundância
dos
táxons
em
cada
amostra
foram
estabelecidas como base para comparação dentro de cada estação de coleta e
entre os pontos de amostragem. Análises multivariadas foram realizadas para
avaliar a estrutura de comunidade. Os dados foram ordenados em matrizes de
similaridade por Bray-curtis e foram realizados análises de cluster e ordenação
25
nMDS (non-metric multidimensional scaling) (Clark, 1993). Para avaliar as
principais espécies responsáveis pela similaridade dentro dos sítios e a
dissimilaridade entre os mesmos utilizamos a análise SIMPER (Warwick and
Clark, 1990). Para verificar a real formação de grupos hierárquicos dentro das
estruturas de comunidade utilizamos o teste SIMPROF (Clark, 2008) e para
verificar a significância de formação de grupos distintos entre os pontos de
amostragem foi realizado o teste de similaridade ANOSIM (Clark, 1988).
Todos os dados coletados foram testados quanto à sua normalidade e
homocedasticidade.
Todos
os dados
de comunidade
de peixes,
do
macrobentos, tanto associado ao costão rochoso quanto os de fundo arenoso,
e os dados de concentração de material particulado não apresentaram
normalidade e alguns também não eram homogêneos, mesmo após realizar
transformações para homogeinizar as variâncias (Underwood, 1997). Sendo
assim, as análises de variância foram realizadas para dados não paramétricos
(teste U de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis one-way) (Zar, 1999). .
Apenas os dados de concentração de nutrientes na coluna d’água
apresentaram normalidade e homocedasticidade após a transformação para
log X 10. Para esses dados foram realizadas ANOVAS paramétricas one-way
(underwood, 1997)
Testes a posteriori foram realizados quando os resultados foram
significativamente
diferentes,
utilizando
testes
não
paramétricos
comparações múltiplas de médias ranqueadas (Morin e Findlay, 2001) .
de
26
RESULTADOS
Ictiofauna recifal
Ao longo dos costões rochosos das áreas monitoradas foram
identificadas 55 espécies, sendo as mais abundantes e frequentes Haemulon
sp. , Stegastes fuscus, Abudefduf saxatilis, Diplodus argenteus, Anisotremus
virginicus, Mycteroperca acutirostris e Chaetodon striatus (Tabela 1).
A
espécie de Kyphosus sp., um importante herbívoro que aprecia a K. alvarezii
(Costa, 2008), também foram abundantes na região, porém não tão frequentes
quanto as espécies listadas a cima, cerca de 21% de frequência.
Os grupos tróficos com maior número de espécies encontrados foram os
carnívoros, herbívoros e invertívoros. Os planctívoros, piscívoros e Onívoros
apresentaram poucas espécies de cada grupo, porém a espécie Abudefduf
saxatilis, classificada como onívora, foi a mais abundante em quase todos os
censos nos três pontos de amostragem.
27
Tabela 1. Lista de espécies encontradas. Abundância e freqüência relativa em %.
ESPÉCIE
Abudefduf saxatilis
Stegastes fuscus
Haemulon aurolineatum
Anisotremus virginicus
Diplodus argenteus
Mycteroperca acutirostris
Chaetodon striatus
Mycteroperca marginata
Pseudupeneus maculatus
Sparisoma axillare
Holocentrus adscensionis
Haemulon steindachneri
Gobidae
Acanthurus chirurgus
Blenidae
Kyphosus Sp.
Chromis multilineata
Halichoeres poeyi
Pareques acuminatus
Anisotremus surinamensis
Acanthurus bahianus
Sphoeroides spengleri
Labrisomidae
Sparisoma frondosum
Scorpaena brasiliensis
Acanthurus coeruleus
Sparisoma amplum
Pomacanthus paru
Centropomus parallelus
Serranus baldwini
Mycteroperca bonaci
Emblemariopsis signifera
Scarus Zelindae
Stephanolepis hispidus
Caranx latus
Diodon hystrix
Stegastes pictus
Mugil curema
Cantherhines pullus
Pomacanthus arcuatus
Abundância relativa %
31,15
8,51
15,82
3,96
6,14
2,81
2,74
1,64
1,8
2,04
1,04
8,38
2,12
1,2
1,41
2,86
1,22
0,72
1,35
0,61
0,77
1,38
0,7
0,51
0,44
0,47
0,47
0,25
0,78
0,21
0,19
0,24
0,3
0,13
0,44
0,12
0,15
0,58
0,09
0,13
Frequência relativa %
97,47
77,27
65,15
57,58
57,07
51,01
51,01
38,38
35,86
35,35
34,85
34,34
33,33
22,73
22,22
21,72
21,72
20,71
20,2
19,7
19,19
17,17
16,67
14,14
11,11
10,61
8,59
8,59
7,58
6,57
6,57
6,06
5,56
5,05
4,55
4,55
4,55
4,04
3,03
2,53
GRUPO TRÓFICO
Onívoro
Herbívoro
Invertívoro
Invertívoro
Onívoro
Carnívoro
Invertívoro
Carnívoro
Invertívoro
Herbívoro
Carnívoro
Invertívoro
Herbívoro
Herbívoro
Planctívoro
Invertívoro
Carnívoro
Invertívoro
Herbívoro
Onívoro
Herbívoro
Carnívoro
Herbívoro
Herbívoro
Ominívoro
Carnívoro
Invertívoro
Carnívoro
Invertívoro
Herbívoro
Onívoro
Carnívoro
Invertívoro
Onívoro
Herbívoro
Ominívoro
Onívoro
28
Chaetodipterus faber
Sphoeroides greeleyi
Sardinella brasilliensis
Halicampus crinitus
Gymnothorax moringa
Epinephelus niveatus
Fistularia tabacaria
Ogcocephalus vespertilio
Pempheris schomburgkii
Serranus flaviventris
Stegastes variabilis
Cryptotomus roseus
Epinephelus morio
Gymnothorax funebris
Gymnothorax vicinus
Odontoscion dentex
Sparisoma rubripini
Synodus intermedius
0,06
0,05
0,74
0,04
0,05
0,04
0,04
0,02
0,02
0,02
0,02
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
2,02
2,02
1,52
1,52
1,52
1,01
1,01
1,01
1,01
1,01
1,01
0,51
0,51
0,51
0,51
0,51
0,51
Invertívoro
Invertívoro
Onívoro
Carnívoro
Carnívoro
Piscívoro
Carnívoro
Planctívoro
Invertívoro
Herbívoro
Herbívoro
Carnívoro
Carnívoro
Carnívoro
Carnívoro
Herbívoro
0,01
0,51
Piscívoro
Estrutura de comunidade da ictiofauna
A estrutura de comunidade de peixes recifais foi comparada entre os
pontos controle e a área de cultivo da alga K. alvarezii. As análises
exploratórias por cluster e nMDS mostraram que houve formação de apenas
dois grupos distintos entre os pontos CO1 e BEX, utilizando o teste simprof
(Fig. 5), porém, com exceção do mês de junho, as amostragens nos pontos
CO1 e BEX dentro de cada mês encontram-se respectivamente no mesmo
grupo. Nos pontos CO2 e BEX, apenas a amostragem de agosto no ponto CO2
formou um grupo separado (Fig. 6). Estes dados sugerem que as comunidades
não apresentam uma variação espacial, mas indicam uma possível variação
temporal no ponto CO1 nos últimos meses.
29
Uma análise de similaridade foi realizada para testar a hipótese de
formação de grupos entre os pontos de amostragem. Entre os pontos CO1 e
BEX , o valor de R foi de 0,121, enquanto que entre os pontos CO2 e BEX foi
verificado um menor valor de R (R=0.069) (Tabela 2). Esses valores indicam
que as comunidades dos pontos controle não formam grupos significativamente
distintos da Balsa experimental.
30
Figura 5. Análise de Cluster da estrutura da ictiofauna (quadro superior) e ordenação
multidimensional não métrica nMDS (quadro inferior). Agrupamento entre os pontos
CO1 e BEX. Comparações entre os meses Janeiro (M1), Fevereiro (M2), Abril (M4),
Maio (M5), Junho (M6), Julho (M7), Agosto (M8) e Setembro (M9).
31
Figura 6. Análise de Cluster da estrutura da ictiofauna (A) e ordenação
multidimensional nMDS não métrica (B). Agrupamento entre os ponto s CO2 e BEX.
Comparações entre os meses Janeiro (M1), Fevereiro (M2), Abril (M4), Maio (M5),
Junho (M6), Julho (M7), Agosto (M8) e Setembro (M9).
32
Tabela 2. Análise de similaridade ANOSIM da comunidade de peixes. Comparações
entre os pontos controles e balsa de cultivo.
CO1 x BEX
CO2 X BEX
R Global
Significância
0,121
0.094
0,069
0.223
Grupos tróficos de peixes
Uma vez que a presença da alga Kappaphycus alvarezii poderia
influenciar na abundância total de herbívoros presentes na região de cultivo, foi
realizada uma análise mais detalhada sobre esse grupo trófico ao longo do
período estudado. Foi observada uma variação temporal na abundância de
herbívoros em cada ponto de amostragem (Fig. 7). Para verificar se estas
variações foram significativas, foram realizadas ANOVAS não paramétricas
Kruskal-Wallis one-way para os locais de monitoramento entre os meses
amostrados (Tabela 3). Os resultados indicaram que houve diferença
significativa na abundância de herbívoros entre os meses de Janeiro a
Setembro nos pontos CO1 e BEX. No CO1, foi observado que os meses de
Maio, Junho e Julho apresentam médias significativamente maiores que os
meses de janeiro e Setembro (Tabela 4). No ponto BEX, Os resultados
mostraram uma variação de abundância, com aumento significativo também
em Maio quando comparado com Janeiro e Agosto (Tabela 5). No ponto CO2
não foi detectado diferença significativa entre os meses. Comparando as
abundâncias médias de herbívoros entre um ponto controle e o ponto BEX, as
33
análises de variâncias mostraram uma diferença significativa apenas nos
meses de Junho e Agosto entre o Ponto CO1 e BEX, enquanto que entre os
pontos CO2 e BEX apresentou diferença apenas em Janeiro (tabela 6).
Figura 7. Abundância média de herbívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 3. Comparações da abundância média dos grupos tróficos em cada ponto de
amostragem por análise de variância não paramétrica Kruskal-Wallis one-way.
Kruskal-Wallis ANOVA
Herbívoros
Carnívoros
Invertívoros
Onívoros
CO1
BEX
CO2
P<0,01
p=0,02
P<0,01
P<0,01
P<0,00
p<0,01
p<0,01
p<0,01
p=0,35
p=0,01
p=0,01
p<0,01
34
Tabela 4. Comparações de abundância média de herbívoros entre Janeiro a Setembro
no ponto CO1 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
CO1
JANEIRO
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 93) =27,87596 p =,0002 (Herbívoros)
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
0,09
0,11
1,00
0,03
1,00
1,00
1,00
0,41
1,00
1,00
0,07
1,00
0,35
1,00
1,00
1,00
0,08
0,42
1,00
1,00
0,02
0,13
1,00
1,00
1,00
0,35
1,00
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
1,00
AGOSTO
Tabela 5. Comparações de abundância média de herbívoros entre Janeiro a Setembro
nos pontos BEX (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
BEX
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 94) =37,85343 p < 0,0001 (Herbívoros)
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
1,00
1,00
1,00
<0,01
0,12
<0,01
0,25
<0,01
0,30
0,18
1,00
1,00
1,00
0,58
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,01
1,00
1,00
0,01
1,00
0,02
0,88
35
Tabela 6. Comparações de abundância média dos grupos tróficos entre um ponto
controle e o ponto da balsa experimental em cada mês por teste U de Mann-Whitney.
CO1 x BEX
Herbívoros
Carnívoros
Invertívoros
Onívoros
Janeiro
p=0,26
p=0,69
p=0,28
p=0,24
Fevereiro
p=0,05
p=0,55
p=0,45
p=0,32
Abril
P=0,07
P=0,87
P=0,01
P=0,69
Maio
P=0,83
P=0,88
P=0,41
P=0,04
Junho
P=0,01
P=0,31
P<0,01
P=0,51
Julho
P=0,18
P=0,12
P=0,56
P=0,72
Agosto
P=0,04
P=0,08
P=0,67
P=0,05
Setembro
P=0,62
P=0,43
P=0,77
P=0,64
Janeiro
p<0,01
p=0,88
p=,03
p=0,01
Fevereiro
p=0,20
p=0,58
p=0,18
p=0,02
Abril
p=0,31
p=0,71
p<0,01
p=0,47
Maio
p=0,34
p=0,76
p=0,01
p=0,25
Junho
-------------------------
Julho
p=0,39
p=0,84
p=0,03
p=0,19
Agosto
p=0,85
p=0,09
p=0,01
p=0,20
Setembro
-------------------------
CO2 x BEX
Herbívoros
Carnívoros
Invertívoros
Onívoros
As espécies carnívoras apresentaram pequenas variações temporais na
abundância média em todos os pontos de amostragem (Fig. 8). Embora essas
variações aparentemente tenham sido pequenas, foram significativas (tabela
3). As análises de comparações múltiplas revelaram diferenças significativas
entre o mês de Julho com os meses de Janeiro e Abril no ponto BEX (Tabela
7). Nos pontos CO1 e CO2, testes a posteriori não conseguiram identificar
onde se encontram as diferenças de abundância média. Além disso, as
comparações feitas entre os pontos CO1 vs. BEx e CO2 vs. BEX, ao longo dos
meses, não mostraram variações significativas (tabela 6).
36
Figura 8. Abundância média de Carnívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 7. Comparações de abundância média de carnívoros entre Janeiro a Setembro
no ponto BEX (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
BEX
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 94) =20,90573 p =,0039 (carnívoros)
FEVEREIRO
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
1,00
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
1,00
1,00
1,00
1,00
0,27
1,00
<0,01
0,33
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,77
0,01
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,96
0,67
1,00
37
O grupo dos invertívoros apresentou grandes variações temporais nas
abundâncias médias nos pontos controles e na balsa experimental (Fig. 9). As
análises de variância mostraram que essas variações temporais foram
significativas em todos os pontos (Tabela 3). Testes a posteriori por múltiplas
comparações revelaram diferenças entre os meses de Agosto e Setembro com
os meses de fevereiro a Junho no ponto BEX (Tabela 8). No ponto CO1 as
diferenças ocorreram entre o mês de Setembro com os meses de janeiro a
Maio (Tabela 9), enquanto que no ponto CO2 as diferenças se deram apenas
entre janeiro e Agosto (Tabela 10). Além disso, as comparações de abundância
entre os pontos controles e o ponto BEX apresentaram diferenças significativas
em Abril e Junho entre os pontos CO1 e BEX e entre os pontos CO2 e BEX
essas diferenças foram encontradas de Abril a Outubro (tabela 6).
38
Figura 9. Abundância média de invertívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 8. Comparações de abundância média de invertívoros entre Janeiro a
Setembro no ponto BEX (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
BEX
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 94) =53,35998 p <0,0001 (Invertívoros)
FEVEREIRO
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
1,00
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
0,06
0,93
0,42
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,53
0,41
0,02
1,00
1,00
0,18
<0,01
X
1,00
1,00
<0,01
<0,01
1,00
0,01
<0,01
1,00
0,14
1,00
39
Tabela 9. Comparações de abundância média de invertívoros entre Janeiro a
Setembro no ponto CO1 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
CO1
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 93) =32,91337 p <0,0001 (Invertívoros)
FEVEREIRO
JANEIRO
1,00
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
1,00
1,00
1,00
1,00
0,42
0,08
1,00
1,00
0,32
0,06
0,04
0,01
1,00
0,21
1,00
0,16
0,02
0,07
1,00
0,05
0,01
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
1,00
AGOSTO
Tabela 10. Comparações de abundância média de invertívoros entre Janeiro a
Setembro no ponto CO2 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
CO2
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JULHO
Kruskal-Wallis test: H (5, N= 67) =16,29609 p =,0060 (Invertívoros)
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JULHO
AGOSTO
1,00
1,00
1,00
0,18
<0,01
1,00
1,00
1,00
0,21
1,00
1,00
0,30
1,00
0,07
1,00
40
Os Onívoros apresentaram a maior abundância média em comparação
aos outros grupos tróficos (Fig. 10). As comparações feitas entre os meses
dentro de cada ponto de amostragem revelaram que tanto nas áreas controles
quanto no ponto BEX houve uma variação temporal significativa (Tabela 3). As
comparações múltiplas mostraram que no ponto BEX houve uma diferença
entre Janeiro com os meses de Junho, Agosto e Setembro (Tabela 11). No
ponto CO1 houve uma diferença entre Janeiro com os meses de Junho e
Agosto e entre Julho e Agosto (Tabela 12). No ponto CO2 foi encontrada uma
diferença entre Fevereiro com Maio e Julho e entre Agosto com Maio e Julho
(Tabela 13). As comparações feitas entre os pontos controles e o ponto BEX
não apresentaram diferença significativa em nenhum dos meses (Tabela 6).
Figura 10. Abundância média de Onívoros de Janeiro (01) a Setembro (09).
Comparação de abundâncias entre os pontos (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
41
Tabela 11. Comparações de abundância média de onívoros entre Janeiro a Setembro
no ponto BEX (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
BEX
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 94) =36,17810 p =,0000 (onívoros)
FEVEREIRO
JANEIRO
1,00
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
0,31
1,00
0,61
1,00
<0,01
0,34
1,00
1,00
<0,01
0,23
<0,01
0,35
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,86
1,00
0,21
1,00
1,00
0,14
0,22
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
1,00
AGOSTO
Tabela 12. Comparações de abundância média de onívoros entre Janeiro a Setembro
no ponto CO1 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
CO1
Kruskal-Wallis test: H (7, N= 93) =22,16646 p =,0024 (Onívoros)
FEVEREIRO
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
1,00
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
0,31
1,00
0,61
1,00
<0,01
0,34
1,00
1,00
<0,01
0,23
<0,01
0,35
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,86
1,00
0,21
1,00
1,00
0,14
0,22
1,00
42
Tabela 13. Comparações de abundância média de onívoros entre Janeiro a Setembro
no ponto CO2 (comparações Múltiplas de médias ranqueadas).
CO2
Kruskal-Wallis test: H (5, N= 67) =26,75730 p =,0001 (onívoros)
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
FEVEREIRO
ABRIL
MAIO
JULHO
0,74
1,00
1,00
1,00
0,15
1,00
0,04
<0,01
1,00
1,00
0,19
0,92
1,00
0,01
<0,01
JULHO
AGOSTO
Impacto do cultivo no macrobentos do costão rochoso.
As análises exploratórias mostraram que a composição do bentos entre
os pontos controles e o local de cultivo da alga não apresentaram grupos
distintos bem definidos entre locais de amostragem (Fig. 12 e 13). Os dados
sugerem que, além de não haver formação de grupo entre os pontos de
amostragem, também não foi identificada uma formação de grupos entre os
meses, exceto entre os pontos CO1 e BEX, onde parece ter havido uma
separação dos meses de Agosto e Outubro do período restante.
Para corroborar com as análises de cluster e nMDS, foi realizada uma
ANOSIM, considerando os pontos de amostragem como fatores, para testar se
há diferença entre os locais. As comparações foram feitas entre os pontos
controles e o local de cultivo e os resultados confirmam as análises
exploratórias com valores de R menores que 0,25 (Tabela 14)
43
Os resultados sugerem que apesar da presença do cultivo de
Kappaphycus alvarezii na região monitorada, as estruturas de comunidades de
Bentos, entre as áreas monitoradas, são semelhantes e não formam grupos
significativamente distintos.
44
Figura 11. Análise de Cluster da estrutura bentônica associada ao costão (Quadro
superior) e ordenação multidimensional não métrica nMDS (Quadro Inferior).
Agrupamento entre os pontos CO1 e BEX. Comparações entre os meses Dezembro de
2009 (M12), Janeiro (M1), Fevereiro (M2), Abril (M4), Julho (M7), Agosto (M8) e Outubro
(M10).
45
Figura 12. Análise de Cluster da estrutura bentônica associada ao costão (Quadro
superior) e ordenação multidimensional não métrica nMDS (Quadro Inferior).
Agrupamento entre os pontos CO2 e BEX. Comparações entre os meses Dezembro de
2009 (M12), Janeiro (M1), Fevereiro (M2), Abril (M4), Julho (M7), Agosto (M8) e Outubro
(M10).
46
Tabela 14. Análise de similaridade ANOSIM. Comparação do bentos entre locais.
ANOSIM
CO1 x BEX
CO2 X BEX
Bentoss
R Global
<0,01
0,21
Significância
0.28
0.06
Durante todo período de monitoramento (Dezembro de 2009 a Outubro
de 2010) não foi observado fragmentos de K. alvarezii sobre o costão rochoso,
mas sim no fundo arenoso, embora restrito as áreas logo abaixo do cultivo. Nas
áreas controles não foram encontrados nenhum fragmento.
As porcentagens de cobertura das macroalgas do costão pareceram ser
constantes no ponto CO1 (Figura 14), com uma pequena redução em Agosto e
Outubro, porém, essa variação não foi significativa (Tabela 15). Nos pontos
CO2 e BEX, as análises de variâncias indicaram uma variação temporal
significativa, embora os testes de múltiplas comparações não tenham
conseguido detectar onde ocorreram, foi possível observar que houve uma
pequena redução na porcentagem de cobertura nos meses de Agosto e
Outubro na Balsa experimental.
Quando comparamos as porcentagens de cobertura entre os pontos de
amostragem com análises não paramétricas (teste U de Mann-Whitney), os
resultados mostraram que durante todo o período de amostragem não houve
diferença significativa entre os pontos CO1 e BEX (Tabela 16), enquanto que
entre CO2 e BEX observamos uma diferença em Dezembro, Julho e Agosto.
47
Figura 13. Porcentagem média de cobertura de macroalgas de Dezembro de 2009
(12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 15. Comparações de porcentagem de cobertura de bentos associados ao
costão entre os meses em cada ponto de amostragem por teste de Kruskal-Wallis oneway.
Kruskal-Wallis ANOVA
Coral
Zoantídeos
Macroalgas
Tufos de algas
Coralinas articuladas
Coralinas Incrustantes
CO1
BEX
CO2
p=0,48
p<0,01
p=0,21
p<0,01
p<0,01
p=0,03
p=0,80
p=0,01
p=0,04
p=0,33
p<0,01
p=0,01
p=0,69
p=0,05
p=0,01
p=0,68
p=0,07
p=0,35
48
Tabela 16. Comparações de porcentagem de cobertura de bentoss associados ao
costão entre um ponto controle e o ponto da balsa experimental em cada mês por
teste U de Mann-Whitney.
CO1 x BEX
Coral
Zoantídeos
Macroalgas
Tufos de algas
Coralinas articuladas
Coralinas Incrustantes
Dezembro
p=0,35
p=0,80
p=0,59
p=0,73
p=0,87
p=0,46
Janeiro Fevereiro Abril
Julho Agosto Outubro
p=0,98 p=0,34 p=0,79 p=0,76 p=0,97 p=0,79
p=0,82 p<0,01 p=0,42 p=0,52 p=0,90 p=0,80
p=0,72 p=0,15 p=0,97 p=0,35 p=0,52 p=0,72
p=0,02 p=0,01 p=0,01 p=0,41 p=0,79 p=0,53
p=0,66 p<0,01 p=0,32 p=0,21 p=0,62 p=0,85
p=0,97 p=0,76 p=0,82 p=0,25 p=0,38 p=0,88
Dezembro
p=0,76
p=0,66
p=0,04
p=0,87
p=0,01
p=0,15
Janeiro Fevereiro Abril
Julho Agosto Outubro
p=0,76 p=0,79 p=0,98 p=0,35 p=0,50 -------p=0,41 p=0,41 p=0,82 p=0,46 p=0,09 -------p=0,63 p=0,10 p=0,95 p=0,02 p=0,01 -------p=0,60 p=0,33 p=0,35 p=0,87 p=0,72 -------p=0,01 p=0,98 p=0,05 p=0,06 p=0,76 -------p=0,53 p=0,38 p=0,51 p=0,68 p=0,22 --------
CO2 x BEX
Coral
Zoantídeos
Macroalgas
Tufos de algas
Coralinas articuladas
Coralinas Incrustantes
Nos três pontos de amostragem ocorreu a presença de macroalgas
entrelaçadas em forma de tufos que não puderam ser identificadas nos
fotoquadrados. A ocorrência e a porcentagem de cobertura desses tufos foram
constantes ao longo dos meses (Fig. 15), com exceção do ponto CO1 que
apresentou uma diferença significativa entre os meses (tabela 15). A análise de
comparação múltipla indicou que essa diferença foi significativa entre Outubro
e os meses de Janeiro, Fevereiro, Abril e Julho (Tabela 17). As médias de
porcentagem de cobertura entre os pontos controles e o local de cultivo só foi
significativo entre os pontos CO1 e BEX nos meses de Janeiro, Fevereiro e
Abril (Tabela 16).
49
Figura 14. Porcentagem média de cobertura de Tufos de algas de Dezembro de 2009
(12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 17. Comparações de porcentagem de cobertura média de tufos de algas entre
dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto CO1 (comparações Múltiplas de
médias ranqueadas).
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =25,35437 p =,0003 (tufos de algas)
CO1
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
JANEIRO
1,00
1,00
1,00
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
1,00
OUTUBRO
DEZEMBRO*
1,00
0,02
1,00
1,00
1,00
<0,01
0,52
1,00
1,00
<0,01
1,00
1,00
<0,01
1,00
0,41
1,00
1,00
O grupo dos Zoantídeos foi caracterizado apenas pela espécie Palythoa
caribaeorum que também esteve presente em todos os locais de amostragem
(Figura 17). A porcentagem de cobertura de zoantídeos teve uma variação
temporal nos três pontos, porém testes não paramétricos mostraram que essa
variação só foi significativa nos pontos CO1 e BEX (Tabela 15). Tanto em CO1
50
quanto em BEX, a porcentagem de cobertura teve um aumento significativo em
Outubro (Tabela 18 e 19). Comparações entre os pontos de amostragem
revelaram uma diferença significativa apenas em janeiro entre os pontos CO1 e
BEX (Tabela 16).
Figura 15. Porcentagem média de cobertura de zoantídeos de Dezembro de 2009 (12)
a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro), balsa experimental
(BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não realizado (*).
Tabela 18. Comparações de porcentagem de cobertura média de zoantídeos entre
dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto BEX (comparações Múltiplas de
médias ranqueadas).
BEX
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =16,72341 p =,0104 (Zoantídeos)
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
DEZEMBRO*
1,00
1,00
1,00
1,00
0,17
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,26
1,00
1,00
0,09
1,00
1,00
1,00
0,02
51
Tabela 19. Comparações de porcentagem de cobertura média de zoantídeos entre
dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto CO1 (comparações Múltiplas de
médias ranqueadas).
CO1
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =30,18264 p <0,0001 (zoantídeos)
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
DEZEMBRO*
1,00
1,00
1,00
1,00
0,03
1,00
1,00
0,90
0,08
0,00
1,00
1,00
1,00
0,02
1,00
1,00
0,13
1,00
1,00
1,00
AGOSTO
OUTUBRO
0,02
Outro grupo muito freqüente nas amostragens são as algas coralíneas
incrustantes (Fig. 17). As coralíneas incrustantes apresentaram grande
variação temporal nos pontos CO1 e BEX (Tabela 15). Essa variação ocorreu
com a redução da cobertura em Janeiro (Tabela 20 e 21). No ponto CO2 a
diferença de porcentagem de cobertura ao longo dos meses não foi
significativa. As comparações realizadas entre os pontos de amostragem não
apresentaram diferenças significativas (Tabela 16).
52
Figura 16. Porcentagem média de cobertura de coralíneas incrustantes de Dezembro
de 2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 20. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas coralíneas
incrustantes entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto BEX (comparações
Múltiplas de médias ranqueadas).
BEX
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =15,88600 p =,0144 (Coralíneas incrustantes)
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
DEZEMBRO*
0,43
0,80
1,00
1,00
1,00
0,02
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,25
1,00
53
Tabela 21. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas coralíneas
incrustantes entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto CO1 (comparações
Múltiplas de médias ranqueadas).
CO1
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =13,63995 p =,0339 (Coralíneas incrustantes)
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
DEZEMBRO*
0,75
0,86
0,03
1,00
1,00
0,29
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
Assim como as coralíneas incrustantes, as articuladas também
apresentaram as maiores variações de porcentagem de cobertura nos pontos
CO1 e BEX (Fig. 18), mantendo também em CO2 uma frequência mais
constante, sendo o único ponto a não apresentar uma diferença significativa
(Tabela 15). Os testes a posteriori por múltiplas comparações mostraram que
essas diferenças ocorreram devido um aumento da porcentagem de cobertura
em Janeiro tanto em CO1 quanto em BEX (Tabela 22 e 23), no ponto Controle
1 houve um aumento ainda maior em Fevereiro em relação aos outros meses.
Além disso, houve algumas diferenças significativas, em alguns meses, na
porcentagem de cobertura entre os pontos controles e o local de cultivo (Tabela
16). As análises comparativas entre os pontos controles e BEX mostraram uma
diferença significativa no mês de Fevereiro entre CO1 e BEX e valores
significativos entre os meses de Dezembro de 2008 e janeiro de 2009 ( Tabela
16).
54
Figura 17. Porcentagem média de cobertura de coralíneas articuladas de Dezembro
de 2009 (12) a Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro), balsa
experimental (BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não
realizado (*).
Tabela 22. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas coralíneas
articuladas entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto BEX (comparações
Múltiplas de médias ranqueadas).
BEX
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =21,20856 p =,0017 (coralíneas articuladas)
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
DEZEMBRO*
0,37
1,00
1,00
0,01
0,01
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
0,33
0,21
55
Tabela 23. Comparações de porcentagem de cobertura média de algas coralíneas
articuladas entre dezembro de 2009 a outubro de 2010 no ponto CO1 (comparações
Múltiplas de médias ranqueadas).
CO1
Kruskal-Wallis test: H (6, N= 105) =47,04504 p =,0000 (coralíneas articuladas)
JANEIRO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
FEVEREIRO
ABRIL
JULHO
AGOSTO
OUTUBRO
DEZEMBRO*
1,00
1,00
0,01
0,01
<0,01
1,00
0,42
<0,01
<0,01
<0,01
0,81
0,87
1,00
0,13
1,00
1,00
1,00
0,46
1,00
0,54
OUTUBRO
0,06
O último grupo de bentos quantificados foram os corais, observados em
todos os meses, exceto no ponto Controle 2, que não esteve presente em
Dezembro, Janeiro e Julho (Fig. 19). Apesar da presença de coral no ponto
CO2 ser esporádica, as análises de variância não apontou uma diferença
significativa de porcentagem de cobertura entre os meses, assim como nos
pontos CO1 e BEX (Tabela 15). Da mesma forma, as comparações entre os
sítios de amostragem também não foram significativas (Tabela 16).
56
Figura 18. Porcentagem média de cobertura de corais de Dezembro de 2009 (12) a
Outubro de 2010 (10). Ponto controle 1 (CO1, Barra cinza claro), balsa experimental
(BEX, Barra preta), controle 2 (CO2, Barra cinza escuro), Censo não realizado (*).
Bentos de sedimento arenoso
Os resultados das análises exploratórias mostraram que, entre a
comunidade bentônica abaixo da balsa e aquela coletada fora e a direita da
balsa, não formam grupos distintos (Fig. 20). O teste de ANOSIM revelou entre
aquelas duas comunidades um valor de R de 0,11 (Tabela 28), o que indica
que as comunidades são semelhantes.
Quando comparado a comunidade abaixo da balsa com a fauna
coletada fora e a esquerda balsa de cultivo, as analises exploratórias revelam a
formação de dois agrupamentos separando os dois pontos de coleta (Fig. 21),
além do teste de similaridade ANOSIM apresentar um valor de R 0,96 (Tabela
28).
57
Além das análises da fauna bentônica, no mesmo ponto de coleta foi
realizado coletas para análise de granulometria. Os resultados mostraram que
os três pontos de coleta apresentaram classificação de sedimento distinto
(Tabela 29 e Fig. 21), com um gradiente granulométrico de areia mais fina a
direita da balsa de cultivo para uma areia mais grossa a esquerda da balsa.
58
Figura 19. Análise de Cluster do bentos de fundo arenoso (A) e ordenação
multidimensional não métrica nMDS (B). Agrupamento entre amostragem abaixo da
balsa de cultivo (B) e um grupo controle a direita do cultivo em relação ao costão (D).
59
Figura 20. Análise de Cluster do bentos de fundo arenoso (A) e ordenação
multidimensional não métrica nMDS (B). Agrupamento entre amostragem abaixo da
balsa de cultivo (B) e um grupo controle a esquerda do cultivo em relação ao costão
(E).
60
Tabela 24. Teste de similaridade ANOSIM para o bentos de fundo arenoso.
Comparações entre os pontos controles do lado direito da balsa (L.D) e do lado
esquerdo da balsa (L.E) com o ponto a baixo da balsa (B).
ANOSIM
R Global
0,11
0,96
B x L.D
B x L.E
Significância
0,30
0,10
Tabela 25. Classificação granulométrica do sedimento das amostragens da fauna
bentônica nos pontos controle do lado direito da balsa (L.D) e do lado esquerdo da
balsa (L.E) com o ponto a baixo da balsa (B).
L.E.
Classificação
Classificação
Simetria
Areia muito grossa
Moderadamente selecionado
Aproximadamente simétrica
Areia grossa
Pobremente selecionado
Aproximadamente simétrica
Areia média
Pobremente selecionado
Negativa
B
L.D.
Deposição de matéria orgânica e Granulometria
A Kappaphycus alvarezii, apesar de ser cultivada em estruturas
flutuantes na superfície da água, pode sofrer rompimento de seu talo devido a
forças externas como correntes, ventos e ondas que se depositarão no fundo,
podendo formar uma camada de matéria orgânica sobre o sedimento.
61
A partir dos pontos de coleta de sedimento, foi obtido um panorama de
distribuição de matéria orgânica, assim como o padrão granulométrico ao longo
do cultivo (Fig. 21).
62
Figura 21. Esquema das balsas de cultivo ao lado do costão e os pontos de
coleta de sedimento (X, Y), círculos pretos de áreas proporcionais a
concentração de matéria orgânica. Representação granulométrica de cada ponto
de amostragem (barras verticais) e pontos de coleta de core de sedimento para
identificação da fauna bentônica (LE, B, LD). Barra inferior indica o gradiente de
profundidade em metros. Esquema fora de escala.
63
A ANOVA Kruskal-Wallis mostrou que há uma diferença significativa
entre os pontos coletados (p=0,012), porém o teste post hoc por comparações
múltiplas de médias ranqueadas não conseguiu identificar onde se encontra
essa diferença significativa.
Para tentar identificar onde se encontra essa
diferença, foi utilizado um teste post hoc paramétrico de Newman-Keuls. O
resultado identificou os pontos que diferem significativamente (Tabela 27). As
concentrações de matéria orgânica foram significativamente maiores nos
pontos Y2 e Y3, que se encontram nas áreas mais profundas e com
granulometria mais fina (Tabela 26). Apesar dessa diferença significativa em
relação aos outros pontos de coleta, principalmente com aqueles localizados
nas partes mais razas e de granulometria mais grossa, quando comparado com
o ponto controle de coleta C2, que se encontra em profundidade semelhante,
não houve uma diferença significativa.
64
Tabela 26. Análise de granulometria dos pontos de coleta de matéria orgânica e fauna
bentônica (ver figura 21).
Classificação
GRANULOMETRIA
Classificação de
Classificação de seleção
simetria
X1
Areia média
Pobremente selecionado
Negativa
x2
Areia média
Pobremente selecionado
Negativa
x3
Areia grossa
Pobremente selecionado
Positiva
x-1
Areia média
Pobremente selecionado
Negativa
x-2
Areia média
Pobremente selecionado
Negativa
x-3
Areia média
Pobremente selecionado
Negativa
y1
Areia fina
Negativa
y2
Areia fina
Pobremente selecionado
Moderadamente
selecionado
y3
Areia fina
Muito negativa
y-1
Areia fina
y-2
Areia média
Pobremente selecionado
Moderadamente
selecionado
Moderadamente
selecionado
y-3
C1
Areia média
Areia muito
grossa
C2
Areia média
Pobremente selecionado
Moderadamente
selecionado
Moderadamente
selecionado
Negativa
Aproximadamente
simétrica
Aproximadamente
simétrica
L.D.
Areia média
Pobremente selecionado
B
Areia grossa
Areia muito
grossa
Pobremente selecionado
Moderadamente
selecionado
Negativa
Aproximadamente
simétrica
Aproximadamente
simétrica
L.E.
%
Cascalho
1,42
%
Areia
96,74
% Silte
1,84
2,12
96,35
1,54
4,97
94,36
0,67
1,68
97,21
1,12
2,00
97,11
0,89
2,26
96,85
0,89
1,15
96,46
2,39
0,14
95,38
4,48
0,55
93,90
5,56
0,74
98,27
0,99
1,19
98,14
0,67
3,89
95,59
0,52
3,36
96,63
0,01
1,94
97,26
0,80
3,99
95,79
0,22
4,31
95,55
0,14
10,52
89,45
0,03
Negativa
Negativa
Negativa
65
Tabela 27. Teste post hoc paramétrico de Newman-Keuls. Comparações de
concentração de matéria orgânica entre os pontos de coleta.
Pontos
X1
X2
X3
Newman-Keuls test; MS = ,00724, df = 27,000
Y1 Y2 Y3 X1- X2- X3- Y1- Y2- Y3- C1
C2
LE
B
0,96
X2
0,94 0,96
X3
0,91 0,99 0,96
Y1
0,57 0,56 0,54 0,56
Y2
0,07 0,04 0,03 0,04 0,12
Y3
0,91 0,79 0,95 0,98 0,45
0,02
0,94 0,94 0,91 0,83 0,70
0,08 0,90
0,81 0,92 0,90 0,89 0,45
0,06 0,85 0,95
0,93 0,99 0,92 0,88 0,54
0,04 0,97 0,88 0,89
X1X2X3Y10,20 0,42 0,46 0,42 0,03 <0,01 0,48 0,21 0,14 0,46
Y20,64 0,76 0,84 0,85 0,17
0,01 0,76 0,63 0,53 0,86 0,62
Y30,40 0,61 0,68 0,66 0,08 <0,01 0,65 0,40 0,30 0,69 0,64 0,65
C1
0,91 0,98 0,96 0,81 0,61
0,05 0,96 0,73 0,91 0,92 0,33 0,78 0,56
C2
0,18 0,42 0,45 0,40 0,03 <0,01 0,51 0,19 0,12 0,44 0,91 0,72 0,82 0,31
LE
0,89 0,91 0,96 0,98 0,40
0,02 0,88 0,88 0,82 0,98 0,46 0,58 0,58 0,96 0,51
B
0,18 0,44 0,47 0,40 0,02 <0,01 0,54 0,18 0,12 0,45 0,98 0,80 0,91 0,30 0,95 0,56
LD
66
Análise de nutrientes
As análises de fosfato, amônia, nitrito, nitrato e nitrogênio inorgânico
dissolvido (NID), coletados de fevereiro a setembro, revelaram que as médias
das concentrações desses nutrientes dissolvidos não foram significantemente
diferentes entre os pontos de coleta (Tabela 30). Os valores de amônia e NID
foram os mais altos e as concentrações de nitrito e nitrato foram as mais
baixas, porém esse padrão se repetiu em todos os pontos (Fig. 22).
As
concentrações de nitrato no fundo foram menores em relação à superfície em
todos os pontos e o ponto BEX/F apresentou a menor concentração relação
aos demais pontos, porém não foi significativamente diferente. As médias de
concentração de nitrito foram constantes a 0,4 µmol/ mL em todos os pontos.
As concentrações de NID também foram ligeiramente menores no fundo em
todos os pontos, embora não significativos.
Tabela 28. Análise de variância ANOVA para concentrações de nutrientes entre os
pontos de amostragem.
Nutriente
Nitrato
Nitrito
Amônia
Fosfato
NID
.
p
0,39
0,99
0,78
0,95
0,76
67
Figura 22. Média das concentrações de nutrientes dissolvidos na coluna d’água,
coletados mensalmente de fevereiro a setembro, em µ mol.mL -1, nos três pontos de
amostragem e em duas profundidades (CO1 – ponto controle 1; BEX – ponto balsa
experimental; CO2 – ponto controle 2; superfície – S; Fundo – F).
68
Material particulado suspenso
A análise da concentração de material particulado suspenso, coletado de
fevereiro a outubro, mostrou uma baixa concentração na coluna d’água em
todos os pontos de amostragem (Figura 23). Para avaliar se houve diferença
significativa entre os pontos, foi realizada uma ANOVA não paramétrica entre
os pontos para a média das concentrações. Os resultados mostraram que não
houve diferença em nenhum dos locais (p=0,94). As concentrações no fundo
foram ligeiramente menores que a água coletada na superfície, embora não
tenha sido significante. A maior média encontrada foi na superfície do ponto
CO2 com uma concentração de 0,02 mg.mL-1.
Material particulado suspenso
Concentração mg/ml
0.04
0.03
0.02
0.01
O
2F
C
O
2S
C
EX
F
B
EX
S
B
O
1F
C
C
O
1S
0.00
Figura 23. Concentração média de material particulado suspenso na coluna d’água de
Fevereiro a Outubro. Amostra coletadas na superfície (S) e no fundo (F) nos três
pontos de amostragem (CO1 – ponto controle 1; BEX – ponto balsa experimental;
CO2 – ponto controle 2).
69
Herbivoria
Os resultados mostraram que, durante o período em que foram
disponibilizados os propágulos, houve herbivoria sobre a K. alvarezii (Tabela
24). Porém a pressão de herbivoria média no costão rochoso foi o dobro
quando comparado com os propágulos oferecidos no próprio cultivo.
Tabela 29. Pressão de herbivoria sobre a K. alvarezii. *, Propágulo perdido.
Tempo de herbivoria na balsa: 4h
Peso inicial (g) Peso final (g)
Comido (g)
Tempo de herbivoria no costão: 4h
%
Peso inicial (g) Peso final (g)
Comido (g)
%
80
80
0
0
120
60
60
50
90
90
0
0
80
50
30
37,5
80
70
10
12,5
130
110
20
15,4
130
110
20
15,4
140
60
80
57,1
90
60
30
33,3
160
110
50
31,2
100
90
10
10
110
80
30
27,3
170
60
110
64,7
90
70
20
22,2
130
130
0
0
80
55
25
31,2
100
90
10
10
190
120
70
36,8
150
130
20
13,3
110
*
*
*
% MÉDIA
16,2
% MÉDIA
34,3
A partir de observações em campo, a herbivoria sobre a K. alvarezii
parece ocorrer preferencialmente sobre as pontas da alga, onde se encontra a
região meristemática apical, e as regiões mais grossas são preservadas. A fim
de quantificar a pressão de herbivoria sobre as pontas que cada propágulo
oferecido, no mês de Novembro, foi quantificado todas as pontas antes e
depois do experimento. Apesar dos fragmentos de alga ter sido exposto pelo
70
mesmo período de tempo do experimento anterior, não houve herbivoria
durante as 4 horas de experimento (Tabela 25).
Tabela 30. Pressão de herbivoria sobre as pontas dos propágulos de K. alvarezii.
Tempo de herbivoria na balsa: 4h
Tempo de herbivoria no costão: 4h
Início (pontas)
Final (pontas)
Comido
%
Início (pontas)
Final (pontas)
Comido
%
74
74
0
0
39
39
0
0
58
58
0
0
58
58
0
0
40
40
0
0
43
43
0
0
39
39
0
0
38
38
0
0
49
49
0
0
69
69
0
0
39
39
0
0
61
61
0
0
50
50
0
0
54
54
0
0
50
50
0
0
42
42
0
0
49
49
0
0
40
40
0
0
48
48
0
0
49
49
0
0
MÉDIA
0
MÉDIA
0
71
DISCUSSÃO
Ictiofauna
Neste trabalho foram realizadas 238 transecções de censo visual e
identificada 57 espécies, semelhante ao trabalho de Meurer (2005), com 54
espécies encontradas na Ilha Grande e Baía da Ribeira. Dos grupos tróficos
encontrados, 15 espécies são carnívoras, 13 herbívoras, 16 invertívoras, 9
onívoras, 2 piscívoras e 3 planctívoras. A espécie mais abundante foi
Abudefduf saxatilis, padrão também encontrado por Meurer (2005).
As análises de variância identificaram nos grupos tróficos, exceto para
os carnívoros e onívoros diferenças significativas de abundância média em,
pelo menos, um dos meses monitorados entre os pontos controle no ponto
BEX. Porém, nenhuns dos grupos tróficos apresentaram uma diferença
significativa de abundancia entre as populações que se mantivesse constante
ao longo dos meses. Em todos os casos essas diferenças se mantiveram por
no máximo dois meses consecutivos e no mês seguinte essa variação
desapareceu. Os resultados sugerem que as variações de abundância, mesmo
que significativas, não caracterizam uma alteração na estrutura da população,
mas sim uma flutuabilidade natural da abundância média de cada espécie,
principalmente
aqueles
que
apresentam
comportamento
em
cardume
(Underwood, 1992), como o gênero Haemulon.
Este trabalho foi o primeiro a investigar um possível impacto sobre a
comunidade de peixes recifais causado por cultivo de K. alvarezii. Os
72
resultados indicam que não houve variação quanto à estrutura de comunidade
e abundância de grupos tróficos entre as áreas monitoradas. Um trabalho
semelhante com cultivo de Eucheuma spp. mostrou a influência do cultivo
sobre a diversidade e abundância de comunidade de peixes (Bergman, 2001).
O trabalho foi realizado em duas lagoas de substratos diferentes em Zanzibar,
Tanzânia, com fazendas de Eucheuma spp e com padrão de amostragem
semelhante ao presente trabalho. A abundância, riqueza e diversidade das
espécies de peixes presentes no cultivo a qual o substrato era mais
homogêneo, quando comparada com uma área controle sem alga, foram
maiores tanto entre grupo trófico, famílias ou espécies. Porém, ao comparar o
segundo cultivo de algas, com substrato complexo, com sua respectiva área
controle os resultados foram inversos. O autor sugere então que, o substrato
seria o principal determinante na distribuição e abundância das espécies,
sendo que o ambiente mais complexo estaria mascarando uma possível
influência do cultivo de alga, o que pode estar acontecendo também com o
cultivo de k. alvarezii em Paraty e explicaria a ausência de alteração da
estrutura de comunidade de peixes.
Embora não tenha sido relatado nos resultados, foi observado abaixo
das estruturas do cultivo de Kappaphycus alvarezii uma ictiofauna associada,
com a presença constante das espécies Abudefduf saxatilis e Stephanolepis
hispidus, também relatado por Costa (2008) na Ilha Grande, e o aparecimento
esporádico de Kyphosus spp. Alguns autores afirmam que além dos benefícios
econômicos, as estruturas de cultivos promovem a atração e proteção de
peixes (Paula e Pereira, 1998; Jory et al., 1999). Testes feitos com macrófitas
73
artificiais mostraram que a simples presença de uma estrutura morfológica
semelhante a uma macroalga promove um amento na riqueza de espécies e
um refúgio para peixes juvenis com alta rotatividade (Jenkins, 1997). Sendo
assim, isto sugere que a estrutura de cultivo de alga está servindo como atrator
e ou refúgio para esses peixes, podendo traz algum um tipo de impacto ainda
sem possibilidade de definir sua natureza (positiva ou negativa).
Bentos
Neste trabalho, foi investigada pela primeira vez a influência do cultivo
de k. alvarezii sobre a comunidade bentônica associada ao substrato
consolidado do costão rochoso. Existem alguns estudos de impactos de
espécies exóticas e cultivos marinhos em relação ao bentos, embora a fauna
investigada tenha sido coletada em substrato inconsolidados (Ólafsson, 1995;
Dozey, 1999; Marenzi, 2002; Crawford, 2003; Edgar, 2005; kalantzi, 2006;
Zhou et al., 2009; Zhang et al., 2009; Chen, 2009). Desta forma, não há dados
pretéritos para comparar com os resultados observados neste estudo em
relação à composição bentônica do costão rochoso.
A composição bentônica associada ao costão rochoso enfrenta um
potencial risco de alterações causadas em sua estrutura de comunidade pelo
estabelecimento acidental de um propágulo de K. alvarezii, podendo causar
sobre outras algas e organismos um efeito de sombreamento e sufocamento
74
(Chandrasekaran, 2008). A partir das análises por fotoquadrados foi observado
que a estrutura de comunidade do bentos mostrou-se semelhante entre os
pontos de monitoramento além de não ter sido identificada uma variação
temporal que se mantivessem por todo o período de amostragem. Dentro do
grupo das macroalgas o principal gênero responsável pelas variações foram as
espécies Dictyota spp, as mais frequente em todos os pontos de amostragem.
Em relação aos tufos de algas, este não sofreu variação temporal e espacial.
No trabalho de Figueiredo et al. (2004), a comunidade de algas da ponta da
Cajaíba apresentou uma dominância de algas incrustantes cobertas por tufos
de algas filamentosas e no inverno foram substituídas por algas calcárias
articuladas. Neste trabalho não foi observado esse padrão de dominância,
exceto no Verão, que constatamos um aumento na porcentagem de cobertura
de zoantídeos, representado pela espécie Palythoa caribaeorum.
Além do bentos associado ao costão, as análises da estrutura da
comunidade bentônica no fundo arenoso apresentaram dois resultados
diferentes considerando os dois pontos controle. A fauna bentônica abaixo da
balsa de cultivo foi significativamente diferente de um ponto controle e não
significativo em relação ao segundo ponto controle. Este resultado pode ter
sido resultado do diferente padrão de granulometria, como no trabalho de
Ólafsson (1995), onde foi realizado um estudo comparativo do meiobentos
entre uma fazenda de Eucheuma spinosum e uma área controle, onde os
resultados apontaram uma redução da abundância de nematodos na área
abaixo do cultivo, mas testes em laboratório excluíram a possibilidade de
toxicidade da alga, sendo assim, o autor sugere que essa diferença possa ter
75
sido resultado de variação da característica do sedimento, como por exemplo,
granulometria e concentração de matéria orgânica. Outros estudos de impactos
de maricultura sobre a comunidade bentônica, como por exemplo, cultivos de
mexilhão mostram que, dependendo das características do ambiente, o cultivo
não oferece riscos de impactos e a comunidade bentônica não é afetada
(Thorne, 1998, Crawford, 2003), por outro lado há relato de redução da
diversidade bentônica (Chamberlain, 2001), mas que segundo Crawford (2003)
esse impacto pode ter sido ocasionado pelo alto nível de produção do cultivo.
Desta forma, o potencial risco de um impacto causado, seja por cultivo de
mexilhão ou de alga, como a K. alvarezii, será determinado por um conjunto de
fatores que incluem características do ambiente como força de correntes
marinhas e o nível de produção e extensão do cultivo, como por exemplo, nas
fazendas de mexilhão na Baia de Saldanha, África Sul, onde a grande
extensão do cultivo, que chega a uma produção de 105 toneladas balsa -1 ano-1,
aumenta significantemente a matéria orgânica abaixo das balsas e promove
uma substituição da macrofauna suspensívora para depositívora (Dozey, et al.,
1999).
Sedimento
Nas análises de granulometria, os resultados revelaram um gradiente de
sedimento arenoso, apresentando uma granulometria mais grossa à esquerda
da balsa de cultivo. Considerando grãos que tenham o mesmo tamanho e
76
tenham forma semelhante e gravidade específica, processos de transporte de
sedimento são mais prováveis mover grãos finos a grãos grossos (Mc Laren,
1981). Sendo assim, esse gradiente pode ser resultado da exposição do
batimento de ondas, pois a formação do costão à esquerda do cultivo
apresenta um avanço em direção ao mar e a extensão do costão rochoso até o
fundo arenoso é mais protuberante, tornando a região à direita mais abrigada,
permitindo a deposição de sedimentos mais finos.
Outro gradiente de granulometria observado foi em relação à
profundidade em que o sedimento foi coletado. Esses resultados podem ser
interpretados da mesma forma que os dados anteriores em relação à ação das
ondas. Quanto maior a profundidade, menor será a influência das ondas sobre
o fundo (Nybakken, 2004), o que permite a maior deposição de partículas
menores, formando uma camada de sedimento mais fino e consequentemente
um acúmulo maior de matéria orgânica, que foi significativo nos pontos mais
profundos e com granulometria mais fina (Y2 e Y3). Os outros pontos de
amostragem provavelmente não apresentaram valores de matéria orgânica
significativos porque o cultivo encontra-se entre 6 e 10 de profundidade e
segundo Kalantzi (2006), em uma estrutura de cultivo, o aumento da
profundidade favorece a maior dispersão dos dejetos liberado pelo cultivo, o
que evita o acúmulo de matéria orgânica abaixo do cultivo.
77
Nutrientes
Estudos comprovam que as macroalgas absorvem grandes quantidades
de
nutrientes
em
seus
tecidos
(Lobban,
1997).
Considerando
que
kappaphycus apresenta uma alta taxa de crescimento diário, alcançando até
7,2 % ao dia (Hayashi et al., 2007), essa alga poderia influenciar fortemente
quanto à depleção de nutrientes na água próximo ao cultivo, afetando
diretamente os organismos autotróficos.
Os dados não apresentaram nenhuma alteração significativa quanto à
concentração de nutrientes dissolvidos na água, assim como a concentração
de material particulado suspenso, embora em todos os pontos de coleta as
águas de fundo tenham apresentado valores de material particulado
ligeiramente menores que na superfície, mas não significativo. A quantidade de
debris suspenso na coluna d’água é um fator importante que pode influenciar
na comunidade macrobentônica abaixo do cultivo, provocando um efeito de
sufocamento em organismos filtradores (Kaspar et al., 1985, Dozey et al.,
1999). Os resultados de nutrientes são semelhantes aos estudos realizados em
cultivos de K. alvarezii e de mexilhão em Santa Catarina (Hayashi, 2010b), as
concentrações de NID presentes próximo aos cultivos não foram diferentes da
área controle e com exceção dos meses de temperatura extrema (fevereiro e
julho) as concentrações de NID foram ligeiramente menores que a área
controle nos cultivos de K. alvarezii. Uma das possibilidades que pode ter
ocorrido para explicar esses resultados seria que, apesar de ser uma região
mais abrigada de fortes ondas que o extremo da ponta da Cajaíba (Figueiredo,
78
2004),
condição essencial para evitar
a quebra das
algas
e seu
desprendimento (Castelar et al., 2009, Wakibia et al., 2006), a localização do
cultivo permite uma circulação e renovação da massa d’água, repondo
constantemente os nutrientes absorvidos pelas algas e arrastando ou diluindo
as partículas desprendidas do cultivo. Desta forma, é aconselhável que o local
de cultivo apresente tais características hidrodinâmicas para evitar um impacto
indireto sobre os organismos fotossintetizantes.
Os valores de nitrato e amônia variaram de 0,4 a 1,0 µmol.mL-1 em todos
os pontos de coleta, enquanto que os valores ideais para o ótimo crescimento é
em torno de 1 a 2 µmol.mL -1 para amônia e nitrato e de 0,5 a 1 para fósforo
(Doty & Norris 1985, Glenn & Doty 1990, Luxton 1993, Areces 1995). Isto indica
que a região de cultivo não apresenta condições totalmente idéias para um
ótimo desenvolvimento da alga, dificultando ainda mais o seu estabelecimento
em áreas fora do cultivo e reduzindo seu potencial invasivo. Embora, a
concentração de fosfato tenha apresentado valores semelhantes ao indicado,
com concentrações variando de 0,4 a 0,7 µmol/mL.
79
Herbivoria
Os
herbívoros
podem
influenciar
profundamente
a
distribuição,
abundância e evolução das algas, onde se estima uma taxa de mordida por
-2
volta de 150.000 vezes. m .dia
-1
, sendo capaz de remover quase 100% da
produção diária (Carpenter, 1986; Hay, 1991, 1996). Sendo assim, o aspecto
da herbivoria torna-se muito importante tanto para se obter um maior
rendimento na produção da alga nos cultivos com barreiras de redes isolando a
área dos herbívoros, como também é importante para se estabelecer um
controle do potencial invasivo da alga, já que podemos considerar que o
crescimento seria muito mais limitado pela herbivoria que por outros fatores
limitantes como luz, nutrientes ou fluxo d’água (Carpenter, 1986).
Os resultados obtidos com o oferecimento de propágulos aos herbívoros
não apresentaram respostas consistentes para se estabelecer uma real
pressão de herbivoria, apesar de ter sido constatado em um dos experimentos
valores de perda de biomassa por herbivoria, que variou de 16% na estrutura
do cultivo e 34% no costão rochoso. Estes valores indicam que existem
herbívoros na região que adicionaram a K. alvarezii em sua dieta alimentar. Os
experimentos de herbivoria por contagem de pontas apicais pode não ter
apresentado nenhum resultado, apesar de ter permanecido na água com o
mesmo intervalo de tempo do experimento anterior, por não ter tido tempo
suficiente para que, no dia do experimento, os herbívoros pudessem visitar os
propágulos. A permanência do experimento na água varia muito a cada local
Marques (2003), testou vários períodos de permanência do experimento na
80
água e observou que um período de 24 h superou o ideal para a amostragem,
pois a herbivoria foi muito grande, enquanto que experimentos com intervalos
de 1:30 h e 2 h foram insuficientes, onde nenhuma alga foi consumida. Lewis
(1985) sugeriu a utilização de um tempo de 8 h, objetivando a verificação do
consumo de peixes, colocando o experimento no inicio da manhã. Porém,
Marques (2003) utilizou este procedimento e os resultados extrapolaram o
tempo ideal, pois de quatro espécies de algas amostradas, três foram
completamente consumidas. Sendo assim, é necessário um estudo mais
aprofundado, variando os tempos de exposição dos propágulos para se
estabelecer valores exatos da pressão de herbivoria da região, embora já
observado que existe herbivoria e que esse fator é mais um indicativo de que a
região de cultivo apresenta condições limitantes para que a alga consiga
sobreviver fora da estrutura de cultivo. Além disso, durante todo o
monitoramento, não foi encontrado pedaços da alga sobre o costão, o que
provavelmente tenha sido resultado de um controle exercido pelos herbívoros
locais, como sugerido também por Wakibia et al. (2006). No trabalho de
Castelar et al. (2009) foi observado uma perda de biomassa desprendida da
estrutura de cultivo encontrada na praia adjacente, na Baia de Sepetiba, devido
ao forte hidrodinamismo. Porém, o fator limitante para o crescimento e
estabelecimento da alga fora da estrutura de cultivo na região de estudo,
segundo o autor, é a alta turbidez. Desta forma, o cultivo de k. alvarezii em
áreas de águas transparentes deve ser mais cauteloso caso não haja um
controle de herbivoria.
81
CONCLUSÕES
Concluímos que a estrutura de comunidade de peixes recifais não está
sendo alterada e as abundâncias médias dos principais grupos tróficos não
diferem de outras áreas sem cultivo.
A comunidade bentônica associada ao costão rochoso próxima ao
cultivo da alga se apresentou semelhante às áreas controles e as porcentagens
de
cobertura
dos
principais
grupos
taxonômicos
não
diferiram
significativamente dos outros costões sem o cultivo.
A comunidade bentônica associada ao fundo arenoso apresentaram
padrões de abundância ao longo da área de cultivo, que estão intimamente
correlacionadas ao padrão de granulometria e não ao cultivo.
A região do cultivo apresentaram um gradiente granulométrico,
apresentando grãos mais grossos mais à esquerda do cultivo e mais próximo
do costão (região mais rasa), enquanto os grãos mais finos encontram-se mais
à direita do cultivo e mais afastado do costão (região mais funda).
O cultivo não aumentou a concentração de matéria orgânica abaixo das
balsas e os pontos de coletas que apresentaram elevada concentração foram
devido às características naturais de hidrodinamismo do ambiente.
O cultivo de K. alvarezii não alterou as concentrações de nutrientes na
área do cultivo e as concentrações de nitrato e amônia na região foram
menores que os valores ideais de crescimento da alga.
82
A presença da estrutura de cultivo e da alga não influenciou na
quantidade de material particulado suspenso na coluna d’água durante o
período de monitoramento.
Existem na região herbívoros que estão incluindo a K. alvarezii na dieta
alimentar e que a herbivoria é um dos principais fatores limitantes para o
desenvolvimento da alga fora da estrutura de cultivo.
83
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Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
Onívoro
Onívoro
Onívoro
Planctívoro
Acanthurus chirurgus
Acanthurus coeruleus
Kyphosus Sp.
Sparisoma axillare
Sparisoma frondosum
Stegastes Fuscus
Anisotremus surinamensis
Anisotremus virginicus
Chaetodon striatus
Haemulon aurolineatum
Haemulon steindachneri
Halichoeres poeyi
Pseudupeneus maculatus
Abudefduf saxatilis
Diplodus argenteus
Sphoeroides spengleri
Chromis multilineata
3,36
5,73
5,45
13,00
1,73
0,73
-
-
3,00
6,36
0,55
-
-
0,55
0,82
0,18
0,18
1,00
1,73
0,36
4,00
13,55
2,00
0,18
0,18
15,45
1,36
4,00
0,27
2,00
0,18
1,27
5,00
-
0,27
1,00
1,00
0,64
-
Herbívoro
Acanthurus bahianus
-
1,00
Labrisomidae
carnívoro
Scorpaena brasiliensis
0,18
0,45
2,00
Carnívoro
Pareques acuminatus
1,45
1,73
1,64
carnívoro
Mycteroperca marginata
2,00
0,45
1,27
carnívoro
Mycteroperca acutirostris
3,00
0,64
carnívoro
Holocentrus adscensionis
0,83
1,83
1,83
1,00
0,83
1,50
15,50
1,33
0,50
0,58
6,33
2,83
4,83
0,83
1,67
1,17
0,25
4,58
-
2,92
-
0,50
0,83
2,17
1,42
1,00
0,25
2,42
0,67
2,25
0,17
2,67
9,58
0,50
0,25
-
15,67
1,67
2,83
0,17
3,33
0,42
0,25
2,25
0,17
1,67
0,92
0,83
0,25
0,58
0,83
0,75
-
0,50
-
1,57
0,71
0,64
6,79
0,21
0,14
0,21
2,93
1,50
1,14
0,71
2,43
0,14
0,79
0,14
0,29
0,29
0,71
-
0,71
0,21
0,64
0,14
-
2,18
1,00
0,27
1,00
3,82
44,27
0,18
0,27
-
9,00
0,82
3,82
0,18
2,45
0,36
1,55
1,00
-
0,45
1,00
-
0,18
0,36
1,00
0,18
-
0,17
-
0,17
-
1,50
2,92
0,83
-
-
1,58
1,75
2,25
-
0,92
0,25
0,17
0,83
-
0,42
0,25
-
-
0,25
0,58
0,25
-
-
-
0,83
-
0,75
7,25
-
0,83
2,17
3,75
1,42
0,83
0,25
4,58
-
1,17
0,25
-
0,25
0,33
-
-
0,25
1,25
0,33
CO1M1 CO1M2 CO1M4 CO1M5 CO1M6 CO1M7 CO1M8 CO1M9
Blenidae
Gobidae
Grupo
Espécies
92
Anexo I. Abundância média das espécies de peixes recifais nos pontos de
amostragem CO1, BEX e CO2
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
Onívoro
Onívoro
Onívoro
Planctívoro
Acanthurus bahianus
Acanthurus chirurgus
Acanthurus coeruleus
Kyphosus Sp.
Sparisoma axillare
Sparisoma frondosum
Stegastes Fuscus
Anisotremus surinamensis
Anisotremus virginicus
Chaetodon striatus
Haemulon aurolineatum
Haemulon steindachneri
Halichoeres poeyi
Pseudupeneus maculatus
Abudefduf saxatilis
Diplodus argenteus
Sphoeroides spengleri
Chromis multilineata
-
9,00
4,73
20,27
0,64
-
2,27
4,82
1,73
0,45
0,36
-
0,18
0,27
0,18
-
0,09
0,18
-
-
carnívoro
Scorpaena brasiliensis
0,09
Labrisomidae
carnívoro
Pareques acuminatus
2,00
1,18
carnívoro
Mycteroperca marginata
2,73
Gobidae
carnívoro
Mycteroperca acutirostris
0,45
1,00
carnívoro
Holocentrus adscensionis
BEXM1
Blenidae
Grupo
Espécies
0,09
0,18
0,45
0,18
3,09
3,00
11,82
0,45
0,27
8,64
5,91
0,45
0,73
0,27
3,45
-
-
0,27
-
-
0,09
0,09
-
0,36
2,55
0,55
BEXM2
0,75
0,42
2,00
-
2,33
2,92
10,92
0,33
0,17
15,33
14,25
1,17
0,58
0,42
4,75
-
0,08
0,33
-
0,17
-
0,83
0,42
0,92
0,75
1,33
BEXM4
0,55
2,09
0,91
0,18
-
5,55
11,00
2,36
0,73
12,55
10,18
1,09
0,91
0,18
7,00
-
0,18
0,55
-
0,36
0,64
0,45
0,18
0,64
1,18
0,18
BEXM5
-
0,36
-
-
0,14
0,71
7,71
0,29
0,29
10,00
8,64
1,07
0,36
0,29
5,86
-
0,93
0,64
0,21
0,14
-
-
0,07
0,50
1,21
0,14
BEXM6
-
-
-
0,55
-
6,55
14,91
0,27
0,09
5,55
4,73
1,09
0,64
0,18
5,09
0,27
2,00
2,36
-
-
0,18
-
0,09
0,18
0,09
0,18
BEXM7
0,08
0,25
-
0,17
-
1,17
6,67
-
0,08
0,50
2,75
1,08
0,42
0,42
4,00
0,17
0,58
0,83
-
-
-
-
-
1,17
1,17
0,25
BEXM8
-
0,10
-
2,00
-
2,40
8,00
0,70
0,20
-
3,60
1,30
2,00
0,10
1,10
0,10
1,00
0,10
-
0,60
0,40
-
-
0,20
1,50
0,40
BEXM9
93
Anexo I
Continuação…
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
Herbívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
invertívoro
Onívoro
Onívoro
Onívoro
Planctívoro
Acanthurus bahianus
Acanthurus chirurgus
Acanthurus coeruleus
Kyphosus Sp.
Sparisoma axillare
Sparisoma frondosum
Stegastes Fuscus
Anisotremus surinamensis
Anisotremus virginicus
Chaetodon striatus
Haemulon aurolineatum
Haemulon steindachneri
Halichoeres poeyi
Pseudupeneus maculatus
Abudefduf saxatilis
Diplodus argenteus
Sphoeroides spengleri
Chromis multilineata
-
-
1,00
16,92
1,17
0,92
4,08
3,75
1,17
0,67
1,08
5,25
0,25
0,08
0,58
-
-
0,67
-
2,67
carnívoro
Scorpaena brasiliensis
0,25
Labrisomidae
carnívoro
Pareques acuminatus
4,75
0,75
carnívoro
Mycteroperca marginata
3,75
Gobidae
carnívoro
Mycteroperca acutirostris
1,17
1,75
carnívoro
Holocentrus adscensionis
CO2M1
Blenidae
Grupo
Espécies
0,42
1,25
0,83
0,17
-
0,42
7,92
0,83
-
3,33
3,25
1,17
0,58
0,33
3,25
-
0,92
0,17
0,08
-
0,83
0,25
0,33
0,50
3,25
0,08
CO2M2
0,42
0,33
0,50
0,17
-
0,92
11,33
0,33
0,50
0,58
5,67
0,75
0,58
0,58
5,25
0,17
0,42
-
-
0,42
0,08
0,42
0,42
0,58
1,75
0,83
CO2M4
0,58
1,67
1,42
-
-
4,50
14,75
1,08
1,00
1,00
5,08
1,33
1,00
0,67
4,58
0,17
0,67
-
-
0,42
1,00
0,42
0,50
0,42
1,00
0,58
CO2M5
0,20
0,30
0,20
0,20
0,10
4,00
21,50
-
0,80
1,00
0,20
0,60
2,10
0,20
2,40
0,20
3,90
1,10
-
1,00
0,50
-
0,10
0,30
0,50
0,40
CO2M7
0,22
0,33
-
-
-
1,67
3,78
0,33
-
0,11
0,89
0,44
0,44
-
1,67
0,11
1,56
-
-
0,11
-
-
-
0,33
0,56
0,11
CO2M8
94
Anexo I
Continuação…
95
Anexo II
. Porcentagem de cobertura média dos grupos bentônicos nos
pontos de amostragem CO1, BEX e CO2
BEX/12
BEX/01
BEX/02
TUFO DE ALGAS
40,70585
ZOANTIDEOS
29,95587 34,85822
MACROALGAS
BEX/04
BEX/07
BEX/08
29,8675 30,83118 28,43068 40,16422
37,4254 23,78586
49,0625 37,89923 30,22005 45,76403
16,2886 22,83994 11,73035 16,57021 18,30724
BEX/10
59,3427
4,18802 2,092611
CORALINAS ARTICULADAS
20,73367 29,24435
CORALINAS INCRUSTANTES
19,67291 9,158403 12,10839 22,94652 15,26669 12,47565
CORAL
3,626123 5,131548 3,626123 4,683394 8,912118 10,08558 4,683394
CO1/12
CO1/01
15,4164 22,40965 17,25638 9,398453 9,398453
CO1/02
CO1/04
CO1/07
CO1/08
13,6885
CO1/10
TUFO DE ALGAS
34,36965 43,70085 48,44605 46,29915
ZOANTIDEOS
25,89058 28,15612
MACROALGAS
21,19565 19,43067 13,35243
CORALINAS ARTICULADAS
20,85346 24,09484 30,48284 18,30724 10,51973 10,32255 7,266873
CORALINAS INCRUSTANTES
19,49766 2,960058 10,93742 15,11564 20,96336 13,55226 11,73035
CORAL
13,52143 5,928053 6,955938 4,683394 9,861654 9,158403 9,632732
CO2/12
CO2/01
45 37,79626 19,55211
13,6885 27,69456 27,03959 42,47572 61,20588
CO2/02
16,0026 14,17882 11,54491 7,266873
CO2/04
CO2/07
CO2/08
CO2/10
TUFO DE ALGAS
40,70585 37,89923 29,51241 40,86031 38,58394 33,21091
0
ZOANTIDEOS
16,14617 42,92619 41,78469 34,28595 21,75171 26,75556
0
MACROALGAS
35,74913 14,67315 24,29918 20,61804
33,8896 34,61349
0
CORALINAS ARTICULADAS
10,73051 11,92078 13,85372 6,630738 6,988287 15,26669
0
CORALINAS INCRUSTANTES
19,55211 12,10839 15,71195 18,17877 18,68811 16,98484
0
CORAL
0
0 6,630738 6,289059
0 2,960058
0
96
Anexo III.
Indivíduos bentônicos encontrados no fundo arenoso abaixo do cultivo (B1, B2,
B3), a esquerda do cultivo (E1, E2, E3) e a direita do cultivo (D1, D2, D3).
Mooreonuphis lineata
Goniadidae coralina
Magelona sp.
Terebellides sp.
Capitellidae
Cirratus sp.
Aedicira sp.
Branchiostoma sp.
Exogone sp.
Gamaridea
Ophiuroidea
Armandia sp.
Pumaceo
Scolelepis sp.
Paraprionospio sp.
B1
5
2
1
1
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1
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carvalho, ll (2011) - Universidade Federal Fluminense