IDENTIDADE JOVEM E PARTICIPAÇÃO 1
Jéssica Nardo Vieira Tashiro
Mestre em Educação, Administração e Comunicação pela Universidade São Marcos
Sandra Farto Botelho Trufem
Doutora em Biologia pela USP e professora da Universidade São Marcos
1
Parte da Dissertação de Mestrado da primeira Autora
Pesquisa em Debate, edição especial, 2009
ISSN 1808-978X
IDENTIDADE JOVEM E PARTICIPAÇÃO
Jéssica Nardo Vieira Tashiro, Sandra Farto Botelho Trufem
Resumo
Este artigo busca uma compreensão da organização do universo jovem, sua identidade e
participação social. A abordagem contempla o mundo jovem constituído
prioritariamente por adolescentes entre 12 e 18 anos. Discute-se a função da família e da
escola dentro desse universo em que o adolescente busca seu papel.
Palavras-chave: adolescência, protagonismo
autonomia
juvenil, cooperação, participação,
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Pesquisa em Debate, edição especial, 2009
ISSN 1808-978X
IDENTIDADE JOVEM E PARTICIPAÇÃO
Jéssica Nardo Vieira Tashiro, Sandra Farto Botelho Trufem
Introdução
Concebendo a idéia de que a identidade, segundo Cuche 2, é difícil de se limitar e
de se definir precisamente, em razão de seu caráter multidimensional e dinâmico, fator
que lhe confere sua complexidade, mas também o que lhe dá sua flexibilidade, a
identidade conhece variações, presta-se a reformulações e até a manipulações”. É
possível então dar início à compreensão do ser juvenil, que bastaria ser complexo
somente pelas particularidades da fase que assim o denomina.
Compreender a geração jovem implica a busca pelo entendimento de identidades
e classes sociais diversas e de um universo multicultural. Esse período de transição da
fase infantil para a vida adulta vem carregado de travessuras e travessias que marcam a
vida do adolescente e que traz em si uma peculiaridade que o faz um ser dicotômico. Se
por um lado é forte, corajoso, senhor de seu destino, por outro, é inconseqüente, frágil e
inseguro. Esse misto de poder e fragilidade inibe muitas vezes, ou até prejudica, a
participação do jovem na vida social e no ambiente escolar. A atuação do jovem na
escola, no trabalho, no lazer, em movimentos de diversas naturezas, contribui para o
desenvolvimento do senso de identidade, da auto-estima, da autoconfiança, da busca dos
ideais futuros e da cidadania. Mas numa fase conturbada, de inseguranças e incertezas,
cabe a quem o amparo, a promoção de soluções que corroborem com esta travessia?
Num primeiro momento, pensa-se que esta é função da família, mais precisamente dos
pais, e em seguida, sugere-se que seja da escola a obrigação de formar e socializar o
futuro adulto.
O que parece certo pensar, é que o jovem não quer alguém que gerencie seu
tempo, suas atitudes, sua vida, mas sim que se abram braços e caminhos que
proporcionem a ele o protagonismo. O protagonismo juvenil diz respeito à atuação
criativa, construtiva e solidária do jovem, junto a pessoas do mundo adulto, na solução
de problemas na escola, comunidade e na vida social mais ampla 3.
Com base no estudo do ponto de vista de alguns teóricos acerca desse tema, é
possível observar que se torna indispensável refletir sobre as maneiras de cooperar com
as gerações jovens que passam por uma fase onde a cultura adquire forte caráter virtual,
2
CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru: Eusc, 2002.p. 196.
COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Protagonismo Juvenil: adolescência, educação e participação
democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000.
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e muitos desses jovens encontram-se despreparados para as diversas conseqüências que
essas mudanças acarretam.
Adolescência
Embora a adolescência seja fase comum a todo ser humano, e inevitável,
psicologicamente, encontra-se dentro dessa fase vários tipos de adolescência, que são
determinados de acordo com a cultura que rege o indivíduo. Assim, em ambientes onde
o jovem é reprimido, impedido de vivenciar sua adolescência, seja por falta de
oportunidades educativas, culturais e até mesmo por causa do trabalho infantil, o jovem
tem essa fase da vida como que amputada4. Outro modelo de adolescência, segundo
Carvajal5, mas que não é comum nos dias de hoje, é a que efetua uma condensação
dessa época em um fato ou rito simbólico. Este acaba por permitir a descarga total da
tensão contida pelo fato da não realização, no nível da conduta, de seu estado crítico
adolescente, ou seja, o mito, o rito ou simbolismo, substituem a ação direta da
necessidade e do desejo.
Ainda, percebendo a adolescência com o olhar na cultura em que o indivíduo está
inserido, tem-se outro tipo: a adolescência exuberante, característica da cultura
ocidental, onde o jovem mostra-se mais rebelde, com comportamentos que buscam a
satisfação de suas vontades, com atitudes conflitivas. Muitas vezes, o adolescente
exuberante pode se mostrar disposto à integrar-se, a ser sensato.
Partindo para uma abordagem menos cultural e mais psicológica, Carvajal aponta
outros três tipos de adolescência: a adolescência abortada, que consiste numa série de
comportamentos onde o jovem nutre uma fixação por atitudes, características dessa
fase, mas cria imobilidade para outras tarefas. Isola-se e muitas vezes desenvolve
patologias severas e muitos carregam as marcas dessa etapa para a vida adulta. A
adolescência como um estado mental é outro modelo de adolescência que parte da
fixação que o jovem tem no homem, por exemplo, apoiando-se na cultura machista ou
ainda no desencadeamento de comportamento bissexual, que permanece por toda a vida.
4
A respeito dos tipos de adolescência dentro de uma visão psicanalítica, vide CARVAJAL, Guillermo.
Tornar-se adolescente: a aventura de uma metamorfose. 3ª Ed. São Paulo: Cortez, 2003.
5
CARVAJAL, Guilhermo. Idem, ibidem.
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Este adolescente fixa-se a determinados comportamentos e cria vínculos com eles. Por
fim, tem-se a adolescência tardia em que os comportamentos típicos da fase púbere
aparecem posteriormente à média de idade. Para Fanfani6, a adolescência e a juventude
são construções sociais, ou seja, fazem parte de classes sociais, que, embora tenham
base biológica, possuem também diversas representações históricas relativamente
arbitrárias; assim como com os objetos, é a sociedade que propõe determinados cortes e
rupturas no fluxo do tempo.
A partir de um perpasso pelo entendimento tanto no âmbito cultural, quanto no
âmbito psicológico, dessa fase pela qual todos inevitavelmente atravessam, surgem
questionamentos em relação ao comportamento do jovem na atualidade, seja na vida
familiar, na escolar ou nos momentos de práticas de lazer, bem como em relação ao
comportamento dos pares desse jovem , como os pais e os educadores.
Adolescente e família
Ao contrário do que é aparente nos dias atuais, com tantas formas de
entretenimento, o jovem precisa, e muito, da presença da família. Não somente da
presença física, mas também para sentir que no percurso da sua juventude encontrará
apoio, compreensão e cooperação, elementos básicos para seu desenvolvimento. Se o
adolescente convive com pais que têm diante dele uma postura madura, racional e de
afeto, e que estão dispostos a co-participarem desse processo até que o jovem chegue à
vida adulta, o filho carregará essa imagem e nutrirá respeito e admiração pelos genitores
por toda a vida. Mas a convivência em família, em especial com os pais, não é
privilégio para todos. A desestruturação familiar freqüente na atualidade atinge em
grande escala os jovens, que sofrem sensivelmente com a falta de um alicerce, de um
referencial.
Dentre todas as crises e etapas pelas quais os jovens passam, talvez a mais
constrangedora seja a crise de identidade. É quando o sentimento de dependência que o
jovem tem para com os pais, principalmente, começa a se romper. Inicia-se um
complexo processo na identidade, que consiste no aparecimento de um duplo modelo de
6
FANFANI Emilio Tenti. Culturas jovens e cultura escolar. In: Seminário “Escola Jovem: um novo
olhar sobre o ensino médio”, 2000, Brasília. Anais eletrônico.
5
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referência: o infantil e o novo e necessário “anti-adulto”7. Não ter certeza de quem é e
para que está no mundo é questionamento freqüente na cabeça dos jovens, que buscam
respostas incessantemente para as incertezas que o atormentam. Surge então, a
identificação com determinados grupos ou tribos, seja pelas atitudes desse grupo, ou
simplesmente pelo modo de se vestirem, fazendo com que o jovem se encontre. A
afinidade com pessoas da mesma idade e de gostos parecidos, quando não iguais, traz
no jovem a sensação de pertencer, de não estar mais sozinho, perdido, excluído. E são
comportamentos assim, na maioria instáveis, que vão nortear a travessia até a idade
mais madura.
Apesar, dos amigos, da namorada (o), dos momentos sozinhos, são os pais ou os
familiares que convivem de perto com o adolescente e, embora saibam o que isso
significa, sentem-se de mãos atadas e não visualizam soluções para lidar com as
intempéries dessa geração. Os conflitos que essa faixa etária pode trazer são, muitas
vezes, mesmo que inconscientes, uma demonstração de carência; o jovem, ao mesmo
tempo em que busca sua independência, não tem autonomia e segurança suficientes para
tal. É nesse contexto que a presença da família é imprescindível para orientar e
estimular seu desenvolvimento. Como cita o psiquiatra Roberto Shinyashiki 8 em seu
livro A Carícia Essencial: “Qualquer forma de estímulo faz o indivíduo perceber-se
vivo”.
Diante de tantas crises, ao menos a convivência familiar deve ser algo prazeroso
tanto para o jovem quanto para a família, e não algo traumático que frustre ambas as
partes. A autonomia que se espera de um adulto com responsabilidades e exercício
cidadão não é dado a ele pela família ou pela sociedade ao longo de seu
desenvolvimento, ms sim uma construção conjunta que lhe propicia a compreensão de
seu entorno e a segurança para a vida futura.
Seria injusto e desumano esperar que o jovem sem cooperação, sem estímulo e sem
referencial tenha toda a responsabilidade para decidir os rumos do seu futuro e, por
extensão, o da humanidade. Para que o desenvolvimento se efetive, ele deve ser
7
Termo utilizado por Carvajal para explicar uma das crises dos adolescentes em não querer voltar a ser
criança e menos ainda parecer-se com os pais.
8
SHINYASHIKI, Roberto. A Carícia Essencial: uma psicologia do afeto. 156ª Ed. São Paulo – Editora
Gente. s/d.
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conjunto e o jovem deve trabalhar as autonomias individuais, por meio de participações
comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana. 9
Adolescente e educação
Uma educação de qualidade que atenda as necessidades pós-modernas já é tida
como um desafio, não obstante, essa educação tenha hoje um novo público: o
adolescente moderno. Os jovens de outrora eram preparados ou para o ingresso nas
universidades (o que lhes custavam horas de estudo sistematizado), ou para o trabalho
(o que o tornava especialista na área de atuação). E o acesso à educação, mesmo no
nível fundamental, era extremamente seletivo.
Para muitos, desprivilegiados
economicamente e não pertencentes às elites, até a escola de nível médio era aspiração
muito distante.
Hoje, embora com resquícios do passado, a realidade é bem diferente, pois, ao lado
da crescente procura por maior escolaridade, para melhor formação para o trabalho ou
para a vida, a oferta de emprego diminuiu. Ao mesmo tempo, faltam espaços sociais de
vivência cultural, principalmente nas pequenas cidades, sendo a escola, muitas vezes,
um dos únicos espaços públicos que restaram para a socialização dos jovens. A
urbanização acelerada não foi acompanhada por investimentos públicos em
equipamentos sociais e culturais que pudessem atender a essa demanda para
proporcionar melhor qualidade de vida aos jovens10.
De acordo com Menezes, no relatório sobre o “novo público e a nova natureza do
ensino médio” do Centro de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, é
importante lembrar que hoje, somente em São Paulo, existem mais de 2 milhões de
jovens matriculados no ensino médio, e 800 mil no ensino superior. Nota-se que mais de
dois terços dos alunos terão outro destino que não o ensino superior, ou seja, sairão da
escola média e irão em busca de cursos profissionalizantes, do primeiro emprego ou,
pior, subemprego.
Menezes propõe uma questão acerca do papel da escola: será que ela está
reconhecendo essa nova clientela e atendendo suas expectativas e contribuindo para a
9
MORIN, Edgar. Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro. 7ª ed. São Paulo: Cortez; Brasília,
DF: Unesco, 2003.
10
MENEZES, Luis Carlos de. Físico e educador, professor na Universidade de São Paulo.
7
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realização de suas potencialidades? Provavelmente esteja caminhando para isso, uma
vez que, em menos de dez anos, o número de alunos na escola média era de menos da
metade do que se tem hoje, podendo concluir-se que a escola ainda está em processo de
adequação. Essa transformação é necessária para que ela garanta seu papel de
colaboradora no desenvolvimento da confiança, auto-estima, valores humanos,
autonomia e consciência social no jovem. O artigo 35 da LDBEN ( Lei 9.394 de
dezembro de 1996) prevê um ensino médio que não se limite à preparação para a
universidade ou somente para o trabalho, mas que complete a formação da juventude
para o exercício pleno da cidadania.
Por outro lado, é preciso atentar-se quanto à participação do jovem dentro da escola,
ambiente onde muitos, diante da pluralidade de oportunidades oferecidas, sentem-se à
vontade para protagonizar. Segundo Fanfani, a escolarização “cria juventude”, ou seja,
contribui muito para a construção destes novos sujeitos sociais.
Protagonismo juvenil
O Protagonismo Juvenil é um tipo de ação de intervenção no contexto social para
responder a problemas reais onde o jovem é sempre o ator principal 11.
Participar de ações sociais coletivas, particulares ou até mesmo individuais
despertam e estimulam a criatividade, reforçam a segurança e a autonomia do jovem,
porém sua participação não pode se dar apenas na conclusão de decisões, pois todo o
processo de desenvolvimento de ações deve contar com a participação do juvenil. Um
ponto crucial para que o protagonismo se efetive é a espontaneidade com que o jovem
deve atuar. Em hipótese alguma o jovem deve ser manipulado, mas sim estimulado,
incentivado, aconselhado, para que não ocorra o que se nota em muitas partes do Brasil
e da América latina onde a participação jovem se dá de forma sem autenticidade12.
Exemplo de pseudoparticipação acontece no ambiente escolar, quando um grupo de
jovens é escolhido pela direção da escola para incluir-se em uma atividade ou compor a
mesa num evento em nome de seus colegas. Essa atitude não dá oportunidade aos
jovens de efetivamente atuarem, nem mesmo pelos que foram escolhidos, porque não
11
Definição utilizada pelo portal do Protagonismo Juvenil http://www.protagonismojuvenil.org.br/portal/ acesso em março/2008
12
COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Jovens e Participação. São Paulo: Faça Parte, s/d
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partiu deles a iniciativa, e também não foram eleitos por seus pares. Essa participação é
meramente simbólica, pois revela desejos idealizados por parte de pessoas do mundo
adulto, onde o jovem não se envolveu no exercício democrático desse processo. Em
contrapartida, numa simples atitude mencionada em seu livro Pedagogia da Autonomia
(p. 107), Paulo Freire 13 afirma que a autonomia vai se constituindo na experiência de
várias, inúmeras decisões que vão sendo tomadas. Por que, por exemplo, não desafiar o
filho, ainda quando criança, no sentido de participar da escolha da melhor hora para
fazer seus deveres escolares? Por que o melhor tempo para esta tarefa é sempre o dos
pais? Por que perder a oportunidade de ir sublinhando aos filhos o dever e o direito que
eles têm, como gente, de ir forjando sua própria autonomia? É por meio de diálogos, de
atitudes conjuntas que se chega ao amadurecimento.
Muitos jovens, por motivos diversos como timidez, medo de reprovação, falta de
argumentos, insegurança, entre outros, evitam se exporem para não se sentirem
ameaçados. É diante de uma situação que possa constranger o jovem que o educador e
os pais devem mostrar-se aliados, amigos dispostos a auxiliá-lo a enfrentar a situação,
pois são mais experientes. Mas também devem apresentar a eles os limites existentes em
uma situação e mostrar-lhes a necessidade de tomar decisões dentro de seus limites. As
resoluções finais, no entanto, devem sempre ficar a cargo do grupo, mantendo o
educador ou os pais uma postura de facilitador no processo de tomada de decisão. E
para que tenha progresso esse desenvolvimento, é necessário atentar-se a uma série de
fatores que contribuem ou impedem esse processo, tais como 14:
A auto-estima: “é o juízo de valor que o jovem tem de si mesmo, com base na sua
capacidade de fazer as coisas. Os jovens com baixa auto-estima muitas vezes não
conseguem êxito na comunicação com o grupo e dificultam a integração grupal”;
O desenvolvimento pessoal e social: “a inclusão de uma série de situações pode colaborar
para que o adolescente demonstre suas capacidades, levando-o a melhorar sua auto-estima”.
As condições para uma participação autêntica: “deve-se sempre levar em conta as
relações de poder e a luta pela igualdade de direitos. É importante que todos os jovens
tenham oportunidade de participar dos programas que afetam sua vida diretamente”.
13
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33ª ed. São Paulo:
Paz e Terra. 1996
14
HART, Roger. La participacion de los niños: de la participación simbólica e la participacion auténtica.
1993
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Os benefícios da participação: “os benefícios apontam para dois caminhos cruciais: o que
ajuda no desenvolvimento de indivíduos mais competentes e seguros de si e aqueles que
melhoram a organização e o funcionamento da comunidade”.
O papel construtivo da participação: “os jovens buscam para si um papel significativo na
sociedade. Se não encontram oportunidades de desenvolver suas capacidades de maneira
responsável, encontrarão outras, que são irresponsáveis”.
Participação e espírito democrático: “a participação não só permite que um adolescente
tenha o direito de expressar-se. Ela é igualmente valiosa para capacitar os adolescentes a
descobrir, na prática, o direito de os outros também terem suas formas de expressão. Por
estarem envolvidos em projetos reais, o diálogo e a negociação com outros jovens são
inevitáveis”.
Participação e
autonomia:
“o florescimento da
personalidade por
meio do
desenvolvimento da autonomia depende fundamentalmente das relações sociais que ela for
capaz de estabelecer. Vista dessa forma, a participação não é somente um enfoque para se
obter uma adolescência socialmente mais responsável e mais cooperativa. É mais; é o
caminho para o desenvolvimento de uma pessoa socialmente sã”.
Participação e coesão social: “por meio de experiências positivas de grupo, os adolescentes
descobrem que estarem organizados é fundamental para seus próprios interesses. A
organização com base no interesse mútuo, é provavelmente a base mais forte para a
organização cultural e política de uma sociedade”.
A importância da educação familiar para a criação de uma sociedade verdadeiramente
democrática e participativa: “É necessário animar as famílias, para que se abram a uma
maior participação das crianças e adolescentes, como parte de um movimento geral para a
criação de uma sociedade mais democrática, com maiores oportunidades de igualdade de
direitos para todos. (...) A família é o cenário primeiro do desenvolvimento da
responsabilidade pessoal e da capacidade de participar”.
Participação e escola: “a escola como integrante da comunidade, deve ser um lugar capaz
de fomentar nos jovens a compreensão e a experiência da participação democrática”.
Protagonismo e relação entre jovens e adultos: “a colaboração produtiva entre jovens e
adultos deve ser o núcleo de qualquer sociedade democrática que deseje aperfeiçoar-se,
através da continuidade entre o passado, o presente e o futuro.”
Pobreza e participação;: “os defensores da criança e do adolescente têm de trabalhar
arduamente para que a voz dos meninos pobres seja ouvida. Sem um esforço nessa direção,
é provável que só sejam ouvidos os jovens da classe média”.
Neste panorama, é possível observar que o desenvolvimento do jovem como
homem e cidadão participativo é uma ação conjunta que pode sofrer influências de série
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de fatores que o acompanham desde seu nascimento, passando por grandes
transformações na fase da adolescência e se consolidando na vida adulta.
Quando existe um compromisso da família e da escola com a participação efetiva
dos jovens, o espaço está preparado para o exercício de ações criativas, solidárias e
construtivas para todas as partes envolvidas, em especial para o jovem protagonista.
Referências
CARVAJAL, Guillermo. Tornar-se Adolescente: a aventura de uma metamorfose: uma
visão psicanalítica da adolescência; tradução de Claudia Berliner. 3ª ed. São
Paulo, Cortez, 2003.
COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Presença Educativa. 2ª ed. São Paulo, Salesiana,
2001 (Coleção Viva Voz).
COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e
participação democrática. Salvador, Fundação Odebrecht, 2000.
CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru, EUSC, 2002.
FANFANI, Emílio Tenti. Culturas jovens e cultura escolar. In: Seminário “Escola
Jovem: Um Novo Olhar Sobre o Ensino Médio”, 2000, Brasília, MEC, 2000
Anais
Eletrônico.
Disponível
em:
<http://www.mec.gov.br/semtec/ensmed/artigosensaios.shtm> Acesso em: 22
jun.2004.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.
33ª ed. São Paulo, Paz e Terra. 1996
HART, Roger. La participacion de los niños: de la participación simbólica e la
participacion auténtica. UNICEF, 1993.
MENEZES, Luis Carlos de. Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. Vol.15
nº 42 (Artigo sobre o novo Ensino Médio) São Paulo Maio/Agosto, 2001.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro; tradução de
Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 7ª ed .São Paulo, Cortez;
Brasília, DF, Unesco, 2003.
Protagonismo Juvenil. Disponível em: <http://www.protagonismojuvenil.org.br/portal>
Acesso em 11 de maio de 2006.
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SHINYASHIKI, Roberto. A Carícia Essencial: uma psicologia do afeto. 156ª Ed. São
Paulo, Editora Gente. s/d.
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