XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Maturidade e desafios da Engenharia de Produção: competitividade das empresas, condições de trabalho, meio ambiente. São Carlos, SP, Brasil, 12 a15 de outubro de 2010. USO DE ORGANIZAÇÃO CELULAR DO TRABALHO EM CONJUNTO COM REDES SOCIAIS COLABORATIVAS PARA A DIFUSÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES Uarlem José de Faria Oliveira (IFES) [email protected] Rodrigo de Alvarenga Rosa (IFES) [email protected] Thalmo de Paiva Coelho Junior (IFES) [email protected] No cenário econômico atual, onde a capacidade de inovação e a eficácia nos processos diferenciam as empresas vencedoras das perdedoras, os meios tradicionais de organização do trabalho vêm sendo substituídos por arranjos organizacionais maiis flexíveis, capazes de melhor atender as demandas cada vez mais exigentes por rapidez e eficiência nos processos. Conjuntamente com a adoção de novas organizações de trabalho a tecnologia atual permite a criação de equipes virtuais com seus membros distribuídos em diversos locais do planeta e permite também a distribuição da informação em redes sociais colaborativas capazes de difundir o conhecimento corporativo de forma tão mais eficaz do que os modelos tradicionais de explicitação do conhecimento. Este artigo tem como objetivo demonstrar a experiência de um grande empresa multinacional na reestruturação de sua organização de equipes de um modelo departamental tradicional para um modelo baseado em células de trabalho com uso intensivo de uma rede social corporativa capaz de difundir o conhecimento entre as diversas unidades da empresa espalhadas no mundo elevando assim a transferência do conhecimento tácito para o explicito, formando uma grande base de conhecimento para a empresa estudada. Palavras-chaves: Células de trabalho; redes sociais; base de conhecimento 1. Introdução Um fenômeno que vem ocorrendo no meio empresarial é a mudança dos meios tradicionais de organização do trabalho. O modelo clássico de divisão departamental, em muitos casos já não é o mais adequado para as empresas do século XXI dado ao alto grau de competitividade do atual ambiente de negócios, onde a globalização e a tecnologia da informação em especial o uso da internet estão definitivamente inseridas no dia a dia das empresas conforme descrito por Shah (2008). Um dos grandes geradores de mudança nos processos de gerenciamento das empresas são as fusões e aquisições. Guarita (2002) ressalta que esse processo é e será crescente e irreversível, em especial em empresas de grande porte que são referencias em suas áreas de atuação. Conforme Yurtoglu e Gugler (2003), esse processo não só tem o poder de promover mudanças na gestão das empresas, mas também podem promover grandes reestruturações adjuntas do ganho de escala, de sinergia, de mercado e redução de custos para o novo grupo formado. As empresas que pretendem ter sucesso no mundo moderno devem ter a gestão do conhecimento como o seu maior valor estratégico conforme descreve Grant (1996). Em conjunto com o processo de globalização, vem ganhando importância sem igual os processos de gestão do conhecimento nas empresas. Crisuolo, et. al (2009) descreve que empresas que adotam a gestão do conhecimento em seus sistemas de gestão são mais competitivas e inovadoras do que as empresas que não adotam. Com o intuito de melhorar a gestão do conhecimento para permitir maior competitividade perante o mercado global, muitas empresas estão partindo para estruturas organizacionais flexíveis, como estruturas em células de trabalho e com equipes virtuais colaborativas conforme Leinonem, et. al. (2005). Rank (2008) descreve que os chamados “arranjos alternativos do trabalho” vem se expandido a partir da década de 80 e que esse movimento é irreversível. Conjuntamente com os arranjos alternativos do trabalho vem ganhando espaço no mundo atual a utilização de redes sociais. Autores como Chen, et. al. (2006), Leinonem, et. al. (2003) entre outros demonstram em seus estudos a importância do trabalho em redes colaborativas e com equipes virtuais. As redes sociais tendem a ter maior adesão dos membros das corporações e facilitam o fluxo de conhecimento entre os membros das equipes, conforme Arinson e Miller (2002) Sendo assim o estudo de como empresas multinacionais vem buscando melhorar suas estruturas de trabalho e como elas estão usando as redes sociais para melhor gerir o conhecimento e assim se tornarem mais competitivas perante o mercado é de interesse sob âmbito da gestão do conhecimento. Sob essa contextualização, a utilização de redes colaborativas virtuais e reestruturação organizacional de um gerenciamento por funções (modelo clássico) para um gerenciamento por conhecimento, pode ser utilizado para melhor integrar as empresas e elevar suas sinergias? A partir dessa pergunta de pesquisa, esse artigo buscou analisar o caso da reorganização da estrutura de trabalho e implantação de uma rede social corporativa em uma grande empresa multinacional que possui várias unidades no país e que no atual momento vem tentando integrar seus processos de negócios no Brasil. 2 Os objetivos específicos desta pesquisa foram: demonstrar alguns estudos realizados na empresa para a implantação de células de conhecimento e rede social, avaliando como essas mudanças estão refletindo na empresa estudada. 2. Metodologia de Pesquisa A pesquisa se constituiu de duas partes: a primeira foi uma revisão bibliográfica sobre estrutura organizacional, equipes virtuais e redes sociais e a segunda foi um estudo de caso junto a empregados e gestores da empresa estudada. Seguindos os conceitos de Yin (2001), a metodologia adotada teve um caráter descritivo afim de demonstrar como está sendo a implantação da nova filosofia de organização do trabalho e como está ocorrendo a implantação e uso da rede social na empresa estudada. A pesquisa foi realizada entre Outubro de 2009 a Março de 2010. 3. Revisão Bibliográfica 3.1 Gestão do conhecimento A gestão do conhecimento vem ganhando cada vez mais importancia nas organizações dado a grande importancia estratégica que o capital intelectual se tornou no atual mundo globalizado. Um grande ponto de estudo dentro da gestão do conhecimento são as formas na qual ele se apresenta na organização. Autores como Nonaka e Takeuchi (1995), Davenport, T. H; Prusak, L. (1998), descrevem a preocupação da transferencia do conhecimento pessoal (ou tácito) para o conhecimento explicito, decodificado em normas e padrões dentro das empresas. Esses autores assim como outros, descrevem que a maior ou menor eficiencia na transferencia do conhecimento afeta diretamente o conhecimento organizacional que pode ser definido aqui como a base de conhecimento disponivel na empresa. A forma na qual as empresas administram sua base de conhecimento pode ser chamado de Gestão do Conhecimento o que possui diversas definições conforme mostrado na tabela 1. Autor NONAKA (1995) GARVIN (1993) Tabela 1 - Definições de Gestão do Conhecimento Definição “Criar consistentemente conhecimento novo, disseminá-lo através da organização, e rapidamente incorporá-lo em novas tecnologias e produtos.” “A organização de aprendizagem sabe criar, adquirir e transferir conhecimento, a ponto de conseguir modificar seu comportamento para refletir novos conhecimentos e novas idéias.” “Quatro atividades primárias criam e controlam o conhecimento necessário para as operações correntes e futuras. Três tem foco interno: solução criativa e compartilhada de LEONARDBARTON problemas, implementação e integração novas ferramentas e metodologias, e (1995) experimentação formal e informal. A atividade final é focada externamente: puxar a expertise de fora da empresa.” BUKOWITZ e “A gestão do conhecimento é o processo pelo qual a organização gera WILLIAMS (2002) riqueza, a partir de seu conhecimento ou capital intelectual.” Fonte: Adaptado de NONAKA (1995:22); GARVIN (1993:51); LEONARDBARTON (1995:8) e BUKOWITZ e WILLIAMS (2002:18) 3 Muitas técnicas são encontradas na literatura para a prática da gestão do conhecimento, onde as mais importantes para o foco deste trabalho conforme descrito por Cardoso (2004) são: • Comunidades de Prática: Estas comunidades se assemelham aos tradicionais “grupos de trabalho” ou “grupos de estudo”, sendo que normalmente se estabelecem de maneira mais “voluntária” e gozam de maior liberdade operacional, apesar de haverem meios para induzir sua formação e sistematizar o seu trabalho. De certa forma, pode-se dizer que na prática estas comunidades têm se estabelecido há muito tempo, só que atualmente elas dispõem de um maior aparato tecnológico e conceitual. Na maior parte das vezes, o objetivo central destas comunidades é criar e compartilhar conhecimentos de interesse comum, prestando-se então ao auxílio de processos gerenciais, operacionais e de desenvolvimento de produtos, tecnológico ou científico. • Portais de Conhecimento: Na verdade, pode-se dizer que os portais não se tratam de uma técnica em si, mas de uma habilidade da organização de disponibilizar adequadamente os conhecimentos tácitos e explícitos através da Internet. As bases desta “técnica” se concentram então em adequar as interfaces de acesso às fontes de conhecimento e em otimizar o processo de localização e transmissão dos mesmos. Esses dois conceitos apresentados são a idéia base para a criação de modelos celulares de organização do trabalho e da criação de redes sociais de conhecimento. 3.2. Estrutura Organizacional Departamental versus Celular É percebido que a partir da década de 90 a estrutura organizacional das empresas vem sendo constantemente alterada decorrente dos desafios lançados por um intenso processo de globalização comercial. Na visão de Fonseca (1997), existem três forças que estão impulsionando esse processo: primeiramente a rápida evolução da técnologia da informação o que é considerada por diversos autores como Smith; Fingar (2003) e Matos e Afsarmanesh (2007) a terceira revolução industrial; em segundo a criação de blocos economicos e em terceiro a grande interdenpencia dos mercados em escala global. Hoffman e Kaplinsky (1988) descrevem que para ser competitiva a empresa deve adequar sua estrutura organizacional ao foco de atividade da empresa, ou seja, aos objetivos que ela pretente atingir. Praticamente todas as empresas de médio e grande portes, utilizam formas de departamentalização para organização de sua estrutura. Vasconcelos e Hemsley (1986) definem que a departamentalização é o agrupamento de individuos em unidades da empresa afim de facilitar a sua administração, onde essa departamentalização pode ser funcional, geográfica, por produtos ou serviços, por fases do processo de produção, por clientes, por projetos, matricial, por centro de custo/lucro ou celular. As estruturas organizacionais por produtos, por projetos, celular e matricial vem ganhando espaço dentro das organizações dado que estas auxiliam na formação de equipes de trabalho com maior foco nos objetivos da organização como descrito por Sohal et al. (2003). A organização de equipes por produto agrupam as pessoas que lidam com um mesmo produto ou serviço; a organização por projeto normalmente é temporária dentro da empresa e organiza as pessoas que estão trabando diretamente no projeto. A organização por célula vem ganhando destaque, principalmente com o sucesso das chamadas empresas de internet, onde as pessoas são organizadas em times que possuem o mesmo foco de trabalho conforme Gibson et. al (2007). A estrutura celular não segue uma 4 estrutura departamentalizada convencional, onde muitas empresas tentam adaptar a estrutura de equipes em celulas dentro da estrutura departamental tradicional, criando assim estruturas organizacionais mistas. Rank (2008) em seu trabalho de analise de coexistência entre estruturas organizacionais informais e formais descreve a maior flexibilidade e foco nos objetivos fins que estruturas de trabalho em células possuem sob sistemas de organização mais formais como a organização departamental clássica adjunta da administração científica preconizada pelo modelo Taylorista-Fordista, onde esses novos modelos de configuração do trabalho seguem fortemente os conceitos preconizados pela escola sócio-técnica de administração, conforme Gilbert (2005). A necessidade de uma estrutura organizacional mais flexível baseada em células de projetos também é descrita por Cardoso (2004) para elevação da sinergia entre equipes e eficiência nos processos. Criscoulo, et. al. (2009) descreve que a divisão do trabalho por funções de produção de conhecimento (knowledge production function – KPF), deve ser pensada para que o conhecimento tácito dos indivíduos se complementem afim de melhorar a execução das atividades. Alguns autores como Hummingbird (2001), descrevem que a complementação das competencias entre individuos para o alcance dos objetivos é uma das formas mais eficázes de organização de equipes. Nonaka e Takeuchi (1995) já descrevia em seus estudos a preocupação na transferencia do conhecimento tácito (residente nas pessoas) para o conhecimento explicito (documentado e formalizado). 3.3. Times virtuais e redes sociais Shan (2008) diz que as grandes corporações estão passando de seu antigo estágio de atuação local para o estágio globalizado com atuação mundial e com uso intensivo das tecnologias de informação hoje disponíveis, o que provoca novos desafios na administração dos recursos humanos dessas empresas. Em função da dificuldade que as empresas enfrentam de seus empregados para transferirem o conhecimento tácito para o explicito; estas veem em extruturas mais flexiveis de trabalho e com uso itensivo de redes colaborativas uma forma de que a transferencia ocorra pelo menos de tácito para tácito (pessoa a pessoa) evitando o acumulo do conhecimento em uma só pessoa conforme descre Barron (2003). As equipes de trabalho em empresas de atuação global estão transpondo as barreiras continentais, onde o conhecimento e a formação dessas equipes devem ser de tal forma que possam atuar de forma integrada e conjunta mesmo a longas distâncias para o desenvolvimento do trabalho conforme Kumar et. al. (2004). É comum em corporações mundiais ter o desenvolvimento de seus produtos feito por equipes “virtuais”, espalhadas por diversos países, assim o design e a especificação de um produto pode ser feito nos EUA, a engenharia na Alemanha e os protótipos e testes na China, não comprometendo em nada o resultado final e ao contrário, elevando os ganhos por meio da troca de experiência entre as equipes locais as eventuais reduções de custo adjuntos das ferramentas de TI e mão de obra conforme descreve Leinonen, et. al. (2005). A figura 1 exemplifica essa situação. 5 Figura 1: Exemplo de trabalho colaborativo feito por equipes virtuais em diferentes países do mundo. Fonte: Seshasai, S; Gupta, A; Kumar, A (2004) O uso de redes sociais colaborativas também vem ganhando espaço nas empresas. Baseado nas redes sociais da internet como My Space, Orkut e Facebook, as redes sociais corporativas se prestam a unir os individuos de diversas partes da empresa em temas e objetivos em comuns. É fácil perceber quanto os individuos tendem a trocar suas experiencias e conhecimentos em redes sociais de forma muito mais fácil e expontânea do que nos sistemas tradicionais de transferencia de conhecimento como padrões formalizados, documentos e manuais; assim as redes sociais colaborativas se tornam uma das mais poderosas ferramentas de transferencia do conhecimento tácito para o explicito conforme descreve Martes et al. (200). Especificamente no âmbito da teoria das organizações, a perspectiva de redes sociais emergiu no final dos anos 1970, onde estas redes se intensificaram em meados dos anos 2000 com o avanço da internet nas organizações. A figura 2 mostra um exemplo de página de rede social colaborativa. 6 4. Estudo de caso 4.1. A empresa estudada Foi estudada uma das unidades brasileiras de uma grande empresa multinacional com filiais em diversos estados do Brasil. Foi avaliado como está sendo feita a mudança na estrutura de trabalho e como está sendo implantada a rede social nesta unidade. 4.2. Células de conhecimento e redes sociais Na empresa estudada estão sendo implantados grupos de trabalho multi-competências que estão sendo chamados de células de trabalho ou células de conhecimento (knowledge cell). Estes grupos são formados por individuos com competencias diferenciadas e que em conjunto desenvolvem suas atividades fins de forma quase que autonoma dentro dos objetivos estabelecidos no plano estratégico da corporação. Normalmente cada célula possui um coordenador para guiar as atividades. Como por exemplo pode ser citado as células de atendimento a clientes, onde cada célula é responsável por um segmento de mercado e todas as atividades referentes a este segmento são desenvolvidas por esta célula, desde a pesquisa de novos produtos, atividades de vendas, atendimento a reclamações, marketing, logistica e o acompanhamento da produção são de responsabilidade da célula. As células de trabalho espalhadas nas diversas unidades do grupo empresarial estudado desenvolvem suas atividades dentro de um sistema de rede social colaborativa em que os desenvolvimentos, experiencias e conhecimentos adquiridos nas inumeras atividades alimentam a base de conhecimento da célula, ficando disponível para todos os empregados da empresa estudada em todo o mundo. A figura 3 e 4 mostram alguns desenhos esquemáticos das células de trabalho implantadas na empresa e como são sua relação com a rede social. Célula de conhecimento de múltiplas competências Rede social Comunidade virtual Projeto colaborativo Base de conhecimento Especialista Assist. Tec. Especialista Logística Especialista Metalurgia Conhecimentos específicos xx1 Conhecimentos específicos xx2 Conhecimentos específicos xxn (Vendas Especialista Financeiro Especialista PCP Conhecimentos específicos xx1 Conhecimentos específicos xx2 Conhecimentos específicos xxn Especialista Operação Conhecimentos específicos xx1 Conhecimentos específicos xx2 Conhecimentos específicos xxn Especialista C. Qualidade Figura 3: esquema geral de uma célula de conhecimento de multicompetências. Indivíduos de diferentes especialidades se agrupam e compartilham seus conhecimentos afim de criar uma base de conhecimento global em seu grupo de projeto da rede social corporativa. Fonte: empresa estudada. 7 8 Figura 4: fluxo de transferência do conhecimento entre as comunidades da rede social. A transferência do conhecimento não segue um fluxo estruturado assim ela flui entre as células de uma mesma comunidade e entre as comunidades em si. Fonte: empresa estudada. O uso de comunidades colaborativas baseadas na tecnologia de internet, ganhou força após o desenvolvimento da web 2.0, porém já era discutido por autores como Maznevski e Chunoba (2000) e Arison e Miller (2002), anos antes do surgimento dos principais sites de rede social como My Space, Facebook e Orkut. O uso dessas comunidades começou a ser implantado na empresa estudada a partir de 2007 após a fusão das empresas do grupo como uma das formas de compartilhar o conhecimento entre as equipes e unidades do grupo estudado. Apesar de aparentemente o conhecimento difundido na rede social estar de forma não estruturada (espalhado aleatóriamente nas diversas comunidades criadas), a informação é facilmente filtrada e pesquisada por meio das ferramentas de busca presentes na rede o que torna o resgate da informação rápida e fácil. A rede social construida pela empresa permite a livre criação de comunidades, desde que elas estejam dentro das políticas da empresa e se enquadrem em algumas das diversas categorias e sub-categorias pré definidas, além de permitir a comunicação instantanea entre membros do mundo todo através de ferramentas de troca de mensagens e voz sobre IP (VOIP). O uso da rede social está elevando de forma muito rápida a base de conhecimento da empresa o que vem se refletindo na redução de custos de contratação de consultorias externas, uma vez que células de conhecimento do mundo todo interagem, onde membros de uma célula pesquisam na rede social e conversam com membros de outras células que, por exemplo, já passaram por um problema similar, trocando experiencias na busca de soluções. Essa nova forma de distribuir o conhecimento foi influenciada diretamente pelo sucesso das redes sociais porem o formato celular do trabalho teve como uma de suas bases a decisão da empresa de alterar sua estrutura de gerenciamento das empresas de um modelo descentralizado e com as empresas do grupo ainda competindo entre si para o modelo celular conforme a figura 5. 9 Antigo modelo de organização do grupo (organização descentralizada) Mercado regional 1 Novo modelo de organização do grupo (organização celular) Célula Mercado regional 2 • Vendas • Assis. Técnica • Metalurgia • Logística • Financeiro • Etc. Setor Fábrica 3 Fábrica 1 Fábrica ... Fábrica 1 Fábrica 3 Fábrica ... Fábrica 4 Fábrica 2 Competição Fábrica x Fábrica 4 Fábrica x Equipe de Vendas Fábrica X Equipe de atendimento a clientes Fábrica X Equipe de desenvolvimento de produtos (metalurgia) Fábrica X tiç ão Oeste Europa (França) pe Mercado regional 3 m America Norte (EUA) Co Fábrica 1 Célula Mercado Competição Fábrica 2 Fábrica 3 Fábrica ... Fábrica 4 Fábrica x Equipe Regional China (China) Coordenador mundial (Lux) America Latina (Brasil) Fábrica 2 Fábricas Clientes Regionais Regionais Leste Europa (Polonia) África (África do Sul) •Coordenador Mundial (Luxembourg) - Define clientes globais - Define estratégia de vendas - Define desenvolvimento de produtos - Coordena ações entre as células regionais. - Reporta a situação de cada setor para a diretoria mundial. Ásia e Oceania (Dubai) Índia e Or. Médio (Índia) Figura 5: Exemplo de organização descentralizada de organização do grupo empresarial estudado para o modelo celular. Fonte: empresa pesquisada Apesar de ainda estar em implantação e passando pelos eventuais problemas que uma mudança de filosofia organizacional provoca, a nova estrutura celular para as unidades de negócio do grupo vem se mostrando eficientes no que diz respeito aos ganhos com sinergias entre as empresas, redução de custos e eficiência nos processos, mesmo com a eventual perda de velocidade no processo decisório de cada unidade. No modelo celular as equipes trabalham de forma multi-departamental e focadas nos processos chaves, onde as atividades são realizadas de forma coordenada e com a participação de todo o grupo da célula. Algumas empresas do grupo que adotaram esse modelo a mais tempo, nos casos mais “radicais” estão eliminando toda a estrutura departamental (a medida do possível) e passando para uma organização celular, onde cada célula faz a função de um mini departamento, focando seus processos e atividades ao setor de mercado e clientes que são atendidos pela equipe. Um exemplo do ganho no fluxo de trabalho pode ser mostrado na figura 6 que mostra como um processo de atendimento a cliente fluía na antiga divisão do trabalho departamental e como o processo flui na visão celular. Visão Departamental Processo: Atendimento a clientes/ Atendimento a reclamações Vendas Assistência Técnica PCP Metalurgia Logística Contr. Qualidade Financeiro Visão Celular Processo: Atendimento a clientes/ atendimento de reclamações Especialista Metalurgia Cliente entra com reclamação Fim Inicio Inicio Especialista Assist. Tec. Coord. (Vendas) Especialista Financeiro É dado crédito financeiro ao cliente Especialista PCP Especialista Logística Especialista Operação Especialista C. Qualidade Fim Figura 6: exemplo de visão departamental do processo de atendimento a clientes/ analise de reclamações versus uma visão celular. A estrutura organizacional celular tornar esse processo mais ágil e focado no cliente das empresas do grupo que já a adotaram. Fonte: pesquisa realizada 10 11 Caso a célula não possua os conhecimentos necessários para determinada atividade ou projeto ela faz uso na rede social corporativa que passa a agir como um grande banco de dados de conhecimento dentro da empresa estudada. De acordo com a visão de gerentes de desenvolvimento de TI e RH a rede social corporativa é a mais poderosa ferramenta de difusão do conhecimento dentro da organização pois os colaboradores tendem a transferir seus conhecimentos de forma muito mais espontânea do que na criação de manuais e procedimentos. Conforme a gerencia de gestão de recursos humanos e desenvolvimento de pessoal, a implantação do modelo celular de organização do trabalho em conjunto com o uso intensivo da rede social da empresa ainda representa grandes desafios, em especial no que diz respeito a ruptura com os modelos organizacionais até então praticados porém os resultados alcançados vem mostrando grandes ganhos na sinergia entre as empresas do grupo e na rapidez como a base de conhecimento da empresa vem aumentando. Como base de comparação, o número de melhorias implementadas por soluções internas encontradas pelos empregados teve uma elevação de aproximadamente 203% e a transferência de melhores práticas entre as empresas já alcançou mais de 2350 procedimentos técnicos compartilhados por aproximadamente 135 comunidades espalhadas em 8 países, onde as redes sociais já foram implantadas, mostrando a eficiência que essas redes estão tendo na difusão do conhecimento corporativo, conforme dados da gerencia de RH. 10. Conclusão A pesquisa monstrou que a mudança na organização do trabalho de um modelo departamental para um modelo baseado em células de trabalho apesar de dificil do ponto de vista de implementação pode mudar por completo a realidade da empresa estudada tornando a forma pela qual o trabalho é realizado muito mais colaborativo entre os individuos das células, elevando a transferencia do conhecimento tácito entre os integrantes. O modelo celular está influenciando diretamente na forma de trabalho da empresa e tornando a transferencia de conhecimento de tácito para tácito mais rápido, direto e livre, onde a complementação das competencias vem se tornando um ponto chave para a eficiente execução das atividades. Quanto ao modelo de divisisão das equipes em células de atividades, pode-se concluír que apesar de recente, já tornou as equipes mais focadas nos clientes e nas atividades de maior importancia para negócio principal da empresa (core business), onde redução das falhas e maior rapidez nos processos já puderam ser observados. O uso de redes sociais dentro da empresa está se mostrando uma poderosa ferramenta de gestão do conhecimento com grande participação espontanea entre os individuos e equipes virtuais espalhadas pelo mundo com elevado nível de participação e transferencia de conhecimento. Quanto ao uso de redes sociais, concluíse que ele vem promovendo uma grande revolução na forma como o conhecimento é difundido na empresa estudada e vem se mostrando muito eficiente no que diz respeito a colaboração entre as células e membros da organização espalhados no mundo além de estar promovendo uma elevação substancial na base de conhecimento explicito da organização de uma forma expontânea entre os colaboradores da empresa estudada. 12 A maior eficácia da nova forma organizacional e do uso da rede social, só poderão ser definitivamente comprovados após o encerramento da implantação em todas as unidades da empresa, o que deve ocorrer até o fim do ano de 2010, o que pode ser de interesse da continuação dos estudos aqui levantados. Referências ARISON, L; MILLER, P. Virtual teams: A Virtue for the Conventional Team. Journal of Workplace Learning. vol. 14, n 4, p 166–173, 2002 BARRON, B. When Smart Groups Fail. The Journal of The Learning Sciences. vol. 12, n. 3, p. 307–359, 2003. 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