UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
QUANTIFICAÇÃO DO ESTOQUE DE CARBONO EM
REFLORESTAMENTO DE EUCALIPTO: ANÁLISE COMPARATIVA
ENTRE DIFERENTES ESPÉCIES
DAYANE PATRÍCIA VIEIRA
Foz do Iguaçu - PR
2009
DAYANE PATRÍCIA VIEIRA
QUANTIFICAÇÃO DO ESTOQUE DE CARBONO EM
REFLORESTAMENTO DE EUCALIPTO: ANÁLISE
COMPARATIVA ENTRE DIFERENTES ESPÉCIES
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica de Cataratas –
UDC, como requisito parcial para
obtenção de grau de Engenheiro
Ambiental.
Orientador: Elisandro Pires Frigo
Co-orientadora: Michele Sato Frigo
Co-orientador: Newton Rutz
Foz do Iguaçu – PR
2009
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
QUANTIFICAÇÃO DO ESTOQUE DE CARBONO EM REFLORESTAMENTO: UMA
ANÁLISE COMPARATIVA EM DIFERENTES ESPÉCIES
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL
Aluna: DAYANE PATRÍCIA VIEIRA
Orientador: Prof. ELISANDRO P. FRIGO
Conceito Final
Banca Examinadora:
Prof. CARLOS DOS SANTOS
Prof(ª). MARCOS ALEXANDRE ARNDT
Foz do Iguaçu, 20 de Novembro de 2009.
III
Dedico este trabalho ao meu namorado Rudimar Venialgo Silva pela paciência,
atenção, incentivo e por todos os momentos que passamos e iremos passar
juntos.
IV
AGRADECIMENTOS
À Deus, pela vida, os ensinamentos e a esperança.
Ao meu orientador Elisandro Frigo pelo incentivo, atenção e orientações.
Aos
meus
co-orientadores
Michele
Sato
e
Newton
Rutz
pela
atenção,
disponibilidade e colaboração profissional.
Aos meus pais, Joel e Rosa pelo incentivo e colaboração.
A Lessandra Martelli pela ajuda e disponibilidade da área para realização deste
trabalho.
Ao Prof. Carlos Roberto Sanquetta pela atenção e colaboração profissional.
Aos colegas de curso pela compreensão e troca de experiências.
A todos os meus familiares e amigos pelo apoio e colaboração.
Aos meus professores que no decorrer do curso repassaram suas experiências e
ensinamentos.
A todos que, de alguma forma, contribuíram para a realização deste trabalho.
V
“Todos os argumentos conservacionistas e
ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos
convencer de que somos inquilinos do mundo. E que
temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino,
inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim
do contrato ”.
Luis Fernando Verissimo
VI
SUMÁRIO
Página
RESUMO.................................................................................................................
ABSTRACT..............................................................................................................
1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................
2. REFERENCIAL TEÓRICO...................................................................................
2.1.Mudanças climáticas..............................................................................
2.2. Efeito estufa e aquecimento global.......................................................
2.2.1 Gases de efeito estufa.....................................................................
2.3 Convenção do clima...............................................................................
2.3.1 Conferência das partes (COP’S)......................................................
2.3.1.1 Protocolo de Quioto...................................................................
2.4 Mecanismos de flexibilização.................................................................
2.4.1 Implementação conjunta (IC)..........................................................
2.4.2 Comércio de emissões (CE)...........................................................
2.4.3 Mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL)................................
2.4.3.1 Comitê executivo.......................................................................
2.4.3.2 Entidades operacionais designadas (EOD)..............................
2.4.3.3 Autoridade nacional designada (AND)......................................
2.4.3.4 Etapas para a obtenção do certificado de emissões reduzidas
2.5 Uso da terra, mudança do uso da terra e reflorestamento (LULUCF)..
2.5.1 Florestas.........................................................................................
2.5.2 Reflorestamento..............................................................................
2.5.3 Fotossíntese e respiração...............................................................
2.5.4 Ciclo do carbono.............................................................................
2.5.5 Estoque de carbono........................................................................
2.5.6 Projetos existentes..........................................................................
2.5.7 Mercado de projetos florestais de MDL..........................................
3. MATERIAL E MÉTODOS.....................................................................................
3.1 Localização...........................................................................................
3.2 Quantificação da área total do reflorestamento em estudo..................
3.3 Análise do clima, relevo, hidrografia e solo da área estudada..............
3.4 Verificação das práticas silviculturais da propriedade assim como as
etapas de produção....................................................................................
3.5 Determinação da altura, diâmetro a altura do peito, espaçamento de
plantio e área em cada espécie estudada..................................................
3.5.1 Altura...............................................................................................
3.5.2 Diâmetro a altura do peito...............................................................
3.5.3 Espaçamento e área em cada espécie estudada...........................
3.6 Quantificação da biomassa e do estoque de carbono em duas
espécies de eucalipto.................................................................................
3.6.1 Definição das árvores-amostras.....................................................
3.6.2 Determinação da biomassa............................................................
3.6.2.1 Método Destrutivo.....................................................................
3.6.2.2 Método Indireto.........................................................................
3.6.3 Determinação do teor de carbono...................................................
3.7 Elaboração de um comparativo entre a relação carbono/espécie........
3.8 Análise da geração de créditos de carbono, assim como sua
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VII
comercialização..........................................................................................
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................
4.1 Quantificação da área total do reflorestamento e análise do clima,
relevo e hidrografia da área estudada..........................................................
4.2 Práticas silviculturais da propriedade.....................................................
4.3 Determinação da altura, diâmetro a altura do peito, espaçamento de
plantio e área em cada espécie estudada....................................................
4.4 Quantificação da biomassa e do estoque de carbono em duas
espécies de eucalipto...................................................................................
4.4.1 Biomassa método destrutivo............................................................
4.4.2 Biomassa método indireto................................................................
4.4.3 Estoque de carbono.........................................................................
4.5 Elaboração de um comparativo entre a relação carbono/espécie.........
4.6 Análise da geração de créditos de carbono, assim como sua
comercialização............................................................................................
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................
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76
VIII
LISTA DE TABELAS
Página
Tabela 1: Concentração de alguns gases causadores do efeito estufa..................
Tabela 2: Estimativa de carbono e CO2, seqüestrados na idade de 7 anos em
função das condições de crescimento esperadas para cada classe de
precipitação pluviométrica anual (t.ha-1).....................................................
Tabela 3: Características dendrométricas dos povoamentos..................................
Tabela 4: Biomassa e carbono fixado nos diferentes compartimentos do
eucalyptus ssp............................................................................................
Tabela 5: Porcentagem de biomassa nas espécies investigadas...........................
Tabela 6: Fixação de carbono nas espécies estudadas..........................................
Tabela 7: Precipitação média mensal e anual do município de Matelândia............
Tabela 8: Características das espécies estudadas..................................................
Tabela 09: Dados obtidos das espécies..................................................................
Tabela 10: Pesos encontrados nas folhas das duas espécies................................
Tabela 11: Pesos encontrados nos galhos das duas espécies...............................
Tabela 12: Peso da biomassa das folhas e dos galhos...........................................
Tabela 13: Áreas Seccionais a 0%, 50% e 100% da altura comercial do
fuste............................................................................................................
Tabela 14: Estoque de carbono obtidos no fuste, galhos e folhas..........................
Tabela 15: Quantidade de carbono encontrada no estudo......................................
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IX
LISTA DE FIGURAS
Página
Figura 1:Contribuição relativa de gases provenientes de atividades antrópicas ao
efeito estufa.................................................................................................
Figura 2:Distribuição das atividades de projeto de MDL desenvolvidas no
Brasil..........................................................................................................
Figura 3:Área e distribuição de florestas plantadas no Brasil..................................
Figura 4:Principais emissões de GEE, fontes, remoções e processos em
ecossistema controlado..............................................................................
Figura 5: Curva de crescimento de carbono seqüestrado nos diversos
compartimentos da floresta........................................................................
Figura 6: Estimativas médias de carbono estocado por hectare nas folhas,
galhos, fuste sem casca e casca de Eucalyptus grandis com 6 anos de
idade...........................................................................................................
Figura 7: Divisão por setor de projetos de MDL.......................................................
Figura 8: Localização e visualização da área estudada..........................................
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Figura 9: Determinação da altura com o método esquadro de Leduc.....................
Figura 10: Visualização do topo da árvore através do esquadro.............................
Figura 11: Medição da distância entre o observador e a árvore..............................
Figura 12: Altura do esquadro até o solo no sistema elaborado da baliza..............
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Figura 13: Método do esquadro de Leduc adaptado pela autora............................
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Figura 14: Medição do DAP com um paquímetro....................................................
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Figura 15: Derrubada das árvores-amostra.............................................................
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Figura 16: Determinação do peso úmido.................................................................
58
Figura 17: Amostras na estufa para obtenção da matéria seca..............................
58
Figura 18: Compartimento que mais retém carbono nas duas espécies.................
70
Figura 19: Espécie que retém mais carbono por área.............................................
71
X
LISTA DE EQUAÇÕES
Página
Equação 1: Equação da fotossíntese......................................................................
Equação 2: Equação da respiração.........................................................................
Equação 3: Determinação da altura Silva e Paula Neto (1979)...............................
Equação 4: Determinação da altura método adaptado............................................
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54
Equação 5: Determinação da biomassa dos galhos e das folhas...........................
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Equação 6: Determinação da biomassa do fuste....................................................
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Equação 7: Determinação do volume da árvore......................................................
59
Equação 8: Determinação das Áreas Seccionais....................................................
59
Equação 9: Determinação do teor de carbono........................................................
61
11
VIEIRA, Dayane Patrícia. Quantificação do estoque de carbono em reflorestamento
de eucalipto: análise comparativa entre diferentes espécies. Foz do Iguaçu, 2009.
Trabalho Final de Graduação (Bacharelado em Engenharia Ambiental) - Faculdade
Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
Muitas mudanças ocorrem com o clima do planeta: aquecimento global, efeito
estufa, entre outros, fenômenos provenientes da emissão de gases poluentes,
despertando uma preocupação mundial. Vários países se reúnem nas chamadas
Conferências das Partes (COP) para decidir metas e alternativas para a minimização
desses efeitos. Uma opção para os países cumprirem suas metas de redução é o
desenvolvimento de projetos, a exemplo dos chamados mecanismos de
desenvolvimento limpo, realizados entre países desenvolvidos e em
desenvolvimento e que podem ser comercializados através da certificação de que
realmente sequestram poluentes. Dentre esses projetos, as atividades como o uso
da terra, mudança do uso da terra e reflorestamento, foram uma das propostas.
Considerando que as florestas são sumidouros de carbono, o objetivo deste trabalho
foi verificar em uma área de reflorestamento de eucalipto que possuía duas
espécies, E. grandis e E. cinérea, quanto de estoque esta área poderia reservar e
quais das espécies tinha maior eficiência neste estoque de carbono. Através do
diâmetro médio e da altura média, foi determinada uma unidade amostral de cada
espécie para ser abatida, sendo calculada a quantidade de biomassa nos
compartimentos: folhas, galhos e fuste e posteriormente feita a conversão para a
quantidade de carbono presente nestes compartimentos. O reflorestamento tinha a
idade de um ano, com 5.000m2 para cada espécie, totalizando uma área de 1ha.
Analisando a quantidade de carbono por unidade, observou-se que, a espécie E.
cinérea apresentou maior quantidade de carbono, devido à altura e diâmetro médio
encontrados serem superiores à da outra espécie. Porém, devido ao espaçamento
utilizado, a espécie E. grandis apresentou maior número de árvores, contabilizando
na área total um maior estoque. A área analisada não pode fazer parte de um
projeto de MDL, devido as exigências da COP 9. Pelo fato da área ser pequena e as
espécies com pouca idade, a rentabilidade desse projeto também seria baixa. Este
trabalho, portanto, é de fundamental importância devido a redução da quantidade de
carbono na atmosfera minimizando assim, os efeitos causados pelo homem no
planeta.
Palavras-Chave: Aquecimento Global – Créditos de Carbono – Biomassa Florestal.
12
VIEIRA, Dayane Patrícia. Quantification of carbon stocks in forestry plantations: a
comparative analysis between different species. Foz do Iguacu, 2009. Completion of
course work (Bachelor of Environmental Engineering) – Faculdade Dinâmica das
Cataratas.
ABSTRACT
Many changes happen to the climate of the planet: global warming, greenhouse
gases, among other phenomena, from greenhouse gas emissions, triggering a
worldwide concern. Several countries meet the so-called Conferences of the Parties
(COP) to decide goals and alternatives to minimize these effects. One option for
countries to meet their reduction targets is the development of projects, like the socalled clean development mechanisms, undertaken between developed and
developing countries and can be traded on the certification that actually sequester
pollutants. Among these projects, activities such as land use, change of land use and
reforestation, were one of the proposals. Considering that forests are considered
carbon sinks, the objective of this work was in an area of reforestation of eucalyptus
that had two species, E. grandis and E. cinerea, the stock could book this area and
which species had greater efficiency in stock. Through the diameter and height, was
given a sample tree of each species to be harvested and calculated the amount of
biomass in compartments: leaves, branches and trunk and later be converted to the
amount of carbon present in these compartments. Reforestation at the age of one
year, with 5.000m2 for each species, totaling an area of 1ha. Looking at the amount
of carbon per unit, it was observed that the species E. cinerea showed a higher
amount of carbon due to the height and diameter were found superior to other
species. However, due to the spacing used, the species E. grandis showed a higher
number of trees in the area accounting for a larger total stock. The area examined
can not be part of a CDM project, due to the requirements of COP 9. Because the
area is small and the species at an early age, the profitability of this project would
also be low. This work is therefore of fundamental importance due to reducing the
amount of carbon in the atmosphere thus minimizing the effects caused by man on
the planet.
Keywords: Global Warming - Carbon Credits - Forest Biomass.
13
1 INTRODUÇÃO
Na busca pelo desenvolvimento e progresso, dentro de suas
atividades, o homem exerceu uma exploração inadequada dos recursos, provocando
a extinção de algumas espécies e alterando as características do ambiente.
Dentro desse processo histórico e devido à intensidade e freqüência
das emissões de gases poluentes – em especial o dióxido de carbono (CO2) –
provenientes das indústrias, desmatamento e da queima de combustíveis fósseis,
entre outras atividades, houve sérios danos à atmosfera, que não conseguiu se
regenerar e nem se adaptar ao acúmulo desses gases, ocasionando assim
alterações climáticas. Essas alterações trouxeram prejuízos ambientais, sociais e
econômicos.
Preocupados com estas mudanças e transformações no ambiente,
vários países reúnem-se nas chamadas Conferência das Partes (COP), para discutir
14
ações e traçar metas visando à minimização dos efeitos causados pelo
desenvolvimento.
Em meio às discussões, ressaltou-se a necessidade da redução das
emissões de poluentes. Os países firmaram este compromisso através da ratificação
do Protocolo de Quioto, o qual prevê a possibilidade de utilização de alguns
mecanismos para auxiliar nesta redução. Uma dessas possibilidades é investir no
desenvolvimento de projetos, como é o caso dos Mecanismos de Desenvolvimento
Limpo (MDL’s), que serão explicados de maneira pormenorizada no decorrer do
trabalho.
Nos projetos de MDL relacionados ao Uso do Solo, Mudança do Uso
do Solo e Reflorestamento destacam-se as atividades de reflorestamento, na qual
uma das exigências para viabilidade destes projetos é a análise de quantidade de
seqüestro de carbono. Esta quantidade é estabelecida através do armazenamento
de carbono na biomassa vegetal, localizada nas partes aéreas das plantas, como:
tronco, folhas, galhos, serrapilheira e na parte subterrânea, que são as raízes e o
solo.
Este estudo teve por objetivo realizar a quantificação do estoque de
carbono em uma área já existente de reflorestamento com duas diferentes espécies
de eucalipto (E. grandis e E. cinérea), verificando qual a contribuição desta área na
retirada de carbono da atmosfera, quanto de carbono se encontra armazenado nas
diversas partes da planta e, em relação ao cultivo, qual espécie de eucalipto reserva
mais carbono, e ainda, a possível utilização desta área para um projeto de MDL,
objetivando a venda dos créditos de carbono.
Este estudo se justifica pela possibilidade de comercialização dos
créditos de carbono por parte dos produtores rurais. Este comércio acarreta em uma
15
série de benefícios, como a obtenção de uma renda extra para os produtores ao
mesmo tempo em que ocorre a preservação ambiental da área. Importante destacar
que, mantendo esta área cultivada, contribui-se para a diminuição da quantidade de
carbono na atmosfera minimizando, conseqüentemente, os efeitos decorrentes
desta emissão.
16
2 REFERENCIAL TÉORICO
2.1 Mudanças climáticas
Para Scarpinella (2002) mudança do clima é uma alteração na
composição da atmosfera devido à atividade humana direta ou indiretamente,
comparada ao longo do tempo com a alteração natural do clima. Em um contexto
histórico o autor afirma que, a partir da revolução industrial, houve a substituição do
trabalho manual por máquinas, a queima de combustíveis fósseis e o
desmatamento, enquanto a atividade humana visa ao desenvolvimento, acabam por
trazer danos ambiente.
A UNFCCC, que é a Organização das Nações Unidas Sobre
Mudança do Clima, partilha da definição proposta por Scarpinella. Segundo ela,
mudança do clima é uma mudança direta ou indireta devido à atividade humana,
17
alterando a composição da atmosfera e comparada a longos períodos com a
variação natural do clima (UNFCCC, 1997 apud BALBINOT, 2004).
No estudo realizado por Moutinho et al. (2001), Lelis (2007) e Santi
(2007), os autores afirmam que a temperatura mundial terá um aumento de 0,2 a
4ºC, previsão esta que será alcançada até o fim do século XXI, demonstrando que a
retenção de calor na atmosfera deve-se a grande concentração de poluentes.
Segundo Giacomelli Sobrinho (2007), em 1980 cientistas de todo o
mundo confirmaram a tese de Svante Arrhenius que tratava sobre a relação de
aumento da temperatura da terra a partir do aumento da concentração de dióxido de
carbono, em 1896.
Caldas et al. (2004) e Lages e França (2008) abordam que, a partir
da década de 80 o aquecimento global começou a despertar uma preocupação, pois
percebeu-se que as emissões de dióxido de carbono decorrentes das atividades
humanas e a utilização
de recursos não-renováveis estavam trazendo um
desequilíbrio no planeta.
Segundo IPCC (2003) apud Balbinot (2004) os prováveis impactos
para a América Latina com o aquecimento global são: a diminuição da produção
agrícola, o aumento de vetores e a extinção da fauna e da flora.
Conforme Filho (2008) a elevação da temperatura nas correntes
marítimas gera fenômenos conhecidos como o El niño e La niña, que são alterações
de curta duração na temperatura da água do oceano.
Para Rezende (2008) a população sofreu pela primeira vez os
efeitos da poluição em 1952 onde, por 15 dias, uma fumaça juntamente com neblina
cobriu a cidade de Londres, tendo um balanço de quatro mil mortes.
18
2.2 Efeito estufa e aquecimento global
Para Scarpinella (2002) é um fenômeno natural que possibilita a vida
na terra, diminuindo o retorno de radiação infra-vermelha para o espaço.
O que antes era considerado como natural, com o aumento dos
gases, há o favorecimento das doenças, o derretimento das calotas polares e o
aumento do nível dos oceanos. Grossi e Freitas (2007) afirmam que, também haverá
desertificação em algumas áreas e queda da produção agrícola. Além das altas
temperaturas, a população pode sofrer com a fome e com as doenças.
Através da tabela 1 podem-se observar as afirmações dos autores
em relação ao aumento das concentrações de Gases de Efeito Estufa (GEE) após a
revolução industrial. Peleias et al. (2007) confirma estes dados onde, a maioria dos
poluentes teve sua concentração duplicada, além do surgimento de gases que,
antes nem existiam como o clorofluorcarbono (CFC) e hidrofluorcarbono (HFC).
Tabela 1: Concentração de alguns gases causadores do efeito estufa na atmosfera.
Gases de Estufa
Dióxido de Carbono (CO2)
Metano (CH4)
Óxido Nitroso (N2O)
CFC - 11
HFC - 23
Perflurometanos (CF)
Concentração
Pré-industrial
Após (1998)
(1750)
280 ppm
770 ppb
270 ppb
Zero
Zero
40 ppt
365 ppm
1745 ppb
314 ppb
268 ppt
14 ppt
80 ppt
Fonte: adaptado de Peleias et al. (2007).
Ainda para Ventura e Andrade (2007) o aquecimento global traz:
alterações na salinidade do mar, mudanças nos ventos e chuvas, presença
freqüente de ciclones tropicais, grande quantidade de secas e enchentes, entre
19
outros. Conforme se pode observar na figura 1, dos principais gases causadores do
efeito estufa, o dióxido de carbono, óxido nitroso e o metano são os gases que mais
contribuem para estes efeitos, sendo provenientes principalmente da queima de
combustíveis fósseis e dos resíduos sólidos dispostos em aterros sanitários
(KRUPA, 1997 apud GEROMINI, 2004).
Fonte: Krupa (1997) apud Geromini (2004).
Figura 1: Contribuição relativa de gases provenientes de atividades antrópicas ao
efeito estufa.
2.2.1 Gases de efeito estufa (GEE’s)
Gases de Efeito Estufa (GEE’s) são gases naturais e antrópicos que
absorvem e reemitem radiação infravermelha, ressaltando-se que a maior
quantidade de emissão esta relacionada ao setor de energia (SCARPINELLA, 2002).
Grossi e Freitas (2007) dividem esta emissão em dois setores: o
primeiro, das emissões energéticas, no qual se enquadram transportes, eletricidade
e indústria, tendo mais de 60% de emissões; e o segundo, que são emissões não
energéticas, como a agricultura e os resíduos.
20
Para Souza e Azevedo (2006) o Brasil tem maiores emissões nas
atividades de uso da terra e florestas, diferentemente do resto do mundo, que
possuem maior emissão no setor de energia.
Os gases que mais contribuem para o aquecimento global,
estabelecidos pelo Protocolo de Quioto como GEE são: metano, óxido nitroso,
hexafluoreto de enxofre, hidroflúorcabonos e perfluorcarbonos (SANTIN, 2007;
FERREIRA et al., 2007; LAGES e FRANÇA, 2008;).
Scarpinella (2002) cita o clorofluorcarbono como uma substância
desenvolvida na década de 30 - e que passou a ser utilizada em refrigeradores e
condicionadores – que, através de uma reação, auxilia na destruição da camada de
ozônio.
O hidrofluorcarbono foi desenvolvido para substituir os produtos
químicos que afetam a camada de ozônio, é usado também em refrigeração,
sistemas de ar condicionado, aerosóis e solventes. Porém, este produto que seria
utilizado para poluir menos, possui um potencial de aquecimento global considerável
em relação aos outros poluentes (SCARPINELLA, 2002).
O hexafluoreto de enxofre (SF6) para Pinheiro (2005) apud Santin
(2007) além da utilização como isolante térmico em equipamentos elétricos e
condutor de calor é encontrado também em processos industriais e possui um
potencial de aquecimento global 22.200 vezes maior do que o CO2.
O metano (CH4) segundo Scarpinella (2002) é um gás que menos
contribui para o efeito estufa e suas emissões são de responsabilidade antrópica
como o cultivo de arroz, criação de bovinos e ovinos e os aterros sanitários.
Além destas atividades Pinheiro (2005) apud Santin (2007) mostra
que a extração, transporte e distribuição dos combustíveis fósseis também são
21
responsáveis por esta emissão, e que, mesmo sendo um gás que contribui pouco
para o aquecimento global, seu potencial de aquecimento é 23 vezes superior ao
dióxido de carbono.
Do óxido nitroso (NO2) lançado, somente um terço é de
responsabilidade antrópica nas atividades de agricultura, alimentação para o gado,
indústria química e a queima de combustíveis fósseis (SCARPINELLA, 2002;
PINHEIRO, 2005 apud SANTOS, 2007).
O dióxido de carbono (CO2) é o gás que mais contribui para o efeito
estufa, devido a sua capacidade de absorção dos raios infravermelhos. Ele é
lançado na atmosfera devido à queima dos combustíveis fósseis e de florestas
(SCARPINELLA, 2002; PINHEIRO, 2005 apud SANTOS, 2007).
2.3 Convenção do clima
Em 1990, a Assembléia Geral das Nações Unidas iniciou uma
movimentação para a realização de uma Convenção Quadro das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima - CQNUMC (em inglês, United Nation Framework
Convention on Climate Change - UNFCCC) onde, em junho de 1992, na Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - chamada Rio-92,
no Rio de Janeiro, participaram 154 países (BALBINOT, 2004). Scarpinella (2002)
cita que no art. 7º desta conferência está disposta a citação da Conferência das
Partes.
Segundo Finco e Rezende (2004) esta convenção ficou conhecida
como “Cúpula da Terra”, com o objetivo de estabilizar a concentração de GEE.
22
Segundo Rocha (2003) a convenção entrou em vigor em março de
1994 e conta com 186 “Partes” (países) com o objetivo de propor ações para que os
países do ANEXO I (países desenvolvidos como a Rússia, Estados Unidos e
Alemanha) procurem estabilizar os GEE.
A partir do momento em que a Convenção entrou em vigor, os
países se reúnem para levantar problemas e buscar soluções para as mudanças
climáticas. Esses encontros são denominados Conferências das Partes (COP) ou
Conference of the Parties (LAMARCA JUNIOR e SILVA, 2008).
2.3.1 Conferência das partes (COP’S)
Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT, 2003) apud
Renner (2004) a COP é um órgão supremo responsável por manter a
implementação da convenção.
A primeira COP foi realizada em 1995 em Berlim. A COP 2 (1996),
foi em Genebra, onde já se fazia referência ao Protocolo de Quioto. Em 1997, na
cidade de Quioto, na COP 3, foi realizado o compromisso entre as partes com o
objetivo da redução média de emissões, no período compreendido entre 2008 e
2012. A meta era uma redução de 5,2% das emissões. A COP 4 ocorreu em Buenos
Aires, em 1998, onde teve como característica as divergências quanto à implantação
dos compromissos. A COP 5 ocorreu em 1999, em Bonn, e serviu como preparação
para a próxima COP. A COP 6 ocorreu em 2000, em Haia, sendo um fracasso, onde
não houve nenhum consenso. Em março de 2001 George W. Bush sai do acordo
alegando o prejuízo à economia americana (CHANG, 2002).
23
Balbinot (2004) retrata que, devido ao fracasso da COP 6, foi
convocada uma nova conferência em Julho de 2001 em Bonn, chamada de Sexta
Sessão Re-convocada da Conferência das Partes – COP 6 parte II ou COP 6,5.
Rocha (2003) denomina que esta COP ficou conhecida como COP 6 BIS e teve um
acordo de fundamental importância para a sobrevivência do Protocolo, o chamado
“Acordo de Bonn”.
Na COP 7 realizada em outubro de 2001 foi estabelecido o “Acordo
de Marrakesh”, estabelecendo-se regras operacionais para os mecanismos de
flexibilização e a definição de um sistema para inventário de emissões (ROCHA,
2003).
Segundo Tomaselli (2005) ainda nesta conferência foram aprovadas
as regras do mercado de carbono ficando definido a criação dos Certificados de
Emissões Reduzidas e a transferência de direitos e bônus de emissão.
Na COP 8 realizada em novembro de 2003, em Nova Déli não foram
definidas as atividades de reflorestamento e florestamento elegíveis ao MDL, ficando
para ser estabelecida na COP 9 (ROCHA, 2003).
Na COP 9 realizada em Milão, em dezembro de 2003, o MDL foi
aprovado e as questões sobre o seqüestro de carbono, florestamento e
reflorestamento foram tratados (TOMASELLI, 2005). Segundo Renner (2004) nesta
COP foi estabelecido que projetos de reflorestamento, que são considerados
sumidouros de carbono, somente serão aceitos em áreas desmatadas até 1989.
Segundo Souza e Azevedo (2006) na COP 10 que aconteceu em
dezembro de 2004, em Buenos Aires, o Brasil apresentou um inventário realizado
entre os anos de 1990 e 1994 sobre suas emissões e remoções de GEE. E, na COP
11 realizada em Montreal, em dezembro de 2005, na primeira reunião pós-
24
implementação do Protocolo, procurou-se estabelecer compromissos de redução
após 2012.
Segundo Ventura e Andrade (2007) na COP 12 realizada em Nairóbi
em novembro de 2006, aprovou-se apenas uma nova revisão do Protocolo no ano
de 2008.
Na COP 13, realizada em Bali, em dezembro de 2007, tentou-se
convencer os 192 países para estabelecerem metas mais ambiciosas para redução
de emissões, e aos países em desenvolvimento foi dado ênfase à conservação das
florestas e prevenção ao desmatamento (GIACOMELLI SOBRINHO, 2007).
Scarpinella (2002) resume a trajetória das COP’s dando ênfase aos
principais acontecimentos e aos acordos: na primeira COP foi adotado o Mandato de
Berlim, onde seriam estipulados os limites de emissão e a definição do calendário a
ser cumprido. Na COP 2 foi assinada a Declaração de Genebra, para a criação de
obrigações legais em relação a redução de emissões. Na COP 3 houve o
cumprimento do Mandato de Berlim e estabelecido o Protocolo de Quioto. Na COP 4
foi criado o Plano de Ação Buenos Aires, sendo um cronograma para colocar em
prática as ações do Protocolo. Na COP 5 houve reuniões e acompanhamento ao
cumprimento do Plano de Ação de Buenos Aires. A COP 6 foi suspensa por não
haver consenso. Na COP 6,5 o Protocolo chega mais próximo da ratificação, e foi
um sucesso. Na COP 7 facilita-se o começo dos projetos de MDL e a
comercialização dos créditos mesmo sem a ratificação do Protocolo. Os países que
não ratificaram o Protocolo também poderão participar do comércio de emissões.
25
2.3.1.1 Protocolo de Quioto
Para Tomaselli (2005) o Protocolo de Quioto estabelece princípios e
formas de controle dos GEE. Já para Alcântara et al. (2007) através de mecanismos
de flexibilização ele visa melhorar a redução de emissões.
Campolina (2005) reforça que o Protocolo é uma tentativa de
estabelecer regras, limites e metas para reduzir a emissão de GEE. Os Estados
Unidos, responsável por 35% das emissões não aderiu, alegando a perda de 2,4
milhões de empregos devido à falta de investimentos em tecnologia.
Segundo Tomaselli (2005) a Rússia assinou o tratado no final de
2004; e somente com a entrada da Rússia no Protocolo houve o quorum mínimo de
países para, após noventa dias da assinatura conforme estabelecido no acordo, o
protocolo entrar em vigor (LELIS et al., 2007).
Para Ferreira et al. (2007) o protocolo divide o mundo em dois
blocos: os países industrializados (Partes do ANEXO I) que possuem metas de
redução e os países em desenvolvimento (NÃO-ANEXO I), que não possuem metas
de redução. Já Lamarca Junior e Silva (2008) trazem uma nova denominação para
os
países
desenvolvidos
e
em
desenvolvimento.
Os
desenvolvidos
são
denominados países do Anexo B do Protocolo, e os em desenvolvimento, países do
Não-Anexo B.
Para Kägi e Schöne (2005) apud Giacomelli Sobrinho (2007) após
esta primeira fase do Protocolo fala-se em um “segundo período de compromisso”,
entre 2013 e 2017.
Cada país teve uma meta diferente para redução de emissões,
porém a meta global foi mantida. Para os países que não cumprirem a meta de
26
redução, a diferença será debitada para o próximo período de compromisso. O art.
18 do Protocolo prevê que as partes podem aprovar outros meios para o não
cumprimento destas metas. Quando os países do Anexo I cumprirem o
compromisso de redução, devem rever as políticas nacionais e cooperar com outros
países do Anexo I (GEROMINI, 2004; SANTIN, 2007; COELHO et al., 2008).
Santin e Alvim (2008) estabeleceram um ranking dos países do
Anexo I por emissão de CO2 em 1990 e, conseqüentemente, os países que mais
deverão reduzir suas emissões. Tiveram destaque os Estados Unidos, um país que
se recusou a assinar o Protocolo, com uma participação de 36% de emissões. A
Federação Russa contou com 17,4% de emissões e o Japão com 8,5% de emissões
de GEE.
O Protocolo estabeleceu três mecanismos de flexilibilização, que
visam à implantação dos compromissos acordados, são eles: A Implementação
Conjunta (IC) ou Joint Implementations – JI, o Comércio de Emissões (CE) ou
Emissions Trade – ET e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ou Clean
Development Mechanism – CDM (FINCO e REZENDE, 2004).
2.4 Mecanismos de flexibilização
O Protocolo de Quioto prevê a utilização de alguns mecanismos de
flexibilização que facilitam a redução de emissões, através destes mecanismos os
países poderão desenvolver projetos florestais ou energéticos, reduzindo as
emissões e podendo comercializar os créditos para compensar as metas de outros
países, fazendo com que, os objetivos sejam atingidos de forma mais eficiente
27
financeiramente para cada país. (SCARPINELLA, 2002; GEROMINI, 2004;
ALCÂNTARA et al., 2007).
Segundo Lamarca Junior e Silva (2008) quando foram aprovados
estes mecanismos surgiu um mercado de carbono, onde os países desenvolvidos
gastam menos para reduzir suas emissões e os países em desenvolvimento
recebem investimentos para desenvolver-se.
2.4.1 Implementação conjunta (IC)
A implementação conjunta é definida pelo art. 6 do Protocolo e
refere-se a projetos de redução de emissões entre dois países industrializados
(BALBINOT, 2004).
Na IC: “Qualquer parte inclusa no Anexo I pode transferir para ou
adquirir de qualquer outra dessas Partes, unidades de redução de emissões
resultantes de projetos visando à redução das emissões antrópicas por fontes ou o
aumento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa em
qualquer setor da economia” (SCARPINELLA, 2002).
2.4.2 Comércio de emissões (CE)
Segundo Giacomelli Sobrinho (2007), comércio de emissões (CE) é
também denominado Comércio Internacional de Emissões, constando no art. 17 do
Protocolo.
28
Os países que emitem menos podem vender suas cotas
excedentes, sendo que, somente podem transferir estas cotas entre países do
Anexo I. (BALBINOT, 2004).
2.4.3 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
Segundo Alcântara et al. (2007) o MDL foi uma proposta da
delegação brasileira permitindo que, os países desenvolvidos financiem projetos de
redução de emissões em paises em desenvolvimento. Duas linhas de projetos são
elegíveis ao MDL: a redução de emissão de GEE e o resgate e fixação de carbono
através de florestamento e reflorestamento.
Renner (2004) complementa que: a proposta brasileira foi de um
Fundo de Desenvolvimento Limpo, que seria uma contribuição dos países
industrializados que não atingissem as metas de redução, e, em Quito a idéia foi
transformada, surgindo assim o MDL.
Citado no art. 12 do Protocolo, consiste que, em cada tonelada
métrica de CO2 retirada em um país em desenvolvimento poderá ser negociada no
mercado mundial (BALBINOT, 2004).
Segundo Caldas et al. (2004) o MDL possui dois propósitos, o
primeiro é dar assistência nos projetos de redução de emissões e desenvolvimento
sustentável nos países em desenvolvimento e o segundo é permitir a utilização de
outros paises para que, os países industrializados possam cumprir suas metas.
Segundo os dados de Ventura e Andrade (2007) em outubro de
2007 havia 1278 projetos de MDL em todo o mundo e o Brasil ocupava a segunda
posição com 193 projetos. Santin (2007) mostra que o maior número de projetos
29
brasileiros são nas áreas de geração elétrica, suinocultura, aterros sanitários e
indústria manufatureira.
Segundo Scarpinella (2002) o projeto deve conter: benefícios reais,
mensuráveis e de longo prazo e representar uma redução de emissão que, sem o
projeto não existiria. Rezende (2008) reforça esta idéia e mostra que o projeto deve
atingir três objetivos: social, econômico e ambiental.
Conforme figura 2 pode-se observar que, os projetos de geração de
energia através de biomassa contribuem com 39% do total de projetos, seguidos de
atividades agropecuárias, hidroeletricidade e gás de aterro sanitário, atividades que
ainda podem ser bastante exploradas, visando o desenvolvimento do Brasil (COTTA
et al., 2008).
Atividades de Projeto Desenvolvidas no Brasil
1%
12%
19%
13%
1%
5%
7%
2%
39%
1%
Agropecuária
Energia de biomassa
Cimento
Energia eólica
Eficiência energética
Subst.comb.fóssil
Emissões fugitivas
Hidroeletricidade
Gás de aterro
Redução de N2O
Fonte: Cotta et al. (2008)
Figura 2: Distribuição das atividades de projeto de MDL desenvolvidas no Brasil.
O Fundo Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (FBDS, 1994)
apud Scarpinella (2002) definem como os potenciais projetos de MDL: a eficiência
energética, o planejamento urbano para redução de combustíveis fósseis, as fontes
30
alternativas de energia, manejo de resíduos industriais, urbanos e rurais,
reflorestamento e recursos hídricos, matas ciliares e compensação ambiental.
2.4.3.1 Comitê executivo
Segundo Lelis et al. (2007) o comitê executivo é um órgão da
Convenção-Quadro das Nações Unidas, que supervisiona o funcionamento do MDL,
sendo formado por membros dos países que assinaram o Protocolo, e responsável
por relacionar as entidades operacionais designadas e emissão dos Certificados de
Emissão Reduzidas.
Deve unir interesses das Partes do Protocolo e deve ser composto
de forma equilibrada entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, suas
funções trazem a promoção e transparência de mercado, responsabilidade final pela
certificação e registro e validação das agências de certificação (ROCHA, 2003).
2.4.3.2 Entidades operacionais designadas (EOD)
EOD é uma instituição credenciada pela Junta Executiva de MDL,
responsável pela avaliação e validação de projetos propostos (ALCÂNTARA et al.,
2007).
Segundo Rezende (2008) os EOD’s são empresas especializadas e
independentes e reconhecidas pelo Conselho Executivo.
31
2.4.3.3 Autoridade Nacional Designada (AND)
No Brasil a AND é formada por integrantes da Comissão
Interministerial de Mudança Global do Clima (ALCÂNTARA et al., 2007).
Segundo Rezende (2008) a AND brasileira é formada pela Casa
Civil da Presidência da República e pelos Ministérios: Ciência e Tecnologia;
Relações Exteriores; Agricultura; Pecuária e Abastecimento; Transportes; Minas e
Energia, Planejamento, Orçamento e Gestão; Meio Ambiente; Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior; Cidades e Fazenda.
2.4.3.4 Etapas para a obtenção de certificado de emissões reduzidas
Na primeira etapa para obtenção de certificado do emissões
reduzidas devem-se identificar atividades que atendam ao Protocolo, elaborar o
Documento de Concepção do Projeto (DCP) com a descrição do projeto,
metodologia, duração, período de creditação e metodologia para cálculo de redução,
plano de monitoramento com justificativa para adicionar o projeto, relatório de
impactos ambientais e fontes de financiamento. Na segunda etapa a Validação e a
Aprovação do projeto, sendo a validação realizada pela EOD e a aprovação pela
AND, após este processo a EOD solicita o registro do projeto para o Conselho
Executivo, onde aceita formalmente o projeto sendo a terceira etapa. Na quarta
etapa é realizado o monitoramento e um relatório deve ser encaminhado a EOD com
o plano de monitoramento. Na quinta etapa a EOD deve verificar e certificar a
redução de emissões, constatado a redução de emissões, ela deve comunicar ao
Comitê Executivo para a emissão do certificado (ALCÂNTARA et al., 2007).
32
Já com o Certificado de Emissões Reduzidas (CER) em mãos, o
financiador pode negociar nas bolsas de transações, onde vários destes sistemas de
negociação constituem o mercado de carbono (LELIS et al., 2007).
O período para obtenção do crédito pode ser no máximo 30 anos em
um período fixo ou um período renovável de no máximo 20 anos para cada
renovação podendo ser renovado em até duas vezes (LAGES e FRANÇA, 2008).
2.5 Uso da terra, mudança do uso da terra e reflorestamento (Land Use, LandUse Change And Forestry – LULUCF)
Para Lamarca Junior e Silva (2008) as atividades LULUCF estão
associadas ao seqüestro de carbono através de vegetações e florestas conhecidas
como sumidouros.
Para projetos de MDL duas formas de seqüestro de carbono florestal
foram aceitas: aumento do estoque de carbono através de manejo florestal
sustentável, regeneração florestal e reflorestamento em áreas degradadas, inserir
atividades agroflorestais em áreas de agricultura e substituir combustíveis fósseis
por produtos de biomassa vegetal sustentáveis. A preservação do estoque em
florestas existentes não foi aceita para este primeiro período do Protocolo (CHANG,
2002).
Segundo Rocha (2003) o fracasso da COP 6 pode ser explicado, em
partes pelas divergências da utilização destas atividades nas metas redução e foi
na COP 7 que se estabeleceu os princípios para estas atividades.
33
2.5.1 Florestas
Segundo as definições da nona Conferência das Partes: “Floresta:
consiste numa área mínima de 0,05 a 1,0 hectare, com cobertura de copa de mais
de 10 – 30%, com árvores com potencial de alcançar uma altura mínima de 2 – 5
metros na maturidade, in situ. Uma floresta pode consistir tanto de formações
florestais fechadas, onde árvores de vários extratos e subbosques cobrem a maior
parte da terra, ou florestas abertas. Formações naturais jovens e todas as
plantações que ainda tiverem que alcançar uma densidade de copa de 10 – 30%, ou
altura de árvore de 2 – 5 m são consideradas florestas, assim como áreas que
normalmente fazem parte de uma área florestal que esta temporariamente
destocada como resultado de intervenção humana ou desbaste ou causas naturais,
mas que são esperadas reverter para floresta”. (BALBINOT, 2004).
As florestas geram um equilíbrio no estoque de carbono global
porque armazenam em suas árvores e no solo uma quantidade superior de carbono
que existe na atmosfera (BALBINOT, 2004).
Poggiani (1989) apud Scarpinella (2002) estabelece que, quanto à
origem as florestas podem ser naturais ou artificiais. Quanto à composição pode ser
homogênea ou heterogênea (puras ou mistas), homogênea são formadas por uma
mesma espécie e a heterogênea por duas ou mais espécies. Quanto à idade podem
ser coetâneas, que tem a mesma idade ou dissentâneas, quando há idades
diferenciadas. Quanto aos tipos de essência podem ser folhosas ou resinosas, as
folhosas dão frutos, possuem folhas largas e produzem tanto madeira mole, como
madeira dura e as resinosas, possuem folhas longas e finas e não dão frutos.
34
O
patrimônio
florestal
brasileiro
está
dividido
em:
Floresta
Amazônica na região Norte, Floresta Tropical na região Sul e Sudeste, Caatinga e
Mata do Cocais no Nordeste, Cerrados no Sudeste e Centro-Oeste, Campos e
Matas de Araucária no Sul, Mangues na região Litorânea e reflorestamentos.
(SCARPINELLA, 2002).
A distribuição das áreas de florestas plantadas no Brasil pode ser
observada na figura 3 (AMS, 2007 apud Grossi e Freitas, 2007).
Fonte: AMS (2007) apud Grossi e Freitas (2007).
Figura 3: Área e distribuição de florestas plantadas no Brasil (2005).
Segundo Geromini (2004) toda fração arbórea de uma floresta, que
contém massa de origem biológica como os troncos, galhos, folhas e raízes
compõem a biomassa da árvore.
Segundo Scarpinella (2002) quando o produto final da floresta tem a
finalidade de lenha, a colheita dá-se entre os 7 e 10 anos, podendo a área ser
35
reaproveitada para mais dois cultivos antes de uma reforma. A manutenção do
cultivo também pode ser conhecida como tratos culturais, e abrange a irrigação,
capina, desbaste, desgalhamento, controle de pragas, controle de doenças e
adubação.
O desbaste (retirada do excesso de galhos), segundo a EMBRAPA
(2009), é necessário quando se deseja obter toras com diâmetros mais elevados.
Esta técnica é normalmente utilizada para a obtenção de matéria-prima para as
serrarias.
2.5.2 Reflorestamento
Segundo
as
definições
da
nona
Conferência
das
Partes:
“Reflorestamento: é a conversão induzida pelo Homem, de uma área não florestada
para área florestada por meio de plantio, semeadura e/ou promoção de fontes
naturais de sementes induzida pelo Homem, em área que era florestada, mas que
foi convertida para não-florestada. Para o primeiro período de compromisso, as
atividades de reflorestamento ficarão limitadas aos reflorestamentos ocorridos
naquelas áreas que não continham floresta em 31 de dezembro de 1989”
(BALBINOT, 2004).
Para Sousa (2008) este período para reflorestamento surgiu com o
intuito de evitar o desmatamento para posteriormente fazer o reflorestamento e
participar do MDL.
O reflorestamento pode trazer vários benefícios: aumento de
empregos,
proteção
do
solo,
proteção
das
bacias
hidrográficas,
maior
36
biodiversidade, conforto térmico, retenção de CO2 e produção de oxigênio.
(SCARPINELLA, 2002).
2.5.3 Fotossíntese e respiração
Sousa (2008) afirma que as plantas têm a capacidade de captar a
luz para converter moléculas simples em moléculas orgânicas utilizada pelas
próprias plantas e animais como fonte de energia e libera oxigênio para atmosfera,
conforme equações abaixo:
A equação da fotossíntese é:
CO2 + H2O
CH2O + O2
(eq. 1)
Plantas clorofiladas
O CO2 é capturado, juntamente com a água e luz, transformando-se
em carboidratos e liberando oxigênio.
A equação da respiração é o inverso:
CH2O + O2
CO2 + H2O + energia
(eq. 2)
Segundo Scarpinella (2002) neste processo retira-se o oxigênio da
atmosfera para que os carboidratos sejam transformados em energia. Os
carboidratos juntamente com o oxigênio, liberam CO2, água e energia.
37
2.5.4 Ciclo do carbono
Para Sousa (2008) a respiração e a fotossíntese são processos que
fazem parte do ciclo do carbono. Conforme figura 4 pode-se analisar que o carbono
está presente em várias atividades, na respiração do solo, no processo de
fotossíntese e respiração das plantas, na troca de gases com a atmosfera, na
decomposição de folhas, emissão através da criação de animais, queima, entre
tantas outras atividades que podemos encontrar este elemento de fundamental
importância.
Fonte: IPCC (2006) apud Sousa (2008).
Figura 4: Principais emissões de GEE, fontes, remoções e processos em
ecossistema controlado.
Renner (2004) afirma que é o ciclo mais importante dentre os ciclos
biogeoquímicos que envolvem a vida, terra e a química. O ciclo do carbono é
composto por vários outros ciclos: o mais importante é o da fotossíntese/respiração,
38
o ciclo dos oceanos que predomina o carbono inorgânico dissolvido e o ciclo das
rochas que a matéria orgânica fica depositada nas rochas durante milhões de anos.
2.5.5 Estoque de carbono
Segundo as definições estabelecidas na Conferência das Partes:
“reservatórios de carbono compreendem os cinco reservatórios seguintes: biomassa
acima do solo, biomassa abaixo do solo, serapilheira (liteira), madeira e carbono
orgânico no solo” (BALBINOT, 2004).
Segundo Sanquetta e Balbinot (2004) biomassa é a matéria de
origem biológica, viva ou morta, animal ou vegetal e já a biomassa florestal pode
compreender toda a biomassa existente na floresta ou apenas uma parte e que,
através da análise de biomassa pode-se obter o teor de carbono, nos componentes
das árvores.
Chang (2002) afirma que as florestas através da madeira e
acumulação no solo de carbono possuem ciclo mais longo de estoque, até o
momento do retorno à atmosfera através da decomposição, respiração e queima.
Segundo Totten (2000) apud Chang (2002) o estoque que absorve
carbono é chamado de poço, por isso, as áreas florestais são consideradas poços
de carbono.
Maestri et al. (2004) em seu estudo com Eucalyptus estimou o
carbono seqüestrado na idade de 7 anos e relacionou as condições de crescimento
com a precipitação pluviométrica da região; os autores demonstram que a
precipitação interfere na quantidade de carbono, para locais onde tinha uma
precipitação de 800mm anuais estimou-se um total de 65,9 tC/ha, já para os locais
39
com precipitação de 2300 mm anuais o total encontrado foi de 104,3 tC/ha.
Conforme pode ser observado na tabela 2.
Tabela 2: Estimativa de carbono e CO2, seqüestrados na idade de 7 anos em função
das condições de crescimento esperadas para cada classe de precipitação
pluviométrica anual (t.ha-1).
Fonte: Maestri et al. (2004)
Estabeleceu também uma relação entre o crescimento de carbono
seqüestrado nos diversos compartimentos em função da idade da planta, conforme
pode ser observado na figura 5 (MAESTRI et al., 2004).
40
Fonte: Maestri et al. (2004).
Figura 5: Curva de crescimento de carbono seqüestrado nos diversos
compartimentos da floresta.
Paixão et al. (2004) estabeleceu uma relação entre a quantidade de
carbono estocada nos componentes da parte aérea da planta da espécie de
eucalyptus com 6 anos de idade, onde observou que, o fuste sem casca, seguido
dos galhos, da casca e por último as folhas acumulam maior quantidade de carbono,
conforme figura 6. Observou também que, a parte aérea quando comparada as
raízes e matéria orgânica também acumula a maior quantidade de carbono.
41
Fonte: Paixão et al. (2004).
Figura 6: Estimativas médias de carbono estocado por hectare nas folhas, galhos,
fuste sem casca e casca de Eucalyptus grandis com 6 anos de idade.
Schumacher e Witschoreck (2004) observaram as características
dendométricas dos povoamentos de Eucalyptus ssp., conforme tabela 3.
Tabela 3: Características dendrométricas dos povoamentos.
Medida
Dendrométrica
Dap médio (cm)
Altura Dominante (m)
Idade do povoamento
2
6,5
11,9
4
6,8
14
6
12,8
27,4
8
13,2
28,6
Fonte: adaptado de Schumacher e Witschoreck (2004).
Continuando, em seu estudo os autores ainda realizaram a
quantificação da biomassa acumulada e do estoque de carbono, estabelecendo uma
comparação entre os componentes da planta e variação das idades de 2 a 8 anos,
conforme tabela 4.
42
Tabela 4: Biomassa e carbono fixado nos diferentes compartimentos do eucalyptus
ssp.
Fonte: adaptado de Schumacher e Witschoreck (2004).
Sanquetta (2009) observou várias espécies, no período de um ano,
dentre elas pode-se observar de acordo com a tabela 5 que, o Eucalyptus grandis
com possui maior biomassa no fuste com 88,2%, posteriormente nas raízes com
6,9%, nos galhos com 3,2% e por último nas folhas com 1,7% e, quando comparada
a outras espécies como Araucária angustifólia e Pinus taeda possui maior
quantidade de biomassa somente no fuste.
Tabela 5: Porcentagem de biomassa nas espécies investigadas
Espécie
Araucaria
angustifolia
Mimosa scabrella
Tabebuia
cassinoides
Virola surinamensis
Carapa guianensis
Euterpe oleraceae
Pinus taeda
Eucalyptus grandis
Elaeis guineensis
Fuste
Galhos
Folhagem
Raízes
76,3
64,2
15,6
17,4
4
3,4
4,1
15
46,47
77,4
55,8
45,5
77,2
88,2
49
37,56
12,4
6,5
4,89
3,2
25,5
52
4
1,7
32
11,08
7
12,2
2,5
9,1
6,9
10
9,7
3,2
9
Fonte: Sanquetta (2009).
O autor também relacionou a fixação de carbono entre as espécies e
a quantidade de CO2eq, conforme tabela 6.
43
Tabela 6: Fixação de carbono nas espécies estudadas
Espécie
Araucaria
angustifolia
Mimosa scabrella
Tabebuia
cassinoides
Virola surinamensis
Carapa guianensis
Euterpe oleraceae
Pinus taeda
Eucalyptus grandis
Elaeis guineensis
C
(t/ha.ano)
CO2eq.
(t/ha.ano)
5,48
4,21
20,1
15,44
1,2
6,05
9,16
3,94
12,35
19,87
1,64
4,4
22,18
33,59
14,71
45,28
72,86
6
Fonte: Sanquetta (2009).
2.5.6 Projetos existentes
O primeiro projeto de MDL registrado no mundo foi o da NovaGerar,
que gera energia através do gás metano proveniente do lixo, está localizado em
Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Em maio de 2008 o Brasil se encontrava em 3 º
lugar em número de projetos com 285 ficando atrás da China e Índia (LAGES e
FRANÇA, 2008).
Sintetizando o estudo que Rocha (2003) elaborou sobre os projetos
de LULUCF pode-se analisar no quadro 1 os projetos existentes, a região que estão
sendo implantados, quantidade de seqüestro e os objetivos que cada projeto propõe
em relação a preservação do meio ambiente.
44
Quadro 1: Projetos de LULUCF no Brasil.
Projetos
Região
Plantar
Minas Gerais
Peugeot
Mato Grosso
CSW-Utilies
Guaraqueçaba
AES-Barry
Ilha do
Bananal
Manejo de
Babauçais
Plantação de
Teca
Plantação de
Seringueira
Plantação de
Dendê
Corumbataí
Área em Sequestro
ha
em t
Objetivo
953.100
Plantio de eucalipto e produção de
carvão vegetal.
12.000
50.000
Recuperação Florestal
7.000
*****
Conservação e preservação
200.000 25.110.000
Preservação, regeneração e
implantação de sistemas agroflorestais
Aumento da biomassa, seqüestro de
carbono e produção de carvão
Carajás
****
175.000
Mato Grosso
3.000
325.000
Seqüestro de carbono
Mato Grosso
1.000
239.000
Seqüestro de carbono
Pará
5.000
649.000
Seqüestro de carbono
28.750
1.838.000
Recuperação Florestal e
reflorestamento de áreas degradadas
Fonte: adaptado de Rocha (2003)
Outro projeto que pode ser destacado é o Projeto Ação contra
Aquecimento Global em Guaraqueçaba – PR, conta com 7 mil ha que serão
transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural e tem por objetivo
seqüestrar um milhão de toneladas de carbono ao longo de 40 anos (CHANG,
2002).
45
Na figura 7 Lucas e Melo (2007) abordam a divisão por setor dos projetos de
MDL.
Fonte: Lucas e Melo (2007).
Figura 7: Divisão por setor de projetos de MDL.
2.5.7 Mercado de projetos florestais de MDL
Segundo Lages e Franca (2008) as principais bolsas que
comercializam os CER’s são a Chicago Climate Exchange e a European Union
Emission Trade Scheme. Alguns órgãos oferecem financiamento para projetos de
MDL: a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa Econômica Federal e a
Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
Estudos da Comissão Econômica para América Latina e Caribe
indicam os valores de US$10 a US$20 para cada tonelada de CO 2 removida de
projetos de MDL do setor florestal (BALBINOT, 2004).
46
A Klabin maior fabricante de papéis para embalagem, assinou uma
carta para integrar o Chicago Climate Exchange, primeira organização internacional
de intercâmbio de emissões, participa deste grupo como a primeira empresa
brasileira e habilita-se para vender créditos de carbono. Como pioneiros neste
mercado pode-se destacar: a Aracruz de natureza florestal e industrial, sendo uma
das maiores empresas reflorestadoras do Brasil, a Suzano Bahia Sul também
considerada uma das maiores no setor de reflorestamento, a Votorantim Celulose e
Papel, sendo uma empresa líder no setor florestal brasileiro. (DELGADO et al.,
2005).
Lelis et al. (2007) revela que existe um Mercado Brasileiro de
Redução de Emissões, que é uma iniciativa da Bolsa de Valores, BM&F e do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com objetivo de criar
no Brasil um mercado para os créditos de carbono.
47
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Localização
O estudo foi realizado no município de Matelândia, situado na Zona
Rural Linha Ouro, pertencente à região Oeste do Paraná, em uma propriedade na
qual existem duas espécies de eucaliptos: Eucalyptus grandis e Eucalyptus cinérea.
Localizada a uma latitude de latitude -25.24°, longitude de -53.98° e altitude de 535
metros, situa-se na divisa entre Medianeira e Matelândia conforme figura 8
(EMATER, 2009).
48
Fonte: Google Earth (2009).
Figura 8: Localização e visualização da área estudada.
3.2 Quantificação da área total do reflorestamento em estudo
Para a quantificação da área foi utilizado um GPS (Global
Positioning System), marca Garmin, modelo Etrex Legend.
49
3.3 Análise do clima, relevo, hidrografia e solo da área estudada
Para se analisar o clima da área estudada, assim como o relevo, a
hidrografia e o solo, foram utilizados dados obtidos no Instituto Paranaense de
Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER (2009). O clima é classificado
como subtropical muito variável, com secas e inverno rigoso. A temperatura média
anual varia entre 10 e 30ºC. O solo, de acordo com a última classificação de 1996, é
classificado como latossolo vermelho amarelo distroférico, de horizonte A a B. A
grande maioria das áreas são declivosas, onde as áreas agricultáveis apresentam
de 3 a 15% de declividade. O relevo é levemente ondulado, passando a ondulado e
fortemente ondulado. A vegetação nativa é formada por florestas estacionais
decíduas a semidecíduas. As espécies exóticas mais comuns são eucaliptos,
leucenas e grevilhas. O instituto possui registros da precipitação anual de 2007,
2008 e 2009 (este último até o mês de setembro), conforme tabela 7.
Tabela 7: Precipitação média mensal e anual do município de Matelândia.
PRECIPITAÇÃO DE MATELÂNDIA
Fonte: EMATER (2009).
ANUAL
MÊS
2007
1700 mm
141 mm
2008
1944 mm
162 mm
SET/2009
1396 mm
155 mm
50
3.4 Verificação das práticas silviculturais da propriedade
Na propriedade em estudo foi realizado um levantamento das
práticas de produção, baseado no roteiro de sistemas de produção sobre o cultivo
do eucalipto desenvolvido pela EMBRAPA Florestas. Além disso, obtiveram-se
dados através de uma entrevista com a proprietária. Os demais dados foram obtidos
por meio de observações no local. Pôde-se constatar que o plantio da área foi
realizado há um ano, de forma manual. A destinação da madeira é para matériaprima energética de fornos de fábrica de cerâmica. Não foram feitos desbastes e
não existem, em conjunto com o cultivo, consórcios agrossilvipastoris. Durante o
processo de crescimento foi utilizada a adubação e a irrigação. O processo teve
como condição desfavorável ao crescimento das plantas as pragas, como: formigas
cortadeiras, lagartas, besouros e sugadores, e doenças como: a ferrugem, o cancro
e as manchas foliares. Estas condições desfavoráveis foram controladas por meio
de uso de agrotóxicos.
3.5 Determinação da altura, diâmetro da altura do peito, espaçamento de
plantio e área em cada espécie estudada
3.5.1 Altura
Segundo Silva e Paula Neto (1979) a altura das árvores pode ser
determinada através da metodologia do esquadro de Leduc, onde o observador
segura o esquadro em qualquer posição e visa o topo da árvore posicionando o
esquadro junto a sua vista. A altura da árvore (H) vai ser dada pela soma da
51
distância do observador até a árvore (OB) mais a distância vertical do chão ao olho
do observador (h), conforme figura 9 e equação 3.
Fonte: Silva e Paula Neto (1979).
Figura 9: Determinação da altura com o método esquadro de Leduc.
AC = oB x tg 45º + h
(eq.3)
A altura das árvores no estudo foi determinada através da adaptação
do método citado por Silva e Paula Neto (1979). Para obtenção dos resultados
pretendidos por esta pesquisa, empregou-se o método já adaptado, no qual o
observador utilizou-se de um esquadro de 30º, segurando-o junto ao rosto para a
visualização do topo da árvore, conforme figura 10. A altura determinada neste
estudo foi a altura total de uma árvore que compreende as seguintes partes: fuste
(tronco) e copa (SOARES et al., 2006).
52
Figura 10: Visualização do topo da árvore através do esquadro
Uma vez avistado o topo da árvore, foi medida a distância entre o
observador e a árvore com uma trena, conforme figura 11.
Figura 11: Medição da distância entre o observador e a árvore
Foi necessário ainda identificar a que altura o esquadro se
encontrava do solo. Foi elaborado um sistema de baliza com canos de PVC que
53
serviu como suporte para o esquadro com uma altura conhecida de 1,60 m,
conforme figura 12.
Figura 12: Altura do esquadro até o solo no sistema elaborado
Com os dados expressos em uma ficha de coleta de dados,
conforme modelo adaptado de Couto et al. (1989), pôde-se registrar os dados de
Diâmetro à Altura do Peito (DAP), altura do observador-esquadro até o solo e
distância do observador até a árvore, conforme apêndice I.
A determinação da altura foi baseada no seguinte cálculo: obteve-se
a distância do observador até a árvore (AO), multiplicou-se pela tangente de 30º verificada de acordo com o esquadro com dois ângulos opostos de 30º e 60º - e
somou-se a altura do esquadro até o solo (OB), conforme esquema apresentado na
figura 13 e representada pela equação 4.
54
Figura 13: Método do esquadro de Leduc adaptado pela autora.
H = OA x tg 30º + OB
(eq.4)
H = altura da árvore
OA = Distância do Observador até a árvore
OB = Altura do esquadro até o chão
3.5.2 Diâmetro à Altura do Peito
O DAP (altura conhecida de 1,30 m do solo) foi determinado através
de um paquímetro com precisão de 0,5 mm, conforme figura 14.
55
Figura 14: Medição do DAP com um paquímetro
3.5.3 Espaçamento e área em cada espécie estudada
O espaçamento entre as árvores foi determinado com uma trena,
onde se pôde estimar quantas árvores de cada espécie existem na área estudada.
A área em cada espécie foi verificada também através do
equipamento GPS (Global Positioning System) marca Garmin, modelo Etrex Legend.
3.6 Quantificação da biomassa e do estoque de carbono em duas espécies de
eucalipto
Segundo Scarpinella (2002), a quantificação do carbono em
reflorestamento de eucalipto é uma operação simples, considerando que se trata de
uma monocultura com produtividade homogênea e na fase de desenvolvimento da
floresta a absorção de dióxido de carbono é maior, variando até que a mesma atinja
a maturidade, onde é praticamente nula esta absorção.
56
3.6.1 Definição das árvores-amostras
Dentro da área estudada de 1 ha ou 10.000 m2, cada espécie ocupa
uma área de 5.000 m2. Foi realizada, aleatoriamente, uma amostragem de 50
árvores para cada espécie, onde foram medidos o DAP e altura destas 50 árvores
na parte inicial, no meio e no final de toda área, conforme apêndice II e III.
Com os dados de DAP e altura das 50 amostras estabeleceu-se
uma média entre estas amostras, encontrando o DAP médio e altura média de cada
espécie. Observou-se uma árvore de cada espécie com estas características e
foram abatidas para as análises em laboratório.
3.6.2 Determinação da biomassa
3.6.2.1 Método destrutivo
Segundo
Soares
et
al.
(2006),
no
método
destrutivo
são
selecionadas árvores-amostra e derrubadas para a obtenção dos dados conforme
figura 15.
57
Figura 15: Derrubada das árvores-amostra.
Para este estudo somente foi considerado a amostragem da parte
aérea que compreende os galhos, folhas e fuste com altura comercial.
Depois de abatidas as duas árvores-amostras, foi retirado todo o
conjunto de folhas e galhos das árvores. Este conjunto foi levado ao laboratório da
faculdade Dinâmica das Cataratas e, logo após a coleta foram pesados para
obtenção do peso total úmido (PUc). Após a pesagem, foram retiradas amostras de
folhas e galhos localizados em diferentes posições da copa e pesados novamente
para a obtenção da amostra de peso conhecido (PUa) conforme figura 16 (adaptado
de SOARES et al., 2006).
58
Figura 16: Determinação do peso úmido
Com as amostras separadas e classificadas foi realizada a secagem
em uma estufa de circulação forçada de ar com a temperatura constante de 40ºC,
para a estabilização do peso e a obtenção do peso da matéria seca (PSa), conforme
figura 17.
Figura 17: Amostras na estufa para obtenção da matéria seca
De posse dos dados, a biomassa dos galhos e das folhas (PSc) foi
determinada através da equação 5:
PSc = (PUc . PSa) / PUa (eq. 5)
59
Para a determinação da biomassa do fuste foram retirados discos a
0%, 50% e 100% da altura do fuste comercial, que pode ser obtida através da
equação 6:
PSc = V . DBMT
(eq.6)
PSc = biomassa da madeira em Kg,
V= volume da madeira em m3,
DBMT = densidade básica média da madeira em Kg/m3.
Ainda de acordo com Soares et al. (2006), na determinação do
volume foi utilizada a expressão de Newton, observado na equação 7, para a
obtenção do volume a partir do estudo da forma das árvores.
V = [(AS1 + 4 x AS1/2 + AS2) / 6] x L
(eq.7)
V = volume com casca em m3;
AS1 e AS2 = áreas seccionais obtidas nas extremidades da seção em m 2;
AS1/2 = área seccional obtida na metade da seção em m 2;
L = comprimento da seção em m.
Para determinar as AS1, AS1/2 e AS2 foi utilizada a equação 8.
AS = (3,1414 x d2) / 40.000
(eq.8)
60
AS = área seccional em m2;
d = diâmetro.
Segundo Scarpinella (2002), a densidade básica da madeira de
eucalipto pode variar de 450 até 1000 kg/m3, constituída de 50% de carbono, 44%
de oxigênio e 6% de hidrogênio. Para esta pesquisa foi utilizado um valor médio de
725 kg/ m3.
3.6.2.2 Método indireto
O método indireto consiste na utilização de equações e modelos de
regressão lineares ou não-lineares para se estimar a biomassa nas diferentes partes
das árvores (SOARES et al., 2006). Este método foi escolhido também para ser
utilizado neste estudo em conjunto com o método destrutivo visando à comparação
entre os dois métodos na análise dos dados.
Segundo Sanquetta e Balbinot (2004) este método não pode ser
utilizado sem o ajuste e a calibragem prévia das equações. Portanto deve ser
empregado em conjunto com os métodos diretos ou destrutivos.
3.6.3 Determinação do teor de carbono
Com os resultados do peso da matéria seca da biomassa, obtidos
através do método destrutivo, baseado em Soares et al., (2006) estabeleceu-se que
50% desta matéria é carbono, aplicando-se assim a equação 9 para a conversão
desta biomassa em carbono.
61
Carbono = Biomassa x 0,5
(eq.9)
No método indireto para encontrar o teor de carbono também foram
utilizadas equações com modelos de regressão linear e não-linear.
Para a obtenção da quantidade de CO2 retirado da atmosfera,
Balbinot (2004) utilizou o valor encontrado de carbono multiplicado pelo peso
atômico do carbono 3,6667, que é encontrado através da divisão do peso atômico
da molécula de CO2 44 pelo peso atômico do carbono 12.
3.7 Elaboração de um comparativo entre a relação carbono/espécie
Com os resultados do estoque de carbono encontrado entre as
espécies, nos compartimentos das árvores e através dos dois métodos utilizados
para a quantificação, foi desenvolvida uma planilha no aplicativo Excel que serviu de
base para a elaboração de gráficos. O objetivo foi comparar dentre as análises do
estudo qual compartimento da árvore retém mais carbono e que espécie dentre as
duas analisadas possuem mais reserva. Foi realizado ainda um comparativo entre
os métodos utilizados para a quantificação; se há uma relação aproximada de
valores encontrados de carbono e a extrapolação do estoque de carbono encontrado
em uma árvore de cada espécie com DAP médio e altura média para a área
reflorestada, visando verificar a quantidade de carbono que a área retira da
atmosfera e mantém em estoque nas árvores.
62
3.8
Análise
da
geração
de
créditos
de
carbono,
assim
como
sua
comercialização
Utilizando-se dos estudos desenvolvidos pelos autores abordados,
foi verificado se a propriedade em estudo poderá fazer parte de um projeto de
geração de créditos de carbono elegível ao MDL, se haverá um mercado para
comercialização destes créditos e qual a possível rentabilidade deste projeto.
63
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Quantificação da área total do reflorestamento e análise do clima, relevo e
hidrografia da área estudada
A área total encontrada na propriedade é de 1 ha, dividida em 5.000
m2 para cada espécie estudada.
A temperatura da região é muito variável. As áreas, de acordo com
as características do solo argiloso, são propícias ao cultivo, com pouca declividade.
As espécies estudadas, segundo a classificação da EMATER, são exóticas. Com os
registros obtidos de precipitações, observou-se que a média do ano de 2009 até o
mês de setembro supera a média anual de precipitação do ano de 2007.
64
4.2 Práticas silviculturais da propriedade
Não são efetuados desbastes nas espécies cultivadas. Conforme
EMBRAPA (2009), devido à utilização como matéria-prima para a geração de
energia, não há necessidade da realização de desbaste na área estudada. Não
existe sistema agroflorestal, aumentando a disponibilidade de nutrientes para as
espécies cultivadas. A espécie E. cinérea possui um DAP e uma altura superior ao
E. grandis. Este desenvolvimento pode ser explicado devido à diferença de
espaçamento de plantio: na espécie E. cinérea este espaçamento é de 3m x 3m e
no E. grandis de 2m x 2m. O espaçamento maior permite maior incidência dos raios
solares favorecendo a realização da fotossíntese e desenvolvimento da espécie. Na
tabela 8 pode-se observar as principais características das duas espécies.
Tabela 8: Características das espécies estudadas
E. CINÉREA
E. GRANDIS
DAP
MAIOR
MENOR
ALTURA
MAIOR
MENOR
FOLHAS
ARREDONDADA, GROSSA E
LARGA
FINA, ESTREITA E
ALONGADA
CONCENTRAÇÃO NO TOPO DA
ÁRVORE
DISTRIBUÍDOS DO MEIO
PARA O TOPO DA ÁRVORE
TRONCO
LISO COM POUCOS NÓS
LISO COM MUITOS NÓS
MADEIRA
MENOS DENSA
MAIS DENSA
DE FÁCIL SEPARAÇÃO DO
TRONCO
FILAMENTOS MAIS
ESPESSOS E FIXOS AO
TRONCO, DE DIFICIL
SEPARAÇÃO
GALHOS E
FOLHAS
CASCA
65
4.3 Determinação da altura, diâmetro à altura do peito, espaçamento de plantio
e área em cada espécie estudada
A altura das árvores amostradas e o diâmetro a altura do peito foi
expressa em uma ficha de coleta de dados, conforme apêndice II, onde foi
encontrado o DAP médio e a altura média para a espécie E. cinérea,
respectivamente: 7,82cm e 7,25m e para a espécie E. grandis, 6,55cm e 6,77m.
Observando-se que a espécie
E. cinérea possui maior desenvolvimento,
considerando que as duas espécies são da mesma idade, conforme pode ser
sintetizado na tabela 9. A altura e o DAP encontrado para as duas espécies de
Eucalyptus difere da análise realizada por Schumacher e Witschoreck (2004), onde
encontraram um DAP de 6,5cm e altura de 11,9m para uma espécie com 2 anos.
Tabela 9: Dados obtidos das espécies
E. CINÉREA
DAP
ALTURA
ESPAÇAMENTO
ÁREA
IDADE
7,82
7,25
3m x 3m
2
5.000 m
1 ANO
E. GRANDIS
6,55
6,77
2m x 2m
2
5.000 m
1 ANO
4.4 Quantificação da biomassa e do estoque de carbono em duas espécies de
eucalipto
4.4.1 Biomassa método destrutivo
Para o cálculo da biomassa nos galhos e folhas havia a necessidade
de se conhecer o peso total úmido, peso da amostra e peso constante após
66
secagem em estufa. Os dados encontrados dos pesos foram expressos nas tabelas
10 e 11.
Tabela 10: Pesos encontrados nas folhas das duas espécies
PESO TOTAL
(PUc)
FOLHAS
AMOSTRA
ÚMIDA (PUa)
E. grandis
1,264 kg
E. cinérea
1,582 kg
ESPÉCIE
24 Hs
72 Hs
Estabilidade
(PSa)
0,158 g
0,096 g
0,064 g
0,064 g
0,226 g
0,178 g
0,118 g
0,108 g
Tabela 11: Pesos encontrados nos galhos das duas espécies
PESO TOTAL
(PUc)
GALHOS
AMOSTRA
ÚMIDA (PUa)
E. grandis
3,57 kg
E. cinérea
3,09 kg
ESPÉCIE
24 Hs
72 Hs
Estabilidade (PSa)
0,238 g
0,144 g
0,116 g
0,116 g
0,206 g
0,132 g
0,110 g
0,110 g
Pode-se observar nas tabelas 10 e 11 que os galhos das duas
espécies tiveram estabilidade em 72 horas de estufa a 40ºC, já as folhas, com 72
horas obtiveram a estabilidade somente na espécie E. grandis. A espécie E. cinérea,
por possuir uma característica mais grossa e larga precisou de um período superior
para obter a estabilização do peso.
Com os dados de peso através da equação 4, foi encontrada a
biomassa dos galhos e folhas; para os galhos foram encontrados para a espécie E.
cinérea 1,65kg e para a espécie E. grandis 1,74kg; para as folhas foram encontrados
0,756g para a espécie E. cinérea e 0,512g para a espécie E. grandis, observando-se
que a maior quantidade de biomassa nos galhos é encontrada na espécie E.
grandis, e a maior quantidade de biomassa nas folhas é encontrada na espécie E.
cinérea. Esta afirmação pode ser levada em consideração na análise anterior sobre
as características diferentes das duas espécies, conforme valores expressos na
67
tabela 12. Schumacher e Witschoreck (2004), encontraram para o Eucalyptus com 2
anos, 2,7kg de biomassa nas folhas e 5,42kg nos galhos. Se os valores encontrados
pelo autor forem divididos por dois (referente aos anos), estes aproximam-se dos
valores encontrados no estudo realizado com o Eucalyptus de 1 ano. É estabelecida
uma relação entre a idade e o estoque de carbono: na medida em que a idade
aumenta, há também um aumento no estoque de carbono, conforme afirmado por
Maestri et al. (2004). Analisando esta relação, os valores encontrados são coerentes
com o estudo do autor.
Tabela 12: Peso da biomassa das folhas e dos galhos
E. CINÉREA
Para
E. GRANDIS
GALHOS
1,65kg
1,74kg
FOLHAS
0,756g
0,512g
o
peso
em biomassa
do fuste,
foram
determinadas
primeiramente as áreas seccionais (AS) através da equação 7, obtidas a 0%, 50% e
100% da altura comercial, expressas na tabela 13.
Tabela 13: Áreas seccionais a 0%, 50% e 100% da altura comercial do fuste
E.
CINÉREA
E.
GRANDIS
AS1
7,07 x 10
-4
3,14 x 10
-4
AS1/2
4,54 x 10
-3
3,32 x 10
AS2
5,67 x 10
-3
5,03 x 10
-3
-3
Com a área seccional das duas espécies, utilizando-se da equação
6 foi determinado o volume do fuste que, na espécie E. cinérea foi de 0,0294 m3 e
para a espécie E. grandis 0,021 m3.
68
Com o volume e a densidade básica da madeira, pôde-se obter o
valor de 15,23kg de biomassa para a espécie E. grandis e 21,32kg para a espécie E.
cinérea. A biomassa encontrada no estudo da espécie com um ano foi superior a
biomassa encontrada por Schumacher e Witschoreck (2004) em seu estudo com
Eucalyptus de 2 anos, com o valor de 12,56kg, sendo que o encontrado no estudo
de 1 ano foi de 15,23kg.
4.4.2 Biomassa método indireto
Para a utilização do método indireto, segundo Sanquetta (2003), há
a necessidade dos dados da análise destrutiva, como o DAP, a altura e os
respectivos pesos de cada compartimento, visando à melhor e mais precisa
calibragem das equações. Entretanto, para a sua realização, é preciso uma
amostragem mínima de 30 árvores de cada espécie. Visando a redução de custos e
o menor impacto sobre a área estudada, foi escolhida somente a estimativa pelo
método destrutivo e com a utilização de apenas uma árvore média de cada espécie,
obtendo-se os dados por aproximação. Cabe ressaltar, todavia, que a técnica
utilizada mostrou-se suficiente e satisfatória para a obtenção dos referidos dados. A
execução do método indireto tornaria o trabalho excessivamente dispendioso e caro,
fatores estes que poderiam vir a inviabilizar a realização desta pesquisa.
69
4.4.3 Estoque de carbono
Com o peso da biomassa, realizou-se a multiplicação considerando
que 50% da biomassa é composta por carbono nos componentes da árvore,
conforme tabela 14.
Tabela 14: Estoque de carbono obtidos no fuste, galhos e folhas
E.
CINÉREA
E.
GRANDIS
10,66kg
0,825kg
0,378kg
7,615kg
0,87kg
0,256kg
FUSTE
GALHOS
FOLHAS
4.5 Elaboração de um comparativo entre a relação carbono/espécie
De acordo com as exigências do IPCC, para esta análise de
quantificação deve-se obter a quantidade de CO2eq. na área estudada, multiplicando
o peso de carbono por 3,6667. Considerando a área de cada espécie e o
espaçamento do plantio, estima-se que a espécie E. grandis possua 1250 plantas e
a espécie E. cinérea 833 plantas, obtendo assim um valor de estoque de carbono
por área, e obtendo-se também o CO2eq. removido da atmosfera, conforme tabela
15.
Tabela 15: Quantidade de carbono encontrada no estudo
FUSTE/GALHOS/FOLHAS
E. CINÉREA
E. GRANDIS
QUANTIDADE CARBONO POR UNIDADE
QUANTIDADE CARBONO POR ÁREA
11,863kg
9,88t
8,746kg
10,93t
QUANTIDADE DE CO2eq.
36,23t
40,08t
70
A área em estudo de cada espécie corresponde a 5.000 m2.
Supondo que cada uma das áreas fosse de 1 ha, a espécie E. cinérea teria um
estoque de 19,76t de carbono e a espécie E. grandis 21.865t de carbono,
concordando com os estudos de Sanquetta (2009) para Eucalyptus analisados
durante o período de um ano. Conforme pôde-se observar nas áreas estudadas, a
quantidade de CO2 retirado da atmosfera é muito superior a quantidade de carbono
estocado.
Em relação à quantidade de biomassa a espécie E. cinérea nas
folhas e fuste apresentou sempre maior quantidade. Este resultado se deve ao fato
do diâmetro médio analisado ser superior à outra espécie, e as folhas apresentarem
características mais grossas e largas quando comparadas à espécie E. grandis. Já
os galhos da espécie E. grandis eram mais grossos, havendo diferença na biomassa
nestes componentes.
O compartimento da árvore que mais retém carbono nas duas
espécies foi o fuste, concordando com as estimativas realizadas por Paixão et al.
(2004) e Maestri et al. (2004), conforme figura 18.
QUANTIDADE DE CARBONO
12
10,66
10
8
7,62
E. CINÉREA
6
E. GRANDIS
4
2
0,825
0,87
0,378 0,256
0
FUSTE
GALHOS
FOLHAS
Figura 18: Compartimento que mais retém carbono nas duas espécies.
71
Devido ao espaçamento de plantio, a espécie E. grandis possui mais
plantas que a espécie E. cinérea em uma mesma área, apresentando uma
QUANTIDADE DE CARBONO POR ÁREA
quantidade maior de carbono estocado conforme figura 19.
11,2
10,93
11
10,8
10,6
10,4
10,2
10
9,88
9,8
9,6
9,4
9,2
E. CINÉREA
E. GRANDIS
Figura 19: Espécie que mais retém carbono por área
4.6 Análises da geração de créditos de carbono e de sua comercialização
Conforme Renner (2004) na COP 9 foi estabelecido que os projetos
de sumidouros de carbono somente seriam aceitos se a área estivesse desmatada
até 1989. Conforme Balbinot (2004), ainda segundo as definições estabelecidas
nesta COP, para o primeiro período de compromisso em relação às reduções de
GEE, as atividades de reflorestamento ficarão limitadas aos reflorestamentos
ocorridos naquelas áreas que não continham floresta em 31 de dezembro de 1989.
No entanto, na propriedade estudada, esta área somente foi desmatada para a
produção do eucalipto no ano de 2008, tornando-se assim, um projeto inelegível ao
MDL. Se este projeto fosse possível, conforme Alcântara et al. (2007), ele estaria na
linha de projetos elegíveis ao MDL utilizando-se da categoria de resgate e fixação de
carbono através do florestamento e reflorestamento.
72
Segundo Balbinot (2004) os valores para cada tonelada de CO2
removida com estes projetos variam de US$10 a US$20. Adotou-se neste estudo um
valor médio de US$15. Para uma área de 1ha de cada espécie, teríamos um valor
de US$296,4 para a espécie E. cinérea e US$601,2 para a espécie E. grandis. Para
a área total, considerando que possua o valor real de 5.000m 2 para cada espécie,
teríamos o valor de US$448,8 no estágio inicial de seqüestro de carbono com
Eucalyptus de 1 ano de idade. Segundo Lelis et al. (2007) estes valores poderiam
ser negociados através do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões, que tem
por objetivo criar um mercado nacional para estes créditos.
73
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho procurou analisar uma forma alternativa de
minimização da quantidade de poluentes presentes na atmosfera. Embasado nas
discussões sobre as Conferências das Partes e o Tratado de Quioto, verificou-se a
possibilidade da elaboração de um projeto de Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo que atenda as exigências estabelecidas para a geração de renda em conjunto
com a preservação ambiental. Foi analisada então uma área de reflorestamento,
com o objetivo de quantificar o estoque de carbono em duas diferentes espécies de
Eucalyptus: a espécie E. grandis e a espécie E. cinérea.
Durante o estudo, verificou-se que a área de plantio é pequena, com
o objetivo final de matéria-prima energética, as práticas silviculturais não são
empregadas o que pode refletir diretamente no diâmetro à altura do peito e na altura
das árvores. Na área onde o espaçamento utilizado era maior, a espécie
desenvolveu mais o seu diâmetro e altura, influenciando diretamente na quantidade
74
de biomassa e estoque de carbono, porém, obteve um número menor de árvores por
área. O clima quente, solo argiloso, o regime de manejo como a adubação, irrigação
e controle de pragas e doenças favoreceram o desenvolvimento da espécie com
idade de plantio de um ano. As características variadas em cada compartimento da
planta fizeram diferença com relação à quantidade de carbono em estoque e retirado
da atmosfera. A espécie E. cinérea apresentou maior quantidade nas folhas e no
fuste. Já a espécie E. grandis nos galhos. Em um balanço geral, devido ao diâmetro,
a altura e característica das folhas, a espécie E. cinérea apresentou maior
quantidade de carbono por planta. Quando se observado o número de árvores em
uma mesma área, devido ao espaçamento, a espécie E. grandis apresentou maior
quantidade de árvores o que, interferiu diretamente no estoque total de carbono
seqüestrado por área, representando assim o maior estoque quando comparado a
outra espécie.
A utilização do método indireto para determinação do estoque de
carbono tornaria a pesquisa dispendiosa, com custos excessivos e com maior
impacto na área estudada, no entanto somente a utilização do método destrutivo,
com uma única unidade amostral representativa, possibilitou a execução da
pesquisa de forma suficiente e satisfatória, encontrando valores e parâmetros que,
conforme os autores abordados são significativos e confiáveis.
A área estudada não pode ser elegível a um projeto de MDL, pois,
não atende as exigências estabelecidas na COP 9 – que determina o
reflorestamento em áreas que tenham sido desmatadas até o ano de 1989 –. A área
estudada foi desmatada somente em 2008, para o cultivo do Eucalyptus. Foi
analisada também a quantidade de carbono seqüestrada, os CO 2 equivalentes
(CO2eq.), que é uma unidade padrão estabelecida pelo IPCC para a comercialização
75
pelo mercado de redução de emissões. Em todos os casos, a quantidade de
carbono retirado se mostra superior a quantidade de carbono estocado. De acordo
com o crescimento, este estoque tende a ser maior.
Os valores por tonelada de carbono removido ainda é muito baixo:
cerca de US$10 a US$15, obtendo assim, para a área estudada um total de
US$448,8 para as duas espécies. Considerando que a área mede apenas 1ha,
grandes áreas de reflorestamento seqüestrariam e manteriam em estoque uma
quantidade bem maior de carbono.
Dentro das propostas de minimizar as ações humanas degradantes,
este trabalho propôs-se a verificar a aplicação de projetos que visem à redução das
emissões de poluentes. Verificou-se que a rentabilidade de um projeto de MDL para
a área estudada é pouco, porém, como o objetivo é a produção da madeira, esta
renda poderia ser considerada como um adicional aos lucros da propriedade. Além
desta oportunidade de geração de renda, há os benefícios ao meio ambiente
decorrentes desta preservação e a remoção de carbono.
Somente através destas discussões é que se poderá tentar obter
uma alternativa para os problemas ambientais, pois se a ação humana apenas
degradar e não procurar alternativas para recuperar, não só o futuro do ambiente
estará comprometido, mas também a própria vida humana.
76
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APÊNDICE
APÊNDICE I: FICHA PARA COLETA DE DADOS
DATA DA AMOSTRAGEM:
ÁREA:
ESPÉCIE:
LOCAL:
DATA DE PLANTIO:
Nº AMOSTRAS:
ESPAÇAMENTO:
DAP (cm)
H OB
D OB
H
DAP (cm)
H OB
D OB
Média
H
APÊNDICE II: FICHA PARA COLETA DE DADOS
DATA DA AMOSTRAGEM: 14/10/2009
ÁREA: 5.000 M2
ESPÉCIE: EUCALYPTUS CINÉREA
LOCAL: MATELÂNDIA
DATA DE PLANTIO: 09/2008
Nº AMOSTRAS: 50
ESPAÇAMENTO: 3M X 3M
DAP (cm)
H OB
D OB
H
DAP (cm)
H OB
D OB
H
7,2
6,3
8,1
8
7,9
7,5
6,5
7,1
6,3
7,4
9
8,5
8,7
8
7,5
6,6
8,5
7,7
6,8
8,3
8
7,5
8,9
8,6
7,4
7,2
8,2
7,4
7,9
8,6
7,1
9,3
7,9
8,5
7,2
8,3
8,5
9,2
7,6
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
9,9
10,7
13,9
10,3
10,6
9,6
8,3
9,6
7,1
7,9
9,8
9,5
10,3
10,8
10,8
8,1
9,6
8,3
8,6
9,2
7,8
8,7
10,1
9,6
8,7
7,6
7,9
9,7
8,8
9,7
8,9
10,7
8,5
7,9
8,6
9,7
9,3
10
9,2
7,42
7,88
9,73
7,65
7,82
7,24
6,5
7,24
5,8
6,26
7,36
7,18
7,65
7,94
7,94
6,38
7,24
6,49
6,67
7,01
6,2
6,72
7,53
7,24
6,72
6,09
6,26
7,3
6,78
7,3
6,84
7,88
6,61
6,26
6,67
7,3
7,07
7,47
7,01
9,1
8,4
7,9
7,5
8,7
6,5
7,7
8,4
6,7
8,6
6,3
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
1,7
10,3
12,1
10,8
9,6
9,3
8,2
8,3
7,9
7,8
9,6
8
7,65
8,69
7,94
7,24
7,07
6,43
6,49
6,26
6,2
7,24
6,32
7,82
Média
7,25
APÊNDICE III: FICHA PARA COLETA DE DADOS
DATA DA AMOSTRAGEM: 03/10/2009
ÁREA: 5.000 M2
ESPÉCIE: EUCALYPTUS GRANDIS
LOCAL: MATELÂNDIA
DATA DE PLANTIO: 09/2008
Nº AMOSTRAS: 50
ESPAÇAMENTO: 2M X 2,5M
DAP (cm)
H ec
D ao
H
DAP (cm)
H OB
D OB
H
7,3
6
7,1
8,4
7,5
7,8
6,5
6,4
8,3
8,3
6,8
7,8
6,2
6,6
6,9
3,3
4,8
6,5
8,8
5,9
7,6
8,2
6,3
7,4
6,1
4,5
5,8
7,9
7,6
6,7
8,3
7,8
8,5
6,6
4,4
5,7
1,9
7,7
5,5
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
9,2
8,1
10,1
11,3
9,8
11,7
9,4
9,2
12,2
11,3
8,7
9,2
8,6
9,1
9
6,6
6,7
10
11,9
7,6
11,9
10,5
9
9,2
8,6
7,3
8,1
10,7
9,4
8,9
10,1
9,2
11,6
9,3
7,3
6,9
3,4
7,6
8,1
6,91
6,28
7,43
8,12
7,26
8,35
7,03
6,91
8,64
8,12
6,62
6,91
6,57
6,85
6,8
5,41
5,47
7,37
8,47
6
8,47
7,66
6,8
6,91
6,57
5,81
6,28
7,78
7,03
6,74
7,43
6,91
8,3
6,97
5,81
5,58
3,56
6
6,28
3,7
4,8
5,5
5,8
4,7
8,2
7,7
6,8
5,9
5
7,8
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
6,7
6,9
7,6
7
6,7
11
8,8
9
8,7
7,6
11
5,47
5,58
6
5,64
5,47
7,95
6,68
6,8
6,62
6
7,95
6,55
Média
6,77
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Quantificação do Estoque de Carbono em Reflorestamento de