Sérgio Ricardo da Mata, Helena Miranda Mollo e Flávia Florentino Varella (orgs.). Anais do 3º. Seminário
Nacional de História da Historiografia: aprender com a história? Ouro Preto: Edufop, 2009. ISBN: 978-85288-0061-6
O ESCRAVO BENEDITINO NA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA DO SÉCULO XX
Paulo Henrique Silva Pacheco∗
Vários são os estudos que se debruçam sobre o assunto a escravidão no Brasil. Sejam
eles realizados por historiadores nativos ou estrangeiros, essas pesquisas não desconsideram o
pioneirismo da obra Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freire, que se destaca pelo êxito em
termos de apresentação e circulação das suas idéias. 76 anos após a primeira publicação esse
estudo constitui-se como um legado para as tendências da historiografia moderna.
Seria pertinente considerar que as produções que tomaram a escravidão como tema
central se adéquam a três principais perspectivas históricas. A primeira, iniciada pelo próprio
Freyre, esteve incumbida em apresentar e fazer circular as idéias desse sistema, considerando
a relação patriarcal entre senhor e escravo, as relações pós-emancipacionistas e o caso da
miscigenação. A partir da década de 1950 vários estudos, como os produzidos por Costa Pinto
e Florestan Fernandes, procuraram ir contra a escravidão branda, vendo os escravos como
vítimas passivas do ‘sistema’.
A análise de processos criminais, relatórios de chefes de polícia, anúncios de fugas e
testamentos, entre outras fontes, abrem caminho para a percepção das atitudes e sentimentos,
valores e normas, que norteavam as ações dos escravos marcadas por uma racionalidade
própria. Os mitos da “coisificação”, comum na década de 50, e da idéia do escravo sempre
rebelde perdem sua credibilidade.
No final da década de 60 e início de 1970, alguns estudos voltavam-se contra essa
percepção considerando negros escravizados como agentes de sua própria história, dentre
essas produções podem-se destacar, Slavery in the cities: the South 1820-1860, de Richard
Wade, Slave life in Rio de Janeiro, 1808-1850, de Mary Karrasch e Palmares: a guerra dos
escravos, de Décio Freitas.
Porém, foi a partir da década de 1980 que houve um esforço para resgatar o indivíduo
escravizado dos grupos subalternos, vendo-os como agentes da sua própria história. Dentre

esses estudos estão Kátia Mattoso, Ser escravo no Brasil, Marilene Rosa Nogueira da Silva,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestrando em História Política. Instituição de Fomento: CAPES.
1
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Negro na Rua, Leila M. Algranti, com O feitor ausente, estudo sobre a escravidão urbana no
Rio de Janeiro 1808-1821, Sidney Chalhoube, Visões da Liberdade, dentre outros1.
Uma lacuna nesses estudos historiográficos se encontra no domínio da religiosidade,
em geral e em particular com relação aos escravos. Os livros sobre a escravidão fazem poucas
referências à religiosidade, ou, então, referências genéricas, que não ajudam a compreender
em profundidade essa experiência no cotidiano escravista. Outras vezes, quando abordam o
tema, o fazem a partir da instituição religiosa (católica) ou da classe dominante. No entanto, a
temática da religiosidade deve ser aprofundada, a partir das experiências vividas pelos
escravos e escravas nos diversos ambientes.
1. O negro católico na produção histórica
A produção historiográfica pouco tem explorado o negro inserido no universo católico
dos senhores, exceto pelos estudos das irmandades religiosas. Gilberto Freire, ao mencionar o
sistema escravista nas ordens religiosas limitou-se em discutir se os religiosos haviam sido
bons ou maus senhores. Frank Tannhenbaum, em Slave and Citizen, tratou de comparar a
escravidão da América do Norte protestante com a da América Latina Católica, apontando as
restrições religiosas à escravidão. Porém, essas abordagens permitiram o surgimento de
pontos distintos, a partir do próprio método utilizado pelo historiador norte-americano, o
comparativo. Segundo esses autores, haveria uma semelhança maior do que se descrevia entre
os sistemas escravistas. Acadêmicos como Manuela Carneiro da Cunha, Júlio de Freitas
Brandão, Gentil Avelino Titton, investigaram as leis e os dogmas religiosos de maneira mais
profunda, apontando a falta de proteção ao escravo.
No final da década de 1970, a crítica as fontes utilizadas e a insuficiência do método
comparativo foram evidenciadas. A descoberta dos arquivos eclesiásticos influiu em um novo
curso para as análises do negro católico. Um trabalho pioneiro sobre essas irmandades no
Brasil foi Devoção e escravidão, de Julita Scarano (1978). Trabalhando com uma vasta
documentação religiosa, como livro de batismos, atas de reuniões e compromissos, Scarano
averiguou a popularidade da devoção do Rosário entre os negros, desde as instituições das
suas primeiras confrarias, permitindo ver o negro como um agente na sociedade em que
atuava e essas associações como ferramentas de inserção no meio social.
Logo foram surgindo outras obras com o mesmo objetivo, dentre elas a do historiador
Caio Cesar Boschi, Os leigos e o poder. Contradizendo alguns pontos afirmados por Scarano,
1
Cf. (SCHWARTZ, 2001: 21-88).
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o autor toma objeto de análise não o cativo, mas a presença das irmandades no interior das
relações religiosas. Outra obra, produzida por José Geraldo Vidigal de Carvalho, se ocupou
em examinar as irmandades do Rosário em meio a vinculação entre Igreja e escravidão.
A década de 80 foi a afirmação dos estudos acerca da Igreja e da escravidão. Jaime
Balmes, João Carlos Carvalho e João Evangelista Martins Terra trataram dos argumentos para
a adesão dos religiosos ao sistema escravista, trazendo à tona novas fontes eclesiásticas e
outros métodos, como a análise do discurso.
Nos anos 90, os estudos sobre essa temática ganharam maior volume, o universo
analisado passou a interagir com a vida católica da cidade a qual estava limitado, ampliando
as possibilidades de analises e diminuindo as lacunas entre religiosidade, espaço urbano,
escravidão e controle social. Desse período pode-se fazer referência das obras de Maria do
Céu Medeiros, Igreja e dominação no Brasil escravista, Ana Lúcia Valente, O negro e a
Igreja Católica: um espaço concedido, um espaço reivindicado, Martha Abreu, O Império do
Divino, Willian Martins, Arrais e procissões na Corte, Scott Mainwarring, Igreja católica e
política no Brasil e João José Reis, A morte é uma festa.
Todos esses estudos relacionam-se a Igreja secular, cuja submissão ao governo real e
aos poderes eclesiásticos locais eram maiores do que nas ordens religiosas. Por conta disso
ainda fica a questão. E os escravos pertencentes as ordens religiosas no Rio de Janeiro? Será
que a especificidade dos seus dogmas não deveria ser considerada na administração do seu
sistema escravista? O que pensar da produção historiográfica que se ocupou com os escravos
do Mosteiro de São Bento?
2. Embasamentos historiográficos para uma nova abordagem da escravidão beneditina
Faltam pesquisas que avaliem o negro beneditino considerando as particularidades do
seu universo religioso. As que tratam do assunto, pouco pensaram a respeito da relação de
poder entre os senhores e os monges. Tais estudos estiveram restritos a citações e por muito
tempo influenciado pelos relatos dos viajantes dos séculos XVIII e XIX. Nessas
circunstancias pode-se considerar a obra Casa grande & Senzala, de Gilberto Freyre, que
embasado nas considerações de Henry Koster, em Travels in Brazil, proporcionou análises
com idéias maniqueístas, impulsionando os monges beneditinos a um julgamento.
Os de São Bento [monges] tratando muito bem os seus negros; deixando os
molequinhos brincar a maior parte do dia, cuidando dos negros velhos, arrumando os
casamentos entre as raparigas de quatorze e quinze anos e os rapazes de dezessete ou
dezoito; facilitando a alforria aos diligentes. (FREYRE, 2000: 528)
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Essa percepção foi, de certo modo, fruto da visão do viajante norte americano de atenuar os
efeitos do cotidiano escravista no Brasil.
Outro autor que se deixa enveredar acerca da benignidade dos monges é Vivaldo
Coaracy, Memórias da Cidade do Rio de Janeiro, que reproduz a idéia de “escravos brancos”
de São Bento, do viajante britânico Sir George Stauton, An Authentic account of na embassy
from the King of Great Britain to the Emperor of China, em 1789.
Tão natural e legítima era considerada a instituição servil que as próprias ordens
religiosas regulares possuíam numerosos escravos. Em número superior a mil,
empregavam-nos os beneditinos nas suas numerosas fazendas de criação e lavoura,
para os trabalhos rurais, e, no mosteiro, para os serviços domésticos e as obras de
construção e conservação dos edifícios. Eram muito conhecidos os “escravos brancos”
de São Bento. Brancos, de fato, não eram, mas; mas caprichavam os monges em
selecionar para os serviços do mosteiro mulatos tão claros que poderiam passar por
brancos, não fosse a sua condição de cativos; e por eles pagavam alto preço.
(COARACY, 1965:305-306)
As obras mencionadas, de Freyre e Coaracy, representam uma forma de pensamento
que esta proposta de trabalho considera, se comparada as possibilidades teóricas e
medológicas disponíveis hoje, pouco complexas. Será por meio da investigação mais rigorosa
que se evidenciará as razões que proporcionaram um melhor tratamento aos escravos e que,
possivelmente, favoreceu a formação de uma mão-de-obra cativa distinta na sociedade da
Corte. Quanto as fontes produzidas pelos viajantes, Koster e Stauton, deve-se considerar a
relevância dos conteúdos, no entanto, cabe tratá-las com cautela devido ao etnocentrismo e
aos juízos morais que trazem em seus escritos.
Outros estudos considerados como limitados são as diversas obras produzidas pela
própria Ordem Beneditina, por dois motivos: o caráter memorialista e heróico de suas obras
agregadas de juízo de valor e a completa negação da mão-de-obra cativa na constituição de
seu patrimônio. Caberá perceber nessas produções o contexto em que a Congregação esteve
inserida ao longo do século XIX, procurando contrapô-las com outros estudos e fontes.
A matriz discursiva a cerca do cotidiano do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro é
a obra de Benjamin Franklin Ramiz Galvão, intitulada Aponctamentos Históricos sobre a
Ordem Benedictina em Geral e em Particular sobre o Mosteiro de São Bento de Nossa
Senhora do Monserrate da Ordem do Patriarca S. Bento D’esta Cidade do Rio de Janeiro.
Médico, professor e filólogo, o barão de Ramiz, título recebido em 1888, dirigiu a Biblioteca
Nacional e atuou no Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, do qual foi orador perpétuo.
Ainda não foi encontrada nenhuma relação que justifique a sua ligação com as causas do
Mosteiro, visto que a sua obra representa um discurso que aponta para uma trajetória vitoriosa
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dos religiosos no Rio de Janeiro sendo arruinada pelas medidas do Governo Imperial,
principalmente pela falta de monges nos claustros.
Essa produção torna-se relevante pelo fato de que aspectos socias e políticos da Ordem
são apontados durante o século XIX. Sua proposta memorialista tornou o modelo para outras
produções beneditinas, como Os monges beneditinos no Brasil – Êsboço histórico, de D.
Joaquim Grangeiro de Luna, História de São Bento e seu tempo, Cardeal A. Idelfonso
Schuster, e a obra A Ordem Beneditina no Brasil quando Provínica 1582-1827, de D. José
Endres, também compilador do Catálogo dos Bispos-Gerais, Províncias, Abades e mais
cargos da Ordem de São Bento no Brasil – 1582-1975.
Essas outras obras beneditinas retratam o modo de vida dos monges, sua trajetória
histórica e principalmente a instável relação com o Governo. Entretanto, sua utilidade limitase a essas informações, visto que os seus objetivos são de registrar a grandiosidade histórica
dos seus abades.2
Duas outras obras desdobram o universo beneditino do Rio de Janeiro, primeiro
Construtores e artistas do Mosteiro de São Bento, de D. Clemente da Silva-Nigra. Dividida
em dois volumes em sua primeira parte consta a relação dos artistas que auxiliaram na
construção do mosteiro, considerando as contribuições de alguns de seus escravos, fosse à
encarnação de imagens ou na convecção das capas de importantes registros da Ordem, como o
Livro do Dietário.3 A segunda parte é a transcrição de um enorme volume de fontes
pertencentes ao arquivo da congregação, desde o final do século XVI até o século XIX.
A segunda obra é O Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro 1590-1990, de Mateus
Ramalho Rocha. Lançada em função da comemoração dos quatrocentos anos da Ordem na
cidade há uma parte dedicada aos escravos beneditinos, esta evidencia o bom tratamento dado
aos cativos e ainda justifica os castigos aplicados como sendo uma forma de integrá-los ao
universo religioso, pois era o mesmo imposto pela Regra aos monges. Ao contrário das outras
produções, essas duas obras apontam a constante utilização de fontes primárias do arquivo
beneditino do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Salvador, sendo um importante instrumento
para o início de qualquer pesquisa nessas instituições.
O pensamento proposto também se torna limitado caso essas produções beneditinas
não se relacionarem com outras pesquisas de cunho acadêmico. A dissertação de mestrado, A
2
Abade: superior da ordem monástica. No caso dos beneditinos havia um para cada convento, estando todos
submetidos ao Abade geral. Estes produziam os Capítulos gerais, sendo por isso denominado monges
capitulares.
3
Livro dos monges falecidos que contribuíram para o crescimento da Ordem.
5
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Congregação Beneditina Brasileira no Rio de Janeiro (1830-1870), de Maria Rachel Fróes da
Fonseca dos Santos, defendida na Universidade Federal Fluminense, em 1986, constitui um
dos primeiros trabalhos leigos a consultar o arquivo beneditino. O que mais importa nessa
pesquisa é a análise da intervenção por parte do Governo Imperial brasileiro nos assuntos
eclesiásticos, como também na administração de assuntos particulares da Ordem Beneditina, o
exame de leis e argumentos revelam as crescentes atitudes e políticas centralizadas do Estado
em relação à Igreja Católica no decorrer do século XIX.
A outra obra, Dietário dos escravos de São Bento, torna-se mais próxima do objeto de
pesquisa aqui determinado, por tratar de uma família de escravos beneditinos de São Paulo.
Produto de uma historiografia que passa a considerar os escravos como agentes de sua própria
história4, Luiz Gonzaga Piratininga Júnior propõe uma história das mentalidades através de
fontes particulares produzidas por seus próprios descendentes, escravos e libertos da fazenda
beneditina de São Caetano. Sua utilidade está na conjuntura apresentado pelo autor, que
abrange desde o discurso utilizado pela Igreja para justificar a adesão ao escravismo,
passando pela crise da falta dos monges, cujas origens apontadas datam do período colonial,
até a libertação da mão-de-obra cativa dos mosteiros. Entretanto, convém ter cautela com o
texto redigido por atribuir juízos morais ao sistema escravista administrado pelos monges.
Outros trabalhos se utilizaram das fontes beneditinas, embora não as tome como
elemento principal de analise, como o caso da dissertação de mestrado de Vanessa Gomes
Ramos, Os escravos da religião: Alforriandos do clero católico no Rio de Janeiro Imperial,
da obra Comunidade escrava e grandes escravarias no sudeste do século XIX, de Carlos
Engemann e o livro Histórias de Quilombolas: mocambos e comunidades de senzalas no Rio
de Janeiro - século XIX do Flávio dos Santos Gomes. Vanessa Gomes Ramos ao tratar das
alforrias concedidas pelo clero possibilita ampliar a visão a cerca das possíveis razões para as
ocorridas no sistema escravista beneditino, enquanto Engemann e Gomes facilitam a
compreensão sobre os escravos beneditinos nas propriedades rurais, trabalhos relevantes para
distinguir o modo-de-vida dos escravos nas diferentes propriedades, rústicas e urbana.
Alguns estudos que tratam do cotidiano escravista nas propriedades rurais beneditinas
foram Escavando o passado da Cidade. História Política da Cidade de Duque de Caxias, por
Marlúcia Santos de Souza, e o trabalho de Nielson Rosa Bezerra, As confluências da
escravidão no Recôncavo da Guanabara: Iguaçu e Estrela (1833-1888). Essas dissertações
de mestrado possibilitam uma análise comparativa acerca dos escravos que atuaram no
4
Características dos estudos a respeito de uma escravidão produzida a partir de 1980.
6
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Mosteiro e os que serviram nas propriedades rústicas. Entretanto cabe ressaltar que ainda não
foram encontradas pesquisas relativas ao patrimônio rústico dos beneditinos no âmbito social,
político e religioso do seu governo local, o mosteiro, que estava submetido a Abadia da Bahia,
de onde provinham todas as medidas para a administração dessas propriedades.
Assim como Engemann e Gomes, os trabalhos de Marlúcia Souza e Bezerra
apresentam uma quantificação pertinente às pesquisas, assim como a possibilidade de
relacionar diferentes tipos de fontes, porém inserem a Ordem na vida católica tradicional da
cidade, não considerando a sua especificidade no âmbito religioso5. Um exemplo disso é a
importante análise realizada por Fania Fridman, Donos do Rio em Nome do Rei. Uma história
fundiária da cidade do Rio de Janeiro. Sua obra representa um modelo metodológico para
este projeto, pela forma com que utiliza as imagens e as constroem de acordo com os
resultados encontrados. Outra peculiaridade da obra é o capítulo destinado ao patrimônio
territorial da Ordem beneditina, porém, sua análise ignora as medidas tomadas nas Atas
Capitulares, cuja leitura poderia preencher várias lacunas do trabalho.
Ao buscar a distinção dos cativos que atuaram no Mosteiro do Rio de Janeiro com os
demais escravos da cidade, apontada por Coaracy, cabe a comparação com as obras que
buscaram tratar o escravo e seus hábitos no espaço urbano do século XIX, dentre elas a tese
de doutorado de José Roberto Pinto de Góes, Escravos da Paciência: Um estudo sobre a
obediência escrava no Rio de Janeiro (1790-1850) e a dissertação de mestrado de Jupiracy
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5
Refere-se a sua autonomia ante o Arcebispo, devendo responder somente ao superior da Igreja no Vaticano.
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