PGMEC PROGRAMA FRANCISCO EDUARDO MOURÃO SABOYA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA ESCOLA DE ENGENHARIA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Dissertação de Mestrado ANÁLISE DO MOMENTO LIMITE EM DUTO COM DEFEITO EXTERNO LOCALIZADO E REPARADO COM MATERIAL COMPÓSITO RAFAEL PEREIRA MATTEDI MAIO DE 2011 RAFAEL PEREIRA MATTEDI ANÁLISE DO MOMENTO LIMITE EM DUTO COM DEFEITO EXTERNO LOCALIZADO E REPARADO COM MATERIAL COMPÓSITO Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa Francisco Eduardo Mourão Sabo ya de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da U FF como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica Orientador: Professor Luiz Carlos da S. Nunes D.Sc. (PGMEC/UFF) UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE NITERÓI, MAIO DE 2011 ANÁLISE DO MOMENTO LIMITE EM DUTO COM DEFEITO EXTERNO LOCALIZADO E REPARADO COM MATERIAL COMPÓSITO Esta Tese é parte dos pré-requisitos para a obtenção do título de MESTRE EM ENGENHARIA MECÂNICA Área de concentração: Mecânica dos Sólidos Aprovada em sua forma final pela Banca Examinadora formada pelos professores: Prof. Luiz Carlos da S. Nunes (D.Sc.) Universidade Federal Fluminense (Orientador) Prof. João Marciano Laredo dos Reis (Ph. D.) Universidade Federal Fluminense Prof. Thiago Gamboa Ritto (D.Sc.) Universidade Federal do Rio de Janeiro Aos meus pais, meu irmão e meu professor orientador. Agradecimentos Por este presente trabalho, agradeço em especial a minha família, meus amigos e meu orientador, os quais me apoiaram e me deram forças para enfrentar toda a caminhada. Agradeço, ainda, a Deus que colocou essas pessoas em meu caminho neste momento, pois sem eles provavelmente não o teria finalizado. RESUMO Defeitos localizados em dutos e vasos de pressão são comumente encontrados na indústria, e geralmente são devido à corrosão ou danos mecânicos. Com o objetivo de manter a integridade estrutural, vários modelos analíticos e critérios têm sido propostos. Entre estes, pode ser citado o critério de falha conhecido como Net-Section-collapse (NSC), que é baseado no carregamento limite de dutos com defeitos circunferenciais. Nas últimas décadas, métodos de reparos em dutos têm sido desenvolvidos com o intuito de restabelecer a integridade de dutos danificados, evitando a substituição dos mesmos, dentre os quais, a utilização de materiais compósitos tem se destacado. Neste contexto, o presente trabalho tem como principal objetivo o estudo do momento limite em duto com defeito, sendo este reparado com material compósito. Para isso, é proposto um modelo matemático baseado no critério NSC que é validado numericamente usando método de elementos finitos. Na análise, é verificada a espessura do reparo, considerando diferentes geometrias do defeito (largura e profundidade). Os resultados da teoria proposta são comparados com as simulações em elementos finitos, mostrando uma boa concordância. ABSTRACT Local wall thinning on pipelines or pressure vessels are common in industry and, usually, they occur because of the corrosion or mechanical damages. To study the impacts that these cracks do on pipelines, some analytical models and some failure criterion have been proposed. One of them is called Net-Section-Collapse Analysis (NSC), which predicts the maximum moment of a circumferentially cracked pipe with a variabledepth internal surface crack subject to loads like bending moment and, eventually, tension (pressure-induced). In recent decades, some repairing pipe methods have been developed in order to reestablish the integrity of the damaged pipe, which can avoid its replacement. The method that uses composite materials is been used a lot and is showing good results. In this context, this work has as the principal objective to study the limit bending moment on pipelines with local wall thinning and repaired by a composite. Therefore a mathematical model is proposed based on NSC which is validated numerically by finite element analysis. During the study, the thickness of repair is investigated, considering some different geometries for the crack (length and depth). The results of the proposed theory are compared with finite elements analysis, where can be observed a good agreement. SUMÁRIO Lista de Figuras .......................................................................................................................i Lista de Tabelas .....................................................................................................................iv Lista de Símbolos ................................................................................................................... v Capítulo 1. Introdução 1.1. Considerações gerais .................................................................................................. 1 1.2. Descrição do trabalho................................................................................................. 7 1.3. Revisão Bibliográfica................................................................................................. 9 1.3.1. Tensão devido ao momento fletor em duto de seção circular .............................. 9 1.3.2. Flow Stress ......................................................................................................... 12 1.3.3. Net-Section Collapse .......................................................................................... 14 1.3.4. Aplicação do reparo usando compósito em dutos com defeito.......................... 24 1.3.4.1. Metodologia de reparo usando material compósito ................................ 24 1.3.4.2. Aplicação de reforço com material compósito........................................ 25 1.3.5. Análise em elementos finitos: Definição de malha ............................................ 29 1.3.5.1. Malha com elemento sólido .................................................................... 29 1.3.5.2. Malha com elemento de casca – Método Shell ....................................... 30 Capítulo 2. Metodologia Proposta 2.1. Descrição matemática do problema ......................................................................... 32 2.2. Modelo analítico para duto com defeito externo reparado....................................... 35 2.3. Modelo numérico – Método de elementos finitos (FEA) ........................................ 39 2.3.1. Modelo utilizando malha de elemento sólido .................................................... 39 2.3.2. Modelo utilizando malha de elemento Shell ...................................................... 42 Capítulo 3. Resultados e Discussão 3.1. Resultados do Método Analítico .............................................................................. 48 3.2. Resultados do Método Numérico – Comparação com o Método Analítico ............ 53 Capítulo 4. Conclusões e Sugestões para Trabalhos Futuros 4.1. Conclusões ............................................................................................................... 60 4.2. Sugestões para Trabalhos Futuros............................................................................ 62 Referências Bibliográficas ................................................................................................. 64 APÊNDICE .......................................................................................................................... 66 Apêndice A: Artigo enviado para International Symposium on Solid Mechanics MecSol 2011 ................................................................................................................................. 67 Apêndice B: Tabela dos resultados numéricos ................................................................ 79 Apêndice C: Resultados da análise numérica do duto com defeito sem reparo .............. 91 i Lista de Figuras Figura 1 – Navio de instalação de SCR por bobina [www.subseaworld.com] ...................... 2 Figura 2 – Linhas submarinas de produção de petróleo (SCR em vermelho) [www.technip.com] ................................................................................................................ 2 Figura 3 – Exemplo de defeito interno num duto [13] ........................................................... 4 Figura 4 – Geometria do defeito externo em um duto [8] ...................................................... 4 Figura 5 – Distribuição da tensão de flexão num duto ........................................................... 9 Figura 6 – Diagrama tensão x deformação ........................................................................... 12 Figura 7 – Fatores que influenciam a Flow Stress; a) Composição química, b) Pureza, c) Estrutura cristalina, d) Transformação de fase da rede cristalina, e) Método de fabricação, f) Tamanho do grão [2] ............................................................................................................ 13 Figura 8 – Defeito na seção de um duto devido à corrosão intergranular [13] .................... 15 Figura 9 – Exemplo de defeito interno devido à corrosão [13] ............................................ 16 Figura 10 – Distribuição de tensão num duto [13] ............................................................... 17 Figura 11 – Distribuição de tensão numa seção defeituosa, onde θ>π-β, utilizando critério NSC [13]............................................................................................................................... 18 Figura 12 – Critério NSC simplificado [13]......................................................................... 20 Figura 13 – Momento normalizado NSC em relação ao ângulo do defeito [13].................. 21 Figura 14 – Momento limite do duto baseado no critério NSC com espessura de defeito constante [8] ......................................................................................................................... 23 Figura 15 – Compósito pré-fabricado [1] ............................................................................. 25 Figura 16 – Geometria do defeito no duto antes do reparo [7]............................................. 26 ii Figura 17 – Aplicação da resina para preenchimento do defeito do duto em laboratório [7] .............................................................................................................................................. 27 Figura 18 – Região do duto com defeito reparado em laboratório [7] ................................. 27 Figura 19 – Aplicação do compósito no defeito do duto [17] .............................................. 28 Figura 20 – Elemento de malha do tipo sólido Quadrático Hexaedro.................................. 29 Figura 21 – Elemento de malha do tipo Shell Quadrilátero Linear ...................................... 31 Figura 22 – Elemento de malha do tipo Shell Quadrilátero Linear ...................................... 31 Figura 23 – Geometria do duto e sua respectiva aplicação do momento, a) Seção sem defeito, b) Seção com defeito ............................................................................................... 33 Figura 24 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto sem reparo .................................................................................................................... 36 Figura 25 – Planos de simetria do duto com defeito sem compósito ................................... 39 Figura 26 – Condições de contorno para a análise do duto com defeito sem compósito ..... 40 Figura 27 – Camadas do modelo Shell e respectivas espessuras substituídas no modelo.... 42 Figura 28 – Geometria em formato Shell do duto com defeito externo e compósito........... 43 Figura 29 – Malha do modelo............................................................................................... 44 Figura 30 – Simetria longitudinal do modelo Shell.............................................................. 45 Figura 31 – Simetria da seção transversal do modelo Shell ................................................. 45 Figura 32 – Condição de contato entre o compósito e o duto .............................................. 46 Figura 33 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto sem reparo .................................................................................................................... 49 Figura 34 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto com reparo (tc = ta)....................................................................................................... 50 iii Figura 35 – Gráfico do comportamento do momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto com reparo (tc = 1,5ta) ................................ 51 Figura 36 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto com reparo (tc=ta e σcadm=500 MPa)............................................................................ 52 Figura 37 – Ponto de tensão analisado no modelo FEA ....................................................... 53 Figura 38 – Distorção e distribuição de tensão no duto – Vista lateral – Aplicação de momento fletor do lado esquerdo e condição de simetria do lado direito ............................ 54 Figura 39 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = ta) ............ 55 Figura 40 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = 1.5ta) ....... 56 Figura 41 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = ta, σcadm = 500MPa) ............................................................................................................................... 56 Figura 42 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = 1.5ta, σcadm = 500MPa) ............................................................................................................................... 57 Figura 43 – Resultado da máxima tensão (251.59 MPa) no modelo sólido com defeito (d = 0.1D, 2θ=18⁰, σaadm = 250MPa)........................................................................................... 91 Figura 44 – Resultado da máxima tensão (248.27 MPa) no modelo Shell com defeito (d = 0.2D, 2θ=18⁰, σaadm = 250MPa)........................................................................................... 92 iv Lista de Tabelas Tabela 1- Propriedades mecânicas dos materiais utilizados................................................. 34 Tabela 2- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,1............................... 57 Tabela 3- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,3............................... 58 Tabela 4- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,5............................... 58 Tabela 5- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,7............................... 58 Tabela 6- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,9 ............................... 59 v Lista de Símbolos θ Metade do ângulo do defeito local β Metade do ângulo neutro Ro Diâmetro externo do duto Ri Diâmetro interno do duto Rm Diâmetro médio do duto I Momento de inércia da seção transversal do duto sem defeito ta Espessura de parede do duto tc Espessura do compósito d Profundidade do defeito η Razão da espessura remanescente do duto na região com defeito Ld Comprimento do defeito ao longo do duto L Comprimento do duto N.A. Linha neutra σ Tensão de flexão σaadm Tensão admissível (Limite considerado para o material) ߪௗ ߪௗ Tensão admissível do aço Tensão admissível do compósito σ0 Tensão admissível (limite) para um duto sem defeito σf Tensão de fluência (Flow stress) a(ξ) Função profundidade do defeito M0 Momento fletor limite de um tubo sem defeito M Momento fletor limite de um tubo com defeito vi E Módulo de elasticidade do material K Coeficiente de resistência ε Deformação linear n Coeficiente de encruamento 1 Capítulo 1 Introdução 1.1.Considerações gerais Na indústria, principalmente de óleo e gás, a utilização de dutos rígidos é vasta. De acordo com Duell et al [7] existem mais de 1,7 milhões de kilômetros de linhas de óleo e gás em operação. Só no norte da América são gastos cerca de dois a três bilhões de dólares para reparos ou substituição dos dutos que apresentam determinados defeitos. No segmento offshore / subsea, os risers e flowlines, por exemplo, podem ser dutos rígidos. São os chamados Steel Catenary Riser (SCR), conforme citado na DNV-OS-F101 [6]. Estes estão sujeitos a diversos carregamentos desde seu lançamento até a operação, como pode ser observado nas Figuras 1 e 2. 2 Figura 1 – Navio de instalação de SCR por bobina [www.subseaworld.com] Figura 2 – Linhas submarinas de produção de petróleo (SCR em vermelho) [www.technip.com] 3 Em outras áreas da engenharia como energia, siderurgia, mineração também possuem dutos rígidos em sua produção. Todos estão sujeitos ao surgimento de defeitos em suas estruturas e deve-se saber qual decisão tomar para solucionar o problema. Por isso, é desejável que se tenha um conhecimento aprofundado das propriedades mecânicas e limites de carregamento dos dutos rígidos. A perda de espessura é um defeito muito comum nos dutos rígidos e vasos de pressão durante sua vida útil. Este defeito pode ocorrer internamente, devido à corrosão e/ou erosão no transporte do fluido ou externamente, devido à água do mar ou ao solo, sendo ele, então, fruto de um desgaste corrosivo ou abrasivo, ou até mesmo de um dano mecânico. Neste trabalho, será tratado como um defeito a perda de material numa determinada seção do duto. No segmento offshore / subsea, existem regiões críticas, as quais apresentam desgaste excessivo e altos carregamentos. O primeiro ponto de contato do SCR com o solo submarino (Ver Figura 2), também conhecido como o Touch Down Point (TDP) [6], é um exemplo onde ocorrem altos carregamentos, grandes curvaturas e desgaste contínuo. Descontinuidades na seção de um duto, seja ela na região interna ou externa, também pode ocorrer durante a sua fabricação. Regiões de solda geralmente estão sujeitas à falta de penetração, mordedura ou falta de fusão, conforme mostrado na Figura 3. Baseado nessas ocorrências, alguns métodos analíticos foram desenvolvidos para quantificar a perda da integridade estrutural do duto, ou seja, para determinar os máximos carregamentos externos que o duto ainda pode suportar. 4 Figura 3 – Exemplo de defeito interno num duto [13] Rahman e Wilkowski [13] propõem um método generalizado do Net-SectionCollapse (NSC), onde o momento limite de um duto depende do ângulo (2θ) e da profundidade radial do defeito local, a qual é uma função do ângulo do defeito a(ξ), onde 0 < ξ < θ. Já a norma ASME Seção XI [3] considera em seus cálculos a mesma metodologia NSC, porém a profundidade do defeito é constante (d) e é definida pelo maior valor de a(ξ). Figura 4 – Geometria do defeito externo em um duto [8] 5 Na Figura 4 é ilustrado um duto com uma determinada geometria de defeito externo. Analiticamente o comprimento do defeito L (ou Ld) na direção longitudinal não teria efeito sobre o momento limite de um duto, porém Han et al [8] comprova pelo método de elementos finitos que para pequenos valores de Ld o momento limite do duto varia consideravelmente. Em todo seu estudo Han utiliza a mesma metodologia da ASME Seção XI. Geralmente os dutos que apresentam defeitos muito severos são reparados de duas diferentes formas. A primeira opção é a troca do segmento de duto com dano por outro novo. Outra opção é a fixação de um reforço de aço, por solda ou parafusos, em todo o contorno do duto na região danosa. Entretanto, as duas ações requerem a parada de produção por um longo período, o que resulta em grande prejuízo para a empresa produtora. Uma prática que tem se tornado cada vez mais comum é a aplicação de um compósito em todo o perímetro da região com defeito. Este reparo é comumente chamado de FRP (Fiber Reinforced Polymer) e pode ser de diferentes materiais como: fibra de vidro, fibra de aramida ou fibra de carbono, estes combinados com resina epóxi. De acordo com Duell et al [7] o reparo com fibra de carbono (CFRP) se mostra mais eficaz devido suas propriedades mecânicas. Com o surgimento dessas falhas ou defeitos, e com o tubo sujeito a diferentes esforços, as seções críticas devem sofrer uma análise diferenciada, considerando sua nova área de seção e momento de inércia. Assim, torna-se possível avaliar a estrutura e definir se ela poderá continuar em operação, ou deverá sofrer reparo ou substituição. 6 A tomada de decisão para esses casos geralmente envolve altos custos para as empresa, daí a importância de saber exatamente qual a ação mínima a se fazer para que tenha baixo custo e garanta a integridade estrutural do duto. 7 1.2.Descrição do trabalho Este trabalho tem como principal objetivo o estudo do momento limite em duto com defeito, sendo este reparado com material compósito. Para isso, foi proposto um modelo matemático baseado no critério NSC, e com a aplicação de um compósito CFRP como reparo. Motivado por diversos trabalhos publicados que estudam o comportamento de dutos com defeito sujeitos a momento fletor, e sabendo do grande impacto financeiro que estes defeitos podem gerar para as indústrias, foi possível desenvolver um método capaz de prever a espessura mínima necessária do reparo, de forma a auxiliar a aplicação do reforço estrutural nesses dutos. No final do capítulo 1 é feita uma revisão bibliográfica abordando os conceitos de momento fletor em duto de seção circular, Flow Stress, critério NSC geral e simplificado, aplicação de reparo FRP em dutos com defeito e definições de malha e seus elementos, sólido e de casca (Shell), para análise em elementos finitos. No capítulo 2 é apresentada a metodologia proposta para a análise do momento no duto com defeito externo reparado com CFRP. Diferentes geometrias do defeito e diferentes configurações do compósito são consideradas no estudo analítico. Neste capítulo também é apresentado o estudo por elementos finitos que foi feito para comparar os resultados analíticos encontrados. Já no capítulo 3 os resultados da teoria proposta são apresentados em gráficos seguindo a mesma metodologia utilizada por Rahman et al [13] e Han et al [8]. Em seguida, novos gráficos são traçados, dessa vez adicionando os pontos discretos, os quais representam os resultados do modelo numérico (análise em elementos finitos). 8 Por fim, no capítulo 4 são apresentadas as conclusões do estudo, bem como algumas sugestões para trabalhos futuros. 9 1.3.Revisão Bibliográfica 1.3.1. Tensão devido ao momento fletor em duto de seção circular Segundo Hibbeler [9], a tensão devido ao momento fletor, também chamada de tensão de flexão, relaciona a distribuição de tensão longitudinal de um duto ao momento fletor resultante interno que atua na sua seção transversal. Para isso, é suposto que o material se comporta de maneira linear-elástica de modo que a Lei de Hooke a ele se aplica, isto é, σ = E.ε. Uma variação linear da deformação normal deve ser a consequência de uma variação linear na tensão normal. Então, como a variação da deformação, σ varia de zero no eixo neutro do elemento a um valor máximo, σmax, à distância Ro (raio externo) mais afastada do eixo neutro, como ilustrado na Figura 5. Figura 5 – Distribuição da tensão de flexão num duto Devido à proporcionalidade dos triângulos, ou usando a Lei de Hooke, pode-se escrever: ௬ ߪ = − ቀ ቁߪ ௫ ோ onde, ܴ[ ߳ ݕ, ܴ] (1) A equação 1 representa a distribuição de tensão sobre a área da seção transversal. A convenção de sinal estabelecida é significativa nesse caso. No caso do momento fletor M0 10 positivo, que atua na direção +x, valores positivos de y resultam em valores positivos de σ, ou seja, em uma tensão de tração, visto que atua na direção positiva de z. Se um elemento de volume do material for selecionado em um ponto específico da seção transversal, apenas tensões normais atuarão sobre ele. A posição do eixo neutro na seção transversal circular de um duto será no centro da seção, de modo que a força resultante produzida pela distribuição de tensão sobre a seção transversal deve ser igual a zero. Observando que a força ݀ ܣ݀ ߪ = ܨatua sobre o elemento infinitesimal arbitrário de área dA na Figura 5, tem-se que: ܨோ = ∑ ܨ௫ (2) 0 = ∫ ݀∫ = ܨ ߪ ݀ܣ (3) ௬ 0 = ∫ − ቀோ ቁߪ ௫ ݀ܣ 0= − ఙ ೌೣ Como σmax/Ro é diferente de zero: ோ ∫ ܣ݀ ݕ ∫ = ܣ݀ ݕ0 (4) (5) (6) A tensão na viga pode ser determinada considerando que o momento interno resultante M seja igual ao momento produzido pela distribuição de tensão em torno do eixo neutro. O momento produzido por dF em torno do eixo neutro, na Figura 5, é ݀ܨ݀ ݕ = ܯ. Como ݀ܣ݀ ߪ = ܨ, usando a Equação (1), tem-se que: ( ܯோ )௭ = ∑ ܯ௭ Logo, (7) ௬ ∫ = ܯ ∫ = ܨ݀ ݕ ∫ = )ܣ݀ ߪ(ݕ ݕቀோ ߪ ௫ቁ݀ܣ = ܯ ఙ ೌೣ ோ ∫ ݕଶ݀ܣ (8) (9) 11 A integral representa o momento de inércia I da área da seção transversal calculado em torno do eixo neutro. Portanto, a Equação (9) pode ser escrita da forma: ߪ ௫ = ெ ோ onde, ூ ܴ = ݕ ௫ (10) A tensão normal na distância intermediária y pode ser determinada por uma equação semelhante à Equação 10: ߪ= ெ ௬ ூ (11) 12 1.3.2. Flow Stress Flow Stress é uma tensão entre o escoamento e o limite de resistência a tração. Ela é definida como o menor valor de tensão requerido para manter uma determinada deformação plástica no material, como é mostrado na Figura 6. Em outras palavras, a Flow Stress é como uma tensão de escoamento expressa como função da deformação plástica do material, a qual segue a relação: ߪ = ߝܭ (12) Onde K é a resistência plástica e n é o coeficiente de encruamento. Figura 6 – Diagrama tensão x deformação De acordo com Hensel [2] existem vários parâmetros que afetam a Flow Stress do material. Alguns exemplos são apresentados na Figura 7. Seu valor pode aumentar ou diminuir dependendo da composição química do material; quanto maior o grau de pureza do material, maior será a Flow Stress; A mudança da estrutura cristalina decorrente da 13 conformação ou do tratamento térmico também afeta a Flow Stress; Assim como a mudança de fase, a estrutura cristalina ou tamanho do grão. Figura 7 – Fatores que influenciam a Flow Stress; a) Composição química, b) Pureza, c) Estrutura cristalina, d) Transformação de fase da rede cristalina, e) Método de fabricação, f) Tamanho do grão [2] Flow stress é comumente utilizada como tensão limite em estudos de colapso de dutos. A teoria Net-Section-Collapse, citada na seção 1.3.3 e Miyazaki e al [11], em seu experimento, utilizam a Flow Stress como tensão admissível em seus estudos. 14 1.3.3. Net-Section Collapse 1.3.3.1. Net-Section-collapse – Introdução Net-Section-collapse (NSC) é um método desenvolvido para verificar a integridade estrutural de um duto que apresenta uma determinada perda de espessura (defeito), seja ela constante ou variável, em sua seção transversal. Neste critério, são avaliados os carregamentos externos limites, ou seja, os carregamentos admissíveis antes da falha do duto. Este método, originalmente desenvolvido no Eletric Power Research Institute (EPRI) Project RP585, segundo Kanninen e al [10], pode ser utilizado no cálculo do máximo carregamento de um duto quando a tenacidade à fratura de seu material é suficientemente grande para, assim, garantir que sua falha seja definida pela flow stress, e o crescimento do defeito é desprezível, ou seja, considerado constante em relação ao tempo. Dessa forma, o método NSC tem sido utilizado pela ASME Seção XI [3] como um dos mecanismos de falha na determinação do critério de aceitação de um duto com defeito. Os defeitos nos dutos rígidos geralmente apresentam geometrias complexas, como por exemplo, a geometria apresentada na Figura 8, que consiste numa Intergranular StressCorrosion Crack (IGSCC), ou corrosão intergranular. Trata-se de um defeito interno, com 360 graus de abrangência, e com diferentes espessuras ao longo da seção. Nesta figura, percebe-se claramente a grande variação da espessura do defeito em torno da circunferência do duto. 15 Figura 8 – Defeito na seção de um duto devido à corrosão intergranular [13] Outro exemplo pode ser visto na Figura 9, a qual apresenta um defeito interno, também devido à corrosão, num duto do gerador diesel de emergência do sistema de abastecimento de água na Planta Haddam Neck [13]. As diferentes medidas de espessura foram medidas por ultrassom, e confirmaram uma variação de 7 a 63.5% da espessura. Estes exemplos, definitivamente, não seguem nenhuma geometria pré-definida, por isso apresentam maior dificuldade na modelagem do problema. 16 Figura 9 – Exemplo de defeito interno devido à corrosão [13] 1.3.3.2. Equação Geral – Net-Section-collapse O método Net-Section-collapse (NSC) é baseado no carregamento limite de dutos com defeitos (perda de material) circunferenciais. Dado um duto de seção circular com uma variação de espessura circunferencial interna, ou seja, um defeito conforme Figura 10, são considerados os raios externo e interno Ro e Ri, respectivamente, e espessura t. Este duto é então, submetido a um momento fletor e uma pressão interna. Denota-se, então, como 2θ o ângulo total da abertura do defeito na seção e a(ξ) a espessura do defeito, a qual é função da coordenada angular ξ medida do eixo y. O defeito é considerado simétrico em relação ao eixo y, dessa forma é assegurada a distribuição 17 simétrica da tensão na análise NSC. Na realidade, dificilmente haverá casos em que a geometria do defeito é simétrica em relação ao eixo x, porém, para efeito de cálculos, é possível considerar o defeito mais crítico para os dois lados do eixo x de forma conservadora, ou seja, “espelhar” o defeito com maiores dimensões em relação ao eixo x. Assim haverá simetria em relação à x, e a linha neutra N.A., apesar de se deslocar, será sempre paralela ao eixo z, o que garante o equilíbrio do momento fletor externo aplicado. Figura 10 – Distribuição de tensão num duto [13] De acordo com a variação de 2θ e a(ξ) haverá mudança na área tensionada e, principalmente, no momento polar de inércia. A linha neutra (N.A.) se deslocará do centro da seção para a região menos defeituosa da seção, como mostra a Figura 10. O método NSC é comumente dividido em dois casos: Primeiro caso: Considera que o defeito está presente em apenas um dos lados da linha neutra, ou seja, θ<π-β (Veja a Figura 10). Então, da equação do equilíbrio de forças tem-se: 18 ఏ ଵ 2ߪܴ ݐቂ∫ ൬1 − ௧ ܽ(ߦ) ൰݀ߦ+ (ߨ − ߚ − ߠ)ቃ= ߨܴଶ Onde, ߚ= భ ഇ గି ∫బ (క)ௗక Da equação do equilíbrio do momento: ఏ ଶ − గோమ గିఉ ଵ (14) ସఙ ோ ௧ = ܯ2ߪܴଶ ݐቂ∫ ൬1 − ௧ ܽ(ߦ) ൰cos ߦ݀ߦ+ ∫ఏ Neste caso o momento fletor limite é dado por (13) గିఉ cos ߦ ݀ߦ+ ∫ఏ ଵ ఏ = ܯ2ߪܴଶ ݐቂ2 sin ߚ − ∫ ܽ(ߦ) cos ߦ݀ߦቃ ௧ cos ߦ ݀ߦቃ(15) (16) Segundo caso: Considera que o defeito está presente nos dois lados da linha neutra, ou seja, θ>π-β. Veja a Figura 11. Do equilíbrio das forças, tem-se: గିఉ 2ߪܴ ݐቂ∫ ఏ ଵ ଵ ൬1 − ௧ ܽ(ߦ) ൰݀ߦ− (ߨ − ߠ) − ∫గିఉ ൬1 − ௧ ܽ(ߦ) ൰݀ߦቃ= ߨܴଶ( 17) Figura 11 – Distribuição de tensão numa seção defeituosa, onde θ>π-β, utilizando critério NSC [13] 19 Onde, ߚ = ݂ଵ ቀܴ , ݐ, , ߪ, ܽ(ߦ)ቁ (18) Do equilíbrio dos momentos, ଵ గିఉ = ܯ2ߪܴଶ ݐቂ2 sin ߚ − ௧ ∫ ଵ ఏ ܽ(ߦ) cos ߦ݀ߦ + ௧ ∫గିఉ ܽ(ߦ) cos ߦ݀ߦቃ (19) Neste método, integrais similares envolvendo a(ξ) aparecem tanto na equação de β como na equação do momento M. Como, na realidade, a geometria do defeito geralmente apresenta-se muito irregular, chegar a uma função da profundidade do defeito a(ξ) para, em fim, calcular sua integral talvez seja o mais trabalhoso para a aplicação dessa metodologia. As equações apresentadas para os dois casos são válidas para os dutos que possuem defeitos circunferenciais com uma geometria arbitrária, porém apresentando simetria em relação ao eixo y. Estas são as equações denominadas Equações NSC Generalizadas. Uma observação importante a ser feita, é que a relação Rm / t é suficientemente grande para garantir a aproximação da metodologia de tubo de parede fina. 1.3.3.3. Equações simplificadas - Net-Section-Collapse O critério NSC prevê ainda simplificações na geometria do defeito para maior agilidade nos cálculos, obviamente de forma conservativa. Para isso, assume-se que a função profundidade do defeito a(ξ) pode ser constante (a0) ou pode variar de forma elíptica ou parabólica (Veja a Figura 12). Com isso as fórmulas para o momento fletor podem ser menos extensas, o que agiliza a compilação dos resultados. Neste caso, a equação de a(ξ) é dada por: ܽ, ݁ݐ݊ܽݐݏ݊ܿ ݐ݂݅݁݁݀ ܽݎܽ ܽ(ߦ) = ቐ ܽඥ1 − (ߦ/ߠ)ଶ, ݈݁ ܽ ݉ݎ݂ ݉ܿ ݐ݂݅݁݁݀ ܽݎܽí ܽܿ݅ݐቑ ܽ(1 − ߦ/ߠ)ଶ, ܾܽݎܽ ܽ ݉ݎ݂ ݉ܿ ݐ݂݅݁݁݀ ܽݎܽó݈݅ܿܽ (20) 20 O critério (a) da Figura 12 é o método utilizado atualmente pela ASME Seção 11 [3]. Figura 12 – Critério NSC simplificado [13] Rahman et al [13] apresenta um exemplo numérico, com o objetivo de comparar os resultados dos três casos (defeito constante, elíptico e parabólico). No exemplo, foram assumidos o diâmetro externo, a espessura e sua Flow stress. O duto foi sujeito a um determinado momento fletor combinado a uma pressão interna. 21 Nos três casos, a espessura do defeito a0 foi definida tendo seu valor máximo no eixo y, com os valores a0 / t = 0.1 e a0 / t = 0.9. Utilizando a Equação (20) de a(ξ) nas Equações (14) e (16) de β e M, respectivamente, foi possível chegar à relação M / M0, em relação ao ângulo do defeito em função de π (θ / π). Vale lembrar que o momento M0 é o momento limite do duto sem defeito, conforme apresentado na seção 1.2. O gráfico da Figura 13 mostra que a diferença entre os momentos NSC, considerando a espessura constante, elíptica e parabólica, é pequena perante a relação a0 / t = 0.1. Entretanto, para a relação a0 / t = 0.9, a diferença entre os resultados se torna bem maior. No gráfico pode ser observado também que a curva da espessura do defeito constante resulta momentos limite menores para o problema. Isso indica que a metodologia que considera a espessura constante em todo o defeito é mais conservadora que as demais. Figura 13 – Momento normalizado NSC em relação ao ângulo do defeito [13] 22 Portanto, considerando a espessura do defeito constante (a0 = d), as equações de β e M podem ser expressas seguindo a seguinte relação para os dois casos: Primeiro caso (θ < π-β): ߚ= Onde, గ (ଵିఎ)ఏ ൬1 − ଶ ߟ= Assim, గ − ଶగோ ௧ఙ ൰ ௧ିௗ (21) (22) ௧ ≅ ܯ2ߪܴଶ [ݐ2 sin ߚ − (1 − ߟ) sin ߠ] (23) Analogamente, para o segundo caso (θ > π-β): ߚ= గ ଶఎ ൬2ߟ + (ଵିఎ)ఏ గ − 1− ଶగோ ௧ఙ ൰ ≅ ܯ2ߪܴଶ [ݐ2ߟsin ߚ + (1 − ߟ) sin ߠ] (24) (25) Se a pressão interna p for considerada igual a zero, é possível obter as equações do momento fletor limite, puramente. Eliminando então o termo que possui p na Equação de β, têm-se as novas relações para o momento limite. Para θ < π-β: ߚ= Onde M0 é expresso por, గ ቀ1 − ଶ (ଵିఎ)ఏ గ ܯ ≅ ܯ ቂsin ߚ − ቁ (26) (ଵିఎ) ଶ sin ߠቃ ܯ = ߪܴଶ ݐ Para θ > π-β: ߚ= గ ଶఎ ቀ2ߟ + (ଵିఎ)ఏ గ − 1ቁ (27) (28) (29) 23 ܯ ≅ ܯ ቂߟsin ߚ − (ଵିఎ) ଶ sin ߠቃ (30) A Figura 14 mostra a relação entre o momento limite, o ângulo (tamanho circunferencial) e espessura do defeito. O lado esquerdo da reta onde θ = π- β, representa os resultados das fórmulas (26) a (27), e o lado direito (29) e (30). Figura 14 – Momento limite do duto baseado no critério NSC com espessura de defeito constante [8] 24 1.3.4. Aplicação do reparo usando compósito em dutos com defeito 1.3.4.1. Metodologia de reparo usando material compósito Os dutos são componentes de grande responsabilidade nas operações industriais, principalmente na offshore/subsea. São elementos que estão sujeitos à corrosão externa e danos mecânicos durante sua vida útil, por isso, geralmente eles são reparados para garantir sua integridade original quando em operação. Dentre as técnicas convencionais de reparo, está a aplicação de um colar (clamp), seja ele soldado ou parafusado, no diâmetro externo do duto, conforme é citado por Alexander e Ochoa [1] e Chappeti e al [4]. Esta operação envolve muitas dificuldades durante a sua instalação: o peso da peça e o processo de soldagem num duto que está em serviço acabam gerando riscos e comprometendo a segurança, além de apresentar um custo elevado. A solução que vem ganhando espaço no mercado é a aplicação do reparo de compósito na região do defeito, o qual é chamado Fiber Reinforced Polymer (FRP). Esta alternativa tornou-se atrativa pelo fato de apresentar baixo custo, baixo peso, não requer soldagem e é de simples instalação. De acordo com Duell e al [7], algumas análises realizadas por indústrias comprovaram que este tipo de reparo é, em média, 24% mais barato que os reforços de aço, soldados em torno do duto, e 73% mais barato que a troca do segmento do duto com dano. Os FRPs apresentam alta resistência mecânica, boa resistência à corrosão e grande durabilidade. No mercado, três tipos de material podem ser utilizados na matriz do FRP. As fibras, de vidro e a de aramida, oferecem um custo menor, entretanto sua resistência mecânica é consideravelmente menor que a fibra de carbono, por isso tem-se adotado mais 25 os Carbon Fiber Reinforced Polymer (CFRPs). O CFRP apresenta maior impacto no aumento da resistência aos carregamentos externos, o que facilita alcançar a integridade estrutural original do duto. O compósito é feito da combinação de dois materiais, a fibra de carbono e a resina epóxi, os quais se agregam ao substrato, que é o aço do duto. Seu limite de resistência varia de acordo com as características de sua fabricação, ou seja, depende diretamente do número de fibras por milímetros quadrados utilizados na fabricação. 1.3.4.2. Aplicação de reforço com material compósito Atualmente, dois métodos são comumente utilizados na aplicação do reparo. O primeiro consiste na aplicação de uma seção de compósito pré-fabricada, colada na superfície externa do duto, conforme Figura 15. Este método é mais apropriado para dutos que possuem sua superfície externa sem irregularidades e um defeito de geometria simples como é mostrado na Figura 16. Figura 15 – Compósito pré-fabricado [1] 26 O outro método é modelar o compósito conforme a superfície e a geometria do duto e do defeito, o qual é mais recomendado para dutos com superfície externa irregular e com geometria de defeito complexa. Este método é também mais apropriado quando é requerida alta resistência na região colada. Figura 16 – Geometria do defeito no duto antes do reparo [7] Dois materiais são necessários para a fabricação e aplicação do compósito: a resina epóxi e a manta de fibra de carbono. A resina tem duas funções, preencher toda a região com defeito até garantir uma superfície regular de mesmo diâmetro externo do duto e misturar-se à manta de fibra de carbono durante seu enrolamento para a formação do compósito. A resina epóxi Diglycidyl Ether of Bisphenol-A (DGEBA) é comumente utilizada neste tipo de aplicação. A Figura 17 mostra o duto após a aplicação da resina para o preenchimento da região com defeito, antes da aplicação do compósito. 27 Figura 17 – Aplicação da resina para preenchimento do defeito do duto em laboratório [7] A Figura 18 apresenta um duto com a manta de fibra de carbono já enrolada. Esta figura mostra um método artesanal para aplicação do compósito, feito em laboratório. Figura 18 – Região do duto com defeito reparado em laboratório [7] O compósito, após ser moldado no duto, passa pelo processo de cura. Essa etapa depende do tempo e da temperatura do local. É comum a utilização de catalisadores para agilizar o processo. 28 A Figura 19 apresenta o esquema de um duto reparado com o compósito. O lado esquerdo da figura é a vista isométrica do duto reparado e o lado direito mostra a seção circular do duto com o sentido de enrolamento do compósito. Figura 19 – Aplicação do compósito no defeito do duto [17] 29 1.3.5. Análise em elementos finitos: Definição de malha 1.3.5.1. Malha com elemento sólido A malha com elemento sólido é o conjunto de elementos de geometria definida e seus respectivos nós, em três dimensões, o qual define e mapeia o modelo a ser estudado por método de elementos finitos. Essa malha é muito utilizada para peças e estruturas de geometria complexa e de orientação espacial, onde sua malha apresentar-se-á não uniforme. De acordo com Simo e Armero [14], o elemento sólido pode ter inúmeras geometrias, dentre elas o hexaedro, o tetraedro, a forma piramidal ou prismática. Ele pode apresentar diferentes quantidades de nós e diferentes graus de liberdades para cada nó. Figura 20 – Elemento de malha do tipo sólido Quadrático Hexaedro 30 O elemento sólido quadrático hexaedro, por exemplo, possui vinte nós por elemento e três graus de liberdade por nó, translação nas direções x, y e z. Estes elementos permitem análises de plasticidade, hiperelasticidade, fluência, grandes deslocamentos e grandes deformações. A Figura 20 apresenta alguns diferentes tipos de elementos sólidos quadráticos hexaedros para a formação da malha de FEA. 1.3.5.2. Malha com elemento de casca – Método Shell A malha Shell é o conjunto de elementos de geometria definida e seus respectivos nós, em uma ou duas dimensões, o qual define e mapeia o modelo a ser estudado. A utilização dessa malha com elemento de casca é recomendada para análises de estruturas que possuem espessuras finas ou moderadas, onde a largura e o comprimento do modelo são muito maiores que sua espessura. Trata-se de uma malha com elementos coplanares, onde é analisada a deformação da membrana formada pelos seus nós. O elemento de malha Shell, de acordo com Simo e Armero [14], pode ter diferentes características quanto à quantidade de nós e seus respectivos graus de liberdade. Elementos com quatro ou oito nós são comumente utilizados em MEF no método Shell. Cada nó geralmente possui apenas três graus de liberdade: translação nas direções x, y e z. Entretanto, para análises dinâmicas e térmicas, seja em regime estacionário ou transiente, inúmeros graus de liberdade podem ser combinados: translação, rotação, velocidade, aceleração e temperatura. Por exemplo, uma malha do tipo Shell Quadrilátero Linear pode apresentar quatro ou oito nós por elemento, com três graus de liberdade cada um: translação nas direções x, y e z, conforme mostra a Figura 21 e a Figura 22. 31 Figura 21 – Elemento de malha do tipo Shell Quadrilátero Linear Estes elementos são utilizados para análises com grandes deformações, lineares ou não lineares. Análises onde camadas podem ser feitas para a modelagem da geometria que, por exemplo, possui várias camadas de compósito ou compósito mais aço. Figura 22 – Elemento de malha do tipo Shell Quadrilátero Linear 32 Capítulo 2 Metodologia Proposta 2.1.Descrição matemática do problema Foi considerado um duto de comprimento L e raios externo e interno Ro e Ri, respectivamente. O defeito, de comprimento Ld, encontra-se no centro do duto conforme Figura 23. Foi inserido, então, um compósito de fibra de carbono de comprimento Lc e espessura tc em todo o perímetro da região com dano. Geralmente o volume do dano (a região sem material), entre o duto e o reparo, numa aplicação real, é preenchido com resina epóxi conforme citado na seção 1.3.4.2, entretanto, para efeito de cálculo, esta região foi conservadoramente considerada sem material. 33 É importante salientar que o valor do comprimento do defeito Ld foi mantido constante e seguindo a relação: ඥோ ௧ ≥ 1.5 (31) Esta relação foi descrita por Han et al [8] para não haver divergências nos resultados pois, segundo Han, para valores menores que 1.5 na Equação (31) as bordas do defeito influenciam nos resultados. Outras considerações importantes foram referentes ao compósito utilizado. Apesar de a CFRP apresentar propriedades ortotrópicas, seu módulo de elasticidade, módulo tangente e coeficiente de poisson foi tomado como isotrópico. Esta consideração não deve impactar em grandes proporções nos resultados, visto que a tensão devido ao momento fletor atua apenas na direção longitudinal do duto (direção z). A outra simplificação foi para o comprimento Lc do compósito, o qual também foi considerado constante, seguindo a relação da Equação (31). Figura 23 – Geometria do duto e sua respectiva aplicação do momento, a) Seção sem defeito, b) Seção com defeito 34 A Figura 23 apresenta as duas geometrias de duto, uma sem o defeito e outra com o defeito e com o reparo. Esta última foi considerada no estudo analítico. Na figura, é possível reparar o deslocamento da linha neutra de a) para b) devido ao defeito reparado. A Tabela 1 apresenta as propriedades mecânicas dos materiais utilizados. As propriedades do aço foram retiradas da norma ASTM A36. Para sua tensão admissível foi considerada sua respectiva Flow Stress. Já as propriedades do compósito (E e ν) foram consideradas apenas na sua direção longitudinal, e foram retiradas de [1] e [7]. Em relação à tensão admissível σadm do compósito, de fato, os CFRPs não são dimensionados pela Flow Stress nem pela tensão de escoamento, mas sim pelo seu limite de resistência a tração devido ao seu comportamento frágil (seu alongamento até a ruptura gira em torno de 1 a 2%, de acordo com Soutis e Fleck [16]). Seu limite de resistência a tração pode chegar a valores bem mais altos que 355 MPa, dependendo da organização e da direção das fibras. Entretanto, sabendo que no problema proposto, haverá regiões onde o compósito será comprimido, foi adotado de forma conservadora o valor 65% da menor resistência a compressão encontrada nos testes realizados por Darrel et al [5] em amostras de fibra de carbono com resina epóxi. Tabela 1- Propriedades mecânicas dos materiais utilizados Propriedades Componente Material σadm (Mpa) E (GPa) Poisson (ν) Duto ASTM A36 250 200 0.3 Reparo CFRP 355 70 0.196 35 2.2.Modelo analítico para duto com defeito externo reparado De posse dos dados do problema, foi desenvolvido, então, um modelo analítico para representar o comportamento mecânico do duto reparado em relação ao seu defeito e reparo. Primeiramente, num duto sem defeito, conforme apresentado na seção 1.3.1, a tensão atuante devido a um momento fletor (M0) pode ser dada por: ߪ = ସெ బோ (32) గ൫ோరିோర൯ Logo, para um material que apresenta uma tensão admissível σadm seu momento fletor limite será: ܯ = ఙೌ గ൫ோరିோర൯ ସோ (33) Durante o estudo, a Flow stress do material, citada na seção 1.3.2, foi considerada sua tensão admissível. Agora, considerando apenas o defeito, ainda sem o reparo, de acordo com [8], utilizando o critério NSC simplificado, onde o defeito possui profundidade constante, o momento fletor limite (M) pode ser calculado de duas formas: Primeiro caso: Considera que o defeito está presente em apenas um dos lados da linha neutra, ou seja, θ<π-β (Figura 23). Neste caso o momento fletor limite é dado por Onde, ܯ ≈ ܯ ቀsin ߚ − ߚ= గ ଶ (ଵିఎ) ଶ ቀ1 − sin ߠቁ (ଵିఎ)ఏ గ ቁ (34) (35) 36 Segundo caso: Considera que o defeito está presente nos dois lados da linha neutra, ou seja, θ>π-β. Neste caso o momento fletor limite é dado por: Onde, ܯ ≈ ܯ ቀߟsin ߚ + ߚ= గ ቀ2ߟ + ଶఎ (ଵିఎ) ଶ sin ߠቁ (ଵିఎ)ఏ గ − 1ቁ (36) (37) Dessa forma foi possível traçar um gráfico apresentando o comportamento do momento fletor limite (M) em relação à variação angular do defeito. Veja a Figura 24. Figura 24 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto sem reparo Agora, considerando um reparo conforme Figura 23, foi possível fazer a mesma relação. Para efeito de cálculos, foi considerado um tubo de parede fina (Rm<<t). Da Equação do equilíbrio do momento na Figura 23, tem-se: 37 ఉ Resolvendo, ∫ = ݎܨ݀ ∫ = ܯ (ߪௗ ܴ ܴ ݕ݀ )ݐcos ݕ (38) ఉ ߪ = ܯௗ ܴ ଶ∫ݐ cos ݕ݀ݕ (39) ߪ = ܯௗ ܴ ଶݐsin ߚ (40) Agora, considerando os dois materiais (aço e compósito), tem-se no equilíbrio de forças: ఉ గିఉ ∑ = ܨ2ܴ ቂ− (ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ ݀ ݕ+ ( ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ఏ ఏ ߪௗ ݐ) ∫ ݀ݕቃ= 0 ( ݀ ݕ+ ( ߪௗ ݐ − ݀) + (41) Considerando, Para θ < π-β, obtem-se: ߪ ത = ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ ߚ= (42) ೌ ഥ గିఙೌ ఙ ௗఏ (43) ഥ ଶఙ Na Equação de equilíbrio do momento fletor: ఏ గିఉ ( 2ܴଶ [ߪௗ ݐ − ݀) + ߪௗ ݐ] ∫ cos ݕ݀ݕ+ (ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ఏ ఉ ( ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ cos ݕ݀ݕ൨= 0 cos ݕ݀ݕ+ (44) Enfim, tem-se: = ܯ2ܴ ଶ൫2ߪ ത sin ߚ − ߪௗ ݀ sin ߠ൯ ெ ெబ = ଵ ܯ = 4ܴ ଶߪௗ ݐ ೌ ଶఙೌ ௧ೌ ൫2ߪ ത sin ߚ − ߪௗ ݀ sin ߠ൯ (45) (46) (47) 38 Analogamente, para θ > π-β: ߚ= ೌ ഥగ ఙೌ ௗ(ଶగିఏ)ିఙ ೌ ഥ൯ ଶ൫ఙೌ ௗିఙ = ܯ2ܴ ଶ൫2൫ߪത − ߪௗ ݀൯sin ߚ + ߪௗ ݀ sin ߠ൯ ெ ெబ = ଵ ೌ ଶఙೌ ௧ೌ ൫2൫ߪത − ߪௗ ݀൯sin ߚ + ߪௗ ݀ sin ߠ൯ (48) (49) (50) 39 2.3.Modelo numérico – Método de elementos finitos (FEA) 2.3.1. Modelo utilizando malha de elemento sólido Com o objetivo de validar a metodologia analítica desenvolvida neste trabalho foi utilizado um software de elementos finitos para a análise numérica do problema. Durante as análises numéricas, o comportamento dos materiais foi considerado elasto-plástico, ou bilinear. Como primeira análise, um duto foi modelado com defeito externo sem o compósito a fim de comparar os resultados aos apresentados em [13] e [8]. A geometria foi modelada com simetria em relação ao plano longitudinal xy e à seção transversal xz no centro do tubo (Figura 25). Figura 25 – Planos de simetria do duto com defeito sem compósito 40 Assim, o momento fletor foi aplicado em apenas uma das extremidades. A Figura 26 apresenta a condição de contorno do modelo. O lado direito da Figura 26 é o centro do tubo com a condição de simetria aplicada, e o lado esquerdo é a seção transversal da extremidade, onde o momento foi aplicado. Suas dimensões foram definidas unitárias, ou seja, o diâmetro externo D e o comprimento do lado analisado do duto 0,5L (lado direito do plano xz da Figura 25) equivalem a um milímetro. As demais cotas são valores percentuais. A Figura 26 mostra o duto com uma espessura de defeito d igual a 0,005D e espessura total igual a 0,05D. Já o defeito foi considerado em todo o comprimento L do duto para atender a Equação (31). Figura 26 – Condições de contorno para a análise do duto com defeito sem compósito 41 A análise foi realizada com algumas dimensões de defeito, e todos os resultados apresentaram-se de acordo com [13] e [8]. Um exemplo de resultado é apresentado no Apêndice C. Assim, o modelo e suas condições de contorno foram validados para as análises posteriores. 42 2.3.2. Modelo utilizando malha de elemento Shell Para agilizar o processamento dos resultados, o modelo citado na seção anterior foi otimizado com a malha de elemento Shell para a realização de todas as análises. Sendo assim, foram modeladas, primeiramente, duas membranas: A primeira representando a espessura interna do duto, ou seja, a espessura que começa do diâmetro interno até o limite onde possui uma seção de circunferência perfeita, sem o defeito; A segunda representando a espessura externa do duto, ou seja, toda a espessura que possui o defeito até o seu diâmetro externo. A Figura 27 explicita cada camada que substituiu as espessuras da geometria. Figura 27 – Camadas do modelo Shell e respectivas espessuras substituídas no modelo 43 Os resultados do modelo Shell, sem o defeito também foram validados e são apresentados no Apêndice C. Na etapa seguinte, o modelo pode então ser configurado com o proposto reparo em seu diâmetro externo. Sendo assim, a terceira e última membrana foi aplicada ao modelo considerando a espessura do compósito. Foram inseridas também todas as propriedades mecânicas dos materiais utilizados conforme Tabela 1, apresentada na seção 2.1. Análogo aos modelos anteriores, o momento fletor foi aplicado em uma das extremidades do duto. É importante salientar que o carregamento não foi aplicado na membrana que representa o compósito. A Figura 28 ilustra o carregamento no modelo Shell com defeito externo e com o reparo. Figura 28 – Geometria em formato Shell do duto com defeito externo e compósito 44 Com o modelo Shell foi possível conceber uma malha mapeada e confiável. A malha aplicada foi do tipo Shell Quadrilátero Linear, conforme seção 1.3.5.2, a qual possui quatro nós em cada elemento, com três graus de liberdade em cada um, translação nas direções x, y e z. A Figura 29 apresenta a malha do modelo. Figura 29 – Malha do modelo Neste modelo também foi considerada a simetria em relação ao plano longitudinal xy e à seção transversal xz no centro do duto, assim o momento foi aplicado apenas em um dos lados, garantindo o maior estado de tensões na seção transversal no meio do duto, local de interesse deste estudo. A Figura 30 e a Figura 31 ilustram as simetrias, longitudinal e transversal, respectivamente. 45 Figura 30 – Simetria longitudinal do modelo Shell Figura 31 – Simetria da seção transversal do modelo Shell 46 Outra importante consideração foi em relação à condição de contato entre o compósito e o duto. Durante todo o estudo utilizou-se o contato perfeitamente colado. A Figura 32 mostra o estado do contato entre o duto e o compósito. De fato, numa aplicação real como num teste, por exemplo, o estudo do contato entre o reparo e o duto deve ser mais apurado, pois é possível que este item interfira nos resultados. Figura 32 – Condição de contato entre o compósito e o duto Enfim, o modelo numérico foi configurado com suas devidas condições de contorno e simetrias aceitáveis para a geometria e para o tipo de carregamento. O modelo foi, então, parametrizado com várias geometrias diferentes, do dano e da espessura do compósito, além da mudança da tensão admissível do reparo. Dessa forma, foram realizadas trezentos e vinte e quatro (324) análises: 9 ângulos (2θ) x 9 espessuras (d) x 2 espessuras (tc) x 2 tensões admissíveis (σcadm) = 324 47 No Apêndice B são apresentadas as tabelas dos valores da parametrização do modelo. Cada linha da tabela representa uma análise diferente. Vale lembrar que, como o modelo é adimensional (D = 1 mm), os valores dimensionais das tabelas são valores percentuais de D. Os valores de tensão atuante em cada análise foram comparados à tensão admissível do duto σaadm. A razão entre elas foi tomada como o desvio entre o modelo analítico e numérico. 48 Capítulo 3 Resultados e Discussão 3.1.Resultados do Método Analítico De posse dos resultados analíticos do problema foi possível traçar os gráficos e analisar o comportamento do duto para diferentes casos. Para efeitos de comparação, a Figura 33 apresenta mais uma vez a redução do momento limite em relação ao aumento gradativo do ângulo e da espessura do defeito para um duto com defeito sem o compósito. Estes mesmos resultados foram adquiridos por Rahman et al [13] e Han et al [8]. As figuras seguintes apresentam a mesma relação, porém considerando o compósito. 49 Figura 33 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto sem reparo Na Figura 34 foi considerada uma espessura de defeito tc igual à espessura do duto. Já na Figura 35 tc foi considerada uma vez e meia maior. Analisando estes gráficos percebe-se que a variação de tc desloca todas as curvas das diferentes espessuras de defeito proporcionalmente para cima. Essa variação deve-se a σeq das fórmulas (47 e 50), a qual depende diretamente de tc. Nas duas figuras onde foram consideradas espessuras de reparo, analisando o eixo das ordenadas, pode-se verificar um crescimento de 2,4 a 3,2 vezes a resistência duto rígido em relação ao momento fletor. 50 Figura 34 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto com reparo (tc = ta) Comparando o gráfico da Figura 34 ao gráfico da Figura 33, confirma-se um deslocamento aproximado de 2.4 vezes o valor do momento limite. Ou seja, o compósito aumentou a resistência ao momento fletor do duto. Na comparação entre a Figura 35 e a Figura 33 o deslocamento é ainda maior, 3.2 vezes, aproximadamente. Isso se deve à maior espessura do compósito (1.5ta). 51 Figura 35 – Gráfico do comportamento do momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto com reparo (tc = 1,5ta) Assim, quanto maior a espessura do compósito, maior será a resistência ao momento fletor. O custo, neste caso, é um fator a ser considerado a fim de estabelecer a máxima espessura do reparo. Outro fator passível de delimitar a espessura é a interface com os demais elementos sejam eles da operação, instalação ou manuseio. Por exemplo, se o sistema de instalação tem uma limitação de diâmetro do duto, este será um dos fatores a ser considerado para a determinação da máxima espessura do compósito. Outra variável da formulação é σcadm. Este valor foi adotado como premissa 355 MPa no início do estudo. A Figura 36 apresenta a variação do momento fletor, agora com ߪௗ = 500ܽܲ ܯ. Dessa forma comprovou-se que o momento fletor limite também varia com as propriedades mecânicas do compósito. 52 Figura 36 – Momento fletor limite em relação ao crescimento angular do defeito para um duto com reparo (tc=ta e σcadm=500 MPa) 53 3.2.Resultados do Método Numérico – Comparação com o Método Analítico Os resultados do modelo em elementos finitos foram computados caso a caso. O modelo Shell possibilitou a análise do duto com várias geometrias diferentes, do dano e da espessura do compósito, além de mudança da tensão admissível do reparo, devido à otimização do tempo de processamento, O ponto da seção estudado foi o mesmo utilizado no modelo analítico, raio externo na região com defeito, no centro longitudinal do duto. Como o interesse é a integridade do duto, a tensão atuante no raio externo do compósito não foi analisada caso a caso, tendo em vista sua maior tensão admissível σcadm associada aos valores de diâmetro externo maiores que do duto e espessura, pelo menos, igual a do duto. A Figura 37 mostra a vista lateral e frontal do duto, com seu respectivo ponto de tensão em azul. Figura 37 – Ponto de tensão analisado no modelo FEA 54 A seção central do duto, onde se encontra o defeito e onde foi analisada a tensão, apresentou-se com uma distribuição de tensão uniforme, dependendo apenas da geometria do modelo, ou seja, não houve distorção dos resultados devido à aplicação do momento fletor na extremidade do duto. A Figura 38 apresenta a distribuição da tensão no duto numa vista lateral, onde é explicitada a distorção de resultados na região de aplicação do momento fletor (lado esquerdo da figura) e a atenuação do efeito em direção ao centro do duto (lado direito da figura). Figura 38 – Distorção e distribuição de tensão no duto – Vista lateral – Aplicação de momento fletor do lado esquerdo e condição de simetria do lado direito A garantia de ausência de distorção na região estudada foi possível devido ao alto valor considerado para a razão entre o comprimento do duto L e a sua respectiva espessura ta, ou seja, L/ta = 40. 55 Na sequência, todos os resultados da análise numérica foram inseridos nos gráficos do modelo analítico para a comparação dos resultados. Analisando as figuras a seguir, pode-se conferir a validade do modelo devido à compatibilidade com os resultados obtidos em FEA. Os pontos discretos do gráfico mostram os resultados do modelo numérico e apresentam uma linha de tendência muito próxima das curvas analíticas. Figura 39 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = ta) 56 Figura 40 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = 1.5ta) Figura 41 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = ta, σcadm = 500MPa) 57 Figura 42 – Momento fletor limite: Método analítico x Método numérico (tc = 1.5ta, σcadm = 500MPa) O maior desvio encontrado entre as análises foi de 2.29%. Alguns destes resultados foram inseridos nas tabelas a seguir, onde possível comparar os desvios para diferentes casos. Tabela 2- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,1 d/t tc/ta σcadm (MPa) Desvio M/M0 (%) 0,2 1 355 1.16 0,4 1 500 0.36 0,6 1.5 355 -0.64 0,8 1.5 500 -0.09 58 Tabela 3- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,3 d/t tc/ta σcadm (MPa) Desvio M/M0 (%) 0,2 1 355 0.17 0,4 1 500 0.81 0,6 1.5 355 0.95 0,8 1.5 500 0.92 Tabela 4- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,5 d/t tc/ta σcadm (MPa) Desvio M/M0 (%) 0,2 1 355 0.15 0,4 1 500 0.13 0,6 1.5 355 1.59 0,8 1.5 500 1.69 Tabela 5- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,7 d/t tc/ta σcadm (MPa) Desvio M/M0 (%) 0,2 1 355 -0.69 0,4 1 500 -1.31 0,6 1.5 355 -1.61 0,8 1.5 500 -0.72 59 Tabela 6- Resultados analíticos x resultados numéricos para θ/π = 0,9 d/t tc/ta σcadm (MPa) Desvio M/M0 (%) 0,2 1 355 0.21 0,4 1 500 0.16 0,6 1.5 355 0.28 0,8 1.5 500 0.18 60 Capítulo 4 Conclusões e Sugestões para Trabalhos Futuros 4.1.Conclusões A aplicação do compósito no contorno do defeito mostrou-se influente em seu momento fletor limite. A utilização da metodologia NSC para o desenvolvimento da fórmula do momento fletor limite de um duto reparado foi validada e apresentou-se com desvios desprezíveis quando comparada às análises numéricas. A espessura do reparo e sua tensão admissível são diretamente proporcionais ao momento fletor limite, ou seja, quanto maior a espessura do reparo e sua tensão admissível maior será a resistência ao momento. É importante enfatizar que, utilizando a simples equação desenvolvida neste estudo, é possível estimar a espessura do compósito necessária para reparar o defeito do duto para, 61 assim, garantir sua integridade estrutural original. Os dados são obtidos em segundos, sem haver a necessidade de usar softwares de elementos finitos, os quais necessitariam de um longo tempo de processamento. Outra informação importante para os responsáveis pelo manuseio, instalação e operação do duto é o valor do menor raio de curvatura admissível para o duto sem que ele saia do seu regime elástico, o qual também pode ser determinado pela metodologia apresentada neste trabalho. É altamente recomendada a utilização do limite de resistência à compressão do CFRP para sua tensão admissível nos cálculos, visto valor ser conservador nos cálculos. Em suma, a análise do momento fletor limite para dutos com defeito externo reparado por compósito, oferece resultados coerentes e confiáveis para aplicações na indústria. 62 4.2.Sugestões para Trabalhos Futuros 4.2.1. Estudo do critério NSC num duto reparado sujeito a momento e pressão Um duto rígido geralmente está sujeito a diferentes tipos de carregamentos. Por isso, para um trabalho futuro, é altamente recomendado o desenvolvimento do método analítico NSC para um duto com defeito, reparado com compósito, considerando não só o momento, mas também pressões, externa e interna, e carga axial. 4.2.2. Análise por elementos finitos – Propriedades Ortotrópicas A metodologia analítica desenvolvida neste presente trabalho foi validada por métodos de elementos finitos. Entretanto, devido à necessidade de rápido processamento dos resultados (324 análises, conforme citado na seção 3.2), as propriedades mecânicas do compósito foram tomadas como isotrópicas, e não ortotrópicas como é na realidade. Por isso, num trabalho futuro, algumas das 324 configurações podem ser analisadas por FEA considerando o compósito com propriedades ortotrópicas e, em seguida, comparar os resultados aos apresentados em 3.2. De fato, os resultados devem ser próximos devido ao modelo possuir tensões apenas na direção longitudinal (z) do duto. 4.2.3. Teste de Flexão no duto com defeito e com compósito A realização do teste de flexão no duto com defeito e com a aplicação de compósito é uma importante sugestão para um trabalho futuro. Com ele, os resultados empíricos podem ser comparados aos analíticos e numéricos. É importante salientar que, nos estudos, analítico e numérico, o compósito foi considerado perfeitamente colado, ou seja, num 63 possível teste, deve-se realisar um estudo aprofundado da aderência do compósito no duto, e levar esta variável em consideração na discussão dos resultados finais. Outro item importante a ter atenção no teste é a geometria do defeito. Ela deve ser conhecida e simétrica em relação ao eixo perpendicular ao eixo da linha neutra (eixo y deste presente estudo) para garantir que a distribuição do momento interno no duto ocorra sobre o eixo da linha neutra (direção x), o que garantirá o equilíbrio do momento fletor externo aplicado. 4.2.4. Estudo do máximo comprimento do reparo de compósito Conforme citado na seção 1, os dutos rígidos têm vasta aplicação em diferentes setores industriais. Nas aplicações subsea, os dutos rígidos SCR, podem ser enrolados em bobinas durante a instalação e podem operar com determinados raios de curvatura. Estes raios são determinados durante o desenvolvimento do projeto do duto, considerando sua rigidez e buscando manter sua integridade. Num suposto caso de aplicação de compósito num SCR, o menor raio de dobramento do duto será afetado na região reparada. O impacto no valor do raio dependerá do comprimento do reparo de compósito devido à diferença de rigidez entre os materiais, além das diferentes propriedades de alongamento. Este estudo é recomendado porque tratará o mesmo problema, porém considerando máximas deformações ao invés de máximos carregamentos. 64 Referências Bibliográficas [1] Alexander C, Ochoa Ozden O, Extending onshore pipeline repair to offshore steel risers with carbon–fiber reinforced composites, Composite Structures, United States, 92, 499-507, 2010; [2] Arno Hensel, Technologie der Metallformung -Eisen- und Nichteisenwerkstoffe, ISBN, 3, 342-00311-1, 1990; [3] ASME Boiler & Pressure vessel Code Section XI, Rules for In-service Inspection of Nuclear Power Plant Components, Division 1, 1997, IWB-3500 and IWB-3600; [4] Chappeti M D, Otegui J L, Manfredi C, Martins C F, Full scale experimental analysis of stress states in sleeve repairs of gas pipelines, International Journal of Pressure Vessels and Piping, Argentina, 78, 379-387, 2001; [5] Darrel P, Daniel D, John F, Douglas S, Compression Strength of carbon fiber laminates containing flaws with fiber waviness, Montana State University, United States, 59717; [6] Det Norske Veritas, DNV-OS-F101 Submarine Pipeline Systems, 2000; [7] Duell JM, Wilson JM, Kessler MR, Analysis of a carbon composite overwrap pipeline repair system, International Journal of Pressure Vessels and Piping, USA, 85, 782-788, 2008; [8] Han Liang-hao, He Shu-yan, Wang Ying-pei, Liu Ceng-dian, Limit moment of local wall thinning in pipe under bending, International Journal of Pressure Vessels and Piping, China, 76, 539-542, 1999; [9] Hibbeler R C, Resistência dos Materiais, 5a Edição, c2004. 688p; [10] Kanninen M F, Broek D, Marschall C W, Rybicki E F, Sampath S G, Simonen F A and Wilkowski G M, Mechanical fracture predictions for sensitized stainless steel 65 piping with circumferential cracks, EPRI NP-192, Electric Power Research Institute, Palo Alto, CA, 1976; [11] Miyazaki K, Kanno S, Ishiwata M, Hasegawa K, Ahn S H, Ando K, Fracture behavior of carbon steel pipe with local wall thinning subjected to bending load, Nuclear Engineering and Design, Japan, 191, 195-204, 1999; [12] Moulin D, Touboul F, Foucher N, Lebey J, Acker D, Experimental Evaluation of J in Cracked Straight and Curved Pipes Under Bending, Nuclear Engineering and Design, CEA-CEN Saclay, Gif sur Yvette, France, 171, 33-43, 1997. 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Mattedi1 and L.C.S. Nunes2 Pós-Graduação em Engenharia Mecânica - PGMEC / Departamento de Engenharia Mecânica - TEM Universidade Federal Fluminense – UFF Laboratório de Mecânica Teórica e Aplicada – LMTA Rua Passo da Pátria, 156, Bloco E, Sala 216, Niterói, RJ CEP 24210-240, Brasil ________________________________________________________________________________________ Abstract: Local wall thinning on pipelines or pressure vessels are common in industry and, usually, they occur because of the corrosion or mechanical damages. To study the impacts that these cracks do on pipelines, some analytical models and some failure criterion are mentioned. One of them is called Net-Section-Collapse Analysis (NSC), which predicts the maximum moment of a circumferentially cracked pipe with a variable-depth internal surface crack subject to loads like bending moment and, eventually, tension (pressureinduced). To preserve the structural integrity and stop the external corrosion on crack point, an important method has been developed. It is a composite overwrap pipeline repair system. In this method, a composite, usually a carbon fiber, is applied circumferentially around the defect on external face of pipeline. In this paper will be presented the study of limit moment of local wall thinning in rigid pipeline under bending and repaired by a composite around the crack. In this context the value of limit bending moment will be analyzed as a function of some discrete values of depth and angle of surface crack. In order to validate the method, the analytical results are compared with a commercially available finite element code. Keywords: limit moment, local wall thinning, pipeline, repair system. ________________________________________________________________________________________ NOMENCLATURE θ β Ro Ri Half of local thinning angle Half of neutral angle External radius of pipe Internal radius of pipe 1 Author contact: +55 27 99812878 Email: [email protected] 2 Author contact: +55 21 98188460 Email: [email protected] 68 Rm ta tc d η Ld L N.A. σaadm σ0 a(ξ) M0 M Average radius of pipe Thickness of pipe Thickness of composite repair Crack depth (radial direction) (t-d)/t Longitudinal thinning length Pipe length Neutral axis Allowable strength (Limit strength considered for each material) Strength for pipe without crack under limit bending moment Function of crack depth Limit bending moment for pipe without crack Limit bending moment for pipe with crack and repair applied 1. INTRODUCTION In industry, especially of oil and gas, there is a wide application of rigid pipelines. According to Duell et al. (4) there are more than 1,7 million kilometers of oil and gas pipelines in operation. In North America, it is expended around two or three billion dollars with repairing or replacement of pipelines with failing, been by wear or abrasion, or even mechanical damage. For example, on offshore/subsea segment the risers can be rigid pipelines. They are called Steel Catenary Riser (SCR) (3). These pipes are usually submitted to external loads from their laying step to their operation step. In other engineering areas like energy and mining, they also have rigid pipelines in production plants. All of them are subjected to beginning of failing on their structures and in this case, it is important to know how to solve the problem. Several works have been developed to have the knowledge of mechanical properties of material and the limit loads allowable for determinate application of pipeline. RAHMAN (6) offers a generalized method of Net-Section-Collapse (NSC), where the limit bending moment depends on the angle (2θ) and the radial depth of local thinning, which is a function of crack a(ξ), where 0 < ξ < θ. Nevertheless, ASME Section XI (1) considers the same methodology NSC, but the depth of crack is a constant (d) and it is defined by the biggest value of a(ξ). The longitudinal thinning length has theoretically no effect on limit bending moment in analytical calculation, however HAN et al. (5) have proved by finite elements method that there is an effect, which is associated to the constraint of remaining material surrounding local wall thinning. In work developed by HAN et al., the same methodology of ASME Section XI was used. The Net-Section limit moments was also the subject of papers issued by SONG et al. (7) and MOULIM et al. (8). However, both made an additional calculation for elbows. MOULIM et al. have performed an experimental to confirm the analytical methodology. The purpose of this work is to investigate the limit moment of local wall thinning in rigid pipeline under bending. It is considered a failing the loss of material in a determinate section of a pipe. In the present analysis, this cracked pipeline is repaired using composite material. In this context the value of limit bending moment is analyzed as a function of some discrete values of depth and angle of surface crack. Finally, the analytical results are 69 confronted to commercially available finite element code. 2. CASE DESCRIPTION A pipe was considered with length L and external and internal radius, Ro and Ri, respectively. The local wall thinning, which has longitudinal length Ld, is in the centre of the pipe, see Figure 1. Then, a carbon fiber composite with length Lc and thickness tc was applied around the damage. Normally, an epoxy resin is applied between the pipe and composite, in the failing region, but this was not considered in the present calculation. The strength for a pipe without crack under bending moment (M0) can be calculated as: ߪ = ସெ బோ గ൫ோరିோర൯ [1] Then, considering a material that presents an allowable strength adm , the limit bending moment will be: ܯ = ఙೌ గ൫ோరିோర൯ ସோ [2] This paper will consider that the yield strength of material is equal to allowable strength adm . Figure 1 – Geometry of pipeline, a) without crack, b) with crack and composite It is important to mention that the value of longitudinal thinning length Ld was considered constant and it follows the relation described on ref. (5). That is to avoid divergence on results, and it is given by: [3] Other important assumptions were adopted about the composite to expedite the 70 analyses. Although carbon fiber gives orthotropic properties its Young modulus, tangent modulus and Poisson coefficient were considered isotropic. Another simplification was to consider the equation [3] also for composite length (Lc) to avoid divergence on results. The behavior of materials was assumed as elastic-plastic, or bilinear, during numerical analyses by finite elements analysis (FEA). The table 1 presents the mechanical properties of the materials of pipeline and its repair. Table 1- Mechanical properties of materials Properties Component Material σadm (Mpa) E (GPa) Poisson (ν) Pipe ASTM A36 250 200 0.3 Tangent Mod. (Mpa) 2535 Repair Carbon fiber 355 23.4 0.196 7882 3. ANALYTICAL MODEL FOR PIPE WITH EXTERNAL LOCAL WALL THINNING REPAIRED BY COMPOSITE An analytical model was developed considering all data of the problem, to represent the relation of crack and repair geometries in a tube under bending. The Thin-walled tube method (Rm<<t) was considered for the formulation. According ref. (5), considering NSC simplified criterion, which its depth is a constant (d), the limit bending moment (M) can be performed by two cases, for now without repair: First case: The crack exists only in one side of neutral axis so, θ < π-β (Figure 1). In this case the limit bending moment is represented by: Where β is, ܯ ≈ ܯ ቀsin ߚ − ߚ= గ ଶ ቀ1 − (ଵିఎ) ଶ (ଵିఎ)ఏ ቁ గ sin ߠቁ [4] [5] Second case: The crack geometry overpasses to the other side of neutral axis so, θ > π-β. Then, the limit bending moment is: Where β is, ܯ ≈ ܯ ቀߟsin ߚ + ߚ= గ ଶఎ ቀ2ߟ + (ଵିఎ) ଶ (ଵିఎ)ఏ గ sin ߠቁ − 1ቁ [6] [7] Now considering the repair, the same relation can be performed. From the force equilibrium equation, on Figure 1: 71 ఉ ∫ = ݎܨ݀ ∫ = ܯ (ߪௗ ܴ ܴ ݕ݀ )ݐcos ݕ Solving, [8] ఉ ߪ = ܯௗ ܴ ଶ∫ݐ cos ݕ݀ݕ [9] ߪ = ܯௗ ܴ ଶݐsin ߚ [10] Considering both materials (steel and composite), the force equilibrium relation is: ఉ గିఉ ∑ = ܨ2ܴ ቂ− (ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ ݀ ݕ+ ( ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ఏ ఏ ߪௗ ݐ) ∫ ݀ݕቃ= 0 ( ݀ ݕ+ ( ߪௗ ݐ − ݀) + [11] Assuming that, ߪ ത = ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ For the first case (θ < π-β): ߚ= [12] ೌ ഥ గିఙೌ ఙ ௗఏ [13] ഥ ଶఙ So, the bending moment equilibrium equation is: ఏ గିఉ ( 2ܴଶ [ߪௗ ݐ − ݀) + ߪௗ ݐ] ∫ cos ݕ݀ݕ+ (ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ఏ ఉ ( ߪௗ ݐ + ߪௗ ݐ) ∫ cos ݕ݀ݕ൨= 0 cos ݕ݀ݕ+ [14] Then, the limit bending moment relation for the first case is given by: = ܯ2ܴ ଶ൫2ߪത sin ߚ − ߪௗ ݀ sin ߠ൯ ெ ெబ = ଵ ܯ = 4ܴ ଶߪௗ ݐ ೌ ଶఙೌ ௧ೌ ൫2ߪ ത sin ߚ − ߪௗ ݀ sin ߠ൯ [15] [16] [17] Analogously, in second case (θ > π-β): ߚ= ೌ ഥ గ ఙೌ ௗ(ଶగିఏ)ିఙ ೌ ഥ൯ ଶ൫ఙೌ ௗିఙ = ܯ2ܴ ଶ൫2൫ߪ ത − ߪௗ ݀൯sin ߚ + ߪௗ ݀ sin ߠ൯ [18] [19] 72 ெ ெబ = ଵ ೌ ଶఙೌ ௧ೌ ൫2൫ߪ ത − ߪௗ ݀൯sin ߚ + ߪௗ ݀ sin ߠ൯ [20] 4. NUMERICAL MODEL – FINITE ELEMENTS ANALYSIS (FEA) A numerical model was performed to validate the analytical method presented in section 3. This model was developed in finite elements software. The pipeline was modeled with the local wall thinning and the repair and all the mechanical properties presented on table 1 were also inserted on analyses. Two symmetry planes were applied in the geometry, one concerning the longitudinal plane and the other one concerning the transversal plane in the center of the pipe. Then, bending moment was applied only on pipe, not in the composite, in the end section of the pipe, only in one side, because of its symmetry. The Shell method was used to streamline the processing of results, being possible the modeling of three membranes; the first layer represents the internal sheath of pipe (the layer without failing); the second layer represents the external sheath of pipe (the layer with failing); and the last one represents the composite sheath. The Figure 2 presents the geometry rendered by Shell method. Figure 2 – Shell model of pipeline with external local wall thinning repaired It is important to mention that this model was compared to a conventional model (considering solid elements) used in (5) and there were not significant differences on the results. 73 Figure 3 – Mesh of model With the Shell model was possible to perform a refined mapped mesh that offers confinable results, as illustrated in Fig. 3. The mesh applied is the Shell Quadrilateral Linear type, which gives four nodes per element, with six degrees of liberty each, translation and rotation in direction x, y and z. Due to the symmetry of the pipe, the bending moment was applied only in one side. It guarantees the major plane of stresses is in the middle of the length pipeline. 5. RESULTS AND DISCUSSION By analytical model and numerical solution presented in previous sections, the results of the behavior of the pipeline considering different geometries of the crack and different mechanical properties of the composite was plotted and analyzed. Figure 4Figura 33 presents a decrease of limit bending moment considering a gradual growth of the angle and depth of local wall thinning for a pipeline without repair. This result is only for comparison. The others present the same relation, nevertheless, with the composite. Figure 4 – Limit bending moment considering the growth of angle and depth of crack for a pipeline without repair 74 In order to investigate the mechanical behavior of cracked pipe with repair the thickness of composite is varied. In Figure 5, the thickness of composite (tc) is taken equal to the thickness of the pipe (ta). In Figure 6, tc is equal to 1.5ta. Analyzing these results, it can be seen that the variation of tc displaces all the curves proportionally to up or down. This occurs because of σeq from equations [17] e [20], which depends directly on tc. Figure 5 – Limit bending moment considering the growth of angle and depth of crack for a pipeline with repair (tc = ta) Figure 6 – Limit bending moment considering the growth of angle and depth of crack for a pipeline with repair (tc = 1.5ta) Another important variable from the equation of limit bending moment is σcadm. In the present work, this value was adopted as 355 MPa in the beginning. Now, for evaluating the influence of this parameter, the Figure 7 presents the variation of limit bending moment with σcadm = 500 MPa. This result proves that the limit bending moment also varies with mechanical properties of the composite. 75 Figure 7 – Limit bending moment considering the growth of angle and depth of crack for a pipeline with repair (tc = ta and σcadm = 500 MPa) Figure 8 and Figure 9 show the compatibility of analytical and numerical results, and proves that the analytical model developed in this paper is valid. The discrete points on graph are the numerical results and gives trend lines close to analytical curves. The geometry and mechanical proprieties are the same previously presented in above analyses. Figure 8 – Limit bending moment: Analytical model x Numerical model (tc = ta) 76 Figure 9 – Limit bending moment: Analytical model x Numerical model (tc = 1.5ta) The major deviation founded between the analyses was 2.29%. Some of these results were added in the following tables, where is possible to compare the deviation for different cases. Table 2- Analytical results x numerical results for θ/π = 0.1 Deviation d/t tc/ta σcadm (MPa) M/M0 (%) 0,2 1 355 1.16 0,4 1 500 0.36 0,6 1.5 355 -0.64 0,8 1.5 500 -0.09 Table 3- Analytical results x numerical results for θ/π = 0.3 Deviation d/t tc/ta σcadm (MPa) M/M0 (%) 0,2 1 355 -0.17 0,4 1 500 -0.81 0,6 1.5 355 -0.95 0,8 1.5 500 -0.92 Table 4- Analytical results x numerical results for θ/π = 0.5 Deviation d/t tc/ta σcadm (MPa) M/M0 (%) 0,2 0,4 1 355 -0.15 1 500 -0.13 77 0,6 1.5 355 -1.59 0,8 1.5 500 -1.69 6. CONCLUSION The utilization of composite around the failing influences considerably on limit bending moment of the pipeline. The NSC method used to develop the expression of limit bending moment for a pipeline repaired was validated and gives inexpressive deviations when compared to numerical results. The thickness of the composite and its admissible strength are directly proportional to the limit bending moment, in other words, higher are these values, as higher will be the pipeline resistance for bending moment. The described analysis of limit bending moment for a pipeline with external local wall thinning repaired by composite presents consistent and reliable results for industry application. It is important to emphasize that using the simple expression, developed in this work, is possible to estimate the thickness of composite necessary to repair a damaged pipeline, in which the original mechanical behavior can be recovered. 7. 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0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 Tensão da Análise Numérica (Mpa) 246,222 247,096 247,990 248,973 249,870 250,696 251,377 251,807 251,699 246,652 247,945 249,191 250,388 251,332 252,172 252,673 252,775 252,176 248,402 249,566 250,561 251,460 252,281 252,775 252,917 252,579 251,670 248,847 249,513 250,053 250,523 250,895 251,204 251,390 Tensão admissível σaadm (Mpa) Desvio (Tensão Numérica / σaadm ) Momento corrgido (N.mm) 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 1,51% 1,16% 0,80% 0,41% 0,05% -0,28% -0,55% -0,72% -0,68% 1,34% 0,82% 0,32% -0,16% -0,53% -0,87% -1,07% -1,11% -0,87% 0,64% 0,17% -0,22% -0,58% -0,91% -1,11% -1,17% -1,03% -0,67% 0,46% 0,19% -0,02% -0,21% -0,36% -0,48% -0,56% 10,301 10,199 10,097 9,990 9,887 9,787 9,692 9,608 9,544 10,223 10,044 9,865 9,688 9,520 9,356 9,204 9,064 8,948 10,104 9,881 9,662 9,444 9,226 9,018 8,819 8,634 8,463 10,055 9,817 9,578 9,335 9,091 8,842 8,592 80 72 72 90 90 90 90 90 90 90 90 90 108 108 108 108 108 108 108 108 108 126 126 126 126 126 126 126 126 126 144 144 144 144 144 144 144 144 144 162 162 162 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 8,388 8,129 9,997 9,770 9,532 9,283 9,024 8,754 8,474 8,183 7,881 9,988 9,755 9,514 9,262 8,998 8,721 8,428 8,116 7,786 9,960 9,702 9,439 9,171 8,896 8,613 8,321 8,018 7,703 9,914 9,613 9,310 9,005 8,696 8,384 8,068 7,747 7,420 9,856 9,499 9,140 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 251,531 252,024 250,070 250,366 250,894 251,431 252,028 252,634 253,269 253,664 252,259 250,958 251,708 252,439 253,151 253,842 254,349 254,390 253,304 249,994 250,947 251,737 252,395 252,932 253,283 253,223 252,453 250,663 248,848 250,277 250,783 251,131 251,290 251,156 250,653 249,688 248,546 248,905 249,285 249,470 249,526 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 -0,61% -0,81% -0,03% -0,15% -0,36% -0,57% -0,81% -1,05% -1,31% -1,47% -0,90% -0,38% -0,68% -0,98% -1,26% -1,54% -1,74% -1,76% -1,32% 0,00% -0,38% -0,69% -0,96% -1,17% -1,31% -1,29% -0,98% -0,27% 0,46% -0,11% -0,31% -0,45% -0,52% -0,46% -0,26% 0,12% 0,58% 0,44% 0,29% 0,21% 0,19% 8,337 8,063 9,994 9,756 9,498 9,230 8,951 8,662 8,363 8,063 7,810 9,950 9,688 9,421 9,145 8,860 8,569 8,280 8,009 7,786 9,922 9,635 9,349 9,063 8,779 8,502 8,239 7,997 7,738 9,903 9,583 9,268 8,959 8,656 8,362 8,078 7,792 7,452 9,884 9,519 9,157 81 162 162 162 162 162 162 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 8,782 8,422 8,062 7,701 7,338 6,974 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 249,441 249,182 248,740 248,249 248,108 249,110 250 250 250 250 250 250 desvio max desvio min 0,22% 0,33% 0,50% 0,70% 0,76% 0,36% 1,51% -1,76% 8,802 8,450 8,103 7,755 7,394 6,999 82 Tabela dos resultados numéricos para tc = 1.5ta e σcadm = 355 MPa Espessura Espessura Momento ângulo do do Analítico 2θ (⁰) defeito d compósito M (N.mm) (xD) tc (xD) 18 18 18 18 18 18 18 18 18 36 36 36 36 36 36 36 36 36 54 54 54 54 54 54 54 54 54 72 72 72 72 72 72 72 72 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 13,144 13,078 13,012 12,946 12,879 12,812 12,745 12,677 12,609 13,085 12,959 12,831 12,703 12,573 12,441 12,309 12,175 12,039 13,037 12,862 12,684 12,503 12,319 12,131 11,941 11,748 11,552 13,006 12,797 12,583 12,364 12,140 11,910 11,674 11,434 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 Tensão da Análise Numérica (Mpa) 248,344 249,059 249,724 250,400 251,060 251,588 252,050 252,200 251,850 248,814 249,775 250,667 251,368 251,982 252,297 252,381 252,147 251,598 249,645 250,549 251,289 251,831 252,217 252,384 252,243 251,769 251,139 249,968 250,503 250,875 251,205 251,446 251,579 251,648 251,851 Desvio Tensão Momento (Tensão admissível corrgido Numérica a σ adm (Mpa) (N.mm) / σaadm ) 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 0,66% 0,38% 0,11% -0,16% -0,42% -0,64% -0,82% -0,88% -0,74% 0,47% 0,09% -0,27% -0,55% -0,79% -0,92% -0,95% -0,86% -0,64% 0,14% -0,22% -0,52% -0,73% -0,89% -0,95% -0,90% -0,71% -0,46% 0,01% -0,20% -0,35% -0,48% -0,58% -0,63% -0,66% -0,74% 13,231 13,127 13,026 12,925 12,824 12,731 12,641 12,565 12,516 13,147 12,971 12,797 12,633 12,473 12,327 12,192 12,070 11,962 13,056 12,834 12,619 12,411 12,210 12,015 11,834 11,665 11,499 13,008 12,771 12,539 12,304 12,070 11,835 11,597 11,349 83 72 90 90 90 90 90 90 90 90 90 108 108 108 108 108 108 108 108 108 126 126 126 126 126 126 126 126 126 144 144 144 144 144 144 144 144 144 162 162 162 162 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 11,188 12,994 12,771 12,539 12,299 12,051 11,794 11,529 11,256 10,975 12,985 12,755 12,519 12,275 12,024 11,763 11,493 11,211 10,916 12,957 12,700 12,441 12,177 11,908 11,635 11,356 11,071 10,778 12,911 12,611 12,309 12,005 11,700 11,392 11,082 10,768 10,452 12,853 12,495 12,137 11,779 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 252,426 251,475 252,049 252,562 253,093 253,431 253,981 254,497 254,708 252,239 252,768 253,547 254,279 254,946 255,478 255,723 255,380 253,647 249,849 252,847 253,543 254,103 254,453 254,488 254,020 252,810 250,526 248,699 251,806 252,189 252,407 252,365 251,987 251,183 249,960 248,702 249,003 250,354 250,450 250,454 250,244 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 -0,97% -0,59% -0,82% -1,02% -1,24% -1,37% -1,59% -1,80% -1,88% -0,90% -1,11% -1,42% -1,71% -1,98% -2,19% -2,29% -2,15% -1,46% 0,06% -1,14% -1,42% -1,64% -1,78% -1,80% -1,61% -1,12% -0,21% 0,52% -0,72% -0,88% -0,96% -0,95% -0,79% -0,47% 0,02% 0,52% 0,40% -0,14% -0,18% -0,18% -0,10% 11,079 12,917 12,666 12,411 12,147 11,886 11,606 11,322 11,044 10,877 12,841 12,574 12,305 12,032 11,761 11,494 11,246 11,047 10,923 12,809 12,520 12,237 11,960 11,694 11,448 11,228 11,048 10,834 12,818 12,501 12,191 11,891 11,607 11,338 11,084 10,824 10,494 12,835 12,473 12,115 11,768 84 162 162 162 162 162 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 11,420 11,061 10,701 10,341 9,979 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 249,851 249,299 248,753 248,605 249,333 250 250 250 250 250 desvio max desvio min 0,06% 0,28% 0,50% 0,56% 0,27% 0,66% -2,29% 11,427 11,092 10,754 10,399 10,006 85 Tabela dos resultados numéricos para tc = ta e σcadm = 500 MPa ângulo 2θ (⁰) Espessura do defeito d (xD) 18 18 18 18 18 18 18 18 18 36 36 36 36 36 36 36 36 36 54 54 54 54 54 54 54 54 54 72 72 72 72 72 72 72 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 Momento Espessura Analítico do M compósito (N.mm) tc (xD) 12,595 12,530 12,464 12,397 12,330 12,263 12,196 12,128 12,060 12,536 12,410 12,283 12,154 12,023 11,892 11,759 11,624 11,488 12,489 12,313 12,135 11,953 11,768 11,580 11,389 11,195 10,998 12,457 12,248 12,034 11,814 11,588 11,357 11,120 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 Tensão da Análise Numérica (Mpa) 247,798 248,331 248,710 249,098 249,261 249,441 249,635 250,051 250,926 247,316 248,192 249,095 250,021 250,756 251,553 252,206 252,666 252,649 249,566 250,483 251,292 252,021 252,736 253,169 253,335 253,120 252,587 248,900 249,559 250,077 250,541 250,911 251,251 251,551 Tensão admissível σaadm (Mpa) Desvio (Tensão Numérica / σaadm ) Momento corrgido (N.mm) 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 0,88% 0,67% 0,52% 0,36% 0,30% 0,22% 0,15% -0,02% -0,37% 1,07% 0,72% 0,36% -0,01% -0,30% -0,62% -0,88% -1,07% -1,06% 0,17% -0,19% -0,52% -0,81% -1,09% -1,27% -1,33% -1,25% -1,03% 0,44% 0,18% -0,03% -0,22% -0,36% -0,50% -0,62% 12,706 12,614 12,528 12,442 12,366 12,290 12,214 12,126 12,015 12,671 12,500 12,327 12,153 11,987 11,818 11,655 11,500 11,366 12,511 12,289 12,072 11,856 11,639 11,433 11,237 11,055 10,884 12,512 12,270 12,030 11,788 11,546 11,300 11,051 86 72 72 90 90 90 90 90 90 90 90 90 108 108 108 108 108 108 108 108 108 126 126 126 126 126 126 126 126 126 144 144 144 144 144 144 144 144 144 162 162 162 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 10,878 10,630 12,446 12,221 11,989 11,747 11,497 11,239 10,972 10,696 10,412 12,437 12,206 11,969 11,724 11,471 11,208 10,935 10,649 10,349 12,408 12,152 11,891 11,627 11,357 11,083 10,802 10,514 10,219 12,362 12,062 11,760 11,456 11,150 10,842 10,531 10,216 9,899 12,304 11,946 11,589 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 251,997 253,184 249,034 249,231 249,763 250,337 250,997 251,807 252,691 253,625 253,476 250,025 250,767 251,604 252,487 253,427 254,255 254,710 254,102 251,183 250,545 251,530 252,452 253,280 253,926 254,144 253,534 251,724 249,933 250,018 250,737 251,357 251,813 251,934 251,610 250,689 249,507 250,136 248,846 249,187 249,448 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 -0,80% -1,27% 0,39% 0,31% 0,09% -0,13% -0,40% -0,72% -1,08% -1,45% -1,39% -0,01% -0,31% -0,64% -0,99% -1,37% -1,70% -1,88% -1,64% -0,47% -0,22% -0,61% -0,98% -1,31% -1,57% -1,66% -1,41% -0,69% 0,03% -0,01% -0,29% -0,54% -0,73% -0,77% -0,64% -0,28% 0,20% -0,05% 0,46% 0,33% 0,22% 10,791 10,495 12,494 12,259 12,000 11,731 11,451 11,158 10,854 10,541 10,267 12,436 12,169 11,892 11,607 11,314 11,017 10,729 10,474 10,300 12,381 12,078 11,774 11,474 11,179 10,899 10,649 10,442 10,222 12,361 12,026 11,696 11,373 11,064 10,772 10,502 10,236 9,894 12,361 11,985 11,615 87 162 162 162 162 162 162 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 11,230 10,872 10,512 10,152 9,791 9,429 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 0,050 249,599 249,597 249,387 249,069 249,098 250,411 250 250 250 250 250 250 desvio max desvio min 0,16% 0,16% 0,25% 0,37% 0,36% -0,16% 1,07% -1,88% 11,248 10,890 10,538 10,190 9,826 9,413 88 Tabela dos resultados numéricos para tc = 1.5ta e σcadm = 500 MPa Espessura Espessura Momento ângulo do do Analítico 2θ (⁰) defeito d compósito M (N.mm) (xD) tc (xD) 18 18 18 18 18 18 18 18 18 36 36 36 36 36 36 36 36 36 54 54 54 54 54 54 54 54 54 72 72 72 72 72 72 72 72 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 16,816 16,750 16,684 16,618 16,552 16,485 16,418 16,351 16,284 16,757 16,631 16,504 16,377 16,248 16,118 15,987 15,856 15,723 16,709 16,535 16,358 16,180 15,998 15,815 15,629 15,441 15,250 16,678 16,471 16,260 16,045 15,826 15,602 15,374 15,143 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 Tensão da Análise Numérica (Mpa) 248,928 249,249 249,432 249,617 249,766 249,786 249,911 250,231 250,947 248,341 248,998 249,696 250,322 250,974 251,454 251,840 252,096 252,138 250,274 250,964 251,574 252,049 252,428 252,648 252,604 252,299 252,095 249,712 250,130 250,510 250,821 251,081 251,262 251,428 251,853 Desvio Tensão Momento (Tensão admissível corrgido Numérica a σ adm (Mpa) (N.mm) / σaadm ) 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 0,43% 0,30% 0,23% 0,15% 0,09% 0,09% 0,04% -0,09% -0,38% 0,66% 0,40% 0,12% -0,13% -0,39% -0,58% -0,74% -0,84% -0,86% -0,11% -0,39% -0,63% -0,82% -0,97% -1,06% -1,04% -0,92% -0,84% 0,12% -0,05% -0,20% -0,33% -0,43% -0,50% -0,57% -0,74% 16,888 16,800 16,722 16,643 16,568 16,499 16,424 16,336 16,222 16,868 16,698 16,524 16,356 16,185 16,024 15,869 15,723 15,589 16,691 16,471 16,255 16,047 15,843 15,648 15,466 15,299 15,122 16,697 16,462 16,227 15,992 15,758 15,523 15,286 15,031 89 72 90 90 90 90 90 90 90 90 90 108 108 108 108 108 108 108 108 108 126 126 126 126 126 126 126 126 126 144 144 144 144 144 144 144 144 144 162 162 162 162 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,005 0,010 0,015 0,020 14,907 16,667 16,446 16,219 15,985 15,745 15,498 15,245 14,985 14,719 16,658 16,430 16,197 15,959 15,715 15,465 15,208 14,944 14,672 16,629 16,374 16,116 15,855 15,591 15,324 15,052 14,777 14,497 16,583 16,283 15,982 15,680 15,376 15,071 14,764 14,456 14,145 16,524 16,167 15,809 15,452 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 253,186 250,260 250,650 251,047 251,494 251,869 252,502 253,289 254,218 253,702 251,897 252,634 253,418 254,202 254,959 255,567 255,721 254,587 251,092 252,956 253,772 254,512 255,107 255,417 255,204 254,155 251,800 249,905 252,228 252,762 253,152 253,286 253,067 252,355 251,106 249,750 250,325 250,692 250,885 251,017 250,928 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 -1,27% -0,10% -0,26% -0,42% -0,60% -0,75% -1,00% -1,32% -1,69% -1,48% -0,76% -1,05% -1,37% -1,68% -1,98% -2,23% -2,29% -1,83% -0,44% -1,18% -1,51% -1,80% -2,04% -2,17% -2,08% -1,66% -0,72% 0,04% -0,89% -1,10% -1,26% -1,31% -1,23% -0,94% -0,44% 0,10% -0,13% -0,28% -0,35% -0,41% -0,37% 14,717 16,650 16,403 16,151 15,889 15,627 15,343 15,044 14,732 14,501 16,532 16,257 15,976 15,691 15,403 15,121 14,860 14,670 14,608 16,432 16,127 15,825 15,531 15,253 15,005 14,802 14,671 14,502 16,435 16,103 15,781 15,474 15,187 14,929 14,699 14,470 14,127 16,478 16,110 15,745 15,395 90 162 162 162 162 162 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 15,093 14,735 14,376 14,016 13,656 0,075 0,075 0,075 0,075 0,075 250,631 250,139 249,611 249,544 250,671 250 250 250 250 250 desvio max desvio min -0,25% -0,06% 0,16% 0,18% -0,27% 0,66% -2,29% 15,055 14,727 14,398 14,042 13,619 91 Apêndice C: Resultados da análise numérica do duto com defeito sem reparo Figura 43 – Resultado da máxima tensão (251.59 MPa) no modelo sólido com defeito (d = 0.1D, 2θ=18⁰, σaadm = 250MPa) 92 Figura 44 – Resultado da máxima tensão (248.27 MPa) no modelo Shell com defeito (d = 0.2D, 2θ=18⁰, σaadm = 250MPa)