13 C A PÍTU LO I C ON SID ER AÇ ÕES IN IC IAIS 14 1. CO NSIDER AÇÕES INICIAIS 1.1 Introdução Na história da humanidade sempre aconteceram muitas mudanças, inovações, descobertas e busca constante por melhores condições de vida, enfim, uma constante busca por melhores maneiras de se fazer as coisas do cotidiano. Não é difícil imaginar como eram as relações comerciais há algumas décadas. Havia grande dificuldade para as pessoas adquirirem produtos e ter acesso a serviços. Desde a distância te rritorial da região onde se produzia para a que se pretendia distribuir, até a falta de infra -estrutura das regiões, como estradas e meios de transporte. Nesse contexto surge o tropeiro como uma figura mercantilista, desenvolvendo um papel de grande importância nos primórdios do varejo brasileiro. (LAS CASAS, 2004). É interessante observar que pela evolução histórica, tanto no Brasil como em outros países o desenvolvimento do varejo se deve, em primeiro lugar, à infra -estrutura das cidades; seguido de con centração mercadológica, que implica a existência de pessoas, dinheiro e necessidade de comprar. Assim, o varejo surge como uma solução para o consumidor final ter acesso a produtos e serviços, ele permite criar utilidade de posse, tempo e lugar, trazendo vantagens para o consumidor e reduzindo o número de contatos, o que traz vantagens para a empresa. (LAS CASAS, 2004). O varejo tem um importante papel na economia nacional. Por meio do varejo milhões de reais são transacionados diariamente, gerando assim inúmeros empregos. O varejo assume grande importância no panorama empresarial, no Brasil e também no mundo. (PARENTE, 2000). Como fruto das constantes mudanças mercadológicas as empresas varejistas vão se expandindo e adotam avançadas tecnologias de info rmação e de gestão, tornando a concorrência mais acirrada. O surgimento das grandes metrópoles 15 oferece um potencial de mercado gigantesco, onde grandes varejistas investem em hipermercados. Tudo isso contribui para as instituições varejistas passarem por m uitas transformações. Fatores como globalização, aumento da consolidação e do poder do varejo, parcerias e alianças com fornecedores, entre outros, são tendências que impulsionam a transformação do varejo. (PARENTE, 2000). Em meio a todo esse turbilhão d e mudanças os pequenos varejistas também buscam a sobrevivência. Os grandes varejistas não se instalam em todos os lugares, cidades pequenas com um potencial de mercado menor não são exploradas por essas empresas. Assim, cabe aos pequenos varejistas explo rar esse potencial de mercado. Interessante observar que fazendo uso de ferramentas mercadológicas, estratégias de marketing e até utilizando o benchmarking, essas empresas conseguem vantagens competitivas, fidelizam clientes e oferecem um portfolio compos to por vários produtos e serviços. Os pequenos e médios varejistas, no ramo de alimentos, instalam suas empresas em grandes bairros, onde existe um potencial de mercado a ser explorado. São empresas que estão atentas ao perfil do consumidor, conhecem a r ealidade social e mercadológica, mantendo contatos mais freqüentes com os morado res. Estudar os determinantes do processo de escolha do consumidor, considerando a relação: mercados de vizinhança versus supermercados, é uma forma de verificar como os clientes percebem esses dois tipos varejistas. 1.2 Definição do Problem a 16 A sobrevivência das empresas dentro de um mercado altamente competitivo está diretamente ligada à capacidade de se compreender esse mercado, estar aberta às mudanças, perceber tendências e focar o seu público -alvo. Esse estudo pretende fazer uma análise dos mercados de vizinhança versus supermercados sob a ótica do consumidor, sendo necessário compreender, em primeiro lugar: como essas empresas são percebidas pelos consumidores e quais os fatores que determinam o processo de escolha no momento de fazer as compras compra? Buscando -se identificar e analisar a relevância desses mercados de vizinhança com relação ao fator tempo e comodidade, e quanto a sua localização e formato, os quais pod em contribuir de forma decisiva para atrair os consumidores. 1.3 Justificativa O varejo tem a importante função de viabilizar a aquisição de bens e serviços, através dele as distâncias territoriais são minimizadas (Las Casas, 2004). Um produto fabricado na região sudeste chega a qualquer cidade na região nordeste de maneira rápida e nos lotes desejados. Os canais de distribuição são muitos e as empresas, cada vez mais, otimizam esse processo, de modo que seus produtos e serviços possam está mais próximos dos consumidores, em um curto espaço de tempo. No ramo de alimentos a eficiência nessa relação: produto/consumidor é extremamente importante, dada à necessidade como fator preponderante. Dentro da dinâmica do varejo, as empresas buscam incansavelmente di ferentes formas de atrair e fidelizar clientes, fazendo uso dos mais variados recursos mercadológicos (Parente, 2000). É quase que imperativo o desejo de se conhecer esse universo, não em sua totalidade, pois seria quase impossível dada a sua grande abrangência. Percebe-se que ao longo dos anos o varejo de alimentos vem assumindo vários formatos. Desde as mercearias que oferecem uma linha básica de produtos, até os hipermercados com enorme variedade de produtos alimentícios e não alimentícios (Parente, 2000). Seguindo essa tendência, o critério de escolha do consumidor também passou por transformações; os consumidores são mais exigentes, estão atentos à qualidade dos produtos, aos tipos de serviços oferecidos e dispõem de 17 menor tempo para o momento da compra, o que os leva a exigir eficiência e facilidades nesse momento. Vários são os fatores que podem contribuir ou inviabilizar o sucesso de um determinado formato de varejo, como: condições sócio -econômicas, ambiente demográfico e cultural. (PARENTE, 2000). É interessante analisar o que determina o processo de escolha do consumidor ao optar por fazer suas compras em mercados de vizinhança, deixando os supermercados em segundo plano. Investigar esses determinantes trará informações valiosas sobre como essas e mpresas são percebidas pelos consumidores e a imagem que se tem delas. 1.4 Objetivos Neste tópico serão apresentados o objetivo geral e os objetivos específicos que direcionarão o estudo sobre os fatores que determinam o processo de escolha do consumidor. 1.4.1 Objetivo Geral Verificar quais são os determinantes do processo de escolha do consumidor na relação mercados de vizinhança versus supermercados. 1.4.2 Objetivos Específicos Conhecer o contexto do marketing de varejo e a sua evolução; Identificar a relevância do composto de varejo na relação empresa/cliente; Estudar como o consumidor percebe os mercados de vizinhança e qual a imagem que eles têm dessas empresas; Mostrar o que essas empresas oferecem como diferencial para serem escolhidas no momento da compra, sob a ó tica do consumidor. Verificar qual a influência na escolha do supermercado em relação à proximidade dos pontos-de-venda com o domicílio do consumidor. Identificar o perfil do cliente de mercado de vizinhança. Identificar o perfil do cliente de supermercado 18 1.5 Estrutura do Trabalho Neste capítulo foi apresentada a introdução do trabalho que traz informações sobre a evolução do varejo, sua importância e as transformações nos seus formatos. Foram apresentadas também, a definição do problema e a justificativa para o tema escolhido, de modo que se possa perceber a relevância do estudo. Por fim, os objetivos que o estudo pretende alcançar. No capítulo 2, encontra -se a metodologia adotada para a realização do estudo. Nele estão todos os procedimentos metodológicos que foram utilizados, e também o conteúdo teórico que embasou a escolha dos métodos mais eficazes para a pesquisa. No capítulo 3, é apresentado todo o referencial teórico, a fundamentação para proporcionar o conhecim ento sobre a área e o tema escolhidos. Neste capítulo, estão as diversas teorias de autores renomados que abordam marketing, varejo e comportamento do consumidor. No capítulo 4, estão relatados os resultados e a análise da pesquisa, identificando todos os dados conseguidos junto aos clientes de mercados de vizinhança e de supermercados. No capítulo 5 apresenta -se a conclusão do estudo quanto aos objetivos da pesquisa, as limitações encontradas para a realização do trabalho e as recomendações para futuras pesquisas. 19 C A PÍTU LO II PR OC ED IM ENTOS M ETOD OLÓGIC OS 20 2. PROCED IMENTOS METOD OLÓGICOS Após a definição do objeto desse estudo, surgiu a necessidade da busca e identificação dos procedimentos metodológicos que poderiam s er utilizados: o “como” e o “com que fazer”. É através da metodologia que o pesquisador encontrará o caminho a seguir. Para isso é necessário escolher as fontes e as ferramentas disponíveis, bem como verificar as que podem ser utilizadas. 2.1 Conhecim ento e ciência Preliminarmente, é interessante fazer um apanhado sobre a importância do conhecimento e de como ele se apresenta. Segundo Köche (1997) existe o conhecimento do senso comum e o conhecimento científico. Sendo essas duas formas as que mais interfe rem nas decisões da vida diária do homem. Conhecimento do senso comum: é a forma mais simples que o homem encontrou para compreender o seu mundo e o universo como um todo, produzindo interpretações com um significado, ou seja, conhecimento. O senso comu m é também conhecido como ordinário, ou empírico. Conhecimento científico: ele surge da necessidade que o homem tem de ser mais que testemunha dos fenômenos, abandonando qualquer posição passiva. Ele implica numa posição de ação onde se busque o control e. O homem precisa otimizar sua racionalidade, propor uma forma sistemática, metódica e crítica da sua função de desvendar o mundo, para compreendê -lo, explica-lo e domina-lo. Para Köche (1997, p. 121) “a ciência se apresenta como um processo de investigação que procura atingir conhecimentos sistematizados e seguros. Para que se alcance esse objetivo é necessário que se planeje o processo de investigação”. Assim, o processo de investigação deve estar em função do objetivo que se pretende alcançar, buscando a explicação para o problema que está sendo investigado. 21 2.1.2 A pesquisa científica Ruiz (2002, p. 48) define “pesquisa científica como a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagrada pela ciência”. Segundo Lakatos e Marconi (2001, p. 155) “a pesquisa científica é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que requer um trata mento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para desco brir verdades parciais”. É através da pesquisa científica que pode se fazer uma investigação capaz de descobrir novos fatos ou dados, obtendo respostas para um problema ou uma hipótese. 2.1.3 Espécies de pesquisa científica Existem diversas espécies de pesquisa científica. É o tipo do problema e a forma como se deseja investiga -lo que vai levar à escolha de um determinado tipo. Para Ruiz (2002) as pesquisas podem ser classificadas da seguinte forma: Pesquisa exploratória: ocorre quando um determinado problema é pouco conhecido, isto é, quando as hipóteses ainda não foram claramente definidas. O objetivo dessa pesquisa é a caracterização inicial do problema, sua classificação e sua reta definição. Ela constitui o primeiro estágio de toda pesquisa cientí fica. Para Malhotra (2001), a pesquisa exploratória é utilizada em casos nos quais é necessário explicar o problema com maior precisão, identificar caminhos importantes de ação ou obter dados adicionais, antes que se possa desenvolver uma abordagem. Pesquisa teórica: objetiva ampliar as generalizações, definir leis mais amplas, estruturar sistemas e modelos teóricos, relacionar e reunir hipóteses numa visão unitária do universo e gerar novas hipóteses por dedução lógica. 22 Pesquisa aplicada: utiliza ce rtas leis ou teorias mais amplas como ponto de partida. Objetiva investigar, comprovar ou rejeitar hipóteses que são sugeridas pelos modelos teóricos. Pesquisa de campo: consiste na observação dos fatos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dad os e no registro de variáveis consideradas relevantes para posteriores análises. Ainda sobre pesquisa de campo, Lakatos e Marconi (2001) declaram que é aquela utilizada com o intuito de obter informações e/ou conhecimento sobre um determinado problema, pa ra o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se deseja comprovar, ou ainda descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Segundo Lakatos e Marconi (2001) as pesquisas de campo se dividem em três grandes grupos: Quantitativas descritivas: consistem em investigações de pesquisa empíricas com o objetivo de delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos, avaliação de programas ou isolamento de variáveis principais ou chave. Utilizam várias técnicas como: entrevistas, qu estionários, formulários etc. e empregam procedimentos de amostragem. Exploratórias: são investigações de pesquisa empírica que têm como objetivo a formulação de questões ou de um problema, e apresenta três finalidades: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e esclarecer conceitos. Experimentais: consistem em investigação de pesquisa empírica, tendo como objetivo principal o teste de hipóteses que dizem respeito a relações de tipo causa efeito. Os estudos experimentais podem ser feitos tanto “em campo”, isto é, ambiente natural, como em laboratório, ambiente rigorosamente controlado. 23 Pesquisa bibliográfica: fornece informações so bre a situação atual do problema, sobre os trabalhos já realizados a esse respeito e sobre opiniões reinantes, ela permite estabelecer um modelo teórico inicial de referência. Segundo Lakatos e Marconi (2001) a pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, compreende toda bibliografia já publicada em relação ao tema em estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc. até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão. Tendo como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre o assunto. Pesquisa de laboratório: permite que o pesquisador reitere, provoque e produza fenômenos em condições de controle; experimentar ou realizar experimentos. Malhotra (2001) destaca que os dados primários são originados pelo pesquisador com o objetivo exclusivo de abordar o problema em estudo, e que quanto à sua natureza os dados primários podem ser qualitativos ou quantitativos. Existem situações, onde é feita uma pesquisa qualitativa para explicar os resultados obtidos pela pesquisa quantitativa. Mas os resultados da pesquisa qualitativa são usados incorretamente quando são considerados c omo conclusivos e utilizados para fazer generalizações em relação à população -alvo. É um princípio essencial da pesquisa de marketing considerar as pesquisas qualitativa e quantitativa como complementares, ao invés de concorrentes (MALHOTRA, 2001). Assim, é necessário fazer uma distinção entre esses dois tipos de pesquisa. Pesquisa qualitativa: é uma metodologia de pesquisa não -estruturada, exploratória, fundamentada em pequenas amostras, que oferece visão e compreensão do conteúdo do problema. 24 Pesquisa quantitativa: busca quantificar os dados e aplicar alguma forma de análise estatística. Ao se observar um novo problema de pesquisa de marketing, a pesquisa quantitativa deve ser precedida da pesquisa qualitativa apropriada. 2.2 Delineam ento do Estudo Para se atingir o objetivo desse estudo verificou -se que alguns tipos de pesquisas fornecem melhores condições de investigação e de análise do problema. Dessa forma, o processo de investigação do problema foi baseado nos estudos exploratórios, através da pesq uisa bibliográfica e da pesquisa de campo. Esta pesquisa constitui-se de livros de diversos autores clássicos e de novos autores da área de marketing e de marketing de varejo, bem como um estudo de leitura que buscou através de revistas e trabalhos de co nclusão de curso conhecer a literatura existente sobre o os assuntos que envolveram o tema. A construção desse conhecimento resultou no embasamento para preparar o material de pesquisa de campo, de modo que o processo de investigação junto à amostra, clien tes de mercados de vizinhança e de supermercados refletiu -se em dados, que após análise proporcionou a consecução dos objetivos deste estudo. 2.2.1 Método de coleta de Dados A coleta de dados é a fase em que são realizados os contatos com os respondente s, aplicados os instrumentos, registrados os dados, cumprida uma primeira verificação do preenchimento dos instrumentos e enviados os instrumentos preenchidos para processamento (MATTAR, 1998). Para se alcançar o objetivo de pesquisa deste estudo, foi utilizada a pesquisa de campo para a coleta dos dados. A coleta foi feita por meio do questionário estruturado com perguntas fechadas, essa escolha considerou três fatores: o tamanho da amostra, o local da abordagem e o tempo dos respondentes. O questionário do tipo estruturado com perguntas dicotômicas e de múltipla escolha proporcionou a coleta dos dados em menor tempo, com respostas mais precisas, pois há menor risco de distorções. 25 2.2.2 Questionário É um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série organizada de perguntas, as quais devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistado. Normalmente o pesquisador envia o questionário ao informante, via correio ou por um portador que após o preenchimento, devolve ao pesquisado r do mesmo modo. (LAKATOS e MARCON I, 2001). Segundo Kotler (2000), um questionário consiste em um conjunto de perguntas que serão feitas aos entrevistados. Sendo por conta da sua flexibilidade, o instrumento mais utilizado na coleta de dados primários. M alhotra (2001) destaca que um questionário tem três objetivos específicos, a saber: 1 – Explicar a informação desejada em um conjunto de questões específicas, possibilitando aos entrevistados condições de responder. As questões devem ser elaboradas, de mod o que os entrevistados venham realmente a responder, propiciando a informação desejada. 2- Motivar e incentivar o entrevistado a se envolver pelo assunto, colaborando e completando a entrevista. Quando o pesquisador for planejar o questionário, precisa levar em consideração o cansaço e o aborrecimento do entrevistado, por isso, é necessário minimizar essa situação, para que não ocorra resposta incompleta ou não-respostas. 3 – Minimizar o erro na resposta. O erro na resposta é definido como aquele que aparece quando os entrevistados dão respostas imprecisas ou quando elas são registradas ou analisadas de forma incorreta. Segundo Lakatos e Marconi (2001), a exemplo de outras técnicas de coleta de dados, o questionário também apresenta uma série de vantage ns e desvantagens. A seguir, algumas das vantagens e desvantagens: Vantagens: 26 Economiza tempo, viagens e obtém grande número de dados. Atinge maior número de pessoas ao mesmo tempo. Obtém respostas mais rápidas e mais precisas. Há maior liberdad e nas respostas, em razão do anonimato. Há menos riscos de distorção, pela não influência do pesquisador. Há mais tempo para responder e em hora mais favorável. Desvantagens: Porcentagem pequena dos questionários que voltam. Não pode ser aplicado a pessoas analfabetas. Na leitura de todas as perguntas, antes de responde -las, pode uma questão influenciar a outra. A devolução tardia prejudica o calendário ou a sua utilização. Nem sempre é o escolhido quem responde ao questionário, invalidando, portanto, as questões. 2.2.2.1 Tipos de Questionários Segundo Parente (2000) os questionários podem ser estruturados e não estruturados. As perguntas são do tipo fechada quando o questionário é estruturado e são do tipo aberta quando o questionário não é estruturado. Os pesquisadores de marketing fazem distinção entre perguntas fechadas e abertas. As perguntas fechadas especificam previamente todas as possíveis respostas. As perguntas abertas permitem ao respondente faze -lo em suas próprias palavras. (KOTLER e KELLER, 2006). Segundo Lakatos e Marconi (2001) de acordo com a forma, as perguntas, em geral, são classificadas em três categorias: abertas, fechadas e de múltipla escolha. Perguntas abertas: são chamadas livres ou não limitadas, permitem ao i nformante responder livremente, usando linguagem própria e emitindo opiniões. Têm a característica de possibilitar investigações mais profundas e precisas, mas a análise 27 é difícil, complexa, cansativa e demorada. Exemplo: qual é a sua opinião sobre a legalização do aborto? Perguntas fechadas ou dicotômicas: são denominadas limitadas ou de alternativas fixas, onde o informante escolhe sua resposta entre duas opções: sim e não. Embora esse tipo de pergunta diminua a liberdade de resposta, ele facilita o tr abalho do pesquisador e também a tabulação, pois as respostas são mais objetivas. Perguntas de múltipla escolha: são perguntas fechadas, porém apresentam uma série de possíveis respostas, abrangem vários aspectos do mesmo assunto. Esse tipo de pergunta pode se apresentar de duas formas: perguntas com mostruário e perguntas de estima ou avaliação. São perguntas de fácil tabulação e propiciam uma exploração em profundidade quase tão boa quanto à de perguntas abertas. 2.2.3 Tipos de Am ostragem Segundo Malhotra (2001) as técnicas de amostragem podem ser classificadas como não probabilísticas e probabilísticas. Este estudo contempla a amostra não probabilística, levando -se em conta que a referida amostra se apresenta de forma mais eficiente no âmbito da prá tica. A amostragem não probabilística é uma técnica de amostragem que não emprega seleção aleatória. Pelo contrário, considera o julgamento pessoal do pesquisador. O pesquisador pode de forma arbitrária ou consciente escolher os elementos a serem incluídos na amostra. (MALHOTRA, 2001). Segundo Mattar (1998) amostragem não -probabilística é aquela em que a seleção dos elementos da população que irão compor a amostra depende, ainda que em parte, do julgamento do pesquisador ou do entrevistador no campo. Assi m, não há chance conhecida de que um elemento qualquer da população venha a fazer parte da amostra. Mattar (1998) mostra quatro razões para o uso da amostragem não - probabilística: 28 A primeira razão é pelo simples fato de não existir outra alternativa viá vel, pois em uma pesquisa, a população total não está disponível para ser sorteada. Por exemplo, uma pesquisa envolve uma amostra de 120 empresas, porém, apenas 55 resolvem conceder entrevistas. A segunda razão é que a amostragem probabilística só é super ior tecnicamente na teoria. Na prática, ocorrem problemas na sua aplicação. Por exemplo: entrevistadores que não seguem corretamente as instruções na seleção dos respondentes; omissão de perguntas ao entrevistar as pessoas; pessoas selecionadas podem se re cusar a ser entrevistadas, ou não serem localizadas. A terceira razão é que o principal propósito da pesquisa pode não está ligado à obtenção de dados que reflitam precisamente a população. A quarta razão se refere ao tempo e aos recursos financeiros, m ateriais e humanos. A pesquisa através de amostragem não probabilística envolve menos recursos e tempo, em algumas situações tendo custo irrisório. Martins e Lintz destacam que o escalonamento do tipo Likert, consiste num conjunto de itens apresentados em forma de afirmações, ou mesmo de juízos, por meio dos quais se pede às pessoas que expressem suas reações, escolhendo um dos cinco, ou sete pontos de uma escala. Eles também defendem que as afirm ações podem ter direção: favorável ou positiva e desfavoráve l ou negativa. Sendo que a direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de respostas. Normalmente, quando as afirmações são positivas, usam -se os seguintes valores: (5) concordo totalmente, (4) concordo, (3) nem concordo, nem discord o, (2) discordo e (1) discordo totalmente. Quando as afirmações são negativas, utiliza -se a seguinte escala: (1) concordo totalmente, (2) concordo, (3) nem concordo, nem discordo, (4) discordo e (5) discordo totalmente. (MARTINS E L INTZ, 2000). 2.2.4 Popu lação e Am ostra dos Dados 29 O universo desta pesquisa foi constituído por todos os clientes de mercados de vizinhança e de supermercados. Dentro desse universo, a população estudada resultou numa amostra de 100 (cem) clientes que fazem suas compras com freqüência, em mercados de vizinhança e em supermercados. A escolha das pessoas que formaram a amostra foi feita pelo julgamento do pesquisador, por isso a escolha da amostra não -probabilistica. 2.2.5 Tratam ento dos Dados Encerrado o trabalho de pesquisa de campo, passou-se à reunião dos dados para a obtenção dos resultados globais. Através do processo de análise foram compostos os números e os valores percentuais. O processo de interpretação transcorreu nesta seqüência: classificação, tabulação de respostas e análise de dados, com o objetivo de fornecer os aspectos de interpretação. Os dados obtidos no trabalho de campo foram tratados através de uma leitura técnica, onde se considerou cada perguntas do instrumento de coleta de dados – questionário estruturado – transformando o número de perguntas em porcentagem. Sabendo -se assim, a opinião dos respondentes em termos percentuais. 2.3 Conclusão do Capítulo É através dos procedimentos metodológicos que a investigação de um problema ou de uma hipótese consegue encontrar um caminho de estudo que ofereça respostas. Neste capítulo, os p rocedimentos metodológicos foram à ferramenta que possibilitou a construção da pesquisa e de todo o processo de análise que resultou no alcance dos objetivos propostos. 30 C A PÍTU LO III R EFER ENC IA L TEÓRIC O 31 3. REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo está todo o conteúdo teórico que serviu de base para se conhecer o tema escolhido. O varejo e o comportamento do consumidor estão apresentados na visão de diversos autores, e divididos em sub -temas de modo a facilitar o entendimento. O varejo se apresenta com os seus tipos, o composto varejista, a estrutura – destaque para supermercado – e a localização; o comportamento do consumidor envolve conceitos e de finições, fatores de influência, processo de compra e tomadas de decisões. 3.1 Varejo Segundo Kotler e Keller (2006) O varejo inclui todas as atividades relativas à venda de produtos ou serviços diretamente ao consumidor final, sendo para seu uso pessoal e não comercial. Um varejista ou uma loja de varejo pode ser entendida como qualquer empreendimento comercial cujo faturamento provenha principalmente de venda de pequenos lotes no varejo. Para Cobra (2003) varejo é o representante de vendas de uma ampl a linha de produtos, de um ou mais fabricantes. Através do varejo se assume estoque, expõe e vende produtos de diversas marcas, quase sempre dentro de uma linha de comércio: alimentos, roupas, eletrodomésticos, automóveis, sapatos, perfumes e cosméticos etc. Exerce uma grande variedade de funções, faz propagandas de uma ou mais marcas, oferece garantia adicional aos prazos de garantia do fabricante, presta informações de mercado para o fabricante, entre outras atividades. Semenik e Bamossy (1995) destacam que as atividades varejistas representam a etapa final de todo o processo de marketing, pois a função fundamental do varejo refere-se à manifestação do conceito de marketing no exato momento em que o consumidor doméstico faz a compra. Dessa forma, o varejo tem a nobre função de num primeiro momento ser o elo de ligação entre os produtores (fabricantes dos produtos) e o consumidor final. Oferece facilidade e comodidade no momento em que o consumidor decide adquirir produtos 32 e serviços, pois a depender do formato varejista, é possível encontrar no mesmo local: gêneros alimentícios, vestuário, eletroeletrônicos, medicamentos, brinquedos, enfim uma vasta linha de produtos. Cobra (2003) destaca que as ações dos varejistas devem se apoiar em cinco pilares, a saber: 1º Pilar – Resolva os problem as dos seus clientes Q uando o consumidor compra um produto, antes de tudo ele deseja a solução de um problema. O varejista tem a função de ajudar o cliente na solução desse problema, sendo também um prestador de serviços. 2º Pilar – Trate seus clientes com respeito Todo cliente merece ser respeitado, inclusive aquele que por algum motivo se mostra chato e indesejável. 3º Pilar – Conecte-se com as em oções de seus clientes As necessidades e as emoções estão fortemente re lacionadas, assim, o varejista deve falar às emoções do comprador, proporcionando um ambiente agradável, sedutor, envolvente. 4º Pilar – Estabeleça preços agradáveis (não necessariam ente preços baixos) O preço está diretamente ligado à qualidade do produ to e tem um valor social importante, a depender do produto, o preço representa prestígio e poder para as pessoas que podem adquirir. Assim, o significado do preço ultrapassa o valor monetário. 5º Pilar – Poupe tem po de seu cliente O consumidor, quase sem pre, dispõe de pouco tempo para as compras, por isso é extremamente importante proporcionar ofertas objetivas, para facilitar o momento da compra. Figura 2.1 – O s cinco pilares Fonte: Cobra (2000) 3.1.2 Tipos Varejistas Existem várias classificações de estabelecimentos varejistas, isso se dá em função da evolução que ocorre pela busca de novas formas de atingir o consumidor final. Em um cenário altamente competitivo o formato das lojas se transformou em elemento estratégico. Dentro dos formatos existentes os mais conhecidos e os que mais se destacam são: as lojas de departamento, os magazines e os supermercados. Las Casas (2004, p. 25-30) destaca as várias categorias que estão à disposição do consumidor. Ver anexo 1. 33 Kotler (2000) destaca outros formatos varejistas: Form atos varejistas Características são lojas pequenas, localizadas próximas a áreas residenciais, funcionam em horários prolongados durante toda a semana e exibem Loja de conveniência uma linha limitada de produtos com alta rotatividade, a preços mais altos. Loja de desconto mercadorias padrão são vendidas a preços mais baixos, com margens menores e volume maior. O varejo de desconto se deslocou para o varejo de especialidade. as mercadorias são compradas a preços baixos no atacado e vendidas Varejista off-price (de a preços baixos no varejo; normalmente são sobras de mercadorias, liquidação) pontas de estoque e produtos com defeito. Superloja ocupa um espaço médio de 3500 m2 de área de venda e oferece praticamente todos os tipos de produtos, alimentícios ou não. G eralmente oferece serviços como lavanderia, lavagem a seco, conserto de sapatos, troca de cheque e pagamento de contas. Q uadro 2.2 – Formatos Varejistas Fonte: Kotler (2000) Ainda, quanto à classificaçã o dos estabelecidos varejistas é interessante ressaltar que os tipos de lojas de varejo passam por estágios de crescimento e declínio. Esses estágios podem ser considerados como o ciclo de vida do varejo (Kotler, 2000). O surgimento de novos formatos varej istas está diretamente ligado ao desejo de se atender as preferências muito diferentes dos consumidores, no que diz respeito ao nível de serviços. Kotler (2000) destaca que os varejistas podem oferecer um dos quatro níveis de serviços: Auto-serviço: o cliente está disposto a procurar, comparar e selecionar os produtos para economizar dinheiro. Essa é a base de todas as operações de desconto. Seleção: os clientes tanto podem encontrar os produtos, como podem pedir ajuda. O pagamento é feito a um vend edor. 34 Serviço limitado: são expostas muitas mercadorias à venda, os clientes precisam de mais informações e ajuda. As lojas oferecem crédito e devolução de mercadorias. Serviço completo: as lojas disponibilizam vendedores para ajudar em todas as fases do processo de procura, comparação e seleção dos produtos. O alto custo do pessoal, maior número de produtos, itens de menor movimentação e muitos serviços resulta em um varejo de alto custo. 3.1.3 Com posto varejista Com o objetivo de atingir seu público alvo, o varejista busca diversas estratégias que possam trazer um diferencial em relação aos seus concorrentes. É de suma importância que todo o esforço feito esteja construído sobre uma base sólida, cujo controle possa ser feito pela empresa. Parente (2000, p. 61) afirma que “o conjunto de variáveis que compõem o esforço de marketing do varejista é conhecido como o “composto de marketing do varejista”, ou simplesmente como “composto varejista”, e engloba todos os fatores controláveis que o varejista articula”. A Figura 2.3 relaciona essas variáveis e apresenta algumas decisões que os varejistas tomam para diferenciar -se no mercado. Variáveis do com posto varejista Exem plo de decisões P – Mix de Produtos Variedade da linha, Q ualidade, Serviços P – Preços Preços, Crédito, Benefício/Custo P – Promoção Propaganda, O fertas, Sinalização P – aPresentação Loja, Departamentalização, Planograma P – Pessoal Atendimento, Rapidez, Serviços P – Ponto Localização, Acesso, visibilidade Q uadro 2.3 - Composto varejista – os seis P’s Fonte: Parente (2000) O composto varejista pode e deve ser utilizado de forma estratégica. As mais variadas e complexas decisões, em relação ao que o varejista pretende oferecer aos consumidores passam pelo composto varejista. Cobra (2003, p. 275) “os varejistas de sucesso procuram criar uma estratégia baseada em valor para o cliente”. 35 3.1.4 Decisões de estratégia de m arketing para varejistas Churchill e Peter (2005) destacam quatro tipos de decisões de estratégia de marketing para varejistas. São elas: decisões de produto, decisões de preço, decisões de distribuição do produto, decisões de promoção e imagem e atmosfera da loja. 1 - Decisões de produtos: os varejistas precisam tomar decisões quanto ao sortimento de mercadorias que desejam oferecer aos consumidores e, quanto ao número de serviços. Sortimento de mercadorias: alguns varejistas optam por oferecer um sortimento mais amplo ou profundo de mercadorias; outros disponibilizam mercadorias exclusivas e a preços inferiores. Alguns podem igualar-se nas decisões dos concorrentes considerando o sortimento de mercadorias, mas buscam proporcionar maior valor ao cliente por meio de serviços adicionais ou pela imagem de loja exclusiva. Serviços: os serviços contribuem para criar valo r quando tornam mais agradável a experiência vivida pelo consumidor. Por isso, devem reduzir de certa forma, o gasto em dinheiro, o tempo e o esforço do consumidor. Para tanto, os varejistas oferecem serviços que incluem venda pessoal, informações sobre o produto, fácil devolução e troca, entrega gratuita, crédito, embalagem para presente e modificações dos produtos. 2 - Decisões de preços: os varejistas devem decidir se e quando é possível conceder descontos ou baixar preços. As remarcações para baixo são praticadas quando os varejistas pretendem vender um produto mais rapidamente, quer seja por sua perecibilidade ou mesmo para renovar estoques. 3 - Decisões de distribuição do produto: aqui, os varejistas devem decidir se oferecem os seus produtos atravé s do varejo com loja ou sem loja. O varejo com loja deve ser a opção quando o varejista vai comercializar produtos que os consumidores 36 desejam usar imediatamente. O varejo sem loja para os produtos que os consumidores estão dispostos a esperar. 4 – Decisões de promoção: Os varejistas tanto promovem a mercadorias que vendem com a eles próprios, ou seja, a promoção da marca, da instituição. Uma tendência muito comum em supermercados é a promoção mais concentrada nas mercadorias, e não na própria loja. As pri ncipais formas de promoção utilizadas em supermercados são os anúncios em jornais e os cartazes no estabelecimento – enfatizando sempre o preço dos produtos. 5 – Imagem e atmosfera da loja: a imagem diz respeito a tudo que o consumidor percebe, e essa percepção se baseia em características físicas da loja, suas mercadorias, preços, propaganda e vendedores e, incluem também estados emocionais. Para criar e manter uma imagem positiva da loja, o varejista precisa investir na atmosfera da loja, ou seja, arquitetura, layout, iluminação, esquema de cores, temperatura, ruído, sortimento, preços, eventos especiais etc. que servem como estímulos e chamativos para a loja. A respeito da promoção, Lewison (1997) destaca que ela tem o objetivo de influenciar as percep ções do consumidor, suas atitudes e comportamentos com relação à loja e a seus produtos. 3.2 Estrutura do varejo alim entar O varejo alimentício brasileiro se apresenta muito desenvolvido. Isso acontece em função do posicionamento das empresas que têm aco mpanhado as tendências mundiais, apresentando uma variedade bastante completa de modelos e formatos de lojas, que atendem às mais variadas características e necessidades de mercado. 3.2.1 Varejo alim entíc io com loja Parente (2000, p. 30) “apresenta uma classificação dos vários form atos e tipos de lojas alimentícias, com algumas de suas características mercadológicas”. 37 % de vendas nº de não Check alim entos outs Form atos de lojas Área de vendas/m 2 Nº m édio de itens Bares 20 – 50 300 1 * Mercearia, lanches e bebidas Mercearias 20 - 50 500 3 * Mercearia, frios, laticínios e bazar Padaria 50 – 100 1.000 1 * Padaria, mercearia, frios, laticínios, lanches Minimercado 50 - 100 1.000 3 1 Mercearia, frios, laticínios e bazar Loja de conveniência 50 – 250 1.000 3 1 -2 Mercearia, frios, laticínios, bazar, lanches Supermercado compacto 300 – 700 4.000 3 2 -6 Mercearia, hortifruti, carnes, aves, frios, laticínios, peixaria e bazar Supermercado convencional 700 – 2.500 9.000 6 7 - 20 Mercearia, hortifruti, carnes, aves, frios, laticínios, peixaria e bazar Superloja 3.000 - 5.000 14.000 12 Hipermercado 7.000 - 16.000 45.000 30 5.000 35 Clube atacadista 5.000 - 12.000 Secções Mercearia, hortifruti, carnes, aves, frios, laticínios, peixaria, 25 - 36 padaria, bazar, têxtil, eletrônicos Mercearia, hortifruti, carnes, aves, frios, laticínios, peixaria, 55 - 90 padaria, bazar, têxtil, eletrônicos 25 - 35 Mercearia, hortifruti, carnes, aves, frios, laticínios, bazar, têxtil, eletrônicos Q uadro 2.4 - Varejo alimentício – formato de lojas Fonte: Parente (2000) É interessante conhecer mais algumas características do varejo alimentício com lojas, de modo a compreender melhor o que cada formato oferece e perceber a suas diferenças. Parente (2000) esclarece essas caracter ísticas. Ver anexo 2. As pessoas precisam adquirir produtos e serviços necessidades, e por isso, diariamente, envolvem -se para satisfazerem com diferente suas formatos varejistas (STANTON, 1980). Dentro desse estudo é imprescindível dá uma atenção especia l ao formato varejista “supermercado”, pois conhecer melhor esse formato possibilita compreender alguns dos fatores que vêm a determinar o processo de escolha dos consumidores. 38 3.2.2 Superm ercados Com quase cinco décadas de implantação no Brasil, o super mercador é um elemento essencial da paisagem de qualquer cidade brasileira, tornando -se elemento indissociável do modo de vida da qualquer consumidor. (ROJO, 1998). Cobra (2003) destaca que em um supermercado, o auto -serviço caracteriza-se como de compra por impulso; por isso os produtos devem estar bem expostos nas prateleiras, gôndolas e expositores. Devem ser atrativos para induzir a compra e devem ter preços convidativos, para não inibir o impulso comprador. Segundo Etzel et al (2001) o supermercad o aparece como uma instituição varejista que tem um sortimento de produtos regularmente amplo e profundo, envolvendo produtos de mercearia e linhas não alimentícias, oferecendo poucos serviços ao consumidor. As estratégias que dirigem a política de preços nos supermercados brasileiros estão baseadas na concorrência direta e indireta, na política econômica do governo e nos custos operacionais e extra -operacionais das empresas desse setor (KASPER, 1981). Etzel et al (2001) destaca que a maioria dos superme rcados opera com baixas margens de lucro, alguns usam o preço ofensivamente, oferecendo preços baixos para atrair clientes. Por isso, os supermercados necessitam de altos níveis de rotatividade dos estoques. Segundo Rojo (1998), esse formato varejista te ve grande expansão. Na década de 1960, estava presente em todas as principais cidades brasileiras. Na década de 70 que ocorreu o período de grande expansão, inclusive a instalação dos primeiros hipermercados no país. A década de 80 foi marcada pela forte concorrência do setor sup ermercadista. Os supermercados estavam localizados praticamente no país inteiro. Economicamente foi uma década de grandes dificuldades para a maioria dos brasileiros; com isso, a 39 rentabilidade do setor diminuiu, provocando dificuld ades nas condições comerciais com fornecedores. Planos governamentais levaram o setor a enfrentar grandes problemas, inclusive prejudicando a imagem junto aos consumidores. (R OJO, 1998). Segundo Révillion e Rossi (2002), o início da década de 1990 foi mar cado por incerteza e recessão, um período de muitas mudanças voltadas principalmente para o aproveitamento mais racional do mercado, desenvolvendo -se outros tipos de lojas (hipermercados, lojas de conveniência, macroatacados entre outras) com o objetivo de oferecer características que visem a satisfazer a população atendida. A concorrência entre os supermercados tornou -se muito acirrada, onde a disputa pelo mercado fica cada vez mais forte e agressiva. Nos últimos anos a modernização do setor supermerca dista foi proporcionada pela tecnologia da informação. Existe um grande numero de pequenas e médias empresas atuando no setor supermercadista, essas empresas desempenham um papel importante na distribuição da renda e geração de emprego. 3.3 Localização v arejista A localização é uma das decisões mais críticas para o varejista. Diferentemente de outras variáveis do composto varejista como: mix de produtos, preço, promoção, apresentação, atendimento e serviços, que possibilitam a mudança a qualquer momento, a localização de uma loja não pode ser modificada. Errar na escolha de um ponto significa uma grande desvantagem competitiva. (PARENTE, 2000). A respeito da localização varejista, Kotler (2000, p. 549) afirmar que “as três chaves para o sucesso são a loc alização, a localização e a localização”. Isso ocorre porque fatores como a busca por conveniência e a falta de tempo levam os consumidores a verificar a proximidade, a localização de uma loja. Assim, os clientes escolhem o banco, o supermercado e o posto de gasolina que estejam mais próximos. 40 Segundo Las Casas (2004, p. 59) “o ponto de venda na configuração espacial do mercado escolhido poderá determinar o sucesso de muitos empreendimentos”. É notório, que a localização da empresa tem um papel determinan te nas suas possibilidades de sucesso, está bem localizada é o primeiro passo que a empresa dá para alcançar os seus objetivos de captar clientes. Por isso, é necessário tomar muito cuidado ao escolher a localização. 3.3.1 Estratégias e tipos de decisões de localização A escolha da localização irá influenciar a atratividade da loja junto aos consumidores de sua área de influência, tornando -se um fator dete rminante de seu futuro volume de vendas (PARENTE, 2000). Dessa forma, o varejista deve optar por uma localização que esteja de acordo com o público alvo que se pretende atingir, ou seja, uma loja de grife não poderia está localizada em um bairro de periferia. Segundo Parente (2000) assim como todas as decisões do composto varejista, a seleção da localização deverá estar condizente com o posicionamento da empresa, observando-se os segmentos que constituem seu mercado -alvo. Parente (2000) destaca como exemplo o grupo Pão de Açúcar que opera com dois formatos de supermercados, com o objetivo de atender a d iferentes necessidades de segmentos de mercado. Os supermercados que levam a marca “Pão de Açúcar” são lojas mais sofisticadas, direcionadas para consumidores mais exigentes, por isso localizadas em bairros de maior poder aquisitivo, onde maior população d e classe alta e média-alta. Nas lojas que levam a marca “Barateiro”, os supermercados têm um posicionamento mais popular, sendo localizados em regiões de classe média baixa. 3.3.2 Tipos de localização varejista A localização tem grande relevância para o sucesso de um empreendimento varejista. Segundo Parente (2000) localizar unidades varejistas requer decisão de 41 caráter estratégico, que consiste na seleção do tipo de localização a ser adotada. Parente (2000) destaca algumas alternativas do tipo de locali zação: centro comercial não planejado centro comercial planejado lojas isoladas Centro comercial não planejado : são conglomerados varejistas que tiveram uma evolução espontânea, cujo desenvolvimento ocorre em locais de concentração demográfica e em torno das interseções da malha viária das cidades. A depender do porte e da localização, os centros comerciais não planejados são classificados em três tipos (PARENTE, 2000). Tipos Características Zona comercial do centro da cidade Tem seu desenvo lvimento diretamente relacionado à convergência dos sistemas de transporte público, sendo em geral, o complexo comercial mais importante. Possui grande quantidade e variedade de lojas e, atrai um forte movimento de consumidores para essa região. Zona comercial de bairro É o aglomerado comercial que se localiza em regiões além do centro da cidade. A expansão das cidades maiores possibilita a localização de varejistas em alguns bairros residenciais, em interseções e vias de intensa circulação de transportes coletivos. Zona comercial de vizinhança É formada por um grande número de aglomerados varejistas menores que se localizam em torno das principais interseções viárias de regiões predominantemente residenciais. As lojas comercializam produtos de conveniên cias, como: farmácias, padarias, supermercados, salão de beleza. Q uadro 2.5 - Tipos de centros comerciais não planejados Fonte: Parente (2000) Centro Comercial planejado : é um empreendimento desenvolvido para forma um complexo comercial integrado, com posto de várias unidades varejistas, que 42 oferecem uma linha de produtos variados e complementares. Dentre esses formatos comerciais projetados, o mais importantes são os shopping centers. Lojas isoladas: essas lojas não dependem de outras lojas próximas para alavancar sua atratividade, em geral, localizam -se ao longo de importantes avenidas ou vias expressas; têm forte poder de atração como: grandes lojas de material de construção, hipermercados. Segundo Parente (2000) é necessário considerar na seleção da localização a compatibilidade entre o público -alvo da varejista e o perfil dos consumidores que freqüentam determinada região de compra, pois alguns tipos de localização são mais adequados para determinados tipos de varejo. 3.3.3 Área de Influência É necessário considerar alguns fatores no momento de escolher u m bom local para a instalação da empresa. Um desses fatores é a área de influência. Ela é a área de atuação de uma loja, ou seja, a área onde se concentra o maior número de consumidores (LAS CAS AS, 2004). Las Casas (2004, p. 62) define área de influência como “a área geográfica em que a empresa varejista obtém a maior parte de seus clientes”. Segundo Parente (2000, p. 339) “área de influência é definida como a área geográfica que contém a maior parte dos clientes de uma loja”. A área de influência merece atenção especial dentro dos estudos de localização, pois reflete a extensão espacial da demanda de mercado do varejo. Assim, a extensão da área de influência de uma determinada loja vai depend er do poder de atração que ela exerce sobre os seus consumidores. Há formatos varejistas que possuem maior poder de atração sobre os consumidores, como os hipermercados; em outros formatos, como padarias e farmácias, a área de influência é bem menor (PARENTE, 2000). 43 Parente (2000) destaca a existência de três seguimentos de uma área de influência, levando-se em conta a análise da dispersão geográfica de clientes em torno da loja. Área de influência prim ária nessa região estão concentrados cerca de 60 a 75 % dos clientes da loja, é a região mais próxima da loja e apresenta maior densidade de clientes Área de influência secundária nessa região estão localizados cerca de 15 a 25% dos clientes da loja, é a região que fica em torno da área de influência primária. Área de influência terciária essa região concentra cerca de 10% dos clientes da loja, são aqueles que moram mais afastados da loja. Figura 2.6 - Segmentos da área de influência Fonte: Parente (2000) Las Casas (2004) destaca que a área de influênci a pode variar de acordo com o formato de varejo, e de acordo com a localização. Uma loja no centro da cidade terá área de comércio primária mais curta que uma loja com localização em bairro. Segundo Parente (2000) existem fatores que influenciam a área de influência, são eles: Linha de produtos dependendo do tipo de produto que a loja ofereça ela pode ter menor ou maior área de influência. Lojas de conveniência tem menor área de influência, já as lojas de móveis possuem maior área. Tam anho da loja as lojas maiores, normalmente oferecem maior variedade, mais confortoe, mais serviços e preços competitivos por isso, possuem uma maior capacidade de atrair clientes. Densidade populacional Concorrência maior densidade populacional implica em maior lentidão no tráfego, fato r esse que restringe a extensão da área de influência. pode ampliar ou restringir a extensão da área de influência. Se a concorrência está próxima, ela pode interceptar o fluxo de clientes que vai para uma loja. Porém quando os concorrentes estão localizados bem próximos, como num shopping center ou em uma mesma praça, eles passam a ser percebidos como fazendo parte de um mesmo complexo varejista. Figura 2.7 - Fatores que influenciam a área de influência Fonte: Parente (2000) 44 O conhecimento da área de influência é relevante para o administrador varejista, pois através dele é possível perceber os limites do território de localização da empresa, e com isso, adaptar os esforços mercadológicos para amplia -lo, mantê-lo ou conquista-lo (LAS CASAS, 2004). 3.4 Com portam ento do consum idor Em várias situações, o indivíduo que usa um produto é diferente daquele que realiza a compra, ou mesmo, daquele que paga pela compra (PARENTE,2000). Segundo Cobra (2003) todos nós, na condição de consumidores, des empenhamos três papéis ao longo da nossa vida e ao longo do dia, da semana, do mês. Usuário Com prador Pagador Como consumidores usuários, desde que o dia começa até o seu final, consumimos vários produtos, mesmo que não tenhamos comprado. Produtos de higiene pessoal (sa bonete, creme dental, xampu), gêneros alimentícios (café, leite, pão), combustível para veículos, roupa, sapato, enfim, um grande número de produtos e serviços. O comprador nem sempre é pagador ou usuário. Um exemplo é a dona–de-casa, normalmente na condição de comprador de suprimentos, e nem sempre tudo que ela compra ela consome, e nem sempre é ela quem paga tal consumo. É o chefe da família, tanto o homem quanto a mulher, que nessa função de suprir a necessidades do lar, pagam os produtos e serviços, mesmos que não os consumam. O pagador é o supridor de necessidades. Figura - 2.8 Três papéis que o consumidor desempenha Fonte: Cobra (2003) 3.4.1 Conceitos e definições Segundo Kotler (1998) o objetivo de marketing é atend er e satisfazer às necessidades e desejos dos consumidores, para tanto, faz -se necessário conhecer o 45 comportamento do consumidor, estudando como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e dispõem de bens, serviços, idéias ou experiências . Segundo Cobra (2003) com relação às necessidades e desejos, os consumidores podem declarar uma coisa e fazer outra to talmente diferente. Eles podem não estar conscientes de suas motivações mais profundas, por isso, no momento da compra há influências que levam o consumidor a mudar de idéia no ultimo instante. O comportamento das pessoas resulta de uma infinidade de influências, cada uma interferindo no processo de escolha dos produtos e serviços de form a distinta e em graus diferentes. As pessoas são influenciadas pelo mundo que as cerca e sofrem pressões de fatores de toda ordem , que acabam por intervir no se u comportamento (W ELLS, 1978). Para se desenvolver estratégias e táticas de marketing que sejam bem sucedidas no varejo, é necessário identific ar as necessidades dos segmentos de consumidores de uma empresa, bem como entender o processo decisório e o comportamento de compra dos consumidores. O comportamento do consumidor deve ser tra tado de forma prioritária pelos varejistas, levando -se em conta que o objetivo do varejista é conquistar e satisfazer o consumidor (PARENTE, 2000). Para Sesso (apud Ângelo e Silveira, 2000), conhecer o cliente é um fator imprescindível para o sucesso de qualquer empresa varejista, de forma especial, no setor supermercadista, onde a concorrência se torna mais acirrada a cada dia. 3.4.2 Principais Fatores que influenciam o com portam ento de com pra Segundo Kotler (1998) a escolha que o consumidor faz para adquirir bens e serviços será influenciada por muitos fatores c ulturais, sociais, pessoais e psicológicos. A figura 2.9 resume os fatores que influenciam o comportamento de compra de um consumidor. 46 Fatores Culturais Fatores sociais Fatores Pessoais Cultura G rupos de referência Subcultura Idade e estágio de ciclo de vida O cupação Família condições econômicas Papéis e posições sociais Classe Social Estilo de vida Fatores psicológicos Motivação Percepção Aprendizagem com prador Crenças e atitudes Personalidade e auto-conceito Figura 2.9 – Fatores que influenciam o comportamento Fonte: Kotler (1998) Kotler (1998) especifica cada um desses fatores e define as suas características, de modo a facilitar a compreensão sobre a grande relevância que eles têm no comportamento no comportamento. Fatores Culturais: São os que exercem maior influência sobre o comportamento do consumidor. Os fatores culturais são compostos pela cultura, subcultura e classe social. Cultura: é o determinante mais fundamental dos desejos e do comportamento de uma pessoa. É todo um conjunto de valores, percepções, preferências e comportamentos que são adqu iridos ao longo da vida. Subcultura: cada cultura é formada por subculturas menores que fornecem identificação e socialização mais específicas para seus membros, incluem: nacionalidades, religiões, grupos raciais e regiões geográficas. Classe Social: as sociedades humanas exibem a superposição de camadas sociais. As classes sociais não refletem apenas a renda, mas também a ocupação, nível educacional e área residencial. 47 Fatores Sociais: Os fatores sociais são compostos por grupos de referência, família e papéis e posições sociais. Grupos de referência : compreende os grupos que têm influência direta ou indireta sobre as atitudes ou comportamento da pessoa. São os chamados grupos de afinidade, como família, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Família: é a organização de compra de produto de consumo mais importante da sociedade. Os membros da família formam o grupo primário de referência mais influente. As empresas têm interesses nos papéis e na relativa influência do marido, esposa e filhos na compra de uma variedade de produtos e serviços. Papéis e Posições Sociais: Ao longo da sua vida, uma pessoa participa de muitos grupos – família, clubes, organizações. Dentro de cada grupo a pessoa ocupa posições que podem ser definidos em termos de papel e pos ições sociais. Um papel consiste em atividades que a pessoa vem a desempenhar, como: uma mulher junto aos seus pais desempenha papel de filha, na sua família é esposa e mãe, na empresa onde trabalha é gerente. Cada papel significa uma posição social, exemp lo: um juiz tem mais status que um funcionário de escritório. Assim, as pessoas escolhem produtos que demonstrem seu papel e status na sociedade. Fatores Pessoais: As características pessoais também influenciam as decisões de compra. Essas características dizem respeito à idade e o estágio do ciclo de vida, ocupação, situação econômica, estilo de vida, personalidade e auto -estima. Idade e Estágio do ciclo de vida: durante toda a vida as pessoas compram diferentes bens e serviços. Bebês e crianças conso mem determinados tipos de alimentos, adultos consomem a maioria dos tipos de alimentos, enquanto que pessoas mais idosas fazem dietas. Ocupação: existe o tipo de consumo que se refere à ocupação de cada pessoa. Um operário comprará roupas, calçados de tra balho e marmitas; um executivo comprará ternos caros, passagens aéreas. 48 Condições econômicas: as condições econômicas afetam as escolhas de produtos. Essas condições consistem em renda disponível, poupança e patrimônio, dívidas, condições de crédito. Estilo de vida: representa o padrão de vida que é demonstrado em termos de autoridades, interesses e opiniões. Uma pessoa pode optar por um estilo conservador, roupas clássicas, passar muito tempo com a família e ajudar a igreja. Outra pessoa pode optar por longas horas de trabalho, recusar convites para viagem e esportes. Personalidade e auto -estima: cada pessoa possui uma personalidade diferente que terá influência sobre seu comportamento de compra. A personalidade é um conjunto de características psicológicas, como: autoconfiança, domínio, autonomia, respeito, sociabilidade, defensibilidade e adaptabillidade. A auto -estima (ou auto-imagem) tem relação com a personalidade da pessoa. Fatores Psicológicos: Quatro importantes fatores psicológicos têm influê ncia sobre as escolhas de compra de uma pessoa. São eles: motivação, percepção, aprendizagem e crenças e atitudes. Motivação: Uma pessoa tem várias necessidades em determ inado momento. Algumas necessidades são fisiológicas como, sede, fome, desconforto. Outras são psicológicas, como a necessidade por reconhecimento, estima ou posse. Um motivo (ou impulso) é uma necessidade que está pressionando suficientemente para levar a pessoa a agir. Percepção: é o processo através do qual uma pessoa seleciona, organ iza e interpreta as informações para criar um quadro significativo do mundo. A pessoa motivada está pronta para agir e a forma como ela vai agir dependerá da sua percepção da situação. 49 Aprendizagem: abrange as mudanças no comportamento de uma pessoa, decorrentes da experiência. A maior parte do comportamento humano é fruto da aprendizagem. Crenças e atitudes: Por meio da ação e da aprendizagem as pessoas adquirem suas crenças e atitudes. Estas, por sua vez, têm influência no comportamento de compra. Segundo Churchill e Peter (2005) tendências recentes, como forças econômicas e sociais têm o poder de levar a mudanças nos valores culturais. Um exemplo é o crescente número de mulheres no mercado de trabalho (no Brasil, em apenas três décadas, as mulheres dob raram sua participação no mercado de trabalho). A respeito da subcultura, Churchill e Peter (2005) destacam que cada vez mais a população de um país se torna diversificada, onde cada subcultura tem seu próprio conjunto de valores e comportamentos. Dessa forma, as subculturas de um país podem representar vários grupos raciais e étnicos. Características Exem plos de subculturas Idade Crianças, adolescentes, adultos, jovens, meia -idade, idosos Religião Católicos, judeus, protestantes, budistas, muçulmanos Raça Negros, descendentes de europeus, orientais Nível de renda Ricos, classe média, pobres, miseráveis Nacionalidade Italianos, portugueses, espanhóis, alemães, japoneses Sexo Mulher, homem Tipo de família Mãe/pai solteiros, divorciados/sem filhos, pai/mãe/filhos O cupação Mecânico, contador, sacerdote, professor, escriturário Região geográfica Nordeste, Sudeste, Sul Comunidade Rural, cidade pequena, subúrbio, cidade grande Q uadro 2.10 Tipos de grupos e subculturas Fonte: Churchill & Peter (2005) Sobre os fatores psicológicos, dando destaque ao fator motivação é necessário destacar as três mais conhecidas teorias sobre a motivação humana. As teorias de Sigmund Freud, Abrahah Maslow e Frederick Herberg. Kotler (2006) destaca que essas teorias trazem implicações bem diferentes para a análise do consumidor e a estratégia de marketing a ser adotada pelas empresas. 50 A teoria de Freud: Sigmund Freud explicou que as forças psicológicas que formam o comportamento das pessoas são basicamente inconsciente s e que ninguém chega a entender de forma completa às próprias motivações. A forma, o tamanho, o peso, o material, a cor e o nome podem estimular certas associações e emoções. A teoria de Maslow: Abraham Maslow queria explicar o porque das pessoas serem motivadas por necessidades específicas em determinados momentos. Assim, a resposta de Maslow é que as necessidades humanas são dispostas em uma hierarquia, sendo da mais urgente para a menos urgente. Necessidades de auto-realização D esenvolvim ento e realizações pessoais Necessidade de Estim a Auto-estim a, reconhecim ento, status Necessidades Sociais sensação de pertencer, am or Necessidade de Segurança Segurança, proteção Necessidades Fisiológicas com ida, água, abrigo Figura 2.11 Hierarquia das necessidades de Maslow Fonte: Kloter (2006) A teoria de Herzberg: Frederick Herzberg desenvolveu a teoria de dois fatores. São os insatisfatores (fatores que causam insatisfação) e os satisfatores (fatores que causam satisfação). A ausência de insatisfatores não bas ta; os satisfatores devem estar claramente presentes para motivar uma compra. 3.4.3 Processo de com pra Cobra (2003) destaca que o ser humano possui necessidades e desejos e que precisa de recursos disponíveis para satisfaze -los. Os desejos e as necessida des são amplos, os recursos, via de regra, não são. O ser humano busca o consumo com maior ou menor moderação de acordo com suas preocupações de vida social. 51 E que, o processo de tomada de decisão de consumo é preparado mais emocional do que racionalmente. Segundo Parente (2000) o comportamento humano é extremamente complexo e influenciado por um enorme conjunto de fatores, e que modelos de comportamento de compra vêm sendo desenvolvidos para representar, de forma simplificada e esquematizada, o fenômeno d o comportamento do consumidor. Segundo Kotler e Keller (2006) o consumidor passa por cinco etapas, durante o processo de compra. São elas: reconhecimento do problema, busca de informação, avaliação de alternativas, decisão de compra e comportamento pós -compra. Dependendo do produto que o consumidor vai comprar, ele pode pular ou inverter algumas das etapas. Quando uma mulher decide comprar sua marca habitual de creme dental, ela vai direto da necessidade de creme dental à decisão de compra, pulando assim, a busca de informações e a avaliação de alternativas. Contudo, o conhecimento dessas cinco etapas proporciona uma boa referência, levando -se em conta elas captam a gama total de considerações que surgem quando um consumidor se depara com uma nova compra (KOTLER e KELLER, 2006). A figura 2.12 mostra um modelo de etapas para o processo de decisão de compra do consumidor. Reconhecimento do problema Busca de informações Avaliação de alternativas Decisão de compra Comportamento pós-compra Figura 2.12 – Etapas do processo de decisão de compra do consumidor Fonte: Kotler (2006) Reconhecimento do problema: o processo de compra tem início quando o comprador reconhece um problema ou uma necessidade. A necessidade pode ser provocada por estímulos internos ou externos. Os estímulos internos estão ligados às necessidades normais da pessoa – fome, sede – sobem para o nível d e consciência e tornam -se um impulso. Nos estímulos externos a necessidade é 52 provocada, ou seja, quando uma pessoa admira o carro novo de um vizinho, ou vê um anúncio de férias, isso desencadeia idéias sobre a possibilidade de fazer uma compra. Busca de informação: Quando o consumidor está interessado ele tende a buscar mais informações. Há dois níveis de interesse, um mais moderado onde a pessoa é mais receptiva a informações sobre um produto; e outro nível em busca ativa de informações, onde a pessoa pro cura literatura a respeito, telefona para amigos, visita lojas, faz buscas na internet. Avaliação de alternativas: É o momento em que o consumidor processa as informações de cada marca concorrente e faz um julgamento de valor final. Esse processo de avaliação considera a satisfação de uma necessidade e determinados benefícios que o produto oferece. Assim, o consumidor vê cada produto como um conjunto de atributos, que possuem diferentes capacidades de entregar os benefícios para satisfazer uma necessidade. Decisão de compra: Ao formar a intenção de compra, o consumidor passa por cinco subdecisões: decisão por marca, decisão por revendedor, decisão por quantidade, decisão por ocasião e decisão por forma de pagamento. As decisões e deliberações dependem do tipo de compra que se vai fazer; comprar açúcar, por exemplo, não requer todo esse processo, porém a compra de um veículo exige maior atenção do consumidor em cada etapa. Comportamento pós-compra: Se após a compra, o consumidor perceber certos aspectos inquietantes ou ouvir coisas favoráveis sobre outras marcas, ela poderá sentir alguma dissonância cognitiva. Dessa forma, o consumidor ficará atento a informações que apóiem sua decisão. Por isso é importante que as comunicações de marketing proporcionem cren ças e avaliações que ajudem o consumidor a sentir se bem quanto a sua escolha. Etzel et al (2001), destaca que depois de reconhecida a necessidade, o consumidor vai identificar as alternativas capazes de satisfaze -la. Assim, são identificados produtos e m arcas, em virtude de lembranças de experiências anteriores e até de 53 uma vasta pesquisa externa. A busca de alternativas é influenciada pelos seguintes fatores: Quantidade de informações que o consumidor já possui a partir de experiências anteriores e outras origens. Confiança do consumidor nessas informações. Outras informações que têm valor quando comparadas ao tempo e ao dinheiro para obtê-las. Quando um cliente vai fazer as compras, ele avança por meio de um ciclo de compra. Cada etapa nesse ciclo é uma oportunidade que a empresa tem de conquistar a fidelidade desse cliente (GRIFFIN, 1998). Segundo Hawkins et al (apud Révillion, 1995), a escolha de qualquer loja, inclusive de supermercados, engloba a comparação entre as várias alternativas que fa zem parte do critério de escolha do consumidor. Esses critérios podem variar em função do segmento ou setor estudado, no entanto os mais usados seriam os seguintes: Critérios Com ponen tes Mercadorias Q ualidade, sortimento e preço Serviços Atendimento, crédito e entrega Clientela Consumidores Aspectos físicos Limpeza, layout, ambientação e atratividade da loja Conveniência Localização e estacionamento Promoção Divulgação, propaganda Atmosfera da loja Divertida, confortável, moderna, simpática Institucional Reputação da marca Pós-venda Satisfação do consumidor Figura 2.13 – Critérios de avaliação do consumidor na escolha de uma loja Fonte: Hawkins et al (apud Révillion, 1995) Dentro desses critérios e componentes, é importante destacar como o atendi mento e a satisfação do consumidor são importantes dentro dessa relação que a empresa busca estabelecer com seus clientes. 54 Couto (1994) destaca que toda a alta gerência deve estar envolvida em um programa que envolva a qualidade no atendimento, inclusive avalizar o conjunto de modificações que acontecerão na empresa. A qualidade do atendimento está ligada ao envolvimento de todos que compõem a empresa. Para Churchill e Peter (2005, p. 426) o atendimento excepcional pode ser a base da vantagem competitiva de um varejista. O cliente mal atendido ou que fica insatisfeito com o atendimento propaga essa experiência. Segundo Kotler (2000, p. 58) a sa tisfação consiste na sensação de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho (ou resultado ) percebido de um produto em relação às expectativas do comprador. Assim, a satisfação diz ao consumidor o quanto foi bom ou ruim a experiência de aquisição de um produto ou mesmo de um serviço. Nogueira (1995) destaca que a empresa precisa oferecer algo mais que produtos, afinal todo varejista oferece; é necessário encantar os clientes, por exemplo, ofertando serviços diferenciados. O nível de satisfação do consumidor influencia e determina a aceitação ou rejeição de um produto, de um serviço e até de um a empresa, em função do desempenho e expectativas percebidos, ocasionando a satisfação ou insatisfação. Adenton (1990) destaca que a satisfação do cliente resulta em recompensas reais para a empresa em se tratando da lealdade, ou seja, o cliente satisfeit o pode ser fidelizado. E a lealdade é aumentada quando os clientes esperam e recebem certas recompensas, como: atenção, velocidade de transações, confiabilidade. Segundo Pires e Marchetti (2002), “a tomada de decisão por parte do consumidor é uma tarefa cotidiana e que se reveste de aspectos pessoais quanto à escolha, compra e uso de produtos e serviços”. Assim, as decisões podem variar sendo mais simples ou complexas, a depender das alternativas de compra disponíveis em cada momento. 55 Para Sesso (apud Âng elo e Silveira, 2000), o consumidor busca maximizar sua satisfação alocando sua renda entre produtos e serviços disponíveis, e o modelo econômico básico de comportamento do consumidor explica o consumo como uma função dos preços, dos produtos, renda dispon ível e preferências do indivíduo. Assim, levando-se em consideração o aumento da renda disponível do consumidor, ocorrerá menor influência dos preços e da renda sobre o consumo. Haverá maior influência das preferências, ou seja, o consumidor com maior ren da disponível opta por compra produtos que prefere e não aquelas que a renda permite. 3.4.4 Tipos de tom adas de decisões dos consum idores Churchill e Peter (2005, p. 152) destacam que em muitas compras, os consumidores não seguem todas as etapas do proce sso de compra. Assim, a decisão do consumidor vai depender da importância da compra. O consumidor pensa muito mais ao decidir comprar um carro ou uma viagem de férias do que para comprar pão ou deixar o veículo no lava rápido. Geralmente, um processo de tomada de decisão é mais formal e demorado quando existem uma ou mais das seguintes condições: a compra é importante para os consumidores; o preço do produto é muito alto; o produto tem características complexas ou novas; há muitas opções de marcas Há três tipos de tomadas de decisões de consumidores: rotineiras, limitadas e extensiva (CHUR CH ILL e PETER, 2005). Tomada de decisões rotineira: ocorre normalmente na compra de produtos que são simples, baratos e conhecidos. Nessa tomada de decisão, o consumidor costuma considerar uma ou poucas marcas, observando poucas características e minimização dos custos de compra. Dessa forma, poucos consumidores vão percorrer diversas lojas para comparar os méritos de um sabonete. 56 Tomadas de decisões limita das: os consumidores consideram várias marcas e lojas, obtendo informações sobre o produto em diversas fontes, como propaganda e alguns amigos. Estando dispostos a gastar um pouco tempo na procura por valor, mas mantendo o baixo custo de tempo e esforço. Isso se aplica na comprar de camisas ou bermudas. Tomada de decisões extensivas: normalmente é utilizada na compra de produtos caros, complexos e pouco conhecidos, ou que sejam mais significativos para os consumidores. A busca por informações é bem varia da como propagandas, vendedores e amigos. Sendo necessário maior investimento de tempo e esforço. 2.5 Conclusão do Capítulo Nos últimos anos, o varejo vem passando por muitas transformações que são conseqüências das mudanças mercadológicas. O processo de mudança dentro dessas empresas é fator imprescindível para sua sobrevivência e para a consecução dos seus objetivos. Dentro desse processo é o consumidor que determina muitas das mudanças, pois essas empresas precisam satisfazer necessidades e desejos desses consumidores, inclusive baseadas em estratégias que ofereçam valor para os clientes. 57 C A PÍTU LO IV A PR ESEN TA ÇÃ O E A N ÁLISE D OS R ESU LTADOS 58 4. APRESENTAÇÃ O E A NÁLISE D OS RESULTADOS Neste capítulo estão todas as in formações que foram colhidas através da pesquisa de campo realizada com 100 (cem) respondentes, clientes de mercados de vizinhança e de supermercados. A escolha dos respondentes foi feita pelo julgamento do pesquisador, por isso, utilizada a mostra não -probabilística. Os questionários aplicados foram do tipo estruturado, com perguntas fechadas – de múltipla escolha, dicotômicas e com o escalonamento de Likert. Os clientes de mercados de vizinhança e de supermercados foram abordados na saída desses estabelecimentos. De modo que a aplicação dos questionários não causasse nenhum transtorno para os respondentes, pois muitas pessoas reclamam do pouco tempo disponível para fazer as compras. Inclusive, a experiência vivida no momento das compras poderia ajudar na s respostas do questionário. Durante a abordagem, vários clientes demonstraram o interesse em responder as perguntas direcionadas ao mercado de vizinhança e ao supermercado. Segundo eles, o mês é bastante longo, no que diz respeito ao consumo dos gêneros alimentícios. Por isso, mesmo os que fazem suas compras de maior volume no supermercado, buscam o mercado de vizinhança para comprar produtos que tem o consumo mais intenso pela família e que devem ser comprados semanalmente, para não estragar, como: frio s, iogurtes, sucos, carnes, leites e laticínios. Alguns clientes declaram fazer suas compras somente no mercado de vizinhança, outros apenas no supermercado. A apresentação e análise dos resultados demonstram a fiel opinião dos respondestes com relação aos determinantes do processo de escolha que é feito pelo consumidor com relação ao mercado de vizinhança versus supermercado. Dessa forma, a pesquisa foi feita com o intuito de analisar os fatores que contribuem para influenciar a escolha do consumidor, c onsiderando todo o esforço de marketing que é utilizado pelos dois formatos varejistas. 59 Através das perguntas – as mesmas feitas ao cliente de mercado de vizinhança foram feitas ao cliente de supermercado - analisar vários fatores, como qualidade e sortim ento dos produtos, atendimento, preços entre outros, e mensurar, através da percepção do cliente, o que cada um desses formatos varejista oferecem para serem escolhidos no momento da compra. 4.1 Análise do perfil dos respondentes Dos clientes abordados tanto nos mercados de vizinhança quanto nos supermercados, houve maioria feminina. No mercado de vizinhança 13% (por cento) do sexo masculino e 87% (por cento) do sexo feminino. No supermercado, 14% (por cento) do sexo masculino e 86% (por cento) do sexo feminino. Mercado de Vizinhança 13% Masculino Feminino 87% G ráfico 01 – Sexo Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 14% Masculino Feminino 86% G ráfico 02 – Sexo Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 60 É interessante registrar, que a gra nde maioria das mulheres se declarou responsável pela administração do orçamento familiar, condição que as leva a fazer as compras da casa, inclusive com mais sensibilidade e paciência para escolher produtos. Mesmo as mulheres que não se declaram donas -de-casa, ou seja, as que trabalham fora encontram um tempo para fazer as compras. Para elas, é mais interessante fazer esse controle do orçamento familiar, já que custeiam as despesas da família com os esposos. Segundo Churchill e Peter (2005) tendências re centes, como forças econômicas e sociais têm o poder de levar a mudanças nos valores culturais. Um exemplo é o crescente número de mulheres no mercado de trabalho (no Brasil, em apenas três décadas, as mulheres dobraram sua participação no mercado de traba lho). O papel da mulher como chefe de família, também demonstra a sua presença cada vez maior como pagadora das despesas. Ela não apenas faz as compras, mas também assumi o papel de pagar essas contas. Sensos e dados demográficos apontam o sexo feminino com maioria em vários estados, e isso contribui para que o público feminino seja maioria em várias atividades e situações do cotidiano. Tendo destaque inclusive no mercado de trabalho e em atividades que até um tempo atrás eram restritas ao sexo masculino . No mercado de vizinhança o público com idade entre 20 e 30 anos foi o que mais se destacou, representando 33% (por cento), seguindo do público com idade entre 31 a 40 anos, representando 31% (trinta e um) por cento. O público do supermercado com idade entre 31 e 40 anos foi a gra nde maioria, com índice de 45% (por cento). Tanto no mercado de vizinhança quanto supermercado, o público com até 19 anos representa apenas 1% (por cento). no 61 Mercado de Vizinhança 16% 1% 33% Até 19 anos 20 a 30 anos 31 a 40 anos 19% 41 a 50 anos 51 em diante 31% G ráfico 03 – Idade Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 10% 1% 27% 17% Até 19 anos 20 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos 51 em diante 45% G ráfico 04 – Idade Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 O público com idade entre 41 e 50 anos tem representação quase igual, em ambos varejistas, 19% (por cento) no merca do de vizinhança e 17% (por cento) no supermercado. Os clientes com idade superior a 51 anos, foram mais presentes nos mercados de vizinhança, com índice de 16% (por cento), contra 10% (por cento) nos supermercados. O fator idade, por muitas vezes, é um c ritério que pode habilitar ou desabilitar uma pessoa a fazer determinada coisa. Há limite de idade para alguns direitos e para algumas obrigações, como: alistamento militar, casamento, direito ao voto, maior idade. Enfim, a idade representa também um tempo de vida, que vai tornando o ser humano com maturidade e vivência para gozar de determinados direitos e assumir obrigações. 62 A ida a um mercado de vizinhança ou supermercado para fazer as compras exigi o discernimento, ou mesmo maturidade da pessoa para sa ber escolher produtos, verificar preços e até mesmo para manter a lista de compras, pois o supérfluo está sempre presente nas gôndolas, tentando o consumidor. Talvez, por isso, o público com até 19 anos representou apenas 1% (por cento) tanto no mercado de vizinhança quanto no supermercado. O público de 31 a 40 anos foi maioria nos dois formatos varejistas, representando a faixa de idade do consumidor que fica responsável por efetuar as compras. Os consumidores de 20 a 30 anos ficaram na segunda posição ta nto no mercado de vizinhança quanto no supermercado. Com relação aos clientes que têm idade a partir de 51 anos, eles foram mais presente no mercado de vizinhança, esse fato pode está ligado à proximidade com a residência, que implica numa leve caminhada , quando a pessoa não dispõe de um meio de condução. O nível de escolaridade demonstrou, de início, a evolução que ocorreu no grau de instrução das pessoas, inclusive com a valorização da educação para a formação de profissionais. Foi bem expressiva a p orcentagem das pessoas com nível superior, 21% (por cento) nos mercados de vizinhança e 24% (por cento) nos supermercados. Mercado de Vizinhança 7% 17% 1º Grau 22% 1º Grau Incompleto 2º Grau 2º Grau Incompleto 21% Superior 11% 22% G ráfico 05 – Escolaridade Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Superior Incompleto 63 Supermercado 6% 19% 10% 1º Grau 1º Grau Incompleto 2º Grau 2º Grau Incompleto 25% 24% Superior Superior Incompleto 16% G ráfico 06 – Escolaridade Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Nos mercados de vizinhança as pessoas com primeiro grau incompleto e com segundo grau representaram 22% (por cento) cada. As que possuem nível superior incompleto representaram 17% (por cento); 11% (por cento) foi à porcentagem dos que possuem o segundo grau incompleto e 7% (por cento) repre sentando os que concluíram apenas o primeiro grau. Nos supermercados, o nível de escolaridade com maior porcentagem foi representado pelas pessoas que possuem o segundo grau completo, com 25% (por cento) dos respondentes, seguidos dos que têm nível superior com 24% (por cento); o nível superior incompleto com uma representação de 19% (por cento), o 1º grau incompleto e o 1º grau co m menor representação, respectivamente, 10% (por cento) e 6% (por cento). As pessoas com 1º grau incompleto tiveram maior representação nos mercados de vizinhança, 22% (por cento) contra 10% (por cento) nos supermercados. Essa porcentagem pode está repres entando um nível de escolaridade das pessoas que moram em periferia, ou mesmo das pessoas com idade a partir de 51 anos, considerando que muitas delas não tinham concluído sequer o 1º grau. Os clientes de mercados de vizinhança que representaram a maior p orcentagem, foram os que têm renda de 351 a 600 reais, com índice de 31% (por cento), seguidos dos que ganham de 601 a 900, com 21% (por cento), logo após vêm os 64 que ganham até 350 reais, com porcentagem de 20% (por cento ). Os que ganham de 901 a 1500, e a cima de 1500, representaram 14% (por cento ) ca da. Mercado de Vizinhança 14% 20% Até 350 14% 351 a 600 601 a 900 901 a 1500 Acima de 1500 31% 21% G ráfico 07 – Renda Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 6% 19% 30% Até 350 351 a 600 601 a 900 901 a 1500 14% Acima de 1500 31% G ráfico 08 – Renda Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 200 6 Nos supermercados, os clientes com maior representação são os que têm renda de 601 a 900 reais, com porcentagem de 31% (por cento), seguidos dos clientes que ganham de 351 a 600 reais, com 30% (por cento). Os clientes que ganham acima de 1500 represen tam 19% (por cento) dos respondentes, 14% (por cento) para os que ganham de 901 a 1500, e por fim, com menor índice apenas 6% (por cento) os que ganham até 350 reais. A renda do cliente de supermercado é superior a do cliente de mercados de vizinhança quando considerada a porcentagem das pessoas com renda até 350 65 reais, onde o mercado de vizinhança teve 20% (por cento) e o supermercado apenas 6% (por cento) dos clientes com essa renda. Igualmente, ocorreu com rendas de 601 a 900 e acima de 1500, os mercado s de vizinhança tiveram menor representação nessas faixas. Se forem consideradas a faixa de escolaridade com a questão da renda, é possível afirmar que o cliente de supermercado ao possuir maior nível de escolaridade como conseqüência, possui melhor nív el de instrução, fato que implica em melhores oportunidades de emprego e, conseqüentemente em maior renda. Assim, considerando as respostas dos clientes de mercados de vizinhança e de supermercados, no que diz respeito às questões que compõem o perfil do consumidor, constatou -se que o público feminino é quem fica responsável por fazer as compras, assumindo o papel de comprador, representando mais de 80% (por cento) dos clientes. A idade predominante dessas mulheres que fazem as compras para suas famílias fica entre as faixas de 20 a 30 anos e 31 a 40 anos. O n ível de escolaridade predominante para o público dos dois formatos varejistas foi variado; os clientes de mercados de vizinhança apresentam grau de escolaridade variado, sendo a maioria composta por pessoas com 1º grau incompleto, 2º grau e n ível superior. Nos supermercados, a maioria é representada por 2º grau, n ível superior e superior incompleto. A maioria dos clientes de supermercados se apresenta com renda de 601 a 900 reais e 351 a 600 reais. Já os clientes de mercados de vizinhança são maioria na faixa que engloba os valores de 351 a 600 reais, seguidos dos que ganham de 601 a 900 e até 300 reais. Dessa forma o público de mercado de vizinhança se apresenta com menor grau de escolaridade e men or renda, porém não tão diferente ou distante do público dos supermercados, levando -se em conta que a comparação da porcentagem dos dois púbicos não demonstrou grandes variações. 66 4.2 Análise do questionário dicotôm ico e de m últipla escolha A pesquisa constatou que os clientes de mercados de vizinhança consideram a proximidade com o domicílio importante. Existe a influência da proximidade com relação à escolha. Dos respondentes, 74% (setenta e quatro) por cento afirmaram que a proximidade influencia su a escolha, apenas 26% (vinte e seis) por cento desconsideram esse fator. Dos clientes de supermercado, embora 51% (cinqüenta e um) por cento não considerem a proximidade como fator de influência; 49% (quarenta e nove) por cento dos clientes afirmam que sim , representando uma porcentagem bem expressiva. Mercado de Vizinhança 26% Sim Não 74% G ráfico 09 – A proximidade influencia a escolha Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 49% Sim Não 51% G ráfico 10 – A proximidade influencia a esco lha Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 67 Mesmo as pessoas que não fazem suas compras em mercados vizinhos, buscam o supermercado que esteja mais próximo, ou mesmo que seja de mais fácil acesso, de modo que não percam muito tempo. Os clientes consideram a localização como um fator a ser observado no momento em que desejam fazer suas com pras. Kotler (2000), a respeito da localização varejista, destaca que as três chaves para o sucesso são a localização. Fatores como a busca por conveniê ncia e a falta de tempo levam os consumidores a verificar a proximidade, a localização de uma loja. Assim, os clientes escolhem o banco, o supermercado e o posto de gasolina que estejam mais próximos. A proximidade, muitas vezes, representa ganho de temp o e esse fator tem g rande valor no cotidiano de qualquer pessoa. O deslocamento para um local mais distante implica na busca por um meio de condução, quer seja carro, moto, táxi, ou outro meio de transporte, e isso representa também , uma despesa com o desl ocamento. Dos clientes de mercados de vizinhança, 78% (por cento) se deslocam para esses estabelecimentos a pé, isso é decorrente da proximidade com as residências desses clientes. Apenas 16% (por cento) utilizam carros, e 6% (por cento) outros meios de transporte. Mercado de Vizinhança 6% 16% 0% Carro Táxi A pé Outros 78% G ráfico 11 – Meio de transporte utilizado Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 68 Supermercado 17% 47% Carro Táxi A pé Outros 33% 3% G ráfico 12 – Meio de transporte utilizado Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Nos supermercados, a maioria dos respondentes, ou seja, 47% (por cento) utilizam o carro para chegar a esses estabelecimentos, 33% (por cento) vão a pé e 17% (por cento) utilizam outros meios de transporte. Apenas 3% (por cento) se deslocam com táxi. De acordo com a pesquisa, a maioria dos clientes de supermercados utiliza o carro para chegar a esses estabelecimentos, mas o número dos que vão a pé, é bem expressivo. É provável, que esses 33% (por cento) que vão a pé representem também, ou tenha m influenciado na porcentagem dos que consideraram a proximidade do supermercado com a residência como sendo fator que influencia na escolha. Afinal, quem se desloca de casa para outros lugares a pé sempre vai considerar a proximidade, inclusive no que di z respeito ao tempo gasto com o deslocamento. Analisando a relação da localização do estabelecimento varejista com o domicílio do consumidor, e considerando à facilidade de acesso – tempo e comodidade, é possível afirmar que para os consumidores que não p ossuem meio de transporte, a proximidade do estabelecimento têm influência. A forma de comunicação que a empresa estabelece com seu cliente é muito importante. Quando o varejista resolve se comunicar com os consumidores é imprescindível que ele busque o m eio de comunicação que seja mais eficiente para atingir seu público -alvo. 69 Os clientes de mercados de vizinhança declararam que ficam sabendo das promoções na própria loja, esses clientes representaram 62% (por cento) dos respondentes, 24% (por cento) fica m sabendo através de outros clientes, 11% (por cento) por meio de rádio e apenas 3% (por cento) a través de carro de som. Mercado de Vizinhança 11% 3% Rádio Carro de Som 24% 62% Outros Clientes Na própria loja G ráfico 13 – Meios de promoção Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 27% 49% Rádio Carrro de Som Outros Clientes Na própria loja 7% 17% G ráfico 14 – Meios de promoção Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de supermercados, a grande maioria, 49% (por cento) declarou que fica sabendo das promoções através do rádio, 27% (por cento) na própria loja, 17% (por cento) por meio de carro de som e , 7% (por cento) a través de outro s clientes. Observando os meios de comunicação usados pelos mercados de vizinhança e pelos supermercados, foi possível constatar que os supermercados ao fazerem uso do rádio para informar os clientes sobre os seus produtos e ofertas estão 70 conseguindo atingir tanto os clientes reais quanto os potenciais, dada a audiência que esse meio de comunicação tem. Já os mercados de vizinhança, restringem um pouco a forma a sua maneira de prom oção, considerando que a maioria dos clientes sabe das promoções quando está na loja. Assim, o cliente potencial fica mais difícil de conhecer as promoções da empresa, inclusive o poder de atração se torna mínimo, com relação a esses clientes. Nos mercados de vizinhança, um dado interessante é o percentual de clientes que ficam sabendo das promoções por outros clientes; é o que chamam de boca a boca. O boca a boca é visto como positivo, pois o cliente que fala bem da empresa pode gerar mais credibilidade junto aos consumidores que não conhecem ou que tinham dúvidas quanto a freqüentar a empresa, e mesmo de se tornar cliente. Dos clientes que responderam sobre o serviço de entrega, tanto a maioria dos mercados de vizinhança, quanto à maioria dos supermerca dos afirm ou que sim. Dos clientes de mercados de vizinhança, 65% (por cento) utilizam o serviço de entrega e 35% (por cento) não utilizam. Mercado de Vizinhança 35% Sim Não 65% G ráfico 15 – Utiliza serviço de entrega Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro d e 2006 71 Supermercado 33% Sim Não 67% G ráfico 16 – Utiliza serviço de entrega Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Nos supermercados, a porcentagem dos clientes que utilizam o serviço de entrega corresponde a 67% (por cento) e dos que não utilizam 33% (por ce nto). Interessante, que mesmo a maioria dos clientes de supermercado indo a esses estabelecimentos de carro não dispensam o serviço de entrega. Parente (2000) ao falar sobre o esforço de marketing que o varejista faz para diferenciar-se no mercado engloba os seis P’s e os tipos de decisões, dentro do mix de produtos ele destaca a decisão sobre os serviços. Oferecer serviços ao cliente é sem dúvida uma forma de criar valor, de proporcionar facilidades. Facilitar a vida do cliente é uma decisão positiva para a empresa. Mesmo o cliente que não vai a pé ao supermercado, pode ter outros compromissos que inviabilizam o retorno à residência para deixar as compras, por isso, oferecer o serviço de entrega é uma decisão inteligente da empresa. H á o caso dos clientes que por utilizarem outros meios de transporte teriam dificuldades em transportar suas compras. Nos mercados de vizinhança, a maioria dos clientes também utiliza o serviço de entrega. O fator proximidade não exclui a facilidade de rec eber a compras em casa, até porque, a depender da quantidade comprada o volume de pacotes ou de caixas precisa não pode ser transportado a pé. 72 4.3 Análise das afirm ativas no escalonam ento de Likert Quando questionados sobre o sortimento de produtos que os mercados de vizinhança oferecem, e tendo com base, se o sortimento é amplo. Quarenta e dois (42% ) por cento concordaram, 23% (vinte e três) por cento concordaram totalmente, 21% (vinte e um) por cento nem concordaram, nem discordaram, 21% (vinte e um) por cento discordaram e 01% (por cento) discordou totalmente. Mercado de Vizinhança 1% 13% 23% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo 21% Discordo Discordo Totalmente 42% G ráfico 17 – O ferece amplo sortimento Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 3% 6% 0% 40% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 51% Discordo Totalmente G ráfico 18 – O ferece amplo sortimento Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de supermercado, 51% (cinqüenta e um) por cento concordam que o sortimento de produtos é amplo, 40% (quarenta) por cento concordam totalmente, 73 6% (seis) por cento nem concordam, nem discord am, 3% (três) por cento discordam e nenhum discordou totalmente. Churchill e Peter (2005) destacam a importância da decisão que os varejistas devem tomar sobre o sortimento de produtos e o número de serviços. Cobra (2003) destaca que os varejistas devem criar uma estratégia baseada em valor para o cliente. Oferecer um maior sortimento de produtos, é sem dúvida, uma maneira de possibilitar ao cliente condições de escolher entre mais marcas, pre ços diferenciados e benefícios dos produtos. Os clientes de m ercados de vizinhança e de supermercados foram a maioria no momento de concordar quanto a sortimento de produtos oferecidos ser amplo, sendo respectivamente, sendo 42% (por cento) e 51% (por cento). Ao concordar totalmente, os clientes supermercado represe ntaram 40% (por cento) contra 23% (por cento) para os mercados de vizinhança. Nos mercados de vizinhança, o percentual dos clientes que nem concordam e nem discordam foi bastante expressivo 21% (por cento) contra 6% (por cento) nos supermercados. É como s e esses clientes nunca tivessem parado para observar esse fator dentro do estabelecimento. Na visão dos clientes, os supermercados conseguem oferecer um sortimento de produtos mais amplo. Através dos dados coletados, é possível a firmar que no quesito “ encontrar marcas favoritas”, os clientes de mercados de vizinhança se mantém numa escala bem variável. Os maiores percentuais ficaram entre o concordo, nem concordo, nem discordo e discordo. Dos respondentes, 35% concordam, 24% (por cento) representaram o percentual dos que nem concordam, nem discordam, os que discordaram também representam 24% (por cento). Dezesseis concordaram totalmente, e apenas 1% (por cento) discordou totalmente. por cento 74 Mercado de Vizinhança 1% 16% 24% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 35% 24% G ráfico 19 – Encontra marcas favoritas Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 4% 0% 10% 27% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 59% G ráfico 20 – Encontra marcas favoritas Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Para os clientes de supermercados, encontrar as marcas favoritas f oi um quesito que teve a maioria concordando, 59% (por cento) dos respondentes concordaram e 27% (por cento) concordaram totalmente. Apenas 10% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, e 4% (por cento) discordaram. Trabalhar com diversas marcas é um a decisão que também corresponde ao mix de produtos e que deve ser tra tado de forma estratégica pelo varejista. Para oferecer muitas marcas o varejista precisa estabelecer critérios que possam proporcionar sortimento e variedade de uma linha de produto, co ntemplando as marcas que são mais procuradas e onde se percebe um maior consumo. Para tanto, é preciso fazer pesquisas dentro do próprio estabelecimento, ouvir o consumidor. Dessa forma, o 75 mix de produtos e de marcas precisa ser planejado para atender às n ecessidades dos clientes. Um fator que é ponto de dificuldade para os mercados de vizinhança é o espaço físico que a loja possui. A oferta de muitas marcas implica em um número de gôndolas bem maior, e isso requer grande espaço. Pela própria característic a do formato varejista, os supermercados possuem uma área construída bem mais ampla. Os clientes de mercados de vizinhança demonstraram melhor satisfação com o quesito “atendimento supera expectativas”. Do to tal dos respondentes, 48% (por cento) concordaram que o atendimento supera expectativas, 21% (por cento) concordaram totalmente, 19% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 11% (por cento) discordaram e apenas 1% discordou totalmente. Mercado de Vizinhança 11% 1% 21% Concordo Totalmente 19% Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 48% G ráfico 21 – Atendimento supera expectativas Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 76 Supermercado 17% 0% 17% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 26% Discordo Totalmente 40% G ráfico 22 – Atendimento supera expectativas Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Para os clientes de supermercados, 40% (por cento) con cordaram que o atendimento supera as expectativas, 17% (por cento) concordaram totalmente, 26% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 17% discordaram e nenhum cliente discordou totalmente. Churchill e Peter (2005) destacam que o atendimento especia l pode ser à base da vantagem competitiva de um varejista. O cliente mal atendido ou que fica insatisfeito com o atendimento propaga essa experiência. A constatação de que os mercados de vizinhança tiveram, na opinião de seus clientes, um melhor desempe nho no atendimento que superar as suas expectativas é um fato que denota a importância do pequeno varejista buscar meios de conquistar seus clientes, através de estratégias que criem valor para o cliente. As empresas de menor porte, como é o caso dos mer cados de vizinhança têm algumas limitações em função do seu poder econômico, como investir em estrutura física, manter amplo sortimento de produtos, com estoques bem diversificados, parcerias com fornecedores, enfim, várias situações que são mais complexas quando o poder de barganha ou a disponibilidade financeira são menores. Porém, ao pequeno varejista, resta buscar soluções inteligentes para se destacar e conquistar seus clientes. Optar por um atendimento especial é uma 77 estratégia que pode resultar em vantagem competitiva, e que independe de alto investimento. Os consumidores estão cada vez mais atentos à qualidade dos produtos e dos serviços. Nenhuma empresa que busca o sucesso ou a fidelização dos clientes pode trabalhar com produtos sem qualidade. O s clientes de mercados de vizinhança e de supermercados foram maioria ao concordar com a boa qualidade dos produtos oferecidos. Mercado de vizinhança 1% 1% 9% 27% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 62% G ráfico 23 – Produtos com qualidade Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 3% 10% 0% 17% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 70% G ráfico 24 – Produtos com qualidade Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de mercados de vizinhança, 62% (por cento) concordaram que os produtos têm boa qualidade, 27% (por cento) concordaram tota lment e, 9% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, apenas 1% (por cento) discordou e 78 discordou totalmente cada. Dos clientes de supermercados, 70% (por cento) concordaram com a boa qualidade dos produtos, 17% (por cento) concordaram totalmente, 10% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 3% (por cento) discordaram e nenhum cliente discordou totalmente. Oferecer produtos de qualidade contribui para uma relação de confiança entre o cliente e o varejista. Mesmos a qualidade sendo um atributo que faz pa rte do processo produtivo, onde várias industrias buscam a excelência, é importante ressaltar que o varejista tem importante papel em manter essa condição de qualidade dos produtos. A correta estocagem, o respeito ao prazo de validade e todo o processo d e armazenamento dos produtos contribui para a manutenção da sua qualidade, inclusive produtos derivados de leite e de carnes, que merecem atenção especial do varejista. Ao responderem sobre os preços serem justos, não estando acima da média, tanto os clientes de mercados de vizinhança quanto os de supermercados tiveram um percentual considerável na questão nem concordo, nem discordo, 29% (por cento) e 37% (por cento) respectivamente. É como se esses clientes estivessem indiferentes ao preço praticado pelos estabelecimentos, ou não costumam fazer comparações, pesquisas de preços. Dos clientes de mercados de vizinhança, 47% concordaram, 7% (por cento) concordaram totalmente, 14% (por cento) discordaram e 3% discordaram totalmente. Os clientes de supermercad os 79 Mercado de vizinhança 14% 3% 7% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 47% 29% Discordo Totalmente G ráfico 25 – Preços justos Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 16% 0% 7% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo 40% 37% Discordo Discordo Totalmente G ráfico 26 – Preços justos Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de supermerca dos, 40% (por cento) concordaram com os preços justos, 7% (por cento) concordaram totalmente e 16% (por cento) discordaram, nenhum cliente discordou totalmente. Normalmente, a definição do preço está diretamente ligada à qualidade do produto. Em alguns casos, preço baixo pode indicar estratégia para atrair clientes, inclusive nos produtos que são alvo de maior consumo, como os que fazem parte da cesta básica. Etzel et al (2001) destaca que a maioria dos supermercados opera com baixas margens de lucro, alg uns usam o preço ofensivamente, oferecendo preços baixos 80 para atrair clientes. Os clientes de mercados de vizinhança que concordaram com os preços justos foram superiores ao número dos que concordaram com relação aos supermercados. Assim, através da perce pção dos clientes, esse rótulo de que mercado de vizinhança pratica preços mais altos não foi constatado. Em um mercado altamente competitivo, como é o caso do varejo alimentício, é inconcebível que alguma empresa consiga se manter no mercado praticando p reços que estejam acima da média de mercado. Dos clientes abordados em mercados de vizinhança, apenas 26% (por cento) concordaram com a questão “ter ofertas com freqüência”. O maior percentual foi representado pelas pessoas que nem concordaram, nem disc ordaram 31% (por cento), 27% (por cento) discordaram, 10% (por cento) concordaram totalmente e 6% discordaram totalmente. Mercado de vizinhança 6% 10% Concordo Totalmente 27% 26% Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 31% G ráfico 27 – Tem ofertas com freqüência Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 81 Supermercado 14% 1% 4% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo 31% 50% Discordo Discordo Totalmente G ráfico 28 – Tem ofertas com freqüência Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Para os clientes de supermercados, essa questão teve resultado bem diferente para os 50% (por cento) que concordaram, porém, assim como nos mercados de vizinhança 31% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 14% (por cento) discordaram, 4% (por cento) concordaram totalmente e 1% (por cento) discordou totalmente. O varejista deve utilizar estratégias que possam atrair os consumidores a sua loja. Ter ofertas é uma maneira de atrair clientes. Essas ofertas podem ser na forma de descontos, prazos. Cobra (2000) destaca que o consumidor, quase sempre, dispõe de pouco tempo, por isso é importante que as ofertas sejam objetivas, para facili tar o momento da compra. Pela constatação dos clientes de mercados de vizinhança, é necessário que essas empresas revejam a decisão sobre as ofertas. Talvez, para os administradores de mercados de vizinhança esteja faltando a visão de que oferta não se l imita a conceder gordos descontos ou prazos a perder de vista. Essas empresas possuem menor poder de barganha, pois suas compras são em menor volume, porém com decisões estratégicas é possível reverter essa situação. Se os mercados de vizinhança têm dificuldade para barganhar, devem buscar parcerias; com outros proprietários de mercados de vizinhança e com os próprios fornecedores. 82 Os clientes de mercados de vizinhança e de supermercados responderam sobre a questão dessas empresas manterem os departamentos e as prateleiras (gôndolas) organizados. Em ambos varejistas, a grande maioria dos clientes concordou. Dos clientes de mercados de vizinhança 71% (por cento) concordaram, 19% (por cento) concordaram totalmente, 7% (por cento) nem concordaram, nem discor daram e 3% (por cento) discordaram, nenhum cliente discordou totalmente. Mercado de Vizinhança 3% 0% 7% 19% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 71% G ráfico 29 – Departamentos e prateleiras organizados Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 1% 6% 0% 23% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 70% G ráfico 30 – Departamentos e prateleiras organizados Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Setenta por cento dos clientes de supermercados concordaram com a afirmação sobre departamentos e prateleiras (gôndolas) organizados, 23% (por cento) concordaram totalmente, 6% (por cento) nem concordaram, nem discordaram e 1% (por cento) discordou. 83 Essa percepção do consumidor diz respeito ao modo como ele encontra os produtos que busca, levando em conta a facilidade e a conveniência momento de trafegar pelo estabelecimento, podendo localizar as seções que correspondem aos diferentes tipos de produtos. O fator organização pode contribuir para o consumidor ter uma experiência agradável no momento de fazer as compras. Os mercados de vizinhança tiveram um desempe nho que demonstra a preocupação dessas empresas em oferecer aos clientes um ambiente que proporcione comodidade e facilidade. Ter no layout uma estratégia para cativar o cliente a não ter pressa em sair da loja, pode sem dúvida, implicar em mais tempo dent ro da loja e mais possibilidades de compras. Na questão que trata do crediário oferecido pelos mercados de vizinhança e supermercados, a maior porcentagem foi concentrada nos que concordaram e que concordaram totalmente. Dos clientes de mercado de vizinha nça, 44% (por cento) concordaram e 33% (por cento) concordaram totalmente, 16% (por cento) nem concordaram, nem discordaram e 7% (por cento) discordaram, nenhum cliente discordou totalmente. Mercado de Vizinhança 7% 16% 0% 33% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 44% G ráfico 31 – O ferece crediário próp rio Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 84 Supermercado 13% 4% 0% 34% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 49% G ráfico 32 – O ferece crediário próprio Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Nos supermercados, a porcentagem de clientes que concordaram foi de 4 9% (por cento), 34% concordaram totalmente, 13% nem concordaram, nem discordaram, 4% (por cento) discordaram e nenhum cliente discordou. Quando o varejista decide oferecer crediário próprio para os clientes é uma forma estratégica de trabalhar o P de Pre ços, dentro de composto varejista, pois o crediário é uma decisão que tanto favorece o cliente quanto à empresa. Criar valor para o cliente deve ser uma prioridade da empresa. A reposta positiva dos clientes a essa questão do crediário oferecido pelos varejistas, vem ratificar que as empresas estão preocupadas em atrair e fidelizar clientes. Ter diferencial e oferecer um maior número de vantagens para os consumidores, traz a condição de vantagem competitiva. Mercados de vizinhança e supermercados, segundo os consumidores, estão atentos a essa condição. A questão sobre o ambiente da loja foi abordada mais uma vez, sendo observado se o ambiente é confortável e agradável. Os clientes de mercados de vizinhança e de supermercados foram maioria em concordar e c oncordar totalmente. Dos clientes de mercados de vizinhança 54% (por cento) concordaram, 14% (por cento) concordaram totalmente, 4% (por cento) discordaram e apenas 1% (por cento) discordou. 85 Mercado de Vizinhança 4% 1% 14% 27% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 54% G ráfico 33 - Ambiente confortável e agradável Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 0% 9% 0% 37% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 54% G ráfico 34 – Ambiente confortável e agradável Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Com relação aos clientes de supermercados 54% (por cen to) concordam e 37% (por cento) concordam totalmente, com apenas 9% (por cento) dos respondentes que nem concordam, nem discordam. Nenhum cliente, em se tratando dos supermercados, discordou ou discordou totalmente. A pesquisa demonstra que o ambiente do supermercado se mostra mais confortável e agradável, na concepção dos seus clientes quando comparados com os clientes de mercados de vizinhança. Toda a estrutura do supermercado contribui para isso, inclusive o espaço físico que facilita o trânsito dentro do estabelecimento. Churchill e Peter (2005) destacam a importância do varejista em investir na atmosfera da loja, ou seja, arquitetura, layout, iluminação, esquema de cores, 86 temperatura, ru ído, eventos especiais etc. que servem como estímulos e chamativ os para a loja. Cobra (2003) fala de quatro (04) pilares, que ele considera como uma forma de sustentação para o varejista, e um desses pilares recomenda que a empresa deve se conectar com as emoções de seus clientes. Necessidades e emoções estão fortemente relacionadas, por isso, o varejista deve falar às emoções de seus clientes, proporcionando um ambiente agradável, sedutor, envolvente. Nesse quesito, fica a observação de que os mercados de vizinhança precisam enxergar que o momento da compra não se l imita apenas à aquisição de produtos; esse momento é uma experiência para o consumidor, e se ela for ruim, ele pode não querer repetir. O momento da compra deve ser encarado pelo varejista como o momento em que pode conquistar mais um cliente, e até fideli zá-lo. Por isso, é imprescindível envolver o cliente numa atmosfera de satisfação. Uma das afirmações do questionário abordava a questão sobre resolver problemas com facilidade junto à gerência. Nesse quesito, os clientes de mercados de vizinhança foram maioria em concordar e concordar totalmente. Dos respondentes, 55% (por cento) concordaram e 31% (por cento) concordaram totalmente; 11% ( por cento) nem concordaram, nem discordaram e 3% (por cento) discordaram, nenhum cliente discordou totalmente. Mercado de Vizinhança 3% 11% 0% 31% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 55% G ráfico 35 – Facilidade na solução de problemas Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 87 Supermercado 6% 0% 17% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 39% Discordo Totalmente 38% G ráfico 36 – Facilidade na solução de problemas Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro d e 2006 Dos clientes de supermercados, o maior percentual foi dos clientes que nem concordaram e nem discordaram, 39% (por cento), 38% (por cen to) concordaram, 17% concordaram totalmente e 6% (por cento) discordaram. O nível de satisfação do consumidor influencia e determina a aceitação ou rejeição de uma empresa, isso ocorre em função do desempenho e expectativas percebidos, ocasionando a satisfação ou insatisfação. Para uma empresa que pretende captar e reter clientes é de suma importância que ela busque estabelecer uma relação de valor com seus clientes, tendo a cultura de ser uma solução na oferta de produtos e serviços, e resolver os problemas com eficiência. Para os mercados de vizinhança essa é uma condição que pode contar a seu favor, pois o bom relacionamento com clientes independe de grandes investimentos, e pode ter um excelente resultado, como ganho de imagem para a empresa, fidelização de clientes. É um fato que os clientes estão mais exigente e mais atentos às vantagens que as empresas podem lhes oferecer. Por isso, uma das questões abordou a preocupação da empresa em relação à satisfação do cliente. 88 Dos clientes de mercados de vizinhança, 36% (por cento) concordaram, 31% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 23% (por cento) conco rdaram totalmente, 7% discordaram e 3% discordaram to talmente. Mercado de Vizinhança 7% 3% 23% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 31% Discordo Totalmente 36% G ráfico 37 – Preocupação com a satisfação do cliente Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 13% 0% 11% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 27% Discordo Totalmente 49% G ráfico 38 – Preocupação com a satisfação do cliente Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de supermercados, 49% (por cento) concordaram, 27% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 13% (por cento) discordaram e 11% (por cento) concordaram totalmente. Trabalhar a satisfação do cliente deve um compromisso organizacional, fazendo parte da sua missão, visão e cultura. Quando o cliente está satisfação ele próprio se 89 encarrega de promover a empresa, e estando insatisfeito pode trazer muitos dan os a sua imagem. Pelo percentual de clientes que nem concordaram e nem discordaram é interessante observar que mercados de vizinhança e supermercados devem declarar a preocupação com a satisfação dos seus clientes. Essa declaração deve ser revestida de ações que façam os clientes percebe em cada experiência vivida na loja. Os clientes de mercados de vizinhança e de supermercados responderam sobre o quesito “atendimento”, de modo que eles concordassem ou discordassem dentro de um grau de escala; considerando se o atendimento é rápido, sendo possível fazer as compras sem perder muito tempo. Dos clientes de mercados de vizinhança 50% (por cento) concordaram com a agilidade, a rapidez no atendimento, 27% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 14% con cordaram totalmente, 9% (por cento) discordaram e nenhum cliente discordou totalmente. Mercado de Vizinhança 9% 0% 14% Concordo Totalmente 27% Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 50% G ráfico 39 – Atendimento rápido, agilidade dos funcionários Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 90 Supermercado 3% 6% 21% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo 46% Discordo Totalmente 24% G ráfico 40 – Atendimento rápido, agilidade dos funcionários Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de mercados de vizinhança 46% (por cento) concordaram, 24% (por cento) nem concordaram, nem discordaram, 21% (por cen to) discordaram, 6% (por cento) concordaram totalmente e 3% discordaram to talmente. Os percentuais demonstram que os respondentes de mercados de vizinhança estão mais satisfeitos com o quesito atendimento e agilidade dos funcionários. Embora o percentual dos clientes que nem concordaram e nem discordaram tenha sido alto tanto para os clientes de mercados de vizinhança quanto para os de supermercados, dos que concordaram e concordaram totalmente, houve melhor desempenho por parte dos mercados de vizinhanç a, na concepção dos seus clientes. O mercado de vizinhança pode estar focando o relacionamento com clientes e até mesmo buscando oferecer serviços com eficiência, seria uma forma de se destacar dentro do mercado. Os clientes de mercados de vizinhança e de supermercados foram maioria ao concordar e concordar totalmente em indicar esses estabelecimentos para um amigo. Cinqüenta e sete (por cento) dos clientes de mercados de vizinhança concordaram, 29% (por cento) concordaram totalmente e 14% (por cento) ne m concordaram, nem discordaram, nenhum cliente discordou ou discordou totalmente. 91 Mercado de Vizinhança 0% 0% 14% 29% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 57% G ráfico 41 – Indicaria esse mercado para um amigo Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Supermercado 1% 13% 0% 34% Concordo Totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo Totalmente 52% G ráfico 42 – Indicaria esse mercado para um amigo Fonte: Pesquisa de campo realizada em setembro de 2006 Dos clientes de supermercados, 52% (por cento) concordaram, 34% (por cento) concordaram totalmente, 13% nem concordaram, nem discordaram e 1% discordou, nenhum cliente discordou totalmente. Essa questão pode parecer bem simples, mas ela indica que o cliente da empresa pode ser um “agente de promoção”, ou seja, muitas vezes, a empresa se esforça ao máximo para divulgar seus produtos, preços, ofertas e até a sua imagem, mas quando o cliente se torna um aliado dentro desse processo, é sem dúvida um grande ganho para a empresa. O cliente que indica uma empresa está de certa forma avalizando aquela empresa. 92 Os clientes de mercados de vizinhança e de supermercado s demonstraram que o esforço feito pelo varejista não é em vão. Ele se reflete na forma como o cliente percebe a empresa. Todo o esforço que o varejista faz para satisfazer o cliente tem como retorno à certeza de que será mais fácil atingir os objetivos or ganizacionais, ou seja, quando a empresa investe para satisfazer o cliente, ela está investindo para satisfazer seus objetivos de empresa. A indicação da empresa por parte do cliente, ratifica a condição de que a empresa está no caminho certo para conquist ar e fidelizar clientes. 4.4 Conclusão do capítulo Através da apresentação e análise dos resultados foi possível transformar os dados colhidos em informações que proporcionam descobrir quais os determinantes do processo de escolha dos clientes de mercad os de vizinhança e de supermercados. A partir da análise dos gráficos apresentados, identificou -se o tipo de público desses dois tipos varejistas, bem como a opinião dos respondentes com relação às diversas questões que abordaram o esforço de marketing f eito por essas empresas e que se refletem influenciando o processo de escolha. 93 C A PÍTU LO V C ON SID ER AÇ ÕES FINA IS 94 5. CO NSIDER AÇÕES FINAIS 5.1 Conclusões As empresas vivem um cenário de muita comp etição. Mudanças mercadológicas ocorrem a todo instante, como resultado de uma economia globalizada e do alto nível de tecnologia. O conhecimento se torna ferramenta imprescindível para o sucesso de qualquer empreendimento. Dentro desse cenário, o setor varejista passa por profundas transformações, novos formatos surgem principalmente, com o objetivo de atender as mudanças de mercado e ao novo perfil do consumidor. As transformações por parte das empresas varejistas são uma questão de sobrevivência. A hi stória recente mostra a queda de grandes grupos varejistas que ignoraram esse cenário de mudanças. O consumidor assume um papel determinante dentro do processo de mudança, e de adequação que as empresas devem fazer para se tornarem competitivas e ter condições de crescimento. Ao mesmo tempo em que os varejistas se esforçam para se adequar ao processo de mudança, eles não podem perder o foco no cliente. O comportamento do consumidor passa a determinar muitas das ações e das decisões que os varejistas dev em tomar. As mudanças no comportamento do consumidor implicam em mudanças que devem ocorrer dentro dessas empresas. A busca por conveniência e a falta de tempo são características m arcantes que vêm transformando o comportamento de compra dos consumidores , e que levam os varejistas a ter que acompanhar essa transformação. É imperativo que os varejistas se ajustem às novas expectativas dos clientes. A proposta desse estudo foi justamente fazer a análise dos fatores que determinam o processo de escolha d o consumidor, considerando dois formatos varejista, no ramo de alimentos, os mercados de vizinhança versus supermercados. A pesquisa teve como foco colher dos clientes de mercados de vizinhança e de supermercados informações relativas ao que essas empresas oferecem e que influenciam na 95 escolha, tornando -se assim, fatores determinantes ou mesmo condições proporcionadas pelos varejistas e que atraem esses clientes, foi considerada também a condição do consumidor quanto a fatores do seu com portamento e que podem determinar suas escolhas. Os clientes responderam a questões que contemplam o composto varejista, como: sortimento e qualidade dos produtos, nível de serviços, preços, promoções e ofertas, atendimento e satisfação, ambiente da loja, layout, e pergunt as que tratavam da localização varejista, considerando fatores como te mpo, comodidade, conveniência e facilidades para os clientes. Os fatores que determinam e influenciam o processo de escolha do consumidor, estão diretamente ligados à percepção que el e tem, de acordo com necessidades e desejos que precisam ser satisfeitos, e com o conjunto de produtos e serviços que cada varejista oferece. O consumidor é quem decide, mas o varejista precisa encontrar mecanismos para influenciar a decisão, oferecer opçõ es, e até mesmo para facilitar a tomada de decisão. Assim, através da apresentação e análise dos resultados conclui -se que os fatores determinantes do processo de escolha do consumidor, na relação mercados de vizinhança versus supermercados são os seguin tes: Para os clientes de mercados de vizinhança a conveniência é um dos determinantes, pois eles consideram a localização, ou seja, a proximidade do estabelecimento com o seu domicilio, o atendimento oferecido pelos mercados de vizinhança é outro fator determinante, inclusive em todas as questões que trataram sobre atendimento os clientes de mercados de vizinhança mostraram -se mais satisfeitos que os de supermercados. O fator preço também foi destacado como um determinante, ou seja, o mercado de vizinhança não é praticante de preços abusivos, mesmo porque o alto nível de concorrência nesse setor inviabiliza tal prática. A qualidade dos produtos e a organização dos departamentos são destacados como determinantes. Para os clientes de supermercados os fato res que se apresentaram como determinantes estão diretamente ligados ao mix de produtos e mix de marcas (sortimento e variedade) e ao mix de promoção (ofertas e a propaganda); o ambiente 96 da loja (departamentalização) também se apresenta como determinante. É necessário observar que a renda desses consumidores influencia nos fatores que eles julgam como determinantes, pois o mix de produtos e de marcas que foi determinante para os clientes de supermercados, denota que o maior poder aquisitivo proporciona escolha por diferentes produtos e marcas. Já o cliente de mercado de vizinhança está voltado para o produto básico, ou seja, aquele que supri mais a necessidade que ao desejo. Assim, a depender do perfil do cliente diferentes fatores podem ser considerados ou desprezados. É possível firmar, que através da apresentação e análise dos resultados a pesquisa realizada atendeu aos objetivos propostos. Pois, foi possível traçar o perfil dos clientes de mercados de vizinhança e de supermercados, bem co mo constatar q ue para os clientes de supermercados a proximidade não é fator de influência, mas um fator a ser observado. Sob a ótica do consumidor os mercados de vizinhança apresentam um diferencial que é a qualidade no atendimento, ou seja, o esforço que essas empresas fazem para se relacionar bem com seus clientes e que pode ser considerado como ponto forte. O contexto do marketing de varejo, a sua evolução e a relevância do composto varejista são uma conseqüência de todo o estudo teórico e que se constatou na análise dos resultados como sendo essencial para as empresas varejistas que buscam compreender as transformações do setor e principalmente, ter estratégias e tomar decisões que ofereçam valor para seus clientes. 5.2 Lim itações do Estudo Os fatores limitantes para o estudo foram: pouca literatura sobre o formato varejista supermercado e sobre o marketing de varejo, a falta de tempo dos clientes de mercados de vizinhança e de supermercados para responder aos questionários, fato que implicou na limitação do tamanho da amostra. 97 5.3 Recom endações para Futuras Pesquisas Futuras pesquisas que visem conhecer melhor os determinantes do processo de escolha do consumidor, na relação mercados de vizinhança versus supermercados, devem ampliar a aplicação da p esquisa aumentando o tamanho da amostra e estender a pesquisa para os estabelecimentos, para que se possa conhecer melhor esses dois tipos varejistas, envolvendo os funcionários, gerente e proprietários. 98 R EFER ÊNC IA S 99 REFERÊNCIAS ADENTON, D . k. 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Não precisa se identificar basta apenas, fornecer as informações que estão abordadas no questionário abaixo para que este trabalho de monografia possa ser efetivado. Grata pela sua compreensão e colaboração. Legenda: Mercado de vizinhança pode ser entendimento como um estabelecimento comercial, no ramo de varejo, que oferece: gêneros alimentícios, produtos de limpeza, higiene pessoal e utilidade doméstica. Sexo: ( ) Masculino Idade: ( ) até 19 anos ( Escolaridade : ( ( ( ) Feminino ) 20 a 30 ) 1º G rau ( ) 2º G rau incompleto Renda Média : ( ( ) 350 a 600 ( ( ) 31 a 40 ( ) 41 a 50 ) 1º G rau incompleto ) Nível Superior ) 601 a 900 ( ( ( ( ) 51 em diante ) 2º Grau ) Nível Superior incompleto ) 901 a 1.500 ( ) acima de 1.500 COM RELAÇÃO AO MERCADO VIZINHO Assinale uma questão 5. A proximidade do mercado vizinho co m relação a sua residência tem influência na sua escolha no momento de ir fazer as compras? ( ) Sim ( ) Não 6. Qual o meio de transporte que você utiliza para chegar ao mercado vizinh o? ( ) Carro ( ) Táxi ( ) A pé ( ) Outros 7. Como você fica sabendo sobre as promoções feitas pelo mercado vizinho? 104 ( ) Rádio ( ) Carro de som ( ) outros clientes ( ) Na própria loja 8. Você costuma utilizar o serviço de entrega oferecido pelo mercado vizinho? ( ) Sim ( ) Não Assinale de acordo com seu grau de concordância ou discordância, para cada uma das afirmações a seguir: Legenda: Concordo Totalmente (5) Concordo Nem concordo nem discordo (3) (4) Discordo Discordo Totalmente (1) (2) AFIRMAÇÕ ES 9. O mercado vizinho oferece amplo sortimento de produtos. 10. É possível encontrar suas marcas favoritas de produtos. 11. O atendimento consegue superar suas expectativas. 12. Os produtos estão sempre em boas condições e têm qualidade. 13. Os preços praticados são justos. Não estão acima da média. 14. O mercado vizinho tem ofertas com freqüência. 15. Os departamentos e as prateleiras são organizados. 16. O mercado vizinho oferece crediário próprio. 17. O ambiente do mercado é confortável e agradável. 18. É fácil resolver algum problema junto à gerência. 19. O mercado vizinho demonstra preocupação com a satisfação do cliente. 20. É possível fazer as compras sem perder muito tempo: rapidez dos caixas, empacotadores e atendimento rápido. 21. Indicaria esse mercado vizinho para um amigo. 5 5 5 5 4 4 4 4 3 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 5 5 5 5 5 5 5 4 4 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 5 4 3 2 1 5 4 3 2 1 COM RELAÇÃO AO SUPERMERCADO Assinale uma questão 5. A proximidade do supermercado com relação a sua residência tem i nfluência na sua escolha no momento de ir fazer as compras? ( ) Sim ( ) Não 6. Qual o meio de transporte que você utiliza para chegar ao supermercado? ( ) Carro ( ) Táxi ( ) A pé ( ) O utros 7. Como você fica sabendo sobre as promoções feitas pelo supermercado? ( ) Rádio ( ) Carro de som ( ) outros clientes ( ) Na própr ia loja 105 8. Você costuma utilizar o serviço de entrega oferecido pelo supermercado? ( ) Sim ( ) Não Assinale de acordo com seu grau de concordância ou discordância, para cada uma das afirmações a seguir: Legenda: Concordo Totalmente (5) Concordo (4) Nem concordo nem discordo (3) Discordo AFIRMAÇÕ ES 9. O supermercado oferece amplo sortimento de produtos. 10. É possível encontrar suas marcas favoritas de produtos. 11. O atendimento consegue superar suas expectativas. 12. Os produtos estão sempre em boas condições e têm qualidade. 13. Os preços praticados são justos. Não estão acima da média. 14. O supermercado tem ofertas com freqüência. 15. Os departamentos e as prateleiras são organizados. 16. O supermercado oferece crediário próprio. 17. O ambiente do supermercado é confortável e agradável. 18. É fácil resolver algum problema junto à gerência. 19. O supermercado demonstra preocupação com a satisfação do cliente. 20. É possível fazer as compras sem perder muito tempo: rapidez dos caixas, empacotadores e atendimento rápido. 21. Indicaria esse supermercado para um amigo. Discordo Totalmente (1) (2) 5 5 5 5 4 4 4 4 3 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 5 5 5 5 5 5 5 4 4 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 5 4 3 2 1 5 4 3 2 1 106 A N EXOS 107 Q uadro 1 - Formatos Varejistas Form atos varejistas Características Lojas de departam ento essas lojas ofe recem itens diferenciados de mercadorias tais como roupas e acessórios femininos, masculinos e infantis, acessórios do lar, entre outros. Como característica, essas lojas apresentam pessoal especializado e preocupação com a prestação de serviços. A venda e a compra são departamentalizadas. Lojas independentes são lojas com apenas um estabelecimento e que constituem a maioria do comércio varejista. Caracterizam -se pela simplicidade administrativa e pelo atendimento personalizado aos clientes, isso ocorre pelo contato mais direto entre proprietários ou gerentes com os clientes. Lojas em cadeia são compostas por um grupo de quatro ou mais lojas que operam no mesmo tipo de negócios conjuntamente com uma administração central (local ou nacional). A vantagem d esse tipo de loja é a economia em escala para compras de maior quantidade e, ao mesmo tempo, o atendimento de necessidades de diversos mercados. Nessas lojas são vendidos: eletrodomésticos, roupas etc. Cooperativas são agrupamentos de varejista independen tes. Cada proprietário opera sua loja, porém determinadas decisões são tomadas em conjunto, como compra, promoção etc. Esse tipo de formato oferece a vantagem dos independentes gozarem de certos benefícios dos varejistas em cadeia, como preços reduzidos po r comprarem em maior quantidade, status de cliente de grande porte. Lojas especializadas essas lojas são formadas por varejistas do tipo independente, oferecem aos consumidores uma linha única de produtos ou que sejam muito semelhantes, como artigos esportivos, eletrodomésticos, jóias, etc. Têm bom sortimento e apresentam vários estilos e opções de tamanho. Superm ercados tiveram o seu surgimento nos Estados Unidos na década de 30, no Brasil surgiram na década de 50. Caracterizam -se pela venda de gêneros alimentícios. Nesse tipo de varejo, há um crescimento no formato de hipermercados, que é uma mistura de supermercados com lojas de desconto. O s produtos oferecidos são artigos do lar, eletrodomésticos, alimentos, artigos esportiv os etc. Varejo não lojista são as várias formas de vender mercadorias e serviços por métodos diretos ao consumidor. Vendas por reembolso postal, o telemarketing, a venda pessoal, porta a porta, é também muito utilizada por algumas empresas. O surgimento da internet proporcionou ou tra forma de varejo sem loja, o comércio eletrônico. Fonte: Las Casas (2004) 108 Q uadro 2 – Varejo alimentício com lojas Form ato C aracterísticas B ares São tam bém conhecidos com o botecos, botequins, lancherias, bares e cafés, têm grande im portância na distribuição de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. N orm alm ente, servem lanches e bebidas para consum o local. M ercearias cham adas de arm azéns ou em pórios oferecem um a linha básica de produtos. Estão localizadas em regiões de baixo potencial de m erc ado. Padarias boa parte da receita desse form ato varejista é proveniente da própria fabricação de pães e bolos. Para atender às novas necessidades do m ercado consumidor, esse form ato varejista atravessa intenso processo de m odernização – m elhor atendim ento, m aior linha de produtos e lanches, auto-serviço na m ercearia e eliminação de bebidas alcoólicas. M inim ercados são um expressivo tipo de varejo, e se destacam fortem ente em bairros de classe baixa, localizados na periferia das cidades brasileiras. Oferecem a linha de produtos de um a m ercearia, adotam o sistem a de auto-serviço com apenas um check out. é um m odelo im portado dos Estados U nidos. Essas lojas vêm am pliando Lojas de conveniência sua presença no m ercado brasileiro, e localizam -se principalm ente em postos de gasolina. Superm ercados com pactos possuem de dois a seis check outs e apresentam um a linha com pleta, porém com pacta, de produtos alim entícios. Esse m odelo varejista representa a m aioria das unidades de auto -serviço do Brasil, pertencendo de m odo geral, a operadores independentes. Superm ercados convencionais são de porte m édio, m antém o caráter essencial de loja de alim entos e oferecem boa variedade de produtos. A m aioria das redes de superm ercados no Brasil opera grande núm ero de lojas que s ão classificadas com o superm ercados convencionais. Superlojas são grandes superm ercados que apresentam um a com pleta linha de produtos perecíveis. Além de alim entos, oferecem tam bém , razoável gam a de produtos não-alim entícios, inclusive têxteis e eletrônic os. H iperm ercados são grandes lojas de auto-serviço que apresentam enorm e variedade de produtos alim entícios e não-alim entícios. Possuem grande variedade e preços altam ente com petitivos, o que proporciona grande aceitação, especialm ente nas grandes cidades. C lubes atacadistas essas lojas vendem tanto no varejo (para o consum idor final), com o no atacado (para com erciantes e operadores de restaurante). Apresentam sortim ento bastante com pacto, com instalações despojadas, lim itada gam a de serviços e preços es pecialm ente baixos. Fonte: Parente (2000)