PROJETO EDUCAMPO Rogério Nunes Sebrae/Educampo O Projeto EDUCAMPO é uma iniciativa do SEBRAE, iniciada em 1997 em Minas Gerais, idealizado como um modelo de assistência gerencial e técnica intensiva, para grupo de produtores de uma mesma atividade econômica, vinculados a uma agroindústria. O Projeto procura agregar ao conceito da assistência técnica tradicional, a gestão de negócios, normalmente uma das maiores deficiências encontradas junto aos empresários rurais, ampliando a capacidade do produtor em gerir sua atividade. Este diferencia permite aplicar, então, melhorias técnicas capazes de imprimir ganhos quantitativos e qualitativos ao produto primário, melhorando os indicadores técnicos e econômicos das propriedades. Para a empresa parceira, a garantia de oferta de matéria-prima mais adequada às necessidades do mercado, em quantidade e qualidade; e a aproximação com seus fornecedores, facilitando seu processo de planejamento e reduzindo, consequentemente, as incertezas em torno do negócio, são benefícios diretos de sua participação no Projeto. Inicialmente proposto para a cadeia produtiva do leite, o modelo se mostrou aplicável e útil a outras cadeias produtivas, sendo estendido às atividades de cana-de-açúcar e café. Os resultados apresentados até o momento, pelos vários grupos de produtores, revelam o êxito do projeto e demonstram que o modelo de extensão proposto se adequa perfeitamente a essas diferentes realidades. O presente trabalho procurou resgatar, aprimorar e documentar toda a metodologia de implantação, consolidação e continuidade do Projeto, orientando cada ator envolvido, estabelecendo suas atribuições e responsabilidades, fundamentais ao bom andamento das ações previstas e necessários para alcançar os objetivos propostos. Para o desenvolvimento e manualização da metodologia participaram, além dos gestores de Minas Gerais, os técnicos, as empresas parceiras e consultores do Projeto, tentando identificar claramente os processos e as atribuições de cada participante, o que permitirá multiplicar facilmente seus conceitos e inovações oferecidos. 196 - 1st International Symposium of Dairy Cattle Sua sistematização e conseqüentemanualização estabelece os padrões mínimos de condução do Projeto, dando ao mesmo as condições necessárias para se adequar às cadeias produtivas propostas, assim como às características dos indivíduos e peculiaridades inerentes a cada grupamento nas mais diversas regiões do país. Desta forma, este manual é um instrumento de trabalho e consulta permanente, que norteará as ações, estabelecendo os compromissos e responsabilidades e disponibilizando os meios necessários ao planejamento, execução e monitoramento do Projeto EDUCAMPO, buscando garantir sua eficácia e eficiência no desenvolvimento dos agentes econômicos envolvidos. INTRODUÇÃO Educar. (verbo transitivo direto) -“Promover a educação de. Transmitir conhecimento, instruir”. Educação. (substantivo feminino) – “Ato ou efeito de educar(-se). Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano, visando à sua melhor integração individual e social. Instrução, ensino”. O interesse pela educação do homem do campo, a preocupação com a migração das populações do meio rural e a necessidade crescente de alimentos foram as justificativas para o início do serviço de extensão rural no Brasil, que data de 1948, a partir da criação da ACAR – Associação de Crédito e Assistência Rural, em Minas Gerais. Os princípios do modelo adotado para a extensão rural no país foram adaptados da experiência norte-americana e eram baseados na educação, capacitação e desenvolvimento econômico do agricultor, utilizando instrumentos como o Crédito Rural, o repasse de tecnologias, a formação de grupos para desenvolvimento das comunidades, o treinamento e atividades de socialização e entretenimento. A atividade de extensão rural é bastante complexa, pois envolve pessoas, processos e conceitos, imersos no ambiente (político, econômico e social), o que lhe imprime um grande dinamismo, dificultando, de outra parte, o estabelecimento de uma metodologia estanque, única e fechada. III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 197 A fórmula possui muitas variáveis e o desafio é levar às pessoas informações que possibilitem a satisfação de suas necessidades. As variáveis mais importantes são as próprias pessoas e o ambiente que as cerca, o que dá um caráter peculiar a cada ação e a cada grupo ou comunidade envolvida. O AMBIENTE As várias transformações em curso na economia mundial e nas relações comerciais entre países e empresas afetam os vários segmentos da economia brasileira, inclusive o setor primário e as atividades que compõem as cadeias produtivas. Neste ambiente, antigas vantagens como baixo custo da mão de obra e a disponibilidade dos recursos naturais estão perdendo gradualmente importância, sendo substituídas por fatores de base tecnológica e inovação como nichos de mercado, produtos diferenciados e produtividade. O consumidor também tem motivado a transformação nas unidades produtivas, que tendem a procurar formas de produção mais flexíveis, com maior capacidade de adaptação à fragmentação da demanda. Ele está ditando os padrões de qualidade, direcionando as tecnologias de produção e de processamento. A agroindústria passa a exercer papel inovador e impulsionador de toda a cadeia, sendo capaz de adaptar a forma dos diversos produtos às exigências crescentes de praticidade, segurança e qualidade dos alimentos. A competitividade das empresas do agronegócio passa a depender também de sua capacidade de agregar valor aos produtos, através da apropriação do conhecimento e da oferta de produtos especiais que atendam a segmentos específicos do mercado, mantendo-se atento às crescentes exigências sobre os produtos, como a redução do uso de corantes e conservantes, a eliminação de resíduos de agroquímicos nos produtos, especificação e forma de apresentação das embalagens, restrição sobre impactos ambientais e certificação de origem. Essa tarefa se inicia nas fazendas. Todo esse contexto gera o desafio de reduzir as novas incertezas que cercam a atividade agropecuária. Somam-se às tradicionais variáveis climáticas, políticas governamentais, restrições de comércio, subsídios e flutuações de oferta e demanda, as novas incertezas relativas à difusão do conhecimento e a apropriação tecnológica. 198 - 1st International Symposium of Dairy Cattle AS PESSOAS O desenvolvimento se baseia na adequada capacitação das pessoas (agentes econômicos), premissa maior que a ausência ou abundância de recursos materiais. Deve-se investir no insumo intelectual, dando condições de desenvolver as habilidades do ser humano e o fazendo-o compreender que seu crescimento (econômico e social) depende muito mais de “como fazer” do que “com o que fazer”. O sucesso do Projeto EDUCAMPO depende, fundamentalmente, de pessoas com perfis adequados para sua gestão, para condução da consultoria em campo e, sobretudo, para receber a metodologia: Produtores Rurais pré-dispostos a mudar. Novos paradigmas se formam em torno da atividade empresarial, baseados na apropriação do conhecimento e na prédisposição de aprender (abertura à mudança). Oconhecimento e a inovação colocam-se cada vez mais como elementos centrais da dinâmica e do crescimento de nações, regiões, setores, organizações e pessoas. A inovação é um processo contínuo, envolvendo busca e aprendizado, e dependente de diversas interações que a influenciam e devem ser atentamente observadas: as diferenças marcantes entre os indivíduos e sua capacidade de aprender, que refletem e dependem de aprendizados anteriores; as diferenças no sistema educacional de países, regiões, setores e organizações, reflexo do contexto social, político e institucional em que estão inseridos; os conhecimentos pessoais ou tácitos, de caráter localizado e específico, que têm papel primordial para o sucesso do processo de aprendizado e são normalmente difíceis de serem transferidos. Para o sucesso desse projeto, este deve compreender e se adequar ao indivíduo, o Produtor Rural, alvo da ação, vislumbrando seus conhecimentos, atitudes e habilidades. Não se distingue na metodologia o porte da atividade, quebrando-se o paradigma da pequena versus a grande produção, sendo fundamental, exclusivamente, o perfil do produtor e sua disposição para receber o conhecimento oferecido. Cada indivíduo possui uma dinâmica própria e os métodos buscam harmonizar os meios para o atendimento das necessidades primordiais estabelecidas por ele, independentemente do porte. III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 199 A transmissão do conhecimento é, portanto, a ferramenta básica de indução da mudança. O modelo propõe a capacitação permanente e assistida dos produtores nas áreas gerencial e técnica. O Consultor Técnico de Campo é o agente do Projeto e deve ter habilidade de capacitar (de ensinar), possibilitando ao produtor aprender a fazer, de acordo com suas capacidades e com a disponibilidade de recursos em sua propriedade. O Projeto EDUCAMPO O EDUCAMPO é um projeto de educação voltado ao homem do campo, dinâmico e permanente, que busca, através da capacitação gerencial e técnica de grupos de Produtores Rurais, desenvolver todos os aspectos de gestão da propriedade, tornando-os mais eficientes e competitivos. A terminologia “Projeto” é adotada devido ao caráter dinâmico observado no EDUCAMPO, conferido pelo seu papel na educação dos indivíduos e na sua adaptabilidade às características dos grupos e cadeias produtivas envolvidas, estando em constante evolução. No EDUCAMPO identificam-se quatro componentes que, normalmente, constituem as fases de montagem, execução e avaliação de um Projeto, a saber: insumos, produtos, efeitos e impacto. Na montagem do Projeto são estabelecidas, então, diversas hipóteses relacionando os insumos aos produtos, os produtos aos efeitos e os efeitos ao impacto. A implementação é o teste das hipóteses formuladas. Os insumos são ações intencionais propostas pelo Projeto com o objetivo de alterar um determinada situação. São exemplos de insumos a elaboração do planejamento da empresa rural, visitas técnicas, dias de campo e excursões técnicas. Os produtos são os resultados do uso dos insumos do Projeto. São exemplos de produtos a modificação de fatores de produção como área plantada, produção e produtividade da mão-de-obra. Os efeitos são os resultados traduzidos em algumas alterações da situação inicial. São exemplos de efeitos o aumento da renda do empresário rural, a redução dos custos de produção e a melhoria da qualidade do produto final. O impacto é o resultado dos efeitos traduzidos na alteração da situação considerada fundamental, isto é, o objetivo do Projeto. O 200 - 1st International Symposium of Dairy Cattle exemplo mais citado em Projetos desta natureza é o aumento do bemestar e a melhoria das condições sociais das famílias beneficiadas. As hipóteses estabelecidas pelo EDUCAMPO indicam que pouco adianta obter resultados nos insumos se os produtos não forem alcançados. Do mesmo modo, pouco adianta resultados nos produtos se os efeitos não forem alcançados. Finalmente, pouco adianta obter resultados nos efeitos se o impacto não foi alcançado. É importante salientar que os resultados (efeitos) do EDUCAMPO transbordam para os segmentos antes e depois da porteira, dando ao Projeto caráter sistêmico de atuação junto às cadeias produtivas. A orientação e capacitação dos produtores é realizada através do serviço de consultoria gerencial e tecnológica oferecido nas propriedades. A consultoria é conduzida por técnicos capacitados e com conhecimentos em metodologias que contemplam a assistência gerencial e técnica dos produtores, a partir do desenho de um plano de desenvolvimento, planejado previamente junto com os próprios produtores e os parceiros do projeto em uma determinada região, atendendo às demandas primordiais de cada grupo de produtores a ser desenvolvido. A ação dos Consultores Técnicos de Campo é acompanhada pelo SEBRAE, pela empresa parceira e por consultores, que avaliam o cumprimento de metas preestabelecidas juntamente com os produtores e parceiros, de acordo com a sua capacidade de investimento e com as características produtivas de cada propriedade, identificadas por um diagnóstico individual. No planejamento da empresa rural são estabelecidas metas para insumos, produtos e efeitos de cada produtor. A soma das metas de todos os produtores constitui a meta do Projeto. Para participar do EDUCAMPO é fundamental que o Produtor Rural apresente perfil empreendedor e esteja pré-disposto a se educar, a aprender, adotando as orientações do técnico que o acompanha, tanto no tocante às técnicas produtivas quanto aos controles gerenciais, que constituem o grande diferencial da consultoria oferecida pelo Projeto. Os princípios básicos que norteiam o Projeto são o desenvolvimento do conceito de cadeia produtiva, pela aproximação de fornecedores e compradores; a consultoria gerencial e técnica; o pagamento do serviço pelos produtores e, eventualmente, pela empresa parceira; o trabalho com grupos de produtores e o efeito demonstração III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 201 dos resultados; a parceria operacional com agroindústrias e cooperativas; e a avaliação sistemática de resultados, visando o aprimoramento constante das pessoas e do Projeto. O grande diferencial do Projeto é a abrangência gerencial, monitorada conjuntamente pelos Consultores Técnicos e os Produtores, aferindo os resultados das inovações adotadas na rentabilidade e na lucratividade do negócio, apoiada na tecnologia da informação, por meio do software de controle das propriedades e da Central de Processamento de Dados do EDUCAMPO- CPDE, que facilitam a sistematização e a visualização dos resultados das ações implementadas. Com foco no desenvolvimento das pessoas, está-se consolidando no país um novo modelo de extensão rural, efetivamente capaz de transformar a realidade de todos envolvidos com o Projeto EDUCAMPO. CARACTERIZAÇÃO DO PROJETO Para se estabelecer um conceito para a extensão rural, deve-se primeiramente identificar as componentes que a caracterizam: A educação (não-formal); o desenvolvimento social e humano; o desenvolvimento agrário (econômico e técnico); a participação; e a mudança. Podemos, então, estabelecer o seguinte conceito: “A extensão rural é um processo educacional do homem do campo, permanente e em constante aprimoramento, que visa ao seu desenvolvimento econômico, técnico, social e humano, implementando as mudanças adequadas e necessárias a sua realidade, com participação efetiva de todos os envolvidos”. O produto ou resultado do Projeto EDUCAMPO é a capacitação gerencial e técnica continuada dos Produtores Rurais de uma mesma atividade econômica, em grupos de 15 a 25 produtores, ligados à uma cooperativa ou agroindústria parceira, considerando-se ideal o número de 20 produtores. 202 - 1st International Symposium of Dairy Cattle A agroindústria ou cooperativa é parceira do projeto e participa da gestão dos grupos ligados à ela, destacando um técnico de seu staff para acompanhar as atividades e avaliações. A consultoria técnica será oferecida através de uma visita mensal obrigatória a cada propriedade e visitas eventuais, conforme solicitação do produtor e disponibilidade do Consultor Técnico, essas últimas com custo adicional para o produtor. OBJETIVOS Objetivo Geral Promover a educação do homem do campo, através de consultoria gerencial e técnica, proporcionando o desenvolvimento de seu negócio e o crescimento econômico da empresa parceira, estendendo seus benefícios a toda cadeia produtiva. Objetivos Específicos 1. Viabilizar o acesso à consultoria gerencial e técnica como insumo estratégico para a capacitação do produtor e a modernização dos processos de produção agropecuária, integrando o Produtor Rural ao complexo agroindustrial; 2. Orientar sobre o gerenciamento da empresa rural e difundir inovações através de grupos de produtores, aumentando sua produtividade; 3. Trazer retorno econômico ao produtor, criando condições de aumento do seu lucro, e à agroindústria ou cooperativa parceira local; 4. Gerir co-participativamente o Projeto em parceria com cooperativas ou agroindústrias, da qual os produtores atendidos sejam fornecedores, fortalecendo o conceito de cadeia produtiva. 5. Estimular o senso cooperativo dos produtores, não apenas pelo compartilhamento da consultoria técnica do Projeto EDUCAMPO, mas pelo estímulo à realização de atividades em grupo; 6. Utilizar os grupos de produtores como referência, facilitando a multiplicação de ações junto aos demais produtores não participantes, extrapolando os resultados do EDUCAMPO, e 7. Estimular a terceirização da assistência técnica nas empresas parceiras como alternativa ao modelo atual adotado pelas mesmas. III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 203 PRINCÍPIOS NORTEADORES Seis princípios básicos norteiam o Projeto EDUCAMPO: Cadeia produtiva; Consultoria tecnológica e gerencial; Pagamento do serviço pelos produtores; Grupo de produtores e efeito-demonstração; Parceria operacional com a agroindústria ou cooperativa; Avaliação sistemática de resultados. Cadeia Produtiva A cadeia produtiva é o grupamento de todas as atividades produtivas e serviços que acompanham a transformação de um produto, desde os insumos até a distribuição, alcançando o consumidor final. A estrutura do Projeto EDUCAMPO está inserida no contexto das cadeias produtivas do agronegócio, onde o serviço de extensão rural é um dos elementos componentes, com foco no gerenciamento da produção agropecuária e acessório ao fluxo de produtos identificado na cadeia, visando a melhoria de qualidade e a garantia de oferta (quantidade) desses produtos. Nos Estados, a implantação do Projeto deverá ocorrer em cadeias produtivas onde a metodologia já está desenvolvida, a saber: leite, café ou cana-de-açúcar. Essa estratégia permitirá que os gestores estaduais absorvam uma metodologia já testada e que reduzam os riscos de insucesso, devido as adequações necessárias a novas cadeias produtivas. Caso haja interesse em estender a metodologia a outras cadeias estratégicas, o SEBRAE/UF deverá formalizar seu interesse aos gestores do Projeto no SEBRAE Nacional, que definirão a estratégia e devidas adequações da metodologia à nova cadeia produtiva. 204 - 1st International Symposium of Dairy Cattle Consultoria Tecnológica e Gerencial A consultoria tecnológica e gerencial é a forma de ação do Projeto junto ao produtor rural. A gestão do negócio, uma das maiores deficiências do setor produtivo primário no país, é priorizada no Projeto, sem descuidar das questões técnicas, partindo do diagnóstico da propriedade e do planejamento da empresa rural ao estabelecimento de metas e de um cronograma de atividades e avaliação de resultados. A questão gerencial é o grande diferencial do produto e é priorizada com foco central em custos, pois permite avaliar o impacto econômico das inovações implementadas na propriedade, saindo do modelo puramente tecnicista, predominante no sistema atual,para um modelo técnico-gerencial. Pagamento do Serviço pelos Produtores Em essência, o Projeto EDUCAMPO é um serviço de consultoria paga, que visa aprimorar as capacidades tecnológicas e gerenciais dos Produtores Rurais atendidos, através da transmissão do conhecimento pelos consultores técnicos de campo. Quando o produtor paga pelo serviço de extensão, tem condições de avaliar a relação custo/benefício, permanece interessado na orientação e se compromete com os resultados. A metodologia permite a participação da agroindústria ou cooperativa parceira nos custos de manutenção da atividade dos consultores técnicos. Essa participação poderá atingir até 50% (cinqüentaporcento) do custo de cada Consultor Técnico, podendo ser reduzida de forma programada, gradativamente. Grupo de Produtores e Efeito-demonstração A consultoria técnica é oferecida a grupo de produtores, selecionados entre os fornecedores da empresa parceira, em número de 15 a 25, que tenham abertura e pré-disposição ao aprendizado e à adoção das mudanças sugeridas pelos consultores técnicos. O trabalho em grupo fortalece as relações, desenvolve o senso cooperativo e favorece a competição benéfica entre os participantes, criando um ambiente motivador e desafiador permanente ao trabalho, ponto fundamental para a sustentabilidade do projeto. III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 205 Transformando o grupo em referência para outros produtores não participantes, através da demonstração dos resultados obtidos, cria-se um efeito multiplicador, ampliando o alcance dos benefícios do projeto e, consequentemente, atraindo novos parceiros e clientes. Da mesma forma, dentro dos grupos, identificar um ou mais produtores que se destaque na absorção do conhecimento e aplicação da metodologia, tornando-o referência para os demais. Na propriedade desse produtor poderão ser realizados encontros técnicos e dias-de-campo, a fim de incentivar a participação dos demais produtores do grupo. Parceria Operacional com a Agroindústria ou Cooperativa A agroindústria ou a cooperativa exerce um papel fundamental na estrutura da cadeia: decodifica os desejos e exigências do consumidor; estimula/exige o desenvolvimento do produtor; e configurase como o braço econômico do produtor. Essas empresas são, portanto, parceiras do Projeto e, de forma coparticipativa, atuam diretamente nas suas várias fases, desde a seleção dos produtores, na gestão do Projeto, colaborando para o bom andamento das atividades propostas, na avaliação e divulgação dos resultados alcançados e na sua manutenção, participando dos custos do Projeto. Essa parceira pró-ativa é fundamental para a manutenção de um propósito unificador dos produtores assistidos e para a motivação para a melhoria, assim como para viabilizar o Projeto. Sem o envolvimento da agroindústria ou cooperativa não há condições efetivas de alavancagem do projeto, pois esta exerce a co-gestão do mesmo, sendo, ainda, beneficiária direta dos resultados alcançados com seus fornecedores. Avaliação Sistemática de Resultados Um diferencial importante do Projeto EDUCAMPO é a gestão por resultados, com metas estabelecidas entre os vários atores e a mensuração e acompanhamento da evolução de diversos indicadores técnicos e econômicos, que impactam as propriedades rurais assistidas e as empresas parceiras. A partir de metas pactuadas entre empresa parceira, consultor técnico e SEBRAE, são definidos planos de ação para cada produtor, em consonância com a capacidade do mesmo, as necessidades da empresa parceira e a evolução mínima de alguns indicadores 206 - 1st International Symposium of Dairy Cattle estabelecida pelo SEBRAE. O objetivo é assegurar a convergência dos meios na direção dos resultados esperados. A avaliação contínua da efetividade da consultoria é feita mensurando-se os resultados alcançados pelas inovações técnicas e gerenciais implementadas e o progresso do Produtor Rural assistido. A partir da coleta dos dados nas propriedades, a gestão da informação, através do software utilizado pelos Consultores Técnicos, e do conhecimento, através da Central de Processamento de Dados do Educampo - CPDE, permite auferir os ganhos dos clientes e parceiros do Projeto, certificando a eficácia do modelo. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO PROJETO Identificação dos Atores O Projeto EDUCAMPO compreende uma série de atores para sua implementação e execução, envolvidos com a coordenação e gestão do projeto, a condução das atividades de campo, a atualização dos consultores técnicos e a auditoria de processos. Todo esse aparato humano envolvido deve estar ciente de suas responsabilidades e de seu papel dentro do projeto, assim como o Produtor Rural , alvo da ação, deve estar ciente sobre o produto que lhe será entregue e como cada um desses atores se envolvem no desenvolvimento das atividades. Estão presentes sete atores no projeto: SEBRAE/UF (Gestor Estadual e Técnico de Ponta) Coordenador da Cooperativa/Agroindústria Coordenador Técnico Consultores Técnicos de Campo Produtor Rural Facilitador do Treinamento dos Técnicos de Campo Consultor Temático Estadual (opcional) I. SEBRAE/UF (Gestor Estadual e Técnico de Ponta) O SEBRAE/UF é responsável pela sensibilização, implementação e coordenação geral do Projeto em cada Estado, capacitando e atualizando os consultores de campo e de apoio ao Projeto e gerindo, além do funcionamento do projeto e das pessoas III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 207 envolvidas, todas as informações produzidas em cada grupo de produtores, consolidando os resultados do Projeto em geral. Para tanto, deverá existir na estrutura do Sebrae/UF um Coordenador Geral ou Gestor Estadual, do setor de Agronegócios ou área afim, e o Técnico de Ponta, que acompanhará de perto as atividades e apoiará, localmente, as iniciativas e ações propostas pelos grupos. II. Coordenador da Empresa Parceira A cooperativa/agroindústria parceira é impactada diretamente pelos ganhos auferidos pelo Projeto e participa conjuntamente da gestão dos grupos de produtores, disponibilizando um técnico de seu staff para implementar, acompanhar, avaliar e desenvolver as atividades propostas. O Coordenador da Empresa Parceira responderá pela empresa junto ao Projeto, assim como fará a gestão conjunta dos grupos com o SEBRAE/UF e o Coordenador Técnico. III. Coordenador Técnico O Coordenador Técnico é terceirizado, contratado pelo SEBRAE/UF para a coordenação geral, acompanhamento e avaliação dos grupos e dos Consultores Técnicos de Campo. O controle das atividades, das informações e dos resultados de cada grupo ficam a cargo do Coordenador Técnico, que assume a co-responsabilidade de gestão junto aos clientes e parceiros do projeto. IV. Consultor Técnico de Campo O Consultor Técnico de Campo é selecionado, avaliado e capacitado para atuar no projeto, sendo responsável pelos grupos de produtores e pela aplicação da metodologia. É terceirizado e contratado pelos produtores e pela empresa parceira. Sua dedicação é exclusiva ao Projeto, sendo vedado o oferecimento de consultorias extra contrato e a venda de insumos ou outros produtos aos produtores assistidos ou fora do Projeto. 208 - 1st International Symposium of Dairy Cattle V. Produtor Rural O Produtor Rural é o alvo da ação de consultoria gerencial e técnica oferecida pelo Projeto. Seu compromisso, sua participação efetiva em todas as atividades propostas e o acompanhamento dos resultados são as premissas exigidas para sua participação. Qualquer desvio ou demonstração de falta de interesse implicará em seu desligamento. VI. Facilitador do Treinamento Os Facilitadores do Treinamento dos Consultores Técnicos de Campo são terceirizados e contratados pelo SEBRAE/UF para a capacitação inicial e atualização dos consultores técnicos em consonância com a metodologia do projeto, aprofundando os conhecimentos técnicos e gerenciais, melhorando a habilidade dos mesmos para condução dos grupos de produtores. VII. Consultor Temático Estadual O Consultor Temático Estadual é uma opção dentro do Projeto, reconhecidamente com conhecimentos na área de economia rural e na cadeia produtiva trabalhada pelo Projeto. É terceirizado, contratado pelo SEBRAE/UF para auxiliar na capacitação e atualização dos Consultores Técnicos e na interpretação dos resultados dos grupos e gerais do Projeto, criando um senso crítico em torno dos resultados alcançados no Estado. É ligado diretamente ao Gestor Estadual, subsidiando sua tomada de decisão em relação à condução geral e evolução do Projeto. Perfil I – Equipe Técnica do SEBRAE/UF O Projeto EDUCAMPO, pelo seu caráter permanente e dinâmico, é altamente exigente dos técnicos do SEBRAE/UF, tanto na sua coordenação (gestores) como no seu acompanhamento (técnicos de ponta). Os gestores terão que compreender a fundo a metodologia proposta, pois exercem o controle de todos os grupos no Estado, sendo capazes de: Orientar a implementação e o acompanhamento do Projeto; III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 209 adequá-lo à realidade das cadeias produtivas em seu Estado; desenvolver um ambiente favorável à aplicação da metodologia, atuando no convencimento e na minimização dos conflitos naturais dos potenciais parceiros e clientes do Projeto; promover e gerir toda a estrutura necessária ao bom andamento das ações; zelar pela metodologia e pela qualidade da consultoria oferecida; acompanhar o lançamento e acessibilidade dos dados e resultados na página (home page) do Projeto na internet. O técnico de ponta (ou técnico do município ou microrregião) é a pessoa mais próxima aos parceiros e clientes do Projeto, devendo permanentemente acompanhar em sua região de atuação as ações em andamento, viabilizando, junto ao SEBRAE/UF, condições para execução das ações complementares propostas pela metodologia, como palestras, dias-de-campo, missões, entre outras. A presença do técnico de ponta junto aos grupos de produtores e as empresas parceiras é fundamental para a boa condução do Projeto. Se reflete como a presença física do SEBRAE, indutor de todo o processo, e será co-responsável pelo acompanhamento do cumprimento das responsabilidades de todos os atores envolvidos, dirimindo dúvidas e corrigindo possíveis desvios da metodologia. II – Coordenador da Agroindústria/Cooperativa A empresa parceira, agroindústria ou cooperativa de produtores, exerce papel fundamental de coordenação conjunta do Projeto, partindo da indicação de quais produtores possuem o perfil adequado à participação, assim como apoiando as atividades complementares à consultoria técnico-gerencial oferecida, acompanhando os resultados, planejando e cobrando desempenho dos diversos grupos de produtores constituídos e dos Consultores Técnicos. O empresário ou administrador principal da empresa parceira vislumbra, através do Projeto Educampo, uma oportunidade de alavancar e fortalecer seus negócios, criando e fomentando uma base sólida de fornecedores, integrados a um projeto de desenvolvimento conjunto, onde não se destingue, no final do processo produtivo, as diferenças qualitativas entre matéria-prima e produto acabado. 210 - 1st International Symposium of Dairy Cattle O Projeto deverá ser parte da aspiração da empresa de crescer e melhorar, cada dia mais, sua competitividade, a partir de uma ação coordenada, que envolve sua rede de fornecedores, indispensável à sua existência. O comprometimento ocorre desde a implantação do Projeto, sua avaliação periódica, até a sua manutenção, através de uma coordenação participativa, junto aos produtores e ao próprio SEBRAE, designando, dentro de seu staff, um técnico capaz de exercer essa função. Este técnico não precisará ser exclusivo ao Projeto. Para sustentação do Projeto, a empresa parceira poderá, a seu critério, assumir parte das despesas dos consultores técnicos de campo, sendo esta participação limitada a 50% (cinqüentaporcento) dos custos totais de cada consultor. O perfil do coordenador da agroindústria/cooperativa é técnico, conhecedor da atividade produtiva como um todo, das estratégias da empresa e de sua rede de fornecedores, ajudando na determinação dos rumos ou metas a serem atingidas por cada grupo de produtores. Não se recomenda, nessa função, pessoas ligadas a cargos de direção, que desviem sua atenção para os problemas de gestão do negócio da empresa, impossibilitando seu foco nas ações do Projeto. Para tanto, a agroindústria ou cooperativa parceira deverá ter em seu quadro de empregados um indivíduo com esse perfil e que possa assumir, responsavelmente, essa tarefa. Uma empresa que não possua tal estrutura irá comprometer a co-gestão do Projeto e, conseqüentemente, seus resultados, isolando os grupos de produtores das metas de crescimento conjuntas. Nesse caso, o Projeto não poderá ser implantado, sob pena de não alcançar os resultados esperados, não contribuir para o fortalecimento do conceito de cadeia produtiva e de acirramento dos conflitos entre fornecedores e compradores. III – Coordenador Técnico O Coordenador Técnico é terceirizado e contratado pelo SEBRAE/UF para complementar a ação coordenadora do SEBRAE/UF, zelando pelo cumprimento da metodologia e acompanhando os resultados dos diversos grupos de produtores, sistematizando as informações gerenciais (resultados técnicos e econômicos) e avaliando o comprometimento e desempenho dos diversos atores com a metodologia proposta. III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 211 Partindo desde o envolvimento da empresa parceira, seu grau de comprometimento e satisfação com o Projeto; o desempenho dos consultores técnicos de campo; a satisfação e o grau de evolução técnica e econômica dos produtores; o suporte ao desenvolvimento do planejamento proposto e à utilização do software; e a avaliação geral de cada grupo de produtores, reportando sempre aos parceiros e gestores do Projeto. O perfil do Coordenador Técnico envolve a formação em agronomia, zootecnia ou veterinária, conhecimentos de custos de produção, planejamento, gestão e desenvolvimento de projetos, conhecimentos de informática, além dos conceitos técnicos sobre a atividade desenvolvida e sobre o comportamento do negócio e seus interferentes. Cabe a ele avaliar e acompanhar todo o desempenho dos grupos e dos técnicos e apresentar relatórios consolidados periódicos sobre os mesmos. A sensibilização dos diversos atores e a motivação ao cumprimento das atividades planejadas também fazem parte de sua atuação. IV – Consultor Técnico de Campo O Consultor Técnico de Campo é terceirizado e configura-se como o agente principal do Projeto, responsável pela transmissão do conhecimento, pela consultoria gerencial e técnica e pela geração de informações sobre a evolução de cada produtor. Não há relação contratual entre os consultores técnicos de campo e o SEBRAE/UF. Para cumprir as atividades preconizadas, sua formação deverá ser superior em agronomia, zootecnia ou medicina veterinária. Seu perfil é bastante peculiar e devem ter aprimoradas, através de sua capacitação contínua, habilidades como a comunicação, o senso crítico, o empreendedorismo, a técnica e a gestão, essas duas últimas meios para execução da metodologia. O perfil do Consultor Técnico envolve, ainda, sua capacidade de assumir desafios e sua disponibilidade e atenção ao cliente, estando preparado a ajudar para que os próprios produtores corrijam suas ineficiências e solucionem seus problemas, a partir de uma realidade muitas vezes bastante adversa, em que muitos fatores externos não controláveis interferem constantemente na ação. Sua atuação deverá possibilitar a capacitação do Produtor Rural fundamentalmente nas questões gerenciais, através da interpretação 212 - 1st International Symposium of Dairy Cattle periódica dos dados e resultados da propriedade junto a ele, dirimindo dúvidas e apoiando o processo de tomada de decisões para continuidade dos trabalhos. Tornam-se, portanto, fundamentais a política de seleção desses técnicos e a estratégia de preparação, capacitação e atualização dos mesmos. A seleção dos consultores técnicos deve levar em conta seu currículo e experiência junto a produtores, excluindo qualquer tipo de interferentes externos, muitas vezes impostos pelas empresas parceiras ou clientes, e até por outros agentes e pessoas estranhas ao Projeto. Um técnico fora do perfil adequado certamente levará ao comprometimento dos resultados e, muitas vezes, inviabiliza a execução do Projeto, devido ao seu baixo grau de comprometimento com a metodologia. O processo de seleção envolve quatro etapas, sendo: a) Avaliação e seleção de currículo e entrevista b) Prova de conhecimentos técnicos (gerenciais) c) Capacitação com prova d) Estágio De forma contínua, esses consultores receberão atualização gerencial e técnica oferecida pelo SEBRAE/UF, além de instruções no âmbito do empreendedorismo e comportamental, mantendo-os dispostos a assumir e buscar soluções aos desafios que surgem durante a execução do Projeto. Salienta-se a necessidade de atualização contínua pelos consultores, independente da capacitação oferecida pelo SEBRAE, como condição para o bom desempenho de suas funções. V – Produtor Rural O Projeto EDUCAMPO reveste-se de um processo permanente de mudanças, impulsionado pela consultoria gerencial e técnica aos Produtores Rurais participantes, como meio para capacitá-los e prepará-los para os desafios que o desenvolvimento dos mercados exige. Para alcançar esse objetivo maior, o produtor, alvo da ação e cliente do Projeto, precisa estar apto ou aberto a receber as orientações dos consultores técnicos de campo, assim como cumprir as tarefas III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 213 necessárias ao bom andamento do planejamento construído conjuntamente. O perfil do produtor deve prever essa abertura, o desejo de aprender e de modificar sua realidade, através de um trabalho coletivo e com objetivos maiores que uma assistência técnica tradicional, oferecida normalmente pela maioria dos serviços de extensão rural. O perfil almejado pelo Projeto não pode ser limitado ao conceito tradicional de inovação, criatividade, visão e ousadia. Tão ou mais importantes são a perseverança, auto-estima, cuidado e, principalmente, disciplina. Aliase ao talento, portanto, a vontade, o objetivo e o desejo de alcançar um resultado. O comportamento do produtor frente ao trabalho dos consultores técnicos de campo é participativo e construtivo, cabendo-lhe determinar os rumos da ação, ao contrário do processo passivo de receber uma simples orientação técnica. Essas características ideais poderiam ser mais claramente identificadas através de um exercício simples de avaliação do comportamento do produtor frente a uma série de problemas cotidianos. A efetividade do Projeto junto aos seus clientes, ou seja, seu aprendizado deverá ser periodicamente avaliado, determinando a eficácia da transmissão do conhecimento pelos consultores técnicos e a evolução dos produtores na gestão de sua propriedade e de seu negócio. Por ser uma ação de educação, o Projeto deve capacitar os produtores a gerenciar melhor seus negócios e não torná-los dependentes do serviço de consultoria prestado. VI – Facilitador do Treinamento dos Técnicos de Campo No desenvolvimento do Projeto EDUCAMPO verificou-se a importância do suporte das Universidades na capacitação dos consultores técnicos de campo, sendo recomendado a criação dessa parceria para sua sustentação. O perfil necessário para o treinamento dos técnicos de campo remete esta ação aos centros de excelência em ensino, extensão e pesquisa. Firmar uma parceria estratégica com as Universidades é ponto fundamental para realização da capacitação e da atualização dos técnicos. É recomendável que o SEBRAE/UF busque nessas instituições o corpo técnico necessário ao trabalho de aperfeiçoamento 214 - 1st International Symposium of Dairy Cattle continuado da equipe de campo do Projeto, tanto nas questões técnicas como, e especialmente, nas gerenciais. Essa parceria agrega importante valor ao Projeto, aproximando indiretamente a Universidade do Produtor Rural pelo trabalho dos técnicos de campo e, diretamente, por outras ações conjuntas que poderão ser desenvolvidas junto aos grupos de produtores; e dando, ainda, respaldo e confiabilidade a ação. Nas Universidades encontramos a massa crítica de conhecimento e tecnologia, atualizada e em constante aperfeiçoamento, fundamental à preparação e atualização da equipe de Consultores Técnicos de Campo. Busca-se o conhecimento na área técnica, assim como na gestão do negócio agrícola (administração e economia rural), dando aos Consultores Técnicos o perfil necessário à condução da consultoria gerencial e técnica proposta pelo Projeto. Identificado esse parceiro, os professores e técnicos envolvidos, através da instituição, firmarão convênio com o SEBRAE/UF para o desenvolvimento do curso e capacitação dos consultores técnicos de campo, recebendo, então, a metodologia do facilitador do treinamento. VII – Consultor Temático Estadual Sua contratação pelo SEBRAE/UF é opcional dentro da estrutura do Projeto, tendo este ator papel de assessoramento dos Gestores Estaduais nas questões técnicas, auxiliando na capacitação e atualização dos Consultores Técnicos e na interpretação dos resultados dos grupos e gerais do Projeto, criando um senso crítico em torno dos resultados alcançados pelos diversos grupos no Estado. Seu perfil envolve conhecimentos em economia rural, principalmente em custos, e na cadeia produtiva trabalhada pelo Projeto, acompanhando a evolução do negócio regionalmente e no país. Recomenda-se buscar este profissional nas universidades, onde normalmente encontramos o conhecimento atualizado e em constante aperfeiçoamento. RESULTADOS A evolução econômica do Produtor Rural, em consonância com a melhoria dos indicadores técnicos e econômicos na sua atividade e a melhoria de sua condição social, determina o sucesso da metodologia e é o objetivo central do Projeto EDUCAMPO. Paralelamente, busca-se III Simpósio Nacional de Bovinocultura de Leite - 215 um impacto positivo sobre os resultados econômicos e qualitativos da empresa parceira, com base nos benefícios diretos e indiretos oferecidos pela sua participação no Projeto. Toda a estrutura montada e o instrumental de acompanhamento e avaliação disponibilizados dão as condições necessárias para a efetividade da metodologia. A gestão por resultados confere objetividade às ações propostas e racionaliza os meios para atingir as metas acordadas entre os vários atores, evitando desperdício de recursos e a frustração de clientes e parceiros. O sucesso do Projeto EDUCAMPO passa a depender, então, de pessoas com perfis adequados para sua gestão, condução, acompanhamento, avaliação e aplicação da metodologia e, fundamentalmente, de pessoas dispostas a mudar e a adotar uma nova postura frente aos desafios da sociedade moderna. CENÁRIO ATUAL N° de Projetos: 65; N° de Fazendas: 1042; N° de municípios: 194 (23% MG); Remuneração da MDO Familiar: R$ 22,9 milhões/ano (940 famílias); Empregos diretos: 3.200 em 2009. 216 - 1st International Symposium of Dairy Cattle Ano 2008 / 2009 9 1042 fazendas; 9 Produção total 293.967 mil litros de leite/ano. (Educampo) Educampo 0,97 % da produção brasileira de leite de vaca Educampo BR PBR*:30.335.000 mil litros Minas Grais PMG 2008: 7.657.000 mil de litros PBR* = Produção brasileira 2009 (Estimativa) PMG = Produção mineira 2009 Educampo: 4 % da produção mineira de leite de vaca*² *² Em relação ao volume produzido em 2008