UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA
PROGRAMA MESTRADO EM CIÊNCIA ANIMAL
VALOR ENERGÉTICO, DESEMPENHO, LIPÍDIOS SÉRICOS
E COMPOSIÇÃO CORPORAL DE FRANGOS DE CORTE
RECEBENDO ÓLEO DE SOJA E SEBO BOVINO EM
DIFERENTES COMBINAÇÕES
ENERGY VALUE, PERFORMANCE, SERUM LIPIDS AND BODY
COMPOSITION OF BROILERS RECEIVING SOYBEAN OIL AND BEEF
TALLOW IN DIFFERENT COMBINATIONS
Vitor Barbosa Fascina
CAMPO GRANDE
MATO GROSSO DO SUL - BRASIL
MAIO DE 2007
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA
PROGRAMA MESTRADO EM CIÊNCIA ANIMAL
VALOR ENERGÉTICO, DESEMPENHO, LIPÍDIOS SÉRICOS
E COMPOSIÇÃO CORPORAL DE FRANGOS DE CORTE
RECEBENDO ÓLEO DE SOJA E SEBO BOVINO EM
DIFERENTES COMBINAÇÕES
Vitor Barbosa Fascina
Médico Veterinário
Orientador: Prof. Dr. Alfredo Sampaio Carrijo
Dissertação apresentada à Universidade Federal
de Mato Grosso do Sul, como requisito à
obtenção do título de Mestre em Ciência Animal.
Área de concentração: Produção Animal.
CAMPO GRANDE
MATO GROSSO DO SUL – BRASIL
2007
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Coordenadoria de Biblioteca Central – UFMS, Campo Grande, MS, Brasil)
F248v
Fascina, Vitor Barbosa.
Valor energético, desempenho, lipídios séricos e composição corporal de
frangos de corte recebendo óleo de soja e sebo bovino em diferentes
combinações / Vitor Barbosa Fascina. -- Campo Grande, MS, 2007.
42 f. ; 30 cm.
Orientador: Alfredo Sampaio Carrijo.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia.
1. Frango de corte – Alimentação e rações. 2. Frango de corte – Nutrição.
I. Carrijo, Alfredo Sampaio.
CDD (22) – 636.5130855
ii
“O único homem que não erra é aquele que nunca faz nada”
(Roosevelt)
iii
A Deus e NSª Aparecida por iluminar e guiar
todos os meus passos;
Ao Prof. Marcelo de Oliveira Andreotti (“in
memorian”) por ter me incentivado a realizar o
curso de mestrado, pela amizade, carinho e
confiança que sempre depositou em mim;
A minha namorada Viviane, pelo apoio, amor,
compreensão e força nessa caminhada.
A minha família que mesmo distante sempre me
apoiou.
Dedico
iv
AGRADECIMENTO ESPECIAL
Ao Prof. Dr. Alfredo Sampaio Carrijo que me acolheu e deu força nas horas mais
difíceis, pela orientação dedicada, pela confiança, ensinamentos, amizade sincera, pela
paciência, contribuindo em meu crescimento acadêmico, profissional e pessoal.
Meus sinceros e carinhosos agradecimentos.
v
AGRADECIMENTOS
A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado
de Mato Grosso do Sul (FUNDECT), pela bolsa de estudo durante o curso e ao apoio
financeiro deste projeto.
Ao programa Mestrado em Ciência Animal representado pela coordenadora Prof. Dra.
Maria da Graça Morais, pelo apoio durante o curso.
A secretária Marilete, pela sua disposição, simpatia, carinho e atenção.
Aos professores do programa Mestrado em Ciência Animal por compartilhar seus
conhecimentos.
Ao Professor Charles Kiefer, pelos ensinamentos, amizade e colaboração de meus
trabalhos.
A minha grande amiga e colega de Mestrado Karina Márcia Ribeiro de Souza, pela
amizade, apoio nos trabalhos realizados, pela seriedade, dedicação e alegria em todos os dias.
A amiga Amélia Maria Lima Garcia, pela amizade e auxílio na execução dos
experimentos.
Aos bolsistas de iniciação científica, Ingrid, Josilene, Juliano, Simone e Rafael, pela
ajuda na condução dos experimentos e pelo convívio bem humorado.
Aos acadêmicos do curso de Zootecnia Adriany, Daniela, Renata e Rodrigo pelo
auxílio na execução do projeto.
A todos os amigos e colegas de Mestrado pelo convívio e amizade.
Aos funcionários da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia pela disposição
em facilitar a caminhada.
Ao “Sr. Antônio” do laboratório de nutrição animal pela colaboração na execução do
projeto e pela sua alegria.
Ao amigo Nilton Conde Torres “Niltinho”, pelo apoio e amizade sempre presente.
Ao meu “irmão” Paulo Augusto da Costa Marques Neto, pelo apoio, amizade,
confiança durante todos estes anos.
E a todos que a memória me trai neste momento de emoção.
vi
LISTA DE FIGURAS
“Página”
Figura 1 - Valores de EMA e EMAn do óleo de soja, sebo bovino e de suas
proporções determinados com frangos de corte no período de 12 a 21
dias de idade.. .............................................................................................. 31
Figura 2 - Peso corporal e ganho de peso, em função das diferentes proporções de
óleo de soja e sebo bovino em dietas de frangos de corte machos no
período de 1 a 21 dias de idade..................................................................... 34
Figura 3 - Conversão alimentar, em função das diferentes proporções de óleo de
soja e sebo bovino em dietas de frangos de corte machos no período de 1
a 21 dias de idade......................................................................................... 34
vii
LISTA DE TABELAS
“Página”
Tabela 1 - Composição centesimal e nutricional da dieta basal para frangos de corte
no período de 12 a 21 dias de idade.............................................................. 27
Tabela 2 - Composições centesimais e nutricionais das dietas experimentais para
frangos de corte no período de 1 a 21 dias de idade. ..................................... 29
Tabela 3 - Valores de energia metabolizável aparente (EMA) e corrigida para
retenção nitrogênio (EMAn) do óleo de soja, do sebo bovino e de suas
proporções determinados com frangos de corte machos no período de 12
a 21 dias de idade......................................................................................... 31
Tabela 4 - Desempenho de frangos de corte submetidos a dietas contendo diferentes
proporções de óleo de soja e sebo bovino no período de 1 a 21 dias de
idade............................................................................................................ 33
Tabela 5 - Valores de energia bruta (EB), matéria seca (MS), umidade (UM),
proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE) e cinzas (CZ) de frangos de
corte alimentados com dietas contendo diferentes proporções de óleo de
soja e sebo bovino aos 21 dias de idade........................................................ 36
Tabela 6 - Valores de peso de carcaça (PCa), rendimento de carcaça (RCa) e
gordura abdominal (GAb) de frangos de corte alimentados com dietas
contendo diferentes proporções de óleo de soja e sebo bovino aos 21
dias de idade ................................................................................................ 37
Tabela 7 - Valores médios de triglicérides (Trigl), colesterol total (Col T),
lipoptroteína de alta densidade (HDL), lipoproteína de baixa densidade
(LDL) e lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) de frangos de
corte alimentados com dietas contendo diferentes proporções de óleo de
soja e sebo bovino aos 21 dias de idade........................................................ 38
viii
SUMÁRIO
“Página”
INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1
1 Descrição das fontes lipídicas....................................................................................... 2
1.1 Óleo de Soja.............................................................................................................. 2
1.2 Sebo Bovino.............................................................................................................. 3
2 Digestibilidade e Valor Energético ............................................................................... 4
3 Características de Carcaça ............................................................................................ 9
4 Lipídios Séricos.......................................................................................................... 12
REFERÊNCIAS............................................................................................................ 16
ÓLEO DE SOJA E SEBO BOVINO EM DIETAS DE FRANGOS DE CORTE NA
FASE INICIAL............................................................................................................. 23
Resumo.......................................................................................................................................................23
Abstract ......................................................................................................................................................24
Introdução..................................................................................................................... 25
Material e Métodos ....................................................................................................... 26
Resultados e Discussão ................................................................................................. 30
Conclusão ..................................................................................................................... 39
Referências ................................................................................................................... 39
ix
VALOR ENERGÉTICO, DESEMPENHO, LIPÍDIOS SÉRICOS E COMPOSIÇÃO
CORPORAL DE FRANGOS DE CORTE RECEBENDO ÓLEO DE SOJA E SEBO
BOVINO EM DIFERENTES COMBINAÇÕES
RESUMO - Na avicultura industrial, o desenvolvimento de linhagens de frangos de corte
com potencial genético para ganho de peso e conversão alimentar passou a exigir dos
nutricionistas formulações de dietas com elevada densidade energética e adequado balanço de
aminoácidos, a fim de atender às exigências para o crescimento e conversão alimentar e ainda
proporcionar melhor rendimento de carcaça. Por conterem mais energia, em comparação aos
carboidratos, os óleos vegetais e as gorduras de origem animal são opções valiosas para
formulações de dietas com elevada densidade energética e com baixo custo por unidade de
energia. Seu uso na alimentação de frangos de corte tem proporcionado efeito benéfico no
desempenho das aves. É indispensável que se conheça com precisão o valor nutricional das
fontes lipídicas a serem utilizadas na alimentação de aves. Como o nutriente energia é
essencial na nutrição de aves e o Estado de Mato Grosso do Sul possui inúmeros frigoríficos
com graxarias em função de ser o segundo maior rebanho de gado de corte do país, podendo
fornecer quantidades suficientes de sebo bovino para serem utilizados na alimentação de aves.
Tendo em vista que a energia representa a parte mais onerosa de uma dieta, e que a ração
representa 70% do custo de produção de frangos de corte, pode ser de grande importância, a
introdução de novas fontes lipídicas com um conhecido valor nutricional. O objetivo deste
trabalho foi determinar o valor energético de misturas com diferentes proporções de óleo de
soja (OS) e de sebo bovino (SB), bem como avaliar o desempenho, composição corporal e
lipídios séricos de frangos de corte na fase inicial. Foram conduzidos dois experimentos com
frangos de corte machos da linhagem Ross 308. No primeiro experimento, foi realizado um
ensaio de digestibilidade com 100 frangos de corte dos 12 aos 21 dias de idade. Os
tratamentos consistiram de cinco proporções de OS e SB (0:100, 25:75, 50:50, 75:25, 100:0).
O método utilizado foi a coleta total de excretas durante 10 dias, sendo cinco dias para
adaptação e cinco dias de coleta. No segundo experimento foram utilizados 930 pintos
machos de um dia de idade, distribuídos em cinco tratamentos com seis repetições de 31 aves
cada. No experimento I, os valores de energia metabolizável aparente (EMA) e de energia
metabolizável aparente corrigida para nitrogênio (EMAn) aumentaram linearmente (P<0,01)
com a maior participação do óleo de soja nas misturas. Entre as misturas de óleo de soja e
sebo bovino, a de melhor valor de EMA e EMAn foi o tratamento com 75% de óleo de soja e
25% de sebo bovino. No experimento II, as fontes lipídicas incluídas em 4% na dieta
x
influenciaram de forma quadrática (P<0,01) o peso corporal e ganho de peso aos 21 dias de
idade, aumentando até a proporção de 65,87:34,13 (OS:SB). A conversão alimentar foi
melhorada até a proporção de 72,25:27,75. Os parâmetros de composição corporal,
rendimento de carcaça e gordura abdominal não foram influenciados (P>0,05) pelas diferentes
proporções lipídicas. A maior participação do óleo de soja nas misturas proporcionou redução
linear nos valores de triglicérides (P<0,05), colesterol total (P<0,01), lipoproteína de baixa
densidade (P≤0,05) e lipoproteína de densidade muito baixa (P<0,01). Não foi observada
diferença significativa (P>0,05) para a lipoproteína de alta densidade. Pode-se concluir que a
inclusão de OS em misturas com SB em dietas de frangos de corte melhora o valor energético
para aves na fase inicial de criação. A adição de fonte lipídica insaturada à fonte lipídica
saturada apresenta sinergismo com o aumento do valor energético das misturas. O melhor
desempenho é na mistura de 75% de óleo de soja com 25% de sebo bovino. As diferentes
proporções de OS:SB não alteram a composição corporal e as características de carcaça. O
aumento da inclusão do óleo de soja nas dietas reduz os níveis de lipídios séricos em frangos
de corte aos 21 dias de idade.
Palavras-chave: composição corporal, desempenho, gorduras, lipídios séricos, óleos, valor
energético
xi
ENERGY VALUE, PERFORMANCE, SERUM LIPIDS AND BODY
COMPOSITION OF BROILERS RECEIVING SOYBEAN OIL AND BEEF
TALLOW IN DIFFERENT COMBINATIONS
ABSTRACT - In the industrial aviculture, the development of lineages of broilers with
genetic potential for weight gain and feed conversion started to demand of the nutritionists
formulations of diets with high energy density and appropriate swinging of amino acids, in
order to attend the demands for the growth and feed conversion and still to provide better
carcass income. Because they contain more energy, in comparison to the carbohydrates, the
vegetable oils and the animal fats are valuable options for formulations of diets with high
energy density and with low cost for unit of energy. His use in the feeding of broilers has
been providing beneficial effect in the performance of the birds. It’s indispensable that it is
accurately known the nutritional value of the fats sources to be used in the feeding of birds.
As the nutrient energy is essential in the nutrition of birds and the State of Mato Grosso do
Sul possesses countless frigorifics with “graxarias” in function of being the second largest
flock of cattle for slaughter of the country, it can supply enough amounts of beef tallow to be
used in the feeding of birds. Having in mind that the energy represents the most onerous part
of a diet, and that the ration represents 70% of the broilers cost of production, it can be of
great importance the introduction of new fats sources with a known nutritional value. The
objective of this work was to determine the energy value of mixtures with different
proportions of soybean oil (SO) and of beef tallow (BT), as well as to evaluate the
performance, body composition and serum lipids of broilers in the initial phase. Two
experiments were conducted with broilers males of the lineage Ross 308. In the first
experiment, a digestibility rehearsal was accomplished with 100 broilers during the period
from 12 to 21 days of age. The treatments consisted of five proportions of SO and of BT
(0:100, 25:75, 50:50, 75:25, 100:0). The used method was the total collection of excrete for
10 days, being five days for adaptation and five days of collection. In the second experiment
were used 930 male broilers of one day of age, distributed in five treatments with six
repetitions of 31 birds each. In the experiment I, the values of apparent metabolizable energy
(AME) and of apparent metabolizable energy corrected for nitrogen (AMEn) had a linear
increase (P <0,01) with the largest participation of the soybean oil in the mixtures. Among the
mixtures of soybean oil and beef tallow, the one of best value of AME and AMEn was the
treatment with 75% of SO and 25% of BT. In the experiment II, the fats sources included in
xii
4% in the diet influenced in a quadratic way (P <0,01) the corporal weight and weight gain to
the 21 days of age, increasing until the proportion of 65,87:34,13 (SO:T). The feed conversion
was improved until the proportion of 72,25:27,75. The parameters of body composition,
carcass income and abdominal fat were not influenced (P>0,05) by the different fats
proportions. The largest participation of the soybean oil in the mixtures provided a linear
decrease in the triglycerides values (P <0,05), total cholesterol (P <0,01), low density
lipoprotein (P<0,05) and very low density lipoprotein (P <0,01). A significant difference was
not observed (P>0,05) for the high density lipoprotein cholesterol. It can be concluded that the
inclusion of SO in mixtures with the BT in diets of broilers improves the energy value for
birds in the initial phase of creation. The addition of unsaturated fat source to the saturated fat
source presents the increase of the energy value of the mixtures. The best performance is in
the mixture of 75% of SO with 25% BT. The different lipidic proportions don't influence in
the body composition and in the carcass characteristics. The increase of the SO in the diets
reduces the values of serum lipids in broilers to the 21 days of age.
Key-words: body composition, performance, fats, serum lipids, oils, energetic value
INTRODUÇÃO
Na avicultura industrial, o desenvolvimento de linhagens de frangos de corte com o
potencial genético para ganho de peso e conversão alimentar, passou a exigir dos
nutricionistas formulações de dietas com elevada densidade energética e adequado balanço de
aminoácidos, a fim de atender as exigências para crescimento, conversão alimentar e
proporcionar melhor rendimento de carcaça. Além disso, os grandes avanços tecnológicos da
avicultura industrial têm possibilitado a criação de frangos de corte em regiões onde o clima
não favorece a produção em escala comercial, levando assim a expansão avícola para a região
Centro-Oeste do Brasil.
O Estado de Mato Grosso do Sul apresenta altas temperaturas no verão, sendo
superiores a 30oC. Calcula-se que para cada 1,1oC acima de 27oC de temperatura ambiente, os
frangos de corte reduzam o consumo de ração em torno de 1,5 a 2,0%. Hurwitz et al. (1980)
observou um decréscimo no consumo de ração de frangos quando a temperatura aumentava
até 27°C. Por isso, se faz necessário à utilização de dietas com elevada densidade energética,
objetivando uma compensação na redução do consumo e proporcionando às aves
oportunidade de consumir os nutrientes mínimos necessários para seu bom desempenho.
Por conterem mais energia em comparação aos carboidratos, os óleos vegetais e
as gorduras de origem animal são opções valiosas para formulações de dietas com elevada
densidade energética a baixo custo por unidade de energia. O seu uso na alimentação de
frangos de corte tem proporcionado efeito benéfico no desempenho destas aves, muitas vezes,
apresentando valor biológico superior ao esperado, usualmente expresso em termos de
melhoria na taxa de crescimento, na eficiência de absorção dos ingredientes da dieta e ainda
aumento do seu conteúdo em energia metabolizável. Por isto, é indispensável que se conheça
com precisão o valor nutricional das fontes lipídicas a serem utilizadas na alimentação de
aves.
Como o nutriente energia é essencial na nutrição de aves e o Estado de Mato
Grosso do Sul possui o segundo maior rebanho de bovinos de corte, abatendo no ano de 2006
de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) 3.468.603
milhões de cabeças, as graxarias do estado podem fornecer 104.058 t/ano de sebo bovino
considerando abate de bovinos com peso médio por cabeça de 400 Kg (EMBRAPA, 2006),
para serem utilizadas na alimentação de aves. Tendo em vista que a energia representa a parte
2
mais onerosa de uma dieta e que a alimentação representa 70% do custo de produção de
frangos de corte, a introdução de novas fontes lipídicas com o conhecido valor nutricional
poderá possibilitar a redução do custo de produção.
1 Descrição das fontes lipídicas
As indústrias avícolas tem utilizado várias fontes lipídicas como matéria prima para
energia nas dietas de frangos de corte, como: óleo de soja, óleo de soja degomado, óleo ácido
de soja, óleo de abatedouro avícola, sebo bovino, banha suína e outros óleos vegetais que
possam diminuir os custos.
1.1 Óleo de Soja
Dentre as matérias primas o óleo de soja é o produto obtido pela prensagem
mecânica e/ou extração por solvente, dos grãos de soja, isentos de misturas de outros óleos,
gorduras ou outras matérias estranhas ao produto (BRASIL, 1993).
De acordo com o MAPA, o óleo de soja pode ser classificado em três etapas: bruto
ou cru, degomado ou purificado e refinado. O óleo bruto ou cru é extraído por esmagamento
mecânico do grão de soja. Este óleo torna-se purificado ou degomado após a extração dos
fosfolipídios e refinado após ser neutralizado, clarificado e desodorizado.
Os grãos de soja são limpos em peneiras vibratórias, e posteriormente submetidos à
secagem em temperatura de 80°C por 20 a 30 minutos quando atingem umidade relativa de 10
a 11% para serem armazenados. Os grãos são triturados para aumentar a superfície de saída
do óleo, posteriormente são cozidos para diminuir a viscosidade e tensão do óleo.
Após este procedimento há a extração do óleo bruto por prensagem mecânica ou
extração por solventes. A prensagem mecânica é efetuada modernamente por prensas
contínuas, que são usadas para uma remoção parcial do óleo, seguida por extração com o
solvente, constituindo o processo misto. A prensagem mecânica sob alta pressão reduz o
conteúdo de óleo na torta em até 5%.
3
A extração por solvente é feita com misturas de hidrocarbonetos (hexanos) com uma
fração de petróleo, com ponto de ebulição de 70°C.
A extração consiste na passagem do grão de soja por roscas colocadas em posição
inclinada. A porção inicial da rosca é alargada, sendo a torta proveniente da pré-prensagem,
mergulhada em banho de solvente ou miscela, a qual é transferida pelo movimento do espiral
para o extrator seguinte.
A miscela sai do extrator, é filtrada e transferida para um destilador, onde o óleo é
separado do solvente por aquecimento sob vácuo. No destilador da miscela, o conteúdo de
solvente no óleo pode ser reduzido até 5%, a uma temperatura de 70 a 90°C. Após a obtenção
do óleo bruto, inicia-se o processo de refinação. As principais etapas da refinação são:
degomagem, neutralização, branqueamento e desodorização.
Degomagem remove do óleo bruto os fosfolipídeos, proteínas e substâncias
coloidais. Há adição de 1 a 3% de água ao óleo aquecido (60 a 70°C) sendo agitado a mistura
durante 20 a 30 minutos. Forma-se então um precipitado que é removido do óleo por
centrifugação a 5000-6000 rpm. A degomagem também pode ser feita através da injeção de
água ao óleo aquecido ou misturando 0,1 a 0,4% de ácido fosfórico a 85% com o óleo a uma
temperatura de 60 a 65°C, seguido pela adição de 0,2% de terra branqueadora, separação de
gomas por filtração ou centrifugação.
A neutralização é a adição de hidróxido de sódio ao óleo de soja degomado. Há um
aquecimento da mistura a temperaturas entre 65 e 90°C, separa-se o óleo e a borra pelo
processo de centrifugação.
Posteriormente ao processo de neutralização, o branqueamento tem a finalidade de
clarear o produto e de retirar a umidade que ainda possa estar presente. A desodorização é a
última etapa de produção e tem como finalidade retirar ácidos graxos oxidados, ácidos graxos
livres e peróxidos. Após este processo se tem o óleo de soja refinado pronto para ser
comercializado.
1.2 Sebo Bovino
Os resíduos animais devem ser processados em no máximo de 24 horas a partir do
abate. Na recepção todos resíduos de animais são triturados em partículas de 5 cm de
4
espessura, formando uma massa, que segue por uma rosca transportadora para os
equipamentos de cozimento.
O cozimento é a principal operação no processamento das graxarias, podendo ser
por via úmida, a seco ou por secagem semelhante ao processo a seco. Realizado normalmente
sob pressão, em temperaturas de 120°C a 150°C, por período de 1 a 4 horas. No processo por
via úmida, há uma injeção de vapor diretamente sobre o material carregado no digestor,
propiciando a separação, após o cozimento, das fases sólida, água e sebo. A fase aquosa, após
separação do sebo e da fase sólida, contém de 6 a 7% de sólidos e suas proteínas solúveis
podem ser recuperadas por evaporação e secagem, em equipamentos chamados atomizadores
(tipo “spray-dryers”).
Depois do cozimento, os resíduos são descarregados em tanque o panela
percoladora, aquecida a vapor, onde o sebo separa-se dos sólidos por percolação e
peneiramento. O sebo é centrifugado e/ou filtrado e enviado para um tanque decantador, para
estocagem e eventual separação da fase aquosa. O material sólido, retirado do sebo nesta
operação é, juntado aos sólidos obtidos na percolação, sendo prensado a quente, gerando mais
sebo. Este sebo é juntado ao sebo percolado para purificação. Do tanque decantador, o sebo é
retirado por caminhões, sendo utilizado para fabricação de sabões e na utilização para
alimentação animal.
2 Digestibilidade e Valor Energético
A digestibilidade dos lipídios é dependente da formação de micelas. Estas se
formam na interface lipídio-água da mucosa intestinal, sendo composta por ácidos graxos,
fosfolipídios, monoglicerídios e sais biliares. As micelas são responsáveis pela solubilização
do triglicerídio que é um dos principais componentes de óleos e gorduras, facilitando assim a
ação da lipase pancreática (ZAMBIAZI et al., 2000). Apesar do triglicerídio ser insolúvel em
água, uma pequena quantidade pode ser solubilizada, de forma que a água penetre apenas
superficialmente na emulsão dos triglicerídios, fazendo com que esta pequena área
solubilizada ou interface lipídio-água crie um local único para a ação das lipases sobre as
moléculas de triglicerídios (MACARI et al., 2002).
5
A solubilidade dos lipídios na fase micelar é dependente de inúmeros fatores como
comprimento da cadeia carbônica, posição dos ácidos graxos na molécula de glicerol, teor de
ácidos graxos livres e do grau de saturação dos ácidos graxos (RENNER e HILL, 1961;
KETELS e DeGROOTE, 1989; WISEMAN e SALVADOR, 1991 e DVORIN et al., 1998).
Dessa forma, os ácidos graxos poliinsaturados de cadeia média e longa são mais solubilizados
na fase micelar do que os ácidos graxos saturados de cadeia longa, o que resulta em maiores
coeficientes de absorção e, conseqüentemente, maiores valores energéticos para as fontes
insaturadas.
No entanto, os lipídios formados por ácidos graxos poliinsaturados possuem
habilidade de aumentar a solubilidade na fase micelar de lipídios com maior concentração de
ácidos graxos saturados de cadeia longa (FREEMAN, 1984). Este mecanismo é responsável
pelo fenômeno observado quando se combinam fontes lipídicas insaturadas com fontes
saturadas (SIBBALD et al., 1961; ARTMAN, 1964 e WISEMAN et al., 1986).
Considerações sobre esse fenômeno foram apresentadas por Leeson e Summers
(1976), onde observaram que embora exista um efeito sinérgico observado pela interação
entre os ácidos graxos poliinsaturados e saturados, a habilidade dos ácidos graxos
poliinsaturados em solubilizar os ácidos graxos saturados na fase micelar é limitada e este
sinergismo diminui à medida que aumenta a concentração de gordura na dieta.
Este sinergismo também pode ser influenciado pelo nível de inclusão e pelo tipo de
dieta, sendo que em alguns casos, promove diferentes comportamentos quanto à capacidade
das aves em digerir e absorver gorduras, ou seja, dependendo da fonte lipídica e dos seus
níveis de uso na dieta, a resposta em termos de contribuição energética pode ser linear,
curvilínea ou, ainda, exceder o seu conteúdo em energia bruta (SIBBALD e KRAMER, 1978
e WISEMAN et al., 1986), isso pode ser importante quando o valor de energia metabolizável
de óleos e gorduras são determinados biologicamente.
O valor energético do óleo de milho é influenciado pela composição de ácidos
graxos das dietas. Leeson e Summers (1976) observaram que o valor do óleo de milho foi
maior quando adicionado às dietas com maior proporção de ácidos graxos saturados.
Avaliando a graxa amarela e o óleo de soja nas relações de 6:0 e 4:2, Mateos e Sell
(1980) observaram valores entre 8.267 a 9.717 kcal EM/kg para as fontes puras e valores
entre 8.475 a 10.650 kcal EM/kg para as misturas. Lall e Slinger (1973) verificaram efeito
sinérgico similar na absorção do óleo de colza e sebo bovino por frangos quando estes foram
6
misturados. A mistura entre essas duas fontes diluiu o efeito adverso do ácido erúcico na
absorção dos ácidos graxos do óleo de colza, como também, dos ácidos graxos totais da dieta.
Estudos visando estimar a contribuição energética total do óleo de milho e do óleo
de abatedouro avícola, efetuados por Dale e Fuller (1989), verificaram valores de energia
metabolizável que excediam o conteúdo em energia bruta em ambas as fontes. Os valores
obtidos variavam de 8.980 a 10.700 kcal EM/kg para o óleo de milho e de 9.280 a 10.160 kcal
EM/kg para o óleo de abatedouro avícola.
Muito embora exista um efeito benéfico da interação entre os ácidos graxos
insaturados:saturados (I:S), esta resposta sinérgica parece ser dependente de um equilíbrio
ideal entre esses ácidos graxos na dieta existentes na fase micelar. Tal assertiva foi
confirmada por estudos onde verificou-se que a digestibilidade e a energia metabolizável
aparente corrigida para retenção de nitrogênio (EMAn) de diferentes fontes lipídicas foram
melhoradas com o aumento da insaturação dos ácidos graxos da dieta, sendo os valores
máximos obtidos pela relação I:S de 2,5 (KETELS e DeGROOTE, 1989).
Avaliando a mistura do óleo de soja padrão e do óleo de soja hidrogenado em
diferentes proporções e com relações de ácidos graxos poliinsaturados:monoinsaturados
(PUFA:SM) de 1,43; 1,53; 1,18; 0,72 e 0,52 sobre diferentes parâmetros Dvorin et al. (1998),
observaram que a saturação da dieta verificada pela redução da relação PUFA:SM reduziu a
taxa de crescimento. A digestibilidade total da gordura e de cada ácido graxo foi menor na
dieta com relação PUFA:SM de 0,52, sendo aumentado somente até a relação de 0,72.
Diferentemente da digestibilidade dos ácidos graxos, a EMAn das dietas experimentais
aumentou gradualmente a medida que se elevou a relação PUFA:SM, o que possibilitou
verificar a existência de correlações positivas para os níveis de ácidos graxos PUFA e
negativas para os ácidos graxos SM, enfatizando-se assim, o efeito dos PUFA em melhorar a
EMAn em dietas com maior quantidade destes ácidos graxos.
Estudando o efeito do grau de saturação e do teor de ácidos graxos livres sobre o
valor de energia metabolizável aparente, digestibilidade da gordura total e de seus ácidos
graxos, obtido pela inclusão de 4% de sebo bovino, sebo bovino e óleo ácido de soja (50:50),
óleo de palma, óleo de palma e óleo ácido de soja (50:50), óleo ácido de soja, banha suína,
óleo de soja e óleo de linhaça, Blanch et al. (1996) observaram valores entre 873 a 1013 g/kg
para a digestibilidade aparente da gordura total e valores de energia metabolizável aparente
(EMA) entre 33,5 a 40,2 MJ/kg, sendo os menores valores obtidos para o óleo ácido de soja.
7
quantidade de ácidos graxos livres do que pelo grau de saturação e que a mistura do óleo
ácido de soja com o sebo bovino melhorou a qualidade do óleo ácido de soja. Verificaram
também que o valor nutritivo dessas fontes de gordura foi mais influenciado pela quantidade
de ácidos graxos livres do que pelo grau de saturação e que a mistura do óleo ácido de soja
com o sebo bovino melhorou a qualidade do óleo ácido de soja.
O aumento na EMAn das dietas deve-se à redução da produção de calor metabólico,
pois frangos alimentados com dietas contendo elevados níveis de PUFA apresentam menor
lipogênese e essa baixa lipogênese aliado à direta deposição de ácidos graxos nos tecidos,
favorecem a menor produção de calor metabólico.
Em estudo semelhante, Danicke et al. (2000), avaliando a adição de 10% de
diferentes combinações entre sebo bovino e óleo de soja com relações I:S de 5,47; 3,23; 2,11;
1,45; 1,00 e 0,69, observaram que o aumento da proporção do sebo bovino resultou em
depressão no ganho de peso, na conversão alimentar, na digestibilidade da gordura dietética e
de seus ácidos graxos o que refletiu em menor metabolização da energia bruta.
Em um ensaio de digestibilidade para determinar o valor de energia metabolizável
de alguns óleos e gorduras para frangos de corte machos e fêmeas, no período de 21 a 30 dias
de idade, dentre eles, a mistura do óleo de soja degomado com gordura de coco ou sebo
bovino na relação de 1:1 Cardoso et al. (2000), observaram efeito sinérgico destas misturas
em melhorar o valor energético das fontes saturadas, concluindo que a mistura do óleo de soja
degomado com sebo bovino ou gordura de coco deve ser avaliada como uma forma de
redução nos custos das dietas, já que os óleos vegetais tendem a ser mais caros que as
gorduras animais.
A possível comprovação da hipótese de que deve existir uma relação ideal entre os
ácidos graxos saturados e insaturados quando se utilizam combinações entre diferentes fontes
de gorduras, pode ser verificada também no trabalho realizado por Dutra Junior et al. (1991).
Os autores avaliaram com a adição de 4% de óleo de soja e óleo de frango puros ou
combinados na proporção 1:1 e observaram que a combinação destes óleos prejudicaram o
desempenho das aves. Os autores salientaram que o efeito prejudicial no desempenho poderia
ser explicado por um desequilíbrio entre os ácidos graxos saturados e insaturados, uma vez
que a estrutura dos triglicerídios e a posição de união de um ácido graxo saturado com uma
molécula de glicerol são importantes para a absorção dos lipídios, enfatizando ainda a
importância da realização de outros experimentos para descobrir e elucidar algumas dúvidas
8
sobre qual a melhor relação entre estas duas fontes que deve ser utilizada para maximizar o
efeito sinérgico.
Wiseman e Salvador (1991) estudando a influência do conteúdo de ácidos graxos
livres (AGL) sobre o valor nutritivo do sebo bovino regular e ácido, óleo de palma regular e
ácido, óleo de soja regular e ácido obtido pelas combinações entre cada fonte regular e seu
subproduto ácido, adicionados às dietas em níveis de 40, 80 e 120 g/kg em duas idades (1,5 e
7,5 semanas), observaram que o grau de saturação tem um efeito significativo sobre o valor
energético das gorduras, decrescendo linearmente com o aumento do conteúdo de ácidos
graxos livres, sendo mais evidente em frangos jovens do que nas aves adultas. Com relação à
taxa de adição, os seus efeitos foram mais evidentes para as gorduras de elevada saturação e
maior conteúdo em AGL e também mais evidente com os frangos jovens.
Além dos fatores físico-químicos relacionados aos lipídios, a correta avaliação em
termos de suas verdadeiras contribuições energéticas torna-se ainda mais complicada para as
aves em função da baixa capacidade fisiológica que as mesmas possuem em digerí-los e
utilizá-los quando ainda jovens. Em geral, as aves jovens (<21 dias de idade) são menos
eficazes em digerir gorduras em comparação às aves mais velhas (>21 dias de idade) e este
efeito é mais pronunciado ou significativo em gorduras saturadas e, especialmente, quando
esta gordura contém elevadas proporções de ácidos graxos livres (FERREIRA et al., 2005).
Dentre as fontes lipídicas os óleos vegetais são os que apresentam melhor absorção
durante os primeiros dias de vida das aves do que as gorduras animais. Os valores observados
para as fontes vegetais variam de 85% nas primeiras semanas de vida a 98% de absorção na
fase adulta. Contudo, dependendo da fonte de gordura animal, a taxa de absorção pode ser de
apenas 40% nas primeiras semanas de vida, podendo chegar a valores próximos de 95% na
fase adulta (MARCH e BIELY, 1957; RENNER e HILL, 1960; YOUNG, 1961 e CAREW et
al., 1972). Essa diferença na digestibilidade, segundo Wiseman e Salvador (1989), é mais
proeminente entre a primeira e a terceira semana de vida, sendo ausente ou mínima entre a
quinta e sétima semana de vida.
O NRC (1994) recomenda valores de energia metabolizável para as fontes lipídicas
levando em consideração a idade das aves, o nível de inclusão e tipos de gordura, dessa forma
recomendando valores que vão desde 5.800 até 10.640 kcal EM/kg, valor este que excede seu
conteúdo em energia bruta.
9
Andreotti et al. (2004a) avaliando a influência dos níveis de inclusão (3,3; 6,6 e
9,9%) e da idade das aves (22 e 42 dias) sobre o valor de EMA do óleo de soja em dietas
isoenergéticas, não observaram efeito da idade nem dos níveis de adição do óleo de soja sobre
seu valor de EMA e EMAn, porém observaram uma tendência de redução no valor energético
do óleo de soja a medida que se aumentava seu nível de inclusão na dieta, em ambas as
idades, concluindo que o efeito extracalórico do óleo de soja em dietas isoenergéticas é
numericamente maior quando o mesmo não excede o nível de 3,3% de inclusão na dieta.
Estudando os valores de energia metabolizável de alguns óleos e gorduras em
frangos de corte com 21 dias de idade Nascif et al. (2004) observaram que, quando adicionouse óleo de soja degomado ao sebo bovino houve uma melhora no teor de energia em relação
ao sebo isoladamente, apresentando valor médio de EMAn para a mistura na proporção de 1:1
e para o sebo bovino de 8.212 kcal/kg e 7.304 kcal/kg.
Em um experimento para avaliar a influência da idade e dos métodos de
determinação do valor energético do óleo ácido de soja, Freitas et al. (2005) observaram que
os valores de EMAn foram inferiores para aves jovens em relação a aves adultas e que a
mesma foi superior nas aves adultas quando utilizaram o método de coleta total de excretas
em relação ao método de alimentação forçada com galos ou método Sibbald.
3 Características de Carcaça
Na indústria avícola o seguimento de frangos de corte foi o que mais se
desenvolveu, tendo alcançado níveis de produção e produtividade similares aos de países
desenvolvidos.
Um aspecto de destaque na carne de frango é a baixa quantidade de gordura entre as
fibras musculares. Entretanto, outras partes da carcaça ainda apresentam considerável
adiposidade, principalmente os tecidos adiposos subcutâneos, abdominal e visceral. Em razão
de sua alta densidade energética, a síntese e deposição de gordura nesses tecidos envolvem
considerável custo metabólico para as aves, além de constituir uma via indesejada e
antieconômica na repartição dos nutrientes dietéticos.
Considerando-se tais fatores e outros, entre os quais a eliminação da maior parte do
tecido adiposo durante a evisceração e o processamento das carcaças, concluí-se que o
10
resultado final da via lipogênica constitui-se em um desperdício considerável. Também, a
preferência do mercado consumidor por alimentos com baixa quantidade de gordura exerce
forte motivação, levando a indústria avícola a buscar soluções mais efetivas para esse
problema.
Sabe-se que os lipídios são importantes na formulação de rações com alta densidade
energética, proporcionado um efeito benéfico no desempenho de frangos de corte. Ao
compararem diferentes fontes de gordura em dois níveis (3 e 9%) na dieta sobre o
desempenho e composição de carcaça na fase inicial e final, Alao e Balnave (1985)
observaram que o óleo de girassol e óleo de milho foram mais eficientes em aumentar o
ganho de peso em comparação ao óleo de frango e sebo bovino. Entretanto estas fontes
lipídicas não aumentaram o teor de gordura na carcaça.
Avaliando os efeitos de vários níveis de adição de gordura (0; 3; 7%) durante a fase
inicial de frangos de corte sobre o desempenho, Peebles et al. (1997) obtiveram ganho de peso
maior em aves alimentadas com 7% de fonte lipídica.
Pucci et al. (2003) estudando diferentes níveis de óleo de soja (0; 2,5; 5; 7,5) sobre o
desempenho de frangos de corte aos 21 dias de idade, observaram aumento linear para o
ganho de peso e consumo de ração com o aumento do nível de óleo de soja na dieta. Manilla
et al. (1999) obtiveram resultados semelhantes estudando a adição de óleo de girassol, óleo de
linhaça, óleo de peixe e sebo bovino em frangos de corte, onde houve aumento do ganho de
peso em aves alimentadas com óleos vegetais, não sendo observados diferenças significativas
para as demais variáveis de desempenho.
No entanto Brue e Latshaw (1985) não observaram diferenças para as variáveis de
desempenho em frangos de corte alimentados com óleo de milho, óleo de frango, sebo bovino
em mistura comercial de óleo vegetal e gordura animal hidrogenada.
Tem-se observado, nos últimos anos, uma nítida tendência para mudar as diretrizes
que norteiam os objetivos da avicultura industrial no que se refere à qualidade das carcaças
(NEWCOMBE, 1994). Isto se confirma pelo desenvolvimento de técnicas para produzir aves
com menos tecido adiposo e maior rendimento muscular ao invés de boa conversão alimentar
e maior peso aos 42 dias de idade (TESSERAUD et al., 1996). Assim, pode-se antever
considerável vantagem econômica com o desenvolvimento de linhagens aprimoradas, com
menos gordura corporal e com características metabólicas que possibilitem uma repartição
nutricional direcionada a síntese e deposição de proteína muscular.
11
Alguns estudos têm apresentado diminuição na deposição de gordura abdominal em
frangos alimentados com dietas contendo elevados níveis de ácidos graxos poliinsaturados em
relação às dietas com elevados níveis de ácidos graxos saturados e monoinsaturados (SANZ et
al., 1999 e CRESPO e ESTEVE-GARCIA, 2001). Esta redução na deposição também poderia
ser acompanhada por uma redução no teor total de gordura corporal como relatado por Sanz et
al. (2000) e Keren-Zvi et al. (1990). Por outro lado, Deaton et al. (1981) concluíram que a
adição de sebo bovino aumentou a adiposidade em frangos de corte.
Verificou-se ainda, em outros estudos com frangos de corte (GRIFFITH et al., 1981;
ALAO e BALNAVE, 1984) e em ratos (AWAD et al., 1990) o mesmo padrão de deposição
de gordura corporal em animais recebendo diferentes padrões de ácidos graxos. Estes
resultados sugerem que a distribuição da gordura corporal pode estar relacionada com
mecanismos pelos quais os ácidos graxos poliinsaturados reduzem o teor de gordura
abdominal (CRESPO e ESTEVE-GARCIA, 2002).
Com o objetivo de estudar o efeito da suplementação de gordura (2 e 9%) na
composição corporal de três linhagens genéticas de frangos de corte, uma comercial (Ross x
Arbor-Acres) e duas linhagens selecionadas para baixo e alto conteúdo de gordura abdominal
(lean line e fat line), Laurin et al. (1985) observaram que o conteúdo protéico e de extrato
etéreo na carcaça não foram influenciados pelos níveis de gordura nas dietas aos 21 dias de
idade ou até 1kg de peso corporal. Estes autores ainda verificaram que a linhagem para baixo
teor de gordura apresentou maior porcentagem de proteína na carcaça e menor porcentagem
de extrato etéreo em relação às linhagens de alta gordura e a comercial.
De acordo com estudos realizados por Akiba et al. (1994) a utilização de óleo de
milho ou óleo de frango promovem decréscimo na gordura abdominal de frangos aos 56 dias
quando comparado com a inclusão de sebo bovino nas dietas. Os autores observaram que aos
21 dias a concentração de lipídios totais e triglicérides no fígado das aves alimentadas com
dietas contendo óleo de milho e gordura de frango, foram menores que quando alimentadas
com sebo bovino.
Estudando os efeitos dos níveis de adição de banho suína (0; 3; 7%) durante a fase
inicial de frangos de corte sobre o rendimento de carcaça no peso final de abate, Peebles et al.
(1997) concluíram que as adições de 3 ou 7% de banha suína entre 11 e 21 dias de idade não
promoveram efeito adverso na gordura de carcaça aos 44 dias de idade e que adicionando
esses mesmos níveis entre 0 a 10 dias de idade aumentou o rendimento de carcaça nos
12
machos, porém, associados com aumento de gordura abdominal em machos aos 44 dias de
idade.
O grau de saturação da gordura dietética possui pouco efeito na saturação dos ácidos
graxos dos lipídios corporais e não afetam a retenção de matéria seca, cinzas e proteína bruta
na composição corporal de frangos de corte alimentados com óleo de soja comercial ou óleo
de soja hidrogenado (DVORIN et al., 1998)
De acordo com Atteh et al. (1983) a retenção de cálcio e magnésio foi reduzida em
frangos de corte alimentados com de óleo de milho. Além disso, o total de cinzas nos ossos
assim como o de magnésio foram reduzidos com o uso do óleo de milho. Este fato
possivelmente contribui sinergicamente para o surgimento de consideráveis deformidades de
pernas observadas no estudo.
Estudando o efeito da inclusão de níveis de óleo de soja (3,3; 6,6 e 9,9%) em dietas
isoenergéticas para frangos de corte, sobre o rendimento de carcaça, de cortes, percentual de
gordura abdominal e composição corporal, Andreotti et al. (2004b) concluíram que a inclusão
do óleo de soja não influenciou o rendimento de carcaça e de cortes, porém observaram uma
redução no teor de gordura abdominal a partir de 6,6% da adição do óleo de soja. Com relação
à composição corporal, verificaram que aos 56 dias de idade o teor de extrato etéreo total na
carcaça aumentou e o teor de cinzas reduziu linearmente à medida que se aumentou a inclusão
do óleo de soja.
Diante do exposto, parece que o efeito da gordura sobre as características de carcaça
e sobre a adiposidade pode variar de acordo com a natureza lipídica utilizada na dieta. Assim,
como nos tempos atuais, a procura de alimentos mais saudáveis e com reduzido teor de
gordura, pelos consumidores, passou a ser uma exigência unânime, e de suma importância
estudar e descobrir fontes lipídicas que promovam, além de melhor desempenho, melhoria na
qualidade de carcaça das aves.
4 Lipídios Séricos
Com o crescente avanço obtido no melhoramento genético, as aves se tornaram cada
vez mais exigentes nutricionalmente. As exigências protéicas (aminoácidos) e energéticas
passaram a ser difíceis de serem supridos somente com a mistura entre os alimentos
13
tradicionais. Esse fato imprimiu novos rumos para a nutrição avícola. As fontes lipídicas
passaram a ser fontes energéticas quase que indispensáveis na elaboração de dietas para
frangos de corte, assim como o uso de aminoácidos sintéticos com o intuito de atender a alta
taxa de crescimento em tecido muscular dessas aves. Percebe-se que esse fato contribuiu para
alterações metabólicas da repartição dos nutrientes e características indesejáveis em alguns
casos como a quantidade de colesterol e de gordura na carcaça. Assim, estudos sobre nutrição
de aves apresentam considerável interesse no acompanhamento dos níveis de lipídios,
triacilgliceróis e colesterol, além dos ácidos graxos, como forma de estimar algumas
condições fisiológicas das aves (HILL, 1983).
Existem inúmeros estudos sobre os efeitos da adição de lipídios em dietas para
frangos de corte (ANDREOTTI et al., 2004a; FRANCO, 1992; ZOLLITISCH et al., 1997), no
entanto, a maioria desses estudos avalia somente os benefícios quanto à qualidade nutricional
dessas fontes sobre o desempenho zootécnico. Entretanto, hoje, em função dos problemas
causados a saúde humana devido a uma má alimentação com conseqüência da escolha de
alimentos ricos em gordura, os efeitos diretos e indiretos desses lipídios sobre a saúde animal
e humana devem ser determinados e mensurados. Assim, os efeitos do consumo de lipídios
devem ser examinados não somente para as características de produção, mas também para a
qualidade de carne e parâmetros sanguíneos de importância a saúde humana.
O processo lipogênico em aves apresenta características específicas. No frango
jovem, cerca de 80-85% dos ácidos graxos que se acumulam no tecido adiposo são derivados
dos lipídios plasmáticos (GRIFFIN et al., 1992). A atividade de enzimas lipogênicas no tecido
adiposo é baixa e o fígado é o principal sítio de lipogênese (GOODRIDGE e BALL, 1967;
O’HEA e LEVILLE, 1969; SAADOUN e LECLERCQ, 1983). A maior parte da gordura que
se acumula no adipócito da ave é derivada da dieta ou sintetizada a partir de carboidratos no
fígado e, a regulação da captação do lipídio plasmático é potencialmente muito importante
para determinar a taxa de crescimento do tecido nas aves.
A concentração de VLDL (lipoproteína de densidade muito baixa) na circulação
parece ser o principal fator na deposição da gordura porque foi observado estar bem
correlacionado com o conteúdo das gorduras abdominal e total (GRIFFIN et al., 1981;
WHITEREAD e GRIFFIN, 1982; GRUNDER e CHAMBERS, 1985). Além disso, a seleção
divergente para VLDL plasmática produziu linhagens de frangos com quantidades de gordura
substancialmente diferentes (WHITEREAD e GRIFFIN, 1984).
14
As dietas comerciais para frangos de corte que contêm cerca de 3 – 5% de gordura e
juntamente com a síntese hepática de novo, contribuem para a hipertrofia dos tecidos adiposos
das aves. A captação do triacilglicerol (TAG) plasmático pelos tecidos extra-hepáticos,
excetuando o ovário, é mediada pela lipase lipoprotéica, cuja atividade nos tecidos das aves é
menos sensível às alterações no status hormonal e nutricional do que em mamíferos
(HUSBANDS, 1972; BENSON e BENSADOUN, 1977). A lipase lipoprotéica está ligada às
células endoteliais e catalisa a hidrólise das lipoproteínas hepáticas (PADERSEN e SCHOTZ,
1980). Os ácidos graxos liberados entram nas células adjacentes para serem reesterificados e
armazenados (GUO et al., 1988).
Provavelmente, devido a este fato existem poucos estudos sobre sua relação com o
crescimento do tecido adiposo das aves. Conseqüentemente, a VLDL hepática é a principal
fonte de ácidos graxos a partir da qual os adipócitos podem produzir e depositar seus próprios
lipídios. A correlação positiva entre a VLDL plasmática e a adiposidade corporal em frangos,
sugere que tal situação depende da disponibilidade do substrato lipídico para captação pelo
adipócito. Assim sendo, as concentrações plasmáticas elevadas de VLDL em aves obesas não
resultam de um ritmo lento de capacitação pelo adipócito, mas antes de um aumento na sua
síntese e secreção pelo fígado (LEGRAND et al., 1987; SAADOUN e LECLERCQ, 1987;
GRIFFIN et al., 1992).
A capacidade para sintetizar ácidos graxos é bastante limitada no tecido adiposo das
aves (LEVEILLE et al., 1975) e como suas dietas contêm quantidades relativamente baixas de
lipídios, a maioria dos TAG plasmáticos está presente como VLDL de origem hepática
(GRIFFIN et al., 1982).
Os níveis circulantes de ácidos graxos livres refletem as flutuações nas taxas de
“turnover” do tecido adiposo e, principalmente, os mecanismos de lipomobilização,
produzindo ácidos graxos para metabolização no fígado ou por outros tecidos (MARCH,
1984; BARTLEY, 1989).
Estudando os efeitos da adição de 6% de óleo de milho, óleo de girassol, óleo de
soja e sebo bovino Ozdogan e Aksit (2003) observaram que as fontes de gordura alteraram os
níveis de colesterol sérico, de HDL, LDL, mas não modificaram os níveis de triglicérides. Os
maiores valores de colesterol, triglicérides, HDL e LDL foram encontrados nas aves
alimentadas com dietas contendo óleo de milho, óleo de girassol, óleo de milho e sebo
bovino, respectivamente. Ao passo que os menores valores de colesterol, triglicérides, HDL e
15
LDL foram encontrados nas aves alimentadas com dietas contendo o óleo de girassol, milho,
sebo bovino e óleo de girassol, respectivamente.
Recentemente, Dias (2004) buscando alternativas para redução do teor de
adiposidade e ainda procurando fazer uma correlação dos lipídios séricos com o teor de
adiposidade, estudou a adição do ácido tânico em dietas de frangos de corte. Os resultados
obtidos possibilitaram o pesquisador concluir que a adição do ácido tânico aumenta o
colesterol e o triglicerol das frações lipoprotéicas, mas reduz o teor de lipídios do peito.
Em função disso, o estudo do metabolismo lipídico em aves baseado em variáveis
bioquímicas correlacionadas ao fornecimento de diferentes fontes de gordura pode ser uma
ferramenta alternativa para mensurar os efeitos dessa mudança nutricional com relação às
características de carcaça e no padrão de deposição lipídica.
O objetivo deste trabalho foi determinar o valor energético de diferentes proporções
de óleo de soja e sebo bovino, bem como avaliar o desempenho, composição corporal e
lipídios séricos de frangos de corte na fase inicial, abordado no artigo denominado “Óleo de
soja e sebo bovino em dietas de frangos de corte na fase inicial”, que se encontra redigido
de acordo com as normas editoriais da Revista Brasileira de Ciência Avícola.
16
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23
ÓLEO DE SOJA E SEBO BOVINO EM DIETAS
DE FRANGOS DE CORTE NA FASE INICIAL¹
Fascina VB², Carrijo AS³
¹Projeto financiado pela FUNDECT-MS (Processo: 41/100.246/2005)
²Aluno de Mestrado em Ciência Animal da FAMEZ/UFMS. Bolsista FUNDECT-MS [email protected]
³DSc., Prof. DZO/FAMEZ/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo
Grande/MS
Resumo
O objetivo deste estudo foi determinar os valores energéticos do óleo de soja e do sebo bovino
combinados em diferentes proporções e avaliar o seu efeito sobre o desempenho, composição
corporal e lipídios séricos em frangos de corte na fase inicial. No experimento I foi realizado
um ensaio de digestibilidade para determinar o valor energético das misturas de óleo de soja
(OS) e sebo bovino (SB), utilizando-se 100 frangos de corte com 12 a 21 dias de idade,
machos da linhagem Ross. No experimento II foram utilizados 930 pintos de um dia de idade.
Os tratamentos foram a inclusão de 4% de OS e SB em cinco proporções: 0:100, 25:75, 50:50,
75:25, 100:0, com seis repetições. No primeiro experimento, os valores de EMA e EMAn
aumentaram linearmente (P<0,01), com o aumento da participação do OS na mistura. No
segundo experimento, verificou-se que as diferentes proporções lipídicas influenciaram de
forma quadrática (P<0,01) o peso corporal e o ganho de peso aos 21 dias de idade, aumentado
até a proporção de 65,87:34,13. A composição corporal e as características de carcaça não
foram influenciados (P>0,05) pela inclusão das fontes lipídicas na dieta. Os lipídios séricos
diminuíram linearmente (P<0,05) à medida em que aumentou a participação do OS na dieta.
O melhor desempenho das aves foi com a mistura de 75% OS e 25% SB. As diferentes
proporções OS:SB não alteram a composição corporal e nas características de carcaça. O
aumento do OS na dieta reduz os valores de lipídios séricos em frangos de corte aos 21 dias
de idade.
Palavras-chave: desempenho, gorduras, lipídios séricos, óleos, valor energético
24
SOYBEAN OIL AND BEEF TALLOW IN DIETS
OF BROILERS CHICKENS IN INITIAL PHASE
Abstract
The objective of this article was to determine the energy values of the soybean oil and of the
beef tallow agreements in different proportions and to evaluate his effect on the performance,
body composition and serum lipids in broilers in the initial phase. In the experiment I, a
digestibility rehearsal was accomplished to determine the energy value of the mixtures of
soybean oil (SO) and beef tallow (T), using 100 broilers from 12 to 21 days of age. In the
experiment II were used 930 chicks of one day of age, males, of the lineage Ross. The
treatments consisted in the inclusion of 4% of SO and T in five proportions: 0:100, 25:75,
50:50, 75:25, 100:0, with six repetitions. In the first experiment, the values of AME and
AMEn increased linearly (P <0,01), with the increase of the participation of the SO in the
mixture. In the second experiment, it was verified that the different lipidic proportions
influenced in a quadratic way (P <0,01) the body weight and weight gain to the 21 days of
age, increased until the proportion of 65,87:34,13. The body composition and characteristic of
carcass was not influenced by the inclusion of the fats sources in the diet. The serum lipids
decreased linearly (P <0,05) while it was increased the participation of the SO in the diet. The
best performance is the mixture of 75% of soybean oil with 25% of beef tallow. The different
fats proportions didn't influence in the body composition and in the carcass characteristics.
The increase of the soybean oil in the diet reduces the values of serum lipids in b roilers to the
21 days of age.
Key-words: performance, fats, serum lipids, oils, energetic value
25
Introdução
A utilização de óleos vegetais e gorduras animais em dietas de frangos de corte têm
apresentado um efeito benéfico sobre a produção das aves, muitas vezes com valor biológico
superior ao esperado, proporcionando aumento do conteúdo de energia metabolizável das
dietas, sendo geralmente expresso em termos de melhora nas taxas de crescimento e eficiência
alimentar.
A digestibilidade é o principal fator que influencia o valor nutricional da fonte
lipídica, sendo influenciada pelo grau de saturação dos ácidos graxos, número de carbonos da
cadeia, concentração de ácidos graxos livres, posicionamento na molécula de glicerol e da
interação entre ácidos graxos insaturados e saturados (Rener & Hill, 1961, Ketels &
DeGroote, 1989, Dvorin et al., 1998 e Leeson & Summers, 2001,).
Estudos têm evidenciado que os valores energéticos das fontes de gorduras animais
podem ser melhorados através de suas misturas com óleos vegetais, devido ao efeito sinérgico
observado pela interação entre os ácidos graxos insaturados e saturados (Dvorin et al., 1998).
Porém este efeito sinérgico depende de um equilíbrio ideal entre os ácidos graxos insaturados
e saturados presentes na mistura.
Tem-se constatado que a carne de frango possui baixa quantidade de gordura entre
as fibras musculares. Entretanto, outras partes da carcaça ainda apresentam considerável
adiposidade, principalmente nos tecidos adiposos subcutâneos, abdominal e visceral. Em
razão de sua alta densidade energética, a síntese e deposição de gordura nesses tecidos
envolvem considerável custo metabólico para as aves, além de constituir uma via indesejada e
antieconômica na repartição dos nutrientes dietéticos. Além dos aspectos acima mencionados,
a preferência do mercado consumidor por alimentos mais saudáveis e com pouca quantidade
de gordura exerce forte motivação, levando a indústria avícola a buscar soluções mais efetivas
para sanar este tipo de problema.
A lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) presente na circulação sanguínea,
parece ser o principal fator na deposição da gordura, devido a correlação com o conteúdo das
gorduras abdominal e total (Grunder & Chambers, 1985). Além disso, altos níveis de VLDL,
a lipoproteína de densidade baixa (LDL) é o fator mais importante no processo de
aterosclerose em humanos e animais, com isso fontes ricas em ácidos graxos insaturados
26
como o óleo de soja, são importantes na tentativa de redução das lipoproteínas causadores de
problemas coronarianos e proporcionar uma alimentação mais saudável.
O objetivo deste trabalho foi determinar os valores energéticos de diferentes
proporções de óleo de soja e de sebo bovino e avaliar seu efeito sobre o desempenho,
composição corporal, características de carcaça e lipídios séricos em frangos de corte na fase
inicial.
Material e Métodos
Foram conduzidos dois experimentos, sendo um de digestibilidade e outro de
desempenho no Laboratório Experimental de Ciência Aviária, do Departamento de Zootecnia,
da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade Federal de Mato Grosso
do Sul, Campo Grande – MS.
Experimento I
Foi conduzido um ensaio de digestibilidade para determinar o valor energético das
misturas de óleo de soja e sebo bovino em dietas de frangos de corte machos, da linhagem
Ross 308, no período de 12 a 21 dias de idade. As aves foram distribuídas em gaiolas de
metabolismo com dimensões de 60 x 50 x 40 cm, adaptadas com bandejas previamente
revestidas com plástico para receber as excretas. Cada gaiola foi equipada com bebedouro
tipo nipple e um comedouro. A dieta basal foi formulada sem adição das fontes lipídicas
(Tabela 1), baseada nas recomendações propostas por Rostagno et al. (2000). As fontes
lipídicas substituíram em 12% a dieta basal, de modo que cada dieta teste foi composta por
88% da dieta basal e 12% de fonte lipídica.
Os tratamentos foram constituídos por cinco proporções de óleo de soja e sebo
bovino (0:100; 25:75; 50:50; 75:25; 100:0), em delineamento inteiramente casualizado
composto por quatro repetições com cinco aves por unidade experimental, perfazendo um
total de 100 aves.
27
Tabela 1 – Composição centesimal e nutricional da dieta basal para frangos de corte no
período de 12 a 21 dias de idade.
Ingredientes
Milho moído
Farelo de soja
Fosfato bicálcico
Calcário calcítico
DL – Metionina 99%
L-Lisina HCl (78,4%)
Premix mineral¹
Premix vitamínico²
Sal comum
Total
Composição nutricional
Energia metabolizável (kcal/kg)
Proteína bruta (%)
Fibra Bruta (%)
Metionina digestível (%)
Metionina + Cistina digestível (%)
Lisina digestível (%)
Cálcio (%)
Fósforo disponível (%)
Percentual
64,646
31,800
1,810
0,940
0,170
0,094
0,050
0,050
0,440
100,000
2.900
20,000
3,143
0,438
0,792
1,119
0,930
0,441
¹ Composição por kg de mistura: Cobre 18 g; Zinco 120 g; Iodo 2 g; Ferro 60 g; Manganês 120 g.
² Composição por kg de mistura: Vit.A 6.000.000 UI; Vit. D3 1.000.000 UI; Vit. E 10.000 g ; Pantotenato de
cálcio 8.000 mg; Niacina 10.000 mg; Piridoxina 800 mg; Riboflavina 2.000 mg; Tiamina 600 mg; Vit. B12 6.000
mcg; Vit. K3 1.000 mg; Biotina 30 mg; Selênio 400 mg; Antioxidante 30.000 mg.
O ensaio foi conduzido durante 10 dias, sendo cinco dias para adaptação das aves às
dietas experimentais e cinco dias para coleta total de excretas. Após o período de adaptação
foi adicionado óxido férrico (2%) em todas as dietas no primeiro e no último dia como
marcador do início e término do período de coleta. As aves receberam água e ração à vontade
durante todo período experimental, sendo que o fornecimento de ração foi feito quatro vezes
ao dia a fim de se evitar o desperdício de alimento. As excretas foram coletadas em intervalo
de 12 horas e armazenadas em freezer a temperatura de -10ºC. Ao final do período
experimental foi anotada a quantidade de ração consumida, bem como a quantidade de
excreta produzida em cada repetição.
As excretas, depois de descongeladas, foram reunidas por repetição, homogeneizadas,
pesadas e uma amostra de 10% foi retirada e pesada, sendo colocada em estufa de ventilação
forçada, à temperatura de 55oC, por 72 horas, a fim de se proceder a pré-secagem.
Posteriormente, as excretas foram expostas ao ar, para haver equilíbrio com a temperatura e
28
umidade ambiente, em seguida foram pesadas, moídas e armazenadas para as análises
laboratoriais.
As análises laboratoriais de matéria seca e nitrogênio das dietas e das excretas foram
realizadas pelos métodos descritos por Silva (1990) e os valores de energia bruta,
determinados através da bomba calorimétrica PARR.
Com base nos resultados das análises, calcularam-se os valores de energia
metabolizável das fontes lipídicas utilizando-se as equações propostas por Matterson et al.
(1965). Os parâmetros avaliados foram submetidos à análise de variância e posteriormente a
análise de regressão por meio do programa estatístico SAS (1996).
Experimento II
Foram utilizados 930 pintos de corte machos da linhagem Ross 308 de um dia de
idade, distribuídos em delineamento inteiramente casualizado composto por cinco tratamentos
e seis repetições, sendo cada unidade experimental constituída de 31 aves.
Os tratamentos consistiram na inclusão de 4% de óleo de soja e sebo bovino em
cinco proporções (0:100; 25:75; 50:50; 75:25 e 100:0). As dietas isoenergéticas e isoprotéicas
foram formuladas segundo recomendações nutricionais contidas em Rostagno et al. (2005) e
fornecidas à vontade na forma farelada (Tabela 2). Os valores energéticos do OS, SB e de
suas misturas foram os determinados no experimento I.
Os boxes possuíam área de 2,38m², equipados com uma lâmpada incandescente de
150W para aquecimento das aves, um bebedouro pendular e um comedouro tubular com
capacidade para 25 kg. A cama utilizada foi de maravalha com 10 cm de espessura.
O monitoramento da temperatura e umidade relativa do ar foi realizado por meio de
um conjunto de termômetros de máxima e mínima, bulbo seco e bulbo úmido e de globo
negro colocados na altura das aves. As temperaturas foram, posteriormente, convertidas ao
índice de temperatura de globo e umidade (ITGU), segundo Buffington et al. (1981). As
temperaturas foram registradas diariamente em três horários (8:00, 14:00 e 17:00 horas). O
programa de luz utilizado foi o de 24 horas de iluminação.
Os parâmetros ganho de peso (GP), consumo de ração (CR) e conversão alimentar
(CA), foram determinados semanalmente e a mortalidade anotada diariamente.
29
Tabela 2 - Composições centesimais e nutricionais das dietas experimentais para frangos de
corte no período de 1 a 21 dias de idade.
Ingredientes
Milho
Farelo de soja 45%
Farelo de trigo
Óleo de soja
Sebo bovino
Núcleo¹ vit. e min.
Sal comum
Fostato bicálcico
DL-Metionina (99,0%)
L-Lisina HCl (78,4%)
L-Treonina (98,5%)
Total
Composição nutricional
Energia Metab. (kcal/kg)
Proteína bruta (%)
Fibra bruta (%)
Lisina digestível (%)
Metionina digestível (%)
Metionina+Cistina dig. (%)
Treonina digestível (%)
Triptofano digestível (%)
Ácido linoléico (%)
Cálcio (%)
Fósforo disponível (%)
Potássio (%)
Sódio (%)
Cloro (%)
0:100
54,405
34,500
4,000
5,000
0,261
0,280
0,454
0,900
0,199
100,00
Proporções lipídicas (OS:SB)
25:75
50:50
75:25
53,494
52,716
52,448
35,219
35,013
34,942
0,536
1,528
1,870
1,000
2,000
3,000
3,000
2,000
1,000
5,000
5,000
5,000
0,300
0,300
0,300
0,268
0,255
0,251
0,406
0,407
0,407
0,589
0,591
0,592
0,188
0,190
0,191
100,00
100,00
100,00
100:0
50,809
34,509
3,959
4,000
5,000
0,300
0,225
0,408
0,596
0,194
100,00
3.000
21,14
3,303
1,363
0,532
0,968
0,884
0,218
1,085
0,942
0,471
0,595
0,224
0,200
3.000
21,14
3,384
1,363
0,532
0,968
0,884
0,218
1,085
0,942
0,471
0,595
0,224
0,200
3.000
21,14
3,616
1,363
0,532
0,968
0,884
0,218
1,085
0,942
0,471
0,595
0,224
0,200
3.000
21,14
3,451
1,363
0,532
0,968
0,884
0,218
1,085
0,942
0,471
0,595
0,224
0,200
3.000
21,14
3,474
1,363
0,532
0,968
0,884
0,218
1,085
0,942
0,471
0,595
0,224
0,200
¹ Composição por kg de mistura: Vit. A 220.000 UI; Vit. D3 40,000 UI; Vit. E 320mg; Vit. B12 320mcg; Vit.
K3 30mg; Colina 52,19g; Ácido fólico 8mg; Pantotenato de cálcio 200mg; Biotina 1,2mg; Niacina 700mg;
Piridoxina 40mg; Riboflavina 90mg; Tiamina 24 mg; Cálcio 172,4g; Sódio 24g; Flúor (máx.) 594mg; Fósforo
62,7g; Selênio 5mg; Ferro 1,410mg; Cobre 180mg; Manganês 1,237mg; Zinco 1,200mg; Iodo 20mg; Metionina
35,64g; Aditivo promotor de crescimento 7.000mg; Coccidiostático 7,5g.
No 21o dia de idade foi retirada aleatoriamente uma ave no peso médio de cada
parcela experimental. Após jejum de 6 horas, foram abatidas por deslocamento cervical,
depenadas, congeladas, moídas e uma amostra de 10% foi pesada, secas em estufa de
ventilação forçada a 55°C por 72 horas. Após a pré-secagem as amostras foram submetidas às
análises laboratoriais para matéria seca, proteína bruta, extrato etéreo e cinzas segundo
metodologia descrita por Silva (1990). Os valores de energia bruta foram determinados
através de bomba calorimétrica PARR.
30
Ainda no 21o dia de idade, foram retiradas aleatoriamente duas aves com o mesmo
peso médio de cada repetição para colheita de sangue e posterior abate para determinação de
rendimento de carcaça e percentual de gordura abdominal. As aves permaneceram em jejum
por um período de 6 horas para diminuir os efeitos da alimentação nos parâmetros sanguíneos.
Uma amostra de aproximadamente 5 ml de sangue foi colhida da veia ulnar em seringa
descartável, sendo usada agulha 25 x 7, transferidas para tubos de ensaio para posterior
obtenção do soro sanguíneo. As análises de colesterol total, triglicérides, lipoproteína de alta
densidade (HDL), lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína de densidade muito
baixa (VLDL) foram determinadas por espectrofotômetro utilizando kits comerciais¹1.
O rendimento de carcaça foi determinado pela relação do peso de carcaça
eviscerada, sem pés, cabeça e pescoço, pelo peso corporal das aves. O percentual de gordura
abdominal foi determinado em relação ao peso da carcaça eviscerada sem pés, cabeça e
pescoço.
Os dados coletados foram submetidos à análise de variância e, posteriormente, a
análise de regressão com o auxílio do procedimento General Lineal Model ao nível de 5% de
significância, do programa estatístico SAS (1996).
Resultados e Discussão
Experimento 1
Os valores de energia metabolizável aparente (EMA) e corrigida para nitrogênio
(EMAn) estão apresentados na Tabela 3. Os valores energéticos aumentaram linearmente
(P<0,01) à medida que aumentou o grau de insaturação das proporções lipídicas por meio do
aumento da participação do óleo de soja na mistura (Figura 1).
De acordo com Freeman (1984), as aves jovens possuem baixa capacidade de
produção de lipase pancreática e bile, causando uma diminuição na digestão e absorção das
gorduras da dieta. Estudando o desenvolvimento dos órgãos digestivos e enzimas de frangos
de corte, Nir et al. (1993) verificaram que a atividade da lipase pancreática aumenta
gradativamente até os 15 dias de idade quando atinge atividade máxima.
1
Labtest Diagnóstica S.A.
31
Tabela 3 – Valores de energia metabolizável aparente (EMA) e corrigida para retenção de
nitrogênio (EMAn) do óleo de soja, do sebo bovino e de suas proporções
determinados com frangos de corte machos no período de 12 a 21 dias de idade.
Variáveis
EMA¹*
EMAn¹*
Proporções lipídicas (óleo de soja:sebo bovino)
0:100
25:75
50:50
75:25
100:0
7.882
8.384
8.701
8.801
9.478
7.542
8.076
8.385
8.727
9.271
CV²(%)
p-value
2,41
2,05
0,0001
0,0001
*Efeito linear; ¹Valores expressos em kcal/kg; ²Coeficiente de variação.
Figura 1 – Valores de EMA e EMAn do óleo de soja, sebo bovino de suas proporções
determinados com frangos de corte machos no período de 12 a 21 dias de idade.
A melhora linear nos valores energéticos das misturas entre o óleo de soja e sebo
bovino para as aves na fase inicial obtidas neste estudo deve-se, possivelmente, ao aumento
no grau de insaturação dos ácidos graxos na dieta, uma vez que segundo Leeson e Summers
(1976) o aumento da concentração de ácidos graxos insaturados melhora a absorção dos
lipídios, uma vez que os ácidos graxos poliinsaturados de cadeia média e longa são mais
solubilizados na fase micelar do que os ácidos graxos saturados de cadeia longa, o que resulta
em maiores coeficientes de absorção e, conseqüentemente, maiores valores energéticos para
as fontes insaturadas. Ketels e DeGroote (1989) observaram que maiores valores energéticos
foram obtidos quando as fontes lipídicas apresentavam uma relação de ácidos graxos
insaturados:saturados (I:S) de 2,5. Situação semelhante foi observado por Danicke et al.
(2000), mas com uma proporção I:S de 5,47. Portanto, mesmo sem ter sido determinado a
32
relação I:S neste estudo, pode-se dizer que o aumento do óleo de soja nas proporções com o
sebo bovino, proporcionou uma relação I:S dentro da faixa considerada ideal.
Quando comparado os valores energéticos determinados para o óleo de soja
isoladamente com valores citados na literatura, observou-se que o valor encontrado foi
próximo ao obtido por Junqueira et al. (2005), superior aos valores estabelecidos pelo NRC
(1994) e aos determinados por Wiseman et al. (1998), Mossab et al. (2000), Rostagno et al.
(2000, 2005), Nascif et al. (2004) e Gaiotto (2004). O mesmo ocorreu com o sebo bovino,
cujos valores são superiores aos valores citados na literatura por Ketels & DeGroote (1989),
NRC (1994), Mossab et al. (2000), Danicke et al. (2000), Rostagno et al. (2000, 2005) e
Nascif et al. (2004).De acordo com Cullen et al. (1961) os valores energéticos superiores dos
lipídios podem ser influenciados por componentes da dieta, sendo uma possível justificativa
para os valores deste experimento serem superiores aos obtidos pelos demais pesquisadores.
Experimento II
As temperaturas máxima, mínima, de globo negro e de bulbo seco foram de 30,6 ±
1,43°C, 27,0 ± 1,18°C, 31,53 ± 1,79°C e 29,71 ± 1,61°C respectivamente. A umidade relativa
do ar foi de 77,03 ± 18,03%. O ITGU foi calculado em 82,12 ± 2,20.
Na Tabela 4 estão apresentados os resultados de desempenho das aves. Não houve
diferenças significativas para as variáveis de desempenho nos períodos de 1 a 7 dias e 7 a 14
dias. Os resultados são semelhantes aos obtidos por Vieira et al. (2002), que utilizando 4% de
óleo ácido de soja nas dietas de frangos de corte, não observaram diferenças no desempenho
das aves no período de 7 a 14 dias em comparação com aves suplementadas com óleo de soja
degomado ou suas misturas. Porém, Gaiotto (2004) estudando o desempenho de frangos de
corte alimentados com dietas contendo óleo ácido de soja, óleo de soja, óleo de vísceras puros
ou combinados observou menor desempenho das aves alimentadas com dietas contendo óleo
de soja aos 7 e 14 dias de idade.
No período de 14 a 21 dias, o GP variou de forma quadrática (P<0,01), aumentando
à medida que houve maior adição de óleo de soja na mistura, até a proporção OS:SB de
60,94:39,06 (GP14-21d = 378,71 + 2,377x – 0,0195x²; r² = 0,96). A conversão alimentar
também variou de forma quadrática (P<0,05), com as diferentes proporções das fontes
energéticas, diminuindo até a proporção 69,80:30,20 (CA14-21d
0,000032x²; r² = 0,66).
= 1,676 – 0,0046x +
33
Tabela 4 – Desempenho de frangos de corte submetidos a dietas contendo diferentes
proporções de óleo de soja e sebo bovino no período de 1 a 21 dias de idade.
Variáveis
0:100
GP, g
CR, g
CA, g/g
VB, %
131,28
163,89
1,25
99,46
GP, g
CR, g
CA, g/g
VB, %
289,27
412,11
1,42
98,37
GP, g
CR, g
CA, g/g
VB, %
375,82
621,75
1,66
98,94
PC, g
GP, g
CR, g
CA, g/g
VB, %
847,05
801,27
1187,72
1,48
95,99
Proporções lipídicas (OS:SB)
25:75
50:50
75:25
1-7 dias
127,68
134,01
135,83
164,65
171,11
169,19
1,29
1,28
1,25
96,77
98,92
99,46
7-14 dias
317,34
309,54
294,94
428,16
423,09
404,78
1,35
1,37
1,37
99,46
99,46
99,46
14-21 dias
432,20
441,36
448,83
699,92
687,60
646,33
1,61
1,56
1,44
100,00
100,00
98,91
1-21 dias
923,13
935,37
921,03
876,90
888,42
874,92
1266,42
1246,56 1216,26
1,44
1,40
1,39
95,48
97,58
97,42
p-value
CV¹ (%)
130,26
165,59
1,27
99,46
0,516
0,265
0,842
0,393
4,74
4,58
4,53
2,35
311,56
426,71
1,37
98,39
0,148
0,954
0,087
0,268
4,21
3,60
3,30
1,73
421,66
662,46
1,58
99,44
0,0001
0,090
0,028
0,541
4,31
6,73
7,10
1,25
923,99
880,69
1245,29
1,41
97,58
0,0001
0,0001
0,182
0,0002
0,567
2,58
2,68
2,86
2,03
3,32
100:0
PC: peso corporal; GP: ganho de peso; CR: consumo de ração; CA: conversão alimentar; VB: viabilidade;
¹Coeficiente de variação.
Os resultados obtidos neste período contrastam com os de Vieira et al. (2002) que não
observaram diferenças para o ganho de peso e conversão alimentar em aves submetidas a
dietas com óleo de soja e óleo ácido de soja e suas misturas no mesmo período.
A inclusão das proporções OS:SB, no período de 1 a 21 dias influenciaram (P<0,01)
o peso corporal e o ganho de peso, que variaram de forma quadrática, aumentando até a
proporção de 65,87:34,13 (Figura 2). Da mesma forma, a conversão alimentar foi influenciada
(P<0,01), de forma quadrática, diminuindo até a uma proporção de 72,25:27,75 (Figura 3). A
resposta apresentada pela conversão alimentar pode ser relacionada com o ganho de peso,
considerando-se que o consumo de ração não apresentou diferenças significativas (P>0,05)
entre os tratamentos.
34
Figura 2 – Peso corporal e ganho de peso, em função das diferentes proporções de óleo de
soja e sebo bovino em dietas de frangos de corte machos no período de 1 a 21 dias
de idade.
Figura 3 - Conversão alimentar, em função das diferentes proporções de óleo de soja e sebo
bovino em dietas de frangos de corte machos no período de 1 a 21 dias de idade.
De acordo com os resultados obtidos, pode-se inferir que houve sinergismo entre o
sebo bovino e o óleo de soja. Dietas ricas em ácidos graxos insaturados como o óleo de soja,
35
melhoram o processo de digestão, com a melhora na secreção de bile para formação das
micelas, aumentando a absorção de ácidos graxos saturados, refletindo assim na melhora do
desempenho das aves alimentadas com misturas de óleo de soja e sebo bovino. Também os
ácidos graxos insaturados apresentam menor incremento calórico e, em temperaturas acima da
faixa de conforto para as aves, resultam em maior energia líquida e melhor desempenho (Brue
e Latshaw, 1985).
Os resultados obtidos estão de acordo com os encontrados por com Ferreira et al.
(2005), que avaliando a inclusão de 6% de OS e SB em dietas para frangos de corte nas fases
de crescimento e final observaram que o tratamento com 75% de óleo de soja apresentaram
valores numéricos superiores em relação aos demais tratamentos.
Estudando diferentes fontes lipídicas, Tracker et al. (1994) observaram pior
desempenho em frangos de corte aos 21 dias de idade alimentados com sebo bovino em
relação ao óleo de canola degomado. Os autores não observaram diferenças no desempenho
quando compararam o sebo bovino em relação a ácidos graxos acidificados. Manilla et al.
(1999) observaram maior peso corporal e ganho de peso em frangos de corte alimentados com
óleos vegetais em relação às gorduras animais.
Avaliando o nível de energia metabolizável nas dietas de frangos de corte Mendes et
al. (2004) observaram efeito quadrático para peso corporal e ganho de peso, aumentando o
ganho de peso até o nível de 3.140 kcal EM/kg (dieta contendo 5,1% de óleo de soja).
Comparando os dados de peso corporal e ganho de peso, os obtidos pelos autores são
inferiores aos observados neste trabalho.
O desempenho aos 21 dias de idade, obtidos neste estudo, diferem dos obtidos por
Gaiotto et al. (2000) onde que as aves alimentadas com OS obtiveram desempenho superior
ao óleo ácido de soja (OAS), SB e a mistura OAS:SB (1:1), porém os autores não observaram
diferenças significativas quando compararam o OS com as misturas OAS:OS e OS:SB na
proporção 1:1.
Ao avaliar níveis de óleo de soja em rações de frangos de corte Pucci et al. (2003)
observaram aumento linear no ganho de peso à medida que aumentou a inclusão do óleo de
soja na dieta, sendo o maior ganho de peso obtido com a adição de 7,5% de óleo de soja.
36
Tabela 5 – Valores de energia bruta (EB), matéria seca (MS), umidade (UM), proteína bruta
(PB), extrato etéreo (EE) e cinzas (CZ) de frangos de corte alimentados com dietas
contendo diferentes proporções de óleo de soja e sebo bovino aos 21 dias de idade.
Composição
Corporal¹
EB (kcal/kg)
MS (%)
UM (%)
PB (%)
EE (%)
CZ (%)
0:100
6.037,80
31,23
68,77
50,21
33,23
7,95
Proporções OS:SB
25:75
50:50
75:25
6.099,28 6.107,82 6.158,42
30,35
30,40
30,79
69,65
69,59
69,21
53,17
51,62
51,62
33,29
32,79
33,73
7,29
7,71
7,32
100:0
6.057,92
30,34
69,65
53,38
31,02
7,53
p-value
0,707
0,414
0,983
0,368
0,528
0,558
CV²
(%)
3,85
3,52
10,27
5,79
10,92
10,65
¹Valores expressos em 100% de Matéria Seca
²Coeficiente de variação
Para as características de composição corporal não foram observadas diferenças
significativas (P>0,05) nas aves que receberam diferentes proporções de óleo de soja e sebo
bovino (Tabela 5).
Estes resultados corroboram com Laurin et al. (1985), em que os percentuais de
proteína bruta e extrato etéreo não foram influenciados pelos níveis de gordura na dieta aos 21
dias de idade e por Alao e Balvane (1985) que não encontrou diferenças para o nível de
extrato etéreo de carcaças de aves alimentadas com óleos vegetais e gorduras animais.
Estudando a influência de diferentes níveis de óleo de soja em frangos de corte aos
56 dias de idade, Andreotti et al. (2004) observaram que à medida que aumentava o nível de
inclusão de óleo de soja na dieta, o teor de extrato etéreo total na carcaça aumentou e o teor de
cinzas reduziu linearmente. Comparando com o presente trabalho, pode-se inferir que a maior
deposição de gordura corporal nas aves ocorre nos períodos finais de criação.
Na Tabela 6 estão apresentados os resultados de peso de carcaça (PCa), rendimento
de carcaça (RCa) e percentual de gordura abdominal (GAb) aos 21 dias de idade. Não houve
diferenças significativas (P>0,05) para RCa e GAb. Entretanto, o PCa foi influenciado
(P<0,01), de forma quadrática, pelas proporções de OS:SB (PCa = 586,50 + 1,938x –
0,0156x²; r² = 0,77). Ferreira et al. (2005) utilizando 6% da mistura OS:SB na dieta de frangos
de corte obtiveram resultados semelhantes aos 41 dias de idade. Já Andreotti et al. (2004)
estudando a influência de diferentes níveis de óleo de soja nas dietas de frangos de corte não
observaram diferenças no rendimento de carcaça, porém a porcentagem de gordura abdominal
elevou-se com o aumento do nível de 6,84% do óleo de soja na dieta de frangos de corte aos
56 dias de idade.
37
Tabela 6 – Valores de peso de carcaça (PCa), rendimento de carcaça (RCa) e gordura
abdominal (GAb) de frangos de corte alimentados com dietas contendo
diferentes proporções de óleo de soja e sebo bovino aos 21 dias de idade.
Variáveis
PCa, g
RCa, %
GAb, %
0:100
578,58
74,29
1,98
Proporções lipídicas (OS:SB)
25:75
50:50
75:25
645,42
631,33
641,42
77,06
74,67
74,54
1,67
1,86
1,94
100:0
627,92
72,81
1,74
p-value
0,002
0,414
0,938
CV¹
(%)
4,80
6,06
27,52
¹Coeficiente de variação
Estudando níveis de energia metabolizável em frangos de corte aos 21 dias de idade
Oliveira et al. (2000) não observaram diferenças significativas no rendimento de carcaça,
porém o peso de gordura abdominal aumentou linearmente com a elevação dos níveis de
energia metabolizável nas dietas. O RCa foi melhor em relação ao presente estudo, quando
comparado com os mesmos níveis de energia metabolizável.
Avaliando os efeitos de diferentes níveis de adição de gordura (0; 3; 7%) sobre o
desempenho e rendimento de carcaça no peso aos 44 dias de idade, em aves alimentas na fase
inicial, Peebles et al. (1997) concluíram que as adições de 3 ou 7% de sebo bovino entre 11 e
21 dias de idade não promoveram efeito adverso no teor de gordura de carcaça aos 44 dias de
idade e que adicionando esses mesmos níveis entre 0 a 10 dias de idade ocorreu aumento do
rendimento de carcaça nos machos, porém associado com o aumento do teor de gordura
abdominal aos 44 dias de idade.
Os resultados dos valores de triglicérides (TRIGL), colesterol total (COL T),
lipoproteína de alta densidade (HDL), lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína
de densidade muito baixa (VLDL) estão apresentados na Tabela 7.
Não houve diferenças significativas (P>0,05) para os valores de HDL nas aves que
receberam diferentes proporções lipídicas. Estes resultados corroboram com Silva et al.
(2001) que não observaram variações significativas para os valores de HDL de aves
alimentadas com óleo vegetal ou banha suína. Os autores atribuíram o resultado encontrado
como positivo, pois altos níveis de HLD em aves resultam em benefícios, devido o HDL ser
responsável pelo transporte de colesterol dos tecidos para o fígado onde será metabolizado.
Os valores de HDL para o sebo bovino, observados neste estudo, são maiores que os
encontrados por Ozdogan e Aksit (2003) e Traker et al. (1994). O valor de HDL obtido para o
óleo de soja são maiores que os obtidos por Silva et al. (2001) e Ozdogan e Aksit (2003).
38
Tabela 7 - Valores médios de triglicérides (TRIGL), colesterol total (COL T), lipoproteína de
alta densidade (HDL), lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína de
densidade muito baixa (VLDL) de frangos de corte alimentados com dietas
contendo diferentes proporções de óleo de soja e sebo bovino aos 21 dias de idade.
Variáveis
TRIGL¹
COL T¹
HDL¹
LDL¹
VLDL¹
0:100
48,43
166,16
88,42
48,75
10,21
Proporções lipídicas (OS:SB)
25:75
50:50
75:25
45,95
43,39
40,04
162,85
136,20
120,58
89,06
92,78
92,81
47,03
37,63
34,41
9,19
7,80
7,52
100:0
38,44
110,89
93,45
28,48
6,06
p-value
CV² (%)
0,011
0,001
0,418
0,015
0,001
17,03
23,98
14,27
40,74
23,37
¹Valores expressos em mg/dl; ²Coeficiente de variação.
Os valores obtidos de TRIGL apresentaram diminuição linear (P<0,05) com a maior
participação do óleo de soja na mistura (Trigl = 48,425 – 0,1034x; r² = 0,99). Os valores de
TRIGL, deste experimento, contrariam os resultados obtidos Ozdogan e Aksit (2003) que não
observaram diferenças significativas em frangos de corte alimentados com óleos vegetais ou
sebo bovino. O valor de TRIGL das aves alimentadas com óleo de soja observado neste
experimento é maior que o obtido por Silva et al. (2001).
Os níveis de COL T apresentaram diminuição linear (P<0,01) a medida que
aumentou a participação do óleo de soja nas misturas (COL T = 169,89 – 0,6112x; r² = 0,95).
Crespo e Esteve-Garcia (2003) também observaram um maior nível de COL T em aves
alimentadas com sebo bovino em relação aquelas alimentadas com óleo de girassol e de
linhaça, demonstrando que fontes lipídicas ricas em ácidos graxos poliinsaturados diminuem
os níveis de colesterol total. Por outro lado, os níveis de COL T, obtidos neste experimento
são contrastantes com os observados por Ozdogan e Aksit (2003), onde o sebo bovino
apresentou menor valor em relação ao óleo de soja. Tracker et al. (1994) não observaram
diferenças significativas para os níveis de COL T entre o sebo bovino e ácidos graxos
acidulados puros ou combinado com glicerol.
Com relação aos níveis de LDL e VLDL, houve diminuição linear para LDL
(P<0,05) e para VLDL (P<0,01) com o aumento da participação do óleo de soja nas dietas,
demonstrando que fontes ricas em ácidos graxos insaturados diminuem os valores médios
destes lipídios que estão entre os principais fatores relacionados ao desenvolvimento de
arteriosclerose em humanos e animais (LDL = 49,88 – 0,2125x; r² = 0,96 e VLDL = 10,15 –
0,0398x; r² = 0,97). Estes dados corroboram com Crespo e Esteve-Garcia (2003) que
39
observaram diminuição do VLDL nas aves alimentadas com óleo de girassol ou linhaça em
relação as alimentadas com sebo bovino e de Ozdogan e Aksit (2003) que observaram menor
valor de VLDL em aves alimentadas com óleo de soja em relação ao sebo bovino.
Segundo Jiang et al. (1990), em pintos recém-eclodidos, o depósito de colesterol no
músculo esquelético estimula síntese de apoproteína A-I, característica do HDL. A
apoproteína A-I ativa a enzima LCAT que esterifica o colesterol presente na superfície do
HDL convertendo o colesterol presente em quilomícrons, VLDL, LDL e tecidos periféricos
em ésteres de colesterol, para serem transportados para o fígado. Portanto, em aves
alimentadas com dietas ricas em ácidos graxos insaturados a síntese de apoproteína é mantida
por mais tempo, aumentada a concentração de HDL e diminuída a de LDL e VLDL. Assim,
pode-se inferir que o óleo de soja diminuiu os valores de LDL e VLDL, proporcionando às
aves menores teores de colesterol.
Conclusão
Adição de fonte lipídica insaturada a fonte lipídica saturada apresenta sinergismo
proporcionando aumento do valor energético da mistura. A mistura de 75% de óleo de soja
com 25% de sebo bovino promove um melhor desempenho das aves. As diferentes
proporções lipídicas não influenciam a composição corporal e as características de carcaça. O
aumento do óleo de soja nas dietas reduz os valores de lipídios séricos em frangos de corte
aos 21 dias de idade.
Como indicações práticas a utilização de uma mistura com 3% de óleo de soja e 1%
de sebo bovino proporciona melhores desempenho a frangos de corte na fase inicial.
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Vitor Barbosa Fascina