N0 08 Dezembro 2011 Grupo Multipessoal Conheça os membros da Comissão Executiva Entrevista Solução Hobby Manuela Martins, da Casa do Gil Training Corporate Events Agostinho Geraldo e o geocaching PUB EDITORIAL Ano velho fora, ano novo dentro «Que importância tem, na realidade, o fim do ano e o Ano Novo? São trezentos e sessenta e cinco dias ou cinquenta e duas semanas ou doze meses, que acabámos de somar e tornaremos a somar de novo. Nada mais do que isso.» Ilse Losa, «Caminhos sem Destino» Rui Raposo Chairman do Grupo Multipessoal O ano de 2012 será certamente um ano difícil. Os sinais inclementes de crise continuarão presentes no nosso dia-a-dia e os seus efeitos serão ainda mais visíveis. A economia internacional, particularmente a europeia, evidencia alguns sinais pouco tranquilizadores, e no meio deste contexto adverso ainda temos os problemas específicos que o nosso país acumulou com a incúria do tempo das vacas gordas e que serão, decerto, mais custosos de ultrapassar em tempos de vacas (muito) magras. A questão fundamental que se nos coloca não será, contudo, a de saber se 2012 será melhor ou pior do que 2011, mas se vamos conseguir torná-lo num ano de viragem. Para que isto aconteça, temos (TODOS) de nos convencer de que as condições se alteraram, a vida mudou, o mundo mudou... Temos de aprender (e depressa!) a lidar com o mundo do futuro e não com o mundo do passado; e deitar para trás das costas o discurso conservador, ultrapassado e imobilista dos direitos adquiridos. Temos de «partir (e depressa!) para outra», mas desta vez com pressupostos de flexibilidade, polivalência, competência e muita ambição. Temos de encontrar (e depressa!) novas âncoras para o nosso futuro colectivo, abandonando as âncoras (irrepetíveis) das ilusões do passado. Ao fim e ao cabo, temos de compreender que é secundário procurar lá fora o que está, aqui e agora, em nós mesmos. E para isto, nada mais «fácil» do que virar mais uma página deste infernal calendário e olhar com confiança para os 365 dias que aí vêm. Mãos à obra! Dezembro 11 3 ÍNDICE 06 03 Editorial Ano velho fora, ano novo dentro 06 Destaque Comissão Executiva do Grupo Multipessoal 12 Solução Training Corporate Events 14 14 Entrevista Manuela Miguel Martins, da Casa do Gil 19 Notícias 20 Percurso Daniel Beirôco 20 22 Hobby Agostinho Geraldo 24 Opinião Vanda Santos Edição Just Media Nº 08 – Dezembro 2011 – TRIMESTRAL Propriedade Grupo Multipessoal Av. D. João II, Lote 1.17.03, Ed. Central Office, 8º 1990-084 Lisboa T. 210 342 230 [email protected] www.multipessoal.pt Projecto Gráfico e Paginação Design e Forma actividade económica, e emprega milhares de colaboradores, integrando um dos maiores grupos do país, o Grupo Espírito Santo (GES). Seguindo a estratégia internacional do GES, está presente em Cabo Verde e Angola, correspondendo às solicitações dos seus clientes que se encontram nesses países. Fotografia Vítor Gordo – Syncview O Grupo Multipessoal oferece serviços de Cedência de Recursos Humanos, Outsourcing, Recrutamento e Selecção, Formação e Consultoria. Gere uma carteira de clientes que ultrapassa as várias centenas, nos mais diversos sectores da Nenhuma parte deste eBook, incluindo textos e fotografias, pode ser reproduzida, por quaisquer meios, sem prévia autorização do Grupo Multipessoal. 4 Dezembro 11 PUB DESTAQUE A Comissão Executiva do Grupo Multipessoal Composta por cinco elementos, a Comissão Executiva do Grupo Multipessoal foi nomeada no segundo semestre de 2010. Os seus membros são apresentados nas páginas seguintes. Liderada por António Eloy Valério, a Comissão Executiva do Grupo Multipessoal integra ainda Ricardo Martins (chief financial officer, CFO, do grupo), José Monteiro Bastos (pelouro do negócio core), Luís Mendes (pelouro internacional) e Fernando Sabino (pelouro da Facility Services). Neste trabalho apresentamos os respectivos perfis, começando pelo de António Eloy Valério. Fundado em 1993, o Grupo Multipessoal engloba seis empresas que prestam serviços de recrutamento e selecção, formação e consultoria, outsourcing e trabalho temporário. Com cerca de 400 clientes activos, emprega mais de 7.300 pessoas e em 2010 atingiu um volu- 6 Dezembro 11 me de negócios na ordem dos 67 milhões de euros. O ano de 2010 foi precisamente o da evolução para holding, numa reorganização que teve como objectivo dotar as várias empresas de uma estrutura societária adequada às necessidades do mercado onde estão inseridas, bem como solidificar a estratégia de expansão nacional e internacional. Tendo como accionista de referência o Grupo Espírito Santo (GES), o Grupo Multipessoal procura garantir um serviço de excelência e uma eficaz resposta às necessidades e exigências dos seus clientes. No âmbito internacional, o grupo está presente em Cabo Verde e Angola, desde 2008 e 2010, respectivamente. A actuação das várias empresas concretiza-se essencialmente em serviços de recrutamento e selecção, trabalho temporário, outsourcing e formação, sempre ajustados às especificidades das geografias onde está presente. Recentemente foi lançado um outro projecto internacional, com uma das empresas, a Upgradem, que abriu um escritório em Madrid (Espanha). A Upgradem dedica-se a outsourcing e consultoria de recursos humanos especializados nas áreas das Tecnologias de Informação (TI) e Telecomunicações. Desenvolve também projectos para outros países europeus, como França e Itália, embora sem ter aí escritórios. António ELoy Valério Presidente da Comissão Executiva António Eloy Valério, presidente da Comissão Executiva do Grupo Multipessoal, nasceu em Santarém a 26 de Janeiro de 1975, guardando da infância as memórias dos amigos, da escola primária e do gosto por jogar «Monopólio» e pelos jogos electrónicos. Desde criança com interesse pelos números e pelas contas, tomou no seu percurso escolar diversas opções ligadas às áreas de Economia e Gestão, até finalizar o ensino secundário. Depois, quando entrou para a universidade, optou pela área de «Contabilidade» e assim que finalizou o bacharelato ingressou no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), onde finalizou a licenciatura em «Gestão Bancária». Foi no Banco Espírito Santo (BES) que António Eloy Valério iniciou a carreira profissional, no Departamento Financeiro, Mercados e Estudos. Tinha 21 anos e chegou ao banco depois de responder a um anúncio que tinha visto na faculdade. Esteve dois anos neste departamento e desempenhou funções de controller da sucursal financeira exterior do banco. Aos 24 anos foi trabalhar para a KPMG, para a área de Auditoria, no segmento de Banking & Finance, tendo saído aos 25 como auditor sénior. E a saída da consultora foi para regressar ao BES, depois de um convite para desempenhar funções de técnico sénior no Departamento de Controlo de Gestão. Quatro anos passados, ia então nos 29 anos de idade, foi promovido ao Quadro Directivo do banco, ficando como responsável pela área de Controlo de Gestão e na liderança de uma equipa de cerca de duas dezenas de pessoas. Depois, aos 32, mais um convite, desta vez feito pelo director coordenador do Departamento de Recursos Humanos, para liderar aí a área de Informação de Gestão, sendo que posteriormente ficou responsável pela área da Responsabilidade Social e pela representação do BES na Associação Portuguesa de Bancos (APB), função partilhada com o director coordenador. Até que em 2010 foi convidado pelo administrador do BES responsável pelo pelouro do Grupo Multipessoal para novas responsabilidades, liderar o projecto do Grupo Multipessoal. António Eloy Valério tinha então 35 anos e guarda António Eloy Valério guarda o momento em que foi convidado para liderar o Grupo Multipessoal como um dos de maior destaque no seu percurso profissional. «Representa um aumento do nível de responsabilidade e exigência, além de ser uma oportunidade única para gerir uma empresa», diz. esse momento como um dos de maior destaque no seu percurso profissional. «Representa um aumento do nível de responsabilidade e de exigência, além de ser uma oportunidade única para gerir uma empresa», diz. António Eloy Valério considera-se um homem de normas e procedimentos. Reconhece que «gosta de planear para evitar o desconhecido e o imprevisível» e que é «rigoroso e exigente» com as pessoas que trabalham consigo. Fora do trabalho, descreve-se como um «homem simples, sem vaidade e extremamente dedicado à família». Casado e com duas filhas, gosta de ler, de viajar e de praticar desporto (sobretudo equitação e BTT), lamentado apenas que os tempos livres sejam poucos. Dezembro 11 7 DESTAQUE Ricardo Martins Administrador Executivo Nascido no Brasil (Rio de Janeiro), em 1976, Ricardo Martins, que é actualmente chief financial officer (CFO) do Grupo Multipessoal, viveu cinco anos em Manaus (Amazonas) e mais cinco em Cabo Frio (próximo de Búzios). A Lisboa chegou em 1989, com 13 anos, depois de «uma infância muito feliz, rica em vivências e onde as histórias e as aventuras foram imensas», conta. Após um «choque cultural inicial», adaptou-se à realidade europeia e teve uma adolescência que considera normal. E fez as suas opções em termos de estudos, e depois no campo profissional, sempre em áreas financeiras e de gestão, para as quais inevitavelmente ia o seu interesse, nomeadamente tudo o que envolvesse números. Concluiu a As primeiras funções de Ricardo Martins no Grupo Multipessoal foram na área de Outsourcing e mais tarde acabou por ser convidado para assumir a responsabilidade financeira do grupo. Em 2010, após a reestruturação societária, passou a integrar a Comissão Executiva. 8 Dezembro 11 licenciatura em 2001, em «Gestão de Empresas», no Instituto Superior de Gestão (ISG). Ricardo Martins vem de uma família que sempre teve negócios próprios. Lembra-se de o avô ter no Brasil uma empresa de comercialização e distribuição de bebidas e de aí ter passado bastante do tempo livre que tinha. E era normal nos jantares de família falar-se dos negócios e das suas dificuldades. Por isso habituou-se ao mundo da gestão e cedo despertou para a realidade do trabalho. Dois anos depois de chegar a Portugal, em 1991, começou a trabalhar numa agência de viagens. Tinha 15 anos. Passou depois pela banca, por uma rent-a-car, por um clube de ténis e, já depois de concluída a licenciatura, por duas multinacionais, uma de auditoria e outra de recursos humanos, acabando por chegar ao Grupo Multipessoal em finais de 2005. A experiência profissional no desporto, no caso o ténis, é bastante relevante no percurso profissional de Ricardo Martins. Trata-se de «uma paixão antiga», que começou aquando da chegada a Portugal. «O ténis é um desporto bastante exigente, especialmente em termos mentais», explica. «Costumo dizer que 80% do sucesso de um jogador de ténis prende-se com as capacidades mentais, a concentração, a estratégia, o auto-controlo, a capacidade de sacrifício, etc. Foram essencialmente esses skills que aprendi com o ténis, pois é um desporto individual em que dependes apenas de ti para conseguir o sucesso.» As primeiras funções do Grupo Multipessoal foram na área de Outsourcing. Pouco tempo depois, após uma reformulação interna, Ricardo Martins passou a responsável operacional da empresa para as áreas de Outsourcing e Trabalho Temporário. Esteve nessas funções até ao final do terceiro trimestre de 2007, quando recebeu o convite para assumir a responsabilidade financeira do grupo. Desde então, tem acumulado estas funções com outras responsabilidades, nomeadamente ao nível do Departamento do Controlo de Gestão. No início do segundo semestre de 2010, e após a reestruturação societária, passou a integrar a Comissão Executiva. José Monteiro Bastos Administrador Executivo José Monteiro Bastos nasceu em Junho de 1950 no Porto, cidade onde ainda reside. Licenciado em «Economia» pela Faculdade de Economia e com pós-graduação em «Gestão de Empresas» pelo Instituto Superior de Estudos Empresariais da Universidade do Porto, foi um aluno sem problemas de maior, tendo sempre procurado participar na vida académica de forma activa, quer através do desporto, quer nas mais diversas iniciativas espontâneas surgidas no seio estudantil. A entrada na vida profissional verificou-se em 1973, enquanto ainda era estudante, como docente no ensino secundário. Concluída a licenciatura, ingressou nos quadros de uma empresa de confecções de um importante grupo têxtil do Norte, como adjunto do director administrativo e financeiro. No início de 1978 foi admitido no Banco Espírito Santo (então denominado BESCL) como apoio técnico, inicialmente na área de risco e posteriormente na área comercial. A sua ligação ao banco foi interrompida entre 1981 e 1983, período em que esteve ao serviço de uma empresa participada pelos principais bancos portugueses, designada Parempresa – Sociedade Parabancária para a Recuperação de Empresas, como analista de projectos de reestruturação e viabilização de empresas. O seu regresso ao banco verificou-se em 1984, para liderar na Área Norte o Gabinete de Análise de Risco de Crédito e de Projectos de Investimento, constituído por 21 licenciados em «Economia»/ «Gestão», um licenciado em «Direito» e dois engenheiros. O sistema bancário português iniciava então uma revolução sem precedentes. Com a abertura do sector à entrada de novas instituições, o cliente passou a ser o vector fundamental da actividade e a qualidade de serviço um instrumento diferenciador. Em 1987, ano em que já desempenhava tarefas na área comercial, José Monteiro Bastos passou José Monteiro Bastos passou em 2010 a ter funções executivas, ficando sob a sua a responsabilidade o negócio core e o Departamento Comercial do Grupo Multipessoal . a integrar os quadros directivos do banco, como sub-director, sendo posteriormente nomeado director adjunto e mais tarde director. A reprivatização do banco, em 1991/ 92, constituiu em termos motivacionais um marco importante na sua carreira, face às condições criadas para a modernização e para o crescimento sustentado e, consequentemente, para o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores. Na sua já longa carreira, José Monteiro Bastos participou de forma activa na formulação, na implementação e no acompanhamento de muitas das mudanças estruturais realizadas pelo banco, exercendo funções em áreas como a Rede Retalho, as Grandes Empresas Norte, os Municípios e Institucionais e o Assurfinance. Sendo já administrador não executivo do Grupo Multipessoal desde 2004, em 2010 passou a integrar a Comissão Executiva, tendo como pelouros a área core e o Departamento Comercial. José Monteiro Bastos considera estar perante «mais um desafio extremamente motivador e gratificante», uma vez que para além de ser um elemento facilitador da articulação comercial com o BES tem a oportunidade de, «junto de um quadro jovem, de elevada competência e potencial», como qualifica o do Grupo Multipessoal, «ser portador da cultura e dos valores do Grupo Espírito Santo». Como hobbie mantém a prática do basquetebol, modalidade onde foi jogador federado dos 10 aos 34 anos e mais tarde dirigente desportivo, actividade que se viu na necessidade de suspender. «Mas pretendo retomá-la logo que o seu exercício não conflitua com a actividade profissional», adianta. Dezembro 11 9 DESTAQUE Luís Mendes Administrador Executivo O responsável pela actividade internacional do Grupo Multipessoal, Luís Mendes, é natural de Lisboa, onde nasceu em Junho de 1960. Teve um percurso escolar em que interferiram os acontecimentos decorrentes da revolução de 1974, num período conturbado em que pedagogias e conteúdos eram postos em causa anualmente, e entrou no ensino superior em 1980. Frequentou o curso de «Organização e Gestão de Empresas» no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), tendo chegado ao terceiro ano, que equivalia a um grau académico então existente, o de bacharelato. Foi em 1984 que começou a vida profissional de Luís Mendes, depois de ter concorrido para professor do ensino oficial e de ter sido colocado a leccionar Matemática em Odemira. Passados dois anos regressou a Lisboa, integrando uma empresa de desenvolvimento e comercialização de software e equipamento, como responsável pela formação de utilizadores. Por essa altura, começou um curso de formação de programadores informáticos no Instituto de Tecnologias Avançadas para a Formação (ITA), em Lisboa, tendo após a conclusão sido convidado para docente da instituição. Com os primeiros anos da experiência profissional a tenderem para o ensino (primeiro crianças e depois adultos), em 1988 Luís Mendes fui convidado pelo Banco Espírito Santo (BES) para programador do Departamento de Informática. No processo de integração e pela sua experiência em formação acabou por passar para o actual Departamento de Recursos Humanos, para criar uma área de formação tecnológica. Conforme explica, «o banco dava os primeiros passos na disseminação dos computadores pelos serviços e colocava-se de forma clara a necessidade de desenvolvimento das competências nessa A ligação de Luís Mendes ao Grupo Multipessoal começou pela formação, onde a partir de 2004 teve responsabilidades, para depois evoluir para outras áreas. 10 Dezembro 11 área.» Esteve seis anos na área da formação, 10 na de organização e mais dois novamente na de formação, até que em 2004 teve início a ligação ao Grupo Multipessoal. Essa ligação começou precisamente pela formação, área de que Luís Mendes assumiu a responsabilidade. Depois evoluiu para outras áreas. «Ao nível do percurso pessoal» – confessa – «não foi mais do que acompanhar a evolução da empresa, tentando retribuir com dedicação, compromisso, respeito e sentido ético aquilo que ela me foi proporcionando.» E os níveis de responsabilidade foram aumentando, até chegar a administrador executivo, cargo cujos desafios coloca em dois planos: «Primeiro, enquanto administrador executivo do Grupo Multipessoal, trabalhar com os meus colegas para materializar a estratégia do accionista; e enquanto responsável pela área internacional, garantir o contributo das respectivas unidades para a criação de valor. Segundo, e numa perspectiva mais operacional, garantir enquanto administrador executivo da Multipessoal Angola a viabilização do projecto empresarial nesse país, numa geografia e num mercado bastante complexos, com uma matriz sociocultural diferente da nossa.» Fernando Sabino Administrador Executivo Administrador executivo com o pelouro da área dos Facility Services, Fernando Sabino teve como primeiro desafio no Grupo Multipessoal, em 1999, o negócio dos call centers, no que viria a dar origem a uma nova empresa, e ES Contact Center. dimento»), que considera ter tido «um papel fundamental na mudança de comportamentos na rede comercial». Ainda estava ligado à formação nessa altura, mas em 1993 saiu para a Direcção de Marketing Operacional, fruto de toda a sua experiência na rede comercial. Ficou nesta direcção até à opção por uma mudança na sua carreira, em 1999, quando aceitou um convite para integrar o Grupo Multipessoal como director responsável pela área de negócio de Recursos Humanos. O primeiro desafio de Fernando Sabino foi colocar ao Grupo Multipessoal no negócio dos call centers que, conta, «na altura era vista como muito interessante». Segundo refere, «a Multipessoal conseguiu aí uma posição de muito relevo, a qual veio dar origem à criação de uma nova empresa do Grupo Espírito Santo, a ES Contact Center». Em 2000 foi nomeado assessor do Conselho de Administração, ficando com a responsabilidade da área financeira, um ano depois passou a administrador e a partir de 2003 acumulou a responsabilidade de gestão da área dos Facility Services. Em 2008, face ao desenvolvimento verificado no Grupo Multipessoal, passou a dedicar-se exclusivamente à gestão da área dos Facility Services. Fernando Sabino fala destes quase 12 anos de ligação à instituição assinalando que se tornou um grupo de empresas e que o volume de negócios cresceu de cerca de 15 milhões de euros para cerca de 80 milhões. «Foi um percurso difícil mas muito aliciante», diz, para logo acrescentar: «Hoje temos desafios decisivos para vencer, tendo em conta a conjuntura económica que vivemos e que exige de todos uma grande capacidade de adaptação, flexibilidade, imaginação e inovação que nos permita fazer a diferença em relação a uma concorrência cada vez mais agressiva.» Dezembro 11 Textos: Ana Leonor Martins, António Manuel Venda/ Just Media Administrador executivo com o pelouro da área de Facility Services, Fernando Sabino nasceu no início de 1951, em Vila Fernando (concelho de Elvas). Fez o «Curso Geral de Comércio» na Escola Comercial e Industrial de Elvas, tendo continuado os estudos após cumprir o Serviço Militar durante três anos (dois deles passados na Guiné) – estudou em Lisboa até ao décimo primeiro ano no Externato Álvares Cabral, fez o décimo segundo ano na Escola Veiga Beirão e em 1980 ingressou no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), onde concluiu em 1985 a licenciatura em «Organização e Gestão de Empresas». Fernando Sabino fez o percurso académico após o serviço militar como trabalhador-estudante, visto ter entrado em Fevereiro de 1974 para o Banco Espírito Santo (BES), mais precisamente para o balcão de Benfica (desempenhou aí diversas funções durante 12 anos). Quando concluiu a licenciatura, foi convidado para integrar os quadros do Serviço de Formação do banco, que nessa altura foi fortemente reforçado, tendo em conta a estratégia de aposta na formação em várias áreas mas sobretudo na de gestão. Durante a década de 1990, Fernando Sabino fez parte da equipa que liderou um grande projecto de mudança no banco («Projecto de Aten- 11 SOLUÇÃO Training Corporate Events A organização de eventos para as empresas A Training Corporate Events concentra a oferta do Grupo Multipessoal para o sector de Meeting Industry, actuando na área de eventos corporativos, nomeadamente na organização de reuniões institucionais, convenções, encontros de quadros, seminários, workshops, acções de team building ou motivação, programas de incentivos e comemoração de datas especiais. Susana Barreiros é a responsável pela dinamização comercial e operacional de toda a equipa, desenvolvendo desde muito cedo a relação com os clientes, o que leva a que conheça bem as respectivas necessidades. Como também faz a implementação de cada evento, sabe exactamente quais são os objectivos que o cliente quer atingir, sendo a partir deles que todos os pormenores são pensados. «A organização de cada evento é por si só um desafio, onde o apelo à criatividade e à inovação é uma constante, de forma a corresponder às expectativas do cliente», diz a responsável. «Em qualquer evento, por mais planeamento que exista, há sempre alterações e situações que surgem que não estavam contempladas, e aqui entra a experiência de vários anos na organização de eventos e uma capacidade de improviso que é fundamental para que tudo corra de acordo com a expectativa do cliente», explica. A Training Corporate Events completa o ciclo de soluções globais do Grupo Multipessoal no âmbito da gestão de recursos humanos. As restantes empresas do grupo actuam em actividades como trabalho temporário, outsourcing especializado e recrutamento e selecção, sendo que o portfólio de soluções incluiu ainda a gestão de competências. Num portfólio de serviços de corporate events, Susana Barreiros assinala que «as soluções podem enquadrar-se no âmbito de actividades de team building, quando se pretende potenciar o desenvolvimento das equipas». Já «as actividades colaborativas surgem quando o 12 Dezembro 11 objectivo é potenciar o sentimento de ser parte de um todo, de pertença à empresa e de trabalho para um objectivo comum». Depois, existem ainda «actividades de gestão – quando se pretende apelar à capacidade de gestão do negócio –, actividades de intervenção social e ambiental – através da requalificação de espaços –, eventos nocturnos – quando o objectivo é dinamizar um jantar ou animar um serão – e, finalmente, fun events – quando se pretende apenas o divertimento em equipa», explica. Mas como são desenvolvidas as diversas soluções e como são adequadas às necessidades do mercado? Susana Barreiros adverte que «não existem dois eventos iguais», pois «as necessidades de cada cliente são específicas e estão directamente ligadas ao objectivo do momento», daí que seja fundamental «a preocupação em adequar o design do evento às especificidades solicitadas». Susana Barreiros faz notar que hoje em dia se assiste a «uma necessidade por parte dos clientes de manterem as suas equipas motivadas e unidas para a concretização dos objectivos comuns, o que leva a uma elevada procura de eventos corporativos». A Training Corporate Events actua em todos os sectores, sendo que as empresas de média e grande dimensão se encontram mais vocacionadas para a realização dos eventos que disponibiliza. Susana Barreiros faz notar que hoje em dia se assiste a «uma necessidade por parte dos clientes de manterem as suas equipas motivadas e unidas para a concretização dos objectivos comuns». Isto leva a «uma elevada procura de eventos corporativos que estejam focados em actividades de team building, colaborativas ou de intervenção social, apesar da conjuntura actual», conclui. Dezembro 11 13 Texto: António Manuel Venda/ Just Media Entrevista Manuela Miguel Martins «Porque acreditamos em fadas...» A responsável pela Casa do Gil fala deste projecto da Fundação do Gil e do que tem sido o seu papel no apoio à reintegração social de crianças hospitalizadas. Num tempo de crise, em que os apoios se tornam mais difíceis e as solicitações aumentam, Manuela Miguel Martins tem mesmo assim a certeza de que «outros caminhos se abrirão» e de que vão «conseguir continuar a reinventar vidas dignas». Porque na casa acreditam em fadas. Como se integra a Casa do Gil na fundação e como é que surgiu? A Fundação do Gil, para além do apoio que presta a todos os hospitais com pediatria a nível nacional, conta com três projectos pilares para cumprir o seu objectivo principal, que é a reintegração social das crianças hospitalizadas: o «Dia do Gil», que está em 28 hospitais semanalmente e toca cerca de oito mil crianças por ano; as UMAD – Unidades Móveis de Apoio ao Domicílio, que prestam cuidados clínicos e sociais no domicílio às crianças portadoras de doenças crónicas, sendo que actualmente existem três unidades; e a Casa do Gil. A casa é o primeiro e único centro de acolhimento temporário com cuidados pós-hospitalares. Acolhe qualquer criança hospitalizada em qualquer pediatria a nível nacional, desde que já tenha tido alta clínica e permaneça lá por razões sociais. Na Casa do Gil a criança começa a ter uma vida o mais aproximada possível da realidade. Toda a equipa deste projecto reinventa-lhe a vida social, trabalhando a zona de reintegração e a família, para que possa voltar a ter uma vida digna no seu meio natural, a família. Já reinventámos mais de 120 vidas em cinco anos de existência, com capacidade para 16 crianças e quatro pais em permanência. 14 Dezembro 11 Há vários projectos na Fundação do Gil, mas já ouvimos a directora, Margarida Pinto Correia, classificar a Casa do Gil como a «ponta do icebergue». Por quê? Porque a Casa do Gil é o único projecto da fundação que tem um espaço físico, visível aos olhos de todos. Como os outros projectos se passam mais dentro das pediatrias, não são tão visíveis; mas são eles que em conjunto com a Casa do Gil formam todo o icebergue. Todos são de extrema importância e estão interligados no processo de reintegração social da criança. Que balanço faz da experiência da casa e que novos projectos podem ser construídos a partir dessa mesma experiência? A Casa do Gil, sendo um projecto pioneiro, também tem sido um laboratório experimental, uma nova fórmula de saúde/ social/ educação; estas componentes interligadas e muito trabalho de terreno levam à reintegração. Trabalhan- «Na Casa do Gil o trabalho é feito como se fôssemos um ginásio onde as crianças vêm desenvolver musculatura social nas partes que são mais frágeis mas também naquelas que são essenciais para os seus projectos de vida.» Dezembro 11 15 Entrevista do cada criança a nível individual, tentando ser fiel ao chamado «tempo da criança», com uma equipa composta por um corpo clínico, social e educacional, todos a funcionarem no mesmo sentido, temos demonstrado que é possível. A taxa de reintegração em meio natural é de cerca de 90% e a média de tempo de acolhimento é de sete meses; se tivermos em consideração que falamos de crianças na maioria das vezes com grandes fragilidades clínicas e complexos problemas sociais, penso que são bons indicadores de que esta, embora não sendo a única, é uma boa fórmula. Por isso fazemos um balanço positivo destes cinco anos. Contudo, acresce-nos a responsabilidade de querer fazer mais e melhor todos os dias. Este projecto tem-nos mostrado a crescente necessidade da implementação dos cuidados continuados para pediatria, ainda inexistentes no nosso país. É sem dúvida um desafio ao qual a Fundação do Gil não voltará costas. Ainda não nos foi possível avançar nesse sentido, mas acreditamos que lá chegaremos. Como tem sido o apoio das empresas à Casa do Gil? A Casa do Gil tem sido desde a sua concepção um projecto acarinhado pelo público em geral e também pelas empresas. Temos tido parcerias fortes, baseadas na transparência e na confiança. Contudo, nestes dois últimos anos, devido à crise que atravessa o país e não só, a Fundação do Gil e a Casa do Gil têm rasgado ao contrário, a necessidade de crescimento tem sido maior pelo cenário social e os apoios têm sido substancialmente menores. Está a ser muito difícil, temos patrocinadores e parceiros a reduzirem para 50% o seu apoio, porque não têm como fazê-lo, outros a falirem e além disso a dificuldade de captar novos é cada vez maior. Mas porque acreditamos em fadas, temos a certeza de que outros caminhos se abrirão. Ou seja, a situação de crise é um novo desafio... Como referi, é o rasgar. Mas acreditamos que tudo parte das pessoas para as pessoas, e isso na «A nossa responsabilidade é para com as crianças que por diversas razões estão internadas indevidamente nos hospitais. Por arrasto, acabamos por tocar e por nos envolvermos com quase todas as áreas da nossa sociedade.» 16 Dezembro 11 casa não é um conceito, mas sim uma prática. Toda a equipa é envolvida em tudo numa dinâmica de cumplicidade, inter-ajuda, empenho e eficácia, e esta tem sido a base para conseguirmos atravessar estes tempos tão difíceis, partindo do princípio de que não poderemos nunca defraudar o objectivo que nos move: dar vidas dignas às crianças que por nós passam. Poderá não ser suficiente, mas tem sido uma enorme ajuda, porque os projectos são as pessoas que os compõem. Continuar a acreditar e a mostrar resultados aos nossos parceiros para que estes também continuem a acreditar e a apoiar. Lançar sementes nas camadas mais jovens para que desenvolvam nelas o verdadeiro sentido da solidariedade.Desafiando todos a acreditarem que é possível. Porque o pouco de muitos faz o muito nas vidas daqueles que têm pouco. E de fora do meio empresarial, que apoios têm sido recebidos? Temos algumas campanhas direccionadas para o grande público, como a do Continente Online, que permite que qualquer cidadão possa ajudar a abastecer a despensa da Casa do Gil, o número de valor acrescentado 760 300 330 em que ao ligarem as pessoas estão a contribuir, algum merchandising com pontos de venda, alguns donativos directos ou através do nosso NIB 0035 055700034200530 79. Tentamos manter o nosso site actualizado para que o público possa ter indicações precisas de como nos apoiar e procuramos dinamizar a nossa página do «Facebook» de forma a criar ondas de solidariedade face a necessidades concretas. Como é a gestão da casa no dia-a-dia? Há algum paralelismo com outros projectos da fundação? A casa é muito específica na sua forma e na sua dinâmica. Tem em comum com os outros projectos o objectivo, no resto é diferenciada em todas as vertentes, porque tem as crianças em acolhimento e só isso é o suficiente para fazer a diferença. O imprevisto é a palavra de ordem, as decisões difíceis, as vitórias, as derrotas, as perdas – às vezes de vidas. É uma montanha russa todos os dias, que nos testa todos os sentidos. É uma gestão de vidas em ebulição permanente. Também já ouvimos a directora da fundação dizer que quando entra uma criança nova na Como vê a responsabilidade social da Casa do Gil, e mais, a da Fundação do Gil, na sociedade portuguesa? A nossa responsabilidade é para com as crianças que por diversas razões estão internadas indevidamente nos hospitais. Por arrasto, acabamos por tocar e por nos envolver com quase Dezembro 11 Texto: António Manuel Venda/ Just Media casa a primeira coisa em que pensam é em como vão fazê-la sair de lá, criando condições para isso. Que tipo de trabalho é desenvolvido para que tal seja possível? A nossa obsessão, entre aspas, é devolver vidas a estas crianças, por isso todos começamos a trabalhar de imediato na sua reintegração. Na Casa do Gil o trabalho é feito como se fôssemos um ginásio onde as crianças vêm desenvolver musculatura social nas partes que são mais frágeis mas também naquelas que são essenciais para os seus projectos de vida. Isto é feito com uma equipa multidisciplinar – de enfermagem, social, educacional –, mas também com a envolvência de todos os meios disponíveis na comunidade. Em paralelo, é feito um trabalho de terreno na zona de reintegração social, envolvendo a família e todas as pessoas e estruturas que possam vir a fazer parte da vida da criança, independentemente de ser em Lisboa, na Madeira, no Porto, na Guiné ou em São Tomé. 17 Entrevista todas as áreas da nossa sociedade, desde a saúde à justiça, e sentimo-nos na obrigação de alertar consciências e de responsabilizar quem de direito no cumprimento daquilo que é fundamental dar às crianças, o direito a ser criança, com tudo o que isso implica. Tem vindo a estar presente em muitos discursos de pessoas com responsabilidades, sobretudo a nível político, os custos do chamado Estado Social? Como olha para essa questão? Sente que cada vez mais poderá caber a instituições como a vossa o apoio social no nosso país? É nas fases menos boas que o terceiro sector ganha maior expressão. Acredito que serão as instituições que estarão na frente da resposta social; contudo, não podemos nunca correr o risco de desabilitar ou desresponsabilizar o Estado daquilo que são as suas funções, os seus princípios e as suas responsabilidades, isto num Estado Social de Direito. As instituições deverão ter um papel importante na descoberta e no desbravamento de novos caminhos e novas respostas, deverão ser o motor de alternativas dignas, sustentáveis e copiáveis pelo próprio Estado. Deverão comportar-se como motor de mudança pela sua capacidade de mobilização, pela sua agilidade e pelo seu empreendedorismo. Que tipo de relação tem havido com as instituições públicas? Há apoios a esse nível? Mantemos uma relação de proximidade, uma vez que trabalhamos com elas e em alguns casos para elas. Por exemplo os hospitais, em que damos resposta a algumas das suas necessidades a nível pediátrico. Com todas as instituições, de saúde, educação, segurança social, justiça, etc, mantemos relações próximas de coordenação conjunta no desenvolvimento dos casos que tratamos. Mas como não dependemos nem financeiramente nem estatutariamente de nenhuma delas somos autónomos na nossa abordagem e na nossa acção. E em termos de reconhecimento, como sente que são vistos pelo Estado? Temos sinais de que somos um bom parceiro do Estado e de que este nos reconhece como tal, embora não nos financie. E pela sociedade portuguesa? Temos indicadores, todos os dias, de que as pessoas são solidárias e sabem responder à necessidade das outras. Precisam é de confiar, porque já foram muito defraudadas, e para isso tem que se mostrar para aonde vai a ajuda que dão, que diferença fizeram na sociedade. A Fundação do Gil, como tantas outras instituições, não abdica desse princípio; e talvez por isso sente todos os dias que é muito acarinhada e reconhecida pelo público em geral e pela sociedade portuguesa como um todo. E isso provoca-nos uma enorme responsabilidade, mas sobretudo uma enorme gratidão. Num projecto em que a missão é dar, o que obtêm as pessoas que nele trabalham, sobretudo em termos de realização? Recebemos todos os dias muito mais do que aquilo que damos. Estas crianças são exemplos de força, coragem e dádiva, todos os dias nos fazem lembrar que somos todos seres únicos, diferentes, mas todos com direito a uma vida digna e todos com a obrigação de lutar para que todos a tenham. E no seu caso pessoal, o que é que de mais precioso já lhe deu a Casa do Gil? O que de mais importante me dá a Casa do Gil é a vida que renasce nela todos os dias. Aprendi a valorizar a vida em toda a sua plenitude e em todo o seu pormenor. Manuela Miguel Martins Manuela Miguel Martins é licenciada em «Educação de Infância», tendo uma pós-graduação em «Economia e Gestão do Terceiro Sector» pelo IDEFE, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Desde sempre ligada às áreas da infância e social, passou por equipamentos de solidariedade, integrou projectos direccionados a minorias e grupos de exclusão, trabalhou alguns anos com deficientes profundos e esteve na direcção e na gestão de equipamentos de infância com as diversas valências, creche, jardim-de-infância e ATL. Actualmente é a responsável da Casa do Gil e coordena projectos sociais da Fundação do Gil, actividade que mantém desde o início. 18 Dezembro 11 NOTÍCIAS Área de Field Marketing cria emprego O Grupo Multipessoal está à procura de candidatos para funções de venda directa, merchandising, promoções, sampling e relações públicas, isto na sequência da criação de uma nova área de negócio, a de Field Marketing, que tem como objectivo recrutar profissionais para esta área. Com a nova área de negócio, o Grupo Multipessoal pretende especializar-se neste domínio, disponibilizando aos seus clientes os melhores profissionais em três ramos do field marketing: comercial, administrativo e operacional. Numa fase inicial, a actuação estará centrada em dois segmentos: o mercado dos bens de grande consumo e o mercado de cosmética. João Silva (na foto), director-geral das áreas de trabalho temporário e outsourcing do Grupo Multipessoal, refere a propósito desta nova área: «As acções de field marketing são excelentes oportunidades para os jovens ganharem algum dinheiro extra. Para muitos jovens, são as funções ideais para desempenhar em paralelo com os seus estudos ou as suas actividades profissionais, de forma a aumentarem os seus rendimentos. Do ponto de vista das empresas, apesar de existir no mercado uma neces- sidade crescente de acções de field marketing, habitualmente estas não fazem parte do core business, daí o recurso a empresas de recursos humanos. Surge aqui, por isso, uma boa alternativa para as marcas conseguirem realizar diversas acções, evitando o aumento dos custos fixos. Ou seja, podem contratar recursos temporários para acções temporárias, sem no entanto terem de perder tempo com a carga burocrática e administrativa.» De assinalar que as empresas nacionais e multinacionais cuja actividade principal incide na venda directa ao consumidor são as que mais recorrem a este tipo de contratação, procurando candidatos com gosto pelo contacto com o público, com dinamismo e com proactividade, além de facilidade de comunicação e sentido de responsabilidade. A remuneração neste tipo de funções varia entre os 200 e os 800 euros, havendo vários horários disponíveis. O conceito de field marketing engloba todas as acções de marketing no terreno que têm um impacto directo no consumidor. Esta prática tem vindo a ganhar importância dentro dos planos de marketing e comunicação das empresas, sobretudo devido à saturação do mercado, o que leva a que a concorrência seja cada vez mais forte. Assim, as marcas precisam de criar novas estratégias comerciais para se diferenciarem e os seus detentores procuram novas formas de se fazerem notar. É aqui que entra o field marketing, um conceito cujas potencialidades permitem despertar a atenção dos consumidores, desenvolver o interesse, criar o desejo e, por fim, estimular a compra. Para se candidatarem às funções referidas, os interessados deverão enviar o curriculum vitae para os seguintes endereços de e-mail: [email protected] e [email protected]. O Grupo Multipessoal nos media A nomeação de André Carneiro Ribeiro como responsável do Departamento de Organização, Qualidade e Informática do Grupo Multipessoal foi objecto de várias notícias nos media. O jornal «Correio da Manhã», a revista on-line «Call Center Magazine» e a revista «human» foram alguns dos órgãos de informação que destacaram o desafio de André Carneiro Ribeiro num departamento criado recentemente pelo grupo com o objectivo de melhorar o modelo organizacional e assim obter ganhos de eficiência. Já o jornal «OJE» deu destaque à Upgradem, a empresa de outsourcing e consultoria de recursos humanos especializados nas áreas de tecnologias de informação (TI) e telecomunicações. Citando o director-geral da empresa, Nuno Freitas, o diário de temas económicos referiu que a Upgradem surgiu «de uma forma natural, de acordo com a estratégia de especialização do Grupo Multipessoal», sendo também citado o exemplo de uma outra empresa, a Medicalm, que actua na área da saúde. Numa pequena peça jornalística, a revista «HR Portugal» publica um directório de empresas de trabalho temporário, sendo destacada a Multipessoal como «uma das principais empresas a operar no sector em Portugal». A «human apresenta as escolhas de Ricardo Carneiro, director do grupo para a Zona Norte, numa rubrica em que os entrevistados falam dos seus hobbies e da relação que estes têm com a sua actividade profissional. E na mesma publicação, António Valério, líder do grupo, escreve sobre e-recruitment na edição «Premium», que se publica no último mês do ano. Finalmente, Catarina Pinto, gestora da nova área de negócio do grupo, a de Field Marketing, concedeu uma entrevista neste âmbito ao programa televisivo «Curto Circuito», da SIC Radical. Dezembro 11 19 PERCURSO Daniel Beirôco A economia e a banca sempre presentes 20 Dezembro 11 Daniel Beirôco foi convidado para ingressar no Grupo Multipessoal em 2009. Desde então, tem estado sempre ligado à área comercial. contacto humano muito maior». Focou-se na banca para «criar uma business unit autónoma que recrutasse em exclusivo para o sector», conta. Daniel Beirôco foi convidado para ingressar no Grupo Multipessoal em 2009, na sequência de «um processo de renovação que trouxe sangue novo à empresa». E desde então tem estado sempre ligado à área comercial. Conta que integrou, na altura em fase embrionária, uma direcção comercial autónoma e dependente apenas da Administração, totalmente transversal às várias áreas de negócio do grupo e em articulação com a área comercial do accionista Banco Espírito Santo (BES). «Actualmente, e numa fase mais madura, funcionamos como um elemento de articulação entre as várias empresas do grupo e como representantes do Grupo Multipessoal em projectos transversais ao universo BES.» Neste seu percurso no Grupo Multipessoal, o gestor de negócio considera que um dos principais desafios tem sido contribuir para «tornar o Grupo Multipessoal uma referência sempre presente para o BES, e numa empresa de topo num sector dominado por multinacionais, além de transformar a imagem de uma empresa de trabalho temporário para um grupo de soluções globais de recursos humanos, que é o que somos hoje em dia». Mais directamente relacionado com a sua função, uma das dificuldades com que se deparou foi vender serviços cuja implementação não dependia directamente de si, dificuldade rapidamente ultrapassada pelas «excelentes provas dadas no terreno». Para fazer face aos tempos conturbados que o país atravessa a nível económico e financeiro, o responsável defende que «a boa venda acaba na boa cobrança», e por isso é essencial estabelecer parcerias de confiança. Fora do trabalho, Daniel Beirôco tenta passar o máximo de tempo possível com a sua filha. Também gosta de desportos radicais e por isso dedica-se ao bodyboard sempre que pode e não dispensa pelo menos uma semana de snowboard por ano. Viajar para destinos exóticos, ler e fazer jantares e almoços prolongados com os amigos são outros prazeres. Dezembro 11 Texto: Ana Leonor Martins/ Just Media Apesar de ter nascido em Évora (em 1979), Daniel Beirôco não se considera alentejano, porque só foi lá nascer. Da infância em Lisboa, recorda ter um grupo grande de amigos, com o qual passava as tardes a andar de bicicleta e de skate. «Tínhamos pátios grandes e pracetas, numa altura em que havia poucos carros na rua, e era mais do que normal construirmos rampas com o que encontrávamos», conta o gestor de negócio do Grupo Multipessoal. Encorajado pelos pais, também lia bastante, desde os livros «Uma Aventura» ou clássicos como «Tom Sawyer» ou «Robinson Crusoe» até às bandas desenhadas do Tintin, do Astérix, do Superman ou do Mandrake. «Havia também o Spectrum, mas foi sempre uma alternativa para os dias de chuva e não a prioridade», ressalva. Em casa de Daniel Beirôco «vivia-se com bastante consciência política, resquícios ainda do PREC [Processo Revolucionário em Curso] e dos tempos de adesão à União Europeia [na altura denominada CEE], das maiorias absolutas de Cavaco Silva e da guerra Irão/ Iraque.» Esses «tempos agitados a nível nacional e internacional» viriam a determinar o interesse de Daniel Beirôco por Economia e pelo mundo em geral. Assim, desde o nono ano que escolheu estudar Economia. «Acredito até que tenha falseado, entre aspas, os meus testes de orientação escolar para que o resultado fosse esse», confessa. «A curiosidade que sempre tive por estas áreas, aliado ao facto de quando tive que começar a definir o percurso académico se estar a viver o período do capitalismo popular com as reprivatizações e as OPVs [Oferta Pública de Venda] e de ter tido as minhas primeiras acções aos 13 anos foram decisivos», partilha. Para quem gosta de mercados financeiros, o gestor de negócio do Grupo Multipessoal teve «o melhor início profissional possível». Começou na Reuters, como ‘financial consultant’ na área de Risco de Mercado e Trading, o que lhe permitiu acompanhar diariamente as salas de mercado de quase todos os bancos portugueses. Mas a certa altura começou também a ter que fazer programação informática, «que detestava e detesto», admite. «Comecei a perceber que precisava de um contacto mais relacional com outras pessoas para me sentir realizado.» Foi então para uma empresa de Executive Search, onde continuou a usar os seus conhecimentos técnicos, mas com «um 21 HOBBY 22 Dezembro 11 Agostinho Geraldo Geocaching, é como se chama o hobby de Agostinho Geraldo, gestor de clientes na equipa Corporate Call Center do Grupo Multipessoal. Não é propriamente uma actividade de senso comum e era-lhe totalmente desconhecida até há três anos, quando um familiar o convidou para integrar um grupo de geocachers. Admite que, na época, julgava ser algo similar a escutismo e entrou um bocado por arrasto, mas após perceber o conceito achou-o «engraçado» e começou a participar com maior frequência. De forma genérica, Agostinho Geraldo explica que o geocaching consiste «na colocação de uma cache, que é uma caixa com determinado conteúdo como moedas, selos ou quaisquer outros objectos, num ponto geográfico que é posteriormente divulgado na Internet sob a forma de coordenadas. Essas coordenadas são colocadas num GPS que indica um ponto geográfico base onde a caixa se localiza», continua. «Com esta informação, os geocachers seguem até ao local e tentam encontrar a respectiva caixa, que normalmente está bastante bem escondida.» Se forem bem sucedidos, registam o feito num pequeno bloco de papel que se encontra no interior. Para Agostinho Geraldo, o que mais o atrai no geocaching é «a convivência e o espírito de grupo que se cria, permitindo passar alguns momentos bastante divertidos». Além disso – acrescenta –, «e contrariamente aos demais desportos, não está confinado a um campo ou um pavilhão delimitados no espaço, pois pode ser desenvolvido em qualquer parte do país ou do mundo, em cidades ou meios rurais, na praia ou na montanha». O geocaching já o levou «a vários locais interessantes», mas realça um que fez na Baixa de Lisboa, onde descobriu «traços muito típicos e característicos da cidade em que habitualmente não reparamos no nosso quotidiano». O gestor de clientes do Grupo Multipessoal considera que «o facto de ser um GPS a comandar o caminho durante horas, sem se ter a noção do destino final, é já um desafio por si só», e conta que houve algumas situações em que foi confrontado com caminhos bastante complicados, onde encontrou todo o tipo de obstáculos. «As caches mais trabalhosas são mesmo aquelas que não conseguimos encontrar, e dado que a desistência só é usada em último recurso, por vezes estamos horas à procura. Encontrar uma cache pode demorar cinco minutos ou horas, depende da localização, do estado do caminho e da dificuldade que o geocacher que a escondeu lhe confere.» Agostinho Geraldo pensa ter encontrado, pessoalmente, não mais de 20 caches, mas o grupo no qual se insere já tem no currículo sensivelmente 1.100. E sublinha que «organizar uma caça à cache dá algum trabalho, pois é necessário delinear um plano de caminho, fazer o download das coordenadas, entre outras tarefas». Chegou também a organizar a entrada do seu grupo num evento realizado no âmbito do décimo aniversário da prática de geocaching em Portugal. O geocacher garante que qualquer pessoa pode praticar esta actividade, mas ressalva que «é fundamental ter alguma preparação física para trilhar e superar os percursos delineados e não ficar a meio do caminho; também é preciso o gosto pela descoberta e pela aventura e, muito importante, levar roupa confortável e que possa estragar-se, pois provavelmente vai acabar suja», avisa. Sendo uma actividade que «tem como génese a conquista de objectivos, o geocaching incrementa a capacidade de resiliência para a obtenção de resultados». Desta forma, «a ligação com a realidade profissional acaba por ser constante, pois só com capacidade de resistência e concentração no resultado os objectivos estão ao alcance», faz notar Agostinho Geraldo. «Há um objectivo? Não vamos cumpri-lo, vamos superá-lo!» Dezembro 11 Texto: Ana Leonor Martins/ Just Media Pela convivência e pelo espírito de grupo 23 OPINIÃO Vanda Santos Gestora de Projectos Sénior – Departamento de Organização, Qualidade e Informática do Grupo Multipessoal Será possível motivar através da eficiência? A interiorização de que o capital humano é um factor crucial de sucesso em qualquer organização foi uma das mais interessantes constatações do século XX. A este facto está directamente ligada a proliferação das teorias de motivação organizacional, as quais surgem devido à necessidade de desenvolver meios para melhorar a eficiência e a eficácia nas empresas; e também a progressiva consciencialização da estreita relação entre as contribuições das pessoas e a necessidade da visão de sucesso a longo prazo. eficiência organizacional ou redução/ controlo de custos. Num pensamento redutor, poderemos cair no erro de pensar que o propósito de tão perspicaz mudança visa essencialmente os interesses da empresa. Mas não será possível um projecto de mudança desta grandeza permitir que os interesses da empresa e dos colaboradores sejam coincidentes? Parece-me inequívoco que todos temos a ganhar com a mudança, em especial porque acredito que a melhoria da eficiência organizacional tem impacto directo na motivação dos colaboradores. Todos temos a ganhar com a mudança, em especial porque a melhoria da eficiência organizacional tem impacto directo na motivação dos colaboradores. Nos dias de hoje, o ritmo da concorrência é cada vez mais acelerado e o aumento exponencial das expectativas de todos os parceiros de um negócio, em particular dos clientes, conduz a que as organizações «vencedoras» tenham que ter como prioridade a melhoria contínua da sua performance. Foi precisamente neste contexto que nasceu o Departamento de Organização do Grupo Multipessoal. Quando falamos em organização, automaticamente pensamos em optimização de processos de trabalho, aumento da 24 Dezembro 11 Se nos sentirmos uma mera peça no processo produtivo da empresa, não vamos assumir o nosso papel enquanto potencial competitivo e diferenciador na «guerra» pela posição de sucesso no mercado. Um dos mais preocupantes e indesejáveis efeitos colaterais da «falta de tempo» é a perda de um dos mais valiosos patrimónios de uma organização: a participação activa da inteligência e do conhecimento dos respectivos colaboradores através das ideias e das iniciativas destes. Ninguém pode negar que para pensar também é preciso tempo. Por este motivo, todas as iniciativas que visam desenvolver formas de trabalho que permitam minimizar ou eliminar as tarefas repetitivas com baixo valor acrescentado, automatizar actividades chave do negócio, reduzir os tempos de produção, terão um impacto significativo no desempenho dos colaboradores, e por sua vez na sua motivação. Tornar as operações mais eficientes permitirá aumentar substancialmente os níveis de produtividade, conseguindo em simultâneo potenciar e canalizar o conhecimento dos nossos técnicos, altamente qualificados, para actividades mais estimulantes e enriquecedoras que incentivam o raciocínio crítico, o sentimento de pertença, entre outros, resultando na excelência no serviço ao cliente. A maioria das teorias sobre motivação defende a busca do prazer como finalidade da vida e a obtenção do «máximo com o mínimo» dos esforços. Parece-me um excelente conceito para associar à nossa «organização». Se é uma verdade inquestionável que a grande maioria de nós dedica ao trabalho uma parte muito substancial da sua vida, é impreterível que sejamos felizes na actividade profissional. O projecto de organização contribuirá de forma significativa para «construir a melhor empresa para trabalhar». PUB PUB