N0 08
Dezembro 2011
Grupo Multipessoal
Conheça os membros da Comissão Executiva
Entrevista
Solução
Hobby
Manuela Martins,
da Casa do Gil
Training Corporate
Events
Agostinho Geraldo
e o geocaching
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EDITORIAL
Ano velho fora,
ano novo dentro
«Que importância tem, na realidade, o fim do
ano e o Ano Novo? São trezentos e sessenta
e cinco dias ou cinquenta e duas semanas ou
doze meses, que acabámos de somar e tornaremos a somar de novo. Nada mais do que isso.»
Ilse Losa, «Caminhos sem Destino»
Rui Raposo
Chairman do Grupo Multipessoal
O ano de 2012 será certamente um ano difícil.
Os sinais inclementes de crise continuarão
presentes no nosso dia-a-dia e os seus efeitos
serão ainda mais visíveis. A economia internacional, particularmente a europeia, evidencia
alguns sinais pouco tranquilizadores, e no meio
deste contexto adverso ainda temos os problemas específicos que o nosso país acumulou
com a incúria do tempo das vacas gordas e que
serão, decerto, mais custosos de ultrapassar
em tempos de vacas (muito) magras.
A questão fundamental que se nos coloca não
será, contudo, a de saber se 2012 será melhor
ou pior do que 2011, mas se vamos conseguir
torná-lo num ano de viragem.
Para que isto aconteça, temos (TODOS) de nos
convencer de que as condições se alteraram, a
vida mudou, o mundo mudou...
Temos de aprender (e depressa!) a lidar com o
mundo do futuro e não com o mundo do passado; e deitar para trás das costas o discurso conservador, ultrapassado e imobilista dos direitos
adquiridos.
Temos de «partir (e depressa!) para outra»,
mas desta vez com pressupostos de flexibilidade, polivalência, competência e muita ambição.
Temos de encontrar (e depressa!) novas âncoras para o nosso futuro colectivo, abandonando
as âncoras (irrepetíveis) das ilusões do passado.
Ao fim e ao cabo, temos de compreender que é
secundário procurar lá fora o que está, aqui e
agora, em nós mesmos.
E para isto, nada mais «fácil» do que virar mais
uma página deste infernal calendário e olhar
com confiança para os 365 dias que aí vêm.
Mãos à obra!
Dezembro 11
3
ÍNDICE
06
03 Editorial
Ano velho fora, ano novo dentro
06 Destaque
Comissão Executiva do Grupo Multipessoal
12 Solução
Training Corporate Events
14
14 Entrevista
Manuela Miguel Martins, da Casa do Gil
19 Notícias
20 Percurso
Daniel Beirôco
20
22 Hobby
Agostinho Geraldo
24 Opinião
Vanda Santos
Edição
Just Media
Nº 08 – Dezembro 2011 – TRIMESTRAL
Propriedade
Grupo Multipessoal
Av. D. João II, Lote 1.17.03, Ed. Central Office, 8º
1990-084 Lisboa
T. 210 342 230
[email protected]
www.multipessoal.pt
Projecto Gráfico e Paginação
Design e Forma
actividade económica, e emprega milhares de colaboradores,
integrando um dos maiores grupos do país, o Grupo Espírito
Santo (GES). Seguindo a estratégia internacional do GES, está
presente em Cabo Verde e Angola, correspondendo às solicitações dos seus clientes que se encontram nesses países.
Fotografia
Vítor Gordo – Syncview
O Grupo Multipessoal oferece serviços de Cedência de Recursos Humanos, Outsourcing, Recrutamento e Selecção,
Formação e Consultoria. Gere uma carteira de clientes que
ultrapassa as várias centenas, nos mais diversos sectores da
Nenhuma parte deste eBook, incluindo textos e fotografias, pode ser reproduzida, por quaisquer meios, sem prévia autorização do Grupo Multipessoal.
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Dezembro 11
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DESTAQUE
A Comissão Executiva
do Grupo Multipessoal
Composta por cinco elementos, a Comissão Executiva
do Grupo Multipessoal foi nomeada no segundo semestre de 2010. Os seus membros são apresentados
nas páginas seguintes.
Liderada por António Eloy Valério, a Comissão
Executiva do Grupo Multipessoal integra ainda
Ricardo Martins (chief financial officer, CFO,
do grupo), José Monteiro Bastos (pelouro do
negócio core), Luís Mendes (pelouro internacional) e Fernando Sabino (pelouro da Facility
Services). Neste trabalho apresentamos os
respectivos perfis, começando pelo de António Eloy Valério.
Fundado em 1993, o Grupo Multipessoal engloba seis empresas que prestam serviços de
recrutamento e selecção, formação e consultoria, outsourcing e trabalho temporário. Com
cerca de 400 clientes activos, emprega mais
de 7.300 pessoas e em 2010 atingiu um volu-
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Dezembro 11
me de negócios na ordem dos 67 milhões de
euros. O ano de 2010 foi precisamente o da
evolução para holding, numa reorganização
que teve como objectivo dotar as várias empresas de uma estrutura societária adequada
às necessidades do mercado onde estão inseridas, bem como solidificar a estratégia de
expansão nacional e internacional.
Tendo como accionista de referência o Grupo
Espírito Santo (GES), o Grupo Multipessoal
procura garantir um serviço de excelência e
uma eficaz resposta às necessidades e exigências dos seus clientes.
No âmbito internacional, o grupo está presente em Cabo Verde e Angola, desde 2008 e
2010, respectivamente. A actuação das várias
empresas concretiza-se essencialmente em
serviços de recrutamento e selecção, trabalho temporário, outsourcing e formação, sempre ajustados às especificidades das geografias onde está presente. Recentemente foi
lançado um outro projecto internacional, com
uma das empresas, a Upgradem, que abriu um
escritório em Madrid (Espanha). A Upgradem
dedica-se a outsourcing e consultoria de recursos humanos especializados nas áreas
das Tecnologias de Informação (TI) e Telecomunicações. Desenvolve também projectos
para outros países europeus, como França e
Itália, embora sem ter aí escritórios.
António ELoy Valério
Presidente da Comissão Executiva
António Eloy Valério, presidente da Comissão
Executiva do Grupo Multipessoal, nasceu em
Santarém a 26 de Janeiro de 1975, guardando
da infância as memórias dos amigos, da escola
primária e do gosto por jogar «Monopólio» e
pelos jogos electrónicos. Desde criança com
interesse pelos números e pelas contas, tomou
no seu percurso escolar diversas opções ligadas às áreas de Economia e Gestão, até finalizar o ensino secundário. Depois, quando entrou
para a universidade, optou pela área de «Contabilidade» e assim que finalizou o bacharelato
ingressou no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), onde
finalizou a licenciatura em «Gestão Bancária».
Foi no Banco Espírito Santo (BES) que António
Eloy Valério iniciou a carreira profissional, no
Departamento Financeiro, Mercados e Estudos. Tinha 21 anos e chegou ao banco depois
de responder a um anúncio que tinha visto na
faculdade. Esteve dois anos neste departamento e desempenhou funções de controller
da sucursal financeira exterior do banco. Aos
24 anos foi trabalhar para a KPMG, para a área
de Auditoria, no segmento de Banking & Finance, tendo saído aos 25 como auditor sénior.
E a saída da consultora foi para regressar ao
BES, depois de um convite para desempenhar
funções de técnico sénior no Departamento
de Controlo de Gestão. Quatro anos passados,
ia então nos 29 anos de idade, foi promovido
ao Quadro Directivo do banco, ficando como
responsável pela área de Controlo de Gestão e
na liderança de uma equipa de cerca de duas
dezenas de pessoas. Depois, aos 32, mais um
convite, desta vez feito pelo director coordenador do Departamento de Recursos Humanos,
para liderar aí a área de Informação de Gestão,
sendo que posteriormente ficou responsável
pela área da Responsabilidade Social e pela representação do BES na Associação Portuguesa
de Bancos (APB), função partilhada com o director coordenador.
Até que em 2010 foi convidado pelo administrador do BES responsável pelo pelouro do Grupo Multipessoal para novas responsabilidades,
liderar o projecto do Grupo Multipessoal. António Eloy Valério tinha então 35 anos e guarda
António Eloy Valério guarda o momento em que
foi convidado para liderar o Grupo Multipessoal
como um dos de maior destaque no seu percurso profissional. «Representa um aumento
do nível de responsabilidade e exigência, além
de ser uma oportunidade única para gerir uma
empresa», diz.
esse momento como um dos de maior destaque no seu percurso profissional. «Representa
um aumento do nível de responsabilidade e de
exigência, além de ser uma oportunidade única
para gerir uma empresa», diz.
António Eloy Valério considera-se um homem
de normas e procedimentos. Reconhece que
«gosta de planear para evitar o desconhecido e
o imprevisível» e que é «rigoroso e exigente»
com as pessoas que trabalham consigo. Fora
do trabalho, descreve-se como um «homem
simples, sem vaidade e extremamente dedicado à família». Casado e com duas filhas, gosta
de ler, de viajar e de praticar desporto (sobretudo equitação e BTT), lamentado apenas que os
tempos livres sejam poucos.
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DESTAQUE
Ricardo Martins
Administrador Executivo
Nascido no Brasil (Rio de Janeiro), em 1976,
Ricardo Martins, que é actualmente chief
financial officer (CFO) do Grupo Multipessoal,
viveu cinco anos em Manaus (Amazonas) e
mais cinco em Cabo Frio (próximo de Búzios).
A Lisboa chegou em 1989, com 13 anos, depois
de «uma infância muito feliz, rica em vivências e onde as histórias e as aventuras foram
imensas», conta. Após um «choque cultural
inicial», adaptou-se à realidade europeia e teve
uma adolescência que considera normal. E fez
as suas opções em termos de estudos, e depois no campo profissional, sempre em áreas
financeiras e de gestão, para as quais inevitavelmente ia o seu interesse, nomeadamente
tudo o que envolvesse números. Concluiu a
As primeiras funções de Ricardo Martins no
Grupo Multipessoal foram na área de Outsourcing e mais tarde acabou por ser convidado
para assumir a responsabilidade financeira do
grupo. Em 2010, após a reestruturação societária, passou a integrar a Comissão Executiva.
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Dezembro 11
licenciatura em 2001, em «Gestão de Empresas», no Instituto Superior de Gestão (ISG).
Ricardo Martins vem de uma família que sempre teve negócios próprios. Lembra-se de o
avô ter no Brasil uma empresa de comercialização e distribuição de bebidas e de aí ter
passado bastante do tempo livre que tinha. E
era normal nos jantares de família falar-se dos
negócios e das suas dificuldades. Por isso habituou-se ao mundo da gestão e cedo despertou para a realidade do trabalho. Dois anos depois de chegar a Portugal, em 1991, começou
a trabalhar numa agência de viagens. Tinha
15 anos. Passou depois pela banca, por uma
rent-a-car, por um clube de ténis e, já depois
de concluída a licenciatura, por duas multinacionais, uma de auditoria e outra de recursos
humanos, acabando por chegar ao Grupo Multipessoal em finais de 2005.
A experiência profissional no desporto, no
caso o ténis, é bastante relevante no percurso profissional de Ricardo Martins. Trata-se de
«uma paixão antiga», que começou aquando
da chegada a Portugal. «O ténis é um desporto
bastante exigente, especialmente em termos
mentais», explica. «Costumo dizer que 80%
do sucesso de um jogador de ténis prende-se
com as capacidades mentais, a concentração,
a estratégia, o auto-controlo, a capacidade de
sacrifício, etc. Foram essencialmente esses
skills que aprendi com o ténis, pois é um desporto individual em que dependes apenas de ti
para conseguir o sucesso.»
As primeiras funções do Grupo Multipessoal
foram na área de Outsourcing. Pouco tempo
depois, após uma reformulação interna, Ricardo Martins passou a responsável operacional
da empresa para as áreas de Outsourcing e
Trabalho Temporário. Esteve nessas funções
até ao final do terceiro trimestre de 2007,
quando recebeu o convite para assumir a
responsabilidade financeira do grupo. Desde
então, tem acumulado estas funções com
outras responsabilidades, nomeadamente ao
nível do Departamento do Controlo de Gestão. No início do segundo semestre de 2010,
e após a reestruturação societária, passou a
integrar a Comissão Executiva.
José Monteiro Bastos
Administrador Executivo
José Monteiro Bastos nasceu em Junho de 1950
no Porto, cidade onde ainda reside. Licenciado em
«Economia» pela Faculdade de Economia e com
pós-graduação em «Gestão de Empresas» pelo
Instituto Superior de Estudos Empresariais da
Universidade do Porto, foi um aluno sem problemas de maior, tendo sempre procurado participar
na vida académica de forma activa, quer através
do desporto, quer nas mais diversas iniciativas
espontâneas surgidas no seio estudantil.
A entrada na vida profissional verificou-se em
1973, enquanto ainda era estudante, como docente no ensino secundário. Concluída a licenciatura, ingressou nos quadros de uma empresa
de confecções de um importante grupo têxtil do
Norte, como adjunto do director administrativo e
financeiro.
No início de 1978 foi admitido no Banco Espírito
Santo (então denominado BESCL) como apoio
técnico, inicialmente na área de risco e posteriormente na área comercial.
A sua ligação ao banco foi interrompida entre 1981
e 1983, período em que esteve ao serviço de uma
empresa participada pelos principais bancos portugueses, designada Parempresa – Sociedade
Parabancária para a Recuperação de Empresas,
como analista de projectos de reestruturação e
viabilização de empresas.
O seu regresso ao banco verificou-se em 1984,
para liderar na Área Norte o Gabinete de Análise
de Risco de Crédito e de Projectos de Investimento, constituído por 21 licenciados em «Economia»/ «Gestão», um licenciado em «Direito»
e dois engenheiros.
O sistema bancário português iniciava então
uma revolução sem precedentes. Com a abertura do sector à entrada de novas instituições,
o cliente passou a ser o vector fundamental da
actividade e a qualidade de serviço um instrumento diferenciador.
Em 1987, ano em que já desempenhava tarefas
na área comercial, José Monteiro Bastos passou
José Monteiro Bastos passou em 2010 a ter funções executivas, ficando sob a sua a responsabilidade o negócio core e o Departamento
Comercial do Grupo Multipessoal .
a integrar os quadros directivos do banco, como
sub-director, sendo posteriormente nomeado director adjunto e mais tarde director.
A reprivatização do banco, em 1991/ 92, constituiu em termos motivacionais um marco importante na sua carreira, face às condições criadas
para a modernização e para o crescimento sustentado e, consequentemente, para o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores.
Na sua já longa carreira, José Monteiro Bastos
participou de forma activa na formulação, na implementação e no acompanhamento de muitas
das mudanças estruturais realizadas pelo banco,
exercendo funções em áreas como a Rede Retalho, as Grandes Empresas Norte, os Municípios e
Institucionais e o Assurfinance.
Sendo já administrador não executivo do Grupo
Multipessoal desde 2004, em 2010 passou a integrar a Comissão Executiva, tendo como pelouros a
área core e o Departamento Comercial. José Monteiro Bastos considera estar perante «mais um
desafio extremamente motivador e gratificante»,
uma vez que para além de ser um elemento facilitador da articulação comercial com o BES tem a
oportunidade de, «junto de um quadro jovem, de
elevada competência e potencial», como qualifica
o do Grupo Multipessoal, «ser portador da cultura
e dos valores do Grupo Espírito Santo».
Como hobbie mantém a prática do basquetebol,
modalidade onde foi jogador federado dos 10
aos 34 anos e mais tarde dirigente desportivo,
actividade que se viu na necessidade de suspender. «Mas pretendo retomá-la logo que o seu
exercício não conflitua com a actividade profissional», adianta.
Dezembro 11
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DESTAQUE
Luís Mendes
Administrador Executivo
O responsável pela actividade internacional
do Grupo Multipessoal, Luís Mendes, é natural
de Lisboa, onde nasceu em Junho de 1960.
Teve um percurso escolar em que interferiram
os acontecimentos decorrentes da revolução
de 1974, num período conturbado em que pedagogias e conteúdos eram postos em causa
anualmente, e entrou no ensino superior em
1980. Frequentou o curso de «Organização
e Gestão de Empresas» no Instituto Superior
de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE),
tendo chegado ao terceiro ano, que equivalia
a um grau académico então existente, o de
bacharelato.
Foi em 1984 que começou a vida profissional de Luís Mendes, depois de ter concorrido
para professor do ensino oficial e de ter sido
colocado a leccionar Matemática em Odemira.
Passados dois anos regressou a Lisboa, integrando uma empresa de desenvolvimento e
comercialização de software e equipamento,
como responsável pela formação de utilizadores. Por essa altura, começou um curso
de formação de programadores informáticos
no Instituto de Tecnologias Avançadas para
a Formação (ITA), em Lisboa, tendo após a
conclusão sido convidado para docente da
instituição.
Com os primeiros anos da experiência profissional a tenderem para o ensino (primeiro crianças e depois adultos), em 1988 Luís
Mendes fui convidado pelo Banco Espírito
Santo (BES) para programador do Departamento de Informática. No processo de integração e pela sua experiência em formação
acabou por passar para o actual Departamento de Recursos Humanos, para criar uma área
de formação tecnológica. Conforme explica,
«o banco dava os primeiros passos na disseminação dos computadores pelos serviços e
colocava-se de forma clara a necessidade de
desenvolvimento das competências nessa
A ligação de Luís Mendes ao Grupo Multipessoal
começou pela formação, onde a partir de 2004
teve responsabilidades, para depois evoluir
para outras áreas.
10
Dezembro 11
área.» Esteve seis anos na área da formação,
10 na de organização e mais dois novamente
na de formação, até que em 2004 teve início
a ligação ao Grupo Multipessoal.
Essa ligação começou precisamente pela formação, área de que Luís Mendes assumiu a
responsabilidade. Depois evoluiu para outras
áreas. «Ao nível do percurso pessoal» – confessa – «não foi mais do que acompanhar a
evolução da empresa, tentando retribuir com
dedicação, compromisso, respeito e sentido
ético aquilo que ela me foi proporcionando.»
E os níveis de responsabilidade foram aumentando, até chegar a administrador executivo,
cargo cujos desafios coloca em dois planos:
«Primeiro, enquanto administrador executivo do Grupo Multipessoal, trabalhar com os
meus colegas para materializar a estratégia
do accionista; e enquanto responsável pela
área internacional, garantir o contributo das
respectivas unidades para a criação de valor.
Segundo, e numa perspectiva mais operacional, garantir enquanto administrador executivo da Multipessoal Angola a viabilização do
projecto empresarial nesse país, numa geografia e num mercado bastante complexos,
com uma matriz sociocultural diferente da
nossa.»
Fernando Sabino
Administrador Executivo
Administrador executivo com o pelouro da área
dos Facility Services, Fernando Sabino teve
como primeiro desafio no Grupo Multipessoal,
em 1999, o negócio dos call centers, no que
viria a dar origem a uma nova empresa, e ES
Contact Center.
dimento»), que considera ter tido «um papel
fundamental na mudança de comportamentos
na rede comercial». Ainda estava ligado à formação nessa altura, mas em 1993 saiu para
a Direcção de Marketing Operacional, fruto de
toda a sua experiência na rede comercial. Ficou
nesta direcção até à opção por uma mudança
na sua carreira, em 1999, quando aceitou um
convite para integrar o Grupo Multipessoal
como director responsável pela área de negócio de Recursos Humanos.
O primeiro desafio de Fernando Sabino foi colocar ao Grupo Multipessoal no negócio dos call
centers que, conta, «na altura era vista como
muito interessante». Segundo refere, «a Multipessoal conseguiu aí uma posição de muito relevo, a qual veio dar origem à criação de
uma nova empresa do Grupo Espírito Santo, a
ES Contact Center». Em 2000 foi nomeado assessor do Conselho de Administração, ficando
com a responsabilidade da área financeira, um
ano depois passou a administrador e a partir
de 2003 acumulou a responsabilidade de gestão da área dos Facility Services. Em 2008,
face ao desenvolvimento verificado no Grupo
Multipessoal, passou a dedicar-se exclusivamente à gestão da área dos Facility Services.
Fernando Sabino fala destes quase 12 anos
de ligação à instituição assinalando que se
tornou um grupo de empresas e que o volume
de negócios cresceu de cerca de 15 milhões
de euros para cerca de 80 milhões. «Foi um
percurso difícil mas muito aliciante», diz, para
logo acrescentar: «Hoje temos desafios decisivos para vencer, tendo em conta a conjuntura
económica que vivemos e que exige de todos
uma grande capacidade de adaptação, flexibilidade, imaginação e inovação que nos permita
fazer a diferença em relação a uma concorrência cada vez mais agressiva.»
Dezembro 11
Textos: Ana Leonor Martins, António Manuel Venda/ Just Media
Administrador executivo com o pelouro da área
de Facility Services, Fernando Sabino nasceu
no início de 1951, em Vila Fernando (concelho
de Elvas). Fez o «Curso Geral de Comércio» na
Escola Comercial e Industrial de Elvas, tendo
continuado os estudos após cumprir o Serviço
Militar durante três anos (dois deles passados
na Guiné) – estudou em Lisboa até ao décimo
primeiro ano no Externato Álvares Cabral, fez o
décimo segundo ano na Escola Veiga Beirão e
em 1980 ingressou no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), onde
concluiu em 1985 a licenciatura em «Organização e Gestão de Empresas».
Fernando Sabino fez o percurso académico
após o serviço militar como trabalhador-estudante, visto ter entrado em Fevereiro de 1974
para o Banco Espírito Santo (BES), mais precisamente para o balcão de Benfica (desempenhou aí diversas funções durante 12 anos).
Quando concluiu a licenciatura, foi convidado
para integrar os quadros do Serviço de Formação do banco, que nessa altura foi fortemente reforçado, tendo em conta a estratégia de
aposta na formação em várias áreas mas sobretudo na de gestão.
Durante a década de 1990, Fernando Sabino
fez parte da equipa que liderou um grande projecto de mudança no banco («Projecto de Aten-
11
SOLUÇÃO
Training Corporate Events
A organização de eventos
para as empresas
A Training Corporate Events concentra a oferta
do Grupo Multipessoal para o sector de Meeting
Industry, actuando na área de eventos corporativos, nomeadamente na organização de reuniões institucionais, convenções, encontros
de quadros, seminários, workshops, acções
de team building ou motivação, programas
de incentivos e comemoração de datas especiais. Susana Barreiros é a responsável pela
dinamização comercial e operacional de toda
a equipa, desenvolvendo desde muito cedo a
relação com os clientes, o que leva a que conheça bem as respectivas necessidades. Como
também faz a implementação de cada evento,
sabe exactamente quais são os objectivos que
o cliente quer atingir, sendo a partir deles que
todos os pormenores são pensados.
«A organização de cada evento é por si só um
desafio, onde o apelo à criatividade e à inovação
é uma constante, de forma a corresponder às expectativas do cliente», diz a responsável. «Em
qualquer evento, por mais planeamento que
exista, há sempre alterações e situações que
surgem que não estavam contempladas, e aqui
entra a experiência de vários anos na organização de eventos e uma capacidade de improviso
que é fundamental para que tudo corra de acordo com a expectativa do cliente», explica.
A Training Corporate Events completa o ciclo
de soluções globais do Grupo Multipessoal no
âmbito da gestão de recursos humanos. As
restantes empresas do grupo actuam em actividades como trabalho temporário, outsourcing
especializado e recrutamento e selecção, sendo que o portfólio de soluções incluiu ainda a
gestão de competências.
Num portfólio de serviços de corporate events,
Susana Barreiros assinala que «as soluções
podem enquadrar-se no âmbito de actividades
de team building, quando se pretende potenciar o desenvolvimento das equipas». Já «as
actividades colaborativas surgem quando o
12
Dezembro 11
objectivo é potenciar o sentimento de ser parte
de um todo, de pertença à empresa e de trabalho para um objectivo comum». Depois, existem ainda «actividades de gestão – quando
se pretende apelar à capacidade de gestão do
negócio –, actividades de intervenção social e
ambiental – através da requalificação de espaços –, eventos nocturnos – quando o objectivo
é dinamizar um jantar ou animar um serão – e,
finalmente, fun events – quando se pretende
apenas o divertimento em equipa», explica.
Mas como são desenvolvidas as diversas soluções e como são adequadas às necessidades
do mercado? Susana Barreiros adverte que
«não existem dois eventos iguais», pois «as
necessidades de cada cliente são específicas
e estão directamente ligadas ao objectivo do
momento», daí que seja fundamental «a preocupação em adequar o design do evento às
especificidades solicitadas».
Susana Barreiros faz notar que hoje em dia
se assiste a «uma necessidade por parte
dos clientes de manterem as suas equipas
motivadas e unidas para a concretização dos
objectivos comuns, o que leva a uma elevada
procura de eventos corporativos».
A Training Corporate Events actua em todos os
sectores, sendo que as empresas de média e
grande dimensão se encontram mais vocacionadas para a realização dos eventos que disponibiliza. Susana Barreiros faz notar que hoje
em dia se assiste a «uma necessidade por parte dos clientes de manterem as suas equipas
motivadas e unidas para a concretização dos
objectivos comuns». Isto leva a «uma elevada
procura de eventos corporativos que estejam
focados em actividades de team building, colaborativas ou de intervenção social, apesar da
conjuntura actual», conclui.
Dezembro 11
13
Texto: António Manuel Venda/ Just Media
Entrevista
Manuela Miguel Martins
«Porque acreditamos em fadas...»
A responsável pela Casa do Gil fala deste projecto da Fundação do Gil e do que tem sido o seu papel no apoio à reintegração social de crianças hospitalizadas. Num tempo de
crise, em que os apoios se tornam mais difíceis e as solicitações aumentam, Manuela Miguel Martins tem mesmo
assim a certeza de que «outros caminhos se abrirão» e de
que vão «conseguir continuar a reinventar vidas dignas».
Porque na casa acreditam em fadas.
Como se integra a Casa do Gil na fundação e
como é que surgiu?
A Fundação do Gil, para além do apoio que presta a todos os hospitais com pediatria a nível
nacional, conta com três projectos pilares para
cumprir o seu objectivo principal, que é a reintegração social das crianças hospitalizadas:
o «Dia do Gil», que está em 28 hospitais semanalmente e toca cerca de oito mil crianças
por ano; as UMAD – Unidades Móveis de Apoio
ao Domicílio, que prestam cuidados clínicos
e sociais no domicílio às crianças portadoras
de doenças crónicas, sendo que actualmente
existem três unidades; e a Casa do Gil. A casa é
o primeiro e único centro de acolhimento temporário com cuidados pós-hospitalares. Acolhe
qualquer criança hospitalizada em qualquer pediatria a nível nacional, desde que já tenha tido
alta clínica e permaneça lá por razões sociais.
Na Casa do Gil a criança começa a ter uma vida
o mais aproximada possível da realidade. Toda
a equipa deste projecto reinventa-lhe a vida
social, trabalhando a zona de reintegração e
a família, para que possa voltar a ter uma vida
digna no seu meio natural, a família. Já reinventámos mais de 120 vidas em cinco anos de
existência, com capacidade para 16 crianças e
quatro pais em permanência.
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Dezembro 11
Há vários projectos na Fundação do Gil, mas
já ouvimos a directora, Margarida Pinto Correia, classificar a Casa do Gil como a «ponta
do icebergue». Por quê?
Porque a Casa do Gil é o único projecto da fundação que tem um espaço físico, visível aos olhos
de todos. Como os outros projectos se passam
mais dentro das pediatrias, não são tão visíveis; mas são eles que em conjunto com a Casa
do Gil formam todo o icebergue. Todos são de
extrema importância e estão interligados no
processo de reintegração social da criança.
Que balanço faz da experiência da casa e que
novos projectos podem ser construídos a
partir dessa mesma experiência?
A Casa do Gil, sendo um projecto pioneiro, também tem sido um laboratório experimental,
uma nova fórmula de saúde/ social/ educação;
estas componentes interligadas e muito trabalho de terreno levam à reintegração. Trabalhan-
«Na Casa do Gil o trabalho é feito como se fôssemos um ginásio onde as crianças vêm desenvolver musculatura social nas partes que são mais
frágeis mas também naquelas que são essenciais para os seus projectos de vida.»
Dezembro 11
15
Entrevista
do cada criança a nível individual, tentando ser
fiel ao chamado «tempo da criança», com uma
equipa composta por um corpo clínico, social e
educacional, todos a funcionarem no mesmo
sentido, temos demonstrado que é possível. A
taxa de reintegração em meio natural é de cerca
de 90% e a média de tempo de acolhimento é de
sete meses; se tivermos em consideração que
falamos de crianças na maioria das vezes com
grandes fragilidades clínicas e complexos problemas sociais, penso que são bons indicadores
de que esta, embora não sendo a única, é uma
boa fórmula. Por isso fazemos um balanço positivo destes cinco anos. Contudo, acresce-nos a
responsabilidade de querer fazer mais e melhor
todos os dias. Este projecto tem-nos mostrado a
crescente necessidade da implementação dos
cuidados continuados para pediatria, ainda inexistentes no nosso país. É sem dúvida um desafio ao qual a Fundação do Gil não voltará costas.
Ainda não nos foi possível avançar nesse sentido, mas acreditamos que lá chegaremos.
Como tem sido o apoio das empresas à Casa
do Gil?
A Casa do Gil tem sido desde a sua concepção
um projecto acarinhado pelo público em geral e
também pelas empresas. Temos tido parcerias
fortes, baseadas na transparência e na confiança. Contudo, nestes dois últimos anos, devido à
crise que atravessa o país e não só, a Fundação
do Gil e a Casa do Gil têm rasgado ao contrário,
a necessidade de crescimento tem sido maior
pelo cenário social e os apoios têm sido substancialmente menores. Está a ser muito difícil,
temos patrocinadores e parceiros a reduzirem
para 50% o seu apoio, porque não têm como
fazê-lo, outros a falirem e além disso a dificuldade de captar novos é cada vez maior. Mas porque
acreditamos em fadas, temos a certeza de que
outros caminhos se abrirão.
Ou seja, a situação de crise é um novo desafio...
Como referi, é o rasgar. Mas acreditamos que tudo
parte das pessoas para as pessoas, e isso na
«A nossa responsabilidade é para com as crianças que por diversas razões estão internadas
indevidamente nos hospitais. Por arrasto, acabamos por tocar e por nos envolvermos com quase
todas as áreas da nossa sociedade.»
16
Dezembro 11
casa não é um conceito, mas sim uma prática.
Toda a equipa é envolvida em tudo numa dinâmica de cumplicidade, inter-ajuda, empenho e
eficácia, e esta tem sido a base para conseguirmos atravessar estes tempos tão difíceis, partindo do princípio de que não poderemos nunca
defraudar o objectivo que nos move: dar vidas
dignas às crianças que por nós passam. Poderá
não ser suficiente, mas tem sido uma enorme
ajuda, porque os projectos são as pessoas que
os compõem. Continuar a acreditar e a mostrar
resultados aos nossos parceiros para que estes
também continuem a acreditar e a apoiar. Lançar
sementes nas camadas mais jovens para que
desenvolvam nelas o verdadeiro sentido da solidariedade.Desafiando todos a acreditarem que é
possível. Porque o pouco de muitos faz o muito
nas vidas daqueles que têm pouco.
E de fora do meio empresarial, que apoios
têm sido recebidos?
Temos algumas campanhas direccionadas para
o grande público, como a do Continente Online,
que permite que qualquer cidadão possa ajudar
a abastecer a despensa da Casa do Gil, o número de valor acrescentado 760 300 330 em que
ao ligarem as pessoas estão a contribuir, algum
merchandising com pontos de venda, alguns donativos directos ou através do nosso NIB 0035
055700034200530 79. Tentamos manter o nosso site actualizado para que o público possa ter
indicações precisas de como nos apoiar e procuramos dinamizar a nossa página do «Facebook»
de forma a criar ondas de solidariedade face a necessidades concretas.
Como é a gestão da casa no dia-a-dia? Há algum paralelismo com outros projectos da fundação?
A casa é muito específica na sua forma e na sua
dinâmica. Tem em comum com os outros projectos o objectivo, no resto é diferenciada em
todas as vertentes, porque tem as crianças em
acolhimento e só isso é o suficiente para fazer a
diferença. O imprevisto é a palavra de ordem, as
decisões difíceis, as vitórias, as derrotas, as perdas – às vezes de vidas. É uma montanha russa
todos os dias, que nos testa todos os sentidos. É
uma gestão de vidas em ebulição permanente.
Também já ouvimos a directora da fundação
dizer que quando entra uma criança nova na
Como vê a responsabilidade social da Casa
do Gil, e mais, a da Fundação do Gil, na sociedade portuguesa?
A nossa responsabilidade é para com as crianças que por diversas razões estão internadas
indevidamente nos hospitais. Por arrasto, acabamos por tocar e por nos envolver com quase
Dezembro 11
Texto: António Manuel Venda/ Just Media
casa a primeira coisa em que pensam é em
como vão fazê-la sair de lá, criando condições
para isso. Que tipo de trabalho é desenvolvido
para que tal seja possível?
A nossa obsessão, entre aspas, é devolver vidas
a estas crianças, por isso todos começamos a
trabalhar de imediato na sua reintegração. Na
Casa do Gil o trabalho é feito como se fôssemos
um ginásio onde as crianças vêm desenvolver
musculatura social nas partes que são mais
frágeis mas também naquelas que são essenciais para os seus projectos de vida. Isto é feito
com uma equipa multidisciplinar – de enfermagem, social, educacional –, mas também com a
envolvência de todos os meios disponíveis na
comunidade. Em paralelo, é feito um trabalho de
terreno na zona de reintegração social, envolvendo a família e todas as pessoas e estruturas
que possam vir a fazer parte da vida da criança,
independentemente de ser em Lisboa, na Madeira, no Porto, na Guiné ou em São Tomé.
17
Entrevista
todas as áreas da nossa sociedade, desde a
saúde à justiça, e sentimo-nos na obrigação de
alertar consciências e de responsabilizar quem
de direito no cumprimento daquilo que é fundamental dar às crianças, o direito a ser criança,
com tudo o que isso implica.
Tem vindo a estar presente em muitos discursos
de pessoas com responsabilidades, sobretudo
a nível político, os custos do chamado Estado
Social? Como olha para essa questão? Sente
que cada vez mais poderá caber a instituições
como a vossa o apoio social no nosso país?
É nas fases menos boas que o terceiro sector
ganha maior expressão. Acredito que serão as
instituições que estarão na frente da resposta
social; contudo, não podemos nunca correr o
risco de desabilitar ou desresponsabilizar o Estado daquilo que são as suas funções, os seus
princípios e as suas responsabilidades, isto num
Estado Social de Direito. As instituições deverão
ter um papel importante na descoberta e no desbravamento de novos caminhos e novas respostas, deverão ser o motor de alternativas dignas,
sustentáveis e copiáveis pelo próprio Estado.
Deverão comportar-se como motor de mudança
pela sua capacidade de mobilização, pela sua
agilidade e pelo seu empreendedorismo.
Que tipo de relação tem havido com as instituições públicas? Há apoios a esse nível?
Mantemos uma relação de proximidade, uma
vez que trabalhamos com elas e em alguns casos para elas. Por exemplo os hospitais, em que
damos resposta a algumas das suas necessidades a nível pediátrico. Com todas as instituições, de saúde, educação, segurança social,
justiça, etc, mantemos relações próximas de coordenação conjunta no desenvolvimento dos casos que tratamos. Mas como não dependemos
nem financeiramente nem estatutariamente de
nenhuma delas somos autónomos na nossa
abordagem e na nossa acção.
E em termos de reconhecimento, como sente
que são vistos pelo Estado?
Temos sinais de que somos um bom parceiro do
Estado e de que este nos reconhece como tal,
embora não nos financie.
E pela sociedade portuguesa?
Temos indicadores, todos os dias, de que as
pessoas são solidárias e sabem responder à
necessidade das outras. Precisam é de confiar,
porque já foram muito defraudadas, e para isso
tem que se mostrar para aonde vai a ajuda que
dão, que diferença fizeram na sociedade. A Fundação do Gil, como tantas outras instituições,
não abdica desse princípio; e talvez por isso
sente todos os dias que é muito acarinhada e
reconhecida pelo público em geral e pela sociedade portuguesa como um todo. E isso provoca-nos uma enorme responsabilidade, mas sobretudo uma enorme gratidão.
Num projecto em que a missão é dar, o que obtêm as pessoas que nele trabalham, sobretudo em termos de realização?
Recebemos todos os dias muito mais do que
aquilo que damos. Estas crianças são exemplos
de força, coragem e dádiva, todos os dias nos
fazem lembrar que somos todos seres únicos,
diferentes, mas todos com direito a uma vida
digna e todos com a obrigação de lutar para que
todos a tenham.
E no seu caso pessoal, o que é que de mais precioso já lhe deu a Casa do Gil?
O que de mais importante me dá a Casa do Gil é
a vida que renasce nela todos os dias. Aprendi
a valorizar a vida em toda a sua plenitude e em
todo o seu pormenor.
Manuela Miguel Martins
Manuela Miguel Martins é licenciada em «Educação de Infância», tendo uma pós-graduação em
«Economia e Gestão do Terceiro Sector» pelo IDEFE, do Instituto Superior de Economia e Gestão
(ISEG). Desde sempre ligada às áreas da infância e social, passou por equipamentos de solidariedade, integrou projectos direccionados a minorias e grupos de exclusão, trabalhou alguns anos
com deficientes profundos e esteve na direcção e na gestão de equipamentos de infância com as
diversas valências, creche, jardim-de-infância e ATL. Actualmente é a responsável da Casa do Gil e
coordena projectos sociais da Fundação do Gil, actividade que mantém desde o início.
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Dezembro 11
NOTÍCIAS
Área de Field Marketing cria emprego
O Grupo Multipessoal está à
procura de candidatos para
funções de venda directa,
merchandising, promoções,
sampling e relações públicas, isto na sequência da
criação de uma nova área
de negócio, a de Field Marketing, que tem como objectivo
recrutar profissionais para
esta área.
Com a nova área de negócio,
o Grupo Multipessoal pretende especializar-se neste domínio, disponibilizando aos
seus clientes os melhores
profissionais em três ramos do field marketing: comercial, administrativo e operacional. Numa fase inicial, a actuação estará centrada em dois segmentos: o mercado dos bens de grande consumo
e o mercado de cosmética.
João Silva (na foto), director-geral das áreas de trabalho temporário e outsourcing do Grupo Multipessoal, refere a propósito
desta nova área: «As acções de field marketing são excelentes
oportunidades para os jovens ganharem algum dinheiro extra.
Para muitos jovens, são as funções ideais para desempenhar em
paralelo com os seus estudos ou as suas actividades profissionais, de forma a aumentarem os seus rendimentos. Do ponto de
vista das empresas, apesar de existir no mercado uma neces-
sidade crescente de acções de field marketing, habitualmente
estas não fazem parte do core business, daí o recurso a empresas de recursos humanos. Surge aqui, por isso, uma boa alternativa para as marcas conseguirem realizar diversas acções,
evitando o aumento dos custos fixos. Ou seja, podem contratar
recursos temporários para acções temporárias, sem no entanto
terem de perder tempo com a carga burocrática e administrativa.»
De assinalar que as empresas nacionais e multinacionais cuja actividade principal incide na venda directa ao consumidor são as que
mais recorrem a este tipo de contratação, procurando candidatos
com gosto pelo contacto com o público, com dinamismo e com proactividade, além de facilidade de comunicação e sentido de responsabilidade. A remuneração neste tipo de funções varia entre os 200
e os 800 euros, havendo vários horários disponíveis.
O conceito de field marketing engloba todas as acções de
marketing no terreno que têm um impacto directo no consumidor. Esta prática tem vindo a ganhar importância dentro dos planos de marketing e comunicação das empresas, sobretudo devido à saturação do mercado, o que leva a que a concorrência seja
cada vez mais forte. Assim, as marcas precisam de criar novas
estratégias comerciais para se diferenciarem e os seus detentores procuram novas formas de se fazerem notar. É aqui que entra
o field marketing, um conceito cujas potencialidades permitem
despertar a atenção dos consumidores, desenvolver o interesse,
criar o desejo e, por fim, estimular a compra.
Para se candidatarem às funções referidas, os interessados deverão
enviar o curriculum vitae para os seguintes endereços de e-mail:
[email protected] e [email protected].
O Grupo Multipessoal nos media
A nomeação de André Carneiro Ribeiro como responsável do Departamento de Organização, Qualidade e Informática do Grupo Multipessoal
foi objecto de várias notícias nos media. O jornal «Correio da Manhã», a revista on-line «Call Center Magazine» e a revista «human» foram
alguns dos órgãos de informação que destacaram o desafio de André Carneiro Ribeiro num departamento criado recentemente pelo grupo
com o objectivo de melhorar o modelo organizacional e assim obter ganhos de eficiência.
Já o jornal «OJE» deu destaque à Upgradem, a empresa de outsourcing e consultoria de recursos humanos especializados nas áreas de
tecnologias de informação (TI) e telecomunicações. Citando o director-geral da empresa, Nuno Freitas, o diário de temas económicos referiu
que a Upgradem surgiu «de uma forma natural, de acordo com a estratégia de especialização do Grupo Multipessoal», sendo também citado
o exemplo de uma outra empresa, a Medicalm, que actua na área da saúde.
Numa pequena peça jornalística, a revista «HR Portugal» publica um directório de empresas de trabalho temporário, sendo destacada a Multipessoal como
«uma das principais empresas a operar no sector em Portugal». A «human apresenta as escolhas de Ricardo Carneiro, director do grupo para a Zona Norte, numa
rubrica em que os entrevistados falam dos seus hobbies e da relação que estes
têm com a sua actividade profissional. E na mesma publicação, António Valério,
líder do grupo, escreve sobre e-recruitment na edição «Premium», que se publica no último mês do ano.
Finalmente, Catarina Pinto, gestora da nova área de negócio do grupo, a de Field
Marketing, concedeu uma entrevista neste âmbito ao programa televisivo «Curto Circuito», da SIC Radical.
Dezembro 11
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PERCURSO
Daniel Beirôco
A economia e a banca
sempre presentes
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Dezembro 11
Daniel Beirôco foi convidado para ingressar no
Grupo Multipessoal em 2009. Desde então, tem
estado sempre ligado à área comercial.
contacto humano muito maior». Focou-se na
banca para «criar uma business unit autónoma que recrutasse em exclusivo para o sector», conta.
Daniel Beirôco foi convidado para ingressar no
Grupo Multipessoal em 2009, na sequência
de «um processo de renovação que trouxe
sangue novo à empresa». E desde então tem
estado sempre ligado à área comercial. Conta
que integrou, na altura em fase embrionária,
uma direcção comercial autónoma e dependente apenas da Administração, totalmente
transversal às várias áreas de negócio do grupo e em articulação com a área comercial do
accionista Banco Espírito Santo (BES). «Actualmente, e numa fase mais madura, funcionamos como um elemento de articulação entre
as várias empresas do grupo e como representantes do Grupo Multipessoal em projectos
transversais ao universo BES.»
Neste seu percurso no Grupo Multipessoal, o
gestor de negócio considera que um dos principais desafios tem sido contribuir para «tornar
o Grupo Multipessoal uma referência sempre
presente para o BES, e numa empresa de topo
num sector dominado por multinacionais, além
de transformar a imagem de uma empresa de
trabalho temporário para um grupo de soluções
globais de recursos humanos, que é o que somos hoje em dia». Mais directamente relacionado com a sua função, uma das dificuldades
com que se deparou foi vender serviços cuja
implementação não dependia directamente de
si, dificuldade rapidamente ultrapassada pelas
«excelentes provas dadas no terreno».
Para fazer face aos tempos conturbados que o
país atravessa a nível económico e financeiro,
o responsável defende que «a boa venda acaba na boa cobrança», e por isso é essencial
estabelecer parcerias de confiança.
Fora do trabalho, Daniel Beirôco tenta passar o máximo de tempo possível com a sua
filha. Também gosta de desportos radicais e
por isso dedica-se ao bodyboard sempre que
pode e não dispensa pelo menos uma semana de snowboard por ano. Viajar para destinos
exóticos, ler e fazer jantares e almoços prolongados com os amigos são outros prazeres.
Dezembro 11
Texto: Ana Leonor Martins/ Just Media
Apesar de ter nascido em Évora (em 1979),
Daniel Beirôco não se considera alentejano,
porque só foi lá nascer. Da infância em Lisboa,
recorda ter um grupo grande de amigos, com o
qual passava as tardes a andar de bicicleta e de
skate. «Tínhamos pátios grandes e pracetas,
numa altura em que havia poucos carros na rua,
e era mais do que normal construirmos rampas
com o que encontrávamos», conta o gestor de
negócio do Grupo Multipessoal. Encorajado pelos pais, também lia bastante, desde os livros
«Uma Aventura» ou clássicos como «Tom Sawyer» ou «Robinson Crusoe» até às bandas
desenhadas do Tintin, do Astérix, do Superman
ou do Mandrake. «Havia também o Spectrum,
mas foi sempre uma alternativa para os dias de
chuva e não a prioridade», ressalva.
Em casa de Daniel Beirôco «vivia-se com bastante consciência política, resquícios ainda do
PREC [Processo Revolucionário em Curso] e
dos tempos de adesão à União Europeia [na altura denominada CEE], das maiorias absolutas
de Cavaco Silva e da guerra Irão/ Iraque.» Esses «tempos agitados a nível nacional e internacional» viriam a determinar o interesse de
Daniel Beirôco por Economia e pelo mundo em
geral. Assim, desde o nono ano que escolheu
estudar Economia. «Acredito até que tenha falseado, entre aspas, os meus testes de orientação escolar para que o resultado fosse esse»,
confessa. «A curiosidade que sempre tive por
estas áreas, aliado ao facto de quando tive que
começar a definir o percurso académico se
estar a viver o período do capitalismo popular
com as reprivatizações e as OPVs [Oferta Pública de Venda] e de ter tido as minhas primeiras
acções aos 13 anos foram decisivos», partilha.
Para quem gosta de mercados financeiros, o
gestor de negócio do Grupo Multipessoal teve
«o melhor início profissional possível». Começou na Reuters, como ‘financial consultant’ na
área de Risco de Mercado e Trading, o que lhe
permitiu acompanhar diariamente as salas de
mercado de quase todos os bancos portugueses. Mas a certa altura começou também a
ter que fazer programação informática, «que
detestava e detesto», admite. «Comecei a
perceber que precisava de um contacto mais
relacional com outras pessoas para me sentir
realizado.» Foi então para uma empresa de
Executive Search, onde continuou a usar os
seus conhecimentos técnicos, mas com «um
21
HOBBY
22
Dezembro 11
Agostinho Geraldo
Geocaching, é como se chama o hobby de Agostinho Geraldo, gestor de clientes na equipa Corporate Call Center do Grupo Multipessoal. Não é propriamente uma actividade de senso comum e
era-lhe totalmente desconhecida até há três anos, quando um familiar o convidou para integrar
um grupo de geocachers. Admite que, na época, julgava ser algo similar a escutismo e entrou um
bocado por arrasto, mas após perceber o conceito achou-o «engraçado» e começou a participar
com maior frequência.
De forma genérica, Agostinho Geraldo explica que o geocaching consiste «na colocação de uma
cache, que é uma caixa com determinado conteúdo como moedas, selos ou quaisquer outros objectos, num ponto geográfico que é posteriormente divulgado na Internet sob a forma de coordenadas. Essas coordenadas são colocadas num GPS que indica um ponto geográfico base onde a
caixa se localiza», continua. «Com esta informação, os geocachers seguem até ao local e tentam
encontrar a respectiva caixa, que normalmente está bastante bem escondida.» Se forem bem sucedidos, registam o feito num pequeno bloco de papel que se encontra no interior.
Para Agostinho Geraldo, o que mais o atrai no geocaching é «a convivência e o espírito de grupo
que se cria, permitindo passar alguns momentos bastante divertidos». Além disso – acrescenta –, «e contrariamente aos demais desportos, não está confinado a um campo ou um pavilhão
delimitados no espaço, pois pode ser desenvolvido em qualquer parte do país ou do mundo, em
cidades ou meios rurais, na praia ou na montanha». O geocaching já o levou «a vários locais interessantes», mas realça um que fez na Baixa de Lisboa, onde descobriu «traços muito típicos e
característicos da cidade em que habitualmente não reparamos no nosso quotidiano».
O gestor de clientes do Grupo Multipessoal considera que «o facto de ser um GPS a comandar o
caminho durante horas, sem se ter a noção do destino final, é já um desafio por si só», e conta
que houve algumas situações em que foi confrontado com caminhos bastante complicados, onde
encontrou todo o tipo de obstáculos. «As caches mais trabalhosas são mesmo aquelas que não
conseguimos encontrar, e dado que a desistência só é usada em último recurso, por vezes estamos horas à procura. Encontrar uma cache pode demorar cinco minutos ou horas, depende da
localização, do estado do caminho e da dificuldade que o geocacher que a escondeu lhe confere.»
Agostinho Geraldo pensa ter encontrado, pessoalmente, não mais de 20 caches, mas o grupo no
qual se insere já tem no currículo sensivelmente 1.100. E sublinha que «organizar uma caça
à cache dá algum trabalho, pois é necessário delinear um plano de caminho, fazer o download
das coordenadas, entre outras tarefas». Chegou também a organizar a entrada do seu grupo num
evento realizado no âmbito do décimo aniversário da prática de geocaching em Portugal.
O geocacher garante que qualquer pessoa pode praticar esta actividade, mas ressalva que «é fundamental ter alguma preparação física para trilhar e superar os percursos delineados e não ficar a
meio do caminho; também é preciso o gosto pela descoberta e pela aventura e, muito importante,
levar roupa confortável e que possa estragar-se, pois provavelmente vai acabar suja», avisa.
Sendo uma actividade que «tem como génese a conquista de objectivos, o geocaching incrementa a capacidade de resiliência para a obtenção de resultados». Desta forma, «a ligação com a realidade profissional acaba por ser constante, pois só com capacidade de resistência e concentração
no resultado os objectivos estão ao alcance», faz notar Agostinho Geraldo. «Há um objectivo? Não
vamos cumpri-lo, vamos superá-lo!»
Dezembro 11
Texto: Ana Leonor Martins/ Just Media
Pela convivência
e pelo espírito de grupo
23
OPINIÃO
Vanda Santos
Gestora de Projectos Sénior – Departamento
de Organização, Qualidade e Informática
do Grupo Multipessoal
Será possível motivar
através da eficiência?
A interiorização de que o capital humano é
um factor crucial de sucesso em qualquer
organização foi uma das mais interessantes constatações do século XX. A este facto está directamente ligada a proliferação
das teorias de motivação organizacional,
as quais surgem devido à necessidade de
desenvolver meios para melhorar a eficiência e a eficácia nas empresas; e também a
progressiva consciencialização da estreita
relação entre as contribuições das pessoas e a necessidade da visão de sucesso a
longo prazo.
eficiência organizacional ou redução/ controlo de custos. Num pensamento redutor,
poderemos cair no erro de pensar que o
propósito de tão perspicaz mudança visa
essencialmente os interesses da empresa. Mas não será possível um projecto de
mudança desta grandeza permitir que os
interesses da empresa e dos colaboradores
sejam coincidentes? Parece-me inequívoco
que todos temos a ganhar com a mudança,
em especial porque acredito que a melhoria
da eficiência organizacional tem impacto directo na motivação dos colaboradores.
Todos temos a ganhar com a mudança, em especial porque
a melhoria da eficiência organizacional tem impacto directo
na motivação dos colaboradores.
Nos dias de hoje, o ritmo da concorrência
é cada vez mais acelerado e o aumento
exponencial das expectativas de todos os
parceiros de um negócio, em particular
dos clientes, conduz a que as organizações «vencedoras» tenham que ter como
prioridade a melhoria contínua da sua performance. Foi precisamente neste contexto
que nasceu o Departamento de Organização do Grupo Multipessoal.
Quando falamos em organização, automaticamente pensamos em optimização
de processos de trabalho, aumento da
24
Dezembro 11
Se nos sentirmos uma mera peça no processo produtivo da empresa, não vamos
assumir o nosso papel enquanto potencial
competitivo e diferenciador na «guerra»
pela posição de sucesso no mercado. Um
dos mais preocupantes e indesejáveis efeitos colaterais da «falta de tempo» é a perda
de um dos mais valiosos patrimónios de
uma organização: a participação activa da
inteligência e do conhecimento dos respectivos colaboradores através das ideias e das
iniciativas destes. Ninguém pode negar que
para pensar também é preciso tempo.
Por este motivo, todas as iniciativas que visam desenvolver formas de trabalho que
permitam minimizar ou eliminar as tarefas
repetitivas com baixo valor acrescentado,
automatizar actividades chave do negócio,
reduzir os tempos de produção, terão um impacto significativo no desempenho dos colaboradores, e por sua vez na sua motivação.
Tornar as operações mais eficientes permitirá aumentar substancialmente os níveis
de produtividade, conseguindo em simultâneo potenciar e canalizar o conhecimento
dos nossos técnicos, altamente qualificados, para actividades mais estimulantes e
enriquecedoras que incentivam o raciocínio
crítico, o sentimento de pertença, entre outros, resultando na excelência no serviço ao
cliente.
A maioria das teorias sobre motivação defende a busca do prazer como finalidade
da vida e a obtenção do «máximo com o
mínimo» dos esforços. Parece-me um excelente conceito para associar à nossa «organização».
Se é uma verdade inquestionável que a grande maioria de nós dedica ao trabalho uma
parte muito substancial da sua vida, é impreterível que sejamos felizes na actividade profissional. O projecto de organização contribuirá de forma significativa para «construir
a melhor empresa para trabalhar».
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