1
EDUCAÇÃO FÍSICA, GESTO E COMUNICAÇÃO DO DEFICIENTE
AUDITIVO
GT4 - PRÁTICAS INVESTIGATIVAS
Guadalupe de Moraes Santos Silva*
RESUMO
O presente estudo se propõe a aplicar, verificar e analisar os efeitos do uso de técnicas de
expressão corporal e de jogos educativos, como complemento pedagógico da Língua de Sinais,
visando contribuir para a comunicação e integração social do deficiente auditivo. O trabalho é
dividido em duas fases: a primeira, visa caracterizar a amostra a ser pesquisada; a segunda, visa a
aplicação técnica de expressão corporal e jogos educativos para a avaliação dos seus efeitos no
processo de comunicação do deficiente auditivo. Na primeira fase, para a caracterização da
amostra, é utilizada a observação direta do comportamento, através da técnica de Registro
Cursivo. As observações foram feitas, no primeiro ano de pesquisa, no pátio do Centro de
Educação Especial, em situação de recreação, em sala de aula e na aula de educação física. Na
segunda fase, foram aplicadas técnicas de expressão corporal e jogos educativos. As atividades
foram realizadas em sala de aula da turma da 1ª série da 1ª etapa da Escola de 1º Grau “11 de
Agosto”, em situação de recreação e nas aulas de educação física. Os sujeitos da pesquisa são 8
crianças (quatro meninas e quatro meninos) deficientes auditivas, com idade entre 7 e 10 anos.
Palavras-chave: gesto, deficiente auditivo, Libras, Educação Física.
ABSTRACT
This study proposes to implement, monitor and analyze the effects of the use of techniques of
body language and educational games, in addition to teaching the sign language, to contribute to
communication and social integration of hearing impaired. The work is divided into two phases:
first, to characterize the sample to be searched, the second technique involves the application of
body language and educational games to evaluate their effects on the communication process of
the hearing impaired. In the first phase, to characterize the sample is used for direct observation
of behavior, using the technique of registration Cursive. The observations were made in the first
year of research in the courtyard of the Center for Special Education, in a state of recreation in
the classroom and in physical education class. In the second phase techniques were applied to
body language and educational games. The activities were held in the classroom of a class of
grade one stage of the School of Grade 1 "August 11" in a situation of recreation and physical
education classes. The research subjects were eight children (four girls and four boys) with
hearing
impairment,
aged
between
7
and
10
years.
Keywords: gesture, hearing impaired, Pounds, Physical Education.
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
2
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, vive-se em um mundo onde não mais se admite a pessoa portadora de
alguma deficiência, como socialmente inválida. Nessa perspectiva, “esse fato vem fazendo
ampliar-se as fontes de estudo e de métodos para sua completa integração social e
conseqüentemente preparação para o trabalho”(ROSADAS, 1994,P.47). Entretanto, faz-se
necessário descobrir o que realmente é bom e necessário para eles, e para isso é preciso antes de
tudo saber quem são os deficientes para atendê-los melhor. Concordamos com ROSADAS
(1994, p.l 12) quando ele afirma que “para se descobrir o que é bom para o deficiente é preciso,
antes de tudo, saber como são para entendê-los melhor e assim equacionar de forma mais
equilibrada as atividades e ele destinadas”.
Os deficientes auditivos representam 1,5% da população nacional total, segundo dados da
ONU e do Plano Nacional de Ação Conjunta para a Integração de Pessoas Deficientes (1986)
como uma diminuição de limiares absolutos da audição.
A comunicação do deficiente auditivo, em geral acontece através da Lingua de Sinais. No
entanto, essa forma de comunicação às vezes é insatisfatória, devido a alguns fatores como a não
universalização dessa linguagem. Assim sendo, o deficiente auditivo necessita de outras formas
de comunicação que completem a Lingua de Sinais.
Uma das justificativas para a elaboração e implementação deste estudo é sua relevância
social e acadêmica, pois, a área de educação física não dispõe de muitas pesquisas centradas na
deficiência auditiva.
A presente pesquisa justifica-se, ainda, em termos conjunturais, por visar ajudar os
deficientes auditivos, através de medidas simplificadas para educação e reabilitação social,
minimizando os problemas na comunicação e integração social, assim como a Língua de Sinais.
O estudo foi realizado com crianças, com idades entre 7 e 10 anos, alunos de uma mesma
turma mista, e portadoras de deficiência auditiva, da Escola de 1º Grau “11 de Agosto”. As aulas
foram ministradas na sala de aula da turma e na quadra de esportes da referida escola.
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
3
2 REFERENCIAL TEÓRICO
“Ao longo da história da humanidade é freqüente observarmos que muitas condições
sociais têm sido consideradas como deficientes, refletindo normalmente este fato um julgamento
social, julgamento que vai se requintando e sofisticando a medida que as sociedades se vão
desenvolvendo tecnologicamente. em função de valores e atitudes culturais específicas”.
FONSECA (l987, p.9)
Segundo dados da UNESCO (In.CORDE,1992,p.46) e baseados no que revela a CORDE
(Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência). Especificamente
a deficiência auditiva caracteriza-se como sendo um dos grandes problemas da área da Educação
Especial, e segundo dados da ONU e do Plano Nacional de Ação Conjunta para a Integração de
Pessoas Deficientes (1986, p.l2), representa 1,5% da população nacional total, um percentual
alto, considerando a precária estrutura para lidar com essa realidade. A Proposta Curricular para
Deficientes Auditivos do Centro Nacional de Educação Especial (1979, p.l 10) afirma que “antes
de mais nada o deficiente auditivo é um ser física e mentalmente normal, com capacidade de
realizar as mesmas atividades físicas que a criança ouvinte”.
A deficiência auditiva é definida por SILVA (l99O,p.l 5) como “a perda definitiva da
capacidade de ouvir sons de intensidade inferior a 27 decibéis, freqüência média da voz humana.
Decibél (db) é uma unidade de som, A intensidade mínima que um indivíduo normal precisa
para detectar a presença de um som é considerada zero db. Para FERREIRA (1994,p.1 05) “a
deficiência auditiva caracteriza-se pela perda total ou parcial da capacidade de transmitir ou
perceber sinais sonoros”. BRITTO (l993,p.53) afirma que “visto em sua globalidade, o surdo
sem linguagem apresenta, em geral, distúrbios de ordem cognitiva, emocional e social.
Entretanto, a cerne desses problemas são os bloqueios no seu desenvolvimento lingüístico,
causados pela falta de “input” necessários”. Nos aspectos cognitivos, o deficiente auditivo sofre
perdas no seu desenvolvimento intelectual, onde os aspectos mais prejudicados são os que
envolvem comportamentos verbais. Os deficientes auditivos apresentam dificuldades para
formar conceitos, na generalização e abstração destes. Os aspectos emocionais são importantes
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
4
pois podem causar problemas de comportamento. A audição é um sentido fundamental para o
desenvolvimento da criança, pois é um dos canais através do qual o indivíduo entra em contato
com o meio ambiente. Dessa forma, AMIRALIAN (l986,p.2l) afirma que “o maior efeito da
perda auditiva, todavia, liga-se ao prejuízo de urna característica humana fundamental que é o
uso da linguagem (...); criança portadora de uma grave deficiência auditiva falta muito mais e
capacidade para ouvir os outros e adquirir linguagem, implica, além do empobrecimento dos
meios informativos, urna restrição da motivação da criança e todo um prejuízo em suas relações
afetivas”. Nessa perspectiva, a pessoa surda enfrenta alguns problemas de ordem sócioemocional, que atrapalham a sua integração na sociedade. Dentre eles, considerado como um dos
mais graves, a dificuldade para se comunicar.
A imagem corporal e auto-conceito representam outro fator relevante, segundo
FERREIRA(1994,p.107) “quando a criança amadurece e começa a dar significado ás
informações visual e verbais é que a imagem corporal e o auto-conceito são afetados por estes
sistemas”. Normalmente esta mudança começa entre 7 e 8 anos. As crianças com deficiência
auditiva têm grande impacto nesta mudança. Alguns trabalhos sugerem que o desenvolvimento
motor da criança com deficiência auditiva está freqüentemente retardado. A coordenação motora
também é apontada por vários autores como inferior.
A comunicação do indivíduo deficiente auditivo, geralmente acontece. através da Língua
de Sinais. Entretanto, essa forma de comunicação às vezes é insatisfatória, devido a alguns
fatores como: a não universalização da Língua de Sinais, pois cada comunidade tem a sua, o que
dificulta tanto a comunicação surdo-surdo quanto surdo-ouvinte. “A ausência da função auditiva
acarreta urna modificação na organização neurológica de uni indivíduo, que leva a um bloqueio
no fluxo de mensagens. A comunicação corno um todo então, sofrerá interferência”
(CICCONE,1990, p.2l). A comunicação, é entendida por COOLEY (l9O5,p.2l8) corno “um
mecanismo pelo qual as relações humanas existem e se desenvolvem”. Nesse sentido, concordase com ATACK (1995.p.2) quando ele afirma que a “comunicação é uma via de duas mãos.
tratando-se de um processo de compartilhar onde são necessárias duas pessoas. uma dando e
outra recebendo. De um modo geral, a comunicação tem por função transmitir informações.
Entretanto, a comunicação do deficiente auditivo toma-se deficitária, pois. a forma de
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
5
comunicação priorizada é a verbal, e o deficiente auditivo não consegue comunicar-se desta
forma.
A comunicação sem linguagem, dá-se através de gestos e/ou mímicas (linguagem
gestual). O gesto, segundo STOETZEL (1967,p22l) “ é um meio igualmente eficaz de acesso à
pessoa, tanto no que esta possui de permanente tanto no que é apenas disposição ou intenção
momentânea” De uma maneira geral, o homem usa o seu corpo para agir e para expressar-se em
diversas situações. O indivíduo deficiente auditivo apresenta essa necessidade cerceada e
frustrada. A frustração dessa necessidade, segundo Le BOULCH(1987.p.72) é fonte de malestar, de angústia, de neurose e pode mesmo levar a distúrbios mais graves do comportamento‟.
Nesse sentido, o homem usa o seu corno para agir e expressar-se em situações a que de\e se
ajustar, Através da expressão corporal, ele revela-se a outrem e assume urna relação de
significante e significado. Nesta perspectiva, REVERBEL (1 993,p.25) afirma que “as
capacidades de expressão - relacionamento, espontaneidade, imaginação, observação e percepção
são inatas no ser humano, mas necessitam ser estimuladas e desenvolvidas” . As pessoas que
portam deficiência precisam de estímulos que, quando precoces, podem auxiliar o
desenvolvimento e atenuar os problemas existentes. Dessa forma, acredita-se que o trabalho do
professor de Educação Física se encaixe nesse contexto, pois esta área do conhecimento se
propõe a auxiliar na formação integral da criança, fazendo uso das atividades físicas.
A Proposta Curricular para Deficientes Auditivos (l979,p.l38) sugere que “de um
programa de Educação Física ajustado ás necessidades do aluno, pode-se esperar resultados
positivos que atinjam a totalidade da personalidade. Estes resultados podem aparecer em todos
os domínios importantes da vida em seus aspectos físicos, psíquicos e sociais”.
A aula de Educação Física é, freqüentemente, o momento onde o auditivo pode igualar-se ao
ouvinte, pois a deficiência auditiva não e responsável diretamente por qualquer déficit no
desenvolvimento físico da criança (FERREIRA, l994,p.lO7). Contudo, essa aula de Educação
Física sofre alguns ajustes ou adaptações que possibilitem ao professor atingir os seus objetivos.
utilizando técnicas que tomem acessíveis os exercícios e os jogos ao portador da deficiência.
Concebeu-se, então, a chamada Educação Física Adaptada, que tem como objetivos gerais,
segundo PERALTA (1989, p.21). o desenvolvimento das capacidades de compreensão e
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
6
expressão que favorecem a comunicação: desenvolver atitudes e condutas desejáveis que
facilitem a autonomia e a adaptação e integração social, e, aquisição de habilidades e destrezas
que lhe orientam para a formação profissional. „E é justamente nesta área que a Educação Física
se torna um elemento primordial, criando condições para que essas pessoas superem suas
dificuldades, sendo reintegradas na sociedade, sendo capazes de tornarem-se pessoas produtivas
e conscientes de suas condições como humanos! (ROSADAS, 1994-,p. 48). Por fim, acredita-se
que nesse contexto o professor de Educação Física possa interagir na realidade do deficiente
auditivo, propiciando uma série de intervenções conseqüentes e oportunas.
3 OBJETIVOS DA PESQUISA
3.1 OBJETIVOS:

Verificar se a expressão corporal pode complementar a comunicação e a integração social
do deficiente auditivo, através da aplicação de técnicas de expressão corporal e jogos educativos;

Avaliar os efeitos dessa técnica na eficácia da comunicação do deficiente auditivo.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Participaram deste trabalho na fase inicial, 12 crianças com idade entre 7 e 10 anos.
Entretanto, somente foi possível levar o estudo adiante com 8 crianças deficientes auditivas (4
meninos e 4 meninas) com idade entre 7 e 9 anos, alunos de uma mesma turma mista do Centro
de Educação Especial “João Cardoso Nascimento Júnior”, por motivos de transferência das
outras crianças, devido ao término do tempo oficial de permanência no Centro de Educação
Especial para a Escola de 10 Grau” 11 de Agosto”. Na segunda fase, participaram 08 crianças
com idades entre 8 e 10 anos, deficientes auditivos, alunos de uma mesma turma mista da
„Escola de 1°Grau 11 de Agosto‟.
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
7
Optou-se por crianças de 7 a 10 anos porque, segundo o relato de profissionais da área, é
a partir dos sete anos que elas apresentam melhor entendimento e conhecimento da Língua de
Sinais, que permite ao observador uma compreensão literal daquilo que está sendo emitido.
As observações foram realizadas no pátio de recreação e na sala de aula do Centro de Educação
Especial, em situações de recreação livre, nas aulas Educação Física e nas aulas de alfabetização.
A aplicação das técnicas de expressão corporal, na segunda fase da pesquisa foi realizada com os
sujeitos da pesquisa de uma sala de aula da escola de 10 Grau l 1 de Agosto”, em situações de
recreação.
Para a consecução dos objetivos propostos fez-se necessário elaborar um procedimento
metodológico com duas fases: Na primeira fase da pesquisa. foi prevista urna série de 50 sessões
de observação direta do comportamento do deficiente auditivo na comunidade, sendo que, cada
criança seria observada durante 4 sessões de 10 minutos cada. Porém, por causa da mudança de
local da pesquisa, fez-se necessário diminuir a série de observações para 10 sessões. sem que
houvesse prejuízo para a coleta de dados. Cada criança foi observada durante 5 sessões de 5
minutos cada. As observações foram realizadas pelo observador desta pesquisa, treinado para tal.
Esta primeira fase da pesquisa, foi importante para coletar dados que possibilitasse traçar um
perfil de cada sujeito, além de melhor adaptação do trabalho na segunda fase.
Na segunda fase foram previstas 50 sessões de aplicação da metodologia, com três horas
de duração, com um intervalo de 30 minutos entre esse tempo. Cada criança foi observada
durante 20 minutos. Foram utilizadas técnicas de expressão corporal e jogos educativos que
enfatizaram o trabalho com as chamadas atividades globais de expressão por serem naturalmente
utilizadas pelas crianças. Tentou-se adaptar essas atividades com os conteúdos ministrados na
área pela professora da classe, visando complementar o aprendizado da linguagem de sinais pela
alfabetização, com o conteúdo das técnicas de expressão corporal.
As
técnicas
de
expressão corporal foram trabalhadas separadamente em 5 etapas ou conjuntos de atividades: 1º.
Conjunto de Atividades: foi trabalhado o relacionamento. visando adaptar a criança ao grupo; 2º.
Conjunto de Atividades: foi trabalhada a espontaneidade para favorecer o desenvolvimento das
capacidades expressivas; 3º. Conjunto de Atividades: foi trabalhada a imaginação que pode ser
representada através das linguagens corporal, verbal, gestual, gráfica, musical e plástica; 4º.
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
8
Conjunto de Atividades: foi trabalhada a observação, que serve corno ponto de partida para a
criação; 5º. Conjunto de Atividades: foi trabalhada a percepção, possibilitando a criança
desenvolver paralelamente a necessidade de comunicação e a organização da capacidade da
percepção.
Os jogos educativos são uma forma de educar a criança de forma lúdica, fazendo com
que ela perceba a sua realidade social refletida nestas atividades. Nos jogos educativos, as
crianças aprendem, segundo BAGATINI (1984), as regras dos jogos; atividades em grupos;
respeitar as regras do jogo e o adversário; aprende a perder e a ganhar; respeita limites e espaço;
freio inibitório.
A metodologia utilizada teve como teóricos REVERBEL(1993); GUIMARÃES (1989) e
tem como base os seguintes princípios: atividades de expressão que liberam a personalidade pela
espontaneidade e formam-na pela cultura; atividades artísticas permitem que o aluno se auto
expresse, explorando todas as formas de comunicação humana; o jogo educativo e polarizador de
interesses, estimula método ativos e úteis ao desenvolvimento global da criança, bem como
possibilita a um processo de aprendizagem prazeroso; exercícios psicomotores que trabalhem o
pensamento-ação, utilizando as sensações corporais da criança surda levando-a a urna
estruturação do seu e Ego, bem como a interação sujeito-situação, capacitando-a para a
compreensão do seu problema (a surdez).
Para as entrevistas com os pais dos alunos, foi elaborado um roteiro especifico abordando
questões sobre o cotidiano de seus filhos, enfatizando as dificuldades sofridas por eles com
relação à comunicação, tanto com os familiares corno com estranhos. O questionário foi aplicado
com os professores das instituições relacionadas, tendo urna receptividade de 100% dos
questionários nos horários de intervalo entre as aulas onde eram ministradas as técnicas de
expressão corporal com os alunos.
No primeiro e no segundo ano de pesquisa, nas primeiras fases, os dados foram coletados
através da análise das categorias de comunicação, avaliando-se os índices de freqüência e
eficiência, assim corno feita a caracterização da turma, observando-se alguns comportamentos da
turma. Foram coletados, dados das entrevistas e dos questionários, como dados adicionais. Na
segunda fase da pesquisa, os dados foram coletados através das observações dos resultados da
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
9
aplicação de atividades de expressão corporal e jogos educativos, assim como dados das
entrevistas e questionários.
Para melhor compreensão dos resultados, até aqui encontrados, fez-se necessário definir o
que se entende por comunicação. Neste trabalho, adotou-se a definição de COOLEY (citado por
STOETZEL,I967p.107): “ a comunicação é o processo pelo qual se transmitem as significações
entre pessoas”. Considerou-se ainda a definição de ATACK (l995,p.2O) segundo a qual‟ a
comunicação é urna via de duas mãos onde é preciso que duas pessoas compartilhem, urna
dando e outra recebendo urna informação”. Priorizou-se a forma de comunicação não verbal,
uma vez que, no caso do deficiente auditivo, a forma verbal de comunicação se toma inviável.
Para melhor compreensão dos tipos de comunicação do deficiente auditivo, os dados obtidos,
foram analisados separadamente, em 4 categorias de comunicação através: da Língua de Sinais,
da Linguagem Gestual; da Oralização a Associação das linguagens de sinais e a gestual.
1 - Língua de Sinais: compreende línguas de modalidade gestual visual, onde faz-se necessário
ter um conhecimento de sinais padronizados. Basicamente, nessa forma de comunicação, as
crianças observadas utilizavam as mãos para fazerem os sinais.
2 - Linguagem Gestual: dá-se através de gestos e/ou mímicas, onde as relações interpessoais
ocorrem utilizando o corpo. Esse tipo de Linguagem permite que na realização de certos gestos
seja possível dar indícios a outrem para que este responda, desenvolvendo-se urna comunicação
não-verbal.
3 - Oralização: prioriza o aprendizado da língua oral, com o objetivo de aproximar o deficiente
auditivo, o máximo possível do modelo ouvinte, sendo a língua muito mais como objeto do que
como instrumento do aprendizado global e da comunicação.
4 - Associação da Língua de Sinais e a Linguagem Gestual: nessa forma de comunicação as
crianças utilizavam as mãos para fazer os sinais juntamente com gestos e ou mímicas para
complementar as lacunas incompreensíveis na comunicação.
Todas as categorias foram analisadas a partir de critérios adotados como comunicação eficiente e
ineficiente. Entende-se por comunicação eficiente quando uma informação, que é passada de
uma pessoa (transmissor) para outra (receptor) é nitidamente entendida, e por comunicação
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
10
ineficiente, é aquela onde a passagem de urna informação não é, executada de urna forma
compreensível.
CONCLUSÃO
Os resultados obtidos indicam que as crianças pesquisadas, após a aplicação das
atividades baseadas nas técnicas de expressão corporal e jogos educativos, demonstraram uma
melhora significativa nas tentativas de comunicação. Tais resultados são muito importantes
levando-se em consideração que a criança surda sente-se mais segura na hora de comunicar-se
quando sabe que é capaz de fazer com que o outro a entenda. Dessa forma, ela busca auxílio nos
gestos do seu próprio corpo para passar urna informação para quem ainda não sabe transmitir
através dos sinais padronizados da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Os resultados obtidos
nesse estudo, em relação aos índices de eficiência nas tentativas de comunicação, nas quatro
categorias analisadas, apresentaram-se similares com exceção da Oralização - a qual ainda é
pouco usada. Entretanto, percebemos que a Linguagem Associada vem cada vez mais se
destacando, enquanto forma eficiente de comunicação. De urna maneira geral, quando
comparados os dados obtidos no primeiro ano de pesquisa com os atuais - os quais na primeira
fase não alcançaram 50% - percebe-se que, os índices de eficiência nas tentativas de
comunicação após a aplicação das atividades, baseadas nas técnicas de expressão corporal e
jogos educativos, mostraram urna melhora bastante significativa. Não foram encontrados na
literatura consultada, dados relativos a freqüência do uso das formas de comunicação e sua
eficiência. Entretanto, a Língua de Sinais - por ser uma forma de comunicação que exige do
deficiente auditivo conhecimento e memorização dos sinais padronizados - parece não
possibilitar uma aprendizagem eficiente. Nesse sentido, os resultados obtidos são relevantes, se
considerado que a criança surda sente-se mais segura na hora de comunicar-se, quando sabe que
é capaz de fazê-lo, fazer com que o outro lhe entenda. Dessa forma, ela busca auxilio nos gestos
do seu próprio corpo para efetuar com êxito urna informação - que ainda, não consegue passar,
somente através da Linguagem de Sinais. A Língua de Sinais por ser uma forma de comunicação
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
11
que exige do deficiente auditivo um conhecimento dos sinais padronizados, parece não
possibilitar urna aprendizagem eficiente.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMIRALIAN, Maria Lúcia Toledo Morais. Psicologia do excepcional - São Paulo: EPU, 1986.
ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL HELEN KELLER. O portador de deficiência auditiva e o
mercado competitivo de trabalho. Caxias do Sul
- 1991.
ATACK, SalIy M. Atividades artisticas para deficientes. Campinas- SP:
Papirus, 1995 -(Coleção Educação Especial.
BAGAT1NL Vilson F. Educação física para o excepcional - 5.ed. Porto Alegre. Sagra. 1984
BRASIL, MEC CENESP. Plano Nacional de Ação Conjunta para a Integração das Pessoas
Deficientes. l986p.l2.
BRASIL, MEC CENESP. Relatório de atividades da Comissão Nacional do Ano
Internacional das Pessoas Deficientes. l98l,p.S,
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
12
BRITTO, Lucinda Ferreira. Integração social e educação de surdos. Rio de Janeiro: Babel,
1993.
CARMO, Apolônio Abadio do. Deficiência física: a sociedade brasileira cria, recupera e
discrimina.2ed. Brasília: Secretaria dos Desportos PR,
1991.
CEC. Definição de criança deficiente 1. Congresso Mundial Sobre o Futuro da Educação
Especial, Stirling, 1978. 10. CENTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Atividades e
recursos pedagógicos para os deficientes da audição. CENESP - Rio de Janeiro FENAME‟
CENESP. 1993.
__________. Proposta curricular para deficientes auditivos. Brasilia: MEC/ DDD, vol. 1, II,
III, IV, V, VI e VIT, da U à 7 série, 1979.
CICCONE, Marta. Comunicação Total. Introdução estratégica a pessoa surda., Rio de
Janeiro Cultura Médica, 1990.
COMISSÃO COORDENADORA DISTRITAL DE LISBOA DO ANO INTER-NACIONAL
DO DEFICIENTE. Escola para todos - Brasília. CORDE, 1992.
COORDENADORIA NACIONAL PARA A INTEGRAÇÃO DA PESSOA PORTADORA DE
DEFICIENCIA. Mídia e deficiência manual de estilo. Brasília.CORDE, 1992.
COUTO, Alpia. Como posso falar: aprendizagem na língua portuguesa pelo deficiente
auditivo. Rio de Janeiro: Aula .Ed., 1988.
______. A deficiência auditiva: orientação básica. CENESP/IVIEC,1989.
C. SS.R Oates, Eugênio. Linguagem das mãos. São Paulo:Santuário, 1994.
FONSECA, Vitor. Educação especial. Porto Alegre: Artes Médicas; 1978.
Da filogênese á ontogenese da psicomotricidade .Porto Alegre. Artes Médicas. 1988.
Psicornotricidade.Porto Alegre. Martins Fontes,1988. 21. FERREIRA, Silvia. Atividades
motoras para deficientes auditivos. Curso de educação física e desporto para pessoas
portadoras de deficiência. Convênio SESI x SEDES – MEC 1994. (Apostilado).
FRETRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física; 4.ed.
São Paulo: Scipione, Série Pensamento e Ação no Magistério. 1994.
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
13
GÓES. Maria Cecilia Rafael de . Linguagem, surdez e educação - Campinas SP: Autores
Associados,1996.
MART1N, M. C, Surdez. 5ed. Porto Alegre: Artes Médica, 1995.
MACHADO. M, Therezinha de C. Diagnóstico: urna ação multiprofissional. Boletim de
Educação Especial Programa n° 14. Um Salto para o Futuro,1993.
MTNISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. 2º Encontro de alfabetizados de deficientes auditivos. Rio
de Janeiro: INES, 1989,
MOTTA, Cirley. Urna experiência na área de educação física em escola especializada para
deficientes auditivos. Revista Brasileira de Educação Física . n° 23. Ministério da Educação e
Cultura, 1974
LAGRANGE. Georges. Manual de psicomotricidade. Coleção Técnicas de Educação. Lisboa:
Estampa. 1977.
Le BOULCH. Jean. Rumo a uma ciência do movimento humano - Porto Alegre: Artes
Médicas, 1987.
PERALTA, H. Educação fisica, deportes y recreacion para personas en silias de ruedas.
Colombia: Gerninis. 1989.
REVERBEL, Olga .Jogos teatrais na escola: atividades globais de expressão. 2.ed. São Paulo:
Scipione: Pensamento e Ação.
RIBAS. J. O que das pessoas deficientes São Paulo. Nova Cultural:
Brasiliense,1985.
ROSADAS, Sidney de Carvalho. Um estudo introdutório de educação física adaptada.
Ensaios: Educação Física e Esporte - Vitória CEF e DESPCRTO/UFES. vol 1, 1993.
___________. Deficiência física e sociedade: desconhecimento ou discriminação? Ensaios:
educação física e esporte Vitória CEF e Desportos UFES. Vol. 2,1994.
SANTOS, T.M. e RUSSO, I.C.P. A prática da audiologia clinica. São Paulo: Cortez, 1991.
STOETZEL, Jean. Psicologia Social. São Paulo: Nacional. Iniciação Cientifica, V. 29,1996.
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
14
*Especialista em Psicopedagogia – FSLF; em Competência e Docência em Nível Superior – FSLF e em
Metodologia do Ensino em Educação Física Escolar – ECMAL/AL. Licenciada em Pedagogia-FSLF e em Educação
Física-UFS. Professora da Faculdade São Luís de França e da rede municipal de Nossa senhora do Socorro/SE.
Membro integrante do grupo de Pesquisa GPGFOP/Unit/Capes/Cnpq e do Programa Observatório da Educação –
TRANSEJA/Unit/Capes/Inep. Membro da FAPITEC/SE; e-mail:[email protected]
Download

educação física, gesto e comunicação do deficiente auditivo