Recuperação Paralela de Português – 3ª série EM – 3° Bimestre
1. Passe as frases da voz ativa para a voz passiva
analítica:
a) Dois funcionários devem rever o processo.
b) O faro dos cães guiava os caçadores.
c) A televisão transmitirá o jogo final ao vivo”.
d) O técnico da seleção brasileira deveria ter convocado o jogador corintiano.
e) A assembléia aplaudiu com vigor as palavras do
candidato.
f) Os pesquisadores orientarão os alunos.
g) Um dos diretores da empresa apresentaria a
proposta.
h) A prosperidade fizera poucos amigos.
2. Passe as frases abaixo, que estão na voz ativa,
para passiva sintética.
a) As guerras destroem vidas indiscriminadamente.
b) Os amantes fizeram as pazes.
c) Encerraram as inscrições.
d) Organizarão novos programas.
e) Nesta praça realizam comícios.
3. Escolha a forma verbal entre parênteses que
completa correta mente a lacuna.
a) “ _______________-se às poesias o nome de
Primeiros Cantos.”
(Deu/Deram)
b) _______________________-se todos os ritmos
da metrificação portuguesa.
(Adotou/Adotaram)
c) _______________________________-se em
milagres?
(Acredita/Acreditam)
d) ____________________________-se algumas
questões.
(Anulou/Anularam)
e) _____________________________-se muitos
boatos tenebrosos.
(Ouviu/ Ouviram)
f) ____________________________-se de questões importantes.
(T rata/Tratam)
g) __________________________-se em condições subumanas nas grandes cidades.
(Mora/Moram)
h)_______________________-se dez latas de refrigerante. (Bebeu/ Beberam)
Estes meus olhos nunca perderán(1),
senhor, gran coita, mentr’eu(2) vivo for;
e direi-vos, fremosa mia senhor,
destes meus olhos a coita
que han(3):
choran e cegan quand’alguen non veen(4),
e ora cegan por alguen que veen.
Guisado teen de nunca perder
meus olhos coita e meu coraçon(5),
e estas coitas, senhor, mias(6) son,
mais(7) os meus olhos, por alguen veer,
choran e cegan quand’alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
E nunca já poderei haver bem(8),
pois que amor já non quer nem quer Deus;
mais os cativos destes olhos meus
morrerán sempre por veer alguen:
choran e cegan quand’ alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
(Joan Garcia de Guilhade, séc. XIII)
(1)perderão
(2) enquanto
(3) hão (têm)
(4) veem
(5) Meus olhos e meu coração têm o hábito de
nunca sofrer por amor
(6) minhas
(7)mas
(8) ter felicidade, recompensa amorosa
4. a)Qual o paradoxo (o contra-senso, a contradição) que o poeta aponta no comportamento de seus
olhos e qual a explicação desse paradoxo?
b)Você diria que na segunda e na terceira estrofe o
poeta desenvolve o conteúdo da primeira ou que
ele o repete, com pequenas variações? Por quê?
c)Qual a classificação desta cantiga? Justifique.
COLÉGIO OBJETIVO
1
d)Como se chamam os dois versos que se repetem,
sem variação, no fim das estrofes?
e)T ranscreva o refrão da cantiga apresentada.
SEDIA LA FREMOSA SEU SIRGO T ORCENDO
(Estêvão Coelho)
Sedia la fremosa seu sirgo torcendo,
Sa voz manselinha fremoso dizendo
Cantigas d'amigo.
Sedia la fremosa seu sirgo lavrando,
Sa voz manselinha fremoso cantando
Cantigas d'amigo.
- Par Deus de Cruz, dona, sey que avedes
Amor muy coytado que tan ben dizedes
Cantigas d'amigo.
Par Deus de Cruz, dona, sey que andades
D'amor muy coytada que tan ben cantades
Cantigas d'amigo.
- Avuytor comestes, que adevinhades,
(Cantiga n°321 - CANC. DA VAT ICANA.)
EST AVA A FORMOSA SEU FIO
T ORCENDO
(paráfrase de Cleonice Berardinelli)
Estava a formosa seu fio torcendo,
Sua voz harmoniosa, suave dizendo
Cantigas de amigo.
Estava a formosa sentada, bordando,
Sua voz harmoniosa, suave cantando
Cantigas de amigo.
- Por Jesus, senhora, vejo que sofreis
De amor infeliz, pois tão bem dizeis
Cantigas de amigo.
Por Jesus, senhora, eu vejo que andais
Com penas de amor, pois tão bem cantais
Cantigas de amigo.
- Abutre comeste, pois que adivinhais.
5. O paralelismo é um dos recursos estilísticos
mais comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca. Consiste na ênfase de uma idéia central, às vezes repetindo expressões idênticas, palavra por palavra, em séries de estrofes paralelas. A partir destas observações, releia o texto de Estêvão Coelho e
responda:
a) O poema se estrutura em quantas séries de estrofes paralelas? Identifique-as.
b) Que ideias centrais são enfatizadas em cada série paralelística?
6. Considerando-se que o último verso da cantiga
caracteriza um diálogo entre personagens; considerando-se que a palavra "abutre" grafava-se
"avuytor", em português arcaico; e considerandose que, de acordo com a tradição popular da época,
era possível fazer previsões e descobrir o que está
oculto, comendo carne de abutre, mediante estas
três considerações:
a) Identifique o personagem que se expressa em
discurso direto, no último verso do poema;
b) Interprete o significado do último verso, no contexto do poema.
7. Com relação ao Auto da Barca do Inferno, suas
personagens e seu autor, assinale V (verdadeiro)
ou F (falso).
a)O auto atinge seu clímax no episódio do Fidalgo,
que encerra a peça. ( )
b) O Auto da Barca do Inferno apresenta personagens representativas da sociedade medieval. ( )
c) O Onzeneiro é o agiota, pessoa que empresta
dinheiro a juros altos. ( )
d) Brísida Vaz é cafetina (alcoviteira), ou seja, dona de prostíbulo. ( )
e) O Corregedor representa a reta Justiça, praticada
por ele em vida. ( )
f) O Diabo é o capitão da Barca do Inferno. É dissimulado e irônico. ( )
g) O Anjo é o capitão da Barca do Céu. É brincalhão e flexível. ( )
h) As personagens são caricaturas de tipos sociais.
( )
i) A peça transcorre numa sucessão de quadros
(cenas). ( )
j) Gil Vicente é considerado o fundador do teatro
português. ( )
k) As personagens carregam consigo, após sua
morte, os objetos que representam seus pecados. (
)
l) O teatro vicentino rompe com os valores medievais, pois manifesta visão antropocêntrica (centrada no Homem e não em Deus). ( )
m) As personagens do Auto da Barca do Inferno apresentam psicologia própria, sendo, portanto,
errôneo dizer que se trata de personagens alegóricas. ( )
n) Preso aos valores cristãos, Gil Vicente tem como objetivo alcançar a consciência do homem,
lembrando-lhe que tem uma alma para salvar.( )
o) As figuras do anjo e do Diabo, apesar de alegóricas, não estabelecem a divisão maniqueísta do
mundo entre o Bem e o Mal. ( )
COLÉGIO OBJETIVO
2
p) As personagens com parecem nesta peça de Gil
Vicente com o perfil que apresentavam na terra,
porém apenas o Onzeneiro e o Parvo portam instrumentos de sua culpa. ( )
q) Gil Vicente traça um quadro crítico da sociedade portuguesa da época, porém poupa, por questões ideológicas e políticas, a Igreja e a Nobreza.
( )
8. Marque com C as afirmações corretas e
com E as erradas a respeito da obra Os Lusíadas,
de Camões.
a) Quando a ação do poema começa, as naus portuguesas estão navegando em pleno Oceano Índico, portanto no meio da viagem. ( )
b) Na Ilha dos Amores, após o banquete, T étis
conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde
lhe desvenda a “ Máquina do Mundo”. ( )
c) Baco é contrário aos portugueses. Vênus e Marte os defendem. ( )
d) A narrativa dos Doze de Inglaterra é cavaleiresca. ( )
e) Inês de Castro é aquela “ que depois de ser morta
foi rainha”. ( )
f) O episódio do Gigante Adamastor simboliza os
perigos naturais enfrentados pelos navegantes. ( )
g) O discurso do Velho do Restelo está em oposição ao da exaltação da empresa navegadora posta
em marcha pela Coroa Portuguesa. ( )
h) Sobrevive, em alguns episódios, a medida velha dos cancioneiros medievais.( )
i ) A narrativa da viagem é cronologicamente linear. ( )
j)T êm como modelos: a Eneida, de Virgílio,
a Odisseia, de Homero, Orlando Furioso, de Ariosto, e revelam grande erudição literária, histórica
e geográfica.( )
k) T êm como fontes históricas os cronistas medievais (Fernão Lopes, Zurara e Rui de Pina) e a literatura dos viajantes.( )
l) É uma obra que traduz uma cultura exclusivamente livresca, já que seu autor viveu muito depois
dos fatos narrados no episódio central.( )
m) Como Eneias e Ulisses, Vasco da Gama é o
protagonista que concentra em si toda a ação épica.( )
n ) O título no plural indicia o caráter coletivo do
herói principal — o povo português.( )
o) Confluem no poema um ideário nacional, um
ideal religioso e um ideal humanístico.( )
9.Complete:
Os Lusíadas são a primeira tentativa bem-sucedida
na Europa moderna de construir um poema épico
sobre um modelo antigo. Camões segue os modelos de Homero (a Ilíada e a Odisséia) e de Virgílio
(A
Eneida).
A epopéia é poesia heróica, celebra aventuras geralmente guerreiras, cujo sentido grandioso
se liga à vida da sociedade a que pertence. O autor
épico________(1) dá voz aos sentimentos gerais
por meio de _____________(2), que é o narrador;
e o herói não é um indivíduo mas sim o coletivo:_________________(3)
.
O assunto, adequado ao tempo,
é_______________(4), feita em 1497-1499, o descobrimento do caminho marítimo para as Índias,
com interpolações da história portuguesa. Fala de
homens reais, cujos feitos ultrapassam todos os
feitos fictícios dos heróis mitológicos.
O
momento
histórico
é
o_____________________(5), época de expansão
das fronteiras do mundo conhecido — expansão do
espaço (descobriu-se grande parte do planeta), no
tempo (redescobriu-se toda a Antigüidade) e no
espírito (ampliou-se enormemente o conhecimento
e iniciou-se a investigação científica do mundo).
O poema divide-se em _____ (6)cantos,
______(7)versos decassílabos, distribuídos em
_________(8)estrofes, com uma ordem especial de
rimas____________ (9)chamada oitava-rima.
Como impõe a tradição clássica, a epopéia
de Camões tem_______(10)partes, como toda
epopéia.
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo, a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol e o dia;
Enquanto, com gentil descortesia,
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda flor sua pisada.
Oh, não aguardes, que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
10. a)O poema anterior, de Gregório de Matos, é,
na verdade, uma tradução-adaptação de dois sonetos do grande poeta barroco espanhol Gôngora.
T rata-se de um excelente exemplo do estilo metafórico do Barroco. Na primeira estrofe, a beleza do
rosto da mulher é descrita por meio de três metáforas. Quais são elas e a que correspondem?
b)Qual é a metáfora associada ao tempo, na terceira estrofe? Qual o aspecto, ou quais os aspectos, do
tempo ressaltado(s) por essa metáfora?
COLÉGIO OBJETIVO
3
c)Qual é a figura de linguagem do último verso e
qual é a idéia por ela expressa?
Nos dois poemas a seguir, T omás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem, de maneira diferente,
sobre a passagem do tempo, dela extraindo uma
"filosofia de vida". Leia-os com atenção:
LIRA 14 (Parte I)
Minha bela Marília, tudo passa;
a sorte deste mundo é mal segura;
se vem depois dos males a ventura,
vem depois dos prazeres a desgraça.
....................................................................
Que havemos de esperar, Marília bela?
que vão passando os florescentes dias?
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;
e pode enfim mudar-se a nossa estrela.
Ah! não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.
(T OMÁS ANT ÔNIO GONZAGA," Marília de Dirceu")
Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(RICARDO REIS, "Odes")
11. a) Em que consiste a "filosofia de vida" que a
passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema
de T omás Antônio Gonzaga?
b) Ricardo Reis associa a passagem do tempo às
estações do ano. Que sentido é dado, em seu poema, ao outono?
c) Os dois poetas valorizam o momento presente,
embora o façam de maneira diferente. Em que
consiste essa diferença?
Recreios Campestres na Companhia de Marília
Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?
Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!
Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira:
Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.
(Bocage, OBRAS DE BOCAGE)
12. No soneto acima citado de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), verificam-se características do estilo neoclássico, de que Bocage é o
máximo representante em Portugal.
a)Indique duas dessas características, exemplificando cada uma delas com palavras, expressões ou
passagens do poema.
Dois versos seguidos deste poema, contrastados
com outros doze, revelam que o poeta pode ter duas reações diferentes e opostas ante a paisagem que
descreve, de acordo com a ocorrência ou não de
um determinado fato. Partindo deste dado, responda:
b) quais os dois versos a que nos referimos?
c) o que nos revela o poeta neles?
Podemos afirmar, sem exagero, que este soneto de
Bocage, pelas características formais e pelo conteúdo, poderia ser assinado por poetas do neoclassicismo brasileiro. Encontra-se no poema, aliás, uma
palavra que remete ao título de um livro de poemas
de um dos mais destacados neoclássicos do Brasil.
Depois de avaliar no soneto de Bocage o dado que
mencionamos,
d) aponte o nome do poeta e da obra do neoclassicismo brasileiro a que nos referimos:
SERMÃO DO MANDATO
(fragmento)
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta,
tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a coração de cera?
São as afeições como as vidas, que não há mais
certo sinal de haverem de durar pouco, que terem
durado muito. (...) Por isso os Antigos sabiamente
pintaram o amor menino; porque não há amor tão
robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma
o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira;
embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe
os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. (...) O tempo tira
as novidades às cousas, descobre-lhe os defeitos,
enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o
COLÉGIO OBJETIVO
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uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa
de não amar, e o ter amado muito, de amar menos.
(Padre Antônio Vieira)
13. a)Sobre o que trata esse fragmento do Sermão
do Mandato?
b) Chama-se gradação a “ figura que consiste em
dispor várias palavras ou expressões que se enriquecem mutuamente em progressão ascendente ou
descendente”. T ranscreva um trecho do texto em
que essa figura aparece.
14. Coloque (V) ou (F) para as seguintes afirmações:
( ) O Barroco é o primeiro grande período artístico no Brasil. Nas artes plásticas há destaque para
a figura do Aleijadinho; na Literatura, para o poeta
Gregório de Matos Guerra.
(
) No texto barroco, a linguagem é retorcida,
com bastantes jogos verbais, enfatizando a prolixidade e o estilo confuso.
( ) No texto neoclássico, a linguagem é racional,
as imagens são conhecidas e repetidas (chavões,
lugares-comuns).
( ) No Barroco, tanto quanto no Neoclassicismo,
os poetas abordaram aspectos como dúvida, angústia e tédio, sob a forma de um sentimentalismo lacrimoso.
(
) Pombal expulsou a Companhia de Jesus de
Portugal.
(
) Os poetas árcades adotavam pseudônimos
franceses.
(
) A literatura do Arcadismo em Portugal não
podia falar de assuntos “ perigosos”para o governo.
( )O Brasil vivia o ciclo do ouro e a capital transfere-se de Salvador para Minas Gerais.
( ) Os poetas árcades não compunham poemas
bucólicos por falta de inspiração.
( )O Neoclassicismo é um movimento oposto ao
Barroco, porque procurava a simplicidade.
Chão de Estre las
(Sílvio Caldas e Orestes Barbosa)
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher - pomba-rola que voou.
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas,
Pareciam um estranho festival:
Festa dos nossos trapos coloridos,
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional!
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso chão...
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão...
Horas de Saudade
(Castro Alves)
Tudo vem me lembrar que tu fugiste,
Tudo, que me rodeia, de ti fala.
Inda a almofada, em que pousaste a fronte,
O teu perfume predileto exala.
No piano saudoso, à tua espera,
Dormem sono de morte as harmonias:
E a valsa entreaberta mostra a frase,
A doce frase qu'inda há pouco lias.
No ramo curvo o ninho abandonado
Relembra o pipilar do passarinho.
Foi-se a festa de amores e de afagos...
Eras - ave do céu... minh'alma - o ninho!
Por onde trilhas - um perfume expande-se
Há ritmo e cadência no teu passo!
És como a estrela, que transpondo as sombras,
Deixa um rastro de luz no azul do espaço...
E teu rastro de amor guarda minh'alma,
Estrela, que fugiste a meus anelos,
Que levaste-me a vida entrelaçada
Na sombra sideral de teus cabelos!...
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões...
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações.
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou...
E, hoje, quando do sol a claridade
Vou Re tratar a Marília.
(T omás Antônio Gonzaga.)
Vou retratar a Marília,
a Marília, meus amores;
porém como? se eu não vejo
COLÉGIO OBJETIVO
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cas. Compare a segunda estrofe de "Chão de Estrelas" com a terceira estrofe do poema de Castro Alves e, a seguir, aponte:
a) uma semelhança na caracterização dos ambientes;
b) uma semelhança na caracterização de amadas.
quem me empreste as finas cores:
dar-mas a terra não pode;
não, que a sua cor mimosa
vence o lírio, vence a rosa,
o jasmim e as outras flores.
Ah! socorre, Amor, socorre
ao mais grato empenho meu!
Voa sempre os astros, voa,
traze-me as tintas do céu.
18. Casimiro de Abreu é um poeta romântico e
Cacaso é um poeta contemporâneo. "E Com Vocês
a Modernidade", de Cacaso, remete-nos ao poema
"Meus Oito Anos", de Casimiro de Abreu. Leia,
com atenção, os dois textos a seguir transcritos e,
aproximando seus elementos comuns e distinguindo os elementos divergentes, explique como o poema contemporâneo dialoga com a tradição romântica.
.....................................................................
Só no céu acha-se podem
tais belezas como aquelas,
que Marília tem nos olhos,
e que tem nas faces belas;
mas às faces graciosas,
aos negros olhos, que matam,
não imitam, não retratam
nem auroras nem estrelas.
Ah! socorre, Amor, socorre
ao mais grato empenho meu!
Voa sobre os astros, voa,
traze-me as tintas do céu
"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
15. Comparando o texto do jornalista e poeta seresteiro Orestes Barbosa (musicado por Sílvio Caldas)
com o fragmento do poema de Castro Alves, verificamos que ambos, embora focalizem ambientes
sociais diferentes, tratam basicamente do mesmo
tema. Releia os textos em questão e, a seguir, indique:
a) o tema comum a ambos os poemas;
b) um verso ou sequência de versos de cada poema
que façam referência ao tema.
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
à sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!"
(Casimiro de Abreu, "Meus oito Anos")
"Meu verso é profundamente romântico.
Choram cavaquinhos luares se derramam e vai
por aí a longa sombra de rumores e ciganos.
Ai que saudade que tenho de meus negros verdes
anos!"
(Cacaso, "E Com Vocês a Modernidade",
poema de Beijo na Boca, 1975)
16. A comparação da mulher amada com imagens
celestes é tradicional na literatura. A mulher, no
romantismo de Castro Alves, é comparada com
uma estrela, ("és como a estrela, que transpondo as
sombras, / deixa um rastro de luz no azul do espaço"); na idealização arcádica de T omás Antônio
Gonzaga, o poeta afirma que, para descrever a beleza de Marília, são necessárias "as tintas do céu" e
nem as auroras nem as estrelas são capazes de imitar ou retratar os olhos dela. T omando por base
este comentário:
a) explique o caráter inovador de Orestes Barbosa
em seu poema;
b) comprove sua explicação com exemplos tomados de "Chão de Estrelas".
17. Já vimos que os poemas de Orestes Barbosa e
de Castro Alves apresentam algumas semelhanças
genéricas em níveis temático e métrico. Lendo
atentamente ambos os textos, poderemos perceber
a ocorrência de outras semelhanças mais específiCOLÉGIO OBJETIVO
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