Ministério das Relações Exteriores Departamento de Promoção Comercial e Investimentos Divisão de Inteligência Comercial Guia de Negócios Moçambique Guia de Negócios Moçambique Guia de Negócios MOÇAMBIQUE SUMÁRIO DADOS BÁSICOS............................................................................................................... 5 PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICO-COMERCIAIS...................................................... 5 1. LOCALIZAÇÃO E GEOGRAFIA......................................................................................... 6 2. ECONOMIA.................................................................................................................... 7 2.1. Evolução Recente da Economia........................................................................... 7 Tabela 1 – Moçambique: Evolução do Produto Interno Bruto 9(PIB).......................... 7 2.2. Política Fiscal e Monetária.................................................................................... 9 2.3. Setores da Economia......................................................................................... 10 3. COMÉRCIO EXTERIOR TOTAL...................................................................................... 12 3.1. Visão Geral........................................................................................................ 12 Tabela 2 – Moçambique: Evolução do Comércio Exterior........................................ 12 3.2. Serviços............................................................................................................ 13 3.3. Política Comercial.............................................................................................. 13 3.4. Exportações...................................................................................................... 13 Gráfico 1: Participação dos Principais Compradores de Moçambique.................... 14 Gráfico 2: Produtos que o Mundo Importa de Moçambique.................................... 15 3.5. Importações...................................................................................................... 15 Gráfico 3: Participação dos Principais Fornecedores de Moçambique.................... 16 Gráfico 4: Produtos que o Mundo Exporta para Moçambique................................. 17 4. PANORAMA COMERCIAL ENTRE O BRASIL E O MOÇAMBIQUE.................................... 18 4.1. Intercâmbio Comercial Bilateral.......................................................................... 18 Tabela 3 – Brasil-Moçambique: Evolução do Intercâmbio Comercial....................... 18 4.2. Composição do comércio, por Fator Agregado................................................... 19 Tabela 4 – Brasil-Moçambique: Exportações e Importações por Fator Agregado.... 19 4.3. Exportações Brasileiras para Moçambique......................................................... 19 4.4. Importações Brasileiras Originárias de Moçambique.......................................... 20 4.5. Balança Comercial Bilateral................................................................................ 21 5. CRUZAMENTO ESTATÍSTICO ENTRE AS PAUTAS.......................................................... 22 Tabela 5: Cruzamento entre a Oferta Exportadora Brasileira e a Demanda Importadora de Moçambique................................................................. 22 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 3 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 6. OPORTUNIDADES PARA EMPRESAS BRASILEIRAS...................................................... 23 Gráfico 6: Moçambique: principais oportunidades para as exportações brasileiras........... 23 6.1. Sistema Tarifário e União Aduaneira................................................................... 24 6.2. Infraestrutura..................................................................................................... 24 6.3. Pesquisas de Mercado...................................................................................... 24 6.4. Informações sobre Produto............................................................................... 25 6.5. Licitações.......................................................................................................... 25 6.6. Cooperação Técnica.......................................................................................... 25 6.7. Feiras e Exposições........................................................................................... 26 7. DOCUMENTAÇÕES E FORMALIDADES......................................................................... 27 7.1. Cenário............................................................................................................. 27 7.2. Inspeção Pré-Embarque..................................................................................... 28 7.3. Encargos Aduaneiros......................................................................................... 28 7.4. Requisitos Gerais.............................................................................................. 28 7.5. Requisitos para o Importador............................................................................. 29 7.6. Benefícios Fiscais.............................................................................................. 29 7.7. Documentação e Formalidades – Abertura de Empresa...................................... 30 8. INVESTIMENTOS.......................................................................................................... 31 8.1. Investimentos Estrangeiros Diretos.................................................................... 31 8.2. Investimentos Diretos do Brasil em Moçambique............................................... 32 8.3. Empresas brasileiras em Moçambique............................................................... 32 8.4. Abertura de Negócios........................................................................................ 34 8.5. Oportunidades de Investimentos........................................................................ 35 Gráfico 6 – Moçambique: Origem dos Investimentos.............................................. 39 Gráfico 7 – Moçambique: Investimentos Anunciados............................................. 40 9. PRESENÇA BRASILEIRA.............................................................................................. 41 10. LINKS ÚTEIS.............................................................................................................. 42 10.1 Brasil............................................................................................................... 42 10.2 Moçambique.................................................................................................... 43 4 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE MOÇAMBIQUE População (2012) 22,46 milhões 2000/2005: 2,6% 2005/2010: 2,3% Taxa de crescimento médio da população IDH (índice e posição) (2011) Índice: 0,322 Ranking: 184º 2011 2050 Pirâmide etária 0 a 14 43,9% 31,9% 15 a 59 51,0% 60,9% a partir de 60 5,1% 7,2% Composição da população (2010) Urbana: 38% Rural: 62% Principais cidades Maputo (2 milhões); Nampula (576 mil); Beira (442 mil) População abaixo da linha de pobreza (2008) 54,7% Agricultura: 80,5% Indústria: 3,4% Serviços: 16,1% Distribuição setorial da PEA (2003) Taxa de analfabetismo (2009) 45% Anos de vida escolar (2007) Total: 9 anos Homens: 10 anos Mulheres: 8 anos Religião (1997) 24% católicos - 18% muçulmanos - 8% protestantes e 24% sem religião Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial. FONTES FMI OCDE IDH/ONU ONU ONU World Bank EIU ONU World Bank ONU ONU ONU PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICOS (2012) PIB Nominal US$ 14,64 bilhões Crescimento real do PIB 7,5% PIB Nominal "per capita" US$ 652 PIB PPP US$ 26,21 bilhões PIB PPP "per capita" US$ 1.167 Inflação 5,5% Reservas internacionais(1) US$ 2,89 bilhões Câmbio (MT / US$)(1) 30 Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do FMI/ World Economic Outlook Database October 2012 (1) EIU, The Economist Intelligence Unit, Country Report March 2013 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 5 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 1. LOCALIZAÇÃO E GEOGRAFIA Moçambique localiza-se na costa oriental da África Austral. Faz fronteira com seis países: Suazilândia, África do Sul, Zimbábue, Malaui, Zâmbia e Tanzânia, além do Canal de Moçambique e o Oceano Índico. Possui população de aproximadamente 22,5 milhões de habitantes (2012), segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). O país ocupa extensão de 799 mil Km2. Moçambique é o 34º país do mundo em termos de extensão e, comparando-o com o território dos estados brasileiros, é pouco menor que Mato Grosso. As principais cidades do país são Maputo (a capital), Nampula e Beira. 6 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 2. ECONOMIA 2.1. Evolução Recente da Economia As avaliações da economia moçambicana convergem em diagnóstico positivo do desempenho econômico e nas perspectivas favoráveis e sustentáveis para os próximos anos. Demonstração eloquente do otimismo com Moçambique foi a decisão tomada este ano, sob endosso do FMI, de expandir o limite de endividamento do país de US$ 900 milhões para US$ 1,5 bilhão, de modo a acomodar o levantamento de créditos não-concessionais para projetos de infraestrutura de grande porte. A decisão reflete confiança na capacidade de o país gerir sua dívida externa. O crescimento do PIB tem se mantido forte (oscilando entre 6,3% a.a. e 7,5% a.a. no período 2008-2012) em função, sobretudo, das atividades de mineração e construção de infraestruturas de transporte. Os setores tradicionais têm apresentado bom desempenho, ainda que, estando sujeitos a ambiente de negócios relativamente desfavorável e à ausência pontual de estruturas essenciais ao pleno desenvolvimento, revelem contraste com a economia dinâmica ligada à exploração de recursos naturais, de caráter capital-intensivo. Na tabela 1, apresenta-se a evolução do PIB de Moçambique: TABELA 1 MOÇAMBIQUE: EVOLUÇÃO DO PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) Discriminação Variação real 2008 2009 2010 2011 2012 6,9% 6,3% 7,1% 7,3% 7,5% Elaborado pelo MRE/DPR/DIC, com base em dados do FMI / World Economic Outlook Database, October 2012. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 7 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios O ambiente externo pode ser considerado desfavorável, tendo em vista os impactos da crise da zona Euro sobre o desempenho de países africanos – em particular aos não-produtores de petróleo. Tem havido redução de desembolsos de ajuda financeira e queda de importações. Não obstante esse quadro, o conjunto de países da África Subsaariana, incluindo Moçambique, tem mantido crescimento econômico acima da média mundial. A região – sobretudo se se excetuar a África do Sul – tem mostrado resistência à crise e capacidade de sustentar elevadas taxas de crescimento em cenário adverso, impulsionadas pelos investimentos na exploração de recursos naturais, com destaque para sucessivas descobertas de jazidas. Na África Austral, Moçambique destaca-se tanto pelas taxas de crescimento acima da média regional, quanto pelas recentes descobertas de imensos depósitos de gás, além dos importantes investimentos na extração de carvão da província de Tete, possivelmente a maior província carbonífera em escala mundial. Segundo as últimas avaliações do FMI, Moçambique registrar significativo crescimento real de 8,4% em 2013 e de 8,0% em 2014, apesar das adversidades do cenário internacional. São resultados claramente acima da média mundial estimada pelo mesmo organismo, que permitem sustentar previsões muito otimistas em horizonte temporal mais longo. Nesse contexto, projeta-se que investimentos externos, sobretudo no setor de mineração, mas também de gás e outros, continuem a contrabalançar eventuais efeitos adversos da crise internacional como a retração do comércio mundial e das doações internacionais. Não há, a médio prazo, riscos de reversão desse cenário. A longo prazo, os investimentos em atividades extrativas (carvão e gás e possivelmente outros minerais e até petróleo), bem como as receitas provenientes dessas atividades e de exportações decorrentes, constituem ativos capazes de sustentar boas perspectivas e sustentabilidade do bom desempenho atual. 8 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 2.2. Política Fiscal e Monetária A inflação segue desacelerando nos últimos meses, do patamar de 16,6%, em 2010, para 2,2%, em 2012. Para esta evolução, foi fundamental a adoção de política fiscal e monetária mais restritiva em fins de 2011. Também contribuiu para tal desempenho a melhoria dos preços internacionais de determinados produtos-chave da economia moçambicana, a obtenção de boas colheitas e a valorização da moeda local – o Metical – com a conseqüente redução de despesas com substanciais e vitais importações de combustíveis e alimentos. A queda da inflação também permitiu a redução das taxas de juros referenciais, o que contribuiu como medida anticíclica para mitigar efeitos da deterioração da conjuntura econômica mundial. O Comitê de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO) decidiu, em 2012, reduzir a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) para 9,5%; reduzir a taxa de juro da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) para 2,25% e manter fixado em 8% o coeficiente de Reservas Obrigatórias. Determinou, ainda, a intervenção nos mercados interbancários de modo a assegurar a expansão limitada da Base Monetária. Prevê-se novo aumento dos índices de preços, para 4,5% em fins de 2013. A tendência de acirramento da inflação seria resultado do bom desempenho econômico, do fluxo de investimentos estrangeiros e da adoção de medidas de estímulo anticíclicas pelas autoridades monetárias moçambicanas (alívio fiscal e monetário pontuais), com o aval das autoridades do FMI, que concordaram com “o desejo das autoridades moçambicanas de mitigar o possível impacto de uma desaceleração global através da adoção de políticas mais acomodatícias”, conforme comunicado emitido pelo Fundo, em meados de junho do ano de 2012. Recentes missões do FMI ao país endossaram as políticas fiscais e os resultados e dados econômicos do Banco de Moçambique (Banco Central). Alguns registros negativos, como a arrecadação ligeiramente inferior à prevista e a redução dos investimentos internos, não comprometeram o cumprimento de Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 9 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios metas e, portanto, a integridade do programa acordado com o FMI – que verifica e atesta, entre outros pontos, a capacidade de endividamento de Moçambique. A redução dos investimentos domésticos decorreu, em grande medida, da diminuição da ajuda financeira direta ao orçamento do Estado, em razão do descumprimento do cronograma de desembolsos pelos países doadores, por conta das presentes incertezas de caráter global. O governo trabalha para diminuir a dependência moçambicana em relação às doações internacionais, demonstrando maior autonomia orçamentária e êxito na geração de receitas. De todo modo, apesar dos aspectos negativos relacionados à crise financeira, as reservas internacionais de Moçambique continuaram a crescer, alcançando U$ 2,53 bilhões em 2012, estimuladas pelas fortes entradas de capitais privados. 2.3. Setores da Economia Agricultura. A Agricultura é o maior setor da economia em termos de geração de emprego, além disso, sua importância cresce ainda mais devido à busca do país por segurança alimentar. O setor está sendo beneficiado pelo crescimento na produção de culturas alimentares e comerciais, bem como pela aplicação do plano nacional do governo para a produção de alimentos. O setor registrou crescimento de 8,7% em 2011 e de 6,5% em 2012. Indústria. O setor industrial moçambicano é constituído basicamente pela mineração. A mineração, no entanto, vem impulsionando o crescimento moçambicano e atraindo fortes fluxos de investimentos estrangeiros. É, em grande parte, a esse setor que se deve a resiliência do país à crise econômica global. O país deverá incorporar novas plantas, sobretudo de gás e carvão, reforçando o porte da economia local e gerando excedentes exportáveis. Serviços - Os serviços de construção e engenharia, transportes e comunicação, estão sendo alavancados pelos mega-projetos de mineração. O lança10 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE mento da Estratégia de Desenvolvimento do Setor Financeiro para 2011-2020 está sendo um marco importante para o reforço, alargamento e aprofundamento do setor. A estratégia é ampla e tem por objetivo desenvolver um setor sólido, diverso e competitivo, que propicie aos cidadãos e empresas – sobretudo de pequeno e médio porte – acesso a serviços financeiros de alta qualidade e a custo acessível. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 11 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 3. COMÉRCIO EXTERIOR TOTAL 3.1 Visão Geral O alumínio é a maior fonte de receita de exportação de Moçambique. Espera-se, contudo, que, com a conclusão das obras infraestruturais e de transporte ao longo do Corredor de Nacala, no Norte do país, as vendas do carvão produzido na Província de Tete passem a liderar a pauta, ampliando as receitas derivadas. A exportação de gás se dá, atualmente, apenas por gasoduto para a África do Sul, em quantidades menores, mas deverá crescer de maneira significativa a partir de meados de 2017. As exportações de produtos agrícolas geram receitas relativamente reduzidas, mas devem ganhar vulto com os investimentos governamentais previstos para o setor. Estima-se que as exportações totais do país atinjam o patamar dos US$ 8 bilhões em 2017. O volume de importações de bens tem crescido consideravelmente, e deve seguir a tendência até meados de 2014, em função da compra de bens de capital para fazer frente às necessidades dos setores de mineração e gás. Estima-se que as importações de bens alcancem US$ 10,3 bilhões, em 2017. Na tabela 2, apresenta-se a evolução do comércio exterior de Moçambique: TABELA 2 Moçambique: evolução do comércio exterior Valores em US$ bilhões Discriminação 2007 2008 2009 2010 2011 Exportações (fob) 3,11 2,88 2,46 3,57 3,50 Importações (cif) 3,73 4,21 4,34 5,18 5,89 Saldo comercial -0,62 -1,33 -1,88 -1,61 -2,39 Intercâmbio comercial 6,84 7,09 6,80 8,75 9,39 Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do UN/COMTRADE, March 2013. 12 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 3.2 Serviços No comércio de serviços, tem-se observado expressivo aumento das importações, decorrente da demanda de serviços técnicos estrangeiros por parte das empresas mineradoras e de engenharia envolvidas nos mega-projetos. Estima-se, atualmente, que os mega-projetos alcancem fase de maturação a partir de 2014. Segundo dados preliminares da Unctad, as exportações de serviços somaram US$ 742 milhões em 2012, ao passo que as importações totalizaram 1,9 bilhão, o que resultou em déficit de US$ 1,2 bilhão. 3.3. Política Comercial Desde agosto de 1995, Moçambique é membro da Organização Mundial do Comércio (OMC). A política comercial de Moçambique figura entre as mais progressistas da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). Segundo a edição 2012, do Handbook of Statistics, da Unctad, o país tem promovido gradativa redução de tarifas. Em 2011, a média tarifária simples foi de 10,1%, sendo 13,8% para os produtos agrícolas e 9,5% para os não-agrícolas. Moçambique tem procurado firmar instrumentos facilitadores de comércio, inclusive com a União Européia e com os Estados Unidos, com vistas a promover seus fluxos comerciais. 3.4 Exportações Entre 2007 e 2011, as exportações moçambicanas de bens evoluíram de US$ 3,11 bilhões para US$ 3,50 bilhões, uma expansão de 12,54%. A União Européia e os países africanos são os principais destinos das vendas de Moçambique. Em 2011, aproximadamente 47% das exportações foram direcionadas para a União Européia e 33% para os vizinhos africanos. Individualmente, a França foi o principal comprador dos produtos moçambicanos, com participação de 19%. Na sequência, destacaram-se Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 13 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios No gráfico 1, relacionam-se os principais destinos para as exportações de Moçambique entre 2005 e 2010: GRÁFICO 1 MOÇAMBIQUE Participação dos Principais Compradores de Moçambique (2005-2010) 22,1% 23,7% 17,9% 16,6% 11,7% 10,8% 9,5% 1,4% 18,9% 12,1% 9,9% 11,0% 7,7% 1,9% 2005 10,3% 13,8% 10,2% 4,0% 12,0% 9,1% 18,8% 14,8% 12,3% 7,1% 7,2% 7,5% 5,9% 2,8% 2006 França 17,1% 13,3% 2007 Itália Alemanha 2008 Reino Unido 2009 2010 Espanha FONTE: COMTRADE. Elaboração UICC/Apex-Brasil A pauta exportada é caracterizada pela predominância de produtos básicos, intensivos em recursos naturais. Em 2010, alumínio representou 47% das vendas externas moçambicanas, seguido de petróleo (17,4%), minérios (5,4%), fumo (5,2%) e açúcar (3,4%). 14 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE No gráfico 2, apresentam-se os principais grupos de produtos exportados por Moçambique em 2010. GRÁFICO 2 MOÇAMBIQUE Produtos que o Mundo Importa de Moçambique (2010) ALUMÍNIO EM BRUTO 47,5% PETRÓLEO E DERIVADOS DE PETRÓLEO DEMAIS MINÉRIOS METALÚRGICOS FUMO EM FOLHAS 17,4% 18,2% AÇÚCAR EM BRUTO DEMAIS MADEIRAS E MANUFATURAS DE MADEIRAS 2,9% 3,4% 5,2% 5,4% OUTROS FONTE: COMTRADE. Elaboração UICC/Apex-Brasil 3.5. Importações Entre 2007 e 2011, as importações moçambicanas de bens registraram crescimento de 58%, de US$ 3,73 bilhões (2007) para US$ 5,89 bilhões (2011). A França lidera o ranking dos fornecedores da demanda moçambicana, com 39% de participação, seguida de Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 15 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios No gráfico 3, apresentam-se as principais origens das importações de Moçambique entre 2005 e 2010: GRÁFICO 3 MOÇAMBIQUE Participação dos Principais Fornecedores de Moçambique (2005-2010) 42,8% 39,9% 37,4% 33,5% 11,6% 6,4% 4,8% 3,9% 3,4% 2,7% 2005 4,7% 3,4% 2,4% 2006 França 4,8% 3,4% 3,6% 2007 Itália Alemanha 41,9% 11,0% 7,7% 5,6% 3,5% 2008 Reino Unido 39,3% 10,3% 10,3% 4,7% 4,1% 9,1% 8,4% 4,7% 4,1% 2009 2010 Espanha FONTE: COMTRADE. Elaboração UICC/Apex-Brasil Em 2010, os principais produtos importados pelo país foram petróleo e derivados, cereais, produtos metalúrgicos, veículos de carga e produtos farmacêuticos. 16 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE No gráfico 4, apresentam-se os principais grupos de produtos importados por Moçambique, em 2010: GRÁFICO 4 MOÇAMBIQUE Produtos que o Mundo Exporta para Moçambique (2010) 7% 4% 3% 2% PETRÓLEO E DERIVADOS DE PETRÓLEO 2% CEREAIS EM GRÃO E ESMAGADOS 2% DEMAIS PRODUTOS METALÚRGICOS 2% 2% 2% 18% VEÍCULOS DE CARGA PRODUTOS FARMACÊUTICOS 2% 2% 2% PLÁSTICOS E SUAS OBRAS CONFECÇÕES ADUBOS E FERTILIZANTES PRODUTOS LAMINADOS PLANOS DE FERRO OU AÇO MÁQUINAS E APARELHOS DE TERRAPLANAGEM,PERFURAÇÃO DEMAIS MÁQUINAS,APARELHOS E INSTRUMENTOS MECÂNICOS APARELHOS TRANSMISSORES E RECEPTORES 52% DEMAIS MATERIAIS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS OUTROS FONTE: COMTRADE. Elaboração UICC/Apex-Brasil Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 17 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 4. PANORAMA COMERCIAL ENTRE O BRASIL E MOÇAMBIQUE 4.1. Intercâmbio comercial bilateral De 2008 a 2012, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 352,2%, de US$ 32,4 milhões para US$ 146,5 milhões. Em 2012, os fluxos comerciais aumentaram 71,7% em relação a 2011. A maior da corrente de comércio (90%) são exportações brasileiras. Em 2012, Moçambique foi o 10º parceiro do Brasil entre os países da África Subsaariana (participação de 0,92% no Bloco) e o 100º no mundo (participação de 0,03%). A tabela 3 apresenta a evolução do intercâmbio comercial entre o Brasil e Moçambique: TABELA 3 BRASIL-MOÇAMBIQUE: EVOLUÇÃO DO INTERCÂMBIO COMERCIAL US$ milhões, fob 2007 DESCRIÇÃO 2008 2008 2009 2009 2010 2011 2011 2012 Exportações brasileiras Variação em relação ao ano anterior 32,4 18,6% 108,1 233,8% 40,4 -62,7% 81,2 101,1% 122,3 50,7% Importações brasileiras Variação em relação ao ano anterior 0,002 (+) 2,1 (+) 2,0 -5,7% 4,1 104,5% 24,2 489,8% Intercâmbio Comercial Variação em relação ao ano anterior 32,4 -8,1% 110,2 240,4% 42,4 -61,6% 85,3 101,2% 146,5 71,7% 32,4 106,0 38,4 77,1 98,2 Saldo Comercial Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do MDIC/SECEX/Aliceweb. (+) Variação igual ou superior a 1.000%. 18 2010 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 4.2. Composição do comércio, por fator agregado As exportações brasileiras para Moçambique são concentradas em produtos manufaturados, que corresponderam a 65,7% da pauta em 2012, seguidos dos básicos (29,8%) e dos semimanufaturados (4,5%). As importações brasileiras originárias de Moçambique são concentradas em produtos básicos, que corresponderam a 97,4% da pauta em 2012. A tabela 4 apresenta-se as exportações e importações brasileiras, por fator agregado: TABELA 4 BRASIL-MOÇAMBIQUE: EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO US$ milhões, fob - 2 0 1 2 EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DESCRIÇÃO IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS VALOR PART.% VALOR PART.% Básicos 36,4 29,8% 23,5 97,4% Semimanufaturados 5,5 4,5% 0,6 2,6% Manufaturados 80,3 65,7% 0,0 0,0% Transações Especiais 0,01 0,01% 0,0 0,0% Total 122,3 100,0% 24,2 100,0% 122,3 100,0% 24,2 100,0% Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do MDIC. Im Exportações brasileir 4.3. Exportações brasileiras para Moçambique Em 2012, as exportações brasileiras para Moçambique cresceram 50,7% em relação a 2011 e somaram US$ 122,3 milhões. De 2008 a 2012, as vendas aumentaram 277,5%. Em 2012, o aumento das exportações deveu-se, principalmente, aos embarques de aviões e trigo. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 19 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios Em 2012, Moçambique foi o 9º destino das exportações brasileiras entre os países da África Subsaariana (participação de 1,89% para o Bloco) e o 93º no mundo (participação de 0,05%). Os principais produtos da pauta de exportações brasileiras para Moçambique, em 2012, foram: i) outros aviões/veículos aéreos, de peso superior a 15 tons., vazios (valor de US$ 30,7 milhões, equivalentes a 25,1% no total – não houve exportação do produto para Moçambique em 2011); ii) outros trigos e misturas de trigo com centeio, exceto para semeadura (valor de US$ 21,1 milhões, equivalentes a 17,3% no total – não houve exportação do produto para Moçambique em 2011); iii) carnes de galos/galinhas, não cortadas em pedaços, congeladas (valor de US$ 7,8 milhões, equivalente a 6,4% no total – diminuição de 17,1% em relação a 2011); iv) outras construções préfabricadas, de ferro e aço (valor de US$ 5,8 milhões, equivalente a 4,7% no total – variação superior a mil por cento em relação a 2011); v) óleo de soja, em bruto, mesmo degomado (valor de US$ 5,3 milhões, equivalente a 4,3% do total – diminuição de 19,7% em relação a 2011). 4.4. Importações brasileiras originárias de Moçambique De 2008 a 2012, as importações brasileiras procedentes de Moçambique aumentaram exponencialmente de US$ 2 mil para US$ 24,2 milhões. Em 2012, as compras registraram incremento de 489,8% em relação a 2011, em função das importações de hulha betuminosa. Moçambique foi o 7º país de origem das importações brasileiras entre os países da África Subsaariana (participação de 0,26% na região) e a 89ª no mundo (0,01%). Os principais produtos da pauta de importações brasileiras originários de Moçambique, em 2012, foram: i) hulha betuminosa, não aglomerada (valor de US$ 21,3 milhões, equivalentes a 88,1% do total – não houve importação em 2011); ii) fumo não manufaturado, total ou parcialmente destalado, em 20 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE folhas secas, tipo “Burley” (valor de US$ 1,9 milhão, equivalentes a 7,9% do total – aumento de 35,7% em relação à 2011); iii) hexafluoraluminato de sódio - criolita sintética - (valor de US$ 339 mil, equivalentes a 1,4% do total - não houve importação em 2011). 4.5. Balança comercial bilateral De 2008 a 2012, os resultados da balança comercial bilateral foram favoráveis ao Brasil. Os superávits nos últimos três anos foram de: US$ 38,4 milhões (em 2010); US$ 77,1 milhões (em 2011) e US$ 98,2 (em 2012). Em 2012, o aumento do superávit foi de 27,4% em relação ao ano anterior. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 21 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 5. CRUZAMENTO ESTATÍSTICO ENTRE AS PAUTAS O cruzamento entre as pautas de exportação do Brasil e de importação de Moçambique apresenta as oportunidades potenciais para as exportações brasileiras em inúmeros segmentos. Agregados por itens do Sistema Harmonizado (SH6), os grupos de produtos brasileiros que, em princípio, tendem a apresentar maior possibilidade de importação por parte do mercado moçambicano foram classificados em ordem decrescente de valor com base no potencial indicativo de mercado. A tabela 5 a seguir apresenta os 25 principais produtos brasileiros com maior propensão importadora por parte do mercado moçambicano em 2011: TABELA 5 Ranking CRUZAMENTO ENTRE A OFERTA EXPORTADORA BRASILEIRA E A DEMANDA IMPORTADORA DE MOÇAMBIQUE Valor US$ mil - 2011 Código do produto Descrição TOTAL GERAL PRODUTOS SELECIONADOS Exportações brasileiras para Moçambique Importações totais de Moçambique Potencial indicativo de comércio 81.184 19.707 5.889.474 2.892.392 5.813.648 2.811.997 1 271019 Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e prep., exc. desperd. 1 804.351 804.351 2 760110 Alumínio não ligado em forma bruta 0 561.709 561.709 3 271011 Óleos leves de petróleo ou de min. betuminosos e prep., exceto desperdícios 0 220.124 214.049 4 870421 Automóveis transporte de mercadorias, carga máxima <= 5 t 104 135.201 135.104 5 842951 Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal, autopropulsores 0 128.425 128.425 6 100630 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido (glaceado) 7 100190 Trigo (exceto trigo duro) e mistura de trigo com centeio 8 300490 Outros medicamentos terapêuticos ou profiláticos, em doses, venda a retalho 9 730890 Construções e suas partes, de ferro fundido, ferro ou aço 10 870422 11 870210 12 30379 13 48 125.895 125.850 12.146 121.888 110.544 330 97.532 97.224 10 101.304 78.391 Veículospara transp. de merc, de peso em carga máxima > 5 t e <= 20 t - caminhões 0 66.561 66.561 Veículos automóveis para transporte => 10 pessoas, ônibus microônibus 0 52.053 52.053 Outros peixes, cong., exc. fígado e ovas, ou filés e outras carnes da pos. 0304 0 50.629 47.631 151110 Óleos de dendê, em bruto 0 73.624 46.057 14 870120 Tratores rodoviários para semi-reboques 0 45.613 45.613 15 870323 Automóveis c/ motor de cilindrada > 1.500cm3 e =< 3.000cm3 0 43.502 43.502 16 842959 Outras pás mecânicas, escavadores e carregadoras, autopropulsores 0 34.377 34.377 17 843149 Partes de outras máquinas e aparelhos das posições 8426, 8429 e 8430 13 33.783 33.771 18 870410 Dumpers concebidos para serem utilizados fora de rodovias - caminhão 21 32.522 32.502 19 880330 Outras partes para aviões ou helicópteros 0 28.669 28.669 20 100590 Milho, exceto para semeadura 27.844 21 150710 Óleo de soja, em bruto, mesmo degomado 22 847330 Partes e aces. p/máquinas autom. de proces. dados para máqs. da pos. 8471 23 870322 Automóveis de passag., wagons, com motor .> 1000 <= 1500 cm3 24 490199 Outros livros, brochuras e impressos semelhantes 25 870899 Outras partes e acessórios, para veículos autom. das pos. 87.01 a 87.05 Elaborado pelo MRE/DPR/Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados da UNCTAD/ITC/Trademap. 22 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 3 27.847 6.551 33.076 26.957 20 25.822 25.804 23.803 0 23.803 460 24.082 21.207 63 20.895 20.837 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 6. OPORTUNIDADES PARA EMPRESAS BRASILEIRAS E entre as oportunidades de negócios para empresas brasileiras, destacamse os segmentos de (i) infraestrutura; (ii) agronegócios; (iii) material de construção; (iv) serviços; (v) maquinário agrícola; (vi) maquinário industrial; (vii) calçados; e (viii) alimentos; (ix) serviços em geral. O gráfico 5, apresenta as principais oportunidades para as exportações brasileiras no mercado de Moçambique. GRÁFICO 5 MOÇAMBIQUE Moçambique - Principais oportunidades para as exportações brasileiras (valor exportado US$ e participação % do Brasil nas importações do país, 2010) 43,9% Carne de frango "in natura" 14% Massas alimentícias e preparações alimentícias 40,8% Obras de pedras e semelhantes 8,9% Higiene pessoal e cosméticos Geradores e transformadores, elétricos 17,7% Máquinas e aparelhos de uso agrícola, exceto trator 15,7% 6,5% Calçados 20,1% Barras, perfis, fios, chapas e tiras, de alumínio 5,8% Ferramentas e talheres 2,3% Aparelhos mecâncios para projetar, pulverizar líquidos e pós Carne de boi industrializada 5,6% Água mineral e refrigerantes 6,8% Aparelhos para filtrar ou depurar 2,5% 4% Máquinas e aparelhos para trabalhar pedra e minério 6,9% Demais máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos 0,5% Extratos tanantes e tintoriais 3,5% Vinhos, vermutes, vinagres 0 5 10 15 20 25 US$ milhões Exportação do Brasil Exportação do Mundo FONTE: COMTRADE. Elaboração UICC/Apex-Brasil Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 23 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 6.1. Sistema Tarifário e União Aduaneira A classificação tarifária de Moçambique é baseada no Sistema Harmonizado (SH). As alíquotas de importação são impostas à base CIF “ad valorem”. Como regra, a maioria dos produtos importados no âmbito da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral “Southern Africa Development Community – SADC”, da qual Moçambique faz parte, estão isentos dos direitos do imposto de importação. A Tarifa Externa Comum dos países membros da SADC pode ser consultada em: http://www.sadctrade.org/tariff_data. 6.2. Infraestrutura Obras de infraestrutura constituem as oportunidades mais patentes para empresas brasileiras de atuação internacional consolidada. O Governo moçambicano demonstra interesse crescente em financiamentos concedidos por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE/BNDES), e grandes empreiteiras brasileiras seguem buscando a aprovação de empréstimos que lhes permitam participar de licitações para grandes contratos de obras infraestruturais. Dentre as obras declaradas prioritárias pelo Governo de Moçambique estão: (i) Aeroporto de Nacala, (ii) Infraestruturas da Zona Franca Industrial de Nacala; (iii) Barragem de Moamba Major; e (iv) Projeto de Mobilidade Urbana. 6.3. Pesquisas de Mercado Trata-se de estudos aprofundados sobre a comercialização de produtos brasileiros em terceiros mercados, levando em consideração diversos fatores que podem afetar sua competitividade, tais como barreiras tarifárias e não tarifárias, legislação comercial, canais de distribuição, concorrência de empresas locais e estrangeiras e logística de transportes, entre outros. As pesquisas são elaboradas e atualizadas exclusivamente sob demanda de entidades de classe do Brasil, cadastradas no Sistema de Promoção Comercial do MRE1. 1 As pesquisas de mercado estão disponíveis no Portal BrasilGlobalNet (www.brasilglobalnet.gov.br). 24 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 6.4. Informações sobre Produto Trata-se de trabalho contendo um conjunto de dados sobre as condições de comercialização de determinado produto em mercado específico. Inclui tratamento tarifário e não tarifário aplicado à importação de produtos brasileiros, lista de importadores locais e estatísticas de importação. Os trabalhos são solicitados ou atualizados exclusivamente por demanda de empresas ou entidades cadastradas no Sistema de Promoção Comercial do MRE2. 6.5. Licitações Oportunidades em diferentes licitações internacionais em Moçambique e em outros países são regularmente registradas na BrasilGlobalNet, oferecidas tanto por empresas públicas como privadas, nos mais diversos setores3. 6.6. Cooperação Técnica São numerosos os projetos de cooperação técnica entre Brasil e Moçambique, incluindo aqueles em execução e em planejamento. Abrangem áreas diversas, mas têm especial ênfase em agricultura (ProSAVANA, Segurança Alimentar, Plataforma de Inovação Agropecuária), Fortalecimento Institucional (aperfeiçoamento do Arquivo Nacional, modernização da Previdência Social, cooperação na formação de quadros para o setor público), Saúde (Fábrica de antirretrovirais) e Educação (Universidade Aberta do Brasil - UAB). 2 Informações sobre Produto estão disponíveis no Portal BrasilGlobalNet (www.brasilglobalnet.gov.br). 3 Informações sobre concorrências públicas internacionais são divulgadas no Portal BrasilGlobalNet (http://www.brasilglobalnet.gov.br/ConcorrenciasPublicas/Pesquisa/frmPesqConcPublicas.aspx?xMenu=1). Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 25 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 6.7 Feiras e Exposições A Feira Internacional de Maputo (FACIM), organizada pelo Instituto de Promoção das Exportações (IPEX), vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio de Moçambique, é o mais tradicional evento de promoção comercial do país. Segundo dados da organização do evento, em 2012 foram registrados 93 mil visitantes, superando em 50% a expectativa inicial. Registraram-se 1.800 expositores, dentre os quais 1.000 moçambicanos e 800 estrangeiros, representando 19 países. Portugal contou com a maior participação, 140 empresas portuguesas ou luso-moçambicanas. Empresas e instituições brasileiras foram responsáveis por 25 estandes. 26 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 7. DOCUMENTAÇÃO E FORMALIDADES MOÇAMBIQUE Classificação no comércio internacional(1) - 134 DESCRIÇÃO PARA EXPORTAR PARA IMPORTAR 7 10 Número médio de documentos Prazo médio para desembaraço (dias) Custo médio (US$ por contêiner) 23 28 1.100 1.545 DOCUMENTOS PARA EXPORTAR Conhecimento de Embarque Marítimo Ordem de Liberação de Carga Fatura Comercial Declaração de Exportação Inspection report from scanner Packing List ou Romaneio de Embarque Comprovante de Manipulação de Mercadoria em Terminal PARA IMPORTAR Conhecimento de Embarque Marítimo Ordem de Liberação de Carga Certificado de Origem Fatura Comercial Declaração de Importação Ordem de Entrega Certificado de Registro de Equipamentos Inspection report from scanner Packing List ou Romaneio de Embarque Comprovante de Manipulação de Mercadoria em Terminal Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do World Bank - Doing Business. (1) Compilação dos dados que medem e comparam as regulamentações relevantes para o ciclo de vida de pequenas e médias empresas nacionais em 185 países, concluída em junho de 2012. 7.1. Cenário Com vistas a melhorar os procedimentos em relação ao comércio externo, o Governo de Moçambique tem adotado medidas legislativas para simplificar o processo de desembaraço, tanto para as importações como para as exportações. A mais significativa foi a extinção, para importações, do licenciamento das operações de comércio externo, ficando o operador obrigado apenas a efetuar o registro. Em 1998 foi introduzido o Documento Único (DU), principal formalidade para o despacho aduaneiro de todas as mercadorias que entram e saem de Moçambique, independentemente do regime que lhes é aplicável, com exceção dos trânsitos, sistema simplificado e outros regimes Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 27 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios previstos na lei. Outras medidas adotadas foram a extinção da pré-declaração de importação de mercadorias e a redução de taxas incidentes sobre bens de consumo, de 30% para 25%. 7.2. Inspeção Pré-Embarque (IPE) Algumas mercadorias importadas estão sujeitas à Inspeção Pré-Embarque (IPE), procedimento que é realizado pela empresa Intertek Testing Services (ITS), licitada para a atividade. Os encargos normais decorrentes do serviço de IPE correm por conta do Estado, exceto se, por erro ou omissão do exportador/importador, houver necessidade de efetuar nova inspeção. A inspeção compreende verificação de qualidade e quantidade das mercadorias declaradas e a classificação pautal, indicação do valor aduaneiro com base na informação do fornecedor e emissão do Documento Único Certificado (DUC), preenchido com informações que incluem o cálculo das imposições devidas. 7.3. Encargos Aduaneiros Os direitos aduaneiros são calculados com base no valor aduaneiro (valor da transação ou preço efetivamente pago ou devido pelas mercadorias) ajustado de acordo com as disposições das regras sobre sua determinação, conforme indicado no artigo VII do GATT 1994 (Acordo sobre Avaliação Aduaneira), na base de taxas “ad valorem”. Variam de 2,5% (matéria-prima) a 25% (bens de consumo não essenciais). 7.4. Requisitos gerais As operações de comércio externo de importação e exportação não estão sujeitas ao licenciamento, mas apenas ao despacho aduaneiro, para o qual é necessário que o fornecedor se registre como operador do comércio externo, cumprindo as seguintes etapas: 1º. Pedido de inscrição por preenchimento de fichas de registro ou inscrição 28 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE como importador e/ou exportador; 2º. Comprovante da autorização para o exercício da atividade, emitida pela entidade competente; 3º. Comprovante do registro fiscal emitido pelo Ministério do Plano e Finanças; 4º. Depósito do valor das taxas e emolumentos para cada situação em concreto. 7.5. Requisitos para o importador 1º. Deve-se solicitar fatura pró-forma ao fornecedor estrangeiro; 2º. A declaração para desembaraço aduaneiro é feita por meio de formulário próprio, podendo adotar as seguintes formas: (i) Documento Único (DU), para o regime normal; (ii) Despacho Simplificado (DS), para importação de valores equivalentes ou abaixo de MT 12.000.000,00 que não sejam destinados a fins comerciais; e (iii) Documento Único Abreviado (DUA), para os casos de regime abreviado de importações para pequenas encomendas comerciais cujo valor FOB seja equivalente ou inferior a MT 37.000.000,00 e aplicado por opção expressa do declarante. 3º. Para bens não isentos de inspeção pré-embarque, o importador deverá contatar o fornecedor para solicitar a inspeção na ITS (Intertek Testing Services). Deve-se apresentar ou enviar eletronicamente fatura pró-forma à empresa de inspeção, que fará contato com os seus escritórios nos países de origem da mercadoria para verificação da quantidade/qualidade. Após aprovação na inspeção, emite-se um DUC em quatro vias, que será entregue ao importador ou seu representante para apresentação nas Alfândegas; 7.6. Benefícios fiscais Podem gozar de benefício pautal no pagamento de direitos e demais imposições aduaneiras as mercadorias e artigos constantes da legislação local Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 29 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios (Quadro V anexo às Regras Gerais do Desembaraço Aduaneiro, Decreto n.º 30 de 2 de dezembro de 2002). 7.7. Documentação e Formalidades – Abertura de Empresa Relacionam-se, abaixo, recomendações para abertura de empresa em Moçambique: (i) Contatar um advogado e consultar o Governo Moçambicano e o Centro de Promoção de Investimentos (CPI). O CPI dará sugestões sobre as melhores zonas e setores nos quais investir, além de prestar apoio legal. É importante, ainda, consultar um advogado e trabalhar com uma empresa nacional para cumprimento pleno da legislação. Nesse âmbito, cumpre destacar que o Novo Código Comercial, aprovado pelo Decreto Lei Nº2 de 27 de dezembro de 2005, simplificou os procedimentos para registro de empresas em Moçambique; (ii) Reservar nome no Conservatório do Registro de Pessoas Jurídicas; (iii) Abrir conta bancária para fins de depósito do capital social. Deve-se, para tanto, apresentar cópia autenticada do certificado de reserva do nome da empresa, projeto de estatuto da empresa e cópia autenticada dos documentos de identificação dos acionistas; (iv) Formalizar inscrição no Conservatório de Pessoas Jurídicas, apresentando cópia do certificado de reserva do nome da empresa, projeto de estatuto da empresa, comprovante do depósito bancário e cópia autenticada dos documentos de identificação dos acionistas; (v) Proceder ao registro fiscal e obter NUIT. Legalmente registrada a organização e publicados os estatutos no Diário Oficial, a empresa deve ter um registro fiscal e obter o respectivo número de registro de impostos (NUIT), bem como as licenças de funcionamento das entidades responsáveis pela área das atividades de negócio. 30 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 8. INVESTIMENTOS 8.1. Investimentos Estrangeiros Diretos Em vista do baixo nível de poupança interna observado em Moçambique, a atração de investimentos estrangeiros figura como condição essencial para o desenvolvimento econômico, e tem gerado importantes resultados. Governo e entidades locais divulgam, recorrentemente, os seguintes aspectos como sendo atrativos aos investimentos estrangeiros: • liberalização da economia; • bom desempenho da economia nacional; • vantagens comparativas em relação aos vizinhos (corredores de desenvolvimento, mão de obra a custos baixos, potencial exploração de recursos naturais em setores-chave); • criação do Centro de Promoção de Investimentos; • transparência no relacionamento do Governo com o setor privado. Com vistas a atrair investidores, a Lei do Investimento Direto Estrangeiro oferece as seguintes garantias: (i) segurança e proteção jurídica dos bens e direitos compreendidos no âmbito do investimento; (ii) indenização justa e equitativa em caso de nacionalização dos bens e direitos que constituem o investimento direto estrangeiro; (iii) transferência para o exterior dos lucros exportáveis, do capital reexportável, das amortizações e dos juros de empréstimos contraídos no exterior, em conformidade com as condições de autorização. O investimento direto estrangeiro em Moçambique deve seguir critérios estabelecidos, a saber: (i) subordinar-se aos princípios orientadores da política econômica, à legislação em vigor e às condições de autorização do investimento; (ii) contribuir para a balança de pagamentos, por meio do aumento das exporCalendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 31 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios tações ou da redução das importações; (iii) promover o desenvolvimento tecnológico; (iv) aumentar o número de postos de trabalho; e (v) favorecer a qualificação da mão de obra nacional. Cumpre destacar que, nos últimos 10 anos, 80% do investimento estrangeiro direto foi direcionado para infraestruturas e serviços ligados ao complexo mineral energético ou, no caso da agricultura, à exportação de bens primários sem processamento. 8.2. Investimentos Diretos do Brasil em Moçambique O Brasil tornou-se o maior investidor estrangeiro em Moçambique nos primeiros nove meses de 2012, segundo estudo do Ministério da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique. Teve papel crucial na conformação desse cenário a participação da mineradora Vale no projeto do Corredor Logístico Integrado de Nacala (CLIN). Estima-se que o investimento total da Vale em Moçambique, após plena execução, alcance US$ 8,3 bilhões. 8.3. Empresas brasileiras em Moçambique A presença empresarial do Brasil em Moçambique é importante e tem ampla margem de crescimento. Grandes companhias brasileiras dos ramos da mineração e da construção civil participam de praticamente todos os chamados mega-projetos, que vêm modificando o cenário econômico moçambicano nos últimos anos e contribuindo para a conformação de ambiente propício para a entrada de investidores brasileiros de menor porte, em setores de menor expressão no conjunto da economia, porém de significativo interesse em termos de retorno potencial. 32 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE Apresenta-se, abaixo, descrição sucinta da atuação das principais empresas brasileiras em Moçambique: Andrade Gutierrez (i) construção de trecho de cerca de 200 km de rodovia na província setentrional de Cabo Delgado; e (ii) estudos iniciais, planejamento, desenvolvimento e construção da barragem de Moamba Major, orçada em US$ 466 milhões. Consiste em projeto destinado ao abastecimento de água para consumo e irrigação, na periferia da capital. Encontra-se sob análise pedido de financiamento, pelo BNDES, de parte do projeto (US$ 352 milhões); Vale (i) megaprojeto de mineração em Moatize, na província de Tete, já em fase de produção. Até o final de 2011, a Vale havia exportado mais de 600 mil toneladas de carvão, volume que deve alcançar 9 milhões de toneladas a.a. nos próximos anos e dobrar, subsequentemente, em função da expansão futura da capacidade produtiva; (ii) paralelamente, a Vale desenvolverá projetos de infraestrutura logística para escoamento de carvão pelo Corredor de Nacala, por meio de sistema integrado de ferrovia e instalações portuárias conectando a província produtora de Tete, no centro-oeste do país, ao porto de Nacala, no nordeste. Cabe observar a liderança exercida pela Vale entre as empresas brasileiras envolvidas no desenvolvimento do Corredor de Nacala, tendo em vista ter sido “empresa âncora”, responsável pela vinda das demais, por meio de subcontratações para as empreitadas de construção; Odebrecht (i) obras de construção da mina de Moatize, já executadas; (ii) conversão, em curso, da antiga base aérea de Nacala em aeroporto civil internacional, com financiamento do BNDES; (iii) com vistas a firmar sua presença em Moçambique, a Odebrecht possui outros projetos em espera, entre os quais a reforma do litoral urbano da capital moçambicana; Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 33 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios Camargo Corrêa (i) promoção, planejamento, desenvolvimento e participação na implantação do Projecto Regional de Transporte de Energia, Centro-Sul (CESUL), tido como a “espinha dorsal” da rede elétrica de Moçambique. Com o Projeto CESUL, o Governo moçambicano busca promover a independência energética do país, conectando a maior área produtora (província de Tete, no centro-oeste do país) à maior área consumidora (Maputo, no sul), bem como permitir acesso à eletricidade a zonas rurais e população de menor poder aquisitivo. A nova rede será composta por dois grandes troncos, um de alta voltagem, que garantirá a entrega de energia no sul, e um segundo, capaz de dar maior capilaridade ao sistema. Trata-se de empreendimento de grande envergadura, com custos elevados, que requererá a participação de parceiros com robusta capacidade financeira. Está previsto o aporte de capitais chineses e a participação da ELETROBRAS, com função central. A adesão do BNDES está sendo examinada; (ii) desenvolvimento, construção e operação do projeto da Hidrelétrica de Mphanda Nkuwa (HMNK), também na província de Tete, a jusante da Hidrelétrica de Cahora Bassa. Os dois projetos, CESUL e HMNK, são integrados e sustentam um ao outro, inclusive sob o aspecto econômico-financeiro. 8.4. Ambiente de negócios A economia moçambicana ocupa o 138º lugar no ranking da Competitividade Global, segundo dados do Relatório 2012-2013 do Fórum Econômico Mundial (WEF). A corrupção, a burocracia nas instituições públicas, a falta de financiamento bancário às pequenas e médias empresas, a insuficiência de mão de obra qualificada e de infraestruturas são apontados pelo Relatório como principais fatores desabonadores do ambiente de negócios local. Os obstáculos que o investidor encontra em Moçambique são, de fato, expressivos, razão pela qual projetos de atuação no país requerem perspectiva 34 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE de longo prazo. A ajuda financeira externa segue sendo crucial, embora cada vez menos, para as contas públicas: as doações internacionais responderam por 39,5% do orçamento do Estado em 2012, sendo a participação prevista em 2013 de 32,8%. Países doadores, por conseguinte, têm considerável influência no encaminhamento de projetos de desenvolvimento. As instituições públicas apresentam, com frequência, fragilidades como a carência de técnicas de gestão e de pessoal especializado; em alguns setores, episódios de corrupção acrescem as dificuldades enfrentadas na condução dos negócios. As infraestruturas precárias são, de todo modo, apontadas como principal elemento de desestímulo ao negócio em Moçambique. Apesar do crescimento impulsionado pelos mega-projetos, a base produtiva do país permanece pouco diversificada. A esse respeito, cumpre ressaltar que instituições conservadoras e fortemente sensíveis a risco não têm hesitado em ampliar a capacidade de endividamento atribuída ao Governo local. O FMI, por exemplo, expandiu recentemente o limite de endividamento do país de US$ 900 milhões para US$ 1,5 bilhão, de modo a acomodar o levantamento de créditos não concessionais para projetos de infraestrutura de grande porte, decisão que reflete maior confiança na capacidade das autoridades econômicas de Moçambique de gerir a dívida externa do país. 8.5. Oportunidades de investimentos São numerosos os setores em Moçambique, descritos a seguir, que apresentam oportunidades comerciais significativas para o empresariado brasileiro. O país experimenta fase de franco crescimento e desloca-se na direção de um padrão de consumo mais próximo do observado nas demais economias emergentes, fomentando a demanda por bens e serviços cuja utilização até há pouco não era comum: Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 35 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios • Agricultura comercial e extrativismo mineral Estudos realizados pela EMBRAPA, no âmbito do projeto ProSAVANA, de desenvolvimento da agricultura no Corredor de Nacala, confirmam a disponibilidade de solos com bom potencial de aproveitamento. Os recursos minerais, pouco explorados durante a época colonial, agora atraem grandes projetos, como a exploração de carvão pela Vale e a prospecção de hidrocarbonetos por diversas empresas estrangeiras. Há necessidade e disposição do Governo para desenvolver infraestruturas ao longo do território nacional (ferrovias, portos, aeroportos, estradas, barragens, linhas de transmissão e estruturas de irrigação). Em muitos casos, as oportunidades estão conectadas: o Plano Diretor de Desenvolvimento do Corredor de Nacala (do ProSAVANA), que terá bases na agricultura comercial da região, contempla também a construção de infraestruturas de grande porte, a exemplo de galpões de estocagem de grãos e alimentos, canais de irrigação e vias de escoamento da produção, além de se beneficiar das estruturas de transportes desenvolvidas pela Vale. • Coleta e processamento de lixo Os serviços de coleta e processamento de lixo são claramente deficientes em Maputo, sobretudo em função do crescimento acelerado que a capital tem experimentado. Mesmo nas zonas mais valorizadas, nas quais o percentual de residentes estrangeiros cresce vertiginosamente, com a chegada de empresas internacionais, a coleta de resíduos e a limpeza das vias públicas se mostra incapaz de atender ao novo padrão de descarte que se impõe. Não há, ainda, na cidade, programa de coleta seletiva de resíduos, ou estrutura de depósito que possa fazer frente à necessidade imperativa de reaproveitamento do lixo gerado. A vinda de empresas brasileiras neste setor poderia ser acompanhada de iniciativa de cooperação público-privada, compreendendo não apenas a exportação de equipamentos, veículos e administração de serviços, mas também a transferência de conhecimento referente à técnica de coleta e processamento de resíduos utilizada em cidades brasileiras de grande e médio porte. 36 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE • Seguro e assistência médica O setor de assistência médica, tido como prioritário pela classe média local, também representa grande oportunidade de negócios em Moçambique. O sistema público de saúde é precário, em linha com a baixa capacidade do Estado de oferecer serviços básicos em quantidade e qualidade mínimas. Nessas circunstâncias, a elevação do padrão de vida de determinadas camadas da população leva à maior disposição a pagar por serviços médicos melhores e mais confiáveis. O aumento do emprego formal e a instalação de empresas estrangeiras no país conduz, ainda, a maior demanda por seguros de saúde que complementem pacotes de benefícios corporativos. O empresariado do setor no Brasil tem, em Moçambique, mercado potencial inexplorado, e se deparará com mão de obra especializada de custo relativamente baixo, não obstante o número limitado de profissionais da área médica. • Ensino privado Analogamente às oportunidades existentes para investimentos em seguros de saúde, o mercado educacional também apresenta demanda latente e pode gerar bons resultados. Sobretudo em Maputo, onde se observam com clareza novos hábitos de consumo entre as camadas emergentes da população, os estabelecimentos de ensino de qualidade estão aquém da demanda. Diante da precariedade do sistema público e da urgência de formação de mão de obra qualificada para fazer frente às necessidades das empresas estrangeiras que se instalam no país, a migração de estudantes da classe média para o sistema privado seria o caminho natural, não fosse a escassa oferta de estabelecimentos de ensino particulares e os altos preços cobrados, decorrentes desse desequilíbrio. Também não há universidades e cursos de idiomas suficientes para atender à população interessada em adquirir a qualificação profissional necessária para participar do ciclo de crescimento que o país vive. São recorrentes as alegações, por parte das empresas estrangeiras instaladas em Moçambique, de que é inviável observar os limites máximos de empregados estrangeiros, diante da baixa qualificação da força de trabalho local. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 37 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios • Edifícios-garagem e Gestão de estacionamentos O crescimento das regiões centrais de Maputo e a ampliação da renda média da população são responsáveis pelo forte crescimento da frota de veículos da cidade. A intensificação do tráfego tem seus efeitos negativos ampliados pela insuficiência de vagas de estacionamento, público ou privado, sobretudo em aglomerados empresariais e de comércio. Empreendimentos de edifício-garagem, gestão de parques de estacionamento e empresas de “vallet-parking” são, nessas circunstâncias, atividades inexploradas com grande potencial de retorno financeiro. • Comércio e serviços urbanos em geral Moçambique ressente-se de falta ou insuficiência de praticamente todo tipo de facilidade no setor terciário urbano (no meio rural, caracterizado pelo predomínio de uma economia de subsistência, não há mercado organizado ou poder aquisitivo que justifiquem investimentos de grande monta). Com as taxas de crescimento que o país vem experimentando e o forte ingresso de investimentos, em função dos “megaprojetos”, há oportunidade para todo gênero de atividade terciária: transporte urbano; livrarias e editoras; saúde e farmácias; lazer e restauração; segurança; educação, inclusive de línguas estrangeiras; construção civil; comércio varejista; comércio de bebidas; prestação de serviços domésticos (bombeiro hidráulico, eletricista, marceneiro/mobiliário, etc); serviços financeiros, mensageria e transporte de documentos. Há que lembrar as vantagens para pequenas e médias empresas brasileiras, de Brasil e Moçambique compartilharem o mesmo idioma. 38 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE O gráfico 6 apresenta as principais origens dos investimentos estrangeiros anunciados pela Moçambique, entre 2007 e 2012: GRÁFICO 6 MOÇAMBIQUE Moçambique - Origem dos Investimentos Anunciados entre 2007 e 2012 (%) Índia 29,2% Itália 14,6% Portugal 11,0% África do Sul 15,4% Brasil 14,7% 15,1% Outros FONTE: FDI Intelligence. Elaboração UICC/Apex-Brasil Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 39 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios O gráfico 7 mostra a distribuição setorial dos investimentos estrangeiros, anunciados pela Argélia entre 2007 e 2012. GRAFICO 7 MOÇAMBIQUE Moçambique - Investimentos Anunciados entre 2007 e 2012 (%) 2,1% Carvão, Petróleo e Gás 5,8% 2,3% Papéis e embalagens 3,2% Metalurgia 13,8% Alimentos 72,9% Comunicações Outros FONTE: FDI Intelligence. Elaboração UICC/Apex-Brasil 40 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 9. PRESENÇA BRASILEIRA Embaixada do Brasil em Maputo Avenida Kenneth Kaunda, 296 C.P. NR 1167 Maputo – Moçambique Telefone: (+258) 21484800 Fax: (+258) 21484806 / 21491339 Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 41 MOÇAMBIQUE Guia de Negócios 10. LINKS ÚTEIS 10.1 Brasil FINALIDADE SÍTIO http://www.brasilglobalnet.gov.br Informações estratégicas para fechamento de negócios entre empresas brasileiras e estrangeiras. http://capta.mdic.gov.br Ferramenta de divulgação dos acordos comerciais brasileiros. http://aliceweb2.desenvolvimento.gov.br http://www.radarcomercial.mdic.gov.br http://www.comexbrasil.gov.br http://www.apexbrasil.com.br http://www.mapa.gov.br http://www.anvisa.gov.br http://www.receita.fazenda.gov.br http://www.bcb.gov.br http://www.bndes.gov.br http://www.bb.com.br 42 Sítio oficial de estatísticas de comércio exterior do governo brasileiro. Sítio com objetivo de auxiliar na seleção de mercados e produtos com maior potencial para incrementar as exportações brasileiras Portal Brasileiro que têm por objetivo disseminar informações referentes ao comércio exterior brasileiro. Agência Brasileira de Promoção de exportações. Entidade cujo objetivo é promover as exportações dos produtos e serviços do país, contribuir para a internacionalização das empresas brasileiras. Sítio oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo brasileiro Agência Nacional de Viglância Sanitária. Entidade cujo objetivo é proteger a saúde do cidadão, mediante o controle sanitário da produção e comercialização de produtos e serviços submetidos a vigilância sanitária. Receita Federal. Administração dos tributos federais e o controle aduaneiro, atuação no combate á songeção, contrabando, descaminho, pirataria e tráfico de drogas e animais. Banco central do Brasil. Entidade cujo objetio é gerir a política econômica, garantir a estabilidade e o poder de compra da moeda do Brasil e do sistema financeiro. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Banco com os objetivos de apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento nacional. Instituição financeira estatal, que têm por objetivo promover o desenvolvimento sustentável do Brasil. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 Guia de Negócios MOÇAMBIQUE 10.2 Moçambique SÍTIO http://www.cpi.co.mz Centro de Promoção de Investimentos; http://www.bancomoc.mz BM: Banco de Moçambique; http://www.alfandegas.gov.mz Autoridade Tributária de Moçambique; http://www.ine.gov.mz INE: Instituto Nacional de Estatísticas; http://www.ipex.gov.mz IPEX: Instituto de Promoção de Exportações; http://www.minag.gov.mz Ministério da Agricultura; http://www.mct.gov.mz Ministério de Ciência e Tecnologia; http://www.micoa.gov.mz Ministério de Coordenação e Ação Ambiental; http://www.mic.gov.mz Ministério da Educação e Cultura; http://www.mpd.gov.mz Ministério de Planejamento e Desenvolvimento; http://www.mireme.gov.mz Ministério dos Recursos Minerais; http://www.misau.gov.mz Ministério da Saúde; http://www.visitmozambique.net Portal do Turismo -Ministério do Turismo; http://www.mozambique.mz Página oficial de Moçambique; http://www.portaldogoverno.gov.mz Portal do Governo de Moçambique. Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras 2012 43