UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA Rosélia Sol Corrêa de Moura Estevão ANÁLISE DO PERFIL AUDIOLÓGICO DE IDOSOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE ATENÇÃO À SAÚDE AUDITIVA (MÉDIA COMPLEXIDADE) NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. . Rio de Janeiro 2008 Rosélia Sol Corrêa de Moura Estevão ANÁLISE DO PERFIL AUDIOLÓGICO DE IDOSOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE ATENÇÃO À SAÚDE AUDITIVA (MÉDIA COMPLEXIDADE) NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Orientadora: Profª. Drª. Silvana Maria Monte Coelho Frota Rio de Janeiro 2008 FOLHA DE APROVAÇÃO Dissertação apresentada ao curso de pós-graduação em Fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Fonoaudiologia. Área de Concentração: Audiologia. Aprovada em _________________ BANCA EXAMINADORA _____________________________ Profª Drª Silvana Maria Monte Coelho Frota. Universidade Veiga de Almeida. UVA/RJ. ______________________________ Profº Dr. Ciríaco C. T. Atherino. Universidade Veiga de Almeida. UVA/RJ. ______________________________________ Profº Dr. Sylvio Brock. Faculdades Integradas Benett. Rio de Janeiro. Um trabalho que temos a oportunidade de fazer é nossa realização. Dedicar a alguém é demonstrar e reconhecer que esse alguém, de algum modo, ajudou a realizá-lo. Ao meu filho Thiago (in memorian). Sinto muitas saudades... Eu o amo, eternamente. AGRADECIMENTOS Ao agradecer a ajuda que recebi para realizar esta pesquisa, quero dar crédito ao papel importante desempenhado pela profª Silvana Frota. Ao longo de todo esse período (e foi, realmente, um longo período!) pude contar com sua compreensão fraterna, experiência profissional e orientação científica. Agradeço também aos meus colegas de profissão, o(as) fonoaudiólogo(as) Alexandre Cesar (CMS Belizário Penna), Mercedes Maria Castilho Villa Alvarez (CMS Jorge Saldanha B. de Mello), Ivonne Azeredo Henriques e Áurea Monte Alegre (CMS Ernesto Z. Tibau Junior), Doris Pequeno Perette Mattos (CMS Manoel J. Ferreira), que generosamente me receberam em seus locais de trabalho e em especial à fonoaudióloga Guaciara Braga Martinho (Policlínica J. P. Fontenelle), pelas sugestões e paciência que demonstrou ao ler e reler os rascunhos. Ao meu marido Paulo, agradeço sua presença ao meu lado, nos momentos bons e principalmente, nos muitos momentos difíceis de nossas vidas. Com sua ajuda, encontrei coragem e determinação para seguir adiante. Às minhas filhas: Priscilla, amiga e confidente e Paula, amiga e parceira, agradeço o amor que elas me dedicam. Ao genro e amigo Pedro, agradeço o incentivo e as valiosas contribuições na execução deste trabalho. A Deus agradeço os presentes que recebi: meus netos, João e Helena. Momentos inesquecíveis de grande alegria, após uma imensa dor. “Não é no silêncio e no isolamento que os homens se fazem, mas na palavra, no diálogo, no trabalho e na açãoreflexão.” Paulo Freire RESUMO A idade é um fator de risco significante para a perda auditiva. Na perspectiva da saúde pública, entretanto, poucas pesquisas têm sido conduzidas em relação à presbiacusia - perda auditiva associada ao envelhecimento. Conhecer o perfil audiológico dos indivíduos que apresentam declínio auditivo relacionado à idade é indispensável aos serviços públicos de saúde para a prestação de serviços eficazes em termos de custo e para o planejamento de estratégias com vistas ao atendimento e a intervenção. Este estudo teve como objetivo identificar o perfil audiológico de idosos com 60 anos ou mais que procuraram o serviço de Audiologia das Unidades Públicas de Saúde na Cidade do Rio de Janeiro, durante o período de 2002 a 2007. A investigação seguiu uma abordagem característica de um estudo retrospectivo, analisando os achados audiológicos dos pacientes, através dos exames de Audiometria Tonal Liminar e de Imitanciometria. Os resultados mostraram o perfil da curva audiométrica predominantemente alterado. O tipo de perda auditiva mais encontrado foi neurossensorial, em grau moderado. A perda auditiva mista também se fez presente, nos graus severo e profundo, em indivíduos com idade ≥ 80 anos. Os homens apresentaram maior prejuízo auditivo. Em relação à timpanometria, os idosos apresentaram resultados predominantemente normais (curva Tipo A). O reflexo acústico contralateral estava presente no grupo etário de 60 a 79 anos, porém apresentou menor índice de presença nos indivíduos com idade igual ou superior a 80 anos. Palavras-chave: envelhecimento, presbiacusia, perfil audiológico, saúde pública. ABSTRACT Age is a significant risk factor for loss of hearing. From the public health´s perspective, however, little research has been conducted about Presbycusis – age-associated hearing loss. A better understanding of the audiologic profile of individuals who have age-related hearing worsening is essential to public health services to provide efficient services in terms of cost and strategic planning focused on customer service and intervention. This study aimed to identify the hearing profile in elderly people aged 60 years or over who sought the Audiology Units of Public Health Services in the city of Rio de Janeiro, between 2002 and 2007. The investigation followed an approach characteristic of a retrospective study, analyzing the patients’s audiologic findings, on examination of Pure-tone Audiometry and Imitanciometry. The results of the profile of the audiometric curve were predominantly altered. The type of hearing loss which predominated, in moderate degree, was the sensorineural (SNHL). Mixed hearing loss was also present, with severe to profound degree, in individuals with age ≥ 80 years old. Men showed an increased hearing impairment. Tympanometry evaluation amongst elderly people revealed, predominantly, normal results (Type A curve). The contra-lateral acoustic reflex was present in 60 to 79 years old age group and absent in subjects aged ≥ 80 years old. Key words: Aging, Presbycusis, Audiologic Profile, Public Health Lista de Ilustrações Figura 1. Mapa geral do Município do Rio de Janeiro, p. 41 Lista de Gráficos Gráfico 1. Distribuição (%) dos indivíduos examinados por sexo x grupo etário, p. 50 Gráfico 2. Distribuição (%) dos indivíduos examinados por sexo x UPS, p. 51 Gráfico 3. Distribuição (%) dos indivíduos examinados por grupo etário x UPS, p. 52 Gráfico 4. Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x sexo (por orelhas examinadas), p. 53 Gráfico 5. Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 54 Gráfico 6. Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x UPS (por orelhas examinadas), p. 55 Gráfico 7. Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x graus das perdas auditivas (por orelhas examinadas), p. 56 Gráfico 8. Comparação (%) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x sexo (por orelhas examinadas), p. 57 Gráfico 9. Comparação (%) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x grupo etário (Homens + Mulheres, por orelhas examinadas), p. 58 Gráfico 10. Comparação (%) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x UPS (por orelhas examinadas), p. 59 Gráfico 11. Percentis (%) dos graus da perda auditiva mista x sexo (por orelhas examinadas), p. 60 Gráfico 12. Percentis (%) dos graus da perda auditiva mista x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 61 Gráfico 13. Percentis (%) dos graus da perda auditiva mista x UPS (por orelhas examinadas), p. 62 Gráfico 14. Gráfico demonstrativo (%) da timpanometria x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 63 Gráfico 15. Gráfico demonstrativo (%) da timpanometria x UPS (por orelhas examinadas), p. 64 Gráfico 16. Representação gráfica (%) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x sexo (por orelhas examinadas), p. 65 Gráfico 17. Representação gráfica (%) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x grupo etário (por orelhas examinadas), p.66 Gráfico 18. Representação gráfica (%) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x UPS (por orelhas examinadas), p. 67 Lista de Tabelas Tabela 1. Distribuição numérica dos indivíduos examinados por sexo x grupo etário, p. 50 Tabela 2. Distribuição numérica dos indivíduos examinados por sexo x UPS, p. 51 Tabela 3. Distribuição numérica dos indivíduos examinados por grupo etário x UPS, p. 52 Tabela 4. Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x sexo (por orelhas examinadas), p. 53 Tabela 5. Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 54 Tabela 6. Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x UPS (por orelhas examinadas), p. 55 Tabela 7. Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x graus das perdas auditivas (por orelhas examinadas), p. 56 Tabela 8. Comparação (n) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x sexo (por orelhas examinadas), p. 57 Tabela 9. Comparação (n) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x grupo etário (Homens + Mulheres, por orelhas examinadas), p. 58 Tabela 10. Comparação (n) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x UPS (Homens + Mulheres, por orelhas examinadas), p. 59 Tabela 11. Distribuição (n) dos graus da perda auditiva mista x sexo (por orelhas examinadas), p. 60 Tabela 12. Distribuição (n) dos graus da perda auditiva mista x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 61 Tabela 13. Distribuição (n) dos graus da perda auditiva mista x UPS (por orelhas examinadas), p. 62 Tabela 14. Valores proporcionais da timpanometria x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 63 Tabela 15. Valores proporcionais da timpanometria x UPS (por orelhas examinadas), p. 64 Tabela 16. Distribuição (n) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x sexo (por orelhas examinadas), p. 65 Tabela 17. Distribuição (n) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x grupo etário (por orelhas examinadas), p. 66 Tabela 18. Distribuição (n) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x UPS (por orelhas examinadas), p. 67 Lista de Quadros Quadro 1. Descrição das Áreas de Planejamento e das Unidades Públicas de Saúde com suas localizações e seus respectivos bairros de abrangência, p. 42 Quadro 2. Distribuição dos dados coletados em cada Unidade Pública de Saúde, p. 43 Quadro 3. Classificação do grau das perdas auditivas, p. 47 Lista de abreviaturas e siglas AASI Aparelho de Amplificação Sonora Individual ANSI American National Standards Institute AP Área de Planejamento Co Perda auditiva condutiva G1, G2 e G3 Grupos etários HIA Hearing Impairment Among Adults IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Mi Perda auditiva mista NCHS National Center for Health Statistics Ne Perda auditiva neurossensorial No Perfil normal da curva audiométrica RAC Reflexo Acústico Contralateral SMS Secretaria Municipal de Saúde UPS Unidade Pública de Saúde USPHS Department of Health and Human Services SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE GRÁFICOS LISTA DE TABELAS LISTA DE QUADROS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS RESUMO ABSTRACT 1 INTRODUÇÃO, p. 18 2 REVISÃO DE LITERATURA, p. 22 2.1 NOÇÕES SOBRE ENVELHECIMENTO, p. 22 2.2 O ENVELHECIMENTO DO SISTEMA AUDITIVO, p. 27 2.2.1 A Presbiacusia: conceitos e características, p. 27 2.2.2 Efeitos da perda auditiva em idosos, p. 2 2.3 ASPECTOS AUDIOLÓGICOS ASSOCIADOS AO ENVELHECIMENTO, p. 33 3 METODOLOGIA, p. 41 3.1 LOCAL DA PESQUISA, p. 41 3.2 CRITÉRIOS ADOTADOS, p. 43 3.2.1 Critério de registro dos dados coletados, p. 42 3.2.2 Critérios de exclusão dos prontuários, p. 42 3.2.3 Critérios de seleção dos prontuários, p. 42 3.3 COLETA DE DADOS, p. 44 3.3.1 Dados gerais relacionados ao sexo, p.44 3.3.2 Dados gerais relacionados à idade , p. 45 3.3.3 Dados específicos relacionados ao perfil da curva audiométrica, p. 45 3.3.4 Dados específicos relacionados ao grau da perda auditiva, p. 46 3.3.5 Dados específicos relacionados à Imitanciometria, p.47 3.3.5.1 Timpanometria, p.48 3.3.5.2 Pesquisa do Reflexo Acústico Contralateral, p. 48 3.4 ANÁLISE ESTATÍSTÍCA, p. 49 4 RESULTADOS, p. 50 PARTE I – CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA, p. 50 PARTE II – AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA DOS SUJEITOS DA PESQUISA, p. 53 5 DISCUSSÃO, p. 68 PARTE I – CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA, p. 68 PARTE II – AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA DOS SUJEITOS DA PESQUISA, p. 70 6 CONCLUSÕES, p. 80 6.1 EM RELAÇÃO À AUDIOMETRIA TONAL LIMINAR, p. 80 6.2 EM RELAÇÃO À IMITANCIOMETRIA, p. 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS, p. 81 ANEXO A - Resolução do Comitê de Ética e Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde/RJ APÊNDICE A - Protocolo de Pesquisa 18 1 – INTRODUÇÃO A população brasileira envelhece aceleradamente. Atualmente, para cada cem jovens há vinte e cinco idosos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2005), as Projeções Populacionais das Nações Unidas apontaram o Brasil como um dos dez países com maior população de pessoas na faixa de idade de 60 anos ou mais e esse conjunto de países representa 62,9% da população idosa mundial. Em 2004, o número de brasileiros maiores de 60 anos era de 17,6 milhões e representava 9,7 % da população geral. O índice de envelhecimento passou de 0,11 no início da década de 1980 para 0,25 em 2004, ou seja, para cada 100 jovens, existiam 25 idosos. Esse valor mostra que a sociedade brasileira está em processo de envelhecimento, pois uma população somente é considerada envelhecida quando esse índice é superior a 1. Em uma comparação internacional, a Itália, o Japão e a Alemanha detém os três maiores índices, com 1,42; 1,41 e 1,31 respectivamente. Dados da Organização Mundial de Saúde (2005) revelaram que, entre 1970 e 2025, espera-se um crescimento mundial de idosos em torno de 23%. Em 2025, o número total de pessoas com mais de 60 anos de idade será de, aproximadamente, dois bilhões, estando 80% destes idosos nos países em desenvolvimento. O processo de envelhecimento é um fenômeno mundial. Nos países desenvolvidos, ocorreu lentamente, em uma situação de evolução econômica, de crescimento no nível do bem estar e da redução das desigualdades sociais (MOREIRA, 1998). A Bélgica pode ser citada como exemplo de país onde 19 foram necessários cem anos para que a população de idosos dobrasse de tamanho (LIMA-COSTA, 2003). Atualmente, esse processo ganha maior importância nos países em desenvolvimento devido ao aumento acelerado da população de idade avançada em relação à população geral. Aumentos de até 300% dessa população são esperados em países subdesenvolvidos, especialmente na América Latina (TRUELSEN et al., 2001). No nordeste brasileiro, a população com 65 anos ou mais de idade, era da ordem de 3% da população total em 1970 e, atualmente, representa aproximadamente, 8% da população atual (AMARAL e SENA, 2004). O desenvolvimento global do ser humano ocorre até aos 25 anos, aproximadamente. Nos anos seguintes, ganhando mais velocidade após os 40 anos, inicia-se uma série de alterações características do envelhecimento (RIBEIRO, 1999). Chegar à velhice - antes, privilégio de poucos - hoje é um grande desafio, tanto individual quanto coletivo. Com o aumento da expectativa de vida, a população de idosos é o grupo que mais cresce no Brasil, o que faz com que seja de total importância uma assistência especial à saúde destas pessoas. Conhecer o perfil dos indivíduos que apresentam declínio auditivo relacionado à idade é indispensável aos serviços públicos de saúde para o atendimento e a intervenção eficazes, em termos de custos e de planejamento estratégico dos mesmos. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (BRASÍLIA, 2006) e o Estatuto do Idoso (BRASÍLIA, 2003) são normas legais que norteiam as ações sociais e de saúde, garantem os direitos das pessoas idosas e obrigam o 20 Estado a protegê-los. Buscam criar condições para a promoção da autonomia, integração e participação dos idosos na sociedade, cabendo ao setor saúde prover o acesso deles aos serviços e às ações voltadas à promoção e recuperação da saúde. Por essas normas, o Estado declara princípios e intenções em relação a esse segmento populacional e explicita, para a sociedade, um grupo de diretrizes e regulamentos a serem observados por várias instituições sociais e pelos cidadãos em suas relações com os idosos. Assim, o Estado, os profissionais de saúde, os próprios idosos e a sociedade de um modo geral, se tornam co-responsáveis pelo processo de envelhecimento (MARTINS et al., 2007). Augustini (2003), em seu livro Introdução ao Direito do Idoso, apresentara a crescente preocupação da legislação brasileira no que diz respeito ao cidadão idoso, relacionando-o aos seus direitos na velhice. Para o autor, o direito à velhice deve ser separado da proteção à velhice; entendendose o primeiro como uma variante do direito à vida e, portanto, mais abrangente e integral do que o direito social de proteção à velhice. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002) aponta a presbiacusia, como é denominada a perda auditiva associada ao envelhecimento, como a principal causa da deficiência auditiva nos idosos, com uma incidência de cerca de 30% na população com mais de 65 anos de idade. O ruído, por sua vez, é considerado como a segunda causa de perda auditiva neurossensorial em adultos, especialmente em ambiente de trabalho. A audição possibilita a comunicação entre os indivíduos de forma eficiente, sendo, portanto, fundamental para a sua integração social. Estar apto 21 a localizar, identificar e reagir às informações sonoras do mundo à sua volta é indispensável para a qualidade de vida do indivíduo e para o seu bem estar e segurança. Funcionando sem interrupção, a audição coloca o indivíduo em constante contato com o meio ambiente e o mantém informado sobre as atividades que estão ocorrendo à distância, permitindo-lhe o aproveitamento pleno de suas experiências. Neste contexto, a deterioração da audição se mostra como uma das deficiências sensoriais mais arrasadoras que acompanham o processo de envelhecimento. A incapacidade de se comunicar de maneira eficiente torna-se um dos maiores problemas das pessoas idosas ao confrontar-se com o mundo a sua volta. Considerando a grande demanda de pacientes idosos para a realização de exames auditivos e sabendo que a perda auditiva é a terceira condição crônica mais comum nestes pacientes, desenvolvemos este estudo com o objetivo de identificar o perfil audiológico de indivíduos com idade de 60 anos ou mais que procuraram o serviço de Audiologia das Unidades Públicas de Saúde (UPS) na cidade do Rio de Janeiro. 22 2 - REVISÃO DE LITERATURA Neste capítulo, serão apresentadas sínteses de publicações de outros pesquisadores, como fundamentação teórica para o presente estudo, em ordem cronológica, relacionadas com o tema proposto e encontradas na literatura compulsada. Com o intuito de facilitar e organizar a revisão literária, o mesmo será dividido em tópicos. 2.1 – NOÇÕES SOBRE ENVELHECIMENTO. Kalache et al. (1987) afirmara que, o processo de envelhecimento da população não é, naturalmente, uma característica única do Brasil, sendo compartilhado, de modo mais ou menos acentuado, por diversos países em desenvolvimento. Os fatores determinantes do envelhecimento, no nível da população de um país, são, fundamentalmente, ditados pelo comportamento de suas taxas de fertilidade e, de modo menos importante, de suas taxas de mortalidade. O autor citara vários fatores que contribuem para a queda da fertilidade versus o aumento da longevidade, dentre os quais as sucessivas campanhas de planejamento familiar e de vacinação, água tratada, conscientização da população em relação a hábitos de vida mais saudáveis, medicamentos e tratamentos mais eficientes e maior controle das doenças crônicas. Nos Estados Unidos, dados do Department of Health and Human Services – U.S.P.H.S. (1990) mostraram que, o grupo de indivíduos acima de 85 anos apresentará o maior crescimento em relação à população total. As 23 projeções indicaram que, a porcentagem de idosos com idade entre 75 – 84 anos aumentará 57% enquanto o segmento acima de 85 anos irá aumentar 91%. Em cada uma destas faixas etárias, o aumento do número de mulheres será nitidamente maior do que o de homens. Este Serviço de Saúde Pública declarou comprometimento com a visão de que a identificação de doenças crônicas (perda auditiva, por exemplo) e a intervenção precoce reduzirão a magnitude da inabilidade funcional que os idosos desenvolvem. Para Cançado (1994), o que tem aumentado significativamente é a esperança de vida ao nascer, que hoje, em alguns países já está na nona década de vida. Atualmente vive-se mais, ocorrendo menos óbitos em grupos etários mais baixos e após os 60 anos. Segundo o autor, vale destacar a importância crescente que vem sendo dada para a idade dos “velhos muito velhos”. Essa é uma parcela muito significativa da população idosa nos países desenvolvidos, formada por indivíduos de 80 anos e mais, que em custo assistencial representa um ônus extremamente pesado para os sistemas sociais, dada a maior incidência de doenças e incapacidades em conseqüências de suas peculiaridades. Veras (1994) em seus estudos, mencionara duas regiões brasileiras distintas e ao mesmo tempo tão próximas quanto ao processo de envelhecimento de suas populações: o Rio de Janeiro e a Paraíba, que apresentam 9,20% e 9,04% de habitantes idosos, respectivamente. Para o autor, apesar da aparente semelhança numérica entre os percentuais, grandes diferenças se apresentam entre as duas regiões. O processo de envelhecimento, na Paraíba, decorreu principalmente da migração de sua população jovem e produtiva para outros estados em busca de trabalho, 24 enquanto que, no Rio de Janeiro, com uma população mais estável, o processo de redução de fecundidade e de mortalidade ocorreu gradativamente. Nesse mesmo estudo, o autor relatara que as mulheres idosas brasileiras são mais numerosas do que os homens. Essa predominância seria conseqüência do aumento no excedente de mortalidade masculina em relação à mortalidade feminina, em todas as idades. O autor formulara as seguintes hipóteses para explicar por que as mulheres, em nosso país, vivem mais do que os homens: 1 – Diferença na exposição a risco. Os acidentes de trabalho que levam à morte ocorrem principalmente com homens. Acidentes domésticos, de trânsito e/ou de trabalho, homicídios e suicídios são, em conjunto, quatro vezes mais freqüentes para os homens do que para as mulheres nas áreas urbanas brasileiras. No Rio de Janeiro, as doenças cardiovasculares estão em primeiro lugar na lista de mortalidade populacional, enquanto que, as mortes acidentais e violentas ocupam o segundo lugar. 2 – Diferenças no consumo de tabaco e álcool. Fumar e beber são fatores de risco bem estabelecidos e associados a mortes por neoplasias e doenças cardiovasculares. Os homens também costumam consumir tabaco e álcool em maiores quantidades do que as mulheres. 3 – Diferenças na atitude em relação às doenças. As mulheres, geralmente, têm melhor conhecimento das doenças e dos sintomas, procurando mais informações preventivas e tratamentos nos serviços de saúde do que os homens. 25 4 – Atendimento médico-obstétrico. Atualmente, a mortalidade materna decresceu. No passado, era uma das principais causas de morte prematura entre as mulheres. Carvalho e Garcia (2003) enfatizaram que, o envelhecimento populacional não se refere nem a indivíduos, nem a cada geração, mas, sim, à mudança na estrutura etária da população, o que produz um aumento do peso relativo das pessoas acima de determinada idade, considerada como definidora do início da velhice. Este limite inferior varia de sociedade para sociedade e depende não somente de fatores biológicos, mas, também, econômicos, ambientais, científicos e culturais. Dados do IBGE (2005) mostraram que, a distribuição por sexo do contingente de idosos no Brasil segue a tendência mundial, apresentando um maior número de mulheres. Em 2004, para cada 100 mulheres idosas, havia 78,6 homens idosos. As grandes regiões brasileiras seguem, também, comportamento similar. No Sudeste, essa diferença acentua-se, principalmente no grupo etário de maiores de 80 anos, onde há somente 56,4 homens para cada 100 mulheres, indicando maior mortalidade masculina. A diferença entre as expectativas de vida em função do sexo permanece determinando um excedente de mulheres em relação aos homens. Em 1991, havia no Brasil 97,5 homens para cada grupo de 100 mulheres. A razão de sexo declinou para 95 % em 2004. Segundo Martins et al. (2007), o Brasil tem se defrontado, assim como outros países, com a questão do envelhecimento da população e essa realidade demonstra que não existe outro caminho senão a cooperação entre as esferas governamentais, com investimento articulado em programas de 26 atenção aos idosos. Para esse autor é fundamental o engajamento de toda a sociedade com o objetivo de transformar a realidade dos idosos e humanizar as relações entre viver e envelhecer. Para Santos et al. (2008), os desafios trazidos pelo envelhecimento da população brasileira têm diversas dimensões e repercussões na sociedade, mas nada é mais justo do que garantir ao idoso a sua integração na comunidade. As políticas de atenção à terceira idade impõem atuação intersetorial na gestão pública, pois, muitas vezes, as ações dirigidas aos idosos são executadas sem a mínima articulação com órgãos envolvidos nas diversas demandas que os idosos apresentam: saúde, educação, cultura, habitação, assistência social, etc. 27 2.2 – O ENVELHECIMENTO DO SISTEMA AUDITIVO. 2.2.1 – A PRESBIACUSIA: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS. Arnst (1989) definira a presbiacusia como uma perda decorrente do processo natural de envelhecimento do sistema auditivo. Portmam e Portmam (1993) afirmaram que, a presbiacusia ou senescência da orelha é um fenômeno biológico do qual ninguém escapa. Sendo uma perda natural da função auditiva e não uma doença, acompanha o processo de envelhecimento, de forma insidiosa, gradual e progressiva. Normalmente, inicia-se a partir dos 20 / 30 anos podendo tornar-se significativo a partir dos 40 / 50 anos. Russo e Almeida (1996); Lopes Filho e Campos (1997) referiram-se à presbiacusia como o envelhecimento do ouvido interno, ocorrendo progressivamente à degeneração das estruturas anatômicas. Willott (1999) conceituara a presbiacusia como uma perda bilateral da audição para sons de alta freqüência, acompanhada, geralmente, por uma perda desproporcional do reconhecimento da fala, sem história prévia de doença sistêmica ou auditiva severa, com início gradual e curso progressivo. Hull (2000) descrevera a presbiacusia como uma desordem frustrante, que se caracteriza por uma mudança descendente e gradual na sensitividade auditiva para todas as freqüências, acompanhada por um declínio na discriminação da fala e na função auditiva central. No relatório HIA (Hearing Impairment Among Adults, 2001) apud Veras e Mattos (2007), a presbiacusia é considerada uma deficiência auditiva natural, 32 que cresce significativamente com a idade das pessoas, e que acarreta efeitos adversos nas atividades e participação social, interferindo na qualidade de vida. Marques et al. (2002) explicaram que, o processo de envelhecimento é global, deteriorativo e irreversível, e que as mudanças decorrentes, vão além de um simples avanço cronológico. A degeneração paulatina dos órgãos, dos tecidos e do metabolismo, de um modo geral, representa uma característica física desse processo que, por sua vez resulta no comprometimento de várias funções biológicas, psicológicas e sensoriais. Dentre as deficiências sensoriais que acompanham este processo, a deficiência auditiva ou diminuição da função auditiva, conhecida como presbiacusia, é uma das mais incapacitantes. Esta privação sensorial faz com que o idoso diminua gradativamente o seu contato social, com conseqüentes alterações emocionais muitas vezes devastadoras. Autores como Espmark (2002); Marcincuk (2002); Gates (2004) definiram a presbiacusia como um declínio da função auditiva relacionado à idade, sendo resultante de um somatório de fatores negativos, extrínsecos e intrínsecos; fatores esses que exercem ação sobre o sistema auditivo dos idosos. Clinicamente, é diagnosticada como um tipo comum de perda auditiva causada por uma degeneração coclear, que afeta principalmente a parte basal da cóclea, prejudicando a percepção auditiva das freqüências altas. Para Martins-Bassetto et al. (2007), o processo de envelhecimento manifesta-se por um declínio das funções de diversos órgãos de forma linear em função do tempo, sem definição do ponto exato de transição, como nas demais fases. Segundo os autores, ao final da terceira década evidenciam-se as alterações anatomofuncionais atribuídas ao envelhecimento. 32 Veras e Mattos (2007) relataram estudos internacionais, com ênfase na alta prevalência da perda auditiva em pessoas idosas. Em 2001, nos países nórdicos (Reino Unidos, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Islândia), um grupo de pesquisadores se reuniu com o objetivo de definir a prevalência atual e estimada da presbiacusia, além de avaliar os resultados da reabilitação auditiva e da adaptação de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI) nos portadores de perda de audição. Nas conclusões deste encontro observouse que, apesar das múltiplas causas de presbiacusia, as evidências obtidas não indicavam diferentes índices de prevalência, entre os diferentes países, para as pessoas da mesma idade e sexo. 2.2.2 – EFEITOS DA PERDA AUDITIVA EM IDOSOS. Lebo e Reddell (1972) concluíram em seus estudos que, conforme o aumento da idade, como regra geral, a média de sensitividade para tons puros pode diminuir cerca de 30 dB. Jokinsen (1973) demonstrara que a partir dos 50 anos de idade iniciamse as dificuldades significativas na compreensão das palavras em ambientes com ruído competitivo e Jerger (1973), por sua vez, relatara que, a média da performance para a inteligibilidade da fala decai aproximadamente 35% com o avanço da idade. Moscicki et al. (1985) relacionaram uma série de fatores à perda auditiva em idosos. Entre eles estão a idade, as desordens metabólicas, as desordens vasculares, doença renal, medicações, tratamentos médicos e exposição a ruídos. Para os autores, alguns destes fatores de risco para a perda auditiva 32 em idosos variam de acordo com o sexo. Os fatores de risco para as mulheres incluem a história de doença de Menière e a história familiar de perda auditiva. Todavia, para os homens, o fator de risco é o histórico de exposição prolongada a ruídos. Nos Estados Unidos (NCHS, 1987) a perda auditiva tende a aumentar com a idade, acometendo 33% dos indivíduos com idade entre 65 e 74 anos; 45% das pessoas entre 75 e 84 anos e 62% das pessoas acima de 85 anos de idade. Mulrow et al. (1990) em seus estudos, mencionaram o efeito adverso da perda auditiva no estado funcional, na qualidade da vida, na função cognitiva e no bem-estar emocional, comportamental e social do indivíduo. Jerger et al. (1991); Humes et al. (1992) apontaram a perda auditiva neurossensorial, freqüentemente encontrada na população idosa, como o principal fator explicativo da dificuldade de compreensão de fala desta população. Garstechi e Erler (1995) afirmaram que, com o avanço da idade, os órgãos sensoriais, principalmente a audição e a visão vão perdendo a acuidade. A deficiência auditiva é uma das três condições crônicas mais prevalentes nos idosos, ficando atrás somente da artrite e da hipertensão arterial. Bilton et al. (1995), em estudos brasileiros, revelaram que a deficiência auditiva associada ao envelhecimento acomete em torno de 60% da população idosa e que esta variável está relacionada com os diferentes graus de perda auditiva e de limitações sociais. 32 Santos (1996) constatara que, no adulto que tem linguagem adquirida, mesmo uma perda auditiva em grau leve pode dificultar suas relações familiares, sociais e de trabalho. Morrell et al. (1996); Kacker (1997) relataram em estudos epidemiológicos distintos, os distúrbios auditivos como os mais comuns dentre os diversos problemas que reduzem a qualidade de vida dos idosos. Giachete e Duarte (1997) destacaram que, os distúrbios de comunicação podem ocorrer nos idosos em conseqüência da redução dos níveis de consciência, atenção, memória, raciocínio, de fala e linguagem e outros. Iório e Menegotto (1997); Souza e Russo (1998) declararam que, a perda auditiva decorrente da presbiacusia pode ser influenciada e agravada por doenças sistêmicas, alcoolismo, exposição ao ruído, estresse, ototoxicidade, distúrbios metabólicos e vasculares, além de sofrer a influência de fatores genéticos na instalação do processo presbiacúsico. Helfer (2001) apontara limiares tonais rebaixados nas freqüências altas para o sexo masculino e comprovara maior prejuízo auditivo nos homens do que nas mulheres. Bess et al. (2001) enfatizaram que, a perda auditiva em idosos também acarreta um ônus econômico significativo, pois, um número relativamente reduzido de indivíduo presbiacúsico é empregado ou mantido em cargos profissionais, técnicos ou administrativos. Tsuruoka et al. (2001) verificaram que entre 60 idosos, com idade acima de 65 anos, residentes em instituições assistenciais, as perdas auditivas dificultavam suas relações com funcionários e outros residentes, por impedirem sua comunicação, tornando-os retraídos, inseguros e deprimidos. 32 Musiek e Rintelmann (2001); Veiga e Garcez (2002) afirmaram que, os efeitos do processo de envelhecimento sobre as capacidades sensoriais resultam na menor eficiência funcional. Segundo os autores, a deficiência auditiva na população idosa está associada com depressão, isolamento social e demência. Neves (2002) destacara que, durante o envelhecimento podem ser alterados também, aspectos supraliminares da percepção auditiva, como de sonoridade, a localização de sons no espaço, o reconhecimento da fala e a percepção de sinais mascarados por ruídos. Amaral e Sena (2004) enfatizaram que, os distúrbios de comunicação nos indivíduos idosos com perda auditiva não apresentam apenas como característica a diminuição da sensação auditiva, mas uma dificuldade de comunicação efetiva. Liu e Yan (2007) afirmaram que, a perda auditiva associada ao envelhecimento é comum entre pessoas idosas, embora seja difícil distinguir entre as mudanças normais que ocorrem no processo de envelhecimento e outros fatores. Para os autores, os fatores genéticos determinam o processo de envelhecimento, mas estão sob a influência de fatores intrínsecos e ambientais. 33 2.3 – ASPECTOS AUDIOLÓGICOS ASSOCIADOS AO ENVELHECIMENTO. Segundo o American National Standards Institute (ANSI, 1969), as queixas de perda da audição não são, geralmente, referidas pelos indivíduos até que uma baixa auditiva de +25 dB ocorra nas freqüências abaixo de 3 kHz. Surjan et al. (1973) em seus relatos, apontaram uma maior incidência de perda auditiva no sexo masculino (53%) do que no sexo feminino (47%), apesar da população geral acima de 65 anos de idade ter aproximadamente 20% mais de mulheres do que de homens. Moscicki et al. (1985) realizaram um trabalho com indivíduos de idade acima de 60 anos (935 homens e 1358 mulheres), que apresentavam perda de sensibilidade auditiva especialmente em 2, 4, 6 e 8 kHz e observaram os valores de limiares dos homens piores que o das mulheres. Brant e Fozard (1990) afirmaram que, as mudanças mais significantes nos limiares auditivos começam a surgir entre os 40 e 50 anos e continuam progredindo lentamente até os 80 anos de idade. Russo (1993), em estudo do perfil audiológico de 169 indivíduos presbiacúsicos brasileiros de 65 a 90 anos, de ambos os sexos (55% eram do sexo masculino), revelou a existência de perdas auditivas neurossensoriais bilaterais progressivas, mais acentuadas para as freqüências altas, elevandose os limiares tonais com o aumento da idade. Na conclusão do estudo, os homens apresentaram perdas auditivas mais acentuadas, em freqüências altas, do que as mulheres. 34 Pedalini et al. (1997) com o intuito de estudar a queixa auditiva do idoso, analisaram o perfil audiológico de indivíduos com idade entre 60 e 89 anos. Os autores realizaram avaliação audiológica em 81 sujeitos e encontraram no exame de Audiometria Tonal Liminar o resultado preponderante de perda auditiva do tipo neurossensorial simétrica e descendente em 95,06% dos casos. Concluíram que houve relação de piora da perda auditiva com o avanço da idade e predomínio das perdas de grau leve e moderado. Bess e Humes (1998) relataram que, a partir dos 50 anos, aproximadamente, a sensibilidade auditiva decai de forma progressiva, principalmente nas freqüências altas. Segundo os autores, esta progressão ocorre de forma mais rápida em homens do que em mulheres. Cruikshanks et al. (1998) verificaram que, com o envelhecimento, ocorrem mudanças no nível de audição para as faixas de sons de 2, 3 e 4 kHz. Na amostra estudada (3.753 pessoas, com idades entre 48 e 92 anos), a prevalência de perdas auditivas era de 45,9%. Dentre os sujeitos com perdas auditivas, 58,1% tinham perdas leves (entre 25 e 40 dB), 30,6% tinham perdas moderadas (entre 40 e 60 dB) e 11,3% tinham perdas severas (acima de 60 dB). Neste estudo, os autores concluíram que, as perdas auditivas começaram a ocorrer, em alguns indivíduos, bem antes da idade avançada e que a prevalência de problemas auditivos aumenta com o envelhecimento mais extensamente entre homens do que entre mulheres. Bacha et al. (1999) realizaram um estudo e investigaram o perfil audiológico de idosos institucionalizados com idade superior a 65 anos. Constataram que, dos 106 casos da amostra, 82,08% dos indivíduos apresentavam diversos graus de perda auditiva, desde grau leve até profundo. 35 Além disso, dos 87 casos identificados com perda auditiva simétrica, houve diferenças significativas com relação às freqüências mais acometidas, revelando maior incidência nas freqüências altas. Kim et al. (2000) realizaram em duas etapas, pesquisa audiológica com uma população coreana. No primeiro momento, os autores avaliaram pacientes usuários dos serviços de saúde de Centros de Promoção de Saúde em três províncias coreanas (estudo de base-institucional) e na etapa seguinte, eles examinaram idosos residentes na área de Kanghwa-do (estudo de basecomunidade). O principal foco do estudo foi determinar a incidência da presbiacusia com grupos, em gênero e idade. Com esse objetivo, os autores realizaram a avaliação auditiva utilizando o exame de Audiometria Tonal Liminar em 6.028 sujeitos. Nos estudos retrospectivos dos pacientes, nos Centros de Promoção de Saúde, eles perceberam nítidas diferenças na incidência distribuída por grupo, em idade. Em relação aos idosos, moradores da comunidade, a incidência foi de 11,1% e 5,4% para homens e mulheres, respectivamente, sendo uma diferença estatisticamente significante. Este trabalho revelou uma alta prevalência (40%) de presbiacusia entre os coreanos e o aumento da incidência foi visto especialmente nos indivíduos com mais de 65 anos de idade. Quintero et al. (2002) avaliaram 100 indivíduos idosos com idade entre 60 a 79 anos, sendo que 50 idosos (21 homens e 29 mulheres – grupo estudo) apresentavam perda auditiva neurossensorial, bilateral, simétrica e 50 idosos (10 homens e 40 mulheres – grupo controle) apresentavam audição tonal dentro dos padrões de normalidade. A perda auditiva era característica de presbiacusia, com limiares de audibilidade tonal variando de 30 a 60 dBNA. Os 36 autores concluíram que não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos, porém houve uma tendência de pior desempenho, nas condições estudadas, para os indivíduos com presbiacusia. Além disso, concluíram também, que a perda auditiva neurossensorial não se configura num fator determinante, porém, em agravante da dificuldade de inteligibilidade de fala dos idosos em ambientes ruidosos ou reverberantes. Ferré-Rey et al. (2002) realizaram um estudo para determinar os fatores de risco à presbiacusia. O propósito foi avaliar a prevalência da perda auditiva em uma população européia, considerando a implicação no sexo e a relação com a moradia e a localização geográfica. A amostra da pesquisa foi constituída de 59 sujeitos, com média de idade de 75,7 anos, oriundos de diferentes asilos. Os autores concluíram que a prevalência da presbiacusia não apresentou significância no sexo feminino (16,9%) e enfatizaram a ausência de relações entre o declínio auditivo decorrente do avanço da idade e a hipertensão arterial, o tabagismo e alcoolismo, fatores estes reconhecidos como de riscos cardiovasculares. A não ocorrência de associação estatisticamente significante da presbiacusia com a localização e o tipo de moradia foi outra conclusão do estudo. Na área da Audiologia, pesquisadores nacionais como Jurca et al. (2002); Viude (2002); Kós e Kós (2003); Pinzan-Faria e Iório (2004); Ruschel et al. (2007); Momensohn-Santos et al. (2007) realizaram estudos sobre a perda auditiva decorrente do processo de envelhecimento e concluíram que os achados audiológicos evidenciavam uma perda auditiva neurossensorial bilateral com curva descendente. 37 Mazelova et al. (2003), em estudos com 30 idosos (de 67 a 93 anos), encontraram diferença estatisticamente significante entre os gêneros para as freqüências de 3 e 4 kHz, sendo que os homens apresentaram pior desempenho para estas freqüências. Marques (2004) verificara em seus estudos que, geralmente, os homens apresentam maior incidência de perda auditiva do que as mulheres. O autor concluíra que a ocorrência desse fato deveu-se ao trabalho de muitos dos sujeitos de sua pesquisa em serviços industriais, expostos ao ruído ambiental. Amaral e Sena (2004), em análise do perfil audiológico de pacientes idosos, estudaram uma população de 260 indivíduos na faixa etária de 65 a 104 anos, sendo 122 (46,92%) do sexo masculino e 138 (53,08%) do sexo feminino. Para a coleta de dados, os pesquisadores utilizaram como instrumento de pesquisa, os prontuários dos pacientes, de onde foram levantadas as informações de amamnese, das medidas de imitância acústica e da audiometria tonal liminar. Os autores constataram maior presença na faixa etária de 65 a 70 anos (40,77%); a queixa auditiva que prevaleceu foi a de zumbido (58,08%); a maior parte dos idosos apresentou perdas auditivas simétricas (73,85%) e bilaterais (97,31%); e, reflexos acústicos presentes (73,85%). Concluíram que, em sua maioria, a perda da audição caracterizou-se por uma perda auditiva neurossensorial, de grau variado, bilateral e simétrica; e que, a deficiência auditiva progride com o aumento da idade, causando problemas na comunicação desses indivíduos. Ogunleye e Labaran (2005) realizaram um estudo prospectivo em 67 pacientes nigerianos que apresentavam achados audiológicos característicos de presbiacusia. O estudo foi realizado na University College Hospital, Ibadan, 38 Nigéria, entre janeiro de 2000 e junho de 2004. Os autores basearam o diagnóstico de presbiacusia de cada sujeito da amostra (n = 2817) no histórico clínico e no resultado da audiometria de tom puro. Foram selecionados 37 (55,2%) homens e 30 (44,8%) mulheres com média de idade de 69,3 anos. A maioria dos casos (64,1%) foi da sexta e oitava décadas de vida, sendo que 34 (50,7%) casos apresentavam perda auditiva, 19 (28,4%) apresentavam zumbidos e 14 (20,9%) apresentavam associação de perdas auditivas e zumbidos. As conclusões encontradas foram: 1 – percentagem quase igual de presbiacusia afetando homens e mulheres; 2 – incidência de perda auditiva a partir da quarta década; 3 – predomínio do tipo de presbiacusia metabólica; 4 – presença marcante do grau moderado nas perdas auditivas e; 5 – constatação da perda auditiva como um importante problema social. Guarinello e Cruz (2006) observaram o perfil audiológico de 153 pacientes idosos que receberam Aparelho de Amplificação Sonora Individual na clínica de Fonoaudiologia da Universidade Tuiuti do Paraná. Como instrumento de pesquisa, foram analisados os prontuários de 76 indivíduos do sexo masculino e 77 do sexo feminino com idades entre 65 e 80 anos, que apresentavam perda auditiva bilateral. Os autores concluíram que, as perdas auditivas em idosos, geralmente, são bilaterais, simétricas e predominantemente neurossensoriais. Quanto ao tipo de perda auditiva, 79% dos idosos apresentaram perda auditiva neurossensorial, 20% perda mista e apenas 1% perda condutiva. Quanto ao grau da perda auditiva, 48% dos idosos possuíam perda moderada, 23% perda severa, 22% perda leve e 7% perda profunda. 39 Chang e Chou (2007) realizaram um estudo com o objetivo de estimar a prevalência e a severidade da presbiacusia em idosos chineses, com idade de 65 anos ou mais, residentes em Taipei, Taiwan. Os autores dividiram a amostra de pesquisa (n = 1221) em faixas etárias e encontraram a prevalência de presbiacusia de 1,6% na faixa etária de 65-69 anos; 3,2% na de 70-74 anos; 7,5% na de 75-79 anos e 14,9% na de ≥ 80 anos. Os autores concluíram que ocorreu uma piora nos limiares de tom puro, especialmente nas freqüências maiores de 2kHz e que a prevalência da presbiacusia é diretamente proporcional ao aumento da idade. Baraldi et al. (2007) avaliaram 211 idosos, com idade entre 60 e 99 anos (média de 75,24 anos), sendo 61 indivíduos do sexo masculino e 150 do sexo feminino. Os sujeitos foram submetidos, inicialmente, a uma anamnese e depois à avaliação audiológica básica (exames de Audiometria Tonal Liminar, Audiometria Vocal e Medidas de Imitância Acústica). A amostra foi dividida em quatro faixas etárias (60 a 69 anos; 70 a 79 anos; 80 a 89 anos e ≥ 90 anos). Com relação ao perfil audiológico, observou-se prevalência de perda auditiva neurossensorial, bilateral, de configuração descendente com maior prejuízo nas freqüências altas (4, 6 e 8 kHz) para ambas as orelhas. Com relação ao perfil da curva audiométrica observou-se que 32,2% dos indivíduos apresentaram audição normal. Em relação ao grau da perda auditiva, 28% dos sujeitos apresentaram perda leve, 25,6% perda de grau moderado, 6,2% moderadamente severo, 5,6% grau severo e 2,4% grau profundo. De acordo com os resultados, observou-se que os limiares das freqüências baixas não sofreram alterações significantes até a faixa etária de 80 a 89 anos, estando significativamente prejudicados após os 90 anos. Com relação à diferença de 40 limiares entre o sexo masculino e feminino, houve diferença estatisticamente significante no limiar da freqüência de 4 kHz, sendo que os homens apresentaram limiar mais rebaixado que as mulheres para ambas as orelhas. Os autores concluíram que o avanço da idade traz como conseqüência o aumento gradual do grau da perda auditiva, sendo que a configuração audiométrica apresentou-se descendente, com maior prejuízo das freqüências altas na faixa etária de 80 a 89 anos. Ocorreu uma horizontalização no perfil da curva audiométrica em indivíduos com idade maior de 90 anos. Mattos e Veras (2007) realizaram um estudo seccional de base populacional, na cidade do Rio de Janeiro, com 238 idosos de 65 anos ou mais de idade, sendo 198 mulheres e 40 homens, cadastrados em uma universidade aberta da terceira idade, durante o ano de 2004. Com o objetivo de estimar a prevalência da perda auditiva nesta amostragem populacional os autores concluíram que, para todos os diferentes grupos etários, a prevalência foi alta com predomínio do grau leve de perda auditiva. Calais et al. (2008) investigaram as queixas otológicas e as preocupações dos indivíduos idosos quanto às dificuldades de comunicação. Os sujeitos da pesquisa participaram de uma entrevista e de exames auditivos. Os idosos com perda auditiva que relataram dificuldades de comunicação constituíram 84,6% da amostra, enquanto que os idosos sem queixas de perda auditiva, mas com relatos de dificuldade de comunicação constituíram 15,4% da amostra. A conclusão da pesquisa mostrou a presença de ruído ambiental como a mais referida situação de dificuldade de comunicação. 41 3 - METODOLOGIA O projeto desta pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (Coordenação de Desenvolvimento de Recursos Humanos – Departamento de Intercâmbio Cultural e Desenvolvimento Científico), sob o número 114 A/ 2008. 3.1. LOCAL DA PESQUISA A pesquisa foi realizada em 05 (cinco) Unidades Públicas de Saúde (UPS) que compõem a rede de serviços públicos de saúde da cidade do Rio de Janeiro. A Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro subdivide a cidade em regiões administrativas e bairros que são as Áreas de Planejamento (AP) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A AP é formada por um conjunto de bairros vizinhos, e cada UPS, inserida em sua respectiva AP está destinada a atender aos moradores desses bairros (Figura 1). Figura 1. Mapa geral do Município do Rio de Janeiro (Fonte: IBGE,1999). 42 Para esta pesquisa foi selecionada, aleatoriamente uma UPS de cada AP. As AP com suas UPS e seus respectivos bairros de abrangência são apresentadas no quadro 1. Quadro 1 – Descrição das Áreas de Planejamento e das Unidades Públicas de Saúde com suas localizações e seus respectivos bairros de abrangências. Áreas de Planejamento AP 1.0 AP 2.1 AP 3.1 AP 4.0 AP 5.2 1 Unidades Públicas de Saúde Bairros Centro Municipal de Saúde Ernesto Zeferino 1 Tibau Junior Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju, Centro, Catumbi, Rio Comprido, Cidade Nova, Estácio, São Cristóvão, Mangueira, Benfica, Paquetá, Santa Teresa e Vasco da Gama. Centro Municipal de Saúde Manoel José 2 Ferreira Botafogo, Catete, Copacabana, Cosme Velho, Flamengo, Gávea, Glória, Humaitá, Ipanema, Jardim Botânico, Lagoa, Laranjeiras, Leblon, Leme, Rocinha, São Conrado, Urca e Vidigal. Policlínica José Paranhos Fontenelle3 Bonsucesso, Brás de Pina, Complexo do Alemão, Cordovil, Jardim América, Manguinhos, Maré, Parada de Lucas, Olaria, Penha, Penha Circular, Ramos e Vigário Geral. Centro Municipal de Saúde Jorge Saldanha 4 Bandeira de Mello Anil, Barra da Tijuca, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhanguá, Jacarepaguá, Joá, Pechincha, Praça Seca, Recreio dos Bandeirantes, Tanque, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena e Vila Valqueire. Centro Municipal de Saúde Belizário Penna5 Barra de Guaratiba, Campo Grande, Cosmos, Guaratiba, Inhoaíba, Pedra de Guaratiba, Santíssimo e Senador Vasconcelos. Avenida do Exército, nº 1, São Cristovão. Rua Silveira Martins, nº 161, Flamengo. 3 Rua Leopoldina Rego, nº 700, Penha. 4 Avenida Geremário Dantas, nº 135, Jacarepaguá. 5 Rua Franklin, nº 29, Campo Grande. 2 42 43 3.2 – CRITÉRIOS ADOTADOS. 3.2.1 – Critério de registro dos dados coletados: Os dados referentes ao sexo e à idade foram registrados por indivíduos, enquanto que os resultados da avaliação audiológica foram anotados por orelhas examinadas. 3.2.2 – Critério de exclusão de prontuários: Foram excluídos da amostra dessa pesquisa os prontuários com exames incompletos, isto é, prontuários onde não constavam todos os resultados dos exames audiológicos. 3.2.3 – Critério de seleção dos prontuários: Para a análise dos dados, foi selecionada, de forma aleatória, metade dos prontuários com os exames completos. A distribuição do total de exames (realizados, selecionados e registrados) está demonstrada no quadro 2. Quadro 2 – Distribuição dos dados coletados em cada Unidade Pública de Saúde. Exames realizados Exames selecionados Exames registrados (período de 02 a 07) (completos) (50%) Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres 1.0 694 893 470 608 235 304 2.1 535 1029 496 914 248 457 3.1 192 307 164 260 83 131 4.0 495 807 416 642 208 321 5.2 572 879 348 450 174 225 Total 2488 3915 1894 2874 948 1438 UPS 46 3.3 – COLETA DE DADOS. A coleta de dados para a pesquisa foi realizada de forma indireta, através de consulta aos prontuários arquivados nos Setores de Audiologia de cada UPS. Na etapa inicial, foram identificados e selecionados os prontuários dos pacientes com idade igual e superior a 60 anos, submetidos à avaliação auditiva. Sendo um estudo retrospectivo, os dados foram coletados dos exames audiológicos realizados pelos fonoaudiólogos / audiologistas durante o período de 2002 a 2007. Esses dados provieram dos prontuários dos pacientes e foram transcritos para o Protocolo de Pesquisa (Apêndice A). Após a etapa de identificação e seleção dos prontuários, deu-se início a fase de coleta e análise dos dados gerais e específicos para a pesquisa. Os dados gerais referem-se ao sexo (masculino, feminino) e à idade (faixas etárias de 60 a 69 anos, 70 a 79 anos e 80 anos ou mais). Os dados específicos referem-se á: ● Avaliação Audiológica com o perfil da curva audiométrica (normal ou alterado) e o grau da perda auditiva (leve, moderado, severo e profundo); ● Imitanciometria com a timpanometria (timpanogramas Tipo A, B, C, Ar e Ad) e a pesquisa do reflexo acústico contralateral (presente ou ausente). 3.3.1 – Dados gerais relacionados ao sexo: Foram coletados dos prontuários dos pacientes os dados relacionados ao sexo masculino e ao sexo feminino. 46 3.3.2 – Dados gerais relacionados à idade: Nesse estudo, para melhor caracterizar a evolução da perda auditiva no decorrer da idade, os indivíduos foram alocados em três grupos denominados respectivamente de G1, G2 e G3, de acordo com a idade de cada um. No G1, estavam distribuídos os indivíduos de 60 a 69 anos; No G2, os indivíduos de 70 a 79 anos; e No G3, os indivíduos de idade igual ou maior de 80 anos. 3.3.3 – Dados específicos relacionados ao perfil da curva audiométrica: Os resultados da avaliação audiológica dos pacientes foram analisados, levando-se em consideração os critérios adotados por Redondo e Lopes Filho (2005), a saber: Curva audiométrica com perfil normal (NO): quando os resultados dos exames audiológicos apresentarem níveis auditivos dentro dos padrões de normalidade, isto é, limiares de audibilidade inferiores a 25 dBNA, nas freqüências de 0.25 a 8 kHZ. Curvas audiométricas com perfis alterados: - condutiva (CO): quando os limiares ósseos estiverem dentro da normalidade, os limiares aéreos piores que os limites considerados normais e existir, entre eles, um diferencial aéreo – ósseo de 15 dBNA ou mais. - neurossensorial (NE): quando os limiares aéreos e os limiares ósseos estiverem piores que os limites considerados normais, não existindo o diferencial aéreo – ósseo (será aceito um diferencial igual ou menor que 10 dBNA). 46 - mista (MI): quando os limiares aéreos e os limiares ósseos estiverem piores que os limiares considerados normais e existir um diferencial aéreo – ósseo maior que 15 dBNA (via óssea igual ou melhor que a aérea). 3.3.4 – Dados específicos relacionados ao grau da perda auditiva: Os resultados dos exames audiológicos dos pacientes foram classificados com base na média dos limiares da via aérea nas freqüências de 0.5, 1 e 2 kHz e nas freqüências de 4, 6 e 8 kHz. Para análise destes resultados, foi utilizada a classificação do grau de perda auditiva proposta por Silva (1997), porém, de forma adaptada. Este autor propõem que a média das freqüências de 3, 4 e 6 kHz também seja usada como base para determinar o grau das perdas auditivas. Contudo, nesse estudo, a freqüência de 3 kHz não foi considerada, pois a mesma não é pesquisada, rotineiramente, por alguns profissionais fonoaudiólogos/audiologistas das UPS. Assim sendo, nesse estudo, foi proposta uma nova classificação da perda auditiva quanto ao grau, utilizando-se as médias das freqüências graves de 0.5, 1 e 2 kHz, além das médias das freqüências agudas de 4, 6 e 8 kHz, descritas no quadro a seguir: 47 Quadro 3. Classificação do grau das perdas auditivas. ____________________________________________________________________________ Médias de 0.5, 1 e 2 kHz Médias de 4, 6 e 8 kHz Descritor Verbal 0 - 25 dBNA 0 – 25 dBNA Normal 26 - 40 dBNA 26 – 40 dBNA Leve 41 - 70 dBNA 41 – 70 dBNA Moderado 71 - 90 dBNA 71 – 90 dBNA Severo A partir de 91 dBNA A partir de 91 dBNA Profundo Além da classificação explicitada acima, nesse estudo, o grau da perda auditiva também foi classificado levando-se em consideração o pior resultado entre as médias de 0,5, 1 e 2 kHz e as de 4, 6 e 8 kHz. Isto somente aconteceu quando a média das freqüências de 0.5, 1 e 2 kHz foi diferente da média das freqüências de 4, 6 e 8 kHz, em uma mesma orelha. Por exemplo: se a média das freqüências de 0.5, 1 e 2 kHz, na orelha direita foi de 35 dBNA (grau leve) e a média das freqüências de 4, 6 e 8 kHz, também da orelha direita foi 75 dBNA (grau severo), o grau da perda auditiva foi classificado como severo. 3.3.5 – Dados específicos relacionados à Imitanciometria: A Imitanciometria é um teste que fornece informações objetivas e eficientes sobre a integridade funcional do sistema auditivo, através da timpanometria e da pesquisa do reflexo acústico. 49 3.3.5.1 - Timpanometria Jerger (1970) classificou os timpanogramas em tipos A, B, C, Ar e Ad. Nesse estudo, de acordo com este autor, foi considerado timpanograma Tipo A, quando o resultado no gráfico, mostrou um equilíbrio entre as pressões de ar no meato acústico externo e na cavidade da orelha média, indicando, assim, função normal do sistema auditivo. Foi considerado timpanograma Tipo B, quando o resultado no gráfico, mostrou uma curva achatada e sem pico, o que indica a presença de fluído na orelha média. Foi considerado timpanograma Tipo C, quando o resultado mostrou um pico negativo,isto é, igual ou superior a -100 daPa, deslocado para a esquerda no gráfico, refletindo, geralmente, disfunção tubária. Foi considerado timpanograma Tipo Ar, quando o gráfico mostrou um pico reduzido em altura, denotando, assim, rigidez do sistema auditivo. Foi considerado timpanograma Tipo Ad, quando o gráfico mostrou um pico muito alto, com amplitude elevada, refletindo descontinuidade ossicular ou um sistema de orelha média com excessiva mobilidade. 3.3.5.2 – Pesquisa do Reflexo Acústico Contralateral. Em indivíduos normais, a contração do músculo estapédio muda a imitância acústica da orelha média. O músculo estapédio contrai em resposta a um sinal acústico de suficiente intensidade e duração (KATZ,1999). Para a pesquisa do reflexo acústico contralateral utilizam-se as freqüências de 0.5, 1, 2 e 4 kHz. Porém, nesse estudo, decidiu-se que, a presença do reflexo em pelo menos 01 (uma) freqüência já seria suficiente para 49 indicar a integridade do mecanismo de proteção da orelha média. Sendo assim, foi considerado presença de reflexo acústico contralateral quando o resultado positivo apareceu em qualquer uma das quatro freqüências avaliadas. 3.4 – ANÁLISE ESTATÍSTICA. A análise estatística foi realizada pelo teste de Qui-quadrado, ao nível de 5%. Quando a associação entre o par de variáveis foi significativa (p ≤ 0,05) e o número de categorias ≥ 3 em pelo menos uma das variáveis aplicou-se o teste com um nível de significância ajustado £’, visando identificar quais as categorias que diferem entre si. Este ajuste no nível de significância foi adotado para controlar o erro do tipo l, que implica em encontrar erradamente diferenças significativas. A análise estatística foi processada pelo software SAS 6.04 (SAS Institute, Inc., Cary, North Carolina). 52 4- RESULTADOS Os resultados dessa pesquisa são apresentados, nesse capítulo, divididos em duas partes, sendo a Parte I referente à caracterização dos sujeitos da amostra e a Parte II, à avaliação audiológica dos mesmos. Devido ao grande número de informações sobre os dados coletados, optou-se por descrevê-los em tabelas e gráficos, conforme a seguir. PARTE I – Caracterização dos sujeitos da pesquisa. A Tabela 1 e o Gráfico 1 relacionam as variáveis sexo e grupo etário. Tabela 1 – Distribuição numérica dos indivíduos examinados por sexo x grupo etário. Grupos Etários Homens Mulheres Total G1 393 666 1059 G2 406 570 976 G3 149 202 351 Total 948 1438 2386 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. % de indivíduos examinados 100 Homens 90 Mulheres 80 70 60 50 40 30 20 10 0 G1 G2 G3 Grupos Etários Gráfico 1 – Distribuição (%) dos indivíduos examinados por sexo x grupo etário. 52 A Tabela 2 e o Gráfico 2 apresentam a correlação existente entre as variáveis sexo e UPS. Tabela 2 – Distribuição numérica dos indivíduos examinados por sexo x UPS. Sexo 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 Total Homens 235 248 83 208 174 948 Mulheres 304 457 131 321 225 1438 Total 539 705 214 529 399 2386 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. Gráfico 2 – Distribuição (%) dos indivíduos examinados por sexo x UPS. Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa, ao nível de 1,25%, na proporção dos sexos, entre os pares de UPS (2.1;1.0), (3.1;1.0) (2.1;5.2). 52 Na comparação das variáveis grupo etário (G1, G2 e G3) e UPS não foi encontrada diferença estatisticamente significativa, ao nível de 5%, como mostra a Tabela 3 e o Gráfico 3. Tabela 3 – Distribuição numérica dos indivíduos examinados por grupo etário x UPS. Grupo Etário 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 Total G1 245 308 95 253 158 1059 G2 222 280 96 204 174 976 G3 72 117 23 72 67 351 Total 539 705 214 529 399 2386 % de indivíduos examinados Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. 100 G1 90 G2 80 G3 70 60 50 40 30 20 10 0 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 UPS Gráfico 3 – Distribuição (%) dos indivíduos examinados por grupo etário x UPS. 53 PARTE II – Avaliação audiológica dos sujeitos da pesquisa. Para correlacionar o perfil da curva audiométrica com a variável sexo é apresentada a Tabela 4 e o Gráfico 4. Tabela 4 – Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x sexo (por orelhas examinadas). Sexo NO CO NE MI Total Homens 85 28 1412 371 1896 Mulheres 337 66 1911 562 2876 Total 422 94 3323 933 4772 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. No % de orelhas examinadas 100 90 Co 80 Ne 70 Mi 60 50 40 30 20 10 0 Homens Mulheres Gráfico 4 – Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x sexo (por orelhas examinadas). 54 A Tabela 5 e o Gráfico 5, a seguir, mostram a correlação entre o perfil da curva audiométrica e a variável grupo etário. Tabela 5 – Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x grupo etário (por orelhas examinadas). Grupo Etário NO CO NE MI Total G1 320 64 1371 363 2118 G2 95 27 1422 408 1952 G3 7 3 530 162 702 Total 422 94 3323 933 4772 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. No % de orelhas examinadas 100 Co 90 Ne 80 Mi 70 60 50 40 30 20 10 0 G1 G2 Grupos Etários G3 Gráfico 5 – Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x grupo etário (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se, diferença estatisticamente significativa, ao nível de 0,83%, entre os perfis da curva audiométrica e os grupos etários. 55 A Tabela 6 e o Gráfico 6 descrevem a relação entre a variável perfil da curva audiométrica e as UPS. Tabela 6 – Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x UPS (por orelhas examinadas). UPS NO CO NE MI Total 1.0 167 31 738 142 1078 2.1 115 36 951 308 1410 3.1 40 6 292 90 428 4.0 56 18 712 272 1058 5.2 44 3 630 121 798 Total 422 94 3323 933 4772 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. % de orelhas examinadas 100 90 80 70 No 60 Co 50 Ne 40 Mi 30 20 10 0 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 UPS Gráfico 6 – Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x UPS (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significante, ao nível de 0,416%, entre os perfis da curva audiométrica e os pares de UPS (1.0;2.1), (1.0;3.1), (1.0;4.0), (1.0;5.2), (5.2;2.1), (5.2;3.1), (5.2;4.0). 56 A correlação entre o perfil da curva audiométrica e os graus das perdas auditivas é apresentada na Tabela 7 e no Gráfico 7. Tabela 7 – Descrição (n) do perfil da curva audiométrica x graus das perdas auditivas (por orelhas examinadas). Curva leve moderado severo profundo Total CO 64 28 2 0 94 NE 893 1572 485 373 3323 MI 114 337 299 183 933 Total 1071 1937 786 556 4350 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. leve % de orelhas examinadas 100 90 moderado 80 severo 70 profundo 60 50 40 30 20 10 0 CO NE MI Curva Audiométrica Gráfico 7 – Descrição (%) do perfil da curva audiométrica x graus das perdas auditivas (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significante, entre os perfis da curva audiométrica (condutiva / neurossensorial), (condutiva / mista) (neurossensorial / mista) e os graus das perdas auditivas, ao nível de 1,67%. e 57 Na correlação dos graus da perda auditiva condutiva (Co) com as variáveis: sexo e grupo etário, para fins de análise, foram agrupados os graus moderado, severo e profundo. Observou-se que não existe diferença significativa, ao nível de 5%, no grau da Co entre os sexos (p=0,15) nem entre os grupos etários (p=0,25). Para estabelecer relação entre os graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) e a variável sexo são apresentadas a Tabela 8 e o Gráfico 8. Tabela 8 – Comparação (n) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x sexo (por orelhas examinadas). Sexo leve moderado severo profundo Total Homens 411 567 250 184 1412 Mulheres 482 1005 235 189 1911 Total 893 1572 485 373 3323 leve % de orelhas examinadas 100 moderado 90 severo 80 profundo 70 60 50 40 30 20 10 0 Homens Mulheres Gráfico 8 – Comparação (%) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x sexo (por orelhas examinadas). 58 A Tabela 9 e o Gráfico 9 apresentam a comparação entre os graus da perda auditiva neurossensorial e o grupo etário. Tabela 9 – Comparação (n) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x grupo etário (Homens + Mulheres, por orelhas examinadas). Grupo Etário leve moderado severo profundo Total G1 502 603 151 115 1371 G2 325 742 192 163 1422 G3 66 227 142 95 530 Total 893 1572 485 373 3323 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. leve moderado % de orelhas examinadas 100 90 severo profundo 80 70 60 50 40 30 20 10 0 G1 G2 G3 Grupo Etário Gráfico 9 - Comparação (%) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x grupo etário (Homens + Mulheres, por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre os graus da perda auditiva neurossensorial e os grupos etários (G1;G2) e (G1;G3), ao nível de (0,83%), onde o G1 diferiu do G2 e do G3. 59 A Tabela 10 e o Gráfico 10 mostram a comparação entre os graus da perda auditiva neurossensorial e as UPS. Tabela 10 – Comparação (n) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x UPS (por orelhas examinadas). Grau 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 Total Leve 304 239 67 146 137 893 Moderado 307 503 151 334 277 1572 Severo 99 116 39 134 97 485 Profundo 28 93 35 98 119 373 Total 738 951 292 712 630 3323 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. leve % de orelhas examinadas 100 moderado 90 severo profundo 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 UPS Gráfico 10 – Comparação (%) dos graus da perda auditiva neurossensorial (Ne) x UPS (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença significativa entre os graus da perda auditiva neurossensorial e os pares de UPS: (1.0;2.1), (1.0;3.1), (1.0;4.0), (1.0;5.2), (4.0;2.1), (5.2;2.1), ao nível de 0,416%. 60 Para correlacionar os graus da perda auditiva mista (Mi) com a variável sexo é apresentada a Tabela 11 e o Gráfico 11. Tabela 11 – Distribuição (n) dos graus da perda auditiva mista x sexo (por orelhas examinadas). Sexo leve moderado severo profundo Total Homens 46 104 143 78 371 Mulheres 68 233 156 105 562 Total 114 337 299 183 933 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. leve % de orelhas examinadas 100 moderado 90 severo 80 profundo 70 60 50 40 30 20 10 0 Homens Mulheres Gráfico 11 – Percentis (%) dos graus da perda auditiva mista x sexo (por orelhas examinadas). 61 A relação entre os graus da perda auditiva mista e o grupo etário é apresentada na Tabela 12 e no Gráfico 12. Tabela 12 – Distribuição (n) dos graus da perda auditiva mista x grupo etário (por orelhas examinadas). Grupo Etário leve moderado severo profundo Total G1 60 146 101 56 363 G2 46 142 132 88 408 G3 8 49 66 39 162 Total 114 337 299 183 933 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. leve moderado % de orelhas examinadas 100 90 severo profundo 80 70 60 50 40 30 20 10 0 G1 G2 G3 Grupos Etários Gráfico 12 - Percentis (%) dos graus da perda auditiva mista x grupo etário (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre os graus da perda auditiva mista e os grupos etários (G1;G2), (G1;G3), ao nível de 0,83%, onde o G1 diferiu do G2 e do G3. 62 A Tabela 13 e o Gráfico 13 exibem a distribuição dos graus da perda auditiva mista em relação às UPS. Tabela 13 – Distribuição (n) dos graus da perda auditiva mista x UPS (por orelhas examinadas). 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 Total Leve 46 30 15 22 1 114 Moderado 24 155 21 113 24 337 Severo 47 74 41 82 55 299 Profundo 25 49 13 55 41 183 Total 142 308 90 272 121 933 Grau Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. leve % de orelhas examinadas 100 90 moderado 80 severo profundo 70 60 50 40 30 20 10 0 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 UPS Gráfico 13 - Percentis (%) dos graus da perda auditiva mista x UPS (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre os graus da perda auditiva mista e os pares de UPS (1.0;2.1), (1.0;4.0), (1.0;5.2), (3.1;2.1), (5.2;2.1), (4.0;3.1), (5.2;3.1) e (5.2;4.0); exceto entre as UPS 1.0 e 3.1 e entre as UPS 2.1 e 4.0, ao nível de 0,416%. 63 Na análise comparativa da timpanometria com a variável sexo observou-se que não existe diferença estatisticamente significativa ao nível de 5% (p=0,71). Para correlacionar a timpanometria com a variável grupo etário é apresentada a Tabela 14 e o Gráfico 14. Tabela 14 – Valores proporcionais da timpanometria x grupo etário (por orelhas examinadas). Grupo Etário Tipo A Tipo B Tipo C Tipo Ar Tipo Ad Total G1 1691 152 92 104 79 2118 G2 1524 131 85 135 77 1952 G3 534 48 34 66 20 702 Total 3749 331 211 305 176 4772 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. % de orelhas examinadas 100 90 80 70 Tipo A 60 Tipo B 50 Tipo C 40 Tipo AR Tipo AD 30 20 10 0 G1 G2 G3 Grupo Etário Gráfico 14 – Gráfico demonstrativo (%) da timpanometria x grupo etário (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre os tipos de timpanometria e os grupos etários, ao nível de 0,625%, onde apenas o G1 diferiu do G3. 64 A Tabela 15 e o Gráfico 15 relacionam as variáveis timpanometria e as UPS. Tabela 15 – Valores proporcionais da timpanometria x UPS (por orelhas examinadas). Tipos 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 Total A 908 1066 332 769 674 3749 B 58 120 28 106 19 331 C 14 61 33 88 15 211 Ar 72 102 15 55 61 305 Ad 26 61 20 40 29 176 Total 1078 1410 428 1058 798 4772 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. % de orelhas examinadas 100 90 80 70 Tipo A Tipo B 60 50 40 Tipo C Tipo AR 30 Tipo AD 20 10 0 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 UPS Gráfico 15 – Gráfico demonstrativo (%) da timpanometria x UPS (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise, com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre os tipos de timpanometria e os pares de UPS (1.0;2.1), (1.0;3.1), (1.0;4.0), (3.1;2.1), (4.0;2.1), (5.2;2.1),(5.2;3.1) e (5.2;4.0); exceto entre as UPS 1.0 e 5.2 e entre as UPS 3.1 e 4.0, ao nível de 0,31%. 65 Para relacionar o reflexo acústico contralateral com a variável sexo é apresentada a Tabela 16 e o Gráfico 16. Tabela 16 – Distribuição (n) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x sexo (por orelhas examinadas). Sexo Presente Ausente Total Homens 1280 616 1896 Mulheres 1849 1027 2876 Total 3129 1643 4772 % de orelhas examinadas Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. 100 presente 90 ausente 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Homens Mulheres Gráfico 16 – Representação gráfica (%) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x sexo (por orelhas examinadas). 66 A correlação entre o reflexo acústico contralateral e o grupo etário é apresentada na Tabela 17 e no Gráfico 17. Tabela 17 – Distribuição (n) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x grupo etário (por orelhas examinadas). Grupo Etário Presente Ausente Total G1 1594 524 2118 G2 1251 701 1952 G3 284 418 702 Total 3129 1643 4772 % de orelhas examinadas Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. 100 presente 90 ausente 80 70 60 50 40 30 20 10 0 G1 G2 G3 Grupo Etário Gráfico 17 – Representação gráfica (%) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x grupo etário (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre o reflexo acústico contralateral e os grupos etários (G1;G2), (G1;G3) e (G2;G3), ao nível de 2,5%. 67 A Tabela 18 e o Gráfico 18 mostram a correlação entre o reflexo acústico contralateral e as UPS. Tabela 18 – Distribuição (n) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x UPS (por orelhas examinadas). Reflexo 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 Total Presente 866 974 303 549 437 3129 Ausente 212 436 125 509 361 1643 Total 1078 1410 428 1058 798 4772 Fonte: Prontuários dos Setores de Audiologia das UPS. % de orelhas examinadas 100 presente 90 ausente 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1.0 2.1 3.1 4.0 5.2 UPS Gráfico 18 – Representação gráfica (%) da presença ou ausência do reflexo acústico contralateral x UPS (por orelhas examinadas). Realizando uma sub-análise com o nível de significância ajustado, encontrou-se diferença estatisticamente significativa entre o reflexo acústico contralateral e os pares de UPS (1.0;2.1), (1.0;3.1), (1.0;4.0), (1.0;5.2), (4.0;2.1), (5.2;2.1), (4.0;3.1) e (5.2; 3.1), exceto entre as UPS 2.1 e 3.1 e entre as UPS 4.0 e 5.2, ao nível de 1,25%. 68 5 – DISCUSSÃO Este capítulo está dividido em duas partes, sendo a Parte I referente à discussão sobre a caracterização dos sujeitos da pesquisa e a Parte II, à avaliação audiológica dos mesmos. Aqui serão analisados, interpretados e comentados os resultados, estabelecendo, quando possível, uma comparação entre eles e os de outros pesquisadores. PARTE I – Caracterização dos sujeitos da pesquisa. Neste estudo foram analisados 2386 prontuários, sendo 39,7% de pacientes do sexo masculino e 60,3% de pacientes do sexo feminino. Desse total (Tabela 1; Gráfico 1), observamos que, 37,2% dos homens e 62,8% das mulheres estão no G1 (grupo etário de 60 a 69 anos); 41,6% dos homens e 58,4% das mulheres estão no G2 (grupo etário de 70 a 79 anos) e 42,4% dos homens e 57,6% das mulheres estão no G3 (grupo etário de ≥ 80 anos). É interessante notar que estes resultados distinguem maior presença do sexo feminino nos três grupos etários (G1, G2 e G3). Ao confrontarmos estes resultados com os da literatura compulsada, verificamos que são concordantes com os de outros pesquisadores. Quintero et al. (2002) avaliaram uma amostra de 100 indivíduos com idade entre 60 e 79 anos, divididos em grupo estudo - 21 homens e 29 mulheres - e grupo controle -10 homens e 40 mulheres. Amaral e Sena (2004) estudaram uma população, na faixa etária de 65 a 104 anos, de 122 homens e 138 mulheres e Baraldi et 69 al. (2007) examinaram 211 idosos com idade entre 60 e 99 anos, sendo 61 do sexo masculino e 150 do sexo feminino. Ainda em relação ao gênero, observamos que existe diferença estatística, quando correlacionados os sexos e as UPS. A Tabela 2 e o Gráfico 2 mostram que, as UPS 2.1, 3.1 e 4.0 apresentam maior proporção de mulheres (64,8%, 61,2% e 60,6%, respectivamente), que as UPS 1.0 (56,4%) e 5.2 (56,4%). Desta vez, nossos resultados apontam para o predomínio numérico das mulheres em relação aos homens e são condizentes com dados oficiais internacionais (Estados Unidos - U.S.P.H.S.1990) e nacionais (Brasil – IBGE, 2005) que mostraram a existência de um número maior de mulheres idosas em relação aos homens idosos. Veras (1994) em seu trabalho sobre o envelhecimento populacional brasileiro, constatara que as mulheres idosas são mais numerosas que os homens e que a predominância feminina é conseqüência do aumento no excedente de mortalidade masculina em relação à mortalidade feminina, em todas as idades. Para o autor, a diferença na exposição a risco, no consumo de tabaco e álcool, na atitude em relação às doenças e o atendimento médicoobstétrico seriam hipóteses explicativas sobre a longevidade das mulheres. Segundo Cançado (1994), nos países desenvolvidos, a expectativa de vida das mulheres já se aproxima da nona década de vida, que segundo as projeções, será atingida pelas japonesas, australianas, norte-americanas e européias. Neste trabalho, na comparação proporcional dos grupos etários (G1, G2 e G3) e as UPS (Tabela 3; Gráfico 3), não foi encontrada diferença estatisticamente significativa. 70 PARTE II – Avaliação audiológica dos sujeitos da pesquisa. Segundo Redondo e Lopes Filho (2005), a audiometria tonal é o teste mais usado para a avaliação da função auditiva. Embora os autores reconheçam a importância de outros testes que, quando interpretados em conjunto com a audiometria, permitem conclusões precisas sobre a audição do indivíduo, eles afirmaram que a audiometria tonal é um procedimento padronizado para descrever a sensibilidade auditiva. Analisando os dados referentes ao perfil da curva audiométrica com a variável sexo (Tabela 4; Gráfico 4), observamos que os homens (74,5%) apresentam o tipo de perda auditiva neurossensorial significativamente maior que as mulheres (66,4%), enquanto que estas apresentam o perfil de curva audiométrica dentro dos padrões de normalidade (11,7%) significativamente maior que eles (4,5%). Tais achados estão em conformidade com os de Russo (1988) quando concluíra que os valores dos limiares tonais dos homens avaliados, em seus estudos, foram piores do que os das mulheres. Os dados encontrados neste estudo são importantes, pois sabemos que, atualmente, existe um crescente consenso entre os pesquisadores de que as diferenças audiológicas entre o sexo feminino e o masculino decorrem da exposição dos homens a ruído ocupacional, ao longo de suas vidas (MARCINCUK, 2002; ESPMARK, 2002; GATES, 2004; MARQUES, 2004). De fato, parece ser um pensamento unânime a idéia de que a progressão do declínio da sensibilidade auditiva ocorre de forma mais rápida nos homens do que nas mulheres. Segundo Moscicki et al. (1985), o fator de risco para a perda auditiva em homens idosos é o histórico de exposição 71 prolongada a ruídos ocupacionais. Autores como Kim et al. (2000), em seus estudos com coreanos, confirmaram maior comprometimento auditivo no sexo masculino, relacionando essa diferença entre gêneros à alta exposição dos homens aos tiros durante o serviço militar, provavelmente na guerra da Coréia. Pesquisas relacionadas à audição descreveram o envelhecimento do sistema auditivo como uma perda na sensibilidade do limiar tonal e uma diminuição na habilidade de compreensão da fala. (KACKER, 1997; BESS; HUMES, 1998; WILLOTT, 1999; HULL, 2000; HELFER, 2001). O envelhecimento auditivo, inicialmente, afeta as freqüências altas (ANSI, 1969). Estudos realizados por pesquisadores (RUSSO, 1993; BACHA et al., 1999; BESS et al., 2001) revelaram que a perda auditiva nos idosos compromete principalmente as regiões de altas freqüências (2 a 8kHz). Autores como Mazelova et al. (2003) apontaram os homens como portadores de limiares tonais mais rebaixados nas freqüências altas. Segundo Ogunleye e Labaran (2005), as mudanças degenerativas do envelhecimento, caracteristicamente, envolvem uma perda auditiva neurossensorial bilateral pior nas altas freqüências, com dificuldades associadas à discriminação de fala e às informações do processamento auditivo central. A perda auditiva em altas freqüências torna difícil a percepção dos sons consonantais, especialmente quando a comunicação ocorre em ambientes ruidosos ou reverberantes. Em pesquisa com o objetivo de investigar a dificuldade de comunicação de idosos, autores como Calais et al. (2008) concluíram que a presença de ruído ambiental foi a mais referida situação de dificuldade de comunicação. 72 Os resultados da Tabela 5 e do Gráfico 5, revelam a existência de uma relação direta da curva audiométrica com os grupos etários. Estes dados nos permitem observar que, quanto maior a idade (G3) maior a tendência de aparecer os tipos de perdas auditivas neurossensorial (75%) e mista (23%). Esta observação é consonante com a literatura internacional (NCHS, 1987) e com os estudos de Brant e Fozard (1990) quando afirmaram que, mudanças nos limiares auditivos surgem a partir dos 50 anos progredindo, lentamente, até os 80 anos. Estudos de Chang e Chou (2007) comprovaram que a prevalência e a severidade da perda auditiva aumentam com a idade. Eles encontraram os resultados prevalentes de 1,6% nos indivíduos na faixa etária entre 65-69 anos; 3.2% nos com idade entre 70-74 anos; 7,5% nos idosos com idade entre 75-79 anos e 14,9% nos idosos com idade ≥ 80 anos. Todavia, outros autores relataram que, em estudos internacionais, as conclusões não evidenciaram diferentes índices de prevalência, entre diferentes países, para pessoas do mesmo sexo e idade (VERAS; MATTOS, 2007). Revendo a literatura, podemos observar que, em pesquisas realizadas ao longo das últimas décadas, vários autores relacionaram a perda auditiva ao avanço da idade (LEBO; REDDELL, 1972; JOKINSEN, 1973; SURJAN et al, 1973; JERGER, 1973; ARNST, 1989; BILTON et al., 1995). Outras pesquisas mais recentes corroboraram com esta afirmativa e acrescentaram que nos idosos os processos neurais e cognitivos, além dos aspectos sensoriais, também estão comprometidos (JURCA et al., 2002; MARQUES et al., 2002; VEIGA; GARCEZ, 2002; VIUDE, 2002; MARTINS-BASSETTO et al., 2007). Entretanto, autores como Ferré-Rey et al., (2002) em seus estudos para determinar os fatores de risco à presbiacusia, não encontraram correlação 73 entre esta e a hipertensão arterial, o tabagismo e o alcoolismo, fatores estes associados aos riscos cardiovasculares. Comparando os dados relacionados com o perfil da curva audiométrica e as UPS (Tabela 6, Gráfico 6), observamos que o perfil de perda auditiva neurossensorial apresentou-se em todas as UPS, embora com maior tendência na UPS 5.2 (78,9%). Estes resultados também foram encontrados por outros pesquisadores (JERGER et al.,1991; HUMES et al.,1992; PEDALINI et al.,1997; GUARINELLO; CRUZ, 2006) que enfatizaram ser a configuração neurossensorial uma das características da presbiacusia. Tais atributos são amplamente citados na literatura. De acordo com vários autores, a presbiacusia é uma perda natural da função auditiva que acompanha o processo de envelhecimento e apresenta características de curso insidioso com distribuição simétrica e bilateral (PORTMAM; PORTMAM, 1993; RUSSO; ALMEIDA, 1996; LOPES FILHO; CAMPOS, 1997; IÓRIO; MENEGOTTO, 1997; SOUZA; RUSSO, 1998; NEVES, 2002). Além disso, a perda de sensibilidade auditiva é causa de isolamento social dos indivíduos em processo de envelhecimento. Em seus estudos, Liu e Yan (2007) afirmaram que fatores genéticos determinam o processo de envelhecimento, mas estão sob a influência de fatores intrínsecos e ambientais. Outros autores relataram que, adicionalmente à presbiacusia, os idosos podem apresentar aumento de irritabilidade, perda de memória, redução no estado de atenção/alerta e decréscimo no potencial emocional e intelectual devido às alterações senescentes no sistema nervoso central (MULROW et al., 1990; GIACHETE; DUARTE, 1997; TSURUOKA et al., 2001). 74 Ao correlacionar o perfil da curva audiométrica com os graus das perdas auditivas (Tabela 7 e o Gráfico 7) verificou-se que a perda auditiva condutiva (Co) tendeu a apresentar o grau leve (68%), a perda neurossensorial (Ne) o grau moderado (47%) e a perda mista (Mi), os graus severo (32%) e profundo (20%). Em relação à perda auditiva neurossensorial de grau moderado, estes achados são concordantes com os de Pedalini et al. (1997); Ogunleye e Labaran (2005) e Guarinello e Cruz (2006), que também encontraram em seus estudos o mesmo resultado. Outros pesquisadores, entretanto, obtiveram resultados diferentes. Cruikshanks et al. (1998), Baraldi et al. (2007), Mattos e Veras (2007), em suas pesquisas, encontraram o resultado de grau leve relacionado ao comprometimento da perda auditiva neurossensorial. Neste estudo, investigamos também o perfil das curvas audiométricas neurossensorial e mista relacionadas com os sexos (Tabelas 8 e 11; Gráficos 8 e 11), e notamos que as mulheres apresentam menor gravidade auditiva em comparação com os homens, tanto na perda Ne quanto na Mi. É importante observar que, mais uma vez, os dados verificados apontam maior predomínio de perda auditiva nos representantes do sexo masculino. Na comparação entre gêneros, em relação à incidência da presbiacusia, estudos internacionais como o de Kim et al. (2000) apontaram uma alta incidência nos homens, aproximadamente, três vezes maior do que nas mulheres. Quanto à relação dos graus das perdas auditivas Ne e Mi com os grupos etários (Tabelas 9 e 12; Gráficos 9 e 12), verificamos que, tanto na Ne quanto na Mi, o grupo etário G1 difere do G2 e do G3: ● o G1, na perda auditiva Ne tende ao grau leve (36,6%) e na Mi ao grau leve (16,5%) e moderado (40,2%); 75 ● o G2 mostra maior tendência de grau moderado (52,1%) na Ne, enquanto que apresenta tendência de grau moderado (34,8%) e severo (32,3%) na Mi; ● o G3, nos dois tipos de perda auditiva, ou seja, na Ne e na Mi, apresenta tendência de grau severo e profundo. Na Ne, (26,8%) de grau severo e (17,9%) de grau profundo e na Mi, (40,7%) de grau severo e (24%) de grau profundo. Estes resultados revelam a existência de uma relação direta entre os graus da perda auditiva com os grupos etários. Podemos observar que as pessoas com idade mais avançada (G3), apresentam maior gravidade nas perdas auditivas, ou seja, tendem a apresentar os graus severo e profundo. Na literatura especializada, a idade é apontada como um fator de risco significativo para a perda auditiva (KÓS; KÓS, 2003; PINZAN-FARIA; IÓRIO, 2004; RUSCHEL et al., 2007; MOMENSOHN-SANTOS et al., 2007). O envelhecimento, segundo autores que se dedicaram a esse tema, é um fato irreversível, que pode ser vivido de muitas e diferentes maneiras. Os idosos podem ter em comum a faixa etária, mas devido à trajetória de vida de cada um, a situação se altera tanto no nível físico como social e mental. Com o aumento da população idosa, parece ser de suma importância planejar e implantar programas de atendimentos, em bases humanísticas e, ao mesmo tempo, compatíveis com a realidade sócio-econômica do país, além de garantir a autonomia e independência desse idoso e, principalmente, promover sua integração social (KALACHE et al., 1987; CARVALHO; GARCIA, 2003; MARTINS et al., 2007; SANTOS et al., 2008). 76 Comparando relativamente os graus da curva audiométrica neurossensorial entre as UPS (Tabela 10; Gráfico 10), podemos examinar que: ● A UPS 1.0 difere significativamente das demais, com tendência ao grau leve (41,1%) e moderado (41,5%); ● A UPS 2.1 e a UPS 3.1 apresentam tendência para o grau moderado (52,8% e 51,7%, respectivamente); ● As UPS 4.0 e 5.2 apresentam tendência maior para os graus severo e profundo. A UPS 4.0 apresenta 18,8% de grau severo e 13,7% de grau profundo, enquanto que, a UPS 5.2 apresenta 15,3% e 18,9%, respectivamente, de grau severo e profundo. Novamente percebemos que o grau moderado se fez presente, preponderantemente, em três das cinco UPS (1.0, 2.1 e 3.1). Na literatura encontramos dados concordantes com estes (GUARINELLO; CRUZ, 2006), porém, encontramos também dados divergentes (BARALDI et al., 2007; MATTOS; VERAS, 2007). Os estudos destes pesquisadores já foram mencionados anteriormente. Na comparação dos graus da curva audiométrica mista entre as UPS (Tabela 13; Gráfico 13), observamos que: ● A UPS 1.0 mostrou tendência ao grau leve (32,3%); ● A UPS 2.1 ao grau moderado (50,3%); ● A UPS 3.1 apresentou o grau severo (45,5%); ● A UPS 4.0, os graus moderado (41,5%) e profundo (20,2%); e ● A UPS 5.2 mostrou maior tendência para os graus severo (45,4%) e profundo (33,9%). 77 Estes resultados são interessantes, pois mostram que em todas as UPS (1.0, 2.1, 3.1, 4.0 e 5.2) foram encontradas perdas auditivas mistas, em variados graus, embora em proporções mais altas nos graus moderado e severo. Cabe ressaltar que o perfil de perda auditiva mista não foi encontrado na literatura consultada. Entretanto, reconhecendo o valor destes dados e a importância da identificação dos fatores que deram origem a estes resultados, vale a sugestão de outros estudos mais detalhados, o que se constituiria num interessante campo de pesquisa. Em relação à timpanometria e os grupos etários (Tabela 14; Gráfico 14), podemos notar que o G1 tende a apresentar o Tipo A (79,8%) e o G3 o Tipo Ar (9,5%). Esses achados são importantes, pois mostram que o G1 (grupo etário de “idosos mais jovens”) apresentou predominantes resultados dentro dos padrões de normalidade, enquanto que, o G3 (grupo etário dos “idosos mais velhos”), apresentou resultados característicos de alterações da orelha média. Na literatura foram encontrados estudos que apontaram os distúrbios auditivos como os mais comuns dentre os diversos problemas que reduzem a qualidade de vida dos idosos (GARSTECHI; ERLER, 1995; SANTOS, 1996; MORRELL et al., 1996;). Correlacionando a timpanometria com as UPS (Tabela 15; Gráfico 15), observamos que as UPS 1.0 e 5.2 mostram tendência ao Tipo A (84,2% e 84,4%, respectivamente); a UPS 2.1 para o Tipo Ar (7,2%) e as UPS 3.1 e 4.0 para o Tipo C (7,7% e 8,3%, respectivamente). Apesar do relato de Musiek e Rintelman (2001) de que existe pouca informação disponível sobre as medidas timpanométricas na população idosa, os dados que encontramos nos permitem observar relativa similaridade com os 78 de outros pesquisadores - internacionais e nacionais. Gates et al. (1990) encontraram na amostra de sua pesquisa, 95% das orelhas examinadas dentro dos padrões de normalidade (Tipo A), enquanto que, Nerbonne et al. (1976) observaram que uma pequena porcentagem de idosos apresentava alteração na função da tuba auditiva (Tipo C). Em âmbito nacional, Amaral e Sena (2004) relataram que, 78,8% dos indivíduos avaliados em seus estudos apresentavam curva timpanométrica Tipo A. A análise da Tabela 16 e do Gráfico 16 revela que o Reflexo Acústico Contralateral (RAC) está presente nos homens (67,5%) e nas mulheres (64,2%) Resultados similares aos nossos foram encontrados por Amaral e Sena (2004) ao concluírem que 73,8% dos sujeitos de sua pesquisa apresentaram presença de reflexo acústico contralateral. Resultados diferentes foram citados por Quaranta et al. (1980 apud MUSIEK; RINTELMANN, 2001), em seus estudos com idosos, quando relataram que 55% dos indivíduos apresentaram reflexos acústicos ausentes na estimulação contralateral. A correlação entre o reflexo acústico contralateral e os grupos etários é apresentada na Tabela 17 e no gráfico 17. Os resultados encontrados nos mostram que existe diferença significativa entre o RAC nos três grupos etários entre si. Mais uma vez, podemos observar que existe uma relação direta com o grupo etário, ou seja, quanto maior a idade (G3) maior a ausência do RAC. Na Tabela 18 e no Gráfico 18 percebemos a existência de alta presença de RAC na UPS 1.0; presença com valores intermediários nas UPS 2.1 e 3.1 e baixa presença de RAC nas UPS 4.0 e 5.2. Quando comparamos esses dados encontrados que correspondem à presença de RAC em 80,3% na UPS 1.0 e de 70,7% na UPS 3.1 percebemos que os nossos resultados estão próximos 79 dos de outros pesquisadores. Autores como Amaral e Sena (2004) constataram presença do reflexo acústico em 73,8% dos sujeitos de sua pesquisa. 80 6 – CONCLUSÃO Os resultados encontrados neste estudo nos permitem estabelecer as seguintes conclusões: 6.1 – Em relação à Audiometria Tonal Liminar. O perfil da curva audiométrica mostrou-se alterado, com índices de prevalência e severidade da perda auditiva diretamente proporcional ao avanço da idade. O tipo mais encontrado de perda auditiva foi neurossensorial, em grau moderado. A perda auditiva mista também se fez presente, nos graus severo e profundo, em indivíduos com idade ≥ 80 anos. Os homens apresentaram maior prejuízo auditivo. 6.2 – Em relação à Imitanciometria. A maioria dos idosos apresentou resultados predominantemente normais (timpanometria Tipo A). O reflexo acústico contralateral estava presente nos indivíduos com idade entre 60 e 79 anos, porém, apresentou menor índice de presença, nos indivíduos com idade igual ou superior a 80 anos. 81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, L.C.G.; SENA, A.P.R.C. Perfil audiológico dos pacientes da terceira idade atendidos no Núcleo de Atenção Médica Integrada da Universidade de Fortaleza. Fono Atual. Ano 7. nº 27. jan/mar. São Paulo: Pancast Editora, 2004. 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APÊNDICE A – PROTOCOLO DE PESQUISA CURVA AUDIOMÉTRICA Condutiva Idade Sexo Normal Leve Moderado Neurossensorial Severo Profundo Leve Moderado Severo Mista Profundo Leve Moderado Severo 60/69 G1 70/79 G2 ≥80 G3 IMITANCIOMETRIA REFLEXO ACÚSTICO CONTRALATERA Idade Tipo A 60/69 G1 70/79 G2 ≥80 G3 Tipo B Tipo C Tipo Ar Tipo Ad Presente Ausente