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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIENCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE FISIOTERAPIA
INCIDÊNCIA DE LESÕES DESPORTIVAS NOS ATLETAS DO
BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS
Lorena Cunha Pereira
Mariana Gouveia Gabriel
Belém – Pará
2006
2
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIENCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE FISIOTERAPIA
INCIDÊNCIA DE LESÕES DESPORTIVAS NOS ATLETAS DO
BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS
Lorena Cunha Pereira
Mariana Gouveia Gabriel
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de
Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
da UNAMA, como requisito para obtenção do título de
graduação, orientado pela professora Mônica Cardoso
Cruz
Belém – Pará
2006
3
INCIDÊNCIA DE LESÕES DESPORTIVAS NOS ATLETAS DO BASQUETE EM
CADEIRA DE RODAS
Lorena Cunha Pereira
Mariana Gouveia Gabriel
Avaliado por:
_____________________________________________
Data: _____/_____/_____
Belém – Pará
UNAMA
2006
4
DEDICATÓRIA
A Deus, que nos manteve unidas e sempre
olhando para frente sem nos deixar tropeçar.
Aos nossos pais, Eliana e Jorge Pereira,
Denise e Guataçara Gabriel, os principais
responsáveis
por
tudo
que
somos
e
conquistamos.
Aos nossos irmãos Carolina, Mariana e
Danilo pelo carinho e apoio. E à pequena
Juliana que nos incentivou com seu amor e
alegria.
5
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, aos meus pais, que tiveram sempre ao meu lado em todos os
momentos da minha vida, as minhas irmãs Carolina e Mariana, a minha fonte de inspiração
Juliana, e com carinho a minha dupla de TCC Mariana, e por fim a nossa Orientadora Mônica
Cruz.
Lorena Pereira
Agradeço a Deus, por ter me dado forças para alcançar essa vitória. Meus pais, Denise e
Guataçara, que com muito amor, me deram todo o apoio, tempo e a paciência para ensinarem
tudo o que sei. Meu irmão, Danilo, que esteve sempre ao meu lado. Minha tia Irani, que foi
minha segunda mãe em todo o curso, torcendo pela minha vitória e sucesso. Meus avós
amados, Ana Maria, Jaziva e Gabriel (saudades) que sempre me incentivaram e que algumas
vezes se tornavam meus pacientes.
Minha “TCCista” Lorena, pelo companheirismo, força e amizade durante todo o decorrer
dessa vitória que conquistamos juntas. Agradeço a professora Mônica por ter nos orientado e
nos ajudado na obtenção da nossa tão sonhada graduação.
E finalmente agradeço minhas amigas Lidiane e Marina, que depois de muitos anos de
amizade sempre estiveram ao meu lado, segurando minhas mãos, me dando força e incentivo.
Luana, que se tornou uma pessoa especial, companheira e que muitas vezes me ajudou a
desenrolar esse trabalho.
Mariana Gabriel
6
EPÍGRAFE
“Se não der frutos, valeu a beleza das flores;
se não der flores, valeu a sombra das folhas;
se não der folhas, valeu a intenção da semente”
(Henfil)
7
Lorena Cunha Pereira, Mariana Gouveia Gabriel
Incidência de Lesões Desportivas nos Atletas do Basquete em Cadeira de Rodas
Trabalho de Conclusão de Curso, 2006.
RESUMO
O objetivo deste estudo consiste em verificar a incidência de lesões desportivas nos
atletas do basquete em cadeira de rodas e verificar quais as regiões mais freqüentes das lesões.
Foram avaliados 40 indivíduos do sexo masculino, com a faixa etária de 18 a 30 anos, com
seqüelas de poliomielite em membros inferiores, sendo divididos em dois grupos, sendo o
grupo experimental composto de 20 atletas e o grupo controle composto de 20 sedentários.
Foi realizada uma entrevista individual a fim de identificar quais os indivíduos que se
encaixavam nos critérios de inclusão, contendo informações sobre identificação, profissão,
lesão (trauma, poliomielite ou amputação), localização, tempo de atuação no esporte,
classificação funcional e freqüência de treinamento. Foram aplicados 13 testes ortopédicos
nas regiões do ombro, cotovelo e coluna lombar no período de 18 a 27 de setembro. Dentre
estes apenas três tiveram significância tais como o teste de Appley (40%), manobra de Neer
(25%) e o teste de Patrick (35%). O estudo não demonstrou alta incidência de lesões
ortopédicas na amostra pesquisada, identificando, porém, susceptibilidade de lesões no
complexo do ombro, em especial para a estrutura do manguito rotador, assim como do
conjunto lombossacroilíaco.
DESCRITORES: basquete em cadeira de rodas, poliomielite, classificação funcional,
testes ortopédicos, lesões desportivas.
8
Lorena Cunha Pereira, Mariana Gouveia Gabriel
Sports Injuries Incidence in Wheelchair Basketball Athletes
Conclusion Course Work, 2006.
ABSTRACT
The main objective of this study consists in the verification of sports injuties that
affect basketball players that use wheelchairs and verify the most frequet regions of this
injuries. 40 men betwen 18 to 30 years-old with poliomyelitis sequeal in the inferior members
was divides in two groups for examination: one experimental group with 20 athletes and
another control group with 20 sedentaries. Was realized a individual interview to identify
wich persons was included in the criteriun envolving informations about identification,
profession, injury (trauma, poliomyelitis or amputation), location, work time in sport
activities, funcional classification and training frequency. 13 ortopedic tests was made in
shoulder regions, elbow and lumbar spine in the period of september 18th to september 27th.
Only three of all the tests was efective such as Appley test (40%), Neer maneuver (25%) and
Patrick test (35%). The study didn’t show high incidents of ortopedic injuries, howeve,
susceptibility of injuries in the shoulder complex, especially for rotator cuff structure as the
lombossacoiliac set.
KEYWORDS: Wheelchair basketball, poliomyelitis, functional classification,
orthopedic tests, sports injuries.
9
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Idade(anos) conforme o grupo ......................................................................... 27
TABELA 2: Peso(kg) conforme o grupo .............................................................................. 27
TABELA 3: Desempenho de Atletas(n=20) e Sedentários(n=20) em bateria de testes .......... 28
10
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1- Desempenho no teste de Coçar de Apley em grupos de Atletas e Sedentários. .. 28
FIGURA 2 -Desempenho no teste de Manobra de Neer em grupos de Atletas e Sedentários. 29
FIGURA 3 - Desempenho no teste de Patrick em grupos de Atletas e Sedentários. .............. 29
11
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 12
2. REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................................. 14
2.1- Histórico do Basquetebol em Cadeira de Rodas no Brasil.......................................... 14
2.2- Poliomielite............................................................................................................... 15
2.3- Regras e adaptações do esporte ................................................................................. 15
2.4- A Cadeira de Rodas .................................................................................................. 16
2.5- Demandas Mecânicas do Basquetebol em Cadeira de Rodas versus Risco de Lesões 17
2.6- Diagnóstico Clínico .................................................................................................. 19
3. METODOLOGIA ............................................................................................................ 21
3.1- Tipo do Estudo.......................................................................................................... 21
3.2- Local da Pesquisa...................................................................................................... 22
3.3- Sujeitos ..................................................................................................................... 22
3.3.1- Critérios de Inclusão........................................................................................... 22
3.3.2- Critérios de Exclusão.......................................................................................... 23
3.4- Coleta de Dados ........................................................................................................ 23
3.4.1- Etapas ................................................................................................................ 23
3.4.2- Período............................................................................................................... 24
3.4.3- Materiais e métodos ........................................................................................... 24
3.4.4- Análise Estatística .............................................................................................. 25
4. RESULTADOS ............................................................................................................... 27
5. DISCUSSÃO ................................................................................................................... 30
6. CONCLUSÃO ................................................................................................................. 35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................. 36
APÊNDICES ....................................................................................................................... 39
APÊNDICE 1................................................................................................................... 40
APÊNDICE 2................................................................................................................... 43
ANEXO............................................................................................................................... 45
ANEXO A ....................................................................................................................... 46
12
1. INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) há cerca de 610 milhões de pessoas
com deficiência no mundo, das quais 386 milhões fazem parte da população economicamente
ativa. Avalia-se que 80% do total viva nos países em desenvolvimento. O Censo realizado em
2000 pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – afirma que no Brasil,
existem 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência, o que significa
que 14,5% da população brasileira apresentam alguma deficiência física, mental ou
dificuldade para enxergar, ouvir ou locomover-se. Os dados do censo afirmam ainda, que
4,1% apresentam deficiência física e 22,9% deficiência motora (ADD, 2005; MOREIRA,
2003).
As atividades físicas, esportivas ou de lazer, propostas aos portadores de deficiência,
possuem valores terapêuticos proporcionando tanto benefícios físicos quanto psicossociais.
No aspecto físico de modo geral, o esporte favorece a motricidade, desenvolve as
potencialidades organo-funcionais, favorece a autonomia locomotora em cadeira de rodas,
estimula as funções do tronco e dos membros superiores, dentre outros. No psicossocial, as
diferentes atividades favorecem aos portadores de deficiência física a oportunidade de
experimentar sensações de movimento que freqüentemente são impossibilitados pelas
barreiras físicas, ambientais e sociais (ADAMS, 1985).
13
O basquete convencional é uma sucessão de esforços intensos e breves, realizados em
ritmos diferentes, sendo um conjunto de corridas, saltos e lançamentos. Porém no basquete
adaptado, por ser praticado sobre a cadeira de rodas, há uma sobrecarga maior em membros
superiores e tronco para locomoção dentro da quadra, através do manuseio da cadeira de rodas
e para a realização dos gestos mais freqüentes dessa modalidade como: arremesso, rebote, e
etc, deixando esses segmentos mais suscetíveis a lesões.
Baseado nesses dados tornou-se importante a realização dessa pesquisa, por se tratar de
um esporte adaptado, que requer muito movimento dos membros superiores e tronco.
O estudo presente tem como objetivo geral verificar a incidência de lesões desportivas
com a prática do basquetebol em cadeira de rodas. E como objetivo específico verificar quais
as regiões mais freqüentes das lesões.
14
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1- Histórico do Basquetebol em Cadeira de Rodas no Brasil
O esporte adaptado no Brasil iniciou em Julho de 1958 com o basquetebol em cadeira de
rodas. O pioneiro dessa modalidade foi Sergio Del Grande, que trouxe consigo dos Estados
Unidos uma cadeira de rodas especial para a pratica do basquete. A cadeira foi cedida como
modelo a um industrial sob condição de que pelo menos 10 das primeiras unidades fabricadas
no país possibilitassem a criação do primeiro time de basquete em cadeira de rodas. Ele
fundou o clube dos paraplégicos de São Paulo, como forma de incentivo para que pessoas
com deficiência praticassem o esporte (MATTOS, 2004).
O basquetebol em cadeira de rodas é praticado por indivíduos portadores de lesões
medulares, amputações, seqüelas de poliomielite e outras disfunções que o impedem de
correr, saltar e pular como individuo sem lesões (LABRONICI, 2000).
15
2.2- Poliomielite
Dentre as diversas patologias causadoras de deficiências ressalta-se a poliomielite ou
“paralisia infantil”. Esta é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um
quadro clássico de paralisia flácida de início súbito. Acomete em geral os membros inferiores,
de forma assimétrica, tendo como principais características: flacidez muscular, com
sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido. Sabe-se que está erradicada no
Brasil em virtude das ações de imunização e vigilância epidemiológica, desenvolvidas desde
1980 até 1994. Mas, ainda existem adultos com seqüelas de poliomielite, que realizam a
prática do basquete em cadeira de rodas (ARAÚJO JUNIOR, 2005).
2.3- Regras e adaptações do esporte
Para que um time de basquete em cadeira de rodas seja formado, os atletas devem passar
por uma classificação funcional. O sistema de classificação funcional baseia-se no
conhecimento e análise das capacidades biomecânicas dos jogadores na posição sentada, e a
observação das suas capacidades motoras na realização dos gestos técnicos do basquetebol em
cadeira de rodas, ou com o seu grau de acometimento motor. De acordo com as características
funcionais apresentadas pelo atleta, ele é incluído em uma das cinco classes existentes: 1.0 /
2.0 / 3.0 / 4.0 / 4.5. Quanto melhor a capacidade funcional do atleta, mais alta será sua classe
(pontuação), sendo que a pontuação dos cinco atletas de uma mesma equipe em quadra deverá
16
somar no máximo 14 (quatorze) pontos. É necessário o uso de pontuações intermediárias (1.5
/ 2.5 / 3.5) somente quando o jogador mistura funcionalmente os critérios específicos ou o
volume de ação de duas classes (COURBARIAUX, 1996).
As regras do basquete adaptado são as mesmas do basquetebol convencional, no entanto
pelo fato dos atletas obrigatoriamente jogarem sentados, algumas modificações foram feitas,
como por exemplo, o jogador só poderá impulsionar a cadeira duas vezes antes de driblar,
passar ou arremessar, caso contrário será considerado violação de percurso (MATTOS, 2004).
Outras adaptações são nos fundamentos do basquetebol, ou seja, nos gestos básicos, tais
como, o atleta precisa ter o domínio no manejo da cadeira de rodas, necessitando executar
determinados movimentos como: propulsão da cadeira para frente, propulsão da cadeira para
trás, giros, e etc. A diferença na manipulação da bola, é que esta deve estar associada ao
manejo da cadeira de rodas, contendo os gestos mais freqüentes que são: drible, arremesso,
rebote e os passes: passe alto, passe picado, passe na altura do peito e passe de gancho
(FREITAS, 1997).
2.4- A Cadeira de Rodas
A cadeira de rodas para o deficiente físico é a extensão de seu corpo. Suas características
passam a ter uma grande importância na dinâmica do jogo e na aquisição de habilidades
individuais, coletivas e específicas, como velocidade, agilidade entre outros. Para que haja
uma perfeita integração entre cadeira e jogador, tendo conseqüentemente um aproveitamento
17
técnico durante o jogo, é necessário que se verifique a adaptação individual da cadeira de
rodas ao tipo de deficiência do atleta, de acordo com seus resíduos musculares, bem como sua
função na quadra de jogo. Esta deve estar bem ajustada ao atleta, ou seja, nem larga, para que
ele não fique totalmente solto dentro dela e, nem estreita, para não tolher seus movimentos
(CHIANELLI, 2002).
2.5- Demandas Mecânicas do Basquetebol em Cadeira de Rodas versus Risco de Lesões
Observa-se que nesse esporte a demanda é constante de certos grupos musculares, tais
como os membros superiores para a propulsão e o tronco para estabilizar e auxiliar no
impulso, podendo levar à sobrecarga desses segmentos, deixando-os mais suscetíveis às
lesões (COHEN, 2005).
A coluna vertebral, neste contexto, desempenha importante papel, devido à estratégica
localização no centro do corpo. Ao realizar um movimento com o membro superior ou
inferior, a coluna participa fornecendo estabilidade e magnificação a este movimento. No caso
do basquetebol em cadeira de rodas há solicitação do tronco para o papel de suporte, mas
também para o direcionamento dos movimentos em quadra, uma vez que o percurso da
cadeira é grandemente influenciado pelos posicionamentos e movimentos do tronco (GALER,
1987).
A instabilidade da coluna é considerada quando a movimentação torna-se anormalmente
alterada, em geral por perda dos mecanismos estabilizadores, causando alterações no disco ou
18
ainda compressão dural, sendo importante ressaltar que a posição sentada aumenta em 40% a
pressão no disco intervertebral em relação a posição em pé, uma vez que cerca de 75% do
peso do indivíduo é apoiado sobre as tuberosidades isquiáticas, tornando alta a compressão
exercida sobre a área caudal.
KNOPLICH (2003) diz que a pressão dos discos intervertebrais é maior quando se está
sentado, mesmo com o tronco ereto. Quando se flexiona o tronco, a situação é ainda pior, as
bordas frontais das vértebras são pressionadas umas com as outras com uma força
considerável. Nesta postura, a pressão intradiscal é ainda maior, cerca de 90% a mais que a
postura de pé, e este fato pode levar a lesões, tanto nos discos intervertebrais como nas
vértebras e até áreas periféricas à coluna. Assim, a permanência por longos períodos nesta
posição gera fadiga e desconforto, fazendo com que o indivíduo assuma posturas inadequadas
enquanto está sentado, sendo uma condição de risco no caso de um atleta que executa
movimentos de velocidade (PEQUINI, 2005)
As lesões de membros superiores, principalmente nos ombros, são bastante freqüentes na
cadeira de rodas, atletas ou não-atletas, indicando uma fragilidade da conexão entre tronco e
membro superior. Há, também, uma alta incidência de lesões no cotovelo e punho. Tais
problemas são causados pela sobrecarga dos membros superiores, não apenas durante a
prática esportiva, mas também nas atividades de vida diária, como locomoção e transferências
(COHEN, 2005). Durante essa prática, o ombro atua em conjunto com o cotovelo e o tronco,
realizando gestos repetitivos durante todo o período do jogo. A propulsão da cadeira de roda é
composta biomecanicamente por movimentos do ombro, cotovelo e tronco. O toque é iniciado
na altura da linha do quadril, na parte superior do aro da cadeira, fazendo toques simultâneos
para frente e para baixo até a extensão total dos braços, terminando com a palma das mãos
para baixo (FREITAS, 1997).
19
Para fazer qualquer mudança de gesto esportivo, é realizada a frenagem da cadeira de
rodas provocando uma inclinação posterior do tronco e pressionado com as mãos simultâneas
de forma firme e gradativa o aro de propulsão à frente da linha do quadril. Esse gesto
antecede geralmente o arremesso. Durante o arremesso o ombro é a articulação mais
sobrecarregada, pois esta é o elo de ligação para transferência da energia gerada pelos
membros inferiores e tronco para o braço. No basquete convencional, a força de impulso é
transmitida desde os pés, enquanto que no basquete sobre rodas, o arremesso se torna
biomecanicamente diferente, a força de arremesso se dá, através somente do tronco e
membros superiores. (FREITAS, 1997)
No ombro existe uma série de sintomas dolorosos agudos e incapacitantes, devido
traumas, uso excessivo, movimentos incorretos que excedem os padrões dos limites
fisiológicos dos movimentos estáticos e dinâmicos, alterações anatômicas e fatores
extrínsecos do dia-a-dia, impedindo as atividades da vida diária, profissionais e esportivas.
(FACCI,2000)
2.6- Diagnóstico Clínico
Há vários recursos para identificar as lesões, sendo estes a radiografia, ressonância
magnética, tomografia computadorizada e os testes ortopédicos (SIZÍNIO, 2003). Estes são
também conhecidos como testes musculares, sendo manobras capazes de reproduzir os
sintomas de uma afecção por utilizar sobrecargas específicas à sensibilização de cada
20
estrutura, permitindo identificar o alvo da lesão. O teste contra-resistência (ou teste resistido)
também pode proporcionar informações diagnósticas adicionais. Em particular, a reprodução
da dor do paciente durante o teste contra-resistência de determinado músculo sugere tendinite,
ruptura muscular ou contusão da unidade músculotendinosa testada. A contração resistida de
um músculo que cruza uma articulação dolorosa freqüentemente pode provocar ou exacerbar
a dor articular associada. (REIDER, 2001)
Apesar de sugerirem fortemente uma doença ou uma determinada condição quando são
positivos, esses testes não descartam necessariamente a doença ou condição quando seus
resultados são negativos. Os achados dependem principalmente da perícia e capacidade do
examinador. Vale ressaltar também que estes testes devem ser destinados a confirmar uma
hipótese diagnóstica (MAGEE, 2005).
Todas as atividades físicas geram uma sobrecarga em algum ponto do aparelho locomotor
(TORRES, 2004). Segunda Lianza (2001), a atividade esportiva intensa, realizada por atleta
profissional, jovem, treinando muitas horas ao dia, levam à sobrecarga repetitiva. Mostrando
assim, a importância de se fazer uma avaliação individual de cada atleta, visto que esta
população apresenta possíveis riscos de lesões.
21
3. METODOLOGIA
Este trabalho foi iniciado após o aceite do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
da Amazônia (ANEXO A) e através da assinatura dos indivíduos com o termo de
consentimento livre e esclarecido - TCLE (APÊNDICE 1).
Os resultados obtidos durante este estudo foram mantidos em sigilo, podendo ser
divulgados apenas em publicações científicas, sem mencionar os dados pessoais dos
pesquisados.
A revisão de literatura foi realizada em meio ao acervo das bibliotecas centrais da
Universidade da Amazônia, Universidade Estadual do Pará, além de biblioteca virtual
(Bireme e Scielo) de janeiro a novembro de 2006, utilizando os seguintes termos como busca:
lesões no esporte, basquete em cadeira rodas, lesões no basquete.
3.1- Tipo do Estudo
O estudo foi do tipo quantitativo, qualitativo, descritivo e observacional, no qual foi
verificada a incidência de lesões desportivas nos atletas do basquete em cadeira de rodas.
22
3.2- Local da Pesquisa
A coleta de dados foi realizada nas instalações da Guarda Municipal, onde é a sede do
“Clube dos Deficientes Físicos do Pará - All Star Rodas” e no Centro Integrado de Serviços
para Necessidades Especiais – CISNE, localizados no município de Belém.
3.3- Sujeitos
A casuística foi composta de 40 indivíduos, sendo 20 atletas e 20 sedentários.
3.3.1- Critérios de Inclusão
Participaram da pesquisa todos que se enquadraram nos critérios de inclusão e aceitaram
a participação no estudo, através da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido
– TCLE.
•
Atletas do sexo masculino
•
Com a faixa etária de 18 a 30 anos
•
Com 1 (um) ano ou mais de treinamento no time
23
•
Atletas com seqüelas de poliomielite nos membros inferiores
•
E sedentários com as mesmas características
3.3.2- Critérios de Exclusão
Foram excluídos da pesquisa todos os indivíduos que não se enquadraram nos
critérios de inclusão:
• Indivíduos do sexo feminino
• Com a faixa etária inferior a 18 anos e superior a 30 anos
• Indivíduos que não são portadores de seqüelas de poliomielite
• Atletas com menos de um ano de treinamento
3.4- Coleta de Dados
3.4.1- Etapas
Primeiramente foi criado um questionário, para realização de uma entrevista
individual (APÊNDICE 2), a fim de identificar quais os indivíduos que se encaixavam nos
critérios de inclusão, contendo informações sobre: identificação, profissão, tipo de lesão
(trauma, poliomielite ou amputação), tempo de atuação no esporte, classificação funcional,
24
dentre outras informações. Para os sedentários foi utilizada a mesma ficha, porém não
respondiam as perguntas relacionadas ao esporte.
Em seguida foi realizado o exame físico, onde os segmentos, ombro, cotovelo e
coluna lombar, foram testados totalizando 13 testes ortopédicos. E posteriormente, foram
anotados os resultados e o lado do segmento que foi positivo.
Foi incluído no exame físico a massa corporal dos indivíduos, onde estes sentavam
em cima de uma balança analógica da marca Plenna. Não foram encontrados estudos sobre
como verificar a massa corporal em deficientes físicos, porém foi realizada uma metodologia
adaptada da aferição em indivíduos saudáveis.
3.4.2- Período
A pesquisa teve início desde janeiro até o mês de novembro do ano de 2006. Porém,
a coleta de dados foi feita no período de 18 à 27 de setembro do mesmo ano, no turno da
tarde.
3.4.3- Materiais e métodos
25
Para a aplicação dos testes foi necessário uma maca de madeira revestida com
estofado e um martelo de reflexo neurológico da marca Carci. E para a aferição do peso
corporal uma balança analógica da marca Plenna.
Os testes realizados para a região do ombro foram: teste de coçar de Appley,
manobra de Neer, teste de Jobe, de Speed, teste do ligamento umeral transverso. Para o
cotovelo foram: teste de Cozen, cotovelo de golfista e testes de estresse em varo e valgo. E
para a região lombar: teste de Lasegue, teste de Percussão Espinhal, teste de Patrick e teste do
Piriforme.
Para melhor conforto dos indivíduos, foi realizada uma seqüência de posições para
realização dos testes, iniciando na posição sentado, em seguida decúbito dorsal e por fim
decúbito ventral.
Os primeiros testes realizados foram para o cotovelo, onde os indivíduos
permaneceram na posição sentada, com os braços apoiados na maca. Durante a realização dos
testes para o ombro os indivíduos permaneceram sentados na maca, com os pés apoiados em
uma escada. Para ambas regiões, os testes eram inicialmente demonstrados, explicados e em
seguida era solicitado o movimento. Para a coluna lombar, o indivíduo, antes de deitar,
aproveitava-se a posição sentada para realizar o teste de percussão espinhal, em seguida era
solicitado a ficar em decúbito dorsal para realizar o teste de lasegue, e em seguida em
decúbito ventral para realizar os demais testes.
3.4.4- Análise Estatística
26
Para análise numérica comparativa foi utilizado o software BioEstat versão 4.0. Foi
adotado o nível alfa = 0 .05 para rejeição da hipótese de nulidade. As variáveis quantitativas
foram avaliadas pelo teste t de student. As variáveis nominais foram avaliadas pelo Teste G
para tabelas de contingência.
27
4. RESULTADOS
Tabela 1: Idade(anos) conforme o grupo
n
Mínimo
Máximo
Amplitude Total
Mediana
Média Aritmética
Variância
Desvio Padrão
Coeficiente de Variação
Atleta
20
18
30
12
27.5
25.05
20.47
4.52
18.06%
Sedentário
20
19
30
11
26
25.5
11.21
3.35
13.13%
Atleta
20
45
87
42
61
61.7
136.3
11.7
18.9%
Sedentário
20
52
80
28
61.5
63.5
66.4
8.1
12.8%
Tabela 2: Peso(kg) conforme o grupo
n
Mínimo
Máximo
Amplitude Total
Mediana
Média Aritmética
Variância
Desvio Padrão
Coeficiente de Variação
28
Tabela 3: Desempenho de Atletas(n=20) e Sedentários(n=20) em bateria de testes
Atleta
n
%
Coçar de Apley
Manobra de Neer
Jobe
Speed
LU transverso
Cozen
Cotovelo de Golfista
Estresse em Valgo
Estresse em Varo
Percussão Espinhal
Lasegue
Piriforme
Patrick
8
5
3
2
2
2
3
1
2
6
3
0
7
40.0%
25.0%
15.0%
10.0%
10.0%
10.0%
15.0%
5.0%
10.0%
30.0%
15.0%
0.0%
35.0%
Sedentário
n
%
p-valor
3
0
3
0
0
6
1
0
0
4
5
0
0
0.0366
0.0419
1.0000
0.4585
0.4585
0.2310
0.1546
1.0000
0.4585
0.2326
0.2146
1.0000
0.0073
15.0%
0.0%
15.0%
0.0%
0.0%
30.0%
5.0%
0.0%
0.0%
20.0%
25.0%
0.0%
0.0%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Positivo
Negativo
Atleta
Positivo
Negativo
Sedentário
Figura 1- Desempenho no teste de Coçar de Apley em grupos de Atletas e Sedentários.
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
29
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Positivo
Negativo
Positivo
Atleta
Negativo
Sedentário
Figura 2 - Desempenho no teste de Manobra de Neer em grupos de Atletas e
Sedentários.
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Positivo
Negativo
Atleta
Positivo
Negativo
Sedentário
Figura 3 - Desempenho no teste de Patrick em grupos de Atletas e Sedentários.
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
30
5. DISCUSSÃO
O esporte adaptado pode trazer inúmeros benefícios ao deficiente físico tais como
melhora na coordenação motora, equilíbrio de tronco, flexibilidade, força muscular e função
cardiopulmonar em comparação àqueles inativos, e principalmente inclusão social e melhora
da auto-estima desses indivíduos. Mesmo com a observação desses benefícios, programas de
exercícios continuam sendo pouco prescritos para essa população, levando-os à perda do
condicionamento físico pela inatividade. (ROCCO, 2003)
Apesar destes benefícios, quando o esporte for praticado competitivamente é necessário
estar atento ao risco de lesões agudas e por esforço repetitivo. A lesão esportiva é aquela que
ocorre durante a prática esportiva, treino ou jogo, podendo levar o atleta a perder parte ou
todo o treinamento e competição, ou ainda limitar uma habilidade atlética por no mínimo um
dia após sua ocorrência. As lesões podem ser agudas devido a trauma (mais freqüentemente
lacerações na pele, contusões, estiramentos musculares e entorses, e menos freqüentemente
fraturas e luxações) ou de evolução crônica por esforço repetitivo (tendinites e bursites). O
local das lesões parece ser dependente do esporte praticado e da deficiência física apresentada
pelo atleta. (ROCCO, 2003)
No caso específico do basquetebol em cadeira de rodas que é considerado um esporte de
contato, ao contrário do que seria esperado, a incidência de lesões de evolução crônica é a
mais freqüente e ocorrem nos membros superiores devido à sobrecarga imposta não apenas
31
durante a prática esportiva, mas também nas atividades de vida diária e transferências.
(ROCCO, 2003)
ROCCO (2003) em seu estudo demonstrou que as regiões do ombro, punho e coluna
lombar foram as mais citadas com queixa de dor. Cerca de 43% dos atletas referiram dor no
ombro, 21% referiram dor no punho e 31% dor na coluna lombar. Tais achados são
semelhantes aos obtidos no presente estudo, onde as regiões com maior referência de dor,
foram o ombro e coluna lombar.
Um outro estudo realizado por Moreira (2003) mostrou que a incidência de lesões no
basquete convencional é maior nos membros inferiores, sendo o tornozelo o segmento
anatômico mais afetado. As queixas na coluna vertebral também foram freqüentes com 12,8%
dos atletas. Já em relação aos membros superiores, as lesões foram raras. Tais resultados
mostram que comparando o basquetebol em cadeira de rodas ao basquetebol convencional
podem ser observados riscos de lesões diferentes em função das adaptações gestuais
necessárias a prática do basquete em posição sentada.
Ressaltando os resultados obtidos, verificou-se que dos treze testes aplicados, dez não
tiveram significância estatística sendo que o índice de positividade foi maior nos atletas em
relação aos sedentários. Porém, observou-se que no teste de Cozen o índice foi maior nos
sedentários, pelo fato destes possuírem uma musculatura menos desenvolvida por não
praticarem nenhum esporte de contato. Este teste indica uma possibilidade do individuo
apresentar epicondilite lateral, ocorrendo a partir de uso excessivo dos tendões extensores
(REIDER, 2001).
O primeiro teste que apresentou significância estatística foi o de Appley, onde Cipriano
(1999) afirma que o objetivo deste é diagnosticar tendinite degenerativa de um dos tendões do
32
manguito rotador, mais usualmente o tendão do supra-espinhoso, visto que este teste inclui
movimento de rotação extrema da glenoumeral, colocando em tensão a bainha rotatória.
O segundo, foi a manobra de Neer, cujo objetivo é verificar se há alguma lesão do
músculo supra-espinal por uso excessivo, pois durante a realização passiva da manobra,
ocorre um “esmagamento” do tubérculo maior contra a borda ântero-inferior do acrômio
(MAGEE, 2002).
Muitos dos movimentos complexos ao nível do ombro impõem um estresse aos músculos
do manguito rotador, visto que são considerados os sincronizadores da articulação
glenoumeral e cintura escapular, além de serem os estabilizadores dinâmicos desta articulação
(MAGEE, 2002).
O desempenho biomecânico do manguito rotador leva não só a centralização da cabeça
umeral na glenóide, mas produz, também, uma ação de rolamento da cabeça umeral durante a
elevação anterior e um deslizamento progressivo para baixo, impedindo o atrito entre a cabeça
e, conseqüentemente, o manguito rotador e o arco rígido coracoacromial. Entretanto, quando
ocorre o desequilíbrio biomecânico do manguito, uma relação de causa e efeito será
observada entre a inflamação e a síndrome do impingimento do manguito rotador, onde este
ocorre devido à inflamação da musculatura causando hipertrofia dos tendões e, por
conseguinte a diminuição do espaço subacromial por onde passam os músculos do manguito
rotador. (STARKEY, 2001)
A lesão do supra-espinhal, em particular, está associada com padrões de movimentos
repetidos, freqüentes, violentos e realizada “acima da cabeça”, como por exemplo, nos
esportes com arremesso. Este impõe cargas excepcionais ao ombro, pois dependendo do tipo
de arremesso o atleta parte ou de uma rotação interna, ou de uma rotação externa com flexão
33
do braço acima da cabeça. Com esses movimentos intensos e repetidos durante os treinos e
competições, o manguito rotador torna-se particularmente suscetível a uma possível lesão
(ZERNICKE, 2001).
Além do arremesso, outros movimentos bastante solicitados pelos atletas durante o jogo
são a frenagem e a propulsão da cadeira de rodas. Na frenagem, o atleta inclina o tronco para
trás, pressionando com as mãos simultâneas, de forma firme e gradativa o aro de propulsão à
frente do quadril. Na propulsão, o toque é iniciado com as mãos simultâneas para frente e para
baixo até a extensão total dos braços, terminando com a palma das mãos voltada para baixo.
Esses movimentos repetitivos durante todo o jogo podem influenciar na fadiga muscular e
estresse da articulação tanto do ombro como da coluna lombossacra, pois para realizá-las o
atleta sobrecarrega esses segmentos para possibilitar o melhor desempenho em quadra
(FREITAS, 1997).
O terceiro e último teste estatisticamente significante foi o de Patrick, que para Magee
(2005) também é conhecido como teste de Faber (flexão, abdução e rotação externa) ou teste
da figura do quatro. A presença de dor na região posterior, sobre a sacroilíaca, indica doença
desta articulação e a presença de dor na virilha do quadril em flexo-abdução e rotação lateral
pode indicar alteração do quadril (COHEN, 2005).
Segundo Cailliet (2001), a articulação sacroilíaca é extremamente estável devido as suas
superfícies articulares incongruentes e à presença de ligamentos poderosos localizados tanto
anterior como posteriormente, devido a sua anatomia, é uma articulação especial, podendo ser
afetada por diversas patologias. Aparentemente, a disfunção da sacroilíaca é uma alteração
biomecânica e poderia ser uma causa de lombalgia (RIBEIRO, 2003).
34
A lesão nesta articulação pode ser responsável por até 20% das queixas de dor lombar na
população geral e é definida pelo estado de mobilidade alterada em determinada porção do
arco de movimento, tanto unilateral quanto bilateralmente, causando uma ou mais mudanças
nas relações estruturais entre sacro, ílio e membros inferiores (PUERTAS, 2005).
Durante todo o jogo, o atleta permanece na posição sentada. Segundo Hamill (1999), essa
posição aumenta em 40% a pressão no disco intervertebral em relação à posição em pé,
transferindo o peso para os ísquios não existindo o amortecedor nos membros inferiores para
fazer a descarga de peso. Quanto mais pressão for feita sobre os ísquios, maior será a
compressão da coluna vertebral, onde além dos movimentos de baixar para pegar a bola ou
inclinar para arremessar, estes movimentam o tronco para ambos os lados e ao caírem, a
coluna os ajuda a voltar pra posição inicial de jogo, sendo estes movimentos lesivos para a
coluna vertebral.
Diante dos resultados obtidos observou-se uma incidência estatisticamente maior de
lesões no ombro, em especial no manguito rotador, e na coluna lombossacra (articulação
sacroilíaca). Acredita-se que isso se dá pela biomecânica do tal esporte se tornar diferenciada
e adaptada à deficiência física. Essa possibilidade de lesão se dá pelo fato dos indivíduos
necessitarem de adaptações para movimentação em quadra, no qual é feita na posição sentada,
necessitando dos membros superiores para realizar tanto a movimentação quanto os gestos
esportivos. Essas adaptações podem gerar estresses que não existem no basquete
convencional, podendo causar fragilidades e sobrecargas em determinadas estruturas, pois
estarão sendo muito solicitadas.
35
6. CONCLUSÃO
O estudo não demonstra alta incidência de lesões ortopédicas na amostra pesquisada,
identificando, porém, susceptibilidade de lesões no complexo do ombro, em especial para a
estrutura do manguito rotador, assim como do conjunto lombossacroilíaco, sinalizados pelos
testes de coçar de Appley, manobra de Neer e teste de Patrick.
Acredita-se que tal condição deva-se ao fato dos atletas descarregarem peso na posição
sentada e utilizarem os membros superiores para arremessos, recepções e rebotes da bola e ao
mesmo tempo para a propulsão da cadeira de rodas com vistas ao deslocamento em quadra a
locomoção, sendo nesta tarefa auxiliados pelo tronco, que por sua vez desempenha ainda a
função de suporte de peso corporal.
36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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23. SIZÍNIO, H., et al. Ortopedia e Traumatologia. Princípios e Práticas. 3ª edição.
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24. STARKEY, C., et al. Avaliação de Lesões Ortopédicas e Esportivas. 1ª edição. São
Paulo: Manole, 2001
25. TORRES, S.F. Perfil Epidemiológico de Lesões no Esporte. Florianópolis: Tese de
Mestrado, 2004
26. ZERNICKE, R., et al. Biomecânica da Lesão Músculoesquelética. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2001
39
APÊNDICES
40
APÊNDICE 1
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Incidência de Lesões Desportivas nos Atletas do Basquete em Cadeira de
Rodas
Você está sendo convidado a participar do projeto de pesquisa acima citado. O documento abaixo contém todas as informações necessárias
sobre a pesquisa que estamos fazendo. Sua colaboração neste estudo será de muita importância para nós, mas se desistir a qualquer momento,
isso não causará nenhum prejuízo a você.
Eu, _______________________________________________________ , nascido(a) em
_____ / _____ / ______ , concordo de livre e espontânea vontade em participar como
voluntário(a) do estudo “Incidência de Lesões Desportivas nos Atletas do Basquete em
Cadeira de Rodas” .
Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os eventuais
esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas.
Estou ciente que:
I) O estudo se faz necessário para que se possam descobrir as possíveis lesões causadas pela
prática do basquete em cadeira de rodas.
II) A coleta de dados será composta por uma entrevista individual, e em seguida a realização
do exame físico.
III) A participação neste projeto não tem objetivo de me submeter a um tratamento, bem
como não me acarretará qualquer ônus pecuniário com relação aos procedimentos de
avaliação efetuados com o estudo;
IV) Tenho a liberdade de desistir ou de interromper a colaboração neste estudo no momento
em que desejar, sem necessidade de qualquer explicação;
41
V) A desistência não causará nenhum prejuízo à minha saúde ou bem estar físico. Não virá
interferir na qualidade dos treinamentos futuros;
VI) Os resultados obtidos durante este ensaio serão mantidos em sigilo, mas concordo que
sejam divulgados em publicações científicas, desde que meus dados pessoais não sejam
mencionados;
VII) Caso eu desejar, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos resultados, ao final
desta pesquisa.
( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa
( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
Belém, ______de ________________ de 2006
__________________________________________________
Assinatura
Testemunha 1: ___________________________________________________________
Testemunha 2: ____________________________________________________________
Responsável pelo projeto:
•
Mônica Cardoso Cruz, fisioterapeuta neurofuncional, CREFITO: 21070 - F
42
Telefone para contato: 8114-0196
•
Lorena Cunha Pereira, acadêmica de fisioterapia
Telefone para contato: 8124-5097
•
Mariana Gouveia Gabriel, acadêmica de fisioterapia
Telefone para contato: 8162-0064
43
APÊNDICE 2
ENTREVISTA
1 - Nome: _______________________________________________________
2 - Idade: ____________
3 - Data de nascimento: ____ / ____ / ____
4 - Profissão: _______________________________________
5 - Sente dor?
(
) Sim
(
) Não
6 - Se sim, onde?
(
) Punho
( ) Direito
(
) Esquerdo
(
) Cotovelo
( ) Direito
( ) Esquerdo
(
) Ombro
( ) Direito
(
(
) Coluna
( ) Cervical
( ) Torácica
) Esquerdo
7 - Com que freqüência?
(
) Diariamente
(
) Quando faz algum esforço
(
) Outro _________________________________________
8 - Há quanto tempo pratica o Basquetebol em Cadeira de Rodas?
___________________________________
9 - Com que freqüência?
( ) Diariamente
( ) 2x por semana
( ) Lombar
44
( ) 3x por semana
10 - Qual sua classificação funcional?
( ) 1,0
(
) 1,5
( ) 2,0
(
) 2,5
( ) 3,0
(
) 3,5
( ) 4,0
(
) 4,5
11 - Pratica outro esporte?
(
) Sim
(
) Não
Qual? ______________________________
12 – Com que freqüência?
( ) Diariamente
( ) 2x por semana
( ) 3x por semana
45
ANEXO
46
ANEXO A
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incidência de lesões desportivas nos atletas do basquete