UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ELLEN CRISTINA MOREIRA DIAS GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL SÃO PAULO 2007 iii ELLEN CRISTINA MOREIRA DIAS GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Prof. Dr. Antônio Rubens Portugal Mazzilli SÃO PAULO 2007 iv ELLEN CRISTINA MOREIRA DIAS GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Graduação do curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho__________em: ____ de ___________ de 2007 _____________________________________ Nome do Orientador ______________________________________ Nome do professor da banca Comentários: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ v AGRADECIMENTOS vi RESUMO Palavras Chave: Resíduo, Reciclagem. Resíduo é a palavra adotada muitas vezes para significar sobra no processo produtivo, geralmente industrial. É usada também como equivalente a refugo ou rejeito. O termo reciclagem, aplicado a lixo ou a resíduo, designa o reprocessamento de materiais de sorte a permitir novamente sua utilização. Os resíduos produzidos pelas atividades da construção civil se dá por meio de diversos agentes: empresas construtoras, incorporadores imobiliários, empresas de pequeno e médio porte prestadoras de serviços de engenharia, órgãos públicos e empreiteiros de obra. As vantagens econômicas da reciclagem, em substituição às deposições irregulares destes resíduos, apresentam-se claramente nos custos de limpeza urbana para as administrações municipais. vii ABSTRACT Key Worlds: Residue and Recycling Residue is the adopted word for many times to mean surplus in the productive process, generally industrial. The rubbish is used also as equivalent or rejects. The term recycling, applied the garbage or the residue, assigns the re-processing of materials to allow is use again. The residues produced for the activities of the civil construction come form diverse agents: building companies, incorporating, third companies of small average of engineering services, public agencies and contractors of workmanship. The economic advantages of the recycling, in substitution to the irregular depositions of economic advantages of the recycling, in substitution to the irregular depositions of these residues, are presented clearly in the cost of urban cleanness for the municipal administrations. viii LISTA DE FIGURAS Figura 5.1 Concreto sendo rejeitado após entupimento da tubulação.. 14 Figura 9.1 Exemplo de Caçamba.......................................................... 38 Figura 9.2 Coleta Seletiva para reciclagem dos resíduos gerados na obra...................................................................................... 38 Figura 9.3 Sucata de Madeira doada a empresas licenciadas para fornos industriais.................................................................. 39 Figura 9.4 Corpos de prova de Concreto em escadas para acessar 39 áreas no canteiro administrativo........................................... Figura 9.5 Confecção de bloquetes feitos com sobras de concreto, aproveitados para pavimentação de pátios.......................... 40 Figura 9.6 Colaboradores efetuando a Triagem do lixo........................ 41 Figura 9.7 Usina de Lixo, instalada no canteiro, com acompanhamento do Setor de Meio Ambiente.................... 42 Figura 9.8 Colaboradores Efetuando Reviramento do Composto Orgânico............................................................................... 43 Figura 9.9 Agregados sendo reaproveitados......................................... 43 Figura 9.10 Reciclador de concreto......................................................... 44 ix LISTA DE TABELAS Tabela 6.1 Características de alguns equipamentos utilizados na reciclagem de RCD em canteiros de obras.................... 27 x LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CUB PEAD PEBD PET PP PVC RCD RSU RSM Custo Unitário Básico Polietileno de Alta Densidade Polietileno de Baixa Densidade Politereftalato de Etila Polipropileno Cloreto de Polivinila Resíduos da Construção e Demolição Resíduos Sólidos Urbanos Resíduos Sólidos Municipais xi SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................ 1 2 OBJETIVOS............................................................................................ 2 2.1 Objetivo Geral..................................................................................... 2 2.2 Objetivo Específico............................................................................ 2 3 MÉTODO DE TRABALHO..................................................................... 3 4 JUSTIFICATIVA...................................................................................... 4 5 Lixo, Resíduo e Reciclagem: Definições e Conceitos....................... 5 5.1 Origem e Composição do lixo........................................................... 6 5.1.1 Classificação do lixo.......................................................................... 6 5.1.2 Entulho................................................................................................ 6 5.2 Resíduos sólidos................................................................................... 6 5.3 Coleta e transporte de resíduos.......................................................... 7 5.4 Situação dos resíduos de construção civil no Brasil........................ 9 5.5 Benefícios Ambientais da reciclagem de resíduos............................ 12 5.6 Perdas e desperdícios de materiais no setor construção civil......... 13 Caracterização e composição dos resíduos de construção.......... 16 5.7 Disposição final dos resíduos de construção.................................... 18 5.8 Impacto Ambiental................................................................................ 19 5.9 Legislação Brasileira referente aos resíduos de construção........... 21 Importância da Reciclagem dos RCD............................................... 24 5.6.1 6 xii 6.1 Reciclagem nos canteiros de obras................................................. 26 6.2 Principais aplicações de RCD reciclados........................................ 27 6.2.1 Uso em Pavimentação....................................................................... 27 6.2.2 Utilização como agregado para concreto........................................ 28 6.2.3 Utilização como agregado para argamassa.................................... 28 6.3 Resíduos industriais na confecção de materiais de construção..... 29 6.4 Fases no processo de Reciclagem dos RCD..................................... 30 6.5 Usinas de Triagem................................................................................ 32 6.6 Processamento do Lixo........................................................................ 33 Tratamento Térmico........................................................................... 33 6.7 Coleta e Segregação na Origem.......................................................... 34 7.0 Disposição final do Lixo....................................................................... 35 7.1 Lixão....................................................................................................... 35 8.0 Gestão Diferenciada dos Resíduos Sólidos de Construção............. 36 9.0 Estudo de Caso..................................................................................... 38 9.1 Caso 1 – Construções e Comércio Camargo Corrêa......................... 38 10 ANÁLISE OU COMPARAÇÃO............................................................... 45 11 CONCLUSÕES....................................................................................... 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 48 ANEXO A............................................................................................................ 49 6.6.1 1 INTRODUÇÃO As empresas do ramo de construção civil com o aumento da concorrência, e para tornarem-se competitivas neste mercado, precisam rever os seus custos com maior atenção. A reciclagem de resíduos pela indústria da construção civil vem se consolidando como prática importante para sua sustentabilidade, seja atenuando o impacto ambiental gerado pelo setor, seja ou reduzindo os custos. As empresas devem considerar que os custos de uma obra de construção civil podem ser minimizados, e sua margem de lucro, otimizada. Em busca de melhor aproveitamento e possível redução dos custos operacionais, alguns procedimentos poderiam ser observados, tais como: a redução do tempo gasto na execução da obra, a redução do desperdício de materiais e serviços, a melhoria ambiental, e a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores no ambiente de trabalho, com a conseqüente diminuição dos índices de acidente. Esses fatos, como observados, poderiam ter efeito direto em toda a cadeia produtiva. O mercado está muito competitivo, e não se consegue repassar essa perda para o consumidor final; Portanto, para uma empresa construtora, minimizar esse desperdício pode significar sucesso e aumento de lucratividade. 2 2 OBJETIVOS Este trabalho tem como finalidade a conscientização da gestão integrada e compartilhada de resíduos sólidos gerados pela construção civil, apoiando a concepção, implementação e gerenciamento dos sistemas de resíduos sólidos, com participação social e sustentabilidade. 2.1 Objetivo Geral Contribuir para a redução do desperdício na construção civil e ampliação da gestão ambiental de resíduos nos canteiros de obras. 2.2 Objetivo Específico Analisar a importância do gerenciamento do desperdício na construção civil, baseado nos parâmetros que devem ser observados na geração do desperdício no Brasil, e do seu reflexo nos custos em todo o seu processo construtivo. Além de estabelecer as diretrizes para elaboração de projetos de gerenciamento de resíduos, de acordo com as exigências da Resolução Conama 307/2002 (anexo A). 3 3 MÉTODO DE TRABALHO Análise da bibliografia disponível e levantamento de dados referentes à métodos de redução do desperdício. Entrevistas com engenheiros gestores e engenheiros ambientais, visitas a obras e acompanhamento do gerenciamento de resíduos aplicados a algumas das unidades de trabalho da área de E&C (Edificações e Construções) do Grupo Camargo Corrêa. 4 4 JUSTIFICATIVA A justificativa deste trabalho está pautada no aspecto de que a indústria da construção civil gera grande quantidade de resíduos, e se dispostos em locais inadequados, contribuem para a degradação da qualidade ambiental. Os resíduos da construção civil representam um significativo percentual dos resíduos sólidos produzidos nas áreas urbanas. Portanto, há de fato a necessidade de disciplinar o gerenciamento dos resíduos da construção civil, por meio da adoção de soluções tecnicamente corretas e de ferramentas institucionais que privilegiem a ação corretiva. A realização da proposta tem como finalidade contribuir para a ampliação da gestão de resíduos em canteiros de obras, enfocando os princípios fundamentais da preservação do meio ambiente. Tendo em vista o elevado custo dos insumos utilizados na execução dos serviços na construção civil, os procedimentos propostos terão uma importante contribuição para a redução de perdas, e conseqüentemente a minimização do descarte de resíduos. 5 5 LIXO, RESÍDUO E RECICLAGEM: DEFINIÇÕES E CONCEITOS O conceito de lixo e de resíduo pode variar conforme a época e o lugar. Depende de fatores jurídicos, econômicos, ambientais, sociais e tecnológicos. A definição e a conceituação dos termos “lixo”, “resíduo” e “reciclagem” diferem conforme a situação em que sejam aplicadas. Seu uso na linguagem corrente, com efeito, distinguese de outras acepções adotadas consoantes a visão institucional ou de acordo com o seu significado econômico. Na linguagem corrente, o termo resíduo é tido praticamente como sinônimo de lixo. Lixo é todo material inútil. Designa todo material descartado posto em lugar público. Lixo é tudo aquilo que se “joga fora”. É o objeto ou a substância que se considera inútil ou cuja existência em dado meio é tida como nociva. “Resíduo” é a palavra adotada muitas vezes para significar sobra no processo produtivo, geralmente industrial. É usada também como equivalente a refugo ou rejeito. O termo reciclagem, aplicado a lixo ou a resíduo, designa o reprocessamento de materiais de sorte a permitir novamente sua utilização. Reciclagem é um processo através do qual qualquer produto ou material que tenha servido para os propósitos a que se destinava e que tenha sido separado do lixo é reintroduzido no processo produtivo e transformado em um novo produto, seja igual ou semelhante ao anterior, seja assumindo características diversas das iniciais. 6 5.1 ORIGEM E COMPOSIÇÃO DO LIXO Denomina-se lixo os restos de atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semi-sólido ou semilíquido . 5.1.1 CLASSIFICAÇÃO DO LIXO São várias as formas possíveis de se classificar o lixo. Por exemplo: • Por sua natureza física: seco e molhado; • Por sua composição química: matéria orgânica e matéria inorgânica; • Pelos riscos potenciais ao meio ambiente perigosos, não inertes e inertes. 5.1.2 ENTULHO Resíduo da construção civil, composto por materiais de demolições, restos de obras, solos de escavações diversas, etc. o entulho é geralmente um material inerte, passível de reaproveitamento, porém, geralmente contém uma vasta gama de materiais que podem lhe conferir toxicidade, com destaque para os restos de solventes de tintas, peças de amianto e materiais diversos, cujos componentes podem ser remobilizados caso o material não seja disposto adequadamente. 5.2 RESÍDUOS SÓLIDOS Antigamente, o lixo era constituído preponderantemente de matéria orgânica. As concentrações humanas eram pequenas; os conhecimentos da ciência, limitados; a tecnologia, incipiente; o ímpeto de consumo, contido; os materiais, parco; e os meios de comunicação, primitivos. Conseqüentemente, os destinos dos resíduos produzidos pelo homem praticamente não causava problemas, sendo comum enterrá-los – prática que auxiliava o controle de vetores e a fertilização do solo. O crescimento populacional e o 7 avanço do processo de industrialização para atender à demanda dessa população propiciaram não só uma crescente produção de lixo, como também alteraram sua composição em função do desenvolvimento tecnológico. Os resíduos sólidos tem como destinação final os lixões, monturos, aterros sanitários ou, muitas vezes, são abandonados a esmo em terrenos baldios, acostamentos e faixas de servidão de estradas, faixas de servidão de linhas de alta tensão energéticas, vias públicas e até em calhas e várzeas de coleções de água – rios, córregos, etc. De maneira geral, os resíduos sólidos tem provocado toda sorte de “estorvos”: problemas de saúde pública, estética, ocupação de espaço, econômicos (em decorrência dos altos custos operacionais de recolhimento e processamento), degradação de recursos naturais e desequilíbrio ecológico – seja por gerar material em quantidades maiores que aquelas que o ecossistema consegue biodegradar, seja por gerar material não biodegradável ou recalcitrante, isto é, de degradação temporal incerta, demasiadamente extensa no tempo. 5.3 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Diariamente, um dos persistentes problemas que as administrações municipais enfrentam é a remoção de montes de resíduos, das mais diversas composições, que não são removidos pela coleta regular. Esses são descartados clandestinamente em todos os tipos de áreas, como terrenos públicos e particulares, vias de tráfego, passeios e áreas verdes, propiciando a proliferação de vetores, impedindo o tráfego de veículos e pedestres e deteriorando a paisagem urbana. Quando descartados das construções, como material praticamente inerte, o entulho causa ônus e problemas associados ao seu volume, que geralmente é bastante significativo, chegando a ocupar em torno de 50% do volume total dos aterros públicos de algumas cidades brasileiras pesquisadas. 8 As diversas destinações clandestinas do entulho causam problemas quanto à saúde pública, pela proliferação de insetos e roedores. Mas outros transtornos podem ser citados, como por exemplo: • Lançamento em encostas ou em terrenos problemáticos, gerando depósitos instáveis que podem causar deslizamentos; • Lançamento em terras baixas, junto a drenagens ou mesmo diretamente no leito de canais, levando à obstrução do escoamento e provocando inundação. Normalmente, os municípios não coletam o entulho gerado, sendo comum os despejos clandestinos de entulho em vias públicas, terrenos baldios, margens de rios, etc., e ainda em bota-fora irregulares, que se transformam muitas vezes em lixões. A coleta e o transporte de RCD (Resíduos de Construção e Demolição), são atividades desenvolvidas por empresas coletoras de entulho, embora seja dos geradores a responsabilidade pela retirada desses resíduos das obras, sem afetar a limpeza urbana das cidades. Para cumprirem as exigências legais de remoção das grandes quantidades de RCD que se acumulam durante as fases da obra, os geradores contratam empresas coletoras de entulho que, por meio de suas caçambas metálicas, estocam e transportam todos os resíduos produzidos até o local de disposição final. No entanto, muitas vezes, essas empresas não descartam os resíduos coletados nas áreas definidas pelas prefeituras como aterros de inertes, em razão de alguns aspectos estruturais: • Falta de fiscalização e controle das administrações municipais das atividades de coleta e transporte dos RCD; • Altos custos operacionais da empresas coletoras com combustíveis e manutenção da frota em razão das distâncias dos pontos geradores até os locais de disposição; • Falta de incentivos à triagem e ao beneficiamento dos RCD, o que transformaria os resíduos reciclados em novos materiais; 9 • Falta de mercados para captação dos RCD. Para minimizar os impactos causados pelos RCD nas diversas áreas de deposição clandestina é preciso organizar um eficiente sistema de coleta e transporte com base em medidas que facilitem o descarte regular estabelecido pelas prefeituras. 5.4 SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO BRASIL Comparativamente a países do primeiro mundo, a reciclagem de resíduos no Brasil como materiais de construção é ainda tímida, com a possível exceção da intensa reciclagem praticada pelas indústrias de cimento e de aço. Este atraso tem vários componentes. Em primeiro lugar, os repetidos problemas econômicos e os prementes problemas sociais ocupam a agenda de discussões políticas. Mesmo a discussão mais sistemática sobre resíduos sólidos é recente. No Estado de São Paulo só recentemente iniciou-se a discussão de uma Política Estadual de Resíduos Sólidos, na forma de um texto aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente. Este projeto de Lei estabelece uma política sistemática de resíduos, incluindo ferramentas para a minimização e reciclagem de resíduos. A maior experiência brasileira na área de reciclagem de produtos gerados por outras indústrias na produção de materiais de construção civil é a conduzida pela indústria cimenteira, que recicla principalmente escórias de alto forno básica e cinzas volantes. A engenharia civil, modalidade de grande importância na engenharia desenvolve diversas atividades em benefício da civilização. Talvez, por esse aspecto, exerça significativa influência na organização da sociedade. 10 Em países em desenvolvimento como o Brasil, o setor da construção civil tem importante papel no processo de crescimento e redução de desemprego, dada sua capacidade de rapidamente gerar vagas diretas e indiretas no mercado de trabalho e absorver significativo percentual de mão de obra nacional. Assim, pode-se dividir o papel estratégico desse setor em déficit habitacional e desemprego. A indústria da construção civil constitui-se, portanto, em uma das principais fontes de degradação ambiental, com enorme geração e má deposição de resíduos das diferentes etapas do processo produtivo. Os RCD (Resíduos de Construção e Demolição) são parte integrante dos resíduos sólidos urbanos (RSU) e representam, atualmente, um dos maiores problemas para o saneamento municipal. Eles são responsáveis por cerca de 41 à 70% dos resíduos urbanos gerados. Esses resíduos são provenientes dos serviços de infra-estrutura, como terraplenagem e redes de serviços públicos (água, esgoto, pluvial, gás, energia elétrica e telefonia), e da execução de novas construções urbanas, demolições e reformas de construções existentes. Essa grande massa de resíduos, quando mal gerenciada, degrada a qualidade da vida urbana e sobrecarrega os serviços municipais urbanos. No Brasil, a geração contínua e crescente de RCD está diretamente ligada ao elevado desperdício de materiais na realização dos empreendimentos. Estima-se que, para cada tonelada de lixo urbano recolhido, são coletadas duas toneladas de entulho originado do setor de construção civil. Esse dado alarmante revela a necessidade de políticas de controle, coleta, transporte e disposição final e que viabilizem o emprego desses resíduos de construção e demolição reciclados como matéria-prima na confecção de novos materiais. 11 As retiradas de entulho dos depósitos clandestinos e das vias públicas, aliadas à coleta de lixo domiciliar, contribuem para o alto custo da limpeza urbana dos municípios brasileiros. A maioria dos municípios não está estruturada para gerenciar as enormes quantidades de RCD e os problemas criados por ele. Entretanto, o impacto causado ao meio ambiente pela produção desenfreada desses resíduos e a necessidade de soluções urgentes tem levado governos municipais e sociedade a buscarem alternativas para minimizar a degradação da natureza. Atualmente, as medidas adotadas na condução de problemas relacionados aos RCD são emergenciais e apenas corretivas, em decorrência da falta de informações e do total despreparo de nossos gestores em avaliar seus impactos. Em razão da ausência de gerenciamento dos RCD por parte das administrações municipais e dos impactos ambientais, econômicos e sociais que esses resíduos causam, impõe-se a necessidade de traçar novas políticas específicas, baseadas em estratégias sustentáveis integradas, como redução na fonte das quantidades geradas, reutilização de sobras de materiais nos canteiros de obras e intensa reciclagem dos resíduos coletados. O desenvolvimento de uma metodologia de caracterização dos RCD, como fonte de dados para diagnosticar a situação atual dos municípios, pretende fornecer subsídios para elaboração e implementação de programas de gerenciamento. Dessa forma, o diagnóstico da situação dos RCD nos municípios permite não só conhecer as variáveis, como também caracterizá-las quanti e qualitativamente, identificar áreas irregulares de descarte e avaliar a dimensão do problema e as alternativas para uma proposta de gestão integrada. (NETO, 2005) 12 5.5 BENEFÍCIOS AMBIENTAIS DA RECICLAGEM DE RESÍDUOS No modelo atual de produção, os resíduos sempre são gerados seja para bens de consumo duráveis (edifícios, pontes e estradas) ou não-duráveis (embalagens descartáveis). Neste processo, a produção quase sempre utiliza matérias-primas não renováveis de origem natural. Este modelo não apresentava problemas até recentemente, em razão da abundância de recursos naturais e menor quantidade de pessoas incorporadas à sociedade de consumo. Com a intensa industrialização, advento de novas tecnologias, crescimento populacional e aumento de pessoas em centros urbanos e diversificação do consumo de bens e serviços, os resíduos se transformaram em graves problemas urbanos com um gerenciamento oneroso e complexo considerando-se volume e massa acumulados. Os problemas se caracterizavam por escassez de área de deposição de resíduos causadas pela ocupação e valorização de áreas urbanas, altos custos sociais no gerenciamento de resíduos, problemas de saneamento público e contaminação ambiental. Uma das formas de solução para os problemas gerados é a reciclagem de resíduos, em que a construção civil tem um grande potencial de utilização dos resíduos, uma vez que ela chega a consumir até 75% de recursos naturais. Na verdade, sabe-se que ações isoladas não irão solucionar os problemas advindos por este resíduo e que a indústria deve tentar fechar seu ciclo produtivo de tal forma que minimize a saída de resíduos e a entrada de matéria-prima não renovável. De uma forma geral, estes ciclos para a construção tentam aproximar a construção civil do conceito de desenvolvimento sustentável, entendido aqui como um processo que leva à mudanças na exploração de recursos, na direção dos investimentos, na orientação do desenvolvimento tecnológico e nas mudanças institucionais, todas visando à harmonia a ao entrelaçamento nas aspirações e necessidades humanas presentes e futuras. Este 13 conceito não implica somente multidisciplinaridade, envolve também mudanças culturais, educação ambiental e visão sistêmica. Desta forma, a reciclagem na construção civil pode gerar inúmeros benefícios citados abaixo: - Redução no consumo de recursos naturais não-renováveis, quando substituídos por resíduos reciclados; - Redução de áreas necessárias para aterro, pela minimização de volume de resíduos pela reciclagem. Destaca-se aqui a necessidade da própria reciclagem dos resíduos de construção e demolição, que representam mais de 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos (PINTO, 1986). - Redução do consumo de energia durante o processo de produção. Destaca-se a indústria do cimento, que usa resíduos de bom poder calorífico para a obtenção de sua matéria prima (co-incineração) ou utilizando a escória de alto forno, resíduo com composição semelhante ao cimento. - Redução da poluição; por exemplo, para a indústria de cimento, que reduz a emissão de gás carbônico utilizando escória de alto forno em substituição ao cimento portland. 5.6 PERDAS E DESPERDÍCIOS DE MATERIAIS NO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL Durante muitos anos, não houve estimativas das perdas e dos desperdícios de materiais nos processos construtivos. Além disso, não havia informações sobre a natureza das atividades construtivas, da participação dos diversos agentes na construção das edificações e da origem dos resíduos. Atualmente, as informações obtidas exibem índices de perdas na construção e de geração de resíduos, os quais tem alta incidência na composição dos resíduos sólidos urbanos. O desperdício não pode ser visto apenas como materiais não utilizados no canteiro (rejeitos), mas também como toda perda efetiva durante o processo construtivo. Portanto, 14 o uso de recursos, além do necessário à execução de determinada etapa, é caracterizado como desperdício e classificado conforme sua origem, natureza e controle. (FRANCHI, 1993). Segundo o controle, as perdas são consideradas inevitáveis (perdas naturais) ou evitáveis. Quanto à natureza, ela pode ocorrer por superprodução, substituição, espera, transporte ou aparecer no processamento como produtos defeituosos, estoques, movimentos de cargas, além de roubos, vandalismo e acidentes. Conforme sua origem, as perdas podem ocorrer no próprio processo produtivo, na produção dos materiais e na preparação de recursos humanos, projetos, planejamentos e suprimentos. Todos os casos relacionam-se à qualificação do trabalhador (COLOMBO, 1999). Figura 5.1: Concreto sendo rejeitado após entupimento da tubulação. (Obra do Aeroporto de Congonhas, Camargo Corrêa - 2005). PINTO,(1986) estudou desperdício de uma edificação predial com 3.658 m² de área construída. Por meio de análise dos documentos fiscais, o autor aferiu todos os materiais que entraram na obra, além de medições no canteiro e estudo do projeto executivo. Segundo o projeto, para uma massa estimada em 3.110 toneladas (0,85 ton/m²), foram 15 adquiridas 3.678 toneladas (1,0 ton/m²) para execução da obra, o que representou desperdício de 18,3 %. Durante as etapas de construção foram retiradas 213 caçambas de entulho em 18 meses de obra, o que representa 2,7 viagens ou 9,45 m³ por semana. Segundo este mesmo autor, as argamassas e seus constituintes representaram cerca de 60% do material retirado do canteiro. Para avaliar a perda total, foram estimados os pesos dos materiais previstos e adquiridos, o que aumentou em 6% a expectativa do custo total do empreendimento. Vale ressaltar os altos índices de perdas para as argamassas colantes e cal hidratada, a última com valores superiores ao dobro do previsto no projeto. As construções analisadas empregaram tecnologias convencionais, ou seja, estrutura de concreto armado, paredes de vedação com blocos cerâmicos e revestimentos argamassados. O estudo se restringiu ao cálculo das perdas de tijolos maciços, tijolos furados, concreto, aço, cimento, areia média, argamassa e cal. Praticamente todas as atividades desenvolvidas no setor da construção civil são geradoras de RCD. No processo construtivo, o alto e polêmico índice de perdas é a principal causa dos resíduos gerados. Embora nem toda a perda efetivamente se transforme em resíduos, visto que uma parcela é incorporada à obra, os índices médios de perdas fornecem clara noção do quanto se desperdiça materiais de construção. A quantidade de RCD gerada, corresponde em média a 50% do material desperdiçado. Atualmente a grande causa do desperdício na construção civil é a má qualificação, e a falta de planejamento na contratação da mão-de-obra, decorrente da falta de planos de gerenciamento da produção, o que leva os engenheiros a aumentarem o número de trabalhadores nos canteiros. Quanto aos desperdícios nas obras, as perdas de materiais se sobressaem por serem visíveis e por resultarem em alta produção de RCD, o que causa transtornos na cidade, reduz a disponibilidade futura de materiais e energia e provoca demanda desnecessária de transporte, além da alta participação dos materiais na composição do CUB (Custo Unitário Básico) (70%). 16 5.6.1 CARACTERIZAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇAO Os RCD são produzidos pelas atividades da construção civil por meio de diversos agentes: empresas construtoras, incorporadores imobiliários, empresas de pequeno e médio porte prestadoras de serviços de engenharia, órgãos públicos e empreiteiros de obra. Portanto, esses resíduos são produzidos por pequenos, médios e grandes geradores. Os RCD são extremamente heterogêneos e basicamente compostos por: • Concretos, argamassas e rochas que, a princípio, apresentam alto potencial de reciclagem; • Materiais cerâmicos, como blocos, tijolos e lajotas, que também apresentam alto potencial reciclável sem necessidade de técnicas sofisticadas de beneficiamento; • Solos, argilas, areia, materiais facilmente separados dos outros por meio de peneiramento; • Asfalto, material com alto potencial de reciclagem em obras viárias; • Metais ferrosos: utilizados pela indústria metalúrgica; • Madeiras: material parcialmente reciclável com o agravante de que se impermeabilizadas ou pintadas devem ser consideradas como material poluente e tratadas como resíduos industriais perigosos, em decorrência do risco de contaminação. • Outros materiais, como papel, papelão, plásticos e borracha, etc, são passíveis de reciclagem, porém apresentam desvantagens diante dos avanços tecnológicos. Nesse caso, devem ser adequadamente tratados e dispostos. As características dos RCD estão diretamente ligadas a parâmetros específicos de sua região geradora e da variação ao longo do tempo. Em países desenvolvidos, por exemplo, as construções prediais geram muitos resíduos de plásticos e papéis oriundos de embalagens de materiais, já países em desenvolvimento, basicamente, geram resíduos 17 provenientes das etapas construtivas, como concreto, blocos, argamassa, azulejo, tijolos, em razão das altas perdas durante o processo (CARNEIRO, 2001). O RCD, comumente chamado de entulho, tem características bem peculiares por ser produzido por setor com enorme gama de técnicas e metodologias de produção e recente controle de qualidade do processo construtivo. Muitos aspectos interferem nas características, na composição e na quantidade desses resíduos, como: • Nível de desenvolvimento da indústria da construção civil local; • Qualidade e treinamento da mão-de-obra disponível; • Técnicas de construção e demolição empregadas; • Adoção de programas de redução de perdas e desperdícios e da melhora da qualidade; • Adoção de processos de reciclagem com reutilização dos materiais nos canteiros; • Tipos de materiais predominantes disponíveis na região; • Desenvolvimento de obras de arte na região (metrô, estações de tratamento de esgoto, restaurações de centros históricos, entre outras); • Desenvolvimento econômico e tecnológico da região; • Demanda por novas construções. 5.7 DISPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO Atualmente, o grande volume de entulhos gerados nas construções urbanas evidencia a necessidade de novos locais para sua disposição final. São cada vez mais limitadas as áreas destinadas ao descarte desses resíduos. Embora as prefeituras destinem áreas para o descarte, as empresas coletoras e os pequenos geradores muitas vezes não as utilizam, descartando seus resíduos em qualquer área urbana livre. 18 Compete aos governos municipais administrar o manejo dos resíduos de construção e demolição, a fim de evitar seu descarte em áreas não regulamentadas – o que ocorre com freqüência. Atualmente, o descarte ocorre em terrenos baldios ao longo de cursos de água e em áreas periféricas, o que, além de causar danos ao meio ambiente, tem alto custo operacional de limpeza pública. Parte significativa desses resíduos depositados em áreas inadequadas agrava problemas urbanos como enchentes e tráfego congestionado. Em alguns locais de deposição irregular, os usuários revelam total descompromisso com a qualidade ambiental. Nas grandes cidades é importante a instalação de diversos pontos de recebimento de RCD em várias regiões, para que as empresas de coleta e transporte de entulho e os pequenos coletores trabalhem de forma descentralizada, a fim de reduzir a deposição irregular desses resíduos. É preciso lembrar, porém, que a concentração de resíduos barateia sua reciclagem, pois reduz gastos com transporte, o qual, geralmente, é o custo mais importante em um processo de reciclagem. Essa adequação deve ser resolvida com o adequado planejamento e distribuição ambiental das áreas de descarte. 5.8 IMPACTO AMBIENTAL Todas as etapas do processo construtivo causam impactos ambientais, como: extração de matéria-prima, produção de materiais, construção, utilização e demolição. Um dos aspectos relevantes é a redução do desperdício na fabricação de materiais e componentes, nas fases de execução dos empreendimentos e após seu término. A reutilização de materiais, tanto nos canteiros de obras como depois das demolições, deve ser implementada como procedimento de minimização do desperdício. Os processos de 19 reciclagem devem ser desenvolvidos a fim de produzir novos materiais passíveis de uso pelo setor da construção civil. As áreas irregulares de descartes, vistas como solução para destino de pequenos volumes de RCD e o esgotamento dos ‘bota-foras’, decorrente do incessante descarte de grandes volumes, geram inevitáveis impactos em todo o espaço urbano, são plenamente visíveis e revelam comprometimento da qualidade do ambiente e da paisagem local. É o caso dos prejuízos nas condições de tráfego de pedestres e veículos, drenagem superficial e obstrução de córregos, multiplicação de vetores e doenças e outros efeitos. Reduzir o impacto ambiental causado pela construção civil é tarefa complexa, sendo necessário agir em várias frentes de maneira combinada e simultânea: • Minimizar o consumo de recursos; • Maximizar a reutilização de recursos; • Utilizar recursos renováveis ou recicláveis; • Criar ambiente saudável e não tóxico; • Buscar a qualidade na criação do ambiente construído. A reciclagem de resíduos, assim como qualquer atividade humana, também pode causar impactos ao meio ambiente. Variáveis como o tipo de resíduo, a tecnologia empregada, e a utilização proposta para o material reciclado, podem tornar o processo de reciclagem ainda mais impactante do que o próprio resíduo o era antes de ser reciclado. Dessa forma, o processo de reciclagem acarreta riscos ambientais que precisam ser adequadamente gerenciados. A quantidade de materiais e energia necessários ao processo de reciclagem pode representar um grande impacto para o meio ambiente. Todo processo de reciclagem necessita de energia para transformar o produto ou tratá-lo de forma a torná-lo apropriado a ingressar novamente na cadeia produtiva. Tal energia dependerá da utilização proposta para o resíduo, e estará diretamente relacionada aos processos de transformações 20 utilizados. Além disso, muitas vezes, apenas a energia não é suficiente para transformação do resíduo. São necessárias também matérias-primas para modificá-lo física e/ou quimicamente. Como qualquer outra atividade, a reciclagem também pode gerar resíduos, cuja quantidade e características também vão depender do tipo de reciclagem escolhida. Esses novos resíduos, nem sempre são tão ou mais simples que aqueles que foram reciclados. É possível que eles se tornem ainda mais agressivos ao homem e ao meio ambiente, do que o resíduo que está sendo reciclado. Dependendo de sua periculosidade e complexidade, estes rejeitos podem causar novos problemas, como a impossibilidade de serem reciclados, a falta de tecnologia para seu tratamento, a falta de locais para dispô-lo e todo custo que isto ocasionaria. É preciso também considerar os resíduos gerados pelos materiais reciclados no final da sua vida útil e na possibilidade de serem novamente reciclados – fechando assim o ciclo. Um parâmetro que geralmente é desprezado na avaliação de produtos reciclados é o risco à saúde dos usuários de novo material, e dos próprios trabalhadores da indústria recicladora, devido à lixiviação de frações solúveis ou até mesmo pela evaporação de frações voláteis. Os resíduos muitas vezes são constituídos por elementos perigosos como metais pesados (Cd, Pb) e composto orgânicos voláteis. Esses materiais mesmo quando inertes nos materiais – após a reciclagem – podem apresentar riscos, pois nem sempre os processos de reciclagem garantem a imobilização destes componentes. Dessa forma, é preciso que a escolha da reciclagem de um resíduo seja criteriosa e pondere todas as alternativas possíveis com relação ao consumo de energia e matériaprima pelo processo de reciclagem escolhido. 21 5.9 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA REFERENTE AOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO A resolução CONAMA nº 307, de 5 de julho de 2002 (Apêndice A), em vigor desde janeiro de 2003, estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para gestão dos resíduos de construção civil e disciplina ações necessárias à minimização dos impactos ambientais. Essa resolução surgiu da urgente necessidade de solucionar problemas decorrentes de imensa geração de resíduos e de seus impactos ambientais, sociais e econômicos. A ausência de gerenciamento pode e deve ser substituída por programas de gestão integrada dos municípios. A resolução CONAMA nº 307 parte de algumas considerações: • Política urbana de pleno desenvolvimento da função social da cidade e da propriedade urbana, conforme disposto na Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001; • Necessidade de implementar diretrizes para efetiva redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos; • Disposição dos resíduos em locais inadequados contribui para a degradação da qualidade ambiental; • RCD representam significativo porcentual dos resíduos sólidos produzidos em áreas urbanas; • Geradores de RCD devem ser responsáveis pelos resíduos das atividades de construção, reforma, reparo e demolição de estruturas e estradas, bem como pelos resultantes de remoção de vegetação e escavação de solos; • Viabilidade técnica-econômica da produção e uso de materiais reciclados oriundos da construção civil; • A gestão integrada dos resíduos deve proporcionar benefícios de ordem social, econômica e ambiental; 22 O art. 5º da resolução nº 307 estabelece que, para gestão dos resíduos, será implementado o plano integrado de gerenciamento de resíduos da construção civil, a ser elaborado pelos municípios e pelo Distrito Federal. Esse plano incorporará um programa municipal de gerenciamento de resíduos e projetos de gerenciamento desses resíduos pelos geradores. Constam desse plano: • Diretrizes técnicas e procedimentos para o programa municipal de gerenciamento de resíduos da construção civil e para projetos de gerenciamento de RCD a seres elaborados pelos grandes geradores, possibilitando o exercício de suas responsabilidades; • Cadastramento de áreas, públicas ou privadas, adequadas para recebimento; • Triagem e armazenamento temporário de pequenos volumes, permitindo a destinação posterior dos resíduos vindos dos pequenos geradores às áreas de beneficiamento; • Elaboração de processos de licenciamento de áreas para beneficiamento e destinação final dos resíduos; • Proibição do descarte em áreas não licenciadas; • Incentivo à reutilização e à reciclagem dos resíduos no processo produtivo; • Definição dos critérios para o cadastramento de transportadores; • Ações de orientação, fiscalização e controle dos agentes envolvidos; • Programas educativos visando a reduzir a geração dos resíduos e a possibilitar sua reciclagem. Segundo o art. 9º, os projetos de gerenciamento de resíduos da construção civil deverão ser elaborados de acordo com as seguintes etapas: 23 • Caracterização: o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos; • Triagem: será realizada, preferencialmente, na origem ou nas áreas de destinação licenciadas para essa finalidade, respeitando as classes dos resíduos; • Acondicionamento: o gerador deverá garantir o acondicionamento correto dos resíduos desde a produção e o transporte até a destinação final; • Transporte: seguirá as normas técnicas para transporte de resíduos sólidos; • Destinação: de acordo com o estabelecido nessa resolução; Segundo a resolução CONAMA nº 307, as responsabilidades pelo gerenciamento dos RCD devem ser divididas entre os geradores e as prefeituras municipais, proporcionando um modelo de gestão integrada para esses resíduos. 24 6 IMPORTÂNCIA DA RECICLAGEM DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO A reciclagem de resíduos de construção, prática que apresenta vantagens ambientais e econômicas tem recebido grande impulso no Brasil com a implantação de usinas de reciclagem em municípios médios e grandes. Empresários interessados no assunto analisam a possibilidade de realizar a reciclagem desses resíduos individualmente ou em parcerias com as prefeituras. Institutos de pesquisas e universidades estudam o uso de entulho reciclado e tem produzido importantes textos técnicos. Embora já se observe no mercado a movimentação de empresas interessadas em explorar o negócio de reciclagem de RCD e não apenas o negócio de transporte, as experiências brasileiras estão limitadas em ações das municipalidades que buscam reduzir os custos e o impacto ambiental negativo da deposição do enorme massa de entulho no meio urbano para algumas cidades brasileiras de médio e grande porte. A reciclagem de RCD para argamassas e concretos já foi estudada e tem se mostrado viável em estudos brasileiros do ponto de vista tecnológico e econômico. Entretanto, a avaliação do risco ambiental não foi avaliada. A reciclagem de pavimento asfáltico, introduzida no mercado paulistano no início da década de 90 é hoje uma realidade nas grandes cidades brasileiras, viabilizando a reciclagem tanto do asfalto quanto dos agregados do concreto asfáltico. Um dos problemas mais graves nos RCD é a variabilidade de composição e consequentemente, de outras propriedades desses agregados reciclados. A recente introdução maciça de gesso na forma de revestimentos ou placas no Brasil pode ser um complicador para a reciclagem dos RCD, caso processos de controle não sejam instalados em Centrais de Reciclagem. 25 A solução par alguns contaminantes presentes nos RCD (plásticos e madeiras) pode ser o emprego de tanques de depuração por flotação e separadores magnéticos, mas em alguns casos, a retirada das fases contaminantes pode ser algo bem mais complexo, como compostos orgânicos voláteis e hidrocarbonetos. Independentemente do uso dado ao entulho, há vantagens econômicas, sociais e ambientais: • Economia na aquisição de matéria-prima, com a substituição de materiais convencionais por entulho; • Decréscimo da poluição gerada pelo entulho e de suas conseqüências negativas, como enchentes e assoreamento de rios e córregos; • Preservação das reservas minerais não renováveis; • Preservação e redução de áreas de aterros de inertes, minimizando os impactos decorrentes da deposição maciça de RCD; • Criação de alternativa para as mineradoras, cada vez mais sujeitas às restrições ambientais; • Redução do consumo de energia e de geração de CO2 na produção e no transporte de materiais. As vantagens econômicas da reciclagem, em substituição às deposições irregulares de RCD, apresentam-se claramente nos custos de limpeza urbana para as administrações municipais. Os custos com descarte irregular, correção da deposição com aterramento e controle de doenças giram em torno de U$ 10/m³ de RCD para as prefeituras e o custo da reciclagem corresponde a 25% desse valor (CARNEIRO, 2001). As vantagens sociais da reciclagem de RCD traduzem-se no emprego dos materiais reciclados em programas de habitação popular e de infra-estrutura urbanos, com a criação de empregos diretos e indiretos (Carneiro, 2001). 26 É necessário que o setor da construção civil consiga reciclar seu próprio resíduo a fim de reduzir sua responsabilidade ambiental. 6.1 RECICLAGEM NOS CANTEIROS DE OBRAS Estudos foram realizados em dois canteiros de obras na cidade de São Paulo, sendo que apenas um praticava reciclagem de entulho. Com este estudo, concluiu-se que a mesma mão de obra que produz argamassas convencionais, pode produzir argamassas recicladas, pelos mesmos custos. Além disso, com a redução dos custos de caçambas e argamassas, os equipamentos custariam até R$ 1,62/m² de construção, igualando-se aos custos de remoção. Com R$ 15.000,00 de custo médio do equipamento, a reciclagem em canteiros de obras seria viável em construções com mais de 9.300 m². Um canteiro com mão de obra qualificada e consciente torna as atividades da construção civil altamente eficientes e produtivas, o que pode reduzir o desperdício de materiais e, conseqüentemente, a produção de resíduos. Para o autor, quanto maior a desorganização do canteiro e o despreparo da mão de obra, maior a formação de entulho. A utilização dos RCD reciclados como materiais de construção nos canteiros é inevitável e inadiável, em decorrência da redução da geração de resíduos e dos impactos causados por eles à natureza. A tabela a seguir apresenta características de alguns equipamentos utilizados na reciclagem de resíduos de construção e demolição nos canteiros de obras. 27 Tabela 6.1: Características de alguns equipamentos utilizados na reciclagem de RCD em canteiros de obras. Equipamento Funcionamento Produto Gerado Agregados miúdos Trituração a úmido por p/ uso como ação de rolos argamassa Trituração por Britador de Agregados miúdos e compressão de mandíbulas graúdos mandíbulas Moinho de Trituração por impactos Agregados miúdos e martelos de martelos giratórios graúdos Trituração por Moedor de Agregados e miúdos mandíbulas e ação de caliça e graúdos rolos laminadores Fonte: Nóbrega (2002) MasseiraMoinho 6.2 Capacidade Motorização Preço de adotada aproximado produção 2,0 m³/hora 7,5 CV R$ 16.000,00 2,0 a 3,0 m³/hora 15,0 CV R$ 11.000,00 1,4 a 1,8 m³/hora 15,0 CV R$ 9.000,00 0,5 a 1,0 m³/hora 3,0 CV R$ 4.500,00 PRINCIPAIS APLICAÇÕES DE RCD RECICLADOS 6.2.1 USO EM PAVIMENTAÇÃO A aplicação de entulho na forma de brita corrida ou em misturas de resíduo com solo, em bases, sub-bases e revestimentos primários de pavimentação, é a forma mais simples de reciclagem. Atualmente, o uso de agregados provenientes de RCD reciclados como bases de pavimentação está em processo de normatização. Cidades como São Paulo e Belo Horizonte foram bem sucedidas na utilização de agregados provenientes de RCD reciclado em larga escala (Pinto, 1986). O atual estágio das pesquisas indica que a utilização de agregados oriundos da reciclagem de RCD na pavimentação é a única alternativa tecnologicamente consolidada. 28 Algumas vantagens dessa aplicação: • Menor utilização de tecnologia e com menor custo operacional; • Utilização de todos os componentes minerais do entulho, sem necessidade de separação; • Economia de energia na moagem do entulho, por manter a granulometria graúda; • Maior utilização de resíduos oriundos de pequenas obras e demolições que não reciclam seus resíduos no próprio canteiro; • Maior eficiência dos RCD em relação às britas na da adição com solos saprolíticos. 6.2.2 UTILIZAÇÃO COMO AGREGADO PARA CONCRETO Os agregados convencionais que compõem o concreto podem ser substituídos por agregados provenientes dos RCD reciclados como possibilidade de melhoria no desempenho do concreto pelo baixo consumo de cimento. Porém, constataram que nenhum dos lotes de agregados reciclados oriundos dos RCD produzidos na usina de reciclagem de Santo André poderia ser utilizado em concreto sem função estrutural. Conforme esse estudo, os principais impedimentos para a utilização de agregados reciclagem foram os teores de argamassas, de contaminantes, de materiais pulverulentos e valores de absorção de água e massa específica. Comparado ao concreto convencional, a substituição de 20% (m/m) de agregados de concreto ou alvenaria por reciclados, desde que livres de contaminantes e impurezas, não interfere na resistência mecânica e na durabilidade dos concretos (LEVY, 1997). Assim, se considerarmos o uso de 243,9 X 10^6 ton/ano de agregados naturais em concretos, poderiam ser utilizados 48,8 X 10^6 ton/ano de agregados provenientes de RCD reciclados. Essa substituição associada à utilizada em pavimentações permitiria a reciclagem quase integral dos RCD. 29 6.2.3 UTILIZAÇÃO COMO AGREGADOS PARA ARGAMASSAS Os agregados provenientes da reciclagem de RCD podem ser usados em argamassas de assentamento de tijolos e blocos ou em revestimentos internos e externos (chapiscos, emboço e reboco). As vantagens dessa utilização podem ser observadas nos próprios canteiros de obras, pela redução dos custos de transporte, do consumo de cimento e cal e pelo ganho na resistência à compressão do material reciclado em relação às argamassas convencionais. 6.3 UTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS NA CONFECÇÃO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Muitos rejeitos industriais podem ter, potencialmente, várias aplicações na construção civil: • Cinza de fundo, cinza volante, escória e resíduos combinados oriundos de incineração de rejeitos sólidos municipais podem servir para construção, estradas, agregado substituto para conceito, solidificação e estabilização de: ¾ Cimento com aditivos polimerizados; ¾ Adição de silicatos solúveis e cimento Portland; ¾ Adição apenas de cimento Portland tipo 1; • Cinza volante proveniente de termoelétricas podem ser utilizados como cimentos compostos, adição em concreto, materiais de construção, agregados artificiais, concreto rolado (Eng. Hidráulica e base de estradas), cimento de alvenaria, blocos para recifes marinhos artificiais (testes em recifes artificiais); • Escória de alto-forno, proveniente de subproduto de operações de alto forno, é utilizada em construção, estradas, cimentos compostos, concreto com escória ativada com álcalis e materiais de construção autoclavados; 30 • Escória de aciaria e de magnésio proveniente de metalurgia pode ser aplicada em camada de armadura em engenharia hidráulica, blocos de construção; • Escória de fosfato proveniente de atividades de mineração pode ser utilizada como material básico para estradas em combinação com escória de alto forno; • Resíduos de chumbo e de zinco também provenientes de atividades de mineração podem ser utilizados em construções e pavimentações de estradas; • Areia industrial é utilizada como material grosso básico; • Granulados e materiais betuminosos são utilizados em construção e pavimentação de estradas e em camada estabilizadora com cimento e areia; • Solos contaminados podem ser utilizados como agregados para pavimento de concreto rolado, construção de estradas/áreas de estocagem em aterros sanitários, estacionamento urbano; • Sedimentos de rio e lama de tratamento de água podem ser utilizados como material de construção; • Rejeito de combustível + argila + resíduo líquido podem ser utilizados como agregado leve para construção. 6.4 FASES NO PROCESSO DE RECICLAGEM DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO Para obter materiais beneficiados oriundos da reciclagem dos RCD, as usinas devem desenvolver algumas atividades. Após a chegada dos resíduos, a primeira etapa de processamento consiste em avaliar e separar manualmente os materiais não recicláveis do entulho de construção, materiais como plásticos, metais, papel, papelão, trapos, entre outros. Após a separação, o material é limpo para que possa abastecer os moinhos. Durante o processo é realizada separação magnética de metais e empilhamento do material moído. 31 Os moinhos podem ser de mandíbula, mais rápidos e rústicos, ou de bola, mais lentos, porém com moagem mais intensa e custos mais altos. As usinas de reciclagem geralmente utilizam equipamentos com maior capacidade, como, por exemplo, britadores primários de impacto, capazes de determinar as dimensões máximas dos agregados. Esses equipamentos conseguem granulometrias diferentes a partir de sua regulagem (Zordan, 1997). No processo de moagem dos RCD, os equipamentos utilizados são compostos pelos elementos; • Alimentador vibratório apoiado, com capacidade de 30 a 50 m³/hora; • Britador de impacto, com capacidade de 30 ton/hora, em circuitos abertos; • Transportador de correia móvel, com velocidade média de 90 m/min; • Eletroímã suspenso em regime de trabalho contínuo ; • Sistema nebulizador para contenção de material particulado; • Sistema de contenção de ruídos com mantas de borracha antichoque; • Estrutura metálica de sustentação do conjunto. Na trituração dos RCD, um rotor em alta velocidade lança os resíduos contra barras e placas de impacto fixadas no interior do conjunto (Bidone, 2001). 32 6.5 USINAS DE TRIAGEM As usinas de triagem são usadas para a separação dos materiais recicláveis do lixo proveniente da coleta e transporte usual. Conjuntamente com a usina de triagem, é comum existir a compostagem da fração orgânica do lixo, uma vez que esta última requer uma separação prévia. A instalação de uma usina de triagem, sem a compostagem da fração orgânica do lixo, pode vir a ser um processo oneroso e sem grande retorno do ponto de vista ambiental. As usinas de triagem oferecem uma maneira de reduzir sensivelmente a quantidade de resíduos enviados ao aterro, atingindo taxa de 50% quando bem gerenciadas. Assim como no caso da coleta seletiva, deve haver um mercado para os materiais separados, tanto orgânicos quanto inorgânicos. Os pontos positivos de uma usina de triagem são: • Não requer alteração do sistema convencional de coleta, apenas a mudança no destino do caminhão que passa a parar em uma usina de triagem, ao invés de seguir direto para o lixão ou aterro; • Possibilita o aproveitamento da fração orgânica do lixo, pela sua compostagem; Os pontos negativos de uma usina de triagem são: • Investimento inicial em equipamentos que vão constituir a Usina (existem vários tipos de equipamentos de separação, e ainda há debates sobre as melhores técnicas de operação); • Necessidade de técnicos capacitados para operar a Usina (investimento em treinamento); 33 • A qualidade dos materiais separados da “fração orgânica” e potencialmente recicláveis não é tão boa quanto da coleta seletiva, devido à contaminação por outros componentes do lixo. No caso do papel, por exemplo, a contaminação, na maioria das vezes, impede sua reciclagem. 6.6 PROCESSAMENTO DO LIXO 6.6.1 TRATAMENTO TÉRMICO Os resíduos sólidos municipais (RSM), podem ser tratados termicamente antes de sua disposição final em aterros. O tratamento térmico de resíduos, do ponto de vista de um sistema de gerenciamento integrado de resíduos, deve estar associado à implantação prévia de políticas de redução de geração e reciclagem de resíduos. Os tratamentos térmicos podem ser classificados como sendo de alta ou de baixa temperatura. Os tratamentos a alta temperatura normalmente ocorrem a temperaturas acima de 500°C e objetivam, principalmente, a destruição ou remoção da fração orgânica presente no resíduo, com redução significativa da sua massa (70%) e volume (90%), bem como a sua assepsia. A energia contida nos resíduos, nestes processos, pode ser parcialmente aproveitada, podendo gerar energia elétrica, água quente e vapor, ou combustíveis alternativos, auxiliando na redução do custo operacional do tratamento térmico. Os tratamentos a baixa temperatura ocorrem a temperaturas em torno de 100°C e visam, principalmente, a assepsia do resíduo sólido, razão pela qual são empregados somente para o tratamento de resíduos sólidos de saúde. 34 6.7 COLETA E SEGREGAÇÃO NA ORIGEM Segregação é uma das operações fundamentais para permitir o cumprimento dos objetivos de um sistema eficiente de manuseio de resíduos e consiste em separá-los ou selecioná-los apropriadamente segundo a classificação adotada. Essa operação deve ser realizada na fonte de geração, condicionada à prévia capacitação do pessoal de serviço. A determinação de responsáveis e os procedimentos de separação na origem, a serem seguidos obrigatoriamente por todos os funcionários, tem a vantagem de despertar a consciência das pessoas sobre a problemática dos resíduos sólidos. As vantagens de se preparar a segregação na origem são as seguintes: • Reduzir os riscos para a saúde e ao meio ambiente, impedindo que os resíduos infectantes ou especiais, que geralmente são frações pequenas, contaminem os outros resíduos gerados; • Diminuir gastos, já que apenas terá tratamento especial uma fração e não todos os resíduos gerados; • Reciclar diretamente alguns resíduos que não requerem tratamento nem acondicionamentos prévios. A coleta consiste em transferir os resíduos de forma segura e rápida das fontes de geração até o local destinado para seu armazenamento temporário. Dentro do estabelecimento, essa coleta compreende duas etapas: interna e a externa. A coleta interna é aquela realizada dentro da unidade, que consiste no recolhimento do lixo das lixeiras ou receptáculos, no fechamento do saco, quando for o caso, e no seu transporte até um ponto de acumulação ou sala de lixo apropriado. A coleta externa consiste no recolhimento do lixo armazenado nos pontos de acumulação internos e o seu transporte até o local definido para armazenamento externo, a partir do qual os resíduos terão tratamento prévio. 35 7.0 DISPOSIÇÃO FINAL DO LIXO 7.1 LIXÃO É uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. Os resíduos assim lançados acarretam problemas à saúde pública, como proliferação de vetores de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos, etc), geração de maus odores e, principalmente poluição do solo e da águas subterrâneas e superficial, pela infiltração do chorume (líquido de cor preta, mau cheiroso e de elevado potencial poluidor, produzido pela decomposição da matéria orgânica contida no lixo. Acrescenta-se a esta situação o total descontrole dos tipos de resíduos recebidos nestes locais, verificando-se até mesmo a disposição de dejetos originados de serviços de saúde e de indústrias. Comumente, ainda, associam-se aos lixões a criação de animais e a presença de pessoas (catadores), os quais, algumas vezes, residem no próprio local. 36 8.0 GESTÃO DIFERENCIADA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DE CONSTRUÇÃO Os espaços urbanos não suportam mais soluções emergenciais e não preventivas para impactos causados por resíduos de construção e demolição. A insustentabilidade da gestão corretiva e a ausência de gerenciamento em todo o processo gerador de RCD, apontam a necessidade de novas políticas, estruturadas em estratégias sustentáveis e integradas com a administração municipal e a sociedade civil. Os problemas gerados pelos resíduos de construção e demolição nas cidades precisam ser reconhecidos e assumidos pelos gestores de limpeza pública e as soluções devem ser duráveis e ambientalmente adequadas. A gestão diferenciada dos RCD é constituída por ações integradas que visam à: • Captação máxima de RCD por meio de atração diferenciadas para pequenos e grandes geradores ou coletores; • Reciclagem dos resíduos captados em áreas especialmente definidas para beneficiamento; • Alteração cultural dos procedimentos quanto à intensidade da geração, à correção da coleta e da disposição e à possibilidade de reutilização dos resíduos reciclados; Os principais objetivos da gestão diferenciada proposta por Pinto (1986) são: • Redução dos custos municipais com limpeza pública, destinação final dos RCD e minimização dos impactos causados pelos entulhos; • Descarte facilitado dos pequenos volumes de RCD; • Disposição racional dos grandes volumes de RCD; • Preservação dos aterros de inertes como sustentabilidade do desenvolvimento; • Melhoria da limpeza urbana; 37 • Incentivo às ações de novos agentes de limpeza urbana; • Preservação ambiental por meio de redução dos impactos provenientes da deposição irregular, dos volumes aterrados e da exploração incessante e devastadora das jazidas minerais; • Preservação do ambiente urbano e da qualidade de vida de seus habitantes; • Incentivo à captação, reciclagem e reutilização dos RCD nos ambientes urbanos; • Incentivo à redução da geração dos enormes volumes de RCD, por meio da conscientização ambiental e da redução de perdas nos canteiros de obras e nas atividades de construção civil. A implementação da gestão diferenciada dos RCD, por meio de seus procedimentos propicia resultados economicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis por permitir a junção de menores custos da limpeza pública com a substituição de agregados convencionais por resíduos reciclados menos custosos, fato muito atraente aos governos municipais. 38 9 ESTUDO DE CASO Procedimentos padrões de gerenciamento de resíduos aplicados a algumas das unidades de trabalho da área de E&C (Edificações e Construções) do Grupo Camargo Corrêa. 9.1 Caso 1 – Construções e Comércio Camargo Corrêa Nos canteiros de obras observados foi verificada grande preocupação com a coleta seletiva, a triagem, o reprocessamento dos materiais a permitir novamente sua utilização a e disposição final dos resíduos. Foi contratada uma empresa coletora de entulho, que por meio de caçamba metálica, estocavam e transportavam os resíduos produzidos até seu destino final. Figura 9.1 – Exemplo de Caçamba (2004) A coleta seletiva foi um procedimento que encontrei em todas as obras visitadas. Figura 9.2 - Coleta Seletiva para reciclagem dos resíduos gerados na obra (2003) 39 Os funcionários fazem uma coleta dos restos de madeiras da obra, para que seja encaminhada à empresas licenciadas. Figura 9.3 - Sucata de Madeira doada a empresas licenciadas para fornos industriais (2003) Em todas as fases executivas da obra, utilizavam materiais reciclados no próprio canteiro da obra, na forma de argamassas, concretos e assentamento de pedaços de blocos cerâmicos. Algumas das atividades onde se utilizavam os resíduos reciclados: assentamento de batentes, enchimento de rasgos de paredes, assentamento de blocos cerâmicos, enchimento em rebocos internos, enchimento em degraus de escada, entre outras. Figura 9.4 - Corpos de prova de Concreto em escadas para acessar áreas no canteiro administrativo (2002) 40 As sobras de concreto também eram reaproveitadas. Figura 9.5 - Confecção de bloquetes feitos com sobras de concreto, aproveitados para pavimentação de pátios (2003) Assim que chegavam os resíduos, a primeira etapa era avaliar e separar manualmente os materiais não recicláveis do entulho de construção, materiais como plásticos, metais, papel, papelão, trapos, entre outros. As usinas de triagem eram usadas para a separação destes materiais. 41 Figura 9.6 - Colaboradores efetuando a Triagem do lixo (2003) Segundo informações dos engenheiros ambientais das obras visitadas, as usinas de triagem oferecem uma maneira de reduzir sensivelmente a quantidade de resíduos enviados ao aterro, atingindo taxa de 50 % quando bem gerenciadas. 42 Figura 9.7 - Usina de Lixo, instalada no canteiro, com acompanhamento do Setor de Meio Ambiente (2002) Conjuntamente com a usina de triagem, existia a compostagem da fração orgânica do lixo, pois segundo os engenheiros, a instalação da usina sem a compostagem, pode vir a ser um processo oneroso e sem grande retorno do ponto de vista ambiental. 43 Figura 9.8 - Colaboradores Efetuando Reviramento do Composto Orgânico (2004) Os agregados também eram reutilizados. Figura 9.9 - Agregados sendo reaproveitados (Forração de pista no canteiro de obras - 2003) 44 O reciclador de concreto (que encontrei em algumas obras) tem um reaproveitamento de 30% de água + aditivos na fabricação de novos concretos. Figura 9.10 - Reciclador de concreto (2003) E assim concluí o estudo de caso, identificando como é feito o gerenciamento de resíduos nestas obras da Camargo Corrêa. 45 10 ANÁLISE Saúde pública e ambiente são conceitos interdependentes e inseparáveis. Um espaço sadio, limpo e habitável depende da cooperação dos diferentes setores. Neste caso, torna-se positiva a idéia de reciclagem e reaproveitamento de materiais e resíduos sólidos. Estes resíduos seriam submetidos à operações e processos que tenham por objetivos dotá-los de condições que permitam que sejam utilizados como matéria prima ou produto. Aqui entraria o gerenciamento de resíduos, visando reduzir, reutilizar ou reciclar resíduos, incluindo planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos e recursos para desenvolver e implementar as ações necessárias ao cumprimento das etapas previstas em programas e planos. Alguns exemplos de resíduos empregados na construção civil: Cinzas volantes: Proveniente da queima do carvão, a cinza volante quando adicionada como mineral em concretos de cimento Portland aumenta a durabilidade, a redução da fissura térmica e aumento da resistência. Borracha do pneu: A borracha adicionada funciona como agente tenacificante e diminui a porosidade do material. Porem é importante o tratamento químico da borracha a modo de melhorar a interação da borracha com o concreto. Vibrocimento vegetal: material alternativo para substituir o amianto na fabricação de telhas e caixas d'água. O novo composto é feito de uma mistura de cimento, resíduos siderúrgicos (escória) e fibras vegetais (de bananeira, sisal, coco, eucalipto ou outras plantas) e sintéticas. Madeira plástica: É a mistura de plásticos geralmente PEBD, PEAD, PET, PVC e PP. Pode ser usada para confecção de mourões, cerca bancos de praça, postes, etc. Suas vantagens: não apodrece, não apresenta nós nem farpas, é resistente a água salgada e imune ao ataque de cupins e outros insetos. Sendo assim, apresenta qualidades superiores à madeira comum beneficiando a construção civil. Pó de rocha reciclado: É possível fazer através da mistura homogênea substituindo o cal por esses resíduos. O produto final sai com a mesma qualidade ou até superior e o custo para a fabricação da argamassa também é reduzido, pois o pó é adquirido de graça. 46 11 CONCLUSÕES Em primeiro lugar é preciso diferenciar lixo de resíduos sólidos; restos de alimentos, embalagens descartadas, objetos inservíveis quando misturados de fato tornam-se lixo e seu destino passa a ser, na melhor das hipóteses, o aterro sanitário. Porém, quando separados em materiais secos e úmidos, passamos a ter resíduos reaproveitáveis ou recicláveis. O que não tem mais como ser aproveitado na cadeia do reuso ou reciclagem, denomina-se rejeito. Não cabe mais, portanto, a denominação de lixo para aquilo que sobra no processo de produção ou de consumo. Marcar estas diferenças é de suma importância. A clareza na compreensão destes conceitos é o que permite avançar na construção de um novo paradigma que supere, inclusive o conceito de limpeza urbana. Em virtude do crescimento demográfico e da sua forte vocação empreendedora, e ainda que sabendo do processo de implantação de programas de qualidade pelo qual passa a indústria da construção civil, é cada vez maior as quantidades de resíduos sólidos gerados. O resíduo da construção civil é geralmente um material inerte, e que pode ser reaproveitado, porém ainda ocorre em grande escala, uma deposição irregular deste resíduo. Essa deposição irregular decorre de uma lógica econômica que, para reduzir custos de produção, externaliza os custos de transportes e destinação dos RCD à toda comunidade, pelo uso de espaços comuns. Embora seja possível e prioritário reduzir a quantidade de resíduo durante a produção e até o pós-consumo, eles sempre são gerados. O fechamento do ciclo produtivo, gerando novos produtos a partir da reciclagem de resíduos, é alternativa insubstituível. Assim o desenvolvimento de tecnologias para reciclagem de resíduos ambientalmente eficientes e seguras, que resultem em produtos com desempenho técnico adequado e que sejam economicamente competitivas nos diferentes mercados é um desafio de fundamental importância. Uma ampla variedade de resíduos podem substituir os materiais convencionais, tanto por motivos econômicos, como ambientais. Essas razões estão levando a indústria do setor a desenvolver e buscar alternativas para sua utilização na construção civil. Plásticos, vidros, vibras naturais, cinzas entre outros são exemplos de materiais que já estão sendo utilizados, como agregados ou misturados, na construção civil, abrindo assim um amplo campo para o desenvolvimento de novos materiais, com características físicas e mecânicas semelhantes ou melhoradas se comparada o os materiais convencionais. Muitos dos materiais descartados poderiam ser reaproveitados nos próprios canteiros de obra, reduzindo assim o consumo de energia durante o processo de produção, evitando 47 desperdício, reduzindo áreas necessárias para aterro, reduzindo o consumo de recursos naturais não-renováveis e criando um ambiente não tóxico. A gestão integrada dos resíduos (segundo a resolução Conama 307), proporcionaria benefícios de ordem social, econômica e ambiental. 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CALDERONI, Sabetai. Os bilhões Perdidos no Lixo – 3. ed. – São Paulo: Humanistas Editora / FFLCH / USP, 1999. CARNEIRO, A.P. Brum. Características do entulho e do agregado reciclado, 2001. COLOMBO, C.R. A qualidade de vida de trabalhadores da construção civil numa perspectiva holístico-ecológica. 1999. Dissertação, Florianópolis. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Dispõe sobre gestão dos resíduos da construção civil. Resolução CONAMA n.307. Brasília, 2002. FRANCHI,C.; SOIBELMAN, L.; FORMOSO,C.T. As perdas de materiais na indústria da construção civil, Porto Alegre, 1993. p.133-198. LEVY, S.M. Reciclagem do Entulho da Construção Civil, 1997. 145f – Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo. NETO, José da Costa Marques. Gestão dos resíduos de construção e demolição no Brasil – São Carlos: Rima, 2005. 162p. OTERO, Maria Luiza. Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento Integrado – IPT/CEMPRE, 2000. – (Publicação IPT 2622). PINTO, T.P. Utilização de Resíduos de Construção. 1986. 148p. – Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo – São Carlos. ZORDAN, S.E. A utilização do entulho como Agregado na Confecção do Concreto. 1997. 140p. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Engenharia Civil, Universidade Estadual de Campinas, Campinas 49 ANEXO A RESOLUÇÃO Nº 307, DE 5 DE JULHO DE 2002 Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso das competências que lhe foram conferidas pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto nº 99.274, de 6 de julho de 1990, e tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno, Anexo à Portaria nº 326, de 15 de dezembrode1994, e considerando a política urbana de pleno desenvolvimento da função social da cidade e da propriedade urbana, conforme disposto na Lei nº 10.257,de 10 de julho de 2001; Considerando a necessidade de implementação de diretrizes para a efetiva redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos oriundos da construção civil; Considerando que a disposição de resíduos da construção civil em locais inadequados contribui para a degradação da qualidade ambiental; Considerando que os resíduos da construção civil representam um significativo percentual dos resíduos sólidos produzidos nas áreas urbanas; Considerando que os geradores de resíduos da construção civil devem ser responsáveis pelos resíduos das atividades de construção, reforma, reparos e demolições de estruturas e estradas, bem como por aqueles resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos; Considerando a viabilidade técnica e econômica de produção e uso de materiais provenientes da reciclagem de resíduos da construção civil; e Considerando que a gestão integrada de resíduos da construção civil deverá proporcionar benefícios de ordem social, econômica e ambiental, resolve: Art. 1º Estabelecer diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais. Art. 2º Para efeito desta Resolução, são adotadas as seguintes definições: I - Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, 50 resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha; II - Geradores: são pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, responsáveis por atividades ou empreendimentos que gerem os resíduos definidos nesta Resolução; III - Transportadores: são as pessoas, físicas ou jurídicas, encarregadas da coleta e do transporte dos resíduos entre as fontes geradoras e as áreas de destinação; IV - Agregado reciclado: é o material granular proveniente do beneficiamento de resíduos de construção que apresentem características técnicas para a aplicação em obras de edificação, de infra-estrutura, em aterros sanitários ou outras obras de engenharia; V - Gerenciamento de resíduos: é o sistema de gestão que visa reduzir, reutilizar ou reciclar resíduos, incluindo planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos e recursos para desenvolver e implementar as ações necessárias ao cumprimento das etapas previstas em programas e planos; VI - Reutilização: é o processo de reaplicação de um resíduo, sem transformação do mesmo; VII - Reciclagem: é o processo de reaproveitamento de um resíduo, após ter sido submetido à transformação; VIII - Beneficiamento: é o ato de submeter um resíduo à operações e/ou processos que tenham por objetivo dotá-los de condições que permitam que sejam utilizados como matéria-prima ou produto; IX - Aterro de resíduos da construção civil: é a área onde serão empregadas técnicas de disposição de resíduos da construção civil Classe "A" no solo, visando a reservação de materiais segregados de forma a possibilitar seu uso futuro e/ou futura utilização da área, utilizando princípios de engenharia para confiná-los ao menor volume possível, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente; X - Áreas de destinação de resíduos: são áreas destinadas ao beneficiamento ou à disposição final de resíduos. Art. 3º Os resíduos da construção civil deverão ser classificados, para efeito desta Resolução, da seguinte forma: I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos 51 (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras; II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros; III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso; IV - Classe D - são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros. Art. 4º Os geradores deverão ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final. § 1º Os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em áreas de "bota fora", em encostas, corpos d`água, lotes vagos e em áreas protegidas por Lei, obedecidos os prazos definidos no art. 13 desta Resolução. § 2º Os resíduos deverão ser destinados de acordo com o disposto no art. 10 desta Resolução. Art. 5º É instrumento para a implementação da gestão dos resíduos da construção civil o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, a ser elaborado pelos Municípios e pelo Distrito Federal, o qual deverá incorporar: I - Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil; e II Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Art 6º Deverão constar do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil: I - as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil e para os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil a serem elaborados pelos grandes geradores, possibilitando o exercício das responsabilidades de todos os geradores. II - o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para recebimento, triagem e armazenamento temporário de pequenos volumes, em conformidade com o porte da área urbana municipal, possibilitando a destinação posterior dos resíduos oriundos de pequenos geradores às áreas de beneficiamento; 52 III - o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de disposição final de resíduos; IV - a proibição da disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas; V - o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo; VI - a definição de critérios para o cadastramento de transportadores; VII - as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos; VIII - as ações educativas visando reduzir a geração de resíduos e possibilitar a sua segregação. Art 7º O Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil será elaborado, implementado e coordenado pelos municípios e pelo Distrito Federal, e deverá estabelecer diretrizes técnicas e procedimentos para o exercício das responsabilidades dos pequenos geradores, em conformidade com os critérios técnicos do sistema de limpeza urbana local. Art. 8º Os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil serão elaborados e implementados pelos geradores não enquadrados no artigo anterior e terão como objetivo estabelecer os procedimentos necessários para o manejo e destinação ambientalmente adequados dos resíduos. § 1º O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, de empreendimentos e atividades não enquadrados na legislação como objeto de licenciamento ambiental, deverá ser apresentado juntamente com o projeto do empreendimento para análise pelo órgão competente do poder público municipal, em conformidade com o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. § 2º O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de atividades e empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental, deverá ser analisado dentro do processo de licenciamento, junto ao órgão ambiental competente. Art. 9º Os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil deverão contemplar as seguintes etapas: I - caracterização: nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos; II - triagem: deverá ser realizada, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser realizada nas áreas de destinação licenciadas para essa finalidade, respeitadas as classes de resíduos estabelecidas no art. 3º desta Resolução; 53 III - acondicionamento: o gerador deve garantir o confinamento dos resíduos após a geração até a etapa de transporte, assegurando em todos os casos em que seja possível, as condições de reutilização e de reciclagem; IV - transporte: deverá ser realizado em conformidade com as etapas anteriores e de acordo com as normas técnicas vigentes para o transporte de resíduos; V - destinação: deverá ser prevista de acordo com o estabelecido nesta Resolução. Art. 10. Os resíduos da construção civil deverão ser destinados das seguintes formas: I - Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura; II - Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura; III - Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas especificas. IV - Classe D: deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas especificas. Art. 11. Fica estabelecido o prazo máximo de doze meses para que os municípios e o Distrito Federal elaborem seus Planos Integrados de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil, contemplando os Programas Municipais de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil oriundos de geradores de pequenos volumes, e o prazo máximo de dezoito meses para sua implementação. Art. 12. Fica estabelecido o prazo máximo de vinte e quatro meses para que os geradores, não enquadrados no art. 7º, incluam os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil nos projetos de obras a serem submetidos à aprovação ou ao licenciamento dos órgãos competentes, conforme §§ 1º e 2º do art. 8º. Art. 13. No prazo máximo de dezoito meses os Municípios e o Distrito Federal deverão cessar a disposição de resíduos de construção civil em aterros de resíduos domiciliares e em áreas de "bota fora". Art. 14. Esta Resolução entra em vigor em 2 de janeiro de 2003.