OS EFEITOS DO BARULHO
EM RN PRÉ-TERMOS NA UTI
NEONATAL
The effects of noise on preterm infants in the NICU
Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed 2011;96:F305-F309
Elisha M. Wachman, Amir Lahav
Hospital Regional da Asa Sul – HRAS
Internato em Pediatria
Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS)/SES/DF
Apresentação: Diogo Henrique Silveira do Couto
Osvaldo Simari Neto
Thaís Araújo Pereira Garcia
Coordenação: Prof. Dr. Paulo R. Margotto
HD
Ddos Osvaldo Neto, Diogo e Thais
ESCS!
INTRODUÇÃO




Os recém-nascidos (RN) de muito baixo peso estão
sobrevivendo mais nas últimas 2 décadas;
À medida que essas crianças chegam à idade escolar, os
problemas de neurodesenvolvimento se tornam
aparentes;
Esses problemas são, em parte, decorrentes de um
ambiente desfavorável criado nas Unidade de Terapias
Intensivas neonatais (UTIN), especialmente relativos ao
barulho excessivo;
Fontes de barulho: alarmes, ventiladores, telefones,
conversa, o próprio choro do RN amplificado pela
incubadora;
INTRODUÇÃO



Em 1997, a Academia Americana de Pediatria
determinou que os níveis de ruído não devem exceder
45 dBA;
É bem estabelecido que os níveis de ruído nas UTIN
frequentemente excedem essas recomendações,
resultando em numerosos efeitos adversos;
Porém, esses efeitos no cérebro e no desenvolvimento
a longo prazo não estão bem estabelecidos;
INTRODUÇÃO



Os RN prematuros (PT) tem menor autonomia e são
mais vulneráveis ao barulho pela inabilidade de filtrar e
processar estímulos nervosos;
Com idade gestacional (IG) de 26-28sem, os RN PT
tem o sistema autônomo suficientemente maduro.
Assim o barulho pode causar mudanças fisiológicas em
coração, pressão arterial (PA), respiração e oxigenação;
Manter o estado psicológico estável é crucial,
especialmente durante este tempo crítico de
desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC),
quando os circuitos neurais são mais rapidamente
formados;
EFEITOS DO
BARULHO NO
SISTEMA
CARDIOVASCULAR
Estudos prévios mostram alterações
de freqüência cardíaca e PA;

FREQUÊNCIA CARDÍACA
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

Um dos primeiros estudos nessa área acompanhou 60 RN PT
(28-32 sem) em um estudo randomizado;
O grupo experimental foi exposto a uma gravação da voz de suas
mães durante 30 min diários, na hospitalização;
Na idade gestacional pós-concepção (IGpc) 36 sem, todos os
RN foram expostos, quando sonolentos, a 10 seg. de barulho a
85 dBA e a 30 seg. de uma gravação de voz feminina, quando
chorando;
O barulho acelerou a frequência cardíaca (FC) em ambos os
grupos, quando sonolentos;
Entretanto, quando estavam chorando, o barulho causou
redução da FC, que foi maior no grupo experimental;
Os resultados sugerem que a resposta dos RN ao barulho não
deve estar apenas ligada ao estado de alerta, mas também à
exposição prévia ao barulho;
Os autores não citam o nível da gravação da voz materna;
FREQUÊNCIA CARDÍACA


Outro estudo expôs 2 RN PT (34-35 sem) a
barulho súbito na UTIN de 70-75 dBA,
causados por ruídos habituais;
Todos esses estímulos foram associados a um
aumento transitório da FC;
FREQUÊNCIA CARDÍACA
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


Zahr e Balian analisaram a FC de 55 RN PT (2337 sem.) durante os cuidados de enfermagem e
ruídos do ambiente;
Os níveis não foram mensurados;
Discreto aumento da FC foi encontrado em
resposta a todos os estímulos, sem significância
estatística;
A falta da mensuração do ruído e a grande
diferença de IG limitaram o estudo;
FREQUÊNCIA CARDÍACA
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



Schulman acompanhou 31 RN (29-40 sem.) com maior
ou menor risco para doenças neurológicas;
Todos os RN foram expostos a 80 dBA por 3 seg.
estando em alerta ou dormindo;
Os RN com maior risco de danos neurológicos
aumentaram a FC em ambas as situações;
Entretanto, os de menor risco tiveram aceleração
apenas no sono;
Assim, ambos estados (alerta/dormindo) e as prédisposições afetam a resposta cardíaca;
Este estudo incluiu RN PT e RN a termo;
FREQUÊNCIA CARDÍACA


Williams et al. avaliaram 11 RN menores de
1000g durante a 1ª sem. de vida;
Expostos a uma rotina de 50-60 dBA por 2h;
454-694g: responderam com aumento da FC a sons
mais baixos;
 766-910g: responderam com redução inicial da FC
seguida de aumento;


Os RN mais pesados tem SNC mais maduro
para controlar a FC;
FREQUÊNCIA CARDÍACA



Vários trabalhos têm comparado RN PT e RN a
termo;
30 RN a termo e 15 RN PT (<1750g) foram
submetidos a 5 seg. de 100 dBA;
RN PT responderam com menor aceleração da
FC e com respostas mais suaves;
FREQUÊNCIA CARDÍACA




Field et al. analisaram 18 RN a termo e 18 RN
PT (média 33,6 sem);
Foram submetidos a 5 toques de campainha a 90
dBA;
Todos aumentaram a FC;
Apenas os RN a termo apresentaram diminuição
da resposta após estimulações repetidas;
FREQUÊNCIA CARDÍACA




Estudo mais recente analisou 22 RN a termo e
20 RN PT (32 sem.);
Foram aplicados 5 estímulos (80, 90 e 100 dBA);
Ambos os grupos apresentaram aumento da FC
proporcional à intensidade;
Entretanto, isso foi significante apenas em RN
PT com 90 e 100 dBA.
Efeitos do barulho na frequência cardíaca dos recém-nascidos prematuros
PRESSÃO ARTERIAL

Jurkovicova and Aghova: 30 RN de baixo peso
expostos a 30s de som de baixa frequência (63250 Hz)*, 5x com 30s de intervalo; expostos
ainda a 30s de som de alta frequência (4000 Hz)
contínuo do sistema de incubadora. ;
85% RN de baixo apresentaram elevação de 10
mmHg na pressão arterial sistólica e de 9mmHg na
pressão arterial diastólica;
 Retorno à normalidade após 5min;
 Todas as medidas dentro da normalidade.

*corresponde 79-85 dBA
PRESSÃO ARTERIAL

Williams et al: efeitos do barulho na pressão
arterial média (PAM) de RN de extremo baixo
peso ao nascimento durante a 1ª semana de vida;
expostos a níveis básicos de sons da incubadora
de 50-60 dB mais de 2h por período;
RNs de mais baixo peso: resposta bifásica (decréscimo na PAM, seguida de acréscimo);
 RN de menos baixo peso: decréscimo na PAM.
 Correlação entre FCe PAM foi mais forte entre os
RN de maior baixo peso.
 Nenhuma destas mudanças foi significativa.

Efeitos do barulho na pressão sanguínea dos recém-nascidos prematuros nos recém-nascidos prematuros
SISTEMA RESPIRATÓRIO
Resultados imprecisos e variados:
Efeitos respiratórios do barulho nos recém-nascidos prematuros
SONO

55 RN PT em resposta a sons ambientes de uma
UTIN (conversações, alarmes, celulares e choro
das próprias crianças); uso da escala de
Anderson:


43% dos RN PT foram negativamente afetados,
indo do estado de sono até agitação ou choro.
Strauch avaliou 6 RN PT antes e depois da
implantação da “quiet hour protocol” na UTIN

84,5% da crianças estavam
dormindo
profundamente contra 33,9% (p<0,0005) durante o
quiet hour
PERFUSÃO CEREBRAL

Relato de caso de 2 RN PT (34-35sem) mostrou
que barulho súbito e alto pode conduzir à
agitação, choro, hipoxia e, consequentemente, a
um aumento da pressão intracraniana;
Significado clínico desta hipertensão intracraniana é
incerto;
 Ausência de outros estudos;
 Impacto negativo do barulho sobre a apnéia, FC e
hipóxia, pode conduzir a lesão do tecido cerebral;
 Efeitos diretos ainda não foram avaliados.

Efeitos no neurodesenvolvimento a
longo prazo
Linguagem e desenvolvimento

Turk et al:

Caso-controle randomizado de 34 RN <1500g


Tampões de orelha de silicone (01 semana de vida a 35
semanas IGpc)
RN <1000g
14 sobreviventes em até 18-22 meses
 Com os tampões pontuaram mais que os controles no
Bayley Mental Development Index


Stromswold and Sheffield:
Barulho nas UTIN sobre linguagem e
desenvolvimento
 382
pais
de
pré-termos
analisaram
retrospectivamente o nível de som das UTIs das suas
crianças e avaliaram o desenvolvimento linguístico
da criança
 O nível de barulho foi melhor preditor independente
de desenvolvimento de linguagem que IG, peso ao
nascer ou status socioeconômico
 Estudo limitado pela subjetividade da avaliação
 Não houve testes adicionais

Efeito do barulho no sono, neurodesenvolvimento e audição nos prematuros
Ouvir
 Preditores de perda auditiva em UTIN:
 Ventilação mecânica prolongada
 Ligação do canal arterial patente
 Tempo de permanência na Unidade
 Aminoglicosídeos
 Hemorragia intraventricular
 Asfixia e nível de bilirrubinas ELEVADOS
 Relação dose-resposta e tempo-resposta
 Não há estudos relacionando barulho em UTIN
e perda auditiva em RN PT
 Estudos em animais:
 Exposição precoce= atraso de desenvolvimento de células
auditivas corticais primárias e células ciliadas


Aminoglicosídeo
Winkel et al:

x perda auditiva:
Estudo retrospectivo de 91 PT<2000g com 4-6
semanas

3 Grupos:



1: Tratados com aminoglicosídeos e colocados em incubadoras
2: Colocados em incubadoras
3: Sem exposição
5 casos de perda auditiva moderada-severa: grupo 1
 56 RN no grupo 2 (sem perda):



52% com audiograma sugerindo lesão coclear mínima
18 no grupo 3:

01 audiograma alterado (sugere possível efeito negativo do barulho
da incubadora na cóclea)

D’Souza:
26 sobreviventes de asfixia perinatal severa
 Todos em incubadoras
 15 tratados com gentamicina
Apenas 1 diagnosticado com sudez
No entanto, os resultados deste estudo devem ser
olhados com cuidado devido aos viés:
Duração da permanência em incubadora
 Variação de idade gestacional

Conclusão
 Esta revisão sugere que os níveis elevados de
ruído na UTIN têm efeitos potencialmente
negativos sobre a estabilidade fisiológica infantil e
futuro desenvolvimento neuropsicomotor.
 Entretanto as evidências não nos permitem
tomarmos conclusões definitivas.
 Falta de randomização, amostras pequenas, ampla
variação de IG, técnicas experimentais usadas,
variedade das idades dos pacientes, estudos antigos.
 Mais
estudos
são
necessários.
Recomendações para futuras pesquisas
Consultem também:
Dor Neonatal-Repercussões (1ªJornada do IPESQ,
Campina Grande, 31/3 a 1/4/2011)
Autor(es): Paulo R. Margotto
Repercussões das práticas clínicas na UTI neonatal
Autor(es): Paulo R. Margotto
Ensaio clínico randomizado avaliando plugs de
silicone no ouvido para recém-nascidos de baixo
peso na Unidade de Cuidado Intensivo
Autor(es): C Abou Turk, AL Williams and RE Lasky.
Apresentação: Alexandre Paz Ferreira Ana Carolina de
Souza Moreira, Merenciana Polyenne Duarte, Paulo R.
Margotto
Cuidado do desenvolvimento: Cuidado
individualizado na UTI neonatal
Autor(es): Enf. Eric Sullivan (EUA). Realizado por Paulo R.
Margotto
Obrigado!
HD
Ddo Osvaldo Neto, Ddo Diogo, Dr. Paulo R. Margotto e Dda Thais
ESCS!
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