10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
USE OF CLOUD COMPUTING IN EDUCATION INFORMATION SYSTEMS
Cristina Linares (Universidade de São Paulo, SP, Brasil) - [email protected]
Alexandre Costa (CONSIST de São Paulo, SP, Brasil) - [email protected]
Marici Gramacho Sakata (TECSI FEA Universidade de São Paulo, SP, Brasil) –
[email protected]
Mauricio Pereira (CONSIST de São Paulo, SP, Brasil) Colaborador: Edson Luiz Riccio (Universidade de São Paulo, SP, Brasil) - [email protected]
There is a growing discussion on education and technology among teachers and professional
market. This study shows the experience in the classroom use of cloud computing, based on a
study of one semester of the course Business Information Systems undergraduate degree in
Accounting and Actuarial Science at the University of São Paulo. It also deals about
requirements, development and evaluation of collaborative learning environment in the cloud
as well as perceptions students taking this course. The purpose of this article is to verify that
the use of cloud computing delivers productivity gains inside and outside of the classroom in
this course. One way to check the progress of student learning, within this context, is to
analyze the advantage through the activities carried out within this environment and through
questionnaires. At the end of the research, there is evidence, through the above tools, the use
of cloud computing promotes learning in Information Systems.
Keywords: cloud computing; education; higher education; business information systems
USO DA COMPUTAÇÃO EM NUVEM NO ENSINO DE SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO
É crescente a discussão sobre educação e tecnologia entre professores e profissionais de
mercado. Este trabalho retrata a experiência em sala de aula da utilização da computação em
nuvem, baseado em um estudo de um semestre da disciplina Sistemas de Informações
Empresariais do curso de graduação em Ciências Contábeis e Atuária na Universidade de São
Paulo. Trata, também, sobre os requisitos, desenvolvimento e avaliação do ambiente
colaborativo de aprendizagem em nuvem assim como as percepções dos alunos que cursaram
a disciplina. O objetivo deste artigo é verificar se o uso da computação em nuvem
proporciona ganhos de produtividade dentro e fora da sala de aula nesta disciplina. Uma das
formas de acompanhar a evolução do aprendizado de alunos, dentro deste contexto, é analisar
o aproveitamento por meio das atividades realizadas dentro deste ambiente e através de
questionário. Ao término da pesquisa, há indícios, através das ferramentas acima, que a
utilização da computação em nuvem favorece o aprendizado em Sistemas de Informações.
Palavras-chave: computação em nuvem; educação; ensino superior; sistemas de informações
empresariais
2451
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
INTRODUÇÃO
Os séculos XI e XII foram marcantes para a educação superior. Com a fundação das
universidades Sorbonne, Oxford, Salamanca, Bolonha e Modena foram construídos os pilares
do ensino tradicional professor e alunos. A computação digital surgiu em meados do século
XX e desde então, em cada década provocou grandes rupturas através de computadores mais
rápidos, mais acessíveis, de melhor qualidade, menores e pessoais. Enquanto o ensino
superior levou 1.000 anos para se consolidar, em apenas 60 anos a computação digital
revolucionou as comunicações (Katz, 2008, p. 6).
A integração entre o ensino superior e a tecnologia vem se desenvolvendo no mundo
inteiro. Segundo Perry (2003, p. 1) a educação sempre foi um complemento para o avanço
tecnológico e o mesmo pode ser dito ao inverso. Escolas pioneiras levam para sala de aula
novas ferramentas buscando envolver o aluno de forma a melhorar seu conhecimento global.
“Atualmente podemos observar o crescente interesse dos pesquisadores, das escolas e
instituições de ensino superior em busca de um melhor uso da Tecnologia da Informação
como uma ferramenta facilitadora para o aprendizado” (Marinho, 2011, p.2).
Este artigo buscará desenvolver a utilização de computação em nuvem em sala de aula
e fora dela por um semestre. Após anos de utilização de servidores, a disciplina Sistemas de
Informações Empresariais inovou para a tecnologia em nuvem com a parceria da empresa
Consist oferecendo a ferramenta de Sistemas de Informações Empresariais (em inglês,
Enterprise Resource Planning – ERP) chamada ConsistGEM para utilização em sistema real
pelos alunos. Após a aplicação de uma pesquisa, será possível mensurar se ocorreram ganhos
no processo de ensino.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Computação em Nuvem
Computação em nuvem (em inglês, cloud computing) é a utilização da memória, das
capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e
interligados por meio da Internet. Conjuntos de supercomputadores, que operam em rede,
formam a chamada “nuvem”, que armazena softwares, documentos e aplicativos de um
sistema. O armazenamento de dados é feito em serviços que podem ser acessados de qualquer
lugar do mundo, a qualquer hora, não havendo necessidade de instalação de programas ou de
armazenamento de dados. O acesso a programas, serviços e arquivos é remoto, através da
Internet, por isso a alusão à nuvem. Para Ivanov, a mudança principal para as organizações é
repensar seus tradicionais recursos de Tecnologia da Informação (TI) para se adaptarem em
serviços em nuvem. Além disto, a computação em nuvem cria grandes desafios e
oportunidades para o sistema educacional através de dinâmicas interativas entre corpo docente
e alunos, corte de custos e serviços móveis (Ivanov, 2012, p. 1).
Existe uma metáfora para a expressão cloud education (educação nuvem), baseada no
termo cloud computing (computação nuvem), de que os saberes não estão encarcerados em
ambientes físicos, mas estão espalhados pelo globo através da rede, como uma nuvem de
saberes que pode ser acessada em praticamente qualquer lugar que ofereça as condições.
(Costa, 2009, p. 1).
As vantagens relacionadas à computação em nuvem são a economia gerada e a
flexibilidade. O serviço é pago estritamente pelo uso específico contratado ou pelo tempo
2452
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
utilizado dos serviços (on demand), o que representa uma economia diante dos vultosos
investimentos feitos na aquisição de equipamentos e servidores muitas vezes
superdimensionados com grande capacidade de armazenamento e que acabam se tornando
ociosos em dados momentos. Em termos de flexibilidade, não há dependência de pen drive ou
máquina específica, sendo possível acessar os dados em qualquer lugar do mundo com acesso
à Internet, em qualquer horário (just in time) e com diversas pessoas ao mesmo tempo;
ganhando escalabilidade. Por estar constantemente conectado à Internet, não há necessidade
de atualizar novas versões de aplicativos.
Cada vez mais a computação na nuvem está presente em nosso cotidiano, não só
para usuário doméstico, mas como na área empresarial, na área comercial e na área
acadêmica. A nuvem representa uma camada conceitual que abstrai toda
infraestrutura da plataforma computacional, deixando os serviços transparentes ao
usuário que é atendido como se os dados e programas estivessem em sua máquina
local. Pedrosa e Nogueira (2012, p. 2)
São inúmeros os benefícios da utilização da computação em nuvem no meio
educacional. O primeiro é a solução para o problema do software licenciado, que requer
constante atualização. O segundo é a pesquisa e experimentação, que o processo de
aprendizagem exige. A flexibilidade, fornecida por tecnologias da nuvem, permite modificar,
testar e comparar diferentes tipos de software, várias formas de uso que seria inviável através
de diversas compras de programas. O terceiro é a multiplicação de acessos de forma rápida.
(Shyshkina, 2011, p. 569).
Além disto, o cenário mundial apresenta diversas crises econômicas,
consequentemente ocasionando orçamentos reduzidos e espaço para novas ações inovadoras.
O meio acadêmico está inserido neste contexto, no qual reduções de verbas impactam as
universidades. Assim, a computação em nuvem surge como uma forma racional para reduzir
custos através de sua flexibilidade e pagamento por uso, segundo assevera Sultan (2010, p.
109).
O acesso limitado à Internet e questões sobre a segurança de dados são assuntos muito
debatidos no âmbito da computação em nuvem por profissionais de mercado e pelo meio
acadêmico, no entanto, não será objeto de discussão neste artigo.
A tecnologia de computação em nuvem no Brasil é incipiente, no entanto apresenta
crescimento nos últimos anos. Empresas de médio, pequeno e grande porte estão adotando a
tecnologia gradativamente. O serviço começou a ser oferecido comercialmente em 2008 e em
2012 ocorreu grande adoção.
No ambiente acadêmico, o Laboratório de Redes e Gerência da Universidade Federeal
de Santa Catarina -UFSC foi um dos pioneiros a desenvolver pesquisas em computação em
nuvem publicando artigos sobre segurança, Intrusion Detection Systems (IDS) e Service Level
Agreement (SLA).
De forma institucional, a USP será a primeira universidade brasileira a usar
intensivamente um sistema de computação em nuvem, fato comum nas universidades
estrangeiras como Harvard, Stanford e Massachusetts Institute of Tecnology (MIT). Os órgãos
que centralizam os sistemas de computação atualmente nas cidades de São Paulo, Piracicaba,
São Carlos e Ribeirão Preto serão integrados em centros de dados Internet- Internet Data
Centers (IDC) que abrigarão um conjunto de supercomputadores formando a “nuvem”
segundo Boletim USP, conforme Figura 1:
2453
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Figura 1: Infraestrutura de computação em nuvem da USP
Fonte: USP Destaques nº66. Set/2012
Na USP, o serviço em computação em nuvem será composto de três domínios:
corporativo; relacionado aos serviços administrativos, envolvendo endereço eletrônico,
gerenciamento de disciplinas, notas, emissão de certificados e diplomas; o domínio
educacional, onde ocorrerá disponibilização de materiais e interação de forma on line com
alunos e com a comunidade e por último, no domínio científico, focando o armazenamento
massivo de informações e coleta de dados para rankings internacionais de avaliação de
universidades.
O foco do presente trabalho será no domínio educacional voltado para professor e
alunos. A oportunidade na área educacional é o trabalho colaborativo simultâneo, onde
professor e alunos podem trabalhar juntos, mesmo em locais diferentes, construindo um
conhecimento coletivo. Através da computação em nuvem é possível integrar diversas escolas
a fim de que uma contribua com a outra em cidades diferentes usando ferramentas em que os
próprios alunos alimentam, criando assim uma rede social voltada ao ensino escolar. Os
alunos podem ser estimulados através do recebimento de incentivos para ajudar outros
colegas compartilhando seu conhecimento.
2454
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Existem diversos exemplos de boas práticas sobre o uso da computação em nuvens em
universidades. Algumas universidades nos Estados Unidos juntaram-se para construir o
projeto Virginia Virtual Computing Lab com o intuito de melhorar os recursos de TI aos
alunos e reduzir custos. A North Carolina State University obteve substancial redução de
despesas com licenciamento de softwares e equipe dedicada à área de tecnologia.
Outro exemplo é um projeto americano de comunidade denominado Kuali Ready: por
meio de uma instituição de ensino superior é fornecida computação em nuvem e software
livres para outras instituições de ensino superior (Mircea,2011, p.2).
Conforme Tabela 1, Mircea sintetiza os benefícios e limitações da utilização de
computação em nuvem em um artigo dedicado a tecnologia no ensino superior:
Tabela 1: Principais benefícios e limitações do uso de Computação em Nuvem na
Educação Superior
Fonte: Mircea (2011, p. 3)
Para Oliveira (2006, p. 2): "O tripé do sistema de tecnologia educacional é composto
por infraestrutura tecnológica, processos de transmissão do conteúdo e agentes do ambiente
educacional. A informação é condição necessária, mas a possibilidade de acesso à informação
não garante a transmissão do conhecimento”.
Em linhas gerais, autores como Benkler (2008, p. 11); Katz (2008, p. 15); Read (2008,
p.1) e Alexander (2008, p. 4) asseveram que a computação em nuvem no sistema educacional
é uma tendência irreversível, principalmente no ensino superior.
METODOLOGIA
Este item evidenciará a trajetória percorrida pelo pesquisador para realizar o trabalho,
possibilitando a replicação para outros estudos e também a verificação da consistência do
trabalho.
Esta pesquisa pode ser classificada, quanto ao procedimento, como pesquisa
documental e empírica, visto que por meio de questionário, será levantada a percepção dos
alunos quanto ao uso da computação em nuvem.
2455
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Uma investigação empírica é uma investigação em que se fazem observações para
compreender melhor a fenômeno a estudar. Todas as ciências naturais, bem como
todas as ciências sociais, têm por base investigações empíricas porque as
observações deste tipo de investigação podem ser utilizadas para construir
explicações (Hill & Hill, 2002, p. 19).
Para capturar a percepção dos usuários com relação às atividades da disciplina
desenvolvidas em nuvem, foi elaborada uma pesquisa a ser aplicada com os alunos dos
Cursos de Ciência Contábeis Matutino e Noturno da Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade da FEA – Universidade de São Paulo - USP.
A pesquisa utiliza o método de coleta de dados documental realizada a partir do
próprio material gerado em aula, tais como: manual de utilização, logs do sistema e o survey,
para realização do questionário estruturado fechado e aberto, enviado aos alunos das
disciplinas, utilizando, portanto, a plataforma Surveymonkey.
Um questionário piloto foi aplicado com três alunos a fim de validar o
entendimento e aprimorar as questões. A população totalizou 156 alunos. Destes, 62 alunos
no período noturno e 94 no período matutino. Foram obtidas 31 respostas em relação ao
questionário. Conforme Tabela 2, é possível verificar as perguntas dirigidas aos alunos.
Tabela 2: Questionário aplicado aos alunos da disciplina Sistemas de Informações
Pergunta
1. Antes de cursar a
disciplina você já havia
utilizado algum sistema
de ERP similar ao
ConsistGEM na
faculdade ou na
empresa?
2. Quanto ao seu
primeiro acesso ao
sistema, a criação dos
centros contábeis e das
transações contábeis,
qual foi o grau de
dificuldade encontrada?
3. Quanto à extração dos
relatórios finais (Razão e
Balancete), qual foi o
grau de dificuldade
encontrada?
4. Sente-se preparado(a)
para operar um sistema
similar em um ambiente
profissional?
5. Em sua opinião, a
disciplina contribuiu para
sua carreira profissional
(atual ou futura)?
6. Em sua opinião, o
horário flexível para
realizar as atividades
qualquer
Categoria
Objetivo
Autor(es)
Conteúdo
Avaliar previamente o
conhecimento do aluno
sobre sistemas contábeis
Katz (2008); Perry,
(2003); Marinho (2011);
Pedrosa e Nogueira
(2012)
Avaliar previamente o
conhecimento do aluno
sobre sistemas contábeis
Ferramenta
Avaliar previamente o
conhecimento do aluno
sobre sistemas contábeis
Ferramenta
Avaliação
Medir se o objetivo da
disciplina foi cumprido
Avaliação
Medir se o objetivo da
disciplina foi cumprido
Medir se a computação
em nuvem favoreceu o
aprendizado
Recursos
2456
Shyshkina (2011)
Shyshkina (2011)
Perry (2003)
Pedrosa e Nogueira
(2012); Mircea (2011)
Ivanov (2012); Mircea
(2011)
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
lugar/computador
contribuiu para a
qualidade do
aprendizado?
7. Em qual período você
realizou as atividades
extra classe?
Medir se a computação
em nuvem favoreceu o
aprendizado
Recursos
8. Em qual local você
preferia tirar suas
dúvidas em relação aos
procedimentos do
sistema ConsistGEM?
Medir se a computação
em nuvem favoreceu o
aprendizado
Recursos
9. Aponte onde ocorreu
sua maior dificuldade na
disciplina
Ivanov (2012); Costa
(2009); Mircea (2011)
Ivanov (2012); Costa
(2009)
Identificar as lacunas
para aprimoramento em
turmas posteriores
Avaliação
Shyshkina
(2011)
Fonte: Autores
ANÁLISE DOS DADOS
Essa seção apresenta e discute os dados coletados no estudo, objetivando responder
aos objetivos propostos nesse trabalho. Inicialmente era necessário identificar se o aluno tinha
o conhecimento prévio sobre sistemas contábeis. Conforme Figura 2, foi constatado que 65%
da população nunca utilizou um sistema similar ao da Consist; enquanto que 16% acessaram
ao menos uma vez um sistema similar e 19% tinham acessado diversas vezes.
Figura 2: Alunos que utilizaram um sistema de ERP
Fonte: Autores
Na sequência pretendia-se medir o grau de dificuldade que os alunos apresentaram ao
operar o sistema. As perguntas 2 e 3 buscaram capturar essa percepção. A maioria dos alunos
2457
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
relatou pouca dificuldade para criar os centros de custos, plano de contas e lançamentos
contábeis (51%), enquanto que 10% não tiveram nenhuma dificuldade. Para outros 10% foi
indiferente, 26% relataram alguma dificuldade e 3% acharam muito difícil. Para a extração
dos relatórios finais, 32% dos alunos relataram pouca dificuldade, 13% nenhuma dificuldade,
19% acharam indiferente, 26% tiveram alguma dificuldade e 10% acharam muito difícil.
Percebe-se que o cadastramento das contas, centros e lançamentos obteve um percentual
menor com alunos apresentando algum nível de dificuldade do que a extração dos relatórios.
Se somarmos os itens “Sem dificuldade” e “Pouca dificuldade”, a pergunta 2 apresenta 61%
de respostas e a pergunta 3 apresenta 45%; fato já esperado devido a complexidade da tarefa
de extração dos relatórios. Ao compararmos a pergunta 1 com as perguntas 2 e 3 percebe-se
que, apesar da maioria dos alunos nunca terem acessado um sistema de ERP, a maioria dos
respondentes não encontrou dificuldades para operá-lo.
Um dos objetivos da disciplina era abordar aspectos organizacionais relacionados aos
sistemas de informação empresariais. As perguntas 4 e 5 remetiam à percepção dos alunos em
relação a utilização futura do aprendizado. A pergunta 4 indagava se o aluno sentia-se
preparado para operar um sistema similar no ambiente de trabalho. Conforme Figura 3, a
maioria, 58% dos alunos, admitiu que sentia-se preparado (10% muito preparado e 48%
preparado) enquanto que 32% não se sentia nem preparado nem despreparado e 10% sentia-se
pouco preparado. Não ocorreu nenhuma resposta onde o aluno se julgava nada preparado.
Figura 3: Percepção de preparo para utilizar um sistema de informações contábeis
Fonte: Autores
A pergunta 5 questionava a utilidade da disciplina para a carreira profissional do aluno.
Conforme Figura 4; 71% dos alunos afirmaram que a disciplina contribuirá para a carreira
(58% concordaram e 13% concordaram plenamente). Os outros itens obtiveram 9,3% de
respostas cada.
2458
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Figura 4: Percepção da utilidade da disciplina na carreira profissional
Fonte: Autores
O bloco das perguntas 6, 7 e 8 visavam identificar se a utilização da computação em
nuvem favoreceu o aprendizado; através dos horários flexíveis, período utilizado para cumprir
as tarefas propostas e meio para sanar dúvidas. Conforme Figura 5 que retrata as respostas da
pergunta 6, a maioria dos alunos, 82%, tiveram a percepção que o horário flexível do sistema
contribuiu para a qualidade do aprendizado (41% concordaram plenamente e 41%
concordaram). 14% dos alunos nem concordam nem discordaram e 3% deles discordaram.
Figura 5: Horário flexível e aprendizado
2459
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Fonte: Autores
A pergunta 7 indagava sobre o período utilizado para realizar as tarefas onde 48%
responderam que usaram o período noturno, seguido por 35% que afirmaram utilizar diversos
períodos, 14% usaram o período vespertino e 3% usaram o período matutino.
A pergunta 8 questionava sobre o local onde as dúvidas eram sanadas. 62% dos alunos
traziam as dúvidas para sala de aula, 24% mandavam-nas por email e 14% não tiveram
dúvidas no decorrer do curso em relação ao uso do sistema.
A última pergunta indagava sobre as dificuldades na disciplina no decorrer do
semestre. 41% afirmaram que não tiveram dificuldades, seguidos por 31% que apontaram o
uso do sistema como maior dificuldade, 17% afirmaram que o tempo foi o maior obstáculo
para cumprir as tarefas e 11% apontaram a falta de conhecimento contábil. O fato de
existirem alunos do curso de Atuária em sala de aula pode ter conduzido a essa última
resposta.
Além das perguntas com múltipla escolha, foi dado um espaço para o aluno expressar
seus comentários a respeito da disciplina. A maioria das declarações foram positivas em
relação a experiência: “Importante ferramenta para trazer prática ao ensino de
contabilidade.”, “Achei muito importante ter alguma experiência prática durante o curso, e
não ficar apenas na teoria, ainda mais utilizando uma ferramenta que é utilizada pelo
mercado.” “Acho extremamente importante essa interação do aluno com ferramentas do
ambiente corporativo. Auxilia no entendimento da contabilidade e da profissão do contador.
Seria muito interessante se fosse possível aumentar o número de disciplinas que tragam
exemplos do ambiente de trabalho que o aluno poderá se deparar no futuro.” Um comentário
se destacou dos demais ao afirmar: “as aulas deveriam ter sido realizadas nas salas do FEA 5
(laboratório de informática) onde todos alunos poderiam utilizar o computador e sem
problemas de conexão.” O fato de nem todos os alunos possuírem notebook pode ter levado a
este comentário.
DISCIPLINA DE SISTEMA DE INFORMAÇÕES
A disciplina Sistemas de Informações Empresariais é ministrada pelo professor Edson
Luiz Riccio na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de
São Paulo, tem duração de 30 horas e é dada em um semestre para os cursos de Contabilidade
e Atuária. O objetivo da disciplina é “oferecer aos alunos conhecimento sobre o
2460
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
funcionamento geral dos Sistemas de Informações Empresariais (Enterprise Resource
Planning - ERP's), com ênfase na abordagem dos aspectos colaborativos e organizacionais
necessários à sua implementação e funcionamento.” (Universidade de São Paulo- Sistema
Jupiter).
Seu conteúdo consiste de aulas expositivas dadas pelo professor e por profissionais do
mercado, seminários de diversos temas ligados a ERP apresentados pelos alunos e por
exercícios práticos no sistema da Consist, companhia parceira da faculdade, simulando um
ambiente de empresa onde ocorrem diversas atividades, tais como criação de empresas; de
usuários; do plano de contas; dos centros de custos; de transações contábeis e de extrações de
relatórios. No início do curso é disponibilizado aos alunos um manual elaborado pela Consist
com as principais orientações sobre o sistema.
A parceria entre a empresa fornecedora da tecnologia- Consist e a USP começou no
ano de 2000; através de um convite feito pelo Laboratório de Tecnologia e Sistemas de
Informação da USP (TECSI-USP) para apresentação da Consist nas salas de aula de
graduação e pós-graduação. Em 2004, foi possível iniciar as atividades práticas no sistema da
Consist através da instalação do ConsistGEM em um servidor, no TECSI, ambiente da USP,
porém os alunos limitavam-se a acessar o sistema nos computadores do campus e em horários
pré-determinados. A mudança do acesso para a computação em nuvem ao sistema da Consist
ocorreu em 2010 para uma turma com aulas matutinas. No entanto, uma nova dificuldade
encontrada, nesta turma, foi a falta de posse de laptops pelos alunos e, a dependência da
infraestrutura da USP, principalmente computadores, era grande. Em 2011 a disciplina
ocorreu no período da manhã e, em 2012, a disciplina foi disponibilizada para o período
noturno; e a maioria dos grupos possuía ao menos um integrante com laptop. Segundo
Mauricio Carlos Pereira, gerente da Consist: “O sistema, do início até 2009, era instalado no
servidor do TECSI e, através da rede, os alunos conseguiam acessá-lo pela infraestrutura da
Faculdade de Economia e Administração- FEA. Este tipo de instalação era chamado de
cliente-servidor. Durante o decorrer dos anos, com pouca interrupção, os trabalhos foram
evoluindo até chegarmos ao tipo de capacitação de ‘tecnologia em nuvens’, ou seja, diante
da hospedagem do ERP na Consist, os alunos podem acessá-lo de qualquer lugar, horário,
através da Internet”.
Organizados em grupos, os alunos iniciam suas tarefas obedecendo-se o cronograma
previsto das atividades práticas, conforme manual:
Bloco 1: Criação dos usuários, senhas por grupo, disponibilização de atividades e do menu
utilizado. Neste bloco mostra-se a ideia de acesso, permissão e segurança às atividades as
quais os grupos interagirão, através das funcionalidades/atividades do Consist.
Bloco 2: Parametrização da companhia contábil e seus requisitos. Neste bloco, ocorre o
cadastro dos países e estados, das moedas, dos calendários, do plano de contas e das estruturas
gerais. Mostra-se a importância, num processo de implantação de um ERP, de se iniciar pelos
processos contábeis, já que, a partir deles, definiram-se a contabilidade fiscal, sobretudo a
gerencial, através das estruturas gerenciais.
Bloco 3: Inclusão das contas contábeis no plano de contas e estruturas gerenciais. Neste bloco
incluem-se as contas contábeis, de acordo com um plano de contas padrão disponibilizado aos
2461
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
alunos; bem como as estruturas gerenciais. Mostra-se a interação de inclusão destas contas e
suas particularidades em qualquer ERP, como, por exemplo: as contas analíticas e sintéticas
do Consist.
Bloco 4: Inclusão das transações/lançamentos contábeis. Neste bloco, com a empresa, planos
de contas e cadastros gerenciais criados; os alunos registram manualmente as
transações/lançamentos contábeis, através de alguns exercícios disponibilizados, tais como:
subscrição de capital, integralização, aquisição de móveis, imóveis e transações financeiras.
Bloco 5: Extração de Relatórios. Neste bloco após as transações efetivadas/registradas, os
alunos podem extrair os relatórios básicos da contabilidade, como: razões, balancetes, plano
de contas e estruturas gerenciais.
Bloco 6: Análise de Dados. Neste bloco, de acordo com o plano de contas e estruturas
gerenciais, mostra-se aos alunos a interação com o Business Intelligence (BI), acoplado ao
sistema Consist. Discute-se, o conceito de BI, possibilitando a visualização de gráficos e
combinações das estruturas acima, de acordo com a companhia.
Bloco 7: Ferramentas Contábeis. Este bloco apresenta algumas das ferramentas contábeis do
sistema Consist, para atividades avançadas, como: fechamento contábil, confecção de peças
contábeis fiscais e gerenciais (balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercícioDRE, demonstração dos fluxos de caixa- DFC, conciliações, rateios e alocações).
Bloco 8: Visualização de anexo – Plano de Contas. Neste bloco mostra-se um exemplo de
plano de contas padrão já cadastrado no Consist, com demonstração e exemplo.
No decorrer do semestre, as principais dúvidas levantadas pelos alunos através de
emails ou em sala de aula relacionavam-se principalmente com os blocos 1, 2, 3, 4 e 5 do
manual da Consist relacionadas, respectivamente com:
•
•
•
•
•
acessos dos usuários;
formatação de valores no sistema;
exportação de dados, principalmente do plano de contas;
aprovação final das transações contábeis e
formas de extração dos relatórios.
Para mensurar e avaliar o aluno, o sistema da Consist gera relatórios com logs dos
grupos, informando a data, a hora e a atividade executada, conforme Tabela 3. Desta forma, é
possível medir se o grupo participou ou não da atividade no prazo estipulado pelo professor.
Tabela 3: Extração de relatórios de utilização do sistema pelos grupos
2462
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Fonte: Sistema GEM da empresa Consist
Além do registro dos acessos através dos logs de cada grupo, há a possibilidade de
acompanhar as atividades através das fichas de registro, conforme Tabela 4 e dos relatórios
extraídos ao final do curso, conforme Tabela 5:
Tabela 4: Ficha de registro de lançamentos realizados pelos alunos
Fonte: Sistema GEM da empresa Consist
Tabela 5: Balancete- relatório final
2463
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Fonte: Sistema GEM da empresa Consist
CONCLUSÃO
Corroborando com os autores Marinho (2011), Perry (2003) e Shyshkina (2011),
Benkler (2008, p. 11), Katz (2008, p. 15); Read (2008, p.1) e Alexander (2008, p. 4) que
mencionam que a computação em nuvem é uma ferramenta facilitadora, ou seja, multiplicamse acessos e cria avanços para a educação, os resultados prévios deste questionário trazem
indícios de que a integração de teoria e prática através desta tecnologia traz ganhos de
produtividade na aprendizagem.
Levou-se, ainda, em consideração, conforme esboçado por este artigo, que assim como
nas empresas, a computação em nuvem é uma realidade também nas universidades, seja sob o
ponto de vista administrativo quanto acadêmico. Prova disto, foi a utilização do sistema da
Consist, em nuvens, no curso de Ciência Contábeis Matutino e Noturno da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da FEA-USP, a partir de 2010 e, como reitera o
resultado dos questionários neste artigo, o ganho em desempenho e aprendizado.
Portanto, o fato do aluno acessar o conteúdo da disciplina, o sistema de ERP e realizar
as atividades propostas de qualquer lugar, ou seja, em nuvem, comprova o benefício da
utilização da computação em nuvem em sala de aula.
Este trabalho limitou-se a aplicação de um questionário para turmas de uma
determinada disciplina. Seria recomendado que futuramente existissem outros estudos
2464
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
comparando a utilização da computação em nuvem para outras disciplinas e áreas de
educação.
REFERÊNCIAS
Alexander, Bryan. (2008). Social Networking in Higher Education. In The Tower and The
Cloud. Washington: Educause.
Benkler, Yochai. (2008). The University in the Networked Economy and Society: Challenges
and Opportunities. In The Tower and The Cloud. Washington: Educause.
Costa, A. (2013). Cloud Education, a Educação da Era da Convergência.
<http://acertodecontas.blog.br/artigos/cloud-education-a-educao-da-era-da-convergncia/>
Acesso em 09 mar 2013.
Hill, Manuela Magalhães, & Hill, Andrew. (2002). Investigação por questionário. Lisboa:
Edições Sílabo.
Ivanov, Ivan I. (2012). Cloud Computing in Education: The Intersection of Challenges and
Opportunities. 7th International Conference on Web Information Systems and Technologies.
Netherlands.
Katz, Richard N. (2008). The Gathering Cloud: Is This the End of the Middle? In The Tower
and The Cloud. Washington: Educause.
Marinho, W et al. (2011). Colina- A collaborative environment for teaching and learning
UML. 8º CONTECSI.
Mircea, Marinela, & Andreescu, Anca Ioana. (2011). Using Cloud Computing in Higher
Education: A Strategy to Improve Agility in the Current Financial Crisis. Romania:
Communications of the IBIMA.
Oliveira, F.B. (2006). Tecnologia da informação e da comunicação: Desafios e propostas
estratégicas para o desenvolvimento dos negócios. São Paulo: Pearson Prentice Hall.
Pedrosa, Paulo H. C., & Nogueira, Tiago. (2012). Computação em nuvem. Unicamp.
Pereira, Mauricio Carlos (Locutor). (2013). Entrevista sobre a computação em nuvem nas
aulas de Sistemas de Informação da USP em 21/02/2013. São Paulo.
Perry, G. (2003). Cerrando la brecha en educación y tecnología, Banco Mundial 25, 1-4.
2465
10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI
June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil
Read, Malcolm. (2008). Cultural and Organizational Drivers of Open Educational Content.
In The Tower and The Cloud. Washington: Educause.
Sultan, N. (2010). Cloud Computing for Education: A New Dawn? International Journal of
Information Management, n.30, pp. 109–116.
Shyshkina, Mariya. (2011). Cloud computing – an advanced e-learning platform of school
education? Slovakia: 14th International Conference on Interactive Collaborative Learning
(ICL)/11th International Conference on Virtual-University (VU).
Universidade de São Paulo, USP Destaques Boletim número 66 - editado pela assessoria de
imprensa da USP. Set 2012 <http://www.usp.br/imprensa/wp-content/uploads/USPDestaques_66.pdf > Acesso em 03 abr 2013.
Universidade de São Paulo, USP JUPITER Sistema de Graduação.
<https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=EAC0524&nomdis=>. Acesso
em 09 mar 2013.
Wyld, D. C. (2013). Cloud Computing 101: Universities are Migrating to The Cloud for
Functionality and Savings. Computer Sight.< http://computersight.com/programming/cloudcomputing-101-universities-are-migrating-to-the-cloud-for-functionality-and-savings/>
Acesso em 09 mar 2013.
2466
Download

use of cloud computing in education information systems