ANÁLISE E DIAGNOSE DE DIESEL-GERADORES OPERANDO COM ÓLEO DE DENDÊ “IN NATURA" Valéria Said de Barros Pimentel TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUESITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE DOUTOR EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA MECÂNICA. Aprovado por: _______________________________________ Prof. Carlos Rodrigues Pereira Belchior, D.Sc. _______________________________________ Prof. Silvio Carlos Aníbal de Almeida, D.Sc. _______________________________________ Prof. Nísio de Carvalho Lobo Brum, D.Sc. _______________________________________ Prof. Raad Yahya Qassim, D.Sc. _______________________________________ Prof. José Alberto de Reis Parise, Ph.D., _______________________________________ Prof. Donato Alexandre Gomes Aranda, D.Sc. RIO DE JANEIRO, RJ. BRASIL JUNHO DE 2002 PIMENTEL, VALÉRIA SAID DE BARROS, Análise e Diagnose de Diesel-Geradores Operando com Óleo de Dendê " In Natura" [Rio de Janeiro] 2002 xix, 145 pág. 29.7 cm (COPPE/UFRJ, D.Sc., Engenharia mecânica, 2002) Tese - Universidade Federal de Rio de Janeiro, COPPE 1. Combustíveis alternativos 2. Óleo de Dendê 3. Motor diesel I. COPPE/UFRJ II. Título (série) ii Ao exemplo de meus pais Ao companheirismo de minhas irmãs À cumplicidade de meu marido, e À inspiração de meu filho iii Agradecimentos Ao Prof. Carlos Rodrigues Pereira Belchior pela orientação, com grande maturidade profissional, para alcançar os objetivos traçados. Ao Prof. Silvio Carlos Aníbal de Almeida pelo entusiasmo e pelo auxílio no material bibliográfico. Ao Prof. Nísio Carvalho Lobo Brum pelo grande apoio, inclusive com recursos financeiros para concluir os testes experimentais, e como amigo interessado no desenvolvimento deste trabalho. Ao CEPEL para o apoio para os testes de durabilidade através do Eng. Guilherme Fleury. Ao CENPES que através do SEMOT, principalmente, do Eng. Carlos Vinícius Costa Massa, possibilitou a realização dos testes com os empréstimos de instrumentos sofisticados. À Fundação Universitária José Bonifácio, por proporcionar a aquisição do dinamômetro hidráulico Land & Sea utilizado nesta pesquisa. Às amigas Maísa Chaves e Vera Lúcia pelo apoio ao longo do doutorado. Aos amigos Jorge Rodrigues Alvarenga, "Miranda", e José Carlos de Oliveira, "Carlinhos”, pelo companheirismo e pela importante e decisiva participação na montagem e instalação da bancada de teste, sem os quais seria impossível a realização desse trabalho. Ao meu amigo William Magalhães Barcellos pela participação técnica no desenvolvimento da tese. Aos Amigos Nauberto R. Pinto e Pedro Paulo Pereira pelo apoio técnico ao longo dos testes. Aos amigos José de Assis Maranhão, Renan de Souza Lucena e Marcelo Alves Ferreira que tiveram importante participaram da realização dos testes experimentais. Aos demais amigos do Laboratório de Máquinas Térmicas, que de várias formas deram sua participação no desenvolvimento desse trabalho. Uma tese experimental não tem como ser viabilizada sem uma participação expressiva de uma equipe de trabalho. iv Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para obtenção do grau de Doutor em Ciências (D.Sc.) ANÁLISE E DIAGNOSE DE DIESEL-GERADORES OPERANDO COM ÓLEO DE DENDÊ “IN NATURA” Valéria Said de Barros Pimentel Junho / 2002 Orientador: Carlos Rodrigues Pereira Belchior Programa: Engenharia Mecânica Este trabalho refere-se a análise do desempenho de diesel geradores operando com óleo de dendê “in natura”. Testes de durabilidades foram realizados em um diesel-gerador de injeção direta durante 350 horas de teste. Os testes de desempenho foram realizados em motor de injeção indireta ASTM CFR Cetano. A análise de desempenho é realizada com o auxílio de um modelo termodinâmico simplificado, desenvolvido para controle e monitoramento. Os resultados obtidos nos testes de durabilidade e desempenho apontam para a possibilidade de utilização desse óleo vegetal como combustível para diesel-geradores e coerência com a simulação do modelo termodinâmico desenvolvido. v Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Doctor of Sciences (D.Sc.) ANALYSIS AND DIAGNOSIS OF DIESEL-GENERATORS OPERATING WITH CRUDE PALM OIL Valéria Said de Barros Pimentel June / 2002 Advisor: Carlos Rodrigues Pereira Belchior Department: Mechanical Engineering This work refers the analysis of the acting of diesel generators operating with crude palm oil. Tests of durability were accomplished in a diesel-generator of direct injection for 350 hours of test. The performance tests were accomplished in indirect injection engine ASTM CFR Cetane. The performance analysis is accomplished with the aid of a simplified thermodynamic model, developed for control and analysis. The results obtained in the durability tests and performance appear for the possibility of use of that vegetable oil as fuel for diesel-generators and coherence with the simulation of the developed thermodynamic model. vi ÍNDICE I- INTRODUÇÃO 1 II - OBJETIVOS 4 III - CONSIDERAÇÕES GERAIS 5 III.1 - FATORES MOTIVADORESDA UTILIZAÇÃO DE ÓLEO VEGETAL COMO COMBUSTÍVEL 6 III.2 - ESTADO DA ARTE DE UTILIZAÇÃO DE ÓLEOS VEGETAIS EM MOTORES DIESEL 7 III.2.1 - Estado da Arte 7 III.2.2 - Recomendações sobre Procedimentos e Modificações no Motor 14 III.3 - ESCOLHA DO ÓLEO VEGETAL 15 III.3.1 - Comparação entre as Propriedades Físico-Químicas do Óleo de Dendê e Óleo Diesel 16 IV - ANÁLISE DOS PROCESSOS 19 IV.1 - ADMISSÃO DE AR 20 IV.2 - INJEÇÃO DE COMBUSTÍVEL 21 IV.3 - COMBUSTÃO 24 IV.3.1 - Atraso de Ignição 24 IV.3.2 - Período da Combustão Descontrolada 27 IV.3.3 - Período da Combustão Controlada 28 IV.4 - EMISÕES EM MOTORES DIESEL 28 vii IV.5 - MODELO TERMODINÂMICO SIMPLIFICADO DE SIMULAÇÃO 32 IV.5.1 - Compressão 33 IV.5.2 - Atraso de Ignição 34 IV.5.3 - Combustão 34 IV.5.4 - Expansão 41 IV.5.5 - Equações Complementares 41 V- DESENVOLVIMENTO EXPERIMENTAL 44 V.1 - ENSAIO DE UM MOTOR DE INJEÇÃO DIRETA OPERANDO COM ÓLEO DE DENDÊ IN NATURA 44 V.1.1 - Bancada de Teste 44 V.1.2 - Sistema de Alimentação de Combustível 45 V.1.3 - Instrumentação 46 V.1.4 - Procedimento de Teste 47 V.1.5 - Resultado dos Testes 51 V.1.5.1 Análise dos Resultados Obtidos 51 V.1.5.2 Análise do Óleo Lubrificante 59 V.1.5.3- Análise Visual dos Depósitos de Carbono 61 V.2 - ENSAIO DE UM MOTOR ASTM CFR CETANO OPERANDO COM ÓLEO DE DENDÊ “IN NATURA” 71 V.2.1 - Bancada de Teste 71 V.2.2 - Sistema de Alimentação de Combustível 71 V.2.3 - Instrumentação 73 V.2.4 - Planejamento de Experimento 79 V.2.5 - Procedimento de Teste 81 viii V.2.6 - Descrição dos Testes 82 V.2.7 - Resultado dos Testes 84 V.2.7.1- Análise dos Resultados Obtidos 84 V.2.7.2- Correlação de Dados 106 V.2.8 - Quantitativo de Dados 112 V.2.9 - Análise da Simulação Termodinâmica 116 VI - CONCLUSÕES E SUGESTÕES 134 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 137 ANEXOS ix LISTA DE FIGURAS Figura III.1 - Percentual de oleaginosas mais estudadas mundialmente 15 Figura IV.1 – Jato de combustível 24 Figura IV.2 – Geometria do motor ASTM CFR Cetano 42 Figura V.1 - Grupo gerador e dissipador de potência 45 Figura V.2 – Variação da potência com a carga ao longo dos testes 51 Figura V.3 – Variação da pressão média indicada com a carga ao longo do teste 52 Figura V.4 - Variação da temperatura de exaustão com a carga ao longo do teste 53 Figura V.5 - Variação do consumo específico com a carga ao longo do teste 54 Figura V.6 - Variação da eficiência de térmica com a carga ao longo do teste 54 Figura V.7 – Emissão de monóxido de carbono (CO) com a carga ao longo do teste 56 Figura V.8 – Emissão de hidrocarbonetos (HC) com a carga ao longo do teste 56 Figura V.9 – Emissão de dióxido de carbono (CO2) com a carga ao longo do teste 58 Figura V.10 – Emissão de óxido de nitrogênio (NOx) com a carga ao longo do teste 58 Figura V.11 – Percentual de opacidade com a carga ao longo do teste 59 Figura V.12 – Viscosidade do óleo lubrificante em função do número de horas de 59 operação do motor Figura V.13 – Viscosidade a 100o C do óleo lubrificante em função do número de horas 60 de operação Figura V.14 – Índice de basicidade total (tbn) do óleo lubrificante em função do número 60 de hora de operação Figura V.15 – Zonas de combustão 62 Figura V.16 – Após 50 horas de amaciamento com óleo diesel 63 Figura V.17 – Após 50 horas de operação com óleo de dendê “in natura” aquecido a 63 o 50 C Figura V.18 - Após 200 horas de operação com óleo de dendê “in natura” aquecido a 64 100o C Figura V.19 - Após 350 horas de operação com óleo de dendê “in natura” aquecido a 64 o 85 C Figura V.20 – Bicos injetores após 50 horas de amaciamento com óleo diesel 66 Figura V.21 - Bicos injetores após 50 horas de funcionamento com óleo de dendê a 66 o 50 C Figura V.22 - Bicos injetores após 150 horas de funcionamento com óleo de dendê 67 x Figura V.23 - Bicos injetores após 150 horas de funcionamento com óleo de dendê a 67 85o C Figura V.24 – Câmara toroidal na cabeça do pistão – amaciamento diesel 68 Figura V.25 – Câmara toroidal na cabeça do pistão –50 horas operando com óleo de 69 o dendê a 50 C. Figura V.26 – Câmara toroidal na cabeça do pistão –150 horas operando com óleo de .69 dendê a 100o C Figura V.27 – Câmara toroidal na cabeça do pistão –150 horas operando com óleo de 70 o dendê a 85 C. Figura V.28 – Motor ASTM CFR Cetano 72 Figura V.29- Sistema de alimentação de combustível 72 Figura V.30 – Dinamômetro Land & Sea instalado no eixo do motor 73 Figura V.31 – Locais de medição de temperatura 74 Figura V.32 – Sistema de aquisição de dados de temperatura 75 Figura V.33 – Medidor de atraso de ignição e avanço de injeção 76 Figura V.34 – Sistema de medição do ângulo do eixo de manivela 77 Figura V.35 – Medidor do ângulo do eixo de manivela AVL 77 Figura V.36 – Exemplo de gráfico gerado pelo sistema AVL 78 Figura V.37 – Desenho esquemático do sistema de medição de vazão de ar 79 Figura V.38 – Potência em função do débito de combustível 85 Figura V.39 – Consumo específico em função do débito de combustível 85 Figura V.40 – Eficiência térmica em função do débito de combustível 86 Figura V.41 – Temperatura dos gases de exaustão em função do débito de 86 combustível Figura V.42 – Monóxido de carbono em função do débito de combustível 87 Figura V.43 – Dióxido de carbono em função do débito de combustível 87 Figura V.44 – Hidrocarbonetos em função do débito de combustível 88 Figura V.45 – Óxidos de nitrogênio em função do débito de combustível 88 Figura V.46 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 89 motor operando com óleo diesel e de dendê – débito 13 ml/min Figura V.47 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 89 motor operando com óleo diesel e de dendê – débito 14 ml/min Figura V.48 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 90 motor operando com óleo diesel e de dendê – débito 16 ml/min xi Figura V.49 – Potência em função da taxa de compressão 90 Figura V.50 – Consumo específico em função da taxa de compressão 91 Figura V.51 – Eficiência térmica em função da taxa de compressão 91 Figura V.52 – Temperatura dos gases de exaustão em função da taxa de compressão 92 Figura V.53 – Monóxido de carbono em função da taxa de compressão 92 Figura V.54 – Hidrocarbonetos em função da taxa de compressão 93 Figura V.55 – Dióxido de carbono em função da taxa de compressão 93 Figura V.56 – Óxidos de nitrogênio em função da taxa de compressão 94 Figura V.57 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 94 motor operando com óleo diesel e de dendê – taxa de compressão 11.91 Figura V.58 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 95 motor operando com óleo diesel e de dendê – taxa de compressão 13.89 Figura V.59 – Potência em função da temperatura do ar de admissão 95 Figura V.60 – Consumo específico em função da temperatura do ar de admissão 96 Figura V.61 – Eficiência térmica em função da temperatura do ar de admissão 97 Figura V.62 – Temperatura dos gases de exaustão em função da temperatura do ar de 97 admissão Figura V.63 – Monóxido de carbono em função da temperatura do ar de admissão 98 Figura V.64 – Dióxido de carbono em função da temperatura do ar de admissão 98 Figura V.65 – Hidrocarbonetos em função da temperatura do ar de admissão 99 Figura V.66 – Óxidos de nitrogênio em função da temperatura do ar de admissão 99 Figura V.67 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 100 motor operando com óleo diesel e de dendê – temperatura do ar de admissão 45o C Figura V.68 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 100 motor operando com óleo diesel e de dendê – temperatura do ar de admissão 30o C Figura V.69 – Potência em função do avanço de injeção 101 Figura V.70 – Consumo específico em função do avanço de injeção 101 Figura V.71 – Eficiência térmica em função do avanço de injeção 102 Figura V.72 – Temperatura dos gases de exaustão em função do avanço de injeção 102 Figura V.73 – Monóxido de carbono em função do avanço de injeção 103 Figura V.74 – Dióxido de carbono em função do avanço de injeção 103 Figura V.75 – Óxidos de nitrogênio em função do avanço de injeção 103 xii Figura V.76 – Hidrocarbonetos em função do avanço de injeção 104 Figura V.77 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 104 motor operando com óleo diesel e de dendê - avanço de injeção 15 graus Figura V.78 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o 105 motor operando com óleo diesel e de dendê – avanço de injeção 11 graus Figura V.79 – Correlação da potência com a vazão de combustível (diesel) 107 Figura V.80– Correlação da potência com a vazão de combustível (dendê) 107 Figura V.81 – Correlação da potência com a taxa de compressão (diesel) 108 Figura V.82 – Correlação da potência com a taxa de compressão (dendê) 108 Figura V.83 – Correlação da potência com a temperatura do ar de admissão (diesel) 109 Figura V.84 – Correlação da potência com a temperatura do ar de admissão (dendê) 109 Figura V.85 – Correlação da potência com o avanço de injeção (diesel) 110 Figura V.86 – Correlação da potência com o avanço de injeção (dendê) 110 Figura V.87 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - débito de combustível 13 120 ml/min – diesel Figura V.88 - Evolução da pressão no cilindro – débito de combustível 13 ml/min - 120 diesel Figura V.89 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - débito de combustível 13 120 ml/min – dendê Figura V.90 - Evolução da pressão no cilindro – débito de combustível 13 ml/min - 120 dendê Figura V.91 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - débito de combustível 14 121 ml/min – diesel Figura V.92 - Evolução da pressão no cilindro – débito de combustível 14 ml/min - 121 diesel Figura V.93 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - débito de combustível 14 121 ml/min – dendê Figura V.94 - Evolução da pressão no cilindro – débito de combustível 14 ml/min – 121 dendê Figura V.95 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - débito de combustível 16 122 ml/min – diesel Figura V.96 - Evolução da pressão no cilindro – débito de combustível 16 ml/min - 122 diesel xiii Figura V.97 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - débito de combustível 16 122 ml/min – dendê Figura V.98 - Evolução da pressão no cilindro – débito de combustível 16 ml/min - 122 dendê Figura V.99 – Curva ajustada da razão de liberação de calor – taxa de compressão 123 11.91 – diesel Figura V.100 - Evolução da pressão no cilindro – taxa de compressão 11.91 - diesel Figura V.101 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - taxa de compressão 123 123 11.91 – dendê Figura V.102 - Evolução da pressão no cilindro – taxa de compressão 11.91 - dendê Figura V.103 – Curva ajustada da razão de liberação de calor – taxa de compressão 123 124 13.89 – diesel Figura V.104 - Evolução da pressão no cilindro – taxa de compressão 13.89 - diesel Figura V.105 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - taxa de compressão 124 124 13.89 – dendê Figura V.106 - Evolução da pressão no cilindro – taxa de compressão 13.89 - dendê Figura V.107 – Curva ajustada da razão de liberação de calor – temperatura do ar de 124 125 admissão 30o C – diesel Figura V.108 - Evolução da pressão no cilindro – temperatura do ar de admissão 30o C 125 - diesel Figura V.109 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - temperatura do ar de 125 admissão 30o C – dendê Figura V.110 - Evolução da pressão no cilindro – temperatura do ar de admissão 30o C 125 - dendê Figura V.111 – Curva ajustada da razão de liberação de calor – temperatura do ar de 126 admissão 45o C – diesel Figura V.112 - Evolução da pressão no cilindro – temperatura do ar de admissão 45o C 126 - diesel Figura V.113 – Curva ajustada da razão de liberação de calor - temperatura do ar de 126 admissão 45o C– dendê Figura V.114 - Evolução da pressão no cilindro – temperatura do ar de admissão 45o C 126 – dendê Figura V.115 – Curva ajustada da razão de liberação de calor – avanço de injeção 11 127 graus – diesel Xiv Figura V.116 – Evolução da pressão no cilindro – avanço de injeção 11 graus - diesel 127 Figura V.117 – Curva ajustada da razão de liberação de calor avanço de injeção 11 127 graus – dendê Figura V.118 - Evolução da pressão no cilindro – avanço de injeção 11 graus - dendê Figura V.119 – Curva ajustada da razão de liberação de calor – avanço de injeção 15 127 128 graus – diesel Figura V.120 - Evolução da pressão no cilindro – avanço de injeção 15 graus - diesel 128 Figura V.121 – Curva ajustada da razão de liberação de calor avanço de injeção 15 128 graus – dendê Figura V.122 - Evolução da pressão no cilindro – avanço de injeção 15 graus - dendê xv 128 LISTA DE TABELAS Tabela III.1 - Propriedades do óleo de dendê em relação ao óleo diesel 17 Tabela III.2 - Características do óleo de dendê utilizado na pesquisa 18 Tabela V.1 - Somatório das faixas de operação planejadas 113 Tabela V.2 - Análise de variância para planejamento do experimento 114 Tabela V.3 - Verificação do tamanho da amostra 114 Tabela V.4 - Risco de erro 115 Tabela V.5 - Dados de entrada do programa simulador 117 Tabela V.6 - Dados experimentais e simulados com o motor operando com óleo 129 diesel Tabela V.7- Dados experimentais e simulados com o motor operando com óleo de dendê xvi 131 LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS Letras Latinas: BM relação biela/manivela ni calor específico a pressão constante cV calor específico a volume constante Cd coeficiente de descarga CN número de cetano D d diâmetro diâmetro Ea energia de ativação aparente h entalpia por unidade de massa kr coeficiente politrópico L comprimento l deslocamento do pistão m massa m fator de formada função de Wiebe m& N fluxo de massa por unidade de tempo nr número de rotações do eixo n número de orifícios ni número de injeções P potência p pressão Q calor velocidade angular QLHV poder calorífico inferior QCH energia química do combustível QhT energia de transferência de calor Qf volume de combustível R constante de um gás ideal xvii Re número de Reynolds rc taxa de compressão sp velocidade media do pistão SS somatório da variância T T t temperatura tempo tanh tangente hiperbólica U u V V energia interna torque energia interna por unidade de massa velocidade volume Vd volume deslocado Vc volume da câmara de combustão V pc volume da pré-câmara W& trabalho por unidade de tempo z número de cilindro Letras Gregas: α ângulo do jato de combustível β coeficiente experimental ρ densidade µ viscosidade dinâmica ν π θ viscosidade cinemática 3,14159….(constante) ângulo do eixo de manivela η eficiência τ atraso de ignição λ razão ar/combustível χ fração de combustível queimada xviii Subscritos: a ar a quantidade de elemento na composição química do combustível b c quantidade de elemento na composição química do combustível cil cilindro cilindro comb combustível cont combustão controlada desc f combustão descontrolada inj injeção inter interação s estequiométrica combustível xix 1 I - INTRODUÇÃO Estudos para utilização do óleo vegetal como combustível em motores diesel tiveram início no começo do século XX. O Próprio Rudolf Diesel defendeu a viabilidade técnica de uso de óleo vegetais nos motores de ignição por compressão e a possibilidade deste uso vir a contribuir para o desenvolvimento da agricultura dos lugares onde existam condições para tal [1]. Entretanto, com descoberta de recursos fósseis, considerados infinitos, e o desenvolvimento da indústria petroquímica tornando-os baratos, as pesquisas não foram adiante. Somente com a crise do petróleo, na década de 70, foi que começou em todo o mundo, o interesse de tornar o óleo vegetal um possível substituto para o óleo diesel. No Brasil, através do Proóleo (Programa Nacional de Óleos Vegetais para Fins Energéticos), também se iniciaram estudos para desenvolver combustíveis de óleos vegetais. A estrutura canavieira garantiu o Proálcool (Programa Nacional de Álcool), mas o desenvolvimento de outros combustíveis não teve a mesma sorte [2], apesar de todos os fatores agroclimáticos. Passada a crise de abastecimento, absorvidos os aumentos nos preços do barril de petróleo, o Proóleo foi sendo esquecido. Até meados dos anos 80 as pesquisas sobre a utilização de óleos vegetais em motores diesel apontavam para dois caminhos: 1. a utilização de óleo vegetal “in natura” puro ou com misturas com diesel, e; 2. a utilização de óleo vegetal processado - transesterificado - o biodiesel. Pesquisas sobre a utilização do óleo vegetal “in natura” ou em misturas com o diesel em motores diesel demonstravam ser necessárias, pelas características físico-químicas dos óleos vegetais, modificações no projeto dos motores diesel [3 a 7]. Como as pesquisas se concentraram em encontrar um possível substituto para o óleo diesel para uso automotivo, as modificações afetariam todo o parque industrial de motores tornando difícil e economicamente inviável. Dessa forma, era mais conveniente adequar o óleo vegetal ao motor do que adequar o motor ao óleo vegetal. A alternativa mais vantajosa foi investir em pesquisas que privilegiassem a adequação do óleo vegetal ao motor, como é o caso dos óleos transterificados e craqueados, o biodiesel [8 a 15]. 2 A Comunidade Econômica Européia investiu, com sucesso, na pesquisa de combustíveis alternativos vegetais, entre eles o biodiesel de óleo de colza. Na Malásia e EUA foram realizados experimentos bem sucedidos com palma e soja, respectivamente. Na Alemanha, mais de quinhentos postos urbanos de combustíveis já oferecem o biodiesel [16]. O biodiesel tem ainda a seu favor, o tamanho da molécula muito próxima ao do diesel, já o óleo vegetal “in natura” tem sua molécula 3 vezes maior, dificultando a quebra das ligações químicas no processo de combustão, resultando em combustão incompleta. Resultados de ensaios [10, 12, 14, 15] mostram que os ésteres de óleos vegetais apresentam melhor comportamento em relação à combustão, isto porque as moléculas possuem menor número de carbono do que as moléculas dos óleos “in natura”, o que lhes confere propriedades parecidas com as do óleo diesel. No entanto, estes ésteres ainda apresentam o inconveniente de formar lacas e resíduos carbonosos que podem obstruir orifícios de injeção e deteriorar o óleo lubrificante, ainda que, com efeito menos acentuado que o verificado com os vegetais. Os óleos vegetais “in natura” provocam, além dos efeitos negativos já citados, a formação de depósitos nas válvulas de descarga e nas canaletas dos anéis de compressão, possibilitando travamento [17 a 24]. Por esses motivos, nos últimos 15 anos, as pesquisas se encaminharam mais fortemente para o uso do biodiesel e as pesquisas para a utilização de óleo vegetal foram pouco desenvolvidas. Entretanto, existem situações onde a utilização do biodiesel torna-se inviável, pois, o processo de obtenção do mesmo, a transterificação, exige uma infraestrutura tecnológica. É o caso de comunidades isoladas, como as do norte do país, onde grandes usinas hidrelétricas e instalação de linhas de transmissão são impraticáveis. A eletrificação dessas comunidades é feita através da utilização de diesel-geradores. Porém, devido aos altos custos de derivados do petróleo e do seu transporte, o custo da energia elétrica torna-se proibitivo, prejudicando o desenvolvimento da região devido à falta de energia elétrica contínua e confiável. Justifica-se então um estudo para a utilização do óleo vegetal “in natura” como combustível, já que a extração do mesmo é dominada pelos moradores dessas regiões, não necessitando de uma estrutura tecnológica de alto grau de complexidade. Além disso, o Brasil dispõe de uma enorme diversidade de plantas oleaginosas nativas e de condições climáticas favoráveis para se tornar um grande produtor de combustíveis à base de óleos vegetais. 3 A maior motivação no passado foi à vulnerabilidade do suprimento seguro dos combustíveis líquidos no setor de transporte. Hoje, o óleo vegetal como combustível tornou-se o líder do todos os projetos não alimentícios [1] utilizando o solo para a produção de energia. Das vantagens ambientais no uso energético de óleos vegetais em motores, destacam-se a baixa emissão de SO2 (responsável pela chuva ácida) e a recuperação de áreas degradadas pela implantação de florestas de oleaginosas e o balanço de carbono emitido que provoca o efeito estufa. Hoje, entretanto, aspectos ambientais sobre a produção local, aliados à necessidade de eletrificação de comunidades isoladas, bem como a geração de empregos, permitindo a fixação do homem no campo, tornam-se os principais fatores. 4 II - OBJETIVO O objetivo desta pesquisa é o estudo teórico e experimental do desempenho, emissões e problemas operacionais de motores diesel estacionários (dieselgeradores) utilizando óleo de dendê “in natura” como combustível, comparando com os resultados apresentados pelo motor funcionando com óleo diesel quando novo. Pretende-se ainda verificar: • os depósitos provenientes da combustão; • o efeito da alteração de algumas variáveis sobre as emissões e desempenho do motor: a) taxa de compressão; b) débito de combustível; c) avanço de injeção; d) temperatura do ar de admissão Com esta finalidade foram realizados: • análise teórica sobre a influência das propriedades físico-químicas do combustível, na combustão, na emissão de gases de descarga e particulados e no desempenho do motor; • ensaio com 350 horas de duração em um diesel gerador de injeção direta; • ensaios de desempenho em um motor CFR Cetano de injeção indireta. Nesses ensaios foram alteradas as variáveis dos itens a) a d) acima citados. Estudos feitos [3 a 24] no passado, sobre os problemas encontrados no desempenho de motores diesel utilizando outros óleos vegetais como combustíveis, nortearam a realização de modificações nos sistemas de partida e parada, alimentação de combustível, de forma a se otimizar do desempenho dos mesmos. 5 III – CONSIDERAÇÕES GERAIS O aproveitamento energético de óleos vegetais foi discutido na década de 80, em duas concepções distintas. De um lado entendia-se o óleo vegetal como uma alternativa cuja utilização exigiria modificações nos motores diesel convencionais, enquanto por outro lado constituiria, tão somente, promissora matéria-prima a ser, necessariamente, transformada em um combustível tecnicamente equivalente ao óleo diesel. A considerável evolução pela qual passou o motor diesel, bem como, a otimização conhecida pelas técnicas de refino do petróleo, então abundante e barato, contribuíram em grande parte para que os óleos vegetais não encontrassem aproveitamento contínuo no campo prático. O confronto de características físico-químicas do óleo vegetal com o óleo diesel, antecipa a ocorrência de problemas operacionais para uma eventual utilização prolongada. Tal previsão é corroborada quando se procede a uma revisão da literatura disponível [3, 7] sobre pesquisas esporádicas de óleos vegetais “in natura”. Os resultados dessas pesquisas fazem menção à ocorrência de acentuada formação de depósitos em bicos injetores, paredes de cilindros, cabeças de pistão, câmara de combustão e válvulas de escapamento dos motores, que nada mais representam do que uma conseqüência da alta viscosidade e da quase ausência de volatilidade desses óleos nas temperaturas normais de trabalho dos motores. Isso induz a pensar que a introdução de pequenas interferências no óleo vegetal “in natura” , como aquecimento do mesmo para diminuição da viscosidade, bem como algumas modificações construtivas em motores comerciais ciclo Diesel, como aumento da taxa de compressão, aumento do débito da bomba injetora, mudança na temperatura do ar de admissão e alteração no avanço de injeção, podem resultar em um melhor desempenho do motor operando com óleo vegetal. A possível aplicabilidade da alternativa “óleo vegetal“ ao desenvolvido equipamento consumidor de óleo diesel, o motor de ciclo Diesel, aliado ao conjunto de vantagens relativas à utilização de um sistema energético baseado em produtos com características renováveis reforçam a necessidade de investigar-se, mais profundamente o desempenho deste motor utilizando óleo vegetal (óleo de dendê “in natura”) como combustível. 6 A escolha do óleo de dendê foi condicionada pelas características físico-químicas do óleo, além da importância decisiva que o grande potencial produtivo e os baixos custos de produção esperados para esta cultura no Brasil podem desempenhar. III.1 - FATORES MOTIVADORES PARA UTILIZAÇÃO DO ÓLEO VEGETAL COMO COMBUSTÍVEL A maior motivação no passado foi à vulnerabilidade de fornecimento seguro de combustíveis líquidos para o setor de transportes, como vivido em todo o mundo pela a crise de fornecimento e de combustíveis na crise do petróleo e nos anos 70 e na guerra do golfo. Hoje, a questão ambiental sobre a poluição, em todo o mundo, tem se tornado a grande motivação para a utilização desse combustível, além da possibilidade de contribuir para o desenvolvimento de regiões remotas, para a diminuição de níveis de desemprego, criando postos de trabalhos através da produção local de combustível líquido, fixando o homem no campo. Principais fatores motivadores: 1. Energia renovável: principal motivo da maioria dos produtores, especialmente quando se torna óbvio que os recursos fósseis são finitos. 2. Benefícios ambientais: são grandes os benefícios ambientais (menor efeito estufa, menor poluição local do ar, menor contaminação da água e do solo e menor riscos para saúde) [16]. 3. Eletrificação de locais de difícil acesso. 4. Utilização de sobras da agricultura: utilização da terra também para propostas não alimentícias. 5. Interesse científico: Novo campo de pesquisa e desenvolvimento com energia renovável. 6. Criação de novos empregos 7. Redução da dependência de importação 8. Oportunidades comerciais 9. Aumentar a oferta de tipos de combustíveis, diversificando as fontes. 7 III. 2 - ESTADO DA ARTE DE UTILIZAÇÃO DE ÓLEOS VEGETAIS EM MOTORES DIESEL Estudos sobre a utilização de óleos vegetais como combustível para motores diesel, remontam desde o início de século com o próprio Rudolf Diesel projetou em 1896 seu primeiro motor, com eficiência de 26%, e testou-o com petróleo e álcool e em 1900, com óleos vegetais. As pesquisas utilizando diferentes tipos de óleos vegetais tais como, amendoim, soja, colza, linhaça, mamona, babaçu, algodão e dendê, entre outros demonstraram ser possível a sua utilização devido algumas características físicoquímicas serem próximas as do diesel, como o número de cetano e poder calorífico [6, 7, 17, 23, 25, 26]. Além disso, os óleos vegetais possuem como vantagem a ausência de enxofre, não gerando em sua combustão óxidos de enxofre responsáveis pela chuva ácida. Entretanto, a presença de oxigênio na estrutura molecular (na glicerina, inexistente nos óleos minerais) dos óleos vegetais, faz com que no processo de combustão do motor diesel, estas não se queimem integralmente, acumulando-se na câmara. Além disso, a alta viscosidade e densidade, prejudicam: a injeção do combustível e atomização do mesmo e, conseqüentemente uma completa combustão. III. 2.1 – Estado da Arte Mathot, em 1920, [27] foi um dos primeiros a reconhecer algumas dificuldades decorrentes do emprego de óleos vegetais em motores diesel devido ao acúmulo de depósitos de carbono e resíduos gordurosos decorrentes da combustão desses óleos. Entre 1933 e 1934, Schmidt [28] testando óleo vegetal em um motor de baixa potência e rotação verificou algumas dificuldades na partida e com a alta viscosidade, que provocou conseqüentemente, deficiência na atomização do combustível, constatando a necessidade de pré-aquecimento do combustível e alterações na bomba injetora respectivamente. Pochon, em 1934, [29] testando óleos não refinados, concluiu não haver necessidade de alterações no motor nem óleo especial para partida. Manzella, em 1935, [30] além de não encontrar dificuldades de funcionamento, utilizando óleo de amendoim em motores diesel, constatou que 8 quando o motor funcionava a cargas reduzidas apresentava baixo consumo e maior eficiência que com o óleo mineral. Entretanto, constatou que em carga normal o consumo é mais alto que com o óleo mineral, além de atuar mais lentamente e em conseqüência desenvolver menor pressão máxima. Realizando ensaios com óleo de amendoim em motor de alta compressão e velocidade, Tatti e Sertori, em 1937, [31] concluíram que o ponto de fulgor é mais elevado que o óleo mineral, sendo assim, inaplicável sem o pré-aquecimento. Lamb, em 1939, [32] foi contra o uso de óleos vegetais como combustíveis, devido a problemas de oxidação formando compostos resinosos que impediam o bom funcionamento das válvulas e das molas de segmento do motor, além da presença de oxigênio combinado, diminuindo o poder calorífico. Judge, em 1941, [33] defendeu o emprego de óleos vegetais nos motores diesel, e dos óleos de amendoim, algodão, soja, e palma. Constatou que a perda de eficiência era de 12 a 15 % e que o óleo de palma era eficaz em motores Perkins, apresentando uma exaustão sem fumaça. Fez ensaios com motor Gardner de 100 HP em um caminhão de 10 ton e percurso de 3 mil milhas, concluindo que era necessário pré-aquecer o óleo vegetal e utilizar óleo diesel comum para dar partida no motor. Observou, por fim que o consumo foi aproximadamente 10% superior ao do óleo mineral. Após testes comparando óleos vegetais a óleos minerais, Hamabe e Nagao, em 1941, [34] concluíram que a potência e a eficiência térmica eram quase iguais. O consumo de combustível era maior e a partida, mais difícil. Tais testes foram feitos em motor diesel monocilíndrico de 10 a 12 HP, 500 rpm, cilindro de 150 mm de diâmetro e 240 de curso, utilizando óleo de soja como combustível. Este óleo foi preaquecido a 70o C através de sua serpentina intercalada na água de refrigeração. Em 1942, vinte e quatro óleos vegetais nativos da Índia foram ensaiados por Aggarwal et al [35]. Eles observaram então, os seguintes problemas: maior atraso de ignição com óleo de amendoim do que com óleo diesel (o óleo de soja apresentou um atraso menor), e exaustão incolor em todos os óleos, com exceção da mamona, que apresentou combustão incompleta. Não obstante isso, eles julgaram que isso não justifica a rejeição dos óleos vegetais como combustíveis. Concluíram, então, que seria possível alimentar o motor diesel com óleo vegetal, com eficiência talvez igual ou superior à do óleo mineral, bastando que para isso se adaptasse o motor ao modo específico de combustão dos óleos vegetais. 9 Em 1943, o Serviço da Produção Industrial da Coordenação de Mobilização Econômica encarregou, em São Paulo, uma Comissão Técnica de estudar o aproveitamento dos óleos vegetais como combustíveis [36]. Testes foram feitos com óleo de algodão em motor Hércules instalado num caminhão que percorreu 1200 km. Observou-se que o óleo havia deixado uma camada fina de goma nas paredes da câmara de combustão, enquanto nas paredes dos pistões e cilindros produzia uma fina camada de fuligem. Uma Segunda experiência foi feita num motor Perkins de 4 cilindros, 100 mm de diâmetro e preaquecimento de 60o a 160o C do combustível. Observou-se que a potência do motor aumentava com maior aquecimento do óleo. Adaptaram os injetores ao óleo de algodão, colocando o motor num caminhão que percorreu 3000 km. Após desmontagem do motor não se notou a presença de gomas, e as válvulas e mancais achavam-se em ótimo estado. O óleo lubrificante do carter, entretanto, ao ser analisado, acusou um teor de 8% de óleo vegetal. Concluindo, a comissão opinou que, em motores de alta rotação e pequeno diâmetro de cilindros, o óleo vegetal deveria ser pré-aquecido, a fim de alcançar a viscosidade para qual são previstos os atomizadores, enquanto que a pressão de injeção deveria ser mantida igual ou superior à estabelecida, para o uso do óleo diesel. As partidas e paradas do motor deveriam ser dadas com óleo mineral. No boletim do Instituto de Óleos em 1944 [37], Rodolpho Otto sugeriu a utilização de óleos vegetais como combustíveis e relatou trabalhos efetuados com o DNER em 1943. Gualter Pacheco Borges em 1944 [38] relatou ao terceiro Congresso da Associação Química do Brasil, um trabalho feito nos laboratórios do Ministério da Marinha sobre o aproveitamento de óleos brasileiros como combustíveis, concluindo ser um possível substituto para o óleo diesel. Mensier, em 1952, [39] Baker e Sweigert, em 1955, [40] fizeram referências ao emprego de óleos vegetais diretamente em motores de injeção, assinalando as vantagens do óleo de amendoim. No final da década de 1940, o I.R.H.O. [41] relatou trabalhos feitos com óleo de (pinhão manso) em motor diesel, sem tratamento prévio. Os resultados foram satisfatórios. Menseir, em 1952, [42] estudou exatamente as condições técnicas do emprego dos óleos vegetais como combustíveis, quer diretamente nos motores, quer através de tratamentos especiais para obtenção de produtos comparáveis aos 10 provenientes do petróleo. Ainda na mesma década, o “Jornal de La S.I.A.” (1955) abordou a utilização de óleo de pourghère em motores diesel, chegando a resultados favoráveis para óleos vegetais. Trabalhos mais recentes, já na década de 80, também registram as dificuldades de utilização de óleos vegetais em motores diesel automotivos. Entretanto, o enfoque já era direcionado para utilizações de emergências, sem uso continuado. Segundo Sá Filho et al, as principais diferenças nas propriedades dos óleos vegetais em relação ao diesel são [43]: • maior viscosidade, o que acarreta problemas no escoamento do combustível pelas tubulações em caso de temperaturas baixas; • mais alto ponto de névoa, sendo problemático nas regiões frias; • alto resíduo de carbono que indica uma maior formação de depósitos de carbono nos pistões, anéis, válvulas e bicos injetores, tornando necessária uma manutenção mais freqüente; • menor índice de cetano; Pesquisa realizada na Austrália por Quick em 1981 [17] chegaram aos seguintes resultados: • o problema da polimerização nos bicos foi atribuído a alta viscosidade dos óleos vegetais; • os filtros de combustível devem ser menores que 4 microns, pois os óleos vegetais possuem muitas fibras; • os depósitos ocorrem mesmo utilizando óleos puros refinados; Na Universidade de Dakota do Norte, nos EUA, em 1981, foram realizados testes com óleo diesel, misturas com óleo vegetal e diesel, e óleo vegetal “in natura” e ésteres sem aquecimento de combustível. Os testes com as misturas de 50/50 de óleo diesel e de óleo de girassol, tiveram os seguintes problemas [18]: − necessidade de troca de filtro de combustível diariamente − vida útil dos bicos injetores era de 100 horas − após 500 horas ocorreu aprisionamento de anéis − e depósitos nas válvulas de admissão Testes realizados na Mercedes Benz do Brasil [19] com óleo vegetal in natura em motores de injeção direta, sem aquecimento de combustível, revelaram: 11 − ser altamente sensível a depósitos na câmara de combustão, causados pela combustão incompleta; − a alta viscosidade provoca entupimento nos filtros; − os depósitos na câmara afetam a performance do motor depois de 25 horas, utilizando misturas de diesel/soja; Pelos motivos citados acima foi recomendado ser definitivamente descartado a utilização de óleos vegetais “in natura”, mesmo em situações de emergência, puros ou misturados com diesel [19]. A Saab-Scania do Brasil, em suas pesquisas nessa área afirmou que [20], o substituto teórico ideal para o diesel deveria ser um produto que mantenha as propriedades de auto-ignição quando posto em determinadas condições de ar, temperatura e pressão, dotados com capacidade de lubrificação e produzindo redução da poluição e fumaça negra quando em operação. O óleo extraído das plantas contém hidrocarbonetos com uma configuração molecular diferente da do diesel, mesmo que muito próximos aos hidrocarbonetos mais encontrados no petróleo médio e pesado. Mesmo que o motor possa operar por algum tempo, uma parte do material contida nos óleos não faz parte da combustão, formando vários depósitos, principalmente carbono e graxas, até alguns materiais polimerizados dentro da câmara de combustão. Utilizando-se misturas de óleo diesel esses problemas acontecem em menores porcentagens, interferindo na operação do motor. Os efeitos mais evidentes de acumulação de resíduos dentro do motor são [20]: − a queda de potência; − aumento gradual de consumo de combustível; − entupimento parcial ou total dos bicos; − travamento de anéis de segmento; − desgaste anormal causado pelo ataque de certos compostos do óleo vegetal nas partes internas do motor; − parada do motor. Segundo Aguiar, os inconvenientes para o usuário são sérios o suficiente para tornar inviável o uso do óleo vegetal “in natura”, puro ou mesmo em mistura com o diesel. Pesquisas realizadas por Hugo em 1981 [21], com ésteres dos óleos vegetais chegaram as conclusões: 12 • os ésteres dos óleos vegetais têm ótima combustão; • em ésteres quase puros o atraso de ignição é menor que o diesel; • os ésteres puros produzem menos fumaça negra, e tem melhor eficiência térmica em qualquer condição de carga; • os depósitos nos bicos injetores são o grande problema principalmente em motores de injeção direta. A Mercedes Benz do Brasil [19] realizarou testes com motores de injeção direta, que revelaram ter: − bom desempenho do motor; − contaminação do óleo lubrificante. Em 1982, no Instituto Nacional de Tecnologia [44], foi realizada uma série de ensaios com motor de 18 HP e 900 rpm, nos quais se empregaram os óleos de algodão, babaçu, mamona e álcool. As conclusões foram favoráveis ao uso de tais óleos em motores diesel. Testes com motores de injeção direta no Centro de Pesquisas da Petrobrás Cenpes utilizando ésteres de óleos vegetais nesses motores [22] revelaram, as seguintes características: − dirigibilidade: compatível com os veículos movidos a diesel − desempenho: houve perda de potência, resolvida com a troca dos bicos. − consumo: compatível com os veículos movidos a diesel − manutenção: substituição dos bicos antes do período normal − lubrificante: mantiveram suas características de proteção do motor. Blumberg e Ford, em 1982, [45] fizeram teste de desempenho de curta e longa duração e testes de emissões usando oito tipos de misturas com óleo de algodão. Eles concluíram que os teste de curta duração obtiveram resultados melhores do que os de longa duração devido aos depósitos de carbono, cinzas e desgaste na câmara de combustão. Em 1985 Ziejewski et al [46] realizaram teste de longa duração utilizando misturas de óleos vegetais com diesel e obtiveram problemas de depósitos excessivos na bomba e bicos injetores. Em 1986, Kumar et al [47], propôs uma modelagem para a combustão de motores diesel utilizando óleo vegetal, no intuito de descrever e prever as interferências do mesmo no processo de combustão. O modelo proposto foi testado experimentalmente por ele, utilizando como combustível os óleos de girassol e 13 colza, mostrando a influência da qualidade do combustível e a necessidade de alterações no projeto do sistema de injeção e combustão. Em 1988 Schinstock et al [48] realizaram testes de desempenho de 200 horas usando misturas de óleo de soja e girassol com diesel, concluindo que o torque do motor operando com misturas de óleo vegetal e diesel é maior do que operando somente com diesel. Em 1991 Hermerlem et al [49] testaram óleo de colza em motores diesel e concluíram que o torque e a potência foram maiores e as emissões de NOx obtiveram níveis melhores do que com o motor operando com diesel. Entretanto, os níveis de HC e CO foram piores. Em 1996 Nwafor et al [50] testaram misturas de óleos vegetais com óleo diesel e concluíram que a utilização de óleo vegetal em mistura com o diesel não é segura para motores diesel de injeção direta. Os testes com as misturas de óleo vegetal e diesel mostraram aumento da eficiência térmica, redução da potência e redução da viscosidade do óleo lubrificante. Wibulswas et al, em 1999, [51] testaram misturas de óleo de dendê, soja e arroz com óleo diesel e recomendaram misturas com 5% a 10% de óleo vegetal para evitar o aumento de emissões de CO. Karaosmanoglu et al no ano de 2000 [52] realizaram testes de longa duração em motores diesel com óleo de girassol observando-se um bom desempenho do mesmo. No mesmo ano, Nwafor et al [53] estudaram o efeito do avanço da injeção no desempenho do motor diesel, quando operado com óleo de colza. Observaram que alterando o avanço de injeção em até 3.5o do ângulo do eixo de manivela melhorase o desempenho do motor. No ano seguinte Altim et al [54] investigaram o desempenho e emissões do motor diesel utilizando óleo cru de girassol, algodão e colza onde foram observados problemas de atomização e aumento de emissões de particulado. 14 III.2.2 – Recomendações sobre Procedimentos e Modificações no Motor Após analisar essa bibliografia, observa-se que não há um consenso sobre o assunto. Há uma variedade de conclusões emitidas por pesquisadores das mais diversas nacionalidades, chegando-se mesmo a conclusões contraditórias. Essa aparente contradição pode ser explicada pelos diferentes estágios de evolução dos motores diesel ao longo dos anos e pela diversidade dos combustíveis utilizados. Os resultados encontrados na literatura confirmam a possibilidade técnica da utilização dos óleos vegetais como combustível em motores diesel. No entanto, são necessários alguns procedimentos que assegurem o desempenho adequado do motor, devido as diferentes características dos óleos vegetais e tipo de utilização do motor (automotivo ou estacionário). Embora os motores diesel automotivos sejam bastante semelhantes aos utilizados para a geração de eletricidade, as condições de operação são bastante diversas. Os motores estacionários funcionam em rotações fixas, ao contrário dos automotivos que apresentam uma faixa de rotação bem ampla. Nas rotações elevadas a queima de combustível é mais eficiente e o problema é minimizado. Dentro desta perspectiva é possível supor que a utilização de óleos vegetais “in natura” em motores diesel estacionários de injeção direta pode ser feita, desde que se tomem algumas precauções nos regimes de baixa carga (partida e parada). As recomendações feitas por Sá Filho [43] para minimizar os problemas resultantes do emprego dos óleos vegetais em motores diesel perecem ser bastante oportunas para viabilizar a utilização de óleos vegetais “in natura” em motores estacionários: • equipar o motor com um trocador de calor para pré-aquecer o óleo antes da entrada dos injetores; • usar óleo diesel para dar partida e aquecimento, a fim de diminuir as dificuldades do injetor; • escolher filtros de combustível apropriados para remoção das fibras vegetais no óleo; 15 III. 3 - ESCOLHA DO ÓLEO VEGETAL A produção e utilização de óleos vegetais como combustível para motores diesel, exige um estudo para a escolha da oleaginosa. Esta deve apresentar um bom potencial nativo da sua cultura, além de características físico-químicas próximas a do diesel, proporcionando bom desempenho ao motor. Na Europa e nos EUA, o óleo de colza foi a matéria prima escolhida no início das pesquisas e é até hoje o líder com mais de 80% das matérias primas utilizadas [14]. O óleo de girassol vem em segundo lugar com 10% seguido do óleo de soja, principalmente nos EUA. Os outros óleos são o dendê, linhaça, e óleos de frituras [1]. Matérias Primas dendê 1% girassol 13% soja 1% outros 1% colza 84% Figura III.1 Percentual de Oleaginosas Mais Estudadas Mundialmente No Brasil, as oleaginosas mais estudadas para substituição do diesel foram a soja, o amendoim, a mamona, o babaçu e o dendê. A soja é uma das principais oleaginosas cultivadas no Brasil, sendo por isso, muito estudada [55]. Entretanto, para a implantação de um programa de geração de eletricidade a partir de óleos vegetais, deve se ter em mente o caráter regional, pelas características específicas das culturas das oleaginosas, fazendo um zoneamento ecológico de culturas e levantamento do potencial nativo das culturas perenes. Em alguns casos, seria conveniente basear a produção do óleo a partir do extrativismo [1]. 16 O dendê, única cultura perene do grupo apresenta alta produtividade por área cultivada e ampla possibilidade de cultura em grande escala, principalmente na Amazônia. Além disso, apresenta calor específico próximo ao do diesel, além de apresentar um dos mais altos números de cetano das oleaginosas [56, 57, 58]. Deve-se ressaltar que este estudo torna-se interessante, já que as propriedades físicas do óleo de dendê são vantajosas para a aplicação do mesmo em motores diesel. Além de que o Brasil dispõe de condições climáticas favoráveis para se tornar um grande produtor de dendê e conseqüentemente produzir combustíveis à base deste fruto. Apesar de alguns países, como a Malásia, já terem avançado muito no estudo desse óleo em motores diesel, não ficou constatado, após uma pesquisa bibliográfica extensa, a existência de projetos semelhantes em universidades ou centros de pesquisa, que estejam trabalhando com o óleo vegetal “in natura” puro em diesel geradores, onde fosse estudado, o efeito da variação da taxa de compressão, avanço de injeção de combustível, débito de combustível e temperatura do ar de admissão, nas emissões de poluentes e desempenho do motor. III. 3.1 - Comparação entre as Propriedades Físico-Químicas do Óleo de Dendê e Óleo Diesel Para que um combustível a base de óleo vegetal possa ser utilizado como combustível em motores diesel é necessário que o mesmo tenha algumas características físico-químicas similares ao do diesel. O óleo de dendê apresenta calor específico próximo ao do diesel, além de apresentar um dos mais altos números de cetano das oleaginosas. Entretanto, este óleo apresenta densidade e viscosidade maiores que a do óleo diesel. Na tabela III.1 estão relacionadas algumas propriedades físico-químicas do óleo de dendê “in natura” e do diesel. Na tabela III.2 são apresentadas as características físico-químicas do óleo de dendê “in natura” que foi utilizado na pesquisa e analisado pelo CENPES-Petrobrás. 17 Tabela III. 1- Propriedades do Óleo de Dendê em Relação ao Óleo Diesel Características Óleo de Dendê Óleo Diesel poder calorífico superior (kcal/kg) 9723 10860 poder calorífico inferior (kcal/kg) 9104 10150 densidade relativa 15/4 OC 0.915 0.832 índice de cetano calculado 42 45 min 39.6 a 43.13 1.6 a 6.0 resíduo de carbono (% peso) 0.25 0.3 ponto de fulgor (oC) >260 # ponto de fluidez (oC) 8 (-3.3) (-6.1) ponto de névoa (oC) 19/9 19/9 enxofre em peso 0.05 1.30 máx cinzas (% peso) <0.01 0.02 máx viscosidade cinemática a 37,8 oC (Cst) Fonte: CAEEB E CENPES 18 Tabela III.2 - Características do Óleo de Dendê Utilizado na Pesquisa Características Método Resultados água e sedimentos, % volume ASTM D 1796 zero densidade relativa por densímetro digital a 20/4 oC ASTM D 4052 0.9102 Enxofre mg/kg ASTM D 2622 <5 UOP 565 15 poder calorífico superior , kcal/kg ASTM D 4809 9332.45 poder calorífico inferior , kcal/kg ASTM D 4809 8733.98 o índice de acidez ponto de fulgor C ASTM D 93 >344 o ASTM D 97 6.0 o ponto de névoa C ASTM D 2500 14.0 resíduo de carbono Rambostton, % massa ASTM D 524 0.2 teor de cinzas, % massa ASTM D 482 0.003 viscosidade a 20 oC ASTM D 445 88.77 viscosidade a 40 oC ASTM D 445 38.23 viscosidade a 60 oC ASTM D 445 20.07 viscosidade a 100 oC ASTM D 445 8.064 viscosidade a 25 oC CALCULADO* 69.78 viscosidade a 30 oC CALCULADO* 56.54 viscosidade a 35 oC CALCULADO* 46.42 viscosidade a 45 oC CALCULADO* 32.39 viscosidade a 50 oC CALCULADO* 27.48 viscosidade a 55 oC ponto de fluidez C CALCULADO* 23.54 o CALCULADO* 17.70 o CALCULADO* 15.52 o CALCULADO* 13.70 o viscosidade a 80 C CALCULADO* 12.17 viscosidade a 90 oC CALCULADO* 10.13 viscosidade a 65 C viscosidade a 70 C viscosidade a 75 C Fonte: DIPROD / SEMOT - CENPES (*) Interpolação logaritmica baseada na norma ASTM D 455 19 IV - ANÁLISE DOS PROCESSOS A combustão de um motor diesel é extremamente complexa, dependendo de vários fatores, tais como: 1. Características do sistema de admissão de ar e combustível; 2. Características do combustível; e. 3. Condições de operação do motor. A combustão ideal de um motor diesel deve apresentar alta eficiência e baixas emissões de poluentes. Entretanto, alguns desses requisitos são conflitantes, como por exemplo, a limitação da potência do motor pelas emissões de poluentes. Muitos aspectos relacionados com a combustão são ainda desconhecidos, principalmente no que diz respeito à combustão de óleos vegetais, com é o caso do óleo de dendê. O confronto das características físico-químicas do óleo diesel com as do óleo vegetal antecipa a ocorrência de problemas operacionais para sua utilização como combustível. A comparação das características físico-químicas do óleo de dendê com as do óleo diesel possibilita prever alguns problemas operacionais para sua utilização como combustível. Um dos maiores obstáculos na utilização de óleo vegetais como combustível, é a sua alta viscosidade, que causa obstrução no sistema de alimentação, filtros e bicos injetores, além de dificultar a atomização do jato de combustível. Por isso, os óleos vegetais “in natura” não devem ser utilizados nos motores à temperatura ambiente, devendo ser pré-aquecidos, a fim de se reduzir a sua viscosidade. Entretanto, a temperatura apropriada de aquecimento do óleo vegetal, bem como, o conhecimento do efeito dessa temperatura no sistema de alimentação do motor, no desempenho, na formação de depósito e nas emissões, ainda não foram definidos. Para tal, foram realizados uma análise teórica e testes experimentais de longa duração, descritos no item V.1, os quais permitiram o estabelecimento da temperatura apropriada de aquecimento do óleo de dendê, bem como, a análise dos depósitos formados e das emissões de poluentes provenientes da combustão desse óleo. 20 O desenvolvimento do trabalho tem na seqüência um estudo da aplicação do óleo vegetal como combustível em um motor de pesquisa em condições laboratoriais. Como o objetivo desse teste é a obtenção dos parâmetros que indiquem as faixas apropriadas de operação e as alterações de projeto do motor a serem ajustadas a um desempenho desejado, foi necessário o desenvolvimento de um modelo termodinâmico simplificado de simulação para dar suporte na interpretação dos dados obtidos em laboratório. IV. 1 - ADMISSÃO DE AR Considerando-se que os parâmetros de desempenho do motor são função da vazão mássica de ar admitida por ciclo [59], tem-se: P= η f ma NQLHV ⎛ A⎞ nr ⎜ ⎟ ⎝F⎠ P = 2πTN T= η f .ma .QLHV ⎛ A⎞ 2.π .nr.⎜ ⎟ ⎝F⎠ onde P = potência T = torque ηf = eficiência térmica ma = massa de ar N = rpm QLHV = poder calorífico nr = número de rotações do eixo (motor de quatro tempos nr=2) (A/F) = razão ar/ combustível (IV.1) (IV.2) (IV.3) 21 Observa-se que o desempenho de um motor pode ser melhorado aumentando-se a massa específica do ar no cilindro. O aumento da massa específica do ar pode ser conseguido através de um sistema de turbo-alimentação, onde o ar é comprimido antes de ser admitido no interior do cilindro, ou variando-se a temperatura de admissão do ar, já que os motores de aspiração natural sempre recebem um suprimento de ar aproximadamente constante à pressão e temperatura atmosférica, independentemente da carga do motor. Considerando que nos óleos vegetais a cadeia de carbono é maior que a do diesel, necessitando de maiores temperaturas e pressões para se romperem e vaporizarem, a utilização de motores turboalimentados proporciona maior desempenho do que os aspirados, porque aumenta a pressão de admissão do ar e conseqüentemente, a pressão máxima de compressão e a pressão média indicada. Entretanto, buscando uma maior representatividade entre os diesel-geradores, na ocasião da escolha do motor do ensaio, optpu-se por motores de aspiração natural. Para que se pudesse observar o efeito da variação de temperatura do ar de admissão e conseqüente efeito sobre a densidade, variou-se a temperatura do ar de admissão nos testes com o motor ASTM CFR Cetano. As temperaturas estudadas foram as de enquadramento do motor (66o C), a temperatura ambiente predominante do Norte do País (45o C) e a temperatura ambiente do Sul e Sudeste de (30o C). IV. 2 - INJEÇÃO DE COMBUSTÍVEL A quantidade de combustível injetado na câmara de combustão por ciclo influencia diretamente a potência do motor. A quantidade de combustível injetada por segundo, é dada por [60]: Qf = πd 2 ⎛ θ ⎞⎛ 60 ⎞⎛ ni ⎞ nV f ⎜ ⎟⎜ ⎟⎜ ⎟ 4 ⎝ 360 ⎠⎝ N ⎠⎝ 60 ⎠ (IV.4) 22 onde: Qf = volume de combustível injetado por segundo (πd2/4 x n ) = área de todos os orifícios Vf = velocidade do jato de combustível (θ /360 x 60/N) = tempo de uma injeção (ni/60) = número de injeções por segundo para um orifício Como a vazão de combustível é função da velocidade do jato do combustível, esta pode ser dada pela equação: Vf = Cd [2(pinj - pcil)/ ρf ]0.5 (IV.5) onde: Cd = coeficiente de descarga do orifício pinj = pressão de combustível dentro do injetor, N/m2 pcil = pressão de carga dentro do cilindro, N/m2 ρf = densidade do combustível, kg/m3 Observa-se pelas equações acima que a densidade do óleo vegetal, sendo maior que a do diesel a temperatura ambiente (ρdendê = 0.9 e ρdiesel= 0.8), faz com que a velocidade do jato de combustível para o óleo vegetal seja menor que a do diesel. O jato de combustível tem forma de cone com um o ângulo α e penetração L (ver figura IV.1). Kumar [47] concluiu, em seu trabalho experimental, que o ângulo α e a penetração L são funções das propriedades físico-químicas do combustível como a viscosidade e a densidade, bem como da densidade do ar, da pressão de injeção e da quantidade de combustível. A equação abaixo mostra a modelagem experimental [30] do ângulo de injeção e da penetração para combustíveis a base de óleo vegetal: α = 0.97µf-0.03 ρf0.09 ρa0.14 ∆p0.115 (IV.6) L (t) = 0.461 (∆p/ρa)0.25νf0.11 tanh t 0.715 (IV.7) 23 Onde: µf = viscosidade dinâmica do combustível ρf = densidade do combustível ρa = densidade do ar, νf = viscosidade cinemática do combustível ∆p =diferença entre a pressão de injeção e a pressão do ar no interior do cilindro tanh t = tangente hiperbólica de t no tempo t = 0. Baixas velocidades do combustível geram grandes gotículas, provocando uma alta penetração dentro da câmara. Velocidades da ordem de 400 m/s (diesel) [59] geram gotículas pequenas que rapidamente se misturam e evaporam. Os óleos vegetais, devido a sua alta densidade, tendem a gerar, para as mesmas condições de operação, velocidades do jato menores e, conseqüentemente, gotículas maiores de combustível aumentando a penetração do jato. Analisando a figura IV.1, pode-se observar que o ângulo α influencia os trechos a e b da trajetória das gotas de combustível, caracterizada pela distância L, do cone formado na injeção de combustível. A condição para que não haja choque da partícula com a parede da câmara é a sua queima completa numa distância b menor que L. Essa condição pode ser buscada de 3 modos [22]: • diminuindo o atraso de ignição - trecho a; • diminuindo o tempo para a queima completa - trecho b • aumentando a distância L Para diminuirmos a penetração L do jato, para os óleos vegetais, deve-se aumentar a velocidade do jato, diminuindo a densidade do óleo através de um préaquecimento. 24 Figura IV.1 – Jato de combustível IV. 3 – COMBUSTÃO A combustão da mistura combustível-ar dentro do cilindro é um dos processos que controlam a potência, o desempenho e as emissões do motor diesel. Por isso, se faz necessário um conhecimento preliminar dos mais importantes fenômenos da combustão para o entendimento da operação do motor. A combustão nos motores diesel ocorre em 3 fases distintas: • período de atraso de ignição • período de rápida combustão • período de combustão controlada IV.3.1 –Atraso de Ignição O atraso de ignição no motor diesel é definido como o intervalo de tempo (ou ângulo do eixo de manivela) entre o início da injeção e o começo da combustão [61]. O atraso de ignição pode ser dividido em dois estágios o atraso físico e o químico. 25 Os processos físicos do atraso de ignição são a atomização do jato do combustível líquido; a vaporização das gotas do combustível; a mistura do vapor de combustível com o ar; o aquecimento do combustível até a temperatura de ignição. Os processos químicos são as reações de pré-combustão entre combustível, ar, e gases residuais. Esses processos são afetados pelo projeto do motor, pelas variáveis de operação e pelas características do combustível. ¾ Fatores que Afetam o Período de Atraso de Ignição [59] 1) Razão de compressão - o aumento da razão de compressão influencia na pressão e temperatura do ar. A temperatura mínima de auto-ignição diminui com o aumento da densidade do ar, reduzindo o atraso de ignição. Para motores operando com óleo vegetal, o aumento na taxa de compressão resulta num maior contato entre as moléculas do ar e do combustível, reduzindo o tempo de reação e conseqüentemente, o atraso de ignição. 2) Velocidade angular do motor - com o aumento da velocidade angular do motor, as perdas de temperatura durante a compressão diminuem, aumentando a temperatura e a pressão do ar e reduzindo o atraso de ignição. Os dieselgeradores operam com rotações constantes. 3) Potência - com o aumento da potência, a razão ar-combustível diminui, a temperatura de operação aumenta, diminuindo o período de atraso. 4) Atomização - Uma melhor atomização reduz o atraso de ignição. A atomização de óleos vegetais é prejudicada com a maior viscosidade e a menor volatilidade desses óleos, favorecendo um aumento no atraso de ignição. 5) Avanço de injeção - a quantidade de combustível injetado por ciclo é constante. Aumentando-se o avanço de injeção, o combustível encontrará o ar no interior do cilindro com pressão e temperatura menores, aumentando o atraso de ignição. 6) Temperatura de admissão – o aumento da temperatura de admissão produz um aumento na temperatura do ar comprimido, melhorando a vaporização do combustível e provocando uma redução no atraso de ignição. Entretanto, esse aumento de temperatura do ar provoca uma redução em sua densidade, reduzindo a eficiência volumétrica e, com isso, a potência [61]. 7) Pressão de admissão - O aumento da pressão de admissão aumenta a pressão e temperatura do ar comprimido, reduzindo a temperatura de auto-ignição e, conseqüentemente, reduzindo o período de atraso. 26 8) Qualidade do combustível – Um importante indicador da qualidade de ignição do combustível é o seu número de cetano. Para combustíveis com baixo número de cetano, o atraso de ignição é longo e a maior parte do combustível é injetada antes da ignição ocorrer, o que resulta em taxas de queima rápida muito altas, uma vez que a combustão irá começar com grandes picos de pressão. Sob essas condições extremas, quando a auto ignição da maior parte do combustível já ocorreu, surge um som de batida audível, a chamada batida diesel. Para combustíveis com número de cetano mais baixo, como é o caso de óleos vegetais, o atraso de ignição é longo, fazendo com que a ignição ocorra tarde, a ponto de se processar durante o tempo de expansão, apagando o processo de queima, resultando em combustão incompleta, reduzindo a potência, e provocandom baixa eficiência de conversão de combustível. Para combustíveis com alto número de cetano, o atraso de ignição é pequeno ocorrendo a ignição antes que a maior parte do combustível seja injetada, provocando taxas de liberação de calor e aumento de pressão adequadas para uma suave operação do motor. O número de cetano é dependente da estrutura molecular do combustível. Compostos parafínicos têm alta qualidade de ignição. Já compostos aromáticos conferem baixa qualidade de ignição ao combustível, como com os álcoois e óleos vegetais. Combustíveis com número de cetano variando entre 40 e 55 proporcionam pequeno atraso de ignição. Para combustíveis com número de cetano inferior a 38 há um aumento considerável no atraso de ignição [59] A temperatura de auto-ignição é uma das mais importantes propriedades do combustível, pois afeta o atraso de ignição. Temperaturas de auto-ignição baixas resultam em períodos de atraso de ignição menores. Como as características do combustível interferem no atraso de ignição, suas propriedades são de extrema importância para determinarmos a operacionalidade do motor, tais como eficiência de conversão de combustível, suavidade de operação, falha de ignição, emissão de fumaça negra, barulho e facilidade na partida. Dentre os vários modelos de atraso de ignição desenvolvidos por vários autores [62], a fórmula empírica desenvolvida por Haedenberg e Hase [63] para predizer a duração do atraso de ignição em motores de injeção direta foi a que, inicialmente, reproduziu melhor o atraso de ignição para o motor CFR de injeção indireta. Seja: 27 0.63 ⎡ ⎛ 1 1 ⎞ ⎛ 21.2 ⎞ ⎤ ⎟⎟ ⎥ − τ (θ ) = (0.36 + 0.22.sp ). exp ⎢ Ea.⎜ ⎟.⎜⎜ ⎢⎣ ⎝ R.T 17190 ⎠ ⎝ p − 12.4 ⎠ ⎥⎦ (IV.8) onde: sp = velocidade média do pistão (m/s) Ea = energia de ativação aparente (J/mol) R = constante universal dos gases (J/mol.K) T e p = temperatura e pressão durante o atraso (bar e K) A energia de ativação é dada por [41] Ea = 618840 (CN + 25) (IV.9) Onde: CN = número de cetano do combustível. IV.3.2 - Período de combustão descontrolada O período de combustão descontrolada, também chamado [61] de período de combustão rápida, é a fase em que o aumento de pressão é rápido. Durante o período de atraso, as partículas de combustível têm tempo de espalhar−se por uma vasta área e ar fresco sempre disponível a sua volta. A maior parte do combustível admitido é evaporado, formando uma mistura com o ar [60], completando−se, assim, as reações de pré combustão. É de se notar que a pressão alcançada durante o período de combustão descontrolada dependerá da duração do período de atraso à ignição, ou seja, quanto mais longo o atraso, maior e mais rápido será o aumento da pressão, uma vez que mais combustível estará presente no cilindro antes que a velocidade da combustão fique sob controle. Como o atraso de ignição dos óleos vegetais é maior do que o óleo diesel, o período de combustão descontrolada desses óleos terá maior a duração e mais rápido será o aumento da pressão. 28 IV.3.3 - Período de Combustão Controlada O período de combustão descontrolada (rápida combustão) é seguido pelo terceiro estágio, a combustão controlada. A temperatura e a pressão no segundo estágio são bastante altas. Assim [59], as partículas de combustível, injetadas durante o segundo estágio, entram em combustão mais rapidamente, com reduzido atraso de ignição a medida que encontram o oxigênio necessário, e qualquer aumento posterior da pressão será controlado pela taxa de injeção. IV.4 - EMISSÕES EM MOTORES DIESEL A relação entre a composição dos reagentes (combustível e ar) de uma mistura e a composição dos produtos dependem, apenas, da conservação de massa de cada elemento químico nos reagentes [59] . Portanto, são necessárias para defini-las a composição elementar relativa do combustível e as proporções relativas de combustível e ar. Com oxigênio suficiente, o combustível pode ser completamente oxidado. Na combustão, o oxigênio é o componente reativo do ar. Em termos usuais, simplificados, considera-se suficientemente precisa a composição do ar como sendo 21% (0,2095) de oxigênio e 79% de gases inertes feito nitrogênio. Para cada mol de oxigênio no ar existem : (1 - 0.2095) / 0.2095 = 3.773 (IV.10) Em um combustível a base de hidrocarbonetos, o carbono é convertido em CO2 e o hidrogênio em H2O. O ar contém nitrogênio, contudo, quando os produtos estão a baixas temperaturas, ele não é afetado significativamente pela reação. As proporções estequiométricas são definidas pela equação [64] : CaHb + (a + b/4)(O2 + 3.773N2) = a CO2 + (b/2) H2O + 3.773(a + b/4) N2 (IV.11) onde a e b são a quantidade de cada elemento na composição química do combustível. 29 Esta é a equação genérica para a combustão completa de um combustível a base de hidrocarbonetos, cuja composição molecular é CaHb, onde estão definidas somente as proporções relativas sobre uma base molar. Dessa forma a composição combustível pode ser escrita na forma simplificada CHα, onde α = b/a . Considerando que o peso molecular do oxigênio, do nitrogênio atmosférico, do carbono e do hidrogênio são respectivamente 32, 28.16, 12.011 e 1.008, a relação ar/combustível estequiométrica (A/F)s depende somente de α. (A/F)s = [(1 + α/4)(32 + 3.773 x 28.16)] / (12.011 + 1.008α) (IV.12) (A/F)s = [34.56 (4 + α)] / (12.011 + 1.008α) (IV.13) Misturas ar/combustível mais ricas ou mais pobres que a estequiométrica podem ser queimadas. Entretanto, devido à composição dos produtos da combustão ser significativamente diferente para misturas pobres ou ricas e , também porque a razão ar/combustível estequiométrica depende da composição do combustível, a razão entre a razão ar combustível real e a estequiométrica fornece mais informação para definir a composição da mistura. A razão ar/combustível equivalente λ: λ = (A/F)real / (A/F)s (IV.14) Logo: para misturas pobres λ>1 para misturas estequiométricas λ=1 para misturas ricas λ<1 No caso de combustíveis oxigenados, como os óleos vegetais, as proporções estequiométricas se alteram, tornando-se [64]: CHαOβ + e(O2 + kN2) = A CO2 + E H2O + keN2 (IV.15) 30 onde: α = relação atômica entre H/C β = relação atômica entre O/C e = moles estequiométrico de O2 / mol do combustível k = moles de nitrogênio, etc / mol de O2 no ar A = moles de CO2 em produtos E = moles de H2O em produtos Infelizmente, a combustão perfeita, sob condições estequiométricas, é raramente obtida nos motores diesel, principalmente na queima de óleos vegetais que têm alta razão carbono/hidrogênio. Além disso, nem todo combustível que entra no motor é totalmente queimado dentro do cilindro. Há sempre uma ineficiência da combustão, até mesmo com excesso de ar. A massa de ar que entra em cada cilindro de um motor multicilíndrico não é exatamente igual, além de não serem completamente uniformes. Desse modo, a composição do gás de descarga deve corresponder a uma distribuição da razão ar/combustível, na mistura não queimada, sobre um valor médio [61]. A medição da composição dos gases de descarga do motor serve para o controle da eficiência da combustão e da poluição, além de determinar as proporções relativas de combustível e ar que entram no motor para que sua razão equivalente operacional seja calculada. Para uma combustão não estequiométrica as proporções para combustíveis oxigenados são: CHαOβ + g(O2 + kN2) = A CO2 + B CO + D H2 + E H2O + F O2 + G N2 + X CHαOβ + Particulado onde: α = relação atômica entre H/C β = relação atômica entre O/C g = moles reais de O2 / mol do combustível k = moles de nitrogênio, etc / mol de O2 no ar A = moles de CO2 em produtos B = moles de CO em produtos D = moles de H2 em produtos (IV.16) 31 E = moles de H2O em produtos F = moles de O2 em produtos G = moles de N2 em produtos X = moles de CHαOβ em produtos A emissão de hidrocarbonetos para óleo diesel tem a forma CHα,. No caso de óleos vegetais, essa emissão tomam a forma de CHαOβ [65]. Como os óleos vegetais são mais viscosos que o óleo diesel, a qualidade do spray do combustível tenderá a diminuir, aumentando o tamanho das gotas e, conseqüentemente, produzindo maiores quantidades de HC. Hurn [65], em seu trabalho, afirma que as propriedades físicas dos combustíveis como densidade e viscosidade, têm maior influência na emissão de HC e CO do que as propriedades químicas. Nos óleos vegetais, por causa de sua maior viscosidade, o número de Reynolds será menor, provocando gotículas grandes no spray, provocando maior emissão de HC, devido à diminuição da velocidade do jato de combustível. Desde que o motor diesel sempre trabalha em mistura pobre, as emissões de CO são bem menores do que nos motores de ignição por centelha [66]. Entretanto, devido à heterogeneidade da mistura, bem como deficiências locais de oxigênio, níveis de temperatura ou tempos de residência insuficientes para completar a combustão em forma de CO2, causam emissões de CO. Como a mistura ar/óleo vegetal é mais heterogênea do que o com o diesel devido à dificuldade de atomização citada anteriormente, a emissão de CO deverá ser maior do que com diesel. A emissão de NOx resultante da combustão de óleos vegetais não deve ser significativamente diferente da combustão de óleo diesel. Pequenos decréscimos de NOx podem ocorrer em carga máxima, devido à diminuição da razão ar/ combustível. A formação de NO é governada pela temperatura máxima de combustão [66]. Aproximadamente todo o NO é formado próximo a 20 graus do PMS no início da combustão. Quando a injeção é atrasada a combustão começa mais tarde junto com a formação de NO [66]. As concentrações de óxido de nitrogênio (NOx) também aumentam com a relação ar/combustível comum. Esta diminuição nos níveis de NO com a relação combustível / ar é menor do que para um motor de ignição por centelha devido à 32 distribuição não uniforme do combustível na combustão do diesel. Na combustão do diesel, como a relação combustível / ar aumenta diretamente com o aumento do combustível, a emissão de NO é aproximadamente proporcional a essa quantidade de combustível [66] . No caso da combustão de óleos vegetais onde o consumo específico é maior, para a mesma potência, que o diesel, haverá maior tendência à formação de NO. Um dos produtos de uma combustão incompleta é o material particulado. Este é composto de um material carbônico (fuligem) gerado durante a combustão, no qual várias espécies orgânicas (SOF) são adsorvidas, constituindo de moléculas condensadas na fuligem, nas fases seguintes da combustão, as quais podem ser precursoras da formação da fuligem durante a fase da combustão. Esse SOF contém hidrocarbonetos, não queimados, derivados oxigenados (cetonas, ésteres, aldeídos éteres, ácidos orgânicos) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos acompanhados por seus derivados de nitrogênio e oxigênio. Somam-se a eles uns poucos derivados inorgânicos (SO2, NO2 e sulfatos). A composição dessas partículas depende das condições de trabalho do motor, em particular da temperatura de exaustão. As partículas de fuligem são primariamente oriundas do carbono contido no combustível e dependem do tipo de combustível, número de carbonos nas moléculas e da razão carbono/hidrogênio (C/H). No caso de combustíveis oxigenados, como os óleos vegetais especialmente “in natura”, a tendência à formação de particulado aumenta, devido à sua molécula apresentar um grande número de carbono. IV.5 – MODELO TERMODINÂMICO SIMPLIFICADO DE SIMULAÇÃO Esse modelo basicamente focaliza os tempos de funcionamento onde se observa maior variação de trabalho no ciclo, ou seja, os tempos de compressão e combustão e expansão. Para estruturação do modelo analítico de simulação, o fluido de trabalho foi considerado com sendo gás ideal. Essas premissas, idealizadas para elaboração do modelo, permitem a introdução das equações do gás perfeito. Com base na análise termodinâmica do ciclo de trabalho de motores de combustão interna, foi possível o exame da evolução da combustão. A análise da 33 variação da pressão, em função da variação do ângulo do eixo de manivela durante os tempos de compressão e expansão, pode ser usada para modelar o processo de combustão dos motores diesel. Esse modelo de combustão pode ser enquadrado na categoria zerodimensional, já que esta categoria tem como única variável-independente, o tempo (ou ângulo). Usualmente se refere a uma análise termodinâmica do ciclo de trabalho do motor, na qual a evolução do processo de combustão é especificada como um dado de entrada ou uma simples correlação empírica. Os modelos zero-dimensionais vêm sendo utilizados para analisar o desenvolvimento do processo de combustão através da razão de liberação de calor. Para efetuar esse tipo de análise, é preciso dispor das curvas de pressão experimentais do motor no cilindro. Na literatura encontramos modelos [67 a 70] que auxiliam no estudo influência do turbilhonamento na câmara de combustão, parâmetros de injeção, desempenho e emissões de poluentes, baseados na análise da razão de liberação de calor a partir dos dados de pressão previamente conhecidos. Admite-se que a composição e a temperatura dos gases são uniformes em todo o volume. Além disso, considera-se que o combustível injetado se mistura e reage instantaneamente com os gases, considerados ideais, que se encontram na câmara de combustão. Os desenvolvimentos e discussões subseqüentes abordam os processos em estudo nesse modelo. IV.5.1 - Compressão As propriedades termodinâmicas, ao final da compressão, são fundamentais para o estudo da combustão, já que são utilizadas como valores iniciais da combustão. Esse modelo simplificado utilizou as relações de pressão e temperatura para um processo politrópico, considerando-se os efeitos da vaporização do combustível durante a compressão: pV kr = constante (IV.17) onde: kr = expoente politrópico que varia entre 1.32 a 1.4 para motores diesel [71] 34 IV.5.2 - Atraso de Ignição Esse modelo de combustão utilizou a fórmula empírica desenvolvida por Haedenberg e Hase [63] para predizer a duração do atraso de ignição em motores de injeção direta e, inicialmente, foi o que reproduziu melhor o atraso de ignição para o motor CFR de injeção indireta. Entretanto, ao longo dos testes experimentais no motor ASTM CFR cetano, observou-se que, quando se variava a taxa de compressão, tendo os parâmetros de enquadramento do motor como condição de referência, a equação acima apresentava um grande desvio. Dessa forma, foi adicionado um termo na equação, função da taxa de compressão, diminuindo esse desvio. Essa equação é válida para o motor ASTM CFR cetano, tendo os parâmetros de enquadramento do motor, como condição de referência: ⎡ ⎡ ⎡⎛ 1 ⎞ ⎛ 1 ⎞⎤ ⎡ 21.2 ⎤ 0.63 ⎛ rc ⎞ 0.85 ⎤ ⎤ τ (θ ) = (0.36 + 0.22.sp). ⎢exp ⎢ Ea.⎢⎜ ⎟ ⎥ ⎥ (IV.18 ) ⎟−⎜ ⎟⎥.⎢ ⎥ .⎜ ⎢⎣ ⎢⎣ ⎣⎝ R.T ⎠ ⎝ 17190 ⎠⎦ ⎣ ( p − 12.4 )⎦ ⎝ 12.36 ⎠ ⎥⎦ ⎥⎦ onde: rc = taxa de compressão kr = expoente politrópico IV.5.3 - Combustão Dados sobre as pressões do cilindro versus os ângulos do eixo de manivela sobre os tempos de compressão e expansão do ciclo de operação do motor podem ser usados para obter informações quantitativas sobre o processo de combustão [61]. Os métodos de análises são similares aos adotados nos motores Otto e começam com a primeira lei da termodinâmica para um sistema aberto que é quase estático (uniforme em pressão e temperatura). A primeira lei para cada sistema do volume de controle: dV dQ -p + dt dt ∑ m .h i i = dU dt (IV.19) 35 Onde: dQ/dt = taxa de transferência de calor através do sistema de contorno dentro do sistema; p(dV/dt) = taxa de transferência de trabalho feito pelo sistema devido ao deslocamento sistema de contorno; mi = taxa de fluxo de massa dentro do sistema através do sistema de contorno na localização i (fluxo fora do sistema será negativo); hi =entalpia do fluxo de massa i entrando ou deixando o sistema, e u = energia interna. Entretanto, a aplicação dessa equação torna-se difícil devido a alguns fatores como: 1. A distribuição da razão combustível/ar que não é uniforme e varia com o tempo. O processo não é quase estático; 2. A composição dos gases queimados (também não uniformes) não é conhecida; 3. As correlações disponíveis para predizer a transferência de calor nos motores diesel não são bem definidas, etc. Devido às dificuldades em trabalhar com esses problemas, métodos sofisticados de análises e outros mais simples dão somente respostas aproximadas. a) Motores de Injeção Direta Nos motores de injeção direta, o único fluxo de massa que atravessa o sistema quando as válvulas estão fechadas será somente o de combustível: dV dQn dU -p + mfhf = dt dt dt Como a entalpia do combustível é aproximadamente zero e a energia química do combustível dQhT , temos: dt dQCH dt (IV.20) dQn é a diferença entre dt e a transferência de calor para o sistema 36 dQCh dQhT dQn dV dU = =p + dt dt dt dt dt (IV.21) Considerando o fluido de trabalho como gás ideal, a equação IV.21 torna-se: dV dQ n dT =p + mcv dt dt dt (IV.22) Pela lei do gás ideal pV = mRT (IV.23) onde: R = constante dos gases é assumido como constante Então chega-se: dV dT dp + = p T V (IV.24) Se a equação IV.24 for usada para eliminar T da equação IV.21, tem-se [72]: dp dQ n c ⎛ c ⎞ dV = ⎜1 + v ⎟ p + v V dt dt R dt R⎠ ⎝ (IV.25) E, fazendo as devidas substituições: dQ n = dt dV dp 1 kr p + V dt kr − 1 dt kr − 1 Onde kr varia entre 1,32 a 1,39 para motores diesel [61]. (IV.26) 37 b) Motores de Injeção Indireta Nos motores de injeção indireta, as pressões em cada câmara, principal e auxiliar, não são a mesma durante o processo de combustão. Desde que a combustão começa na pré-câmara, a liberação de calor do combustível na précâmara causa um aumento de pressão maior que na câmara principal. Dependendo do projeto da câmara de combustão e das condições de operação, a pressão da précâmara sobe para 0,5 a 5 atm acima da pressão na câmara principal [59]. Essa diferença de pressão causa um fluxo de gases queimados, combustível, ar para dentro da câmara principal, onde ocorre agora liberação adicional de energia. A análise de motores DI, anteriormente, foi baseada em pressões uniformes ao longo da câmara de combustão. Para motores IDI o efeito da diferença de pressão entre as câmaras deve ser incluído. Aplicando a 1a lei na câmara principal chega-se. dQ1 dU1 dm dV - p1 1 + h2,1 = dt dt dt dt (IV.27) E produz para a câmara auxiliar dQ2 dm + h dm f = dU 2 - h2,1 f dt dt dt dt (IV.28) onde. dm taxa de fluxo positivo da pré-câmara para a câmara principal. = dt Os índices 1 e 2 referem-se à pré-câmara e à câmara principal, respectivamente. Se dm <0, h = h ., e se for definido U e U como as energias internas e h como a 2,1 1 1 2 f dt entalpia do combustível, então dQ1 dQ2 e representam as taxas de liberação de dt dt 38 calor liquida – a diferença entre as taxas de liberação de energia da combustão e a taxa de transferência de calor para as paredes. Usando-se um modelo analítico com base no gás ideal para fluido de trabalho e cada câmara, com cp, cv e m constantes, as relações p1V1 = m1RT1 e p2V2 = m2RT2 pode ser usada para eliminar m e T dos termos dU e, com o fato que hS,q dt = 0, pode-se escrever 1 kr dQ1 dV1 dp1 dm = p1 + V1 - Cp.T2,1 dt dt dt dt kr − 1 kr − 1 (IV.29) 1 dQ2 dp2 dm = V2 + Cp.T2,1 dt dt dt kr − 1 (IV.30) A liberação de calor líquido total é: dQ 1 ⎛ dp1 kr dp ⎞ dQ1 dQ2 dV1 = + = p1 + + V2 2 ⎟ ⎜V1 dt dt dt dt ⎠ kr − 1 kr − 1 ⎝ dt dt (IV.31) Como a medição de pressão separada de cada câmara é muito difícil, é comum assumir que p2=p1. O erro associado com essa aproximação pode ser estimado como se segue V + V2 dp1 V2 d (∆p ) kr dQ n dV = p + 1 + dt kr − 1 dt kr − 1 dt kr − 1 dt (IV.32) O último termo tende a zero no decorrer do processo de combustão. Logo, se for ignorado o último termo, o erro nos primeiros estágios da combustão será maior que ao longo de toda a combustão [60], podendo ser, numa aproximação mais grosseira negligenciado, tornando a equação acima similar à equação dos motores de injeção direta. Se omitirmos da equação IV.22 o termo da transferência de calor dQhT dt pode-se obter uma aproximação da razão de liberação de calor bruta [59]. A integral 39 dessa razão de liberação de calor sobre o processo de combustão deve ser igual à massa de combustível injetada, vezes o poder calorífico inferior do combustível. QCH = ∫ dQCH dt = m f QLHV dt (IV.33) Devido à combustão incompleta e à dissociação, nem todo poder calorífico é liberado. O coeficiente experimental β corrige o total da energia liberada [72]. Logo a equação IV.38, torna-se:. β dQCH V + V2 dp kr dV = p + 1 dt kr − 1 dt kr − 1 dt (IV.34) c) Evolução da Combustão Ao final da compressão, próximo ao ponto morto superior, o combustível líquido é injetado no motor diesel e se evapora rapidamente ao entrar em contato com os gases quentes que se encontram dentro do cilindro. Quando a temperatura na câmara de combustão atinge a temperatura de auto ignição da mistura arcombustível inicia-se a combustão em vários pontos da câmara de combustão. Esse estágio é chamado de combustão descontrolada. A velocidade de liberação de energia neste período é controlada pela cinética das reações em cadeia que caracterizam a combustão de misturas homogêneas. À medida que a mistura já preparada é consumida, as ramificações das reações em cadeia vão se extinguindo e então a taxa de liberação de energia diminui rapidamente. Quando a combustão começa a ocorrer à medida que os vapores de combustível se misturam com o ar e esta mistura entre em regiões onde ocorre queima, a taxa de liberação de calor não é mais determinada pela velocidade das reações químicas e, sim, pela velocidade de evaporação do combustível e pela difusão dos vapores de combustível no ar, correspondendo ao estagio da combustão controlada. Nos modelos zero-dimensionais, a taxa de liberação de calor deve ser especificada. Para equacionar esse problema, Wiebe [73], baseado na teoria das reações em cadeia, deduziu uma expressão semi-empírica para a taxa de liberação de calor e sugeriu que ela fosse aplicada em motores com formação de mistura 40 externa e interna. Entretanto, a fórmula de Wiebe expressa formalmente a cinética de combustão em misturas homogêneas combustível-ar, sendo adequada para simular a combustão em motores com formação externa de mistura. No entanto, esta correlação não descreve convenientemente a combustão em dois estágios, como ocorre no motor diesel [74]. A função proposta por Wiebe tem a seguinte forma: ⎧⎪ ⎛ θ −θc χ = 1 − exp⎨− 6.908⎜⎜ ⎪⎩ ⎝θ x −θc ⎞ ⎟⎟ ⎠ m +1 ⎫⎪ ⎬ ⎪⎭ (IV.35) onde: χ = fração de combustível queimada até o instante correspondente ao ângulo do eixo de manivela θc = ângulo correspondente ao início da combustão θx = ângulo correspondente ao final da combustão m = fator de forma da função de Wiebe. Como a função simples de Wiebe representava a razão de liberação de calor em motores diesel com pouca precisão, os pesquisadores Watson et al [70] desenvolveram um modelo zero dimensional, onde a razão de liberação de calor é expressa como a soma de duas componentes, uma relativa à combustão da pré-mistura e a outra relativa à combustão controlada por difusão, expressas em função de variáveis operacionais e construtivas do motor. A função dupla de Wiebe, na sua forma diferencial, pode ser escrita assim: dQdesc dQ dQ = χ desc + (1 − χ desc ) cont dθ dθ dθ dQdesc m +1⎛θ −θc ⎜ = 6.908 desc dθ ∆θ desc ⎜⎝ ∆θ desc ⎞ ⎟⎟ ⎠ mdesc ⎧⎪ ⎛θ −θc exp⎨− 6.908⎜⎜ ⎪⎩ ⎝ ∆θ desc (IV.36) ⎞ ⎟⎟ ⎠ mdesc +1 ⎫⎪ ⎬ (IV.37) ⎪⎭ 41 dQcont m +1⎛θ −θc ⎜ = 6.908 desc ∆θ cont ⎜⎝ ∆θ cont dθ ⎞ ⎟⎟ ⎠ mcont ⎧⎪ ⎛θ −θc exp⎨− 6.908⎜⎜ ⎪⎩ ⎝ ∆θ cont ⎞ ⎟⎟ ⎠ mcont +1 ⎫⎪ ⎬ (IV.38) ⎪⎭ onde χdesc= fração de combustível que queima na fase da combustão descontrolada ∆θdesc = duração da fase da combustão descontrolada ∆θcont = duração da fase da combustão controlada mdesc = fator de forma da fase da combustão descontrolada mcont = fator de forma da fase da combustão controlada Os parâmetros χdesc, mdesc e mcont devem ser ajustados e dependem das variáveis de operação do motor. IV.5.4 – Expansão Esse modelo simplificado também utilizou as relações de pressão e temperatura para um processo politrópico pV ke = constante (IV.39) onde : ke = expoente politrópico experimental que varia entre 1.18 a 1.28 para motores diesel [67] IV.5.5 - Equações Complementares - Grandezas Geométricas do motor O volume de gás no cilindro em relação ao ângulo do eixo de manivela é função do diâmetro do cilindro, deslocamento do pistão, relação biela/manivela, razão de compressão. 42 Figura IV. 2 – Geometria do Motor ASTM CFR Cetano A cilindrada ou volume total deslocado é definido por: Vd = π .D 2 4 .l (IV.40) Onde: D = diâmetro do pistão l = deslocamento do pistão A razão de compressão é função do volume deslocado, volume da câmara de combustão e, no caso de motores de injeção indireta, do volume da pré-câmara. rc = ou Vd + Vc Vc (IV.41) 43 rc = Vd + (Vc + Vpc ) (Vc + Vpc ) (IV.42) onde: Vc = volume da câmara de combustão; Vpc = volume da pré-câmara O volume instantâneo em função do eixo de manivela 1 ⎡ 1 ⎡ 2 2 ⎤⎤ 2 V = ⎢1 + .(rc − 1).⎢ BM + 1 − cos(θ ) − BM − sen (θ ) ⎥ ⎥.(Vc + Vpc ) ⎢⎣ 2 ⎣ ⎦ ⎥⎦ ( onde BM = l/a relação biela/manivela; θ = ângulo do eixo de manivela ) (IV.43) 44 V - DESENVOLVIMENTO EXPERIMENTAL V.1 - ENSAIO DE UM MOTOR ASTM CFR CETANO OPERANDO COM ÓLEO DE DENDÊ “IN NATURA” V.1.1 -Bancada de Teste Baseado na análise teórica, somado a experiências anteriores [4 a 58], verificou-se que seria necessário propor adequações no sistema de admissão de ar, injeção e combustão desses motores para que se pudesse otimizar o desempenho de diesel-geradores operando com óleo de dendê “in natura”. Com o objetivo de avaliar influência dessas adequações no desempenho e durabilidade dos motores, foram realizados testes experimentais de longa duração e desempenho em motores diesel. Os testes de durabilidade, foram realizados em um diesel-gerador de injeção direta, por ser um motor representativo do universo de diesel-geradores. O motor escolhido foi o MWM 229 seis cilindros, com potência nominal de 66 kW. Foi ccoplado ao motor um gerador elétrico WEG do tipo BTA, sem escovas, composto de: • máquina principal, e • excitatriz principal, com retificadores gigantes • regulador estático de tensão. Para simular a carga do diesel-gerador foi utilizado um sistema de dissipação de potência, que dissipava a energia elétrica gerada sob forma de calor. O sistema consiste em um banco de resistências imersos em reservatórios de água ligados em série, totalizando quatro, ligados a um painel de controle. A carga de trabalho que o banco de resistência fornece ao motor está relacionada com o número de resistências que estão ligados em série. Como são quatro reservatórios, cada um representa 25% de carga, sendo possível variar a carga em 25%, 50%, 75% e 100%. 45 V.1 - Grupo Gerador e Dissipador de Potência V.1.2 - Sistema de Alimentação de Combustível Como discutido anteriormente, a alta viscosidade do óleo de dendê “in natura” dificulta o fluxo de combustível na linha de alimentação, bomba e bicos injetores, prejudicando a atomização e vaporização do combustível dentro do cilindro, propiciando uma combustão incompleta e formação de depósitos. Em condições transientes do motor (partida), quando ainda não se atingiram condições estáveis de operação, agravam-se os problemas acima citados. Além disso, devido ao seu ponto de névoa próximo a temperatura ambiente, durante paradas prolongadas, dependendo da temperatura ambiente, este óleo tende a se solidificar nas tubulações, entupindo o sistema. Com vistas a minimizar esses problemas, foi desenvolvido um sistema de dupla alimentação de combustível, que possibilitava a partida e a parada do motor serem feitas com o motor operando com óleo diesel e a operação em regime ser feita com óleo de dendê aquecido. 46 Esse sistema de dupla alimentação é similar aos usados no sistema de alimentação de motores marítimos que utilizam óleo pesado como combustível. O sistema de alimentação utilizado era formado por dois reservatórios de combustível, uma para óleo diesel e outro para o óleo de dendê, ligados um ao outro através de tubulação de aço inoxidável, para evitar o ataque químico do óleo de dendê, quando aquecido, sobre o cobre. O reservatório de óleo de dendê utilizado possui resistências elétricas similares a um boiler elétrico, utilizado para aquecer água em residências. A linha de alimentação de combustível foi isolada para que não ocorressem grande perdas de calor. V.1.3 -Instrumentação a) Medição de Potência A potência do motor era medida a partir dos valores de tensão, corrente e fator de potência do gerador elétrico WEG. b) Medição de Consumo de Combustível O sistema de medição de consumo adotado foi o volumétrico, através de bureta calibrada. O controle da temperatura do combustível permitiu esta forma de medição de consumo. c) Medição de Temperatura A medição de temperatura foi realizada através de termopares ligados a um sistema de aquisição de dados. Os pontos medidos, foram: o reservatório de óleo de dendê, entrada da bomba injetora, na unidade de filtragem do ar, no coletor de escape, no sistema de arrefecimento do motor, e no carter do motor. A temperatura e a pressão ambiente, foram medidas através de termômetro e barômetro instalados na sala do motor. 47 d) Medição dos gases de exaustão A medição das emissões de gases poluentes foi realizada por um analisador de quatro gases (CO, CO2, HC e NOx) . Este analisador determina as concentrações de HC , CO e CO2 através do método de absorção de infravermelho. As análises de NOx são determinadas através de um detector químico-luminescente. A medição de opacidade foi realizada através de opacímetro de fluxo total que não mede a massa das partículas emitidas, apenas uma estimativa dos níveis de emissão mássica. V.1.4 - Procedimento de Teste Os organismos normativos em todo o mundo se dedicam a elaborar normas técnicas, de forma a auxiliar os fabricantes e usuários a definir os parâmetros adequados de fabricação e utilização de um produto. A elaboração de normas técnicas é precedida por trabalhos de pesquisa com elevado rigor técnico-científico, para que os resultados obtidos tenham representatividade. Foram pesquisadas, entre os mais conceituados órgãos normativos nacionais e internacionais, normas de teste que mais se aproximassem a testes de motores diesel-geradores operando com óleos vegetais. As normas e procedimentos de testes pesquisados foram os seguintes: • Motores Alternativos de Combustão Interna, Não Veiculares – P-MB-749 [75] • Apresentação de Desempenho de Motores ACI (Alternativos de Combustão Interna) – NBR 5477 [76] • Preliminary Durability Screening Test Procedure – EMA Engine Manufacturers Association [77] Observando essas normas verifica-se que, em sua maioria, foram desenvolvidas para testes de motores diesel automotivos. Os motores automotivos têm como característica uma variação de condições de operação como rotação, carga, etc. Já os motores estacionários operam com rotação constante com pouca variação de carga. A nossa bancada de teste, a carga varia em quatro pontos 25%, 50%, 75% e 100%. É necessário salientar que essas normas são desenvolvidas para motores diesel utilizando combustíveis não oxigenados. 48 Dessa forma, optamos por desenvolver um procedimento de teste específico para diesel geradores operando com óleos de dendê, possibilitando a comparação com o óleo diesel. Através de uma simulação experimental, baseado no procedimento desenvolvido, objetivou-se verificar a influência do combustível no desgaste do motor. Concomitantemente, verificações de desempenho do motor foram realizadas ao longo do teste. Para tal foi necessário definir com clareza os pontos fundamentais selecionados nas normas técnicas, que garantissem coerência e consistência técnicas dos dados obtidos. Entre eles podemos destacar: • análise dos parâmetros de desempenho através das variáveis medidas; • controle das condições ambientais; • freqüências de inspeção periódicas e intermediárias durante o ciclo de teste; • análise da combustão através dos gases de escape e dos depósitos formados. Com base nesses quesitos, o ensaio de simulação experimental desenvolvido, consistiu na operação do motor na seguinte seqüência de operação. A partida do motor era dada sem carga e com óleo diesel permanecendo nessa condição (aquecimento) durante 30 minutos, para que fossem atingidas as condições ideais de funcionamento. Esse critério foi usado para atenuar os problemas causados pela pior atomização e vaporização do combustível quando o motor está frio, levando a formação de depósito. Após o aquecimento, iniciava-se o primeiro ciclo de teste seguindo o seguinte critério: • 30 minutos com 25% de carga • 1 hora com 50% de carga • 1 hora com 75% de carga • 1 hora com 100% de carga Após o término do primeiro ciclo de teste, a carga do motor era reduzida gradativamente até atingir 0% de carga. Iniciava-se, então, o segundo e último ciclo diário de teste seguindo a mesma seqüência anterior. Terminado os dois ciclos de testes diários, o motor permanecia funcionando sem carga durante 30 minutos com óleo diesel para promover uma limpeza no sistema de injeção. Esse cuidado era tomado para evitar a solidificação do combustível na tubulação, causando entupimento após o desligamento do motor. Essa seqüência de operação foi seguida durante as quatro fases do teste: 49 1. Amaciamento - Combustível: óleo diesel - 50 horas de teste; - Registro dos parâmetros de desempenho; - Teste de emissões; - Análise do óleo lubrificante; - Abertura do cabeçote; - Registro fotográfico; Os injetores foram testados pelo CENPES/Petrobrás quanto sua estanqueidade, pressão de abertura, retorno de combustível, ruído característico e forma de jato em bancada Bosch. Apresentando bom resultado como esperado. 2. Teste de durabilidade/desempenho - Combustível: óleo de dendê a 50o C; - 50 horas de teste; - Registro dos parâmetros de desempenho; - Teste de emissões; - Análise do óleo lubrificante; - Abertura e limpeza do cabeçote e bicos injetores; - Registro fotográfico; A intenção de registrar o desempenho do motor operando nessas condições (óleo de dendê aquecido até tornar-se completamente fluido e entrando na bomba injetora a temperatura 50o C) foi comparar com motor em funcionamento normal como diesel, já que o mesmo entra na bomba injetora à 40o C. Foram realizados no CENPES testes nos bicos injetores, os quais não observaram nenhuma anormalidade de funcionamento durante esse período. 3. Teste de durabilidade/desempenho - Combustível: óleo de dendê a 100o C; - 150 horas de teste; - Registro dos parâmetros de desempenho; - Teste de emissões; - Análise do óleo lubrificante; - Abertura e limpeza do cabeçote e bicos injetores; 50 - Registro fotográfico; A temperatura de 100o C a viscosidade do óleo de dendê torna-se próxima à do diesel, sendo supostamente a temperatura de melhor desempenho do motor. Entretanto, ao longo das 150 horas de testes subseqüentes começaram a surgir alguns problemas : • Avaria no filtro de combustível. • Dificuldades, no segundo ciclo diário, na mudança de carga de 75% para 100%. • Avaria nos bicos injetores. Em consulta ao fabricante da bomba e bicos injetores foi informado que o sistema de injeção foi especificado para temperaturas máximas 100o C. Como o óleo de dendê era aquecido a 100 ± 5o C, a temperatura elevada do óleo de dendê estava causando avaria nos bicos injetores. Optou-se por baixar a temperatura do óleo de dendê, de forma a não causar problemas de lubrificação na bomba e bicos injetores. A temperatura estabelecida foi a de 85o C, já que a essa temperatura a viscosidade do óleo de dendê, torna-se próxima à faixa superior do óleo diesel. 4. Teste de durabilidade/desempenho - Combustível: óleo de dendê a 85o C; - 150 horas de teste; - Registro dos parâmetros de desempenho; - Teste de emissões; - Análise do óleo lubrificante; - Abertura e limpeza do cabeçote e bicos injetores; - Registro fotográfico; Inicialmente, observou-se uma melhor condição de funcionamento do motor, mas ao longo das 150 horas restantes de teste, o motor continuou tendo dificuldades de suportar a mudança de carga de 75% pra 100%. Os bicos foram mandados para teste novamente e não apresentaram os mesmos problemas ocorridos com o óleo de dendê a 100o C. 51 V.1.5 - Resultados de Teste V.1.5.1 - Análise dos Resultados Obtidos Nesse item são apresentados os gráficos de potência, temperatura dos gases de escape, consumo específico (sfc), eficiência térmica (ηt), pressão média indicada (mep) e emissões. Analisando o gráfico (figura V.2), verifica-se uma queda progressiva da potência ao longo das 350 horas de teste com o óleo de dendê, visualmente mais nítida com o motor operando em cargas mais altas. Entretanto, percentualmente, a queda de potência foi de 4%, ao final das 350 horas de teste com óleo de dendê, em todas as faixas de operação do motor, em relação as primeiras 50 horas de teste com óleo de dendê. Se compararmos com o motor operando com óleo diesel, a queda de potência foi de 4%, nas primeiras 50 horas de teste, de 7%, após as 200 horas de teste, e de 8% , após 350 horas de teste. Potência (kW) 50 40 30 20 10 25% 50% 75% 100% Carga (%) 0h -diesel 50h - dendê 50C 200h-dendê100C 350h-dendê 85C Figura V.2 – Variação da potência com a carga ao longo dos testes O gráfico da pressão média indicada (figura V.3) também mostra o melhor desempenho do motor operando com óleo diesel, como esperado. 52 Pressão Média Indicada (kPa) 600,00 500,00 400,00 300,00 200,00 100,00 25% 50% 75% 100% Carga (%) 0h -diesel 50h - dendê 50C 200h-dendê100C 350h-dendê 85C Figura V.3 – Variação da pressão média indicada com a carga ao longo do teste O gráfico figura V.4 mostra um aumento da temperatura dos gases de exaustão, quando utilizado óleo de dendê como combustível. Esse aumento de temperatura é conseqüência do maior atraso de ignição que o óleo de dendê provoca. Devido ao maior atraso de ignição, maior quantidade de combustível queima no início da combustão provocando um aumento de pressão (picos) e temperatura. Comparando-se a temperatura dos gases de exaustão do motor operando com óleo diesel e com óleo de dendê, é possível observar que as menores temperaturas de exaustão ocorreram com o motor operando com óleo diesel. Este fato era esperado, pois um aumento na temperatura de exaustão é um indicativo de menor desempenho do motor devido às menores taxas de liberação de calor associadas à menor eficiência térmica [41]. Observam-se também, pequenas elevações nas temperaturas entre 50 horas e 200 horas de teste com óleo de dendê. Isso indica que, apesar do desgaste e dos depósitos formados (demonstrados pela perda de potência) na câmara de combustão e no bico injetor dificultando a atomização do jato de combustível, o aumento da temperatura de alimentação do óleo de dendê de 50o C para 100o C, diminuindo a viscosidade desse óleo, melhorou a atomização diminuindo o atraso de ignição. 53 Entretanto, após mais 150 horas de teste (350 horas totais de teste com óleo de dendê) nota-se uma elevação expressiva dessa temperatura. Esse aumento pode ser explicado pelo maior desgaste do motor, principalmente do sistema de injeção de combustível, além da diminuição da temperatura de alimentação de combustível Temperatura de Exauatão (C) interferindo no atraso de ignição. 490 390 290 190 25% 50% 75% 100% Carga (%) 0h -diesel 50h - dendê 50C 200h-dendê100C 350h-dendê 85C Figura V.4 - Variação da temperatura de exaustão com a carga ao longo do teste Os gráficos de consumo específico e eficiência térmica (figura V.5 e 6) mostram menor consumo específico e conseqüentemente melhor desempenho do óleo diesel, fato já esperado, devido ao poder calorífico do óleo diesel ser maior que o do óleo de dendê, gerando maior potência. Observa-se que com o óleo de dendê a 50o C o consumo específico apresentou os maiores valores. A essa temperatura o óleo de dendê apresenta 54 Consumo Específico (g/kW.h) 500 400 300 200 100 25% 50% 75% 100% Carga (%) 0h -diesel 50h - dendê 50C 200h-dendê100C 35% Figura V.5 - Variação do consumo específico com a carga ao longo do teste Eficiência Térmica (%) 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 25% 50% 75% 100% Carga (%) 0h -diesel 50h - dendê 50C 200h-dendê100C 350h-dendê 85C Figura V.6 - Variação da eficiência de térmica com a carga ao longo do teste viscosidade cinco vezes maior que a do óleo diesel, provocando dificuldades de atomização do combustível. Dessa forma, como citado anteriormente,na tentativa de atingir a potência desejada, mais combustível injetado na câmara de combustão. 55 O óleo de dendê a 100o C (200 h) e a 85o C (350 h) apresentou valores próximos de consumo específico. Entretanto, a 100o C (200 h) o consumo específico foi maior do que a 85o C (350 h). Isso pode ser explicado pela diminuição dos efeitos de dilatação térmica com o combustível a 85o C em relação à 100o C, no sistema de injeção, melhorando o consumo específico. Analisando a figura V.7 observa-se que os valores gráfico das emissões de monóxido de carbono (CO) com o motor operando com óleo diesel são menores do que quando operando com óleo de dendê a 50o C e a 100o C. Entretanto, o percentual de CO, com o motor operando com óleo de dendê a 85o C, apresenta valores próximos aos do diesel sob carga de 75 e 100%. Nas cargas de 25 e 50% as emissões de CO são menores que a do diesel. Isso pode ser justificado pelos valores de consumo específico do dendê a 85o C próximos aos do diesel, como citado anteriormente, já que em carga mais o consumo é menor. Em cargas menores, observa-se o menor percentual de CO com o motor operando com óleo de dendê. Este fato não é esperado entretanto uma possível explicação seria devido à presença de oxigênio na estrutura molecular do combustível. Podemos observar também que a 50% e 75% de carga, as emissões de CO foram menores do que a 25% e a 100% em todos as faixas de temperatura de combustível, com exceção do dendê a 50o C. Em cargas baixas, apesar da menor quantidade de combustível consumida, o motor opera mais frio, fora das condições ideais de funcionamento, favorecendo a combustão incompleta. Em carga máxima o motor opera mais rico e está em condição extrema de operação, não usual em grupos geradores. Nessa condição a preocupação com as emissões é inferior a necessidade de produzir potência e, isto é levado em conta no projeto dos motores. O gráfico das emissões de hidrocarbonetos (HC) (figura V.8), mostra uma queda progressiva das emissões de HC com o aumento de carga. O motor em baixa carga trabalha mais frio ocorrendo combustão incompleta. Com o motor operando com óleo de dendê a 50o C (50 h) e a 100o C (200 h) as emissões de HC apresentaram comportamento inverso. No primeiro caso, a explicação se dá pelo 56 0,12 CO (%) 0,09 0,06 0,03 0 25% 50% 75% 100% Carga (%) CO%diesel 0h CO%dendê 50h CO%dendê 200h CO%dendê 350h HC (ppm) Figura V.7 – Emissão de monóxido de carbono (CO) com a carga ao longo do teste 190 170 150 130 110 90 70 50 30 25% 50% 75% 100% Carga (%) HC%diesel 0h HC%dendê 50h HC%dendê 200h HC%dendê 350h Figura V.8 – Emissão de hidrocarbonetos (HC) com a carga ao longo do teste fato da maior viscosidade do óleo de dendê a essa temperatura, dificultar a atomização do combustível gerando gotículas maiores, difíceis de serem vaporizadas para entrar em combustão. No segundo caso, com o óleo de dendê a 100o C, os bicos injetores, ao longo do teste, começaram a apresentar gotejamento involuntário de combustível (conforme verificado em teste dos bicos injetores), incrementando as emissões de HC. 57 As emissões de HC com o motor operando com óleo de dendê a 85o C (350 hs) apresentam valores inferiores do que as do diesel, o que contraria as expectativas. Entretanto, pode ser explicado pela alta temperatura de trabalho do motor na última fase de teste, facilitando a vaporização do combustível. O gráfico das emissões de dióxido de carbono (CO2) (figura V.9) tem comportamento diretamente oposto. Os valores de emissão de CO2 para o motor operando com dendê a 50o C e 100o C foram mais altos do que com diesel, sendo as emissões de CO2 com o motor operando com óleo de dendê a 50o C maiores do que a 100o C. Já com dendê a 85o C os índices foram menores do que com diesel, confirmando o melhor desempenho do motor operando com óleo de dendê a 85o C. O gráfico das emissões de NOx (figura V.10) mostra o aumento das emissões desse gás com o aumento da carga, como esperado, já que a formação de NOx é função da temperatura máxima de combustão. Observa-se também que com o motor operando com diesel (0 h) os índices de emissões de NOx foram os mais altos. Esses índices podem ser explicados pelo menor atraso de ignição do diesel gerando temperaturas mais altas de combustão. No caso do óleo de dendê, sendo o atraso de ignição maior, correm picos de pressão e temperatura de combustão, entretanto, a combustão irá se processar no período de expansão, diminuindo a emissão de NOx. O gráfico da opacidade (figura V.11) mostra um aumento dos percentuais de particulado com o aumento da carga, já que, em motores diesel aspirados, o aumento de potência se dá somente com o aumento do débito de combustível. Observa-se também que a 50% de carga ocorre uma diminuição do percentual de particulado com o motor operando com diesel e com dendê nas diversas temperaturas. Novamente confirma-se o melhor comportamento do óleo de dendê a 85o C onde os percentuais de opacidade foram menores que com dendê a 50o C e a 100o C, proporcionais ao consumo específico encontrado. 58 12 CO2 (%) 10 8 6 4 2 1 2 3 4 Carga (%) CO2%diesel 0h CO2%dendê 50h CO2%dendê 200h CO2%dendê 350h Figura V.9 – Emissão de dióxido de carbono (CO2) com a carga ao longo do teste NOx (ppm) 6000 4000 2000 0 25% 50% 75% 100% Carga (%) NOx%diesel 0h NOx%dendê 50h NOx%dendê 200h NOx%dendê 350h Figura V.10 – Emissão de óxido de nitrogênio (NOx) com a carga ao longo do teste 59 40 30 20 10 0 25% 50% Opac%diesel 0h Opac%dendê 50h 75% Opac%dendê 200h 100% Opac%dendê 350h Figura V.11 – Percentual de oOpacidade com a carga ao longo do teste V.1.5.2 – Análise do Óleo Lubrificante A análise do óleo lubrificante realizada CENPES/Petrobrás mostrou a degradação e contaminação do óleo lubrificante ocorridas com o motor funcionando com óleo de dendê devido à combustão incompleta do combustível diluindo o lubrificante. Os resultados mostram que a viscosidade tende a cair abaixo dos Viscosidade a 40 C (cSt) valores mínimos aceitáveis após 100 h com o motor operando com óleo de dendê. 120 100 80 60 40 20 0 0 50 100 Tempo (h) Figura V.12 – Viscosidade do Óleo Lubrificante em função do número de horas de operação do motor. 60 A Petrobrás-BR estipula uma viscosidade mínima de 70 cSt a 40o C, para utilização do óleo SAE 15W40, recomendado pelo fabricante. Outra análise realizada no óleo lubrificante foi verificar a sua viscosidade a 100o C. Esta não deve Viscosidade a 100 C (cSt) ser menor que 25% do valor da viscosidade do óleo quando novo. 16 12 8 4 0 0 50 100 Tempo (h) Figura V.13 – Viscosidade a 100o C do óleo lubrificante em função do número de horas de operação Uma outra indicação da queda de qualidade para troca do óleo lubrificante, segundo Metzler [78], é quando o índice de basicidade total é reduzido a menos da TBN (mg KOH/g) metade do seu valor inicial. 15 10 5 0 0 50 100 Tempo (h) Figura V.14 – Índice de basicidade total (TBN) do óleo lubrificante em função do número de hora de operação Baseado nesses dados, pode-se observar que a qualidade do óleo lubrificante chega próximo ao limite de utilização com 100 horas de operação com o óleo de dendê. 61 V.1.5.3 – Análise Visual dos Depósitos de Carbono A análise visual da formação de depósito ao longo das fases do teste, possibilita serem tiradas algumas conclusões. Os depósitos do óleo de dendê foram mais intensos e úmidos, devido ao craqueamento do combustível sugerindo não ter atingido a temperatura ideal, ao final da combustão, que proporcionasse a temperatura de auto-limpeza da câmara. A figura V.15 mostra o cabeçote dividido em áreas de depósitos. a) Depósito no topo da câmara Área 1 e 2 – Próximo ao bico injetor ao lado da válvula de escape foi observada a formação de depósitos em direção da válvula de escape a partir do bico injetor, formando uma semicircunferência. Estas áreas apresentam concentração de depósito sugerindo uma queima incompleta, causada pela pior atomização o combustível e conseqüente maior atraso de ignição. Tal fenômeno é observado no diesel com menor intensidade. A zona 1 mostra depósitos finos de carbono, provavelmente desprendidos do bico injetor, pelo vórtice do fechamento das válvulas de escape. Áreas 3, 5 e 6 – Comparando os depósitos de combustão dos dois combustíveis, observa-se a semelhança nos contornos, sendo mais intenso nos depósitos provenientes da combustão do óleo de dendê. Esses depósitos, mais próximos à parede do cilindro, ocorrem quando a combustão extingui-se na parede fria do cilindro. Área 4 – Os depósitos do óleo diesel e do óleo de dendê tem contornos similares com pouca formação de depósito. Esta região próxima da válvula de admissão, a densidade do ar é maior favorecendo uma combustão mais completa. Com o diesel é verificada, nesta área, pouca formação de depósito. Já com o dendê apresenta coloração avermelhada. 62 Figura V.15 – Zonas de Combustão 63 Figura V.16 – Após 50 horas de operação com óleo diesel - amaciamento Figura V.17 – Após 50 horas de operação com óleo de dendê “in natura” aquecido a 50o C 64 Figura V.18 - Após 200 horas de operação com óleo de dendê “in natura” aquecido a 100o C Figura V.19 - Após 350 horas de operação com óleo de dendê “in natura” aquecido a 85o C 65 Analisando as figuras V.16 a V.19 podemos observar que a formação de depósitos foi maior e mais úmida com o motor operando com óleo de dendê aquecido a 50o C devido à combustão incompleta, provocada pela maior viscosidade do óleo de dendê a essa temperatura. Após 150 horas de teste com o motor operando com óleo de dendê a 100o C, observa-se que a formação de depósito foi menor que a do motor operando com óleo de dendê a 50o C. Com o óleo aquecido até 100o C, a sua viscosidade fica próxima a do óleo diesel melhorando a atomização do jato e a vaporização do combustível, melhorando sua combustão. Entretanto, a essa temperatura do combustível, observou-se falhas e deterioração do sistema de injeção sendo necessário a diminuição da temperatura de aquecimento do combustível. Após 150 horas de teste com o motor operando com óleo de dendê a 85o C, observa-se uma tendência mais lenta de uma progressão na formação de depósito, sendo um pouco maior que a do motor operando com óleo de dendê a 100o C, contudo, menor que a formação de depósito com o combustível aquecido a 50o C. A esta temperatura (85o C) a viscosidade do óleo de dendê fica um pouco maior da viscosidade do óleo diesel a temperatura ambiente, provocando pior atomização do combustível com maior formação de depósitos. 66 b) Bicos injetores Nos bicos injetores é verificada a tendência desse motor a formação de depósito, visto que com apenas 50 horas de funcionamento com óleo diesel já foram encontrados depósitos. Com o óleo de dendê o problema se agrava devido à formação de cogumelos nas saídas dos orifícios, provocando desvio do jato e diminuindo o ângulo do spray , prejudicando a atomização . Figura V.20 – Bicos Injetores após 50 horas de amaciamento com óleo diesel Figura V.21 - Bicos Injetores após 50 horas de operação com óleo de dendê a 50o C 67 Figura V.22 - Bicos Injetores após 150 horas de operação com óleo de dendê a 100o C Figura V.23 - Bicos Injetores após 150 horas de operação com óleo de dendê a 85o C 68 Observando as figuras V.20 a V.23 observa-se que a formação de depósito é função da temperatura de aquecimento do óleo de dendê. Quanto maior a temperatura, menor a formação de depósitos nas extremidades dos bicos injetores. c) Pistão Analisando-se as figuras V.24 a V.27, observa-se na câmara toroidal do pistão, a concentração de depósitos em regiões de sua superfície lateral com posicionamento coincidente com a direção dos quatro jatos. Esta formação ocorre com o motor operando com óleo diesel e com maior intensidade com o motor operando com óleo de dendê. Isto pode ser explicado devido à pior atomização do dendê chegando mais concentrada a esse local . Figura V.24 – Câmara Toroidal na Cabeça do Pistão – amaciamento diesel 69 Figura V.25 – Câmara Toroidal na Cabeça do Pistão –50 horas de operação com óleo de dendê a 50o C. Figura V.26 – Câmara Toroidal na Cabeça do Pistão –150 horas de operação com óleo de dendê a 100o C. 70 Figura V.27 – Câmara Toroidal na Cabeça do Pistão –150 horas de operação com óleo de dendê a 85o C. 71 V.2 - ENSAIO DE UM MOTOR ASTM CFR CETANO OPERANDO COM ÓLEO DE DENDÊ “IN NATURA”. O objetivo do teste em um motor ASTM CFR Cetano foi analisar, de maneira mais controlada, o efeito de algumas variáveis, tais como, taxa de compressão, débito de combustível, avanço de injeção e temperatura do ar de admissão, sobre a combustão do óleo de dendê em motores diesel e, conseqüentemente, sobre as emissões e o desempenho do motor. Com base nos melhores resultados dos testes de durabilidade/ desempenho do motor MWM com o óleo de dendê 85o C, os testes no motor ASTM CFR cetano foram realizados somente com dendê aquecido a 85o C., devido ser um motor mais sensível às características do combustível, V.2.1 - Bancada de Teste O estudo do funcionamento do motor pôde ser mais detalhado com a utilização de um motor ASTM CFR Cetano, por que o mesmo, consiste em um motor monocilíndrico de injeção indireta com taxa de compressão variável (ver figura V.28) montado em uma base estacionária . O motor opera em rotação fixa controlada por um motor elétrico síncrono. Este motor elétrico age como motor de partida e, também como um meio de absorver a potência, a velocidade constante, quando a combustão está ocorrendo. V.2.2 - Sistema de Alimentação de Combustível Como a viscosidade do óleo de dendê a temperatura ambiente é maior que a do óleo diesel, foram realizadas algumas alterações no sistema de alimentação de combustível do motor CFR, para que se pudesse operar o motor com o óleo de dendê aquecido a 85o C (ver figura V.29). A alimentação de combustível passou a ser realizada através de dois tanques de combustível interligados, uma para o diesel e outro para dendê, fabricado em aço inoxidável equipado com uma resistência elétrica. A tubulação de alimentação, isolada termicamente, ligava-se diretamente a uma bureta calibrada, (original do motor) para permitir a medição de consumo de 72 combustível. O ajuste do débito de combustível utilizado foi o indicado pela norma ASTM D 613 [79], de 13 ± 0.2 ml/min (60 s ± 1 s por 13 ml). Figura V.28 – Motor ASTM CFR Cetano Figura V.29- Sistema de Alimentação de Combustível 73 V.2.3 - Instrumentação a) Medição de Potência Para determinação da potência efetiva produzida pelo motor, foi emprega um dinamômetro hidráulico da marca Land & Sea Inc. com capacidade para 20 kW e rotações até 100 revoluções por segundo, foi projetado para ser instalado diretamente no eixo do motor. Este dinamômetro é conectado a um microcomputador através de um módulo de aquisição de dados, permitindo o registro de dados em tempo real. Figura V.30 – Dinamômetro Land & Sea instalado no eixo do motor 74 c) Medição de Temperatura O motor CFR Cetano vem equipado com sensor de temperatura do óleo lubrificante e com termômetros para possibilitar o controle da temperatura em vários pontos do motor, tais como: - temperatura do ar de admissão – que pode ser controlado através de um termostato instalado no painel do motor ligado a uma resistência elétrica instalada no coletor de admissão; - temperatura da água de arrefecimento do cabeçote e temperatura da água de arrefecimento do motor - motor CFR opera com dois circuitos de água de arrefecimento, um aberto utilizado para resfriar o bico injetor e outro circuito fechado utilizado para resfriar o bloco e cabeçote do motor ; Para se ter um controle mais preciso da temperatura, esses termômetros foram substituídos por termopares tipo J, calibrados pelo fabricante. Somados a esses termopares foram instalados outros termopares para registrar e controlar a temperatura dos gases de exaustão, do óleo de dendê no tanque de combustível e na entrada da bomba injetora. Figura V.31 – Locais de medição de temperatura 75 Em composição ao sistema de medição de temperatura, foi empregada uma placa de aquisição de dados de fabricação da Omega que utiliza uma temperatura de referência interna do próprio equipamento (Tempbook) para a leitura do termopar. Figura V.32 – Sistema de Aquisição de Dados de Temperatura d) Sistema de Medição do Atraso de Ignição e Avanço de Injeção O motor CFR vem equipado com um medidor de atraso de ignição “Ignition Delay Meter” que é um medidor transistorizado que mede o atraso de ignição do combustível, através de um sensor de pressão instalado na câmara de combustão (pick up) e sensores de posição instalados no volante do motor. Este instrumento também mede o avanço de injeção através de um sensor instalado no bico injetor que indica o instante de início de injeção de combustível e, com o auxílio dos sensores de posição instalados no volante do motor, registra o ângulo de início de injeção de combustível. 76 Figura V.33 – Medidor de Atraso de Ignição e Avanço de Injeção e) Sistema de Medição de Pressão de Combustão em Relação ao Ângulo do Eixo de Manivela. Para registrar a evolução da pressão dentro do cilindro em função da variação do ângulo do eixo de manivela foi utilizado um sistema de aquisição de dados composto de um medidor do ângulo do eixo de manivela da AVL 364 Angle Encoder com resolução de 0.1o, instalado no eixo do motor. Os pulsos gerados por esse instrumento passam por um convertedor de pulso e uma fonte ligados a uma placa /software de AVL 617 Indimeter. O sensor de pressão da 6021 da Kistler foi instalado no local do transdutor de pressão do medidor de atraso de ignição. Os sinais do sensor passam por um amplificador de carga conectado à placa AVL 617. Através desses sinais esse sistema realizava o cálculo da pressão máxima do ciclo, o ângulo de pressão máxima e a pressão média indicado do ciclo. 77 Figura V.34 – Sistema de Medição do Ângulo do Eixo de Manivela Figura V.35 – Medidor do Ângulo do Eixo de Manivela AVL 78 Figura V.36 – Exemplo de gráfico gerado pelo sistema AVL f) Medição da Vazão de Ar Admissão A medição da vazão do ar de admissão é realizada através de um tambor com bocal calibrado ligado a um manômetro inclinado em mmH2O. O consumo de ar pelo motor provoca uma queda de pressão, e a pressão no interior do tambor é indicada pelo manômetro. A relação entre a depressão do consumo de ar e a vazão de ar é feita através da curva de calibração do bocal. O propósito da utilização do tambor é o de amortecer as oscilações provocadas pelo movimento alternativo do pistão. 79 Figura V.37 – Desenho esquemático do sistema de medição de vazão de ar V.2.4 - Planejamento de Experimento O planejamento de experimento é uma ferramenta importante para a orientação de testes com o objetivo de reduzir o tempo e custo do trabalho experimental [80]. Com esse objetivo elaborou-se um programa experimental, no qual foram definidas quais, como e em que seqüência as variáveis deveriam ser medidas, tentando-se identificar quais as mais importantes no processo e aquelas que poderiam ser minimizadas, avaliando-se a uniformidade dos erros nas diversas regiões de experimentação. 80 Especificamente com relação aos testes, o planejamento orientou a definição do grau de dependência entre as variáreis fundamentais, que poderiam afetar o funcionamento. O planejamento de experimento estabeleceu a quantidade de réplicas e a forma de replicações e como os dados seriam analisados [80]. Baseado nas características das variáveis a serem medidas optou-se por empregar o planejamento fatorial , que ó o mais eficiente para experimentos com mais de dois fatores, no intuito de minimizar o número de teste e réplicas a serem realizadas (tamanho da amostra). Os testes normais de média e variância foram implementados para determinação de um programa de teste mínimo [81]. Os requisitos básicos para o estabelecimento de um programa de testes visaram atender os objetivos acadêmicos chegando à proposta final de realizar um trabalho experimental, onde uma analogia entre os desempenhos do motor operando com óleo diesel e de dendê pudesse ser realizada, através de ensaios em condições semelhantes de operação. Com o objetivo de propor modificações em diesel-geradores para que os mesmos possam operar com óleo de dendê “in natura “ com melhor desempenho, e ainda, como o motor CFR que possibilita a modificação da taxa de compressão, do débito de combustível, do avanço de injeção e da temperatura do ar de admissão, optou-se por definir essas variáveis como as de controle. Cada uma dessas variáveis foi estudada separadamente, já que a realização da combinação de todas elas levaria a tempo e custo elevados de testes. Definiram-se, dessa forma, as variáveis independentes para o estabelecimento de um planejamento fatorial, visando números mínimos de teste e de réplicas. As faixas escolhidas para os testes com cada combustível foram função das faixas usualmente adotadas em operação de motores e também em função da sensibilidade do CFR. 81 V.2.5 - Procedimento de teste O procedimento de teste desenvolvido teve como base o método de teste padrão para avaliar a qualidade de ignição de combustíveis diesel pelo método cetano, desenvolvida pela ASTM sob o código D 613. O número de cetano de um combustível diesel é determinado pela comparação de sua qualidade de ignição com as de um de combustível de referência, de conhecido número de cetano sob condições padrão de operação. Esta comparação é feita pela variação da taxa de compressão necessária para que uma amostra de combustível atinja 13 graus de atraso de ignição, ou seja, um combustível de pior qualidade necessita de uma taxa de compressão maior para que seu atraso de ignição atinja 13 graus. As condições padrão de operação são: - Rotação: 900 ± 9 rpm; - Avanço de injeção: 13 graus antes do PMS - Pressão de abertura do injetor: 10.3 ± 0.34 MPa - Vazão de combustível: 13 ± 0.2 ml/min - Temperatura da água de arrefecimento do injetor: 38o ± 3 C - Temperatura da água de arrefecimento do motor: 100o ± 2 C - Pressão do óleo lubrificante: 0.17 a 0.20 Mpa - Temperatura do óleo lubrificante: 57o ± 8 C - Temperatura do ar de admissão: 66o ± 0.5o C Baseado nessas informações, o procedimento visa estabelecer uma metodologia de testes que possibilite a comparação de desempenho entre o óleo diesel e o óleo de dendê sob as mesmas condições de teste, e a identificação da influência da taxa de compressão, débito de combustível, avanço de injeção e temperatura do ar de admissão no desempenho do motor e emissões de poluentes. Para atingir estes objetivos foram realizados testes que tinham como metodologia a fixação de 3 das 4 variáveis da acima citadas, variando-se apenas uma delas por vez. A variável alterada era testada em 3 pontos distintos, estipulados, de acordo com o interesse da pesquisa e das possibilidades de operação do motor. A rotina de teste seguiu a seguinte seqüência de operação: 82 A partida do motor era dada com óleo diesel permanecendo-se nessa condição (aquecimento) durante 30 minutos, para que fossem atingidas as condições ideais de funcionamento (V.2.5). Esse critério foi usado para atenuar os problemas causados pela pior atomização e vaporização do combustível quando o motor estivesse frio, levando a formação de depósito. Após o aquecimento, iniciava-se o primeiro ciclo de teste seguindo o seguinte procedimento: 1. Verificar e ajustar a temperatura do ar de admissão; 2. Medir e ajustar o débito de combustível, através da bureta calibrada e cronômetro; 3. Verificar e ajustar o avanço de injeção; 4. Verificar o atraso de ignição através da variação da taxa de compressão do motor; 5. Depois de estabilizadas as condições de teste os valores eram registrados. Para proteção do motor, o tempo de teste para cada determinação com óleo de dendê era restrito à no máximo 30 minutos [82], intercalados por 15 minutos operando com óleo diesel. Após o término dos testes diários, o motor permanecia funcionando durante 30 minutos com óleo diesel para promover uma limpeza no sistema de injeção. Esse cuidado era tomado para evitar a solidificação do combustível na tubulação, causando entupimento após o desligamento do motor. V.2.6 - Descrição dos Testes Os teste no motor CFR Cetano foram realizados em etapas distintas. A primeira etapa consistiu no enquadramento do motor e determinação do número de cetano dos combustíveis. O enquadramento do motor é realizado através de vários testes com combustíveis de altíssima pureza que calibram o motor estabelecendo uma escala de número de cetano. Depois de estabelecida essa escala do númeto de cetano, iniciaram-se os testes para determinação do número de cetano do óleo diesel e do óleo de dendê utilizados nos testes. 83 Na determinação eram registrados os valores dos micrômetros de controle de débito de combustível, e de avanço de injeção e os valores da posição do volante do pistão da pré-câmara. Esses valores foram usados como “padrão de desempenho”, isto é, o motor operando com óleo diesel nas condições padrão (13 graus de avanço/13 graus de atraso/13 ml/min de débito/ 66o C ar de admissão) foi utilizado como referência. Estabelecida esta condição, iniciou-se a segunda fase de testes que compreendeu na determinação dos parâmetros de desempenho e emissões do motor e levantamento de curvas características. Como citado anteriormente, para a determinação dos parâmetros de desempenho e emissões de poluentes foram realizados testes que tinham como metodologia a fixação de 3 das 4 variáveis da condição padrão, com o motor operando com diesel, variando-se apenas uma delas. A variável alterada era testada em 3 pontos distintos, estipulados, de acordo com o interesse da pesquisa e das possibilidades de operação do motor. ⇒ avanço de injeção: 11, 13 e 15 graus antes do PMS. Essa faixa de avanço de injeção corresponde à faixa usual de operação dos motores diesel [59]; ⇒ débito de combustível: 13, 14 e 16 ml/min. Inicialmente foram definidas faixas maiores de variação de débito de combustível, entretanto, foram constatados problemas de depósito no pistão da pré-câmara alterando, inclusive, a taxa de compressão. Dessa forma optou por faixas menores de variação de débito. ⇒ taxa de compressão: 11.91:1, 12.39:1 e 13.86:1. Inicialmente, também, foram definidas faixas maiores de variação de taxa de compressão, entretanto, foi observado que com taxas maiores, a combustão desses combustíveis gerava uma sobre carga no motor síncrono o motor e com taxas menores não ocorria a combustão. Dessa forma optou por faixas menores de taxa de compressão. ⇒ temperatura do ar de admissão: 30o C, 45o C e 66o C. Essas temperaturas foram escolhidas por representaram a média da temperatura ambiente de certas regiões do país (Sudeste (30o C), Norte (45o C)). A temperatura de 66o C é a temperatura utilizada no método de determinação do número de cetano. Em cada uma dessas condições os teste eram realizados registrando-se as alterações no atraso e avanço de injeção, emissões de poluentes, e potência efetiva. 84 Os testes com o óleo de dendê utilizaram como referência os dados do motor operando com diesel, isto é, os valores registrados nos micrômetros de ajuste do débito de combustível e avanço de injeção, bem como, os valores registrados no volante do pistão da pré-câmara e as temperaturas do ar de admissão eram os mesmos utilizados com o motor operando com óleo de dendê. Essa medida foi tomada para que fosse possível perceber as diferenças no desempenho e emissões com o motor operando com os dois óleos. O levantamento das curvas características do motor foi realizado com o auxílio do sistema de medição de pressão de combustão em relação ao ângulo do eixo de manivela da AVL, onde foi possível registrar a influência que cada combustível sofre com a alteração das variáveis estudadas. V.2.7 - Resultados dos testes V.2.7.1 – Análise dos Resultados Obtidos Nesse item são apresentados os gráficos de potência, temperatura dos gases de escape, consumo específico (sfc), eficiência térmica (ηt), emissões e evolução da pressão no interior do cilindro. Analisando a figura V.38, verifica-se como esperado um aumento progressivo da potência com o aumento do débito de combustível. Observa-se também que a potência desenvolvida com o óleo de dendê é menor nas três faixas de débito de combustível, devido ao seu menor poder calorífico. Entretanto, é possível observar que aumentando-se o débito de combustível do óleo de dendê em menos de 10% (débito 14) atinge-se a mesma potência do motor quando utilizando óleo diesel como combustível (débito 13) 85 Potência (kW) 3,5 3,3 3,1 2,9 2,7 2,5 DÉBITO 13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.38 – Potência em função do débito de combustível Analisando o gráfico do consumo específico e eficiência térmica (figura V.39 e 40), verifica-se que este é maior com menores débitos de combustível. Apesar do consumo específico do dendê ser maior cerca de 11%, a potência do motor operando com o óleo de dendê é menor. Uma observação interessante é que no motor CFR quando se regula o micrômetro do débito de combustível, a vazão deveria permanecer a mesma não importando o tipo combustível, exceto por sua viscosidade. Entretanto, a vazão volumétrica do óleo de dendê foi maior cerca de 5%. Como a viscosidade do óleo de dendê a essa temperatura (85o C) é um pouco maior que a do diesel a agulha do bico injetor que levanta antes do que com o motor operando com óleo diesel, Consumo Específico (g/kWh) provocando maior avanço de injeção, e fecha mais tarde [83]. 350 300 250 200 150 DÉBITO 13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.39 – Consumo específico em função do débito de combustível 86 Eficiência Térmica (%) 38% 36% 34% 32% 30% DÉBITO 13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.40 – Eficiência térmica em função do débito de combustível Ao contrário do que ocorreu no motor MWM a temperatura dos gases de exaustão (figura V.41, 52, 62 e 72) foi menor com o motor operando com óleo de dendê do que com óleo diesel. Devido ao maior avanço de injeção quando o motor opera com óleo de dendê, a combustão ocorre mais cedo permitindo que os gases de exaustão saiam com temperaturas menores. Além disso, era esperado um melhor desempenho de óleos vegetais em motores de injeção indireta ASTM CFR, Temperatura de Exaustão (C) devido sua maior turbulência dentro da câmara de combustão. 350 330 310 290 270 250 DÉBITO 13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.41 – Temperatura dos gases de exaustão em função do débito de combustível 87 Da mesma forma, as emissões de CO, CO2 e HC (figura V.42 a 44) com o motor operando com óleo de dendê foram menores do que com diesel. Este fato não era esperado, devido à menor razão ar/combustível do dendê, já que o consumo de combustível foi maior, com o motor operando com dendê. Uma possível explicação para menor emissão de CO seria a presença do oxigênio na molécula do combustível. 0,16 CO(%) 0,12 0,08 0,04 0,00 DÉBITO13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.42 – Monóxido de carbono em função do débito de combustível 11,0 CO2 (%) 10,5 10,0 9,5 9,0 8,5 8,0 DÉBITO13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.43 – Dióxido de carbono em função do débito de combustível 88 HC (ppm) 200 150 100 50 0 DÉBITO 13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.44 – Hidrocarbonetos em função do débito de combustível As emissões NOx foram maiores (figura V.45) com o dendê do que com o diesel, devido à menor relação ar/combustível, já que a emissão de NOx aumenta com o aumento da relação combustível/ar [66]. Com o débito de 14 ml/min a emissão de NOx atingiu níveis maiores do que com o débito de 16 ml/min, isto pode ser explicado pelo menor atraso de ignição (12.5) experimentalmente verificado do óleo de dendê a este débito. NOx (ppm) 550 450 350 250 DÉBITO13 DÉBITO 14 diesel DÉBITO 16 dendê Figura V.45 – Óxidos de nitrogênio em função do débito de combustível Analisando as figuras V.46 a 48, é possível observar o maior atraso de ignição do óleo de dendê, devido ao seu menor número de cetano, em relação ao diesel, provocando um deslocamento da curva de pressão para a direita do gráfico. 89 Devido ao menor poder calorífico do óleo de dendê, a curva de pressão apresentou valores menores que a do diesel, o que gerou menor potência. A figura V.46 representa a curva de pressão no cilindro nas condições de operação de referência – débito de combustível 13 ml/min; taxa de compressão 12.36, avanço de injeção 13 graus e temperatura do ar de admissão 66o C. Débito de com bustível 13m l/m in Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70-60 -50-40-30 -20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.46 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – débito 13 ml/min Débito de com bustível 14m l/m in Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.47 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – débito 14 ml/min 90 Débito de com bustível 16m l/m in Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.48 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – débito 16 ml/min A influência da variação da taxa de compressão no desempenho do motor pode ser observada na figura V.49. Observa-se, como esperado, que a potência do motor aumenta com o aumento da taxa de compressão. Da mesma forma, a verificase a menor potência desenvolvida pelo motor operando com óleo de dendê, ao longo dessa variação, em relação ao óleo diesel. Entretanto, é possível observar, como no caso da variação do débito de combustível, que aumentando-se a taxa de compressão, neste motor, em torno de 4%, a potência desenvolvida pelo motor operando com óleo de dendê (taxa 12,36) fica próxima da do motor operando com óleo diesel (taxa 11.91). Potência (kW) 3,5 3,0 2,5 2,0 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.49 – Potência em função da taxa de compressão 91 Através dos gráficos de consumo específico e eficiência térmica (figura V.50 e 51), pode ser observado o pior desempenho do motor operando com óleo de Consumo Específico (g/kWh) dendê, como esperado. 350 300 250 200 150 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.50 – Consumo específico em função da taxa de compressão Eficiência Térmica (%) 45% 40% 35% 30% 25% 20% TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.51 – Eficiência térmica em função da taxa de compressão A temperatura de exaustão (figura V.52), com o motor operando com óleo diesel, teve um ligeiro aumento com o aumento da taxa de compressão, fato já esperado devido o aumento da pressão e da temperatura do ar dentro do cilindro, com o aumento da compressão. Observa-se novamente que a temperatura de exaustão de do motor operando com dendê foi menor que com diesel. Temperatura de Exaustão (C) 92 280 270 260 250 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.52 – Temperatura dos gases de exaustão em função da taxa de compressão As emissões de CO e HC (figura V.53 e 54) diminuíram com o aumento da taxa de compressão, com esperado já que o motor operando com taxas de compressão maiores a temperatura mínima de auto-ignição diminui com o aumento da densidade do ar, reduzindo o atraso de ignição. As emissões com óleo de dendê apresentaram um percentual menor (como ocorrido no motor MWM operando com óleo de dendê a 85o C). 0,12 CO (%) 0,09 0,06 0,03 0 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.53 – Monóxido de carbono em função da taxa de compressão 93 250 HC (ppm) 200 150 100 50 0 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.54 – Hidrocarbonetos em função da taxa de compressão As emissões CO2 e NOx (figura V.55 e 56) tiveram comportamento semelhante nos dois combustíveis. A emissão de NOx aumentou com a taxa de compressão devido às maiores temperaturas de combustão com taxas maiores. Observa-se que com taxas de compressão maiores às emissões do motor operando com óleo de dendê, tornam-se próximas as do diesel, devido à diminuição do atraso de ignição. CO2 (%) 8,8 8,6 8,4 8,2 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.55 – Dióxido de carbono em função da taxa de compressão 94 NOx (ppm) 600 500 400 300 200 TAXA 11,91 TAXA 12,36* diesel TAXA 13,86 dendê Figura V.56 – Óxidos de nitrogênio em função da taxa de compressão Analisando as figuras V.57, é possível observar o maior atraso de ignição do óleo de dendê, devido ao seu menor número de cetano, em relação ao diesel, provocando um deslocamento da curva de pressão para a direita do gráfico. Devido ao menor poder calorífico do óleo de dendê, a curva de pressão apresentou valores menores que a do diesel, o que gerou menor potência. Taxa de com pressão 11,91 Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.57 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – taxa de compressão 11.91 É possível observar na figura V.58 o maior atraso de ignição do óleo de dendê em relação ao diesel. Entretanto, com o aumento da taxa de compressão, o maior atraso provocou um aumento na pressão máxima do ciclo, devido à maior 95 quantidade de combustível (dendê) queimada. Na fase da combustão controlada, observa-se o que o menor poder calorífico do oléo de dendê gera menores pressões de combustão. Taxa de com pressão 13.89 Pressão (bar) 50 40 30 20 10 0 -80 -70 -60-50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.58 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – taxa de compressão 13.89 A influência da temperatura de admissão do ar pode ser observada nas figuras V.59 a 68. Observa-se a queda da potência com a diminuição da temperatura do ar de admissão, apesar da maior massa de ar admitida. Isso pode ser explicado devido ao maior atraso de ignição provocado pela diminuição da temperatura. A influência da temperatura ar de admissão sobre o atraso de ignição foi maior com o diesel (25% maior a 30o C) do que com o dendê (8% maior a 30o C) . Maiores temperaturas do ar de admissão, melhoram a vaporização do combustível, diminuindo o atraso de ignição. Isso faz com que a queda de potência seja maior com o diesel do que com o dendê. 96 Potência (kW) 3,0 2,8 2,6 2,4 2,2 2,0 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.59 – Potência em função da temperatura do ar de admissão O consumo específico (figura V.60) do óleo dendê foi maior que do diesel repercutindo numa menor eficiência térmica do combustível. Entretanto, é possível observar que com o ar de admissão a 30o C os valores do consumo específico dos Consumo Específico (g/kWh) dois combustíveis se tornam bem próximos (figura V.61). 300 250 200 150 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.60 – Consumo específico em função da temperatura do ar de admissão 97 Eficiência Térmica (%) 39% 37% 35% 33% 31% 29% 27% 25% AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.61 – Eficiência térmica em função da temperatura do ar de admissão A temperatura de exaustão (figura V.62) apresenta resultados não esperados com menores temperaturas de exaustão para o motor operando com óleo de dendê , Temperatura de Exaustão (C) como ocorrido anteriormente. 280 275 270 265 260 255 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.62 – Temperatura dos gases de exaustão em função da temperatura do ar de admissão As emissões de monóxido de carbono (figura V.63), novamente, apresentaram níveis menores com o motor operando com o óleo de dendê do que com o óleo diesel. Com o primeiro os níveis foram praticamente estáveis, já com o diesel o aumento da massa de ar com a diminuição da temperatura de admissão, empobreceu a mistura resultando em menores níveis de CO (ar 30o C). 98 0,15 CO (%) 0,12 0,09 0,06 0,03 0 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.63 – Monóxido de carbono em função da temperatura do ar de admissão As emissões de CO2 (figura V.64) obtiveram valores próximos com o motor operando com óleo de dendê e óleo diesel, com tendência a diminuir com a diminuição da temperatura do ar de admissão. As emissões de HC e NOx (figura V.65 e 66) obtiveram valores próximos com o motor operando com óleo de dendê e óleo diesel. 9 CO2 (%) 8,7 8,4 8,1 7,8 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.64 – Dióxido de carbono em função da temperatura do ar de admissão 99 140 HC (ppm) 135 130 125 120 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.65 – Hidrocarbonetos em função da temperatura do ar de admissão 410 390 NOx (ppm) 370 350 330 310 290 270 250 AR 66 AR45 diesel AR 30 dendê Figura V.66 – Óxidos de nitrogênio em função da temperatura do ar de admissão Na figura V.67, observa-se que a maior massa específica do ar com a diminuição da temperatura do ar de admissão de 66o C para 45o C, e o maior atraso de ignição provocado pela diminuição dessa temperatura, proporcionou um aumento nas pressões de combustão na fase da combustão descontrolada, devido à maior quantidade de ar e combustível disponível nesta fase. Este fato provocou um ligeiro aumento na potência desenvolvida, apesar da curva de pressão, na fase da combustão descontrolada, ter obtido valores menores quando comparados ao diesel. 100 Tem peratura do ar adm issão 45 C 50 diesel dendê Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70 -60-50 -40-30 -20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.67 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – temperatura do ar de admissão 45o C Na figura V.67, observa-se que apesar da maior massa específica do ar, com a diminuição da temperatura do ar de admissão de 45o C para 30o C,as pressões de combustão do dendê foram menores do que as do diesel. Isso pode ser explicado pelo maior atraso de ignição que a diminuição da temperatura causou, provocando um deslocamento da curva de pressão para a direita do gráfico. Tem peratura do ar adm issão 30 C Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.68 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – temperatura do ar de admissão 30o C 101 As figuras V.69 a 79 mostram os gráficos do desempenho do motor com a variação do avanço de injeção. Observa-se o comportamento similar da potência do motor operando com óleo diesel e de dendê, com maior potência desenvolvida para o diesel. É possível observar o aumento da potência com o aumento do avanço de injeção. O aumento do avanço de injeção de 11 para 13 graus para os dois combustíveis. Neste motor um avanço de injeção de 11 graus do PMS, faz com que a combustão se inicie depois do PMS, (já que o atraso de ignição é de aproximadamente 13 graus), causando menores pressões máximas. Potência (KW) 3,0 2,8 2,6 2,4 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.69 – Potência em função do avanço de injeção O consumo específico e a eficiência térmica do combustível (figura V.70 e 71) foram piores com o motor operando com óleo de dendê, apresentando melhor Consumo Específico (g/kWh) desempenho com avanço de 15 graus. 350 300 250 200 150 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.70 – Consumo específico em função do avanço de injeção 102 Eficiência Térmica (C) 45% 40% 35% 30% 25% AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.71 – Eficiência térmica em função do avanço de injeção A temperatura de exaustão (figura V.72) apresenta uma tendência de aumentar com a diminuição do avanço de injeção, devido à combustão começar Temperatura de Exaustão (C) mais tarde se processando ao longo da expansão. 290 280 270 260 250 240 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.72 – Temperatura dos gases de exaustão em função do avanço de injeção As emissões de CO (figura V.73) apresentaram níveis menores com tendência de diminuir com o aumento do avanço de injeção. O aumento do avanço da injeção dificulta a vaporização do combustível aumentando, assim, o atraso de ignição, devido ao fato do jato de combustível encontrar pressões e temperaturas menores [53]. Entretanto, permite que a combustão se inicie antes do PMS, 103 proporcionando pressões e temperaturas de combustão maiores, gerando emissões menores de CO e HC e maiores de CO2 e NOx (figura V.74, 75 e 76). 0,12 CO (%) 0,09 0,06 0,03 0 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.73 – Monóxido de carbono em função do avanço de injeção 9,1 CO2 (%) 8,9 8,7 8,5 8,3 8,1 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.74 – Dióxido de carbono em função do avanço de injeção 700 NOx (ppm) 600 500 400 300 200 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.75 – Óxidos de nitrogênio em função do avanço de injeção 104 160 HC (ppm) 150 140 130 120 110 AVANÇO 11 AVANÇO13 diesel AVANÇO 15 dendê Figura V.76 – Hidrocarbonetos em função do avanço de injeção Analisando a figura V.77, é possível observar o maior atraso de ignição do óleo de dendê, devido ao seu menor número de cetano, em relação ao diesel, provocando um deslocamento da curva de pressão para a direita do gráfico. Devido ao menor poder calorífico do óleo de dendê, a curva de pressão apresentou valores menores que a do diesel, o que gerou menor potência. Avanço de injeção 15 graus Pressão (bar) 50 40 30 20 10 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.77 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – avanço de injeção 15 graus 105 Com a diminuição do avanço de injeção, a combustão se inicia depois do PMS, já que o atraso de ignição é de aproximadamente 13 graus, gerando pressões e temperaturas menores de combustão. Entretanto, é possível observar na figura V.78 que as pressões na fase da combustão descontrolada foram maiores com o motor operando com dendê do que com diesel nas mesmas condições. Como a injeção do dendê ocorrer antes que a do diesel devido à sua maior viscosidade, como explicado anteriormente, a combustão do motor operando com óleo de dendê ocorre com maior quantidade de combustível, provocando um aumento de pressão. Já na fase da combustão descontrolada, o menor poder calorífico do dendê gera pressões menores que a do diesel. Avanço de injeção 11 graus Pressão (bar) 40 30 20 10 0 -80-70-60 -50-40-30-20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) diesel dendê Figura V.78 – Gráfico comparativo das pressões geradas no interior do cilindro com o motor operando com óleo diesel e de dendê – avanço de injeção 11 graus A opacidade do motor operando com diesel e dendê foi medidas mas como o motor operou sem carga, os valores emitidos foram menores que a precisão do instrumento, por isso não constam neste trabalho. 106 V.2.7.2 -Correlação de Dados Um dos principais objetivos de uma distribuição de dados é descrever a associabilidade existente entre as variáveis [82], isto é, conhecer o grau de dependência entre elas, de modo que se possa prever melhor o resultado de uma delas quando conhecemos a realização da outra. Quando existe dependência, é sempre interessante quantificar essa dependência. De um modo geral, a quantificação do grau de dependência ente duas variáveis é feita por coeficientes de correlação, que são medidas que descrevem com um único número a dependência entre duas variáveis. Esses coeficientes variam de zero até um, e a aproximação do zero indica total independência. Como se deseja analisar a influência que a vazão de combustível, o avanço de injeção de combustível, a taxa de compressão e a temperatura do ar de admissão têm sobre o desempenho do motor, foi realizado um estudo da correlação dessas variáveis com um parâmetro de desempenho do motor, a potência. A seguir são apresentados os gráficos da correlação das variáveis acima citadas. Os pontos marcados no gráfico são as médias de potência desenvolvida pelo motor, operando com óleo diesel e óleo de dendê. O tipo de associação utilizada foi a linear que julga o quanto pontos de um gráfico se aproximam de uma reta. 107 VAZÃO vs POTÊNCIA (DIESEL) POT = -1,580 + ,33000 * VAZÃO Correlação: r = ,95382 3,9 POTÊNCIA (kW) 3,7 3,5 3,3 3,1 2,9 2,7 12,5 13,0 13,5 14,0 14,5 15,0 15,5 16,0 16,5 Regression 95% confid. VAZÃO (ml/min) Figura V.79 – Correlação da Potência com a Vazão de Combustível (diesel) VAZÃO vs. POTÊNCIA (DENDÊ) POT = ,43571 + ,16286 * VAZÃO Correlação: r = ,99988 3,1 POTÊNCIA (kW) 3,0 2,9 2,8 2,7 2,6 2,5 12,5 13,0 13,5 14,0 14,5 15,0 15,5 16,0 16,5 Regression 95% confid. VAZÃO (ml/min) Figura V.80– Correlação da Potência com a Vazão de Combustível (dendê) 108 TAXA DE COMPRESSÃO vs POTÊNCIA (DIESEL) POT = -1,101 + ,30743 * TAXA Correlação r = ,93531 3,2 3,1 POTÊNCIA (kW) 3,0 2,9 2,8 2,7 2,6 2,5 2,4 11,6 12,0 12,4 12,8 13,2 13,6 14,0 Regression 95% confid. TAXA COMPRESSÃO Figura V.81 – Correlação da Potência com a Taxa de Compressão (diesel) TAXA DE COMPRESSÃO vs POTÊNCIA (DENDÊ) POT = 1,4574 + ,08465 * TAXA Correlação: r = ,89949 2,64 POTÊNCIA (kW) 2,60 2,56 2,52 2,48 2,44 2,40 11,6 12,0 12,4 12,8 13,2 13,6 14,0 Regression 95% confid. TAXA DE COMPRESSÃO Figura V.82 – Correlação da Potência com a Taxa de Compressão (dendê) 109 TEMP. AR ADMISSÃO vs POTÊNCIA (DIESEL) POT = 1,7130 + ,01774 * T.AR Correlação: r = ,94404 2,9 2,8 POTÊNCIA (kW) 2,7 2,6 2,5 2,4 2,3 2,2 2,1 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Regression 95% confid. TEMPERATURA DO AR DE ADMISSÃO (C) Figura V.83 – Correlação da Potência com a Temperatura do Ar de Admissão (diesel) TEMP. AR ADMISSÃO vs POTÊNCIA (DENDÊ) POT = 2,6085 - ,0005 * T.AR Correlação: r = -,1962 2,66 POTÊNCIA (kW) 2,64 2,62 2,60 2,58 2,56 2,54 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Regression 95% confid. TEMPERATURA DO AR DE ADMISSÃO (C) Figura V.84 – Correlação da Potência com a Temperatura do Ar de Admissão (dendê) 110 AVANÇO vs POTÊNCIA (DIESEL) POT = 1,8400 + ,07000 * AVANÇO Correlação: r = ,89626 2,90 POTÊNCIA (kW) 2,84 2,78 2,72 2,66 2,60 2,54 10,5 11,5 12,5 13,5 14,5 15,5 Regression 95% confid. AVANÇO (graus) Figura V.85 – Correlação da Potência com o Avanço de Injeção (diesel) AVANÇO vs POTÊNCIA (DENDÊ) POT = 1,8592 + ,05750 * AVANÇO Correlação: r = ,91975 2,78 2,74 POTÊNCIA (kW) 2,70 2,66 2,62 2,58 2,54 2,50 10,5 11,5 12,5 13,5 14,5 15,5 Regression 95% confid. AVANÇO (graus) Figura V.86 – Correlação da Potência com o Avanço de Injeção (dendê) 111 Observando as figuras V.79 e 80, é possível verificar através dos fatores de correlação próximos da unidade (0.95392 para o diesel e 0.99988 para o dendê), a alta correlação do aumento de potência com o aumento da vazão de combustível, como já esperado. Observa-se também que a correlação dessas variáveis com o motor operando com óleo de dendê é bem maior, mostrando uma relação mais linear da variação da potência com a vazão de combustível para o motor operando com esse óleo. Isso pode ser explicado pelo fato do enquadramento do motor ASTM CFR (vazão 13 ml/min) ser ajustado para iniciar a combustão no ponto morto superior (PMS). Com o aumento do débito de combustível, o ponto de injeção (como explicado no item V.2.7.1) antecipa-se e assim, a combustão inicia-se antes do ponto morto superior, no caso do diesel, aumentando as pressões máximas e a potência desenvolvida. No caso do motor operando com óleo de dendê, como o avanço já é maior provocado pela viscosidade mais alta desse combustível (item 2.7.1) e o atraso também é maior devido seu número de cetano menor, a combustão acaba ocorrendo próximo ao PMS, gerando curvas de pressão proporcionais a vazão de combustível. Observando as figuras V.81 e 82, verifica-se que há uma boa correlação, como também esperado, entre a potência e a taxa de compressão. Entretanto, o aumento da potência com o aumento da taxa de compressão foi menos sensível com o motor operando com óleo de dendê, comprovado pelo menor coeficiente de correlação (0.93531 para o diesel e 0.89949 para o dendê). Como o óleo diesel é mais volátil, o aumento da taxa de compressão e conseqüente aumento de temperatura dentro do cilindro, causa maior influência no atraso de ignição influindo diretamente na potência desenvolvida [60]. Da mesma forma, o aumento de temperatura do ar de admissão (figuras V.83 e 84) também teve menor influência no atraso de igniçãocom o motor operando com óleo de dendê, não demonstrando correlação com a potência. No caso do diesel, a influência da temperatura do ar de admissão sobre o atraso de ignição foi maior do que o benefício que a maior massa de ar admitida com temperaturas mais baixas pudesse ter sobre a potência, provocando menos potência. Observando as figuras V.85 e 86, verifica-se que há uma boa correlação, como também esperado, entre essas variáveis. Entretanto, o aumento da potência com o aumento do avanço de injeção foi menos sensível com o motor operando com óleo diesel, comprovado pelo menor coeficiente de correlação (0.89626 para o diesel e 0.91975 para o dendê). 112 Como exposto anteriormente, no caso do aumento de vazão de combustível, a influência a correlação foi maior com o motor operando com óleo de dendê. Como o atraso de ignição do óleo de dendê é maior, o aumento do avanço de injeção permite que a combustão se inicie próximo ao PMS, gerando pressões proporcionais com o aumento do avanço de injeção. V.2.8 - Quantitativo de Experimentos Este item tem por objetivo apresentar uma avaliação dos resultados obtidos, quanto à consistência, para serem empregados em uma análise de desempenho de motores avaliando a necessidade de continuidade dos testes [80]. A partir da definição do formato do projeto fatorial realizaram-se todos os testes de desempenho. De posse dos resultados, foi possível analisar o número de réplicas adotadas a partir da avaliação dos dados obtidos, submetendo-os a testes de média e de variancia. Nas faixas de interesse dos testes de desempenho obteve-se os valores de potência. Esses valores de potência foram utilizados para verificação e análise do planejamento de experimento empregado nessa pesquisa, onde foi previamente determinada a realização dos testes considerando-se que três réplicas seriam suficientes, para garantir uma análise de desempenho com razoável segurança. A seguir é apresentada a metodologia de verificação do projeto fatorial de experimento adotado, onde estão estabelecidas as variáveis independentes utilizadas para exemplo de análise, que são a vazão de combustível e tipo de combustível, para as quais foram adotadas as faixas de referência. Para iniciação da metodologia de cálculo é, primeiramente, estabelecido o controle das variáveis chamando-se de: a − número de faixas para combustível; b − número de faixas para vazão de combustível; n − número de réplicas; Dando seqüência à metodologia de cálculo, verificou-se o somatório dos trabalhos realizados em cada condição de operação estipulada para os testes de desempenho. A seguir é apresentada a tabela V.1 com o resumo dos testes. 113 RESUMO DOS RESULTADOS DOS TESTES (W) Combustível Vazão 13 diesel 283 282 284 dendê 253 255 256 SOMA Vazão 14 849 288 288 285 765 269 274 273 SOMATÓRIO A 1614 SOMATÓRIO B SOMA 861 816 Vazão 16 330 329 325 307 302 304 SOMA GERAL 964 1677 SOMATÓRIO C 913 1897 Tabela V.1 - Somatório das Faixas de Operação Planejadas Como rotina de procedimento para avaliação, a seguir são apresentadas as equações representantes das variâncias no experimento, visando detectar o erro. SS Erro = SS Total − SS comb − SS vazão − SS Inter (V.1) onde: SS Total − somatório geral das variâncias do experimento; SS comb − variância referente às variações de combustível; SS vazão − variância referente às variações de vazão de combustível; SS Inter − variância referente à interação entre variáveis; SS Erro − variância referente à confiabilidade do experimento; Essas variâncias foram calculadas a partir das seguintes expressões: SS Total 2 Y••• = ∑ ∑ ∑Y − i =1 j =1k =1 abn a b n 2 ijk Yi•2• Y•2•• − abn i =1 bn (V.2) a SS comb = ∑ b Y•2j • j =1 an a b SS vazão = ∑ SS Inter = ∑∑ i =1 j =1 − Yij2• n Y•2•• abn − Y•2•• − SS comb − SS vazão abn (V.3) (V.4) (V.5) 5188 114 onde; Y••• − somatório geral; Yi•• − Somatório das linhas; Y• j• − Somatório das colunas; Y•• k − elementos de testes; F0 − relação entre a soma dos quadrados de cada faixa e a soma do erro; Da aplicação dessas equações resulta a tabela V.2 de análise das variâncias, apresentada a seguir. Com essa tabela, pôde-se fazer o teste de Ficher para analisar as variâncias, apresentado ao lado. ANÁLISE DE VARIÂNÇAS Variancias SScomb SSvazão. SSinteração SSerro Sstotal Soma dos grau de média do Fo Quadrados liberdde quadrado 2222.22 1 2222.22 526.32 7358.78 22 3679.39 871.43 131.44 62 65.72 15.57 50.67 1212 4.22 9763.11 2317 Teste de Variância F.05;2;17 F.05;1;12 3.59 4.45 Tabela V.2 - Análise de Variância para Planejamento do Experimento Terminada a análise de variância, foi feita uma verificação das amostras quanto ao dimensionamento baseado em teste de média. Para tal foi construída a tabela V.3, apresentada abaixo. Verificação do Tamanho da Amostra Vazão 13 Vazão 14 Vazão 16 Diesel Dendê 283 253 287 272 328 304 Tabela V.3 - Verificação do tamanho da Amostra Aplicando o método de Ducan para verificação da amostra [80], tem-se: 115 n. b. D 2 φ = 2. a.σ 2 (V.6) n. a. D 2 φ = 2. b.σ 2 (V.7) 2 e, também: 2 onde: n − número de réplicas adotadas; D − diferença de médias entre as faixas consideradas pelo método de Ducan; σ − desvio padrão; Calculando-se o grau de liberdade por esse método, encontra-se: w1 = a −1 ou (V.8) w1 = b − 1 e w2 = ab( n − 1) (V.9) onde: w1 − graus de liberdade do numerador; w2 − graus de liberdade do erro; Organizando os valores calculados no quadro abaixo, verifica-se um risco de 9% de erro no experimento em relação à vazão de combustível. Tendo em vista o volume de informações, com razoável clareza, obtidas com os testes quanto ao desempenho do motor e a confirmação de resultados experimentais coerentes com os valores obtidos por cálculos, considerou-se como razoável o trabalho realizado com o número de réplicas adotado. O aumento do número de réplicas certamente aumentaria a exatidão, porém com acréscimo de custo e prazo significativos. n φ2 φ w1 w2 β 2 3,375 1,837 1 6 (risco de erro) 0.20 3 5,063 2,250 2 12 0.09 Tabela V.4 – Risco de Erro 116 V.2.9 – Análise da Simulação Termodinâmica Os dados de entrada do modelo utilizado foram resultado de cálculos preliminares, referentes às grandezas geométricas do motor, baseados em dados e parâmetros fornecidos pelo fabricante do motor e pela literatura especializada, análises físico-químicas dos combustíveis e ensaios dinamométricos do motor; As condições de operação utilizadas no modelo foram às mesmas dos testes (item V.2.5), para que fosse possível a comparação de desempenho entre o óleo diesel e o óleo de dendê sob as mesmas condições de teste, e a identificação da influência da taxa de compressão, débito de combustível, avanço de injeção e temperatura do ar de admissão no desempenho do motor e emissões de poluentes. A tabela V.5 apresenta um resumo dos dados de entrada do modelo de simulação termodinâmica. 117 Tabela V.5– Dados de Entrada do Programa Simulador Geometria do Motor Diâmetro do Cilindro: 83 mm Curso do Pistão: 114 mm Razão de Compressão: 11,91:1 Relação Biela /Manivela: 4,44 Volume da Pré-câmara: 4.291.10-5 m3 Velocidade do Pistão: 3.42 m/s 12,36:1 13,86:1 45o C 66o C Dados Operacionais do Motor Rotação do Motor: 900 rpm Temperatura de admissão de Ar: 30o C Pressão de Admissão do Ar: 0.84 bar Coeficiente Politrópico: 1.36 Dados do Combustível Diesel Dendê Poder calorífico Inferior 10.150 kcal/kg 8.733 kcal/kg Número de Cetano 47 45 Constante do gás Perfeito 29.3 kgf.m/kg.K Vazão de Combustível 13/14/16 ml Densidade: 0.82 bar -3 832 kg/m 0.8 bar 13.8/14.6/16.9 ml 864 kg/m3 118 Cont. Tabela V.5 – Evolução da Combustão Modelo de Wiebe diesel débito 13 débito 14 débito 16 taxa 11,91 taxa 13,86 ar 45 ar 30 avanço 11 avanço 15 duração da comb. descontrolada 13 12 11 12 10 12 15 14 11 fator de forma da comb. descontrolada 2,6 1,8 1,5 2,4 2,7 2,5 2,2 2,8 1,8 duração da comb. controlada 79 84 88 81 85 85 85 79 89 fator de forma da comb. controlada 1,2 1,1 1,2 0,95 0,9 1,1 1 1,3 1,2 parâmetro β 0,27 0,26 0,23 0,34 0,11 0,23 0,32 0,24 0,23 coeficiente experimental χdesc 0,74 0,71 0,71 0,62 0,8 0,83 0,68 0,75 0,88 ar 45 ar 30 dendê débito 13 débito14 débito 16 taxa 11,91 taxa 13,86 avanço 11 avanço 15 duração da comb. descontrolada 18 17 15 16 12 16 20 19 17 fator de forma da comb. descontrolada 3,5 3 2,9 3,5 4 2,5 3,1 3,6 3,2 duração da comb. controlada 69 77 62 69 62 74 73 67 68 fator de forma da comb. controlada 0,95 0,9 1,4 0,7 1 0,55 0,6 1,2 1 parâmetro β 0,22 0,3 0,37 0,26 0,2 0,33 0,31 0,29 0,31 coeficiente experimental χdesc 0,61 0,61 0,6 0,6 0,62 0,67 0,67 0,62 0,6 119 Os resultados da simulação termodinâmica podem ser visualizados a seguir. Nas figuras V.87 a 98, são apresentadas curvas da razão de liberação de calor e da pressão em função do ângulo do eixo de manivela para a verificação da influência do volume de óleo diesel e de dendê injetado no desempenho do motor. Para efeito de comparação são também apresentadas as curvas de pressão obtidas experimentalmente. Nas figuras V.99 a 106, são apresentadas curvas da razão de liberação de calor e da pressão em função do eixo de manivela para a verificação para a verificação da influência da taxa de compressão no desempenho do motor operando com óleo diesel e de dendê. Para efeito de comparação são também apresentadas as curvas de pressão obtidas experimentalmente Nas figuras V.107 a 114, são apresentadas curvas da razão de liberação de calor e da pressão em função do eixo de manivela para a verificação da influência da temperatura do ar de admissão no desempenho do motor operando com óleo diesel e de dendê. Para efeito de comparação são também apresentadas as curvas de pressão obtidas experimentalmente. Nas figuras V.115 a 122, são apresentadas curvas da razão de liberação de calor e da pressão em função do eixo de manivela para a verificação da influência do avanço de injeção no desempenho do motor operando com óleo diesel e de dendê. Para efeito de comparação são também apresentadas as curvas de pressão obtidas experimentalmente. As tabelas V.6 e 7 apresentam os dados experimentais e simulados com o motor operando com óleo diesel e dendê, respectivamente. 120 40 50 mod di 40 30 20 10 20 10 0 0 0 4 8 -2 12 16 20 24 28 32 36 40 44 48 52 56 60 64 68 -10 2 6 10 14 18 22 26 30 34 38 42 46 50 54 58 62 66 70 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.87 - Curva ajustada da razão de liberação de calor débito 13 ml/min – diesel Figura V.89 - Curva ajustada da razão de liberação de calor débito 13 ml/min - dendê 40 40 exp di 35 mod di 35 exp dd mod dd 30 Pressão (bar) 30 Pressão (bar) exp dd 30 dQ/d⎝ (Joules/seg) dQ/d (Joules/seg) mod dd exp di 25 20 15 25 20 15 10 10 5 5 0 0 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 -80 -70-60 -50 -40 -30-20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.88 - Evolução da Pressão no Cilindro débito 13 ml/min – diesel Figura V.90 - Evolução da Pressão no Cilindro débito 13 ml/min - dendê 121 50 50 mod di dQ/d⎯ (Joules/seg) dQ/d⎯ ⎢(Joules/seg) exp dd 40 40 30 20 10 0 30 20 10 0 -1 4 9 14 19 24 29 34 39 44 49 54 59 64 69 -1 3 -10 7 11 15 19 23 27 31 35 39 43 47 51 55 59 63 67 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.91 - Curva ajustada da razão de liberação de calor débito 14 ml/min – diesel Figura V.93 - Curva ajustada da razão de liberação de calor débito 14 ml/min - dendê 40 40 exp di exp dd mod di 35 35 30 30 Pressão (bar) Pressão (bar) mod dd exp di 25 20 15 25 20 15 10 10 5 5 0 mod dd 0 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.92 - Evolução da Pressão no Cilindro débito 14ml/min – diesel -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.94- Evolução da Pressão no Cilindro débito 14 ml/min - dendê 122 50 50,00 mod di exp di mod dd dQ/d⎯ (Joules/seg) 40,00 dQ/d (Joules/seg) exp dd 40 30,00 20,00 30 20 10 10,00 0 -1 4 9 14 19 24 29 34 39 44 49 54 59 64 69 -10 0,00 -1 4 9 14 19 24 29 34 39 44 49 54 ângulo do virabrequim (graus) 59 64 69 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.95 - Curva ajustada da razão de liberação de calor débito 16 ml/min – diesel Figura V.97 - Curva ajustada da razão de liberação de calor débito 16 ml/min - dendê 40 40 exp di exp dd mod di mod dd 35 Pressão (bar) Pressão (bar) 30 20 10 30 25 20 15 10 5 0 0 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 ângulo do virabre quim (graus ) Figura V.96 - Evolução da Pressão no Cilindro débito 16 ml/min – diesel 90 100 110 120 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.98 - Evolução da Pressão no Cilindro débito 16 ml/min - dendê 80 90 100 110 120 123 60 mod di 50 exp di mod dd 40 30 20 10 30 20 10 0 0 -10 2 6 2 10 14 18 22 26 30 34 38 42 46 50 54 58 62 66 70 5 8 11 14 17 20 23 26 29 32 35 38 41 44 47 50 53 56 59 62 65 68 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.99 - Curva ajustada da razão de liberação de calor taxa de compressão 11,91 – diesel Figura V.101 - Curva ajustada da razão de liberação de calor taxa de compressão 11,91 – dendê 35 40 exp di mod di exp dd 35 mod dd 30 30 25 Pressão (bar) Pressão (bar) exp dd 40 dQ/d⎝ (Joules/seg) dQ/d⎝ Joules/seg) 50 25 20 15 20 15 10 10 5 5 0 0 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.100 - Evolução da Pressão no Cilindro taxa de compressão 11,91 – diesel -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.102 - Evolução da Pressão no Cilindro taxa de compressão 11,91 – dendê 124 45 35 mod di exp di 40 20 15 10 5 mod dd 30 25 20 15 10 5 0 -5 -5 -1 3 7 11 15 19 23 27 31 35 39 43 47 51 55 59 63 67 0 -5 -5 -1 3 7 11 15 19 23 27 31 35 39 43 47 51 55 59 63 67 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.103 - Curva ajustada da razão de liberação de calor taxa de compressão 13,89 – diesel Figura V.105 - Curva ajustada da razão de liberação de calor taxa de compressão 13,89 – dendê 50 50 exp di mod di 40 exp dd mod dd 40 Pressão (bar) Pressão (bar) mod dd 35 25 dQ/d⎝ (Joules/seg) dQ/d⎝ (Joules/seg) 30 30 20 10 30 20 10 0 0 -80 -70-60 -50 -40-30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.104 - Evolução da Pressão no Cilindro taxa de compressão 13,89 – diesel -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.106 - Evolução da Pressão no Cilindro taxa de compressão 13,89 – dendê 125 50 mod di 50 exp di 30 20 10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 30 20 10 90 -1 -10 4 9 14 19 24 29 34 39 44 49 54 59 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.107 - Curva ajustada da razão de liberação de calor Temperatura do ar de admissão 30oC – diesel exp di Figura V.109 - Curva ajustada da razão de liberação de calor Temperatura do ar de admissão 30oC - dendê 40 mod di 35 35 30 30 Pressão (bar) Pressão (bar) exp dd 0 0 40 mod dd 40 dQ/d (Joules/seg) dQ/d (Joules/seg) 40 25 20 15 exp dd mod dd 25 20 15 10 10 5 5 0 0 -80-70-60-50 -40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.108 - Evolução da Pressão no Cilindro Temperatura do ar de admissão 30oC – diesel -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.110 - Evolução da Pressão no Cilindro Temperatura do ar de admissão 30oC - dendê 126 50 mod di 60 exp di exp dd 50 dQ/d⎝ (Joules/seg) 40 dQ/d⎝ (Joules/seg) mod dd 30 20 10 40 30 20 10 0 0 0 4 8 12 16 20 24 28 32 36 40 44 48 52 56 60 64 68 72 76 80 -1 3 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.111 - Curva ajustada da razão de liberação de calor Temperatura do ar de admissão 45oC – diesel 40 exp di Figura V.113 - Curva ajustada da razão de liberação de calor Temperatura do ar de admissão 45oC - dendê 45 mod di 40 35 exp dd mod dd 35 Pressão (bar) 30 Pressão (bar) 7 11 15 19 23 27 31 35 39 43 47 51 55 59 63 67 -10 25 20 15 30 25 20 15 10 10 5 5 0 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.112 - Evolução da Pressão no Cilindro Temperatura do ar de admissão 45oC – diesel -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.114 - Evolução da Pressão no Cilindro Temperatura do ar de admissão 45oC - dendê 127 40 mod di 40 exp di 30 25 20 15 10 5 0 -5 0 4 8 12 16 20 24 28 32 36 40 44 48 52 56 60 64 68 25 20 15 10 5 0 -5 -2 2 6 10 14 18 22 26 30 34 38 42 46 50 54 58 62 66 70 -10 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.115 - Curva ajustada da razão de liberação de calor avanço de injeção 11 graus – diesel exp di Figura V.117 - Curva ajustada da razão de liberação de calor avanço de injeção 11 graus - dendê 40 mod di 35 35 30 30 Pressão (bar) Pressão (bar) exp dd 30 ângulo do virabrequim (graus) 40 mod dd 35 dQ/d⎯ (Joules/seg) dQ/dq (Joules/seg) 35 25 20 15 exp dd mod dd 25 20 15 10 10 5 5 0 0 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.116 - Evolução da Pressão no Cilindro avanço de injeção 11 graus – diesel -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 ângulo do virabrequim (graus) Figura V.118 - Evolução da Pressão no Cilindro avanço de injeção 11 graus - dendê 128 60 mod di 40 exp di mod dd exp dd 50 30 Joules/seg Joules/seg 40 30 20 10 20 10 0 0 -2 3 -3 1 8 13 18 23 28 33 38 43 48 53 58 63 68 73 78 83 88 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57 61 65 69 -10 -10 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.119 - Curva ajustada da razão de liberação de calor avanço de injeção 15 graus – diesel 50 Figura V.121 - Curva ajustada da razão de liberação de calor avanço de injeção 15 graus - dendê 50 mod di exp di mod dd 40 Pressão (bar) 40 Pressão (bar) exp dd 30 20 30 20 10 10 0 0 -80-70 -60 -50-40 -30-20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100110120 -80-70-60-50-40-30-20-10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90100110120 ângulo do virabrequim (graus) ângulo do virabrequim (graus) Figura V.120 - Evolução da Pressão no Cilindro avanço de injeção 15 graus – diesel Figura V.90 - Evolução da Pressão no Cilindro avanço de injeção 15 graus n - dendê 129 Tabela V.6 - Dados experimentais e simulados com o motor operando com óleo diesel Vazão 13 ml/min (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 35.86 35.81 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 372 371 Atraso de Ignição (graus) 13 13.7 2.83 2.71 229.26 239.19 Potência (kW) Consumo Específico (g/kWh) Vazão 14 ml/min (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 37.32 37.49 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 370 368 Atraso de Ignição (graus) 12.5 13.7 Potência (kW) 2.87 3.08 243.78 227.11 Consumo Específico (g/kWh) Vazão 16 ml/min (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 37.90 37.97 370 367 Atraso de Ignição (graus) 12.75 13.7 Potência (kW) 3.276 3.13 Consumo Específico (g/kWh) 243.85 295.49 Ângulo da Pressão Máxima (graus) Taxa Comp. 11.91 (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 34.29 34.19 373 371 Atraso de Ignição (graus) 17.25 15.7 Potência (kW) 2.464 2.35 Consumo Específico (g/kWh) 263.41 275.77 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 130 Taxa Comp. 13.86 (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 42.82 43.12 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 371 371 Atraso de Ignição (graus) 10 10.6 Potência (kW) 3.133 3.00 Consumo Específico (g/kWh) 207.10 216.01 Temp. Ar Admissão 45 C (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 36.64 36.40 372 374 Atraso de Ignição (graus) 14.25 18 Potência (kW) 2.64 2.52 245.58 257.31 Ângulo da Pressão Máxima (graus) Consumo Específico (g/kWh) Temp. Ar Admissão 30C (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 37.87 37.48 372 371 Atraso de Ignição (graus) 17.25 22 Potência (kW) 2.17 2.04 299.69 317.64 Ângulo da Pressão Máxima (graus) Consumo Específico (g/kWh) Avanço de Ignição 11 (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 33.26 32.98 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 374 373 Atraso de Ignição (graus) 13 13.7 Potência (kW) 2.569 2.35 Consumo Específico (g/kWh) 252.50 275.66 Avanço de Ignição 15 (diesel) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 38.62 38.74 370 367 Atraso de Ignição (graus) 13.25 13.7 Potência (kW) 2.854 2.90 Consumo Específico (g/kWh) 227.42 224.04 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 131 Tabela V.7- Dados experimentais e simulados com o motor operando com óleo de dendê Vazão 13 ml/min (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 34.62 34.86 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 372 372 Atraso de Ignição (graus) 15 14.7 2.55 2.39 286.95 305.02 Potência (kW) Consumo Específico (g/kWh) Vazão 14 ml/min (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 36.74 36.49 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 372 372 Atraso de Ignição (graus) 12.5 14.7 Potência (kW) 2.72 2.75 285.13 281.37 Consumo Específico (g/kWh) Vazão 16 ml/min (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 37.47 37.25 371 371 Atraso de Ignição (graus) 13.75 14.7 Potência (kW) 3.037 3.15 Consumo Específico (g/kWh) 295.14 284.62 Ângulo da Pressão Máxima (graus) Taxa Comp. 11.91 (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 32.53 32.49 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 376 375 Atraso de Ignição (graus) 18 16.5 2.43 2.29 301.02 319.41 Potência (kW) Consumo Específico (g/kWh) 132 Taxa Comp. 13.86 (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 44.88 44.96 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 370 370 Atraso de Ignição (graus) 10 11.3 Potência (kW) 2.624 2.52 Consumo Específico (g/kWh) 278.93 290.42 Temp. Ar Admissão 45 C (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 40.85 40.67 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 372 373 Atraso de Ignição (graus) 15.5 19.6 Potência (kW) 2.64 2.78 277.25 263.06 Consumo Específico (g/kWh) Temp. Ar Admissão 30C (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 37.16 37.50 376 376 Atraso de Ignição (graus) 16.25 24.8 Potência (kW) 2.56 2.53 286.44 289.27 Ângulo da Pressão Máxima (graus) Consumo Específico (g/kWh) Avanço de Ignição 11 (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 34.66 34.62 Ângulo da Pressão Máxima (graus) 374 373 Atraso de Ignição (graus) 12.5 14.7 Potência (kW) 2.53 2.32 290.08 313.40 Consumo Específico (g/kWh) Avanço de Ignição 15 (dendê) Pressão Máxima (bar) Resultado Experimental Resultado Modelo 38.20 38.00 371 370 Atraso de Ignição (graus) 13.25 14.7 Potência (kW) 2.58 2.62 283.88 278.53 Ângulo da Pressão Máxima (graus) Consumo Específico (g/kWh) 133 É possível observar, através das figuras e tabelas acima, que o modelo simplificado utilizado apresentou uma boa correlação dos dados das curvas de pressão entre o modelo e o experimento. Os valores calculados de potência diferiram em média 5% dos valores medidos, o que representa um resultado satisfatório, quando se considera que erros da ordem de 1o de virabrequim no posicionamento do indicador de PMS provocam diferenças superiores a essa [84]. O atraso de ignição também teve uma boa correlação dos dados do modelo com os dados experimentais, exceto quando foi variada a temperatura do ar de admissão. O ajuste para este motor proposto no modelo do atraso ignição de Haedenberg e Hase [64], teve um ajuste melhor para variações maiores da taxa de compressão. Entretanto, para melhorar o ajuste do modelo de simulação utilizado, o ângulo de início da combustão foi fornecido como dado de entrada para a simulação, o que tornou o cálculo termodinâmico independente dos valores calculados de atraso de ignição. Observa-se através dos dados da tabela V.5 que a duração da combustão descontrolada do óleo de dendê é, em média, 36% maior que a do óleo diesel, devido ao maior atraso de ignição do óleo de dendê. 134 VI – CONCLUSÕES E SUGESTÕES Ao final do trabalho é possível concluir que a utilização do óleo vegetal, em particular o óleo dendê que foi objeto da pesquisa, apresenta-se como uma das soluções viáveis em substituição aos derivados de petróleo como combustíveis para diesel-geradores em comunidades isoladas. O óleo vegetal mostra-se vantajoso principalmente pelo aspecto do impacto ambiental, apesar da questão operacional em que são necessárias adaptações de projeto no motor para um funcionamento regular e compatível com o motor operando com óleo diesel. A viscosidade do óleo de dendê “in natura” à temperatura ambiente é muito alta para que seja possível a sua utilização como combustível sem maiores danos ao motor. Para atingir um valor de viscosidade próximo ao do óleo diesel é necessário aquecer o óleo de dendê a uma temperatura próxima dos 85o C, o que resulta em melhores condições de operação do motor. Com a viscosidade do óleo de dendê com valores próximos aos do diesel, a formação de depósitos fica bastante reduzida e em condições de durabilidade compatível com as do motor operando com óleo diesel. Entretanto, observou-se que a coloração do depósito formado pela combustão do óleo de dendê próximo às válvulas é alaranjada, diferente da do diesel que tem coloração acinzentada. Quanto à questão da análise comparativa de potência no motor de injeção direta, entre os dois combustíveis, diesel e dendê, verificou-se uma perda de potência de 4% ao final das 350 horas de teste com óleo de dendê, e queda de 8% em relação ao diesel. As emissões de CO, com o motor operando com óleo de dendê a 85o C, apresentam valores próximos aos do diesel sob carga de 75 e 100%. Nas cargas de 25 e 50% as emissões de CO são menores que as do diesel. As emissões de hidrocarbonetos (HC), apresentam uma queda progressiva com o aumento de carga e com o motor operando com óleo de dendê a 85o C (350 h) apresentam valores inferiores do que as do diesel. As emissões de NOx com o motor operando com diesel foram maiores do que quando operando com óleo de dendê. Os percentuais de opacidade foram menores com o óleo de dendê aquecido a 85o C do que com dendê a 50o e a 100o C, confirmando o melhor desempenho do motor operando com o óleo aquecido a essa temperatura. 135 Os testes no motor ASTM-CFR Cetano, realizados com o óleo de dendê a 85oC, foram muito importantes para indicar algumas modificações de projeto e operação do motor necessários a um desempenho similar ao do diesel. O aumento da temperatura do ar de admissão, teve maior influência sobre o atraso de ignição do óleo diesel do que no atraso do óleo de dendê. Este fato levou a menores variações na potência do motor operando com este combustível, com o aumento da temperatura do ar de admissão, com poucas variações nas emissões. O aumento da taxa de compressão, do avanço de injeção e do débito de combustível promoveram um aumento na potência do motor. Entretanto, baseado nos fatores de correlação encontrados, as variáveis que tiveram maior influência no desempenho do motor, operando com óleo de dendê “in natura” foram o avanço de injeção e o débito de combustível, sendo esta última com alta correlação. Algumas das alterações de projeto e operação implementadas no trabalho experimental não só afetaram o desempenho do motor mas também modificaram alguns dos valores de emissões esperados, muitas vezes confirmando a vantagem em se utilizar o óleo vegetal em relação ao óleo diesel. O aumento do avanço de injeção neste motor ASTM CFR Cetano, devido às sua características de operação, promove um aumento na potência na utilização dos dois combustíveis, sendo mais linear com o óleo de dendê. As emissões de NOx CO2 aumentam e a de CO diminuem com o aumento do avanço. O aumento na taxa de compressão fez aumentar o desempenho do motor no que se refere a potência e eficiência térmica e diminuir as emissões de CO2, HC, CO, aumentando-se a emissão de NOx, para os dois combustíveis. A análise comparativa dos dados experimentais com o modelo simplificado de simulação desenvolvido para o ciclo diesel, mostra que a curva de pressão simulada apresenta uma boa correlação com os dados experimentais. Os dados de pressão máxima, ângulo de pressão máxima e atraso de ignição, tiveram uma boa correlação com os dados experimentais (média 5% de desvio). Quanto ao aspecto de manutenção pode-se prever que uma análise periódica do óleo lubrificante mostra-se necessária. Ficou caracterizada a necessidade de uma rotina de troca do óleo com espaço de tempo a cada 100 horas de funcionamento ao invés de 200 horas como previsto no manual, devido a sua contaminação acentuada. De acordo os resultados dos testes, o prazo de troca dos bicos injetores deve ser de 350 horas quando começaram a apresentar problemas. 136 Uma sugestão para trabalhos futuros, visando melhorar o modelo de simulação termodinâmica, seria utilizar outros modelos de evolução da combustão que descrevessem melhor a combustão desse combustível. O estudo de outras variáveis, como pressão do ar de admissão (turbocarregamento) e pressão de injeção de combustível sobre o atraso de ignição e conseqüentemente sobre o desempenho do motor, aumentaria a pressão da combustão desse óleo vegetal em diesel-geradores. E ainda, com o intuito de melhorar o conhecimento da combustão de óleos vegetais em motores diesel, deveria ser realizado um estudo do efeito combinado das variáveis estudas sobre o desempenho do motor e sobre as emissões. 137 Referências Bibliográficas [1] SILVA, O. C. , Análise do Aproveitamento Econômico e Energético do Óleo de Palma na Guiné Bissau na Perspectiva do Desenvolvimento Sustentável Tese de M.Sc., USP, São Paulo, SP, Brasil, 1997. [2] FENSTERSEIFER, M. , Jornal Gazeta Mercantil- PS. Petróleo e Gás 02/01/1998. [3] VAN DER WALT, A. N., HUGO, F. J. C., “Attempts to prevent injector coking with sunflower oil by engine modification and fuel additives”. In: Proceedings of the International Conference on Plant and Vegetable Oil as Fuel, pp. 230238, North Dakota, Aug. 1982. [4] QUICK, R. G., WILSON, B. T., WOODMORE, P. J., “Injector-fouling propensity of certain vegetable oil and derivate as fuel for diesel engines”. 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O aproveitamento não é total pois 20 a 30% dos frutos tendem a ser partenocárpicos, isto é, completamente maduros, portanto inaptos para a extração de óleo. 2 - Aspectos Ecológicos O cultivo extensivo do dendezeiro exige algumas condições especiais de solo, temperatura ambiente, pluviosidade, umidade relativa do ar e insolação, condições essas, que influem diretamente na produtividade da planta e no rendimento do óleo (Silva, O. C.,1997). Dentre estas exigências, a mais importante é a pluviosidade. Segundo informações obtidas da empresa Dendê do Pará S. A .(DENPASA), a intensidade pluviométrica exigida é em torno de 1.800 a 2.200 mm anuais. Incidências de chuvas inferiores à estes níveis influem de forma negativa no rendimento do fruto, e conseqüentemente, do óleo. • A temperatura ambiente exigida oscila em torno de 24 a 30 C. • A umidade relativa do ar ideal se situa na faixa de 75 - 80%. Esta umidade é muito alta e é encontrada, por longo período, somente em regiões equatoriais e tropicais úmidos. • o dendezeiro é considerado uma planta heliófila, ou seja apresenta uma exigência de exposição à luz solar de 1.500 a 2000 horas anuais. • A insolação desempenha uma importante função na proporção de flores femininas emitidas, sobre a taxa de fotossíntese, maturidade dos cachos, no teor do óleo na polpa, e conseqëentemente na produção (BARCELOS et al., l989). • A cultura extensiva do dendezeiro demanda, de um modo geral, é de terrenos topograficamente baixos, porque dificultam a erosão do solo, facilitam a mecanização e reduzem os custos. • Em termos de solo, a dendecultura se desenvolve melhor em solos profundos, com no mínimo 90 cm, permeáveis, sem obstáculos para o desenvolvimento das raízes e PH entre 4,5 e 6,0. A composição textural básica exigida é de um solo arenoso: 85% de areia, 8%de silte e 7%de argila. 3 - Plantio Em plantações comerciais, com espécies geneticamente melhoradas, as plantas se tornam produtivas a partir do terceiro ou quarto ano de plantio. Atingem a maturidade aos oito anos e mantém-se produtiva durante vinte e cinco anos. As plantas produzem o ano inteiro, requerendo mão de obra intensiva e contínua. Dados revelam (Revista Imagem da Amazônia, 1997) que cada hectare plantado de dendê produz em média 21 toneladas de fruto por ano, que chegam a render em torno de 22% de óleo bruto, aproximadamente 4,8 toneladas. Da semente, que constitui 5% do peso da fruta, extrai-se aproximadamente 400 kg de óleo de palmiste por hectare/ano, utilizado em produtos de beleza. 4 - Extração A) Sistema Artesanal Refere-se como sistema artesanal de extração do óleo de palma, o sistema tradicionalmente usado na África pelas populações nativas (Silva, O. C., 1997) e nas pequenas plantações no interior do norte e nordeste do Brasil, por exemplo, e que envolve os processos de esterilização, digestão, recuperação e clarificação do óleo. A esterilização é feita normalmente usando-se como esterilizador um tonel com água, onde são colocados os frutos, já destacados do cacho, para ferver ao fogo gerado pela lenha, podendo ser usado também o próprio cacho vazio para gerar calor. Esta etapa demora entre uma e duas horas. Após a esterilização e com os frutos ainda quentes, inicia-se a etapa de digestão ou esmagamento da polpa . A digestão pode ser feita em um pilão de madeira de forma tradicional, ou num recipiente em forma de canoa, usando-se um pistilo (mãode-pilão) para pilar os frutos esterilizados e obter-se desta forma um macerado constituído de nozes inteiras e das fibras da polpa ricas em óleo. Dependendo do tamanho do digestor, o pilamento (digestão) pode ser feito por uma ou mais pessoas. Em alguns casos a digestão é feita também por pisoteamento. Em seguida são separadas as sementes e as fibras e, separadamente, são imersas em tanques de água quente para extrair uma quantidade maior de óleo. As sementes, são retiradas e secas ao sol para serem quebradas para a extração do palmiste e as fibras, para possível queima para gerar calor . A última etapa é a clarificação que consiste em aquecer o óleo num recipiente aberto para eliminar o excesso de umidade e decantar as impurezas. B) Sistema Industrial A produção em larga escala do óleo de palma exige processos de extração mais elaborados, rápidos e eficientes que aqueles empregados no sistema artesanal. No sistema industrial de extração, os processos descritos no sistema artesanal se sucedem de modo semi-contínuo em unidades industriais, envolvendo a esterilização, a separação dos frutos , a extração do óleo, a purificação e a clarificação (Silva, O. C.,1997). A esterilização tem por objetivo desativar as enzimas responsáveis pelo desdobramento do óleo em ácidos graxos livres, permitir a separação dos frutos dos cachos e a coagulação das substâncias mucilaginosas, com o objetivo de evitar a formação de emulsões no óleo. O processo de esterilização consiste em submeter os cachos a ação de vapor de água durante 40 a 60 minutos, a uma pressão de 3 atmosfera por polegada quadrada. A destruição das enzimas se dá aos 65 oC. Na fase de separação, após a esterilização, os frutos são arrancados e separados dos cachos, através de sistemas mecânicos giratórios que forçam a separação das frutas do cacho. Após separadas, as frutas são levadas para os digestores onde são amassadas (digeridas) até se transformarem numa massa homogênea composta por uma mistura de fibras da polpa ,óleo e sementes. O tempo de digestão é de aproximadamente 20 minutos. A extração do óleo pode ser feita através de uma prensa hidráulica ou pelo processo de centrifugação. O óleo cru obtido da prensagem ou da centrifugação apresenta impurezas, que consistem em mistura de óleo, água e substâncias sólidas , tornando imprescindível sua purificação. . Este processo consiste no aquecer o óleo num tambor até 100 C. Passa-se o óleo depois por um tanque de contínua clarificação, no qual é separado de as impurezas e finalmente a umidade é reduzida a um teor de cerca de 1%. 5 - Refino O refino tem por objetivo remover as impurezas presentes no óleo, após os processos industriais de extração, dentre as quais podem constar traços de metais ,pigmentos, material odorífero e ácidos graxos livres. Estas impurezas conferem ao óleo coloração, gosto e odor desagradáveis, além de baixo poder de conservação, o que é indesejável, sobretudo quando o óleo é requerido para fins alimentares. Dois métodos são possíveis de serem utilizados no processo de refino do óleo de palma : o Método Físico e o Método Químico. O Método Físico ou Refino por Vapor - consiste na remoção dos ácidos graxos livres e odores pelo processo de distilação a vapor . O Método Químico ou Refino por Alcalinização - comporta três estágios: degomização, branqueamento e desodorização. 6 - Estocagem e Transporte de Óleo de Dendê e Derivados O óleo de palma, em forma bruta ou processada, é objeto de inúmeras transações comerciais, que resultam em necessidade de transporte e estocagem; o controle dessas operações é de extrema importância, para que sejam evitadas contaminações e/ou degradações de qualidade, especialmente, quando se trata de produtos destinados à alimentação humana As causas de deterioração mais freqüentes são: − contato com materiais inadequados, especialmente com cobre e suas ligas − aeração e dissolução de oxigênio − temperaturas impróprias de transporte e/ou estocagem − presença de umidade 7 - Ação do Óleo de Dendê na Presença de Metais O contato do óleo com cobre a 50 C, durante 0 a 20 minutos, resulta na presença 0,12 a 1,43 ppm de cobre no mesmo, o que é suficiente para elevar o índice de anisidina de 4,6 para 20, em 5 dias, reduzir o teor de caroteno de 656 para 70 ppm e o teor de tocoferois a zero; assim é desejável evitar-se qualquer contato entre o óleo e ferramentas, instrumentos ou equipamento, que contenham cobre ou suas ligas Ante os inconvenientes da ação do oxigênio na qualidade do óleo é recomendável evitar-se, ao máximo, o contato entre ar e óleo, mediante procedimentos diversos, tais como: • entrada e saída de óleo em tanques deve ser feita sempre pelo fundo, para evitar-se a dispersão e aumento de contato com ar • quando a entrada for feita pelo topo, a tubulação de entrada deve se estender pelo interior do tanque, com tubo flexível e bóia, o que vai limitar a dispersão e turbulência do fluido • a existência de isolamento térmico em tanques estacionários, reduz a formação de correntes internas de convecção que aumentam o contato do óleo com a superfície e o ar • a geometria dos tanques de armazenagem deve ser apropriada para reduzir a superfície de contato do óleo com a atmosfera, ou seja ;e desejável uma relação elevada entre a altura e o diâmetro • a capacidade dos tanques de armazenagem deve ser limitada, para evitar períodos muito prolongados de estocagem A temperatura de transporte e estocagem é muito importante para a qualidade do óleo, uma vez que sua elevação favorece as reações de oxidação e outras (em 25 dias de estocagem a cerca de 50oC, o índice de peróxido de um óleo de palma pode subir de 4,3 para 9,8) de modo que, recomenda-se: • as temperaturas de estocagem, transporte e descarga devem ser tão baixas quanto possível • essas temperaturas deverão ser expressas como valores médios, medidos no topo, no meio e no fundo dos tanques sempre a uma distância não inferior a 12 polegadas de eventuais serpentinas ou outras fontes de aquecimento. • o aquecimento de tanques, por circulação de água quente ( 80 a 90 oC) é preferível ao uso de vapor. • as serpentinas de aquecimento em tanques podem ser de aço carbono em tanques de aço carbono, devendo ser necessariamente de inox em tanques de inox ou fibra de vidro. 8 - Conservação do Óleo de Palma e Derivados Os Óleos Vegetais Brutos contém, usualmente, anti-oxidantes naturais Nos óleos de palma processados a maior parte de anti-oxidantes naturais é destruída ou reduzida ANEXO 2- PROPRIEDADES FÍSICAS As propriedades físicas do óleo de palma bruto e processado são similares às dos demais óleos vegetais; em virtude de sua composição peculiar, rica em ácidos graxos saturados, destaca-se o comportamento do óleo nas transições e coexistência de fases sólidas e liquidas, que constituem a base da utilização de óleos em muitos produtos finais [25]. a) Densidade A densidade do óleo de palma depende das seguintes variáveis: • peso molecular e, conseqüentemente, • índice de saponificação (+ 0,3 kg/m3 para cada unidade de índice de saponificação), • índice de iodo (+ 0,14kg/m3 para cada unidade de índice de iodo), • acidez livre (- 0,2kg/m3 para cada 1% de acidez livre), • teor de água (+ 0,8kg/m3 para cada 1% de água) e, principalmente, • da temperatura (- 0,68 kg/m3 para 1 oC de elevação). A variação da densidade em função da temperatura pode ser expressa por: d = 0,9244 - 0,00067 T onde d = densidade em gramas por mililitro T = temperatura em oC na faixa de 25-75 oC A densidade do óleo, no estado sólido, é cerca de 10% maior do que no estado líquido, como ocorre com praticamente todos os óleos vegetais. b) Calor específico O calor específico do óleo de palma pode ser expresso pela relação abaixo, que é considerada válida para quaisquer óleos vegetais: c = 0,47 + 0,00073 T onde: c = calor específico em kcal/kg oC T= temperatura em = oC c) Viscosidade A viscosidade de óleo de palma bruto e óleo de palma processado, consta do quadro abaixo; em termos práticos, a viscosidade do óleo diminui cerca de 30% a cada elevação de 10 oC em sua temperatura. Em misturas de óleos de palma e seus derivados, entre si ou com outros óleos vegetais, é preciso considerar-se a eventual formação de misturas eutéticas e a influência das mesmas na viscosidade da mistura; como regra geral, uma mistura de óleos vegetais não apresenta viscosidades linearmente proporcionais às dos componentes. Viscosidade do Óleo de Palma (centipoises) temperatura oC 20 25 30 35 40 45 50 óleo bruto >100 >100 >100 94.3 40.4 33.3 27.0 oleína de palma 85.3 69.2 56.3 43.4 38.6 32.6 26.5 óleo de palmiste >100 >100 44.0 35.6 30.0 25.4 21.0 óleo de soja 63.6 51.6 43.1 36.8 31.7 26.8 22.5 Viscosidade de óleo de palma 100 óleo de palma 80 oleina de palma 60 óleo de palmiste 40 óleo de soja 20 tem peratura (C) 50 45 40 35 30 25 0 20 Viscosidade (centipoise) 120 d) Ponto de fusão O ponto de fusão de matérias graxas é um índice empírico, uma vez que esses materiais não apresentam um ponto de fusão definido, por serem constituídos por misturas de diversos componentes e não por um composto quimicamente definido. O ponto de fusão usualmente adotado é o chamado “slip point”, que correspondente a uma temperatura na qual a matéria graxa, colocada em um tubo capilar, torna-se suficientemente fluida para subir ou descer no mesmo; o procedimento é descrito no método de análise CC-3-25 da AOCS (American Oil Chemists`Society). O chamado ponto de fusão Wiley, utilizado em alguns países, corresponde à temperatura na qual um disco solidificado de matéria graxa torna-se esférico, quando aquecido em uma mistura de álcool e água; o procedimento é descrito no método de análise CC-2-38 da AOCS (American Oil Chemists`Society) e os resultados nele obtidos no método do ponto de deslizamento em capilar. Os valores usuais de ponto de fusão (slip) para óleos de palma bruto e processado constam do quadro abaixo. Note-se que a refinação do óleo de palma ou seus derivados resulta em elevação do ponto de fusão do produto refinado resultante. Ponto de Fusão (SLIP) de Óleos de Palma faixa de variação (oC) média (oC) óleo de palma bruto 32.2 - 37.9 35.2 oleína de óleo bruto e 19.4 - 23.5 21.6 oleína de óleo bruto** 17.2 - 26.1 20.3 estearina de óleo bruto e 44.5 - 56.2 50.2 estearina de óleo bruto** 51.2 - 54.2 52.6 óleo de palmiste bruto 25.9 - 28.0 27.3 Óleo refinado* refinado * obtida em processo de fracionamento direto seco ** obtida por fracionamento líquido com surfactantes e) Teor de gorduras sólidas (SFC = solid fat content) O teor de gorduras sólidas (SFC) de uma matéria graxa expressa qual a quantidade de glicerídeos sólidos presentes na mesma, em uma determinada temperatura; desde que a matéria graxa é uma mistura de glicerídeos, com diferentes pontos de fusão e com solubilidade mútua, a cada temperatura a presença de sólidos e líquidos poderá ser diferente. f) Mudança de fase (cristalização) e polimorfismo O óleo de palma se diferencia dos óleos vegetais usuais por apresentar um teor alto de ácidos graxos saturados (cerca de 50%) e também ter uma quantidade apreciável desses ácidos graxos saturados (10 -16%) na posição central (2) da molécula dos triglicerideos. O óleo de palma não fracionado encontra-se 3 formas polimórficas, que se equilibram entre si. g) Poder Calorífico O óleo de palma bruto, para efeitos práticos, pode ser considerado como composto por: Carbono 75,93% hidrogênio 12,16% oxigênio 11,91% Em base a essa composição elementar, pode-se calcular o poder calorífico superior como sendo de 9.784 kcal/kg. O poder calorífico inferior, utilizável no óleo de palma como combustível, será da ordem de 8.825 kcal/kg h) Acidez do Óleo de Palma Os fatores mais importantes que afetam essa acidez são: − estado dos frutos na colheita − condições de manipulação e estocagem dos frutos − ação de enzimas e micro-organismos − condições de processamento − condições de estocagem do óleo − impurezas no óleo h.1) Influência dos Frutos No seu ponto ideal de maturação, os frutos apresentam o teor máximo de óleo no seu mesocarpo, o qual se situa, tipicamente, em cerca de 50% do peso do mesmo; 5 dias antes desse ponto ideal, o teor de óleo acha-se em cerca de 43% e 10 dias antes o óleo representa apenas 34% da polpa. − quanto maior a quantidade de frutos maduros destacados do cacho, maior a acidez livre do óleo a ser obtido. − o óleo, obtido de frutos sub-maduros, tem um ponto de fusão mais elevado e uma maior presença de ácidos graxos saturados nos triglicerídeos que o compõe. − o óleo extraído de frutos sub-maduros apresenta menor acidez − frutos super-maduros produzem óleo de acidez elevada e cor acentuada de difícil remoção h.2) Ação Enzimática A ação das enzimas sobre a acidez do óleo extraído é a grande responsável pela degradação de qualidade do mesmo, em virtude da velocidade bastante elevada de sua ação. h.5) Influência de micro-organismos A estocagem prolongada no campo favorece o desenvolvimento de fungos, que podem afetar não somente a acidez livre do óleo, mas também outras características de qualidade. h.6) Influência de Impurezas A presença de impurezas e sujeira no óleo estocado pode contribuir para a elevação da acidez livre, desde que ocorram contaminações com alguns tipos de microorganismos No caso, a sujeira e impurezas podem constituir-se em um meio de desenvolvimento dos micro-organismos, desde que ocorra uma contaminação e a temperatura de estocagem seja inferior a 50 C. A elevação de acidez na estocagem do óleo é perfeitamente controlável, mediante estocagem em níveis de umidade baixos e temperaturas adequados, com o cuidado adicional de estocar-se óleo limpo e proceder à limpeza periódica de tanques de armazenagem, para prevenir possíveis infestações de micro-organismos. ANEXO 3 - ANÁLISE DE INCERTEZAS Quando se relata o resultado de medição de uma grandeza física, é obrigatório que seja dada alguma indicação quantitativa da qualidade do resultado, de forma tal que aqueles que o utilizam possam avaliar sua confiabilidade. Sem essa indicação, resultados de medição não podem ser comparados, seja entre eles ou com valores de referência ou com normas. Dessa forma, para avaliar a qualidade de medição é necessário expressar sua incerteza. A estimativa dos resultados de medição leva em consideração a resolução do instrumento, as incertezas fornecidas pelo fabricante e erros das estimativas obtidos em ajustes de curvas aos dados de aferição e as incertezas dos padrões utilizados na aferição. Devido a tempo e recursos limitados, a incerteza de um resultado de medição é, geralmente, avaliada, utilizando-se um modelo matemático da medição e a lei da propagação da incerteza. Erros grosseiros no registro ou na análise dos dados podem introduzir um erro desconhecido significativo no resultado de uma medição. A qualidade e utilidade da incerteza indicada para o resultado de uma medição, dependem, portanto ,e em última análise, da compreensão, análise crítica e integridade daqueles que contribuem para o estabelecimento do seu valor. O método utilizado para cálculo das incertezas foi o dos mínimos quadrados, que apresenta as equações abaixo como procedimento básico: Seja uma expressão do tipo: x = f(y,z,w) o erro no valor calculado de x será: ∂x ∂f ( y, z , w) = ∂y ∂y ∂x ∂f ( y, z, w) = ∂z ∂z ∂x ∂f ( y, z , w) = ∂w ∂w 2 ⎡ ∂x ⎤ ⎡ ∂x ⎤ ⎡ ∂x ⎤ ∂x = ⎢ ⎥ + ⎢ ⎥ + ⎢ ⎥ ⎣ ∂z ⎦ ⎣ ∂w ⎦ ⎣ ∂y ⎦ 2 A seguir será dado o valor da incerteza para cada par6ametro medido nos testes realizados: a)Pressão atmosférica ∂Patm = 101325 P 760 b)Temperatura ∂T = ±1C c)Vazão de ar ∂mar = 1.55032∂∆P − 0.05486∆P.∂∆P ∂∆P = ±0.5 ∂mar = 0.77516 − 0.02753∆P d)Vazão de combustível 3600 ⎛ Vρ∂t ⎞ 2 2 = ⎟ + ( ρ∂V ) + (V∂ρ ) ⎜ t ⎝ t ⎠ 2 ∂mcomb e) Avanço de Injeção O avanço de injeção tem uma incerteza estimada de 0.5 graus que é a metade da menor divisão de sua escala de leitura existente no CFR cetano. f) Atraso de Ignição O atraso de ignição tem uma incerteza estimada de 0.5 graus que é a metade da menor divisão de sua escala de leitura existente no CFR cetano. g) Medição de Pressão A calibração do sistema de medição de pressão utilizou as informações do motor ASTM CFR cetano, que fornece as pressões de referência para cada valor do volante do pistão da pré-câmara. Com o auxílio de um medidor de compressão calibrado, foi verificado os pontos de medição através de uma medição dinâmica, e o sensor apresentou boa correlação igual a 0.99985. Segundo o manual da Kistler, o erro de medição do sensor de pressão é de ± 0.2%FS, que para o sensor utilizado corresponde a ± 0.5 bar este valor foi utilizado como incerteza da medição.