A Importância do uso Consciente da Voz no Espaço de Trabalho
Adriano Braun Domingos Xavier1
Resumo
O caráter multifacetado da Comunicação permite estabelecer relações inter e
transdisciplinares com vários campos do saber. Na presente monografia, Comunicação e
Fonoaudiologia estão de mãos dadas, para a segunda instrumentalizar o profissional da
primeira à estratégica emissão da voz, com fins de um processo comunicativo mais
eficiente. Este estudo aborda, pois, o conhecimento e a utilização da voz humana por
profissionais de diferentes atividades e organizações, considerando como fator
predominante a necessidade de falar em público. São apresentadas definições e funções
relacionadas ao uso da voz e à comunicação interpessoal. Trata-se de um estudo
exploratório, que se utiliza de pesquisa bibliográfica e de pesquisa de campo, através da
aplicação de um questionário focado no tema com profissionais atuantes em diferentes
áreas.
Palavras-chave: Comunicação; Comunicação Interpessoal; Voz.
Introdução
A voz é considerada uma tradução da personalidade humana, um símbolo
que apresenta o indivíduo ao mundo por meio de sons. É uma “carteira de
identidade” ou o equivalente à “impressão digital”, posto que é única e, portanto,
singular. Através dela, as pessoas demonstram quem são, o que sentem e como
enxergam o mundo. Na voz, é possível detectar as sombras e a luminosidade de
cada um. Ela é, igualmente, uma arma de extremo poder nos processos
comunicativos.
Em virtude disso, pode-se dizer que se trata de um dos instrumentos de
alcance mais eficaz nas comunicações humanas, acoplado aos gestos. É preciso
ter cuidado para não a desperdiçar, uma vez que, a qualquer deslize em sua
emissão, as pessoas podem perceber alguma característica negativa do
interlocutor, sendo que uma das mais notadas é a falta de convicção em relação
ao que se fala.
Conhecer a própria voz é como conhecer um pouco da própria alma. A
voz desnuda as angústias, sonhos, alegrias e intenções. Ela imprime
1
Acadêmico do Curso de Comunicação Social – Habilitação: Relações Públicas da Universidade do Vale do
Rio dos Sinos – UNSINOS.
3
publicamente uma parte de nosso território de características individuais. Aqueles
que buscam o autoconhecimento têm, na voz que os integram ao mundo, uma
ferramenta especial que mostra traços importantes de seu ser.
Compartilha-se com o leitor que os resultados deste trabalho pretendem
ser uma contribuição para todos os que a ele tiverem acesso e desejarem
entender a projeção da voz e exercitar sua emissão estratégica, para fins
profissionais. Assim, intenciona-se conscientizar as pessoas das diferentes áreas,
dos profissionais da Comunicação aos gestores empresariais, de que seus
interlocutores precisam sentir confiança na sua fala e que, para isso, não basta
construir excelentes discursos verbais: há que se conciliar isso com o não verbal,
com os gestos, com a postura, e com a própria emissão da voz.
Esse conteúdo mostra-se útil a todos e foi, sobretudo, estimulado a partir
das aulas de Media Training, do curso de Relações Públicas, bem como pela
experiência profissional do autor desta monografia como mestre de cerimônias e
através do contato com diversos profissionais, de dentro e fora da Universidade,
que têm, na voz, um instrumento essencial para a realização de suas funções.
Parte-se da hipótese de que a percepção e o trabalho da própria voz
contribuem para uma emissão estratégica da mesma, sendo que isso faz a
diferença no ambiente profissional.
Assim, intencionou-se investigar os usos e formas de se buscar eficiência
na comunicação a partir do uso estratégico da voz; as estratégias aplicadas à
utilização da voz no âmbito profissional e possíveis ações vocais inadequadas à
busca de uma comunicação eficiente por parte de profissionais. Conhecer técnicas
de preparação para o uso estratégico da voz, bem como os processos de ordem
física envolvidos na produção da voz, a partir de auxílio no campo da
fonoaudiologia, também foram metas aqui perseguidas. Neste último aspecto,
ressalta-se que o conteúdo específico de outra área agregou conhecimentos úteis
à comunicação, uma vez que detalhou processos físicos e naturais, inerentes a
toda pessoa, que, se adequadamente compreendidos e utilizados, revertem-se em
favor do aprimoramento da voz. Dessa forma, e, ainda, diante da inexistência de
4
referências dessa ordem e dimensão nos livros que abordam a fala, a locução,
considera-se que foi uma opção correta e interessante.
Voz
Voz: essa forma mágica de comunicação:
Que som é este que sai de mim, ora como murmúrio ora como risada?
Que som é este que passa pelas veias da minha pele e se espalha pelo
meu corpo como música em noite de festa?
Que som é este que sabe de mim mais do que eu mesmo e conta ao
mundo os meus desejos mais secretos?
Que som é este que sendo a minha voz imprime em cada fala o meu
traço, o meu riso, a minha dor e o meu compasso?
Que esta voz, que sou eu, me represente com a sensibilidade dos poetas
e a alegria das crianças que brincam de roda nas calçadas do mundo!
Que esta voz, tão particular e tão minha, seja a ponte certa até o coração
das pessoas (MENDES, 1999, p. 90).
A voz tem um sentido especial na oratória. Uma boa voz facilita a emissão
do orador e lhe dá um apoio firme. Freqüentemente, esta aparência da vida
cotidiana, expressão oral, é descuidada e enfraquece a veemência da
conversação.
Entre várias definições apresentadas por Aurélio Buarque de Holanda
Ferreira (1999, p. 2.088), as que mais se adequam a este estudo, como definições
para voz, são:
“Som ou conjunto de sons emitido pelo aparelho fonador”;
“Som resultante das vibrações das cordas vocais”.
Seguindo essa proposição, Eunice Mendes e Luis Augusto Costacurta
Junqueira (1999, p. 90) dizem que a voz é o espelho da personalidade humana. É
ela que apresenta o mundo ao indivíduo, através dos sons; cada voz é única em
suas vibrações2, nos seus tons3, na sua textura4 e musicalidade5. Conhecer a
própria voz é conhecer um pouco mais da própria alma, porque ela revela
angústias e anseios ao imprimir, publicamente, parte do nosso território individual.
O homem precisa comunicar-se bem:
tecer a palavra e o gesto;
buscar a harmonia dos sons;
2
Ato ou efeito de vibrar. Oscilação, balanço. Tremor do ar ou de uma voz. Movimento vibratório; trepidação
(FERREIRA, 1999, p. 2.068).
3
Altura de um som (tom agudo, tom grave). Qualidade sonora da voz humana (o tom de sua fala é muito
suave). Inflexão da voz (respondeu em tom áspero). Modo de expressar-se (o tom da sua oratória é muito
rebuscado) (FERREIRA , 1999, p. 1.970).
4
Ato ou efeito de tecer. Tecido, trama, contextura (FERREIRA, 1999, p. 1.956).
5
Qualidade de musical. Musical: agradável ao ouvido, harmonioso (Ferreira, 1999, p. 1.384).
5
lapidar a forma e a beleza das imagens;
colocar-se no lugar do outro;
pulverizar idéias antigas;
reavaliar crenças e valores;
transmutar-se
e escolher os caminhos mais viáveis,
para alcançar a mente e o coração dos ouvintes (MENDES, 1997, p. 03).
Conforme Mendes (1997, p. 03), comunicar-se é a influência mútua entre
o desejo e o entendimento. Essa junção é necessária, para que se consiga obter
relações mais harmoniosas e produtivas, pois dela resulta a formação de um
espelho do mundo interno do indivíduo. A harmonia e o equilíbrio veiculados em
forma de gestos, atos e palavras transformam-se no fascínio de comunicar-se
bem.
Desde os tempos da pré-história, o ser humano exprimia-se por sons e
gestos. Com o avanço da inteligência, foi descoberto que os sons emitidos
inconscientemente em esforços oriundos da luta ou da dor serviam para
manifestar seus sentimentos. Davam à voz um poder sobrenatural, visto que era
um meio de comunicação com os espíritos, a quem atribuíam todas as paixões
humanas, tais como cólera, vingança, bondade, que julgavam afastar ou atrair
com a prática das magias orais. Começaram a se comunicar a partir do uso de
gestos, gritos ou gemidos ou da combinação destes.
Para alguns, os primeiros sons usados para criar uma linguagem foram
imitações dos sons da natureza; já outros dizem que os sons humanos vinham
das exclamações espontâneas. Outra hipótese é a de que o homem primitivo fazia
sons pelo uso das mãos, pés e boca, além da utilização de objetos, como pedras
e troncos ocos.
Foi a partir da linguagem oral que o homem obteve a primeira forma
organizada de comunicação, acompanhada ou não da comunicação não verbal. A
cultura foi também transmitida oralmente, através do uso de linguagem falada e de
imagens. Com o passar dos séculos, o homem foi aprimorando esses meios e os
utilizou para transmitir mensagens.
Outro elemento importante é a respiração. Ela é o principal mecanismo
biológico na produção da voz. Os pulmões produzem o ar que é indispensável à
fabricação do som vocal. Na inspiração, há a entrada de ar nos pulmões, através
6
do nariz, e, na expiração, ocorre a saída de ar dos pulmões. Na medida em que o
ar vai saindo dos pulmões, as pregas vocais6 contraem-se ou afrouxam-se,
subordinados a um comando cerebral, emitindo sons. A boca e as fossas nasais
agem como caixas de ressonância7.
A produção do som depende, basicamente, do ar e da laringe, onde estão
as cordas vocais. A laringe é composta por três anéis de cartilagem. Dentro
desses anéis, estão as cordas vocais, que são pequenos músculos com grande
poder de contração e extensão.
Durante a respiração, as cordas vocais permanecem abertas, enquanto
que, para a produção de som, elas se fecham, o ar faz pressão, causando uma
vibração que produz o som.
A voz humana é uma aquisição do ser humano, pois não existe um órgão
fonador propriamente dito. Sua produção é possível a partir da conjunção de
vários órgãos que dão origem ao sistema fonador. É possível definir, assim, a
fonética articulatória8 ou fisiológica9 como o estudo da adaptação, para a fala, de
órgãos, cuja função primeira está relacionada à manutenção da vida. A segunda
função está vinculada à fisiologia da fonação, que é uma adaptação à função
fonatória de órgãos que desempenham outras funções vitais, como a respiração e
a deglutição. E, a partir da atuação agradável e sinérgica dos órgãos
mencionados, há a formação do som vocal.
A voz é uma característica humana intimamente relacionada com a
necessidade do homem de se agrupar e se comunicar. Ela é produto da evolução
da humanidade, um trabalho em conjunto do sistema nervoso, respiratório e
digestivo, de músculos, ligamentos e ossos, atuando para que se possa obter uma
emissão eficiente. É importante dizer que as pregas vocais ou cordas vocais são
dois pares de músculos que, primordialmente, não foram feitos para o uso da voz.
6
Dobras membranosas que se localizam na laringe.
Modificação que a cavidade pulmonar, a cavidade bucal e as fossas nasais, chamadas caixas de
ressonância, imprimem às vibrações do ar emitido, reforçando algumas delas e atenuando outras, e da qual
resulta o timbre (FERREIRA, 1999, p. 1.755).
8
Que articula, referente à articulação. Articulação: Ato ou efeito de articular. Pronunciação distinta das
palavras (FERREIRA, 1999, p. 205).
9
Relativo à fisiologia. Fisiologia: parte da biologia que investiga as funções orgânicas, processos ou
atividades vitais, como o crescimento, a nutrição, a respiração, etc (FERREIRA, 1999, p. 909).
7
7
Essa foi uma função na qual a laringe10, local onde se encontram as pregas
vocais, especializou-se.
Associada à fala, a voz é a realização de uma decodificação por parte do
interlocutor e pode variar quanto à intensidade11, altura12, inflexão13, ressonância,
articulação e muitas outras características.
A fonação, segundo Lourdes Bernadete Rocha de Souza (2000, p. 5), é
produzida pela combinação de seis sistemas:
Do sopro respiratório (aéreo ou fole): formado pelos pulmões, brônquios e
traquéia. A intensidade da voz vai depender desse sistema, pois, de acordo com o
volume de ar, haverá uma intensidade que pode ser classificada em: forte, fraca e
moderada;
De emissão: formado pelas pregas vocais. Quando o ar vem dos pulmões
é sonorizado na glote14, onde é emitido o som fundamental. Do sistema de
emissão irá depender a altura da voz, que pode ser aguda15, média ou grave16;
De ressonância: sistema este que é composto pelas cavidades
supraglóticas, onde o som será modificado pela formação de harmônicos, ou seja,
reforçando e, às vezes, amortecendo a vibração do ar;
Articulatório: nesse sistema, encontram-se os órgãos articulatórios, onde o
som será articulado através dos fonemas, dando origem às palavras;
Nervoso Central: é a parte do sistema nervoso para o qual impulsos
sensoriais são transmitidos e, a partir do qual, impulsos motores são emitidos;
Nervoso Periférico: porção do sistema nervoso que conduz impulsos para
o sistema nervoso central e, através do qual, impulsos nervosos do sistema
nervoso central são conduzidos.
10
Conduto muscolocartilaginoso, com revestimento interno mucoso, situado imediatamente acima da traquéia,
comunicando-se, na parte superior, com a faringe, e que tem por função, entre outras, intervir no mecanismo
da fonação e evitar a penetração de alimentos na traquéia (FERREIRA, 1999, p. 1.189).
11
O maior grau de força expiratória com que o som fala é proferido, força que se expressa acusticamente na
maior ou menor amplitude de vibrações (FERREIRA, 1999, p. 1.122).
12
Propriedade de uma onda ou vibração sonora, caracterizada pela freqüência da vibração (FERREIRA,
1999, p. 109).
13
Tom de voz, modulação (FERREIRA, 1999, p. 1.109).
14
Abertura, em forma de pequena língua, existente na laringe, entre as bordas livres das cordas vocais
inferiores (FERREIRA, 1999, p. 993).
15
Diz-se do som de freqüência com elevado número de vibrações, por oposição ao som grave (FERREIRA,
1999, p. 77).
16
Diz-se o dom produzido por ondas de pequena freqüência. (FERREIRA, 1999, p. 1.007 e 1.008).
8
Dessa forma, Souza (2000, p. 7) ainda afirma que existe distinção entre
voz, fala e linguagem, que são conhecidas como patologias fonoaudiológicas:
A voz é o som produzido pelas pregas vocais e é o elemento sonoro da
comunicação.
A fala é a produção dos fonemas através dos órgãos articulatórios;
A linguagem é um sistema complexo de sinais arbitrários que o ser
humano usa para expressar seus pensamentos. É a característica mais humana
da nossa espécie.
Buscar a eufonia17 do tom especial a cada parte, natureza e finalidade do
discurso, adaptando a unidade com a variedade. Com isso, o ouvinte passa a
fazer parte da alocução, ganha-se credibilidade nas palavras proferidas. Também
é fundamental dosar a velocidade ou ritmo da fala, a serviço da inteligibilidade e
expressividade.
Quem negaria o imenso calor de uma voz forte, sonora, agradável,
modulada, livre, viril, constante, maleável, com som nacional, civilizada,
adaptada aos pensamentos, assuntos, afetos, pessoas, momentos,
lugares, partes do discurso (Queiroz,1998, p. 87)?
Conforme Queiroz (1998, p. 88), “uma boa voz fortalece e intensifica a
significação dos gestos, revigora a moção da vontade, impulsionando o ouvinte a
aceitar a nossa mensagem, positivamente estimulado”.
Já de acordo com Osborne (1996, p. 67), “a sua atuação e a sua
mensagem será avaliada segundo a percepção que tiverem em relação a sua
imagem vocal. Geralmente não é o que você diz que faz essa imagem, mas como
você diz”.
Esse paralelo dos dois autores acima referidos reforça a escolha do tema
tratado neste trabalho, sobre a importância da projeção da voz e os resultados que
podem ser obtidos, frente a determinado público, se bem trabalhadas as suas
qualidades vocais.
Como se produz qualidade vocal
17
Som agradável ao ouvido. Escolha feliz de sons; sucessão harmoniza de vogais e consoantes. Elegância e
suavidade na pronuncia (FERREIRA, 1999, p. 851).
9
Sabemos que a maioria das dificuldades, no uso da voz, estão aplicados
ao uso incorreto da coordenação pneumofonoarticulatória, sendo a
respiração fundamental para uma boa produção vocal e um bom
desenvolvimento da mesma. Muita atenção deve ser dada ao
fortalecimento, à mobilidade e à elasticidade do tórax através de
exercícios respiratórios aliados a atividades musculares que aumentam a
capacidade vital e melhoram a projeção e o volume da voz. Porém, não
necessitamos da respiração somente para projeção e volume da voz. A
coordenação da respiração com a fonação é muito importante no que diz
respeito às necessidades de inflexão, de interpretação, do colorido e da
melodia, tão importantes durante a produção da voz (SOUZA, 2000, p.
76).
Pela voz dá-se coloração, existência e expressividade à comunicação. Por
meio da dicção e da pronúncia apropriadas, o orador se revela. A forma como
articula as palavras pode ser o grande fator que influenciará a audiência.
A voz humana possui, como qualquer outro som, características próprias,
que são apreciadas como: tom, timbre, quantidade e intensidade.
•
O tom é a altura musical da voz. Conforme o tom, as vozes humanas
classificam-se em agudas ou graves. Com uma escala de registro e de altura, é
possível
identificar
vozes
masculinas,
comumente
classificadas
em
três
categorias: tenor, barítono e baixo.
•
Timbre é o matiz18 pessoal da voz. É um elemento curioso por dar
colorido à voz e que está determinado pelo tom fundamental e pelos seus
harmônicos ou secundários. Existem vozes bem colocadas e agradáveis, mas
também existem roucas, agudas e chiadas.
•
Quantidade é a constância do som. A quantidade depende,
geralmente, das características de cada idioma, dos costumes lingüísticos das
regiões ou países, da psicologia do habitante, etc.
•
Intensidade é a maior ou menor força com que se produz a voz.
Existem vozes fracas e vozes fortes.
Os sons possuem uma escala diferente de percepção ou alcance. Há sons
que, por caráter próprio, são ouvidos a grandes distâncias, como a vogal "a"; já,
com outros, ocorre o inverso, são escutados a distâncias curtas, como a vogal "u".
Nas vozes, também se pode encontrar diferentes alcances ou percepções.
18
Gradação sutil quase imperceptível; nuança. Colorido no estilo (FERREIRA, 1999, p. 1.299).
10
Para Cooper (1991, p. 07), “uma voz sem energia é enfadonha, tem tons
melancólicos e pesados, que fazem algumas pessoas dormirem e outras
quererem evitá-las. Uma voz fraca e soprosa também faz as pessoas dormirem,
pois carece de energia”.
Segundo Cooper, deve ser utilizada a voz natural sem forçá-la - a fala
deve sair espontaneamente, não elevando o seu tom. A voz que tem força chama
atenção, não passa desapercebida, atrai olhares, ganha amigos e influencia
pessoas.
O tom da voz forma um conjugado de notas concentradas ao redor do
plano do tom natural, ou excelente, que é usado quando se fala. Cooper comenta
ainda que:
Há algum tempo, o presidente de uma grande companhia proferiu uma
palestra perante um grande grupo de empregados. Ele soava
desentusiasmado e deprimido. “A audiência implicou com isso”,
comentou um alto dirigente da empresa. “A voz de um executivo pode
liderar ou comprometer sua liderança” (COOPER, 1991, p. 09).
Pessoas que resmungam, emitem grunhidos e ações similares enfrentam
diversos empecilhos para fazerem seus nomes, tornarem-se comunicadores ou
gestores de credibilidade, porque é praticamente impraticável entendê-los. Essas
pessoas não conseguem expressar nitidamente suas idéias, e, por muitas vezes,
são solicitadas para repetirem o que disseram, cansando rapidamente o ouvinte,
fazendo com que este não preste atenção e não as escute.
Para Miranda, é de extrema importância fazer uso do timbre da voz a favor
da eficácia na comunicação:
Se o auditório ou sala não dispuser de microfone, procure falar alto o
suficiente para que as pessoas que estão nas últimas filas possam ouvilo, evidentemente que sem gritos, para não irritar os ouvintes. Se tiver um
microfone, conserve-o a uma certa distância, para não ficar muito alto.
Mantenha a voz firme, sem tremer, para não dar a impressão de que não
tem certeza do que diz (MIRANDA, 1999, p. 42).
Miranda também diz que:
Uma das técnicas mais interessantes da comunicação com o público é a
de inflexão de voz (ou a alternância do tom). A elevação do tom serve
para destacar um assunto ao qual se queira dar ênfase ou para
demonstrar a emoção do palestrante ao falar do assunto, o que desperta
11
a atenção do ouvinte. (Desperta inclusive aqueles que estão quase
dormindo, o que pode ser um termômetro para medir a sua aceitação
junto ao público. Isso nem sempre é válido, pois existem pessoas que
vão com muito sono ou sem qualquer interesse). Abaixar (um pouco) o
tom da voz, com pausas mais acentuadas, também pode destacar ou
enfatizar frases ou orações, principalmente para permitir que pessoas
guardem citações interessantes ou frases famosas (MIRANDA, 1999, p.
42).
Nesse aspecto, a modulação da voz, arrolada ao seu tom e timbre,
beneficia o transmissor na captação e empolgação de sua platéia, pois ele se
utiliza de artifícios simples, porém de extrema importância, para o carisma e
relacionamento com o público.
Em geral o ouvinte julga o discurso com legítima severidade quanto à voz
do orador, analisando-lhe particularmente a altura, timbre, dicção,
potência. Daí, pois, aquela indispensável colaboração técnico-científica
do fonoaudiólogo, classificando a voz do orador, indicando-lhe a distinção
natural, fundamental, profissional: se para dramaturgo, parlamentar,
professor, advogado criminalista, ou civilista, gerente de empresa,
conferencista, agenciador de vendas ou de turismo, chefe de gabinete,
comandante de pelotão, pregador dominical, repórter esportivo,
noticiarista, Ministro do trabalho, Líder do Governo (QUEIROZ, 1998, p.
92).
Conforme as circunstâncias e necessidades, os profissionais devem saber
como falar, como se dirigir aos seus interlocutores, até para não parecerem
artificiais. Pode-se imaginar um advogado criminalista falando com o mesmo ritmo
de um narrador esportivo – o que seria um completo desastre.
Para Geisler (2002, p. 23), “pessoas com grande conhecimento intelectual,
muitas vezes, em função de não terem coerência na comunicação, (gestos,
emoções
e
palavras),
apresentam
dificuldades
de
relacionamentos”.
A
comunicação torna-se atraente quando o orador altera o ritmo, o volume e o tom
da voz, dando colorido e significado à mensagem; evitando, assim, a monotonia,
para obter mais atenção de sua platéia. Se o palestrante falar baixinho ou no
mesmo tom de voz, sua comunicação será péssima. Estará com déficit de
tonalidade e expressividade.
Um grande número de pessoas identifica dificuldades em seus atos
comunicativos, mas, para alguns, essa percepção só chega realmente a
incomodar às vésperas de um congresso, reunião, aula ou palestra. O problema
12
parece algo sempre externo, mas, na maioria das vezes, reside no íntimo os
fatores que, se bem trabalhados, podem estabelecer maior receptividade à
imagem, ou seja, podem trabalhar favoravelmente sua reputação como “imagem”.
Como diz Queiroz, pela importância fundamental da voz na comunicação,
cumpre ao emissor analisar criticamente a que efetivamente possui, para educála, corrigi-la, aperfeiçoá-la, tratando os ranços, defeitos e enfermidades
(QUEIROZ, 1998, p. 84).
Segundo o autor, para tanto, é necessário contar com o auxílio de um
profissional que trate de garganta, nariz e ouvidos, para ter condições de,
efetivamente, trabalhar a voz. As mudanças em prol de uma comunicação mais
eficiente incluem aprender a relaxar, respirar corretamente – respiração
diafragmática –, ou seja, respiração realizada com a região abdominal (o ar é o
combustível da voz), articular adequadamente as palavras, bem como usar de
modo estratégico a altura e a intensidade da voz.
A projeção da voz a serviço da comunicação
Uma voz monótona e entediante é o inimigo número um da projeção
vocal. E o sentido daquilo que você quer transmitir também se perde
quando falta entusiasmo na voz. Evidentemente a variação da entonação
vocal é um elemento-chave num discurso competente (OSBORNE, 1996,
p. 69).
Segundo Osborne (1996, p.69), a projeção de uma voz deficiente poderá
acarretar em perda de resultados esperados perante seu público, seja esta pela
não credibilidade na informação transmitida, falta de interesse pela mensagem
que está sendo colocada ou, simplesmente, pelo desconforto de uma pronúncia
inadequada.
Conforme Eunice Mendes e Luis Augusto Costacurta Junqueira (1999, p.
35), no âmbito das empresas, uma das atribuições mais constantes do líder é falar
para grupos, gerenciando reuniões, administrando conflitos, promovendo debates,
negociando com clientes internos ou externos, participando de feiras, eventos e
congressos, realizando palestras, apresentando projetos, ou seja, vendendo idéias
ou produtos e traduzindo a imagem pública da organização.
13
Assim, lida-se com a comunicação de forma a obter resultados
fundamentais para o bom desempenho individual e institucional. Quanto ao termo
comunicação, lembra-se, aqui, seu conceito segundo Eunice Mendes e Luis
Augusto Costacurta Junqueira:
A palavra comunicação significa tornar comum, trocar informações,
partilhar idéias, sentimentos, experiências, crenças e valores, por meio de
gestos, atos, palavras, figuras, imagens, símbolos etc. Comunicar tem o
sentido de participar e estabelecer contato com alguém num intercâmbio
dinâmico e interativo (MENDES; JUNQUEIRA, 1999, p. 34).
Nesse conceito, pode-se incluir a persuasão e a influência sobre as outras
pessoas. Aristóteles19 definiu comunicação como a “busca de todos os meios de
persuasão”. O ato de comunicar-se inclui a utilização de recursos que possibilitam
o diálogo, a sintonia e a compreensão mútua, favorecendo a integração social.
A comunicação é necessária e fundamental dentro de uma organização.
Em virtude dessa relevância, deve ser sempre realizada de forma efetiva. Seja a
comunicação verbal20 ou não-verbal21, ela é vital para todas as atividades em um
ambiente organizacional. Comunicação é definida como um processo de troca e
compreensão de informações por duas ou mais pessoas, com a intenção de
motivar ou influenciar o comportamento.
Simões (1995, p.88) refere-se à comunicação de mão dupla como um
canal de Relações Públicas que permite a fluência de informações entre a
organização e seus públicos. Tal afirmação do autor, fortalece a comunicação
numa negociação. Cita-se, aqui, a importância de ser eficiente e bem articulada,
podendo o gestor obter resultado com seu público interno e posteriormente
externo, em um sentido de vai-e-vem.
No que a comunicação aqui abordada tem relação com a projeção da
voz? Entende-se que a comunicação – e não apenas a emissão informativa, mas
19
Disponível em <http://www.simprorp.org.br/clipping/2006/028.html>. (Acesso em: 11 out. 2007).
Linguagem Verbal: as dificuldades de comunicação ocorrem quando as palavras têm graus distintos de
abstração e variedade de sentido. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas nas pessoas (no
repertório de cada um e que lhe permite decifrar e interpretar as palavras) (Disponível em
<http://www.salves.com.br/virtua/comverbn-verb.html>. Acesso em: 11 out. 2007).
21
Linguagem Não-Verbal: as pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e
corporais, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes: são os elementos não verbais da
comunicação (Disponível em <http://www.salves.com.br/virtua/comverbn-verb.html>. Acesso em: 11 out.
2007).
20
14
sim sua efetiva decodificação por parte da audiência – tenha importante influência
no modo como a voz é projetada. Complementando o que foi citado anteriormente,
quanto à necessidade de os profissionais de diferentes áreas e funções terem
discernimento sobre como devem dirigir sua voz, pode-se afirmar que a projeção
contribui para a “via de mão-dupla”.
Entende-se, assim, que, para uma comunicação eficiente, faz-se
necessário existir mão dupla, ou seja, uma comunicação bilateral, com o intuito de
satisfazer ambas as partes, em que uma transmite a mensagem enquanto a outra
está captando e respondendo num segundo momento; tendo, dessa forma,
emissor e receptor numa constante troca de papéis.
Conforme Dante Martinelli (1997, p.39), pode-se observar cinco elementos
necessários para que haja o processo de comunicação. São eles:
•
Transmissor: utilizando algum tipo de comunicação, manda uma
mensagem através de um canal;
•
Receptor: recebe a mensagem transmitida;
•
Mensagem: processo de uma idéia para ser enviada ao receptor;
•
Canal: meio em que o transmissor utiliza para transmitir a
mensagem;
•
Feedback: retorno do receptor sobre a comunicação de um
transmissor.
•
Martinelli (1997, p. 39) considera que, no processo de comunicação,
é preciso analisar os seguintes fatores:
•
Alvo: para se comunicar, toda a organização deve ter um alvo
definido. Em outras palavras, que o receptor compreenda o resultado da
comunicação;
•
Método: os métodos que podem ser utilizados na comunicação
empresarial podem ser: conversa pessoal, conversa telefônica, carta, memorando,
relatório, entrevista, formulário, circular, bilhete, recado oral transmitido por
terceiros, mensagem em quadro de avisos, reunião, conversa informal em
corredor, boletim, publicação interna, anúncio em jornal ou revista, propaganda em
televisão ou rádio, exposição oral, conferência, discurso, palestra, gráfico,
15
desenho, tabela. Realmente são muitos os métodos. Contudo, deve-se estudar
qual a forma mais adequada para atingir determinado alvo, pesando as vantagens
e desvantagens dos diversos métodos alternativos, antes de selecionar um
método específico;
•
Estrutura: a forma como a comunicação é planejada é muito
importante para que ela tenha sucesso;
•
Feedback: certificar que a mensagem foi compreendida pelo
receptor, bem como avaliar as emoções do receptor em relação a ela.
Conforme Martinelli (1999, p.39), pode-se ter dois tipos de barreiras na
comunicação e na organização: a individual e a organizacional. Para haver
superação de barreiras, é necessário que os administradores desenvolvam uma
comunicação positiva e efetiva.
Segundo Andréa Monteiro de Barros Machado (1999, p.55), para que haja
comunicação de forma objetiva, é preciso que alguém esteja disposto a se
expressar e o outro a captar tal expressão. Essa afirmação, que a princípio parece
tão somente o óbvio, traz embutida uma série de condições indispensáveis e que
precisam ser observadas com certo rigor, verificando todos os detalhes da
comunicação.
A comunicação, para ser bem realizada para os grandes públicos,
depende basicamente da qualidade com que é exercida com o outro. O
relacionamento interpessoal é muito importante, principalmente porque
vai fornecer subsídios de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal
(MACHADO, 1999, p. 55).
Conforme Machado (1999, p.55), a comunicação interpessoal é uma
importante ferramenta que, bem utilizada pelo gestor perante seus subordinados,
agrega conhecimento e estimula a confiança entre as partes, favorecendo o
desenvolvimento pessoal. Algo imprescindível no mercado atual, como considera
Osborne:
A habilidade de comunicar é um pré-requisito no atual clima competitivo
dos negócios. Negócios bem-sucedidos requerem pessoas que sabem
comunicar idéias aos outros. Quem sabe se expressar com precisão
diante de grupos conduz eficientemente reuniões e causa boa impressão
diante das câmaras, é procurado para liderar. Homens de negócios com
16
habilidade para falar em público têm linha direta com a promoção
(OSBORNE, 1996, p. 07).
Osborne (1996, p.07) traz uma importante reflexão, pois, hoje em dia,
neste mundo globalizado e a cada dia mais competitivo, tiram proveito para
atingirem uma boa qualificação e obter bons resultados, aqueles que sabem se
comunicar perante seus públicos sem inibição.
É o que também considera Reinaldo Polito:
Quando estamos numa platéia e sentimos que teremos dificuldade e
precisaremos fazer um esforço para compreender o orador, criamos uma
espécie de bloqueio mental e passamos a refletir sobre outros pontos
alheios aos que ali estão sendo tratados. Temos o mesmo
comportamento quando percebemos que o assunto está sendo colocado
de maneira muito simplista ou com a ordenação do raciocínio truncada.
Portanto, a qualidade da mensagem deverá estar sempre de acordo com
o nível intelectual predominante do auditório (POLITO, 1999, p. 32).
Conforme Polito (1999, p.32), perante o público, seja ele interno ou
externo, é preciso transmitir uma mensagem de boa qualidade, boa projeção de
voz, de forma que se consiga envolver a platéia e fazer com que ela participe e
contribua com os ideais do transmissor. Segundo Geisler (2003, p.92), as pessoas
que articulam mal as expressões, do tipo “língua presa” ou “falar para dentro”,
comumente são analisadas como sem vida, e pouco eficazes na sua
comunicação. Para a comunicação tornar-se efetiva, faz-se necessário manter
cuidados com a voz. Existem diversos problemas na dicção que são solucionados
com uma melhor articulação ou por profissionais da área.
A voz é o fruto da passagem de ar, que vem dos pulmões, e ao contato
com as pregas vocais transforma-se em som. Então, uma voz bem
empostada é fruto de uma respiração adequada. Para termos uma voz
bem
colocada
fundamentalmente,
necessitamos
respirar
adequadamente. Não existe voz feia: “taquara rachada”; “periquito”, etc.
O que acontece é respiração muitas vezes negligente (GEISLER 2003, p.
92).
Leoclides Marcon complementa:
O cuidado em usar bem a voz é muito importante para assegurar o
sucesso como palestrante. E todas as pessoas têm voz agradável. O que
ocorre, muitas vezes, é a má utilização da voz, tornando-a, além de
desagradável, por vezes quase que incompreensível. Outras pessoas
incorrem no erro de tentar imitar a voz de alguém que apreciam,
despersonalizando-se e tirando toda a força e colorido da sua voz
(MARCON, 1992, p. 158).
17
Nesse ponto, pode-se afirmar a importância de uma boa projeção da voz a
favor de bons resultados, para profissionais que, através do uso da comunicação
oral, comandam grupos de pessoas, seja essa comunicação realizada em
reuniões, palestras ou simplesmente em uma ordem do dia-a-dia. O seu retorno,
as suas conquistas no objetivo esperado, dependerão de como essa comunicação
será realizada.
Como diz Cooper (1991, p.65), não há como ficar impassível diante do
som da voz de uma pessoa. Você a ouve e ela influencia seu julgamento. Algo
nela pode tanto atrair quanto repelir o interlocutor.
Cooper ainda afirma que:
Não importa sua idade, se você está usando corretamente sua voz, não
há qualquer razão para perdê-la até que você solte o último suspiro,
exceto por um problema médico sério que a afete. De fato, não há
qualquer razão para não se ter uma voz agradável, com boa sonoridade,
que transmita quem você é para o mundo. Quando você tem uma voz
que fala por você, as pessoas prestam atenção (COOPER, 2001, p.64).
Quando se trabalha com pessoas, trabalha-se com comportamentos
diferenciados, ou seja, percepções das mais variadas e criteriosas. Esse
comportamento é desenvolvido ao longo da vida e, na fase profissional, carrega
uma série de valores, crenças e hábitos. Para cativar o público, transformar esses
comportamentos em grandes aliados e atingir resultados através da voz, é
necessário muito mais do que receitas. É preciso entender as pessoas. Por isso,
faz-se necessário aprimorar o ambiente profissional, desenvolvendo as lideranças,
aperfeiçoando
a
comunicação
interpessoal,
respeitando
as
diferenças,
recompensando de forma justa e, sobretudo, olhando para as pessoas como elas
realmente são.
Criação de imagem pessoal/profissional diante do interlocutor
Antes de se proferir qualquer palavra, inicia-se a relação com o público.
Sem verbalizar absolutamente nada, o profissional já revela ao público
características de sua personalidade.
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Os cuidados dispensados à revelação dessas características são de
extrema importância, por identificar muito a respeito do emissor, podendo fazer
com que os outros o vejam de forma positiva, respeitando-o também por essa
feição.
Sentir-se confortável e adequado com determinada roupa contribuirá para
que a aparência não seja uma preocupação, e, dessa forma, possa se concentrar
com maior profundidade no assunto e em outros aspectos da comunicação
(GEISLER, 2003, p. 83).
Geisler ainda diz que:
Ao preparar-se para uma apresentação, se você vestir algo e não estiver
de acordo com o que você considera adequado, por exemplo, uma roupa
mal passada, meias não combinando com as calças, uma pulseira meio
esquisita, meia novinha que puxou fio, mesmo que outras pessoas não
notem, você se sentirá pouco à vontade e talvez este fato possa
comprometer a sua concentração e naturalidade (GEISLER, 2003, p. 83).
Conforme Geisler (2003, p. 83), para a aquisição de uma boa imagem
perante o público, é importante observar que, quando se está realizando um
pronunciamento, seja ele para funcionários ou para uma platéia, a pessoa estará
em foco, em evidência, nunca esquecendo que a audiência estará lhe observando
e, em muitas situações, julgando-lhe.
Queiroz contribui dizendo que:
O destinatário receptor ou interlocutor é mais estimulado pela imagem
vista e som ouvido do que pelas idéias a ele transmitidas. Sua natureza
animal terrena, o seu anjo caído, é mais sensível, impressionável do que
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suas racionalidades cognoscitivas , sedentas da verdade, de onde seu
anjo caiu (QUEIROZ, 1998, p. 127).
Conforme Queiroz (1998, p. 127), a aparência é quase tudo na
eloqüência, habita aí o grande valor da postura, imagem e personalidade do
emissor, para a comunicação eficaz de sua mensagem.
Nas diferentes fases de formação, as pessoas aprendem a usar de
maneira adequada o tom da voz, os gestos, a comunicação facial, as reações do
corpo, enfim, desenvolvem habilidades que as preparam para conviver
22
Que tem a faculdade de conhecer (FERREIRA, 1999, p. 497).
19
naturalmente em sociedade. De acordo com a cultura em que são educadas, as
sutilezas são incorporadas na maneira de se comunicar e de se expressar: um
discreto levantar de sobrancelha, que indique surpresa; uma quase imperceptível
mordida no lábio inferior, que demonstre ansiedade; um rápido tamborilar com os
dedos que informe impaciência.
Ainda nessa fase de aprendizado, conforme os hábitos e costumes da
comunidade em que a pessoa foi criada, ela descobre até que ponto pode ou não
se aproximar fisicamente dos outros, qual o tom de voz apropriado para as mais
diferentes situações e todas as reações próprias para uma boa convivência. Com
o passar do tempo, esse comportamento é naturalizado e constantemente
monitorado.
Quando o orador se apresenta de maneira espontânea, dá a impressão de
que está diante de um grupo de amigos, sem afetação. A naturalidade permite que
as características e o estilo do orador sejam respeitados e preservados (POLITO,
2001, pp. 102-3).
A construção de uma auto-imagem saudável é questão de sobrevivência
num mundo onde o marketing pessoal é importante para o sucesso. A imagem
que uma pessoa mostra para o mundo social definirá o seu resultado.
Para Mendes:
A auto-estima é, pois, a raiz da auto-imagem, e ambas determinam a
possibilidade de uma vida produtiva ou amorfa. A auto-estima pode ser
definida como a quantidade de amor, de respeito e de aprovação que
dedico a mim mesmo. É o grau de autoconfiança que sinto para resolver
as questões da minha vida. É a abertura para a minha felicidade
(MENDES, 1999, p. 51).
Conforme Mendes, a auto-imagem é a conseqüência do “longa-metragem”
que se cria a partir das vivências de cada um; tem como base as convicções,
resultantes de tudo o que foi vivido, sentido, invejado, sofrido e amado. A
percepção desses fatos serve de base à face interna, que se apresenta ao mundo,
uma vez que os atos têm como referência esse olhar.
Ao se lidar com pessoas, trabalha-se com o comportamento. Esse
comportamento é desenvolvido ao longo da vida e, na fase profissional, carrega
uma série de valores, crenças e hábitos. O comportamento pode ser
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transformado,
mas
sempre
respeitando
as
experiências
anteriores
e,
principalmente, os valores pessoais.
Quando se busca um ídolo, persegue-se uma realização fantástica. Gastase uma fortuna e nem sempre se atinge o esperado. Quando se quer resultados, é
necessário fazer ajustes de expectativas e de ações. Sendo assim, o
comprometimento desejado e os resultados esperados só aparecem quando se
alinham os interesses pessoais com os da organização, deixando de lado as
soluções mágicas. A vida profissional é um ciclo contínuo de captação, reflexão,
uso e aperfeiçoamento da direção adequada pela busca da consolidação dos
resultados.
Conclusão
Na história da humanidade, é percebido um permanente esforço do
homem para se comunicar. Através de elementos verbais e não verbais, o
indivíduo constrói sua fala, interpela seus públicos e consegue ou não o êxito
esperado em suas abordagens.
Pensar em voz, no ambiente profissional, é estar atento a um instrumento
fundamental para a eficácia dos processos comunicativos, com vistas a
estabelecer uma comunicação efetiva, com resultados positivos junto aos
interlocutores e com a credibilidade necessária.
Neste trabalho, procurou-se investigar como profissionais de diferentes
áreas, a seu modo, percebem, cuidam e utilizam a voz. Isso aconteceu por meio
das entrevistas que sinalizam, igualmente, a importância da voz no ambiente de
trabalho.
Partindo da hipótese de que a percepção e o trabalho da própria voz
contribuam para uma emissão estratégica da mesma, e que isso faz a diferença
no ambiente profissional, ao final desta caminhada obtêm-se respostas positivas a
respeito. As leituras e entrevistas realizadas validam tal afirmativa.
Constatou-se que, mesmo que os profissionais considerem conhecer e
utilizar sua voz de forma adequada, eles, muitas vezes, desconhecem os métodos
para aprimorar, cuidar e projetar a voz, e acabam colocando em prática
21
procedimentos que, ao invés de auxiliar, prejudicam a voz. Diante desse quadro,
conclui-se que os profissionais que têm, em sua atuação, a voz como instrumento
central, devem ser melhor preparados, buscando informações e cursos a respeito.
Outra possibilidade de preparação seria que as próprias instituições promovessem
esse tipo de conhecimento e treino. Sessões de fonoaudilogia, por exemplo,
serviriam não só àqueles que identificam patologias vocais, como também a todos
que desejem aprender a reconhecer sua voz, seu potencial vocal e a emissão
estratégica da voz, de acordo com diferentes objetivos e circunstâncias.
Para diferentes profissionais, a fala legitima sua imagem, pois, além de
dar credibilidade ao profissional de acordo com as entonações corretas, possibilita
o alcance em relação aos resultados desejados.
Neste trabalho, buscou-se evidenciar que a voz é peça-chave e
fundamental na gestão da comunicação. Através das habilidades e técnicas
desenvolvidas, pode-se contribuir favoravelmente para que o profissional – e sua
instituição – alcance os resultados pretendidos, onde se inclui a satisfação dos
públicos envolvidos. Do contrário, apresentando deficiências ou dificuldades na
emissão estratégica da voz, o profissional – consciente ou não disso – estará
realizando um desempenho aquém do possível, para si e diante dos outros. No
entanto, poderia ter muito mais retorno e êxito, em seus processos comunicativos,
com os diferentes públicos, se aprendesse e desenvolvesse uma projeção
adequada da sua voz, articulada com seus diferentes propósitos e situações.
O reconhecimento e a valorização das pessoas dentro das organizações
são fatores essenciais para a conquista dos objetivos e do sucesso. Os
colaboradores comprometidos com o negócio geram novas atitudes e novas
formas de pensar no seu trabalho, principalmente quando se possui credibilidade
e boa comunicação, utilizando-se da voz para consolidar esse espaço.
Pode-se frisar, enfim, que o papel da voz para um comunicador ou gestor
é indispensável como estratégia básica para seu sucesso e do local para o qual
trabalha. As organizações que estão se mantendo no mercado atual, diante do
contexto da globalização, são aquelas que compreenderam a importância de ter
seu público interno como aliado, para manter a qualidade e a produtividade em
22
seus produtos e serviços; permitindo, ainda, agregar novos valores e conceitos à
imagem que refletem para o público externo. Sendo assim, o profissional que
possui uma boa voz e postura vocal será, através de suas técnicas, mediador
eficiente na locução e na transmissão da mensagem em reuniões, palestras,
entrevistas e toda a variedade de oportunidades de expressão.
Acredita-se que esse profissional possa vir a ser um agente facilitador no
processo de negociação e mediação na empresa com seus diversos públicos. As
situações conflitantes que impedem a excelência na comunicação verbal poderão
ser amenizadas com o uso estratégico da voz; estabelecendo-se, assim, a
cooperação, a conscientização e a confiança entre os diferentes públicos e a
organização.
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Download

A Importância do uso Consciente da Voz no Espaço de Trabalho