PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais OTIMIZAÇÃO DA CARTEIRA DE UM CLUBE DE INVESTIMENTO Bruno Malta Guimarães Belo Horizonte 2005 Bruno Malta Guimarães OTIMIZAÇÃO DA CARTEIRA DE UM CLUBE DE INVESTIMENTO Projeto de estágio apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado Administração do IV Instituto do de curso de Ciências Econômicas e Gerenciais da PUC-Minas Orientador: Rubens Felipe Filho Área: Finanças Belo Horizonte 2005 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais Curso de Administração Trabalho de estágio apresentado no curso de Administração da PUC-Minas como requisito parcial ao cumprimento das exigências de Estágio Supervisionado IV. OTIMIZAÇÃO DA CARTEIRA DE UM CLUBE DE INVESTIMENTO RESUMO DAS AVALIAÇÕES: 1- Do Professor Orientador: ________________________ 2- Da Apresentação Oral: ________________________ 3- Média Final: ________________________ CONCEITO: ________________________ LISTA DE FIGURAS FIGURA 01 Linha de compensação risco/retorno ...............37 FIGURA 02 Equação 01 ........................................38 FIGURA 03 Equação 02 ........................................38 FIGURA 04 Equação 03 ........................................39 FIGURA 05 Equação 04 ........................................39 FIGURA 06 Equação 05 ........................................39 FIGURA 07 Risco em função da correlação .....................41 FIGURA 08 Equação 06 ........................................42 FIGURA 09 Equação 07 ........................................47 FIGURA 10 Tela do SOLVER (Excel) ............................48 FIGURA 11 Gráfico 1 Ativos que compõem a carteira ...........51 FIGURA 12 Gráfico 2 Comparativo de índices ..................52 LISTA DE TABELAS TABELA 01 Série histórica dos ativos ........................46 TABELA 02 Composição da carteira ............................46 TABELA 03 Matriz de covariâncias ............................47 TABELA 04 Resultados ........................................48 TABELA 05 Composição da carteira - risco ....................49 TABELA 06 Resultado - risco .................................50 TABELA 07 Composição da carteira - retorno ..................50 TABELA 08 Resultado - retorno ...............................50 TABELA 09 Matriz de covariâncias - retorno ..................51 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................06 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA ....................................07 1.2 JUSTIFICATIVA ...........................................08 1.3 OBJETIVOS ...............................................09 1.3.1 Objetivo geral ........................................09 1.3.2 Objetivos específicos .................................10 1.4 METODOLOGIA .............................................10 2 REFERENCIAL TEÓRICO .......................................13 2.1 O mercado financeiro ....................................13 2.1.1 O mercado monetário ...................................14 2.1.2 O mercado de crédito ..................................15 2.1.3 O mercado de câmbio ...................................17 2.1.4 O mercado de capitais .................................17 2.2 Tipos de investidores ...................................19 2.3 Análise de investimento ................................25 2.3.1 Análise fundamentalista ...............................26 2.3.2 Análise de demonstrações contábeis ....................27 2.3.3 Análise técnica .......................................28 2.4 Análise das carteiras de investimentos ..................31 2.4.1 O modelo de Markowitz e suas particularidades .........31 2.4.2 Considerações sobre o risco ...........................35 3 APLICAÇÃO DO METODO DE MARKOWITZ ..........................39 3.1 Pesquisa Operacional aplicada ao modelo .................42 3.2 Exemplo prático .........................................43 4 CONCLUSÃO .................................................53 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................54 6 APÊNDICE ..................................................56 6 1 INTRODUÇÃO A estabilidade econômica do país nos últimos tempos fez com que algum pessoas tipo de que dispunham investimento de que capital fizesse ocioso este buscassem dinheiro se multiplicar. A cada dia que passa, mais pessoas físicas se interessam pelo mercado funcionamento financeiro, e como buscando fazer informações parte dele. sobre Os o seu clubes de investimento surgiram através da Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA. físicas para clubes, uma Com o a intenção mercado, forma de a e interesse BOVESPA permitir a em atrair desenvolveu participação pessoas através ativa dos destas pessoas e grupos no mercado. O conhecimento das técnicas de análise é muito importante para que através delas se obtenha dados que indicarão as ações a serem tomadas perante o mercado. O entendimento do que é o mercado financeiro, suas particularidades e funcionamento são fundamentais para entender investimento se encontra o contexto inserido. em que Outro um clube fator de muito importante é o risco. O risco e o retorno têm uma correlação positiva, ou seja, quando maior for o retorno, maior será o risco. Utilizando a diversificação de ações e de setores com o modelo a ser explicado ao longo do trabalho proposto por Harry 7 Markowitz, pode-se otimizar a composição de uma carteira de ações mantendo o rendimento e deduzindo o risco, tornando ainda mais atrativo investir no mercado de capitais. 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA Com o elevado rendimento obtido pelos investidores no ano de 2003, capital utilizar despertou-se sem o rendimentos este dinheiro interesse a fazê-lo estático de pessoas gerar como que receita, forma de detinham ou seja, geração de renda. A estabilidade econômica abriu a possibilidade para uma mudança de visão por parte do investidor, a preocupação maior que era antes se prevenir contra a inflação, hoje deu lugar a um objetivo que é o de obter lucro nos investimentos. Quanto mais desenvolvida é uma economia, mais ativo é o seu mercado de capitais, o que se traduz em mais oportunidades para as pessoas, empresas e instituições aplicarem as suas poupanças. O mercado tem muito interesse em popularizar, pulverizar a detenção dos títulos, para que menores grupos se formem e que os grandes fundos parem de determinar movimentação nos preços pela oferta e procura. Pessoas, ou grupo de pessoas interessadas no mercado de capitais formam os chamados grupos de investimento e através 8 deles operam no mercado. A partir deste principio surge o interesse em entender a composição de um clube de investimento, como os clubes funcionam, e sobre quais leis estes são regidos. Os clubes são administrados pelos próprios gestores ou por gestores da corretora que são filiados. O interesse maior então é de analisar a composição da carteira de ações do clube de investimento, verificando se esta possui um risco e um retorno satisfatório. Após esta análise, propor através do modelo de Harry Markowitz a composição ideal da carteira, mantendo o retorno e diminuindo o risco. 1.2 A JUSTIFICATIVA A cada dia que passa o mercado de trabalho está mais saturado. Os profissionais procuram se qualificar, mas mesmo assim, até os mais qualificados estão tendo muita dificuldade em conseguir um emprego. Percebendo esta dificuldade, pessoas detentoras de capital estão procurando fazer exatamente o contrário, fazer com que o dinheiro trabalhe para eles. O mercado de capitais é a forma encontrada para que o dinheiro associado ao conhecimento, gere receita. Para que seja feita uma operação no mercado de capitais é necessário o conhecimento das técnicas de análise de investimento. O emprego correto do capital, por si só, muitas vezes não é suficiente, pois esta operação envolve muitas 9 outras variáveis que, se consideradas, possibilitam operar com mais segurança. O conhecimento teórico é de extrema relevância na análise de oportunidades de negociação, tendo em vista que operações no mercado de capitais envolvem uma grande quantia de dinheiro. Surge então o interesse em fazer o levantamento das informações técnicas sobre de a atividade análise de do mercado investimento de e capitais, das confrontar com composição da carteira de um clube de investimento, fazendo a análise segundo o modelo proposto por Harry Markowitz. Desta forma pode-se clube de confirmar investimento importante aplicação deste ou instituições a nessas trabalho, não de mas e análises, o e possibilitando recursos financeiras investimento, eficiência o que assim particulares possuem nenhuma comportamento com o mais optar pela uma diversificadas tamanha é do vez que opções de proximidade do investidor como nos clubes de investimento. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo geral • Analisar a composição da carteira de um clube de investimentos e possibilitar a otimização da mesma segundo o modelo proposto por Harry Markowitz. 10 1.3.2 Objetivos específicos • Definir o que é mercado de capitais, seu funcionamento e a sua importância para a economia. • Identificar o que é um clube de investimento e suas atribuições. • Identificar os produtos de aplicação. • Identificar as técnicas de análise. • Identificar a teoria sobre composição de uma carteira. • Aplicar de forma prática o modelo na composição da carteira de um clube de investimentos. 1.4 METODOLOGIA O conhecimento teórico é de extrema importância para a análise de investimentos de um clube. A complexidade do tema obriga a realização de um extenso estudo exploratório. Será necessário fazer uma introdução, abordando de forma geral o mercado financeiro e em seguida um aprofundamento no mercado de capitais, pesquisados os onde opera diversos um clube tipos de de investimentos. análise de Serão investimentos, assim como as técnicas utilizadas por analistas experientes no mercado. A estratégia de pesquisa a ser adotada será a pesquisa qualitativa, isso se deve a maior preocupação na qualidade dos dados coletados. Serão analisados dados sobre as relações entre os diversos elementos pesquisados sem considerar apenas 11 as relações destes com os números. A preocupação maior será em aprender os fatos e fenômenos relacionados com o assunto e não meramente cita-los a partir das informações levantadas. O método de pesquisa esta vinculado ao problema. O mais apropriado para o tema e ao objetivo do trabalho é o estudo monográfico, no qual bibliografias possível serão sobre pesquisadas o tema para o máximo de que possa ser apresentado de forma ampla e geral os tipos de análise de investimento e os meios para se construir um clube de investimento. Apesar do método mais evidente ser o estudo monográfico, serão também feitos estudos de casos relacionados com análises feitas por especialistas no assunto, assim como o entendimento do funcionamento, na prática, de um clube de investimento. Estes estudos possibilitarão o entendimento de como é feita a política de investimentos composição da carteira de e também como é elaborada a ações de um clube de investimento. Os instrumentos de coleta de dados são de suma importância na determinação da qualidade da informação levantada. Serão feitos levantamentos documentais, coletando dados em arquivos, registros gráficos. Da mesma forma será feito um levantamento bibliográfico através de livros, artigos científicos e bibliografia específica do assunto. Utilizando-se relatórios publicados coletar pelos dados clubes, relevantes serão sobre considerações as formas no de intuito de análise de 12 investimentos e também sobre as técnicas utilizadas pelos especialistas. Após a obtenção dos dados levantados pelas pesquisas, estes serão analisados de forma explicativa, na tentativa de mostrar uma relação da teoria com a prática. Desta forma ficam definidos todos os passos da metodologia deste projeto. As principais dificuldades do trabalho a ser realizado serão a alta complexidade específica dificuldade de de do cada tema, tipo de compreender o levantamento análise e de bibliografia investimentos interpretar investimentos de um clube de investimentos. de a política e a de 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 O mercado financeiro Pinheiro (2001), define mercado financeiro como o lugar que ocorre a comercialização de ativos financeiros e onde se determinam o seu preço. Ainda conforme Pinheiro (2001), o mercado financeiro tem dois atores. Os agentes superavitários, ou seja, empresas que tem um excedente de renda em relação ao consumo e que dispõem de capital, ou poupança como é chamado e os agentes deficitários, que são aqueles que tem o seu consumo maior ou igual a sua renda. Os agentes superavitários desejam maximizar sua poupança e recorrem para o mercado financeiro em busca de investimentos para receberem ao final de um determinado período um ganho. Este capital financiar as disponibilizado necessidades dos pelos superavitários deficitários que irá buscam exatamente o mercado financeiro para obterem crédito e cobrir a sua diferença entre receita e consumo. Desta forma observase que o mercado financeiro transfere o capital disponível dos agentes superavitários para os agentes deficitários, tomadores deste capital. 14 Além da função de estabelecer o contato entre os agentes o mercado financeiro deve ser um eficiente mecanismo de fixação de preços para os ativos e proporcionar a sua liquidez reduzindo os prazos e custos da intermediação. Dentro do mercado financeiro podem se identificar dois mercados diferentes. Entre os mercados de renda fixa estão o mercado monetário e o mercado de crédito, e entre os de renda variável estão o mercado cambial e mercado de capitais. 2.1.1 O mercado monetário Segundo Fortuna (2000), o mercado monetário é responsável por suprir monetária as e necessidades dos agentes e do governo de intermediários fazer de política caixa. São realizadas operações de curto prazo e sua liquidez é regulada pelas autoridades monetárias. Um dos títulos privados comercializados é o Certificado de Depósito Bancário - CDI que são as transferências de recursos de uma Instituição Financeira para outra com prazo definido de um dia ou 30 dias (CDI Longo) e serve de parâmetro nas taxas de empréstimos, e os públicos como os do Tesouro Nacional e do Banco Central que são as Letras do Tesouro Nacional - LTN com rentabilidade definida no momento da compra (Pré - Fixada) e as Notas do Tesouro Nacional - NTN que possuem vários tipos cujos três mais comercializados estão relacionados a seguir, a NTN-B que é atualizado pelo IPC-A mais juros definido no 15 momento da compra, a NTN-C que é atualizado pelo IGP - M mais juros definido no momento da compra e a NTN-D que é atualizado pelo dólar comercial, sendo consideradas as taxas médias de venda do dia útil imediatamente anterior às datas de emissão e de resgate do título mais juros definido no momento da compra. Os governos, federal, estadual e municipal, emitem títulos com a finalidade de captar recursos e financiar as atividades como educação, saúde, etc. Esses são os chamados títulos da dívida pública. Segundo Brasil Fortuna pode (2000), comprar qualquer títulos pessoa públicos, residente sendo no necessário cadastrar-se primeiro num agente de custódia que pode ser um banco ou corretora de valores. Pode-se também comprar pela internet, no site do Tesouro Nacional ou nos sites dos principais bancos, desde que esteja cadastrado num agente de custódia. A negociação será feita essencialmente pelo site do Tesouro Direto, por um sistema seguro que só dá acesso à área exclusiva mediante validação do CPF e senha. 2.1.2 O mercado de crédito O mercado de crédito tem a característica de suprir as necessidades de crédito de curto e médio prazo. Pode-se ter como exemplo as empresas que necessitam de capital de giro ou até mesmo empréstimo de pessoas físicas. São captação de recursos das instituições financeiras. formas de 16 Os títulos mais negociados são, o Certificado de Deposito Bancário – CDB, Recibos de Deposito Bancário – RDB e as Letras de Cambio – LC. Neste sentido baseado em Reis (2004) pode-se dizer que CDB são títulos emitidos por bancos comerciais bancos de investimento, bancos de desenvolvimento e bancos múltiplos com o objetivo de captar recursos em troca de uma taxa de juros que pode ser pré ou pós - fixada. Ou seja, é como se você estivesse emprestará emprestando este dinheiro dinheiro para para o outras banco pessoas e este por banco uma taxa maior. Esta é uma das principais fontes de receita dos bancos, o "spread" bancário. Ainda baseado características do em CDB, Reis (2004), porém não é o RDB tem negociado as no mesmas mercado. Outros títulos são as Letras de Cambio que são emitidas por sociedades de credito, financiamento e investimento, para a captação de recursos para financiamento da compra de bens de consumo durável ou do capital de giro das empresas. Ela tem renda fixa e prazo certo de vencimento. Letras Imobiliárias são títulos emitidos por sociedade de credito imobiliário, com garantia da Caixa Econômica Federal, para a captação de poupança destinada ao Sistema Financeiro da Habitação. 17 2.1.3 O mercado de câmbio Segundo Pinheiro (2001), o mercado de câmbio tem a característica de suprir quanto à realização das operações de compra e venda destas operações de as moeda estrangeira. importações e Tem-se exportações como exemplo feitas pelas empresas. Quando é feito um negócio entre empresas de dois países diferentes, eles comparam os valores de suas moedas com o dólar para facilitar a negociação. No Brasil apenas o Banco Central e alguns bancos autorizados como o Banco do Brasil podem ter conta em dólar, mesmo assim, os dólares não podem ficar em conta de um dia para outro. 2.1.4 O mercado de capitais Segundo a introdução ao mercado de capitais da BOVESPA, mercado de capitais pode ser entendido como um sistema de distribuição de valores mobiliários, que tem o propósito de proporcionar liquidez aos títulos de emissão das empresas e viabilizar seu processo de capitalização. O mercado de capitais é composto pelas bolsas de valores, sociedades corretoras, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento e demais instituições financeiras autorizadas. Os Títulos mais negociados no mercado de capitais são ações e debêntures. 18 Ações são títulos de renda variável, emitidos por sociedades anônimas, que representam a menor fração do capital da empresa que o emitiu. Podem ser escriturais ou representadas por cautelas ou certificados. O acionista então, é proprietário de uma parcela da empresa correspondente ao numero de ações que possui, participando dos seus resultados. As ações são conversíveis em dinheiro, a qualquer tempo, pela negociação em bolsas de valores ou no mercado de balcão. Existem dois tipos de ações. As ações ordinárias dão direito a participação nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito ao voto. As ações preferenciais garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendo e no reembolso de capital no caso de dissolução da sociedade. Segundo Reis (2004), debênture é um título de crédito representativo de empréstimo que uma companhia faz junto a terceiros e que assegura aos seus detentores direito contra a emissora, nas condições constantes da escritura de emissão garantidas pelos ativos da empresa. Debêntures conversíveis em ação são aqueles que permitem aos seus detentores, observados os prazos e condições constantes da escritura de emissão, converter seus títulos em ações de emissão da própria empresa. 19 2.2 Tipos de investidores Segundo Pinheiro (2001), existem basicamente dois tipos de investidores no Mercado, os investidores individuais e os investidores institucionais. Conforme Pinheiro (2001), os investidores individuais são aqueles que participam diretamente no mercado, sejam pessoas físicas suas ou jurídicas, próprias comprando análises e ou vendendo assumindo ações, todo o fazendo risco do investimento. Os investidores institucionais são pessoas jurídicas que movimentam financeiro considerável de participantes volume forma geral. mais importantes de Estes recursos são dos de no certa mercados. mercado forma São os por determinação governamental, obrigados a investir parte de seus capitais no mercado de ações, constituindo uma carteira de investimento. Ainda conforme Pinheiro (2001), os investidores institucionais se agrupados podem ser identificados em seis distintos grupos, Sociedades Previdência Privada, externos investimento, de Seguradoras, Sociedades de Fundos Entidades Capitalização, Mútuos de de Fundos Investimentos e Clubes de Investimento. As Sociedades Seguradoras são obrigadas a destinarem investimentos para a cobertura de sinistros. Podem compor sua carteira de forma variável, podendo obter 100% de títulos 20 públicos assim como dividir em ações negociadas em bolsa de valores, títulos de renda fixa privados e títulos de renda variável emitidos por instituições financeiras. Conforme citado por Fortuna (2000), previdência privada são fundos formados funcionários que Também são se obrigados organizaram a e investir as Entidades por cooperativas em grupos de determinados de de crédito. tipos de títulos, que serão utilizados para pagar futuros planos de aposentadoria. Representam grande parte do capital investido no mercado financeiro. As sociedades de capitalização também são obrigadas por lei a investirem parte de seu capital disponível em títulos sejam eles de renda fixa ou variável, públicos ou privados. Os fundos externos de investimento são carteiras de títulos compostos na sua maioria por ações. São formados pelas sociedades investir de no investimento país o no capital Brasil de com a investidores finalidade de externos. São compostos por Bancos de Investimentos ou Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Imobiliários. Segundo Pinheiro (2001) os fundos mútuos de investimento são como um condomínio que investe em um portfólio diversificado. São entidades financeiras que, pela emissão de títulos inúmeros de investimentos indivíduos próprios, para a concentram aplicação diversificadas de títulos e valores mobiliários. em capitais de carteiras 21 O clube pessoas de investimento físicas diversificada que de nada aplicam ações mais é que recursos administrada de por um grupo uma uma de carteira instituição financeira autorizada. Clube de investimento é a forma que a Bolsa de Valores de São Paulo – (BOVESPA) encontrou para atrair a pessoa física, ou seja, os pequenos e médios investidores para o mercado de ações. O Clube corretora, pode ser distribuidora, administrado banco de por uma sociedade investimento ou banco múltiplo com carteira de investimento. A participação é feita pela aquisição de quotas iguais, representativas de uma parcela do patrimônio do clube e sua rentabilidade depende do desempenho dos títulos componentes de sua carteira. Segundo o regulamento e estatuto de um clube de investimento BOVESPA (2003), carteira é o conjunto de títulos de renda fixa ou variável de propriedade do clube de investimento e composta de acordo com a legislação aplicável e com o estatuto do próprio clube. O Clube de investimento difere dos demais fundos por possuírem numero limite de membros que é igual a 150 e o mínimo deve ser superior a 03. Nenhum dos membros do clube poderá deter mais de 40% do total de quotas. A BOVESPA cancelará o registro do Clube de Investimentos que permanecer mais que 180 dias inativo. Todos os membros devem assinar um termo de adesão imprescindível a sua entrada no clube. 22 Entendendo por membro as pessoas físicas que detém quotas do clube e cuja propriedade é comprovada por documento escritural de depósito ou demonstrativo que indique o numero de quotas, emitidas pelo Administrador do Clube. A cota é a fração ideal em que se divide o patrimônio do Clube, esta corresponderá a um voto nas assembléias do Clube. Os clubes de investimentos são controlados e fiscalizados pela Comissão de Valores Monetários – CVM. Segundo a introdução ao mercado de capitais BOVESPA (2003), a Comissão de Valores Monetários - CVM é uma autarquia especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, exerce a atividade de fiscalização e normatização do mercado de valores mobiliários, de modo a assegurar o exercício de práticas eqüitativas e coibir qualquer tipo de atividade irregular. Ela desenvolve estudos e pesquisas dos quais obtém elementos necessários à definição de políticas e iniciativas capazes de promover o desenvolvimento do mercado. A CVM tem o poder de acessar registros contábeis, livros e documentos de pessoas ou empresas para que possa fiscalizar e solicitar que as mesmas prestem declarações e esclarecimentos sob pena de multa. O Clube de Investimento deve ter um conselho de representantes que é formado por no mínimo 03 pessoas que sejam membros do clube. Estes membros devem representar o clube e os interesses dos demais perante o administrador. Segundo investimento o regulamento BOVESPA (2003), e estatuto de um o administrador do clube Clube de é a 23 corretora ou banco que sob a supervisão e responsabilidade de um diretor Investimento legislação por eles de acordo aplicável, indicado, com que o administrará seu são Estatuto as normas o Clube Social de e de com a constituição, funcionamento e de caráter fiscal aplicáveis aos Clubes. O Estatuto Social nada mais é do que o regulamento do clube de investimentos no qual são fixados os princípios e as regras de funcionamento as quais todos os membros se submetem. Os Clubes de Investimento podem ter como seu gestor de carteira o Administrador jurídica contratada do pelo Clube, próprio uma Clube, pessoa o física ou representante do Clube ou os membros do Conselho de representantes do Clube que agindo em conjunto ou isoladamente, administrarão a carteira do clube, prestando serviço de gestão dos recursos, de acordo com o estatuto e com o regulamento vigente. No estatuto política de carteira a do Clube de investimentos ser adotada. e Investimento a Devem forma conter de devem conter administração todas as a de informações sobre prazo de carência, hipóteses de dissolução assim como as taxas de administração. O Clube deve ser registrado pela BOVESPA, constituído assim como manda na lei aplicável. Para este registro são necessários Social do os seguintes Clube de documentos, Investimentos, 03 03 vias vias do do Estatuto termo de constituição do Clube de Investimentos, o pedido de registro do Clube de Investimento, ficha cadastral do Clube de 24 Investimentos, cartões de assinaturas do representante ou dos membros do Conselho de Representantes, dos representantes do Administrador do Clube e do gestor da carteira, contendo os nomes e os endereços. Conforme o regulamento e estatuto de um clube de investimento BOVESPA (2003), faz-se também necessário a ficha cadastral do representante do clube, contrato de gestão de carteira, acordado entre o administrador do clube e o gestor da carteira, autorização da CVM para o gestor da carteira, quando esta atividade for remunerada e o prospecto de suas operações no divulgação do Clube, se houver. O Clube de Investimento realizará mercado a vista de títulos e valores mobiliários negociáveis em bolsa de valores e mercado de balcão organizado, sem qualquer restrição. No mercado de ações só são permitidas as operações de compra a termo e a venda a termo coberta. No mercado de opções, as possíveis operações serão as de compra de opções, cobertas de lançamento de opções para fechamento de posições existentes. No mercado futuro de ações e índices de ações e de opções sobre ações somente serão permitidas operações de até 15% do valor da carteira do clube. Já no mercado de derivativos, exceto vendas a termo cobertas e lançamentos cobertos de opções, a soma de todas as operações não poderá exceder 30%. Segundo o regulamento e estatuto de um clube de investimento BOVESPA (2003), deverão ser aplicados pelo gestor 25 da carteira no mínimo 51% em ações e/ou bônus de subscrição e/ou debêntures conversíveis em ações de emissão de companhias abertas adquiridas em bolsa de valores ou no mercado de balcão. O restante do recurso, o que não pode passar de 49% deverá ser aplicado em cotas de fundos de renda fixa e títulos de renda fixa livre de escolha do gestor da carteira, opções não padronizadas (Warrants), posições em mercados organizados de liquidação futura, envolvendo contratos referenciados em ações ou carteira índices de adequada, ações. é muito Para que importante se possa que se compor entenda uma de análise de investimento. O sucesso do clube esta diretamente relacionado com uma boa composição da sua carteira. Segue então nos próximos tópicos o que se deve entender sobre as análises. 2.3 Analises de investimento As análises de investimento são feitas para se avaliar de várias formas as ações com melhores perspectivas no mercado em termo de valorização e de pagamento de dividendos, assim como o melhor momento para se comprá-la. Segundo Pinheiro (2001), existem basicamente dois tipos de análise, a fundamentalista que se baseia em dados de balanço e informações de mercado e a movimentos de preços e volumes gráficos. análise técnica passados que estuda baseando-se os em 26 2.3.1 Análise fundamentalista Segundo Pinheiro (2001) a análise fundamentalista é um importante instrumento para a análise de investimento em ações. Ela se baseia em fundamentos econômicos - financeiros para a determinação do valor da empresa. “Para este tipo de análise é adotado a hipótese de que o mercado de capitais é eficiente no longo prazo, podendo ocorrer ineficiências na valorização no curto prazo, que seriam corrigidas ao longo do tempo”.(PINHEIRO pág. 241.) O processo decisório de escolha começa calculando o valor da empresa em determinado momento, selecionando aquelas que têm uma maior variação em relação ao seu valor e o preço de mercado. Para financeiras, isso a utiliza-se situação atual de dados de da economia demonstrações e estimativas futuras de variação e o grau de confiança do investidor em relação ao grau de intervenção governamental, que tem caracterizado o mercado brasileiro nos últimos tempos. Outros fatores que podem determinar o valor da empresa são os lucros esperados em exercícios futuros assim como os investimentos que a empresa tem intenção de realizar e as demais fontes de financiamento por ela utilizadas. Segundo Pinheiro (2001) a análise se da em três etapas. A pesquisa, que é onde se coletarão todas as informações a respeito da empresa escolhida. A Transformação da informação 27 em idéia que é a etapa de maior valia para o analista, pois é nela que se necessita das habilidades do profissional. E a última etapa que é a comunicação das idéias, nela o analista tem que saber para quem vai expor sua análise. Deve-se tem um enfoque diferenciado para cada tipo de cliente, pois todos têm uma necessidade de informação específica. Existem dois tipos de enfoque, o TOP DOWN e o BOTTON UP. Como o nome já diz, o TOP DOWN parte de um contexto mais global como a política econômica, taxa de juros, inflação e crescimento econômico e depois vai focando na atividade específica da empresa. O enfoque BOTTON UP ao contrário do tipo de análise anterior começa de baixo, com o valor das ações propriamente ditas. Este enfoque visa identificar as ações subvalorizadas no mercado para que possam vir a ser uma boa oportunidade de investimento. 2.3.2 Análise de demonstrações contábeis A análise de demonstrações contábeis tem com objetivo avaliar os aspectos econômico-financeiros da empresa. Esta análise é uma ferramenta muito importante para se chegar no valor da empresa e para fazer uma comparação com o seu valor de mercado. Segundo Reis (2004), as fontes de dados são, o balanço patrimonial, a demonstração do resultado, a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, a demonstração das origens e 28 aplicações de recursos e a demonstração das mutações do patrimônio líquido. A partir destes dados pode-se, através de análises técnicas, chegar a números que dão a real da situação da empresa. Analisa-se a liquidez, ou seja, a capacidade que a empresa tem de honrar com os seus compromissos a curto prazo, a estrutura patrimonial e o ciclo operacional. Faz-se também a análise da capacidade situação de econômica cobertura, onde retorno se e os consegue demais mensurar índices a de desenvolvimento específicos. 2.3.3 Análise técnica Segundo Pinheiro (2001), a análise técnica tem sua origem histórica nos japoneses que acompanhavam o comportamento do preço do arroz e tentavam formular tendências. Este método é mundialmente conhecido como candlesticks. O conceito de análise técnica pode ser entendido com um estudo dos movimentos passados dos valores e das quantidades negociadas com o objetivo de fazer previsões sobre o comportamento futuro dos preços. Isso baseado na tese de que os preços das negociações futuras dependem dos preços das negociações já realizadas no passado. Nesta análise é muito importante o sentimento do analista com relação ao mercado de determinada ação, sua oferta e sua procura. Pode-se separar este tipo de análise em duas, a 29 análise gráfica que se baseia no estudo das figuras formadas pelos preços e a análise técnica que utiliza cálculos para determinar e descobrir situações nas tendências dos preços. Para este tipo de análise destacam a teoria de dois analistas, Charles H. Dow conhecida como a teoria Dow onde diz que as ações têm tendências de alta ou baixa, a qualquer momento e para estudar o mercado é necessário construir uma média evolutiva dos preços por meio de amostras representativas de ativos. O outro analista foi o Ralf Nelson Elliot, sua teoria conhecida como teoria das ondas de Elliot diz que os movimentos integrantes do mercado, suas tendências e mudanças seguem um determinado tipo de comportamento identificável em forma de padrões ou figuras. Segundo sua teoria há uma grande interdependência entre decisões e informações no mercado de capitais. Aplicando a série de Fibonacci aos seus estudos Elliot concluiu que uma tendência de alta ou de baixa é composta por cinco ondas tendência sendo que predominante as e três as duas primeiras ultimas correspondem a um ajuste à ou correção nessa tendência, ou seja, seria o contrário das três primeiras. Conforme Pinheiro (2001), a análise gráfica é uma das bases da análise técnica. Acredita-se que através dela é possível identificar uma tendência e um ponto de reversão por meio de análise de formações anteriores. Os gráficos 30 representam as oscilações do preço de determinada ação ao longo do tempo. Os tipos de gráficos utilizados pela análise gráfica são os de linha, volume, barras, ponto - figura e os candlesticks. Para se estudar a tendência na análise gráfica utiliza-se um traçado de linhas como ferramenta de apoio o que possibilita um acompanhamento dos movimentos de alta e baixa. Existem cinco fatores que devem ser considerados na avaliação das linhas de tendência que são a sua periodicidade, quanto mais longa mais importante, seu comprimento, o numero de vezes que a linha foi tocada pelas cotações, a inclinação, quanto mais inclinada mais rapidamente o grupo dominante esta se movendo e o seu volume confirmando ou contradizendo as tendências. Segundo Pinheiro (2001), outras formas de análise gráfica são os formatos oscilações. identificar Pelo se caracterizando das figuras formato as cotações uma tendência que das são figuras sofrerão como ou identificadas formadas não continuação nas pode-se modificações ou reversão. Formação cabeça - ombro - cabeça, duplos e triplos tetos e pisos são figuras que demonstram uma reversão de tendência, já os triângulos, cunhas, bandeiras e flâmulas demonstram a continuação de tendências. Os indicadores técnicos para desenvolvimento da análise técnica podem ser divididos em dois, sendo o primeiro a média móvel que proporciona a identificação da tendência e suas 31 reversões de direção e o segundo os osciladores que são construídos para proporcionar uma visão mais clara de como as cotações evoluem no mercado. Estes medem a taxa de incremento da variação ascendente ou descendente dos preços das ações. Ainda segundo Pinheiro (2001), utilizando destas formas de análise de investimentos pode-se compor uma carteira de ações muito mais segura e que possa dar uma rentabilidade muito maior, o que demonstra uma administração mais eficiente do capital. A partir dos estudos destas técnicas o administrador do clube de investimento esta apto a negociar no mercado de capitais de forma a proporcionar aos membros do clube maior segurança e rentabilidade. 2.4 Análise das carteiras de investimentos 2.4.1 O modelo de Markowitz e suas particularidades Com o intuito de construir uma carteira de investimentos que satisfaça ao investidor com relação à combinação do risco e do retorno, Harry Markowitz publicou um trabalho que foi um marco no assunto. As premissas que fundamentaram todo o processo de análise de carteiras desenvolvido por Markowitz são consideradas de forma que as expectativas são sempre geradas para o período adiante, seja ele um mês, um ano ou qualquer outro período definido inicialmente. Consideram que os investidores buscam maximizar a utilidade esperada para o 32 período do investimento e apresentam utilidade marginal decrescente conforme aumenta a riqueza. Consideram também que todos os investidores elaboram suas projeções de rentabilidade para os ativos a partir da distribuição de probabilidades para as várias taxas de retorno que podem ser alcançadas no período do investimento, associando o risco à viabilidade das taxas de retorno dos ativos em análise. Quanto mais variáveis voláteis, essas taxas de retorno ao longo do tempo maior o risco do investimento. Os investidores baseiam suas decisões apenas no retorno esperado e no risco do investimento e para qualquer nível de risco os investidores preferem maiores retornos a menores retornos. Segundo Bertucci (2003), a teoria de Markowitz foi desenvolvida para investidores avessos ao risco e com funções utilidades quadráticas no espaço média e variância. Analisando títulos individuais, a aplicação da metodologia de Markowitz exige que retorno se construa esperado e a a distribuição partir desta de probabilidade distribuição é do possível extrair os dois elementos indispensáveis para a aplicação na teoria de seleção de carteiras, o retorno esperado do investimento no título e o risco deste investimento. Segundo Markowitz (1952), o processo de seleção de uma carteira de ações pode ser dividido em dois estágios. O primeiro começa com a observação e experiência e termina com opiniões sobre a performance futura dos negócios avaliados. O 33 segundo estágio começa com as opiniões relevantes sobre o futuro e termina com a escolha de uma carteira de ações. A teoria de Markowitz (1952) assume que os investidores são otimizadores no espaço média variância, isto é, eles procuram montar portfólios com a variância de retorno mais baixa sugere possível que a para um determinado variância de nível retornos de de retorno. Isto investimentos, que mensura quão dispersos são os retornos esperados, é a medida apropriada de risco. O termo cunhado por Markowitz para esta teoria, análise de média ativos variância, descreve individuais portfólios. Isto matematicamente contribuem é um para grande o como risco benefício o risco de retorno de para gerentes de e portfólio que tomam decisões de alocação de recursos de ativos individuais, ou seja, quanto de cada portfólio deve ser alocado em cada uma das muitas classes de investimentos como por exemplo, ações, títulos bancários, bens imóveis etc. A análise de média variância também é útil para os gerentes de empresas, pois a maioria das grandes corporações comanda vários e diferentes projetos de investimento. Assim, uma corporação pode ser pensada como um portfólio de ativos reais. Segundo Bertucci (2003), embora os objetivos de um gerente de empresa sejam diferentes dos gerentes de portfólios, ele esta interessado em saber como o risco de investimentos individuais afeta o risco global da corporação inteira e a 34 análise de média - variância provê as ferramentas necessárias para avaliar a contribuição de um projeto de investimento para o retorno e risco esperados de uma empresa. Além disso, gerentes de empresas fazem uso da análise de média - variância para administrar o risco global da corporação. A análise de média - variância é o funcionamento maior da ferramenta mais usada para avaliação de projetos e ativos financeiros. A diversificação, retenção de vários ativos para a redução de riscos é muito usada por gerentes de portfólio e investidores individuais. Quando um gerente de portfólio ou um investidor individual acrescenta novas ações ao seu portfólio, esses ativos adicionais reduzem o risco geral se eles não covariam muito com outras ações já presentes no portfólio. Como as ações de regiões geográficas similares e de indústrias comuns tendem a se mover em conjunto, um portfólio estará corretamente diversificado se contiver ações de diversas regiões e indústrias. De forma diversificar similar, através as empresas de preferem projetos de freqüentemente investimentos em indústrias diferentes, com vista a reduzir o risco global da corporação. empresas disponível Diversificação consideram será é quando alocado ao um fator decidem que os gerentes quanto financiamento de do de capital operações em outros países ou por exemplo na decisão de quanto investir em diferentes linhas de produtos. Diversificação também relevante na administração de capital de fundo de pensões. é 35 Segundo Bertucci diversificação novatos no (2003), é bem conhecido campo das finanças, enquanto até a o mesmo princípio por implementação de estudantes da análise média - variância requer algum trabalho no sentido de, por exemplo, determinar os pesos do portfólio de variância mínima. 2.4.2 Considerações sobre o risco Markowitz (1952) definiu o risco na área financeira como sendo a variância ou o desvio em relação a uma média. Seu trabalho contribuiu muito com a teoria financeira e foi reconhecido com o prêmio Nobel. O conceito de risco é utilizado na maioria das operações financeiras. conceito Os durante operadores várias de horas bolsa por trabalham dia. com Grandes este empresas utilizam o risco para avaliar seus investimentos e até mesmo as pequenas lojas de varejo utilizam esta idéia do risco para calcular prestações, que neste caso é muito comum o conceito de risco de inadimplência. O risco pode ser entendido como uma possibilidade de que algum acontecimento desfavorável venha a ocorrer. O risco de um investimento esta ligado à probabilidade de se ganhar menos que o esperado. Segundo Gonçalves (2002), pode-se identificar o risco como dois tipos básicos, o risco diversificável e o não diversificável. O primeiro refere-se aos riscos que afetam um 36 numero pequeno de empresas, ou seja, se algo der errado apenas uma ou poucas empresas serão afetadas. Podemos exemplificar supondo que uma certa empresa invista em um projeto que foi tido como verdade viável o projeto Provavelmente certamente e isso não ao longo esta um tempo sendo afetará afetará do o verifica-se inviável valor número que na financeiramente. desta empresa, significativo de mas outras empresas. O segundo tipo de risco, o não diversificável é o mais preocupante, pois se refere aos acontecimentos que afetam o mercado como um todo, como por exemplo, a diminuição da taxa base de juros, certamente todo o mercado será afetado com esta mudança. Ainda segundo Gonçalves (2002), é importante ressaltar que a diversificação reduz apenas o risco diversificável, como o próprio nome diz. Isso se deve ao fato de que quando se diversifica um investimento, o capital total pode sofrer baixa relativa a acontecimentos que afetam apenas um dos ativos que compõe a carteira. Neste caso os outros ativos podem reduzir as perdas totais, porém o mesmo pode acontecer quando uma boa noticia afeta positivamente o valor de somente um ativo, os outros, não sendo afetados, impedirão que os ganhos aumentem na mesma proporção que aumentarão para o ativo que foi afetado pela boa noticia. Assim, a Programação Linear pode auxiliar na redução apenas do risco diversificável, antecipando que provavelmente 37 não se conseguirá reduzir o risco à zero, por existir ainda o risco não diversificável ou como também é conhecido, risco de mercado. Definindo os ativos sem risco, podemos dizer que são aqueles que possuem a taxa de retorno previsível ao longo da duração da transação por um período mais curto possível. Imaginando que se tenha uma quantia (X) de dinheiro para investir no ativo sem risco (Asr) com retorno (Rsr) e no ativo com risco (Adr) com retorno (Rdr > Rsr) e desvio-padrão (σr) o risco irá variar conforme a figura 01 abaixo.Se for investida a totalidade do capital no ativo sem risco o retorno será de (Rsr) e o desvio-padrão será zero. Porém se for investido todo o capital no ativo de risco o retorno será (Rdr) e o desviopadrão (σr). Assim o retorno esperado de qualquer composição de carteira estará em algum ponto da figura 01. FIGURA 01 – Linha de compensação risco/retorno Se forem aplicados 100% no ativo sem risco o retorno do investimento estará no cruzamento de Rsr e desvio-padrão zero. 38 A medida que investe-se parte do capital no ativo de risco o retorno aumenta, porém o desvio-padrão também, ate que chegue no ponto de 100% de Ativo de risco com o retorno Rdr. A partir deste conceito, considerando (w) a proporção do investimento total a ser alocada ao ativo de risco, a proporção remanescente (1-w) deverá ser alocada ao ativo sem risco, como mostrado na equação 01 abaixo: E(r)=w*Rdr+(1-w)*Rsr FIGURA 02 – Equação 01 Onde E(r) é o retorno esperado da composição. O desvio padrão da carteira pode ser encontrado multiplicando-se o desvio-padrão do ativo de risco vezes a composição deste na carteira conforme equação 02 abaixo: σ= σr w FIGURA 03 – Equação 02 39 3 APLICAÇÃO DO MODELO DE HARRY MARKOWITZ Harry Markowitz (1952) desenvolveu um método que registra a variância de uma carteira como a soma das variâncias individuais de cada ação e covariâncias entre pares de ações da carteira, de acordo com o peso de cada ação na carteira. Markowitz comenta que deve haver uma carteira de ações que maximiza o retorno esperado e minimiza a variância, ou seja o risco, e que obviamente esta deve ser a carteira recomendada a um investidor. O modelo de Markowitz pode ser dado por: FIGURA 04 – Equação 03 FIGURA 05 – Equação 04 FIGURA 06 – Equação 05 Onde: E= retorno esperado da carteira; V= Variância da carteira; Xi= Participação de cada ativo e Xi ≥ 0 ; µi= Retorno esperado de cada ativo. σij= Covariância entre o par de ativos (i)diferente e (j) e variância se (i) igual a (j); se 40 O modelo mostra que enquanto o retorno de uma carteira diversificada equivale á média ponderada dos retornos de seus componentes individuais, sua volatilidade será inferior à volatilidade média de seus componentes individuais. Conforme pode ser notado nas equações 03 e 04, embora o retorno esperado de uma carteira seja a média ponderada dos retornos individuais, o mesmo não pode ser dito para a variância ou risco da carteira. Segundo Bertucci (2003) para computar a variância de retornos de portfólios é importante entender covariâncias e correlações, as quais medem o grau com que um par de variáveis tende a se mover em conjunto. Conforme o modelo de Markowitz a variância da carteira depende da covariância entre os pares de ativos, a qual por sua vez depende da correlação entre os ativos. Quando dois ou mais ativos pouco relacionados compõem uma carteira de investimentos consegue-se um risco menor que a média ponderada dos riscos individuais, conseguindo algumas vezes um risco menor que o do ativo de menor risco com um retorno maior que deste ativo. A figura 07 abaixo representa uma composição entre dois ativos. Observa-se que quanto menor a correlação entre eles , menor é o risco da carteira. 41 FIGURA 07 – Risco em função da correlação Quando a correlação entre os ativos é (1) percebe-se que não há melhora na composição da carteira o que é de se esperar, pois os ativos reagem da mesma forma às noticias do mercado. Já quando se tem uma correlação perfeita negativa ou seja, (-1). Pode se reduzir o risco à zero mantendo um retorno esperado de 15%. Isso não ocorre na prática pois não existem ativos com financeiro. correlação perfeitamente negativa no mercado 42 3.1 Pesquisa Operacional aplicada ao modelo Quando Harry Markowitz escreveu o seu artigo Portfólio Selection era um estudante de pós-graduação em pesquisa operacional. Ele já estudava há algum tempo a aplicação de PO na seleção de carteiras. Segundo Ackoff (1979), os modelos de PO assumem a forma de equações que até mesmo quando complicadas do ponto de vista matemático, possuem uma estrutura básica muito simples: U=f(Xi,Yj) FIGURA 08 - Equação 06 Onde: U= utilidade ou o valor do desempenho (performance do sistema); Xi= as variáveis que podem ser controladas; Yj= as variáveis (ou constantes) que não podem ser controladas, mas que afetam U; f= o relacionamento entre U,Xi,Yj; Além disso, será frequentemente necessário o uso de uma ou mais equações ou inequações para traduzir a condição de que algumas, ou todas as variações controladas só podem ser manipuladas dentro de limites. Por exemplo, o numero de horas de maquinas atribuídas aos produtos não pode ser menor do que zero e nem maior do que o tempo disponível. 43 O conjunto formado pelas equações de desempenho e pelas restrições constitui um modelo do sistema e do problema que queremos resolver. Uma vez construído o modelo, pode ser usado para a determinação exata ou aproximada dos valores ótimos das variáveis controladas, valores que produzem o melhor desempenho do sistema para determinados valores das variáveis não controladas, isto é, para obter uma solução do problema, a partir do modelo. Ainda segundo Ackoff (1979), qualquer que seja o método usado, procura-se a solução ótima ou quase ótima. Solução ótima é aquela que minimiza ou maximiza, dependendo do caso, a medida do restrições desempenho do representadas modelo, no sujeita modelo. A às condições otimização e portanto, produz a melhor solução para o problema que foi modelado. Um projeto de pesquisa operacional possui cinco fases que são identificadas como a formulação do problema, a construção do modelo, avaliação a obtenção da da solução solução, e o teste finalmente do a modelo implantação e a e acompanhamento da solução. 3.2 Exemplo prático Atuando investimento, baseado na aplicou-se carteira o de modelo ações de proposto um por (1952) no intuito de obter os resultados esperados. clube de Markowitz 44 A carteira é composta por oito ativos diferentes e esperase obter uma melhor combinação entre eles que minimize o risco de acordo com um retorno esperado. Posteriormente tenta-se obter a melhor combinação destes ativos que mantenha o risco inalterado porém aumente a rentabilidade. Baseado na teoria apresentada sobre pesquisa operacional, define-se primeiramente as variáveis de decisão. As variáveis de decisão deste exemplo são as participações especiais (Xi), o retorno da carteira (E), o risco da carteira (V), o retorno individual de cada ativo (µi) e as variâncias e covariâncias (σij). Será determinada então qual a porcentagem de investimento em cada ativo (Xi) a fim de reduzir o risco e posteriormente maximizar o retorno mantendo o risco. A função objetivo nos exemplos a seguir é a de minimizar o risco ou a variância dada pelo modelo de Markowitz. Como em qualquer problema de PO devem-se definir as restrições, que no caso a seguir, as participações individuais da combinação de ações têm que ser maior ou igual a zero, partindo do princípio que não há a possibilidade de possuir uma quantidade negativa de ações. Outra restrição apresentada para o problema é que o somatório das combinações, ou seja, das participações individuais, tem que ser igual a cem por cento. Outras considerações e relações a serem feitas para o exemplo são que a medida de efetividade do objetivo será feita 45 através da variância da carteira em percentagem. As variáveis que serão controladas são os retornos individuais, o risco ou variância fatores da não carteira e controlados as participações são os individuais. retornos individuais, Os a variância e covariância. Para a execução do modelo será necessário, baseado no histórico de retorno dos ativos, calcular as variâncias, covariâncias e o retorno esperado. Como será resolvido em planilha eletrônica, usa-se funções conhecidas como MEDIA, VARP E COVAR para o cálculo respectivamente de retorno médio, variância e covariância dos pares de ações. São ações que compõem a carteira: USIMINAS PNA (USIM5); SIDERURGICA NACIONAL ON (CSNA3); CEMIG PN N1 (CMIG4); CAEMI PN (CMET4); PETROBRÁS PN (PETR4); BRASKEM PNA N1 (BRKM5); UNIBANCO UNT N1 (UBBR11); LOJAS AMERICANAS PN (LAME4); Segue abaixo a tabela com a série histórica de retorno dos ativos que compõem a carteira de investimento a ser estudada: 46 HISTORICO DE RETORNOS DE ATIVOS USIM5 janeiro-03 CSNA3 12,70% 12,90% fevereiro-03 2,38% março-03 20,93% abril-03 maio-03 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 -1,27% LAME4 -5,28% -3,92% 2,39% -16,28% -6,48% 7,34% -9,41% -12,24% -10,15% -10,28% 1,29% -2,99% 4,84% 11,29% 0,00% 8,69% 29,06% 25,63% 31,65% 17,05% -11,21% 21,92% -11,63% 7,51% 57,63% 9,49% 7,76% 1,53% -0,89% -1,78% 10,53% 5,82% 7,14% -2,95% -5,90% junho-03 20,82% 22,70% -12,90% 11,90% -3,58% 3,84% -7,79% 19,28% julho-03 19,29% 15,38% 2,87% 19,15% 11,00% 14,47% 8,14% 1,47% agosto-03 11,38% 22,86% 19,50% 21,43% 7,60% 41,35% 9,06% 25,91% setembro-03 14,65% 3,75% 6,08% 14,71% -0,25% 17,35% 0,09% 22,88% outubro-03 17,64% 14,32% 23,64% 3,85% 3,88% 12,69% 11,35% -0,84% novembro-03 21,62% 13,54% 10,88% 19,75% 6,17% 17,62% 7,14% 20,72% dezembro-03 26,59% 16,95% 17,05% 26,80% 14,23% 42,07% 4,32% 22,10% janeiro-04 -9,39% 4,35% -5,69% 3,25% 2,47% 0,38% -3,86% -16,41% fevereiro-04 8,07% 13,76% 4,53% 6,30% 4,74% 14,75% -2,92% 1,98% março-04 19,50% 6,93% -2,61% -2,22% 7,14% -2,59% 7,29% 4,63% abril-04 -26,58% -25,14% -9,38% -21,97% -12,64% -22,67% -21,51% -8,13% maio-04 2,22% 4,66% -3,96% 19,42% -3,91% -19,99% 5,36% 3,21% junho-04 8,62% 4,15% 10,26% -7,32% 7,71% 21,77% 2,97% 1,95% julho-04 33,99% 16,13% 20,52% 13,16% 1,02% 8,32% 9,05% 10,95% agosto-04 10,41% 3,09% -3,01% 17,83% 4,99% 38,56% 1,89% 24,91% setembro-04 -4,31% -2,09% 13,14% 14,47% 14,44% 12,27% 0,89% 5,78% outubro-04 -2,88% -5,09% 9,64% -5,17% 2,88% 10,29% 11,67% 2,69% novembro-04 27,71% 22,92% -4,32% 15,15% -0,59% 12,77% -1,05% -5,48% dezembro-04 -0,73% -1,95% 4,85% 15,79% 4,57% 13,17% 15,61% 11,54% janeiro-05 -1,01% 2,87% -10,20% 5,00% -2,93% -11,38% -8,05% -6,90% fevereiro-05 29,02% 28,61% 16,03% 11,69% 17,95% 12,21% 23,13% 25,66% FONTE: BOVESPA TABELA 01 – Série histórica dos ativos USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 TOTAL 5% 5% 18% 10% 28% 8% 18% 8% 100% Carteira % Retorno Esperado 10,82% 7,53% 4,76% 7,14% 3,89% 11,71% 4,04% 7,38% TABELA 02 – Composição da carteira A tabela 02 mostra a combinação da composição da carteira de investimentos de um clube. A partir dos dados acima, serão feitos os cálculos baseados no modelo proposto para se otimizar a combinação. Há a necessidade de se calcular as variâncias e covariâncias entre os pares de ativos que poderão compor a carteira. Utilizando uma planilha eletrônica, este 47 cálculo pode ser respectivamente. feito Cada através ativo das funções contribui com a VARP e COVAR variância da carteira segundo a equação 04 do modelo de Markowitz acima. Pode-se calcular a variância da carteira utilizando-se a seguinte formula: FIGURA 09 – Equação 07 Onde: Xi= Participação de cada ativo σij= Covariância entre o par de ativos se (i)diferente e (j) e variância se (i) igual a (j); A aplicação da covariância entre os pares de ativos da carteira resulta na tabela (03) que representa o quanto que cada ativo contribui com a variância e com o retorno, o que pode ser observado nas duas últimas linhas da tabela. MATRIZ DE COVARIÂNCIAS USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 1,88% 1,21% 0,68% 0,76% 0,44% 1,22% 0,73% 0,97% 1,21% 1,37% 0,26% 0,86% 0,29% 0,41% 0,39% 0,56% 0,68% 0,26% 1,18% 0,24% 0,49% 1,34% 0,68% 0,60% 0,76% 0,86% 0,24% 1,44% 0,37% 0,62% 0,27% 0,69% 0,44% 0,29% 0,49% 0,37% 0,49% 0,83% 0,42% 0,40% 1,22% 0,41% 1,34% 0,62% 0,83% 3,49% 0,81% 1,38% 0,73% 0,39% 0,68% 0,27% 0,42% 0,81% 0,94% 0,68% 0,97% 0,56% 0,60% 0,69% 0,40% 1,38% 0,68% 1,62% Variância 0,04% 0,02% 0,13% 0,05% 0,13% 0,09% 0,11% 0,06% Retorno 0,54% 0,38% 0,86% 0,71% 1,09% 0,94% 0,73% 0,59% TABELA 03 – Matriz de covariâncias 48 Após a conclusão da tabela (03), realiza-se o somatório da variância e do retorno para se obter os resultados de retorno esperado e risco (variância) para a carteira com a composição da tabela (02). Segue abaixo a tabela (04) com os resultados. Variância 0,64% Desvio Padrão 7,98% Retorno Esperado 5,83% TABELA 04- Resultados Como o modelo proposto por Markowitz tem o objetivo de minimizar o risco (variância) e manter o retorno esperado, o Microsoft Excel dispõe de uma ferramenta (SOLVER) que pode ajudar na otimização SOLVER deve ser da combinação preenchido de com acordo muita com objetivo que o problema determina. FIGURA 10 – Tela do SOLVER (Excel) a eficácia. O necessidade e 49 Os parâmetros da ferramenta são diretos e de acordo com o resultado requerido. A célula de destino é aquela que irá receber a alteração, ou seja, no caso do exemplo proposto, o valor que irá ser minimizado. O objetivo do exemplo é minimizar o risco (variância), logo a célula de destino será a própria variância. As células variáveis são aquelas que devem ser alteradas para que se obtenha o resultado. No caso do exemplo proposto, a otimização da combinação da composição da carteira e o objetivo. As restrições são as limitações que o problema necessita para que o resultado seja satisfatório. O exemplo tem um retorno esperado de 5,83% conforme tabela (04), que deve ser mantido, logo se iguala o valor à célula de origem para que esta não altere. As outras restrições são obrigatórias para a existência do problema. As combinações de ações têm que ser maior ou igual a zero e o somatório das combinações, ou seja, das participações individuais, tem que ser igual a cem por cento. Após a solicitação de resolução do problema, o SOLVER retorna os resultados na própria tabela. Carteira % Retorno Esperado USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 TOTAL 12% 15% 2% 9% 54% 0% 0% 8% 100% 10,82% 7,53% 4,76% 7,14% 3,89% 11,71% 4,04% TABELA 05 – Composição da carteira – resolvida risco 7,38% 50 Variância 0,54% Desvio Padrão 7,34% Retorno Esperado 5,83% TABELA 06 – Resultado - risco Pode-se observar uma redução da variância em relação a tabela (04) e a manutenção do retorno esperado. Outra forma proposta foi a maximização do retorno esperado com a variância permanecendo sem alteração, ou seja, foi feita a aplicação do modelo de forma que, com o mesmo risco, elevase o retorno. A tabela (07) e a tabela (08) demonstram os resultados obtidos para esta nova proposta. Carteira % Retorno Esperado USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 TOTAL 18% 14% 0% 12% 45% 5% 0% 7% 100% 10,82% 7,53% 4,76% 7,14% 3,89% 11,71% 4,04% 7,38% TABELA 07 – Composição da carteira – resolvida retorno Variância 0,64% Desvio Padrão 7,98% Retorno Esperado 6,64% TABELA 08 – Resultado - retorno Outra forma de análise é através da tabela (09) que mostra o quanto que cada ativo contribui com o risco e o retorno da carteira otimizada para a maximização do retorno. 51 MATRIZ DE COVARIÂNCIAS USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 UBBR11 LAME4 1,88% 1,21% 0,68% 0,76% 0,44% 1,22% 0,73% 0,97% 1,21% 1,37% 0,26% 0,86% 0,29% 0,41% 0,39% 0,56% 0,68% 0,26% 1,18% 0,24% 0,49% 1,34% 0,68% 0,60% 0,76% 0,86% 0,24% 1,44% 0,37% 0,62% 0,27% 0,69% 0,44% 0,29% 0,49% 0,37% 0,49% 0,83% 0,42% 0,40% 1,22% 0,41% 1,34% 0,62% 0,83% 3,49% 0,81% 1,38% 0,73% 0,39% 0,68% 0,27% 0,42% 0,81% 0,94% 0,68% 0,97% 0,56% 0,60% 0,69% 0,40% 1,38% 0,68% 1,62% Variância 0,17% 0,09% 0,00% 0,08% 0,20% 0,05% 0,00% 0,05% Retorno 1,96% 1,02% 0,00% 0,87% 1,74% 0,54% 0,00% 0,50% TABELA 09 – Matriz de covariâncias – resolvida retorno As figura (11) representa graficamente os ativos da carteira e seus rendimentos no período estudado. COMPOSIÇÃO DA CARTEIRA 1400% 1200% 1000% 800% 600% CARTEIRA I 400% 200% USIM5 CSNA3 CMIG4 CMET4 PETR4 BRKM5 ju l/ 0 4 ag o/ 04 se t/0 4 ou t/0 4 no v/ 04 de z/ 04 ja n/ 05 fe v/ 05 fe v/ 04 m ar /0 4 ab r/0 4 m ai /0 4 ju n/ 04 ju l/ 0 3 ag o/ 03 se t/0 3 ou t/0 3 no v/ 03 de z/ 03 ja n/ 04 02 fe v/ 03 m ar /0 3 ab r/0 3 m ai /0 3 ju n/ 03 ja de z/ n/ 03 0% UBBR11 LAME4 FONTE: BOVESPA FIGURA 11 – Gráfico 1 Ativos que compõem a carteira Carteira I 52 Com o intuito de comparar o rendimento da carteira com os demais indicadores financeiros, elaborou-se a figura (13) para melhor visualização. GRAFICO COMPARATIVO DE INDICES 400% 350% CARTEIRA I 300% 250% 200% 150% 100% 50% Carteira I IBOVESPA INPC IGP-M Selic 04 st ose 04 te m br o04 ou tu br o no -0 4 ve m br ode 04 ze m br o04 ja ne ir o -0 5 ho ju l ag o 4 04 ju nh o- -0 4 o0 ai ab r il CDI m o03 ju nh o03 ju lh o03 ag os to -0 se 3 te m br o0 ou 3 tu br ono 0 3 ve m br ode 03 ze m br o03 ja ne ir o -0 fe 4 ve re iro -0 4 m ar ço -0 4 -0 3 ai ab r il m ja ne ir o -0 fe 3 ve re iro -0 3 m ar ço -0 3 de ze m br o D at a -0 2 0% (TR) - primeiro dia do mês FONTE: BOVESPA FIGURA 12 – Gráfico 2 Comparativo de índices TJLP 53 4 CONCLUSÃO A utilização do mercado financeiro com o intuito de multiplicar o capital próprio esta se popularizando cada vez mais no Brasil. Isso já ocorre com maior freqüência nos paises da Europa e Estados Unidos. O entendimento do que é o mercado financeiro, suas particularidades e funcionamento é fundamental para entender o contexto em que um clube de investimento se encontra inserido. O conhecimento importantes do para assunto que e através a experiência delas se são obtenha muito dados que indicarão as ações a serem tomadas perante o mercado. Este trabalho vem oferecer aos pequenos investidores mais uma oportunidade de análise de investimentos. As técnicas de otimização podem promover um auxílio importante no momento de se decidir pela diversificação de um investimento. Os clubes de investidores para poderão facilitar no utilizar trabalho de as técnicas programação desenvolvidas e cálculo da carteira ótima. Através da teoria de média e variância é possível estabelecer a correlação entre os ativos presentes na carteira de investimentos de um clube. Após aplicação do modelo proposto por Harry Markowitz, constatou-se a possibilidade de uma otimização no risco conforme o primeiro exemplo próprio retorno como demonstrado no segundo exemplo. e no 54 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACKOFF, Russell Lin;SASIENI, Maurice W.; Pesquisa Operacional. 3ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos Científicos, 1979. BERTUCCI, Luiz Alberto. Carteiras Administradas: Belo Horizonte: IBMEC – MBA Executivo em Finanças, 2003. BOVESPA. Mercado de capitais: Introdução. São Paulo, 2003 Disponível em <www. bovespa. com. br> Acesso em 30 ago. 2004. BOVESPA. Clube de investimento: Regulamento e Estatuto. São Paulo, 2003 Disponível em <www. bovespa. com. br> Acesso em 30 ago. 2004. FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: Produtos e serviços. 14. ed. Rio de Janeiro : Qualitymark , 2000. GONÇALVES Jr. Cleber;PAMPLONA, Edson de O.;MONTEVECHI, José A. Seleção de Carteiras Através do Modelo de Markowitz para pequenos investidores (Com o uso de planilhas eletrônicas). In:IX Simpep outubro de 2002. Bauru, SP. MARKOWITZ, Harry. “Portfólio Selection.” Journal of Finance (USA) 7 (March 1952): p77 – 91. 55 PINHEIRO, Juliano Pinheiro. Mercado de Capitais: Fundamentos e Técnicas. São Paulo : Atlas , 2001. REIS, Marcos de Azevedo. Unidade 3 - Produtos oferecidos no mercado. Belo Horizonte : PUC VIRTUAL, 2004. 56 6 APÊNDICE APÊNDICE A – COMPOSIÇÃO DAS CARTEIRAS E SÉRIE HISTÓRICA DOS ATIVOS E DEMAIS INDICES APÊNDICE B – VARIAÇÃO DOS ATIVOS E DEMAIS INDICES APÊNDICE C – PERCENTUAIS ACUMULADOS DOS ATIVOS E DEMAIS INDICES APÊNDICE D – MODELO PROPOSTO ORIGINAL APÊNDICE E – MODELO PROPOSTO RESOLVIDO (RISCO) APÊNDICE F - MODELO PROPOSTO RESOLVIDO (RETORNO) APÊNDICE G – GRÁFICO COMPARATIVO DE CARTEIRAS