LEVANTAMENTO DE CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS NO MARANHÃO1 Josemiro Ferreira de Oliveira2 Majú do Nascimento Silva3 RESUMO Os problemas de conflitos gerados devido à implantação de grandes projetos ou em via de implantação no Maranhão ocorrem desde a década de 1970. Período este, desde então, marcado por uma maior incidência de organização de grupos sociais em reação às consequências de grandes projetos de desenvolvimento no Maranhão. O relatório em questão visa fazer um apanhado e análise dos conflitos gerados a partir desta data, mas focando-se no período de agosto de 2011 a janeiro de 2012. Leva em consideração os conflitos socioambientais atualmente existentes entre grandes empreendimentos e grupos sociais locais, assim como, outros conflitos socioambientais no Maranhão. Para isso, buscamos por meio de informações veiculadas na imprensa escrita e pela internet fazer uma análise dos conflitos socioambientais, considerando o conjunto dos sujeitos envolvidos. Palavras-chave: Implantação de projetos de desenvolvimentos. Organização de grupos sociais. Conflitos socioambientais. 1 INTRODUÇÃO O presente artigo tem como objetivo sistematizar a pesquisa desenvolvida no período entre os meses de agosto de 2011 a janeiro de 2012, relativos ao período de duração parcial de bolsa de pesquisa PIBIC/UFMA. A pesquisa está sendo realizado de acordo com a temática desenvolvida pelo grupo de pesquisa, Grupo de Estudo Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), e tem como título “Levantamento de conflitos socioambientais no Maranhão”. Este estudo está vinculado 1 Trabalho apresentado no III SEDMMA: Seminário Desenvolvimento Modernidade e Meio Ambiente. Sob orientação do Prof. Dr. Horácio Antunes Sant’Ana Júnior. 2 Graduando em Ciências Sociais/UFMA. 3 Graduanda em Filosofia/UFMA. à pesquisa Projetos de Desenvolvimento e Conflitos Socioambientais no Maranhão do referido grupo de estudo. O desenvolvimento desta pesquisa objetiva fazer um levantamento de conflitos socioambientais decorrentes da crescente implantação de grandes projetos de desenvolvimento no estado do Maranhão. E buscamos, também, identificar os tipos de projetos de desenvolvimento e as consequências socioambientais causadas a partir de suas implantações. De modo geral, nesta pesquisa, objetivamos identificar, acompanhar e analisar conflitos socioambientais no Maranhão decorrentes de projetos de desenvolvimento instalados a partir do final da década de 1970 e, atualmente, em vias de instalação. E como objetivos específicos, buscamos aprofundar os estudos teóricos sobre: modelos e projetos de desenvolvimento, questões socioambientais, conflitos, populações tradicionais, legislação ambiental; participar da criação e alimentação permanente do banco de dados sobre conflitos socioambientais no Maranhão do GEDMMA; acompanhar e registrar noticiários sobre conflitos socioambientais veiculado nos principais jornais publicados em São Luís, desde 2007, para mapear os principais projetos de desenvolvimentos, mapear as áreas de incidência e identificar os tipos dos conflitos socioambientais; levantar panfletos, relatórios, documentos, diagnósticos, laudos, páginas eletrônicas, produzidos pelos diferentes agentes sociais envolvidos em conflitos socioambientais. O método de trabalho empregado nesta pesquisa se fez a partir de um plano a atingir o objetivo designado. Então, fez-se necessário, realizar alguns procedimentos para se cumprir a pesquisa. Primeiramente, foi necessário fazer uma revisão bibliográfica, acompanhar e registrar noticiários sobre conflitos socioambientais veiculados na impressa local, para fazer levantamento e um mapeamento dos principais projetos de desenvolvimento e principais conflitos socioambientais no Maranhão. Também, foi necessário fazer levantamento por meio de: panfletos, relatórios, documentos, diagnósticos, laudos, páginas eletrônicas, produzidos pelos diferentes agentes sociais envolvidos em conflitos socioambientais. Para o desenvolvimento da pesquisa fez-se necessário cumprir alguns procedimentos, na qual tal pesquisa tem foco em noticiários de jornais locais e páginas eletrônicas que tratam de questões de conflitos socioambientais. Dentre outras, tivemos 2 como fonte, as seguintes páginas eletrônicas: http//www.jornalpequeno.como.br, www.oimparcial.com.brhttp//territorioslivresdobaixoparnaiba.blogspot, http://www.prma.mpf.gov.br/noticia, http://blog-do-pedrosa.blogspot.com, www.justicanostrilhos.org e http://alexandre-pinheiro.blogspot.com. Nesta pesquisa, conforme citamos anteriormente, as notícias são coletadas dos jornais locais e páginas eletrônicas. A seleção das notícias é feita de acordo com a temática proposta pela pesquisa, ou seja, considerando as notícias que tratam de conflitos socioambientais atualmente existentes entre grandes empreendimentos e grupos sociais locais, assim como, outros conflitos socioambientais no Maranhão. O procedimento de registro das notícias no banco de dados do GEDMMA é feito com o registro dos conteúdos nos seguintes campos na página eletrônica: REGIONAL/MICRORREGIÃO4; MUNICÍPIO; DATA DA NOTÍCIA; TIPO DO CONFLITO; FONTE DA NOTÍCIA; TÍTULO DA NOTÍCIA; RESUMO DA NOTÍCIA; NOTÍCIA. 4 As definições das regiões e microrregiões do estado do Maranhão informadas neste trabalho foram consultadas no site Wikipédia. 3 2 REFERÊNCIAL TEÓRICO O desdobramento da industrialização no Brasil tem como marco o período após o golpe militar de 1964. O processo da industrialização se dá pelo modelo de desenvolvimento investido pelos governos ditatoriais, no sentido de industrializar e, consequentemente, modernizar o país. Os governos ditatoriais juntamente com investimentos privados, brasileiros e internacionais, objetivaram integrar associadamente a Amazônia brasileira ao plano de modernização. Com isso, o governo passou a investir na formação de infraestrutura básica, construindo grandes hidrelétricas rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Dessa forma, permitiria com maior rapidez à ocupação e consequentemente a inserção da Amazônia na rota da modernização. O plano de integração da Amazônia ao processo econômico nacional desconsiderava a existência de inúmeros povos e grupos sociais que ocupavam região, na qual vinham reproduzindo relações sociais e culturais ao longo de sua permanência no local. De todo modo, grandes projetos ainda são implantados ou estão em via de implantação em áreas onde povos e grupos sociais, ao morarem em determinada localidade, dependem dos recursos naturais lá existentes, sendo a principal fonte de sobrevivência para suas famílias, deparam-se com as implantações de grandes empreendimentos que os atingem e são muitas vezes obrigados a deixar suas moradias por ocuparem lugares almejados por tais projetos. Mas muitos deles, diante dessas situações, se mobilizam e formam movimentos de resistência para não saírem do local, caracterizando, como muitos autores denominam conflitos sociais que, em algumas vezes, se desenvolvem para conflitos ambientais. Dessa forma, podem ser caracterizados, conforme Leite Lopes (2004) como “conflitos socioambientais”. Tais situações são resultado de confrontos de grupos sociais que têm diferentes concepções consideradas relação ao meio ambiente. Esta relação, segundo Acselrad, é derivada dessas concepções que levam os grupos sociais em relação à natureza, a conceber sentidos distintos: Os objetos que constituem o “ambiente” não são redutíveis a meras quantidades de matéria e energia, pois eles são culturais e históricos: os rios para as comunidades indígenas não apresentam o mesmo sentido que para as empresas geradoras de hidroeletricidade; a diversidade biológica cultivada pelos pequenos produtores não traduz a mesma lógica que a biodiversidade 4 valorizada pelos capitais biotecnológicos etc. (ACSELRAD, 2004, p. 07) Diante de tal consideração, podemos perceber, explicitamente, que são os diferentes usos do meio ambiente que se relacionam diretamente com as diferentes concepções da relação homem e natureza. Além disso, observa-se que, dentre esses conflitos, as comunidades lutam pela sua área de moradia por questão de sobrevivência, pois são fundamentais para poder garantir o sustento de suas famílias. E como o que está em questão é a natureza, ela é o cerne dos conflitos, de modo que Acselrad(2004, p.08) considera, “que no processo de sua reprodução as sociedades se confrontem a diferentes projetos de uso e significação de seus recursos ambientais. Ou seja, o uso destes recursos é como sublinhava Georgescu-Roegen, sujeito a conflitos entre distintos projetos, sentidos e fins”. Em outras palavras, podemos dizer que todas essas situações se configuram como um conflito ambiental. Conforme Acselrad afirma: Os conflitos ambientais são, portanto, aqueles envolvendo grupos sociais com modos diferentes de apropriação, uso e significação do território, tendo origem quando pelo menos um dos grupos tem a continuidade das formas sociais de apropriação do meio que desenvolvem ameaçadas por impactos indesejáveis - transmitidos pelo solo, água, ar ou sistemas vivos – decorrentes do exercício das práticas de outros grupos. O conflito pode derivar da disputa por apropriação de uma mesma base de recursos ou de bases distintas, mas interconectadas por interações ecossistêmicas mediadas pela atmosfera, pelo solo, pelas águas etc. (ACSELRAD, 2004, p. 26). Consoante Acserald, os conflitos socioambientais gerados por disputa de “apropriação do mundo material”, podem ser desenvolvidos tanto por controle do território, ou seja, “pelo acesso e uso dos recursos naturais decorrente da dificuldade de se definir a propriedade sobre os recursos” (ACSELRAD, 2004, p. 18), assim como, atrelados a essa questão, outras práticas sociais podem causar também, “impactos indesejáveis” ao meio ambiente, o que gera “conflitos por distribuição de externalidade”, isto é, conflitos em que “o desenvolvimento de uma atividade comprometa a possibilidade de outras práticas se manterem” (ACSELRAD, 2004, p.25), este se daria pelos efeitos causados pelas práticas sociais. 5 O processo de implantação de grandes projetos desenvolvidos pelos governos ditatoriais, também foi pensado para a Amazônia, dentre eles, o Projeto Grande Carajás, instalado no sudeste do estado do Pará e o oeste do Maranhão com o objetivo principal de garantir a exploração e comercialização das gigantescas jazidas de minério de ferro localizas na Serra de Carajás, no Pará. O Maranhão também esteve inserido nesse plano desenvolvimentista, o que levou o estado a implantar a infraestrutura para que pudesse ser feita a exploração e o escoamento da produção mineral, além de outras produções, assim como os de outros estados vizinhos. A partir do final da década de 1970, o estado do Maranhão implantou extensa rede de estrada de rodagem, ligando o estado ao restante do país. Com essa iniciativa desenvolvimentista outras foram implantadas, tais como: a Estrada de Ferro Carajás, o complexo portuário de São Luís, a Hidrelétrica de Estreito e a Termelétrica do Porto do Itaqui, entre outros. Em decorrência dessas implantações que partiram de iniciativas governamentais e outras não-governamentais, surgiram consequências socioambientais que atingiram diretamente o modo de vida de populações locais nas áreas envolvidas. Com base na Constituição Federal de 1988, na legislação ambiental brasileira, na legislação referente a direitos territoriais de quilombolas e indígenas, muitos destes povos e grupos sociais reivindicam seus direitos, gerando conflitos socioambientais. Conflitos estes que, no Maranhão, se iniciam no final da década de 1970 e continuam até a atualidade. Apesar de o modelo desenvolvimentista utilizar um discurso de “desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental”, este modelo, ainda causa impactos socioambientais. 6 3 RESULTADOS De acordo com a pesquisa, iremos analisar questões que envolvem apenas o período de Agosto de 2011 à Janeiro de 2012. Nesta pesquisa, foi observado através dos noticiários divulgados em páginas eletrônicas, que nos meses investigados do período de agosto a dezembro de 2011 houve um maior número de divulgação dos conflitos socioambientais. E percebemos, também, que a incidência se deu devido a uma maior procura por parte da população atingida em reivindicar seus direitos, o que foi noticiado nos principais jornais locais. Esta pesquisa teve início no mês de agosto de 2011. Apesar de a pesquisa ter início neste referido mês, foi observado que alguns noticiários tratavam de conflitos desde o ano de 2007, período em que diferentes empreendimentos foram instalados ou iniciaram a instalação no estado Maranhão. Embora os conflitos tenham ocorridos nas diferentes microrregiões do estado, não deixam entre si, de ter algumas semelhanças. Então, para analisarmos e discutirmos o assunto, foram selecionadas 10 reportagens, cujos conteúdos foram sistematizados conforme foram registrados no banco de dados. 1- LOCAL: Maranhão, Microrregião: Itapecuru, Município: Itapecuru-Mirim Povoado: Santa Rosa dos Pretos e Monge Belo. Data da notícia: 23.09.11. Resumo da notícia: “MPF/MA: duplicação da Estrada de Ferro Carajás em Itapecuru-Mirim está parcialmente suspensa. Em audiência de conciliação, a Justiça determinou a abertura de prazo para reavaliar os impactos causados pela obras nas comunidades quilombolas. Em audiência de conciliação realizada na Justiça Federal do Maranhão, ficou decidido que a Vale terá que limitar suas ações de duplicação da Estrada de Ferro Carajás, no município de Itapecuru-Mirim (MA). Além disto, representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Cultural Palmares, acompanhados do Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) e da Defensoria Pública da União deverão visitar as comunidades de remanescentes quilombolas situadas na região, e, ainda, realizar reuniões para discutir os impactos causados pelas obras, visando a um possível acordo para resolver os problemas identificados”. Fonte da notícia: http://www.prma.mpf.gov.br/noticia 2- LOCAL: Maranhão, Microrregião: Gurupi, Município: Centro Novo, Povoado: Água Azul e Sabiá. Data da notícia: 12.10.11. Resumo da notícia: “MA: Minerador Canadense Jaguar quer engolir assentados de Centro Novo. Parte dos assentamentos 7 Sabiá e Água Azul, no município de Centro Novo, estão ameaçadas de expulsão pela empresa mineradora Jaguar e sua consorciada MCT Ltda. Mesmo detendo apenas uma licença prévia, concedida pelo SEMA, a empresa iniciou trabalhos de prospecção no interior dos assentamentos, onde apregoa que nada impedirá a Empresa de utilizar a área para a exploração de ouro, uma vez que os assentados não seriam os proprietários da área”. Fonte da notícia: http://blog-do-pedrosa.blogspot.com 3- LOCAL: Maranhão, Microrregião: Chapadinha, Município: Anapurus, Povoado: Formiga. Data da notícia: 24.11.11. Resumo da notícia: “Anapurus (MA): Suzano derruba casas e desrespeita agricultores com aval da Justiça. A poderosa empresa Suzano Papel e Celulose, que cerca Chapadinha com promessas de milhões em investimentos e milhares de empregos, há muito ronda outros municípios da região deixando rastro de conflitos agrários, suspeita de dano ao meio ambiente e denúncias de grilagem de terras, desrespeito e truculência contra trabalhadores rurais e comunidades tradicionais do Baixo Parnaíba”. Fonte da notícia: http://alexandrepinheiro.blogspot.com 4- LOCAL: Maranhão, Microrregião: Chapadinha, Município: Anapurus, Povoado: Formiga. Data da notícia: 30.11.11. Resumo da notícia: “SMDH Intervém em conflito de comunidade contra a Suzano papel e celulose. A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), através da assessoria sócio-jurídica do programa Territórios Livres do Baixo Parnaíba Maranhense, está intervindo junto a órgãos e instituições do sistema de Justiça em favor da comunidade de Formiga, na cidade de Anapurus, distante 284 km da capital São Luís. No último dia 20 de novembro uma liderança comunitária relatou o ocorrido, por telefone, à entidade: a comunidade foi alvo do cumprimento de uma liminar de reintegração de posse de 148 hectares, em ação possessória ajuizada pela Comercial Agrícola Paineiras, empresa de propriedade da Suzano Papel e Celulose”. Fonte da notícia: http//territorioslivresdobaixoparnaiba.blogspot.com 5-LOCAL: Maranhão, Microrregião: Imperatriz, Município: Acailândia, Povoado: Piquiá. Data da notícia: 07.12.11. Resumo da notícia: “Marcha de Indignação em Açailândia-MA .Cerca de dois mil moradores do bairro de Piquiá de Baixo, município de Açailândia/MA, irão protestar na Prefeitura e no Fórum da cidade. As 350 famílias do Piquiá saem em protesto em razão da última decisão do Tribunal de Justiça que suspendeu provisoriamente a desapropriação do terreno escolhido para abrigar as 8 famílias, alegando ter na área 50 cabeças de gado”. Partes da matéria: “A ideia é fazer uma grande marcha, pois não agüentamos mais ver nossos moradores adoecendo e morrendo, precisamos urgentemente que o Tribunal de Justiça resolva nosso caso e nos dê direito de uma moradia digna”. Fonte da notícia: www.justicanostrilhos.org 6- LOCAL: Maranhão, Microrregião: Imperatriz, Município: Acailândia, Povoado: Piquiá. Data da notícia: 07.12.11. Resumo da notícia: MA: População prejudicada por Polo Siderúgico interdita BR-222. Moradores do bairro Piquiá de Baixo, em Açailândia, interditaram a BR-222, que liga São Luís ao Sul do Maranhão. A comunidade, localizada no KM 14,5 dessa rodovia, reivindica a realocação das famílias que habitam a região para uma nova área. Segundo eles, a poluição causada pelo Pólo Siderurgico de Açailândia (formado pelas empresas Fergumar, Gusa Nordeste, Pindaré, Simasa e Viena) prejudica a saúde da população. Partes da matéria: “Estamos aqui hoje interditando essa rodovia para denunciar às autoridades de nosso município e do estado, além da mineradora Vale, que abastece este pólo siderúrgico, a morte de centenas de pessoas nos últimos anos por problemas pulmonares”. Fonte da notícia: www.oimparcial.com.br 7-LOCAL: Maranhão, Microrregião: Rosário, Município: Cachoeira Grande. Data da notícia: 18.09.11. Resumo da notícia: “Obras da refinaria vão usar areia extraída do Rio Munim. Empresa FC Transportes - que presta serviços a empreiteiras da refinaria que está sendo construída em Bacabeira – retira do rio 20 caçambas de areia por dia. Há mais de um mês, a empresa FC Transportes está retirando desregradamente areia do leito do Rio Munim, no município de Cachoeira Grande (a 110 quilômetros de São Luís). A empresa, com sede em Brasília, presta serviços para empreiteiras contratadas pela Petrobras para construir a Refinaria Premium, em Bacabeira (cidade vizinha à capital maranhense). O destino a areia extraída do Munim seria a etapa de edificação da refinaria, que ainda está na fase de terraplenagem”. Fonte da noticia: http:/www.jornalpequeno.com.br 8-LOCAL: Maranhão, Microrregião: Pindaré, Município: Bom Jardim. Data da notícia: 21.09.11. Resumo da notícia: “Índios denunciam omissão do poder público contra invasão de madeireiros. Índios Awá-Guajá, acompanhados de missionários do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e de representantes da Comissão de Direitos Humanos 9 da Ordem dos Advogados do Brasil, no Maranhão (OAB-MA), participaram de uma reunião no Ministério Público Federal (MPF), no Bairro da Areinha, para denunciar a omissão dos poderes públicos, em especial a da Fundação Nacional do Índio (Funai), em relação à ocupação ilegal feita por madeireiros em terras demarcadas. Os quatro índios, que fazem parte da terra indígena Caru, estiveram em São Luís. Eles já teriam sofrido violências e estariam sendo ameaçados de morte”. Fonte da notícia: http:/www.jornalpequeno.com.br 9-LOCAL: Maranhão, Microrregião: São Luís, Município: São Luís. Data da notícia: 29.11.11. Resumo da notícia: “Reunião no Incra-MA tratará de regularização de terras e violência. Encontro foi definido depois da mais recente ocupação do órgão, no fim de agosto. Representantes do governo federal e lideranças indígenas, quilombolas, semterras, além de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) vão se reunir na manhã da próxima sexta-feira (30) em São Luís. A reunião acontecerá na sede do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra-MA), no Anil, e o objetivo do encontro é dar cumprimento ao acordo firmado com os governos federal e estadual, que trata, entre outros assuntos, da agilidade nos processos de regularização de terras e do combate à violência no campo”. Fonte da notícia: http:/www.jornalpequeno.com.br 10-LOCAL: Maranhão, Microrregião: São Luís, Município: São Luís, Data da notícia: 11.10.11. Resumo da notícia: “Pescadores do Taim, Vila Cajueiro e Vila Maranhão oprimidos e abusados. A zona rural da ilha de São Luís é lugar de desmando tanto quanto qualquer terra do Maranhão. Numa visita às vilas do Taim, Cajueiro e Vila Maranhão o que se vê são terras sendo muradas e expulsão de agricultores e pescadores de locais ocupados por eles há muitas décadas. E para surpresa maior verifica-se a „onipresença‟ do agronegócio e de tantas outras empresas que abusam do meio ambiente sem sequer ouvir um ralhar maneiro da justiça ou do poder público”. Fonte da notícia: http//territorioslivresdobaixoparnaiba.blogspot.com No geral, consideramos, embora a pesquisa ainda esteja em andamento e fazendo uma análise partindo desses noticiários, que grande parte dos conflitos gerados decorre de grandes empreendimentos que visam se instalar em áreas onde existem povoados há décadas ou séculos. Os habitantes desses povoados, por morarem em locais que consideram de sua propriedade pelo tempo de moradia, mas cuja posse legal 10 normalmente é instável, são molestados para que deixem o local por tais empreendedores. Outro problema também constatado é que, em alguns casos, os conflito, se arrastam porque povos e grupos sociais tentam manter seu modo de vida, que é reconhecido legalmente como terra indígena, de quilombo ou unidades de conservação, e são donos de áreas de terras por direito, mas mesmo assim, são desrespeitados por empreendedores. Como por exemplo, aqueles que vivem em áreas de preservação legal, no caso dos índios, que vivem ameaçados por invasores que buscam desregradamente apoderarem-se de recursos naturais imprescindíveis para a sobrevivência física e cultural dos povos localizados em terras indígenas. A leitura feita dos noticiários nos dá também, as configurações de dois tipos de conflitos: Conflitos por território, que se observa em maioria, e conflitos por externalidade. O conflito por território se configura quando um determinado povo ou grupo social busca manter-se numa localidade onde vive há vários anos e, neste local, mantém relacionamentos sociais em que tem laços culturais que estão ligados a eles. Mas, muitas vezes, os moradores são ameaçados ou obrigados a deixar suas moradias para dar espaço para os diversos tipos de empreendimentos que visam instalar-se no local em que moram. Configura-se assim um conflito pelo controle do território. Podemos identificar alguns noticiários que apontam essas características e que foram citados acima e estão identificados com a numeração 1, 2, 3, 4, 7, 8, 9 e 10. No caso de conflitos que se configuram por externalidade, temos aqueles que se caracterizam quando alguns empreendimentos comprometem de alguma forma, a qualidade de vida de um povo ou grupo social. Isto é, as práticas investidas por tais empreendimentos afetam negativamente a reprodução social, cultural ou religiosa de um povo. Por exemplo, os grandes empreendimentos podem inviabilizar o cultivo de uma produção agrícola familiar, a pesca em pequena escala, o abastecimento de água de uma determinada comunidade, ou até mesmo, podem afetar a reprodução de um povo, no caso dos indígenas. Notícias que se enquadram a este tipo de conflito são os de numeração 5 e 6. No entanto, é importante ressaltar que, embora muitas vezes esses tipos de conflitos ocorram separadamente, também podem ocorrer de forma conjunta, ou seja, eles podem ocorrer associadamente tanto por territorialidade como por externalidade. 11 4 CONCLUSÃO Nesta pesquisa, embora os resultados sejam parciais, tendo em vista que a pesquisa ainda está em andamento, constatamos que os conflitos continuam ocorrendo e a pesquisa permanece fazendo o levantamento e o mapeamento de conflitos já existentes. No processo, o trabalho continua sendo desenvolvido buscando notícias nos principais jornais e páginas eletrônicas. O projeto também está buscando aperfeiçoar o banco de dados, visando ter uma melhor visibilidade e acompanhamento dos conflitos ocorridos no estado do Maranhão, para que este seja uma fonte de informações para futuros pesquisadores do projeto, assim como, outros interessados na temática. 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACSERALD, Henri (Org.) Conflitos ambientais no Brasil. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004. LOPES, José Sergio Leite (Org.). A ambientalização dos Conflitos Sociais: participação e controle público da poluição industrial. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Nucleo de Antropologia da política/UFRJ, 2004. SANT‟ANA JÚNIOR, Horácio A. PEREIRA, Madian de J. F. ALVES, Elio de J. P. PEREIRA, Carla R. A. Ecos dos conflitos socioambientais: a RESEX de Tauá-Mirim. São Luís: Edufma, 2008. http//www.jornalpequeno.como.br http//territorioslivresdobaixoparnaiba.blogspot http://www.prma.mpf.gov.br/noticia http://blog-do-pedrosa.blogspot.com www.justicanostrilhos.org www.oimparcial.com.br http://alexandre-pinheiro.blogspot.com 13