OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja ARGAMASSAS COMPATÍVEIS PARA INTERVENÇÃO EM EDIFÍCIOS ANTIGOS MARIA DO ROSÁRIO VEIGA 19-21 SETEMBRO 2007 Oficina Técnicas Tradicionais de Revestimento - BEJA Organização da apresentação > Argamassas – Constituição e condições externas > Argamassas antigas e revestimentos antigos > Compatibilidade > Revestimentos de substituição > Técnicas de aplicação > Casos particulares > Casos de estudo > Conclusões 1 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas - Constituição aéreos cal aérea hidráulicos cimento; cal hidráulica cal aérea e pozolanas; gesso sintéticos resinas Ligantes Agregados areia siliciosa; agregado calcário pedra britada; pó de pedra; argila? Água Aditivos Adjuvantes pozolanas; fibras; resinas hidrófugos; introdutores de ar; plastificantes Argamassas - Constituição Cal aérea Obtida por calcinação, a temperaturas da ordem de 800 a 1000 ºC, de rochas carbonatadas, constituídas predominantemente por carbonato de cálcio (calcário) ou por carbonato de cálcio e magnésio (calcário dolomítico) Cal viva: CaCO3 + calor Hidratação: CaO + H2O Endurecimento: Ca (OH)2 + CO2 CaO + CO2 Ca (OH)2 +calor CaCO3 + H2O Argamassas de cal aérea: Traços tradicionais variam entre 1:1 e 1:4 1:3 traço eficiente para boa granulometria 2 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas - Constituição OUTROS LIGANTES: hidraulicidade (aluminatos e silicatos) Cimento (> 1450ºC C3S +C2S + …) Cal hidráulica (1200 a 1450ºC C2S + …) Pozolanas naturais (produtos vulcânicos ricos em alumina e em sílica amorfa reactiva) Pó de tijolo e outras pozolanas artificiais Argamassas - Constituição Gesso O gesso natural é uma rocha sedimentar de estrutura cristalina, constituída fundamentalmente por sulfato de cálcio bi-hidratado (Ca SO4 2H2O). O gesso usado como ligante em estuques e argamassas de gesso é obtido por cozedura a temperaturas que variam entre 130ºC e 170ºC da pedra de gesso e é constituído, fundamentalmente, por sulfato de cálcio hemi-hidratado: Ca SO4 2H2O + calor Ca SO4 1/2 H2O + 3/2 H2O É usado em revestimentos interiores 3 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Suportes • Taipa • Adobe argamassas com base em cal aérea (cal e terra, argila, fibras naturais) •Fasquiado de madeira •Paredes pombalinas (gaiolas e tabiques) argamassas com base em cal aérea •Alvenaria de tijolo (irregular ou regular) •Alvenaria de pedra (irregular ou regular) argamassas com base em cal aérea / cal hidráulica / cimento, conforme a a estrutura da parede Condições externas Exterior temperatura humidade (chuva) vento proximidade do mar poluição exposição água nas fundações exposição aos sais (solos, materiais, etc.) Interior temperatura humidade do ar água nas fundações exposição aos sais (solos, materiais, etc.) 4 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Funções • Aglomerantes de pedra e tijolo em alvenarias irregulares • Assentamento de blocos de pedra e de tijolos em alvenarias regulares • Reboco exterior ou interior • Acabamento de protecção e decoração (barramentos e estuques) • Suporte de pinturas murais, fingidos, e outras técnicas decorativas • Colagem de azulejos Argamassas antigas Ruínas de Tróia (séc. I) Conímbriga Argamassas Romanas – Argamassas de cal muito bem executadas; uso de pozolanas artificiais (pó de tijolo) e naturais 5 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas antigas Rebocos em ruínas de Tróia - séc. I Argamassas antigas Reboco em Conímbriga Mértola – Baptistério (séc. II) 6 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas antigas Argamassas Árabes - Muralha de Tavira (séc. VII) Argamassas antigas Argamassas Árabes – Igreja de Mértola (antiga Mesquita) (séc. XII) 7 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas antigas Sé de Évora – Revestimentos interiores (séc. XVI-XVII) Argamassas antigas Sé de Elvas (séc. XVII) 8 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas antigas Convento dos Capuchos Fingidos de azulejo (Almeida) Argamassas antigas Hospital M. Bombarda (séc. XIX) Parede Pombalina (séc. XVIII-XIX) Argamassas de cal em várias camadas 9 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas antigas Edifício em Lisboa (Prémio Valmor 1944) Edifício do LNEC (1952) Argamassas de cal aérea com acabamentos muito cuidados Argamassas antigas Caracterização de argamassas antigas: no LNEC tem vindo a ser feita através de vários Projectos, dos quais se destaca presentemente o Projecto Cathedral Caracterização química, mineralógica e microestrutural Caracterização física e mecânica 10 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas antigas • Cal aérea como ligante, areias bem seleccionadas, geralmente aditivos • Várias camadas, cada uma delas cuidadosamente preparada e aplicada • Texturas e cores características • Grande resistência e durabilidade (exemplos com séculos que chegaram aos nossos dias) • Testemunho de materiais e tecnologias: objectos de estudo • Funções de revestimento, aglomerante, colagem • Bom funcionamento global das paredes gerado pela compatibilidade de materiais e soluções construtivas Argamassas antigas Argamassas de cal aérea: Traços tradicionais variam entre 1:1 e 1:4 (cal aérea : areia) • 1:3 (cal aérea : areia) é um traço eficiente se a areia tiver boa granulometria Exs. de outras argamassas antigas (ou de argamassas que podemos usar para nos aproximarmos delas): • 1:1:4 (cal aérea : pozolana : areia) • 1:1:6 (cal aérea : cal hidráulica fraca ou média : areia) 11 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Revestimentos exteriores antigos Camadas Camadas de regularização e protecção: Emboço; Reboco, Esboço • argamassas de cal e areia, com adições minerais e orgânicas, aplicadas em várias subcamadas • com granulometria decrescente das camadas mais internas para as mais externas • com deformabilidade e porosidade crescentes das camadas mais internas para as mais externas Revestimentos exteriores antigos Camadas Camadas de protecção, acabamento e decoração: Barramento; Pintura mineral; Ornamentação • barramentos: massas finas de pasta de cal aplicadas em várias subcamadas, com grande importância para a protecção do reboco • coloração com pigmentos minerais ou com pintura mineral • ornamentação com stuccos, fingidos, esgrafitos, pinturas a seco ou a fresco 12 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Revestimentos exteriores antigos: acabamentos a) Pintura de cal b) Pintura com tintas de silicato c) Pintura de fingidos (no exterior) d) Pintura mural exterior Revestimentos interiores antigos Os revestimentos interiores das paredes antigas tinham, em geral, constituição básica semelhante aos exteriores, diferindo essencialmente na composição das camadas de acabamento. Camadas principais, com diferentes funções: Camadas de regularização: emboço, reboco e esboço ou massa de esboçar. Camadas de protecção, acabamento e decoração: barramento (ou guarnecimento); estuque ou massa de estender ou dobrar; massa de polir ou brunir; pintura (em geral mineral) simples ou de ornamentação. 13 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Revestimentos interiores antigos: acabamentos a) Fingido de pedra ou Stucolustro b) Fingido de mármore ou Stucomármore c) Escaiolas (Scagliola) d) Pintura Mural f) Pintura a encáustica (ou a cera) g) Pintura a óleo h) Pintura de fingidos i) Pintura ilusionista ou de trompe l’oeil Argamassas recentes Lisboa, década de 90, rebocos hidráulicos Vamos destruir argamassas centenárias e substitui-las por estes materiais “mais resistentes e duráveis”?! 14 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Argamassas recentes Algarve, monocamada, século XXI Paredes antigas e argamassas As paredes antigas desempenhavam as funções estrutural e de protecção à água através de espessuras elevadas, revestimentos com várias camadas, conjugação das características dos diversos constituintes. 15 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Paredes antigas e argamassas As paredes antigas tinham constituição e modelo de funcionamento muito diferentes das actuais: • Hoje evita-se a entrada da água, impermeabilizando os paramentos, aumentando a estanquidade das caixilharias, fazendo cortes de capilaridade. • As paredes antigas, mais espessas e porosas e sem cortes de capilaridade, permitiam uma entrada de água mais fácil mas promoviam a sua rápida saída para o exterior. criptoflorescências eflorescências Ascensão de água por capilaridade Opções incorrectas 16 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Paredes antigas e argamassas As patologias devidas à humidade em paredes antigas estão a ser estudadas através do Projecto Humidade em Paredes Antigas Conservação Os rebocos exteriores são muitas vezes dos primeiros elementos do edifício a mostrar degradação, devido à sua elevada exposição e às suas funções de protecção. Opções de intervenção: 1. A 1ª opção deve ser a conservação do revestimento antigo: • operações de manutenção • operações de reparação pontual 2. A 2ª alternativa a considerar é a consolidação do revestimento existente: • restituição da aderência • restituição da coesão 3. Se as anteriores hipóteses não forem viáveis, considerar a substituição parcial 4. Apenas em último caso, encarar a substituição total 17 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Conservação – Medidas preventivas Evitar a acumulação de água: correcção de infiltrações, correcção da drenagem, protecção contra escorrimentos e contra a formação de caminhos preferenciais Reparação das lacunas no revestimento, nomeadamente nas camadas de acabamento Tratamento com biocidas Limpeza, nomeadamente da poluição ( SO2, NO2, CO2) Controlo de cargas Conservação – Consolidação Restituição da aderência: pastas de colagem à base de cal Restituição da coesão: se possível com produtos que regenerem o carbonato de cálcio Colmatação de fissuras Reintegração Projecto Conservarcal: http://conservarcal.lnec.pt 18 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Marmorites: pintura ou conservação e limpeza? Marmorites: pintura ou conservação e limpeza? 19 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Marmorites: pintura ou conservação e limpeza? Marmorites: pintura ou conservação e limpeza? 20 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Consolidação Consolidação 21 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Compatibilidade No caso da opção pela substituição parcial ou total, o revestimento de substituição a escolher tem que recorrer a materiais e técnicas compatíveis com os elementos pré-existentes. Requisitos de compatibilidade: 1. Funcionais: • Não contribuir para degradar os elementos pré-existentes • Proteger as paredes • Ser duráveis e contribuir para a durabilidade do conjunto (à escala dos edifícios antigos) 2. De aspecto: • Não prejudicar a apresentação visual, não descaracterizar o edifício • Não sofrer envelhecimento diferencial Compatibilidade 1. Não contribuir para degradar os elementos pré-existentes • Não introduzir tensões excessivas no suporte: módulo de elasticidade baixo; aderência moderada; coeficientes de dilatação térmica e higrométrica semelhantes aos elementos antigos • Não contribuir para reter a água no suporte: permeabilidade ao vapor de água elevada • Não introduzir sais solúveis: não conter materiais ricos em sais solúveis (por ex. do cimento) 22 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Compatibilidade 2. Proteger as paredes • Proteger da acção da água e das acções climáticas em geral: absorção de água moderada e permeabilidade ao vapor de água elevada; resistência mecânica suficiente • Proteger de acções mecânicas de choque e erosão: resistência mecânica suficiente • Proteger de acções químicas (poluição, sais solúveis): resistência aos sais Compatibilidade 3. Ser duráveis • Resistência mecânica (moderada) • Aderência ao suporte e entre camadas (moderada) • Absorção de água lenta e facilidade de secagem • Resistência química • Resistência à colonização biológica 4. Aspecto Estudo prévio do revestimento antigo • Composição, textura, cor • Tecnologia de aplicação 23 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Compatibilidade Requisitos das argamassas de substituição características mecânicas Características mecânicas Argama Módulo Resist. à Resist. à ssa de flexão compr. Elastic. Rt Rc E Reboco exterior Reboco interior Refechamento de juntas Características mecânicas semelhantes às das argamassas originais e inferiores às do suporte. Aderência ao suporte Ra Forças desenvolvidas por retracção restringida Fr máx Resistência ao arrancamento Força máxima (Ra) inferior à desenvolvida por resistência à retracção tracção do restringida (Fr máx) suporte: a rotura inferior à resistência nunca deve ser à tracção do coesiva pelo suporte. suporte. Compatibilidade Requisitos das argamassas de substituição comportamento à água Comportamento à água Ensaios clássicos Argamas sa Reboco exterior Reboco interior Perm. ao vapor de água Coefic. de capilarida de C Porosidade Comportam Comportamento ento aos térmico sais Teor de sais solúveis Porosidade e Capilaridade e porosimetria permeabilidade ao semelhantes às vapor de água das argamassas Baixo teor de sais semelhantes às originais e com solúveis maior Refecha- argamassas originais e superiores às do percentagem de mento de suporte. poros grandes juntas que o suporte. Durabilidade Resistência às Características acções climáticas; térmicas resistência aos sais Coeficiente de dilatação térmica e condutibilidade térmica Média a elevada semelhantes aos das argamassas originais e às do suporte. 24 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Compatibilidade Requisitos das argamassas de substituição Uso Características Mecânicas aos 90 dias (MPa) Rt Rc Reboco exterior Reboco interior 0,2 – 0,7 0,2 – 0,7 0,4 – 2,5 0,4 – 2,5 Juntas 0,4 0,8 0,6 – 3 E Aderência (MPa) 0,1 – 0,3 2000-5000 ou rotura coesiva pelo 2000-5000 reboco 3000-6000 0,1 – 0,5 ou rotura coesiva pela junta Comportamento à retracção restringida Frmáx (N) G (N.mm) CSAF CREF (mm) ≤ 70 ≥ 40 ≥ 1,5 ≥ 0,7 ≤ 70 ≥ 40 ≥ 1,5 ≥ 0,7 ≤ 70 ≥ 40 ≥ 1,5 ≥ 0,7 Compatibilidade Requisitos das argamassas de substituição Uso Comportamento à água Ensaios clássicos Ensaio com humidímetro C SD M S H (kg/m2.h0,5) (m) (h) (h) (mv.h) 2 0,5 (kg/m .min ) Reboco exterior ≤ 0,08 Reboco interior ≤ 0,10 Juntas ≤ 0,10 ≤ 12; ≥ 8 (≤ 1,5; ≥ 1,0) ≤ 12; ≥ 8 (≤ 1,5; ≥ 1,0) ≥ 0,1 ≤ 120 - ≤ 120 ≥ 0,1 ≤ 120 Envelhecimento artificial acelerado Comportamento aos sais ≤ 16 000 Teores reduzidos Médio: de sais solúveis. degradação Resistência aos moderada nos sais existentes na ciclos água/gelo parede (estudos em curso). ≤ 16 000 25 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Compatibilidade As exigências para rebocos antigos são diferentes das exigências gerais dos rebocos devido aos requisitos de compatibilidade: • menor resistência mecânica / maior deformabilidade • aderência moderada e extensa • permeabilidade ao vapor de água mais elevada / maior capilaridade • teor reduzido de sais solúveis Rebocos de substituição Tipos de argamassas usadas Argamassas de cimento Argamassas de cal hidráulica natural Argamassas de cal hidráulica artificial Argamassas de cal aérea e cimento Argamassas de cal aérea Argamassas de cal aérea aditivada com pozolanas, pó de tijolo, aditivos minerais com “gordura” Argamassas pré-doseadas Argamassas de ligantes especiais 26 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Resultados experimentais Características Mecânicas (MPa) Argamassa Refª Composição Cimento: areia 1:4 Ci4 Cal hidráulica: areia 1:3 Cimento: cal aérea: areia CACI3 1:1:3 CHA3 Rt 1,1 Forte dema is 0,95 Forte dema is Aderência (MPa) Comportamento à retracção restringida Frmáx (N) G (N.mm) CSAF 60 1,9 100 Forte demais 60 2,8* 0,7 0,12 75 51 2,9 0,8 59 73 1,4 1,2 61 2,2 0,8 Rc E 3,2 Forte demais 6600 Rígido demais 0,07 (a) Insuficiente 135 Forte demais 2,60 Forte demais 7510 Rígido demais 0,10 1,86 5671 0,70 CA3 Cal aérea: areia 1:3 0,34 1,28 4098 0 Insuficiente CAP Cal aérea: pozolana: areia 1:0,5:2,5 0,56 2,00 4521 0,14 79 PD-CA Pré-doseada de cal aérea 0,63 1,5 2740 0,09 (c+a) 54 27 Frágil demais 3,8 CREF (mm) 0,5 Frágil demais 0,6 Frágil demais Resultados experimentais Argamassa Refª Composição Ci4 Cimento: areia 1:4 CHA3 Cal hidráulica: areia 1:3 CACI3 CA3 CAP PD-CA Cimento: cal aérea: areia 1:1:3 Cal aérea: areia 1:3 Cal aérea: pozolana: areia 1:0,5:2,5 Pré-doseada de cal aérea SD (m) 0,09 Insufic. (para reboco exterior) Comportamento à água Ensaios Ensaio com humidímetro clássicos C M S H kg/m2.h1/2 (h) (h) (mv.h) Envelhecimento artificial acelerado 12,6 0,10 120 14000 Excessivo Bom: sem degradação 0,075 10,1 0,50 38 8639 Médio: descolagem nos ciclos água/gelo 0,050 9,5 0,17 38 7408 Bom: sem degradação 0,050 10,1 0,17 30 9244 Mau: descolagem e queda nos ciclos calor/frio 0,035 9,5 0,17 34 7923 Médio: degradação nos ciclos água/gelo 0,06 1,93 Insuficien te 0,75 450 36720 Excess Excessivo ivo - 27 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Compatibilidade Cimento: Os rebocos só de cimento são totalmente desaconselhados: pouco deformáveis, pouco permeáveis ao vapor de água, contêm sais solúveis que vão contaminar ainda mais as paredes antigas. Um reboco bastardo de cimento e cal aérea pode ser uma solução admissível, se não se tratar de um edifício de grande valor histórico, pois é possível doseá-lo de forma a ter uma deformabilidade (módulo de elasticidade) e uma permeabilidade à água e ao vapor aceitáveis. Rebocos de substituição Cal hidráulica: A cal hidráulica, muitas vezes apontada como um compromisso aceitável e prático, oferece problemas: tem características muito distintas, desde as mais próximas da cal aérea, às que se assemelham ao cimento. Assim, é necessária uma caracterização adequada das cais hidráulicas disponíveis no mercado, para se poder decidir da sua maior ou menos aptidão para o efeito, tendo em conta, nomeadamente, o seu módulo de elasticidade, a sua permeabilidade ao vapor de água e o seu teor de sais solúveis. Revestimentos pré-doseados: São comercializados como sendo com base em cal mas a maioria desses produtos são baseados em cal hidráulica e não em cal aérea e, não raro, contêm hidrófugos o que tem que ser tido em conta na selecção. A principal vantagem em relação às argamassas de cal hidráulica feitas em obra está no facto de serem, em geral, isentos de sais solúveis. 28 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Rebocos de substituição Argamassas com pozolanas: Os romanos usavam materiais pozolânicos para garantir hidraulicidade às argamassas, melhorar a sua capacidade de impermeabilização e a sua resistência à água e às acções climáticas em geral: -Pó de tijolo; -Pozolanas naturais, constituídas por materiais de origem vulcânica, ricos em sílica e alumina amorfas. Rebocos de substituição Argamassas com pozolanas: Hoje temos muitos outros materiais com propriedades pozolânicas e é possível dosear argamassas com boas características recorrendo a esses produtos: pó de tijolo, metacaulino, microssílica, pozolanas naturais dos Açores e de Cabo Verde, etc. Obtêm-se argamassas com as principais vantagens das argamassas hidráulicas - endurecimento em presença da água, embora mais lento que o do cimento; resistência à água; boa permeabilidade ao vapor de água - evitando as suas principais desvantagens - módulo de elasticidade elevado, sais solúveis. 29 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Rebocos de substituição Cimento - não recomendado Cal hidráulica - 1:3 não recomendado Cimento e cal aérea - 1:2:9 (cimento:cal:areia) a usar só quando não for possível usar soluções mais compatíveis Cal hidráulica e cal aérea - 1:1:6 (cal hidráulica:cal:areia) pode ser adequada se se usar cal hidráulica média ou fraca (NHL 3,5 ou NHL 2) isenta de sais Cal aérea - 1:3 solução compatível mas tem que ser bem executada para ser durável Cal aérea e pozolana - 1:1:4 (ou outra proporções, dependendo da reactividade da pozolana) solução compatível, em princípio, dependendo da pozolana Técnicas de aplicação Influência dos diferentes parâmetros de aplicação: •Redução da quantidade de água: argamassa mais resistente, mais compacta, menos fissurável, mais impermeável •Amassadura com betoneira é inadequada, deve ser complementada com amassadura manual ou com berbequim para garantir uma mistura perfeita •Aperto da massa contra o suporte: maior compacidade e menor fissuração 30 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Técnicas de aplicação Influência dos diferentes parâmetros de aplicação: •Mais camadas com menor espessura cada uma: menores tensões de retracção, menor fissuração e maior capacidade de impermeabilização •Exposição à radiação solar: quando é excessiva aumenta a fissuração, quando é reduzida atrasa a carbonatação e pode comprometer o comportamento a longo prazo; escolher época de aplicação ou recomendar protecção à evaporação rápida. Técnicas de aplicação 62 31 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Colagem de azulejos antigos A recolagem de azulejos antigos deve ser feita, após limpeza e dessalinização dos azulejos, com argamassa de cal aérea. A argamassa de colagem deve ser rica (traço 1:2,5 - cal : areia). A areia deve ser siliciosa, bem graduada, com um teor de finos mais elevado que no caso dos rebocos. A aplicação deve ser feita numa única camada. Paredes com sais O “salitre” é um dos problemas mais difíceis de resolver em edifícios antigos. As soluções usadas durante muitos anos, baseadas na impermeabilização das paredes, provocaram em muitos casos danos irreversíveis. Outras soluções, como as injecções de resinas para provocar cortes de capilaridade, também se revelaram pouco eficazes em muitas situações. 32 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Paredes com sais • revestimentos de transporte: é provocado o transporte dos sais dissolvidos para o reboco, onde cristalizam; para isso é preciso que o reboco tenha poros de diâmetro superior aos do suporte Acumulação de sais secagem • revestimentos de acumulação: é provocada a acumulação dos sais numa camada de reboco afastada da superfície; é necessário que existam duas camadas de reboco de diferente porosimetria, em que a camada de acumulação tem poros de diâmetro superior à camada mais exterior e também ao suporte. Transporte de sais secagem As soluções recomendadas actualmente baseiam-se em princípios diferentes e resumem-se praticamente a 2 tipos: reboco Transporte de sais Substituição de revestimentos Reboco de substituição com argamassa bastarda fraca – década de 1990 33 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Substituição de revestimentos Reboco de substituição com argamassa bastarda fraca – década de 1990 Substituição de revestimentos Reboco de substituição com argamassa bastarda fraca – década de 1990 1:2:9; 1:3:12 34 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Substituição de revestimentos Solução de substituição com base em cal e pozolanas naturais ou artificiais - 2005 Revestimentos azulejares (séc. XIX) Argamassa de cal e areia – 2006 35 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Conservação revestimentos pigmentados de cal (séc. XX) LNEC - A fachada antes e depois 36 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja LNEC - A fachada antes e depois Sé de Évora – argamassas de cal 37 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Opções incorrectas Degradação rápida Após aplicação de membrana elástica (incompatibilidade funcional) - S. Paulo, Brasil Após extracção do revestimento de tecto zona de Lisboa Opções incorrectas 38 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Pinturas de substituição Materiais diferentes: envelhecimento diferencial (Budapeste, foto J. Aguiar) Pintura de cal pigmentada (Estocolmo) Conclusões Conservar em vez de substituir Solução adaptada à função e às condições concretas Resistência mecânica moderada e módulo de elasticidade baixo Alguma capacidade de impermeabilização mas grande facilidade de secagem Não conter teores significativos de sais solúveis Para minimizar tensões devidas a deformações diferenciais devem ter características físicas semelhantes às dos elementos préexistentes 78 39 OFICINA: TÉCNICAS TRADICIONAIS DE REVESTIMENTO - C.M.BEJA, CENFIC, 2007 Com o apoio de: ICOMOS-PORTUGAL, Projecto MITR, C.M. Albufeira, Misericórdia de Beja Conclusões Os resultados experimentais mostram que as argamassas de cimento são manifestamente inadequadas; as argamassas de cal aérea, aditivadas ou não com pozolanas apresentam as melhores características mas devem ser optimizadas nomeadamente através da melhoria das areias e das condições de cura; as argamassas de composição intermédia podem ser aceitáveis em certos casos, ajustando as dosagens; as argamassas pré-doseadas podem apresentar problemas, por exemplo se contiverem hidrófugos e têm que ser estudadas caso a79caso. 40