HISTÓRIA DO BRASIL
Professor
LUCIANO DE PAULA
A expansão Ultramarina Portuguesa dos séculos XV e XVI.
•
PLANISFÉRIO DE 1502 – Os mapas eram chamados de Portulanos,
pois eram feitos através da observação dos navegadores.
•
A mais antiga carta náutica portuguesa conhecida, mostrando o resultado das viagens de
Vasco da Gama à Índia, Colombo à América Central, Gaspar Corte Real à Terra Nova e
Pedro Álvares Cabral ao Brasil, com meridiano de Tordesillas assinalado. Biblioteca
estense universitária de Modena.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
• Os descobrimentos portugueses foram o conjunto de
viagens e explorações marítimas realizadas pelos
portugueses entre 1415 e 1543 que começaram com a
conquista de Ceuta na África. Os descobrimentos
resultaram na expansão portuguesa e deram um
contribuição essencial para delinear o mapa do mundo,
impulsionados pela Reconquista e pela procura de
alternativas às rotas do comércio no Mediterrâneo.
Com estas descobertas os portugueses iniciaram a Era
dos Descobrimentos europeus que durou do século XV
até ao XVII e foram responsáveis por importantes
avanços da tecnologia e ciência náutica, cartografia e
astronomia, desenvolvendo os primeiros navios capazes
de navegar em segurança em mar aberto no Atlântico.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
• Terminada a Reconquista, o espírito de conquista e
Cristianização dos povos muçulmanos subsistia. Os
portugueses dirigiram-se então para o Norte de África,
de onde tinham vindo os mouros que se haviam
estabelecido na Península Ibérica. Avançando
progressivamente pelo Atlântico ao longo das costas do
continente africano, passaram o Cabo da Boa
Esperança e entraram no Oceano Índico movidos pela
procura de rotas alternativas ao comércio Mediterrânico.
Chegaram à Índia em 1498, simultaneamente
exploraram o Atlântico Sul e aportaram nas costas do
Brasil em 1500, navegando no extremo da Ásia
chegaram à China em 1513 e ao Japão em 1543.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
•
A conquista de Ceuta em 1415 é geralmente referida como o início dos
"descobrimentos Portugueses". Nela participaram todos os infantes de Portugal e
entre eles vemos o Infante D. Henrique a partir de então a ser dirigido para
impulsionar as primeiras expedições no Atlântico, como investimento do Reino de
Portugal através da Templária Ordem de Cristo e do seu próprio patrimônio pessoal.
As primeiras navegações estão associadas à sua figura a partir da base que, saindo
do porto de Castro Marim que tinha sido a primeira sede da referida ordem militar e
da qual ele era o grão-mestre, estabeleceu em Lagos e na Sagres, onde foi
acompanhado por um grupo de cartógrafos, astrônomos e pilotos. Além dos
interesses materiais, o príncipe ambicionava ao estabelecer uma aliança com o
Preste João, um príncipe cristão que governava as terras da Etiópia. Graças a essa
aliança, pensava-se recomeçar as Cruzadas, mas numa escala planetária, alcançar
o Paraíso (o Éden) do qual esse rei africano era o guardião, e expulsar os
muçulmanos da Terra Santa para alcançar a Idade do Ouro e Jerusalém Celeste.
Por trás deste movimento, como dirigente governativo, estava o seu irmão Infante D.
Pedro, 1.° duque de Coimbra assim como um grupo vasto de religiosos cristão e
judeus, mercadores e armadores profissionais, interessados e participantes nas
navegações, responsáveis por uma série importante de iniciativas a que o navegador
aderiu. Entre eles o seu aventureiro sobrinho navegador, Infante D. Fernando, duque
de Beja, pai de D. Manuel I, que deu toda a continuidade a esses intentos.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
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A Escola de Sagres constitui um dos
grandes mitos da história portuguesa,
resultante
de
deficientes
interpretações de crônicas antigas.
Com base no pressuposto de que o
infante D. Henrique convidou um
cartógrafo catalão para se colocar ao
seu serviço, muitos consideraram a
partir logo do século XVI, com Damião
de Góis), que teria havido uma escola
náutica em Sagres, fundada pelo
Infante D. Henrique, por volta de 1417,
no Algarve. A escola, centro da arte
náutica, teria assim formado grandes
descobridores, como Vasco da Gama
e Cristóvão Colombo
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
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A ilha da Madeira - Em 1418, ainda no reinado de D. João I, e sob
comando do Infante D. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto
Santo por João Gonçalves Zarco e mais tarde da ilha da Madeira por
Tristão Vaz Teixeira.
Os Açores - Em 1427, dão-se os primeiros contactos com o arquipélago
dos Açores por Diogo de Silves. Ainda nesse ano é descoberto o grupo
oriental dos Açores, São Miguel e Santa Maria.
A costa oeste de África - Mapa da costa oeste africana representando a
feitoria da "A mina", séc. XVI
Em 1434 Gil Eanes contornou o Cabo Bojador, dissipando o terror que este
promontório inspirava. No ano seguinte, navegando com Afonso Gonçalves
Baldaia descobriram Angra de Ruivos e este último chegou ao Rio de
Ouro, no Saara Ocidental. Entretanto, após a derrota portuguesa de
Tânger em 1437, os portugueses adiaram o projeto de conquistar o Norte
de África.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
• A ligação do Atlântico com o Índico - Em 1487, D. João II envia
Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã em busca do Preste João e de
informações sobre a navegação e comércio no Oceano Índico.
Nesse mesmo ano, Bartolomeu Dias, comandando uma expedição
com três Caravelas, atinge o Cabo da Boa Esperança. Estabeleciase assim a ligação náutica entre o Atlântico e o Oceano Índico.
• O projeto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por
D. João II como medida de redução dos custos nas trocas
comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das
especiarias. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima
portuguesa, D. João almejava o domínio das rotas comerciais e
expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império
Porém, o empreendimento não seria realizado durante o seu
reinado. Seria o seu sucessor, D. Manuel I que iria designar Vasco
da Gama para esta expedição, embora mantendo o plano original.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
•
Esta imagem ilustra a viagem de Vasco da Gama (a preto) bem como as viagens de
Pêro da Covilhã (laranja) e Afonso de Paiva (azul). O caminho percorrido antes de
se separarem encontra-se a verde.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
• A chegada à Índia - Nos anos que se seguiram à assinatura do
Tratado de Tordesilhas (1494) Portugal prosseguiu no seu projecto
de alcançar a Índia, o que foi finalmente alcançado pela frota de
Vasco da Gama, na sua primeira viagem de 1497-1499.
• Mantendo o plano de D. João II, o rei D. Manuel I mandou aparelhar
as naus e escolheu Vasco da Gama, cavaleiro da sua casa, para
capitão desta armada. Segundo o plano original, D. João II teria
designado seu pai, Estêvão da Gama, para chefiar a armada; mas a
esta altura já ambos tinham falecido.
• A 8 de Junho de 1497 iniciou-se a expedição semi-planetária que
terminaria dois anos depois com a entrada da nau Bérrio pelo rio
Tejo adentro, trazendo a boa-nova. Neste dia parte do Restelo a
armada chefiada por Vasco da Gama. Tratava-se de uma expedição
comportando três embarcações. É a partir da viagem de Vasco da
Gama que se introduzem as naus. A 20 de Maio de 1498 Vasco da
Gama chega a Calecute. Estabelecia-se assim o caminho marítimo
para a Índia.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
A expansão Ultramarina Portuguesa
dos séculos XV e XVI.
• Chegada ao Brasil - Em 1499, após o retorno de Vasco da Gama,
Pedro Álvares Cabral foi nomeado capitão-mor da armada que se dirigiria à
Índia. A sua missão era a de estabelecer relações diplomáticas e
comerciais com o Samorim, promovendo a imagem de Portugal e
instalando um entreposto comercial ou feitoria, retornando com o máximo
de mercadorias. A sua foi a mais bem equipada armada do século XV,
integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500
homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Era integrada por
navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, tendo
partido de Lisboa a 9 de março de 1500, após missa solene na ermida do
Restelo, à qual compareceu o Rei e toda a Corte. Mas Pedro Álvares
Cabral, por alturas de Cabo Verde, desvia-se da rota. Tendo-se afastado da
costa africana, a 22 de abril de 1500, após quarenta e três dias de viagem,
avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte, houve o
contato inicial com os indígenas. A 24 de abril, seguiu ao longo do litoral
para o norte em busca de abrigo, fundeando na atual baía de Santa Cruz
Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de maio.
A expansão Ultramarina Portuguesa dos séculos XV e XVI.
Chegada dos portugueses ao Brasil
O SISTEMA COLONIAL
O Período Pré-Colonial
• A fase do pau-brasil (1500 a 1530) - Neste período não
houve a colonização do Brasil, pois os portugueses não
se fixaram na terra. Após os primeiros contatos com os
indígenas, muito bem relatados na carta de Caminha, os
portugueses começaram a explorar o pau-brasil da Mata
Atlântica.
O pau-brasil tinha um grande valor no mercado europeu,
pois sua seiva, de cor avermelhada, era muito utilizada
para tingir tecidos. Para executar esta exploração, os
portugueses utilizaram o ESCAMBO, ou seja, deram
espelhos, apitos, chocalhos e outras bugigangas aos
nativos em troca do trabalho (corte do pau-brasil e
carregamento até as caravelas).
O SISTEMA COLONIAL
O Período Pré-Colonial
• O escambo foi
utilizado durante a
colonização
do
Brasil, uma vez
que os índios não
conheciam
Qualquer forma de
dinheiro.
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O SISTEMA COLONIAL
O sistema colonial português na América
A estrutura político-administrativa
A estrutura sócio-econômica
A escravidão (as formas de dominação econômico-sociais)
As formas de atuação do Estado Português na
Colônia
A ação da Igreja, as invasões estrangeiras
A expansão territorial, interiorização e formação das
fronteiras,
As reformas pombalinas
As rebeliões coloniais
Os Movimentos e tentativas emancipacionistas
O SISTEMA COLONIAL
O Período Pré-Colonial
• Nestes trinta anos, o Brasil foi atacado pelos holandeses, ingleses e
franceses que tinham ficado de fora do Tratado de Tordesilhas
(acordo entre Portugal e Espanha que dividiu as terras recém
descobertas em 1494). Os corsários ou piratas também saqueavam
e contrabandeavam o pau-brasil, provocando pavor no rei de
Portugal. O medo da coroa portuguesa era perder o território
brasileiro para um outro país. Para tentar evitar estes ataques,
Portugal organizou e enviou ao Brasil as Expedições GuardaCostas, porém com poucos resultados.
• Os portugueses continuaram a exploração da madeira, construindo
as feitorias no litoral que nada mais eram do que armazéns e postos
de trocas com os indígenas.
• No ano de 1530, o rei de Portugal organizou a primeira expedição
com objetivos de colonização. Esta foi comandada por Martin
Afonso de Souza e tinha como objetivos: povoar o território
brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-deaçúcar no Brasil.
O SISTEMA COLONIAL
• O chamado Sistema Colonial Tradicional desenvolveuse , na América, entre os séculos XVI e XVIII. Sua
formação está intimamente ligada às Grandes
Navegações e seu funcionamento obedece aos
princípios
do
Mercantilismo.
• As práticas mercantilistas, buscava o acúmulo de
capitais e as colônias irão contribuir de forma decisiva
para este processo. Assim, através da exploração
colonial os Estados Metropolitanos se enriquecemcomo também sua burguesia. O Sistema Colonial
Tradicional conheceu dois tipos de colônias: a Colônia
de Povoamento e a Colônia de Exploração.
O SISTEMA COLONIAL
Colônia de Povoamento: característica das zonas temperadas da
América do Norte e marcada por uma organização econômicosocial que buscava manter semelhanças com suas origens
européias: predomínio da pequena propriedade, desenvolvimento
do mercado interno, certo desenvolvimento urbano, valorização dos
princípios de liberdade ( religiosa, econômica, de imprensa ),
utilização
do
trabalho
livre, desenvolvimento industrial e desenvolvimento do comércio
externo.
Colônia de Exploração: típica das zonas tropicais da América,
onde predomina a agricultura tropical escravista e monocultora. Não
houve desenvolvimento de núcleos urbanos nem do mercado
interno, ficando esta área dependente da Metrópole. A principal
característica desta área foi a Plantation- latifúndio, monocultor
escravocrata.
O SISTEMA COLONIAL
• A fase do Açúcar (séculos XVI e XVII )
O açúcar era um produto de muita aceitação na
Europa e alcançava um grande valor. Após as
experiências positivas de cultivo no Nordeste, já
que a cana-de-açúcar se adaptou bem ao clima
e ao solo nordestino, começou o plantio em
larga escala. Seria uma forma de Portugal lucrar
com o comércio do açúcar, além de começar o
povoamento do Brasil. A mão-obra-obra
escrava, de origem africana, foi utilizada nesta
fase
O SISTEMA COLONIAL
A Pirâmide Social Colonial
A Casa Grande
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
• A instalação das primeiras capitanias no litoral
nordeste
brasileiro
traz
consigo
uma
consequência trágica: os conflitos com os índios
do litoral que - se até então foram aliados de
trabalho, neste momento passam a ser um
entrave, uma vez que disputavam com os recém
chegados o acesso às melhores terras. Destes
conflitos entre portugueses e índios o saldo é a
mortandade indígena causada por conflitos
armados ou por epidemias diversas.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
O FORAL - OBRIGAÇÕES DOS DONATÁRIOS
•
Criar vilas e distribuir terras a quem desejase cultivá-las.
•
Exercer plena autoridade no campo judicial
e administrativo, podendo inclusive autorizar
pena de morte.
•
Escravizar os índios, obrigando-os a
trabalhar na lavoura. Também podiam enviar
índios como escravos para Portugal, até o
limite de 30 por ano.
•
Receber a vigésima parte dos lucros sobre
o comércio do Pau-Brasil.
•
O donatário era obrigado a entregar 10% de
todo o lucro sobre os produtos da terra ao
rei de Portugal.
•
1/5 dos metais preciosos encontrados nas
terras do donatário deveria ser entregue a
coroa portuguesa.
•
O monopólio do Pau-brasil.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
• O sistema de capitanias implantado no Brasil não é original. Baseiase em experiências anteriores de concessão de direitos reais à
nobreza para engajá-la nos empreendimentos do Estado português
nas Índias, na África, nas ilhas do Atlântico e no próprio reino.
Nas Cartas de Doação é fixado o caráter perpétuo e hereditário
das concessões. Em troca do compromisso com o povoamento, a
defesa, o bom aproveitamento das riquezas naturais e a
propagação da fé católica em suas terras, o rei atribui aos
donatários
inúmeros
direitos
e
isenções.
Cabe aos donatários distribuir sesmarias - terras incultas ou
abandonadas - aos colonos, fundar vilas com as respectivas
câmaras municipais e órgãos de justiça, além do direito de
aprisionar índios. São também isentos do pagamento de tributos
sobre a venda de pau-brasil e de escravos
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
• Em sua maior parte, as capitanias brasileiras não conseguem
desenvolver-se por falta de recursos ou por desinteresse de seus
donatários. No final do século XVI, apenas as capitanias de
Pernambuco (de Duarte Coelho) e de São Vicente (de Martim
Afonso de Souza) alcançam certa prosperidade com o cultivo da
cana-de-açúcar. É esse quadro pouco animador que leva a Coroa
portuguesa a instituir, em 1548, um governo mais centralizado e
capaz de uma ação mais direta - o governo-geral. No século XVII,
outras capitanias são criadas para ocupar a Região Norte.
• Cada vez mais enfraquecidas e progressivamente retomadas pela
Coroa, as capitanias são extintas em 1759. Mas deixam sua marca
na ocupação do território, sobretudo da faixa litorânea, e na
formação política do país. Além de fixar o nome de muitos dos
atuais estados brasileiros, as capitanias dão origem a uma estrutura
de
poder
regional
que
ainda
se
mantém
atuante.
GOVERNADORES GERAIS
• Criação do sistema
• Em função do desempenho insatisfatório do sistema de Capitanias
Hereditárias, D. João III, rei de Portugal resolveu criar o GovernoGeral no Brasil no ano de 1549. Era uma forma de centralizar o poder
na colônia e acabar com a desorganização administrativa.
Governadores Gerais
• Os três governadores gerais do Brasil que mais se destacaram foram
Tomé de Souza, Duarte da Costa e Mem de Sá.
Resultados
• Como resultados da implantação deste sistema político-administrativo
no
Brasil,
podemos
citar:
catequização
de
indígenas,
desenvolvimento agrícola e incentivo à vinda de mão-de-obra escrava
africana
para
as
fazendas
brasileiras.
Este sistema durou até o ano de 1640, quando foi substituído pelo
Vice-Reinado
GOVERNADORES GERAIS
• Os resultados inexpressivos obtidos com o sistema de capitanias
hereditárias motivaram a Coroa Portuguesa a tomar uma nova
postura em relação à administração colonial. Dessa forma,
conforme estabelecido no Regimento de 1548, a Coroa Portuguesa
instituiu o cargo de governador-geral para aperfeiçoar os meios de
legitimação da autoridade política da Coroa e reforçar os interesses
envolvendo o processo colonizador em terras brasileiras.
Em meio a esse processo de natureza centralizadora, a capitania
da Bahia de Todos os Santos foi escolhida como a primeira sede do
governo-geral. Por isso, foi criada em 1549 a cidade de Salvador,
considerada a primeira capital do Brasil Colônia. Entre outras
diversas funções, o governador-geral deveria resolver as contendas
com os índios por meio de guerra ou aliança; criar feiras que
possibilitassem o desenvolvimento econômico da colônia e garantir
o
monopólio
real
sob
a
exploração
do
pau-brasil.
GOVERNADORES GERAIS
•
Além disso, um governador também deveria combater a ação de piratas
nas terras coloniais, ampliar a colonização com a criação de novas vilas,
construir embarcações e fortes, promover o plantio da cana-de-açúcar,
realizar a prospecção de metais preciosos e defender a população colonial.
De fato, podemos perceber que as tarefas de um governador-geral eram
inúmeras e, por isso, outros cargos administrativos foram criados para
auxiliá-lo
em
tais
obrigações.
Os cargos que estavam abaixo do governador-geral eram ao todo quatro e
correspondiam aos postos de ouvidor-mor, capitão-mor, alcaide-mor e
provedor-mor. O capitão teria como função principal cuidar das questões
jurídicas no interior da colônia. O capitão tinha importante função de defesa
ao ser responsável pelo controle das regiões litorâneas. Nesse mesmo
âmbito, o alcaide deveria comandar as tropas encarregadas da defesa. E,
por fim, o provedor cuidava das finanças do governo-geral.
GOVERNADORES GERAIS
• Ao longo do século XVI, destacamos as ações tomadas pelos três
primeiros Governadores Gerais nomeados por Portugal. O primeiro
deles foi Tomé de Souza, que assumiu o posto entre 1549 e 1553.
Após pedir sua saída do posto, o governo-geral Tomé de Souza foi
assumido por Duarte da Costa, que durante sua administração –
ocorrida entre 1553 e 1558 – enfrentou problemas com as
populações nativas (Confederação dos Tamoios) e a invasão dos
franceses
(França
Antártica).
Para controlar tais problemas, Duarte da Costa foi substituído pelo
governador Mem de Sá, que tomou controle da colônia entre 1558 e
1572. Depois disso, a Coroa Portuguesa tentou viabilizar a
administração com a divisão da colônia em dois governos: o
governo do Norte, com capital em Salvador; e o governo do Sul,
localizado na cidade do Rio de Janeiro. A divisão acabou sendo
abolida em 1578 e, até 1808 – ano da chegada da família real
portuguesa – o governo-geral vigorou na administração da colônia.
AS INVASÕES ESTRANGEIRAS
AS INVASÕES ESTRANGEIRAS
• AS INVASÕES FRANCESAS
A primeira expedição francesa foi comandada por Nicolau Durand
de Villegaignon que chegou na Baía do Rio de Janeiro em 10 de
novembro de 1555.
Eles fundaram a França Antártica, que se destinava a receber os
"Calvinistas", protestantes religiosos.
O povoado serviria de bases para o comércio do pau-brasil e de
outros produtos que por ventura encontrasse no país.
Villegaignon conquistou a amizade dos índios tamoios, que foram
os seus aliados na luta contra os portugueses.
O Governador-geral, Duarte da Costa, não conseguiu expulsar os
franceses por falta de recursos, somente Mem de Sá, iniciou a luta
contra eles, e foram expulsos doze anos depois da invasão, em
1567.
No entanto, eles não desistiram. Em 1612, comandados por Daniel
de La Touche, invadiram o Maranhão e fundaram a França
Equinocial. O forte construído nessa época deu origem à cidade de
São Luis, atual capital do Maranhão.
AS INVASÕES ESTRANGEIRAS
• Em 1624, a chega na Bahia uma esquadra holandesa comandada
por Jacob Willekens. O governador da Bahia, Diogo de Mendonça
Furtado, foi preso e os holandeses tomaram conta da cidade de
Salvador.
Em 1625, os moradores de Salvador, com auxilio dos portugueses e
dos espanhóis, cercaram a cidade por terra e por mar e expulsaram
os holandeses.
• Entre os anos de 1630 e 1654, o Nordeste brasileiro foi alvo de
ataques e fixação de holandeses. Interessados no comércio de
açúcar, os holandeses implantaram um governo em nosso território.
Sob o comando de Maurício de Nassau, permaneceram lá até
serem expulsos em 1654. Nassau desenvolveu diversos trabalhos
em Recife, modernizando a cidade.
AS INVASÕES ESTRANGEIRAS
•
SEGUNDA INVASÃO
•
A segunda invasão ocorreu em 1630. O local escolhido foi Pernambuco
(Recife
e
Olinda,
por
serem
áreas
canavieiras).
A esquadra holandesa, de mais de 50 navios, chegou em Pernambuco com
cerca de 8 mil homens, entre marinheiros, trabalhadores e soldados.
Os holandeses tomaram conta de Recife e de muitos engenhos da região.
O governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque, fugiu para o interior
e fundou o arraial do bom Jesus, de onde comandava uma luta de
emboscadas
contra
os
holandeses.
Em 1632, porém, com auxílio do mameluco Domingos Fernandes Calabar,
rompem o cerco formado pelos portugueses e, em sucessivas vitórias,
dilatam o domínio holandês em solo brasileiro. Em janeiro de 1637, o
governo holandês julga seu domínio firmado e escolhe um local onde
fundam Recife como sede de seus domínios no Brasil, por ter, nessa
localidade, a segurança que não dispunham em Olinda. A Recife holandesa
possuía rios e canais muito similares aos que os holandeses estavam
acostumados em sua pátria. Olinda situa-se e região montanhosa, muito
semelhante as cidades portuguesas. O Conselho dos XIX da Companhia
das Índias Ocidentais enviam, então, um príncipe da família reinante, o
conde João Maurício de Nassau-Siegen, para ocupar a função de
governador-geral
do
Brasil
Holandês.
AS INVASÕES ESTRANGEIRAS
• Nassau
Incrementou
Fundou
o
Favoreceu
Deu
fez
um
bom
governo:
a
economia
canavieira:
jardim
botânico
e
o
zoológico
a
vinda
de
artistas;
liberdade
religiosa.
Com essas medidas de Nassau, as relações entre
holandeses e pernambucanos melhoraram muito.
Em 1644, Nassau foi chamado de volta, a partir de
então os pernambucanos reiniciaram a luta contra os
holandeses. Essa luta ficou conhecida como Insurreição
Pernambucana.
Em 1654, os holandeses foram definitivamente expulsos
do Brasil.
A INFLUÊNCIA DA IGREJA
A INFLUÊNCIA DA IGREJA
• Os jesuítas faziam parte de uma ordem
religiosa católica chamada Companhia de
Jesus. Criados com o objetivo de disseminar a
fé católica pelo mundo, os padres jesuítas eram
subordinados a um regime de privações que os
preparavam para viverem em locais distantes e
se adaptarem às mais adversas condições. No
Brasil, eles chegaram em 1549 com o objetivo
de cristianizar as populações indígenas do
território
colonial.
A INFLUÊNCIA DA IGREJA
• Incumbidos dessa missão, promoveram a criação das missões,
onde organizavam as populações indígenas em torno de um regime
que combinava trabalho e religiosidade. Ao submeterem as
populações aos conjuntos de valor da Europa, minavam toda a
diversidade cultural das populações nativas do território. Além
disso, submetiam os mesmos a uma rotina de trabalho que
despertava a cobiça dos bandeirantes, que praticavam a venda de
escravos
indígenas.
Ao mesmo tempo em que atuavam junto aos nativos, os jesuítas
foram responsáveis pela fundação das primeiras instituições de
ensino do Brasil Colonial. Os principais centros de exploração
colonial contavam com colégios administrados dentro da colônia.
Dessa forma, todo acesso ao conhecimento laico da época era
controlado pela Igreja. A ação da Igreja na educação foi de grande
importância para compreensão dos traços da nossa cultura: o
grande respaldo dado às escolas comandadas por denominações
religiosas e a predominância da fé católica em nosso país.
A INFLUÊNCIA DA IGREJA
• Além de contar com o apoio financeiro da Igreja,
os jesuítas também utilizavam da mão-de-obra
indígena no desenvolvimento de atividades
agrícolas. Isso fez com que a Companhia de
Jesus acumulasse um expressivo montante de
bens no Brasil. Fazendas de gado, olarias e
engenhos eram administradas pela ordem. Ao
longo da colonização, os conflitos com os
bandeirantes e a posterior redefinição das
diretrizes coloniais portuguesas deram fim à
presença
dos
jesuítas
no
Brasil.
A INFLUÊNCIA DA IGREJA
• No ano de 1750, um acordo estabelecido entre
Portugal e Espanha, dava direito de posse aos
portugueses sobre o aldeamento jesuíta de Sete
Povos das Missões. Nesse mesmo tratado
ficava acordado que os jesuítas deveriam ceder
as terras à administração colonial portuguesa e
as populações indígenas deveriam se transferir
para o Vice-Reinado do Rio Prata. Os índios
resistiram à ocupação, pois não queriam
integrar a força de trabalho da colonização
espanhola; e os jesuítas não admitiam perder as
terras
por
eles
cultivadas.
A INFLUÊNCIA DA IGREJA
• O conflito de interesses abriu espaço para o início
das Guerras Guaraníticas. Os espanhóis e
portugueses, contando com melhores condições,
venceram os índios e jesuítas no conflito que se
deflagrou entre 1754 e 1760. Depois do incidente o
ministro português Marques de Pombal ordenou a
saída dos jesuítas do Brasil. Tal ação fazia parte de
um conjunto de medidas que visavam ampliar o
controle da Coroa Portuguesa sob suas posses.
A expansão do território brasileiro
• A partir do século XVI, por conta das frentes de
penetração (Entradas e Bandeiras) e da União
Ibérica (1580-1640), o Meridiano de Tordesilhas
(1494) que partilhava o mundo entre Portugal e
Espanha com a benção do espanhol Alexandre
VI (Bula Inter Coetera), caduca. Após a
restauração da soberania lusa, emergem na
América Latina conflitos entre portugueses e
espanhóis na região do Rio da Prata, e no
Amapá com os franceses que buscavam ocupar
toda a margem esquerda do Rio Amazonas.
A expansão do território brasileiro
A expansão do território brasileiro
• A expansão da pecuária, a exploração das drogas do
sertão, as missões jesuíticas e as bandeiras foram
fatores que impulsionaram a colonização portuguesa
para o interior, ultrapassando os limites de Tordesilhas. A
expansão da pecuária promoveu a ocupação do interior
do Nordeste. Martim Afonso trouxe as primeiras cabeças
de gado para a região de São Vicente, e Tomé de
Sousa, primeiro governador-geral, introduziu rebanhos
no Nordeste. O gado foi criado inicialmente próximo à
região canavieira da Bahia e de Pernambuco.
A expansão do território brasileiro
• Com o crescimento dos rebanhos, novas áreas iam sendo
alcançadas. Da Bahia, o gado atingiu o interior, até o vale do Rio
São Francisco. Seguindo o curso do rio, chegou às regiões que
correspondem aos atuais Estados do Piauí, do Maranhão e do
Ceará. A pecuária pernambucana estendeu-se por grande parte do
território dos atuais Estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte e
do Ceara.
• Os colonos portugueses e as missões jesuíticas ocuparam grande
parte da região amazônica, incorporando aos domínios de Portugal
uma vasta área que, pelo Tratado de Tordesilhas, pertencia à
Espanha. Os colonos dedicaram-se à exploração das chamadas
drogas do sertão, que eram produtos naturais colhidos na floresta
(cacau, anil-bravo, cravo, baunilha, castanha-do-pará, ervas
medicinais e aromáticas). Também fizeram o apresamento de
indígenas, usados na extração dos produtos ou vendidos para o
Maranhão, onde havia se instalado a agroindústria do açúcar.
A expansão do território brasileiro
• As missões religiosas eram aldeamentos indígenas chefiados pelos
padres jesuítas. Nelas os nativos recebiam formação religiosa cristã
e aprendiam a trabalhar de acordo com a disciplina dos brancos. A
região que corresponde ao Rio Grande do Sul pertencia à Espanha,
mas Portugal foi ocupando-a com a criação de gado, as missões
jesuíticas e a fundação de uma colônia, que recebeu o nome de
Colônia do Sacramento.
• No desbravamento do interior do Brasil também se destacaram as
bandeiras. A maioria delas partiu da capitania de São Vicente, mais
particularmente da cidade de São Paulo. Essas expedições
armadas tiveram como objetivo inicial o apresamento de indígenas
para o escravismo e, posteriormente, dedicaram-se a procura do
ouro. Partindo em várias direções, as bandeiras chegaram ao Sul,
Norte e Centro-Oeste do Brasil.
A expansão do território brasileiro
• A fundação pelos portugueses (1680) da
Colônia do Santíssimo Sacramento (atualmente
terras uruguaias) tem como contrapartida
espanhola a fundação jesuítica dos Sete Povos
das Missões (1687) e a ocupação da Colônia do
Sacramento.A tentativa de amenizar os conflitos
na América do Sul dão origem ao Tratado de
Utrecht (1713), onde a França reconhece, no
extremo Norte, o Oiapoque como limite entre a
Guiana e o Brasil. No Sul os espanhóis
devolvem a Colônia do Sacramento aos
portugueses
(1715).
A expansão do território brasileiro
• Mas nem sempre a diplomacia consegue eliminar as
disputas das populações locais e a latência das tensões,
apesar da importância do Tratado de Madri (1750), onde
Alexandre de Gusmão garantiu para Portugal, pelo
princípio do usucapião (Uti Possidetes - a posse pelo
uso), a legalização das incorporações territoriais lusobrasileiras, definindo o atual contorno do Brasil. Por este
tratado, foi assegurada à Espanha a posse da Colônia
do Sacramento, tendo sido garantida para os
portugueses os Sete Povos das Missões.
• A permanência dos conflitos na Região Platina, levam a
alterações em 1761 do Tratado de Madri, com a
assinatura do Tratado de Santo Idelfonso, cujos limites
nunca foram demarcados, arrastando-se até 1801 (após
a Guerra Ibérica entre Portugal e Espanha), quando o
Tratado de Badajós incorpora definitivamente os Sete
Povos das Missões à Portugal.
A administração colonial
•
•
•
Administração Colonial
Para melhor organizar a colônia, o rei resolveu dividir o Brasil em
Capitanias Hereditárias. O território foi dividido em faixas de terras que
foram doadas aos donatários. Estes podiam explorar os recursos da terra,
porém ficavam encarregados de povoar, proteger e estabelecer o cultivo da
cana-de-açúcar. No geral, o sistema de Capitanias Hereditárias fracassou,
em função da grande distância da Metrópole, da falta de recursos e dos
ataques de indígenas e piratas. As capitanias de São Vicente e
Pernambuco foram as únicas que apresentaram resultados satisfatórios,
graças
aos
investimentos
do
rei
e
de
empresários.
Após a tentativa fracassada de estabelecer as Capitanias Hereditárias, a
coroa portuguesa estabeleceu no Brasil o Governo-Geral. Era uma forma
de centralizar e ter mais controle da colônia. O primeiro governador-geral
foi Tomé de Souza, que recebeu do rei a missão de combater os indígenas
rebeldes, aumentar a produção agrícola no Brasil, defender o território e
procurar jazidas de ouro e prata.
Também existiam as Câmaras Municipais que eram órgãos políticos
compostos pelos "homens-bons". Estes eram os ricos proprietários que
definiam os rumos políticos das vilas e cidades. O povo não podia participar
da vida pública nesta fase.
A capital do Brasil neste período foi Salvador, pois a região Nordeste era a
mais
desenvolvida
e
rica
do
país.
A administração colonial
• Quanto à mão-de-obra necessária para o empreendimento,
contava-se com os indígenas e principalmente com os negros
africanos que Portugal há muito escravizava. A instalação da
empresa açucareira no Brasil exigia a aplicação de imensos
capitais para a compra de escravos, o plantio da cana-deaçúcar e a instalação dos Engenhos, onde se moía a cana e se
fabricava o açúcar. Além disso, o transporte e a distribuição do
produto para a Europa, a parte mais lucrativa do
empreendimento, era uma tarefa gigantesca, para a qual
Portugal não tinha recursos suficientes. Os portugueses
associaram-se, então, aos holandeses que, em troca do
financiamento para a instalação da empresa açucareira na
colônia, ficariam com o direito de comercialização do produto
final, o açúcar, na Europa. Dessa forma, foi a Holanda que
financiou a instalação dos engenhos no Brasil. Na colônia,
organizou-se a produção açucareira, sujeita às exigências
metropolitanas de produção de riquezas, num processo de
dependência denominado pacto colonial.
A administração colonial
• A economia colonial
• A base da economia colonial era o Engenho de Açucar.
O senhor de engenho era um fazendeiro proprietário da
unidade de produção de açúcar. Utilizava a mão-de-obra
africana escrava e tinha como objetivo principal a venda
do açúcar para o mercado europeu. Além do açúcar
destacou-se também a produção de tabaco e algodão.
• As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou
seja, eram grandes fazendas produtoras de um único
produto, utilizando mão-de-obra escrava e visando o
comércio exterior.
• O PACTO COLONIAL imposto por Portugal estabelecia
que o Brasil só podia fazer comércio com a metrópole.
SOCIEDADE COLONIAL
A sociedade Colonial
• A sociedade no período do açúcar era marcada pela grande
diferenciação social. No topo da sociedade, com poderes políticos e
econômicos, estavam os senhores de engenho. Abaixo, aparecia
uma camada média formada por trabalhadores livres e funcionários
públicos. E na base da sociedade estavam os escravos de origem
africana.
• Era uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um
grande poder social. As mulheres tinham poucos poderes e
nenhuma participação política, deviam apenas cuidar do lar e dos
filhos.
• A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho.
Nela moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da
casa-grande contrastava com a miséria e péssimas condições de
higiene das senzalas (habitações dos escravos).
SOCIEDADE COLONIAL
• Quanto à mão-de-obra necessária para o empreendimento,
contava-se com os indígenas e principalmente com os negros
africanos que Portugal há muito escravizava. A instalação da
empresa açucareira no Brasil exigia a aplicação de imensos
capitais para a compra de escravos, o plantio da cana-deaçúcar e a instalação dos Engenhos, onde se moía a cana e se
fabricava o açúcar. Além disso, o transporte e a distribuição do
produto para a Europa, a parte mais lucrativa do
empreendimento, era uma tarefa gigantesca, para a qual
Portugal não tinha recursos suficientes. Os portugueses
associaram-se, então, aos holandeses que, em troca do
financiamento para a instalação da empresa açucareira na
colônia, ficariam com o direito de comercialização do produto
final, o açúcar, na Europa. Dessa forma, foi a Holanda que
financiou a instalação dos engenhos no Brasil. Na colônia,
organizou-se a produção açucareira, sujeita às exigências
metropolitanas de produção de riquezas, num processo de
dependência denominado pacto colonial.
SOCIEDADE COLONIAL
• Latifúndio, monocultura e escravidão
• Toda a vida colonial girava em torno das
relações econômicas com a Europa:
buscava-se produzir o que interessava à
metrópole
nas
maiores
quantidades
possíveis
e
pelo
menor
custo.
Assim,
o
cultivo
da
cana-de-açúcar
desenvolveu-se em grandes propriedades,
chamadas
latifúndios,
originadas
das
sesmarias distribuídas pelos donatários e
Governadores
Gerais.
SOCIEDADE COLONIAL
•
•
•
•
Contando com o solo argiloso comum no litoral e nas margens dos
rios, o Nordeste transformou-se no principal pólo açucareiro do
Brasil, tendo à frente as regiões de Pernambuco e Bahia. Nos grandes
engenhos só se plantava cana-de-açúcar, usando-se mão-de-obra
escrava, o que caracterizava como monocultores e escravistas.
No latifúndio, conhecido como engenho, somente uma pequena parte
das terras destinava-se ao cultivo de itens agrícolas para
subsistência, como mandioca, milho, feijão, etc. Constituindo por
extensas áreas desmatadas de florestas, seguidas de plantações de
cana, o engenho tinha como núcleo central a casa-grande, onde
residia o proprietário e sua família e concentrava-se toda a
administração.
Próximo a ela, ficava a capela e, mais distante, situava-se a senzala,
um grande barracão miserável onde se alojavam os escravos. Alguns
engenhos maiores chegaram a possuir centenas de escravos, que
viviam amontoados na senzala. O engenho propriamente dito, onde se
frabricava o açúcar, era composto pela moenda, a casa das caldeiras e
a casa de purgar.
Na moenda, a cana era esmagada, extraindo-se o caldo; na casa das
caldeiras, esse caldo era engrossado ao fogo em grandes tachos;
finalmente, na casa de purgar, o melaço de cana era colocado em
fôrmas de barro para secar e alcançar o "ponto de açúcar".
SOCIEDADE COLONIAL
• Senhores e escravos
• Durante o ciclo da cana-de-açúcar, a
sociedade colonial se definia a partir da
casa-grande e da senzala. Formando o
poderoso
grupo
socio-econômico
da
colônia, havia os brancos colonizadores,
donos dos engenhos, que habitavam as
casas-grandes. O poder dessa aristocracia
canavieira ia além de suas terras,
expandindo-se pelas vilas, dominando as
Câmeras Municipais e a vida colonial.
•
•
•
•
SOCIEDADE
COLONIAL
A autoridade do senhor de casa-grande era absoluta: em família a obediência lhe
era incondicional e o respeito como chefe superior, indiscutível, estando as
mulheres submetidas a um papel subordinado, complementar. A sociedade
açucareira teve, assim, um caráter explicitamente patriarcal.
Os escravos, considerados simples mercadorias, formavam a base econômica
dessa sociedade indígena e, principalmente, negros africanos eram responsáveis
pela quase totalidade dos trabalhos braçais executados na colônia, constituindo
"as mãos e pés do senhor". Os escravos, em sua maioria , trabalhavam de sol a
sol na lavoura e na produção de açúcar, vigiados por um feitor, sofrendo
constantes castigos físicos.
Alguns exerciam trabalhos domésticos na casa-grande como cozinheiras,
arrumadeiras, amas de crianças, moleques de recados, etc. Formando uma
pequena parcela da população, havia os homens livres, plantadores de cana com
poucos recursos, que não possuíam instalações para produzir o açúcar
(engenhos), sendo obrigados a vender a cana a um senhor de engenho.
A essa camada intermediária pertenciam também os feitores, capatazes,
comerciantes, artesãos, padres, militares e funcionários públicos,moradores das
poucas vilas e cidades da época.
SOCIEDADE COLONIAL
• Atividades complementares da economia açucareira
• Embora a economia do período colonial tenha se baseado num
único produto, que concentrava quase completamente o
interesse e as atividades de toda a colônia, havia algumas
atividades secundárias, realizadas para complementar as
necessidades da população. Sendo assim, havia, dentro do
próprio engenho, uma paquena produção de aguardente e
rapadura, utilizada no consumo interno da colônia e também
no
escambo
de
escravos
africanos.
Ao mesmo tempo, iniciou-se a criação do gado que se
desenvolveu no Nordeste, próximo aos engenhos, penetrando
depois no interior. Sendo uma atividade complementar,
importância comercial da criação de gado era muito menor que
a da produção de açúcar. Entretanto, além de servir para mover
as moendas e transportar o açúcar, o gado era fonte de
alimentação e fornecia o couro que era usado na confecção de
roupas, calçados, móveis e outros utensílios. Na criação de
gado, quase não havia escravos, predominando o trabalho
livre, principalmente dos indígenas.
SOCIEDADE COLONIAL
• O gado era criado de forma extensiva, ou seja, solto nas terras,
sempre à procura de melhores pastagens. Dessa forma, o
gado penetrou no interior, alcançado, já no século XVII, o
Maranhão e o Ceará, ao norte, e, mais ao sul, as margens do rio
São Francisco. Originaram-se, assim, diversas fazendas no
interior, o que acabou levando ao desbravamento da atual
região Nordeste. Além da criação e gado, havia o cultivo de
alguns produtos agrícolas complementares, como a mandioca
que constituía a base da alimentação da população colonial,
principalmente dos escravos.
• O fumo ou tabaco era produzido principalmente para ser
trocado por negros escravos na costa africana, onde era muito
valorizado. Sua produção desenvolveu-se mais na Bahia e em
Alagoas. Já o cultivo de algodão desenvolveu-se mais no
Maranhão e visava apenas à produção de tecidos rústicos
usados na confecção das roupas dos escravos, já que, para os
senhores de engenho e suas famílias, as vestimentas vinham
da Europa.
Atividades complementares
Atividades complementares
• As primeiras atividades complementares implementadas
na colônia foram o cultivo da mandioca e atividades
pecuaristas. A mandioca era um item alimentar
primordial entre os colonos, principalmente os escravos.
Sua importância era tamanha que a Coroa Portuguesa
chegou a exigir que parte das terras dos senhores de
engenho fosse destinada a esse tipo de cultura. Muitos
deles não aceitavam perder recursos e mão-de-obra
nesse tipo de atividade, tendo em vista os melhores
lucros
obtidos
na
exploração
açucareira.
Atividades complementares
• A pecuária típica nas regiões nordeste e sul trouxeram o
surgimento de outras classes sociais e a ampliação dos
territórios coloniais. No nordeste, o gado era criado em
regiões fora das áreas de plantação açucareira. Criado
de forma livre, o gado avançou em regiões do
Maranhão, Ceará e ao longo do Rio São Francisco. No
sul, as pradarias gaúchas também propiciaram o
desenvolvimento da atividade pecuarista, que atingiu
seu auge com o comércio do charque destinado às
regiões
mineradoras.
Atividades complementares
• Além de abastecer as populações coloniais, a pecuária também
representou um peculiar instrumento de mobilidade social. Ao
contar com brancos não-proprietários de terras, mestiços e mulatos
a pecuária remunerava-os com parte dos restos das tropas de
gado. De tal maneira podiam usufruir de uma melhor condição
financeira.
Na região do Recôncavo Baiano, o fumo era plantado por pequenos
lavradores que comercializavam a produção obtida com a metrópole
portuguesa. Tal atividade era de suma importância na realização do
escambo entre as tribos africanas que aprisionavam os escravos a
serem comercializados no Brasil. A produção de aguardente e
rapadura foram outras duas atividades que também se
desenvolveram
com
esse
mesmo
intuito.
As reformas Pombalinas
• Durante a segunda metade do
século
XVIII,
a
Coroa
Portuguesa sofreu a influência
dos princípios iluministas com
a chegada de Sebastião José
de Carvalho aos quadros
ministeriais do governo de
Dom José I. Mais conhecido
como Marquês de Pombal,
este
“super-ministro”
teve
como grande preocupação
modernizar a administração
pública de seu país e ampliar
ao
máximo
os
lucros
provenientes da exploração
colonial, principalmente em
relação à colônia brasileira.
As reformas Pombalinas
• Esse tipo de tendência favorável a reformas
administrativas e ao fortalecimento do Estado
monárquico compunha uma tendência política
da época conhecida como “despotismo
esclarecido”. A chegada do esclarecido Marquês
de Pombal pode ser compreendida como uma
conseqüência dos problemas econômicos
vividos por Portugal na época. Nessa época, os
portugueses sofriam com a dependência
econômica em relação à Inglaterra, a perda de
áreas coloniais e a queda da exploração
aurífera
no
Brasil.
As reformas Pombalinas
• Buscando ampliar os lucros retirados da exploração colonial em
terras brasileiras, Pombal resolveu instituir a cobrança anual de
1500 quilos de ouro. Além disso, ele resolveu tirar algumas
atribuições do Conselho Ultramarino e acabou com as capitanias
hereditárias que seriam, a partir de então, diretamente pelo governo
português. Outra importante medida foi a criação de várias
companhias de comércio incumbidas de dar maior fluxo às
transações comerciais entre a colônia e a metrópole.
No plano interno, Marquês de Pombal instituiu uma reforma que
desagradou muitos daqueles que viviam das regalias oferecidas
pela Coroa Portuguesa. O chamado Erário Régio tinha como papel
controlar os gastos do corpo de funcionários reais e, principalmente,
reduzir os seus gastos. Outra importante medida foi incentivar o
desenvolvimento de uma indústria nacional com pretensões de
diminuir
a
dependência
econômica
do
país.
As reformas Pombalinas
• Outra importante medida trazida com a administração de Pombal foi
a expulsão dos jesuítas do Brasil. Essa medida foi tomada com o
objetivo de dar fim às contendas envolvendo os colonos e os
jesuítas. O conflito se desenvolveu em torno da questão da
exploração da mão-de-obra indígena. A falta de escravos negros
fazia com que muitos colonos quisessem apresar e escravizar as
populações indígenas. Os jesuítas se opunham a tal prática, muitas
vezes
apoiando
os
índios
contra
os
colonos.
Vendo os prejuízos trazidos com essa situação, Pombal expulsou
os jesuítas e instituiu o fim da escravidão indígena. As terras que
foram tomadas dos integrantes da Ordem de Jesus foram utilizadas
como zonas de exploração econômica através da venda em leilão
ou da doação das mesmas para outros colonos. Com relação aos
índios, Pombal pretendia utilizá-los como força de trabalho na
colonização
de
outras
terras
do
território.
As reformas Pombalinas
• Mesmo pretendendo trazer diversas melhorias
para a Coroa, Pombal não conseguiu manter-se
no cargo após a morte de Dom José I, em 1777.
Seus opositores o acusaram de autoritarismo e
de trair os interesses do governo português.
Com a saída de Pombal do governo, as
transformações
sugeridas
pelo
ministro
esclarecido encerraram um período de
mudanças que poderiam amenizar o atraso
econômico dos portugueses.
Rebeliões Coloniais e tentativas
emancipacionistas.
Rebeliões Coloniais e tentativas
emancipacionistas.
Entrincheiramento de Iguape
Guerra dos Emboabas
Guerra de Iguape
Guerra dos Mascates
Guerras Guaraníticas
Revolta de Felipe dos Santos
Revolta de Beckman
Inconfidência Mineira
Conjuração Baiana
HISTÓRIA DO BRASIL
Professor
LUCIANO DE PAULA
A expansão territorial
• Durante o século XVI, a colonização portuguesa
no Brasil limitava-se ao litoral brasileiro, região
onde se concentrava os engenhos para a
produção do açúcar, e onde se realizava a
extração
do
pau-brasil.
No século XVII tem início o processo de
expansão territorial, ou seja, a interiorização da
colonização. Contribuíram para este processo a
pecuária, o bandeirantismo, a União Ibérica, as
missões jesuíticas e a mineração.
A expansão territorial
• PECUÁRIA
Atividade econômica inicialmente ligada à atividade
açucareira, o gado expandiu-se em direção ao sertão
nordestino- dada a necessidade de pastagens. Deve-se
recordar que a pecuária era uma atividade
complementar e essencial por ser fonte de alimentação,
força
motriz,
meio
de
transporte.
O gado também era usado para a confecção de
calçados, roupas, móveis e outros utensílios. A pecuária
efetiva a ocupação do Vale do rio São Francisco - o rio
dos currais - e o sertão nordestino.
A expansão territorial
• Com a descoberta do ouro, a região de Minas Gerais passa a
conhecer a criação de gado, para abastecer a enorme concentração
populacional.
Na parte sul da colônia, o Rio Grande do Sul, tem a pecuária
desenvolvida, tendo como principal mercado a região mineradora.
A mão-de-obra da pecuária, como já dissemos, era predominante
livre -a figura do vaqueiro e do tropeiro. No entanto, na região das
minas os rebanhos não eram criados de foram extensiva, ou seja,
soltos nos pastos. Nesta região o gado vivia cercado, sendo
utilizada
a
mão-de-obra
escrava.
Desta forma, a pecuária favoreceu a ocupação do interior brasileiro
e foi uma importante atividade de integração econômica, ao
interligar as diversas regiões.
A expansão territorial
• OS BANDEIRANTES
Fenômeno vinculado a região de São Vicente, onde, diferentemente
das áreas coloniais nordestina, praticava-se uma economia de
subsistência. São Vicente era uma área de muita miséria e pobreza.
A expansão dos bandeirantes foi motivada pela necessidade de
procurar riquezas no interior, tais como metais preciosos e mão-deobra
indígena.
A partir de São Vicente, os colonos iniciam a ocupação do interior
do planalto paulista, sendo esta ocupação marcada pela
predominância de atividades econômicas de subsistência.
A expansão patrocinada pelos bandeirantes pode ser observada
nos chamados "ciclos".
A expansão territorial
• O ciclo de apresamento indígena
Em virtude da pobreza na região e dado o alto preço do escravo africano,
foram organizadas expedições para obtenção de mão-de-obra escrava
indígena, visando atender as necessidades da pequena lavoura paulista e
também
vendê-la
para
regiões
próximas.
Com a ocupação dos holandeses no nordeste brasileiro, a prática de
apresamento indígena aumenta. Isto em virtude da ocupação da região
fornecedora
de
negros
-Angola -pelos mesmos holandeses. A dificuldade de se conseguir mão-deobra africana, leva os grandes proprietários da Bahia a optar pela mão-deobra
escrava
indígena.
Após o fim do domínio espanhol, o tráfico negreiro com a África é
normalizado e a atividade de apresamento entra em decadência.
A expansão territorial
• O ciclo de apresamento indígena
Ao longo deste ciclo, houve um intenso choque do
bandeirantes com os jesuítas, que tinham por
missão a catequização indígena. Os bandeirantes
tinham por alvos preferenciais as missões
jesuíticas. O bandeirante Manuel Preto foi o
responsável pela destruição das missões jesuíticas
de
Guairá,
onde
60.000
indígenas
foram
aprisionados.
A expansão territorial
• O ciclo do sertanismo de contrato
• Bandeirantes eram contratados para recapturar
negros foragidos e que viviam em Quilombos.
Destaque para a expedição do bandeirante
Domingos Jorge Velho, que destruiu o Quilombo
de
Palmares.
As
bandeiras
contribuíram,
de
forma
significativa, para a ocupação e povoamento do
interior do Brasil. Porém, foram responsáveis
pela dizimação de muitos grupos indígenas.
A expansão territorial
• O ciclo do ouro
As expedições destinadas à procura de metais
preciosos tinham apoio da metrópole, principalmente
após o declínio da atividade açucareira nordestina. A
expansão bandeirante desta etapa resultou na
descoberta de ouro na região de Minas Gerais, Mato
Grosso e Goiás. Antônio Rodrigues de Arzão, em 1693,
encontrou ouro em Catagüases
( Minas Gerais ),
Antônio Dias de Oliveira, em 1698 descobriu ouro em
Vila Rica e em 1700, Borba Gato encontrou ouro em
Sabará. Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em
Cuiabá, no ano de 1719 e Bartolomeu Bueno Filho
achou em Goiás, em 1722.
A expansão territorial
• A UNIÃO IBÉRICA (1580/1640)
A União Ibérica favoreceu o processo de
expansão territorial em virtude do fim do Tratado
de Tordesilhas e pela necessidade de expulsão
de estrangeiros que invadiram o Brasil durante
este período. A Espanha sustentava longas
guerras contra a Inglaterra, a França e a
Holanda.
A expansão territorial
• A presença inglesa
• A Inglaterra não reconhecia o Tratado de
Tordesilhas, ocorrendo longas batalhas contra a
Espanha, às quais resultaram na destruição da
Invencível armada espanhola. Com o domínio
espanhol sobre Portugal e as proibições, por
parte dos reis espanhóis, a qualquer comércio
que não fosse ibérico, os ingleses iniciaram uma
série de ataques ao Brasil. O porto de Santos foi
saqueado duas vezes, como também Salvador
e Recife.
A expansão territorial
• AS MISSÕES JESUÍTICAS
Os jesuítas estavam no Brasil para, entre
outras coisas, catequizar os indígenas.
Isto dava nas chamadas missões, que
eram
aldeamentos
indígenas.
Tais
missões localizavam-se, em sua grande
maioria, no interior da colônia.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• O Império no Brasil vai de 1822 a 1889, e o Primeiro
Reinado, compreende o período de 1822 a 1831, nove
anos apenas, o mesmo tempo em que durou o Período
Regencial, que vai de 1931 a 1940
• Durante o Primeiro Reinado, não houve mudanças
significativas na sociedade, nem mesmo na economia,
visto que o ato da Independência do Brasil fora mais um
arranjo político articulado entre D. Pedro I e as classes
poderosas e dominantes da época. Faltava capital, e
predominava
o
sistema
rural,
escravista
e
agroexportador
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• Na sociedade, existia a classe privilegiada, que era a
aristocracia, e os mais pobres, entre eles: brancos,
pobres e mestiços, que viviam na miséria constante e
sem direito ao voto. A política no Brasil, pelo que se
vê, desde aquela época, sempre foi menos afeta aos
menos aquinhoados, e mais vinculada aos interesses
dos
brasileiros
mais
endinheirados.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• Rebeliões Nativistas
• As
rebeliões
(revoltas)
nativistas.
Movimentos caracterizados por rebeldias contra o aumento do
fiscalismo português após a Restauração (1640). Para sair da crise
financeira imposta pelo domínio espanhol, Portugal enrijece o
pactocolonial, com a criação do Conselho Ultramarino. É contra
esta nova política
que os colonos
se posicionam.
Os movimentos nativistas foram de caráter local e não
reivindicavam a independência da colônia. Refletem o conflito entre
os interesses da metrópole - o chamado centralismo - e os
interesses
dos
colonos
o
chamado
localismo.
A Insurreição Pernambucana é tida como a responsável pelo
despertar do sentimento nativista, visto que, ao longo de sua
ocorrência registraram-se divergências entre os colonos e os
interesses da Metrópole.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO (1641)
Movimento onde Amador Bueno da Ribeira foi
aclamado rei de São Paulo. Este fato está
relacionado como uma ameaça aos interesses
espanhóis na região.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• A
REVOLTA
DE
BECKMAN
(1684)
Ocorrida no Maranhão e liderada pelos irmãos
comerciantes, Manuel e Tomás Beckman, contra
a Companhia de Comércio do Maranhão, que
exercia o monopólio do comércio e do tráfico
negreiro. A Companhia não cumpria seus
objetivos, levando os colonos a suprirem a falta
de mão-de-obra escravizando os índios. Isto
gerou um novo conflito, desta vez com a
Companhia de Jesus.
• A GUERRA DOS EMBOABAS ( 1708/1709)
Ocorrida em Minas Gerais, resultado das
rivalidades entre os colonos paulistas e os
"emboabas" - forasteiros que, sob
proteção da metrópole, exerciam o
monopólio
de
diversas
atividades
comerciais.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
•
A GUERRA DOS MASCATES (1710)
•
Desde a expulsão dos holandeses de Pernambuco, a aristocracia rural de
Olinda estava em decadência econômica. No entanto, Olinda continuava a
controlar a capitania de Pernambuco através de sua Câmara Municipal.
Enquanto Olinda passava por uma crise econômica, o povoado de Recife submetido à autoridade da Câmara de Olinda -estava prosperando, graças
ao crescimento da atividade comercial. O comércio era exercido por
portugueses, conhecidos por mascates. Estes emprestavam dinheiro a
juros
aos
proprietários
de
terras
de
Olinda.
Em 1703 o povoado de Recife conquista o direito de vila, tendo sua
autonomia política em relação a Olinda. Não aceitando a nova situação os
proprietários de terras atacaram Recife e destruíram o pelourinho- símbolo
da
autonomia.
Os conflitos estenderam-se até 1711 quando a região foi pacificada e
Recife passou a ser a sede administrativa de Pernambuco.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• A REVOLTA DE VILA RICA (1720)
•
Também conhecida como Revolta de Filipe dos Santos, ocorreu em
Minas Gerais contra o excessivo fiscalismo português, marcado
pelos aumentos dos impostos e pela criação das Casas de
Fundição.
As rebeliões nativistas, como se viu, não defendiam a emancipação
política do Brasil em relação a Portugal. No entanto, ao longo do
século XVIII, motivados pelo desenvolvimento interno da colônia e
por fatores externos, a colônia será palco dos chamados
movimentos emancipacionistas, que tinham como principal meta a
busca da independência.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
• Os movimentos emancipacionistas.
• Foram influenciados pelo desenvolvimento interno da colônia
e por fatores externos, tais como o Iluminismo, com seu ideal
de liberdade, igualdade e fraternidade; a Independência dos
EUA, que servirá de inspiração a toda América colonial; a
Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, e a necessidade
de ampliar mercados consumidores e fornecedores, surgindo
o interesse de acabar com os monopólios; a Revolução
Francesa, que pôs fim ao Antigo Regime e a chamada Era
Napoleônica, período de consolidação dos ideais burgueses.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
•
INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1789)
Movimento que ocorreu em Minas Gerais e teve forte influência do Iluminismo e da independência dos Estados Unidos da
América.
Este movimento separatista está relacionado aos pesados impostos cobrados por Portugal, especialmente a decretação da
derrama.
Os conjuras, em sua maioria, pertenciam a alta sociedade mineira. Entre os mais ativos encontram-se Cláudio Manuel da
Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José Alvarenga, José de Oliveira Rolim e o alferes Joaquim José da Silva Xavier.
Entre os objetivos estabelecidos pelos conjuras estavam a criação de um regime republicano, tendo a Constituição dos
Estados Unidos como modelo, o apoio a industrialização e a adoção de uma nova bandeira, tendo ao centro um triângulo
com os dizeres: Libertas quae sera tamen, quem em latim, significa "Liberdade ainda que tardia". Quanto à questão da
escravidão nada ficou definido.
O movimento ficou apenas nos planos das idéias, pois ele não aconteceu. Alguns de seus participantes denunciou o
movimento, em troca do perdão de seus dívidas.
O governador - visconde de Barbacena - suspendeu a derrama e iniciou a prisão dos conspiradores, que aguardaram o
julgamento na prisão. Apenas Tiradentes assumiu integralmente a responsabilidade pela conspiração, sendo por isto,
condenado à morte no ano de 1792, sendo enforcado no dia 21 de abril, na cidade do Rio de Janeiro.
Outros conspiradores foram condenados ao desterro e Cláudio Manuel da Costa enforcou-se na prisão. Acredita-se que
tenha sido assassinado pelos carcereiros.
• CONJURAÇÃO CARIOCA (1794)
Inspirada pela Revolução Francesa, os conjuras
fundaram a Sociedade
Libertária para
divulgação dos ideais de liberdade. O
movimento não ultrapassou de poucas reuniões
intelectuais, que contavam com a presença de
Manuel Inácio da Silva Alvarenga e Vicente
Gomes.
Foram denunciados e acusados de criticarem a
religião e o governo metropolitano.
Movimentos e tentativas emancipacionistas
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A INCONFIDÊNCIA BAIANA (1798)
No século XVIII, em virtude da decadência da economia açucareira e da transferência da capital da colônia
para o Rio de Janeiro, em 1763, a Bahia passava por uma grave crise econômica, atingindo toda a
população baiana, especialmente as camadas inferiores, constituída por ex-escravos, pequenos artesãos e
mestiços. Contra esta situação haviam manifestações, através de ruaças e motins.
No ano de 1797 é fundada, em Salvador, a primeira loja maçônica do Brasil - Loja dos Cavaleiros da Luz -,
que se propunha a divulgar os "abomináveis princípios franceses"; participavam das reuniões os nomes de
Cipriano Barata e Francisco Muniz Barreto. Os intelectuais contaram com grande apoio de elementos
provenientes das camadas populares, destacando as figuras de João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas
e Luís Gonzaga das Virgens.
A partir de 1798, circulam panfletos dirigidos à população, conclamando a todos a uma revolução e a
proclamação da República Baiense. Os panfletos defendiam a igualdade social, a liberdade de comércio, o
trabalho livre, extinção de todos os privilégios sociais e preconceito de cor.
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Este movimento apresenta um forte caráter social popular, sendo por isto também conhecido como a
"Conjuração dos alfaiates".
O Estado português no Brasil.
No ano de 1808, a família real portuguesa chega ao Brasil, inaugurando uma nova era políticaadministrativa na colônia e abrindo caminho para a ruptura definitiva dos laços entre metrópole e colônia.
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História - Luciano de Paula