UESB CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUIMICA DE FARINHA DE BATATA-DOCE PARA PRODUTOS DE PANIFICAÇÃO RAVI GOMES VIEIRA E SILVA 2010 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA RAVI GOMES VIEIRA E SILVA CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUIMICA DE FARINHA DE BATATA-DOCE PARA PRODUTOS DE PANIFICAÇÃO. Dissertação apresentada à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação de mestrado em Engenharia de Alimentos, Área de Concentração em Engenharia de Processos de Alimentos, para obtenção do título de mestre. Orientadora: Profª. DSc. Tiyoko Nair Hojo Rebouças ITAPETINGA BAHIA, BRASIL 2010 S583c Silva, Ravi Gomes Vieira. Caracterização físico-química de farinha de batata-doce para produtos de panificação / Ravi Gomes Vieira e Silva, 2010. 71 f.: il. Orientador (a): Tiyoko Nair Hojo Rebouças. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Programa de Pós-graduação em Engenharia de Alimentos. Referências: f . 60-64. 1. Batata-doce - Produção. 2. Batata-doce – Composição físico-química. 3. Engenharia de Alimentos – Tese. I. Rebouças, Tiyoko Nair Hojo. II. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Programa de Pós-graduação em Engenharia de Alimentos. III. T. CDD: 633.4 Cristiane Cardoso Sousa / Ciência da Informação - UESB UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE ALIMENTOS Área de Concentração: Engenharia de Processos de Alimentos Campus de Itapetinga-BA DECLARAÇÃO DE APROVAÇÃO Título: “Caracterização Físico-química de Farinha de Batata-doce para Produtos de Panificação”. Autor: RAVI GOMES VIEIRA E SILVA Orientador (a): Profª. Drª. Tiyoko Nair Hojo Rebouças Aprovada como parte das exigências para obtenção do Título de MESTRE EM ENGENHARIA DE ALIMENTOS, ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ENGENHARIA DE PROCESSOS DE ALIMENTOS, pela banca examinadora. _____________________________________________ Profª Tiyoko Nair Hojo Rebouças, DSc., UESB _____________________________________________ Renata Cristina Ferreira Bonomo, DSc., UESB _____________________________________________ Roseanne Porto Dantas DSc., UFBA Data da realização: Abril 2010. Praça primavera, Nº 40, Bairro Primavera – Telefone: (77) 3261-8629 – Fax (77) 3261-8710 Itapetinga – BA CEP: 45.700.000 – e-mail: [email protected] Ofereço, A Deus, por ter me concedido a oportunidade de continuar caminhando na terra e adquirindo conhecimentos para meu engrandecimento moral, espiritual e intelectual. Dedico Aos meus familiares, Mainha e minha irmã Cleinha, que junto comigo cortaram batatas. Ao meu pai, tios, primos, amigos e minha namorada que me auxiliaram em todos os momentos tendo paciência e me encorajando. AGRADECIMENTOS À Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, pela oportunidade de adquirir conhecimentos relevantes a minha vida; À minha orientadora Profª DSc. Tiyoko Nair Hojo Rebouças, por sua orientação, apoio, esclarecimentos e praticidade que me auxilou na concretização deste trabalho; À Coordenação do programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos, por sua organização e oportunidade concedida; Aos professores DSc. Abel Rebouças São José e DSc. Arienilmar Araújo Lopes da Silva pelos ensinamentos; Aos professores do Programa de Mestrado em Engenharia de Alimentos por transmitirem seus conhecimentos; Ao professor DSc. Mauro Figueiredo por permitir o uso do Laboratório para a realização das análises; Aos colegas de turma e novos amigos Nivaldo, Helmo que se fizeram presentes nessa caminhada; Aos demais colegas do curso, por nossa convivência; Aos colegas da Biofábrica Wedisson e Carol por ajudar na execução do experimento; Aos amigos do Laboratório de nutrição animal da UESB, João, Padre, Pedro, Yan, Vera, Fabio e Fernando; A todos os familiares, presentes e distantes, que contribuíram na realização deste ideal; A todos que direta ou indiretamente contribuíram para meu sucesso. “A melhor forma para ser escutado é de fazer cada ser um auditório completo e do auditório inteiro, um único ser” Malcolm X RESUMO SILVA, R. G. V. Caracterização físico-quimica de farinha de Batata-doce para produtos de panificação. Vitória da Conquista – Bahia: UESB, 2010. 77p. (Dissertação – Mestrado em Engenharia de Alimentos – Engenharia de Processos)¹. Objetivou-se no presente estudo a obtenção da farinha de dois cultivares de batata-doce (Ipomea batatas L), Brazlândia branca e Brazlândia rosa sua caracterização físico-química e utilização para a confecção de bolos e biscoitos. Para obtenção da farinha, os tubérculos foram lavados, secos, cortados, imersos em bissulfito de sódio, desidratados e triturados, sendo em seguida, feitas as seguintes determinações: umidade, extrato etéreo, proteína bruta, fibra bruta, cinza, fração glicídica, pH, rendimento. Os bolos e biscoitos foram confeccionados com as proporções de 0, 25, 50 e 100% das farinhas de ambas as cultivares. Os resultados indicaram que as duas cultivares são viáveis para o processo de obtenção de farinha de batata-doce, tendo em vista que apresenta teor de amido, umidade e fibras. O pH e o rendimento estão compatíveis com outras farinhas. Palavras-chave: Ipomea batatas, composição, farinha, utilização,. __________________________________ ¹ Orientadora: Tiyoko Nair Hojo Rebouças, D.Sc., UESB/DFZ ABSTRACT SILVA, R. G.V. Physico-chemical quality and replacement of sweet potato’s flour for bakery products. Vitória da Conquista - Bahia: UESB, 2010. 77p. (Dissertation - Master in Food Engineering - Process Engineering)². This study aimed to obtain flour from two cultivars of sweet potato (Ipomea batatas L.), white Brazlândia and pink Brazlândia, its physicochemical characterization and use for making cakes and biscuits. To obtain flour, the tubers were washed, dried, sliced, dipped in sodium bisulfite, dried and crushed, and then made the following determinations: moisture, ether extract, crude protein, crude fiber, ash, fractional glucose, pH , progress. The cakes and cookies were made with the proportions of 0, 25, 50 and 100% of the flour from both culivars. The results indicated that both cultivars are feasible for the obtaining process of getting sweet potato’s flour, with a view that has a starch content, moisture, fiber .The pH and the progress are compatible with other flours. Keywords: Ipomea batatas L. composition flour, cultivars, process, utilization _________________________________ ² Adviser: Tiyoko Nair Hojo Rebouças, D.Sc., UESB/DFZ LISTA DE TABELAS Tabela 1. Custo Operacional Efetivo (COE) e Encargos Administrativos (CEA), na podução de 1,0 ha de batata-doce, em perímetros irrigados de Itabaiana, Sergipe. Safra 2004/2005........................ Tabela 2. Receitas obtidas no cultivo de 1,0 ha de batata-doce, nos perímetros irrigados de Itabaiana, Sergipe. Safra 2004/2005...... Tabela 3. Composição química de 100g de raiz de batata-doce crua......... Tabela 4. Valores médios do teor de matéria seca na farinha dos cultivares de batata-doce Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010....................................... Tabela 5. Valores médios de matéria seca em %, na farinha dos cultivares de batata-doce Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010...................................... Tabela 6. Valores médios do Extrato etéreo (lipídios) da farinha de batata-doce Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.................................................. Tabela 7. Valores médios do Extrato etéreo em (%) na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.......... Tabela 8. Valor médio de Proteína em (%) na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. . UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.......................... Tabela 9. Valor médio do FDN (fibras em detergente neutro) em gramas na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010................................................................... Tabela 10. Valores médios em % da fibra bruta em FDN na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.......... Tabela 11. Valor médio do FDA (fibras em detergente ácido) em gramas na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010................................................................... Tabela 12 Valores médios em % da fibra bruta em FDA na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.......... Tabela 13. Valores médios em % da cinza da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.............................................................. Tabela 14 Valores médios do pH da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010................................................................... Tabela15 Valores médios do rendimento em % da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010.................................................. 21 22 22 52 52 53 54 55 56 56 57 57 58 59 60 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Figura 2. Figura 3. Figura 4. Figura 5. Figura 6. Figura 7. Figura 8. Figura 9. Figura 10. Figura 11. Figura 12. Figura 13. Figura 14. Figura 15. Figura 16. Figura 17. Figura 18 Figura 19. Figura 20. Área cultivada com batata-doce no Brasil, no período de 1970 a 2000................................................................................................ Fluxograma do processamento da farinha de batata-doce............. Biofábrica pesquisa e produção de microrganismo........................ Brazlândia Branca........................................................................... Brazlândia Rosa............................................................................ Amostra 01 batata-doce Cultivar Brazlândia Branca...................... Amostra 02 batata-doce Cultivar Brazlândia Rosa......................... Lavagem dos tubérculos em água corrente.................................... Pesagem de raiz tuberosa de batata doce..................................... Descascamento da batata doce manualmente............................... Estufa Nova Ética – utilizada no experimento................................. Batata-doce pós-secagem (chips).................................................. Armazenamento dos Chips............................................................. Farinha da cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa,....... Laboratório de Nutrição animal – UESB......................................... Extração dos lipídios .................................................................. Destilador de Nitrogênio.................................................................. Biodigestor com amostras em fervura............................................ Fluxograma dos procedimentos para determinação do FDN......... Fluxograma dos procedimentos para determinação do FDA.......... 18 25 36 37 37 38 39 40 40 41 42 43 44 44 45 46 47 48 49 50 LISTA DE ABREVIATURAS ANVISA AOAC ASA ASE CEA COE COT COHIDRO CTA DSc EMBRAPA FAO FDA FDN Ha IBGE MAPA pH PPM RDC RT T UESB SEAGRI SBRT Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Association of Official Agricultural Chemists. Amostra Seca ao Ar. Amostra Seca em Estufa Custo de Encargos Administrativos. Custo Operacional Efetivo. Custo Operacional Total. Companhia de Recursos Hídricos do Estado de Sergipe. Centro Técnico de Cooperação Agrícola e Rural. Doutor. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Food and Agriculture Organization. Fibra em Detergente Àcido. Fibra em Detergente Neutro. Hectare Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Potencial Hidrogênionico. parte por Milhão Resolução de Diretoria Colegiada Receita Total. Tonelada Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Secretaria de Agricultura. Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas SÚMARIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 15 2 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................. 2.1 Taxonomia da batata-doce....................................................................... 2.2 Importância socioeconômica da batata-doce......................................... 2.3 Custos e rentabilidade da produção de batata-doce............................. 2.4 Composição nutricional da batata-doce................................................. 2.5 Fabricação da farinha de batata-doce .................................................... 2.5.1 Fluxo de processamento........................................................................ 2.5.2 Descrição do fluxo de processamento da farinha de batatadoce................................................................................................................... 2.5.2.1 Recepção dos tubérculos...................................................................... 2.5.2.2 Seleção dos tubérculos......................................................................... 2.5.2.3 Lavagem da batata-doce....................................................................... 2.5.2.4 Escorrimento.......................................................................................... 2.5.2.5 Descascamento..................................................................................... 2.5.2.6 Corte das batatas.................................................................................. 2.5.2.7 Secagem................................................................................................ 2.5.2.8 Moagem................................................................................................. 2.5.2.9 Empacotamento e armazenamento....................................................... 2.6 Aspectos higiênicos-sanitários na produção da farinha de batatadoce................................................................................................................... 2.7 Utilização da batata-doce.......................................................................... 2.8 Efeito da substituição por farinha de batata-doce................................. 2.9 Avaliação físico-química de farinha de batata-doce.............................. 17 17 17 20 22 23 24 24 24 24 26 26 26 26 26 27 27 27 28 30 31 3. OBJETIVOS.................................................................................................. 3.1 Objetivo geral............................................................................................ 3.2 Objetivos específicos................................................................................ 36 36 36 4. MATERIAL E MÉTODOS.............................................................................. 4.1 Localização e período da pesquisa......................................................... 4.2 Cultivares analisados................................................................................ 4.2.1 Brazlândia Branca.................................................................................... 4.2.2 Brazlnândia Rosa..................................................................................... 4.3 Delineamento experimental e Análise estatística................................. 4.4 Matéria-prima............................................................................................. 4.5 Seleção dos tubérculos............................................................................. 4.6 Lavagem..................................................................................................... 4.7 Pesagem..................................................................................................... 4.8 Descascamento......................................................................................... 36 36 36 36 37 38 38 39 39 40 41 4.9 Corte............................................................................................................ 4.10Secagem.................................................................................................... 4.11 Armazenamento....................................................................................... 4.12 Produção da farinha................................................................................ 4.13 Analises físico-quimicas........................................................................ 4.13.1 Matéria seca........................................................................................... 4.13.2 Extrato etéreo......................................................................................... 4.13.3 Proteína bruta......................................................................................... 4.13.4 Fibra bruta.............................................................................................. 4.13.4.1 Fibra em detergente neutro – FDN..................................................... 4.13.4.2 Fibra em detergente ácido – FDA....................................................... 4.13.5 Cinza....................................................................................................... 4.13.6 Fração glicídica...................................................................................... 4.13.7 pH........................................................................................................... 4.13.8 Rendimento............................................................................................ 4.14 Confecção de biscoitos e bolos........................................................... 41 42 43 44 45 45 46 47 47 48 49 49 50 51 51 51 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................... 52 6. CONCLUSÕES.............................................................................................. 61 REFERÊNCIAS................................................................................................. 62 ANEXO.............................................................................................................. 66 1. INTRODUÇÃO A Batata doce (Ipomea batatas L.) é uma hortaliça que apresenta um elevado grau de rusticidade e uma gama de potencialidade para seu uso, sendo uma espécie de interesse econômico principalmente, para países em desenvolvimento e com escassez de alimentos para a população (FIGUEIREDO, 1995). Cultivada em 111 países, sendo que aproximadamente 90% da produção mundial é obtida do continente Asiático, apenas 5% na África e 5% no restante do mundo. Apenas 2% da produção estão em países industrializados como os Estados Unidos e Japão. A China é o país que mais produz batata-doce com 100 milhões de toneladas (WOOLFE, 1992). O potencial de produção da batata doce é alto, por ser uma das plantas com maior capacidade de produzir energia por unidade de área e tempo (Kcal.ha¹.dia¹). As ramas e raízes tuberosas são largamente utilizadas na alimentação humana, animal e como matéria-prima nas indústrias de alimento, tecido, papel, cosméticos, na preparação de adesivos e álcool carburante. A batata doce é uma cultura que apresenta uma boa perspectiva de abrangência de mercado, mas ainda é uma cultura de subsistência, tendo sua maior parcela de produção a nível nacional, proveniente da agricultora familiar. E grande parte do seu cultivo ainda é feito de forma empírica onde fica evidenciada a carência de orientação profissional do conhecimento técnico-científico até o agricultor. O Brasil tem a região Sul como maior produtora, colocando no mercado em torno de 251.219 t.ano¹, seguida da região Nordeste com produção média de 158.474 t.ano¹ e o estado da Bahia produzindo 19.072 t.ano¹ (IBGE, 2002). A maior parte de sua comercialização é realizada por meio de agentes intermediários que dá resultado numa menor margem de lucro para os agricultores e com isso desestimulando seu plantio. Para que o agricultor seja menos penalizado uma das alternativas é agregar valor ao produto, industrializando a matéria-prima, com medidas pouco dispendiosas e simples que resultem num maior beneficio financeiro e conseqüentemente uma melhoria do ponto de vista social, proporcionando uma qualidade de vida mais digna aos agricultores familiares de batata-doce. Batista (2006) comenta que os agricultores familiares tem percebido que a comercialização de produtos in-natura não é suficiente para a sustentação das atividades da produção agropecuária. Assim, tem buscado agregar valor e renda à produção de alimentos através da oferta de um produto não processado, intrinsecamente diferenciado ou usando vantagens da prática do processamento agroindustrial da produção. Nesse contexto, visando à obtenção de um maior volume de informações técnicas e cientificas para o desenvolvimento desse ramo da agricultura e da indústria de alimentos este trabalho objetivou realizar uma comparação entre dois cultivares de batata-doce a Brazlândia Branca e a Brazlândia Rosa em relação à qualidade de suas farinhas, analisando suas características físico-químicas. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Taxonomia da batata-doce A batata-doce é uma planta dicotiledônea pertencente à família botânica Convolvulaceae, gênero Ipomoea e espécie Ipomoea batatas Lam (SCHULTZ, 1968). Agrupa, aproximadamente, 50 gêneros e mais de 1.000 espécies e dentre todas essas espécies, somente a batata-doce tem cultivo de expressão econômico (EDMOND, 1971). Originária da América Central e do Sul é encontrada desde a Península de Yucatam, no México, até a Colômbia. Relatos do seu uso remontam a períodos anteriores a dez mil anos, com base em análise de batatas secas encontradas em cavernas localizadas no vale de Chilca Canyon, no Peru e em evidências contidas em escritos arqueológicos encontrados na região ocupada pelos Maias na América Central (EMBRAPA, 2007). A batata-doce possui dois tipos de raiz: a de reserva ou tuberosa, que constitui a principal parte de interesse comercial, e a raiz responsável pela absorção de água e extração de nutrientes do solo. As raízes tuberosas se formam desde o início do desenvolvimento da planta, sendo facilmente identificadas pela maior espessura, pela pouca presença de raízes secundárias e por se originarem dos “nós”. As raízes absorventes se formam a partir do meristema cambial, tanto nos “nós”, quanto nos entrenós. São abundantes e altamente ramificadas, o que favorece a absorção de nutrientes (MIRANDA, 1987). 2.2 Importância sócio-econômica da batata-doce A batata doce é uma planta de grande importância sócio-econômica, participando do suprimento de calorias, vitaminas e minerais na alimentação sendo um alimento amplamente difundido devido a sua facilidade de cultivo, rusticidade e ampla adaptação. Miranda (1987) relata que no Brasil, a cultura apresenta custos de produção relativamente pequenos, com baixos níveis de investimentos, e de retorno econômico elevado. Em contrapartida a cultura geralmente utiliza tecnologia de produção e orientação técnica inadequadas, resultando em baixos índices de qualidade e de produtividade que poderiam ser melhorados. Apesar da grande decadência (Figura 1), verifica-se pelos dados estatísticos que a batata-doce ainda detém o sexto lugar entre as hortaliças mais plantadas no Brasil, correspondendo à produção anual de 533.000 toneladas, obtidas em uma área estimada de 46.000 ha. (IBGE, 2006). Em nosso País, a cultura da batata-doce tem sido cultivada, ao longo do tempo, de maneira empírica pelas famílias rurais da Região Nordeste do País, e também em outras localidades. Cultivada em conjunto com diversas outras culturas, visa à alimentação das famílias, principalmente na primeira refeição diária, sendo utilizada na forma de raízes cozidas, assadas ou fritas. Com o crescente êxodo rural, grande parte do consumo de batata-doce foi substituída por produtos de mais fácil preparo e maior atratividade (SILVA et, al. 2005). Figura 1. Área cultivada com batata-doce no Brasil, no período de 1970 a 2000 No contexto mundial, os maiores produtores são a China, Indonésia, Índia e Japão, sendo que a China destaca-se como maior produtor, atingindo 100 milhões de toneladas por ano. No Continente Latino-Americano, o Brasil surge como o principal produtor, contribuindo com 500 mil toneladas anuais (AGRIANUAL, 2004). Os maiores produtores nacionais são os estados do Rio Grande do Sul, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Bahia, Rio Grande do Norte e Paraná com o rendimento nacional atingido 11,51 ton.ha¹. (MIRANDA, 1995). Comparada com culturas como arroz, banana, milho e sorgo, a batatadoce é mais eficiente em quantidade de energia líquida produzida por unidade de área e por unidade de tempo. Isso ocorre porque produz grande volume de raízes em um ciclo relativamente curto, a um custo baixo, durante o ano inteiro. Em termos de volume de produção mundial, a cultura ocupa o sétimo lugar, mas é a décima quinta em valor de produção o que indica ser universalmente uma cultura de baixo custo de produção (EMBRAPA, 2004). Dentre as hortaliças, a batata-doce representa uma boa alternativa de renda, especialmente pelo baixo custo de produção e por apresentar um ciclo de 90 a 120 dias, o qual propicia fluxo regular de capital na produção (COHIDRO, 2004). A capacidade da batata-doce para o uso da água eficientemente, permite sua exploração em zonas de estação seca prolongada, como algumas regiões do Norte, Nordeste do Brasil e em outros continentes, como a África. Além disso, a sua adaptação aos solos de baixa fertilidade permite a conversão eficiente de energia solar (que é abundante nos trópicos) em carboidratos, sem competir com outras culturas que demandam em quantidade maior de nutrientes do solo (MAGALI, 2004). Se bem manejada, a cultura pode aumentar o rendimento. Em outras palavras, a relativa versatilidade de ser colhida em períodos de 4 a 5 meses de idade, permite aos produtores melhor aproveitar as oportunidades de mercado e em função da demanda, fazer ajustes alternativos dentro das unidades de produção (SOUZA et al, 2005). Apesar do reconhecimento unânime do valor da cultura na estratégia de segurança alimentar, as produções obtidas pelos produtores são baixas, estando associadas a diversos fatores do sistema produtivo, entre os quais: solos de baixa fertilidade, manejo inadequado dos solos e principalmente, ausência ou deficiência de adubação no cultivo, motivada pelos altos custos desse insumo e a descapitalização progressiva dos agricultores. Por isso, tem uma das mais baixas produtividades do Brasil, 9,030 t.ha¹. Esse fato é um reflexo da ausência de tecnologia, informações e conhecimentos adequados (IBGE, 2006). 2.3 Custos e rentabilidade da produção de Batata-doce. A cultura da batata-doce se mostra uma atividade de retorno financeiro devido à simplicidade de cultivo e custos operacionais que em alguns aspectos não exige a mesma sofisticação e grande avanço tecnológico para seu desenvolvimento. Melo (2009), realizou o estudo sobre custos e rentabilidade da batata-doce irrigada na região de Itabaiana-SE (Tabela 1). Segundo Melo (2009), a cultura se mostrou rentável obtendo um lucro no período decorrido de doze meses, contando com três ciclos da cultura. Obtendo uma margem liquida de lucro de R$ 9,540, 87 por hectare de cultivo. Tendo como receita mensal a remuneração de R$ 795,07. Para a cultura da batata-doce, a Secretaria de agricultura do estado do Ceará (SEAGRI-CE) em 2005 realizou um levantamento de custo de produção entre os agricultores, relatando que o custo operacional efetivo (COE) representou 73,2% do custo operacional total (COT), sendo que os custos com mão-de-obra representaram 31,66% do custo de produção. Já os rendimentos segundo Melo (2009), apresentou rendimentos significativos que comprovam o cultivo da batata-doce uma atividade rentável, sendo viável economicamente mesmo em regime de irrigação (Tabela 2). A cultura da bata-doce promove ocupação do homem no meio rural e permite uma boa rentabilidade do capital investido após 3 ciclos da cultura, que equivale a um período de 12 meses. Tabela 1. Custo operacional efetivo (COE) e encargos administrativos (CEA), na produção de 1,0 ha de batata-doce, em perímetros irrigados de Itabaiana, Sergipe. Safra 2004/2005. Mão de obra Especificações Unid. Quant. V. Unita Valor total %(COE) (R$) 1-Operações Coleta e Sel. Mudas Enleiramento Adubação de plantio Plantio Capina Manual (2x) Adub, Cobertura. (3x) Aplic. Defensivos (2x) Manejo de Irrigação Colheita Manual 2- Insumos/Irrigação 1.464,00 H/d H/d H/d H/d H/d H/d H/d H/d H/d 5 14 4 12 18 12 6 6 45 12 12 12 12 12 12 12 12 12 60,00 168,00 48,00 144,00 216,00 144,00 72,00 72,00 540,00 39,26 1,61 4,51 1,29 3,86 5,79 3,86 1,93 1,93 14,48 60,74% Água m³ 5,000 0,025 125,00 3,35 Ramas Ud 4,000 - - - Torta de mamona T 3,33 400 1.320,00 35,40 Adubo orgânico T 2,97 100 297,00 7,97 Inseticida/Fungicida L 0,6 30 30,00 0,80 Adubo químico SC 5 45 222,75 5,97 Embalagem (sacos) ud 1,000 0,27 270,00 7,24 Custo operacional efetivo (01 ciclo produtivo) 3.728,75 Custo operacional efetivo (03 ciclos produtivos = 1 ano) 11.186,25 Itens Base de Cálculos Remuneração do capital 8.16% a.a (1/2 COE) Valor (R$) 456,39 Remuneração da terra R$ 800,00 ha¹ 800,00 Encargos sociais/ INSS 35% (oper. Mão de obra) 512,40 Taxa de administração 5% (COE) 559,31 10% (2.900,00 – ha) 290,00 Depreciação/Equip. Irriga. Custos de encargos administrativos (03 ciclos) Total de Custos (COT = COE + CEA) Fonte: Melo A.S, 2009 2.618,30 13.804,55 Tabela 2. Receitas obtidas no cultivo de 1,0 ha¹ de batata-doce, no perímetro irrigado de Itabaiana, Sergipe. Safra 2004/2005. Origem da receita Quantidade (t) Valor por t (R$) Total (R$) Tubérculos 17,82 488,88 8.712,00 Total (RT) - - 8.712,00 Receita total (03 ciclos produtivos = 1 ano) 26.136,00 Fonte: Melo, A.S. 2000 2.4 Composição nutricional da batata-doce. A batata-doce participa do suprimento de calorias, vitaminas e minerais na alimentação humana. As raízes apresentam teor de carboidratos variando entre 25% a 30%, dos quais 98% são facilmente digestíveis. Também são excelentes fontes de carotenóides, vitaminas do complexo B, potássio, ferro e cálcio. Suas raízes são tuberosas e variam de forma, tamanho e coloração, conforme a cultivar e o meio ambiente em que são produzidas. (Tabela 3). Aliado ao suprimento de vitaminas, principalmente as do grupo A e B, torna-se um importante complemento alimentar para famílias de baixa renda, quando se compara com a composição do arroz, que é a base alimentar dessa classe social. Tabela 3. Composição nutricional de 100g de raiz de batata-doce crua Componentes Quantidade Água Calorias Fibras digeríveis Potássio Sódio Magnésio Zinco Cobre Vitamina A – Retinol Vitamina B – Tiamina Vitamina B2 Riboflavina Vitamina C – Ácido ascórbico Vitamina B5 - Niacina Fonte: Luengo et. al, 2000 75,8(g) 102Kcal 1,1(g) 295(mg) 43(mg) 10(mg) 0,35(mg) 0,28(mg) 0,2(mg) 300(mg) 96(mg) 55(mg) 30(mg) 2.5 Fabricação de farinha de batata-doce. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 1995) define farinha como o produto obtido das raízes de tubérculos submetidas a processos tecnológicos adequados de fabricação e beneficiamento, classificando-a em grupo, subgrupo, classe, e tipo, de acordo com o processo tecnológico de fabricação utilizado, sua granulometria, sua coloração e sua qualidade respectivamente. Especificamente para a farinha de batata-doce não existe legislação referente quanto à classificação de acordo ao processo tecnológico de fabricação, granulometria, cor e qualidade. Para a sua produção o roteiro estabelecido é a legislação de fabricação de alimentos estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que coordena, supervisiona e controla as atividades de registro, informações, inspeção, controle de riscos e estabelecimento de normas e padrões para a produção de alimentos. À semelhança do que se faz com mandioca, a batata-doce pode ser transformada em amido ou farinha, utilizando praticamente o mesmo processamento e com a mesma destinação. Na indústria de alimentos, a principal utilização da batata-doce é na fabricação de doce em pasta ou cristalizado, confeccionados basicamente com polpa de batata-doce, açúcar e geleificante. Entretanto a indústria de doces não é uma grande consumidora do produto, pois com um quilograma de polpa se produz dois quilogramas de doce, portanto a produção em um hectare da cultura pode ser transformada em cerca de quarenta toneladas de doce (MOYER, 1985). Para a fabricação de uma farinha de qualidade, o fabricante ou produtor necessita observar os procedimentos recomendados para o processamento de alimentos: localização adequada da unidade de processamento, utilização de medidas rigorosas de higiene dos trabalhadores na atividade; limpeza diária das instalações e equipamentos; matéria-prima de boa qualidade; tecnologia de processamento, embalagem e armazenagem adequadas. 2.5.1 Fluxo de processamento O processo de produção de farinha de batata-doce compreende basicamente as mesmas operações para as indústrias de diferentes escalas. Essas etapas são apresentadas no fluxograma da Figura 2. Segundo Loures (1989) instalações de fábricas de farinha de médio e pequeno porte podem ser localizadas próximas às fontes de alimento in natura a fim de estimular a agricultura, implantar novas indústrias alimentícias e favorecer criação de novos empregos, promovendo assim o aumento de renda per capita. 2.5.2 Descrição do Fluxo de processamento da farinha de batata-doce 2.5.2.1 Recepção dos tubérculos As raízes devem ser recepcionadas numa área externa da fabrica de farinha. Neste local são pesadas e descarregadas. Segundo Folegatti et al. (2005), o descarregamento comumente provoca danos físicos nas raízes, o que acelera sua deterioração. Portanto o planejamento do fluxo de chegada e processamento das raízes é fundamental para evitar o uso de raízes já deterioradas. 2.5.2.2 Seleção dos tubérculos As raízes devem ser escolhidas visualmente de acordo com condições sensoriais (cor e aroma). Devem estar intactas e maduras. Sem apresentar podridões ou pontuações negras. O que ocasiona um sabor amargo a farinha. A seleção se faz necessária para eliminar material residual que acompanha os tubérculos. Recepção Seleção dos Tubérculos Lavagem Escorrimento Descascamento Corte Secagem Moagem Empacotamento/ Armazenamento Figura 2. Fluxograma do processamento da farinha de batata-doce 2.5.2.3 Lavagem da batata-doce As batatas doces devem ser lavadas com água limpa, em tanques ou baldes mudando-se a água sempre que necessário. Essa primeira lavagem é importante para eliminar o material mais grosseiro aderido à batata proveniente do campo. 2.5.2.4 Escorrimento As batatas devem ser colocadas em uma superfície limpa e seca se possível em uma armação elevada com a superfície perfurada, para servir de escorredor. É importante o escorrimento para diminuir o tempo de secagem e a economia de energia utilizada para retirar a umidade do alimento (CTA, 2008). 2.5.2.5 Descascamento As cascas devem ser retiradas para evitar alteração de sabor na farinha como também diagnóstico da condição interna da batata. 2.5.2.6 Corte das batatas As batatas devem ser cortadas em rodelas finas, com tamanho uniforme de 3 mm de espessura para que o processo de secagem seja mais eficiente. 2.5.2.7 Secagem As batatas devem ser espalhadas uniformemente, para facilitar o processo de secagem podendo ser realizada com o uso de estufas, secadores solares ou convencionais de lenha. A secagem em estufa é o método mais utilizado em alimentos e está baseado na remoção da água por aquecimento, onde o ar quente é absorvido por uma camada muito fina do alimento e é então conduzido para o interior por condução de calor. Como a condutividade térmica dos alimentos é geralmente baixa, costuma levar muito tempo para o calor atingir as porções mais internas do alimento. Por isso, este método costuma levar muitas horas a depender do tipo de alimento (CTA, 2008). Se a secagem for realizada ao ar livre deve-se cobrir as batatas com um pano para manter afastados os insetos e pássaros. O tempo de secagem varia de acordo ao método utilizado (CTA, 2008). A secagem persiste por um período de 6 a 8 horas em forno convencional. 2.5.2.8 Moagem O Material seco é moído em um moinho ou processador. 2.5.2.9 Empacotamento e armazenamento A farinha pode ser empacotada em sacos de polietileno resistentes de cor negra para proteção do produto contra a luz. Também podem ser acondicionado em vasilhames de plástico ou vidro. Durante o armazenamento, parte do amido se converte em açúcares solúveis, atingindo de 13,4 a 29,2% de amido e de 4,8 a 7,8 % de açucares totais redutores (MIRANDA, 1995). Os produtos devem ser armazenados em locais secos e frescos, de preferência sobre suportes ou superfícies elevadas. Podendo a farinha ser conservada por seis meses ou mais. (CTA, 2008) 2.6 Aspectos higiênico-sanitários na produção da farinha de batata-doce Várias abordagens podem ser feitas em relação aos aspectos higiênicos sanitários relacionados à produção de farinha. A qualidade do produto a ser processado começa no campo, resultado em parte de um bom manejo das culturas agrícolas, entretanto, muitas ações visando o processamento de alimentos não são realizadas de forma planejada e baseadas nas normas vigentes, sejam elas no campo administrativo ou da segurança alimentar (OLIVEIRA, 2008). Para Paiva (1991), a tecnologia de fabricação de farinha é simples, mas exige alguns cuidados no seu desenvolvimento, tais como seleção de matéria- prima adequada, higiene e cuidados durante o processo de fabricação, a fim de garantir qualidade ao produto final. Importante ressaltar que a qualidade do produto depende de fatores que garantem a elaboração dos mesmos, tomando-se os cuidados necessários em todas as etapas de produção. Segundo a resolução RDC nº 12 de 02 janeiro de 2001, que dispõe sobre os padrões microbiológicos para alimentos, as contaminações microbiológicas podem ocorrer em todas as etapas pelas quais passam os produtos agrícolas, desde a colheita até o processamento, embalagem transporte, estocagem e por diversos meios, como solo, água, o ar, as diversas formas de contato físicos, mecânicos ou manuais. No entanto o desenvolvimento microbiano depende do substrato que constitui o alimento, ou seja, das condições de desenvolvimento biológico que o produto oferece diretamente relacionado à disponibilidade de água, que é um fator inerente a todas as reações metabólicas. 2.7 Utilização da batata-doce No Brasil, o consumo fica restrito basicamente ao consumo direto e sua industrialização é rudimentar, sendo que o produto mais conhecido no País é o doce em pasta "marrom-glacê". Considerando sua composição nutricional e o potencial agrícola, a batata doce pode ser usada como matéria-prima para obtenção de produtos industrializados de maior valor agregado. Por meio do processamento mínimo a batata-doce pode ser suprida no mercado de produtos de fácil e rápida utilização como, farinhas pré-gelatinizadas, cereais pré-cozidos e "snacks". Conforme o Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas – SBRT (2006), as farinhas de batata-doce podem ser obtidas de secagem natural ou artificial, através das cultivares existentes. Quando bem processadas podem ser utilizadas em panificação e alimentos infantis. Sua qualidade depende de vários fatores incluindo matéria-prima, método de secagem, técnicas de procedimentos e forma de armazenamento. Para a obtenção da farinha pode-se secar qualquer cultivar de batata-doce de forma a se fazerem chips que então, podem ser trituradas até se obter a farinha. E essa farinha pode ser armazenada por até seis meses quando empacotadas hermeticamente em sacos plásticos de cor negra. A produção de farinhas apresenta grande variabilidade para a indústria de alimentos, principalmente em produtos de panificação, produtos dietéticos e alimentos infantis, por serem rica fonte de amido e sais minerais (CARVALHO et. al., 2005). A farinha de batata-doce é utilizada na fabricação de bolinhos e panquecas. Também podendo ser misturada com outras farinhas como as de milho, trigo, mandioca ou soja. Algumas padarias já estão a empregar novos tipos de misturas de farinhas para fazerem pães e bolos. A indústria de rações avícolas começa a manifestar interesse em usar os chips alaranjados, provenientes de cultivares com determinada coloração, nos seus produtos, com vista a melhorar a cor da gema e o teor de vitamina A dos ovos (CTA, 2008). O amido é considerado um dos principais componentes da raiz da batatadoce, seguido dos açúcares mais simples, sacarose, glicose, frutose, maltose. Na indústria de alimentos é utilizado para melhorar as propriedades funcionais, sendo empregado em sopas, molhos de carne, como formador de gel para balas, pudins, estabilizante em molhos de salada, na elaboração de compostos farmacêuticos, na produção de resinas naturais e na elaboração de materiais termoplásticos biodegradáveis (CEREDA et al., 2001). Algumas indústrias produtoras de fécula de têm mostrado interesse em processar outras raízes, dentre elas a batata doce. Contudo, para a introdução de uma nova matéria-prima em uma fecularia, faz-se necessário a avaliação da eficiência da planta industrial (CEREDA et al., 1982). Análises realizadas com a fécula de batata doce mostraram que a qualidade do produto encontra-se dentro das especificações da legislação brasileira, com exceção do teor de proteínas que está abaixo do mínimo. O menor teor de proteína pode ser considerado uma vantagem para a maioria dos usos industriais (UKPABI et al., 1987). Mais uma utilização pode ser a produção de álcool, que não é comum no Brasil, uma vez que temos outras fontes mais econômicas de matéria prima. Outra destinação da batata-doce é na alimentação animal. Tanto as ramas quanto as raízes podem ser fornecidas frescas, principalmente para os animais ruminantes, mas as folhas e brotos também são consumidas por aves e peixes. Como é um alimento apetitoso que contém o inibidor de digestão, quando fornecido à vontade pela primeira vez, pode causar congestão intestinal. A raspa, constituída de raízes picadas e secas, é um excelente complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais, tanto de ruminantes como não ruminantes. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor de umidade contido nas batatas frescas (70%) o que pode tornar antieconômica a secagem artificial. (LUENGO et. al., 2000). 2.8 Efeitos da Substituição por farinha de batata-doce As mudanças no processamento e a crescente exigência do consumidor por alimentos que apresentem, além da alta qualidade sensorial e nutricional, benefícios associados à saúde, fazem surgir à necessidade de novos ingredientes que possam atender a estas exigências do mercado (IDRIS et al., 1996). A substituição parcial de trigo por farinha dos mais diversos tubérculos não constitui grande novidade na literatura (SAMMY, 1970). Segundo Magalhães (2007), a possibilidade de substituição parcial da farinha de trigo, proporcionaria uma redução da dependência externa do trigo, produto agrícola com maior volume de importação. A demanda brasileira por trigo em 2008 foi de cerca de 10,3 milhões de toneladas, sendo produzidas internamente 3,8 milhões de toneladas (safra 2007/08), indicando, portanto, a necessidade da importação de cerca de 6,5 milhões de toneladas do cereal que em janeiro de 2008 teve a tonelada cotada no mercado futuro ao preço médio de US$ 350. Evidencia-se neste contexto, a importância do estímulo a substituição de uma outra farinha em relação ao trigo. No Brasil a Embrapa Hortaliças e Embrapa Agroindústria de Alimentos testam a utilizam a farinha de batata-doce para produção bolos, pães e biscoitos como fonte de vitamina A, que são utilizadas em projeto piloto em algumas escolas. (EMBRAPA, 2007). Apesar de todos os benefícios socioeconômicos e nutricionais, a utilização da farinha de batata-doce ainda é modesta, pouco divulgada e pouco conhecida. A maior parte do produto é destinada às pequenas indústrias artesanais. A incorporação de farinha de batata-doce em pães provoca algumas mudanças na cor das amostras, com escurecimento gradual à medida que se eleva o grau de substituição (SAMMY, 1970). A casca do pão e sua parte interna apresentam aspecto quebradiço, que se acentua com o maior teor de farinha de batata-doce. O volume específico dos pães diminui com o nível de substituição, bem como a compressibilidade e a extensibilidade (SAMMY, 1970). 2.9 Avaliação físico-química de farinha de batata-doce A análise de alimentos é uma área muito importante do segmento alimentício, pois ela atua em várias etapas do controle de qualidade, do processamento e do armazenamento dos alimentos processados. Muitas vezes, o termo análise de alimentos é substituído por outros temos como “química de alimentos” e bromatologia, que se consagraram na literatura. Em análise de alimentos, os objetivos se resumem em determinar um componente específico do alimento, ou vários componentes, como no caso da determinação da composição centesimal. Em produtos farináceos as análises físico-químicas mais realizadas são para a determinação: matéria seca, extrato etéreo, proteína bruta, fibra bruta, cinzas, fração glicídica, pH e rendimento. 2.9.1 Matéria seca (MS) A umidade, ou teor de água, de um alimento constitui-se em um dos mais importantes e mais avaliados índices em alimentos. É de grande importância econômica por refletir o teor de sólidos de um produto e sua perecibilidade. A umidade fora das recomendações técnicas resulta em grandes perdas na estabilidade química, na deterioração microbiológica, nas alterações fisiológicas e na qualidade geral dos alimentos (VICENZI, 2008). A umidade de um alimento está relacionada com sua estabilidade, qualidade e composição, e pode afetar os itens como estocagem, processamento e embalagem. Em alimentos existem dois tipos de água. A água livre, também medida pela atividade de água (a.w ou a.a) que é aquela fracamente ligada ao substrato, funcionando como solvente, permitindo o crescimento dos microorganismos e reações químicas e que é eliminada com facilidade e à água combinada, fortemente ligada ao substrato, mais difícil de ser eliminada e que não é utilizada como solvente e não permite o desenvolvimento de microorganismos e retarda as reações químicas (VICENZI, 2008). A atividade de água da farinha está compreendida entre 0,85 – 0,60 onde não se possibilita a multiplicação de bactérias patogênicas, mas existe a ocorrência de alterações ocasionadas por microorganismos xerófilos, osmófilos e halófilos. 2.9.2 Extrato etéreo (E.E) A determinação quantitativa de lipídeos em alimentos é um parâmetro básico para avaliações nutricionais e de processamento. Os métodos rotineiros para determinação quantitativa de lipídeos baseiam-se na extração da fração lipídica por meio de um solvente orgânico adequado. Após extração e remoção do solvente, determina-se gravimetricamente a quantidade de lipídeos presente. 2.9.3 Proteína bruta (P.B) Nos alimentos, além da função nutricional, as proteínas têm propriedades organolépticas e de textura. Podem vir combinadas com lipídeos e carboidratos. O termo proteína bruta envolve um grande grupo de substâncias com estruturas semelhantes, porém com funções fisiológicas muito diferentes. O procedimento mais comum para determinar proteína é através da determinação de um elemento ou grupo pertencente à proteína. A conversão para conteúdo de proteína é feita através de um fator. Os elementos analisados geralmente são carbono ou nitrogênio, e os grupos são aminoácidos e ligações peptídicas 2.9.4 Fibra Bruta (F.B) A fibra bruta é a porção do alimento em que são encontradas as frações de celulose e a de lignina (SILVA, 1990). Fibra bruta é parte dos carboidratos resistente ao tratamento sucessivo com ácido e base diluídos, representando a grande parte da fração fibrosa dos alimentos. A maior fração da fibra bruta no organismo humano é responsável pelo bom funcionamento dos intestinos, estimulando seus movimentos peristálticos, mas que não constituem fonte de energia, porque não podem ser hidrolizadas por enzimas do intestino humano (SILVA, 1990). Os métodos para determinação de fibra nos alimentos são comuns e são denominados de FDN (Fibra em detergente neutro) e FDA (Fibra em detergente ácido). O FDN determina celulose, hemicelulose e lignina já o FDA determina a celulose e a lignina (SILVA, 1990). 2.9.5 Cinza (C) Cinza ou resíduo mineral é o produto que se obtém após o aquecimento de uma amostra a temperatura de 500 a 600 ºC. Durante um período de quatro horas ou até a combustão total da matéria orgânica (AOAC, 1984). A determinação da cinza fornece a indicação da riqueza da amostra em elementos minerais. Por meio do aquecimento, em temperatura elevada, todas as substâncias voláteis que se decompõem pelo calor serão eliminadas e a matéria orgânica é toda transformada em CO2, H2O, etc. (AOAC, 1984). 2.9.6 Fração Glicídica (FC) A fração glicídica constitui o extrato não nitrogenado, como os açúcares, o amido, as dextrinas, as hemiceluloses, as pectinas e a lignina. Estas substâncias são variáveis em quantidades, mas tem em comum o fato de serem fontes inespecíficas de energia e terem alta digestibilidade (PEREIRA et al., 2006). O método mais utilizado é o de cálculo por diferença segundo a Equação, na qual é considerada a matéria integral e o resultado é expresso em g.100 g¹ na base úmida, conforme o método da (AOAC, 1995). 2.9.7 pH. A medida do pH é importante para as determinações de deterioração do alimento com crescimento de microrganismos, atividade das enzimas, textura de geléias e gelatinas, retenção do sabor-odor de produtos de frutas, estabilidade de corantes artificiais em produtos de frutas, verificação do estado de maturação de frutas e escolha da embalagem. (VICENZI, 2008) 3. OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral Avaliou-se a farinhas de diferentes cultivares de batata-doce em relação ao processamento da farinha, características físico-químicas e a utilização na confecção de alimentos bolos e biscoitos em diferentes quantidades de substituição a farinha de trigo. 3.2 Objetivos Específicos I. Avaliar o rendimento para a produção de farinha das diferentes cultivares de batata-doce. II. Analisar a composição física e química das farinhas de diferentes cultivares e a influência nas características dos alimentos quando for substituída pela farinha usualmente de batata-doce III. Avaliar a influência de diferentes concentrações de farinha de batata doce para a produção de bolos e biscoitos 4. MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Localização e período da pesquisa O experimento foi realizado na Biofábrica - Produção e Pesquisa de Microorganismos – localizada no Campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB na cidade de Vitória da Conquista no estado da Bahia no período de novembro de 2009 a março e 2010. Figura 3. Biofábrica pesquisa e produção de microrganismo, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.2 Cultivares analisados As cultivares escolhidas para as comparações foram a Braszlândia Branca e a Braszlândia Rosa. 4.2.1 Brazlândia Branca A película externa é branca, polpa creme claro (Figura 4), que após o cozimento torna-se amarela-clara. Formato das raízes é alongado. É uma cultivar de ciclo médio, produtiva, podendo ser colhida a partir dos 120 dias. Com ótimo aspecto comercial e uma produtividade de 37 t.ha¹. Figura 4. Brazlândia Branca, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.2.2 Brazlândia Rosa A película externa é rosa, polpa de cor creme e após o cozimento torna-se amarelada (Figura 5). Formato das raízes é alongado. Apresenta um ciclo médio, podendo ser colhida a partir dos 120 dias. Esta cultivar apresenta, aproximadamente, 39,7% de matéria seca, sendo que do total 81,8% representam amido mais açúcar, o que a torna também indicada como matéria-prima para produção de Figura 5. Brazlândia Rosa, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. álcool. 4.3 Delineamento experimental e Análise estatística O delineamento experimental utilizado foi delineamento inteiramente casualisado. Para as características físico-químicas foram realizadas 3 repetições (1, 2 e 3) em diferentes datas devido a aquisição de amostras em períodos distintos . Cada análise foi constituída de 2 duplicatas para cada característica físico-química analisada totalizando 6 análises para cada parâmetro analisado. Para análise estatística utilizou-se o programa SAEG, sistema de analise estatística, versão 9.1, Fundação Artur Bernardes – UFV – Viçosa, 2007. Procedendo-se a análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. 4.4 Matéria-prima As batatas utilizadas como matéria-prima para o experimento foram provenientes da cidade de Itabaiana no estado de Sergipe, hoje considerada uma das maiores produtoras de batata-doce. Todas as amostras (Figura 6 e 7) foram colhidas na sexta feira e transportadas até Vitória da Conquista-BA por meio de caminhão e adquiridas na central de abastecimento municipal de Vitória da Conquista na segunda-feira. Figura 6. Amostra batata-doce Cultivar Brazlândia Branca, Vitória da Conquista – BA, UESB, 2010. Figura 7. Amostra batata-doce Cultivar Brazlândia Rosa, Vitória da Conquista – BA, UESB, 2010. 4.5 Seleção dos tubérculos Os tubérculos antes de sofrerem qualquer operação de processamento eram previamente selecionados, observando-se suas características exteriores como cor, danos físicos, ocasionados durante o transporte, podridões, ferimentos causados por patógenos, estado de maturação, cheiro, estado da casca e tamanho. É necessária a seleção para que os tubérculos danificados ou estragados devido à ação de microorganismos não contribuam para uma farinha de sabor desagradável e conseqüentemente um produto final como o bolo ou o biscoito com características sensoriais indesejáveis. Todas as batatas utilizadas foram selecionadas manualmente após a abertura do saco de amianto do mercado de abastecimento municipal. 4.6 Lavagem As batatas-doce já selecionadas foram lavadas em água corrente (Figura 8) para a retirada das sujidades mais grosseiras e imersas em água clorada a 50 ppm de cloro por 10 minutos. Após a lavagem as batatas foram colocadas para escorrimento e enxugadas com papel toalha para retirada do excesso de umidade externa. Figura 8. Lavagem dos tubérculos em água corrente, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.7 Pesagem Os tubérculos antes de passarem por operações de processamento com exceção da lavagem eram todos pesados em uma balança Filizola BP 15, com capacidade para 15 kg (Figura 9). Figura 9. Pesagem de raiz tuberosa de batata doce, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.8 Descascamento As batatas lavadas e pesadas foram descascadas manualmente com o uso de facas de aço inox (Figura 10). Em seguida, foram retiradas as cascas e defeitos que atingiam a polpa como ataques de brocas, doenças, qualquer injúria sofrida pela raiz e a ponta dos tubérculos por ser uma região endurecida com deposição celulósica e lignificada as batatas foram novamente pesadas.. 4.9 Corte As batatas foram cortadas aproximadamente com 3 mm de espessura para não comprometer o processo de secagem. Após o corte as batatas já em forma de “chips” foram imersas em solução de bissulfito de sódio (0,5%) durante 10 minutos para evitar o escurecimento dos “chips” durante e após a secagem. Decorrido o tempo de imersão no bissulfito de sódio as rodelas de batata passaram por uma nova lavagem e escorrimento. Figura 10. Descascamento manual da batata doce, Vitória da Conquista – BA, UESB, 2010. 4.10 Secagem As rodelas de batata doce foram dispostas uniformemente em prateleiras aramadas de secagem para uma melhor dinâmica de secagem e aproveitamento do calor e circulação do ar. As batatas doce já arrumadas nas prateleiras foram secas em uma estufa da marca Nova Ética, modelo 400/5ND com controle de temperatura e circulação do ar (Figura 11). As batatas eram mantidas na estufa a 60 ºC durante 24 horas conforme VIDAL et. al.; 1995. Após a secagem os “chips” seguiam para a pesagem e armazenamento (Figura 12). Figura 11. Estufa Nova Ética – utilizada no experimento, Vitória da Conquista BA, UESB, 2010. Figura 12. Batata-doce pós-secagem (chips), Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.11 Armazenamento Concluído o período de 24 horas as batatas foram retiradas da estufa e armazenadas em potes de vidros ou plásticos vedados (Figura 13) para evitar a entrada de umidade, fazendo com o produto se mantivesse em condições ideais para a fabricação da farinha. Antes de serem armazenadas as batatas foram pesadas novamente para que as informações fossem utilizadas para a obtenção do rendimento da batata doce na fabricação da farinha. Figura 13. Armazenamento dos Chips, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.12 Produção da farinha Para a obtenção da farinha as batatas secas foram trituradas em liquidificador industrial no próprio local de confecção dos biscoitos e bolos. Figura 14. Farinha da cultivares Brazlandia Branca e Brazlandia Rosa, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.13 Análises físico-químicas As análises físico-químicas foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal do Campus da UESB de Vitória da Conquista (Figura 15). As analises realizadas foram de matéria seca, extrato etéreo, proteína bruta, fibra bruta – FDA (fibra em detergente ácido) e FDN (Fibra em detergente neutro), cinza, fração glicídica, pH e rendimento. As análises foram realizadas simultaneamente para as duas cultivares de batata. Cada análise 1, 2 e 3 foram compostas de 2 repetições para cada cultivar. Para a realização das análises físico-químicas se disponibilizou uma amostra de 200g de farinha das duas cultivares de batata-doce. Figura 15. Laboratório de Nutrição Animal - UESB, Vitória da Conquista - BA, 2010. 4.13.1 Matéria Seca A amostra para determinação do teor de umidade na farinha passou inicialmente por uma pré-secagem feita em temperatura de 65ºC durante 24h em estufa com circulação de ar para evitar perda de outros compostos por volatilização (AOAC, 1984). E com esse processo se obteve a ASA (Amostra seca ao ar). Da amostra seca ao ar foram retiradas 5 gramas, colocadas em um cadinho que também foi pesado e conduzidos para estufa de secagem a 105ºC durante 4 horas (LENKEIT; BECKER, 1956). 4.13.2 Extrato Etéreo O método utilizado para a extração e determinação da gordura foi o método a quente. Chamado assim porque a extração é feita com a temperatura mais elevada. Foi utilizado o Éter etílico aquecido a uma temperatura de entre 4065ºC (AOAC, 1984). Uma amostra de 2g foi seca em estufa a 105ºC durante 3 horas. Após ser resfriada por 30 minutos no dessecador, a amostra é pesada e registrada no papel-filtro e logo após colocada no recipiente próprio do aparelho de extração Goldfisch (Figura 16). A extração da gordura da farinha de batata doce durou 4 horas. Figura 16. Extração dos lipídios da farinha de Batata doce, Vitória da Conquista BA, UESB, 2010. 4.13.3 Proteína Bruta A análise do teor de proteína das farinhas se iniciou com a pesagem de 2g da farinha das cultivares de batata. Colocadas em um tubo de ensaio com a mistura catalítica juntamente com 10 ml de ácido sulfúrico. A amostra foi colocada no biodigestor de proteína dentro da capela para evitar a liberação de gases nocivos devido à presença do ácido sulfúrico. A amostra permaneceu no biodigestor até atingir a temperatura de 400 ºC. Ao atingir essa temperatura foram cronometrados 40 minutos e esperou-se a mudança da solução da cor preta para a verde. As amostras resfriadas seguiam para o destilador de nitrogênio (Figura 17) e imediatamente transferida para Erlenmeyer de 100 ml contendo ácido bórico e adquirindo a cor rósea. Figura 17. Destilação de Nitrogênio em farinha de batata-doce, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. 4.13.4 Fibra Bruta Para a determinação da fibra bruta foi utilizada 2 g pesada em balança analítica da amostra moída. O processo para determinação do FDA e FDN compreende basicamente as mesmas operações. As etapas desse processo são apresentadas no fluxograma da (Figura 19). 4.13.4.1 Fibra em Detergente Neutro – FDN A amostra de 2g foi colocada em um Becker de 500 ml juntamente com 50 ml da solução de FDN (formulação e modo de preparo vide anexo), e colocada para fervura com temperatura de 80 ºC por uma hora no digestor de fibras (figura 20). Enquanto as amostras estavam no biodigestor adicionou-se 10 gotas da enzima amilase no início da fervura e 10 gotas da mesma enzima nos 10 minutos finais para que o amido da amostra sofresse hidrólise. Figura 18. Biodigestor com amostras de batata-doce em fervura, Vitória da Conquista - BA, UESB, 2010. Ao serem retiradas do biodigestor as amostras foram filtradas com o auxilio de uma câmara de vácuo e levadas para estufa e permaneceram durante 24h a uma temperatura de 105 ºC. Amostra seca, moída e pesada (2g) Refluxo com solução tampão SLS* (30g/L) contendo borato, fosfato, EDTA e 1-etoxietanol, por 60 minutos Filtrar, lavar com água quente e acetona Separar todos os componentes solúveis Secar, pesar Celulose, lignina, hemicelulose (insolúveis em detergente neutro) minerais, proteínas em parte Incinerar, pesar Por diferença: Celulose, lignina, hemicelulose insolúvel em detergente) amido e proteína em parte Figura 19. Fluxograma dos procedimentos para determinação do FDN 4.13.4.1 Fibra em Detergente Ácido – FDA A determinação do FDA segue a mesma metodologia do FDN (POMERANZ; MELOAN, 1982), diferenciando-se apenas no reagente inicial. 4.13.5 Cinza O resíduo mineral fixo (cinzas) foi determinado por incineração do material em mufla regulada a 600 °C até peso constante, segundo método da (AOAC 1995). Amostra seca e moída (2g). Refluxo com H2SO4 0,5M e 20 g CTAB*/L, por 60 minutos. Filtrar, lavar com água quente e acetona. Separar todos os componentes solúveis. Secar, pesar. Celulose, lignina (minerais, taninos e parte da pectina). * CTAB = brometo de cetilmetilamonia. Figura 20. Fluxograma dos procedimentos para determinação do FDA 4.13.6 Fração Glicídica O método utilizado foi o cálculo por diferença segundo a Equação, na qual foi considerada a matéria integral e o resultado foi expresso em g.100 g¹ na base úmida, conforme o método da (AOAC, 1995). FG = 100 – (U + EE + PB + FB + C) em que: FG = fração glicídica (g.100 g¹); U = umidade (g.100 g¹); EE = extrato etéreo (g.100 g¹); PB = proteína bruta (g.100 g¹); FB = fibra bruta (g.100 g¹1); e C = cinzas (g.100 g¹1). 4.13.7 pH Para determinação do pH foram pesadas 9 g da amostra e misturadas em 60 mL de água destilada, homogeneizados e deixados em repouso por 30 minutos. A leitura foi feita em medidor de pH digital. 4.13.8 Rendimento Experimento para a determinação do rendimento da farinha de batata doce foi realizado com três repetições para cada cultivar. Para cada repetição se utilizava 5 kg de batata, que eram lavadas, descascadas, cortadas e colocadas em estufa para secagem. As amostras de 5 kg eram pesadas antes e após o descasque e posteriormente após o corte. Condicionadas em estufa durante 24h sob uma temperatura de 65 ºC e após essa operação foram retiradas e pesadas. O rendimento foi calculado através da equação: R = (PAS/PIN) x 100 em que, R = rendimento (%), PAS = peso após secagem, PIN = peso in natura 4.14 Confecção de biscoitos e bolos Para a confecção dos bolos e biscoitos utilizou-se a farinha das duas cultivares de batata-doce em diferentes proporções em relação à farinha de trigo. Essas proporções foram de 0, 25, 50 e 100 % e respectivamente correspondem em gramas para o preparo do bolo a 0, 125, 250 e 500g e para os biscoitos 0 187, 375, e 750g. A ficha técnica de preparo dos outros ingredientes (Anexo D) não foram alteradas. 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Teor de matéria seca da farinha O teor da matéria seca presente nas duas cultivares de batata-doce obtido neste trabalho são observadas na Tabela 4. As análises 1, 2 e 3 não apresentaram diferença estatística. Em concordância com os dados de Souza e outros (2005), ao analisarem diversas cultivares de batata-doce. Tabela 4. Valores médios do teor de matéria seca na farinha das cultivares de batata-doce Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 1,7831 1,8380 Analise 2 1,7838 1,8418 Análise 3 1,7916 1,8452 Média 1,7861A 1,8416B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05) As médias de matéria seca em % da tabela 5, não apresentaram diferença significativa dentro da mesma cultivar, nem em comparação entre ambas. Souza e outros (2005) obtiveram resultados semelhantes ao conteúdo de matéria seca nas batatas encontrando na Brazlândia rosada 89,12% de matéria seca. Tabela 5. Valores médios de matéria seca em %, na farinha dos cultivares de batata-doce Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 88,84a 91,56a Analise 2 89,09a 91,72a Análise 3 89,24a 92,02a Média 89,05A 91,76A Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05) Borba e outros (2005) constataram 87,00% de matéria seca comprovando que a batata doce é um alimento rico em matéria seca. Do ponto de vista industrial, há interesse em variedades que apresentem maior teor de matéria seca, já que resulta em um maior rendimento do processo e portanto menor quantidade de água residual. A ASE (Amostra seca em estufa) do presente trabalho, que expressa a matéria seca para a Brazlândia Branca resultou numa média de 89,05 % e para a Brazlândia Rosa 91,76%. Não diferindo significativamente a (p>00,5). 5.2 Extrato Etéreo O teor de Gorduras analisados na farinha de batata-doce apresentou valores médios com diferença significativa estatísticamente. A cultivar Brazlândia branca apresentou teores superiores a cultivar Brazlândia rosa (tabela 6). De acordo com Wosiacki e outros (1988), que encontraram teores de médios de Extrato etéreo de 1,33%, afirma que os teores de gorduras em Batatadoce apresentam flutuação intervarietal bastante acentuada, afirmando que entre variedades diferentes os teores de gordura divergiam significativamente. Confirmando o trabalho de Cereda e outros (1982) que obtiveram, resultados com maiores dispersões encontrando no mesmo trabalho uma dispersão de até 56%. Tabela 6. Valores médios do Extrato etéreo (lipídios) da farinha de batata-doce Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 0,2073 0,1376 Analise 2 0,1938 0,1451 Análise 3 0,1815 0,1506 Média 0,1942A 0,1444B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05) No presente trabalho o resultado dos teores de Extrato etéreo em % apresentaram diferença significativa e se assemelham aos encontrados com os de Souza e outros (2005) que variavam de 0,37 a 1,69% concordando também com os as médias citada por Cereda e outros (1984). Os resultados apresentados da % do Extrato etéreo da tabela 7, de 13,78 da Brazlândia branca e 10,42 da Brazlândia rosa, observa-se uma constatação e confirmação de que os teores lipídicos das cultivares são diferentes mesmo que em pequena proporção em relação a toda a matéria seca existente no tubéculos. Tabela 7. Valores médios do Extrato etéreo em (%) na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. . UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 14,71 9,77 Analise 2 13,75 10,55 Análise 3 12,90 10,96 Média 13,78A 10,42B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05) 5.3 Proteína Bruta No presente trabalho os índices de proteína na matéria seca (tabela 7) apresentaram diferença significativa pelo teste Tukey a 5% de probabilidade entre as cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. Observa-se uma variação não significativa entre as médias das análises 1,2 e 3 para os dois tipos de cultivares. O teor de proteína foi superior ao encontrado por Batistuti e outros (1992), que foi de 1,06 -1,66% em análise de oito variedades de batata doce. Tabela 8. Valor médio de Proteína em (%) na matéria seca da farinha de batatadoce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 2,85 6,57 Analise 2 3,28 6,66 Análise 3 3,29 6,64 Média 3,14 A 6,62B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). O teor médio de proteínas da farinha da brazlândia branca foi de 3,14% e da brazlândia branca de 6,62%. O valor de proteína da cultivar rosa se aproximou dos valores de proteína citados por Cereda e outros (1984) 6,02%. Valores inferiores como 4,54 e 3,19% são citados por Wosiacki e outros (1988). Dados de Souza e outros (2002) apresentaram médias de proteína nas batatas de 2,0 e 2,9% tendo a cultivar “Seu Antonio” com o teor de proteína 4,43% excedendo em 100% a cultivar menos protéica. Quando analisada por Moreira e outros (2004) se comportou como a menos protéica. 5.4 Fibra Bruta 5.4.1 FDN Fibra em detergente Neutro Os resultados das fibras solúveis expressa em gramas se mostraram homogêneos (tabela 8) concordando com o trabalho de Leonel e outros (1998) que relatou dados 3,44 g/100g. Tabela 9. Valor médio do FDN (fibras em detergente neutro) em gramas na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 4,13 4,36 Analise 2 4,43 6,48 Análise 3 5,42 5,34 Média 4,33A 5,39A Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). O teor médio de fibras encontrada pelo método do FDN no presente trabalho para as cultivares Brazlândia Branca e Rosa foram respectivamente de 9,82 e 11,64% (tabela 9). Valores que se aproximaram dos obtidos por Zabaleta e outros (2009) que obtiveram de FDN na batata-doce 11,81%. Constatando que os cultivares de batata se mostram homogêneos quanto à quantidade de fibras em sua composição como relata Wosiacki e outros (1988). Tabela 10. Valores médios em % da fibra bruta em FDN na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 8,65 9,24 Analise 2 9,23 14,03 Análise 3 11,58 11,67 Média 9,82A 11,64B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). 5.4.2 FDA (Fibra em detergente Ácido) Os valores para as fibras insolúveis encontradas nas análises não obtiveram diferença significativa estatisticamente. Para Brazlândia branca um teor de fibras de 1,91g/100g e brazlândia Rosa de 1,88g/100g (tabela 10). Apresentando uma quantidade de fibras inferior ao constatado por Borba e outros (2005) que encontrou 4,3 g/100g. Mas semelhante a quantidade de fibras citada por Wosiacki e outros (1988) de 1,88 g/100g. Tabela 11. Valor médio do FDA (fibras em detergente ácido) em gramas na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 1,91 1,80 Analise 2 1,68 1,81 Análise 3 2,15 2,05 Média 1,91A 1,88A Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). As cultivares analisadas no presente trabalho se mostraram homogêneas não havendo diferença significativa entre as cultivares. Resultado diferente dos expostos por Cereda e outros (1985) que apresentou teor de fibras menor do que os citados na literatura encontrando 2,71% de fibras. Tabela 12. Valores médios em % da fibra bruta em FDA na matéria seca da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 3,78 3,54 Analise 2 3,35 3,60 Análise 3 4,22 4,04 Média 3,78A 3,72A Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). 5.5 Cinza O teor médio da cinza apresentou diferença significativa (tabela 11) onde a farinha da cultivar Brazlândia rosa apresentou índices mais elevados 4,16%. Ocorrendo diferença entre as cultivares e as análise. A cultivar brazlândia Branca apresentou índices de cinza compatíveis com os expostos por Wosiacki e outros (1988) de 2,77%. Albuquerque e Pinheiro (1970) apresentaram resultados semelhantes de 2,68%. Para a cultivar rosa Souza e outros (2005) encontrou valores de 3,71% que não diferem significativamente do presente trabalho. Enquanto a cultivar “Seu Antonio” apresentou sua fração de cinza na composição centesimal de 5,04%, concluindo que o teor de cinza da batata-doce oscila entre cultivares. Tabela 13. Valores médios em % da cinza da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 2,26 4,54 Analise 2 2,18 3,76 Análise 3 2,11 4,18 Média 2,18A 4,16B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). 5.6 Fração Glicídica Os valores médio da fração glicídica encontrado neste presente trabalho para a Brazlândia Branca foi de 67 g.100 g–1 e a Brazlândia Rosa 58,7 g.100 g–1. Com esse resultado cultivar branca apresenta menor teor de compostos nitrogenados ficando em concordância com os resultados dos teores de proteína do presente trabalho. 5.7 pH Os valores médios de pH das cultivares de ambas as cultivares brazlândia não apresentaram diferença no teste tukey a 5%. Se comportando de forma homogênea sem dispersão. Assim como o relatado por Leonel e outros (1998) que encontrou o valor de 5,7 para a batata-doce. Concordando com o citado por Borba e outros (2005) 5,7 o mesmo valor encontrado por Leonel. Explicitando que entre as cultivares de batata-doce a divergência quanto aos valores de pH não é um fator de grande variação e diferença entre as cultivares. Tabela 14. Valores médios do pH da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Análise 1 5,4 5,6 Analise 2 5,6 5,5 Análise 3 5,3 5,5 Média 5,4 5,5 Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna e maiúsculas na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05) 5.8 Rendimento da farinha A farinha dos cultivares de batata-doce Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa, apresentaram respectivamente um rendimento de aproximadamente de 26,3 e 24% tendo como principais fontes de perdas as cascas, o alto teor de umidade da batata e perdas referentes ao processo de obtenção da farinha. A cultivar Branca apresentou um rendimento superior e significativo ao da cultivar rosa. Tabela 15. Valores médios do rendimento em % da farinha de batata-doce das cultivares Brazlândia Branca e Brazlândia Rosa. UESB, Vitória da Conquista – BA, 2010. Cultivar Média Brazlândia Branca Brazlândia Rosa Repetição 1 27,1 23,5 Repetição 2 27,1 24,0 Repetição 3 24,7 24,6 Média 26,3A 24,0B Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade (P<0,05). 6. CONCLUSÕES Os resultados obtidos na caracterização físico-química das farinhas de Batata-doce das cultivares Brazlândia branca e Brazlândia rosa apresentaram padrões desejáveis de seus componentes. Ocorrendo similaridade entre as características de matéria seca, fibra bruta, pH, análise sensorial e rendimento. As diferenças nas características de teor de lipídios e proteínas concordaram com a literatura citada. Os biscoitos confeccionados demonstraram ter uma boa média de aceitação e intenção de compra em relação à testemunha confeccionada somente com trigo. O rendimento das cultivares Brazlandia Branca e Brazlandia Rosa se apresentaram viáveis para a produção da farinha e seu futuro aproveitamento na confecção de produtos para panificação. As proporções com maiores médias de aceitação foram aqueles confeccionados com 25 e 50% de substituição. . REFERÊNCIAS AGRIANUAL: Anuário da agricultura brasileira. São Paulo: FNP Consultoria e Comércio, 2004. AYRES, M.; AYRES, Jr. M. Bioestat: aplicações estatísticas nas áreas das ciências biológicas e médicas. Manaus: Sociedade Mamirauá, 1998. ALBUQUERQUE, M.; PINHEIRO, E. Tuberosas feculentas. Série fitotecnia. IPEAN, Belém. p. 15. 1970. ASSOCIATION OF OFFICIAL AGRICULTURAL CHEMISTS (AOAC). Official Methods of Analysis. 14. ed. Whashington 1984. ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS – AOAC. Official methods of analysis. Arlington, 1995. 1141 p. BATISTA, J. M. Apresentação. In: Recomendações básica para a aplicação das boas práticas agropecuárias e de fabricação na agricultura familiar. 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Utilização de resíduos de Batata-Doce na alimentação de aves coloniais. Resumos do VI CBA e II CLAA. Revista Brasileira de Agroecologia. Vol. 4. Nº 2. 2009. ANEXOS ANEXO A PREPARO DA SOLUÇÃO FDA Solução Reagente Quantidade para 1 litro Brometo-cetil-trimetilamônio-CTBA C19H12BrN 20,0g Àcido Sulfúrico concentrado p.a H2SO4 Água destilada 27.8mL 1000mL OBS: Adicionar o ácido lentamente em um balão volumétrico com aproximadamente 600mL de água destilada. Colocar o balão volumétrico dentro de uma bacia plástica com água gelada e gelo. Este procedimento deve ser realizado na capela com o exaustor ligado. Homogeneizar, deixar esfriar e aferir. ANEXO B PREPARO DA SOLUÇÃO FDN Solução 1: Reagente Quantidade para 1 litro E.D.T.A 18.61g Tetraborato de Sódio Hidratado (Na2B4O7 . 10H2O) 6,81 Água destilada 333,33ml Reagente Quantidade para 1 litro Solução 2: Sulfato Láurico de Sódio (C12H25NaO4S) 30,0g 2 metoxi-Etanol – Etilenoglicol CH3CH2OCH2CH2OH 10,0g Água destilada 333,33mL Reagente Quantidade para 1 litro Solução 3: Fosfato ácido de sódio Anidro Na2HPO4 4,56g Água destilada 333,33 Anexo C Tabela de secagem Amostra Braz. Branca Braz. Branca Braz. Branca Braz. Rosa Braz. Rosa Braz. Rosa Peso Peso Peso Peso Inicial Pós-descasque Pós-corte Pós-secagem Anexo D Receita e Quantidade de Farinha Utilizada Ingredientes utilizados na confecção dos biscoitos Ingredientes Testemunha 25% 50% 100% 750g 563g 375g -- -- 187g 375g 750g Amido de Milho 250g 250g 250g 250g Açúcar 750g 750 750g 750 5g 5g 5g 5g 250 ml 250 ml 250 ml 250 ml Farinha de trigo Farinha de batatadoce Fermento Leite Ingredientes para a confecção do Bolo. Ingredientes Testemunha 25% 50% 100% 500g 375g 250g -- -- 125g 250g 500 500g 500g 500g 500g 06 06 06 06 400g 400g 400g 400g 1/2litros 1/2litros 1/2litros 1/2litros Farinha de trigo com fermentos Farinha de batatadoce Açúcar Ovos Margarina Leite