CARLOS ROBERTO GIUBLIN DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Engenharia no Curso de Pós-Graduação em Construção Civil do Setor de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná. Orientador: Prof. Aguinaldo dos Santos, Ph.D CURITIBA Setembro/2002 TERMO DE APROVAÇÃO CARLOS ROBERTO GIUBLIN DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre no Curso de Pós-Graduação em Construção Civil da Universidade Federal do Paraná, pela comissão formada pelos professores: ________________________________ Prof. Aguinaldo dos Santos Ph.D – University of Salford Orientador BANCA EXAMINADORA Prof. Glicério Trichês Doutor pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica - ITA Prof. Jorge Augusto Pereira Ceratti Doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Prof. Ricardo Mendes Jr. Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Curitiba, 24 de setembro de 2002 ii A Deus, a minha esposa Silvana e a meus filhos Victor e Nathalia, parceiros de vida e objetivos maiores de minha existência.... iii AGRADECIMENTOS Ao Professor Doutor Aguinaldo dos Santos, pela atenção, senso crítico, amizade e orientação do trabalho. A todo o pessoal do PPGCC, pelo coleguismo e dedicada atenção. A Soeli, Maristela e Ziza, pelo prestativo atendimento na secretaria do curso de Pós-Graduação. A ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, pelo apoio irrestrito para o êxito deste trabalho. Aos colegas da ABCP – Regional Sul, André, Norberto, Eduardo, Fernando, Mario Henrique, Julimar, Yngrid, Sonara, Paulo, Luis Antônio, e ao dedicado amigo Cleon, o agradecimento sincero pela ajuda e respeito profissional. Aos especialistas Engenheiros, que colaboraram no desenvolvimento desta pesquisa, pela ajuda inestimável para a sua realização. A Silvana, Victor e Nathalia, pelo carinho e compreensão nestes últimos dois anos e meio. Aos meus pais, pela minha existência. A Deus, fonte maior da minha existência e grande orientador. iv SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES ................................................................................................................... VII LISTA DE QUADROS .......................................................................................................................... VIII RESUMO ................................................................................................................................................ IX ABSTRACT ............................................................................................................................................. X 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 2 PROBLEMA DE PESQUISA ...................................................................................................2 OBJETIVO ..............................................................................................................................3 HIPÓTESES............................................................................................................................3 MÉTODO DE PESQUISA .......................................................................................................3 LIMITAÇÕES ..........................................................................................................................4 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO..........................................................................................4 INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO ..............................................................................................6 2.1 CONTEXTO ............................................................................................................................6 2.2 INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO .......................................................................................6 2.2.1 Definições ...........................................................................................................................6 2.2.2 Classificação dos Pavimentos ............................................................................................7 2.3 CARACTERÍSTICAS DOS PAVIMENTOS ASFÁLTICOS E DE CONCRETO .................... 10 2.3.1 Pavimentos Asfálticos...................................................................................................... 10 2.3.2 Pavimentos de Concreto ................................................................................................. 13 2.4 CRITÉRIOS DE DECISÃO PARA ESCOLHA ENTRE PAVIMENTO ASFÁLTICO OU DE CONCRETO ...................................................................................................................................... 16 2.5 HISTÓRICO DO PAVIMENTO DE CONCRETO ................................................................. 18 2.5.1 Visão Internacional .......................................................................................................... 18 2.5.2 Visão Nacional ................................................................................................................. 22 2.6 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 24 2.7 SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................... 25 3 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO ........... 26 3.1 CONTEXTO ......................................................................................................................... 26 3.2 ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DE PAVIMENTO DE CONCRETO ....................................... 26 3.2.1 Etapa 1 - Preparo do Subleito e Reforço......................................................................... 27 3.2.2 Etapa 2 - Execução da Sub-Base ................................................................................... 30 3.2.3 Etapa 3 - Execução da Placa .......................................................................................... 36 3.2.4 Etapa 4 - Texturização..................................................................................................... 51 3.2.5 Etapa 5 - Processo de Cura ............................................................................................ 53 3.2.6 Etapa 6 - Execução das Juntas - Corte e Selagem ........................................................ 55 3.2.7 Etapa 7 - Sinalização da Pista......................................................................................... 59 3.2.8 Etapa 8 - Abertura ao Tráfego ......................................................................................... 59 3.2.9 Etapa 9 - Desmobilização do Canteiro ............................................................................ 59 3.3 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 59 3.4 SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................... 60 4 IMPLANTAÇÃO DE CANTEIROS DE OBRA ............................................................................. 62 4.1 4.2 CONTEXTO ......................................................................................................................... 62 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 62 v 4.2.1 Aspectos Gerais .............................................................................................................. 62 4.2.2 Impacto do Planejamento do Canteiro na Competitividade ............................................ 64 4.2.3 Impacto do Planejamento do Canteiro sobre os Recursos Humanos ............................ 65 4.3 ETAPAS DO PLANEJAMENTO DO CANTEIRO DE OBRA ................................................ 66 4.3.1 Visão Geral ...................................................................................................................... 66 4.3.2 Primeira Etapa: Levantamento de Informações .............................................................. 67 4.3.3 Segunda Etapa: Definição dos Equipamentos Principais ............................................... 67 4.3.4 Terceira Etapa: Planejamento de Layout e Implantação ................................................ 68 4.3.5 Quarta Etapa: Revisão Sistemática................................................................................. 69 4.4 COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO.................................... 70 4.4.1 Elementos de Proteção ................................................................................................... 70 4.4.2 Instalações Provisórias .................................................................................................... 71 4.4.3 Instalações Industriais ..................................................................................................... 78 4.4.4 Instalações Elétricas ........................................................................................................ 83 4.4.5 Instalações Hidráulicas .................................................................................................... 84 4.4.6 Instalações de Segurança na Obra ................................................................................. 84 4.5 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 87 4.6 SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................... 87 5 MÉTODO DE PESQUISA ............................................................................................................ 90 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 6 CONTEXTO ......................................................................................................................... 90 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................. 90 MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO ................................................................................. 91 DESCRIÇÃO DO MÉTODO DELPHI ................................................................................... 92 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DOS ESPECIALISTAS ....................................................... 94 NÚMERO DE RODADAS REALIZADAS ............................................................................. 95 VALIDAÇÃO......................................................................................................................... 96 RESULTADOS E ANÁLISE ......................................................................................................... 97 6.1 CONTEXTO ......................................................................................................................... 97 6.2 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 97 6.3 COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO.................................... 98 6.3.1 Elementos de Proteção ................................................................................................... 98 6.3.2 Instalações Provisórias .................................................................................................. 100 6.3.3 Instalações Industriais ................................................................................................... 111 6.3.4 Instalações Elétricas ...................................................................................................... 121 6.3.5 Instalações Hidráulicas .................................................................................................. 123 6.3.6 Instalações de Segurança na Obra ............................................................................... 124 6.4 DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE PAVIMENTO DE CONCRETO .................................................................................................................................... 127 6.5 SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................. 135 7 CONCLUSÕES .......................................................................................................................... 136 7.1 7.2 7.3 7.4 CONCLUSÕES GERAIS ................................................................................................... 136 CONCLUSÕES SOBRE O MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO .................................... 138 CONCLUSÃO FINAL ......................................................................................................... 139 SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS ..................................................................... 139 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................... 141 ANEXO – A ......................................................................................................................................... 149 vi LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 2.1 – DISTRIBUIÇÃO DAS CARGAS AO SUBLEITO DOS PAVIMENTOS.............................9 FIGURA 2.2 – CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO ASFÁLTICO - CLEON ......................... 11 FIGURA 2.3 - CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO DE CONCRETO ................................... 14 FIGURA 2.4 – VISÃO GERAL DO PROCESSO DE SELEÇÃO DA TIPOLOGIA DE PAVIMENTO ... 17 FIGURA 2.5 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PAVIMENTADORAS NO BRASIL .............................. 24 FIGURA 3.1 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA ARCEN ARCMOV 80 .............................. 41 FIGURA 3.2 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA SCHWING M2Erro! Indicador não definido. FIGURA 3.3 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA ERIE MG 11CErro! Indicador não definido. FIGURA 3.4 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES WIRTGEN SP 500 ......................... 45 FIGURA 3.5 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES CMI SF 3004FErro! Indicador não definido. FIGURA 3.6 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES GOMACO GP 2600Erro! Indicador não definido. FIGURA 5.1 – CICLO DE RODADAS DO MÉTODO DELPHI ............................................................. 92 FIGURA 5.2 – CRONOGRAMA DAS RODADAS REALIZADAS – MÉTODO DELPHI ....................... 95 vii LISTA DE QUADROS QUADRO 5.1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ESPECIALISTAS COLABORADORES ..................... 94 viii RESUMO O volume de aplicações do pavimento de concreto está crescendo no Brasil e há uma necessidade premente de melhor entender as peculiaridades do planejamento dos seus canteiros de obra. A literatura brasileira referente ao planejamento de canteiros de obra nos aspectos tais como, fluxo de produção, layout de produção, instalações de canteiro e assim por diante, resulta na maioria das vezes de pesquisas do setor de edificações. Dentro deste contexto, esta dissertação foi desenvolvida com o intuito de captar o conhecimento de especialistas com respeito aos principais elementos do planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto. Para sua realização, foi utilizado o Método Delphi, o qual procura desenvolver o consenso de forma iterativa e sistemática. Envolveu-se nesta pesquisa sete especialistas com larga experiência em construção de rodovias no Brasil. Cerca de 90% das questões apresentadas no questionário original alcançaram consenso total entre os especialistas. Estes resultados confirmaram a necessidade de reavaliação da literatura de planejamento de canteiros de obra do sub-setor edificações quando se refere na sua aplicação dentro da construção de pavimentos de concreto. Cerca de 45% dos itens constantes na lista de verificação desenvolvida a partir da aplicação do Método Delphi são específicas para canteiros de obra de pavimento de concreto. Com o crescimento do uso desta tecnologia no Brasil, o pesquisador entende que esforços devem ser feitos para que haja a disseminação do conhecimento gerado entre pesquisadores e gerentes de obra, com o objetivo de evitar desperdícios de recursos, aumentar a segurança do canteiro, melhorar a produtividade e imagem das empresas. Palavras-chave: ix ABSTRACT Concrete pavement is a growing its application in Brazil and there is an urgent need for better understanding of its site planning peculiarities. Brazilian literature concerning site planning on aspects such as production flow, production layout, site installations and so for, come mostly from building research. In this context, this dissertation was set to study current best known practice among experts on concrete pavement site planning. It used Delphi Method, an approach to obtain gradual and systematic consensus among experts. Seven experts on pavement construction, all of them with large experience in Brazil, took part on this research. Nearly 90% of de questions presented in the original questionnaire reached consensus among experts. The results confirmed the need for reinterpretation of site planning on the building literature when it comes to apply it into concrete pavement construction. Indeed, 45% of the resulting best practice check-list was specific to concrete pavement construction sites. With the growing use of such technology in Brazil the researcher understands that efforts need to be made in order to disseminate the knowledge presented in this dissertation among researchers and practitioners in the field in order to promote waste reduction, productivity improvement, better image of concrete pavement construction and, finally, better safety practices. x Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 1 1 INTRODUÇÃO Orientação: Escrever sobre canteiros – genérico, e o mais abrangente possível. SEMPRE com referências bibliográficas. A pavimentação rodoviária brasileira tem crescentemente adotado o pavimento de concreto como solução tecnológica haja visto as vantagens de durabilidade e baixo custo de manutenção durante a vida útil que a mesma oferece (CARVALHO, 1998). Com o avanço no volume de aplicações no país faz-se necessário à investigação dos aspectos gerenciais relacionados a esta tecnologia. Neste contexto, esta dissertação procura contribuir com o avanço desta tecnologia no Brasil através da definição de diretrizes básicas para o planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto. A história do pavimento de concreto é relativamente recente no contexto da construção a nível mundial. Esta tecnologia apareceu primeiramente nos Estados Unidos, em 1893, de acordo com a American Concrete Pavement Association – ACPA, quando o químico George Bartholomew construiu o primeiro pavimento de concreto que se tem notícia. Em 1956, com a introdução de equipamentos mecanizados para confecção de pavimento de concreto nos Estados Unidos, por meio do invento do engenheiro James Johnson (pavimentadora de concreto deslizante slipform), da Comissão de Rodovias do Estado de Iowa, iniciou-se um grande impulso na evolução desta tecnologia. Com o invento de James Johnson decorreu uma série de outras inovações tecnológicas, principalmente no que tange às centrais de concreto de grande porte e equipamentos auxiliares de alta performance (ACPA, 2002). Com a disseminação destes equipamentos e seus processos construtivos associados, diversos países do mundo implementaram a técnica de pavimentação de concreto em suas rodovias, ressaltando-se além dos Estados Unidos (HALL 1999, p. 210), Alemanha, França, Bélgica, Itália, Áustria (DARTER et al, 1992), a Espanha (JOFRÉ; FERNÁNDEZ, 1999, p. 302-303), México (ARGÜELLO, 1998, p. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 2 295), Argentina (CABALLERO, 1999, p. 269), Bolívia (SANTIAGO; ESPINOZA, 1999, p. 325), El Salvador (GONZÁLEZ, 1999, p. 335-336). Apesar da relativa baixa percentagem do pavimento de concreto no Brasil (2% das vias pavimentadas) em relação a outras tecnologias de pavimentação, o país foi um dos pioneiros no mundo em sua implantação. Diversas ruas da cidade de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul, já recebiam este tipo de pavimento em 1925. Desde então inúmeras obras foram executadas no Brasil desde aeroportos, rodovias, ruas urbanas, portos, entre outros (ABCP, 2002). Similarmente ao que ocorreu em outros países, os avanços tecnológicos verificados no Brasil com respeito ao pavimento de concreto têm sido fortemente decorrentes da importação de equipamentos e capacitação de profissionais da área de pavimentação. Contudo, apesar de todo o avanço tecnológico verificado a nível nacional, o gerenciamento de obras de pavimento de concreto apresenta reduzido volume de publicações nacionais e especialistas brasileiros no assunto. Muito do conhecimento existente no que tange o gerenciamento destas obras no país, encontra-se presente de forma tácita entre especialistas e, de maneira geral, não se encontra formalizado. A revisão, caracterização, formalização e estruturação de tal conhecimento é alvo desta dissertação. 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA Esta dissertação contribui para a adequada introdução da tecnologia de pavimentação em concreto no Brasil através da investigação da teoria e prática do planejamento de canteiros de obra. Existe já considerável volume de publicações no setor de edificações sobre o planejamento de canteiros de obra, literatura esta que oferece grande oportunidade de transferência de práticas para as obras em pavimento de concreto. Isto, aliado ao vasto conhecimento existente sobre o processo de construção de pavimento de concreto e, também, ao conhecimento não formalizado dos especialistas na área, resultam no problema de pesquisa que esta dissertação se propõe a responder: Quais são as diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto? Giublin, C. R. 1.2 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 3 OBJETIVO O objetivo desta pesquisa é estabelecer diretrizes básicas para o planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto, no que se refere aos seus componentes. Por componentes, entendem-se todos os objetos físicos que farão parte do canteiro, desde o escritório do engenheiro até as instalações industriais. O desenvolvimento da pesquisa deverá contemplar a revisão do conhecimento existente na literatura e a captação do conhecimento tácito presente em especialistas da área. 1.3 HIPÓTESES • Têm-se como hipótese central desta pesquisa que grande parte do conhecimento existente na literatura do setor de edificações será passível de aplicação na área de pavimentação de concreto; • Da mesma forma entende-se que o conhecimento presente entre especialistas acerca do tema deverá convergir para um alto nível de consenso. 1.4 MÉTODO DE PESQUISA Tendo em vista a necessidade de captação de conhecimento junto a um grupo de especialistas, aliada à necessidade de buscar diretrizes consensuais, optou-se por adotar o Método Delphi como principal instrumento de realização desta pesquisa. Este método consiste na obtenção sistemática de consenso através de rodadas sucessivas de um conjunto de questões tratando das práticas de planejamento de canteiros de obra de pavimentos de concreto. A revisão bibliográfica que fundamentou as questões colocadas ao grupo de especialistas centrou-se em dois tópicos principais: o processo de construção de pavimento de concreto e o planejamento de canteiros de obra. Giublin, C. R. 1.5 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 4 LIMITAÇÕES Apesar do volume de obras em pavimento de concreto encontrar-se em nítida ascensão no Brasil (ABCP, 2002), o número de especialistas na área ainda é relativamente reduzido. Nesta pesquisa participaram sete especialistas, além do próprio autor, todos das regiões sul e sudeste do país, com experiência mínima de três anos na execução de obras utilizando esta tecnologia, porém, com experiência média de quinze anos na concepção e gestão de obras de pavimentação em geral. Não será foco desta pesquisa, o estudo dos parâmetros para dimensionamento dos componentes do canteiro, assim como os parâmetros para a disposição física dos mesmos no tempo e espaço. 1.6 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO O Capítulo 1 apresenta o problema de pesquisa e o objetivo/hipótese associado, bem como as principais justificativas para a realização desta dissertação, o método de pesquisa adotado e as limitações verificadas para o desenvolvimento desta investigação. O Capítulo 2 discorre sobre os tipos de pavimentos mais usuais, apresentando ao leitor o contexto histórico do desenvolvimento do pavimento de concreto a nível internacional e nacional, recentes avanços tecnológicos e perspectivas mercadológicas. Objetiva-se com este capítulo situar o leitor com respeito ao passado, presente e provável futuro desta tecnologia no Brasil. O Capítulo 3 trata sobre o processo de construção de pavimentos de concreto, fornecendo subsídios para o questionário utilizado na fase de campo, bem como, para a etapa de análise dos resultados e formulação das diretrizes para planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto. O Capítulo 4 complementa os capítulos anteriores através da revisão sobre os principais aspectos relevantes sobre o planejamento de canteiros de obra, porém sob a ótica da literatura de edificações. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 5 O Capítulo 5 refere-se ao método de pesquisa utilizado (“levantamento”) e a ferramenta adotada para coleta e análise de dados (“Método Delphi”), incluindo os critérios de seleção dos especialistas, a estratégia de análise e validação dos resultados. O Capítulo 6 trata da apresentação dos resultados obtidos na aplicação do Método Delphi junto aos especialistas e a correspondente análise destes resultados. Este Capítulo utiliza na análise a descrição do processo de construção de pavimentos de concreto apresentados no Capítulo 3 e, também, a revisão do conhecimento existente sobre planejamento de canteiros de obra no setor de edificações descrito no Capítulo 4. Apresenta as diretrizes em formato de lista de verificação, sendo este um dos principais resultados desta dissertação. O Capítulo 7 apresenta as recomendações para trabalhos futuros. conclusões finais da pesquisa e as Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 6 2 INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO 2.1 CONTEXTO O Capítulo 1 apresenta os principais aspectos que levaram à realização desta pesquisa, como o problema e objetivo, o método de pesquisa e as limitações encontradas. O presente Capítulo define e introduz as tecnologias de pavimentação, dando ênfase particular ao pavimento de concreto, sendo que para este último são apresentados os aspectos principais sob a ótica histórica e mercadológica. Estas informações são relevantes para o Capítulo 3 seguinte, onde é apresentado o processo de construção de pavimento de concreto propriamente dito. 2.2 INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO 2.2.1 Definições O pavimento, de uma maneira genérica, pode ser definido, como a infraestrutura das rodovias, aeroportos, ruas, pátios e outros, constituído de um sistema de camadas de espessura finita, assentes sobre um semi-espaço considerado teoricamente como infinito, chamado de infra-estrutura ou terreno de fundação. Destina-se a resistir e distribuir a esta infra-estrutura as solicitações oriundas dos veículos e melhorar as condições de rolamento dos mesmos, quanto ao conforto e segurança. É uma estrutura de diversas camadas constituída de materiais com resistências e deformabilidade diferentes, resultando em sistema de elevado grau de complexidade no que se refere ao cálculo das tensões e deformações (SOUZA, 1980, p. 9). Em uma conceituação mais ampla, o “Manual de Pavimentação Betuminosa” da Barber-Greene (1963, p. 1-3), cita que as cinco finalidades básicas da construção de vias pavimentadas são: a) suportar as cargas produzidas pelo tráfego; b) proteger o leito da estrada contra a entrada de água; c) reduzir a perda dos materiais superficiais; Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 7 d) obter uma textura superficial adequada; e) promover resistência às intempéries. Por sua vez, SOUZA (1981, p. 221) define que o objetivo principal da pavimentação é assegurar a serventia da via, tornando-a apta a resistir ao tráfego e a ação das intempéries. SENÇO (1997, p 6-7) define pavimento como sendo a estrutura construída sobre a terraplenagem e destinada, técnica e economicamente, a resistir aos esforços verticais advindos do tráfego de veículos e distribuí-los. O mesmo autor chama a atenção ao fato de que o pavimento deve contribuir para melhorar as condições de rolamento em quesitos tais como conforto e segurança e, também, resistir aos esforços horizontais (desgaste), tornando mais durável a superfície de rolamento. Para a NBR-7207 (1982) o pavimento é definido como “uma estrutura construída após a terraplenagem e destinada, econômica e simultaneamente, em seu conjunto a: a) resistir e distribuir ao subleito os esforços verticais oriundos dos veículos; b) melhorar as condições de rolamento quanto ao conforto e segurança; c) resistir aos esforços horizontais que nela atuam tornando mais durável a superfície de rolamento.” 2.2.2 Classificação dos Pavimentos No que se refere à classificação dos pavimentos, a terminologia consagrada pela literatura internacional, classifica os diversos tipos de pavimentos, baseadas nas diversas camadas e materiais disponíveis na natureza, em duas grandes categorias: os pavimentos flexíveis e os pavimentos rígidos (SENÇO, 1997, p. 22; YODER; WITCZAK, 1976). Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 8 Para YODER e WITCZAK (1976, p. 5), o pavimento flexível consiste de numa camada asfáltica de revestimento, relativamente fina, construída sobre uma camada de base e uma camada de sub-base, apoiando-se num subleito compactado. O pavimento rígido é formado por concreto de cimento Portland e pode ou não ter uma camada de sub-base entre o pavimento e o subleito. A diferença essencial entre os dois tipos de pavimentos está na maneira com as cargas se distribuem para o subleito. Uma outra maneira de se entender a diferença entre as duas categorias de pavimento é apresentada por BALBO (1997, p. 12-13), que faz uma analogia com o comportamento estrutural de uma viga. Considerando uma viga plana bi-apoiada tendo um carregamento cíclico aplicado no meio da sua extensão; duas hipóteses poderiam acontecer, após inúmeras aplicações da carga. Em uma das possibilidades, a viga apresentaria uma capacidade de deformação elástica (recuperável) de magnitude muito superior à deformação plástica (permanente) ocorrida. Esta última deformação é representada por uma alteração da superfície superior da viga em relação ao plano original, depois de cessada a ação da força; neste caso, a estrutura deveria ser considerada como rígida. Na outra hipótese, após inúmeras aplicações de carga, o somatório das deformações plásticas ocorridas na viga seriam de maior magnitude que a deformação elástica verificada a cada aplicação de carga; nesta situação, a estrutura deveria ser considerada flexível. Entre estas duas categorias de pavimento há situações intermediárias em que é difícil estabelecer a qual categoria um determinado pavimento pertence. São pavimentos que empregam bases tratadas com cal, cimento, e até com certos tipos de misturas betuminosas, bastante resistentes à tração. Em função das suas características são chamados de pavimentos semi-rígidos ou semiflexíveis. Não obstante, SOUZA (1981, p. 224-228) também cita como tipos de pavimentos, os que são revestidos com cascalhos, solos estabilizados naturalmente, paralelepípedos e outros, mais usuais em vias de baixo tráfego. Contudo estes tipos de pavimento não fazem parte do escopo deste trabalho. Giublin, C. R. 9 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto Entre as diversas nomenclaturas existentes, e das variantes que são implementadas aos tipos e formas de pavimentos, BALBO (1997, p. 15) defende uma uniformização dos termos usuais em pavimentos, a saber: • pavimento rígido: é o pavimento cuja camada superior, absorvendo grande parcela de esforços horizontais solicitantes, acaba por gerar pressões verticais aliviadas e bem distribuídas sobre as camadas inferiores (Figura 2.1 – ilustração da esquerda); • pavimento flexível: é o pavimento no qual a absorção de esforços se dá de forma dividida entre várias camadas, encontrando-se as tensões verticais em camadas inferiores concentradas em região próxima da área de aplicação da carga (Figura 2.1 – ilustração da direita). FIGURA 2.1 – DISTRIBUIÇÃO DAS CARGAS AO SUBLEITO DOS PAVIMENTOS RÍGIDOS FLEXÍVEIS HR HF GRANDE ÁREA DE DISTRIBUIÇÃO PEQUENA PRESSÃO PEQUENA ÁREA DE DISTRIBUIÇÃO NA FUNDAÇÃO DO PAVIMENTO PEQUENA PRESSÃO NA FUNDAÇÃO DO PAVIMENTO FONTE: ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Pavimento de Concreto Vantagens. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/cont_pavi2.htm> Acesso em: 05 ago. 2002. A partir da nomenclatura apresenta por BALBO (1997), pode ocorrer de um pavimento asfáltico ser classificado como pavimento rígido, desde que o mesmo apresente características globais condizentes com a definição acima. Procurando uniformizar alguns conceitos, BALBO (1997, p. 14) emprega as expressões “pavimento asfáltico” ou “pavimento de concreto” quando se consegue definir com Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 10 precisão o tipo de camada de rolamento existente na estrutura, mas não obrigatoriamente seu comportamento mecânico no caso de pavimentos asfálticos. Assim, os pavimentos flexíveis, que geralmente são à base de revestimentos asfálticos, serão chamados neste trabalho daqui para frente de pavimentos asfálticos. Igualmente, os pavimentos rígidos, que tem o concreto como material mais empregado, serão chamados neste trabalho daqui para frente de pavimentos de concreto. 2.3 CARACTERÍSTICAS DOS PAVIMENTOS ASFÁLTICOS E DE CONCRETO Este trabalho estuda as características e aplicabilidade dos canteiros de obra para pavimentos de concreto e, para que seja claramente entendida a diferença deste com o pavimento asfáltico é apresentado nas seções seguintes suas principais características. 2.3.1 Pavimentos Asfálticos 2.3.1.1 Caracterização dos pavimentos asfálticos Mudar esta definição – livro do Medina (1997) Ceratti VER COM MHA – NÃO ENTENDI NADA???????? Os pavimentos asfálticos são definidos por SOUZA (1980) como aqueles em que a camada de revestimento deve resistir menos a esforços de tração e o seu dimensionamento é comandado pela resistência ao cisalhamento do subleito. São exemplos os pavimentos constituídos por revestimentos betuminosos delgado sobre camadas normalmente granulares. De acordo com SENÇO (1997, p. 16), o pavimento asfáltico pode ser formado pelas camadas ilustradas na Figura 2.2 e definidas na seqüência: Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 11 FIGURA 2.2 – CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO ASFÁLTICO FONTE: SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora PINI, 1997. • revestimento: camada asfáltica destinada a resistir diretamente às ações do tráfego, garantir a impermeabilização da estrutura do pavimento, melhorar as condições de conforto e segurança de rolamento, e transmitir as ações do tráfego às camadas inferiores de forma atenuada; • base : camada destinada a resistir às ações dos veículos e a transmiti-las, convenientemente para as camadas subjacentes, bem como reduzir as deformações de tração no revestimento; • sub-base: camada complementar a base, tendo as mesmas funções e sempre poderão ser executadas, quando por razões econômicas, for conveniente a redução da espessura da base; • reforço do subleito: camada existente normalmente em pavimentos muito espessos ou subleitos fracos, e tem a função de melhorar a capacidade de suporte do terreno natural. Serviço geralmente complementar a terraplenagem do leito da via, a regularização do subleito, tem como função preparar a fundação para receber a estrutura do pavimento propriamente dita. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 12 2.3.1.2 Vantagens do pavimento asfáltico Formatado A principal vantagem do uso de pavimentos asfálticos é a possibilidade de construção progressiva ao longo da vida útil do projeto. Definindo-se a espessura de projeto para uma determinada vida útil, pode-se diminuir uma parte desta espessura do revestimento do projeto original, em função de seu custo, e à medida que o tráfego vai aumentando, executa-se uma nova camada superposta ao revestimento existente. SENÇO (1997, p. 21) cita que nestes casos podem-se obter pavimentos viáveis economicamente, mas alerta para que se realize análise criteriosa do processo de construção para garantir a adequada vida útil entre as etapas progressivas de execução. Na seqüência serão descritas outras vantagens dos pavimentos asfálticos: (pesquisar referencia – vantagens e desvantagens – dois tipos urgente ????) • existem produtos asfálticos para diferentes solicitações de tráfego, sendo a maioria indicada para tráfego leve e médio; • restauração da pista pode ser realizada com tráfego, observando a segurança dos usuários durante sua construção, por meio de sinalização orientativa; • possibilita boa frenagem aos veículos em pistas molhadas; • oferece destino aos rejeitos do processo de refino do petróleo; • os materiais são recicláveis por técnicas e equipamentos adequados, podendo se incorporar a um novo pavimento. 2.3.1.3 Desvantagens do pavimento asfáltico Abaixo são descritas algumas das principais desvantagens do pavimento asfáltico: • usualmente oferece vida útil inferior a 10 anos para tráfego pesado; Formatado Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 13 deforma-se com tráfego pesado de veículos, formando trilhos de roda, podendo produzir efeitos de aquaplanagem, diminuindo a segurança do usuário; • não resiste a ataques químicos, principalmente de produtos do petróleo (óleo de motor, hidráulico, diesel, entre outros), freqüentemente liberados por veículos automotivos trafegando na via; • geralmente tem espessura total de pavimento maior que as encontradas nos pavimentos de concreto; • necessita de manutenção preventiva e corretiva de forma regular; • apresenta em sua constituição produtos mais poluentes a natureza. 2.3.2 Pavimentos de Concreto 2.3.2.1 Caracterização do pavimento de concreto BAPTISTA (1976, p. 176) e SOUZA (1980, p. 229) definem os pavimentos de concreto como aqueles em que as camadas de revestimento são placas de concreto, que resistem aos esforços de tração, e o seu dimensionamento é comandado pela resistência da própria placa. O exemplo clássico é o pavimento de concreto de cimento Portland. De acordo com SENÇO (1997, p. 17) e SOUZA (1980, p. 12), o pavimento de concreto pode ser formado pelas seguintes camadas, conforme ilustra a Figura 2.3: Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 14 FIGURA 2.3 - CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO DE CONCRETO REVESTIMENTO / BASE SUB-BASE REFORÇO DO SUBLEITO REGULARIZAÇÃO DO SUBLEITO FONTE: SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora PINI, 1997. • revestimento e base: é constituído pela placa de concreto; • sub-base: camada complementar à placa de concreto, com o objetivo de proteção dos solos do subleito. Deve ser constituída de material não erodível e com características de qualidade superiores às do material de reforço; • reforço do subleito: camada intermediária entre o subleito e a sub-base, tendo a função de uniformizar a capacidade de suporte e diminuir eventualmente a espessura da sub-base. O material utilizado deve ter características de qualidade superiores ao do subleito. Serviço geralmente complementar a terraplenagem do leito da via, a regularização do subleito tem como função preparar a fundação para receber a estrutura do pavimento propriamente dita. 2.3.2.2 Vantagens do pavimento de concreto A ABESC (2002), a NCACPA (2002) e a ABCP (2002) citam que o pavimento de concreto tem as seguintes vantagens: • o dimensionamento de projeto típico apresenta período mínimo até a primeira intervenção superior a 20 anos; Formatado Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 15 não se deforma com tráfego pesado e canalizado (ex: corredor de ônibus), em função da resistência do concreto; • resiste a ataques químicos, especialmente produtos derivados do petróleo, em particular aqueles emitidos normalmente por veículos automotivos trafegando na via; • espessura do pavimento geralmente menor que a verificada no pavimento asfáltico com as mesmas premissas de projeto. Consome-se assim menor volume de materiais na construção de uma obra em pavimento de concreto; • serviços de manutenção reduzidos durante a vida útil, sendo que o custo final é em geral menor em relação ao pavimento asfáltico, por não necessitar de recapeamento durante a sua vida útil; • menor interrupção do tráfego ao longo da vida útil, pela diminuição de manutenção periódica; • oferece condições de visibilidade e frenagem adequadas, haja visto que a claridade e rugosidade são características da placa de concreto; • os materiais utilizados são recicláveis ou podem ser gerados a partir de matéria prima reciclada: através da britagem do concreto reciclado de vias em restauração, por exemplo, obtêm-se agregados reciclados de concreto. Além disto, segundo PITTA (1999, p. 117) o cimento, que é parte integrante do concreto, utiliza muitos subprodutos gerados nas indústrias, isto é, escória de alto forno, cinzas volantes de termoelétricas, gesso sintético, etc, retirando do meio ambiente, produtos poluentes. Utilização de rejeitos da construção nos concreto já é uma realidade em alguns países, inclusive o próprio reaproveitamento dos concretos envelhecidos, que se tornam em agregados, depois de britados, e retornam ao concreto novo. Giublin, C. R. 16 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 2.3.2.3 Desvantagens do pavimento de concreto Formatado As principais desvantagens do pavimento de concreto são as seguintes: • não é recomendado para construção por etapas; • normalmente não é recomendado para tráfego leve; • não pode ter tráfego durante a construção; • concreto necessita de resistência para liberação ao tráfego, o que impede o uso antes da efetiva cura do mesmo. 2.4 CRITÉRIOS DE DECISÃO PARA ESCOLHA ENTRE PAVIMENTO ASFÁLTICO OU DE CONCRETO Um fator importante a considerar é a escolha do tipo de pavimento a adotar em cada caso, que geralmente é uma função direta das características de uso e dos recursos financeiros, além de um grande número de variáveis econômicas e técnicas, sendo assim um problema bastante complexo (SOUZA,1981, p. 222). Com os recursos computacionais disponíveis hoje no mercado, a análise dos diversos tipos de pavimento na relação custo x benefício tornou-se uma atividade especializada, e leva-se em consideração, inclusive, todo o custo ao longo do ciclo de vida e não somente os custos de construção. Contudo, é prática corrente pelos órgãos públicos no Brasil, a análise comparativa simples dos custos de construção, não levando em consideração os custos de manutenção, restauração e operação dos veículos. SOUZA (1980, p. 323) aborda a problemática de dimensionamento dos pavimentos e a escolha correta para cada caso, considerando diversos fatores que direta ou indiretamente influenciam no projeto, tais como: a) os materiais e a sua resistência à ruptura e deformabilidade; b) o tráfego, considerando a carga total, pressão de contato, configuração geométrica das rodas e dos eixos, repetições das cargas e velocidade diretriz; Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 17 c) o clima, na análise da chuva, da temperatura e profundidade do lençol freático; d) os custos, que determinarão a viabilidade econômica da solução técnica adotada. Na análise de escolha do tipo de estrutura de pavimento, SENÇO (1997, p. 38) apresenta um fluxograma (Figura 2.4) com a seqüência dos estudos necessários para definição de qual pavimento deverá ser executado entre as diversas opções possíveis. Estes estudos convergem para diversas opções, que deverão ser analisadas do ponto de vista econômico-técnico, chegando à seleção da estrutura do pavimento. FIGURA 2.4 – VISÃO GERAL DO PROCESSO DE SELEÇÃO DA TIPOLOGIA DE PAVIMENTO FONTE: SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora PINI, 1997. Este fluxograma permite uma visualização de todas as etapas e informações necessárias para se obter à solução definitiva do pavimento, bem como o feed-back das diversas atividades realizadas posteriores a sua construção. Na etapa do estudo das alternativas, deve-se levar em consideração a disponibilidade da tecnologia disponível junto às empresas construtoras e profissionais na região. No contexto de Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 18 canteiros de obra para pavimentos de concreto, ele se enquadra na análise do projeto, na construção e nas diversas etapas de reabilitação do pavimento. 2.5 HISTÓRICO DO PAVIMENTO DE CONCRETO Na seqüência, será descrito um breve histórico do pavimento de concreto em diversos países do mundo, incluindo o Brasil, e a situação de seu desenvolvimento. 2.5.1 Visão Internacional O pavimento de concreto apareceu primeiramente nos Estados Unidos, em 1893, de acordo com a ACPA (2002) quando o químico George Bartholomew desafiou a prefeitura da cidade de Bellefontaine, no Estado de Ohio, a pavimentar a rua em frente a sua farmácia. Propôs pavimentar a rua com recursos próprios utilizando um produto durável e, se a mesma suportasse o tráfego por mais de cinco anos, a prefeitura deveria ressarcir os custos envolvidos. Deste desafio, surgiu o primeiro pavimento de concreto que se tem notícias no mundo. Esta rua, está até hoje em uso, agora como calçada para pedestres, completando 109 anos de vida útil. No website da NCACPA (2002), encontra-se o histórico dos primeiros pavimentos de concreto executados nos Estados Unidos, e relacionam-se abaixo algumas rodovias construídas nesta época: 1893 - Court Avenue – Bellefontaine, OH 1909 - Wayne Country – “First mile” 1910 - Grand Forks, ND 1913 - Pine Bluff, AK – 24 mile long – First Highway 1920 - Marcopa County, AZ – 255 km 1930 - Pennsylvania Turnpike As agências de transporte dos Estados Unidos continuam a utilizar pavimentos de concreto em diversos locais até os dias de hoje. HALL (1999, p. 210) cita que nas Rodovias Federais dos EUA o uso de concreto é de 7%, sendo que os pavimentos compostos de concreto com asfalto chegam a 15%. Nas Rodovias Interestaduais, o uso chega a 30% e nos perímetros urbanos, 38% das vias são em Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 19 concreto. Cita também, que nas grandes cidades, como New York, Chicago, Dallas e Los Angeles, em função do alto tráfego de caminhões, as rodovias interestaduais que cruzam estas cidades são construídas e reconstruídas em concreto, por decisão dos Estados. Os outros locais de uso são aeroportos e portos que recebem cargas pesadas e as vias arteriais das grandes cidades. A técnica de pavimento de concreto, executada primeiramente nos Estados Unidos, não demorou a se alastrar no mundo. Logo as primeiras experiências surgiram na Europa e em alguns países, sendo que sua adoção tem se mantido crescente. O Report on the 1992 U.S.Tour of European Concrete Highways, relatório resultante de uma missão técnica à Europa de engenheiros de diversas associações e órgãos americanos, relata o histórico dos principais países da Europa que desenvolveram e aplicaram tecnologia de pavimentos de concreto (DARTER et al, 1992): • Alemanha: datam da década de 20 os primeiros pavimentos de concreto, principalmente executados nas autobans (ou rodovias federais) e aeroportos. Também nesta época algumas paradas de ônibus foram construídas em concreto na cidade de Berlim. Apesar da Segunda Grande Guerra Mundial, muitos pavimentos de concreto executados nas décadas de 20 e 30 ainda estão em uso até hoje naquele país. Cerca de 30% das autobans são construídas em concreto, correspondendo em 1992 a 4.200 km. Os principais aeroportos da Alemanha têm suas pistas de pouso e pátios de estacionamento em concreto; • França: os primeiros pavimentos são datados de 1939 e até 1960 poucas rodovias foram executadas. A partir da década de 60, com adaptação dos processos de projeto e dimensionamento americano, aconteceu um incremento de construção de pavimentos de concreto. Em 1992, mais de 900 km de rodovias principais eram em concreto, representando 15% destas rodovias na França. Em rodovias secundárias e aeroportos também são utilizados pavimentos de concreto. Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 20 Holanda: iniciou a execução de pavimentos de concreto na década de 50. Foram construídos em rodovias principais, secundárias e aeroportos. Diferentemente dos outros países, muitas ciclovias são executadas em concreto, já que as bicicletas são usadas em grande quantidade na Holanda; • Bélgica: a primeira experiência em concreto aconteceu em 1925, ao sul de Bruxelas, e este trecho estava em operação na data da visita da missão de DARTER et al. (1992). Aproximadamente 40% das rodovias principais são em concreto; • Áustria: começou a executar pavimentos de concreto nos anos 40. Ainda existem pavimentos desta época em uso no país. A estatística de uso desta tecnologia, em 1992, era de 46% das rodovias principais; • Suíça: tem tradição de construção de pavimentos de concreto por mais de 70 anos, sendo que muitos estavam em operação em 1992. Utilizam em rodovias principais e desenvolvem programas de aumento da qualidade dos pavimentos de concreto; • Itália: executou pavimentos de concreto no período de 1950 a 1975. Desde então poucas rodovias estão sendo construídas com concreto, somente em alguns casos como estrutura de base para pavimento asfáltico. Na Espanha, segundo JOFRÉ e FERNÁNDEZ (1999, p. 302-303), os primeiros pavimentos de concreto datam de 1915, mas até a década de 60, poucas obras foram realizadas. Nos anos de 1960 a 1965, iniciou-se na Espanha a construção de alguns trechos de rodovias com técnicas modernas. A partir de 1970, foram introduzidos os equipamentos de alta produtividade, principalmente as pavimentadoras de forma deslizantes, para construção de grandes rodovias, aeroportos e pátios industriais. Em 1985, Portugal iniciou uma grande mudança do perfil das suas rodovias, introduzindo diversas técnicas de pavimentação, entre elas a de pavimento de Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 21 concreto continuamente armado. De acordo com PINELO (1999, p. 131), esta escolha permitiu aumentar a capacidade de carga dos pavimentos, reduzir as intervenções de conservação e incentivou estudos de investigação e de desenvolvimento de pavimentos. Na América do Sul e Central, apesar de muitos países realizarem pavimentos de concreto em períodos diversos, não se conseguiu, salvo raras exceções, manter um nível de desenvolvimento sustentado desta tecnologia, por motivos de ordem técnica, financeira e política. Somente na metade da década de 90, com a abertura dos mercados mundiais, e principalmente com a estabilidade política de alguns países latinos, a técnica retornou a ser avaliada e usada pelos engenheiros rodoviários. O México iniciou em 1993 um programa de âmbito nacional para recuperação e implantação de rodovias. Este programa adotou o pavimento de concreto em várias das rodovias construídas, utilizando equipamentos de alta produtividade. Segundo ARGUELLO (1998, p. 295), foram executados nos cinco anos seguintes mais de 2.500 km de rodovias em concreto no México. Na Bolívia, segundo SANTIAGO e ESPINOZA (1999, p. 325), o pavimento de concreto foi desenvolvido primeiramente nos aeroportos, sendo o primeiro construído em 1965. A primeira rodovia em concreto foi construída em 1978, estando em uso até hoje. Poucas vias foram pavimentadas em concreto desde então. Em El Salvador, segundo GONZÁLEZ (1999), o início da construção ocorreu nos anos 30 e 40, em vias urbanas do interior do país. Em 1971, foi construída a primeira rodovia em concreto num trecho de 12 km. A partir de 1998, reiniciaram os estudos para construção de vias em concreto, com projetos totalizando 220 km em vias urbanas e rurais. No Chile, segundo MUÑOZ (1999, p. 55), das rodovias pavimentadas, 21% são em concreto, representando até o momento o maior percentual de uso desta tecnologia na América do Sul. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 22 2.5.2 Visão Nacional Na América do Sul o Brasil foi um dos pioneiros a construir pavimentos de concreto. Diversas ruas da cidade de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul já recebiam este tipo de pavimento, em 1925. Outras obras de destaque neste período inicial de adoção do pavimento de concreto no país são: • 1926: a estrada do Caminho do Mar, em SP; • 1929: a estrada de Itaipava, RJ; • 1935: o trecho Sucupira – Vila Militar Floriano Peixoto, na Rodovia chamada hoje de BR 101, e a estrada de Belém, em Recife, ambas no Estado de Pernambuco. VIEIRA FILHO (1993, p. 6), na sua dissertação de mestrado, descreve o desenvolvimento do pavimento de concreto no Estado de Pernambuco, que chegou a ter nos anos 70, 34% da malha rodoviária em concreto. PALAZZO e LEITE (1998, p.91) citam que os Estados do Rio Grande do Sul e de Pernambuco construíram diversos pavimentos de concreto em ruas, avenidas e estradas, tendo algumas mais de 50 anos de uso. De acordo com a ABCP (2002), as obras de maior destaque em pavimentos de concreto executados no Brasil nas últimas décadas são as listadas a seguir: • anos 40: aeroportos Guararapes (PE), Zumbi dos Palmares (AL), Pinto Martins (CE) e Augusto Severo (RN), aeroportos Santos Dumont (RJ) e Congonhas (SP), avenida Edson Passos (RJ), rodovias Anchieta e Anhanguera (SP); • anos 50: vias urbanas no Rio de Janeiro (RJ), rodovias em PE e PB; • anos 60: rodovia Rio – Petrópolis (RJ), rodovia Rio – Teresópolis (RJ), rodovia Itaipava – Teresópolis (RJ), vias urbanas em Porto Alegre (RS); • anos 70: interligação Anchieta – Imigrantes (SP), rodovia dos Imigrantes (SP), rodovia Sapucaia – Gravataí (RS), aeroporto do Galeão (RJ); Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 23 anos 80: rodovia Serra do Rio do Rastro (SC), rodovia Pedro Taques (SP), anel viário de Belo Horizonte (MG), aeroportos de Cumbica (SP) e Confins (MG); • anos 90: nesta década, iniciou-se a expansão dos pavimentos de concreto no Brasil, como por exemplo, avenida Assis Brasil (RS), rodovia Contorno Sul de Curitiba (PR), marginais da rodovia Presidente Dutra (SP), rodovia BR-290 (RS), Rodoanel de São Paulo (SP), rodovia MT -130 (MS), rodovia BR 232 – Recife-Caruaru (PE), pista descendente da rodovia dos Imigrantes (SP), entre outras. Estas obras foram importantes para o início do domínio desta tecnologia, mas a estatística de utilização dos diversos tipos de pavimentos no Brasil ainda é favorável ao pavimento asfáltico. Segundo dados do GEIPOT (2000), o Brasil tinha no ano de 2000, 1.724.929 km de rodovias, sendo apenas 164.988 km de rodovias pavimentadas. Desta extensão, a ABCP (2002) cita, posteriormente, que 2% são pavimentados em concreto, com utilização em rodovias federais, vias urbanas, portos e aeroportos. De acordo com MEYER (1999, p. 260) a Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP tem adquirido equipamentos modernos de pavimentação para uso no Brasil com o intuito de desenvolver o conhecimento técnico, preparar profissionais para a execução do pavimento, diminuir o custo dos serviços e principalmente disponibilizar mais uma opção de pavimento ao setor. Estes equipamentos são centrais de concreto de grande capacidade de produção e pavimentadoras de formas deslizantes (slipform). O Figura 2.5 mostra a evolução das pavimentadoras no Brasil: Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 24 FIGURA 2.5 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PAVIMENTADORAS NO BRASIL Pavimentadoras 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A ntes de 1996 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Ano FONTE: ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Pavimento de Concreto Vantagens. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/cont_pavi2.htm> Acesso em: 05 ago. 2002. Os equipamentos presentes no país têm se beneficiado da introdução cada vez maior de sistemas de computação e automatismos. Um outro ponto a considerar é a qualidade do produto final que está se obtendo com a utilização das pavimentadoras de formas deslizantes, em função dos sensores existentes nas suas laterais que controlam a espessura e alinhamento do concreto. Os avanços ocorridos na tecnologia do concreto, nos aditivos, métodos de projeto e desenhos, normas de controle de qualidade, entre outros, também estão contribuindo para avanços significantes no desenvolvimento do pavimento de concreto no país. 2.6 DISCUSSÃO No desenvolvimento deste capítulo identificou-se a carência de estudos que comparem os pavimentos asfálticos e de concreto segundo as óticas de projeto, construção, operação, manutenção e uso. Esta situação contribui para a geração de literatura sem cunho técnico-científico adequado, visto que há falta de dados e fatos que subsidiem argumentações robustas e válidas sobre o tema. Associado à falta de literatura comparativa entre tecnologias de pavimentos, encontra-se também a enorme carência da disseminação de modelos de decisão parametrizados para a seleção da tecnologia de pavimentação. Isto por si só Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 25 apresenta-se como um entrave para a maior disseminação da tecnologia de pavimento de concreto no Brasil. 2.7 SUMÁRIO DO CAPÍTULO O pavimento, de uma maneira genérica, pode ser definido, como a superestrutura de rodovias, aeroportos, ruas, pátios e outros, constituído de um sistema de camadas de espessura finita, assentes sobre um semi-espaço considerado teoricamente como infinito, chamado de infra-estrutura ou terreno de fundação. Pavimento rígido é o pavimento cuja camada superior, absorvendo grande parcela de esforços horizontais solicitantes, acaba por gerar pressões verticais aliviadas e bem distribuídas sobre as camadas inferiores. Já o pavimento flexível é aquele no qual a absorção de esforços se dá de forma dividida entre várias camadas, encontrando-se as tensões verticais em camadas inferiores concentradas em região próxima da área de aplicação da carga. O texto do capítulo apresenta as principais características destes pavimentos, incluindo-se aí suas vantagens e desvantagens. O foco desta dissertação é o pavimento de concreto, classificado como um pavimento rígido. O pavimento de concreto apareceu primeiramente nos Estados Unidos, em 1893, de acordo com a ACPA (2002). Na América do Sul o Brasil foi um dos pioneiros países do mundo a construir pavimentos de concreto. Diversas ruas da cidade de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul já em 1925 recebiam este tipo de pavimento. A aquisição de equipamentos modernos de pavimentação tem colaborado para o crescimento do conhecimento técnico no Brasil, demandando profissionais com maior competência técnica específica para a execução desta tipologia de pavimento. Estes e outros fatores apontados no capítulo contribuem para justificar o foco da presente pesquisa na tecnologia do pavimento de concreto. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 26 3 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO 3.1 CONTEXTO O Capítulo 2 apresentou as definições e conceituações das tecnologias de pavimentação, dando ênfase particular ao pavimento de concreto. O presente Capítulo apresenta o processo de construção de obras de pavimentação de concreto, procurando demonstrar à luz da bibliografia nacional e internacional, os processos, métodos, recursos humanos e equipamentos requeridos para a adequada execução. Como o entendimento da dinâmica da tecnologia do pavimento de concreto é fundamental para o adequado planejamento do seu canteiro, as informações apresentadas no presente Capítulo são relevantes para o Capítulo 4 subseqüente, onde é apresentada a revisão bibliográfica dos processos de implantação de canteiros de obra de forma genérica. 3.2 ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DE PAVIMENTO DE CONCRETO As normas e especificações técnicas mais difundidas e relevantes no setor rodoviário e que regem os serviços para pavimentação de concreto no Brasil são as do antigo DNER - Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, hoje DNIT – Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte, dos Departamentos Estaduais de Transporte e da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A literatura sobre o pavimento de concreto apresenta a seguinte seqüência lógica para as etapas de sua construção (BAPTISTA, MATTOS e NETO, 198-, p. 205-213; PITTA, 1998): 1 • Etapa 0 - instalação do canteiro1; • etapa 1 - preparo do subleito e reforço; • etapa 2 - execução da sub-base; Esta etapa é descrita em detalhes no Capítulo 4. 1976, p. 219; FERRARI, Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto • etapa 3 - execução da placa; • etapa 4 - texturização; • etapa 5 - processo de cura; • etapa 6 - execução das juntas, corte e selagem; • etapa 7 - sinalização da pista; • etapa 8 - abertura ao tráfego; • etapa 9 - desmobilização. 27 As descrições das etapas de execução seguirão uma estrutura padrão iniciando pela definição genérica da etapa, materiais e equipamentos necessários, recursos humanos, método executivo, aspectos de contorno. Não são descritos os parâmetros de aceitação destas etapas por fugir do escopo desta dissertação. 3.2.1 Etapa 1 - Preparo do Subleito e Reforço 3.2.1.1 Definição Formatado O subleito é o terreno de fundação dos diversos tipos de pavimento. Apenas a camada superficial do terreno é considerada como subleito, já que as pressões exercidas com o aumento da profundidade são reduzidas a ponto de serem consideradas desprezíveis (SENÇO, 1997, p. 15). Tanto a regularização, como o reforço são constituintes da etapa de preparo do subleito, sendo a descrição de suas características mescladas nas seções a seguir. 3.2.1.2 Materiais Todos os diversos tipos de solos são possíveis de serem utilizados no subleito para pavimentos de concreto, a não ser aqueles que tem alta expansibilidade ou índice de suporte Califórnia igual ou inferior a 2%, blocos de pedras, pedaços de madeira, raízes ou outros materiais em estado de putrefação. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 28 Estes deverão ser removidos em uma profundidade de até 60 cm, na fase de regularização do subleito (PITTA, 1998, p. 23). 3.2.1.3 Equipamentos Formatado As especificações de serviços DNER-ES 299 (1997) e DAER-ES-P 01 (1991) indicam a utilização dos seguintes tipos de equipamento para o preparo do subleito: • motoniveladora pesada com escarificador; • carro tanque distribuidor de água; • rolos compactadores estáticos, vibratórios e pneumáticos; • grade de disco; • pulvi-misturador; • equipamentos para escavação, carga e transporte de material; • trator agrícola. 3.2.1.4 Recursos humanos A mão de obra necessária para execução dos serviços de preparo do subleito é apresentada a seguir: • operador de motoniveladora; • motorista de caminhão tanque de água; • operadores de rolos compactadores; • operador de trator agrícola. Este mesmo operador pode operar o equipamento pulvi-misturador e a grade disco; • ajudantes de equipamento (serventes). Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 29 3.2.1.5 Método executivo Formatado São consideradas operações de preparo da fundação, as correções da camada superficial do subleito e os acertos do leito resultante das operações de terraplenagem. Quando o solo natural não puder ser utilizado, deverão ser substituídos por solo que atenda as especificações que lhes fixem a composição granulométrica, os índices físicos, as condições de compactação e o valor mínimo de suporte (PITTA, 1998, p. 23). Os solos deverão ser compactados em camadas tais que, obtenham no mínimo, 95% da massa específica aparente máxima seca alcançada na energia normal de compactação, de acordo com a NBR-7182 (1986). As normas técnicas recomendam que toda a vegetação e material orgânico existente no leito da rodovia seja removido. Após esta atividade, executar os cortes e/ou aterros necessários para atingir as cotas de projeto (greide), com a escarificação geral do material até uma profundidade de 0,20 m, seguida de pulverização, umedecimento ou secagem, compactação e acabamento. Quando porventura o leito for de rocha, deverá ser prevista a remoção do material até uma profundidade de 0,30 m, com a substituição por material de camada drenante apropriada (DNER-ES 299, 1997, DAER-ES-P 01, 1991). 3.2.1.6 Condição de contorno A especificação de serviço DNER-ES 299 (1997) alerta para a necessidade de se verificar os seguintes fatores previamente à execução do subleito: • exploração das ocorrências de materiais: atendimento às especificações DNER-ES 281 (1997) e DNER-ISA 07 (1997) que se refere à instrução de serviço ambiental na busca por jazidas e outras fontes de material; • execução: cuidados na disciplina dos fluxos de equipamentos da obra, evitando que os mesmos transitem fora das áreas de trabalho, preservando a vegetação e leitos naturais de rio. As áreas destinadas a estacionamento dos equipamentos deverão estar localizadas em locais que não permitam que resíduos de óleos e lubrificantes sejam carreados Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 30 para os cursos d’água. No caso da garagem ou oficina da obra, deve ser prevista a instalação de coletor de óleo com caixa separadora. 3.2.2 Etapa 2 - Execução da Sub-Base 3.2.2.1 Definição SENÇO (1997) cita que a camada de sub-base é executada anteriormente à base e recomenda que a mesma seja de material melhor que o subleito. Nos projetos modernos de pavimentos de concreto, o uso de sub-base estável, de material não bombeável e homogêneo é uma necessidade para certas condições críticas de solos de subleito (ex: presença no subleito de finos plásticos) (PITTA, 1998, p. 25). A ABNT NBR-7583 (1986), assim como as especificações do DNER e do DAER/RS, citam os diversos tipos e materiais que podem ser utilizados para a subbase de pavimentos de concreto, os quais enquadram-se nas seguintes especificações: • sub-base granular; • sub-base de Concreto Compactado com Rolo – CCR (concreto rolado); • sub-base de Brita Graduada Tratada com Cimento – BGTC • sub-base estabilizada com cimento; • sub-base de solo-cimento; • sub-base de concreto pobre; • sub-base de solo-asfalto. Como este trabalho foca soluções em concreto, a sub-base considerada para efeito de análise será a de Concreto Compactado com Rolo - CCR (Concreto Rolado), sendo objetivo deste estudo somente esta tipologia, seguindo as especificações descritas nas seções seguintes. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 31 3.2.2.2 Materiais Formatado A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) apresenta os procedimentos que deverão ser adotados na execução de pavimentos de concreto com sub-base de concreto rolado, sendo as seguintes características necessárias para os materiais utilizados. 3.2.2.2.1 Cimento Portland Formatado A especificação técnica do DNER-EM 036 (1995) define as exigências para o cimento Portland que deve ser utilizado nos serviços de pavimentação de concreto. Os tipos de cimento Portland mais usualmente utilizados em pavimentos de concreto são, o cimento Portland comum (NBR-5732, 1991), o cimento Portland de alta resistência inicial (NBR-5733, 1991), o cimento Portland de alto forno (NBR-5735, 1991) e o cimento Portland pozolânico (NBR-5736, 1991). A indústria brasileira de cimento fornece todos os tipos de cimento necessários à execução de pavimentos de concreto, e todos podem ser utilizados, devendo-se levar em conta as peculiaridades individuais de cada um, relacionadas às resistências mecânicas, à consistência, à exsudação, entre outras, e as características das obras (PITTA, 1998, p. 15-16). As normas e especificações citam que o armazenamento do cimento a granel ou em sacos, deverá atender as especificações técnicas usuais de controle da qualidade, isto é, em locais sem umidade, sem agentes nocivos, com controle da data de recebimento, entre outros. 3.2.2.2.2 Agregados Os agregados miúdo e graúdo deverão atender as especificações técnicas DNER-EM 037 (1997) e DNER-EM 038 (1997), bem como as exigências da norma NBR-7211 (1983). A seguir, algumas características dos agregados: • agregado miúdo: pode ser proveniente de areia natural de quartzo, sendo a mais apropriada, mas também pode ser utilizada areia artificial resultante de rochas britadas e não alteradas. A dimensão máxima característica da agregado miúdo é de 4,8mm, não sendo admitidos grãos menores do que Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 32 0,075mm (MEHTA; MONTEIRO, 1994, p. 240; PITTA, 1998; DNER-EM038, 1997); • agregado graúdo: pode ser proveniente de pedregulhos naturais (seixos rolados) e do resultado de rochas não alteradas britadas. A dimensão máxima do agregado graúdo para obras normais de concreto é de 50mm (MEHTA; MONTEIRO, 1994, p. 240). No caso de concreto rolado, admitese com dimensão máxima 32mm. Um dos ensaios que caracterizam a qualidade dos agregados graúdos é o ensaio de abrasão Los Angeles. Recomenda-se que os valores resultados deste ensaio não ultrapassem 55% (PITTA, 1998; NBR-7583,1986). Já a especificação técnica do DNEREM 037 (1997) cita que este valor deve ser inferior a 50%. 3.2.2.2.3 Água Formatado Recomenda-se que a água deva ser isenta de teores prejudiciais de substâncias estranhas, presumindo-se satisfatórias as águas potáveis e as que tenham pH entre 5,0 e 8,0. As demais características deverão ser cumpridas de acordo com a NBR-7583 (1986) e DNER-EM 034 (1997). 3.2.2.2.4 Material para cura Formatado A cura da superfície da sub-base deverá ser executada utilizando-se material betuminoso, podendo ser emulsões asfálticas catiônicas de ruptura média (exemplo: CM-30). PITTA (1998, p. 26) cita a utilização de lençóis plásticos e ou papel betumado, como alternativas de materiais para cura. 3.2.2.2.5 Concreto O concreto rolado deverá ser dosado em laboratório, com os materiais disponíveis na obra. Deverá ser determinada a umidade ótima para a máxima massa específica aparente seca da mistura, bem como a resistência à compressão exigida na especificação técnica DNER-ES 322 (1997). As características típicas para o concreto rolado são as seguintes: Formatado Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 33 desempenho do concreto: deverá ter resistência característica à compressão aos 7 dias de fck = 5,0MPa, determinada em corpos-de-prova cilíndricos e rompidos segundo a NBR-5739 (1994); • consumo de cimento: de 80 kg/m3 a 120 kg/m3; • dimensão dos agregados: a dimensão máxima do agregado no concreto rolado não deverá passar de 1/3 da espessura da sub-base ou 32mm, obedecido o menor valor; • grau de Compactação (GC): levando em consideração a energia normal ou intermediária definida na dosagem, e determinada pela NBR-7182 (1986), deverá ser maior ou igual a 100%. 3.2.2.3 Equipamentos A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) indica a utilização dos seguintes equipamentos para a execução da sub-base de concreto rolado: • central de mistura, do tipo betoneira ou centrais fixas (pugmill), para dosagem, adição de água e homogeneização do material; • caminhão basculante ou dumpcrete; • equipamento mecânico para espalhamento do material, podendo ser do tipo vibroacabadora, distribuidora de agregado ou motoniveladora; • rolos compressores autopropelidos dos tipos liso (vibratórios e estático) e pneumático; • placa vibratória; • martelete pneumático para execução de eventual junta de construção; • pequenas ferramentas complementares como pás, enxadas, réguas, etc. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 34 3.2.2.4 Recursos humanos Formatado Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente para esta etapa, tem-se que a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos serviços de sub-base compõe-se de: • operador de central de mistura; • motorista de caminhão basculante; • operadores de rolos compactadores; • operador de placa vibratória; • operador de motoniveladora ou outro equipamento mecânico; • ajudantes de equipamento; • pedreiros; • serventes. 3.2.2.5 Método executivo A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) estabelece as seguintes fases de execução para sub-base de concreto rolado: mistura, transporte, espalhamento, compactação, cura e, finalmente, execução das juntas de construção, conforme descrito a seguir: • mistura: o concreto deverá ser produzido em centrais de misturas, do tipo betoneiras ou em centrais fixas (pugmill), os materiais medidos em peso, exceto o cimento que deverá ser medido em peso; • transporte: o transporte deverá ser realizado por meio de caminhões basculantes ou dumpcrete. É importante que não provoquem a segregação do concreto, devendo o mesmo estar protegido por lona evitando com isso a perda de umidade; Formatado Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 35 espalhamento: o espalhamento poderá ser realizado manualmente ou mecanicamente, sendo de preferência a utilização de vibroacabadoras, distribuidores de agregados ou motoniveladoras, contanto que permita um nivelamento e acabamento superficial condizente com a cota topográfica; • compactação: a compactação deverá ser feita com rolos autopropelidos lisos (vibratórios e estáticos), e em alguns casos específicos, com placas vibratórias. Deve-se tomar cuidado especial no tempo de mistura até o término da compactação, para que o concreto não inicie a sua pega antes de totalmente compactado; • cura: a superfície do concreto rolado deverá ser totalmente protegida após a compactação, para não perder água, devendo ser utilizada pintura betuminosa para tal função; • juntas de construção: no final de cada jornada de trabalho, deverão ser executadas juntas de construção com face vertical e perpendicular ao eixo da via, para facilitar a retomada dos serviços no dia seguinte. 3.2.2.6 Condição de contorno A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) determina os cuidados que deverão ser observados durante as operações de execução do pavimento de concreto, com ênfase a execução da sub-base de concreto rolado: • exploração dos materiais: as pedreiras deverão ter licença ambiental de operação; a localização da pedreira, e das instalações industriais, não poderão ser em área de preservação; planejar a exploração de modo a minimizar os danos inevitáveis aos serviços, e proceder à recuperação ambiental, após a retirada de todos os materiais e equipamentos; não provocar queimadas durante o desmatamento; seguir as recomendações da especificação DNER-ES 279 (1997) para as estradas de acesso. Importante também é a construção de bacias de sedimentação para retenção do pó de pedra, material este produzido pela britagem, evitando o seu carreamento para os cursos d’água. Caso as britas sejam Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 36 produzidas por terceiros, exigir documentação atestando a regularidade das instalações, tanto no aspecto legal como ambiental; • execução: disciplinar o tráfego e estacionamento dos equipamentos; proibir tráfego fora do leito da estrada, evitando danos desnecessários ao ambiente; e destinar áreas específicas para os serviços de manutenção e lubrificação dos equipamentos, de forma que os resíduos produzidos não atinjam os cursos d’água. 3.2.3 Etapa 3 - Execução da Placa 3.2.3.1 Definição A execução da placa de concreto está intimamente ligada ao tipo de equipamento que será utilizado para o espalhamento do concreto. Todas as outras definições para a implantação dos canteiros de obra dependem desta especificação (PITTA, 1998, p. 26). DALIMIER e LUCO (1998, p. 135) citam que a utilização de equipamentos de alto rendimento (pavimentadoras de formas deslizantes e centrais de concreto de grande capacidade de produção) é um recurso com grandes benefícios técnicos e econômicos que merecem especial atenção durante o processo de seleção de equipamentos (vide maiores explicações na seção 2.5.2Capítulo 2). Dentro deste enfoque, as especificações técnicas do DNER e as normas técnicas da ABNT definem separadamente cada processo executivo, e as devidas correlações com os tipos dos equipamentos. Existem diversos tipos de pavimentos de concreto, tais como, pavimento simples, pavimento simples com barras de transferência, pavimento continuamente armado, pavimento estruturalmente armado, etc, (ABCP, 2002). Como medida de simplificação, tendo como foco do trabalho os componentes de canteiro de obra, somente será descrito o pavimento de concreto simples com barras de transferência, por ser o mais usual nas obras brasileiras, seguindo as especificações descritas nas seções seguintes. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 37 3.2.3.2 Materiais Formatado Os materiais necessários para a execução das placas de concreto estão descritos a seguir. Tal descrição é feita tomando como referências principais às especificações técnicas e normas NBR-7583 (1986), DNER-ES 324 (1997), DNERES 325 (1997), DNER-ES 326 (1997) e as considerações de PITTA (1998). 3.2.3.2.1 Concreto Sendo o pavimento de concreto uma estrutura sujeita a ações mecânicas (relacionadas às cargas cíclicas) e ambientais (relacionadas às variações de temperatura e de umidade do ar) de alta severidade, exige elevadas resistências à tração na flexão e à compressão simples. Também, o pavimento de concreto tem proporção entre área e volume muito grande e características peculiares de concretagem. Estas condições exigem um concreto de baixa plasticidade e com uma mínima trabalhabilidade, função direta do tipo de equipamento a utilizar. Neste contexto, PITTA (1998, p. 10) recomenda que a dosagem do concreto para pavimentos seja sempre através de método experimental em laboratório, considerando os aspectos básicos de: • alta resistência mecânica; • baixa relação água/cimento; • consumo mínimo de cimento; • limitação da dimensão máxima do agregado; • consistência seca do concreto; • trabalhabilidade. Para estas características, as normas recomendam que o concreto do pavimento deverá atender aos seguintes requisitos: • desempenho do concreto: atender as especificações de projeto quanto às resistências à tração na flexão e à compressão simples. A resistência à Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 38 tração na flexão será determinada em corpos-de-prova prismáticos, de acordo com as normas NBR-5738 (1994) e NBR-12142 (1991). A resistência à compressão simples será determinada em corpos de prova cilíndricos, de acordo com as normas NBR-5738 (1994) e NBR-5739 (1994); • consumo de cimento: mínimo de 320 kg/m3; • relação água/cimento: deverá ser menor ou igual a 0,55; • abatimento máximo: este deverá ser de acordo com a NM-67 (1996), mas estará sujeito a especificação do equipamento de execução da placa. Nos concreto com abatimento menor que 20mm a consistência deverá ser determinada pelo equipamento Consistômetro VeBe, devido à imprecisão do ensaio de abatimento do cone de Abrams para estes casos (DÍAZ, 1998, p. 85-90); • dimensão de agregados: a dimensão máxima do agregado não deverá exceder entre 1/4 a 1/5 da espessura da placa ou 50mm, obedecendo ao menor valor. 3.2.3.2.2 Cimento Portland Formatado Deverão atender as especificações descritas no item 3.2.2.2.1 – Materiais para sub-base – cimento Portland. 3.2.3.2.3 Agregados Formatado Deverão atender as especificações descritas no item 3.2.2.2.2 – Materiais para sub-base – agregados. 3.2.3.2.4 Água Deverão atender as especificações descritas no item 3.2.2.2.3 – Materiais para sub-base – água. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 39 3.2.3.2.5 Aditivos Formatado Os aditivos são de uso opcional, mas no concreto para pavimento, o uso de plastificantes ou redutores de água e incorporadores de ar, poderão fazer parte das especificações de projeto ou requerido pela obra devido às necessidades operacionais. As especificações técnicas do DNER (ex: DNER-ES 326, 1997) citam que a dosagem deverá ser a recomendada pelos fabricantes dos aditivos, sendo função da temperatura ambiente e outros fatores intervenientes tais como tipo do cimento e agregados. PITTA (1998, p. 20) apresenta uma série vantagens no uso de aditivos, entre elas o aumento da resistência mecânica, melhora da trabalhabilidade, diminuição do tempo de pega, etc. 3.2.3.2.6 Aço Formatado Os aços utilizados para as barras de transferência e barras de ligação, deverão seguir as recomendações da NBR-7583 (1986) e as exigências da NBR7480 (1996), e terão as seguintes especificações: • barras de transferência: aço liso e reto do tipo CA-25; • barras de ligação: aço especial reto do tipo CA-50, admitindo-se o uso de CA-25 de acordo com as características de cálculo do projeto. Excepcionalmente, quando solicitado em projeto, são utilizadas telas soldadas, as quais deverão atender a NBR-7481 (1990). 3.2.3.2.7 Material para cura Os materiais usuais para cura de concreto de pavimentos, e que podem ter emprego alternado, de acordo com as especificações do DNER ES- 324 (1997), DNER ES- 325 (1997) e DNER ES- 326 (1997) são os seguintes: água, tecido de juta, cânhamo ou algodão, lençol plástico, lençol de papel betumado ou alcatroado e compostos químicos líquidos capazes de formar películas plásticas e, por último, material arenoso permanentemente umedecido. PITTA (1998, p. 80) recomenda que em situações críticas de insolação pode-se complementá-las com coberturas móveis de lona. Formatado Giublin, C. R. 40 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 3.2.3.3 Equipamentos Formatado Esta seção trata sobre os equipamentos necessários para a execução das placas de concreto, de acordo com a norma NBR-7583 (1986), e as especificações DNER-ES 324 (1997), DNER-ES 325 (1997) e DNER-ES 326 (1997), primeiramente separando os equipamentos de produção de concreto, passando pelos equipamentos de transporte e espalhamento e concluindo com os equipamentos auxiliares. 3.2.3.3.1 Equipamentos para confecção de concreto Formatado PITTA (1998, p. 39) cita que existe uma ampla faixa de equipamentos para produção de concreto, desde pequenas betoneiras manuais até centrais automatizadas, variando a produção de 5m³ por hora, para as betoneiras pequenas, até 70m³ por hora ou mais, para as centrais automatizadas. A seleção destes equipamentos depende do equipamento de espalhamento e do cronograma da obra. Existem três grupos principais para a confecção do concreto: • betoneiras manuais: são as misturadoras de concreto de 750 a 1000 litros. A faixa de utilização deste equipamento está para uma produção média de 4m3 a 6m3 de concreto por hora2; • central dosadora: estas centrais necessitam de caminhões betoneiras para realizar a mistura do concreto, e são alimentadas com carregadeira de pneus. A faixa de utilização deste equipamento situa-se numa produção de 30m3 até 50m3 de concreto por hora 3; FOTO 2 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Grupo Menegotti – Brasil (www.menegotti.ind.br), CIBI – Companhia Industrial Brasileira Impianti – Brasil (www.cibi.com.br), Atlantica Maq – Indústria e Comércio de Máquinas – Brasil (www.atlanmaq.com.br) , CSM – Componentes, Sistemas e Máquinas para Construção – Brasil (www.csm.ind.br) , Gutward do Brasil – Brasil (www.gutward.com.br), Vibramaq – Brasil (www.vibramaq.com.br) 3 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Liebherr Mixing Technology – Alemanha/Brasil - www.liebherr.com; Betonmac S. A. – Brasil/Argentina - www.betonmac.com; CIBI – Companhia Industrial Brasileira Impianti – Brasil - www.cibi.com.br; Arcen – Arco Engenharia S. A. – Portugal www.arcen.pt; Johnson-Ross – EUA - www.johnson-ross.com; Schwing – Stetter – Alemanha/Brasil www.stetter.com; Simplex – Equipamentos e Sistemas – Brasil - www.simplex.ind.br Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 41 central dosadora e misturadora: são as centrais dosadoras com misturador acoplado, e que dispensam o uso de caminhões betoneiras. Geralmente são automatizadas e de alta produção. A faixa de utilização econômica deste equipamento está para produção acima de 50m3 de concreto por hora 4. FIGURA 3.1 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA ARCEN ARCMOV-80 FONTE: GIUBLIN, C. R. Arcmov-80. 2001. 1 fot.: color.; 10 x 15cm. 3.2.3.3.2 Equipamentos para transporte do concreto A NBR-7583 (1986) cita que o transporte do concreto deve ser realizado em caminhões do tipo dumpcrete, mas se o concreto tiver baixo abatimento (slump), poderá ser utilizado caminhões basculantes comuns. Para tanto, neste último caso, tem que se garantir que o concreto não sofrerá nenhum tipo de segregação (PITTA 1998, p. 45)5. 4 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Liebherr Mixing Technology – Alemanha/Brasil - www.liebherr.com; Betonmac S. A. – Brasil/Argentina - www.betonmac.com; CIBI – Companhia Industrial Brasileira Impianti – Brasil - www.cibi.com.br; Arcen – Arco Engenharia S. A. – Portugal www.arcen.pt; Johnson-Ross – EUA - www.johnson-ross.com; Schwing–Stetter – Alemanha/Brasil www.stetter.com; Simplex Equipamentos e Sistemas – Brasil - www.simplex.ind.br 5 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Facchini S.A. – Brasil - www.facchini.com.br; Fatritol Máquinas Agrícolas – Brasil -www.fatritol.com.br; CIBI – Companhia Industrial Brasileira Impianti – Brasil -www.cibi.com.br; Schwing–Stetter – Alemanha/Brasil - www.stetter.com; Liebherr Mixing Technology – Alemanha/Brasil - www.liebherr.com. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 42 3.2.3.3.3 Equipamento para espalhamento, adensamento e acabamento do concreto No processo de execução das placas de concreto, o tipo do equipamento de espalhamento utilizado define as características do concreto e dos equipamentos complementares. É o principal equipamento e, por isto, todo o planejamento executivo deverá estar baseado nas suas peculiaridades, tais como, produção horária de concreto aplicado, largura de operação, capacitação requerida dos recursos humanos, caminhões, equipamentos complementares, e outros. O concreto deverá ter seu traço estudado para o equipamento escolhido, principalmente no aspecto trabalhabilidade, pois decorre disto à qualidade final do pavimento. Segundo as especificações técnicas do DNER, as normas da ABNT, e PITTA (1998), conforme descrito anteriormente, podem-se classificar os equipamentos de execução de pavimentos de concreto em três tipos diferentes, como descrito a seguir: • equipamento de pequeno porte: os equipamentos de pequeno porte mais usuais no Brasil são as réguas e treliças vibratórias. Basicamente o processo de execução utiliza-se de: a) formas de contenção lateral para o concreto, podendo ser metálica ou de madeira, ou ainda mista; b) vibradores de imersão, usualmente de diâmetro maior que 50mm; c) régua ou treliça vibratória, com motor a gasolina e de deslocamento manual; d) régua acabadora de madeira. De acordo com PITTA (1998, p. 27), a produção de concreto destes equipamentos varia em geral entre 300 e 400m2 por dia, equivalente a cerca de 50 a 55m3 diários de concreto. A mão-de-obra requerida para a concretagem gira em torno de 20 homens com funções diversas. É aplicável para pavimentos com até 22cm de espessura de concreto. A largura recomendada da faixa é de, no máximo, a largura equivalente a uma fileira de placas – 3,5m a 3,6m. As formas serão as guias das réguas ou das treliças e deverão permitir o seu perfeito rolamento. Na Espanha, GARCIA-TORNEL (1988, p. 29) cita que nas vias de baixa intensidade de tráfego do país, é mais usual a utilização de réguas vibratórias, existindo inúmeros modelos no mercado espanhol. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 43 Também FREGOSO (1992, p. 24) cita e recomenda o uso destes equipamentos6 em ruas de baixo tráfego, no caso do México; FIGURA 3. 2 - RÉGUA TRELIÇADA VIBRATÓRIA FONTE: GIUBLIN, C. R. Régua Vibratória. 2001. 1 fot.: color.; 10 x 15cm. • equipamento sobre formas-trilho: é um equipamento de maior porte e produtividade que o anterior. A especificação técnica DNER-ES 326 (1997) discrimina as seguintes unidades que compõe os vários subsistemas deste equipamento: a) formas-trilho metálicas, para contenção do concreto fresco, as quais servem simultaneamente como guias para a movimentação da unidade de adensamento, montada sobre rodas; b) distribuidora de concreto, regulável e com tração própria, possuindo vibradores de imersão, eixo rotor frontal, vibro-acabadora dotada de bitola ajustável e, finalmente, régua alisadora ou acabadora. Esta última pode ser do tipo diagonal ou não, tubular ou oscilante, e de bitola ajustável. PITTA (1998, p. 30) cita que a produção de concreto deste conjunto é normalmente superior a 40m3 por hora, o que pode resultar em produção média diária de 2.000m2 ou mais. A mão-de-obra requerida para a 6 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Dynapac Committed to service and performance – EUA/Brasil - www.dynapac.com; Multiquip Construction and Power Generation – EUA www.multiquip.com; Weber – EUA - www.concretescreed.com; Allen Engineering Corporation – EUA www.alleneng.com; Amida Industries Inc – EUA - www.amida.com; Crown Construction Equipment – EUA - www.crownequip.com; Metal Forms Corporation – EUA - www.metalforms.com. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 44 operação do equipamento e concretagem é usualmente de 15 a 18 homens. No que se refere à largura de operação, depende do tipo do equipamento7, variando de 3,5m a 7,5m ou mais. Esta largura geralmente é ajustável à necessidade da obra; FIGURA 3. 3 - PAVIMENTADORA DE FORMA-TRILHO BIDWELL-5000 FONTE: GIUBLIN, C. R. Bidwell - 5000. 2002. 1 fot.: color.; 10 x 15cm. • equipamento de formas deslizantes: a especificação técnica DNER-ES 324 (1997) discrimina as características dos equipamentos de formas deslizantes, detalhando os acessórios disponíveis. PITTA (1998, p. 33) argumenta que estas máquinas são de concepção complexa, com elevada capacidade de produção, possuindo formas deslizantes. Reúnem em um só equipamento a unidade de recepção, distribuição, regularização, adensamento e a terminação superficial do concreto. Dispensa, assim, o emprego de formas fixas, isto porquê, acopladas às laterais do equipamento vibratório, dispõem de contenções metálicas para o concreto em execução, que deslizam em sintonia com a máquina. A estrutura é montada sobre chassi de esteira ou de rodas pneumáticas, havendo ainda 7 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Gomaco Corporation – EUA www.gomaco.com; Bidwell – EUA - www.bid-well.com; J.D. Concrete Screed – EUA www.jdscreed.com; Somero – Enterprises Inc – EUA - www.somero.com. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 45 um sistema de controle eletrônico de direção e nivelamento por “fio-guia”, sistema este que garante a qualidade do pavimento acabado8. Segundo as especificações técnicas do DNER, descritas no início deste item, diversos equipamentos manuais deverão ser utilizados na execução das placas de concreto, como exemplo, desempenadeiras de madeira, ponte de serviço, régua de nivelamento, ferramentas com ponta de cinzel, etc. A NBR-7583 (1986) define os apetrechos de acabamento que deverão estar nos canteiros de obra e alerta, mais especificamente, para a necessidade de régua de 3,0m de comprimento para controle do desempeno do pavimento. FIGURA 3.4 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES WIRTGEN SP-500 FONTE: GIUBLIN, C. R. SP-500. 2000. 1 fot.: color.; 10 x 15cm. 3.2.3.4 Recursos humanos Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente para esta etapa, tem-se a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos serviços da placa de concreto, independente do tipo de equipamento: • 8 operador de pá carregadeira; Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Gomaco Corporation – EUA www.gomaco.com; CMI Corporation – EUA - www.cmicorp.com; Wirtgen Corporation – Alemanha www.wirtgen.de. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto • motorista de caminhão betoneira ou basculante; • topógrafo ou nivelador; • pedreiros; • serventes. 46 No caso do equipamento de pequeno porte emprega-se, além dos acima mencionados, “operador de central de concreto ou betoneira”, “operador da régua / treliça vibratória”, “vibradorista” e “carpinteiros”. Da mesma forma, no caso de equipamento de formas-trilho utiliza-se também: “operador de central de concreto dosadora”, “operador do equipamento de formas-trilho”, “vibradorista” e “carpinteiros”. Finalmente, no caso do equipamento de formas deslizantes utiliza-se de forma específica, “operador de central de concreto dosadora e misturadora” e “operador do equipamento de formas deslizantes”. 3.2.3.5 Método executivo Após a regularização do subleito e execução da sub-base, a fundação do pavimento estará preparada para receber a etapa de execução das placas de concreto. As especificações técnicas do DNER-ES 324 (1997), DNER-ES 325 (1997) e DNER-ES 326 (1997), bem como a norma NBR-7583 (1986) e PITTA (1998) resumem a seqüência de execução de concretagem das placas de concreto da seguinte forma: • assentamento de formas e/ou trilhos e preparo para a concretagem; • fixação das barras de transferência e de ligação; • confecção e mistura do concreto; • transporte; • lançamento; • espalhamento; Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto • adensamento; • acabamento; • controle de qualidade. 47 3.2.3.5.1 Assentamento de formas e/ou trilhos e preparo para a concretagem Esta atividade será executada somente para os equipamentos de pequeno porte e de formas-trilho. As formas e/ou trilhos deverão ser assentes de acordo com o alinhamento indicado no projeto, uniformemente apoiadas sobre a fundação, e fixadas através de pinos de aço à mesma. Segundo PITTA (1998, p. 35-37), obtémse pavimentos com qualidade, através do correto alinhamento topográfico das formas, não sendo permitido ao longo de toda a seção transversal, espessura inferior a de projeto. A NBR-7583 (1986) determina que antes da concretagem, as formas deverão estar limpas e untadas com óleo, para facilitar a desmoldagem. As especificações técnicas do DNER recomendam que as operações de desmoldagem das formas só poderão ser feitas após 12 horas do acabamento ou quando da certeza de estar o concreto em processo de cura. Inicia-se pela retirada dos pinos ou cravos e, em seguida, retira-se a forma. É absolutamente vedada a utilização de golpes, choques ou batidas com marreta ou outro instrumento parecido, fato que poderia levar ao esborcinamento das juntas. Para as obras que utilizam equipamentos de formas deslizantes, o serviço preliminar é a implantação do sistema de referência, visto que as formas já estão incorporadas no próprio equipamento. Este sistema é composto de hastes fixadas nos dois lados da máquina, espaçadas de 5,0m em 5,0m, na qual é esticado um cabo de aço que servirá de guia para os sensores colocados em quatro pontos do equipamento (dois de cada lado). GARZA (1998, p. 6), reportando experiência em obras de pavimentação no México utilizando este equipamento, considera a correta aplicação deste sistema como um aspecto importante para garantir a elevada qualidade durante a construção quando comparado com alternativas tecnológicas. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 48 3.2.3.5.2 Fixação das barras de transferência e de ligação Formatado VER – NESTE ITEM, DEVE SER EXPLICADO A COLOCAÇÀO DAS BARRAS E NÀO EXPLICAR AS JUNTAS ??? Separar os diversos tipos de equipamentos. Cuidados das aplicações. Bibliografia. 3.2.3.5.3 Confecção e mistura do concreto Formatado O concreto poderá ser produzido por qualquer tipo de misturador de concreto descrito anteriormente, devendo o planejamento definir qual o tipo que atenda ao cronograma da obra e às características dos equipamentos de execução das placas. As especificações técnicas do DNER especificam os erros máximos admitidos para os diversos tipos de materiais, fator este importante na operação do equipamento misturador. NBR-7583 (1986) recomenda a necessidade de ser regulada a produção do concreto com o ritmo de aplicação do mesmo, garantindo continuidade no serviço. No caso específico de uso de equipamentos de formas deslizantes, é recomendado o uso de central de concreto dosadora misturadora, em função da alta produção de concreto por hora. Tal solução visa atender, também, a necessidade de lançamento do concreto na frente do equipamento, permitindo uma produção constante e com qualidade (PITTA, 1998). 3.2.3.5.4 Transporte O transporte poderá ser realizado com qualquer tipo de caminhão descrito anteriormente, sendo a sua seleção dependente das características da obra. Normalmente utilizam-se caminhões betoneiras nos equipamentos de pequeno porte e formas-trilho, e caminhões basculantes comuns ou dumpcrete nos equipamentos de formas deslizantes. Em todos os casos, as especificações técnicas do DNER e a Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 49 norma NBR-7583 (1986) recomendam que se utilize equipamento de transporte que evite a segregação dos materiais componentes da mistura. 3.2.3.5.5 Lançamento Formatado O lançamento do concreto, para equipamento de pequeno porte, será preferencialmente, na lateral da faixa de concretagem para evitar o tráfego sobre a sub-base. Para equipamentos de formas-trilho e de formas deslizantes, é recomendado, segundo PITTA (1998, p. 46-47), o lançamento com o caminhão de ré à frente da máquina. Neste caso, a especificação técnica DNER-ES 324 (1997) condiciona que a sub-base tenha resistência suficiente para resistir ao tráfego sem danificá-la. 3.2.3.5.6 Espalhamento Formatado O espalhamento do concreto, para equipamento de pequeno porte, deverá ser realizado com ferramentas manuais ou, eventualmente, com o auxílio de máquinas, de modo a garantir uma distribuição homogênea e atender a espessura da placa. Para equipamento de formas-trilho, deverá ser utilizado o dispositivo apropriado existente nos próprios equipamentos e, quando necessário, poderá ser auxiliado com ferramentas manuais, evitando-se sempre a segregação do material. Já para o equipamento de formas deslizante, não há necessidade de uso de ferramentas ou máquinas adicionais, pois ele tem dispositivo de espalhamento na sua frente, podendo ser uma rosca sem-fim ou uma pá mecânica. De acordo com PITTA (1998, p. 48), independente do processo de espalhamento, o concreto deve resultar em uma camada solta, contínua e homogênea, de altura constante, e que após as operações de adensamento e acabamento, a espessura seja a prevista no projeto, dentro das tolerâncias admitidas. As operações de adensamento e acabamento são descritas nas seções subseqüentes. 3.2.3.5.7 Adensamento Independente do tipo de equipamento utilizado, o adensamento do concreto deverá sempre ser realizado com vibradores de imersão que tenham dimensões e Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 50 freqüência condizente com a espessura da placa. PITTA (1998, p. 48) cita a necessidade de atingir o grau de densidade ou compactação adequado, sendo o mais elevado possível. As especificações técnicas do DNER recomendam a utilização de vibradores adicionais, quando se aplica concreto com equipamento de pequeno porte e formas-trilho. Já para equipamento de formas deslizantes, uma bateria de vibradores de alta freqüência incorporado à máquina garante a vibração adequada ao concreto. A NBR-7583 (1986) preconiza a necessidade de vibração adicional nas laterais das formas e próximos as juntas, quando em equipamentos de pequeno porte e formas-trilho. Nesta fase, geralmente o concreto se posiciona o mais próximo possível do seu formato final e para tanto, os equipamentos devem estar perfeitamente nivelados. Esta regularidade pode ser verificada utilizando-se uma régua de 3,0 m de comprimento, conforme definem as especificações DNER-ES 325 (1997) e DNER-ES 326 (1997). 3.2.3.5.8 Acabamento Formatado De acordo com as especificações do DNER, a operação de acabamento, utilizando-se equipamento de pequeno porte, será processada após o adensamento, pela régua vibratória, em deslocamentos longitudinais. Nesta fase todas as depressões existentes deverão ser corrigidas, e se necessário, a régua vibratória deverá ser passada mais de uma vez. PITTA (1998, p. 55) cita que o equipamento de formas deslizantes executa esta operação quando desliza sobre o concreto, em uma operação conjunta com o espalhamento e adensamento. Para a especificação DNER-ES 324 (1997) a alimentação contínua de concreto no equipamento de formas deslizantes deverá manter a superfície homogênea no final da operação. 3.2.3.5.9 Controle de qualidade Segundo PITTA (1998), todas as etapas de execução deverão ser controladas, para garantir a qualidade definida no projeto e nas especificações técnicas. Dentre elas, cita que cuidados adicionais deverão ser tomados nos controles das resistências à tração na flexão e na compressão simples dos corposde-prova e da espessura do concreto. As normas NBR 7680 (1983), NBR 12142 Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 51 (1991), NBR 5738 (1994), NBR 5739 (1994), descrevem em detalhes as características deste controle de qualidade. 3.2.3.6 Condição de contorno Formatado As condições de contorno para esta etapa são semelhantes as do item 3.2.2.6, que trata da etapa de execução de sub-base. 3.2.4 Etapa 4 - Texturização 3.2.4.1 Definição Formatado PITTA (1998, p. 56) cita como última fase da execução de um pavimento de concreto, a operação de texturização da superfície. A superfície do pavimento acabada deverá ser plana e desempenada, mas sem contudo ser lisa. Esta operação visa deixar o pavimento com uma rugosidade superficial suficiente para garantir a segurança do tráfego de veículos através do atrito com os pneus. Procurase, também, através da texturização prover a superfície com micro canais (microdrenagem) evitando-se o fenômeno da aquaplanagem. 3.2.4.2 Materiais Formatado Esta atividade não utiliza materiais, somente serviços que são realizados na operação de texturização de um pavimento. 3.2.4.3 Equipamentos Quando se executa pavimentos com equipamento de pequeno porte e formas-trilho, normalmente segundo PITTA (1998, p. 59), utilizam-se vassouras de piaçava como ferramenta de texturização da superfície acabada. Isto é viável pela baixa produção de concreto e pela largura da faixa, que nestes casos geralmente é pequena e permite um vassouramento constante da superfície. De acordo com PITTA (1998), quando se executa pavimentos com equipamento de formas deslizantes, é recomendada a utilização de texturizadora mecânica. É um equipamento dotado de tração própria, podendo ser de pneus ou esteira, que pode executar a texturização e a aplicação do produto de cura Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 52 simultaneamente. Segundo DALIMIER e LUCO (1998, p. 152-153) estes equipamentos podem garantir uma boa qualidade da superfície das placas de concreto e são usados logo a seguir das pavimentadoras de formas deslizantes9. FIGURA 3. 5 - TEXTURIZADORA WIRTGEN TCM-1600 Formatado FONTE: GIUBLIN, C. R. Wirtgen TCM-1600. 1998. 1 fot.: color.; 10 x 15cm. 3.2.4.4 Recursos humanos Formatado Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente para esta etapa tem-se a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos serviços de texturização inclui o operador da texturizadora ou um servente no caso de equipamentos de pequeno porte. 3.2.4.5 Método executivo Normalmente os projetos prevêem a execução de uma superfície que tenha um mínimo de rugosidade, permitindo uma melhor aderência entre a superfície e os pneus dos veículos. Esta rugosidade poderá ser feita utilizando-se texturizadora mecânica, ou vassouras que podem ser de piaçava, ou algum tipo de cerdas. A espessura e o formato da rugosidade deverá ser especificado em projeto. As 9 Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Gomaco Corporation – EUA www.gomaco.com; CMI Corporation – EUA - www.cmicorp.com; Wirtgen Corporation – Alemanha www.wirtgen.de; Bidwell – EUA - www.bid-well.com. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 53 especificações do DNER recomendam que a operação de texturização inicie tão logo possível, após o término do acabamento da superfície. 3.2.4.6 Condição de contorno Formatado PITTA (1998, p. 54) cita que se deve iniciar o acabamento final e a texturização assim que desaparecer o brilho superficial e antes que ocorra o início de pega do concreto. 3.2.5 Etapa 5 - Processo de Cura 3.2.5.1 Definição Formatado Outra operação fundamental dentro da etapa de execução do pavimento é a cura do concreto. As principais funções da cura em um concreto são as seguintes (PITTA, 1998, p. 76): • impedir a evaporação rápida da água de amassamento do concreto; • manter a temperatura do concreto próxima da temperatura ambiente; • manter a temperatura razoavelmente uniforme ao longo da espessura da placa de concreto. 3.2.5.2 Materiais Formatado Os materiais para cura de concreto já foram detalhados no item 3.2.3.2.7 – Material para cura 3.2.5.3 Equipamentos Na execução de placas com equipamento de pequeno porte ou com formastrilho, recomenda-se a utilização de um aplicador de produto de cura, igual aos usados em pulverização na agricultura. De acordo com PITTA (1998), quando se executa pavimentos com equipamento de formas deslizantes, é recomendada a utilização de máquinas que texturizam e aplicam os produtos químicos de cura, sendo estas operações não simultâneas (vide item 3.2.4.3 – Equipamentos). Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 54 3.2.5.4 Recursos humanos Formatado Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente para esta etapa tem-se a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos serviços de cura do concreto como sendo composta de operador do equipamento de texturização e cura ou servente aplicação utilizando equipamento pulverizador costal (semelhante ao equipamento portátil para pulverização de agrotóxicos na agricultura). 3.2.5.5 Método executivo Formatado As especificações técnicas do DNER e NBR-7583 (1986) definem o período total de cura em 28 dias, compreendidos em dois períodos: a cura inicial de 72 horas após o acabamento final da superfície e a cura final, que vai das 72 horas até os 28 dias, e estão descritas a seguir: • cura inicial: a cura inicial deverá ser iniciada imediatamente após o acabamento final da superfície, isto é, após a operação de texturização. Ela se estenderá por 72 horas e poderá ser efetuada com qualquer um dos materiais descritos anteriormente (item 3.2.3.2.7), ou combinação apropriada destes, desde que se garanta uma proteção adequada à superfície do concreto. Deve-se tomar cuidado com as faces laterais expostas das placas, quando da retirada das formas ou quando da passagem da pavimentadora de formas deslizantes. Na pavimentação utilizando equipamentos de formas deslizantes, é mais usual a utilização somente de produtos químicos, geralmente com pigmentos de cor branca, a base de PVA ou polipropileno (PITTA, 1998); • cura final: após o período inicial de 72 horas, deve-se manter o mesmo procedimento até o final da cura. Quando se utiliza água, deve-se manter a superfície permanentemente úmida. Com os produtos químicos, que formam uma película plástica, normalmente não necessitam de nenhum outro cuidado adicional. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 55 3.2.5.6 Condição de contorno Formatado Para esta atividade, é necessário que exista uma proteção contra o acesso de veículos, pessoas e animais, em toda a extensão do trecho executado, já que nas primeiras horas o concreto estará fresco, e passível de deformações plásticas. 3.2.6 Etapa 6 - Execução das Juntas - Corte e Selagem 3.2.6.1 Definição PITTA (1998, p. 61) classifica as juntas conforme a posição (transversais e longitudinais) e conforme a função (de retração, de construção, de articulação e de expansão), o que têm implicações diretas no método executivo conforme descrito a seguir: • juntas transversais de retração: a NBR-7583 (1986) determina que as juntas transversais devem ser retilíneas em toda a sua extensão e em toda a sua largura. Devem também, ser perpendicular ao eixo longitudinal do pavimento, salvo, em algumas situações particulares e que deverão ser definidas em projeto. A função principal é de combater o aparecimento de fissuras devidas à retração volumétrica do concreto, em função da retração hidráulica que ocorre durante a passagem do estado plástico (concreto fresco) para o estado elástico (concreto endurecido) (PITTA, 1998, p. 61). • juntas longitudinais: podem ser divididas em dois tipos: de construção e de seção enfraquecida, com ou sem barras de ligação. Normalmente a “junta de construção” é a mais usual, porque geralmente executam-se larguras que representam a metade da pista. • juntas de expansão: são juntas que controlam a movimentação longitudinal por dilatação do concreto em épocas de temperaturas elevadas, em locais e situações especiais, como no encontro do pavimento com outras estruturas – por exemplo, pontes e viadutos. (PITTA, 1989, p. 71); Formatado Giublin, C. R. • 56 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto juntas de construção: dividem-se quanto à posição, em transversais e longitudinais. As juntas longitudinais de construção confundem-se com as juntas longitudinais já tratadas anteriormente. As juntas transversais de construção são aquelas que encerram a jornada diária de trabalho, e deverão ser executadas tão logo o equipamento de espalhamento deixe o local da junta. A adequada execução das juntas nos pavimentos de concreto é fundamental para o desempenho futuro dos mesmos, visto que são estes os pontos mais suscetíveis à ocorrência de patologias (PITTA, 1998, p. 61). As especificações do DNER e a NBR-7583 (1986) citam que as juntas deverão estar de conformidade com as posições do projeto, não admitindo desvios de alinhamento superiores a 5 mm. 3.2.6.2 Materiais Formatado O material utilizado como selante da junta poderá ser, quanto à natureza e ao tipo de aplicação, moldado a frio, moldado a quente ou pré-moldado, de produção industrial (PITTA, 1998; NBR-7583, 1986), conforme descrito a seguir: • selante moldado a quente: podem ser mástiques elásticos bi- componentes, associações de um líquido viscoso (ex: asfaltos de baixa penetração, emulsões, óleos não secativos) e um filler (cimento portland, fibras de amianto, cal apagada, areia fina, ou equivalente); • selante moldado a frio: devem ser produtos industrializados mono ou no máximo bicomponentes, e serão aplicados à temperatura ambiente. A sua constituição básica será de resinas epoxílicas, polissulfetos, uretanos, silicones ou polimercaptanos; • selante pré-moldado: devem ser preferencialmente de poliuretanos, polietilenos, poliestirenos, cortiças ou borrachas sintéticas. Os materiais de enchimento das juntas de dilatação poderão ser fibras trabalhadas, cortiça, borracha esponjosa, poliestirenos e pinho sem nó devidamente tratado (PITTA, 1998; NBR-7583, 1986). Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 57 3.2.6.3 Equipamentos Formatado De acordo com as especificações técnicas do DNER-ES 324 (1997), DNERES 325 (1997) e DNER-ES 326 (1997) são os seguintes os equipamentos recomendados para os serviços de corte e selagem das juntas: • máquina de serrar juntas com disco diamantado com diâmetro e espessura apropriada; • aplicador de selante; • compressor de ar. 3.2.6.4 Recursos humanos Formatado Seguindo a relação dos equipamentos descrita anteriormente para esta etapa tem-se a seguinte equipe de mão-de-obra necessária para execução dos serviços de corte e selagem de juntas: • operador da serra de disco; • operador do aplicador do selante; • operador do compressor de ar; • serventes. 3.2.6.5 Método executivo As juntas transversais são executadas com o concreto em fase final da pega, geralmente 8 horas após o acabamento da superfície, através de corte utilizando serras de disco diamantado, com espessura e profundidade definida em projeto. Este processo é o mais comumente utilizado, embora seja possível também moldar as juntas com a inserção ou introdução temporária de um perfil que tenha o formato da junta, tomando-se o cuidado de reparar as irregularidades provenientes desta atividade (DNER-ES 325, 1997). As juntas transversais de retração devem ser dotadas de um dispositivo de transferência Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 58 artificial de carga, com o objetivo de melhor o comportamento estrutural e a durabilidade do pavimento. Para este dispositivo, são utilizadas barras de transferência, conforme descritas no item 3.2.3.2.6 – aço. No caso das juntas longitudinais, somente quando o equipamento de espalhamento possibilitar a construção da pista inteira de uma só vez, é que se poderá projetar a junta de seção enfraquecida (PITTA, 1998, p. 67). Quando projetados, as juntas serão dotadas de barras de ligação, conforme item 3.2.3.2.6 – aço. Segundo PITTA (1998, p. 72), as juntas de construção podem ser planejadas ou de emergência. A junta planejada ocorre quando coincide com uma junta transversal de retração definida em projeto. A junta de emergência é quando por algum motivo extra – por exemplo, quebra de equipamentos, acidentes pessoais, chuvas, etc – é obrigado a paralisar a concretagem em local que não coincide com uma junta de retração (neste caso a junta fica localizada no interior da placa e esta fica com dimensão menor que a de projeto). Normalmente as juntas transversais de construção recebem as barras de transferência, independente se planejada ou de emergência. A última operação desta etapa é a “selagem das juntas”, a qual tem como função principal à vedação quanto à penetração de água e ou de sólidos através da junta (PITTA, 1998, p. 75). De acordo com as especificações do DNER 325 (1997) e norma NBR-7583 (1986) o material de selagem só poderá ser aplicado após a completa limpeza dos sulcos e estes não poderão estar úmidos. Esta limpeza pode ser realizada através da utilização de compressores de ar. Cuidados devem ser tomados quando o selante for de aplicação à quente, para que a operação de aquecimento do produto seja controlada de modo a não prejudicar as suas características elásticas (NBR-7583, 1986). 3.2.6.6 Condição de contorno Independente do tipo do selante, todos devem ser aplicados com a profundidade de penetração do material definida em projeto. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 59 3.2.7 Etapa 7 - Sinalização da Pista A Lei número 9.503 de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, no art. 88 prescreve: “Nenhuma via pavimentada poderá ser entregue após sua construção, ou reaberta ao trânsito após realização de obras de manutenção, enquanto não estiver devidamente sinalizada, vertical e horizontalmente, de forma a garantir as condições adequadas de segurança na circulação”. Sendo atividade imprescindível para liberação do tráfego, todas as vias pavimentadas com concreto devem preliminarmente receber as sinalizações horizontal e vertical. Para a sinalização horizontal, como exemplo, a especificação DNER-ES 339 (1997) define como sendo um conjunto de símbolos, marcas e legendas aplicadas sobre o revestimento de uma rodovia, em obediência a um projeto desenvolvido para atender às condições de conforto e segurança do usuário. As demais sinalizações são descritas pelas especificações do DNER e outros órgãos competentes. 3.2.8 Etapa 8 - Abertura ao Tráfego A liberação ao tráfego de uma via de concreto, após a sua construção ou reabilitação, é função do tempo necessário para a cura completa do concreto, respeitando-se a última aplicação. 3.2.9 Etapa 9 - Desmobilização do Canteiro Com a conclusão dos serviços de pavimentação, e pela característica de mobilidade deste tipo de processo, o canteiro normalmente é desmobilizado logo após a entrega da obra pelo construtor. Consiste na remoção de todas as estruturas provisórias instaladas para execução da obra, limpeza da área utilizada e eventualmente, recuperação ambiental da mesma. 3.3 DISCUSSÃO Uma das dificuldades enfrentada pelo autor, foi a de que para os equipamentos de espalhamento e adensamento do concreto, existem especificações técnicas do DNER para os três tipos de equipamentos (pequeno porte, formas-trilho e formas deslizantes). Atualmente, existe apenas uma norma da ABNT para equipamentos de pequeno porte e de formas-trilho, não existindo norma específica para equipamentos Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 60 de formas deslizantes. Contudo, segundo informações obtidas junto à coordenadoria da Comissão de Estudos CE – 18:303.03, que trata do tema: “Execução de pavimentos de concreto com emprego de pavimentadoras de formas deslizantes”, já existe um documento básico submetido aos participantes da Comissão, para análise e comentários. Outro ponto a considerar, é a falta de uniformização dos termos usuais para pavimentação de concreto. Jargões usuais em pavimentação de concreto tais como “CCR”, “concreto pobre”, “concreto rolado” são termos com significado semelhante para um mesmo material. Esta variedade de jargões conduz a confusão entre técnicos ingressando na área ou, até mesmo, em profissionais com experiência. Em face desta situação percebeu-se a grande carência de um glossário unificado dos termos usuais em pavimentação. 3.4 SUMÁRIO DO CAPÍTULO No processo de construção de obras de pavimentação de concreto, são as normas e especificações do antigo DNER - Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, hoje DNIT – Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte, dos Departamentos Estaduais de Transporte e da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, que definem as orientações construtivas destes serviços no Brasil. A literatura pesquisada sobre pavimento de concreto apresenta a seguinte seqüência lógica para as etapas de sua construção: instalação do canteiro; preparo do subleito; execução da sub-base; execução da placa; texturização; processo de cura; execução das juntas, corte e selagem; sinalização da pista; abertura ao tráfego e desmobilização. As descrições de cada uma das etapas de execução seguem uma estrutura padrão iniciando pela definição genérica da etapa, discriminação de todos os materiais necessários para a execução dos serviços. Também foram relacionados todos os equipamentos necessários em cada fase, com a descrição da mão-de-obra diretamente relacionada às atividades produtivas. O método executivo foi detalhado envolvendo os diversos recursos de materiais, equipamentos e mão-de-obra, e Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 61 finalmente, foram levantados os principais aspectos de contorno. Não foram descritos os parâmetros de aceitação destas etapas por fugir do escopo desta dissertação. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 62 4 IMPLANTAÇÃO DE CANTEIROS DE OBRA 4.1 CONTEXTO O Capítulo 3 apresentou o processo de construção de pavimentos de concreto, objeto de análise da pesquisa. O presente Capítulo trata da revisão bibliográfica dos processos de implantação de canteiros de obra, com maior influência da literatura de edificações, devido à escassa bibliografia sobre este tema para os pavimentos de concreto. Neste Capítulo não serão discutidas as diferenças e características particulares dos canteiros de obra de pavimentos em concreto, ficando esta discussão para a fase de campo. O Capítulo 5 seguinte, apresenta o método de pesquisa, iniciando pela caracterização do problema, explicação do método de pesquisa propriamente dito, a estratégia de análise e os mecanismos adotados para validação dos resultados. 4.2 INTRODUÇÃO 4.2.1 Aspectos Gerais Sendo o canteiro de obra, o espaço para a transformação em realidade de todo o trabalho de concepção de uma obra, ele acaba recebendo as influências de todas as atividades que dizem respeito a um empreendimento. A despeito destas influências e suas interfaces, é necessário adotar um critério de abordagem para o planejamento do canteiro, visando a sua melhor implantação. A sistematicidade da realização do planejamento do canteiro é fundamental para o adequado início da execução do pavimento de concreto. A não adoção deste processo de planejamento sistemático freqüentemente leva a improvisações, distâncias excessivas de transporte, baixa qualidade de vida no ambiente de trabalho, retrabalho devido a interrupções de fluxo, e assim por diante. Assim, é o adequado planejamento da implantação do canteiro que irá definir, em muitos casos, o desempenho final da obra. Segundo MAIA (1995, p. 5), o planejamento de um canteiro de obra tem com principal objetivo definir os espaços mínimos das instalações, sejam eles, escritórios, almoxarifado, refeitórios, vestiários, banheiros e também o seu posicionamento Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 63 dentro do layout do canteiro, sempre respeitando as normas vigentes de segurança no trabalho. De maneira semelhante, SAURIN (1997, p. 13) cita que o processo de planejamento de um canteiro visa obter a melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a possibilitar que homens e equipamentos tenham um trabalho eficiente e seguro, principalmente através da diminuição dos movimentos de materiais, produtos e mão-de-obra. No caso específico de obras de pavimento de concreto, cabe ao responsável pela obra, normalmente um profissional da área de engenharia, planejar com rapidez, economia e qualidade um canteiro dinâmico e organizado. FRITSCHE et al. (1996) diz que o objetivo da preparação de um layout de canteiro é dispor todos os materiais, equipamentos e instalações empregados na construção de modo a não prejudicar o trânsito de pessoas, a circulação de materiais, o acesso aos equipamentos de combate a incêndio, bem como as saídas de emergência, sempre com o propósito de que todo o funcionamento e organização do canteiro não sejam prejudicados. SILVA e CARDOSO (1998) definem a importância da logística na organização dos sistemas de produção de edifícios, destacando a gestão física da praça de trabalho, isto é, da implantação do canteiro nos itens movimentação interna, zonas de estocagem, zonas de pré-fabricação e atendimento aos requisitos de segurança. A organização do canteiro e da produção tem sido uma das áreas nas quais as empresas têm mais investido ao longo do desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade. A despeito das ineficiências identificadas nos canteiros, e das origens deles, as empresas estão descobrindo um grande potencial de ganho na implantação destas melhorias de qualidade aos canteiros (SCARDOELLI et al, 1994). Um outro ponto a considerar é a realidade organizacional a qual as empresas estão passando, que indiretamente afetam as características de organização dos canteiros de obra. A administração tradicional das empresas e suas obras, está passando por profunda modificação nos conceitos, buscando melhorias que traduzam competitividade. Porém, SCARDOELLI et al. (1994) argumenta que é Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 64 geralmente nos momentos de crise que o ambiente se torna mais propício para alavancar mudanças na cultura organizacional. Quando as empresas estão em momentos de estabilidade, as mudanças são sempre mais difíceis de acontecer, com forte resistência da organização. O paradigma cultural e seus elementos simbólicos são tecidos, quando se está em um período de fortes mudanças. Este processo, de criação conjunta, não tem um método universalmente aceito e deve ter como ponto de partida os próprios valores da empresa. 4.2.2 Impacto do Planejamento do Canteiro na Competitividade O aumento de competitividade no setor da construção civil é um dos fatores para as empresas procurarem eliminar as deficiências na gestão dos processos construtivos e na gerência dos recursos humanos. Esta visão é decorrente da necessidade de melhorar cada vez mais a produtividade, implicando na busca de canteiros mais organizados e racionais, proporcionando condições favoráveis a este aumento (ELIAS et al, 1998). Para COSTA (1994), é necessário que o canteiro de obra esteja organizado e em ordem, a fim de que seja permitido realizar todos os trabalhos com eficácia e economia. A organização é uma questão de bom senso e deve ser analisada previamente, evitando-se improvisações durante a construção. A falta de organização prévia e revisão contínua dos serviços, é a principal causa das desordens e perdas dos canteiros de obra. BULHÕES et al. (1998, p. 304) cita como exemplo de perdas decorrentes do planejamento deficiente do canteiro o transporte, quando há duplo manuseio de materiais, em função do planejamento errado dos locais dos estoques, a ocorrência de misturas de materiais inadvertidamente, quando não se tem procedimento adequado de armazenamento dos mesmos. Quando se planeja um canteiro de obra adequadamente, organiza-se o processo e as operações atuantes sobre o mesmo e, assim, busca-se sempre a utilização correta dos recursos de mão-de-obra, equipamentos e materiais de construção, assegurando um desempenho adequado à obra. Além de metodologias de gestão modernas que viabilizam este planejamento em vários níveis, novas tecnologias têm viabilizado cada vez mais o acerto nas Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 65 decisões deste planejamento. SHAPIRA e RETIK (1999, p. 671), por exemplo, propõem o uso de modelos baseados em computador para planejamento e programação de todas as atividades de construção de um projeto. TOMMELEIN, LEVITT e HAYES-ROTH (1992, p. 594) indicam como o uso de inteligência artificial pode ajudar no modelo de layout de canteiro. TOMMELEIN e ZOUEIN (1993 p. 267) citam o planejamento interativo e dinâmico de um canteiro. O fluxo das informações necessárias para o bom andamento dos serviços de um canteiro é tratado por SCOTT et al (1995, p. 336), que pesquisou a comunicação natural de um canteiro e propôs um maior uso da simulação como instrumento de planejamento do canteiro. 4.2.3 Impacto do Planejamento do Canteiro sobre os Recursos Humanos Um bom ambiente de trabalho no canteiro de obra é condição básica para alta produtividade e qualidade dos recursos humanos nele envolvidos em todos os níveis hierárquicos. A pesquisa efetuada na Inglaterra, por MUSTAPHA e NAOUM (1998), obteve informações de 30 gerentes de canteiros sobre os fatores que influenciam a eficácia dos mesmos nos canteiros, através da análise de algumas variáveis independentes, tais como: variáveis pessoais, condições de trabalho, características de projeto e variáveis organizacionais. Esta pesquisa foi realizada através de entrevistas, questionários e observações diretas e, como resultado, a análise estatística demonstrou que o gerenciamento mais efetivo está associado com variáveis pessoais e condições de trabalho. Associado também à questão de recursos humanos está a problemática da segurança e higiene e sua relação com o planejamento do canteiro de obra. SAURIN, LANTELME e FORMOSO (2000), no “Relatório de pesquisa para revisão da NR-18 – condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção”, citam o problema da falta de higiene e segurança do trabalho nos canteiros de obra do Brasil, quando comparando com os países desenvolvidos. Segundo aquele estudo, o problema da falta de higiene e segurança encontra-se num nível de compreensão e conscientização bastante inferior. O mesmo estudo faz comparações das recomendações propostas na bibliografia internacional sobre prevenção de acidentes e doenças no trabalho, com a realidade da construção civil do Brasil, e Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 66 ressalta que nos países desenvolvidos a valorização dos recursos humanos tem prioridade, sobre outros fatores, e é mais bem compreendida do que em nosso país. Segurança no trabalho é um fenômeno complexo e o assunto de atitudes e desempenho da segurança na indústria da construção têm sido objetos de significativo volume de estudos. Pesquisa na Inglaterra, aonde morrem por ano 120 trabalhadores e, ainda, 3.000 sofrem algum tipo de lesão em acidentes de trabalho, aponta para cinco tópicos que mais influenciam o desempenho da segurança na Inglaterra: comunicação do gerente sobre segurança; fornecimento de livretos de segurança; fornecimento de equipamentos de segurança; provimento de segurança ao meio ambiente e nomeação de um representante treinado em segurança no canteiro (SAWACHA, NAOUM e FONG, 1999, p. 314). GAMBATESE e HINZE (1999, p. 643), em pesquisa realizada nos EUA, discutem a segurança dos trabalhadores da construção na fase de projeto, e enfatizam que o desconhecimento dos projetistas em segurança limita o seu envolvimento nas definições necessárias para um canteiro seguro. Sugere que se dê treinamento para os projetistas e, também, que os responsáveis pelas empresas de projeto insistam e se preocupem mais com o tema. 4.3 ETAPAS DO PLANEJAMENTO DO CANTEIRO DE OBRA 4.3.1 Visão Geral Para o adequado planejamento do canteiro de obra existe um grupo preliminar de atividades que incluem: estudos dos projetos básicos da obra; análise do cronograma físico; verificação dos materiais e componentes necessários e os seus quantitativos; estudo das diversas opções de tecnologia; dimensionamento dos equipamentos; estudo das normas técnicas; treinamento da mão-de-obra; estudo e planejamento do layout do canteiro; estudos dos acessos; análise da interface da obra com a comunidade local; e, finalmente, a interação com o meio ambiente SOUZA e FRANCO (1997). Um segundo grupo de atividades, os quais não fazem parte do escopo desta dissertação, referem-se aos itens que tem impacto direto na organização do canteiro Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 67 e são decorrentes da execução da obra propriamente dita. Estes itens incluem os estudos das perdas, controle de custos e cronograma, ações voltadas à redução de acidentes, ações de QVT – Qualidade de Vida no Trabalho, entre outros. A seguir são descritas as principais etapas que ocorrem durante o planejamento do canteiro de obra. 4.3.2 Primeira Etapa: Levantamento de Informações Nesta fase, são realizados os levantamentos de todos as quantidades dos serviços da obra, isto é, são relacionados todos os materiais e seus respectivos volumes. A atenção deverá ser redobrada aos itens mais importantes da obra, uma vez que equívocos de quantificação de materiais trarão grandes prejuízos, de tempo e custo, ao bom andamento do empreendimento. Erros nesta etapa têm impacto direto na etapa de seleção dos equipamentos. 4.3.3 Segunda Etapa: Definição dos Equipamentos Principais Nas obras de edificações, segundo SAURIN (1997, p. 99), o melhor modo de se iniciar a definição do arranjo físico do canteiro é estabelecer a localização do guincho, já que este tem um inter-relacionamento e uma conseqüente influencia sobre todas as outras instalações do canteiro. De igual modo, nos serviços de pavimentação de concreto, a definição do equipamento de espalhamento de concreto (vide maiores informações sobre este equipamento - item 3.2.3.3.3) tem influência direta nos demais equipamentos e componentes de canteiro de obra. FERRARI, MATTOS e NETO (197-), citam que na obra de pavimentação de concreto da Serra da Rodovia dos Imigrantes, um dos fatores que contribuíram para os bons resultados obtidos na sua execução, foi a correta definição dos equipamentos utilizados. A definição do equipamento de espalhamento de concreto tem também implicações diretas nas características dos recursos humanos a serem contratados para a execução das atividades de produção. Assim, pode-se afirmar que erros na definição deste equipamento principal podem acarretar em prejuízos e perdas irrecuperáveis no desenvolvimento da obra. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 68 4.3.4 Terceira Etapa: Planejamento de Layout e Implantação Para COSTA (1994, p. 19), (outros autores ??) existe uma grande diferença entre a indústria da construção civil e os demais ramos industriais. Na construção civil impera o caráter nômade, com grande mobilidade das ações. Enquanto os meios de produção permanecem estáticos e os produtos são movimentados na indústria de manufatura, na construção civil acontece o inverso. O produto é estático e os meios de produção são movimentados ao redor do mesmo. De posse das informações coletadas na primeira e segunda etapa, o responsável pelo planejamento deverá iniciar o estudo do planejamento do layout do canteiro de obra. SOUZA e FRANCO (1997, p. 12) citam que, na fase de definição do layout do canteiro, a experiência e a criatividade dos planejadores são fundamentais para se obter a melhor maneira possível de distribuição das áreas das estruturas, compatibilizando-as com a disponibilidade do espaço de construção. Outros aspectos também são considerados, tais como: segurança, custos, otimização do uso dos equipamentos, etc. Contudo, os mesmos autores argumentam que não existe solução única, e sim diferentes possibilidades que podem ser melhores ou piores em função do contexto em que se inserem. Segundo ELIAS et al. (1998), o objetivo do planejamento é obter a melhor utilização do espaço disponível, locando ou arranjando operários, equipamentos e materiais, para que sejam criadas condições propícias para a execução de processos com eficiência. Este planejamento deve levar em consideração também o fluxo seguro de pessoas que não atuam no canteiro de obra, tais como visitantes e transeuntes (FRITSCHE et al., 1996). Alguns dos princípios básicos que embasam a elaboração de um projeto de layout ótimo incluem (ELIAS et al., 1998; FRITSCHE et al., 1996): • economia do movimento: eliminar ou, quando isto não for possível, reduzir os deslocamentos de máquinas materiais e operários. Definir conforme a estratégia de ataque à obra, o sistema de recebimento, transporte e armazenamento dos materiais; Giublin, C. R. • 69 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto fluxo progressivo: direcionar o fluxo de produção sempre no sentido de produzir o produto em pequenos lotes cumulativos, ou seja, entregando ao cliente interno ou externo o produto o mais acabado possível; • flexibilidade: propiciar ao conjunto produtivo opções e facilidades de mudanças posteriores à implantação do projeto de layout; • integração: integrar as células produtivas no sentido do inter- relacionamento, tornando-as parte do mesmo organismo; • uso do espaço cúbico: conhecer as necessidades de espaço nos vários planos e usar, caso necessário, superposições de planos de trabalho; • satisfação e segurança: implementar mecanismos que promovam a motivação dos operários e, também, melhorar as condições de higiene e segurança do trabalho; • adaptar o posto de trabalho ao homem e não vice-versa: este princípio consiste basicamente na aplicação das teorias da ergonomia no ambiente do canteiro de obra; • facilitar o gerenciamento visual do canteiro de obra: atividades de controle não adicionam valor ao canteiro de obra. Sua eliminação é possível através da implementação de soluções que incorporem o princípio da transparência, tais como, controles visuais em estoques de materiais; • promover a imagem positiva da empresa: freqüentemente o canteiro de obra é visto como um local a ser evitado por clientes e outros visitantes. Contudo, segundo a visão mais moderna na verdade o canteiro de obra deveria ser um foco das ações de promoção da imagem da tecnologia e práticas de gestão do canteiro, melhorando assim a imagem da empresa. 4.3.5 Quarta Etapa: Revisão Sistemática SOUZA e FRANCO (1997, p.10) citam que um canteiro de obra se modifica no período da execução da obra, possuindo diferentes materiais, serviços, Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 70 equipamentos e mão-de-obra em suas diversas fases. Esta situação implica que o planejamento do canteiro de obra deve ser uma atividade contínua a qual pode, entretanto, ser subdividida de acordo com os pacotes de trabalho. Existem diferentes critérios para se fazer tal subdivisão, e estas subdivisões podem ser mais ou menos detalhadas em função do tempo que a obra dispõe para discutir o planejamento do canteiro. 4.4 COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO Para TOMMELEIN (1992) as instalações de canteiro são aquelas que normalmente ficam implantadas no canteiro por um período de tempo determinado, variando de uns poucos dias até meses ou anos, dependendo da duração de uma atividade da construção. Invariavelmente, elas têm uma função principal no desenvolvimento das obras: apoiar as atividades de construção. Deste modo, as instalações de canteiro tem que ser planejadas para não interferir nas instalações permanentes, apesar das restrições impostas por estas (SAURIN, 1997). Nas seções seguintes é descrito em detalhes cada componente que faz parte do canteiro de obra, conhecimento este que será base teórica para a formulação das diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto. 4.4.1 Elementos de Proteção O elemento principal de proteção é o tapume, e a sua função é a de proteger o canteiro de obra, bem como os transeuntes e curiosos. COSTA (1994, p. 19) recomenda que todo o perímetro da obra seja fechado com tapumes, com padrão definido pelo código de obras dos municípios. Para MAIA (1995, p. 10), o tapume tem a função de proteger a obra de furtos e as pessoas que circulam nas proximidades da obra contra determinados tipos de acidentes. A NR 18 (2002) cita que “é obrigatória à colocação de tapumes ou barreiras sempre que se executarem atividades da indústria da construção, de forma a impedir o acesso de pessoas estranhas aos serviços”. Já SCARDOELLI et al. (1994) considera que o tapume de proteção pode ser utilizado como mais um elemento de divulgação do empreendimento. Na posição de melhor projeção do tapume nas ruas, podem-se fixar placas com a contagem regressiva dos dias para a conclusão da Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 71 obra, entre outras possibilidades. Assim, o tapume passa a ser um instrumento de marketing da empresa. A despeito do tradicional fechamento da área com tapumes de folhas de compensados, sem qualquer visibilidade do canteiro, tem-se notado em algumas empresas o uso de telas de arame no lugar do compensado, procurando desta forma demonstrar a organização interna da obra e conseqüentemente, a qualidade da empresa. Isto é, em vez de ocultar, procura-se nestas obras revelar o canteiro de obra bem organizado (COSTA, 1994, p. 21). (observou no trabalho dele somente – Freitas) E.MAIL PARA AGUINALDO 4.4.2 Instalações Provisórias No planejamento de um canteiro, um dos grandes objetivos e desafios, é a definição dos espaços mínimos das instalações provisórias e suas localizações, respeitando as normas de segurança no trabalho (MAIA, 1995, p. 5). As definições do projeto das instalações provisórias (no caso das obras que não adotam contêineres) devem ser feitas, de forma que se crie um ambiente agradável de trabalho, e se possível, com aproveitamento de materiais e/ou sobras de obras anteriores. Para COSTA (1994, p. 22) as instalações provisórias são um conjunto de construções, normalmente de madeira, com o objetivo de prover o canteiro de serviços e todas as suas necessidades, tornando os setores de trabalho interdependentes e de fácil ordenação. Em canteiros de médio e grande porte as instalações provisórias normalmente necessárias para a boa organização das atividades produtivas são as seguintes: 4.4.2.1 Áreas de vivência • Refeitório É exigência da NR-18 (2002) a obrigatoriedade de ter um local apropriado para as refeições nos diversos tipos de obras. Alguns autores, como MAIA (1995) e Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 72 SAURIN (1997) definem como a função principal do refeitório, a realização das refeições diárias e recomendam que se utilize esta área também para a realização de palestras e cursos de treinamento de pessoal, bem como lazer. SCARDOELLI et al. (1994, p. 2.1.1) recomendam alguns aspectos práticos que devem orientar a organização de um refeitório: a) ter capacidade para atender todos os operários de uma só vez ou, caso não haja espaço suficiente, em turmas alternadas; b) não deve comunicar-se com locais de trabalho insalubres e barulhentos, ou instalações sanitárias, evitando sempre o acesso de animais e insetos; c) não ser utilizado como depósito de materiais, mesmo que em caráter provisório; d) prever a sua instalação no planejamento preliminar do layout; e) promover participação dos operários, nas definições dos locais, suas dimensões, forma de limpeza, entre outras; f) pintar as paredes com tinta de cor branca, dando maior visibilidade e aspecto de limpeza, tornando o ambiente mais agradável; g) o tampo das mesas deve ser liso ou forrado de material impermeável e lavável; h) atenção especial ao lixo e restos de comida através da colocação de lixeiras e implementação de procedimentos de limpeza regular, incluindo nestes procedimentos a lavagem regular. Os impactos que resultam de um refeitório bem administrado e integrado com os operários são assim definidos por SCARDOELLI et al. (1994, p. 2.1.1): possibilidade dos operários realizarem suas refeições em ambiente apropriado; possibilidade de desenvolver atitudes de sociabilização entre os mesmos; possibilidade das empresas participarem no resgate da dívida social do país. Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 73 Cozinha SCARDOELLI et al. (1994) descreve que, geralmente somente as grandes obras possuem cozinhas instaladas nos seus canteiros, e que o mais usual, nas obras de pequeno e médio porte, é o fornecimento das refeições por empresas especializadas e terceirizadas. Neste sentido, a mesma autora alerta para o problema da freqüente sub-nutrição dos operários da construção e o contrastante severo esforço físico exigido dos mesmos. Para contornar esta situação vem crescendo o número de empresas de todo porte que fornecem alimentação balanceada para os operários. COSTA (1994, p. 28) recomenda que as cozinhas de obras fiquem adjacentes ao refeitório, possuindo abertura por onde devem ser servidas as refeições. A cozinha deve ter ventilação natural ou artificial que permita boa exaustão, boa iluminação e pé direito mínimo deve ser 2,80m. O piso deve ser de concreto ou outro material de fácil limpeza. Exige-se, também, a presença de pias para lavagem dos utensílios e alimentos, assim como instalações sanitárias específicas para os funcionários envolvidos com a atividade de cozinhar. Estas instalações sanitárias não devem, entretanto, comunicar-se diretamente com a cozinha. • Vestiários A função dos vestiários é a troca de roupa dos operários que não residem na obra, antes do início da jornada de trabalho e após o término da mesma. A localização deverá ser ao lado dos banheiros e o mais próximo possível do portão de entrada e saída da obra. Este posicionamento do vestiário evita que os funcionários trafeguem pela obra sem os Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s básicos, forçando a utilização dos mesmos em todos os momentos de trabalho (SAURIN 1997). Segundo a NR-18 (2002), devem-se prever armários individuais dotados de fechaduras, sendo que o critério de dimensionamento é de que cada operário ocupe um mínimo de 0,50m2 de área (MAIA, 1995; COSTA, 1994). Quanto à configuração física do vestiário, SAURIN (1997) recomenda a observação dos seguintes aspectos: Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 74 a) colocação de telhas translúcidas na cobertura, com melhora significativa da iluminação interna e redução do consumo de energia; b) a existência de armários junto às paredes exige que as janelas estejam deslocadas mais a cima, com aumento da sua largura; c) utilização de cabides de plástico ou de madeira, nunca a utilização de pregos; d) armários individuais são indispensáveis, e apesar do seu preço de compra, os metálicos são passíveis de grande reaproveitamento, diferentemente dos executados de madeira na própria obra. • Alojamentos A mão-de-obra utilizada na construção civil tem baixo nível de especialização no nosso país, e isto permite que esta atividade seja um pólo absorvedor das correntes migratórias. Segundo COSTA (1994), estes migrantes não tendo profissões definidas, locais para se fixar e condições financeiras, são absorvidos pelos canteiros de obra, que deste modo, geralmente possuem alojamentos. Em função do tamanho e localização da obra, mais da metade do contingente da força de trabalho pode utilizar os alojamentos das obras, de forma contínua ou intercalada com visitas a suas famílias. Esta é a solução comumente adotada para empresas que tem seus canteiros de obra localizados em pontos afastados das cidades, e também em pequenas cidades sem infra-estrutura para atender a demanda de operários SCARDOELLI et al. (1994, p. 2.1.6). Os alojamentos devem atender apresentar isolamento térmico e acústico adequado. O piso deve ser lavável, sendo que geralmente são executados em piso cimentado. Deve também ter ventilação e sistema de proteção contra incêndio e possuir armários individuais junto aos quartos, entre outros. É importante também que o alojamento seja implantado em local de fácil acesso e que não implique em grande circulação de trabalhadores no canteiro. A experiência tem demonstrado que em canteiros de obra que possuem alojamentos bem dimensionados e com um bom nível de higiene, há diminuição do Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 75 número de faltas, em função da permanência dos operários no local da obra, diminuição das despesas pessoais dos mesmos e maior possibilidade de integração do grupo (SCARDOELLI et al.,1994, p. 2.1.6). • Instalações Sanitárias O sanitário é definido como o local para a realização das necessidades fisiológicas dos operários da obra (MAIA, 1995), devendo necessariamente contemplar instalações adequadas para homens e mulheres. Dentro dos aspectos básicos que devem ser levados em consideração nas instalações sanitárias de um canteiro de obra, destacam-se os seguintes: o local deve ser de fácil acesso aos operários; deve ter proporção adequada em relação ao número de usuários e, finalmente, ter condições de higiene apropriada, de acordo com as normas vigentes. O atendimento a estas diretrizes tem ajudado no desenvolvimento de um ambiente sadio nos canteiros, e os impactos reportados na literatura são os seguintes: diminuição da interrupção prolongada das atividades de produção; redução do desgaste físico dos operários quando se utilizam unidades móveis; maior conforto dos operários; melhoria das condições de higiene da obra e, principalmente, melhoria nos hábitos de higiene dos trabalhadores (SCARDOELLI et al., 1994). Quando possível, deve-se planejar a posição da instalação dos sanitários o mais próximo possível dos alojamentos, quando estes existirem. Para a instalação dos chuveiros, o local mais apropriado é próximo aos vestiários, visto que no final do turno de trabalho, os trabalhadores que não estão alojados no canteiro poderão fazer uso dos chuveiros para asseio pessoal. Caso possível deve haver acesso direto entre o chuveiro e o vestiário para evitar que os mesmos tenham problemas de saúde, principalmente nos dias de inverno. Segundo a NR-24 (2002), que trata das condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho, é prescrito um lavatório e um chuveiro para cada grupo de dez trabalhadores em atividades que provoquem poeira ou sujidade. Para o caso das bacias sanitárias é exigida uma para cada grupo de vinte trabalhadores. Outros aspectos relevantes como por exemplo, iluminação e ventilação natural ou artificial, Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 76 compartimentos individuais e indevassáveis, bacias rústicas e duráveis, recipientes para dispor lixo e restos de comida, devem estar atendendo as normas pertinentes. (SE TIVER NA NORMA, COLOCAR JUNTO AO PARÁGRAFO ANTERIOR – CASO CONTRÁRIO DEIXAR SEPARADO) Embora não prescrito na NORMA, deve-se prever junto as instalações sanitárias, sistema de tratamento dos efluentes, dentro das normas técnicas e dimensionadas para atender toda a demanda do canteiro. • Ambulatório O ambulatório pode ser definido como sendo o local destinado ao atendimento médico preventivo e emergencial dos funcionários da obra. É constituída normalmente de uma sala para atendimento ambulatorial, sala para consultas médicas, e sala de espera. A NR-18 (2002) prescreve que o ambulatório é obrigatório em canteiros com cinqüenta ou mais trabalhadores. Em obras localizadas em centros urbanos, é normal a utilização das instalações hospitalares da cidade. 4.4.2.2 Áreas de apoio • Escritório Segundo MAIA (1995, p. 14), escritório é o local da obra que se utiliza para a realização de funções administrativas, guarda da documentação técnica do empreendimento e aonde se realizam as reuniões de trabalho. Na administração moderna, segundo COSTA (1994, p. 25), o engenheiro residente tem se concentrado mais na gerência técnica da obra, isto é, na coordenação e fiscalização das tarefas diretamente ligadas à produção. As atividades da área administrativa têm sido deixadas para membros da sua equipe, sob sua supervisão. O mesmo autor cita que este procedimento decorre da necessidade cada vez maior de melhorar o planejamento das ações, procurando diminuir perdas, aumentar a produtividade e, também buscar uma maior qualidade dos serviços. Dentro deste aspecto, de melhoria de produtividade e atendimento a obra, é necessário que a equipe técnica e administrativa seja valorizada, e deste modo, o escritório deve ser transformado em um local aprazível de trabalho, com um mínimo aceitável de conforto. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 77 SAURIN (1997) recomenda que o escritório tenha uma localização mais próxima possível do portão de entrada da obra, fazendo com que o visitante tenha que necessariamente transitar pelo escritório antes de entrar no canteiro. O escritório deve também ser posicionada de tal forma a permitir a maior visualização possível do canteiro de obra. • Almoxarifado e Ferramentaria SENÇO (1980) define almoxarifado como sendo o setor responsável para aquisição, guarda e distribuição dos materiais e ferramentas consumidos ou utilizados no canteiro de obra. O almoxarifado deve estar localizado próximo à entrada da obra, facilitando o recebimento dos materiais e sua distribuição. O dimensionamento da área deve ser compatível com o tamanho da obra e deve prever espaço para todos os materiais envolvidos na execução dos serviços que eventualmente necessitem estocagem. O almoxarifado deve ser dividido em duas partes: uma de dimensão maior, devidamente fechada, com prateleiras para armazenamento dos materiais e ferramentas, e outra, com dimensão menor, que funciona como escritório do almoxarife, possuindo janela de atendimento ao pessoal da obra. Geralmente estas duas partes são interligadas (COSTA, 1994, p. 23, SAURIN, 1997). SCARDOELLI et al. (1994, p. 5.3.4) cita que as empresas têm sentido a necessidade de melhorar a rapidez com que as informações e recursos são passadas aos responsáveis para executá-las. Um dos aspectos principais para que isto ocorra, é o suprimento dos equipamentos, materiais e instruções antes do início dos serviços. As empresas vêm desenvolvendo ações neste sentido, e principalmente atuando na organização de espaços específicos para as ferramentas (ferramentaria). Verifica-se nestas empresas as seguintes medidas para organizar estes ambientes: posicionamento das ferramentas em local fixo e definido, próximo ao local de uso; instalação de quadro com desenho de ferramentas no almoxarifado; elaboração de lista de ferramentas mínimas em função do tamanho da obra; confecção de cartões com informações (cautelas) sobre com quem estão as Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 78 ferramentas e equipamentos e, finalmente, entrega de caixas de ferramentas personalizadas aos operários. • Guarita de Segurança para Guardas e Porteiros A guarita para guardas de segurança e porteiros deve estar localizada em local estratégico do canteiro, permitindo a fiscalização de entrada e saída de pessoas, materiais e equipamentos (SAURIN, 1997). Para MAIA (1995, p. 13), a guarita deve ter uma área mínima de 5m2 e, também, prever local para fixação de cabides para guarda de capacetes a serem utilizadas pelos visitantes assim como local para fixação de relógio-de-ponto e chapeiras. Outros itens que compõe a guarita incluem: cadeiras e pequenas mesas para o guarda; relatório padronizado para registro de hora de entrada e saída de visitantes; planilhas para controle do fluxo de materiais e equipamentos. 4.4.2.3 Vias de circulação As vias de circulação incluem todas as áreas onde há circulação de máquinas ou pessoas, incluindo-se aí os clientes da obra e mesmo transeuntes que eventualmente transitem através da obra. No caso de obras de pavimentação, as vias de circulação utilizadas exclusivamente para as atividades de produção são também chamadas de “estradas de serviço”. PESTANA e JACOPONI (197-) citam que os requisitos básicos desejáveis para uma boa estrada de serviço são: possuir características técnicas no aspecto de pavimento; garantir tráfego de veículos e equipamentos a qualquer tempo; propiciar acesso fácil a todos os locais de trabalho; ter traçado que diminua as distâncias de transporte dos equipamentos e cargas; não interferir no seu traçado com o desenvolvimento da obra e, finalmente, ser de construção econômica em relação ao custo de implantação da obra. 4.4.3 Instalações Industriais Nas obras de médio e grande porte, as instalações industriais têm um tamanho significativo em relação às outras instalações da obra. PESTANA e JACOPONI (197-) citam que em obras complexas de engenharia, é fundamental um planejamento das instalações industriais, já que envolve recursos volumosos e Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 79 procedimentos não rotineiros. Assim, o sucesso de sua realização está apoiado em estudos especializados e que demandam grande atenção principalmente na etapa de concepção. • Central de armação A central de armação tem como função básica, o preparo da armadura, nas operações de corte, dobra e montagem da ferragem utilizada em obras de concreto (MAIA,1995, p. 28). A localização da central de armação, sempre que possível, deverá ser em locais que os caminhões e equipamentos de movimentação de cargas tenham acesso direto, já que se trata de um material pesado, flexível e longo (SCARDOELLI et al., 1994, p. 5.5.9). Para as operações de corte e dobra, normalmente se utilizam equipamentos específicos para estes fins. São as máquinas de corte, que dentro do layout tradicional de uma central de armação, são seguidas pelas máquinas de dobra dos aços. Por outro lado, em função da ocupação de um espaço significativo da área do canteiro, é recomendado, quando possível, que esta atividade seja desempenhada fora do canteiro, recebendo as armaduras já cortadas e dobradas, prontas para uso (SAURIN, 1997). • Central de formas A central de formas ou carpintaria é o local destinado a executar e montar os painéis e formas, geralmente de madeira e compensado, de modo a assegurar as dimensões, os alinhamentos e as juntas do concreto de acordo com as especificações de projeto (COSTA, 1994, p. 34). As formas devem ser projetadas e executadas de forma tal a suportar as pressões e os esforços resultantes do peso do concreto fresco, acrescido dos efeitos das operações de vibração, mantendo-se na posição de montagem sem deformações. Para isto, devem estar bem projetadas, e serem estanques, de modo a evitar perdas de argamassa e de pasta do concreto. O layout da central de carpintaria prevê uma bancada de carpinteiro com gabaritos para produção das formas, mesa com serra circular, e local para Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 80 estocagem das madeiras e compensados. Normalmente é instalada sob um barracão ou galpão com as laterais abertas. Isto facilita a ventilação e melhora o ambiente no aspecto acústico, bem como facilita a retirada e movimentação das formas acabadas (COSTA, 1994). Do mesmo modo que a central de armação, SAURIN (1997) cita a freqüente necessidade de utilização de uma grande área das instalações de apoio para a realização desta atividade. Devido a esta condição recomenda o mesmo autor, quando possível e necessário, que as formas sejam fabricadas fora do canteiro, em serviço terceirizado. • Central de britagem Nos estudos preliminares de uma obra, a possibilidade de instalação de uma central de britagem deve ser cuidadosamente analisada, visto que a matéria prima “brita” pode vir a fazer parte de quase todas as estruturas definitivas de uma obra. PESTANA e JACOPONI (197-) citam que para grandes volumes de agregados, é mais viável a instalação de central de britagem. Os mesmos autores também argumentam que esta estrutura necessita de estudos mais aprofundados quando da implantação do canteiro. Tais centrais dependem da análise criterioso do solo para as fundações, do espaço adequado no canteiro, da distribuição do consumo dos diversos tipos de agregados que serão consumidos, da localização da pedreira que será explorada, etc. As centrais de britagem podem ser divididas em três classes ou versões, podendo ser “instalações fixas”, “semi-móveis” e “móveis”. As instalações “fixas” são usualmente utilizadas em empreendimentos de localização definitiva, tais como: pedreiras, minerações e fábricas de cimento. As instalações “semi-móveis”, em virtude da facilidade, rapidez e economia de montagem e desmontagem das suas estruturas, são empregadas em obras de longa duração, tais como: instalações para barragens hidrelétricas, pedreiras para obras de pavimentação, etc. E, finalmente, as instalações “móveis”, que são utilizadas em empreendimentos de curta duração de tempo, e requerem locomoção constante e tempo mínimo de montagem. São Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 81 geralmente usadas em serviços de manutenção de estradas, prospecção geológica e exploração inicial de jazidas (ALLIS, 1994). • Central de concreto Segundo ANDRIOLO (1984, p. 202) as instalações para produção de concreto consistem de um conjunto de equipamentos e meios destinados ao recebimento, armazenagem, manuseio e dosagem dos diversos materiais para a produção de concreto, bem como ao sistema de descarga do concreto. Em várias situações se faz necessário instalar a central de concreto dentro do canteiro de obra. Para tanto, devem-se estudar as distâncias de transporte entre a central e os pontos de aplicação, para que se possam otimizar os lançamentos dos concretos dentro das limitações de tempo especificadas. • Depósito de agregados A maioria das obras utiliza estes materiais, que são básicos na confecção de concretos e argamassas. COSTA (1994, p. 35) recomenda que se devem prever locais de fácil acesso aos caminhões basculantes no canteiro, para facilitar o fornecimento dos agregados. Em obras de grande porte, geralmente estes depósitos estão ao lado da central de concreto, otimizando a alimentação de materiais para produção de concreto. É recomendada a separação dos agregados utilizando-se tábuas, lonas ou outro material, para que não haja a contaminação entre eles. Um dos fatores de melhoria da qualidade das obras, segundo SCARDOELLI et al. (1994, p. 5.1.4) é o controle de recebimento dos materiais, entre eles os agregados. Tais controles vem sendo implantados nas empresas através de utilização de ensaios expeditos, apoiados em uma estruturação de listas de verificação. Estas providências garantem a conformidade dos materiais, evitam ou diminuem o desperdício e estabelecem um histórico de desempenho de fornecedores, incentivando-os a entregar sempre os materiais conforme as especificações estabelecidas. • Laboratório de controle tecnológico Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 82 As instalações e equipamentos de laboratório, são necessários para o controle tecnológico, como por exemplo no caso dos solos e concreto. A decisão por implantar ou não estes laboratórios envolve a análise crítica de variáveis tais como: tipo e tamanho da obra; a sua localidade; a velocidade de construção; a competência da mão-de-obra utilizada; os tipos de materiais que serão utilizados; os volumes envolvidos na execução dos serviços e o custo de instalação (SENÇO,1980; HELENE e TERZIAN, 1992; ANDRIOLO e SGARBOZA, 1993). • Oficina de manutenção e reparo A oficina de manutenção e reparo pode ser definida como a área destinada à manutenção dos equipamentos envolvidos na obra. Deve estar equipada com ferramentas adequadas e com pessoal especializado para a manutenção e conservação dos equipamentos. Normalmente consiste de uma grande estrutura coberta para o estacionamento dos equipamentos durante a execução das manutenções. Estas oficinas incluem também áreas isoladas de apoio (escritórios) para o encarregado e uma pequena ferramentaria (SENÇO,1980). Como medida de proteção do meio ambiente, deve-se instalar um sistema de coleta de óleos utilizados na manutenção dos equipamentos, não permitindo que o mesmo seja derramado no piso, no sistema de águas pluviais ou solo adjacente. • Área para lubrificação dos equipamentos A área destinada à lubrificação dos equipamentos consiste basicamente em uma estrutura coberta, possuindo uma rampa de lavagem para veículos e equipamentos ao lado da mesma. O sistema de lubrificação nestas instalações utiliza ferramentas pneumáticas ou manuais. Geralmente possui um espaço reservado para depósito dos tambores de óleos lubrificantes e graxas, bem como, instalação de caixa separadora de óleos e água na rampa de lavagem. Esta medida visa proteger o meio ambiente. • Depósito para entulhos de material SAURIN (1997) cita que em situações de geração de resíduos que possam prejudicar o andamento da obra, devem-se buscar alternativas de minimização de Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 83 seus efeitos com medidas, tais como: áreas específicas para depósitos de entulhos gerados pela construção. Estas áreas de depósitos devem ser planejadas de modo a não se tornar um empecilho para o desenvolvimento dos trabalhos de execução da obra. 4.4.4 Instalações Elétricas A energia elétrica é um dos principais fatores de localização das instalações de apoio, principalmente em regiões rurais. COSTA (1994, p. 46) chama a atenção para os custos envolvidos com o suprimento da energia, os quais exigem a análise bem detalhada do seu uso, antes de qualquer definição no planejamento do canteiro de obra. Em locais aonde a energia elétrica é deficitária, pode-se dotar o canteiro de obra com geradores a diesel ou gasolina, geralmente com custos maiores aos do fornecimento normal. Pode ocorrer, inclusive, a necessidade de construção de linhas de transmissão dedicadas para a execução da obra. 4.4.4.1 Instalações provisórias de energia elétrica Formatado Para as instalações provisórias de energia elétrica no canteiro de obra devem-se atender rigorosamente as prescrições da concessionária de energia elétrica local. O que deve ser evitado são as ligações elétricas provisórias sem atendimento as especificações, motivo de inúmeros acidentes nos canteiros. A NR-18 (2002) determina que as instalações devem ser executadas por trabalhador qualificado e a supervisão por profissional legalmente habilitado. Importante ressaltar que todas as redes de energia (aérea ou subterrânea) devem estar sinalizadas e protegidas de eventuais acidentes . 4.4.4.2 Subestação Normalmente para obras de grande vulto, há necessidade de instalação de uma subestação para alimentar o canteiro de obra e o acampamento (COSTA, 1994, p. 51). Normalmente cabe ao construtor executar as redes de distribuição de energia em alta tensão, implementar mecanismos para rebaixar o nível de tensão, bem como, executar as redes de baixa tensão. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 84 4.4.4.3 Geradores Os geradores a diesel ou gasolina são utilizados em obras, cujo local é de difícil fornecimento de energia pela rede pública ou privada. Também é utilizado no início dos serviços de uma obra, quando a instalação definitiva da rede pública ou privada não estiver pronta. Para evitar paralisações da obra como um todo ou de operações críticas isoladas decorrentes da falta de energia elétrica na rede pública, podem-se adotar geradores de emergência como solução estratégica. COSTA (1994, p. 52) exemplifica o caso de obras que envolvam rebaixamento do lençol freático, cuja falta de energia poderá acarretar em perdas e acidentes de graves proporções. No caso de uma concretagem, além dos atrasos no cronograma, a falta de energia pode resultar na necessidade de se executar juntas frias e aumentar assim a possibilidade de patologias futuras na obra. 4.4.5 Instalações Hidráulicas A água assume importância muito grande nas obras de construção em geral, porque, além de ser vital para as necessidades fisiológicas dos operários, é matériaprima fundamental para execução de várias atividades de produção (MAIA, 1995, p. 8). A NR-18 (2002) obriga o fornecimento de água potável, filtrada e fresca para os trabalhadores. Em vista disso, é recomendado o uso de água da rede pública, cuja qualidade é garantida ou, alternativamente, bebedouros. COSTA (1994, p. 55) aconselha que se pesquise a concessionária local, quando não existir rede de água no local da obra. Caso não exista plano de expansão da rede até o local da obra, deverá ser estudada a possibilidade de perfuração de poço ou a aquisição de água através de caminhões pipa. A possibilidade de obter água de poços em obras grandes e demoradas é vantajosa economicamente, porém sua viabilidade depende de características do solo e da qualidade da água alcançada. 4.4.6 Instalações de Segurança na Obra Pode-se definir segurança da obra, como o conjunto de atividades ou ações que são implementadas nos canteiros de obra para evitar acidentes de trabalho, Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 85 tanto dos trabalhadores envolvidos diretamente nela, como de terceiros. A NR-18 (2002) prescreve todos os requisitos, bem como as medidas necessárias para prover um canteiro de obra com segurança. Na pesquisa de FREITAS, POZZOBON e HEINECK (1999) realizada em 58 canteiros de obra de 15 cidades brasileiras de diversos estados, sobre as iniciativas das empresas em mudanças voltadas à qualidade e produtividade dos canteiros, o tópico “segurança do trabalho” resultou com 58% de itens com mudanças positivas. Este tópico foi o que apresentou a mais elevada percentagem de boas práticas em relação aos outros tópicos pesquisados. Esta situação é decorrente, principalmente, da força da legislação (caso da NR-18) e, também, da necessidade de valorização do operário. Resultado semelhante foi demonstrado no estudo de LIBRELOTTO et al (1998), em canteiros da cidade de Florianópolis / SC, aonde o item segurança foi o que mais apresentou melhorias implantadas. • Proteção contra queda A NR-18 (2002) adverte para que se tome medida preventiva coletivas prioritariamente às medidas de proteção individuais, estabelecendo critérios para o dimensionamento do número, posição e tamanho destas proteções. Os impactos principais decorrentes da adoção destas medidas são: redução da gravidade dos acidentes de trabalho; proteção quanto à queda de materiais e pessoas e, também, proteção das pessoas que trabalham no entorno da obra (SCARDOELLI et al., 1994; SAURIN, LANTELME e FORMOSO, 2000; NR-18, 2002). • Sinalização de segurança A sinalização de segurança nas obras pode ser entendida como a que, referida a um objeto, atividade ou situação determinada, oferece uma indicação ou uma obrigação relativa à segurança ou à saúde no trabalho, através de sinais que atraiam a atenção de qualquer dos sentidos humanos (SAMPAIO, 1998). SAURIN (1997) recomenda que informações relativas à segurança dos trabalhadores estejam presentes em vários locais da obra, como por exemplo, nos alojamentos, vestiários, refeitórios, instalações sanitárias, entre outros. As sinalizações são particularmente relevantes nos locais de real perigo de acidentes ou de uso de materiais perigosos. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 86 A NR-18 (2002) prescreve em detalhes as recomendações de segurança para as sinalizações, buscando prevenir riscos relacionados a quedas de pessoa, intoxicação, choque elétrico, soterramento, incêndio, e outros. • Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s Os Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s são de uso obrigatório pelos trabalhadores e deverão ser fornecidos pelas empresas que realizam obras de construção (NR-06, 2002). SCARDOELLI et al. (1994) cita que os EPI’s constituemse em importantes recursos, que garantem segurança e proteção ao trabalhador, e devem ser exigidos o seu uso de todos os trabalhadores que atuam na obra, sem distinção de cargo ou hierarquia. É recomendado que todos os visitantes da obra também usem equipamentos de proteção individual como forma de fornecer exemplo perante os trabalhadores. SAURIN (1997) recomenda a supervisão e fiscalização do uso destes equipamentos, inclusive, aplicando penalidades aos trabalhadores que não fazem correta aplicação dos mesmos. MAIA (1995) e COSTA (1994) listam os principais equipamentos que devem ser utilizados em obras de construção, como por exemplo, óculos de proteção, capacetes, botas e botinas, cinto de segurança, entre outros. • Proteção contra incêndios Para SAURIN (1997), os incêndios são uma das principais causas de danos à construção e aos equipamentos em um canteiro de obra. Cita o autor que este tipo de acidente pode acarretar perdas devastadoras, tanto financeiramente quanto em termos de vidas humanas. A NR-18 (2002) prescreve que é obrigatória a adoção de medidas preventivas que consigam, de forma eficaz, atender as necessidades de prevenção e combate a incêndios, em todos os setores do canteiro de obra. Em especial, MAIA (1995) cita que no caso dos extintores, estes devem estar localizados em locais de fácil visualização (devidamente sinalizados), fácil acesso e protegido contra as intempéries. A NR-23 (2002) que trata de uma maneira geral sobre proteção contra incêndios, descreve, de uma maneira detalhada, todas as características de prevenção e combate a incêndios, englobando as edificações e os diversos setores Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 87 de trabalho. Esta mesma NR, pode ser utilizada como referência para ajudar na implantação das medidas de prevenção e combate a incêndios em canteiro de obra. 4.5 DISCUSSÃO A literatura acerca de planejamento de canteiros de obra de pavimentação mostrou-se severamente escassa. Os estudos têm focado mais a construção de edificações, sendo que tem sido dada maior ênfase ao processo de planejamento ou itens específicos do planejamento do canteiro (layout, segurança, etc). Uma possível razão para a carência de estudos similares para o caso dos canteiros de obra de pavimentos de concreto pode residir na relativa novidade desta tecnologia no mercado, apesar do Brasil ter sido um dos pioneiros em sua aplicação na América do Sul, como mostrou o Capítulo 2. Contudo, com a evolução do mercado de pavimento de concreto entende-se que esta situação deverá alterar-se, atraindo mais a atenção de pesquisadores ao estudo deste processo. A revisão da literatura permite inferir que há diferenças de conteúdo do planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto com relação a obras de edificações, face às suas peculiaridades. Não foram identificados na literatura estudos que apontassem de maneira clara tais diferenças. Os canteiros de obra de pavimentação de concreto diferem dos canteiros de edificações, por exemplo, no aspecto da dimensão, haja visto que seus limites físicos não são tão facilmente delimitáveis. Neste exemplo, a materialização dos princípios de proteção das áreas de execução dos serviços é naturalmente diferente. Apesar destas diferenças, verificou-se grande aplicabilidade de parte significativa da literatura de edificações em obras de pavimentação de concreto. 4.6 SUMÁRIO DO CAPÍTULO Sendo o canteiro de obra, o espaço para a transformação em realidade de todo o trabalho de concepção de uma obra, ele acaba recebendo as influências de todas as atividades que dizem respeito a um empreendimento. Deste modo, o principal objetivo do planejamento de um canteiro de obra é definir os espaços mínimos das instalações, sejam eles, escritórios, almoxarifado, refeitórios, vestiários, banheiros, sempre respeitando as normas vigentes de segurança no trabalho. O Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 88 objetivo da preparação de um layout de canteiro é dispor todos os materiais, equipamentos e instalações empregados na construção de modo a não prejudicar o trânsito de pessoas, a circulação de materiais, o acesso aos equipamentos de combate a incêndio, bem como as saídas de emergência, sempre com o propósito de que todo o funcionamento e organização do canteiro não sejam prejudicados. Para o adequado planejamento do canteiro de obra existe um grupo preliminar de atividades que incluem: estudos dos projetos básicos da obra; análise do cronograma físico; verificação dos materiais e componentes necessários e os seus quantitativos; estudo das diversas opções de tecnologia; dimensionamento dos equipamentos; estudo das normas técnicas; treinamento da mão-de-obra; estudo e planejamento do layout do canteiro; estudos dos acessos; análise da interface da obra com a comunidade local e, finalmente, a interação com o meio ambiente. Um segundo grupo de atividades, os quais não fazem parte do escopo desta dissertação, referem-se aos itens que tem impacto direto na organização do canteiro e são decorrentes da execução da obra propriamente dita. Estes itens incluem os estudos das perdas, controle de custos e cronograma, ações voltadas à redução de acidentes, ações de QVT – Qualidade de Vida no Trabalho, entre outros. As principais etapas que ocorrem durante o planejamento do canteiro de obra são: levantamento de informações, onde são realizados os levantamentos de todos as quantidades dos serviços da obra, isto é, são relacionados todos os materiais e seus respectivos volumes; definição dos equipamentos principais: o melhor modo de se iniciar a definição do arranjo físico do canteiro é estabelecer a localização do equipamento principal da obra; planejamento de Layout e implantação: existe uma grande diferença entre a indústria da construção civil e os demais ramos industriais. Na construção civil impera o caráter nômade, com grande mobilidade das ações. Enquanto os meios de produção permanecem estáticos e os produtos são movimentados na indústria de manufatura, na construção civil acontece o inverso. O produto é estático e os meios de produção são movimentados ao redor do mesmo e a revisão sistemática: um canteiro de obra se modifica no período da execução da obra, possuindo diferentes materiais, serviços, equipamentos e mão-de-obra em suas diversas fases. Esta situação implica que o planejamento do canteiro de obra Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 89 deve ser uma atividade contínua a qual pode, entretanto, ser subdividida de acordo com os pacotes de trabalho. Neste Capítulo foi descrito em detalhes cada componente que faz parte do canteiro de obra, conhecimento este que foi base teórica para a formulação das diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto. Os componentes detalhados foram: elementos de proteção, destacando-se o tapume; instalações provisórias, separadas em áreas de vivência, áreas de apoio e vias de circulação; instalações industriais; instalações elétricas; instalações hidráulicas e instalações de segurança na obra. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 90 5 MÉTODO DE PESQUISA 5.1 CONTEXTO O Capítulo 4 apresentou a revisão bibliográfica dos processos de implantação de canteiros de obra, com maior influência da literatura de edificações. O presente Capítulo apresenta o método de pesquisa, iniciando pela caracterização do problema, explicação do método de pesquisa propriamente dito, a estratégia de análise e os mecanismos adotados para validação dos resultados. No Capítulo 6 seguinte, são apresentados os resultados obtidos com a aplicação do método de pesquisa, assim como a sua análise. 5.2 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA O tópico “planejamento de canteiros de obra” apresenta reduzido volume de literatura quando o foco são as obras de pavimentação. Esta literatura é ainda mais escassa quando se trata de obras de pavimentos de concreto. O que existe é um significativo volume de conhecimento tácito, presente entre os profissionais da área, sem formalização em documentos. Como o volume de profissionais com experiência em pavimentos de concreto é relativamente pequeno, haja visto a pouca utilização desta tecnologia, tem-se um conhecimento restrito a poucos profissionais, os quais normalmente não estão ligados ao meio acadêmico. Com o incremento no Brasil de novas obras em pavimento de concreto, há necessidade de formalizar este conhecimento, buscando discutir os problemas, bem como as soluções que são implementadas para que as novas gerações de engenheiros e técnicos tenham acesso a este conhecimento. Existe uma emergente teoria sobre o planejamento de canteiros de obra suficiente para motivar trabalhos buscando sua consolidação. Porém, sendo a literatura na área fortemente ligada ao sub-setor de edificações, há necessidade de verificação da validade da mesma para outras tipologias de obras, como no caso das obras de pavimento de concreto. A presente dissertação visa, então, contribuir para a adequada aplicação da tecnologia de pavimentação em concreto no Brasil através da investigação da teoria e prática do planejamento de seu canteiro de obra. Buscar-se-á responder a questão: Quais Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 91 são as diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto? 5.3 MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO A primeira e mais importante condição para se distinguir as diversas estratégias de pesquisa, é identificar nela o tipo de questão que está apresentado (YIN, 2001, p. 26). Assim, a presente pesquisa foi realizada através do “levantamento” do conhecimento junto a especialistas da área de pavimentação utilizando o Método Delphi. Este método consiste na busca sistemática e iterativa de consenso sobre um determinado assunto entre um grupo de pessoas. GIL (1996, p. 56) definiu o método de pesquisa do tipo “levantamento” como caracterizado pelo interrogatório direto de pessoas cujo comportamento ou conhecimento se deseja descobrir. O método se baseia na solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado, e após a análise quantitativa, obtêm-se as conclusões correspondentes ao material coletado. O levantamento do conhecimento com especialistas já é uma prática razoavelmente dominada no campo da “Inteligência Artificial”, principalmente quando se trata do desenvolvimento de sistemas especialistas. No caso desta pesquisa o propósito não foi de se elaborar um sistema especialista, mas sim estruturar uma primeira proposta de diretrizes, a qual poderá ser aprimorada em pesquisas subseqüentes. Previamente à realização dos questionários junto aos especialistas houve uma fase de preparação que constou da revisão dos conceitos de pavimentação (Capítulo 2). Nesta mesma etapa revisou-se o processo de construção de obras de pavimentos de concreto (Capítulo 3) e, também, as etapas para implantação de canteiros de obra (Capítulo 4). A revisão sobre os conceitos de pavimentação e sobre os processos de construção de pavimentos de concreto contemplou principalmente a literatura nacional, sendo que as principais fontes foram trabalhos de SOUZA (1980), SENÇO (1997), PITTA (1998) e as normas/especificações técnicas nacionais. A nível internacional foram consultados vários autores e Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 92 entidades, sendo que os principais foram os trabalhos de YODER e WITCZAK (1976), DALIMIER e LUCO (1998), HALL (1999) e DARTER et al (1992). No que tange a implantação de canteiros de obra, as principais fontes foram trabalhos de MAIA (1995), SAURIN (1997) e SCARDOELLI et al. (1994). 5.4 DESCRIÇÃO DO MÉTODO DELPHI O Método Delphi, resultado de estudos realizados pela RAND Corporation na Califórnia, EUA, iniciados em 1944, foi utilizado inicialmente como um instrumento de previsão qualitativa, cuja área de aplicação mais freqüente foi a de previsões tecnológicas. Sua utilização é mais indicada quando não existem dados históricos a respeito do problema que se investiga ou, em outros termos, quando faltam dados quantitativos referentes ao mesmo (MASSAUD, 2002). O princípio do método é intuitivo e interativo, como ilustra a FIGURA 5.1. Implica a constituição de um grupo de especialistas em determinadas áreas do conhecimento, que respondem a uma série de questões. A síntese dos resultados das rodadas de questionamentos anteriores é comunicada aos especialistas que, após nova análise retornam com suas análises críticas do conteúdo. Em cada etapa podem ser introduzidas novas perguntas como forma de estimular a reflexão dos especialistas. As interações se sucedem desta maneira até que um consenso ou quase consenso o mais confiável possível seja atingido. As etapas de perguntas são chamadas nesta dissertação de “rodadas”. FIGURA 5.1 – CICLO DE RODADAS DO MÉTODO DELPHI ENVIO VIA ELETRÔNICA RODADA ESPECIALISTA ANÁLISE DAS RESPOSTAS NÃO CONSENSO SIM DIRETRIZES Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 93 FONTE: MASSAUD, C. Metodologia “Delphi”. Disponível em: <http://www.clovis.massaud. nom.br/prospec.htm> Acesso em: 20 jun. 2002. Um dos aspectos fundamentais para o sucesso da aplicação do Método Delphi é a existência de “feedback controlado”. Feedback controlado é, neste caso, a regular comunicação aos participantes de resumos das discussões das rodadas precedentes. A interação com feedback controlado reduz o ruído, ou seja, o pesquisador fornece ao grupo somente aquilo que se refere aos objetivos e metas de seu estudo, evitando que o painel se desvie dos pontos centrais do problema. Durante as rodadas de discussões, os especialistas recebem as informações e comentários dos outros, podendo mudar ou fornecer suas opiniões com argumentos mais apropriados (MASSAUD, 2002). O papel do pesquisador neste processo foi então o de moderador e animador das reflexões. Desenvolvia o agrupamento das questões e comentários que apresentavam consenso e, simultaneamente, provocava discussões naqueles itens onde havia uma relativa ausência de respostas ou comentários. Com a evolução das discussões a tarefa do pesquisador ficou gradualmente mais ágil visto que as discussões centravam-se somente nos pontos que ainda não se tinha convergência entre os especialistas. Outro fator importante para a adequada condução do Método Delphi é o anonimato entre os participantes. Este é um modo de reduzir a influência de um sobre o outro, visto que eles não se intercomunicam diretamente durante a realização do painel. O principal aspecto positivo deste anonimato é a impossibilidade de um especialista ser influenciado pela reputação de outro mais experiente. Outra vantagem é a possibilidade de mudança de opinião sem que isto leve a um constrangimento do especialista. O especialista pode defender as suas opiniões com tranqüilidade, mesmo que errôneas, sabendo que o seu equívoco não vai ser conhecido pelos outros especialistas. A utilização de uma caracterização matemática da resposta do grupo é uma maneira alternativa para reduzir a pressão do grupo na direção da conformidade, evitando, ao fim do exercício, uma dispersão significativa das respostas individuais. No caso da presente pesquisa, devido ao seu caráter qualitativo, adotou-se a prática Giublin, C. R. 94 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto de marcação das respostas e informação quanto à percentagem do número de respostas consensuais. Esta estratégia permitiu então que os especialistas obtivessem a exata noção da evolução do consenso no grupo. As rodadas do Método Delphi nesta pesquisa adotaram o e-mail como principal mecanismo de comunicação entre os especialistas e o pesquisador. Após a aplicação sucessiva das rodadas ilustradas na FIGURA 5.1 o produto final resultante, no caso da presente dissertação, foi a consolidação do conhecimento dos especialistas em torno de um grupo significativo de diretrizes consensuais acerca do planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto. 5.5 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DOS ESPECIALISTAS Partindo da hipótese inicial de que se encontraria um pequeno número de especialistas brasileiros em pavimento de concreto, porém com experiência em outros tipos de pavimentação, adotaram-se os seguintes critérios para sua seleção: experiência em obras de pavimentação; experiência em obras de pavimentação de concreto (mínimo de três anos); experiência em planejamento de obras; experiência em implantação de canteiros de obra; experiência em obras de concreto (geral); formação em engenharia civil (no mínimo 5 anos); experiência prática ou participação em eventos/visitas técnicas internacionais. Para manter o anonimato dos especialistas, apresenta-se no QUADRO 5.1 a discriminação das características individuais de cada um em relação aos critérios de seleção. Ressalta-se também que a seleção dos especialistas tomou como base o conhecimento do mercado decorrente da experiência prática do próprio autor desta dissertação, o qual, como mostra o mesmo quadro, também poderia ser incluído no elenco de especialistas participantes da pesquisa. QUADRO 5.1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ESPECIALISTAS COLABORADORES EXPERIÊNCIA (ANOS) ESPECIALISTA Obras Rodoviárias A 25 Obras em Planejamento Pavimento de de Obras Concreto 5 25 Implantação de Canteiros Obras em Concreto 25 25 TEMPO DE FORMADO (ANOS) EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL 25 Sim Giublin, C. R. 95 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto B 23 3 23 23 5 23 Sim C 5 3 3 5 5 5 Sim D 6 3 6 6 6 7 Não E 34 34 15 15 34 34 Sim F 5 3 20 20 23 23 Não G 3 3 6 6 6 10 Não Autor 22 5 22 22 17 22 Sim FONTE: Pesquisa com os especialistas. A literatura não fornece parâmetros para o estabelecimento de um número mínimo ou máximo de especialistas do painel, que pode variar de um pequeno grupo até um grupo numeroso, dependendo do tipo de problema a ser investigado e da população e/ou amostra utilizada. A população de especialistas em projeto e execução de obras de pavimentos de concreto é reduzida quando comparada com outras especialidades da Engenharia Civil. Sendo assim, ainda que pequeno, o grupo de especialistas que foi utilizado nesta pesquisa (7), cujos especialistas atuam predominante nas regiões Sul e Sudeste, foi considerado suficiente para os propósitos desta pesquisa. 5.6 NÚMERO DE RODADAS REALIZADAS A definição do número de rodadas a serem realizadas no presente trabalho dependia, fundamentalmente, da obtenção de um nível de consenso aceitável para os propósitos da pesquisa. Neste trabalho foram realizadas cinco (5) rodadas do Método Delphi, número que possibilitou o alcance de consenso em cerca de 90% dos itens investigados. A seqüência das rodadas realizadas encontram-se ilustradas nas FIGURA 5.2 a seguir. Note que o tempo médio entre cada rodada foi ao redor de dez dias. FIGURA 5.2 – CRONOGRAMA DAS RODADAS REALIZADAS – MÉTODO DELPHI Giublin, C. R. O 96 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto questionário originalmente desenvolvido com base na literatura apresentada no Capítulo 4, apresentou 98 itens (vide ANEXO A), divididos em seis grupos. Após consulta aos especialistas e de acordo com o consenso obtido na primeira rodada, decidiu-se pela execução das rodadas seguintes com a totalidade dos itens, e não com segmentos do questionário como havia sido originalmente planejado. A razão pela adoção deste procedimento foi a grande disponibilidade e motivação dos especialistas para com esta pesquisa. 5.7 VALIDAÇÃO Buscou-se a validação interna dos resultados desta pesquisa através do questionamento dos próprios especialistas com relação à validade de um “relatório final”. Este relatório foi encaminhado para os especialistas, também como forma de reconhecimento da ajuda dos mesmos no desenvolvimento desta pesquisa. Apesar deste procedimento, é do entendimento do pesquisador que a própria dinâmica do Método Delphi confere validade interna ao longo de todo o processo de coleta de dados. A validação externa, a qual poderia acontecer, por exemplo, na aplicação das diretrizes resultantes em um estudo de caso, não foi contemplada nesta dissertação, fazendo parte das sugestões para pesquisas futuras constantes no Capítulo 7 desta dissertação. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 97 6 RESULTADOS E ANÁLISE 6.1 CONTEXTO Anteriormente o Capítulo 5 apresentou o método de pesquisa, com a caracterização do problema, explicação do Método Delphi, o critério para seleção dos especialistas e, também, aspectos relativos à validação dos resultados. O presente Capítulo apresenta os resultados obtidos com a aplicação do Método Delphi, a análise realizada e, finalmente, apresenta as diretrizes para planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto, conforme estabelecido nos objetivos desta pesquisa. O Capítulo 7 seguinte finaliza a dissertação com a apresentação das conclusões finais e as recomendações para futuros trabalhos. 6.2 INTRODUÇÃO No Capítulo 4, foi apresentada a revisão bibliográfica dos componentes gerais para implantação de canteiro, com maior influência da literatura para canteiros de obra de edificações. Neste Capítulo, estarão sendo analisadas as respostas do questionário dadas pelos especialistas em canteiros de obra para pavimentos de concreto, adicionando assim conteúdo adicional para a literatura neste campo do conhecimento. Cerca de 90% das 98 questões apresentadas no questionário original (ANEXO A) alcançaram consenso total entre os especialistas. As questões que não apresentaram consenso ocorreram mais devido a interpretações dos especialistas com relação à aplicabilidade de determinadas práticas em obras de pavimento de concreto. As respostas dadas pelos especialistas demonstraram a existência de diferenças entre canteiros de edificações em relação a canteiros de obra em pavimentação que não são apontadas claramente na literatura consultada. Um ponto importante que deu margem a significativo volume de discussão entre os especialistas foi à diferença de prática principalmente entre obras de pavimentação com grande volume e com poucas restrições de recursos em relação a obras de pequeno volume e com grandes restrições de recursos. Por recursos entenda-se a disponibilidade de energia, materiais, pessoal, etc. As implicações Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 98 destas diferenças são profundas no planejamento do canteiro de obra quando envolve, por exemplo, a definição dos equipamentos para espalhamento, adensamento e acabamento de concreto (vide Capítulo 3 – item 3.2.3.3.3). Com o intuito de simplificar a linguagem a ser utilizada nesta dissertação desta seção em diante, as primeiras serão chamadas como “obras em ambiente urbano” e as outras “obras em ambiente rural”. Nas seções seguintes, é analisado em detalhes cada componente de canteiro, de acordo com o Capítulo 4, bem como das contribuições recebidas dos especialistas. Esta análise constitui-se nas diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto objetivadas por esta pesquisa. No item 6.4 deste Capítulo as diretrizes são então compiladas no formato de uma lista de verificação. Alguns componentes de canteiro de obra para pavimentação de concreto, tais como, posto de abastecimento de combustíveis, paióis de explosivos e sistema de ar comprimido, foram identificados na última rodada de pesquisa junto aos especialistas, e não foram descritos em detalhes neste trabalho. 6.3 COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO 6.3.1 Elementos de Proteção Resultados O tapume é o elemento principal de proteção de canteiro de obra. Apesar desta afirmação no Capítulo 4, a pesquisa entre os especialistas não obteve consenso neste item quanto a obras de pavimento de concreto. O resultado foi de 85,7% de aprovação do uso de tapumes, e 14,3% de não aprovação. Entre os especialistas que concordaram na aplicação de tapumes, foi comentada a utilização em duas situações distintas: • obras urbanas: recomendado pelos especialistas o uso de tapumes na construção de edificações de canteiro (escritórios – central e de campo, refeitório, entre outros) e nos locais de escavações para implantação de Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 99 obras de infra-estrutura. Nestas obras os especialistas recomendaram a utilização de telas metálicas; • obras rurais: foi recomendado o uso de cercas divisórias nos limites das propriedades que são cortadas pelo eixo da rodovia. O uso de tapumes ou cercas divisórias foi recomendado também para aplicação nas instalações industriais da obra. A pesquisa entre os especialistas concluiu pelo uso de arame farpado de maneira geral neste tipo de obra. Análise Nas futuras obras de pavimentos de concreto, deve-se estudar a aplicação de tapumes de acordo com as situações descritas pelos especialistas, tendo em vista as diferenças de executar uma obra em ambiente urbano em relação ao ambiente rural. Contudo, muitos aspectos apontados na literatura e na própria experiência do pesquisador não foram apontados pelos especialistas, tais como alternativas de materiais para tapumes e os efeitos do mesmo na imagem da empresa. Em obras urbanas, além das edificações de canteiro e dos locais de escavações, devem-se prever fitas fluorescentes ou outro tipo de material de sinalização, colocadas nos dois lados em toda a extensão da pista recém executada com concreto. Este procedimento tem o intuito de alertar visualmente a proibição e perigo da transposição de trabalhadores ou transeuntes por sobre o concreto em estado fresco. Em obras rurais, é fundamental a segurança das instalações de canteiro e, principalmente, das instalações industriais, já que em locais ermos e distantes de grandes centros, a possibilidade de roubo é maior. Além deste fato, estas instalações geralmente são de grande porte e tem custo fixo elevado. O uso de material de segurança, sinalizando as atividades da obra em ambiente urbano ou rural, deixou de ser apenas uma questão pura e simples de segurança. É também uma questão de imagem da empresa executora, devendo fazer parte do planejamento de marketing da empresa ao nível do canteiro de obra. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 100 6.3.2 Instalações Provisórias 6.3.2.1 Áreas de vivência 6.3.2.1.1 Refeitório Resultados A instalação de área para uso de refeitório nos canteiro de obra de pavimentos de concreto foi consenso de 100% dos especialistas. A pesquisa revelou, entretanto, um item em desacordo com a recomendação de parte da bibliografia descrita no Capítulo 4: o uso ou não da área de refeitório para outros propósitos. De acordo com o consenso de 100% dos especialistas, o local deve ser específico para refeições. Esta recomendação está de acordo com a NR-24, item 24.3.14, que diz: “é proibido o uso do refeitório, ainda que em caráter provisório, para depósito, bem como para quaisquer outros fins”. Nas questões da pesquisa, referente aos itens que o refeitório deve ter, e que são prescritos pela NR-18, os especialistas tiveram consenso de 100%. São elas: deve haver lavatórios instalados nas proximidades do refeitório ou no seu interior; deve ter fechamento que permita isolamento durante as refeições; deve ter piso de concreto, cimentado ou outro material lavável; deve ter depósitos com tampa para detritos; deve ter assentos em número suficiente para atender aos usuários. Como comentário, 28,6% dos especialistas concordaram com a utilização do refeitório em sistema de rodízio de horários de refeição. A pergunta aos especialistas, questionando se as mesas devem ser separadas de forma que os trabalhadores agrupem-se segundo a sua vontade, obteve concordância de 85,7% deles. Os comentários sugerem a possibilidade de utilização de mesas grandes e não distinção da área do refeitório por cargos hierárquicos ou funções. Segundo os comentários, este é um fator que ajuda na manutenção da qualidade do refeitório, gerando ambiente favorável para seu gerenciamento e satisfação dos trabalhadores. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 101 Análise Embora a posição dos especialistas e da própria norma é positiva em relação à proibição da utilização do refeitório para outras atividades, tais como palestras e treinamento dos trabalhadores, entende-se que tais usos do refeitório não são apenas viáveis mas como são necessários no atual ambiente sócio-econômico do setor da construção. Contudo, a própria NR-18, numa contradição com a NR-24, preconiza que no planejamento dos canteiros de obra, deve-se prever nas áreas de vivência locais para recreação (lazer) para os trabalhadores, e que o refeitório poderia ser utilizado para este fim. A necessidade de capacitação da força de trabalho é premente e os recursos economizados na construção de ambientes específicos para treinamento poderiam ser utilizados na ampliação da gama de oportunidades para capacitação dos trabalhadores. Normalmente não existe área especifica para estes eventos no canteiro de obra e o refeitório apresenta geralmente condições aceitáveis para a realização de atividades de aprendizado. Conclui-se a partir das opiniões dos especialistas que as obras de pavimentos de concreto, tanto urbanas como rurais, tem as mesmas características de outras obras, no que se refere à instalação de refeitórios. No planejamento de refeitório de canteiro de obras, no mínimo deve-se levar em consideração todas as determinações da NR-18 e, complementarmente, da NR-24. 6.3.2.1.2 Cozinha Resultados A instalação no canteiro de obra de cozinha foi consenso entre 100% dos especialistas. Alguns alertaram para a possibilidade de usar serviço terceirizado de fornecimento de alimentação em algumas condições específicas. Devido ao aprimoramento e profissionalização do setor de alimentos terceirizados, este serviço tem sido bem aceito pela maioria dos trabalhadores e têm se mostrado economicamente viável. Na pesquisa realizada referente aos itens que a cozinha deve ter os especialistas tiveram consenso de 100%, e estão relatados a seguir: deve existir Formatado Giublin, C. R. 102 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto ventilação natural e/ou artificial que permita boa exaustão; deve ter paredes de qualquer tipo de material, contanto que atenda as condições de higiene; deve permitir o isolamento durante as refeições; deve ter piso cimentado, de concreto, ou de outro material de fácil limpeza; deve possuir instalações sanitárias sem haver comunicação com a cozinha; deve ser de uso exclusivo dos funcionários que manipulam os gêneros alimentícios e, finalmente, deve ficar em local adjacente ao local das refeições. Análise O padrão das respostas obtidas junto aos especialistas revelou que a instalação da cozinha no canteiro de obra de pavimentos de concreto geralmente acontece em obras rurais, afastadas dos centros habitacionais. Pode ser terceirizada ou não, e deverão atender no seu projeto, todas as prescrições da NR-18. Cuidados adicionais devem ser tomados, nos aspectos da qualidade das refeições, procurando atender a gramatura dos alimentos recomendada pelos nutricionistas. No caso dos operários que estão nas frentes avançadas de trabalho das obras de pavimentos de concreto é freqüente também o uso de marmitas acondicionando as refeições. É necessário nestas situações, o correto dimensionamento dos aparelhos específicos da cozinha para preparo e manuseio destas refeições. 6.3.2.1.3 Vestiário Resultados Os especialistas concordaram em 100% com a necessidade de implantação de vestiários no canteiro de obra, mas alertaram que este item é dependente do tamanho e da localização da obra. Foi recomendado também, que seja cumprida a determinação da NR-18 que diz: “todo canteiro de obra deve possuir vestiário para troca de roupas dos trabalhadores que não residem no local”. Na pesquisa realizada junto aos especialistas, referente aos itens que o vestiário deve ter, foi obtido consenso de 100%, e estão a seguir relatados: deve ser dividido conforme as equipes de produção ou por frente de trabalho; deve ter piso de Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 103 concreto, cimentado ou material equivalente, tendo como observação a possibilidade de uso de contêineres como elemento substituto da edificação; deve ter bancos e, também, cabides que não sejam pregos e, finalmente, deve ter armários individuais dotados de fechadura e cadeado, visando maior segurança ao trabalhador. Análise A instalação de vestiários no canteiro de obra de pavimentos de concreto é necessária tanto para obras urbanas como rurais. O planejamento das edificações que atenderão ao vestiário, deverá seguir as orientações da NR-18, não havendo nenhuma discordância por parte dos especialistas quanto ao conteúdo daquela norma. Em obras urbanas e rurais, na medida do possível é indicada a localização do vestiário em área próxima à entrada da obra, já que isto obriga o trabalhador a usar os equipamentos de proteção individual quando trafegar pela obra. A experiência normalmente verificada em obras rurais de pavimentação, é do vestiário e dos alojamentos serem instalados em área separada, ao lado das edificações da obra. Isto permite que os trabalhadores tenham uma maior privacidade e evita o contato das áreas de trabalho com a área de vivência. 6.3.2.1.4 Alojamentos Resultados A instalação de alojamentos no canteiro de obra de pavimentos de concreto resultou em consenso de 100% na pesquisa realizada junto aos especialistas. Foi recomendada a utilização preferencial de trabalhadores da região, quando em obras urbanas, para diminuir a necessidade de construção (mobilização) de grandes áreas de alojamentos. Caso a mão-de-obra local não atenda às necessidades operacionais, como alternativa foi recomendado o eventual aluguel de imóveis na localidade da obra antes da instalação de alojamentos. Por outro lado, em obras rurais, que normalmente são distantes de centros urbanos, faz-se necessário à construção de alojamentos nas obras. A questão colocada para os especialistas sobre quais os materiais recomendados para serem utilizados na construção dos alojamentos obteve Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 104 consenso quanto a algumas tipologias construtivas: alvenaria de tijolos ou blocos, madeira, chapas galvanizadas, e outros, contanto que atenda às especificações técnicas definidas em projeto. Construção mista de alvenaria nos banheiros e madeira nos quartos foi considerada uma boa solução pelos especialistas, pois atende com conforto os funcionários e facilita a remoção do acampamento no final da obra. O consenso de 100% dos especialistas foi dominante neste item. Na pesquisa realizada junto aos especialistas, referente aos itens que os alojamentos devem ter, foi obtido consenso de 100%, e estão a seguir relatados: devem ter piso de concreto, cimentado, madeira ou outro; devem ter área de ventilação de no mínimo 1/10 da área do piso; devem ter iluminação artificial e/ou natural e, finalmente, devem ter área mínima de 3,0m2 por módulo cama/armário, incluindo a área de circulação. Análise As rodadas do Método Delphi revelaram que a importância de implantação de alojamentos em obras de pavimentação de concreto está relacionada à necessidade de manter uma equipe qualificada de profissionais que atuam nos diversos equipamentos (vide Capítulo 3). Normalmente estas pessoas não têm ligação com a localidade de execução das obras, fato que obriga a empresa a implantar alojamentos no canteiro de obra. Estes alojamentos deverão seguir as orientações da NR-18, quando da sua implantação. Outro fator importante é a rapidez de execução destas obras, fato que obriga as empresas à não dispensar os profissionais já treinados, utilizando esta mão-de-obra especializada em outras obras. Geralmente o ritmo de trabalho nestas obras é intenso, normalmente de 10 horas por dia e, em muitos casos, trabalha-se até nos finais de semana. Isto impõe a necessidade de ter boa parte da mão-de-obra morando no canteiro de obra. Há que se salientar também que este tipo de mão-de-obra está acostumado a esta situação de trabalho, muitos há anos trabalhando longe das suas famílias. No ato da contratação muitas vezes já são verificados o nível de mobilidade do profissional e sua concordância com tal situação. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 105 6.3.2.1.5 Instalações sanitárias Resultado A pesquisa entre os especialistas resultou em aprovação de 100% do conteúdo deste item. Sendo item básico para a obtenção de higiene e segurança do trabalhador, e importante para o bom andamento da obra. Exige, entretanto, grande mobilidade das estações de trabalho e grandes distâncias em relação às edificações de canteiro. Neste sentido, os especialistas recomendaram que as frentes de serviço sejam equipadas com banheiros móveis, do tipo contêineres, com produtos químicos para a sua higienização. No que diz respeito aos itens sobre instalações sanitárias que foram analisadas pelos especialistas nesta pesquisa, foi obtido consenso de 100%. Estas recomendações preconizam que: os banheiros devem estar ao lado do vestiário; deve haver banheiros volantes nos diversos segmentos da obra; deve haver recipientes para depósito de papéis usados no banheiro e, no caso de uso de banheiros do tipo contêineres, com produtos químicos, o papel deve ser depositado no vaso, para que seja removido juntamente com os dejetos; deve haver nos locais onde estão os chuveiros, piso de material antiderrapante ou estrado de madeira; deve haver um suporte para sabonete e cabide para toalha correspondente a cada chuveiro. Para a questão colocada aos especialistas de ter banheiros separados somente para o pessoal de administração da obra (mestre, engenheiro e técnico), o consenso foi de que haja banheiro especial somente para o escritório central da obra. Nos escritórios de campo, segundo eles, não há necessidade de separação dos sanitários, já que esta seria uma medida de segregação de classe com prejuízo ao bom desenvolvimento da obra. Em ambas as situações, as condições de higiene e limpeza rotineira dos sanitários devem ser atendidas. Em outra questão analisada pelos especialistas, foi consenso que as paredes internas dos locais onde estarão instalados os chuveiros devem ser de material impermeável (área molhada), como por exemplo, alvenaria com pintura resistente a água, chapas galvanizadas, alvenaria com aplicação de azulejos, etc. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 106 Análise Conclui-se através das respostas dos especialistas que para obras de pavimentos de concreto, independente de ser urbana ou rodoviária, é necessária a implantação de unidades sanitárias. O planejamento do canteiro deverá definir os locais mais viáveis para locação das instalações sanitárias, sendo recomendado que exista instalações nos escritórios, tanto central como os de campo, nos vestiários e nas frentes de serviços utilizando unidades móveis, como por exemplo, contêineres, visando o pleno atendimento às exigências prescritas na NR-18. Vale notar que nenhum dos especialistas contemplou a necessidade de instalações específicas para mulheres, o que é, também, uma lacuna identificada na literatura nacional. De maneira similar, percebeu-se a carência de comentários dos especialistas referentes à necessidade de sistema de tratamento dos efluentes, ainda que provisório. 6.3.2.1.6 Ambulatório Resultado Na pesquisa realizada, a implantação de ambulatório em obras de pavimento de concreto resultou, segundo os especialistas, em 85,7% que aprovaram a sua instalação e 14,3% que não aprovaram. Para alguns especialistas, a instalação de ambulatório é função do número de funcionários, sem contudo especificar qual seria este número. Outros comentários referiram-se à possibilidade de aproveitar as instalações de hospitais ou outros serviços de saúde nas cercanias da obra, caso haja dificuldades em recrutar pessoal qualificado e capacitado para prestar estes serviços. A adoção de tal abordagem, segundo os especialistas, passa por uma análise crítica da logística global da obra e de avaliações econômico-financeiras. Mesmo sem consenso quanto à implantação do ambulatório, todos os especialistas concordaram (por consenso de 100%) que os materiais empregados para construção do ambulatório podem ser todos os enunciados no questionário (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc). Os especialistas também solicitaram a inclusão de contêineres entre as opções construtivas para o ambulatório, desde que atendam as condições de projeto e de higiene e segurança. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 107 Análise A implantação de ambulatório em obras é sempre muito questionada pelos construtores, pois sempre está associada a aumento de custos indiretos, tais como: a própria construção do ambulatório; necessidade de enfermeiros; material de primeiros socorros (em maior quantidade e diversidade); necessidade de médicos em período parcial ou integral; eventualmente uma ambulância, entre outros. Isto sempre leva a que todos procurem solução para atendimento médico nos hospitais da região da obra. Esta solução, quando possível, é geralmente mais simples e economicamente viável. O modelo de formalização deste atendimento geralmente é através de convênios. Notadamente os especialistas não souberam os critérios exatos para a decisão pela implementação ou não de um ambulatório. Já a NR-18, no item 18.4.1, prescreve a necessidade de instalação de ambulatório em obras que tenham número igual ou superior a cinqüenta trabalhadores. Em função disto, os futuros gerentes devem estar atentos a esta atividade tão logo se inicie o planejamento do canteiro de obra de pavimento de concreto, principalmente porque são obras de grande risco aos profissionais envolvidos. 6.3.2.2 Áreas de apoio Formatado 6.3.2.2.1 Escritório Resultados A implantação de escritório em obras de pavimento de concreto foi consenso de 100% entre os especialistas pesquisados. Os especialistas recomendam que, pelo caráter de mobilidade destas obras, não há necessidade de instalações complexas, podendo utilizar-se de escritórios montados em contêineres. O tamanho e número destas instalações são função do volume de trabalho e do tempo de execução da obra. A questão de localização do escritório no canteiro foi respondida pelos especialistas, de uma maneira geral, colocando como válidas todas as possibilidades enunciadas no questionário. Os especialistas adicionaram a lista de Giublin, C. R. 108 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto possibilidades apresentada no questionário alternativas a seguir descritas: posição com fácil comunicação com todos os setores da obra; provido de acesso externo para terceiros; próximo das áreas de controle de materiais; implantação rápida e econômica e localização estratégica. Os especialistas alertam para que se tomem cuidados especiais na definição da posição do escritório da obra, assim como de todas as outras instalações, com respeito às restrições ambientais locais, que muitas vezes impõe soluções diferenciadas das originalmente definidas. Na questão de qual deveria ser o material empregado na construção dos escritórios, a concordância foi da possibilidade de uso de todos os materiais enunciados na pergunta especialistas solicitaram (alvenaria, também a madeira, chapas inclusão da metálicas, solução em etc). Os contêineres. Recomendam ainda que seja analisada a viabilidade técnico-econômica de se aproveitar materiais locais na confecção das instalações provisórias. Na visão dos especialistas, a seleção dos materiais deve contemplar a possibilidade de reaproveitamento em futuras obras. Análise As perguntas associadas ao item escritório apresentaram grande consenso entre os especialistas. Sendo o escritório da obra em pavimento de concreto um ambiente onde também são realizadas atividades de relações públicas e de solução de problemas entre as equipes de trabalho, o mesmo deve possuir ambiente adequado para tal propósito. Entretanto, ficou claro na análise das respostas dos especialistas que o gerente da obra deve procurar racionalizar as dimensões do escritório, principalmente em função dos custos de implantação. 6.3.2.2.2 Almoxarifado e ferramentaria Resultados A implantação de almoxarifados e ferramentaria em obras de pavimentação de concreto, de acordo com os especialistas, obteve consenso de 100%. O único comentário foi de recomendação para que se estude e dimensione o mesmo em função do tamanho da obra. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 109 Na pesquisa realizada junto aos especialistas, referente aos itens que o almoxarifado e ferramentaria deveriam ter, foi obtido consenso de 100% nas seguintes questões: deve possuir ponto de descarga de caminhões (docas de descargas); deve ser dividido em dois ambientes (ou mais), um para armazenagem de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife; deve possuir janela externa para atendimento dos trabalhadores. Análise A experiência dos especialistas para este item, demonstra a prática corrente neste tipo de obra. Entretanto, os futuros gerentes devem analisar, também, a localização da obra e as condições de apoio da região, pois em muitos casos há possibilidade do fornecimento de materiais e peças de equipamentos em distâncias relativamente curtas, que poderiam agilizar a execução da obra sem necessidade de grandes áreas de almoxarifado. É uma tendência das obras mais próximas ao ambiente urbano. No caso das obras rurais e mais afastadas dos centros urbanos, geralmente é inviável este procedimento e inevitável a construção de almoxarifados de tamanho a atender a programação da obra. 6.3.2.2.3 Guarita de segurança para guardas e porteiros Resultados Os especialistas recomendaram a utilização de guarita de segurança para guardas e porteiros para obras de pavimentação de concreto, com consenso de 100%. Alertam, também, que além da implantação da guarita, localizada geralmente na entrada do canteiro de obra, exista segurança fixa, através de vigilantes, nas instalações industriais. Todos concordaram também de que guardas e porteiros devem distribuir crachás de identificação na guarita. Na questão de distribuição dos capacetes de segurança (EPI’s) para os visitantes na própria guarita, o consenso não foi obtido, havendo 14,3% de respostas contrárias. Para os especialistas, os visitantes devem ser identificados pelo pessoal da administração da obra e receber os capacetes de segurança, mas não chegaram a um acordo de consenso do local de distribuição dos capacetes. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 110 Análise Ficou claro nas respostas dos especialistas que em obras de pavimentos de concreto, urbanas ou rurais, a implantação de guaritas de segurança é recomendada. A questão do local de distribuição dos capacetes aos visitantes no caso de obras de pavimento em concreto, item sem consenso entre os especialistas, não é um item crítico para este tipo de obra. Muitas vezes, por exemplo, as pessoas entram com seus veículos até próximo dos locais de produção. Sendo assim, cabe às administrações das obras determinar o local de distribuição dos capacetes e, o mais importante, exigir o uso dos mesmos pelos visitantes quando dentro das áreas do canteiro. 6.3.2.3 Vias de circulação Resultados Os especialistas recomendaram (100%) a execução de vias de circulação, e comentaram que as mesmas devem sempre estar em bom estado de conservação, com manutenção constante. Este procedimento visa garantir a maior segurança para as pessoas e maior eficiência no fluxo de equipamentos e material, bem como, custo menor de manutenção nos eventuais reparos. Análise No caso específico de pavimentos de concreto, a alimentação constante de concreto na frente da máquina impõe uma via de circulação construída ou mantida em perfeitas condições de uso. As respostas dos especialistas mostraram também que as vias de circulação são elementos de vital importância ao bom desempenho da produção, visto que por ela passam todos os equipamentos que transportam os materiais para as frentes de serviço. O planejamento adequado das vias de circulação, reduz custos e desperdícios de tempo de toda a estrutura operacional da obra. Para a demarcação destas vias permanecem válidos todos os comentários tecidos acerca da sinalização do canteiro apresentados no item 6.3.1 Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 111 6.3.3 Instalações Industriais 6.3.3.1 Central de armação Resultados Na pesquisa realizada junto aos especialistas foi obtido consenso de 100% para implantação de central de armação para obras rurais. Estas obras geralmente são de porte e ritmo maior, com um grande consumo de armação. De qualquer forma, as armações não são complexas, e necessitam mais de escala de produção das estruturas, do que de elaboração (corte e dobra, por exemplo). Neste caso, os especialistas recomendaram a instalação de uma central de armação, que poderia ser apenas uma área coberta para proteção contra as intempéries. No caso de obras urbanas, geralmente o porte e o ritmo de execução da obra é menor, sendo possível adquirir, junto aos fornecedores, as armações já cortadas e dobradas. Neste caso, havendo controle de entrega das armações de acordo com o cronograma de uso, as mesmas podem ficar armazenadas em locais próximos as aplicações. Os serviços complementares de montagem das estruturas seriam executados neste mesmo local. Nesta situação a recomendação dos especialistas foi para a não instalação de central de armação fixa no canteiro de obra. Na questão de qual poderia ser o material utilizado na construção das centrais de armação, os especialistas concordaram (consenso de 100%) que qualquer material que atenda as necessidades (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc) pode ser utilizado. O importante é que o projeto da obra contemple todos os tipos de aço e detalhes das armaduras que serão utilizados, para que no planejamento da central de armação, ela possa ser construída com as dimensões e materiais corretos, evitando futuras improvisações. Na questão dos equipamentos que devem estar disponíveis na central de armação para obras de pavimentos de concreto, foi consenso (100%) somente o uso de máquina de corte e aparelho de corte e solda. Os outros equipamentos questionados junto aos especialistas, como por exemplo, máquina de dobrar e Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 112 calandra, não foram recomendados, pois normalmente as armaduras utilizadas são retilíneas e não necessitam de trabalhos adicionais. Análise As opiniões dos especialistas quanto à central de armação foram bastante coerentes com a dinâmica característica de uma obra de pavimento de concreto, já que as armaduras aplicadas em pavimentos de concreto são extremamente simples e retilíneas. O gerente da obra deve tão somente dimensionar o espaço de trabalho da central de armação, levando em consideração o cronograma de uso das armações no campo, bem como as orientações de segurança da NR-18. Em obras utilizando as pavimentadoras de formas deslizantes (vide detalhes das pavimentadoras de formas deslizantes - item 3.2.3.3.3), o consumo de armaduras por turno de trabalho é alto e, nestes casos, recomenda-se um estudo mais detalhado da área da central de armação e do local para armazenagem das armaduras prontas (geralmente em área ao lado da central). 6.3.3.2 Central de formas Resultado Na pesquisa realizada, os especialistas não concordaram com a implantação de central de formas (71,4%) em obras de pavimentos de concreto. Diversos comentários colaboraram para que a instalação de central de formas não fosse aprovado pelos especialistas, e são descritos a seguir: neste tipo de obra utilizam-se formas metálicas de baixa complexidade, sendo que sua execução e a própria concretagem geralmente são terceirizados; as formas normalmente são estruturadas para resistirem toda a obra. A recomendação final dos especialistas foi de que não é aplicável uma central de formas tradicional, no modelo de outras obras de concreto, mas que uma pequena área de outra estrutura do canteiro (exemplo: central de armação, oficina de manutenção e reparo, etc) poderia ser utilizada para eventuais serviços auxiliares. O argumento para os que concordaram na instalação da central de formas (28,6%) é de que sempre será necessário fazer gabaritos e complementos Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 113 de madeira para uso junto às formas metálicas (quando se utiliza equipamento de pequeno porte – vide item 3.2.3.3.3). Neste caso, recomendam uma pequena central de formas. Análise Pode-se separar a questão da implantação ou não de uma central de formas sob o ponto de vista do uso dos diversos equipamentos de aplicação do concreto. Nas obras que são executadas com equipamentos de pequeno porte e formas-trilho (vide item 3.2.3.3.3) as formas são metálicas e raramente utilizam madeira (a literatura coloca este material como opção de uso, apesar da experiência de utilização do pesquisador ter demonstrado o contrário). Nas obras que são executadas com equipamentos de formas deslizantes (vide 3.2.3.3.3), a forma está incorporada ao equipamento, não existindo necessidade de uso de madeira para qualquer atividade. Para os dois casos acima, considera-se a recomendação da não instalação de central de formas dos especialistas como pertinente para as obras de pavimento em concreto. 6.3.3.3 Central de britagem Resultado A instalação de central de britagem em obras de pavimentação de concreto foi bastante questionada pelos especialistas, apesar da necessidade de agregados para a composição do concreto. O consenso de 100% foi atingido entre eles, quando ficou definida a possibilidade de uso de pedreiras comerciais, isto para alguns casos. Em obras urbanas, normalmente existe fornecimento comercial de agregados, o que de uma maneira geral, inviabiliza a instalação de central de britagem. Em obras rurais, a instalação de central de britagem depende da logística de execução da obra, da disponibilidade de pedreiras comerciais na região e, também, da relação custo/benefício desta instalação. Quando questionados sobre qual deveria ser o local de instalação da central de britagem, os especialistas indicaram as seguintes possibilidades: próxima à jazida de material (ou área de mineração); próxima a central de concreto e/ou localizada Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 114 em local com custos de transporte justificáveis. A seleção destas possibilidades depende de análise criteriosa caso-a-caso. Análise Nos estudos para instalação de uma central de britagem, em função dos altos custos envolvidos, o gerente deve ter em mente a relação custo/benefício que possa vir a ganhar para o resultado financeiro do contrato. Os especialistas recomendam a necessidade de uma intensa pesquisa na região da obra, no que se refere à possibilidade de fornecimento comercial de agregados. Esta pesquisa deve levar em consideração também, os volumes de agregados envolvidos, o prazo de execução da obra e o dimensionamento dos equipamentos de britagem para atender a demanda de consumo. De qualquer forma é prática comum para as empresas que executam obras de pavimentação similares (por exemplo: pavimentação asfáltica) instalarem centrais de britagem, e esta prática pode ser estendida à tecnologia de pavimentação em concreto. 6.3.3.4 Central de concreto Formatado Resultados A pesquisa revelou que os especialistas são favoráveis (100%) à implantação de central de concreto em obras de pavimentação de concreto. No planejamento do canteiro, a recomendação foi de analisar os volumes de concreto envolvidos, os seus custos e da eventual disponibilidade de centrais de concreto comerciais próximas à obra. Do estudo de viabilidade decorrente destas informações, sairá a melhor opção para o fornecimento de concreto para a obra. Uma questão importante levantada junto aos especialistas, foi a recomendação para atenção na escolha do tipo de central de concreto necessário para obras de pavimentação de concreto. A experiência do grupo de especialistas apontou para a instalação de uma central de concreto do tipo dosadora e misturadora. Esta central foi recomendada para execução da sub-base de Concreto Compactado com Rolo – CCR, conforme item 3.2.2, caso seja especificado em projeto. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 115 A central de concreto deve possuir minimamente silos de armazenagem de cimento a granel, sistema de controle informatizado, equipamentos para dosagem de aditivos, entre outros. Na questão que deveria apontar para a distância ideal de instalação da central de concreto até o ponto médio de aplicação na obra, os especialistas divergiram significativamente de opinião. O resultado mostrou que 85,7% dos especialistas concordaram com a distância de 10km, ou abaixo de 10km. Os outros 14,3% dos especialistas apontaram como a distância ideal, àquela que fica entre 1,0km e 5,0km. Como comentários adicionais dos especialistas, temos o seguinte: um especialista alertou para que fosse observada a distância de transporte máxima de 40 min de trajeto e que não deveria ultrapassar o tempo de 1:30 min para a aplicação do concreto fresco; outro considerou baixa a distância informada no questionário (até 10km), devido o transporte ser rápido em caminhões basculantes (dumpers); deve-se considerar uma pequena folga nos tempos de aplicação do concreto, a fim de compensar eventuais paradas. Análise Os gerentes que estarão estudando canteiros de obra de pavimento de concreto deverão estar especialmente atentos à instalação da central de concreto. Independente do tipo de concreto a se adotar, o dimensionamento da central de concreto, bem como a definição de sua posição relativa ao canteiro de obras, deverá levar em consideração vários aspectos, a saber: volume de concreto a executar; tipos (classes) dos concretos; consumo de agregados, água, cimento e aditivos; equipamento que será utilizado no espalhamento e adensamento do concreto na execução da placa; equipamento e distância de transporte do concreto; possibilidade de mudança de local durante a obra, entre outros. A análise detalhada destes itens poderá ajudar na melhor escolha do tipo de central e na logística da obra e causar impacto significativo dos custos e prazos de execução. Recomenda-se não instalar a central de concreto em distâncias muito grandes (maiores que 10Km), conforme o parecer dos especialistas consultados. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 116 Infringir tal recomendação pode implicar em maiores custos de transporte, bem como dificuldades de ordem técnica. Entre as dificuldades técnicas mais freqüentes, pode-se citar: segregação do concreto no caso de utilização de caminhões basculantes; necessidade da utilização de aditivos retardadores para possibilitar a adequada aplicação em caso de demora na aplicação; possibilidade de atrasos na produção em caso de atraso do ciclo de fornecimento. Todavia, há possibilidade técnica de existir distâncias entre a central de concreto e o ponto médio de aplicação maior que 10km, como exemplificou um dos especialistas colaboradores, que já trabalhou com distâncias maiores que esta (25km). Este mesmo especialista alertou, entretanto, que tal prática é possível desde que se tomem as medidas preventivas (evitar segregação no transporte, adição de aditivos retardadores, dimensionamento correto de caminhões, etc,) para a correta aplicação do concreto. 6.3.3.5 Depósito de agregados Resultados Levando em consideração a opinião em favor da aplicabilidade de central de concreto para este tipo de obra por parte os especialistas, os mesmos também concordaram (100%) com a instalação de depósito de agregados. Recomendaram a instalação do depósito de agregados ao lado da central de concreto, como sendo o melhor e mais econômico local. Recomendam também que os agregados devem estar separados por baias. Para a alimentação de agregados para a central, recomendaram a utilização de equipamento de carregamento exclusivo, como por exemplo, do tipo carregadeira de pneus. Houve consenso quanto a não utilização de piso cimentado nas baias de agregados para evitar contaminação do estoque. As razões comentadas pelos especialistas foram as seguintes: piso cimentado impede a drenagem d’água; custo do piso cimentado será maior que a forração com o próprio material e, também, dificuldades devido à exigência de drenagem nas baias dos agregados, a fim de permitir um maior padrão na umidade dos agregados. Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 117 Análise Fazendo parte da logística de operação da central de concreto, a existência de depósitos de agregados é de vital importância para o correto desempenho da obra. No planejamento do canteiro, a área para o depósito de agregados deve estar equilibrada com a demanda máxima diária. Uma área muito pequena e restrita implicará em um fluxo mais complexo de equipamentos para reposição de estoque, atrapalhando a operação da central. Por outro lado, áreas muito grandes, implicam em grande movimentação do equipamento de alimentação da central (carregadeira de pneus), o que tende a aumentar os custos de transporte e movimentação. Quanto à recomendação dos especialistas para não utilizar pisos cimentados nas baias de agregados, a experiência tem demonstrado uma maior utilização do próprio material como forração. Neste caso, deve-se tomar cuidados adicionais no carregamento dos materiais nas baias, principalmente quando o estoque encontrase baixo, para que não ocorra retirada deste material de forração durante o processo de carregamento dos silos da central de concreto. A razão para tal reside na possibilidade destes materiais encontrarem-se contaminados com agentes nocivos ao concreto. 6.3.3.6 Laboratório de controle tecnológico Resultados A contínua utilização de concreto neste tipo de pavimento foi levada em consideração pelos especialistas, que aprovaram (100%) a instalação de laboratório de concreto no canteiro de obra. Observaram, também, que em obras urbanas, é viável a utilização de laboratório de concreto de empresas da região ou, realização desta atividade nas instalações fabris dos possíveis fornecedores de concreto. Para obras rurais, geralmente longe de centros urbanos, é necessário prover o canteiro de obra com um laboratório que atenda, pelo menos com os ensaios básicos de controle dos insumos (agregados, cimento, água, etc), com a análise da dosagem dos concretos e que tenham equipamentos capazes de realizar o controle tecnológico dos concretos, nos quesitos de resistência à tração e compressão (vide concreto – item 3.2.3.2.1). Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 118 Análise A produção de concreto de qualidade, tanto sob o aspecto técnico como sob o aspecto econômico, depende de adequado controle tecnológico. No caso de pavimentos de concreto com o uso de equipamentos de formas deslizantes a produção horária é alta, exigindo um controle rigoroso e ágil da produção e aplicação de concreto. Assim, seguindo a orientação dos especialistas consultados, o planejamento do canteiro para este tipo de obra deve prever sempre a instalação de laboratórios de concreto, e logicamente, o seu tamanho é função do volume de concreto e prazo de execução da obra. Na época da realização da pesquisa não foi questionado o uso de laboratório de solos. Contudo, em face da grande utilização deste tipo de serviço nas fases de execução das camadas inferiores do pavimento de concreto, entende-se que, da mesma forma que o caso do laboratório de concreto, deve-se estudar também a possibilidade de implantação de um laboratório de solos. 6.3.3.7 Oficina de manutenção e reparo Resultados Os especialistas entenderam que é aplicável (100%) a instalação de oficina de manutenção e reparo em obras de pavimentação de concreto. Recomendaram, entretanto, uma extensa pesquisa na área de execução da obra, visando verificar a possibilidade de atendimento mecânico, tanto para a manutenção corretiva como a preventiva, por empresas locais. Separaram também seus comentários de acordo com as características da obra. As obras urbanas tendem a ser atendida por empresas locais, evitando a instalação de oficina no canteiro. Já, as obras rurais, em função do seu porte e uso intensivo de equipamentos, necessitam na maioria dos casos, de instalações próprias para a manutenção dos equipamentos. Para a questão do tipo de material que deveria ser utilizado na construção de oficina de manutenção e reparo, o consenso entre os especialistas foi de uso de qualquer material que atenda o projeto (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 119 etc) e também, às estruturas metálicas e os elementos pré-moldados em concreto armado, já que estes permitem pés-direitos altos e vãos maiores. Análise A instalação de oficina de manutenção e reparo em obras de pavimentação é usual tanto para obras de pavimentos asfálticos como de concreto, de acordo com a opinião dos especialistas. Nos planejamentos dos canteiros deve-se levar em consideração que os equipamentos nas obras de pavimento de concreto, freqüentemente são de grandes dimensões, e isto impõe necessidades de áreas grandes e estruturas com pé-direito alto. Os modernos equipamentos têm facilitado as atividades de manutenção através da incorporação de tecnologias que agilizam desde a atividade de diagnóstico (on-board computers) até a utilização de sistemas de proteção contra paradas (back-up) ou acidentes (poka-yoke). Neste contexto, é cada vez mais usual a prática de utilização de profissionais (mecânicos, técnicos em informática e eletrônica, etc) dos fabricantes para as manutenções destes equipamentos. De qualquer forma, o pesquisador entende que a instalação desta oficina, mesmo que de menor dimensão, é ainda necessária para um canteiro de obra de pavimentação de concreto em ambientes rurais. Os especialistas não apontaram a necessidade de implantação de um sistema de captação e destino de resíduos de óleos gerados nas operações de manutenção dos equipamentos. Apesar disto, como medida de proteção do meio ambiente, entende-se que há necessidade de se instalar um sistema de coleta de óleos, não permitindo que o mesmo seja derramado no piso, no sistema de águas pluviais ou solo adjacente. 6.3.3.8 Área para lubrificação dos equipamentos Resultados A pesquisa junto aos especialistas resultou na aprovação (100%) de definição de uma área para lubrificação dos equipamentos que são utilizados em obras de pavimentos de concreto. No caso de obras urbanas, os especialistas recomendaram Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 120 a utilização de serviços terceirizados (quando disponível na localidade). Para as obras rurais, a recomendação foi de instalação de uma área para lubrificação junto à oficina de manutenção e reparo. Em ambos os casos os especialistas recomendaram o uso de caminhão comboio para lubrificação dos equipamentos no campo, junto às frentes de serviço. No caso da questão de ter ou não rampa de lavagem ao lado da área de lubrificação, os especialistas recomendaram sua utilização. Análise Nas obras pavimentação a área de lubrificação fica instalada normalmente ao lado da oficina de manutenção e reparo, e muitas vezes, usa-se a mesma estrutura da edificação para colocá-las uma ao lado da outra. Seguindo o conhecimento explicitado dos especialistas, a área de lubrificação deve possuir rampas e docas que facilitem as operações de lubrificação, incluindo-se a instalação de caixa separadora de óleos e água na rampa de lavagem. Esta medida visa dotar o canteiro de uma estrutura capaz de cuidar e proteger do principal patrimônio da obra, em termos de ativos financeiros e, também, o meio ambiente na circunvizinhança da obra. Não foram mencionados pelos especialistas cuidados referentes ao destino dos óleos utilizados pelas máquinas. As preocupações ambientais com tais resíduos tem sido grandes a ponto de existirem já no mercado empresas especializadas em coletar, processar e re-introduzir estes óleos no mercado. A ponderação sobre a solução ambiental a ser adotada para este resíduo deve, então, estar entre as ponderações do gerente da obra. 6.3.3.9 Depósito para entulho de material (sobras/perdas) Resultado Dentro de um mundo cada vez mais poluído e, considerando que as obras são também agentes poluidores, os especialistas concordaram plenamente (100%) com a necessidade de ter, no canteiro de obra de pavimentos de concreto, uma área específica para depósito de entulhos (sobras/perdas de materiais). Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 121 De igual modo, as questões seguintes também foram aprovadas e recomendadas por todos os especialistas (100%): o entulho deve ser transportado para local definido de acordo com as normas do Meio Ambiente; o canteiro deve estar limpo, sem sobras de madeira, concreto, aço, etc, de forma que não prejudique a segurança e circulação de materiais, pessoas e equipamentos; o entulho deve ser separado por tipo de material com vistas a viabilizar o seu reaproveitamento. Análise Com o apelo ecológico cada vez mais presente em nossas vidas, será uma atitude correta dos futuros gerente de obras, o estudo de áreas específicas para depósito de sobras e entulhos das obras. Não é mais admissível que simplesmente os construtores usem as áreas ao lado da obra, como ponto de descarga de entulhos, sem o devido planejamento ambiental. Verificou-se entre os especialistas ainda a utilização do termo “bota-fora” como o local de destino do entulho. Isto denota certa incompreensão quanto à necessidade de se estudar a possibilidade de reciclagem dos resíduos gerados no canteiro. Conclui-se então, que há a necessidade de ações de educação e formação de opinião em todos os níveis hierárquicos do pessoal envolvido com a execução de obras de pavimento em concreto. 6.3.4 Instalações Elétricas Resultados Tanto as edificações do canteiro de obra de pavimento de concreto bem como os equipamentos das instalações industriais utilizados na sua execução, utilizam grande volume de energia elétrica para seu funcionamento. Deste modo, prover o canteiro de instalações provisórias para distribuição e geração de energia foi consenso (100%) entre os especialistas. No planejamento de obras de pavimentação, devem-se prever todas as necessidades de energia que serão utilizadas quando da execução dos serviços. A NR-18 prescreve as orientações necessárias para uma eficiente instalação elétrica no canteiro e é recomendado o seu atendimento. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 122 Os especialistas aprovaram a instalação (100%) de subestação em obras de pavimentos de concreto, mas observaram que em obras urbanas este serviço é dispensável. Já no caso das obras rurais, geralmente em locais distantes dos centros urbanos, e em função do consumo das instalações industriais (britagem, central de concreto, central de armação,etc) é recomendado à instalação de subestação. Em locais aonde a rede energia elétrica pública não existe ou não atende as demandas da obra, a instalação de geradores pode ser necessária. Os especialistas aprovaram (100%) esta aplicação, mas ponderam que antes de tudo, deve-se realizar um estudo detalhado de todas as opções disponíveis no local da obra. Uma alternativa possível que foi recomendada pelos especialistas, seria a utilização de geradores somente para a o consumo da central de concreto e para as edificações de canteiro. Nestes casos é imperativa a compra de todos os insumos para fabricação do concreto a fim de evitar maiores necessidades de energia dentro do canteiro. De qualquer forma, somente as condições locais é que poderão dizer quais as atitudes que o planejamento deverá proceder para atender os serviços da obra. Os especialistas concordaram (100%) com a instalação de geradores de emergência no canteiro de obra de pavimentos de concreto, mas recomendaram também a análise do tamanho da obra, da sua localização geográfica e, ainda, a reflexão acerca da possibilidade que algum serviço seja prejudicado pela interrupção temporária do fornecimento de energia pela rede pública. Análise As obras de pavimentação de concreto demandam uma produção constante de materiais. Isto requer que os equipamentos de produção de agregados e concreto trabalhem em condições constantes de fornecimento de energia. Oscilações de energia geralmente prejudicam a produção e danificam equipamentos e, por conseqüência, podem implicar em atrasos no cronograma da obra. Este fato, obriga a uma atenção maior do gerente de obra para o caso das obras rurais em locais afastados dos grandes centros. As redes de energia nem sempre estão preparadas para atender a demanda necessária dos equipamentos principais do Giublin, C. R. 123 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto canteiro nestes locais. Em muitos casos, é preciso construir redes novas ou implantar sistemas alternativos de geração de energia. Contudo, estas abordagens geralmente são muito dispendiosas. Dependendo da magnitude dos equipamentos, pode existir a necessidade de instalação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas, sendo a sua adoção, ou não, dependente de projeto elétrico específico. Este tópico não foi mencionado em momento algum da coleta de dados junto aos especialistas. 6.3.5 Instalações Hidráulicas Resultado O quesito referente a instalações hidráulicas em canteiros de pavimentos de concreto foi plenamente aprovada (100%) pelos especialistas. Em obras que utilizam concreto, a água é fundamental para o bom desempenho das atividades. Os especialistas recomendam que deve existir caixa d’água geral para distribuição no canteiro e, também, separação entre a água potável e a industrial. Alertaram também para a necessidade de existir destino final para as águas usadas na manutenção do canteiro. Análise As opiniões dos especialistas quanto às instalações hidráulicas foram bastante coerentes para canteiros de obra de pavimento de concreto. Particularmente, o abastecimento de água para as operações da central de concreto deve ser analisado prioritariamente no planejamento de implantação do canteiro. Tendo um razoável consumo por hora, e para que a produção não sofra descontinuidade, é aconselhável que se instale um depósito d’água auxiliar ao lado da central. No caso das águas de limpeza da central de concreto, é necessário prover o canteiro com um sistema que permita a decantação das partículas sólidas e tratamento dos efluentes, impedindo a contaminação do lençol freático e mantendo o solo em condições ambientais adequadas. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 124 6.3.6 Instalações de Segurança na Obra 6.3.6.1 Proteção contra queda Formatado Resultado Nesta questão, os especialistas não chegaram a um consenso, com 28,6% dos especialistas discordando da aplicação de proteção contra quedas em obras de pavimentos de concreto. Alguns argumentaram que geralmente as obras de pavimentação de concreto não ocorrem em locais que ofereçam risco de quedas eminentes. Contudo, outros especialistas chamaram atenção para a necessidade destas proteções naquelas obras executadas sob viadutos e pontes, bem como quando se executam obras junto a taludes de aterro e escavações para caixas de inspeção e passagem. Análise É uma questão que depende muito da obra que se está realizando. No caso de obras rurais, com construção de viadutos e pontes, escavações próximas a taludes de aterros, entre outros, é aconselhável que se tenha algum tipo de proteção, similar ao que se usa em edificações. Devido à pouca repetição no uso destas proteções nestas obras, é fundamental que as mesmas possibilitem a rápida instalação e, também rápida retirada, evitando assim a interrupção das outras atividades de produção. 6.3.6.2 Sinalização de segurança Resultado Na pesquisa junto aos especialistas, o item sinalização de segurança obteve 100% de aprovação. Os itens outros que foram analisados pelos especialistas, também com aprovação total, estão descritos a seguir: deve haver identificação dos locais de apoio que compõem o canteiro de obra (banheiros, escritório, almoxarifado, etc); deve haver alertas quanto a obrigatoriedade do uso de EPI, específico para a atividade executada, próximos ao posto de trabalho; deve existir identificação dos acessos, circulação de veículos e equipamentos na obra; deve existir sinalização de Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 125 segurança em vias públicas, com alerta aos motoristas e pedestres, sempre em conformidade com as determinações dos órgãos competentes; deve haver utilização de coletes ou tiras refletivas na região do tórax e costas quando os trabalhadores estão executando obras em vias públicas; deve existir identificação dos locais com substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis, explosivas e radioativas. Análise Durante a execução de obras de pavimentação de concreto em obras rurais, geralmente existe tráfego ao lado da pista em execução. Isto impõe a necessidade de um rigoroso esquema de sinalização, principalmente porque os usuários da rodovia, principalmente aqueles provenientes de outras localidades, freqüentemente não estão informados quanto à existência de obra no local. Um dos equipamentos possíveis de utilização nestas situações de risco são os painéis luminosos para advertência online. Estes painéis estão montados em equipamentos móveis e transmitem informações dos acontecimentos que estão acontecendo nos trechos a seguir, podendo ser transportados para todas as frentes de serviço, caso seja necessário. Na construção de rodovias, pode-se fazer uso de um expediente utilizado nas rodovias em operação, que consiste de um sistema de sinalização na própria pista (ressaltos), o qual causa um efeito sonoro durante a passagem dos pneus. A experiência de uso deste sistema em rodovias em operação, deveria ser mais bem estudada pelos gerentes no planejamento dos seus futuros canteiros de obra. A grande vantagem deste sistema é que ele é de fácil remoção, e pode-se implantá-lo nos trechos anteriores ao da execução dos serviços. Uma outra prática já vista em obras pelo pesquisador, é a utilização de vários bonecos representando homens, com bandeirinhas explicativas ou de alerta nas mãos dos mesmos. 6.3.6.3 Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s Resultados A pesquisa questionou os especialistas com respeito à necessidade ou não de aplicar o uso de equipamentos de proteção individual em obras de pavimentos de Formatado Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 126 concreto. O resultado foi de aprovação total (100%) dos especialistas. Os sub-itens aprovados foram os seguintes: devem ser fornecidos capacetes para o uso dos visitantes; independente da função todo trabalhador devem todos usar botinas e capacetes; todos os trabalhadores que estiverem executando serviços em andaimes externos ou qualquer outro, a mais de 2,0m de altura, devem usar cinto de segurança com cabo fixado na construção. Análise As experiências adquiridas pelos especialistas quando da execução das obras de pavimentação, não levaram a nenhuma dúvida sobre a necessidade de uso dos EPI’s. A NR-18 diz claramente que “a empresa é obrigada a fornecer aos trabalhadores, gratuitamente, EPI adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento,....”, e a NR-06 prescreve toda a sistemática de aplicação e uso dos diversos EPI’s. Entende-se assim, que já na etapa de concepção do planejamento do canteiro, deve-se estudar detalhadamente a aplicação destas normas em cada fase da obra. Este planejamento inclui desde a posição de armazenamentos dos EPI’s até os mecanismos de fornecimento e manutenção dos mesmos. 6.3.6.4 Proteção contra incêndio Resultados Nos canteiros de pavimentos de concreto, a pesquisa com especialistas concluiu que a proteção contra incêndios é aplicável e necessária, com 100% de aprovação. Com a mesmo opinião, concordaram que o canteiro deve possuir extintores para combate a princípios de incêndio. Para as edificações de canteiro e instalações industriais o uso de algum sistema de proteção contra incêndio é uma prática normal, e obteve-se a concordância dos especialistas. Análise Normalmente os equipamentos que executam obras de pavimento de concreto não possuem qualquer tipo de proteção contra incêndios. No caso de obras que adotam equipamentos de pequeno porte como o principal instrumento para Formatado Giublin, C. R. 127 Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto espalhamento do concreto, o perigo de incêndio é reduzido. Não é o mesmo caso quando se usam equipamentos de formas-trilho e formas deslizantes. São equipamentos que contem elementos inflamáveis e podem, dentro de uma razoável estatística ter perigo de incêndio. Contudo, para os veículos que transportam o concreto, a legislação de trânsito obriga o uso de extintores de incêndio. Sabendo-se do enorme valor financeiro que a maioria dos equipamentos de pavimento de concreto representam, percebe neste aspecto uma grande necessidade de melhoria. 6.4 DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE PAVIMENTO DE CONCRETO O conjunto de diretrizes obtidas junto aos especialistas está descrito na seqüência em formato de uma lista de verificação, para aplicação na fase anterior à implantação de canteiros de obra de pavimento de concreto. De igual modo, todas as recomendações de segurança e medicina do trabalho, prescritas nas NR-06, NR18, NR-23 e NR-24 deverão ser estudas para aplicação nesta fase. Complementarmente, as seções anteriores do presente Capítulo fornecem maiores detalhes separadamente de cada componente do canteiro descrito nesta lista de verificação. QUADRO 6.1 – DIRETRIZES EM FORMATO DE LISTA DE VERIFICAÇÃO ITENS QUESITOS PARA PLANEJAMENTO DE CANTEIROS 1. Elementos de Proteção do Canteiro Em obras dentro do perímetro urbano, as Tapumes ou outro edificações de canteiro serão cercadas com tipo de proteção telas metálicas? Em obras dentro do perímetro urbano, os locais de escavação para implantação de obras de infra-estrutura serão cercadas com telas metálicas? Há previsão do uso de fitas fluorescentes ou outro tipo de material de sinalização para proteção do concreto fresco? Em obras rurais, as propriedades que são cortadas pelo eixo da rodovia receberão cercas divisórias, utilizando arame farpado? Em obras rurais, as instalações industriais serão cercadas com arame farpado? Os elementos de marketing estarão fazendo parte do planejamento de segurança do canteiro de obra? SIM NÃO NÃO SE APLICA Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 2. Instalações Provisórias 2.1 Áreas de vivência Refeitório Está prevista a instalação de refeitório? A área do refeitório será específica para uso das refeições? O refeitório terá fechamento que permite isolamento durante as refeições? Existirão lavatórios instalados nas suas proximidades ou no seu interior? Terá piso de concreto, cimentado ou com outro material lavável? Terão depósitos com tampa para detritos? Terão assentos em número suficiente para atender aos usuários? Terão mesas separadas de forma que os trabalhadores agrupem-se segundo a sua vontade? Cozinha Está prevista a instalação de cozinha? Terá ventilação natural e/ou artificial que permita boa exaustão? Terão paredes feitas com material que atenda as condições de higiene e que permita o isolamento durante as refeições? Terá piso cimentado, de concreto ou outro material de fácil limpeza? Possuirá instalações sanitárias sem haver comunicação com a cozinha, de uso exclusivo dos funcionários que manipulam os gêneros alimentícios? A cozinha estará adjacente ao local das refeições? Poderá ser utilizado serviço terceirizado, com fornecimento de alimentos por empresas da região? Serão fornecidas marmitas para os trabalhadores das frentes avançadas de serviço? Vestiário Está prevista a instalação de vestiários? Como alternativa, é viável a instalação de contêiner substituindo as edificações tradicionais? Os vestiários estarão divididos de acordo com as equipes de produção? Terá piso de concreto, cimentado ou material equivalente? Terão bancos e, também cabides que não sejam pregos? Terão armários individuais dotados de fechaduras e cadeados? Para obras urbanas, o local de implantação do vestiário será próximo à entrada da obra? 128 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto Para obras rurais, está prevista a implantação de vestiários isolados das áreas de edificações de apoio? Alojamentos Está prevista a instalação de alojamentos? Em obras urbanas, existirá mão-de-obra disponível na região que dispense a construção de alojamentos? Em obras urbanas, caso não exista mão-deobra disponível, será viável o aluguel de casas na região, ao invés de construção de alojamentos? Os alojamentos serão construídos com material que atendam as condições de conforto dos trabalhadores? Terá piso de concreto, cimentado, madeira ou outro material de fácil limpeza? Terá área de ventilação de no mínimo 1/10 da área do piso? Terá iluminação artificial e / ou natural? 2 Terá área mínima de 3,0m por módulo cama/armário, incluindo a área de circulação? Instalações Sanitárias Está prevista a implantação de instalações sanitários no escritório central e nos escritórios de apoio? Terão sanitários volantes, do tipo contêineres ou similar, instalados no campo? Estarão os banheiros instalados ao lado do vestiário? Terão recipientes para depósito de papéis? Possuirão nos locais onde estão os chuveiros, piso de material antiderrapante ou estrado de madeira? Terá material impermeável instalado nas paredes das áreas úmidas onde estão os chuveiros? Terá suporte para sabonete e cabide para toalha correspondente a cada chuveiro? Terá instalações sanitárias separado somente para o pessoal de administração da obra (mestre, engenheiro e técnico) no escritório central? Terá instalações sanitárias específicas para mulheres? Terá sistema de tratamento dos efluentes, ainda que provisório ? Ambulatório Está prevista a instalação de ambulatório? Será atendida a NR-18 que determina a instalação de ambulatório em canteiros com mais de 50 trabalhadores? Existe possibilidade de atendimento hospitalar na região em condições de atender aos trabalhadores da obra? Os diversos tipos de materiais (alvenaria, 129 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto madeira, etc) que poderão ser utilizados na construção do ambulatório atenderão as condições técnicas e de higiene prevista nos projetos específicos? Será viável a instalação de contêineres como substituto das edificações tradicionais? 2.2 Áreas de Apoio Escritório Está prevista a instalação de escritório? Os diversos tipos de materiais (alvenaria, madeira, etc) que poderão ser utilizados na construção do escritório atenderão as condições de conforto e técnicas previstas nos projetos específicos? Será estudada a viabilidade técnicoeconômica na escolha do material/sistema construtivo a ser utilizado, contemplando a possibilidade de reaproveitamento em outras obras? Será racionalizada a dimensão dos escritórios, em função dos custos de implantação? O local previsto para instalação do escritório estará atendendo as condições de segurança, localização estratégica para visualização, deslocamentos de pessoal, e outros? Poderão ser utilizados contêineres como substitutos das edificações tradicionais? Almoxarifado e ferramentaria Está previsto a instalação de almoxarifado e ferramentaria? Possuirá ponto de descarga de caminhões (docas de descargas)? Existirá divisão em dois ambientes, um para armazenagem de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife? O almoxarifado terá janela externa para atendimento dos trabalhadores? Em obras urbanas, será estudada a possibilidade de fornecimento de materiais e peças pelas empresas da região, economizando área de estocagem? Guarita de segurança Está prevista a instalação de guarita de segurança? A guarita será instalada junto ao portão de entrada de pessoas? As instalações industriais terão vigilância fixa? Serão distribuídos crachás de identificação na guarita? Serão distribuídos capacetes para visitantes na guarita ou em outro lugar? 2.3 Vias de circulação Está prevista a implantação de vias de circulação? 130 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto Existirá esquema de manutenção das vias circulação do canteiro de obra? Está previsto um esquema especial execução e manutenção das vias circulação que atenderão os serviços pavimento de concreto? de de de do 3. Instalações Industriais Central de armação Para obras rurais, está prevista a instalação de central de armação? Será viável a compra de armadura cortada e dobrada junto a empresas fornecedoras deste insumo na região? Os possíveis materiais (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc) que poderão ser utilizados na construção da central atendem as características do projeto? A central de armação possuirá máquina de cortar e aparelho de corte e dobra? No planejamento da central de armação, foram levados em consideração os tipos de aço e equipamentos, tamanhos e detalhes de armadura, na definição da área necessária de implantação? Central de britagem Está prevista a instalação de central de britagem? O local de instalação da central de britagem está de acordo com alguma dos critérios abaixo? . próximo à jazida de material (ou área de mineração)? . localizada em local com custos de transporte viáveis? . localizada próxima a central de concreto? Em obras urbanas e rurais, existe possibilidade de fornecimento de agregados através de pedreira comercial? Se existir, terá condições de atender ao volume necessário para a obra? No caso de obras rurais, foram estudados os aspectos de logística de uso, possibilidade de pedreiras comerciais na região e a relação custo/benefício, no processo de viabilização para instalação de britagem? Central de concreto Está prevista a instalação de central de concreto? Tanto para obras urbanas como rurais, é viável o fornecimento de concreto por empresas comerciais locais? Já foi especificadas a central de concreto dosadora e misturadora a ser utilizada? (levando-se em conta os aspectos de tipo do concreto, consumo de agregados, água, cimento e aditivos, equipamentos de espalhamento de concreto na pista, etc,) 131 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto Para o caso de execução de CCR como subbase, será utilizada a mesma central de concreto? Possuirá silos de armazenagem de cimento? Possuirá equipamentos para dosar os aditivos? Terá sistema de controle informatizado? À distância da central até o ponto médio da obra será abaixo de 10km? Depósito de agregados Está prevista a instalação de depósito de agregados? Estará instalado ao lado da central de concreto? Está planejada (dimensões) para atender a demanda de consumo de agregados? Terá equipamento de carregamento constante na central? Os agregados serão separados por baias? As baias não terão piso cimentado, para permitir uma melhor drenagem? Laboratório de controle tecnológico Está prevista a implantação de laboratório de concreto? Está prevista a instalação de laboratório de solos? Em obras urbanas, existirão laboratórios de concreto/solos possíveis de atendimento a obra na região? Se existirem, estarão preparados para atender o controle tecnológico para pavimentos de concreto? Oficina de manutenção e reparo Está prevista a instalação de oficina de manutenção e reparo? Em obras urbanas, existe a possibilidade de atendimento junto a empresas da região? Os possíveis materiais (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc) que poderão ser utilizados na construção da oficina atendem as características de projeto? Para os casos dos equipamentos com sistemas informatizados, está previsto o atendimento com os representantes dos fabricantes na região? Terá sistema de coleta de óleos, não permitindo que o mesmo seja derramado no piso, no sistema de águas pluviais ou solo adjacente? Área para lubrificação dos Está prevista a instalação de área para lubrificação dos equipamentos? 132 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto equipamentos Para obras urbanas, será possível uso de empresas da região para os serviços de lubrificação dos equipamentos? Os possíveis materiais (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc) que poderão ser utilizados na construção da área de lubrificação atendem as características de projeto? Existirá rampa de lavagem ao lado da área de lubrificação? Terá instalação de caixa separadora de óleos e água na rampa de lavagem? Terá caminhão comboio mobilizado na obra, para lubrificação de campo, e elemento auxiliar na lubrificação da obra? Terá área específica para depósito dos óleos usados nos equipamentos? Depósito para entulho de material Está previsto material? depósito para entulho de O material de entulho será transportado para local definido, de acordo com as normas do Meio Ambiente? O canteiro será limpo, ficando sem sobras de madeira, concreto, aço, etc, de forma que não prejudique a segurança e circulação de materiais, pessoas e equipamentos? O entulho será separado por tipo de material com vistas a reaproveitamento? Está previsto treinamento para todos os níveis hierárquicos da obra, para educação e conscientização com respeito a resíduos e seus efeitos danosos para o meio ambiente? 4. Instalações Elétricas Será instalada energia elétrica provisória? Instalação de energia elétrica Em obras rurais, está prevista a instalação de subestação? Está prevista a instalação de geradores, para o caso de não atendimento de energia pela rede local? Está prevista a instalação de geradores de emergência, para evitar paralisações dos serviços e eventuais prejuízos? 5. Instalações Hidráulicas Está prevista a implantação de instalações Instalações hidráulicas? hidráulicas Terá caixa d’água geral para distribuição no canteiro? Será instalado tanque d’água como reservatório auxiliar ao lado da central de concreto? 133 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto Terá separação de água potável e industrial? Terão um destino final (depósito para decantação) para as águas usadas na manutenção da central de concreto? Terá instalação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas? 6. Instalações de Segurança na Obra Existe alguma atividade executada em pontos Proteção contra elevados que possa colocar em risco a vida queda dos trabalhadores? Sinalização de segurança Foi elaborado um plano de sinalização de segurança no canteiro de obra? Haverá identificação dos locais de apoio que compõem o canteiro (banheiros, escritórios, almoxarifados, etc)? Haverá alertas quanto à obrigatoriedade do uso de EPI’s, específico para a atividade executada, próximos ao posto de trabalho? Haverá identificação dos acessos, circulação de veículos e equipamentos na obra? Existirá segurança em vias públicas, com alerta aos motoristas e pedestres e em conformidade com as determinações dos órgãos competentes? Haverá utilização de coletes ou tiras refletivas na região do tórax e costas quando os trabalhadores estarão executando obras em vias públicas? Existirá identificação dos locais com substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis, explosivas caso venha a ocorrer na obra? Existirão painéis luminosos de advertência nos trechos que estarão em construção? Existirão bonecos, com bandeirinhas sinalizadoras nas mãos? Terá sinalização sonora próxima ao trecho que estará em obras? Equipamento de Proteção Individual – EPI Foi elaborado um plano de aquisição, controle e distribuição dos equipamentos de proteção individual aos trabalhadores? Serão distribuídos capacetes para os visitantes, se possível logo na entrada da obra? Independente da função, todos os trabalhadores irão receber e usar botinas e capacetes? Caso exista algum serviço em que os trabalhadores irão trabalhar a mais de 2,0m de altura, irão receber e usar cintos de segurança? Proteção contra O canteiro terá extintores para combate a 134 Giublin, C. R. incêndio Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 135 princípios de incêndio nas suas diversas áreas? Terão extintores de incêndio instalados nos equipamentos que executam o pavimento de concreto? Na quebra da tabela – colocar o número da tabela e continuação 6.5 SUMÁRIO DO CAPÍTULO Neste Capítulo é analisado em detalhes cada componente de canteiro, de acordo com a literatura pesquisada no Capítulo 4, e através do conhecimento obtido dos especialistas. Cerca de 90% das 98 questões apresentadas no questionário original (vide ANEXO A) alcançaram consenso total entre os especialistas. As questões que não apresentaram consenso ocorreram mais devido a interpretações dos especialistas com relação à aplicabilidade de determinadas práticas em obras de pavimento de concreto. As descrições textuais apresentadas ao longo do Capítulo, são então sintetizadas na forma de uma lista de verificação ao final do mesmo. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 136 7 CONCLUSÕES 7.1 CONCLUSÕES GERAIS Confirmou-se a hipótese principal da pesquisa, a qual previa que grande parte do conhecimento existente na literatura do setor de edificações sobre componentes de canteiros de obra seria passível de aplicação na área de pavimentação de concreto. De fato, 65,5% dos itens da lista de verificação desenvolvida proveu do setor de edificações, sendo que as percentagens restantes ocorreram devido às peculiaridades das obras de pavimento de concreto. Os itens que permitiram maior nível de migração do conhecimento do setor de edificações para as obras de pavimento de concreto foram “instalações provisórias” e “instalação de segurança na obra”, tendo em vista que em ambos os casos utilizam-se as mesmas recomendações de norma. Os itens específicos da lista de verificação desenvolvida ocorreram devido às peculiaridades das obras de pavimento de concreto. Entre as peculiaridades mais significativas que influenciaram a geração destes itens pode-se citar a característica de constante mobilidade das instalações do canteiro de obra, as grandes dimensões físicas, a dificuldade de delimitação do espaço físico devido à interface com o ambiente construído e a adoção de equipamentos específicos que requerem procedimentos e fluxos de produção diferenciados. Como exemplo, sugere-se na lista de verificação o uso de telas metálicas em obras urbanas e arame farpado em obras rurais, em contraposição ao tapume tradicional adotado em edificações. Uma das razões para tal diferenciação é a necessidade de rápida mobilização e desmobilização destas proteções. Outro exemplo de item específico para obras de pavimento de concreto é a necessidade de instalação de laboratórios de solos e concreto, componente que normalmente não é adotado em obras de edificações. Algumas normas e regulamentações aplicáveis tanto em obras de pavimento de concreto como em obras de edificações claramente limitam a geração de soluções inovadoras. A NR-18, por exemplo, apresenta-se severamente prescritiva, não deixando margens a outras soluções possíveis, mesmo que o desempenho final em segurança esteja adequado. A formulação de normas e regulamentações Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 137 fundamentadas em parâmetros de desempenho, em contraposto a prescrições, poderia fomentar a geração de soluções mais adequadas às peculiaridades das obras de pavimento de concreto. A segunda hipótese desta dissertação, a qual conjeturava sobre a expectativa da convergência para um alto nível de consenso entre os especialistas consultados, também foi confirmada. De fato, após cinco rodadas do Método Delphi obteve-se aproximadamente consenso em 90% das questões colocadas. Os poucos itens que não apresentaram consenso durante a pesquisa deveram-se muito mais à menção a situações específicas do canteiro de obra de pavimento de concreto do que propriamente a conflitos de opinião. Tal situação sugere que o conteúdo desenvolvido nesta dissertação é adequado o suficiente para disseminação do conhecimento desta dissertação para futuros profissionais. O único item que de fato apresentou conflito de opiniões entre os especialistas foi a questão da instalação ou não de central de formas, componente este usual em obras de edificações. Cinco dos sete especialistas não concordaram com sua aplicação argumentando que a tecnologia de pavimento de concreto permite a completa eliminação desta central. Por outro lado, os especialistas restantes defenderam a existência de tais centrais justificando que alguns serviços de apoio são necessários, mesmo quando há a utilização de equipamentos que em tese poderiam eliminar tais formas. Segundo estes, sempre há a necessidade de se fazer gabaritos e formas de madeira para uso junto às formas metálicas, no caso da adoção de equipamentos de pequeno porte para o espalhamento e adensamento do concreto. Foi verificado no desenvolvimento desta dissertação, que muitos materiais, equipamentos e atividades em obras de pavimento de concreto utilizam mais de um termo, com o mesmo significado. Isto gera problemas de semântica que podem levar a interpretações errôneas, dificultando o processo de comunicação entre especialistas, criando barreiras para a consolidação do conhecimento e criando dificuldades para atividades de ensino. Faz-se necessário, então, a formulação de um glossário técnico para a construção, incluindo neste a interpretação dos termos específicos das obras de pavimentação. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 138 Recomenda-se que os futuros gerentes de obras de pavimentos de concreto, tenham atenção especial no planejamento das instalações industriais. Em particular, a revisão da literatura e as informações obtidas junto aos especialistas apontam as centrais de britagem e de concreto como elementos críticos de planejamento, tendo em vista que as mesmas envolvem o maior vulto de recursos financeiros para instalação e operação da obra. Assim, o sucesso econômico da obra é fortemente dependente da qualidade das decisões tomadas no planejamento destas instalações. As diretrizes desenvolvidas nesta dissertação para estes itens destacam principalmente a análise criteriosa da possibilidade de adoção de instalações existentes na circunvizinhança da obra como alternativa à sua aquisição. Outro aspecto importante nas diretrizes diz respeito à correta posição espacial destes elementos em relação aos pontos de aplicação do concreto. 7.2 CONCLUSÕES SOBRE O MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO O levantamento do conhecimento junto aos especialistas utilizando o Método Delphi como principal ferramenta de coleta e análise de dados mostrou-se bastante efetivo. Um dos fatores críticos identificados para o sucesso da aplicação do Método Delphi entre os especialistas consultados foi à utilização de feedback controlado. Tal procedimento reduziu a dispersão do foco por parte dos mesmos, permitindo que o pesquisador induzisse o grupo de especialistas a discutir somente aquilo que se referia aos objetivos e metas do estudo. Uma dificuldade do pesquisador na utilização do Método Delphi foi fugir de perguntas que pudessem levar a uma resposta induzida ou que comprometesse a própria legalidade da resposta do entrevistado. Perguntas que se referenciavam a itens de norma, como por exemplo itens da NR-18 e NR-24, tipificam tal situação. Nestes casos o especialista poderia ficar constrangido, ou até mesmo receoso, de contrariar uma recomendação imposta por lei. Nos casos onde há a necessidade de mencionar a norma, como aconteceu em algumas das questões utilizadas nesta dissertação, o pesquisador pode contornar esta situação através da geração de perguntas complementares ou, ainda, através da adequada explicação dos propósitos da pesquisa. Quando os especialistas passam a entender que o Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 139 questionamento de uma norma poderá vir a contribuir com o desenvolvimento da própria norma, os mesmos ficam mais à vontade para criticar livremente. Uma característica importante deste método de pesquisa é a atuação do pesquisador como mediador e, principalmente, “provocador” de discussões. Isto se deve ao fato que muitas vezes os especialistas podem passar a responder de forma excessivamente breve ou resumida as perguntas colocadas, não se aprofundamento devidamente. Na presente pesquisa, esta “provocação” para uma resposta mais detalhada e aprofundada levava freqüentemente a divergências entre especialistas ou, ainda, comprovação da robustez do consenso entre os mesmos. No caso das divergências havia então a necessidade de se colocar novas questões que então procuravam esclarecer os pontos críticos dos argumentos. Todo este processo aumenta a qualidade da captação do conhecimento. 7.3 CONCLUSÃO FINAL A revisão bibliográfica sobre o processo de execução de pavimento de concreto e sobre o planejamento da implantação de canteiros de obra, apresentada no Capítulo 3 e 4, aliada ao conhecimento captado através do Método Delphi (Capítulo 6), permitiu o alcance do objetivo principal desta pesquisa, ou seja, a elaboração de diretrizes básicas para o planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto. Além da descrição textual do conhecimento gerado, foi elaborada uma lista de verificação contendo 145 perguntas que deveriam fazer parte das reflexões do gerente previamente à execução de uma obra de pavimento de concreto. Entende-se que a adoção deste conhecimento poderá contribuir na fase de planejamento para a redução das perdas, aumento do nível de segurança, melhora da produtividade, melhoria da imagem da empresa e, também, melhoria da qualidade de vida no trabalho neste tipo de obra. 7.4 SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS A partir dos resultados e análises obtido nesta dissertação e ao longo de sua execução, pode-se indicar uma série de sugestões para o desenvolvimento de futuras pesquisas na área: Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto a) desenvolvimento de critérios 140 para dimensionamento dos diversos componentes que compõe os canteiros de obra para pavimentação de concreto; b) caracterizar os diversos tipos de layout possíveis para canteiros de obra de pavimentação de concreto; c) estabelecer critérios e princípios para o planejamento da logística de operação dos equipamentos principais para produção e espalhamento do concreto, particularmente em obras rurais e de grande volume de concreto; d) aplicação da lista de verificação desenvolvida nesta dissertação, a partir do conhecimento da literatura e dos especialistas, em estudos de caso; e) estudos sobre planejamento de canteiros de obra sob o ponto de vista de estratégia empresarial; f) estudos sobre o impacto da legislação de segurança do trabalho, bem como seus mecanismos de implementação, no desempenho de canteiros de obra de pavimentação de concreto; g) desenvolvimento e teste de módulo de ensino a distância tratando da tecnologia e gestão de obras de pavimento de concreto; h) desenvolvimento de sistema especialista incorporando as diretrizes formuladas nesta dissertação para sistema de apoio à decisão do planejamento de canteiros de obra. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 141 REFERÊNCIAS ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Pavimento de concreto - Vantagens. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/cont_pavi2.htm> Acesso em: 05 ago. 2002. ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Pavimento de concreto - Histórico. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/cont_pavi.htm> Acesso em: 01 ago. 2002. ABESC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE SERVIÇOS DE CONCRETAGEM. Principais vantagens do pavimento de concreto. Disponível em: <http://www.abesc.org.br/ vantagem.htm> Acesso em: 20 mai. 2002. ACPA – AMERICAN CONCRETE PAVEMENT ASSOCIATION. 100 Years of innovation – Introduction. Disponível em: <http://www.pavement.com/PavTech/ AbtConc/History/Introduction.html> Acesso em: 04 jun. 2002. ALISS MINERAL SYSTEMS. Manual de britagem - FAÇO. 5 ed. São Paulo: Antares, 1994. ANDRIOLO, F. R. Construções de concreto: Manual de práticas para controle e execução. 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Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 142 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5738: Moldagem e cura de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos de concreto. Rio de Janeiro, 1994. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5739: Concreto – Ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7182: Solo – Ensaio de compactação. Rio de Janeiro, 1986. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7207: Terminologia e classificação de pavimentação. Rio de Janeiro, 1982. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7211: Agregado para concreto. Rio de Janeiro, 1983. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480: Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7481: Telas de aço soldadas – Armaduras para concreto. Rio de Janeiro, 1990. 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Principles of pavement design. 2 ed. New York: John Wiley & Sons, Inc, 1976. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 149 ANEXO – A PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CONSTRUÇÃO CIVIL Diretrizes para o Planejamento de Canteiros de Obra de Pavimentos de Concreto MÉTODO DELPHI QUESTIONÁRIO ORIGINAL APRESENTADO AOS ESPECIALISTAS. 1. ELEMENTOS DE PROTEÇÃO DO CANTEIRO 1.1 Tapumes • • • É aplicável? Sim ( ), responda a pergunta seguinte. Não é aplicável. Não ( ) Comentários/Exemplos a) Qual o material recomendando para uso em tapumes? • • • • Madeira, chapas compensadas ( ) Telas ( ) Alvenaria ( ) Outro ( ) , especifique 1.2 Outros itens relevantes (Sua opinião) 2. INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS 2.1 ÁREAS DE VIVÊNCIA 2.1.1 Refeitório Giublin, C. R. • • • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 150 É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) O local deve ser específico para refeições? • Sim ( ) . • Não ( ) explique. b) Deve haver lavatórios instalados nas suas proximidades ou no seu interior (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. c) Deve ter fechamento que permite isolamento durante as refeições (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. d) Deve ter piso de concreto, cimentado ou com outro material lavável (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. e) Deve ter depósitos com tampa para detritos (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. f) Deve ter assentos em número suficiente para atender aos usuários (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. g) As mesas devem ser separadas de forma que os trabalhadores agrupem-se segundo a sua vontade? • Sim ( ), • Não ( ), explique. h) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.1.2 Cozinha • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 151 Comentários/Exemplos a) Deve existir ventilação natural e/ou artificial que permita boa exaustão (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. b) Deve ter paredes de que tipo de material? • Alvenaria ( ) • Concreto ( ) • Madeira ( ) • Outro material ( ) especifique. c) Deve ter piso cimentado, de concreto, ou de outro material de fácil limpeza (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. d) Deve possuir instalações sanitárias que não se comuniquem com a cozinha, de uso exclusivo dos funcionários que manipulam os gêneros alimentícios (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. e) Deve a cozinha ficar adjacente ao local para as refeições? • Sim ( ), • Não ( ), explique. f) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.1.3 Vestiário • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Devem ser divididos conforme as equipes de produção? • • Sim ( ), Não ( ), explique. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto b) Deve ter piso de concreto, cimentado ou material equivalente (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. c) Deve ter bancos e, também cabides que não sejam pregos? • Sim ( ), • Não ( ), explique. d) Deve ter armários individuais dotados de fechadura e cadeado (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. e) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.1.4 Alojamentos • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deve ser o material utilizado na construção dos alojamentos? • • • Madeira ( ) Alvenaria ( ) Outro ( ) especifique b) Deve tem piso de concreto, cimentado, madeira ou outro (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Deve ter área de ventilação de no mínimo 1/10 da área do piso (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Deve ter em iluminação artificial e/ou natural (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. 152 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 153 e) Deve ter área mínima de 3,0 m2 por módulo cama/armário, incluindo a área de circulação (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. f) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.1.5 Instalações Sanitárias • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Devem os banheiros estar ao lado do vestiário? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Deve haver banheiros volantes nos diversos segmentos da obra? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Deve haver recipientes para depósito de papéis usados no banheiro (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Deve haver nos locais onde estão os chuveiros, piso de material antiderrapante ou estrado de madeira (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. e) Deve haver um suporte para sabonete e cabide para toalha correspondente a cada chuveiro (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 154 f) Deve haver um banheiro somente para o pessoal de administração da obra (mestre, engenheiro e técnico)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. g) As paredes internas dos locais onde estão instalados os chuveiros devem ser de: • • • Alvenaria ( ) Revestidas com chapas galvanizadas ( ) Outro material impermeável ( ) especifique h) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.1.6 Ambulatório • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deve ser o material empregado na construção do ambulatório? • • • • Alvenaria ( ) Madeira ( ) Chapas galvanizadas ( ) Outro material ( ) especifique b) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.2 ÁREAS DE APOIO 2.2.1 Escritório • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 155 a) Qual deve ser a localização dos escritórios? • • • • • Na distância média da obra ( ) No início da obra ( ) No final da obra ( ) Ao lado das instalações industriais ( ) Outro local ( ) especifique b) Qual deve ser o material empregado na construção dos escritórios? • • • • Alvenaria ( ) Madeira ( ) Chapas metálicas ( ) Outro material ( ) especifique c) Deve ser utilizado material de reaproveitamento de outras obras? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.2.2 Almoxarifado e Ferramentaria • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Deve possuir ponto de descarga de caminhões (docas de descargas)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Deve ser dividido em dois ambientes (ou mais), um para armazenagem de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife com janela de expediente? • • Sim ( ), Não ( ), explique. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto c) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.2.3 Guarita de Segurança para Guardas e Porteiros • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Deve estar junto ao portão de entrada de pessoas? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Devem ser distribuídos capacetes para visitantes na guarita? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Devem ser distribuídos crachás de identificação na guarita? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Outros itens relevantes (Sua opinião) 2.3 VIAS DE CIRCULAÇÃO • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Outros itens relevantes (Sua opinião) 156 Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 157 3. INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS 3.1 Central de Armação • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma central de armação? • • • • Alvenaria ( ) Madeira ( ) Chapas galvanizadas ( ) Outro material ( ) especifique b) Quais dos seguintes equipamentos devem estar disponíveis na central? • • • • • Máquina de cortar ( ) Máquina de dobrar ( ) Calandra ( ) Aparelho de corte e solda ( ) Outros equipamentos ( ) especifique c) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.2 Central de Formas • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma central de formas? • • • • Alvenaria ( ) Madeira ( ) Chapas galvanizadas ( ) Outro material ( ) especifique Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 158 b) Quais dos seguintes equipamentos devem estar disponíveis na central? • • • • Serra circular ( ) Serra de fita ( ) Desempenadeira ( ) Outros equipamentos ( ) especifique c) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.3 Central de Britagem • • • É aplicável? Sim ( ) Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deveria ser o local de instalação da central de britagem? b) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.4 Central de Concreto • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual o tipo de central necessário para obras de pavimentação de concreto? • • • Central dosadora ( ) Central dosadora e misturadora ( Outro tipo ( ) explique ) b) Deve possuir silos de armazenagem de cimento? • • Sim ( ), Não ( ), explique. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 159 c) Deve possuir dosadores de aditivos? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Qual deveria ser à distância da central até o ponto médio de aplicação do concreto? • • • • Abaixo de 1,0 km ( ) Entre 1,0 km e 5,0 km ( ) Acima de 5,0 Km ( ) Não pode estar acima de 10,0 km ( ) e) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.5 Depósito de Agregados • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) O depósito deveria estar ao lado da central de concreto? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) É necessário o uso de equipamento de carregamento constante na central? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Devem os agregados estar separados por baias? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Deve o piso das baias possuir piso cimentado para evitar contaminação do estoque? • • Sim ( ), Não ( ), explique. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 160 e) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.6 Laboratório de Concreto • • • É aplicável? Sim ( ) Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.7 Oficina de Manutenção e Reparo • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma oficina de manutenção? • • • • Alvenaria ( ) Madeira ( ) Chapas galvanizadas ( ) Outro material ( ) especifique b) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.8 Área para Lubrificação dos Equipamentos • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma área para lubrificação de equipamentos? • • • • Alvenaria ( ) Madeira ( ) Chapas galvanizadas ( ) Outro material ( ) especifique Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 161 b) Deve existir rampa de lavagem ao lado da área de lubrificação? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Outros itens relevantes (Sua opinião) 3.9 Depósito para Entulho de Material (sobras/perdas) • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Deve o entulho ser transportado para local definido, de acordo com as Normas do Meio Ambiente? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Deve o canteiro estar limpo, sem sobras de madeira, concreto, aço, etc de forma que não prejudique a segurança e circulação de materiais, pessoas e equipamentos? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Deve o entulho ser separado por tipo de material com vistas a reaproveitado? • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Outros itens relevantes (Sua opinião) 4. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS 4.1 Instalações Provisórias de Energia Elétrica • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Giublin, C. R. • Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 162 Comentários/Exemplos a) Outros itens relevantes (Sua opinião) 4.2 Subestação • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Outros itens relevantes (Sua opinião) 4.3 Geradores / Geradores de Emergência • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Outros itens relevantes (Sua opinião) 5. INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Deve existir caixa d’água geral para distribuição no canteiro? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Deve existir separação de água potável e industrial? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Deve existir destino final para as águas usadas na manutenção do canteiro? Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto • • 163 Sim ( ), Não ( ), explique. d) Outros itens relevantes (Sua opinião) 6. INSTALAÇÕES DE SEGURANÇA NA OBRA 6.1 Proteção contra Queda • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Outros itens relevantes (Sua opinião) 6.2 Sinalização de Segurança • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Deve haver identificação dos locais de apoio que compõem o canteiro de obras (banheiros, escritório, almoxarifado, etc) (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Deve haver alertas quanto a obrigatoriedade do uso de EPI, específico para a atividade executada, próximos ao posto de trabalho (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Deve existir identificação dos acessos, circulação de veículos e equipamentos na obra (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto 164 d) Deve existir sinalização de segurança em vias públicas, com alerta aos motoristas e pedestres e em conformidade com as determinações dos órgãos competentes (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. e) Deve haver utilização de coletes ou tiras refletivas na região do tórax e costas quando os trabalhadores estão executando obras em vias públicas (NR-18)? • • Sim ( ), Não ( ), explique. f) Deve existir identificação dos locais com substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis, explosivas e radioativas (NR-18)? • Sim ( ), • Não ( ), explique. g) Outros itens relevantes (Sua opinião) 6.3 Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Devem ser fornecidos capacetes para o uso dos visitantes? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Independente da função todo trabalhador deve usar botinas e capacetes? • • Sim ( ), Não ( ), explique. c) Trabalhadores em andaimes externos ou qualquer outro serviço a mais de 2,0m de altura, usam cinto de segurança com cabo fixado na construção (NR- 18)? Giublin, C. R. Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto • • Sim ( ), Não ( ), explique. d) Outros itens relevantes (Sua opinião) 6.4 Proteção contra Incêndio • • • É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes. Não é aplicável. Não ( ) explique. Comentários/Exemplos a) Deve o canteiro possuir extintores para combate a princípios de incêndio? • • Sim ( ), Não ( ), explique. b) Outros itens relevantes (Sua opinião) 165