CARLOS ROBERTO GIUBLIN
DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE
PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO
Dissertação
apresentada
como
requisito parcial à obtenção do grau de
Mestre em Engenharia no Curso de
Pós-Graduação em Construção Civil do
Setor de Tecnologia da Universidade
Federal do Paraná.
Orientador: Prof. Aguinaldo dos
Santos, Ph.D
CURITIBA
Setembro/2002
TERMO DE APROVAÇÃO
CARLOS ROBERTO GIUBLIN
DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE
PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO
Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre no
Curso de Pós-Graduação em Construção Civil da Universidade Federal do Paraná,
pela comissão formada pelos professores:
________________________________
Prof. Aguinaldo dos Santos
Ph.D – University of Salford
Orientador
BANCA EXAMINADORA
Prof. Glicério Trichês
Doutor pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica - ITA
Prof. Jorge Augusto Pereira Ceratti
Doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Prof. Ricardo Mendes Jr.
Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Curitiba, 24 de setembro de 2002
ii
A Deus, a minha esposa Silvana e a meus
filhos Victor e Nathalia, parceiros de vida
e objetivos maiores de minha existência....
iii
AGRADECIMENTOS
Ao Professor Doutor Aguinaldo dos Santos, pela atenção, senso crítico,
amizade e orientação do trabalho.
A todo o pessoal do PPGCC, pelo coleguismo e dedicada atenção.
A Soeli, Maristela e Ziza, pelo prestativo atendimento na secretaria do
curso de Pós-Graduação.
A ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, pelo apoio irrestrito
para o êxito deste trabalho.
Aos colegas da ABCP – Regional Sul, André, Norberto, Eduardo,
Fernando, Mario Henrique, Julimar, Yngrid, Sonara, Paulo, Luis Antônio, e ao
dedicado amigo Cleon, o agradecimento sincero pela ajuda e respeito profissional.
Aos especialistas Engenheiros, que colaboraram no desenvolvimento desta
pesquisa, pela ajuda inestimável para a sua realização.
A Silvana, Victor e Nathalia, pelo carinho e compreensão nestes últimos
dois anos e meio.
Aos meus pais, pela minha existência.
A Deus, fonte maior da minha existência e grande orientador.
iv
SUMÁRIO
LISTA DE ILUSTRAÇÕES ................................................................................................................... VII
LISTA DE QUADROS .......................................................................................................................... VIII
RESUMO ................................................................................................................................................ IX
ABSTRACT ............................................................................................................................................. X
1
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................1
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
2
PROBLEMA DE PESQUISA ...................................................................................................2
OBJETIVO ..............................................................................................................................3
HIPÓTESES............................................................................................................................3
MÉTODO DE PESQUISA .......................................................................................................3
LIMITAÇÕES ..........................................................................................................................4
ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO..........................................................................................4
INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO ..............................................................................................6
2.1
CONTEXTO ............................................................................................................................6
2.2
INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO .......................................................................................6
2.2.1 Definições ...........................................................................................................................6
2.2.2 Classificação dos Pavimentos ............................................................................................7
2.3
CARACTERÍSTICAS DOS PAVIMENTOS ASFÁLTICOS E DE CONCRETO .................... 10
2.3.1 Pavimentos Asfálticos...................................................................................................... 10
2.3.2 Pavimentos de Concreto ................................................................................................. 13
2.4
CRITÉRIOS DE DECISÃO PARA ESCOLHA ENTRE PAVIMENTO ASFÁLTICO OU DE
CONCRETO ...................................................................................................................................... 16
2.5
HISTÓRICO DO PAVIMENTO DE CONCRETO ................................................................. 18
2.5.1 Visão Internacional .......................................................................................................... 18
2.5.2 Visão Nacional ................................................................................................................. 22
2.6
DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 24
2.7
SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................... 25
3
PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO DE CONCRETO ........... 26
3.1
CONTEXTO ......................................................................................................................... 26
3.2
ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DE PAVIMENTO DE CONCRETO ....................................... 26
3.2.1 Etapa 1 - Preparo do Subleito e Reforço......................................................................... 27
3.2.2 Etapa 2 - Execução da Sub-Base ................................................................................... 30
3.2.3 Etapa 3 - Execução da Placa .......................................................................................... 36
3.2.4 Etapa 4 - Texturização..................................................................................................... 51
3.2.5 Etapa 5 - Processo de Cura ............................................................................................ 53
3.2.6 Etapa 6 - Execução das Juntas - Corte e Selagem ........................................................ 55
3.2.7 Etapa 7 - Sinalização da Pista......................................................................................... 59
3.2.8 Etapa 8 - Abertura ao Tráfego ......................................................................................... 59
3.2.9 Etapa 9 - Desmobilização do Canteiro ............................................................................ 59
3.3
DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 59
3.4
SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................... 60
4
IMPLANTAÇÃO DE CANTEIROS DE OBRA ............................................................................. 62
4.1
4.2
CONTEXTO ......................................................................................................................... 62
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 62
v
4.2.1 Aspectos Gerais .............................................................................................................. 62
4.2.2 Impacto do Planejamento do Canteiro na Competitividade ............................................ 64
4.2.3 Impacto do Planejamento do Canteiro sobre os Recursos Humanos ............................ 65
4.3
ETAPAS DO PLANEJAMENTO DO CANTEIRO DE OBRA ................................................ 66
4.3.1 Visão Geral ...................................................................................................................... 66
4.3.2 Primeira Etapa: Levantamento de Informações .............................................................. 67
4.3.3 Segunda Etapa: Definição dos Equipamentos Principais ............................................... 67
4.3.4 Terceira Etapa: Planejamento de Layout e Implantação ................................................ 68
4.3.5 Quarta Etapa: Revisão Sistemática................................................................................. 69
4.4
COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO.................................... 70
4.4.1 Elementos de Proteção ................................................................................................... 70
4.4.2 Instalações Provisórias .................................................................................................... 71
4.4.3 Instalações Industriais ..................................................................................................... 78
4.4.4 Instalações Elétricas ........................................................................................................ 83
4.4.5 Instalações Hidráulicas .................................................................................................... 84
4.4.6 Instalações de Segurança na Obra ................................................................................. 84
4.5
DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 87
4.6
SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................... 87
5
MÉTODO DE PESQUISA ............................................................................................................ 90
5.1
5.2
5.3
5.4
5.5
5.6
5.7
6
CONTEXTO ......................................................................................................................... 90
CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................. 90
MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO ................................................................................. 91
DESCRIÇÃO DO MÉTODO DELPHI ................................................................................... 92
CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DOS ESPECIALISTAS ....................................................... 94
NÚMERO DE RODADAS REALIZADAS ............................................................................. 95
VALIDAÇÃO......................................................................................................................... 96
RESULTADOS E ANÁLISE ......................................................................................................... 97
6.1
CONTEXTO ......................................................................................................................... 97
6.2
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 97
6.3
COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO.................................... 98
6.3.1 Elementos de Proteção ................................................................................................... 98
6.3.2 Instalações Provisórias .................................................................................................. 100
6.3.3 Instalações Industriais ................................................................................................... 111
6.3.4 Instalações Elétricas ...................................................................................................... 121
6.3.5 Instalações Hidráulicas .................................................................................................. 123
6.3.6 Instalações de Segurança na Obra ............................................................................... 124
6.4
DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE PAVIMENTO DE
CONCRETO .................................................................................................................................... 127
6.5
SUMÁRIO DO CAPÍTULO ................................................................................................. 135
7
CONCLUSÕES .......................................................................................................................... 136
7.1
7.2
7.3
7.4
CONCLUSÕES GERAIS ................................................................................................... 136
CONCLUSÕES SOBRE O MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO .................................... 138
CONCLUSÃO FINAL ......................................................................................................... 139
SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS ..................................................................... 139
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................... 141
ANEXO – A ......................................................................................................................................... 149
vi
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 2.1 – DISTRIBUIÇÃO DAS CARGAS AO SUBLEITO DOS PAVIMENTOS.............................9
FIGURA 2.2 – CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO ASFÁLTICO - CLEON ......................... 11
FIGURA 2.3 - CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO DE CONCRETO ................................... 14
FIGURA 2.4 – VISÃO GERAL DO PROCESSO DE SELEÇÃO DA TIPOLOGIA DE PAVIMENTO ... 17
FIGURA 2.5 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PAVIMENTADORAS NO BRASIL .............................. 24
FIGURA 3.1 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA ARCEN ARCMOV 80 .............................. 41
FIGURA 3.2 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA SCHWING M2Erro!
Indicador
não
definido.
FIGURA 3.3 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA ERIE MG 11CErro!
Indicador
não
definido.
FIGURA 3.4 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES WIRTGEN SP 500 ......................... 45
FIGURA 3.5 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES CMI SF 3004FErro! Indicador não
definido.
FIGURA 3.6 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES GOMACO GP 2600Erro! Indicador
não definido.
FIGURA 5.1 – CICLO DE RODADAS DO MÉTODO DELPHI ............................................................. 92
FIGURA 5.2 – CRONOGRAMA DAS RODADAS REALIZADAS – MÉTODO DELPHI ....................... 95
vii
LISTA DE QUADROS
QUADRO 5.1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ESPECIALISTAS COLABORADORES ..................... 94
viii
RESUMO
O volume de aplicações do pavimento de concreto está crescendo no Brasil e há
uma necessidade premente de melhor entender as peculiaridades do planejamento
dos seus canteiros de obra. A literatura brasileira referente ao planejamento de
canteiros de obra nos aspectos tais como, fluxo de produção, layout de produção,
instalações de canteiro e assim por diante, resulta na maioria das vezes de
pesquisas do setor de edificações. Dentro deste contexto, esta dissertação foi
desenvolvida com o intuito de captar o conhecimento de especialistas com respeito
aos principais elementos do planejamento de canteiros de obra de pavimento de
concreto. Para sua realização, foi utilizado o Método Delphi, o qual procura
desenvolver o consenso de forma iterativa e sistemática. Envolveu-se nesta
pesquisa sete especialistas com larga experiência em construção de rodovias no
Brasil. Cerca de 90% das questões apresentadas no questionário original
alcançaram consenso total entre os especialistas. Estes resultados confirmaram a
necessidade de reavaliação da literatura de planejamento de canteiros de obra do
sub-setor edificações quando se refere na sua aplicação dentro da construção de
pavimentos de concreto. Cerca de 45% dos itens constantes na lista de verificação
desenvolvida a partir da aplicação do Método Delphi são específicas para canteiros
de obra de pavimento de concreto. Com o crescimento do uso desta tecnologia no
Brasil, o pesquisador entende que esforços devem ser feitos para que haja a
disseminação do conhecimento gerado entre pesquisadores e gerentes de obra,
com o objetivo de evitar desperdícios de recursos, aumentar a segurança do
canteiro, melhorar a produtividade e imagem das empresas.
Palavras-chave:
ix
ABSTRACT
Concrete pavement is a growing its application in Brazil and there is an urgent need
for better understanding of its site planning peculiarities. Brazilian literature
concerning site planning on aspects such as production flow, production layout, site
installations and so for, come mostly from building research. In this context, this
dissertation was set to study current best known practice among experts on concrete
pavement site planning. It used Delphi Method, an approach to obtain gradual and
systematic consensus among experts. Seven experts on pavement construction, all
of them with large experience in Brazil, took part on this research. Nearly 90% of de
questions presented in the original questionnaire reached consensus among experts.
The results confirmed the need for reinterpretation of site planning on the building
literature when it comes to apply it into concrete pavement construction. Indeed, 45%
of the resulting best practice check-list was specific to concrete pavement
construction sites. With the growing use of such technology in Brazil the researcher
understands that efforts need to be made in order to disseminate the knowledge
presented in this dissertation among researchers and practitioners in the field in order
to promote waste reduction, productivity improvement, better image of concrete
pavement construction and, finally, better safety practices.
x
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
1
1 INTRODUÇÃO
Orientação:
Escrever sobre canteiros – genérico, e o mais abrangente
possível. SEMPRE com referências bibliográficas.
A pavimentação rodoviária brasileira tem crescentemente adotado o
pavimento de concreto como solução tecnológica haja visto as vantagens de
durabilidade e baixo custo de manutenção durante a vida útil que a mesma oferece
(CARVALHO, 1998). Com o avanço no volume de aplicações no país faz-se
necessário à investigação dos aspectos gerenciais relacionados a esta tecnologia.
Neste contexto, esta dissertação procura contribuir com o avanço desta tecnologia
no Brasil através da definição de diretrizes básicas para o planejamento de canteiros
de obra de pavimentação de concreto.
A história do pavimento de concreto é relativamente recente no contexto da
construção a nível mundial. Esta tecnologia apareceu primeiramente nos Estados
Unidos, em 1893, de acordo com a American Concrete Pavement Association –
ACPA, quando o químico George Bartholomew construiu o primeiro pavimento de
concreto que se tem notícia.
Em 1956, com a introdução de equipamentos mecanizados para confecção
de pavimento de concreto nos Estados Unidos, por meio do invento do engenheiro
James Johnson (pavimentadora de concreto deslizante slipform), da Comissão de
Rodovias do Estado de Iowa, iniciou-se um grande impulso na evolução desta
tecnologia. Com o invento de James Johnson decorreu uma série de outras
inovações tecnológicas, principalmente no que tange às centrais de concreto de
grande porte e equipamentos auxiliares de alta performance (ACPA, 2002).
Com a disseminação destes equipamentos e seus processos construtivos
associados, diversos países do mundo implementaram a técnica de pavimentação
de concreto em suas rodovias, ressaltando-se além dos Estados Unidos (HALL
1999, p. 210), Alemanha, França, Bélgica, Itália, Áustria (DARTER et al, 1992), a
Espanha (JOFRÉ; FERNÁNDEZ, 1999, p. 302-303), México (ARGÜELLO, 1998, p.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
2
295), Argentina (CABALLERO, 1999, p. 269), Bolívia (SANTIAGO; ESPINOZA,
1999, p. 325), El Salvador (GONZÁLEZ, 1999, p. 335-336).
Apesar da relativa baixa percentagem do pavimento de concreto no Brasil
(2% das vias pavimentadas) em relação a outras tecnologias de pavimentação, o
país foi um dos pioneiros no mundo em sua implantação. Diversas ruas da cidade de
Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul, já recebiam este tipo de pavimento em
1925. Desde então inúmeras obras foram executadas no Brasil desde aeroportos,
rodovias, ruas urbanas, portos, entre outros (ABCP, 2002).
Similarmente ao que ocorreu em outros países, os avanços tecnológicos
verificados no Brasil com respeito ao pavimento de concreto têm sido fortemente
decorrentes da importação de equipamentos e capacitação de profissionais da área
de pavimentação. Contudo, apesar de todo o avanço tecnológico verificado a nível
nacional, o gerenciamento de obras de pavimento de concreto apresenta reduzido
volume de publicações nacionais e especialistas brasileiros no assunto. Muito do
conhecimento existente no que tange o gerenciamento destas obras no país,
encontra-se presente de forma tácita entre especialistas e, de maneira geral, não se
encontra formalizado. A revisão, caracterização, formalização e estruturação de tal
conhecimento é alvo desta dissertação.
1.1
PROBLEMA DE PESQUISA
Esta dissertação contribui para a adequada introdução da tecnologia de
pavimentação em concreto no Brasil através da investigação da teoria e prática do
planejamento de canteiros de obra. Existe já considerável volume de publicações no
setor de edificações sobre o planejamento de canteiros de obra, literatura esta que
oferece grande oportunidade de transferência de práticas para as obras em
pavimento de concreto. Isto, aliado ao vasto conhecimento existente sobre o
processo de construção de pavimento de concreto e, também, ao conhecimento não
formalizado dos especialistas na área, resultam no problema de pesquisa que esta
dissertação se propõe a responder: Quais são as diretrizes para o planejamento
de canteiros de obra de pavimentação de concreto?
Giublin, C. R.
1.2
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
3
OBJETIVO
O objetivo desta pesquisa é estabelecer diretrizes básicas para o
planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto, no que se refere
aos seus componentes. Por componentes, entendem-se todos os objetos físicos que
farão parte do canteiro, desde o escritório do engenheiro até as instalações
industriais. O desenvolvimento da pesquisa deverá contemplar a revisão do
conhecimento existente na literatura e a captação do conhecimento tácito presente
em especialistas da área.
1.3
HIPÓTESES
•
Têm-se como hipótese central desta pesquisa que grande parte do
conhecimento existente na literatura do setor de edificações será passível
de aplicação na área de pavimentação de concreto;
•
Da mesma forma entende-se que o conhecimento presente entre
especialistas acerca do tema deverá convergir para um alto nível de
consenso.
1.4
MÉTODO DE PESQUISA
Tendo em vista a necessidade de captação de conhecimento junto a um
grupo de especialistas, aliada à necessidade de buscar diretrizes consensuais,
optou-se por adotar o Método Delphi como principal instrumento de realização desta
pesquisa. Este método consiste na obtenção sistemática de consenso através de
rodadas sucessivas de um conjunto de questões tratando das práticas de
planejamento de canteiros de obra de pavimentos de concreto.
A revisão bibliográfica que fundamentou as questões colocadas ao grupo de
especialistas centrou-se em dois tópicos principais: o processo de construção de
pavimento de concreto e o planejamento de canteiros de obra.
Giublin, C. R.
1.5
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
4
LIMITAÇÕES
Apesar do volume de obras em pavimento de concreto encontrar-se em nítida
ascensão no Brasil (ABCP, 2002), o número de especialistas na área ainda é
relativamente reduzido. Nesta pesquisa participaram sete especialistas, além do
próprio autor, todos das regiões sul e sudeste do país, com experiência mínima de
três anos na execução de obras utilizando esta tecnologia, porém, com experiência
média de quinze anos na concepção e gestão de obras de pavimentação em geral.
Não
será
foco
desta
pesquisa,
o
estudo
dos
parâmetros
para
dimensionamento dos componentes do canteiro, assim como os parâmetros para a
disposição física dos mesmos no tempo e espaço.
1.6
ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO
O Capítulo 1 apresenta o problema de pesquisa e o objetivo/hipótese
associado, bem como as principais justificativas para a realização desta dissertação,
o método de pesquisa adotado e as limitações verificadas para o desenvolvimento
desta investigação.
O Capítulo 2 discorre sobre os tipos de pavimentos mais usuais,
apresentando ao leitor o contexto histórico do desenvolvimento do pavimento de
concreto a nível internacional e nacional, recentes avanços tecnológicos e
perspectivas mercadológicas. Objetiva-se com este capítulo situar o leitor com
respeito ao passado, presente e provável futuro desta tecnologia no Brasil.
O Capítulo 3 trata sobre o processo de construção de pavimentos de
concreto, fornecendo subsídios para o questionário utilizado na fase de campo, bem
como, para a etapa de análise dos resultados e formulação das diretrizes para
planejamento de canteiros de obra de pavimentação de concreto.
O Capítulo 4 complementa os capítulos anteriores através da revisão sobre
os principais aspectos relevantes sobre o planejamento de canteiros de obra, porém
sob a ótica da literatura de edificações.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
5
O Capítulo 5 refere-se ao método de pesquisa utilizado (“levantamento”) e a
ferramenta adotada para coleta e análise de dados (“Método Delphi”), incluindo os
critérios de seleção dos especialistas, a estratégia de análise e validação dos
resultados.
O Capítulo 6 trata da apresentação dos resultados obtidos na aplicação do
Método Delphi junto aos especialistas e a correspondente análise destes resultados.
Este Capítulo utiliza na análise a descrição do processo de construção de
pavimentos de concreto apresentados no Capítulo 3 e, também, a revisão do
conhecimento existente sobre planejamento de canteiros de obra no setor de
edificações descrito no Capítulo 4. Apresenta as diretrizes em formato de lista de
verificação, sendo este um dos principais resultados desta dissertação.
O
Capítulo 7 apresenta as
recomendações para trabalhos futuros.
conclusões
finais da pesquisa e as
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
6
2 INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO
2.1
CONTEXTO
O Capítulo 1 apresenta os principais aspectos que levaram à realização desta
pesquisa, como o problema e objetivo, o método de pesquisa e as limitações
encontradas. O presente Capítulo define e introduz as tecnologias de pavimentação,
dando ênfase particular ao pavimento de concreto, sendo que para este último são
apresentados os aspectos principais sob a ótica histórica e mercadológica. Estas
informações são relevantes para o Capítulo 3 seguinte, onde é apresentado o
processo de construção de pavimento de concreto propriamente dito.
2.2
INTRODUÇÃO À PAVIMENTAÇÃO
2.2.1 Definições
O pavimento, de uma maneira genérica, pode ser definido, como a infraestrutura das rodovias, aeroportos, ruas, pátios e outros, constituído de um sistema
de camadas de espessura finita, assentes sobre um semi-espaço considerado
teoricamente como infinito, chamado de infra-estrutura ou terreno de fundação.
Destina-se a resistir e distribuir a esta infra-estrutura as solicitações oriundas dos
veículos e melhorar as condições de rolamento dos mesmos, quanto ao conforto e
segurança. É uma estrutura de diversas camadas constituída de materiais com
resistências e deformabilidade diferentes, resultando em sistema de elevado grau de
complexidade no que se refere ao cálculo das tensões e deformações (SOUZA,
1980, p. 9).
Em uma conceituação mais ampla, o “Manual de Pavimentação Betuminosa”
da Barber-Greene (1963, p. 1-3), cita que as cinco finalidades básicas da construção
de vias pavimentadas são:
a) suportar as cargas produzidas pelo tráfego;
b) proteger o leito da estrada contra a entrada de água;
c) reduzir a perda dos materiais superficiais;
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
7
d) obter uma textura superficial adequada;
e) promover resistência às intempéries.
Por sua vez, SOUZA (1981, p. 221) define que o objetivo principal da
pavimentação é assegurar a serventia da via, tornando-a apta a resistir ao tráfego e
a ação das intempéries.
SENÇO (1997, p 6-7) define pavimento como sendo a estrutura construída
sobre a terraplenagem e destinada, técnica e economicamente, a resistir aos
esforços verticais advindos do tráfego de veículos e distribuí-los. O mesmo autor
chama a atenção ao fato de que o pavimento deve contribuir para melhorar as
condições de rolamento em quesitos tais como conforto e segurança e, também,
resistir aos esforços horizontais (desgaste), tornando mais durável a superfície de
rolamento.
Para a NBR-7207 (1982) o pavimento é definido como “uma estrutura
construída após a terraplenagem e destinada, econômica e simultaneamente, em
seu conjunto a:
a) resistir e distribuir ao subleito os esforços verticais oriundos dos veículos;
b) melhorar as condições de rolamento quanto ao conforto e segurança;
c) resistir aos esforços horizontais que nela atuam tornando mais durável a
superfície de rolamento.”
2.2.2 Classificação dos Pavimentos
No que se refere à classificação dos pavimentos, a terminologia consagrada
pela literatura internacional, classifica os diversos tipos de pavimentos, baseadas
nas diversas camadas e materiais disponíveis na natureza, em duas grandes
categorias: os pavimentos flexíveis e os pavimentos rígidos (SENÇO, 1997, p. 22;
YODER; WITCZAK, 1976).
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
8
Para YODER e WITCZAK (1976, p. 5), o pavimento flexível consiste de numa
camada asfáltica de revestimento, relativamente fina, construída sobre uma camada
de base e uma camada de sub-base, apoiando-se num subleito compactado.
O pavimento rígido é formado por concreto de cimento Portland e pode ou
não ter uma camada de sub-base entre o pavimento e o subleito. A diferença
essencial entre os dois tipos de pavimentos está na maneira com as cargas se
distribuem para o subleito.
Uma outra maneira de se entender a diferença entre as duas categorias de
pavimento é apresentada por BALBO (1997, p. 12-13), que faz uma analogia com o
comportamento estrutural de uma viga. Considerando uma viga plana bi-apoiada
tendo um carregamento cíclico aplicado no meio da sua extensão; duas hipóteses
poderiam acontecer, após
inúmeras
aplicações
da carga. Em uma
das
possibilidades, a viga apresentaria uma capacidade de deformação elástica
(recuperável) de magnitude muito superior à deformação plástica (permanente)
ocorrida. Esta última deformação é representada por uma alteração da superfície
superior da viga em relação ao plano original, depois de cessada a ação da força;
neste caso, a estrutura deveria ser considerada como rígida. Na outra hipótese, após
inúmeras aplicações de carga, o somatório das deformações plásticas ocorridas na
viga seriam de maior magnitude que a deformação elástica verificada a cada
aplicação de carga; nesta situação, a estrutura deveria ser considerada flexível.
Entre estas duas categorias de pavimento há situações intermediárias em que
é difícil estabelecer a qual categoria um determinado pavimento pertence. São
pavimentos que empregam bases tratadas com cal, cimento, e até com certos tipos
de misturas betuminosas, bastante resistentes à tração. Em função das suas
características são chamados de pavimentos semi-rígidos ou semiflexíveis. Não
obstante, SOUZA (1981, p. 224-228) também cita como tipos de pavimentos, os que
são revestidos com cascalhos, solos estabilizados naturalmente, paralelepípedos e
outros, mais usuais em vias de baixo tráfego. Contudo estes tipos de pavimento não
fazem parte do escopo deste trabalho.
Giublin, C. R.
9
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
Entre as diversas nomenclaturas existentes, e das variantes que são
implementadas aos tipos e formas de pavimentos, BALBO (1997, p. 15) defende
uma uniformização dos termos usuais em pavimentos, a saber:
•
pavimento rígido: é o pavimento cuja camada superior, absorvendo grande
parcela de esforços horizontais solicitantes, acaba por gerar pressões
verticais aliviadas e bem distribuídas sobre as camadas inferiores (Figura
2.1 – ilustração da esquerda);
•
pavimento flexível: é o pavimento no qual a absorção de esforços se dá de
forma dividida entre várias camadas, encontrando-se as tensões verticais
em camadas inferiores concentradas em região próxima da área de
aplicação da carga (Figura 2.1 – ilustração da direita).
FIGURA 2.1 – DISTRIBUIÇÃO DAS CARGAS AO SUBLEITO DOS PAVIMENTOS
RÍGIDOS
FLEXÍVEIS
HR
HF
GRANDE ÁREA DE
DISTRIBUIÇÃO
PEQUENA
PRESSÃO
PEQUENA
ÁREA
DE DISTRIBUIÇÃO
NA
FUNDAÇÃO DO PAVIMENTO
PEQUENA
PRESSÃO
NA
FUNDAÇÃO DO PAVIMENTO
FONTE: ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Pavimento de Concreto Vantagens. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/cont_pavi2.htm> Acesso em: 05 ago. 2002.
A partir da nomenclatura apresenta por BALBO (1997), pode ocorrer de um
pavimento asfáltico ser classificado como pavimento rígido, desde que o mesmo
apresente características globais condizentes com a definição acima. Procurando
uniformizar alguns conceitos, BALBO (1997, p. 14) emprega as expressões
“pavimento asfáltico” ou “pavimento de concreto” quando se consegue definir com
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
10
precisão o tipo de camada de rolamento existente na estrutura, mas não
obrigatoriamente seu comportamento mecânico no caso de pavimentos asfálticos.
Assim, os pavimentos flexíveis, que geralmente são à base de revestimentos
asfálticos, serão chamados neste trabalho daqui para frente de pavimentos
asfálticos. Igualmente, os pavimentos rígidos, que tem o concreto como material
mais empregado, serão chamados neste trabalho daqui para frente de pavimentos
de concreto.
2.3
CARACTERÍSTICAS DOS PAVIMENTOS ASFÁLTICOS E DE CONCRETO
Este trabalho estuda as características e aplicabilidade dos canteiros de obra
para pavimentos de concreto e, para que seja claramente entendida a diferença
deste com o pavimento asfáltico é apresentado nas seções seguintes suas principais
características.
2.3.1 Pavimentos Asfálticos
2.3.1.1 Caracterização dos pavimentos asfálticos
Mudar esta definição – livro do Medina (1997) Ceratti
VER COM MHA – NÃO ENTENDI NADA????????
Os pavimentos asfálticos são definidos por SOUZA (1980) como aqueles
em que a camada de revestimento deve resistir menos a esforços de tração e o
seu dimensionamento é comandado pela resistência ao cisalhamento do
subleito. São exemplos os pavimentos constituídos por revestimentos
betuminosos delgado sobre camadas normalmente granulares.
De acordo com SENÇO (1997, p. 16), o pavimento asfáltico pode ser formado
pelas camadas ilustradas na Figura 2.2 e definidas na seqüência:
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
11
FIGURA 2.2 – CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO ASFÁLTICO
FONTE: SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora PINI, 1997.
•
revestimento: camada asfáltica destinada a resistir diretamente às ações
do tráfego, garantir a impermeabilização da estrutura do pavimento,
melhorar as condições de conforto e segurança de rolamento, e transmitir
as ações do tráfego às camadas inferiores de forma atenuada;
•
base : camada destinada a resistir às ações dos veículos e a transmiti-las,
convenientemente para as camadas subjacentes, bem como reduzir as
deformações de tração no revestimento;
•
sub-base: camada complementar a base, tendo as mesmas funções e
sempre poderão ser executadas, quando por razões econômicas, for
conveniente a redução da espessura da base;
•
reforço do subleito: camada existente normalmente em pavimentos muito
espessos ou subleitos fracos, e tem a função de melhorar a capacidade de
suporte do terreno natural.
Serviço geralmente complementar a terraplenagem do leito da via, a
regularização do subleito, tem como função preparar a fundação para receber a
estrutura do pavimento propriamente dita.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
12
2.3.1.2 Vantagens do pavimento asfáltico
Formatado
A principal vantagem do uso de pavimentos asfálticos é a possibilidade de
construção progressiva ao longo da vida útil do projeto. Definindo-se a espessura de
projeto para uma determinada vida útil, pode-se diminuir uma parte desta espessura
do revestimento do projeto original, em função de seu custo, e à medida que o
tráfego vai aumentando, executa-se uma nova camada superposta ao revestimento
existente. SENÇO (1997, p. 21) cita que nestes casos podem-se obter pavimentos
viáveis economicamente, mas alerta para que se realize análise criteriosa do
processo de construção para garantir a adequada vida útil entre as etapas
progressivas de execução.
Na seqüência serão descritas outras vantagens dos pavimentos asfálticos:
(pesquisar referencia – vantagens e desvantagens – dois tipos
urgente ????)
•
existem produtos asfálticos para diferentes solicitações de tráfego, sendo
a maioria indicada para tráfego leve e médio;
•
restauração da pista pode ser realizada com tráfego, observando a
segurança dos usuários durante sua construção, por meio de sinalização
orientativa;
•
possibilita boa frenagem aos veículos em pistas molhadas;
•
oferece destino aos rejeitos do processo de refino do petróleo;
•
os materiais são recicláveis por técnicas e equipamentos adequados,
podendo se incorporar a um novo pavimento.
2.3.1.3 Desvantagens do pavimento asfáltico
Abaixo são descritas algumas das principais desvantagens do pavimento
asfáltico:
•
usualmente oferece vida útil inferior a 10 anos para tráfego pesado;
Formatado
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
13
deforma-se com tráfego pesado de veículos, formando trilhos de roda,
podendo produzir efeitos de aquaplanagem, diminuindo a segurança do
usuário;
•
não resiste a ataques químicos, principalmente de produtos do petróleo
(óleo de motor, hidráulico, diesel, entre outros), freqüentemente liberados
por veículos automotivos trafegando na via;
•
geralmente tem espessura total de pavimento maior que as encontradas
nos pavimentos de concreto;
•
necessita de manutenção preventiva e corretiva de forma regular;
•
apresenta em sua constituição produtos mais poluentes a natureza.
2.3.2 Pavimentos de Concreto
2.3.2.1 Caracterização do pavimento de concreto
BAPTISTA (1976, p. 176) e SOUZA (1980, p. 229) definem os pavimentos de
concreto como aqueles em que as camadas de revestimento são placas de
concreto, que resistem aos esforços de tração, e o seu dimensionamento é
comandado pela resistência da própria placa. O exemplo clássico é o pavimento de
concreto de cimento Portland.
De acordo com SENÇO (1997, p. 17) e SOUZA (1980, p. 12), o pavimento de
concreto pode ser formado pelas seguintes camadas, conforme ilustra a Figura 2.3:
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
14
FIGURA 2.3 - CAMADAS ESTRUTURAIS DO PAVIMENTO DE CONCRETO
REVESTIMENTO / BASE
SUB-BASE
REFORÇO DO SUBLEITO
REGULARIZAÇÃO DO SUBLEITO
FONTE: SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora PINI, 1997.
•
revestimento e base: é constituído pela placa de concreto;
•
sub-base: camada complementar à placa de concreto, com o objetivo de
proteção dos solos do subleito. Deve ser constituída de material não
erodível e com características de qualidade superiores às do material de
reforço;
•
reforço do subleito: camada intermediária entre o subleito e a sub-base,
tendo a função de uniformizar a capacidade de suporte e diminuir
eventualmente a espessura da sub-base. O material utilizado deve ter
características de qualidade superiores ao do subleito.
Serviço geralmente complementar a terraplenagem do leito da via, a
regularização do subleito tem como função preparar a fundação para receber a
estrutura do pavimento propriamente dita.
2.3.2.2 Vantagens do pavimento de concreto
A ABESC (2002), a NCACPA (2002) e a ABCP (2002) citam que o pavimento
de concreto tem as seguintes vantagens:
•
o dimensionamento de projeto típico apresenta período mínimo até a
primeira intervenção superior a 20 anos;
Formatado
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
15
não se deforma com tráfego pesado e canalizado (ex: corredor de ônibus),
em função da resistência do concreto;
•
resiste a ataques químicos, especialmente produtos derivados do petróleo,
em particular aqueles emitidos normalmente por veículos automotivos
trafegando na via;
•
espessura do pavimento geralmente menor que a verificada no pavimento
asfáltico com as mesmas premissas de projeto. Consome-se assim menor
volume de materiais na construção de uma obra em pavimento de
concreto;
•
serviços de manutenção reduzidos durante a vida útil, sendo que o custo
final é em geral menor em relação ao pavimento asfáltico, por não
necessitar de recapeamento durante a sua vida útil;
•
menor interrupção do tráfego ao longo da vida útil, pela diminuição de
manutenção periódica;
•
oferece condições de visibilidade e frenagem adequadas, haja visto que a
claridade e rugosidade são características da placa de concreto;
•
os materiais utilizados são recicláveis ou podem ser gerados a partir de
matéria prima reciclada: através da britagem do concreto reciclado de vias
em restauração, por exemplo, obtêm-se agregados reciclados de concreto.
Além disto, segundo PITTA (1999, p. 117) o cimento, que é parte
integrante do concreto, utiliza muitos subprodutos gerados nas indústrias,
isto é, escória de alto forno, cinzas volantes de termoelétricas, gesso
sintético, etc, retirando do meio ambiente, produtos poluentes. Utilização
de rejeitos da construção nos concreto já é uma realidade em alguns
países, inclusive o próprio reaproveitamento dos concretos envelhecidos,
que se tornam em agregados, depois de britados, e retornam ao concreto
novo.
Giublin, C. R.
16
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
2.3.2.3 Desvantagens do pavimento de concreto
Formatado
As principais desvantagens do pavimento de concreto são as seguintes:
•
não é recomendado para construção por etapas;
•
normalmente não é recomendado para tráfego leve;
•
não pode ter tráfego durante a construção;
•
concreto necessita de resistência para liberação ao tráfego, o que impede
o uso antes da efetiva cura do mesmo.
2.4
CRITÉRIOS
DE
DECISÃO
PARA
ESCOLHA
ENTRE
PAVIMENTO
ASFÁLTICO OU DE CONCRETO
Um fator importante a considerar é a escolha do tipo de pavimento a adotar
em cada caso, que geralmente é uma função direta das características de uso e dos
recursos financeiros, além de um grande número de variáveis econômicas e
técnicas, sendo assim um problema bastante complexo (SOUZA,1981, p. 222). Com
os recursos computacionais disponíveis hoje no mercado, a análise dos diversos
tipos de pavimento na relação custo x benefício tornou-se uma atividade
especializada, e leva-se em consideração, inclusive, todo o custo ao longo do ciclo
de vida e não somente os custos de construção. Contudo, é prática corrente pelos
órgãos públicos no Brasil, a análise comparativa simples dos custos de construção,
não levando em consideração os custos de manutenção, restauração e operação
dos veículos.
SOUZA (1980, p. 323) aborda a problemática de dimensionamento dos
pavimentos e a escolha correta para cada caso, considerando diversos fatores que
direta ou indiretamente influenciam no projeto, tais como:
a) os materiais e a sua resistência à ruptura e deformabilidade;
b) o tráfego, considerando a carga total, pressão de contato, configuração
geométrica das rodas e dos eixos, repetições das cargas e velocidade diretriz;
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
17
c) o clima, na análise da chuva, da temperatura e profundidade do lençol
freático;
d) os custos, que determinarão a viabilidade econômica da solução técnica
adotada.
Na análise de escolha do tipo de estrutura de pavimento, SENÇO (1997, p.
38) apresenta um fluxograma (Figura 2.4) com a seqüência dos estudos necessários
para definição de qual pavimento deverá ser executado entre as diversas opções
possíveis. Estes estudos convergem para diversas opções, que deverão ser
analisadas do ponto de vista econômico-técnico, chegando à seleção da estrutura
do pavimento.
FIGURA 2.4 – VISÃO GERAL DO PROCESSO DE SELEÇÃO DA TIPOLOGIA DE
PAVIMENTO
FONTE: SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora PINI, 1997.
Este fluxograma permite uma visualização de todas as etapas e informações
necessárias para se obter à solução definitiva do pavimento, bem como o feed-back
das diversas atividades realizadas posteriores a sua construção. Na etapa do estudo
das alternativas, deve-se levar em consideração a disponibilidade da tecnologia
disponível junto às empresas construtoras e profissionais na região. No contexto de
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
18
canteiros de obra para pavimentos de concreto, ele se enquadra na análise do
projeto, na construção e nas diversas etapas de reabilitação do pavimento.
2.5
HISTÓRICO DO PAVIMENTO DE CONCRETO
Na seqüência, será descrito um breve histórico do pavimento de concreto em
diversos países do mundo, incluindo o Brasil, e a situação de seu desenvolvimento.
2.5.1 Visão Internacional
O pavimento de concreto apareceu primeiramente nos Estados Unidos, em
1893, de acordo com a ACPA (2002) quando o químico George Bartholomew
desafiou a prefeitura da cidade de Bellefontaine, no Estado de Ohio, a pavimentar a
rua em frente a sua farmácia. Propôs pavimentar a rua com recursos próprios
utilizando um produto durável e, se a mesma suportasse o tráfego por mais de cinco
anos, a prefeitura deveria ressarcir os custos envolvidos. Deste desafio, surgiu o
primeiro pavimento de concreto que se tem notícias no mundo. Esta rua, está até
hoje em uso, agora como calçada para pedestres, completando 109 anos de vida
útil.
No website da NCACPA (2002),
encontra-se o histórico dos primeiros
pavimentos de concreto executados nos Estados Unidos, e relacionam-se abaixo
algumas rodovias construídas nesta época:
1893 - Court Avenue – Bellefontaine, OH
1909 - Wayne Country – “First mile”
1910 - Grand Forks, ND
1913 - Pine Bluff, AK – 24 mile long – First Highway
1920 - Marcopa County, AZ – 255 km
1930 - Pennsylvania Turnpike
As agências de transporte dos Estados Unidos continuam a utilizar
pavimentos de concreto em diversos locais até os dias de hoje. HALL (1999, p. 210)
cita que nas Rodovias Federais dos EUA o uso de concreto é de 7%, sendo que os
pavimentos compostos de concreto com asfalto chegam a 15%. Nas Rodovias
Interestaduais, o uso chega a 30% e nos perímetros urbanos, 38% das vias são em
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
19
concreto. Cita também, que nas grandes cidades, como New York, Chicago, Dallas e
Los Angeles, em função do alto tráfego de caminhões, as rodovias interestaduais
que cruzam estas cidades são construídas e reconstruídas em concreto, por decisão
dos Estados. Os outros locais de uso são aeroportos e portos que recebem cargas
pesadas e as vias arteriais das grandes cidades.
A técnica de pavimento de concreto, executada primeiramente nos Estados
Unidos, não demorou a se alastrar no mundo. Logo as primeiras experiências
surgiram na Europa e em alguns países, sendo que sua adoção tem se mantido
crescente.
O Report on the 1992 U.S.Tour of European Concrete Highways, relatório
resultante de uma missão técnica à Europa de engenheiros de diversas associações
e órgãos americanos, relata o histórico dos principais países da Europa que
desenvolveram e aplicaram tecnologia de pavimentos de concreto (DARTER et al,
1992):
•
Alemanha: datam da década de 20 os primeiros pavimentos de concreto,
principalmente executados nas autobans (ou rodovias federais) e
aeroportos. Também nesta época algumas paradas de ônibus foram
construídas em concreto na cidade de Berlim. Apesar da Segunda Grande
Guerra Mundial, muitos pavimentos de concreto executados nas décadas
de 20 e 30 ainda estão em uso até hoje naquele país. Cerca de 30% das
autobans são construídas em concreto, correspondendo em 1992 a 4.200
km. Os principais aeroportos da Alemanha têm suas pistas de pouso e
pátios de estacionamento em concreto;
•
França: os primeiros pavimentos são datados de 1939 e até 1960 poucas
rodovias foram executadas. A partir da década de 60, com adaptação dos
processos de projeto e dimensionamento americano, aconteceu um
incremento de construção de pavimentos de concreto. Em 1992, mais de
900 km de rodovias principais eram em concreto, representando 15%
destas rodovias na França. Em rodovias secundárias e aeroportos
também são utilizados pavimentos de concreto.
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
20
Holanda: iniciou a execução de pavimentos de concreto na década de 50.
Foram construídos em rodovias principais, secundárias e aeroportos.
Diferentemente dos outros países, muitas ciclovias são executadas em
concreto, já que as bicicletas são usadas em grande quantidade na
Holanda;
•
Bélgica: a primeira experiência em concreto aconteceu em 1925, ao sul de
Bruxelas, e este trecho estava em operação na data da visita da missão
de DARTER et al. (1992). Aproximadamente 40% das rodovias principais
são em concreto;
•
Áustria: começou a executar pavimentos de concreto nos anos 40. Ainda
existem pavimentos desta época em uso no país. A estatística de uso
desta tecnologia, em 1992, era de 46% das rodovias principais;
•
Suíça: tem tradição de construção de pavimentos de concreto por mais de
70 anos, sendo que muitos estavam em operação em 1992. Utilizam em
rodovias principais e desenvolvem programas de aumento da qualidade
dos pavimentos de concreto;
•
Itália: executou pavimentos de concreto no período de 1950 a 1975.
Desde então poucas rodovias estão sendo construídas com concreto,
somente em alguns casos como estrutura de base para pavimento
asfáltico.
Na Espanha, segundo JOFRÉ e FERNÁNDEZ (1999, p. 302-303), os
primeiros pavimentos de concreto datam de 1915, mas até a década de 60, poucas
obras foram realizadas. Nos anos de 1960 a 1965, iniciou-se na Espanha a
construção de alguns trechos de rodovias com técnicas modernas. A partir de 1970,
foram introduzidos os equipamentos de alta produtividade, principalmente as
pavimentadoras de forma deslizantes, para construção de grandes rodovias,
aeroportos e pátios industriais.
Em 1985, Portugal iniciou uma grande mudança do perfil das suas rodovias,
introduzindo diversas técnicas de pavimentação, entre elas a de pavimento de
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
21
concreto continuamente armado. De acordo com PINELO (1999, p. 131), esta
escolha permitiu aumentar a capacidade de carga dos pavimentos, reduzir as
intervenções de conservação e incentivou estudos de investigação e de
desenvolvimento de pavimentos.
Na América do Sul e Central, apesar de muitos países realizarem pavimentos
de concreto em períodos diversos, não se conseguiu, salvo raras exceções, manter
um nível de desenvolvimento sustentado desta tecnologia, por motivos de ordem
técnica, financeira e política. Somente na metade da década de 90, com a abertura
dos mercados mundiais, e principalmente com a estabilidade política de alguns
países latinos, a técnica retornou a ser avaliada e usada pelos engenheiros
rodoviários.
O México iniciou em 1993 um programa de âmbito nacional para recuperação
e implantação de rodovias. Este programa adotou o pavimento de concreto em
várias das rodovias construídas, utilizando equipamentos de alta produtividade.
Segundo ARGUELLO (1998, p. 295), foram executados nos cinco anos seguintes
mais de 2.500 km de rodovias em concreto no México.
Na Bolívia, segundo SANTIAGO e ESPINOZA (1999, p. 325), o pavimento de
concreto foi desenvolvido primeiramente nos aeroportos, sendo o primeiro
construído em 1965. A primeira rodovia em concreto foi construída em 1978,
estando em uso até hoje. Poucas vias foram pavimentadas em concreto desde
então.
Em El Salvador, segundo GONZÁLEZ (1999), o início da construção ocorreu
nos anos 30 e 40, em vias urbanas do interior do país. Em 1971, foi construída a
primeira rodovia em concreto num trecho de 12 km. A partir de 1998, reiniciaram os
estudos para construção de vias em concreto, com projetos totalizando 220 km em
vias urbanas e rurais.
No Chile, segundo MUÑOZ (1999, p. 55), das rodovias pavimentadas, 21%
são em concreto, representando até o momento o maior percentual de uso desta
tecnologia na América do Sul.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
22
2.5.2 Visão Nacional
Na América do Sul o Brasil foi um dos pioneiros a construir pavimentos de
concreto. Diversas ruas da cidade de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul já
recebiam este tipo de pavimento, em 1925. Outras obras de destaque neste período
inicial de adoção do pavimento de concreto no país são:
•
1926: a estrada do Caminho do Mar, em SP;
•
1929: a estrada de Itaipava, RJ;
•
1935: o trecho Sucupira – Vila Militar Floriano Peixoto, na Rodovia
chamada hoje de BR 101, e a estrada de Belém, em Recife, ambas no
Estado de Pernambuco.
VIEIRA FILHO (1993, p. 6), na sua dissertação de mestrado, descreve o
desenvolvimento do pavimento de concreto no Estado de Pernambuco, que chegou
a ter nos anos 70, 34% da malha rodoviária em concreto. PALAZZO e LEITE (1998,
p.91) citam que os Estados do Rio Grande do Sul e de Pernambuco construíram
diversos pavimentos de concreto em ruas, avenidas e estradas, tendo algumas mais
de 50 anos de uso.
De acordo com a ABCP (2002), as obras de maior destaque em pavimentos
de concreto executados no Brasil nas últimas décadas são as listadas a seguir:
•
anos 40: aeroportos Guararapes (PE), Zumbi dos Palmares (AL), Pinto
Martins (CE) e Augusto Severo (RN), aeroportos Santos Dumont (RJ) e
Congonhas (SP), avenida Edson Passos (RJ), rodovias Anchieta e
Anhanguera (SP);
•
anos 50: vias urbanas no Rio de Janeiro (RJ), rodovias em PE e PB;
•
anos 60: rodovia Rio – Petrópolis (RJ), rodovia Rio – Teresópolis (RJ),
rodovia Itaipava – Teresópolis (RJ), vias urbanas em Porto Alegre (RS);
•
anos 70: interligação Anchieta – Imigrantes (SP), rodovia dos Imigrantes
(SP), rodovia Sapucaia – Gravataí (RS), aeroporto do Galeão (RJ);
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
23
anos 80: rodovia Serra do Rio do Rastro (SC), rodovia Pedro Taques (SP),
anel viário de Belo Horizonte (MG), aeroportos de Cumbica (SP) e Confins
(MG);
•
anos 90: nesta década, iniciou-se a expansão dos pavimentos de concreto
no Brasil, como por exemplo, avenida Assis Brasil (RS), rodovia Contorno
Sul de Curitiba (PR), marginais da rodovia Presidente Dutra (SP), rodovia
BR-290 (RS), Rodoanel de São Paulo (SP), rodovia MT -130 (MS), rodovia
BR 232 – Recife-Caruaru (PE), pista descendente da rodovia dos
Imigrantes (SP), entre outras.
Estas obras foram importantes para o início do domínio desta tecnologia, mas
a estatística de utilização dos diversos tipos de pavimentos no Brasil ainda é
favorável ao pavimento asfáltico. Segundo dados do GEIPOT (2000), o Brasil tinha
no ano de 2000, 1.724.929 km de rodovias, sendo apenas 164.988 km de rodovias
pavimentadas. Desta extensão, a ABCP (2002) cita, posteriormente, que 2% são
pavimentados em concreto, com utilização em rodovias federais, vias urbanas,
portos e aeroportos.
De acordo com MEYER (1999, p. 260) a Associação Brasileira de Cimento
Portland – ABCP tem adquirido equipamentos modernos de pavimentação para uso
no Brasil com o intuito de desenvolver o conhecimento técnico, preparar
profissionais para a execução do pavimento, diminuir o custo dos serviços e
principalmente disponibilizar mais uma opção de pavimento ao setor. Estes
equipamentos são centrais de concreto de grande capacidade de produção e
pavimentadoras de formas deslizantes (slipform). O Figura 2.5 mostra a evolução
das pavimentadoras no Brasil:
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
24
FIGURA 2.5 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PAVIMENTADORAS NO BRASIL
Pavimentadoras
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A ntes
de 1996
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
Ano
FONTE: ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Pavimento de Concreto Vantagens. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/cont_pavi2.htm> Acesso em: 05
ago. 2002.
Os equipamentos presentes no país têm se beneficiado da introdução cada
vez maior de sistemas de computação e automatismos. Um outro ponto a considerar
é a qualidade do produto final que está se obtendo com a utilização das
pavimentadoras de formas deslizantes, em função dos sensores existentes nas suas
laterais que controlam a espessura e alinhamento do concreto.
Os avanços ocorridos na tecnologia do concreto, nos aditivos, métodos de
projeto e desenhos, normas de controle de qualidade, entre outros, também estão
contribuindo para avanços significantes no desenvolvimento do pavimento de
concreto no país.
2.6
DISCUSSÃO
No desenvolvimento deste capítulo identificou-se a carência de estudos que
comparem os pavimentos asfálticos e de concreto segundo as óticas de projeto,
construção, operação, manutenção e uso. Esta situação contribui para a geração de
literatura sem cunho técnico-científico adequado, visto que há falta de dados e fatos
que subsidiem argumentações robustas e válidas sobre o tema.
Associado à falta de literatura comparativa entre tecnologias de pavimentos,
encontra-se também a enorme carência da disseminação de modelos de decisão
parametrizados para a seleção da tecnologia de pavimentação. Isto por si só
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
25
apresenta-se como um entrave para a maior disseminação da tecnologia de
pavimento de concreto no Brasil.
2.7
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
O pavimento, de uma maneira genérica, pode ser definido, como a
superestrutura de rodovias, aeroportos, ruas, pátios e outros, constituído de um
sistema de camadas de espessura finita, assentes sobre um semi-espaço
considerado teoricamente como infinito, chamado de infra-estrutura ou terreno de
fundação. Pavimento rígido é o pavimento cuja camada superior, absorvendo grande
parcela de esforços horizontais solicitantes, acaba por gerar pressões verticais
aliviadas e bem distribuídas sobre as camadas inferiores. Já o pavimento flexível é
aquele no qual a absorção de esforços se dá de forma dividida entre várias
camadas, encontrando-se as tensões verticais em camadas inferiores concentradas
em região próxima da área de aplicação da carga. O texto do capítulo apresenta as
principais características destes pavimentos, incluindo-se aí suas vantagens e
desvantagens.
O foco desta dissertação é o pavimento de concreto, classificado como um
pavimento rígido. O pavimento de concreto apareceu primeiramente nos Estados
Unidos, em 1893, de acordo com a ACPA (2002). Na América do Sul o Brasil foi um
dos pioneiros países do mundo a construir pavimentos de concreto. Diversas ruas da
cidade de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul já em 1925 recebiam este tipo
de pavimento.
A aquisição de equipamentos modernos de pavimentação tem colaborado
para o crescimento do conhecimento técnico no Brasil, demandando profissionais
com maior competência técnica específica para a execução desta tipologia de
pavimento. Estes e outros fatores apontados no capítulo contribuem para justificar o
foco da presente pesquisa na tecnologia do pavimento de concreto.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
26
3 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO
DE CONCRETO
3.1
CONTEXTO
O Capítulo 2 apresentou as definições e conceituações das tecnologias de
pavimentação, dando ênfase particular ao pavimento de concreto. O presente
Capítulo apresenta o processo de construção de obras de pavimentação de
concreto, procurando demonstrar à luz da bibliografia nacional e internacional, os
processos, métodos, recursos humanos e equipamentos requeridos para a
adequada execução. Como o entendimento da dinâmica da tecnologia do pavimento
de concreto é fundamental para o adequado planejamento do seu canteiro, as
informações apresentadas no presente Capítulo são relevantes para o Capítulo 4
subseqüente, onde é apresentada a revisão bibliográfica dos processos de
implantação de canteiros de obra de forma genérica.
3.2
ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DE PAVIMENTO DE CONCRETO
As normas e especificações técnicas mais difundidas e relevantes no setor
rodoviário e que regem os serviços para pavimentação de concreto no Brasil são as
do antigo DNER - Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, hoje DNIT –
Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte, dos Departamentos
Estaduais de Transporte e da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A literatura sobre o pavimento de concreto apresenta a seguinte seqüência
lógica para as etapas de sua construção (BAPTISTA,
MATTOS e NETO, 198-, p. 205-213; PITTA, 1998):
1
•
Etapa 0 - instalação do canteiro1;
•
etapa 1 - preparo do subleito e reforço;
•
etapa 2 - execução da sub-base;
Esta etapa é descrita em detalhes no Capítulo 4.
1976, p. 219; FERRARI,
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
•
etapa 3 - execução da placa;
•
etapa 4 - texturização;
•
etapa 5 - processo de cura;
•
etapa 6 - execução das juntas, corte e selagem;
•
etapa 7 - sinalização da pista;
•
etapa 8 - abertura ao tráfego;
•
etapa 9 - desmobilização.
27
As descrições das etapas de execução seguirão uma estrutura padrão
iniciando pela definição genérica da etapa, materiais e equipamentos necessários,
recursos humanos, método executivo, aspectos de contorno. Não são descritos os
parâmetros de aceitação destas etapas por fugir do escopo desta dissertação.
3.2.1 Etapa 1 - Preparo do Subleito e Reforço
3.2.1.1 Definição
Formatado
O subleito é o terreno de fundação dos diversos tipos de pavimento. Apenas a
camada superficial do terreno é considerada como subleito, já que as pressões
exercidas com o aumento da profundidade são reduzidas a ponto de serem
consideradas desprezíveis (SENÇO, 1997, p. 15). Tanto a regularização, como o
reforço são constituintes da etapa de preparo do subleito, sendo a descrição de suas
características mescladas nas seções a seguir.
3.2.1.2 Materiais
Todos os diversos tipos de solos são possíveis de serem utilizados no
subleito para pavimentos de concreto, a não ser aqueles que tem alta
expansibilidade ou índice de suporte Califórnia igual ou inferior a 2%, blocos de
pedras, pedaços de madeira, raízes ou outros materiais em estado de putrefação.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
28
Estes deverão ser removidos em uma profundidade de até 60 cm, na fase de
regularização do subleito (PITTA, 1998, p. 23).
3.2.1.3 Equipamentos
Formatado
As especificações de serviços DNER-ES 299 (1997) e DAER-ES-P 01 (1991)
indicam a utilização dos seguintes tipos de equipamento para o preparo do subleito:
•
motoniveladora pesada com escarificador;
•
carro tanque distribuidor de água;
•
rolos compactadores estáticos, vibratórios e pneumáticos;
•
grade de disco;
•
pulvi-misturador;
•
equipamentos para escavação, carga e transporte de material;
•
trator agrícola.
3.2.1.4 Recursos humanos
A mão de obra necessária para execução dos serviços de preparo do subleito
é apresentada a seguir:
•
operador de motoniveladora;
•
motorista de caminhão tanque de água;
•
operadores de rolos compactadores;
•
operador de trator agrícola. Este mesmo operador pode operar o
equipamento pulvi-misturador e a grade disco;
•
ajudantes de equipamento (serventes).
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
29
3.2.1.5 Método executivo
Formatado
São consideradas operações de preparo da fundação, as correções da
camada superficial do subleito e os acertos do leito resultante das operações de
terraplenagem. Quando o solo natural não puder ser utilizado, deverão ser
substituídos por solo que atenda as especificações que lhes fixem a composição
granulométrica, os índices físicos, as condições de compactação e o valor mínimo
de suporte (PITTA, 1998, p. 23). Os solos deverão ser compactados em camadas
tais que, obtenham no mínimo, 95% da massa específica aparente máxima seca
alcançada na energia normal de compactação, de acordo com a NBR-7182 (1986).
As normas técnicas recomendam que toda a vegetação e material orgânico
existente no leito da rodovia seja removido. Após esta atividade, executar os cortes
e/ou aterros necessários para atingir as cotas de projeto (greide), com a
escarificação geral do material até uma profundidade de 0,20 m, seguida de
pulverização, umedecimento ou secagem, compactação e acabamento. Quando
porventura o leito for de rocha, deverá ser prevista a remoção do material até uma
profundidade de 0,30 m, com a substituição por material de camada drenante
apropriada (DNER-ES 299, 1997, DAER-ES-P 01, 1991).
3.2.1.6 Condição de contorno
A especificação de serviço DNER-ES 299 (1997) alerta para a necessidade
de se verificar os seguintes fatores previamente à execução do subleito:
•
exploração das ocorrências de materiais: atendimento às especificações
DNER-ES 281 (1997) e DNER-ISA 07 (1997) que se refere à instrução de
serviço ambiental na busca por jazidas e outras fontes de material;
•
execução: cuidados na disciplina dos fluxos de equipamentos da obra,
evitando que os mesmos transitem fora das áreas de trabalho,
preservando a vegetação e leitos naturais de rio. As áreas destinadas a
estacionamento dos equipamentos deverão estar localizadas em locais
que não permitam que resíduos de óleos e lubrificantes sejam carreados
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
30
para os cursos d’água. No caso da garagem ou oficina da obra, deve ser
prevista a instalação de coletor de óleo com caixa separadora.
3.2.2 Etapa 2 - Execução da Sub-Base
3.2.2.1 Definição
SENÇO (1997) cita que a camada de sub-base é executada anteriormente à
base e recomenda que a mesma seja de material melhor que o subleito. Nos
projetos modernos de pavimentos de concreto, o uso de sub-base estável, de
material não bombeável e homogêneo é uma necessidade para certas condições
críticas de solos de subleito (ex: presença no subleito de finos plásticos) (PITTA,
1998, p. 25).
A ABNT NBR-7583 (1986), assim como as especificações do DNER e do
DAER/RS, citam os diversos tipos e materiais que podem ser utilizados para a subbase de pavimentos de concreto, os quais enquadram-se nas seguintes
especificações:
•
sub-base granular;
•
sub-base de Concreto Compactado com Rolo – CCR (concreto rolado);
•
sub-base de Brita Graduada Tratada com Cimento – BGTC
•
sub-base estabilizada com cimento;
•
sub-base de solo-cimento;
•
sub-base de concreto pobre;
•
sub-base de solo-asfalto.
Como este trabalho foca soluções em concreto, a sub-base considerada para
efeito de análise será a de Concreto Compactado com Rolo - CCR (Concreto
Rolado), sendo objetivo deste estudo somente esta tipologia, seguindo as
especificações descritas nas seções seguintes.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
31
3.2.2.2 Materiais
Formatado
A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) apresenta os procedimentos
que deverão ser adotados na execução de pavimentos de concreto com sub-base
de concreto rolado, sendo as seguintes características necessárias para os materiais
utilizados.
3.2.2.2.1 Cimento Portland
Formatado
A especificação técnica do DNER-EM 036 (1995) define as exigências para o
cimento Portland que deve ser utilizado nos serviços de pavimentação de concreto.
Os tipos de cimento Portland mais usualmente utilizados em pavimentos de concreto
são, o cimento Portland comum (NBR-5732, 1991), o cimento Portland de alta
resistência inicial (NBR-5733, 1991), o cimento Portland de alto forno (NBR-5735,
1991) e o cimento Portland pozolânico (NBR-5736, 1991). A indústria brasileira de
cimento fornece todos os tipos de cimento necessários à execução de pavimentos
de concreto, e todos podem ser utilizados, devendo-se levar em conta as
peculiaridades individuais de cada um, relacionadas às resistências mecânicas, à
consistência, à exsudação, entre outras, e as características das obras (PITTA,
1998, p. 15-16).
As normas e especificações citam que o armazenamento do cimento a granel
ou em sacos, deverá atender as especificações técnicas usuais de controle da
qualidade, isto é, em locais sem umidade, sem agentes nocivos, com controle da
data de recebimento, entre outros.
3.2.2.2.2 Agregados
Os agregados miúdo e graúdo deverão atender as especificações técnicas
DNER-EM 037 (1997) e DNER-EM 038 (1997), bem como as exigências da norma
NBR-7211 (1983). A seguir, algumas características dos agregados:
•
agregado miúdo: pode ser proveniente de areia natural de quartzo, sendo
a mais apropriada, mas também pode ser utilizada areia artificial resultante
de rochas britadas e não alteradas. A dimensão máxima característica da
agregado miúdo é de 4,8mm, não sendo admitidos grãos menores do que
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
32
0,075mm (MEHTA; MONTEIRO, 1994, p. 240; PITTA, 1998; DNER-EM038, 1997);
•
agregado graúdo: pode ser proveniente de pedregulhos naturais (seixos
rolados) e do resultado de rochas não alteradas britadas. A dimensão
máxima do agregado graúdo para obras normais de concreto é de 50mm
(MEHTA; MONTEIRO, 1994, p. 240). No caso de concreto rolado, admitese com dimensão máxima 32mm. Um dos ensaios que caracterizam a
qualidade dos agregados graúdos é o ensaio de abrasão Los Angeles.
Recomenda-se que os valores resultados deste ensaio não ultrapassem
55% (PITTA, 1998; NBR-7583,1986). Já a especificação técnica do DNEREM 037 (1997) cita que este valor deve ser inferior a 50%.
3.2.2.2.3 Água
Formatado
Recomenda-se que a água deva ser isenta de teores prejudiciais de
substâncias estranhas, presumindo-se satisfatórias as águas potáveis e as que
tenham pH entre 5,0 e 8,0. As demais características deverão ser cumpridas de
acordo com a NBR-7583 (1986) e DNER-EM 034 (1997).
3.2.2.2.4 Material para cura
Formatado
A cura da superfície da sub-base deverá ser executada utilizando-se material
betuminoso, podendo ser emulsões asfálticas catiônicas de ruptura média (exemplo:
CM-30). PITTA (1998, p. 26) cita a utilização de lençóis plásticos e ou papel
betumado, como alternativas de materiais para cura.
3.2.2.2.5 Concreto
O concreto rolado deverá ser dosado em laboratório, com os materiais
disponíveis na obra. Deverá ser determinada a umidade ótima para a máxima massa
específica aparente seca da mistura, bem como a resistência à compressão exigida
na especificação técnica DNER-ES 322 (1997). As características típicas para o
concreto rolado são as seguintes:
Formatado
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
33
desempenho do concreto: deverá ter resistência característica à
compressão aos 7 dias de fck = 5,0MPa, determinada em corpos-de-prova
cilíndricos e rompidos segundo a NBR-5739 (1994);
•
consumo de cimento: de 80 kg/m3 a 120 kg/m3;
•
dimensão dos agregados: a dimensão máxima do agregado no concreto
rolado não deverá passar de 1/3 da espessura da sub-base ou 32mm,
obedecido o menor valor;
•
grau de Compactação (GC): levando em consideração a energia normal
ou intermediária definida na dosagem, e determinada pela NBR-7182
(1986), deverá ser maior ou igual a 100%.
3.2.2.3 Equipamentos
A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) indica a utilização dos
seguintes equipamentos para a execução da sub-base de concreto rolado:
•
central de mistura, do tipo betoneira ou centrais fixas (pugmill), para
dosagem, adição de água e homogeneização do material;
•
caminhão basculante ou dumpcrete;
•
equipamento mecânico para espalhamento do material, podendo ser do
tipo vibroacabadora, distribuidora de agregado ou motoniveladora;
•
rolos compressores autopropelidos dos tipos liso (vibratórios e estático) e
pneumático;
•
placa vibratória;
•
martelete pneumático para execução de eventual junta de construção;
•
pequenas ferramentas complementares como pás, enxadas, réguas, etc.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
34
3.2.2.4 Recursos humanos
Formatado
Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente
para esta etapa, tem-se que a equipe de mão-de-obra necessária para execução
dos serviços de sub-base compõe-se de:
•
operador de central de mistura;
•
motorista de caminhão basculante;
•
operadores de rolos compactadores;
•
operador de placa vibratória;
•
operador de motoniveladora ou outro equipamento mecânico;
•
ajudantes de equipamento;
•
pedreiros;
•
serventes.
3.2.2.5 Método executivo
A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) estabelece as seguintes fases
de execução para sub-base de concreto rolado: mistura, transporte, espalhamento,
compactação, cura e, finalmente, execução das juntas de construção, conforme
descrito a seguir:
•
mistura: o concreto deverá ser produzido em centrais de misturas, do tipo
betoneiras ou em centrais fixas (pugmill), os materiais medidos em peso,
exceto o cimento que deverá ser medido em peso;
•
transporte: o transporte deverá ser realizado por meio de caminhões
basculantes ou dumpcrete. É importante que não provoquem a
segregação do concreto, devendo o mesmo estar protegido por lona
evitando com isso a perda de umidade;
Formatado
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
35
espalhamento: o espalhamento poderá ser realizado manualmente ou
mecanicamente, sendo de preferência a utilização de vibroacabadoras,
distribuidores de agregados ou motoniveladoras, contanto que permita um
nivelamento e acabamento superficial condizente com a cota topográfica;
•
compactação: a compactação deverá ser feita com rolos autopropelidos
lisos (vibratórios e estáticos), e em alguns casos específicos, com placas
vibratórias. Deve-se tomar cuidado especial no tempo de mistura até o
término da compactação, para que o concreto não inicie a sua pega antes
de totalmente compactado;
•
cura: a superfície do concreto rolado deverá ser totalmente protegida após
a compactação, para não perder água, devendo ser utilizada pintura
betuminosa para tal função;
•
juntas de construção: no final de cada jornada de trabalho, deverão ser
executadas juntas de construção com face vertical e perpendicular ao eixo
da via, para facilitar a retomada dos serviços no dia seguinte.
3.2.2.6 Condição de contorno
A especificação técnica DNER-ES 322 (1997) determina os cuidados que
deverão ser observados durante as operações de execução do pavimento de
concreto, com ênfase a execução da sub-base de concreto rolado:
•
exploração dos materiais: as pedreiras deverão ter licença ambiental de
operação; a localização da pedreira, e das instalações industriais, não
poderão ser em área de preservação; planejar a exploração de modo a
minimizar os danos inevitáveis aos serviços, e proceder à recuperação
ambiental, após a retirada de todos os materiais e equipamentos; não
provocar queimadas durante o desmatamento; seguir as recomendações
da especificação DNER-ES 279 (1997) para as estradas de acesso.
Importante também é a construção de bacias de sedimentação para
retenção do pó de pedra, material este produzido pela britagem, evitando
o seu carreamento para os cursos d’água. Caso as britas sejam
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
36
produzidas por terceiros, exigir documentação atestando a regularidade
das instalações, tanto no aspecto legal como ambiental;
•
execução: disciplinar o tráfego e estacionamento dos equipamentos;
proibir tráfego fora do leito da estrada, evitando danos desnecessários ao
ambiente; e destinar áreas específicas para os serviços de manutenção e
lubrificação dos equipamentos, de forma que os resíduos produzidos não
atinjam os cursos d’água.
3.2.3 Etapa 3 - Execução da Placa
3.2.3.1 Definição
A execução da placa de concreto está intimamente ligada ao tipo de
equipamento que será utilizado para o espalhamento do concreto. Todas as outras
definições para a implantação dos canteiros de obra dependem desta especificação
(PITTA, 1998, p. 26). DALIMIER e LUCO (1998, p. 135) citam que a utilização de
equipamentos de alto rendimento (pavimentadoras de formas deslizantes e centrais
de concreto de grande capacidade de produção) é um recurso com grandes
benefícios técnicos e econômicos que merecem especial atenção durante o
processo de seleção de equipamentos (vide maiores explicações na seção 2.5.2Capítulo 2). Dentro deste enfoque, as especificações técnicas do DNER e as normas
técnicas da ABNT definem separadamente cada processo executivo, e as devidas
correlações com os tipos dos equipamentos.
Existem diversos tipos de pavimentos de concreto, tais como, pavimento
simples, pavimento simples com barras de transferência, pavimento continuamente
armado, pavimento estruturalmente armado, etc, (ABCP, 2002). Como medida de
simplificação, tendo como foco do trabalho os componentes de canteiro de obra,
somente será descrito o pavimento de concreto simples com barras de transferência,
por ser o mais usual nas obras brasileiras, seguindo as especificações descritas nas
seções seguintes.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
37
3.2.3.2 Materiais
Formatado
Os materiais necessários para a execução das placas de concreto estão
descritos a seguir. Tal descrição é feita tomando como referências principais às
especificações técnicas e normas NBR-7583 (1986), DNER-ES 324 (1997), DNERES 325 (1997), DNER-ES 326 (1997) e as considerações de PITTA (1998).
3.2.3.2.1 Concreto
Sendo o pavimento de concreto uma estrutura sujeita a ações mecânicas
(relacionadas às cargas cíclicas) e ambientais (relacionadas às variações de
temperatura e de umidade do ar) de alta severidade, exige elevadas resistências à
tração na flexão e à compressão simples. Também, o pavimento de concreto tem
proporção entre área e volume muito grande e características peculiares de
concretagem. Estas condições exigem um concreto de baixa plasticidade e com
uma mínima trabalhabilidade, função direta do tipo de equipamento a utilizar. Neste
contexto, PITTA (1998, p. 10) recomenda que a dosagem do concreto para
pavimentos seja sempre através de método experimental em laboratório,
considerando os aspectos básicos de:
•
alta resistência mecânica;
•
baixa relação água/cimento;
•
consumo mínimo de cimento;
•
limitação da dimensão máxima do agregado;
•
consistência seca do concreto;
•
trabalhabilidade.
Para estas características, as normas recomendam que o concreto do
pavimento deverá atender aos seguintes requisitos:
•
desempenho do concreto: atender as especificações de projeto quanto às
resistências à tração na flexão e à compressão simples. A resistência à
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
38
tração na flexão será determinada em corpos-de-prova prismáticos, de
acordo com as normas NBR-5738 (1994) e NBR-12142 (1991). A
resistência à compressão simples será determinada em corpos de prova
cilíndricos, de acordo com as normas NBR-5738 (1994) e NBR-5739
(1994);
•
consumo de cimento: mínimo de 320 kg/m3;
•
relação água/cimento: deverá ser menor ou igual a 0,55;
•
abatimento máximo: este deverá ser de acordo com a NM-67 (1996), mas
estará sujeito a especificação do equipamento de execução da placa. Nos
concreto com abatimento menor que 20mm a consistência deverá ser
determinada pelo equipamento Consistômetro VeBe, devido à imprecisão
do ensaio de abatimento do cone de Abrams para estes casos (DÍAZ,
1998, p. 85-90);
•
dimensão de agregados: a dimensão máxima do agregado não deverá
exceder entre 1/4 a 1/5 da espessura da placa ou 50mm, obedecendo ao
menor valor.
3.2.3.2.2 Cimento Portland
Formatado
Deverão atender as especificações descritas no item 3.2.2.2.1 – Materiais
para sub-base – cimento Portland.
3.2.3.2.3 Agregados
Formatado
Deverão atender as especificações descritas no item 3.2.2.2.2 – Materiais
para sub-base – agregados.
3.2.3.2.4 Água
Deverão atender as especificações descritas no item 3.2.2.2.3 – Materiais
para sub-base – água.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
39
3.2.3.2.5 Aditivos
Formatado
Os aditivos são de uso opcional, mas no concreto para pavimento, o uso de
plastificantes ou redutores de água e incorporadores de ar, poderão fazer parte das
especificações de projeto ou requerido pela obra devido às necessidades
operacionais. As especificações técnicas do DNER (ex: DNER-ES 326, 1997) citam
que a dosagem deverá ser a recomendada pelos fabricantes dos aditivos, sendo
função da temperatura ambiente e outros fatores intervenientes tais como tipo do
cimento e agregados. PITTA (1998, p. 20) apresenta uma série vantagens no uso de
aditivos, entre elas o aumento da resistência mecânica, melhora da trabalhabilidade,
diminuição do tempo de pega, etc.
3.2.3.2.6 Aço
Formatado
Os aços utilizados para as barras de transferência e barras de ligação,
deverão seguir as recomendações da NBR-7583 (1986) e as exigências da NBR7480 (1996), e terão as seguintes especificações:
•
barras de transferência: aço liso e reto do tipo CA-25;
•
barras de ligação: aço especial reto do tipo CA-50, admitindo-se o uso de
CA-25 de acordo com as características de cálculo do projeto.
Excepcionalmente, quando solicitado em projeto, são utilizadas telas
soldadas, as quais deverão atender a NBR-7481 (1990).
3.2.3.2.7 Material para cura
Os materiais usuais para cura de concreto de pavimentos, e que podem ter
emprego alternado, de acordo com as especificações do DNER ES- 324 (1997),
DNER ES- 325 (1997) e DNER ES- 326 (1997) são os seguintes: água, tecido de
juta, cânhamo ou algodão, lençol plástico, lençol de papel betumado ou alcatroado e
compostos químicos líquidos capazes de formar películas plásticas e, por último,
material arenoso permanentemente umedecido. PITTA (1998, p. 80) recomenda que
em situações críticas de insolação pode-se complementá-las com coberturas móveis
de lona.
Formatado
Giublin, C. R.
40
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
3.2.3.3 Equipamentos
Formatado
Esta seção trata sobre os equipamentos necessários para a execução das
placas de concreto, de acordo com a norma NBR-7583 (1986), e as especificações
DNER-ES 324 (1997), DNER-ES 325 (1997) e DNER-ES 326 (1997), primeiramente
separando
os
equipamentos
de
produção
de
concreto,
passando
pelos
equipamentos de transporte e espalhamento e concluindo com os equipamentos
auxiliares.
3.2.3.3.1 Equipamentos para confecção de concreto
Formatado
PITTA (1998, p. 39) cita que existe uma ampla faixa de equipamentos para
produção de concreto, desde pequenas betoneiras manuais
até centrais
automatizadas, variando a produção de 5m³ por hora, para as betoneiras pequenas,
até 70m³ por hora ou mais, para as centrais automatizadas. A seleção destes
equipamentos depende do equipamento de espalhamento e do cronograma da obra.
Existem três grupos principais para a confecção do concreto:
•
betoneiras manuais: são as misturadoras de concreto de 750 a 1000 litros.
A faixa de utilização deste equipamento está para uma produção média de
4m3 a 6m3 de concreto por hora2;
•
central dosadora: estas centrais necessitam de caminhões betoneiras para
realizar a mistura do concreto, e são alimentadas com carregadeira de
pneus. A faixa de utilização deste equipamento situa-se numa produção
de 30m3 até 50m3 de concreto por hora 3;
FOTO
2
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Grupo Menegotti – Brasil
(www.menegotti.ind.br), CIBI – Companhia Industrial Brasileira Impianti – Brasil (www.cibi.com.br),
Atlantica Maq – Indústria e Comércio de Máquinas – Brasil (www.atlanmaq.com.br) , CSM –
Componentes, Sistemas e Máquinas para Construção – Brasil (www.csm.ind.br) , Gutward do Brasil –
Brasil (www.gutward.com.br), Vibramaq – Brasil (www.vibramaq.com.br)
3
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Liebherr Mixing Technology – Alemanha/Brasil
- www.liebherr.com; Betonmac S. A. – Brasil/Argentina - www.betonmac.com; CIBI – Companhia
Industrial Brasileira Impianti – Brasil - www.cibi.com.br; Arcen – Arco Engenharia S. A. – Portugal www.arcen.pt; Johnson-Ross – EUA - www.johnson-ross.com; Schwing – Stetter – Alemanha/Brasil www.stetter.com; Simplex – Equipamentos e Sistemas – Brasil - www.simplex.ind.br
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
41
central dosadora e misturadora: são as centrais dosadoras com misturador
acoplado, e que dispensam o uso de caminhões betoneiras. Geralmente
são automatizadas e de alta produção. A faixa de utilização econômica
deste equipamento está para produção acima de 50m3 de concreto por
hora 4.
FIGURA 3.1 - CENTRAL DOSADORA E MISTURADORA ARCEN ARCMOV-80
FONTE: GIUBLIN, C. R. Arcmov-80. 2001. 1 fot.: color.; 10 x 15cm.
3.2.3.3.2 Equipamentos para transporte do concreto
A NBR-7583 (1986) cita que o transporte do concreto deve ser realizado em
caminhões do tipo dumpcrete, mas se o concreto tiver baixo abatimento (slump),
poderá ser utilizado caminhões basculantes comuns. Para tanto, neste último caso,
tem que se garantir que o concreto não sofrerá nenhum tipo de segregação (PITTA
1998, p. 45)5.
4
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Liebherr Mixing Technology – Alemanha/Brasil
- www.liebherr.com; Betonmac S. A. – Brasil/Argentina - www.betonmac.com; CIBI – Companhia
Industrial Brasileira Impianti – Brasil - www.cibi.com.br; Arcen – Arco Engenharia S. A. – Portugal www.arcen.pt; Johnson-Ross – EUA - www.johnson-ross.com; Schwing–Stetter – Alemanha/Brasil www.stetter.com; Simplex Equipamentos e Sistemas – Brasil - www.simplex.ind.br
5
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Facchini S.A. – Brasil - www.facchini.com.br;
Fatritol Máquinas Agrícolas – Brasil -www.fatritol.com.br; CIBI – Companhia Industrial Brasileira
Impianti – Brasil -www.cibi.com.br; Schwing–Stetter – Alemanha/Brasil - www.stetter.com; Liebherr
Mixing Technology – Alemanha/Brasil - www.liebherr.com.
Formatado
Giublin, C. R.
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42
3.2.3.3.3 Equipamento para espalhamento, adensamento e acabamento do concreto
No processo de execução das placas de concreto, o tipo do equipamento de
espalhamento utilizado define as características do concreto e dos equipamentos
complementares. É o principal equipamento e, por isto, todo o planejamento
executivo deverá estar baseado nas suas peculiaridades, tais como, produção
horária de concreto aplicado, largura de operação, capacitação requerida dos
recursos humanos, caminhões, equipamentos complementares, e outros. O concreto
deverá ter seu traço estudado para o equipamento escolhido, principalmente no
aspecto trabalhabilidade, pois decorre disto à qualidade final do pavimento.
Segundo as especificações técnicas do DNER, as normas da ABNT, e PITTA
(1998), conforme descrito anteriormente, podem-se classificar os equipamentos de
execução de pavimentos de concreto em três tipos diferentes, como descrito a
seguir:
•
equipamento de pequeno porte: os equipamentos de pequeno porte mais
usuais no Brasil são as réguas e treliças vibratórias. Basicamente o
processo de execução utiliza-se de: a) formas de contenção lateral para o
concreto, podendo ser metálica ou de madeira, ou ainda mista; b)
vibradores de imersão, usualmente de diâmetro maior que 50mm; c) régua
ou treliça vibratória, com motor a gasolina e de deslocamento manual; d)
régua acabadora de madeira. De acordo com PITTA (1998, p. 27), a
produção de concreto destes equipamentos varia em geral entre 300 e
400m2 por dia, equivalente a cerca de 50 a 55m3 diários de concreto. A
mão-de-obra requerida para a concretagem gira em torno de 20 homens
com funções diversas. É aplicável para pavimentos com até 22cm de
espessura de concreto. A largura recomendada da faixa é de, no máximo,
a largura equivalente a uma fileira de placas – 3,5m a 3,6m. As formas
serão as guias das réguas ou das treliças e deverão permitir o seu perfeito
rolamento. Na Espanha, GARCIA-TORNEL (1988, p. 29) cita que nas vias
de baixa intensidade de tráfego do país, é mais usual a utilização de
réguas vibratórias, existindo inúmeros modelos no mercado espanhol.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
43
Também FREGOSO (1992, p. 24) cita e recomenda o uso destes
equipamentos6 em ruas de baixo tráfego, no caso do México;
FIGURA 3. 2 - RÉGUA TRELIÇADA VIBRATÓRIA
FONTE: GIUBLIN, C. R. Régua Vibratória. 2001. 1 fot.: color.; 10 x 15cm.
•
equipamento sobre formas-trilho: é um equipamento de maior porte e
produtividade que o anterior. A especificação técnica DNER-ES 326
(1997) discrimina as seguintes unidades que compõe os vários subsistemas deste equipamento: a) formas-trilho metálicas, para contenção
do concreto fresco, as quais servem simultaneamente como guias para a
movimentação da unidade de adensamento, montada sobre rodas; b)
distribuidora de concreto, regulável e com tração própria, possuindo
vibradores de imersão, eixo rotor frontal, vibro-acabadora dotada de bitola
ajustável e, finalmente, régua alisadora ou acabadora. Esta última pode
ser do tipo diagonal ou não, tubular ou oscilante, e de bitola ajustável.
PITTA (1998, p. 30) cita que a produção de concreto deste conjunto é
normalmente superior a 40m3 por hora, o que pode resultar em produção
média diária de 2.000m2 ou mais. A mão-de-obra requerida para a
6
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Dynapac Committed to service and
performance – EUA/Brasil - www.dynapac.com; Multiquip Construction and Power Generation – EUA www.multiquip.com; Weber – EUA - www.concretescreed.com; Allen Engineering Corporation – EUA www.alleneng.com; Amida Industries Inc – EUA - www.amida.com; Crown Construction Equipment –
EUA - www.crownequip.com; Metal Forms Corporation – EUA - www.metalforms.com.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
44
operação do equipamento e concretagem é usualmente de 15 a 18
homens. No que se refere à largura de operação, depende do tipo do
equipamento7, variando de 3,5m a 7,5m ou mais. Esta largura geralmente
é ajustável à necessidade da obra;
FIGURA 3. 3 - PAVIMENTADORA DE FORMA-TRILHO BIDWELL-5000
FONTE: GIUBLIN, C. R. Bidwell - 5000. 2002. 1 fot.: color.; 10 x 15cm.
•
equipamento de formas deslizantes: a especificação técnica DNER-ES
324 (1997) discrimina as características dos equipamentos de formas
deslizantes, detalhando os acessórios disponíveis. PITTA (1998, p. 33)
argumenta que estas máquinas são de concepção complexa, com elevada
capacidade de produção, possuindo formas deslizantes. Reúnem em um
só equipamento a unidade de recepção, distribuição, regularização,
adensamento e a terminação superficial do concreto. Dispensa, assim, o
emprego de formas fixas, isto porquê, acopladas às laterais do
equipamento vibratório, dispõem de contenções metálicas para o concreto
em execução, que deslizam em sintonia com a máquina. A estrutura é
montada sobre chassi de esteira ou de rodas pneumáticas, havendo ainda
7
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Gomaco Corporation – EUA www.gomaco.com; Bidwell – EUA - www.bid-well.com; J.D. Concrete Screed – EUA www.jdscreed.com; Somero – Enterprises Inc – EUA - www.somero.com.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
45
um sistema de controle eletrônico de direção e nivelamento por “fio-guia”,
sistema este que garante a qualidade do pavimento acabado8.
Segundo as especificações técnicas do DNER, descritas no início deste item,
diversos equipamentos manuais deverão ser utilizados na execução das placas de
concreto, como exemplo, desempenadeiras de madeira, ponte de serviço, régua de
nivelamento, ferramentas com ponta de cinzel, etc. A NBR-7583 (1986) define os
apetrechos de acabamento que deverão estar nos canteiros de obra e alerta, mais
especificamente, para a necessidade de régua de 3,0m de comprimento para
controle do desempeno do pavimento.
FIGURA 3.4 - PAVIMENTADORA DE FORMAS DESLIZANTES WIRTGEN SP-500
FONTE: GIUBLIN, C. R. SP-500. 2000. 1 fot.: color.; 10 x 15cm.
3.2.3.4 Recursos humanos
Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente
para esta etapa, tem-se a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos
serviços da placa de concreto, independente do tipo de equipamento:
•
8
operador de pá carregadeira;
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Gomaco Corporation – EUA www.gomaco.com; CMI Corporation – EUA - www.cmicorp.com; Wirtgen Corporation – Alemanha www.wirtgen.de.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
•
motorista de caminhão betoneira ou basculante;
•
topógrafo ou nivelador;
•
pedreiros;
•
serventes.
46
No caso do equipamento de pequeno porte emprega-se, além dos acima
mencionados, “operador de central de concreto ou betoneira”, “operador da régua /
treliça vibratória”, “vibradorista” e “carpinteiros”. Da mesma forma, no caso de
equipamento de formas-trilho utiliza-se também: “operador de central de concreto
dosadora”,
“operador
do
equipamento
de
formas-trilho”,
“vibradorista”
e
“carpinteiros”. Finalmente, no caso do equipamento de formas deslizantes utiliza-se
de forma específica, “operador de central de concreto dosadora e misturadora” e
“operador do equipamento de formas deslizantes”.
3.2.3.5 Método executivo
Após a regularização do subleito e execução da sub-base, a fundação do
pavimento estará preparada para receber a etapa de execução das placas de
concreto. As especificações técnicas do DNER-ES 324 (1997), DNER-ES 325 (1997)
e DNER-ES 326 (1997), bem como a norma NBR-7583 (1986) e PITTA (1998)
resumem a seqüência de execução de concretagem das placas de concreto da
seguinte forma:
•
assentamento de formas e/ou trilhos e preparo para a concretagem;
•
fixação das barras de transferência e de ligação;
•
confecção e mistura do concreto;
•
transporte;
•
lançamento;
•
espalhamento;
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
•
adensamento;
•
acabamento;
•
controle de qualidade.
47
3.2.3.5.1 Assentamento de formas e/ou trilhos e preparo para a concretagem
Esta atividade será executada somente para os equipamentos de pequeno
porte e de formas-trilho. As formas e/ou trilhos deverão ser assentes de acordo com
o alinhamento indicado no projeto, uniformemente apoiadas sobre a fundação, e
fixadas através de pinos de aço à mesma. Segundo PITTA (1998, p. 35-37), obtémse pavimentos com qualidade, através do correto alinhamento topográfico das
formas, não sendo permitido ao longo de toda a seção transversal, espessura
inferior a de projeto. A NBR-7583 (1986) determina que antes da concretagem, as
formas deverão estar limpas e untadas com óleo, para facilitar a desmoldagem.
As especificações técnicas do DNER recomendam que as operações de
desmoldagem das formas só poderão ser feitas após 12 horas do acabamento ou
quando da certeza de estar o concreto em processo de cura. Inicia-se pela retirada
dos pinos ou cravos e, em seguida, retira-se a forma. É absolutamente vedada a
utilização de golpes, choques ou batidas com marreta ou outro instrumento parecido,
fato que poderia levar ao esborcinamento das juntas.
Para as obras que utilizam equipamentos de formas deslizantes, o serviço
preliminar é a implantação do sistema de referência, visto que as formas já estão
incorporadas no próprio equipamento. Este sistema é composto de hastes fixadas
nos dois lados da máquina, espaçadas de 5,0m em 5,0m, na qual é esticado um
cabo de aço que servirá de guia para os sensores colocados em quatro pontos do
equipamento (dois de cada lado). GARZA (1998, p. 6), reportando experiência em
obras de pavimentação no México utilizando este equipamento, considera a correta
aplicação deste sistema como um aspecto importante para garantir a elevada
qualidade durante a construção quando comparado com alternativas tecnológicas.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
48
3.2.3.5.2 Fixação das barras de transferência e de ligação
Formatado
VER – NESTE ITEM, DEVE SER EXPLICADO A COLOCAÇÀO DAS
BARRAS E NÀO EXPLICAR AS JUNTAS ???
Separar os diversos tipos de equipamentos.
Cuidados das aplicações.
Bibliografia.
3.2.3.5.3 Confecção e mistura do concreto
Formatado
O concreto poderá ser produzido por qualquer tipo de misturador de concreto
descrito anteriormente, devendo o planejamento definir qual o tipo que atenda ao
cronograma da obra e às características dos equipamentos de execução das placas.
As especificações técnicas do DNER especificam os erros máximos admitidos para
os diversos tipos de materiais, fator este importante na operação do equipamento
misturador. NBR-7583 (1986) recomenda a necessidade de ser regulada a produção
do concreto com o ritmo de aplicação do mesmo, garantindo continuidade no
serviço.
No caso específico de uso de equipamentos de formas deslizantes, é
recomendado o uso de central de concreto dosadora misturadora, em função da alta
produção de concreto por hora. Tal solução visa atender, também, a necessidade de
lançamento do concreto na frente do equipamento, permitindo uma produção
constante e com qualidade (PITTA, 1998).
3.2.3.5.4 Transporte
O transporte poderá ser realizado com qualquer tipo de caminhão descrito
anteriormente, sendo a sua seleção dependente das características da obra.
Normalmente utilizam-se caminhões betoneiras nos equipamentos de pequeno porte
e formas-trilho, e caminhões basculantes comuns ou dumpcrete nos equipamentos
de formas deslizantes. Em todos os casos, as especificações técnicas do DNER e a
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
49
norma NBR-7583 (1986) recomendam que se utilize equipamento de transporte que
evite a segregação dos materiais componentes da mistura.
3.2.3.5.5 Lançamento
Formatado
O lançamento do concreto, para equipamento de pequeno porte, será
preferencialmente, na lateral da faixa de concretagem para evitar o tráfego sobre a
sub-base. Para equipamentos de formas-trilho e de formas deslizantes, é
recomendado, segundo PITTA (1998, p. 46-47), o lançamento com o caminhão de ré
à frente da máquina. Neste caso, a especificação técnica DNER-ES 324 (1997)
condiciona que a sub-base tenha resistência suficiente para resistir ao tráfego sem
danificá-la.
3.2.3.5.6 Espalhamento
Formatado
O espalhamento do concreto, para equipamento de pequeno porte, deverá
ser realizado com ferramentas manuais ou, eventualmente, com o auxílio de
máquinas, de modo a garantir uma distribuição homogênea e atender a espessura
da placa. Para equipamento de formas-trilho, deverá ser utilizado o dispositivo
apropriado existente nos próprios equipamentos e, quando necessário, poderá ser
auxiliado com ferramentas manuais, evitando-se sempre a segregação do material.
Já para o equipamento de formas deslizante, não há necessidade de uso de
ferramentas ou máquinas adicionais, pois ele tem dispositivo de espalhamento na
sua frente, podendo ser uma rosca sem-fim ou uma pá mecânica.
De acordo com PITTA (1998, p. 48), independente do processo de
espalhamento, o concreto deve resultar em uma camada solta, contínua e
homogênea, de altura constante, e que após as operações de adensamento e
acabamento, a espessura seja a prevista no projeto, dentro das tolerâncias
admitidas. As operações de adensamento e acabamento são descritas nas seções
subseqüentes.
3.2.3.5.7 Adensamento
Independente do tipo de equipamento utilizado, o adensamento do concreto
deverá sempre ser realizado com vibradores de imersão que tenham dimensões e
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
50
freqüência condizente com a espessura da placa. PITTA (1998, p. 48) cita a
necessidade de atingir o grau de densidade ou compactação adequado, sendo o
mais elevado possível. As especificações técnicas do DNER recomendam a
utilização de vibradores adicionais, quando se aplica concreto com equipamento de
pequeno porte e formas-trilho. Já para equipamento de formas deslizantes, uma
bateria de vibradores de alta freqüência incorporado à máquina garante a vibração
adequada ao concreto. A NBR-7583 (1986) preconiza a necessidade de vibração
adicional nas laterais das formas e próximos as juntas, quando em equipamentos de
pequeno porte e formas-trilho.
Nesta fase, geralmente o concreto se posiciona o mais próximo possível do
seu formato final e para tanto, os equipamentos devem estar perfeitamente
nivelados. Esta regularidade pode ser verificada utilizando-se uma régua de 3,0 m
de comprimento, conforme definem as especificações DNER-ES 325 (1997) e
DNER-ES 326 (1997).
3.2.3.5.8 Acabamento
Formatado
De acordo com as especificações do DNER, a operação de acabamento,
utilizando-se equipamento de pequeno porte, será processada após o adensamento,
pela régua vibratória, em deslocamentos longitudinais. Nesta fase todas as
depressões existentes deverão ser corrigidas, e se necessário, a régua vibratória
deverá ser passada mais de uma vez. PITTA (1998, p. 55) cita que o equipamento
de formas deslizantes executa esta operação quando desliza sobre o concreto, em
uma operação conjunta com o espalhamento e adensamento. Para a especificação
DNER-ES 324 (1997) a alimentação contínua de concreto no equipamento de
formas deslizantes deverá manter a superfície homogênea no final da operação.
3.2.3.5.9 Controle de qualidade
Segundo PITTA (1998), todas as etapas de execução deverão ser
controladas, para garantir a qualidade definida no projeto e nas especificações
técnicas. Dentre elas, cita que cuidados adicionais deverão ser tomados nos
controles das resistências à tração na flexão e na compressão simples dos corposde-prova e da espessura do concreto. As normas NBR 7680 (1983), NBR 12142
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
51
(1991), NBR 5738 (1994), NBR 5739 (1994), descrevem em detalhes as
características deste controle de qualidade.
3.2.3.6 Condição de contorno
Formatado
As condições de contorno para esta etapa são semelhantes as do item
3.2.2.6, que trata da etapa de execução de sub-base.
3.2.4 Etapa 4 - Texturização
3.2.4.1 Definição
Formatado
PITTA (1998, p. 56) cita como última fase da execução de um pavimento de
concreto, a operação de texturização da superfície. A superfície do pavimento
acabada deverá ser plana e desempenada, mas sem contudo ser lisa. Esta
operação visa deixar o pavimento com uma rugosidade superficial suficiente para
garantir a segurança do tráfego de veículos através do atrito com os pneus. Procurase, também, através da texturização prover a superfície com micro canais
(microdrenagem) evitando-se o fenômeno da aquaplanagem.
3.2.4.2 Materiais
Formatado
Esta atividade não utiliza materiais, somente serviços que são realizados na
operação de texturização de um pavimento.
3.2.4.3 Equipamentos
Quando se executa pavimentos com equipamento de pequeno porte e
formas-trilho, normalmente segundo PITTA (1998, p. 59), utilizam-se vassouras de
piaçava como ferramenta de texturização da superfície acabada. Isto é viável pela
baixa produção de concreto e pela largura da faixa, que nestes casos geralmente é
pequena e permite um vassouramento constante da superfície.
De acordo com PITTA (1998), quando se executa pavimentos com
equipamento de formas deslizantes, é recomendada a utilização de texturizadora
mecânica. É um equipamento dotado de tração própria, podendo ser de pneus ou
esteira, que pode executar a texturização e a aplicação do produto de cura
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
52
simultaneamente. Segundo DALIMIER e LUCO (1998, p. 152-153) estes
equipamentos podem garantir uma boa qualidade da superfície das placas de
concreto e são usados logo a seguir das pavimentadoras de formas deslizantes9.
FIGURA 3. 5 - TEXTURIZADORA WIRTGEN TCM-1600
Formatado
FONTE: GIUBLIN, C. R. Wirtgen TCM-1600. 1998. 1 fot.: color.; 10 x 15cm.
3.2.4.4 Recursos humanos
Formatado
Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente
para esta etapa tem-se a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos
serviços de texturização inclui o operador da texturizadora ou um servente no caso
de equipamentos de pequeno porte.
3.2.4.5 Método executivo
Normalmente os projetos prevêem a execução de uma superfície que tenha
um mínimo de rugosidade, permitindo uma melhor aderência entre a superfície e os
pneus dos veículos. Esta rugosidade poderá ser feita utilizando-se texturizadora
mecânica, ou vassouras que podem ser de piaçava, ou algum tipo de cerdas. A
espessura e o formato da rugosidade deverá ser especificado em projeto. As
9
Relação dos fabricantes consultados em 20/06/2002: Gomaco Corporation – EUA www.gomaco.com; CMI Corporation – EUA - www.cmicorp.com; Wirtgen Corporation – Alemanha www.wirtgen.de; Bidwell – EUA - www.bid-well.com.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
53
especificações do DNER recomendam que a operação de texturização inicie tão
logo possível, após o término do acabamento da superfície.
3.2.4.6 Condição de contorno
Formatado
PITTA (1998, p. 54) cita que se deve iniciar o acabamento final e a
texturização assim que desaparecer o brilho superficial e antes que ocorra o início
de pega do concreto.
3.2.5 Etapa 5 - Processo de Cura
3.2.5.1 Definição
Formatado
Outra operação fundamental dentro da etapa de execução do pavimento é a
cura do concreto. As principais funções da cura em um concreto são as seguintes
(PITTA, 1998, p. 76):
•
impedir a evaporação rápida da água de amassamento do concreto;
•
manter a temperatura do concreto próxima da temperatura ambiente;
•
manter a temperatura razoavelmente uniforme ao longo da espessura da
placa de concreto.
3.2.5.2 Materiais
Formatado
Os materiais para cura de concreto já foram detalhados no item 3.2.3.2.7 –
Material para cura
3.2.5.3 Equipamentos
Na execução de placas com equipamento de pequeno porte ou com formastrilho, recomenda-se a utilização de um aplicador de produto de cura, igual aos
usados em pulverização na agricultura. De acordo com PITTA (1998), quando se
executa pavimentos com equipamento de formas deslizantes, é recomendada a
utilização de máquinas que texturizam e aplicam os produtos químicos de cura,
sendo estas operações não simultâneas (vide item 3.2.4.3 – Equipamentos).
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
54
3.2.5.4 Recursos humanos
Formatado
Seguindo a relação dos equipamentos e operações descritas anteriormente
para esta etapa tem-se a equipe de mão-de-obra necessária para execução dos
serviços de cura do concreto como sendo composta de operador do equipamento de
texturização e cura ou servente aplicação utilizando equipamento pulverizador costal
(semelhante ao equipamento portátil para pulverização de agrotóxicos na
agricultura).
3.2.5.5 Método executivo
Formatado
As especificações técnicas do DNER e NBR-7583 (1986) definem o período
total de cura em 28 dias, compreendidos em dois períodos: a cura inicial de 72 horas
após o acabamento final da superfície e a cura final, que vai das 72 horas até os 28
dias, e estão descritas a seguir:
•
cura inicial: a cura inicial deverá ser iniciada imediatamente após o
acabamento final da superfície, isto é, após a operação de texturização.
Ela se estenderá por 72 horas e poderá ser efetuada com qualquer um
dos materiais descritos anteriormente (item 3.2.3.2.7), ou combinação
apropriada destes, desde que se garanta uma proteção adequada à
superfície do concreto.
Deve-se tomar cuidado com as faces laterais
expostas das placas, quando da retirada das formas ou quando da
passagem da pavimentadora de formas deslizantes. Na pavimentação
utilizando equipamentos de formas deslizantes, é mais usual a utilização
somente de produtos químicos, geralmente com pigmentos de cor branca,
a base de PVA ou polipropileno (PITTA, 1998);
•
cura final: após o período inicial de 72 horas, deve-se manter o mesmo
procedimento até o final da cura. Quando se utiliza água, deve-se manter
a superfície permanentemente úmida. Com os produtos químicos, que
formam uma película plástica, normalmente não necessitam de nenhum
outro cuidado adicional.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
55
3.2.5.6 Condição de contorno
Formatado
Para esta atividade, é necessário que exista uma proteção contra o acesso de
veículos, pessoas e animais, em toda a extensão do trecho executado, já que nas
primeiras horas o concreto estará fresco, e passível de deformações plásticas.
3.2.6 Etapa 6 - Execução das Juntas - Corte e Selagem
3.2.6.1 Definição
PITTA (1998, p. 61) classifica as juntas conforme a posição (transversais e
longitudinais) e conforme a função (de retração, de construção, de articulação e de
expansão), o que têm implicações diretas no método executivo conforme descrito a
seguir:
•
juntas transversais de retração: a NBR-7583 (1986) determina que as
juntas transversais devem ser retilíneas em toda a sua extensão e em toda
a sua largura. Devem também, ser perpendicular ao eixo longitudinal do
pavimento, salvo, em algumas situações particulares e que deverão ser
definidas em projeto. A função principal é de combater o aparecimento de
fissuras devidas à retração volumétrica do concreto, em função da
retração hidráulica que ocorre durante a passagem do estado plástico
(concreto fresco) para o estado elástico (concreto endurecido) (PITTA,
1998, p. 61).
•
juntas longitudinais: podem ser divididas em dois tipos: de construção e de
seção enfraquecida, com ou sem barras de ligação. Normalmente a “junta
de construção” é a mais usual, porque geralmente executam-se larguras
que representam a metade da pista.
•
juntas de expansão: são juntas que controlam a movimentação
longitudinal por dilatação do concreto em épocas de temperaturas
elevadas, em locais e situações especiais, como no encontro do
pavimento com outras estruturas – por exemplo, pontes e viadutos.
(PITTA, 1989, p. 71);
Formatado
Giublin, C. R.
•
56
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
juntas de construção: dividem-se quanto à posição, em transversais e
longitudinais. As juntas longitudinais de construção confundem-se com as
juntas longitudinais já tratadas anteriormente. As juntas transversais de
construção são aquelas que encerram a jornada diária de trabalho, e
deverão ser executadas tão logo o equipamento de espalhamento deixe o
local da junta.
A adequada execução das juntas nos pavimentos de concreto é fundamental
para o desempenho futuro dos mesmos, visto que são estes os pontos mais
suscetíveis à ocorrência de patologias (PITTA, 1998, p. 61). As especificações do
DNER e a NBR-7583 (1986) citam que as juntas deverão estar de conformidade com
as posições do projeto, não admitindo desvios de alinhamento superiores a 5 mm.
3.2.6.2 Materiais
Formatado
O material utilizado como selante da junta poderá ser, quanto à natureza e ao
tipo de aplicação, moldado a frio, moldado a quente ou pré-moldado, de produção
industrial (PITTA, 1998; NBR-7583, 1986), conforme descrito a seguir:
•
selante
moldado
a
quente:
podem
ser
mástiques
elásticos
bi-
componentes, associações de um líquido viscoso (ex: asfaltos de baixa
penetração, emulsões, óleos não secativos) e um filler (cimento portland,
fibras de amianto, cal apagada, areia fina, ou equivalente);
•
selante moldado a frio: devem ser produtos industrializados mono ou no
máximo bicomponentes, e serão aplicados à temperatura ambiente. A sua
constituição básica será de resinas epoxílicas, polissulfetos, uretanos,
silicones ou polimercaptanos;
•
selante pré-moldado: devem ser preferencialmente de poliuretanos,
polietilenos, poliestirenos, cortiças ou borrachas sintéticas.
Os materiais de enchimento das juntas de dilatação poderão ser fibras
trabalhadas, cortiça, borracha esponjosa, poliestirenos e pinho sem nó devidamente
tratado (PITTA, 1998; NBR-7583, 1986).
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
57
3.2.6.3 Equipamentos
Formatado
De acordo com as especificações técnicas do DNER-ES 324 (1997), DNERES 325 (1997) e DNER-ES 326 (1997) são os seguintes os equipamentos
recomendados para os serviços de corte e selagem das juntas:
•
máquina de serrar juntas com disco diamantado com diâmetro e
espessura apropriada;
•
aplicador de selante;
•
compressor de ar.
3.2.6.4 Recursos humanos
Formatado
Seguindo a relação dos equipamentos descrita anteriormente para esta etapa
tem-se a seguinte equipe de mão-de-obra necessária para execução dos serviços de
corte e selagem de juntas:
•
operador da serra de disco;
•
operador do aplicador do selante;
•
operador do compressor de ar;
•
serventes.
3.2.6.5 Método executivo
As juntas transversais são executadas com o concreto em fase final da
pega, geralmente 8 horas após o acabamento da superfície, através de corte
utilizando serras de disco diamantado, com espessura e profundidade definida
em projeto. Este processo é o mais comumente utilizado, embora seja possível
também moldar as juntas com a inserção ou introdução temporária de um
perfil que tenha o formato da junta, tomando-se o cuidado de reparar as
irregularidades provenientes desta atividade (DNER-ES 325, 1997). As juntas
transversais de retração devem ser dotadas de um dispositivo de transferência
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
58
artificial de carga, com o objetivo de melhor o comportamento estrutural e a
durabilidade do pavimento. Para este dispositivo, são utilizadas barras de
transferência, conforme descritas no item 3.2.3.2.6 – aço.
No caso das juntas longitudinais, somente quando o equipamento de
espalhamento possibilitar a construção da pista inteira de uma só vez, é que
se poderá projetar a junta de seção enfraquecida (PITTA, 1998, p. 67). Quando
projetados, as juntas serão dotadas de barras de ligação, conforme item
3.2.3.2.6 – aço.
Segundo PITTA (1998, p. 72), as juntas de construção podem ser
planejadas ou de emergência. A junta planejada ocorre quando coincide com
uma junta transversal de retração definida em projeto. A junta de emergência é
quando por algum motivo extra – por exemplo, quebra de equipamentos,
acidentes pessoais, chuvas, etc – é obrigado a paralisar a concretagem em
local que não coincide com uma junta de retração (neste caso a junta fica
localizada no interior da placa e esta fica com dimensão menor que a de
projeto). Normalmente as juntas transversais de construção recebem as barras
de transferência, independente se planejada ou de emergência.
A última operação desta etapa é a “selagem das juntas”, a qual tem como
função principal à vedação quanto à penetração de água e ou de sólidos através da
junta (PITTA, 1998, p. 75). De acordo com as especificações do DNER 325 (1997) e
norma NBR-7583 (1986) o material de selagem só poderá ser aplicado após a
completa limpeza dos sulcos e estes não poderão estar úmidos. Esta limpeza pode
ser realizada através da utilização de compressores de ar.
Cuidados devem ser tomados quando o selante for de aplicação à quente,
para que a operação de aquecimento do produto seja controlada de modo a não
prejudicar as suas características elásticas (NBR-7583, 1986).
3.2.6.6 Condição de contorno
Independente do tipo do selante, todos devem ser aplicados com a
profundidade de penetração do material definida em projeto.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
59
3.2.7 Etapa 7 - Sinalização da Pista
A Lei número 9.503 de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, no
art. 88 prescreve: “Nenhuma via pavimentada poderá ser entregue após sua
construção, ou reaberta ao trânsito após realização de obras de manutenção,
enquanto não estiver devidamente sinalizada, vertical e horizontalmente, de forma a
garantir as condições adequadas de segurança na circulação”. Sendo atividade
imprescindível para liberação do tráfego, todas as vias pavimentadas com concreto
devem preliminarmente receber as sinalizações horizontal e vertical. Para a
sinalização horizontal, como exemplo, a especificação DNER-ES 339 (1997) define
como sendo um conjunto de símbolos, marcas e legendas aplicadas sobre o
revestimento de uma rodovia, em obediência a um projeto desenvolvido para
atender às condições de conforto e segurança do usuário. As demais sinalizações
são descritas pelas especificações do DNER e outros órgãos competentes.
3.2.8 Etapa 8 - Abertura ao Tráfego
A liberação ao tráfego de uma via de concreto, após a sua construção ou
reabilitação, é função do tempo necessário para a cura completa do concreto,
respeitando-se a última aplicação.
3.2.9 Etapa 9 - Desmobilização do Canteiro
Com a conclusão dos serviços de pavimentação, e pela característica de
mobilidade deste tipo de processo, o canteiro normalmente é desmobilizado logo
após a entrega da obra pelo construtor. Consiste na remoção de todas as estruturas
provisórias instaladas para execução da obra, limpeza da área utilizada e
eventualmente, recuperação ambiental da mesma.
3.3
DISCUSSÃO
Uma das dificuldades enfrentada pelo autor, foi a de que para os equipamentos
de espalhamento e adensamento do concreto, existem especificações técnicas do
DNER para os três tipos de equipamentos (pequeno porte, formas-trilho e formas
deslizantes). Atualmente, existe apenas uma norma da ABNT para equipamentos de
pequeno porte e de formas-trilho, não existindo norma específica para equipamentos
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
60
de formas deslizantes. Contudo, segundo informações obtidas junto à coordenadoria
da Comissão de Estudos CE – 18:303.03, que trata do tema: “Execução de
pavimentos de concreto com emprego de pavimentadoras de formas deslizantes”, já
existe um documento básico submetido aos participantes da Comissão, para análise
e comentários.
Outro ponto a considerar, é a falta de uniformização dos termos usuais para
pavimentação de concreto. Jargões usuais em pavimentação de concreto tais como
“CCR”, “concreto pobre”, “concreto rolado” são termos com significado semelhante
para um mesmo material. Esta variedade de jargões conduz a confusão entre
técnicos ingressando na área ou, até mesmo, em profissionais com experiência. Em
face desta situação percebeu-se a grande carência de um glossário unificado dos
termos usuais em pavimentação.
3.4
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
No processo de construção de obras de pavimentação de concreto, são as
normas e especificações do antigo DNER - Departamento Nacional de Estradas de
Rodagem, hoje DNIT – Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte, dos
Departamentos Estaduais de Transporte e da ABNT – Associação Brasileira de
Normas Técnicas, que definem as orientações construtivas destes serviços no
Brasil.
A literatura pesquisada sobre pavimento de concreto apresenta a seguinte
seqüência lógica para as etapas de sua construção: instalação do canteiro; preparo
do subleito; execução da sub-base; execução da placa; texturização; processo de
cura; execução das juntas, corte e selagem; sinalização da pista; abertura ao tráfego
e desmobilização.
As descrições de cada uma das etapas de execução seguem uma estrutura
padrão iniciando pela definição genérica da etapa, discriminação de todos os
materiais necessários para a execução dos serviços. Também foram relacionados
todos os equipamentos necessários em cada fase, com a descrição da mão-de-obra
diretamente relacionada às atividades produtivas. O método executivo foi detalhado
envolvendo os diversos recursos de materiais, equipamentos e mão-de-obra, e
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
61
finalmente, foram levantados os principais aspectos de contorno. Não foram
descritos os parâmetros de aceitação destas etapas por fugir do escopo desta
dissertação.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
62
4 IMPLANTAÇÃO DE CANTEIROS DE OBRA
4.1
CONTEXTO
O Capítulo 3 apresentou o processo de construção de pavimentos de
concreto, objeto de análise da pesquisa. O presente Capítulo trata da revisão
bibliográfica dos processos de implantação de canteiros de obra, com maior
influência da literatura de edificações, devido à escassa bibliografia sobre este tema
para os pavimentos de concreto. Neste Capítulo não serão discutidas as diferenças
e características particulares dos canteiros de obra de pavimentos em concreto,
ficando esta discussão para a fase de campo. O Capítulo 5 seguinte, apresenta o
método de pesquisa, iniciando pela caracterização do problema, explicação do
método de pesquisa propriamente dito, a estratégia de análise e os mecanismos
adotados para validação dos resultados.
4.2
INTRODUÇÃO
4.2.1 Aspectos Gerais
Sendo o canteiro de obra, o espaço para a transformação em realidade de
todo o trabalho de concepção de uma obra, ele acaba recebendo as influências de
todas as atividades que dizem respeito a um empreendimento. A despeito destas
influências e suas interfaces, é necessário adotar um critério de abordagem para o
planejamento do canteiro, visando a sua melhor implantação. A sistematicidade da
realização do planejamento do canteiro é fundamental para o adequado início da
execução do pavimento de concreto. A não adoção deste processo de planejamento
sistemático freqüentemente leva a improvisações, distâncias excessivas de
transporte, baixa qualidade de vida no ambiente de trabalho, retrabalho devido a
interrupções de fluxo, e assim por diante. Assim, é o adequado planejamento da
implantação do canteiro que irá definir, em muitos casos, o desempenho final da
obra.
Segundo MAIA (1995, p. 5), o planejamento de um canteiro de obra tem com
principal objetivo definir os espaços mínimos das instalações, sejam eles, escritórios,
almoxarifado, refeitórios, vestiários, banheiros e também o seu posicionamento
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
63
dentro do layout do canteiro, sempre respeitando as normas vigentes de segurança
no trabalho. De maneira semelhante, SAURIN (1997, p. 13) cita que o processo de
planejamento de um canteiro visa obter a melhor utilização do espaço físico
disponível, de forma a possibilitar que homens e equipamentos tenham um trabalho
eficiente e seguro, principalmente através da diminuição dos movimentos de
materiais, produtos e mão-de-obra. No caso específico de obras de pavimento de
concreto, cabe ao responsável pela obra, normalmente um profissional da área de
engenharia, planejar com rapidez, economia e qualidade um canteiro dinâmico e
organizado.
FRITSCHE et al. (1996) diz que o objetivo da preparação de um layout de
canteiro é dispor todos os materiais, equipamentos e instalações empregados na
construção de modo a não prejudicar o trânsito de pessoas, a circulação de
materiais, o acesso aos equipamentos de combate a incêndio, bem como as saídas
de emergência, sempre com o propósito de que todo o funcionamento e organização
do canteiro não sejam prejudicados.
SILVA e CARDOSO (1998) definem a importância da logística na organização
dos sistemas de produção de edifícios, destacando a gestão física da praça de
trabalho, isto é, da implantação do canteiro nos itens movimentação interna, zonas
de estocagem, zonas de pré-fabricação e atendimento aos requisitos de segurança.
A organização do canteiro e da produção tem sido uma das áreas nas quais
as empresas têm mais investido ao longo do desenvolvimento de programas de
qualidade e produtividade. A despeito das ineficiências identificadas nos canteiros, e
das origens deles, as empresas estão descobrindo um grande potencial de ganho na
implantação destas melhorias de qualidade aos canteiros (SCARDOELLI et al,
1994).
Um outro ponto a considerar é a realidade organizacional a qual as empresas
estão passando, que indiretamente afetam as características de organização dos
canteiros de obra. A administração tradicional das empresas e suas obras, está
passando por profunda modificação nos conceitos, buscando melhorias que
traduzam competitividade. Porém, SCARDOELLI et al. (1994) argumenta que é
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
64
geralmente nos momentos de crise que o ambiente se torna mais propício para
alavancar mudanças na cultura organizacional. Quando as empresas estão em
momentos de estabilidade, as mudanças são sempre mais difíceis de acontecer,
com forte resistência da organização. O paradigma cultural e seus elementos
simbólicos são tecidos, quando se está em um período de fortes mudanças. Este
processo, de criação conjunta, não tem um método universalmente aceito e deve ter
como ponto de partida os próprios valores da empresa.
4.2.2 Impacto do Planejamento do Canteiro na Competitividade
O aumento de competitividade no setor da construção civil é um dos fatores
para as empresas procurarem eliminar as deficiências na gestão dos processos
construtivos e na gerência dos recursos humanos. Esta visão é decorrente da
necessidade de melhorar cada vez mais a produtividade, implicando na busca de
canteiros mais organizados e racionais, proporcionando condições favoráveis a este
aumento (ELIAS et al, 1998).
Para COSTA (1994), é necessário que o canteiro de obra esteja organizado e
em ordem, a fim de que seja permitido realizar todos os trabalhos com eficácia e
economia. A organização é uma questão de bom senso e deve ser analisada
previamente, evitando-se improvisações durante a construção. A falta de
organização prévia e revisão contínua dos serviços, é a principal causa das
desordens e perdas dos canteiros de obra. BULHÕES et al. (1998, p. 304) cita como
exemplo de perdas decorrentes do planejamento deficiente do canteiro o transporte,
quando há duplo manuseio de materiais, em função do planejamento errado dos
locais dos estoques, a ocorrência de misturas de materiais inadvertidamente,
quando não se tem procedimento adequado de armazenamento dos mesmos.
Quando se planeja um canteiro de obra adequadamente, organiza-se o
processo e as operações atuantes sobre o mesmo e, assim, busca-se sempre a
utilização correta dos recursos de mão-de-obra, equipamentos e materiais de
construção, assegurando um desempenho adequado à obra.
Além de metodologias de gestão modernas que viabilizam este planejamento
em vários níveis, novas tecnologias têm viabilizado cada vez mais o acerto nas
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
65
decisões deste planejamento. SHAPIRA e RETIK (1999, p. 671), por exemplo,
propõem o uso de modelos baseados em computador para planejamento e
programação de todas as atividades de construção de um projeto. TOMMELEIN,
LEVITT e HAYES-ROTH (1992, p. 594) indicam como o uso de inteligência artificial
pode ajudar no modelo de layout de canteiro. TOMMELEIN e ZOUEIN (1993 p. 267)
citam o planejamento interativo e dinâmico de um canteiro. O fluxo das informações
necessárias para o bom andamento dos serviços de um canteiro é tratado por
SCOTT et al (1995, p. 336), que pesquisou a comunicação natural de um canteiro e
propôs um maior uso da simulação como instrumento de planejamento do canteiro.
4.2.3 Impacto do Planejamento do Canteiro sobre os Recursos Humanos
Um bom ambiente de trabalho no canteiro de obra é condição básica para alta
produtividade e qualidade dos recursos humanos nele envolvidos em todos os níveis
hierárquicos. A pesquisa efetuada na Inglaterra, por MUSTAPHA e NAOUM (1998),
obteve informações de 30 gerentes de canteiros sobre os fatores que influenciam a
eficácia dos mesmos nos canteiros, através da análise de algumas variáveis
independentes, tais como: variáveis pessoais, condições de trabalho, características
de projeto e variáveis organizacionais. Esta pesquisa foi realizada através de
entrevistas, questionários e observações diretas e, como resultado, a análise
estatística demonstrou que o gerenciamento mais efetivo está associado com
variáveis pessoais e condições de trabalho.
Associado também à questão de recursos humanos está a problemática da
segurança e higiene e sua relação com o planejamento do canteiro de obra.
SAURIN, LANTELME e FORMOSO (2000), no “Relatório de pesquisa para revisão
da NR-18 – condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção”,
citam o problema da falta de higiene e segurança do trabalho nos canteiros de obra
do Brasil, quando comparando com os países desenvolvidos. Segundo aquele
estudo, o problema da falta de higiene e segurança encontra-se num nível de
compreensão e conscientização bastante inferior. O mesmo estudo faz comparações
das recomendações propostas na bibliografia internacional sobre prevenção de
acidentes e doenças no trabalho, com a realidade da construção civil do Brasil, e
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
66
ressalta que nos países desenvolvidos a valorização dos recursos humanos tem
prioridade, sobre outros fatores, e é mais bem compreendida do que em nosso país.
Segurança no trabalho é um fenômeno complexo e o assunto de atitudes e
desempenho da segurança na indústria da construção têm sido objetos de
significativo volume de estudos. Pesquisa na Inglaterra, aonde morrem por ano 120
trabalhadores e, ainda, 3.000 sofrem algum tipo de lesão em acidentes de trabalho,
aponta para cinco tópicos que mais influenciam o desempenho da segurança na
Inglaterra: comunicação do gerente sobre segurança; fornecimento de livretos de
segurança; fornecimento de equipamentos de segurança; provimento de segurança
ao meio ambiente e nomeação de um representante treinado em segurança no
canteiro (SAWACHA, NAOUM e FONG, 1999, p. 314).
GAMBATESE e HINZE (1999, p. 643), em pesquisa realizada nos EUA,
discutem a segurança dos trabalhadores da construção na fase de projeto, e
enfatizam que o desconhecimento dos projetistas em segurança limita o seu
envolvimento nas definições necessárias para um canteiro seguro. Sugere que se dê
treinamento para os projetistas e, também, que os responsáveis pelas empresas de
projeto insistam e se preocupem mais com o tema.
4.3
ETAPAS DO PLANEJAMENTO DO CANTEIRO DE OBRA
4.3.1 Visão Geral
Para o adequado planejamento do canteiro de obra existe um grupo
preliminar de atividades que incluem: estudos dos projetos básicos da obra; análise
do cronograma físico; verificação dos materiais e componentes necessários e os
seus quantitativos; estudo das diversas opções de tecnologia; dimensionamento dos
equipamentos; estudo das normas técnicas; treinamento da mão-de-obra; estudo e
planejamento do layout do canteiro; estudos dos acessos; análise da interface da
obra com a comunidade local; e, finalmente, a interação com o meio ambiente
SOUZA e FRANCO (1997).
Um segundo grupo de atividades, os quais não fazem parte do escopo desta
dissertação, referem-se aos itens que tem impacto direto na organização do canteiro
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
67
e são decorrentes da execução da obra propriamente dita. Estes itens incluem os
estudos das perdas, controle de custos e cronograma, ações voltadas à redução de
acidentes, ações de QVT – Qualidade de Vida no Trabalho, entre outros.
A seguir são descritas as principais etapas que ocorrem durante o
planejamento do canteiro de obra.
4.3.2 Primeira Etapa: Levantamento de Informações
Nesta fase, são realizados os levantamentos de todos as quantidades dos
serviços da obra, isto é, são relacionados todos os materiais e seus respectivos
volumes. A atenção deverá ser redobrada aos itens mais importantes da obra, uma
vez que equívocos de quantificação de materiais trarão grandes prejuízos, de tempo
e custo, ao bom andamento do empreendimento. Erros nesta etapa têm impacto
direto na etapa de seleção dos equipamentos.
4.3.3 Segunda Etapa: Definição dos Equipamentos Principais
Nas obras de edificações, segundo SAURIN (1997, p. 99), o melhor modo de
se iniciar a definição do arranjo físico do canteiro é estabelecer a localização do
guincho, já que este tem um inter-relacionamento e uma conseqüente influencia
sobre todas as outras instalações do canteiro. De igual modo, nos serviços de
pavimentação de concreto, a definição do equipamento de espalhamento de
concreto (vide maiores informações sobre este equipamento - item 3.2.3.3.3) tem
influência direta nos demais equipamentos e componentes de canteiro de obra.
FERRARI, MATTOS e NETO (197-), citam que na obra de pavimentação de
concreto da Serra da Rodovia dos Imigrantes, um dos fatores que contribuíram para
os bons resultados obtidos na sua execução, foi a correta definição dos
equipamentos utilizados.
A definição do equipamento de espalhamento de concreto tem também
implicações diretas nas características dos recursos humanos a serem contratados
para a execução das atividades de produção. Assim, pode-se afirmar que erros na
definição deste equipamento principal podem acarretar em prejuízos e perdas
irrecuperáveis no desenvolvimento da obra.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
68
4.3.4 Terceira Etapa: Planejamento de Layout e Implantação
Para COSTA (1994, p. 19), (outros autores ??) existe uma grande
diferença entre a indústria da construção civil e os demais ramos industriais. Na
construção civil impera o caráter nômade, com grande mobilidade das ações.
Enquanto os meios de produção permanecem estáticos e os produtos são
movimentados na indústria de manufatura, na construção civil acontece o inverso. O
produto é estático e os meios de produção são movimentados ao redor do mesmo.
De posse das informações coletadas na primeira e segunda etapa, o
responsável pelo planejamento deverá iniciar o estudo do planejamento do layout do
canteiro de obra. SOUZA e FRANCO (1997, p. 12) citam que, na fase de definição
do layout do canteiro, a experiência e a criatividade dos planejadores são
fundamentais para se obter a melhor maneira possível de distribuição das áreas das
estruturas, compatibilizando-as com a disponibilidade do espaço de construção.
Outros aspectos também são considerados, tais como: segurança, custos,
otimização do uso dos equipamentos, etc. Contudo, os mesmos autores
argumentam que não existe solução única, e sim diferentes possibilidades que
podem ser melhores ou piores em função do contexto em que se inserem.
Segundo ELIAS et al. (1998), o objetivo do planejamento é obter a melhor
utilização do espaço disponível, locando ou arranjando operários, equipamentos e
materiais, para que sejam criadas condições propícias para a execução de
processos com eficiência. Este planejamento deve levar em consideração também o
fluxo seguro de pessoas que não atuam no canteiro de obra, tais como visitantes e
transeuntes (FRITSCHE et al., 1996).
Alguns dos princípios básicos que embasam a elaboração de um projeto de
layout ótimo incluem (ELIAS et al., 1998; FRITSCHE et al., 1996):
•
economia do movimento: eliminar ou, quando isto não for possível, reduzir
os deslocamentos de máquinas materiais e operários. Definir conforme a
estratégia de ataque à obra, o sistema de recebimento, transporte e
armazenamento dos materiais;
Giublin, C. R.
•
69
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
fluxo progressivo: direcionar o fluxo de produção sempre no sentido de
produzir o produto em pequenos lotes cumulativos, ou seja, entregando ao
cliente interno ou externo o produto o mais acabado possível;
•
flexibilidade: propiciar ao conjunto produtivo opções e facilidades de
mudanças posteriores à implantação do projeto de layout;
•
integração:
integrar
as
células
produtivas
no
sentido
do
inter-
relacionamento, tornando-as parte do mesmo organismo;
•
uso do espaço cúbico: conhecer as necessidades de espaço nos vários
planos e usar, caso necessário, superposições de planos de trabalho;
•
satisfação e segurança: implementar mecanismos que promovam a
motivação dos operários e, também, melhorar as condições de higiene e
segurança do trabalho;
•
adaptar o posto de trabalho ao homem e não vice-versa: este princípio
consiste basicamente na aplicação das teorias da ergonomia no ambiente
do canteiro de obra;
•
facilitar o gerenciamento visual do canteiro de obra: atividades de controle
não adicionam valor ao canteiro de obra. Sua eliminação é possível
através da implementação de soluções que incorporem o princípio da
transparência, tais como, controles visuais em estoques de materiais;
•
promover a imagem positiva da empresa: freqüentemente o canteiro de
obra é visto como um local a ser evitado por clientes e outros visitantes.
Contudo, segundo a visão mais moderna na verdade o canteiro de obra
deveria ser um foco das ações de promoção da imagem da tecnologia e
práticas de gestão do canteiro, melhorando assim a imagem da empresa.
4.3.5 Quarta Etapa: Revisão Sistemática
SOUZA e FRANCO (1997, p.10) citam que um canteiro de obra se modifica
no período da execução da obra, possuindo diferentes materiais, serviços,
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
70
equipamentos e mão-de-obra em suas diversas fases. Esta situação implica que o
planejamento do canteiro de obra deve ser uma atividade contínua a qual pode,
entretanto, ser subdividida de acordo com os pacotes de trabalho. Existem diferentes
critérios para se fazer tal subdivisão, e estas subdivisões podem ser mais ou menos
detalhadas em função do tempo que a obra dispõe para discutir o planejamento do
canteiro.
4.4
COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO
Para TOMMELEIN (1992) as instalações de canteiro são aquelas que
normalmente ficam implantadas no canteiro por um período de tempo determinado,
variando de uns poucos dias até meses ou anos, dependendo da duração de uma
atividade da construção. Invariavelmente, elas têm uma função principal no
desenvolvimento das obras: apoiar as atividades de construção. Deste modo, as
instalações de canteiro tem que ser planejadas para não interferir nas instalações
permanentes, apesar das restrições impostas por estas (SAURIN, 1997). Nas
seções seguintes é descrito em detalhes cada componente que faz parte do canteiro
de obra, conhecimento este que será base teórica para a formulação das diretrizes
para o planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto.
4.4.1 Elementos de Proteção
O elemento principal de proteção é o tapume, e a sua função é a de proteger
o canteiro de obra, bem como os transeuntes e curiosos. COSTA (1994, p. 19)
recomenda que todo o perímetro da obra seja fechado com tapumes, com padrão
definido pelo código de obras dos municípios. Para MAIA (1995, p. 10), o tapume
tem a função de proteger a obra de furtos e as pessoas que circulam nas
proximidades da obra contra determinados tipos de acidentes.
A NR 18 (2002) cita que “é obrigatória à colocação de tapumes ou barreiras
sempre que se executarem atividades da indústria da construção, de forma a impedir
o acesso de pessoas estranhas aos serviços”. Já SCARDOELLI et al. (1994)
considera que o tapume de proteção pode ser utilizado como mais um elemento de
divulgação do empreendimento. Na posição de melhor projeção do tapume nas ruas,
podem-se fixar placas com a contagem regressiva dos dias para a conclusão da
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
71
obra, entre outras possibilidades. Assim, o tapume passa a ser um instrumento de
marketing da empresa.
A despeito do tradicional fechamento da área com tapumes de folhas de
compensados, sem qualquer visibilidade do canteiro, tem-se notado em algumas
empresas o uso de telas de arame no lugar do compensado, procurando desta
forma demonstrar a organização interna da obra e conseqüentemente, a qualidade
da empresa. Isto é, em vez de ocultar, procura-se nestas obras revelar o canteiro de
obra bem organizado (COSTA, 1994, p. 21). (observou no trabalho dele
somente – Freitas) E.MAIL PARA AGUINALDO
4.4.2 Instalações Provisórias
No planejamento de um canteiro, um dos grandes objetivos e desafios, é a
definição dos espaços mínimos das instalações provisórias e suas localizações,
respeitando as normas de segurança no trabalho (MAIA, 1995, p. 5). As definições
do projeto das instalações provisórias (no caso das obras que não adotam
contêineres) devem ser feitas, de forma que se crie um ambiente agradável de
trabalho, e se possível, com aproveitamento de materiais e/ou sobras de obras
anteriores.
Para COSTA (1994, p. 22) as instalações provisórias são um conjunto de
construções, normalmente de madeira, com o objetivo de prover o canteiro de
serviços e todas as suas necessidades, tornando os setores de trabalho
interdependentes e de fácil ordenação.
Em canteiros de médio e grande porte as instalações provisórias
normalmente necessárias para a boa organização das atividades produtivas são as
seguintes:
4.4.2.1 Áreas de vivência
•
Refeitório
É exigência da NR-18 (2002) a obrigatoriedade de ter um local apropriado
para as refeições nos diversos tipos de obras. Alguns autores, como MAIA (1995) e
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
72
SAURIN (1997) definem como a função principal do refeitório, a realização das
refeições diárias e recomendam que se utilize esta área também para a realização
de palestras e cursos de treinamento de pessoal, bem como lazer.
SCARDOELLI et al. (1994, p. 2.1.1) recomendam alguns aspectos práticos
que devem orientar a organização de um refeitório:
a) ter capacidade para atender todos os operários de uma só vez ou, caso
não haja espaço suficiente, em turmas alternadas;
b) não deve comunicar-se com locais de trabalho insalubres e barulhentos,
ou instalações sanitárias, evitando sempre o acesso de animais e insetos;
c) não ser utilizado como depósito de materiais, mesmo que em caráter
provisório;
d) prever a sua instalação no planejamento preliminar do layout;
e) promover participação dos operários, nas definições dos locais, suas
dimensões, forma de limpeza, entre outras;
f) pintar as paredes com tinta de cor branca, dando maior visibilidade e
aspecto de limpeza, tornando o ambiente mais agradável;
g) o tampo das mesas deve ser liso ou forrado de material impermeável e
lavável;
h) atenção especial ao lixo e restos de comida através da colocação de
lixeiras e implementação de procedimentos de limpeza regular, incluindo
nestes procedimentos a lavagem regular.
Os impactos que resultam de um refeitório bem administrado e integrado com
os operários são assim definidos por SCARDOELLI et al. (1994, p. 2.1.1):
possibilidade dos operários realizarem suas refeições em ambiente apropriado;
possibilidade de desenvolver atitudes de sociabilização entre os mesmos;
possibilidade das empresas participarem no resgate da dívida social do país.
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
73
Cozinha
SCARDOELLI et al. (1994) descreve que, geralmente somente as grandes
obras possuem cozinhas instaladas nos seus canteiros, e que o mais usual, nas
obras de pequeno e médio porte, é o fornecimento das refeições por empresas
especializadas e terceirizadas. Neste sentido, a mesma autora alerta para o
problema da freqüente sub-nutrição dos operários da construção e o contrastante
severo esforço físico exigido dos mesmos. Para contornar esta situação vem
crescendo o número de empresas de todo porte que fornecem alimentação
balanceada para os operários.
COSTA (1994, p. 28) recomenda que as cozinhas de obras fiquem adjacentes
ao refeitório, possuindo abertura por onde devem ser servidas as refeições.
A
cozinha deve ter ventilação natural ou artificial que permita boa exaustão, boa
iluminação e pé direito mínimo deve ser 2,80m. O piso deve ser de concreto ou outro
material de fácil limpeza. Exige-se, também, a presença de pias para lavagem dos
utensílios e alimentos, assim como instalações sanitárias específicas para os
funcionários envolvidos com a atividade de cozinhar. Estas instalações sanitárias
não devem, entretanto, comunicar-se diretamente com a cozinha.
•
Vestiários
A função dos vestiários é a troca de roupa dos operários que não residem na
obra, antes do início da jornada de trabalho e após o término da mesma. A
localização deverá ser ao lado dos banheiros e o mais próximo possível do portão de
entrada e saída da obra. Este posicionamento do vestiário evita que os funcionários
trafeguem pela obra sem os Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s básicos,
forçando a utilização dos mesmos em todos os momentos de trabalho (SAURIN
1997). Segundo a NR-18 (2002), devem-se prever armários individuais dotados de
fechaduras, sendo que o critério de dimensionamento é de que cada operário ocupe
um mínimo de 0,50m2 de área (MAIA, 1995; COSTA, 1994).
Quanto à configuração física do vestiário, SAURIN (1997) recomenda a
observação dos seguintes aspectos:
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
74
a) colocação de telhas translúcidas na cobertura, com melhora significativa
da iluminação interna e redução do consumo de energia;
b) a existência de armários junto às paredes exige que as janelas estejam
deslocadas mais a cima, com aumento da sua largura;
c) utilização de cabides de plástico ou de madeira, nunca a utilização de
pregos;
d) armários individuais são indispensáveis, e apesar do seu preço de
compra, os metálicos são passíveis de grande reaproveitamento,
diferentemente dos executados de madeira na própria obra.
•
Alojamentos
A mão-de-obra utilizada na construção civil tem baixo nível de especialização
no nosso país, e isto permite que esta atividade seja um pólo absorvedor das
correntes migratórias. Segundo COSTA (1994), estes migrantes não tendo
profissões definidas, locais para se fixar e condições financeiras, são absorvidos
pelos canteiros de obra, que deste modo, geralmente possuem alojamentos. Em
função do tamanho e localização da obra, mais da metade do contingente da força
de trabalho pode utilizar os alojamentos das obras, de forma contínua ou intercalada
com visitas a suas famílias. Esta é a solução comumente adotada para empresas
que tem seus canteiros de obra localizados em pontos afastados das cidades, e
também em pequenas cidades sem infra-estrutura para atender a demanda de
operários SCARDOELLI et al. (1994, p. 2.1.6).
Os alojamentos devem atender apresentar isolamento térmico e acústico
adequado. O piso deve ser lavável, sendo que geralmente são executados em piso
cimentado. Deve também ter ventilação e sistema de proteção contra incêndio e
possuir armários individuais junto aos quartos, entre outros. É importante também
que o alojamento seja implantado em local de fácil acesso e que não implique em
grande circulação de trabalhadores no canteiro.
A experiência tem demonstrado que em canteiros de obra que possuem
alojamentos bem dimensionados e com um bom nível de higiene, há diminuição do
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
75
número de faltas, em função da permanência dos operários no local da obra,
diminuição das despesas pessoais dos mesmos e maior possibilidade de integração
do grupo (SCARDOELLI et al.,1994, p. 2.1.6).
•
Instalações Sanitárias
O sanitário é definido como o local para a realização das necessidades
fisiológicas dos operários da obra (MAIA, 1995), devendo necessariamente
contemplar instalações adequadas para homens e mulheres. Dentro dos aspectos
básicos que devem ser levados em consideração nas instalações sanitárias de um
canteiro de obra, destacam-se os seguintes: o local deve ser de fácil acesso aos
operários; deve ter proporção adequada em relação ao número de usuários e,
finalmente, ter condições de higiene apropriada, de acordo com as normas vigentes.
O atendimento a estas diretrizes tem ajudado no desenvolvimento de um ambiente
sadio nos canteiros, e os impactos reportados na literatura são os seguintes:
diminuição da interrupção prolongada das atividades de produção; redução do
desgaste físico dos operários quando se utilizam unidades móveis; maior conforto
dos operários; melhoria das condições de higiene da obra e, principalmente,
melhoria nos hábitos de higiene dos trabalhadores (SCARDOELLI et al., 1994).
Quando possível, deve-se planejar a posição da instalação dos sanitários o
mais próximo possível dos alojamentos, quando estes existirem. Para a instalação
dos chuveiros, o local mais apropriado é próximo aos vestiários, visto que no final do
turno de trabalho, os trabalhadores que não estão alojados no canteiro poderão
fazer uso dos chuveiros para asseio pessoal. Caso possível deve haver acesso
direto entre o chuveiro e o vestiário para evitar que os mesmos tenham problemas
de saúde, principalmente nos dias de inverno.
Segundo a NR-24 (2002), que trata das condições sanitárias e de conforto
nos locais de trabalho, é prescrito um lavatório e um chuveiro para cada grupo de
dez trabalhadores em atividades que provoquem poeira ou sujidade. Para o caso
das bacias sanitárias é exigida uma para cada grupo de vinte trabalhadores. Outros
aspectos relevantes como por exemplo, iluminação e ventilação natural ou artificial,
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
76
compartimentos individuais e indevassáveis, bacias rústicas e duráveis, recipientes
para dispor lixo e restos de comida, devem estar atendendo as normas pertinentes.
(SE TIVER NA NORMA, COLOCAR JUNTO AO PARÁGRAFO ANTERIOR –
CASO CONTRÁRIO DEIXAR SEPARADO) Embora não prescrito na NORMA,
deve-se prever junto as instalações sanitárias, sistema de tratamento dos
efluentes, dentro das normas técnicas e dimensionadas para atender toda a
demanda do canteiro.
•
Ambulatório
O ambulatório pode ser definido como sendo o local destinado ao
atendimento médico preventivo e emergencial dos funcionários da obra. É
constituída
normalmente de uma sala para atendimento ambulatorial, sala para
consultas médicas, e sala de espera. A NR-18 (2002) prescreve que o ambulatório é
obrigatório em canteiros com cinqüenta ou mais trabalhadores. Em obras localizadas
em centros urbanos, é normal a utilização das instalações hospitalares da cidade.
4.4.2.2 Áreas de apoio
•
Escritório
Segundo MAIA (1995, p. 14), escritório é o local da obra que se utiliza para a
realização de funções administrativas, guarda da documentação técnica do
empreendimento e aonde se realizam as reuniões de trabalho. Na administração
moderna, segundo COSTA (1994, p. 25), o engenheiro residente tem se
concentrado mais na gerência técnica da obra, isto é, na coordenação e fiscalização
das tarefas diretamente ligadas à produção. As atividades da área administrativa têm
sido deixadas para membros da sua equipe, sob sua supervisão. O mesmo autor
cita que este procedimento decorre da necessidade cada vez maior de melhorar o
planejamento das ações, procurando diminuir perdas, aumentar a produtividade e,
também buscar uma maior qualidade dos serviços. Dentro deste aspecto, de
melhoria de produtividade e atendimento a obra, é necessário que a equipe técnica
e administrativa seja valorizada, e deste modo, o escritório deve ser transformado
em um local aprazível de trabalho, com um mínimo aceitável de conforto.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
77
SAURIN (1997) recomenda que o escritório tenha uma localização mais
próxima possível do portão de entrada da obra, fazendo com que o visitante tenha
que necessariamente transitar pelo escritório antes de entrar no canteiro. O
escritório deve também ser posicionada de tal forma a permitir a maior visualização
possível do canteiro de obra.
•
Almoxarifado e Ferramentaria
SENÇO (1980) define almoxarifado como sendo o setor responsável para
aquisição, guarda e distribuição dos materiais e ferramentas consumidos ou
utilizados no canteiro de obra. O almoxarifado deve estar localizado próximo à
entrada da obra, facilitando o recebimento dos materiais e sua distribuição. O
dimensionamento da área deve ser compatível com o tamanho da obra e deve
prever espaço para todos os materiais envolvidos na execução dos serviços que
eventualmente necessitem estocagem.
O almoxarifado deve ser dividido em duas partes: uma de dimensão maior,
devidamente fechada, com prateleiras para armazenamento dos materiais e
ferramentas, e outra, com dimensão menor, que funciona como escritório do
almoxarife, possuindo janela de atendimento ao pessoal da obra. Geralmente estas
duas partes são interligadas (COSTA, 1994, p. 23, SAURIN, 1997).
SCARDOELLI et al. (1994, p. 5.3.4) cita que as empresas têm sentido a
necessidade de melhorar a rapidez com que as informações e recursos são
passadas aos responsáveis para executá-las. Um dos aspectos principais para que
isto ocorra, é o suprimento dos equipamentos, materiais e instruções antes do início
dos serviços. As empresas vêm desenvolvendo ações neste sentido, e
principalmente atuando na organização de espaços específicos para as ferramentas
(ferramentaria). Verifica-se nestas empresas as seguintes medidas para organizar
estes ambientes: posicionamento das ferramentas em local fixo e definido, próximo
ao local de uso; instalação de quadro com desenho de ferramentas no almoxarifado;
elaboração de lista de ferramentas mínimas em função do tamanho da obra;
confecção de cartões com informações (cautelas) sobre com quem estão as
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
78
ferramentas e equipamentos e, finalmente, entrega de caixas de ferramentas
personalizadas aos operários.
•
Guarita de Segurança para Guardas e Porteiros
A guarita para guardas de segurança e porteiros deve estar localizada em
local estratégico do canteiro, permitindo a fiscalização de entrada e saída de
pessoas, materiais e equipamentos (SAURIN, 1997). Para MAIA (1995, p. 13), a
guarita deve ter uma área mínima de 5m2 e, também, prever local para fixação de
cabides para guarda de capacetes a serem utilizadas pelos visitantes assim como
local para fixação de relógio-de-ponto e chapeiras. Outros itens que compõe a
guarita incluem: cadeiras e pequenas mesas para o guarda; relatório padronizado
para registro de hora de entrada e saída de visitantes; planilhas para controle do
fluxo de materiais e equipamentos.
4.4.2.3 Vias de circulação
As vias de circulação incluem todas as áreas onde há circulação de máquinas
ou pessoas, incluindo-se aí os clientes da obra e mesmo transeuntes que
eventualmente transitem através da obra. No caso de obras de pavimentação, as
vias de circulação utilizadas exclusivamente para as atividades de produção são
também chamadas de “estradas de serviço”. PESTANA e JACOPONI (197-) citam
que os requisitos básicos desejáveis para uma boa estrada de serviço são: possuir
características técnicas no aspecto de pavimento; garantir tráfego de veículos e
equipamentos a qualquer tempo; propiciar acesso fácil a todos os locais de trabalho;
ter traçado que diminua as distâncias de transporte dos equipamentos e cargas; não
interferir no seu traçado com o desenvolvimento da obra e, finalmente, ser de
construção econômica em relação ao custo de implantação da obra.
4.4.3 Instalações Industriais
Nas obras de médio e grande porte, as instalações industriais têm um
tamanho significativo em relação às outras instalações da obra. PESTANA e
JACOPONI (197-) citam que em obras complexas de engenharia, é fundamental um
planejamento das instalações industriais, já que envolve recursos volumosos e
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
79
procedimentos não rotineiros. Assim, o sucesso de sua realização está apoiado em
estudos especializados e que demandam grande atenção principalmente na etapa
de concepção.
•
Central de armação
A central de armação tem como função básica, o preparo da armadura, nas
operações de corte, dobra e montagem da ferragem utilizada em obras de concreto
(MAIA,1995, p. 28). A localização da central de armação, sempre que possível,
deverá ser em locais que os caminhões e equipamentos de movimentação de
cargas tenham acesso direto, já que se trata de um material pesado, flexível e longo
(SCARDOELLI et al., 1994, p. 5.5.9).
Para as operações de corte e dobra, normalmente se utilizam equipamentos
específicos para estes fins. São as máquinas de corte, que dentro do layout
tradicional de uma central de armação, são seguidas pelas máquinas de dobra dos
aços.
Por outro lado, em função da ocupação de um espaço significativo da área do
canteiro, é recomendado, quando possível, que esta atividade seja desempenhada
fora do canteiro, recebendo as armaduras já cortadas e dobradas, prontas para uso
(SAURIN, 1997).
•
Central de formas
A central de formas ou carpintaria é o local destinado a executar e montar os
painéis e formas, geralmente de madeira e compensado, de modo a assegurar as
dimensões, os alinhamentos e as juntas do concreto de acordo com as
especificações de projeto (COSTA, 1994, p. 34). As formas devem ser projetadas e
executadas de forma tal a suportar as pressões e os esforços resultantes do peso do
concreto fresco, acrescido dos efeitos das operações de vibração, mantendo-se na
posição de montagem sem deformações. Para isto, devem estar bem projetadas, e
serem estanques, de modo a evitar perdas de argamassa e de pasta do concreto.
O layout da central de carpintaria prevê uma bancada de carpinteiro com
gabaritos para produção das formas, mesa com serra circular, e local para
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
80
estocagem das madeiras e compensados. Normalmente é instalada sob um
barracão ou galpão com as laterais abertas. Isto facilita a ventilação e melhora o
ambiente no aspecto acústico, bem como facilita a retirada e movimentação das
formas acabadas (COSTA, 1994).
Do mesmo modo que a central de armação, SAURIN (1997) cita a freqüente
necessidade de utilização de uma grande área das instalações de apoio para a
realização desta atividade. Devido a esta condição recomenda o mesmo autor,
quando possível e necessário, que as formas sejam fabricadas fora do canteiro, em
serviço terceirizado.
•
Central de britagem
Nos estudos preliminares de uma obra, a possibilidade de instalação de uma
central de britagem deve ser cuidadosamente analisada, visto que a matéria prima
“brita” pode vir a fazer parte de quase todas as estruturas definitivas de uma obra.
PESTANA e JACOPONI (197-) citam que para grandes volumes de agregados, é
mais viável a instalação de central de britagem. Os mesmos autores também
argumentam que esta estrutura necessita de estudos mais aprofundados quando da
implantação do canteiro. Tais centrais dependem da análise criterioso do solo para
as fundações, do espaço adequado no canteiro, da distribuição do consumo dos
diversos tipos de agregados que serão consumidos, da localização da pedreira que
será explorada, etc.
As centrais de britagem podem ser divididas em três classes ou versões,
podendo ser “instalações fixas”, “semi-móveis” e “móveis”. As instalações “fixas” são
usualmente utilizadas em empreendimentos de localização definitiva, tais como:
pedreiras, minerações e fábricas de cimento. As instalações “semi-móveis”, em
virtude da facilidade, rapidez e economia de montagem e desmontagem das suas
estruturas, são empregadas em obras de longa duração, tais como: instalações para
barragens hidrelétricas, pedreiras para obras de pavimentação, etc. E, finalmente, as
instalações “móveis”, que são utilizadas em empreendimentos de curta duração de
tempo, e requerem locomoção constante e tempo mínimo de montagem. São
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
81
geralmente usadas em serviços de manutenção de estradas, prospecção geológica
e exploração inicial de jazidas (ALLIS, 1994).
•
Central de concreto
Segundo ANDRIOLO (1984, p. 202) as instalações para produção de
concreto consistem de um conjunto de equipamentos e meios destinados ao
recebimento, armazenagem, manuseio e dosagem dos diversos materiais para a
produção de concreto, bem como ao sistema de descarga do concreto. Em várias
situações se faz necessário instalar a central de concreto dentro do canteiro de obra.
Para tanto, devem-se estudar as distâncias de transporte entre a central e os pontos
de aplicação, para que se possam otimizar os lançamentos dos concretos dentro das
limitações de tempo especificadas.
•
Depósito de agregados
A maioria das obras utiliza estes materiais, que são básicos na confecção de
concretos e argamassas. COSTA (1994, p. 35) recomenda que se devem prever
locais de fácil acesso aos caminhões basculantes no canteiro, para facilitar o
fornecimento dos agregados. Em obras de grande porte, geralmente estes depósitos
estão ao lado da central de concreto, otimizando a alimentação de materiais para
produção de concreto. É recomendada a separação dos agregados utilizando-se
tábuas, lonas ou outro material, para que não haja a contaminação entre eles.
Um dos fatores de melhoria da qualidade das obras, segundo SCARDOELLI
et al. (1994, p. 5.1.4) é o controle de recebimento dos materiais, entre eles os
agregados. Tais controles vem sendo implantados nas empresas através de
utilização de ensaios expeditos, apoiados em uma estruturação de listas de
verificação. Estas providências garantem a conformidade dos materiais, evitam ou
diminuem o desperdício e estabelecem um histórico de desempenho de
fornecedores, incentivando-os a entregar sempre os materiais conforme as
especificações estabelecidas.
•
Laboratório de controle tecnológico
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
82
As instalações e equipamentos de laboratório, são necessários para o
controle tecnológico, como por exemplo no caso dos solos e concreto. A decisão por
implantar ou não estes laboratórios envolve a análise crítica de variáveis tais como:
tipo e tamanho da obra; a sua localidade; a velocidade de construção; a
competência da mão-de-obra utilizada; os tipos de materiais que serão utilizados; os
volumes envolvidos na execução dos serviços e o custo de instalação
(SENÇO,1980; HELENE e TERZIAN, 1992; ANDRIOLO e SGARBOZA, 1993).
•
Oficina de manutenção e reparo
A oficina de manutenção e reparo pode ser definida como a área destinada à
manutenção dos equipamentos envolvidos na obra. Deve estar equipada com
ferramentas adequadas e com pessoal especializado para a manutenção e
conservação dos equipamentos. Normalmente consiste de uma grande estrutura
coberta para o estacionamento dos equipamentos durante a execução das
manutenções. Estas oficinas incluem também áreas isoladas de apoio (escritórios)
para o encarregado e uma pequena ferramentaria (SENÇO,1980). Como medida de
proteção do meio ambiente, deve-se instalar um sistema de coleta de óleos
utilizados na manutenção dos equipamentos, não permitindo que o mesmo seja
derramado no piso, no sistema de águas pluviais ou solo adjacente.
•
Área para lubrificação dos equipamentos
A área destinada à lubrificação dos equipamentos consiste basicamente em
uma estrutura coberta, possuindo uma rampa de lavagem para veículos e
equipamentos ao lado da mesma. O sistema de lubrificação nestas instalações
utiliza ferramentas pneumáticas ou manuais. Geralmente possui um espaço
reservado para depósito dos tambores de óleos lubrificantes e graxas, bem como,
instalação de caixa separadora de óleos e água na rampa de lavagem. Esta medida
visa proteger o meio ambiente.
•
Depósito para entulhos de material
SAURIN (1997) cita que em situações de geração de resíduos que possam
prejudicar o andamento da obra, devem-se buscar alternativas de minimização de
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
83
seus efeitos com medidas, tais como: áreas específicas para depósitos de entulhos
gerados pela construção. Estas áreas de depósitos devem ser planejadas de modo
a não se tornar um empecilho para o desenvolvimento dos trabalhos de execução da
obra.
4.4.4 Instalações Elétricas
A energia elétrica é um dos principais fatores de localização das instalações
de apoio, principalmente em regiões rurais. COSTA (1994, p. 46) chama a atenção
para os custos envolvidos com o suprimento da energia, os quais exigem a análise
bem detalhada do seu uso, antes de qualquer definição no planejamento do canteiro
de obra. Em locais aonde a energia elétrica é deficitária, pode-se dotar o canteiro de
obra com geradores a diesel ou gasolina, geralmente com custos maiores aos do
fornecimento normal. Pode ocorrer, inclusive, a necessidade de construção de linhas
de transmissão dedicadas para a execução da obra.
4.4.4.1 Instalações provisórias de energia elétrica
Formatado
Para as instalações provisórias de energia elétrica no canteiro de obra
devem-se atender rigorosamente as prescrições da concessionária de energia
elétrica local. O que deve ser evitado são as ligações elétricas provisórias sem
atendimento as especificações, motivo de inúmeros acidentes nos canteiros. A
NR-18 (2002) determina que as instalações devem ser executadas por trabalhador
qualificado e a supervisão por profissional legalmente habilitado. Importante ressaltar
que todas as redes de energia (aérea ou subterrânea) devem estar sinalizadas e
protegidas de eventuais acidentes .
4.4.4.2 Subestação
Normalmente para obras de grande vulto, há necessidade de instalação de
uma subestação para alimentar o canteiro de obra e o acampamento (COSTA, 1994,
p. 51). Normalmente cabe ao construtor executar as redes de distribuição de energia
em alta tensão, implementar mecanismos para rebaixar o nível de tensão, bem
como, executar as redes de baixa tensão.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
84
4.4.4.3 Geradores
Os geradores a diesel ou gasolina são utilizados em obras, cujo local é de
difícil fornecimento de energia pela rede pública ou privada. Também é utilizado no
início dos serviços de uma obra, quando a instalação definitiva da rede pública ou
privada não estiver pronta.
Para evitar paralisações da obra como um todo ou de operações críticas
isoladas decorrentes da falta de energia elétrica na rede pública, podem-se adotar
geradores de emergência como solução estratégica. COSTA (1994, p. 52)
exemplifica o caso de obras que envolvam rebaixamento do lençol freático, cuja falta
de energia poderá acarretar em perdas e acidentes de graves proporções. No caso
de uma concretagem, além dos atrasos no cronograma, a falta de energia pode
resultar na necessidade de se executar juntas frias e aumentar assim a possibilidade
de patologias futuras na obra.
4.4.5 Instalações Hidráulicas
A água assume importância muito grande nas obras de construção em geral,
porque, além de ser vital para as necessidades fisiológicas dos operários, é matériaprima fundamental para execução de várias atividades de produção (MAIA, 1995,
p. 8). A NR-18 (2002) obriga o fornecimento de água potável, filtrada e fresca para
os trabalhadores. Em vista disso, é recomendado o uso de água da rede pública,
cuja qualidade é garantida ou, alternativamente, bebedouros. COSTA (1994, p. 55)
aconselha que se pesquise a concessionária local, quando não existir rede de água
no local da obra. Caso não exista plano de expansão da rede até o local da obra,
deverá ser estudada a possibilidade de perfuração de poço ou a aquisição de água
através de caminhões pipa. A possibilidade de obter água de poços em obras
grandes e demoradas é vantajosa economicamente, porém sua viabilidade depende
de características do solo e da qualidade da água alcançada.
4.4.6 Instalações de Segurança na Obra
Pode-se definir segurança da obra, como o conjunto de atividades ou ações
que são implementadas nos canteiros de obra para evitar acidentes de trabalho,
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
85
tanto dos trabalhadores envolvidos diretamente nela, como de terceiros. A NR-18
(2002) prescreve todos os requisitos, bem como as medidas necessárias para prover
um canteiro de obra com segurança.
Na pesquisa de FREITAS, POZZOBON e HEINECK (1999) realizada em 58
canteiros de obra de 15 cidades brasileiras de diversos estados, sobre as iniciativas
das empresas em mudanças voltadas à qualidade e produtividade dos canteiros, o
tópico “segurança do trabalho” resultou com 58% de itens com mudanças positivas.
Este tópico foi o que apresentou a mais elevada percentagem de boas práticas em
relação aos outros tópicos pesquisados. Esta situação é decorrente, principalmente,
da força da legislação (caso da NR-18) e, também, da necessidade de valorização
do operário. Resultado semelhante foi demonstrado no estudo de LIBRELOTTO et al
(1998), em canteiros da cidade de Florianópolis / SC, aonde o item segurança foi o
que mais apresentou melhorias implantadas.
•
Proteção contra queda
A NR-18 (2002) adverte para que se tome medida preventiva coletivas
prioritariamente às medidas de proteção individuais, estabelecendo critérios para o
dimensionamento do número, posição e tamanho destas proteções. Os impactos
principais decorrentes da adoção destas medidas são: redução da gravidade dos
acidentes de trabalho; proteção quanto à queda de materiais e pessoas e, também,
proteção das pessoas que trabalham no entorno da obra (SCARDOELLI et al., 1994;
SAURIN, LANTELME e FORMOSO, 2000; NR-18, 2002).
•
Sinalização de segurança
A sinalização de segurança nas obras pode ser entendida como a que,
referida a um objeto, atividade ou situação determinada, oferece uma indicação ou
uma obrigação relativa à segurança ou à saúde no trabalho, através de sinais que
atraiam a atenção de qualquer dos sentidos humanos (SAMPAIO, 1998). SAURIN
(1997) recomenda que informações relativas à segurança dos trabalhadores estejam
presentes em vários locais da obra, como por exemplo, nos alojamentos, vestiários,
refeitórios, instalações sanitárias, entre outros. As sinalizações são particularmente
relevantes nos locais de real perigo de acidentes ou de uso de materiais perigosos.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
86
A NR-18 (2002) prescreve em detalhes as recomendações de segurança para as
sinalizações, buscando prevenir riscos relacionados a quedas de pessoa,
intoxicação, choque elétrico, soterramento, incêndio, e outros.
•
Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s
Os Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s são de uso obrigatório pelos
trabalhadores e deverão ser fornecidos pelas empresas que realizam obras de
construção (NR-06, 2002). SCARDOELLI et al. (1994) cita que os EPI’s constituemse em importantes recursos, que garantem segurança e proteção ao trabalhador, e
devem ser exigidos o seu uso de todos os trabalhadores que atuam na obra, sem
distinção de cargo ou hierarquia. É recomendado que todos os visitantes da obra
também usem equipamentos de proteção individual como forma de fornecer
exemplo perante os trabalhadores. SAURIN (1997) recomenda a supervisão e
fiscalização do uso destes equipamentos, inclusive, aplicando penalidades aos
trabalhadores que não fazem correta aplicação dos mesmos. MAIA (1995) e COSTA
(1994) listam os principais equipamentos que devem ser utilizados em obras de
construção, como por exemplo, óculos de proteção, capacetes, botas e botinas, cinto
de segurança, entre outros.
•
Proteção contra incêndios
Para SAURIN (1997), os incêndios são uma das principais causas de danos à
construção e aos equipamentos em um canteiro de obra. Cita o autor que este tipo
de acidente pode acarretar perdas devastadoras, tanto financeiramente quanto em
termos de vidas humanas. A NR-18 (2002) prescreve que é obrigatória a adoção de
medidas preventivas que consigam, de forma eficaz, atender as necessidades de
prevenção e combate a incêndios, em todos os setores do canteiro de obra. Em
especial, MAIA (1995) cita que no caso dos extintores, estes devem estar
localizados em locais de fácil visualização (devidamente sinalizados), fácil acesso e
protegido contra as intempéries.
A NR-23 (2002) que trata de uma maneira geral sobre proteção contra
incêndios, descreve, de uma maneira detalhada, todas as características de
prevenção e combate a incêndios, englobando as edificações e os diversos setores
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
87
de trabalho. Esta mesma NR, pode ser utilizada como referência para ajudar na
implantação das medidas de prevenção e combate a incêndios em canteiro de obra.
4.5
DISCUSSÃO
A literatura acerca de planejamento de canteiros de obra de pavimentação
mostrou-se severamente escassa. Os estudos têm focado mais a construção de
edificações, sendo que tem sido dada maior ênfase ao processo de planejamento ou
itens específicos do planejamento do canteiro (layout, segurança, etc). Uma possível
razão para a carência de estudos similares para o caso dos canteiros de obra de
pavimentos de concreto pode residir na relativa novidade desta tecnologia no
mercado, apesar do Brasil ter sido um dos pioneiros em sua aplicação na América
do Sul, como mostrou o Capítulo 2. Contudo, com a evolução do mercado de
pavimento de concreto entende-se que esta situação deverá alterar-se, atraindo
mais a atenção de pesquisadores ao estudo deste processo.
A revisão da literatura permite inferir que há diferenças de conteúdo do
planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto com relação a obras
de edificações, face às suas peculiaridades. Não foram identificados na literatura
estudos que apontassem de maneira clara tais diferenças. Os canteiros de obra de
pavimentação de concreto diferem dos canteiros de edificações, por exemplo, no
aspecto da dimensão, haja visto que seus limites físicos não são tão facilmente
delimitáveis. Neste exemplo, a materialização dos princípios de proteção das áreas
de execução dos serviços é naturalmente diferente. Apesar destas diferenças,
verificou-se grande aplicabilidade de parte significativa da literatura de edificações
em obras de pavimentação de concreto.
4.6
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
Sendo o canteiro de obra, o espaço para a transformação em realidade de
todo o trabalho de concepção de uma obra, ele acaba recebendo as influências de
todas as atividades que dizem respeito a um empreendimento. Deste modo, o
principal objetivo do planejamento de um canteiro de obra é definir os espaços
mínimos das instalações, sejam eles, escritórios, almoxarifado, refeitórios, vestiários,
banheiros, sempre respeitando as normas vigentes de segurança no trabalho. O
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
88
objetivo da preparação de um layout de canteiro é dispor todos os materiais,
equipamentos e instalações empregados na construção de modo a não prejudicar o
trânsito de pessoas, a circulação de materiais, o acesso aos equipamentos de
combate a incêndio, bem como as saídas de emergência, sempre com o propósito
de que todo o funcionamento e organização do canteiro não sejam prejudicados.
Para o adequado planejamento do canteiro de obra existe um grupo
preliminar de atividades que incluem: estudos dos projetos básicos da obra; análise
do cronograma físico; verificação dos materiais e componentes necessários e os
seus quantitativos; estudo das diversas opções de tecnologia; dimensionamento dos
equipamentos; estudo das normas técnicas; treinamento da mão-de-obra; estudo e
planejamento do layout do canteiro; estudos dos acessos; análise da interface da
obra com a comunidade local e, finalmente, a interação com o meio ambiente.
Um segundo grupo de atividades, os quais não fazem parte do escopo desta
dissertação, referem-se aos itens que tem impacto direto na organização do canteiro
e são decorrentes da execução da obra propriamente dita. Estes itens incluem os
estudos das perdas, controle de custos e cronograma, ações voltadas à redução de
acidentes, ações de QVT – Qualidade de Vida no Trabalho, entre outros.
As principais etapas que ocorrem durante o planejamento do canteiro de obra
são: levantamento de informações, onde são realizados os levantamentos de todos
as quantidades dos serviços da obra, isto é, são relacionados todos os materiais e
seus respectivos volumes; definição dos equipamentos principais: o melhor modo de
se iniciar a definição do arranjo físico do canteiro é estabelecer a localização do
equipamento principal da obra; planejamento de Layout e implantação: existe uma
grande diferença entre a indústria da construção civil e os demais ramos industriais.
Na construção civil impera o caráter nômade, com grande mobilidade das ações.
Enquanto os meios de produção permanecem estáticos e os produtos são
movimentados na indústria de manufatura, na construção civil acontece o inverso. O
produto é estático e os meios de produção são movimentados ao redor do mesmo e
a revisão sistemática: um canteiro de obra se modifica no período da execução da
obra, possuindo diferentes materiais, serviços, equipamentos e mão-de-obra em
suas diversas fases. Esta situação implica que o planejamento do canteiro de obra
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
89
deve ser uma atividade contínua a qual pode, entretanto, ser subdividida de acordo
com os pacotes de trabalho.
Neste Capítulo foi descrito em detalhes cada componente que faz parte do
canteiro de obra, conhecimento este que foi base teórica para a formulação das
diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto. Os
componentes detalhados foram: elementos de proteção, destacando-se o tapume;
instalações provisórias, separadas em áreas de vivência, áreas de apoio e vias de
circulação; instalações industriais; instalações elétricas; instalações hidráulicas e
instalações de segurança na obra.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
90
5 MÉTODO DE PESQUISA
5.1
CONTEXTO
O Capítulo 4 apresentou a revisão bibliográfica dos processos de implantação
de canteiros de obra, com maior influência da literatura de edificações. O presente
Capítulo apresenta o método de pesquisa, iniciando pela caracterização do
problema, explicação do método de pesquisa propriamente dito, a estratégia de
análise e os mecanismos adotados para validação dos resultados. No Capítulo 6
seguinte, são apresentados os resultados obtidos com a aplicação do método de
pesquisa, assim como a sua análise.
5.2
CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA
O tópico “planejamento de canteiros de obra” apresenta reduzido volume de
literatura quando o foco são as obras de pavimentação. Esta literatura é ainda mais
escassa quando se trata de obras de pavimentos de concreto. O que existe é um
significativo volume de conhecimento tácito, presente entre os profissionais da área,
sem formalização em documentos. Como o volume de profissionais com experiência
em pavimentos de concreto é relativamente pequeno, haja visto a pouca utilização
desta tecnologia, tem-se um conhecimento restrito a poucos profissionais, os quais
normalmente não estão ligados ao meio acadêmico.
Com o incremento no Brasil de novas obras em pavimento de concreto, há
necessidade de formalizar este conhecimento, buscando discutir os problemas, bem
como as soluções que são implementadas para que as novas gerações de
engenheiros e técnicos tenham acesso a este conhecimento. Existe uma emergente
teoria sobre o planejamento de canteiros de obra suficiente para motivar trabalhos
buscando sua consolidação. Porém, sendo a literatura na área fortemente ligada ao
sub-setor de edificações, há necessidade de verificação da validade da mesma para
outras tipologias de obras, como no caso das obras de pavimento de concreto. A
presente dissertação visa, então, contribuir para a adequada aplicação da tecnologia
de pavimentação em concreto no Brasil através da investigação da teoria e prática
do planejamento de seu canteiro de obra. Buscar-se-á responder a questão: Quais
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
91
são as diretrizes para o planejamento de canteiros de obra de pavimentação de
concreto?
5.3
MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO
A primeira e mais importante condição para se distinguir as diversas
estratégias de pesquisa, é identificar nela o tipo de questão que está apresentado
(YIN, 2001, p. 26). Assim, a presente pesquisa foi realizada através do
“levantamento” do conhecimento junto a especialistas da área de pavimentação
utilizando o Método Delphi. Este método consiste na busca sistemática e iterativa de
consenso sobre um determinado assunto entre um grupo de pessoas.
GIL (1996, p. 56) definiu o método de pesquisa do tipo “levantamento” como
caracterizado pelo interrogatório direto de pessoas cujo comportamento ou
conhecimento se deseja descobrir. O método se baseia na solicitação de
informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado, e
após a análise quantitativa, obtêm-se as conclusões correspondentes ao material
coletado.
O levantamento do conhecimento com especialistas já é uma prática
razoavelmente dominada no campo da “Inteligência Artificial”, principalmente quando
se trata do desenvolvimento de sistemas especialistas. No caso desta pesquisa o
propósito não foi de se elaborar um sistema especialista, mas sim estruturar uma
primeira proposta de diretrizes, a qual poderá ser aprimorada em pesquisas
subseqüentes.
Previamente à realização dos questionários junto aos especialistas houve
uma fase de preparação que constou da revisão dos conceitos de pavimentação
(Capítulo 2). Nesta mesma etapa revisou-se o processo de construção de obras de
pavimentos de concreto (Capítulo 3) e, também, as etapas para implantação de
canteiros de obra (Capítulo 4). A revisão sobre os conceitos de pavimentação e
sobre os processos de construção de pavimentos de concreto contemplou
principalmente a literatura nacional, sendo que as principais fontes foram trabalhos
de SOUZA (1980), SENÇO (1997), PITTA (1998) e as normas/especificações
técnicas nacionais. A nível internacional foram consultados vários autores e
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
92
entidades, sendo que os principais foram os trabalhos de YODER e WITCZAK
(1976), DALIMIER e LUCO (1998), HALL (1999) e DARTER et al (1992). No que
tange a implantação de canteiros de obra, as principais fontes foram trabalhos de
MAIA (1995), SAURIN (1997) e SCARDOELLI et al. (1994).
5.4
DESCRIÇÃO DO MÉTODO DELPHI
O Método Delphi, resultado de estudos realizados pela RAND Corporation na
Califórnia, EUA, iniciados em 1944, foi utilizado inicialmente como um instrumento
de previsão qualitativa, cuja área de aplicação mais freqüente foi a de previsões
tecnológicas. Sua utilização é mais indicada quando não existem dados históricos a
respeito do problema que se investiga ou, em outros termos, quando faltam dados
quantitativos referentes ao mesmo (MASSAUD, 2002).
O princípio do método é intuitivo e interativo, como ilustra a FIGURA 5.1.
Implica a constituição de um grupo de especialistas em determinadas áreas do
conhecimento, que respondem a uma série de questões. A síntese dos resultados
das rodadas de questionamentos anteriores é comunicada aos especialistas que,
após nova análise retornam com suas análises críticas do conteúdo. Em cada etapa
podem ser introduzidas novas perguntas como forma de estimular a reflexão dos
especialistas. As interações se sucedem desta maneira até que um consenso ou
quase consenso o mais confiável possível seja atingido. As etapas de perguntas são
chamadas nesta dissertação de “rodadas”.
FIGURA 5.1 – CICLO DE RODADAS DO MÉTODO DELPHI
ENVIO VIA
ELETRÔNICA
RODADA ESPECIALISTA
ANÁLISE DAS RESPOSTAS
NÃO
CONSENSO
SIM
DIRETRIZES
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
93
FONTE: MASSAUD, C. Metodologia “Delphi”. Disponível em: <http://www.clovis.massaud.
nom.br/prospec.htm> Acesso em: 20 jun. 2002.
Um dos aspectos fundamentais para o sucesso da aplicação do Método
Delphi é a existência de “feedback controlado”. Feedback controlado é, neste caso,
a regular comunicação aos participantes de resumos das discussões das rodadas
precedentes. A interação com feedback controlado reduz o ruído, ou seja, o
pesquisador fornece ao grupo somente aquilo que se refere aos objetivos e metas
de seu estudo, evitando que o painel se desvie dos pontos centrais do problema.
Durante as rodadas de discussões, os especialistas recebem as informações e
comentários dos outros, podendo mudar ou fornecer suas opiniões com argumentos
mais apropriados (MASSAUD, 2002).
O papel do pesquisador neste processo foi então o de moderador e animador
das reflexões. Desenvolvia o agrupamento das questões e comentários que
apresentavam consenso e, simultaneamente, provocava discussões naqueles itens
onde havia uma relativa ausência de respostas ou comentários. Com a evolução das
discussões a tarefa do pesquisador ficou gradualmente mais ágil visto que as
discussões centravam-se somente nos pontos que ainda não se tinha convergência
entre os especialistas.
Outro fator importante para a adequada condução do Método Delphi é o
anonimato entre os participantes. Este é um modo de reduzir a influência de um
sobre o outro, visto que eles não se intercomunicam diretamente durante a
realização do painel. O principal aspecto positivo deste anonimato é a
impossibilidade de um especialista ser influenciado pela reputação de outro mais
experiente. Outra vantagem é a possibilidade de mudança de opinião sem que isto
leve a um constrangimento do especialista. O especialista pode defender as suas
opiniões com tranqüilidade, mesmo que errôneas, sabendo que o seu equívoco não
vai ser conhecido pelos outros especialistas.
A utilização de uma caracterização matemática da resposta do grupo é uma
maneira alternativa para reduzir a pressão do grupo na direção da conformidade,
evitando, ao fim do exercício, uma dispersão significativa das respostas individuais.
No caso da presente pesquisa, devido ao seu caráter qualitativo, adotou-se a prática
Giublin, C. R.
94
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
de marcação das respostas e informação quanto à percentagem do número de
respostas consensuais. Esta estratégia permitiu então que os especialistas
obtivessem a exata noção da evolução do consenso no grupo.
As rodadas do Método Delphi nesta pesquisa adotaram o e-mail como
principal mecanismo de comunicação entre os especialistas e o pesquisador. Após a
aplicação sucessiva das rodadas ilustradas na FIGURA 5.1 o produto final
resultante, no caso da presente dissertação, foi a consolidação do conhecimento dos
especialistas em torno de um grupo significativo de diretrizes consensuais acerca do
planejamento de canteiros de obra de pavimento de concreto.
5.5
CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DOS ESPECIALISTAS
Partindo da hipótese inicial de que se encontraria um pequeno número de
especialistas brasileiros em pavimento de concreto, porém com experiência em
outros tipos de pavimentação, adotaram-se os seguintes critérios para sua seleção:
experiência em obras de pavimentação; experiência em obras de pavimentação de
concreto (mínimo de três anos); experiência em planejamento de obras; experiência
em implantação de canteiros de obra; experiência em obras de concreto (geral);
formação em engenharia civil (no mínimo 5 anos); experiência prática ou
participação em eventos/visitas técnicas internacionais.
Para manter o anonimato dos especialistas, apresenta-se no QUADRO 5.1 a
discriminação das características individuais de cada um em relação aos critérios de
seleção. Ressalta-se também que a seleção dos especialistas tomou como base o
conhecimento do mercado decorrente da experiência prática do próprio autor desta
dissertação, o qual, como mostra o mesmo quadro, também poderia ser incluído no
elenco de especialistas participantes da pesquisa.
QUADRO 5.1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ESPECIALISTAS COLABORADORES
EXPERIÊNCIA (ANOS)
ESPECIALISTA
Obras
Rodoviárias
A
25
Obras em
Planejamento
Pavimento de
de Obras
Concreto
5
25
Implantação
de Canteiros
Obras em
Concreto
25
25
TEMPO DE
FORMADO
(ANOS)
EXPERIÊNCIA
INTERNACIONAL
25
Sim
Giublin, C. R.
95
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
B
23
3
23
23
5
23
Sim
C
5
3
3
5
5
5
Sim
D
6
3
6
6
6
7
Não
E
34
34
15
15
34
34
Sim
F
5
3
20
20
23
23
Não
G
3
3
6
6
6
10
Não
Autor
22
5
22
22
17
22
Sim
FONTE: Pesquisa com os especialistas.
A literatura não fornece parâmetros para o estabelecimento de um número
mínimo ou máximo de especialistas do painel, que pode variar de um pequeno grupo
até um grupo numeroso, dependendo do tipo de problema a ser investigado e da
população e/ou amostra utilizada. A população de especialistas em projeto e
execução de obras de pavimentos de concreto é reduzida quando comparada com
outras especialidades da Engenharia Civil. Sendo assim, ainda que pequeno, o
grupo de especialistas que foi utilizado nesta pesquisa (7), cujos especialistas atuam
predominante nas regiões Sul e Sudeste, foi considerado suficiente para os
propósitos desta pesquisa.
5.6
NÚMERO DE RODADAS REALIZADAS
A definição do número de rodadas a serem realizadas no presente trabalho
dependia, fundamentalmente, da obtenção de um nível de consenso aceitável para
os propósitos da pesquisa. Neste trabalho foram realizadas cinco (5) rodadas do
Método Delphi, número que possibilitou o alcance de consenso em cerca de 90%
dos itens investigados. A seqüência das rodadas realizadas encontram-se ilustradas
nas FIGURA 5.2 a seguir. Note que o tempo médio entre cada rodada foi ao redor de
dez dias.
FIGURA 5.2 – CRONOGRAMA DAS RODADAS REALIZADAS – MÉTODO DELPHI
Giublin, C. R.
O
96
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
questionário
originalmente
desenvolvido
com
base
na
literatura
apresentada no Capítulo 4, apresentou 98 itens (vide ANEXO A), divididos em seis
grupos. Após consulta aos especialistas e de acordo com o consenso obtido na
primeira rodada, decidiu-se pela execução das rodadas seguintes com a totalidade
dos itens, e não com segmentos do questionário como havia sido originalmente
planejado. A razão pela adoção deste procedimento foi a grande disponibilidade e
motivação dos especialistas para com esta pesquisa.
5.7
VALIDAÇÃO
Buscou-se a validação interna dos resultados desta pesquisa através do
questionamento dos próprios especialistas com relação à validade de um “relatório
final”. Este relatório foi encaminhado para os especialistas, também como forma de
reconhecimento da ajuda dos mesmos no desenvolvimento desta pesquisa. Apesar
deste procedimento, é do entendimento do pesquisador que a própria dinâmica do
Método Delphi confere validade interna ao longo de todo o processo de coleta de
dados.
A validação externa, a qual poderia acontecer, por exemplo, na aplicação das
diretrizes resultantes em um estudo de caso, não foi contemplada nesta dissertação,
fazendo parte das sugestões para pesquisas futuras constantes no Capítulo 7 desta
dissertação.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
97
6 RESULTADOS E ANÁLISE
6.1
CONTEXTO
Anteriormente o Capítulo 5 apresentou o método de pesquisa, com a
caracterização do problema, explicação do Método Delphi, o critério para seleção
dos especialistas e, também, aspectos relativos à validação dos resultados. O
presente Capítulo apresenta os resultados obtidos com a aplicação do Método
Delphi, a análise realizada e, finalmente, apresenta as diretrizes para planejamento
de canteiros de obra de pavimento de concreto, conforme estabelecido nos objetivos
desta pesquisa. O Capítulo 7 seguinte finaliza a dissertação com a apresentação
das conclusões finais e as recomendações para futuros trabalhos.
6.2
INTRODUÇÃO
No Capítulo 4, foi apresentada a revisão bibliográfica dos componentes gerais
para implantação de canteiro, com maior influência da literatura para canteiros de
obra de edificações. Neste Capítulo, estarão sendo analisadas as respostas do
questionário dadas pelos especialistas em canteiros de obra para pavimentos de
concreto, adicionando assim conteúdo adicional para a literatura neste campo do
conhecimento.
Cerca de 90% das 98 questões apresentadas no questionário original
(ANEXO A) alcançaram consenso total entre os especialistas. As questões que não
apresentaram consenso ocorreram mais devido a interpretações dos especialistas
com relação à aplicabilidade de determinadas práticas em obras de pavimento de
concreto. As respostas dadas pelos especialistas demonstraram a existência de
diferenças entre canteiros de edificações em relação a canteiros de obra em
pavimentação que não são apontadas claramente na literatura consultada.
Um ponto importante que deu margem a significativo volume de discussão
entre os especialistas foi à diferença de prática principalmente entre obras de
pavimentação com grande volume e com poucas restrições de recursos em relação
a obras de pequeno volume e com grandes restrições de recursos. Por recursos
entenda-se a disponibilidade de energia, materiais, pessoal, etc. As implicações
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
98
destas diferenças são profundas no planejamento do canteiro de obra quando
envolve, por exemplo, a definição dos equipamentos para espalhamento,
adensamento e acabamento de concreto (vide Capítulo 3 – item 3.2.3.3.3). Com o
intuito de simplificar a linguagem a ser utilizada nesta dissertação desta seção em
diante, as primeiras serão chamadas como “obras em ambiente urbano” e as outras
“obras em ambiente rural”.
Nas seções seguintes, é analisado em detalhes cada componente de
canteiro, de acordo com o Capítulo 4, bem como das contribuições recebidas dos
especialistas. Esta análise constitui-se nas diretrizes para o planejamento de
canteiros de obra de pavimento de concreto objetivadas por esta pesquisa. No item
6.4 deste Capítulo as diretrizes são então compiladas no formato de uma lista de
verificação.
Alguns componentes de canteiro de obra para pavimentação de concreto, tais
como, posto de abastecimento de combustíveis, paióis de explosivos e sistema de ar
comprimido, foram identificados na última rodada de pesquisa junto aos
especialistas, e não foram descritos em detalhes neste trabalho.
6.3
COMPONENTES GERAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE CANTEIRO
6.3.1 Elementos de Proteção
Resultados
O tapume é o elemento principal de proteção de canteiro de obra. Apesar
desta afirmação no Capítulo 4, a pesquisa entre os especialistas não obteve
consenso neste item quanto a obras de pavimento de concreto. O resultado foi de
85,7% de aprovação do uso de tapumes, e 14,3% de não aprovação. Entre os
especialistas que concordaram na aplicação de tapumes, foi comentada a utilização
em duas situações distintas:
•
obras urbanas: recomendado pelos especialistas o uso de tapumes na
construção de edificações de canteiro (escritórios – central e de campo,
refeitório, entre outros) e nos locais de escavações para implantação de
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
99
obras de infra-estrutura. Nestas obras os especialistas recomendaram a
utilização de telas metálicas;
•
obras rurais: foi recomendado o uso de cercas divisórias nos limites das
propriedades que são cortadas pelo eixo da rodovia. O uso de tapumes ou
cercas divisórias foi recomendado também para aplicação nas instalações
industriais da obra. A pesquisa entre os especialistas concluiu pelo uso de
arame farpado de maneira geral neste tipo de obra.
Análise
Nas futuras obras de pavimentos de concreto, deve-se estudar a aplicação de
tapumes de acordo com as situações descritas pelos especialistas, tendo em vista
as diferenças de executar uma obra em ambiente urbano em relação ao ambiente
rural. Contudo, muitos aspectos apontados na literatura e na própria experiência do
pesquisador não foram apontados pelos especialistas, tais como alternativas de
materiais para tapumes e os efeitos do mesmo na imagem da empresa.
Em obras urbanas, além das edificações de canteiro e dos locais de
escavações, devem-se prever fitas fluorescentes ou outro tipo de material de
sinalização, colocadas nos dois lados em toda a extensão da pista recém executada
com concreto. Este procedimento tem o intuito de alertar visualmente a proibição e
perigo da transposição de trabalhadores ou transeuntes por sobre o concreto em
estado fresco. Em obras rurais, é fundamental a segurança das instalações de
canteiro e, principalmente, das instalações industriais, já que em locais ermos e
distantes de grandes centros, a possibilidade de roubo é maior. Além deste fato,
estas instalações geralmente são de grande porte e tem custo fixo elevado.
O uso de material de segurança, sinalizando as atividades da obra em
ambiente urbano ou rural, deixou de ser apenas uma questão pura e simples de
segurança. É também uma questão de imagem da empresa executora, devendo
fazer parte do planejamento de marketing da empresa ao nível do canteiro de obra.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
100
6.3.2 Instalações Provisórias
6.3.2.1 Áreas de vivência
6.3.2.1.1 Refeitório
Resultados
A instalação de área para uso de refeitório nos canteiro de obra de
pavimentos de concreto foi consenso de 100% dos especialistas. A pesquisa
revelou, entretanto, um item em desacordo com a recomendação de parte da
bibliografia descrita no Capítulo 4: o uso ou não da área de refeitório para outros
propósitos. De acordo com o consenso de 100% dos especialistas, o local deve ser
específico para refeições. Esta recomendação está de acordo com a NR-24, item
24.3.14, que diz: “é proibido o uso do refeitório, ainda que em caráter provisório,
para depósito, bem como para quaisquer outros fins”.
Nas questões da pesquisa, referente aos itens que o refeitório deve ter, e que
são prescritos pela NR-18, os especialistas tiveram consenso de 100%. São elas:
deve haver lavatórios instalados nas proximidades do refeitório ou no seu interior;
deve ter fechamento que permita isolamento durante as refeições; deve ter piso de
concreto, cimentado ou outro material lavável; deve ter depósitos com tampa para
detritos; deve ter assentos em número suficiente para atender aos usuários. Como
comentário, 28,6% dos especialistas concordaram com a utilização do refeitório em
sistema de rodízio de horários de refeição.
A pergunta aos especialistas, questionando se as mesas devem ser
separadas de forma que os trabalhadores agrupem-se segundo a sua vontade,
obteve concordância de 85,7% deles. Os comentários sugerem a possibilidade de
utilização de mesas grandes e não distinção da área do refeitório por cargos
hierárquicos ou funções. Segundo os comentários, este é um fator que ajuda na
manutenção da qualidade do refeitório, gerando ambiente favorável para seu
gerenciamento e satisfação dos trabalhadores.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
101
Análise
Embora a posição dos especialistas e da própria norma é positiva em relação
à proibição da utilização do refeitório para outras atividades, tais como palestras e
treinamento dos trabalhadores, entende-se que tais usos do refeitório não são
apenas viáveis mas como são necessários no atual ambiente sócio-econômico do
setor da construção. Contudo, a própria NR-18, numa contradição com a NR-24,
preconiza que no planejamento dos canteiros de obra, deve-se prever nas áreas de
vivência locais para recreação (lazer) para os trabalhadores, e que o refeitório
poderia ser utilizado para este fim. A necessidade de capacitação da força de
trabalho é premente e os recursos economizados na construção de ambientes
específicos para treinamento poderiam ser utilizados na ampliação da gama de
oportunidades para capacitação dos trabalhadores. Normalmente não existe área
especifica para estes eventos no canteiro de obra e o refeitório apresenta
geralmente condições aceitáveis para a realização de atividades de aprendizado.
Conclui-se a partir das opiniões dos especialistas que as obras de pavimentos
de concreto, tanto urbanas como rurais, tem as mesmas características de outras
obras, no que se refere à instalação de refeitórios. No planejamento de refeitório de
canteiro de obras, no mínimo deve-se levar em consideração todas as
determinações da NR-18 e, complementarmente, da NR-24.
6.3.2.1.2 Cozinha
Resultados
A instalação no canteiro de obra de cozinha foi consenso entre 100% dos
especialistas. Alguns alertaram para a possibilidade de usar serviço terceirizado de
fornecimento de alimentação em algumas condições específicas. Devido ao
aprimoramento e profissionalização do setor de alimentos terceirizados, este serviço
tem sido bem aceito pela maioria dos trabalhadores e têm se mostrado
economicamente viável.
Na pesquisa realizada referente aos itens que a cozinha deve ter os
especialistas tiveram consenso de 100%, e estão relatados a seguir: deve existir
Formatado
Giublin, C. R.
102
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
ventilação natural e/ou artificial que permita boa exaustão; deve ter paredes de
qualquer tipo de material, contanto que atenda as condições de higiene; deve
permitir o isolamento durante as refeições; deve ter piso cimentado, de concreto, ou
de outro material de fácil limpeza; deve possuir instalações sanitárias sem haver
comunicação com a cozinha; deve ser de uso exclusivo dos funcionários que
manipulam os gêneros alimentícios e, finalmente, deve ficar em local adjacente ao
local das refeições.
Análise
O padrão das respostas obtidas junto aos especialistas revelou que a
instalação da cozinha no canteiro de obra de pavimentos de concreto geralmente
acontece em obras rurais, afastadas dos centros habitacionais. Pode ser terceirizada
ou não, e deverão atender no seu projeto, todas as prescrições da NR-18. Cuidados
adicionais devem ser tomados, nos aspectos da qualidade das refeições,
procurando atender a gramatura dos alimentos recomendada pelos nutricionistas.
No caso dos operários que estão nas frentes avançadas de trabalho das
obras de pavimentos de concreto é freqüente também o uso de marmitas
acondicionando
as
refeições.
É
necessário
nestas
situações,
o
correto
dimensionamento dos aparelhos específicos da cozinha para preparo e manuseio
destas refeições.
6.3.2.1.3 Vestiário
Resultados
Os especialistas concordaram em 100% com a necessidade de implantação
de vestiários no canteiro de obra, mas alertaram que este item é dependente do
tamanho e da localização da obra. Foi recomendado também, que seja cumprida a
determinação da NR-18 que diz: “todo canteiro de obra deve possuir vestiário para
troca de roupas dos trabalhadores que não residem no local”.
Na pesquisa realizada junto aos especialistas, referente aos itens que o
vestiário deve ter, foi obtido consenso de 100%, e estão a seguir relatados: deve ser
dividido conforme as equipes de produção ou por frente de trabalho; deve ter piso de
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
103
concreto, cimentado ou material equivalente, tendo como observação a possibilidade
de uso de contêineres como elemento substituto da edificação; deve ter bancos e,
também, cabides que não sejam pregos e, finalmente, deve ter armários individuais
dotados de fechadura e cadeado, visando maior segurança ao trabalhador.
Análise
A instalação de vestiários no canteiro de obra de pavimentos de concreto é
necessária tanto para obras urbanas como rurais. O planejamento das edificações
que atenderão ao vestiário, deverá seguir as orientações da NR-18, não havendo
nenhuma discordância por parte dos especialistas quanto ao conteúdo daquela
norma. Em obras urbanas e rurais, na medida do possível é indicada a localização
do vestiário em área próxima à entrada da obra, já que isto obriga o trabalhador a
usar os equipamentos de proteção individual quando trafegar pela obra.
A experiência normalmente verificada em obras rurais de pavimentação, é do
vestiário e dos alojamentos serem instalados em área separada, ao lado das
edificações da obra. Isto permite que os trabalhadores tenham uma maior
privacidade e evita o contato das áreas de trabalho com a área de vivência.
6.3.2.1.4 Alojamentos
Resultados
A instalação de alojamentos no canteiro de obra de pavimentos de concreto
resultou em consenso de 100% na pesquisa realizada junto aos especialistas. Foi
recomendada a utilização preferencial de trabalhadores da região, quando em obras
urbanas, para diminuir a necessidade de construção (mobilização) de grandes áreas
de alojamentos. Caso a mão-de-obra local não atenda às necessidades
operacionais, como alternativa foi recomendado o eventual aluguel de imóveis na
localidade da obra antes da instalação de alojamentos. Por outro lado, em obras
rurais, que normalmente são distantes de centros urbanos, faz-se necessário à
construção de alojamentos nas obras.
A questão colocada para os especialistas sobre quais os materiais
recomendados para serem utilizados na construção dos alojamentos obteve
Formatado
Giublin, C. R.
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104
consenso quanto a algumas tipologias construtivas: alvenaria de tijolos ou blocos,
madeira, chapas galvanizadas, e outros, contanto que atenda às especificações
técnicas definidas em projeto. Construção mista de alvenaria nos banheiros e
madeira nos quartos foi considerada uma boa solução pelos especialistas, pois
atende com conforto os funcionários e facilita a remoção do acampamento no final
da obra. O consenso de 100% dos especialistas foi dominante neste item.
Na pesquisa realizada junto aos especialistas, referente aos itens que os
alojamentos devem ter, foi obtido consenso de 100%, e estão a seguir relatados:
devem ter piso de concreto, cimentado, madeira ou outro; devem ter área de
ventilação de no mínimo 1/10 da área do piso; devem ter iluminação artificial e/ou
natural e, finalmente, devem ter área mínima de 3,0m2 por módulo cama/armário,
incluindo a área de circulação.
Análise
As rodadas do Método Delphi revelaram que a importância de implantação de
alojamentos em obras de pavimentação de concreto está relacionada à necessidade
de manter uma equipe qualificada de profissionais que atuam nos diversos
equipamentos (vide Capítulo 3). Normalmente estas pessoas não têm ligação com a
localidade de execução das obras, fato que obriga a empresa a implantar
alojamentos no canteiro de obra. Estes alojamentos deverão seguir as orientações
da NR-18, quando da sua implantação. Outro fator importante é a rapidez de
execução destas obras, fato que obriga as empresas à não dispensar os
profissionais já treinados, utilizando esta mão-de-obra especializada em outras
obras.
Geralmente o ritmo de trabalho nestas obras é intenso, normalmente de 10
horas por dia e, em muitos casos, trabalha-se até nos finais de semana. Isto impõe a
necessidade de ter boa parte da mão-de-obra morando no canteiro de obra. Há que
se salientar também que este tipo de mão-de-obra está acostumado a esta situação
de trabalho, muitos há anos trabalhando longe das suas famílias. No ato da
contratação muitas vezes já são verificados o nível de mobilidade do profissional e
sua concordância com tal situação.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
105
6.3.2.1.5 Instalações sanitárias
Resultado
A pesquisa entre os especialistas resultou em aprovação de 100% do
conteúdo deste item. Sendo item básico para a obtenção de higiene e segurança do
trabalhador, e importante para o bom andamento da obra. Exige, entretanto, grande
mobilidade das estações de trabalho e grandes distâncias em relação às edificações
de canteiro. Neste sentido, os especialistas recomendaram que as frentes de serviço
sejam equipadas com banheiros móveis, do tipo contêineres, com produtos químicos
para a sua higienização.
No que diz respeito aos itens sobre instalações sanitárias que foram
analisadas pelos especialistas nesta pesquisa, foi obtido consenso de 100%. Estas
recomendações preconizam que: os banheiros devem estar ao lado do vestiário;
deve haver banheiros volantes nos diversos segmentos da obra; deve haver
recipientes para depósito de papéis usados no banheiro e, no caso de uso de
banheiros do tipo contêineres, com produtos químicos, o papel deve ser depositado
no vaso, para que seja removido juntamente com os dejetos; deve haver nos locais
onde estão os chuveiros, piso de material antiderrapante ou estrado de madeira;
deve haver um suporte para sabonete e cabide para toalha correspondente a cada
chuveiro.
Para a questão colocada aos especialistas de ter banheiros separados
somente para o pessoal de administração da obra (mestre, engenheiro e técnico), o
consenso foi de que haja banheiro especial somente para o escritório central da
obra. Nos escritórios de campo, segundo eles, não há necessidade de separação
dos sanitários, já que esta seria uma medida de segregação de classe com prejuízo
ao bom desenvolvimento da obra. Em ambas as situações, as condições de higiene
e limpeza rotineira dos sanitários devem ser atendidas.
Em outra questão analisada pelos especialistas, foi consenso que as paredes
internas dos locais onde estarão instalados os chuveiros devem ser de material
impermeável (área molhada), como por exemplo, alvenaria com pintura resistente a
água, chapas galvanizadas, alvenaria com aplicação de azulejos, etc.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
106
Análise
Conclui-se através das respostas dos especialistas que para obras de
pavimentos de concreto, independente de ser urbana ou rodoviária, é necessária a
implantação de unidades sanitárias. O planejamento do canteiro deverá definir os
locais mais viáveis para locação das instalações sanitárias, sendo recomendado que
exista instalações nos escritórios, tanto central como os de campo, nos vestiários e
nas frentes de serviços utilizando unidades móveis, como por exemplo, contêineres,
visando o pleno atendimento às exigências prescritas na NR-18. Vale notar que
nenhum dos especialistas contemplou a necessidade de instalações específicas
para mulheres, o que é, também, uma lacuna identificada na literatura nacional. De
maneira similar, percebeu-se a carência de comentários dos especialistas referentes
à necessidade de sistema de tratamento dos efluentes, ainda que provisório.
6.3.2.1.6 Ambulatório
Resultado
Na pesquisa realizada, a implantação de ambulatório em obras de pavimento
de concreto resultou, segundo os especialistas, em 85,7% que aprovaram a sua
instalação e 14,3% que não aprovaram. Para alguns especialistas, a instalação de
ambulatório é função do número de funcionários, sem contudo especificar qual seria
este número. Outros comentários referiram-se à possibilidade de aproveitar as
instalações de hospitais ou outros serviços de saúde nas cercanias da obra, caso
haja dificuldades em recrutar pessoal qualificado e capacitado para prestar estes
serviços. A adoção de tal abordagem, segundo os especialistas, passa por uma
análise crítica da logística global da obra e de avaliações econômico-financeiras.
Mesmo sem consenso quanto à implantação do ambulatório, todos os
especialistas concordaram (por consenso de 100%) que os materiais empregados
para construção do ambulatório podem ser todos os enunciados no questionário
(alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc). Os especialistas também solicitaram
a inclusão de contêineres entre as opções construtivas para o ambulatório, desde
que atendam as condições de projeto e de higiene e segurança.
Formatado
Giublin, C. R.
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107
Análise
A implantação de ambulatório em obras é sempre muito questionada pelos
construtores, pois sempre está associada a aumento de custos indiretos, tais como:
a própria construção do ambulatório; necessidade de enfermeiros; material de
primeiros socorros (em maior quantidade e diversidade); necessidade de médicos
em período parcial ou integral; eventualmente uma ambulância, entre outros. Isto
sempre leva a que todos procurem solução para atendimento médico nos hospitais
da região da obra. Esta solução, quando possível, é geralmente mais simples e
economicamente viável. O modelo de formalização deste atendimento geralmente é
através de convênios.
Notadamente os especialistas não souberam os critérios exatos para a
decisão pela implementação ou não de um ambulatório. Já a NR-18, no item 18.4.1,
prescreve a necessidade de instalação de ambulatório em obras que tenham
número igual ou superior a cinqüenta trabalhadores. Em função disto, os futuros
gerentes devem estar atentos a esta atividade tão logo se inicie o planejamento do
canteiro de obra de pavimento de concreto, principalmente porque são obras de
grande risco aos profissionais envolvidos.
6.3.2.2 Áreas de apoio
Formatado
6.3.2.2.1 Escritório
Resultados
A implantação de escritório em obras de pavimento de concreto foi consenso
de 100% entre os especialistas pesquisados. Os especialistas recomendam que,
pelo caráter de mobilidade destas obras, não há necessidade de instalações
complexas, podendo utilizar-se de escritórios montados em contêineres. O tamanho
e número destas instalações são função do volume de trabalho e do tempo de
execução da obra.
A questão de localização do escritório no canteiro foi respondida pelos
especialistas,
de uma maneira geral, colocando como válidas
todas as
possibilidades enunciadas no questionário. Os especialistas adicionaram a lista de
Giublin, C. R.
108
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
possibilidades apresentada no questionário alternativas a seguir descritas: posição
com fácil comunicação com todos os setores da obra; provido de acesso externo
para terceiros; próximo das áreas de controle de materiais; implantação rápida e
econômica e localização estratégica. Os especialistas alertam para que se tomem
cuidados especiais na definição da posição do escritório da obra, assim como de
todas as outras instalações, com respeito às restrições ambientais locais, que muitas
vezes impõe soluções diferenciadas das originalmente definidas.
Na questão de qual deveria ser o material empregado na construção dos
escritórios, a concordância foi da possibilidade de uso de todos os materiais
enunciados
na
pergunta
especialistas solicitaram
(alvenaria,
também
a
madeira,
chapas
inclusão da
metálicas,
solução em
etc).
Os
contêineres.
Recomendam ainda que seja analisada a viabilidade técnico-econômica de se
aproveitar materiais locais na confecção das instalações provisórias. Na visão dos
especialistas, a seleção dos materiais deve contemplar a possibilidade de
reaproveitamento em futuras obras.
Análise
As perguntas associadas ao item escritório apresentaram grande consenso
entre os especialistas. Sendo o escritório da obra em pavimento de concreto um
ambiente onde também são realizadas atividades de relações públicas e de solução
de problemas entre as equipes de trabalho, o mesmo deve possuir ambiente
adequado para tal propósito. Entretanto, ficou claro na análise das respostas dos
especialistas que o gerente da obra deve procurar racionalizar as dimensões do
escritório, principalmente em função dos custos de implantação.
6.3.2.2.2 Almoxarifado e ferramentaria
Resultados
A implantação de almoxarifados e ferramentaria em obras de pavimentação
de concreto, de acordo com os especialistas, obteve consenso de 100%. O único
comentário foi de recomendação para que se estude e dimensione o mesmo em
função do tamanho da obra.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
109
Na pesquisa realizada junto aos especialistas, referente aos itens que o
almoxarifado e ferramentaria deveriam ter, foi obtido consenso de 100% nas
seguintes questões: deve possuir ponto de descarga de caminhões (docas de
descargas); deve ser dividido em dois ambientes (ou mais), um para armazenagem
de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife; deve possuir janela
externa para atendimento dos trabalhadores.
Análise
A experiência dos especialistas para este item, demonstra a prática corrente
neste tipo de obra. Entretanto, os futuros gerentes devem analisar, também, a
localização da obra e as condições de apoio da região, pois em muitos casos há
possibilidade do fornecimento de materiais e peças de equipamentos em distâncias
relativamente curtas, que poderiam agilizar a execução da obra sem necessidade de
grandes áreas de almoxarifado. É uma tendência das obras mais próximas ao
ambiente urbano. No caso das obras rurais e mais afastadas dos centros urbanos,
geralmente é inviável este procedimento e inevitável a construção de almoxarifados
de tamanho a atender a programação da obra.
6.3.2.2.3 Guarita de segurança para guardas e porteiros
Resultados
Os especialistas recomendaram a utilização de guarita de segurança para
guardas e porteiros para obras de pavimentação de concreto, com consenso de
100%. Alertam, também, que além da implantação da guarita, localizada geralmente
na entrada do canteiro de obra, exista segurança fixa, através de vigilantes, nas
instalações industriais. Todos concordaram também de que guardas e porteiros
devem distribuir crachás de identificação na guarita.
Na questão de distribuição dos capacetes de segurança (EPI’s) para os
visitantes na própria guarita, o consenso não foi obtido, havendo 14,3% de respostas
contrárias. Para os especialistas, os visitantes devem ser identificados pelo pessoal
da administração da obra e receber os capacetes de segurança, mas não chegaram
a um acordo de consenso do local de distribuição dos capacetes.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
110
Análise
Ficou claro nas respostas dos especialistas que em obras de pavimentos de
concreto, urbanas ou rurais, a implantação de guaritas de segurança é
recomendada. A questão do local de distribuição dos capacetes aos visitantes no
caso de obras de pavimento em concreto, item sem consenso entre os especialistas,
não é um item crítico para este tipo de obra. Muitas vezes, por exemplo, as pessoas
entram com seus veículos até próximo dos locais de produção. Sendo assim, cabe
às administrações das obras determinar o local de distribuição dos capacetes e, o
mais importante, exigir o uso dos mesmos pelos visitantes quando dentro das áreas
do canteiro.
6.3.2.3 Vias de circulação
Resultados
Os especialistas recomendaram (100%) a execução de vias de circulação, e
comentaram que as mesmas devem sempre estar em bom estado de conservação,
com manutenção constante. Este procedimento visa garantir a maior segurança para
as pessoas e maior eficiência no fluxo de equipamentos e material, bem como, custo
menor de manutenção nos eventuais reparos.
Análise
No caso específico de pavimentos de concreto, a alimentação constante de
concreto na frente da máquina impõe uma via de circulação construída ou mantida
em perfeitas condições de uso. As respostas dos especialistas mostraram também
que as vias de circulação são elementos de vital importância ao bom desempenho
da produção, visto que por ela passam todos os equipamentos que transportam os
materiais para as frentes de serviço. O planejamento adequado das vias de
circulação, reduz custos e desperdícios de tempo de toda a estrutura operacional da
obra.
Para a demarcação destas vias permanecem válidos todos os comentários
tecidos acerca da sinalização do canteiro apresentados no item 6.3.1
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
111
6.3.3 Instalações Industriais
6.3.3.1 Central de armação
Resultados
Na pesquisa realizada junto aos especialistas foi obtido consenso de 100%
para implantação de central de armação para obras rurais. Estas obras geralmente
são de porte e ritmo maior, com um grande consumo de armação. De qualquer
forma, as armações não são complexas, e necessitam mais de escala de produção
das estruturas, do que de elaboração (corte e dobra, por exemplo). Neste caso, os
especialistas recomendaram a instalação de uma central de armação, que poderia
ser apenas uma área coberta para proteção contra as intempéries.
No caso de obras urbanas, geralmente o porte e o ritmo de execução da obra
é menor, sendo possível adquirir, junto aos fornecedores, as armações já cortadas e
dobradas. Neste caso, havendo controle de entrega das armações de acordo com o
cronograma de uso, as mesmas podem ficar armazenadas em locais próximos as
aplicações. Os serviços complementares de montagem das estruturas seriam
executados neste mesmo local. Nesta situação a recomendação dos especialistas
foi para a não instalação de central de armação fixa no canteiro de obra.
Na questão de qual poderia ser o material utilizado na construção das centrais
de armação, os especialistas concordaram (consenso de 100%) que qualquer
material que atenda as necessidades (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas, etc)
pode ser utilizado. O importante é que o projeto da obra contemple todos os tipos de
aço e detalhes das armaduras que serão utilizados, para que no planejamento da
central de armação, ela possa ser construída com as dimensões e materiais
corretos, evitando futuras improvisações.
Na questão dos equipamentos que devem estar disponíveis na central de
armação para obras de pavimentos de concreto, foi consenso (100%) somente o uso
de máquina de corte e aparelho de corte e solda. Os outros equipamentos
questionados junto aos especialistas, como por exemplo, máquina de dobrar e
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
112
calandra, não foram recomendados, pois normalmente as armaduras utilizadas são
retilíneas e não necessitam de trabalhos adicionais.
Análise
As opiniões dos especialistas quanto à central de armação foram bastante
coerentes com a dinâmica característica de uma obra de pavimento de concreto, já
que as armaduras aplicadas em pavimentos de concreto são extremamente simples
e retilíneas. O gerente da obra deve tão somente dimensionar o espaço de trabalho
da central de armação, levando em consideração o cronograma de uso das
armações no campo, bem como as orientações de segurança da NR-18.
Em obras utilizando as pavimentadoras de formas deslizantes (vide detalhes
das pavimentadoras de formas deslizantes - item 3.2.3.3.3), o consumo de
armaduras por turno de trabalho é alto e, nestes casos, recomenda-se um estudo
mais detalhado da área da central de armação e do local para armazenagem das
armaduras prontas (geralmente em área ao lado da central).
6.3.3.2 Central de formas
Resultado
Na pesquisa realizada, os especialistas não concordaram com a implantação
de central de formas (71,4%) em obras de pavimentos de concreto. Diversos
comentários colaboraram para que a instalação de central de formas não fosse
aprovado pelos especialistas, e são descritos a seguir: neste tipo de obra utilizam-se
formas metálicas de baixa complexidade, sendo que sua execução e a própria
concretagem geralmente são terceirizados; as formas normalmente são estruturadas
para resistirem toda a obra.
A recomendação final dos especialistas foi de que não é aplicável uma central
de formas tradicional, no modelo de outras obras de concreto, mas que uma
pequena área de outra estrutura do canteiro (exemplo: central de armação, oficina
de manutenção e reparo, etc) poderia ser utilizada para eventuais serviços
auxiliares. O argumento para os que concordaram na instalação da central de
formas (28,6%) é de que sempre será necessário fazer gabaritos e complementos
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
113
de madeira para uso junto às formas metálicas (quando se utiliza equipamento de
pequeno porte – vide item 3.2.3.3.3). Neste caso, recomendam uma pequena central
de formas.
Análise
Pode-se separar a questão da implantação ou não de uma central de formas
sob o ponto de vista do uso dos diversos equipamentos de aplicação do concreto.
Nas obras que são executadas com equipamentos de pequeno porte e formas-trilho
(vide item 3.2.3.3.3) as formas são metálicas e raramente utilizam madeira (a
literatura coloca este material como opção de uso, apesar da experiência de
utilização do pesquisador ter demonstrado o contrário). Nas obras que são
executadas com equipamentos de formas deslizantes (vide 3.2.3.3.3), a forma está
incorporada ao equipamento, não existindo necessidade de uso de madeira para
qualquer atividade. Para os dois casos acima, considera-se a recomendação da não
instalação de central de formas dos especialistas como pertinente para as obras de
pavimento em concreto.
6.3.3.3 Central de britagem
Resultado
A instalação de central de britagem em obras de pavimentação de concreto
foi bastante questionada pelos especialistas, apesar da necessidade de agregados
para a composição do concreto. O consenso de 100% foi atingido entre eles, quando
ficou definida a possibilidade de uso de pedreiras comerciais, isto para alguns casos.
Em obras urbanas, normalmente existe fornecimento comercial de agregados, o que
de uma maneira geral, inviabiliza a instalação de central de britagem. Em obras
rurais, a instalação de central de britagem depende da logística de execução da
obra, da disponibilidade de pedreiras comerciais na região e, também, da relação
custo/benefício desta instalação.
Quando questionados sobre qual deveria ser o local de instalação da central
de britagem, os especialistas indicaram as seguintes possibilidades: próxima à jazida
de material (ou área de mineração); próxima a central de concreto e/ou localizada
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
114
em local com custos de transporte justificáveis. A seleção destas possibilidades
depende de análise criteriosa caso-a-caso.
Análise
Nos estudos para instalação de uma central de britagem, em função dos altos
custos envolvidos, o gerente deve ter em mente a relação custo/benefício que possa
vir a ganhar para o resultado financeiro do contrato. Os especialistas recomendam a
necessidade de uma intensa pesquisa na região da obra, no que se refere à
possibilidade de fornecimento comercial de agregados. Esta pesquisa deve levar em
consideração também, os volumes de agregados envolvidos, o prazo de execução
da obra e o dimensionamento dos equipamentos de britagem para atender a
demanda de consumo. De qualquer forma é prática comum para as empresas que
executam obras de pavimentação similares (por exemplo: pavimentação asfáltica)
instalarem centrais de britagem, e esta prática pode ser estendida à tecnologia de
pavimentação em concreto.
6.3.3.4 Central de concreto
Formatado
Resultados
A pesquisa revelou que os especialistas são favoráveis (100%) à implantação
de central de concreto em obras de pavimentação de concreto. No planejamento do
canteiro, a recomendação foi de analisar os volumes de concreto envolvidos, os
seus custos e da eventual disponibilidade de centrais de concreto comerciais
próximas à obra. Do estudo de viabilidade decorrente destas informações, sairá a
melhor opção para o fornecimento de concreto para a obra.
Uma
questão
importante
levantada
junto
aos
especialistas,
foi
a
recomendação para atenção na escolha do tipo de central de concreto necessário
para obras de pavimentação de concreto. A experiência do grupo de especialistas
apontou para a instalação de uma central de concreto do tipo dosadora e
misturadora. Esta central foi recomendada para execução da sub-base de Concreto
Compactado com Rolo – CCR, conforme item 3.2.2, caso seja especificado em
projeto.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
115
A central de concreto deve possuir minimamente silos de armazenagem de
cimento a granel, sistema de controle informatizado, equipamentos para dosagem de
aditivos, entre outros.
Na questão que deveria apontar para a distância ideal de instalação da
central de concreto até o ponto médio de aplicação na obra, os especialistas
divergiram significativamente de opinião. O resultado mostrou que 85,7% dos
especialistas concordaram com a distância de 10km, ou abaixo de 10km. Os outros
14,3% dos especialistas apontaram como a distância ideal, àquela que fica entre
1,0km e 5,0km.
Como comentários adicionais dos especialistas, temos o seguinte: um
especialista alertou para que fosse observada a distância de transporte máxima de
40 min de trajeto e que não deveria ultrapassar o tempo de 1:30 min para a
aplicação do concreto fresco; outro considerou baixa a distância informada no
questionário (até 10km), devido o transporte ser rápido em caminhões basculantes
(dumpers); deve-se considerar uma pequena folga nos tempos de aplicação do
concreto, a fim de compensar eventuais paradas.
Análise
Os gerentes que estarão estudando canteiros de obra de pavimento de
concreto deverão estar especialmente atentos à instalação da central de concreto.
Independente do tipo de concreto a se adotar, o dimensionamento da central de
concreto, bem como a definição de sua posição relativa ao canteiro de obras, deverá
levar em consideração vários aspectos, a saber: volume de concreto a executar;
tipos (classes) dos concretos; consumo de agregados, água, cimento e aditivos;
equipamento que será utilizado no espalhamento e adensamento do concreto na
execução da placa; equipamento e distância de transporte do concreto; possibilidade
de mudança de local durante a obra, entre outros. A análise detalhada destes itens
poderá ajudar na melhor escolha do tipo de central e na logística da obra e causar
impacto significativo dos custos e prazos de execução.
Recomenda-se não instalar a central de concreto em distâncias muito
grandes (maiores que 10Km), conforme o parecer dos especialistas consultados.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
116
Infringir tal recomendação pode implicar em maiores custos de transporte, bem
como dificuldades de ordem técnica. Entre as dificuldades técnicas mais freqüentes,
pode-se citar: segregação do concreto no caso de utilização de caminhões
basculantes; necessidade da utilização de aditivos retardadores para possibilitar a
adequada aplicação em caso de demora na aplicação; possibilidade de atrasos na
produção em caso de atraso do ciclo de fornecimento.
Todavia, há possibilidade técnica de existir distâncias entre a central de
concreto e o ponto médio de aplicação maior que 10km, como exemplificou um dos
especialistas colaboradores, que já trabalhou com distâncias maiores que esta
(25km). Este mesmo especialista alertou, entretanto, que tal prática é possível desde
que se tomem as medidas preventivas (evitar segregação no transporte, adição de
aditivos retardadores, dimensionamento correto de caminhões, etc,) para a correta
aplicação do concreto.
6.3.3.5 Depósito de agregados
Resultados
Levando em consideração a opinião em favor da aplicabilidade de central de
concreto para este tipo de obra por parte os especialistas, os mesmos também
concordaram (100%) com a instalação de depósito de agregados. Recomendaram a
instalação do depósito de agregados ao lado da central de concreto, como sendo o
melhor e mais econômico local. Recomendam também que os agregados devem
estar separados por baias. Para a alimentação de agregados para a central,
recomendaram a utilização de equipamento de carregamento exclusivo, como por
exemplo, do tipo carregadeira de pneus.
Houve consenso quanto a não utilização de piso cimentado nas baias de
agregados para evitar contaminação do estoque. As razões comentadas pelos
especialistas foram as seguintes: piso cimentado impede a drenagem d’água; custo
do piso cimentado será maior que a forração com o próprio material e, também,
dificuldades devido à exigência de drenagem nas baias dos agregados, a fim de
permitir um maior padrão na umidade dos agregados.
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
117
Análise
Fazendo parte da logística de operação da central de concreto, a existência
de depósitos de agregados é de vital importância para o correto desempenho da
obra. No planejamento do canteiro, a área para o depósito de agregados deve estar
equilibrada com a demanda máxima diária. Uma área muito pequena e restrita
implicará em um fluxo mais complexo de equipamentos para reposição de estoque,
atrapalhando a operação da central. Por outro lado, áreas muito grandes, implicam
em grande movimentação do equipamento de alimentação da central (carregadeira
de pneus), o que tende a aumentar os custos de transporte e movimentação.
Quanto à recomendação dos especialistas para não utilizar pisos cimentados
nas baias de agregados, a experiência tem demonstrado uma maior utilização do
próprio material como forração. Neste caso, deve-se tomar cuidados adicionais no
carregamento dos materiais nas baias, principalmente quando o estoque encontrase baixo, para que não ocorra retirada deste material de forração durante o processo
de carregamento dos silos da central de concreto. A razão para tal reside na
possibilidade destes materiais encontrarem-se contaminados com agentes nocivos
ao concreto.
6.3.3.6 Laboratório de controle tecnológico
Resultados
A contínua utilização de concreto neste tipo de pavimento foi levada em
consideração pelos especialistas, que aprovaram (100%) a instalação de laboratório
de concreto no canteiro de obra. Observaram, também, que em obras urbanas, é
viável a utilização de laboratório de concreto de empresas da região ou, realização
desta atividade nas instalações fabris dos possíveis fornecedores de concreto. Para
obras rurais, geralmente longe de centros urbanos, é necessário prover o canteiro de
obra com um laboratório que atenda, pelo menos com os ensaios básicos de
controle dos insumos (agregados, cimento, água, etc), com a análise da dosagem
dos concretos e que tenham equipamentos capazes de realizar o controle
tecnológico dos concretos, nos quesitos de resistência à tração e compressão (vide
concreto – item 3.2.3.2.1).
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
118
Análise
A produção de concreto de qualidade, tanto sob o aspecto técnico como sob o
aspecto econômico, depende de adequado controle tecnológico. No caso de
pavimentos de concreto com o uso de equipamentos de formas deslizantes a
produção horária é alta, exigindo um controle rigoroso e ágil da produção e
aplicação de concreto. Assim, seguindo a orientação dos especialistas consultados,
o planejamento do canteiro para este tipo de obra deve prever sempre a instalação
de laboratórios de concreto, e logicamente, o seu tamanho é função do volume de
concreto e prazo de execução da obra.
Na época da realização da pesquisa não foi questionado o uso de laboratório
de solos. Contudo, em face da grande utilização deste tipo de serviço nas fases de
execução das camadas inferiores do pavimento de concreto, entende-se que, da
mesma forma que o caso do laboratório de concreto, deve-se estudar também a
possibilidade de implantação de um laboratório de solos.
6.3.3.7 Oficina de manutenção e reparo
Resultados
Os especialistas entenderam que é aplicável (100%) a instalação de oficina
de manutenção e reparo em obras de pavimentação de concreto. Recomendaram,
entretanto, uma extensa pesquisa na área de execução da obra, visando verificar a
possibilidade de atendimento mecânico, tanto para a manutenção corretiva como a
preventiva, por empresas locais. Separaram também seus comentários de acordo
com as características da obra. As obras urbanas tendem a ser atendida por
empresas locais, evitando a instalação de oficina no canteiro. Já, as obras rurais, em
função do seu porte e uso intensivo de equipamentos, necessitam na maioria dos
casos, de instalações próprias para a manutenção dos equipamentos.
Para a questão do tipo de material que deveria ser utilizado na construção de
oficina de manutenção e reparo, o consenso entre os especialistas foi de uso de
qualquer material que atenda o projeto (alvenaria, madeira, chapas galvanizadas,
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
119
etc) e também, às estruturas metálicas e os elementos pré-moldados em concreto
armado, já que estes permitem pés-direitos altos e vãos maiores.
Análise
A instalação de oficina de manutenção e reparo em obras de pavimentação é
usual tanto para obras de pavimentos asfálticos como de concreto, de acordo com a
opinião dos especialistas. Nos planejamentos dos canteiros deve-se levar em
consideração que os equipamentos nas obras de pavimento de concreto,
freqüentemente são de grandes dimensões, e isto impõe necessidades de áreas
grandes e estruturas com pé-direito alto.
Os modernos equipamentos têm facilitado as atividades de manutenção
através da incorporação de tecnologias que agilizam desde a atividade de
diagnóstico (on-board computers) até a utilização de sistemas de proteção contra
paradas (back-up) ou acidentes (poka-yoke). Neste contexto, é cada vez mais usual
a prática de utilização de profissionais (mecânicos, técnicos em informática e
eletrônica, etc) dos fabricantes para as manutenções destes equipamentos. De
qualquer forma, o pesquisador entende que a instalação desta oficina, mesmo que
de menor dimensão, é ainda necessária para um canteiro de obra de pavimentação
de concreto em ambientes rurais.
Os especialistas não apontaram a necessidade de implantação de um
sistema de captação e destino de resíduos de óleos gerados nas operações de
manutenção dos equipamentos. Apesar disto, como medida de proteção do meio
ambiente, entende-se que há necessidade de se instalar um sistema de coleta de
óleos, não permitindo que o mesmo seja derramado no piso, no sistema de águas
pluviais ou solo adjacente.
6.3.3.8 Área para lubrificação dos equipamentos
Resultados
A pesquisa junto aos especialistas resultou na aprovação (100%) de definição
de uma área para lubrificação dos equipamentos que são utilizados em obras de
pavimentos de concreto. No caso de obras urbanas, os especialistas recomendaram
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
120
a utilização de serviços terceirizados (quando disponível na localidade). Para as
obras rurais, a recomendação foi de instalação de uma área para lubrificação junto à
oficina de manutenção e reparo. Em ambos os casos os especialistas
recomendaram o uso de caminhão comboio para lubrificação dos equipamentos no
campo, junto às frentes de serviço. No caso da questão de ter ou não rampa de
lavagem ao lado da área de lubrificação, os especialistas recomendaram sua
utilização.
Análise
Nas obras pavimentação a área de lubrificação fica instalada normalmente ao
lado da oficina de manutenção e reparo, e muitas vezes, usa-se a mesma estrutura
da edificação para colocá-las uma ao lado da outra. Seguindo o conhecimento
explicitado dos especialistas, a área de lubrificação deve possuir rampas e docas
que facilitem as operações de lubrificação, incluindo-se a instalação de caixa
separadora de óleos e água na rampa de lavagem. Esta medida visa dotar o
canteiro de uma estrutura capaz de cuidar e proteger do principal patrimônio da
obra, em termos de ativos financeiros e, também, o meio ambiente na
circunvizinhança da obra.
Não foram mencionados pelos especialistas cuidados referentes ao destino
dos óleos utilizados pelas máquinas. As preocupações ambientais com tais resíduos
tem sido grandes a ponto de existirem já no mercado empresas especializadas em
coletar, processar e re-introduzir estes óleos no mercado. A ponderação sobre a
solução ambiental a ser adotada para este resíduo deve, então, estar entre as
ponderações do gerente da obra.
6.3.3.9 Depósito para entulho de material (sobras/perdas)
Resultado
Dentro de um mundo cada vez mais poluído e, considerando que as obras
são também agentes poluidores, os especialistas concordaram plenamente (100%)
com a necessidade de ter, no canteiro de obra de pavimentos de concreto, uma área
específica para depósito de entulhos (sobras/perdas de materiais).
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
121
De igual modo, as questões seguintes também foram aprovadas e
recomendadas por todos os especialistas (100%): o entulho deve ser transportado
para local definido de acordo com as normas do Meio Ambiente; o canteiro deve
estar limpo, sem sobras de madeira, concreto, aço, etc, de forma que não prejudique
a segurança e circulação de materiais, pessoas e equipamentos; o entulho deve ser
separado por tipo de material com vistas a viabilizar o seu reaproveitamento.
Análise
Com o apelo ecológico cada vez mais presente em nossas vidas, será uma
atitude correta dos futuros gerente de obras, o estudo de áreas específicas para
depósito de sobras e entulhos das obras. Não é mais admissível que simplesmente
os construtores usem as áreas ao lado da obra, como ponto de descarga de
entulhos, sem o devido planejamento ambiental. Verificou-se entre os especialistas
ainda a utilização do termo “bota-fora” como o local de destino do entulho. Isto
denota certa incompreensão quanto à necessidade de se estudar a possibilidade de
reciclagem dos resíduos gerados no canteiro. Conclui-se então, que há a
necessidade de ações de educação e formação de opinião em todos os níveis
hierárquicos do pessoal envolvido com a execução de obras de pavimento em
concreto.
6.3.4 Instalações Elétricas
Resultados
Tanto as edificações do canteiro de obra de pavimento de concreto bem como
os equipamentos das instalações industriais utilizados na sua execução, utilizam
grande volume de energia elétrica para seu funcionamento. Deste modo, prover o
canteiro de instalações provisórias para distribuição e geração de energia foi
consenso (100%) entre os especialistas.
No planejamento de obras de pavimentação, devem-se prever todas as
necessidades de energia que serão utilizadas quando da execução dos serviços. A
NR-18 prescreve as orientações necessárias para uma eficiente instalação elétrica
no canteiro e é recomendado o seu atendimento.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
122
Os especialistas aprovaram a instalação (100%) de subestação em obras de
pavimentos de concreto, mas observaram que em obras urbanas este serviço é
dispensável. Já no caso das obras rurais, geralmente em locais distantes dos
centros urbanos, e em função do consumo das instalações industriais (britagem,
central de concreto, central de armação,etc) é recomendado à instalação de
subestação.
Em locais aonde a rede energia elétrica pública não existe ou não atende as
demandas da obra, a instalação de geradores pode ser necessária. Os especialistas
aprovaram (100%) esta aplicação, mas ponderam que antes de tudo, deve-se
realizar um estudo detalhado de todas as opções disponíveis no local da obra. Uma
alternativa possível que foi recomendada pelos especialistas, seria a utilização de
geradores somente para a o consumo da central de concreto e para as edificações
de canteiro. Nestes casos é imperativa a compra de todos os insumos para
fabricação do concreto a fim de evitar maiores necessidades de energia dentro do
canteiro. De qualquer forma, somente as condições locais é que poderão dizer quais
as atitudes que o planejamento deverá proceder para atender os serviços da obra.
Os especialistas concordaram (100%) com a instalação de geradores de
emergência no canteiro de obra de pavimentos de concreto, mas recomendaram
também a análise do tamanho da obra, da sua localização geográfica e, ainda, a
reflexão acerca da possibilidade que algum serviço seja prejudicado pela interrupção
temporária do fornecimento de energia pela rede pública.
Análise
As obras de pavimentação de concreto demandam uma produção constante
de materiais. Isto requer que os equipamentos de produção de agregados e
concreto trabalhem em condições constantes de fornecimento de energia.
Oscilações de energia geralmente prejudicam a produção e danificam equipamentos
e, por conseqüência, podem implicar em atrasos no cronograma da obra. Este fato,
obriga a uma atenção maior do gerente de obra para o caso das obras rurais em
locais afastados dos grandes centros. As redes de energia nem sempre estão
preparadas para atender a demanda necessária dos equipamentos principais do
Giublin, C. R.
123
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
canteiro nestes locais. Em muitos casos, é preciso construir redes novas ou
implantar sistemas alternativos de geração de energia. Contudo, estas abordagens
geralmente são muito dispendiosas.
Dependendo da magnitude dos equipamentos, pode existir a necessidade de
instalação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas, sendo a sua
adoção, ou não, dependente de projeto elétrico específico. Este tópico não foi
mencionado em momento algum da coleta de dados junto aos especialistas.
6.3.5 Instalações Hidráulicas
Resultado
O quesito referente a instalações hidráulicas em canteiros de pavimentos de
concreto foi plenamente aprovada (100%) pelos especialistas. Em obras que utilizam
concreto, a água é fundamental para o bom desempenho das atividades. Os
especialistas recomendam que deve existir caixa d’água geral para distribuição no
canteiro e, também, separação entre a água potável e a industrial. Alertaram
também para a necessidade de existir destino final para as águas usadas na
manutenção do canteiro.
Análise
As opiniões dos especialistas quanto às instalações hidráulicas foram
bastante
coerentes
para
canteiros
de
obra
de
pavimento
de
concreto.
Particularmente, o abastecimento de água para as operações da central de concreto
deve ser analisado prioritariamente no planejamento de implantação do canteiro.
Tendo um razoável consumo por hora, e para que a produção não sofra
descontinuidade, é aconselhável que se instale um depósito d’água auxiliar ao lado
da central. No caso das águas de limpeza da central de concreto, é necessário
prover o canteiro com um sistema que permita a decantação das partículas sólidas e
tratamento dos efluentes, impedindo a contaminação do lençol freático e mantendo o
solo em condições ambientais adequadas.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
124
6.3.6 Instalações de Segurança na Obra
6.3.6.1 Proteção contra queda
Formatado
Resultado
Nesta questão, os especialistas não chegaram a um consenso, com 28,6%
dos especialistas discordando da aplicação de proteção contra quedas em obras de
pavimentos de concreto. Alguns argumentaram que geralmente as obras de
pavimentação de concreto não ocorrem em locais que ofereçam risco de quedas
eminentes. Contudo, outros especialistas chamaram atenção para a necessidade
destas proteções naquelas obras executadas sob viadutos e pontes, bem como
quando se executam obras junto a taludes de aterro e escavações para caixas de
inspeção e passagem.
Análise
É uma questão que depende muito da obra que se está realizando. No caso
de obras rurais, com construção de viadutos e pontes, escavações próximas a
taludes de aterros, entre outros, é aconselhável que se tenha algum tipo de
proteção, similar ao que se usa em edificações. Devido à pouca repetição no uso
destas proteções nestas obras, é fundamental que as mesmas possibilitem a rápida
instalação e, também rápida retirada, evitando assim a interrupção das outras
atividades de produção.
6.3.6.2 Sinalização de segurança
Resultado
Na pesquisa junto aos especialistas, o item sinalização de segurança obteve
100% de aprovação. Os itens outros que foram analisados pelos especialistas,
também com aprovação total, estão descritos a seguir: deve haver identificação dos
locais de apoio que compõem o canteiro de obra (banheiros, escritório, almoxarifado,
etc); deve haver alertas quanto a obrigatoriedade do uso de EPI, específico para a
atividade executada, próximos ao posto de trabalho; deve existir identificação dos
acessos, circulação de veículos e equipamentos na obra; deve existir sinalização de
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
125
segurança em vias públicas, com alerta aos motoristas e pedestres, sempre em
conformidade com as determinações dos órgãos competentes; deve haver utilização
de coletes ou tiras refletivas na região do tórax e costas quando os trabalhadores
estão executando obras em vias públicas; deve existir identificação dos locais com
substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis, explosivas e radioativas.
Análise
Durante a execução de obras de pavimentação de concreto em obras rurais,
geralmente existe tráfego ao lado da pista em execução. Isto impõe a necessidade
de um rigoroso esquema de sinalização, principalmente porque os usuários da
rodovia, principalmente aqueles provenientes de outras localidades, freqüentemente
não estão informados quanto à existência de obra no local. Um dos equipamentos
possíveis de utilização nestas situações de risco são os painéis luminosos para
advertência online. Estes painéis estão montados em equipamentos móveis e
transmitem informações dos acontecimentos que estão acontecendo nos trechos a
seguir, podendo ser transportados para todas as frentes de serviço, caso seja
necessário.
Na construção de rodovias, pode-se fazer uso de um expediente utilizado nas
rodovias em operação, que consiste de um sistema de sinalização na própria pista
(ressaltos), o qual causa um efeito sonoro durante a passagem dos pneus. A
experiência de uso deste sistema em rodovias em operação, deveria ser mais bem
estudada pelos gerentes no planejamento dos seus futuros canteiros de obra. A
grande vantagem deste sistema é que ele é de fácil remoção, e pode-se implantá-lo
nos trechos anteriores ao da execução dos serviços. Uma outra prática já vista em
obras pelo pesquisador, é a utilização de vários bonecos representando homens,
com bandeirinhas explicativas ou de alerta nas mãos dos mesmos.
6.3.6.3 Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s
Resultados
A pesquisa questionou os especialistas com respeito à necessidade ou não
de aplicar o uso de equipamentos de proteção individual em obras de pavimentos de
Formatado
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
126
concreto. O resultado foi de aprovação total (100%) dos especialistas. Os sub-itens
aprovados foram os seguintes: devem ser fornecidos capacetes para o uso dos
visitantes; independente da função todo trabalhador devem todos usar botinas e
capacetes; todos os trabalhadores que estiverem executando serviços em andaimes
externos ou qualquer outro, a mais de 2,0m de altura, devem usar cinto de
segurança com cabo fixado na construção.
Análise
As experiências adquiridas pelos especialistas quando da execução das
obras de pavimentação, não levaram a nenhuma dúvida sobre a necessidade de uso
dos EPI’s. A NR-18 diz claramente que “a empresa é obrigada a fornecer aos
trabalhadores, gratuitamente, EPI adequado ao risco e em perfeito estado de
conservação e funcionamento,....”, e a NR-06 prescreve toda a sistemática de
aplicação e uso dos diversos EPI’s. Entende-se assim, que já na etapa de
concepção do planejamento do canteiro, deve-se estudar detalhadamente a
aplicação destas normas em cada fase da obra. Este planejamento inclui desde a
posição de armazenamentos dos EPI’s até os mecanismos de fornecimento e
manutenção dos mesmos.
6.3.6.4 Proteção contra incêndio
Resultados
Nos canteiros de pavimentos de concreto, a pesquisa com especialistas
concluiu que a proteção contra incêndios é aplicável e necessária, com 100% de
aprovação. Com a mesmo opinião, concordaram que o canteiro deve possuir
extintores para combate a princípios de incêndio. Para as edificações de canteiro e
instalações industriais o uso de algum sistema de proteção contra incêndio é uma
prática normal, e obteve-se a concordância dos especialistas.
Análise
Normalmente os equipamentos que executam obras de pavimento de
concreto não possuem qualquer tipo de proteção contra incêndios. No caso de obras
que adotam equipamentos de pequeno porte como o principal instrumento para
Formatado
Giublin, C. R.
127
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
espalhamento do concreto, o perigo de incêndio é reduzido. Não é o mesmo caso
quando se usam equipamentos de formas-trilho e formas deslizantes. São
equipamentos que contem elementos inflamáveis e podem, dentro de uma razoável
estatística ter perigo de incêndio. Contudo, para os veículos que transportam o
concreto, a legislação de trânsito obriga o uso de extintores de incêndio. Sabendo-se
do enorme valor financeiro que a maioria dos equipamentos de pavimento de
concreto representam, percebe neste aspecto uma grande necessidade de melhoria.
6.4
DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO DE CANTEIROS DE OBRA DE
PAVIMENTO DE CONCRETO
O conjunto de diretrizes obtidas junto aos especialistas está descrito na
seqüência em formato de uma lista de verificação, para aplicação na fase anterior à
implantação de canteiros de obra de pavimento de concreto. De igual modo, todas
as recomendações de segurança e medicina do trabalho, prescritas nas NR-06, NR18,
NR-23
e
NR-24
deverão
ser
estudas
para
aplicação
nesta
fase.
Complementarmente, as seções anteriores do presente Capítulo fornecem maiores
detalhes separadamente de cada componente do canteiro descrito nesta lista de
verificação.
QUADRO 6.1 – DIRETRIZES EM FORMATO DE LISTA DE VERIFICAÇÃO
ITENS
QUESITOS PARA PLANEJAMENTO DE
CANTEIROS
1. Elementos de Proteção do Canteiro
Em obras dentro do perímetro urbano, as
Tapumes ou outro
edificações de canteiro serão cercadas com
tipo de proteção
telas metálicas?
Em obras dentro do perímetro urbano, os
locais de escavação para implantação de
obras de infra-estrutura serão cercadas com
telas metálicas?
Há previsão do uso de fitas fluorescentes ou
outro tipo de material de sinalização para
proteção do concreto fresco?
Em obras rurais, as propriedades que são
cortadas pelo eixo da rodovia receberão
cercas divisórias, utilizando arame farpado?
Em obras rurais, as instalações industriais
serão cercadas com arame farpado?
Os elementos de marketing estarão fazendo
parte do planejamento de segurança do
canteiro de obra?
SIM
NÃO
NÃO SE
APLICA
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
2. Instalações Provisórias
2.1 Áreas de vivência
Refeitório
Está prevista a instalação de refeitório?
A área do refeitório será específica para uso
das refeições?
O refeitório terá fechamento que permite
isolamento durante as refeições?
Existirão lavatórios instalados nas suas
proximidades ou no seu interior?
Terá piso de concreto, cimentado ou com
outro material lavável?
Terão depósitos com tampa para detritos?
Terão assentos em número suficiente para
atender aos usuários?
Terão mesas separadas de forma que os
trabalhadores agrupem-se segundo a sua
vontade?
Cozinha
Está prevista a instalação de cozinha?
Terá ventilação natural e/ou artificial que
permita boa exaustão?
Terão paredes feitas com material que atenda
as condições de higiene e que permita o
isolamento durante as refeições?
Terá piso cimentado, de concreto ou outro
material de fácil limpeza?
Possuirá instalações sanitárias sem haver
comunicação com a cozinha, de uso exclusivo
dos funcionários que manipulam os gêneros
alimentícios?
A cozinha estará adjacente ao local das
refeições?
Poderá ser utilizado serviço terceirizado, com
fornecimento de alimentos por empresas da
região?
Serão
fornecidas
marmitas
para
os
trabalhadores das frentes avançadas de
serviço?
Vestiário
Está prevista a instalação de vestiários?
Como alternativa, é viável a instalação de
contêiner
substituindo
as
edificações
tradicionais?
Os vestiários estarão divididos de acordo com
as equipes de produção?
Terá piso de concreto, cimentado ou material
equivalente?
Terão bancos e, também cabides que não
sejam pregos?
Terão armários individuais dotados de
fechaduras e cadeados?
Para obras urbanas, o local de implantação do
vestiário será próximo à entrada da obra?
128
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
Para obras rurais, está prevista a implantação
de vestiários isolados das áreas de
edificações de apoio?
Alojamentos
Está prevista a instalação de alojamentos?
Em obras urbanas, existirá mão-de-obra
disponível na região que dispense a
construção de alojamentos?
Em obras urbanas, caso não exista mão-deobra disponível, será viável o aluguel de casas
na região, ao invés de construção de
alojamentos?
Os alojamentos serão construídos com
material que atendam as condições de
conforto dos trabalhadores?
Terá piso de concreto, cimentado, madeira ou
outro material de fácil limpeza?
Terá área de ventilação de no mínimo 1/10 da
área do piso?
Terá iluminação artificial e / ou natural?
2
Terá área mínima de 3,0m por módulo
cama/armário, incluindo a área de circulação?
Instalações
Sanitárias
Está prevista a implantação de instalações
sanitários no escritório central e nos escritórios
de apoio?
Terão sanitários volantes, do tipo contêineres
ou similar, instalados no campo?
Estarão os banheiros instalados ao lado do
vestiário?
Terão recipientes para depósito de papéis?
Possuirão nos locais onde estão os chuveiros,
piso de material antiderrapante ou estrado de
madeira?
Terá material impermeável instalado nas
paredes das áreas úmidas onde estão os
chuveiros?
Terá suporte para sabonete e cabide para
toalha correspondente a cada chuveiro?
Terá instalações sanitárias separado somente
para o pessoal de administração da obra
(mestre, engenheiro e técnico) no escritório
central?
Terá instalações sanitárias específicas para
mulheres?
Terá sistema de tratamento dos efluentes,
ainda que provisório ?
Ambulatório
Está prevista a instalação de ambulatório?
Será atendida a NR-18 que determina a
instalação de ambulatório em canteiros com
mais de 50 trabalhadores?
Existe possibilidade de atendimento hospitalar
na região em condições de atender aos
trabalhadores da obra?
Os diversos tipos de materiais (alvenaria,
129
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
madeira, etc) que poderão ser utilizados na
construção do ambulatório atenderão as
condições técnicas e de higiene prevista nos
projetos específicos?
Será viável a instalação de contêineres como
substituto das edificações tradicionais?
2.2 Áreas de Apoio
Escritório
Está prevista a instalação de escritório?
Os diversos tipos de materiais (alvenaria,
madeira, etc) que poderão ser utilizados na
construção do escritório atenderão as
condições de conforto e técnicas previstas nos
projetos específicos?
Será estudada a viabilidade técnicoeconômica na escolha do material/sistema
construtivo a ser utilizado, contemplando a
possibilidade de reaproveitamento em outras
obras?
Será racionalizada a dimensão dos escritórios,
em função dos custos de implantação?
O local previsto para instalação do escritório
estará atendendo as condições de segurança,
localização estratégica para visualização,
deslocamentos de pessoal, e outros?
Poderão ser utilizados contêineres como
substitutos das edificações tradicionais?
Almoxarifado e
ferramentaria
Está previsto a instalação de almoxarifado e
ferramentaria?
Possuirá ponto de descarga de caminhões
(docas de descargas)?
Existirá divisão em dois ambientes, um para
armazenagem de materiais e ferramentas e
outro para sala do almoxarife?
O almoxarifado terá janela externa para
atendimento dos trabalhadores?
Em obras urbanas, será estudada a
possibilidade de fornecimento de materiais e
peças
pelas
empresas
da
região,
economizando área de estocagem?
Guarita de
segurança
Está prevista a instalação de guarita de
segurança?
A guarita será instalada junto ao portão de
entrada de pessoas?
As instalações industriais terão vigilância fixa?
Serão distribuídos crachás de identificação na
guarita?
Serão distribuídos capacetes para visitantes
na guarita ou em outro lugar?
2.3 Vias de circulação
Está prevista a implantação de vias de
circulação?
130
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
Existirá esquema de manutenção das vias
circulação do canteiro de obra?
Está previsto um esquema especial
execução e manutenção das vias
circulação que atenderão os serviços
pavimento de concreto?
de
de
de
do
3. Instalações Industriais
Central de armação Para obras rurais, está prevista a instalação
de central de armação?
Será viável a compra de armadura cortada e
dobrada junto a empresas fornecedoras deste
insumo na região?
Os possíveis materiais (alvenaria, madeira,
chapas galvanizadas, etc) que poderão ser
utilizados na construção da central atendem
as características do projeto?
A central de armação possuirá máquina de
cortar e aparelho de corte e dobra?
No planejamento da central de armação,
foram levados em consideração os tipos de
aço e equipamentos, tamanhos e detalhes de
armadura, na definição da área necessária de
implantação?
Central de britagem
Está prevista a instalação de central de
britagem?
O local de instalação da central de britagem
está de acordo com alguma dos critérios
abaixo?
. próximo à jazida de material (ou área de
mineração)?
. localizada em local com custos de
transporte viáveis?
. localizada próxima a central de concreto?
Em obras urbanas e rurais, existe
possibilidade de fornecimento de agregados
através de pedreira comercial?
Se existir, terá condições de atender ao
volume necessário para a obra?
No caso de obras rurais, foram estudados os
aspectos de logística de uso, possibilidade de
pedreiras comerciais na região e a relação
custo/benefício, no processo de viabilização
para instalação de britagem?
Central de concreto
Está prevista a instalação de central de
concreto?
Tanto para obras urbanas como rurais, é
viável o fornecimento de concreto por
empresas comerciais locais?
Já foi especificadas a central de concreto
dosadora e misturadora a ser utilizada?
(levando-se em conta os aspectos de tipo do
concreto, consumo de agregados, água,
cimento e aditivos, equipamentos de
espalhamento de concreto na pista, etc,)
131
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
Para o caso de execução de CCR como subbase, será utilizada a mesma central de
concreto?
Possuirá silos de armazenagem de cimento?
Possuirá equipamentos para dosar os
aditivos?
Terá sistema de controle informatizado?
À distância da central até o ponto médio da
obra será abaixo de 10km?
Depósito de
agregados
Está prevista a instalação de depósito de
agregados?
Estará instalado ao lado da central de
concreto?
Está planejada (dimensões) para atender a
demanda de consumo de agregados?
Terá equipamento de carregamento constante
na central?
Os agregados serão separados por baias?
As baias não terão piso cimentado, para
permitir uma melhor drenagem?
Laboratório de
controle
tecnológico
Está prevista a implantação de laboratório de
concreto?
Está prevista a instalação de laboratório de
solos?
Em obras urbanas, existirão laboratórios de
concreto/solos possíveis de atendimento a
obra na região?
Se existirem, estarão preparados para atender
o controle tecnológico para pavimentos de
concreto?
Oficina de
manutenção e
reparo
Está prevista a instalação de oficina de
manutenção e reparo?
Em obras urbanas, existe a possibilidade de
atendimento junto a empresas da região?
Os possíveis materiais (alvenaria, madeira,
chapas galvanizadas, etc) que poderão ser
utilizados na construção da oficina atendem as
características de projeto?
Para os casos dos equipamentos com
sistemas informatizados, está previsto o
atendimento com os representantes dos
fabricantes na região?
Terá sistema de coleta de óleos, não
permitindo que o mesmo seja derramado no
piso, no sistema de águas pluviais ou solo
adjacente?
Área para
lubrificação dos
Está prevista a instalação de área para
lubrificação dos equipamentos?
132
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
equipamentos
Para obras urbanas, será possível uso de
empresas da região para os serviços de
lubrificação dos equipamentos?
Os possíveis materiais (alvenaria, madeira,
chapas galvanizadas, etc) que poderão ser
utilizados na construção da área de
lubrificação atendem as características de
projeto?
Existirá rampa de lavagem ao lado da área de
lubrificação?
Terá instalação de caixa separadora de óleos
e água na rampa de lavagem?
Terá caminhão comboio mobilizado na obra,
para lubrificação de campo, e elemento
auxiliar na lubrificação da obra?
Terá área específica para depósito dos óleos
usados nos equipamentos?
Depósito para
entulho de material
Está previsto
material?
depósito
para
entulho
de
O material de entulho será transportado para
local definido, de acordo com as normas do
Meio Ambiente?
O canteiro será limpo, ficando sem sobras de
madeira, concreto, aço, etc, de forma que não
prejudique a segurança e circulação de
materiais, pessoas e equipamentos?
O entulho será separado por tipo de material
com vistas a reaproveitamento?
Está previsto treinamento para todos os níveis
hierárquicos da obra, para educação e
conscientização com respeito a resíduos e
seus efeitos danosos para o meio ambiente?
4. Instalações Elétricas
Será instalada energia elétrica provisória?
Instalação de
energia elétrica
Em obras rurais, está prevista a instalação de
subestação?
Está prevista a instalação de geradores, para
o caso de não atendimento de energia pela
rede local?
Está prevista a instalação de geradores de
emergência, para evitar paralisações dos
serviços e eventuais prejuízos?
5. Instalações Hidráulicas
Está prevista a implantação de instalações
Instalações
hidráulicas?
hidráulicas
Terá caixa d’água geral para distribuição no
canteiro?
Será
instalado
tanque
d’água
como
reservatório auxiliar ao lado da central de
concreto?
133
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
Terá separação de água potável e industrial?
Terão um destino final (depósito para
decantação) para as águas usadas na
manutenção da central de concreto?
Terá instalação de sistema de proteção contra
descargas atmosféricas?
6. Instalações de Segurança na Obra
Existe alguma atividade executada em pontos
Proteção contra
elevados que possa colocar em risco a vida
queda
dos trabalhadores?
Sinalização de
segurança
Foi elaborado um plano de sinalização de
segurança no canteiro de obra?
Haverá identificação dos locais de apoio que
compõem o canteiro (banheiros, escritórios,
almoxarifados, etc)?
Haverá alertas quanto à obrigatoriedade do
uso de EPI’s, específico para a atividade
executada, próximos ao posto de trabalho?
Haverá identificação dos acessos, circulação
de veículos e equipamentos na obra?
Existirá segurança em vias públicas, com
alerta aos motoristas e pedestres e em
conformidade com as determinações dos
órgãos competentes?
Haverá utilização de coletes ou tiras refletivas
na região do tórax e costas quando os
trabalhadores estarão executando obras em
vias públicas?
Existirá
identificação
dos
locais
com
substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis,
explosivas caso venha a ocorrer na obra?
Existirão painéis luminosos de advertência nos
trechos que estarão em construção?
Existirão
bonecos,
com
bandeirinhas
sinalizadoras nas mãos?
Terá sinalização sonora próxima ao trecho que
estará em obras?
Equipamento de
Proteção Individual
– EPI
Foi elaborado um plano de aquisição, controle
e distribuição dos equipamentos de proteção
individual aos trabalhadores?
Serão distribuídos capacetes para os
visitantes, se possível logo na entrada da
obra?
Independente
da
função,
todos
os
trabalhadores irão receber e usar botinas e
capacetes?
Caso exista algum serviço em que os
trabalhadores irão trabalhar a mais de 2,0m de
altura, irão receber e usar cintos de
segurança?
Proteção contra
O canteiro terá extintores para combate a
134
Giublin, C. R.
incêndio
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
135
princípios de incêndio nas suas diversas
áreas?
Terão extintores de incêndio instalados nos
equipamentos que executam o pavimento de
concreto?
Na quebra da tabela – colocar o número da tabela e continuação
6.5
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
Neste Capítulo é analisado em detalhes cada componente de canteiro, de
acordo com a literatura pesquisada no Capítulo 4, e através do conhecimento obtido
dos especialistas. Cerca de 90% das 98 questões apresentadas no questionário
original (vide ANEXO A) alcançaram consenso total entre os especialistas. As
questões que não apresentaram consenso ocorreram mais devido a interpretações
dos especialistas com relação à aplicabilidade de determinadas práticas em obras
de pavimento de concreto. As descrições textuais apresentadas ao longo do
Capítulo, são então sintetizadas na forma de uma lista de verificação ao final do
mesmo.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
136
7 CONCLUSÕES
7.1
CONCLUSÕES GERAIS
Confirmou-se a hipótese principal da pesquisa, a qual previa que grande parte
do conhecimento existente na literatura do setor de edificações sobre componentes
de canteiros de obra seria passível de aplicação na área de pavimentação de
concreto. De fato, 65,5% dos itens da lista de verificação desenvolvida proveu do
setor de edificações, sendo que as percentagens restantes ocorreram devido às
peculiaridades das obras de pavimento de concreto. Os itens que permitiram maior
nível de migração do conhecimento do setor de edificações para as obras de
pavimento de concreto foram “instalações provisórias” e “instalação de segurança na
obra”, tendo em vista que em ambos os casos utilizam-se as mesmas
recomendações de norma.
Os itens específicos da lista de verificação desenvolvida ocorreram devido às
peculiaridades das obras de pavimento de concreto. Entre as peculiaridades mais
significativas que influenciaram a geração destes itens pode-se citar a característica
de constante mobilidade das instalações do canteiro de obra, as grandes dimensões
físicas, a dificuldade de delimitação do espaço físico devido à interface com o
ambiente construído e a adoção de equipamentos específicos que requerem
procedimentos e fluxos de produção diferenciados. Como exemplo, sugere-se na
lista de verificação o uso de telas metálicas em obras urbanas e arame farpado em
obras rurais, em contraposição ao tapume tradicional adotado em edificações. Uma
das razões para tal diferenciação é a necessidade de rápida mobilização e
desmobilização destas proteções. Outro exemplo de item específico para obras de
pavimento de concreto é a necessidade de instalação de laboratórios de solos e
concreto, componente que normalmente não é adotado em obras de edificações.
Algumas normas e regulamentações aplicáveis tanto em obras de pavimento
de concreto como em obras de edificações claramente limitam a geração de
soluções inovadoras. A NR-18, por exemplo, apresenta-se severamente prescritiva,
não deixando margens a outras soluções possíveis, mesmo que o desempenho final
em segurança esteja adequado. A formulação de normas e regulamentações
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
137
fundamentadas em parâmetros de desempenho, em contraposto a prescrições,
poderia fomentar a geração de soluções mais adequadas às peculiaridades das
obras de pavimento de concreto.
A segunda hipótese desta dissertação, a qual conjeturava sobre a expectativa
da convergência para um alto nível de consenso entre os especialistas consultados,
também foi confirmada. De fato, após cinco rodadas do Método Delphi obteve-se
aproximadamente consenso em 90% das questões colocadas. Os poucos itens que
não apresentaram consenso durante a pesquisa deveram-se muito mais à menção a
situações específicas do canteiro de obra de pavimento de concreto do que
propriamente a conflitos de opinião. Tal situação sugere que o conteúdo
desenvolvido nesta dissertação é adequado o suficiente para disseminação do
conhecimento desta dissertação para futuros profissionais.
O único item que de fato apresentou conflito de opiniões entre os
especialistas foi a questão da instalação ou não de central de formas, componente
este usual em obras de edificações. Cinco dos sete especialistas não concordaram
com sua aplicação argumentando que a tecnologia de pavimento de concreto
permite a completa eliminação desta central. Por outro lado, os especialistas
restantes defenderam a existência de tais centrais justificando que alguns serviços
de apoio são necessários, mesmo quando há a utilização de equipamentos que em
tese poderiam eliminar tais formas. Segundo estes, sempre há a necessidade de se
fazer gabaritos e formas de madeira para uso junto às formas metálicas, no caso da
adoção de equipamentos de pequeno porte para o espalhamento e adensamento do
concreto.
Foi verificado no desenvolvimento desta dissertação, que muitos materiais,
equipamentos e atividades em obras de pavimento de concreto utilizam mais de um
termo, com o mesmo significado. Isto gera problemas de semântica que podem levar
a interpretações errôneas, dificultando o processo de comunicação entre
especialistas, criando barreiras para a consolidação do conhecimento e criando
dificuldades para atividades de ensino. Faz-se necessário, então, a formulação de
um glossário técnico para a construção, incluindo neste a interpretação dos termos
específicos das obras de pavimentação.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
138
Recomenda-se que os futuros gerentes de obras de pavimentos de concreto,
tenham atenção especial no planejamento das instalações industriais. Em particular,
a revisão da literatura e as informações obtidas junto aos especialistas apontam as
centrais de britagem e de concreto como elementos críticos de planejamento, tendo
em vista que as mesmas envolvem o maior vulto de recursos financeiros para
instalação e operação da obra. Assim, o sucesso econômico da obra é fortemente
dependente da qualidade das decisões tomadas no planejamento destas
instalações. As diretrizes desenvolvidas nesta dissertação para estes itens destacam
principalmente a análise criteriosa da possibilidade de adoção de instalações
existentes na circunvizinhança da obra como alternativa à sua aquisição. Outro
aspecto importante nas diretrizes diz respeito à correta posição espacial destes
elementos em relação aos pontos de aplicação do concreto.
7.2
CONCLUSÕES SOBRE O MÉTODO DE PESQUISA ADOTADO
O levantamento do conhecimento junto aos especialistas utilizando o Método
Delphi como principal ferramenta de coleta e análise de dados mostrou-se bastante
efetivo. Um dos fatores críticos identificados para o sucesso da aplicação do Método
Delphi entre os especialistas consultados foi à utilização de feedback controlado. Tal
procedimento reduziu a dispersão do foco por parte dos mesmos, permitindo que o
pesquisador induzisse o grupo de especialistas a discutir somente aquilo que se
referia aos objetivos e metas do estudo.
Uma dificuldade do pesquisador na utilização do Método Delphi foi fugir de
perguntas que pudessem levar a uma resposta induzida ou que comprometesse a
própria legalidade da resposta do entrevistado. Perguntas que se referenciavam a
itens de norma, como por exemplo itens da NR-18 e NR-24, tipificam tal situação.
Nestes casos o especialista poderia ficar constrangido, ou até mesmo receoso, de
contrariar uma recomendação imposta por lei. Nos casos onde há a necessidade de
mencionar a norma, como aconteceu em algumas das questões utilizadas nesta
dissertação, o pesquisador pode contornar esta situação através da geração de
perguntas complementares ou, ainda, através da adequada explicação dos
propósitos da pesquisa. Quando os especialistas passam a entender que o
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
139
questionamento de uma norma poderá vir a contribuir com o desenvolvimento da
própria norma, os mesmos ficam mais à vontade para criticar livremente.
Uma característica importante deste método de pesquisa é a atuação do
pesquisador como mediador e, principalmente, “provocador” de discussões. Isto se
deve ao fato que muitas vezes os especialistas podem passar a responder de forma
excessivamente breve ou resumida as perguntas colocadas, não se aprofundamento
devidamente. Na presente pesquisa, esta “provocação” para uma resposta mais
detalhada e aprofundada levava freqüentemente a divergências entre especialistas
ou, ainda, comprovação da robustez do consenso entre os mesmos. No caso das
divergências havia então a necessidade de se colocar novas questões que então
procuravam esclarecer os pontos críticos dos argumentos. Todo este processo
aumenta a qualidade da captação do conhecimento.
7.3
CONCLUSÃO FINAL
A revisão bibliográfica sobre o processo de execução de pavimento de
concreto e sobre o planejamento da implantação de canteiros de obra, apresentada
no Capítulo 3 e 4, aliada ao conhecimento captado através do Método Delphi
(Capítulo 6), permitiu o alcance do objetivo principal desta pesquisa, ou seja, a
elaboração de diretrizes básicas para o planejamento de canteiros de obra de
pavimentação de concreto. Além da descrição textual do conhecimento gerado, foi
elaborada uma lista de verificação contendo 145 perguntas que deveriam fazer parte
das reflexões do gerente previamente à execução de uma obra de pavimento de
concreto. Entende-se que a adoção deste conhecimento poderá contribuir na fase
de planejamento para a redução das perdas, aumento do nível de segurança,
melhora da produtividade, melhoria da imagem da empresa e, também, melhoria da
qualidade de vida no trabalho neste tipo de obra.
7.4
SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS
A partir dos resultados e análises obtido nesta dissertação e ao longo de sua
execução, pode-se indicar uma série de sugestões para o desenvolvimento de
futuras pesquisas na área:
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
a) desenvolvimento de critérios
140
para dimensionamento dos diversos
componentes que compõe os canteiros de obra para pavimentação de
concreto;
b) caracterizar os diversos tipos de layout possíveis para canteiros de obra
de pavimentação de concreto;
c) estabelecer critérios e princípios para o planejamento da logística de
operação dos equipamentos principais para produção e espalhamento do
concreto, particularmente em obras rurais e de grande volume de
concreto;
d) aplicação da lista de verificação desenvolvida nesta dissertação, a partir
do conhecimento da literatura e dos especialistas, em estudos de caso;
e) estudos sobre planejamento de canteiros de obra sob o ponto de vista de
estratégia empresarial;
f) estudos sobre o impacto da legislação de segurança do trabalho, bem
como seus mecanismos de implementação, no desempenho de canteiros
de obra de pavimentação de concreto;
g) desenvolvimento e teste de módulo de ensino a distância tratando da
tecnologia e gestão de obras de pavimento de concreto;
h) desenvolvimento de sistema especialista incorporando as diretrizes
formuladas nesta dissertação para sistema de apoio à decisão do
planejamento de canteiros de obra.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
141
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SCARDOELLI, L. S. et al. Melhorias de qualidade e produtividade: Iniciativa das
empresas de construção. Porto Alegre: Programa da Qualidade e Produtividade da
Construção Civil do Rio Grande do Sul, 1994.
SCOTT, J. N. et al. Issues in the development of data flow simulation of construction
sites: the pursuit of quality. International Journal of project Management. United
Kingdon, v. 13, n. 5, p. 335-339, 1995.
SENÇO, W. de. Manual de técnicas de pavimentação. v 1. São Paulo: Editora
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SENÇO, W. de. Terraplenagem. São Paulo: Grêmio Politécnico – DLP, 1980.
SHAPIRA, A.; RETIK, A. VR-based planning of construction site activities. Elsevier
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SILVA, F. B. da.; CARDOSO, F. F. A importância da logística na organização dos
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1998.
SOUZA, J. O. de. Estradas de rodagem. São Paulo: Livraria Nobel, 1981.
SOUZA, M. L. de. Pavimentação rodoviária. 2 ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos
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SOUZA, U. E. L.; FRANCO, L. S. Definição do layout do canteiro de obra. São
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Departamento de Engenharia e Construção Civil, Escola Politécnica, Universidade
de São Paulo.
TOMMELEIN, I. D.; LEVITT, R. E.; HAYES-ROTH, B. Site-layout modeling: How can
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Management. USA, v. 118, n. 3, p. 594-611, Sep. 1992.
TOMMELEIN, I. D; ZOUEIN, P. P. Interactive dynamic layout planning. Journal of
Construction Engineering and Management. USA, v. 119, n. 2, p. 265-287, June
1993.
VIEIRA FILHO, J. O. Avaliação estrutural e funcional de um pavimento rígido
em via urbana do Recife. Campina Grande, 1993. 400 f. Dissertação (Mestrado em
Ciências de Engenharia Civil) – Setor de Ciências e Tecnologia, Universidade
Federal da Paraíba.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
148
YIN, R. K. Estudo de caso: Planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2001.
YODER, E. J.; WITCZAK, M. W. Principles of pavement design. 2 ed. New York:
John Wiley & Sons, Inc, 1976.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
149
ANEXO – A
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CONSTRUÇÃO CIVIL
Diretrizes para o Planejamento de Canteiros de Obra de Pavimentos de
Concreto
MÉTODO DELPHI
QUESTIONÁRIO ORIGINAL APRESENTADO AOS ESPECIALISTAS.
1. ELEMENTOS DE PROTEÇÃO DO CANTEIRO
1.1 Tapumes
•
•
•
É aplicável? Sim ( ), responda a pergunta seguinte.
Não é aplicável. Não ( )
Comentários/Exemplos
a) Qual o material recomendando para uso em tapumes?
•
•
•
•
Madeira, chapas compensadas ( )
Telas ( )
Alvenaria ( )
Outro ( ) , especifique
1.2 Outros itens relevantes (Sua opinião)
2. INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS
2.1 ÁREAS DE VIVÊNCIA
2.1.1 Refeitório
Giublin, C. R.
•
•
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
150
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) O local deve ser específico para refeições?
• Sim ( ) .
• Não ( ) explique.
b) Deve haver lavatórios instalados nas suas proximidades ou no seu interior
(NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
c) Deve ter fechamento que permite isolamento durante as refeições (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
d) Deve ter piso de concreto, cimentado ou com outro material lavável (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
e) Deve ter depósitos com tampa para detritos (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
f) Deve ter assentos em número suficiente para atender aos usuários (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
g) As mesas devem ser separadas de forma que os trabalhadores agrupem-se
segundo a sua vontade?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
h) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.1.2 Cozinha
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
151
Comentários/Exemplos
a) Deve existir ventilação natural e/ou artificial que permita boa exaustão
(NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
b) Deve ter paredes de que tipo de material?
• Alvenaria ( )
• Concreto ( )
• Madeira ( )
• Outro material ( ) especifique.
c) Deve ter piso cimentado, de concreto, ou de outro material de fácil limpeza
(NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
d) Deve possuir instalações sanitárias que não se comuniquem com a cozinha,
de uso exclusivo dos funcionários que manipulam os gêneros alimentícios
(NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
e) Deve a cozinha ficar adjacente ao local para as refeições?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
f) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.1.3 Vestiário
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Devem ser divididos conforme as equipes de produção?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
b) Deve ter piso de concreto, cimentado ou material equivalente (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
c) Deve ter bancos e, também cabides que não sejam pregos?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
d) Deve ter armários individuais dotados de fechadura e cadeado (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
e) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.1.4 Alojamentos
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deve ser o material utilizado na construção dos alojamentos?
•
•
•
Madeira ( )
Alvenaria ( )
Outro ( ) especifique
b) Deve tem piso de concreto, cimentado, madeira ou outro (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Deve ter área de ventilação de no mínimo 1/10 da área do piso (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Deve ter em iluminação artificial e/ou natural (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
152
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
153
e) Deve ter área mínima de 3,0 m2 por módulo cama/armário, incluindo a área
de circulação (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
f) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.1.5 Instalações Sanitárias
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Devem os banheiros estar ao lado do vestiário?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Deve haver banheiros volantes nos diversos segmentos da obra?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Deve haver recipientes para depósito de papéis usados no banheiro (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Deve haver nos locais onde estão os chuveiros, piso de material
antiderrapante ou estrado de madeira (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
e) Deve haver um suporte para sabonete e cabide para toalha correspondente a
cada chuveiro (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
154
f) Deve haver um banheiro somente para o pessoal de administração da obra
(mestre, engenheiro e técnico)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
g) As paredes internas dos locais onde estão instalados os chuveiros devem ser
de:
•
•
•
Alvenaria ( )
Revestidas com chapas galvanizadas ( )
Outro material impermeável ( ) especifique
h) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.1.6 Ambulatório
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deve ser o material empregado na construção do ambulatório?
•
•
•
•
Alvenaria ( )
Madeira ( )
Chapas galvanizadas ( )
Outro material ( ) especifique
b) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.2 ÁREAS DE APOIO
2.2.1 Escritório
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
155
a) Qual deve ser a localização dos escritórios?
•
•
•
•
•
Na distância média da obra ( )
No início da obra ( )
No final da obra ( )
Ao lado das instalações industriais ( )
Outro local ( ) especifique
b) Qual deve ser o material empregado na construção dos escritórios?
•
•
•
•
Alvenaria ( )
Madeira ( )
Chapas metálicas ( )
Outro material ( ) especifique
c) Deve ser utilizado material de reaproveitamento de outras obras?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.2.2 Almoxarifado e Ferramentaria
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Deve possuir ponto de descarga de caminhões (docas de descargas)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Deve ser dividido em dois ambientes (ou mais), um para armazenagem de
materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife com janela de
expediente?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
c) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.2.3 Guarita de Segurança para Guardas e Porteiros
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Deve estar junto ao portão de entrada de pessoas?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Devem ser distribuídos capacetes para visitantes na guarita?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Devem ser distribuídos crachás de identificação na guarita?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Outros itens relevantes (Sua opinião)
2.3 VIAS DE CIRCULAÇÃO
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Outros itens relevantes (Sua opinião)
156
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
157
3. INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
3.1 Central de Armação
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma central de armação?
•
•
•
•
Alvenaria ( )
Madeira ( )
Chapas galvanizadas ( )
Outro material ( ) especifique
b) Quais dos seguintes equipamentos devem estar disponíveis na central?
•
•
•
•
•
Máquina de cortar ( )
Máquina de dobrar ( )
Calandra ( )
Aparelho de corte e solda ( )
Outros equipamentos ( ) especifique
c) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.2 Central de Formas
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma central de formas?
•
•
•
•
Alvenaria ( )
Madeira ( )
Chapas galvanizadas ( )
Outro material ( ) especifique
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
158
b) Quais dos seguintes equipamentos devem estar disponíveis na central?
•
•
•
•
Serra circular ( )
Serra de fita ( )
Desempenadeira ( )
Outros equipamentos ( ) especifique
c) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.3 Central de Britagem
•
•
•
É aplicável? Sim ( )
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deveria ser o local de instalação da central de britagem?
b) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.4 Central de Concreto
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual o tipo de central necessário para obras de pavimentação de concreto?
•
•
•
Central dosadora ( )
Central dosadora e misturadora (
Outro tipo ( ) explique
)
b) Deve possuir silos de armazenagem de cimento?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
159
c) Deve possuir dosadores de aditivos?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Qual deveria ser à distância da central até o ponto médio de aplicação do
concreto?
•
•
•
•
Abaixo de 1,0 km ( )
Entre 1,0 km e 5,0 km ( )
Acima de 5,0 Km ( )
Não pode estar acima de 10,0 km ( )
e) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.5 Depósito de Agregados
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) O depósito deveria estar ao lado da central de concreto?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) É necessário o uso de equipamento de carregamento constante na central?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Devem os agregados estar separados por baias?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Deve o piso das baias possuir piso cimentado para evitar contaminação do
estoque?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
160
e) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.6 Laboratório de Concreto
•
•
•
É aplicável? Sim ( )
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.7 Oficina de Manutenção e Reparo
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma oficina de
manutenção?
•
•
•
•
Alvenaria ( )
Madeira ( )
Chapas galvanizadas ( )
Outro material ( ) especifique
b) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.8 Área para Lubrificação dos Equipamentos
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Qual deve ser o material utilizado na construção de uma área para lubrificação
de equipamentos?
•
•
•
•
Alvenaria ( )
Madeira ( )
Chapas galvanizadas ( )
Outro material ( ) especifique
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
161
b) Deve existir rampa de lavagem ao lado da área de lubrificação?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Outros itens relevantes (Sua opinião)
3.9 Depósito para Entulho de Material (sobras/perdas)
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Deve o entulho ser transportado para local definido, de acordo com as Normas
do Meio Ambiente?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Deve o canteiro estar limpo, sem sobras de madeira, concreto, aço, etc de
forma que não prejudique a segurança e circulação de materiais, pessoas e
equipamentos?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Deve o entulho ser separado por tipo de material com vistas a reaproveitado?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Outros itens relevantes (Sua opinião)
4. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
4.1 Instalações Provisórias de Energia Elétrica
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Giublin, C. R.
•
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
162
Comentários/Exemplos
a) Outros itens relevantes (Sua opinião)
4.2 Subestação
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Outros itens relevantes (Sua opinião)
4.3 Geradores / Geradores de Emergência
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Outros itens relevantes (Sua opinião)
5. INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Deve existir caixa d’água geral para distribuição no canteiro?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Deve existir separação de água potável e industrial?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Deve existir destino final para as águas usadas na manutenção do canteiro?
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
•
•
163
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Outros itens relevantes (Sua opinião)
6. INSTALAÇÕES DE SEGURANÇA NA OBRA
6.1 Proteção contra Queda
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Outros itens relevantes (Sua opinião)
6.2 Sinalização de Segurança
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Deve haver identificação dos locais de apoio que compõem o canteiro de
obras (banheiros, escritório, almoxarifado, etc) (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Deve haver alertas quanto a obrigatoriedade do uso de EPI, específico para a
atividade executada, próximos ao posto de trabalho (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Deve existir identificação dos acessos, circulação de veículos e equipamentos
na obra (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
164
d) Deve existir sinalização de segurança em vias públicas, com alerta aos
motoristas e pedestres e em conformidade com as determinações dos órgãos
competentes (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
e) Deve haver utilização de coletes ou tiras refletivas na região do tórax e costas
quando os trabalhadores estão executando obras em vias públicas (NR-18)?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
f) Deve existir identificação dos locais com substâncias tóxicas, corrosivas,
inflamáveis, explosivas e radioativas (NR-18)?
• Sim ( ),
• Não ( ), explique.
g) Outros itens relevantes (Sua opinião)
6.3 Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Devem ser fornecidos capacetes para o uso dos visitantes?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Independente da função todo trabalhador deve usar botinas e capacetes?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
c) Trabalhadores em andaimes externos ou qualquer outro serviço a mais de
2,0m de altura, usam cinto de segurança com cabo fixado na construção
(NR- 18)?
Giublin, C. R.
Diretrizes para o Planejamento de Canteiro de Obra de Pavimento de Concreto
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
d) Outros itens relevantes (Sua opinião)
6.4 Proteção contra Incêndio
•
•
•
É aplicável? Sim ( ) respondas as perguntas seguintes.
Não é aplicável. Não ( ) explique.
Comentários/Exemplos
a) Deve o canteiro possuir extintores para combate a princípios de incêndio?
•
•
Sim ( ),
Não ( ), explique.
b) Outros itens relevantes (Sua opinião)
165
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Carlos Roberto Giublin - Universidade Federal do Paraná