Clipping Nacional
de
Educação
Quinta-feira, 17 de Setembro de 2015
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O GLOBO
17/09/15
SOCIEDADE
Muito trabalho pela frente
Diálogo entre disciplinas,
espaço para regionalização,
possibilidade de escolhas no
ensino médio. Os objetivos
explícitos na proposta de Base
Nacional Comum Curricular
(BNC), divulgada ontem pelo
Ministério da Educação (MEC),
são louváveis. Mas, de acordo
com especialistas que analisaram
o documento, ainda há muito
trabalho a ser feito até se chegar à
versão final do currículo que
norteará o conteúdo de todo o
ensino básico no país. Eles
levantam diferentes fragilidades
do rascunho, que, por exemplo, foi
divulgado ainda sem o conteúdo
referente à disciplina de História.
A falta de clareza e a pouca
atenção à alfabetização foram
outras críticas levantadas, mas, em
geral, reconhece-se a importância
de um currículo nacional
unificado.
Profissionais da área de
educação, que vinham observando
de perto a elaboração do rascunho
do BCN, agora esperam participar
ativamente das mudanças pelas
quais o documento vai passar até
sua versão definitiva, que pode ser
aprovada no primeiro semestre de
2016. Atualmente, o MEC estipula
apenas diretrizes de ensino, que as
escolas não têm a obrigação de
seguir. A expectativa é que o
currículo final determine cerca de
60% do que um aluno deve
aprender da educação infantil ao
ensino médio, passando pelo
ensino fundamental. Por isso, o
BCN poderá propiciar mudanças
profundas.
ALTERAÇÃO NO
ENSINO MÉDIO
O rascunho abre possibilidade,
por exemplo, para "itinerários"
diferenciados para os alunos do
ensino médio. Ou seja, o estudante
poderia escolher entre se
concentrar em disciplinas ligadas
em Ciências da Natureza ou
Humanas.
— Esperamos que, a partir do
debate sobre a base, saia uma
proposição que viabilize uma
oferta no ensino médio mais
diferenciada e a possibilidade de
escolha por parte dos estudantes
das áreas em que pretendem se
aprofundar — explicou o
secretário de Educação Básica do
MEC, Manuel Palácios, durante
uma entrevista coletiva que
ocorreu ontem, em Brasília.
O MEC considera, porém, que
essa possível mudança no
segmento final da educação básica
precisaria ser bem pactuada com
os governos estaduais, que são os
principais responsáveis pelo
ensino médio no Brasil, para que
a proposta dê certo. Atualmente, o
ensino médio é visto como um
gargalo, devido a seu alto índice
de evasão.
O ministro da Educação, Renato
Jani-ne Ribeiro, destacou, durante
a apresentação do BCN, duas
principais consequências do
currículo: formação mais adequada
de professores, que passarão a ter
o documento como referência, e
novos materiais didáticos:
— Obviamente não temos
recursos hoje, mas temos que ter
no horizonte a gradual adoção de
um sistema de material didático
que seja o que hoje chamamos de
tablet. Estou falando em tablet
hoje, porque sabe-se lá como
estará a tecnologia daqui a dois ou
três anos.
Janine reafirmou que a base
deverá estabelecer, em média,
60% de conteúdo fixo e deixar
40% livre para estados e
municípios trabalharem temas
regionais e propostas pedagógicas
individuais. Porém, a divisão
poderá ser diferente em
determinadas disciplinas. Em
matemática, por exemplo, o
percentual poderá ser maior. O
documento foi elaborado por 116
especialistas de áreas diferentes.
"PROPOSTA
ABERTA AO DEBATE"
O conteúdo da proposta foi
dividido em quatro áreas de
conhecimento: Linguagens,
Matemática, Ciências da Natureza
e Ciências Humanas. Dentro de
17/09/15
cada área, estão agrupadas as
diferentes disciplinas. Cada
disciplina tem um longo conteúdo
descrito, de acordo com o
segmento da educação. Porém, o
"capítulo" que estipularia as bases
para o ensino de História não foi
divulgado. Durante a coletiva, na
tarde de ontem, o MEC não
abordou a ausência. Horas mais
tarde, O GLOBO indagou o MEC
sobre o assunto, e o ministério se
limitou a responder que "ajustes
ainda serão feitos" e que esta parte
do BCN será detalhada na semana
que vem.
Para o coordenador da
Campanha Nacional pelo Direito
à Educação, Daniel Cara, o texto
não dá a devida importância a
temas contemporâneos, como
direitos humanos e diversidades
culturais e de gênero.
— A base ainda é muito tímida
em relação às demandas do século
XXI — opina ele. — Mas podemos
dizer que organizou aquilo que já
temos nas escolas. Isto é bom. O
mais positivo em todo esse
processo é que existe uma proposta
aberta ao debate. A comunidade
educacional e todos os
interessados precisam se mobilizar
para que as melhorias sejam feitas.
evidências de que o ensino da
técnica seja fundamental para que
os estudantes ganhem fluência e
agilidade ao escrever — afirma
Oliveira, para quem o texto ainda
precisa ser melhor fundamentado.
Para a pesquisadora Paula
Louzano, da Universidade de São
Paulo (USP), ainda falta coerência
ao documento.
Para a diretora-executiva do
Movimento
Todos
Pela
Educação, Priscila Cruz, também
é importante o documento deixar
claro o que deve ser feito com o
espaço
reservado
à
regionalização:
— Na parte de Linguagens, eles
apresentam os eixos, mas depois
constroem o documento com
outras habilidades. Falta clareza
— afirma Paula, que também
defende a base. — Não existe um
país do mundo que não tenha um
currículo norteador na educação,
mas é preciso ver a qualidade
deste documento.
O presidente do Instituto Alfa e
Beto (IAB), João Batista Oliveira,
chamou atenção para a
alfabetização.
— Não encontrei menção à
caligrafia, embora existam
— É preciso indicar diretrizes
para que esses 60% não virem
100%. Se não houver uma
orientação mais específica quanto
a isso, essa será a tendência.
Segundo
ela,
a
transversalidade das disciplinas
também deveria ter uma
abordagem mais específica:
— Faltou mostrar como
aquelas disciplinas colocadas em
capítulos diferentes conversam
entre si.
17/09/15
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
EDITORIAL
A hora e a vez do MEC
Ministro Janine Ribeiro precisa abreviar a
arrastada discussão sobre ensino básico e pôr logo
em prática o anunciado currículo nacional
preconizava universalizar até 2016 o atendimento
escolar na faixa de idade de 4 a 5 anos, quando um
quinto das crianças ainda estava fora da escola.
Quando assumiu o Ministério da Educação, há
cinco meses, o professor de filosofia política Renato
Janine Ribeiro afirmou que 2015 exigiria dele muita
paciência. Referia-se, na ocasião, às restrições
orçamentárias previsíveis. Mal podia imaginar o que
ainda estava por vir em sua direção.
Da competição palaciana e da duplicação de
esforços o titular do MEC se livrou, já que
Mangabeira Unger pediu demissão. Agora Janine
Ribeiro precisa dedicar-se, sem mais delongas, à
prioridade enunciada há pelo menos 20 anos, como
diz, por todos os ministros da Educação: o ensino
básico.
O corte de gastos imposto ao borderô do recémempossado foi de R$ 10,2 bilhões. Só isso já bastaria
para abater o ânimo de qualquer ministro e reforçar
o ceticismo quanto ao slogan "Pátria Educadora",
restrito a seu caráter de propaganda e cada vez mais
esquecido, mesmo em Brasília.
Dilma Rousseff (PT), no entanto, não economiza
erros e manobras desastradas. Dois meses antes de
convidar Janine Ribeiro, havia chamado para ocupar
a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência
outro professor, Roberto Mangabeira Unger.
Coincidência ou não, o MEC anunciou nesta
quarta-feira (16) um currículo único nacional,
apontado por especialistas como requisito para dar
clareza a professores, diretores e pais sobre conteúdo
a ser ministrado e objetivos a serem alcançados, de
modo a permitir que sejam aferidos e cobrados, além
de facilitar o processo de ensino.
Cerca de 60% do tempo letivo terá de ater-se a
tais diretrizes, reservando-se o restante para tópicos
regionais e locais. Nova onda de consultas públicas
se seguirá; tomara não se arrastem como de praxe.
Este se apropriou da marca "Pátria Educadora" e
a colou em seu próprio projeto para a educação básica,
à revelia do MEC. Pôs em discussão pública a
proposta, com quatro eixos: cooperativismo
federativo, reorientação curricular e pedagógica,
qualificação dos educadores e inovação tecnológica.
Ao tomar posse, Renato Janine Ribeiro apostou
que o esperado salto de qualidade na área viria com
a participação das universidades federais. Como estão
paralisadas pela redução orçamentária e por
grevistas, o ministro terá de seguir sem elas.
Ocorre que Janine Ribeiro chegou ao MEC com a
incumbência de deslanchar o Plano Nacional de
Educação, outra longa e não menos irreal lista de boas
intenções para o ensino no período 2014-2024.
Pela enésima vez, urge que se diga: não é mais de
discussão que a educação brasileira precisa, mas de
decisão e ação –as matérias que hoje mais faltam no
Planalto.
Ao ser aprovado pelo Congresso em 2014, o plano
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
TENDÊNCIAS & DEBATES
Avanço para a educação básica no Brasil
DENIS MIZNE E CAMILA PEREIRA
A Base Nacional Comum
Curricular permitirá alinhar a
formação de professores, os
materiais didáticos e as
avaliações de estudantes
O Ministério da Educação
apresentou nesta quarta (16) o
documento que inaugura o debate
público sobre a Base Nacional
Comum Curricular na educação
básica. O Brasil vai, enfim,
enfrentar o desafio de detalhar
conhecimentos e habilidades que
cada estudante deve aprender a
cada ano letivo.
Trata-se de um enorme avanço
para o país. Dessa forma, vamos
percorrer um caminho já trilhado
por quase todas as nações com
bons resultados educacionais.
Prevista desde a Constituição
de 1988, só recentemente a Base
passou a contar com amplo apoio
de grupos de diferentes correntes
ideológicas:
professores,
secretários de educação,
acadêmicos, políticos. Em 2014,
o Plano Nacional de Educação
definiu um prazo para a construção
dessa base: junho de 2016.
A partir dela, será possível
alinhar a formação de professores,
materiais didáticos e avaliações,
dando maior coerência e sentido
ao que ocorre em sala de aula.
Ao garantir a todos os alunos
direitos de aprendizagem
essenciais, a Base também pode ter
papel-chave para diminuir
desigualdades educacionais.
Finalmente, ela se torna uma
ferramenta de apoio para escolas
e professores, que passam a ter
mais clareza de onde precisam
chegar com seus alunos.
A Base Curricular tem também
o potencial de transformar a
relação dos pais com a educação
de seus filhos. Ao explicitar o que
cada criança aprenderá ao longo
da vida escolar, o direito à
educação deixa de ser uma
abstração: abrirá um caminho para
uma parceria muito mais forte entre
família e escola.
Com o lançamento da proposta
preliminar pelo Ministério da
Educação, entramos em um
momento decisivo. Se não foi fácil
concordar sobre a necessidade de
a Base existir, tampouco será
simples chegar a um consenso
sobre seu conteúdo.
Em qualquer país, a definição
sobre o que as crianças devem
aprender na escola desperta
debates acalorados, o que é natural
e saudável. Nos próximos meses,
por meio de ampla consulta
pública, todos serão convidados a
discutir a Base que o país quer. O
desafio agora é conseguir ser
propositivo e construtivo nas
críticas, sem deixar que discussões
paralisantes prevaleçam.
À primeira vista, a impressão é
que o MEC inicia o processo com
um documento claro, que tem
méritos importantes e no qual
também já é possível identificar
inconsistências.
A abordagem de fazer escolhas
é bastante positiva: não se trata de
uma listagem enciclopédica do
conhecimento acumulado nas
diferentes áreas, mas de uma
seleção daquilo que se julga
essencial que todos os alunos
aprendam. Se são as melhores
escolhas é o que o país deve
debater a partir de agora.
Discussões ainda mais amplas
terão de ser feitas. Como a Base
pode favorecer a flexibilização do
ensino médio? Como inserir nela
17/09/15
as competências do século 21?
Vamos garantir maior conexão
entre o que se aprende na escola e
as habilidades que os alunos
precisam para perseguir seus
projetos de vida?
Até a publicação de sua versão
final, no ano que vem, será
indispensável que todos se
engajem para garantir um
documento de alta qualidade. O
potencial que a política tem para
melhorar a qualidade da educação
e o impacto que pode ter nas salas
de aula de todo o país exigem esse
compromisso.
DENIS MIZNE, 38, é diretorexecutivo da Fundação Lemann,
organização que integra o
Movimento pela Base Nacional
Comum
CAMILA PEREIRA, 32, é
diretora de Políticas Educacionais
da Fundação Lemann
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
PODER
INJÚRIA
Justiça condena Cid Gomes a
indenizar presidente da Câmara
DE BRASÍLIA - A Justiça do
Distrito Federal condenou o exministro Cid Gomes (Educação) a
indenizar em R$ 50 mil o
presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), por ter
afirmado que a Casa tinha "uns
400, 300 deputados" achacadores.
à honra e à imagem dos deputados.
Nesta quarta (16), afirmou não
estar satisfeito: "Achei pouco. Vou
recorrer para receber mais".
A decisão é do juiz Redivaldo
Dias Barbosa, da 23ª Vara Cível
do Tribunal de Justiça do DF. Cabe
recurso.
"Cid Gomes denunciou que
havia
um
processo
de
apodrecimento das relações do
governo com o Congresso e que
essa deterioração se assentava no
achaque", relatou.
A declaração, em fevereiro
deste ano, motivou a convocação
de Cid ao Congresso, que disse aos
deputados: "Prefiro ser acusado
por ele [Cunha] de mal-educado
do que ser como ele, acusado de
achaque". O episódio levou à sua
demissão.
À Justiça, Cunha alegou injúria
Irmão de Cid, o ex-governador
Ciro Gomes reagiu e chamou
Cunha de "vagabundo".
"Dito isso, foi lá, meteu o dedo
na cara desse maior vagabundo de
todos, que é o presidente da
Câmara, pegou o paletó e foi para
casa", disse Ciro nesta quarta, após
ato de filiação ao PDT –Cid
também deve se juntar à sigla ainda
neste mês.
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
COTIDIANO
Mal avaliado, ensino médio
poderá ter currículo flexível
Objetivo do governo federal é
incluir tema nos debates sobre
conteúdo nacional
Plano prevê que 60% do
currículo seja o mesmo para todo
o país; até 2016, texto ficará sob
consulta pública
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA
Etapa escolar que amarga
baixos indicadores de qualidade
em sucessivas avaliações do
governo federal, o ensino médio
poderá ganhar um currículo
flexível, como defende o
Ministério da Educação.
A pasta apresentou nesta
quarta-feira (16) uma primeira
proposta para o conteúdo que deve
ser ensinado em salas de aula de
todo o país, desde a educação
infantil até o ensino médio. É uma
espécie de currículo nacional.
O documento define que 60%
do conhecimento a ser repassado
pelos professores será uniforme
em todo o país. Os demais 40%
ficam a critério de Estados e
municípios,
devido
às
regionalidades.
Educação Básica do ministério,
Manuel Palácios.
Por exemplo, o Rio Grande do
Sul pode dar ênfase maior à
Revolução Farroupilha, enquanto
São Paulo, à Revolução
Constitucionalista de 1932.
Ele reconhece que o tema
precisa ainda ser "amadurecido" e
debatido com os Estados,
principais responsáveis por essa
etapa. "Não é fácil resolver esse
problema, porque o estudante deve
ter possibilidade de escolhas, mas
sem deixar de ter contato com
conhecimentos essenciais."
Até o início do próximo ano, o
texto ficará em consulta pública e,
em seguida, será encaminhado ao
Conselho Nacional de Educação.
Caberá a esse grupo propor uma
redação final, a ser confirmada
depois pelo ministério.
O currículo flexível no ensino
médio, no qual o aluno poderia
escolher o que estudar em parte da
carga horária, também caminha
para ser adotado na rede paulista
de ensino –um projeto já foi
encaminhado à Assembleia.
"A proposta não assinala os
diferentes percursos [para o aluno
do ensino médio], mas o nosso
interesse é de que, ao final,
tenhamos condições de oferecer
possibilidades de escolha aos
jovens", disse o secretário de
Para o ministro Renato Janine
(Educação), um dos "pontos
cruciais" dessa base nacional
comum é a maior interação entre
diferentes áreas.
"Um pequeno número de
17/09/15
disciplinas desarticulada em seu
conteúdo é muito menos produtivo
do que um número maior de
disciplinas, porém articulada",
afirmou.
Ele apontou dois efeitos diretos
da definição de um currículo
nacional: parâmetros mais
precisos para a formação dos
professores e melhoria do material
didático.
Hilda Micarello reconheceu que o
conteúdo definido foi "mais
extenso" que o desejável, mas crê
que, a partir de agora, o documento
de 302 páginas possa ser
"refinado".
Ali está previsto, por exemplo,
que um aluno do 1º ano do
fundamental deve ser capaz de
"identificar práticas cotidianas de
cuidados pessoais que contribuem
para o bem-estar e a saúde".
REGIÕES
O ministro destacou ainda a
possibilidade de Estados e
municípios definirem conteúdos a
partir de características regionais
da literatura ou da geografia, por
exemplo.
Preliminar, o documento
apresentado foi elaborado por 116
especialistas, divididos em
comissões temáticas por disciplina
ou série.
Coordenadora desse trabalho,
No texto, o ministério defendeu
uma "visão plural de mundo", sem
discriminação por etnia, credos ou
gênero –termo que motivou
embates na construção de planos
regionais de educação em Estados
e municípios.
"A base é como o esqueleto do
corpo, o que vai deixá-lo de pé. O
que compõe esse corpo vem
depois", resume Eduardo
Deschamps, presidente do Consed
(entidade que reúne secretários
estaduais de educação).
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
COTIDIANO
Entrevista / Priscila Fonseca da Cruz,
diretora executiva ONG "Todos Pela Educação"
'Não se pode usar base como uma receitinha'
ADRIANO QUEIROZ
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
A diretora executiva da ONG
"Todos Pela Educação", Priscila
Fonseca da Cruz, defende a base
curricular comum apresentada
pelo governo federal, mas pondera
que as escolas devem ir além do
conteúdo mínimo proposto.
Folha - A sra. é a favor de um
currículo nacional com base
comum? Ele deve ser mais aberto
ou mais fechado?
Priscila Fonseca da Cruz - A
definição de uma base faz com que
se tenha clareza em relação ao que
os alunos têm direito de aprender.
É questão também de equidade
porque, muitas vezes, em escolas
que atendem uma população com
condição socioeconômica mais
alta, aquilo que se espera que os
alunos aprendam é superior,
enquanto há municípios e Estados
com baixíssimas expectativas, que
acham normal haver mais de
metade das crianças analfabetas
em determinada série.
Quais as preocupações?
É preciso um currículo que vá
além desse documento. [O risco]
é que aquilo que deveria ser uma
base nacional possa virar um
currículo máximo, com as escolas
focando só nisso.
Quando o ministro fala que isso
[conteúdo fixo do currículo] é 60%
e tem de haver outros 40% [a
serem definidos] é uma sinalização
importante. Como a gente garante
que as escolas não vão pegar esse
documento e interpretar como se
fosse a receitinha do primeiro ano?
E a flexibilização do currículo
do ensino médio?
É uma discussão no Congresso
Nacional e que o Todos pela
Educação defende. Os alunos hoje
vão lá cumprir tabela, fazer Enem,
tirar pontuação e cuidar da vida.
A gente precisa resgatar e
modernizar nosso ensino médio.
E é importante que tenha uma
escola com identidade. Uma que
está no campo trabalha mais
questões ligadas ao ambiente.
Outra com vocação tecnológica,
em que os alunos adoram
computador.
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
COTIDIANO
Entrevista / Maria Marcia Sigrist Malavasi,
Doutora em educação e professora titular da Unicamp
'É equívoco tirar a autonomia das escolas'
(AQ)
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
Doutora em educação e
professora titular da Unicamp,
Maria Marcia Sigrist Malavasi
considera que a proposta de
currículo feita pelo governo
federal é prejudicial por engessar
um percentual muito grande do
conteúdo e retirar a autonomia de
escolas num país grande e com
muitas diferenças.
Folha - A sra. é a favor de um
currículo nacional com base
comum? Ele deve ser mais aberto
ou mais fechado?
Maria Marcia Sigrist Malavasi
- Temos um país tão grande, com
tantas diferenças, tanta diversidade
cultural. Quando colocamos 60%
[de conteúdo fixo do currículo],
estamos tirando grande parte da
autonomia. Vivemos um caos
educacional e ele tem como um
dos grande equívocos a retirada da
autonomia das instituições.
Há países europeus com base
curricular nacional. Mas [eles têm]
território muito menor, com
princípios de nações mais
uníssonos porque são menores.
Essa autonomia para municípios
e Estados por volta dos 40% me
parece muito pequena. Se
tivéssemos mais não deixaríamos
de ser uma nação. Os Estados
processariam seu projeto
pedagógico e político de forma
mais adequada.
As discussões foram em um
ritmo adequado?
Não. E há outro problema:
nossos governos têm distribuído
grande parte do poder de decisão
a setores privados.
Temos visto lamentavelmente
discursos que desprezam o nosso
professor, sem dizer por que o
nosso professor está mal formado,
quando na verdade isso acontece
porque os nossos governantes
permitem cursos privados de
qualidade muito duvidosa.
Essa culpa deliberada vem na
contramão dos países mais
desenvolvidos no mundo. Temos
ido por um caminho equivocado,
copiado o modelo dos Estados
Unidos. Por outro lado, em países
que têm uma educação
maravilhosa, como a Finlândia, a
base da boa educação é a
autonomia da escola.
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
COTIDIANO
ANÁLISE
Currículo tem apoio, mas resultado é incerto
Base nacional curricular foi
defendida por candidatos à
Presidência,
mas
há
controvérsias na forma da
proposta
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
Há poucas dúvidas hoje no
meio educacional de que o
currículo nacional seja importante
para melhorar o ensino. Isso não
quer dizer que a medida terá
sucesso automático, dada a
divergência de opiniões de como
implementá-la e a quantidade de
caminhos que ela pode tomar.
Sinal da convergência é que na
campanha presidencial do ano
passado os três principais
candidatos (Dilma, Aécio e
Marina) defenderam a base
nacional comum.
Sinal da dificuldade de
implementação é que o currículo
nacional está previsto desde a
Constituição de 1988. Até hoje não
houve consenso mínimo de como
aplicá-lo.
Países que adotaram uma base
nacional comum entenderam que
ela deixa claro para as escolas e
para as famílias o que os estudantes
devem saber, no mínimo.
Quem consegue no Brasil
responder se o aluno está
aprendendo o adequado, seja na
rede pública ou particular? O
vestibular ou o Enem podem ser
uma medida, mas aí é medição de
estrago já feito, ao final da etapa
básica.
A Austrália, que adotou base
nacional em 2009, criou sistema
on-line em que é possível saber,
estudante por estudante, quem está
com conhecimento dentro do
esperado. Com base no currículo.
Para os que não chegaram ao
mínimo, o sistema sugere ao
professor como ajudá-lo.
O Reino Unido tem currículo
nacional desde 1988. No início dos
anos 2010, o país entendeu que
deveria melhorar o desempenho
dos alunos.
O currículo foi a base para a
reforma. Especialistas foram aos
documentos de sistemas de
destaque no Pisa (avaliação
internacional) para ver o que
faltava. Pesquisaram, por
exemplo, Cingapura e Finlândia. E
viram que o conteúdo de
matemática era "menos desafiador"
do que nos concorrentes.
Tanto na Austrália quanto no
Reino Unido, os currículos também
norteiam a formação dos
professores que atuam na educação
básica.
No Brasil, uma das principais
reclamações de gestores públicos
é a distância entre o que os
17/09/15
docentes aprendem na faculdade e
o que deve ser ensinado nas salas
de aula.
Apesar das vantagens que um
currículo nacional possa trazer, a
adoção de parâmetro único para
um país não é fácil em nenhum
lugar.
aprender? Ou apenas os principais
e o restante fica para definição das
próprias escolas? Quais conteúdos
são essenciais?
Uma das principais resistências
para o currículo vem das
faculdades de educação, que
entendem que o professor perderá
autonomia.
DIFICULDADES
Na Austrália, a discussão durou
20 anos. Nos EUA, apenas no fim
de 2013 entrou em vigor uma base
nacional.
O desafio é sempre encontrar
mínimo de consenso para pontos
como: é preciso listar todos os
conteúdos que os alunos devem
Esses são dilemas que o
Ministério da Educação terá de
enfrentar. "O apresentado hoje é
um bom início de conversa. Mas o
caminho é longo. Se as redes e os
professores não se apropriarem da
ideia, não haverá impacto", disse
Cleuza Repulho, do Movimento
pela Base Nacional Comum.
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
COTIDIANO
Crise financeira faz USP congelar
20% de seus gastos para este ano
Segundo o reitor, medida terá
pouco impacto na universidade
DE SÃO PAULO
Em meio a dificuldades
financeiras, a USP decidiu
congelar 20% da verba de custeio
e investimento para este ano.
Segundo informe distribuído
internamente, a principal fonte dos
recursos da universidade (o
ICMS) está 3,9% menor de janeiro
a julho deste ano em relação ao
mesmo período de 2014, em
termos reais (descontada a
inflação).
A maior parte da verba da USP
vem de parcela desse imposto (5%
referente à cota estadual),
repassada pelo governo Geraldo
Alckmin (PSDB), como prevê a
legislação.
A reitoria da instituição espera
economizar R$ 114 milhões com
esse congelamento –a escola deve
receber R$ 4,6 bilhões neste ano.
O reitor da universidade,
Marco Antonio Zago, afirmou que
o congelamento de 20% dos
recursos não terá impacto
significativo no cotidiano da
instituição. Segundo ele, as
unidades possuem recursos nãoutilizados de períodos anteriores,
que podem suprir eventuais
carências.
CORTES ANTERIORES
Desde o ano passado, a
instituição vem cortando despesas,
após a folha de pagamento chegar
a consumir um total de 106% de
seu Orçamento (fruto de aumentos
salariais e contratações).
Grandes obras e contratações
estão suspensas desde o ano
passado. No começo deste ano, um
plano de demissão voluntária
abrangeu cerca de 5% dos
técnicos-administrativos. Ainda
assim, a USP gasta mais do que
recebe (102%) apenas com folha
de pagamento.
As dificuldades financeiras,
porém, não foram suficientes para
tirar a hegemonia da USP nos
principais rankings universitários.
No RUF (Ranking Universitário
Folha), por exemplo, a instituição
chegou a ampliar seu domínio
nacional: foi a melhor em 29 dos
cursos de graduação avaliados,
ante 20 no ano anterior.
FOLHA DE SÃO PAULO
17/09/15
COTIDIANO
UNESP
Secretário estadual da Educação
recebe salário acima do teto
DE SÃO PAULO - O salário
do secretário estadual de
Educação, Herman Voorwald, está
acima do teto dos servidores do
Estado de São Paulo. Em outubro
de 2014, Voorwald recebia R$
28.445,59 como professor titular
da Unesp, instituição da qual foi
reitor entre 2009 e 2010.
Ele é um dos 1.148 servidores
da Unesp que ganham acima do
limite constitucional do Estado, o
salário do governador –Geraldo
Alckmin (PSDB) recebia R$
20.662 brutos em 2014. A exceção
são procuradores, cujo teto é
maior (R$ 30.471).
A informação consta na lista de
salários divulgada nesta terça (16)
pela Folha. Voorwald não recebe
salário pela Secretaria Estadual de
Educação.
Procurada, a secretaria não quis
comentar o caso.
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
BRASIL
Um país, um currículo
“Conhecimentos articulados são
muito mais produtivos. O plano
oferece ao professor o caminho de
integrar várias matérias e tornar o
ensino mais interessante”, analisou
o ministro. A proposta inicial do
currículo prevê a introdução do
ensino de educação financeira,
sustentabilidade e direitos
humanos nas salas de aula. Janine
garantiu que o projeto não espelha
a “posição do MEC” e está livre
de “doutrinação, orientação
ideológica ou de gênero.”
O Ministério da Educação
(MEC) apresentou ontem a
primeira versão da Base Nacional
Comum Curricular. O documento
define como serão 60% do
conteúdo ministrado nas 190 mil
escolas de ensinos infantil,
fundamental e médio do Brasil. Os
outros
40%
serão
de
responsabilidade de estados e
municípios, destinados ao
aprendizado de literatura,
geografia e história da própria
região.
As mudanças práticas não são
imediatas. A proposta preliminar
do governo estará disponível na
internet para críticas e sugestões
de pais, professores e alunos. A
expectativa do MEC é finalizar o
currículo nacional até 24 de junho
de 2016.
“Ainda não é nada oficial. O
mais importante nesta fase do
projeto é estimular o debate e a
construção de ideias para alterar
o documento. A sociedade tem a
chance de definir as bases para o
aprendizado no Brasil. Quanto
mais participação, melhor será a
proposta final”, afirmou o ministro
da Educação, Renato Janine.
O documento foi elaborado por
116 especialistas em diferentes
áreas de conhecimento e dividese em quatro áreas: linguagens,
matemática, ciências humanas e
ciências da natureza. Durante
coletiva de imprensa, a integração
entre as áreas de conhecimento foi
citada quatro vezes em 10 minutos
por Janine, como ponto
determinante para o sucesso da
proposta.
Para Manuel Palácios,
secretário de Educação Básica,
unificar parte do ensino nas
escolas de todo o país pode ajudar
na formação de professores e
melhorar a qualidade do material
didático oferecido aos alunos. O
governo acredita que o plano de
ensino vai facilitar a vida dos
estudantes em exames estaduais ou
nacionais, como o Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem). “O aluno
vai ganhar uma referência do que
importa na educação básica. Ele
terá uma clareza do que pode cair
no exame”, explicou Palácios.
Equilíbrio
Especialistas em educação
percebem avanços com a adoção
da Base Nacional Comum
Curricular. O conteúdo unificado
para as escolas deve “anular a
roleta russa que é nascer no
Brasil”, como definiu Ricardo
17/09/15
Falzetta, gerente de Conteúdo da
ONG Todos pela Educação.
“Hoje, se você nasce numa
região que tem a educação mais
organizada, se dá bem; mas, se
nasce numa localidade menos
favorecida, está abandonado. Dar
o mesmo norte a todos os
professores vai ajudar a equilibrar
o ensino no país”, analisa Falzetta.
O maior desafio que o governo
enfrentará é ouvir a população e
concluir o projeto em apenas nove
meses. “Se a comunidade se sentir
representada, naturalmente, a
estrutura do ensino vai se
transformar”, disse Falzetta. Em
comparação, a Austrália demorou
oito anos para fazer a mesma
alteração no currículo educacional.
Nada que tire a confiança do
ministro da Educação. Ele afirmou
que a experiência e os possíveis
erros australianos serão tomados
de exemplos no Brasil.
“Hoje, se você nasce numa
região que tem a educação mais
organizada, se dá bem; mas, se
nasce numa localidade menos
favorecida, está abandonado”
Ricardo Falzetta, gerente de
Conteúdo da ONG Todos pela
educação
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
Resgate
» Prova de que a frase de hoje
funciona é que, enquanto o Ministério da
Educação planeja o currículo único com
o contexto das disciplinas apresentado a
partir da experiência dos alunos, os
professores penam nos colégios para
segurar a atenção da meninada. Voltar ao
que pensou Paulo Freire parece ser a
saída para os estudiosos.
ARI CUNHA
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
Professores
O governador Rollemberg vai
retirar todos os direitos dos
servidores e, principalmente, dos
professores. Direitos duramente
conquistados durante anos de
lutas. O ônus das opções erradas
é sempre pago pelos servidores
comuns. Ninguém mexe com o
Judiciário nem com o Legislativo.
Por que não cortam as verbas de
gabinete e os inúmeros auxílios,
carrões oficiais e outros
benefícios. Entretanto, foram
retirados praticamente todos os
direitos dos professores. Tudo isso
na Pátria Educadora. Rasguem a
Constituição, pois as leis só
favorecem os poderosos, os que
legislam em causa própria.
» Washington Luiz Souza Costa,
Samambaia
SR. REDATOR
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
CIDADES
CRISE NO GDF »
Licença-prêmio só este ano
Medida atinge os servidores
ativos que não tiveram o benefício
oficializado até o fim de 2015.
Secretário diz que anúncio é uma
"oportunidade",
mas
funcionários públicos não
aprovaram. Plano de demissão
voluntária ainda será detalhado
» CAMILA COSTA
» ISA ISTACCIARINI
» FLÁVIA MAIA
José Sette de Mello não
considerou o PDV anunciado pelo
Buriti como um incentivo por causa
da perda salarial
Dois pontos do pacote de
medidas anunciado na terça-feira
pelo governador Rodrigo
Rollemberg (PSB) afetam
diretamente os servidores
públicos: o plano de demissão
voluntária e a licença-prêmio. No
caso do primeiro, o objetivo é
fazer o mais rápido possível, mas
ainda não foi definido o modelo a
ser usado. No segundo, o
funcionário que completar o
quinquênio de trabalho a partir de
agora e não gozar da licença-
prêmio até o fim do ano não poderá
mais receber o valor em dinheiro
na hora da aposentadoria, como era
previsto em lei até então.
Para isso, será feita uma
reforma do artigo 142 da Lei
Complementar nº 840/2011, que
trata do assunto. Candidatos
aprovados em futuros concursos,
servidores que deixarem para pedir
a licença após a aprovação da
mudança ou não estiverem com a
aposentadoria prevista para 2015
— ou prontos para completar o
quinquênio — serão atingidos pela
alteração. A medida não agradou.
Para Ewerton Masera, 35 anos,
funcionário público desde 2004, a
transformação da licença-prêmio
representou uma perda do direito
adquirido. “Nós lutamos para
conseguir esse benefício e
estudamos a fim de ter a garantia
de trabalho. Ultimamente, só
vemos perda de benefícios, cortes
de licença-prêmio e não
pagamento de reajuste”, contou.
Segundo o secretário de Gestão
Administrativa
e
Desburocratização, Alexandre
Lopes, o servidor deve encarar a
alteração como uma oportunidade
de melhorar. “É uma nova
realidade, que existe no governo
federal desde 1997. Incentivamos
a capacitação para o funcionário
sair e voltar melhor”, afirmou. Em
junho deste ano, o Palácio do
Buriti tentou suspender o
pagamento da licença-prêmio até
o fim do ano, por conta do alto
custo. No entanto, logo no início
de agosto, uma liminar do Conselho
Especial do Tribunal de Justiça do
DF e Territórios determinou o
pagamento imediato do benefício.
Só no primeiro semestre deste ano,
o governo gastou R$ 100 milhões
com o repasse a quase 1,5 mil
servidores — valor praticamente
idêntico ao gasto em todo o ano
passado, de R$ 112 milhões.
Responsabilidade fiscal
O Programa de Demissão
Voluntária (PDV) das empresas
públicas é uma das apostas do
Executivo para conseguir ficar
dentro dos limites da Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF)
com gastos de pessoal ainda no
exercício de 2015. A saída desses
funcionários da folha do GDF
impacta diretamente no gasto com
pessoal, que já ultrapassou o limite
prudencial previsto em lei. O
Executivo local tem pressa na
aprovação, por isso, pretende
lançar em, no máximo, 10 dias, uma
diretriz geral a ser adotada pelas
empresas. Depois, cada uma deve
adaptar o desligamento à situação
própria.
Em um primeiro momento, os
PDVs vão atingir funcionários de
empresas públicas que dependem
de verba do governo local para
quitar a folha de pagamento —
17/09/15
caso da Codeplan, da Codhab, da
Emater, do Metrô e da TCB. O
governo estuda também criar um
PDV para a administração direta,
mas aí o plano precisa passar pela
Câmara Legislativa. Empresas
independentes, como CEB, Caesb,
Ceasa, BRB e Terracap, que
custeiam o pessoal com recursos
próprios, podem aderir ou não,
uma vez que os funcionários dessas
empresas não entram nos cálculos
da LRF.
O governo está em dúvida entre
três modelos de PDV. Fatores
como a existência de plano de
previdência complementar,
quantidade de funcionários com
tempo de aposentadoria na ativa e
média salarial devem ser
determinantes na escolha do tipo.
As propostas precisam passar pela
aprovação dos conselho de
administração das empresas. “Se
a gente conseguir uma redução de
600 funcionários que tenham uma
média salarial entre R$ 10 mil e
R$ 15 mil, diminuiremos o fluxo
financeiro porque vamos pagar
menos encargos”, afirma Renato
Brown, secretário- adjunto de
Planejamento.
Servidor público há 37 anos,
José Sette de Mello se aposentou
em 2011. Vontade de aproveitar o
descanso remunerado é o que não
falta, mas a perda salarial pesa na
escolha do servidor. “O nosso
salário é considerável, mas, se
aderirmos ao programa, teremos
que sobreviver com a remuneração
da previdência oficial e da
complementar, que teve uma queda
gigantesca. Não é um incentivo”,
considerou. “Mas cada caso é um
caso. Eu ainda tenho idade e força
de trabalho para aguentar”.
"É uma nova realidade, que
existe no governo federal desde
1997. Incentivamos a capacitação
para o funcionário sair e voltar
melhor”
Alexandre Lopes,
secretário de Gestão
Administrativa e
Desburocratização
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
PARA SABER MAIS »
Está no Estatuto
O artigo 142 da Lei
Complementar nº 840/2011,
conhecida como Estatuto do
Servidor Público do DF,
estabeleceu os critérios para a
concessão da licença-prêmio por
assiduidade. A legislação prevê
que a cada cinco anos ininterruptos
de serviço o funcionário efetivo
tem direito a três meses de licença
remunerada. A contagem do prazo
é interrompida quando o servidor
sofre sanção disciplinar de
suspensão ou pede afastamento
sem remuneração.
A lei também estabelece que
cada falta sem justificativa atrasa
a concessão da licença em um mês.
O número de servidores
beneficiados simultaneamente não
pode ser superior a um terço da
lotação de cada setor ou órgão do
GDF. Os servidores com direito a
licença-prêmio que não usufruírem
do benefício podem receber os
valores em dinheiro no ato da
aposentadoria — a conversão em
pecúnia. Em caso de falecimento,
o repasse dos valores é feito aos
beneficiários da pensão.
CIDADES
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
CIDADES
Sindicatos estudam ações judiciais
» GUILHERME PERA
No início do ano, servidores
protestaram em frente ao Buriti por
conta do atraso no pagamento dos
salários
O pacote anunciado pelo
governador Rodrigo Rollemberg
(PSB) resultará em ações contra o
chefe do Executivo local. Além da
paralisação geral marcada para 24 de
setembro e do indicativo de greve
para 7 de outubro, sindicatos
estudam recorrer ao Judiciário contra
as medidas impopulares — em
especial a suspensão de reajustes
previstos a partir de 1º de outubro.
O presidente do Tribunal de Contas
do Distrito Federal (TCDF), Renato
Rainha, afirma ser necessário
“analisar com calma” as justificativas
antes de qualquer ação da Corte.
Entre os sindicalistas, o
descontentamento é geral e as
reclamações, variadas. Para Marli
Rodrigues, presidente do
SindSaúde, o governador descumpre
a lei. “A Lei 5.174, de 2013, em
pleno vigor, concede isonomia nas
cargas horárias sem perda de salário.
E o governador está nos fazendo
perder dinheiro. Se ele não cumprir,
vamos processá-lo”, disse. Cleber
Soares, diretor do Sindicato dos
Professores do DF (Sinpro-DF), tem
discurso semelhante. “No nosso
entendimento, há o descumprimento
da Lei 5.105, que dispõe sobre os
reajustes ao magistério do DF, já
estamos com o jurídico em alerta”,
afirmou. Segundo Gutemberg Fialho,
presidente do SindMédico, o não
pagamento da licença-prêmio e o
atraso no 13º salário e nas horas
extras se juntam ao cancelamento dos
reajustes nas reclamações dos
médicos. “O alerta está dado para o
GDF, com a paralisação geral de um
dia”, disse.
Quando anunciou o pacote de
medidas, na terça-feira, Rollemberg
fez um apelo: “Peço a toda
sociedade, sindicatos e deputados
distritais para nos unirmos em um
momento tão difícil para Brasília”.
O chefe do Executivo local
apresentou um ofício ao Tribunal de
Contas do Distrito Federal (TCDF),
à Câmara Legislativa e ao Ministério
Público do Distrito Federal e
Territórios (MPDFT) explicando o
porquê da suspensão dos reajustes.
Pesa contra o governador o fato
de ele não ter ficado ao lado do
Ministério Público quando foi
ajuizada uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) contra
os reajustes concedidos por Agnelo
Queiroz (PT). Sem a posição do
socialista, a iniciativa do MP sofreu
derrota unânime no TJDFT: 17 votos
a zero. A situação é lembrada pelo
secretário-geral da Central Única dos
Trabalhadores (CUT) em Brasília,
Rodrigo Rodrigues. “Nós
entendemos que o GDF comete um
calote: são leis promulgadas,
contestadas e julgadas como válidas
por unanimidade”, disse. “E é por
isso que, na reunião com 22
entidades do serviço público, foi
definida a paralisação do dia 24”,
continuou.
Reuniões
O presidente do TCDF, Renato
Rainha, disse ontem, após reunião
com Rollemberg, ser necessário
analisar as medidas do GDF. O
conselheiro da Corte não deu uma
posição clara — favorável ou
contrária — ao socialista, e listou uma
série de análises a serem feitas sobre
o documento. “Veremos se as
medidas foram realmente
necessárias, se estão de acordo com
a legalidade, a moralidade e a
economicidade, podendo aprová-las
ou não”, continuou. O chefe do
Executivo local também esteve com
o presidente do TJDFT,
desembargador Getúlio Moraes, e
com o procurador-geral do DF,
Leonardo Bessa, para convencê-los
sobre a falta de dinheiro.
24 de setembro
Data marcada da paralisação geral
de 33 categorias no Distrito Federal
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
CIDADES
EDUCAÇÃO »
Último dia para inscrever-se no PAS
Termina hoje o prazo de
preenchimento da ficha do
Programa de Avaliação Seriada da
UnB. Os candidatos que ainda não
enviaram o formulário devem ficar
atentos ao horário
» Cecilia Garcia
Especial para o Correio
Thiago Moreira fez a inscrição
ontem: dúvida sobre qual curso
seguir
Quem pretende fazer as provas
do Programa de Avaliação Seriada
(PAS) da Universidade de
Brasília (UnB) tem até as 23h59
de hoje para se registrar. O
processo de inscrição é realizado
exclusivamente via internet e, para
aqueles sem acesso à rede, estão
à disposição computadores nos
quatro campi da universidade e em
outros locais listados no edital. Ao
se inscrever na terceira etapa, o
estudante deve definir o sistema de
concorrência, câmpus, curso e
turno. Além disso, deve escolher
a opção de língua estrangeira e o
local onde prefere realizar a
prova.
Há sempre aqueles que deixam
o compromisso para o último
momento, pelos mais variados
motivos. É o caso do estudante
Thiago Moreira, 16 anos. Aluno do
terceiro ano do ensino médio no
Centro Educacional Sigma, ele só
finalizou a inscrição ontem. O
motivo foi a dúvida na hora de
escolher o curso. “Queria
administração, só que, depois de
fazer a inscrição, quis mudar para
engenharia de produção”, relata.
Thiago foi o último entre os amigos
dele a se inscrever.
Para o professor de física e
diretor do curso preparatório
Exatas, César Augusto Severo, o
aluno deve estar atento não só ao
prazo de inscrição, como ao de
pagamento, que pode ser realizado
até 20 de outubro. A dica do
docente é pagar no mesmo dia da
inscrição. “Às vezes, o pai tem
tanta coisa para pagar que esquece
esse boleto.” E para aqueles que
estão correndo contra o tempo, uma
orientação é válida: não deixar a
ansiedade tomar conta e preencher
com atenção os itens do formulário
de inscrição. De acordo com
César, há muitos alunos que
acabam escolhendo a opção errada
de língua estrangeira, ou até
mesmo de curso, e perdem a
chance de consertar o engano por
se inscrever no último dia. Para
aqueles que percebem o erro a
tempo, não há necessidade de
desespero, basta fazer uma nova
inscrição. Somente a última é
válida.
As provas das três etapas
ocorrem em novembro e em
dezembro deste ano. Uma dica para
os alunos nesta reta final é fazer
muitos exercícios. Rever as provas
anteriores, resolver questões de
vestibular nas matérias do PAS e
conferir se as escolas passaram
todo o conteúdo que será cobrado
também auxilia os candidatos em
sua preparação. Outra orientação
do professor é para os alunos que
prestarão o exame pela primeira
vez. De acordo com o docente,
esses estudantes costumam ser
mais descuidados por ainda não
entenderem a importância da
primeira etapa. “Ela é essencial
para poder concorrer a cursos de
maior demanda no final.”
A
terceira
etapa
do
subprograma 2013 oferece 2.106
vagas para ingresso em 97 cursos
da UnB, distribuídas entre os
quatro câmpus da instituição. São
os três sistemas de ingresso:
universal (902 vagas), cotas para
negros (132 vagas) e cotas para
alunos de escolas públicas (1.072
vagas). De acordo com dados do
Cespe, em 2014 foram mais de 60
mil inscritos nas três etapas. Quase
13 mil deles, na última etapa. O
exame não sofreu mudanças
técnicas e de ementa desde o ano
passado.
Futuro da avaliação
Em agosto, a UnB comemorou
17/09/15
os 20 anos do PAS. Na cerimônia
de comemoração da data, o decano
de Ensino de Graduação, Mauro
Rabelo, apresentou o projeto de
mudanças no sistema de avaliação
que a reitoria vai propor às
unidades acadêmicas. Uma delas
é permitir ao candidato acesso a
seu desempenho na última prova
antes do resultado final, podendo
mudar a opção de curso de acordo
com a nota.
Fique atento
» As inscrições terminam às
23h59 de hoje, 17 de setembro. O
pagamento do boleto pode ser
realizado até 20 de outubro. Os
locais de prova estão disponíveis
no site do Cespe a partir de 17 de
novembro. Os exames do PAS 1 e
PAS 2 serão aplicados em todas
as cidades do DF e em algumas
localizadas nos estados de Minas
Gerais e Goiás. Já o PAS 3 será
aplicado apenas em cidades do DF.
O que fazer se:
» A inscrição não foi
confirmada: Verifique se as
informações dadas estão corretas.
Se estiverem incorretas, entre em
contato com a Central de
Atendimento e siga as instruções
dadas. Confira no site quais são as
pendências.
» O estudante pode pedir
isenção da taxa no momento da
inscrição. Para ter acesso ao
benefício, é preciso se encaixar em
alguns pontos descritos no edital,
como estar inscrito no Cadastro
para Programas do Governo
Federal (CadÚnico).
» A escola não está cadastrada:
Solicite inscrição via internet e
envie a documentação digitalizada
por meio de link específico, até as
19h de hoje. O estudante que não
regularizar a sua situação não terá
a sua inscrição homologada e não
poderá realizar a prova.
I n f o r m a ç õ e s :
www.cespe.unb.br/pas ou na
Central de Atendimento ao
Candidato do Cespe, de segunda a
sexta, das 7h30 às 20h30 – Câmpus
Universitário Darcy Ribeiro, Sede
do Cespe. Telefone: (61) 34480100.
CORREIO BRAZILIENSE
17/09/15
CIDADES
Termômetro para o desempenho no Enem
» Isabela Bonfim
Especial para o Correio Mais
de 19 mil estudantes da rede
pública de ensino tiveram a chance
de avaliar seus conhecimentos
antes do Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem). As provas
realizadas pela Secretaria de
Educação começaram na terçafeira e os estudantes participaram
da segunda etapa ontem. É a
primeira vez que a Secretaria de
Educação do DF realiza um
simulado unificado com todos os
estudantes do último ano. O evento
é parte do programa Por dentro dos
exames do ensino médio, lançado
em agosto. As questões foram
elaboradas pelo Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira
(Inep), órgão responsável pelo
Enem. De acordo com o
subsecretário de acompanhamento
e avaliação educacional, Fábio
Sousa, o simulado tem por
objetivo ambientar os alunos e
avaliar a preparação das escolas.
“Os estudantes têm contato com o
mesmo estilo de prova do Enem e,
com os resultados, os professores
vão saber o que melhorar em sala.”
Pela primeira vez, Lucas França,
20 anos, fez um simulado de uma
prova de vestibular. Aluno do
terceiro ano do Centro de Ensino
Médio Setor Leste, ele se prepara
para o desafio. “Eu me sinto mais
capacitado. No dia da prova, já
vou conhecer todas as ferramentas
para me sair melhor”, afirma.
Lucas tentará vaga em
administração na Universidade de
Brasília (UnB). Como as provas
foram coordenadas pelo Cespe/
Cebraspe, que também aplica a
prova do Enem, os alunos tiveram
que respeitar as mesmas regras de
segurança. Para a coordenadora
pedagógica da regional de ensino
do Plano Piloto, Jackeline dos
Santos, esse é o maior benefício
do simulado. “A experiência
prévia ensina aos alunos que eles
têm que chegar na hora, como usar
a folha de resposta e controlar o
tempo”, avalia. O estudante
Ribamar Martins, 18, foi um dos
seis alunos do Setor Leste que
usaram ferramentas ainda em fase
de testes pelo Cespe/Cebraspe. Ele
fez o simulado usando o
computador e participou da
identificação biométrica. “É um
formato novo que ainda está em
testes, então somos privilegiados
por ter acesso a esse método”,
afirma. De acordo com o
subsecretário Fábio Sousa, os
exames por computador foram
realizados também em outras
escolas, com a participação de
aproximadamente mil alunos.
Ribamar fez o Enem no ano
passado e acredita que o simulado
estava no mesmo nível do exame.
“Eles realmente cobraram o
conteúdo. Funcionou como um
termômetro”, afirma. Para ele, a
vantagem é o resultado, já que os
alunos devem receber um boletim
de desempenho em duas semanas.
“É muito bom, porque vai mostrar
o que preciso melhorar e posso
fazer isso até o dia da prova.”
JORNAL DE BRASÍLIA
17/09/15
BRASIL
Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/
17/09/2015
Educadores defendem menos conteúdo
e mais qualidade no ensino básico
Por Akemi Nitahara
Edição:Maria
Claudia
Fonte:Agência Brasil
Educadores debateram nesta
terça-feira (15), no Rio, em
sessão especial do Fórum
Nacional do Instituto de Altos
Estudos, a qualidade do ensino
básico aplicado nas escolas do
país. O tema foi abordado no
painel “Transformar a
educação, para que a educação
transforme o Brasil”, dentro da
sessão especial do Fórum
Nacional do Instituto Nacional
de Altos Estudos (Inae), que vai
até esta terça na cidade.
Diminuir a quantidade de
conteúdo obrigatório para o
ensino fundamental e médio e
garantir que todos os alunos
adquiram as habilidades
básicas foi uma das sugestões
feitas por professores como um
dos meios para melhorar a
educação no Brasil.
O painel contou com a
participação do ministro da
Educação, Renato Janine, e do
senador Cristovam Buarque, exministro da pasta, e de outros
educadores. Para o professor
Simon Schwartzman, do
Instituto de Estudos do
Trabalho e Sociedade (IETS),
o principal gargalo na
educação está no ensino médio,
um modelo criado há 70 anos e
voltado para o ingresso na
faculdade.
“Se conseguirmos destravar
o ensino médio e abrir um
pouco para experimentos, para
iniciativas, conseguiremos
avançar. É muito importante
acabar
com
esse
enciclopedismo, que não leva a
nada, 15, 16 matérias que o
aluno tem que passar correndo,
e nunca chega a aplicar. Nós
temos que permitir que os
alunos optem e passem por
diferentes áreas de formação e
aprofundamento”. Ele destacou
a importância do ensino técnico
e profissional como uma opção
de ensino médio, e não um
complemento, como ocorre hoje.
O ex-secretário de Estado de
Educação do Rio de Janeiro
Wilton Risolia afirmou que o
ensino médio não atende as
necessidades nem de quem
cursa, nem do país. “Nosso
ensino médio é uma commoditie
às avessas. Não tem
fundamento nenhum nem
base teórica exigir que o
menino que quer ser médico,
e o que quer ser jornalista,
façam rigorosamente o mesmo
ensino médio. Ou que o
percurso formativo de quem
quer ser músico e quem quer
ser engenheiro seja a mesma
escola”, afirmou.
O ministro Renato Janine
destacou que houve muitos
avanços no ensino técnico e
que o Brasil ficou em primeiro
lugar
no
WorldSkills
Competition, realizado em
agosto, em São Paulo. Ele
lembrou que o ministério vai
lançar amanhã (16) as bases
comuns nacionais dos
componentes curriculares, que
devem contemplar cerca de
60% do que será ensinado nas
escolas. O restante deve ser
preenchido por conteúdos
regionais, como prevê o Plano
Nacional de Educação,
aprovado no ano passado.
“Penso
que,
neste
momento,
a
grande
contribuição da base comum
é sairmos de discussões
17/09/2015
genéricas para entrarmos na
discussão de conteúdo: no que
deve ser ensinado. E de
competência: o que os alunos
devem aprender. A educação é
uma área no Brasil que
demanda muita discussão,
sobretudo sobre métodos
pedagógicos, aprendizagem, e
foco no aluno, nas boas
práticas. Temos grandes
avanços nisso, mas creio que
podemos ir muito longe”.
Para o senador Cristovam
Buarque, é necessário uma
reforma total no sistema
educacional brasileiro, partindo
da federalização do ensino para
que a qualidade chegue a todas
as cidades. “Um núcleo comum
federal com a escola municipal
não vai acontecer. As pessoas
esquecem a pobreza das
cidades. Tem cidades no Brasil
cuja receita anual da prefeitura
não chega a cem reais por
pessoa. Como é que vai dar uma
boa escola, como é que vai
pagar o professor, como é que
vai exigir um professor de
qualidade, se eles são escolhidos
na própria cidade, não vem de
fora? Os funcionários do Banco
do Brasil não são escolhidos na
própria cidade, vem de fora. Os
juízes vem de fora, os delegados
vem de fora. A professora é da
cidade”.
Para o senador, a reforma
curricular deve incluir o horário
integral e a escolha de
disciplinas pelo próprio aluno.
“O aluno quer aprender violão,
tem que ter espaço para ele
como disciplina violão, tem que
ir atrás do gosto do aluno.
Agora, tem que ter um núcleo
central, todos têm que ter:
história do Brasil, geografia,
noções de matemática,
português, como falar bem. Mas
a partir daí, química, deixa
para alguns, não precisa todos
saberem química. Então, não
diminui o número de
disciplinas, diminui o número
de disciplinas obrigatórias e
aumenta as que o aluno
escolhe”.
Segundo Cristovam outros
pontos que vão contribuir para
melhorar a qualidade do
ensino são formação e seleção
do professor e dedicação
exclusiva.
“Professor
qualificado e dedicado na
sala de aula, professor que dá
aula em três escolas não dá
bem em nenhuma, tem que ser
dedicado”. Ele acrescenta
também avaliação do
professor e capacitação para
o uso das tecnologias. “A
criança não aguenta uma
aula no quadro negro mais, é
uma violência para uma
criança que nasceu vendo
televisão,
computador,
internet, celular”.
Editor Maria Claudia
Valor Econômico
17/09/15
BRASIL
MEC divulga projeto de currículo nacional
para ensino básico e abre consulta pública
Por Ligia Guimarães | De São
Paulo
Janine: "É importante que cada
componente curricular seja
discutido".
Opinar sobre qual conteúdo é
essencial e deveria ser ensinado a
todos os alunos brasileiros ao
longo da educação básica será
possível a partir da semana que
vem. O Ministério da Educação
tornou pública ontem a sua
proposta preliminar para a Base
Nacional Comum Curricular, que
irá definir quais são os objetivos
de aprendizado em cada etapa do
ensino básico e em cada área de
conhecimento - ciências da
natureza, ciências humanas,
linguagens e matemática.
O documento, que começou a
ser escrito em junho por uma
equipe de especialistas e
professores de diferentes
universidades, está disponível
desde ontem no site do MEC e
estará aberto para consulta pública
a partir de 25 de setembro.
O objetivo, segundo o MEC, é
garantir que qualquer aluno, de
escola pública ou privada e em
qualquer cidade do país, tenha o
direito de aprender os mesmos
conhecimentos considerados
fundamentais pela sociedade. Uma
parte, estimada em 60% do
currículo, será comum a todas as
escolas; o restante será
regionalizado.
Para o ministro Renato Janine
Ribeiro, a sociedade brasileira
precisa participar do debate. "É
muito importante que cada
componente curricular seja
amplamente discutido por todos,
sejam professores, pesquisadores,
mas também por todos ", disse
Janine.
Até dezembro, o MEC receberá
críticas e sugestões ao texto, tanto
de pessoas físicas, quanto de
escolas e instituições. Segundo o
cronograma da pasta, o texto final
deverá ser encaminhado entre
março e abril de 2016 ao Conselho
Nacional de Educação (CNE),
responsável pela aprovação da
proposta.
Adotar uma base curricular
comum é prática que já foi adotada
por outros países considerados
bem-sucedidos em educação,
como Coreia, Finlândia, Estados
Unidos, Canadá, Chile e Reino
Unido.
A iniciativa do MEC de abrir o
"rascunho" ao debate com a
sociedade foi elogiada por
especialistas ouvidos pelo Valor.
Para o diretor executivo da
Fundação Lemann, Denis Mizne,
ter uma base curricular é
importante para orientar a
definição
de
políticas
educacionais. "Quando eu não
tenho clareza do que precisa ser
ensinado, eu não tenho como
formar o professor nesse sentido,
então cada faculdade decide. A
mesma coisa os livros didáticos:
como é que eu escolho o que tem
que estar no livro?", diz Mizne. A
clareza do texto e o foco em
quantidade menor de objetivos de
aprendizagem também foram
elogiadas. "A base define 15
objetivos de matemática para o
primeiro ano. Fazer escolhas é
muito importante, porque o livro
didático é hoje uma enciclopédia,
tem 60, 70 objetivos e passa de
maneira rasa por tudo".
A criação de uma base
curricular comum é determinada
em lei e prevista no Plano Nacional
de Educação, aprovado em 2014.
A íntegra da proposta do MEC
está disponível no site
basenacionalcomum.mec.gov.br/#/
site/conheca
Valor Econômico
17/09/15
POLÍTICA
Dilma cogita substituir Mercadante em reforma
Por Raymundo Costa, Claudia
Safatle e Cristiano Zaia | De
Brasília
No momento em que a oposição
dá a partida no processo de
impeachment, ancorada numa
figura venerável como o jurista
Hélio Bicudo, um dos fundadores
do PT, a presidente Dilma
Rousseff prepara uma reforma do
ministério para tentar recompor
politicamente seu governo,
manter-se no cargo e recuperar a
economia. A reforma pode ser
divulgada até quarta-feira, antes
de a presidente viajar para os
Estados Unidos. Segundo aliados,
esta pode ser a última chance de
Dilma de viabilizar o seu governo.
Há mais de um cenário sobre a
mesa da presidente da República,
mas todos contemplam a hipótese
de extinção de dez ministérios
prometida pelo governo, ao
anunciar as medidas para o ajuste
do Orçamento. Se dependesse do
PT, aproveitaria as mudanças para
fazer uma ampla reforma
ministerial, quase um recomeço de
governo. Sob pressão dos
partidos, no entanto, Dilma tem
dificuldades até para cumprir a
cota de ministérios que prometeu
extinguir.
Segundo apurou o Valor, a
presidente Dilma finalmente se
convenceu de que o ministro
Aloizio Mercadante não é "a CocaCola" que ela pensava e admite
substituí-lo no cargo de chefe da
Casa Civil. Isolada e fragilizada
politicamente, no entanto, a
presidente tem dificuldades para
encontrar um nome de sua
confiança para o cargo. Prova
disso é que um dos cenários que
circularam ontem previa a
nomeação da ministra Kátia Abreu
(Agricultura) para o cargo, mais
por amizade do que por
composição política com o
Congresso.
O cenário com Kátia Abreu na
Casa Civil prevê a nomeação do
assessor Giles Azevedo para a
Secretaria
de
Relações
Institucionais (SRI), cuja extinção
é prevista por um dos cenários da
proposta, e do atual ministro da
Comunicação de Governo, Edinho
Silva, para a Secretaria-Geral da
Presidência da República, no lugar
do atual ministro Miguel Rossetto,
que integra uma importante
tendência de esquerda do PT, a
Democracia Socialista, mas que é
minoritária no partido. Edinho
levaria para a SG a verba de
publicidade da Secretaria de
Comunicação.
"Se essa é a reforma do
gabinete, resta saber se o
impeachment virá antes ou depois
dela", ironizou um aliado. "É
pífio".
Na realidade, Kátia Abreu não
soma o PMDB. Ela é cristã nova
no partido e na ordem de
precedência haveria outros nomes.
Além disso, indicar uma senadora
não significa facilitar ou dificultar
o andamento dos assuntos de
interesse atual de Dilma no
Congresso, pois tanto o
impeachment como a reedição da
CPMF devem ter origem na
Câmara. À noite, já havia uma
avaliação de que, nessa hipótese,
melhor seria manter Mercadante,
que já é alvo claramente
identificado das trapalhadas do
governo e tem uma relação mais
ampla que Katia Abreu com o
Congresso.
A cúpula do PT aposta na
manutenção de Mercadante. O
partido, que se reúne esta noite em
São Paulo, está mais preocupado
com a manutenção da SRI, de
preferência ocupada por um nome
do partido. Dilma teria preferência
pelo atual ministro das
Comunicações, Ricardo Berzoini,
mas na cúpula partidária o expresidente petista tem a fama de
começar tarde no trabalho e de
desligar o telefone às 22h. O
ministro da Defesa, Jaques Wagner,
era quase uma unanimidade no
início do segundo mandato de
Dilma para a Casa Civil. Agora
volta a ser lembrado para a SRI.
Mas tem problemas parecidos com
os de Berzoini com o PT.
17/09/15
Segundo petistas, o presidente
do partido, Rui Falcão, apoia o
nome do atual líder do governo na
Câmara, José Guimarães. Outra
hipótese seria o do ministro da
Ciência e Tecnologia, Aldo
Rebelo, o que facilitaria para
Dilma incluir o MCT na cota de
extinção de dez ministérios. De
acordo com fontes do PCdoB,
partido de Aldo, o ministro só
aceitaria o cargo como missão.
Berzoini também prefere ficar
onde está. O fato é que a SRI é
obrigada a prometer muito, sem ter
em contrapartida a caneta para
atender os pedidos. Um nome do
PMDB terá dificuldades para
aceitar a função, pois Dilma
estaria colocando no pacote da
coordenação política o nome de
Giles Azevedo, seu amigo há mais
de 30 anos.
A criação do Ministério da
Infraestrutura com a junção de
transportes, portos e aeroportos
esbarra na reação do PR, que
ocupa os Transportes com o
suplente da senadora Marta
Suplicy (PT-SP), Antônio Carlos
Rodrigues. Além disso, no
momento, a pasta de Infraestrutura
apenas pareceria poderosa, mas
teria pouco a realizar com os
cortes nos investimentos
orçamentários. Mais fácil seria
juntar Previdência Social e
Trabalho, com a retirada do PDT,
que já não vota mesmo com o
governo. O problema é o
impeachment. Mesmo o recémchegado Renato Janine Ribeiro
(Educação) estaria ameaçado, em
eventual fusão do MEC com a
Ciência e Tecnologia. "Por
inoperância", segundo fonte
próxima da presidente Dilma.
Deputados das frentes
parlamentares da Agricultura
Familiar e da Assistência Técnica
e Extensão Rural do Congresso
Nacional pediram em ofícios à
presidente Dilma Rousseff que não
acabe com o Ministério do
Desenvolvimento Agrário (MDA)
ou o incorpore ao Ministério do
Desenvolvimento Social e
Combate à Fome (MDS). Alas do
PT e movimentos sociais como a
Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura
(Contag) também vêm reagindo à
disposição do governo de alterar
a estrutura do MDA. Se isso
ocorrer, o PT preferiria que o
ministro da nova pasta fosse Patrus
Ananias (MDA), mas isso não só
atingiria uma amiga da presidente,
Teresa Campelo (MDS), como
reduziria o número de mulheres no
governo.
A possibilidade de renúncia de
Dilma, apesar de todas as
negativas da presidente, ainda não
saiu de todo das cogitações
políticas de aliados do governo.
Diante da gravidade da situação,
não se pode descartar mesmo as
alternativas mais improváveis.
O ESTADO DE S. PAULO 17/09/15
Incompleto, currículo
único é divulgado
METRÓPOLE
17/09/15
17/09/15
O ESTADO DE S. PAULO 17/09/15
METRÓPOLE
Em crise, USP congela mais
R$ 114mi em gastos
17/09/15
17/09/15
GERAL
MEC divulga
proposta de currículo único
O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem a
proposta da Base Nacional Comum, documento que detalha
o que precisa ser ensinado aos alunos em cada etapa da
educação e disciplina. É a primeira vez que o Brasil
estabelece um currículo nacional. O documento está aberto a
audiências públicas e seu texto final deve ser aprovado em
2016.
Os objetivos de aprendizado, segundo o texto, serão
divididos de acordo com o contexto do aluno – de abordagem
mais lúdica, nos primeiros anos, até conceitos mais abstratos,
no Ensino Médio. São listados 12 direitos gerais de
aprendizagem, e o documento é estruturado em quatro áreas,
já usadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A
base comum irá cobrir 60% do currículo básico e o restante
deve ser formulado de acordo com especificidades locais. O
objetivo é estabelecer o que o aluno precisa saber em cada
etapa, mas a forma de ensino é livre.
17/09/15
Vestibular | Critério social
servirá para desempate
A Câmara dos Deputados
aprovou na última terça-feira uma
proposta que estabelece o critério
social para desempate em
vestibulares de instituições
públicas de Ensino Superior. Para
valer, a medida, prevista no
Projeto de Lei 7.654/10, do
senador Marcelo Crivella (PRBRJ), ainda precisa ser sancionada
pela presidente Dilma Rousseff. O
Senado já havia aprovado a
proposta. Pelo texto, no caso de
empate na seleção de candidatos
em uma universidade, será dada
prioridade àquele com renda
familiar inferior a 10 salários
mínimos. Se mais de um estiver
nessa situação, prevalecerá o que
comprovar menor renda.
GERAL
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