Aceleração Constante Aceleração Constante Objetivos desta Aula Entender o conceito de aceleração média no movimento retilíneo; Entender o conceito de aceleração instantânea no movimento retilíneo e entender a sua relação com a derivada; Ser capaz de deduzir as equações do movimento relativas ao MRUV. Pré-Requisitos Ter estudado a Aula 2 - Velocidade Instantânea.. Aula 3 cinemática Aceleração Constante A aceleração descreve quão rapidamente varia a velocidade durante o movimento. De certo modo, percebemos acelerações com mais facilidade do que velocidades. Imagine que você esteja de olhos fechados viajando em um automóvel de janelas fechadas, que percorre uma estrada horizontal e reta (suponha, além disso, que a estrada esteja em bom estado e que o carro seja bom), as acelerações são facilmente percebidas. Se o carro acelera, você sente o banco do carro pressionando as suas costas. Se a aceleração é negativa, isto é, se o carro desacelera, você sente agora o cinto de segurança pressionando o seu peito para trás (sendo uma pessoa inteligente, você certamente usará cinto de segurança). Já estamos habituados ao uso coloquial do conceito de aceleração. Todos nós entendemos o que significa dizer que o automóvel está acelerando; significa que a velocidade do automóvel está aumentando. Se dissermos que a aceleração é grande, entende-se que a velocidade está variando rapidamente, ou seja, em um certo intervalo de tempo, a velocidade varia de uma quantidade considerada grande. Se um automóvel é freado, sua velocidade também varia, só que a valores menores. Nesse caso diz-se que o automóvel foi desacelerado. Em linguagem coloquial, variações positivas de velocidade são chamadas de acelerações, e variações negativas são chamadas de desacelerações. Em Física, o conceito de aceleração num movimento retilíneo é de uma grandeza que pode ser positiva, negativa ou nula. É positiva se descreve um aumento de velocidade e negativa se descreve uma diminuição. Desse modo, o que usualmente se chama de desaceleração, é chamado em Física de uma aceleração negativa. Por aceleração nula entende-se, é claro, a ausência de aceleração. Nesse caso, a velocidade é constante. Antes de ler esta seção você deve estudar a seção anterior . Aceleração média e instantânea Considere um intervalo de tempo [t1, t2], com t2 > t1. Se v(t1) é a velocidade da partícula no instante t1 e v(t2) é a velocidade da partícula no instante t2 , a variação da velocidade no intervalo de t2 a t1 é ∆v = v (t2 ) − v (t1 ) (1.4.1) ∆t = t2 − t1 . (1.4.2) e a duração deste intervalo é A razão entre a variação da velocidade no intervalo de t1 a t2 e a duração deste intervalo é chamada de aceleração média da partícula no intervalo [t1,t2], ou seja, at → t = 1 2 v (t2 ) − v (t1 ) t2 − t1 ≡ ∆v . ∆t (1.4.3) Uma variação de velocidade é expressa, naturalmente, em unidades de velocidade, isto é, em unidades de comprimento dividida por unidade de Aula 3 Aceleração Constante tempo. Sendo a aceleração média a razão entre a variação de velocidade e a duração de um intervalo de tempo, a sua unidade será a de velocidade dividida pelo tempo. No SI a unidade de aceleração média é o metro por segundo por segundo, ou simplesmente m/s2. Sendo a duração do intervalo t2 - t1 uma grandeza positiva, concluímos que a aceleração média é positiva somente se a variação da partícula no intervalo de t1 a t2 é positiva, isto é, se a velocidade aumenta nesse intervalo de tempo. A aceleração média é negativa somente se a velocidade diminui no intervalo. Finalmente, o caso da aceleração média nula corresponde à situação em que a velocidade da partícula em t2 é igual à sua velocidade em t1. Porém, isso não significa que necessariamente durante esse intervalo a velocidade da partícula tenha permanecido constante. Isso pode ou não ter acontecido, mas conhecendo-se apenas a velocidade média nesse intervalo, nada podemos afirmar. A aceleração média dá apenas uma idéia global de como varia a velocidade em um intervalo. Por exemplo, a velocidade média nula em um intervalo não significa necessariamente que a velocidade tenha permanecido constante neste intervalo, ela pode ter variado de modo a voltar, no final do intervalo, ao valor que tinha no início. Para ter uma informação mais detalhada sobre a rapidez da variação da velocidade, devemos considerar o conceito de velocidade instantânea, que nos fornece a rapidez com que a velocidade varia num instante em particular. A aceleração instantânea da partícula no instante t é o limite da razão entre ∆v e ∆t, quando a duração do intervalo tende a zero, ou seja, ( ) () v t + ∆t − v t . a(t ) = lim ∆t → 0 ∆t (1.4.4) Esse limite (lim) define a derivada da velocidade com relação ao tempo, ou seja, a aceleração instantânea num dado instante é a derivada com relação ao tempo da função que descreve a velocidade da partícula neste dado instante. Logo, a aceleração instantânea num dado instante t0 é expressa por a(t0 ) = dv (t ) . dt t = t (1.4.5) 0 dv(t ) (A expressão é a derivada da função velocidade, denotada por v(t), com dt relação ao tempo, que denotamos por t.) Agora você poderia dizer com convicção: - Mas a função velocidade já não é a derivada com relação ao tempo da função posição? Logo, posso concluir então que devo derivar com relação ao cinemática Aceleração Constante tempo duas vezes a função posição para obter a função aceleração! - Isso mesmo, a expressão matemática da sua afirmação nos mostra como calcular a função aceleração a partir da função posição: dv (t ) d dx (t ) d 2 x (t ) a(t ) = = ≡ . dt dt dt dt 2 (1.4.6) d2 (A expressão indica que estamos derivando duas vezes a função posição dt 2 com relação ao tempo. O índice “2” não significa que estamos “elevando ao quadrado”!) Como vimos no final da seção anterior, você poderia nos perguntar agora: - Se você conhecesse a aceleração de uma partícula em todos os instantes do movimento e a sua velocidade num instante em particular, seria possível determinar a sua função velocidade? - A resposta é sim! Se conhecemos a função aceleração e uma dada velocidade instantânea v0 , podemos encontrar a função velocidade. A função velocidade é obtida por meio do conceito matemático de integral. Assim, t v (t ) = v0 + ∫ a(t ') dt '. t (1.4.7) t0 (A expressão a(t ') dt ' é a integral, do instante t0 ao instante t, da função aceleração, t0 denotada por a(t), e t’ é a variável de integração.) ∫ Como já dissemos, o cálculo de derivadas e integrais está fora do objetivo deste curso e não serão cobrados nas avaliações, mas eles são necessários para deduzirmos as equações do movimento retilíneo com aceleração constante a seguir. Aceleração constante ou Movimento Uniformemente Variado (MRUV) Retilíneo Suponha que uma partícula se mova com aceleração constante durante um determinado intervalo de tempo. Como vimos acima, se você souber a velocidade instantânea no instante inicial deste intervalo, você pode conhecer a velocidade em qualquer instante deste intervalo. Vamos representar a aceleração da partícula por a e vamos chamar de v0 a velocidade no instante inicial t0 = 0. Pela Eq. (1.4.7), podemos resolver a integral para obter a função velocidade em qualquer instante t pertencente a este intervalo, Aula 3 Aceleração Constante t v (t ) = v0 + ∫ a dt ' (1.4.8) 0 = v0 + at . Agora, se conhecermos também a posição da partícula no instante inicial, podemos obter a sua posição em qualquer instante deste intervalo, como já vimos na seção anterior . Assim, se representarmos x0 como a posição inicial da partícula, podemos substituir o resultado da Eq. (1.4.8) na Eq. (1.3.2) para obter t x (t ) = x0 + ∫ v (t ') dt ' 0 t ( ) = x0 + ∫ v0 + at ' dt ' 0 = x0 + v0 t + (1.4.9) 1 2 at , 2 que é a conhecida expressão para a lei horária do movimento no MRUV, que é estudada no ensino médio! Finalmente, vamos terminar esta seção com o seguinte exercício: combine os resultados obtidos pelas Eqs. (1.4.8) e (1.4.9) e encontre que, num instante qualquer do intervalo, a seguinte relação é válida: ( ) v 2 = v0 2 + 2 a x − x0 . (1.4.10) cinemática Aceleração Constante CRÉDITOS Texto adaptado por Lizardo H. C. M. Nunes da apostila Física 1A, de Carlos Farina de Souza, Marcus Venicius C. Pinto e Paulo Carrilho Soares Filho. Revisão Mônica dos Santos Dahmouche Equipe do Portal da Educação Programação Visual André Nogueira Ilustração Fabiana Rocha Fabio Muniz André Nogueira