Frecuencia COMUNICAÇÃO SEM FIO NA AMÉRICA LATINA Edição em português Ano 8 - Nº 61 - Outubro 2004 Latinoamérica www.frecuenciaonline.com GIGANTES DISPUTAM LIDERANÇA EM DADOS Indústria debate o futuro da comunicação sem fio na América Latina União faz a FORÇA AMÉRICA CENTRAL: SERVIÇOS À PROVA DE FURACÃO FRECUENCIA Nº 61 EDITORIAL Outubro 2004 www.frecuenciaonline.com MATRIZ ITP Editorial 475 Biltmore Way, Suite 308 Coral Gables, FL 33134-5756 O momento é agora DIRETORA EDITORIAL Graça Sermoud [email protected] EDITORA EXECUTIVA Ana Paula Lobo [email protected] EDITORA ASSISTENTE Clara Persand [email protected] CORRESPONDENTES Argentina - Elías Tarradellas Ecuador - Jaime Yumiseva Perú - Marco Villacorta CIRCULAÇÃO Carmen Burgos [email protected] WEBMASTER Danilo Bilbao [email protected] TRADUTORA Ana Cristina Gonçalves ADMINISTRAÇÃO & FINANÇAS Carmen Luz Yumiseva ESCRITÓRIOS REGIONAIS ITP EDITORIAL – BRASIL Avenida Cidade Jardim, 400 – 20 Andar São Paulo, SP – CEP: 01454-000 Tel: 55-11-3818-0848 Fax: 55-11-3818-0899 ITP EDITORIAL – REGIÃO ANDINA Av. Eloy Alfaro 3822 y Gaspar de Villaroel Quito – Ecuador Tel: 593-22-422-568 Fax: 593-22-424-871 REDAÇÃO FRECUENCIA/ BRASIL Av. Ibirapuera, 2907 / conj: 121 Moema - São Paulo – CEP: 04029-200 Telefones: 55-11-5053-9828 / 9829 FAX: 55-11-5053-9838 Impressão Henel Indústrias Gráficas Ltda. www.henel.com.br Edição de Arte e Diagramação Pedro R Costa [email protected] FRECUENCIA LATINOAMÉRICA circula dez vezes no ano e é distribuída às empresas e executivos do mercado de telecomunicações sem fio. Assinatura anual: Latinoamérica, EUA e Canadá: US$ 75. Europa e Ásia: US$ 95. Direitos Reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta publicação sem prévia autorização da direção. As opiniões contidas na revista Frecuencia Latinoamérica refletem a posição dos autores e não necessariamente a da ITP Editorial. Considerado sempre um bloco emergente no cenário econômico, em função das instabilidades que marcam a região, a América Latina tem uma oportunidade singular de assumir um papel-chave no mercado mundial de mobilidade. Basta apenas que os países deixem de lado as rivalidades circunstanciais e passem a atuar, de fato, como um continente. Essa é uma das principais conclusões da mesa-redonda patrocinada pela Frecuencia Latinoamérica com um seleto time de executivos da região e principal reportagem dessa edição. O debate deixou claro que, no caso específico da comunicação sem fio, a AL está num estágio equivalente a de qualquer outra região do mundo. Com uma vantagem: as operadoras móveis estão investindo em infraestruturas modernas e condizentes à rápida evolução da tecnologia. Mais do que isso, afirmam os executivos. Os latino-americanos são adaptáveis às mudanças, consumistas por natureza e criativos por necessidade. Adoram novidades e, se tiverem ofertas de serviços adequadas à realidade de cada camada social, vão aderir sem qualquer tipo de preconceito. É fato que há muitos senões nesse caminho rumo a um papel mais importante na comunidade mundial móvel. Padronização, interoperabilidade e escala são itens considerados cruciais e estão na arena dos fornecedores. O consumidor quer desfrutar do melhor da tecnologia, sem se importar com o meio utilizado. Essa é uma prática a ser apreendida pelo mercado fabricante. Até porque, decretam os executivos, os serviços convergentes são o futuro e essa é uma realidade irreversível. O ponto crucial em torno da mobilidade está na comunhão de Graça Sermoud esforços entre provedores de tecnologia, sociedade, governo e órgãos reguladores para evitar divisões que atrasem o fomento de aplicações direcionadas à mobilidade na região. Afirmar que a comunicação sem fio rompeu fronteiras já é um lugar comum, mas a verdade é que o mundo se consolida e, nesse processo, somente os fortes terão voz ativa. À margem do desenvolvimento tecnológico nos últimos anos, a América Latina tem na mobilidade a chance de conquistar um status precioso. É agora ou nunca. Ana Paula Lobo Equipe editorial PUBLICIDAD América Latina, EUA e Europa GERENTE de MARKETING & PUBLICIDADE Sara Astoul 475 Biltmore Way, Suite 308 Coral Gables, Fl 33134-5756 tel: 305-567-2492 [email protected] EUA Oeste Jordan Sylvester 1715 Mtn. Ridge CT NE Albuquerque, NM 87112 Tel: 505-480-5109 [email protected] Argentina Edgardo Muchnik Defensa 649 - 4º “D” C1065 - Capital Federal Buenos Aires tel: 15-4182-2565 [email protected] Ásia Ben Sanosi interAct Group 10 Anson Road No. 11-17 International Plaza Singapore 079903 Tel/Fax: +65 68770418 [email protected] Brasil Avenida Cidade Jardim, 400 20 Andar - CEP: 01454-000 São Paulo, SP Tel: 55-11-3818-0848 Fax: 55-11-3818-0899 FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 DIRETORA & EDITORA-CHEFE Ana María Yumiseva [email protected] 3 Í N D I C E 14 06 NOTÍCIAS DOS PAÍSES 12 PERFIL Em entrevista exclusiva à Frecuencia Latinoamérica, Carlos Carnevali, diretor da Cisco para a América do Sul, revela que tem a intenção de construir uma única unidade, sem sotaques e sem fronteiras na região. ESPECIAL Centro das FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 – JULHO/ AGOSTO ATENÇÕES 4 Frecuencia Latinoamérica reuniu um seleto time de executivos para discutir o presente e o futuro da mobilidade na região. O debate deixou claro que a AL está bem próxima de conquistar um papel crucial no contexto mundial da tecnologia. Basta apenas que haja uma coesão maior de ações entre os países do continente. Na arena dos fornecedores, temas como padronização e interoperabilidade também são considerados essenciais para agilizar os negócios Wireless 22 ARTIGO O mercado peruano de telefonia móvel vive dias de grande expectativa. O governo autorizou a participação de uma quarta competidora para evitar o domínio da Telefónica Móviles. 24 TECNOLOGIA As rixas entre padrões tecnológicos do mundo móvel ganham novas cores à medida que as atenções do segmento se concentram nas iniciativas para ampliar o tráfego de dados. A competição alimenta a rivalidade entre os ambientes Brew, Java e .Net. 29 MERCADO O governo da Venezuela decide investir numa operadora estatal e investidores demonstram apreensão com os rumos do setor no País. 34 OPINIÃO No mundo atual, as economias dependem cada vez mais do bom uso do conhecimento tecnológico para a consolidação dos projetos sociais baseados no intercâmbio de informação. ENVIE SUAS OPINIÕES E COMENTÁRIOS PARA [email protected] NOTÍCIAS BRASIL Setor financeiro aposta em mobilidade Celulares substituem telefones fixos Estudo da consultoria Frost & Sullivan confirma que o setor financeiro brasileiro é o que mais consome serviços de telecom e TI no País. Em 2003, este segmento investiu cerca de US$ 1,6 bilhão na área, sendo US$ 908 milhões exclusivamente em serviços de telecom. No geral, os bancos representam 90% dessa fatia, seguidos pelas seguradoras (9%) e pelo mercado de capitais (1%). Até 2009, o instituto prevê que o mercado financeiro mantenha um ritmo crescente de investimentos em A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 2003, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão governamental responsável pelas pesquisas oficiais no Brasil, revela um dado significativo: o celular passou a ser uma alternativa ao telefone fixo nas camadas mais pobres do País. De acordo com a pesquisa, a proporção de residências que têm apenas o terminal celular aumentou 31,3% entre 2002 e 2003, passando de 8,8% para 11,2%. O estudo aponta que o preço elevado para a manutenção de uma linha fixa, as facilidades oferecidas pelas operadoras móveis para a aquisição de terminais e a possibilidade de controlar os gastos com ligações em função dos serviços pré-pagos são fatores que influenciaram o resultado obtido. Embora as estimativas de mercado afirmem que o Brasil ultrapassará, ainda este ano, a marca de 60 milhões de aparelhos móveis comercializados, a exclusão à comunicação permanece grande no País. A pesquisa do IBGE revela que, apesar do crescimento de casas com telefones – 19,8%, em 1993, para 62%, em 2003 – ainda existem 18,6 milhões de residências sem qualquer telefone, ou 67,5 milhões de brasileiros sem o direito à comunicação. tecnologia, somando US$ 2,3 bilhões, com um aumento médio anual de 5,5%. Os serviços de telecom especificamente devem representar US$ 1,3 bilhão no mesmo ano. O estudo constata ainda expectativas interessantes para as soluções ligadas à mobilidade, especialmente entre as seguradoras, que devem ampliar a freqüência na adoção de WLANs (redes locais sem fio) e da transmissão de dados por celular para ganhar agilidade e reduzir custos das operações. Telecom Americas será realizado em Salvador O maior evento regional de telecomunicações, promovido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), retorna ao Brasil, onde foi realizado pela última vez em 2000, no Rio de Janeiro. Desta vez, o evento está marcado para 2005 e acontecerá em Salvador, na Bahia. Em 2002, a UIT tentou promover o Telecom Americas na Argentina, mas a crise econômica determinou o cancelamento da iniciativa. Como não realiza um debate de porte na região latino-americana desde 2000, a UIT decidiu promover o encontro do ano que vem no Brasil. Os detalhes da organização ainda não foram revelados pela entidade mundial. CHILE FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Subtel faz nova licitação para WLL 6 Atendendo solicitação dos provedores de serviços, a Subsecretaria de Telecomunicações iniciou, em 1º de outubro, uma nova licitação para concessões de serviço público telefônico local sem fio baseado em WLL (Wireless Local Loop). Será a segunda concorrência realizada pelo órgão regulador para uso da tecnologia no País. A Subtel decidiu manter os critérios empregados no primeiro processo de concorrência, efetuada em 2001, pelos quais, por exemplo, nenhuma empresa foi autorizada a acumular mais de 100 MHz na banda. A Secretaria prevê assinar uma concessão nacional e 12 regionais. O preço mínimo da licença foi fixado em US$ 500 mil. As empresas interessadas poderão adquirir o edital de licitação no órgão regulador entre 18 e 30 de novembro. As propostas serão abertas no dia 15 de dezembro. NOTÍCIAS Restrição de uso de bandas irrita setor Uma decisão polêmica promete mobilizar os provedores argentinos. A Secretaria de Comunicações (Secom) proibiu, para qualquer tipo de serviço, a utilização das bandas livres 2,4 GHz e 5,8 GHz na Capital Federal, na grande Buenos Aires, nas capitais das províncias, em Mar del Plata (centro de veraneio localizado a 400 quilômetros da capital), na cidade portuária de Bahía Blanca e em Rosário (segunda cidade do País). Sobre essas freqüências foi registrado o maior crescimento de ISPs de banda larga no interior do País. A banda é utilizada pelas operadoras tradicionais e pelos principais provedores para oferecer conectividade via hotspots em espaços fechados e públicos das áreas metropolitanas. A Secretaria de Comunicações considerou que a adoção das freqüências para telefonia deve ser proibida porque o uso compartilhado não garante disponibilidade nem qualidade na prestação de serviços. Os provedores reclamam da decisão e alegam que ela não esclarece se a proibição é direcionada apenas para a oferta de serviços de telefonia para as cidades com maior densidade populacional, ou também envolve qualquer outro tipo de prestação de serviço, entre eles, a banda larga sem fio. COLÔMBIA Jovens buscam cybercafés Dados preliminares de uma pesquisa nacional realizada pelo Centro de Investigações de Telecomunicações (Cintel) para análise do setor, que será apresentada durante o congresso Andicom, sediado em Cartagena, revelam que em 13 cidades (que representam 60% da população urbana do País), somente 13% dos colombianos estão conectados à Internet. A pesquisa revela que a maior parte dos internautas acessa à Internet de casa ou a partir de cybercafés, locais que cobram uma tarifa por tempo de navegação. De acordo com o estudo, os internautas acessam a Internet no mínimo de duas a três vezes por semana. Os serviços mais utilizados incluem correio eletrônico, estudo e chats. O estudo da Cintel revela ainda que são os jovens, com idade variando entre 18 e 25 anos, que mais procuram os cybercafés. AMÉRICA CENTRAL Fonet aposta em VoIP A Fonet, provedora norte-americana de serviço VoIP, pretende aumentar em 40% o faturamento da operação mexicana, em 2005. No próximo ano, a carrier também planeja consolidar presença na região com a abertura de escritórios em países como Honduras, Venezuela, Colômbia e República Dominicana. No México, a Fonet iniciou, em janeiro, uma operação com a adesão de quatro sócios locais, através dos quais foi autorizada a oferecer o serviço no País. A partir de outubro, a provedora planeja buscar mais sócios para expandir o produto em todo o território. A intenção é se associar com companhias mexicanas de telecomunicações, provedores de serviço Internet e operadoras de televisão a cabo, que acabaram de obter autorização para oferecer serviços de voz, mas também postularam uma licença para oferecer serviços de forma independente. O serviço só estará disponível para clientes com conexões banda larga. Em abril, a Fonet planeja expandir a oferta do serviço para os usuários residenciais, tanto nos Estados Unidos como no México, já que hoje, a carteira de clientes é formada na maior parte por empresas corporativas. Centennial investe em planos modulares Para ampliar a carteira de clientes, a operadora Centennial Dominicana decididiu formular pacotes ajustados, de acordo com a necessidade do assinante. A carrier lançou, em nível nacional, um produto batizado de “Planeje do seu tamanho, monte como quiser”, com o objetivo de oferecer aos usuários a possibilidade de definir o melhor formato de plano de serviço móvel. A nova proposta da Centennial Dominicana é baseada em planos modulares. A gerente de Comunicação e Publicidade da operadora, Bárbara Bogaert, revela que a partir do produto, os clientes podem adequar os módulos, que contam com minutos, horários, preços e destinos, aos seus orçamentos e estilo de uso da comunicação móvel. “Não haverá planos semelhantes. Essa é uma inovação. Cada cliente desenhará o seu produto”, complementa a executiva. Para incentivar a adesão dos assinantes, Bárbara Bogaert revela que os preços por minuto dos módulos do “Planeje do seu tamanho” sempre serão inferiores ao tarifado nos serviços tradicionais. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 ARGENTINA 7 NOTÍCIAS AMÉRICA LATINA Comsat constrói infovia latino-americana Cofetel exige regras claras para serviço de secretária eletrônica Ana Paula Lobo Depois de inúmeras reclamações dos assinantes, o órgão regulador mexicano decidiu que, a partir de 2005, todas as operadoras de telefonia fixa e móvel do País terão que remodelar a oferta do produto de mensagens de voz. A intenção da Cofetel é tornar transparente a relação entre cliente e usuário, com relação a custo e serviço prestado. De acordo com as determinações da Cofetel, as operadoras terão de informar aos usuários, desde o momento em que discarem um telefone fixo ou móvel, que eles têm a alternativa de usar ou não a secretária eletrônica da operadora. E como há uma cobrança pela mensagem armazenada, o usuário terá que decidir se quer ou não pagar pelo serviço. O Cofetel decidiu mudar a regra do jogo depois da intervenção da Procuradoria Federal do Consumidor (Profeco), que recebeu uma série de denúncias dos usuários reclamando da falta de informações e da cobrança indevida pela ativação do serviço de secretária eletrônica em linhas fixas e móveis, sem qualquer tipo de autorização formal. O órgão regulador mexicano espera que as novas medidas possam trazer maior transparência e ampliar a concorrência entre as operadoras. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Ser a principal fornecedora panregional de serviços e soluções é a razão central das aquisições realizadas pela Comsat na América Latina. Em entrevista à Frecuencia Latinoamérica, George Kappaz, CEO (Chief Executive Officer) da Comsat International, diz que a temporada de compras não está encerrada. “Se houver uma empresa que atenda ao nosso objetivo de ser o maior fornecedor de serviços na região, vamos tentar incorporá-la. Agora, essa aquisição levará em conta o nosso interesse de atuar no mercado corporativo. O usuário residencial não está, pelo menos nesse momento, nos nossos planos”, revela o executivo. Em maio, a Comsat adquiriu a Convergence Communications (CCI), empresa com sede na Flórida, o que incluiu a aquisição da Gbnet Corporation, fornecedora de soluções de banda larga, Internet e de dados para a América Central, República Dominicana e México. De acordo com Kappaz, a compra foi estratégica, uma vez que ela amplia, na região, a oferta de capacidade de soluções terrestres, Wireless e de satélite. “Passamos a ser um fornecedor completo na América Central”, salienta o CEO. 8 MÉXICO PLANEJAMENTO No Brasil, depois de muitas idas e vindas, a empresa também finalizou a aquisição – em valores não revelados – da Vicom, provedora de serviços de satélite e circuitos de fibra óptica em áreas metropolitanas, e que fazia parte do grupo de TV a cabo Net, que teve parte do capital adquirido pela gigante mexicana, Telmex. “Com a Vicom criamos um portfólio único de produtos para o mercado corporativo brasileiro e para os nossos clientes panregionais”, destaca o CEO da Comsat International. Hoje a Comsat possui a maior rede própria latino-americana, composta por pontos terrestres e satelitais instalados no Brasil, Argentina, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Venezuela e Estados Unidos. A provedora também atua por meio de links terrestres e satelitais na Bolívia, Chile, Equador e Uruguai. Com o foco de atuação no mercado corporativo, a Comsat não hesita em afirmar que empresas como a AT&T, que recentemente reformulou sua atuação na região, e a mexicana Telmex despontam como suas principais concorrentes. Apesar disso, o executivo da companhia assegura que não há planos de investir em telefonia móvel. “Como não estamos no mercado residencial, também não há necessidade de entrarmos no mundo celular. Construímos a maior infovia da região latino-americana para atender o usuário empresarial”, finaliza George Kappaz. Aquém da expectativa De acordo com a Associação Mexicana de Internet (Amipci), pouco menos de 15 milhões de habitantes têm acesso à Internet. A entidade previu que, para o próximo ano, serão mais de 17 milhões de pessoas que estarão conectadas à “superrodovia” de informação. Em uma pesquisa realizada com 7.639 pessoas – 33% radicadas no Distrito Federal, 14% no estado do México, 7% em Jalisco e o resto em outras regiões – foi demonstrado que 53% dos usuários são homens, 47% são mulheres. Desse universo, 47% têm entre 13 e 24 anos, seguidos por pessoas entre 25 e 45 anos (42%) e de mais de 45 anos de idade (11%). Cabe mencionar que, de acordo com a Secretaria de Comunicações e Transportes (SCT), o número de telefones fixos e móveis passou de 5,4 milhões de linhas no ano de 2000 para 26,4 milhões em 2001. No final de 2004, a cifra deverá chegar aos 53,3 milhões. TRANSPORTE SUA REDE DE BANDA LARGA SEM FIO PARA O FUTURO! A tecnologia sem fio do futuro ultrapassa barreiras para alcançar um desempenho jamais atingido. Essas soluções são baseadas em tecnologoias mais rápidas, mais confiáveis, mais seguras e oferecem o melhor retorno do investimento. O sistema de Banda Larga sem fio - Canopy da Motorola oferece o que há de mais avançado no mercado em tecnologia de conectividade de alta-velocidade, na faixa de freqüência de 5,7 GHz. Extensão e expansão de redes sem fio mais rentáveis, com qualidade e segurança. Instalação mais rápida e mais simples. O mundo de conectividade de banda larga sem fio está no caminho do futuro. A Motorola está conduzindo esse caminho. 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Os participantes debateram as obrigações econômicas das operadoras emergentes de VoIP, o que incluiria compensações para as operadoras tradicionais de longa distância. Dentro das propostas, sobressaiu-se a formulada pela Empresa de Telecomunicações de Bogotá (ETB), que sugeriu uma reforma regulatória para que haja interconexão direta com as operadoras de valor agregado. Desta forma, as empresas de serviços de VoIP poderiam retirar seu tráfego internacional das operadoras que tenham licença de longa distância. A ETB disse que, para tanto, é necessário regulamentar um novo número de identificação para as operadoras de VoIP. A TeleGeography, instituição que registra o tráfego de chamadas por sistemas tradicionais e de IP, indica que durante 1998 foram transportados 150 milhões de minutos através de redes IP. Em 2002, esta cifra chegou a 18 bilhões e, em 2003, passou dos 24 bilhões de minutos. Já a IDC disse que as vendas de switches chegaram a US$ 581 milhões em 2002 e que as projeções de vendas para 2007 alcançam a cifra de US$ 5,075 bilhões. O presidente da Empresa de Telecomunicações de Bogotá (ETB), Rafael Orduz, confirmou o interesse de adquirir os ativos da EDT, operadora em processo de liquidação. A intenção da carrier é comprar ações da Barranquilla Telecomunicaciones S.A. (Batelsa), empresa mista de caráter nacional constituída pelo Governo para gerenciar o passivo da EDT (Empresa Distrital de Telecomunicaciones). Segundo a superintendente de Serviços Públicos do País, Eva Maria Tobán, a Batelsa foi a melhor iniciativa para solucionar a questão da falência da EDT, uma vez que através dela será possível maximizar os recursos para criar um fundo de pensão e cumprir os pagamentos aos credores da operadora. A partir da Batelsa, complementa a executiva, também poderá acontecer o leilão dos ativos da operadora. A Baltesa assinou um contrato de infra-estrutura com a EDT e pagou antecipadamente o arrendamento no valor de 42 bilhões de pesos, o equivalente aos recursos de que a extinta empresa necessitava para pagar aos 526 funcionários. AMÉRICA LATINA FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Telefónica Services sela acordo com Singapore Telecom 10 A Telefónica International Wholesale Services e a Singapore Telecom celebraram um acordo pelo qual a gigante espanhola fornecerá para a carrier conexões em seus circuitos localizados em Nova Iorque. O acordo permitirá a Singapore Telecom criar redes virtuais em toda a América Latina, aumentando assim sua cobertura geográfica. A iniciativa representa a conversão da linha de negócios do Grupo em provedor de referência para a Europa e a América Latina. Inicialmente, a Singapore Telecom contratará serviços de Frame Relay e ATM para redes virtuais com terminação nos países onde a Telefónica Wholesale tem infra-estrutura implementada. Mais adiante, o acordo prevê aumentar o número de conexões, incorporando também os serviços IP MPLS. A Singapore Telecom, operadora internacional de telecomunicações, possui participações em operadoras na Austrália, Filipinas, Indonésia e Tailândia. A primeira operadora móvel da Índia, através da sua filial Bharti Group, está conectada à rede da Telefónica Wholesale em Londres, de onde distribui serviços de dados por toda a Europa. NÃO PERCA O 25 a 28 de Outubro O diário oficial da Futurecom Reserve seu espaço Posições Premium limitadas Frecuencia Latinoamérica PERFIL Grande FAMÍLIA Nos últimos 11 anos a carreira profissional do engenheiro eletrônico Carlos Carnevali tem se confundido com a história da Cisco Systems, fabricante norte-americana que nasceu, cresceu e conquistou, num curto espaço de tempo, um lugar entre os líderes do setor de tecnologia. Nessa trajetória, Carnevali foi o timoneiro da fabricante na América do Sul. Dono de um estilo arrojado de atuar e fiel a origem italiana, em entrevista exclusiva à Frecuencia Latinoamérica, o executivo antecipa o que planeja para 2005: construir uma única unidade, sem sotaques e sem fronteiras, na AL Ana Paula Lobo Especialistas afirmam que a Cisco considera as tecnologias Wi-Fi e WiMAX como concorrentes às desenvolvidas pela fabricante. É essa a principal razão de a Cisco não estar entre os integrantes do WiMAX Fórum? FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Mobilidade é uma estratégia significativa, mas para nós ela é uma solução, uma aplicação. Há um grande envolvimento nosso com a comunicação sem fio. No Chile, por exemplo, uma das maiores vinícolas do País, a Concho y Toro, adotou uma solução Wireless em toda a extensão da área de produção. A missão da Cisco na mobilidade é assegurar que as informações trafeguem e com segurança em rede. 12 segurança requisitadas pelos usuários. Esses são itens cruciais na estratégia da Cisco. O que transforma o negócio é a aplicação. Mobilidade é um componente importante, mas não é o único. Ela não deve ser vista como a pedra filosofal. A inteligência está na integração da solução de redes. Está acima da questão infra-estrutura. Não interessa se essa integração acontece via WiMAX, Wireless, fio de cobre ou que mais possa vir a ser utilizado, mas o meio não é único, nem excludente. O senhor não respondeu sobre a ausência da fabricante no WiMAX Forum. A Cisco está fora do movimento porque considera a tecnologia WiMAX concorrente? No último ano, o senhor dividiu o comando da unidade brasileira com os negócios na América do Sul. Agora, nomeou Rafael Steinhauser para a presidência da subsidiária nacional, e assume, em tempo integral, o comando dos negócios na região. Quais as razões para essa mudança de estratégia? A palavra concorrente é muito forte. WiMAX, na minha visão pessoal, é mais uma tecnologia que a Cisco incorpora nos seus produtos para permitir a comunicação sem fio. Haverá aplicações para WiMAX, como haverá também para outras soluções, sejam elas quais forem. O mais importante é cuidar que as aplicações mantenham a integridade e a O mercado brasileiro está muito maduro e pronto para usufruir o melhor que a tecnologia Cisco pode oferecer para ajudar na busca incessante das corporações por maior produtividade e rentabilidade. Passo a atuar no Brasil como um parceiro estratégico da gestão de negócios. No último ano, criei uma equipe que é capaz de vender, implementar, insta- PERFIL mente pequeno, se comparado a outros da região. Mas há um grande esforço do governo e das empresas privadas de inovarem em tecnologia. Na Colômbia, o potencial é grande. Se as ações em prol da estabilidade política forem mantidas, as oportunidades de negócios ressurgem. O senhor diria que a América Latina perdeu espaço para outros países emergentes em investimentos dedicados à tecnologia? Infelizmente sim. Mas como sou um otimista por natureza, diria que é possível reverter o processo, principalmente em relação à Índia e demais países ligados ao desenvolvimento de software. O latino-americano tem um dom que poucos no mundo têm: criatividade. Competência para lidar com dificuldades não nos falta. Essa é uma característica própria de quem enfrenta tantas mudanças e ciclos nas áreas política, econômica e social. Um dos meus desafios pessoais é formar profissionais de alta qualidade na região. No Brasil, a iniciativa batizada de Cisco Academy já capacitou mais de 7.500 especialistas. Vamos levar o modelo para todos os países da região. Inovação tecnológica não está no hardware, mas no software e na inteligência. “Meu sonho é fazer com que a região da América do Sul funcione como uma única subsidiária. Uma grande família, sem sotaques e sem fronteiras, capaz de trocar as melhores experiências para crescer” Quais são os países aos quais o senhor dedicará maior atenção? Brasil e Chile caminham de forma segura. O Chile impressiona. Sem dúvida nenhuma é a “Suíça” latino-americana. Há estabilidade financeira e de negócios. No Brasil, os rumos também são bons. As empresas voltaram a investir e é o maior mercado da região. A Argentina tem um futuro interessante, apesar de ainda ser cedo para afirmar que a crise acabou. Há muito por fazer naquele País. E o IP, que é uma das maiores fontes de receita da Cisco, cresce de forma significativa. Respondendo de forma mais objetiva a pergunta, diria que dois países me atraem muito: Peru e Colômbia. O Peru é uma excelente oportunidade, mesmo sendo um mercado relativa- Há onze anos, cada vez que vou a uma reunião com o John Chambers (CEO e fundador da Cisco), ele me questiona: “Carlos, e agora?” Nos últimos tempos, tive dificuldades para responder. Mas agora não. Fui direto ao ponto. Meu sonho é trabalhar para que a região que comando atue como uma grande família. Sei que há dificuldades a serem superadas. São culturas diferentes, mas uma família, no dia-a-dia, também não é assim? Trocar as melhores práticas e experiências de cada País é um desafio que me imponho. O senhor pode ser considerado uma exceção à regra no mundo dos executivos. São 11 anos à frente de uma única empresa. Qual é o segredo dessa estabilidade? Sou movido a superar limites e a Cisco foi e ainda é um desafio na minha vida. Talvez essa seja a razão de estar na empresa há tanto tempo. É claro que também tenho cumprido as metas estabelecidas, mas fomentar uma empresa desde a origem é uma experiência significativa no ponto de vista profissional e pessoal. Quero muito mais do que já fiz. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 lar, manter e cuidar das redes. Quero agora levar essa experiência para os países sob a minha responsabilidade. Vale lembrar que a Cisco divide a América Latina. Comando da Colômbia para baixo. A Venezuela já integra a área das Américas e Caribe. Uma das minhas missões será aperfeiçoar o modelo de vendas indiretas nesses países. Montar uma rede de parceiros e aglutinar esforços em torno dos produtos da Cisco. A Cisco inicia um novo ano fiscal (julho de 2004/ julho 2005). No último, a região cresceu 37%, enquanto nas demais áreas, a média ficou em 16%. Gostaria de saber qual é a meta estabelecida para a área? 13 ESPECIAL Ana Paula Lobo e Graça Sermoud Centro das Na mobilidade, a América Latina não é coadjuvante. Ao contrário, é peça-chave para o futuro do Wireless e é onde os players reconhecem muitas oportunidades de negócios e de crescimento. Essa é uma das constatações da mesa-redonda patrocinada pela Frecuencia Latinoamérica, que reuniu um seleto time de executivos responsáveis pelos negócios na região. O debate deixou claro que a AL está bem próxima de conquistar um papel crucial na discussão sobre o uso da tecnologia sem fio no mundo. Basta apenas que haja uma coesão maior das ações entre os países. Na arena dos fornecedores, temas como padronização e interoperabilidade também foram considerados essenciais para agilizar os negócios Wireless FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Participaram da mesa-redonda, da esquerda para a direita, Thomas Labart, diretor de Marketing de Aplicações Móveis da Alcatel, Cyro Diehl, vice-Presidente de canais da Oracle, Joeval Martins, diretor da Área Canopy da Motorola, Ronaldo Miranda, diretor de Marketing da Intel, Luiz Antonio Oliveira, Presidente da RFS Brasil, Roberto Freire, gerente de Soluções Móveis da Lucent e Yuri Sanches, diretor de Redes Móveis para o Mercosul da Siemens. 14 FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 ESPECIAL ATENÇÕES ESPECIAL CYRO DIEHL, ORACLE – A infra-estrutura que os provedores móveis fornecem está um passo adiante em relação às aplicações. Na verdade, acho que demandamos acesso remoto mais que Wireless. Percebo que o desenvolvimento e a disponibilidade de aplicativos para acesso remoto e Wireless ainda são incipientes. Dentro do que é possível, estou satisfeito com a performance e com a capacidade da infra-estrutura estabelecida. Minha frustração está em não ter todos os aplicativos que gostaria em um dispositivo móvel. Faltam aplicações práticas, e essa sensação é frustrante. FRECUENCIA – O que é mobilidade hoje na região? Como o mercado absorve o modelo de negócios relativos à comunicação móvel? Qual é o mercado consumidor existente? ROBERTO FREIRE, LUCENT TECHNOLOGIES – Numa região marcada pela diversidade, fazer um retrato é difícil, mas é fato que as operadoras ainda buscam oferecer voz com baixo custo. São relevantes os investimentos nesse segmento e essa característica ainda é muito marcante. Com relação aos serviços de dados, diria que o crescimento é pequeno, mas gradual, porque as operadoras estão em pleno processo de definição de tecnologia. É hora de migrar e de apostar no futuro. Essa mudança vai gerar uma corrida entre as operadoras interessadas em fomentar novos negócios sejam quais forem às tecnologias escolhidas. FRECUENCIA – Como determinar quais aplicações serão fundamentais para o usuário na mobilidade? FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 FREIRE – O que leva um cliente a adotar uma solução são as facilidades que ela oferece. Isso vale para os ambientes corporativo e residencial. Ela tem que agregar valor e simplificar a vida das pessoas. No caso da mobilidade, uma das características de sucesso é poder replicar os aplicativos do escritório em qualquer outro ecossistema. É uma vantagem que começa a atrair a atenção do usuário. 16 LUIZ OLIVEIRA, DA RFS BRASIL – A pressão de mercado é que vai determinar este movimento. O cliente sabe o que quer porque há competição. Na verdade, a América Latina virou um laboratório dos grandes laboratórios. Esse papel levanta uma questão ainda sem resposta: o usuário quer trocar um sistema de tarifação, no qual ele é taxado por geografia e por tempo, por algo diferente? O assinante não quer mais saber de roaming pago, de tarifa diferenciada por distância etc. E sabe por que isso acontece? Porque a tecnologia ensinou a teoria dos sabores. Os nossos filhos utilizam computadores e fazem ligação interurbana de graça. Eles usam sistemas disponíveis na Internet de forma gratuita. A questão crucial é: quem vai pagar essa conta? É líquido e certo que alguém vai assumir esse custo. Por isso digo que somos como um grande laboratório internacional. Somos o penúltimo mercado presente no mundo. Depois de nós, só tem a África. E o mundo acabou. "A mobilidade é uma ferramenta crucial de inclusão, mas ela não pode estar ligada apenas a uma iniciativa da indústria. Todos os setores produtivos têm de participar. Sem isso, não haverá redução da exclusão digital e social" Roberto Freire, Lucent Techonologies ’’ JOEVAL MARTINS, MOTOROLA – O usuário busca um momento mágico. Na nossa reunião estou conectado via Wireless, a uma velocidade de 230 Kbps, o que me deixa satisfeito. O que tem de ser levado em conta é o jargão: “quer pagar quanto?” Gosto de comparar o momento atual com a nossa experiência com o telefone celular analógico. Hoje ele é jurássico, mas já foi algo intangível. Há dez anos, cheguei a vender um terminal por US$ 10 mil. Vieram outras tecnologias como o TDMA, CDMA e GSM. Como o tempo não pára, as mudanças ocorreram, mas as tecnologias ficaram sem costuras. Não importa onde estejamos, se no trabalho, em casa ou em qualquer lugar, o importante é que a tecnologia funcione sem costura. RONALDO MIRANDA, INTEL – Concordo com esta visão, mas não podemos deixar passar que há uma grande dificuldade em fazer esta costura. Sou um usuário de tecnologia e tenho dificuldades óbvias para costurar serviços. Passei dois dias num hospital em São Paulo e não pude me conectar porque os sistemas não se falavam. É preciso derrubar uma rede para entrar em outra. E na maior parte das vezes que isso acontece, não funciona. Tinha todas as ferramentas disponíveis, mas não tinha infra-estrutura e acesso. As redes não se comunicam e fiquei sem o serviço. THOMAS LABART, ALCATEL – claramente o mercado está tentando se consolidar na área de aplicativos para compensar essa demanda e aproveitar o crescimento de usuários. O desafio é a convergência de serviços e de aplicativos, independentemente da tecnologia de acesso utilizada. É preciso que esta convergência seja amigável para o usuário, tendo ou não experiência em tecnologia. Messaging 2 0 0 4 20th - 21st October 2004 Pestana Rio Atlântica - Rio de Janeiro, Brazil CHILE • ARGENTINA • PERU • BOLIVIA • PARAGUAY • BRAZIL Strategies to Create and Commercialize Messaging Services, & Revenue Maximization Focused on arket M e n o C n Souther 9 9 International Presentation ✔ Analyzing the Current Southern Cone Messaging Market ✔ Market Trends in the SMS Commercialization ✔ New Generation of Messaging Services ✔ Pricing Strategies & Stimulate SMS-MMS uptake ✔ Case Study on Successful Transition from SMS to MMS ✔ Developing & Creating Innovative Content to Revenue Optimization ✔ Generating Revenue thought MMS-SMS TV ENTEL PCS, CHILE OI, BRAZIL TELECOM PERSONAL, PARAGUAY MOVICOM BELLSOUTH, ARGENTINA TELEFÓNICA MÓVILES, PERU TIM BRASIL, BRAZIL TELEFONICA MÓVIL DE CHILE, CHILE TELECEL BOLÍVIA, BOLIVIA TELEFÓNICA UNIFÓN, ARGENTINA 4 Discussion Panels Analysing the Current Southern Cone Messaging Market Contact Us Today! Phone: 55 11 3017 6888 - Fax: 55 11 30 Pho 017 7 6 91 9 E--mail:: telleco om@ib bcbra asil.ccom.br Website te:: www.ib w. bcbrasiil.co om.b br/m messsaging gbr Organized by: Case Studies Part of: Managing Technical Challenges to Messaging Services Implementation Media Partners: ESPECIAL FRECUENCIA – A colocação do Luiz Oliveira de que somos um “laboratório dos laboratórios” é extremamente interessante. A AL é realmente uma área chave para os negócios ligados à mobilidade? MARTINS, DA MOTOROLA – É claro que ainda há muito por fazer. Mas se conseguirmos aplicativos e dispositivos que permitam enxergar essa “costura” de infra-estruturas, teremos em pouco tempo, na mobilidade, a mesma facilidade que hoje encontramos na tecnologia DSL fixa, que é absolutamente amigável. Tenho convicção de que a mobilidade chegará no mais alto nível de amizade entre homem e máquina. Os ícones estão cada vez mais simples e é fácil navegar na telefonia móvel. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 YURI SANCHES, SIEMENS – É interessante o fenômeno que estamos presenciando na região. Essa explosão móvel está muito acima de qualquer plano de crescimento. E sabe por quê? A mobilidade é própria do ser humano. Quero falar com você e não com a sua casa. Quero falar com você, onde você estiver. O que presenciamos é uma junção de vários fatores. O primeiro é o da comunicação, natural ao ser humano. Segundo, a competição. Ela é muito saudável, não apenas para as operadoras, mas para os mercados de tecnologia de celulares, de acesso Wireless, entre outros. 18 OLIVEIRA, RFS BRASIL – A Argentina é um exemplo perfeito para esse retrato do mercado. O que aconteceu lá foi efeito da competição. Em setembro do ano passado não sabíamos o que iria acontecer naquele País. Estava tudo parado. Então desembarca um furacão mexicano chamado Telmex e faz com que o mercado de telecom tome um rumo fora de qualquer planejamento. Os investimentos dos mexicanos fizeram com que os demais concorrentes antecipassem aportes para não perder posições. A competição fez o usuário descobrir os sabores e empurrou o setor para frente. Uma idéia disso é a própria discussão regulatória. Quem determina as regras é o mercado. O usuário exige portabilidade, não admite pagar roaming, não quer fronteiras. Então, discutem-se modelos para atender essas reivindicações. FRECUENCIA – Quais modelos estão disponíveis para atender o consumidor de hoje? DIEHL – Como usuário não sei dizer porque não tenho condições de acessar minha caixa postal quando estou em outro País, usando qualquer uma das tecnologias existentes no mercado. Não quero parecer pessimista. Não acesso minha caixa postal, mas consigo falar, receber e executar chamadas. Isso é uma inovação. Mas se qualquer pessoa tenta me localizar numa emergência, não tenho ferramentas para ser informado imediatamente por meio da telefonia celular convencional. “A infra-estrutura está um passo adiante em relação às aplicações. Faltam aplicativos práticos na comunicação móvel. E essa sensação é frustrante" ’’ Cyro Diehl, Oracle “A mobilidade é própria do ser humano. Quero falar com você e não com a sua casa. A explosão móvel é resultado dessa constatação. Ela é irreversível" Yuri Sanches, Siemens OLIVEIRA – Se uma provedora oferecer a você acesso a caixa postal em qualquer outro País, você não troca de operador imediatamente? DIEHL, ORACLE – É claro. Fizemos isso na Oracle. Compramos o serviço de uma provedora (Nextel) que nos permite falar na Argentina, no Peru e no Brasil via rádio. É um conforto e um meio de comunicação mais ágil. MIRANDA, INTEL – o grande problema hoje é que para acessar serviços de ponta temos que andar com vários dispositivos, como notebook, celular e Nextel. MARTINS, MOTOROLA – precisamos olhar para o passado, para viver o presente e visualizar o futuro. Temos que carregar um monte de dispositivos, mas amanhã não será mais assim. Vivemos uma era de transformação digital. Quando, há algum tempo, consegui falar com o meu TDMA no México, foi uma sensação maravilhosa. Hoje tenho roaming GSM e Nextel. Falta ainda buscar um dispositivo que reúna todas as facilidades, mas as ações em busca disso estão andando. É só lembrarmos que as operadoras móveis começam a oferecer o PTT (Push to Talk ou aperte para falar). Isso significa que a Nextel vai morrer? É claro que não. Os usuários vão ganhar mais facilidade e competidores. SANCHES – o PTT será uma facilidade de conexão rápida e não terá interesse apenas para o mercado corporativo. Ele será uma aplicação revolucionária que vai mudar o conceito de mobilidade. O Ronaldo citou uma questão importante, que gostaria retomar. Ele, que é um executivo que lida com tecnologia, não conseguiu usá-la num hospital. Esse é um problema evidente de padronização e de escala. Temos vários padrões que não vão se falar. É uma preocupação ESPECIAL que cabe a nós divulgar e assumir nossa responsabilidade. A comunicação na infra-estrutura tem que ser transparente para o usuário. as operadoras começavam a migrar para o GSM ou CDMA, mas comprando infra-estruturas com preços inferiores aos que foram pagos pelas operadoras européias. Na América Latina, a infra-estrutura Wireless chega a um custo bem menor do que no resto do mundo. Aliás, esse processo também acontece na China. É uma vantagem. As tecnologias chegaram mais maduras na região e estão aptas para atender melhor a demanda do mercado. FRECUENCIA – Estamos falando de mobilidade numa região onde as instabilidades econômicas, políticas e sociais acontecem e a grande massa usuária tem baixo poder aquisitivo. Até que ponto a mobilidade pode vir a representar, de fato, um salto qualitativo no processo da inclusão digital e social? OLIVEIRA, RFS – Quem não acreditar que Wireless é ferramenta de inclusão e desenvolvimento de novos negócios na região estará cometendo um erro. Um exemplo: o mercado mexicano, que é o segundo maior da AL, tem a pior densidade da região. É um tremendo mercado para se trabalhar. O Brasil, em agosto, atingiu a quinta posição mundial em população celular (57 milhões) e ainda é a 29ª posição de teledensidade mundial. Na região, com exceção do Chile, todos os outros países têm patamares de teledensidade inferiores a 25%. No primeiro mundo, essa média é de 50%. É matemático. O desenvolvimento virá pela inclusão e pela mobilidade. FRECUENCIA – O que determinará de fato essa pressão por novos serviços? LABART, ALCATEL – Há quatro anos tínhamos um mercado Wireless de TDMA. Na Europa, na mesma época, houve o movimento de investimentos bilionários em direção à Terceira Geração. Na AL, DIEHL – Concordo plenamente que o acesso à mobilidade foi mais barato. Mas é bom frisar que ao falarmos de inclusão, estamos lembrando, infelizmente, de uma população que ainda ficará um bom tempo sem acesso aos serviços. O preço pesa e muito no interior de uma cidade brasileira, colombiana ou equatoriana, onde há questões mais essenciais para serem resolvidas. "Vivemos uma era de transformação digital. Hoje, temos que carregar vários dispositivos, mas amanhã não será mais assim. É esse momento mágico que o assinante busca" Joeval Martins, Motorola ’’ SANCHES – Precisamos ressaltar que a tecnologia está caminhando na direção dessa classe excluída. Nos países onde houve um aumento do consumo da telefonia celular, ele aconteceu porque o sistema pré-pago trouxe novos clientes, que estavam excluídos da comunicação. Não tinham linha fixa e agora têm celulares e são os responsáveis pelos números fortes do setor. Rentabilidade é um outro fator. A verdade é que há competição, e grande, entre as operadoras e provedores para atender esse público. Sou da Siemens e sei que se não fizermos um excelente trabalho, na próxima licitação a operadora que comprou conosco buscará outro fornecedor. Essa é a máxima do mercado. MIRANDA – Concordo. Mas não podemos perder o olhar crítico. Tem muita gente sem falar e sem acesso à comunicação na América Latina. E nesse ponto é que a indústria tem que trabalhar em conjunto. OLIVEIRA – As ansiedades de uma criança, seja ela brasileira, colombiana, venezuelana ou Argentina, serão as mesmas, sendo ela do interior ou de uma cidade grande e de maior poder aquisitivo. As pressões vão vir dessa geração, que exigirá a inclusão sócio-tecnológica. E ela só virá pela mobilidade. Pela comunicação sem fio. FREIRE – Há ainda muita área para ser coberta, com toda certeza. É preciso haver uma mobiliza- FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 MIRANDA, INTEL – Mobilidade não é só celular. Sem dúvida vamos evoluir para a convergência. IP e mobilidade são o futuro, são as ferramentas que transformarão a tecnologia num instrumento de inclusão social e digital. Levar banda larga para regiões remotas, independente da tecnologia adotada, a um custo acessível, permitirá que os países da região tenham a chance de reduzir o número de excluídos. Inclusão passa por Wireless porque colocar fibra e cabo é impensável na economia de hoje. Só que não temos idéia de que dispositivos estamos falando quando assumimos que a convergência virá. A Intel tem sido uma defensora do WiMAX, mas se não houver a padronização, não adiantará nada. Tecnologias em excesso, que não se falam, são improdutivas e não trazem resultados. 19 ESPECIAL ção que não é só da indústria. Exige maior presença de todos os setores de desenvolvimento. Sem isso, não haverá inclusão. FRECUENCIA – A constatação de que a mobilidade é o caminho já ficou clara neste debate. Mas como tornar teoria em prática num momento em que se vê a consolidação do mercado? MIRANDA – Há de se ressaltar que o movimento que estamos vivendo é de uma cobertura geográfica de voz. Na Europa, tudo está coberto. SANCHES – Discordo. Há saltos tecnológicos importantes sendo dados. A defasagem em relação ao primeiro mundo nos trouxe a vantagem de implementar infra-estruturas preparadas e mais ágeis. As redes GSM são GPRS e estão preparadas para o EDGE. Isso é o que há de mais moderno na 2,5 G. Na Europa, as operadoras tiveram que mudar infra-estrutura. Aqui não. E não apenas no GSM. No CDMA, o movimento é semelhante. Vivemos um momento significativo. Há tecnologia de ponta em uso. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 OLIVEIRA – Exatamente. Nos Estados Unidos, ainda temos que pedir para uma operadora nos dar roaming. Aqui na América Latina, isso é automático. É um salto tecnológico significativo. As nossas redes estão mais atualizadas. 20 MARTINS – Peço licença para retomar a dois temas: padronização e escala. A indústria tem que estar à frente desse movimento. Fizemos um teste em Sobral, a 500 Km de Fortaleza, capital do Ceará, no nordeste brasileiro. Com equipamentos sem fio, montamos uma intranet na prefeitura da cidade. Levamos serviços de inclusão social e digital. Replicamos esse serviço em Morenos, uma cidade a 140 Km de Buenos Aires, na Argentina, e vamos ampliar a iniciativa para outros países. O desafio é identificar a modelagem ideal de negócios para todos os envolvidos. Volto a Sobral, no interior do Brasil. As operadoras tradicionais, mesmo com os planos de meta de qualidade, não atendem bem a essa população. Preço é importante, mas é sensível a escala e padronização. Se houver quem compre, haverá regulamentação e muitos fabricantes vão se movimentar para atender essa demanda. Inclusão digital e social depende de um movimento da indústria, sim, mas tem que haver apoio. O dono da empresa que representamos quer vender serviços e ganhar dinheiro. Para isso é preciso haver regulamentação e padronização. “Passei dois dias num hospital em São Paulo e não pude me conectar porque os sistemas não se falavam. É preciso derrubar uma rede para entrar em outra" ’’ "Os serviços convergentes são o futuro. Wireless é a tecnologia que mais cresce e a região tem de aproveitar. Há potencial e necessidade de investir" Thomas Labart, Alcatel MIRANDA – Regulamentação é fundamental. Se um pequeno provedor tiver a chance de prestar serviços nas cidades onde não há o interesse dos grandes, poderemos fomentar novos negócios com tecnologias sem fio. Quando começamos a falar sobre Wi-Fi e WiMAX, as operadoras não queriam conversar. Hoje tentam entender como é possível usálas em complemento às suas infra-estruturas. OLIVEIRA – Os reguladores estão esperando o que vai acontecer. No caso de voz sobre IP, por exemplo, é o que ocorre. É um movimento inexorável. Os operadores de telefonia fixa vão ficar quietos vendo esse movimento? Duvido. Wi-Fi é assim também. Quantos hotspots foram implementados sem qualquer tipo de preocupação do regulatório, mas que agora começam a atrair a atenção? FRECUENCIA – O órgão regulador norte-americano (FCC) já revela uma preocupação clara com o excesso de provedores e com a poluição do espectro... OLIVEIRA – Retorno ao tema voz sobre IP. O que fez o FCC? Disse que voz sobre IP não é um serviço de telecomunicações e isentou-se. Mas agora há um debate grande em torno da tecnologia. Há um movimento regulatório novo no mundo. Na Europa, há uma decisão de criar uma política para os 29 países da comunidade. Isso significa o quê? Que haverá três modelos: o americano, o europeu e o latino-americano. Há alguns anos, o Brasil seguia o modelo norte-americano. Hoje, não é assim. Peguemos a TV Digital. Já houve a decisão, concordemos ou não, de que haverá um padrão brasileiro mundial na disputa pela tecnologia. FRECUENCIA – Qual é o papel que cabe à América Latina nesse cenário de blocos fortes que se desenha? Como lidar com a falta de coesão da região? SANCHES – Pode parecer estranho, mas estamos no topo, principalmente no que se refere ao GSM, porque toda a rede montada na tecnologia é GPRS/ EDGE. Há condições de oferecermos serviços e ESPECIAL SANCHES – Os reguladores terão um papel fundamental para disseminar a mobilidade como ferramenta de inclusão na região. Mas a voz ainda é a grande aplicação das operadoras e permanecerá assim por um longo tempo. Serviços de dados são o futuro e crescerão de acordo com os desejos do consumidor. As operadoras sabem do papel que cabe ao mundo de dados na sua receita e investem muito para atualizar as infra-estruturas. aplicações de última geração à frente de muitos países. Muitas aplicações e serviços desenvolvidos na região já são exportados. Com relação a atuarmos em bloco, o mercado determina isso. A Telmex exige uma ação integrada. Assim como toda e qualquer outra operadora que tem planos na região. Manaus não é fábrica mundial da Siemens sem motivos. A AL é vista pela corporação como o único mercado com chances de crescer. Teledensidade é a maior prova disso. Qualquer US$ 10 que se baixe na composição final do preço significa a inserção de milhares de novos assinantes. Que fique claro: indústria, governo, municípios, Estados e regulatório terão que sentar à mesa e encontrar saídas conjuntas. FRECUENCIA – Temas significativos foram debatidos nessa mesa-redonda e o que percebemos é que há muito para discutir em outras rodadas, mas agora, é o momento de entrarmos nas considerações finais... MARTINS – No mundo banda larga sem fio há uma grande movimentação. No broadband, há um movimento importante da indústria para alimentar e atender os que podemos chamar de “sem acesso rápido” de forma eficiente, mais barata e democrática. Todos os fornecedores presentes desenvolvem tecnologia de alta qualidade e sofrem pressão das operadoras para reduzir custos. É um exercício diário. Teremos um novo boom quando diminuirmos o tempo de inclusão, de implantação e o preço de acesso. Essa combinação será fundamental para acelerar o processo de inclusão social e digital. DIEHL – Regulatório como um bloco é crítico para o sucesso na região. Sem isso haverá muito debate e pouca ação. Usuários esperam aplicações para atender suas necessidades. Temos muito trabalho pela frente. É óbvio que mobilidade é o presente e é o futuro. "A AL virou um laboratório dos grandes laboratórios. O cliente sabe o que quer porque há competição. O assinante não quer mais saber de tarifa diferenciada por distância. A questão crucial é: quem vai pagar essa conta? Alguém vai assumir esse custo" ’’ RFS Brasil LABART – Os serviços convergentes são o futuro. Acreditamos muito no potencial da AL para fomentar os aplicativos móveis. Wireless é a tecnologia que mais cresce e o momento da região é significativo. Há potencial, há vontade e há necessidade de investir. Que os gestores da região saibam aproveitar esse bom momento. MIRANDA – O latino-americano tem uma característica importante, que é adotar novas tecnologias de forma muito mais rápida que outros países. Estar aqui foi importante, porque percebi uma unidade em torno de dois temas fundamentais para a mobilidade deixar de ser vista como uma promessa: padronização e interoperabilidade. Tecnologia é o que menos importa. Todas têm espaço. O que vale é a oferta de serviços. OLIVEIRA – as divergências culturais do povo latino são um retrato da região, mas há pontos comuns interessantes: somos consumistas por natureza e adaptáveis às mudanças, apesar de todas as instabilidades. Acredito que teremos que celebrar um casamento entre provedores de tecnologia, sociedade, governo e órgãos reguladores. Gostemos ou não, o mundo está se organizando por blocos. E teremos que ser um bloco forte e unido. É a chance de ganharmos presença mundial. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 MIRANDA – Exatamente. Temos que encontrar fórmulas que fomentem o desenvolvimento de pequenos players, que tenham como prioridade prestar serviços em cidades de menor porte. Só que as regras têm de ser claras para que depois não haja o abandono das áreas do interior em detrimento de cidades maiores. FREIRE – O futuro é o IP. É a tecnologia que irá aparar todas as arestas existentes atualmente na questão de padronização. Com relação à AL, sempre falamos de nossas dificuldades, mas temos qualidades importantes a serem destacadas. Na Lucent, o centro de desenvolvimento nacional conquistou respeito mundial. Vocação para sermos fortes, principalmente em aplicações, existe. O importante é incentivar. 21 ARTIGO Locomotiva de O setor móvel peruano possui cerca de 4 milhões de aparelhos celulares contra 1,9 milhão de linhas fixas em serviço, com projeção de acentuar o crescimento nos próximos anos FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Paul Troncoso 22 Nos últimos anos, o mercado peruano de telefonia móvel apresenta um grau de desenvolvimento mais ágil e eficiente do que o da telefonia fixa. Em junho de 2004, existiam 3,4 milhões de telefones móveis, em comparação a 1,9 milhão de linhas fixas em serviço. E sem dúvida nenhuma, essa tendência ficará ainda mais acentuada, nos próximos anos. Mais de seis meses já se passaram desde o anúncio formal da aquisição da BellSouth pela Telefónica Móviles (08 de março). Só que, até agora, a venda não foi ratificada pelo Ministério dos Transportes e Comunicações do Peru (MTC). No entanto, na prática, já é real a supremacia da Telefónica Móviles (TM), com 75% do mercado, deixando a TIM com 20% e a Nextel com 5%. É relevante mencionar que o mercado móvel peruano contava, em junho de 2004, com uma densidade telefônica de 12,4%, muito baixa para os padrões mundiais. Isso representa uma oportunidade excelente para motivar as operadoras móveis estabelecidas e às que ainda possam enxergar novos mer- NEGÓCIOS cados que busquem investir no País. Tanto a Telefónica Móviles quanto a TIM têm orientado seus objetivos para as classes C e D da população, desenvolvendo planos específicos para incrementar a modalidade pré-paga. EQUIVALÊNCIA No Peru, a modalidade pré-paga com 78,6% de participação e 2,6 milhões de linhas - continua na liderança, em relação ao pós-pago. A Nextel, que desde o início baseou a estratégia de crescimento no setor corporativo, já direciona o alvo para o setor de microempresas. Outro fator importante, que ajudará a rança, entretenimento, informação e negócios. De igual relevância é o fato de o MTC do Peru ter concedido, no final de julho, à Pro-Inversión, autorização para buscar uma nova concessionária para a quarta banda de telefonia móvel do País, contribuindo para o fortalecimento da concorrência. O aspecto tarifário é uma variável positiva tão incisiva no rápido crescimento do mercado de telefonia móvel, que, em alguns segmentos, tem sido substituto perfeito da telefonia fixa. Em julho, o órgão regulador exigiu uma redução da tarifa fixo-móvel. A evolução para a terceira geração de celulares representará a mudança conceitual do uso do telefone móvel com o surgimento dos serviços de valor agregado em variados segmentos da economia promover maior crescimento do mercado móvel, é a evolução tecnológica,ou seja, a implementação da terceira geração de celulares (3G). Nesse sentido, a Telefónica Móviles e a TIM têm apostado na adoção dessa nova plataforma. A estratégia possibilitará o uso dos telefones móveis para vários serviços de valor agregado, como vídeo, MP3, jogos eletrônicos, e outros, além de voz. Com isso, estaremos a um passo da mudança conceitual do uso do telefone móvel, que permitirá seu uso em todo tipo de transações: pagamentos, segu- Uma melhor alternativa, porém, seria migrar o atual modelo de tarifas supervisionadas da telefonia móvel para o de tarifas reguladas (semelhante ao da telefonia fixa), no qual, a Osiptel, além de estabelecer um teto para a taxa de interconexão, poderia também fixar um patamar igual de tarifa para todas as operadoras móveis. Paul Troncosoo é consultor-associado especialista em telecomunicações e docente universitário [email protected] TECNOLOGIA Cabo de GUERRA O crescimento da oferta de serviços de dados na América Latina alimenta a rivalidade entre os ambientes Brew, Java e .Net. Fabricantes, operadores e desenvolvedores de aplicativos formulam estratégias para criar soluções que despertem o interesse do assinante FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Augusto Goes 24 As rixas entre padrões tecnológicos do mundo móvel ganham novas cores à medida em as atenções do segmento se concentram nas iniciativas para ampliar o tráfego de dados, em busca de uma maior rentabilidade por usuário. Nesse front, dois tradicionais blocos oponentes disputam terreno, cada qual com sua arma: o GSM avança utilizando o ambiente aberto Java; já o CDMA voltou a ser reforçado por sua desenvolvedora – a Qualcomm – através da solução proprietária Brew. A grande novidade é que um terceiro player afiou as garras e começa a mostrar a cara: a Microsoft, com a estratégia .Net combinada ao XML. Na América Latina, as operações CDMA, apesar de enfrentarem a forte expansão do GSM na região, ganharam em agilidade através do uso do Brew. A solução, lançada pela Qualcomm há pouco mais de três anos, traz consigo um modelo de negócios eficiente na repartição das receitas entre operadoras, desenvolvedores de aplicativos e, é claro, a própria Qualcomm. A estratégia vingou: até o início de setembro, 16 “Aplicações GpsOne como gerenciamento de frotas têm grande potencial de expansão na América Latina” José Luciano do Vale, gerente de Produto e Negócios da Qualcomm no Brasil operadoras em 14 países latino-americanos já haviam adotado o Brew. Maior usuária da tecnologia CDMA da região, com mais de 23 milhões de clientes, a Vivo foi a também a primeira da AL a lançar a tecnologia, em março de 2003. Em agosto, a base de clientes da solução superou os 600 mil. Até o final do ano, a TECNOLOGIA nas dois meses após ter lançado comercialmente a plataforma – a operadora já registrava mais de 18 mil downloads de aplicativos Brew (40% jogos). De acordo com Adrián Velasco, diretor de transporte e conteúdo da Iusacell, o número de downloads vem crescendo 25% a cada semana. CAMPO NEUTRO A solução de downloads da Qualcomm também encontrou considerável receptividade entre os desenvolvedores de aplicativos da região. Um dos mais ativos é o brasileiro Wiz Technologies, cujos produtos para o ambiente Brew estão disponíveis não só na Vivo, como em outras 15 operadoras de 12 países das Américas. “O Brew assegura integridade da informação e o benefício da escala, já que um aplicativo roda da mesma forma independentemente do modelo e do fabricante do aparelho”, elogia Sérgio Carpenter, sócio-fundador da Wiz. Paralelamente, a empresa acertou há poucas semanas a comercialização do game Pênalti em Java para a operadora GSM espanhola Vodafone. “Se o modelo de negócios apresentado compensa, não importa a tecnologia”, esclarece Carpenter. O próximo passo da Qualcomm é levar o modelo Brew para o cobiçado setor corporativo. Nesse aspecto, a desenvolvedora tende a utilizar o padrão CDMA EV-DO, que permite transmissão de dados em até 2,4 Mbps como chamariz para promover serviços como videoconferência. Soluções de localização como o GpsOne - já em fase de testes pela Vivo – também podem encontrar no Brew uma ferramenta estável para integração de recursos. “Aplicações GpsOne como gerenciamento de frotas têm grande potencial de expansão na América Latina”, aposta o gerente de Produto e Negócios da Qualcomm no Brasil, José Luciano do Vale. Ao contrário do que ocorreu com o Brew/CDMA, o bloco GSM presenciou maior dispersão de iniciativas, com cada uma das grandes operadoras mundiais organizando um sistema próprio de Estudos de mercado indicam que, em 2008, cerca de 5 milhões de usuários de celular no mundo farão 35 milhões de downloads apenas de músicas nos handsets, o que deverá gerar uma receita de US$ 1,1 bilhão para as operadoras móveis. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 operadora planeja atingir a marca de 1 milhão de assinantes. Os números são significativos e a própria Vivo não tem dúvidas em creditar ao uso dos aplicativos Brew – cerca de 160, até o momento - parte do salto de 110,9% registrado na receita de dados entre o segundo trimestre de 2003 e o mesmo período de 2004. No primeiro semestre deste ano, os serviços de dados foram responsáveis por mais de 4% das receitas líquidas da operadora. O percentual, apesar de ainda distante dos 7,5% da média internacional, é o dobro do registrado, no ano anterior, pela operadora. Bem mais recente, o case Brew da mexicana Iusacell, apesar da crise financeira que a empresa atravessa, também é promissor. Em meados de setembro – ape- 25 FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 TECNOLOGIA 26 downloads. Também houve menor uniformidade no desenvolvimento de aplicativos, sendo necessária maior customização de software, de acordo com o modelo e a marca do handset. Já a remuneração de cada parte tende a ser negociada caso a caso entre operadores e desenvolvedores. Tomadas pelo bloco CDMA como grandes desvantagens, essas características foram contrabalançadas pela utilização do J2ME – versão para dispositivos móveis da linguagem Java, desenvolvida pela Sun Microsystems – como denominador comum das operadoras GSM. Ao evitar o pagamento de royalties pela por sua utilização, uma realidade no Brew, e permitir uma maior pluralida- do o assunto é transformar o padrão em modelo bem azeitado de receitas. No Brasil, em fevereiro deste ano, as operadoras Oi e TIM começaram a reverter esse quadro ao lançarem serviços de download de jogos e outros aplicativos Java. A Oi utiliza a plataforma de provisionamento inteligente 4thpass Content Delivery System, da Motorola, e atualmente disponibiliza mais de 30 jogos, em mais de uma dezena de aparelhos. Já a TIM, lançou 18 jogos Java organizados em nove segmentos diferentes. Correndo por fora, a Microsoft atua em vários fronts na tentativa de expandir sua presença no mundo Wireless. Na área de plataforma de apli- de de forças engajadas em seu desenvolvimento, o J2ME acabou sendo alimentado pela imensa comunidade de desenvolvedores Java ao redor do mundo, calculada em mais de quatro milhões. Pegando carona também na força do GSM, a linguagem deverá estar presente, até o final do ano, em mais de 150 milhões de handsets – 30% do total mundial – segundo estimativas do Zelos Group. A própria Qualcomm destacou em várias ocasiões reconhecer o potencial do Java ao compatibilizar o Brew para o download de aplicativos J2ME. Se a maior parte das operadoras GSM da América Latina comercializa aparelhos compatíveis com Java/J2ME, muitas delas caminham ainda timidamente quan- cativos, em 2002, a gigante lançou o .Net Mobile, concorrente do Java no mercado de Pocket PCs e SmartPhones. Prometendo aos desenvolvedores maior produtividade, melhor performance de execução e custos mais baixos que o Java, o .Net Mobile depende, entretanto, do sucesso da Microsoft na área de sistemas operacionais para celulares para obter maior destaque no mundo móvel e, em particular, junto às operadoras GSM. Nesse aspecto, em agosto, a gigante de software marcou um tento na América Latina ao lançar em parceria do Motorola e com a TIM Brasil, o SmartPhone MPx220 com Windows Mobile Second Edition. O aparelho é o primeiro na re- gião a embutir o sistema operacional da Microsoft, que pretende reproduzir no ambiente móvel as principais características do Windows nos PCs. O SmartPhone MPx220 preserva todos os procedimentos de segurança para Internet Banking e traz uma versão compacta do Internet Explorer, sincronizando ainda seus dados com o PC ou servidor corporativo do usuário via ar. FRENTE AMPLA "Estamos negociando o lançamento, nos próximos meses, do MPx220 na Entel PCS Chile, TIM Peru e Telecom Personal Argentina. Depois, vamos lança-lo em todas as operadoras interessadas na região", revelou o diretor de Produtos do setor de Celulares da Motorola do Brasil, Marcelo Guimarães. O executivo acrescenta que está acertado, pela própria TIM Brasil, o lançamento de uma versão do aparelho para EDGE, no segundo trimestre de 2005. Presente ao lançamento mundial do MPx220 – ocorrido no Brasil - o vicepresidente mundial de dispositivos móveis e do segmento de comunicações da Microsoft Corporation, Pieter Knook, deixou claro que a empresa está apostando suas fichas nessa guerra e terá condições de “roubar” mercados dos demais concorrentes. Uma das apostas é a disseminação de centros de desenvolvimento de profissionais na tecnologia .Net e XML na região. A chegada do Microsoft Mobile à América Latina pode atrapalhar possíveis planos na região do rival Symbian, sistema operacional móvel desenvolvido, a partir de 1998, por um consórcio de fabricantes liderados pela Nokia (hoje com 47,9% de participação acionária). Curiosamente, a Motorola, uma das sócias-fundadoras da empreitada, vendeu os 19% de participação que possuía no Symbian para Nokia e Ipsion em 2003 e, desde então, reforça a aliança com a Microsoft. PEDIDO DE ASSINATURA Desejo receber a revista Frecuencia Latinoamérica gratuitamente* SIM NÃO Você pode também fazer a assinatura por Internet no endereço www.frecuenciaonline.com ou via FAX: 305-448-5067 NOVA RENOVAÇÃO TROCA DE ENDEREÇO NOME/SOBRENOME: ________________________________________________________________________ CARGO/FUNÇÃO: ___________________________________________________________________________ NOME DA EMPRESA/ORGANIZAÇÃO: ______________________________________________________________ ENDEREÇO: ______________________________________________________________________________ CIDADE: _________________________________________________________________________________ ESTADO/CÓDIGO POSTAL (CEP): ________________________________________________________________ PAÍS: ___________________________________________________________________________________ TEL(S): _________________________________________________________________________________ E-MAIL: _________________________________________________________________________________ PÁGINA NA INTERNET: www. _________________________________________________________________ DESEJA RECEBER O BOLETIM/SERVIÇO DE NOTÍCIAS ELETRÔNICO GRATUITAMENTE? SIM NÃO DATA: ____________________ ASSINATURA: ________________________________________________ CARO LEITOR: A RENOVAÇÃO DE SUA ASSINATURA NÃO É AUTOMÁTICA. POR FAVOR, PREENCHA O CUPOM A CADA SEIS MESES PARA CONTINUAR RECEBENDO A REVISTA FRECUENCIA LATINOAMÉRICA REGULARMENTE. POR FAVOR, RESPONDA A TODAS AS PERGUNTAS SEM EXCEÇÃO (CUPONS INCOMPLETOS NÃO SERÃO PROCESSADOS). I. QUAL DAS SEGUINTES CATEGORIAS MELHOR REPRESENTA A EMPRESA OU ORGANIZAÇÃO ONDE VOCÊ TRABALHA? a. EMPRESA DE TELECOMUNICAÇÕES (ESPECIFIQUE) Provedor de telefonia fixa Provedor de serviços de telefonia de longa distância Serviços Internet Outra b. OPERADORA/ FORNECEDOR DE SERVIÇOS SEM FIO (ESPECIFIQUE) Serviços sem fio digitais Serviços sem fio analógicos Serviços de localização Seriços de trunking Transmissão e banda larga sem fio Internet móvel Serviços de telefonia WLL c. OPERADORA DE OUTRO TIPO DE SERVIÇO SEM FIO Serviços de satélite Cabo ou TV Outro d. FABRICANTE/REPRESENTANTE DE FÁBRICA REVENDEDOR/ DISTRIBUIDOR (ESPECIFIQUE) Antenas e torres Acessórios celulares Dispositivos sem fio (PDAs, telefones, etc.) Automatização Baterias/sistemas UPS Centrais privadas (PABX) Centrais rurais Cabos Instrumentos de testes, medição Radiodifusão Telefonia pública (externa) Outra e. INTEGRADOR DE SISTEMAS, SERVIÇOS DE SOFTWARE (ESPECIFIQUE) OSS/CRM Faturação, pré-pago, pós-pago IT sem fio Rastreamento, localização, mapeamento Desenvolvimento de aplicações Consultoria de engenharia Construtoras, empresas de engenharia, manutenção Bancos, finanças, investidores de capital f. USUÁRIO CORPORATIVO PRIVADO PÚBLICO Serviços de gás, eletricidade e água Empresas de Internet (dotcom) Militar/polícia/bombeiros Empresa florestal Empresa petrolífera Empresa de transporte Entidade governamental nacional/ regional/municipal g. TELEMARKETING, CALL CENTERS h. IMPRENSA E EDITORAS i. DOCÊNCIA E PESQUISA j. ASSOCIAÇÃO/ORGANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DE TELECOMUNICAÇÕES k. OUTRA (ESPECIFIQUE) II. QUAL DAS SEGUINTES CATEGORIAS MELHOR DESCREVE SUAS FUNÇÕES? (MARQUE APENAS UMA OPÇÃO) Presidente, vice-presidente, diretor, gerente geral, proprietário Gerente administrativo, consultor Gerente financeiro, contador, controlador Gerente de marketing, relações públicas Gerente de engenharia, supervisor de serviços, técnico, manutenção Gerente de planejamento e produção Gerente de sistemas de informação, computação e telecomunicações Gerente de vendas, gerente comercial Gerente de compras e abastecimento Pesquisador, desenvolvedor, docente Gerente operacional Funcionário público Outro (especifique) III. QUANTAS PESSOAS TRABALHAM EM SUA EMPRESA? Menos de 100 100 - 1,000 1,000 - 5,000 5,000 - 10,000 10,000 - 50,000 IV. QUAL PAPEL VOCÊ EXERCE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS PARA SUA EMPRESA? Decisão final Aprovação financeira Recomendação financeira Nenhuma Outro (especifique) V. QUAL O MONTANTE ESTIMADO DE INVESTIMENTOS EM PRODUTOS E SERVIÇOS DE SUA EMPRESA? Até US$ 50.000 US$ 50.000 - US$ 100.000 US$ 100.000 - US$ 500.000 US$ 500.000 - US$ 1.000.000 US$ 1.000.000 - US$ 10.000.000 Mais de US$ 10.000.000 nenhum dos anteriores pierda más tiempo y promocione 8 anos deNocompromisso com a América Latina su compañía en el número de Frecuencia Latinoamérica Cobertura única e analítica da indústria de comunicação sem fio e de TI. MERCADO Estatal ameaça CONCORRÊNCIA CONTROLE TOTAL Investidores do setor demonstram preocupação com a decisão do governo Chávez de criar a CVG Telecom so que a abertura aconteceria de forma “ampla e ordenada, procurando (textualmente) um ambiente de concorrência livre e leal”. O mesmo documento indica ainda que a prioridade será motivar “o surgimento de novos atores e promover a expansão e a distribuição dos capitais no setor”. Ao Estado caberia a função de atuar “especificamente de forma vigilante para inibir práticas que distorçam a dinâmica de um mercado saudável”. A criação da CVG Telecom nega todos os princípios estabelecidos até agora, e este é um ponto que mexe significativamente com os demais atores do mercado, que já admitem um possível conflito de interesses, uma que o Estado - convertido em um concorrente por meio da operadora estatal - também atuará como regulador, através da Conatel. O presidente da Câmara de Empresas de Serviços de Telecomunicações (Casetel), Ricardo Baquero, engrossa o coro dos que alertam para uma eventual concorrência irregular com a iniciativa privada. “Pagamos 5% do faturamento bruto como imposto especial. E essa empresa do governo, irá pagar esse imposto?”, questiona. Baquero destaca ainda a necessidade de deixar claro que, em um mercado maduro, as condições para a concorrência devem ser iguais para todos. Sem regras claras, adverte o executivo, poderá acontecer uma desconfiança dos investidores em relação ao setor, que apesar de todas as instabilidades, têm recebido aportes significativos. A área mantém crescimento sustentado há 14 anos, e no primeiro semestre deste ano, registrou alta de 16%. A CVG Telecom garante estar preparada para oferecer, já no primeiro semestre de 2005, o serviço de transporte global de sinais de voz, imagem, dados e celular móvel A CVG Telecomunicações será a razão social da mais nova empresa estatal, constituída pela Corporación Venezolana de Guayana (CVG) e sua filial elétrica Edelca. O capital social da operadora ficará em torno dos US$ 5 milhões, sendo que a CVG deterá 60% e a Edelca, os 40% restantes. A administração da empresa estará sob o comando de uma junta diretora, que deverá ser presidida por Hipólito Izquierdo, atual coordenador do projeto. A CVG Telecom irá oferecer serviços de dados, telefonia básica, celular, TV a cabo, entre outros. Os planos são de que a nova operadora comece a operar ainda no primeiro semestre do ano que vem. FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 A oficialização do que será a empresa de telecomunicações da Venezuela desagradou analistas legais e econômicos que estudam a abertura das telecomunicações no País. As discussões privilegiavam a participação da iniciativa privada no processo, cabendo ao Estado, o papel de regulador. A decisão do presidente Chávez de criar uma estatal coloca o governo como personagem atuante no processo. A neutralidade do Governo, inclusive, foi defendida por disposições publicadas pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), órgão regulador do País. Nelas, a entidade sugere que o “Estado utilize diversos instrumentos destinados a estabelecer as bases da atividade das telecomunicações, com o objetivo de modernizar o setor, promover o investimento e oferecer regras claras e confiáveis que permitam o desenvolvimento da atividade”. De acordo com o estudo da Conatel, ficaria estabelecida nas linhas do proces- 29 MERCADO FÚRIA “QUASE” Os danos foram avassaladores mas, na medida do possível, o serviço de telefonia móvel suportou os estragos provocados pelos furacões Charles, Frances e Ivan na região do Caribe e Estados Unidos sob controle FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Ana Paula Lobo e Clara Persand 30 Furacões não são novidade na América Central e no Caribe nessa época do ano. Mas, em 2004, eles vieram com uma força avassaladora e causaram estragos devastadores. Ainda assim, as operadoras de serviços móveis conseguiram, dentro do possível, criar planos de emergência que atenderam às necessidades dos usuários, avalia Marc Einstein, analista da Pyramid Research para a região. “Os países mais atingidos foram a Costa Rica, a Jamaica e as ilhas inglesas. Houve uma queda na oferta do serviço, que foi provocada também pela falta de luz”, detalha o analista. Na opinião de Einstein, as operadoras móveis dos países mais atingidos estruturaram equipes de engenheiros que souberam atuar de forma pró-ativa diante dos estragos provocados pela natureza. O momento atual é o de tentar reparar os danos. Só que os estragos ainda são evidentes e há usuários com problemas de acesso ao serviço de comunicação móvel, principalmente na região oeste da Costa Rica, onde aproximada- mente 40 mil assinantes estão com uma oferta precária por causa da queda das torres das Estações Radiobase (ERB), revela o analista da Pyramid. PRONTIDÃO Nos Estados Unidos, os furacões Charles, Frances e Ivan atingiram a península a da Flórida e os Estados do Alabama, Geórgia, Louisiana, Mississipi e Carolina do Norte, provocando danos às redes de comunicação fixas e móveis. Ainda assim, em muitos locais, o serviço celular foi o único meio de comunicação disponível. Operadoras como Cingular Wireless, Nextel, Verizon Wireless e Sprint PCS traçaram planos emergenciais de atendimento à população. Um dos pontos-chave da estratégia foi a utilização de células portáteis sobre rodas e em caminhões com células solares. Essa solução foi adotada pela Cingular, que mobilizou 35 estações radiobase portáteis. A Verizon também adotou as células portáteis e disponibilizou cerca de 200 geradores de energia para permitir o funcionamento da infraestrutura nos locais sem eletricidade. Nos locais mais atingidos as operadoras móveis e fixas tiveram que aguardar a autorização dos órgãos de emergência para atuar na recuperação da infra-estrutura abalada pelos furacões. Nessas áreas, as empresas abriram pontos de atendimento, nos quais os moradores podiam acessar serviços de forma gratuita. Ao mesmo tempo, as operadoras cederam celulares e infra-estrutura portátil para a Cruz Vermelha e a Guarda Nacional, que trabalharam no auxílio e resgate dos moradores das áreas mais atingidas. Informações oficiais das operadoras móveis revelam que, apesar dos estragos, as redes foram afetadas em até 15% e a recuperação do serviço aconteceu de forma ágil e eficiente, mesmo nos lugares onde a eletricidade também sofreu danos. A telefonia fixa sofreu prejuízos maiores. A BellSouth, por exemplo, informou que pelo menos 37 mil linhas telefônicas precisavam de reparos após a passagem do furacão Ivan, o primeiro da série. Como várias pontes e estradas permanecem em péssimas condições na região da Flórida, a operadora encontra um grau de dificuldade maior para efetivar os reparos necessários para restabelecer o serviço. Nesses locais, foi criado um programa de atendimento ao cliente, oferecendo o reenvio de chamadas, caixa de mensagens e armazenamento das chamadas recebidas e não completadas, gratuitamente, por um período de 30 dias. In t sc o F O gr p rip O R pe EE at er c ui ad ió ra ta o n g r pa es ra to ra / tu rs O Ins ita pe c p ra riç ara do ão re s 8th Annual Event The Americas Mobile Meeting Place • • • • • For further information about the this event and to book your place please visit www.gsmconferences.com/gsmamericas or telephone +44 (0) 20 7017 5506 or +55 11 3017 6888 alternatively please email [email protected] Organised by: Part of: telecoms group Official Publications and Online Partners: Part of the: Endorsed by: MERCADO Potencial DE USO Possibilidades de utilização do CDMA 450 Mhz animam operadoras e fornecedores participantes do CDMA Américas 2004 Clara Persand Qual o futuro do CDMA na América Latina? Esse foi o principal tema discutido durante o CDMA Américas, evento organizado pelo CDG (CDMA Development Group), que reuniu os principais fornecedores da tecnologia e aconteceu entre os dias 28 e 30 de setembro, em Miami Beach, Flórida (EUA). Com uma assistência menor que em sua última edição, o encontro foi marcado, de um lado, pelas questões regulatórias e, de outro, pelo potencial de utilização do CDMA 450 MHz na região. Este último tema, aliás, tem chamado a atenção de desenvolvedores e fornecedores da tecnologia. De acordo com eles, as possibilidades de negócios envolvendo a nova freqüência são bastante grandes, já que se trata de uma banda ainda pouco utilizada e que, na prática, oferece cobertura maior do que outras tecnologias. É certo que a freqüência ainda não está habilitada na América Latina, mas o assunto tem sido tema de discussões do CDG com diversos governos da região. O objetivo é claro: apresentar os benefícios da utilização da freqüência e, na mesma medida, conseguir a outorga de licenças para as carriers interessadas em operá-la. “Vemos duas aplicações para o CDMA 450MHz: uma é contribuir com o serviço universal de telefonia para as zonas rurais. A segunda aplicação é oferecer Internet universal com DSL, incluindo o uso em áreas urbanas, porque existem pessoas nas cidades que não têm serviço FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 EM EXPANSÃO 32 A norte-americana TechnoCom quer conquistar o mercado latinoamericano. Já com um pé na Venezuela, a companhia aposta na utilização do CDMA para serviços de rastreamento, proposta já colocada em prática por meio da plataforma Veolocation, também efetiva em GSM, EDGE e GPS. A Veolocation permite rastrear veículos por meio de GPS (Global Positioning System), controlar pedidos e distribuir ou localizar veículos em caso de furto. A plataforma foi recentemente vendida para a venezuelana Telcel, que oferece a aplicação aos seus clientes corporativos. O vicepresidente de Marketing da TechnoCom, Brian McNiff, afirmou que há planos de oferecer suas soluções em países como Colômbia, Equador e Peru. PENDÊNCIAS Apesar do ânimo com as possibilidades de utilização de novas soluções e tecnologias, os participantes do CDMA Américas encontraram tempo para antigos, e persistentes, problemas. As questões regulatórias voltaram à tona: a América Latina continua marcada como um mercado onde as regras precisam ser mais claras. O consenso entre os participantes é de que ainda falta segurança por parte dos entes reguladores, que insistem em mudar constantemente as regras do jogo, criando incertezas para os investidores. O conceito de convergência também foi criticado. Para boa parte dos participantes, o tema atende unicamente ao interesse das operadoras. Por isso, a convergência avança nos mercados em que sua difusão é conveniente e estaciona em outros. telefônico”, explica Gordon Davidson, gerente diretor de vendas de sistemas CDMA para as Américas da Ericsson. A nova freqüência é vista como alternativa de recuperação de território para a telefonia tradicional. Tanto os fabricantes quanto o CDG concordam que as operadoras fixas podem explorar o CDMA 450MHz para reconquistar os usuários que perderam para as operadoras móveis e conseguir também novos assinantes. Há testes em andamento no Brasil, Peru e Argentina. No Brasil, os pilotos estão à cargo da Anatel, enquanto nos outros dois países eles vêm sendo realizados por cooperativas de telefonia fixa. Há ainda outras iniciativas: a Telecom Argentina (fixa) está prestes a iniciar testes e há registro de que alguns governos criaram fundos sociais para financiar a instalação do CDMA 450MHz. EVENTOS NOVEMBRO OUTUBRO DEZEMBRO 2005 MARÇO JUNHO ín d i c e d e a n u n c i a n t e s Próxima Edição COMPANHIA PÁGINA WEB APLICAÇÕES MÓVEIS - cada vez mais as NOKIA Capa 2 www.nokia.com TEKELEC Página 5 www.tekelec.com MOTOROLA Página 9 www.canopywireless.com/br FUTURECOM NEWS DAILY Página 11 www.frecuenciaonline.com FRECUENCIA ONLINE Página 17 www.frecuenciaonline.com TELEXPO Página 23 www.telexpo.com.br FRECUENCIA LATINOAMÉRICA Página 28 www.frecuenciaonline.com na América Latina. No Brasil, por exemplo, as operadoras baseadas na tecnologia conquistam mais assinantes. Para ganhar velocidade e performance, as carriers migram do GPRS para o EDGE. Novos serviços despontam e a concorrência acirra com o CDMA. GSM AMERICAS Página 31 www.gsmconferences.com AMÉRICA CENTRAL - Num momento de novas CSG SYSTEMS Capa 3 www.csgsystems.com ZTE Capa 4 www.zte.com.cn operadoras investem no segmento de dados para ampliar a rentabilidade dos negócios. Frecuencia Latinoamérica apresenta as principais tendências desse setor e os lançamentos previstos para o próximo ano. TECNOLOGIA - o mundo GSM mostra a força definições na área de telecom, a região atrai a atenção de investidores e aumenta a oferta de serviços de comunicação sem fio. FRECUENCIA – JULIO/AGOSTO OUTUBRO 20042004 JANEIRO OPINIÃO Tecnologia e desenvolvimento FRECUENCIA – OUTUBRO 2004 Ernestro Piedras 34 Nos últimos anos, tem se chamado os efeitos das tecnologias de informação e comunicação contemporâneas, assim como as suas aplicações, de Nova Economia, Sociedade de Informação e, mais recentemente, Economia Baseada em Conhecimento (EBC). Claro que este assunto é mais que retórico e vai além de uma redução terminológica. Em setembro, o Fórum Anual do Programa de Pesquisa em Telecomunicações do CIDE (www.telecom.cide.com) dedicou-se ao tema “México rumo a uma Economia do Conhecimento: O Papel Estratégico das Tecnologias de Informação”, onde se reuniram acadêmicos, membros do governo, congressistas, consultores e indústria. De acordo com os resultados apresentados, as economias dependem cada vez mais do conhecimento tecnológico e das habilidades de usá-lo em sua força de trabalho para tirar proveito das tecnologias, já que são centrais para uma dinâmica econômica e social baseada no intercâmbio de informação e na comunicação. O uso de novas tecnologias contribui para reduzir a desigualdade de oportunidades, melhorar as condições sanitárias e educativas, assegurando um nível mínimo de qualidade de vida e um desenvolvimento sustentável para a maior parte das pessoas. Segundo este conceito, o conhecimento é considerado um insumo ou fator de produção, como a terra, o capital e o trabalho. Uma economia baseada no conhecimento se apóia efetivamente na capacidade de gerar, armazenar, recuperar, processar e transmitir informações, funções potencialmente aplicáveis a todas as ativida- SUSTENTÁVEL No mundo atual, as economias dependem cada vez mais do bom uso do conhecimento tecnológico para a consolidação dos projetos sociais baseados no intercâmbio de informação des humanas. Tudo isso explica porque as economias mais avançadas são aquelas que usam as tecnologias e conteúdos de forma intensiva, como se pode ver no exemplo canadense (veja quadro abaixo). Se por um lado a capacidade dos países para aproveitar a EBC oferece uma oportunidade histórica para o desenvolvimento, por outro representa também um risco de que a brecha de desenvolvimento em relação a outros países se amplie ainda mais do que ocorreu em revoluções tecnológicas anteriores, que não se puderam aproveitar. Está claro que poucos países em desenvolvimento conseguiram se dedicar a indústrias intensivas em conhecimento, como as de software e microeletrônica. Países de industrialização recente – como a Coréia, Singapura e Taiwan – já alcançaram um nível tecnológico semelhante ao dos países avançados e podem ser enquadrados na categoria de industrializados. Tais países “bem-sucedidos” conseguiram atrair investimentos e gerar produção de tecnologias avançadas. Hoje, eles se caracterizam por apresentar algumas das condições necessárias em termos de infra-estrutura e capacitação para ingressarem na economia do conhecimento. Assim, a importância das TICs (Tecnologia da Informação e conhecimento) para o desenvolvimento está associada a seu potencial de estimular a inovação e a competitividade em praticamente todos os setores da atividade. Ernesto Piedras é diretor geral da unidade de conhecimento da Telecommunications Business Consulting ([email protected]) PERCENTUAL DE CRESCIMENTO TOTAL DA PRODUÇÃO DERIVADO DO CAPITAL DAS TICS, CANADÁ (SETOR DE NEGÓCIOS, CÁLCULO PADRONIZADO POR PREÇOS) França 1990 - 1995 Austrália 1995 - 2000 Reino Unido Canadá Fonte: Elaborado por Richard Simpson, The Sources of Economic Growth in OECD Countries, OECD, 2003 Alemanha Ocid. Itália Estados Unidos Japão 0 5 10 15 20 25 Porcentagem do crescimento total da produção 30 35 www.csgsystems.com