UDC - UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS CURSO DE ENGENHARIA CIVIL AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA POR ATRITO LATERAL DE ESTACAS ESCAVADAS NA REGIÃO DA TRÍPLICE FRONTEIRA AGOSTINHO JOSÉ RAMOS FOZ DO IGUACU - PR 2008 AGOSTINHO JOSÉ RAMOS AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA POR ATRITO LATERAL DE ESTACAS ESCAVADAS NA REGIÃO DA TRÍPLICE FRONTEIRA Trabalho final de graduação, apresentado à banca examinadora da União Dinâmica de Faculdades Cataratas, como requisito parcial de avaliação, para obtenção do grau de bacharel em Engenharia Civil, sob orientação do Prof. Msc. Célcio José Escobar. FOZ DO IGUACU - PR 2008 “Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos à simples arte de vivermos juntos como irmãos.” M. Luther King DEDICATÓRIA A Deus, pois foi quem me deu a vida e permite-me, que tenho tantas oportunidades. Aos familiares, pelo incentivo e compreensão nos momentos de ausência. Aos meus amigos, poucos em números, mas incomensuráveis na qualidade. Aos professores e colaboradores da UDC, pela sua colaboração e empenho, em especial ao orientador. Aos colegas da faculdade, pelos diversos momentos de estudos e descontração. RESUMO O solo é a variável mais complexa quando se trata de fundações, portanto o seu estudo em profundidade é de fundamental importância para que se executem obras com qualidade. Fundações por meio de estacas escavadas têm sido largamente empregadas para cargas de pequeno e médio porte. O presente trabalho objetivou a avaliação da resistência por atrito lateral desse tipo de estaca no perfil geotécnico na região da Tríplice Fronteira, através da execução de provas de carga dinâmica em 3 estacas de 0,25 m de diâmetro e 6 m de profundidade, e comparar os resultados obtidos com os métodos semi-empíricos muitos difundidos no Brasil, Aoki e Velloso e Décourt e Quaresma. Os resultados obtidos com o estudo permitiram constatar que os métodos semi-empíricos são relativamente conservadores, uma vez que os valores alcançados foram bem superiores aos estabelecidos pelos referidos métodos. Assim sendo tal estudo permitirá utilizar como parâmetro os dados levantados pelo presente trabalho. Palavras-chave: solo, fundações, estaca, atrito lateral. LISTA DE FIGURAS Figura 01: Perfuratriz sobre escavadeira........................................................................... 29 Figura 02: Perfuratriz sobre escavadeira........................................................................... 29 Figura 03: Perfuratriz sobre caminhão ............................................................................... 30 Figura 04: Perfuratriz sobre caminhão ............................................................................... 30 Figura 05: Reação plataforma carregada .......................................................................... 32 Figura 06: Reação através estacas .................................................................................... 32 Figura 07: Reações através tirantes................................................................................... 33 Figura 08: Local de realização............................................................................................. 42 Figura 09: Realização da sondagem.................................................................................. 43 Figura 10: Pesando solo para ensaio................................................................................. 44 Figura 11: Ensaio granulométrico ....................................................................................... 44 Figura 12: Preparação de armadura................................................................................... 44 Figura 13: Armadura da estação de reação...................................................................... 44 Figura 14: Vista do equipamento Strauss.......................................................................... 45 Figura 15: Detalhe sonda do equipamento ....................................................................... 45 Figura 16: Perfuração manual da estaca........................................................................... 46 Figura 17: Moldagem de corpo de prova ........................................................................... 46 Figura 18: Slump-test do concreto...................................................................................... 46 Figura 19: Corpos de prova ................................................................................................. 47 Figura 20: Estaca de reação concretada ........................................................................... 47 Figura 21: Estacas em séries .............................................................................................. 47 Figura 22: Estaca a ser ensaiada ....................................................................................... 47 Figura 23: Macaco hidráulico............................................................................................... 54 Figura 24: Estaca sendo ensaiada ..................................................................................... 54 Figura 25: Relógio comparador ........................................................................................... 54 Figura 26: Detalhe da estaca recalcada ............................................................................ 54 LISTA DE QUADROS Quadro 01: Capacidade de carga de estaca conforme o diâmetro ...........................30 Quadro 02: Valores F1 e F2 em função do tipo de estaca ........................................38 Quadro 03: Valores de K e α em função do tipo de solo ...........................................38 Quadro 04: Valores de K em função do tipo de solo .................................................40 Quadro 05: Valores de α e β em função do tipo de estaca e de solo........................41 Quadro 06: Cargas oriundas de cálculo ....................................................................51 Quadro 07: Cargas em as estacas foram submetidas versos deformação ...............55 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS USP Universidade de São Paulo Y Peso específico Ps Peso do sólido Vs Volume do sólido h% Teor de umidade Pa Peso da água Pt Peso total Vt Volume total Є Índice de vazios GC Grau de compacidade n% Porosidade de um solo SPT Índice de Resistência à Penetração CPT Ensaio de penetração do cone NBR Norma Brasileira de Regulamentação N ou Nspt Número de golpes do SPT LL Limite de liquidez LP Limite de plasticidade LC Limite de contração K Rigidez ou compressibilidade relativa estaca/solo α coeficiente de função de forma β Fator de adesão F1 Fator de carga de ponta em função do tipo de estaca F2 Fator de carga lateral em função do tipo de estaca SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................12 2. OBJETIVOS..........................................................................................................13 2.1 Objetivo Geral....................................................................................................13 2.2 Objetivos Específicos .......................................................................................13 3. JUSTIFICATIVA....................................................................................................14 4. CONSIDERAÇÕES BÁSICAS DOS SOLOS .......................................................15 4.1 Formação dos Solos .........................................................................................17 4.2 Propriedades das Partículas Sólidas dos Solos ............................................17 4.3 Índices Físicos dos Solos.................................................................................18 4.3.1 Elementos Constituintes dos Solos ......................................................19 4.3.2 Teor de Umidade do Solo .......................................................................20 4.3.3 Peso Específico Aparente e Massa Específica Aparente do Solo ......20 4.3.4 Índice de Vazios ......................................................................................20 4.3.5 Grau de Compacidade ............................................................................21 4.3.6 Porosidade de Um Solo ..........................................................................21 5. DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SOLO .................................................22 5.1 Prospecções do Subsolo..................................................................................22 5.2 Caracterização do Solo.....................................................................................23 6. TIPOS DE FUNDAÇÕES ......................................................................................25 6.1 Fundações Diretas ............................................................................................26 6.2 Fundações Indiretas .........................................................................................26 6.3 Fundações em Estaca.......................................................................................26 6.4 Estaca Escavada ...............................................................................................27 7. ESTUDO EXPERIMENTAL – PROVA DE CARGA..............................................31 7.1 Métodos de Capacidade de Carga em Estacas ..............................................31 7.1.1 Equipamentos..........................................................................................32 7.1.2 Caracterização.........................................................................................33 7.1.3 Execução .................................................................................................33 7.1.4 Resultados...............................................................................................34 7.2 Método de Prova de Carga ...............................................................................34 7.3 Métodos Semi-empíricos ..................................................................................35 7.3.1 Método Aoki e Velloso ............................................................................37 7.3.2 Método de Décourt e Quaresma ............................................................39 8. DESCRIÇÃO E REALIZAÇÃO DOS ENSAIOS DE CAMPO ...............................42 8.1 Etapas Anteriores da Realização dos Ensaios de Campo.............................42 8.1.1 Definição do Local ..................................................................................42 8.1.2 Programação e Realização da Sondagem de SPT ...............................43 8.1.3 Ensaio de Granulometria do Solo..........................................................43 8.1.4 Preparação da Armadura........................................................................44 8.1.5 Perfuração das Estacas..........................................................................45 8.1.6 Execução da Concretagem ....................................................................46 8.1.7 Cálculo da Capacidade de Carga das Estacas .....................................47 8.1.7.1 Método Aoki e Veloso ......................................................................48 8.1.7.2 Método Décourt e Quaresma ...........................................................50 8.1.7.3 Resultados dos Cálculos .................................................................51 8.1.7.4 Comparativo da capacidade de carga calculada de ruptura das estacas ..........................................................................................................52 8.1.7.5 Comparativo da capacidade de carga calculada de serviço das estacas ..........................................................................................................52 8.2 Descrição dos Ensaios de Campo...................................................................53 9. RESULTADOS OBTIDOS COM ENSAIOS ..........................................................55 9.1 Tabulação dos Resultados ...............................................................................55 9.1.1 Resultados Obtidos nos Ensaios ..........................................................55 9.1.2 Resultados Obtidos Após a Correção...................................................55 9.2 Análise dos Resultados ....................................................................................56 9.2.1 Comparação das Cargas de Ruptura das Estacas Calculadas e Ensaiadas .........................................................................................................56 9.2.2 Comparação das Cargas de Serviço das Estacas Calculadas e Ensaiadas .........................................................................................................57 9.3 Discussão dos Resultados e Procedimentos .................................................57 9.3.1 Comparação das Cargas de Serviço das Estacas Calculadas e Ensaiadas .........................................................................................................58 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS ..59 10.1 Considerações Finais .....................................................................................59 10.2 Sugestões Para Futuras Pesquisas...............................................................60 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................61 1. INTRODUÇÃO A partir da segunda guerra mundial, houve uma ampliação dos recursos para resolver problemas relacionados à Mecânica dos Solos e Fundações através de inúmeras informações e experiências, que permitiram comparações e aferições das previsões teóricas e do comportamento real do solo. Ao lidar com materiais como solos só é possível obter resultados satisfatórios, caso as decisões sejam tomadas com base em estudos criteriosos, obtidos através de análise minuciosa das condições geológicas bem como dos ensaios laboratoriais, considerando ainda os possíveis erros e desvios no decorrer das análises além das dispersões que se apresentam. Com o desenvolvimento tecnológico na área da Engenharia Civil, no que diz respeito aos equipamentos, materiais, software e outros, torna-se cada vez mais necessário o aprimoramento dos processos construtivos, os quais tornaram os empreendimentos mais econômicos, possibilitando uma resposta à altura dos avanços tecnológicos. Assim sendo, ao se realizar um trabalho como este procurase contribuir para a racionalização deste processo. O presente trabalho permitirá avaliar o comportamento do solo em relação às estacas escavadas na região da Tríplice Fronteira e compará-los aos métodos teóricos mais difundidos no Brasil. A fim de prever a capacidade de carga para este tipo de fundação, o presente trabalho, utilizará dos métodos estáticos semi-empíricos e da prova de carga. Será descritos as atividades e procedimentos utilizados, bem como os resultados teóricos e os valores dos ensaios de campo. 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Avaliar o comportamento do conjunto solo/estaca, quanto a resistência por atrito lateral, em relação à prova de cargas em estacas escavadas na região da Tríplice Fronteira, comparando os resultados obtidos com os métodos muitos difundidos no Brasil: Aoki e Velloso, Décourt e Quaresma. 2.2 Objetivos Específicos • Aprofundar conhecimentos teóricos adquiridos no decorrer do curso no que se refere à caracterização do solo; • Aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso no que diz respeito a fundações, mais especificamente em estacas escavadas; • Constatar o comportamento do conjunto a ser estudado (solo/estaca) no decorrer da realização dos ensaios. 3. JUSTIFICATIVA O uso crescente da estacas escavadas em substituição as estacas manuais e as fundações diretas do tipo sapatas isoladas, implica na necessidade de subsidiar os profissionais da área de fundações com maiores informações sobre o seu comportamento. A estaca escavada é uma das fundações mais executadas na região da Tríplice Fronteira e por não haver na região um estudo que permita verificar a sua capacidade de carga em serviço e compará-la aos resultados obtidos através dos métodos teóricos. 4. CONSIDERAÇÕES BÁSICAS DOS SOLOS Ao se projetar uma obra de engenharia Civil, é necessário que se conheça a qualidade, bem como o comportamento do solo. Para tanto se necessita lançar mão dos estudos realizados pelo ramo da engenharia chamada de Engenharia Geotécnica (PINTO, 2002). Conforme FALCONI (1998) além dos fatores já considerados por Pinto 2002, na fase de projeto do empreendimento é necessário conhecer o subsolo e as águas subterrâneas, bem como os transtornos que as águas superficiais podem trazer ao canteiro de obra. Na etapa de execução de fundações, uma pequena economia pode causar grandes prejuízos no futuro. A formação do solo se deu a milhões de anos, através da decomposição das rochas presentes na crosta terrestre. Esta decomposição se dá por meio da ação de agentes físicos, químicos e biológicos na rocha. A quantidade de cada tipo de partícula é que possibilita a formação do solo com uma determinada característica a qual está diretamente relacionada com a composição química da rocha que lhe deu origem (PINTO, 2002). O solo é constituído por partículas sólidas, água e ar, as quais interferem diretamente em seu comportamento. Para implantação de qualquer projeto de engenharia, necessitam-se fazer num primeiro momento, o reconhecimento do solo, para fins de identificação, avaliações do seu estado, e caso necessário a realizações de ensaios, para conclusões mais precisas (PINTO, 2002). 16 Os estudos dos solos permitirão sua classificação que é de fundamental importância para implantação de um projeto de Engenharia. O solo pode ser classificado como: a) Classificação Unificada; b) Sistema Rodoviário de Classificação; c) Classificações Regionais; d) Classificação dos solos pela sua origem; e) Solos orgânicos; f) Solos Lateríticos. Dentre as classificações acima se destaca a classificação de Solos Lateríticos. Sendo esta uma proposta de classificação de solos tropicais que vem sendo desenvolvida pelo Prof. Job S. Nogami, da Escola Politécnica da USP. Nesta classificação não se emprega os índices de consistências, mas parâmetros obtidos em ensaios de compactações com energias diferentes (PINTO, 2002), APUD, LIMA, 2007. Os solos lateríticos têm sua fração de argila constituída predominantemente de minerais cauliníticos e apresentam elevada concentração de ferro e alumínio na forma de óxidos e hidróxidos, donde sua peculiar coloração avermelhada. Estes sais de encontram, geralmente, recobrindo agregações de partículas argilosas. Os solos lateríticos apresentam-se, na natureza, geralmente não-saurados, com índice de vazios elevado, daí sua pequena capacidade de suporte. Quando compactados, entretanto, sua capacidade de suporte é elevada, sendo por isto muito empregado em pavimentação e em aterros. 17 4.1 Formação dos Solos A formação dos solos é resultado do intemperismo ou meteorização das rochas, as quais se desintegram por ação mecânica ou decomposição química através de agentes como água, temperatura, vegetação e vento. A decomposição química se dá através do processo em que ocorre a modificação química ou mineralógica das rochas de origem. Tais processos ocorrem de forma simultânea considerando as condições climáticas podendo ser predominante sobre o outro. Portanto o solo é uma função da rocha-mater e dos diferentes agentes de alteração. Pedologia é uma ciência que tem por finalidade o estudo das camadas superficiais da crosta terrestre, particularmente a sua formação e classificação. Segundo a pedologia, a formação do solo é função da rocha de origem, da ação dos organismos vivos, do clima, da fisiografia e do tempo (CAPUTO, 2003). 4.2 Propriedades das Partículas Sólidas dos Solos a) Natureza das Partículas Basicamento o solo é constituído por minerais, podendo conter matéria orgânica. As frações grossas são predominantes de grãos silicosos, por outro lado os minerais que ocorrem nas frações argilosas pertencem aos três grupos principais caolinita, montmorilonita e ilita. 18 b) Peso Específico das Partículas O peso específico das partículas de um solo é por definição ү = Ps / Vs, ou seja, o peso da partícula sólida por unidade de volume. c) Forma das Partículas As formas das partículas dos solos influenciam suas propriedades. Suas formas principais são: partículas arredondadas; na forma de poliedros o que predominam nos pedregulhos, areias e siltes; laminares na forma de lâminas ou escamas, presente nas argilas, respondendo pela compressibilidade e plasticidade, sendo esta última uma das características mais importante e por último fibrilare, característica dos solos turfosos. d) Granulometria Considerando determinados limites as dimensões das partículas recebem designação própria pelas quais são conhecidas de frações convencionais. Tendo em vista uma escala, estas frações são: pedregulho, cujos diâmetros estão entre 76 e 4,8 mm; areia, entre 4,8 e 0,05 mm; silte, entre 0,05 e 0,005 mm e argila, inferiores a 0,005 mm. Podemos distinguir diferentes tipos de granulometria, como: contínua – bem graduada: possuindo uma variação do maior ao menor; descontínua – aberta: possuindo intervalos de tamanho inexistente e uniforme: possuem grãos que não variam em tamanho (CAPUTO, 2003). 4.3 Índices Físicos dos Solos Num solo, só parte do total do volume é ocupada pelas partes sólidas o restante, ou seja, a parte de vazios é ocupada pela água e o ar. 19 4.3.1 Elementos Constituintes dos Solos O solo é constituído de um conjunto de partículas sólidas, ficando entre si vazios que poderão estar preenchidos parcialmente ou totalmente pela água. Geralmente está formado por três fases; sólida, líquida e gasosa. Considerando a dificuldade de separar os diferentes estados da água no solo, é de fundamental importância estabelecer a diferença entre os mesmos: - água de constituição: faz parte da estrutura molecular da parte sólida; - água adesiva: é a película que envolve e adere à partícula sólida; - água livre: é aquela que preenchem todos os vazios do solo numa determinada zona do terreno; - água higroscópica: aquela que se encontra em um solo seco ao ar livre; - água capilar: aquela que nos grãos finos sobe pelos interstícios capilares deixados pelas partículas sólidas. As águas livres, higroscópicas e capilares são as que podem ser totalmente evaporadas a uma temperatura maior que 100ºC. Os índices desempenham um papel de fundamental importância no estudo das propriedades dos solos, por serem dependentes dos seus constituintes, bem como das proporções entre eles, assim como da interação de uma fase sobre as outras (CAPUTO, 2003). 20 4.3.2 Teor de Umidade do Solo Umidade de um solo é a razão entre o peso da água nele contida e o peso da parte sólida do solo, considerando um mesmo volume. Expressa em porcentagem. h% = Pa / Ps x 100 Sua determinação é muito simples: basta determinar o peso da amostra no seu estado natural e o peso após completa secagem em uma estufa a 105ºC ou 110ºC. O seu valor varia entre limites muito afastados. 4.3.3 Peso Específico Aparente e Massa Específica Aparente do Solo O peso específico aparente de uma amostra de solo é determinado pela razão entre o peso total da amostra e seu volume. Ү = Pt / Vt A massa específica aparente de uma amostra é obtida pela razão entre sua massa total e seu volume. 4.3.4 Índice de Vazios É a razão entre o volume de vazios Vv e o volume de sólidos Vs da parte sólida de um solo Є = Vv / Vs 21 Este índice foi introduzido por Terzaghi ao estudar o “fenômeno de adensamento do solo”, pois a variação de Є, indicando uma variação de volume, só depende de uma variável Vv, uma vez que Vs não varia, ou varia pouco, durante o fenômeno. 4.3.5 Grau de Compacidade O estado natural de um solo não coesivo (areia e pedregulho) define-se pelo chamado grau de compacidade, compacidade relativa ou densidade relativa (Dr): GC = Єmáx - Єnat Єmáx – Єmín 4.3.6 Porosidade de Um Solo É a razão entre o volume de vazios e o volume total de uma amostra do solo: n% = Vv / Vt x 100 5. DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SOLO 5.1 Prospecções do Subsolo Para identificar as características do solo, é necessário o reconhecimento do mesmo, a fim de estudá-lo e propor a melhor alternativa para execução da fundação. Para tanto se torna imprescindível à realização de sondagens, a qual está dividida em várias etapas (PINTO, 2002): • Sondagem de Simples reconhecimento; • Perfuração acima do nível d’água; • Determinação do nível d’água; • Perfuração abaixo do nível d’água; • Resistência à penetração – STP. Ao planejar a implantação de um empreendimento na área da construção civil é de fundamental importância que se realize uma programação de sondagens de simples reconhecimento, conforme a NBR 8036/83, a qual determina a quantidade de sondagens necessárias para cada área. Conforme NBR 6484/01, a qual prescreve o método e os procedimentos de execução de Sondagens de Simples Reconhecimento, prevendo todas as etapas de perfuração com STP (Índices de Resistência à Penetração), tendo como finalidades, para aplicação na área de Engenharia Civil, as quais são: a) determinação dos tipos de solo, bem como as profundidades de sua ocorrência; b) posição do nível d’água; c) índices de resistência à penetração N a cada metro. 23 5.2 Caracterização do Solo No Brasil, o Sistema Rodoviário é utilizado pela engenharia rodoviária, sendo que o Sistema Unificado é preferido pelos engenheiros barrageiros. Já os engenheiros que trabalham com fundações não utilizam nenhum destas classificações. De modo geral eles seguem uma maneira informal de classificação dos solos bem regional, que pode ter tido origem nestes sistemas de classificação. As discrepâncias observadas entre as classificações clássicas e o comportamento de alguns solos nacionais devem-se, em grande parte ao fato deste serem solos residuais ou lateríticos, para os quais os índices de consistência não podem ser interpretados da mesma forma que são os solos transportados que ocorrem em países de clima temperado, onde os sistemas foram elaborados (PINTO, 2002). A Plasticidade e Consistência são fatores que contribuem na caracterização dos solos. Para caracterizá-los, não basta somente identificar sua granulometria uma vez que suas propriedades dependem do teor de umidade, além da forma das partículas, bem como da composição química e mineralógica. A plasticidade pode ser definida como uma propriedade do solo, que consiste na maior ou menor capacidade de serem moldados, podendo variar o teor de umidade, mas não o seu volume. O solo pode ser encontrado em quatro estados: líquido, plástico, semi-sólido e sólido, existindo, porém, os limites entre os referidos estados: Limite de Liquidez (LL), entre os estados líquido e plástico; Limite de Plasticidade (LP), 24 entre os estados plástico e semi-sólido; Limite de Contração (LC), entre os estados semi-sólido e sólido. A determinação do: Limite de Liquidez é realizado pelo aparelho de Casagrande acompanhado dos dois cinzéis sendo um para solos argilosos e o outro para solos arenosos; o Limite de Plasticidade é determinado pelo cálculo da porcentagem de umidade que o solo começa a fraturar quando se tenta moldar, com ele, um filete de 3 mm de diâmetro com cerca de 10 cm de comprimento; o Limite de Contração é determinado pelo teor de umidade a partir do qual o solo não mais se contrai, porém continua perdendo peso (CAPUTO, 2003). 6. TIPOS DE FUNDAÇÕES Os principais tipos de fundações podem ser identificados em dois grandes grupos que são: Fundações superficiais e Fundações profundas. A determinação do tipo de fundação de um empreendimento deve satisfazer às condições técnicas e econômicas da obra em estudo. Portanto devemse conhecer as seguintes particularidades (ALONSO, 1983): - proximidades com edificações existentes, tipos de fundação bem como o estado de conservação; - natureza e características do solo local; - grandeza das cargas, as quais os elementos de fundação serão submetidos; - limitação dos tipos de fundações existentes. A escolha do tipo de fundação mais apropriado se dá por eliminação, escolhendo entre os existentes, aqueles que satisfaçam tecnicamente ao caso em questão. Em seguida fazer um comparativo de custos, visando a escolher o mais econômico. Para tanto se necessita de investigações de campo bem como de laboratório (ALONSO, 1983). Conforme FALCONI (1998), na concepção de um projeto de fundação é necessário considerar alguns elementos, são eles: levantamentos topográficos, geológicos, geotécnicos, características da estrutura a construir, informações sobre construções vizinhas. É prudente a visita do projetista no local do empreendimento. Após a análise de todos os elementos e da visita do projetista será possível decidir sobre a melhor solução para o projeto de fundação, fazendo a escolha com base em: menor custo e menor prazo de execução. 26 6.1 Fundações Diretas Conforme CAPUTO (2003), fundações superficiais são elementos de fundações que transmitem as cargas ao solo predominantemente pelas pressões distribuídas sob a base da fundação, sendo que seu atrito ocorre na ponta dos elementos. Incluem-se neste tipo de fundação: sapatas, blocos, radier, sapatas associadas, vigas de fundações e sapatas corridas. 6.2 Fundações Indiretas Fundações profundas elementos de fundação que transmite as cargas ao solo pela base (resistência de ponta), pela superfície lateral ou pela combinação das duas, exemplos de fundações: estacas, tubulões e caixões. (CAPUTO, 2003) 6.3 Fundações em Estaca Estaca é um tipo de fundação profunda que possui peças alongadas, cilíndricas ou prismáticas, que se cravam ou se confeccionam no solo, podendo ser utilizadas para transmissão de cargas às camadas profundas do solo, bem como contenção e empuxos de terra ou de água. Estacas para transmissão de cargas ao solo são preparadas para suportar esforços axiais de compressão, resistindo estes 27 esforços, seja pelo atrito lateral, ou seja, pelas reações exercidas pelo solo sobre a ponta. A estaca pode ser constituída de madeira, aço e concreto. Dentre os vários modelos de estaca podemos citar: pré-moldadas, mega, moldadas “in situ”, mistas, frank, straus, escavada e etc. (CAPUTO, 2003). Conforme AVIZ (2006), fundações em estaca são uma das alternativas mais antigas na sustentação da estruturas, mas ao ser projetado torna-se ainda um desafio para a engenharia geotécnica. Estacas são elementos esbeltos de grande comprimento relativo, sendo usada quando a camada superficial do solo não é suficiente para suportar as cargas. Sua capacidade pode ser estimada através de métodos teóricos e semi-empíricos. Para a aplicação do método teórico necessita-se conhecer a geometria detalhada do problema, das tensões, deformações e resistência do solo, considerando a interface solo-estaca, enquanto que para os métodos sem-empíricos usam-se geralmente os resultados obtidos em ensaios de campo. Os métodos semiempíricos são mais utilizados na prática da engenharia para cálculo da capacidade de carga, uma vez que os métodos teóricos, com exceção de grandes projetos possuem sua aplicação restrita tendo em vista seus altos custos. No Brasil a prática mostra que os projetos são elaborados com freqüência com base nos resultados de ensaio de SPT. 6.4 Estaca Escavada Conforme DÉCOURT (1998), estacas escavadas são aquelas executadas no local da obra, através de perfuração do solo utilizando-se de um 28 processo quaisquer, pelos quais é realizada a remoção do material, com ou sem revestimento, com ou sem fluído estabilizante. Nessa categoria enquadram-se as estacas tipo broca, executada manual ou mecanicamente, as do tipo Strauss, os barretes, as estações, as hélices contínuas, as estaca injetadas entre outras. De acordo com FALCONI (1998), as estacas escavadas mecanicamente com trado helicoidal, de utilização mais recente, são executadas através de torres metálicas, apoiadas em chassis metálicos ou acopladas a caminhões. Em ambos os casos são empregados guinchos, conjunto de tração e haste de perfuração, podendo esta ser helicoidal em toda sua extensão ou constituída de trados com comprimento entre 2 e 6 m em sua extremidade, prendendo-se ao avanço através de prolongamento telescópio. Existe equipamento que perfura até a profundidade de 40 m e com diâmetro que varia de 0,20 a 0,50 m. As estacas são em geral solicitadas através de cargas de compressão resistindo ao cisalhamento, gerado ao longo de seu fuste. A capacidade de carga de uma estaca é definida pelas máximas cargas que pode ser suportada pelo atrito lateral e pela ponta, parcela esta (de ponta) que não será considerada no experimento. Convencionalmente a ruptura é definida como sendo a carga correspondente a uma deformação da ponta da estaca de 10% de seu diâmetro, no caso de estaca de deslocamento e de estaca escavada em argila e de 30% de seu diâmetro no caso de estaca escavada em solos granulares. É a fundação profunda mais utilizada, portanto a mais confiável na região. Podemos citar como vantagem: uma fundação para uma edificação com 30 estacas de 10 m pode ser executada em 29 um dia; seu custo varia de R$ 4,00 a R$ 15,00, de acordo com o diâmetro (Ф 25 a Ф 50); facilidade na execução; baixo custo; rapidez e versatilidade na execução; pode ser corrigida durante a execução (aumento do diâmetro ou da quantidade); pode ser associada a outras fundações para reforço e recuperação de estruturas, como desvantagem: não ultrapassa solos com matacões, alterações de rocha ou materiais muito duros; não é apropriada para executar abaixo do nível d’agua; não é apropriada em solos muitos moles (areias), podendo ocorrer desmoronamento e podendo a seção durante a concretagem; não é adequada para execução em aterros entro outros. Figura 01: Perfuratriz sobre escavadeira Fonte: ZIRONI, (2008) Figura 02: Perfuratriz sobre escavadeira Fonte: ZIRONI, (2008) Conforme BELINCANTA (2004), estacas perfuradas através de trados mecânicos do tipo helicoidal deixam à extremidade inferior da estaca solo solto, o qual impede o contato do concreto com a parte natural do solo, portanto, 30 neste tipo de estaca, a resistência de ponta deve ser desprezada. Não é adequado para solos granulares (areia) e nem para aterros. Há indícios de que estas estacas possuam resistências acima das previstas pelos métodos clássicos brasileiros de previsão de cargas de ruptura, como os de Décout-Quaresma e Aoki-Veloso. Tal fato pode-se justificar pelas tensões passivas laterais, ocasionadas na fase de concretagem com o concreto plástico, como também pelas irregularidades nas paredes do furo, também em função da concretagem. Em Maringá tem-se adotado os seguintes valores para cálculo da capacidade de carga para estaca desse tipo. Quadro 01: Capacidade de carga de estaca conforme o diâmetro Diâmetro Até 10 m de profundidade De 10 a 20 m de profundidade Ф 25 cm 1,00 tf/m 1,00 a 1,34 tf/m Ф 32 cm 1,50 tf/m 1,50 a 2,00 tf/m Ф 38 cm 2,25 tf/m 2,25 a 2,60 tf/m Fonte: BELINCANTA, (2004) Figura 03: Perfuratriz sobre caminhão Fonte: ZIRONI, (2008) Figura 04: Perfuratriz sobre caminhão Fonte: ZIRONI, (2008) 7. ESTUDO EXPERIMENTAL – PROVA DE CARGA Apresentam-se a seguir, de maneira sucinta, a descrição dos procedimentos que serão utilizadas durante a realização do trabalho: • Realização da sondagem através do SPT (Índice de Resistência à Penetração); • Caracterização do solo, identificando os parâmetros que serão considerados na realização dos ensaios; • Submeter as estacas à prova de carga, através do sistema de reação à compressão por meio de estaca de reação; 7.1 Métodos de Capacidade de Carga em Estacas São dois os tipos de métodos normalmente utilizados para definir a capacidade de carga de ruptura de estacas: métodos baseados em prova de carga e métodos semi-empíricos. A capacidade de carga de uma estaca escavada pose ser avaliada através de dois métodos: primeira através de critérios técnicos e segundo através de critérios semi-empíricos. No primeiro caso a realização dos ensaios e executado com base em normas técnicas e no segundo sem embasamento em normalização (ALONSO, 1983) Atualmente, os métodos de cálculo de capacidade de carga de estacas mais utilizados e difundidos no Brasil são os de AOKI e VELLOSO (1975) e DÉCOURT e QUARESMA (1978). Esse último, baseado nos índices de resistência a penetração N do ensaio de SPT. 32 Conforme NBR 12131, para realização de ensaios são necessários cumprir diversas etapas e procedimentos conforme a seguir: 7.1.1 Equipamentos Os dispositivos de aplicação de carga constituída por um ou mais macacos hidráulicos alimentados por bombas elétricas ou manuais, que atuam contra o sistema de reação, podendo este ser: a) Plataforma carregada, conforme figura 01; b) Estrutura fixada ao terreno através de estacas ou tirantes, conforme figura 02 e 03, respectivamente. Figura 05: Reação plataforma carregada Figura 06: Reação através estacas 33 Figura 07: Reações através tirantes 7.1.2 Caracterização A estaca a ser ensaiada deverá ser previamente documentada, contendo sua geometria, métodos de execução, propriedades dos materiais, escavação, dados da sondagem, profundidade da estaca, resistência características do concreto, armadura e etc., 7.1.3 Execução A execução da prova de carga pode ser realizada com carregamento lento ou rápido, sendo a deformação de cada um deve ser interpretado considerando o carregamento recebido. O carregamento é realizado respeitando estágios iguais sucessivos, quando devem ser feitas as leituras antes e depois de cada estágio; e 34 7.1.4 Resultados Os resultados devem ser apresentados em relatório detalhado contendo: descrição dos ensaios, tipo e característica da estaca, dados da instalação da estaca, referências, dispositivos de aplicação de carga e instrumentação, relato de ocorrências no decorrer do ensaio, tabela de leitura nos diversos estágios e curva carga x deslocamento. 7.2 Método de Prova de Carga Referente a realização de prova de carga de carga em estaca, esta é mais utilizada em situações de verificação in loco, posteriormente à execução do estaqueamento, ou, em casos mais especiais, em elemento de referência (modelo) executado previamente para construção da capacidade ‘real’ da estaca e fundamentação do projeto geotécnico final, sob bases mais reais e precisas. De acordo com recomendações da Norma NBR 6122, deve-se adotar para carga admissível, a partir deste método, o menor dos seguintes valores: a) Qu = Qr / 2,0 b) Qu = Q’ / 1,5 onde: Qu → carga admissível da estaca Qr → carga de ruptura da estaca Q’ → carga que produz o recalque admissível para a estrutura (medido no topo da estaca) (GIUGLIANI, 2006) 35 7.3 Métodos Semi-empíricos São inúmeros autores que formulam e desenvolvem teorias para a determinação de capacidade de carga em estaca. Em praticamente todos estes métodos, cujas bases de comprovação sempre ficam identificadas com seus modelos e as regiões geográficas onde foram avaliados, a partir de testes de campo, a capacidade de carga de uma estaca é obtida a partir da seguinte expressão geral: Qu = Qs + Qp onde: Qu → capacidade de carga de ruptura do elemento de fundação; Qs → carga suportada pelo atrito lateral da estaca com o solo; Qp → carga suportada pela ponta da estaca. e ainda: Qu = Qs + Qp Qu = qs.As + qp.Ap Qu = qs.U.∑∆L + qp.Ap onde: qs → resistência limite de cisalhamento ao longo do fuste da estaca; As → área lateral do fuste da estaca; U → perímetro do fuste da estaca; ∑∆L → somatória de trechos do fuste da estaca (L=∑∆L→comprimento da estaca) qp → resistência de ponta da estaca Ap → área da ponta da estaca. Os valores das resistências qs e qp podem ser avaliados e obtidos a partir de: 36 - Processos diretos: onde qs e qp são obtidos a partir de correlações empíricas oriundas de ensaios in loco; - Processos indiretos: onde os dados de avaliação são obtidos a partir de ensaios in loco ou em laboratório e a capacidade de carga é determinada a partir de formulação teórica ou experimental. A estimativa da capacidade de carga de estacas a partir de modelos teóricos normalmente torna-se deficiente, não resultando em valores satisfatórios devido a vários fatores, dentre estes podem ser citados: - Impossibilidade prática de conhecer, com certeza, o estado de carga do terreno e as condições que compões o perfil geotécnico atravessado pela estaca onde esta se apóia; - Dificuldade de determinar com exatidão a resistência ao cisalhamento dos solos; - Dependência dos processos executivos das estacas; - Falta de uma relação direta entre a resistência lateral e a resistência de ponta; - Heterogeneidade natural do solo; - Fatores, internos e externos, que interferem na interação solo-estaca. Neste contexto são abordados dois métodos – muito difundidos no Brasil: o Método Aoki e Velloso (1975) – estendido por Veloso em 1991 – e o Método de Décourt e Quaresma (1978), também aprimorado posteriormente (1982, 1987, 1991, 1993, 1994 e 1995). Ambos os métodos apresentam modelos conceituais semelhante, divergindo basicamente na definição e estimativa das resistências qs e qp, como será observado a seguir (GIUGLIANI, 2006). 37 7.3.1 Método Aoki e Velloso Neste método, as resistências qs e qp são definidas da seguinte forma: Qu = Qs + Qp onde: Qu → capacidade de carga de ruptura do elemento de fundação; Qs → carga suportada pelo atrito lateral da estaca com o solo; Qp → carga suportada pela ponta da estaca. e ainda: Qu = Qs + Qp Qu = qs.As + qp.Ap Qu = qs.U.∑∆L + qp.Ap onde: qs → resistência limite de cisalhamento ao longo do fuste da estaca; As → área lateral do fuste da estaca; U → perímetro do fuste da estaca; ∑∆L → somatória de trechos do fuste da estaca (L=∑∆L→comprimento da qp → resistência de ponta da estaca Ap → área da ponta da estaca. estaca) onde: K e α coeficientes que dependem do tipo de solo e que estabelecem a correlação entre o ensaio de CPT e o SPT, indicados na Quadro 3, onde α, especificamente, relaciona a resistência de ponta com a resistência lateral. 38 Quadro 02: Valores F1 e F2 em função do tipo de estaca Tipo de Estaca F1 F2 Pré-moldadas 1,75 3,50 Metálicas 1,75 3,50 Franki 2,50 5,00 Escavadas* 3,50 7,00 * F1 e F2 de acordo com Aoki, Veloso e Salomani (1978) Fonte: GIUGLIANI, 2006 Quadro 03: Valores de K e α em função do tipo de solo Tipo de Solo K (kN/m2) α (%) Areia 100 1,40 Areia siltosa 80 2,00 Areia silto argilosa 70 2,40 Areia argilosa 60 3,00 Areia argilo siltosa 50 2,80 Silte arenoso 55 2,20 Silte areno argiloso 45 2,80 Silte 40 3,00 Silte argilo arenoso 25 3,00 Silte argiloso 23 3,40 Argila arenosa 35 2,40 Argila silto arenosa 33 3,00 Argila areno siltosa 30 2,80 Argila siltosa 22 4,00 Argila 20 6,00 Fonte: GIUGLIANI, 2006 A utilização deste método, em que pese sua difusão e aceitação por parte do projetista de fundações, apresenta dificuldade para a sua correta aplicação devido à 39 necessidade da perfeita caracterização do tipo de solo envolvido, o que é quase impossível de ser obtido (GIUGLIANI, 2006). 7.3.2 Método de Décourt e Quaresma Quando este método foi apresentado, em 1978, estava baseado nos valores obtidos diretamente do ensaio de investigação SPT (Nspt) e a partir do conceito de uma estaca padrão. Posteriormente, após vários aprimoramentos, foi adequado para outros tipos de estaca e à ensaios de SPT-T, através do conceito de Neq (Nspt equivalente). Assim, nas expressões utilizadas para avaliação da capacidade de carga do solo, podem ser utilizados os valores de Nspt obtidos diretamente do ensaio, bem como os correspondentes ao ensaio SPT-T, onde considerando que o valor do torque T (kgf.m), temos: Neq = T / 1,20 e que a capacidade de carga da estaca é dada por: Qu = Qp + Qs Qu = qp.Ap + qs.As Sendo que a resistência de ruptura de ponta é dada por: Qp = K. Nspt onde o valor de K, definido pela Tabela 3, relaciona a resistência de ponta com o Nspt, sendo Nspt a média entre o SPT na profundidade de ponta da estaca, o valor imediatamente acima e o imediatamente abaixo. O valor da resistência lateral é dado pela expressão: Qs = 10.(Nspt /3 +1) em kN/m2 40 Quadro 04: Valores de K em função do tipo de solo Tipo de Solo K (kN/m2) Areia 400 Silte arenoso (solo residual) 250 Silte argiloso (solo residual) 200 Argila 120 Fonte: GIUGLIANI, (2006) Este método foi posteriormente, estendido para outros tipos de estacas também muito utilizadas e mais recentemente difundidas, não indicadas inicialmente. Para tanto, são considerados os parâmetros α e β a seguir relacionados (Tabela 4). Estes valores de majoração ou de minoração, respectivamente para a resistência de ponta e para a resistência lateral. Neste caso a expressão geral para determinação de carga de ruptura da estaca é dada por: Qu = α.qp.Ap + β.qs.As ou ainda, Qu = α.K.Nspt p.Ap + 10.β. ∑[(Nspt s/3 = 1).As] em kN/m2 onde: Nspt p → Nspt na ponta da estaca Nspt s → Nspt ao logo do fuste da estaca 41 Quadro 05: Valores de α e β em função do tipo de estaca e de solo Estaca Escavada (em geral) Solo Cravada (est. padrão) Α Β Α Argilas 1,00+ 1,00+ Solos** 1,00+ Areias 1,00+ + * ** Hélice Contínua Raiz β Escavada (c bentonita) α β Α β α β Injetada (alta pressão) α β 0,85 0,80 0,85 0,90* 0,30* 1,00* 0,85* 1,50* 1,00* 3,00* 1,00+ 0,60 0,65 0,60 0,75* 0,30* 1,00* 0,60* 1,59* 1,00* 3,00* 1,00+ 0,50 0,50 0,50 0,60* 0,30* 1,00* 0,50* 1,50* 1,00* 3,00* valores para o qual a correlação inicial foi desenvolvida valores apenas indicativos diante do reduzido número de dados disponíveis solos intermediários Fonte: GIUGLIANI, (2006) 8. DESCRIÇÃO E REALIZAÇÃO DOS ENSAIOS DE CAMPO 8.1 Etapas Anteriores da Realização dos Ensaios de Campo 8.1.1 Definição do Local O local foi escolhido após duas tentativas frustradas, sendo uma no pátio da UDC aos fundos e posteriormente no Jardim Central sendo que nestes locais foram encontradas rochas aos três metros de profundidade, tornado-se inviável a realização do trabalho. Assim sendo, optou-se por um local de terreno mais alto e que proporcionasse condições adequadas para a realização do trabalho acesso fácil e que houvesse local para guarda de material, ferramental e equipamentos necessário ao desenvolvimento dos trabalhos; Figura 08: Local de realização 43 8.1.2 Programação e Realização da Sondagem de SPT Foi programada e realizada a execução de dois furos de sondagem de modo a conhecer o perfil e as características básicas dos solos; Figura 09: Realização da sondagem 8.1.3 Ensaio de Granulometria do Solo Com a amostra de solo retirado a cada metro, quando da realização da sondagem STP, foi possível realizar o ensaio de granulometria para se obter a curva granulométrica; 44 Figura 10: Pesando solo para ensaio Figura 11: Ensaio granulométrico 8.1.4 Preparação da Armadura Corte e amarração de 4 (quatro) armaduras para as estacas de reação, contendo 6 (seis) barras longitudinais com 9,00m de comprimento e 10mm de diâmetro, estribos contínuos a cada 0,15m com 5mm de diâmetro. Corte e amarração de 3 (três) armadura para estacas a ser ensaiadas, contendo 6 (seis) barras longitudinais de 2,00m de comprimento e com 8mm de diâmetro, estribos contínuos a cada 0,15m, com 5mm de diâmetro; Figura 12: Preparação de armadura Figura 13: Armadura da estação de reação 45 8.1.5 Perfuração das Estacas A perfuração das estacas se deu em duas etapas: a) Primeiro a perfuração das estacas para reação que foram executadas pelo equipamento de estacas STRAUS com diâmetro de 0,25m, composto de um guincho mecânico, de no mínimo 1 t, alavanca para acionamento, freio e cabo de aço; Motor a explosão ou elétrico, acoplado ao guincho por meio de correias; Chassi de madeira reforçado para suportar a conjunto guincho-motor; Tripé; Torre ou cavalete metálico com carretilha de aço no topo; Guincho manual com engrenagem própria para redução da velocidade; Com soquete e sonda para retirada do solo; b) Segundo as perfurações das estacas a serem ensaiadas, foram executadas por meio de trado manual com diâmetro de 0,25m, acompanhada com haste de prolongamento para atingir até 8 m. Figura 14: Vista do equipamento Strauss Figura 15: Detalhe sonda do equipamento 46 Figura 16: Perfuração manual da estaca 8.1.6 Execução da Concretagem Assim como a perfuração dos buracos a concretagem também foi realizada em duas etapas, obedecendo a conclusão de execução dos buracos das estacas de reação, bem como das estacas a serem ensaiadas. Ambas com concreto com a mesma característica, utilizando o Cimento ARI (Alta Resistência Inicial), executado no local com fck de 20MPa e fator água cimento 0,5, Slump Teste médio de 7cm e moldagem de corpo de provas tanto para as estacas de reação bem como para as estacas a serm ensaiadas. Figura 17: Moldagem de corpo de prova Figura 18: Slump-test do concreto 47 Figura 19: Corpos de prova Figura 20: Estaca de reação concretada Figura 21: Estacas em séries Figura 22: Estaca a ser ensaiada 8.1.7 Cálculo da Capacidade de Carga das Estacas Os valores de SPT utilizado para definir o SPT-médio para fins de cálculo das cargas, foram do 2º ao 7ª metro uma vez que a profundidade da estaca iniciou-se a partir dos 0,70m da superfície do solo, conforme laudo de sondagem, anexo. O objetivo do trabalho foi avaliar o atrito lateral de estacas escavadas, portanto nos cálculos abaixo a parcela referente ao atrito da ponta foi desconsiderada. 48 8.1.7.1 Método Aoki e Veloso a) Estaca 01 - Carga admissível da estaca P = Pl + Pp P = Pl Pl = U.∑∆L . α .K . NSTP 6 Pl = 0,25 . 3,14 . 6 . 0,06 . 20 . 5,67 6 P = 5,34 tf - Carga de ruptura da estaca Prup = P Prup = 5,34 tf - Carga de serviço da estaca Pserv = Prup / 2 Pserv = 5,34 /2 Pserv = 2,67 tf b) Estaca 02 - Carga admissível da estaca P = Pl + Pp P = Pl Pl = U.∑∆L . α .K . NSTP 6 Pl = 0,25 . 3,14 . 6 . 0,06 . 20 . 6,00 6 49 P = 5,65 tf - Carga de ruptura da estaca Prup = P Prup = 5,65 tf - Carga de serviço da estaca Pserv = Prup / 2 Pserv = 5,65 / 2 Pserv = 2,83 tf c) Estaca 03 - Carga admissível da estaca P = Pl + Pp P = Pl Pl = U.∑∆L . α .K . NSTP 6 Pl = 0,25 . 3,14 . 6 . 0,06 . 20 . 6,33 6 P = 5,96 tf - Carga de ruptura da estaca Prup = P Prup = 5,96 tf - Carga de serviço da estaca Pserv = Prup / 2 Pserv = 5,96 / 2 Pserv = 2,98 tf 50 8.1.7.2 Método Décourt e Quaresma a) Estaca 01 - Carga admissível da estaca P = Pp + Pal Pal = ( Nspt médio/3 + 1) x Alat Pal = (5,67 / 3 + 1) x 3,14 x 0,25 x 6 Pal = 13,62 tf - Carga de ruptura da estaca Prup = Pal Prup = 13,62 tf -Carga de serviço da estaca Pserv = Prup / 2 Pserv = 13,62 / 2 Pserv = 6,81 tf b) Estaca 02 - Carga admissível da estaca P = Pp + Pal Pal = ( Nspt médio/3 + 1) x Alat Pal = (6,00 / 3 + 1 ) x 3,14 x 0,25 x 6 Pal = 14,14 tf - Carga de ruptura da estaca Prup = Pal Prup = 14,14 tf - Carga de serviço da estaca Pserv = Prup / 2 Pserv = 14,14 / 2 Pserv = 7,07 tf 51 c) Estaca 03 - Carga admissível da estaca P = Pp + Pal Pal = ( Nspt médio/3 + 1) x Alat Pal = (6,33 / 3 + 1 ) x 3,14 x 0,25 x 6 Pal = 14,66 tf - Carga de ruptura da estaca Prup = Pal Prup = 14,66 tf - Carga de serviço da estaca Pserv = Prup/2 Pserv = 14,66 / 2 Pserv = 7,33 tf 8.1.7.3 Resultados dos Cálculos Quadro 06: Cargas oriundas de cálculo MÉTODOS DE CÁLCULO Método Aóki e Velloso Método Décourt e Quaresma CARGA ESTACA 1 ESTACA 2 ESTACA 3 Admissível 5,3 tf 5,6 tf 6 tf Ruptura 5,3 tf 5,6 tf 6 tf Serviço 2,7 tf 2,8 tf 3 tf Admissível 13,6 tf 14,1 tf 14,7 tf Ruptura 13,6 tf 14,1 tf 14,7 tf Serviço 6,8 tf 7,1 tf 7,3 tf 52 8.1.7.4 Comparativo da capacidade de carga calculada de ruptura das estacas 13,6 16,0 14,1 14,7 14,0 12,0 10,0 8,0 5,3 5,7 6,0 6,0 4,0 2,0 0,0 Estaca 1 Estaca 2 Método Aóki e Velloso Estaca 3 Método Décourt e Quaresma 8.1.7.5 Comparativo da capacidade de carga calculada de serviço das estacas 6,8 8,0 7,1 7,3 7,0 6,0 5,0 4,0 2,7 2,8 3,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Estaca 1 Estaca 2 Método Aóki e Velloso Estaca 3 Método Décourt e Quaresma 53 8.2 Descrição dos Ensaios de Campo Foram realizadas provas de carga três estacas escavadas com 6,00m de profundidade e 0,25m de diâmetro, com armadura de 2,00m na parte superior, composta de 6 (seis) barras longitudinais de 8mm de diâmetro e estribo contínuo de diâmetro de 5mm a cada 0,15m. Estes ensaios foram realizados no mesmo dia. As estacas que foram ensaiadas com um sistema de reação composto de duas estacas laterais com profundidade de 9,00m e diâmetro 0,25m, com tirante na parte superior da estaca, mais uma viga metálica. Sendo estas, estacas composta de armadura longitudinal de 6 barras de 10mm de diâmetro e estribo contínuo de diâmetro de 5mm a cada 0,15m em toda sua extensão. A execução dos furos e da concretagem se deu em dois momentos distintos. Primeiro a perfuração e concretagem das estacas de reação em seguida a s das estacas a serem ensaiadas Após a cura do concreto, procedeu-se a preparação da superfície da estaca a ser ensaiada para a instalação do macaco hidráulico. Preparação da haste que permitirá verificar o recalque da estaca através de um relógio comparador. Instalação da viga metálica, a qual permitirá que o macaco hidráulico fique confinado entre esta e o topo da estaca permitindo desta forma que a esta seja submetida à carga. A partir deste momento iniciam-se de fato os ensaios, o qual será acompanhado a cada instante de tal forma que se registre a carga e o conseqüente deslocamento quando houver acompanhando e anotando o comportamento do sistema. 54 Figura 23: Macaco hidráulico Figura 24: Estaca sendo ensaiada Figura 25: Relógio comparador Figura 26: Detalhe da estaca recalcada 9. RESULTADOS OBTIDOS COM ENSAIOS 9.1 Tabulação dos Resultados Trata-se de informações obtidas em ensaios de campo através de leituras realizadas em um manômetro instalado junto ao macaco hidráulico, relacionando estes com a deformação da estaca obtida junto ao relógio comparador. 9.1.1 Resultados Obtidos nos Ensaios Quadro 07: Cargas em as estacas foram submetidas versos deformação ESTACA CARGA EM QUE AS ESTACAS FORAM SUBMETIDAS (TF) 14 01 (Def. em mm) 15 16 17 18 1 19 20 1 02 (Def. em mm) 03 (Def. em mm) 1 21 22 23 24 25 26 2 10 15 22 29 35 1 2 2 4 15 27 40 1 2 2 3 4 15 30 27 28 45 Conforme TERZAGHI é admitido um recalque igual a 10% do diâmetro, neste caso valores acima de 01 polegada, a partir deste valor à estrutura não absorveria as deformações gerando fissuração intensa. 9.1.2 Resultados Obtidos Após a Correção Tendo em vista que a execução da prova de carga foi executada com carregamento rápido, há necessidade de submeter os resultados das mesmas a um coeficiente de redução na ordem de 15%. Valor aplicado para correção em corpos de prova de concreto ensaiados à compressão simples. 56 Conforme NBR 6122/96 o coeficiente de segurança para cargas ensaiadas poderá ser de no mínimo 1,5, assim sendo conforme ensaios realizados as cargas de ruptura e de serviço das estacas estudadas, será conforme quadro abaixo: Quadro 08: Cargas de ruptura e de serviço ensaiadas CARGA ESTACA 1 Ensaiada ESTACA 2 Corrigida Ensaiada ESTACA 3 Corrigida Ensaiada Corrigida Admissível 24,8 21,1 24,0 20,4 26,0 22,1 Ruptura 24,8 21,1 24,0 20,4 26,0 22,1 Serviço 16,5 14,1 16,0 13,6 17,3 14,7 9.2 Análise dos Resultados 9.2.1 Comparação das Cargas de Ruptura das Estacas Calculadas e Ensaiadas 20,0 22,1 20,4 21,1 25,0 13,6 14,1 14,7 15,0 10,0 5,3 5,7 6,0 5,0 0,0 Estaca 1 Método Aóki e Velloso Estaca 2 Estaca 3 Método Décourt e Quaresma Ensaiadas 57 9.2.2 Comparação das Cargas de Serviço das Estacas Calculadas e Ensaiadas 14,7 13,6 14,1 16,0 14,0 12,0 6,8 10,0 7,1 7,3 8,0 6,0 2,7 2,8 3,0 4,0 2,0 0,0 Estaca 1 Método Aóki e Velloso Estaca 2 Estaca 3 Método Décourt e Quaresma Ensaiadas 9.3 Discussão dos Resultados e Procedimentos Antes da realização dos ensaios de campo havia uma expectativa quantos aos resultados que seriam obtidos. Sabia-se que os valores seriam superiores aos teóricos, porém sem uma noção aproximada dos valores. Os resultados confirmaram as expectativas ficando em média 100% maiores que os valores obtidos pelo Método Décourt e Quaresma e 400% maiores que os valores obtidos pelo Método Aoki e Velloso. 58 9.3.1 Comparação das Cargas Médias de Cálculo e Ensaiadas 14,1 16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 7,1 2,8 Média Método Aóki Método Décourt Ensaiadas 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS 10.1 Considerações Finais Por ser este um dos primeiros estudos experimentais de fundações com prova de cargas em solos da região, foram encontradas dificuldades no seu desenvolvimento. Dificuldades estas, como: avaria no equipamento de estaca Strauss, no macaco hidráulico (com capacidade para 20 toneladas) com o qual não foi possível realizar os ensaios, bem como ocorrência de falhas na execução, ficando a superfície superior da estaca abaixo do nível do solo, dificultando a realização dos ensaios (leitura no relógio comparador), porém com dedicação e empenho dos envolvidos foi possível ultrapassa-las. Com o presente trabalho constatou-se que os métodos semiempíricos, apesar de serem largamente utilizados no Brasil, são, no entanto, muito conservadores, uma vez que os resultados obtidos no decorrer dos ensaios foram muito superiores as cargas obtidas através dos cálculos, sendo cerca de 400% e 100%, superiores aos realizadas pelos Métodos de Aoki e Velloso e Décourt e Quaresma, respectivamente. Os dados fornecidos pelo presente experimento poderão contribuir aumentando os conhecimentos dos profissionais da área de fundações. O conhecimento adquirido neste período melhorará excepcionalmente a visão e a capacitação técnica dos envolvidos, bem como abrirá novos caminhos para futuras pesquisas em fundações profundas nos solos da região. 60 10.2 Sugestões Para Futuras Pesquisas a) Pesquisar estacas escavadas no que diz respeito resistência por atrito lateral variando profundidade, bem como diâmetro; a) Pesquisar estacas escavadas considerando atrito lateral e de ponta, inclusive dando tratamento especial a ponta (base alargada, apiloada, bucha strauss e outros). b) Utilizar o ensaio de torquimetria para obter o atrito lateral e compara-lo com os demais resultados. 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: Projeto e execução de fundações: Procedimento. Rio de Janeiro, 1996. 2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6484: Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método e ensaio: Procedimento. Rio de Janeiro, 2001. 3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6502: Rochas e solos: Terminologia. Rio de Janeiro, 1995. 4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8036: Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios: Procedimentos. Rio de Janeiro, 1983. 5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12131: Estacas Prova de carga estática: Procedimentos. Rio de Janeiro, 1992. 6. ALONZO, Urbano Rodriguez. Dimensionamento de Fundações Profundas. São Paulo. Edgard Blücher Ltda. 1989. 7. ALONZO, Urbano Rodriguez. Exercícios de Fundações. São Paulo. Edgard Blücher Ltda. 1983. 8. ALONZO, Urbano Rodriguez. Previsão e Controle das Fundações. São Paulo. Edgard Blücher Ltda. 1991. 9. AVIZ, Luciana Barros de Miranda. Estimativa de Capacidade de Carga de Estaca Por Método Semi-empíricos e Teóricos. 2006. 10. BELINCANTA, Antonio. Uma abordagem Geral Sobre Fundações Profundas de Uso Corrente na Região de Maringá. 2004 62 11. BRANCO, Carlos José da Costa. Prova de Carga Dinâmica em Estacas Escavadas de Pequeno Diâmetro com Posta Modificada. 2002. 12. CAPUTO, Homero Pinto. Mecânica dos solos e suas aplicações. 6ª ed. Rio de Janeiro. Livros Técnicos e Científicos Editora S/A. 2003. 13. GIUGLIANI, Eduardo. FUNDAÇÕES PROFUNDAS – Estimativa de Capacidade de Carga Admissível. 2006. 14. PINI. Fundações – Teoria e Prática. 2ª ed. São Paulo. Pini Ltda. 1998. 15. PINTO, Carlos de Souza. Curso Básico de Mecânica dos Solos. 2ª ed. São Paulo. Oficina de Textos. 2002.