Ministério da Saúde Departamento de Regulação, Avaliação e Controle Coordenação de Regulação e Avaliação Mapa para Implantação de Protocolos Assistenciais: necessidades, diretrizes e orientações gerais Relatório Final Brasília, março de 2006 Ministério da Saúde Departamento de Regulação, Avaliação e Controle Coordenação de Regulação e Avaliação Mapa para Implantação de Protocolos Assistenciais: necessidades, diretrizes e orientações gerais Relatório Final elaborado como produto previsto no Termo de Referência para o Desenvolvimento de Estudo sobre Avaliação da Implantação dos Processos de Regulação, Avaliação e Controle no SUS, firmado junto ao Ministério da Saúde Consultor responsável José Angelo Machado Brasília, março de 2006 2 Apresentação O presente relatório constitui o produto final do estudo “Avaliação da Implantação dos Processos de Regulação Assistencial, Avaliação e Controle no SUS”, financiado com recursos oriundos de doação do Governo Japonês ao Governo Brasileiro e disponibilizados por intermédio do Banco Mundial. Seu objetivo específico é mapear as principais necessidades para elaboração de protocolos assistenciais no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, bem como formular diretrizes e orientações gerais que possam nortear políticas do Ministério da Saúde no sentido de apoiar a sua implantação. A partir dos dados levantados pelo Relatório Preliminar de pesquisa, foram selecionadas onze especialidades médicas a serem submetidas ao mapeamento de necessidades. A partir daí, a elaboração deste produto foi baseada em dois procedimentos metodológicos. O primeiro foi destinado a traçar o perfil de oferta de consultas especializadas em cada uma das especialidades por região geográfica, tendo como base os parâmetros de cobertura fixados na Portaria GM 1.101 / 2002, articulando este aspecto com dados já obtidos anteriormente por meio de pesquisa telefônica. O segundo foi, por meio de nova pesquisa telefônica, identificar as principais causas de encaminhamento da atenção básica para cada uma das especialidades selecionadas. A partir daí foi elaborado o mapeamento de necessidades e foram formuladas diretrizes e orientações visando subsidiar políticas nacionais destinadas a fomentar a implantação de protocolos assistenciais. Este Relatório está dividido em seis seções. Na primeira, contextualizamos o problema em torno da crescente necessidade de estabelecer padrões que favoreçam níveis ótimos de coordenação entre equipes ou unidades de trabalho de forma a assegurar a qualidade e efetividade do cuidado à saúde. Os protocolos assistenciais, neste sentido, seriam instrumentos chave para a qualidade do acesso e garantia da integralidade. Na segunda, apresentamos sumariamente os resultados encontrados nos Relatórios Preliminar 3 e Consolidado da primeira fase do presente estudo, identificando a necessidade de mapear aspectos específicos do acesso para direcionar políticas visando a implantação de protocolos assistenciais. Na terceira descreveremos aspectos operacionais envolvidos nos procedimentos metodológicos. Na quarta apresentaremos os resultados encontrados para cada especialidade selecionada, compondo um mapa detalhado das necessidades de elaboração de protocolos assistenciais sob diferentes focos. Na quinta seção, diante do mapa desenhado, são sugeridas algumas diretrizes e orientações gerais para elaboração dos protocolos assistenciais. Na sexta e última, são feitos alguns comentários finais sobre os resultados encontrados nesta última fase do estudo. 4 Sumário Lista de Símbolos.......................................................................... 07 Lista de Figuras.............................................................................. 08 Lista de Tabelas............................................................................. 09 1. Introdução: A formação das redes de atenção à saúde e a necessidade de padrões................................................................ 14 1.1. Redes de atenção à saúde e protocolos assistenciais.......................................................................................... 15 2. Avaliação da implantação de protocolos assistenciais na esfera municipal do SUS............................................................... 19 3. Aspectos metodológicos............................................................ 26 3.1. Pesquisa sobre parâmetros de cobertura e produção............... 27 3.2. Pesquisa telefônica........................................................................ 28 4. Mapa de Necessidades............................................................. 33 4.1.Cardiologia...................................................................................... 34 4.2. Neurologia...................................................................................... 39 4.3. Ortopedia. ...................................................................................... 44 4.4. Oftalmologia................................................................................... 49 4.5. Endocrinologia............................................................................... 54 4.6. Otorrinolaringologia...................................................................... 59 4.7. Angiologia e Cirurgia Vascular..................................................... 64 4.8. Urologia.......................................................................................... 69 4.9. Dermatologia................................................................................ 73 4.10. Neurocirurgia............................................................................... 77 4.11. Reumatologia............................................................................... 81 5 5. Diretrizes e Orientações Gerais......................................................... 85 5.1. Considerações gerais.................................................................... 85 5.2. Diretrizes para implantação.......................................................... 87 5.3. Orientações elaboração................................................................ 96 6. Considerações Finais........................................................................... 99 7. Referências Bibliográficas................................................................... 101 8. Anexos...................................................................................................... 102 6 Lista de Símbolos CIT – Comissão Intergestores Tripartite CIB – Comissão Intergestores Bipartite CONASEMS – Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde CONASS – Conselho Nacional de Secretários de Estado da Saúde DERAC – Departamento de Regulação, Avaliação e Controle ETAC – Entrevista Telefônica Assistida por Computador GM – Gabinete do Ministro GPSM – Gestão Plena do Sistema Municipal NOAS – Norma Operacional de Assistência à Saúde NOB – Norma Operacional Básica PDR – Plano Diretor de Regionalização PPI – Programação Pactuada e Integrada PROESF – Programa de Expansão e Consolidação das Equipes de Saúde da Família SAMU – Serviço de Atendimento Médico de Urgência SAS – Secretaria de Atenção à Saúde SAI – Sistema de Informações Ambulatoriais SUS – Sistema Único de Saúde 7 Lista de Figuras Gráfico 1 – Consultas especializadas entre dez/04 e nov/05............................................... 20 Gráfico 02 – Motivos alegados para elaboração de protocolos assistenciais...................... 23 Gráfico 03 – Protocolos de cardiologia................................................................................ 36 Gráfico 04 – Protocolos de neurologia................................................................................. 41 Gráfico 05 – Protocolos de ortopedia................................................................................... 46 Gráfico 06 – Protocolos de oftalmologia.............................................................................. 51 Gráfico 07 – Protocolos de endocrinologia.......................................................................... 56 Gráfico 08 – Protocolos de otorrinolaringologia.................................................................. 61 Gráfico 09 – Número de protocolos por especialidade........................................................ 66 Gráfico 10 – Protocolos de urologia..................................................................................... 71 Gráfico 11 – Protocolos de dermatologia............................................................................. 75 Gráfico 12 – Protocolos de neurocirurgia............................................................................. 79 Gráfico 13 – Protocolos de reumatologia.............................................................................. 83 Figura 01 - Situação de oferta de consultas especializadas por região............................... Figura 02 - Agregando o excedente de demanda > 70% respondentes ao critério de oferta. 88 91 Figura 03 - Existência de protocolos por região...................................................................... 94 8 Lista de Tabelas e Quadros Tabela 01 – Produção ambulatorial de consultas médicas especializadas no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................................................................... 19 Tabela 02 - População residente por região geográfica no Brasil estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2005 e estimada por parâmetro de cobertura para consultas especializadas pela Portaria GM 1.101/2002 para o mesmo período.............................................................................................................. 20 Tabela 03 – % de respondentes com plano ou projeto visando protocolos assistenciais concluídos ou elaboração por região geográfica do país......................... 22 Tabela 04 – % de respondentes com protocolos assistenciais por região geográfica do país........................................................................................................................... 23 Tabela 05 – % de respondentes com centrais de marcação de consultas especializadas por região geográfica do país................................................................ 24 Tabela 06 – Distribuição das entrevistas telefônicas realizadas segundo a situação de resposta da pesquisa................................................................................................ 29 Tabela 07 - Existência de Protocolos de Regulação..................................................... 30 Tabela 08 - Fluxos dos protocolos de encaminhamento entre os níveis de complexidade.................................................................................................................. 31 Tabela 09 - Especialidades prioritárias para o estabelecimento de protocolos............. 32 Tabela 10 – Produção ambulatorial de consultas médicas em cardiologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 34 Tabela 11 – Produção ambulatorial de consultas médicas em cardiologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 35 Tabela 12 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas cardiológicas.................................................................................................................. 37 9 Tabela 13 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em cardiologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade...... 38 Tabela 14 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 39 Tabela 15 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005................................................................................................ 40 Tabela 16 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas neurológicas.................................................................................................................. . 42 Tabela 17 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em neurologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade....... 43 Tabela 18 – Produção ambulatorial de consultas médicas em ortopedia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005........................................................ 44 Tabela 19 – Produção ambulatorial de consultas médicas em ortopedia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005................................................................................................ 45 Tabela 20 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas ortopédicas.................................................................................................................... 47 Tabela 21 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em ortopedia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade........ 48 Tabela 22 – Produção ambulatorial de consultas médicas em oftalmologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 49 Tabela 23 – Produção ambulatorial de consultas médicas em oftalmologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 50 Tabela 24 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas oftalmológicas................................................................................................................ 52 Tabela 25 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em oftalmologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade.... 53 10 Tabela 26 – Produção ambulatorial de consultas médicas em endocrinologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005........................................ 54 Tabela 27 – Produção ambulatorial de consultas médicas em endocrinologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 55 Tabela 28 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em endocrinologia............................................................................................................... . 57 Tabela 29 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em endocrinologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade................................................................................................................. 58 Tabela 30 – Produção ambulatorial de consultas médicas em otorrinolaringologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005........................................ 59 Tabela 31 – Produção ambulatorial de consultas médicas em otorrinolaringologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 60 Tabela 32 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em otorrinolaringologia........................................................................................................ 62 Tabela 33 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em otorrinolaringologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade................................................................................................................. 63 Tabela 34 – Produção ambulatorial de consultas médicas em cirurgia vascular no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005........................................ 64 Tabela 35 – Produção ambulatorial de consultas médicas em angiologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 64 Tabela 36 – Produção ambulatorial de consultas médicas em angiologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005................................................................................................ 65 Tabela 37 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em cirurgia vascular. 67 Tabela 38 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em angiologia. 67 11 Tabela 39 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em cirurgia vascular / angiologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade................................................................................................................. 68 Tabela 40 – Produção ambulatorial de consultas médicas em urologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005........................................................ 69 Tabela 41 – Produção ambulatorial de consultas médicas em urologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005................................................................................................ 70 Tabela 42 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em urologia.......................................................................................................................... 72 Tabela 43 – Produção ambulatorial de consultas médicas em dermatologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 73 Tabela 44 – Produção ambulatorial de consultas médicas em dermatologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 74 Tabela 45 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em dermatologia.................................................................................................................. 76 Tabela 46 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurocirurgia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 77 Tabela 47 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurocirurgia estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................................................................... 78 Tabela 48 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em neurocirurgia.................................................................................................................. 80 Tabela 49 – Produção ambulatorial de consultas médicas em reumatologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005.................................................. 81 Tabela 50 – Produção ambulatorial de consultas médicas em reumatologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 82 Tabela 51 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas reumatológicas.............................................................................................................. . 84 12 Tabela 52 – Produção de consultas especializadas por natureza do prestador entre dezembro / 2004 e novembro / 2005............................................................................. 86 Quadro 1 – Principais quadros clínicos por especialidades.......................................... 97 13 1. Introdução: A formação das redes de atenção à saúde e a necessidade de padrões O aprofundamento da divisão técnica do trabalho em saúde, seja em sentido vertical ou horizontal, ampliou progressivamente o campo de interação entre as atividades desenvolvidas pelos diversos profissionais envolvidos no cuidado à saúde (NOGUEIRA, R.P., 1994). Por conseqüência, os atributos do cuidado à saúde passaram a depender, cada vez menos, das virtudes de um único profissional. Nas organizações de saúde, eles dependem cada vez mais das relações que se estabelecem entre diversas equipes, heterogêneas do ponto de vista técnico e, em muitos casos, sem qualquer contato face-a-face entre si. Isso significa, já há algum tempo, que a qualidade do cuidado à saúde está na razão direta da forma como se articulam aqueles que prestam o primeiro atendimento e aqueles que produzem os serviços de apoio-diagnóstico, ou aqueles que prestam atendimento especializado. Do mesmo modo, no ambiente hospitalar, ela está na razão direta da forma como se articulam plantonistas da enfermaria e técnicos da unidade de farmácia ou funcionários do serviço de nutrição e dietética. As virtudes da coordenação entre serviços com processos de trabalho bastante distintos passaram a ter um peso fundamental nos resultados alcançados pelos serviços de saúde. Neste contexto, onde os serviços atuam em rede e não mais isoladamente, além da qualidade do cuidado, também os requisitos de eficiência e uso racional dos recursos passaram a depender desta capacidade de coordenação. O desenvolvimento de padrões de conduta técnica é um dos requisitos mais importantes para exercer esta função coordenadora, intermediando as relações entre as equipes que se articulam no cuidado à saúde. Foi neste sentido que o ambiente hospitalar assistiu, nas últimas décadas, importantes investimentos no sentido de consolidar normas e rotinas que estabelecessem parâmetros a serem 14 seguidos, conferindo previsibilidade e, daí, a necessária coordenação entre as equipes. Outra foi a natureza dos esforços empreendidos por diversas especialidades médicas para estabelecerem padrões de conduta clínica visando o tratamento de quadros e agravos específicos. Neste caso, o sentido da ação homogeneizante, interno a um grupo de profissionais, foi de estabelecer práticas eficazes e pautadas no uso racional dos recursos, considerando estágio de desenvolvimento do conhecimento acerca dos mesmos quadros e agravos. Embora com finalidade imediata distinta, também neste caso o estabelecimento de padrões de conduta poderia apresentar requerimentos técnicos (quanto aos recursos de apoio diagnóstico e terapêutico, por exemplo) que serviriam como parâmetros para coordenação nas diversas interfaces do especialista com outros profissionais e técnicos envolvidos no cuidado à saúde. A formação de redes assistenciais, sob o SUS, do mesmo modo, significou a constituição de novos ambientes onde estes esforços possam ser, mais que desejáveis, imprescindíveis para a conquista da qualidade, eficiência e uso racional dos recursos no cuidado à saúde. 1.1. Redes de atenção à saúde e protocolos assistenciais A unificação do sistema de saúde brasileiro, com comando único em cada esfera de governo, responsabilizou os gestores locais de saúde pela coordenação do conjunto de serviços de saúde públicos e contratados existentes em seu território, naturalmente que nos níveis de complexidade assistencial sob sua responsabilidade. Desse modo, dirigentes dos municípios habilitados em Gestão Plena do Sistema Municipal – GPSM, além dos serviços vinculados à atenção básica, passaram a ter responsabilidade sobre aqueles vinculados à atenção de média a alta complexidade. Enquanto isso os gestores dos demais municípios mantiveram-se responsáveis apenas pelos serviços vinculados à atenção básica. 15 Entretanto, a garantia da integralidade da atenção à saúde vem exigindo uma ampliação desta capacidade de coordenação sobre a rede de serviços, de forma a garantir o acesso de qualquer usuário aos recursos assistenciais requeridos conforme suas necessidades de saúde. Não se deve esquecer, por outro lado, que essa capacidade de coordenação da rede de serviços também apresenta uma dimensão regional, visto que nem todos os municípios dispõem de serviços de média e, principalmente, de alta complexidade. Se inicialmente a Norma Operacional Básica – NOB 01 / 1996 não forneceu os instrumentos suficientes para que isso ocorresse, a Norma Operacional de Assistência à Saúde – NOAS foi mais feliz ao consolidar os Planos Diretores de Regionalização (PDR) nos estados, ao estabelecer parâmetros e instrumentos viáveis para a programação pactuada das referências intermunicipais, bem como orientar as esferas subnacionais para o fortalecimento das funções de gestão. Neste último aspecto, aliás, chama atenção a instituição de uma nova função de gestão voltada especificamente para “disponibilização da alternativa assistencial mais adequada às necessidades do cidadão, de forma equânime, ordenada, oportuna e qualificada” (BRASIL / MS / SAS, 2002. p. 16): a regulação do acesso assistencial. Trata-se de uma função de intermediação na transposição entre serviços distintos, muitas vezes de complexidade assistencial diversa, dirigindo o acesso de forma a garantir a oferta dos recursos requerido por cada caso, otimizando a capacidade instalada e realimentando as funções de planejamento e programação. Entre os instrumentos de regulação do acesso assistencial preconizados estão os protocolos clínicos e operacionais. Os primeiros, entendidos como a padronização do uso de recursos terapêuticos e propedêuticos estratégicos, seja pelo alto custo, disponibilidade inferior à demanda ou pela importância para a qualidade da assistência. Os últimos como referências, a partir da qual os gestores pactuariam entre si as situações específicas de uma região em termos de prioridades e critérios para o uso de recursos. 16 No âmbito do SUS, os protocolos assistenciais vêm sendo reconhecidos, em diferentes contextos, como fator de grande importância para a organização da atenção à saúde. Num primeiro caso, como instrumento a ser utilizado para assegurar a racionalidade e a eficácia do uso de recursos diagnósticos ou terapêuticos específicos, como preconizado para orientação da dispensação de medicamentos excepcionais (BRASIL / MS / GM, 2002) ou do cuidado à saúde da mulher e da criança no âmbito do Programa de Saúde da Família. No contexto desta área de atuação, aliás, a elaboração de protocolos de referência e contra-referência para outros níveis de atenção foi incluída pelo Ministério da Saúde entre os indicadores para o monitoramento e avaliação dos municípios que aderiram ao PROESF 1 (BRASIL / SAS / DAB, 2004). Num segundo caso, como ocorreu nas discussões em torno do Pacto de Gestão, os protocolos assistenciais são tratados como recurso estratégico de abrangência sistêmica na regulação do acesso assistencial aos procedimentos de média e alta complexidade, interferindo no bom funcionamento dos pactos entre os gestores municipais de saúde. Como elemento de um novo Pacto de Gestão, deveriam ser negociados no âmbito das Comissões Intergestores Bipartite, quando em âmbito estadual, e na Comissão Intergestores Tripartite, quando em âmbito nacional (BRASIL, 2005). Contrastando com esse amplo reconhecimento da importância dos protocolos assistenciais, persistem baixos níveis de incorporação de condutas padronizadas nos sistemas municipais de saúde, especialmente para o acesso a recursos assistenciais de média e alta complexidade. Por outro lado, são ainda incipientes os esforços no sentido de operacionalizar sua definição conceitual, trabalho que não deve ser relegado ao ambiente acadêmico, uma vez que é de interesse do SUS os gestores municipais saibam claramente o que são, para que servem, quais os elementos os compõem e quais as referências para sua elaboração. 1 Programa de expansão e consolidação das Equipes do Saúde da Família no âmbito do Ministério da Saúde. 17 O objetivo deste produto vem exatamente neste sentido: partindo dos resultados encontrados na pesquisa “Avaliação da Implantação dos Processos de Regulação Assistencial, Avaliação e Controle no SUS”, mapear as principais necessidades de elaboração de protocolos assistenciais sob diversos pontos de vista, sugerindo diretrizes e orientações que subsidiem políticas de alcance nacional que contribuam para sua ampla difusão como instrumento de gestão no SUS. O foco deste mapeamento, entretanto, foi restringido às consultas médicas especializadas, considerando o peso deste segmento da atenção à saúde entre os problemas de acesso à média e alta complexidade. Trata-se, sabidamente, de uma área especialmente problemática em escala nacional: ao mesmo tempo em que sua oferta, de um modo geral, se mostra insuficiente ante o volume de encaminhamentos provenientes da atenção básica, constata-se que grande parte destes últimos não encontra justificativa técnica razoável. É exatamente aqui que se situa o desafio de estabelecer padrões que, uma vez seguidos, confiram qualidade de acesso e racionalidade na utilização destes recursos. 18 2. Avaliação da implantação de protocolos assistenciais na esfera municipal do SUS Nesta seção retomamos alguns resultados apresentados nos Relatórios Preliminar e Consolidado do estudo “Avaliação da Implantação dos Processos de Regulação Assistencial, Avaliação e Controle no SUS”, a fim de estabelecer conexões, especialmente para efeito de comparação com o volume de atendimentos efetivamente prestados nas especialidades médicas no âmbito do SUS e com estimativas de produção segundo parâmetros de cobertura correspondentes. Como ponto de partida, a Tabela 01 apresenta a produção de consultas médicas especializadas por região geográfica do país, processada pelo Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA / SUS (que constam do Grupo 07 da relação de procedimentos) para os últimos doze (12) meses em que estes dados se encontravam disponíveis. Chama atenção o fato de que, isoladamente, a região Sudeste seja responsável por mais da metade das consultas especializadas realizadas no âmbito do SUS, seguido pelo Nordeste, com apenas um quinto (1/5) destas. Tabela 01 – Produção ambulatorial de consultas médicas especializadas no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % Centro-Oeste 3.917.974 5,8 Nordeste 13.483.274 19,9 Norte 3.076.880 4,5 Sudeste 38.151.141 56,2 Sul 9.259.287 13,6 Total 67.888.556 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 19 A aplicação do parâmetro de cobertura para consultas especializadas 2 nos termos da Portaria GM 1.101 / 2002, demonstrada na Tabela 02, permite constatar que o volume global de produção está aquém de seu limite inferior. Entre as regiões do país, percebe-se que a única cuja produção supera o estimado pelo parâmetro é o Sudeste, com excedente de 10%. Nas demais, a produção de consultas especializadas fica aquém do estimado, sendo que no Sul chega a apenas 78% do limite, enquanto nos demais este percentual cai ainda mais, chegando a apenas 48% na região Norte. Tabela 02 - População residente por região geográfica no Brasil estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2005 e estimada por parâmetro de cobertura para consultas especializadas pela Portaria GM 1.101/2002 para o mesmo período. REGIÃO POPULAÇÃO PRODUÇÃO %PARÂMETRO RESIDENTE ESTIMADA COBERTURA PARÂMETRO Centro-Oeste 13.020.789 5.729.147 7,1 Nordeste 51.018.983 22.448.353 27,7 Norte 14.698.834 6.467.486 8,0 Sudeste 78.472.036 34.527.696 42,6 Sul 26.973.432 11.868.310 14,6 Total 184.184.074 81.040.993 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. Quanto à concentração de consultas especializadas na região Sudeste, chama atenção o fato de que, detendo apenas 42,6% do volume estimado segundo os parâmetros de cobertura, a região retém 56,2% do volume produzido. O Gráfico 01 permite identificar esta situação e compara-la às demais regiões do país. 2 O cálculo para estimativa da produção de consultas especializadas, segundo o parâmetro fixado nesta Portaria, parte de que o total anual de consultas médicas (incluindo urgências, atenção básica, etc.) deve variar entre 2 a 3 vezes a população coberta, sendo que deste as consultas especializadas deveriam representar 22,3%. Para fins de cálculo, consideramos o limite inferior de 2 consultas habitante / ano para estimar a cobertura do total de consultas médicas e arredondamos a proporção de consultas especializadas para 22%. 20 Gráfico 1 - Consultas especializadas entre dez/04 e nov/05 45.000.000 40.000.000 35.000.000 30.000.000 25.000.000 20.000.000 15.000.000 10.000.000 5.000.000 0 Produzidas Estimadas Centro- Nordeste Oeste Norte Sudeste Sul Pode-se ainda assumir como padrão de comparação a razão entre consultas especializadas / habitante, que segundo os parâmetros de cobertura deveria se situar em torno de 0,44. A região Sudeste apresenta a maior razão, chegando a 0,49, portanto acima do parâmetro. A segunda maior razão é a da região Sul, que chega a apenas 0,34, já bem abaixo do parâmetro. No Centro-Oeste esta razão cai para 0,30; no Nordeste, para 0,26, e no Norte para 0,20. 21 Os dados da pesquisa telefônica indicam que a região Sudeste, detentora da maior oferta proporcional de consultas especializadas, está entre as que apresentam a maior proporção de municípios de grande e médio porte com projetos de elaboração de protocolos assistenciais concluídos ou em elaboração, sendo superada por pouco apenas pela região Sul, com pode-se ver na tabela 03. Tabela 03 – % de respondentes com plano ou projeto visando protocolos assistenciais concluídos ou elaboração por região geográfica do país. REGIÃO % Centro-Oeste 40,0 Norte 22,2 Nordeste 35,7 Sul 60,0 Sudeste 58,6 Brasil 47,7 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 22 Na Tabela 04, a comparação se estende às proporções de respondentes que declararam possuir protocolos assistenciais por região. Também neste caso, as maiores proporções detectadas foram as das regiões Sul e Sudeste. Tabela 04 – % de respondentes com assistenciais por região geográfica do país. REGIÃO Centro-Oeste Norte Nordeste Sul Sudeste Brasil protocolos % 40,0 33,3 64,3 70,0 69,0 61,2 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Se somarmos a esta constatação nas tabelas 03 e 04, os motivos alegados pelos respondentes em geral para elaborarem os protocolos assistenciais, cuja freqüência é apresentada no Gráfico 02, mais que as restrições de oferta verificadas em quatro das cinco regiões, é o excesso de demanda o fator preponderante. Gráfico 02 - Motivos alegados para elaboração de protocolos assistenciais 120 100 80 60 40 20 0 Núm ero de citações Exces s o dem anda Cus to proced. Res trição oferta 23 Não é demais lembrar, também, que as consultas especializadas apresentaram a maior proporção de respondentes com centrais organizadas, ou seja, 70,1%, superando o SAMU (67,1%), exames e outros procedimentos especializados (59,7%), internações de urgência (56,7%) e outros segmentos da atenção à saúde. Como se vê na Tabela 05, a região com maior número de respondentes com centrais de marcação de consultas especializadas foi a região Sul, seguida de perto pelo Sudeste, o que sugere uma preocupação nestas regiões com o problema do excesso de demanda, mesmo no caso desta última região. Tabela 05 – % de respondentes com marcação de consultas especializadas geográfica do país. REGIÃO Centro-Oeste Norte Nordeste Sul Sudeste Brasil centrais de por região % 60,0 55,5 64,3 80,0 75,9 70,1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Analisando estes dados em conjunto, confirma-se a preocupação diferenciada dos gestores, em municípios de grande e médio porte, com o segmento das consultas especializadas, especialmente em função da incapacidade de suprir a demanda por este tipo de atendimento. Além disso, embora apresente a melhor oferta de consultas especializadas em relação à sua população, a região Sudeste, também afetada pelo excesso de demanda, apresenta elevados percentuais relativos de municípios com projetos de elaboração de protocolos ou protocolos já existentes, ou mesmo de centrais de marcação de consultas. As demais regiões do país, com níveis de oferta relativa de consultas especializadas bem menores, por sua vez, se mostram menos instrumentalizadas quanto à existência destes requisitos para regulação do acesso a este segmento da atenção à saúde. 24 Diante deste quadro, a opção para investigação foi selecionar um conjunto de especialidades que se destacaram quanto ao interesse dos municípios em elaborar protocolos assistenciais, traçar o seu perfil quanto à produção de consultas frente aos parâmetros de cobertura, quanto às iniciativas de elaboração de protocolos, além de identificar os principais problemas de saúde ou quadros sintomáticos que levado a encaminhamentos a partir do atendimento básico. Uma vez concluído este mapeamento, procedeu-se à construção de um conjunto de diretrizes e orientações, tanto gerais quanto específicas para as especialidades selecionadas, fornecendo elementos para subsidiar eventuais políticas de apoio técnico ou elaboração de publicações que possam cumprir esta função na esfera municipal do SUS. 25 3. Aspectos metodológicos Nesta seção descreveremos os procedimentos metodológicos levados adiante nessa etapa do trabalho. Inicialmente cabe ressaltar que foram selecionadas, com orientação de técnicos do Ministério da saúde, algumas especialidades a serem objeto de aprofundamento da investigação acerca das principais causas de encaminhamento a partir da atenção básica, a fim de construir um mapa específico para orientar esforços para elaboração de padrões. Esta seleção levou em consideração critérios mistos como freqüência quanto à elaboração de protocolos, situações de notória escassez, dentre outros. Foram selecionadas: • Cardiologia; • Neurologia; • Ortopedia; • Reumatologia; • Oftalmologia; • Endocrinologia; • Otorrinolaringologia; • Urologia; • Angiologia e cirurgia vascular; • Dermatologia • Neurocirurgia. Diante desta seleção, foram adotadas duas estratégias de pesquisa distintas, porém articuladas. 26 3.1. Pesquisa sobre parâmetros de cobertura e produção Nesta estratégia, nosso objetivo foi trazer elementos de contexto para construção do mapa de necessidades dos protocolos assistenciais. Foram realizadas pesquisas complementares relativas a parâmetros de cobertura e produção de consultas nestas especialidades, valendo-se de bancos de dados do próprio Ministério da Saúde. Para o cálculo dos parâmetros de cobertura foi utilizada a Portaria GM 1.101, de 12 de junho de 2002, onde há um detalhamento dos mesmos para as especialidades selecionadas. As estimativas de cobertura foram desagregadas por região geográfica visando estabelecer melhor grau de comparabilidade. Em seguida, foram contabilizados os registros da produção ambulatorial do SUS para o conjunto das especialidades médicas e, em separado, para cada especialidade selecionada, nos últimos doze (12) meses. Os dados de produção também foram desagregados por região geográfica visando estabelecer melhor grau de comparabilidade. 27 3.2. Pesquisa telefônica Nesta segunda estratégia, foi realizado novamente um survey por meio de Entrevistas Telefônicas Assistidas por Computador (ETAC), realizadas em um total de trinta e dois (32) municípios que haviam elaborado protocolos assistenciais nas especialidades selecionadas. O processo de seleção destas, aliás, decorreu de análise da Coordenação de Regulação e Avaliação do DERAC, considerando principalmente (embora não exclusivamente) a freqüência das especialidades médicas entre os protocolos citados pelos municípios na primeira rodada da pesquisa. As entrevistas foram, novamente, aplicadas junto aos coordenadores de serviços de regulação, avaliação e controle ou similares em cada órgão de gestão do SUS. Na ausência do coordenador, foi contactado seu substituto. A questão para nova rodada de pesquisa foi elaborada após discussão junto à Coordenação de Regulação e Avaliação do DERAC (ANEXO A). O trabalho de tele-pesquisa foi realizado no período de seis (06) a quinze (15) de março de 2006. Alguns procedimentos foram padronizados no sentido de conduzir a identificação dos respondentes (ANEXO B), bem como posteriormente, houve necessidade de padronizar a conduta específica a ser assumida diante da posição espontaneamente assumida pelo respondente, de que ele pessoalmente não sabia identificar os quadros clínicos, mas teria como buscar esta informação rapidamente junto a algum setor da Secretaria Municipal de Saúde. Neste caso, abriu-se a possibilidade de que ele fizesse a consulta e retornasse a ligação. 28 A Tabela 06, abaixo, apresenta a situação final das respostas à pesquisa. Ressalte-se a grande dificuldade de obter informações para esta nova questão, sendo vários os casos em que os respondentes ficavam de retornar com a informação (quatro) e não conseguíamos mais localizá-los ou o contato era difícil (sete casos), sendo alegadas viagens seguidas (três) ou reuniões (dois). Tabela 06 – Distribuição das entrevistas telefônicas realizadas segundo a situação de resposta da pesquisa. SITUAÇÃO DAS RESPOSTAS N Completas 12 Protocolos só para exames 3 Protocolos em implantação / não têm 3 protocolos Não soube informar 3 Retorno pendente 4 Difícil contato (viagem, reuniões, etc.) 7 Total 32 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. Uma suspeita levantada no Relatório Consolidado se confirmou, de certa forma, nesta segunda abordagem dos respondentes quanto aos protocolos existentes nos municípios. Naquela oportunidade, havíamos apontado uma inconsistência entre a informação de que 61,2% dos respondentes possuíam protocolos assistenciais enquanto apenas 47,7% declararam possuir projetos para elaborálos ou estarem elaborando-os. Consideramos prudente supor, naquela ocasião, que o percentual de municípios que acusam possuir protocolos de regulação estivesse superestimado pela diversidade de significados atribuídos aos mesmos. De certo modo esta suspeita se confirmou, à medida que três (03) dos respondentes que declararam que possuíam protocolos em pelo menos uma das especialidades selecionadas, retificaram a informação anteriormente prestada, declarando agora que haviam se enganado e que na verdade não possuíam protocolos ou estes ainda estavam sendo discutidos internamente. Outros três (03) também afirmaram que se enganaram e que somente tinham protocolos para exames indicados por aquelas especialidades. 29 Feitos estes ajustes, a Tabela 07 abaixo apresenta a nova distribuição de freqüência de municípios com protocolos assistenciais – agora não mais 61,2%, mas 52,2%; a tabela 08, a freqüência entre diferentes fluxos entre níveis de complexidade; e a Tabela 09, a nova distribuição de freqüência das especialidades entre os municípios que elaboraram protocolos. Note-se, na Tabela 07 em comparação com a Tabela 04, que a participação proporcional dos municípios de grande e médio porte com protocolos nas regiões Sul e Norte não foi afetada. Nas demais, houve quedas diferenciadas nesta participação proporcional. Na região Centro-Oeste esta queda foi de 40,0% para 20,0%, na Nordeste foi de 64,3% para 50,0% e na Sudeste foi de 69,0% para 58,6%. Tabela 07 - Existência de Protocolos de Regulação entre respondentes nas grandes regiões geográficas. CO N NE S SE BRASIL RESPOSTA n % n % n % n % n % n % Sim 1 20,0 3 33,3 7 50,0 7 70,0 17 58,6 35 52,2 Não 4 80,0 4 44,4 7 50,0 2 20,0 11 37,9 28 41,8 Não sabe 0 0,0 1 11,1 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 1,5 Não-resposta 0 0,0 1 11,1 0 0,0 1 10,0 1 3,4 3 4,5 TOTAL 5 100,0 9 100,0 14 100,0 10 100,0 29 100,0 67 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – realizada no período 21/02 a 03/03 de 2006 e no período 06 a 15/03 de 2006. 30 A participação proporcional dos diferentes fluxos de entre níveis de complexidade assistencial tratados nos protocolos, ilustrada na Tabela 08, não foi afetada de forma significativa. Protocolos abrangendo encaminhamentos da atenção básica para a média complexidade permanecem com 80,0%, sendo o principal foco de atenção dos gestores municipais. Tabela 08 - Fluxos dos protocolos de encaminhamento entre os níveis de complexidade. BRASIL N = 35 RESPOSTA n % Da atenção básica para a média complexidade 28 80,0 Da média complexidade para a alta complexidade 24 68,6 Entre procedimentos de média complexidade 14 40,0 Entre procedimentos de alta complexidade 12 34,3 Outro: Não soube responder 1 2,9 FONTE: Pesquisa Telefônica – realizada no período 21/02 a 03/03 de 2006 e no período 06 a 15/03 de 2006. 31 A Tabela 09, a seguir, apresenta a distribuição ajustada dos protocolos por especialidade. Tabela 09 - Especialidades prioritárias para o estabelecimento de protocolos por região. ESPECIALIDADES Nº PROTOCOLOS Cardiologia 19 Neurologia 16 Ortopedia 10 Oncologia 9 Oftalmologia 8 Pediatria 7 Clínica medica 6 Obstetrícia 6 Endocrinologia 5 Ginecologia 4 Otorrinolaringologia 4 Psiquiatria 3 Ressonância 3 Tomografia 3 Angiologia 2 Cirurgia 2 Cirurgia vascular 2 Dermatologia 2 Hemodiálise 2 Mamografia 2 Traumato ortopedia 2 Traumatologia 2 Ultra-sonografia 2 Urologia 2 Vascular 2 Reumatologia3 1 Outros 42 Total 168 FONTE: Pesquisa Telefônica – realizada no período 21/02 a 03/03 de 2006 e no período 06 a 15/03 de 2006. 3 Embora a tabela 09 individualize apenas as áreas que apresentaram pelo menos dois (02) protocolos, a reumatologia foi incluída aqui, uma vez que está entre as especialidades selecionadas para esta fase do estudo. 32 4. Mapa de Necessidades O mapa de necessidades tem como objetivo, partindo das especialidades médicas selecionadas com base no estudo “Avaliação da Implantação dos Processos de Regulação Assistencial, Avaliação e Controle no SUS”, subsidiar a identificação de prioridades regionais para implantação de protocolos assistenciais, bem como dos principais problemas de saúde a serem focalizados na sua elaboração. Para cada especialidade médica será apresentado o perfil de participação das regiões na produção de consultas especializadas pelo SUS, confrontado com parâmetros de cobertura e, mais adiante, com o perfil de participação das mesmas entre as iniciativas de implantação de protocolos assistenciais na mesma especialidade. Ainda na mesma especialidade, será apresentada a distribuição das razões apresentadas pelos respondentes para elaboração dos protocolos: demanda excedente, oferta deficitária ou custo dos procedimentos. Por fim, será apresentada a freqüência dos principais quadros clínicos responsáveis pelos encaminhamentos para consultas especializadas em cada caso, como subsídio elementar para priorizar a elaboração de protocolos assistenciais. 33 4.1.Cardiologia Pela Tabela 10 verifica-se que a produção de consultas em cardiologia no SUS apresentou distribuição, entre as regiões geográficas do país, similar à distribuição do conjunto de consultas médicas especializadas no mesmo período. Do mesmo modo que nesta última, a região Sudeste é responsável por mais da metade das consultas, seguida pelo Nordeste, com apenas um quinto (1/5) destas. Se tomada como referência a distribuição populacional por regiões apresentada na Tabela 02, constata-se que todas as regiões apresentam uma participação proporcional nas consultas de cardiologia menor que sua participação na população brasileira, com exceção da região Sudeste, que detém 56,1% das consultas ao mesmo tempo em que concentra apenas 42,6% da população. Tabela 10 – Produção ambulatorial de consultas médicas em cardiologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO Centro-Oeste 459.271 Nordeste 1.315.238 Norte 292.176 Sudeste 3.839.050 Sul 934.390 Total 6.840.125 Fonte: DATASUS, 2006. % CARDIOLOGIA 6,7 19,2 4,3 56,1 13,7 100,0 % TODAS ESPECIALIDADES 5,8 19,9 4,5 56,2 13,6 100,0 34 Se, entretanto, introduzimos o parâmetro de cobertura para consultas em cardiologia, segundo a Portaria GM 1.101 / 2002, o volume de consultas produzidas em nível nacional mostra-se aquém do estimado para o período, chegando a 92,8% deste. Em todas as regiões este padrão se manteve, à exceção do Sudeste, onde a produção superou o parâmetro em mais de 22%. Registre-se, ainda, que as regiões em que a produção mais se aproximou do parâmetro são a Centro-Oeste e a Sul. Tabela 11 – Produção ambulatorial de consultas médicas em cardiologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 459.271 520.832 88,2 Nordeste 1.315.238 2.040.759 64,4 Norte 292.176 587.953 49,7 Sudeste 3.839.050 3.138.881 122,3 Sul 934.390 1.078.937 86,6 Total 6.840.125 7.367.362 92,8 Fonte: DATASUS, 2006. 35 O Gráfico 3 apresenta a distribuição dos protocolos de cardiologia por região geográfica, ficando a região Sudeste como a que concentra o maior número, num total de oito (08). As regiões Sul e Nordeste, respectivamente com cinco (05) e quatro (04) protocolos vêm em seguida, sendo digno de nota que no Centro-Oeste não foram identificados municípios de grande e médio porte com protocolos em cardiologia. Gráfico 3 - Protocolos de Cardiologia 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Número de protocolos CO N NE S SE Regiões 36 O excesso de demanda foi citado por 73,7% dos respondentes que declararam dispor de protocolos como motivo para elaboração dos mesmos. De outro lado, 36,8% acusaram escassez de oferta, o que implica que parte dos que responderam à alternativa anterior também respondeu a esta última. No entanto um dado chama atenção: uma vez que o valor pago pelo SUS por consultas especializadas é de R$ 7,50, o fato de que 47,4% tenham apontado custo elevado como motivo para elaboração de protocolos em cardiologia remete a pelo menos duas hipóteses. A primeira é que, provavelmente, para que consigam recrutar profissionais nesta especialidade, os gestores municipais estejam praticando, oficialmente ou oficiosamente, valores distintos da tabela SUS que representariam ônus considerável. A segunda é que, indiretamente, mesmo que a remuneração dos especialistas obedeça a tabela SUS, as consultas dos mesmos acabem gerando custos adicionais em decorrência de pedidos de exames complementares, dentre outros encaminhamentos. Tabela 12 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas cardiológicas. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 9 47,4 Demanda excessiva 14 73,7 Escassez de oferta 7 36,8 Outros 4 21,1 Total de protocolos 19 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 37 Na Tabela 13, apresentamos os principais motivos ou quadros clínicos que geram encaminhamentos para consultas especializadas em cardiologia nos municípios que elaboraram protocolos assistenciais visando esta especialidade. Tabela 13 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em cardiologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. CARDIOLOGIA FREQUÊNCIA Hipertensão arterial / crise hipertensiva 6 Arritmia 5 Insuficiência cardíaca 4 Dor toráxica 3 Infarto agudo do miocárdio 3 Insuficiência coronariana / indicação cateterismo cardíaco 3 Revascularizaçao do miocárdio 2 Angioplastia primaria em infartos agudos do miocárdio 1 Anomalias congênitas / tetralogia de Fallot 1 Bloqueio átrio ventricular cardíaco 1 Dislipidemia 1 Falta de ar 1 Indicação de cateterismo 1 Indicação de uso de protese 1 Plastia valvar 1 Revascularização do marca-passo 1 Risco cirurgico 1 Secção de aorta 1 Valvulopatias 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 38 4.2. Neurologia Conforme pode ser constatado na Tabela 14, as consultas em neurologia encontram-se ainda mais concentradas entre as regiões geográficas do país que as consultas médicas especializadas em geral. Enquanto as regiões Centro- Oeste e Norte diminuem ainda mais a sua participação, ainda que discretamente, o Nordeste vê uma redução mais significativa. De outro lado, enquanto a região Sul apresenta um aumento relativo discreto na sua participação, o Sudeste apresenta um aumento bastante significativo. Estes dados sugerem que, em tese, as regiões Centro-Oeste, Norte e, principalmente, Nordeste, apresentem maiores restrições de acesso às consultas em neurologia do que as restrições às consultas médicas especializadas em geral. Tabela 14 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % % TODAS NEUROLOGIA ESPECIALIDADES Centro-Oeste 182.995 5,6 5,8 Nordeste 470.165 14,4 19,9 Norte 137.330 4,2 4,5 Sudeste 1.991.853 61,1 56,2 Sul 477.333 14,7 13,6 Total 3.259.676 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 39 Aplicando-se os parâmetros de cobertura da Portaria GM 1.101 / 2002, percebe-se que a produção de consultas neurológicas realizada em plano nacional chegou a apenas cerca de 74% do estimado pelos parâmetros. Ao compararmos as regiões geográficas, mais uma vez o Sudeste foi exceção, com a produção superando o estimado em quase 6%. Entre as regiões que se situaram abaixo do parâmetro, o destaque negativo foi o Nordeste e o Norte, onde o produzido chegou a apenas cerca de 38% do estimado. Tabela 15 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO Centro-Oeste 182.995 Nordeste 470.165 Norte 137.330 Sudeste 1.991.853 Sul 477.333 Total 3.259.676 Fonte: DATASUS, 2006. ESTIMADO PARÂMETRO 312.499 1.224.455 352.772 1.883.329 647.362 4.420.418 % PRODUZIDO / ESTIMADO 58,6 38,4 38,9 105,8 73,7 73,7 40 O Gráfico 4 apresenta a distribuição dos protocolos de neurologia por região geográfica. Mais uma vez a região Sudeste concentra o maior número, num total de cinco (05), mas desta fez as regiões Sul e Nordeste se mantiveram mais próximas, com quatro (04) protocolos cada uma. Novamente no Centro-Oeste não foram identificados municípios de grande e médio porte com protocolos. Gráfico 4 - Protocolos de neurologia 5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Número de protocolos CO N NE S SE Regiões 41 Assim como na cardiologia, o excesso de demanda foi amplamente identificado pelos respondentes como principal motivo para elaboração de protocolos assistenciais, com 68,8% das citações. Os custos elevados foram identificados como segundo motivo por metade dos entrevistados, ou seja, 50,0%, o que pode ser justificado de forma semelhante à primeira especialidade: ou mediante pagamento de valores paralelos à tabela SUS ou pelos custos indiretamente associados à realização das consultas na especialidade. A escassez de oferta foi citada por 31,3% dos respondentes. Tabela 16 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas neurológicas. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 8 50,0 Demanda excessiva 11 68,8 Escassez de oferta 5 31,3 Outros 2 12,5 Total de protocolos 16 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 42 Na Tabela 17, abaixo, são apresentados os quadros clínicos mais freqüentes na geração de encaminhamentos da atenção básica para especialistas em neurologia dos municípios que dispõem de protocolos nesta especialidades. Tabela 17 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em neurologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. NEUROLOGIA FREQUÊNCIA Tratamento de AVC - isquêmico / hemorrágico 3 Traumatismos crânio-encefálicos 2 Aneurismas 1 Cefaléia de repetição 1 Crise epiléptica 1 Epilepsia 1 Patologias da coluna 1 Síncope 1 Tumores cerebrais 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 43 4.3. Ortopedia Grosso modo, consultas em ortopedia são ligeiramente menos concentradas que as consultas médicas especializadas em geral, o que pode ser confirmado na Tabela 18 no caso de quatro regiões: tanto pelo aumento da participação relativa nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, quanto pela redução da participação do Sudeste. A exceção fica por conta da região Sul, que apresentou uma ligeira redução na sua participação entre as consultas de ortopedia. Tabela 18 – Produção ambulatorial de consultas médicas em ortopedia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % % TODAS ORTOPEDI ESPECIALIDADES A Centro-Oeste 638.429 6,1 5,8 Nordeste 2.104.298 20,1 19,9 Norte 549.823 5,3 4,5 Sudeste 5.748.567 55,1 56,2 Sul 1.403.891 13,4 13,6 Total 10.445.008 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 44 Diferentemente das especialidades anteriores, a produção global de consultas na ortopedia se situa muito próxima ao estimado pelos parâmetros da Portaria 1.101 / 2002, representando 97,8% deste. Mais uma vez, entretanto, a região Sudeste foi a única em que a produção superou o estimado, com um excedente de 25,5%. A novidade é que em nenhuma região a produção esteve abaixo de 60% do estimado pelo parâmetro, chegando próxima deste no Centro-Oeste e no Sul. Tabela 19 – Produção ambulatorial de consultas médicas em ortopedia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO Centro-Oeste 638.429 Nordeste 2.104.298 Norte 549.823 Sudeste 5.748.567 Sul 1.403.891 Total 10.445.008 Fonte: DATASUS, 2006. ESTIMADO PARÂMETRO 755.205 2.959.101 852.532 4.580.459 1.564.459 10.682.676 % PRODUZIDO / ESTIMADO 84,5 71,1 64,5 125,5 89,7 97,8 45 No Gráfico 5 abaixo, percebe-se que a região Sudeste novamente se mantêm como a que mais concentra os protocolos elaborados, agora na ortopedia, com cinco (05). Entretanto, neste caso, a região Nordeste se junta à Centro-Oeste entre as que não apresentam protocolos na especialidade. Nas regiões Sul e Norte foram identificados, respectivamente, três (03) e dois (02) casos de municípios com protocolos nesta especialidade. Gráfico 5 - Protocolos de ortopedia 5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Número de protocolos CO N NE S SE Regiões 46 No caso das consultas ortopédicas, a proporção dos respondentes que indicaram a demanda excessiva como principal motivo para elaboração de protocolos assistenciais é menor que na cardiologia e neurologia, chegando a 50,0%: mesma proporção dos que indicaram o custo elevado e a escassez de oferta. Tabela 20 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas ortopédicas. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 5 50,0 Demanda excessiva 5 50,0 Escassez de oferta 5 50,0 Outros 1 10,0 Total de protocolos 10 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 47 A Tabela 21, abaixo, apresenta os principais quadros clínicos que levam a encaminhamentos para especialistas em ortopedia, a partir da atenção básica, nos municípios com protocolos nesta especialidade. Tabela 21 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em ortopedia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. ORTOPEDIA FREQUÊNCIA Dor lombar / lombalgia 3 Artroses 1 Dor em membros 1 Dores articulares 1 Problemas de joelho 1 Problemas no ombro 1 Problemas ocupacionais (L.E.R.) 1 Reavaliação de procedimentos ortopédicos anteriores 1 Tendinite 1 Fraturas de membros 1 Prótese de total quadril 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 48 4.4. Oftalmologia A oftalmologia apresenta, também, um padrão de distribuição de consultas entre regiões geográficas bastante peculiar. Em relação à participação individual entre todas as consultas especializadas do país, as regiões Norte e Nordeste apresentam um aumento de proporção chegando, respectivamente, a 5,1% e 24,7%. Enquanto isso, Centro-Oeste, Sudeste e Sul reduzem a sua participação, chegando às proporções de 5,2%, 51,0% e 13,0%. Tabela 22 – Produção ambulatorial de consultas médicas em oftalmologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. PRODUZIDO % % TODAS REGIÃO OFTALMOLOGIA ESPECIALIDADES Centro-Oeste 400.253 5,2 5,8 Nordeste 1.906.518 24,7 19,9 Norte 394.991 5,1 4,5 Sudeste 3.940.803 51,0 56,2 Sul 1.078.743 13,0 13,6 Total 7.721.308 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 49 Note-se que no caso da oftalmologia, como em outras especialidades, o volume total da produção de consultas não chegou até o estimado segundo os parâmetros da Portaria GM 1.101 / 2002, situando-se em torno de 75% deste. Conclui-se, daí, que as deficiências de oferta são generalizadas, embora mais graves na região Norte, aonde a produção não chega a 50% do estimado. No Sudeste, a região que mais se aproximou, a produção foi de 89,7% do estimado. Tabela 23 – Produção ambulatorial de consultas médicas em oftalmologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 400.253 729.164 54,9 Nordeste 1.906.518 2.857063 66,7 Norte 394.991 823.134 48,0 Sudeste 3.940.803 4.394.434 89,7 Sul 1.078.743 1.510.512 71,4 Total 7.721.308 10.314.308 74,9 Fonte: DATASUS, 2006. 50 O Gráfico 6 apresenta a distribuição dos oito (08) respondentes que acusaram a existência de protocolos em oftalmologia por região. As regiões Norte, Nordeste e Sudeste ficaram com dois (02) protocolos, cada uma, e as regiões Centro-Oeste e Sul com apenas um (01). Gráfico 6 - Protocolos de oftalmologia 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Número de Protocolos CO N NE S SE Regiões 51 Na oftalmologia, a proporção de respondentes que identificaram excesso de demanda chega a 100,0%, ao passo que 25,0% identificaram os custos elevados e não houve indicações de escassez de oferta de atendimento. Registre-se, apenas, que pela precisa delimitação do campo de jurisdição dessa especialidade e pela especificidade do conhecimento envolvido, a grande proporção do excesso de demanda provavelmente se deve ao fato de que as especialidades básicas possam ter uma margem de manobra muito estreita em relação aos problemas oftalmológicos. Tabela 24 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas oftalmológicas. MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO CITAÇÕES ASSISTENCIAL n % Custo elevado 2 25,0 Demanda excessiva 8 100,0 Escassez de oferta 0 0,0 Outros 1 12,5% Total de protocolos 8 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 52 Na Tabela 25, abaixo, apresentamos os principais quadros clínicos que levam a encaminhamentos para oftalmologistas a partir da atenção básica entre os que apresentaram protocolos nesta área. Tabela 25 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em oftalmologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. OFTAMOLOGIA FREQUÊNCIA Baixa acuidade 1 Controle de catarata 1 Controle de glaucoma 1 Controle de retinoplatia diabética 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 53 4.5. Endocrinologia Para a endocrinologia, o padrão de distribuição de consultas especializadas entre regiões geográficas se mostra concentrador: enquanto em todas as regiões as participações individuais relativas caem em relação às consultas especializadas como um todo – chegando a 5,3% na Norte, 18,7% no Nordeste, apenas 2,2% na Norte e 13,5% na Sul – no Sudeste ela cresce significativamente, chegando a 60,3%. Estes dados sugerem que, em tese, à exceção do Sudeste, todas as regiões do país apresentem maiores restrições de acesso às consultas em endocrinologia do que em relação às consultas médicas especializadas em geral. Tabela 26 – Produção ambulatorial de consultas médicas em endocrinologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. PRODUZIDO % % todas REGIÃO endocrinologia especialidades Centro-Oeste 95.195 5,3 5,8 Nordeste 336.453 18,7 19,9 Norte 40.104 2,2 4,5 Sudeste 1.086.472 60,3 56,2 Sul 243.676 13,5 13,6 Total 1.801.900 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 54 Na comparação com os parâmetros de cobertura definidos pela Portaria GM 1.101 / 2002, o volume global da produção de consultas em endocrinologia ultrapassou o estimado em 22,3%. Este excedente foi significativamente alto no Sudeste, chegando a 73,1%, e ocorreu também na região Sul, aonde chegou a 12,9%. Enquanto na região Centro-Oeste o produzido se aproximou do estimado e no Nordeste ele chegou a mais de 80% deste último, na região Norte o acesso às consultas de endocrinologia preocupam, na medida em que a produção foi de apenas 34,1% do estimado. Tabela 27 – Produção ambulatorial de consultas médicas em endocrinologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 95.195 104.166 91,4 Nordeste 336.453 408.151 82,4 Norte 40.104 117.590 34,1 Sudeste 1.086.472 627.776 173,1 Sul 243.676 215.787 112,9 Total 1.801.900 1.473.472 122,3 Fonte: DATASUS, 2006. 55 No Gráfico 7 apresentamos a distribuição dos cinco (05) protocolos identificados para a endocrinologia entre as regiões geográficas. A região Sudeste detém três (03) deles, ficando os dois (02) restantes divididos entre as regiões Norte e Nordeste. Gráfico 7 - Protocolos de endocrinologia 3 2,5 2 1,5 Número de protocolos 1 0,5 0 CO N NE S SE Regiões 56 A demanda excessiva também foi majoritariamente identificada pelos respondentes como motivo para elaboração de protocolos assistenciais, com 60,0%. No entanto, note-se que se trata de proporção inferior às especialidades já analisadas. A proporção dos que identificaram custos elevados e escassez de oferta foi de 40,0% em ambos casos. Tabela 28 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em endocrinologia. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 2 40,0 Demanda excessiva 3 60,0 Escassez de oferta 2 40,0 Outros 1 20,0 Total de protocolos 5 12,2 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 57 Os quadros clínicos que geram encaminhamentos da atenção básica para especialistas em endocrinologia entre os respondentes que acusaram a existência de protocolos assistenciais nesta área estão descritos, abaixo, na Tabela 29. Tabela 29 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em endocrinologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. ENDOCRINOLOGIA FREQUÊNCIA Hipertireoidismo 3 Diabetes 1 Diabetes tipo 1 de difícil controle 1 Doenças da hipófise 1 Doenças da paratireóide 1 Obesidade 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 58 4.6. Otorrinolaringologia À semelhança da endocrinologia, na otorrinolaringologia a distribuição das consultas entre as grandes regiões do país é altamente concentradora. Todas as demais regiões do país decrescem sua participação relativa – ficando o CentroOeste com 5,1%, o Nordeste com 16,8%, o Norte com apenas 3,4% e o Sul com 12,7% - enquanto na região Sudeste essa participação sobe para 62,0%. Do mesmo modo que na endocrinologia, os dados sugerem que, em tese, à exceção do Sudeste, as demais regiões apresentem rigorosas restrições de acesso às consultas em otorrinolaringologia que em relação às consultas médicas especializadas em geral. Tabela 30 – Produção ambulatorial de consultas médicas em otorrinolaringologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % OTORRINO % TODAS ESPECIALIDADES Centro-Oeste 166.857 5,1 5,8 Nordeste 545.074 16,8 19,9 Norte 112.398 3,4 4,5 Sudeste 2.019.129 62,0 56,2 Sul 411.675 12,7 13,6 Total 3.255.133 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 59 Na comparação com os parâmetros de cobertura da Portaria GM 1.101 / 2002, a produção global desta especialidade foi de apenas 58,9% do estimado. A maior aproximação, como esperado, foi no Sudeste, onde essa proporção chegou a 85,8%. Nas demais regiões ela não ultrapassou os 50% e, especificamente na região Norte, foi de apenas 25,5%. Estes dados vão de encontro à suspeita lançada na análise da tabela anterior quanto ao rigor das restrições de acesso, à exceção de uma situação um pouco mais amena da região Sudeste. Tabela 31 – Produção ambulatorial de consultas médicas em otorrinolaringologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 166.857 390.623 42,7 Nordeste 545.074 1.530.569 35,6 Norte 112.398 440.965 25,5 Sudeste 2.019.129 2.354.161 85,8 Sul 411.675 809.202 50,9 Total 3.255.133 5.525.522 58,9 Fonte: DATASUS, 2006. 60 Os quatro (04) protocolos identificados, referentes ao atendimento médico em otorrinolaringologia, se distribuem entre as regiões Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Gráfico 8 - Protocolos de otorrinolaringologia 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 Número de protocolos CO N NE S SE Regiões 61 Quanto aos motivos apresentados para elaboração de protocolos assistenciais, em que pese o pequeno número de respondentes – apenas quatro (04) – é digno de nota que três (03) citaram a demanda excessiva enquanto apenas um (01) citou a escassez de oferta. Tabela 32 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em otorrinolaringologia. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 0 0,0 Demanda excessiva 3 75,0 Escassez de oferta 1 25,0 Outros 0 0,0 Total de protocolos 4 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 62 Os quadros clínicos identificados no encaminhamento de usuários da atenção básica para especialistas da otorrinolaringologia encontram-se descritos abaixo, na tabela 33. Tabela 33 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em otorrinolaringologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. OTORRINOLARINGOLOGIA FREQUÊNCIA Odinofagia 1 Rinite crônica 1 Surdez 1 Zumbido no ouvido 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 63 4.7. Angiologia e Cirurgia Vascular Nestas especialidades afins, os padrões de produção de consultas são bastante distintos, embora em ambos casos concentrados na região Sudeste. No caso da cirurgia vascular o Sudeste apresenta participação relativa maior que aquela apresentada par o conjunto das especialidades, com 57,2%, sendo acompanhado quanto a este aumento pelas regiões Centro-Oeste e Nordeste, que sobem para 6,0% e 21,6%, respectivamente. As regiões Norte e Sul apresentam decréscimo, caindo para 3,8% e 11,4%. Já no caso da angiologia, a concentração no Sudeste apresenta os maiores níveis detectados entre todas especialidades selecionadas, chegando a quase 70% das consultas de todo o país na especialidade. A região Sul também sobe ligeiramente sua participação para 13,8%, enquanto as demais reduzem sua participação de forma significativa. Tabela 34 – Produção ambulatorial de consultas médicas em cirurgia vascular no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % vascular % todas especialidades Centro-Oeste 27.411 6,0 5,8 Nordeste 99.197 21,6 19,9 Norte 17.495 3,8 4,5 Sudeste 262.443 57,2 56,2 Sul 52.281 11,4 13,6 Total 458.827 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. Tabela 35 – Produção ambulatorial de consultas médicas em angiologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % angiologia % todas especialidades Centro-Oeste 29.022 4,1 5,8 Nordeste 70.982 10,1 19,9 Norte 15.639 2,2 4,5 Sudeste 488.876 69,8 56,2 Sul 95.734 13,8 13,6 Total 700.253 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 64 Os parâmetros de cobertura da Portaria 1.101 / 2002 permitem comparar o volume de produção com o estimado para o caso da angiologia. Trata-se, neste caso, de um comportamento anômalo, uma vez que o produzido supera o estimado globalmente em 90,1%. Na região Sudeste o excedente chega a 211,5%; no Sul, a 77,5%; e no Centro-Oeste, a 11,4%. No entanto, novamente as regiões Nordeste e Norte apresentam as menores proporções, com o produzido chegando, respectivamente, a 69,6% e 53,2% do estimado. Tabela 36 – Produção ambulatorial de consultas médicas em angiologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 29.022 26.041 111,4 Nordeste 70.982 102.037 69,6 Norte 15.639 29.398 53,2 Sudeste 488.876 156.944 311,5 Sul 95.734 53.946 177,5 Total 700.253 368.368 190,1 Fonte: DATASUS, 2006. 65 Os dois (02) protocolos identificados na área de angiologia foram localizados entre respondentes da região Norte, fato inédito na distribuição de protocolos entre as regiões geográficas nas especialidades aqui tratadas. Já os dois (02) protocolos da cirurgia vascular se distribuíram entre as regiões Sul e Sudeste. Gráfico 9 - Número de protocolos por especialidade 2 1,8 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Angiologia Cirurgia vascular CO N NE S SE Regiões 66 Entre os motivos para elaboração de protocolos em ambos casos, o pequeno número de ocorrências – duas (02) em cirurgia vascular e duas (02) em angiologia – nos sugere prudência quanto às possíveis conclusões: no primeiro caso o custo elevado foi citado em um (01) caso e a demanda excessiva em dois (02); no segundo, cada uma das alternativas apresentadas foi indicada uma (01) vez. Tabela 37 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em cirurgia vascular. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 1 50,0 Demanda excessiva 2 100,0 Escassez de oferta 0 0,0 Outros 0 0,0 Total 2 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Tabela 38 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em angiologia. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 1 50,0 Demanda excessiva 1 50,0 Escassez de oferta 1 50,0 Outros 0 0,0 Total 2 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. 67 Com relação à estas duas especialidades, os quadros clínicos mencionados como fonte de encaminhamento da atenção básica para a consultas especializadas foram descritos na Tabela 46 abaixo. Tabela 39 – Quadros clínicos que levam a encaminhamentos para consultas em cirurgia vascular / angiologia entre respondentes com protocolos assistenciais nesta especialidade. ANGIO / VASCULAR Insuficiência arterial varizes FREQUÊNCIA 1 1 FONTE: Pesquisa Telefônica – 06 a 15/03 de 2006. 68 4.8. Urologia O padrão de participação das regiões geográficas entre as consultas de urologia é também concentrador na região Sudeste, que passa a participar neste caso específico com 58,9%, mas apresenta movimentos distintos quanto às demais regiões. Enquanto a participação relativa cai nas regiões Norte e Nordeste – que passam para apenas 3,6% e 16,1% - ela sobe nas regiões Centro-Oeste e Sul – onde passa para 6,5% e 14,9%. Tabela 40 – Produção ambulatorial de consultas médicas em urologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % todas % urologia especialidades Centro-Oeste 165.208 6,5 5,8 Nordeste 407.822 16,1 19,9 Norte 91.838 3,6 4,5 Sudeste 1.496.912 58,9 56,2 Sul 377.642 14,9 13,6 Total 2.539.422 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 69 A comparação com parâmetros de cobertura da Portaria GM 101 / 2002 mostra que a produção de consultas em urologia chega a apenas 76,6% das estimadas. O padrão de produção de consultas frente ao estimado para as diversas regiões repete o da maior parte das especialidades: a região Sudeste ultrapassa o estimado (4,7%), enquanto as demais regiões ficam aquém deste. Mais uma vez os destaques negativos ficaram por conta das regiões Nordeste e Norte, respectivamente com 44,4% e 34,7%. Tabela 41 – Produção ambulatorial de consultas médicas em urologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 165.208 234.374 70,5 Nordeste 407.822 918.341 44,4 Norte 91.838 264.579 34,7 Sudeste 1.496.912 1.412.497 106,0 Sul 377.642 485.521 77,8 Total 2.539.422 3.315.313 76,6 Fonte: DATASUS, 2006. 70 O Gráfico 10 mostra que os dois (02) protocolos identificados entre os respondentes para a urologia estão localizados nas regiões Sudeste e Sul. Gráfico 10 - Protocolos de urologia 1 0,8 0,6 0,4 Número de Protocolos 0,2 0 CO NE N SE S Região 71 Quanto aos motivos apresentados para elaboração de protocolos assistenciais, em que pese o pequeno número de respondentes – apenas dois (02) – deve-se registrar que na urologia o perfil de respostas foi distinto: dois (02) respondentes citaram a escassez de oferta; um (01) citou custos elevados e um (01) citou a demanda excessiva. Os dados sugerem uma situação ainda mais alarmante que nas outras especialidades, sob este aspecto: não parece que se trata de uma situação em que, diante de uma capacidade instalada para atendimento, ocorre um excesso de encaminhamentos a partir de outras unidades da rede. Os dados sugerem grandes dificuldades na montagem desta própria capacidade instalada para prestar consultas especializadas em urologia. Tabela 42 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em urologia. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 1 50,0% Demanda excessiva 1 50,0% Escassez de oferta 2 100,0% Outros 0 0,0% Total de protocolos 2 100,0% FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Os respondentes com protocolos nesta especialidade não souberam responder quais os quadros clínicos geram encaminhamentos da atenção básica para consultas especializadas. 72 4.9. Dermatologia Quanto às consultas especializadas em dermatologia, o padrão de participação das regiões geográficas é também peculiar: concentra consultas na região Sudeste (61,1%), mas também na Norte (6,8%), ao passo que reduz a participação relativa das regiões Centro-Oeste (4,7%), Nordeste (16,9%) e Sul (10,5%). Tabela 43 – Produção ambulatorial de consultas médicas em dermatologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % todas % dermatologia especialidades Centro-Oeste 166.022 4,7 5,8 Nordeste 595.600 16,9 19,9 Norte 238.014 6,8 4,5 Sudeste 2.151.091 61,1 56,2 Sul 367.953 10,5 13,6 Total 3.518.680 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 73 A dermatologia é mais uma especialidade com volume global de produção ligeiramente abaixo do estimado, conforme parâmetros de cobertura da Portaria 1.101 / 2002, chegando neste caso a uma proporção de 86,8%. Também, mais uma vez, a região Sudeste é a única cuja produção ultrapassa o estimado, com um excedente de 24,6%. As demais regiões apresentam proporções de produzido sobre o estimado acima de 50%, sendo que a maior proporção, abaixo daquela atribuída ao Sudeste, ficou neste caso por conta da região Norte, com 73,6%. Tabela 44 – Produção ambulatorial de consultas médicas em dermatologia confrontada com a estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 166.022 286.457 58,0 Nordeste 595.600 1.122.418 53,1 Norte 238.014 323.374 73,6 Sudeste 2.151.091 1.726.384 124,6 Sul 367.953 593.416 62,0 Total 3.518.680 4.052.049 86,8 Fonte: DATASUS, 2006. 74 Os dois (02) protocolos elaborados para a dermatologia, identificados entre os respondentes, se distribuem entre as regiões Norte e Centro-Oeste. Gráfico 11 - Protocolos em dermatologia 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 Número de protocolos CO N NE S SE Regiões 75 Com apenas dois (02) respondentes com protocolos assistenciais, é pouco significativo constatar, quanto à motivação para sua elaboração, que o custo elevado tenha sido apontada uma (01) vez, enquanto os outros motivos foram apontados duas (02) vezes. Tabela 45 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em dermatologia. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 1 50,0 Demanda excessiva 2 100,0 Escassez de oferta 2 100,0 Outros 0 0,0 Total 2 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Os respondentes com protocolos nesta especialidade não souberam responder quais os quadros clínicos geram encaminhamentos da atenção básica para consultas especializadas. 76 4.10. Neurocirurgia Embora também concentradas na região Sudeste, em proporção idêntica àquela verificada para as consultas especializadas em geral (56,2%), a neurocirurgia apresenta o padrão mais atípico entre as especialidades. As regiões Nordeste e Sul apresentam participação relativa significativamente mais baixas, com apenas 13,5% e 9,8%, respectivamente. Já as regiões Centro-Oeste e Norte chegaram às participações relativas mais elevadas, respectivamente de 13,0% e 7,5%. Tabela 46 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurocirurgia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % % TODAS NEUROCIRURGI ESPECIALIDADES A Centro-Oeste 57.685 13,0 5,8 Nordeste 59.645 13,5 19,9 Norte 33.058 7,5 4,5 Sudeste 249.342 56,2 56,2 Sul 43.623 9,8 13,6 Total 443.353 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 77 Na comparação com parâmetros da Portaria GM 1.101 / 2002, o volume total da produção de consultas em neurocirurgia superou o estimado em 20,4%. No caso desta especialidade, o maior excedente ficou por conta da região Centro-Oeste, com mais de 120%; seguido pelo apresentado pela região Sudeste, com 58,9%; e pela região Norte, com 12,4%. Nas regiões Nordeste e Sul a produção não excedeu o estimado, chegando, respectivamente, às proporções de 58,5% e 80,9%. Tabela 47 – Produção ambulatorial de consultas médicas em neurocirurgia estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 57.685 26.041 221,5 Nordeste 59.645 102.038 58,5 Norte 33.058 29.398 112,4 Sudeste 249.342 156.944 158,9 Sul 43.623 53.947 80,9 Total 443.353 368.368 120,4 Fonte: DATASUS, 2006. 78 O único protocolo em neurocirurgia, identificado no estudo, localiza-se na região Sudeste. Gráfico 12 - Protocolos em neurocirurgia 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 Número de protocolos CO N NE S SE Regiões 79 Para o único protocolo elaborado na especialidade, o respondente apontou a demanda excessiva entre os motivos para sua elaboração. Tabela 48 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas em neurocirurgia. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 0 0,0 Demanda excessiva 1 100,0 Escassez de oferta 0 0,0 Outros 0 0,0 Total 1 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Os respondentes com protocolos nesta especialidade não souberam responder quais os quadros clínicos geram encaminhamentos da atenção básica para consultas especializadas. 80 4.11. Reumatologia A reumatologia apresenta um perfil diverso dos casos apresentados até aqui quanto à distribuição da produção de consultas entre regiões geográficas: embora a concentração no Sudeste seja maior que a concentração para todas especialidades, chegando a 59,0%, e as proporções das regiões Centro-Oeste e Norte sejam menores que aquela correspondente a todas as especialidades – respectivamente com 5,1% e 4,5% - as regiões Nordeste e Sul invertem posições apresentadas para outras especialidades. Isso quer dizer que, enquanto no Sul a participação na produção de consultas reumatológicas é menor que entre consultas especializadas em geral, no Nordeste ocorre o oposto. Tabela 49 – Produção ambulatorial de consultas médicas em reumatologia no SUS, por região, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO % % todas reumatologia especialidades Centro-Oeste 48.442 5,1 5,8 Nordeste 195.489 20,3 19,9 Norte 42.114 4,4 4,5 Sudeste 567.496 59,0 56,2 Sul 108.181 11,2 13,6 Total 961.722 100,0 100,0 Fonte: DATASUS, 2006. 81 Considerados os parâmetros de cobertura da Portaria GM 1.101 / 2002, a reumatologia apresenta produção bastante aquém do estimado, ficando em apenas 65,3% deste. Neste caso, mesmo a região Sudeste não conseguiu superalo, embora tenha se aproximado do parâmetro estimado. Das demais regiões, apenas a região Sul apresentou produção suficiente para superar a marca dos 50% do parâmetro estimado, ficando nas demais abaixo desta marca. Tabela 50 – Produção ambulatorial de consultas médicas em reumatologia estimada por região segundo a Portaria GM 1.101/2002, entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. REGIÃO PRODUZIDO ESTIMADO % PRODUZIDO / PARÂMETRO ESTIMADO Centro-Oeste 48.442 104.166 46,5 Nordeste 195.489 408.151 47,9 Norte 42.114 117.590 35,8 Sudeste 567.496 627.776 90,4 Sul 108.181 215.787 50,1 Total 961.722 1.473.472 65,3 Fonte: DATASUS, 2006. 82 O único protocolo em reumatologia, identificado no estudo, localiza-se na região Nordeste. Gráfico 13 - Protocolos em reumatologia 1 0,8 0,6 0,4 Número de Protocolos 0,2 0 CO N NE S SE Regiões 83 Com a ressalva quanto à significância do fato de que um único município apresentou protocolo assistencial nesta especialidade, registra-se aqui que este identificou excesso de demanda como principal causa para sua elaboração. Tabela 51 – Motivos para elaboração de protocolos assistenciais para consultas reumatológicas. CITAÇÕES MOTIVO ELABORAÇÃO PROTOCOLO ASSISTENCIAL n % Custo elevado 0 0,0 Demanda excessiva 1 100,0 Escassez de oferta 0 0,0 Outros 0 0,0 Total de protocolos 1 100,0 FONTE: Pesquisa Telefônica – 21/02 a 03/03 de 2006. Os respondentes com protocolos nesta especialidade não souberam responder quais os quadros clínicos geram encaminhamentos da atenção básica para consultas especializadas. 84 5. Diretrizes e Orientações Gerais Esta seção do estudo, uma vez descrito o perfil de cada especialidade médica selecionada, tem basicamente três objetivos: em primeiro lugar, discutir o significado e o alcance dos resultados encontrados para os diversos casos; em segundo, sugerir diretrizes para o estabelecimento de prioridades na implantação dos protocolos assistenciais, simulando a aplicação de algumas delas; e, em terceiro e último lugar, sugerir orientações gerais para conduzir a elaboração dos protocolos em cada especialidade. 5.1. Considerações gerais Nessa seção serão apresentadas algumas considerações gerais sobre o significado e o alcance dos resultados encontrados no segmento anterior deste estudo. Em primeiro lugar, há que se relativisar o significado dos parâmetros de cobertura de consultas especializadas, derivados da Portaria GM 1.101 / 2002. Eles instituem uma referência para avaliar carências e excessos, mas não devem ser tomados como ponto de chegada, ou seja, como ideal absoluto a ser atingido quanto à oferta de consultas especializadas. É possível que a própria implantação dos protocolos assistenciais reduza as demandas por consultas em algumas especialidades a ponto de forçar, inclusive, a própria atualização de seus parâmetros de cobertura específicos. A confirmação ou não dessa possibilidade é uma questão em aberto, uma vez que a construção dos parâmetros de cobertura não se deu no contexto de padronização de condutas para enfrentamento de quadros clínicos. Em segundo lugar, é de se esperar elevados níveis de sub-registro em todas as especialidades. Problemas desta natureza tendem a ser maiores em prestadores de serviço de natureza pública, uma vez que, diversamente dos prestadores privados, não se aferem ganhos diretos do volume de procedimentos registrados como produzidos. 85 Como se vê na Tabela 55, segundo informações do DATASUS para os últimos doze (12) meses, as consultas especializadas nas clínicas selecionadas foram majoritariamente executadas por prestadores de natureza pública, o que torna a expectativa acima bastante plausível. Tabela 52 – Produção de consultas especializadas por natureza do prestador entre dezembro / 2004 e novembro / 2005. ESPECIALIDADES Público 350.026 Priv. lucrativo 27.511 Priv. SIMPLES 1.059 Priv. não lucrativo 16.889 Filantrópic o 60.799 Sindicato s 2.543 458.827 5.731.308 269.695 11.280 166.611 626.854 34.377 6.840.125 523.883 18.292 0 28.071 130.007 0 700.253 DERMATOLOGIA 3.054.866 80.148 5.331 99.985 268.478 9.872 3.518.680 ENDOCRINOLOGIA 1.595.687 37.552 4.741 30.382 128.569 4.969 1.801.900 351.008 6.474 734 12.765 72.372 0 443.353 3.259.676 ANGIOLOGIA CARDIOLOGIA CIRURGIA VASCULAR NEUROCIRURGIA Total NEUROLOGIA 2.712.564 110.118 11.076 84.711 331.719 9.488 OFTALMOLOGIA 4.047.070 1.740.218 110.399 356.999 1.450.093 16.529 7.721.308 ORTOPEDIA 6.558.827 1.563.335 74.011 319.208 1.903.948 25.679 10.445.008 OTORRINOLARINGOLOGI A REUMATOLOGIA 2.525.992 221.353 6.081 75.916 412.141 13.650 3.255.133 835.320 36.155 2.081 18.208 69.608 350 961.722 UROLOGIA 2.033.548 85.174 8.320 73.800 329.445 9.135 2.539.422 Total 49.135.56 1 5.916.314 339.249 209.4005 9.861.666 142.053 67.488.848 Fonte: DATASUS, 2006. Por fim, a escolha metodológica de restringir a pesquisa sobre os quadros clínicos que geram encaminhamentos para consultas especializadas, a partir do atendimento básico, àqueles municípios que implantaram protocolos nas respectivas especialidades, limitou bastante o universo de respondentes para esta segundo rodada de pesquisa telefônica. Entretanto essa escolha garantiu maiores níveis de confiabilidade, uma vez que é razoável supor que municípios que elaboraram protocolos numa determinada especialidade médica tenham sistematizado algum nível de reflexão sobre estes quadros clínicos. Do contrário, poderíamos ter uma pesquisa telefônica com os sessenta e sete (67) respondentes da primeira rodada de pesquisa telefônica, porém prestando informações em muitos casos, talvez maioria deles, suspeitas de serem contaminadas por opiniões individuais, pouco representativas ou deficientemente submetidas a alguma validação interna. 86 5.2. Diretrizes para implantação As informações sobre cobertura das consultas especializadas, existência de protocolos, motivos que levaram à sua elaboração e quadros clínicos mais freqüentes nos encaminhamentos – apresentadas no quarto segmento deste estudo – permitem sugerir algumas diretrizes para priorização da implantação dos protocolos assistenciais, que serão simuladas abaixo. Deve-se esclarecer que a aplicação isolada de cada uma destas diretrizes, simulada nas figuras abaixo, é apenas um exercício lógico para chamar atenção para aspectos distintos que foram conhecidos neste estudo e que devem ser considerados na definição de prioridades. Entretanto, a definição destas e das políticas nacionais voltadas para a área não pode prescindir da combinação de todas elas, bem como da inserção de variáveis relacionadas à viabilidade política e aos recursos técnicos disponíveis. Diretriz 1 - Priorizar situações (especialidade X regiões) em que os níveis de produção de consultas estão bem abaixo da estimativa baseada nos parâmetros de cobertura Sob situações de oferta escassa de consultas especializadas, é fundamental que aqueles que dele façam uso tenham, de fato, indicação justificada para fazê-lo. Ou seja, em condições de escassez é inadmissível o uso desnecessário dos recursos. Neste caso, são os protocolos assistenciais os instrumentos para padronizar as justificativas para encaminhamentos, conferindo racionalidade ao uso de recursos escassos. A Figura 01, com base nas informações apresentadas no quarto segmento deste estudo, mapeia as situações (especialidades x regiões) que seriam priorizadas pela aplicação dessa diretriz. Utilizou-se a produção de 75% do estimado pelos parâmetros como ponto de corte entre situações de escassez e variações inferiores aceitáveis. 87 Figura 01 – Situação de oferta de consultas especializadas por região. Cardiologia CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S Neurologia Ortopedia Reumatologia Oftalmologia Endocrinologia Oferta > estimativa pelo parâmetro Oferta chega a pelo menos 75% do estimado pelo parâmetro Oferta não chega a 75% do estimado pelo parâmetro 88 Figura 01 – Situação de oferta de consultas especializadas por região (continuação). Otorrinolarin gologia CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S Urologia Angiologia Dermatologia Neurocirurgia 89 Diretriz 2 - Priorizar especialidades nas quais, embora produção esteja próxima ou supere os parâmetros de cobertura, respondentes acusem excesso de demanda em proporção significativa Mesmo nas situações em que a oferta de consultas especializadas esteja próxima dos parâmetros estipulados, a existência de demanda excedente é uma clara indicação da necessidade de racionalizar o uso destes recursos assistenciais, sinalizando com a possibilidade de que sejam alcançados resultados positivos, visto que, em tese, pode-se obter um ajuste entre oferta e demanda que não seria alcançado nos casos priorizados segundo a diretriz 1. A Figura 02, com base nas informações apresentadas na quarta seção, ilustra a aplicação desta diretriz. Nesse caso, consideramos as especialidades nestas condições, em que a demanda excedente foi mencionada por uma proporção igual ou maior que 70% dos respondentes, como um todo. Deve-se levar em conta, entretanto, que as especialidades de neurocirurgia e reumatologia registraram apenas um protocolo, que apontou o excedente de demanda entre os motivos, gerando, naturalmente, uma proporção de 100%. Parece prudente, no caso da aplicação desta diretriz, descartar estas duas especialidades de maiores considerações, ainda que estejam registradas abaixo segundo o critério aqui definido. 90 Figura 02 – Agregando o excedente de demanda > 70% respondentes ao critério de oferta. Cardiologia CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S Neurologia Ortopedia Reumatologia Oftalmologia Endocrinologi a Oferta > estimativa pelo parâmetro Oferta chega a pelo menos 75% do estimado pelo parâmetro Oferta não chega a 75% do estimado pelo parâmetro ou, se > 75%, do estimado, ainda assim pelo menos 70% respondentes acusam excedente de demanda. 91 Figura 02 – Agregando o excedente de demanda > 70% respondentes ao critério de oferta (continuação). Otorrinolarin gologia CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S Urologia Angiologia Dermatologia Neurocirurgia 92 Diretriz 3 – Para cada especialidade, priorizar as regiões do país com municípios de médio e grande porte sem protocolos assistenciais. Essa seria uma diretriz dirigida à equidade, uma vez que visaria difundir, entre todas as regiões brasileiras, padrões racionais de encaminhamento para consultas especializadas, entendendo o papel destes como instrumentos para regulação do acesso segundo as necessidades de saúde dos cidadãos. A Figura 03, com base nas informações apresentadas no quarto segmento deste estudo, ilustra a aplicação desta diretriz. 93 Figura 03 – Existência de protocolos por região. Cardiologia CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S Neurologia Ortopedia Reumatologia Oftalmologia Endocrinologi a Existe > 1 respondente com protocolo Existe apenas 1 respondente com protocolo Não existe protocolo 94 Figura 03 – Existência de protocolos por região (continuação). Otorrinolarin gologia CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S CO N NE SE S Urologia Angiologia Dermatologia Neurocirurgia 95 5.3. Orientações para elaboração Enquanto para algumas especialidades acumulou-se um número importante de indicações sobre os quadros clínicos que mais geram encaminhamentos a partir da atenção básica, para outras isso não ocorreu. Acredita-se que, para que possa ter maior impacto sobre a acessibilidade às especialidades selecionadas, deva-se partir dos casos enquadrados na primeira situação, em detrimento das últimas, que poderiam ser submetidas a outros estudos complementares. No sentido de oferecer algum critério de base para o que se considere um acúmulo mínimo de indicações, considerando o fato de que apenas trinta e dois (32) municípios de médio e grande porte tenham elaborado protocolos em pelo menos uma das especialidades selecionadas, definimos aqui o registro de um mínimo de cinco (05) quadros clínicos. Por este critério, o ponto de partida para a elaboração de protocolos assistenciais as seguintes especialidades selecionadas com respectivos quadros clínicos mais freqüentes. 96 Quadro 1 – Principais quadros clínicos por especialidades. ESPECIALIDADE Cardiologia Neurologia Ortopedia Endocrinologia QUADROS CLÍNICOS / FREQUÊNCIA Hipertensão arterial / crise hipertensiva Arritmia Insuficiência cardíaca Dor toráxica Infarto agudo do miocárdio Tratamento de AVC - isquêmico / hemorrágico Traumatismos crânio-encefálicos Aneurismas Cefaléia de repetição Crise epiléptica Dor lombar / lombalgia Artroses Dor em membros Dores articulares Problemas de joelho Hipertireoidismo Diabetes Diabetes tipo 1 de difícil controle Doenças da hipófise Doenças da paratireóide Obesidade 6 5 4 3 3 3 2 1 1 1 3 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 97 Requisitos mínimos dos protocolos assistenciais Considerando a necessidade de formalizar minimamente os requisitos que devem constar de qualquer protocolo assistencial, assegurando que estes instrumentos atuem positivamente na regulação do acesso assistencial às consultas especializadas, sugere-se que responda a pelo menos cinco perguntas: 1. Quais condutas podem e devem ser assumidas no atendimento básico aos quadros indicados acima? 2. Sob que condições clínicas o paciente em um dos quadros indicados acima deve ser encaminhado do atendimento básico para uma consulta especializada? 3. Que passos o profissional médico deve ter cumprido previamente para faze-lo? 4. Que informações, formulários ou relatórios devem ser anexados ao encaminhamento para a consulta especializada? 5. Que informações, formulários ou relatórios o médico especialista deve retornar ao médico da atenção básica que encaminhou o usuário? 98 6. Considerações Finais A realização deste estudo forneceu um mapeamento das necessidades de elaboração de protocolos assistenciais em algumas das especialidades médicas mais referenciadas a partir do atendimento básico, sob distintos critérios. Sugeriu diretrizes que podem ser levadas em consideração, preferencialmente de forma combinada e ampliada, na priorização de especialidades e regiões do país por parte de políticas do Ministério da Saúde. Além disso, sugeriu a focalização em alguns quadros ou situações clínicas para as principais especialidades, bem como requisitos mínimos a serem incorporados na elaboração dos protocolos assistenciais. Sua importância, mais que arrematar a questão, foi coloca-la em termos minimamente sustentados em dados empíricos e consistentes com os princípios da integralidade e equidade, para que especialistas das diversas áreas possam se apoiar com relativa segurança, quando da elaboração destes protocolos. Um dado que chamou atenção foi a extrema dificuldade de obter respostas completas nesta segunda fase da pesquisa telefônica, embora se tratasse de uma única questão. Não é demais retomar que, dos trinta e dois (32) respondentes com protocolos nas especialidades selecionadas, conseguimos submeter apenas vinte e cinco (25) à questão, sendo que destes apenas doze (12) a responderam de forma completa. Dos treze (13) que não o fizeram, seis (06) retificaram a existência dos protocolos nas especialidades, três (03) não souberam responder e quatro (04) pediram prazo para buscar as informações necessárias, sem que se conseguisse contactá-los novamente. De certo modo, a suspeita levantada no Relatório Consolidado, de que o número de protocolos estivesse superestimado em função de confusões conceituais em torno de seu significado, se confirmou. Mas, além disso, suspeitamos que este fator tenha se somado ao fenômeno dos “falsos positivos” registrado por estudiosos de aspectos cognitivos de estudos tipo survey. Os falsos positivos poderiam decorrer de fatores motivacionais para a emissão de uma pronta 99 resposta por parte do entrevistado, especialmente nos casos em que a resposta afirmativa é objeto de valorização no grupo em que se insere o respondente. Daí nos sentimos seguros para supor que o retorno para uma nova questão, que exigia a confirmação da informação sobre a existência de protocolos e o aprofundamento em torno da mesma, possa ter suscitado algum desconforto por parte dos respondentes. Isso pode explicar, em alguma medida, a “evasão” de respostas positivas nesta segunda rodada de pesquisa, bem como a desproporcional dificuldade de obter as novas respostas para proporção significativa dos entrevistados. Não obstante o caráter exploratório deste trabalho na investigação dos quadros clínicos que mais geram encaminhamentos a partir da atenção básica, os resultados encontrados, portanto, são sugestivos de que, de fato, o número de municípios de grande e médio porte com protocolos assistenciais próximos de cumprir os requisitos acima especificados seja bem menor que o declarado. 100 7. Referências Bibliográficas BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE / DAB. Manual dos Indicadores de Incentivos Municipais do PROESF: Orientações Gerais e Preenchimento do Instrumento de Monitoramento. Brasília: MS, 2004. BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE, Norma Operacional Básica do Sistema Único de Saúde / 1996 in Portaria in Portaria GM 2.203, de 06 de novembro de 1996, in www.saude.gov.br. BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE, Norma Operacional de Assistência à Saúde / 2002 in Portaria n.º 373/GM, de 27 de fevereiro de 2002, in www.saude.gov.br. BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE / SAS, Portaria 423, de 09 de julho de 2002, in www.saude.gov.br. BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE / GM, Portaria 1.318, de 23 de julho de 2002, in www.saude.gov.br. BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE / GM 1.101, de 12 de junho de 2002, in www.saude.gov.br. BRASIL, MS / CONASS / CONASEMS, Pacto pela Saúde – Versão Preliminar, mímeo, 2005. NOGUEIRA, R.P. Perspectivas da Qualidade em Saúde. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1994. 155 p. 101 8. Anexos 102 ANEXO A – Parâmetros para cobertura de consultas especializadas Portaria GM 1.101 - Em 12 de junho de 2002 CONSULTAS ESPECIALIZADAS 22,3% do total de consultas médicas programadas: Média Brasil-20,05% Alergologia 0,2% (inclui Imunologia) do total de consultas Cardiologia 2,0% do total de consultas Cirurgia Geral 2,3% do total de consultas Dermatologia 1,1% (inclui hansenologia) do total de consultas Doenças Vasculares Periféricas (Angiologia) 0,2% do total de consultas Endocrinologia 0,4% ( inclui Metabologia) do total de consultas Gastroenterologia 0,7% do total de consultas Hematologia 0,1% do total de consultas Medicina Física* 1,2% do total de consultas Nefrologia 0,1% do total de consultas Neurocirurgia 0,1% do total de consultas Neurologia 1,2% do total de consultas Oftalmologia 2,8% do total de consultas Oncologia 0,3% do total de consultas Otorrinolaringologia 1,5% do total de consultas Proctologia 0,2% do total de consultas Psiquiatria 2,2% do total de consultas Reumatologia 0,4% do total de consultas Tisiopneumologia 1,0% ( inclui Broncoesofagologia) do total de consultas Traumatologia – ortopedia 2,9% ( não inclui consulta de urgência), do total de consultas Urologia 0,9% do total de consultas *Outros 0,5% do total de consultas * Estão incluídos neste item as consultas de Fisiatria , Fisioterapia e Terapia Ocupacional. **Estão incluídas neste item as consultas de: medicina nuclear, homeopatia, geriatria, acupuntura, infectologia, e genética clínica. 103 ANEXO B – Questões para inquérito específico QUESTÃO: Segundo sua percepção, quais os quadros sintomáticos ou problemas de saúde mais freqüentes no encaminhamento de pacientes das consultas médicas básicas para as especialidades que foram prioritárias no estabelecimento dos protocolos (citar até 4)? 104 ANEXO C – Procedimentos de abordagem dos respondentes 1 – Refazer contato com o entrevistado no questionário anterior e solicitar resposta à questão; 2 – Caso o entrevistado afirme que não sabe a resposta, registrar esta condição; 3 – Caso o entrevistado peça retorno, pois tem como acessar a informação, reagendar ligação. 105