A EMERGÊNCIA DA CIÊNCIA MODERNA
GN 105 – Teorias e Métodos da Ciência
Emergência da Ciência Moderna
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Quando?
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Revolução Científica
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Depende.... Buscar um processo
Entre 1540 (recepção inicial do sistema copernicano de astronomia) e 1770 (realizações da nova filosofia que inspirou o trabalho de Isaac Newton) Por que? O que ocorreu neste período?
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“quando os primeiros raios da razão começaram a deslocar as nuvens da ignorância” (Westfall, 1986)
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Contexto Histórico
Religião Hermetismo (Liberdade do corpo / Valorização do Sol);
 Reforma Protestante;
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Comunicações (Imprensa)
Igreja Católica perde monopólio sobre o conhecimento;
 Bíblia em língua vernácula;
 Livros e artigos científicos amplamente divulgados, para além das Elites letradas;
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Capitalismo
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Expansão do comércio – navegações; 1. NOVO CONHECIMENTO
Número enorme de realizações em astronomia, mecânica, ótica, anatomia, história natural, geografia, geologia, química e muitas outras áreas...
Destaque: Avanços na área da Astronomia construíram uma nova “visão do universo”. A área passou por um longo processo de refinamento e consolidação, conservando poucas idéias do passado.
Nicolaus Copernicus 
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N.: Fev. 19, 1473, em Torun, Polônia
1514: primeira circulação de suas idéias sobre cosmologia heliocêntrica
1543: De Revolutionibus Orbium Coelestium (Sobre as Revoluções das Esferas Celestes) + morte
Johannes Kepler
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N.: 27 ­ 12 – 1571, Weil der Stadt, Württemburg 1609 publicou Astronomia Nova: as órbitas celestiais são elípticas
Outras contribuições: explicou o processo de visão por refração e o uso dos dois olhos para a percepção da profundidade; formulou lentes para miopia e hipermetropia. M: 1630, em Regensburg René Descartes 
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N.: 31­ 03 – 1596, La Haye Precursor da escola moderna de matemática: geometria analítica e teoria dos vértices
1629 a 1633: Holanda – teoria física do universo (Principia, 1644)
1637: Discours de la méthode pour bien conduire sa raison et chercher la vérité dans les sciences: um tratado sobre a ciência universal
M.: 11 Fevereiro de 1650 em Stockholm
Galileu Galilei 
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N.: 15 ­ 02 ­ 1564, Pisa a independência de pensamento e o método experimental: “A experiência não falha nunca, falham somente os nossos juízos” Construiu a primeira luneta astronômica, evidências e confirmação da visão copernicanca: Dialoghi quatro, sopra i due systemi del mondo, Ptolomaico et Copernico (1632)
Isaac Newton 
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N.: 25 – 12 – 1642, Woolsthorpe
1686 – 1687: Philosophiae naturalis principia mathematica: mecânica do sistema universal: movimentos dos planetas, cometas e marés, examinados à luz de princípios matemáticos: universalidade do movimento dos corpos
M.: 20 – 03 ­ 1727 
Em resumo:
Para que as proposições de Copernicus fossem aceitas, era necessário:
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Novas observações astronômicas : Tycho Brahe (1546­1601); Novas teorias sobre as órbitas planetárias: Kepler (1571­1630);
Novas teorias de movimento : Galileo Galilei (1564­1642), René Descartes (1596­1650), e Isaac Newton (1642­1727). Newton: juntou o céu e a terra, sob um único conjunto de leis universais do movimento. Ele inventou o UNIVERSO, deslocando a cosmologia tradicional de Aristóteles. A “Síntese Newtoniana” marca a mudança de um cosmo fechado, finito, hierárquico, qualitativo, para um universo infinito, homogêneo, quantitativo. TODAS AS COISAS SÃO UMA SÓ. Descobrimentos geográficos
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Ptolomeu (séc. II d.C) ­ mapa do mundo baseado em uma cosmografia religiosa;
Cartas Marítimas do Mediterrâneo (séc. XIV) – Primeira expedição portuguesa em 1418;
Descobertas geográficas impulsionadas pela expansão do comércio – navegações;
“Novo Mundo” (Colombo) – “povos antigos não conheciam tudo o que se devia conhecer”;
Incentivo do Estado séc. XVII e XVIII­ Observatório de Greenwich.
Geologia
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Descartes (1617) – sugestões sobre a constituição da terra;
Idade da Terra 
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Até 1650: baseada no Antigo Testamento bíblico – criação em 4004 a.C;
1715: Edmond Halley da Royal Society estima a idade da Terra baseado na salinidade da água (oceanos);
Estudos seguintes: idade da Terra poderia ultrapassar 50.000 anos;
Paleontologia – Robert Hooke (1665) descreve a madeira fóssil e comenta sobre corpos petrificados;
Abraham Werner (1775) – Fundou a Escola de Geologia (Saxonia), considerado Pai da Geologia Histórica
Os avanços da ciência nas áreas de geografia e geologia permitiram uma nova percepção do planeta Terra: maior no tempo (geologia) e no espaço (geografia).
2. Transformação das Idéias
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Deslocamento do:
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Antropocentrismo H posição não privilegiada
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Antropomorfismo H parte da natureza
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Teleologia
processos ou entidades naturais não têm objetivo  Feitiçaria, astrologia
razão
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Visão orgânica
visão mecanicista Literatura Século XV ­ XVI — Idade Média / Idade Moderna
HUMANISMO
• Transição do teocentrismo para o antropocentrismo.
• Ascensão da burguesia mercantilista.
•Desenvolvimento cultural.
­ profano (sátira ao teocentrismo);
­ alegoria ­ metafórica;
­ tipo ­ não revela nomes;
­quadros sem seqüência:mentalidade medieval.
Século XVI — Idade Moderna CLASSICISMO
• Paganismo • Antropocentrismo
­ Racionalismo
­ Perfeição formal: sonetos e versos decassílabos
­ Equilíbrio e objetividade
­ Retomada dos escritos gregos e romanos / Mimetismo (imitação dos antigos)
­ Universalismo (valorização dos temas universais)
­ Fusionismo (mistura de elementos religiosos católicos com elementos clássicos)
­Predomínio da razão.
Século XVII — Idade Moderna
BARROCO
•Conflito: antro X teo
•Contra­Reforma
­ Oposição: material X espiritual
­ Conflito entre fé e razão
­ Raciocínios complexos
­ Requinte formal
­ Exagero
­ Efemeridade da vida ­ Idealização amorosa, sensualidade
­ Construções complexas
­ Sugestões sonoras e cromáticas na escrita
­Figuras de linguagem Francois Marie Arouet (Voltaire) 
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N.: 1694 ­ Paris
1759, Candide: O melhor do mundos possíveis – tudo que acontece é para o melhor
“Aqueles que te podem fazer crer em absurdos, podem fazer com que cometas atrocidades”
Filosofia da racionalidade
Thomas More
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N.: 07/02/1478
Humanista do Renascimento
1516, Utopia. Crítica ao modelo socioeconômico vigente. Libertação do pessimismo medieval “desfrutar o prazer da vida” – verdadeiros prazeres residem no corpo e mente (conhecimento)
M.: 06/07/1535
3. Discussões sobre o Método Científico
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Observação e Experimento
Hipótese (diferença entre artesãos e “cientistas”)
Quantificação e matematização (idéia da prova rigorosa, registro dos cálculos – Needham)
Processos de racionalização (abstração levando a teorias gerais)
Demonstração e controle (sociedade científicas)
4. Valorização social do Conhecimento
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Evidências?
 Reconhecimento crescente dos praticantes de ciência (Newton foi eleito membro do parlamento)  O conhecimento torna o homem sábio e “bom”
 Visões Utópicas na Era da Revolução Científica: Campanella e Bacon
 Reflexos nos mitos literários Tommaso Campanella (1568­1639)
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1618: Cidade do Sol
Governante: Hoh, homem versado nas técnicas científicas
“Hoh é o mais habilitado para governar, nunca é cruel, nem malvado, nem tirano, na medida em que possui sabedoria”
Francis Bacon (1561­1626)
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1626: The New Atlantis: A casa de Salomão: uma unidade de pesquisa centralizada, onde equipes de investigadores especialmente treinados coletam dados, conduzem experimentos e aplicam conhecimento para produzir “things of use and practice for man’s life.”
Os cientistas decidem quais experimentos e invenções podem ser divulgados para o mundo externo e juram manter segredo sobre aqueles que possam ser prejudiciais à sociedade.
impacto histórico: revolucionário – modelo para a Royal British Society e inspiração para a comunidade científica internacional
Relação Revolução Científica e Revolução Industrial?
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Sistema produtivo mais poderoso até agora conhecido e o sistema de conhecimento instrumental mais poderoso de que se tem notícia, coincidiram apenas por mero acaso???
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Não, mas, quando se examina essa relação detalhadamente, tem se mostrado extremamente difícil produzir um relato geral satisfatório de quais eram as conexões entre esses dois sistemas
Argumento de alguns autores
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Sec. XVII: preparou o caminho para o crescimento da atividade industrial: idéias, atitudes e práticas que mais tarde tornaram possível a Revolução Industrial, quais sejam:
Individualismo, o conceito do livre mercado de bens, o esqueleto do sistema bancário e creditício, o controle legal das transções financeiras estimulados pela racionalidade CAPITALISMO
 Que conexões são levantadas entre a emergência da Ciência e a emergência do capitalismo???
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I. Resposta às Necessidades Sociais 
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Capitalismo criou novas necessidades econômicas e tecnológicas e a ciência cresceu em resposta a elas
Autores de inclinação marxistas “se a sociedade tem uma necessidade técnica, esta faz avançar a ciência mais que dez universidades”(Marx & Engels, 1931).
Trabalho mais elaborado nessa tradição: Boris Hessen, The Social Economic Roots of Newton’s Principia
II. Atitudes e Valores 
Robert Merton: Science in Seventeenth Century England (Estímulo Puritano à Ciência)
Influência das crenças e valores – papel do puritanismo no interesse pela ciência
 Individualismo: vida bem sucedida na terra leva à salvação, que é responsabilidade do indivíduo
 Utilitarismo: ciência para a sociedade (glória a Deus)
 Empiricismo: repúdio à contemplação e ociosidade
 Racionalidade: meio para frear as paixões
 Trabalho sistemático e metódico (atingido pela experimentação científica)
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P. Mathias, Who Unbound Prometheus?
 Os procedimentos científicos e as atitudes encorajadas pelos cientistas podem ter sido mais influentes para a revolução industrial do que o conhecimento científico produzido naquela época.
 Atitudes: desafiar a autoridade intelectual tradicional; decisão baseada na observação, teste, experimentação; adoção de instrumentos científicos como termômetros, hidrômetros
III. Mudança Social
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E. Zilsel, The Sociological Roots of Science: Início da sociedade capitalista: importante barreira social entre estudiosos (escolásticos) que eram treinados no exercício da racionalidade e artesãos (engenheiros, artistas, cirurgiões, criadores de instrumentos)
 Preconceito dos filósofos contra os trabalhos manuais
 Artesãos não possuíam treinamento intelectual metódico
CAPITALISMO forneceu incentivos práticos e econômicos para fusão destas duas formas de conhecimento, resultando na ciência moderna
Ciência, tecnologia, industrialização: juntas dão evidência de uma sociedade curiosa, em movimento, procurando experimentar, querendo melhorar e devem ser vistas como características desta sociedade e não simplesmente como uma exercendo influência sobre a outra.
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A Emergencia da Ciencia Moderna