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Revista da APM
Dezembro de 2006
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Revista da APM
Dezembro de 2006
Nicolau D’Amico Filho
Roberto Lotfi Jr.
APRESENTAÇÃO
Boa Notícia e Boas Festas
Fechamos o ano com notícias alvissareiras. Nesta edição, a última de
Publicação da Associação
Paulista de Medicina
Edição nº 574 – Dezembro de 2006
2006, informamos que o Senado aprovou no dia 6 de dezembro o projeto
tão sonhado por todos nós. O que regulamenta a profissão médica. Há
quatro anos que o assunto tramita na Casa de Lei do país. Agora, ele segue
para a Câmara Federal. Diretores da APM, que o analisaram, informam
que o projeto representa um avanço significativo, como disse nosso companheiro vice-presidente, Florisval Meinão.
A outra boa notícia é dirigida aos companheiros do Interior, já que a
partir do próximo ano estaremos desenvolvendo um projeto com o objetiessa área uma nova revista e ações via Internet.
Diretores Responsáveis
Nicolau D’Amico Filho
Roberto Lotfi Junior
Esta edição mostra ainda a nova correlação de forças do Congresso Nacional, que recebe a partir de 2007 os 513 deputados eleitos, dos quais 54,
um pouco mais de 10%, são médicos.
Desejamos a todos os associados e companheiros médicos votos de Boas
Festas e uma boa leitura!
Editor Responsável
Ulisses de Souza – MTb 11.459–SP
Nicolau D’Amico Filho e Roberto Lotfi Jr.
Diretores de Comunicação
Editora
Luciana Oncken – MTb 46.219–SP
Repórteres
Adriana Reis
Carla Nogueira
Leandro de Godoi
Ricardo Balego
Editor de Arte
Leandro Deltrejo
Projeto e Produção Gráfica
Cubo Editorial e Notícias
[email protected]
Fotos: Osmar Bustos
Revisora: Thais Oncken
Secretaria: Rosenaide da Silva
Assistente de Comunicação:
Fernanda de Oliveira
CONTEÚDO
3 Apresentação
16 Política Médica
4 Editorial
20 Associativismo
6 Política Médica
26 Cultura
8 CAPA
Saúde Pública
Portal da APM
www.apm.org.br
32 Cultura
34 Cultura e Medicina
38 Radar Médico
Comercialização
Departamento de Captação
e Marketing da APM
Fones: (11) 3188-4200/3188-4300
Fax: (11) 3188-4293
Periodicidade: mensal
Tiragem: 30 mil exemplares
Circulação: Estado de São Paulo
(Inclui Suplemento Cultural)
3
39 Medicina Acadêmica
40 Produtos & Serviços
Greve de residentes chegou às
ruas de São Paulo
14 Política Médica
41 Literatura
42 Por Dentro do SUS
44 Classificados
Revista da APM
REDAÇÃO
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278
Cep 01318-901 – São Paulo – SP
Fones: (11) 3188-4200/3188-4300
Fax: (11) 3188-4279
E-mail: [email protected]
Dezembro de 2006
vo de melhorar a comunicação entre as regionais, disponibilizando para
Jorge Carlos Machado Curi
PRESIDENTE DA APM
EDITORIAL
Dezembro de 2006
Eleições, Saúde, Sonhos e Natal
Revista da APM
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Mais uma eleição se foi e o presidente Lula exercerá o segundo
mandato com um novo Congresso Nacional. Agora com a Câmara dos Deputados bem renovada, e o Senado nem tanto.
Quatro anos se foram desde a primeira eleição do presidente e
cabe uma reflexão. Será que o País avançou? Muito pouco, como
atestam os números de crescimento mundial. Em termos de desenvolvimento, o Brasil tem um índice pífio. Deverá ficar apenas à
frente do Haiti na América Latina.
Na saúde, educação, segurança, assistência social, enfim, em
toda a área social, os resultados seguem ruins. A situação seria pior
não fossem alguns avanços de gestão na saúde frutos da persistência de colegas abnegados.
É notório o grave déficit de financiamento e o sucateamento da
rede hospitalar pública. Também é injustificável a falta de valorização dos profissionais da saúde, que nem ao menos contam com
um plano de cargo de carreira e salários decente. Recebem honorários aviltantes, o que reduz, ou até zera, a chance de atualização e
treinamento adequados.
Não bastasse, enfrentamos a proliferação irresponsável de faculdades de medicina, além da ameaça de importação incoerente de
médicos cubanos e bolivianos sem revalidação. Outro problema
que deve ser encarado com rigor é a questão dos médicos falsos.
Lógico que as deficiências da saúde são, também, reflexos do
que acontece em outras áreas. Certamente não será apenas um
programa essencialmente assistencialista, como o Bolsa Família,
que mudará o Brasil e o fará crescer. É obrigação respaldar os
cidadãos em situação difícil. Contudo, isso não pode servir a esconder nossa imensa carência de postura na gestão pública. Pagamos impostos de primeiro mundo e temos serviços e atenção ao
social bem ao estilo do subdesenvolvimento.
Quiçá o futuro Congresso seja muito mais ético, menos preocupado com reeleições e salários, para não dizer outras coisas. E que
realmente transforme em leis as repetidas promessas de campanha.
Para ser justo, registro que, neste primeiro ano de gestão na
APM, tivemos com a saúde do Estado e particularmente do município de São Paulo um início de parceria. Julgamos que foi extremamente promissora, principalmente no que diz respeito à
atualização médica em urgência e emergência. Há, logicamente,
ainda muito a fazer, mas estamos otimistas com essa interface.
Quem sabe poderemos colaborar, e muito, para que nossos colegas se
reciclem em todas as especialidades, segundo as diretrizes da AMB e, ao
menos, vejam-se valorizados com um PCCS digno. Podemos e devemos
sonhar com isso. Quem sabe ainda, como nos disse recentemente o dr.
Antônio Carlos Lopes, secretário executivo da Comissão Nacional de
Residência Médica, o Ministério da Educação entenda finalmente a
necessidade de frear a abertura indiscriminada das faculdades de medicina. E faça um estudo coerente sobre esse grave problema.
Sonhar é bom e necessário. Por isso, destaco o recente movimento dos médicos residentes pela revisão do valor das bolsas. Com o
objetivo de abrir um canal de discussão sobre seus problemas, foram à luta, conversaram com gestores e legisladores. Fizeram greve, subiram em palanques e, pasmem, em tempo recorde
conseguiram aprovar uma lei que garante o aumento de suas bolsas e a possibilidade de rever outras questões importantes.
Bom, quem sabe conseguiremos regulamentar a Emenda 29,
melhorando o financiamento à saúde. Quem sabe viabilizaremos
uma regulamentação de efetivo respeito a pacientes e prestadores
na saúde suplementar, além de implantar a CBHPM.
São muitas coisas a sonhar, lógico. Mas principalmente devemos crer na organização de um movimento médico sólido, com
grande participação. Assim certamente seremos ouvidos nos ministérios, secretarias, por legisladores e gestores para colocar a saúde no patamar que merece. Sonho que se sonha junto é realidade.
Um Feliz Natal e um Excelente 2007 a todos.
DIRETORIA ELEITA - DIRETORIA 2005-2008
Presidente: Jorge Carlos Machado Curi
1º Vice-presidente: Florisval Meinão
2º Vice-presidente: Paulo De Conti
3º Vice-presidente: Donaldo Cerci Da Cunha
4º Vice-presidente: Luís Fernando Peixe
Secretário Geral: Ruy Y. Tanigawa
1º Secretário: Renato Françoso Filho
DIRETORES
Administrativo: Akira Ishida; Administrativo
Adjunto: Roberto de Mello; 1o Patrimônio e
Finanças: Lacildes Rovella Júnior; 2o
Patrimônio e Finanças: Murilo Rezende
Melo; Científico: Alvaro Nagib Atallah;
Científico Adjunto: Joaquim Edson Vieira;
Defesa Profissional: Tomás Patrício SmithHoward; Defesa Profissional Adjunto:
Jarbas Simas; Comunicações: Nicolau
D´Amico Filho; Comunicações Adjunto:
Roberto Lotfi Júnior; Marketing: Ronaldo
Perches Queiroz; Marketing Adjunto: Clóvis
Francisco Constantino; Eventos: Hélio Alves
de Souza Lima; Eventos Adjunto: Frederico
Carbone Filho; Tecnologia da Informação:
Renato Azevedo Júnior; Tecnologia da
Associação Paulista de Medicina
Filiada à Associação Médica Brasileira
SEDE SOCIAL:
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278 – CEP 01318-901
São Paulo – SP – Fones: (011) 3188-4200/3188-4300
Informação Adjunto: Antonio Ismar Marçal Menezes;
Previdência e Mutualismo: Alfredo de Freitas Santos
Filho; Previdência e Mutualismo Adjunto: Maria das
Graças Souto; Social: Nelson Álvares Cruz Filho; Social
Adjunto: Paulo Cezar Mariani; Ações Comunitárias:
Yvonne Capuano; Ações Comunitárias Adjunto:
Mara Edwirges Rocha Gândara; Cultural: Ivan de Melo
Araújo; Cultural Adjunto: Guido Arturo Palomba;
Serviços Gerais: Paulo Tadeu Falanghe; Serviços
Gerais Adjunto: Cristião Fernando Rosas; Economia
Médica: Caio Fabio Camara Figliuolo; Economia
Médica Adjunto: Helder de Rizzo da Matta; 1o Diretor
Distrital São Caetano do Sul: Delcides Zucon; 2o
Diretor Distrital Santos: Percio Ramon Birilo Becker
Benitez; 3o Diretor Distrital São José dos Campos:
Silvana Maria Figueiredo Morandini; 4o
Diretor Distrital Sorocaba: Wilson Olegário
Campagnone; 5o Diretor Distrital
Campinas: João Luiz Kobel; 6o Diretor
Distrital Ribeirão Preto: João Carlos
Sanches Anéas; 7o Diretor Distrital
Botucatu: Noé Luiz Mendes de Marchi; 8o
Diretor Distrital São José do Rio Preto:
Pedro Teixeira Neto; 9o Diretor Distrital
Araçatuba: Margarete de Assis Lemos; 10o
Diretor Distrital Presidente Prudente: Enio
Luiz Tenório Perrone; 11o Diretor Distrital
Assis: Carlos Chadi; 12 o Diretor Distrital
São Carlos: Luís Eduardo Andreossi; 13o
Diretor Distrital Barretos: Marco Antônio
Teixeira Corrêa; 14o Diretor Distrital
Piracicaba: Antonio Amauri Groppo
CONSELHO FISCAL
Titulares: Antonio Diniz Torres, Braulio de
Souza Lessa, Carlos Alberto Monte Gobbo,
José Carlos Lorenzato, Tarcísio Eloy Pessoa
de Barros Filho. Suplentes: Krikor
Boyaciyan, Nelson Hamerschlak, Reinaldo
Antonio Monteiro Barbosa, João Sampaio de
Almeida Prado.
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Revista da APM
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POLÍTICAMÉDICA
Regulamentação da Medicina
é aprovada no Senado
Texto segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados
RICARDO BALEGO
Dezembro de 2006
A
Revista da APM
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regulamentação da profissão
médica, uma das grandes demandas da saúde brasileira, começa a
ser definida após a aprovação na Comissão de Assuntos Sociais do Senado,
em 6 de dezembro, do projeto de Lei
substitutivo 268/2002 – que tramita no
lugar do PL 25/2002.
Segundo a senadora Lúcia Vânia
(PSDB-GO), relatora do projeto, os trabalhos buscaram “uma proposta que
atendesse aos interesses de todas as
áreas para contemplar, em primeiro
lugar, os usuários da saúde, preservando sua integridade física, psicológica e
moral”. Seu empenho na condução do
PLS foi destacado pelas entidades envolvidas e pelos próprios senadores.
Inicialmente, a matéria substitutiva
baseou-se em dois projetos que já tramitavam no Congresso Nacional e tratavam do tema: o PL 268/02, de autoria
de Benício Sampaio, e o PL 25/02, cujo
autor foi Geraldo Althoff, ambos exsenadores. Para se chegar ao texto final, foram necessárias audiências
públicas e diversas reuniões entre as
várias categorias da saúde.
“O projeto ficou excelente para todos os lados”, afirmou o diretor da
APM e vice-presidente do CFM, Clóvis
Francisco Constantino.
A regulamentação da profissão médica e suas atribuições têm sido objeto
de discussão entre profissionais da
saúde há pelo menos quatro anos. Nesse
tempo, sofreu diversas alterações, entre elas, a recente supressão do conceito de Ato Médico pela relatora Lúcia
Vânia, sob a alegação de que o termo
interferia nas outras profissões de saúde.
De acordo com o texto aprovado, são
privativas do médico atividades como:
definição do diagnóstico e da prescrição terapêutica, indicação e execução
de intervenção cirúrgica, entubação traqueal, administração de sedação profunda e de anestesia geral, realização
de perícias médicas e exames médicolegais e atestação de condições de
saúde e de óbito.
“De um modo geral, consideramos
um avanço significativo esse entendimento e esse acordo para se poder regulamentar a profissão médica sem
grandes atritos com os demais profissionais”, disse o vice-presidente da
APM, Florisval Meinão.
Segundo o projeto, ainda, é permitido aos profissionais de outras categorias administrar centros de saúde. Por
outro lado, a direção e chefia de serviços médicos em estabelecimentos continuam inerentes somente aos
médicos, assim como a coordenação e
ensino de disciplinas nos cursos de
graduação em medicina.
Comissão de Assuntos Sociais (CAS)
do Senado, ocasião em que foi aprovado por unanimidade pelos seus 21
componentes. Como é um projeto
substitutivo, no entanto, precisou passar por nova apreciação pelos senadores em turno suplementar, uma
semana depois.
O texto substitutivo também havia
sido anteriormente apresentado pela
senadora Lúcia Vânia ao ministro da
Saúde, Agenor Alvarez, que se predispôs a recomendar o PLS em sua tramitação. “O ministro se mostrou
surpreso e agradecido com o texto”,
atestou a senadora.
A matéria já foi encaminhada pelo
presidente da CAS, senador Antônio
Carlos Valadares (PSB-CE), à Mesa Diretora do Senado, que deverá enviar a
proposta para apreciação da Câmara dos
Deputados – possivelmente na Comissão de Seguridade Social e Família. Unanimidade
No dia 29 de novembro, o PLS
268/2002 já havia sido analisado pela
Florival Meinão, “avanço significativo”
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Revista da APM
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SAÚDEPÚBLICA
Revista da APM
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Residentes em greve
Jovens médicos organizam movimento por melhores condições de trabalho
ADRIANA REIS
LUCIANA ONCKEN
à população as dificuldades por que
reajuste da bolsa, para que cobrisse
passam diariamente.
minimamente o acúmulo da inflação do
Na lista de reclamações estavam o
A
população, o governo e as
entidades médicas ouviram,
em novembro, em alto e bom som, o
desabafo dos médicos residentes. Preocupados com a qualidade do atendimento nos hospitais e insatisfeitos
com o valor da bolsa que recebem –
que não era reajustada desde 2002 – e
com a carga horária sobrecarregada,
eles decidiram parar. Iniciaram uma
greve que foi aderida pela maior parte dos 17 mil médicos residentes, no
Brasil inteiro. Foram às ruas para expor
período (53,7%) e a garantia de que não
Paralisação permitiu a divulgação de reivindicações
a categoria, seja de 30%, como cogita
o governo”, descreveu o texto.
Além do baixo valor da bolsa e da
ameaça de corte de vagas, o movimento também pedia melhores condições de trabalho e aprendizado.
Segundo denúncia feita durante os
protestos, muitos residentes trabalham mais de cem horas por semana e
chegam a ficar até 48 horas seguidas
sem descansar. São comuns ainda casos em que exercem a atividade sem
ção profissional e coloca em risco a
haverá corte de vagas.
de 60 horas semanais. Fora o desconto
qualidade do atendimento prestado.
O movimento em São Paulo foi en-
do INSS, o residente recebe R$ 6 por
cerrado em 16 de novembro, após au-
hora trabalhada – quantia semelhante
diência com o governador Cláudio
à que se paga a auxiliares de enferma-
Desde agosto, as entidades represen-
Lembo, que se comprometeu a não
gem. Na prática, porém, os residentes
tativas dos médicos residentes vinham
diminuir as vagas. Outra importante
trabalham mais de 60 horas semanais.
ameaçando uma greve geral, iniciada em
vitória foi a aprovação na Câmara Fe-
Muitos dão plantões em outros hospi-
1º de novembro. O Estado de São Pau-
deral, no dia 28, do projeto de lei que
tais, ampliando bastante sua jornada.
lo, que conta com aproximadamente 6,5
concede aumento de 30% no valor das
A questão salarial, entretanto, não é o
mil médicos residentes, aderiu ao mo-
bolsas, abaixo do que pediam, mas con-
maior problema. É possível conseguir
vimento no dia 8, com uma passeata
siderado um avanço.
um aumento, seja de 50%, como pede
até a Secretaria Estadual de Saúde.
Passeatas
A principal conquista, no entanto,
foi fazer com que a sociedade conhecesse a difícil realidade do médico
residente. As passeatas pelas ruas de
São Paulo e de outras cidades e a ampla
cobertura da mídia fizeram com que a
população se interasse dos problemas
e pudesse se posicionar.
O jornal Folha de S.Paulo, por exemplo, publicou um editorial em 14 de
novembro, defendendo os grevistas.
“As reivindicações dos médicos residentes, em greve desde 1º de novembro, são justas. Exigem um reajuste de
54% no valor da bolsa, que é hoje de
cerca de R$ 1.500 para uma jornada
Falta de reajuste da bolsa é uma das principais reivindicações do movimento
Dezembro de 2006
supervisão, o que prejudica a forma-
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Revista da APM
Residentes concentram-se no Hospital das Clínicas, em São Paulo
SAÚDEPÚBLICA
Ato Público, na Praça daSé, no centro de São Paulo
“Tentamos uma reunião com o
secretário Luiz Roberto Barradas
Barata, mas ele nos enviou um reDezembro de 2006
presentante sem gerência para debater essas questões”, conta Helena
composto pelo presidente da casa (Ro-
mente uma audiência com Barradas,
drigo Garcia - PFL), pelo líder do go-
também sem sucesso.
verno (Edson Aparecido - PSDB) e
Mas, se por um lado os médicos gre-
pelos líderes de todas as 12 bancadas:
vistas encontraram resistência por par-
PC do B, PDT, PFL, PL, PMDB, PP,
te de algumas autoridades, à medida que
PPS, PSB, PSDB, PT, PTB e PV. Os
o movimento crescia, conquistava es-
médicos puderam expor os principais
paço para se fazer ouvir. Uma das pri-
pontos da greve, com ênfase na adequa-
No dia seguinte, aproximadamente
meiras respostas positivas ocorreu no
ção do Orçamento de 2007, para que a
mil médicos residentes e estudantes
dia 13 de novembro, quando uma co-
Secretaria Estadual da Saúde possa pa-
de medicina reuniram-se no vão li-
missão dos médicos residentes foi re-
gar as bolsas com o novo valor sem re-
vre do Masp, para um novo protesto.
cebida pelo Colégio de Líderes da
duzir o número de vagas.
Eles foram em passeata até a sede da
Assembléia Legislativa de São Paulo,
Lemos Petta, presidente da Ameresp, a Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo.
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Revista da APM
Secretaria de Saúde, pedindo nova-
Entusiasmados por essa vitória, eles
marcaram presença nas ruas novamente, no dia seguinte, com um ato na Praça da Sé. Vestidos com o jaleco branco
e carregando faixas com dizeres que
reforçavam suas bandeiras de luta (“reajuste de 53,7% sem corte de bolsas” e
“por melhores condições de trabalho,
aprendizado e vida”), os grevistas chamaram a atenção de motoristas e pedestres. Palavras de ordem marcaram
os discursos das lideranças.
Outro avanço importante foi o encontro que representantes dos médicos
residentes tiveram com o presidente da
Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo
(PC do B), no Pavilhão de Autoridades
Grevistas usam “nariz de palhaço” para chamar a atenção da população
do Aeroporto de Congonhas, no dia 10.
Durante 30 minutos, o deputado ouviu
grupo de discussão permanente para
as reivindicações e, por fim, se com-
debater essas questões.
A decisão de interromper a greve foi
Também estiveram presentes nesta
após a audiência com o governador
projeto de lei 7.561/2006, que deter-
reunião o presidente da Academia de
Cláudio Lembo. O secretário Barradas
mina o reajuste da bolsa em 30%. A
Medicina de São Paulo, Luiz Fernando
também esteve presente, além dos de-
reunião surtiu efeito. No fim de novem-
Franco, o presidente do Cremesp,
putados estaduais Fausto Figueira (PT),
bro, o PL foi aprovado, garantindo o
Desiré Carlos Callegari, o presidente
Luis Carlos Gondim (PPS) e Waldir
aumento das bolsas já a partir de janei-
da Associação Brasileira de Educação
Agnello (do PTB e presidente da Co-
ro de 2007 (passará dos atuais R$ 1.460
Médica, Milton de Arruda Martins,
missão de Saúde e Higiene da Assem-
para R$ 1.916,45).
além dos conselheiros do Cremesp,
bléia Legislativa).
“Tenho o dever de registrar a nossa
Eurípedes Balsanufo Carvalho, Luiz
Na oportunidade, Lembo declarou
satisfação de fazer esse trabalho pelo
Alberto Bacheschi e Maria do Patrocínio
publicamente que não haverá redu-
fato de [os médicos residentes] serem
Tenório Nunes.
ção no número de bolsas para 2007,
pessoas que têm demonstrado, ao lon-
Os participantes foram unânimes em
fato que foi considerado suficiente
go desse processo, maturidade ímpar,
reconhecer que a situação dos médi-
para encerrar a greve e, assim, evitar
própria dos bons profissionais”, discur-
cos residentes é complicada e aponta-
o desgaste e os prejuízos à popula-
sou o relator do projeto, deputado
ram, entre outros problemas, a carga
ção. No entanto, os médicos residen-
Arlindo Chinaglia (PT-SP).
horária excessiva, que não permitia ao
tes irão se manter em vigilância para
profissional dedicar-se ao estudo, ne-
garantir que os compromissos assu-
cessário nessa fase de formação. Eles
midos sejam cumpridos e para conti-
Diante de tamanha mobilização, as
admitiram que a greve é uma decisão
nuar lutando para melhorar as
entidades médicas decidiram sentar à
extrema, mas que, naquele caso, tinha
condições de trabalho, ampliando,
mesa com representantes dos residen-
de ser tomada e manifestaram o apoio
desta forma, a qualidade no atendi-
tes. Na noite do dia 14, reuniram-se no
das entidades.
mento à saúde da população. Entidades médicas
Cremesp para conversar sobre a greve.
O presidente da APM, Jorge Machado
Curi, participou do encontro e se posicionou a favor do movimento.
“Acredito que a pauta de reivindicações de vocês é interessante, em termos
gerais. O aumento do valor da bolsa é
justo”, afirmou Curi. O presidente da
APM ponderou sobre o momento político que o país vive. “Estamos numa
transição, porque haverá mudança de
gestão. E todos sabemos que essa mudança de governo é sempre delicada”,
disse. Curi aconselhou os médicos residentes a evitar o desgaste do movimento, que naturalmente é gerado por uma
greve. E sugeriu que se organizasse um
Entidades reúnem-se com representantes dos residentes
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Revista da APM
prometeu a encaminhar para votação o
Dezembro de 2006
tomada no dia 16 de novembro, logo
SAÚDEPÚBLICA
Dezembro de 2006
Pesquisa aponta extensa jornada
Revista da APM
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Dados preliminares de uma pesqui-
Perguntados sobre qual a carga ho-
sa que está sendo feita pela Ameresp
rária máxima que cumpriram em
indicam que a jornada média de tra-
uma semana, alguns chegaram a res-
balho dos médicos é de 72 horas por
ponder 93 horas.
semana. Por meio do site da associa-
Outro dado interessante refere-se
ção, os médicos foram convidados a
à supervisão, que é obrigatória em
responder um questionário. O resul-
tempo integral: em 45% da carga
tado mostra que 53% excedem 60
horária, o médico não-residente não
horas semanais, ultrapassando o má-
estava presente. A pesquisa foi res-
ximo determinado por lei; 54% dis-
pondida por 136 médicos residentes
seram que têm jornada além do que
de 32 hospitais, no período entre
seria justificável pelo aprendizado.
agosto e outubro de 2006.
Hospitais que tiveram
paralisação dos médicos
residentes em São Paulo:
• Hospital das Clínicas de São Paulo
- USP (969 residentes)
• Unifesp/Escola Paulista de
Medicina (552)
• HC - USP Ribeirão Preto (523)
• Santa Casa de São Paulo (486)
• Unicamp (472)
• UNESP Botucatu (331)
• Hospital do Servidor Público
Estadual (314)
• Faculdade de Medicina de São
Conheça algumas das reivindicações
dos médicos residentes:
- Fiscalização efetiva do cumprimen-
- Reformulação da composição da
to de carga horária máxima de 60 ho-
Comissão Nacional de Residência
ras semanais, 30 dias de férias anuais,
Médica, incluindo representantes
descanso semanal mínimo de 24 ho-
dos Secretários de Saúde, estudantes
ras, 10% a 20% de atividades teóricas,
e população;
supervisão, moradia e alimentação;
- Consolidar as Comissões Estadu-
- Estabelecer máximo de 24 ho-
ais de Residência Médica como parte
ras de trabalho continuado (folga
integrante da estrutura administrativa
pós-plantão);
do MEC/CNRM;
- Espaço nacional para construção
- Paridade de representação dos re-
de diretrizes políticas para especia-
sidentes nas Comissões de Residên-
lização médica com foco nas neces-
cia Médica (COREME);
sidades de saúde;
- Mesa permanente de negociação do
valor da bolsa entre residentes e fontes
financiadoras da residência médica;
- Políticas que visem qualificar e
valorizar a preceptoria;
- Incorporar, no financiamento da
- Liberação de atividades da residência para participação em espaços
de representação dos residentes;
- Fóruns de Avaliação da residência médica (nacional, estadual e local) que incluam avaliação de
residentes, programas e instituições.
residência médica, financiamento para
os programas e para as instituições;
Fonte: Ameresp e ADERE (Ação pela Democratização
da Residência Médica)
José do Rio Preto (250)
• Santa Marcelina (225)
• Ipiranga (132)
• Hospital e Maternidade Celso
Pierro - PUC Campinas (126)
• Heliópolis (125)
• Faculdade de Medicina de Marília (108)
• Mário Gatti - Campinas (74)
• Universidade Santo Amaro UNISA (72)
• Tatuapé (67)
• Emílio Ribas (64)
• Mandaqui (60)
• Dante Pazzaneze (57)
• Universidade de Taubaté (57)
• Ermelino Matarazzo (48)
• Campo Limpo (40)
• Clínica Raskin - Campinas (12)
• Cândido Ferreira - Campinas (5)
Total: 5.361 (mais de 80% dos médicos residentes do Estado)
Fonte: blog da greve dos médicos residentes:
http://greveresidentes.blogspot.com/
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Revista da APM
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POLÍTICAMÉDICA
Revista da APM
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Representantes de entidades médicas e de residentes, em reunião na sede da APM
Conselho Científico
debate residência médica
LUCIANA ONCKEN
A
médica, ajustar carga horária.
estruturada hoje, não está focada nas re-
Para a presidente da Ameresp, a
ais necessidades da formação do médi-
Residência Médica, do jeito que está
co. “É preciso olhar para a estrutura de
residência médica foi um dos
gestão e avaliação”, destaca.
temas abordados em reunião
Quanto ao número de vagas, Hele-
do Conselho Científico da APM, reali-
na disse que o movimento teve de se
zada no dia 1º de dezembro. Na oca-
contentar com a manutenção do atu-
sião, os participantes aproveitaram para
al, diante da ameaça de redução.
fazer um balanço do movimento dos
Acrescentou que é necessário mais
residentes, que incluiu uma greve, no
vagas, já que 40% dos médicos for-
mês de novembro (ver matéria de capa),
mados ficam fora do programa.
pelo aumento da bolsa e melhores condições de trabalho e educação.
A presidente da Associação dos
Médicos Residentes do Estado de São
Paulo (Ameresp), Helena Petta, fez
uma análise positiva da greve e deixou
claro que o movimento não parou porque, segundo disse, há necessidade de
melhorar as condições da residência
Em seguida, a presidente da Comis“A questão da bolsa foi um desencadeador do movimento, mas
ainda precisamos de melhores
condições de trabalho e aprendizado. Muitas vezes o residente não
tem condições de exercer atividades”, ponderou Helena Petta
são Estadual de Residência Médica de
São Paulo, Ana Zöllner, falou sobre a
visão atual da Comissão. Ela traçou a
situação atual do sistema e suas falhas,
como falta de vistoria nos programas e
falta de transparência, além da questão
da carga horária dos programas e da
divisão entre atividades.
Ana Zöllner, da Comissão Estadual
Jorge Curi, presidente da APM
Desiré Callegari, presidente do Cremesp
Já o diretor administrativo da APM,
médicos residentes serviu também para
são Nacional de Residência Médica,
Akira Ishida, destacou o papel de An-
mostrar que “quando os médicos que-
Antônio Carlos Lopes, alertou para o
tônio Carlos Lopes na Comissão Naci-
rem, eles podem”.
total descaso com a residência médi-
onal de Residência Médica.
Dezembro de 2006
O secretário executivo da Comis-
ca no País. “Não podemos permitir
que residentes sejam mão-de-obra barata”, disparou.
Revista da APM
15
Cid Carvalhaes, do Sindicato dos Médicos
Antônio Carlos Lopes, da
Comissão Nacional
Akira Ishida alertou para a ne-
O presidente da Academia de Medi-
cessidade de vistoria e capacita-
cina de São Paulo, Luiz Fernando Pi-
ção. E fez um questionamento: “é
nheiro Franco, disse que a entidade apóia
necessário dar residência médica
a causa dos residentes, e também se pro-
a todos os médicos, será que te-
põe a dar continuidade às discussões. mos condições para isso?”.
O presidente da APM, Jorge Carlos
Machado Curi, disse que a entidade
fez questão de discutir o tema em sua
O presidente do Conselho Regional de
reunião de Conselho Científico, por
Medicina do Estado de São Paulo (Cre-
considerá-lo de extrema importância
mesp), Desiré Callegari, afirmou que a
para o futuro da profissão. Quanto ao
discussão merece ser aprofundada e
movimento, em sua opinião, a greve
deve-se manter um debate contínuo.
foi muito bem direcionada e os resi-
Para o presidente do Sindicato dos
dentes do Estado souberam o momen-
Médicos de São Paulo (Simesp), Cid
to certo de parar.
Célio Carvalhaes, o movimento dos
Luiz Fernando, daAcademia de Medicina
Revista da APM
16
A Saúde e o novo Congresso
Mudanças no Congresso renovam as esperanças com relação às demandas da categoria
médica e da saúde no país
RICARDO BALEGO
C
om a troca de boa parte dos de-
entidades médicas e de defesa da saúde
por exemplo, a predominância de par-
nacional, por sua vez, já vêm se mobi-
lamentares formados, empresários e
lizando a fim de se certificar que esses
profissionais liberais na nova composi-
direitos sejam garantidos.
ção em relação ao último período, inici-
putados federais e de muitos se-
Das 513 cadeiras de deputados fede-
ado em 2002.
nadores, promovida a partir das
rais colocadas à disposição no pleito,
“A redução da bancada de trabalha-
eleições de outubro último, o ano de
269 continuarão com seus atuais ocu-
dores e o aumento das bancadas de
2007 iniciará com as esperanças reno-
pantes, o que representa um índice de
empresários e profissionais liberais, por
vadas no que diz respeito às questões
reeleição de 52,43%. Outros 244 de-
exemplo, abrem espaço para novas ten-
nacionais conduzidas a partir do Con-
putados voltarão ou ocuparão pela pri-
tativas de propostas em bases neolibe-
gresso Nacional, em Brasília.
meira vez o cargo. No Senado, foram
rais, como a flexibilização da legislação
Com relação à área da saúde, a ex-
sete os reeleitos, das 27 cadeiras colo-
trabalhista, entre outras”, analisa o di-
pectativa não é diferente. Demandas
cadas à disposição – um terço da Casa.
retor do Departamento Intersindical de
bastante conhecidas por parte da popu-
Apesar dos próximos deputados toma-
Assessoria Parlamentar (Diap), Antô-
lação e da categoria médica permane-
rem posse somente em 1º de fevereiro
cem tramitando nas duas Casas – Câmara
de 2007, já é possível verificar mudan-
O Diap, órgão que faz o mapeamento
dos Deputados e Senado Federal. As
ças no perfil da Câmara. Aumentou,
do Congresso Nacional há mais de duas
nio Augusto de Queiroz.
Foto: Osmar Bustos
Dezembro de 2006
POLÍTICAMÉDICA
décadas, verificou que 265 dos deputa-
próxima composição da Câmara se as-
creditam a reeleição da maioria e a
dos eleitos declararam-se profissionais
semelhará à dos parlamentos de países
ausência de novos nomes às mudan-
liberais, ao passo que 121 se registra-
mais desenvolvidos.
ças na lei eleitoral, em que pesaram
fatores como a redução dos gastos de
ram como empresários. Em 2002, es-
Entra e sai
campanha e a proibição de materiais
respectivamente. O terceiro maior gru-
Cerca de 433 dos 513 deputados fe-
de propaganda. Na prática, isso teria
po de deputados é constituído pelos as-
derais em fim de mandato tentaram se
reafirmado os nomes já conhecidos
salariados
incluindo
reeleger, ou seja, 84,40% pretendiam
pelo eleitorado.
trabalhadores da iniciativa privada e do
manter suas cadeiras. Destes, foram
Quanto aos novatos, dos 244 novos
setor público, com 88 integrantes.
reeleitos 269. Índice semelhante foi
escolhidos, 46 já exerceram o cargo de
Dentro da categoria dos profissionais
visto somente em 1990, quando
deputado federal em legislaturas ante-
liberais, 54 são médicos, atrás somente
51,35% dos candidatos garantiram mais
riores à 2002.
dos advogados (87) e à frente dos enge-
um mandato.
urbanos,
nheiros (47), economistas (20), admi-
Uma ressalva importante é que, até a
Institutos de pesquisa como o Diap
data da posse, há a possibilidade de mui-
nistradores (15) e jornalistas (10).
Mais instrução
Com relação ao perfil socioeconômi-
Dezembro de 2006
ses números foram cerca de 200 e 100,
17
co dos novos eleitos, há predominân-
Revista da APM
cia dos que têm graduação superior,
idade entre 30 e 60 anos, e alguma experiência política em cargo público.
Esta será a Câmara dos Deputados
mais instruída, levando-se em conta
todos os níveis de escolaridade.
Em 2002, cerca de 385 dos 513 deputados eleitos disseram possuir diploma de curso superior. Neste ano,
são 413 deputados formados neste
nível. Dos restantes, 37 não terminaram a faculdade, 51 têm o ensino médio e 12 possuem apenas o ensino
fundamental concluído.
“A conformação ideológica da nova
Câmara, a julgar pela formação e fonte
de renda, tende a ser menos social-democrata e mais liberal, o que aumenta
a pressão por reformas”, prevê Queiroz, que também é analista político.
Em termos de grau de instrução, a
Fonte: DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
POLÍTICAMÉDICA
tos deputados eleitos serem indicados a
“A Câmara dos Deputados que
saúde nacional, fecha o exercício de
cargos no governo ou outras funções,
emergiu das urnas em outubro de 2006
2006 com 190 componentes, dos quais
abrindo, com isso, espaço para que seus
não sofreu grande mudança do ponto
34 são médicos.
suplentes assumam em seus lugares.
de vista partidário em relação às ban-
A renovação da Câmara, no entanto,
Do ponto de vista partidário, no en-
cadas atuais. Não houve alteração
deve promover sensíveis mudanças na
tanto, a renovação de quase 48% da
substancial da correlação de forças,
composição do grupo. A legislatura que
Câmara não significou grandes mudan-
tendo por parâmetro o pleito de
se inicia em fevereiro de 2007 terá, in-
ças. Nesse aspecto, destacaram-se ape-
2002”, confirma o diretor do Diap,
dependente de formação de frentes ou
nas partidos menores como o PV, que
Antônio Augusto de Queiroz.
outros grupos setoriais, 54 médicos atu-
passou de cinco para 13 parlamentares, o PSC, que saltou de um para nove
deputados, e o PPS, que ganhou mais
Bancada médica
O número é maior que a legislatura
A Frente Parlamentar da Saúde, bancada formada em prol dos assuntos da
anterior, que terminará com 52 médicos, dos quais 33 foram reeleitos. Dezembro de 2006
sete cadeiras além das atuais 15.
ando como deputados federais.
Revista da APM
18
Fonte: DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
Agenda os que tratam da regulamen-
já que os trabalhos vêm tendo boa
lho Federal de Medicina (CFM) e
tação da profissão médica (PLS 268/
repercussão. “A expectativa para a
Associação Médica Brasileira
02), financiamento do SUS (EC 29) e
entrega da Agenda é das melhores
(AMB), a Comissão de Assuntos
consolidação da CBHPM no sistema
possíveis, pois está havendo uma re-
Políticos das entidades preparou a
de saúde suplementar (PL 3466/04),
ceptividade muito grande por parte
Agenda Parlamentar da Saúde Res-
entre muitos outros. Mas também fa-
de toda a classe médica. Isso é im-
ponsável, composta pelos 84 Proje-
zem parte da relação projetos que a
portante porque toda a categoria do
tos de Lei considerados prioritários
classe médica considera parcialmen-
país vai ter que participar, já que a
para a saúde nacional.
te favorável – estes passíveis de mu-
comissão é só um canal para viabi-
Reunidas em uma publicação, as
danças – e outros, ainda, que têm
lizar isso”, destaca Jurandir Mar-
propostas serão apresentadas ofici-
parecer desfavorável do movimento
condes Ribas Filho, um dos
almente ao Congresso entre final de
médico, como os PLs 7354/06 e
representantes da AMB no grupo.
janeiro e início de fevereiro de
6435/05, que tratam dos Atos Quí-
A Comissão de Assuntos Políti-
2007, mês em que tomam posse os
mico e Farmacêutico, respectivamen-
cos é formada ainda por Pedro Pa-
novos representantes.
te, e que foram aprovados para
blo Chacel e Neuman Figueiredo de
tramitação conjunta recentemente
Macedo, pelo CFM, e Luc Louis
pela mesa diretora da Câmara.
Maurice Weckx e José Luiz Dan-
“Durante a elaboração da Agenda
a gente já trabalhava no Congresso.
Ao passo que identificávamos os
projetos que precisavam de alguma
intervenção, já eram marcadas au-
As previsões da comissão são positivas,
tas Mestrinho, pela AMB.
Foto: Camila Kaseker
diências com deputados e senadores, procurando propor redações
dos textos e explicando por que alguns projetos têm determinadas dificuldades”, explica Alceu José
Peixoto Pimentel, um dos representantes do CFM na comissão.
De fato, foram realizadas cerca de
30 audiências com parlamentares
durante 2006, sempre com resultados positivos. “Todos os parlamentares, de todos os partidos, nos
atenderam muito bem e nunca nos
foi recusada uma solicitação de audiência”, confirma Pimentel.
Encabeçam a lista de Projetos da
Comissão de Assuntos Políticos, em reunião na sede da AMB
19
Revista da APM
Formada por membros do Conse-
Dezembro de 2006
COMISSÃO ENTREGARÁ AGENDA PARLAMENTAR
ASSOCIATIVISMO
Dezembro de 2006
Mesa diretora de um dos módulos debatidos em Itapeva (SP)
Revista da APM
20
APM discute papel
do associativismo
Em Itupeva, representantes da APM de todo o Estado se reúnem para debater o
futuro da instituição
LUCIANA ONCKEN
F
médicos paulistas.
senvolvimento da entidade ao longo
O primeiro palestrante, ainda na noi-
dos anos. Em seguida, o vice-presidente
te de sexta-feira, dia 24, foi o presiden-
Florisval Meinão, comandou um deba-
oram três dias de imersão no
te da APM, Jorge Carlos Machado
te. Meinão lançou algumas questões
mundo associativo. Representan-
Curi, que apresentou a história e o de-
para a plenária:
tes da Associação Paulista de Medicina
(APM) de todo o Estado se reuniram,
entre os dias 24 e 26 de novembro, em
Itupeva, para discutir os rumos da entidade nos próximos anos e traçar metas
em todas as áreas de atuação.
A abertura do I Encontro APM foi
realizada pelo 1º Secretário da APM,
Renato Françoso, organizador do
evento, que falou sobre a importância
de se reunir em prol do associativismo,
visando oferecer o melhor para os
Representantes do Interior e da Capital assistem a uma das palestras
médicos desses países não precisem
revalidar seus diplomas quando atuarem em qualquer dos três. A diretoria
da APM reunida aprovou uma moção
de repúdio ao acordo.
Outro ponto importante destacado
pelo vice-presidente do CFM foi a votação do substituto (268/06) da senadora Lúcia Vânia ao projeto de lei do
Ato Médico, que deve entrar na pauta
nesta quarta-feira, 29 de novembro. “O
projeto ficou excelente para todos os
será votado na Comissão de Assuntos
- Qual é o papel que a APM deve ter
todo o País. A APM dita normas e con-
junto aos serviços públicos e privados
ceitos. Trata-se de uma instituição extre-
Durante o encontro, falou-se muito
de saúde?
mamente reconhecida e de grande
sobre a importância de incrementar o
prestígio”, completou.
uso do Selo Médico, sobre a participa-
- Qual o papel que a APM deve desenvolver junto ao legislativo?
Sociais do Senado.
Na ocasião, Constantino chamou
ção da APM nos Conselhos Municipais
- A atividade médica deve estar en-
atenção para algumas questões impor-
de Saúde, sobre a idéia de levar os pro-
quadrada como relação de consumo e
tantes para os médicos e o andamento
gramas culturais e sociais e os eventos
ser submetida ao Código de Defesa do
delas. Ele mostrou preocupação com a
científicos às regionais, sobre propos-
Consumidor?
intenção do Ministério das Relações
tas para agregar novos sócios, princi-
- Como se pode melhorar o relacio-
Exteriores do Brasil em assinar um
palmente os jovens, sobre a assistência
namento entre as regionais da APM e a
acordo com Cuba e Bolívia para que
jurídica, sobre a descaracterização da
APM Estadual?
- Como a APM trabalha os avanços
científicos?
As respostas foram dadas ao final do
evento, que foi divido em cinco módulos, em que foram apresentados os departamentos da APM Estadual, como
eles atuam, e o que podem oferecer para
as regionais.
O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Clóvis Constantino, também falou aos presentes. Em seu
discurso, elogiou a atuação da APM.
“Não é fácil agregar 26 mil médicos numa
só instituição, quando sua participação a
ela é facultativa”, destacou. “Tenho
percebido a importância da APM em
Mesa que dirigiu o módulo 2º
Dezembro de 2006
lados”, explicou. O projeto substituto
21
Revista da APM
Jorge Curi, presidente da APM: “é fundamental levar este conhecimento a todos”
ASSOCIATIVISMO
balhar a conscientização do médico sobre as nossas ações”, destacou o diretor
administrativo da APM, Akira Ishida.
Participação
Os presidentes de regionais participaram ativamente do I Encontro APM,
entre 24 e 26 de novembro, em Itupeva. Ali, registraram as suas dúvidas e
tiraram muitas delas, colocaram a sua
opinião sobre a entidade e como ela
devia agir, conheceram melhor a insti-
Dezembro de 2006
Mesa diretora do módulo 3º, no Encontro de Atibaia
Revista da APM
22
tuição para a qual se dedicam.
O presidente da APM Santos, por
relação médico-paciente como relação
dantes e residentes de várias institui-
exemplo, propôs que todos trabalhem
de consumo, sobre o relacionamento da
ções, como uma forma de aproximar
para agregar o maior número de “cole-
APM com as sociedades de especiali-
os jovens do sistema associativo.
gas” possível, principalmente os mais
dades e associações de hospitais, pro-
“Nós temos um papel muito impor-
novos. Esta preocupação da entidade
pondo uma aproximação maior, a
tante, que é defender a nossa classe, e nós
em trazer o jovem médico para o siste-
criação de um comitê de Bioética, a
estamos fazendo isso. Nós temos sim uma
ma associativo ficou bastante evidente.
criação de comitê de Residentes e um
resposta quando nos perguntam o que a
E deve ser uma das linhas de trabalho
comitê de Acadêmicos, reunindo estu-
APM faz pelo médico. Precisamos tra-
daqui para frente, sem esquecer os mé-
Coordenadores e participantes do 1º Encontro sobre Associativismo
Todas as propostas foram estudadas
por um grupo de trabalho que, ao final
de cada módulo, se reunia para estabelecer quais propostas seriam apresentadas na plenária final.
O coordenador dos trabalhos, Renato Françoso, primeiro secretário, ressaltou a importância de quebrar
paradigmas e passar a ver a APM como
uma só entidade. “Estamos aqui para
descobrir como vamos nos engajar por
decisões sobre as políticas de saúde.
vamos nos posicionar”, ressaltou.
Estas foram só algumas das várias participações, e todas válidas, para se co-
Uma outra colocação interessante foi
De Araraquara, Marco Antônio Cae-
do presidente de Limeira, que queria
tano, também considera essencial esta atu-
saber como fazer com que a APM, nas
ação da APM no Conselho Municipal de
O presidente da APM, Jorge Carlos
pequenas cidades, seja viável. Uma ex-
Saúde e a aproximação da APM com to-
Machado Curi, considerou o encontro
periência bastante valorizada, na oca-
das as sociedades de especialidades.
muito positivo. “É fundamental levar
nhecer melhor a complexidade da APM
em todo o Estado.
sião, foi a apresentada pelo presidente
Antônio Haddad Dib, de Piracicaba,
este conhecimento a todos, fazer com
da APM Avaré, José Carlos de Arruda
ao lado de outros representantes de ou-
que se conheça melhor a instituição. É
Campos. O médico vai de consultório
tras regiões, propôs a “interiorização”
um trabalho de integração extremamen-
em consultório apresentar a APM e con-
dos programas científicos, culturais e
te importante entre todas as regiões do
vencer seus colegas a se associar. Até
sociais da APM Estadual.
Estado”, analisou. agora, ele garante ter conseguido 100%
de adesão. Sua atitude faz até mesmo
lembrar o trabalho do idealizador da
APM, Alberto Nupieri que, em 1930,
fez a mesma peregrinação para convencer os médicos da época a fundar a Associação Paulista de Medicina (APM).
Carlos Amorim, da APM Matão,
trouxe a experiência de sua cidade. Lá
90% dos médicos são associados. Há
uma parceria com a Unimed local que
viabiliza a associação à entidade. Além
disso, sua forte atuação no Conselho
Municipal de Saúde de Matão é reconhecida pelos colegas locais, que sabem a importância de participar das
Mesa que dirigiu o módulo 5º, no encontro “Construindo o Futuro”
Dezembro de 2006
dicos com formação mais avançada.
esta associação daqui para frente, como
23
Revista da APM
Nicolau D´Amico Filho, diretor de Comunicação, fala sobre “planos para
integrar APM e regionais”
Dezembro de 2006
Anúncio Institucional de natal
Revista da APM
24
pag. dupla
Dezembro de 2006
Revista da APM
25
Anúncio Institucional de natal
pag. dupla
Dezembro de 2006
CULTURA
Foto: Luis Doroneto
Respeitável público!
Revista da APM
26
Arte circense se reformula e
atrai novas gerações de
artistas e de público
ADRIANA REIS
S
intomas: desânimo, falta de ape-
Respeitável público!
no entanto, continuam lá: a capacidade
É com imenso prazer que um núme-
de deixar a platéia boquiaberta em ma-
ro cada vez maior de artistas orgulho-
labarismos surpreendentes e a de pro-
samente apresenta as maravilhas do
vocar uma explosão de risos com as
circo. Basta andar pelas ruas de São
piadas e caretas dos artistas.
Paulo ou folhear os cadernos culturais
Mas, os palhaços se transformaram.
de revistas e jornais para perceber que
Nada de truques manjados, torneiri-
a arte circense vem ganhando novos
nha no canto dos olhos para simular o
adeptos e conquistando público.
choro que molha a platéia. Até o figu-
tite para se alimentar, vontade
Engana-se quem pensa que circo é
rino mudou. Os sapatos imensos, os
de ficar em casa, jogado num sofá, de-
programa para criança. A arte circense
suspensórios e as calças largas deram
pois de um dia inteiro de trabalho.
praticada hoje está completamente re-
lugar a uma roupa mais enxuta – mas
novada. No picadeiro, montado sob a
ainda colorida – que permite a mobi-
lona colorida, não se encontram mais
lidade. Palhaço não faz apenas palha-
Remédio: doses intensas de risadas,
animais, como no passado. Circo hoje
çada nos circos atuais. Também faz
que promoverão o bem-estar imediato
é sinônimo de criatividade e, principal-
malabarismos, como provam os artis-
do corpo e da mente, provocando rela-
mente, desenvoltura corporal. Equilí-
tas do circo Zanni. Ou improvisam,
xamento e aliviando possíveis sintomas
brio, agilidade e uma boa dose de
com avançadas técnicas de clown e
de estresse.
ousadia geram espetáculos animados
mímica, como mostram os atores do
para crianças, jovens, adultos e idosos.
Jogando no Quintal. Tudo sem deixar
Duas de suas características básicas,
a essência do circo: aflorar a alegria
Diagnóstico: queda aguda no lado
criança de encarar a vida.
Centro de tratamento: o circo mais
próximo de sua casa.
Foto: Luis Doroneto
pretende romper com o pensamento estigmatizado de que circo seja um mero
entretenimento superficial.
Para isso, inova não apenas nas atrações – com a inserção dos bonecos – mas
também no cenário, que traz imagens feitas em grafite, com figuras humanas caricatas ou estapafúrdias, como definem.
As marchinhas características dos
espetáculos circenses também se renovaram. No Stapafúrdyo, a trilha sonora, composta por André Abujamra, é
Participantes do espetáculo “Stapafúrdyo”
Brasil, criado em julho e mantido pelos
tem influência nos ritmos brasileiros.
curtir ou reviver a infância.
grupos Parlapatões e Pia Fraus. Depois
A platéia sente a adrenalina em núme-
de lotar as apresentações do espetáculo
ros de impacto como saltos acrobáti-
intitulado Stapafúrdyo, o Circo Roda Bra-
cos, paradistas, cama-elástica, lira,
Um fato que não pode ser ignorado é
sil partiu para Bauru, no interior de São
faixas e quadrante. Segundo seus inte-
que o circo tem chamado a atenção de
Paulo, seguindo sua essência mambembe.
grantes, o Circo Roda Brasil foi criado
uma nova geração de atores. São ado-
A base do Circo Roda Brasil é a jun-
para responder aos anseios de artistas
lescentes e jovens que se seduzem por
ção de teatro, circo e teatro de bonecos.
que sempre sonharam em seguir pelas
este tipo de arte e resolvem viver dessa
Com lona de 32 metros de diâmetro e
estradas levando às cidades brasileiras
arte. Diferentemente do que ocorria
capacidade para 700 pessoas, o projeto
suas variadas linguagens cênicas.
Novatos do circo
antigamente, quando as trupes percorriam o país, em condições muitas vezes
precárias, os grupos de hoje se organiTambém se especializam com formação em teatro. Muitos têm, além da indiscutível habilidade, um diploma de
ensino superior, normalmente nos cursos de artes e teatro.
Para se manter e garantir a viabilidade financeira de seus projetos, as companhias circenses atualmente se reúnem
em cooperativas. Em outras palavras,
um grupo especializado em acrobacias
se une a uma dupla de palhaços que
convida um grupo de músicos e, juntos, eles montam um espetáculo único.
Foi assim com o projeto Circo Roda
Circo Roda Brasil tem capacidade para 700 pessoas
Foto: Luis Doroneto
zam e buscam recursos para se manter.
27
Revista da APM
em seu público, estimular a fantasia,
Dezembro de 2006
tocada ao vivo pela banda Trombada e
CULTURA
equilibra na corda bamba, segurando a
Revista da APM
No entanto, se por um lado o circo se
um número tradicional do espetáculo.
profissionalizou, por outro ainda há es-
As crianças acompanham a tudo com as
paço para a improvisação. Essa é a pala-
palmas, devorando pacotes de pipoca.
vra que define o espetáculo Jogando no
Quintal, apresentado em São Paulo.
mente nos tipos de espetáculo. Há apre-
Com cenário ambientado em um es-
sentações para todos os gostos e bolsos.
tádio de futebol, a apresentação con-
Prova disso foi a passagem pelo Brasil,
siste num desafio: o público dá o tema
O apresentador coloca-se no centro
entre agosto e outubro, do Cirque du
e cada um dos dois grupos cria a ence-
do picadeiro e pede a atenção do públi-
Soleil, uma trupe de origem canadense
nação, com tempo determinado. Aque-
co. A música dá o clima de suspense no
que faz turnê mundial. Todas as sessões
le que for mais criativo marca o ponto,
ar. Ele anuncia: “vocês verão agora a
do show Saltimbanco ficaram lotadas,
ou melhor, o gol, segundo a votação da
figura mais assustadora, mais horripi-
apesar de o ingresso custar entre R$ 100
própria platéia. Ao final, o grupo que
lante, mais espantosa de todos os tem-
e R$ 250. Quem pagou e assistiu não se
tiver maior pontuação é o vencedor da
pos. Que rufem os tambores. Vejam com
arrependeu. Dividido em 12 atos, o
noite. Mas a competição é o que menos
seus próprios olhos aquela que assusta
espetáculo contou a história do garoto
importa ali. A brincadeira está na su-
gerações. A única, a inacreditável...
que vê as transformações da metrópole
peração de cada artista, que usa as téc-
Monga”. Ao anúncio da figura, a pla-
onde vive, por meio de malabarismo,
nicas do clown e a arte do improviso
téia solta uma longa gargalhada. Segu-
trapézio, palhaços, corda bamba e dan-
para inventar, na hora, cada espetáculo.
rando uma jaula improvisada, entra em
ça. Uma produção que impressiona por
O Jogando no Quintal surgiu há qua-
cena o ator com uma exagerada peruca,
seu jogo de luzes e cores, além do ta-
tro anos. Os amigos César Gouvêa e
fazendo o papel de homem-macaco.
lento dos artistas que integram o gru-
Márcio Ballas decidiram unir suas duas
Suas caretas e expressões são tão engra-
po. É a arte do circo renovada e levada
paixões, palhaço e improvisação, e cri-
çadas que nem as crianças se assustam.
a sério, com profissionalismo.
aram esse jogo que, inicialmente, era
É nesse clima que o circo Zanni apresenta suas atrações.
Há um quê de nostálgico no espetáculo, a começar pela bilheteria, que
lembra modelos de antigamente, e pelo
bilheteiro que se posiciona na entrada,
devidamente vestido com uma farda
colorida, para pegar os tíquetes e dar as
boas-vindas.
De novidade, o circo Zanni traz uma
banda, com instrumentos como teclado, guitarra, baixo e sax. Todos os músicos são trajados e maquiados como
palhaços e alguns deles até arriscam
números de malabarismo com bastão.
A clássica figura da bailarina que se
Espetáculo “Jogando no Quintal”
Foto: Divulgação
Dezembro de 2006
Como nos velhos tempos
28
sombrinha, também está lá, revivendo
A diversidade está presente não so-
Monga, do circo Zanni
Improviso
Foto: Divulgação
dava a impressão de algo que não foi
pensado e organizado com antecedência. Hoje, a improvisação virou ferramenta fundamental para nossa vida
pessoal e profissional. Quando você
acorda, não dá para saber tudo o que
vai acontecer durante o dia. Precisamos de jogo de cintura”, defende.
César e tantos outros artistas do circo
atual levam o trabalho a sério, mas não
deixam de se divertir. Com seu traba-
uma apresentação para ver o quanto a
sar. Na propaganda boca-a-boca, o pú-
platéia se diverte, especialmente pela
blico começou a aparecer.
agilidade com que a equipe cria, a partir
“Não esperava que fosse crescer tanto. Nosso objetivo, no início, era pes-
de temas tão estranhos e inusitados como
“emplasto”, por exemplo.
quisar a linguagem do palhaço e da
Aos 34 anos de idade (dez como pa-
improvisação. Queria fazer algo que eu
lhaço), ex-integrante dos Doutores da
tivesse condições de viabilizar, inclu-
Alegria e formado pela Escola de Artes
sive financeiramente. Mas as pessoas
Dramáticas da USP, César comemora
gostavam tanto que o projeto ganhou
a boa fase da arte circense.
consistência”, lembra César.
“Vejo mais do que uma revaloriza-
Novos artistas juntaram-se ao grupo e
ção do circo. É uma verdadeira onda
o projeto ficou maior. “Acho que o pú-
de humor. Acho que o ser humano an-
blico via que era algo autêntico e verda-
dava carente de humor”, diz. O mesmo
deiro e por isso gostava”, acrescenta.
ocorre com o improviso. “Há cinco
Mas não foi apenas isso. Basta assistir a
anos, falar em improvisar era ruim,
nimo e a cura para o mau humor, sem
deixar de provar deste antídoto. “Aceitamos correr o risco de nos divertir.
Dizemos sim para a vida e sim para o
outro”, diz César.
E se há um efeito colateral para esse
tratamento é a possibilidade de sair do
espetáculo com o abdômen levemente
dolorido. De tanto rir. SERVIÇO
Circo Roda Brasil:
(11) 3061-9799
Jogando no Quintal:
(11) 3672-1553
Circo Zanni:
(11) 4612-1433 e 9141-6606
Dezembro de 2006
apresentado no quintal da casa de Cé-
lho, eles levam o remédio para o desâ-
29
Revista da APM
Márcio Ballas, um dos criadores do “Jogando no Quintal”
CULTURA
ONDE APRENDER A ARTE DO CIRCO EM SÃO PAULO
Dezembro de 2006
Academia Brasileira de Circo
Avenida Francisco Matarazzo, 2030
(com viaduto Pompéia)
São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3803.9322 ou 3801.9012
www.academiadecirco.com.br
Revista da APM
30
Academia Competition
Unidade Oscar Freire: Rua Oscar
Freire, 2066
Cerqueira César – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3061-0647
Unidade Paulista: Rua Cincinato
Braga, 520
Bela Vista – São Paulo (SP)
Circo Roda Brasil (Parlapatões e Pia
Fraus) tem apoio da Competition
Tel.: (11) 3171-2777
www.competition.com.br
A Essencial
Av. Caramuru, 1516
Ribeirão Preto (SP)
Fones: (16) 6232506/ 6208192/
91037333
Diretor: Johnny Martins
www.aessencial.com.br
Cefac – Centro de Formação
Profissional em Artes Circenses
Direção: Alex Marinho e Rodrigo
Matheus
www.escoladecirco.com.br
Circo Escola Picadeiro
Tel.: (11) 3078 0944
Coordenador: José Wilson Leite
www.picadeirocirco.com.br
Circuito de Interação de Redes
Sociais – CIRCUS
Oficinas livres de Circo-Teatro
Rua André Perine, 1229 Bairro Sta Cecília - Assis (SP)
CEP: 19806-271
Fone - 18 33232645
www.circus.org.br
Escola de Circo Cia. do Circo
Rua Luis Vicentin Sobrinho, 225.
Barão Geraldo – Campinas (SP)
Tel.: (19) 3289 1934
www.ciadocirco.hpg.ig.com.br
Escola Livre de Teatro de Santo
André
Núcleo de Montagem Circense
Praça Rui Barbosa s/n - Santa
Teresinha
Cep: 09210-620 - Santo André (SP)
Tel.: (11) 4996.2164
Coordenador: Antônio Rogério
Toscano. Professor: Marcelo Milan
www.santoandre.sp.gov.br
[email protected]
Circo Escola Centro Cultural
Nogueira
Prefeitura Municipal de Diadema
Rua Marcos Azevedo, 240 Vila Nogueira
CEP: 09942-230 – Diadema (SP)
Tel.: (11) 4071-9300
www.diadema.sp.gov.br
Escola na Praça
Beco do Projeto Aprendiz das
Letras – Ong. Cidade Escola
Aprendiz
Rua Belmiro Braga, s/n esquina
com Rua Inácio Pereira da Rocha
Vila Madalena – São Paulo (SP)
www.aprendiz.com.br
Circo Escola Grajaú
Rua Ezequiel Lopes Cardoso, 333 Parque Grajaú
CEP: 04843-610 – São Paulo (SP)
Tel.: (11)5924-3888
Contato: Sueli e Carminha
Monitores: Diogenes de Souza Pereira
e Anderson de Moraes Andrade
[email protected]
Espaço Cia. Circo de Trapo
Avenida Renata, 163, Chácara Belenzinho.
São Paulo (SP)
Tels.: (11) 6783-2442 - 9969-3145
- 9505-4014
Coordenação: Marco Ponce
www.circodetrapo.com.br
Galpão do Circo
Rua Girassol, 323
Vila Madalena – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3812 1676
Coordenador: Alex Marinho
www.galpaodocirco.com.br
Galpão Raso da Catarina
Rua Harmonia, 921 – Vila Madalena –
São Paulo (SP)
Tel.: (11) 30314946
Alessandro Azevedo
www.rasodacatarina.com.br
Circo Escola Enturmando Vila
Penteado
Av. Padre Orlando Garcia da Silveira,
sem número
Vila Penteado - São Paulo (SP)
Tel: 11 3981-0988
Instituto Criança Cidadã
Al. Olga, 422 – 138
Barra Funda – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3661 6227
Coordenador: Elaine Fiori
www.iccsp.org.br
Circo Escola Cidade Seródio
Av. Quinze de Janeiro, 07
Guarulhos (SP)
Tel.: (11) 6467-0077
Projeto Âncora
Estrada Municipal do Espigão, 1239
Jardim Rebelato
Cotia (SP)
Tel.: (11) 4612 2576
Nau de Ícaros
Rua Guaipá, 1380
Vila Leopoldina - São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3836-3708
Coordenação: Marco Vettore
www.naudeicaros.com.br
Secretaria de Esportes e Lazer - Circo
Escola
Rua Cap Antônio Correia Barbosa, 2233
Piracicaba (SP)
CEP:13400-900
Tel.: (19) 34031267
[email protected]
31
Revista da APM
Dezembro de 2006
CULTURA
O sonho do cuspidor de fogo
ULISSES DE SOUZA
Dezembro de 2006
E
9h às 22h. No fim do expediente, leva
para a família de R$ 30,00 a R$ 40,00,
auferidos “em dia bem trabalhado”.
m trinta segundos, ele solta três
labaredas de fogo. O picadeiro
Para soltar as labaredas, Jefferson
é rude, asfalto puro. Não há lona e nem
consome diariamente dois litros de
arquibancadas. É um cruzamento qual-
querosene, dos quais, diz, 40 ml vão
quer, de bom movimento, em cidades
para dentro do organismo. Ele bebe de
médias e grandes.
dois a três litros de leite por dia para
evitar a intoxicação.
Motoristas e passageiros dos carros
Revista da APM
32
se espantam ao ver aquelas línguas de
“Quem abre a janela e dá uns troca-
fogo, que saem em baforadas da boca
dos são motoristas de carros populares.
de mais um artista anônimo, que insis-
Os de Kombi são os que mais ajudam.
te em manter, para sobreviver, uma arte
Os de carros importados e caminhone-
em decadência.
tes não chegam a abrir as janelas, talvez para não sentir o cheiro de
Jefferson Luiz Soares, 30 anos, pas-
querosene”, diz Jefferson, que deu esta
sou 16 anos da sua vida sob a lona de
entrevista em um cruzamento da cida-
um circo. Começou como pisteiro,
de de Presidente Prudente (SP), onde
equilibrou-se sobre cavalos e deixou
estava há dois meses.
o picadeiro cuspindo fogo. Seu último emprego foi em 1998, no circo
Orlando Orffei.
Há seis anos como artista errante,
sem domicílio, Jefferson informou que
estava de partida para mais uma aven-
Ao deixar o circo, na cidade de Bo-
tura: desta vez para o Nordeste. “Sin-
tucatu, teve como companhia uma bai-
to muita tristeza, saudade mesmo, dos
larina da Companhia Orffei, que,
tempos de circo, da lona, do picadei-
quando não estava no palco, trabalhava
ro; mas isso está acabando”, diz ao
como bilheteira.
revelar o seu sonho: trabalhar no Cirque du Soleil.
Vieram os filhos. Hoje são três, um
Foto: Ferreira Nascimento
com 4 anos, outro com três e o caçula
“Minhas labaredas atingem 1 metro
com nove meses. Eles e a mãe ficam
e 40 centímetros, enquanto as do cara
hospedados em hotéis populares, en-
do Soleil atingem dois metros. Mas um
quanto Jefferson sai para trabalhar, das
dia chego lá!”, diz Jefferson. 33
Revista da APM
Dezembro de 2006
CULTURAEMEDICINA
indicação: o sorriso. Quanto maior a
dose aplicada, maior o benefício gerado.
No Brasil, os pioneiros na utilização
das técnicas que unem arte dramática e
atividades circenses na abordagem a
pacientes foram os Doutores da Alegria,
trupe criada em 1991, em São Paulo.
A partir dessa semente foram gerados diversos outros grupos em todo o
país, e um deles é o Projeto Sorrir é
Dezembro de 2006
Viver, iniciativa de alunos da Faculda-
Revista da APM
34
de de Medicina do ABC (FMABC), lo-
SORRIR
calizada em Santo André.
Concebida em 2001, a idéia foi colocada em prática efetivamente em mar-
é o melhor remédio
Projeto idealizado e tocado por alunos de medicina utiliza
técnicas circenses e de teatro para alegrar pacientes
ço de 2005. A inspiração veio do
próprio Doutores da Alegria e dos trabalhos do médico americano Hunter
“Patch” Adams (veja Box).
Segundo o atual coordenador do projeto e aluno do 3º ano do curso, André
Valente Lage, “a estrutura de ensino
RICARDO BALEGO
Q
havia um remédio que já vinha sendo
que as faculdades propõem se esquece
administrado há tempos na raça huma-
de que a medicina é uma arte e não
na sem apresentar qualquer contra-
uma transação de negócios em que se
uando o nacionalmente conhecido palhaço Arrelia, pseu-
dônimo do artista circense Waldemar
Seyssel, nos deixou em 2005, o sentimento era estranhamente diferente.
Como chorar pela morte daquele que
usou boa parte dos seus 99 anos fazendo os outros rirem? A pergunta
estava lançada e, mais do que isso, a
dica estava dada.
Na área médica, o recado também já
havia sido entendido anos antes por alguns profissionais, a fim de combater os
efeitos que acompanhavam a condição
enferma dos pacientes, muitas vezes
debilitados e desanimados. Para isso,
Alunos da Faculdade de Medicina do ABC e suas atividades “circenses”
dos acadêmicos de medicina não combinava com a arte dramática.
No entanto, o suporte necessário acabou sendo encontrado na Escola Municipal de Iniciação Artística (EMIA),
quando 14 alunos fizeram um curso de
seis meses de formação em clown – ou
palhaço –, aprendendo técnicas circenses, de arte lúdica, trabalho com máscaras e adquirindo uma base artística
como postura de trabalho.
Atualmente, a equipe é composta por
o 5º ano de medicina. As atividades são
voluntárias, sem fins lucrativos. Exispreza a parte técnica e racional ao in-
fazer e tiveram um choque nesta expe-
te o apoio institucional da disciplina de
vés dos valores e da relação médico-
riência”, recorda.
Pediatria da faculdade e de alguns pro-
A partir daí, o grupo foi em busca do
fessores. “Financeiramente, o projeto
embasamento artístico de que precisa-
é sustentado pelos próprios acadêmi-
Juliana Bueno, do 5º ano de medicina,
va. Muitos atores do Grande ABC fo-
cos, apesar de estarmos procurando
concorda e credita seu ingresso no proje-
ram procurados, mas se recusavam a
patrocínio”, revela seu coordenador.
to por acrescentar diferentes formas de
ajudar alegando que a “racionalidade”
paciente. Isso forma cada vez mais
médicos insatisfeitos”.
A rotina dos alunos inclui atividades
se relacionar com as pessoas. “Como na
profissão de médico a relação é 99% com
o tratamento de todas as pessoas envolvidas, dou muito valor ao trabalho que está
sendo feito”, diz a aluna.
Medicina “de nariz”
O coordenador André Lage lembra
que, no início, de posse dos dados que
mostravam o potencial da terapia do
riso e da humanização na mudança do
ambiente hospitalar, o grupo decidiu
“colocar narizes” e atuar no Hospital
Estadual Mário Covas.
Mas os primeiros contatos com os
doentes revelaram a necessidade de um
preparo maior. “Ao se depararem com
uma criança no leito não conseguiram
tirar nenhum sorriso, não sabiam o que
Projeto inclui atividades lúdicas
Dezembro de 2006
33 estudantes, que cursam entre o 2º e
35
Revista da APM
Participantes do projeto visitam principalmente crianças internadas
CULTURAEMEDICINA
terças-feiras), às áreas de Geriatria, UTI,
enfermaria e PS pediátricos do Hospital
Municipal de São Caetano do Sul (às
quartas e quintas) e nos ambulatórios da
própria FMABC, onde mais de 500 pessoas circulam diariamente. A maioria
dos trabalhos começa após o período letivo dos estudantes, às 18h, durando
cerca de duas horas.
O grupo vem negociando com a
administração, ainda, a atuação no setor geriátrico do hospital universitário, tarefa que não será difícil, já que
as atividades vêm ganhando cada vez
mais a admiração dos docentes e demais acadêmicos.
de atendimento quatro dias por sema-
instituições e proporcionar a felicida-
“Como médicos e palhaços, acredita-
na, além dos ensaios, reuniões com o
de não só para pacientes, mas enfermei-
mos na associação do tratamento empí-
grupo e com psicólogos semanalmente
ros, médicos e todos que trabalham para
rico com o subjetivo. O sorriso é muito
– que realizam visitas conjuntas –, en-
a manutenção do local, em difíceis es-
mais que um remédio, é o desejo de con-
36
tre outras atividades.
tados físicos e emocionais”.
tinuar a viver”, testemunha André Lage,
“O Sorrir é Viver me fez concluir que
Atualmente são realizadas apresenta-
futuro médico que, juntamente com seus
Revista da APM
Dezembro de 2006
Estudantes do 2º ao 5º ano participam do “Sorrir é Viver”
a medicina vai muito além do diagnós-
ções e visitas regulares à Casa de Apoio
colegas, já enxerga a profissão por um
tico e simples tratamento de uma en-
às Crianças com Câncer da FMABC (às
ângulo mais humano. fermidade, pautando-se principalmente
na relação do paciente consigo mesmo
e o ajudando a enfrentar o medo que a
doença causa”, reconhece Bruno
Schuindt, acadêmico do 3º ano.
“Perceber que o ‘nariz’ consegue tirar pacientes do leito, fazer pessoas idosas que não se alimentavam passarem a
comer e tranqüilizar mães aflitas, são
alguns dos nossos feitos diários ao proporcionar a fantasia e o sorriso nos corredores”, completa Lage.
Trabalho dobrado
Conciliar a rotina acadêmica com as
atividades do projeto não tem desanimado os estudantes. A recompensa,
para eles, vem na “capacidade de
amenizar o clima hostil de hospitais e
Alunos não desanimam e conciliam rotina acadêmica com atividades circenses
Inspiração também veio de Adams e filme
decidiu tornar-se médico.
jeto “Sorrir é Viver”.
O filme que conta a sua história,
medicina, continuou empenhando-se
distribuído no Brasil sob o título
nas ciências médicas, ao mesmo tem-
“Patch Adams – O amor é contagi-
po em que se aprofundava nos estudos
oso”, também já havia inspirado os
das relações entre médicos e pacientes
alunos no início do projeto. “Nossa
e os efeitos terapêuticos da felicidade.
vontade aumentou quando tivemos
Na década de 1970, fundou o Gesun-
contato com o Patch Adams em
dheit! Institute, casa de saúde que abri-
2005. Ele nos chamou a atenção a
gava estudantes, parentes e pacientes
partir do filme estrelado pelo [ator]
Além das práticas diárias, questi-
internados, onde eram aplicadas e en-
Robin Williams, onde a relação
onamentos e ensinamentos que o
sinadas suas pouco usuais técnicas. Atu-
médico-paciente era tão importan-
aprendizado médico confere a seus
almente, Adams também percorre o
te quanto a parte técnica”, lembra
alunos, os integrantes do “Sorrir é
mundo levando sua alegria na mala:
o coordenador do projeto, André
Viver” também tiveram grande ins-
Camboja, Peru, Tibete, Argentina, Chi-
Valente Lage.
37
piração no trabalho realizado há
na, Itália e Rússia foram alguns dos lo-
décadas por um pioneiro do riso.
cais já visitados.
Hunter “Patch” Adams
“Amigos, é importante que vocês entendam que a medicina é um
O exemplo veio do norte-ameri-
Em 2005, o médico esteve no Brasil
exercício constante de compai-
cano Hunter “Patch” Adams que,
para uma série de palestras. E foi a par-
xão” foi um dos conselhos que o
após ter sido internado em uma clí-
tir de uma dessas visitas, no Hospital
pioneiro médico deixou aos futu-
nica psiquiátrica em virtude de uma
Municipal de São Bernardo do Campo,
ros e atuais profissionais brasilei-
depressão profunda, aos 16 anos,
que os estudantes de medicina da FMABC
ros naquela ocasião.
Revista da APM
cia, inclusive na própria faculdade de
Dezembro de 2006
Apesar de enfrentar muita resistên-
resolveram tocar efetivamente o pro-
RADARMÉDICO
APM estreita relações com o setor
público municipal
Jorge Curi é recebido na prefeitura de
São Paulo
informalmente, temas ligados à saúde e
exemplo do que tem ocorrido na área
propostas na área para o ano de 2007.
de trauma, com o Curso de Urgências e
A principal delas foi a continuidade
Emergências. A idéia é estender o pro-
da parceria entre a entidade e a prefeitu-
grama para outras áreas. Na opinião da
ra na realização dos Cursos de Urgênci-
secretária, é preciso investir em recur-
as e Emergências Médicas, promovidos
sos humanos.
com sucesso na rede pública de saúde
Dezembro de 2006
paulistana no ano de 2006.
“Os encontros foram muito produtivos. Mais uma vez, colocamos à dispo-
O presidente da Associação Paulista de
No dia 7, a visita foi à secretária de
sição todo o trabalho que vem sendo
Medicina, Jorge Carlos Machado Curi,
Saúde do Município de São Paulo,
realizado em São Paulo pela APM. O
esteve reunido com prefeito da cidade de
Maria Aparecida Orsini. Ocasião em
prefeito e a secretária mostraram-se
São Paulo, Gilberto Kassab, no dia 5 de
que foi discutido como a APM pode
bastante sensíveis ao prosseguimento
dezembro, com o intuito de discutir,
atuar em parceria com a prefeitura, a
das ações”, afirmou Jorge Curi.
38
Revista da APM
Curso de Urgência e Emergência é
levado a outros Estados
O Curso de Urgências e Emergências
Paulista de Medicina (APM), lançado
Médicas, promovido pela Associação
no final de 2004, tem capacitado médi-
Foto: Juriti - Arquivo pessoal
cos em todo o Brasil. De caráter teórico-prático, com ênfase na parte prática,
o curso oferece aos profissionais a possibilidade de treinamento intensivo,
num conjunto de atividades de imersão, com carga horária de 20 horas, divididas em dois dias. Em outubro, por
exemplo, o curso foi levado ao município de Juriti, no Pará.
Ainda durante todo este ano, o curso
foi realizado em vários hospitais da
rede municipal de saúde de São Paulo,
numa parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, capacitando centenas de
Curso capacita médicos em todo país
médicos do sistema público.
APM faz reunião
com médicos
da Clinicard
Em razão da transferência da carteira de usuários da Clinicard Assistência Médica para a Blue Life,
os prestadores médicos credenciados à primeira operadora estiveram
reunidos, no dia 4 de dezembro,
com o vice-presidente da entidade,
Florisval Meinão.
O objetivo do encontro foi solicitar apoio da entidade para criar
um canal de negociação entre as
partes, com o objetivo de buscar
uma solução frente à eventual
inadimplência sobre o pagamento
dos serviços prestados. A APM
comprometeu-se a apoiar os profissionais médicos, vítimas dessa situação, e procurar as operadoras
para uma solução consensual. (CA)
MEDICINAACADÊMICA
e, mais tarde, mudou-se para o município de Santo Anastácio. Graduou-se em
Medicina (1972) pela PUC-Sorocaba.
Cursou a Residência Médica (19731974) e exerceu o cargo de preceptor
(1975-1976) no Hospital das Clínicas.
Concluiu o Mestrado (1980) em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela
FMUSP com o tema “Inquérito Soroepidemiológico sobre Malária em Escolares de Marabá, Pará”. Em 1983,
ria: correlação clínico-bioquímico histopatológica”. Em 1991, obteve a
Livre-Docência na FMUSP. Foi chefe
do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias em duas gestões. Marcos Boulos é casado e tem três filhos.
O presidente da Associação Paulista
de Medicina (APM), Jorge Carlos Ma-
Faculdade de Medicina da
Boulos nasceu em São Paulo. Nos pri-
chado Curi, compareceu à cerimônia
Universidade de São Paulo
meiros anos de vida, morou na Capital
de posse. (FMUSP) tem novo diretor, o professor Marcos Boulos, 61 anos, que tomou
posse em cerimônia realizada no dia 5
de dezembro, no Teatro da FMUSP.
Ex-diretor clínico do Hospital das
Clínicas-FMUSP e ex-diretor do Instituto de Medicina Tropical (IMT), Boulos é professor titular do Departamento
de Doenças Infecciosas e Parasitárias
da FMUSP desde 1999. Infectologista
com experiência em malária, infecção
hospitalar, HIV, leishmaniose e hepatite, o novo diretor da FMUSP é assessor
técnico do Ministério da Saúde e atua
como consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS).
Filho de libanês e brasileira, Marcos
Jorge Curi, presidente da APM, prestigiou a posse de Marcos Boulos
Dezembro de 2006
“Comprometimento hepático na malá-
39
Revista da APM
Marcos Boulos
é novo diretor
da FMUSP
A
terminou o Doutorado com o trabalho:
40
Revista da APM
Dezembro de 2006
Produtos&Serviços
LITERATURA
O Atlas vem com o objetivo de colocar ao alcance dos estudantes
uma apresentação clara, concisa e atraente das bases patológicas
das doenças humanas mais comuns, representadas por meio de
ilustrações e esquemas didáticos. Sempre que necessário, as imagens elaboradas pelo artista-médico Frank H. Netter são reunidas
a fotografias de aspectos macro e microscópicos, proporcionando aos leitores a compreensão das relações estrutura-função e
das bases patológicas das doenças humanas. Dados comparativos sobre processos
patológicos semelhantes são resumidos em tabelas que complementam o texto. A
obra está dividida em 13 capítulos. Entre eles, Padrões Gerais de Reação, Sistema
Cardiovascular, Sistema Respiratório, Doenças do Sistema Reprodutor Masculino etc.
Autores: L. Maximilian Buja, MD e Gerhard R. F. Krueger, MD, PhD. Formato: 21 x 28,
529 páginas. Editora: Artmed. Contato: (11) 3665.1100 ou www.artmed.com.br
Atualidades em Nefrologia 9
O livro é o maior desta série iniciada em 1988. Conta com 64 capítulos, 133 autores e é fruto do trabalho do Departamento Clínico
da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Segundo o prefácio da obra,
“apesar de a nefrologia ter sido confundida em vários momentos
da sua história como especialidade ligada a procedimentos, a SBN,
por meio de iniciativas como esta, reafirma sua posição de ´filha
predileta da Clínica Médica` e sua ligação atávica à integridade dos
cuidados médicos dispensados à população”. Em oito seções, diversos temas importantes ligados ao assunto são abordados: Ensino da Nefro em
Escolas Médicas Brasileiras, Células-Tronco, Síndrome Hepatorrenal, Atualização em
Amiloidose, Transplantes, entre outros.
Autor: Incor. Formato: 18 x 27cm, 498 páginas. Editora: Sarvier. Contato: (11)
5571.3439 ou [email protected]
Os livros estão disponíveis na Biblioteca que funciona no 5º andar do prédio da APM de segunda a sexta das 8h30 às 20h.
Dezembro de 2006
O livro é fruto de mais
de 32 anos de trabalhos clínicos no Centro
de Terapia Intensiva
do Hospital Israelita
Albert Einstein, experiências que aliaram
uma equipe multiprofissional de qualidade e eficiência à
tecnologia. O lançamento é a terceira revisão da obra. A primeira foi publicada
em 1994 e a segunda, em 1998. Ampliada e atualizada (até março de 2006), traz
dois volumes, somando mais de 3000
páginas, divididas em mais de 200 capítulos abrangentes, com diagramação leve
e ilustrações, que fornecem diretrizes de
conduta relativas aos pacientes graves e
às delicadas situações enfrentadas pelos
profissionais da área. O autor é médicofundador e diretor emérito do Centro de
Terapia Intensiva, além de vice-presidente da Prática Médica da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Autor: Elias Knobel. Formato: 21 x
28cm, páginas 3.000 (2 volumes). Editora: Atheneu. Contato: (11) 3665.1100
ou www.atheneu.com.br
Atlas de Patologia Humana de Netter
41
Revista da APM
Condutas no Paciente Grave
PORDENTRODOSUS
por Luiz Antonio Nunes
IV - Pacto pela saúde 2006
Dezembro de 2006
Do financiamento para
investimentos
Revista da APM
42
São eixos prioritários para aplicação de recursos de investimentos:
• Estímulo à Regionalização;
• Investimentos para a Atenção Básica.
e) Programação pactuada e integrada da atenção em saúde - PPI
A nova proposta de PPI permite maior autonomia dos gestores na definição
de suas prioridades e nos parâmetros.
Permanece na PPI a explicitação
dos pactos de referência entre municípios, determinando a parcela de recursos destinados à própria população
e à população referenciada.
f) Regulação da atenção à saúde e
regulação assistencial
Estabeleceram-se como princípios
norteadores do processo de regulação:
• Cada prestador responde apenas a
um gestor;
• A regulação dos prestadores de serviços deve ser preferencialmente do
município, conforme desenho da rede
de assistência pactuado na CIB, observado o Termo de Compromisso de Gestão do Pacto e os seguintes princípios:
1) Da descentralização, municipalização e comando único;
2) Da busca da escala adequada e
da qualidade;
3) Considerar a complexidade da
rede de serviços locais;
4) Considerar a efetiva capacidade
de regulação;
5) Considerar o desenho da rede estadual da assistência;
6) A primazia do interesse e da satisfação do usuário do SUS.
• A regulação das referências intermunicipais é responsabilidade do gestor estadual, expressa na coordenação
do processo de construção da PPI da
atenção em saúde, do processo de regionalização, do desenho das redes;
• A operação dos complexos reguladores, no que se refere à referência intermunicipal, deve ser pactuada na CIB.
Conforme explicitado pelas diretrizes, a regulação dos prestadores não
tem um modelo único para o país. Cada
CIB poderá definir o modelo que melhor se adapte à realidade do estado e
municípios envolvidos.
A regulação assistencial não é prerrogativa de uma esfera de governo, exclusivamente.
Porém, vale destacar nessa premissa, o papel fundamental das Secretarias
Estaduais na garantia do acesso do cidadão, notadamente, nas referências
intermunicipais.
Foram estabelecidas metas para este
Pacto, que devem ser alcançadas no prazo de um ano:
1) Contratualização de todos os prestadores de serviços;
2) Colocação de todos os leitos e serviços ambulatoriais contratualizados
sob regulação;
3) Extinção do pagamento dos serviços dos profissionais médicos por meio
do código 7.
Responsabilidades
São definidas as responsabilidades
sanitárias e atribuições do município,
do Distrito Federal, dos Estados e da
União. A Gestão do SUS é construída
de forma solidária e cooperada, com
apoio mútuo por meio de compromissos assumidos nas CIBs e CITs.
a) gerais da gestão do SUS – devem ser
exercidas pelos três entes federativos.
As responsabilidades a seguir são específicas dos estados:
b) na regionalização
c) do planejamento e programação
d) da regulação, controle, avaliação e
auditoria
e) na gestão do trabalho
f) na educação em saúde
g) na participação e controle social
Implantação e monitoramento dos pactos pela
vida e de gestão
a) Implantação:
A implantação dos Pactos pela Vida
e de Gestão enseja uma revisão normativa em varias áreas, que serão regulamentadas em portarias específicas,
pactuadas na CIT.
O Termo de Compromisso de Gestão Federal, Estadual, do DF e Municipal fica definido como o documento
de formalização deste Pacto nas suas
dimensões pela vida e de gestão. Este
documento contém as metas e objetivos do Pacto pela Vida, as responsabilidades e as atribuições de cada gestor,
e os indicadores de monitoramento.
A assinatura do Termo de Compromisso de Gestão substitui o atual processo de habilitação, conforme
detalhamento em portaria específica.
Fica extinto o processo de habilitação para Estados e Municípios, conforme estabelecido na NOB SUS 01/-96 e
na NOAS SUS 01/2002. Ficam mantidas, até a assinatura do Termo de Compromisso de Gestão constante destas
diretrizes, as mesmas prerrogativas e
responsabilidades dos municípios e estados que estão habilitados em Gestão
Plena do Sistema, conforme estabelecidos nas normas operacionais citadas.
b) Processo de monitoramento:
Deve ser estabelecido um processo
permanente de monitoramento dos cronogramas pactuados nas situações onde
o município e estado não tenham condições de assumir plenamente suas responsabilidades no momento de assinatura
do termo de Responsabilidade.
Portaria GM/MS 699 de,
30 de março de 2006
Esta portaria regulamenta a implementação das Diretrizes Operacionais dos Pactos pela Vida e de Gestão
e seus desdobramentos para o processo de gestão do SUS, bem como a transição e o monitoramento dos Pactos,
unificando os processos de pactuação
e metas. 43
Revista da APM
Dezembro de 2006
CLASSIFICADOS
AVISO: Quando não consta,
o prefixo do telefone é 11.
SALAS – HORÁRIOS –PERÍODOS
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3289-1970 e 3284-3793
Dezembro de 2006
Período ou integral com toda infra-estrutura.
Fones 3747-1382 e 8371-7967
Revista da APM
44
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psicólogos, nutricionistas ou fonoaudiólogos.
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3253-9169 e 9694-1212 (Cecília)
Salas, consultório médico, c/ infra-estrutura
completa. Faria Lima ao lado do shopping
Iguatemi. Fones 3812-1926 e 3812-6092
Marly (8h às 17h)
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metrô Santa Cruz. Imóvel c/ ótima
conservação, localizado em rua tranqüila. Fone
5573-3031 (Eliane)
Sala, térrea nova ampla, c/ wc, ar, mobiliada
c/ secretária p/ agend. consultas e fax. Várias
especialidades das 7h30 às 20h. Possibilidade
de locação de períodos. Fone 9299-1280
(José Luiz)
Sala em sobrado localizado próximo Shooping
Butantã. Fone 3721-6613 (Berenice)
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Bibi, lado do Pão-de-Açúcar. Decoração
sofisticada. Secretária. Sist Wl-Fl. R$400/dia.
Fone 3707-1155
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da saúde, c/ toda IE. Excelente padrão e
localização, 8 anos no mesmo local. Jd. Anália
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Sala p/ médicos, demais prof. da saúde. Consultório
c/ boa estrutura. Sala de espera, telefones e fax.
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semanais ou mensal. Vl. Mariana, prox. metrô
Ana Rosa. Fones 5539-3457 e 8317-9739
Sala em clínica para médicos no bairro
Higienópolis. Fone 3255-9213
Sala ampla em sobrado c/ IE, secretária e estac. ao
lado. P/ médicos e outros profissionais de saúde.
Vl Olímpia. Fones 3044-5341 e 3845-1932 (dra.
Eliane ou dr. Fábio)
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metrô Marechal Deodoro, c/ telefone, wc
privativo e comum, cozinha. Fone 3825-2904
(Maria do Carmo)
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do metrô Ana Rosa. Fone: 5549-9622
Vila Mariana, sala p/ médicos, dentistas,
psicólogos. Período ou integral. Consultório c/
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Fones 5575-5170 e 9980-6436 (Cristina)
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prédio alto padrão. Próximo ao metrô Tatuapé.
Fone 8397-8470 (dra. Cristiane)
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cirúrgico, internação p/ cirurgia plástica etc.
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Consultório Paraíso. Prox. metrô. 4 salas c/ ar
condic., 3 banh., 2 gar., fino acabamento. Ótima
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Consultório c/ períodos, dias, estac. p/ médicos.
Atende-se das 9h às 19h. Alto padrão. R. João
Cachoeira. Fone 3168-8609 (Sheila)
Sala ou períodos, cons. p/ médicos ou prof. da
saúde, R. Alexandre Dumas (Chac. Sto Antônio)
Fone 5183-7319 c/ Sandra (3ª a 6ª das 8h30
às 12h e das 13h30 às 19h)
Sala p/ médicos e afins em sobrado na Vila
Mariana (R. Pedro de Toledo), c/ toda IE e amplo
estacionamento. Fone 5579-3561
Sala ou períodos em Perdizes para profissionais
da saúde. Fones 3871-2511, 3672- 0359 e
9931-2713 (dra. Afra)
Sala p/ médicos no período das 10h às 14h.
R. Cotoxó, 611, 10º andar cj. 105. Fones
3873-5782 e 3871-5887
Sala em clinica alto padrão c/ infra-estrutura
completa, Jd. Paulista. Av. Brig. Luiz Antônio,
4277. Fones 3052-3377 ou 3887-6831
Sala (4x5m) cons. em clínica p/ qualquer
especialidade. Ótima localização na Vl Maria.
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Sala ou período, clínica de alto padrão c/ IE,
secretária, estac., telefone, fax, ar cond. Em
funcionamento c/ dermato. Fone 3813-7872
(Jucinéia)
Sala p/ médicos, psicólogos e massagistas. C/
secretária, telefone e estacionamento prox. ao
Hospital São Paulo. Fone 5575-0014
Salas p/ pediatria e especialidades da área, em
frente ao Hospital Samaritano. Fone 36675412/3826.2847 (Patrícia ou Francisca)
Sala ampla p/ período de 4 hs. Localizado
entre o Metrô Pça da Árvore e Sta. Cruz.
Possui estac. próprio. Fones 5594-5584 e
5594-7607 (Fátima)
Conjunto em centro comercial. Rua Peixoto
Gomide, 515 cj. 152. Fone 3287-6103
Conjuntos, 114/115 comercial no Itaim Office
Building, R. Bandeira Paulista, 662. Fones
3253-8712 e 3284-0437
Consultórios, período ou mensal c/ toda IE, fone,
fax, secretária e serviços. Centro médico
Oswaldo Cruz. Pça. Amadeu Amaral, 47. Fone
3262-4430 (Daniela)
Horários em salas mobiliadas c/ secr., estacion.
p/ clientes, atendimento a convênios por meio
da clínica. [email protected] Fones
3064-4552, 3060-8244 e 3088-4545
Período em consultório médico na área de
ginecologia, obstetrícia mobiliado, c/ toda IE,
região da Vl. Olímpia. Fones 3846-9022,
3846-5246 (Rosana)
Salas ou 1/2 período, clínica médica atrás Shop.
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alvarás vigilância, sala p/ peq. cirurgia, estac.
Fones 5543-4369 e 9982-2543 (dr. Olivério)
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ar cond. novos. 2 gar p/ profissionais, estac. ao
lado. 2 quadras do metrô Paraíso. R. Apeninos,
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Paulista. Fone 3884-4896 (Rose ou Sônia)
Sala p/ consultório c/ toda infra-estrutura. Al. dos
Jurupis, 452 cj. 32. Fone 5051-0799 (Valkiria)
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clínica na Vila Mariana. Fones 5579-9493 e
5572-8420
Sala, p/ médicos ou psicólogos, período ou
integral, c/ toda IE, em rua tranqüila em Moema.
Fone 5044-7147 (Ana Paula)
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consultórios. Fone 3338-1825
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8383-7979
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próximo à estação Vila Mariana do metrô. Fone:
5549-1031 e 5087-4311
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Iguatemi. Prédio c/ segurança, ar cond.,
laboratório, estacion. c/ manobrista. Fone
3721-5666 (Esther)
Sala em Moema c/ médica, preferencialmente
p/ psicólogo ou psiquiatra, das 8h às 15h. Fone
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