O ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO COMO POSSIBILIDADE DE RESSIGNIFICAR A PRÁTICA DOCENTE: APRENDIZAGEM DE FUNÇÕES DE 1º GRAU NO ENSINO FUNDAMENTAL1 Autores: Iris Tuty Dalcanale ARAUJO, Simone CATAFESTA, Fátima Peres Zago de OLIVEIRA, Solange Aparecida de Oliveira HOELLER, Ruy PIEHOWIAK . Identificação autores: Iris Tuty Dalcanale ARAUJO (Bolsista Projeto Feiras de Matemática, Aluna do curso de Licenciatura em Matemática do Instituto Federal Catarinense – Campus Rio do Sul) , Simone CATAFESTA (Formada em Licenciatura em Matemática pelo Instituto Federal Catarinense – Campus Rio do Sul). Fátima Peres Zago de Oliveira. Professora do ensino básico, técnico e tecnológico. IFC – Instituto Federal Catarinense – Campus Rio do Sul. E-mail: [email protected] Solange Aparecida de Oliveira HOELLER. Doutora em Educação. Professora do ensino básico, técnico e tecnológico. IFC – Instituto Federal Catarinense – Campus Rio do Sul. E-mail: [email protected]. Ruy Ruy Piehowiak, Professor do ensino básico, técnico e tecnológico. IFC – Instituto Federal Catarinense – Campus Rio do Sul .Email: [email protected] Introdução Esse trabalho apresenta nosso relato da experiência do Estágio Supervisionado II, do Curso de Matemática-Licenciatura do Instituto Federal Catarinense – Rio do Sul. Realizado na Escola de Educação Básica Paulo Zimmermann de Rio do Sul/SC, numa turma de 8ª série do Ensino Fundamental, nos meses de Julho a Agosto de 2012. Elaboramos diversas atividades diferenciadas e o contexto abordado nos permitiu a compreensão de propostas que podem auxiliar professores e alunos a compreenderem melhor o conteúdo das funções com aprofundamento conceitual e reflexivo, o que releva a importância de trabalhar temas relacionados à realidade do aluno, contextualizando e facilitando sua interpretação. O objetivo foi aplicar os saberes/conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica, ao estabelecer uma relação entre a teoria e a prática, ao verificar se as atividades previamente estabelecidas e elaboradas seriam apropriadas para atingir nossos objetivos considerando a aprendizagem da turma. O objetivo relacionado ao conteúdo aplicado foi o aprendizado sobre função de 1º grau. Material e Métodos O Estágio Supervisionado II ocorreu de Julho a Agosto de 2012 foi realizado na Escola de Educação Básica Paulo Zimmermann de Rio do Sul, sendo a população envolvida uma sala de aula da 8ª série do Ensino Fundamental. Utilizamos várias atividades, tanto para relembrar os conteúdos de funções como para iniciar e finalizar o conteúdo de função de 1º grau, conforme segue: coube aos alunos organizarem frases, previamente preparadas por nós, envolvendo conceitos de equação, expressão e função; revisão das coordenadas geográficas, tendo como material o globo terrestre e mapa da cidade de rio do sul, possibilitando averiguar a coordenada da sua rua; revisão do conteúdo de plano cartesiano, trabalhando a localização dos pontos; os atividade solicitando para que cada aluno escrevesse uma frase com a palavra função, buscando uma 1 Trabalho apoiado pelo Projeto de Apoio a Organização e Participação de Docentes e Alunos em Feiras de Matemática, Ciência e Tecnologia. ideia intuitiva de função com intuito de perceber as relações sociais entendidas pelos estudantes a partir das frases; estudo e leitura dos conceitos e aplicações de função de 1º grau, trabalhando no mesmo contexto a construção do gráfico de função do 1º grau, função crescente e decrescente; coleta de informações com taxistas sobre valores de bandeiradas e custo por quilômetro rodado e com estes valores foi explicado e formalizado algebricamente a expressão matemática de uma função de 1º grau, reconhecendo o coeficiente linear e angular. Resultados e discussão Na primeira aula realizamos um contrato didático com os alunos e organizamos o layout da sala em semicírculo. Iniciamos com uma atividade de diferenciação de equação, expressão e função, na qual os alunos organizaram, num papel pardo, frases previamente preparadas por nós, sobre os assuntos citados. Nesta atividade procuramos contemplar a interação de modo a possibilitar aos alunos à compreensão e apropriação dos conceitos matemáticos apontados. Figura 01 - Diferenciação de equação, expressão e função em andamento na sala de aula e construção de uma ideia intuitiva de “função”. Fonte: Araujo e Catafesta (2012). Na interação entre indivíduos, face a face, nos apoiamos em Vygotsky, sendo que têm uma função central no processo de internalização dos conceitos. Assim, o conceito de aprendizagem mediada confere um papel privilegiado ao professor. Segundo VYGOTSKY (1989) a interação social é o fator determinante para o sujeito passar do nível de pensamento de pseudoconceito, para a elaboração de conceitos. No contexto escolar, interagindo com os "mais capazes", os alunos inferem as estruturas dos conceitos e os significados dos mesmos (SANTA CATARINA, 1998, p. 11) A construção de conhecimentos por meio da interação com o outro e com o meio, a influência do contexto social, histórico e cultural, o modo de pensar e agir do sujeito, desenvolve-se a partir das interações sociais e culturais que ele estabelece com o meio. Solicitamos para que escrevessem uma frase envolvendo a palavra função e discutimos as frases que os envolviam, levando a uma ideia intuitiva de função. Após trabalhamos o conceito de função, pesquisando em dicionários e com o conceito escrito pelos próprios alunos. Figura 02 - Construção de uma ideia intuitiva de “função”. Fonte: Araujo, Catafesta (2012). Depois da leitura das frases, refletimos sobre o que cada um escreveu e eles próprios perceberam o significado da palavra função. Procuramos contribuir para que o aluno se apropriasse de modos de entender matematicamente as situações do dia-a-dia e conduzir á aquisição de conceitos. Essa atividade nos mostrou compreensões de mundo, de sociedade e de trabalho por parte dos alunos. Conforme Skovsmose (2008, p.12), a ideia central é que muitas coisas podem ser realizadas quando a matematica está em jogo. Tais ações constituem as inovações tecnologicas, o gerenciamento, a tomada de decisão, fazem parte do dia-a -dia. A matemática em ação faz parte de nossos mundos-vida, podendo servir aos propositos mais variados. Algumas frases por elas criadas retrataram social, de valores de desigualdade entre os entre os seres humanos no trabalho como algo comum. A partir das frases dos estudantes aprofundamos e elaboramos conjuntamente o conceito de função matemática. O cartaz ficou exposto e introduzimos o conceito do sistema cartesiano de coordenadas. Para promover aprendizagem o professor precisa ser organizado e na interação com os alunos, mediar o acesso a diferentes saberes, cabendo aos alunos construir suas próprias ideias baseados no que foi trabalhado em aula com os colegas e professor. Para isso utilizamos o globo terrestre e o mapa de Rio do Sul para iniciar coordenadas geográficas, cada aluno localizou seu endereço residencial e as coordenadas correspondentes. Em seguida, construimos em papel quadriculado o sistema cartesiano de coordenadas, registrando as denominações e explicações no quadro. Entregamos material de apoio, após os devidos registros no caderno, com o conceito de plano cartesiano. Solicitamos uma coleta de dados junto aos taxistas, sobre os preços da bandeirada e valor por quilômetro rodado. Na terceira aula, realizamos a correção das atividades sobre plano cartesiano com as respostas feitas pelos alunos em cartolinas e no quadro. Na aula seguinte iniciamos a discussao para introduzir o conceito de função de 1º grau a partir da leitura das frases que escreveram sobre função. Após discussão, elaboramos coletivamente o conceito de função, indentificamos as variáveis independentes e dependente. Posteriormente, distribuímos frases organizadas em um cartaz, contendo a palavra função no contexto da matemática. Fizemos a leitura em grupo de um texto explicativo e de um problema contextualizado para construir uma função. Na quinta aula, solicitamos os dados coletados com os taxistas. Foi elaborada a expressão matemática e o gráfico que representava a variação do preço (variável dependente) em função do valor dos quilômetros rodados (variável independente). Nos surpreendemos com a motivação dos alunos ao falarem sobre os valores pesquisados e sobre a variação dos valores, da bandeirada e quilômetros rodados e do serviço de táxi. Combinamos utilizar um valor médio o que facilitou a explicação da função de 1º grau. Elaboramos, coletivamente o gráfico, já trabalhando o conceito de função crescente e decrescente. Traçamos a reta e cada um traçou a sua, vários alunos tinham valores bem diferentes. Figura 03 - Atividade com os dados coletados pelos alunos sobre valores de bandeiradas e de quilômetros rodados. Fonte: Araujo, Catafesta (2012). Realizamos a leitura conjunta da história das funções e discutimos acerca da importância de contextualizarmos historicamente os conteúdos curriculares. Entregamos atividade sobre funções e gráficos de funções, para serem realizadas em casa. A avaliação aconteceu em duplas, com entrega individual. Foi permitido utilizar os exercícios como apoio. Entendemos que avaliação é um momento de aprendizagem, por isso nos dispomos a ajudá-los a pensar no decorrer da avaliação. Por último, cada aluno fez sua autoavaliação e a avaliação das estagiárias. Luckesi (2009, p. 416) defende que, na avaliação: Se o aluno souber que, ao responder a um instrumento de coleta de dados para a avaliação, sua aprendizagem está sendo investigada para ser ajudado e não para ser punido, não sentira necessidade da “cola”. Ao contrário procurara revelar efetivamente o que aprendeu, a fim de ser auxiliado na obtenção dos melhores resultados possíveis. Entendemos que a avaliação e um momento de aprendizagem e de reflexão sobre o próprio conhecimento. Por isso os alunos tiveram a liberdade de nos questionar, eles ficaram á vontade em mostrar o que sabiam e tirar as dúvidas, aprendendo um pouco mais durante a avaliação. Como sugeriu Luckesi, os alunos sabiam que estávamos dispostas a ajudá-los para um aprendizado melhor. Conclusão Apresentar as conclusões relevantes face aos objetivos do trabalho, destacando o progresso e as aplicações que a pesquisa propicia e sempre que apropriado, indicar formas de continuidade do estudo. Com o contrato didático construído junto com os alunos, possibilitamos que se sentissem partícipes do processo e demonstrassem envolvimento e responsabilidade com as atividades propostas. Consideramos que os estudos e as atividades realizadas foram fundamentais, desde a compreensão do tema escolhido, planejamento, prática, execução e retrospecto de tudo que foi realizado até o momento de estimar e comparar resultados. O Estágio Supervisionado II nos permitiu a compreensão de propostas que podem auxiliar professores e alunos a compreenderem melhor o conteúdo das funções, sua importância para aprendizagem, o que releva a importância de trabalhar temas relacionados à realidade do aluno, contextualizando e facilitando sua interpretação. No decorrer do estágio, percebemos mudanças em relação à participação, interesse e motivação com aumento de concentração nas aulas, mostrando que trabalhar com a realidade do aluno, torna a matemática interessante e significativa, possibilitando estabelecer relações entre o que aprenderam e a realidade social, exercendo o princípio da cidadania. Para que esta contextualização aconteça faz-se necessária a mediação do professor na sala de aula, que é o principal motivador. Destacamos ainda a importância do feedback realizado em todas as aulas e as correções dos exercícios. Referências ARAUJO, Iris Tuty Dalcanale; CATAFESTA, Simone. Relatório de Estágio Supervisionado II Curso de Matemática – Licenciatura. Instituto Federal Catarinense. Rio do Sul, 2012. LUCKESI, Carlos Carlos. Filosofia da Educação. Coleção Magistério 2º grau. Série Formação do professor. 8. reimp. São Paulo: Cortez, 1994. SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. Proposta Curricular de Santa Catarina: Florianópolis: COGEN, 1998. SKOVSMOSE, Ole. Os Desafios da Reflexão. Educação Matemática Crítica. 2 ed. Campinas: Papirus, 2008.