44ª JORNADA MARANHENSE DE ENFERMAGEM E 74ª SEMANA
BRASILEIRA DE ENFERMAGEM-SEÇÃO MARANHÃO
15 a 16 de Maio, 2013 – auditório do Hospital Universitário
Presidente Dutra e dia 17 auditório do Instituto Florence de
Ensino Superior
FORMULÁRIO DE SUBMISSÃO DE RESUMO
ESCOLHA SUA OPÇÃO DE APRESENTAÇÃO:
A VISITA DOMICILIAR NA ESTRATEGIA SAÚDE DA FAMILIA NO MUNICIPIO DE SÃO LUÍS –
MA
Título:
Relator:
SOUSA, Rayssa Alessandra Godinho1
Autores:
SOUSA, Francisca Georgina Macedo2
PAIVA, Mirtes Valéria Sarmento3
AMARAL, Márcia Raquel Lima4
SANTOS, Danilo Marcelo Araújo5
Inst:
UFMA
Introdução: A visita domiciliar é um dos instrumentos utilizados no âmbito da intervenção em saúde
na Atenção Primária de Saúde cujo foco dirige-se um olhar mais atento sobre a família configurandoa como unidade de cuidado. É por meio da visita domiciliar que os profissionais de saúde identificam
as necessidades de atenção, os riscos sociais e as potencialidades para o enfrentamento de
dificuldades de cada família. Aliado a estas finalidades, é por meio desse recurso que o
conhecimento cientificamente produzido no campo da saúde e intermediado pelos profissionais de
saúde, atinge a vida cotidiana das pessoas e da comunidade (VASCONCELOS, 2001). A Estratégia
de Saúde da Família fundamenta suas intervenções a partir da promoção da saúde, da prevenção de
agravos e de atenção ao processo de adoecimento em dois contextos: o da unidade de saúde e do
domicílio. Nessa direção, a visita domiciliar irá proporcionar a coleta de dados no ambiente natural
Resumo
das famílias e o desenvolvimento de ações educativas na comunidade, com o propósito de
1
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão, Membro do
Grupo de Estudo e Pesquisa na Saúde da Família, da Criança e do Adolescente – GEPSFCA
2
Enfermeira, Doutora em Enfermagem, Docente da UFMA, Coordenadora do GEPSFCA.
3
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão, Membro do
GEPSFCA
4
Enfermeira, Técnica da Estratégia Saúde da Família do Município de São Luís – MA, Discente do
Mestrado Acadêmico em Enfermagem da UFMA, Membro do GEPSFCA
5
Enfermeiro Assistencial da UTI Pediátrica do HUUFMA, Discente do Mestrado Acadêmico em
Enfermagem da UFMA, Membro do GEPSFCA
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desenvolver nesse grupo maior autonomia para adotar medidas de prevenção e controle dos agravos
em saúde. Configura-se como instrumento imprescindível na proteção e promoção da saúde da
família e da comunidade. No entanto, é cada vez mais frequente discussões acadêmicas e nos
serviços de saúde local sobre a deficiente operacionalização da visita domiciliar na Atenção Primária
de Saúde. Existe para tanto, algumas situações que apontam para as dificuldades dessa atividade
tais como: espaços físicos das unidades inadequados, profissionais com baixa qualificação e com
dupla jornada de trabalho, horários inapropriados de acesso ao domicílio, desrespeito à rotina
domiciliar e o grande número de profissionais adentrando na casa de uma única vez (SOSSAI,
PINTO 2010). Enfatiza-se que de maneira geral as visitas domiciliares são determinadas pelos
fenômenos biológicos, isto é, centradas na doença. Há ainda a mudança no perfil dos Agentes
Comunitários de Saúde, de pessoas da comunidade para pessoas estranhas e domiciliadas fora da
comunidade, o que torna o estabelecimento do vínculo e a co-responsabilização mais difícil, e a
queixa cada vez mais frequente das famílias de que não recebem a visita dos profissionais na
Estratégia Saúde da Família. Diante desses fatos questiona-se: Qual a frequência das visitas
domiciliares na Estratégia Saúde da Família no município de São Luis? Como estão distribuídas as
visitas domiciliares entre os diversos profissionais da Estratégia Saúde da Família? Objetivos:
determinar a frequência das visitas domiciliares realizadas pelos profissionais da Estratégia de Saúde
da Família do município de São Luís – MA. Metodologia: Trata-se de estudo documental tendo como
banco de dados o acesso eletrônico ao CADSUS. Foi realizado recorte temporal do período de 1998
a 2012. Foram levadas em consideração as visitas domiciliares realizadas e consolidadas, no
município de São Luís – MA, por médicos, enfermeiros e Agentes Comunitários de Saúde a partir da
produção enviada mensalmente para o Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) do
Ministério da Saúde. Resultados: no período de 1998 a 2012 foram realizadas 156.285 visitas
domiciliares pelos profissionais da Saúde da Família. Desse total, 59.234 (37,9%) das visitas foram
realizadas por enfermeiros, 51.543 (32,9%) pelos ACS e 45.508 (29,1%) por médicos. No período de
1998 a 2010 foi pactuado com o Ministério da Saúde 1,5 visitas por família. Considerando que em
1998 havia8. 942 famílias cadastradas esperava-se um total de 13.413 visitas domiciliares realizadas,
entretanto, o total de visitas correspondeu a 600 que corresponde a 4,47%.Esse fato pode ser
justificado por coincidir com o período de implantação do Programa Saúde da Família no município.
Em 1999, o número de visitas esperadas foi de 13.410 visitas, contudo foram realizadas 1.019
(7,60%). Em 2000 o número estipulado de visitas era de 14.062,5, mas somente 1.028 (7,31%)
ocorreram. Em 2001 o número era de 13.636,5 visitas, todavia apenas 865 (6,34%) foram realizadas.
No ano de 2002, a previsão era de 47.935,5 visitas, porém sobrevieram 6.660 (13,89%). Em 2003,
2004 e 2005 era esperado um total de 169.832 visitas, destas 49.865 foram realizadas o que
corresponde a 29,3%. Entre 2006 e 2010 foram realizadas 81.375 visitas domiciliares das 332.386
necessárias, o que equivale a 24,5%. Percebe-se aumento anual do número de famílias cadastradas
sem o concomitante crescimento do número de visitas. A partir de 2011 foi pactuada uma visita por
família sendo esperadas 112.671 visitas. Foram realizadas 14.873 que equivale a 13,2% do total. Há,
portanto, um decréscimo acentuado do número de visitas nos últimos dois anos. Quando analisadas
159
as visitas por categoria profissional os dados revelam que o maior número delas foi realizada pelos
enfermeiros em um total de 59.234 visitas (37,9%) contra 51.543 visitas dos ACS (32,9%) e 45.508
por médicos que corresponde a 29,1%. Conclusão: os dados revelam três situações do processo de
trabalho na Estratégia Saúde da Família: que as visitas domiciliares não foram realizadas pela equipe
deixando de exercitar uma ação interdisciplinar cujo objetivo é o cuidado ampliado e dirigido à família
nas suas especificidades; que os ACS responsáveis pelo contato direto com as famílias tem número
de visitas inferior a dos enfermeiros, portanto, sem atender ao pressuposto de elo entre a
comunidade, os profissionais e a equipe de saúde; e, por último, que o profissional médico é o que
menos realiza essa atividade na Estratégia Saúde da Família. Sob essa perspectiva, a visita
domiciliar na Estratégia Saúde da Família vem ao longo dos anos mostrando-se como uma
ferramenta pouco valorizada pelos profissionais e gestores da saúde tendo como consequência o
fortalecimento da atenção centrada na doença e desarticulada da realidade e contexto da família.
Parece se caracterizar como uma ação desviante às propostas das políticas brasileiras de saúde, que
por meio do SUS e dos princípios que o norteiam apontam a família como foco e contexto da atenção
em saúde.
Descritores: Visita Domiciliar; Estratégia Saúde da Família; Atenção Primária em Saúde.
Referências
FIGUEIREDO, N.M.A. Ensinando a cuidar em saúde pública. 1.ed. São Caetano do Sul., SP: Yeddis Editora,
2008.
SOSSAI, L. C. F; PINTO, I. C. Avisita domiciliária do enfermeiro: fragilidades x potencialidades. Cienc Cuid
Saude 2010 Jul/Set; 9(3):569-576.
VASCONCELOS, E. M. Redefinindo as práticas de saúde a partir da educação popular nos serviços de saúde.
In: VASCONCELOS, E.M. A saúde nas palavras e nos gestos: reflexões da rede de educação popular e
saúde. São Paulo: Hucitec; 2001. p. 9 -11.
Enfermagem; Família; Saúde da Criança; Unidade de Terapia Intensiva
Palavras-chave:
1
Identificação
profissional:
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do
Maranhão, Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa na Saúde da Família, da Criança e
do Adolescente – GEPSFCA
2
Enfermeira, Doutora em Enfermagem, Docente da UFMA, Coordenadora do
GEPSFCA.
3
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do
Maranhão, Membro do GEPSFCA
4
Enfermeira, Técnica da Estratégia Saúde da Família do Município de São Luís – MA,
Discente do Mestrado Acadêmico em Enfermagem da UFMA, Membro do GEPSFCA
5
Enfermeiro Assistencial da UTI Pediátrica do HUUFMA, Discente do Mestrado
160
Acadêmico em Enfermagem da UFMA, Membro do GEPSFCA
E-mail do relator:
[email protected]
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