Alcances e Limites do PSF frente à lógica da Interdisciplinaridade The Orbit and the Limits of the PSF ( Family Health Program – in Portuguese) within the logic of the Interdisciplinarity. Bianca Couto Reis Ressiguier Nascimento1 1 – Dentista aluna do curso de Pós-Graduação em Saúde da Família da Faculdade de Medicina de Campos __________________________________________________________________ Resumo: Este estudo é uma revisão teórica sobre o verdadeiro sentido da palavra “interdisciplinaridade” e sua importância no Programa Saúde da Família. O trabalho da estratégia Saúde da Família tem exigido dos componentes da equipe uma mudança de atitude pessoal e profissional em direção à interdisciplinaridade. A partir da conceituação de interdisciplinaridade, procurou-se analisar o exercício do trabalho em equipe no PSF, buscando reconhecer suas limitações e propor soluções para o problema que envolve a própria formação dos profissionais de saúde ainda na graduação. Conclui-se que somente através de uma mudança nos currículos será possível a formação de profissionais generalistas, capazes de resolver problemas reais da população, através de um relacionamento interdisciplinar e produtivo entre os vários setores da Área de Saúde. DESCRITORES: Interdisciplinaridade, saúde da família. Introdução O presente estudo foi realizado através de uma pesquisa bibliográfica visando encontrar na literatura soluções para os problemas no trabalho em equipe no Programa Saúde da Família. A coleta de dados foi realizada em base de dados como Scielo, Lilacs, Biblioteca Virtual de Saúde, entre outros, mas também em livros, artigos de revistas e periódicos. As diversas opiniões dos autores do estudo foram cruzadas para que entendamos o verdadeiro sentido da palavra “interdisciplinaridade” e sua importância na equipe e no sucesso do Programa Saúde da Família. Todas as idéias dos autores utilizadas na pesquisa serão referenciadas de acordo com as regras da ABNT. O Programa Saúde da Família (PSF) foi implantado pelo Ministério da Saúde em 1994 como estratégia para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem se revelado um instrumento para a modificação dos paradigmas vigentes na atenção à Saúde. O trabalho em equipe multiprofissional da estratégia saúde da família tem exigido dos componentes da equipe uma mudança de atitude pessoal e profissional em direção à interdisciplinaridade. Já foi constatado uma dificuldade de integração das equipes e de troca de informações, o que acarreta uma deficiência na assistência integral às famílias. E por quê as equipes do Programa Saúde da Família vêm encontrando essa dificuldade de integração recíproca entre os vários profissionais da área de saúde que o constituem? Para responder a esta pergunta foi elaborado o presente trabalho com o objetivo de identificar as causa da dificuldade de integração entre os componentes da equipe do PSF a fim de torná-los capazes de executar um trabalho de cunho verdadeiramente interdisciplinar. A mudança no modelo de atenção à Saúde vigente no Brasil é um processo gigantesco. A luta contra um sistema já estabelecido é o ponto chave para a mudança almejada pelos que lutam por uma sociedade mais justa. Desenvolvimento Programa de Saúde da Família e Interdisciplinaridade Origem Segundo Araújo e Rocha, (2007) “A interdisciplinaridade se evidencia desde a antiga Grécia, onde o ideal da educação era o saber da totalidade. A formação integral (Paidéa) envolvia o ensino da gramática, dialética, retórica, aritmética, geometria, música e astronomia.” A partir do século XIX, observou-se um processo crescente da disciplinarização, oriundo da hegemonia do paradigma do positivismo, que tinha na ciência a expressão máxima da racionalidade humana. Assim, as disciplinas se firmaram de forma isolada, resultando numa excessiva especialização e fragmentação do saber. A interdisciplinaridade não representa a anulação da disciplinaridade, nem a especificidade de cada saber. Em análise epistemológica, esse termo que possui inúmeras palavras com a mesma terminologia, quer dizer reciprocidade (“inter”) e ciência (“disciplina”), o que significa que refere-se à troca entre áreas de conhecimento. A multi, meta, trans e pluridisciplinaridade são algumas formas de relações interdisciplinares. Segundo Tavares, (2004), essas palavras, apesar de distantes e teóricas, têm significados parecidos. Na multidisciplinaridade as disciplinas são propostas simultaneamente sem que se manifestem explicitamente as relações que possam existir entre elas. A pluridisciplinaridade é a existência de relações complementares entre disciplinas mais ou menos afins. É o caso das contribuições mútuas das diferentes "histórias" (da ciência, da arte, da literatura, etc.) ou das relações entre diferentes disciplinas das ciências experimentais. A interdisciplinaridade é a interação de duas ou mais disciplinas. Essas interações podem implicar transferências de leis de uma disciplina a outra, originando, em alguns casos, um novo corpo disciplinar. A transdisciplinaridade é o grau máximo de relações entre disciplinas, de modo que chega a ser uma integração global dentro de um sistema totalizador. Esse sistema facilita uma unidade interpretativa, com o objetivo de construir uma ciência que explique a realidade sem fragmentações. Atualmente, trata-se mais de um desejo do que de uma realidade. A metadisciplinaridade, como dissemos, não implica nenhuma relação entre disciplinas. Ela se refere ao ponto de vista ou à perspectiva sobre qualquer situação ou objeto, mas não é condicionada por apriorismos disciplinares. (SIGNORELI, 2003) Definições A interdisciplinaridade, se caracteriza por um processo de integração recíproca entre várias disciplinas e campos de conhecimento capaz de romper as estruturas de cada uma delas para alcançar uma visão unitária e comum do saber trabalhando em parceria (WOINAROWSKI et al, 2007). Não é possível existir trabalho em equipe sem sequer um plano comum ou “projeto assistencial” previamente definido pelos membros da equipe em livre discussão sobre quais são os problemas e quais devem ser os objetivos da ação coletiva (WOINAROWSKI et al, 2007). A interdisciplinaridade é a possibilidade de um conjunto na busca de soluções, respeitando-se as bases disciplinares específicas (SAUPE et al., 2004). Ela representa um plano de ação voltado para um olhar vigilante e uma ação cuidadora (ALMEIDA e MISHIMA, 2007). Para Saupe et al. (2004), a interdisciplinaridade contempla o reconhecimento da complexidade crescente do objeto das ciências da saúde e a conseqüente exigência de um olhar plural; a possibilidade de trabalho conjunto, que respeita as bases disciplinares específicas na busca de soluções compartilhadas para os problemas das pessoas e das instituições; o investimento como estratégia para a concretização da integralidade das ações de Saúde. Etges (1993) define: “A interdisciplinaridade é o princípio da máxima exploração das potencialidades de cada ciência, da compreensão dos seus limites, mas, acima de tudo, é o princípio da diversidade e da criatividade (...) não podendo jamais ser elemento de redução a um denominador comum, mas elemento teórico-metodológico da diferença e da criatividade” Segundo Gomes (1997) “... Percebendo-se a interdisciplinaridade como um princípio a ser resgatado, inerente à própria essência da construção do conhecimento ou como uma atitude ou postura a ser desenvolvida frente ao saber, tem-se uma vasta trajetória a percorrer, trajetória esta conflitante e trabalhosa, mas também fecunda, rica e criativa, através da qual objetiva-se a superação da dicotomia teoria-prática, tão presente e tão criticada em nossos dias”. Para Santos e Cutolo, (2004), a discussão dos conceitos de interdisciplinaridade dentro da realidade atual do PSF é de fundamental importância para provocar mudanças na formação dos diversos profissionais envolvidos com a estratégia saúde da família desde o início de tudo, ou seja, na graduação, onde se formam os princípios éticos do exercício profissional. Programa Saúde da Família O PSF foi criado em 1994 pelo Ministério da Saúde (MS), em seguimento ao trabalho realizado pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), formulado e implantado em 1991 (SANTANA e CARMAGNANI, 2001). Ele propõe uma nova dinâmica para estruturação dos serviços de saúde, assim como a relação com a comunidade e para diversos níveis de assistência, sendo sua demanda principal o retorno da inclusão da família como participante do processo saúde-doença e em cujo espaço busca-se o desenvolvimento de ações preventivas, curativas e de reabilitação (OLIVEIRA e SPIRI, 2006). O Ministério da Saúde recomenda que a equipe da Saúde da Família seja composta por médico, enfermeiro, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde, e mais recentemente por dentista, psicólogo e fisioterapeuta (OLIVEIRA e SPIRI, 2006). Interdisciplinaridade no Programa Saúde da Família Segundo Santos e Cutolo, (2004), foi através do PSF que se deu início a mudança de paradigma no atendimento à saúde, deslocando o foco do indivíduo para a família e a comunidade, de forma mais abrangente, privilegiando a promoção e prevenção em detrimento do assistencialismo curativo e desvinculado da realidade social vigente até então. Dessa forma, houve a necessidade da criação de vínculos e de compromissos de co-responsabilidades entre os profissionais de saúde e a população. Após nove anos de implantação do PSF, com a adesão da grande maioria dos municípios brasileiros à estratégia, pôde-se constatar na prática uma melhor cobertura assistencial da população. Porém, a melhoria deu-se de forma parcial, e somente no nível primário de atenção. Os níveis de atendimento hierarquicamente acima, que dependem do atendimento especializado e da atenção hospitalar, não se desenvolveram adequadamente, gerando uma demanda reprimida e dificuldade de encaminhamento dos problemas que não podem ser resolvidos a nível primário. Outros entraves importantes continuaram ocorrendo ao longo do tempo, principalmente devido à própria população que, acostumada com o antigo sistema assistencialista, nunca conseguiu absorver totalmente as novas práticas de prevenção, promoção e educação em saúde, geradoras de cidadania. A dificuldade do trabalho de caráter interdisciplinar em equipe multiprofissional é gerada, principalmente, pela deficiência na formação acadêmica e profissional dos componentes desta e também pela falta de perfil exigido para o exercício do atendimento integral vinculado a uma população pré-definida territorialmente. Como trabalhar no PSF representa um acréscimo salarial importante, muitos profissionais se interessaram em fazer parte das equipes, sendo a sua grande maioria composta por profissionais recém-formados à espera de uma vaga na residência ou nas especializações. Todos esses fatores levaram médicos, enfermeiros, dentistas e outros profissionais a comporem equipes heterogêneas e pouco comprometidas com a execução da grande tarefa de modificar o perfil de saúde de nossa população. A conseqüência disso é a composição de equipes desconectadas entre si e ineficientes com dificuldades de comunicação e de integração interdisciplinar entre seus componentes. Quando existe uma relação interdisciplinar dentro das equipes, geralmente ocorre por intermédio de ações individuais de profissionais verdadeiramente engajados na estratégia saúde da família. A edição das novas Diretrizes Curriculares dos cursos da área da saúde pelo MEC em 2001, veio para tentar corrigir essas deficiências, procurando formar um novo ator social: O profissional com formação generalista, direcionado primordialmente à atenção básica de saúde e capaz de resolver a maior parte dos problemas de uma população ainda carente do básico para sua sobrevivência. Segundo Andrade et al, (2004), na visão multidisciplinar as categorias profissionais trabalham paralelamente e há pouca ou nenhuma discussão e elaboração das várias categorias entre si, resultando em atenção fragmentada aos pacientes, pois cada profissional desenvolve seu campo de conhecimento e pratica isoladamente das outras. É necessário que a visão voltada para a comunidade seja totalizadora, alcançando-se o objetivo de promover saúde. Segundo Santos e Cutolo, (2004), um processo de capacitação e informação contínuo e eficaz das equipes se faz necessário, para que a equipe tenha condições de atender às necessidades trazidas pelo dinamismo dos problemas, possibilitando um aperfeiçoamento profissional através da educação continuada. O planejamento das ações deve ser adequado às realidades de cada região, de acordo com a população. Deve haver uma adequação dos recursos técnicos disponíveis e uma busca da integração com universidades e instituições de ensino e capacitação de recursos humanos. A formação em serviço deve ser priorizada. Toda essa questão de treinamento dos recursos humanos transforma-se num instrumento de vital importância para a compensação das deficiências individuais dos profissionais envolvidos com a estratégia, já que, em sua maioria, não estão suficientemente sensibilizados para executar um trabalho em equipe de cunho verdadeiramente interdisciplinar. Saupe et al, (2004) vê a necessidade do estabelecimento de uma nova relação entre os profissionais de saúde, diferentemente do modelo hospitalocêntrico, permitindo maior diversidade de ações e busca do consenso. Essa relação, baseada na inter e não na multidisciplinaridade, requer uma abordagem que questione os profissionais estimulando sempre a comunicação da equipe. Um exemplo que deu certo foi o Programa Saúde da Família na comunidade do Alto Simão, em Vila Isabel, criado em 1998. A saúde da família no Alto Simão propõe a integralização ensino-assistência através da prática, sendo essencial à formação de profissionais que atendem ao mercado atual e à demanda de nossa população. Esse trabalho contribui para a reorientação do modelo assistencial, propondo a integração ensino-serviço a partir da atenção básica, em conformidade com os princípios do SUS. Através da integralidade e interdisciplinaridade, propõe uma nova dinâmica de atuação da equipe, com definição de responsabilidades entre os serviços de saúde e a população da comunidade. Mano et al, (2007) Interdisciplinaridade no PSF - a teoria na prática Segundo Santos e Cutolo, (2004), a mudança no modelo de atenção à saúde ainda vigente no Brasil é uma tarefa gigantesca. Os desafios são imensos e a luta contra um sistema já estabelecido é o ponto chave para a mudança almejada pelos que lutam por uma sociedade mais justa. O processo de integração entre profissional-profissional e profissionalpopulação, através de práticas verdadeiramente interdisciplinares é um processo em construção que depende basicamente do tipo de profissional a ser formado nos bancos das universidades: um profissional de Saúde engajado nas questões sociais e de cunho generalista, capaz de resolver cerca de 85% das necessidades da população sob sua responsabilidade, através da ótica da prevenção, promoção e recuperação da Saúde. O momento é propício para a transformação do trabalho individual realizado pelas diversas profissões em um trabalho coletivo em saúde, de caráter interdisciplinar, o que poderá contribuir para uma redefinição dos rumos a serem tomados em relação à formação, à pesquisa e aos currículos de cada curso de Saúde, procurando espaços possíveis de contato, visando uma troca de conhecimentos, técnicas e práticas que levam a um novo paradigma ético do trabalho em Saúde. Segundo Araújo e Rocha, (2007), a construção da interdisciplinaridade no setor de saúde brasileiro tem sido um processo contínuo e crescente, devido à necessidade de superação de fragmentação do conhecimento humano, buscando uma visão globalizada para dar conta da dimensão do processo saúde-doença As equipes e os grupos Fortuna at al, (2005), pensa que o grupo operativo é um conjunto de pessoas com um objetivo comum, que opera e se estrutura à medida que se relaciona. Existe a necessidade de um treinamento para operar como equipe. A técnica pode não dar conta do que ocorre nas relações da equipe, e, por isso, é necessário lançar mão de um ECRO (Esquema Conceitual Referencial e Operativo) que permita observar e analisar fenômenos que se dão nos grupos, nas instituições e em suas relações mútuas. Seria necessário a construção pela equipe do entendimento de suas relações, ações e das demandas que se apresentam no serviço trazidas pelos usuários. Essas demandas geram angústia nos trabalhadores já que ultrapassam a dimensão para qual foram preparados, a dimensão do cuidado biológico, do corpo, das partes. Equipes e grupos não são sinônimos, mas, por meio da compreensão dos processos grupais presentes nas relações cotidianas das equipes se pode construir a equipe onde cada integrante possui um saber, uma formação específica e, com isso, a tendência é a de não considerarmos tais diferenças e trabalhar como numa fábrica onde cada um faz um pedaço: um aperta o parafuso, outro pinta, outro embala, etc... O trabalho em saúde acaba sendo dividido porque cada um tem algo de específico a realizar, tem um conjunto de conhecimento que permite um certo fazer, por exemplo: o agente não vai prescrever um medicamento, nem um médico vai aos domicílios cotidianamente, para realizar e atualizar o cadastro das famílias. É possível dividir as ações sem perder de vista a finalidade de trabalho e a especificidade de cada trabalhador, conversando e elaborando planos de atendimento em conjunto para cada família, definindo mais claramente o fazer de cada um em relação ao caso. Nessa hora que os trabalhadores se reúnem para conversar, podemos visualizar os processos grupais. Um ponto importante para o trabalho em equipe é saber qual é o objetivo e quais são as tarefas do conjunto de trabalhadores. Aonde a equipe do PSF quer chegar com o seu trabalho? Qual é o seu projeto? Os integrantes da equipe vão, assim, rodiziando papéis, trocando saberes, constituindo-se como equipe. Dentre os diferentes papéis possíveis, vamos nos ater ao de liderança. Basicamente dizem respeito à liderança para a mudança, para a superação dos conflitos ou para a elaboração das tarefas visíveis e invisíveis. Falar de trabalho em equipe não é falar de algo harmonioso. É falar de pessoas em relação, que terão momentos de conflitos e que esses não são “negativos”, “ruins”, ou algo a ser evitado, mas são inerentes às relações, são possibilidades de crescimento, se forem trabalhados. Algumas profissões foram adquirindo poder durante a história, é o caso da categoria profissional médica. O médico vem detendo poder dentro da equipe, e isso pode dificultar sua inserção na equipe, numa posição diferente que não na vertical, mandando. Também, historicamente, a enfermeira disputa poder com o médico, disputa o controle dos outros trabalhadores, e, na equipe de saúde da família, essas disputas históricas estão presentes e precisam ser esclarecidas, conhecidas, reveladas. É comum ir se fazendo toda a rede de relações sobre essa trama de poder, na perspectiva de mantê-la ou de refutá-la. São comuns as discordâncias colocadas na direção de se manter no poder ou de se rebelar a esses poderes. Na equipe, as relações de poder são complementares. Não temos os ditadores sem os submissos. Trabalhar em equipe requer rever poderes, desocultar os poderes, olhar se sua disputa não está incoerente com a direcionalidade do trabalho: no caso do PSF, a democratização e a construção de trabalhadores e usuários cidadãos. Conclusão: O Ministério da Saúde, em 1994, lançou o Programa de Saúde da Família como uma estratégia de implantação e consolidação do SUS. Para tanto, houve a necessidade de modificação profundas na forma de atuar e de trabalhar a saúde, a partir dos princípios que se baseiam na universalidade de acesso, na equidade e na integralidade das ações. O trabalho em equipe no PSF iniciou um processo de integração entre profissionais que até então pouco se relacionavam em seu cotidiano. Este processo de integração através de práticas verdadeiramente interdisciplinares, é um processo em construção. Acreditamos que a interdisciplinaridade seja a chave para o sucesso do Programa de Saúde da Família (PSF). Porém, conforme visto no presente estudo, trabalhar de forma interdisciplinar não é uma tarefa fácil. Depende de disciplina, vontade, vocação, conhecimento, exigindo mudança de atitude, já que os profissionais da área de saúde são formados para trabalhar num modelo biologicista, baseados em modelos flexnerianos e estáticos com currículo rígido e pouco conectado com as reais necessidades da população. É imperativo uma mudança nos centros universitários capaz de formar profissionais de saúde com formação generalista, capaz de resolver a maior parte dos problemas de uma população que carece de cuidados básicos para a sobrevivência. É imperativo que haja na equipe profissionais verdadeiramente engajados na estratégia de Saúde da Família e que ali esteja por vocação e não por falta de opção. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, M.C.P.; MISHIMA, S.M. O desafio do trabalho em equipe na atenção Saúde Família: construindo “novas autonomias” no trabalho. 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