Universidade Presbiteriana Mackenzie Centro de Ciências Sociais e Aplicadas Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis. Estudo do impacto da adoção da ICPC 01 nas decisões gerenciais considerando as Normas Societárias e Regulatórias nas empresas de transmissão de energia elétrica do Brasil. Maria Eveline Rodrigues Gomes SãoPaulo 2012 Maria Eveline Rodrigues Gomes Estudo do impacto da adoção da ICPC 01 nas decisões gerenciais considerando as Normas Societárias e Regulatórias nas empresas de transmissão de energia elétrica do Brasil. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie para a obtenção do título de Mestre em Controladoria Empresarial. Orientador: Prof. Dr. Henrique Formigoni São Paulo 2012 G633e Gomes, Maria Eveline Rodrigues Estudo do impacto da adoção da ICPC 01 nas decisões gerenciais considerando as Normas Societárias e Regulatórias nas empresas de transmissão de energia do Brasil / Maria Eveline Rodrigues Gomes - 2013. 90f. : 30 cm Dissertação (Mestrado em Controladoria Empresarial) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2013. Orientação: Prof. Dr. Henrique Formigoni Bibliografia: f. 83-85 1. Demonstrações regulatórias. 2. Demonstrações societárias. 3. Decisões gerenciais. 4. Transmissão de energia elétrica. I. Título. CDD 657 Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Prof. Dr. Benedito Guimarães Aguiar Neto Decano de Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Dr. Moisés Ari Zilber Diretor do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas Prof. Dr. Sérgio Lex Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis Profa. Dra. Maria Thereza Pompa Antunes Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram. Olhes para trás...mas vá em frente, pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te. Charles Chaplin AGRADECIMENTOS A realização deste trabalho só foi possível com o apoio de várias pessoas. A Deus, companheiro que nunca me desampara, às vezes me segura pelas mãos, outras vezes me leva em seus braços. Ao meu orientador Prof. Dr. Henrique Formigoni, pela dedicação, competência e paciência nos meus momentos de ansiedade, muito obrigada. Ao Diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Grupo Alupar Investimento S/A, Dr. Marcelo Costa, pela estimável e importante contribuição na escolha do tema e na conclusão do trabalho. À minha família, aos amigos e amigas, que entenderam minha ausência e sempre torceram por meu sucesso e acreditaram no meu êxito. RESUMO Após as mudanças na legislação societária, com a Lei 11.638/2007, o setor de energia elétrica ― mais especificamente a transmissão de energia ― teve alterações significativas nos registros contábeis tanto com relação à Receita e à infraestrutura do negócio e quanto na apresentação das demonstrações Financeiras Societárias e Regulatórias. Este trabalho objetivou analisar se houve alterações nas informações utilizadas como base para tomada de decisões gerenciais pelos gestores das empresas de transmissão de energia elétrica após a adoção da ICPC-01 – Contratos de Concessão, que emergiu após as mudanças no ambiente contábil estabelecidas pela Lei 11.638/2007. O método utilizado foi o qualitativo; quanto aos objetivos, a pesquisa foi exploratória. A amostra foi composta por 15 transmissoras em operação do Grupo Alupar Investimento S/A. A análise do objeto de pesquisa foi realizada atráves do conteúdo das respostas do questionário com 12 perguntas enviadas aos gestores do grupo Alupar Investimento, que trabalham diretamente com a atividade de transmissão. Estas perguntas abordaram a temática da decisão gerencial a partir da informação contábil societária ou regulatória após adoção da ICPC-01-Contratos de Concessão. Para tanto, foram coletadas respostas de cinco (05) gestores da holding e analisados os conteúdos, os quais foram resumidos em fatores para melhor entendimento do objeto de pesquisa. Detectou-se que a informação contábil solicitada com mais frequência para tomada de decisões internas são as regulatórias e que praticamente nenhuma decisão gerencial é tomada a partir das informações societárias. Concluiu-se que a adoção da ICPC-01-Contratos de Concessão não trouxe alterações nas informções para a tomada de decisão dos gestores das empresas de Transmissão de Energia Elétrica do Brasil, considerando-se que não houve mudança no uso da informação para análise interna do negócio e decisões e que as informações utilizadas para decisões gerenciais continuam como antes da adoção da norma, ou seja, têm como base as demonstrações regulatórias. Palavras-Chave: Demonstrações Regulatórias; Demonstrações Societárias; Decisões Gerenciais; Transmissão de Energia Elétrica. ABSTRACT After the changes in corporate law with the Law 11.638/2007, the electric power sector, specifically the Power Transmission, had significant changes in the accounting records with respect to both revenue and infrastructure business and as the presentation of the Financial Statements and Corporate Regulatory. This study aimed to examine whether there were changes in the information used as a basis for management decisions by corporate managers Transmission of Electricity after the adoption of the ICPC-01 - Concession, which emerged after the changes in the accounting environment established by Law 11,638 / 2007. The method used was qualitative, about the objectives, the research was exploratory. The sample was composed of 15 transmitters in operation Alupar Investment Group S / A. The analysis of the object of research was conducted through the content of the answers in the questionnaire with 12 questions sent to managers Alupar Investment Group, who work directly with the transmission activity. These questions addressed the issue of managerial decision from the corporate or regulatory accounting information after adoption of ICPC-01-Concession. Therefore, responses were collected from five (05) holding managers and analyzed the contents, which were summarized factors for better understanding of the research object. It turned out that the accounting information requested most frequently for internal decision making are the regulatory and virtually no management decision is taken from corporate information. It was concluded that the adoption of ICPC-01-Concession brought no changes to the Information of the decision making of corporate managers Transmission of Electricity in Brazil, considering that there was no change in the use of information for internal analysis and business decisions and the information used for management decisions continue as before the adoption of the standard, ie, are based on regulatory statements. Keywords: Regulatory Statements; Transmission of electrical energy. Corporate Statements; Managerial Decisions; SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ....................................................................................................................................10 LISTA DE QUADROS ..................................................................................................................................11 LISTA DE TABELAS ...................................................................................................................................12 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ....................................................................................................13 1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................15 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO............................................................................................................. 15 1.2 QUESTÃO DE PESQUISA .......................................................................................................... 21 1.3 OBJETIVO GERAL ..................................................................................................................... 21 1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................................................ 21 1.5 JUSTIFICATIVAS E CONTRIBUIÇÕES ................................................................................... 22 2 REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................................................................23 2.1 O SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL – ASPECTOS GERAIS .............................. 23 2.1.1 SISTEMA DOS LEILÕES E MERCADO LIVRE ................................................................................. 26 2.1.2 OPERAÇÕES DE CURTO PRAZO ................................................................................................... 27 2.1.3 O SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL (SIN) ............................................................................... 29 2.1.4 O SISTEMA ISOLADO................................................................................................................... 29 2.1.5 EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA ......................................................................................... 30 2.1.6 A DESVERTICALIZAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO ............................................................................ 30 2.1.7 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA ............................................................................................. 32 2.1.8 GERAÇÃO DE ENERGIA ............................................................................................................... 32 2.1.9 FONTES DE GERAÇÃO DE ENERGIA ............................................................................................. 33 2.1.10 Distribuição de Energia ...................................................................................................... 35 2.1.11 COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA .............................................................................................. 39 2.1.11 Transmissão de Energia ..................................................................................................... 39 2.2 A ADOÇÃODA ICPC-01 E A NOVA ESTRUTURA CONTÁBIL DAS EMPRESAS DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ...................................................................................................................... 47 2.2.1 Adoção do ICPC 01 nas empresas de transmissão de energia elétrica ................................ 47 2.2.2 Modelo Ativo Financeiro ...................................................................................................... 51 2.2.3 Contabilização do Ativo Financeiro ..................................................................................... 53 2.2.4 Amortização do Ativo Financeiro ......................................................................................... 55 2.2.5 Contabilidade Regulatória – Setor Elétrico ......................................................................... 55 2.2.6 Depreciação dos ativos regulatórios .................................................................................... 58 2.2.7 Custo de Empréstimo – Aspectos Regulatórios e Societários ............................................... 59 2.2.8 A análise dos Índices Econômicos para tomada de decisão. ................................................ 60 3 METODOLOGIA DE PESQUISA ............................................................................................................64 3.1 TIPOLOGIA DE PESQUISA ....................................................................................................... 64 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ....................................................................................................... 64 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS ......................................................................... 67 3.4 PROCEDIMENTO DE TRATAMENTO DE DADOS ................................................................ 68 3.5 LIMITAÇÕES DA PESQUISA .................................................................................................... 68 4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ..................................................................................................69 4.1. DESCRIÇÃO DAS ANÁLISES – ADERÊNCIA DOS CONTRATOS DE CONCESSÃO ........ 69 4.2 ÍNDICES ECONÔMICOS -DEMONSTRAÇÕES REGULATÓRIAS E SOCIETÁRIAS ......... 70 4.3 ANÁLISE DA PESQUISA QUALITATIVA ............................................................................... 77 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................................................81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................................................83 APÊNDICE A- QUESTIONÁRIO DA PESQUISA .....................................................................................86 APÊNDICE B – RESUMO DAS RESPOSTAS ............................................................................................89 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Componentes da fatura de energia ........................................................................... 24 Figura 2 - Estrutura Institucional do Setor Elétrico................................................................. 28 Figura 3 - Relação entre agentes e Consumidores .................................................................... 36 Figura 4 - Transmissora de Energia Elétrica ............................................................................ 40 Figura 5 - Organograma da Alupar Investimento S/A ............................................................. 65 Figura 6 - Receita Líquida Societária X Regulatória ............................................................... 71 Figura 7 - Ativo Total Societário X Regulatório ...................................................................... 72 Figura 8 - Lucro Líquido Societário X Regulatório ................................................................. 72 Figura 9 - Margem Líquida Regulatória X Societária .............................................................. 75 Figura 10 - Rentabilidade do Patrimônio Regulatório X Societário ........................................ 75 Figura 11 - Rentabilidade do Ativo Regulatório X Societário ................................................. 76 Figura 12 - EBITDA Regulatório X Societário ........................................................................ 76 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Principais encargos inseridos na tarifa de energia ................................................. 37 Quadro 2 - Tipos de Contratos ................................................................................................. 42 Quadro 3 - Encargos setoriais considerados na RAP ............................................................... 45 Quadro 4 - Encargos Tributários .............................................................................................. 45 Quadro 5 - Agentes de Transmissão ......................................................................................... 46 Quadro 6 - Registro dos impactos do ICPC-01 para Contabilidade Regulatória e Societária . 54 Quadro 7 - Diferenças Modelo Societário e Regulatório ......................................................... 56 Quadro 8 - Tratamento Contábil dos Encargos Financeiros.................................................... 60 Quadro 9 - Resumo dos índices econômicos-financeiros ......................................................... 62 Quadro 10 - Fatores Qualitativos para análise de Empresas de Energia .................................. 63 Quadro 11 - Análise Contrato Concessão Transmissoras do Grupo Alupar ............................ 69 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Capacidade Instalada de Geração Energia Elétrica ................................................. 35 Tabela 2 - Modelagem do ativo financeiro(R$/MIL) – Transmissoras Alupar ........................ 53 Tabela 3 - Empresas Transmissoras do GrupoAlupar Investimento S/A ................................. 66 Tabela 4 - Indicadores das empresas – Receita, Ativo e Lucro Líquido .................................. 70 Tabela 5 - Indicadores das empresas – Margem líquida, Rentabilidades e Ebitda .................. 74 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACR- Ambiente de Contratação Regulada ACL- Ambiente de Contratação Livre AIC- Ativo Imobilizado em Curso AIS- Ativo Imobilizado em Serviço ANEEL- Agência Nacional de Energia Elétrica BID- Banco Interamericano de Desenvolvimento BNDES- Banco Nacional de Desenvolvimento S/A CCC- Conta de Consumo de Combustíveis CCEE- Câmara de Comercialização de Energia Elétrica CGH’s- Centrais Geradoras Hidrelétricas CFC- Conselho Federal de Contabilidade CPC- Comitê de Pronunciamentos Contábeis CUST- Contrato de Uso do Sistema de Transmissão DNAEE- Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica EPE- Empresa de Pesquisa Energética ICPC- Interpretação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis IFRIC- International Financial Reporting Interpretations Commitee JOA- Juros sobre Obras em Andamento MAE- Mercado Atacadista de Energia MCSPEE- Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica MME- Ministério de Minas e Energia OCPC- Orientação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis ONS- Operador Nacional do Sistema Elétrico PCH’s- Pequenas Centrais Hidrelétricas PEI- Produtos Independentes de Energia PROINFA- Programa de Incentivo a Fontes Alternativas P&D- Pesquisa e Desenvolvimento RAP- Receita Anual Permitida RCP- Relatório de Controle Patrimonial RGR- Quota Anual de Reserva Global de Reversão SIN- Sistema Interligado Nacional ODI- Ordem de Imobilização UAR- Unidade de Adição e Retirada UC- Unidade de Cadastro 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO O setor de energia tem características próprias, pois produz uma mercadoria que não pode ser armazenada e tem que ser consumida no momento em que é gerada. Esse fato interliga, diretamente, a geração, a transmissão e a distribuição de energia elétrica, sendo fundamentais a eficiência e a confiabilidade na qualidade e na coordenação do sistema elétrico (ABREU, 2009). O setor elétrico brasileiro teve seu período de crescimento durante os anos cinquenta, sessenta e setenta do século XX. A partir de 1979, seu endividamento externo agravou-se principalmente pelo aumento das taxas de juros internacionais e pela manipulação das tarifas, utilizadas pelo governo como mecanismo de controle da inflação, no período de 1982 a 1993. As empresas de energia foram utilizadas como instrumentos para implantação de políticas de desenvolvimento industrial no país. Apesar disso, aquelas decisões de manipulação de tarifa e aumento de taxas de juros como forma de controle de inflação levaram o setor à estagnação por falta de recursos (ABREU, 2009). A partir dos anos 80 a energia passou a ser vista como um produto que poderia ser negociado no mercado e, para que se tornasse um negócio atraente, separaram-se os diversos setores do sistema de eletricidade ― geração, transmissão, distribuição e comercialização. Para que essas empresas funcionassem de forma eficiente, foi necessário haver suas reestruturações (ABREU, 2009). A falta de investimentos substanciais no setor de energia elétrica e a utilização, pelo governo, das empresas de energia como instrumento de política econômica no combate à inflação foram fatores que contribuíram fortemente para a deterioração da saúde financeira dessas empresas na década de 1980 (BERNARDES e GONÇALVES, 2002). A crise iniciada na década de 80 se estendeu até os anos 90, quando, em 1993, o governo, na tentativa de resolver essa crise que se tornava cada vez mais evidente no setor de energia, publicou a Lei nº 8.631, de 4 de março, que trouxe em seu conteúdo a desequalização das tarifas e definiu novas regras para o relacionamento entre concessionárias e o poder concedente. No entanto, a tentativa de resolver a crise financeira do setor de energia por meio da publicação dessa lei não obteve êxito. Os problemas financeiros das empresas elétricas 16 continuavam, devido ao fato de as tarifas encontrarem-se bastante defasadas e a inflação brasileira apresentar altos índices, situação que exigia do governo, antes de qualquer decisão, o controle da inflação ― só depois seria possível a resolução dos problemas setoriais (SILVEIRA, 2003). As mudanças institucionais que ocorreram na indústria de energia elétrica no Brasil também foram realizadas em todo o mundo, com o objetivo do aumento da eficiência no setor, de redução de custos e, principalmente, de introdução da competitividade, o que evidencia a mudança no papel do Estado (PINTO e OLIVEIRA, 2004). A ideia de um estado mínimo ganhou grande repercussão nas últimas décadas do século XX. Os defensores dessa ideia afirmam que o Estado deveria ocupar-se apenas com funções tipicamente estatais (Ex.: Justiça, Segurança e Defesa Nacional), deixando a cargo da iniciativa privada a prestação de alguns principais serviços públicos, como, por exemplo, o fornecimento de gás e/ou energia elétrica, os serviços de telecomunicações, o transporte de pessoas e/ou cargas, dentre outros (ABREU, 2009). No cenário brasileiro, as privatizações ocorridas nos anos 90 fazem parte da experiência nacional de redução da estrutura estatal e da prestação de serviços públicos para a iniciativa privada. O mundo está sob o jugo das teorias neoliberais, em torno do tripé básico da “desregulamentação”, da “privatização” e da “abertura comercial” (ABREU, 2009). A década de 90 foi decisiva para o setor elétrico brasileiro, pois foi um período de alavancagem tecnológica e de aumento dos investimentos estrangeiros. A atração de investimento para a economia brasileira teve como marco inicial a abertura de mercados, o que possibilitou o aumento da concorrência dos setores econômicos do Brasil. Tal processo forçou o mercado interno a investir na ampliação da capacidade produtiva e consequentemente da melhoria de produtos e serviços. O setor de energia sempre esteve incluído no plano de desestatização. Os interessados em participar dos leilões foram autorizados a usar títulos da dívida externa para adquirir ações das empresas, com o objetivo de amortização da dívida externa com os bancos americanos e europeus. As privatizações, iniciadas pelas empresas concessionárias de distribuição de energia, com recursos internacionais, foram o ponto de partida para a internacionalização dos investimentos no setor de energia (ABREU, 2009). Insere-se, nesse cenário, a globalização das informações, que fez com que as empresas de energia, até então estatais, pudessem tornar-se grandes organizações com suas sedes em 17 vários países, que realizavam o controle da entidade. Para gerenciamento e controle desses novos negócios, as matrizes solicitavam relatórios contábeis para gestão e tomada de decisão. Nesse prisma, a informação contábil, por vezes, sofria distorções em sua análise, por ser feita de acordo com as normas e os padrões do lugar de origem da empresa, e não pelos padrões da localidade da matriz. As discussões sobre harmonização das normas de contabilidade nasceram no final da década de 90 e tornaram-se mais acentuadas nos organismos internacionais após as crises cambial e financeira asiática e russa, pois tais organismos internacionais perceberam a dificuldade em estabelecer analogia entre as demonstrações financeiras publicadas em diversos países (SOUZA e COUTINHO, 2007). A contabilidade começou a modernizar-se com a consolidação do desenvolvimento industrial e a chegada de investimentos estrangeiros, principalmente em decorrência da influência de contadores vindos da Inglaterra e dos Estados Unidos, que foram contratados para elaborar relatórios contábeis de acordo com as regras adotadas nas respectivas matrizes (GREGORY e OLIVEIRA, 2005). A evolução da contabilidade aconteceu paralelamente às transformações da sociedade e se desenvolveu buscando atender ao seu objetivo principal, que é satisfazer a necessidade de informações dos usuários externos e internos. Ribeiro Filho et al. ( 2009) observam que a contabilidade é a área do conhecimento humano, formada e alimentada por dois movimentos cognitivos indissociáveis: (1) o processo criativo-normativo; e (2) o processo descritivopositivo. Esses movimentos são circulares, de forma que um não sobreviverá sem o outro; ao passo que, andando juntos, a contabilidade ganha em inserção social. Gouveia (2009), expõe que tanto o investidor quanto o credor de um determinado negócio apenas estarão aptos a aplicar seus recursos financeiros de posse de informações com nível excelente de qualidade, pois a linguagem de negócios se dá por meio da informação contábil, que fornece um panorama da situação econômica e financeira corrente de uma entidade, desde que os números sejam apresentados de forma padronizada e atenta em respeito aos preceitos exigidos por normas contábeis nacionais e internacionais, determinados pela origem do capital de cada empreendimento. A informação contábil é o instrumento influenciador da tomada de decisão dos diversos stakeholders. Iudicíbus et al. (2008) salientam que a linguagem contábil é universal e, com a globalização dos negócios, tornou-se por demais importante para todos os países, não 18 podendo mais ser praticada conforme desejo exclusivo de cada um. A confiança é fundamental no mundo dos negócios, e a qualidade das normas utilizadas para a elaboração das informações contábeis faz parte do processo que ajuda na facilitação das operações. Conhecendo quais normas são utilizadas, todos entenderão melhor a situação em que se inserem e, consequentemente, terão mais confiança nas informações. No Brasil, o marco da adequação das Normas Contábeis às Normas Internacionais ocorreu com a publicação da Lei 11.638/2007, que harmonizou a normatização societária com as normas internacionais até então regulamentadas pela Lei 6.404/76, ainda vigente. É importante ressaltar que a Lei 11.638/2007 alterou, revogou e introduziu apenas alguns dispositivos à Lei 6.404/76 ― e tais itens modificados são referentes à matéria contábil. O Conselho Federal de Contabilidade, no exercício de suas atribuições legais e em face da importância da internacionalização das normas contábeis que vêm levando diversos países a um processo de convergência de informações contábeis, criou o CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis, por meio da Resolução CFC nº 1.055, de 07.10.2005, a qual estabelece que o CPC têm os seguintes objetivos : Art.3º. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis- (CPC) tem por objetivo o estudo, o preparo e a emissão de pronunciamentos técnicos sobre procedimentos de contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da contabilidade brasileira aos padrões internacionais. A publicação da Interpretação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis - ICPC 01 – Contratos de Concessão foi baseada na norma de contabilidade International Financial Reporting Interpretations Commitee - IFRIC 12 - Service Concession Arrangements e tem como escopo orientar a forma de aplicar as novas regras societárias (os pronunciamentos contábeis do CPC) às concessionárias de serviços públicos, com relação aos bens, direitos e obrigações referentes a seus contratos de concessão. Com a publicação dessa Interpretação, deu-se início a incansáveis discussões acerca da modelagem societária para as concessionárias de serviço público alcançados por ela. Como resultado dessas discussões, foi publicada a Orientação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis - OCPC 05 – Contratos de Concessão, que basicamente define a quais tipos de concessão deve ser aplicada ICPC-01 e qual modelo a seguir: ativo financeiro, ativo intangível ou ambos, para os contratos de concessão de geração, transmissão e distribuição de energia, rodovias e ferrovias. Portanto, após a OCPC 05, o setor 19 de energia padronizou a aplicação da ICPC-01 para a contabilização dos ativos imobilizados, que passaram a ser tratados como ativos financeiros, pois esse foi o ítem do balanço mais impactado por essa interpretação. Diante das mudanças estabelecidas pela ICPC 01, e posteriormente pela OCPC 05, as mudanças de contabilização nesse segmento econômico, na apresentação dos ativos da concessão e nas demonstrações contábeis das empresas de energia elétrica geram informações diferentes das normas e dos procedimentos estabelecidos pelo agente regulador do setor Elétrico, a ANEEL ― Agência Nacional de Energia Elétrica. A ANEEL foi criada como parte do processo de reforma do Estado para atuar como órgão regulador e fiscalizador do setor elétrico. A ação de fiscalização tem por objetivo assegurar que as concessionárias, permissionárias e autorizadas de serviço público de geração, transmissão e de distribuição de energia cumpram suas obrigações conforme estabelecidas na legislação, nos contratos de concessão e nos regulamentos emitidos por essa agência. Sua missão é proporcionar condições favoráveis para o desenvolvimento com base no equilíbrio entre o mercado de energia e seus agentes em benefício da sociedade (GANIM, 2009). A ANEEL tem em seu escopo a formulação e a reformulação do plano de contas para as atividades de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, que se destina ao controle dos dados e das informações referentes ao desempenho da concessão e à permissão. Nesse contexto, o agente regulador, preocupado com a essência do serviço outorgado, resolveu instituir a contabilidade regulatória através da Resolução Normativa nº 396 de 23 de Fevereiro de 2010, por entender que a aplicação das normas societárias impossibilita uma divulgação adequada das informações contábeis dos ativos vinculados à concessão. Com a publicação da Resolução Normativa 396, em dezembro de 2010, pela ANEEL, foi estabelecida a Contabilidade Regulatória para as empresas de energia, sendo assim a prática contábil societária ICPC 01 não teve aplicabilidade para as concessionárias de energia. As novas regras impostas estabelecem a necessidade de demonstrações contábeis próprias, considerando-se as imposições legais contidas na Resolução 396/2010. As empresas de energia, a partir de 31/12/2011, estão obrigadas a disponibilizar suas informações contábeis dentro do escopo da legislação societária e regulatória. Tais informações devem ser auditadas e publicadas até abril de 2012. Art.7º - Ficam instituídas as Demonstrações Contábeis Regulatórias – DCR, cujo modelo será estabelecido pela ANEEL, bem como os livros 20 contábeis auxiliares regulatórios, de adoção obrigatória pelas concessionárias e permissionárias de transmissão e distribuição de energia elétrica. Uma das medidas para revitalização do setor elétrico encontradas pelo poder público foi a normatização da desverticalização do setor para inserir competitividade. O marco regulatório aconteceu com a publicação da Lei 10.848, de 15 de março de 2004, que introduziu relevantes modificações e trouxe novas perspectivas, tendo como objetivo a retomada dos investimentos no segmento de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia (ONS, 2004). A desverticalização do setor permitiu a inserção do investidor não público na Rede Básica de Transmissão (SISTEMA INTERLIGADO1). Esse negócio está em seu ápice de atração de capital, pois, para o país continuar crescendo, é necessário haver investimento em energia e, em decorrência disso, transporte dessa energia. Diante disso, os olhos do investidor se voltam para as informações contábeis, que são o guia para a decisão de se investir ou não. Gouveia (2010) entende que, diante da necessidade de investimento em infraestrutura na transmissão de energia e da oferta dessa concessão em leilões públicos, o capital privado tem se mostrado atraente em ampliar seus novos negócios, e para a aquisição desses novos negócios é necessária uma análise minuciosa das informações contábeis. O Poder concedente (Estado) estabeleceu os leilões de transmissão de energia como forma de atrair investimentos para o setor, pois o país precisava de interligação de linhas de transmissão no sistema elétrico. Sem transmissoras, os novos investimentos em geração de energia seriam inviáveis e o crescimento da infraestrutura do país precisava expandir-se para atender às perspectivas de crescimento econômico do governo. A gestão do negócio tem como pilar a informação contábil, pois ela fornece subsídios necessários ao bom entendimento da situação financeira e econômica da entidade. Com o fortalecimento da economia e a necessidade de investimento em infraestrutura, o setor de transmissão de energia elétrica tem se mostrado atraente ao investidor tanto pela liquidez quanto pela garantia de retorno do investimento realizado. A decisão de investir ou não em algum segmento econômico requer conhecimento claro e objetivo dos retornos que o investimento garantirá. Nesse ponto estratégico, a informação é um alicerce para as decisões a serem tomadas. 1 SIN- Sistema Interligado Nacional: formado pelas empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte. 2 USINAS DE GERAÇÃO DESPACHADAS-O despacho elétrico brasileiro é o controle da operação da geração 21 1.2 QUESTÃO DE PESQUISA A questão de pesquisa se associa às novas mudanças estabelecidas pela Lei 11.638/07 e pela ICPC 01 - Contratos de Concessão que alteram significativamente as demonstrações contábeis com as especificidades do setor elétrico de transmissão de energia. Tais mudanças estabelecem nova estrutura de registro contábil para os ativos imobilizados, que para a concessão do serviço publico de transmissão é o foco principal do retorno do investimento. Sendo assim, a análise das informações contábeis sofrerá modificações na base das informações, como também a gestão operacional e financeira. O gestor das concessões de transmissão no uso das informações contábeis para tomada de decisão, deverá tomar como base quais informações? Societárias ou regulatórias? Diante deste cenário, este estudo tem como questão de pesquisa: Houve alterações nas informações utilizadas como base para tomada de decisões gerenciais pelos gestores das empresas de transmissão de energia elétrica após a adoção da ICPC-01 – Contratos de Concessão, que emergiu após as mudanças no ambiente contábil estabelecidas pela Lei 11.638/2007? 1.3 OBJETIVO GERAL Este trabalho propôs-se a analisar se houve alterações nas informações utilizadas como base para tomada de decisões gerenciais pelos gestores das empresas de transmissão de energia elétrica após a adoção da ICPC-01 – Contratos de Concessão, que emergiu após as mudanças no ambiente contábil estabelecidas pela Lei 11.638/2007. 1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Este trabalho apresenta os seguintes objetivos específicos: 22 I – Conhecer a variação nos indicadores econômicos com base na análise comparativa das informações divulgadas nas demonstrações contábeis societárias e regulatórias. II - Conhecer quais informações contábeis são solicitadas com mais frequência pelos gestores das empresas de transmissão de energia elétrica do Brasil para tomada de decisão, se seriam Informações Contábeis Societárias ou Regulatórias. 1.5 JUSTIFICATIVAS E CONTRIBUIÇÕES A principal justificativa para a realização deste estudo vem de uma necessidade percebida na prática profissional da autora, que possui a experiência de 14 anos atuando no setor elétrico. Especificamente, verificou-se na solicitação de balancetes regulatórios pelo diretor financeiro da empresa Alupar Investimento S/A a negação do uso das informações societárias com adequação da norma ICPC-01 por meio da seguinte frase “essas informações não servem para nada”. Diante disso, surgiu a curiosidade de se entender motivo pelo qual estariam sendo excluídas do olhar analítico dos gestores esses demonstrativos contábeis societários. Qual seria a razão para que os diretores e presidentes estejam rejeitando o uso da norma societária amplamente discutida no âmbito regulamentar? Entende-se que o negócio transmissão de energia ainda vai crescer muito no Brasil, muitos investidores irão aportar seus recursos neste setor e, por esse motivo, julga-se importante que o investidor, além de conhecer a regulação econômica do segmento, tenha as informações contábeis confiáveis. A informação Contábil é importante para a análise de investimento, pois através dela é possível estabelecer parâmetros para o investidor ter segurança do investimento e, com isso, ter condições de conhecer o negócio e o seu retorno através de projeções futuras, portanto, o uso das informações corretas para o negócio é estratégico para a tomada de decisões. Entende-se que esta pesquisa contribuirá para fomentar a discussão sobre a adoção da norma societária ICPC-01 para as empresas de transmissão de energia no Brasil. Portanto, dessa forma, espera-se que o estudo contribua para alavancar no meio acadêmico e normativo a discussão sobre a reversão da adoção da norma societária ICPC-01 – Contratos de Concessão para as empresas de Transmissão de Energia Elétrica no Brasil. 23 2 REFERENCIAL TEÓRICO O referencial teórico está baseado nas legislações do setor elétrico, nas interpretações e orientações do CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis e na revisão dos trabalhos sobre o tema publicados no Brasil. 2.1 O SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL – ASPECTOS GERAIS Um dos Parâmetros para que o país seja considerado desenvolvido é a observação da facilidade de acesso da população aos serviços de infraestrutura, como saneamento básico, transportes, telecomunicações e energia. A energia é fator determinante para o desenvolvimento econômico e social. De todos os segmentos da infraestrutura, o serviço público de energia é o mais universalizado, pois deve possibilitar o acesso à energia e seu uso para todos. A incidência dos consumidores não atendidos está diretamente relacionada à sua localização e às dificuldades físicas ou econômicas quanto à acessibilidade à rede elétrica. É importante considerar que as cinco regiões do Brasil - sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste - têm características próprias o que as diferenciam muito entre si. Essas diferenças bem acentuadas definem o modelo criado para os sistemas de geração, transmissão e distribuição que possibilitam o acesso da população à rede elétrica (ATLAS - ANEEL, 2008). Até a década de 90, existia apenas uma tarifa única de energia elétrica no Brasil, que garantia a remuneração das concessionárias, independentemente do seu grau de eficiência. Esse modelo tarifário não incentivava a busca pela eficiência das empresas de energia, considerando-se que todo seu custo era repassado ao consumidor. Em 1993, com a edição da lei nº 8.631, as tarifas passaram a ser fixadas por empresa, conforme características regionais e específicas de cada área de concessão (ATLAS - ANEEL, 2008). Os componentes regulatórios que fazem parte da tarifa, também chamados “custos não gerenciáveis”, são especificados na Figura 1. 24 Figura 1 - Componentes da fatura de energia Fonte: Aneel, 2008. O modelo de negócios do setor de energia elétrica passou por duas grandes mudanças desde a década de 90. A primeira deu-se com a privatização das companhias Distribuidoras de Energia e teve início com a lei nº 9.427, de dezembro de 1996, que instituiu a ANEEL e determinou que a exploração dos potenciais hidráulicos fosse concedida por meio de concorrência ou leilão, em que o maior valor oferecido pela outorga (Uso do Bem Público) determinaria o vencedor. A segunda ocorreu em 2004, com a introdução do novo modelo do setor elétrico, que teve como objetivos principais: garantir a segurança no suprimento; promover a modicidade tarifária; e promover a inserção social, em particular pelos programas de universalização (“luz para todos”, “luz no campo”). Sua implantação marcou a retomada da responsabilidade do planejamento do setor de energia elétrica pelo Estado (ATLAS ANEEL, 2008). Uma das principais alterações promovidas em 2004 foi a substituição do critério utilizado para concessão da geração de energia e novos empreendimentos de geração. Passou a vencer os leilões o investidor que oferecesse o menor preço para a venda da produção das futuras usinas. Além disso, o novo modelo estabeleceu dois ambientes para a celebração de contratos de compra e venda de energia: o ambiente de contratação regulada (ACR), exclusivo para geradoras e distribuidoras, e o ambiente de contratação livre (ACL), do qual participam geradoras, comercializadoras, importadoras, exportadores e consumidores livres. A nova estrutura seguiu os parâmetros das estruturas de negócio existentes na década de 90, quando o setor passou pelo movimento de liberalização após mais de cinquenta anos de controle estatal. Até então, a maioria das atividades era estritamente regulamentada e as companhias operadoras eram controladas pelo Estado (Federal e Estadual) e verticalizadas (atuavam em geração, transmissão e distribuição) (ATLAS - ANEEL, 2008). A reforma trouxe mudanças severas e exigiu a cisão das companhias em geradoras, transmissoras e distribuidoras. As atividades de distribuição e transmissão continuaram totalmente regulamentadas, mas a produção das geradoras passou a ser negociada no mercado livre – ambiente no qual as partes compradora e vendedora são livres para estabelecer entre si 25 as condições por meio de contratos bilaterais. Foram constituídas, também na década de 90, novas entidades para atuar no novo ambiente institucional do setor elétrico: além da ANEEL, criaram-se o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Mercado Atacadista de Energia (MAE). A ANEEL sucedeu o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), uma autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME). O ONS, entidade de direito privado e autônoma que substituiu o GCOI (Grupo de Controle das Operações Integradas), subordinado à Eletrobrás, é responsável pela coordenação da operação das usinas e redes de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para tanto, realiza estudos e projeções com base em dados históricos, presentes e futuros da oferta de energia elétrica e do mercado consumidor. Para decidir quais usinas devem ser despachadas 2, opera o Newave, programa computacional que, com base em projeções, elabora cenários para a oferta de energia elétrica. O mesmo programa é utilizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), para definir preços a serem praticados nas operações de Curto Prazo do Mercado Livre (ATLAS-ANEEL, 2008). Com relação ao MAE - Mercado Atacadista de Energia, sua constituição foi relacionada à criação do mercado livre em 2004, no entanto, com a implantação do Novo Modelo, foi substituído pela CCEE. No mesmo ano, o MME criou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com a missão principal de desenvolver os estudos necessários ao planejamento da expansão do sistema elétrico. O modelo implantado em 2004 restringiu ― mas não extinguiu ― o mercado livre que, em 2008, respondia por cerca de 30% da energia elétrica negociada no país. Além disso, manteve inalteradas, porém em permanente processo de aperfeiçoamento regulatório, as bases da distribuição e transmissão de energia (ATLAS-ANEEL 2008). O cumprimento dos contratos de concessão e as atividades desenvolvidas pelas concessionárias de energia são regulados e fiscalizados pela ANEEL. O objetivo dessa agência é, de um lado, assegurar ao consumidor o pagamento de um valor justo e o acesso a um serviço contínuo e de qualidade e, de outro, garantir à distribuidora o equilíbrio econômico-financeiro necessário ao cumprimento do contrato de concessão. 2 USINAS DE GERAÇÃO DESPACHADAS-O despacho elétrico brasileiro é o controle da operação da geração de energia elétrica no brasil pelo ONS (Operador Nacional do Sistema) que é responsável por este despacho. Despacho da energia gerada consiste na definição de quais usinas devem entrar em operação e quais devem ficar de reserva de modo a manter, permanentemente, o volume de produção igual ao de consumo (ONS). 26 Com relação à geração e à transmissão de energia elétrica, o país conta com um sistema (conjunto composto por usinas, linhas de transmissão e ativos de distribuição) que controla todo o fluxo de energia disponibilizada entre os agentes: o Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa imensa “Rodovia Elétrica” abrange a maior parte do território brasileiro e é constituída pelas conexões realizadas ao longo do tempo, de instalações inicialmente restritas ao atendimento exclusivo das regiões de origem: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte. Além disso, há diversos sistemas de menor porte, não conectados ao SIN, e, por isso, chamados de sistemas isolados, que se concentram principalmente na região amazônica, no Norte do país. Isso ocorre porque as características geográficas da região, compostas por floresta densa e heterogênea, além de rios caudalosos e extensos, dificultaram a construção de linhas de transmissão de grande extensão que permitiriam a conexão ao SIN. Estão sendo feitos leilões, desde de 2011, para concessão de transmissão com o objetivo de interligar ao SIN o sistema isolado (ATLAS-ANEEL, 2008). 2.1.1 Sistema dos Leilões e Mercado Livre O MME determina a data dos leilões, que são realizados pela ANEEL e pela CCEE. Por meio de portaria, fixa o preço teto para o Mwh (Megawatt) a ser ofertado, considerando-se a fonte da energia: térmica ou hídrica. Como as geradoras entram em “pool” (ou seja, a energia não é individualizada), a prioridade é dada ao vendedor que pratica o menor preço. Os valores máximos devem ser iguais ou inferiores ao preço teto (ATLAS-ANEEL, 2008). Os leilões são divididos em duas modalidades principais: energia existente e energia nova. A primeira corresponde à produção das usinas que já estão em operação e, por esse motivo, os volumes de energia contratados são entregues em um menor prazo (A-1). A segunda refere-se à produção de empreendimentos em processo de leilão das concessões e de usinas que já foram outorgadas pela ANEEL e estão em fase de planejamento ou construção. Nesse caso, o prazo de entrega geralmente é de três ou cinco anos (A-3 e A-5), pois o empreendimento necessita de um tempo para construir e disponibilizar a energia garantida nos leilões. É importante salientar que existem os leilões de ajustes e os leilões de reserva. Nos leilões de ajustes as distribuidoras complementam o volume necessário ao atendimento do mercado (visto que as compras de longo prazo são realizadas com base em projeções), desde que ele não supere 1% do volume total. Com relação aos leilões de reserva, o objeto de contratação é 27 a produção de usinas que entrarão em operação apenas em caso de escassez (atendimento emergencial) da produção das usinas convencionais (basicamente hidrelétricas). Os leilões são realizados com antecedência de vários anos do início da produção de energia pelas geradoras e disponibilizada no sistema. Eles funcionam como indicadores do cenário da oferta e da procura no médio e longo prazo para a EPE e são muito importantes no fornecimento de variáveis para a elaboração do planejamento. Para os investidores em geração e para as distribuidoras, os leilões proporcionam maior segurança nos cálculos de fluxo de caixa futuro e permitem a visualização das receitas de vendas e custos de suprimento ao longo do tempo. No Ambiente de Contratação Regulada (ARC), as distribuidoras participam como compradoras, pois essa é a única forma de contratação de grandes volumes de suprimento de energia para o longo prazo. As geradoras são as vendedoras dessa energia elétrica. O início da entrega é previsto para ocorrer um, três ou cinco anos após a data de realização do leilão (que são chamados, respectivamente, de A-1, A-3 e A-5). No mercado livre ou ACL, vendedores e compradores negociam entre si as cláusulas do contrato, como preço, prazo e condições de entrega. Da parte vendedora, participam as geradoras enquadradas como PIE (Produtores Independentes de Energia). A parte compradora é constituída por consumidores com demanda superior a 0,5 Mwh (Megawatt) que adquirem a energia elétrica para consumo próprio. As transações geralmente são intermediadas pelas empresas comercializadoras de energia, também constituídas na década de 90 com a desverticalização do setor, e que têm por função favorecer o contato entre as duas pontas e dar liquidez a esse mercado (ATLAS-ANEEL, 2008). 2.1.2 Operações de Curto Prazo Os prazos dos contratos podem chegar a vários anos. O Comprador que participa das operações de curto prazo tem como base para a compra de energia, as projeções de consumo, e o vendedor projeta o volume que irá produzir de acordo com as determinações do ONS. Assim, nas duas pontas podem ocorrer diferenças entre o volume contratado e o efetivamente medido ou consumido. O acerto dessa diferença é realizado por meio de operações de curto prazo no mercado “spot” abrigado pela CCEE, que tem por objetivo fazer com que, a cada 28 mês, as partes “zerem” as suas posições por meio da compra ou da venda da energia elétrica. Os preços para esse mercado “spot” são fornecidos pelo programa Newave e variam para cada uma das regiões que compõem o SIN, de acordo com as disponibilidades de energia elétrica (ATLAS-ANEEL, 2008). A CCEE também é responsável pela liquidação financeira dos contratos “spot”. Inicialmente essa foi sua única função; posteriormente, passou a ser responsável também pela operacionalização de parte dos leilões de venda de energia, junto à ANEEL. A Estrutura institucional do setor elétrico é composta pelas políticas de regulação e fiscalização, mercado e agentes institucionais, conforme especificado na Figura 2. Figura 2 - Estrutura Institucional do Setor Elétrico Fonte: Atlas – Aneel, 2008. 29 2.1.3 O Sistema Interligado Nacional (SIN) O SIN abrange as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte do Norte. Apresenta tamanho e características que permitem considerá-lo único em âmbito mundial. O sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil é um sistema hidrotérmico de grande porte, com forte predominância de usinas hidrelétricas e com múltiplos proprietários. Apenas uma pequena parcela da capacidade de produção de eletricidade do país encontra-se fora do SIN, em pequenos sistemas isolados, localizados principalmente na região amazônica. O ONS é responsável pela coordenação e pelo controle de operação do SIN, realizados pelas companhias geradoras e transmissoras, sob fiscalização e regulação da ANEEL. O principal benefício dessa integração e operação coordenada é permitir a possibilidade de troca de energia elétrica entre as regiões do brasil. Em razão do tamanho do Brasil, um país continental e com diversidade climática entre suas regiões, a integração do sistema permite que o período de estiagem de uma região possa corresponder ao período chuvoso de outra e, dessa forma, a localidade em que os reservatórios estejam mais cheios enviem energia para a outra, na qual os lagos estejam mais vazios, possibilitando, assim, a preservação dos “estoques de energia”, represados sob a forma de água. O Sistema Interligado está em contínuo processo de expansão, o que permite tanto a conexão de novas grandes geradoras e transmissoras de energia quanto a integração de novas regiões ao sistema. 2.1.4 O Sistema Isolado Esse sistema tem como característica predominante o abastecimento por usinas térmicas movidas a óleo diesel e óleo combustível ― mas tais indústrias, em menor escala, também recebem energia da geração de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) e Termelétricas movidas a Biomassa. Esse sistema localiza-se na região Norte, nos estados do Amazonas, Roraima, Acre, Amapá e Rondônia. Por não estarem interligadas ao SIN, são chamados de Sistemas Isolados, devido a suas peculiaridades geográficas em decorrência da região em que se encontram e por não permitirem o 30 intercambio de energia elétrica com outras regiões. Os novos leilões de energia para a transmissão têm o desafio de interligar ao SIN essa região isolada do sistema (ATLASANEEL, 2008). Os sistemas isolados apresentam custos de geração superiores ao SIN, devido à predominância da geração de energia térmica no sistema. As dificuldades de logística e de abastecimento dessas localidades são os principais componentes para a pressão dos preços de frete dos combustíveis, dentre os quais se destaca o óleo diesel. A Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC) foi criada pelo governo federal como um encargo setorial para subsidiar o custo da energia térmica desse sistema na compra de óleo diesel e óleo combustível. Esse encargo setorial é cobrado de todos os consumidores de energia elétrica do país, exceto das regiões isoladas, e está embutido na tarifa de fornecimento de energia elétrica faturado mensalmente pelas distribuidoras. Esse benefício à população atendida por esse sistema tem como objetivo assegurar consumidores do Sistema Isolado os mesmos benefícios de que usufruem os consumidores do SIN aos (ATLAS-ANEEL, 2008). 2.1.5 Empresa de Pesquisa Energética É uma instituição técnica especializada, que tem como principal objetivo o desenvolvimento de estudos necessários para que seja efetuado o planejamento do setor de energia. A EPE no desenvolvimento de suas atividades poderá estabelecer contratos de prestação de serviços com quaisquer pessoas físicas ou jurídicas ou ainda formar convênios de cooperação técnica e financeira, objetivando sempre a economicidade institucional, observando-se sempre os princípios constitucionais da administração pública: princípios da legalidade, impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência (ONS, 2008). 2.1.6 A Desverticalização do Setor Elétrico A segregação das atividades de geração, transmissão e distribuição do setor elétrico foi de vital importância tanto para estimular a competitividade no âmbito da geração e comercialização quanto para aprimorar o sistema de regulação dos segmentos monopolizados (Transmissão e Distribuição). 31 A desverticalização objetivou a preservação da identidade de cada concessionária, permitindo o equilíbrio econômico financeiro, a transparência da gestão. Além disso, serviu para garantir à sociedade e ao mercado conhecimento acerca dos resultados de cada concessão. Note-se que a lei 10.848 de 15 de março de 2004, conhecida como Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico, promoveu alterações importantíssimas e estruturais no setor de energia. Seu principal objetivo foi proporcionar ao investidor do setor mais segurança para realizar seus investimentos, assegurando o fornecimento de energia elétrica por meio de processos licitatórios. Principais mudanças introduzidas por essa lei: 1- Foram criados dois ambientes para comercialização de energia: o primeiro mercado atenderia à venda para as distribuidoras que mantêm consumidores cativos, formando o ambiente de contratação regulada; no segundo, voltado para os demais agentes do setor (produtores independentes, consumidores livres e agentes comercializadores), verifica-se a competição entre os agentes, pois esse é o ambiente de contratação livre; 2- As distribuidoras devem adquirir energia suficiente para atender a 100% de sua demanda; 3- Algumas atividades da distribuição foram restringidas, de forma a assegurar que essas empresas se concentrem apenas no serviço objeto da concessão, ou seja, em garantir eficiência e confiabilidade ao consumidor cativo, evitando impactos, na tarifa, de custos de atividades que não sejam a da concessão; 4- Toda energia comercializada em contratos deve ter garantia física de lastro da geração;3 5- As distribuidoras devem, obrigatoriamente, adquirir energia exclusivamente por meio de leilões promovidos pela ANEEL; 6- Deve-se respeitar os contratos estabelecidos anteriores a essa lei, para garantia da segurança jurídica a todas as operações realizadas antes de sua promulgação. 3 Lastro da geração: garantia física da energia gerada por uma usina. 32 2.1.7 Ministério de Minas e Energia O Setor de Energia Brasileiro tem como principal regulador o Ministério de Minas e Energia, que atua em nome do Governo Federal como poder concedente e tem como atribuição estabelecer diretrizes, formular e implementar políticas para o setor energético, monitorar a segurança do suprimento de energia, definir quais ações preventivas devem ser feitas para restauração da segurança do suprimento em caso de desequilíbrios conjunturais de oferta e demanda. 2.1.8 Geração de Energia O Brasil inaugurou sua primeira geradora de energia no ano de 1883, uma unidade termelétrica com capacidade de 52 Kw, movida a lenha, que alimentava 39 lâmpadas na cidade de Campos, Rio de Janeiro. Naquele mesmo ano, também inaugurou a primeira hidrelétrica brasileira em Diamantina, MG (NEOENERGIA, 2008). A matriz energética do Brasil tem a maior parte de sua potência (instalada e prevista) gerada a partir de usinas hidrelétricas. O maior potencial hidrelétrico encontra-se na bacia do Rio Paraná, bacia hidrográfica próxima à região onde se deu inicio o processo de industrialização do Brasil, motivo pelo qual recebeu maiores investimentos em infraestrutura, embora o grande potencial disponível de energia esteja situado nos afluentes do rio Amazonas, na região norte do país, que, devido à baixa densidade demográfica e econômica, não foi atrativa aos investidores (NEOENERGIA, 2008). O grande impulso do setor de geração de energia ocorreu durante a década de 70 e o início da década de 80, a partir dos dois choques do petróleo, em 1973 e 1979, quando a produção de energia brasileira passou a receber significativos fluxos de investimentos por ser uma fonte de energia alternativa ao petróleo. Naquele período, o Governo priorizou em suas políticas de investimento a construção de grandes usinas (NEOENERGIA, 2008). A construção de grandes usinas exige enormes represas, que numa análise sobre aspectos técnicos são obras polêmicas e questionáveis por causar sérios problemas ambientais. Além disso, necessitam de uma extensa e caríssima rede de transmissão de energia. A construção de pequenas e médias usinas ao longo da área onde se concentrariam os grandes projetos trariam 33 menores impactos ambientais e reduziriam as estruturas e perdas de transmissão (NEOENERGIA, 2008). As empresas de geração vendem energia principalmente para as distribuidoras, no entanto concorrem com elas e com as comercializadoras nas vendas para os consumidores que possuem demanda igual ou superior a 3MW ( classificados como consumidores livres, conforme estabelecido na lei nº 9.074/95), independente da tensão de atendimento. O racionamento de energia que ocorreu no ano de 2001 sinalizou a necessidade de diversificação da matriz energética do Brasil, para que não dependêssemos apenas da fonte hidráulica, considerando-se que não tínhamos fonte térmica para suprir a queda de produção originada pela forte seca e a redução dos reservatórios das hidrelétricas do Brasil. 2.1.9 Fontes de Geração de Energia A diversificação das fontes de energia é necessária para a segurança do sistema, além de ser uma forma de incluir fontes limpas na nossa matriz energética. Novas fontes de energia têm sido regulamentadas pela ANEEL como iniciativas de diversificar a matriz energética do Brasil: Hidrelétrica: O custo de implantação desse tipo de empreendimento têm variação em torno de R$ 2.500 por KW (usinas com capacidade de 500MW) e R$ 5.000 por KW (PCHs), sendo geralmente financiados com uma parcela relevante de capital de terceiros a longo prazo, de forma que o serviço da dívida possa ser pago com geração de caixa do próprio empreendimento ao longo da concessão. Os altos custos financeiros iniciais do investimento são compensados pelas altas margens EBITDA alcançadas com o baixo custo de manutenção e a necessidade de remuneração do capital investido inicialmente (NEOENERGIA, 2008). A expansão da geração tem acontecido por meio dos leilões feitos pela ANEEL, nos quais vence aquele que oferecer a menor tarifa pela produção de energia e que possuir a licença ambiental prévia, pois, posteriormente, deverá atender às condições sócioambientais estabelecidas para garantir a licença de instalação e operação da usina. Termelétrica: A energia é obtida da queima de combustíveis como carvão, óleo, derivados do petróleo, gás natural e biomassa (bagaço de cana de açúcar, capim ou 34 casca de arroz, etc). Esse tipo de empreendimento exige, inicialmente, um investimento menor do que o das hidrelétricas, porém sua margem EBITDA tende a ser menor em função dos elevados custos de manutenção e dos gastos na compra de combustíveis. Essa fonte de energia é essencial para diminuir a dependência da fonte hidráulica de energia, pois reduz o risco de racionamento em caso de redução de volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Outro ponto positivo para as termelétricas é que elas podem localizar-se perto dos centros de grande consumo e, assim, proporcionar redução de perdas de transmissão e melhorar a qualidade da energia fornecida (tensão e frequência) (NEOENERGIA, 2008). Nuclear: Em função da complexidade tecnológica e dos riscos associados ao processo de queima do urânio (matéria-prima da produção de energia), apenas 1,81% da energia produzida no Brasil provém dessa fonte de energia. As duas usinas existentes no Brasil localizam-se em Angra dos Reis, RJ (NEOENERGIA, 2008). Eólica: Essa fonte de energia originada a partir dos ventos têm sido muito impulsionada no Brasil por meio do PROINFA- Programa de Incentivo às Fontes Alternativas, como forma de diversificar a matriz energética do Brasil. Essas usinas em operação estão localizadas no Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil e têm ampliado a participação de investimentos nessa fonte alternativa de energia com custos cada vez mais competitivos devido aos incentivos do governo, o que promoverá um crescimento significativo nos próximos anos. O crescimento da energia eólica em 2010 atingiu 24,3% da energia instalada, atingindo 2.705 GWh (NEOENERGIA, 2008). Energia Fotovoltaica (Solar): Essa modalidade de energia têm se apresentado economicamente viável aos investimentos em regiões remotas ou em pequenas instalações. No entanto, ainda não há investimentos para produção significativa (NEOENERGIA, 2008). Energia das Marés (Maremotriz): Considerada uma fonte de energia alternativa limpa e sustentável, ainda requer estudos para garantir a viabilidade econômica da produção (NEOENERGIA, 2008). A Capacidade instalada de geração elétrica no Brasil por tipo de Usina (MW), de acordo com as informações publicadas no anuário estatístico de energia elétrica de 2012, estão especificados na Figura 3. 35 Tabela 1 - Capacidade Instalada de Geração Energia Elétrica Fonte:Anuário Estatístico de Energia Elétrica, 2012. O Brasil possui 2.674 empreendimentos de geração de energia em operação, gerando 119.336.047 Kw de potência. Há a previsão, para os próximos anos, de adição de 48.873.892 Kw na capacidade de geração do país, provenientes de 161 empreendimentos que estão atualmente em construção e 577 outorgados (ANUÁRIO ESTATISTICO, 2012). 2.1.10 Distribuição de Energia As distribuidoras de energia são empresas de grande porte e representam o elo entre o setor de energia e a sociedade. Suas instalações recebem das transmissoras toda a energia necessária para o abastecimento do país. Após a energia ser gerada na usina, trafega numa tensão que varia de 88 Kv a 750 Kv até chegar às subestações das distribuidoras, onde são rebaixadas em suas tensões e, por meio de fios condutores, postes e transformadores de distribuição, chegam à unidade final em 127 Volts ou 220 Volts. Essa regra tem como exceção os consumidores industriais que, por receberem energia em tensões mais elevadas, têm suas instalações alimentadas diretamente das subestações da distribuidoras, pela chamada rede de subtransmissão (ATLAS - ANEEL, 2008). 36 O mercado de distribuição de energia é composto por 63 concessionárias, responsáveis pelo fornecimento de energia a mais de 61 milhões de consumidores. O controle dessas companhias pode ser estatal ou privado. A conexão e o atendimento ao consumidor, qualquer que seja o seu porte, são atendidos pelas distribuidoras de energia. Além das distribuidoras, também atendem ao consumidor as cooperativas de eletrificação rural, entidades de pequeno porte, transmitem e distribuem energia exclusivamente para os associados. A Figura 3, explica todo o caminho percorrido pela energia desde sua geração até a entrega aos consumidores livres e cativos. Figura 3 - Relação entre agentes e Consumidores Fonte:Aneel As atividades desenvolvidas pelas distribuidoras de energia e o cumprimento do estabelecido no contrato de concessão são rigorosamente controlados e fiscalizados pela ANEEL. O principal objetivo da distribuidora é o atendimento ao cliente final, além de desenvolverem programas especiais e compulsórios com foco no consumidor. Esses programas a que as distribuidoras estão obrigadas, entre eles o baixa renda (tarifas diferenciadas a consumidores que atendem a determinadas especificidades de consumo e renda), o luz pra todos (universalização do consumo de energia) e a regularização da perda de distribuição (roubo de energia) permitem a inserção social da população mais pobre ao acesso à rede elétrica (ATLAS - ANEEL, 2008). As distribuidoras têm em seu escopo a implementação de projetos de eficiência energética e de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e devem destinar um percentual de sua receita operacional líquida a essas atividades, que dependem da autorização da ANEEL para serem implementadas. Mensalmente, as distribuidoras enviam as faturas para as residências dos consumidores com o valor do KWh consumido multiplicado pelo valor da tarifa, que totaliza o valor a pagar por cliente. Nessa tarifa cobrada pela energia consumida estão inseridos os custos com impostos e os encargos setoriais, que vão para o governo. Já a parcela que fica com a distribuidora é 37 utilizada para remunerar os acionistas, realizar novos investimentos em expansão e manutenção da rede de distribuição e cobrir seus custos. Até a década de 90, essa tarifa era única para todas as concessionárias de distribuição de energia, independente de sua eficiência. Esse sistema não incentivava a busca pela eficiência, já que o seu custo era integralmente repassado ao consumidor. Em 1993, com a lei nº 8.631, as tarifas passaram a ser fixadas por empresa, conforme característica de cada área da concessão (ATLAS - ANEEL, 2008). Os encargos setoriais estão embutidos no custo da tarifa, como forma de subsídio com o propósito de desenvolver e financiar programas voltados para o setor de energia definidos pelo governo. Seus valores são definidos por resoluções e despachos, para serem recolhidos dos consumidores por meio da tarifa de energia elétrica. Alguns encargos têm a finalidade de incentivar a pesquisa para o uso de fontes alternativas de energia; outros contribuem para a universalização do acesso à energia elétrica e para redução dos custos das tarifas cobradas em regiões remotas do país, como a região norte, que é abastecida por usinas a óleo diesel e não está conectada ao SIN, entre outras finalidades. Portanto, esses encargos setoriais elevam a tarifa e, consequentemente, a capacidade de pagamento pelo consumidor. Quadro 1 - Principais encargos inseridos na tarifa de energia Fonte:Aneel, 2008. De acordo com a Medida Provisória nº 579, de 11 de setembro de 2012, art.21, ficam desobrigadas a recolher a quota anual da RGR, a partir de 1º de janeiro de 2013, as concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica, as concessionárias de serviço público de transmissão de energia elétrica, licitadas a partir da publicação desta 38 medida provisória, e as concessionárias de serviço público de transmissão e geração de energia elétrica, prorrogadas ou licitadas nos termos desta medida provisória. Essa Medida Provisória é a primeira manifestação da vontade do governo em diminuir o custo da energia elétrica para o consumidor. Com relação aos tributos, são compulsórios, determinados por lei e asseguram ao governo recursos para o desenvolvimento de suas atividades e estão nos custos de energia. Os contratos de concessão das distribuidoras de energia têm previsão de três mecanismos de atualização de tarifas: Reajuste anual, Revisão Tarifária e Revisão Tarifária Extraordinária. O Reajuste Anual estabelece a recomposição dos custos da concessionária de acordo com os cálculos estabelecidos no contrato de concessão, sendo concedido anualmente, na data de aniversário do contrato, exceto no ano em que está prevista a Revisão Tarifária. A Revisão Tarifária é uma verificação mais minuciosa dos custos da concessionária, com a qual a ANEEL faz uma análise completa dos custos eficientes e da remuneração dos investimentos prudentes. Esse mecanismo se diferencia do Reajuste Tarifário por ser mais amplo e, por considerar todos os investimentos e receitas para um novo patamar de tarifa mais condizente com o mercado e com a estrutura da distribuidora. A Revisão Extraordinária acontece quando algum motivo imprevisível e justificado ocasiona algum desequilíbrio econômico-financeiro da concessão ― como exemplo recente, no Brasil, está o racionamento de energia em 2001. Para aplicação dos reajustes nas tarifas de energia, os consumidores são identificados por classes e subclasses de consumo: residencial, industrial, comercial e serviços, rural, poder público, iluminação pública, serviço público e consumo próprio. Cada classe tem uma estrutura tarifária distinta, de acordo com suas particularidades de consumo e de demanda de potência: Alta Tensão: A1-Tensão de fornecimento igual ou superior a 230 Kv; A2-Tensão de fornecimento de 88 Kv a 138 Kv; A3-Tensão de fornecimento de 69 Kv; A3a-Tensão de fornecimento de 30 Kv a 44 Kv; A4-Tensão de fornecimento de 2,3 Kv a 25 Kv; A5-Tensão de fornecimento inferior a 2,3 Kv atendida no sistema subterrâneo de distribuição e faturada excepcionalmente no grupo A. 39 Baixa Tensão: B1- Residencial e residencial baixa renda; B2- Rural, cooperativa de eletrificação rural e serviço público de irrigação; B3- Demais classes; B4- Iluminação Pública. A classificação dos clientes da classe residencial do faturamento das distribuidoras de energia divide-se em três tipos: monofásico, bifásico e trifásico. O número de fases da ligação da energia deste consumidor aumenta de acordo com a carga e a demanda da unidade consumidora e visa a garantir maior qualidade e segurança no fornecimento de energia. 2.1.11 Comercialização de Energia O agente comercializador de energia elétrica foi instituído pela lei nº 9.427/1996. Trata-se de um novo tipo de empreendedor que comercializa a energia elétrica sem ser o concessionário dos equipamentos e instalações. Exerce suas atividades vendendo energia no atacado, pois a energia no varejo (consumidor final) é exclusividade das distribuidoras de energia. A atividade de comercialização depende de prévia autorização da ANEEL, conforme art.26 da lei nº 9.427/1996, que vigorará por um prazo de vinte anos, podendo ser revogada por solicitação do mesmo ou por infringência às normas estabelecidas que lhes forem aplicadas. A comercialização de energia elétrica pode compreender a compra, a importação, a exportação e a venda de energia elétrica a outros comercializadores ou a consumidores livres que tenham nos termos da legislação a opção de escolher seus fornecedores (GANIM, 2009). 2.1.11 Transmissão de Energia O Sistema de transmissão é responsável pelo transporte de energia a partir dos centros de produção até os centros de consumo. A eletricidade geralmente é transmitida a longas distâncias através de linhas aéreas de transmissão, que compreendem toda a rede que interliga as geradoras às subestações de distribuição. A Figura 4 mostra a estrutura física das torres de transmissão de energia. 40 Figura 4 - Transmissora de Energia Elétrica Fonte: Fotos do autor As linhas são classificadas quanto ao nível de tensão pelos seguintes grupos: Linhas de distribuição: Tensão de 13,8 KV e 34,5 KV. Linhas de Alta Tensão (AT): Tensão de 69 KV, 138 KV e 230KV. Linhas de Extra Alta Tensão (EAT): Tensão de 345 KV, 500 KV e 765 KV. As linhas de ultra alta tensão (UAT), com tensão superiores a 765 KV, ainda não existem no Brasil. As linhas de transmissão possibilitam as trocas de energia por todo o país, pois tão necessário quanto a produção de energia elétrica é o seu transporte até os grandes centros consumidores. Para garantir que a enorme estrutura de transmissão do Brasil opere sem problemas, é necessário um exaustivo trabalho de manutenção, que inicialmente é feito de forma visual, percorrendo todo o trajeto da linha e vendo a suas condições. Com base nessa inspeção, é elaborado relatório de manutenção e enviado às equipes para que sejam feitos os devidos reparos. A outra forma de análise é através do vibrógrafo, aparelho desenvolvido pelos pesquisadores da universidade de Londrina com apoio da Eletrobrás, que mede as vibrações eólicas que afetam as linhas de alta tensão e possibilitam prever as possíveis rupturas nos 41 cabos. A partir dessa inspeção, segue relatório para área de manutenção fazer as devidas correções na Linha. A grande extensão do sistema de transmissão brasileiro é explicado pela dimensão continental do país e por ter as maiores e principais usinas hidrelétricas situadas a longas distâncias dos centros de consumo. Após deixar a usina, independente do tipo de fonte geradora, a energia elétrica trafega em tensões que variam entre 13,8 KV (quilovolts) a 750 KV. Nas subestações próximas ao ponto de entrega4 localizado nas cidades, sua tensão é rebaixada para atender o consumidor pela rede de distribuição, numa tensão entre 127 a 220 volts. Até 1999, o Brasil possuía dois subsistemas de transmissão independentes, o sul-sudestecentro-oeste e o norte-nordeste. Isso impactava diretamente na eficiência do sistema devido à exposição às variações climáticas e energéticas das várias regiões do país. Atualmente, esse sistema está totalmente interligado, o que permite a contínua e permanente troca de energia entre as regiões, possibilitando uma operação mais econômica, flexível e segura das instalações que compõem o Sistema Interligado Nacional. A expansão do Sistema de Transmissão do Brasil tem ocorrido de forma semelhante à expansão da geração de energia, através dos leilões públicos realizados pela ANEEL, nos quais os vencedores são elegíveis pelo critério do menor valor da receita e, no caso da transmissão, pela menor RAP. O objetivo do marco regulatório tem sido atingido, pois os leilões têm atraído o investidor privado e o público, e os deságios ofertados pelos participantes têm sido cada vez maiores, fazendo com que os lucros desse segmento sejam minimizados e garantindo a modicidade tarifária, que tem como objetivo proporcionar menores tarifas para o consumidor. Os projetos para Linhas de Transmissão se caracterizam pelos reduzidos riscos operacionais e de implantação. Geralmente, a engenharia utilizada na construção é simples, e a tecnologia dos equipamentos utilizados é internacionalmente conhecida. É importante ressaltar que os riscos ambientais nesse segmento elétrico é mínimo, se comparados aos riscos do segmento da geração de energia. Essas características peculiares ao negócio da transmissão foram institucionalmente desenvolvidas para garantir a atratividade aos investidores. Importa ressaltar, nesse contexto, que o BNDES tem sido o principal agente financeiro de longo prazo dos projetos de construção de Linhas de Transmissão de Energia. 4 Ponto de entrega de energia será a conexão do sistema elétrico das concessionárias com as instalações de utilização de energia do consumidor. (ANEEL) 42 O Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica, por seu turno, é regulado basicamente por seis tipos de contratos, conforme mostra o Quadro 2: TIPOS DE CONTRATOS DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA Contrato de Concessão CC Responsável pelas diretrizes regulatórias para construção, operação e manutenção das LT's; CPST Neste contrato ficam estabelecidas as condições de administração e coordenação da prestação do serviço de transmissão sob responsabilidade do ONS, que representa as Transmissoras diante dos usuários do sistema de transmissão Contrato de Compartilhamento de Instalações CCT Neste contrato estão contidas todas as regras de comercialização, procedimentos e técnicas operacionais que vão regular os pontos de conexão entre os usuários da rede básica e a conexão da Linha de Transmissão; Contrato de Uso do Sistema de Transmissão CUST Neste contrato estão estabelecidas as regras para o uso da Rede Básica; Contrato de Constituição de Garantia CCG Neste contrato estão estabelecidas cláusulas que garantem o cumprimento das obrigações do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão. Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão Quadro 2 - Tipos de Contratos Fonte:Aneel, 2008. A Transmissão de Energia é um negócio que não se caracteriza pela venda e a comercialização de energia. A receita dessa atividade está vinculada a disponibilidade de suas instalações ao Sistema Nacional Interligado, de acordo com o estabelecido na Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998, que, em seu art. 9º, determina ser de responsabilidade da ANEEL “ regular as tarifas e estabelecer as condições gerais de contratação do acesso e uso dos sistemas de transmissão”. Anualmente a ANEEL, por meio de Resolução Homologatória, publicada no ano corrente para vigência no mês de julho do mesmo ano, define a RAP e a correção dessa receita pelos índices estabelecidos no contrato de concessão. Essa tarifa, homologada em resolução, deverá cobrir os custos necessários ao atendimento do serviço de transmissão de forma eficiente. As concessionárias de transmissão integrantes da rede básica e que se encontram em operação devem informar mensalmente ao ONS os valores medidos em cada ponto de conexão para fins de contabilização, orientação do faturamento e operação, de acordo com o estabelecido pela Resolução 247/1999, art.3º. Essa mesma resolução traz, em seu art.5º, que o uso das 43 instalações de transmissão da rede básica pelos acessantes5 se dará pela celebração de CUST com o ONS; para se conectarem às instalações de transmissão devem celebrar CCT com as concessionárias detentoras dessas instalações, sempre com a intervenção do ONS, conforme estabelecido no art.6º dessa mesma resolução. Após a medição de demanda de potência em todos os pontos de conexão dos acessantes, as concessionárias de transmissão de energia deverão informar esses valores à ONS, que, na posse dessa informação, efetuará a administração da cobrança, da liquidação dos encargos, emitirá avisos de débito aos acessantes do sistema e aviso de crédito às transmissoras calculados mensalmente com base no duodécimo da RAP. No entanto, é de responsabilidade da transmissora a emissão mensal dos documentos de cobrança com o valor cabível a cada acessante, conforme os valores constantes do aviso de crédito enviado pelo ONS. O ONS enviará a cada acessante um documento de cobrança pelo serviço prestado na cobrança e liquidação dos encargos. A RAP é a remuneração que as transmissoras recebem para disponibilizar o transporte de energia ao operador nacional do sistema elétrico e prestar o serviço público de transmissão aos usuários acessantes. De acordo com a Resolução Normativa nº 230/2006, o reajuste da RAP é realizado considerando-se: 1 – Para as transmissoras que celebraram contrato de concessão até 2006, a RAP é atualizada com base no índice geral de preços do mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 2- Para as transmissoras que celebraram contrato de concessão assinados a partir de 2006, a RAP é atualizada com base no índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) do instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE). A RAP do serviço público de transmissão de energia elétrica concedido é fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão tarifária previstas na Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no edital e no contrato de concessão. É resultante do resultado positivo da oferta vencedora da licitação (modalidade leilão). 5 Acessantes do sistema elétrico: Consumidor, Central geradora, distribuidora, agente importador ou exportador cujas instalações se conectem ou injetem potência ativa no sistema elétrico (PRODIST-ANEEL, 01/01/2011). 44 A RAP é definida no valor da proposta financeira vencedora do leilão, sendo que a partir do 16º (décimo sexto) ano até o final do prazo da concessão (30 anos), a RAP é de 50% (cinquenta por cento) da RAP do 15º (décimo quinto ano). Para o cálculo da RAP é necessário inicialmente considerar o investimento do negócio que deve ser estabelecido no projeto. Tais investimentos associados aos projetos devem ter as premissas regulatórias e o retorno esperado pelo investidor. De posse do valor do investimento inicial é preciso ajustá-lo de maneira a levar em consideração a estrutura de desembolsos financeiros ao longo da fase de construção do empreendimento, que é a fase pré-operacional da obra. Um projeto de construção de um empreendimento de transmissão de energia elétrica passa pelas seguintes etapas: (1) Determinação dos valores do orçamento do investimento (obra) pela ANEEL; (2) Assinatura do contrato de concessão entre a ANEEL e a empresa vencedora da licitação; (3) Construção; (4) Operação; (5) Fim da Concessão; (6) Reversão das Instalações ao Poder Concedente. O início das operações ocorre, em média, 24 meses após a assinatura do contrato, e a empresa passa então a fazer jus à RAP, pelo prazo da concessão. Essa receita será reajustada anualmente, a partir da assinatura do contrato de concessão, no mês de julho de cada ano. Além disso, a RAP será reajustada pelo índice definido em contrato. A ANEEL busca estabelecer mecanismos para repassar aos consumidores os possíveis ganhos de alavancagem financeira. Com isso, será assegurado o repasse ao consumidor dos ganhos eventualmente obtidos com o financiamento. Por outro lado, também assegura ao investidor que as variações na taxa de juros de capital de terceiros (positivos ou negativos) serão repassados para a RAP, o que certamente reduz o risco do investimento. 45 Os encargos setoriais e tributários embutidos na RAP foram considerados os contidos na Legislação e nos contratos de concessão. RGR TFSEE P&D Encargo Quota Anual de Reserva Global de Reversão Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica Pesquisa e Desenvolvimento Taxa 2,5% 0,5% 1,0% Amparo Legal Lei nº 5.655, de 20 de maio de 1971 Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996 Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998 Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996 Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000 Quadro 3 - Encargos setoriais considerados na RAP Fonte: ONS, 2012. Encargos Tributários são inclusos na RAP. considerando–se o regime de tributação da transmissora e o enquadramento do investimento no REIDI. Regime Cumulativo Regime Não Cumulativo COFINS 3,00% 7,60% PIS/PASEP 0,65% 1,65% 3,65% 3,65% 9,25% 7,74% Tributo Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Programas de Integração Social e de Formação do patrimônio do Servidor Público PIS/COFINS - Nominal (Enquadramento no REIDI) PIS/COFINS - Aliquota Regulatória Quadro 4 - Encargos Tributários Fonte: ONS, 2012. Todos os agentes da transmissão de energia, após ativação técnica de todos os equipamentos instalados nas linhas e subestações, devem mensalmente enviar medições à ONS, para que sejam feitos os faturamentos de todos os agentes que fazem parte da Rede Básica de Transmissão de Energia Elétrica no Brasil. O Quadro 5 apresenta todos os agentes de transmissão cadastrados no ONS. 46 CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO Afluente Geração e Transmissão de Energia Elétrica S.A. Empresa Regional de Transmissão de Energia S.A. – ERTE Amazônia – Eletronorte Transmissora de Energia S.A. – AETE Everecy Particiapações Ltda. ARTEMIS Transmissora de Energia S.A. Expansion Transmissão de Energia Elétrica Ltda. – EXPANSION ATE Transmissora de Energia S.A. – ATE Expansion Transmissão Itumbiara Marimbondo Ltda. - ETIM ATE II Transmissora de Energia S.A. – ATE II Furnas Centrais Elétricas S.A. – FURNAS ATE III Transmissora de Energia S.A. – ATE III Integração Transmissora de Energia S.A - INTESA ATE IV – São Mateus Transmissora de Energia S.A. – ATE IV Interligação Elétrica de Minas Gerais S.A – IEMG ATE V – Londrina Transmissora de Energia S.A. – ATE V Interligação Elétrica Norte e Nordeste S.A. - IENNE ATE VI - Campos Novos Transmissora de Energia S.A – ATE VI Interligação Elétrica Pinheiros S.A. – IE PINHEIROS ATE VII – Foz do Iguaçu Transmissora de Energia S.A. – ATE VII Interligação Elétrica Serra do Japi S.A. BRASNORTE Transmissora de Energia S.A. Interligação Elétrica Sul S.A. – IESUL BRILHANTE Transmissora de Energia S.A. IRACEMA Transmissora de Energia S.A. Cachoeira Paulista Transmissora de Energia S.A. – CPTE Itumbiara Transmissora de Energia Ltda – ITE CATXERÊ Transmissora de Energia S.A. Jauru Transmissora de Energia S.A. - JTE CELG Geração e Transmissão S.A. LIGHT Energia S.A. CEMIG Geração e Transmissão S.A. Linhas de Transmissão ITATIM Ltda. Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. – ELETRONORTE LT Triângulo S.A. CIEN - Companhia de Interconexão Energética Lumitrans Companhia Transmissora de Energia Elétrica S.A – LUMITRANS Companhia de Transmissão Centroeste de Minas NTE – Nordeste Transmissora de Energia S.A. Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEE-GT Pedras Transmissora de Energia Ltda. – PEDRAS Companhia Hidro Elétrica do São Franscisco – CHESF Poços de Caldas Transmissora de Energia S.A. - PCTE Companhia Transirapé de Transmissão – TRANSIRAPÉ Porto Primavera Transmissora de Energia Ltda – PPTE Companhia Transleste de Transmissão – TRANSLESTE Ribeirão Preto Transmissora de Energia S.A. – RPTE Companhia Transudeste de Transmissão – TRANSUDESTE Empresa de Transmissão de Energia do Rio Grande do Sul S.A. - RS ENERGIA Copel Geração e Transmissão S.A. – COPEL SE Narandiba S.A. Coqueiros Transmissora de Energia Ltda Serra da Mesa Transmissora de Energia Ltda. - SMTE CTEEP - Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista Serra Paracatu Transmissora de Energia Ltda.- SPTE ELETROSUL Centrais Elétricas S.A. – ELETROSUL STC - Sistema de Transmissão Catarinense S/A Empresa Amazonense de Transmissão de Energia S.A. – EATE STE - Sul Transmissora de Energia S.A. Empresa Brasileira de Transmissão de Energia S.A. – EBTE STN – Sistema de Transmissão Nordeste S.A. Empresa Catarinense de Transmissão de Energia S.A. – ECTE Transenergia Renovável S.A. - TER Empresa de Transmissão de Energia do Alto Uruguai S.A. – ETAU Transmissora Aliança de Energia Elétrica – TAESA Empresa de Transmissão de Energia do Mato Grosso S.A. – ETEM Transportadora Matogrossense de Energia - TME Empresa de Transmissão do Espírito Santo S.A. – ETES Uirapuru Transmissora de Energia S.A. Empresa Norte de Transmissão de Energia S.A. – ENTE Vila do Conde Transmissora de Energia Ltda. – VCTE Empresa Paraense de Transmissão de Energia S.A. – ETEP Quadro 5 - Agentes de Transmissão Fonte:ONS,2012. A Transmissão de Energia no Brasil precisa melhorar na qualidade do transporte e expansão no escoamento da energia gerada. Por ser um investimento com baixo risco e de alta liquidez, 47 os leilões para adquirir essas concessões de novas transmissoras têm atraído o investidor público e privado. O investidor privado que se destaca nesse cenário é o Grupo Alupar Investimento S/A, uma holding com atuação no segmento de Geração e Transmissão de Energia elétrica no Brasil e na América Latina. No segmento de Transmissão Elétrica no Brasil, é a quarta maior companhia em termos de Receita Anual Permitida, sendo a de maior controle nacional privado. 2.2 A ADOÇÃODA ICPC-01 E A NOVA ESTRUTURA CONTÁBIL DAS EMPRESAS DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA A transmissão de energia elétrica, por ser um serviço público outorgado através de contrato de concessão, está obrigada pela lei societária a publicar suas demonstrações contábeis com as alterações provenientes da ICPC-01-Contratos de Concessão. Diante dessa compulsoriedade, as demonstrações contábeis contêm em suas estruturas as novas mudanças que introduziram uma nova ótica para o negócio, uma visão analítica diferente da que o público dessas informações estava acostumado. 2.2.1 Adoção do ICPC 01 nas empresas de transmissão de energia elétrica As empresas de transmissão de energia elétrica estão subordinadas às regras do poder concedente e recebem delegação para a prestação do serviço público de transmissão de energia, iniciada a partir da assinatura do contrato de concessão. As normas para outorga e prorrogação das concessões dos serviços públicos estão normatizadas pela Lei nº 8.987, de 13/02/1995, complementada pela Lei nº 9.047, de 07/07/1995, que tratou diretamente de assuntos específicos para o setor elétrico. As empresas de transmissão, por serem concessionárias de serviço público, têm a obrigatoriedade para fins societários da adoção das regras emitidas pelo CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis e, para fins regulatórios, devem atender às determinações legais do agente regulador - ANEEL. 48 O International Accounting Standards Board (IASB) emitiu a IFRIC 12, que é a normatização para os contratos de concessão, publicado pela European Commission (Comissão Européia) e pelo Parlamento Europeu, em junho de 2008, com aplicação obrigatória retroativa a partir de janeiro de 2008. No Brasil, essa norma foi instituída com a publicação da lei 11.638/2007 e divulgada pelo CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Com relação à IFRIC 12, Ernst & Young e Fipecafi (2010, p. 172), antes de sua aplicação no Brasil, expuseram seus questionamentos sobre a norma conforme os seguintes pontos: [...] não fornecem orientações específicas às concessionárias (operadoras) acerca de questões: a) A concessionária deve registrar a infraestrutura do serviço público existente? b) A concessionária deve contabilizar a infraestrutura de serviço público por ela adquirida ou construída? c) A concessionária deve contabilizar a contraprestação por ela recebida segundo os termos do acordo, ou seja, caixa e equivalentes de caixa e outros itens sobre direitos sobre a infraestrutura? d) A concessionária deve contabilizar as obrigações assumidas segundo os termos do contrato? A indústria de energia (Distribuição, Transmissão e Geração) foi bastante afetada em seus processos contábeis após a publicação da ICPC 01. Muitas discussões foram feitas com os órgãos reguladores, agentes do setor e empresas de auditoria com o propósito de esclarecer o tipo de contrato que estaria no escopo dessa norma. Por fim, chegou-se a um consenso sobre o tema e, a partir de então, foi emitida a orientação OCPC 05, que estabeleceu o modelo que melhor reflete os negócios de serviço público de energia concedido. Aplica-se a ICPC 01 a entidades privadas de serviço público, caso: O concedente controle ou regulamente quais serviços o Concessionário deve prestar com a infraestrutura, a quem os serviços devem ser prestados e o seu preço;e O concedente controle – por meio de titularidade, usufruto ou de outra forma – qualquer participação residual significativa na a infraestruturano final do prazo da concessão. Aplica-se também: À infraestrutura construída ou adquirida junto a terceiros pelo concessionário para cumprir o acordo de prestação de serviços; e 49 À infraestrutura já existente, por meio da qual o concedente dá acesso ao concessionário para efeitos do acordo de prestação de serviços. As alterações introduzidas por essa interpretação alteram a contabilização dos ativos imobilizados e da Receita de Transmissão. As transmissoras disponibilizam suas instalações para a operação do SIN, firmando o contrato de prestação de serviços de transmissão- CPST com o ONS e, em contrapartida, recebem uma RAP, independente do fluxo de energia que passa por suas instalações e, portanto, as instalações e a remuneração recebidas pela RAP são consideradas ativos financeiros à medida que têm o direito contratual de receber dinheiro ou outro ativo financeiro do concedente. A IFRIC 12- ICPC 01 estabelece o entendimento para a atividade de transmissão de energia, classificando o ativo financeiro como Empréstimo e Recebíveis. Como composição dos custos, têm-se (i) a capitalização do custo de empréstimo, que não deve ser considerada no imobilizado; (ii) a variação na taxa efetiva deverá ser ajustada diretamente no resultado no momento em que for apurada a diferença entre o realizado e o orçado. O reajuste da RAP deve ser mensal. Em virtude das discussões dos agentes reguladores e dos concessionários sobre a ICPC 01, o CPC editou a Orientação Técnica OCPC 05, com a finalidade de esclarecer dúvidas quanto à adoção da Interpretação Técnica ICPC 01 - Contratos de Concessão pelas empresas reguladas brasileiras. A atividade de transmissão, que é o foco deste trabalho, apresenta as seguintes características em seus contratos de concessão: a) As empresas de transmissão têm a obrigação contratual de construir, operar, e manter a infraestrutura. A obrigação da construção da infraestrutura pode estar caracterizada de forma implícita ou explícita no contrato de concessão; b) A maioria dos contratos tem o prazo de concessão por 30 anos; c) Na média, a vida útil econômica estimada do conjunto dos bens integrantes da infraestrutura é superior ao prazo de concessão; d) A atividade de transmissão não é competitiva. Não existe competição entre empresas (existe entre os investidores, para obtenção da concessão); 50 e) A concessionária (empresa transmissora/operadora) é interposta entre o poder concedente e os usuários; f) A atividade é sujeita à condição de generalidade (direito de livre acesso) e de continuidade; g) Alguns contratos têm garantia de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro; h) O contrato estabelece quais os serviços e para quem (usuários) o serviço deve ser prestado; i) O preço é regulado (tarifa) e denominado receita anual permitida (RAP). A transmissora não deve negociar preços com usuários. Geralmente, a RAP está sujeita a revisão anual devido ao aumento de ativos e de despesas operacionais decorrentes de modificações, reforços e ampliações de instalações; j) Os bens são reversíveis ao poder concedente no final da concessão, com direito de recebimento de indenização (caixa) do poder concedente sobre os investimentos ainda não amortizados; k) As linhas de transmissão são de uso dos geradores, das distribuidoras, dos consumidores livres, exportadores e importadores. O entendimento do mercado e dos reguladores é que a atividade de transmissão no Brasil foi planejada para ser adimplente, garantir a saúde financeira e evitar risco de crédito do sistema de transmissão. De acordo com a OCPC 05, o modelo de contabilização para a infraestrutura a ser usada pelas concessionárias de transmissão de energia é o Modelo Ativo Financeiro e deve seguir as seguintes orientações: a) aplicação retroativa de todos os contratos de concessão assinados após 1995 (novas licitações) para evitar distorções na apuração da taxa efetiva de juros do ativo financeiro relacionado à construção; b) critério para a separação (alocação) da receita de construção, operação e manutenção do total do contrato; c) aplicação do índice de inflação do contrato para calcular corretamente a inflação já incorrida do valor total do contrato e respectiva alocação entre receita de construção, operação e manutenção; 51 d) apuração da remuneração incorrida da parcela do ativo financeiro da construção, da operação e da manutenção separadamente; e) critério de separação do valor do faturamento mensal (fluxo de caixa) para alocação da parcela de receita de operação e manutenção e da parcela a ser reduzida do saldo do ativo financeiro, considerada como amortização do contrato (recebimento); f) critério de apuração da margem de construção; g) critério para apuração da taxa efetiva de juros. Com relação à atividade de transmissão, todos os novos reforços (ampliação das linhas de transmissão) autorizados pelo regulador, independentemente do tipo de contrato de concessão assinado, têm nas adições de equipamento por obras em expansão e reforço, geração de fluxo de caixa adicional e, portanto, esse novo fluxo de caixa (receita de construção) deve ser incorporado ao saldo do ativo financeiro, devendo uma nova taxa efetiva de juros ser apurada pelo prazo remanescente da concessão para essa parcela (novo ativo financeiro). Quando ocorrerem novas adições de ativos por motivo de substituição e baixas de equipamentos, as empresas de transmissão somente podem registrar esse novo ativo financeiro, no caso dessas adições por substituição gerarem fluxo de caixa adicional líquido das eventuais baixas (Interpretação OCPC 05). 2.2.2 Modelo Ativo Financeiro No modelo ativo financeiro os ativos da concessão, bens reversíveis que são os ativos imobilizados, não são reconhecidos nem registrados na contabilidade societária, pois entendese que o concessionário apenas presta um serviço e, por esse motivo, reconhece como ativo financeiro amortizável os valores recebíveis pela prestação desse serviço público de energia. Devido à garantia de recebimento da RAP, que contempla a construção, a operação e a manutenção que é recebida pela disponibilidade do transporte de energia e não pela utilização da infraestrutura por parte dos geradores, distribuidores, exportadores, importadores e consumidores livres, os concessionários possuem o direito incondicional adquirido contratualmente do recebimento desse ativo financeiro, que é reconhecido como valores recebíveis pelo valor do serviço. 52 O ICPC-01 modificou o tratamento econômico e contábil para os ativos imobilizados da concessão. Para Iudícibus et al. (2010, p. 147), o modelo proposto pela ICPC 01 alterou substancialmente a maneira como determinados tipos de concessão são contabilizados no cenário nacional, haja vista que o foco passa a ser a essência econômica da transação e não a forma. Pode-se dizer que se trata de um modelo contábil mais adequado à medida que reflete os modelos econômicos que são específicos a tais tipos de contratos. O ativo financeiro é classificado como um instrumento financeiro recebível sendo inicialmente mensurado pelo seu valor justo. Posteriormente, esse recebível (Caixa) é mensurável pelo valor amortizável, que é a RAP regulatória, ou seja, pelo valor inicial reconhecido menos os recebimentos da RAP mais os juros (WACC - utilizados para o setor de energia como base para cálculos do modelo do negócio) sobre o valor amortizável e o método usado para este cálculo é o método da taxa efetiva de juros. O Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração define a taxa efetiva de juros como “a taxa de desconto que, aplicada sobre os pagamentos ou recebimentos futuros estimados ao longo da expectativa de vigência do instrumento financeiro resulta no valor contábil líquido do ativo ou passivo financeiro”. (IUDÍCIBUS et al., 2010, p. 462). Com base na estrutura do modelo de ativo financeiro, é possível calcular o valor do ativo financeiro (recebível) a cada ano da concessão. A Tabela 2 demonstra o resultado da modelagem do ativo financeiro para fins de contabilização societária. No exemplo usado, o valor de R$ 80.458 representa o investimento total na construção da infraestrutura ― ativos da concessão até 31.12.2011―; a receita de construção de R$ 1.904 são as novas adições no período em construção da infraestrutura; a recuperação do ativo financeiro refere-se a RAP recebida para os dois meses de operação da transmissora (exemplo usado); o resultado da operação refere-se ao percentual usado para a margem da atividade de transmissão na modelagem, ou seja, quanto de margem operacional é preciso para cobrir os custos. O total de receita financeira R$ 2.792 é a TIR do negócio, ou seja, o retorno do investimento com a utilização de uma taxa de 3,5%, que, no modelo acima, refere-se à taxa que o investidor usou como retorno do investimento para entrar no leilão. 53 Tabela 2 - Modelagem do ativo financeiro(R$/MIL) – Transmissoras Alupar Ativo Financeiro-Data Base Ativo Financeiro Inicial Receita da Construção Recuperação do Ativo Financeiro Resultado da Operação Receita Financeira Ativo Financeiro Final Taxa de Aplicação 31/12/2011 80.458 1.904 - 482 65 2.792 84.737 3,50% AF CIRCULANTE AF NÃO CIRCULANTE 10.497 74.240 Fonte: Dados da pesquisa. 2.2.3 Contabilização do Ativo Financeiro O CPC 38 estabelece que um ativo financeiro deve ser classificado como: a) empréstimo ou recebível; b) ativo financeiro disponível para venda; c) ativo financeiro mensurado ao valor justo por meio do resultado. No caso de a contabilização do ativo financeiro ser registrada como empréstimo ou recebível ou ativo financeiro mensurado ao valor justo por meio do resultado, o CPC (38 – Instrumentos Financeiros obriga que a parcela referente aos juros calculados com base no método da taxa efetiva de juros seja reconhecida no resultado e que os impactos da contabilização dos juros devem impactar imediatamente o resultado do período. A contabilização do ativo financeiro das transmissoras de energia elétrica, para fins societários, está concentrada no Ativo Circulante e Realizável, enquanto a contabilidade regulatória esse registro se concentra no Imobilizado e Intangível. Os impactos no registro contábil dessa divergência na contabilização estão especificados no Quando 6. 54 Regulamentação ICPC 01 Descrição Ativo financeiro da concessão Receita da concessão de transmissão ICPC 01 ICPC 01 Aneel-Resolução 474 /2012 Receita de remuneração dos ativos da concessão (-) Depreciação acumulada Contabilidade Societária Contabilidade Regulatória Reconhece para fins societários Não reconhece, pois o custo da todo o custo para construir a infraestrutura está demonstrado estrutura física da Transmissãonos ativos imobilizados da Obras de Infraestrutura concessão Resultado Operacional da A receita do negócio Transmissão para fins Transmissão para fins societários, durante o prazo de regulatórios é reconhecida como concessão Receita da Transmissão da Rede Básica Resultado Operacional da A remuneração é reconhecida Transmissão para fins anualmente na publicação da societários, durante o prazo de Resolução Homologatória da concessão RAP, conforme termos do contrato de concessão. Não há depreciação, pois não Calculados com base na há Ativos Imobilizados Resolução 474 de 12/02/2012, para fins regulatórios Calculado sobre a Não aplicável Remuneração da concessão CPC 32 IR/CSLL Diferidos Receita Remuneração IR/CSLL diferidosReceita Remuneração Calculado sobre a Remuneração da concessão Não aplicável CPC 32 Custos de Empréstimos Não fazem parte do Investimento, é criada uma margem de construção para a receita de construção(Receita de Remuneração) São Considerados Custos do Investimento quando os ativos estão na fase de construção Instrumentos Financeiros Aplicado no cálculo do ativo financeiro Não Aplicável Receita de Construção Resultado Operacional Investimento-Imobilizado em Curso Custo de Construção Despesa Operacional Investimento-Imobilizado em Curso Imobilizado Não Aplicável Ativos da Concessão, contabilizados no Grupo Imobilizado Receita da Transmissão-Rede Básica Amortização(Recebível/Caixa) do Ativo Financeiro ao longo da concessão Receita Anual PermitidaReceita da Rede Básica CPC 20 CPC 38 CPC 17 CPC 17 CPC 27 Receita Regulatória-RAP Quadro 6 - Registro dos impactos do ICPC-01 para Contabilidade Regulatória e Societária Fonte: Dados da pesquisa. 55 2.2.4 Amortização do Ativo Financeiro O ativo financeiro é o valor recebível para a atividade de transmissão, e tem a sua amortização ao longo da concessão. A amortização do ativo financeiro da atividade de transmissão de energia é a recuperação financeira, que se dá por meio do faturamento mensal da Receita Anual Permitida durante o prazo de concessão. Para fins societários, a Receita da Rede Básica – Transmissão é considerada amortização do Ativo Financeiro, constituído durante o período de construção da linha. 2.2.5 Contabilidade Regulatória – Setor Elétrico Ferreira (2009) observa que a contabilidade regulatória foi criada para um fim específico, tendo um objetivo convergente com a contabilidade societária. No entanto, aprofunda-se na busca da correta demonstração da situação econômica e patrimonial da atividade concedida, servindo ainda como instrumento de controle e monitoramento dessa atividade. As empresas de energia, dentre elas as transmissoras, devem seguir os padrões e as regras contábeis normatizadas pela ANEEL e, assim, estão obrigadas às determinações do plano de contas contido no Manual de Contabilidade do Setor Elétrico, estabelecido pela Resolução Normativa nº 444/2001. Os investimentos da atividade de transmissão de energia estão concentrados nos ativos imobilizados regulatórios. Isso explica a preocupação da ANEEL em estabelecer suas próprias regras regulatórias, pois, nos padrões normativos societários, o grupo de imobilizado não mais existe. O Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica - DNAEE publicou, em 1994, a Portaria nº 815, de 30/11/1994, que obriga os concessionários do serviço público de energia elétrica a manter atualizado e organizado o cadastro de propriedade em função do serviço concedido, conforme as “instruções para contabilização e controle do ativo imobilizado”. Para dar continuidade ao processo de melhoria dos controles de ativos, a ANEEL publicou a 56 Resolução nº 367, em junho de 2009, que está sendo um marco no setor, por possibilitar ao agente regulador a uniformização dos controles de ativos com o objetivo de facilitar a fiscalização e a análise. Os ativos do setor elétrico devem ser contabilizados, inicialmente, no grupo de Ativo Imobilizado em Curso e, após a conclusão da obra, todos os equipamentos, os serviços e os custos indiretos e diretos serão transferidos para Imobilizados em Serviço, consolidados em grupos de ativos chamados UAR (unidade de adição e retirada) e, a partir da Unitização, que é a entrada da operação contábil regulatória, dar-se-á início ao processo de amortização/depreciação. Fica bastante claro o controle exercido sobre o patrimônio, especificadamente sobre o ativo da concessão usado na prestação do serviço concedido, seja na adição, seja na desativação de bens, seja na aplicação dos critérios estabelecidos para depreciação. As diferenças encontradas entre o modelo Societário e Regulatório trazem mudanças significativas para a forma de apresentação desses dados nos demonstrativos contábeis, conforme demonstrado no Quadro 7. ITEM Evidenciação do Ativo Adquirido Evolução do ativo Investimentos Realizados Modelo Societário Vigente Representação por meio da conta Ativo financeiro(Ativo Circulante /Não Circulante Amortização com base na RAP recebida(homologada anualmente pela Aneel) São acrescidos no grupo ativo financeiro e amortizados pelo prazo de vigência do contrato, logo que homologado na RAP). Modelo Regulatório Vigente Representação por meio do grupo ativo imobilizado(bens físicos) Depreciação com base na vida útil do bem(Res.474/2012) São acrescidos ao grupo ativo imobilizado e depreciados a taxas de depreciação que consideram a vida útil do bem. Quadro 7 - Diferenças Modelo Societário e Regulatório Fonte: Dados da pesquisa. As obras de construção da Linha de Transmissão (LT) concedida por meio de licitação na modalidade leilão público têm início após a assinatura do contrato de concessão― chama-se fase pré-operacional. 57 Após a entrada em operação da LT, o dispêndio necessário para continuidade do serviço público concedido está estruturado como projeto de manutenção, pois devido à inexistência de obras de investimento que contenham novos ativos ou substituição de ativos, todo o esforço financeiro está voltado para a manutenção dos bens do serviço público concedido. O setor de energia direciona o esforço financeiro na construção de ativos para a geração, a transmissão e a distribuição de energia, por esse motivo a interpretação ICPC 01 não foi acatada pela ANEEL, por considerar que a atividade outorgada não estaria mais representada em sua essência nas informações contábeis. Com a Resolução Normativa nº 396/2010, foi criada a contabilidade regulatória do setor elétrico, estabelecendo regras próprias para o registro contábil para a concessão do serviço público de energia elétrica. Nessa Resolução Normativa nº 396/2010, ficou clara a intenção do órgão regulador de não acatar a regra societária, pois a modificação nos registros de ativos com a ICPC 01, na visão do regulador, não permitiria uma análise adequada da atividade outorgada. Nessa mesma resolução, a ANEEL criou os Demonstrativos Regulatórios que deverão, além de publicados, ser auditados pela mesma empresa que audita as Demonstrações Financeiras, conforme artigo 7º e seus parágrafos: Art. 7º Ficam instituídas as Demonstrações Contábeis Regulatórias – DCR, cujo modelo será estabelecido pela ANEEL, bem como os livros contábeis auxiliares regulatórios, de adoção obrigatória pelas concessionárias e permissionárias de serviço público de transmissão e de distribuição de energia elétrica [...]. § 3° As Demonstrações Contábeis Regulatórias – DCR, que passam a fazer parte integrante da Prestação Anual de Contas – PAC, deverão ser encaminhadas devidamente assinadas pela diretoria em exercício e pelo contador responsável pela contabilidade da concessionária e permissionária de serviço público de energia elétrica, acompanhadas do relatório de auditoria emitido por empresa de auditoria independente registrada na Comissão de Valores Mobiliários - CVM, mediante procedimento a ser definido pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF junto ao Instituto dos Auditores Independentes do Brasil IBRACON. § 4º As Demonstrações Contábeis Regulatórias – DCR deverão ser auditadas pela mesma empresa que auditar as Demonstrações Contábeis para fins societários. Outra regulamentação que visa um melhor controle de ativos pelo agente regulador e ao acompanhamento das variações na substituição de ativos, bens da concessão reversíveis ao poder concedente foi a Resolução Normativa 367/2009, que instituiu o RCP- Relatório de Controle Patrimonial, que deverá ser enviado ao agente regulador até 31 de março do ano subsequente ao período da obrigação regulatória. Os principais controles e estruturas normatizados pela Resolução 367/2009 observam que: 58 O controle patrimonial deverá ser feito, utilizando-se codificações específicas apresentadas no Manual de controle Patrimonial, bem como observando-se as especificações e instruções de elaboração e envio dos relatórios periódicos, por contrato de concessão, e atendendo a classificação do plano de contas do setor elétrico. O controle patrimonial é especialmente voltado para bens e instalações reversíveis cadastrados em contas contábeis do sistema patrimonial, subsistema ativo, grupo ativo permanente, subgrupo ativo imobilizado e intangível, conforme “Manual de contabilidade do serviço público de energia elétrica – MCSPEE”. Os bens e instalações, em função do serviço outorgado, serão cadastrados e controlados por Contrato de concessão, Ordem de Imobilização - ODI, Tipo de Instalação, Centro Modular, Tipo de UC (família), UC, UAR, conta contábil e data de sua transferência (capitalização) do Ativo Imobilizado em Curso – AIC para o Ativo Imobilizado em Serviço - AIS. 2.2.6 Depreciação dos ativos regulatórios Os processos de ativação, também chamados unitização, obedecem às especificações do MCSPEE - Manual de Contabilidade do Serviço Publico de Energia Elétrica, sendo contabilizados no ativo imobilizado em serviço (AIS), através de ordem de imobilização (ODI). Tais processos são ser depreciados pelos critérios de depreciação linear, obedecendo às taxas regulamentas. Os novos ativos, investimentos realizados na concessão, integram o ativo imobilizado em serviço (AIS) ― no caso das transmissoras, apenas as substituições de equipamentos considerados tipo de Unidade de Cadastro (estabelecidos pela Resolução Normativa 367/2009) e os reforços autorizados pelo agente regulador podem ser capitalizados. À medida que os investimentos aumentam, o grupo de ativo imobilizado também aumenta. Antes de ser publicada a normatização das taxas de depreciação é feito um estudo técnico com a colaboração de todos os agentes (Distribuição, Geração e Transmissão) para estabelecer a vida útil para cada grupo de equipamento. Após a aceitação e o consenso acerca desse estudo técnico pela agência reguladora, é publicada uma resolução normativa estabelecendo as novas vidas úteis para esses ativos. 59 O agente regulador, ao longo do tempo, vai adequando as novas taxas de depreciação à realidade do setor com contribuições dos agentes e da sociedade, por meio de audiências públicas. A mais recente atualização das vidas úteis dos equipamentos do setor de energia foi publicada através da Resolução Normativa 474, de 02 de fevereiro de 2012. 2.2.7 Custo de Empréstimo – Aspectos Regulatórios e Societários Os custos de empréstimos fazem parte do custo da obra tanto para fins societários como para fins regulatórios. As regras divergem apenas com relação ao percentual de encargos a ser considerado na capitalização. Para a contabilidade societária, o valor dos custos dos empréstimos deve ser considerado à taxa do agente financeiro que liberou o capital, no entanto para a contabilidade regulatória existe o limite estabelecido na Resolução 338 de 2009, que estabelece critérios de atualização para as obras em curso que é o JOA - Juros sobre Obras em Andamento. É importante salientar que, na atividade de transmissão de energia, para fins societários, não se aplica o CPC 20 – Custos de Empréstimos, pois o negócio não tem em sua estrutura ativo imobilizado e, portanto, o custo de empréstimo somente faz parte da composição dos valores dos ativos imobilizados em serviços regulatórios. Para a contabilidade regulatória, a Resolução Normativa 396/2010 em seus anexos estabelece que os juros, as variações monetárias e os encargos financeiros incidentes sobre o capital de terceiros aplicado em obras ainda em andamento, ou seja, ainda em construção, devem ter o montante de capital de terceiros capitalizados em obras limitado ao valor da despesa financeira incorrida no período da construção e/ou à taxa de remuneração do custo médio ponderado de capital e prazo médio de construção estabelecido na Resolução Normativa 338/2009 ― dos dois o menor. As obras de construção dos ativos imobilizados da transmissão de energia geralmente são construídas com capital de terceiros, pois, após ganho o leilão o consórcio ou a sociedade, dá início a capitalização de capital de giro para o início das obras. É importante que o capital seja a custos financeiros sustentáveis para a organização, pois o regulador estabelece um limite de capitalização para esse custo financeiro com a finalidade da Modicidade Tarifária, já que o 60 custo da transmissão faz parte do custo não gerencial, ou seja, é compulsório nos custos da tarifa da Distribuição de Energia. É importante salientar que o retorno financeiro da atividade de transmissão acontece quando da sua entrada em operação, em torno de 01 a 02 anos após a concessão adquirida em leilão, pois somente a partir da energização da Linha de Transmissão dá-se início ao recebimento da RAP, que é o retorno do investimento, a entrada de capital e o retorno financeiro do serviço concedido. O resultado financeiro tem um tratamento específico tanto para fins societários como regulatório, portanto seu registro leva em considerações as normatizações e a fase de construção do negócio, de acordo com o mostrado no Quadro 8. PRÉ-OPERACIONAL OPERACIONAL Soc Resultado financeiro na apuração da Resultado Financeiro ietá IFRIC rio financeiro/encargos não fazem parte do – 12 investimento. O É Resultado criada uma margem de construção para a receita de construção Reg Os encargos na Na fase operacional o imobilizado ulat contabilidade regulatória devem ser está em serviço, sendo assim os ório registrados encargos financeiros devem ser no financeiros custo do ativo imobilizado em andamento alocados no resultado. Quadro 8 - Tratamento Contábil dos Encargos Financeiros Fonte: Dados da pesquisa. 2.2.8 A análise dos Índices Econômicos para tomada de decisão. O papel do contador é fornecer as demonstrações financeiras para os acionistas, administradores financeiros e dirigentes. Por meio das demonstrações financeiras, o contador procura captar, organizar e compilar dados para fornecer informações sobre a empresa, de acordo com as regras contábeis (MATARAZZO, 2010, p.5). O analista de balanços, em seu turno, preocupa-se com as demonstrações financeiras que, por sua vez, precisam ser transformadas em informações que permitam concluir se a empresa merece ou não crédito, se vem sendo bem ou mal administrada, se tem ou não condições de 61 pagar suas dívidas, se é ou não lucrativa, se vem evoluindo ou regredindo, se é eficiente ou ineficiente, se irá falir ou se continuará operando (MATARAZZO, 2010, p.5). Para que sejam tomadas decisões em uma empresa, o início se dá a partir de uma criteriosa análise de balanços, pois, por meio dessa análise, é possível conhecer a política financeira e seus objetivos. Convém ressaltar ela será utilizada como auxiliar na formulação de estratégia da empresa e fornecer informações fundamentais sobre a rentabilidade e a liquidez em comparação com os balanços orçados (MATARAZZO, 2010, p. 21). De acordo com MATARAZZO (2010), o importante não é o cálculo de grande número de índices, mas de um conjunto de índices que permita conhecer a situação da empresa, de acordo com a profundidade da análise. Para Martins et al. (2012), também é importante analisar a evolução dos indicadores ao longo do tempo, pois não existe um indicador específico ou um conjunto de indicadores que resolva todos os problemas ― portanto análise de balanços se faz lendo as demonstrações. Os índices financeiros são uma ferramenta importantíssima para análise dos demonstrativos contábeis, portanto se faz necessário decidir o que se pretende verificar no estudo, para a decisão correta dos índices a serem calculados. Os principais índices usados em análise de balanços estão especificados no Quadro 9. 62 SÍMBOLO ÍNDICE CÁLCULO 1. CT/PL Participação Capital de Terceiros(Endividamento) (CT/PL)x100 (PC/CT)x100 2. PC/CT Composição do Endividamento Estrutura de Capital Liquidez 3. AP/PL Imobilização do Patrimônio Líquido (AP/PL)x100 4. AP/PL+ELP Imobilização dos Recursos não Correntes [AP/(PL+ELP)]x100 5. LG Liquidez Geral [(AC+RLP)/(PC+ELP)] 6. LC Liquidez Corrente (AC/PC) 7. LS Liquidez Seca (AC-ESTOQUE)/PC 8. V/AT Giro do Ativo (VENDAS LIQ. /ATIVO) 9. LL/V Margem Líquida (LL/VENDAS LIQ.) 10. LL/AT Rentabilidade do Ativo(ROA) (LL/ATIVO)x100 11. LL/PL Rentabilidade do Patrimônio Líquido(ROE) (LL/PL(MÉDIA))x100 Rentabilidade (ou Resultado) Quadro 9 - Resumo dos índices econômicos-financeiros Fonte:Matarazzo, 2010. Em virtude de os serviços públicos serem sempre de interesse nacional ― e nessa categoria se insere o transporte de energia―, o governo acompanha o desempenho de empresas concessionárias para saber como andam sua rentabilidade e suas políticas de desenvolvimento (MATARAZZO, 2003, p. 37). 63 De acordo com McCann (2008), os investidores tendem a procurar um lugar seguro, ou seja, ações de empresas públicas para investir o seu dinheiro e uma avaliação mais justa exige muito mais do que um olhar para o rendimento dos dividendos. Existem fatores qualitativos que afetam o desempenho das empresas de energia e, portanto, é importante analisá-los, conforme ilustra o Quadro 10. Fatores Qualitativos Localização Mix de Clientes Competitividade Mix de Produtos e Serviços Operação da Planta (negócio) Estratégia Ambiente Regulatório O ambiente ideal para investir em empresas do setor elétrico, é aquele onde existe uma econômia em ascenção, onde as previsões regionais futuras tendem ao crescimento econômico da população. A base de clientes é muito importante para essas empresas materem sua rentabilidade.Uma base de clientes industriais e comerciais, leva a empresa a competitividade , enquanto que tendo como base clientes residenciais, estes proporcionam previsíveis e estáveis ganhos de fluxo de caixa. Empresas eficientes, com menor custo operacional e consequentemente com maior margem,podem reduzir seus preços e dessa forma melhores condições de competição em um mercado livre para atração de novos clientes. Empresas diversificadas na sua base de investimento tendem a um melhor posicionamento no mercado, independente de algum portfólio vir a ter problemas. Os analistas devem considerar o custo da planta,a confiabilidade das operações,a qualidade do serviço, custo da desativação,rentabilidade da planta, eficiência, ociosidade, etc. É preciso determinar a estratégia da empresa; se a gestão deve ser agressiva ou conservadora;se são adequados à companhia;quais são os pontos fortes e cultura e quaisas oportunidades disponíveis. Apesar da concorrência, as empresas de energia elétrica ainda são muito regulamentadas;portanto é necessário e importante o estudo da tendência da regulação . Quadro 10 - Fatores Qualitativos para análise de Empresas de Energia Fonte:McCann, 2008. 64 3 METODOLOGIA DE PESQUISA 3.1 TIPOLOGIA DE PESQUISA Esta pesquisa, quanto aos objetivos, caracteriza-se do tipo exploratório, porquanto se pretende ampliar o conhecimento com relação ao uso das informações contábeis para fins decisórios com a adoção da ICPC-01 em empresas de transmissão de energia, de acordo com as normatizações que regem o setor (BEUREN, 2008). Quanto aos procedimentos para a coleta dos dados, esta pesquisa se caracteriza como uma survey. Assim sendo, serão analisados dados primários, coletados através de respostas ao questionário feito com os gestores da amostra (BEUREN, 2008). Quanto à abordagem do problema, trata-se de uma pesquisa qualitativa. Essa abordagem é utilizada quando se busca o entendimento sobre alguma questão (BEUREN, 2008). Dessa forma, é empregada a técnica de interpretação de dados análise de conteúdo para as respostas obtidas do questionário, que é o instrumento de pesquisa utilizado no estudo, verificando-se as opiniões coletadas acerca do tema ICPC-01 e suas implicações nas decisões gerenciais. 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA A população desta pesquisa é composta pelas empresas de transmissão de energia elétrica do Grupo Alupar Investimento S/A, totalizando 20 transmissoras que estão na fase operacional e pré-operacional. Como amostras para desenvolvimento deste estudo foram consideradas apenas as transmissoras que estão na fase operacional, totalizando 15 empresas. Essas 15 empresas fazem parte do Grupo Alupar Holding que centraliza todas as decisões operacionais e estratégicas. Sendo assim, a amostra considerou apenas os diretores, controllers e contadores coordenadores da Holding Alupar, totalizando 10 respondentes. A Alupar Investimento S/A, é uma sociedade de capital aberto, que tem como objeto principal a participação em outras sociedades atuantes no setor de energia elétrica no Brasil e na América latina. Na Transmissão brasileira participa de 19 empresas com aproximadamente 5.465 Km de linhas, sendo que 4.750 Km estão em operação e 715 Km em fase pré- 65 operacional, com voltagens entre 230Kv e 525Kv. O prazo de concessão é de 30 anos para todas as instalações de transmissão que estão localizados nas regiões Norte e Nordeste do País, nos estados do Pará, Maranhão, Piauí e Ceará; na região Sul, no estado de Santa Catarina; na região sudeste, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo; no Centro-Oeste, no estado do Mato Grosso; e em no futuro próximo, nos estados do Amazonas e Roraima. Conforme publicação do 1º semestre de 2012, os investimentos em transmissão no 1º semestre somam o montante de R$ 68, 1 milhões. A participação da Alupar em todas as empresas de transmissão têm um percentual acima de 50%. A Alupar vem crescendo e consolidando sua participação no setor elétrico com uma política voltada ao crescimento consistente somado à alta eficiência operacional. Segue, abaixo, figura 5, o organograma com todas empresas em que o Grupo Alupar Investimento S/A tem participação acionária. Figura 5 - Organograma da Alupar Investimento S/A Fonte: Alupar, 2011. 66 O quadro contêm as 20 empresas de Transmissão do Grupo Alupar com o período de concessão e a RAP para o ciclo 2012-2013, considerados na Resolução Homologatória 1.313 de 26 de Junho de 2012, ANEEL. TNE e ETSE não estão consideradas nessa resolução devido ao fato de que a entrada em operação dessas empresas não estar prevista para esse ciclo, portanto seus valores de RAP foram considerados conforme estabelecido nos Contratos de Concessão. A Alupar exerce administração direta nas transmissoras ETVG, ETEM, TME, ETES, TNE e STN; nas Transmineiras, exerce o controle através da Holding TRANSMINAS S/A; através da Holding TBE, exerce o controle na ECTE, ETEP, ETSE, ESDE, ERTE, EATE, ENTE, LUMITRANS, STC e EBTE. Na Tabela 3, estão todas as empresas transmissoras do Grupo Alupar S/A. Tabela 3 - Empresas Transmissoras do GrupoAlupar Investimento S/A DESCRIÇÃO Empresa Paraense de Transmissão de Energia S/A-ETEP Empresa Norte de Transmissão de Energia S/A-ENTE Empresa Regional de Transmissão de Energia S/A-ERTE Empresa Amazonense de Transmissão de Energia S/A-EATE Empresa Catarinense de Transmissão de Energia S/A-ECTE Sistema de Transmissão Nordeste S/ASTN Companhia Transleste de TransmissãoTRANSLESTE Companhia Transudeste de TransmissãoTRANSUDESTE Companhia Transirapé de TransmissãoTRASIRAPÉ Sistema de Transmissão Catarinense S/ASTC Lumitrans Companhia Transmissora de Energia Elétrica-LUMITRANS Empresa de Transmissão do Espírito Santo S.A.-ETES TRANSCHILE CHARRÚA DE TRANSMISÍON –TRANSCHILE Empresa Brasileira de Transmissão de Energia S.A.-EBTE Transmissora Matogrossense de Energia S.A.-TME Empresa Santos Dumont de Energia S.A.ESDE Transmissão de Energia do Mato Grosso S.A.-ETEM Empresa de Transmissão de Várzea Grande S.A.-ETVG TRANSNORTE - TRANSNORTE ENERGIA S.A-TNE EMPRESA DE TRANSMISSÃO SERRANA S.A.-ETSE Fonte: Alupar, 2012. Período Concessão Jun2001 a jun2031 Dez2002 a Dez2032 Dez2002 a Dez2032 Jun2001 a jun2031 Nov2000 a Nov2030 Fev2004 a Fev2034 Fev2004 a Fev2034 Mar2005 a Mar2035 Mar2005 a Mar2035 Abr2006 a Abr2037 RAP-Ciclo 20122013 EXTENSÃO Condições Operacionais 323,0 km Operacional 464,0 km Operacional 179,0 km Operacional 924,0 km Operacional 252,5 km Operacional 541,0 km Operacional 150,0 km Operacional 140,0 km Operacional 65,0 km Operacional 195,0 km Operacional 51,0 km Operacional Fev2004 a Fev2034 19.783 107,0 km Operacional Abr2007 a Abr2037 11.132 200,0 km Operacional chile - 775,0 km Operacional 348,0 km Operacional 3km Pré-Operacional 235,0 km Operacional 850m Pré-Operacional 715 km Pré-Operacional 0 km Pré-Operacional Out2008 a Out2038 Nov2009 a Nov2039 Nov2009 a Nov2039 Jul2010 a Jul2040 Dez2010 a Dez2040 Jan2012 a Jan2042 Mai2012 a Mai2042 72.847 167.314 29.568 319.748 70.610 133.871 30.326 18.797 16.767 30.056 33.500 33.388 10.098 10.046 3.398 121.128 14.423 67 Na fase operacional, dá-se início a realização do faturamento das transmissoras, portanto, para esta pesquisa. serão calculados apenas os índices econômicos de rentabilidade que estão diretamente ligados ao retorno do investimento, por serem considerados, de acordo com Martins et al. (2012), os mais importantes na análise de balanços. 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS A primeira parte da pesquisa foi desenvolvida baseada na consulta das demonstrações financeiras societárias e regulatórias publicadas nos sites das 15 empresas em operação do Grupo Alupar Investimento S/A, para se atender ao objetivo específico 1. Para realização das análises comparativas entre os índices econômicos das demonstrações societárias e regulatórias, foram consideradas na base da análise apenas o ano de 2011. Somente a partir da publicação em 30 de abril de 2012, data base 2011, das demonstrações regulatórias, têm-se acesso público aos dados no site da própria transmissora e na SFFANEEL Foram utilizadas para a pesquisa apenas as informações públicas, adquiridas nos sites das empresas em operação do Grupo Alupar Investimento S/A e em jornais. Na análise comparativa entre as demonstrações de resultado regulatória e societária, calculouse os índices de rentabilidade com o objetivo de conhecer a variação desses índices no âmbito regulatório e societário. A segunda parte da pesquisa foi realizada por meio do envio de um questionário aos gestores da holding Alupar, de forma a se buscar avaliar quais informações estão sendo consideradas nas decisões gerenciais após a adoção da ICPC-01 - Contratos de Concessão considerando as normas societárias e regulatórias, atendendo, assim, ao objetivo específico 2. Foram enviados dez questionários para dez profissionais gestores do grupo Alupar que trabalham na holding. No entanto, três deles não foram respondidos e dois foram desconsiderados pela falta de aderência das respostas ao tema da pesquisa. Dessa forma, apenas cinco questionários foram considerados para compor a amostra, e correspondem a 1/3 do total das empresas de Transmissão de Energia consideradas no estudo. O questionário contém doze perguntas abertas, enviadas por e-mail aos profissionais selecionados, sendo que foram feitas duas visitas pessoalmente, oportunidade em que o gestor 68 respondeu ao questionário, e três respostas foram reenviadas por e-mail. Os profissionais de gestão e tomadores de decisão que foram entrevistados são todos da área Contábil Administrativa e Financeira, especificamente Diretores, Controllers e Contadores que trabalham com questões diretamente vinculadas ao tema da pesquisa. 3.4 PROCEDIMENTO DE TRATAMENTO DE DADOS De forma a se atender ao objetivo específico 1, foi realizada análise dos dados coletados através das demonstrações contábeis e contratos de concessão, e calculadas as variações entre os índices econômicos das demonstrações contábeis societárias e regulatórias. Para a execução desse trabalho procedeu-se à aos seguintes passos: Passo1: Verificação da aderência dos Contratos de Concessão com ICPC-01 ao modelo do Ativo Financeiro; Passo 2: Cálculo dos índices de rentabilidade; Passo 3: Expurgo do resultado do custo de construção e da receita de construção; De forma a se atender ao objetivo específico 2, foram analisados conteúdos das respostas da pergunta três do questionário; e, foi feita redução a fatores das respostas coletadas, para melhor entendimento e análise do objeto de estudo. 3.5 LIMITAÇÕES DA PESQUISA Esta pesquisa tem como principal limitação o seu objeto de estudo, qual seja a pesquisa realizada junto às empresas de transmissão de energia, não tendo sido abordadas a geração, a distribuição e a comercialização de energia. Portanto, os resultados obtidos se limitaram ao negócio de transmissão. Outra limitação importante refere-se ao período considerado na análise para comparação das Demonstrações Contábeis, utilizaram-se as publicações com data base 31 de dezembro de 2011. É importante salientar que as demonstrações regulatórias tornaram-se obrigatórias para fins de publicações a partir do ano de 2011. 69 4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Este capítulo apresenta os resultados das análises dos dados considerados nesta pesquisa. Para esclarecer os objetivos do estudo, dividiram-se as análises em duas partes: a primeira relativa a evidenciar a variação dos índices econômicos entre as demonstrações contábeis societárias e regulatórias; a segunda, a analisar as respostas do questionário para conhecer as informações relevantes no processo de tomada de decisão e o impacto da ICPC-01 nesse processo. 4.1. DESCRIÇÃO DAS ANÁLISES – ADERÊNCIA DOS CONTRATOS DE CONCESSÃO Inicialmente, foi realizada a análise dos contratos de concessão com o intuito de constatar se as transmissoras atendem às especificações do ICPC-01-Contratos de Concessão, assumindo como ativos financeiros os investimentos do negócio. Conforme demonstrado no quadro 11, os contratos de concessão são aderentes ao modelo ativo financeiro. Análise De acordo com os Contratos de Concessão Analisados Transmissão A Concedente controla ou regula quais serviços o operador deve prestar? Sim A Concedente controla o preço e define o cliente do operador? Sim A Concedente controla qualquer participação residual na infraestrutura ao final da concessão? Sim O operador tem direito contratual a receber caixa, ou outro ativo financeiro, da concedente ou conforme sua isntrução? Sim O Operador tem direito contratual de cobrar os usuários dos serviços públicos de concessão de energia? Sim De acordo com ICPC-01-Contratos de Concessão, nestes casos, deve ser reconhecido nos demonstartivos financeiros Ativo Financeiro Empresas analisadas o enquadramento Empresas do Grupo Alupar Investimento S/A Quadro 11 - Análise Contrato Concessão Transmissoras do Grupo Alupar Fonte: adaptado de Gouveia (2010). 70 4.2 ÍNDICES ECONÔMICOS -DEMONSTRAÇÕES REGULATÓRIAS E SOCIETÁRIAS Parte-se da análise comparativa entre Receita Líquida Regulatória e Societária, Ativo total Regulatório e Societário e Lucro líquido Regulatório e Societário. Constatou-se serem os valores societários maiores em quase 100% dos itens apresentados na tabela 4. Essa variação positiva com relação a valores societários das receitas, ativos e consequentemente lucro líquido estão com a rentabilidade considerada na modelagem do ativo financeiro que, para os primeiros anos da concessão, tem um retorno maior do que os valores para o final da concessão. Observa-se que as empresas Transleste, Lumitrans e ECTE apresentam receita líquida regulatória maior do que a societária. Esse comportamento da Receita dessas três empresas distorce análise esperada, portanto a modelagem do ativo financeiro para essas três empresas poderia ser revisado. Tabela 4 - Indicadores das empresas – Receita, Ativo e Lucro Líquido Empresas Receita Líquida Ativo Total Lucro Líquido Regulatória Societária Regulatório Societário Regulatório Societário 271.618 290.971 TME 3.233 28.245 14.410 74.160 91.902 ETES 8.929 15.545 1.319 12.254 82.935 85.914 ETEM 423 6.854 96 2.855 116.168 160.378 TRANSLESTE 27.751 26.956 13.575 18.450 72.485 90.718 TRANSIRAPE 13.566 14.095 5.512 7.910 84.538 103.891 TRANSUDESTE 15.887 16.441 7.435 10.212 192.901 238.978 STC 26.444 29.242 7.442 12.390 90.998 101.526 LUMITRANS 16.849 16.411 6.123 7.759 201.522 278.909 ETEP 62.033 63.533 40.131 44.693 97.060 125.371 ERTE 24.934 25.311 16.055 18.406 426.406 599.870 ENTE 141.969 143.398 81.246 95.082 151.462 233.504 ECTE 59.962 58.999 28.034 30.011 465.983 516.374 EBTE 22.646 41.690 15.743 889.323 1.338.033 EATE 271.062 278.663 164.950 204.314 502.174 688.547 STN 113.482 124.408 58.825 79.729 Fonte: Dados da pesquisa. Com relação à variação da Receita líquida entre a contabilidade societária e a regulatória, aquela apresenta uma pequena flutuação. Isso acontece em função de a receita societária 71 considerar em seu cálculo o valor da TIR do negócio em parcelas maiores que a atualização anual da RAP. É importante ressaltar que, ao longo do período de concessão, a tendência é que os valores da receita societária e regulatória fiquem semelhantes ou próximos, adequando os valores da receita ao retorno do negócio. Analisando-se a figura 6, nota-se que a TME e a ETEM tiveram sua receita societária superior à receita regulatória, em virtude da entrada em operação que ocorreu em novembro de 2011. 300.000 250.000 200.000 150.000 REGULATÓRIA 100.000 SOCIETÁRIA 50.000 - Figura 6 - Receita Líquida Societária X Regulatória Fonte: Dados da pesquisa. Com relação ao ativo total analisado entre as duas demonstrações, este apresentou valor superior na demonstração societária, em decorrência de o modelo do ativo financeiro considerar em seu cálculo, além da margem operacional do negócio, também a TIR (conforme Tabela 2). Na comparação observada na Figura 7, foram identificadas diferenças relevantes entre os ativos totais das empresas ENTE, EATE e STN. É possível que essas divergências identificadas sejam reflexos da modelagem do ativo financeiro, que pode ter considerado um retorno contraditório à realidade do contrato de concessão. Assim, para essas empresas, pode ter ocorrido distorção no valor do retorno do investimento na modelagem. 72 1.600.000 1.400.000 1.200.000 1.000.000 800.000 600.000 REGULATÓRIO SOCIETÁRIO 400.000 200.000 - Figura 7 - Ativo Total Societário X Regulatório Fonte: Dados da pesquisa. Com relação ao resultado líquido, todas as concessionárias de transmissão de energia analisadas apresentaram lucro societário superior ao regulatório, conforme Figura 8, fato já esperado em decorrência de a receita societária considerar a TIR no cálculo da Remuneração da concessão. Outro fator determinante na apuração da diferença de resultado entre as duas demonstrações surge em função de os ativos imobilizados serem registrados como ativos financeiros na contabilidade societária. Dessa forma, não há custo de depreciação do exercício a ser registrado e, consequentemente, não serão deduzidos do resultado. É importante ressaltar que o registro da depreciação somente ocorre na contabilidade regulatória. 250.000 200.000 150.000 REGULATÓRIO 100.000 SOCIETÁRIO 50.000 - Figura 8 - Lucro Líquido Societário X Regulatório Fonte: Dados da pesquisa. Após análise dos principais componentes dos índices econômicos, parte-se para as análises de rentabilidade, comparando-se os dados das demonstrações regulatórias e societárias. 73 Iniciam-se essas análises com a margem líquida, que é a análise que nos evidencia o quanto de Lucro Líquido foi obtido para cada R$1 de venda, ou seja, tal procedimento demonstra se a venda foi suficiente para cobrir os custos. Em seguida analisa-se a rentabilidade do ativo. Analisar a rentabilidade do ativo é comparar ativo com a rentabilidade produzida por ele, mas ativo não produz lucro líquido, o ativo produz lucro operacional e este, para demonstrar uma análise correta, não pode conter em seu valor o efeito do financiamento do ativo (MARTINS, 2012). Posteriormente, a rentabilidade do patrimônio líquido é analisada. Esse índice é considerado pelos analistas o mais importante dos indicadores, pois é a taxa de retorno sobre o capital aplicado na empresa e não o retorno sobre o valor da empresa no final do período em análise (MARTINS et al., 2012, p.227). Por último, analisa-se o EBITDA, que significa “lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização” (LAJIDA). Assim, será apresentado em virtude de ser uma informação bastante publicada nos demonstrativos financeiros, porém, como expõem Martins et al. (2012, p.237), esse índice é o caixa antes dos encargos financeiros, depreciação e impostos, é a geração bruta de caixa, mas que nada diz sobre a qualidade dos lucros obtidos no período analisado. 74 Tabela 5 - Indicadores das empresas – Margem líquida, Rentabilidades e Ebitda Empresas Margem Líquida Reg. Soc. Rentabilidade do Patrimônio Reg. Soc. Rentabilidade do Ativo Reg. Soc. TME ETES ETEM TRANSLES TE TRANSIRA PE TRANSUDE STE STC LUMITRAN S ETEP ERTE ENTE ECTE EBTE EATE 0% 15% 23% 51% 79% 42% 0% 5% 0% 16% 32% 11% 0% 2% 0% 5% 13% 3% EBITDA Reg. Soc. 931 24.081 6.605 13.221 366 6.315 53% 68% 23% 19% 12% 12% 22.287 23.528 41% 56% 19% 19% 8% 9% 11.521 12.048 47% 28% 62% 42% 15% 10% 19% 12% 9% 4% 10% 5% 13.994 22.041 14.378 24.760 36% 65% 64% 57% 47% 0% 61% 47% 71% 73% 66% 51% 38% 73% 18% 37% 35% 38% 44% 0% 34% 19% 28% 27% 27% 24% 6% 25% 7% 20% 17% 19% 19% 0% 19% 8% 16% 15% 16% 13% 3% 15% 14.695 53.819 21.502 128.232 53.868 18.930 242.350 14.218 55.313 21.805 129.525 52.906 37.974 249.705 STN 52% 64% 24% 20% 12% 12% 105.521 107.861 Fonte: Dados da pesquisa. A análise da margem líquida na contabilidade societária em todas as empresas analisadas é superior em relação à regulatória, conforme mostra a Figura 9. Esse comportamento já esperado devido à maior receita operacional líquida, cujo cálculo é efetuado com base na modelagem do ativo financeiro, que, por sua vez, considera a TIR na definição da remuneração da concessão. É importante destacar, conforme mencionado na análise do lucro líquido, que não há a dedução do custo com depreciação dos ativos, uma vez que o ativo imobilizado é reconhecido como ativo financeiro na contabilidade societária. 75 90% 80% 70% 60% 50% 40% Margem Líquida Regulatória 30% 20% Margem Líquida Societária 10% STN EATE EBTE ECTE ENTE ERTE ETEP LUMITRANS STC TRANSUDESTE TRANSIRAPE TRANSLESTE ETEM ETES TME 0% Figura 9 - Margem Líquida Regulatória X Societária Fonte : Dados da pesquisa. A análise da rentabilidade do patrimônio líquido tem como objetivo evidenciar a taxa de retorno sobre o capital próprio investido. Esse é um dos principais indicadores para demonstrar ao investidor se a empresa propõe rentabilidade superior ou inferior às outras opções existentes no mercado. Conforme a Figura 10, nota-se que a rentabilidade do patrimônio líquido de algumas empresas foi mais elevada na contabilidade societária se comparadas à contabilidade regulatória. Tal fato decorre do fato de o lucro líquido societário a ser superior ao regulatório. 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Rentabilidade do Patrimônio Regulatório TME ETES ETEM TRANSLESTE TRANSIRAPE TRANSUDESTE STC LUMITRANS ETEP ERTE ENTE ECTE EBTE EATE STN Rentabilidade do Patrimônio Societário Figura 10 - Rentabilidade do Patrimônio Regulatório X Societário Fonte: Dados da pesquisa. De acordo com os valores apresentados na Figura 11, a Rentabilidade do Ativo (ROA) demonstra um grau de eficiência superior na capacidade de geração de lucro nas demonstrações societárias em relação às demonstrações regulatórias, exceto para as empresas 76 ETEP, ERTE, ENTE, ECTE e EATE, que apresentam uma maior rentabilidade sob o âmbito das informações financeiras regulatórias. O comportamento desse índice apresentados nas demonstrações societárias em relação às demonstrações regulatórias se deve, principalmente, ao fato de haver a adição da TIR nos cálculos do ativo financeiro, enquanto a distorção gerada para as empresas citadas, o desvio do comportamento, demonstra uma possível distorção na modelagem do ativo financeiro. 25% 20% 15% 10% Rentabilidade do Ativo Regulatório 5% Rentabilidade do Ativo Societário TME ETES ETEM TRANSLESTE TRANSIRAPE TRANSUDESTE STC LUMITRANS ETEP ERTE ENTE ECTE EBTE EATE STN 0% Figura 11 - Rentabilidade do Ativo Regulatório X Societário Fonte: Dados da pesquisa. No cálculo do EBITDA, Figura 12, com base nas demonstrações societárias, indica-se uma capacidade em gerar fluxos de caixa mais elevada que o EBITDA calculado com base nas informações regulatórias. Vale destacar que a geração de caixa das empresas transmissoras é baseada essencialmente nas demonstrações regulatórias, portanto, quando da análise da gestão da empresa, deve-se evidenciar qual informação permite melhor entendimento do negócio. 300.000 250.000 200.000 150.000 EBITDA Regulatória 100.000 EBITDA Societária 50.000 -50.000 TME ETES ETEM TRANSLESTE TRANSIRAPE TRANSUDESTE STC LUMITRANS ETEP ERTE ENTE ECTE EBTE EATE STN - Figura 12 - EBITDA Regulatório X Societário Fonte: Dados da pesquisa. 77 4.3 ANÁLISE DA PESQUISA QUALITATIVA A segunda parte da pesquisa consiste em evidenciar o entendimento dos gestores acerca da ICPC-01 e qual o impacto desta em seus processos decisórios. Avaliou-se que, as respostas obtidas evidenciam que o impacto da ICPC-01 na tomada de decisão foi nulo, ou seja, não existe o uso das informações societárias no processo de gestão. No entanto, identifica-se sendo as informações regulatórias o pilar dessas decisões e sendo esta a base de toda orientação do negócio. Abaixo descreve-se as respostas do questionário dos gestores. O respondente 1 (R1) não considera significativa as mudanças ocorridas com a ICPC-01 e por isso acredita que não tenha havido impacto na tomada de decisão nas políticas internas da empresa. Considerou que as informações contábeis regulatórias são as solicitadas com mais frequência para tomada de decisão e que nenhuma decisão gerencial é tomada a partir das informações contábeis societárias. Afirmou serem as informações contábeis regulatórias a base das decisões internas da empresa. Considerou como mudança relevante a partir da ICPC01 a apresentação dos valores do Lucro Líquido, mas que por afetar o caixa não pode ser realizado. Em sua opinião a adoção da ICPC-01 ocasionou elaboração das demonstrações financeiras diferenciadas do conceito da concessão do negócio. Para R1 é importante assumir o IFRS no Brasil, no entanto a publicação das demonstrações contábeis regulatórias é relevante para as empresas de transmissão por ser base para a tomada de decisão, mas não considera que tais demonstrações contábeis regulatórias trouxeram transparência ao negócio por não ser a informação disponível para o investidor. Concorda que a adoção da ICPC-01 para o negócio transmissão de Energia é uma mera exigência da legislação societária e que o impacto mais relevante dessa adoção é a adequação da Receita do negócio no período da concessão. O respondente 2 (R2) considera significativa as mudanças ocorridas com a ICPC-01 e que as práticas contábeis foram a mais afetadas com essa adoção. Não concorda que as informações societárias impactaram a análise de rentabilidade, por que tais informações não são consideradas para esta análise. R2 considera as informações contábeis regulatórias as solicitadas com mais frequência para tomada de decisão e que nenhuma decisão gerencial é tomada a partir das informações contábeis societárias. Afirmou serem as informações contábeis regulatórias a base das decisões internas da empresa. Considerou como mudança 78 relevante a partir da ICPC-01 a apresentação dos valores da infraestrutura que não é mais ativo imobilizado é ativo financeiro. Em sua opinião a adoção da ICPC-01 é um assunto que ainda precisa ser melhor discutido. Para R2 a ICPC-01 poderia não ter sido adotada no Brasil porque não faz sentido a infraestrutura ser ativo financeiro e que é relevante a publicação das demonstrações regulatórias por que é base para a tomada de decisão. Concorda que a publicação das demonstrações regulatórias trouxe mais transparência para o investidor e para a realidade do negócio e que a adoção da ICPC-01 é uma mera exigência da legislação societária. Em sua opinião o impacto mais relevante da adoção dessa norma foi a mudança na contabilização da infraestrutura. O respondente 3 (R3) considera significativa as mudanças ocorridas com a ICPC-01 e que o pagamento de dividendos foi a mudança mais afetada com essa adoção. Não concorda que as informações societárias impactaram a análise de rentabilidade, por que tais informações não são consideradas para esta análise. Considera que as informações contábeis regulatórias são as solicitadas com mais frequência para tomada de decisão, e que nenhuma decisão gerencial é tomada a partir das informações contábeis societárias. Afirmou serem as informações contábeis regulatórias a base das decisões internas da empresa. Considerou como mudança relevante a partir da adoção da ICPC-01 o aumento do valor das receitas. Em sua opinião a adoção da ICPC-01 trouxe uma irrealidade para o valor das receitas. R3 não respondeu se a ICPC-01 poderia não ter sido adotada no Brasil e que é relevante a publicação das demonstrações regulatórias por que são as informações equiparadas ao projeto do negócio. Concorda que a publicação das demonstrações regulatórias trouxe mais transparência para o investidor e para a realidade do negócio e que a adoção da ICPC-01 é uma mera exigência da legislação societária. Em sua opinião o impacto mais relevante da adoção dessa norma foi a adequação da receita e da carga tributária projetada. O respondente 4 (R4) considera significativa as mudanças ocorridas com a ICPC-01 e que as informações societárias não são usadas .Concorda que as informações societárias impactaram a análise de rentabilidade, mas que tais impactos não afetaram as decisões por que tais informações não são consideradas para tomada de decisão. Considera que as informações contábeis regulatórias são as solicitadas com mais frequência para tomada de decisão e que nenhuma decisão gerencial é tomada a partir das informações contábeis societárias. Afirmou serem as informações contábeis regulatórias a base das decisões internas da empresa. Considerou como mudança relevante a partir da ICPC-01 a mudança na apresentação da demonstração do resultado (DRE). Em sua opinião a adoção da ICPC-01 não deveria ter sido 79 adotada para o negócio transmissão de energia. Para R4 a ICPC-01 poderia não ter sido adotada no Brasil porque prejudicou a análise das informações e a tomada de decisão da administração. Concorda que a publicação das demonstrações regulatórias trouxe mais transparência para o investidor e para a realidade do negócio e que a adoção da ICPC-01 é uma mera exigência da legislação societária. Em sua opinião os impactos mais relevantes na adoção dessa norma foram: a mudança na elaboração das demonstrações financeiras; e o aumento do custo das empresas sem gerar benefício pelo uso da informação. A seguir descrição de parte das respostas: Acho que a ICPC-01 trouxe mudanças relevantes, mas estas informações societárias não são usadas, continua tudo como estava [...]. A ICPC-01 não permite a correta gestão do caixa da empresa, distorceu a análise da geração de caixa [...]. Mudou drasticamente a Demonstração do Resultado [...]. A ICPC-01 não deveria ter sido adotada para o setor de transmissão de energia [...]. Essa norma não poderia ter sido adotada, não trouxe nenhum valor agregado, prejudicou a análise e a tomada de decisão da administração, dos credores e dos investidores [...]. O impacto mais relevante foi mudar a elaboração das demonstrações financeiras; aumentar o custo das empresas sem gerar benefício pelo uso das informações [...]. Considero ainda mais relevante adotar informações que nenhuma empresa vai usar, com relação ao setor de transmissão de energia [...] O respondente 5 (R5) considera significativa as mudanças ocorridas com a ICPC-01, sendo a mais relevante a mudança nos critérios de apuração da receita. Concorda que as informações societárias impactaram a análise de rentabilidade, e que tais impactos afetaram a política de dividendos. Considera que as informações contábeis regulatórias são as solicitadas com mais frequência para tomada de decisão e que poucas decisões gerenciais são tomadas a partir das informações contábeis societárias, citou como exemplo a projeção de balanços para cobertura de covernants. Afirmou serem as informações contábeis regulatórias a base das decisões internas da empresa, exceto para a projeção de balanços para a cobertura de covernants. R5 considera que a adoção da ICPC-01 mudou completamente o entendimento do negócio. Em sua opinião a adoção da ICPC-01 precisa de adaptações para melhor aplicabilidade no setor. Concorda com a adoção da a ICPC-01 no Brasil, e expõe que o ideal seria uma implantação gradativa para facilitar o entendimento. Considera que a publicação das demonstrações regulatórias trouxe mais transparência para o investidor e para a realidade do negócio e que a 80 adoção da ICPC-01 é uma mera exigência da legislação societária. Em sua opinião o impacto mais relevante da adoção dessa norma foi o entendimento da natureza do negócio. Os 5 (cinco) respondentes foram unânimes em afirmar que todas as decisões gerenciais são tomadas com base nas informações contábeis regulatórias e por isso são as informações mais solicitadas pelos gestores. De acordo com as respostas, praticamente nenhuma decisão é tomada a partir das informações societárias. Todos os questionados concordaram que a ICPC01 trouxe mudanças relevantes para o negócio transmissão de energia, no entanto tais mudanças não modificaram as decisões gerenciais e que a publicação das Demonstrações Regulatórias é importante porque é a informação base para decisão e trouxe mais transparência para o investidor. Todas 5 (cinco)pessoas pesquisadas concordaram ser a adoção da ICPC-01 uma mera exigência da legislação societária e o fator que mais impactou o negócio foi a adequação da Receita no período de concessão. 81 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta dissertação de mestrado teve como objetivo geral analisar se houve alterações nas informações utilizadas como base para tomada de decisões gerenciais pelos gestores das empresas de Transmissão de Energia elétrica após a adoção da ICPC-01 – Contratos de Concessão, que emergiu após as mudanças no ambiente contábil estabelecidas pela Lei 11.638/2007, com o propósito de suscitar discussões sobre a necessidade da adoção da informação contábil societárias com a adequação dessa norma. Considerou-se que o objetivo geral desta dissertação foi plenamente atingido, uma vez que com base nas respostas dos gestores pesquisados detectou-se que não houve alteração nas informações utilizadas para a tomada de decisões gerenciais. Além disso, a pesquisa teve como objetivos específicos os seguintes pontos: I – Conhecer a variação nos indicadores econômicos com base na análise comparativa das informações divulgadas nas demonstrações contábeis societárias e regulatórias. II - Conhecer quais informações contábeis são solicitadas com mais frequência pelos gestores das empresas de transmissão de energia elétrica do Brasil para tomada de decisão, se Informações Contábeis Societárias ou Regulatórias. Considerou-se que os objetivos específicos desta dissertação de mestrado foram alcançados. Com a análise dos índices econômicos, verificou-se que a variação existente entre os índices calculados com base nas informações societárias e regulatórias é decorrente da aplicação da ICPC-01. Com base na aplicação da pesquisa qualitativa, verificou-se que as informações contábeis usadas como base para a tomada de decisão são as regulatórias. Esta dissertação de mestrado tinha como questão de pesquisa a seguinte pergunta: Houve alterações nas informações utilizadas como base para tomada de decisões gerenciais pelos gestores das empresas de Transmissão de Energia elétrica após a adoção da ICPC-01 – Contratos de Concessão, que emergiu após as mudanças no ambiente contábil estabelecidas pela Lei 11.638/2007? Com base nas evidências detectadas pelo conteúdo das respostas dos questionários aplicados aos gestores das Transmissoras do Grupo Alupar, detectou-se que as informações societárias, com adequação da ICPC-01, não estão atendendo às necessidades reais do negócio transmissão com relação à Tomada de Decisão. 82 A partir do resultado obtido da análise das respostas deste estudo, pode-se dar início às discussões com relação aos benefícios e à necessidade da adoção da ICPC-01 para a atividade de Transmissão de Energia no Brasil. No conteúdo das respostas, foi mencionado como ponto relevante da adoção dessa norma o aumento do custo das empresas transmissoras sem a geração do benefício pelo uso da informação. As novas regulamentações do Agente Regulador – ANEEL, com a publicação da Resolução 579/2012 que objetiva reduzir os custos da energia para o consumidor, trazem para o investidor um cenário no mínimo inquietante, pois as margens de rentabilidade tendem a diminuir e a redução dos custos deverá ser uma meta constante na gestão deste negócio, pois, embora a atividade não esteja diretamente ligada ao consumidor, todo e qualquer variação no fluxo financeiro da transmissão reflete na distribuição de energia (atividade que tem vínculo direto com o consumidor) e, portanto, faz-se necessário a eficiência de caixa para sobrevivência da empresa. Conclui-se que as respostas obtidas dos gestores das transmissoras de energia auxiliam na formação de uma visão crítica acerca da aplicação do ICPC-01 nessas empresas, ou seja, espera-se que, a partir deste estudo, sejam iniciadas discussões acadêmicas sobre o tema, que objetive rever a aplicação dessa norma para evitar custos desnecessários em um negócio no qual a rentabilidade é fixa, ou seja, o investidor, no leilão para adquirir a concessão das transmissoras, já conhece o quanto ganhará no decorrer do prazo do contrato. Portanto, se a informação não está atingindo seu principal objetivo que é fornecer base necessária ao usuário para gerir o negócio, há que ser revisada a necessidade de sua adoção e aplicabilidade. Portanto, a contribuição desse estudo para o negócio de transmissão de energia está pautada na necessidade de levantar questionamentos juntos aos órgãos reguladores responsáveis pela regulamentação da norma societária ICPC-01, para a revisão da adoção desta para a transmissão de energia no Brasil. Esta argumentação é baseada nos dados apurados nesta pesquisa com os gestores. Como delineamento para futuros trabalhos, sugere-se que seja feita a pesquisa dos reflexos da adoção da ICPC-01 – Contratos de Concessão com analistas de mercados para se conhecer quais informações estão sendo usadas e solicitadas por esses usuários externos na tomada de decisão para concessão de empréstimos e financiamentos. 83 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Y. Vieira de. Reestruturação e privatização do setor elétrico brasileiro (1999), Edición electrónica gratuita, 2009. Disponível em: www.eumed.net/libros/2009a/486/. Acesso em: 13 set. 2013. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL. 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In: IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão, Responsabilidade Socioambiental das Organizações, Niterói, RJ, Brasil, 31 jul. a 02 ago. de 2008. 86 APÊNDICE A- QUESTIONÁRIO DA PESQUISA O questionário abaixo é parte integrante do trabalho de conclusão do Mestrado Profissional em Controladoria Empresarial de Maria Eveline Rodrigues Gomes. O presente estudo tem a finalidade de mostrar os impactos da ICPC01-Contratos de Concessão nas decisões gerenciais dos gestores das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica. TITULO DA PESQUISA: Estudo do impacto da adoção da ICPC-01 nas decisões gerenciais considerando as normas societárias e regulatórias nas empresas de transmissão de energia elétrica do Brasil. Assim, solicito a sua contribuição preenchendo o questionário e reenviando para o endereço eletrônico de envio. 1.DADOS DO ENTREVISTADO Idade [ ]26 a 35 anos; [ ]36 a 45 anos; [ ]Mais de 45 anos. Sexo [ ] Feminino [ ]Masculino Qual Cargo exerce na Companhia?__________________ 87 Escolaridade: ( )2º Grau Completo ( )3º Grau Completo ( )MBA ( )Mestrado ( )Doutorado 2 QUESTIONÁRIO 1. Em sua opinião as mudanças ocorridas com a adoção do ICPC 01 nas empresas de transmissão trouxe alguma mudança significativa nas decisões internas da companhia?Cite a mais relevante? 2. Com a adoção da ICPC 01, as informações societárias influenciaram os possíveis com relação a analise de rentabilidade da empresa?Se sim, isso afetou a tomada de decisão na política interna da empresa? 3. Para a tomada de decisões gerenciais internas, com uso das informações contábeis, quais informações são solicitadas com mais frequência: societárias ou regulatórias? 4. Quais decisões gerenciais são tomadas a partir das informações societárias, considerando a adoção da ICPC 01? 5. Quais decisões gerenciais são tomadas a partir das informações regulatórias? 6. Houve alguma mudança relevante para as Empresas de Transmissão de Energia Elétrica com a introdução da ICPC 01? 7. Qual sua opinião sobre a adoção da ICPC 01 para as empresas de Transmissão de Energia? 8. Em sua opinião a ICPC 01 poderia não ter sido adotada no negócio Transmissão?Por quê? 88 9. Em sua opinião a exigência da ANEEL para a publicação das Demonstrações contábeis regulatórias tem relevância para as empresas de transmissão? 10. Em sua opinião a publicação das demonstrações regulatória, trouxe mais transparência para o investidor para a realidade do negócio de transmissão? 11. Você concorda com a frase “A adoção da ICPC 01 para o negócio de Transmissão de Energia é uma mera exigência da legislação societária”? 12. Em sua opinião, qual impacto foi mais relevante no negócio de Transmissão com a adoção da ICPC 01? 89 APÊNDICE B – RESUMO DAS RESPOSTAS Respostas R1 1. Em sua opinião as mudanças ocorridas com a adoção do ICPC 01 nas empresas de transmissão trouxe NÃO alguma mudança significativa nas decisões internas da companhia?Cite a mais relevante? 2. Com a adoção da ICPC 01, as informações societárias influenciaram os possíveis impactos com relação a analise NÃO de rentabilidade da empresa?Se sim, isso afetou a tomada de decisão na política interna da empresa? 3. Para a tomada de decisões gerenciais internas, com uso das informações contábeis, REGULATÓRIAS quais informações são solicitadas com mais frequência: Societárias ou regulatórias? 4. Quais decisões gerenciais são tomadas a partir das informações societárias, considerando a adoção da ICPC 01? R2 SIM.PRATICAS CONTÁBEIS NÃO, INFORMAÇÕES USADAS NÃO CONSIDERAM MODIFICAÇÕES A PARTIR IFRS R4 R5 SIM,PRÁTICAS SIM,AS INFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NÃO SÃO USADAS, SIM,MUDANÇA NOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DA RECEITA. DE PAGAMENTO DIVIDENDOS NENHUMA 5. Quais decisões gerenciais são tomadas a partir das informações regulatórias? TODAS DO NEGÓCIO TODAS 6. Houve alguma mudança relevante para as Empresas de Transmissão de Energia Elétrica com a introdução da ICPC 01? SIM, APRESENTARA M LUCRO , MAS ÕES USADAS NÃO CONSIDERAM AS MODIFICAÇÕES 7. Qual sua opinião sobre a adoção da ICPC 01 para as empresas de Transmissão de Energia? DF'S DIFERENCIADAS , DENTRO DO CONCEITO CONCESSÃO ASSUNTO AINDA PRECISA SER MELHOR DISCUTIDO SIM, NÃO AFETOU PORQUE NÃO UTILIZA AS INFORMAÇÕES CONSIDERANDO SIM, A POLITICA DE DIVIDENDOS ICPC-01 IFRS NENHUMA TODAS DO NEGÓCIO SIM, A INFRAESTRUTU RA NÃO É MAIS ATIVO IMOBILIZADO, É ATIVO FINANCEIRO CONTINUA TUDO COMO ERA NÃO,INFORMAÇ REGULATÓRIAS REGULATÓRIAS NENHUMA POR FALTA DE CAIXA NÃO PODERAM PAGAR R3 SIM,AUMENTO RELEVANTE DAS RECEITAS IRREALIDADE DO VALOR DAS RECEITAS REGULATÓRIAS REGULATÓRIAS NENHUMA POUCAS, PROJEÇÃO DE BALANÇOS PARA COBERTURA DE COVERNANTS TODAS TODAS, EXCETO PROJEÇÃO DE BALANÇOS PARA COBERTURA DE COVERNANTS SIM, A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTASDO MUDOU DRASTICAMENTE QUE NÃO DEVERIA TER SIDO ADOTADO PARAS A TRANSMISSÃO DE ENERGIA SIM, MUDOU COMPLETAMENTE O ENTENDIMENTO DO NEGÓCIO PRECISA DE ADAPTAÇÕES PARA MELHOR APLICABILIDADE NO SETOR 90 Respostas R1 8. Em sua opinião a ICPC 01 poderia não ter sido adotada no negócio Transmissão? Porque? 9. Em sua opinião a exigência da Aneel para a publicação das Demonstrações contábeis regulatórias tem relevância para as Empresas de transmissão? NÃO, IMPORTANTE ASSUMIR O IFRS NO BRASIL SIM, POIS TODAS AS DECISÕES INTERNAS SÃO TOMADAS A PARTIR DAS DCR'S R3 SIM, NÃO FAZ SENTIDO A INFRAESTRUTURA SER ATIVO FINANCEIRO R4 SIM, NÃO TROUXE NENHUM VALOR NÃO RESPONDEU AGREGADO, PREJUDICOU A ANÁLISE E A TOMADA DE DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO, DOS CREDORES E DOS INVESTIDORES R5 PODERIA, O IDEAL SERIA UMA IMPALNTAÇÃO GRADATIVA PARA FACILITAR O ENTENDIMENTO. SIM,SÃO INFORMAÇÕE S EQUIPARADAS AO PROJETO DO NEGÓCIO SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM ADEQUAÇÃO DA RECEITA MUDANÇA NA ADEQUAÇÃO DA RECEITA E 10. Em sua opinião a NÃO, PORQUE publicação das NÃO É A demonstrações regulatórias, VÁLIDA PELA trouxeram mais LEGISLAÇÃO transparência para o SOCIETÁRIA investidor e para a realidade EM VIGOR. do negócio de Transmissão? 11.Você concorda com a frase “ A adoção da ICPC 01 para o negócio de Transmissão de Energia é uma mera exigência da legislação societária”? R2 SIM, BASE PARA TOMADA DE DECISÃO MUDAR A ELABORAÇÃO 12.Em sua opinião, qual impacto foi mais relevante no negócio de Transmissão com a adoção da ICPC 01? NO PERÍODO DE CONCESSÃO CONTABILIZAÇÃO DA INFRAESTRUTURA CARGA TRIBUTÁRIA PROJETADA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS; AUMENTAR O CUSTO DAS EMPRESAS SEM GERAR BENEFÍCIO PELO USO DA INFORMAÇÃO O ENTENDIMENTO DA NATUREZA DO NEGÓCIO