ESTÁGIO SUPERVISIONADO: EXPERIÊNCIAS NO ENSINO DE
GEOGRAFIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
Diana Gomes1 - UNICENTRO
Idair Augusto Zinke2 - UNICENTRO
Grupo de Trabalho - Práticas e Estágios nas Licenciaturas
Agência de Financiamento: não contou com financiamento
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo discutir a importância do estágio supervisionado na
formação inicial do professor de geografia, a partir de reflexões em torno de experiências
vivenciadas durante o estágio supervisionado para o ensino fundamental no Colégio Estadual
Newton Felipe Albach, em Guarapuava/PR. A metodologia do trabalho se constituiu em
levantamento e exploração teórica acerca do tema, onde se buscou fundamentação em autores
que trabalhem com a temática de forma significativa. Posteriormente, houve a sistematização
e descrição das experiências vivenciadas no Colégio durante o estágio. Assim, foi realizada
uma ligação entre a fundamentação teórica levantada com as experiências vivenciadas no
desenvolvimento das atividades durante o estágio supervisionado. Neste sentido, pode-se
afirmar que o estágio supervisionado é parte fundamental na formação de futuros professores,
pois é entendido como lócus entre teoria e prática, proporcionando ao acadêmico um
amadurecimento no que diz respeito a sua futura profissão, além do fato de que permite a este,
por meio da prática, dar inicio a construção de sua própria didática. As experiências relatadas
durante o estágio supervisionado mostram que ser professor não é tarefa fácil e exige domínio
tanto do conteúdo quanto de metodologias de ensino que se apliquem a realidade dos alunos.
No entanto, apesar das dificuldades encontradas durante as atividades desenvolvidas, é
notório que o estágio supervisionado é, antes de tudo, um momento de aprendizado, onde o
acadêmico tem a oportunidade de participar de quase todas as funções docentes dentro da
escola, desenvolvendo plano de aula, metodologias de ensino, aplicando e avaliando o
conteúdo.
Palavras-chave: Estágio supervisionado. Formação docente. Geografia.
1
Graduando em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO, Campus Cedeteg,
Guarapuava/PR. Bolsista de Iniciação Científica/CNPq. E-mail: [email protected]
2
Graduando em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO, Campus Cedeteg,
Guarapuava/PR. Bolsista de Iniciação Científica/Fundação Araucária. E-mail: [email protected]
ISSN 2176-1396
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Introdução
Atualmente, o estágio nos cursos de licenciatura vem se tornando alvo de diversas
pesquisas dirigentes a temática de formação de professores, tendo em vista que se apresenta
como parte indispensável durante esse processo, na medida em que coloca o acadêmico em
contato com a prática docente, promovendo um diálogo entre teoria e prática durante sua
formação.
Dentro deste contexto, o presente trabalho discute a maneira pela qual o estágio
supervisionado para o ensino fundamental proporciona ao acadêmico realizar uma ligação
entre o teórico, isto é, aquilo que se aprende na universidade, com o prático, aplicando o
conteúdo na sala de aula a partir do uso de diferentes recursos e metodologias de ensino.
Para isso, realizou-se, primeiramente, um embasamento teórico a partir da leitura de
diversos autores que trabalham com a temática, como forma de proporcionar uma abordagem
acerca da importância do estágio supervisionado na formação inicial do professor de
geografia. No decorrer do texto, será feito um relato das experiências vivenciadas durante o
estágio supervisionado para o ensino fundamental realizado no Colégio Estadual Newton
Felipe Albach, em Guarapuava/PR.
O trabalho possui como objetivo intensificar o debate acerca da temática abordada,
através de uma reflexão teórica e do relato de estágio desenvolvido com o ensino
fundamental. Parte-se da justificativa de que analisar a maneira pela qual o estágio é
desenvolvido na escola é de suma importância para se compreender a relevância que este
possui durante a formação do professor de geografia.
Por fim, destacam-se as contribuições que o estágio trouxe aos licenciandos em
geografia, na medida em que promoveu uma leitura de suas próprias práticas docentes, suas
dificuldades e possibilidades enquanto tal, o que sem duvidas refletirá na futura prática do
professor.
Estágio supervisionado e formação inicial: considerações teóricas
Desde a década de 1930, os currículos dos cursos de licenciatura passaram a adotar o
estágio supervisionado como parte indispensável na formação de professores, pois viabiliza
que a formação teórica deve estar entrelaçada a prática docente, permitindo que os futuros
professores possam dar inicio a sua própria prática (MACIEL; MENDES , 2010).
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Na atualidade, o debate acerca do estágio supervisionado vem crescendo em meio a
cursos de formação de professores e em pesquisas relacionadas à temática, tendo em vista que
o professor se apresenta como um importante profissional para com a sociedade. Dessa
maneira, Maciel e Mendes (2010, p.2) atribuem que:
Os estágios supervisionados possuem relevância nos currículos dos Cursos de
Licenciatura no Brasil, uma vez que se constituem oportunidade de vivências
específicas da docência. Estas experiências devem transcender a mera obrigação
curricular assumindo uma função protagonista em meio à formação inicial. Nesta
perspectiva, é importante que se discuta o estágio como espaço de contribuição para
uma formação que privilegie a reflexão crítica; de articulação entre a teoria e a
pesquisa; e de produção de saberes para ensinar.
Assim, o estágio supervisionado é entendido como um momento de prática docente e,
ao mesmo tempo, de aprendizagem. Nesse contexto, nos cursos de licenciatura, os estágios
são vinculados ao componente curricular Prática de Ensino, cujo objetivo é o preparo do
licenciando para o exercício do magistério em determinada área de ensino ou disciplina
(PICONEZ, 1991).
O estágio deve ter como foco desenvolver no acadêmico a capacidade crítica de
compreender sua prática de ensino enquanto mecanismo de transformação social, uma vez
que a escola se apresenta como formadora de cidadãos. Nesse sentido, as atividades realizadas
ao longo desse período devem priorizar o desenvolvimento de metodologias de ensino,
iniciando a construção de sua própria didática. Assim, Piconez (1991 p.18) ao analisar as
observações transcritas no parecer CFE 349/72, analisa que:
[...] a didática compreenderá estudos relativos à metodologia do ensino sob aspectos
de planejamento, de execução do ato docente-discente e de verificação da
aprendizagem, conduzindo à prática de ensino [...] Deverá ainda apreender técnicas
explicatórias que lhe permitam identificar e dimensionar os recursos comunitários,
bem como estagiar em instituições que desenvolvam atividades relacionadas com
sua futura habilitação. Poderá ser anterior, concomitante e posteriormente à didática,
embora não haja dúvidas de que a concomitância tem vantagens sobre as outras
duas, por manter praticamente indissociáveis a teoria e a prática, isto é, o que se
deve fazer e o que realmente se faz.
Ainda segundo Piconez (1991, p. 22) “o espaço de estágio é o eixo que pode articular
a integração teoria-prática entre os conteúdos da parte diversificada e do núcleo comum do
curso de formação de professores e o conhecimento da realidade da sala de aula da escola
pública”.
Dentro desse contexto, torna-se claro a importância do estágio supervisionado nos
cursos de licenciatura, considerando que este tem como finalidade colocar os acadêmicos em
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contato com a prática docente, desenvolvendo atividades relacionadas a essa prática, como:
elaboração de plano de aula, busca de metodologias alternativas no ensino - levando em
consideração que estas devem priorizar a inclusão –, desenvolvimento das atividades em sala
de aula e avaliação.
Nos cursos de Licenciatura Plena em Geografia, os estágios e atividades
complementares fazem parte da necessidade histórica de articulação entre a teoria e a prática,
e entre a pesquisa básica e a aplicada, formando assim um profissional contextualizado
(BRASIL, 2001).
Nesse sentido, segundo o parecer CNE/CES 492/2001 (BRASIL, 2001), que enfatiza
as diretrizes curriculares para os cursos de geografia, esta disciplina é entendida como:
A atual dinâmica das transformações pelas quais o mundo passa, com as novas
tecnologias, com os novos recortes de espaço e tempo, com a predominância do
instantâneo e do simultâneo, com as complexas interações entre as esferas do local e
do global afetando profundamente o quotidiano das pessoas, exige que a Geografia
procure caminhos teóricos e metodológicos capazes de interpretar e explicar esta
realidade dinâmica.
Portanto, dentro da escola a geografia é compreendida como uma disciplina de grande
importância na formação de indivíduos críticos frente a um mundo globalizado e
constantemente transformado. Isso permite que o professor de geografia busque diferentes
metodologias e técnicas de ensino que se construa o senso crítico nos alunos.
O licenciando, durante o estágio supervisionado, deve ter em mente a importância
desta disciplina diante da sociedade. Neste sentido, ao ministrar as aulas, deve-se levar em
consideração as possibilidades e dificuldades dos estudantes, assim como contextualizar o
conteúdo com a realidade dos alunos, para que assim as aulas de geografia se tornem mais
interessantes e significativas.
Em relação a metodologias no ensino em geografia, Vasconcelos, citado por Fantin e
Tauscheck (2005, p.100), analisa que “o encaminhamento metodológico para um conteúdo
e/ou unidade de estudo deve contemplar três momentos: a mobilização para o conhecimento,
a construção do conhecimento e a elaboração e expressão da síntese do conhecimento”.
Estas são questões que devem ser lembradas pelos estagiários e seus orientadores, pois
parte-se do sentido de que ser professor é uma prática social, ou seja, como tantas outras, é
uma forma de se intervir na realidade social, no caso, por meio da educação que ocorre
(PIMENTA; LIMA, 2006). O futuro professor, antes do estágio, deve ter em mente que a
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educação é um elemento de transformação social e que metodologias bem aplicadas e
avaliadas são fatores decisivos dentro desse processo.
Pereira (2012, p.4) ao citar Visentini (2001) afirma que:
O bom professor deve adequar seu curso à realidade dos alunos. Realidade tanto
local (a comunidade, o espaço de vivência e suas características) – nunca se deve
esquecer que os estudos do meio constituem um dos mais importantes instrumentos
da geografia escolar -, como também psicogenética, existencial, social e econômica.
Esses elementos, acerca da importância do professor de geografia e sua prática
docente, devem servir como “guia” durante a realização do estágio supervisionado, tendo em
vista que o esclarecimento em torno destes aspectos, interligados ao acompanhamento do
professor da academia, deve visar à formação de um professor reflexivo, isto é, que leve em
consideração a importância de sua prática e de sua constante atualização.
Ainda dentro desse pressuposto, segundo Oliveira (2009, p.6):
A busca pela qualidade do ensino deve ser uma constate na vida do professor de
geografia, quando se coloca o uso dos recursos didáticos, tais como: documentários,
filmes, músicas, cartilhas educativas, cordéis, mapas temáticos, imagens de satélites
e outros. Evidencia-se que estes recursos, com o uso do livro didático, propiciam ao
professor adotar metodologias mais participativas.
Dessa forma, o autor nos traz um debate um pouco mais aprofundado em torno de
metodologias alternativas no ensino, não somente em geografia, mas sim em todas as
disciplinas em que o conteúdo permita tal utilização. Durante o estágio, a busca de diferentes
recursos e metodologias de ensino devem ser algo constante, pois é um momento de
exploração e descobrimento de “práticas” e de “técnicas”.
Voltando ao debate em torno do estágio supervisionado, segundo Pimenta e Lima
(2006, p.7):
O exercício de qualquer profissão é prático, no sentido de que se trata de aprender a
fazer ‘algo’ ou ‘ação’. A profissão de professor também é prática. E o modo de
aprender a profissão, conforme a perspectiva da imitação, reprodução e, às vezes, da
re-elaboração dos modelos existentes na prática, consagrado como bons.
Assim, os autores reforçam a importância do estagio supervisionado nos cursos de
formação de professores, pois é a partir disso que o futuro professor inicia seu perfil
profissional, permitindo o primeiro contato enquanto docente na sala de aula, planejando e
aplicando sua prática.
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Outro fator importante é a oportunidade do licenciando conhecer a realidade escolar e
a geografia escolar enquanto professor. Isso o permite se posicionar criticamente frente a
determinados fenômenos, problematizando e buscando maneiras de tornar a escola e a
disciplina de geografia mais interessante para os alunos.
Com relação a isso, Piconez (1991, p.28) cita Saviani (1983) analisando que
“problematizando a prática, trata-se de detectar que questões precisam ser resolvidas no
âmbito da prática social e da escola, em consequência, o que é preciso dominar e
transformar”. Portanto, o estágio supervisionado não se caracteriza apenas como uma
experiência a ser realizada, e sim como um momento de reflexão acerca da prática docente, da
escola e da questão social, tendo em vista que direta ou indiretamente um influencia no outro.
Neste sentido, Piconez (1991, p.24) enfatiza que:
A problematização da prática desenvolvida coletivamente pelas diferentes
disciplinas do currículo, portanto, articuladas, podem assegurar a unidade, favorecer
a sistematização coletivas de novos conhecimentos e preparar o futuro professor
para compreender os estruturantes do ensino e os determinantes mais profundos de
sua prática, com vistas a sua possível transformação.
Dessa forma, ficou claro que o estágio supervisionado é de suma importância nos
currículos dos cursos de licenciatura, pois viabiliza um rol de experiências que permitem ao
aluno construir sua prática docente e realizar uma leitura crítica frente à organização escolar e
à disciplina que ministra. Para encerrar o debate, nas palavras de Piconez (1991, p.25):
A aproximação da realidade possibilitada pelo Estágio supervisionado e a prática de
reflexão sobre essa realidade tem se dado numa solidariedade que se propaga para os
demais componentes curriculares do curso [...] Daí a razão de ser um movimento na
direção da prática-teoria-prática recriada. O processo de conscientização inicia-se
com o desvelamento da realidade.
Neste primeiro momento teve-se como intuito realizar um breve debate teórico em
torno da importância do estágio supervisionado para na formação do professor de geografia.
Para tanto, buscou-se uma reflexão fundamentada em torno do estágio e a maneira pela qual
este contribui na construção da didática do futuro professor, assim como permite ao
licenciando uma leitura crítica e reflexiva acerca da escola.
A seguir, será apresentado o relato de experiência que se deu ao longo do estágio
supervisionado para o ensino fundamental durante o quinto período do curso de Licenciatura
Plena em Geografia, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, campus Cedeteg,
Guarapuava/pr.
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Estágio Supervisionado: descrevendo a escola e as experiências em sala de aula
O estágio supervisionado foi realizado no Colégio Estadual Newton Felipe Albach –
EFM, situado no centro da cidade de Guarapuava, no estado do Paraná. O colégio foi criado
sob decreto do governo do Estado no ano de 1962, iniciando suas atividades no ano de 1972,
funcionando primeiramente apenas com o 1º grau, em prédio próprio.
Atualmente, o colégio oferece todas as séries do Ensino Fundamental e Médio, além
do CELEM – Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (que atende os alunos e a
comunidade em geral), sendo que o ensino fundamental é ofertado no período da manhã e
tarde, o ensino médio de manhã e a noite e o CELEM de tarde e a noite.
A entrega da carta de apresentação e do termo de compromisso ao colégio ocorreu no
dia 13 de abril de 2015. A turma escolhida para a realização do estágio foi o 7ºB, período da
tarde, com um total de 35 alunos. A conversa com a professora responsável ocorreu neste
mesmo dia.
Os estágios iniciaram-se no dia 14 de abril, porém, uma situação atípica ocorreu. Na
segunda semana de estágio veio à informação de que os professores da rede estadual do
Paraná decidiram em assembleia pela retomada da greve do setor (a greve iniciou-se em
fevereiro, durou cerca de um mês e foi suspensa até 24 de abril, retomando novamente a partir
deste dia).
A duração da greve da rede estadual de ensino foi aproximadamente de dois meses, e
os estágios foram então retomados no dia 30 de junho. Foram realizadas três aulas de
observação e nove aulas ministradas, resultando num total de treze aulas.
Análise do projeto político pedagógico (PPP) do colégio
Para compreender melhor a realidade do colégio e seus objetivos, é importante
conhecer o projeto político pedagógico (PPP) que norteia as suas atividades. Para isto, será
aqui apresentada uma breve análise deste documento.
O ultimo PPP do Colégio Estadual Newton Felipe Albach – EFM foi escrito no ano de
2012. Nele encontram-se informações gerais sobre o colégio, o perfil dos alunos nele
matriculados e também seus objetivos enquanto instituição de ensino.
Analisando essas informações, observou-se que o colégio atende alunos de cerca de 22
bairros diferentes, tanto os mais valorizados socioeconomicamente, como de bairros mais
carentes.
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Dentre os programas ofertados pelo colégio, destacam-se a Sala de Apoio, Sala de
Recursos, FICA – (para alunos ausentes), o já mencionado CELEM, a Feira Com Ciência,
Estágio não obrigatório dos alunos da UNICENTRO e Faculdades locais com
acompanhamento dos professores das disciplinas. O Colégio também atende os componentes
da Universidade sem Fronteiras com trabalhos ligados à Filosofia. PAC, ENEM.
O colégio coloca como um de seus objetivos principais a integração com a
comunidade que está inserida, conforme o PPP (COLÉGIO..., 2012, p.12):
A democratização do ensino público da educação básica, levou o colégio a sentir
necessidade de proporcionar mais espaços de ações pedagógicas, variadas e
inclusivas, visando uma maior participação e inclusão dos alunos e da própria
comunidade em que a escola está inserida.
Outro ponto destacado é o de não somente ensinar conteúdos aos alunos, mas também
torná-los verdadeiros cidadãos que conheçam a realidade em que vivem e possam atuar nela.
Uma informação importante a ser mencionada, e que consta no PPP, é a de que o
colégio funciona em parceria com o município, ou seja, parte das salas é ocupada pela rede
municipal de ensino. Tal realidade acaba trazendo algumas limitações ao colégio Newton
como, por exemplo, a inexistência Laboratório de Ciências, Química e Biologia, sendo esta
uma necessidade a ser suprida.
O colégio possuía, no ano em que foi escrito o PPP, um total de 77 funcionários e 450
alunos.
As atividades desenvolvidas em sala de aula
Durante o estágio, buscou-se a utilização de métodos de ensino que valorizassem as
características de cada aluno, levando em consideração suas dificuldades e as suas virtudes.
Para isto, foram realizadas atividades diversas, algumas descritivas, outras objetivas, orais, de
pintura, bem como dinâmicas. Com isto, constatou-se que realmente cada aluno tinha mais
facilidade em determinado tipo de atividade e dificuldade em outras, variando de um pra
outro. Ou seja, com as atividades que foram trabalhadas, a turma em geral teve oportunidade
de mostrar o seu melhor em algum momento, minimizando as injustiças avaliativas.
Já na explicação do conteúdo, muitos recursos audiovisuais, como datashow e música,
foram utilizados para possibilitar a compreensão da maioria dos alunos, levando em conta
suas especificidades, como citado anteriormente. Observou-se, também, que os alunos de uma
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forma geral prestaram mais atenção na explicação do conteúdo quando tais recursos foram
utilizados.
A aula dialogada é outro fato que merece destaque neste relato. No decorrer da
explicação do conteúdo foi instigada a participação dos alunos através de perguntas orais que
eram destinadas a toda a turma após a abordagem de determinado tema. Os alunos tinham
liberdade para se expressar a qualquer momento ou retirarem suas duvidas. O resultado desta
experiência foi positivo e motivou que esta metodologia fosse utilizada durante todos os dias
lecionados.
Na primeira semana de trabalho (ainda antes da greve), como era apenas uma aula, no
dia 22 de abril, optou-se por relembrar os conteúdos trabalhados pela professora na última
aula, reforçando os conceitos, tendo em vista que os alunos dessa idade estão apenas no início
de uma fase diferente, sendo, portanto, de grande importância que eles compreendam os
significados dos novos assuntos que virão a ser trabalhados futuramente, facilitando o
aprendizado. Ao final da aula fizemos uma atividade simples, de pintura, a qual eles puderam
levar para terminar em casa com auxilio dos pais.
Na segunda semana de estágio (já depois da greve), eram duas aulas seguidas no dia
30 de junho e uma aula no dia 01 de julho. Relembramos o que foi estudado antes da greve,
visto que foi um período muito longo, e iniciou-se um novo conteúdo que tratava a respeito da
população brasileira. Ao final da aula optou-se por uma dinâmica na qual a turma foi dividida
em dois grupos em que eles deviam responder perguntas que eram feitas através de um
sorteio. O resultado desta experiência foi um sucesso, os alunos fixaram o conteúdo das
ultimas aulas, participaram e tornaram este dia muito produtivo e leve. No dia seguinte, como
era apenas uma aula, deu-se continuidade ao tema que estava sendo trabalhado na aula
anterior, sempre explorando os mapas e gráficos do livro didático.
Na terceira semana de estágio, nos dias 07 e 08 de julho, no início novamente
relembrou-se o que foi discutido nas aulas anteriores. Após isto, um novo conteúdo começou
a ser trabalhado, movimentos migratórios, e ao final da aula optou-se por fazer uso de uma
música que tinha relação com o conteúdo estudado com o intuito de utilizar recursos mais
dinâmicos e tornar a aula mais agradável. Na aula do dia seguinte uma pequena avaliação
escrita foi aplicada aos alunos, na qual eles poderiam utilizar como auxilio o livro didático e o
caderno.
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Por fim, na ultima semana de aula, no dia 13 de julho, surgiu a ideia de fazer uma aula
diferente, explorando os mesmos temas trabalhados durante todo o estágio, porém a nível
local, estudando a realidade do estado do Paraná e da região de Guarapuava em especial.
Foi preparada uma aula com slides, contendo muitos mapas e fotos de lugares que os
alunos pudessem reconhecer como parte de seu dia a dia. Sempre fazendo relação com os
temas das aulas. Durante a explicação os alunos ficavam com olhos atentos, muitos se
manifestaram para fazer comentários e tirar dúvidas. Ou seja, quando se trabalha o conteúdo
relacionando com a realidade que os alunos já vivenciam, tudo se torna mais interessante.
De forma geral, pode-se dizer que apesar de ser uma turma muito grande
(aproximadamente 35 alunos) e, diga-se de passagem, muito “agitada”, os alunos tinham
grande potencial, curiosidade e interesse pelo conteúdo. Tudo isso foi despertado fazendo uso
de métodos diferentes daqueles tradicionais, utilizando para isso atividades variadas e,
principalmente, tornando as aulas menos monótonas. Cada aula era diferente e com algum
elemento novo.
Considerações finais
O estágio supervisionado caracteriza-se como uma disciplina fundamental no processo
de formação de professores. Sem a experiência em sala de aula, o aluno da graduação
concluiria o curso apenas com uma porção de teorias em sua cabeça, as quais ele não
conseguiria associar com a realidade, ou seja, com a “vida real” de uma escola.
É neste sentido que se fala da teoria e da prática como uma dupla fundamental na
formação de profissionais de qualidade. Com a prática, percebe-se na pele as dificuldades de
dominar uma turma, de trabalhar com a ausência de recursos importantes na escola e planejar
as aulas de maneira que o conteúdo se torne interessante para os alunos.
Cabe ressaltar aqui neste relato a importância do estágio de observação antes de
começar efetivamente a ministrar as aulas. Com ele é possível conhecer um pouco da
realidade dos colégios e dos alunos e perceber a dificuldade dos professores em lecionar.
Depois disso é a vez de “trocar de papéis” e assumir a responsabilidade de ministrar as aulas,
porém, já com um conhecimento prévio do que está por vir.
Pois bem, será que o estágio caracteriza-se apenas como algo que torna claro as
dificuldades e os problemas em lecionar? De forma alguma. O estágio mostra muitas coisas
boas que muitas vezes as teorias não nos mostram. Por exemplo, como é gratificante perceber
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que os alunos estão atentos às explicações, que estão envolvidos com as aulas e como
conseguiram compreender o conteúdo.
A experiência no Colégio Estadual Newton Felipe Albach foi, sem dúvidas,
extremamente importante no aperfeiçoamento das técnicas, na superação de dificuldades e,
portanto, possibilitando que professores mais qualificados e experientes sejam formados.
REFERÊNCIAS
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Socias, Letras, Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. Diário Oficial da União,
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