38 / CACHOEIRA DO SUL 2005
255 anos de O
civilização
município de Cachoeira
do Sul possui sua origem
ligada a um dos Sete Povos
das Missões, a grande
Estância de São Luiz
Gonzaga, que, no século
17, prolongava-se pela
parte oriental e margem
esquerda do Rio Jacuí até
o Rio Taquari. Com o
Tratado de Madri, em 1750, Portugal e
Espanha definem suas áreas de domínio
na América. Pelo tratado, a Espanha
trocou os Sete Povos das Missões, na
margem esquerda do Rio Uruguai, pela
Colônia do Sacramento dos portugueses.
Essa decisão foi tomada pelos reis de
Portugal e Espanha, sem levar em
consideração os interesses dos jesuítas e
seus catequizados.
Em 1754, os índios missioneiros se
revoltam contra os espanhóis,
portugueses e os padres, devido às novas
condições impostas pelo tratado,
ocasionando o conflito denominado como
Guerra Guaranítica, entre 1754 e 1756.
Vencidos, os índios são obrigados a
abandonar as reduções. Muitos voltaram
para a margem direita do Rio Uruguai,
outros passaram a viver da forma
primitiva e alguns, levados pelos
portugueses, ajudaram a criar várias
aldeias, como a de São Nicolau da
Cachoeira.
Antes disso, já em 1750, se efetivava o
povoamento de Cachoeira através da
doação de sesmarias a soldados
portugueses. Estes receberam vastas
extensões de terras com grande número
de cabeças de gado xucro da Vacaria del
Mar, formando-se as primeiras estâncias
bovinocultoras. Em 1753, começaram a
chegar os açorianos. Eles se
estabeleceram nas margens do Rio Jacuí
em pequenas propriedades
minifundiárias.
Primeiros
soldados
portugueses
acamparam nas
margens do
Jacuí em 1750
Soldados portugueses
Este é o ano em que efetivamente
iniciou o povoamento de Cachoeira do
Sul. Soldados portugueses foram assentados como segurança ao cumprimento
do Tratado de Madri (que consolidou a
região de Cachoeira como território da
colônia portuguesa). Receberam sesmarias
povoadas por gado xucro, formando as
primeiras estâncias.
1753
LINHA DO TEMPO
LINHA DO TEMPO
1750
Casais açorianos
Chegam os casais
açorianos. Seu objetivo
era a região das Missões,
mas acabaram espalhandose por todo o Rio Grande
do Sul. Um grupo
estabeleceu-se nas
margens do Rio Jacuí em
pequenos minifúndios.
CACHOEIRA DO SUL 2005 / 39
A guerra dos farrapos no centro do Rio Grande do Sul
OS REVOLUCIONÁRIOS
OS FARROUPILHAS
n Antônio Vicente da Fontoura
n José Gomes Portinho
n Bento Martins de Menezes
n Manoel Fernandes
n Dornelles
n Manduca Carvalho
n Noé Antônio Ramos
n Gaspar Francisco Gonçalves
n Frutuoso Borges da Silva Fontoura
n Tristão da Cunha e Souza
n João Nunes da Silva
n Olivério José Ortiz
n José Carvalho Bernardes
n Luiz Carvalho da Silva
n Policarpo Pereira de Carvalho e Silva
OS LEGALISTAS
n Hilário Pereira Fortes
n Gabriel Gomes Lisboa
n Francisco José da Silva Moura
OS REGISTROS
A revolução em Cachoeira
ESTÂNCIA DA CAPELINHA
Construção antiga, no Capané, serviu de refúgio às tropas legalistas
derrotadas no Passo Real do Capané.
ESTÂNCIA DO LAJEADO
Local de estacionamento de tropas, abriga hoje armas, móveis e outros objetos
da época.
das historiadoras cachoeirenses Ione
Sanmartin Carlos e Angela Schuh.
Antônio Vicente ainda exerceria
1769
LINHA DO TEMPO
n José Pereira da Silva Goular
n Manuel Álvares dos Santos Pessoa
n Felisberto Machado de Carvalho
PASSO REAL DO CAPANÉ
No Piquiri, em 2 de março de 1836, acontecia combate entre os farroupilhas
de João Manoel e Lima e Silva e legalistas de Bento Manoel Ribeiro. Até
hoje lá existe um marco comemorativo.
Aldeamento indígena
Recolhidos pelos portugueses, alguns índios
missioneiros foram aldeados nas proximidades
do Cerro do Botucaraí, transferidos depois
para o Passo do Fandango, onde construíram
uma pequena capela dedicada a São Nicolau
no local onde hoje está o Bairro Aldeia. É nessa
época que o povoamento começa a ser chamado
de Cachoeira, devido às quedas d’água no leito
do Rio Jacuí.
importante papel na pacificação final, em
1845, negociando a rendição dos
farrapos.
1779
LINHA DO TEMPO
Quando o Rio Grande do Sul,
abastecedor de charque para o mercado
interno do país, passou a ser prejudicado
por medidas do Governo central, deu-se
início à Revolução Farroupilha, a maior
epopéia dos gaúchos. Os grandes
estancieiros, apesar da situação tranqüila
de posse de terras e da posição estratégica
do Rio Grande do Sul, não aceitavam o
sistema tributário, principalmente o
imposto sobre o charque, maior até do
que a carne importada do Prata.
A insatisfação acabou levando o Rio
Grande do Sul para uma revolução
republicana. Cachoeira aderiu de
imediato e em 23 de setembro os líderes
Antônio Vicente da Fontoura, Gaspar
Francisco Gonçalves e Manduca Carvalho
já comandavam tropas a Rio Pardo para
garantir a posse do governador indicado
pela Revolução Farroupilha, denominação da revolta.
Os farroupilhas cachoeirenses
viveram momentos de festa e reconhecimento inclusive da Câmara Municipal.
Um ano depois, os cachoeirenses eram
atacados pelas tropas imperiais de Bento
Manoel Ribeiro, mas Antônio Vicente,
agora chefe de polícia da Vila de Rio
Pardo e Cachoeira, resistia e garantia a
realização na Câmara Municipal de
sessões sob regime republicano
farroupilha. Em 1839, Cachoeira
prestava juramento à República
Farroupilha. José Carvalho Bernardes era
o procurador-geral do município junto
ao governo farroupilha.
As tropas imperiais só dominaram os
cachoeirenses em 1840, quando a
brigada legalista de Antônio de Medeiros
Costa restabeleceu o regime monárquico
na vila. Em 11 de junho, a Câmara
Municipal reconhecia Pedro II como
imperador do Brasil, segundo registros
Freguesia da Conceição
A Capela de São
Nicolau passa a se
chamar Freguesia de
Nossa Senhora da
Conceição, às margens
do Rio Jacuí.
40 / CACHOEIRA DO SUL 2005
Quem governou
Cachoeira do Sul
1892 Olympio Leal, nomeado
intendente
1893 David Barcelos é eleito
intendente
1897 David Barcelos é reeleito
1901 David Barcelos é novamente
reeleito
1904 Viriato Vianna, nomeado e um
mês depois confirmado nas urnas
1906 Cândido Freitas, vice eleito,
assume a Intendência
1908 Isidoro Neves da Fontoura
assume como eleito
1912 Alfredo Cunha, subintendente,
assume a Intendência
1912 Horácio Borges, viceintendente, assume o poder
1912 Balthazar de Bem assume como
intendente eleito
1916 Francisco Nogueira da Gama
assume como intendente eleito
1920 Annibal Loureiro é nomeado
intendente
1920 Annibal Loureiro mantém-se
como intendente, agora eleito
1924 Francisco Fontoura Nogueira da
Gama, eleito intendente
1925 João Neves da Fontoura, vice
eleito, assume a Intendência
1928 Carlos Nogueira da Gama
assume como subintendente
1928 José Carlos Barbosa assume
como intendente eleito
1930 Leopoldo Souza assume como
prefeito nomeado
1932 Aldomiro Franco assume como
prefeito nomeado
1935 Aldomiro Franco segue como
prefeito, agora eleito
1938 Reinaldo Roesch assume como
prefeito nomeado
ATUAL PREFEITO, Marlon Santos,
observado pela galeria de ex-prefeitos
C
om três mandatos na
virada do século, David
Barcelos é o governante
que mais tempo
comandou Cachoeira do
Sul, um total de 12
anos. Próximo dele
somente o médico Ivo
Garske, o político vivo
que mais tempo
governou a cidade, 10 anos, soma de
dois mandatos eletivos, um de seis
anos e outro de quatro. Também
eleito pelo povo, Arnoldo Fürstenau
soma nove anos no poder. O prefeito
que se despediu em 2004, Pipa
Germanos, esteve à frente do
Município por oito anos em dois
mandatos. Com seis anos no
comando da cidade estão Aldomiro
Franco (nomeado de 32 a 34 e eleito
de 35 a 37), Cyro da Cunha Carlos
(nomeado) e Júlio Cezar Caspani
(eleito).
LINHA DO TEMPO
1820
A vila se
emancipa
Em 5 de agosto, Cachoeira ganhava sua autonomia políticoadministrativa, tornando-se o quinto município do Rio Grande do Sul. Era
um centro regional de progresso, impulsionado por tropas e viajantes que
enriqueciam o seu comércio. O nome oficial passava a ser Vila Nova de São
João da Cachoeira. Faziam parte de Cachoeira os futuros municípios de
Santa Maria, Alegrete, Livramento, São Gabriel e Caçapava. O município
foi dividido em 10 distritos: Cachoeira, São Nicolau, Cruz Alta, Piquiri,
Irapuá, São Lourenço, São Rafael, Formigueiro, Estiva e Águas Mornas.
1939 Cyro da Cunha Carlos, vice
nomeado, assume
a Prefeitura
1945 Alfeu Escobar assume como
prefeito nomeado
1945 Jacinto Filho, vice nomeado,
assume a Prefeitura
1946 Cyro da Cunha Carlos assume
como prefeito nomeado
1947 Mário Godoy Ilha assume como
prefeito nomeado
1947 Liberato Vieira da Cunha assume
como prefeito eleito
1950 Frederico Gressler, vice eleito,
assume a Prefeitura
1951 Virgilino Zinn assume como
prefeito eleito
1954 Henrique Ghignatti, vice eleito,
assume a Prefeitura
1955 Virgilino Zinn reassume a
Prefeitura
1955 Arnoldo Fürstenau assume como
prefeito eleito
1959 Moacyr Roesing assume como
prefeito eleito
1964 Arnoldo Fürstenau assume como
prefeito eleito
1969 Honorato Santos assume como
prefeito eleito
1973 Pedro Germano assume como
prefeito eleito
1977 Júlio Cezar Caspani assume
como prefeito eleito
1983 Ivo Garske assume como
prefeito eleito
1989 Acido Witeck assume como
prefeito eleito
1993 Ivo Garske reassume como
prefeito eleito
1997 Pipa Germanos assume como
prefeito eleito
2001 Pipa Germanos assume como
prefeito reeleito
2005 Marlon Santos assume como
prefeito eleito
1833
LINHA DO TEMPO
OS PREFEITOS
Um cemitério
para a cidade
Inaugurado o
Cemitério das
Irmandades. Até
então, os
sepultamentos eram
feitos na Igreja da
Conceição.
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Soldados portugueses Casais açorianos