ISBN 978-85-8015-054-4
Cadernos PDE
VOLUME I
Versão Online
2009
O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS
DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE
O USO DA TRADUÇÃO NO ENSINO DA LÍNGUA INGLESA EM AMBIENTES
VIRTUAIS
Autor: Flávio Lopes Sanches1
Orientadora: Ms. Rosangela Aparecida Alves Basso2
Resumo
O presente artigo tem como objetivo analisar o uso da tradução no ensino da
língua inglesa em ambientes virtuais. O acesso à internet tem exigido um
cidadão cada vez mais participativo, e considerando as novas tecnologias e a
necessidade de formar um cidadão mais consciente com plenas condições de
acessibilidade a este novo mundo, o virtual é também papel da escola. A
linguagem é um fator de suma importância para que possa acontecer o
desenvolvimento intelectual e mental de um indivíduo, pois exerce uma função
organizadora e planejadora do pensamento. O uso da internet e o freqüente
acesso a sites de língua estrangeira, mas comumente, a língua inglesa, faz com
que nossos alunos pratiquem cada vez mais a tradução. Neste sentido este
trabalho tem como objetivo analisar o uso da tradução em ambientes virtuais. Os
sujeitos da pesquisa foram escolares do 2º ano do ensino médio. A pesquisa foi
realizada no laboratório de informática. O presente trabalho envolveu práticas de
leituras em ambientes virtuais, tais como blog e com aulas interativas via web,
onde foram realizados debates e reflexões sobre o tema apresentado formando
opiniões, trabalho com texto, atividades interativas via web e atividades de
estudos lingüísticos. Com isto, foram alcançados bons resultados, como:
interesse pelo tema; prática de leitura em ambientes virtuais; visão de mundo;
aprendizagem em ambientes virtuais; aprimoramento da capacidade crítica e
argumentativa dos alunos, formando suas opiniões críticas.
1 Flávio Lopes Sanches
Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá. e-mail:
[email protected]
2 Rosângela Alves Basso
Professora departamento de Letras na UEM-Universidade Estadual de
Maringá
Palavras-chave: Tradução. Língua inglesa. Ambientes virtuais.
1 Introdução
O processo de globalização e as novas tecnologias criaram profundos
impactos na formação do conhecimento.
O jovem está conectado à internet por um grande período do dia, e
como as informações chegam tão rápidas como o pensamento, estas
informações tem que ser processadas e interpretadas rapidamente.
O processo de ensinar e aprender,nos faz pensar em novas formas de
letramentos. E assim, a linguagem, o texto e as normas discursivas estão sendo
rapidamente expandidos e reinventadas, em resposta às novas mídias e redes
globais, permeadas pela linguagem.
Desta forma e de acordo com as Diretrizes Curriculares Estaduais –
DCEs (2009), o ensino da Língua Inglesa deve ser pautado pelo uso de textos
de variados gêneros como ponto de partida, de forma que consigam desenvolver
no aluno a prática da leitura crítica, levando-o a reagir aos textos e assim formar
sua própria opinião.
Porém, sabe-se das dificuldades em envolver o aluno na
prática da leitura reflexiva em sala de aula, pois se percebe que o aluno se
preocupa apenas com a tradução ao pé da letra e não com a compreensão do
texto, o que leva à necessidade de novas iniciativas para o trabalho com a
leitura, nas aulas de língua Inglesa.
Tendo em vista que a língua inglesa é o idioma dos ambientes virtuais, e
ainda é a situação real da prática de leitura em língua inglesa, o trabalho
desenvolvido no projeto “O uso da tradução no ensino de Língua Inglesa em
ambientes virtuais” envolveu práticas de leituras em ambientes virtuais, tais
como blog e com aulas interativas via web, como forma de fomentar o interesse
do aluno pelo conteúdo e fazer com que as aulas de Língua Inglesa ganhem um
novo sentido, promovendo assim, a construção do conhecimento, na intenção de
formar cidadãos mais críticos, capazes de transformar suas realidades.
Desta forma, desenvolver estratégias de leitura não linear em ambientes
virtuais promovendo situações de apresentações reais do uso e reconhecimento
do gênero visando promover a capacidade de leitura crítica e a construção do
conhecimento foram os objetivos deste trabalho.
2 O Ensino de Língua Inglesa
2.1 Breve contexto histórico
De acordo com Cestaro (2011, p. 01 apud DANTAS, 2010) “sejam quais forem
as razões – econômicas, diplomáticas, sociais, comerciais ou militares –, a necessidade
de entrar em contato com falantes de outro idioma é muito antiga”.
Percebemos que, a procura por uma língua estrangeira tem crescido
rapidamente,no caso o inglês tem sido mais procurado por ser uma língua mundial e
comercial,dominando assim o mundo virtual. Nicholls(2001,p.85)afirma que:
Podemos discernir três momentos históricos no ensino da gramática,
caracterizados por modelos que podem chegar a ser radicalmente
opostos. Os procedimentos e as técnicas, bem como os objetivos
subjacentes de cada modelo, denotam perspectivas diferentes ou
contrastantes, próprias de cada abordagem do ensino de língua
estrangeira.
Para Dantas (2010), pode-se notar que a metodologia de ensino de uma
determinada língua estrangeira moldou-se a realidade de determinada época. Contudo,
após várias modificações, firmaram-se algumas formas de ensino de língua estrangeira:
A partir do século XVIII, no entanto, os textos em língua estrangeira tornam-se
objeto de estudo; os exercícios de versão/gramática passam a substituir a forma
anterior de ensino que partia de frases isoladas tiradas da língua materna. É com base
nesse modelo de ensino que o século XVIII assistirá à consagração do chamado
“método gramática-tradução” mais comumente chamado “tradicional” ou “clássico”.
(CESTARO, 2011, p. 02 apud DANTAS, 2010)
A primeira e mais antiga metodologia que vigorou,exclusiva,até o início só século
xx,era o de transmitir um conhecimento sobre a língua,permitindo o acesso a textos
literários e a um domínio da gramática normativa(DANTAS,2010.)Ainda, de acordo com
Cestaro (2011, p. 04 apud DANTAS, 2010)):
Os alunos recebiam e elaboravam listas exaustivas de vocabulário. As
atividades propostas tratavam de exercícios de aplicação das regras de
gramática, ditados, tradução e versão. (…) Pouca iniciativa era
atribuída ao aluno; a interação professor/aluno era praticamente
inexistente. O controle da aprendizagem era, geralmente, rígido e não
era permitido errar.
Podemos perceber que nesta época o professor detinha o poder,como
autoridade.O aluno só obedecia ás ordens do professor sem questionar,deixando o
aprendizado comprometido. Sabemos que atualmente há educadores que se utilizam
desse recurso de ensino .Até aproximadamente a década de 40, o principal objetivo da
aprendizagem da língua estrangeira era o ensino do vocabulário.
Cestaro (2011, p. 04 apud DANTAS, 2010)) ainda diz que “o professor
continuava no centro do processo ensino – aprendizagem. Ele era o guia, o “ator
principal” e o “diretor de cena”. Era o professor que servia de modelo lingüístico ao
aprendiz. Não havia praticamente nenhuma interação entre os aprendizes.
Atualmente
com
a
globalização
as
sociedades
se
relacionam
atravessando fronteiras sociais e culturais, o aluno deve estar preparado para
comunicar-se ou informar-se pelo menos através da leitura de textos, ampliando
seu conhecimento e comparando sua própria cultura com as outras (Kszan,
2009).
Podemos perceber que com a globalização, o aprendizado da língua inglesa tem
ser tornado essencial para que o indivíduo possa interagir com o mundo em que ele
vive e faz parte.
De acordo com Paiva (2005, p. 18 apud CONCEIÇÃO, 2010):
Aprender a língua inglesa hoje é tão importante como aprender uma
profissão. Esse idioma tornou-se tão necessário para a vida atual que,
para conseguirmos aprimorar qualquer atividade profissional, seja no
campo da medicina, da eletrônica, física, etc. , temos de saber falar
inglês (…). Hoje, o inglês tornou-se o mais importante e essencial
idioma do século XX.
Atualmente, aprender a língua inglesa hoje é de suma importância. O inglês está
inserido no nosso cotidiano e acaba influenciando na linguagem materna de
determinados locais. Contudo, em nosso país, o ensino da língua inglesa em sala de
aula tem encontrado algumas dificuldades como aponta Bassetti (2006, p. 28):
“A preocupação com as metodologias utilizadas em sala de aula surge
ao longo da história do ensino de línguas, na qual se procurava o
melhor método ou uma abordagem que fosse adequada. Estes
conceitos encontram-se ligados a processos históricos e sociais que
são refletidos no ensino de línguas, os quais se baseiam cada um em
uma determinada visão de língua, linguagem, ensino e aprendizagem,
de técnica e de materiais, que se enquadram em uma abordagem.”
Cada método e abordagem devem ser adequados de acordo com a necessidade
de cada educador, preocupando-se com a
aprendizagem de seus educandos.
Sabemos que muitas vezes isto não acontece.
De acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) de língua
estrangeira, no que se refere à perspectiva educacional diz:
A aprendizagem de Língua Estrangeira contribui para o processo
educacional como um todo, indo muito além da aquisição de um conjunto
de habilidades lingüísticas. Leva a uma nova percepção da natureza da
linguagem, aumenta a compreensão de como a linguagem funciona e
desenvolve maior consciência do funcionamento da própria língua
materna. Ao mesmo tempo, ao promover uma apreciação dos costumes
e valores de outras culturas, contribui para desenvolver a percepção da
própria cultura por meio da compreensão da(s) cultura(s) estrangeira(s).
(PCN, 1998, p. 37).
Notamos que o ensino de língua estrangeira deve contribuir para a formação
individual e coletiva dos discentes, desenvolvendo sua capacidade intelectual e
despertando-os para o aprendizado de uma nova língua, para que se tornem cidadãos
críticos, mas que saibam respeitar as diversidades existentes no mundo de que eles
fazem parte, indo muito além de repetição de palavras (DANTAS, 2010).
Ainda de acordo com os PCNs:
Nesse sentido, a aprendizagem do inglês, tendo em vista o seu papel
hegemônico nas trocas internacionais, desde que haja consciência
crítica desse fato, pode colaborar na formulação de contradiscursos em
relação às desigualdades entre países e entre grupos sociais (homens
e mulheres, brancos e negros, falantes de línguas hegemônicas e nãohegemônicas etc.). Assim, os indivíduos passam de meros
consumidores passivos de cultura e de conhecimento a criadores
ativos: o uso de uma Língua Estrangeira é uma forma de agir no
mundo para transformá-lo. A ausência dessa consciência crítica no
processo de ensino e aprendizagem de inglês, no entanto, influi na
manutenção do status quo ao invés de cooperar para sua
transformação. (PCN, 1998, p. 40)
Sabemos que para que haja aprendizagem o aluno tem que estar motivado a
aprender,independente da metodologia a ser utilizada.O aluno precisa se engajar no
processo tem de “aprender a aprender” e ser capaz de assumir uma parte de
responsabilidade por sua aprendizagem (DANTAS, 2010).
Temos conhecimento que,independentemente de qual seja a metodologia
adotada visando sempre fazer com que os educandos despertem o gosto, a vontade de
aprender uma segunda língua, fazendo com que o processo de aprendizagem seja o
mais eficaz possível.
Diante isto, e segundo as DCEs (2009), a leitura deve ser o ponto de
partida nas aulas de língua inglesa. Assim, os textos devem ser apresentados de
diversas formas e para diversos fins, o que se denomina “gêneros textuais”, o
que faz necessário algumas colocações teóricas do assunto.
De acordo com Scheneuwly e Dolz (2004, p. 97), Durante o momento da
comunicação acontece à adaptação de acordo com a situação, pois uma receita
é de forma diferente de um bilhete, carta, anúncio, etc.. Assim, cada gênero tem
suas especificidades.
Marcuschi (2002) sugere que o trabalho com leitura na sala de aula, deve
oferecer aos alunos a oportunidade de analisar diversos gêneros, para que
possa identificar as individualidades e aplicabilidades de cada um. No entanto,
entende-se que o gênero não deve ser usado apenas como pretexto gramatical,
assim sugere-se atualmente, que o conteúdo seja desenvolvido e programado
em forma de “sequência didática”.
SCHENEUWLY, DOLZ, (2004) definem sequência didática como um
conjunto de atividades escolares organizadas de forma sistemática em torno de
gêneros textuais.
3 O Papel da Escola no Ensino da Língua Inglesa
Geralmente trabalhamos as habilidades linguísticas nas escolas,deixando
os textos de lado,e quando trabalhamos textos ,na maioria das vezes,eles
servem como pretextos para inserirmos aspectos linguísticos,privilegiando-se a
tradução, exercícios de completar lacunas com as estruturas estudadas e a
pronúncia.
Essa visão de língua e do papel do professor, que predominantemente se
percebe na escola pública, vai fortemente de encontro às razões educacionais
mencionadas nos PCN para se aprender e ensinar língua estrangeira na escola
pública: “fazer uso da linguagem para agir no mundo social” (PCN, 1998, p.38):
A aprendizagem de Língua Estrangeira contribui para o processo
educacional como um todo, indo muito além da aquisição de um
conjunto de habilidades lingüísticas. Leva a uma nova percepção da
natureza da linguagem, aumenta a compreensão de como a linguagem
funciona e desenvolve maior consciência do funcionamento da própria
língua materna. Ao mesmo tempo, ao promover uma apreciação dos
costumes e valores de outras culturas, contribui para desenvolver a
percepção da própria cultura por meio da compreensão da(s) cultura(s)
estrangeira(s). O desenvolvimento da habilidade de entender/dizer o
que outras pessoas, em outros países, diriam em determinadas
situações leva, portanto, à compreensão tanto das culturas
estrangeiras quanto da cultura materna. Essa compreensão
intercultural promove, ainda, a aceitação das diferenças nas maneiras
de expressão e de comportamento. (PCN, 1998, p. 37)
O aluno quando vem aprender uma língua estrangeira,no caso o
inglês,traz com ele uma expectativa muito grande de comunicação e de
interação. Mas se depara com conteúdos,muitos vezes, soltos, sem sentido para
ele,ai vem o desinteresse pelo inglês. Percebemos que o aluno que chega no
sexto ano sem conhecimento anterior do inglês, tem uma vontade muito grande
de aprender mas este desejo se perde nos anos seguintes.
O conceito de cidadania é bastante importante, não apenas para o
ensino de língua estrangeira, mas para qualquer disciplina escolar; ele é a base
do trabalho a ser desenvolvido na escola. Conforme as OCEM (2006, p. 91) a
disciplina de língua estrangeira deve ensinar a língua de forma a levar os
educandos “à compreensão do conceito de cidadania, enfatizando-o”. O
documento admite que o conceito seja amplo e heterogêneo, mas que, nas
propostas atuais de ensino, pode-se entender:
...que “ser cidadão” envolve a compreensão sobre que posição/lugar
uma pessoa (o aluno, o cidadão) ocupa na sociedade. Ou seja, de que
lugar ele fala na sociedade? Por que essa é a sua posição? Como veio
parar ali? Ele quer estar nela? Quer mudá-la? Quer sair dela? Essa
posição o inclui ou o exclui de quê? Nessa perspectiva, no que
compete ao ensino de idiomas, a disciplina Línguas Estrangeiras pode
incluir o desenvolvimento de cidadania. (OCEM, 2006, p. 91).
Além das OCEM ( 2006 ) que têm como foco a cidadania, os
PCNS(1998,p.7) também apresentam como um de seus objetivos para o ensino
fundamental que os alunos sejam capazes de “compreender a cidadania como
participação social e política” . Se como educadores um de nossos objetivos
principais é que o ensino de língua estrangeira na escola contribua para que os
educandos tenham uma maior compreensão do conceito de cidadania,
precisamos entender que nossa prática pedagógica deve estar vinculada a
escolhas políticas em vez de escolhas exclusivamente metodológicas.
4 A Mídia no Ensino da Língua Inglesa
É visível a influência que as novas tecnologias exercem sobre a vida do
indivíduo, admitindo-se que seu “... comportamento, sua concepção de mundo, seu
estilo e ritmo de vida, suas expressões e criações, enfim, todo o seu papel social e,
inclusive sua linguagem” (KURY, 2007, p. 191 apud ALVES, 2010) se modificam a partir
do contato com estes aparatos.
Segundo Alves (2010, p ),
o mundo da Internet abre uma infinidade de possibilidades para quem
deseja ampliar seus conhecimentos, mas por outro lado, coloca o
usuário diante de um emaranhado de informações que precisam ser
filtradas antes de serem absorvidas. Neste sentido, a escola tem o
papel fundamental de orientar os alunos a não se dispersarem ao
utilizá-la e aproveitar ao máximo o seu potencial. Entretanto, esta não é
uma tarefa fácil, considerando o estranhamento que a maioria dos
professores demonstra em relação ao manuseio do computador e
menos ainda da Internet.
Este alerta é pertinente porque inserir as Tecnologias de Informação e
Comunicação – TICs no processo educativo não é apenas colocar um aluno à frente de
um computador ou de uma TV para assistir um filme, mas, sobretudo, usar essas
ferramentas com segurança para que por meio delas o educando possa adquirir
saberes que contribuam para o seu crescimento pessoal, intelectual e futuramente,
profissional. (ALVES,2010).
Na Internet as informações são processadas muito rapidamente por isso não há
possibilidade de o indivíduo assimilá-las com a mesma rapidez, em vista disso é
pertinente fazer uma reflexão sobre “como e por que ler”? (HARRY BLOOM apud
KURY, 2007 apud ALVES, 2010).
Para Alves (2010, p ),
Este questionamento traz à tona uma questão que hoje está
preocupando a maioria dos educadores e estudiosos da área: a
verdadeira concepção de leitura. No passado, ler era sinônimo de
decodificação, ou seja, não havia a parceria entre a leitura e a
compreensão, no momento atual, porém, essa visão está bastante
ampliada. Além de decifrar o que está escrito é necessário também
interpretar, opinar, questionar, enfim, se posicionar frente à
determinada situação para que o ato de ler realmente se concretize.
Se o aluno não tem condições de ter essa postura diante de um texto
convencional seu desempenho no ciberespaço também estará comprometido, pois este
oferece uma diversidade de textos que o obriga a selecionar os conteúdos relevantes
para o seu objetivo. Por isso, convém lembrar que Perrenoud (2000, apud ALVES,
2010), afirma que o professor precisa utilizar novas tecnologias com segurança,
referindo-se às ferramentas de pesquisas do computador.
Nós educadores,não podemos ficar a mercê das novas tecnologias e deixar de
aproveitar este espaço para trabalhar com os alunos,muitos professores relutam diante
da dificuldade com o mundo virtual e acabam não desenvolvendo as atividades
relacionadas ao mundo virtual com seus alunos. Essa relutância é compreensível, pois,
as Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs demandam e, ao mesmo tempo,
oportunizam uma mudança de paradigma que não concerne às tecnologias, mas às
aprendizagens. Assim sendo, supõe-se que o docente tenha
… a competência de produzir situações-problema, sob medida‟,
trabalhar com o que está à mão, sem temer o desvio de ferramentas ou
de objetos concebidos para outros fins. Para trabalhar com situaçõesproblema, utiliza-se, por exemplo, de preferência softwares didáticos,
aplicativos (editores de textos, programas de desenho ou de gestão de
arquivos, planilhas e calculadoras) que são os auxiliares diários das
mais diversas tarefas intelectuais (PERRENOUD, 1999, p. 62 apud
ALVES, 2010).
Podemos perceber que,a partir da citação acima a importância de usar as TICs
em sala de aula em situações reais, dando possibilidades ao aluno não de somente
fazer uso delas,mas também ampliar seus conhecimentos. O professor fica apreensivo
diante das cobranças,tanto por parte dos alunos quanto por parte da escola,sente que
está coagido pois não domina toda a tecnologia ,mas sabe que não pode ignorá-la. A
língua Inglesa ganha cada vez mais espaço na área tecnológica, na educação, tendo
em vista que os novos tempos estão mostrando que não pode haver distância
entre ensino e tecnologia. Nós professores precisamos ter no mínimo o
conhecimento dos termos que fazem parte deste mundo virtual,para que
possamos fazer esta interação com os alunos.
5 Ambiente Virtual no Ensino de Língua Inglesa
Segundo Silva( 2009 ) um aspecto que merece destaque é a dimensão de
colaboração tão característica dos AVAs. Pode-se ressaltar o quanto a
aprendizagem de um segundo idioma, no caso, o inglês, requer interação entre
os sujeitos da aprendizagem, e ainda, a colaboração entre estes .
Contudo, os ambientes virtuais colaborativos de aprendizagem, segundo
Bittencourt et al (2004, apud SILVA, 2009) são chamados de “espaços
compartilhados de convivência que dão suporte à construção, inserção e troca
de
informações
pelos
participantes,
visando
à
construção
social
do
conhecimento”
Para Silva (2009, p 167)
pode-se ressaltar, desde já, o quão produtivo torna-se um trabalho na
disciplina de Língua Estrangeira – Inglês por meio da utilização de
Página Virtual, uma vez que pode conceder às aulas de Língua Inglesa
um caráter mais prático, estimulando o trabalho em grupo, a
contextualização dos assuntos abordados, bem como a utilização e o
relacionamento destes ao dia a dia dos alunos envolvidos. Além disso,
os conteúdos e as atividades disponibilizadas num suporte online são
organizados de modo a favorecer a aprendizagem dos alunos, bem
como despertá-los na busca de mais informações pertinentes aos
temas desenvolvidos, bem como a interagirem e interessarem-se pela
aprendizagem de um segundo idioma, no caso o inglês.
Assim, foi possível constatar o quanto os ambientes virtuais de
aprendizagem e a educação à distância podem ser alternativas eficazes e
complementares para o auxílio no ensino/aprendizagem de uma Língua
Estrangeira neste cenário tão carente (e muitas vezes minimizado) das nossas
escolas públicas (SILVA, 2009).
6 Metodologia
Esta proposta de trabalho como parte integrante do programa Plano de
Desenvolvimento Educacional – PDE, foi realizada no Estado do Paraná, na
Universidade Estadual de Maringá em 2009 e 2010.
O desenvolvimento desta deu – se através das seguintes atividades :
elaboração do projeto de intervenção pedagógica juntamente com leituras, a
elaboração da produção didático-pedagógica, a participação, elaboração e a
realização do GTR e a implementação da produção didático-pedagógica na
escola.
O projeto de intervenção pedagógica na escola foi elaborado no 1º
Período de 2009, intitulado “O Uso da Tradução no Ensino da Língua Inglesa em
Ambientes Virtuais”, com o tema “O Inglês Como Ferramenta de Inclusão no
Mundo Globalizado”. O projeto teve como objetivo desenvolver atividades com
a proposta de preparar um cidadão mais consciente e dar condições de
acessibilidade a este novo mundo virtual .E explorar a leitura e a escrita em
ambientes virtuais, podendo a parte oral ser trabalhada também dentro deste
ambiente através do Google-Talk ou na sala de aula fazendo um feedback sobre
o Blog. Este projeto pode ser adaptado para cada realidade de sala de aula
modificando-se de acordo com as expectativas do professor e seus alunos. É
importante utilizar uma literatura que aborde a importância e o acesso geral à
internet e a globalização que tem exigido um indivíduo mais atualizado e
participativo.
7 Implementação na Escola e Resultados Alcançados
Neste item apresentamos a implementação do Projeto Pedagógico “O
Uso da Tradução no Ensino da Língua Inglesa em Ambientes Virtuais”, do
Programa PDE do Estado do Paraná, que l foi desenvolvido no Colégio Estadual
Vinícius de Morais – Ensino Fundamental e Médio, no Município de Maringá.
A intervenção pedagógica foi aplicada com uma turma da 2ª ano do
Ensino Médio, do período noturno .
7.1 Ações realizadas
Estas ações foram elaboradas para a implementação do Projeto de
Intervenção utilizando todo o aprendizado ocorrido ao longo das pesquisas e das
participações em cursos específicos e encontro de área, inserção acadêmica,
seminários, encontros de orientação obtidas através da orientadora da UEM. E
também a Produção Didático-Pedagógica elaborada e composta de várias
atividades vindo ao encontro com os anseios dos alunos.
No primeiro momento o professor fez a apresentação da proposta
pedagógica e a sua implementação aos
pedagogos e os professores.
Ressaltou-se a sua importância no intuito de sanar as dificuldades dos alunos
em desempenhar as tarefas durante as aulas de Língua Inglesa e a necessidade
de proporcionar novas práticas pedagógicas fazendo com que o aluno participe
das leituras de forma crítica e reflexiva. Com a proposta de preparar um cidadão
mais consciente e dar condições de acessibilidade a este novo mundo virtual.
Na sequência foi apresentado o projeto para a turma, conscientizando os
alunos sobre o tamanho de sua importância no seu cotidiano escolar. Relatando
para eles todas as atividades que foram desenvolvidas como, conhecimento do
ambiente no qual trabalharam; acesso e realização das atividades no Blog
criado por eles e o registro geral da execução das ações.
Em seguida foi feita a apresentação do ambiente no qual trabalharam
durante a implementação do projeto de intervenção na escola, mostrando seu
desenvolvimento e sua importância dentro do desenvolvimento do projeto
falando sobre as estratégias de leitura em ambientes virtuais. Os alunos tiveram
acesso e realizaram as atividades no Blog criado por eles, promovendo e
desenvolvendo várias situações: apresentação do tema e reconhecimento do
gênero; aguçando a curiosidade e interesse do aluno pelo tema, através de
estratégias de envolvimento inicial;
Realizando situações de leitura não-linear, que apresentem uma visão de
mundo, aprimorou-se
a capacidade crítica e argumentativa dos alunos
relacionadas à temática utilizada nos textos. Desenvolveu-se
estratégias de
aprendizagem em ambientes virtuais com atividades que visem despertar no
aluno a possibilidade de reação aos textos e formação de sua própria opinião.
Para concretizar as atividades todos os alunos fizeram o registro das
instruções para a criação de um Blog juntamente com o professor. Durante o
projeto de implementação foi feita uma análise de tudo o que foi proposto para
atender os problemas da realidade escolar destacando e argumentando com os
alunos sobre sua relevância satisfatória, tanto para o professor como para os
mesmos com o desenvolvimento do projeto.
7.2 Resultados alcançados
A implementação do projeto, realizou-se de forma satisfatória na turma
do 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Vinícius de Morais.
O projeto foi bem aceito pelos alunos
com a participação de todos,
inclusive da direção e equipe pedagógica. Tivemos todo o apoio do colégio
quanto ao uso de materiais, laboratório, etc..
Os alunos demonstraram
ter um bom conhecimento na área de
Informática, principalmente na confecção do blog, no qual trabalhamos.
Houve uma boa relação entre os alunos, inclusive na troca de idéias e
contato on line com os demais colegas de sala. Após criarem seu perfil no blog
(profile), demonstraram interesse pelo ambiente, e desta forma percebeu-se que
podiam explorá -lo com facilidade .
O objetivo do trabalho não foi ensinar o aluno a criar um blog
mostrar ao mesmo
mas
que existem várias outros ambientes virtuais ( MSN,
TWITTER ) que podem ser explorados no aprendizado de Língua Inglesa.
Esse projeto contribuiu totalmente para uma reflexão sobre a
transformação do ensino, pois despertou o interesse dos alunos em utilizar o
Blog de forma útil para seus estudos. O professor cumpriu totalmente o
cronograma estabelecido para a execução das ações na escola. Excelentes
resultados foram alcançados pelo professor PDE no desenvolvimento da
Implementação Pedagógica na Escola.
8 Conclusão
Esse projeto foi desenvolvido em 32 aulas de 50 minutos cada, sendo
duas aulas por semana, envolvendo as 2º anos do ensino médio no período
matutino.
As
atividades
apresentadas
nesta
Produção
Didático-Pedagógico
contribuiram para o desenvolvimento desse trabalho, proporcionando o
entrosamento entre os participantes e a construção individual e coletiva do
conhecimento.
Verificamos
que os alunos já utilizavam o Blog como ferramenta .
Sabemos que hoje, os alunos estão “plugados” nas tecnologias . Como a
internet é algo recente, jovem ,como eles, se interagem com muita facilidade. Na
sala de aula o assunto é sobre sala de bate papo, Twitter, Blogs, etc.. O uso
destas ferramentas nos aproximou e nos auxiliou neste processo ensinoaprendizagem. Foi aproveitado todo este interesse pela tecnologia como nosso
aliado no desenvolvimento desta proposta.
Esta
temática
fundamentou
teorias,
práticas
e
estratégias
que
contribuiram para uma reflexão e mudança no ensino da Língua Inglesa e, ao
mesmo
tempo,
auxiliou
em
uma
aprendizagem
eficaz
do
educando,
Contribuindo, também, para a compreensão das estratégias de leitura em
ambientes virtuais dentro desta área de conhecimento.
9 Referências Bibliográficas
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aprendizagem da língua estrangeira mais atrativos para os alunos do
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VOLUME I - Secretaria de Estado da Educação do Paraná