UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ JULIANA CORDEIRO NEVES GUILHERME HUMENHUK FAGUNDES CAMINHOS E DESAFIOS DO FUTEBOL FEMININO NA ESCOLA CURITIBA 2012 JULIANA CORDEIRO NEVES GUILHERME HUMENHUK FAGUNDES CAMINHOS E DESAFIOS DO FUTEBOL FEMININO NA ESCOLA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Educação Física da Faculdade de Ciências Biológicas e da saúde da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciatura em Educação Física. Orientadora: Mariana Fogliatto Fontoura CURITIBA 2012 TERMO DE APROVAÇÃO JULIANA CORDEIRO NEVES GUILHERME HUMENHUK FAGUNDES CAMINHOS E DESAFIOS DO FUTEBOL FEMININO NA ESCOLA Esta monografia foi julgada e aprovada para obtenção do título de Licenciatura no Curso de Educação Física da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, de junho de 2012. _______________________________________________________ Licenciatura em Educação Física Universidade Tuiuti do Paraná Orientador(a): __________________________________________________ Prof.ª Mariana Fogliatto Fontoura UTP - FACBS __________________________________________________ Prof. UTP - FACBS __________________________________________________ Prof. UTP – FACBS DEDICATÓRIA Dedico esta pesquisa aos meus familiares que sempre estiveram ao meu lado me incentivando, me apoiando e sendo meus alicerces nessa caminhada. Ao meu irmão Valdecir que nunca poupou esforços para me ajudar e principalmente à minha mãe Alvelina que com toda sua humildade conseguiu me dar base para que tudo isso se concretizasse. Juliana C.Neves AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus em primeiro lugar. Agradeço aos professores que sempre foram solícitos. Minha família, meu irmão e minha mãe. À professora Mariana que orientou da melhor maneira possível. À professora Euza que deu uma parcela importante de contribuição para minha formação acadêmica. Aos colegas de classe que de uma forma ou outra sempre contribuíram para que eu chegasse até aqui. Juliana C. Neves À Professora Mariana, orientadora, braço amigo de todas as etapas deste trabalho. À minha família, pela confiança e motivação. À minha esposa, que sempre me apoiou. À minha colega, dupla de TCC, pelo trabalho que realizamos. Aos amigos e colegas de Curso, pois juntos trilhamos uma etapa importante de nossas vidas. Aos profissionais entrevistados, pela concessão de informações valiosas para a realização deste estudo. A todos que com boa intenção, colaboraram para a realização e finalização deste trabalho. Aos que não impediram a finalização deste estudo. Guilherme H. Fagundes RESUMO Este trabalho tem por objetivo verificar os caminhos e desafios enfrentados pelas meninas para praticar o futebol nas escolas. Através deste, pretende-se abordar as dificuldades enfrentadas pelas atletas desde o início da prática do futebol feminino até os dias atuais, enfatizando estas no espaço escolar. Para tanto, foram elaborados dois questionários, sendo um destinado às atletas de futebol da categoria sub15 e o outro destinado às atletas adultas, acima de 19 anos, que atualmente disputam o campeonato metropolitano da categoria, identificando onde ocorreu a iniciação no futebol, caminhos percorridos e principais dificuldades. A análise dos dados foi realizada com estatística descritiva (distribuição de frequência relativa e absoluta). Como resultado da pesquisa, pudemos perceber que apenas entre 20 e 25% das atletas têm a iniciação ao futebol no espaço escolar. Com respeito ao incentivo por parte dos educadores vêm sendo verificado de forma maciça, 100% são incentivadores, conforme diagnosticado na pesquisa com as atletas da categoria sub15. Certamente concluímos então que o maior avanço alcançado pelo futebol feminino na escola deve-se ao apoio dos educadores. Palavras Chaves – Futebol Feminino – Caminhos - Desafios – Escola. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Onde começou ou praticou o futebol pela primeira vez?..................15 Tabela 2 – As atividades na escola são ou eram feitas somente com atletas femininas ou com equipes mistas?.....................................................................15 Tabela 3 – Onde encontrou a maior oposição ou preconceito para a prática do futebol feminino na escola?.................................................................................16 Tabela 4 – Respostas “fechadas” referente a vários itens do questionário........16 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.........................................................................................8 1.1 JUSTIFICATIVA.................................................................................8 1.2 PROBLEMA.......................................................................................9 1.3 OBJETIVOS.......................................................................................9 1.3.1 Objetivo geral...........................................................................9 1.3.2 Objetivos específicos...............................................................9 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................10 2.1 Histórico...........................................................................................10 2.1.1 Futebol Mundial............................................................................10 2.1.2 O início do futebol no Brasil..........................................................10 2.1.3 Futebol feminino............................................................................11 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS..............................................14 3.1 TIPO DE PESQUISA.......................................................................14 3.2 População e amostra.......................................................................14 3.3 Instrumentos e procedimentos.........................................................14 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES..........................................................15 5. CONCLUSÃO........................................................................................19 6. REFERÊNCIAS.....................................................................................20 7. APÊNDICES..........................................................................................22 8 1. INTRODUÇÃO 1.1 JUSTIFICATIVA Atualmente as meninas têm motivação e incentivo para praticar futebol, principalmente por espelhar-se e admirar histórias como a da jogadora Marta que superando todas as expectativas, vindo de família humilde e jogando futebol escondido dos pais, em meio aos garotos na rua, tornou-se por cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo. Hoje seria um orgulho para qualquer escola iniciar a carreira de uma atleta do nível de Marta. O Futebol feminino obteve liberação oficial no Brasil no ano de 1983. Nesse mesmo ano surgiu o primeiro campeonato paranaense de futebol feminino (DIAS, 1983). Ainda de acordo com Dias (1983) as primeiras equipes de futebol feminino do Paraná inscreveram-se para o primeiro Campeonato de Futebol Feminino, após chamadas na Rádio Cultura, através do programa “A Voz do Amadorismo”. As inscrições foram efetivadas na redação do Jornal Folha de Curitiba que noticiou assim o início do campeonato: ”Tudo pronto para a grande festa do Campeonato de Futebol Feminino”. Nesta época era improvável que as meninas jogassem futebol nas escolas. Segundo Freire (1992), nas aulas de Educação Física nas escolas brasileiras há separação por sexo e dentro da sala de aula os alunos assistem aulas juntos, ou seja, mentes não precisam ser separadas apenas os corpos. Mesmo esta informação sendo a mais de 20 anos, na atualidade pode-se perceber em várias escolas que isso ainda continua ocorrendo. Podemos enumerar diversas dificuldades enfrentadas pelas meninas para ingressar no futebol feminino. Dentre as dificuldades, cita-se o preconceito na escola por não haver campeonatos de futebol feminino ao contrário dos meninos que formam suas equipes nas aulas de Educação Física e isso é um fator de desmotivação para as meninas ( TEIXEIRA E MOORE, 2007) Até mesmo as atletas da seleção brasileira de futebol feminino iniciaram a prática do futebol nas ruas, em clubes ou na praia, evitando a escola onde se intimidavam a participar deste esporte que era dito esporte masculino (DARIDO, 2002 apud TODARO, 1997). Com a intenção de abordar com mais profundidade os caminhos percorridos pelo futebol feminino, este trabalho tem como objetivo verificar 9 quais as dificuldades e desafios enfrentados pelas meninas na categoria sub 15 e na categoria adulta, acima de 19 anos na prática do esporte dentro do espaço escolar. 1.2 PROBLEMA Quais as dificuldades e desafios enfrentados pelas meninas na categoria sub15 e adulta, acima de 19 anos, com relação à pratica do futebol feminino na escola? 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Verificar quais os desafios enfrentados pelas meninas na categoria sub15 e adulta, acima de 19 anos, com relação à pratica do futebol feminino na escola. 1.3.2 Objetivos Específicos Identificar os caminhos percorridos pelo futebol feminino. Verificar quais as dificuldades e desafios enfrentados pelas garotas na prática do esporte dentro do espaço escolar. Avaliar e comparar os dados adquiridos. 10 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 HISTÓRICO 2.1.1 Futebol Mundial Segundo Unzelte (2002) as primeiras manifestações do futebol surgiram entre 3.000 e 2.500 a.C, na China. Por volta de 2600 a.C. o Sr. Yang-Tsé inventa o KEMARI, onde 8 jogadores de cada lado em um campo quadrado utilizavam uma bola redonda e sem deixá-la cair, com os pés tentavam passála por entre estacas. Também na Grécia antiga havia um jogo disputado com uma bola feita da bexiga do boi coberta com couro. Os gregos chamaram de EPYSKIROS. Já os romanos utilizaram a bola e detalhes do jogo e criaram o HARPASTUM (POLI e CARMONA, 2006). Na Inglaterra registros pouco claros falam de um futebol violento e sem regras. Em 1660 as primeiras regulamentações em relação ao número de participantes e tamanho do campo. Na França jogava-se o SOULE. Os franceses requerem a primazia do futebol, sendo que a organização é inglesa. Também os italianos se dizem os organizadores do futebol depois de terem criado regras e definido posições criando o CÁLCIO, contribuindo muito para o futebol atual (HISTÓRIA DO FUTEBOL, 2012). O futebol como é praticado atualmente, iniciou na França em 1872, na Suíça em 1879, na Bélgica 1880, na Alemanha, Dinamarca e Holanda em 1889. Na Itália em 1893, nos países da Europa Central em 1900 e 1904 surge a Federation Internacionale de Football Association (FIFA) (DUARTE, 1997). Ainda segundo Freitas (2006), foi na Inglaterra que o futebol ganhou as primeiras regras e a versão mais parecida com o esporte atual. 2.1.2 O início do futebol no Brasil Charles Miller é oficialmente considerado o introdutor do futebol no Brasil (FREITAS e VIEIRA, 2006). Segundo Hamilton (1998) o brasileiro CHARLES MILLER, após ter ido estudar na Inglaterra volta ao Brasil em outubro de 1894 com duas bolas de futebol nas mãos, afirmando ser o seu diploma. Ignorando a veracidade de tal afirmação os historiadores de futebol decidiram que isto representou o nascimento do futebol no Brasil. 11 Em 15 de abril de 1895 foi realizada a primeira partida de futebol no Brasil, sendo que Charles Miller além de formar times fundou clubes e ligas a exemplo da Inglaterra. Em 1897 no Rio de Janeiro, Oscar Cox desempenhou o mesmo papel de Miller utilizando uma bola que trouxera da Suíça. Registros mostram que o primeiro campeonato estadual foi disputado em 1902 em São Paulo. Em 1906 foi disputado o primeiro campeonato carioca (FERNANDEZ, 1974). Desde a primeira partida realizada em 1895 o futebol teve uma evolução de proporção imensurável em todos os sentidos. Até em nosso vocabulário acostumamo-nos a utilizar frases referentes ao futebol em diversas situações como por exemplo quando fazemos algo errado dizemos: ‘’pisamos na bola’’ ou ‘’ demos uma bola fora’’. Outro exemplo quando alguma coisa não se conclui por detalhes dizemos ‘’ bateu na trave’’. O futebol passa a fazer parte da cultura brasileira conforme descreve Souza (2008 apud GUEDES, 1998): O futebol é um dado cultural inegável da sociedade brasileira, responsável por manifestações coletivas de grandes proporções. Milhões de pessoas das mais diversas classes sociais se unem todos os dias da semana dentro de um estádio ou em volta de um rádio ou de uma televisão para torcerem pela vitória de seus times. Discussões acalentadas são travadas nos mais diversos recantos do país. Quando a seleção brasileira participa da Copa do Mundo, em nenhuma outra atividade cultural os idéias de patriotismo, de civilismo e de nacionalismo se mostram tão exacerbados. Nesta época, vive-se a experiência da identificação nacional, da qual poucas pessoas conseguem escapar. 2.1.3 Futebol Feminino A primeira partida de futebol feminino foi disputada entre Inglaterra e Escócia, em 1898, em Londres. A partir de 1987 após uma competição em Taiwan, a FIFA reconhece oficialmente o futebol feminino e cria normas para sua organização. Nas olimpíadas de Atlanta em 1996 o futebol feminino conquista a condição de modalidade olímpica (UNZELTE, 2002). Em 1920 após um amistoso entre duas equipes femininas no estádio do Liverpool na 12 Inglaterra a FIFA proibiu veementemente mais uma vez que mulheres praticassem o futebol (FREITAS e VIEIRA, 2006) No Brasil, ainda segundo Unzelte (2002) a primeira partida de futebol feminino foi realizada em 1921. Em 1941, o Decreto-Lei 3199 do Ministério da Educação no artigo 54 dizia: “Às mulheres não se permitirão à prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.” Em 1964 o Conselho Nacional de Desportos - CND proibiu a prática do futebol feminino no Brasil. A decisão só foi revogada em 1981. Em 1983 o futebol feminino foi legalizado no Brasil (FUTEBOL NO BRASIL, 2012). A edição de 13/jul./1984 da revista PLACAR na reportagem ‘’O charme vai a campo’’ informa que existiam nesta data cerca de 45.000 mulheres dividas entre 3.000 times amadores de futebol feminino. As jogadoras nessa época já sonhavam com a profissionalização. Atrizes estrelas da rede globo como Elizângela, Solange Couto e outras ganhavam cachês enfrentando times improvisados de estrelas em jogos de exibição, utilizando o nome de Globetes (REVISTA PLACAR, 1984). Em 1996 o futebol feminino foi incluído como categoria nas olimpíadas, sendo que o Brasil ficou com o quarto lugar, a mesma colocação que obteve nas Olimpíadas de Sydney, em 2000 (FUTEBOL NO BRASIL, 2012). Em 2003, sob o comando do técnico Paulo Gonçalves, as meninas conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos e também o tetracampeonato sul-americano. Nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, a seleção brasileira feminina conquista medalha de prata. A seleção brasileira conquistou a medalha de ouro do torneio de futebol feminino dos XV Jogos Pan-Americanos Rio-2007 (WIKIPÉDIA, 2012). Após a conquista do Pan-Americano, ainda em 2007 a seleção brasileira disputa a Copa do Mundo da China, contando com a presença de três jogadoras paranaenses no elenco, sendo elas: Andréia, Simone Jatobá e Renata Costa. O Brasil chegou à final contra a Alemanha após golear por 4 a 0 a equipe dos Estados Unidos. A seleção alemã derrotou o Brasil na final (SILVA, 2007). Com o sucesso do futebol feminino brasileiro no Pan-americano e copa do mundo, ambos em 2007 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) organizou a I Copa do Brasil de Futebol Feminino que contou com 32 equipes 13 em um campeonato regionalizado onde participaram as 5 regiões do Brasil (WIKIPÉDIA, 2012) Em 2008 nas olimpíadas de Pequim a seleção brasileira fica com a medalha de prata após perder para os Estados Unidos por 1 a 0 na prorrogação. Nos jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México em 2011 o Brasil conquista mais uma medalha de prata, perdendo para o Canadá na final em uma disputa por pênaltis, após empate no tempo normal. Também em 2011 a seleção feminina disputa a Copa da Alemanha. A seleção foi eliminada pelos Estados Unidos nas quartas de final, sendo que o Japão tornou-se campeão ao vencer os Estados Unidos na final (WIKIPÉDIA, 2012). 14 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1 Tipo de Pesquisa Pesquisa quantitativa e qualitativa, do tipo descritiva. Este tipo de pesquisa visa a descrição das características de determinada população ou fenômenos, e não permite a interferência do pesquisador (THOMAS; NELSON, 2002). 3.2 População e Amostra Foram consultadas um total de 55 atletas de futebol feminino. Dentre essas, foram selecionadas 15 atletas com idade entre 14 e 15 anos matriculadas no Colégio Estadual do Paraná. As outras 40 atletas da categoria adulta foram selecionadas em equipes que disputam o campeonato metropolitano 2012, levando-se em conta a idade, a partir dos 19 anos. 3.3 Instrumentos e Procedimentos A pesquisa foi realizada por meio da elaboração de dois questionários (Apêndice A e B) que foram aplicados a 55 atletas. Cada questionário, previamente validado, foi composto por dez perguntas fechadas e uma aberta. Após uma breve explicação sobre o correto preenchimento do questionário, todas as atletas preencheram de forma individual devolvendo posteriormente identificados com nome e idade. Para aplicação dos questionários categoria adulto, a coleta foi feita através do campeonato metropolitano de Curitiba/2012. Na categoria Sub 15 a coleta foi feita com atletas que praticam futebol feminino no Colégio Estadual do Paraná. A análise dos dados foi realizada com estatística descritiva (distribuição de frequência relativa e absoluta). 15 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste capitulo serão apresentados e discutidos os resultados por meio de quatro tabelas. Tabela 1. Onde começou ou praticou o futebol pela primeira vez? Quantidade sub 15 Percentual % Quantidade adultas Escola 3 20% 10 Clube 0 0% 2 Na rua (vila) 9 60% 25 Outro 3 20% 3 Percentual % 25% 5% 62,5% 7,5% Na primeira tabela é possível verificar que entre 55 atletas de futebol feminino que se propuseram a responder o questionário, sendo 40 adultas e 15 da categoria sub 15, 10 atletas da categoria adulta responderam que iniciaram a prática do futebol na escola, o que equivale a 25% do total, nas atletas sub 15 o percentual ficou em 20%. A maioria da categoria adulta, 62,5% começou a jogar futebol nas ruas (vila) coincidindo com a categoria sub 15 com 60% e apenas 5% das adultas tiveram a iniciação em algum clube, ao passo que nenhuma atleta sub 15 iniciou em tal local, além disso, 20% das atletas sub 15 alegou ter iniciado em outro local que não os citados, enquanto que nessa situação a categoria adulta aparece com 7,5%. Tabela 2. As atividades na escola são ou eram feitas somente com atletas femininas ou com equipes mistas? Quantidade sub 15 Percentual % Quantidade adultas Percentual % Mistas 12 80% 35 87,5% Femininas 3 20% 5 12,5% Quando perguntado se na escola as atletas participavam dos jogos de futebol com outras atletas femininas ou as equipes eram mistas, a grande maioria das atletas, tanto adultas como sub 15 responderam que as equipes eram mistas, com percentual de 87,5% das adultas e 80% das sub 15. 16 Tabela 3. Onde encontrou a maior oposição ou preconceito para a prática do futebol feminino na escola? Quantidade sub 15 Percentual % Quantidade adultas Percentual % Familiares 3 20% 10 25% Colegas sexo oposto 12 80% 22 55% 0 0% 4 10% Colegas mesmo sexo Professores 0 0% 4 10% Também foi possível verificar que 55% das atletas adultas e 80% das atletas sub 15, ao participarem do futebol feminino na escola alegaram terem encontrado maior oposição ou preconceito por parte dos colegas do sexo oposto; 25% das atletas adultas e 20% das sub 15 encontraram oposição nos próprios familiares; 10% das atletas adultas citaram oposição de colegas do mesmo sexo, o mesmo percentual verificado em relação ao preconceito ou oposição dos professores, na categoria adulta, porém na categoria sub 15, nenhuma atleta citou oposição vinda de professores. Tabela 4. Respostas de SIM ou NÃO referente a vários itens do questionário. SIM SIM NÃO Sub15 Perc.% Adultas Perc.% Sub15 Perc.% Sofreu discriminação 3 20% 15 37,5% 12 80% Espaço físico adequado 6 40% 16 40% 9 60% 15 100% 24 60% 0 0% Incentivo educadores Oposição sexo oposto 9 60% 28 70% 6 40% Material treinamento 9 60% 20 50% 6 40% Campeonato escolar 9 60% 32 80% 6 40% Treinamento na escola 6 40% 16 40% 9 60% NÃO Adultas 25 24 16 12 20 8 24 Perc.% 62,5% 60% 40% 30% 50% 20% 60% No quesito discriminação em relação ao futebol feminino na escola, das atletas adultas, 15 atletas (37,5%) alegam terem sofrido discriminação e o restante, 25 (62,5%) das atletas, se consideraram livres da mesma. Também na categoria sub 15 apenas 20% das atletas relataram preconceito. Para 40% das atletas das categorias adulta e sub 15, o espaço físico (quadra ou campo) era sempre acessível a elas para a prática do futebol enquanto as outras 60% disseram o contrário em ambas as categorias. 17 Quanto ao incentivo por parte dos educadores 60% das adultas disseram sentir-se incentivadas, sendo que as 40% restantes alegaram não receber incentivo. De outro lado, na categoria sub 15, com unanimidade, 100% das atletas se sentem incentivadas pelos educadores. Os alunos do sexo oposto em sua grande maioria (70%) segundo as atletas adultas, demonstravam oposição ou criticavam a pratica do futebol pelas mesmas, enquanto que apenas 30% não se opunham. O percentual de oposição do sexo oposto também aparece na categoria sub 15 com 60%. O material de treinamento foi citado como adequado por 50% das atletas adultas consultadas e 60% da categoria sub15. As atletas adultas em sua maioria (80%) afirmaram terem tido oportunidade de participar de algum campeonato interno ou intercolegial de futebol feminino e mesmo assim 60% delas indicam não haver nenhum tipo de treinamento de futebol feminino dentro da escola. Na categoria sub 15, 60% já participaram ou participam de algum campeonato escolar e aparecem com o mesmo percentual de 60% referente à falta de treinamento específico de futebol. As atletas de futebol seguem vencendo desafios que vem desde a proibição do futebol pelo CND em 1964, chegando à liberação do mesmo em 1983, quando se disputou o primeiro campeonato paranaense de futebol (DIAS, 1983). Nas aulas de educação física os alunos são separados por sexo (FREIRE, 1992). Embora Freire tenha feito essa afirmação, na prática o que vemos hoje, baseados no estudo realizado é que o futebol, no caso específico, é praticado atualmente nas escolas por equipes mistas, ou seja, meninos e meninas dividem a mesma atividade, pelo menos nessa modalidade. Mesmo isso ficando claro (futebol misto) pelo percentual das respostas, podemos perceber que as atletas tanto adultas quanto da categoria sub 15, informaram que é justamente nos colegas do sexo oposto que elas encontraram ou encontram maior objeção ou preconceito. Esse preconceito afetou até mesmo atletas da seleção brasileira que evitavam e se intimidavam a participar de futebol na escola (SOUZA, 2002 apud TODARI, 1997). 18 Pode-se identificar porém, que houve sim uma evolução no sentimento de discriminação, que era mais acentuada nas atletas hoje adultas em comparação com as atletas sub 15. Observamos que 40% das atletas da categoria sub15 informam não terem oportunidade de participar de campeonatos escolares, o que segundo Teixeira e Moore (2007) seria um fator de desmotivação para as meninas. Porém a grande conquista, segundo constatamos neste estudo está diretamente relacionado com o incentivo por parte dos educadores em que as atletas sub 15 se declaram 100% incentivadas. 19 CONCLUSÃO Conforme os resultados obtidos através de nosso estudo conclui-se que o percentual de meninas que iniciam a praticar o futebol na escola não mudou muito, apenas 5 pontos percentuais.Também não houve mudança significativa quanto à participação das meninas em equipes mistas dentro do espaço escolar, ou seja, ainda é necessário que estas participem junto com os garotos para poderem desempenhar as atividades. Pode-se perceber também que não houve avanço em relação ao preconceito enfrentados pelas meninas em relação ao sexo oposto que continua citado como maior opositor. E com respeito à discriminação, em qualquer sentido, ocorreu uma sensível melhora, aproximadamente 10%. Observa-se que quando se trata de espaço físico adequado para a prática do futebol feminino, nada mudou se comparadas as informações das atletas sub 15 e adultas, ficando esse item, a desejar para melhor condição das meninas. O grande avanço, há de se ressaltar, diz respeito ao incentivo dos educadores que são citados pelas atletas sub15 com apoio unânime, tendo sua importância devido ao fato de que as meninas, se sentem excluídas deste esporte, e o professor tem o papel fundamental de levá-las a prática desta modalidade, trazendo segurança e motivação. Outro item que seria de grande importância para a motivação das atletas e que infelizmente constou como regressivo na comparação das atletas adultas com a categoria sub 15, é que apenas 60% das atletas têm oportunidade de participar de campeonatos escolares, o que faria com que o esporte se desenvolvesse cada vez mais, pois estes eventos tendem a aprimorar tanto a técnica quanto a tática das alunas. Pôde-se contudo perceber que de maneira geral o futebol feminino evolui muito porém ainda tem um longo caminho pela frente. Sugere-se então que novos estudos sejam realizados no sentindo de auxiliar o desenvolvimento desta modalidade esportiva. 20 REFERÊNCIAS A HISTÓRIA DO FUTEBOL. A Origem do Futebol. Disponível em: <http:// historia-do-futebol.info/mos/view/A_ Origem _do _ Futebol/>. Acesso em 13 maio 2012). DARIDO, Suraya Cristina. Futebol Feminino no Brasil: Do seu início à prática pedagógica. Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/08n2/ Darido.pdf>. Acesso em 13 maio 2012). DIAS, Leônidas. Tudo pronto para a grande festa do Campeonato de Futebol Feminino. Folha de Curitiba, Curitiba, 1º jun.1983. 2º caderno, p.3. DUARTE, Orlando. Futebol Histórias e Regras. Makron Books do Brasil Editora Ltda, 1997. FERNANDEZ, Maria do Carmo Leite de Oliveira. Futebol Fenômeno Linguístico. Editora Documentário, 1974. FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro. Teoria e Prática da Educação Física. São Paulo- SP: Editora Scipione, 1992. FREITAS, Armando; VIEIRA, Silvia. O que é futebol. História, regras e curiosidades. Editora Casa da Palavra, 2006. FUTEBOL NO BRASIL. Futebol Feminino. Disponível em: <http://futebol-nobrasil.info/mos/view/Futebol_Feminino/>. Acesso em: 03 maio 2012). POLI, Gustavo; CARMONA, Lédio. Almanaque do Futebol. Rio de Janeiro-RJ: A Casa da Palavra, 2006. REVISTA PLACAR. O charme vai a campo. Rio de Janeiro: Editora Abril, n. 738, jul. 1984. SILVA, Jorge Luiz. Meninas de ouro em campo. Tribuna do Paraná, Curitiba, 11 set.2007. 21 SILVA, Jorge Luiz. Que chocolate! Tribuna do Paraná, Curitiba, 28 set.2007. SOUZA, Denaldo Alchorne. O Brasil entra em campo. Construções e reconstruções da identidade nacional. Annablume Editora Comunicação, 2008. TEIXEIRA, Marina Sidrim; MOORE, Fanny Elisabete. A Mulher e o Esporte. Rio de Janeiro-RJ: Instituto Noos, 2007. THOMAS, Jerry R; NELSON, Jack K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. UNZELTE, Celso. O Livro de Ouro do Futebol. Rio de Janeiro-RJ: Ediouro, 2002. WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Copa_do_ Mundo_ de_Futebol_ Feminino_de_2011> Acesso em 13 maio 2012. WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. Disponível em < http://pt.wikipedia.org /wiki/Copa_do_Brasil_de_Futebol_Feminino> Acesso em 25 maio 2012. 22 APÊNDICE 23 APÊNDICE A - Questionário com categoria sub 15 Questionário (Categoria sub 15) Nome:_________________________________________________________ Idade: _______ 1) Onde começou ou praticou o futebol pela primeira vez? ( ) Escola ( ) Clube ( ) Na rua (Vila) ( ) Outro 2) As atividades de futebol na escola são feitas com atletas femininas exclusivamente ou equipes mistas? ( ) Mistas ( ) Femininas ( ) Não participo 3) Sofreu ou sofre discriminação por participar de Futebol Feminino na escola? ( ) Sim ( ) Não 4) No seu entendimento onde se encontra a maior oposição ou preconceito para que se pratique futebol feminino dentro das escolas? ( ) Nos próprios familiares ( ) Colegas do sexo oposto ( ) Colegas do mesmo sexo ( ) Nos professores 5) O espaço físico (quadra ou campo) é sempre acessível para a prática de futebol pelas meninas? ( ) Sim ( ) Não 6) Há incentivo por parte dos educadores para que se pratique o futebol feminino? ( ) Sim ( ) Não 7) Alunos do sexo oposto demonstram oposição ou fazem críticas quando da prática do futebol pelas meninas? ( ) Sim ( ) Não 8) Existe material de treinamento adequado na escola, como bolas, coletes, etc...? ( ) Sim ( ) Não 9) Já participou de algum campeonato interno ou intercolegial de futebol feminino? 24 ( ) Sim ( ) Não 10) Existe treinamento de futebol feminino na escola? ( ) Sim ( ) Não 11) Gostaria de comentar algo que não foi abordado no questionário? 25 APÊNDICE B - Questionário com categoria adulta Questionário (Categoria adulta) Nome: _______________________________________________________ Idade: _______ 1) Onde começou ou praticou o futebol pela primeira vez? ( ) Escola ( ) Clube ( ) Na rua (Vila) ( ) Outro 2) Na escola, participava com outras atletas femininas ou equipes mistas? ( ) Mistas ( ) Femininas ( ) Não participava 3) Sofreu discriminação por participar de Futebol Feminino na escola? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não participava 4)No seu entendimento onde encontrou a maior oposição ou preconceito para que se pratique futebol feminino dentro das escolas? ( ) Nos próprios familiares ( ) Colegas do sexo oposto ( ) Colegas do mesmo sexo ( ) Nos professores 5) O espaço físico (quadra ou campo) era sempre acessível para a prática de futebol pelas meninas? ( ) Sim ( ) Não 6) Havia incentivo por parte dos educadores para a prática do futebol feminino? ( ) Sim ( ) Não 7) Alunos do sexo oposto demonstravam oposição ou faziam críticas quando da prática do futebol pelas meninas? ( ) Sim ( ) Não 8) Existia material de treinamento adequado na escola, como bolas, coletes, etc...? ( ) Sim ( ) Não 9) Participou de algum campeonato interno ou intercolegial de futebol feminino? ( ) Sim ( ) Não 26 10) Existia algum tipo de treinamento de futebol feminino na escola? ( ) Sim ( ) Não 11) Gostaria de comentar algo que não foi abordado no questionário?