UM ESTUDO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DO MEL EM CAMPO
GRANDE/MS
[email protected]
APRESENTACAO
ORAL-Comercialização,
Mercados
e
Preços
ALEXANDRE BORGES SANTOS; RENATO LUIZ SPROESSER; RODRIGO
MILANO DE LUCENA; GEMAEL CHAEBO; GUSTAVO HENRIQUE PETEAN.
UFMS, CAMPO GRANDE - MS - BRASIL.
UM ESTUDO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DO MEL EM
CAMPO GRANDE/MS
A study of the distribution cannels of honey in Campo Grande/MS
Grupo de Pesquisa: Comercialização, Mercados e Preços
Resumo
O estado de Mato Grosso do Sul apresenta grande potencial apícola, porém ainda pouco
explorado. Apesar de se observar alguns avanços na cadeia produtiva do mel sul-matogrossense, alguns pontos encontram-se pouco estruturados, sendo o processo de
comercialização um dos principais. Para melhor entender como é distribuído o mel das
empresas processadoras da cidade de Campo Grande-MS, foram estudados os canais de
distribuição utilizados pelas mesmas. Os objetivos deste estudo foram identificar os
principais canais de distribuição, analisar o tipo de relação comercial desenvolvida em
cada elo. O método utilizado foi o método indutivo. A pesquisa baseou-se em fontes
primárias e secundárias. Como fonte secundárias utilizou-se pesquisa em fontes
documentais e bibliográficas. Os dados primários foram extraídos através de entrevistas
semi-estruturadas com quatro agentes do setor da apicultura de Campo Grande,
caracterizados como beneficiador/apicultor. Para a complementação do trabalho, foram
escolhidos, intencionalmente, seis varejistas, duas redes de farmácias e duas panificadoras.
Como resultados da pesquisa, concluiu-se, principalmente, que o varejo é figura essencial
para a distribuição do mel das empresas campo-grandenses e que as empresas que possuem
o SIF (Sistema de Inspeção Federal) têm grande vantagem competitiva no setor.
Palavras-chaves: Apicultura; Aspecto Mercadológico; Varejo Alimentar.
Abstract
The state of Mato Grosso do Sul possesses a great beekeeping potential, it remains poorly
explored. Although some progress are observed in the productive chain of honey of Mato
Grosso do Sul, some points are poorly structured, being the commercialization process one
of the main. To better understand how the honey of the processing companies is distributed
in the city of Campo Grande-MS, it was studied the distribution channels used by them.
The objectives of this study were to identify the main channels of distribution, to analyze
the type of business relationship developed in each link. The method used was inductive
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method. The research was based on primary and secondary sources. As a secondary source
was used to search bibliographic and documentary sources. The primary data were
obtained through semi-structured interviews with four players in the industry of
beekeeping in Campo Grande, characterized as operator / beekeeper. To complement the
study, were selected intentionally, six retailers, two pharmacy chains and two bakeries. As
the survey results, it was concluded, mainly, the retail is essential figure for the distribution
of the honey of the companies of Campo Grande and that companies that have the SIF
(Federal Inspection System) have a big competitive advantage in the sector.
Key Words: Beekeeping; Marketing Aspect; Food Retail Market.
1. INTRODUÇÃO
A apicultura está entre as mais nobres e antigas atividades humanas. O mel de
abelha foi, durante milhares de anos, o único adoçante conhecido e utilizado em larga
escala e em âmbito mundial. Desde o antigo Egito, há relatos sobre a atividade e a
utilização de seus produtos como fonte de alimentos e medicamentos, auxiliando no
tratamento de enfermidades (SEBRAE, 2004).
Hoje, a criação de abelhas de forma racial é praticada em todos os Estados
brasileiros, tendo em vista a expansão do número de enxames nativos e da quantidade de
apiários, além da grande quantidade e variedade da flora apícola brasileira. A característica
da flora nativa e do clima aliados à presença da abelha africanizada, altamente resistentes
às pragas e doenças, faz com que o Brasil tenha grande potencial apícola, mesmo que ainda
pouco explorado (SEBRAE, 2006).
De acordo com Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO, 2006), em 2005, o Brasil ocupava o décimo terceiro lugar no ranking mundial dos
produtores de mel natural, alcançando uma produção em torno de 33 mil toneladas. No
topo do ranking encontrava-se a China, com a produção anual de 298 mil toneladas,
representando 21,53% da produção mundial do ano de 2005 que foi de 1.384 mil
toneladas.
Além disso, quando é feita comparação com a produção internacional, a
produtividade brasileira ainda encontra-se baixa. Enquanto o Brasil apresenta
produtividade média anual de 15 kg/colméia, na Argentina essa média é de 30 a 35
kg/colméia. A China, com produtividade muito acima dos demais países, apresenta média
variando de 50 a 100 kg/colméia/ano (SEBRAE, 2006). A baixa produtividade dos apiários
brasileiros pode ser explicada pela pouca utilização de recursos tecnológicos na produção.
O Brasil apresentou, em 2005, uma produção de 33.750 toneladas de mel natural,
sendo que a Região Sul foi a que apresentou a maior produção (15.816 toneladas), já a
Região Norte foi a que menos produziu, contribuindo com 653 toneladas (MAPA, 2007).
A tabela 1.1 apresenta a produção de mel do Brasil e regiões no ano de 2005.
Conforme os dados do IBGE, em 2006, o Estado de Mato Grosso do Sul produziu
485.325 kg de mel de abelha. Dourados obteve a maior produção com, aproximadamente,
55.161 kg. Campo Grande, na quinta posição, alcançou uma produção em torno de 20
toneladas (IBGE, 2006).
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Se a produção de mel do Brasil ainda é baixa, comparada com alguns países, o
consumo é ainda menor. De acordo com a Associação Brasileira de Apicultura, o brasileiro
consome, em média, 100 gramas de mel por ano, enquanto alguns países da Europa, o
consumo per capta chega até 1 kg por ano. A Alemanha, por exemplo, consome 2,4 kg de
mel por pessoa em um ano (CBA, 2009).
O mel, como qualquer outro produto, necessita ser escoado até chegar, de alguma
forma, ao consumidor final. Assim, uma das áreas mais importantes do marketing é a da
distribuição de bens e serviços.
No entanto, a atenção dada aos canais de distribuição é ainda baixa em relação às
outras três variáveis do composto de marketing: preço, produto e promoção. Por outro
lado, ficou cada vez mais difícil de conquistar vantagem competitiva com essas três
estratégias, logo notou-se a necessidade de dar atenção especial a distribuição
(ROSENBLOOM, 2002).
1.1 Problemática
Baseada principalmente na agricultura familiar, a apicultura surge inicialmente
como atividade informal e secundária. Grande parte dos produtores de mel são pequenos e
médios apicultores que possuem, em média, menos de 100 colméias (SEBRAE, 2006). O
número reduzido de colméias, aliado à baixa produtividade das mesmas, faz com que os
apicultores alcancem um volume de mel reduzido, impossibilitando-o de obter vantagem
competitiva com a escala.
Além disso, a ineficiência e os altos custos dos canais de distribuição da cadeia do
mel fazem com que o produto seja visto como um produto de classe alta, tendo em vista o
alto preço cobrado ao consumidor final.
Apesar do baixo preço pago ao produtor rural, em média R$ 3,00/kg, os
beneficiadores, ao negociar com as grandes redes nacionais, vendendo grandes
quantidades, os altos custos com a logística e a incidência de tributos, tais como ICMS
(Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) impedem que o
consumidor final desfrute de um preço atraente no final da cadeia produtiva.
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo geral
O presente estudo tem por objetivo geral, analisar os canais de distribuição do mel
em Campo Grande-MS.
1.2.2 Objetivos específicos
Especificamente pretende-se:
1. Identificar os principais canais de distribuição do mel;
2. Identificar o tipo de relação comercial desenvolvida em cada um deles.
2. METODOLOGIA
O método, segundo Marconi e Lakatos (2001), se caracteriza por uma abordagem
mais ampla, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da
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sociedade. Para realizar a análise dos canais de distribuição do mel na cidade de Campo
Grande utilizou-se o método indutivo.
O método indutivo é um processo mental por intermédio do qual infere-se uma
verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas, partindo de dados
particulares, suficientemente constatados. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é
levar à conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se
basearam (MARCONI e LAKATOS, 2004).
Como método de procedimento, este estudo fez uso o método de estudo de casos.
Este método é definido por Yin (1989, apud CAMPEÃO, 2004, p. 21), como “uma forma
de se fazer pesquisa social empírica ao investigar-se um fenômeno atual dentro do seu
contexto de vida-real, onde as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são
claramente definidas e na situação em que múltiplas fontes de evidência são usadas”.
A escolha deste método relaciona-se diretamente aos objetivos propostos,
possuindo um caráter exploratório, já que é necessário buscar um maior conhecimento
sobre o tema ou problema de pesquisa.
Neste estudo foi utilizada, também, a entrevista semi-estruturada que, segundo
Lakatos e Marconi (1991), oferece todas as perspectivas possíveis para que o entrevistado
alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a pesquisa. As
entrevistas foram delineadas com base em questões apoiadas em teorias e hipóteses que
interessam a pesquisa.
As entrevistas foram realizadas, predominantemente, com quatro agentes
institucionais caracterizados como beneficiador/apicultor diretamente envolvidos na
dinâmica do sistema produtivo, escolhidos propositalmente. Essa delimitação deve-se,
especialmente, ao fato desses agentes, geralmente, possuírem uma visão sistêmica da
dinâmica da produção local.
Para a complementação e desenvolvimento do trabalho, também foram coletados os
preços do quilo do mel praticados em seis varejistas escolhidos intencionalmente: sendo
quatro grandes varejos e dois varejos de proximidade, além de duas redes de farmácia e
duas panificadoras.
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1 Canais de distribuição
Um canal de distribuição - canal de marketing - de acordo com Kotler e Armstrong
(2007), é um conjunto de organizações interdependentes que ajuda a disponibilizar um
produto ou serviço para o consumo ou uso a um consumidor final ou organizacional. De
acordo com os autores, o sucesso individual de uma empresa não é o resultado apenas de
seu esforço próprio, pois exige também a competitividade de todo o seu canal de
distribuição em relação aos canais de seus concorrentes.
Para Rosenbloom (2002), canal de distribuição é o fluxo que um produto segue
desde a sua fabricação até chegar ao consumidor final, sendo que nesse processo, o produto
pode ser posse de vários agentes.
A atenção dada aos canais de distribuição é ainda baixa em relação às outras três
variáveis do composto de marketing: preço, produto e promoção (ROSENBLOOM, 2002).
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No entanto, nos últimos anos, cada vez mais os profissionais de marketing estão focando as
suas atenções para a construção de relacionamentos não somente para os clientes (“níveis
abaixo”), como também com os fornecedores e revendedores (“níveis acima”) na cadeia de
suprimento da empresa (KOTLER; ARMSTRONG, 2007).
Kotler e Armstrong (2007) afirmam que “o uso de intermediários se deve à maior
eficiência deles em oferecer mercadorias para mercados-alvo.” No que tange o ponto de
vista econômico,
[...] o papel dos intermediários de marketing consiste em transformar o sortimento de produtos
fabricados pelas empresas em sortimento de produtos desejados pelos clientes. Os fabricantes
produzem grandes quantidades de pequenos sortimentos de produtos, mas os consumidores
desejam pequenas quantidades de grandes sortimentos de produtos. Nos canais de distribuição, os
intermediários compram grandes quantidades de muitos fabricantes e as dividem nas quantidades
menores e nos maiores sortimentos desejados pelos consumidores [...] (KOTLER e
ARMSTRONG, 2007).
Produtores e intermediários podem unir-se para criar valor para seus clientes
através de relatórios sobre as condições do mercado, previsões de demanda e análises
competitivas, para saberem o que realmente os consumidores desejam.
3.2 EXTENSÃO DOS CANAIS
De acordo com Sproesser (2001) um canal de distribuição é caracterizado
“principalmente por seu comprimento, quer dizer, o número de agentes econômicos que o
integram, e pela repartição das funções entre estes agentes”.
Kotler (1987), por sua vez, afirma que um estágio é qualquer empresa, a partir do
produtor que adquire a propriedade da mercadoria ou tem a responsabilidade de venda da
mesma. A figura 3.1 mostra as várias extensões nos canais de distribuição.
Parafraseando Sproesser (2001), um canal de distribuição, de acordo com a sua
extensão, pode ser classificado em: canal direto, canal indireto curto e canal indireto longo.
a) Canal direto: composto por dois níveis. A atividade de distribuição aos consumidores é
exercida pelo próprio produtor. Neste caso, temos como exemplo, as vendas feitas em
feiras.
b) Canal indireto curto: composto por três níveis. É constituído por um produtor e um
conjunto de varejistas. Podemos considerar como exemplo, uma empresa de alimentos que
vende a uma rede de supermercados que, por conseguinte, vende aos seus clientes.
c) Canal indireto longo: composto por quatro níveis. Envolve a participação de, pelo
menos, um intermediário (geralmente um atacadista) entre o produtor e o varejista. A
figura 3.1 ilustra os vários canais de distribuição de diferentes extensões.
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Figura 3.1: Comprimento dos canais de distribuição
Fonte: Sproesser (2001).
Canais com níveis maiores também podem ser encontrados, porém, com menor
freqüência. Vale ressaltar que o aumentando o número de estágios, aumenta também o
problema de controle (KOTLER, 1987).
Sproesser (2001), por sua vez, afirma que “os intermediários podem contribuir com um
efeito negativo à cadeia produtiva, quando não agregam valor ao produto e/ ou praticam margens
muito elevadas em função do serviço prestado”.
3.3 Importância dos intermediários
A importância dada aos intermediários é antiga, data de 1776, quando em “A
riqueza das Nações”, livro de Adam Smith, foi citada a especialização e a divisão do
trabalho como forma de aumentar o resultado e o desempenho das operações (CONSOLI,
2005). A tarefa de distribuição é calcada na divisão do trabalho entre os membros que se
especializam em suas funções.
A existência de intermediários facilita a busca, pois os consumidores finais não
sabem onde encontrar os bens e serviços e os produtores não sabem ao certo onde
encontrar os consumidores. Para as empresas que não possuem uma marca conhecida,
ficaria muito difícil gerar muitas vendas, utilizando somente a venda direta. Assim, os
intermediários disponibilizam buscas nas duas extremidades da cadeia produtiva
(TONDATO, 2006).
De acordo com Kotler (2000) e McCarthy e Perreault (1997), os produtores obtêm
várias vantagens com a utilização dos intermediários:
a) uma parcela considerável de produtores não tem recursos financeiros suficientes para
comercializar seus produtos diretamente;
b) em alguns casos a venda direta pode não ser viável, seja pelo baixo volume
comercializado ou pela necessidade de estrutura física e organizacional;
c) investir em seu próprio negócio pode ser mais viável do que estabelecer um canal
próprio;
d) os intermediários fornecem informações, tanto para os produtores, quanto para os
vendedores.
Coughlan et al. (2002) apontam a redução do número de contatos como outra
vantagem alcançada com a utilização de intermediários. Analisando a figura 3.2, é possível
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notar a diferença entre utilizar e não utilizar um intermediário para a distribuição de um
produto aos clientes.
No caso da figura 3.2.A, a não utilização de um intermediário exige esforço maior
por parte dos fabricantes, pois cada qual vende diretamente ao consumidor final, o que
requer nove contatos diferentes. Já a figura 3.2.B mostra os mesmo três fabricantes
trabalhando com um intermediário. Nota-se que a presença do intermediário reduz o
trabalho que deve ser executado por fabricantes e clientes, reduzindo o sistema para apenas
seis contatos.
Figura 3.2: Como a utilização de um intermediário de marketing reduz o número de transações
entre os canais
Fonte: Kotler e Armstrong (2007, p. 306).
3.3.1 Atacado
O atacado (comércio atacadista, distribuição atacadista) pode ser caracterizado
como estabelecimentos comerciais que não vendem produtos para consumidores finais, e
sim para os varejistas, industriais, comerciais, institucionais, profissionais ou agrícolas e
também outros atacadistas (ROSENBLOOM, 2002; COUGHLAN et al.2002).
Segundo Kotler (2007), o atacado inclui todas as atividades envolvidas na venda de
bens e serviços para quem revende os mesmos. Os atacadistas compram principalmente
dos produtores e vendem principalmente para varejistas, consumidores organizacionais e
outros atacadistas. Ainda citando Kotler (2007), este destaca ao atacado importantes
características, como: vendas e promoção, compras e formação de sortimento, quebra de
lotes, armazenagem, transporte, financiamento de clientes, gestão de riscos e fontes de
informação de mercado.
3.3.2 Varejo
O varejo, segundo Kotler (2007), engloba todas as atividades envolvidas na venda
de bens ou serviços diretamente a consumidores finais. Logo, o varejista é o ultimo
negociante do canal de distribuição que conecta a fabricantes a consumidores (LEVY;
WEITZ, 2000).
De acordo com Coughlan (2002), uma venda do varejo é aquela na qual o
comprador é um consumidor final, em oposição ao caso de atacado, em que o comprador é,
um consumidor organizacional ou institucional.
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De acordo com o IBGE (1999), 87,1% das empresas comerciais brasileiras são
varejistas. O atacado, por sua vez, representa apenas 13% das empresas do Brasil. A
mesma instituição, no ano de 2006, apontou um declínio na quantidade de empresas
varejistas, para 76,4%. Já o setor atacadista obteve crescimento, atingindo 14,9% (IBGE,
2006).
3.4 Identificação dos agentes
Deve-se ressaltar que o SAG (Sistema Agroindustrial) do mel em Mato Grosso do
Sul apresenta todas as etapas do processo produtivo, desde a extração da matéria-prima até
a comercialização do produto final ao último consumidor (ROSINA, 2008).
A figura 3.3 fornece uma visão detalhada da Cadeia Produtiva do mel de abelha e
como é feita a distribuição na praça de Campo Grande-MS.
Figura 3.3: Agentes participantes da Cadeia Produtiva do mel de abelha de Campo GrandeMS.
Fonte: Adaptado de Rosina (2008).
a) Fornecedor de Insumos: agente responsável pelo fornecimento de insumos tanto para o
segmento produtor como para o segmento beneficiador (processador) da cadeia apícola.
Fornece equipamentos, indumentárias utilizadas na produção no campo, além de
embalagens e equipamentos utilizados no processamento e envasamento dos produtos
apícolas.
b) Produtor/apicultor: é o agente responsável pela produção do mel e de outros produtos
derivados da colméia no campo (como a própolis, a geléia real, a cera de abelhas, o pólen e
a apitoxina).
c) Beneficiador/apicultor: é o agente responsável pelo beneficiamento e envasamento do
mel para sua distribuição, seja para o varejo, seja para o consumidor final. Em Campo
Grande, existem 6 entrepostos, sendo que em apenas um deles o proprietário dedica-se
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exclusivamente a empresa. O entreposto Vovô Pedro absorve grande parte da produção e é
o único no Estado que possui o Serviço de Inspeção Federal (SIF).
d) Grande varejo: esse agente é aqui caracterizado como sendo os médios e grandes
supermercados. A esse elo do SAG se destinam o mel e os demais produtos da colméia já
processados (envasados em pequenos frascos ou potes);
e) Pequeno varejo: fazem parte deste elo os pequenos mercados, as mercearias, padarias,
conveniências, farmácias, lojas especializadas, mercados públicos, além das feiras livres;
f) Consumidor final: agente que adquire o mel produzido para consumo.
4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Caracterização das empresas processadoras de mel de Campo Grande – MS
De acordo com a teoria apresentada anteriormente, faz-se neste capítulo uma
análise da distribuição do mel de abelha em Mato Grosso do Sul, mais especificamente no
município de Campo Grande, no intuito de evidenciar algumas particularidades do setor e
buscar alcançar os objetivos propostos.
São apresentados, a seguir, os dados referentes a quatro beneficiadores/apicultores
de mel de Campo Grande.
O tempo de vida das empresas entrevistadas varia de 8 a 27 anos, sendo que apenas
uma empresa tem menos que 10 anos.
No que diz respeito ao tipo de inspeção de qualidade do mel comercializado pelas
empresas, apenas uma possui o SIF (Sistema de Inspeção Federal), as outras três empresas
operam com o SIM (Sistema de Inspeção Municipal).
Observou-se que 25% das empresas entrevistadas optam por não terceirizar a
produção de mel no campo e 25% preferem comprar todo o mel a ser industrializado. Os
outros 50% restantes compram a maioria do mel processado na própria empresa (98%,
90%, respectivamente). Uma característica comum às empresas é o fato de que 100% dos
acordos firmados com os produtores/apicultores são feitos de forma informal, inexistindo a
presença de contratos formais.
A quantidade de mel processado nas empresas de Campo Grande varia de empresa
para empresa. Notou-se que 75% das empresas entrevistadas produzem menos de 2000 kg
de mel por mês: Empresa A (400 kg/mês), Empresa C (1500 kg/mês) e Empresa D (650
kg/mês) e que juntas não produzem a metade que a Empresa B produz.
Observou-se também, que apenas uma das quatro empresas entrevistadas (Empresa
B), é responsável por processar 73,29% do total do mel produzido, ou seja, 7000 kg/mês.
4.2 Características dos canais
4.2.1 Tipos de intermediários utilizados pelas empresas processadoras de mel de
Campo Grande - MS
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Os intermediários, como citado anteriormente, podem ser atacadistas e varejistas. A
figura 4.1 mostra os intermediários usados pelas empresas processadoras de mel de Campo
Grande-MS.
12,18%
4,27%
53,46%
30,09%
Grande Varejo
Pequeno Varejo
Consumidor Final
Outros
Figura 4.1: Distribuição percentual do número de intermediários usados pelas empresas
processadoras de mel de Campo Grande-MS.
Fonte: Dados da pesquisa.
Visualizando a figura 4.2, é possível notar que mais da metade, ou 53,46% do mel
processado nas empresas entrevistadas é destinado ao grande varejo. Em segundo lugar, o
pequeno varejo é responsável por 30,09% do escoamento do mel. Os outros 16,45%
restantes, 12,18% são vendidos diretamente ao consumidor final e 4,58% são destinados a
distribuidores de doces e projetos que utilizam mel no cardápio alimentar.
4.1.2.1 Preço do mel de abelha praticado no grande varejo de Campo Grande – MS
A partir de uma análise do quadro 4.1, é possível notar algumas características
relativas ao mel comercializado no grande varejo de Campo Grande-MS. Nota-se que
todas as empresas que comercializam o mel nesse tipo de canal possuem o SIF, o que
garante a qualidade do produto ao consumidor final.
Observa-se a presença da marca de seis empresas que têm sede fora do Estado de
Mato Grosso do Sul e uma de Dourados – MS. Apenas uma empresa é oriunda de Campo
Grande-MS, sendo esta a que possui o menor preço do mercado.
Grande varejo
Comper
Carrefour
Extra
Wal-Mart
Empresa
Vovô Pedro
Nectar Floral
Superbom
Wax Green
Vovô Pedro
Mel do Sol
Apis Vida
Superbom
Flor Selvagem
Great Valve
Mel do Sol
Tipo de inspeção
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
Cidade de origem
Campo Grande
Aquiraz
São Paulo
São Paulo
Campo Grande
Águas Lindas de Goiás
Bebedouro
São Paulo
Dourados
Aquiraz
Aquiraz
Estado
MS
CE
SP
SP
MS
GO
SP
SP
MS
CE
CE
R$/kg
16,30
33,56
59,90
32,98
17,19
38,86
31,63
52,95
24,22
21,12
23,26
10
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
Nectar Floral
Vovô Pedro
SIF
SIF
Águas Lindas de Goiás
Campo Grande
GO
MS
34,45
20,60
Quadro 4.1: Características das empresas processadoras de mel no grande varejo.
Fonte: Dados da pesquisa.
4.1.2.2 Preço do mel de abelha praticado no pequeno varejo de Campo Grande - MS
No pequeno varejo de Campo Grande, a presença de marcas regionais é comum
nesse setor, conforme mostra o quadro 4.2. É encontrada a presença de empresas com o
SIM (Sistema de Inspeção Municipal), fato que não ocorre no grande varejo.
Fazendo uma comparação com o preço praticado no grande varejo, os preços
encontrados no pequeno varejo são, em média, mais atrativos.
Pequeno varejo
Rede Econômica
Supermercado Pires
Drogaria São Bento
Farmácia Pague Menos
Panificadora Pão & Tal
Panificadora Monte
Líbano
Empresa
Apis Pantaneira
Vovô Pedro
Abelha Dourada
Apis Pantaneira
Vovô Pedro
Vovô Pedro
Winzel
Supermel
Vovô Pedro
Tipo de inspeção
SIM
SIF
SIM
SIM
SIF
SIF
SIF
SIF
SIF
Vovô Pedro
SIF
Cidade de origem Estado
Campo Grande
MS
Campo Grande
MS
Campo Grande
MS
Campo Grande
MS
Campo Grande
MS
Campo Grande
MS
Picos
PI
Maringa
PR
Campo Grande
MS
Campo Grande
MS
R$/kg
15,51
15,90
13,24
12,31
14,99
18,52
18,51
30,00
19,77
19,50
Quadro 4.2: Características das empresas processadoras de mel no pequeno varejo.
Fonte: Dados da pesquisa.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com esta pesquisa foi possível ter uma visão detalhada dos canais de distribuição
utilizados pelas empresas processadoras de mel de Campo Grande-MS. Concluiu-se que
50% das empresas utilizam canais de dois níveis para vender seus produtos, ou seja,
vendem diretamente aos consumidores finais, e os outros 50% das empresas optam por
distribuir seus produtos por canais de três níveis: o varejo é o intermediário entre o
produtor e o consumidor final. No entanto, em relação a quantidade, em quilos,
comercializada, a figura do varejo é fundamental, pois 83,55% do mel industrializado pelas
empresas campo-grandenses é escoado por este canal.
A inexistência de contratos formais entre os agentes produtor/apicultor –
apicultor/beneficiador é fato e ocorre em 100% dos casos. As relações encontradas são
sustentadas pela confiança existente entre os agentes, que mantêm relacionamentos
próximos entre si.
Inferiu-se, também, que o pequeno varejo é considerado um canal de distribuição
de fácil acesso para empresas processadoras de mel de portes variados. Nesse canal, a
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Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
concorrência entre as empresas locais é mais acentuada, tendo em vista o fácil acesso. A
inexistência de contratos formais de fornecimento, o baixo investimento para poder
comercializar o produto na loja e pouca burocracia faz com que o preço do mel cobrado ao
consumidor final seja mais em conta que no grande varejo.
A relação das empresas processadoras de mel com o grande varejo é menos
expressiva, pois apenas uma empresa distribuiu seus produtos através desse canal. A
concorrência nesse canal é travada com empresas de outros Estados, no entanto o preço
cobrado por essas empresas acaba sendo maior, podendo chegar a uma diferença acima de
quarenta reais por quilo de mel.
O acesso ao grande varejo é mais seletivo encarece o preço final do produto, pois é
cobrado um grande investimento inicial aos interessados em expor produtos em uma
grande rede, além de bonificações anuais, tributos.
Por fim, concluiu-se que as empresas que possuem inspeção SIF têm vantagem
competitiva em relação às concorrentes, pois tem acesso fácil ao grande varejo que
negociam grandes escalas.
6. REFERÊNCIAS
CAMPEÃO, P. Sistemas Locais de produção agroindustrial: um modelo de
competitividade. 2004, 207 p. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção). Programa
de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de São Carlos, São
Carlos – SP, 2004.
CBA.
Confederação
Brasileira
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Apicultura.
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