UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS – IFCH
LABORATÓRIO DE OBSERVAÇÃO SOCIAL – LABORS
Contrato de Prestação de Serviços – Processo nº 5530 -0100/01- 06
FAURGS -LABORS/ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL
DESENVOLVIMENTO REGIONAL, CULTURA POLÍTICA
E CAPITAL SOCIAL
Pesquisa empírica como subsídio à atividade
parlamentar no Rio Grande do Sul
RELATÓRIO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS
Porto Alegre, 10 de dezembro de 2001
Campus d o Vale; Av. Bento Gonçalves, 9500; Prédio 43 322 Sala 215; 91.509
-900
Porto Alegre RS Brasil; Telefone: (55) (51) 3316 6644; Fax: (55) (51) 3316 6908
[email protected]; http://www.ufrgs.br/labors
2
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS – IFCH
LABORATÓRIO DE OBSERVAÇÃO SOCIAL – LABORS
Contrato de Prestação de Serviços – Processo nº 5530 -0100/01- 06
FAURGS -LABORS/ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL
DESENVOLVIMENTO REGIONAL, CULTURA POLÍTICA
E CAPITAL SOCIAL
Pesquisa empírica como subsídio à atividade
parlamentar no Rio Grande do Sul
RELATÓRIO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS
Equipe técnica
Dr. Benedito Tade u César - coordenador geral
Prof. Pedro Silveira Bandeira - coordenador técnico
Ms. Hélio Radke Bittencourt - estatístico
Consultores
Dra. Maria da Graça Pinto Bulhões - consultora especial
Dr. Odaci Coradini
Gustavo Muller
Apoio
Iara Kunde Dickel – coordenadora da campo e de processamento eletrônico
Flávio Saidelles – coordenador de campo
Morgana Camargo da Fontoura – processamento eletrônico
Maria Beatriz Accorsi - secretaria
Estudantes de Pós -Graduação e de Graduação – aplicação e digitação
eletrônica de questionários
Porto Alegre, 10 de dezembro de 2001
Campus do Vale; Av. Bento Gonçalves, 9500; Prédio 43 322 Sala 215; 91.509
-900
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3
Índice
TEMA E OBJETIVO DA P ESQUISA ................................ ................................ ................................ ................................ ........ 4
FONTES DAS QUESTÕES UTILIZADAS ................................ ................................ ................................ ............................. 9
AS REGIÕES ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ .......................... 10
AS DESIGUALDADES REG IONAIS ................................ ................................ ................................ ................................ ...... 11
A I MPORTÂNCIA DO P ROBLEMA DAS D ESIGUALDADES ................................ ................................ ................................ ... 12
A S CAUSAS DAS DESIGUALDADES ................................ ................................ ................................ ................................ ............ 12
PERCEPÇÕES SOBRE A SITUAÇÃO DAS REGI ÕES ................................ ................................ ............................. 14
P OBREZA E RIQUEZA ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ....... 15
P RINCIPAIS P ROBLEMAS DAS REGIÕES ................................ ................................ ................................ ................................ .... 16
AS SOLUÇÕES PARA OS
PROBLEMAS REGIONAIS ................................ ................................ ............................ 17
O S ATORES DO P ROCESSO DE D ESENVOLVIMENTO ................................ ................................ ................................ ........... 17
FORTALECIMENTO OU D IVERSIFICAÇÃO DA BASE E CONÔMICA ................................ ................................ .................. 19
P EQUENAS OU G RANDES E MPRESAS ................................ ................................ ................................ ................................ ........ 20
A ÇÕES PRIORITÁRIAS PARA A REDUÇÃO DO DESEMPRE GO ................................ ................................ ........................... 21
O MERCOSUL E O DESEN VOLVIMENTO DAS REGIÕ ES ................................ ................................ ................ 22
A QUESTÃO DA "METADE SUL" ................................ ................................ ................................ ................................ ......... 23
IDENTIFICAÇÃO COM A
REGIÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ..... 25
PARTICIPAÇÃO E ATIVI DADE POLÍTICA ................................ ................................ ................................ .................. 28
INTERESSE PELA POLÍTICA E A FINIDADES P ARTIDÁRIAS ................................ ................................ ................................ 28
A "Q UESTÃO REGIONAL " E AS E SCOLHAS E LEITORAIS ................................ ................................ ................................ ... 30
P ARTICIPAÇÃO EM A TIVIDADES DE NATUREZA P OLÍTICA ................................ ................................ .............................. 33
P ARTICIPAÇÃO EM E VENTOS P ROMOVIDOS PELO EXECUTIVO , PELO LEGISLATIVO OU PELOS COREDE S
................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ .................. 36
CAPITAL SOCIAL ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ............. 38
P ARTICIPAÇÃO EM A SSOCIAÇÕES VOLUNTÁRIAS ................................ ................................ ................................ .............. 41
CONFIANÇA ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ......................... 45
RECIPROCIDADE ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ................ 47
SÍNTESEDAS CONSIDERAÇÕES SOBRE CAPITAL SOCIAL ................................ ................................ ................................ 47
VALORES E CONCEPÇÃO
DE JUSTIÇA ................................ ................................ ................................ ......................... 49
EXCLUSÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ............................. 50
INFORMAÇÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ..................... 52
CONCLUSÃO ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ........................ 57
ANEXO I: QUESTIONÁRI O................................ ................................ ................................ ................................ ........................ 62
ANEXO II: METODOLOGI A DE COLETA DE DADOS
E PLANO AMOSTRAL ................................ .. 73
METODOLOGIA DE COLETA DE DADOS ................................ ................................ ................................ ................................ ... 74
P LANO AMOSTRAL ................................ ................................ ................................ ................................ ................................ ........... 75
4
Tema e Objetivo da Pesquisa
1
O estudo aqui realizado tem como objetivo geral contribuir para uma
melhor compreensão dos fatores de natureza política, social e cultural que se
encontram associados às desigualdades econômicas atualmente observadas
entre as regiões do Rio Grande do Sul.
O tema das desigualdades regionais tem sido objeto de atenção
crescente, no Estado, ao longo das dua s últimas décadas. No início dos anos
oitenta, no entanto, esse tema despertava pouca atenção até mesmo nos
meios acadêmicos e na comunidade dedicada à pesquisa de questões
2
relacionadas com a sociedade gaúcha.
Por volta da metade dessa década, no entant o, ocorreu uma súbita
radicalização do discurso regionalista na Metade Sul do Estado: um
Deputado Federal com base eleitoral nessa região apresentou Projeto de Lei,
no Congresso Nacional, pretendendo que fosse realizado um plebiscito para
deliberar sobre a criação de uma nova unidade da federação – o Estado do
Piratini – abrangendo cerca de metade do território gaúcho, composta pelas
suas partes sul e sudoeste.
Essa primeira tentativa separatista acabou sendo frustrada, pois a
realização do plebiscito não foi aprovada pelo Congresso Nacional. No
entanto, após a ocorrência desse fato – que pôs em questão o próprio poder
coesivo da identidade gaúcha – aumentou de forma muito significativa o
grau de consciência a respeito da intensidade e da importância das
desigualdades econômicas e sociais existentes entre as diferentes porções do
território do estado. Aumentou, também, a consciência sobre o potencial
dessas desigualdades como elementos para a construção de discursos
politicamente eficazes.
Desde então, o interesse pela “questão regional” tem crescido
continuamente no Rio Grande do Sul. Multiplicaram -se os estudos e
levantamentos de informações preocupados em caracterizar e explicar as
diferenças regionais quanto aos níveis de desenvolvimento econômico e
social. Criaram -se várias comissões especiais na Assembléia Legislativa do
Estado para analisar os problemas das regiões menos desenvolvidas,
1
A equipe de pesquisa agradece aos professores Marcello Baquero, do Departamento de Ciência Política
da UFRGS, e Soraya V. Cortes, do Departamento de Sociologia da mesma Universidade, pela leitura
crítica do questionário utilizado neste estudo, ressaltando que não lhes cabe responsabilidade sobre as
limitações que possam ser registradas no questionário, as quais devem ser atribuídas
a sua coordenação.
2
Na Fundação de Economia e Estatística, por exemplo, apenas em 1983 foi formado um grupo de trabalho
dedicado à análise desse tema, embora o órgão já contasse com quase uma década de existência.
5
sugerindo políticas e ações que possibilitassem seu enfrentamento. No
âmbito do Poder Executivo, foram criados Depar tamentos, Grupos
Executivos e Secretarias Extraordinárias para ocupar -se desses temas. Na
sociedade civil, se afirmaram os Conselhos Regionais de Desenvolvimento,
organizações dedicadas a mobilizar e articular a comunidade das regiões em
torno da promoção do desenvolvimento.
Paralelamente, cresceu a disponibilidade de informações capazes de
proporcionar uma análise mais adequada das desigualdades existentes entre
as regiões gaúchas. Ainda nos anos oitenta, a Fundação de Economia e
Estatística elaborou sé ries que permitem a análise da evolução do Produto
Interno Bruto dessas regiões, por setores, desde a década de 40. Mais
recentemente, dados elaborados pelo IPEA – o Índice de Desenvolvimento
Humano por municípios (IDH -M) – e pela própria FEE – o Índice So cial
Municipal Ampliado (ISMA) – passaram a permitir a análise das
desigualdades existentes entre as regiões no que se refere a variáveis de
natureza social.
No entanto, esse conjunto mais abrangente de dados não esgota o rol
dos tipos de informações nec essárias para que se possa ter uma visão mais
clara sobre a natureza dos fatores que contribuem para produzir e reproduzir
as desigualdades regionais no Rio Grande do Sul. Não existem
levantamentos mais sistemáticos sobre os fatores de natureza política, s ocial
e cultural associados às desigualdades econômicas atualmente observadas
entre as regiões do Estado. A presente pesquisa propõe -se a contribuir para
o preenchimento desta lacuna.
Um dos principais aspectos a serem investigados nesta pesquisa diz
respeito às características sócio -culturais que contribuem para determinar
aquilo que poderia ser denominado de “estoque de capital social” das
regiões gaúchas. O conceito de capital social tem sido utilizado na análise
de uma grande variedade de questões rel acionadas com o desempenho
institucional e com o desenvolvimento econômico. Na verdade, a noção de
capital social pode ser considerada uma das inovações conceituais que
maior atenção receberam, no contexto das ciências sociais, no decorrer da
década de nov enta. O interesse por esse conceito rapidamente transbordou o
âmbito estritamente acadêmico, alcançando os meios de comunicação, os
formuladores de políticas e as instituições internacionais ligadas à promoção
e ao financiamento do desenvolvimento. Dentre estas últimas, destaca -se o
Banco Mundial, que tem sido um dos principais animadores das pesquisas
em torno do tema nos últimos anos 3 .
3
O conceito de capital social é discutid o mais amplamente em outra seção deste relatório.
6
Embora tenha despertado maior atenção especialmente a partir da
década de noventa, o conceito de capital social tem raí zes profundas no
pensamento das ciências sociais 4 , podendo ser identificada sua utilização,
em trabalhos precursores, desde o início do século vinte. A literatura
relacionada com o capital social tem crescido de forma exponencial ao
longo dos últimos anos. Da mesma forma, tem aumentado a listagem das
áreas de pesquisa nas quais o conceito tem sido aplicado.
A popularidade alcançada pelo conceito de capital social deve ser
atribuída, em grande parte, à repercussão do trabalho realizado por Robert
Putnam, c ientista político da Universidade de Harvard. Três de seus textos,
publicados ainda na primeira metade dos anos noventa, despertaram amplo
interesse dentro e fora da comunidade acadêmica, e tiveram especial
importância para a difusão desse conceito.
O pr imeiro desses trabalhos foi o livro elaborado em conjunto com
dois pesquisadores italianos e publicado em 1993, intitulado “Making
Democracy Work: Civic Traditions in Modern Italy” 5 . Nesse livro,
Putnam estudou detalhadamente as diferenças de desempenho in stitucional
verificadas entre as administrações regionais italianas, ao longo dos vinte
anos que se seguiram à sua implantação, em 1970.
Depois de constatar, através de uma minuciosa análise empírica 6 , que
as administrações das regiões localizadas no cen tro e no norte da Itália
haviam apresentado um desempenho melhor que as do sul, Putnam buscou
identificar as causas dessas diferenças. Após descartar algumas hipóteses,
como a de que as diferenças poderiam ser atribuídas ao maior ou menor
grau de riqueza d as regiões, Putnam optou por atribuir o desempenho
destacadamente melhor de algumas das regiões do centro -norte às suas
tradições cívicas , que teriam contribuído para acumular um maior estoque
de capital social nessas áreas, constituído por uma densa malha de
associações caracterizadas por um padrão horizontal de relações sociais.
Putnam é enfático quanto à direção da relação causal entre riqueza e
tradições cívicas, ao referir -se, em outro texto, às regiões mais
desenvolvidas da Itália:
4
Ver WOOLCOCK, Michael (1998)
- "Social Capital and Economic Development: Toward a
Theoretical Synthesis and Policy Framework", Theory and Society 27:151 -208.
5
Editado em português, em 1996, pela Fundação
Getúlio Vargas, com o título de “Comunidade e
Democracia: A Experiência da Itália Moderna”.
6
Putnam desenvolveu um índice de desempenho institucional baseado na combinação de doze
indicadores. Ver PUTNAM, Robert D. (1996)
- “Comunidade e Democracia: a Ex periência da Itália
Moderna” , Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas; capítulo 3.
7
“These communiti es did not become civic simply because
they were rich. The historical record strongly suggests precisely
the opposite: They have become rich because they were civic. The
social capital embodied in norms and networks of civic
engagement seems to be a precon dition for economic
development, as well as for effective government. Development
economists take note: Civics matters.” 7
Segundo ele, a desvantagem do Sul tinha origem no fato de que, a
partir da conquista normanda da Sicília, na Idade Média, construiu -se nessa
região uma tradição cultural autoritária que fez com que nela viessem a
predominar relações sociais de tipo vertical, hierárquicas, gerando um
campo pouco fértil para o cultivo do espírito participativo e comunitário.
Em ambientes como esse, as qu estões públicas tendem a ser vistas como da
alçada exclusiva das elites, dos notabili , situando -se fora da esfera de ação
dos cidadãos comuns.
Nessas sociedades, os indivíduos tendem a concentrar suas lealdades
e sua confiança em círculos mais fechados, como aqueles unidos por laços
familiares (vide as “famílias” da máfia siciliana), sendo pouco propensos a
associar -se e relacionar -se de forma colaborativa com pessoas que lhes são
menos próximas dentro da comunidade.
Ao contrário, no Centro e no Norte d o país - onde as relações feudais
foram menos duradouras e cuja tradição democrática remonta às cidades
medievais, berço de instituições de tipo republicano - as redes de relações
sociais tornaram -se mais densas ao longo da história, criando um ambiente
em que predominam ligações horizontais, não hierárquicas, que favorecem
o surgimento de indivíduos culturalmente afeitos à participação, à
colaboração e ao associativismo. Não é por acaso que nessa área se situam
os distritos industriais da terza Italia , tão freqüentemente preconizados
como modelo a ser seguido em outras regiões, distritos esses cuja
competitividade se baseia na cooperação entre um grande número de
pequenas empresas.
Ainda em 1993 Putnam publicou um artigo – intitulado "The
Prosperous Commu nity: Social Capital and Public Life" – onde
sintetizou as principais conclusões do estudo sobre a experiência das
7
"Estas comunidades não se tornaram cívicas simplesmente porque eram ricas. O registro histórico
fortemente sugere precisamente o contrário: elas se tornaram ricas porque e
ram cívicas. O capital social
incorporado nas normas e redes de engajamento cívico parece constituir uma pré
-condição para o
desenvolvimento econômico e para a administração pública eficaz. Economistas preocupados com o
desenvolvimento, tomem nota: o civis mo é importante." - PUTNAM, Robert D. (1993) - "The
Prosperous Community
- Social Capital and Public Life."
American Prospect (13): 35 -42.
http://epn.org/prospect/13/13putn.html .
8
8
administrações regionais italianas . Além disso, nesse texto Putnam ampliou
o argumento exposto em “Making Democracy Work” sobre os efeitos
positivos do capital social para o desenvolvimento econômico e para o
funcionamento das instituições democráticas.
No entanto, a principal contribuição de Putnam para a popularidade
do conceito de capital social deu -se através de outro artigo, publicado e m
9
1995, intitulado “Bowling Alone: America’s Declining Social Capital” .
Nesse artigo, e em outros trabalhos posteriores, Putnam desenvolveu a tese
de que, devido a mudanças de hábitos ocorridas nas últimas décadas, o
estoque de capital social da sociedade americana estaria sendo reduzido.
Uma das características mais tradicionais da sociedade dos Estados Unidos,
a rica e pujante vida associativa, já destacada por autores clássicos com
Alexis de Tocqueville, estaria a ponto de desaparecer.
Putnam publicou , posteriormente, outros artigos onde buscava
identificar as causas do declínio por ele apontado no estoque de capital
social na sociedade americana. Finalmente, no ano 2000, lançou um livro,
também intitulado “Bowling Alone” , onde são apresentados os resu ltados
completos de uma ampla pesquisa iniciada à época da publicação do artigo
original sobre o tema. 10
O debate suscitado por esses trabalhos fez com que se aglutinasse em
torno de Putnam um grupo de intelectuais e de ativistas ligados a
movimentos comunitários. Juntos, com apoio da Kennedy School of
Government, da Universidade de Harvard, criaram o Saguaro Seminar , que
desde 1997 organiza eventos sobre o capital social na sociedade
americana 11 . O trabalho desenvolvido pelo Saguaro Seminar tem sido
centrado, principalmente, em identificar meios para promover a
revitalização do engajamento cívico e das tradições associativas norte americanas. No final do ano 2000, esse grupo publicou o relatório “Better
Together” , onde são divulgadas experiências de ações b em sucedidas
desenvolvidas nessa direção e são propostas medidas no sentido de
8
PUTNAM, Robert D. (1993) - "The Prosperous Community - Social Capital and P ublic Life."
American Prospect (13): 35 -42. http://epn.org/prospect/13/13putn.html .
9
PUTNAM, Robert D. (1995) - "Bowling Alone: America's Declining Social Capital",
Journal of
Democracy 6(1): 65 -78. Em dezembro de 1996 foi lançado outro artigo
- "Tuning I n, Tuning Out: The
Strange Disappearance of Social Capital in America" , publicado na revista Political Science and
Politics - que pode ser caracterizado como uma versão revisada e ampliada do argumento apresentado em
“Bowling Alone”.
10
PUTNAM, Robert D. (2 000) – “Bowling Alone: The Collapse and Revival of American
Community” , New York, Simon & Schuster.
11
A página www.ksg.harvard.edu/saguaro/index.html
apresenta informações sobre os objetivos do
seminário e sobre os temas abordados nas suas várias edições.
9
promover uma “retomada na acumulação de capital social” nos Estados
12
Unidos.
Fontes das Questões Utilizadas
O questionário utilizado nesta pesquisa combina questões
desenvolvidas tendo em vista, de forma específica, a realidade do Rio
Grande do Sul, com outras que têm sido utilizadas em investigações
empíricas, realizadas em nível nacional e internacional, sobre temas
relacionados com o capital social, a cultura política e o desenvolvimento
regional. Evidentemente, muitas das questões extraídas dessas fontes foram
adaptadas às condições e características locais. Outras foram utilizadas com
redação idêntica à original, para possibilitar comparações dos resultados
com os encontrados em outros contextos.
Para analisar como são percebidos, pela população, os vários aspectos
da temática do desenvolvimento regional e das desigualdades regionais,
foram utilizados como referência principal os questionários adotados nas
Enquetes Regio nales, realizadas pelo Observatoire Interrégional du
Politique13 , da França. Esta organização, criada em 1985 pelo Centre
National de la Recherche Cientifique e pela Fondation Nationale de
Science Politique , realiza pesquisas anuais de opinião sobre a probl emática
regional francesa.
Várias foram as fontes de referência utilizadas para a seleção de
questões que permitissem analisar o capital social das regiões do Estado do
Rio Grande do Sul. Uma delas foi o questionário utilizado como base para o
The Social Capital Community Benchmark , desenvolvido pelo Saguaro
Seminar e pela Kennedy School of Government , da Universidade de
Harvard. Também foram utilizados como referência outros questionários
disponibilizados em um site criado pelo Banco Mundial com a finali dade
específica de divulgar pesquisas empíricas realizadas, em diversos países e
por diferentes instituições, sobre a temática do capital social. 14 Dentre esses
questionários, pode -se destacar o utilizado na General Household Survey ,
realizada na Inglaterra , o usado na Global Social Capital Survey , em
Uganda, e outro adotado para a mensuração do capital social na Colômbia.
12
13
14
Esse relatório está disponível na íntegra, através da Internet, no endereço
www.bettertogether.org .
Cujo endereço na Internet é www.solcidsp.upmf - grenoble.fr/oip/oip_gene.htm .
Cujo endere ço é www.worldbank.org/poverty/scapital/library/surveys.htm .
10
Foram, ainda, incluídas questões utilizadas por Robert Putnam em seu
15
estudo já clássico sobre as regiões italianas .
Foram incluídas, a inda, questões cujo objetivo é investigar possíveis
diferenças regionais quanto a valores e cultura política. Nessa parte, as
principais fontes utilizadas para a escolha de questões foram a World
Values Survey 16 e estudos realizados por pesquisadores ligado s à
Universidade de Brasília, que deram origem a artigos apresentados no livro
17
intitulado Política e Valores, publicado em 2000.
As Regiões
Para a análise aqui apresentada, o território do Rio Grande do Sul foi
subdividido em quatro Macro -Regiões, com base na agregação dos 22
Conselhos Regionais de Desenvolvimento existentes no Estado.
A primeira dessas Macro -Regiões, denominada Nordeste 1 , é
composta pelos COREDEs Metropolitano do Delta do Jacuí e do Vale do
Rio dos Sinos. Abrange, portanto, de for ma aproximada, o território da
Região Metropolitana de Porto Alegre.
A segunda, denominada Nordeste 2 , é composta pelos Conselhos
Regionais de Desenvolvimento da Serra, do Vale do Caí, das Hortênsias, do
Litoral, do Vale do Taquari e do Paranhana -Encosta da Serra. Compreende,
dessa forma, grande parte das primeiras áreas coloniais alemãs e italianas do
Estado, à exceção daquelas (como São Leopoldo, Novo Hamburgo e outras
situadas na região do Vale dos Sinos) que estão incluídas na Macro -Região
Nordeste 1.
A terceira Macro-Região, a Norte, é composta pelos COREDEs
Nordeste, Norte, da Produção, do Médio -Alto Uruguai, do Noroeste
Colonial, das Missões e da Fronteira Noroeste, bem como por parte dos
municípios do COREDE do Vale do Rio Pardo. Inclui, portanto , a maior
parte das áreas alcançadas pelo processo de expansão da colonização
européia no estado, a partir das últimas décadas do século XIX.
15
PUTNAM, Robert D. (1996) - “Comunidade e Democracia: a Experiência da Itália Moderna”
de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas.
16
Cujo endereço na Internet é wvs.isr.umich.edu .
17
Ver ARAÚJO et alii (2000) – “Política e Valores” , Brasília, Editora UnB.
, Rio
11
A quarta e última das Macro -Regiões é a Sul, que inclui os Conselhos
Regionais de Desenvolvimento da Fronteira O este, da Campanha, Central,
Sul e Centro-Sul, além de parte dos municípios do COREDE do Vale do
Rio Pardo. Abrange, portanto, a porção do território gaúcho caracterizada
historicamente pelo predomínio da pecuária e das grandes propriedades
rurais. Deve-se registrar, no entanto, que também ocorrem áreas coloniais
em algumas porções desta grande região.
A preocupação central dessa divisão regional foi definir Macro Regiões que se distinguissem tendo em vista os principais processos
definidores das caracterí sticas sociais, econômicas e culturais do estado:
ocupação original e formação das estâncias de criação de gado, imigração e
colonização européia, expansão das áreas coloniais, industrialização e
metropolização. Por esse motivo, foi necessário subdividir o Conselho
Regional de Desenvolvimento do Vale do Rio Pardo. Sua parte norte,
incluindo municípios como Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, de
características nitidamente coloniais, foi incluída na Macro -Região Norte. A
porção sul da área abrangida por esse Conselho, composta por municípios
como Encruzilhada do Sul, Pantano Grande e Rio Pardo, foi incluída na
Macro-Região Sul.
As Desigualdades Regionais
Nas seções a seguir, são comentadas as respostas às perguntas do
questionário mais diretamente relaci onadas com os temas das desigualdades
regionais e do capital social. Não se pretendeu, no contexto deste
documento, fazer uma análise exaustiva de todos os resultados da pesquisa.
Optou-se por analisar os resultados de algumas questões selecionadas,
observando-se as diferenças existentes entre as quatro regiões antes
definidas no que se refere ao padrão de respostas dadas a essas questões.
Evidentemente, o aprofundamento da análise de alguns temas exigiria
um tratamento mais abrangente dos dados. No entan to, tendo em vista que o
Fórum Democrático colocará à disposição dos pesquisadores interessados
cópias do banco de dados e das demais informações metodológicas sobre a
pesquisa, espera -se que a comunidade acadêmica gaúcha venha a utilizar
amplamente esse m aterial, tendo acesso a um conjunto mais amplo de dados
e alcançando, assim, uma melhor compreensão das desigualdades regionais
existentes no Rio Grande do Sul.
12
A Importância do Problema das Desigualdades
As desigualdades regionais foram percebidas como um problema
importante por quase 85% dos entrevistados em todo o Estado. Esse
percentual variou relativamente pouco entre as regiões, situando -se
ligeiramente abaixo dos 80% na região Nordeste 2, como mostra a tabela a
seguir. No conjunto das regiões, ape nas 5,6% dos entrevistados acharam
que essas desigualdades não devem ser consideradas um problema.
Respostas à questão "O(a) Sr(a) acha que as desigualdades de nível de desenvolvimento
entre as regiões do Estado do RS são ...", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Um problema importante
445
188
286
319
1238
85,4%
78,3%
85,4%
84,6%
84,0%
Não devem ser
22
23
19
18
82
consideradas um
4,2%
9,6%
5,7%
4,8%
5,6%
problema
Um problema de pouca
importância
NS/NR
TOTAL
39
7,5%
21
8,8%
23
6,9%
28
7,4%
111
7,5%
15
2,9%
521
100,0%
8
3,3%
240
100,0%
7
2,1%
335
100,0%
12
3,2%
377
100,0%
42
2,9%
1473
100,0%
Além disso, o percentual de pessoas que consideraram importantes as
desigualdades regionais aumenta con forme o grau de instrução, alcançando
mais de 90% entre os entrevistados com nível superior.
As Causas das Desigualdades
A percepção da população sobre as causas das desigualdades foi
investigada através de uma questão que propunha cinco alternativas. A
primeira delas afirmava que as desigualdades seriam uma decorrência
normal do funcionamento de uma economia de mercado. A segunda atribuía
as diferenças de desenvolvimento entre regiões ao favorecimento ou à
discriminação por parte dos governos. A tercei ra alternativa afirmava que o
principal determinante dessas diferenças seria o fato de que os habitantes de
algumas regiões seriam mais trabalhadores e teriam maior capacidade
empreendedora.
13
As duas últimas alternativas propunham que as desigualdades ser iam
resultado de fatores estruturais. Uma afirmava que a concentração da
propriedade da terra e da renda seria a causa do menor desenvolvimento de
algumas áreas. A outra atribuía a crise de algumas regiões aos problemas
enfrentados pelos pequenos produtore s.
Como mostra a tabela abaixo, estas duas causas "estruturais",
somadas, alcançaram maior participação, com 35% das respostas no total do
Estado. Dentre as duas, as dificuldades dos pequenos produtores alcançaram
um percentual ligeiramente maior (19% con tra 16,1%). Foram seguidas pela
alternativa que apontava o favorecimento por parte dos governos, com cerca
de 30%, e pela crença de que as desigualdades são algo "natural", com cerca
de 20%. Em último lugar, com cerca de 10%, apareceu a menção às
diferenças de capacidade de trabalho e de espírito empreendedor entre os
habitantes.
Respostas à questão "Quais dentre as afirmações a seguir definem melhor as causas das
desigualdades de desenvolvimento entre as regiões do RS ?", por região do estado
(primeira r esposta)
Região do Estado
Nordeste 1
Nordeste 2
Norte
Sul
É normal que o crescimento econômico
128
54
56
69
se concentre mais em algumas regiões
25,3%
24,0%
17,4% 18,8%
do que em outras
Os governos favorecem mais algumas
153
53
88
145
regiões
30,2%
23,6%
27,4% 39,4%
Os habitantes de algumas regiões têm
mais iniciativa e são mais trabalhadores
do que os de outras
A concentração da propriedade da terra
e da renda impede o desenvolvimento de
algumas regiões
As dificuldades enfrentadas pelos
pequenos produtores levam algumas
regiões a entrar em crise
TOTAL
Total
307
21,6%
439
30,9%
56
11,1%
39
17,3%
21
6,5%
40
10,9%
156
11,0%
79
15,6%
36
16,0%
69
21,5%
53
14,4%
237
16,7%
90
17,8%
43
19,1%
87
27,1%
61
16,6%
281
19,8%
506
100,0%
225
100,0%
321
368
1420
100,0% 100,0% 100,0%
Houve diferenças significativas entre as regiões no que se refere às
respostas a esta questão. Na região metropolitana (Nordeste 1), a resposta
isolada predominante foi que as desigualdades resultam da ação dos
governos, favorecendo algumas regiões em detrimento de outras (30,2%).
No entanto, a soma das respostas relativas às causas "estruturais" alcançou
32%. Esta é a região onde a alternativa "a concentração do crescimento é
natural" atingiu seu percentual mais elev ado, com pouco mais de 1/4 das
respostas.
14
A região Nordeste 2 caracteriza -se por ser aquela onde a opção
relativa à ação dos "governos" atingiu seu percentual mais baixo, mais de
cinco pontos percentuais abaixo da média Estadual, e onde a alternativa
"habitantes trabalhadores e empreendedores" alcançou seu maior nível, com
17,3% das respostas.
O Norte, por sua vez, foi a área onde a soma das causas estruturais
atingiu o nível mais elevado, aproximando -se da metade das respostas
(46,6%). Dentre elas, pre dominou a opção "dificuldade dos pequenos
produtores". No entanto, deve -se ressaltar que foi nesta região que ambas as
causas estruturais alcançaram o seu pico em termos de percentuais. O Norte
foi, também, a região onde o percentual de "habitantes trabalh adores e
empreendedores" foi mais baixo.
O Sul caracteriza -se por ter sido a única região onde a alternativa
relacionada com a ação dos "governos", com mais de 38% do total,
ultrapassou a soma das causas "estruturais", que chegou a 30%. Chama a
atenção o fato de, entre estas causas "estruturais", a mais assinalada foi a
relativa aos problemas das pequenas propriedades, sabendo -se que a região
se caracteriza pelo predomínio das médias e grandes propriedades rurais.
Percepções Sobre a Situação das Regiõe s
O questionário incluiu, ainda, questões voltadas para a investigação
das percepções dos entrevistados sobre a situação das regiões onde vivem,
seus principais problemas, bem como sobre as ações consideradas
prioritárias para o enfrentamento desses prob lemas. Neste ponto, o
questionário apoiou -se, em grande parte, no material utilizado, na França,
nas Enquetes Regionales elaboradas pelo Observatoire Interrégional du
Politique, tendo sido feitas algumas adaptações para melhor adequar as
questões à realida de do Rio Grande do Sul.
15
Pobreza e Riqueza
Como mostra a tabela abaixo, nas regiões Nordeste 1 e Nordeste 2 a
maior parte dos habitantes considera que sua região é predominantemente
rica, ao passo que a maior parte dos habitantes do Sul e do Norte
consideram que suas regiões são predominantemente pobres.
Respostas à questão "O(a) Sr(a) considera que sua região é rica ou pobre ?",
por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Rica
107
74
32
36
249
20,5%
30,8%
9,6%
9,5%
16,9%
Mais rica do que pobre
180
86
98
68
432
34,5%
35,8%
29,3%
18,0%
29,3%
Mais pobre do que rica
150
46
116
146
458
28,8%
19,2%
34,6%
38,7%
31,1%
Pobre
67
24
82
119
292
12,9%
10,0%
24,5%
31,6%
19,8%
NS/NR
17
10
7
8
42
3,3%
4,2%
2,1%
2,1%
2,9%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
Além disso, como mostram os dados da tabela a seguir, no Sul e no
Norte predominou a percepção de que essas regiões já foram mais ricas no
passado, ao contrário do que a conteceu no Nordeste 1 e 2, onde prevaleceu
a percepção de que essas áreas já foram mais pobres .
Resposta à questão "O(a) Sr(a) acha que, no passado, a sua região já foi mais rica ou
mais pobre do que é hoje ?", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Já foi mais rica
203
75
173
246
697
39,0%
31,3%
51,6%
65,3%
47,3%
Continua igual
86
39
67
64
256
16,5%
16,3%
20,0%
17,0%
17,4%
Já foi mais pobre
222
118
87
60
487
42,6%
49,2%
26,0%
15,9%
33,1%
NS/NR
10
8
8
7
33
1,9%
3,3%
2,4%
1,9%
2,2%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
16
A realização de um cruzamento entre as respostas dadas a essas duas
questões, por regiões, mostrou que quase 50% dos entrevistados no Sul
consideravam, simultaneamente, que a região é hoje predominantemente
pobre e que já foi mais rica no passado. Esse resultado revelou uma
percepção fortemente negativa a respeito da situação e das tendências da
economia local. De forma semelhante, 35% dos entrevis tados no Norte
mostraram a percepção simultânea de pobreza atual e empobrecimento ao
longo do tempo. Apenas no Nordeste 2 predominou a percepção de que a
região, além de ser rica ou mais rica do que pobre, encontra -se na atualidade
em uma situação melhor d o que no passado. Na região metropolitana
(Nordeste 1), as opiniões se dividiram, sem que pudesse ser identificado um
18
padrão claro no cruzamento dessas duas variáveis.
Principais Problemas das Regiões
A escassez de oportunidades de trabalho é percebi da como o principal
problema em todas as regiões do Estado. Em todo o Rio Grande do Sul,
quase metade dos entrevistados escolheu "emprego" como primeira opção
de resposta à questão "Quais são os pontos mais fracos (problemáticos) da
sua região?". Como most ra a tabela a seguir, essa opção alcançou 67,4% no
Sul, 61,2% no Norte, 39,2% no Nordeste 2 e 30,1% no Nordeste 1 (Região
Metropolitana). Apenas nesta última região a resposta que ficou em segundo
lugar, "segurança pública", com 28,6%, conseguiu atingir um percentual
próximo ao do emprego (30,1%). Nas demais regiões, o segundo lugar ficou
sempre com um percentual inferior à metade do alcançado pela opção
"emprego", como mostra a tabela a seguir.
18
As tabelas onde foi efetuado esse cruzamento, uma por região, deixam de ser apresentadas para evitar
que este relatório se torne excessivamente longo. Destaca -se apenas a percepção dominante em c ada
região.
17
Resposta à questão "Quais são os pontos mais fracos (proble
máticos) da sua região ?",
por, região do estado (primeira resposta)
Habitação
Emprego
Segur ança Pública
Estradas e meios de comunicação
Escolas e qualidade do ensino
Atendimento à saúde
Atividades Culturais
Outros
Sem opinião
TOTAL
Nordeste 1
62
11,9%
157
30,1%
Região do Estado
Nordeste 2
Norte
23
17
9,6%
5,1%
94
205
39,2%
61,2%
Total
Sul
29
7,7%
253
67,1%
131
8,9%
709
48,1%
239
16,2%
69
4,7%
51
3,5%
149
28,6%
6
1,2%
31
6,0%
29
12,1%
10
4,2%
7
2,9%
36
10,7%
42
12,5%
3
,9%
25
6,6%
11
2,9%
10
2,7%
86
16,5%
21
4,0%
7
1,3%
2
,4%
521
100,0%
40
16,7%
18
7,5%
17
7,1%
21
6,3 %
7
2,1%
4
1,2%
35
9,3%
7
1,9%
7
1,9%
240
100,0%
182
12,4%
53
3,6%
35
2,4%
2
,1%
335
377
1473
100,0% 100,0% 100,0%
As Soluções para os Problemas Regionais
Além de solicitar aos entrevistados elementos para um diagnóstico da
situação das regiões, a pesquisa também buscou investigar qual a sua
percepção sobre as soluções para os principais problemas regionais.
Os Atores do Processo de Des envolvimento
A primeira pergunta da seção do questionário sobre a solução dos
problemas regionais indaga quais os atores (entidades e pessoas) mais
importantes para a promoção do desenvolvimento. As várias opções
oferecidas aos entrevistados podem ser ag rupadas em três grandes
categorias: empresas, governos e entidades da sociedade civil/cidadãos.
Como se observa na tabela a seguir, em três das quatro regiões
(Nordeste 1, Nordeste 2 e Sul) predominou, como primeira opção de
resposta, a percepção de que o papel principal na promoção do
desenvolvimento regional cabe às empresas. Somente no Norte os governos
18
superaram as empresas, por apenas um ponto percentual. Em todas as
regiões as entidades da sociedade civil e os cidadãos foram a opção menos
escolhida. Deve-se ressaltar, no entanto, que no Norte o percentual agregado
de Universidades, sociedade civil e cidadãos foi mais de dez pontos superior
ao observado nas demais regiões.
Em todas as regiões, as empresas locais foram consideradas mais
importantes d o que as empresas que possam vir de fora da região. No
Nordeste 2, inclusive, a diferença entre essas duas opções foi da ordem de
mais de 4 por 1, quando nas demais regiões foi, em regra, de 2 por 1. Os
percentuais mais expressivos para as empresas de fora ocorreram no
Nordeste 1 (região metropolitana), com 15,8%, e no Sul, com 18,3%.
As Universidades superaram 10% das respostas no Norte e no Sul,
com percentuais que representam mais do dobro do encontrado no Nordeste
1 e 2. Chama a atenção, ainda, o fato de que o Norte foi a área com valor
mais elevado para a opção "cidadãos" (7,5%), enquanto o Sul foi a de
menor percentual (1,9%).
Entidades e Pessoas consideradas mais importantes para promover o
por região do estado (primeira resposta)
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
As empresas locais
158
108
80
30,3%
45,0%
23,9%
As empresas que venham de fora da
82
23
35
região
15,7%
9,6%
10,4%
Os governos municipais
O governo do Estado
O Governo Federal
As universidades
As associações e e ntidades da região
Os cidadãos da região
NS/NR
TOTAL
desenvolvimento,
Total
Sul
104
27,6%
69
18,3%
450
30,5%
209
14,2%
91
17,5%
71
13,6%
27
5,2%
32
6,1%
20
3,8%
33
6,3%
7
1,3%
49
20,4%
15
6,3%
9
3,8%
11
4,6%
10
4,2%
14
5,8%
1
,4%
80
23,9%
24
7,2%
14
4,2%
53
15,8%
18
5,4%
25
7,5%
6
1,8%
73
19,4%
41
10,9%
18
4,8%
47
12,5%
10
2,7%
7
1,9%
8
2,1%
293
19,9%
151
10,3%
68
4,6%
143
9,7%
58
3,9%
79
5,4%
22
1,5%
521
100,0%
240
100,0%
335
100,0%
377
100,0%
1473
100,0%
Na esfera gov ernamental, como se observa na tabela a seguir, os
governos municipais foram considerados os mais importantes para a
19
promoção do desenvolvimento regional, ficando o governo estadual em
segundo lugar e o federal em último, no mínimo 20 pontos percentuais
abaixo do governo estadual. A ênfase no papel ds governos municipais foi
mais destacada na Região Nordeste 2.
Respostas à questão "Qual o nível de governo deve ter maior influência sobre o
desenvolvimento de sua região ?", por região do estado
Região d o Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Governo Federal
74
25
37
45
181
14,2%
10,4%
11,0%
11,9%
12,3%
Governo Estadual
Governo Municipal
NS/NR
TOTAL
186
35,7%
248
47,6%
13
2,5%
521
100,0%
72
30,0%
139
57,9%
4
1,7%
240
100,0%
130
38,8%
164
49,0%
4
1,2%
335
100,0%
140
37,1%
181
48,0%
11
2,9%
377
100,0%
528
35,8%
732
49, 7%
32
2,2%
1473
100,0%
Fortalecimento ou Diversificação da Base Econômica
Em todas as quatro regiões predominou a percepção de que o
desenvolvimento depen de da diversificação da base econômica, não tendo
sido observadas diferenças substanciais nos percentuais de respostas a esta
questão, como mostra a tabela a seguir.
Respostas à questão "O que seria mais importante para promover o desenvolvimento
de
sua região ?", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Fortalecer as atividades econômicas que
191
99
137
141
568
já existem na região
36,7%
41,3%
40,9%
37,4%
38,6%
Estimular novas atividades, diferentes
das qu e já existem
NS/NR
TOTAL
324
62,2%
139
57,9%
197
58,8%
234
62,1%
894
60,7%
6
1,2%
521
100,0%
2
,8%
240
100,0%
1
,3%
335
100,0%
2
,5%
377
100,0%
11
,7%
1473
100,0%
20
Nas quatro regiões, mais da metade dos entrevistados respondeu que
a indústri a é a atividade que deve ser estimulada para fortalecer a economia
local.
Respostas à questão "Que tipo de atividade deveria ser estimulada para fortalecer a
economia da sua região ?", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordest e 2
Norte
Sul
A pecuária
12
5
12
30
59
2,3%
2,1%
3,6%
8,0%
4,0%
A agricultura
46
68
108
60
282
8,8%
28,3%
32,2%
15,9%
19,1%
A indústria
274
121
171
213
779
52,6%
50,4%
51,0%
56,5%
52,9%
O comércio e os serviços
183
36
33
62
314
35,1%
15,0%
9,9%
16,4%
21,3%
Outros
4
7
10
11
32
,8%
2,9%
3,0%
2,9%
2,2%
NS/NR
2
3
1
1
7
,4%
1,3%
,3%
,3%
,5%
TOTAL
521
100,0%
240
100,0%
335
100,0%
377
100,0%
1473
100,0%
A preferência pela indústria foi um pouco maior no Sul. A agricultura
obteve p ercentuais expressivos no Norte e no Nordeste 2. O comércio e os
serviços, por sua vez, alcançaram mais de 35% no Nordeste 1 (Região
Metropolitana). O número de entrevistados que optou pela alternativa
"pecuária" foi muito baixo até mesmo no Sul, evidencia ndo a percepção
generalizada sobre o pequeno potencial dessa atividade como elemento
dinamizador do conjunto da economia regional.
Pequenas ou Grandes Empresas
No caso da indústria, em todas as regiões, a percepção de que o
estímulo às pequenas e média s empresas é a ação mais importante para o
desenvolvimento superou a alternativa "estímulo ou atração de grandes
empresas", como se constata pelos dados da tabela abaixo. As diferenças
foram mais substanciais no Nordeste 2 e no Norte, onde o estímulo às
pequenas e médias empresas superou o estímulo às grandes empresas com,
respectivamente, 82,9% contra 16,7%, e 76,4% contra 20,9%. A atração e
estímulo às grandes empresas atingiu seus percentuais mais elevados no Sul,
com quase 30% das respostas, seguido do Nordeste 1 (Região
Metropolitana), com cerca de 25%.
21
Respostas à questão "No caso da indústria, o que seria mais importante para promover o
desenvolvimento da sua região ?", por região do estado
Estimular as pequenas e
médias empresas
Estimular ou atrais grandes
empresas
NS/NR
TOTAL
Nordeste 1
368
70,6%
134
25,7%
19
3,6%
521
100,0%
Região do Estado
Nordeste 2
Norte
199
256
82,9%
76,4%
40
70
16,7%
20,9%
1
9
,4%
2,7%
240
335
1 00,0%
100,0%
Total
Su l
261
69,2%
112
29,7%
4
1,1%
377
100,0%
1084
73,6%
356
24,2%
33
2,2%
1473
100,0%
Ações Prioritárias para a Redução do Desemprego
Como foi destacado anteriormente, o desemprego foi identificado
como o principal problema de todas as regiões. No questionário, foi incluída
uma pergunta específ ica sobre quais as ações consideradas mais importantes
para a redução do desemprego. Algumas das várias alternativas de resposta
para essa questão podem ser agregadas, como as três relacionadas com a
atração/estímulo às empresas (2ª, 5ª e 6ª alternativas) ou as duas
relacionadas com a educação ou o treinamento de mão de obra (1ª e 3ª
alternativas).
De forma coerente com as respostas dadas a uma questão anterior,
que apontavam as empresas como os principais atores na promoção do
desenvolvimento, também nes te caso predominou a percepção de que o
estímulo às empresas seria a ação mais importante para a redução do
desemprego. Como mostra a tabela a seguir, em quase todas as regiões, a
soma desse conjunto de opções (2ª, 5ª e 6ª) atingiu o percentual de 50%,
superando, de forma substancial, a soma das alternativas relacionadas com a
formação de mão de obra (1ª e 3ª), que atingiram, no máximo 33,2%. A
exceção foi o Nordeste 1 (Região Metropolitana), onde a diferença entre os
dois conjuntos de alternativas foi de s omente seis pontos percentuais.
Dentre as opções relativas ao estímulo às empresas, a alternativa com
maior número de escolhas foi sempre a "atração de novas empresas", com
percentuais especialmente elevados no caso do Sul e do Norte. A opção
"redução dos impostos pagos pelas empresas" alcançou um percentual
expressivo na região Nordeste 1.
22
Respostas à questão "Qual seria a ação mais importante para reduzir o desemprego na
sua região?", por região do estado (primeira resposta)
Região do Estado
Tota l
Nordeste 1
Nordeste 2
Norte
Sul
Melhorar a qualidade da
173
56
50
93
372
educação dos jovens
33,2%
23,3%
14,9%
24,7%
25,3%
Atrair novas empresas para a
118
71
121
147
457
região
22,6%
29,6%
36,1%
39,0%
31,0%
Realizar treinamento
45
23
26
32
126
profissional pa ra adultos
8,6%
9,6%
7,8%
8,5%
8,6%
Diversificar as atividades
17
20
39
23
99
agrícolas e industriais
3,3%
8,3%
11,6%
6,1%
6,7%
Estimular as empresas que já
52
30
48
48
178
existem
10,0%
12,5%
14,3%
12,7%
12,1%
Reduzir os impostos pag os
79
20
23
19
141
pelas empresas
15,2%
8,3%
6,9%
5,0%
9,6%
Fortalecer a pesquisa e a
20
13
15
11
59
cooperação entre as
3,8%
5,4%
4,5%
2,9%
4,0%
empresas e as universidades
Melhorar os transportes e a
15
2
9
3
29
infra - estrutura
2,9%
,8%
2,7%
,8%
2,0%
Sem opinião
2
5
4
1
12
,4%
2,1%
1,2%
,3%
,8%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
No que se refere à formação de mão -de-obra, o maior número de
escolhas recaiu sobre a "melhora da qualidade da educação dos jovens". N a
verdade, caso se considere as respostas separadamente, sem agregá -las por
categorias, essa opção aparece em segundo lugar em três regiões (Sul, Norte
e Nordeste 2), sendo superada apenas pela "atração de novas empresas". Na
região metropolitana (Nordeste 1), inclusive, essa alternativa chega a ocupar
o primeiro lugar, revelando uma expressiva preocupação dos entrevistados
com o problema da empregabilidade.
O MERCOSUL e o Desenvolvimento das Regiões
A pesquisa investigou, também, qual a percepção dos entrevistados a
respeito dos resultados do MERCOSUL para a economia das regiões.
Em todas as regiões a percepção dominante foi a de que o
MERCOSUL não teve influência significativa sobre a economia local, não
trazendo nem benefícios, nem prejuízos, como mostra a tabela a seguir.
Quando se considera as opções minoritárias, no entanto, percebe -se que, em
todas as regiões, os percentuais de respostas "mais benefícios que
23
prejuízos", que expressam uma avaliação positiva, superaram os percentuais
de respostas "mais prejuízos que benefícios", os quais indicam uma
avaliação negativa. A avaliação positiva foi mais expressiva no Nordeste 1 e
Nordeste 2.
Respostas à questão "Analisando os resultados do MERCOSUL até agora, o(a) Sr(a)
considera que ele tem trazido p ara a sua região...", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Mais benefícios do que prejuízos
157
74
69
89
389
30,1%
30,8%
20,6%
23,6%
26,4%
Nem benefícios, nem prejuízos
Mais prejuízos do que benefícios
NS/NR
TOTAL
234
44,9%
56
10,7%
74
14,2%
521
100,0%
107
44,6%
25
10,4%
34
14,2%
240
100,0%
179
53,4%
47
14,0%
40
11,9%
335
100,0%
169
44,8%
54
14,3%
65
17,2%
377
100,0%
689
46,8%
182
12,4%
213
14,5%
1473
100,0%
A expectativa sobre os efei tos econômicos futuros da integração do
Cone Sul foi amplamente favorável em todas as regiões, como se observa na
tabela abaixo, embora com intensidade menor no Norte, onde a avaliação
positiva dos resultados verificados até o presente já era a mais fraca.
Respostas à questão "Pensando os efeitos futuros do MERCOSUL para sua região, o
Sr.(a) considera que ele trará...", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Mais benefícios que prejuízos
256
133
12 7
182
698
49,1%
55,4%
37,9%
48,3%
47,4%
Nem benefícios, nem prejuízos
128
62
120
112
422
24,6%
25,8%
35,8%
29,7%
28,6%
Mais prejuízos que benefícios
52
17
38
40
147
10,0%
7,1%
11,3%
10,6%
10,0%
NS/NR
TOTAL
85
16,3%
521
100,0%
28
11,7%
240
100,0%
50
14,9%
335
100,0%
43
11,4%
377
100,0%
206
14,0%
1473
100,0%
A Questão da "Metade Sul"
A pesquisa inclui, ainda, questões que buscam avaliar a percepção da
população sobre a proposta de separação da Metade Sul do Rio Grande do
Sul, para criar uma nova unidad e da federação. Esta proposta já era do
24
conhecimento da maioria dos entrevistados, em todas as regiões, como
indica a tabela abaixo, especialmente na Região Sul.
Respostas à questão "O Sr(a) já ouviu falar que algumas pessoas pretendem separar os
municíp ios do sul do RS do resto do RS, para criar um novo estado ?",
por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Sim
327
147
219
291
984
62,8%
61,3%
65,4%
77,2%
66,8%
Não
178
90
112
65
445
34,2%
37,5%
33,4%
17,2%
3 0,2%
NS/NR
16
3
4
21
44
3,1%
1,3%
1,2%
5,6%
3,0%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
No entanto, é forçoso ressaltar que um significativo percentual da
população revelou total desconhecimento sobre essa proposta de s eparação,
cuja origem data da década de oitenta. Nas regiões Norte, Nordeste 1 e
Nordeste 2, um terço ou mais dos entrevistados nunca tinha ouvido falar do
assunto. Mesmo no Sul, onde a proposta era mais conhecida, quase 20% dos
entrevistados desconheciam a sua existência.
Um segundo conjunto de questões buscou investigar qual a percepção
dos entrevistados sobre quem ganha e quem perde com uma eventual
separação da Metade Sul. Tentou -se avaliar se os entrevistados
consideravam que "todos os gaúchos", ou s egmentos da população,
residentes na “Metade Sul” ou no resto do Estado – como os políticos, os
trabalhadores, os funcionários públicos, os empresários ou os contribuintes
– ganhariam, perderiam ou não ganhariam nem perderiam com a eventual
criação de uma nova unidade da federação.
Como se pode constatar, através da tabela abaixo, em praticamente
todos os casos – e em todas as regiões – predominou de forma relativamente
ampla a percepção de que os segmentos antes assinalados perderiam com
uma eventual sep aração. A exceção foi constituída pelos "políticos do Sul",
considerados ganhadores pela maior parte dos entrevistados das quatro
regiões. O percentual mais elevado, neste caso, ocorreu no próprio Sul, com
mais de sete pontos de diferença em relação à médi a do conjunto das
regiões. Deve -se ressaltar que, nos outros quesitos, não houve discrepância
tão significativa entre os padrões das respostas do Sul e das outras áreas.
25
Diferença entre o percentual de respostas "Ganham" e o percentual de respostas
"Per dem", por categoria e região do estado
% de Ganham menos % de Perdem
Nordeste Nordeste
Norte
Sul
TOTAL
1
2
-48,8
-28,8
-36,1
-24,4
-36,5
Todos os gaúchos
Os políticos do sul do RS
3,5
2,0
11,3
15,7
8,2
Os políticos do resto do RS
-10,8
-25,0
-7,4
-12, 2
-12,8
-35,4
-21,7
-16,7
-12,2
-22,9
Os trabalhadores do sul do RS
-38,0
-26,7
-24,8
-19,3
-28,3
Os trabalhadores do resto do RS
-19,6
-10,4
-7,4
-8,5
-- 12,5
Os funcionários públicos do sul do RS
-23,0
-12,9
-16,1
-16,5
-18,1
Os funcionários públicos do resto do RS
-10,3
-15,0
-0,5
-5,5
Os empresários do sul do RS
2,9
Os empresários do resto do RS
-16,0
-18,0
-11,3
-17,5
-15,6
-26,6
-19,5
-11,0
-16,5
-19,3
Os contribuintes do sul do RS
-30,2
-22,9
-21,2
-16,7
-23,4
Os contribuintes do resto do RS
Obs.: Os números destacados em negrito assinalam os casos onde a percepção de ganhos supera a de perdas.
Os valores negativos indicam que a percepção de perdas supera a de ganhos.
Identificação com a Região
A pesquisa incluiu questões sobre o grau de identificação do
entrevistados com a região em que vivem. Aqui, como em todas as questões
referenciadas à idéia de "região" deve -se ter o cuidado de considerar que a
configuração e as dimensões dessa região podem variar de pessoa para
pessoa. Assim, por e xemplo, uma pessoa entrevistada em Bagé, ao
responder uma questão sobre algo que se refira à sua "região", pode estar
pensando em uma área que compreenda apenas alguns municípios
próximos, enquanto outra, também em Bagé, ao responder à mesma
questão, pode estar pensando em toda a "Metade Sul".
Na verdade, a pesquisa incluiu uma questão (a de n o 9) que permite
aprofundar a compreensão do que as pessoas querem dizer quando se
referem à "sua região". No entanto, essa análise não fará parte do presente
relatório, por demandar um prazo mais longo para a sistematização das
repostas, ficando reservada para estudos posteriores.
Indicando um alto grau de identidade com a região em que residiam,
como pode ser verificado na tabela abaixo, mais de 2/3 dos entrevista dos,
em todas as regiões, afirmaram que não gostariam de sair da área onde
vivem. O maior grau de satisfação foi encontrado no Nordeste 2, onde
menos de 20% dos habitantes gostariam de abandonar sua região.
26
Respostas à questão "Algumas pessoas dizem que
gostariam de mudar -se para outra
região. O(a) Sr(a) preferiria viver em outra região ?", por região do estado
Sim
Não
NS/NR
TOTAL
Nordeste 1
157
30,1%
358
68,7%
6
1,2%
521
100,0%
Região do Estado
Total
Nordeste 2
Norte
Sul
43
102
108
410
17,9%
30,4% 28,6% 27,8%
195
228
264
1045
81,3%
68,1% 70,0% 70,9%
2
5
5
18
,8%
1,5%
1,3%
1,2%
240
335
377
1473
100,0%
100,0% 100,0% 100,0%
Uma segunda questão voltada para a análise da "identidade regional"
indagou como os entrevistados definia m a região onde viviam. Nesta
situação, ao contrário do que ocorreu na pergunta anterior, podem ser
observadas expressivas diferenças de percentuais entre as macro -regiões.
Em primeiro lugar, a idéia de que a região se caracteriza por uma cultura e
uma his tória próprias (indicativa de um sentimento mais forte de identidade)
– ainda que tenha sido a mais apontada em todas as regiões – obteve valores
bem mais elevados no Nordeste 2 e no Sul.
Outra diferença importante a destacar diz respeito à relação entre os
percentuais alcançados pelas opções "uma comunidade com pessoas com
muitas afinidades sociais e culturais" e "uma comunidade com muitas
desigualdades e conflitos sociais". Enquanto nas regiões do interior do
Estado houve equilíbrio entre os percentuais dessas duas alternativas, na
Região Metropolitana (Nordeste 1) ocorreu um amplo predomínio da opção
"desigualdades e conflitos sociais", que atingiu quase o dobro do valor das
"afinidades sociais e culturais".
Quanto a esse mesmo ponto, cabe ressaltar q ue na Região
Metropolitana (Nordeste 1) a percepção sobre as desigualdades e conflitos
alcança um percentual cerca de duas vezes superior ao verificado nas
regiões Nordeste 2 e Sul. Já a percepção da região como um local
caracterizado predominantemente por afinidades foi maior no Norte do que
nas demais áreas.
27
Respostas à questão "Qual a expressão que define melhor a região onde o(a) Sr(a)
vive?", por região do estado (primeira resposta)
Um lugar como qualquer outro
Um lugar com cultura e história
próprias
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
90
36
83
17,3%
15,0%
24,8%
148
120
98
28,4%
50,0%
29,3%
Total
Sul
113
30,0%
146
38,7%
322
21,9%
512
34,8%
Uma área que se destaca pelas
características econômicas
64
12,3%
24
10,0%
21
6,3%
25
6,6%
134
9,1%
Uma área que se destaca pelas
características políticas
38
7,3%
3
1,3%
13
3,9%
6
1,6%
60
4,1%
Uma comunidade com pessoas
com muitas afinidades sociais e
culturais
59
11,3%
30
12,5%
61
18,2%
42
11,1%
192
13,0%
Uma comunidade com muitas
desigualdades e conflitos sociais
112
21,5%
25
10,4%
56
16,7%
42
11,1%
235
16,0%
NS/NR
10
1,9%
521
100,0%
2
,8%
240
100,0%
3
,9%
335
100,0%
3
,8%
377
100,0%
18
1,2%
1473
100,0%
Uma terceira questão voltada para a análise do tema da identidade
regional buscou identificar o lugar ocupado pela dimensão "geográfica" no
conjunto das afinidades do entrevistado, comparando -se as dimensões
relacionadas com a idade, profissão e características étnico -culturais.
Dentre estas dimensões, como p ode ser observado na tabela abaixo,
as afinidades de tipo "geográfico" (principalmente cidade e, num segundo
plano, região) foram muito mais fortes no interior do Estado, enquanto as
relacionadas com as dimensões de geração e profissão tiveram maior força
na área metropolitana. As afinidades de tipo étnico -cultural obtiveram
resultados pouco expressivos em todas as regiões.
28
Respostas à questão "O(a) Sr(a) possui mais afinidades com ...", por região do estado
Região do Estado
Nordeste 1 Norde ste 2
Norte
Sul
Os habitantes da sua cidade
146
89
143
194
28,0%
37,1%
42,7%
51,5%
As pessoas de sua idade e de sua
138
41
64
58
geração
26,5%
17,1%
19,1%
15,4%
Os outros habitantes da sua região
As pessoas do seu meio social ou
profissional
As pessoas de sua origem étnico
NS/NR
TOTAL
-cultural
Total
572
38,8%
301
20,4%
35
6,7%
164
31,5%
25
10,4%
67
27,9%
18
5,4%
84
25,1%
31
8,2%
81
21,5%
109
7,4%
396
26,9%
25
4,8%
13
2,5%
521
100,0%
14
5,8%
4
1,7%
240
100,0%
15
4,5%
11
3,3%
335
100,0%
7
1,9%
6
1,6%
377
100,0%
61
4,1%
34
2,3%
1473
100,0%
Participação e Atividade Política
O questionário incluiu, ainda, perguntas sobre diversos aspectos da
atividade política dos entrevistados, bem como sobre sua participação na
vida pública.
Interesse pela Política e Afinidades Partidárias
De uma maneira geral, como mostram os dados da tabela abaixo, os
entrevistados manifestaram o que poderia ser caracterizado como um
interesse moderado pela política. No conjunto do Estado, 42% dos
respondentes a firmaram interessar -se "um pouco" pelo tema. O percentual
dos que "não se interessam" superou amplamente o daqueles que se
interessam "bastante". As diferenças entre regiões, quanto a este aspecto,
foram inexpressivas.
Cumpre observar, no entanto, que a presença de apenas três
alternativas de resposta (bastante, um pouco e não se interessa) tende a
concentrar um uma mesma faixa – um pouco – um interesse parcial, de
níveis variados. Considerando -se que os percentuais agregados das opções
“bastante” e “um p ouco”, reveladores de algum interesse pela política,
observam -se, em todas as regiões, percentuais significativos, na faixa dos
29
60%. Analisados desta forma, os dados revelaram um maior interesse nas
regiões Norte, com 66,3%, e Nordeste 1, com 63,2%, e um m enor interesse
nas regiões Sul, com 61,5%, e Nordeste 2, com apenas 60,1%.
Respostas à questão "O(a) Sr(a) se interessa pela política ?", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Bastante
105
45
73
78
301
20,2%
18,8%
21,8%
20,7%
20,4%
Um pouco
224
99
149
154
626
43,0%
41,3%
44,5%
40,8%
42,5%
Não se interessa
191
96
112
145
544
36,7%
40,0%
33,4%
38,5%
36,9%
NS/NR
TOTAL
1
,2%
521
100,0%
240
100,0%
1
,3%
335
100,0%
377
100,0%
2
,1%
1473
100,0%
Em todas as regiões, coerentemente com a observação dos
percentuais agregados que apontam algum interesse pela política na casa
dos 60%, cerca de 2/3 dos entrevistados afirmaram que votariam mesmo
que o voto deixasse de ser obrigatório. O percentual ma is alto ocorreu no
Norte, com 70%, e o mais baixo na Região Metropolitana (Nordeste 1), com
60%.
Respostas à questão "Se o voto não fosse obrigatório, o (a) Sr(a) votaria
por região do estado
Região do Estado
Nordeste 1 Nordes te 2
Norte
Sul
Sim
316
161
240
247
60,7%
67,1%
71,6%
65,5%
Não
195
74
90
127
37,4%
30,8%
26,9%
33,7%
NS/NR
10
5
5
3
1,9%
2,1%
1,5%
,8%
TOTAL
521
240
335
377
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
assim mesmo?",
Total
964
65,4%
486
33,0%
23
1,6%
1473
100,0%
No que s e refere à simpatia por partidos políticos, ocorreram
diferenças regionais dignas de nota. No entanto, é necessário primeiro
ressaltar que em todas as regiões, como mostra a tabela abaixo, os
entrevistados que declararam não ter simpatia por nenhum partido em
especial constituíram maioria, representando sempre mais de metade do
total, constituindo um eleitorado potencialmente "flutuante".
30
O Norte foi a região com maior percentual de filiados a partidos, que
constituíram quase 1/4 do total de entrevistados na região. A Região
Metropolitana (Nordeste 1), por sua vez, foi a que apresentou menor
percentual de filiados, ainda que, ao mesmo tempo, tenha apresentado o
maior percentual de alta simpatia por um partido.
Em todas as quatro regiões, cerca de 1/4 dos entrevistados – mais no
Norte e um pouco menos no Nordeste 1 – ou são filiados ou manifestam
uma forte simpatia por algum partido político, caracterizando o que poderia
ser chamado de um "eleitorado cativo".
Respostas à questão "O(a) Sr(a) é filiado a a lgum partido político ou simpatiza com algum
partido ?", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste Nordeste
Norte
Sul
1
2
É filiado a um partido
45
37
81
65
228
8,6%
15,4%
24,2%
17,2%
15,5%
Simpatiza muito com um partido
81
26
25
39
171
15,5%
10,8%
7,5%
10,3%
11,6%
Simpatiza pouco com um partido
104
55
45
55
259
20,0%
22,9%
13,4%
14,6%
17,6%
Não simpatiza com nenhum partido em especial
290
122
182
217
811
55,7%
50,8%
54,3%
57,6%
55,1%
NS/NR
TOT AL
1
,2%
521
100,0%
240
100,0%
2
,6%
335
100,0%
1
,3%
377
100,0%
4
,3%
1473
100,0%
A "Questão Regional" e as Escolhas Eleitorais
Frente à questão que indaga quais as duas principais características,
em ordem prioridade, consideradas mais importantes ao escolher um
candidato para votar, a alternativa "ser originário da região" não apareceu
como um dos critérios mais importantes para a escolha de um candidato, em
qualquer das regiões, nem em primeira, nem em segunda posição, como
indicam as duas tabelas a seguir.
Os dois critérios mais apontados como primeira resposta, em ordem
de importância, em todas as regiões, foram “ser honesto” e “t er experiência
na vida pública e ser competente como administrador” . Como segunda
resposta, em todas as regiões, os critérios mais mencio nados foram “n ão ter
medo de assumir responsabilidades e tomar decisões” e “ser honesto”,
31
sendo que no Sul a alternativa “ser honesto” foi a mais apontada inclusive
como segunda resposta.
Respostas à questão "Quando escolhe um candidato para votar, quai
características o(a) Sr(a) considera mais importante ?",
por região do estado (primeira resposta)
Promover a participação
Ter experiência na vida pública e ser
competente como administrador
Não ser político profissional
Nordeste
1
19
3,6%
134
25,7%
Região do Estado
Nordeste
Norte
2
6
12
2,5%
3,6%
73
82
30,4%
24,5%
s destas
Total
Sul
13
3,4%
125
33,2%
50
3,4%
414
28,1%
Ser alguém que o(a) Sr(a) conhece
pessoalmente
Obedecer a orientação do partido a que
pertence
17
3,3%
29
5,6%
187
35,9%
17
3,3%
4
,8%
22
4,2%
13
2,5%
9
3,8%
4
1,7%
102
42,5%
7
2,9%
3
1,3%
7
2,9%
4
1,7%
11
3,3%
10
3,0%
163
48,7%
9
2,7%
10
3,0%
10
3,0%
2
,6%
13
3,4%
23
6,1%
135
35,8%
8
2,1%
12
3,2%
8
2,1%
5
1,3%
50
3,4%
66
4,5%
587
39,9%
41
2,8%
29
2,0%
47
3,2%
24
1,6%
Não ter medo de assumir responsabilidades e
tomar decisões
67
12,9%
23
9,6%
25
7,5%
31
8,2%
146
9,9%
12
2,3%
521
100,0%
2
,8%
240
100,0%
1
,3%
335
100,0%
4
1,1%
377
100,0%
19
1,3%
1473
100,0%
Ser de origem popular
Ser honesto
Ter elevado nível intelectual ou grau de
instrução
Ser originário da região
NS/NR
TOTAL
32
Respostas à questão "Quando escolhe um candidato para votar, quais destas
características o(a) Sr(a) considera mais importante ?",
por região do estado (segunda resposta)
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Promover a participação
22
12
12
9
4,2%
5,0%
3,6%
2,4%
Ter experiência na vida pública e ser
63
33
47
54
competente como administrador
12,1%
13,8%
14,0%
14,3%
Não ser p olítico profissional
Total
55
3,7%
197
13,4%
15
2,9%
25
4,8%
98
18,8%
39
7,5%
9
3,8%
10
4,2%
46
19,2%
10
4,2%
12
3,6%
6
1,8%
72
21,5%
18
5,4%
10
2,7%
8
2,1%
109
28,9%
15
4,0%
46
3,1%
49
3,3%
325
22,1%
82
5,6%
24
4,6%
15
2,9%
13
5,4%
9
3,8%
25
7,5%
26
7,8%
24
6,4%
22
5,8%
86
5,8%
72
4,9%
Obedecer a orientação do partido a que
pertence
Não ter medo de assumir
responsabilidades e tomar decisões
11
2,1%
152
29,2%
9
3,8%
63
26,3%
8
2,4%
93
27,8%
10
2,7%
79
21,0%
38
2,6%
387
26,3%
NSA (respondeu apenas uma)
45
8,6%
12
2,3%
521
100 ,0%
24
10,0%
2
,8%
240
100,0%
15
4,5%
1
,3%
335
100,0%
33
8,8%
4
1,1%
377
100,0%
117
7,9%
19
1,3%
1473
100,0%
Ser de origem popular
Ser honesto
Ter elevado nível intelectual ou grau de
instrução
Ser originário da região
Ser alguém que o(a) Sr(a) conhece
pessoalmente
NS/NR
TOTAL
Apesar da baixa prioridade da característica “ser da região”, como
critério de escolha do candidato, as respostas dadas a uma outra questão –
“O(a) Sr(a) costuma votar, para deputado estadual ou federal , em candidatos
da sua região?” – apresentadas na tabela a seguir, revelaram que,
especialmente no interior, nas eleições proporcionais a maior parte dos
entrevistados vota sempre ou quase sempre em candidatos de sua região..
Essa fidelidade aos candidatos locais foi especialmente forte no Norte e no
Sul, onde alcançou cerca de 3/4 dos entrevistados. Apenas no Nordeste 1
(Região Metropolitana) o maior percentual de respostas recaiu sobre a
opção "vota nos candidatos independente da região a que eles pertenc em".
33
Respostas à questão "O(a) Sr(a) costuma votar, para deputado estadual ou federal, em
candidatos da sua região ?", por região do estado
Sempre
Na maior parte das vezes
Às vezes
Quase nunca
Nunca
Vota nos candi datos independente da
região a que eles pertencem
NS/NR
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
158
90
165
30,3%
37,5%
49,3%
94
62
85
18,0%
25,8%
25,4%
53
24
32
10,2%
10,0%
9,6%
10
5
3
1,9%
2,1%
,9%
17
3
7
3,3%
1,3%
2,1%
178
44
35
34,2%
18,3%
10,4%
11
2,1%
521
100,0%
TOTAL
12
5,0%
240
100,0%
8
2,4%
335
100,0%
Total
Sul
194
51,5%
83
22,0%
25
6,6%
6
1,6%
9
2,4%
34
9,0%
607
41,2%
324
22,0%
134
9,1%
24
1,6%
36
2,4%
291
19,8%
26
6,9%
377
100,0%
57
3,9%
1473
100,0%
Participação em Atividades de Natureza Po lítica
A pesquisa incluiu uma questão que indaga se o entrevistado praticou,
no último ano, diversas atividades que podem ser consideradas políticas:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Conversou com alguém sobre política;
Foi a uma manifestação, a um comício ou a um protesto;
Participou de alguma reunião pública sobre assunto político;
Foi eleito ou se candidatou para algum cargo público;
Pediu a ajuda de algum político para resolver um problema particular;
Doou dinheiro para algum partido político;
Trabalhou na campanha de algum candidat o (vereador, prefeito,
deputado etc.);
Participou de algum grupo ou comissão que tentou influenciar alguma
atividade de governo;
Procurou algum político para tratar de assunto de interesse da sua
comunidade.
Com base nas respostas dadas a esses quesitos, foi elaborado, através
da utilização da análise de componentes principais 19 , um Índice de
Atividade Política. Foram computados escores, para cada entrevistado,
tendo em vista as respostas afirmativas por ele dadas a essas indagações.
Quanto maior o escore alcançado pelo entrevistado, maior o seu grau de
19
O Índice é computado com base nos escores alcançados pelos entrevistados no primeiro componente.
34
atuação política. A tabela a seguir apresenta os resultados desse índice, por
regiões, classificando os entrevistados em três grupos, de baixa, média e alta
atuação política.
O Norte foi a região que alcan çou maior percentual de entrevistados
com grau elevado grau de atuação política. Esse resultado é coerente com o
dado relativo à filiação a partidos políticos, em relação ao qual o Norte
também despontou como a região com percentuais mais elevados. Os
maiores percentuais de indivíduos com baixos índices ocorreram na Região
Metropolitana e na Sul, onde mais da metade dos entrevistados foram
classificados na categoria de baixa atuação política.
Regi ão
Nordeste 1
Nordeste 2
Norte
Sul
Total
Índice de Atividade Política dos Entrevistados,
Atividade Política
Baixa
Média
57,1
14,4
45,3
21,3
33,2
22,3
51,3
17,2
48,1
18,0
por Região
Alta
28,5
33,6
44,5
31,5
33,8
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Um dos quesitos incluídos na questão sobre atividades de natureza
política deixou de ser incluído na composição do índice, por representar um
tipo diferente de relação com a política. Trata -se do quesito presente na
pergunta que indaga se "no último ano, o(a) Sr(a) pediu ajuda a algum
político para resolver um problema particular". Uma eventual resposta
afirmativa a essa pergunta expressa um tipo de atividade política diferente
das referidas nas demais perguntas da mesma questão, que pode ser
interpretada como menos “cívica” e, até mesmo, como expressando uma
relação de tipo “clientelista”. Por esse motivo, mereceu uma análise em
separado. Como mostra a tabela a seguir, também neste caso, o Norte foi a
região com maior percentual de respostas afirmativas, enquanto o Sul
apresentou o menor percentual deste tipo de resposta.
35
Respostas à questão "No último ano, o(a) Sr(a) pediu ajuda a algum político para
resolver um problema particular ?", por região do estado
Sim
Não
NS/NR
TOTAL
Região do
Nordeste 1 Nordeste 2
60
30
11,5%
12,5%
420
192
80,6%
80,0%
41
18
7,9%
7,5%
521
240
100,0%
100,0%
Estado
Norte
71
21,2%
248
74,0%
16
4,8%
335
100,0%
Total
Sul
32
8,5 %
317
84,1%
28
7,4%
377
100,0%
193
13,1%
1177
79,9%
103
7,0%
1473
100,0%
Chama a atenção o fato de que a região mais ”politizada” do es tado,
que é o Norte, seja também aquela onde é mais alto o percentual de pessoas
que afirmaram “ter pedido ajuda a um político para resolver um problema
particular”.
Uma análise mais detalhada da questão mostra que esse tipo de
prática política, geralmen te considerada “espúria”, está positivamente
correlacionado com todas as outras formas de participação em atividades
políticas que foram investigadas na questão. Ou seja, as pessoas que
pediram ajuda a políticos para resolverem problemas particulares tende ram
a ser as mesmas que, por exemplo, participaram de reuniões públicas sobre
temas políticos, participaram de grupos ou comissões que tentaram
influenciar atividades de governo ou procuraram políticos para tratar de
assuntos de interesse da comunidade. At é mesmo a participação em
manifestações, comícios ou protestos está positivamente correlacionada com
o “pedir ajuda a um político para resolver um problema particular”.
Essas correlações positivas indicam que a prática de pedir ajuda a um
político para r esolver um problema particular, tomada isoladamente, não é
indicador suficiente para caracterizar uma postura menos politizada. Ela
sugere, ainda, a hipótese de que essa não seja uma prática percebida, de uma
forma generalizada, como sendo espúria. Trata -se de um tema que precisa
ser estudado com maior profundidade.
A existência de um grande número de pequenos municípios no Norte
está entre os fatores que podem explicar, ao menos em parte, o elevado grau
de “politização” dessa região. Alguns estudos de An tropologia Política,
especialmente os de Moacir Palmeira 20 , interpretam os fenômenos políticos
nas regiões interioranas de forma diferente das abordagens tradicionais
20
PALMEIRA, Moacir. Política, Facções e Voto in Antropologia, Voto e Representação Política.
PALMEIRA, Moacir & GOLDMAN, Mario org.. Rio de Jane iro. Contra Capa. 1996.
36
feitas pela Sociologia e pela Ciência Política. Enquanto as pesquisas
tradicionais concebi am as disputas políticas nas pequenas localidades
interioranas como tendo resultados pré -determinados pela capacidade do
chefe político local de controlar o seu eleitorado, Palmeira acredita haver
uma dinâmica mais intensa nessas disputas.
Palmeira argum enta que o voto nessas localidades adquire um
significado mais amplo, por ele chamado de “adesão”. Tal adesão consiste
no estabelecimento de vínculos de lealdade, que se constituem por diversos
mecanismos, como, por exemplo, laços de família que se tramam através de
casamentos, ou até por meio de trocas de favores. O resultado desse
processo é que, a cada eleição, as facções se dividem. Assumir uma posição
a favor desse ou daquele candidato adquire uma conotação extrema que
significa estar de um lado ou de outro. Nesses momentos eleitorais, segundo
Palmeira, o debate político se espalha pela cidade, estando presente nas
barbearias, praças públicas, salões de beleza, sendo tanto mais intenso
quanto mais intensa for a vida social da região.
Participação em E ventos Promovidos pelo Executivo, pelo
Legislativo ou pelos COREDEs
Duas questões contidas na pesquisa referem -se à participação em
atividades promovidas pelo Fórum Democrático, pelos Conselhos Regionais
de Desenvolvimento ou pelo Orçamento Participativo Estadual. Nas
respostas à primeira questão, que indaga se os entrevistados já participaram
de alguma atividade desse tipo, repete -se, mais uma vez, o padrão de que a
participação é mais intensa no interior, em comparação com a Região
Metropolitana (Nordes te 1), e de que o Norte é a região com percentuais
mais elevados de participação. Ainda assim, no máximo 1/3 dos
entrevistados declarou, no Norte, já ter participado de alguma dessas
atividades, tendo o percentual atingido um mínimo de pouco mais de 10%
no Nordeste 1, como é possível observar na tabela abaixo.
37
Respostas à questão "O(a) Sr(a) já participou de alguma atividade dos COREDES, do OPE
ou do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional ?", por região do estado
Sim, já participou
Não, nunca
participou
NS/NR
TOTAL
Região do
Nordeste 1 Nordeste 2
70
60
13,4%
25,0%
448
180
86,0%
75,0%
3
,6%
521
240
100,0%
100,0%
Estado
Norte
112
33,4%
222
66,3%
1
,3%
335
100,0%
Total
Sul
98
26,0%
276
73,2%
3
,8%
377
100,0%
340
23,1%
1126
76,4%
7
,5%
1473
100,0%
De maneira geral, no entanto, estes percentuais, ainda que menos
elevados do que se poderia desejar, apresentam conotação positiva, dado o
fato de estas inovações institucionais terem se iniciado em período
relativamente recente, o qu e implica que não houve tempo suficiente para
que elas fossem incorporadas aos hábitos de parcela significativa da
população. Além disso, são atividades de cunho totalmente voluntário, que
demandam disposição e decisão de participar por parte de cada cidad ão.
Vistos deste ângulo, os percentuais registrados são indicadores altamente
positivos, pois revelam que quase 1/4 dos gaúchos, ainda que com um grau
de envolvimento variado, que não foi medido neste levantamento, já se
engajaram em algum destes novos ins trumentos de participação política.
Frente à segunda questão, que indagou sobre o motivo pelo qual os
que não participaram deixaram de comparecer a esses eventos, a grande
maioria apontou como principais razões a "falta de interesse por esses
assuntos" e a "falta de tempo", como indica a tabela abaixo.
O primeiro desses motivos, junto com a alegação de que "acha que a
participação não faz diferença", se constitui em um fator de superação
relativamente difícil, pelo menos no curto prazo, por qualquer inic iativa que
as entidades promotoras dessas atividades possam adotar com a finalidade
de alcançar um público mais amplo. Assim, cerca de 1/3 do total de
entrevistados no estado – os que responderam que acham que a participação
não faz diferença ou que não se interessam por outros assuntos –
dificilmente poderiam ser motivados a se engajarem em atividades voltadas
para uma maior participação dos cidadãos nos debates sobre a tomada de
decisões de interesse público.
Cerca de 1/4 dos entrevistados, no estado, a legaram motivos capazes
de serem superados por uma melhor divulgação ou organização, como a
38
falta de informação sobre a natureza dessas atividades, a má divulgação ou a
escolha inadequada de datas, locais e horários.
Entre os 18,5% que alegaram não terem tempo, seria necessário
distinguir entre os que “realmente não têm tempo” e os que escolheram essa
opção como uma forma mais “suave” de expressar a baixa prioridade que
dão aos temas de natureza política. Quanto aos primeiros, parece claro que
dificilment e poder-se-ão engajar em atividades de tipo participativo, seja
qual for a metodologia ou a fórmula adotada. Já os últimos podem,
eventualmente, ser atraídos para envolver -se em processos participativos,
desde que convencidos de sua relevância e credibilid ade.
Respostas à questão "Por que o(a) Sr(a) nunca participou ?", por região do estado
Nem sabe o que são essas coisas
Não tem interesse por esses
assuntos
Não tem tempo
Acha que a sua participação não faz
diferença
Não teve informações sobre as datas e
hor ários
Em geral, as datas coincidiam com
outras atividades
Em geral, os horários coincidiam com
outras atividades
Em geral, os loc ais não eram
convenientes
NS/NR
NSA
TOTAL
Região do
Nordeste 1 Nordeste 2
17
19
3,3%
7,9%
164
63
31,5%
26,3%
122
39
23,4%
16,3%
27
4
5,2%
1,7%
68
32
13,1%
13,3%
22
8
4,2%
3,3%
14
7
2,7%
2,9%
6
5
1,2%
2,1%
10
3
1,9%
1,3%
71
60
13,6%
25,0%
521
240
100,0%
100,0%
Estado
Norte
29
8,7%
71
21,2%
55
16,4%
13
3,9%
27
8,1%
5
1,5%
13
3,9%
6
1,8%
4
1,2%
112
33,4%
335
100,0%
Total
Sul
12
3,2%
107
28,4%
57
15,1%
26
6,9%
45
11,9%
6
1,6%
11
2,9%
3
,8%
13
3,4%
97
25,7%
377
100,0%
77
5,2%
405
27,5%
273
18,5%
70
4,8%
172
11,7%
41
2,8%
45
3,1%
20
1,4%
30
2,0%
340
23,1%
1473
100,0%
Capital Social
Com o já foi referido anteriormente, uma das principais preocupações
da pesquisa consistiu em identificar as diferenças existentes entre as grandes
regiões gaúchas no que se refere às “características da organização social,
como confiança, normas e sistemas, q ue contribuem para aumentar a
eficiência da sociedade, facilitando as ações coordenadas”, características
que configuram aquilo que autores recentes denominam de “capital
39
social”. 21 Ao lado do capital físico e do capital humano, este terceiro tipo de
capital seria de importância decisiva para explicar as diferenças, entre países
e entre regiões, quanto à prosperidade econômica. Como afirma um
sociólogo norte -americano:
“Assim como outras formas de capital, o capital social é
produtivo, possibilitando a rea lização de certos objetivos que
seriam inalcançáveis se ele não existisse (...). Por exemplo, um
grupo cujos membros demonstrem confiabilidade e que depositem
ampla confiança uns nos outros é capaz de realizar muito mais do
que outro grupo que careça de co nfiabilidade e de confiança
(...).” 22
Compõem o capital social os traços culturais característicos de uma
comunidade que contribuem para fazer com que seus membros se tornem
propensos a colaborar no sentido da solução de problemas de interesse
comum. Incluem-se aí, por exemplo, as redes de relações interpessoais e os
sentimentos de confiança mútua entre os indivíduos que constituem essa
comunidade, que tornam possível o empreendimento de ações conjuntas que
resultem em proveito da coletividade.
Mesmo alg uns aspectos da vida comunitária que aparentemente não
têm relevância econômica direta, como a participação ativa em associações
de diversos tipos - como clubes de serviços e entidades com objetivos
culturais ou esportivos - passaram a ser considerados rel evantes para
explicar o desenvolvimento, na medida em que ajudam a aproximar os
membros da comunidade, fortalecendo os laços existentes entre eles e
tornando-os culturalmente mais propensos a colaborar no sentido de
enfrentar problemas comuns.
Como já fo i destacado, o interesse por esse tema, no contexto da
literatura sobre o desenvolvimento regional, foi despertado pela repercussão
do trabalho de Putnam sobre as regiões italianas. A hipótese que se buscou
investigar nesta pesquisa é a de que as trajetóri as históricas diferenciadas
das regiões do Rio Grande do Sul resultaram em características sociais e
culturais distintas que, ao exemplo do caso italiano, geraram vocações
diferenciadas para o associativismo, para a participação e para a cooperação,
o que poderia afetar sua potencialidade em termos de desempenho
econômico e institucional. 23
21
Ver PUTNAM, Robert D. (1996) - “Comunidade e Democracia: a Experiência da Itália Moderna”
Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas; pag. 177.
22
Coleman, J., apud PUTNAM (1996), página 177.
23
Neste relatório, buscou -se apenas expli citar as diferenças existentes entre as regiões do Rio Grande do
Sul quanto à participação e ao associativismo. A análise da relação entre essa “dotação de capital social”
,
40
A relevância do capital social para o desenvolvimento regional tem
sido ressaltada com base em diferentes argumentos. Um deles afirma que a
abundância de capital social favorece a difusão de informações, facilitando
os processos de inovação. Outra, que tem em vista a dimensão política,
destaca a maior facilidade que os atores de regiões que têm dotação elevada
de capital social possuem para cooperar em ações políticas re levantes para a
promoção do desenvolvimento.
Assim, por exemplo, a OECD, em um documento intitulado
"Globalization and Local Economies" , 24 , preconiza, como elemento
importante para a promoção do desenvolvimento local, a criação de
instituições (Conselhos Econômicos Regionais), semelhantes aos
COREDEs do Rio Grande do Sul, que fortaleçam a cultura de cooperação e
o capital social nas regiões:
“The broad tasks of such institutions (...)can be summarised as follows:
o Building trust, confidence and co -operat ion. Institutions
can offer a forum and framework for co -operative
information exchange - not through formal regulation, but
by an information flow that enables firms to evaluate one
another. “Reputation effects” reduce the temptation to
abuse trust relati onships for personal gain. The reliability of
inter-firm contacts are thus greatly improved. Industry
associations can provide some self -regulation and similar
arenas for discussion, but bridging institutions can expand
the contacts between different but r elated industries.
o Creating political coalitions. Regional economic councils
are needed that can publicise specific issues and generate a
consensus, funding and impetus from a wide variety of
actors. These councils should have a brief to look to long term development and concentrate on educating and
informing members about the reasons for new policies and
suggesting ways that aims can be achieved for the benefit
of all. One significant absentee from the local actors have
been labour unions/trade union whose
national
administrative structure and occupational rather than
geographical loyalty has made effective participation in
local projects difficult. It would be useful if local/regional
labour organisations could become more involved in the
das regiões e o seu desempenho econômico e institucional não foi empreendida aqui, p
or exigir a
utilização de um número maior de variáveis, além das investigadas no questionário.
24
OECD (1995) - “Local Economies and Globalization” , sumário das contribuições apresentadas na
conferência sobre o tema “Local Development and Structural Change:
A New Perspective on
Adjustment and Reform” , realizada em Paris em 3 e 4 de Maio de 1993.
41
local development process, combining involvement at the
local level with traditional national goals.
o Inter-regional co -operation. With the success of regional
economic growth comes the problem of relations with other
regions which are effectively competitors, whether they are
compatriots or not. An attitude of region versus region can
have destructive effects on national wealth and disastrous
effects to both economies.” 25
Participação em Associações Voluntárias
Um dos indicadores mais utilizados pela literatura para av aliar a
dotação de capital social é a participação em associações voluntárias. A
vitalidade da sociedade civil, evidenciada através da existência de uma
densa rede desse tipo de associações, com ampla participação da população,
tem sido uma das principais formas utilizadas pela literatura para
caracterizar a abundância de capital social de uma região.
Foi incluída na pesquisa uma questão que indaga se o entrevistado é
membro de diferentes tipos de associações voluntárias e se tem participação
ativa no seu funcionamento. Os resultados mostraram que existem
diferenças substanciais entre as regiões do Estado quanto à intensidade
desse tipo de participação.
25
“As tarefas amplas dessas instituições (...) podem ser sumarizadas da forma seguinte:
Desenvolver a confiança e a cooperação.
As instituições podem proporcionar u m fórum e um
quadro referencial para o intercâmbio cooperativo de informações
- não através da regulamentação
formal, mas através de um fluxo de informações que capacita as empresas a avaliar
-se mutuamente.
Os “efeitos reputação” reduzem a tentação no sent ido de abusar das relações de confiança para ganho
pessoal. A confiabilidade dos contatos entre empresas é, em conseqüência, bastante aumentada. As
associações industriais podem proporcionar algum grau de auto -regulamentação, e arenas similares
para a disc ussão, mas as instituições do tipo ‘ponte’ podem ampliar os contatos entre indústrias
diferentes, porém relacionadas.
•
Criar coalizões políticas. São necessários conselhos econômicos regionais para dar publicidade a
determinados temas e para extrair consens os, recursos e ímpeto de uma ampla variedade de atores.
Esses conselhos devem concentrar -se em analisar as possibilidade de desenvolvimento no longo prazo
e em educar seus membros quanto à necessidade de adotar novas políticas, sugerindo meios pelos
quais os objetivos podem ser alcançados, para o benefício de todos. Uma ausência significativa, entre
os atores locais, tem sido dos sindicatos, cuja estrutura administrativa nacional e ocupacional, que
prevalece sobre a lealdade geográfica, dificulta a particip ação efetiva nos projetos locais. Seria útil se
as organizações trabalhistas regionais e locais pudessem envolver - se mais intensamente com o
processo de desenvolvimento local, combinando o envolvimento no nível local com seus objetivos
nacionais tradiciona is.
•
Cooperação inter - regional. O sucesso do crescimento econômico regional traz consigo o problema
das relações com outras regiões concorrentes, dentro ou fora do país. Uma atitude de concorrência
entre regiões pode ter efeitos destrutivos sobre a riqueza
nacional e efeitos desastrosos sobre suas
economias.” OECD (1995), p. 16.
•
42
Participação em Associações Voluntárias, por Regiões
Percentual de Respondentes que Afirmaram que
são Membros e Participam
Tipos de Associações
Nordeste 1
Igreja ou Grupo Religioso
Clube Esportivo
Sociedade Recreativa ou Clube Social
Organização Artística, Musical ou Educacional
Sindicato
Associação Comercial
Outra Entidade Empresarial
Partido Político
Entidade de Proteção ao Meio Ambiente
Entidade Profissional
Organização de Caridade
Cooperativa
Clube de Serviços
Associação de Pais e Mestres
Associação de Agricultores ou Pecuaristas
Associação de Bairro
Clube de Mães
Maçonaria
Outro Tipo de Associação
30,1
16,3
16,9
10,4
11,3
5,4
3,3
6,5
4,0
9,6
13,1
3,6
2,3
9,6
1,2
7,1
1,9
1,0
4,2
Nordeste 2
59,6
34,2
30,8
19,2
14,6
13,3
10,0
13,3
8,3
22,1
20,4
9,2
3,8
21,7
5,8
12,9
3,8
0,8
8,8
Norte
Sul
72,2
26,3
36,1
13,7
17,3
12,8
7,5
16,7
6,9
21,8
19,4
10,1
4,8
22,4
9,0
9,3
8,4
0,0
9,9
TOTAL
37,9
18,0
41,6
9,8
15,1
8,8
4,0
10,9
3,7
12,7
11,9
4,5
4,5
9,3
4,0
7,2
2,9
2,4
6,4
46,5
21,9
29,9
12,4
14,2
9,2
5,5
11,1
5,3
15,2
15,4
6,2
3,7
14,4
4,4
8,6
3,9
1,1
6,8
O Nordeste 2 e o Norte apresentaram, em regra, percentuais de
participação nos diferentes tipos d e entidades substancialmente superiores
aos encontrados no Sul e na Região Metropolitana (Nordeste 1). Para
assegurar que as poucas exceções, constituídas por alguns poucos tipos de
associações (como, por exemplo, clubes sociais e Maçonaria) em que estas
duas últimas regiões apresentaram percentuais de participação superiores às
demais não invalidam essa conclusão geral, foi utilizado um teste
estatístico, baseado no Coeficiente de Concordância de Kendall. Os
resultados desse teste mostraram que há concordâ ncia altamente
significativa entre os resultados relativos aos diferentes tipos de entidades.
Pode-se, portanto, afirmar com segurança que as regiões Nordeste 2 e Norte
têm uma cultura associativa mais forte que a do Sul e da Região
Metropolitana (Nordeste 1). Essa cultura associativa mais forte se expressa
por percentuais consistentemente mais elevados de habitantes que
participam de associações voluntárias de diferentes tipos.
De forma similar ao que foi feito em relação à participação em
atividades políticas, também foi construído um índice agregado de
participação em associações voluntárias, utilizando -se a técnica dos
componentes principais. Através dessa técnica, foi calculado um escore para
cada entrevistado, tendo em vista sua condição de associado e participante
43
efetivo em diferentes tipos de associações voluntárias. A tabela a seguir
apresenta os resultados desse índice, por regiões, classificando os
entrevistados em três grupos, de baixa, média e alta participação em
associações. Esses resultados confirmam que o Norte e o Nordeste 2 são as
regiões do estado com maior vitalidade associativa.
Índice de Participação em Associações dos Entrevistados, por Região
Índice de Participação em Associações
Região
TOTAL
Baixo
Médio
Alto
42,7
36,7
20,6
100,0
Nordeste 1
24,9
31,5
43,6
100,0
Nordeste 2
16,1
37,9
46,0
100,0
Norte
39,0
27,9
33,2
100,0
Sul
32,8
33,9
33,3
100,0
TOTAL
De forma semelhante, como mostra a tabela abaixo, o Norte e o
Nordeste 2 se destacaram positivamente na questão que indago u se, nos
últimos três anos, o entrevistado desempenhou cargo ou teve algum tipo de
responsabilidade no funcionamento de uma entidade, associação ou clube.
Os percentuais de respostas “sim” a essa questão foram, nessas duas
regiões, mais de dez pontos supe riores aos verificados no Sul e na Região
Metropolitana, a qual apresentou o nível mais baixo de todo o estado.
Respostas à questão "Nos últimos três anos o Sr(a). desempenhou cargo ou teve algum
tipo de responsabilidade no funcionamento de entidade, ass ociação ou clube na sua
região ou cidade ?", por região do estado
Sim
Não
NS/NR
TOTAL
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
71
71
103
13,6%
29,6%
30,7%
437
164
229
83,9%
68,3%
68,4%
13
2,5%
521
100,0%
5
2,1%
240
100,0%
3
,9%
335
100,0%
Total
Sul
72
19,1%
294
78,0%
317
21,5%
1124
76,3%
11
2,9%
377
100,0%
32
2,2%
1473
100,0%
Para caracterizar ainda melhor as diferenças de cultura associativa
entre as regiões, foi desenvolvido outro índice, também utilizando -se a
técnica de compo nentes principais, baseado nas respostas a uma questão que
indagava qual a freqüência com que os entrevistados praticavam alguns
tipos de atividades relacionadas com a vida social (pergunta n o . 54 do
questionário anexo).
44
Trata-se de um índice que mede a intensidade da convivência social
dos entrevistados, tendo como base a sua propensão a reunir -se com
parentes, amigos e colegas de trabalho, ou com membros de sua igreja, a sua
participação em associações voluntárias, e sua freqüência a festas, clubes
sociais e atividades esportivas.
Nos resultados relativos a esse índice, as regiões Nordeste 2 e Norte
destacaram -se mais uma vez, constituindo -se como aquelas em que os
habitantes têm convívio social mais intenso, em contraste com o Sul e o
Nordeste 1 (Região Metropolitana), cujos percentuais de pessoas incluídas
na categoria de vida social mais intensa foram bem menores, como é
possível observar na tabela abaixo.
Índice de Intensidade do Convívio Social dos Entrevistados, por Região
Índice de Parti cipação em Associações
Região
TOTAL
Baixo
Médio
Alto
Nordeste 1
42,3
31,3
26,4
100,0
23,5
27,8
48,7
100,0
Nordeste 2
26,8
34,5
38,7
100,0
Norte
33,2
38,6
28,2
100,0
Sul
33,3
33,3
33,3
100,0
TOTAL
A relevância da participação em associações, indicativa da vitalidade
da sociedade civil das regiões, e a relevância da intensidade da convivência
social, ficam evidentes quando se comparam esses indicadores com o
valores da índice que expressa a intensidade da atividade política dos
entrevistados, apresentado anteriormente.
Assim, pode-se constatar, como evidenciam os dados das duas tabelas
a seguir, que os indivíduos que tenderam a participar mais em entidades da
sociedade civil, ou que declararam ter convívio social mais intenso,
tenderam também a envolver -se mais em diferentes tipos de atividades
políticas, como conversar sobre política com amigos, ir a comícios,
participar de reuniões candidatar -se a cargos públicos, fazer doações para
partidos, trabalhar em campanhas para candidatos, fazer parte de comis sões
ou procurar políticos para tratar de interesses da comunidade, variáveis
incluídas na composição do índice de atividade política.
No estado, dentre os entrevistados com baixa participação em
associações, apenas 16,1% tinham alta atuação política. En tre os que tinham
alta participação em associações, esse percentual era de 53,1%. De forma
similar, apenas 21,3% dos entrevistados que tinham baixa intensidade de
45
convívio social tinham alta atuação política, contra 43,6% dos que tinham
alta intensidade de convívio social.
Índice de Participação em Associações x Índice de Atividade Política
Participação em
Índice de Atuação Política
Associações
Baixa
Média
Alta
69,3
14,7
16,1
Baixa
51,8
17,8
30,4
Média
25,7
21,3
53,1
Alta
To tal
48,1
18,0
33,8
Índice de Intensidade de Convívio Social x Índice de Atividade Política
Intensidade de
Índice de Atuação Política
Convívio Social
Baixa
Média
Alta
63,6
15,2
21,3
Baixa
46,4
18,2
45,3
Média
36,5
19,9
43,6
Alta
48,6
17,8
33,6
Total
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
Além disso, quando se analisa a participação nos eventos promovidos
pelo Fórum Democrático, pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento
ou pelo Orçamento Participativo Estadual, observa -se que os percentuais de
entrevistados que responderam já ter participado de alguma dessas
atividades é muito maior entre os classificados nos estratos superiores dos
Índices de Participação em Associações e de Intensidade de Convívio
Social.
De forma semelhante, quando se consid era os motivos alegados pelos
que nunca participaram dessas atividades, nota -se que aqueles com maiores
Índices de Participação em Associações e de Intensidade de Convívio Social
tendem a afirmar com freqüência muito menor "não terem interesse por
esses as suntos", "não terem tempo" ou "acharem que sua participação não
faz diferença".
Confiança
Outro aspecto da questão do capital social destacado pela literatura
refere-se à "confiança interpessoal". Essa dimensão tem sido medida,
internacionalmente, com base em uma questão utilizada na World Values
Survey que foi reproduzida no questionário adotado nesta pesquisa (questão
46
o
26
n 49). Destaque -se que, segundo Inglehart , o Brasil era, conforme dados
de 1991, dentre 43 países, aquele que mostrava o nível mais baixo de
confiança interpessoal, com 7% dos entrevistados respondendo que "pode se confiar na maior parte das pessoas". 27
Nas regiões que compõem o interior do estado, os níveis de confiança
interpessoal encontrados foram superiores ao verificado na Regiã o
Metropolitana e o dobro do nível de confiança registrado para o país na
pesquisa realizada em 1991. Ao mesmo tempo, no entanto, foram mais
baixos do que o encontrado por uma pesquisa realizada em 1996 no Distrito
Federal, onde o percentual de respostas “ pode-se confiar” foi de 23%. Como
mostra a tabela abaixo, as diferenças existentes entre as regiões foram pouco
expressivas, cabendo ao Nordeste 2 o nível mais elevado de confiança e ao
Nordeste 1 (Região Metropolitana) o mais baixo.
Respostas à questão
"O Sr. acredita que se pode confiar na maior parte das pessoas ?",
por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Pode -se confiar na maior parte das
61
47
48
57
213
pessoas
11,7%
19,6%
14,3%
15,1%
14,5%
É preciso mui to cuidado ao tratar
com outras pessoas
NS/NR
TOTAL
455
87,3%
5
1,0%
521
100,0%
189
78,8%
4
1,7%
240
100,0%
284
84,8%
3
,9%
335
100,0%
314
83,3%
6
1,6%
377
100,0%
1242
84,3%
18
1,2%
1473
100,0%
Os cruzamentos entre as respostas dadas a esta q uestão e os Índices
de Participação em Associações e de Intensidade de Convívio Social
mostraram que as pessoas com escores mais altos nesses dois indicadores
tenderam a apresentar níveis mais elevados de confiança.
26
Ver INGLEHART, Ronald (1997) - "Modernization and Post - Modernization: Cultural, Economic
and Political Change in 43 Societies" , Princeton, New Jersey, Princeton University Press; p . 359.
27
Talvez o baixo índice de confiança interpessoal encontrado para o Brasil possa ser explicado, ao menos
em parte, por fatores de natureza conjuntural. Cabe lembrar que no ano de 1991, quando foi realizado o
levantamento, o país já havia copletado u ma década de acentuada instabilidade macroeconômica, na qual
foram frustradas várias tentativas de estabilização. No ano anterior, a administração Collor, logo após
assumir o governo, havia bloqueado os depósitos bancários, em mais um plano mal
-sucedido pa ra
enfrentar o processo inflacionário.
47
Reciprocidade
Outra dimensão do cap ital social que se buscou investigar nesta
pesquisa diz respeito às normas de reciprocidade. Para tanto, utilizou -se
uma questão em que se indaga dos entrevistados se concordam ou
discordam da afirmativa de que "as pessoas em geral cumprem com as suas
obrigações para com os outros porque esperam que os outros também
cumpram com suas obrigações para com elas".
Como mostra a tabela abaixo, nesta questão as maiores diferenças
ocorreram entre o Norte, onde o percentual de concordância com a
afirmativa foi qua se seis pontos superior à média do Estado, e o Sul, onde
ficou mais de seis pontos abaixo.
Respostas à questão "O(a) Sr(a) concorda ou discorda com a afirmativa: As pessoas em
geral cumprem com suas obrigações para com os outros porque esperam que os out
ros
também cumpram com as obrigações para com elas", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Concorda
287
133
203
182
805
55,1%
55,4%
60,6%
48,3%
54,7%
Discorda
229
105
127
194
655
44,0%
43,8%
37,9%
51,5%
44,5%
NS/NR
5
2
5
1
13
1,0%
,8%
1,5%
,3%
,9%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
Síntese das Considerações Sobre Capital Social
Embora os resultados relativos à confiança interpessoal e às normas
de reciprocidade s ejam menos conclusivos, exigindo um aprofundamento da
análise, pode -se afirmar que o Nordeste 2 e o Norte, áreas cujas
características sócio -culturais estão associadas à imigração européia, à
colonização, à pequena propriedade e à agropecuária familiar, ap resentaram
uma vida comunitária bem mais intensa e, portanto, uma dotação de capital
social bem mais forte do que o Sul e a Região Metropolitana (Nordeste 1).
Essa diferença manifestou -se principalmente pelos percentuais mais
elevados de participação em associações voluntárias e pela maior
intensidade de convívio social observados nessas duas regiões. O Sul e a
Região Metropolitana, por sua vez, parecem apresentar menores dotações de
48
capital social, expressas por percentuais menores de participação em
associações voluntárias e índices de sociabilidade mais reduzidos.
No caso do Sul, isso talvez possa ser explicado com argumentos
semelhantes aos utilizados por Putnam na análise do Sul da Itália. O
predomínio da grande propriedade rural e a convivência com a escravidão –
importante no Sul e ausente nas áreas coloniais, pois era proibido aos
colonos possuir escravos – parecem ter criado, nessa região, uma sociedade
menos igualitária que a do Norte ou do Nordeste 2. Em conseqüência,
predominaram nessa área pa drões de vida comunitária e de relação dos
indivíduos com a vida pública diferentes dos observados nas regiões cuja
formação remonta à imigração européia e à colonização em pequenas
propriedades rurais, padrões esses que se refletem em uma menor
participação em associações voluntárias e em uma sociabilidade voltada
para círculos mais fechados.
Evidência disso seria o fato de que, embora os índices de intensidade
de convívio social dos entrevistados do Sul sejam, em média, menores do
que os do Nordeste 2 e do Norte, a freqüência com que os habitantes da
região se envolveram em atividades com círculos mais restritos de relações,
como com familiares e amigos próximos ("reúne amigos em sua casa" ou
"visita parentes e amigos") foi maior, como pode ser observado na tabela a
seguir. Nos outros tipos de atividades sociais, que implicam em graus
menores de proximidade, os percentuais do Sul foram, em geral,
substancialmente inferiores aos dessas duas outras regiões (Nordeste 2 e
Norte).
Percentual de Entrevistados que Praticam Atividades Sociais Pelo Menos Uma Vez por Semana, por Regiões
Tipo de Atividade
Nordeste 1
Nordeste 2
Norte
Sul
Estado
Reúnem Amigos em Casa
59,5
67,1
66,5
68,7
64,7
Visitam Parentes e Amigos
77,5
76,7
77,6
81,7
78,5
Saem com Colegas de Trabalho ou Profissão
38,4
57,5
47,8
36,3
43,1
Reúnem-se com Membros da Mesma Igreja ou Religião
32,4
49,6
57,0
33,9
41,2
Passa Tempo com Amigos em Jogos ou Atividades Esportivas
38,0
44,6
43,6
32,3
38,9
Participam de Reuniões de Associação Voluntária
13,0
28,3
21,8
17,5
18,7
Vão a Festas em Clubes Sociais
31,3
53,3
43,5
35,6
38,7
49
No caso da Região Metr opolitana, os menores índices participação
em associações e de convívio social podem ser atribuídos à pressão que a
vida na metrópole exerce sobre a disponibilidade de tempo dos indivíduos.
A demora nos deslocamentos nas áreas metropolitanas, especialmente entre
os locais de residência e de trabalho, em geral reduz substancialmente a
possibilidade de que as pessoas se engajem de forma mais intensa em
atividades sociais de qualquer tipo.
Valores e Concepção de Justiça
A pesquisa incluiu, ainda, algumas q uestões que buscaram identificar
diferenças regionais quanto a valores e concepção de justiça. Dentre elas,
duas foram escolhidas para análise neste relatório.
Uma delas buscou avaliar diferenças quanto à propensão cultural para
a atividade empreendedora :
"Se o(a) Sr(a) tivesse filho(s) jovem(s), acharia melhor que eles se
preparassem para:
(1) Ter seu próprio negócio e ser independentes;
(2) Fazer um concurso público e ter um emprego garantido;
(3) Trabalhar em uma empresa privada e ter um bom s alário."
De uma maneira geral, não se observaram diferenças muito
substanciais, entre as regiões, quanto ao padrão das respostas dadas a essa
questão. Como mostra a tabela a seguir, predominou a opção "ter seu
próprio negócio", ficando em segundo lugar " fazer um concurso público" e
em terceiro, bem abaixo "trabalhar em uma empresa privada".
Respostas à questão "Se o Sr.(a) tivesse filhos jovens, acharia melhor que eles se
preparassem para ...", por região do estado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Ter seu próprio negócio e ser
244
132
153
165
694
independente
46,8%
55,0%
45,7%
43,8%
47,1%
Fazer um concurso público e ter um
173
67
123
140
503
emprego garantido
33,2%
27,9%
36,7%
37,1%
34,1%
Trabalhar em uma empresa priva da
81
34
47
58
220
e ter um bom salário
15,5%
14,2%
14,0%
15,4%
14,9%
NS/NR
23
7
12
14
56
4,4%
2,9%
3,6%
3,7%
3,8%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
50
A exceção foi constituída pela região Nordeste 2, onde se constat ou
um percentual bem mais elevado da resposta "ter seu próprio negócio e ser
independente", quase oito pontos acima da média estadual. Esse percentual
maior foi alcançado inteiramente às expensas de "fazer um concurso
público", já que o percentual de "trab alhar em uma empresa privada" foi
quase igual ao das demais regiões.
Já a questão sobre
entrevistados optassem entre
favorecidos", "justo é que
direitos" e "justo é que os
sociais".
concepções de justiça solicitou que os
três alternativas: "justo é privilegiar os menos
todos tenham as mesmas oportunidades e
mais capazes ocupem as melhores posições
As respostas a essa questão, apresentadas na tabela a seguir,
indicaram o amplo predomínio da concepção de justiça como igualdade de
direitos e oportunidades. A única diferença regional digna de nota é o fato
de que, no Sul, o apoio à concepção de justiça como "privilegiar os menos
favorecidos" foi substancialmente maior.
Respostas à questão "Qual dessas frases define melhor o que é justiça?",
por região do e stado
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Justo é privilegiar aos menos
32
13
15
44
favorecidos
6,1%
5,4%
4,5%
11,7%
Justo é que todos tenham as
452
211
306
314
mesmas oportunidades e direitos
86,8%
87,9%
91,3%
83,3%
Justo é que os mais capazes
28
15
14
19
ocupem melhores posições sociais
5,4%
6,3%
4,2%
5,0%
NS/NR
TOTAL
9
1,7%
521
100,0%
1
,4%
240
100,0%
335
100,0%
377
100,0%
Total
104
7,1%
1283
87,1%
76
5,2%
10
,7%
1473
100,0%
Exclusão
Foi incluída na pesquisa u ma questão que indagou sobre “quais os
tipos de diferenças que mais separam os habitantes da região”, com a
finalidade de investigar quais causas de exclusão social eram percebidas
como mais importantes pelos entrevistados, em suas regiões. Como
mostram os dados da tabela abaixo, as diferenças econômicas são
51
percebidas como as mais importantes, em todas as regiões, seguidas pelas
diferenças de nível educacional e pelas diferenças de situação social. Todos
esses tipos compõem, na verdade, uma mesma dimensão. Outras diferenças,
como as de natureza racial ou as entre gêneros, entre gerações ou crenças
religiosas, alcançaram percentuais bem menores.
De uma maneira geral, as regiões apresentaram padrões de respostas
similares. No entanto, cabe destacar que a pe rcepção da existência de
diferenças foi maior na Região Metropolitana do que no interior. Nesta
região apenas pouco mais de 10% dos entrevistados afirmou que não
existiam diferenças que separavam os habitantes locais, enquanto nas
regiões do interior essa resposta atingiu percentuais entre 16 e 21%. Outro
ponto digno de nota diz respeito às diferenças de opção partidária, que
alcançam um percentual bem superior à média estadual (quase o dobro) na
região Norte e, com menor intensidade, na região Nordeste 2.
Respostas à questão "Quais os tipos de diferença que mais separam os habitantes
da
sua região ?", por região do estado (primeira resposta)
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
De nível de educação
De riquezas (econômicas)
Entre pessoas mais jovens e mais
velhas
De situação social
Entre homens e mulheres
Na propriedade da terra
Diferenças raciais
De crença religiosa
Quanto a partidos políticos
Entre moradores mais antigos e
pessoas que vieram de fora
De opção sexual
As diferenças não separam os
habitantes desta região
NS/NR
TOTAL
137
26,3%
138
26,5%
18
3,5%
94
18,0%
1
,2%
3
,6%
4
,8%
14
2,7%
26
5, 0%
10
1,9%
5
1,0%
57
10,9%
14
2,7%
521
100,0%
56
23,3%
69
28,8%
9
3,8%
25
10,4%
1
,4%
2
,8%
4
1,7%
3
1,3%
23
9,6%
5
2,1%
1
,4%
39
16,3 %
3
1,3%
240
100,0%
49
14,6 %
89
26,6%
10
3,0%
50
14,9%
76
20,2%
111
29,4%
12
3,2%
57
15,1%
4
1,2%
6
1,8%
8
2,4%
53
15,8%
3
,9%
1
,3%
60
17,9%
2
,6%
335
100,0%
5
1,3%
4
1,1%
4
1,1%
15
4,0%
3
,8%
6
1,6%
80
21,2%
4
1,1%
377
100,0%
318
21,6%
407
27,6%
49
3,3%
226
15,3%
2
,1%
14
1,0%
18
1,2%
29
2,0%
117
7,9%
21
1,4%
13
,9%
236
16,0%
23
1,6%
1473
100,0%
52
Essa questão foi seguida, na pesquisa, por outra que indagava se
“essas diferenças causam problemas?”. Como mostra a tabela abaixo, a
percepção da gravidade dos problemas causados por essas diferenças variou
de forma expressiva entre as regiões. A Região Metropolitana (Nordeste 1)
foi a única onde o percentual de respostas “causam problemas graves” foi
maior do que a soma dos percentuais das respostas “causam poucos
problemas” ou “não causam problemas”. Dentre as outras regiões, a
Nordeste 2 foi a que apresentou uma menor percepção de gravidade, pois a
soma das opções “causam poucos problemas” ou “não causam prob lemas”
superou a alternativa “causam problemas graves” em quase quinze pontos
percentuais.
Respostas à questão "Essas diferenças causam problemas ?", por região do estado
Elas não causam pr oblemas
Elas causam poucos problemas
Elas causam problemas graves
Não se aplica (respondeu que “as
difere nças não separam os
habitantes da região” na questão
anterior)
NS/NR
TOTAL
Região do
Nordeste 1 Nordeste 2
46
22
8,8%
9,2%
168
95
32,2%
39,6%
221
82
42,4%
34,2%
57
39
10,9%
16,3%
29
5,6%
521
100,0%
2
,8%
240
100,0%
Estado
Norte
18
5,4%
125
37,3%
125
37,3%
60
17,9%
7
2,1%
335
100,0%
Total
Sul
30
8,0%
123
32,6%
131
34,7%
80
21,2%
116
7,9%
511
34,7%
559
37,9%
236
16,0%
13
3,4%
377
100,0%
51
3,5%
1473
100,0%
O cruzamento das respostas d adas à questão “Quais os tipos de
diferenças que mais separam os habitantes da sua região?” com as da
questão “Essas diferenças causam problemas?” mostra que as desigualdades
relacionadas com a dimensão sócio -econômica foram consideradas as mais
graves. Em um segundo plano, as diferenças políticas também foram
consideradas causa de problemas importantes, sendo bem menor a
percepção de gravidade dos outros tipos de diferenças.
Informação
Foram incluídas na pesquisa, ainda, várias questões cujo objetivo foi
investigar qual o interesse dos entrevistados por diferentes tipos de
53
informações e as fontes através das quais eles tinham acesso a essas
informações.
Em primeiro lugar, indagou -se quais os tipos de notícias que mais
despertavam o interesse dos entr evistados. As respostas, apresentadas na
tabela abaixo, indicaram um grande interesse pelos temas econômicos. As
notícias sobre economia alcançaram o primeiro lugar no Norte e no
Nordeste 2. Na Região Metropolitana, quase empataram com a opção
preferida – “notícias esportivas” e, no Sul, ficaram em um segundo lugar,
um pouco mais distante da primeira opção – também “notícias esportivas”.
O noticiário sobre política ocupou o quarto lugar no estado, atrás das
notícias sobre música e televisão, com menos de 1/ 5 das preferências,
chegando a ficar em terceiro lugar na Região Metropolitana.
Respostas à questão "Qual o tipo de assunto que mais lhe interessa
por região do estado (primeira resposta)
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Sobre esporte
118
58
70
95
22,6%
24,2%
20,9%
25,2%
Sobre política
99
35
50
76
19,0%
14,6%
14,9%
20,2%
Sobre música e televisão
96
37
53
78
18,4%
15,4%
15,8%
20,7%
Sobre economia
117
59
95
80
22,5%
24,6%
28,4%
21,2%
Sobre assuntos policiais
38
18
28
13
7,3%
7,5%
8,4%
3,4%
Outros
53
33
39
35
10,2%
13,8%
11,6%
9,3%
TOTAL
521
240
335
377
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
?",
Total
341
23,2%
260
17,7%
264
17,9%
351
23,8%
97
6,6%
160
10,9%
1473
100,0%
Outra questão indagou qual o nível territor ial que desperta maior
interesse no noticiário, com a possibilidade de duas respostas. O objetivo
desta pergunta foi avaliar qual a importância atribuída ao noticiário local e
regional. Os resultados, considerando -se apenas a primeira resposta,
apresentados na tabela abaixo, parecem ter sido fortemente influenciados
por fatores conjunturais. É provável que o ataque ao World Trade Center,
em Nova Iorque, dias antes da realização do trabalho de campo 28 , um evento
de grande intensidade que concentrou o interess e dos diferentes meios de
comunicação por várias semanas, tenha afetado o padrão de respostas,
inflando os percentuais da alternativa “o que acontece no mundo”, que
alcançou um primeiro lugar destacado em todas as regiões.
28
As entrevistas foram realizadas entre 26 de outubro e 6 de novembro de 2001.
54
De qualquer forma, percebe -se que, no interior, os percentuais das
opções “o que acontece na sua cidade” e “o que acontece na sua região”
superaram os das alternativas “o que acontece no resto do Brasil” e “o que
acontece no resto do estado”. Na Região Metropolitana, o interesse pelo
noticiário nacional e sobre o resto do estado superou, por pequena margem,
essas outras alternativas.
Respostas à questão "O que mais desperta sua atenção nas notícias ?",
por região do estado (primeira resposta)
O que acontece no mundo
O que acontece no resto do Brasil
O que acontece no resto do RS
O que acontece na sua região
O que acontece na sua cidade
NS/NR
TOTAL
Região do
Nordeste 1 Nordeste 2
293
101
56,2%
42,1%
69
39
13,2%
16,3%
47
21
9,0%
8,8%
56
36
10,7%
15,0%
54
41
10,4%
17,1%
2
2
,4%
,8%
521
240
100,0%
100,0%
Estado
Norte
117
34,9%
43
12,8%
41
12,2%
62
18,5%
66
19,7%
6
1,8%
335
100,0%
Total
Sul
143
37,9%
42
11,1%
40
10,6%
82
21,8%
67
17,8%
3
,8%
377
100, 0%
654
44,4%
193
13,1%
149
10,1%
236
16,0%
228
15,5%
13
,9%
1473
100,0%
Os resultados da mesma questão (nível territorial que
despertava maior interesse no noticiário), considerando -se agora apenas a
segunda resposta dada pelos entrevistados, tiveram um padrão diferente
daquele observado no que se refere à primeira resposta. O interesse pelos
temas nacionais cresceu substancialmente, em grande parte às expensas dos
temas internacionais.
55
Respostas à questão "O que mais desperta sua atenção nas notícias ?",
por região do estado (segunda resposta)
O que acontece no mundo
O que acontece no resto do Brasil
O que acontece no resto do RS
O que acontece na sua região
O que acontece na sua cidade
NS/NR
Respondeu apenas a primeira
TOTAL
Regiã o do
Nordeste 1 Nordeste 2
67
39
12,9%
16,3%
161
47
30,9%
19,6%
82
37
15,7%
15,4%
60
39
11,5%
16,3%
81
28
15,5%
11,7%
3
3
,6%
1,3%
67
47
12,9%
19,6%
521
240
100,0%
100,0%
Estado
Norte
41
12,2%
70
20,9%
67
20,0%
79
23,6%
40
11,9%
5
1,5%
33
9,9%
335
100,0%
Total
Sul
68
18,0%
73
19,4%
35
9,3%
63
16,7%
72
19,1%
3
,8%
63
16,7%
377
100,0%
215
14,6%
351
23,8%
221
15,0%
241
16,4%
221
15,0%
14
1,0%
210
14,3%
1473
100,0%
Outro conjunto de questões indagou sobre a freqüência com que os
entrevistados assistiam noticiários na televisão, ouviam pro gramas de
notícias no rádio e liam jornais. Os resultados, apresentados nas tabelas
abaixo, indicam que foram relativamente reduzidos os percentuais de
pessoas que “raramente” ou “nunca” têm contato com notícias através da
televisão ou jornal, diferentemen te do caso do rádio, em que essas duas
alternativas (raramente e nunca) superaram a casa dos 50%.
Não se pode identificar um padrão bem definido de diferenças entre
as regiões nas respostas a este conjunto de questões, embora alguns dados
chamem a atenção, como o menor índice de pessoas que lêem jornais
diariamente no Norte ou a menor assistência a noticiários de televisão no
Nordeste 2.
56
Respostas à questão "O Sr(a). costuma assistir aos noticiários da televisão ?",
por região do estado
Todos os dias
Na maior parte dos dias
Raramente ("alguns dias")
Nunca assiste
NS/NR
TOTAL
Região do
Nordeste 1 Nordeste 2
291
104
55,9%
43,3%
130
83
25,0%
34,6%
83
45
15,9%
18,8%
17
6
3,3%
2,5%
2
,8%
521
240
100,0%
100,0%
E stado
Norte
165
49,3%
103
30,7%
57
17,0%
10
3,0%
335
100,0%
Total
Sul
222
58,9%
96
25,5%
41
10,9 %
16
4,2%
2
,5%
377
100,0%
782
53,1%
412
28,0%
226
15,3%
49
3,3%
4
,3%
1473
100,0%
Respostas à questão "O Sr(a). ouve programas de notícias no rádio ?,
por região do est ado
Região do Estado
Total
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Todos os dias
139
77
98
133
447
26,7%
32,1%
29,3%
35,3%
30,3%
Na maior parte dos dias
67
25
53
45
190
12,9%
10,4%
15,8%
11,9%
12,9%
Raramente ("alguns dias")
133
79
112
129
453
25,5%
32,9%
33,4%
34,2%
30,8%
Nunca ouve
181
59
72
70
382
34,7%
24,6%
21,5%
18,6%
25,9%
NS/NR
1
1
,2%
,1%
TOTAL
521
240
335
377
1473
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
100,0%
Respostas à questão "O Sr(a). costuma ler jornais ?", por região do
Região do Estado
Nordeste 1 Nordeste 2
Norte
Sul
Todos os dias
261
106
119
175
50,1%
44,2%
35,5%
46,4%
Na maior parte dos dias
Raramente ("alguns dias")
Nunca assiste
TOTAL
105
20,2%
127
24,4%
28
5,4%
521
100,0%
53
22,1%
67
27,9%
14
5,8%
240
100,0%
84
25,1%
83
24,8%
49
14,6%
335
100,0%
81
21,5%
91
24,1%
30
8,0%
377
100,0%
estado
Total
661
44,9%
323
21,9%
368
25,0%
121
8,2%
1473
100,0%
57
Conclusão
Seria prematuro tentar elaborar, no âmbito das conclusões desta
pesquisa, uma síntese interpretativa capaz de integrar os vários resultados
aqui expostos em um grande quadro explicativo das desigualdades regionais
existentes no estado. Esta tarefa exige uma reflexão coletiva mais demorada,
capaz de agregar outras informações, impres cindíveis para uma
compreensão mais aprofundada dos resultados apresentados nesse relatório.
Seria necessária, inclusive, a realização de novas pesquisas de natureza
similar a esta, que permitam identificar tendências, ao longo de um período
mais longo de tempo. No entanto, é possível, desde já, indicar constatações
que permitem delinear um dos traços mais gerais dessa síntese
interpretativa: a identificação das macro -regiões que compõem o estado.
Os resultados da pesquisa apontam para a inadequação das d ivisões
macro-regionais usualmente adotadas para a análise do perfil sócio econômico do território gaúcho. Já há alguns anos, contrariando a
concepção vulgar de que o estado se dividiria em uma metade sul “pobre” e
uma metade norte “rica”, alguns autores p ropuseram uma abordagem um
pouco mais complexa do perfil espacial da economia gaúcha. Segundo eles,
o Rio Grande do Sul é constituído por, pelo menos, três grandes regiões. 29
A primeira delas, por ordem cronológica de formação histórica, é o
Sul, com uma base econômica predominantemente agrícola, constituído, de
forma aproximada, pelas áreas situadas abaixo da linha leste -oeste formada
pelos vales dos rios Jacuí e Ibicuí, onde atualmente predominam a grande
propriedade rural, a pecuária e a lavoura do arro z 30 .
A segunda é o Norte, também predominantemente agrário – que
compreende, de forma aproximada, as áreas do Planalto e do Alto Uruguai –
caracterizado pelo predomínio da pequena e média propriedade. Trata -se de
uma região heterogênea, onde uma produção inicialmente muito
diversificada cedeu espaço, nas últimas décadas, em muitas áreas, para as
lavouras mecanizadas do trigo e da soja.
29
Essa divisão regional é descrita em ALONSO, BENETTI e BANDEIRA (1994)
– “Crescimento
Econômico da Região Sul do Rio Grande do Sul: Causa s e Perspectivas ” , Porto Alegre, FEE, pp. 213 229.
30
Evidentemente, algumas sub -regiões do Sul diferem dessa caracterização. Assim, há extensas zonas de
pequena propriedade na Serra do Sudeste (Canguçú, por exemplo, é o município com maior número de
minifú ndios no estado) e na “quarta colônia”, situada nas proximidades de Santa Maria. Da mesma forma,
além da pecuária e do arroz, em certas sub - regiões existem outras atividades econômicas de grande
importância local, como as atividades portuárias em Rio Grand
e, as conservas em Pelotas ou os serviços
em Santa Maria.
58
A última é o Nordeste industrializado, constituído pelo eixo Porto
Alegre-Caxias do Sul e por áreas no seu entorno, onde , a partir do início do
século, começou a implantar -se um parque industrial diversificado que
rapidamente suplantou a agricultura e assumiu papel hegemônico como base
da economia local. Na presente pesquisa, essa área foi subdividida em
Nordeste 1, compree ndendo a Região Metropolitana, e Nordeste 2,
abrangendo o litoral e as áreas da Serra, que constituem grande parte das
regiões coloniais “antigas” do estado. As duas outras grandes regiões
correspondem, de forma quase exata, às adotadas nesta pesquisa.
Os resultados da análise aqui apresentada evidenciaram que existem
diferenças substanciais entre essas grandes regiões também no que se refere
a diversas variáveis relacionadas com o capital social e com a cultura
política. Essas diferenças, no entanto, não seguem um padrão norte -sulnordeste, similar ao definido pela estrutura e pelo dinamismo econômicos.
A principal divergência deriva do fato de que as diferenças entre as duas
parcelas que compõem o Nordeste – Região Metropolitana (Nordeste 1) e
Serra-Litoral (Nordeste 2) – são muito acentuadas.
A região Nordeste 2, da qual a Serra é a parte com maior expressão
em número de habitantes, tem características muito mais semelhantes às da
região Norte do que às da Região Metropolitana, apresentando graus
elevados de participação em associações voluntárias, que estão associados a
altos índices de convivência social e de participação em atividades políticas.
Juntos, o Nordeste 2 e o Norte compõem uma grande área cujo perfil sócio cultural foi fortemente influenci ado pelas raízes comuns, que remontam à
imigração e à colonização européia e ao predomínio da pequena propriedade
e da agropecuária familiar.
A Região Metropolitana, por sua vez, apresenta resultados parecidos
aos da região Sul em algumas variáveis, como a participação mais baixa em
associações voluntárias ou os menores percentuais de pessoas com índices
elevados de envolvimento em atividades políticas. No entanto, esses valores
numéricos semelhantes resultam de causas diferentes. No Sul, podem ser
atribuídos ao tipo de sociedade gerado pelo predomínio da grande
propriedade e pela longa convivência com a escravidão.
A relação negativa entre a escravidão e o capital social foi destacada
por Putnam em sua análise sobre os Estados Unidos. Segundo ele:
“Slavery was, in fact, a social system designed to destroy social
capital among slaves and between slaves and free men. Well
59
established networks of reciprocity between the oppressed would
have raised the risk of rebellion, and egalitarian bonds of sympathy
between slave and free would have undermined the very
legitimacy of the system.” 31
Os efeitos duradouros da existência da escravidão sobre o estoque de
capital social também são registrados por Putnam, que afirma que os
estados americanos com menor dotação de capital social no final do século
vinte eram aqueles onde havia predominado a escravidão no início do
século dezenove.
Na Região Metropolitana, ao contrário, os baixos resultados em
variáveis relacionadas com o capital social e a cultura política resu ltam dos
problemas intrínsecos à vida em uma metrópole, onde a demora nos
deslocamentos reduz o tempo disponível e limita as possibilidades de
convivência fora do lar e dos locais de trabalho. Como conseqüência, torna se mais difícil o envolvimento de gran de parte de seus habitantes em
atividades comunitárias, como a participação em associações de diferentes
tipos, ou o engajamento freqüente em atividades de natureza política.
Embora uma análise superficial cause a impressão de grande vitalidade da
vida ass ociativa e da participação política nas regiões metropolitanas, a
verdade é que uma parcela proporcionalmente menor de seus habitantes
envolve-se nesses tipos de atividades, em comparação com os centros
menores do interior, simplesmente porque as exigência s do quotidiano na
metrópole impedem que eles tenham tempo para isso 32 .
Os resultados da pesquisa apontam, portanto, para a necessidade de
revisar o esquema antes referido, que divide o estado em três grandes
regiões. Tendo em vista o que foi observado, a área de economia mais
dinâmica no estado - o Nordeste - não pode ser considerada como uma
unidade para fins de análise. Deve ser subdividida em duas partes, como foi
feito nesta pesquisa. Impõe -se considerar, a partir de agora, nos estudos
sobre a dinâmic a regional gaúcha, a existência de pelo menos quatro
grandes unidades territoriais no Rio Grande do Sul.
31
“A escravidão foi, de fato, um sistema social concebido de forma a destruir o capital social entre os
escravos e entre os escravos e os homens livres. A existência de redes sólidas de reciprocidad
e entre os
oprimidos teria aumentado o risco de rebeliões, e a ocorrência de laços igualitários de simpatia entre
escravos e livres teria minado a própria legitimidade do sistema.”
- PUTNAM, Robert D. (2000) –
“Bowling Alone: The Collapse and Revival of Am erican Community” , New York, Simon & Schuster,
p. 294.
32
Este ponto foi destacado por Robert Putnam em sua análise sobre o capital social nos Estados Unidos.
Segundo ele, cada dez minutos adicionais perdidos nos deslocamentos dentro das metrópoles american
as
reduzem em 10% o envolvimento das pessoas em atividades comunitárias. Ver PUTNAM, Robert D.
(2000), p. 213.
60
Os resultados encontrados para as duas regiões economicamente
menos dinâmicas – Sul e Norte – confirmaram o que já era esperado pelos
analistas que possuíam maior familiaridade com essas áreas. Os dados
relativos às variáveis relacionadas com o capital social mostraram que o
Norte tem na cultura associativa uma de suas principais “vantagens
competitivas”. O Sul, por outro lado, precisará superar as dif iculdades
derivadas de sua debilidade quanto a esse tipo de característica, para que
possa encontrar com maior facilidade os rumos do desenvolvimento. A
promoção do desenvolvimento na “Metade Sul” exigirá, entre outras
iniciativas, um esforço no sentido de fortalecer a capacidade dos atores
locais para atuarem juntos no sentido de alcançarem objetivos comuns.
Espera-se que futuras edições desta pesquisa possam constatar avanços na
direção desse tipo de mudança cultural.
Os resultados da pesquisa mostram, ainda, que não existe uma relação
linear entre capital social e desenvolvimento regional. A riqueza em capital
social seguramente favorece o desenvolvimento, mas não é condição
suficiente para que ele ocorra. Outros fatores importantes também devem
ser levados em consideração, como a estrutura econômica preexistente, as
economias de aglomeração, a capacidade de inovação, os recursos naturais
ou a localização em relação aos mercados. Uma região rica em capital social
pode apresentar reduzido dinamismo econôm ico, como conseqüência de
problemas relacionados com algum ou alguns desses fatores. Esse parece
ser o caso da região Norte, onde a crise da agricultura familiar resulta em
dificuldades econômicas e altas taxas de emigração em algumas sub regiões.
Por ou tro lado, parece claro que o crescimento econômico pode
ocorrer mesmo na presença de uma baixa dotação de capital social,
especialmente como resultado da intervenção de atores econômicos que
venham de fora da região. No entanto, o capital social parece ser essencial
para o desenvolvimento endógeno, que exige a cooperação permanente
entre os atores regionais para criar e manter um ambiente econômico
competitivo. Dessa forma, o capital social é especialmente importante para
as estratégias de desenvolvimento a poiadas nos conceitos de “clusters” ou
de sistemas locais de produção.
A pesquisa mostrou, ainda, de forma exemplar, no caso da Região
Metropolitana, como o crescimento econômico pode minar o capital social.
Embora não se disponha de dados que permitam c omparações precisas,
pode-se afirmar que a rápida transformação de Porto Alegre e seu entorno
em uma região metropolitana, com elevadas taxas de imigração e alta
densidade de ocupação, alterou substancialmente as formas de sociabilidade
61
vigentes na região, enfraquecendo alguns padrões de convivência que ainda
podem ser observados em centros menores e que constituem elementos
essenciais do capital social.
62
Anexo I: Questionário
PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA – ENTREVISTAS DOMICILIARES POR COTAS
ATENÇÃO FILTRO: O(A) ENTREVISTADO(A) DEVE SER MORADOR E ELEITOR NA
CIDADE ONDE OCORRER A ENTREVISTA.
Bom dia (tarde/noite), meu nome é .................. Sou aluno da Universidade ........................ e
estou participando de uma pesquisa do Laborató rio de Observação Social (LABORS) da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O(a) Sr(a) poderia ter a gentileza de
me atender, respondendo algumas perguntas que eu tenho para fazer?
Número do questionário
[
]
Cidade -............................ ......................
[
]
Entrevistador - ................................................................
[
]
Data - __ / __ / _____
[
]
(1) Zona Rural
1. Local de moradia do(a) entrevistado(a):
(2) Zona Urbana
[
]
(1) Masculino
2. Sexo do(a) entrevistado(a):
(2) Feminino
[
]
3. Idade do(a) entrevistado(a): ................anos
(1) Casado(a) ou similar
(2) Solteiro(a)
5. O(a) Sr(a) tem filhos?
[
4. Estado Civil do(a) entre vistado(a):
(3) Separado, divorciado etc.
(4) Viúvo
(9) Não Respondeu
(1) Sim
(2) Não
6. Até que ano o(a ) Sr(a) freqüenta(ou) a escola?
(1) Nunca Freqüentou/Analfabeto
(4) 2 ° Grau Incompleto
(2) 1 ° Grau Incompleto
(5) 2 ° Grau Completo
(3) 1 ° Grau Completo
(6) Nível Superior Incompleto/Completo
(8) Não Respondeu
]
[
]
[
]
[
]
7. Somando todos os rendimentos (salários, aposentadoria, pensão, aluguéis,...) das pessoas
que moram com o(a) Sr(a), a sua renda familiar fica em torno de:
[
]
(1) Até R$ 744,00
(2) De R$ 745,00 a R$ 1581,00
(3) R$ 1582,00 ou mais
(1)
8. Ocupação Principal (aquela a que o en trevistado dedica mais horas de trabalho no mês)
Trabalhador doméstico com carteira de trabalho assinada
[
]
(2)
Trabalhador doméstico sem carteira de trabalho assinada
[
]
(3)
Empregado com carteira de trabalho assinada
[
]
(4)
Empregado sem carteira de trabalho assinada
[
]
(5)
Emprega dor
[
]
(6)
Conta - própria/ Autônomo
[
]
(7)
Aprendiz ou estagiário sem remuneração ou estudante
[
]
(8)
Não remunerado que ajuda a membro do domicílio ou em negócio familiar
[
]
(9)
Trabalhador na produção para o próprio consumo
[
]
(10)
Empregado pelo regime jurídico dos funcionários públicos ou militar
[
]
(10.1) Servidor Federal
(10.2) Servidor Estadual
(10.3) Servidor Munic
ipal
(11)
Desempregado
[
]
(12)
Aposentado ou pensionista
[
]
(13)
Dona de casa
[
]
(99)
Não respondeu
[
]
2
9. Diga o nome de três municípios que fazem parte da região onde o(a) Sr(a) vive:
[
]
_________________________ , ________________________ e ______________________.
10. O(a) Sr(a) acha que as desigualdades de nível de desenv
olvimento entre as regiões do
Estado do Rio Grande do Sul são: (APENAS UMA RESPOSTA)
[
]
(1) Um problema importante
(3) Um problema de pouca importância
(2) Não devem ser consideradas um problema
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
11. Quais afirmações a seg uir definem melhor as causas das desigualdades de
desenvolvimento entre as regiões do Rio Grande do Sul: (MOSTRE O CARTÃO Nº 1 E
MARQUE ATÉ DUAS RESPOSTAS NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE ).
Primeira resposta
[
Segunda resposta
[
(1) É normal que o cre scimento econômico se concentre mais em algumas regiões do que em
outras
(2) Os governos favorecem mais algumas regiões
(3) Os habitantes de algumas regiões têm mais iniciativa e são mais trabalhadores do que os de
outras
(4) A concentração da propriedade da terra e da renda impede o desenvolvimento de algumas
regiões
(5) As dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores levam algumas regiões a entrar em
crise
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
12. O(a) Sr(a) considera que a sua região é rica ou pobre ? (A
[
]
13. O(a) Sr(a) acha que, no passado, a sua região já foi mais rica ou mais pobre do que é
hoje ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
]
(1) Rica
2) Mais rica do que pobre
(1) Já foi mais rica
(2) Continua igual
PENAS UMA RESPOSTA)
]
]
3) Mais pobre do que rica
(4) Pobre
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(3) Já foi mais pobre
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
14. Quais são os pontos mais fortes da economia de sua região ?(ATÉ
DUAS
RESPOSTAS NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE )
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta
[
]
(1 ) O comércio e os serviços
(6) A localização geográfica
(2) A pecuária e as pastagens
(7) A gente trabalhadora
(3) A agricultura e os solos
(8) As atrações turísticas
(4) A indústria
(9) Sem opinião (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(5) A capacidade empreendedora dos habitantes
15. Quais são os pontos mais fracos (problemáticos) da sua região ? (ATÉ
DUAS
RESPOSTAS NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE )
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta
[
]
(1) Habitação
(6) Atendimento à saúde
(2) Emprego
(7) Atividades culturai s
(3) Segurança pública
(8) Outro. Qual ? ______________________________
(4) Estradas e meios de comunicação
(9) Nenhum destes pontos
(5) Escolas e qualidade do ensino
(99) Sem opinião (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
16. Como um lugar para se viver a sua região
é ... (APENAS UMA RESPOSTA)
(1) Ótima
(3) Regular
(5) Péssima
(2) Boa
(4) Ruim
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
17. Analisando os resultados do MERCOSUL até agora, o(a) Sr(a) considera que ele tem trazido
mais benefícios ou mais prejuízos para a sua
região? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Mais benefícios do que prejuízos
(3) Mais prejuízos do que benefícios
(2) Nem benefícios nem prejuízos
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
]
3
18. Quais as entidades e pessoas são mais importantes para promover o
desenvolv imento da sua região? (ATÉ DUAS RESPOSTAS ENUMERADAS EM ORDEM DE
PRIORIDADE )
Primeira resposta
[
Segunda resposta
[
(1) As empresas locais
(6) As Universidades
(2) As empresas que venham de fora da região
(7) As associações e entidades da região
(3) Os Governos Municipais
(8) Os cidadãos da região
(4) O Governo do Estado
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(5) O Governo Federal
19. Qual nível de governo deve ter maior influência sobre o desenvolvimento de sua
região ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Governo federal
(3) Governo municipal
(2) Governo estadual
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
20. O que seria mais importante para promover o desenvolvimento da sua região ?
(APENAS UMA RESPOSTA)
(1) Fortalecer as atividades econômicas que já existem n a região
(2) Estimular novas atividades diferentes das que já existem
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
21. Que tipo de atividade deveria ser estimulada para fortalecer a economia da sua
região? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) A pecuária
(2) A agricultura
(3) A indústria
]
]
]
(4) O comércio e os serviços
(5) Outro. Qual? ..........................................
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
22. No caso da indústria, o que seria mais importante para promover o desenvolvimento
da sua região ? (APENAS UMA RESPOST A)
[
(1) Estimular as pequenas e médias
empresas
]
]
(2)
Estimular
empresas
ou
atrair
grandes
]
(9) NS/NR
(NÃO LEIA ESTA
OPÇÃO)
23. Quais seriam as duas ações mais importantes para reduzir o desemprego na sua
região? (APRESENTE O CARTÃO Nº2 E
ENUMERE AS RESPO STAS EM ORDEM DE
PRIORIDADE )
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta
[
]
(1) Melhorar a qualidade da educação dos jovens
(6) Reduzir os impostos pagos pelas empresas
(2) Atrair novas empresas para a região
(7) Fortalecer a pesquisa e a cooperação
entre as empresas e as universidades
(3) Realizar treinamento profissional para adultos
(8) Melhorar os transportes e a infra -estrutura
(4) Diversificar as atividades agrícolas e industriais
(9) Sem opinião (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(5) Estimular as empresas q ue já existem
24. Entre os setores e atividades a seguir, quais os
dois que deveriam receber tratamento
prioritário na sua região ? (APRESENTE O CARTÃO Nº3 E
ENUMERE AS RESPOSTAS EM
ORDEM DE PRIORIDADE )
Primeira resposta
[
Segunda resposta
[
(1) Estr adas, transportes e comunicações
(9) Saneamento
(2) Atividades culturais e de lazer
(10) Segurança pública
(3) Agricultura e/ou pecuária
(11) Ensino de primeiro grau
(4) Indústria
(12) Ensino de segundo grau
(5) Comércio e serviços
(13) Educação profis sional para jovens e adultos
(6) Turismo
(14) Pesquisa e educação superior
(7) Proteção do meio ambiente
(15) Cooperação entre os governos e a sociedade
(8) Habitação
(99) Sem opinião (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
]
25. Pensando sobre os efeitos futuros do MERCO SUL para a sua região, o(a) Sr(a)
considera que ele trará: (APENAS UMA RESPOSTA)
[
]
(1) Mais benefícios (2) Nem benefícios (3) Mais prejuízos que (9) NS/NR (NÃO LEIA
que prejuízos
nem prejuízos
benefícios
ESTA OPÇÃO)
4
26. O(a) Sr(a) já ouviu falar que a lgumas pessoas pretendem separar os municípios do sul do
estado - a "Metade Sul" - do resto do Rio Grande do Sul, para criar um novo estado ?
[
(1) Sim
(2) Não
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
27. Quais os segmentos da sociedade que ganham e quais os que
perdem se a metade
sul do Rio Grande do Sul se separar do resto do estado ? (MARQUE TODAS AS
RESPOSTAS)
1) Ganham
2) Não ganham
3) Perdem 9) NS/NR
nem perdem
(1) Todos os gaúchos
(2) Os políticos do sul do RS
(3) Os políti cos do resto do RS
(4) Os trabalhadores do sul do RS
(5) Os trabalhadores do resto do RS
(6) Os funcionários públicos do sul do RS
(7)Os funcionários públicos do resto do RS
(8) Os empresários do sul do RS
(9) Os empresários do resto do RS
(10) Os contribuintes do sul do RS
(11) Os contribuintes do resto do RS
28. Há quanto tempo sua família vive nesta região ? (APENAS UMA R
ESPOSTA)
(1) A família sempre viveu na região
(4) O entrevistado veio para a região
(2) Os avós vieram para a região
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(3) Os pais vieram para a região
[
]
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
]
29. Algumas pessoas dizem que gostariam de mudar
- se para outra regiã o. O(a) Sr(a)
preferiria viver em outra região ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
]
(1) Sim
(2) Não
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
30. O(a) Sr(a) viajou para algum dos seguintes lugares nos últimos dois anos ?
(SEM LIMITE DE RESPOSTAS)
(1) Cidades vizinhas - (den tro do estado)
[
]
(2) Outras cidades do estado
[
]
(3) Outros estados
(4) Países vizinhos
[
]
(5) Outros países
[
]
(6) Não via jou nos últimos dois anos
[
]
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
]
[
]
31. Quais as duas expressões que defin em melhor a região onde o(a) Sr(a) vive ?
(APRESENTE CARTÃO Nº4 E MARQUE ATÉ
DUAS RESPOSTAS NUMERADAS EM
ORDEM DE PRIORIDADE )
[
(1) um lugar como qualquer outro
(5) uma comunidade de pessoas com
(2) um lugar com história e cultura próprias
muitas afinidades sociais e culturais
(3) uma área que se destaca pelas
(6)
uma
comunidade
com
muitas
característic as econômicas
desigualdades e conflitos sociais
(4) uma área que se destaca pelas
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
características políticas
]
32. O(a) Sr(a ) possui mais afinidades com ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Os habitantes da sua cidade
(2) As pessoas da sua idade ou da sua geração
(3) Os outros habitantes da sua região
(4) As pessoas do seu meio social ou profissional
(5) As pessoas de sua origem ét nico -cultural (africana, árabe, alemã, indígena, italiana,
japonesa, judaica, polonesa, portuguesa, etc.)
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
33. O(a) Sr(a) se sente mais orgulhoso de ? (APENAS UMA RESPOSTA)
(1) Ser desta cidade e desta região
(4) Ser lati no - americano(a)
(2) Ser gaúcho(a)
9) NS/NR (NÃO LEIA ESSA OPÇÃO
(3) Ser brasileiro(a
]
[
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
5
34. O(a) Sr(a) considera que seus principais interesses são mais parecidos com os
interesses...(APRESENTE O CARTÃO Nº5 E MARQUE ATÉ
DUAS RESPOSTAS
NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE) :
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta [
]
(1) Dos outros habitantes do seu município
(6) Dos outros habitantes da América
(2) Dos outros habitantes da sua região
Latina
(3) Dos outros habitantes do Rio Grande do
(7) Dos habitantes de todos os países
Sul
subdesenvolvidos
(4) Dos outros habitantes do Brasil
(8) Dos habitantes de todos os países do
(5) Dos outros habitantes dos países do
mundo
MERCOSUL
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
35. O(a) Sr(a) se interessa pela política ?
[
]
36. Na sua opinião, política é ... (APENAS UMA RESPOSTA)
(1) A capacidade das pessoas agirem em conjunto na busca de objetivos comuns
(2) A disputa pelo poder
(9) NS/NR (NÃO LEIA ES TA OPÇÃO)
[
]
37. Quando o(a) Sr(a) se reúne com seus amigos, costuma falar sobre política ?
(1) Muitas vezes
(3) Nunca
(2) Apenas de vez em quando
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
]
38. O(a) Sr(a) é filiado a algum partido político ou simpatiza com algum p
[
]
(1) Bastan te
(3) Não se interessa
(2) Um pouco
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
artido ?
(1) É filiado a um partido
(4) Não simpatiza com nenhum partido em especial
(2) Simpatiza muito com um partido
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(3) Simpatiza um pouco com um partido
39. Se o voto não fosse obrigatório, o(a) Sr(a) votaria as
(1) Sim
(2) Não
sim mesmo?
[
]
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
40. Quando escolhe um candidato para votar, quais destas características do candidato
o(a) Sr(a) considera mais importantes? (MOSTRE O CARTÃO Nº6 E MARQUE ATÉ
DUAS
RESPOSTAS NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE )
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta [
]
(1) Promover a participação
(7) Ser originário da região
(2) Ter experiência na vida pública e ser
(8) Ser alguém que o(a) Sr(a) conhece
competente como administrador
pessoalmente
(3) Não ser político profissional
(9) Obedecer à orientação do partido a que
(4) Ser de origem popular
pertence
(5) Ser honesto
(10) Não
ter
medo
de
assumir
(6) Ter elevado nível intelectual ou grau de
responsabilidades e tomar decisões
instrução
(99)NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
41. Quais destas atividades relac ionadas com o governo e com a política o(a) Sr(a)
praticou no último ano ? (MOSTRE O CARTÃO Nº7
- SEM LIMITE DE RESPOSTAS)
[
(1) Conversou com alguém sobre política
[ ]
(2) Foi a uma manifestação, a um comício ou a um protesto
[ ]
(3) Parti cipou de alguma reunião pública sobre assunto político
[ ]
(4) Foi eleito ou se candidatou para algum cargo público
[ ]
(5) Pediu a ajuda de algum político para resolver um problema particular
[ ]
(6) Doou dinheiro para algum partido p olítico
[ ]
(7) Trabalhou na campanha de algum candidato (vereador, prefeito, deputado etc.)
[ ]
(8) Participou de algum grupo ou comissão que tentou influenciar alguma atividade de governo
[ ]
(9) Procurou algum político para tratar d e assunto de interesse da sua comunidade
[ ]
(99)NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[ ]
42. O(a) Sr(a) lembra em quem votou para deputado estadual na última eleição?
(1) Sim
(2) Não
(9)NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
]
]
6
43. O(a) Sr(a) costuma votar,
região?
(1) Sempre
(2) Na maior parte das vezes
(3) Às vezes
(4) Quase nunca
para deputado estadual ou federal, em candidatos da sua
[
(5) Nunca
(6) Vota nos candidatos independente da
região a que eles pertencem
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
44. O (a) Sr(a) já participou de alguma atividade dos Conselhos Regionais de
Desenvolvimento (COREDES), do Orçamento Participativo Estadual ou do Fórum
Democrático de Desenvolvimento Regional ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Sim, já participou (PULE A QUESTÃO
(2) Não, nunca participou
(99)NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
SE GUINTE)
45. Por que o(a) Sr(a) nunca participou ? (SÓ PARA OS QUE RESPONDERAM QUE
NUNCA PARTICIPARAM, NA QUESTÃO ANTERIOR
– APENAS UMA RESPOSTA.)
[
(1) Nem sabe o que são essas coisas
(2) Não tem interes se por esses assuntos
(3) Não tem tempo
(4) Acha que sua participação não faz diferença
(5) Não teve informação sobre as datas e os horários
(6) Em geral, as datas coincidiam com outras atividades
(7) Em geral, os horários coincidiam com outras atividades
(8) Em geral, os locais não eram convenientes (distância ou outro motivo)
(7)NSA (NÃO SE APLICA) (Respondeu a opção 1 na questão anterior)
(9)NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
]
]
46. Com quais das afirmações a seguir o(a) Sr(a) concorda ? (MOSTRAR O CARTÃO Nº.8
SEM LIMITE DE RESPOSTAS)
[
]
(1) Num mundo complicado como o de hoje, as pessoas comuns não são capazes de entender
corretamente os problemas. Por isso, a participação dos cidadãos não ajuda a encontrar as
melhores soluções
(2) Em geral, as pessoas não sabem quais são os seus verdadeiros
interesses. Por isso
acabam sendo manipuladas pelos outros
(3) Os problemas relacionados com o desenvolvimento regional são muito complicados. É
melhor deixar que os especialistas se preocupem com eles e encontrem as soluções
(4) As pessoas devem poder participar das discussões e decisões, mesmo que tenham pouca
instrução e dificuldade para entender alguns aspectos dos problemas
(5) Os governos funcionam melhor se forem chefiados por líderes fortes, que saibam comandar
e façam valer as suas opiniões
47. Qual o seu grau de concordância ou de discordância com cada uma das frases que eu
vou ler? (MARQUE TODAS AS RESPOSTAS CONFORME OS CÓDIGOS ABAIXO)
(1)
(2)
(3)
(4)
(9)
Concorda
Concorda
Discorda
Discorda
NS/NR
inteirament
em parte
em parte
totalmente
e
(1) A maioria das pessoas que ocupam
cargos de autoridade tenta explorar você
(2) Você se sente excluído do que está
acontecendo à sua volta
(3) As pessoas que dirigem o país não
estão realmente preocupadas com o que
acontece a você
(4) Trabalhando juntas, as pessoas
podem influenciar as decisões que
afetam o futuro de sua região
(5) O que você pensa não conta muito
(6) O que melhor caracteriza a política
nesta região é a corrupção
(7) O governo não faz o bastante para
garantir a ordem pública
(8) A polícia deve ter mais poder para
defender a lei
(9) Hoje em dia a autoridade não é
devidamente respeitada
(10) A polícia tem demas iado poder no Brasil
[
]
[
]
[
]
[
]
[
[
]
[
]
[
]
[
[
]
]
]
7
48. Como o(a) Sr(a) classificaria o espírito participativo das pessoas da sua região ?
[
(1) Muito fraco
(3) Médio
(5) Muito forte
(2) Fraco
(4) Forte
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
49. De uma maneira geral, o(a ) Sr(a) acredita que se pode confiar na maior parte das
pessoas ou que se deve ter muito cuidado ao tratar com outras pessoas ?
(APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Pode - se confiar na maior parte das pessoas
(2) É preciso muito cuidado ao tratar com outras pessoa s
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
50. O(a) Sr(a) acha que a maior parte das pessoas tentaria se aproveitar do(a) Sr(a), se
tivesse oportunidade, ou que elas tentariam agir de forma justa na maior parte das
situações ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Tentaria m tirar vantagem
(2) Tentariam agir de forma justa
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
51. Já lhe aconteceu de perceber que as pessoas com quem estava tratando não
confiavam no(a) Sr(a) ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Sim, muitas vezes
(3) Nunca aconteceu
(2) Sim, algumas vezes
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
52. Com quais das afirmativas a seguir o(a) Sr(a) concorda ? (MOSTRAR O CARTÃO Nº9
SEM LIMITE DE RESPOSTAS)
[
]
(1) As pessoas em geral se comportam de maneira oportunista e, se puderem, evitam cumprir
com as suas obrigações
(2) As pessoas em geral cumprem com as suas obrigações
(3) As pessoas só cumprem com suas obrigações porque, se não cumprirem, os outros ficam
sabendo e passam a não confiar mais nelas
(4) As pessoas só cumprem com suas obrigações quando têm medo
de serem punidas se não
cumprirem
(5) As pessoas em geral cumprem com suas obrigações para com os outros porque esperam
que os outros também cumpram com as suas obrigações para com elas
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
54. Vou perguntar com que freqüência o(a ) Sr(a) pratica algumas atividades relacionadas com a
vida social. Para cada atividade, o(a) Sr(a) deve dizer se as faz todas as semanas, ou quase
todas as semanas; se faz uma ou duas vezes por mês, se faz apenas umas poucas vezes por
ano; ou se nunca faz. (MARQUE AS RESPOSTAS CONFORME OS CÓDIGOS ABAIXO).
(1) Todas as
(2) Uma
(3) Poucas (4) Nunca
(9)
semanas/
ou duas
vezes por
faz
NS/NR
quase todas
vezes por
ano
as semanas
mês
(1) Reúne amigos em sua
[
casa
[
(2) Visita parentes e amigos
(3) Sai com colegas de
trabalho ou de profissão
(4) Reúne -se com membros
da mesma igreja ou
religião
(5) Passa tempo com amigos
em jogos ou atividades
esportivas
(7) Participa de reuniões de
alguma associação
voluntária
(8) Vai a festas em clubes
sociais
]
]
[
]
[
]
[
]
[
]
[
]
8
55. Agora vou ler uma lista de tipos de associações voluntárias, Para cada uma delas, o(a)
Sr(a) deve dizer se é associado/integrante de alguma entidade des
se tipo e participa das suas
atividades, se é associado/integrante mas não participa ou se não é associado/integrante.
(MARQUE TODAS AS RESPOSTAS CONFORME OS CÓDIGOS ABAIXO)
(1) É sócio (2) É sócio
(9) Não é
e participa
mas não
sócio
participa
(1) Igrej a ou grupo religioso
[
]
(2) Clube esportivo
[
]
(3) Sociedade recreativa ou clube social
[
]
(4) Organização artística, musical ou educacional
[
]
(5) Sindicato
[
]
(6) Associação Comercial
[
]
(7) Outra entidade empresarial
[
]
(8) Partido político
[
]
(9) Entidade de proteção do meio ambiente
[
]
(10) Entidade profissional
[
]
(11) Organização de caridade
[
]
(12) Cooperativa
[
]
(13) Clube de serviços (tipo Rotary, Lions etc.)
[
]
(14) Associação de pais e mestres
[
]
(15) Associação de agricultores ou pecuaristas
[
]
(16) Associação de bairro
[
]
(1 7) Clube de mães
[
]
(18) Maçonaria
[
]
(19) Outro tipo de associação
[
]
56. Nos últimos três anos, o(a) Sr(a) desempenhou algum cargo ou teve algum tipo de
responsabilidade no funcionamento de alguma entidade, assoc
iação ou clube, de
qualquer tipo, da sua região ou da sua cidade ?
[
]
(1) Sim
(2) Não
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
57. Para cada uma das afirmativas que eu vou ler, diga se o(a) Sr(a) concorda ou
discorda. (MARQUE TODAS AS RESPOSTAS CONFORME OS CÓDI
GOS ABAIXO)
(1) Concorda (2) Discorda (9) NS/NR
(1) A maior parte das pessoas desta região é
honesta e merece confiança
(2) As pessoas sempre se interessam mais pelo seu
bem - estar e de suas famílias, e não se
preocupam muito com o bem -es tar da
comunidade
(3) As pessoas desta região são sempre mais
merecedoras de confiança do que as de outras
regiões
(4) É conveniente estar sempre alerta nesta região,
para que os outros não se aproveitem de você
(5) Se você tiver um problema, sempre aparecerá
alguém para ajudar
(6) Em geral, a maior parte das pessoas desta
região estará pronta para ajudar se você
precisar
(7) Se você deixar cair sua carteira na rua, nesta
cidade, é quase certo que a pessoa que a
encontrar irá devolvê -la
(8) Nesta cidade as pessoas obedecem às leis, até
mesmo ao código de trânsito
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
]
[
]
[
]
[
]
[
]
[
]
[
]
[
]
[
]
58. Com que freqüência o(a) Sr(a) conve rsa ou mantém contato com parentes ou amigos,
pessoalmente ou por telefone ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Várias vezes ao dia
(3) Algumas vezes por semana
(5) Algumas vezes ao ano
(2) Pelo menos uma vez por dia
(4) Algumas vezes por mês
(6) Nunca ou quas e nunca
]
9
59. Qual o grau de importância que os seguintes aspectos devem ter, na sua opinião, para a
educação dos nossos filhos:
(MARQUE TODAS AS RESPOSTAS CONFORME OS CÓDIGOS ABAIXO)
(1) É muito (2) É pouco (3) Não tem
(9)
importante
importante
nenhuma
NS/NR
impo rtância
(1) Ter senso de responsabilidade
(2) Ter uma crença religiosa
(3) Ser obediente
(4) Não levar desaforo para casa
(5) Ser trabalhador
(6) Ser determinado, s aber o que quer
(7) Ter capacidade de improvisação
(8) Ser independente
(9) Ser criativo
(9) Poupar, não ser gastador
(10) Ser tolerante, aceitar os outros como eles são
(11) Não ser egoísta
(12) Saber lidar com as pessoas
(13) Saber levar vantagem nas situações
60. Se o(a) Sr(a) tivesse filho(s) jovem(s), acharia melhor que eles se preparassem para:
(APENAS UMA RES POSTA)
[
(1) Ter seu próprio negócio e ser independentes
(2) Fazer um concurso público e ter um emprego garantido
(3) Trabalhar em uma empresa privada e ter um bom salário
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
61. Qual destas frases o(a) Sr(a) considera que de fine melhor o que é justiça ? (APENAS
UMA RESPOSTA)
[
(1) Justo é privilegiar os menos favorecidos
(2) Justo é que todos tenham as mesmas oportunidades e direitos
(3) Justo é que os mais capazes ocupem as melhores posições sociais
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
[
]
]
6 2. Quais os tipos de diferenças que mais separam os habitantes da sua região?
(MOSTRE O CARTÃO Nº10 E MARQUE ATÉ
DUAS RESPOSTAS NUMERADAS EM ORDEM
DE PRIORIDADE)
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta [
]
(1) Diferenças de nível de educação
(8) Diferenças de crença religiosa
(2) Diferenças de riqueza (econômicas)
(9) Diferenças quanto a partidos políticos
(3) Diferenças entre pessoas mais
(10) Diferenças entre moradores mais antigos e pessoas
jovens e mais velhas
que vieram de fora
(4) Diferenças de situ ação social
(11) Diferenças de opção sexual
(5) Diferenças entre homens e mulheres
(12) A diferenças não separam os habitantes desta
(6) Diferenças na propriedade da terra
região (PULE A QUESTÃO SEGUINTE)
(7) Diferenças raciais
(99) NS/NR (NÃO LEIA EST A OPÇÃO)
63. Na sua opinião, essas diferenças causam problemas ? (Só para quem respondeu que
há diferenças que separam os habitantes) (APENAS UMA RESPOSTA)
[
]
(1) As diferenças não causam problemas
(7) NSA (respondeu a opção 12 na questão
(2) As diferenças causam poucos problemas
anterior)
(3) As diferenças causam problemas graves
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
64. Atualmente as pessoas não têm tempo para acompanhar todas as notícias. É preciso
escolher as informações. Quais são os tipos de assunto q
ue mais lhe interessam?
(ATÉ DUAS RESPOSTAS NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE)
Primeira resposta
[
]
Segunda resposta [
]
(1) Sobre esporte
(5) Sobre assuntos policiais
(2) Sobre política
(6) Outro. Qual? ................................................ .........
(3) Sobre música e televisão
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
(4) Sobre economia
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
]
10
65. O que desperta mais a sua atenção nas notícias? (ATÉ
NUMERADAS EM ORDEM DE PRIORIDADE )
(1) O que acontece no mundo
(2) O que acontece no resto do Brasil
(3) O que acontece no resto do estado do RS
DUAS RESPOSTAS
Primeira resposta
[
Segunda resposta [
(4) O que acontece na sua região
(5) O que acontece na sua cidade
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
66. O(a) Sr(a) considera que está bem informado sobre o
(SEM LIMITE DE RESPOSTAS)
(1) Sim
(2) Não
Na sua cidade
Na sua região
No estado do RS
No Brasil
No resto do mundo
]
]
que acontece...
(9) NS/NR
[
[
[
[
[
]
]
]
]
]
67. Quantas horas por dia, e m média, o(a) Sr(a) assiste televisão durante a semana, sem
contar os fins de semana ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Não assiste à televisão
(5) 4 - 5 horas por dia
(2) 1 - 2 horas por dia
(6) 5 - 6 horas por dia
(3) 2 - 3 horas por dia
(7) Mais de 6 horas por d ia
(4) 3 - 4 horas por dia
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
68. O(a) Sr(a) costuma assistir aos noticiários da televisão ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
]
(1) Todos os dias
(3) Raramente (Marque aqui quem diz “alguns
dias”)
(2) Na maior parte dos dias
(4) Nunca assiste
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
69. O(a) Sr(a) ouve programas de notícias no rádio ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Todos os dias
(3) Raramente (Marque aqui quem diz “alguns
dias”)
(2) Na maior parte dos dias
(4) Nunca ouve
(9) NS/NR (NÃO LEI A ESTA OPÇÃO)
]
70. O(a) Sr(a) costuma ler jornais ? (APENAS UMA RESPOSTA)
[
(1) Todos os dias
(3) Raramente (Marque aqui quem diz “alguns
dias”)
(2) Na maior parte dos dias
(4) Nunca lê
(9) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
]
71. Qual é a sua religião ou cul
]
to? _______________________________
[
72. Além dessa, o(a) Sr(a) freqüenta alguma outra religião ou culto ? Qual ? (SE FOR
ADVENTISTA OU PENTECOSTAL, PERGUNTAR O NOME COMPLETO DA IGREJA)
______________________________________________________
[
73. O(a) Sr(a) se considera religioso(a) ?
(1) Sim
(2) Não
74. Qual sua origem étnico
origem étnico -cultural, qual
(1) Nenhuma em especial
(2) Africana
(3) Árabe
(4) Alemã
(13) Portuguesa
[
]
-cultural ? Caso sua origem familiar envolva mais de uma
teve maior influência na sua formação cultural ?
[
(5) Chines a
(9) Italiana
(6) Coreana
(10) Japonesa
(7) Hispânica
(11) Judaica
(8) Indígena
(12) Polonesa
(14) Outra
(99) NS/NR (NÃO LEIA ESTA OPÇÃO)
PRIMEIRO NOME DO ENTREVISTADO: ______________________________
TELEFONE PARA CONTATO
]
]
___________
– RESIDENCIAL: __________ OU COMERCIAL:__________
AGRADEÇA E ENCERRE A ENTREVISTA
Conferente:
Crítico:
Digitador:
[
[
[
]
]
]
73
Anexo II: Metodologia de Coleta de Dados e Plano
Amostral
74
Metodologia de Coleta de Dados
Para a obtenção dos resultados constantes deste relatório, construiu se um questionário com 74 questões fech adas, cuja aplicação foi realizada
durante o período de 26 de outubro a 03 de novembro de 2001 por uma
equipe de 48 entrevistadores – alunos, em sua grande maioria dos cursos de
graduação e pós -graduação da UFRGS.
A totalidade da população residente no Rio Grande do Sul maior de
18 anos compôs o universo de estudo, a partir do qual se definiu a amostra a
ser pesquisada e que se constituiu de um levantamento aleatório
estratificado (AEE) por cotas de sexo, idade e renda distribuídas entre os
entrevistados de modo proporcional a sua incidência na população.
Programou -se inicialmente a aplicação de 1.500 questionários, sendo
que foram efetivamente aplicados e processados 1.473 questionários, em 50
municípios do Rio Grande do Sul, distribuídos nas 22 regiões do
COREDES
e agrupados em quatro macro -regiões, a saber: norte, sul, nordeste 1 e
nordeste 2. O erro amostral estimado foi de 2,53% para o conjunto do
estado, com uma variação entre 4,3% na região de maior população e 6,7%
na de menor, em um intervalo de conf iança de 95%.
Plano Amostral
Região
Nordeste 1
Eleitores
3.263.444
%
33,7%
Amostra
Até 10 mil
10 a 50 mil
504
Triunfo (25)
50 a 100 mil
Acima 100 mil
Guaíba (23)
Porto Alegre (265)
Esteio (22)
Novo Hamburgo (48)
Viamão ( 42)
Gravataí (44)
Alvorada (35)
Nordeste 2
1.684.619
17,4%
263
Anta Gorda (27)
Capão da Canoa (21)
Montenegro (20)
Morrinhos do Sul (20)
Carlos Barbosa (21)
Lajeado (20)
Caxias do Sul (53)
Veranópolis (21 )
Fontoura Xavier (20)
Cruzeiro do Sul (20)
Feliz (20)
Norte
Sul
2.303.841
2.422.844
23,8%
25,0%
359
377
Campo Novo (24)
Lagoa Vermelha (24)
Erechim (22)
Passo Fundo (22)
Vila Maria (23)
Espumoso (23)
Santo Ângelo (22)
San ta Cruz do Sul (20)
Derrubadas (23)
Tenente Portela (23)
Ijui (21)
Gramado dos loureiros (23)
Arroio do Tigre (23)
Santa Rosa (20)
Nicolau Vergueiro (23)
Barros Cassal (23)
Santana da Boa Vista (1
Cristal (15)
6)
São Loureço do Sul (23)
Stna do Livramento (21)
Pelotas(59)
Encruzilhada do Sul (23)
São Gabriel (21)
Santa Maria (44)
Butia(23)
Camaqua (21)
Uruguaiana (24)
Restinga Seca (22)
Canguçu (21)
Bagé (22)
Total = 254
Total = 678
Rosário do Sul (22)
Total
9.674.748
100,0%
1503
Total = 194
Total = 377
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DESENVOLVIMENTO REGIONAL, CULTURA POLÍTICA E CAPITAL