Estudo cefalométrico das características ântero-posteriores em jovens com dentadura decídua malidade, plano terminal reto entre as superfícies distais dos segundos molares decíduos ou em degrau mesial, trespasses horizontal e vertical normais, ausência de mordidas cruzadas e abertas, ausência de restaurações proximais ou cáries interproximais. Sendo que se permitiram apenas restaurações com extensões dentro dos limites da superfície oclusal, sem indícios de recidivas de cárie e sem excessos de material restaurador, ausência de tratamento ortodôntico prévio, ausência de patologias, síndromes, anomalias e hábitos não-nutritivos estendendo-se até os dois anos de idade. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa-COEP, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, sob o processo de número 2001/02. Caso os pais concordassem com a participação do filho no estudo, assinavam um Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando a tomada radiográfica. Um mesmo operador realizou a tomada das 44 telerradiografias, em norma lateral, solicitando aos jovens que permanecessem com os lábios relaxados e os dentes em oclusão habitual. Utilizou um aparelho de raios X, marca Siemens (Orthophos CD), com fatores de exposição regulados para 77Kvp e 14mA e tempo de exposição variando entre 0,32 e 0,64 segundos, seguindo os preceitos da Disciplina de Radiologia da Faculdade de Odontologia da Universidade Católica de Minas Gerais-PUC/MG. Utilizaram-se filmes radiográficos da marca Kodak, tamanho de 18cm x 24cm, montados em chassi provido de Ecran intensificador Lanex. Os filmes foram revelados em processadora automática, modelo DENT-X 900, fabricada pela DENT-X Corporation, empregando-se os produtos químicos fabricados pela Kodak, com tempo de processamento de 6 minutos. Somente utilizaram-se as telerradiografias que apresentaram nitidez e contraste suficientes para uma boa visualização e identificação das estruturas que compõem o tecido tegumentar, as estruturas ósseas e os elementos dentários; sem distorções das estruturas anatômicas. tadura decídua e da necessidade da compreensão das características craniofaciais bem como sobre o crescimento craniofacial dos jovens do gênero masculino na fase de dentadura decídua, esse estudo se propôs a: 1) Avaliar cefalometricamente as características esqueléticas e dentárias no sentido ântero-posterior que permitam informar sobre o crescimento craniofacial nas faixas etárias de 4 e 5 anos. 2) Determinar valores cefalométricos ânteroposteriores para as estruturas faciais, no período de 4 a 5 anos de idade. Material e Métodos Material A amostra utilizada constituiu-se de 44 telerradiografias, em norma lateral, de jovens na faixa etária de 4 e 5 anos, do gênero masculino, divididos em dois grupos de 22 e 20 indíviduos, respectivamente, de acordo com a idade em que se encontravam no momento do exame radiográfico. Selecionaram-se 42 jovens a partir do exame clínico de 1.520 crianças matriculadas em jardins de infância, das redes municipal, estadual e particular de ensino no município de Belo Horizonte/MG. Previamente ao exame clínico de cada jovem, solicitava-se a autorização à direção de cada instituição, seguida de autorização escrita dos pais da criança. Métodos Conduziram-se os exames clínicos no ambiente escolar, utilizando-se luz natural, posicionando-se a criança sentada, de modo que a cavidade bucal situava-se ao nível dos olhos do examinador, que se encontrava sentado em uma cadeira à frente do paciente. O mesmo examinador realizou o exame em todas as crianças, empregando para tanto apenas espátulas de madeira. Elegeram-se 42 jovens leucodermas que apresentavam perfil facial ligeiramente convexo ou reto, dentadura decídua completa, sem indícios de atrição, primeiro molar permanente não irrompido na cavidade bucal, relação oclusal de caninos em nor- R Dental Press Ortodon Ortop Facial 96 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 Mendlovitz, m. F. r.; Siqueira, v. c. v. Obteve-se o desenho anatômico em papel acetato do tipo Ultraphan da marca OCÉ, medindo 18cm x 24cm, com 0,07mm de espessura, realizado manualmente, com lapiseira da marca Pentel, grafite 0,3mm, sobre um negatoscópio, em sala obscurecida, para facilitar a visualização das estruturas. Na mensuração dos valores cefalométricos, utilizou-se uma régua com subdivisão de 0,5mm para avaliações lineares e um transferidor com subdivisão de 0,5° para as angulares, ambos da marca 3M Unitek Dental Products (Monrovia, Ca – EUA.) Os autores identificaram as estruturas dentoesqueléticas e do perfil tegumentar de interesse ao presente estudo e, apoiados nos postulados de Brodie6,7, Downs13, McNamara Jr.29, Siqueira40,41, Steiner43 e Tweed47,48, utilizaram 16 medidas cefalométricas para as avaliações, sendo 8 lineares (Nperp-A, Co-A, Co-Gn, diferença maxilo-mandibular, altura do ramo mandibular, S-N, ENAENP, trespasse horizontal) e 8 angulares (SNA, SNB, ANB, SN-GoGn, FMA, FMIA, ângulo interincisivos, IMPA) (Fig. 1). FIGURA 1 - Grandezas cefalométricas lineares e angulares empregadas. de que em 5 jovens as duas medidas encontravam-se iguais. Nos demais as diferenças observadas não apresentaram significância estatística, indicando calibração adequada. Todas as grandezas cefalométricas foram analisadas descritivamente, determinando os valores mínimos, máximos, médias e desvios-padrão para as faixas etárias avaliadas e, em seguida, as seguintes hipóteses foram testadas: - H0: não existem diferenças entre os jovens de 4 e 5 anos de idade para as grandezas cefalométricas em questão; - H1: existem diferenças com relação às grandezas cefalométricas entre os dois grupos de jovens. A comparação entre os dois grupos foi realizada, utilizando-se o teste t de Student para amostras independentes. Trata-se de um teste paramétrico, que compara médias das variáveis de interesse, realizado em dois grupos distintos11,26. Todos os resultados foram considerados significativos para uma probabilidade de significância inferior a 5% (p<0,05), apresentando portanto 95% de confiabilidade nas conclusões apresentadas11,26. Metodologia estatística Com o objetivo de aumentar o grau de exatidão e confiabilidade dos dados, todas as radiografias foram traçadas pelo mesmo pesquisador e reavaliadas por outro profissional experiente na área, com a finalidade de se obter uma calibração dos pesquisadores. Mensuraram-se, pela segunda vez e com uma semana de intervalo, todas as grandezas cefalométricas de nove traçados cefalométricos, selecionados aleatoriamente, de cada um dos grupos e, a fim de se constatar o erro do método, aplicou-se o teste de Wilcoxon, o qual avalia se existem diferenças significativas entre duas medições realizadas pelo mesmo observador em tempos diferentes. Trata-se de um teste não-paramétrico que possui o objetivo de aferir se a média das diferenças entre duas medidas encontra-se igual a zero. O referido teste possibilitou a constatação R Dental Press Ortodon Ortop Facial 97 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 Estudo cefalométrico das características ântero-posteriores em jovens com dentadura decídua 100 148,43 143,09 5 anos 140 120 60 Medidas (º) 90 4 anos 120 5 anos 100 90,68 4 anos 64,93 60 30 40 33,25 34,13 20 0 0 p=0,993 p=0,751 SNA SNB p=0,619 4,32 4,08 p=0,397 ANB SN.GoGn 80 60 87,20 77,77 78,03 61,36 95,88 80 74,43 1.1 p=0,983 p=0,065 p=0,010 FMA FMIA IMPA 4 anos 78,03 46,73 40 40 20 20 0 5 anos 65,20 60 48 41,38 15,89 p=0,289 27,77 27,80 p=0,022 5 anos 89,86 64,50 82,09 82,10 80 100 Medidas (º) 160 150 0 -1,07 -0,30 Na-Perp p<0,001 p<0,001 Co-A Co-Gn 42,70 17,85 p=0,648 p=0,006 p=0,407 p=0,120 diferença maxilomandibular S-N ENA-ENP 1 1,10 p=0,113 trespasse altura horizontal mandibular GRÁFICO 1 - Caracterização das medidas angulares considerando-se o grupo etário. -20 2 - Caracterização das medidas lineares considerando-se o grupo GRÁFICO etário. Resultados Avaliação das medidas angulares No que diz respeito às medidas angulares, foram observadas diferenças significativas entre os dois grupos de jovens apenas para as medidas relativas a 1.1 e ao IMPA. No primeiro caso, observaram-se resultados significativamente superiores no grupo de jovens com 5 anos e, para a medida IMPA, resultados superiores foram constatados no grupo com 4 anos. O ângulo interincisivos aumentou dos 4 para os 5 anos e o ângulo do incisivo inferior com a mandíbula diminuiu no mesmo período (Gráf. 1). as características craniofaciais. Alguns estudos7,8,20 indicam que do momento do nascimento até o início da fase de dentadura mista, a mandíbula apresenta-se mais retrognática, quando comparada a pacientes em faixas etárias superiores. No presente estudo dividiram-se os jovens em dois grupos: um de quatro e outro de cinco anos, a fim de que se tentasse observar diferenças para as grandezas angulares e lineares, permitindo a identificação do crescimento entre as faixas etárias para as características craniofaciais avaliadas. Com relação às características de normalidade da oclusão, optou-se por jovens que apresentassem as seguintes características: relação entre as superfícies distais dos segundos molares decíduos em degrau mesial ou reto. Segundo Baume2,3, Burstone9 e Moyers33, essa relação evoluirá para uma relação oclusal entre os primeiros molares permanentes em normalidade, durante a fase de dentadura mista; relação oclusal de caninos em normalidade; trespasse horizontal e vertical normais; arcos do tipo I ou II de Baume2,3 associados à presença ou não de espaços primatas. Excluíram-se jovens com presença de lesões cariosas, pois a perda de tecido dentário interproximal comprometeria a relação ântero-posterior dos molares decíduos e conseqüentemente dos dentes permanentes, devido à migração fisiológica provocada por estes2,3. Subdividiram-se os jovens em dois grupos, um de quatro anos (n=22) e outro de cinco anos (n= 20), Avaliação das medidas lineares O gráfico 2 mostra os resultados referentes às medidas lineares, nos quais constatou-se que o grupo de 5 anos apresentou resultados superiores estatisticamente significantes, quando comparados com o grupo de 4 anos. Discussão Vann, Dilley e Nelson49 observaram a existência de dimorfismo sexual para os valores dos ângulos entre o incisivo central superior e a linha S-N; incisivo central superior e o plano horizontal de Frankfürt; ângulo interincisivos e o ângulo S-N.plano oclusal. Nesta investigação optou-se pelo estudo apenas do gênero masculino, de modo a obter resultados mais uniformes, uma vez que se eliminou a influência do dimorfismo sexual sobre R Dental Press Ortodon Ortop Facial 98 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 4 anos Mendlovitz, m. F. r.; Siqueira, v. c. v. em fase de dentadura decídua com características de normalidade devam apresentar a mandíbula mais retroposicionada em relação à maxila7,10,13,29. Dentre todas as amostras observadas nos jovens estudados por Ferreira16, os grupos de quatro a cinco anos e de cinco a seis anos de idade de Sobreira Filho42 e os jovens na faixa etária de quatro e cinco anos da investigação de Tanabe, Taguchi e Noda44 apresentaram a mandíbula tão retroposicionada quanto em outros estudos, com os valores de ANB iguais a 4,53°, 4,13°, 4,54°, 4,74° e 4,75°, respectivamente. Os resultados encontrados por Ferreira16 e Sobreira Filho42 em seu grupo de quatro a cinco anos, combinados aos resultados desta pesquisa, oferecem subsídios para levantar-se a hipótese de que os jovens brasileiros, leucodermas, não apresentam a mandíbula tão retroposicionada quanto o verificado para outras etnias7,8,13,29, em jovens nessa mesma faixa etária. Brodie7 acompanhou longitudinalmente jovens desde os três meses até os oito anos de idade. O autor observou que o pogônio avança rapidamente até os três anos e meio a quatro anos de idade, e após esta época apresenta um deslocamento regular até os oito anos de idade. Em nosso estudo, aos quatro e cinco anos, o padrão de crescimento no sentido vertical, conforme expresso pelas grandezas angulares SN.GoGn e FMA, mostrou-se equilibrado. Aos quatro anos, encontrou-se 33,25° para o valor de SN.GoGn e 27,77° em média para o FMA. Aos cinco anos, observou-se o SN.GoGn de 33,25° e FMA de 27,80°, sem diferença estatística quando realizada a comparação entre os dois grupos. Dentre os autores que encontraram resultados semelhantes destacam-se Higley e Hill23, que encontraram um FMA de 28,2° aos quatro anos, reduzindo para 27,1° aos cinco anos. Vann, Dilley e Nelson49 observaram um valor do FMA igual a 29,12° e 35,34° para o valor do ângulo SN-Plano mandibular. Por outro lado, os seguintes investigadores observaram valores indi- todos do gênero masculino, comparando-se os resultados por meio do teste t de Student para amostras independentes. Avaliação das medidas angulares Em ambos os grupos a maxila encontrava-se bem posicionada em relação à porção anterior da base do crânio, conforme expresso pelo ângulo SNA de 82,09° aos quatro e de 82,10° aos cinco anos de idade. Este valor situa-se próximo àquele determinado por Steiner43 de 82° com desvio-padrão 2° para pacientes adultos com oclusão normal e também observado nos trabalhos de Bugg et al.8 (82,68°); Ferreira16 (81,47°); Sobreira Filho42 (81,42°); Tanabe, Taguchi e Noda44 (81,90° aos quatro anos e 80,99° aos cinco anos de idade); Tollaro, Bacetti, Franchi45 (79,88°); Vann, Dilley e Nelson49 (82,78°) para jovens em fase de dentadura decídua. O ângulo SNB aos quatro anos apresentou um valor de 77,77°, enquanto para o grupo de cinco anos o valor foi de 78,03°, não existindo diferença estatisticamente significante para esta grandeza. Estes valores aproximaram-se bastante dos valores encontrados por Ferreira16 (77,20°), Sobreira Filho42 para o grupo de 4-5 anos da amostra avaliada (77,39°), Tanabe, Taguchi e Noda44 para o grupo de quatro anos (77,17°) e Vann, Dilley e Nelson49 (78,07°). Ao observar o estudo de Bugg et al.8 e Sobreira Filho42 para os grupos de 3-4 anos e de 5-6 anos, Tanabe, Taguchi e Noda44 para o grupo de cinco anos e Tollaro, Bacetti e Franchi45, constatou-se que os jovens avaliados nestas pesquisas apresentavam a mandíbula ainda mais retrognática, com os valores de 76,75°, 73,11°, 76,45°, 76,73° e 76,35°, respectivamente. A relação ântero-posterior entre as bases ósseas, ilustrada pelo ângulo ANB, encontrava-se na ordem de 4,32° aos quatro anos e 4,08° aos cinco anos, novamente sem diferença estatística, além de situar-se dentro do desvio-padrão proposto pela análise cefalométrica de Steiner43. Este dado contraria o argumento de que jovens R Dental Press Ortodon Ortop Facial 99 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 Estudo cefalométrico das características ântero-posteriores em jovens com dentadura decídua cativos de crescimento em direção vertical: Bugg et al.8 detectaram um SN.GoGn de 35,84°; Ferreira16 encontrou o SN.GoGn de 37,23°, apesar de ter observado um valor do FMA de 28,07°, o qual se situa dentro do desvio-padrão para um crescimento em direção equilibrada; Sobreira Filho42 encontrou um FMA de 30,68°. Com relação às inclinações dentárias, o grupo de quatro anos apresentou os incisivos inferiores mais projetados (IMPA=90,68°) que o grupo de jovens com cinco anos (IMPA= 87,20°). Esta diferença apresentou significado estatístico. Sobreira Filho42 observou fato semelhante em sua amostra, quando detectou que os jovens do grupo de três a quatro anos apresentavam um IMPA de 87,83° e os do grupo de quatro a cinco anos possuiam um IMPA igual a 84,43°. Entretanto, o autor não detectou diferenças estatisticamente significantes entre os grupos para esta medida. Ao averiguarmos o valor do IMPA notamos que os jovens da amostra da presente pesquisa apresentaram, em média, os incisivos inferiores mais protruídos que a média dos jovens brasileiros residentes em outras localidades e até mesmo aos pertencentes a outras etnias, a exemplo do trabalho de Vann, Dilley e Nelson49, que encontraram um IMPA de 85,91° e Ferreira16 (84,23º). Apenas os jovens pertencentes às amostras de cinco anos de Higley e Hill23 e ao estudo de Bugg et al.8 apresentaram valores de IMPA superiores ao jovens desta investigação, 88,6° e 99,36°, respectivamente. O ângulo FMIA do grupo de jovens avaliado por Bugg et al.8 novamente apresentou os incisivos inferiores mais projetados (48,18°), seguido pelos jovens desta pesquisa (61,36° aos quatro anos e 64,93° aos cinco anos de idade, com diferença estatisticamente significante), depois pelos jovens estudados por Vann, Dilley e Nelson49 (65,18°) e, por último, aqueles acompanhados por Ferreira16 (67,97°). Higley e Hill23, investigando longitudinalmente jovens do gênero masculino nas idades entre 4 e 5 anos, observaram que a inclinação dos incisi- R Dental Press Ortodon Ortop Facial vos expressa por 1.1 tendeu a se manter entre os quatro anos de idade em 145,6° e aos cinco anos de idade em 145,2°. Tanabe, Taguchi e Noda44, em investigação transversal de jovens japoneses, encontraram um ângulo 1.1 de 146,38° aos quatro anos e de 145,86° aos cinco anos. No entanto, nesta investigação, na qual comparamos os jovens transversalmente, observou-se o inverso: o grupo de quatro anos apresentou os incisivos mais projetados (1.1=143,09°), enquanto o de cinco anos apresentou os mesmos mais verticalizados dentro de suas bases ósseas (1.1=148,43°). Ferreira16; Vann, Dilley e Nelson49, em sua amostra composta por jovens de quatro anos de idade, observaram os incisivos ainda mais verticalizados 1.1=150,77° e 146,22°, respectivamente. Somente os jovens de origem latino-americana, estudados por Bugg et al.8, demonstraram um padrão dentário mais protrusivo que todos os demais grupos (1.1=131,03°). Avaliação das medidas lineares McNamara Jr.29 observou que, ao início da fase de dentadura mista, por volta dos seis anos de idade, o ponto A situava-se sobre a linha perpendicular ao plano horizontal de Frankfürt, o qual tangencia o ponto N. No presente trabalho verificou-se que os jovens ao quatro anos apresentam o ponto A 1,07mm aquém desta linha perpendicular e que aos cinco anos o ponto situa-se apenas 0,3mm aquém desta mesma linha. A diferença entre os dois grupos não apresentou diferença estatisticametne significante, portanto o ponto A aparenta não sofrer grandes variações no sentido horizontal, no período transcorrido durante a fase de dentadura decídua. A comparação das variáveis Co-A e Co-Gn (Gráf. 2), entre os dois grupos, permite a observação de diferenças estatisticamente significantes. O grupo de quatro anos apresentou um comprimento efetivo médio da maxila de 74,43mm, enquanto no grupo de cinco a maxila possuía em média 78,03mm de comprimento. Esta diferença aponta para um crescimento no sen- 100 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 Mendlovitz, m. F. r.; Siqueira, v. c. v. idade), e este incremento não demonstrou correlação com oscilações sofridas por parte de outras grandezas angulares. Na presente investigação não existiu diferença estatisticamente significante para o incremento sofrido pela porção anterior da base do crânio, dos quatro (64,50mm) aos cinco anos de idade (65,20mm). Os resultados em conjunto possibilitam a observação do fato de que a porção anterior da base do crânio apresenta uma tendência à estabilidade, não modificando significativamente o seu comprimento, ao contrário de outros ossos da face, como a maxila e mandíbula. A grandeza linear obtida pela distância entre ENA-ENP, aos quatro (46,73mm) e aos cinco anos (48mm), indicou que não existiu crescimento significativo da maxila em comprimento. Sobreira Filho42 encontrou diferença estatisticamente significante para o comprimento da maxila, expressa pela distância entre a projeção ortogonal do ponto A ao plano de Frankfürt e a projeção da imagem da fossa ptérigo-maxilar ao plano horizontal de Frankfürt, aos três anos (42,38mm) e de 44,09mm aos seis anos de idade. Em relação ao trespasse horizontal, o grupo de quatro anos apresentou um valor de 1mm e os de cinco anos 1,10mm, não existindo diferença estatisticamente significante entre os grupos. Hughes et al.24, em pesquisa das características oclusais em gêmeos australianos, observaram que entre todas as características oclusais o trespasse horizontal é aquele que se encontra menos sujeito ao genótipo e mais submetido à ação do meio-ambiente. A altura do ramo mandibular não apresentou incrementos significativos dos quatro (41,36mm) aos cinco anos de idade (42,70mm), mantendo a mesma tendência equilibrada de crescimento no sentido vertical. tido sagital durante o período em questão. O comprimento efetivo da mandíbula expresso pela grandeza Co-Gn também aponta um crescimento desta estrutura durante o período de quatro a cinco anos de 89,86mm e 95,88mm, respectivamente, sendo que a diferença entre os valores apresenta significado estatisticamente significante. A comparação destes resultados com o de outros estudos torna-se impossível, uma vez que nenhum dos trabalhos observados utilizou em sua metodologia medidas propostas por McNamara Jr.29 E este último autor, na construção de sua análise cefalométrica, não empregou em sua amostra telerradiografias, em norma lateral, provenientes de jovens na fase de dentadura decídua. A diferença maxilo-mandibular, expressa pela subtração do valor Co-Gn do valor encontrado para a grandeza Co-A (15,89mm, aos quatro anos e 17,85mm aos cinco anos), indica a relação ântero-posterior entre a base esquelética mandibular e maxilar. A análise estatística dos resultados encontrados aos quatro e cinco anos demonstrou diferença estatisticamente significante, com o grupo de cinco anos, apresentando um valor de 17,85mm, semelhante ao valor de 17,5mm detectado por McNamara Jr.29, para jovens aos seis anos de idade, em fase inicial de dentadura mista. A comparação destes resultados possibilita verificar que, da fase final da dentadura decídua até por volta dos seis a sete anos, a mandíbula não apresentará crescimento tão intenso no sentido horizontal quanto aquele observado durante a fase de dentadura decídua. Broadbent4,5 e Brodie6,7 observaram que o comprimento da porção anterior da base do crânio, expresso pela linha S-N, cresce continuamente dos quatro aos cinco anos, porém em ritmo lento. Brodie6 verificou um incremento de 61,3 a 65,6mm dos três aos seis anos de idade. Tanabe, Taguchi e Noda44 constataram que a medida S-N, ao longo da fase de dentadura decídua aumenta proporcionalmente ao aumento da idade (62,43mm aos quatro anos e 63,54mm aos cinco anos de R Dental Press Ortodon Ortop Facial Conclusões Considerando-se as características da amostra utilizada e da metodologia empregada e baseando-se nos resultados obtidos no decorrer desta in- 101 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 Estudo cefalométrico das características ântero-posteriores em jovens com dentadura decídua vestigação, pode-se concluir que: 1) Os valores angulares esqueléticos obtidos ressaltam a semelhança entre os padrões craniofaciais dos grupos de jovens de quatro e cinco anos. No entanto, as medidas angulares dentárias, expressas pelo ângulo interincisivos e IMPA, revelaram diferenças estatisticamente significantes entre os dois grupos, destacando-se que o grupo de cinco anos apresentou os incisivos mais verticalizados dentro de suas respectivas bases ósseas, quando comparado ao grupo de quatro anos, no qual os incisivos se encontravam mais projetados. 2) As medidas lineares apontaram para dife- renças entre os grupos para o comprimento efetivo da maxila e da mandíbula e para a diferença maxilo-mandibular, com o grupo de jovens de cinco anos de idade apresentando valores maiores e com significado estatístico, quando comparado com o grupo de jovens aos quatro anos de idade. As demais variáveis ilustram o fato de que o comprimento da porção anterior da base do crânio e sua relação com a maxila não demonstram diferenças significantes. Enviado em: março de 2005 Revisado e aceito: agosto de 2005 Cephalometric study of the antero-posterior characteristics in children with primary dentition Abstract Aim: the aim of this study was to evaluate the antero-posterior cephalometric characteristics in children until primary dentition. Methods: a group of 42 males, who had normal primary dentition, divided in two groups, one of four year-old boys (n=22) and the other of boys with five years old (n=20), were evaluated to determine cephalometric norms. Simultaneously, groups were evaluated to obtain information about the facial growth on those age. The measurements were taken on lateral cephalograms. Only those who had normal primary dentition and balanced profiles were selected. The cephalometric measurements were SNA, SNB, ANB, SN.GoGn, 1.1, FMA, FMIA and IMPA and linear measurements Nperp-A, Co-A, Co-Gn, maxillomandibular differential, S-N, ENA-ENP, overjet and ramus height. The Student´s t test, with significance level of 5%, was used to detect differences between the groups. Results and Conclusions: differences were detected only for angular measurements that involved the lower incisor (IMPA and 1.1). G2 individuals had their incisors more uprighted in their jaws than G1. All the linear measurements in G2 were higher than those in G1, but only Co-A, Co-Gn, and maxillomandibular differential presented a statistical significant difference. Key words: Cephalometry. Antero-posterior characteristics. Normal primary occlusion. Diagnosis. Male. Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. BRODIE, A. G. Some recent observations on the growth of the face and their implications to the orthodontist. Am J Orthod Oral Surg, St. Louis, v. 26, no. 8, p. 741-757, 1940. 7. BRODIE, A. G. On the growth pattern of the human head: from the third month to the eighth year of life. Am J Anat, Chicago, v. 68, no. 2, p. 209-262, Mar. 1941. 8. BUGG, J. L.; CANAVATI, P. S.; JENNINGS, R. E. 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Siqueira Rua José Corder 87 - Jardim Modelo CEP: 13.400-010 - Piracicaba/SP E-mail: [email protected] 103 Maringá, v. 11, n. 5, p. 93-103, set./out. 2006 Artigo Inédito Análise comparativa da maturação óssea determinada pelo método de Grave-Brown entre imagens convencionais e digitalizadas Marcia Spinelli Casanova*, Ana Isabel Ortega**, Francisco Haiter-Neto***, Solange Maria de Almeida*** Resumo Objetivo: o presente estudo teve como objetivo comparar os estágios de maturação óssea estimados pelo método de Grave-Brown em radiografias de mão e punho convencionais e digitalizadas. Metodologia: a amostra foi composta por 129 radiografias de mão e punho de indivíduos brasileiros do gênero feminino, com idades cronológicas entre 84 e 199 meses. As radiografias foram digitalizadas e posteriormente analisadas por cinco observadores. Resultados e Conclusão: os resultados mostraram que não houve diferença estatisticamente significante entre os estágios de maturação óssea estimados, tanto nas imagens radiográficas convencionais como nas digitalizadas. Verificou-se ainda a reprodutibilidade dos observadores, sendo o valor de Kappa de 0,86 para as imagens convencionais e de 0,87 para as imagens digitalizadas. Recomenda-se a utilização de imagens digitalizadas como uma alternativa à imagem convencional para estimar a maturação óssea em radiografias de mão e punho. Palavras-chave: Desenvolvimento ósseo. Radiografias de mão e punho. Radiografia digital. gênero, raça, fatores genéticos, ambientais, sócioeconômicos e hormonais. A avaliação em conjunto destes indicadores fornece uma medida da idade biológica do indivíduo, a qual é de grande utilidade na Odontologia, pois a idade cronológica nem sempre coincide com o estágio de maturação em que o paciente se encontra e por isso a idade cronológica, na maioria das vezes, não é um bom parâmetro para se estimar o estágio de maturação óssea de um indivíduo1. Na Ortodontia, a estimativa do grau de maturação do indivíduo constitui um auxiliar valioso na avaliação do potencial de crescimento do paciente durante o tratamento, sendo importante introdução O grau de desenvolvimento de uma criança é freqüentemente avaliado utilizando-se indicadores que refletem as mudanças físicas que se produzem no indivíduo em processo de maturação. Avalia-se, por exemplo, a mineralização dos tecidos dentários, a ossificação das epífises e posterior fusão com as diáfises, o início do pico de velocidade de crescimento e a aparição de caracteres sexuais secundários. Estes indicadores obedecem a uma seqüência razoavelmente constante de aparecimento, porém as idades cronológicas nas quais são atingidos variam consideravelmente entre os indivíduos, sendo também influenciados pelo *Doutoranda em Radiologia Odontológica. Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas/SP. **Professora Assistente. Faculdade de Odontologia, Universidad del Zulia. Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela. ***Professor Associado. Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas/SP. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 104 Maringá, v. 11, n. 5, p. 104-109, set./out. 2006 CASANOVA, m. s.; ORTEGA, a. i.; HAITER-NETO, f.; ALMEIDA, s. m. aspectos associados têm levado a uma assimilação dos sistemas digitais. A imagem digital pode ser obtida de forma direta, utilizando sensores CCD (charge coupled device) ou CMOS (complementary metal oxide semiconductor) conectados ao computador, os quais fornecem uma imagem radiográfica de forma quase instantânea na tela do computador. Já a forma semi-direta consiste de placas de armazenamento de fósforo (PSP - phosfor storage plate) que uma vez expostas aos raios X captam uma imagem latente que necessita de um escaneamento da placa para a visualização da imagem no computador. Existe ainda a possibilidade de se digitalizar a radiografia convencional por meio de scanners, câmeras digitais ou câmeras de vídeo, sendo esta uma alternativa acessível e prática a ser utilizada pelo clínico no armazenamento das imagens radiográficas no consultório. Com a finalidade de determinar se as imagens digitalizadas são uma alternativa confiável na avaliação do grau de desenvolvimento do paciente, este trabalho se propôs a comparar os estágios de maturação óssea estimados em radiografias de mão e punho convencionais e digitalizadas utilizando o método de Grave e Brown5. na determinação do pico de velocidade de crescimento puberal (PVCP), da velocidade de crescimento e da previsão de quando ocorrerá o chamado surto. Essas informações significam maior segurança durante o diagnóstico e planejamento mais adequado para o caso. Através da estimativa da maturação óssea e da velocidade de crescimento haverá uma maior possibilidade para que o início do tratamento coincida com o período de máximo crescimento facial e a influência desse crescimento se faça presente de maneira marcada na terapia2. Várias áreas do esqueleto têm sido utilizadas para estimar a maturação esquelética: o pé, o tornozelo, o quadril, o cotovelo, a mão e o punho e as vértebras cervicais3. A radiografia de mão e punho tem sido a mais freqüentemente utilizada, devido à grande quantidade de ossos e epífises, que sofrem mudanças em diferentes tempos e velocidades, localizados em uma área não muito extensa4. Entre os métodos desenvolvidos para estimar o grau de maturação do indivíduo em radiografias de mão e punho destaca-se o método de Grave e Brown5, o qual analisa 14 eventos de ossificação observados antes, durante e após o pico de velocidade de crescimento puberal. Sendo este método, inclusive, usado por alguns autores no estudo de outras formas para determinação da maturação esquelética como padrão-ouro na determinação da idade óssea do paciente6. Todavia, para uma correta estimativa do estágio de maturação óssea, uma boa qualidade radiográfica é imprescindível. No mercado odontológico, inovações foram realizadas a fim de melhorar a qualidade da imagem, dentre elas o uso de imagens digitais. As mesmas oferecem vantagens sobre o método tradicional como, por exemplo, a aplicação de uma menor dose de radiação ao paciente, a facilidade de arquivamento das imagens, a aplicação de ferramentas de software, como brilho, contraste e mensuração, e a possibilidade de transmissão das imagens via internet, todos esses R Dental Press Ortodon Ortop Facial Material e métodos Para a realização deste estudo foram avaliadas 129 radiografias de mão e punho de indivíduos brasileiros do gênero feminino, residentes na região de Piracicaba, estado de São Paulo, com idades entre 84 e 199 meses (Fig. 1). As radiografias foram selecionadas dos arquivos da Disciplina de Radiologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas. Cada radiografia foi digitalizada por meio de um scanner com adaptador de transparência (HP Scanjet 4C series, Hewlett Packard Company, Palo Alto, California, USA) com 300 dpi, e posteriormente armazenadas, sendo nomeadas de acordo com o código impresso na película radiográfica. 105 Maringá, v. 11, n. 5, p. 104-109, set./out. 2006 Análise comparativa da maturação óssea determinada pelo método de Grave-Brown entre imagens convencionais e digitalizadas a diáfise (FM3); estágio 3 (C) - gancho do hamato - estágio 1 (G-1); estágio 4 (D) - aparecimento do Pisiforme (Pisi); estágio 5 (E) - rádio - epífise apresenta mesma largura que a diáfise. - Estágios que ocorrem durante o PVCP (Fig. 4): estágio 6 (A) - aparecimento do sesamóide ulnar na articulação metacarpofalangiana (S); estágio 7 (B) - gancho do hamato - estágio 2 (G-2); estágio 8 (C) - falange média do terceiro dedo - capeamento epifisário (FM3cap); estágio 9 (D) - falange proximal do primeiro dedo - capeamento epifisário (FP1cap); estágio 10 (E) - rádio - capeamento epifisário (Rcap). - Estágios que ocorrem após o PVCP (Fig. 5): estágio 11 (A) - falange distal do terceiro dedo completada união epifisária (FD3u); estágio 12 (B) - falange proximal do terceiro dedo - completada união epifisária (FP3u); estágio 13 (C) - falange média do terceiro dedo - completada união epifisária (FM3u); estágio 14 (D) - rádio - completada união epifisária (Ru). Para a aplicação do método, as radiografias de mão e punho foram colocadas em um negatoscópio, sobre o qual foi adaptada uma máscara de cartolina preta que forneceu a blindagem da luz adicional. A avaliação das radiografias digitalizadas foi efetuada na tela de um monitor S-VGA, tela plana de 17 polegadas, com memória de vídeo de 2Mb. O software utilizado para a exibição As radiografias foram avaliadas por cinco radiologistas sem conhecimento da idade cronológica do paciente. O objetivo da avaliação era, a partir do método de Grave e Brown5, estimar o grau de maturação óssea. Os observadores examinaram as imagens em sua forma convencional e posteriormente na forma digitalizada. O método aplicado analisa catorze mudanças que ocorrem nos centros de ossificação da mão e punho. Cada mudança corresponde a um estágio (estágio 1 ao estágio 14) que são posicionados na curva de crescimento da Björk e Helm7 (Fig. 2), determinando o grau de maturação e conseqüentemente o potencial de crescimento do paciente. Os estágios são divididos em três fases: antes, durante e após o pico de velocidade de crescimento puberal (PVCP). - Estágios que ocorrem antes do PVCP (Fig. 3): estágio 1 (A) - falange proximal do segundo dedo - epífise apresenta a mesma largura que a diáfise (FP2); estágio 2 (B) - falange média do terceiro dedo - epífise apresenta a mesma largura que PVCP 6 4 1 2 7 8 9 10 5 3 11 12 13 estágios antes estágios do PVCP durante o PVCP FIGURA 1 - Exemplo de radiografia de mão e punho. R Dental Press Ortodon Ortop Facial término do crescimento 14 estágios após o PVCP FIGURA 2 - Curva de crescimento aplicada ao método Grave-Brown5. 106 Maringá, v. 11, n. 5, p. 104-109, set./out. 2006 CASANOVA, m. s.; ORTEGA, a. i.; HAITER-NETO, f.; ALMEIDA, s. m. FIGURA 4 - Estágios que ocorrem durante o PVCP: estágio 6 (A); estágio 7 (B); estágio 8 (C); estágio 9 (D); estágio 10 (E). FIGURA 3 - Estágios que ocorrem antes do PVCP: estágio 1 (A); estágio 2 (B); estágio 3 (C); estágio 4 (D); estágio 5 (E). foi o Adobe Photoshop (versão 6.0 for Windows). Cada imagem foi avaliada individualmente em ambiente escurecido, predominando apenas a luz proveniente do monitor. O examinador fez uso de recursos do software, alterando brilho e contraste e usando zoom de até duas vezes. O intervalo entre as duas avaliações foi de quatro semanas, para que o examinador não pudesse ser influenciado pela primeira avaliação. Resultados e discussão Para determinar se existia diferença entre os estágios de maturação óssea estimados em ambos os tipos de imagens, se realizou o teste de Wilcoxon. Os resultados mostraram um valor de p=0,07, o qual demonstrou que não houve diferença estatistica- FIGURA 5 - Estágios que ocorrem após o PVCP: estágio 11 (A); estágio 12 (B); estágio 13 (C); estágio 14 (D). R Dental Press Ortodon Ortop Facial 107 Maringá, v. 11, n. 5, p. 104-109, set./out. 2006 Análise comparativa da maturação óssea determinada pelo método de Grave-Brown entre imagens convencionais e digitalizadas sistemas foram equivalentes quando apenas deslocamentos foram avaliados. Em 2004, Chen et al.12 compararam medidas cefalométricas em telerradiografias convencionais e digitalizadas e encontraram variações estatisticamente significantes entre as medidas, todavia clinicamente aceitáveis, visto que as diferenças foram menores que 2 unidades (mm ou grau) e portanto encontravam-se dentro do padrão de variação normal. Um método de diagnóstico só pode ser aplicado se houver uma boa reprodutibilidade de seus resultados. Uma baixa concordância intra e, principalmente, inter-avaliadores compromete toda a confiabilidade deste método. Com a finalidade de avaliar a reprodutibilidade dos observadores, utilizando o método de Grave e Brown5 nos dois tipos de imagens, aplicou-se o teste estatístico de Kappa (Tab. 1), obtendo-se um valor de Kappa de 0,86 quando utilizadas as imagens convencionais e um valor de 0,87 quando os estágios de maturação óssea foram analizados em imagens digitalizadas. Esses resultados mostraram que o fator tipo de imagem não influenciou na performance dos observadores e ainda que os valores de Kappa de 0,86 e 0,87, por significarem ótima concordância inter-avaliadores, atribuem ao método uma ótima reprodutibilidade. Tabela 1 - Resultados para o teste de Kappa. teste de Kappa imagens digitalizadas imagens convencionais avaliador 1 X avaliador 2 0,9023 0,8236 avaliador 1 X avaliador 3 0,8764 0,8473 avaliador 1 X avaliador 4 0,8800 0,8977 avaliador 1 X avaliador 5 0,8948 0,8778 avaliador 2 X avaliador 3 0,7464 0,8470 avaliador 2 X avaliador 4 0,7834 0,8473 avaliador 2 X avaliador 5 0,7654 0,8441 avaliador 3 X avaliador 4 0,8949 0,8620 avaliador 3 X avaliador 5 0,9087 0,8939 avaliador 4 X avaliador 5 0,9023 0,9211 média 0,86 0,87 mente significante entre as estimativas de maturidade óssea realizadas nas imagens convencionais ou digitalizadas. Desde o aparecimento das imagens digitais, com a digitalização das imagens convencionais por meio de scanners com adaptadores de transparência ou utilizando câmeras digitais ou filmadoras até o uso de sistemas radiográficos digitais, há o questionamento sobre a influência da digitalização nas imagens convencionais e qualidade das imagens digitais. Diversos estudos avaliando a acurácia na perda óssea periodontal8, profundidade e localização de cáries9, lesões periapicais10, mensurações endodônticas11, medidas cefalométricas12 e na qualidade de diagnóstico13 foram realizados comparando imagens digitais e convencionais. Wilson et al.14, em 1991, realizaram um estudo comparando imagens digitais e convencionais na detecção de pequenas fraturas de extremidades, além de avaliarem outros fatores da imagem. Quando avaliados os diversos fatores combinados, os autores concluíram que não houve diferença estatística entre os dois métodos de aquisição da imagem, todavia na detecção de pequenas fraturas, a radiografia convencional se mostrou mais eficaz que a imagem digital. Wilson e Hodge15, em 1995, afirmaram que o sistema digital é inferior ao convencional na avaliação de fraturas, todavia os dois R Dental Press Ortodon Ortop Facial Conclusão As imagens digitalizadas podem ser avaliadas com confiabilidade para a estimativa da maturação óssea por meio do método de Grave e Brown5, podendo ser utilizadas como alternativa pelo profissional sem perda de credibilidade. Enviado em: dezembro de 2004 Revisado e aceito: julho de 2005 108 Maringá, v. 11, n. 5, p. 104-109, set./out. 2006 CASANOVA, m. s.; ORTEGA, a. i.; HAITER-NETO, f.; ALMEIDA, s. m. Comparative analysis of bone maturation determined by Grave-Brown method in conventional and digitalized images Abstract Aim: the purpose of the present study was to compare the skeletal maturation stages estimated using the method of Grave-Brown in conventional and digitalized hand and wrist x-rays. Methods: the sample was composed by 129 hand and wrist radiographs of Brazilian girls, with chronological ages between 84 and 199 months. The radiographs were digitalized and analyzed by five observers. Results and Conclusion: the results showed no statistically significant difference between the skeletal maturation stages estimated in the conventional or the digitalized images by Grave-Brown’s method. The reproducibility of the observers was also verified, the value of Kappa was 0.86 for the conventional images and 0.87 for the digitalized images. Therefore digitalized images are a reliable alternative for skeletal maturation estimation. Key words: Bone development. Hand and wrist radiographs. Digital radiography. Referências 8. ARAÚJO, T. S. S. Estudo comparativo entre dois métodos de estimativa da maturação óssea. 2001. Dissertação (Mestrado em Radiologia Odontológica)–Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas. Piracicaba, 2001. 2. PERRY, H. 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Bairro Areião cx. postal 52 CEP: 13.414-901 - Piracicaba - SP E-mail: [email protected] R Dental Press Ortodon Ortop Facial 109 Maringá, v. 11, n. 5, p. 104-109, set./out. 2006 Artigo Inédito Análise da confiabilidade e da correlação de dois índices de estimativa da maturação esquelética: índice carpal e índice vertebral Melissa Feres Damian*, Fábio Eduardo Woitchunas**, Graziela Oro Cericato***, Fernando Cechinato***, Graziela Moro***, Michele Elisabete Massochin***, Florindo Luiz Castoldi**** Resumo Objetivo: o objetivo deste estudo foi avaliar a confiabilidade e a correlação de dois índices de estimativa da maturação esquelética. Metodologia: foi utilizada uma amostra de 210 radiografias carpais e telerradiografias laterais, de arquivo, de pacientes de ambos os gêneros, com idade entre 7 e 18 anos. As radiografias carpais foram utilizadas na determinação do Índice de Maturação Carpal (IMC) e as telerradiografias laterais na determinação do Índice de Maturação Vertebral (IMV). Cada grupo de radiografias foi examinado e reexaminado por 4 avaliadores, para analisar a confiabilidade de cada índice, e ainda foi realizada a comparação entre os estágios do IMC e do IMV, para avaliar a correlação entre os índices. Resultados: os resultados demonstraram que não houve diferença estatisticamente significante entre os 4 observadores nas avaliações do IMC e do IMV (p<0,00001), sendo as médias de correlação para o IMC de 95% na primeira e 93,5% na segunda avaliação, e para o IMV 84% na primeira e 74% na segunda avaliação. Na correlação intra-avaliadores também não houve diferença estatisticamente significante para nenhum dos avaliadores (p<0,00001), onde a média para o IMC foi de 93,5% e para o IMV de 80%. Na comparação entre os índices, mais uma vez não houve diferença estatisticamente significante (p<0,00001), sendo a correlação de 62% na primeira e de 80% na segunda avaliação. Conclusões: conclui-se que os dois índices mostraram-se confiáveis para estimar a maturação óssea e que há correlação entre os mesmos. Entretanto, sugere-se cautela na avaliação isolada pelo IMV. Palavras-chave: Diagnóstico ortodôntico. Maturação esquelética. Radiografia carpal. Telerradiografia lateral. Vértebras cervicais. *Doutora em Radiologia Odontológica pela FOP/Unicamp. Professora de Radiologia e Semiologia da Faculdade de Odontologia, Universidade de Passo Fundo. **Mestre em Ortodontia pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo. Professor de Ortodontia da Faculdade de Odontologia, Universidade de Passo Fundo. ***Cirurgiões-dentistas formados no curso de Odontologia da Universidade de Passo Fundo. ****Estaticista da Universidade de Passo Fundo. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 110 Maringá, v. 11, n. 5, p. 110-120, set./out. 2006 DAMIAN, M. F.; WOITCHUNAS, F. E.; CERICATO, G. O.; CECHINATO, F.; MORO, G.; MASSOCHIN, M. E.; CASTOLDI, F. L. cos e raciais, condições climáticas, circunstâncias nutricionais, condições sócio-econômicas e alterações de uma maturação cada vez mais precoce do homem através do tempo19. Assim, a melhor maneira de se observar o crescimento e a maturação esquelética são as diferenciações em forma e tamanho apresentadas pelos ossos e que podem ser vistas radiograficamente7. Várias áreas do corpo podem ser radiografadas e utilizadas para avaliar a maturação óssea, mas as radiografias de mão e punho (carpais) apresentam-se como as mais usadas neste propósito1,2,4,5,712,14-17,19,21,23,25,28,29 . Ranke (1896 apud Guzzi, 15 Carvalho , 2000) e Rowland (1896 apud SANTOS, ALMEIDA23, 1999) foram os primeiros pesquisadores a analisarem o progresso do desenvolvimento ósseo por intermédio de radiografias de mão e punho. Desde então, vários métodos de avaliação deste tipo de radiografia foram criados, como o de Fishman9 e o de Grave e Brown14, chamados de Índices de Maturação Esqueléticos ou Carpais. A vasta utilização deste tipo de radiografia para o propósito de avaliar o crescimento e a maturação dos ossos deve-se ao fato de que possui um grande número de centros de ossificação em uma área relativamente pequena, pela facilidade da técnica radiográfica e pela pequena quantidade de radiação a que é exposto o paciente durante a realização do exame1,4,7,9,15,16,19,21,25. Mas, mesmo que a avaliação de radiografias carpais possa ser um método testado e retificado na observação da maturação óssea10, alguns autores vêm pesquisando a utilização de outros métodos para realizar esta análise, a fim de facilitá-lo6,26, de proporcionar uma alternativa para profissionais que não tem acesso à confecção de radiografias carpais24, mas principalmente de diminuir a dose de radiação a qual o paciente é exposto durante a realização de uma avaliação ortodôntica1-3,12,13,16-18,20-23,27. Ressalta-se o fato de que mesmo sendo a técnica carpal vantajosa, pela baixa dose de radiação exigida em sua confecção, constitui-se em uma exposição adicional, em um INTRODUÇÃO Diante de um caso de má oclusão, o profissional da área da Ortodontia/Ortopedia precisa reconhecer, entre outras coisas, se a desarmonia está sendo causada por uma discrepância dentária, esquelética ou dentoesquelética, para poder realizar o planejamento do melhor tratamento. Esta conduta deve-se ao fato de que as desarmonias de ordem dentária podem ser solucionadas em qualquer etapa da vida7,23,24, no entanto, as discrepâncias de ordem esquelética e dentoesqueléticas devem ser preferencialmente tratadas durante o período de resposta do tecido ósseo, ou seja, durante seu crescimento e maturação, pois, caso contrário, o tratamento proposto poderá não ser efetivo1,2,5,7,12,13,17,19,21,23,24,25. O crescimento e a maturação ósseos ou esqueléticos acompanham a tendência do crescimento geral do corpo, ocorrendo mais marcadamente durante a infância e a puberdade, e com uma velocidade decrescente, salvo pelos períodos de aceleração deste crescimento ou maturação chamados de surtos de crescimento28. É possível reconhecer três surtos de aceleração na velocidade de crescimento: o primeiro ocorre na primeira infância, o segundo ocorre na segunda infância e, por fim, o terceiro, que coincide com a época da puberdade e por isso é chamado de Surto de Crescimento Puberal (SCP)7,28. Em função da precocidade dos pacientes durante a ocorrência do primeiro, principalmente, mas também do segundo surto de crescimento, o terceiro ou puberal é o período de maior aproveitamento para o tratamento ortopédico de discrepâncias ósseas2,5,7,9,17,19,24,28. Ressalta-se, no entanto, que apesar do crescimento apresentar-se como um fenômeno constante e do SCP ocorrer, de um modo geral, em toda população saudável, estes fenômenos não acontecem na mesma idade cronológica para diferentes populações, ou mesmo para indivíduos dentro da mesma população1,4,9,19,22,23,25,29. Isto porque este evento pode ser influenciado por fatores genéti- R Dental Press Ortodon Ortop Facial 111 Maringá, v. 11, n. 5, p. 110-120, set./out. 2006 Análise da confiabilidade e da correlação de dois índices de estimativa da maturação esquelética: índice carpal e índice vertebral paciente que se encontra no período máximo de desenvolvimento21. Neste sentido, Lamparski (apud ARAÚJO1, 2001) publicou um estudo que avaliava as alterações morfológicas apresentadas durante o crescimento de vértebras cervicais, vistas em telerradiografias laterais, como método de análise da maturação esquelética. O autor justificou a escolha deste exame baseado no fato de que a telerradiografia lateral é utilizada rotineiramente nas avaliações ortodônticas e por isso diminuía a exposição dos pacientes à radiação ionizante. Desde então, diversos autores1-3,12,13,16,17,20-23,27 têm realizado pesquisas que buscam relacionar as alterações morfológicas das vértebras cervicais com o crescimento ósseo de indivíduos no período do SCP, sendo o método chamado de Índice de Maturação das Vértebras Cervicais ou, simplesmente, Índice de Maturação Vertebral. Entre estes autores estão Hassel e Farman16, que aprimoraram o método descrito por Lamparski (apud ARAÚJO1, 2001) ao utilizarem na avaliação apenas as vértebras que poderiam ser observadas quando o paciente realiza uma telerradiografia lateral protegido da radiação ionizante por um avental plumbífero, que são as vértebras C2 (ou axis), C3 e C4. Ainda, destaca-se o trabalho de Baccetti et al.3, que criaram um novo método, baseado em cinco estágios de desenvolvimento, para avaliar o pico do desenvolvimento mandibular baseado nas alterações morfológicas e em medidas cefalométricas das vértebras cervicais C2 a C4. No entanto, sabe-se que a utilização prática de um método de estimativa da maturação óssea só ocorre quando há plena confiança do profissional nos resultados obtidos por este8 e, também, que ainda não existem dados suficientes que mostrem a efetividade plena do método das vértebras cervicais para justificar a substituição do método carpal. A isto adiciona-se o fato de que populações diferentes podem responder de maneira distinta a um mesmo método de avaliação de maturação esquelética, pois crescem de maneira diferente1,4,25,28. R Dental Press Ortodon Ortop Facial Neste contexto, objetivou-se com este estudo avaliar a confiabilidade do Índice de Maturação Esquelética Carpal (IMC) e do Índice de Maturação Esquelética Vertebral (IMV) na avaliação da maturação óssea, quando aplicados a uma população específica, por meio da reprodutibilidade dos métodos. Ainda, teve-se o propósito de analisar a possível correlação entre estes dois índices de maturação esquelética, para verificar a possibilidade do IMV ser usado de forma isolada para avaliar os estágios de maturação esquelética, diminuindo a dose de radiação por eliminar a radiografia carpal. MATERIAL E MÉTODOS Material A amostra desta pesquisa foi composta por um grupo de 210 radiografias, sendo 105 radiografias carpais (Fig. 1) e 105 telerradiografias laterais (Fig. 2) dos prontuários odontológicos da disciplina de Ortodontia e do curso de especialização em Ortodontia de uma instituição de ensino superior. Estas radiografias foram realizadas em pacientes que procuraram tratamento ortodôntico nesta instituição, provenientes das cidades da região de abrangência da universidade, entre os anos de 1998 e 2003. Métodos Seleção da amostra Foram selecionados para a pesquisa apenas os prontuários que apresentavam pelo menos 1 radiografia carpal e 1 telerradiografia lateral com a mesma data de realização. Dentro desta seleção, foram excluídos os prontuários que apresentavam radiografias insatisfatórias para diagnóstico (com relação à técnica e ao processamento) e onde não era possível visualizar por completo as vértebras cervicais C2, C3 e C4; bem como radiografias de pacientes com idade inferior a 7 e superior a 18 anos, uma vez que nestas idades o surto de crescimento puberal ainda não começou e já alcançou seu final, respectivamente, segundo outros trabalhos anteriormente realizados sobre o tema. 112 Maringá, v. 11, n. 5, p. 110-120, set./out. 2006 DAMIAN, M. F.; WOITCHUNAS, F. E.; CERICATO, G. O.; CECHINATO, F.; MORO, G.; MASSOCHIN, M. E.; CASTOLDI, F. L. FIGURA 1 - Exemplo de uma radiografia carpal utilizada no estudo. Fonte: Disciplina de Ortodontia: FOUPF. FIGURA 2 - Exemplo de uma telerradiografia lateral utilizada no estudo. Fonte: Disciplina de Ortodontia: FOUPF. Também foram excluídas radiografias de pacientes onde houve a constatação de distúrbios metabólicos ou endócrinos que poderiam vir a influenciar o desenvolvimento normal. Assim, de um total de 389 prontuários, foram selecionados 105 que apresentavam radiografias carpais e telerradiografias laterais com a mesma data de realização, de pacientes de ambos os gêneros, com idade entre 7 e 18 anos. Vale ressaltar que o intuito da pesquisa foi verificar a confiabilidade de cada índice de maturação esquelética e se havia correlação entre estes índices, não havendo pretensão de estimar o período do surto de crescimento puberal para esta população. Por isso, não houve segregação entre pacientes dos gêneros masculino e feminino. trabalho de Grave e Brown14. Este método avalia 14 eventos de calcificação na mão e no punho em relação à curva de velocidade de crescimento puberal (Quadro 1, Fig. 3). Avaliação das telerradiografias laterais Para análise do Índice de Maturação Vertebral (IMV), foi utilizado o método proposto por Hassel e Farman16, modificado do trabalho de Lamparski (apud ARAÚJO1, 2001), que usa a telerradiografia lateral para classificar as vértebras cervicais C2 ou axis, C3 e C4, visualmente, de acordo com a morfologia do corpo de C3 e C4 e a formação de concavidade na borda inferior do processo odontóide do axis (C2), de C3 e C4, dentro das fases de maturação e do surto de crescimento puberal (Quadro 2, Fig. 4). Avaliação das radiografias carpais Para a avaliação dos estágios de maturação observados nas radiografias carpais, foi utilizado o Índice de Maturação Carpal (IMC) proposto no R Dental Press Ortodon Ortop Facial Métodos de avaliação Cada um dos prontuários recebeu uma numeração seqüencial de 1 a 105, sendo que cada 113 Maringá, v. 11, n. 5, p. 110-120, set./out. 2006