FACULDADE DE ECONOMIA E FINANÇAS IBMEC PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA DISSER TAÇ ÃO D E MES TR ADO PROFIS SIO NALIZ ANTE E M AD MI NIS TR AÇ ÃO ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA: UMA COMPARAÇÃO DA COMPETITIVIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO COM O FUTEBOL EUROPEU (G-5) USANDO MÉTODOS QUANTITATIVOS. CLAUDIO VICENTE DI GIOIA F. SILVA ORIE NTAD OR: MARI A AUG US TA MAC HAD O Rio de Janeiro, 17 de Novembro de 2006 “ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA: UMA COMPARAÇÃO DA COMPETITIVIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO COM O FUTEBOL EUROPEU (G-5), UTILIZANDO MÉTODOS QUANTITATIVOS ” CLAUDIO VICENTE DI GIOIA FERREIRA SILVA Dissertação apresentada ao curso de Mestrado Profissionalizante em Administração como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Administração. Área de Concentração: Administração Esportiva com Métodos Quantitiativos ORIENTADOR: MARIA AUGUSTA MACHADO Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2006. ““ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA: UMA COMPARAÇÃO DA COMPETITIVIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO COM O FUTEBOL EUROPEU (G-5), UTILIZANDO MÉTODOS QUANTITATIVOS ” CLAUDIO VICENTE DI GIOIA FERREIRA SILVA Dissertação apresentada ao curso de Mestrado Profissionalizante em Administração como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Administração. Área de Concentração: Administração Esportiva com Métodos Quantitiativos Avaliação: BANCA EXAMINADORA: _____________________________________________________ Professor MARIA AUGUSTA MACHADO (Orientador) Instituição: IBMEC-RJ _____________________________________________________ Professor LUIZ ALBERTO NASCIMENTO CAMPOS FILHO (Co-orientador) Instituição: IBMEC-RJ _____________________________________________________ Professor FATIMA CRISTINA BACELLAR Instituição: USP Rio de Janeiro, 17 de Novembro de 2006. FICHA CATALOGRÁFICA 658.4033 S586 Silva, Claudio Vicente Di Gioia Ferreira. Administração esportiva: uma comparação da competitividade do futebol brasileiro com o futebol europeu (G-5) usando métodos quantitativos / Cláudio Vicente Di Gioia Ferreira Silva. - Rio de Janeiro: Faculdades Ibmec. 2006. Dissertação de Mestrado Profissionalizante apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração das Faculdades Ibmec, como requisito parcial necessário para a obtenção do título de Mestre em Administração. Área de concentração: Administração geral. 1. Métodos quantitativos. 2. Administração esportiva . 3. Competitividade. 4. Futebol – Equilíbrio competitivo. AGRADECIMENTOS “Um brinde! Ao prazer da pesquisa de campo, à desculpa acadêmica, à quebra de um mito: se não há razões nas paixões dessa vida, nao poderia ter ao menos um capítulo escrito”. (Claudio Vicente Di Gioia, em ´Tendências do Mercado de Cerveja no Brasil`, Monografia, UFRJ, Dez 2001, Defendida em 2002) Considero essa defesa de dissertação no mestrado em administração – “ Administração Esportiva: Uma Comparação da Competitividade do Futebol Brasileiro com o Futebol Europeu (G-5), utilizando métodos quantitativos” – um segundo passo de um legado, que pude descrever primeiramente por ocasião de minha monografia, quando então me formava bacharel em economia, e com trecho de dedicatória então reescrito no começo dessa seção. Na defesa do tema “Tendências do mercado de cerveja no Brasil” já começava a trajetória, ainda incompleta, sobre os três impulsionadores tradicionais de um brasileiro comum, embora não necessariamente nessa mesma ordem de prioridade, ou simplesmente seguindo essa ordem, pela necessidade de um entendimento ainda maior sobre o universo feminino, que ainda não ousei descrever. E como motivador intrínseco e em analogia ao próprio título dessa dissertação, agradeço aos que colaboraram para que eu pudesse concluir esse trabalho, utilizando- me da máxima que compartilho: Competitividade não é nada sem Talento! Agradeço também aos meus familiares, em especial a minha irmã Inês Caterina Di Gioia. 1 RESUMO O futebol como negócio tem sido encarado como uma indústria crescente e tem como um dos seus temas relevantes o equilíbrio competitivo dos clubes, à medida que a concentração de títulos e vitórias dos mesmos é tida como um risco para a indústria. Este risco é representado pela ameaça de falência de clubes, falta de atratividade dos jogos para o torcedor e aparecimento de campeonatos rivais. Além disso, a falta de equilíbrio, por sua vez, significa não maximizar a quantidade de torcedores que comparece aos estádios ou assiste aos jogos pela televisão, por conta da previsibilidade do resultado final, que aliada à qualidade do jogo e ao sucesso do time do torcedor constituem os principais elementos para a demanda por jogos de futebol. Esse trabalho procurou testar esse equilíbrio competitivo na série A do Campeonato Brasileiro, comparando com os cinco maiores campeonatos europeus (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália). Foram utilizadas medidas de concentração industrial, em especial o indicador HHI (Herfindahl- Hirschman), baseados nos trabalhos de Oughton and Michie (2004) e Dell’Osso. F & Symanski, S (1991) para testar equilíbrio competitivo sazonal (por temporada) e no longo prazo. O trabalho ainda tem como cenário o novo modelo de campeonato em pontos corridos adotado no Brasil em 2003, copiando o formato Europeu. Os resultados mostram que o Campeonato Brasileiro é o mais equilibrado dentre os pesquisados. Entretanto, boa parte desse equilíbrio se deve à falta de estrutura e capacidade administrativa dos clubes de manter times competitivos por mais de uma temporada, devido à necessidade de fazer caixa com a venda de jogadores. A análise ainda pode ser classificada como precoce com relação à influência atual desse novo modelo de campeonato. No entanto, os clubes já podem ficar em alerta quanto a essa temática. Palavras Chave: Competitividade. Administração Esportiva, Futebol, Equilíbrio Competitivo, 2 ABSTRACT Football as a business ha s been faced as a growing industry. Amongst the relevant subjects for this industry it’s distinguished the Competitive Balance of the clubs due to the perception of the risks derived from the concentration of titles and victories. These risks are represented by the threat of bankruptcy of clubs, lack of attractiveness for the supporters and the appearance of rivals’ leagues. Besides, the lack of competitive balance means that the supporters are not maximized in the long run since the match outcome is predictable. Besides, the prediction of the game allied to the games´ quality and the club success all represent the main elements for the football games demand. This work aim to test the competitive balance of Campeonato Brasileiro Série A comparing with the big five leagues in Europe (Germany, Spain, France, England and Italy). It was utilized measures of industry concentration, specially the HHI index (Herfindahl- Hirschman), based on the works of Oughton and Michie (2004) and Dell´Osso, F and Symanski, S (1991) in order to test both the seasonal and the long run balance. In addition, this work has as new scenario, adopted in 2003 in Brazil, copying the existing models in Europe – Pontos Corridos - (Each club played the other twice, once at home and once away, and the winner is the club that makes more points after all games). The results show that the Brazilian Championship is the most Balanced League amongst the leagues studied. However, this result is influenced by the lack of structure and club management in order to build competitive teams in the long run usually associated with the need of cash derived from players’ transfers. Due to the fact that the new model of league in Brazil is very recent, this analysis need more time to mature, but the clubs can already be alert in response of this subject. Key Words: Sports Management, Football, Competitive Balance, Competitiveness. 3 LISTA DE FIGURAS Figura 01 Figura 02 Figura 03 Figura 04 Figura 05 Figura 06 Figura 07 Figura 08 Figura 09 Figura 10 Figura 11 Figura 12 Figura 13 – Curva de Lorenz – A Estrutura da Industria do Futebol – Stakeholders do Futebol Brasileiro – Cadeia Produtiva e Clientes da Indústria – Fontes de Receitas dos Clubes Europeus – Stakeholders do Futebol Brasileiro – Estrutura Organizacional do Futebol Brasileiro – Impacto do Equilíbrio Competitvo na Curva de Demanda – Ciclo Virtuoso do Futebol Europeu – Caracteristicas dos Clubes de Futebol Europeu – Distância entre os Clubes de Futebol Europeu – Comparativo Sazonal em Relação ao Máximo Desequilíbrio – Curva de Tendência (Sazonal) em Relação ao Máximo Desequilíbrio 32 44 45 46 51 53 56 64 65 67 67 81 81 LISTA DE TABELAS Tabela 01 – Máximo Desequilíbrio para 20 times Tabela 02 – Máximo e Mínimo Desequilíbrio - Resumido Tabela 03 – Exemplo de Calculo para Longo Prazo Tabela 04 – Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Brasileiro Tabela 05 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Inglês Tabela 06 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Italiano Tabela 07 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Espanhol Tabela 08 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Alemão Tabela 09 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Francês Tabela 10 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Inglês Tabela 11 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Espanha Tabela 12 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato França Tabela 13 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Alemanha Tabela 14 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Italia Tabela 15 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Brasileio Tabela 16 – Tabela Agrupada de Concentração no Longo Prazo 74 75 77 78 79 79 79 80 80 82 82 83 83 83 84 84 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Objetivo da Pesquisa 12 4 SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO 2 – O PROBLEMA 2.1 – CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA 2.2 – FORMULAÇÃO DO PROBLEMA 2.3 – OBJETIVOS 2.3.1 – OBJETIVOS PRINCIPAL 2.3.1 – OBJETIVOS INTERMEDIARIOS 2.3 – RELEVANCIA DO ESTUDO 2.4 – DELIMITAÇÃO DO ESTUDO 3 – REVISÃO DE LITERATURA 3.1 – COMPETITIVIDADE E CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL 3.1.1 – COMPETITIVIDADE E TEORIA DA CONCORRÊNCIA 3.1.2 – CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL 3.1.2.1 – MEDIDAS DE CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL 3.1.3 – VANTAGENS COMPETITIVAS 3.1.3.1 – DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIA 3.1.3.2 – ESTRATÉGIA E VANTAGENS COMPETITIVAS 3.1.3.3 – SUSTENTANDO UMA VANTAGEM COMPETITIVA 3.2 – FUTEBOL COMO INDUSTRIA – CONTEXTUALIZAÇÃO 3.2.1 – A INDUSTRIA DO FUTEBOL 3.2.2 – O FUTEBOL EUROPEU E OS GRANDES CENTROS (G-5) 3.2.3 – O FUTEBOL BRASILEIRO 3.3 – EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL 3.3.1 – CONDICIONANTES DO EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL 3.3.2 – FORMANDO CLUBES COMPETITIVOS 3.3.3 – MEDIDAS DE EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL 4 – METODOLOGIA 5 – RESULTADOS 5.1 – CALCULO SAZONAL 5.2 – CALCULO DE DOMINANCIA 5.3 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 5.3.1 – ANALISE SAZONAL 5.3.2 – ANALISE DE LONGO PRAZO 5.3.3 – ANALISE FINAL POR CAMPEONATO NACIONAL 5.3.4 – ASSOCIAÇÃO DO TEMA COM PADRÃO DE CONCORRENCIA E PAPEL DA ESTRUTURA 5.3.5 – INDICADOR DE CONCENTRAÇÃO (EX-POST) 5.3.6 – PAPEL DAS CONDUTAS DAS EMPRESAS E BUSCA DE VANTAGENS COMPETITIVAS 5.3.7 – ANALISE DA INFLUENCIA DO NOVO MODELO DE CAMPEONATO BRASILEIRO 5.4 – ANALOGIA COM OUTROS ESPORTES 5.5 – SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS 6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS APENDICE 06 08 08 10 11 11 12 12 13 15 15 16 24 26 33 34 36 40 42 43 50 56 63 64 68 70 71 78 78 81 85 85 86 86 90 90 91 91 93 93 94 97 5 1. INTRODUÇÃO Esse t raba lho te m co mo ob jet ivo tes tar o equil íbr io co mpet it ivo e ntre os c lubes q ue d isp uta m a “Sér ie A” do ca mp eo nato bras ile iro e m co mpa ração co m o s c inco ma io res ca mpeo na tos europ e us ( Ale ma nha, Espa nha, Fra nça, I nglater ra e I tá lia). As preoc upaçõe s re la t iva s a esse te ma estão as soc iada s ao r isco de co nt inuidad e da ind úst r ia, à med ida q ue a co nc e ntra ção de vitór ia s e t ít ulo s sob re o s mes mos t ime s ger a perd a de atrat ividad e para os torcedo res. Va le r essa ltar q ue a de ma nd a por jo gos de futebo l é influe nc iada pe lo s uces so do t ime do torcedo r, pe la q ua lid ade do jo go e pe la impre vis ib ilidade do res ultado (DUCREY et a l.,2003 ). Ass im, o deseq uilíb r io e ntr e os c lubes es tá re lac io nado à a meaça de fa lê nc ia de c lube s me nore s e o aparec ime nto de ligas (ca mpeo natos ) r iva is (OUGHTON AND M ICHI E, 2004). O debate sob re co mpet it ividade e co ncorrê nc ia te m or ige ns na lite rat ura eco nô mic a e ad ministr at iva. A part ir da teo r ia de co ncor rê nc ia é poss íve l e nte nder sob re o conce ito de co mpet it ividade e m s i, be m co mo s ua e vo lução nas esco la s c lá ss ica s, ma r xis ta, neoc láss icas, schumpete r ia na, d e ntre o utra s q ue serão aprese ntadas na re vis ão de liter at ura d este traba lho. O trata me nto sobre eq uil íbr io de me rcado, a b usca de opo rt unidade e ino vação, os mode los de estr ut ura- cond uta e dese mpe nho, be m co mo os e nte nd ime ntos sobre padrão d e co nco rrê nc ia e adequaç ão das e str até gias co mpõe m a base do co nce ito q ue será tes tado nes te t raba lho. Para isso, serão ut iliza dos ind icado res d e co nce ntração co muns na litera t ura eco nô mica e de regulação ind ust r ia l descr itos e m Bo ff e Rese nde (2002); Ara újo, Neto e Po nce (2005 ); Bikke r e Haa f (2000 & 2002 ) e Possa s et a l, (1997). De nt re e le s, o ma is co nhec ido é o HHI 6 (Her finda hl- Hir sc hma n), ut il izado p e lo Federal Trade Comiss ion do Depart a me nto de J ust iça dos Es tados Unidos pa ra j ulgar fusões e aq uis ições (S HY, 1995 ) 1 . No ent a nto, o s res ultado s e nco ntrados por e sses ind ic adores não e xp lica m co mo dete r minadas e mpresa s, e nes se caso est udado, os c lubes de futebo l, a lca nçara m det er minada pos ição pr ivile giada fre nte aos o utro s. Alé m d isso, os ind icado res de co mpet it ividade a lc a nçados hoje parece m s er função d e est raté gias e invest ime ntos ado tados a nter io r me nte (K up fe r 2005). Nesse conte xto, é necessá r io e nte nder a d isc us são sobre est raté gias e va nta ge ns co mpet it ivas e co mo os club es de futebo l lida m co m e las. Os mode los de rece ita, a fo r ma de re la c io na me nto co m os tor cedores, e mes mo a a meaç a de prod uto s s ubs t it utos, na área de e ntre te nime nto, influe nc ia m a c ur va de de ma nda pe lo s ca mpeo na tos (PORTER, 1998). No e nta nto, exis te m exe mp los re le va ntes p ara a co nstr ução de c lubes co mpet it ivo s ( DELL´OSSO AND SYMANSKI, S, 1991) Est e t raba lho le va rá e m co nt a os mode lo s par a te star eq uilíb r io co mpet it ivo sa zo na l (por te mporad a) e no lo ngo pra zo, co nfor me metodo lo gias ut ilizad as por O ughto n a nd M ic hie (2004) e De ll’Os so e S yma nsk i, S (1991), assoc ia ndo os res ultados obt ido s à lite rat ur a da ad ministr ação e à co nst r ução de eq uipes q ue co nt inua me nte e ntra m e m um c ic lo vir t uoso de res ultados operac io na is e fina nc e iro s (LAM, 2006). A int erpre tação le va rá e m conta o no vo cená r io bras ile iro, q ue a par t ir de 2003 passo u a adota r um mode lo de pontos corr idos, cop ia ndo os fo r ma tos adotado s na Europa. 1 Tabela 1 do Apêndice 7 2. O PROBLEMA 2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA O esporte mundial tem sido encarado como uma indústria crescente que movimenta cerca de US$ 1 trilhão por ano. Nessa indústria, o futebol gira aproximadamente US$ 250 bilhões anuais sendo o Brasil responsável por cerca de 1% desse valor. A crescente comercialização e globalização do futebol fizeram com que novos temas surgissem e dentre eles podemos destacar: riscos associados à competitividade; necessidade de gestão profissional; criação de clube-empresa; estratégias e marketing esportivo; contabilidade; accountability, dentre outros. Este trabalho tem como propósito: i) entender os riscos associados à competitividade das ligas de futebol; ii) comparar o equilíbrio competitivo nos cinco maiores mercados do futebol europeu (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) com relação ao futebol brasileiro; iii) Analisar o impacto do novo modelo de campeonato adotado no Brasil em 2003 e; iv) interpretar os resultados à luz da literatura da administração. Va le res sa ltar q ue as preoc upa ções e m tor no da fa lta de co mpe t it ividade no r ma lme nte e stão re lac io nadas a q ues tões co mo : Conc e ntra ção I nd ust r ia l, Poder de Mer cado, Re gulação Eco nô mica, Barr e ira s à Entrad a e Po lít ic a I nd us tr ia l, ap licadas à o utra s ind ús tr ias. No caso da ind us tr ia futebo lís t ica, es ses te mas pode m ser e nco nt rados e m s it uações co mo a existê nc ia de mo nopó lio de dire itos de tra ns missão das part idas, pat roc ínio/co- gest ão de ma is de um t ime na mes ma liga pe lo mes mo gr upo (e xe mp lo da Empre sa Par ma la t q ue p atroc ina va dois c lubes no Bras il – Pa lme iras e J uve nt ude ) e a co mpra de t imes por e mp resas de míd ia 8 (BSk yB e Ma nc hes ter United). Na Europa, esses e xe mp lo s j us t ifica m a prese nç a de ór gãos reguladore s co mo ma is um st ak eholder dessa ind ustr ia, fisca liza ndo poss íve is mo nopó lios e atos q ue ve nha m a pre j ud ica r aos o ut ros st ak eholders, co mo o s torc edores e jo gadore s. No Bras il, e sse par ece se r um te ma q ue a inda ca rece de ma io res es t udos e a te nção po r par te das inst it uições q ue re gula m e co ma nda m o futebo l. De ntro dessa a mp la d isc uss ão e m to r no da co mpet it ividade na ind úst r ia do futebo l, o pres e nte traba lho pr io r iza o es t udo dos r is cos da co nce ntr ação de vitó r ias e t ít ulos e m to r no de deter minados t imes, e m opos ição aos se us r iva is, carac ter iza ndo uma do minâ nc ia daq ue les sobre esse s últ imo s, pre j ud ica ndo o s ucesso do s ca mpeo na tos a lo ngo pra zo. A pesq uisa terá co mo obje t ivo co mb inar uma a ná lise sa zo na l (por te mpo rada) e de do minâ nc ia. Nesse conte xto, a p reoc upação de ste t raba lho está vo ltada pa ra o eq uilíb r io e ntre os c lubes que d isp uta m os ca mpeo na tos nac io na is de futebo l, e m s ua s pr ime iras d ivisões ( “Sér ie A” bras ile ir a e os c inco ma iores e urope us ). O nive la me nto ge ra ma ior ince rte za do re s ultado de uma part ida e por co nseq üê nc ia do ca mpeo na to ( liga) co mo um todo. A fa lta de eq uilíb r io, por s ua ve z, s ignif ica não ma ximiza r a q ua nt idade de torcedor es q ue co mp arece ao s estád ios ou as s is te aos jo gos pe la te le visão, por co nta da pr e vis ib ilidade do res ultado fina l, q ue a liada à qua lidade do jo go e ao s uce sso do t ime do torcedor co ns t it ue m os pr inc ip a is e le me nto s par a a de ma nda por jo gos de futebo l. Liga s deseq uilib radas ta mbé m pode m res ulta r e m r iscos co mo a a meaça de fa lê nc ia de c lubes, a meaça de outras ligas r iva is e cr iação de gra ndes gaps de rece ita de ntro das ligas, aume nta ndo o r isco da ind úst r ia ao ince nt ivar uma est r ut ura q ue e ncora ja o s c lubes a gas tar a inda ma is para gara nt ir s ucesso. 9 Dess a forma, co m a falta de e qui lí brio co mpe tit ivo, os cl ube s e as ligas es port ivas pas s aria m a i nco rre r no ris co de pe rda g ra dativa de es pe ctado re s , aliado a pos s ibi li da de de do mi nâ nc ia po r a lg uns clube s , (s azona l o u no lo ngo pra zo) e a ame aça de cont i nui da de de clube s e ligas . O traba lho a inda te m co mo c e nár io a mud a nça do mode lo de ca mpeo nato adotado pe los c lubes no Bras il, e m 2003, e m uma te nt at iva de se ‘cop iar’ os ca mpeo na tos nac io na is europ e us q ue ut iliza m o for mato d e po ntos cor r idos. As co nc lusões, a inda p recoces, de vido ao pouco te mpo pa ra a ná lises e co mparaçõ es, es tarão t a mbé m re la c io nadas à esco lha d esse ‘no vo ’ for mato. Est e t raba lho te rá s ua re visão de lit era t ura d ivida e m t rês pa rte s : i) Ap rese nt ação da d is c ussão sobre co mpet it ividade, co ncor rê nc ia e co nce nt ração ind ust r ia l; ii) Co nte xt ua lizaç ão da Ind ustr ia do F utebo l, os aspec tos es tr ut ura is e o ce nár io desse espo rte na Europ a e no Br as il; iii) Apres e ntação dos te mas ma is espec íficos desse t raba lho, e m to r no do equilíb r io co mpet it ivo no futebo l. 2.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA As perguntas formuladas para orientar o trabalho são: § Qua is os r isco s/pe r igos da fa lta de co mpet it ividade na s liga s espor t ivas e e m espec ia l nos ca mpeo na tos de futebo l? § Como o futebo l b ras ile iro pode ser co mparado ao fut ebo l e urope u e m te r mo s de co mpet it ividade /eq uilíbr io espor t ivo ? 10 § O que e xp lica ess e níve l de co mpe t it ividade no futebo l b ras ile iro? § O mode lo de po ntos corr idos, adotado e m 2003, pode influe nc ia r esse eq uilíb r io co mpet it ivo ? 2.3 OBJETIVOS Os objet ivo s fora m c lass ific ados e m d uas par tes, co nfor me descr ito ad ia nte : i) Obje t ivo Pr inc ipa l; ii) Obj et ivo s I nter me d iár ios. 2.3.1 OBJETIVO PRINCIPAL O objetivo principal deste trabalho está em comparar e interpretar os níveis de competitividade do futebol brasileiro com o futebol europeu, mais especificamente os cinco maiores centros do futebol mundial (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália). A interpretação dos resultados terá relação com o risco de dominância de alguns clubes, falência de outros e redução dos torcedores expectadores no lo ngo prazo. Serão analisadas ainda, as características da estrutura e da gestão do futebol brasileiro que possam vir a influenciar os resultados obtidos, bem como os impactos da mudança do modelo de campeonato, atualmente em pontos corridos, seguindo os padrões dos campeonatos nacionais europeus. Para ilustrar o objeto e o sujeito da pesquisa é apresentada no Quadro 1, baseada em Tachizawa (2002), contendo o tipo de organização e tema definido. 11 Quadro 1: Objetivo da Pesquisa Sujeito: Administração Esportiva Objeto: A Indústria do Futebol Título: Comparando a Competitividade do Futebol Brasileiro com o Futebol Europeu (G-5) Interpretações e Sugestões Sujeito e objeto Tipo de organização Tema definido delimitado Pesquisa Quantitativa Clubes de Futebol Comparar a competitividade (equilíbrio) em Administração brasileiros competindo dos cinco maiores campeonatos europeus Esportiva na primeira divisão. com o Brasileiro, em uma ótica sazonal (por temporada) e de dominância de longo prazo. 2.3.2 OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS Este trabalho tem como objetivos intermediários: § Aprese ntar b re ve d isc ussão sobre Co mpet it ividade e Med id as de Co nce ntração Ind ustr ia l § Rea lizar um es t udo e xp lor atór io do F utebo l co mo I nd úst r ia § Conte xt ua lizar o F utebo l Bra s ile iro, o s at ua is prob le ma s e s ua es tr ut ura. § Aprese ntar s ugestõe s de pesq uisa para o futebo l e o ut ros espo rtes 2.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO Apesar de sua relevância e disseminação internacional, o futebol é um esporte que carece de estudos detalhados e de pesquisas acadêmicas principalmente relativas aos novos temas, como governança, competitividade e globalização. Essa é uma tentativa de aumentar a literatura no âmbito da pesquisa em administração relacionada ao esporte e mais especificamente ao 12 futebol, apresentando um objeto de pesquisa diretamente ligado a continuidade desse esporte no longo prazo (Competitividade e Equilíbrio entre os clubes). Além disso, esse pode ser um primeiro passo em direção a um debate sobre competitividade, principalmente do ponto de vista de dominância de longo prazo por certos clubes no Brasil. O assunto permite aos clubes e as instituições responsáveis pela gestão e organização do futebol avaliarem e anteciparem aos riscos à indústria, provenientes do tema, ou seja, as preocupações oriundas da presença dos mesmos clubes repetitivamente nas primeiras posições do campeonato brasileiro. 2.5 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO Este estudo será restrito ao comparativo dos níveis de competitividade e equilíbrio esportivo no Brasil e nos cinco maiores centros do futebol europeu: Itália, Alemanha, Espanha, Inglaterra e França. A pesquisa leva em consideração trabalhos como o do Football Governance Research Centre da Universidade de Londres (Birbeck, University of London), tal qual Oughton and Michie (2004), que sumariza as medidas de competitividade utilizadas na literatura, conforme demonstrado na tabela B do apêndice desse trabalho. O período utilizado para comparação é de dez anos, principalmente devido às dificuldades de se obter padronização dos dados para os campeonatos brasileiros anteriores, que contavam com muitos times e fórmulas diferentes de disputa. Além disso, não serão tratados como foco principal desse trabalho os temas relativos a Marketing de Serviços e Marketing Esportivo. O trabalho se limitará a pesquisa quantitativa 13 de equilíbrio competitivo e as analises dos resultados tendo em vista a literatura em torno de competitividade e vantagens competitivas. 14 3. REVISÃO DE LITERATURA Com o objet ivo de abordar o debate sobre eq uilíb r io co mpe t it ivo na ind ús tr ia futebo l, a revisão de lit era t ura des te t raba lho está d ivid ida e m três p arte s. A pri me i ra pa rte apre s e nta a dis cus s ão s obre compe ti tivi da de , co nco rrê nc ia e conce nt ração i ndus t rial, ass untos muito a na lisados e m eco no mia ind us tr ia l, re gulação econô mica e e m est raté gias ad min ist rat ivas. Nessa pr ime ira pa rte se rão introd uzidas as med idas de co nce ntração ind ust r ia l q ue serão pos ter io r me nte ap licadas ao deba te sobre equilíb r io co mpet it ivo no futebo l, co mo par te da pesq uisa dess e trab a lho. A s e gunda pa rte conte xtual i za a I ndus t ria do Fute bo l, os as pe ctos e s trut ura is e o ce nário de ss e es porte na Euro pa e no B ras il. Os pr inc ip a is p layer s, as c las s ificaçõe s dos torcedo res, os mod e los de rec e it a e as d ifer e nças e nt re o mercado br as ile iro e o europ e u serão enfat izados. Na te rce ira pa rte se rão apre s e ntados os te mas mais es pe cíficos des se tra bal ho, e m to rno do e quil í brio co mpe ti tivo no f ute bo l. A ut iliza ção das med idas de co nce nt ração, as cond ic io na ntes para for mação de c lubes co mpet it ivos e a lguns e xe mp los his tór ico s serão aprese ntado s. 3.1 COMPETITIVIDADE E CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL O objetivo dessa seção é introduzir os conceitos de competitividade e concentração divididoos em três partes. 15 § A primeira parte analisa o conceito de competitividade em si e a teoria de concorrência. § A segunda parte está destinada ao tema de concentração industrial e as medidas de concentração utilizadas nas análises industriais. § A terceira parte está destinada a uma visão mais relacionada à busca de vantagens competitivas por parte das empresas. 3.1.1 COMPETITIVIDADE E TEORIA DA CONCORRÊNCIA O conceito de competitividade revela lacunas não só associadas a estudos sobre estrutura e políticas industriais, bem como aos desafios metodológicos para trabalhos que tem como objetivo diagnosticar uma situação competitiva de determinada industria ou cadeia produtiva (TEIXEIRA E GUERRA, 2003). Segundo Kupfer (2005), a principal insuficiência está na redução da noção de competitividade a algo que se esgota no produto ou na firma, ao invés da percepção de que esse é um fenômeno que ocorre no âmbito da indústria (conjunto de firmas) e do mercado (a parcela de demanda a ser conquistada ou mantida pela firma, o verdadeiro espaço de concorrência intercapitalista). Assim, antes mesmo de escolher indicadores mais adequados para avaliar determinada competitividade industrial é mister entender o conceito propriamente dito. Chudnosky (1990, p.8) trabalhou o conceito de competitividade em torno do que considera enfoques microeconômicos e macroeconômicos. O enfoque micro está ligado diretamente à firma, como aptidão para projetos, produção e vendas. Já o macro está ligado à capacidade que as economias nacionais têm de apresentar determinados resultados econômicos. 16 A organização desse tema por Haguenauer (1989) parece pertinente ao separar em duas famílias o conceito de competitividade: i) competitividade como desempenho – seria expressa na forma de participação de mercado (market-share) alcançada pela firma. Ou seja, é a demanda que, ao arbitrar quais produtos são adquiridos, está definindo a posição competitiva da firma.; ii) competitividade como eficiência – relacionada à capacidade da firma de produzir bens com eficácia do ponto de vista de tecnologia, salários e produtividade vis à vis a concorrência. Nesse caso, é o produtor que, ao escolher técnicas de produção (relação insumo-produto) e submetido às suas restrições financeiras, tecnológicas e gerenciais, que define a sua competitividade. Em termos práticos, para Kupfer (2005), a incompatibilidade entre as duas vertentes conceituais pode ser resumida ao seguinte dilema: § Para os d e fe nso res da ver são “des e mpe nho ”, co mpe t it ividade é um fe nô me no ex -post . É o res ultado de vár ios fator es, de ntre o s q ua is a e fic iê nc ia té c nica. Co mpet it ividade s inte t iza preço e não preço, inc luindo q ua lidade de prod uto e d ifer e nc iação, fa tores esses q ue pode m até s er s ub jet ivos. § Para os d e fe nso res da ver te nte “e ficác ia ”, co mpet it ividade é um fe nô me no e x- a nte, um gra u de cap ac itação das fir mas q ue se t rad uz e m téc nicas po r e las ut iliza das. Nesse caso, o de se mpe nho ser ia a pro vá ve l co nseq üê nc ia da co mpet it ividade, e não s ua expr essão.( HAGUEN AUER, 1989). No entanto, há alguns problemas com o conceito de competitividade. Um deles está na aceitação de que a eficiência produtiva se traduza em maior participação de mercado. Isto significa, em verdade, concordar com as premissas de mobilidade do capital, inexistência de 17 barreiras à entrada e saída, além de se supor que os consumidores não têm preferências por marcas. Em um debate ainda mais complexo, há ainda mais insuficiência em ambas correntes (desempenho e eficácia) decorrente do tratamento estático que lhes é habitualmente conferido, de tal forma que, em análise dinâmica, percebe -se que as relações entre competitividade e desempenho ou eficiência são fundamentalmente tautológicas (KUPFER 2005). Na versão desempenho, o problema está no fato de que não se pode estabelecer causalidades com as variáveis conhecidas a posteriori, como market share e taxa de crescimento.O que explicaria as diferenças de desempenho ent re as firmas seria a taxa de sucesso dos investimentos escolhidos (MANCKE 1974). A tautologia está na relação: se é competitiva a firma que domina ou cresce no mercado, é igualmente correto que irá dominar ou crescer no mercado justamente a firma que for competitiva. Na versão eficiência, o problema está associado a um conceito simétrico a economias empresarias, tais como escala, escopo, gerenciais ou aprendizado. As empresas parecem competir ao longo do tempo com o propósito de reduzir custos e financiar suas estratégias, de forma que, em um dado momento, o grau de eficiência da firma é na verdade determinado por estratégias competitivas adotadas anteriormente. Aceitando essas ponderações acima descritas, chega-se a conclusão que a análise de competitividade não só possui caráter intertemporal, mas também que os conceitos de desempenho e eficiência sozinhos não explicam o fenômeno por inteiro, mas o reduz a um determinado ponto de uma seqüência temporal. Isso sugere que a competitividade não pode ser entendida somente como uma característica de produto ou firma, e sim, como um conceito determinado pelo padrão de concorrência vigente, ou como conclui Kupfer (2005, p.14): 18 “competitividade é a função da adequação das estratégias das empresas individuais ao padrão de concorrência vigente”. Nesse sentido, as obras de Schumpeter (1911; 1942), consideradas os primeiros passos da teoria da concorrência, mostram-se pertinentes (POSSAS, 2002, p. 416). Esta teoria não ortodoxa tem como principal contribuição ter inserido uma visão dinâmica e evolucionista baseada no processo contínuo de difusão de inovações. Antes desses dois trabalhos acima mencionados era possível juntar noções sobre o assunto nas escolas clássicas, marxistas e nos autores neoclássicos. Ainda segundo Possas (2002, p.416) essas noções podem ser resumidas como: § A noção clássica de concorrência – A noção básica da concorrência, adotada por autores como Adam Smith e David Ricardo, supõe que existe mobilidade de capital entre as diferentes indústrias, não existindo barreiras à entrada. Ou seja, existe a possibilidade de livre iniciativa e a concorrência é vista como um processo pelo qual os investimentos são atraídos pelas indústrias que proporcionam maior taxa de retorno. Dessa forma, esse contínuo fluxo entre as diversas indústrias, na busca de retornos acima da média, faz com que as taxas de lucro entre essas atividades tendam a se igualar. O enfoque clássico se preocupa menos como o processo de concorrência e mais com o resultado desse equilíbrio intersetorial, em torno de uma teoria de equilíbrio geral, estática, e com taxas de lucro uniforme no longo prazo. § A concorrência em Marx – A concorrência para Karl Marx também era considerada como um processo auxiliar, apesar de importante. Segundo Marx, a concorrência não gera efeitos relevantes na economia, sendo vista apenas como um intermediário que executa as leis de movimento econômico determinadas nas relações de produção e 19 pelas leis do capital. A teoria marxista aceita os pressupostos de mobilidade de capital como um mecanismo de tendência de uniformização da taxa de lucro, mas também introduz um conceito endógeno à economia capitalista: o progresso técnico. Esse elemento será crucial no trabalho desenvolvido por Schumpeter em sua teoria dinâmica da concorrência. § A noção neoclássica da concorrência – A concepção clássica foi estendida pelos neoclássicos, como por exemplo, Marshall, fundador da Microeconomia. A noção de concorrência perfeita em torno de um atomismo de mercado (pulverização da oferta e da demanda) sugere que as empresas são tomadoras de preço e portanto são incapazes de interferir no equilíbrio de mercado, caracterizado pelo preço que iguala os custos marginais. Esse é um enfoque estático de eficiência alocativa muito utilizado em políticas econômicas. A teoria neoclássica reconhece também o monopólio como o outro extremo desse atomismo. Nesse caso, uma empresa tem concentração e poder de mercado, maximiza lucros, não enfrenta produtos substitutos e existem barreiras à entrada. As causas desse monopólio podem ser a propriedade exclusiva de matérias primas, patentes de produtos, licenças governamentais ou monopólio natural (onde o mercado só suporta uma empresa). Tanto os modelos de monopólio, quanto o de competição perfeita, sofreram contestações inspirando teorias alternativas, como os trabalhos de Sraffa (1926), Robinson (1933) e Chamberlin (1933) sobre competição imperfeita e competição monopolística. Na verdade, em paralelo ao desenvolvimento da concepção neoclássica foi surgindo um desconforto com o papel omisso da firma, inteiramente passiva e incapaz de elaborar estratégias. A crítica aos neoclássicos, nesse caso, está no fato de que as firmas não podem estar inteiramente submetidas à ditadura do mercado (de acordo com a premissa neoclássica do atomismo de mercado). 20 As três escolas apresentadas acima antecederam a teoria de concorrência de Schumpeter, hoje conhecida como concorrência schumpeteriana. Nela, qualquer inovação é entendida como a busca constante de lucros extraordinários e de diferenciação e obtenção de vantagens competitivas entre os agentes (empresas) por meio de estratégias deliberadas. Nesse sentido, a concorrência não é o contrário de monopólio e a busca de novas oportunidades, ou inovações, em um sentido mais amplo, de ve gerar monopólios. Esses monopólios podem durar mais ou menos tempo, dependendo da capacidade de novos concorrentes de copiar, ou imitar a empresa inovadora. A concorrência é um processo (ativo) de criação de espaços e oportunidades econômicas, e não apenas, ou principalmente, um processo (passivo) de ajustamento em direção a um suposto equilíbrio, nem supõe qualquer estado tendencial ‘normal’ ou de equilíbrio, como nos enfoques clássico e neoclássico. (POSSAS, 2002, p. 419) Em conseqüência, a concorrência implica o surgimento permanente e endógeno da diversidade, trazendo os conceitos de diferenciação de produto, diversidade estratégica e variedade tecnológica, além da interação das estratégias competitivas das empresas. Essa dinâmica industrial sugere que as situações monopolísticas criadas a partir de inovações devem ser vistas como o resultado do processo competitivo. A visão schumpeteriana ainda tem como hipótese que estruturas industriais oligopólicas com maior grau de concentração são mais propícias à inovação tecnológica, e conseqüentemente, a um melhor desempenho. (TEIXEIRA E GUERRA, 2003) Esta hipótese está de alguma forma ligada ao modelo E-C-D (Estrutura, Conduta, Desempenho), que tem origens atribuídas à Mason (1939). 21 A partir da década de 50, as proposições do tipo Estrutura-Conduta-Desempenho passaram a ocupar o posto de paradigma teórico, sendo a contribuição de Bain (1959) uma ferramenta básica de análise de organização industrial. O modelo E-C-D tentou estabelecer relações causais entre estrutura, conduta (estratégia empresarial) e desempenho. Nessa abordagem, a competitividade passou a ser associada a indicadores, que por sua vez, são influenciados pela estrutura industrial na qual as empresas estão inseridas. Muitos dos trabalhos em torno do modelo E-C-D, tais como Coase (1939) e Williamson (1985) testaram essa relação causal entre concentração (um atributo estrutural), inovação (uma decisão estratégica) e lucratividade (indicador de desempenho). Segundo Teixeira & Guerra (2003), esses trabalhos empíricos não suprem a lacuna teórica ainda existente sobre competitividade. Um deles está no desprezo da relevância da conduta das empresas. A resposta a esse problema foi a aceitação de causalidades menos rígidas, o que na verdade enfraqueceu o modelo de forma que “tudo depende de tudo”. Já os Neo-schumpeterianos como Nelson e Winter (1977, 1982), Freeman e Soete (1997), Dosi (1984) e Teece (1998) rompem com a idéia de que o mercado é a única instituição capaz de garantir eficiência econômica e partem para uma abordagem dinâmica de estruturas de mercado. Com a ótica neo-schumpeteriana, o processo de inovação passa a ser internalizado de forma a transformar as estruturas industriais. A tecnologia passa a ser simultaneamente componente estrutural e estratégico (conduta). Como elemento dinâmico, a mudança tecnológica não é mais exógena, e a competição passa a ser constantemente influenciada por novos produtos, novos processos e no vos segmentos de mercado (PORTER, 1989, p.21). A eficiência estática num ponto é rapidamente superada por um índice de progresso mais intenso. 22 A hipótese de endogeneidade também originou uma corrente alternativa, na organização industrial a partir de 1970, deixando de lado as premissas do modelo E-C-D. A Teoria dos Jogos, ou o que autores como Davies e Lyons denominam como New Industrial Organization trata desempenho e estrutura como variáveis endógenas, enquanto as condições básicas e as condutas seriam exógenas. Formula-se um equilíbrio das firmas que ajustam quantidades e/ou preços de forma cooperativa, resgatando tradicionais modelos como o de Cournot, Bertrand, ou Nash. Acompanhando a corrente da endogeneidade surgiu a Teoria de Contestabilidade. Nela, o que importa na determinação de desempenho são as condições básicas (funções de custo). Nessa teoria, é mais relevante a concorrência potencial e não a real. A concorrência potencial, por sua vez, seria determinada pela existência ou não de sunk-costs para o entrante. A discussão até aqui apresentada se torna ainda mais importante por ocasião da formulação de política econômica e política industrial tendo em vista a construção de ambientes competitivos, formados por empresas competitivas. Ambiente Competitivo, por sua vez, não está só relacionado à necessidade de estratégias empresarias, mas também à criação de fatores sistêmicos favoráveis à concorrência e competitividade tais como: criação de externalidades positivas, infra-estrutura, mão-de-obra, financiamento e instrumentos de defesa de concorrência. Conclui-se então, que existe toda uma interação entre os aspectos regulatórios, infraestruturais e sociais que influenciam a competitividade das empresas. Nesse caso, empresas competitivas são aquelas que tem eficiência técnica, produtiva e organizacional. A busca de vantagens competitivas por parte das empresas, por sua vez, 23 passa a ser componente relevante para a industria como um todo 2 (POSSAS, 2002, p.428). Essa discussão na literatura econômica está diretamente relacionada à: concentração industrial, barreiras à entrada, defesa da concorrência e regulação econômica, temas esses debatidos e encontrados nos livros de economia industrial. Na administração, esses temas surgem como base por ocasião das condutas da empresas e por conta do papel dos gestores nas escolhas das estratégias implementadas. Além disso, a concentração industrial, e mais especificamente as medidas de concentração, são de interesse para a determinação do equilíbrio competitivo no futebol, entendido como uma indústria que deve ter as mesmas preocupações quanto à competitividade e concentração como qualquer outra. Esses temas serão trabalhados mais especificamente na próxima seção. 3.1.2 CONCENTRACAO INDUSTRIAL Existe uma pratica recorrente em aproximar a estrutura de mercado à concentração industrial. (Resende, 1994, p.24-33). Segundo Bain (1968), as seguintes características descrevem uma estrutura de mercado: i) o grau de concentração descrito pelo número e distribuição de tamanho dos vendedores do mercado; ii) o grau de concentração relativa aos compradores; c) o grau de diferenciação dos produtos; iv) as condições de entrada no mercado (referindo-se a existência de barreiras à entrada) 2 Na seção 3.1.3 será trabalhado o tema constante na literatura da administração e estratégia que é a busca vantagens competitivas por parte das empresas. 24 A quantificação do componente estrutural, em termos de medidas sintéticas, ainda encontra ampla utilização em Economia Industrial. As medidas de concentração pretendem captar de que forma as empresas apresentam um comportamento dominante em determinado mercado, em geral, associado à uma participação de mercado (market-share). Nesse sentido, medidas de concentração são úteis para indicar preliminarmente os setores para os quais se espera que o poder de mercado seja significativo. No entanto, segundo Boff e Resende (2002, p.73) existem pelo menos três razões para que esses indicadores, construídos a partir de participações de mercado não sejam completos nesse tocante: § Se a entrada em um mercado for fácil, nenhuma empresa poderá exercer poder de mercado, não importando o quão ampla seja sua participação atual. § Uma empresa pode ter grande participação no mercado devido a custos inferiores ou a melhor qualidade de seus produtos, não necessariamente associando essa vantagem ao poder de mercado. § O cálculo de medidas de concentração normalmente ignora produtos substitutos, ou seja, pressupõe a delimitação de mercado. Do ponto de vista regulatório, poder econômico está diretamente associado à capacidade de aumentar preços sem atrair novos competidores e obter lucro acima do normal. A Lei Brasileira (Lei 8884, art.20 §3 e §4) utiliza o termo posição dominante para designar o mesmo conceito que poder de mercado. Nesse caso, posição dominante equivale a ter parcela fundamental (20% ou mais) de um mercado relevante, apesar de não haver correlação perfeita entre concentração industrial e poder de mercado. 25 Além disso, para Possas (1996), a determinação do poder de mercado esbarra nos conceitos tais como: i) definição do mercado relevante; ii) análise das elasticidades de demanda e oferta; iii) substitubilidade de produtos; iv) oferta potencial e entrantes no mercado; v) a própria delimitação do que é poder de mercado (a aceitação de fatores como qualidade, inovações ou qualidade de produtos como elementos capazes de restringira concorrência). Independente desses fatores acima citados é indispensável, na análise de concentração industrial, que se faça a quantificação da participação no mercado, seja ela calculada em torno de capacidade produtiva, participação da empresa na quantidade vendida, ou do percentual do faturamento da empresa nesse mercado. Por isso é importante entender os indicadores de concentração, bem como suas utilidades e restrições, assuntos que serão apresentados a seguir. 3.1.2.1 MEDIDAS DE CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL Segundo Boff e Resende (2002, p.73), do ponto de vista classificatório, podemos classificar as medidas de concentração como parciais, sumárias, positivas ou normativas. As medidas parciais não utilizam os dados totais das empresas atuantes na industria em questão. O caso mais exemplar desse tipo de medida é a razão de concentração, que será descrita mais à frente. As medidas sumárias requerem dados sobre todas as empresas em operação. Um caso dessa medida é o índice de Herfindahl-Hirschman que será apresentado mais adiante e que é utilizado na análise de equilíbrio competitivo do futebol, conforme consta no Apêndice (Tabela 2) desse trabalho. Por sua vez, as medidas positivas são unicamente função da estrutura aparente de mercado (nível e distribuição das parcelas de mercado) e não dependem de parâmetros comportamentais, sejam eles relativos aos produtores, ou aos consumidores. 26 Por fim, as medidas normativas são aquelas que levam em conta, além dos parâmetros estruturais, os parâmetros comportamentais (Elasticidades, variações conjunturais e coeficientes de aversão à incerteza). As principais medidas de concentração descritas na literatura são: i) CRk (razões de concentração); ii) HHI (Índice de Herfindahl- Hirschman); iii) E (Índice de Entropia de Theil); iv) Critério de Lorenz.; v) RI (Índice de Rosenbluth); vi) CCI (Comprehensive Industrial Concentration); vii) HKI (Hannah and Kay Index); viii) HTI (Hall- Tiedman). Estes índices são descritos em Boff e Resende (2002); Araújo, Neto & Ponce (2005); Bikker e Haaf (2000 & 2002); (Possas et al, 1997); dentre os diversos casos aplicados na regulação anti-truste, em especial o HHI utilizado pelo Federal Trade Comission e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para julgar fusões e aquisições (SHY, 1995). Além dos trabalhos listados, cabe ressaltar os que constam também no apêndice (tabela B) desse trabalho, por descrever alguns dos índices em trabalhos para a indústria do futebol e em ligas esportivas de forma geral. Em seqüência serão descritos alguns desses índices listados anteriormente, concentrando-se nos que também fazem parte da literatura de equilíbrio competitivo no futebol, constantes na seção 3.3.3 (Medidas de Equilíbrio Competitivo no Futebol) e que fazem parte da listagem no apêndice (tabela2) desse trabalho: Razões de Concentração; Índice de Herfindahl-Hirschman; Índice de Entropia, Curva de Loren. As outras medidas de concentração, listadas anteriormente, e que não serão descritas no corpo deste trabalho constam no Apêndice (tabela A). 27 Antes de explicar os índices, cabe introduzir algumas notações: Seja Xi (Xi>0) a informação da empresa i (quantidade produzida, por exe mplo) que opera em uma indústria, compreendendo n empresas: i = 1, 2, ..., n. Dessa maneira, a informação agregada disponível para a indústria X pode ser descrita tal como: ? n i=1 Xi e as parcelas de Mercado de cada empresa: si = Xi / X. Normalmente as empresas são classificadas em ordem decrescente, de acordo com sua posição no mercado: X1 > X2 >... >Xn , de modo que a empresa 1 é a maior do mercado (s1 > s2 > ... > sn ) § Razões de Concentração – A razão de concentração de ordem k é um índice positivo que fornece a parcela de mercado das k maiores empresas da indústria (k= 1, 2, 3,..., n). Assim, temos a seguinte fórmula: k CRk = ∑ Si i =1 Quanto maior o índice, maior é o poder de mercado exercido pelas k maiores empresas. Dentre as principais deficiências desse índice (razão de concentração) temos: i) ignora-se a presença das n-k empresas menores da indústria. Assim o índice não terá, por exemplo, nenhuma alteração caso ocorra uma fusão de empresas que façam parte do grupo de empresas n-k. ii) O índice não leva em consideração a participação relativa de cada empresa no grupo das k maiores. Ou seja, Cr(4) de quatro empresas com 25% de participação de mercado cada é igual ao Cr (4) de quatro empresas sendo: duas com 45% cada e as outras duas com 5% cada. Ou seja, fusões entre as empresas constantes em k, também não alterarão o total do índice. 28 § Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) – Este é um índice positivo muito utilizado conforme descrito anteriormente3 . “Desde o início de 1980, a Federal Trade Commission dos Estados Unidos tem definido a utilização do índice HirschmanHerfindahl em substituição ao índice CR(4) para fins de política antitruste” (Boff, H & Resende,H 2002). O índice varia de 1 e 1/n sendo que o limite superior está associado ao caso extremo, o monopólio. O limite inferior do HHI decresce à medida que aumenta o número de empresas. No limite (para n? 8) ele tende para zero. n HHI = ∑ Si 2 i =1 Como podemos ver na fórmula, o índice é a soma das participações de cada empresa elevada ao quadrado, de forma a atribuir peso maior às empresas relativamente maiores. Ainda com relação à utilização do índice na política antitruste, as orientações emitidas em 1992 pelo Federal Trade Commision a respeito de processos de fusões (Merger Guidelines) instituem bandas referenciais com o objetivo de balizar a análise de fusões. Nesse caso, três são as faixas propostas. i) 0= HH = 1000: não existe preocupação quanto à competição na indústria, caso a fusão se concretize; ii) 1000= HH = 1800: existe preocupação quanto à competição se o índice for maior ou igual a 100 pontos, com relação ao índice pré-fusão; iii) HH = 1800: existe preocupação quanto à competição se o aumento do índice for maior ou igual a 50 pontos, com relação à situação inicial (pré-fusão). 3 O índice HHI é mencionado utilizado por órgãos de defesa da concorrência. Nos EUA, por exemplo, o índice é descrito por Shy (1995) e no Brasil em órgãos como o CADE. (Conselho Administrativo de Defesa Econômica – www.cade.gov.br) 29 Nota-se que ao calcular o valor pontencial HHpós , o regulador assume hipóteses simplificadoras; (...); fusão não gera sinergias; fusão não altera posições de mercado das empresas não participantes; (...) Apesar destas limitações, as faixas propostas no Mergers Guidelines fornecem critérios diretores muito úteis para uma análise preliminar; (...) Seu emprego não dispensa, todavia, detalhamentos posteriores”. (BOFF E RESENDE, 2002) § Índice de Entropia – Este índice foi proposto por Theil (1967) no contexto da Teoria da Informação e que teve sua aplicação em economia industrial. A explicação desse índice também pode ser encontrada em Braga e Mascolo (1982) e (Boff e Resende, 2002). Seja A um evento genérico e p sua probabilidade de ocorrência. A uma mensagem confirmando a ocorrência de A vem associado o que chamamos de grau de surpresa, o qual varia inversamente à p. O conteúdo informacional da mensagem, notado h, é considerado como uma função crescente e derivável do grau de surpresa associado à ocorrência de A, de modo que podemos expressá- lo como função decrescente de p, a probabilidade do evento relatado na mensagem h(p), com h’<0. Segundo Theil, com a utilização de logaritmo: h(p) = ln (1/p) = -ln(p). O argumento anterior pode ser estendido para o caso de n eventos (A1 , A2 , ..., An ), com probabilidades (p1 , p2 , ..., pn ). Essas probabilidades somam 1 se pelo menos um desses eventos certamente ocorrer. Pode-se calcular o conteúdo informacional esperado da mensagem relatando a ocorrência de um desses eventos tomando-se a esperança matemática de h(p) com relação à distribuição de probabilidade p1 , p2 , ..., pn : n E (h) = ∑ pi .h( pi ) i =1 Assim fica definido como Índice de Entropia, notado ET, usando a especificação de Theil para o conteúdo informacional: 30 n ET = ∑ pi . ln(1 / pi ) i =1 Este índice pode ser interpretado como uma medida inversa de concentração. Braga e Mascolo (1982) particularizam a interpretação para o contexto de Economia Industrial substituindo pi pela parcela de mercado si da firma i. Reescrevendo a formula para si temos: n ET = −∑ si . ln( si ) i =1 Dessa forma, dada a ocorrência de uma venda no mercado industrial, a probabilidade que esta venda tenha sido efetuada pela empresa i é si, e a contribuição desta para o conteúdo informacional presente na mensagem é “–si ln(si)”, de modo que o índice ET estará indicando o conteúdo informacional esperado da ocorrência, calculado sobre todas as empresas da indústrias. Assim, o limite inferior do índice é igual a zero, para o caso de 1 produtor somente, ou seja, o monopólio. § Curva de Lorenz - A curva de Lorenz é obtida quando se mede ao longo do eixo vertical a fração acumulada da participação das empresas no mercado e, no eixo horizontal, a fração acumulada que elas representam no total de empresas existentes. Caso a participação nas vendas fosse a mesma para todas as empresas, a cada fração X acumulada do número de empresas (i = 1,2, ..., n), corresponderia uma fração idêntica Y no total de vendas (i = 1, 2, ..., n), de tal forma que a representação gráfica seria uma reta com inclinação de 45o . Essa situação poderia ser representada pelo segmento 31 de reta AC na Figura 1, chamada de linha de perfeita igualdade ou reta de equidistribuição. No caso extremo, em que toda a venda estivesse concentrada apenas em uma empresa, teríamos a chamada linha de perfeita desigualdade, representada na Figura 1 pela linha ABC. Em estudos de concentração de mercados, a distribuição normalmente tende a localizar-se entre estes dois extremos, como por exemplo, a linha AEDC na Figura 3. Neste caso, o nível de desigualdade da distribuição pode ser medido pela área compreendida entre a reta de perfeita distribuição AC, e a linha de desigualdade AEDC, medida pela chamada Curva de Lorenz. Figura 1 – A Curva de Lorenz As medidas de concentração descritas acima são na verdade um meio para que se identifique determinada concentração industrial, ou como se trabalha na literatura de economia industrial 32 e no meio da regulação, “posição dominante”, seja ela em torno de quantidade física de produtos, de faturamento, ou mesmo de capacidade produtiva. No entanto, elas nada dizem sobre como as empresas chegaram a essa posição. Cabe ressaltar que as empresas buscam constantemente se diferenciar através da busca de estratégias inovadoras, pesquisa e desenvolvimento, melhores performances de controle, bem como diferentes modelos gerenciais. Essa busca é tratada na literatura da administração como busca de vantagens competitivas e sustentabilidade dessas vantagens. Na literatura econômica, conforme visto anteriormente, o tema parece ter associação à competitividade na concepção schumpeteriana em torno do papel da firma de buscar inovações4 , aliado à endogeneidade, que dá relevância às condutas das empresas. Os temas sobre vantagens competitivas e como as empresas fazem para sustenta-las serão descritos em seguida, de forma a se entender como as empresas buscam se diferenciar, e de certo modo, como as empresas atingem determinada posição no mercado em relação aos concorrentes. 3.1.3 VANTAGENS COMPETITIVAS Segundo Teixeira & Guerra (2003), o conceito de competitividade deixa de ser apenas microeconômico e ganha dimensão mais ampla: incorpora as possibilidades de interação entre empresas, setores e industrias. Essa noção de competitividade origina-se da literatura utilizada nas escolas de administração Lall (2001, p.1.503), formando a base para análises sobre estratégias empresariais. “Firmas competem por mercados e recursos, medem competitividade 4 O estudo das estratégias de inovação é um tema relativamente recente na literatura sobre Economia Industrial. A principal corrente teórica que aborda o assunto é a institucionalista-schumpeteriana. Ver Hasenclever, L e Tigre, P (2002) 33 através de participações relativas nos mercados/e ou lucratividade, e usam estratégias competitivas para melhorar seu desempenho”. Nesse sentido, Porter (1989, p.24) complementa sobre o teste prático de sua teoria: “tenha sentido tanto para os administradores como para os elaboradores de políticas econômicas”. Na luta por participação de mercado, a competição não se manifesta apenas através dos demais concorrentes: os clientes, os fornecedores, os novos entrantes em potencial e os produtos substitutos são todos os competidores que podem ser mais ou menos proeminentes ou ativos, dependendo do setor industrial. (PORTER, 1998, p.11). Ou seja, para Porter, o estado de competição industrial depende de cinco forças e o objetivo estratégico da empresa é encontrar uma posição no setor onde ela possa melhor se defender delas ou influenciá- las a seu favor. Assim, a discussão em torno da busca de vantagens competitivas está relacionada à concepção de estratégia, que será definida a seguir. 3.1.3.1 DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIA Políticas, objetivos, metas, táticas e programas. Todos esses podem ser conceitos associados à estratégia organizacional que parece não ter uma definição consensual, apesar de ser assim definidas por Mintzberg e Quinn (1995): “o padrão ou plano que integra as principais metas, políticas, e seqüências de ação de uma organização em um todo coerente”. Para Quinn (1991) as principais dimensões de uma estratégia são: i) conter os mais importantes objetivos, as mais significantes políticas e ações a serem executadas; ii) ser concebida através de um conjunto de conceitos e forças que lhe dêem coesão, equilíbrio e foco; iii) lidar com imprevistos e com o desconhecido; iv) possuir hierarquia (em caso de 34 organizações complexas); Ainda segundo o autor, uma estratégia para ser eficaz deve apresentar as seguintes características: i) apresentar objetivos claros; ii) promover a iniciativa, preservando liberdade de ação e aumentando o comprometimento; iii) prover flexibilidade; iv) coordenar liderança; surpreender competidores; v) prover segurança para a base de recursos do negócio. Segundo Mintzberg (1987), existem cinco definições diferentes encontradas na literatura para o conceito de estratégia: i) plano de ação (plan); ii) manobra (play); iii) padrão (pattern); iv) posicionamento (position); v) perspectiva (perspective). Estas definições são conhecidas como o modelo dos 5P´s, no qual o autor resume da seguinte maneira: estratégia como plano ou manobra envolveria uma intencionalidade, já a estratégia como padrão ou posicionamento pode ser não intencional. Outra abordagem encontrada na literatura encontra-se em Boaventura e Fischmann (2003), na qual as definições de estratégias permitem uma classificação em quatro grandes grupos: i) Estratégias por Objetivos; ii) Estratégia pela Vantagem Competitiva; iii) Estratégia pela Competência Essencial; iv) Estratégia pela Interação com Competidores. Os principais autores de cada um dos grupos desta classificação estão resumidos na tabela 3, no apêndice desse trabalho. Ainda segundo Boaventura e Fischmann (2003) a estratégia empresarial está dividida em: i) Estratégia Corporativa; ii) Estratégia de Negócios; iii) Estratégia Funcional ou Operacional. § Estratégia Coporativa – Estratégia citada e defendida por autores como Hofer e Schendel (1978:27); Lorange e Vancil (1977;12) e constante na definição de Porter in Montgomery e Porter (1998:237), na qual estratégia corporativa é o plano geral de uma empresa diversificada. Christensen in Fahey e Randall (1999:67) dividem a 35 estratégia corporativa em três questões: i) o escopo corporativo; ii) relacionamento entre as unidades de negócios; métodos para gestão do escopo e do relacionamento. § Estratégia de Negócios – Handerson (1979:12) explica que a estratégia de negócio se preocupa com preços e custos, ao contrário da estratégia corporativa que está focada em aquisições, estilo organizacional e finanças. Para o autor a estratégia de negócios deve: i) definir a área de negócio; ii) ident ificar os concorrentes mais importantes; iii) identificar diferenças entre a empresa e os concorrentes; iv) projetar mudanças no ambiente que afetarão a concorrência; v) identificar os objetivos da empresa e as diferenças comparando com os dos concorrentes. § Estratégia Funcional – Está ligada à forma em que os componentes da organização (pessoal, recursos e processos) contribuem para acertar as diretrizes das estratégias da unidade de negócios e corporativa (JOHNSON e SCHOLES, 1999:13). Por fim, quanto as escolas de estratégias, cabe ressaltar a classificação de Mintzberg (1999) em dez escolas: i) Design School; ii) Planning School; iii) Positioning School; iv) Entrepreneurial School; v) Cognitive School; vi) Learning School; vii) Power School; (viii) Cultural School; ix) Environmental School; x) Configuration School. 3.1.3.2 ESTRATÉGIA E VANTAGEM COMPETITIVA A discussão sobre competitividade das empresas tem sido enriquecida nos últimos anos com novas abordagens, sendo a clássica a "análise da indústria" ou do "posicionamento estratégico" (PORTER, 1980, 1996). Esta abordagem prioriza a análise dos mercados e da competição, bem como o entendimento da posição relativa de cada empresa em seu segmento produtivo. Esses são os principais elementos no processo de formulação da estratégia, que 36 deve ser resultante da identificação de tendências e de oportunidades. Nesse sentido, ela é considerada uma abordagem "de fora para dentro".(FLEURY e FLEURY, 2003) A teoria das cinco forças de Porter foi ampliada pelo próprio autor com o conceito de cadeia de valor e sistema de valor, reconhecendo "as atividades da empresa" como base da vantagem competitiva. As escolhas de posicionamento determinam não somente quais atividades a empresa desempenhará e como essas atividades serão configuradas, mas também como essas atividades estarão relacionadas entre si. (PORTER, 1996). Com o tempo, as críticas à análise do posicionamento estratégico foram crescendo. A maior delas diz respeito a sua natureza estritamente estática. D'Aveni (1995) e Day e Reibstein (1998), argumentam que "(...) estratégia é crescentemente dinâmica e complexa". Usando as metáforas da imitação e da erosão das vantagens competitivas no tempo, os autores advertem que "não é mais possível esperar pelo competidor para agir ou reagir". Uma outra abordagem está construída a partir da "visão da empresa baseada em recursos"Resources Based View of the Firm - Fleury e Fleury (2003). Essa abordagem amplia o quadro de referência dos tomadores de decisão considerando que toda empresa possui um portfolio de recursos: físicos, financeiros, intangíveis, organizacionais e humanos. A partir desse portfolio, a empresa pode criar vantagens competitivas. Essa abordagem tem como alguns defensores: Prahalad e Hamel (1990) e Krogh e Ross (1995). Para estes autores, as estratégias competitivas são definidas a partir da compreensão das possibilidades estratégicas passíveis de serem operacionalizadas e sustentadas por tais recursos. Ou seja, uma abordagem "de dentro para fora". 37 Assim, a diferenciação estaria pautada pelos recursos da empresa consubstanciados em competências e capacitações. Outra premissa básica da VBR é de que as firmas diferem de forma fundamental em seus modos de operar porque cada uma delas possuirá um agrupamento singular de recursos – seus ativos, competências e capacitações específicas. A crítica ao modelo é feita pelo próprio Porter (1996): "Em empresas competitivas pode ser enganoso explicar o sucesso a partir da identificação de seus pontos fortes, competências essenciais ou recursos críticos”. As abordagens acima descritas acompanham o que Hitt (2003, p.21) chama de dois modelos utilizados pelas empresas para gerar as informações, formular estratégias e preservar flexibilidade durante o processo: i) O Modelo I/O – Organização Industrial; ii) Modelo Baseado nos Recursos. § Modelo I/O – Esse é um modelo que busca explicar a influência do ambiente externo sobre as ações estratégicas de uma empresa, ou seja, o setor no qual uma empresa atua exerce maior influencia do que as decisões internas dos gestores. As suposições inerentes estão baseadas nas características do setor, como economias de escala, barreiras à entrada, diversificação e grau de concentração de empresas. Além disso, supõe-se que: i) o ambiente externo impõe limitações que determinam as estratégias; ii) que quase todas as empresas do setor utilizam recursos semelhantes; iii) que esses recursos são móveis de empresas para empresas. § Modelo Baseado em Recursos – Toda organização é um conjunto de recursos e capacidades únicos de tal forma que as diferenças de desempenho são muito mais conseqüência do conjunto único de recursos e capacidade da empresa do que pela característica estrutural do setor. Nesse caso, recursos são os inputs ao processo de produção da empresa, e capacidade é a condição que um conjunto de recursos tem de gerar desempenho. 38 Outra perspectiva sobre o assunto consta em Fleury & Fleury (2003), dividindo o conceito de estratégia em três categorias: Excelência Operacional, Inovação em Produto e Relação com o Cliente. Essa tipologia, fortemente baseada em Treacy e Wiersema (1995) e em Porter (1996) está descrita seguir e leva os autores a concluir que uma empresa, para ser competitiva, precisa realmente compreender como se articulam competência essencial e estratégia empresarial. § Estratégia de Excelência Operacional – É aplicada pelas empresas que competem em mercados nos quais a relação qualidade/preço é a maior determinante da competitividade de produtos ou serviços § Estratégia de Inovação em Produto – As companhias competem continuamente, investindo para criar conceitos de produto radicalmente novos para clientes e segmentos de mercado definidos. A função crítica é Pesquisa - Desenvolvimento Engenharia (P&D&E). § Estratégia Orientada para Cliente – As empresas que adotam essa estratégia são voltadas para as necessidades de clientes específicos e procuram se especializar no desenvolvimento de produtos, sistemas e soluções que atendam a suas demandas atuais e futuras. Para isso, tais companhias priorizam o desenvo lvimento do conhecimento sobre cada cliente e seu negócio: Vendas & Marketing tornam-se funções críticas, impulsionando os esforços de Pesquisa & Desenvolvimento, Engenharia e também de Operações. Por fim, cabe ressaltar que a busca por melhores resultados, associada à estratégia da empresa – seja ela em qualquer uma das definições constantes na literatura – não pode se exaurir na conquista momentânea ou pontual, mas sim na tentativa de manutenção no longo prazo desse resultado. Esse assunto terá breve tratamento na próxima seção. 39 3.1.3.3 SUSTENTANDO UMA VANTAGEM COMPETITIVA “Se um homem... fizer uma ratoeira melhor que a de seu vizinho, mesmo que ele tenha construído sua casa na floresta, o mundo fará uma trilha de terra batida até a sua porta’. Estas palavras atribuídas a Ralph Waldo Emerson - em uma de suas conferências no século XIX parecem conter uma antevisão dos grandes chamamentos que surgiram no século seguinte: gerencie no sentido da singularidade, desenvolva uma competência que o distinga, crie uma vantagem competitiva” (GHEMAWAT, 1998, p.29) A discussão em torno da sustentabilidade da vantagem competitiva inclui a possibilidade dos rivais imitarem ou até mesmo melhorarem uma invenção. As empresas sabem que para obter melhor desempenho, é preciso vencer a concorrência, mas o problema é que os concorrentes também sabem disso. Uma vantagem sustentável é alcançada quando a empresa é bem-sucedida na implementação de uma estratégia que gere valor que outras empresas não conseguem reproduzir ou acreditam que seja muito dispendioso sustentá-la (...) para que a empresa consiga obter retornos superiores à média é necessário o entendimento de como explorar a própria vantagem competitiva (HITT, 2003, p.5). No entanto, para Proença (1999), os frameworks não dão resposta às questões mais cruciais para o tomador de decisão: por que certas firmas foram capazes de construir posições de vantagem e sustentá- las, ou falharam nessa tentativa? O autor comenta que, "na visão jocosa dos profissionais da área, trata-se de um excelente método para saber por que os outros estão, neste momento, se dando bem e você não". Corroborando, ainda segundo Ghemawat, (1998, p.29) três pontos marcantes parecem impor um impasse: 40 § Inovação de produto – na média, uma imitação custa um terço menos do que custa partir para uma inovação e é um terço mais rápido para ser implementada; § Produção – Novos Processos são mais difíceis de proteger que novos produtos; § Marketing – a utilização de instrumentos extra-preços é uma técnica de grande potência, mas muitas vezes as reações dos concorrentes, no marketing mix anulam essas ações. Por fim, ainda segundo Ghemawat (1998), as vantagens sustentáveis estão incluídas em três categorias: i) porte no mercado-alvo; ii) acesso superior a recursos ou clientes e; iii) restrições à opção dos concorrentes. § Benefícios do Porte – As vantagens de porte existem porque os mercados são finitos. Porém o porte só se torna uma vantagem competitiva se existirem fatores econômicos competindo á larga escala, tais como: i) economias de escala; ii) efeitos da experiência; iii) economias de escala. § Acesso Superior a Recursos ou Clientes – O acesso a recursos ou clientes pode fornecer vantagem não necessariamente associada ao porte da empresa. Esse acesso conduzirá a vantagem competitiva em duas condições: i) se for garantido por melhores termos do que competidores conseguirão no futuro; ii) essa vantagem deve ser imposta no longo prazo. Entretanto o risco está em se estabelecer amarras a um negócio com termos piores do que os rivais terão. Essas vantagens estão associadas a acesso à informação (know-how), acesso a insumos e acesso preferencial a mercados. § Restrições às Opções dos Concorrentes – As opções dos concorrentes podem diferir da opção da empresa em questão. Os rivais podem ficar paralisados nas posições em que se encontram por: i) políticas governamentais – leis de patentes, leis antitruste, concessões e etc. Ou seja, a empresa deve saber como ficar do lado certo da política governamental; ii) defesa – negócios podem se sustentar se os concorrentes estiverem 41 restritos por investimentos feitos no passado; iii) atrasos de resposta – alterações de preço podem sofrer respostas dos concorrentes em semanas ou dias, mas alterações em P&D, ou o ganho de economias de escopo, podem levar mais de uma década para a concorrência se equiparar. Sendo assim, esses fatores acima descritos devem interagir com a formulação estratégica de forma a criar uma sustentabilidade das vantagens competitivas no que o próprio Ghemawat (1998, p.40) define como: “escolher a ênfase relativa que vai imprimir a duas coisas: comprometimento para competir de uma certa maneira e reter a flexibilidade para competir com eficácia de outras maneiras”. 3.2 FUTEBOL COMO INDÚSTRIA – CONTEXTUALIZAÇÃO Após a discussão apresentada sobre competitividade, concentração industrial e vantagens competitivas, torna-se importante contextualizar a indústria do futebol para posteriormente agregar a discussão em torno do equilíbrio competitivo, via medidas de concentração industrial. Assim, essa seção 3,2 tem como objetivo contextualizar a industria do futebol, dividindo em três partes: § A indústria do Futebol; § O futebol Europeu e os grandes centros (g-5); § O futebol Brasileiro; 42 Após endereçarmos a discussão pelos assuntos acima descritos, será possível agrega- los à literatura de competitividade e medidas de concentração, descritos anteriormente na seção 3.1. A combinação desses temas será apresentada na seção 3.3 (Equilíbrio Competitivo no Futebol). 3.2.1 A INDUSTRIA DO FUTEBOL O esporte mundial tem sido encarado como uma indústria crescente que movimenta cerca de US$ 1 trilhão por ano. Nessa indústria, o futebol gira aproximadamente US$ 250 bilhões anuais sendo o Brasil responsável por cerca de 1% desse valor. Boa parte das pesquisas recentes sobre a economia dos esportes encontra-se resumida em Tollison (2002) e Scully (2002). Uma das maneiras de se entender a indústria do futebol está na tipologia proposta na figura 2, baseada em Westerbeek e Smith (2003, p.89). Esta figura sugere que a industria esportiva esteja dividida em três principais segmentos, tal qual descrito em Ducrey et al. (2003): § Mercadorias – Empresas que produzem equipamentos, materiais esportivos, produtos licenciados. Exemplos de empresas: Nike, Adidas e Reebok. § Consultoria – Empresas que prestam serviços em consultoria, administração, medicina esportiva dentre outras. Exemplos de Empresas: IMG e Octagon. § Serviços Esportivos – Organizações que oferecem o esporte como seu produto final. Esse segmento pode ser dividido em três categorias: 43 o Espetáculo – Organizações que geram receitas direta,ou indiretamente provenientes dos espectadores. Nessa categoria os atletas são profissionais e exemplos de participantes são clubes e Ligas Esportivas. o Participantes – Entidades que provém oportunidades para as pessoas se engajarem em atividades esportivas, em uma base não profissional, como clubes amadores, escolas de ginástica e comunidades esportivas. o Híbrido – Organizações oferecem um mix das categorias acima descritas: espetáculo e participantes. Exemplos desse caso são órgãos governamentais que desenvolvem participação em massa e promovem atletas que podem se destacar em nível de elite. Figura 2 – A estrutura da Industria do Futebol: (WESTERBEEK e SMITH, 2003) Tabela adaptada pelo autor. Outra visão sobre industria futebolística consta em Leoncini (2001) e é baseada em Aidar et al. (2000), dividindo a estrutura do futebol da seguinte maneira: i) Mercado Produtor; ii) 44 Mercado Consumidor; iii) Mercado Intermediador (Revenda e Industrial). Essa perspectiva consta na figura 3 a seguir. Figura 3: Estrutura do Futebol em Mercados. (AIDAR, 2000) Nesta visão de Aidar et al (2000), os torcedores são o mercado consumidor que têm relação comercial via bilheteria ou merchandising diretamente com o Mercado Produtor, representado pelos clubes de futebol. Esse mercado consumidor também consome do Mercado Intermediário de Revenda (tv e empresas licenciadas) e do Mercado Intermediador Industrial (Empresas de Marketing Esportivo). Por fim, o Mercado Intermediário de Revenda e o Mercado Intermediador Industrial interagem com o Mercado Produtor, via operações de venda de direitos de transmissão e operações de serviços de marketing, respectivamente. A organização do mercado produtor respeita uma hierarquia mundial na qual a FIFA (Fédération Internationale de Football Association, ou Federação Internacional das Associações de Futebol) é a entidade máxima do esporte. Abaixo dela existem as confederações responsáveis pelo futebol nos seus continentes, como é o caso da CONMEBOL 45 (Confederacion Sudamericana de Futbol, ou Confederação Sul-Americana de Futebol) e da UEFA (Union of European Federal Associantions ou União das Associações Européias de Futebol). Na continuação desta hierarquia existem as federações ou confederações nacionais, como a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), as ligas esportivas e federações estaduais, como é o caso da FERJ (Federação Estadual do Rio de Janeiro) e por fim os clubes. Figura 4: Cadeia Produtiva e Clientes da Indústria: (LEONCINI, 2001) Na Inglaterra existe também uma tentativa de classificação do mercado consumidor, o torcedor do futebol, em: i) torcedores virtuais (que não vão ao estádio); ii) torcedores locais, que assistem partidas ao vivo em sua região; iii)torcedores followers, que acompanham o clube em outras regiões; iv) Family Suporters, que vão ao estádio com mais um membro da família; e v) Corporate Suportes, aqueles que vão ao estádio e requerem tratamento especial em camarotes e áreas vips. (LEONCINI, 2001). 46 Uma das peculiaridades desse consumidor final do futebol é a de que, diferente de mercados comuns, seu relacionamento com o seu clube é duradouro apesar do serviço oferecido não ser dos melhores, como, por exemplo, a falta de títulos, desconforto e insegurança nos estádios. Avaliada por Taylor (1998) essa é uma relação emocional que é convertida em relação comercial e uma comprovação está descrita em um dos cases mais conhecidos do futebol, o clube Manchester United, que, por ter uma reputação superior aos outros clubes ingleses, mantinha uma liderança no ranking de média de público em seus jogos, mesmo sem conquistar títulos (Szymansky, 1995). No Brasil, clubes conseguem estreitar sua relação com a torcida, mesmo sendo rebaixados para a segunda divisão, como o Botafogo – Rj e até mesmo para a terceira divisão nacional, como o Fluminense – RJ. Este relacionamento entre cliente e clube sugere que a demanda do futebol é inelástica em relação ao preço (Szymansky; Kuypers 1999). Entretanto, no Brasil, esta inelasticidade parece ser discutível, à medida que os clubes não conseguem maior arrecadação nos estádios com o aumento de preço. Um fator que pode contribuir com essa inelasticidade é que o futebol concorre dentro da indústria do entretenimento, com outras alternativas para a sociedade (cinema, teatro, shows, outros esportes) e a sociedade brasileira tem mostrado sua insatisfação com o nível de serviço oferecido nos eventos esportivos. Esse fato que aponta um erro estratégico na conduta do negócio.: Muitos gerentes se concentram tão unicamente em seus antagonistas diretos na luta por participação do mercado, que deixam de perceber que eles estão também competindo com seus clientes e fornecedores por poder de barganha. Enquanto isso eles também negligenciam a atenção para com os novos entrantes ou deixam de reconhecer a sutil ameaça de produtos substitutos. (PORTER 1998, p.26). Ainda quanto aos clientes finais, segundo Ducrey et al. (2003) os fatores mais importantes para o torcedor são: 47 § Qualidade do Jogo – Lida com aspectos de espetáculo, entretenimento, prazer de assistir aos jogos e qualidade dos times visitantes. § Incerteza ou imprevisibilidade do resultado (da partida, ou do campeonato) – Sobre a incerteza de uma partida, geralmente quanto mais apertado for o resultado esperado de uma partida, maior a atratividade para o torcedor. Quanto ao resultado de um campeonato, existe um entendimento de que a média de publico é influenciada pela disputa e quanto maior o equilíbrio competitivo, mais times tem chances de chegar ao título. Em conseqüência, existe maior utilidade no consumo dos torcedores em resposta a disputa acirrada, gerando crescimento das atividades comerciais relacionadas ao campeonato e aos clubes. § Sucesso do time desse torcedor – Existe um nível de satis fação dos torcedores que é atingido com a boa performance do time. Times que constantemente perdem tem menos atratividade ao publico. Uma outra perspectiva sobre a estrutura do futebol mostra que a performance de um clube pode ser entendida pela caracterís tica da indústria (estrutura e comportamento) e pela estratégia desse clube (LEONCINI, 2001). Essa análise foi feita por Szymansky e Kuypers (1999) identificando fatores críticos que poderiam explicar a lógica do negócio futebol: i) Performance Esportiva – Desempenho do time no campeonato; ii) Lucro Operacional – Diferença entre receitas geradas pelo clube e suas despesas totais, antes do Imposto de Renda; iii) Gasto com Salários – Gastos com salários, principalmente com o departamento técnico (jogadores, treinadores, preparadores, etc.); iv) Resultado de Transferência de jogadores – resultado financeiro da exploração do mercado de jogadores. Apesar de não se ter uma relação comprovada entre performance no campo e performance financeira, estes fatores estariam na verdade formando a base para duas relações estudadas na 48 definição de um escopo de gestão estratégica de um clube de futebol: i) gasto com salário x performance em campo; ii) performance em campo x receitas geradas (Leoncini, 2001). Segundo Dell’Osso e Symanski (1991), é possível atribuir ao gasto com salários uma relação direta com desempenho em campo. Porém, o gasto com altos salários é também uma ameaça ao equilíbrio financeiro dos clubes, o que torna essa equação mais difícil de ser solucionada. Um agravante, é que um clube pode investir em grandes jogadores para um desempenho de curto prazo, ganhe títulos e mesmo assim tenha prejuízo no final do período. Na Europa, especificamente no futebol inglês, a preocupação quanto a essa ameaça dos altos salários é visível nos relatórios de administração dos clubes, como é o caso do relatório anual de 2003 do Liverpool5 : “Na nossa visão, o clube continua a exercer controle cuidadoso sobre os custos relacionados aos salários dos jogadores”. Por fim, é possível analisar a indústria do futebol via suas fontes de receita, conforme consta em Leoncini (2001) na qual os relacionamentos comerciais mais comuns para as ligas e clubes italianos/ingleses podem ser classificados em torno dos tipos de receita: i) relacioname nto com a TV (direitos de transmissão); ii) relacionamento com o principal patrocinador; iii) relacionamento com Loterias; iv) relacionamento com o cliente torcedor (bilheteria/merchandising); v) relacionamento com o patrocinador técnico; vi) relacionamento com empresas produtoras de bens (exploração de marca via licenciamento/ placas de publicidade); vii) relacionamento com outros clubes /federações (negociações de jogadores) Este trabalho utilizará a classificação das fontes de receita que consta nos relatórios dos clubes mais ricos do mundo em termos de receita da DELOITTE & TOUCHE: i) Comercial, dividido em a) Merchandising e Licenciamento; b) Patrocínio e Fornecimento de Material 5 Tradução realizada pelo Autor. 49 Esportivo; ii) Bilheteria; iii) Mídia. A análise comparativa entre as fontes de receita dos clubes europeus com os clubes brasileiros constará na seção 3.2.4, sobre o futebol brasileiro. 3.2.2 O FUTEBOL EUROPEU E O GRANDES CENTROS (G-5) Futebol é o negócio mais global do mundo em uma época da globalização e do triunfo do lazer. Qual outro bem foi comprado por mais de três bilhões de consumidores. Nem mesmo a Coca-Cola 6 . (Sergio Cragnotti, em Boniface, 2000 e Ducrey, 2003) Nas décadas de 60, 70, e 80 o futebol europeu era considerado amador e tinha como principal fonte de receita as bilheterias (Lam, 2006). A Transformação do futebol aconteceu a partir dos anos 90, com a desestatização de meios de comunicação e uma participação maior da mídia no modelo de negócio do futebol. Não só a mídia passou a ser grande responsável por receitas dos clubes, através do pagamento dos direitos de transmissão, como também passou a ser parte integrante do capital social de alguns clubes, como o Milan (Mediset) e Paris Saint Germain (Canal Plus). Segundo a DELOITTE & TOUCHE (2005), com dados da temporada 2004, o item mídia já representava entre 40% e até 54% das fontes de receita dos clubes europeus, conforme a figura 5 que segue. 6 Trecho traduzido pelo Autor 50 Figura 5 – Fontes de Receita dos Clubes Europeus (DUCREY, 2003) Para Eke lund (1998) a e vo lução do s iste ma inglês do mode lo de rece ita é um ind icador da evo lução do co ns umo na ind ús tr ia do futebo l pro fis s io na l. O autor propõ e a se guinte d ivisão : § Até a década de 50 (A Era do Estádio), onde o principal do negócio era a relação clube – torcedor e ela se dava em torno das entradas nos estádios; § Entre as décadas de 50 – 70 (A Era da TV Comercial Tradicional), quando as televisões gratuitamente transmitiam os jogos e originando os patrocinadores; § Década de 80 (A Era dos Patrocinadores), os patrocinadores passaram a se interessar pelo futebol pela visibilidade proporcionada pelo aumento da audiência; § Após a década de 80 (A era da Nova Mídia), quando a televisão e a internet passaram a ser grandes consumidores (intermediários), pagando pelos direitos de transmissão e objetivam o retorno financeiro. 51 Em 2004, os cinco maiores mercados europeus de futebol (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) arrecadaram 53% dos US$ 13,9 bilhões totais do futebol europeu, somando a quantia de US$ 6,9 bilhões; grande parte desse montante, cerca de 60% é utilizada para pagamento de salários 7 . (LAM, 2006). A globalização tem trazido tendências no esporte e aumentado sua visibilidade, bem como o interesse comercial. Hoje, as televisões e grandes corporações financiam o esporte, que tem como escopo de competição um ambiente não mais regional, e sim global. (Ducrey, 2005) Além disso, o progresso esportivo passou a ser cientificamente estudado e dentre essas tendências esportivas se destacam: § Aumento de envolvimento de empresas globais de telecomunicações; § Uso de mão-de-obra (divisão de trabalho internacional) para produzir matérias esportivos; § Organizações esportivas vendendo direitos de transmissão e patrocínios para empresas globais; § Promoção de times e seleções nacionais no cenário externo (ex: seleção brasileira); § Aumento de empresas de consultoria e administração esportiva; § Aumento de atletas estrangeiros nos clubes; § Profissionalização de esportes amadores. Uma maneira de se entender a indústria de futebol, em especial no caso europeu, é analisar o quadro de stakeholder, que será mostrado a seguir (figura 6), e com tabela descrita no apêndice desse trabalho. 7 Esse assunto será tratado na seca de Globalização como uma crise do futebol moderno. 52 Figura 6 – Stakeholders do Futebol Europeu. (DUCREY , 2003) A descrição dos principais interesses dos stakeholders demonstrados na figura 6 será feita na tabela 4 do apêndice deste trabalho. Conforme demonstrado na tabela 4, a FIFA é o organismo supremo desse esporte, sendo a UEFA a detentora do monopólio da organização do jogo na Europa, dando elegibilidade aos jogadores e clubes. Isso significa que existe uma relação entre os campeonatos nacionais europeus e as competições européias, como por exemplo, a UEFA Champions League. Os participantes das competições européias são classificados de acordo com as colocações nos campeonatos nacionais e recebem uma quantia significativamente alta por essa classificação. Este é inclusive um dos motivos para que haja cada vez mais um gap entre os clubes nacionais, devido à injeção maior de receitas oriundas dessas competições. Vale ressaltar que a União Européia tem interesse direto na manutenção de relacionamentos comerciais dentro industria do futebol, bem como com outras industrias. Além disso, existe uma preocupação com o equilíbrio competitivo dos clubes que formam as ligas nacionais de futebol, assunto esse que está relacionado com o objeto de pesquisa desta dissertação, seja 53 sazonalmente ou no longo prazo. Os resultados das pesquisas já realizadas, como o de Oughton and Michie (2004) mostram que nos cinco maiores mercados europeus, o desequilíbrio competitivo das ligas nacionais está em nível alto, trazendo um sinal de alerta para a industria como um todo. Outro stakeholder importante no cenário é o próprio atleta, jogador de futebol profissional. A estrutura do mercado de trabalho está diretamente associada à performance dos clubes: o acesso aos jogadores, a formação de equipes competitivas e o investimento nas categorias de base. Conforme detalhado nas seções sobre globalização e equilíbrio competitivo no futebol, clubes arcam com despesas altas em salário para contar com os melhores jogadores. Esse fato não só contribui para escalonar despesas em clubes de elite, mas também ajuda a criar um ‘gap’ entre os principais clubes e os de porte médio e pequeno. Ainda quanto ao mercado de trabalho, a Europa foi pioneira em um acontecimento que marcou a legislação trabalhista esportiva em todo mundo, após o caso na justiça do jogador belga Jean-Marc Bosman. O atleta conseguiu os direitos de se transferir sem o consentimento do seu clube, abrindo assim precedente jurídico para a extinção do passe. Esse acontecimento ficou conhecido no ambiente de negócios futebolístico como o “Caso Bosman” e ocorreu em 1996. Antes do “Caso Bosman”, a transferência de um jogador entre dois clubes, mesmo após o término de contrato, requeria uma quantia a ser paga entre o clube que vai permanecer com o jogador para com o clube que cede este jogador. Utilizando a descrição constante na lei brasileira, em setembro de 1976 foi sancionada a Lei 6.354, conhecida como Lei do Passe, que em seu artigo 11 defini que: “entende-se por passe a importância devida por um empregador a outro, pela cessão do atleta durante a vigência do contrato ou, depois de seu 54 término, observadas as normas pertinentes”. Assim, a lei do passe atribuía aos clubes o que hoje é conhecido como “direitos federativos” do jogador. Esta relação entre o profissional e seu empregador fugia aos parâmetros das demais atividades econômicas existentes, se estendendo inclusive após o término do contrato entre as partes. Assim, ter acesso aos grandes jogadores passa a ser uma questão de salário, à medida que os jogadores são “livres” para se transferirem para os clubes que desejam jogar, caso não tenham contrato vigente com nenhum outro. Por outro lado, dois questionamentos podem surgir: i) clubes que investem e são formadores de atletas podem perder o incentivo a investir nas categorias de base, já que fica mais fácil perder esse jogador para um clube que tenha maior poder financeiro; ii) a disputa por jogadores pode ajudar a escalonar despesas com salários. Desses dois questionamentos, o primeiro será mais bem discutido na contextualização do futebol brasileiro, na seção a seguir. Já quanto ao possível aumento de salários, essa já é uma preocupação corrente, conforme consta em Sloan (1997, p.4): “Além do aumento potencial das receitas, os clubes ainda enfrentam a escalada dos custos de salários, como conseqüência do caso Bosman, julgado na Corte Européia em dezembro”. 8 Ainda com relação a esse assunto, na Europa, as receitas vindas de patrocinadores e dos direitos de transmissão fizeram com que no período de 1992 a 2003, o faturamento da primeira liga de futebol inglesa (Premiership) tenha aumentado em torno de 650%. Entretanto, o custo em transações e salários também acompanhou esse crescimento resultando em 550% de acréscimo entre 1994 e 2003 (OUGHTON, 2005). 8 Texto Traduzido pelo Autor. 55 3.2.3 O FUTEBOL BRASILEIRO O esporte como indústria nem sempre apresenta números confiáveis, porém estima-se que essa indústria no Brasil gire em torno de R$ 31 bilhões por ano, o que seria equivalente a 3,3% do PIB brasileiro. Já o futebol no Brasil movimenta responsável cerca de US$ 2,5 bilhões. (LEONCINI, 2005; TOP SPORTS, 2006) Segundo o Ministério dos Esportes em estudo realizado em 1997, cerca de um milhão de empregos podem ser criados em dez anos no Brasil devido à profissionalização do esporte. Estes números mostram que o futebol como negócio representa uma oportunidade de alavancagem sócio-econômica e também, um grande negócio (LEONCINI, 2001). No Brasil, a estrutura do futebol está representada, conforme figura 7 abaixo: Figura 7 – A Estrutura Organizacional do Futebol Brasileiro: . 56 De acordo com o relatório final do Plano de Modernização do Futebol Brasileiro (2000) da Fundação Getúlio Vargas, que inclui os agentes diretos, como clubes e federações, e indiretos, como indústrias de equipamentos esportivos e a mídia, o futebol no Brasil tem efeito multiplicador maior que vários setores tradicionais. Os números são da ordem de trezentos (300) mil empregos diretos; trinta (30) milhões de praticantes (formais e não formais); quinhentos e oitenta (580) mil participantes em treze (13) mil times que participam de jogos organizados (esporte formal); quinhentos e oitenta (580) estádios com capacidade para abrigar mais de cinco e meio (5,5) milhões de torcedores; cerca de quinhentos (500) clubes profissionais disputando uma média de noventa (90) partidas por ano; e em termos de fornecimento anual de materiais e equipamentos esportivos, nove (9) milhões de chuteiras para futebol e futsal, seis (6) milhões de bolas e trinta e dois (32) milhões de camisas. Mesmo com todos esses números o Brasil ainda está longe de aproveitar todo seu potencial. Além dos problemas estruturais da nossa economia e das diferenças de renda per capita entre o Brasil e os principais países europeus que investem no futebol como atividade econômica, ainda faltam instrumentos de gestão profissional e planejamento para as entidades esportivas. Embora não seja consenso que a definição de estratégia determine o sucesso das organizações (medido em forma de lucros), constata-se que uma das peculiaridades do setor esportivo é a de ter baixo índice de formalização do processo estratégico. Em geral, as ações de interação com o ambiente, são desenvolvidas em torno das oportunidades e sem uma orientação definida. (PROHMANN, 2003; ANSOFF, 1977). Entretanto, os resultados obtidos no esporte em outros países como EUA, Inglaterra, Itália, Espanha e Alemanha sugerem que o Brasil está atrasado em sua gestão profissional e poderia fazer melhor. Nos EUA, a NBA (National Basketball Association - Liga de Basquete 57 Americana) e a NFL (National Football League, ou Liga de Futebol Americano), apresentavam respectivamente 11% de crescimento ao ano nos anos 90 e 60.000 pessoas de média de público. Além disso, na Europa, os estádios abrigam em média de 25.000 a 30.000 torcedores por partida, em um crescimento que foi observado por Sloane (1997) resultando em jogos os quais os estádios ficam praticamente lotados. A realidade esportiva brasileira, que tem no futebol a sua principal atividade, é diferente. A atual média de público no campeonato brasileiro não é superior a 12.000 pessoas (SOUZA, 2004; GOLDBLATT, 2002) Ainda que não consensualmente, o custo de captar novos clientes é maior do que o da manutenção dos atuais. Por isso, é importante discutir estratégias que aumentem a satisfação do cliente e contribuam para sua lealdade, (AGUILAR E TEIXEIRA, 2003). Vale lembrar que um relacionamento duradouro com os clientes é a base das fontes de receita das organizações. O atual cenário, pós Lei Pelé, compromete a rentabilidade dos clubes através da negociação da venda de passe de jogadores e cria uma necessidade de se relacionar com os clientes. Essa relação com o cliente, que está diretamente relacionada à capacidade de gerar receitas, pode ser demonstrada através da descrição das fontes de receita dos clubes. § Comercial – Fonte de Receita que pode ser dividida entre: i) Merchandising e Licenciamento e; ii) Patrocínio e Fornecimento de Material Esportivo. o (Merchandising e Licenciamento) – Merchandising é a venda de produtos com a marca dos clubes na qual a utilidade está na satisfação de se usar esta marca. Esta fonte de receita se chama Licenciamento quando não é controlada pelo clube e sim por empresa terceira. No Brasil, uma das grandes ameaças ao licenciamento de produtos está na pirataria. Estima-se que esta represente 12% do faturamento esportivo. Na Europa, por conta da renda disponível do 58 torcedor para itens relacionados ao entretenimento, essa fonte de receita é significativa para os clubes, representando, junto com o patrocínio mais de 25% das receitas em times como Manchester e Liverpool. No caso do São Paulo, este item não passa dos 2%. o (Patrocínio e Fornecimento de Matéria Esportivo) - As empresas patrocinadoras vinculam suas imagens aos clubes por conta do retorno em mídia que esse clube pode fornecer. No Brasil, com o mercado consumidor não tão desenvolvido e a imagem de má gestão associada aos clubes, as empresas patrocinadoras pensam duas vezes ao investir no futebol brasileiro. Enquanto não houver credibilidade, não haverá apoio dos investidores. Na Europa as empresas patrocinadoras vêem os clubes como grandes expositores em mídia. O Liverpool faturou cerca de £15 milhões em patrocínio, em 2003. § Bilheteria - Operação principal do mercado produtor com o mercado consumidor, ou seja, do clube com o consumidor final. A bilheteria tem sua utilidade na satisfação do público que vai ao estádio. No Brasil, o problema dessa fonte de receita é que os clubes reclamam de prejuízos em estádios e jogos de pouco apelo, conforme analisado anteriormente por Brunoro (1997). Além disso, a renda desse torcedor é baixa se comparada a do torcedor inglês. Apesar do estudo de Szymansky e Kuypers (1999) já citado, os clubes brasileiros, salvo em jogos finais ou competições especiais, não conseguem aumentar a receita de bilheteria aumentando o preço, seja por condições sócio-econômicas dos seus torcedores, ou pelo atrativo oferecido no estádio. Por isso, existe a necessidade de se reorganizar os campeonatos para que eles passem a ser mais rentáveis. No caso Europeu, conforme citado, a média atual de público chega a ser duas vezes maior do que a média dos campeonatos brasileiros. Em clubes como o Liverpool e como o Manchester, esta fonte de receita chega a ser em torno de 28%. 59 § Mídia - A televisão, conforme citada anteriormente, representa um grande consumidor intermediário. Porém, no Brasil, dado a posição dominante da emissora de tv, estimase que seu poder de barga nha é bem alto frente aos clubes, que mesmo se unindo em grupos como é o caso do clube dos 13 (os principais clubes do Brasil), ainda precisam de uma mentalidade de negociação em conjunto. Essa relação entre a televisão e os clubes foi descrita por Souza (2004) na qual os clubes, por precisarem arcar com compromissos de curto prazo, perderam poder de barganha e pediram para que cotas dos campeonatos fossem adiantadas. Ainda assim, hoje em dia a televisão é uma grande parceira dos clubes. Estima-se que a cota de televisão para cada clube da primeira divisão do campeonato brasileiro seja de R$ 6 milhões, (HARA; BURLIM; UYETA ; BENINI, 2004). No Manchester, a tv representa 33% do faturamento. Além das preocupações em torno do relacionamento com os clientes (torcedores), outros temas ainda são importantes tais como: a situação econômica dos clubes, o êxodo (transferência) de jogadores para o exterior e, como assunto para essa pesquisa, o equilíbrio competitivo dos campeonatos. No cenário pós- lei Pelé, os clubes perderam a sustentabilidade de sua principal fonte geradora de caixa, a venda de jogadores. Na Europa, antes do ocorrido em 1996, os clubes já apresentavam um histórico de profissionalização da gestão e da busca de outras fontes de receita baseadas na aproximação entre cliente e clube como: a bilheteria, contrato com mídia e área comercial. Assim, o impacto da extinção do passe nas fontes de receita dos clubes europeus foi menor, visto que os clubes haviam desenvolvido alternativas como a venda de pacotes de viagens para os jogos, carnês antecipados, lojas, museus e até canais próprios de TV com programação diária sobre os clubes. 60 No Brasil, uma das conseqüências desse novo cenário está no número de transações de jogadores para o exterior, que é cada vez maior. Sem gestão profissional no futebol, os clubes brasileiros não conseguem competir com os salários oferecidos pelos de outros países e como resultado, desde os anos 90, o número de jogadores deixando o país subiu de 130 para 850. Não só os jogadores brilhantes, mas também os de menor expressão, saem do país para destinos menos óbvios como Indonésia, Armênia, Islândia e Índia (The Economist, 2005). Outro fator relevante é que o futebol brasileiro, era o detentor da tríplice coroa mundial até 2005 (Copa do Mundo; Mundial sub-23 anos e Mundial sub-17 anos) e participou das ultimas três finais de Copa do Mundo vencendo duas, o que indica que o jogador brasileiro está cada vez mais em alta no futebol internacional. Por conta dessa no va s it uaç ão re gula tór ia e ta mbé m pe las co nd içõ es fa vor á ve is à sa ída dos jogadores pa ra o e xte r ior, é necessá r io q ue o s c lubes b ras ile iros dese nvo lva m est raté gias q ue diminua m s ua depe nd ê nc ia da ve nd a de jo gado res de ntro de s uas fo ntes de rece ita e b usq ue m a lter nat ivas q ue s upr a m es se ite m. Como analisado anteriormente, isso requer um melhor relacionamento com os clientes, o que inclui atratividade para o torcedor e também equilíbrio competitivo e qualidade nos campeonatos, itens esses, citados anteriormente, como fatores determinantes para estimular a demanda. Ainda com relação à capacidade de se relacionar com os torcedores, cabe ressaltar um exemplo ocorrido no futebol inglês, quando a média de público no campeonato diminuiu, ao longo da década de 80 e 90. O governo, através do relatório Taylor, atuou como uma das grandes forças externas para atrair o torcedor de volta aos estádios. O relatório Taylor ocorreu em janeiro de 1990 quando o governo Inglês percebeu que estava havendo uma diminuição do 61 público no campeonato inglês em decorrência de problemas como violência e conforto nos estádios. A violência já estava presente nos estádios ingleses desde a década de 60, mas o ponto crucial ocorreu no desastre de Hillsbourg, em 1989, com a morte de 95 pessoas em um pisoteamento. Peter Taylor, responsável pela investigação das causas do desastre e das condições dos estádios ingleses, chegou às seguintes conclusões: estádios e campos velhos, “hooliganismo”, excesso de bebida e pouca liderança (Conn, 1998). Assim, o governo obrigou os clubes a investirem de forma a resolver esses problemas e essa obrigação deu origem a abertura de capital em Bolsa, pois os clubes necessitavam de capital para realizar esses investimentos. No Brasil, o estatuto do torcedor (Lei nº. 10.671 de 2003) foi uma das tentativas de “copiar” o relatório Taylor. Em seus artigos 14 e 19, o estatuto atribui aos dirigentes dos clubes e a entidade de prática desportiva mandante do jogo a responsabilidade pela segurança do torcedor bem como do ressarcimento dos prejuízos causados por falhas de segurança. Entretanto, suas conseqüências ainda não são relevantes para que o público volte aos estádios. A média de público do campeonato brasileiro tem diminuído e é menor que nos anos 70. Um outro fator relevante é que os clubes vem há muito tempo tentando negociar com o governo, pois muitos apresentam dividas de caráter fiscal. Uma das ações que poderia ser implementada seria a criação de programas que ajudem o parcelamento dessas dívidas e em contra partida obriguem os clubes a caminhar no sentido de profissionalização. Nesse contexto, um novo programa que está sendo trabalhado no Ministério dos Esportes pode ser uma solução no curto/médio prazo. Uma loteria (sorteio) estaria sendo criada: Time Mania. Os clubes emprestam suas marcas e como contrapartida recebem parcela da receita do jogo lotérico. Essa parcela fica comprometida com o pagamento de dívidas e aqueles que quitarem suas dividas passarão a receber integralmente sua parte no seu caixa. 62 Esse programa cria um marco zero no qual as dividas dos clubes ficam parceladas e comprometidas a uma loteria. Desse modo, os clubes passam a controlar seu orçamento para o presente e futuro. Umas das exigências para estar nesse programa de parcelamento é que os clubes não podem mais atrasar seus pagamentos como pena de ficarem fora do programa. Esta pode ser uma boa iniciativa abrindo um novo horizonte que não atrelado somente às suas dividas impagáveis. Porém, não terá resultado positivo se os clubes não profissionalizarem sua gestão e procurarem manter suas contas equilibradas. 3.3 EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL Após a contextualização da indústria do futebol e das medidas de concentração ligadas as teorias de concorrência, utilizadas na literatura de economia industrial e administração estratégica, esta seção tem como objetivo apresentar a discussão mais especifica em torno do equilíbrio competitivo no futebol, bem como as medidas utilizadas para testá- lo. Para isso, essa seção será dividida em três partes: i) a primeira parte está relacionada aos condicionantes do equilíbrio competitivo no futebol; ii) a segunda parte está destinada à descrição de exemplos e fatores que influenciam na formação de clubes competitivos; iii) a terceira está relacionada à apresentação das medidas de equilíbrio competitivo esportivo demonstradas na literatura. 63 3.3.1 CONDICIONANTES DO EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL O debate sobre a competitividade nas ligas de futebol tem raízes nas preocupações com o sucesso das ligas (campeonatos) no longo prazo e está baseado na premissa de que as ligas esportivas requerem níveis de equilíbrio competitivo para crescer e se manter (Oughton and Michie, 2004). De acordo com essa premissa, a falta de competitividade nas partidas e nas ligas as torna previsíveis e isso faz com que a quantidade de torcedores que vai aos estádios e que assiste aos jogos pela televisão não seja maximizada. Por outro lado, o equilíbrio competitivo é importante porque, ao gerar interesse pelos torcedores, provoca mudanças (deslocamentos) na curva de demanda pe los jogos (ver figura 8). Essa premissa pode ser aplicada a outros os esportes, como por exemplo, as corridas de carro no caso, da Formula-1. Figura 8: Impacto de Equilíbrio Competitivo na Curva de Demanda dos Espectadores: (OUGHTON e MICHIE, 2004) Preço D1 D2 No de Espectadores Ainda segundo Oughton e Michie (2004), ligas desequilibradas também podem resultar em outros riscos tais como: a) Falência, ou ameaça de falência de clubes. 64 b) Ameaça de outras ligas rivais (Exemplos de Criação de Super Ligas Européias) c) Criação de grandes gaps de receita entre e dentro das ligas, resultando em ganhos maiores por participação em determinados campeonatos (European Champions League). Esses Gaps podem aumentar o risco da indústria ao incentivar uma estrutura que encoraja os clubes a gastar ainda mais para garantir sucesso. Como podemos ver, essa discussão tem raízes na performance financeira, em particular na distribuição de receitas dos clubes. Um dos grandes riscos a ser entendido está no que Lam (2006) trata como ciclo vicioso do futebol, conforme figura 9. Clubes com maiores receitas, provenientes de maior bilheteria, participação em grandes competições, cotas de televisão, ou oriundas de estratégias de marketing e relacionamento com os clientes, são os que obtém maior sucesso financeiro. É esse suc esso que possibilita maiores contratações e gastos com salários, influenciando diretamente no sucesso dentro de campo. Com o sucesso dentro de campo, o clube passa a ter maiores receitas, conforme descrito no começo desse raciocínio (ciclo vicioso). Figura 9: Ciclo Vicioso do Futebol Europeu –(LAM, 2006; adaptado de Márquez & Martin, 2000) 65 É esse ciclo vicioso do futebol que está diretamente ligado à dominância de certos clubes sobre outros, assunto principal deste trabalho. Para que um clube entre nesse ciclo vicioso a única barreira à entrada é ´dinheiro´ (BESANKO et al.2006). No outro lado da análise, os clubes que também não conseguem esse sucesso financeiro e operacional entram num ciclo vicioso de insucesso. Em médio e longo prazo, essa situação também pode gerar cada vez mais a criação de ligas regionais, gerando menor atenção às competições locais e aumentando ainda mais o gap entre os clubes nos países. Esse assunto está diretamente relacionado ao equilíbrio competitivo no futebol. Esse cenário, acima descrito, contribui para uma estratificação dos times em torno de perfis tais quais descritos por Lam (2006), At Kearny (2004) e Marquez e Martin (2000). Segundo a At Kearny (2004) os clubes europeus podem ser divididos em três categorias: i) fábrica de jogadores; ii) estrela nacional; iii) marca internacional. Ainda nessa perspectiva, para se alcançar o segundo e terceiro estágios, respectivamente, é necessário: i) do primeiro para o segundo estágio – sucesso estável em nível nacional; presença constante em campeonatos europeus; atração de astros nacionais; base de torcedores nacional; fontes de receitas oriundas de tv e patrocínios; ii) do segundo para o terceiro estágio – sucesso repetitivo na Europa; atração de astros internaciona is; base de torcedores internacional; modelo orientado para esporte como entretenimento; fontes de receitas diversificadas e balanceadas. A tabela com as características dos três grupos, propostos por At Kearny (2000) encontra-se em anexo. Marquez e Martin (2000) apresentam visão complementar, dividindo os clubes europeus em quatro grupos: i) elite do futebol europeu; ii) seguidores de elite; iii) times nacionais; iv) times sobreviventes. As características dos clubes estão apresentadas na figura abaixo (La m, 2006). 66 Figura 10: Características dos Clubes de Futebol Europeu: Fonte: Lam (2006), adaptado de Márquez e Martin (2000). Ainda em complemento a esses quatro grupos, Márquez e Martin (2000) concluem que existe uma distância entre eles e que é difícil alcançar o nível de elite do futebol, tal qual demonstrado na figura 11: Figura 11: Distancia entre os grupos do futebol Europeu: Lam (2006), Márquez e Martin (2000) 67 3.3.2 FORMANDO CLUBES COMPETITIVOS Essa seção tem como objetivo apresentar fatores e exemplos que contribuem para a formação de clubes competitivos. Em verdade, existem outras causas para a performance operacional e financeira, associada ao ciclo vicioso do futebol proposto por Lam (2006), que não estão somente ligadas à quebra da barreira de entrada em torno do dinheiro, conforme citado anteriormente por Besanko et al.(2006) Analogamente à discussão da seção 3.1.1, desprezar o papel da conduta das empresas e a busca incessante por vantagens e inovações que as diferencie é na verdade atribuir o sucesso dos clubes e o nível de equilíbrio competitivo somente à estrutura do mercado, o que ex-post seria possível medir com indicadores de medida de concentração industrial. Na raiz dessas condutas está a administração eficiente dos clubes, de forma a construir vantagens competitivas frente aos seus concorrentes. Essa visão está diretamente relacionada ao tema tratado anteriormente na seção 3.1.3, em torno da busca e manutenção de vantagens competitivas e tem alguns exemplos, citados a seguir, baseados na construção de administrações sólidas e na reputação e relacionamento do clube com seus clientes. Dell’Osso e Symanski, S (1991) analisam como alguns times ingleses atingem certa posição privilegiada dentro do cenário de negócios competitivos em torno do futebol e concluem que quatro fatores são importantes para criar vantagens competitivas: i) monopólio; ii) reputação; iii) tecnologia; iv) arquitetura. 68 O estudo conclui que alguns times foram capazes de atingir melhor performance do que seus rivais pelos seguintes motivos: § Nottingham Forest – A performance de Brian Clough, principal manager da Inglaterra no período, conseguindo melhorar a posição media do clube no campeonato, que entre os anos de 1946 a 1975 era de ‘21,3’, para ‘7,0’ entre 1976 e 1989, período em que dirigiu o clube. Assim, Brian Clough pode ser considerado um input monopolizado pelo clube para o período, gerando efeitos diretos na performance do clube; § Manchester United – O clube Manchester United criou sua reputação no póssegunda guerra. O clube que era reconhecidamente o mais famoso na Inglaterra, apesar de declínio nos resultados em campo, mantinha liderança de média de público nos estádios. Assim como tecnologia, reputação requer investimento de longo prazo e o Manchester United soube cria-la; § Liverpool – O Liverpool, segundo os autores, tinha sua performance atribuída a arquitetura, o que significa que o produto do coletivo de indivíduos é superior a soma do produto desses mesmos indivíduos, separadamente. Liverpool era um clube organizado, que mantinha boas relações contratuais e seleção de jogadores, que levavam a uma performance superior a seus rivais. Assim, o papel da gestão estratégica das empresas passa a ser componente decisivo na formação de clubes competitivos. Se você tem um projeto, tem um rumo, mas os clubes do Rio não costumam pensar no dia seguinte. No Palmeiras, montamos um primeiro projeto cujo tempo médio era de três anos para ganhar um título. Acabamos ganhando vários. Percebemos que os outros não faziam nada (...) O Rio de Janeiro sempre foi um grande revelador de talentos, mas está se esquecendo de olhar para a base. Os grandes títulos do Flamengo foram conquistados com jogadores feitos em casa. O processo está se invertendo. (Brunoro, 2005) 69 3.3.3 MEDIDAS DE EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL Apesar de ser difícil quantificar o equilíbrio competitivo de determinados campeonatos, ou ligas, e até mesmo entre dois times, existe uma série de trabalhos na literatura que se preocupam com esse assunto. O trabalho de Oughton e Michie (2004) sumariza as principais técnicas não só para o futebol, mas também para as ligas esportivas americanas. Esse sumário encontra-se na tabela 1 no apêndice desse trabalho. Conforme pode ser visto na tabela 1, no apêndice, em geral as linhas de pesquisa em torno das medidas de competitividade são trabalhadas na dominância de longo prazo, nos equilíbrios durante a temporada e na probabilidade de vitória para determinadas partidas, assim como descrito por Cairns (1987): match uncertainty; seasonal uncertainty; inter-seasonal uncertainty or lack of dominance across seasons. 70 4. METODOLOGIA DE PESQUISA A pesquisa sobre o equilíbrio competitivo foi primeiramente estudada em torno do que a literatura em economia industrial e regulação econômica apresenta como medidas de concentração industrial. Essas são medidas que, conforme analisado na revisão de literatura, demonstram, ex-post, o que pode ser considerado uma posição dominante, ou ainda, em termos de regulação, poder de mercado, que certa empresa detém frente aos seus concorrentes. A listagem dessas medidas encontra-se na tabela 1, no apêndice deste trabalho. Dentre essas medidas de concentração industrial destacam-se as razões de concentração e principalmente o índice HHI, como indicador que inclusive é utilizado na análise de atos de concentração pelos órgãos de regulação econômica, como é o caso do Federal Trade Commission dos Estados Unidos. Já na pesquisa especifica em torno do equilíbrio competitivo, o trabalho de Oughton e Michie (2004) sumariza as principais técnicas utilizadas em ligas esportivas. Essas medidas estão listadas na tabela 2 do apêndice deste trabalho. No caso especifico do equilíbrio competitivo no futebol, a tabela 2, em seu item “b” mostra os diferentes trabalhos em torno desse esporte, classificados em torno dos objetivos de pesquisa tais como: i) dominância de longo prazo, ii) sazonal; iii) jogo. Na análise dos trabalhos de equilíbrio no futebol e nas ligas esportivas, percebe-se que o indicador HHI é utilizado tanto para preocupações de dominância de longo prazo, quanto sazonalmente, o que está de acordo com a delimitação do estudo proposto. Assim, tendo em vista a aceitação deste indicador como medida de concentração, bem como nas publicações em torno de ligas esportivas e no futebol, este trabalho buscará calcular os resultados em 71 torno dos cinco maiores mercados de futebol europeu (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) tendo o HHI como medida de analise. A escolha do período a ser pesquisado é de dez anos, levando em conta as dificuldades de se obter os números para o Campeonato Brasileiro em anos mais distantes, devido aos diferentes formatos adotados pelos clubes. Nesse cenário, dois problemas passam a ser relevantes para a pesquisa. Eles serão apresentados a seguir e solucionados na apresentação dos dois cálculos que serão utilizados. i) A mudança do modelo de campeonato utilizado na serie A do Campeonato Brasileiro Antes de 2003, o modelo de campeonato brasileiro adotado era conhecido como um modelo de fase de classificação; Após o ano de 2003 (inclusive) o modelo escolhido foi o de pontos corridos. Dessa forma, por exemplo, como no ano de 2002, os oitos primeiros colocados na primeira fase do campeonato se classificam para a segunda fase. Isso significa dizer que um clube poderia ter maior numero de pontos, ou aproveitamento, ao longo do campeonato, e não ser campeão, pois a vantagem adquirida na primeira fase poderia ser eliminada na segunda fase. Dessa forma, alguns clubes (os que se classificam para fase seguinte) acabam por jogar mais partidas do que outros (que não se classificam), o que prejudica o calculo a ser realizado. ii) A quantidade de times que disputa os campeonatos. 72 Tanto na Europa, quanto no Brasil, existem casos em que a quantidade de times que disputam o campeonato varia de um ano para o outro, na seqüência histórica que será pesquisada. Além disso, a quantidade de times que disputam também varia de um país para o outro. Esses problemas serão solucionados a seguir, dentro da demonstração dos dois tipos de cálculos realizados. § Calculo 1: HHI – Modelo de Oughton e Michie (2004) – Sazonal Este cálculo é utilizado por trabalhos como o de Oughton e Michie (2004 e por Depkin (1999), realizando o calculo do HHI sobre a tabela de classificação e o aproveitamento percentual de cada clube. Para fins de demonstração, a tabela abaixo descreve o HHI, para o exemplo de máximo desequilíbrio possível, no caso de 20 times. O calculo é feito sobre o aproveitamento de cada time no campeonato fazendo a soma dos quadrados desse aproveitamento, tal qual descrito na fórmula abaixo, sendo Si o aproveitamento de cada clube em relação ao total de pontos máximo potencial: 73 Tabela 1: Maximo Desequilíbrio para 20 times: Times 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Jogos 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 Vitorias 38 36 34 32 30 28 26 24 22 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 PPG 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 Total Maximo Aproveitamento % (Aproveitamento%) 114 114 100% 1,000 108 114 95% 0,898 102 114 89% 0,801 96 114 84% 0,709 90 114 79% 0,623 84 114 74% 0,543 78 114 68% 0,468 72 114 63% 0,399 66 114 58% 0,335 60 114 53% 0,277 54 114 47% 0,224 48 114 42% 0,177 42 114 37% 0,136 36 114 32% 0,100 30 114 26% 0,069 24 114 21% 0,044 18 114 16% 0,025 12 114 11% 0,011 6 114 5% 0,003 0 114 0% 0,000 BASE 6,842 HHI (MAXIMO) 0,068 2 A tabela abaixo demonstra esse HHI máximo e mínimo de acordo com a quantidade de times que disputa o campeonato. Assim, no caso de um campeonato com 20 times, caso o cálculo do HHI chegue ao valor de, por exemplo, “0,4789”, em determinado ano, significa que nesse ano o HHI está a 70% do HHI máximo, ou seja, do máximo desequilíbrio, que nesse caso seria “0,0684”. Dessa forma, o problema “ii” apresentado acima, com relação à quantidade de times que disputa o campeonato estaria resolvido, já que a utilização de um percentual sobre o HHI máximo servira como padronizador, independente do numero de times. 74 Tabela 2: Máximo e Mínimo Desequilíbrio - Resumido Times 18 20 22 24 25 26 28 jogos* 17 ou 34 19 ou 23 21 ou 42 23 ou 46 24 ou 48 25 ou 50 27 ou 54 Max HHI 0,0684 0,0684 0,0751 0,0817 0,0851 0,0884 0,0951 Min HHI 0,0222 0,0222 0,0244 0,0267 0,0278 0,0289 0,0311 * Para o calculo do HHI Max, independe se o formato for de um turno (jogo de ida)ou dois turnos (ida e volta) Dessa forma será possível calcular, para os cinco maiores campeonatos europeus e Campeonato Brasileiro, um histórico nesses dez anos em relação ao HHI máximo e uma curva de tendência, permitindo assim comparar o equilíbrio competitivo brasileiro em relação aos outros campeonatos. Para evitar problemas com relação à quantidade de jogos, no caso do Brasil, para os anos que não tiveram campeonatos de pontos corridos (antes de 2003), serão utilizados apenas os dados da primeira fase (fase de classificação). No entanto, apesar de ser um dos melhores indicadores de comparação, sua utilização significa assumir o problema “i” apresentado anteriormente, no qual o campeão pode não ter o melhor aproveitamento entre todos os times do campeonato, para o caso do campeonato brasileiro antes de 2003. Esse problema será compensado no calculo “2” deste trabalho. 75 § Calculo 2: Modelo de Dell’Osso e Symanski, S (1991) – Dominância de Longo Prazo O trabalho utilizará também a medida proposta por Dell’Osso. F & Symanski, S (1991) no artigo intitulado ‘Who Are the Champions?’, como um cálculo simples para complementar a análise anterior, atribuindo 1, 2 e 3 pontos para o terceiro, segundo e terceiro lugares dos campeonatos e verificando a concentração dos mesmos times nas primeiras posições do campeonato, representando assim uma dominância de longo prazo. Essa metodologia será complementada com a utilização do HHI, com o intuito de demonstrarmos a concentração dos mesmos times nas primeiras posições dos campeonatos ao longo de um período, no caso, dez anos. Essa metodologia é baseada em Gerrad (2004) e Eckard (2001) para dominância de longo prazo. Também para esse calculo, serão comparados os números alcançados com o HHI máximo. Nesse caso, o “HHI Maximo” representa o máximo de concentração de times nas três primeiras posições, representando o maior desequilíbrio possível, conforme demonstrado a seguir. O comparativo desse “HHI máximo” (exemplo 1) será feito com uma outra situação mais equilibrada (exemplo 2). No exemplo 2, o HHI histórico para os dez anos estudados representa apenas 32% do HHI Máximo, que representaria o máximo desequilíbrio. 76 Tabela 3: Exemplo de Calculo para Longo Prazo Exemplo 1 País 2005 Time A 3 Time B 2 Time C 1 Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar Exemplo 2 País 2005 Time A 3 Time B 2 Time C 1 Time D 0 Time E 0 Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar 2004 3 2 1 2003 3 2 1 2002 3 2 1 2001 3 2 1 2000 3 2 1 1999 3 2 1 1998 3 2 1 1997 3 2 1 1996 3 2 1 SOMA SOMA 30 20 10 60 % 50% 33% 17% 100% HHI MAX 2500 1111 278 3889 2003 3 2 1 0 0 2002 2 1 0 3 0 2001 2 1 0 3 0 2000 2 1 0 3 0 1999 1 0 0 2 3 1998 1 0 0 2 3 1997 1 0 0 2 3 1996 1 0 0 2 3 SOMA SOMA 19 9 3 17 12 60 % 32% 15% 5% 28% 20% 52% HHI 1003 225 25 803 400 1253 3pts 2pts 1pt 2004 3 2 1 0 0 3pts 2pts 1pt HHI MAX % HHI MAX 3889 32,21% Dessa forma, será possível calcular esse indicador para os cinco maiores campeonatos europeus e também o Campeonato Brasileiro, analisando a diferença de concentração dos mesmos times nas primeiras divisões. Essa se torna uma medida eficaz de dominância de longo prazo. Além disso, complementando o calculo “1” proposto anteriormente, essa passa a ser uma maneira de solucionar o problema “i” de forma que os primeiros colocados na classificação final são os que servem de base para o comparativo. 77 5. RESULTADOS Os resultados das pesquisas serão demonstrados conforme os dois cálculos descritos na metodologia de pesquisa. O primeiro deles é baseado no modelo de Oughton & Michie (2004) e em outros trabalhos como o de Depkin (1999), para determinação de equilíbrio competitivo sazonal. O segundo, está baseado em autores como Dell’Osso e Symanski, S (1991), Gerrad (2004) e Eckard (2001) para dominância de longo prazo As interpretações sobre os resultados e os comentários sobre outros esportes e sobre futuras pesquisas serão apresentadas em seguida. 5.1 CALCULO SAZONAL O calculo sazonal levou em conta as tabelas de classificações anuais, de cada campeonato, para o período de dez anos. Primeiro serão apresentados os dados de cada país, calculados anualmente e comparados com o máximo desequilíbrio possível, para a quantidade de times que disputara o campeonato. Esses dados serão apresentados nas tabelas a seguir Tabela 04: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Brasileiro Campeonato Brasileiro Temporada times jogos 2005 22 42 2004 24 48 2003 24 48 2002 26 25 2001 28 27 2000 25 24 1999 22 21 1998 24 23 1997 26 25 1996 24 23 Max 0,0751 0,0817 0,0817 0,0884 0,0951 0,0851 0,0751 0,0817 0,0884 0,0817 H INDEX Min Índice Brasileiro % Max Des.Brasil 0,0244 0,0487 64,9% 0,0267 0,0508 62,1% 0,0267 0,0524 64,2% 0,0289 0,0582 65,9% 0,0311 0,0632 66,5% 0,0278 0,0552 64,9% 0,0222 0,0471 62,8% 0,0267 0,0534 65,4% 0,0289 0,0561 63,4% 0,0267 0,0529 64,7% 78 Tabela 05: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Inglês Campeonato Inglês Temporada times jogos 2005 / 06 20 38 2004 / 05 20 38 2003 / 04 20 38 2002 / 03 20 38 2001 / 02 20 38 2000 / 01 20 38 1999 / 00 20 38 1998 / 99 20 38 1997 / 98 20 38 1996 / 97 20 38 Max 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 H INDEX Min Indice Inglaterra 0,0222 0,0485 0,0222 0,0451 0,0222 0,0443 0,0222 0,0458 0,0222 0,0456 0,0222 0,0444 0,0222 0,0460 0,0222 0,0433 0,0222 0,0443 0,0222 0,0422 % Max Des.Ing 70,9% 65,9% 64,8% 67,0% 66,7% 64,9% 67,3% 63,3% 64,7% 61,6% Tabela 06: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Italiano Campeonato Italiano Temporada times 2005 / 06 20 2004 / 05 20 2003 / 04 18 2002 / 03 18 2001 / 02 18 2000 / 01 18 1999 / 00 18 1998 / 99 18 1997 / 98 18 1996 / 97 18 jogos 38 38 34 34 34 34 34 34 34 34 Max 0,0684 0,0684 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 H INDEX Min Indice Italia % Max Des.Italia 0,0222 0,0464 67,8% 0,0222 0,0425 62,1% 0,0200 0,0416 67,3% 0,0200 0,0397 64,3% 0,0200 0,0405 65,6% 0,0200 0,0401 64,9% 0,0200 0,0399 64,6% 0,0200 0,0398 64,5% 0,0200 0,0409 66,3% 0,0200 0,0379 61,3% Tabela 07: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Espanhol Campeonato Espanhol Temporada times jogos 2005 / 06 20 38 2004 / 05 20 38 2003 / 04 20 38 2002 / 03 20 38 2001 / 02 20 38 2000 / 01 20 38 1999 / 00 20 38 1998 / 99 20 38 1997 / 98 20 38 1996 / 97 22 42 Max 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0751 H INDEX Min Indice Espanha % Max Des.Esp 0,0222 0,0444 64,8% 0,0222 0,0446 65,2% 0,0222 0,0446 65,1% 0,0222 0,0443 64,7% 0,0222 0,0432 63,1% 0,0222 0,0440 64,3% 0,0222 0,0422 61,6% 0,0222 0,0446 65,1% 0,0222 0,0433 63,3% 0,0244 0,0492 65,5% 79 Tabela 08: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Alemão Campeonato Alemão Temporada 2005 / 06 2004 / 05 2003 / 04 2002 / 03 2001 / 02 2000 / 01 1999 / 00 1998 / 99 1997 / 98 1996 / 97 times 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 H INDEX jogos 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 Max 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 Min Indice Alemanha 0,0200 0,0394 0,0200 0,0420 0,0200 0,0415 0,0200 0,0398 0,0200 0,0423 0,0200 0,0402 0,0200 0,0397 0,0200 0,0400 0,0200 0,0386 0,0200 0,0410 % Max Des.Alem 63,8% 68,0% 67,1% 64,4% 68,5% 65,1% 64,2% 64,8% 62,5% 66,3% Tabela 09: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Francês Campeonato Francês Temporada times jogos 2005 / 06 20 38 2004 / 05 20 38 2003 / 04 20 38 2002 / 03 20 38 2001 / 02 18 34 2000 / 01 18 34 1999 / 00 18 34 1998 / 99 18 34 1997 / 98 18 34 1996 / 97 20 38 Max 0,0684 0,0684 0,0684 0,0684 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0618 0,0684 H INDEX Min Indice Franca 0,0222 0,0429 0,0222 0,0406 0,0222 0,0446 0,0222 0,0433 0,0200 0,0388 0,0200 0,0390 0,0200 0,0386 0,0200 0,0397 0,0200 0,0401 0,0222 0,0431 % Max Des.Fra 62,7% 59,4% 65,1% 63,2% 62,7% 63,1% 62,4% 64,2% 65,0% 63,0% Em seguida serão apresentados os valores das tabelas acima em forma de gráfico, nas figuras abaixo, primeiro em relação a esse máximo desequilíbrio e segundo, com a curva de tendência em logaritmo do gráfico anterior. 80 Figura 12 – Comparativo Sazonal em Relação ao Máximo Desequilíbrio Comparativo Sazonal em Relação ao Máximo Desequilíbrio 72% 70% 68% 66% 64% 62% 60% 58% 2005 2004 2003 2002 % Max Des.Brasil % Max Des.Fra 2001 2000 1999 % Max Des.Italia % Max Des.Esp 1998 1997 1996 % Max Des.Alem % Max Des.Ing Figura 13 – Curva de Tendência (Sazonal) em Relação ao Máximo Desequilíbrio Curva de Tendência (Sazonal) em relação ao Máximo Desequilibrio 70.0% 69.0% 68.0% 67.0% 66.0% 65.0% 64.0% 63.0% 62.0% 61.0% 60.0% 2005 2004 2003 Log. (% Max Des.Alem) Log. (% Max Des.Fra) 2002 2001 2000 Log. (% Max Des.Italia) Log. (% Max Des.Esp) 1999 1998 1997 1996 Log. (% Max Des.Brasil) Log. (% Max Des.Ing) 5.2 CALCULO DE DOMINANCIA O calculo de dominância levou em conta as posições finais nas classificações anuais. A partir delas, foi calculada a concentração dos mesmos times nas posições de liderança (Primeiro, 81 Segundo e Terceiro Lugares), utilizando indicador de concentração HHI, para o período de dez anos, e comparando entre os distintos campeonatos nacionais. As tabelas abaixo mostram os cálculos por Campeonato Nacional, e sem seguida será apresentada uma tabela em ordem de desequilíbrio, que sumariza os dados apresentados. Tabela 10: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Inglaterra. Inglaterra Chelsea Manchester Arsenal Liverpool Leeds New Castle 2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997 3 3 2 1 2 1 1 3 1 3 3 3 2 2 3 2 3 2 2 2 3 1 2 1 1 1 1 1996 3 1 2 SOMA SOMA 9 22 20 5 1 3 60 % 15% 37% 33% 8% 2% 5% 100% HHI % HHI MAX 225,0 1344,4 1111,1 69,4 2,8 25,0 2777,778 71% Tabela 11: Calculo doHHI Índice de3889 Concentração (HHI) para o Campeonato Francês. Campeão 3pts MAX Vice Campeao Terceiro Lugar 2pts 1pt Tabela 11: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Espanhol. Espanha Barcelona Valencia Real Madrid Deportivo Villareal Real Sociedad Mallorca Atletico Bilbao Sevilla Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar 2005 2004 2003 2002 3 3 2 1 3 2 2 3 1 1 1 2 2001 2000 1999 1998 1997 2 3 3 3 1 1 3 2 2 2 3 1996 2 3 1 1 1 2 1 SOMA 3pts 2pts 1pt HHI MAX SOMA 18 8 16 9 1 3 2 2 1 60 % 30% 13% 27% 15% 2% 5% 3% 3% 2% 100% HHI % HHI MAX 900,0 177,8 711,1 225,0 2,8 25,0 11,1 11,1 2,8 2066,667 53% 3889 82 Tabela 12: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Francês. França Lion Monaco Nantes Bordeaux Lens Lille PSG Marseille Auxerre Metz 2005 2004 2003 2002 2001 3 3 3 3 3 1 1 2 2000 1999 2 1 3 3 2 1998 1997 1 1 3 1 3 2 1 1996 3 2 1 2 2 2 1 2 1 2 SOMA Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar 3pts 2pts 1pt HHI MAX SOMA 19 11 4 5 5 4 6 3 1 2 60 % 32% 18% 7% 8% 8% 7% 10% 5% 2% 3% 100% HHI % HHI MAX 1002,8 336,1 44,4 69,4 69,4 44,4 100,0 25,0 2,8 11,1 1705,556 44% 3889 Tabela 13: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Alemão. Alemanha Bayer Munique Werder Borussia Kaiserslautern Hamburger Shalke 04 Bayer Leverk. Stuttgart Hertha 2005 2004 2003 2002 3 3 2 3 2 1 3 1 2001 2000 1999 1998 1997 1 3 3 3 2 3 1 1996 3 1 3 1 1 2 2 1 2 2 2 1 2 2 1 SOMA Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar 3pts 2pts 1pt HHI MAX SOMA 26 6 6 3 2 4 10 2 1 60 % 43% 10% 10% 5% 3% 7% 17% 3% 2% 100% HHI % HHI MAX 1877,8 100,0 100,0 25,0 11,1 44,4 277,8 11,1 2,8 2450,00 63% 3889 Tabela 14: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Italiano. Italia Juventus Milan Roma Lazio Inter Milao Fiorentina Udinese Parma Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar 2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997 3 3 1 3 3 2 2 3 2 2 3 1 1 3 2 2 3 1 3 2 1 1 2 1 2 1 1 1996 3 1 2 SOMA 3pts 2pts 1pt HHI MAX SOMA 23 12 7 6 8 1 1 2 60 % 38% 20% 12% 10% 13% 2% 2% 3% 100% HHI % HHI MAX 1469,4 400,0 136,1 100,0 177,8 2,8 2,8 11,1 2300,00 59% 3889 83 Tabela 15: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Brasileiro BRASIL Corinthians Santos Cruzeiro Vasco Atl Par Gremio São Caetano São Paulo Atletico MG Inter Palmeiras Portuguesa Fluminense Goias 2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997 3 2 3 3 3 2 3 1 3 1 2 3 3 2 3 1 2 2 1 1 1 2 2 1 2 1996 3 1 2 1 1 SOMA Campeão Vice Campeao Terceiro Lugar 3pts 2pts 1pt HHI MAX SOMA 11 9 6 6 5 4 4 3 3 3 2 2 1 1 60 % 18% 15% 10% 10% 8% 7% 7% 5% 5% 5% 3% 3% 2% 2% 100% HHI % HHI MAX 336,1 225,0 100,0 100,0 69,4 44,4 44,4 25,0 25,0 25,0 11,1 11,1 2,8 2,8 1022,222 26% 3889 A tabela abaixo agrupa os resultados, em ordem de máximo desequilíbrio, do ponto de vista de dominância a longo prazo, acima apresentados. Assim, o Campeonato Inglês, nos últimos dez anos, tem o maior índice de desequilíbrio, representados pela concentração dos mesmos times nas três primeiras posições na classificação final. Tabela 16: Tabela Agrupada de Concentração no Longo Prazo. Pais Inglaterra Alemanha Italia Espanha França Brasil % HHI MAX 71% 63% 59% 53% 44% 26% 84 5.3 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Esta seção de interpretação dos resultados será divida em pequenos tópicos de forma que possam ser endereçados os comentários e conclusões pertinentes, relativos aos dados da pesquisa e em associação com a revisão de literatura. A interpretação será dividida respeitando a seguinte ordem: i) Análise Sazonal; ii) Análise de Longo Prazo; iii) Análise Final por Campeonato Nacional; iv) Associação do Tema com Padrão de Concorrência e Papel da Estrutura; v) Indicador de Concentração (ex-post); vi) Papel das Condutas das Empresas e Busca de Vantagens Competitivas; vii) Análise da Influência do Novo Modelo de Campeonato Brasileiro. 5.3.1 ANÁLISE SAZONAL Os dados relativos à análise sazonal (temporada,) evidenciaram que os campeonatos nacionais da série A na Itália, Alemanha e Inglaterra apresentam níveis altos e crescentes de desequilíbrio por temporada, conforme gráfico de tendência, demonstrado no item 5.1.2. Já os campeonatos Brasileiro e Espanhol, no período de dez anos, mantiveram um nível relativamente constante, com mais equilíbrio competitivo sazonal que os campeonatos Alemão, Inglês, e Italiano. Por fim, a França apresentou a maior tendência de equilíbrio dentre os países estudados. Esses números têm relação direta com a atratividade de cada campeonato e com a capacidade que os times tem de se reforçar ano a ano, vis à via a concorrência. Da forma apresentada na pesquisa, evolutivamente, esse indicador sazonal pode ser um primeiro passo na análise de competitividade no longo prazo. No entanto, mesmo com o crescimento de um desequilíbrio por temporada, isso não significa dizer que são os mesmos times que alcançam as primeiras posições na tabela. Da mesma forma, no caso, por exemplo, 85 da França, um aumento no equilíbrio competitivo, não deixa uma conclusão definitiva sobre a presença dos mesmos times no topo, como será demonstrado na análise a seguir. 5.3.2 ANÁLISE DE LONGO PRAZO A análise sazonal é na verdade um primeiro indicador de dominância podendo, por exemplo, ser associado à média de publico anual dos campeonatos. No entanto, do ponto de vista de concentração dos times, esses indicadores devem ser complementados com os resultados da análise de longo prazo. Nesse sentido, o Brasil apresentou o maior equilíbrio dentre os países estudados, conforme tabela o item 5.2.2. A Inglaterra atingiu o maior índice de desequilíbrio, representando 71% do máximo desequilíbrio possível, do ponto de vista de concentração dos mesmos times nas primeiras posições do campeonato. Esse índice para o Brasil ficou apenas em 26%, seguido pela França, com 44%. As conclusões sobre o tema, por país, serão apresentadas a seguir: 5.3.3 ANÁLISE FINAL POR CAMPEONATO NACIONAL • O Campeonato Inglês mostrou ser o campeonato de maior desequilíbrio dentre os mais importantes do mundo, concentrando-se em dois times: Manchester United e Arsenal. Mais recentemente o Chelsea entrou nesse grupo seleto. Conforme demonstrado na revisão de literatura, os clubes ingleses conviveram com a construção de grandes times, como foi Liverpool e Manchester, com reputação superior aos outros e com administrações eficazes (Dell’Osso. F; Symanski, S, 1991). Esses clubes desenvolveram-se financeiramente e entraram em um ciclo virtuoso de sucesso, tal qual estudado por Lam (2006). A entrada do Chelsea nesse grupo de times principais deve-se a uma grande injeção de capital de investidores russos, o que parece coincidir 86 com a afirmação de Besanko et al (2006) relativa à única barreira à entrada, que conforme o autor, seria ‘dinheiro’. No entanto, conforme visto anteriormente, a Inglaterra foi pioneira em legislação relacionada à proteção e segurança do torcedor, bem como nos passos positivos da administração e criação de clubes empresas. A estrutura do mercado inglês (conjunto de leis, órgãos reguladores e organização de campeonato) parece influenciar as condutas e o desempenho das empresas. Independente disso, os novos temas de governança e de equilíbrio competitivo já se mostram pertinentes em terreno britânico, já que existe um gap de receitas entre os clubes. Este distanciamento entre as estruturas de clubes pode estar associado a um possível encorajamento a uma estrutura de custos altos, com altos salários, levando a perdas financeiras no final da temporada. No entanto, mesmo alguns times famosos, como o Liverpool, preferem uma administração mais preocupada com os resultados financeiros, mas não tem conseguido chegar no topo da classificação do campeonato inglês, trazendo de volta a discussão: qual o objetivo de um clube; resultado financeiro ou conquista de títulos? • O Campeonato Alemão também apresenta alto nível de desequilíbrio, sazonal e de longo prazo, principalmente devido ao papel de liderança do Bayer de Munique e do Leverkusen na primeira metade estudada (96-01). O campeonato alemão parece já sofrer com a ameaça de ligas rivais, de tal forma que na Europa, os campeonatos Inglês, Espanhol e Italiano detém maior apelo, com melhores jogadores internacionais. Além disso, as ligas européias também são de grande influência frente a constância dos mesmos clubes nas mesmas posições na liga alemã. • O Campeonato Italiano sempre foi visto como um dos grandes campeonatos mundiais. Nos últimos anos, as equipes da Juventus e do Milan dominaram o cenário 87 influenciando os números altos de desequilíbrio encontrados na pesquisa. Recentemente, na temporada de 2005/06, o campeonato sofreu investigação sobre compra de resultados e alterações de balanços. Esses dois principais clubes foram penalizados e a Juventus foi rebaixada para a segunda divisão. É possível que essa seja uma oportunidade para outros times, como o Inter, mas em geral, o peso dos mesmos clubes (os três citados) permanece alto devido a presença dos mesmos nas ligas européias e a uma injeção de capital no Milan e na Juventus, que excede o raciocínio puramente financeiro. Nesses clubes, e mais notadamente no Milan, os diretores e sócios, também ligados à política, compensam com aporte de capital, os eventuais prejuízos no fim do ano. Esse ano, no entanto, a Juventus foi penalizada e não participa também de nenhuma liga européia, o que representa uma menor receita para o clube. Independente disso, os principais clubes italianos apresentam elevado índice de profissionalismo do ponto de vista de dar condições aos atletas, com centros de treinamento e calendários planejados. O risco presente na indústria está no encorajamento de custos altos, na tentativa de outros clubes acompanharem os altos salários e investimentos vis à vis Milan, Juventus e Inter. • O Campeonato Espanhol também apresenta, assim como os demais acima citados, dominância de mesmos clubes nas primeiras posições. Mais recentemente, o Barcelona retomou o posto de principal equipe, inclusive no cenário europeu e mundial. A Espanha também foi pioneira em legislação obrigando aos clubes a abrir capital, caso tivessem resultados negativos em seus balanços. Isso os obrigou a aperfeiçoar seus instrumentos de gestão e de prestação de contas. O Barcelona, devido à grande quantidade de sócios, mantém-se como um clube fechado, assim como o Real Madrid. Este, recentemente, não vem conseguindo o título espanhol, apesar de 88 liderar os rankings de altos salários aos jogadores, que estão também associados à uma agressiva estratégia de marketing e resultados financeiros, que vem sendo alcançados. Os clubes, acima citados, constam na listagem de clubes mais ricos do mundo. • O Campeonato Francês, apesar do resultado mais baixo de desequilíbrio, dentre os campeonatos europeus, vem apresentando uma das maiores seqüências do mesmo time na liderança da classificação. O Lion é o atual penta-campeão seguido do campeonato. A resposta para os índices alcançados na França está provavelmente associada a uma disputa mais equilibrada entre todos os times (à exceção do Lyon), influenciando o resultado do calculo final. Este parece ter conseguido entrar no ciclo virtuoso, descrito por Lam (2006), associado a capacidade de ma nter grandes jogadores por mais de uma temporada e criando um padrão de longo prazo. • O Campeonato Brasileiro tem como principal característica à alternância dos mesmos times nas primeiras posições. Ao contrário do que acontece com clubes como o Lyon, Bayer de Munique, Barcelona, Milan, Juventus, dentre outros grandes na Europa, os clubes Brasileiros não conseguem manter uma estrutura de longo prazo, com formação de equipes competitivas. O modelo de receita dos clubes de futebol, associado à venda de jogadores, faz com que a necessidade de se conseguir resultados positivos ao final da temporada leve os clubes a desmantelar suas equipes, mesmo no meio da temporada. A estrutura desorganizada, associada a uma economia frágil, encoraja a transferência de jogadores para o exterior, em um cenário de decadência doméstica (The Economist, 2005). Assim, por conta de uma incapacidade estrutural e também administrativa da maioria dos clubes, o campeonato brasileiro, por uma via errada, atinge o melhor nível de equilíbrio competitivo. Conforme será analisado nos 89 três tópicos a seguir, isso significa que os clubes brasileiros precisam se preparar para alterar esse modelo de receita, através de um melhor relacionamento com os clientes e através de condutas relevantes (estratégias e buscas de vantagens competitivas), se diferenciarem e mudarem o panorama do mercado. No entanto, o principal desafio está na manutenção do equilíbrio histórico já inerente ao campeonato brasileiro. 5.3.4 ASSOCIAÇÃO DO TEMA COM PADRÃO DE CONCORRÊNCIA E PAPEL DA ESTRUTURA Conforme apresentado na seção 3.1, ambiente competitivo está relacionado à necessidade de estratégias empresarias, mas também à criação de fatores sistêmicos favoráveis à concorrência e competitividade tais como: criação de externalidades positivas, infra-estrutura, mão-de-obra, financiamento e instrumentos de defesa de concorrência. No caso do futebol. No Futebol, a presença de instrumentos públicos (ações governamentais) mostraram-se eficazes na Inglaterra e na Espanha, no sentido de impulsionar os clubes a em direção à um melhor relacionamento com os clientes e à uma estrutura organizacional profissional. Conforme apresentado, Kupfer (2005, p.14): “competitividade é a função da adequação das estratégias das empresas individuais ao padrão de concorrência vigente.” 5.3.5 INDICADOR DE CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL (EX-POST) A utilização de indicadores de concentração é na verdade uma maneira rápida de se diagnosticar determinada situação de desempenho, no caso do futebol, as posições na tabela de classificação. Entretanto, a principal discussão a ser apresentada é: Quanto tempo de maturação (retorno para os investimentos) é necessário na construção de equipes continuamente competitivas? Seguindo o mesmo raciocínio, até que ponto uma determinada 90 situação hoje representa a competitividade alcançada anteriormente (em um dado momento, o grau de eficiência da firma é na verdade determinado por estratégias competitivas adotadas anteriormente)? Em alguns casos, como o do clube inglês Chelsea, o grande aporte de capital foi suficiente para criar resultado operacional (títulos), mas será que isso é uma verdade para todos os clubes? 5.3.6 PAPEL DAS CONDUTAS DAS EMPRESAS E BUSCA DE VANTAGENS COMPETITIVAS Conforme apresentado anteriormente: “Essa dinâmica industrial sugere que as situações monopolísticas criadas a partir de inovações devem ser vistas como o resultado do processo competitivo”. Nesse caso, os clubes de futebol que conseguirem melhor acesso a mão-deobra, (como jogadores e técnicos) e investirem em centros de treinamento e formação de equipes competitivas no longo prazo, serão aqueles que se diferenciarão da média dos seus rivais. Essa seria uma estratégia baseada em recursos (Hitt 2003, p.21). No caso do Nottingham Forest, citado na seção 3.2.2, a captação do melhor general manager foi crucial para o desempenho do clube. 5.3.7 ANÁLISE DA INFLUENCIA DO NOVO MODELO DE CAMPEONATO BRASILEIRO Um fator relevante para a discussão apresentada é a mudança do modelo de campeonato adotado pelos clubes no Brasil em 2003, em uma tentativa de se ‘copiar’ os campeonatos 91 nacionais europeus. O modelo de pontos corridos foi adotado e as conclusões sobre o impacto desse formato para o equilíbrio competitivo são ainda precoces. Apesar disso, é de se esperar que os times mais organizados repetitivamente alcancem as primeiras posições da tabela, uma vez que os campeonatos de pontos corridos privilegiam os melhores times e normalmente dão menos margens às “zebras” (resultados não esperados) a medida que elas são compensadas no longo prazo. Assim, as instituições que comandam o futebol brasileiro, bem como os clubes de futebol devem se preocupar de antemão e estarem alertas para eventuais concentrações de títulos, representando um risco de perda de atratividade para o torcedor. Vale dizer, que o campeonato já conta com uma baixa média de público, devido às más condições dos serviços oferecidos. Conforme descrito na revisão de literatura, o futebol compete com outros eventos de entretenimento e os clubes, apesar da fidelidade (Giovanetti et al.,2004), parecem não perceber essa ameaça de produtos substitutos. Outro fator relevante, conforme apresentado na seção 3.2.3, é a loteria (Time Mania) que está sendo criada Esse programa cria um marco zero para as dívidas dos clubes e aqueles que estiverem com suas contas saneadas acabarão recebendo mais capital para investir no futebol. Além disso, grandes clubes, como, por exemplo, o Flamengo, já contam com um orçamento alto. No momento em que este orçamento não estiver comprometido com dividas passadas, o clube poderá investir melhor na construção de equipes competitivas. Entretanto, essa não será uma solução se os clubes não profissionalizarem sua gestão e procurarem manter suas contas equilibradas. 92 5.4 ANALOGIA COM OUTROS ESPORTES A discussão do tema sobre equilíbrio competitivo pode ser também apresentada em outros esportes, tal como as ligas de basquete e baseball (ver anexo tabela 2). Além desses exemplos, uma das aplicações poderia estar nas corridas de automóveis, mais especia lmente a Fórmula 1, que teve seu predomínio em quase sete anos da mesma equipe e do mesmo piloto, Ferrari e Michael Schumacher, respectivamente. Nesse sentido, a preocupação sobre a atratividade do evento esportivo se torna mais visível, influenciando a curva de demanda com relação principalmente ao nível de audiência da televisão, influenciando contratos de patrocínio e a realização do evento como um todo. 5.5 SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS Algumas sugestões de pesquisas podem ser feitas a partir da discus são apresentada nesse trabalho. • Qual o período de Maturação para se construir um Clube Competitivo? • Até que ponto um nível de desequilíbrio sazonal interfere na média de público? (Regressão entre evolutivo do índice HHI com a média de público) 93 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho procurou apresentar o debate sobre o equilíbrio competitivo no futebol desde suas raízes, encontradas no conceito de competitividade e concorrência da literatura, até a busca de vantagens competitivas e construção de clubes de sucesso dentro da indústria do Futebol. O objetivo final foi testar o equilíbrio competitivo do futebol brasileiro comparado ao futebol europeu , usando métodos quantitativos e interpretando os resultados à luz da literatura econômica e administrativa. Os conceitos de competitividade foram associados às noções de eficiência e desempenho além da evolução do seu tratamento nas escolas clássica, marxista, neoclássica, schumpeteriana, estrutura-conduta-desempenho, neo-schumpeteriana, teoria dos jogos e teoria da contestabilidade, todas relevantes para o entendimento da construção de ambientes competitivos e da associação do tema, dentro da literatura de administração, em torno da busca de inovação e vantagens competitivas. A teoria econômica aliada aos conceitos de estratégia foi levada em conta para elaboração da pesquisa, considerando as limitações dos indicadores utilizados e a relevância da estratégia para diferenciação e posicionamento superior no mercado, de uma empresa, em relação aos seus rivais. A metodologia para a pesquisa foi baseada nos indicadores de concentração industrial e nos trabalhos de Oughton e Michie (2004) e Dell’Osso e Symanski, S (1991) para testar equilíbrio competitivo sazonal (por temporada) e no longo prazo. O indicador de concentração industrial 94 utilizado foi o HHI (Herfindahl- Hirschman), utilizado na análise de atos de concentração pelos órgãos de regulação econômica, como é o caso do Federal Trade Commission dos Estados Unidos. Os objetos de pesquisa foram os clubes de futebol disputando a Série A do campeonato brasileiro e dos cinco maiores campeonatos europeus (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália). Os resultados obtidos foram analisados levando em conta inclusive o novo cenário brasileiro, que a partir de 2003 passou a adotar um modelo de pontos corridos, copiando os formatos adotados na Europa. Nesse contexto, os campeonatos europeus apresentam maior nível de desequilíbrio frente ao campeonato brasileiro. A Inglaterra mostrou o maior índice de desequilíbrio dentre os pesquisados. No entanto, por mais que seja positivo ter um campeonato equilibrado, o resultado brasileiro só apresenta o melhor desempenho devido à falta de gerenciamento e de estrutura do futebol no país como um todo. Face ao modelo brasileiro de receitas, baseado na venda de jogadores, os clubes não conseguem manter os mesmos times por mais de uma temporada, de tal forma que o resultado da pesquisa mostra que não existe dominância de clubes no longo prazo no Brasil. O novo modelo de campeonato ainda é recente e por isso, a análise da sua influencia sobre o tema de equilíbrio se torna precoce. Entretanto, a preocupação de dominância já pode ser apresentada às organizações que controlam o futebol. Além disso, conforme descrito na revisão de literatura, os resultados oriundos do desempenho de clubes podem estar associados a estratégias e investimentos realizados no passado, de tal forma que os efeitos do novo modelo de campeonato também só podem estar mais claros nos próximos anos. 95 Vale ressaltar que a preocupação do tema está associada ao risco de perda de atratividade para os torcedores. Esse risco, aliado à ameaça de falência de pequenos clubes e à entrada de outros campeonatos (ligas continentais) como substitutos fazem com que esse assunto seja pertinente para o futebol brasileiro. O futebol brasileiro já vem enfrentando a perda de espectadores devido a fatores como segurança e conforto do torcedor e deve se preocupar com esses assuntos diretamente ligados à continuidade do esporte. O presente trabalho, dessa forma, pode ser considerado um passo na introdução de um tema que pode vir a ser ainda mais relevante futuramente. 96 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AIDAR, A.C.K; LEONCINI, M.P & OLIVEIRA, J.J. (2000) A nova gestão do futebol. Rio de Janeiro : Editora FGV AGUILAR, R.LB; TEIXEIRA, M. L. M. (2003). Qualidade de serviços: aprendendo com os clientes e com a concorrência. Texto Publicado no seminário de estratégia da Anpad. ANSOFF, I. H (1977). Estratégia Empresarial. São Paulo: Ed. Atlas. AT KEARNY (2004) Playing for Profits: Winning Strategies for Football in Europe and Around the Globe. Disponivel em www.atkearney.com. BIKKER, J. e K. HAAF (2001) Measures of Competition and concentration: A review of the literature. De Nederlansche Bank, Amsterdan, NL. ____________(2002) Competition, concentration and their relationship: An empirical analysis of the banking industry. Journal of Banking & Finance 26, 2191-2214. BOAVENTURA, J,M,G; FISCHMANN, A,A (2003) Estudo dos Conceitos sobre o conteúdo da estratégia: uma ilustração no campo da tecnologia da informação. FEA, USP BOFF, H; RESENDE, M; (2002). Concentração Industrial. In: Economia Industrial, KUPFER, D; HASENCLEVER, L (org), Rio de Janeiro: Ed. Campus BOUEDIEU, P. (1983) Questões de Sociologia. Rio de Janeiro, Ed. Marco Zero, Ltda BRAGA, HC; MASCOLO, J,L (1982) Mensuração da Concentração Industrial no Brasil. Pesquisa e Planejamento Econômico, 12. BRUNORO, J.C; AFIF, A. (1997). Futebol 100% profissional. São Paulo. Ed. Gente _______, (2005) Entrevista ao Jornal OGLOBO em 16 de janeiro de 2005, Editoria Esportes. CHAMBERLIN, E, H. (1933) The Theory of Monopolistic Competition. Cambridge, Mass, Harvard University CHRISTENSEN, K, H. (1999). Estratégia Corporativa: Gerenciando um Conjunto de Negócios. In Fahey & Randall. MBA Curso Prático de Esatrtégia. C, SYLVIE; HUNT, C, COLIN (2004) A Strategic Approach to Globalization: A traditional versus a “Born Global” Aproach. Journal of International Marketing. Vol.12 No.1, pp. 57-81. D'AVENI, R (1995). Hipercompetição. Rio de Janeiro: Campus. DAY, G. S.; REIBSTEIN, D. J. (1998) Dynamic competitive advantage. Wiley. 97 DUCREY, P; FERREIRA, C,E; HUERTA, G; MARSTON, K, T; (2003) UEFA and Football Governance: A new model. Adaptations for the challenges of modern football. Projeto final. International Master in Management, Law and Humanities of Sport. Centre International D’etude du Sport. DELL’’OSSO. F; SYMANSKI, S (1991) Who Are the Champions ? An analysis of football and architeture. Business Strategy Review Summer Volume 2,2 pp 113-130 EKELUND, P. (1998) A Rentabilidade das Associações de times de Futebol: os exemplos das ligas de Futebol da Itália e da Inglaterra. Texto apresentado no 1o. Congresso Internacional EAESP de Gestão de Esportes organizado pela Fundação Getúlio Vargas FLEURY, A,C,C; FLEURY, M, T, L (2003). Competitive strategies and core competencies: perspectives for the internationalization of industry in Brazil. Gest. Prod, São Carlos, v. 10, n. 2. FRASER, J; OPPENHEIM, J. (1997) What’s new about globalization? Mckinsey Quartely, 2, p.168-179 GIOVANNETTI, B; ROCHA, B, SANCHES, F, SILVA, J (2004) Medindo a fidelidade das torcidas brasileiras : uma análise econômica no futebol. GHENMAWAT, P (1998) Vantagem Sustentável. In Estratégia: A busca da vantagem Competitiva in Montgomery & Porter. Editora Campus, 7a. Edição. HASENCLEVER, L; TIGRE, P (2002) Estratégias de inovação. In: Economia Industrial, KUPFER, D; HASENCLEVER, L (org), Rio de Janeiro: Ed. Campus HERFINDAHL, O.C (1950) Concentration in the Steel Industry. Columbia University, dissertação de Phd. não publicada HOFFMANN,R. (1998) Distribuição de Renda : Medidas de Desigualdade e Pobreza. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. JOHNSON, G; SCHOLES, K (1999) Exploring Corporate Strategy: Text and Cases. 5th Edition. New York, Prentice – Hall. KROGH, G.; ROOS, J. (1995) A perspective on knowledge, competence and strategy. Personnel Review, v. 24, n. 3, p. 56-76. KUPFER, D (2002) Barreiras Estruturais à Entrada. In: Economia Industrial, KUPFER, D; HASENCLEVER, L (org), Rio de Janeiro: Ed. Campus LAM, B (2006), Modelo de Negócio para clubes de Futebol: Uma comparação entre Brasil e Europa LEONCINI, M, P (2001) Entendendo o Negócio do Futebol: Um estudo sobre a transformação do modelo de gestão estratégica nos clubes de futebol. Tese de Doutorado, USP, São Paulo 98 LEVITT, T (1983) The Globalization of markets. Harvard Business Review, Jun, p.92-102 HITT, M; IRELAND, D; HOSKISSON, R, E, (2003) Administração Estratégica: competitividade e globalização. São Paulo, Pioneira Thompson HOFER, C, W; SCHENDEL, D: Strategy Formulation: Analytical Concepts. Saint Paul Minnesota: West Publishing Co, 1978 MINTZBERG, H; QUINN, J. O Processo da Estratégia. 3a. edição. Porto Alegre: Bookman, 2001. MINTZBERG, H; AHLSTRAND, B; LAMPEL, J. Safári de Estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2000 PORTER, M.(1980) Competitive strategy: techniques for analizing industries and competitors . New York: The Free Press. ___________(1996). What is strategy? Harvard Business Review, v. 74, n. 6, p. 61-78. __________ (1998). Como as forças competitivas moldam a Estratégia. In Estratégia: A busca da vantagem Competitiva in Montgomery & Porter. ___________ (1998). Da Vantagem Competitiva à Estratégia Corporativa. In Estratégia: A busca da vantagem Competitiva in Montgomery & Porter. Editora Campus, 7a. Edição. POSSAS,M,L (1996) Os conceitos de mercado relevante e de poder de mercado no âmbito da defesa da concorrência. Revista IBRAC __________ (2002) Concorrência Schumpeteriana. In: Economia Industrial, KUPFER, D; HASENCLEVER, L (org), Rio de Janeiro: Ed. Campus POSSAS, M,L; PONDÉ, J,L; FAGUNDES, J; (1997) Regulação da Concorrência nos setores de infra-estrutura no Brasil: elementos para um quadro conceitual. Relatório de Pesquisa do IPEA PROENÇAS, A. (1999) Dinâmica estratégica sob uma perspectiva analítica: refinando o entendimento gerencial. Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, ARCHÉ. Ano VIII, n. 23. PRAHALAD, C. K.; HAMEL, G.(1990) The core competence of the corporation. Harvard Business Review, v. 68, n. 3, p. 79-91. PRAHALAD, C. K.; LIEBERTHAL, K. (1998) The end of corporate imperialism. Harvard Business Review, Jul./Aug. TOLLISON (2002) Sportometrics, The Concise Encyclopedia of Economics. Indianapolis: Liberty Fund, inc, ed. David R. Henderson online. http:www.ecopnlib.org/library/enc/sportometrics.html (24.09.2003) 99 QUINN, J, B (1991) Strategies for change. In: The Strategy process: concepts, contexts and cases, in Mintzberg, H. 2 ed. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, p.04-12 RELATÓRIO FINAL DO PLANO DE MODERNIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO (2000). Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas e Confederação Brasileira de Futebol. RESENDE, M (1994) Medidas de Concentração Industrial: uma resenha; Análise Econômica, IE, UFRJ, mar/set. ROBINSON, J (1933) The Economics of Imperfect Competition. Londres, Macmillan Press. SCHUMPETER, J (1911). Teoria do Desenvolvimento Econômico. Trad.port. S.Paulo: Ed. Abril Cultural, col. “Os Economistas”, 1982. _______ (1942). Capitalismo, Socialismo e Democracia. Trad, port. Rio de Janeiro: Zahar Ed, 1984. SCULLY, G.W (2002) Sports, The Concise Encyclopedia of Economics. Indianapolis: Liberty Fund, inc, ed. David R. Henderson online. http:www.ecopnlib.org/library/enc/sports.html (24.09.2003) SHY, O (1995) Industrial Organization. Cambridge MA: Mit Press SRAFFA, P (1926) The Laws of Rreturns under Competitive Condition. Economic Journal, 36 (2): 535-50, dezembro TACHIZAWA, T. Metodologia de pesquisa aplicada à administração: a internet como instrume nto de pesquisa. Rio de Janeiro : Pontal, 2002. THEIL, H. (1967) Economics and Information Theory, Rand Mcnally. TREACY, M; WIERSEMA, F (1995) The discipline of market leaders . Addison Wesley VERGARA, S. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 5a edição, São Paulo: Ed. Atlas, 2004. WESTERBEEK, H; SMITH, A (2003) Sports Business in the Global Market Place, p.87 Web sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/Campeonato_Brasileiro, acesso em 20 de outubro de 2006. http://www.eurofussball.at, acesso em 20 de outubro de2006. 100 APÊNDICE A TABELA 1 - Sumário das Medidas de Concentração Industrial Fonte Bikker & Haaf (2001), Araujo, Neto & Ponce (2005) Hoffmann (1998), Bikker & Haaf (2002) Bikker & Haaf (2002) Bikker & Haaf (2002) Medida HTI (HallTiedman) RI (Índice de Rosenbluth) CCI (Comprehensive Industrial Concentration) HKI (Hannah and Kay Index) Fórmula Descrição n HTI = 1 (2∑ i si − 1) i −1 n B = 1 (2∑ i y − 1) i −1 n i CCI = s1 + ∑ s (1 + (1 − si )) i −2 n HKI = (∑ s ) i −1 2 1 α 1 /(1−α ) 1 Comentários Onde “i” é designado segundo o tamanho dos bancos. A participação de cada banco recebe peso igual a sua ordem na apuração. HTI varia de 1/n 1, no caso de monopólio. Utilizadas em análises de Concentração em segmentos financeiros (Bancos) Onde “y” são as empresas. Índice para varia de B=0 (produção dividida de maneira igualitária entre as empresas) e B=1, para monopólio. Utilizada como índice de concentração industrial. Medida é a soma da participação de mercado da empresa líder, com a soma dos quadrados das participações das outras empresas. α > 0 eα ≠ 1 Índice surgiu do debate de concentração e dispersão em bancos. Ver Bikker & Haaf (2002) para descrição completa 1 TABELA 2 - Sumário das medidas de Equilíbrio Competitivo nas ligas Esportivas Americanas e no Futebol a ) Ligas Esportivas Americanas Autor e Ano de Publicação Tipo de Equilíbrio Competitivo Scully(1989), Quirk and Fort (1992) Descrição da Medida Comentários Sazonal Desvio Padrão da percentagem de vitórias dividido pelo desvio padrão ideal Medida Padrão nas ligas americanas. Fort and Quirk (1992) Dominância de Longo Prazo Curva de Lorenz medindo a percentagem cumulativa de campeonatos vencidos no período de 1901 a 1990. Horowitz (1997) Sazonal Depkin (1999) Sazonal Eckard (2001) Sazonal e Dinâmica Eckard (2001) Dominância Medida Entrópica usada em percentagem de vitórias. Relativa ao Maximo Valor Relativo em uma liga perfeitamente desequilibrada Índice de Herfindahl-Hirschman calculado pela diferença entre a soma dos quadrados do percentual de vitória de cada time e 1/N Medida de Variância que considera o nível de efeitos cumulativos de vitórias decompondo a variância das percentagens de vitória ao longo do tempo em variância cumulativa e variância no tempo Índice de Herfindahl-Hirschman baseado no percentual de participação nos 4 primeiros lugares na liga em um período de 5 anos Usada para comparativo cross-section e dominância para longo prazo. Mostra que a NBA tem o pior índice de competitividade nas 5 maiores ligas americanas Estima a Entropia Relativa da liga de Baseball Americana entre 1903-1995 e descobre aumento de equilíbrio competitivo. Pesquisa de competitividade na liga de baseball no período de 1920-1996 resultando em mais estabilidade Medida de variância cumulativa entre 1975 e 1999 para a liga de baseball. Encontra resultado consistente com a medida de variância em ligas americanas b) Futebol Autor e Ano de Publicação Tipo de Equilíbrio Competitivo Peel and Thomas (1988) Jogo Descrição da Medida Comentários Probability Odds: Probabilidades para vitórias em partidas disputadas em casa. Captura incerteza na partida. Usada para explicar a variação da demanda por futebol. Curva (UShaped) de relação entre inerteza entre as partidas e publico nos estádios. 2 Kuyoers and Szymanski (1999) Sazonal Kuyoers and Szymanski (1999) Dominância de Longo Prazo Dobson and Goddard (2001) Jogo Szymanski (2001) Sazonal e Tendências Forrest and Simmons Jogos Dominância Buzzacchi, Szymanski and Valleti (2003) Sazonal Morrow (2003) Dominância Bourg (2004) Sazonal Dobson and Goddard (2004) Sazonal e Tendência para Copa Inglesa. Dominância Gerrad (2004) Desvio Padrão para cada pontuação de clube na temporada em 10 temporadas desde 1946. Sensível para mudanças no sistema de pontuação e no . de times. Mostra que a media de desvio padrão dos pontos totais (para as ultimas 10 temporadas) aumentou nas ultimas 3 decadas desde 1946, mas caiu no período entre 1986-96. Segue o modelo de Fort and Quik (1992) para a curva de Lorenz Mostra que a liga Inglesa tem o menor grau de medindo o percentual cumulativo das vitórias de campeonato no dominância no longo prazo e o Campeonato período de 1946-1998 para as 5 ligas Européias. Holandês tem o maior para o período de 19461998 Modelos de Previsão usando probabilidades e informações Performance passada é usada para prever históricas para previsão de partidas. performance futura, mas ainda com efeitos randomicos SDW (Desvio padrão das pecentagens de vitória) calculado entre Mostra que não existe clara tendência no os clubes das ligas de Futebol e na Premier League no período de equilíbrio competitivo. A medida combina 4 ligas 1977 – 1999. Medida mais comum nos estudos americanos que e compara o SDW nas ligas. em maioria são deflacionados pelo desvio padrão ideal onde cada clube tem igual chance de ganhar uma partida. Baseada em probabilidades. Usada como variavel para explicar media de publico. Captura Incerteza das partidas na temporada 1977/8 Indicador que olha para o atual numero de times que vencem o 3 ligas fechadas americanas tem mais equilíbrio campeonato ou entram nos primeiros 5 lugares comparando com que 3 ligas fechadas européias a distribuição teórica de probabilidade de vitórias O trabalho também inclui estimativas (medias de 5 períodos de Medida de SDW para liga inglesa mostra declínio 10 anos) de SDW em equilíbrio competitivo no final dos anos 80 e melhoras nos anos 90. Pesquisa dos cinco maiores clubes no período de 5 anos (1998Produz uma tabela para os cinco maiores clubes 2002) para 7 ligas européias SDW, como Scully(1989) e Fort and Quirk(1992) Media de SDW para o periodo de 4 anos entre 1980-200. Encontra que o equilíbrio competitio deteriora entre 86-90, melhora entre 91-95 e volta a deteriorar entre 96-2000 Probabilidade de vitórias nas partidas da FA Cup condicionante a Assim como Szymanski (2001) acha declínio na posição do clube na liga. competitividade da FA CUP. Assim como Eckard (2001) usa o Herfindahl index para medir A concentração de titulos é usada para analise concentração de títulos e participação nos 4 maiores lugares. cross-section e comparação entre competitividade Também analisa a participação de títulos nos top 2 e top 3 clubes entre diferentes ligas nacionais. e as diferenças de pontos entre os 1o . E 2o . Lugares. 3 Fonte: Oughton & Michie (2004); Tabela adaptada pelo Autor. TABELA 3 – Tipologias e Autores em Estratégia TIPOLOGIA OBJETIVOS AUTOR ANO Chandler Learned et al Ackoff Andrews Rhenman Rumelt Drucker Lorange & Vancil Steiner & Miner Miles & Snow Christensen et al. 1962 1965 1970 1971 1973 1974 1977 1977 1977 1978 1978 Hofer & Schendel Ansoff Fahey & Randall Johnson & Scholes Bethlem 1978 1984 1998 1999 2001 TIPOLOGIA VANTAGEM COMPETITIVA COMPETËNCIA ESSENCIAL INTERAÇÃO C/ COMPETIDORES n/a AUTOR Porter Andrews Henderson Hax & Majluf Pfeffer Fahey & Randall Hofer & Schendel Andrews Quinn Werther & Kerr Hamel & Prahalad Von Neumann & Morgensten Simon Newmann Schelling Allison Quinn Dixit & Nalebuff Zaccarelli ANO 1980 1987 1989 1991 1998 1998 1978 1987 1992 1995 1995 1944 1947 1950 1960 1971 1991 1992 2000 Fonte: Boaventura & Fischmann (2003) – tabela adaptada pelo autor 4 TABELA 4 – Características dos Três Grupos de clubes de Futebol Europeu, segundo AT KEARNEY (2000) 5 6