FACULDADE DE ECONOMIA E FINANÇAS IBMEC
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
DISSER TAÇ ÃO D E MES TR ADO
PROFIS SIO NALIZ ANTE E M AD MI NIS TR AÇ ÃO
ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA: UMA
COMPARAÇÃO DA COMPETITIVIDADE DO
FUTEBOL BRASILEIRO COM O FUTEBOL
EUROPEU (G-5) USANDO MÉTODOS
QUANTITATIVOS.
CLAUDIO VICENTE DI GIOIA F. SILVA
ORIE NTAD OR: MARI A AUG US TA MAC HAD O
Rio de Janeiro, 17 de Novembro de 2006
“ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA: UMA COMPARAÇÃO DA COMPETITIVIDADE
DO FUTEBOL BRASILEIRO COM O FUTEBOL EUROPEU (G-5), UTILIZANDO
MÉTODOS QUANTITATIVOS ”
CLAUDIO VICENTE DI GIOIA FERREIRA SILVA
Dissertação apresentada ao curso de
Mestrado
Profissionalizante
em
Administração como requisito parcial para
obtenção do Grau de Mestre em
Administração.
Área de Concentração: Administração
Esportiva com Métodos Quantitiativos
ORIENTADOR: MARIA AUGUSTA MACHADO
Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2006.
““ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA: UMA COMPARAÇÃO DA
COMPETITIVIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO COM O FUTEBOL EUROPEU
(G-5), UTILIZANDO MÉTODOS QUANTITATIVOS ”
CLAUDIO VICENTE DI GIOIA FERREIRA SILVA
Dissertação apresentada ao curso de
Mestrado
Profissionalizante
em
Administração como requisito parcial para
obtenção do Grau de Mestre em
Administração.
Área de Concentração: Administração
Esportiva com Métodos Quantitiativos
Avaliação:
BANCA EXAMINADORA:
_____________________________________________________
Professor MARIA AUGUSTA MACHADO (Orientador)
Instituição: IBMEC-RJ
_____________________________________________________
Professor LUIZ ALBERTO NASCIMENTO CAMPOS FILHO (Co-orientador)
Instituição: IBMEC-RJ
_____________________________________________________
Professor FATIMA CRISTINA BACELLAR
Instituição: USP
Rio de Janeiro, 17 de Novembro de 2006.
FICHA CATALOGRÁFICA
658.4033
S586
Silva, Claudio Vicente Di Gioia Ferreira.
Administração esportiva: uma comparação da
competitividade do futebol brasileiro com o futebol europeu
(G-5) usando métodos quantitativos / Cláudio Vicente Di
Gioia Ferreira Silva. - Rio de Janeiro: Faculdades Ibmec.
2006.
Dissertação de Mestrado Profissionalizante apresentada
ao Programa de Pós-Graduação em Administração das
Faculdades Ibmec, como requisito parcial necessário para a
obtenção do título de Mestre em Administração.
Área de concentração: Administração geral.
1. Métodos quantitativos. 2. Administração esportiva . 3.
Competitividade. 4. Futebol – Equilíbrio competitivo.
AGRADECIMENTOS
“Um brinde! Ao prazer da pesquisa de campo, à desculpa
acadêmica, à quebra de um mito: se não há razões nas
paixões dessa vida, nao poderia ter ao menos um capítulo
escrito”.
(Claudio Vicente Di Gioia, em ´Tendências do
Mercado de Cerveja no Brasil`, Monografia, UFRJ,
Dez 2001, Defendida em 2002)
Considero essa defesa de dissertação no mestrado em administração – “
Administração Esportiva: Uma Comparação da Competitividade do Futebol
Brasileiro com o Futebol Europeu (G-5), utilizando métodos quantitativos” –
um segundo passo de um legado, que pude descrever primeiramente por
ocasião de minha monografia, quando então me formava bacharel em
economia, e com trecho de dedicatória então reescrito no começo dessa seção.
Na defesa do tema “Tendências do mercado de cerveja no Brasil” já começava
a trajetória, ainda incompleta, sobre os três impulsionadores tradicionais de um
brasileiro comum, embora não necessariamente nessa mesma ordem de
prioridade, ou simplesmente seguindo essa ordem, pela necessidade de um
entendimento ainda maior sobre o universo feminino, que ainda não ousei
descrever.
E como motivador intrínseco e em analogia ao próprio título dessa dissertação,
agradeço aos que colaboraram para que eu pudesse concluir esse trabalho,
utilizando- me da máxima que compartilho: Competitividade não é nada sem
Talento!
Agradeço também aos meus familiares, em especial a minha irmã Inês Caterina Di Gioia.
1
RESUMO
O futebol como negócio tem sido encarado como uma indústria crescente e tem como um dos
seus temas relevantes o equilíbrio competitivo dos clubes, à medida que a concentração de
títulos e vitórias dos mesmos é tida como um risco para a indústria. Este risco é representado
pela ameaça de falência de clubes, falta de atratividade dos jogos para o torcedor e
aparecimento de campeonatos rivais. Além disso, a falta de equilíbrio, por sua vez, significa
não maximizar a quantidade de torcedores que comparece aos estádios ou assiste aos jogos
pela televisão, por conta da previsibilidade do resultado final, que aliada à qualidade do jogo e
ao sucesso do time do torcedor constituem os principais elementos para a demanda por jogos
de futebol. Esse trabalho procurou testar esse equilíbrio competitivo na série A do
Campeonato Brasileiro, comparando com os cinco maiores campeonatos europeus
(Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália). Foram utilizadas medidas de concentração
industrial, em especial o indicador HHI (Herfindahl- Hirschman), baseados nos trabalhos de
Oughton and Michie (2004) e Dell’Osso. F & Symanski, S (1991) para testar equilíbrio
competitivo sazonal (por temporada) e no longo prazo. O trabalho ainda tem como cenário o
novo modelo de campeonato em pontos corridos adotado no Brasil em 2003, copiando o
formato Europeu. Os resultados mostram que o Campeonato Brasileiro é o mais equilibrado
dentre os pesquisados. Entretanto, boa parte desse equilíbrio se deve à falta de estrutura e
capacidade administrativa dos clubes de manter times competitivos por mais de uma
temporada, devido à necessidade de fazer caixa com a venda de jogadores. A análise ainda
pode ser classificada como precoce com relação à influência atual desse novo modelo de
campeonato. No entanto, os clubes já podem ficar em alerta quanto a essa temática.
Palavras Chave:
Competitividade.
Administração
Esportiva,
Futebol,
Equilíbrio
Competitivo,
2
ABSTRACT
Football as a business ha s been faced as a growing industry. Amongst the relevant subjects for
this industry it’s distinguished the Competitive Balance of the clubs due to the perception of
the risks derived from the concentration of titles and victories. These risks are represented by
the threat of bankruptcy of clubs, lack of attractiveness for the supporters and the appearance
of rivals’ leagues. Besides, the lack of competitive balance means that the supporters are not
maximized in the long run since the match outcome is predictable. Besides, the prediction of
the game allied to the games´ quality and the club success all represent the main elements for
the football games demand. This work aim to test the competitive balance of Campeonato
Brasileiro Série A comparing with the big five leagues in Europe (Germany, Spain, France,
England and Italy). It was utilized measures of industry concentration, specially the HHI
index (Herfindahl- Hirschman), based on the works of Oughton and Michie (2004) and
Dell´Osso, F and Symanski, S (1991) in order to test both the seasonal and the long run
balance. In addition, this work has as new scenario, adopted in 2003 in Brazil, copying the
existing models in Europe – Pontos Corridos - (Each club played the other twice, once at
home and once away, and the winner is the club that makes more points after all games). The
results show that the Brazilian Championship is the most Balanced League amongst the
leagues studied. However, this result is influenced by the lack of structure and club
management in order to build competitive teams in the long run usually associated with the
need of cash derived from players’ transfers. Due to the fact that the new model of league in
Brazil is very recent, this analysis need more time to mature, but the clubs can already be alert
in response of this subject.
Key Words: Sports Management, Football, Competitive Balance, Competitiveness.
3
LISTA DE FIGURAS
Figura 01
Figura 02
Figura 03
Figura 04
Figura 05
Figura 06
Figura 07
Figura 08
Figura 09
Figura 10
Figura 11
Figura 12
Figura 13
– Curva de Lorenz
– A Estrutura da Industria do Futebol
– Stakeholders do Futebol Brasileiro
– Cadeia Produtiva e Clientes da Indústria
– Fontes de Receitas dos Clubes Europeus
– Stakeholders do Futebol Brasileiro
– Estrutura Organizacional do Futebol Brasileiro
– Impacto do Equilíbrio Competitvo na Curva de Demanda
– Ciclo Virtuoso do Futebol Europeu
– Caracteristicas dos Clubes de Futebol Europeu
– Distância entre os Clubes de Futebol Europeu
– Comparativo Sazonal em Relação ao Máximo Desequilíbrio
– Curva de Tendência (Sazonal) em Relação ao Máximo Desequilíbrio
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67
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LISTA DE TABELAS
Tabela 01 – Máximo Desequilíbrio para 20 times
Tabela 02 – Máximo e Mínimo Desequilíbrio - Resumido
Tabela 03 – Exemplo de Calculo para Longo Prazo
Tabela 04 – Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Brasileiro
Tabela 05 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Inglês
Tabela 06 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Italiano
Tabela 07 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Espanhol
Tabela 08 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Alemão
Tabela 09 – Calculo do Índice de Concentração de (HHI) para o Campeonato Francês
Tabela 10 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Inglês
Tabela 11 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Espanha
Tabela 12 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato França
Tabela 13 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Alemanha
Tabela 14 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Italia
Tabela 15 – Calculo de Dominancia de Longo Prazo para o Campeonato Brasileio
Tabela 16 – Tabela Agrupada de Concentração no Longo Prazo
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LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Objetivo da Pesquisa
12
4
SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO
2 – O PROBLEMA
2.1 – CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
2.2 – FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
2.3 – OBJETIVOS
2.3.1 – OBJETIVOS PRINCIPAL
2.3.1 – OBJETIVOS INTERMEDIARIOS
2.3 – RELEVANCIA DO ESTUDO
2.4 – DELIMITAÇÃO DO ESTUDO
3 – REVISÃO DE LITERATURA
3.1 – COMPETITIVIDADE E CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
3.1.1 – COMPETITIVIDADE E TEORIA DA CONCORRÊNCIA
3.1.2 – CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
3.1.2.1 – MEDIDAS DE CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
3.1.3 – VANTAGENS COMPETITIVAS
3.1.3.1 – DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIA
3.1.3.2 – ESTRATÉGIA E VANTAGENS COMPETITIVAS
3.1.3.3 – SUSTENTANDO UMA VANTAGEM COMPETITIVA
3.2 – FUTEBOL COMO INDUSTRIA – CONTEXTUALIZAÇÃO
3.2.1 – A INDUSTRIA DO FUTEBOL
3.2.2 – O FUTEBOL EUROPEU E OS GRANDES CENTROS (G-5)
3.2.3 – O FUTEBOL BRASILEIRO
3.3 – EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL
3.3.1 – CONDICIONANTES DO EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL
3.3.2 – FORMANDO CLUBES COMPETITIVOS
3.3.3 – MEDIDAS DE EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL
4 – METODOLOGIA
5 – RESULTADOS
5.1 – CALCULO SAZONAL
5.2 – CALCULO DE DOMINANCIA
5.3 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
5.3.1 – ANALISE SAZONAL
5.3.2 – ANALISE DE LONGO PRAZO
5.3.3 – ANALISE FINAL POR CAMPEONATO NACIONAL
5.3.4 – ASSOCIAÇÃO DO TEMA COM PADRÃO DE CONCORRENCIA E
PAPEL DA ESTRUTURA
5.3.5 – INDICADOR DE CONCENTRAÇÃO (EX-POST)
5.3.6 – PAPEL DAS CONDUTAS DAS EMPRESAS E BUSCA DE
VANTAGENS COMPETITIVAS
5.3.7 – ANALISE DA INFLUENCIA DO NOVO MODELO DE CAMPEONATO
BRASILEIRO
5.4 – ANALOGIA COM OUTROS ESPORTES
5.5 – SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS
6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
APENDICE
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1. INTRODUÇÃO
Esse t raba lho te m co mo ob jet ivo tes tar o equil íbr io co mpet it ivo e ntre os c lubes q ue d isp uta m
a “Sér ie A” do ca mp eo nato bras ile iro e m co mpa ração co m o s c inco ma io res ca mpeo na tos
europ e us ( Ale ma nha, Espa nha, Fra nça, I nglater ra e I tá lia).
As preoc upaçõe s re la t iva s a esse te ma estão as soc iada s ao r isco de co nt inuidad e da ind úst r ia,
à med ida q ue a co nc e ntra ção de vitór ia s e t ít ulo s sob re o s mes mos t ime s ger a perd a de
atrat ividad e para os torcedo res. Va le r essa ltar q ue a de ma nd a por jo gos de futebo l é
influe nc iada pe lo s uces so do t ime do torcedo r, pe la q ua lid ade do jo go e pe la impre vis ib ilidade
do res ultado (DUCREY et a l.,2003 ). Ass im, o deseq uilíb r io e ntr e os c lubes es tá re lac io nado à
a meaça de fa lê nc ia de c lube s me nore s e o aparec ime nto de ligas (ca mpeo natos ) r iva is
(OUGHTON AND M ICHI E, 2004).
O debate sob re co mpet it ividade e co ncorrê nc ia te m or ige ns na lite rat ura eco nô mic a e
ad ministr at iva. A part ir da teo r ia de co ncor rê nc ia é poss íve l e nte nder sob re o conce ito de
co mpet it ividade e m s i, be m co mo s ua e vo lução nas esco la s c lá ss ica s, ma r xis ta, neoc láss icas,
schumpete r ia na, d e ntre o utra s q ue serão aprese ntadas na re vis ão de liter at ura d este traba lho.
O trata me nto sobre eq uil íbr io de me rcado, a b usca de opo rt unidade e ino vação, os mode los de
estr ut ura- cond uta e dese mpe nho, be m co mo os e nte nd ime ntos sobre padrão d e co nco rrê nc ia e
adequaç ão das e str até gias co mpõe m a base do co nce ito q ue será tes tado nes te t raba lho. Para
isso, serão ut iliza dos ind icado res d e co nce ntração co muns na litera t ura eco nô mica e de
regulação ind ust r ia l descr itos e m Bo ff e Rese nde (2002); Ara újo, Neto e Po nce (2005 );
Bikke r e Haa f (2000 & 2002 ) e Possa s et a l, (1997). De nt re e le s, o ma is co nhec ido é o HHI
6
(Her finda hl- Hir sc hma n), ut il izado p e lo Federal Trade Comiss ion do Depart a me nto de J ust iça
dos Es tados Unidos pa ra j ulgar fusões e aq uis ições (S HY, 1995 ) 1 .
No ent a nto, o s res ultado s e nco ntrados por e sses ind ic adores não e xp lica m co mo dete r minadas
e mpresa s, e nes se caso est udado, os c lubes de futebo l, a lca nçara m det er minada pos ição
pr ivile giada fre nte aos o utro s. Alé m d isso, os ind icado res de co mpet it ividade a lc a nçados hoje
parece m s er função d e est raté gias e invest ime ntos ado tados a nter io r me nte (K up fe r 2005).
Nesse conte xto, é necessá r io e nte nder a d isc us são sobre est raté gias e va nta ge ns co mpet it ivas e
co mo os club es de futebo l lida m co m e las. Os mode los de rece ita, a fo r ma de re la c io na me nto
co m os tor cedores, e mes mo a a meaç a de prod uto s s ubs t it utos, na área de e ntre te nime nto,
influe nc ia m a c ur va de de ma nda pe lo s ca mpeo na tos (PORTER, 1998). No e nta nto, exis te m
exe mp los re le va ntes p ara a co nstr ução de c lubes co mpet it ivo s ( DELL´OSSO AND
SYMANSKI, S, 1991)
Est e t raba lho le va rá e m co nt a os mode lo s par a te star eq uilíb r io co mpet it ivo sa zo na l (por
te mporad a) e no lo ngo pra zo, co nfor me metodo lo gias ut ilizad as por O ughto n a nd M ic hie
(2004) e De ll’Os so e S yma nsk i, S (1991), assoc ia ndo os res ultados obt ido s à lite rat ur a da
ad ministr ação e à co nst r ução de eq uipes q ue co nt inua me nte e ntra m e m um c ic lo vir t uoso de
res ultados operac io na is e fina nc e iro s (LAM, 2006). A int erpre tação le va rá e m conta o no vo
cená r io bras ile iro, q ue a par t ir de 2003 passo u a adota r um mode lo de pontos corr idos,
cop ia ndo os fo r ma tos adotado s na Europa.
1
Tabela 1 do Apêndice
7
2. O PROBLEMA
2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
O esporte mundial tem sido encarado como uma indústria crescente que movimenta cerca de
US$ 1 trilhão por ano. Nessa indústria, o futebol gira aproximadamente US$ 250 bilhões
anuais sendo o Brasil responsável por cerca de 1% desse valor. A crescente comercialização
e globalização do futebol fizeram com que novos temas surgissem e dentre eles podemos
destacar: riscos associados à competitividade; necessidade de gestão profissional; criação de
clube-empresa; estratégias e marketing esportivo; contabilidade; accountability, dentre outros.
Este trabalho tem como propósito: i) entender os riscos associados à competitividade das ligas
de futebol; ii) comparar o equilíbrio competitivo nos cinco maiores mercados do futebol
europeu (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) com relação ao futebol brasileiro;
iii) Analisar o impacto do novo modelo de campeonato adotado no Brasil em 2003 e; iv)
interpretar os resultados à luz da literatura da administração.
Va le res sa ltar q ue as preoc upa ções e m tor no da fa lta de co mpe t it ividade no r ma lme nte e stão
re lac io nadas a q ues tões co mo : Conc e ntra ção I nd ust r ia l, Poder de Mer cado, Re gulação
Eco nô mica, Barr e ira s à Entrad a e Po lít ic a I nd us tr ia l, ap licadas à o utra s ind ús tr ias.
No caso da ind us tr ia futebo lís t ica, es ses te mas pode m ser e nco nt rados e m s it uações co mo a
existê nc ia de mo nopó lio de dire itos de tra ns missão das part idas, pat roc ínio/co- gest ão de ma is
de um t ime na mes ma liga pe lo mes mo gr upo (e xe mp lo da Empre sa Par ma la t q ue p atroc ina va
dois c lubes no Bras il – Pa lme iras e J uve nt ude ) e a co mpra de t imes por e mp resas de míd ia
8
(BSk yB e Ma nc hes ter United). Na Europa, esses e xe mp lo s j us t ifica m a prese nç a de ór gãos
reguladore s co mo ma is um st ak eholder dessa ind ustr ia, fisca liza ndo poss íve is mo nopó lios e
atos q ue ve nha m a pre j ud ica r aos o ut ros st ak eholders, co mo o s torc edores e jo gadore s. No
Bras il, e sse par ece se r um te ma q ue a inda ca rece de ma io res es t udos e a te nção po r par te das
inst it uições q ue re gula m e co ma nda m o futebo l.
De ntro dessa a mp la d isc uss ão e m to r no da co mpet it ividade na ind úst r ia do futebo l, o pres e nte
traba lho pr io r iza o es t udo dos r is cos da co nce ntr ação de vitó r ias e t ít ulos e m to r no de
deter minados t imes, e m opos ição aos se us r iva is, carac ter iza ndo uma do minâ nc ia daq ue les
sobre esse s últ imo s, pre j ud ica ndo o s ucesso do s ca mpeo na tos a lo ngo pra zo. A pesq uisa terá
co mo obje t ivo co mb inar uma a ná lise sa zo na l (por te mpo rada) e de do minâ nc ia.
Nesse conte xto, a p reoc upação de ste t raba lho está vo ltada pa ra o eq uilíb r io e ntre os c lubes
que d isp uta m os ca mpeo na tos nac io na is de futebo l, e m s ua s pr ime iras d ivisões ( “Sér ie A”
bras ile ir a e os c inco ma iores e urope us ). O nive la me nto ge ra ma ior ince rte za do re s ultado de
uma part ida e por co nseq üê nc ia do ca mpeo na to ( liga) co mo um todo. A fa lta de eq uilíb r io,
por s ua ve z, s ignif ica não ma ximiza r a q ua nt idade de torcedor es q ue co mp arece ao s estád ios
ou as s is te aos jo gos pe la te le visão, por co nta da pr e vis ib ilidade do res ultado fina l, q ue a liada à
qua lidade do jo go e ao s uce sso do t ime do torcedor co ns t it ue m os pr inc ip a is e le me nto s par a a
de ma nda por jo gos de futebo l.
Liga s deseq uilib radas ta mbé m pode m res ulta r e m r iscos co mo a a meaça de fa lê nc ia de c lubes,
a meaça de outras ligas r iva is e cr iação de gra ndes gaps de rece ita de ntro das ligas,
aume nta ndo o r isco da ind úst r ia ao ince nt ivar uma est r ut ura q ue e ncora ja o s c lubes a gas tar
a inda ma is para gara nt ir s ucesso.
9
Dess a forma, co m a falta de e qui lí brio co mpe tit ivo, os cl ube s e as ligas es port ivas
pas s aria m a i nco rre r no ris co de pe rda g ra dativa de es pe ctado re s , aliado a pos s ibi li da de
de do mi nâ nc ia po r a lg uns clube s , (s azona l o u no lo ngo pra zo) e a ame aça de
cont i nui da de de clube s e ligas .
O traba lho a inda te m co mo c e nár io a mud a nça do mode lo de ca mpeo nato adotado pe los
c lubes no Bras il, e m 2003, e m uma te nt at iva de se ‘cop iar’ os ca mpeo na tos nac io na is
europ e us q ue ut iliza m o for mato d e po ntos cor r idos. As co nc lusões, a inda p recoces, de vido
ao pouco te mpo pa ra a ná lises e co mparaçõ es, es tarão t a mbé m re la c io nadas à esco lha d esse
‘no vo ’ for mato.
Est e t raba lho te rá s ua re visão de lit era t ura d ivida e m t rês pa rte s : i) Ap rese nt ação da d is c ussão
sobre co mpet it ividade, co ncor rê nc ia e co nce nt ração ind ust r ia l; ii) Co nte xt ua lizaç ão da
Ind ustr ia do F utebo l, os aspec tos es tr ut ura is e o ce nár io desse espo rte na Europ a e no Br as il;
iii) Apres e ntação dos te mas ma is espec íficos desse t raba lho, e m to r no do equilíb r io
co mpet it ivo no futebo l.
2.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
As perguntas formuladas para orientar o trabalho são:
§
Qua is os r isco s/pe r igos da fa lta de co mpet it ividade na s liga s espor t ivas e e m espec ia l
nos ca mpeo na tos de futebo l?
§
Como o futebo l b ras ile iro pode ser co mparado ao fut ebo l e urope u e m te r mo s de
co mpet it ividade /eq uilíbr io espor t ivo ?
10
§
O que e xp lica ess e níve l de co mpe t it ividade no futebo l b ras ile iro?
§
O mode lo de po ntos corr idos, adotado e m 2003, pode influe nc ia r esse eq uilíb r io
co mpet it ivo ?
2.3 OBJETIVOS
Os objet ivo s fora m c lass ific ados e m d uas par tes, co nfor me descr ito ad ia nte : i) Obje t ivo
Pr inc ipa l; ii) Obj et ivo s I nter me d iár ios.
2.3.1
OBJETIVO PRINCIPAL
O objetivo principal deste trabalho está em comparar e interpretar os níveis de
competitividade do futebol brasileiro com o futebol europeu, mais especificamente os cinco
maiores centros do futebol mundial (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália). A
interpretação dos resultados terá relação com o risco de dominância de alguns clubes, falência
de outros e redução dos torcedores expectadores no lo ngo prazo. Serão analisadas ainda, as
características da estrutura e da gestão do futebol brasileiro que possam vir a influenciar os
resultados obtidos, bem como os impactos da mudança do modelo de campeonato, atualmente
em pontos corridos, seguindo os padrões dos campeonatos nacionais europeus.
Para ilustrar o objeto e o sujeito da pesquisa é apresentada no Quadro 1, baseada em
Tachizawa (2002), contendo o tipo de organização e tema definido.
11
Quadro 1: Objetivo da Pesquisa
Sujeito: Administração Esportiva
Objeto: A Indústria do Futebol
Título: Comparando a Competitividade do Futebol Brasileiro com o Futebol Europeu (G-5)
Interpretações e Sugestões
Sujeito e objeto
Tipo de organização
Tema definido
delimitado
Pesquisa Quantitativa Clubes
de
Futebol Comparar a competitividade (equilíbrio)
em
Administração brasileiros competindo dos cinco maiores campeonatos europeus
Esportiva
na primeira divisão.
com o Brasileiro, em uma ótica sazonal
(por temporada) e de dominância de
longo prazo.
2.3.2
OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS
Este trabalho tem como objetivos intermediários:
§
Aprese ntar b re ve d isc ussão sobre Co mpet it ividade e Med id as de Co nce ntração
Ind ustr ia l
§
Rea lizar um es t udo e xp lor atór io do F utebo l co mo I nd úst r ia
§
Conte xt ua lizar o F utebo l Bra s ile iro, o s at ua is prob le ma s e s ua es tr ut ura.
§
Aprese ntar s ugestõe s de pesq uisa para o futebo l e o ut ros espo rtes
2.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO
Apesar de sua relevância e disseminação internacional, o futebol é um esporte que carece de
estudos detalhados e de pesquisas acadêmicas principalmente relativas aos novos temas, como
governança, competitividade e globalização. Essa é uma tentativa de aumentar a literatura no
âmbito da pesquisa em administração relacionada ao esporte e mais especificamente ao
12
futebol, apresentando um objeto de pesquisa diretamente ligado a continuidade desse esporte
no longo prazo (Competitividade e Equilíbrio entre os clubes).
Além disso, esse pode ser um primeiro passo em direção a um debate sobre competitividade,
principalmente do ponto de vista de dominância de longo prazo por certos clubes no Brasil. O
assunto permite aos clubes e as instituições responsáveis pela gestão e organização do futebol
avaliarem e anteciparem aos riscos à indústria, provenientes do tema, ou seja, as preocupações
oriundas da presença dos mesmos clubes repetitivamente nas primeiras posições do
campeonato brasileiro.
2.5 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO
Este estudo será restrito ao comparativo dos níveis de competitividade e equilíbrio esportivo
no Brasil e nos cinco maiores centros do futebol europeu: Itália, Alemanha, Espanha,
Inglaterra e França. A pesquisa leva em consideração trabalhos como o do Football
Governance Research Centre da Universidade de Londres (Birbeck, University of London),
tal qual Oughton and Michie (2004), que sumariza as medidas de competitividade utilizadas
na literatura, conforme demonstrado na tabela B do apêndice desse trabalho.
O período utilizado para comparação é de dez anos, principalmente devido às dificuldades de
se obter padronização dos dados para os campeonatos brasileiros anteriores, que contavam
com muitos times e fórmulas diferentes de disputa.
Além disso, não serão tratados como foco principal desse trabalho os temas relativos a
Marketing de Serviços e Marketing Esportivo. O trabalho se limitará a pesquisa quantitativa
13
de equilíbrio competitivo e as analises dos resultados tendo em vista a literatura em torno de
competitividade e vantagens competitivas.
14
3. REVISÃO DE LITERATURA
Com o objet ivo de abordar o debate sobre eq uilíb r io co mpe t it ivo na ind ús tr ia futebo l, a
revisão de lit era t ura des te t raba lho está d ivid ida e m três p arte s.
A pri me i ra pa rte apre s e nta a dis cus s ão s obre compe ti tivi da de , co nco rrê nc ia e
conce nt ração i ndus t rial, ass untos muito a na lisados e m eco no mia ind us tr ia l, re gulação
econô mica e e m est raté gias ad min ist rat ivas. Nessa pr ime ira pa rte se rão introd uzidas as
med idas de co nce ntração ind ust r ia l q ue serão pos ter io r me nte ap licadas ao deba te sobre
equilíb r io co mpet it ivo no futebo l, co mo par te da pesq uisa dess e trab a lho.
A s e gunda pa rte conte xtual i za a I ndus t ria do Fute bo l, os as pe ctos e s trut ura is e o ce nário
de ss e es porte na Euro pa e no B ras il. Os pr inc ip a is p layer s, as c las s ificaçõe s dos torcedo res,
os mod e los de rec e it a e as d ifer e nças e nt re o mercado br as ile iro e o europ e u serão
enfat izados.
Na te rce ira pa rte se rão apre s e ntados os te mas mais es pe cíficos des se tra bal ho, e m to rno
do e quil í brio co mpe ti tivo no f ute bo l. A ut iliza ção das med idas de co nce nt ração, as
cond ic io na ntes para for mação de c lubes co mpet it ivos e a lguns e xe mp los his tór ico s serão
aprese ntado s.
3.1 COMPETITIVIDADE E CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
O objetivo dessa seção é introduzir os conceitos de competitividade e concentração divididoos em três partes.
15
§
A primeira parte analisa o conceito de competitividade em si e a teoria de
concorrência.
§
A segunda parte está destinada ao tema de concentração industrial e as medidas de
concentração utilizadas nas análises industriais.
§
A terceira parte está destinada a uma visão mais relacionada à busca de vantagens
competitivas por parte das empresas.
3.1.1
COMPETITIVIDADE E TEORIA DA CONCORRÊNCIA
O conceito de competitividade revela lacunas não só associadas a estudos sobre estrutura e
políticas industriais, bem como aos desafios metodológicos para trabalhos que tem como
objetivo diagnosticar uma situação competitiva de determinada industria ou cadeia produtiva
(TEIXEIRA E GUERRA, 2003). Segundo Kupfer (2005), a principal insuficiência está na
redução da noção de competitividade a algo que se esgota no produto ou na firma, ao invés da
percepção de que esse é um fenômeno que ocorre no âmbito da indústria (conjunto de firmas)
e do mercado (a parcela de demanda a ser conquistada ou mantida pela firma, o verdadeiro
espaço de concorrência intercapitalista). Assim, antes mesmo de escolher indicadores mais
adequados para avaliar determinada competitividade industrial é mister entender o conceito
propriamente dito.
Chudnosky (1990, p.8) trabalhou o conceito de competitividade em torno do que considera
enfoques microeconômicos e macroeconômicos. O enfoque micro está ligado diretamente à
firma, como aptidão para projetos, produção e vendas. Já o macro está ligado à capacidade
que as economias nacionais têm de apresentar determinados resultados econômicos.
16
A organização desse tema por Haguenauer (1989) parece pertinente ao separar em duas
famílias o conceito de competitividade: i) competitividade como desempenho – seria expressa
na forma de participação de mercado (market-share) alcançada pela firma. Ou seja, é a
demanda que, ao arbitrar quais produtos são adquiridos, está definindo a posição competitiva
da firma.; ii) competitividade como eficiência – relacionada à capacidade da firma de produzir
bens com eficácia do ponto de vista de tecnologia, salários e produtividade vis à vis a
concorrência. Nesse caso, é o produtor que, ao escolher técnicas de produção (relação
insumo-produto) e submetido às suas restrições financeiras, tecnológicas e gerenciais, que
define a sua competitividade.
Em termos práticos, para Kupfer (2005), a incompatibilidade entre as duas vertentes
conceituais pode ser resumida ao seguinte dilema:
§
Para os d e fe nso res da ver são “des e mpe nho ”, co mpe t it ividade é um fe nô me no ex -post .
É o res ultado de vár ios fator es, de ntre o s q ua is a e fic iê nc ia té c nica. Co mpet it ividade
s inte t iza preço e não preço, inc luindo q ua lidade de prod uto e d ifer e nc iação, fa tores
esses q ue pode m até s er s ub jet ivos.
§
Para os d e fe nso res da ver te nte “e ficác ia ”, co mpet it ividade é um fe nô me no e x- a nte,
um gra u de cap ac itação das fir mas q ue se t rad uz e m téc nicas po r e las ut iliza das. Nesse
caso, o de se mpe nho ser ia a pro vá ve l co nseq üê nc ia da co mpet it ividade, e não s ua
expr essão.( HAGUEN AUER, 1989).
No entanto, há alguns problemas com o conceito de competitividade. Um deles está na
aceitação de que a eficiência produtiva se traduza em maior participação de mercado. Isto
significa, em verdade, concordar com as premissas de mobilidade do capital, inexistência de
17
barreiras à entrada e saída, além de se supor que os consumidores não têm preferências por
marcas. Em um debate ainda mais complexo, há ainda mais insuficiência em ambas
correntes (desempenho e eficácia) decorrente do tratamento estático que lhes é
habitualmente conferido, de tal forma que, em análise dinâmica, percebe -se que as
relações entre competitividade e desempenho ou eficiência são fundamentalmente
tautológicas (KUPFER 2005).
Na versão desempenho, o problema está no fato de que não se pode estabelecer causalidades
com as variáveis conhecidas a posteriori, como market share e taxa de crescimento.O que
explicaria as diferenças de desempenho ent re as firmas seria a taxa de sucesso dos
investimentos escolhidos (MANCKE 1974). A tautologia está na relação: se é competitiva a
firma que domina ou cresce no mercado, é igualmente correto que irá dominar ou crescer no
mercado justamente a firma que for competitiva.
Na versão eficiência, o problema está associado a um conceito simétrico a economias
empresarias, tais como escala, escopo, gerenciais ou aprendizado. As empresas parecem
competir ao longo do tempo com o propósito de reduzir custos e financiar suas estratégias, de
forma que, em um dado momento, o grau de eficiência da firma é na verdade
determinado por estratégias competitivas adotadas anteriormente.
Aceitando essas ponderações acima descritas, chega-se a conclusão que a análise de
competitividade não só possui caráter intertemporal, mas também que os conceitos de
desempenho e eficiência sozinhos não explicam o fenômeno por inteiro, mas o reduz a um
determinado ponto de uma seqüência temporal. Isso sugere que a competitividade não pode
ser entendida somente como uma característica de produto ou firma, e sim, como um conceito
determinado pelo padrão de concorrência vigente, ou como conclui Kupfer (2005, p.14):
18
“competitividade é a função da adequação das estratégias das empresas individuais ao
padrão de concorrência vigente”.
Nesse sentido, as obras de Schumpeter (1911; 1942), consideradas os primeiros passos da
teoria da concorrência, mostram-se pertinentes (POSSAS, 2002, p. 416). Esta teoria não
ortodoxa tem como principal contribuição ter inserido uma visão dinâmica e
evolucionista baseada no processo contínuo de difusão de inovações. Antes desses dois
trabalhos acima mencionados era possível juntar noções sobre o assunto nas escolas clássicas,
marxistas e nos autores neoclássicos. Ainda segundo Possas (2002, p.416) essas noções
podem ser resumidas como:
§
A noção clássica de concorrência – A noção básica da concorrência, adotada por
autores como Adam Smith e David Ricardo, supõe que existe mobilidade de capital
entre as diferentes indústrias, não existindo barreiras à entrada. Ou seja, existe a
possibilidade de livre iniciativa e a concorrência é vista como um processo pelo qual
os investimentos são atraídos pelas indústrias que proporcionam maior taxa de
retorno. Dessa forma, esse contínuo fluxo entre as diversas indústrias, na busca de
retornos acima da média, faz com que as taxas de lucro entre essas atividades tendam
a se igualar. O enfoque clássico se preocupa menos como o processo de concorrência
e mais com o resultado desse equilíbrio intersetorial, em torno de uma teoria de
equilíbrio geral, estática, e com taxas de lucro uniforme no longo prazo.
§
A concorrência em Marx – A concorrência para Karl Marx também era considerada
como um processo auxiliar, apesar de importante. Segundo Marx, a concorrência não
gera efeitos relevantes na economia, sendo vista apenas como um intermediário que
executa as leis de movimento econômico determinadas nas relações de produção e
19
pelas leis do capital. A teoria marxista aceita os pressupostos de mobilidade de capital
como um mecanismo de tendência de uniformização da taxa de lucro, mas também
introduz um conceito endógeno à economia capitalista: o progresso técnico. Esse
elemento será crucial no trabalho desenvolvido por Schumpeter em sua teoria
dinâmica da concorrência.
§
A noção neoclássica da concorrência – A concepção clássica foi estendida pelos
neoclássicos, como por exemplo, Marshall, fundador da Microeconomia. A noção de
concorrência perfeita em torno de um atomismo de mercado (pulverização da oferta e
da demanda) sugere que as empresas são tomadoras de preço e portanto são incapazes
de interferir no equilíbrio de mercado, caracterizado pelo preço que iguala os custos
marginais. Esse é um enfoque estático de eficiência alocativa muito utilizado em
políticas econômicas. A teoria neoclássica reconhece também o monopólio como o
outro extremo desse atomismo. Nesse caso, uma empresa tem concentração e poder de
mercado, maximiza lucros, não enfrenta produtos substitutos e existem barreiras à
entrada. As causas desse monopólio podem ser a propriedade exclusiva de matérias
primas, patentes de produtos, licenças governamentais ou monopólio natural (onde o
mercado só suporta uma empresa). Tanto os modelos de monopólio, quanto o de
competição perfeita, sofreram contestações inspirando teorias alternativas, como os
trabalhos de Sraffa (1926), Robinson (1933) e Chamberlin (1933) sobre competição
imperfeita
e
competição
monopolística.
Na
verdade,
em
paralelo
ao
desenvolvimento da concepção neoclássica foi surgindo um desconforto com o
papel omisso da firma, inteiramente passiva e incapaz de elaborar estratégias. A
crítica aos neoclássicos, nesse caso, está no fato de que as firmas não podem estar
inteiramente submetidas à ditadura do mercado (de acordo com a premissa
neoclássica do atomismo de mercado).
20
As três escolas apresentadas acima antecederam a teoria de concorrência de Schumpeter, hoje
conhecida como concorrência schumpeteriana. Nela, qualquer inovação é entendida como a
busca constante de lucros extraordinários e de diferenciação e obtenção de vantagens
competitivas entre os agentes (empresas) por meio de estratégias deliberadas. Nesse sentido,
a concorrência não é o contrário de monopólio e a busca de novas oportunidades, ou
inovações, em um sentido mais amplo, de ve gerar monopólios.
Esses monopólios podem durar mais ou menos tempo, dependendo da capacidade de novos
concorrentes de copiar, ou imitar a empresa inovadora.
A concorrência é um processo (ativo) de criação de espaços e oportunidades
econômicas, e não apenas, ou principalmente, um processo (passivo) de ajustamento
em direção a um suposto equilíbrio, nem supõe qualquer estado tendencial ‘normal’
ou de equilíbrio, como nos enfoques clássico e neoclássico. (POSSAS, 2002, p. 419)
Em conseqüência, a concorrência implica o surgimento permanente e endógeno da
diversidade, trazendo os conceitos de diferenciação de produto, diversidade estratégica e
variedade tecnológica, além da interação das estratégias competitivas das empresas. Essa
dinâmica industrial sugere que as situações monopolísticas criadas a partir de inovações
devem ser vistas como o resultado do processo competitivo.
A visão schumpeteriana ainda tem como hipótese que estruturas industriais oligopólicas com
maior grau de concentração são mais propícias à inovação tecnológica, e conseqüentemente, a
um melhor desempenho. (TEIXEIRA E GUERRA, 2003) Esta hipótese está de alguma forma
ligada ao modelo E-C-D (Estrutura, Conduta, Desempenho), que tem origens atribuídas à
Mason (1939).
21
A partir da década de 50, as proposições do tipo Estrutura-Conduta-Desempenho passaram a
ocupar o posto de paradigma teórico, sendo a contribuição de Bain (1959) uma ferramenta
básica de análise de organização industrial.
O modelo E-C-D tentou estabelecer relações causais entre estrutura, conduta (estratégia
empresarial) e desempenho. Nessa abordagem, a competitividade passou a ser associada a
indicadores, que por sua vez, são influenciados pela estrutura industrial na qual as empresas
estão inseridas. Muitos dos trabalhos em torno do modelo E-C-D, tais como Coase (1939) e
Williamson (1985) testaram essa relação causal entre concentração (um atributo estrutural),
inovação (uma decisão estratégica) e lucratividade (indicador de desempenho).
Segundo Teixeira & Guerra (2003), esses trabalhos empíricos não suprem a lacuna teórica
ainda existente sobre competitividade. Um deles está no desprezo da relevância da conduta
das empresas. A resposta a esse problema foi a aceitação de causalidades menos rígidas, o que
na verdade enfraqueceu o modelo de forma que “tudo depende de tudo”.
Já os Neo-schumpeterianos como Nelson e Winter (1977, 1982), Freeman e Soete (1997),
Dosi (1984) e Teece (1998) rompem com a idéia de que o mercado é a única instituição capaz
de garantir eficiência econômica e partem para uma abordagem dinâmica de estruturas de
mercado. Com a ótica neo-schumpeteriana, o processo de inovação passa a ser internalizado
de forma a transformar as estruturas industriais. A tecnologia passa a ser simultaneamente
componente estrutural e estratégico (conduta). Como elemento dinâmico, a mudança
tecnológica não é mais exógena, e a competição passa a ser constantemente influenciada por
novos produtos, novos processos e no vos segmentos de mercado (PORTER, 1989, p.21). A
eficiência estática num ponto é rapidamente superada por um índice de progresso mais
intenso.
22
A hipótese de endogeneidade também originou uma corrente alternativa, na organização
industrial a partir de 1970, deixando de lado as premissas do modelo E-C-D. A Teoria dos
Jogos, ou o que autores como Davies e Lyons denominam como New Industrial Organization
trata desempenho e estrutura como variáveis endógenas, enquanto as condições básicas e as
condutas seriam exógenas. Formula-se um equilíbrio das firmas que ajustam quantidades e/ou
preços de forma cooperativa, resgatando tradicionais modelos como o de Cournot, Bertrand,
ou Nash.
Acompanhando a corrente da endogeneidade surgiu a Teoria de Contestabilidade. Nela, o que
importa na determinação de desempenho são as condições básicas (funções de custo). Nessa
teoria, é mais relevante a concorrência potencial e não a real. A concorrência potencial, por
sua vez, seria determinada pela existência ou não de sunk-costs para o entrante.
A discussão até aqui apresentada se torna ainda mais importante por ocasião da formulação de
política econômica e política industrial tendo em vista a construção de ambientes
competitivos, formados por empresas competitivas.
Ambiente Competitivo, por sua vez, não está só relacionado à necessidade de estratégias
empresarias, mas também à criação de fatores sistêmicos favoráveis à concorrência e
competitividade tais como: criação de externalidades positivas, infra-estrutura, mão-de-obra,
financiamento e instrumentos de defesa de concorrência.
Conclui-se então, que existe toda uma interação entre os aspectos regulatórios, infraestruturais e sociais que influenciam a competitividade das empresas. Nesse caso,
empresas
competitivas
são
aquelas
que
tem
eficiência
técnica,
produtiva
e
organizacional. A busca de vantagens competitivas por parte das empresas, por sua vez,
23
passa a ser componente relevante para a industria como um todo 2 (POSSAS, 2002,
p.428).
Essa discussão na literatura econômica está diretamente relacionada à: concentração
industrial, barreiras à entrada, defesa da concorrência e regulação econômica, temas esses
debatidos e encontrados nos livros de economia industrial. Na administração, esses temas
surgem como base por ocasião das condutas da empresas e por conta do papel dos gestores
nas escolhas das estratégias implementadas.
Além disso, a concentração industrial, e mais especificamente as medidas de concentração,
são de interesse para a determinação do equilíbrio competitivo no futebol, entendido como
uma indústria que deve ter as mesmas preocupações quanto à competitividade e concentração
como qualquer outra. Esses temas serão trabalhados mais especificamente na próxima seção.
3.1.2
CONCENTRACAO INDUSTRIAL
Existe uma pratica recorrente em aproximar a estrutura de mercado à concentração industrial.
(Resende, 1994, p.24-33). Segundo Bain (1968), as seguintes características descrevem uma
estrutura de mercado: i) o grau de concentração descrito pelo número e distribuição de
tamanho dos vendedores do mercado; ii) o grau de concentração relativa aos compradores; c)
o grau de diferenciação dos produtos; iv) as condições de entrada no mercado (referindo-se a
existência de barreiras à entrada)
2
Na seção 3.1.3 será trabalhado o tema constante na literatura da administração e estratégia que é a busca
vantagens competitivas por parte das empresas.
24
A quantificação do componente estrutural, em termos de medidas sintéticas, ainda
encontra ampla utilização em Economia Industrial. As medidas de concentração
pretendem captar de que forma as empresas apresentam um comportamento dominante em
determinado mercado, em geral, associado à uma participação de mercado (market-share).
Nesse sentido, medidas de concentração são úteis para indicar preliminarmente os setores para
os quais se espera que o poder de mercado seja significativo.
No entanto, segundo Boff e Resende (2002, p.73) existem pelo menos três razões para que
esses indicadores, construídos a partir de participações de mercado não sejam completos nesse
tocante:
§
Se a entrada em um mercado for fácil, nenhuma empresa poderá exercer poder de
mercado, não importando o quão ampla seja sua participação atual.
§
Uma empresa pode ter grande participação no mercado devido a custos inferiores ou a
melhor qualidade de seus produtos, não necessariamente associando essa vantagem ao
poder de mercado.
§
O cálculo de medidas de concentração normalmente ignora produtos substitutos, ou
seja, pressupõe a delimitação de mercado.
Do ponto de vista regulatório, poder econômico está diretamente associado à capacidade de
aumentar preços sem atrair novos competidores e obter lucro acima do normal. A Lei
Brasileira (Lei 8884, art.20 §3 e §4) utiliza o termo posição dominante para designar o mesmo
conceito que poder de mercado. Nesse caso, posição dominante equivale a ter parcela
fundamental (20% ou mais) de um mercado relevante, apesar de não haver correlação perfeita
entre concentração industrial e poder de mercado.
25
Além disso, para Possas (1996), a determinação do poder de mercado esbarra nos conceitos
tais como: i) definição do mercado relevante; ii) análise das elasticidades de demanda e
oferta; iii) substitubilidade de produtos; iv) oferta potencial e entrantes no mercado; v) a
própria delimitação do que é poder de mercado (a aceitação de fatores como qualidade,
inovações ou qualidade de produtos como elementos capazes de restringira concorrência).
Independente desses fatores acima citados é indispensável, na análise de concentração
industrial, que se faça a quantificação da participação no mercado, seja ela calculada em torno
de capacidade produtiva, participação da empresa na quantidade vendida, ou do percentual do
faturamento da empresa nesse mercado. Por isso é importante entender os indicadores de
concentração, bem como suas utilidades e restrições, assuntos que serão apresentados a
seguir.
3.1.2.1 MEDIDAS DE CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL
Segundo Boff e Resende (2002, p.73), do ponto de vista classificatório, podemos classificar as
medidas de concentração como parciais, sumárias, positivas ou normativas. As medidas
parciais não utilizam os dados totais das empresas atuantes na industria em questão. O caso
mais exemplar desse tipo de medida é a razão de concentração, que será descrita mais à
frente. As medidas sumárias requerem dados sobre todas as empresas em operação. Um caso
dessa medida é o índice de Herfindahl-Hirschman que será apresentado mais adiante e que é
utilizado na análise de equilíbrio competitivo do futebol, conforme consta no Apêndice
(Tabela 2) desse trabalho. Por sua vez, as medidas positivas são unicamente função da
estrutura aparente de mercado (nível e distribuição das parcelas de mercado) e não dependem
de parâmetros comportamentais, sejam eles relativos aos produtores, ou aos consumidores.
26
Por fim, as medidas normativas são aquelas que levam em conta, além dos parâmetros
estruturais, os parâmetros comportamentais (Elasticidades, variações conjunturais e
coeficientes de aversão à incerteza).
As principais medidas de concentração descritas na literatura são: i) CRk (razões de
concentração); ii) HHI (Índice de Herfindahl- Hirschman); iii) E (Índice de Entropia de Theil);
iv) Critério de Lorenz.; v) RI (Índice de Rosenbluth); vi) CCI (Comprehensive Industrial
Concentration); vii) HKI (Hannah and Kay Index); viii) HTI (Hall- Tiedman).
Estes índices são descritos em Boff e Resende (2002); Araújo, Neto & Ponce (2005); Bikker e
Haaf (2000 & 2002); (Possas et al, 1997); dentre os diversos casos aplicados na regulação
anti-truste, em especial o HHI utilizado pelo Federal Trade Comission e do Departamento de
Justiça dos Estados Unidos para julgar fusões e aquisições (SHY, 1995).
Além dos trabalhos listados, cabe ressaltar os que constam também no apêndice (tabela B)
desse trabalho, por descrever alguns dos índices em trabalhos para a indústria do futebol e em
ligas esportivas de forma geral.
Em seqüência serão descritos alguns desses índices listados anteriormente, concentrando-se
nos que também fazem parte da literatura de equilíbrio competitivo no futebol, constantes na
seção 3.3.3 (Medidas de Equilíbrio Competitivo no Futebol) e que fazem parte da listagem no
apêndice (tabela2) desse trabalho: Razões de Concentração; Índice de Herfindahl-Hirschman;
Índice de Entropia, Curva de Loren. As outras medidas de concentração, listadas
anteriormente, e que não serão descritas no corpo deste trabalho constam no Apêndice (tabela
A).
27
Antes de explicar os índices, cabe introduzir algumas notações:
Seja Xi (Xi>0) a informação da empresa i (quantidade produzida, por exe mplo) que opera em
uma indústria, compreendendo n empresas: i = 1, 2, ..., n. Dessa maneira, a informação
agregada disponível para a indústria X pode ser descrita tal como: ? n i=1 Xi e as parcelas de
Mercado de cada empresa: si = Xi / X. Normalmente as empresas são classificadas em ordem
decrescente, de acordo com sua posição no mercado: X1 > X2 >... >Xn , de modo que a empresa
1 é a maior do mercado (s1 > s2 > ... > sn )
§
Razões de Concentração – A razão de concentração de ordem k é um índice positivo
que fornece a parcela de mercado das k maiores empresas da indústria (k= 1, 2, 3,...,
n). Assim, temos a seguinte fórmula:
k
CRk
= ∑ Si
i =1
Quanto maior o índice, maior é o poder de mercado exercido pelas k maiores
empresas. Dentre as principais deficiências desse índice (razão de concentração)
temos: i) ignora-se a presença das n-k empresas menores da indústria. Assim o índice
não terá, por exemplo, nenhuma alteração caso ocorra uma fusão de empresas que
façam parte do grupo de empresas n-k. ii) O índice não leva em consideração a
participação relativa de cada empresa no grupo das k maiores. Ou seja, Cr(4) de quatro
empresas com 25% de participação de mercado cada é igual ao Cr (4) de quatro
empresas sendo: duas com 45% cada e as outras duas com 5% cada. Ou seja, fusões
entre as empresas constantes em k, também não alterarão o total do índice.
28
§
Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) – Este é um índice positivo muito utilizado
conforme descrito anteriormente3 . “Desde o início de 1980, a Federal Trade
Commission dos Estados Unidos tem definido a utilização do índice HirschmanHerfindahl em substituição ao índice CR(4) para fins de política antitruste” (Boff, H &
Resende,H 2002). O índice varia de 1 e 1/n sendo que o limite superior está associado
ao caso extremo, o monopólio. O limite inferior do HHI decresce à medida que
aumenta o número de empresas. No limite (para n? 8) ele tende para zero.
n
HHI = ∑ Si 2
i =1
Como podemos ver na fórmula, o índice é a soma das participações de cada empresa
elevada ao quadrado, de forma a atribuir peso maior às empresas relativamente
maiores.
Ainda com relação à utilização do índice na política antitruste, as orientações emitidas
em 1992 pelo Federal Trade Commision a respeito de processos de fusões (Merger
Guidelines) instituem bandas referenciais com o objetivo de balizar a análise de
fusões. Nesse caso, três são as faixas propostas. i) 0= HH = 1000: não existe
preocupação quanto à competição na indústria, caso a fusão se concretize; ii) 1000=
HH = 1800: existe preocupação quanto à competição se o índice for maior ou igual a
100 pontos, com relação ao índice pré-fusão; iii) HH = 1800: existe preocupação
quanto à competição se o aumento do índice for maior ou igual a 50 pontos, com
relação à situação inicial (pré-fusão).
3
O índice HHI é mencionado utilizado por órgãos de defesa da concorrência. Nos EUA, por exemplo, o índice é
descrito por Shy (1995) e no Brasil em órgãos como o CADE. (Conselho Administrativo de Defesa Econômica –
www.cade.gov.br)
29
Nota-se que ao calcular o valor pontencial HHpós , o regulador assume
hipóteses simplificadoras; (...); fusão não gera sinergias; fusão não altera
posições de mercado das empresas não participantes; (...) Apesar destas
limitações, as faixas propostas no Mergers Guidelines fornecem critérios
diretores muito úteis para uma análise preliminar; (...) Seu emprego não
dispensa, todavia, detalhamentos posteriores”. (BOFF E RESENDE, 2002)
§
Índice de Entropia – Este índice foi proposto por Theil (1967) no contexto da Teoria
da Informação e que teve sua aplicação em economia industrial. A explicação desse
índice também pode ser encontrada em Braga e Mascolo (1982) e (Boff e Resende,
2002). Seja A um evento genérico e p sua probabilidade de ocorrência. A uma
mensagem confirmando a ocorrência de A vem associado o que chamamos de grau de
surpresa, o qual varia inversamente à p. O conteúdo informacional da mensagem,
notado h, é considerado como uma função crescente e derivável do grau de surpresa
associado à ocorrência de A, de modo que podemos expressá- lo como função
decrescente de p, a probabilidade do evento relatado na mensagem h(p), com h’<0.
Segundo Theil, com a utilização de logaritmo: h(p) = ln (1/p) = -ln(p).
O argumento anterior pode ser estendido para o caso de n eventos (A1 , A2 , ..., An ), com
probabilidades (p1 , p2 , ..., pn ). Essas probabilidades somam 1 se pelo menos um desses
eventos certamente ocorrer. Pode-se calcular o conteúdo informacional esperado da
mensagem relatando a ocorrência de um desses eventos tomando-se a esperança
matemática de h(p) com relação à distribuição de probabilidade p1 , p2 , ..., pn :
n
E (h) = ∑ pi .h( pi )
i =1
Assim fica definido como Índice de Entropia, notado ET, usando a especificação de
Theil para o conteúdo informacional:
30
n
ET = ∑ pi . ln(1 / pi )
i =1
Este índice pode ser interpretado como uma medida inversa de concentração. Braga e
Mascolo (1982) particularizam a interpretação para o contexto de Economia Industrial
substituindo pi pela parcela de mercado si da firma i. Reescrevendo a formula para si
temos:
n
ET = −∑ si . ln( si )
i =1
Dessa forma, dada a ocorrência de uma venda no mercado industrial, a probabilidade
que esta venda tenha sido efetuada pela empresa i é si, e a contribuição desta para o
conteúdo informacional presente na mensagem é “–si ln(si)”, de modo que o índice ET
estará indicando o conteúdo informacional esperado da ocorrência, calculado sobre
todas as empresas da indústrias. Assim, o limite inferior do índice é igual a zero, para
o caso de 1 produtor somente, ou seja, o monopólio.
§
Curva de Lorenz - A curva de Lorenz é obtida quando se mede ao longo do eixo
vertical a fração acumulada da participação das empresas no mercado e, no eixo
horizontal, a fração acumulada que elas representam no total de empresas existentes.
Caso a participação nas vendas fosse a mesma para todas as empresas, a cada fração X
acumulada do número de empresas (i = 1,2, ..., n), corresponderia uma fração idêntica
Y no total de vendas (i = 1, 2, ..., n), de tal forma que a representação gráfica seria
uma reta com inclinação de 45o . Essa situação poderia ser representada pelo segmento
31
de reta AC na Figura 1, chamada de linha de perfeita igualdade ou reta de
equidistribuição.
No caso extremo, em que toda a venda estivesse concentrada apenas em uma empresa,
teríamos a chamada linha de perfeita desigualdade, representada na Figura 1 pela linha
ABC. Em estudos de concentração de mercados, a distribuição normalmente tende a
localizar-se entre estes dois extremos, como por exemplo, a linha AEDC na Figura 3.
Neste caso, o nível de desigualdade da distribuição pode ser medido pela área
compreendida entre a reta de perfeita distribuição AC, e a linha de desigualdade
AEDC, medida pela chamada Curva de Lorenz.
Figura 1 – A Curva de Lorenz
As medidas de concentração descritas acima são na verdade um meio para que se identifique
determinada concentração industrial, ou como se trabalha na literatura de economia industrial
32
e no meio da regulação, “posição dominante”, seja ela em torno de quantidade física de
produtos, de faturamento, ou mesmo de capacidade produtiva. No entanto, elas nada dizem
sobre como as empresas chegaram a essa posição.
Cabe ressaltar que as empresas buscam constantemente se diferenciar através da busca de
estratégias inovadoras, pesquisa e desenvolvimento, melhores performances de controle, bem
como diferentes modelos gerenciais. Essa busca é tratada na literatura da administração como
busca de vantagens competitivas e sustentabilidade dessas vantagens. Na literatura
econômica, conforme visto anteriormente, o tema parece ter associação à competitividade na
concepção schumpeteriana em torno do papel da firma de buscar inovações4 , aliado à
endogeneidade, que dá relevância às condutas das empresas.
Os temas sobre vantagens competitivas e como as empresas fazem para sustenta-las serão
descritos em seguida, de forma a se entender como as empresas buscam se diferenciar, e de
certo modo, como as empresas atingem determinada posição no mercado em relação aos
concorrentes.
3.1.3
VANTAGENS COMPETITIVAS
Segundo Teixeira & Guerra (2003), o conceito de competitividade deixa de ser apenas
microeconômico e ganha dimensão mais ampla: incorpora as possibilidades de interação entre
empresas, setores e industrias. Essa noção de competitividade origina-se da literatura utilizada
nas escolas de administração Lall (2001, p.1.503), formando a base para análises sobre
estratégias empresariais. “Firmas competem por mercados e recursos, medem competitividade
4
O estudo das estratégias de inovação é um tema relativamente recente na literatura sobre Economia Industrial.
A principal corrente teórica que aborda o assunto é a institucionalista-schumpeteriana. Ver Hasenclever, L e
Tigre, P (2002)
33
através de participações relativas nos mercados/e ou lucratividade, e usam estratégias
competitivas para melhorar seu desempenho”. Nesse sentido, Porter (1989, p.24)
complementa sobre o teste prático de sua teoria: “tenha sentido tanto para os administradores
como para os elaboradores de políticas econômicas”.
Na luta por participação de mercado, a competição não se manifesta apenas através
dos demais concorrentes: os clientes, os fornecedores, os novos entrantes em
potencial e os produtos substitutos são todos os competidores que podem ser mais ou
menos proeminentes ou ativos, dependendo do setor industrial. (PORTER, 1998,
p.11).
Ou seja, para Porter, o estado de competição industrial depende de cinco forças e o objetivo
estratégico da empresa é encontrar uma posição no setor onde ela possa melhor se defender
delas ou influenciá- las a seu favor.
Assim, a discussão em torno da busca de vantagens competitivas está relacionada à concepção
de estratégia, que será definida a seguir.
3.1.3.1
DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIA
Políticas, objetivos, metas, táticas e programas. Todos esses podem ser conceitos associados à
estratégia organizacional que parece não ter uma definição consensual, apesar de ser assim
definidas por Mintzberg e Quinn (1995): “o padrão ou plano que integra as principais metas,
políticas, e seqüências de ação de uma organização em um todo coerente”.
Para Quinn (1991) as principais dimensões de uma estratégia são: i) conter os mais
importantes objetivos, as mais significantes políticas e ações a serem executadas; ii) ser
concebida através de um conjunto de conceitos e forças que lhe dêem coesão, equilíbrio e
foco; iii) lidar com imprevistos e com o desconhecido; iv) possuir hierarquia (em caso de
34
organizações complexas); Ainda segundo o autor, uma estratégia para ser eficaz deve
apresentar as seguintes características: i) apresentar objetivos claros; ii) promover a iniciativa,
preservando liberdade de ação e aumentando o comprometimento; iii) prover flexibilidade; iv)
coordenar liderança; surpreender competidores; v) prover segurança para a base de recursos
do negócio.
Segundo Mintzberg (1987), existem cinco definições diferentes encontradas na literatura para
o conceito de estratégia: i) plano de ação (plan); ii) manobra (play); iii) padrão (pattern); iv)
posicionamento (position); v) perspectiva (perspective). Estas definições são conhecidas
como o modelo dos 5P´s, no qual o autor resume da seguinte maneira: estratégia como plano
ou manobra envolveria uma intencionalidade, já a estratégia como padrão ou posicionamento
pode ser não intencional.
Outra abordagem encontrada na literatura encontra-se em Boaventura e Fischmann (2003), na
qual as definições de estratégias permitem uma classificação em quatro grandes grupos: i)
Estratégias por Objetivos; ii) Estratégia pela Vantagem Competitiva; iii) Estratégia pela
Competência Essencial; iv) Estratégia pela Interação com Competidores. Os principais
autores de cada um dos grupos desta classificação estão resumidos na tabela 3, no apêndice
desse trabalho.
Ainda segundo Boaventura e Fischmann (2003) a estratégia empresarial está dividida em: i)
Estratégia Corporativa; ii) Estratégia de Negócios; iii) Estratégia Funcional ou Operacional.
§
Estratégia Coporativa – Estratégia citada e defendida por autores como Hofer e
Schendel (1978:27); Lorange e Vancil (1977;12) e constante na definição de Porter in
Montgomery e Porter (1998:237), na qual estratégia corporativa é o plano geral de
uma empresa diversificada. Christensen in Fahey e Randall (1999:67) dividem a
35
estratégia corporativa em três questões: i) o escopo corporativo; ii) relacionamento
entre as unidades de negócios; métodos para gestão do escopo e do relacionamento.
§
Estratégia de Negócios – Handerson (1979:12) explica que a estratégia de negócio se
preocupa com preços e custos, ao contrário da estratégia corporativa que está focada
em aquisições, estilo organizacional e finanças. Para o autor a estratégia de negócios
deve: i) definir a área de negócio; ii) ident ificar os concorrentes mais importantes; iii)
identificar diferenças entre a empresa e os concorrentes; iv) projetar mudanças no
ambiente que afetarão a concorrência; v) identificar os objetivos da empresa e as
diferenças comparando com os dos concorrentes.
§
Estratégia Funcional – Está ligada à forma em que os componentes da organização
(pessoal, recursos e processos) contribuem para acertar as diretrizes das estratégias da
unidade de negócios e corporativa (JOHNSON e SCHOLES, 1999:13).
Por fim, quanto as escolas de estratégias, cabe ressaltar a classificação de Mintzberg (1999)
em dez escolas: i) Design School; ii) Planning School; iii) Positioning School; iv)
Entrepreneurial School; v) Cognitive School; vi) Learning School; vii) Power School; (viii)
Cultural School; ix) Environmental School; x) Configuration School.
3.1.3.2
ESTRATÉGIA E VANTAGEM COMPETITIVA
A discussão sobre competitividade das empresas tem sido enriquecida nos últimos anos com
novas abordagens, sendo a clássica a "análise da indústria" ou do "posicionamento
estratégico" (PORTER, 1980, 1996). Esta abordagem prioriza a análise dos mercados e da
competição, bem como o entendimento da posição relativa de cada empresa em seu segmento
produtivo. Esses são os principais elementos no processo de formulação da estratégia, que
36
deve ser resultante da identificação de tendências e de oportunidades. Nesse sentido, ela é
considerada uma abordagem "de fora para dentro".(FLEURY e FLEURY, 2003)
A teoria das cinco forças de Porter foi ampliada pelo próprio autor com o conceito de cadeia
de valor e sistema de valor, reconhecendo "as atividades da empresa" como base da vantagem
competitiva. As escolhas de posicionamento determinam não somente quais atividades a
empresa desempenhará e como essas atividades serão configuradas, mas também como essas
atividades estarão relacionadas entre si. (PORTER, 1996).
Com o tempo, as críticas à análise do posicionamento estratégico foram crescendo. A maior
delas diz respeito a sua natureza estritamente estática. D'Aveni (1995) e Day e Reibstein
(1998), argumentam que "(...) estratégia é crescentemente dinâmica e complexa". Usando as
metáforas da imitação e da erosão das vantagens competitivas no tempo, os autores advertem
que "não é mais possível esperar pelo competidor para agir ou reagir".
Uma outra abordagem está construída a partir da "visão da empresa baseada em recursos"Resources Based View of the Firm - Fleury e Fleury (2003). Essa abordagem amplia o quadro
de referência dos tomadores de decisão considerando que toda empresa possui um portfolio de
recursos: físicos, financeiros, intangíveis, organizacionais e humanos. A partir desse portfolio,
a empresa pode criar vantagens competitivas. Essa abordagem tem como alguns defensores:
Prahalad e Hamel (1990) e Krogh e Ross (1995). Para estes autores, as estratégias
competitivas são definidas a partir da compreensão das possibilidades estratégicas passíveis
de serem operacionalizadas e sustentadas por tais recursos. Ou seja, uma abordagem "de
dentro para fora".
37
Assim, a diferenciação estaria pautada pelos recursos da empresa consubstanciados em
competências e capacitações. Outra premissa básica da VBR é de que as firmas diferem de
forma fundamental em seus modos de operar porque cada uma delas possuirá um
agrupamento singular de recursos – seus ativos, competências e capacitações específicas. A
crítica ao modelo é feita pelo próprio Porter (1996): "Em empresas competitivas pode ser
enganoso explicar o sucesso a partir da identificação de seus pontos fortes, competências
essenciais ou recursos críticos”.
As abordagens acima descritas acompanham o que Hitt (2003, p.21) chama de dois modelos
utilizados pelas empresas para gerar as informações, formular estratégias e preservar
flexibilidade durante o processo: i) O Modelo I/O – Organização Industrial; ii) Modelo
Baseado nos Recursos.
§
Modelo I/O – Esse é um modelo que busca explicar a influência do ambiente externo
sobre as ações estratégicas de uma empresa, ou seja, o setor no qual uma empresa atua
exerce maior influencia do que as decisões internas dos gestores. As suposições
inerentes estão baseadas nas características do setor, como economias de escala,
barreiras à entrada, diversificação e grau de concentração de empresas. Além disso,
supõe-se que: i) o ambiente externo impõe limitações que determinam as estratégias;
ii) que quase todas as empresas do setor utilizam recursos semelhantes; iii) que esses
recursos são móveis de empresas para empresas.
§
Modelo Baseado em Recursos – Toda organização é um conjunto de recursos e
capacidades únicos de tal forma que as diferenças de desempenho são muito mais
conseqüência do conjunto único de recursos e capacidade da empresa do que pela
característica estrutural do setor. Nesse caso, recursos são os inputs ao processo de
produção da empresa, e capacidade é a condição que um conjunto de recursos tem de
gerar desempenho.
38
Outra perspectiva sobre o assunto consta em Fleury & Fleury (2003), dividindo o conceito de
estratégia em três categorias: Excelência Operacional, Inovação em Produto e Relação com o
Cliente. Essa tipologia, fortemente baseada em Treacy e Wiersema (1995) e em Porter (1996)
está descrita seguir e leva os autores a concluir que uma empresa, para ser competitiva,
precisa realmente compreender como se articulam competência essencial e estratégia
empresarial.
§
Estratégia de Excelência Operacional – É aplicada pelas empresas que competem em
mercados nos quais a relação qualidade/preço é a maior determinante da
competitividade de produtos ou serviços
§
Estratégia de Inovação em Produto – As companhias competem continuamente,
investindo para criar conceitos de produto radicalmente novos para clientes e
segmentos de mercado definidos. A função crítica é Pesquisa - Desenvolvimento Engenharia (P&D&E).
§
Estratégia Orientada para Cliente – As empresas que adotam essa estratégia são
voltadas para as necessidades de clientes específicos e procuram se especializar no
desenvolvimento de produtos, sistemas e soluções que atendam a suas demandas
atuais e futuras. Para isso, tais companhias priorizam o desenvo lvimento do
conhecimento sobre cada cliente e seu negócio: Vendas & Marketing tornam-se
funções críticas, impulsionando os esforços de Pesquisa & Desenvolvimento,
Engenharia e também de Operações.
Por fim, cabe ressaltar que a busca por melhores resultados, associada à estratégia da empresa
– seja ela em qualquer uma das definições constantes na literatura – não pode se exaurir na
conquista momentânea ou pontual, mas sim na tentativa de manutenção no longo prazo desse
resultado. Esse assunto terá breve tratamento na próxima seção.
39
3.1.3.3
SUSTENTANDO UMA VANTAGEM COMPETITIVA
“Se um homem... fizer uma ratoeira melhor que a de seu vizinho, mesmo que ele tenha
construído sua casa na floresta, o mundo fará uma trilha de terra batida até a sua porta’. Estas
palavras atribuídas a Ralph Waldo Emerson - em uma de suas conferências no século XIX parecem conter uma antevisão dos grandes chamamentos que surgiram no século seguinte:
gerencie no sentido da singularidade, desenvolva uma competência que o distinga, crie uma
vantagem competitiva” (GHEMAWAT, 1998, p.29)
A discussão em torno da sustentabilidade da vantagem competitiva inclui a possibilidade dos
rivais imitarem ou até mesmo melhorarem uma invenção. As empresas sabem que para obter
melhor desempenho, é preciso vencer a concorrência, mas o problema é que os concorrentes
também sabem disso.
Uma vantagem sustentável é alcançada quando a empresa é bem-sucedida na
implementação de uma estratégia que gere valor que outras empresas não conseguem
reproduzir ou acreditam que seja muito dispendioso sustentá-la (...) para que a
empresa consiga obter retornos superiores à média é necessário o entendimento de
como explorar a própria vantagem competitiva (HITT, 2003, p.5).
No entanto, para Proença (1999), os frameworks não dão resposta às questões mais cruciais
para o tomador de decisão: por que certas firmas foram capazes de construir posições de
vantagem e sustentá- las, ou falharam nessa tentativa? O autor comenta que, "na visão jocosa
dos profissionais da área, trata-se de um excelente método para saber por que os outros estão,
neste momento, se dando bem e você não".
Corroborando, ainda segundo Ghemawat, (1998, p.29) três pontos marcantes parecem impor
um impasse:
40
§
Inovação de produto – na média, uma imitação custa um terço menos do que custa
partir para uma inovação e é um terço mais rápido para ser implementada;
§
Produção – Novos Processos são mais difíceis de proteger que novos produtos;
§
Marketing – a utilização de instrumentos extra-preços é uma técnica de grande
potência, mas muitas vezes as reações dos concorrentes, no marketing mix anulam
essas ações.
Por fim, ainda segundo Ghemawat (1998), as vantagens sustentáveis estão incluídas em três
categorias: i) porte no mercado-alvo; ii) acesso superior a recursos ou clientes e; iii) restrições
à opção dos concorrentes.
§
Benefícios do Porte – As vantagens de porte existem porque os mercados são finitos.
Porém o porte só se torna uma vantagem competitiva se existirem fatores econômicos
competindo á larga escala, tais como: i) economias de escala; ii) efeitos da
experiência; iii) economias de escala.
§
Acesso Superior a Recursos ou Clientes – O acesso a recursos ou clientes pode
fornecer vantagem não necessariamente associada ao porte da empresa. Esse acesso
conduzirá a vantagem competitiva em duas condições: i) se for garantido por melhores
termos do que competidores conseguirão no futuro; ii) essa vantagem deve ser imposta
no longo prazo. Entretanto o risco está em se estabelecer amarras a um negócio com
termos piores do que os rivais terão. Essas vantagens estão associadas a acesso à
informação (know-how), acesso a insumos e acesso preferencial a mercados.
§
Restrições às Opções dos Concorrentes – As opções dos concorrentes podem diferir da
opção da empresa em questão. Os rivais podem ficar paralisados nas posições em que
se encontram por: i) políticas governamentais – leis de patentes, leis antitruste,
concessões e etc. Ou seja, a empresa deve saber como ficar do lado certo da política
governamental; ii) defesa – negócios podem se sustentar se os concorrentes estiverem
41
restritos por investimentos feitos no passado; iii) atrasos de resposta – alterações de
preço podem sofrer respostas dos concorrentes em semanas ou dias, mas alterações em
P&D, ou o ganho de economias de escopo, podem levar mais de uma década para a
concorrência se equiparar.
Sendo assim, esses fatores acima descritos devem interagir com a formulação estratégica de
forma a criar uma sustentabilidade das vantagens competitivas no que o próprio Ghemawat
(1998, p.40) define como: “escolher a ênfase relativa que vai imprimir a duas coisas:
comprometimento para competir de uma certa maneira e reter a flexibilidade para competir
com eficácia de outras maneiras”.
3.2 FUTEBOL COMO INDÚSTRIA – CONTEXTUALIZAÇÃO
Após a discussão apresentada sobre competitividade, concentração industrial e vantagens
competitivas, torna-se importante contextualizar a indústria do futebol para posteriormente
agregar a discussão em torno do equilíbrio competitivo, via medidas de concentração
industrial.
Assim, essa seção 3,2 tem como objetivo contextualizar a industria do futebol, dividindo em
três partes:
§
A indústria do Futebol;
§
O futebol Europeu e os grandes centros (g-5);
§
O futebol Brasileiro;
42
Após endereçarmos a discussão pelos assuntos acima descritos, será possível agrega- los à
literatura de competitividade e medidas de concentração, descritos anteriormente na seção 3.1.
A combinação desses temas será apresentada na seção 3.3 (Equilíbrio Competitivo no
Futebol).
3.2.1
A INDUSTRIA DO FUTEBOL
O esporte mundial tem sido encarado como uma indústria crescente que movimenta cerca de
US$ 1 trilhão por ano. Nessa indústria, o futebol gira aproximadamente US$ 250 bilhões
anuais sendo o Brasil responsável por cerca de 1% desse valor. Boa parte das pesquisas
recentes sobre a economia dos esportes encontra-se resumida em Tollison (2002) e Scully
(2002).
Uma das maneiras de se entender a indústria do futebol está na tipologia proposta na figura 2,
baseada em Westerbeek e Smith (2003, p.89). Esta figura sugere que a industria esportiva
esteja dividida em três principais segmentos, tal qual descrito em Ducrey et al. (2003):
§
Mercadorias – Empresas que produzem equipamentos, materiais esportivos, produtos
licenciados. Exemplos de empresas: Nike, Adidas e Reebok.
§
Consultoria – Empresas que prestam serviços em consultoria, administração, medicina
esportiva dentre outras. Exemplos de Empresas: IMG e Octagon.
§
Serviços Esportivos – Organizações que oferecem o esporte como seu produto final.
Esse segmento pode ser dividido em três categorias:
43
o Espetáculo – Organizações que geram receitas direta,ou indiretamente
provenientes dos espectadores. Nessa categoria os atletas são profissionais e
exemplos de participantes são clubes e Ligas Esportivas.
o Participantes – Entidades que provém oportunidades para as pessoas se
engajarem em atividades esportivas, em uma base não profissional, como
clubes amadores, escolas de ginástica e comunidades esportivas.
o Híbrido – Organizações oferecem um mix das categorias acima descritas:
espetáculo e participantes. Exemplos desse caso são órgãos governamentais
que desenvolvem participação em massa e promovem atletas que podem se
destacar em nível de elite.
Figura 2 – A estrutura da Industria do Futebol: (WESTERBEEK e SMITH, 2003) Tabela
adaptada pelo autor.
Outra visão sobre industria futebolística consta em Leoncini (2001) e é baseada em Aidar et
al. (2000), dividindo a estrutura do futebol da seguinte maneira: i) Mercado Produtor; ii)
44
Mercado Consumidor; iii) Mercado Intermediador (Revenda e Industrial). Essa perspectiva
consta na figura 3 a seguir.
Figura 3: Estrutura do Futebol em Mercados. (AIDAR, 2000)
Nesta visão de Aidar et al (2000), os torcedores são o mercado consumidor que têm relação
comercial via bilheteria ou merchandising diretamente com o Mercado Produtor, representado
pelos clubes de futebol. Esse mercado consumidor também consome do Mercado
Intermediário de Revenda (tv e empresas licenciadas) e do Mercado Intermediador Industrial
(Empresas de Marketing Esportivo). Por fim, o Mercado Intermediário de Revenda e o
Mercado Intermediador Industrial interagem com o Mercado Produtor, via operações de
venda de direitos de transmissão e operações de serviços de marketing, respectivamente.
A organização do mercado produtor respeita uma hierarquia mundial na qual a FIFA
(Fédération Internationale de Football Association, ou Federação Internacional das
Associações de Futebol) é a entidade máxima do esporte. Abaixo dela existem as
confederações responsáveis pelo futebol nos seus continentes, como é o caso da CONMEBOL
45
(Confederacion Sudamericana de Futbol, ou Confederação Sul-Americana de Futebol) e da
UEFA (Union of European Federal Associantions ou União das Associações Européias de
Futebol).
Na continuação desta hierarquia existem as federações ou confederações nacionais, como a
CBF (Confederação Brasileira de Futebol), as ligas esportivas e federações estaduais, como é
o caso da FERJ (Federação Estadual do Rio de Janeiro) e por fim os clubes.
Figura 4: Cadeia Produtiva e Clientes da Indústria: (LEONCINI, 2001)
Na Inglaterra existe também uma tentativa de classificação do mercado consumidor, o
torcedor do futebol, em: i) torcedores virtuais (que não vão ao estádio); ii) torcedores locais,
que assistem partidas ao vivo em sua região; iii)torcedores followers, que acompanham o
clube em outras regiões; iv) Family Suporters, que vão ao estádio com mais um membro da
família; e v) Corporate Suportes, aqueles que vão ao estádio e requerem tratamento especial
em camarotes e áreas vips. (LEONCINI, 2001).
46
Uma das peculiaridades desse consumidor final do futebol é a de que, diferente de mercados
comuns, seu relacionamento com o seu clube é duradouro apesar do serviço oferecido não ser
dos melhores, como, por exemplo, a falta de títulos, desconforto e insegurança nos estádios.
Avaliada por Taylor (1998) essa é uma relação emocional que é convertida em relação
comercial e uma comprovação está descrita em um dos cases mais conhecidos do futebol, o
clube Manchester United, que, por ter uma reputação superior aos outros clubes ingleses,
mantinha uma liderança no ranking de média de público em seus jogos, mesmo sem
conquistar títulos (Szymansky, 1995). No Brasil, clubes conseguem estreitar sua relação com
a torcida, mesmo sendo rebaixados para a segunda divisão, como o Botafogo – Rj e até
mesmo para a terceira divisão nacional, como o Fluminense – RJ.
Este relacionamento entre cliente e clube sugere que a demanda do futebol é inelástica em
relação ao preço (Szymansky; Kuypers 1999). Entretanto, no Brasil, esta inelasticidade parece
ser discutível, à medida que os clubes não conseguem maior arrecadação nos estádios com o
aumento de preço. Um fator que pode contribuir com essa inelasticidade é que o futebol
concorre dentro da indústria do entretenimento, com outras alternativas para a sociedade
(cinema, teatro, shows, outros esportes) e a sociedade brasileira tem mostrado sua insatisfação
com o nível de serviço oferecido nos eventos esportivos. Esse fato que aponta um erro
estratégico na conduta do negócio.:
Muitos gerentes se concentram tão unicamente em seus antagonistas diretos na luta
por participação do mercado, que deixam de perceber que eles estão também
competindo com seus clientes e fornecedores por poder de barganha. Enquanto isso
eles também negligenciam a atenção para com os novos entrantes ou deixam de
reconhecer a sutil ameaça de produtos substitutos. (PORTER 1998, p.26).
Ainda quanto aos clientes finais, segundo Ducrey et al. (2003) os fatores mais importantes
para o torcedor são:
47
§
Qualidade do Jogo – Lida com aspectos de espetáculo, entretenimento, prazer de
assistir aos jogos e qualidade dos times visitantes.
§
Incerteza ou imprevisibilidade do resultado (da partida, ou do campeonato) – Sobre a
incerteza de uma partida, geralmente quanto mais apertado for o resultado esperado de
uma partida, maior a atratividade para o torcedor. Quanto ao resultado de um
campeonato, existe um entendimento de que a média de publico é influenciada pela
disputa e quanto maior o equilíbrio competitivo, mais times tem chances de chegar ao
título. Em conseqüência, existe maior utilidade no consumo dos torcedores em
resposta a disputa acirrada, gerando crescimento das atividades comerciais
relacionadas ao campeonato e aos clubes.
§
Sucesso do time desse torcedor – Existe um nível de satis fação dos torcedores que é
atingido com a boa performance do time. Times que constantemente perdem tem
menos atratividade ao publico.
Uma outra perspectiva sobre a estrutura do futebol mostra que a performance de um clube
pode ser entendida pela caracterís tica da indústria (estrutura e comportamento) e pela
estratégia desse clube (LEONCINI, 2001). Essa análise foi feita por Szymansky e Kuypers
(1999) identificando fatores críticos que poderiam explicar a lógica do negócio futebol: i)
Performance Esportiva – Desempenho do time no campeonato; ii) Lucro Operacional –
Diferença entre receitas geradas pelo clube e suas despesas totais, antes do Imposto de Renda;
iii) Gasto com Salários – Gastos com salários, principalmente com o departamento técnico
(jogadores, treinadores, preparadores, etc.); iv) Resultado de Transferência de jogadores –
resultado financeiro da exploração do mercado de jogadores.
Apesar de não se ter uma relação comprovada entre performance no campo e performance
financeira, estes fatores estariam na verdade formando a base para duas relações estudadas na
48
definição de um escopo de gestão estratégica de um clube de futebol: i) gasto com salário x
performance em campo; ii) performance em campo x receitas geradas (Leoncini, 2001).
Segundo Dell’Osso e Symanski (1991), é possível atribuir ao gasto com salários uma relação
direta com desempenho em campo. Porém, o gasto com altos salários é também uma ameaça
ao equilíbrio financeiro dos clubes, o que torna essa equação mais difícil de ser solucionada.
Um agravante, é que um clube pode investir em grandes jogadores para um desempenho de
curto prazo, ganhe títulos e mesmo assim tenha prejuízo no final do período. Na Europa,
especificamente no futebol inglês, a preocupação quanto a essa ameaça dos altos salários é
visível nos relatórios de administração dos clubes, como é o caso do relatório anual de 2003
do Liverpool5 : “Na nossa visão, o clube continua a exercer controle cuidadoso sobre os
custos relacionados aos salários dos jogadores”.
Por fim, é possível analisar a indústria do futebol via suas fontes de receita, conforme consta
em Leoncini (2001) na qual os relacionamentos comerciais mais comuns para as ligas e
clubes italianos/ingleses podem ser classificados em torno dos tipos de receita: i)
relacioname nto com a TV (direitos de transmissão); ii) relacionamento com o principal
patrocinador; iii) relacionamento com Loterias; iv) relacionamento com o cliente torcedor
(bilheteria/merchandising); v) relacionamento com o patrocinador técnico; vi) relacionamento
com empresas produtoras de bens (exploração de marca via licenciamento/ placas de
publicidade); vii) relacionamento com outros clubes /federações (negociações de jogadores)
Este trabalho utilizará a classificação das fontes de receita que consta nos relatórios dos
clubes mais ricos do mundo em termos de receita da DELOITTE & TOUCHE: i) Comercial,
dividido em a) Merchandising e Licenciamento; b) Patrocínio e Fornecimento de Material
5
Tradução realizada pelo Autor.
49
Esportivo; ii) Bilheteria; iii) Mídia. A análise comparativa entre as fontes de receita dos
clubes europeus com os clubes brasileiros constará na seção 3.2.4, sobre o futebol brasileiro.
3.2.2
O FUTEBOL EUROPEU E O GRANDES CENTROS (G-5)
Futebol é o negócio mais global do mundo em uma época da globalização e
do triunfo do lazer. Qual outro bem foi comprado por mais de três bilhões
de consumidores. Nem mesmo a Coca-Cola 6 . (Sergio Cragnotti, em
Boniface, 2000 e Ducrey, 2003)
Nas décadas de 60, 70, e 80 o futebol europeu era considerado amador e tinha como principal
fonte de receita as bilheterias (Lam, 2006). A Transformação do futebol aconteceu a partir dos
anos 90, com a desestatização de meios de comunicação e uma participação maior da mídia
no modelo de negócio do futebol. Não só a mídia passou a ser grande responsável por receitas
dos clubes, através do pagamento dos direitos de transmissão, como também passou a ser
parte integrante do capital social de alguns clubes, como o Milan (Mediset) e Paris Saint
Germain (Canal Plus). Segundo a DELOITTE & TOUCHE (2005), com dados da temporada
2004, o item mídia já representava entre 40% e até 54% das fontes de receita dos clubes
europeus, conforme a figura 5 que segue.
6
Trecho traduzido pelo Autor
50
Figura 5 – Fontes de Receita dos Clubes Europeus (DUCREY, 2003)
Para Eke lund (1998) a e vo lução do s iste ma inglês do mode lo de rece ita é um ind icador da
evo lução do co ns umo na ind ús tr ia do futebo l pro fis s io na l. O autor propõ e a se guinte d ivisão :
§
Até a década de 50 (A Era do Estádio), onde o principal do negócio era a relação clube
– torcedor e ela se dava em torno das entradas nos estádios;
§
Entre as décadas de 50 – 70 (A Era da TV Comercial Tradicional), quando as
televisões gratuitamente transmitiam os jogos e originando os patrocinadores;
§
Década de 80 (A Era dos Patrocinadores), os patrocinadores passaram a se interessar
pelo futebol pela visibilidade proporcionada pelo aumento da audiência;
§
Após a década de 80 (A era da Nova Mídia), quando a televisão e a internet passaram
a ser grandes consumidores (intermediários), pagando pelos direitos de transmissão e
objetivam o retorno financeiro.
51
Em 2004, os cinco maiores mercados europeus de futebol (Alemanha, Espanha, França,
Inglaterra e Itália) arrecadaram 53% dos US$ 13,9 bilhões totais do futebol europeu,
somando a quantia de US$ 6,9 bilhões; grande parte desse montante, cerca de 60% é
utilizada para pagamento de salários 7 . (LAM, 2006).
A globalização tem trazido tendências no esporte e aumentado sua visibilidade, bem como o
interesse comercial. Hoje, as televisões e grandes corporações financiam o esporte, que tem
como escopo de competição um ambiente não mais regional, e sim global. (Ducrey, 2005)
Além disso, o progresso esportivo passou a ser cientificamente estudado e dentre essas
tendências esportivas se destacam:
§
Aumento de envolvimento de empresas globais de telecomunicações;
§
Uso de mão-de-obra (divisão de trabalho internacional) para produzir matérias
esportivos;
§
Organizações esportivas vendendo direitos de transmissão e patrocínios para empresas
globais;
§
Promoção de times e seleções nacionais no cenário externo (ex: seleção brasileira);
§
Aumento de empresas de consultoria e administração esportiva;
§
Aumento de atletas estrangeiros nos clubes;
§
Profissionalização de esportes amadores.
Uma maneira de se entender a indústria de futebol, em especial no caso europeu, é analisar o
quadro de stakeholder, que será mostrado a seguir (figura 6), e com tabela descrita no
apêndice desse trabalho.
7
Esse assunto será tratado na seca de Globalização como uma crise do futebol moderno.
52
Figura 6 – Stakeholders do Futebol Europeu. (DUCREY , 2003)
A descrição dos principais interesses dos stakeholders demonstrados na figura 6 será feita na
tabela 4 do apêndice deste trabalho.
Conforme demonstrado na tabela 4, a FIFA é o organismo supremo desse esporte, sendo a
UEFA a detentora do monopólio da organização do jogo na Europa, dando elegibilidade aos
jogadores e clubes. Isso significa que existe uma relação entre os campeonatos nacionais
europeus e as competições européias, como por exemplo, a UEFA Champions League. Os
participantes das competições européias são classificados de acordo com as colocações nos
campeonatos nacionais e recebem uma quantia significativamente alta por essa classificação.
Este é inclusive um dos motivos para que haja cada vez mais um gap entre os clubes
nacionais, devido à injeção maior de receitas oriundas dessas competições.
Vale ressaltar que a União Européia tem interesse direto na manutenção de relacionamentos
comerciais dentro industria do futebol, bem como com outras industrias. Além disso, existe
uma preocupação com o equilíbrio competitivo dos clubes que formam as ligas nacionais de
futebol, assunto esse que está relacionado com o objeto de pesquisa desta dissertação, seja
53
sazonalmente ou no longo prazo. Os resultados das pesquisas já realizadas, como o de
Oughton and Michie (2004) mostram que nos cinco maiores mercados europeus, o
desequilíbrio competitivo das ligas nacionais está em nível alto, trazendo um sinal de alerta
para a industria como um todo.
Outro stakeholder importante no cenário é o próprio atleta, jogador de futebol profissional. A
estrutura do mercado de trabalho está diretamente associada à performance dos clubes: o
acesso aos jogadores, a formação de equipes competitivas e o investimento nas categorias de
base. Conforme detalhado nas seções sobre globalização e equilíbrio competitivo no futebol,
clubes arcam com despesas altas em salário para contar com os melhores jogadores. Esse fato
não só contribui para escalonar despesas em clubes de elite, mas também ajuda a criar um
‘gap’ entre os principais clubes e os de porte médio e pequeno.
Ainda quanto ao mercado de trabalho, a Europa foi pioneira em um acontecimento que
marcou a legislação trabalhista esportiva em todo mundo, após o caso na justiça do jogador
belga Jean-Marc Bosman. O atleta conseguiu os direitos de se transferir sem o consentimento
do seu clube, abrindo assim precedente jurídico para a extinção do passe. Esse acontecimento
ficou conhecido no ambiente de negócios futebolístico como o “Caso Bosman” e ocorreu em
1996.
Antes do “Caso Bosman”, a transferência de um jogador entre dois clubes, mesmo após o
término de contrato, requeria uma quantia a ser paga entre o clube que vai permanecer com o
jogador para com o clube que cede este jogador. Utilizando a descrição constante na lei
brasileira, em setembro de 1976 foi sancionada a Lei 6.354, conhecida como Lei do Passe,
que em seu artigo 11 defini que: “entende-se por passe a importância devida por um
empregador a outro, pela cessão do atleta durante a vigência do contrato ou, depois de seu
54
término, observadas as normas pertinentes”. Assim, a lei do passe atribuía aos clubes o que
hoje é conhecido como “direitos federativos” do jogador. Esta relação entre o profissional e
seu empregador fugia aos parâmetros das demais atividades econômicas existentes, se
estendendo inclusive após o término do contrato entre as partes.
Assim, ter acesso aos grandes jogadores passa a ser uma questão de salário, à medida que os
jogadores são “livres” para se transferirem para os clubes que desejam jogar, caso não tenham
contrato vigente com nenhum outro. Por outro lado, dois questionamentos podem surgir: i)
clubes que investem e são formadores de atletas podem perder o incentivo a investir nas
categorias de base, já que fica mais fácil perder esse jogador para um clube que tenha maior
poder financeiro; ii) a disputa por jogadores pode ajudar a escalonar despesas com salários.
Desses dois questionamentos, o primeiro será mais bem discutido na contextualização do
futebol brasileiro, na seção a seguir. Já quanto ao possível aumento de salários, essa já é uma
preocupação corrente, conforme consta em Sloan (1997, p.4): “Além do aumento potencial
das receitas, os clubes ainda enfrentam a escalada dos custos de salários, como
conseqüência do caso Bosman, julgado na Corte Européia em dezembro”. 8
Ainda com relação a esse assunto, na Europa, as receitas vindas de patrocinadores e dos
direitos de transmissão fizeram com que no período de 1992 a 2003, o faturamento da
primeira liga de futebol inglesa (Premiership) tenha aumentado em torno de 650%.
Entretanto, o custo em transações e salários também acompanhou esse crescimento resultando
em 550% de acréscimo entre 1994 e 2003 (OUGHTON, 2005).
8
Texto Traduzido pelo Autor.
55
3.2.3
O FUTEBOL BRASILEIRO
O esporte como indústria nem sempre apresenta números confiáveis, porém estima-se que
essa indústria no Brasil gire em torno de R$ 31 bilhões por ano, o que seria equivalente a
3,3% do PIB brasileiro. Já o futebol no Brasil movimenta responsável cerca de US$ 2,5
bilhões. (LEONCINI, 2005; TOP SPORTS, 2006)
Segundo o Ministério dos Esportes em estudo realizado em 1997, cerca de um milhão de
empregos podem ser criados em dez anos no Brasil devido à profissionalização do esporte.
Estes números mostram que o futebol como negócio representa uma oportunidade de
alavancagem sócio-econômica e também, um grande negócio (LEONCINI, 2001). No Brasil,
a estrutura do futebol está representada, conforme figura 7 abaixo:
Figura 7 – A Estrutura Organizacional do Futebol Brasileiro:
.
56
De acordo com o relatório final do Plano de Modernização do Futebol Brasileiro (2000) da
Fundação Getúlio Vargas, que inclui os agentes diretos, como clubes e federações, e indiretos,
como indústrias de equipamentos esportivos e a mídia, o futebol no Brasil tem efeito
multiplicador maior que vários setores tradicionais. Os números são da ordem de trezentos
(300) mil empregos diretos; trinta (30) milhões de praticantes (formais e não formais);
quinhentos e oitenta (580) mil participantes em treze (13) mil times que participam de jogos
organizados (esporte formal); quinhentos e oitenta (580) estádios com capacidade para abrigar
mais de cinco e meio (5,5) milhões de torcedores; cerca de quinhentos (500) clubes
profissionais disputando uma média de noventa (90) partidas por ano; e em termos de
fornecimento anual de materiais e equipamentos esportivos, nove (9) milhões de chuteiras
para futebol e futsal, seis (6) milhões de bolas e trinta e dois (32) milhões de camisas.
Mesmo com todos esses números o Brasil ainda está longe de aproveitar todo seu potencial.
Além dos problemas estruturais da nossa economia e das diferenças de renda per capita entre
o Brasil e os principais países europeus que investem no futebol como atividade econômica,
ainda faltam instrumentos de gestão profissional e planejamento para as entidades esportivas.
Embora não seja consenso que a definição de estratégia determine o sucesso das organizações
(medido em forma de lucros), constata-se que uma das peculiaridades do setor esportivo é a
de ter baixo índice de formalização do processo estratégico. Em geral, as ações de interação
com o ambiente, são desenvolvidas em torno das oportunidades e sem uma orientação
definida. (PROHMANN, 2003; ANSOFF, 1977).
Entretanto, os resultados obtidos no esporte em outros países como EUA, Inglaterra, Itália,
Espanha e Alemanha sugerem que o Brasil está atrasado em sua gestão profissional e poderia
fazer melhor. Nos EUA, a NBA (National Basketball Association - Liga de Basquete
57
Americana) e a NFL (National Football League, ou Liga de Futebol Americano),
apresentavam respectivamente 11% de crescimento ao ano nos anos 90 e 60.000 pessoas de
média de público. Além disso, na Europa, os estádios abrigam em média de 25.000 a 30.000
torcedores por partida, em um crescimento que foi observado por Sloane (1997) resultando
em jogos os quais os estádios ficam praticamente lotados. A realidade esportiva brasileira, que
tem no futebol a sua principal atividade, é diferente. A atual média de público no campeonato
brasileiro não é superior a 12.000 pessoas (SOUZA, 2004; GOLDBLATT, 2002)
Ainda que não consensualmente, o custo de captar novos clientes é maior do que o da
manutenção dos atuais. Por isso, é importante discutir estratégias que aumentem a satisfação
do cliente e contribuam para sua lealdade, (AGUILAR E TEIXEIRA, 2003). Vale lembrar
que um relacionamento duradouro com os clientes é a base das fontes de receita das
organizações. O atual cenário, pós Lei Pelé, compromete a rentabilidade dos clubes através
da negociação da venda de passe de jogadores e cria uma necessidade de se relacionar com os
clientes.
Essa relação com o cliente, que está diretamente relacionada à capacidade de gerar receitas,
pode ser demonstrada através da descrição das fontes de receita dos clubes.
§
Comercial – Fonte de Receita que pode ser dividida entre: i) Merchandising e
Licenciamento e; ii) Patrocínio e Fornecimento de Material Esportivo.
o (Merchandising e Licenciamento) – Merchandising é a venda de produtos com
a marca dos clubes na qual a utilidade está na satisfação de se usar esta marca.
Esta fonte de receita se chama Licenciamento quando não é controlada pelo
clube e sim por empresa terceira. No Brasil, uma das grandes ameaças ao
licenciamento de produtos está na pirataria. Estima-se que esta represente 12%
do faturamento esportivo. Na Europa, por conta da renda disponível do
58
torcedor para itens relacionados ao entretenimento, essa fonte de receita é
significativa para os clubes, representando, junto com o patrocínio mais de
25% das receitas em times como Manchester e Liverpool. No caso do São
Paulo, este item não passa dos 2%.
o (Patrocínio
e
Fornecimento
de
Matéria
Esportivo) -
As empresas
patrocinadoras vinculam suas imagens aos clubes por conta do retorno em
mídia que esse clube pode fornecer. No Brasil, com o mercado consumidor não
tão desenvolvido e a imagem de má gestão associada aos clubes, as empresas
patrocinadoras pensam duas vezes ao investir no futebol brasileiro. Enquanto
não houver credibilidade, não haverá apoio dos investidores. Na Europa as
empresas patrocinadoras vêem os clubes como grandes expositores em mídia.
O Liverpool faturou cerca de £15 milhões em patrocínio, em 2003.
§
Bilheteria - Operação principal do mercado produtor com o mercado consumidor, ou
seja, do clube com o consumidor final. A bilheteria tem sua utilidade na satisfação do
público que vai ao estádio. No Brasil, o problema dessa fonte de receita é que os
clubes reclamam de prejuízos em estádios e jogos de pouco apelo, conforme analisado
anteriormente por Brunoro (1997). Além disso, a renda desse torcedor é baixa se
comparada a do torcedor inglês. Apesar do estudo de Szymansky e Kuypers (1999) já
citado, os clubes brasileiros, salvo em jogos finais ou competições especiais, não
conseguem aumentar a receita de bilheteria aumentando o preço, seja por condições
sócio-econômicas dos seus torcedores, ou pelo atrativo oferecido no estádio. Por isso,
existe a necessidade de se reorganizar os campeonatos para que eles passem a ser mais
rentáveis. No caso Europeu, conforme citado, a média atual de público chega a ser
duas vezes maior do que a média dos campeonatos brasileiros. Em clubes como o
Liverpool e como o Manchester, esta fonte de receita chega a ser em torno de 28%.
59
§
Mídia - A televisão, conforme citada anteriormente, representa um grande consumidor
intermediário. Porém, no Brasil, dado a posição dominante da emissora de tv, estimase que seu poder de barga nha é bem alto frente aos clubes, que mesmo se unindo em
grupos como é o caso do clube dos 13 (os principais clubes do Brasil), ainda precisam
de uma mentalidade de negociação em conjunto. Essa relação entre a televisão e os
clubes foi descrita por Souza (2004) na qual os clubes, por precisarem arcar com
compromissos de curto prazo, perderam poder de barganha e pediram para que cotas
dos campeonatos fossem adiantadas. Ainda assim, hoje em dia a televisão é uma
grande parceira dos clubes. Estima-se que a cota de televisão para cada clube da
primeira divisão do campeonato brasileiro seja de R$ 6 milhões, (HARA; BURLIM;
UYETA ; BENINI, 2004). No Manchester, a tv representa 33% do faturamento.
Além das preocupações em torno do relacionamento com os clientes (torcedores), outros
temas ainda são importantes tais como: a situação econômica dos clubes, o êxodo
(transferência) de jogadores para o exterior e, como assunto para essa pesquisa, o equilíbrio
competitivo dos campeonatos.
No cenário pós- lei Pelé, os clubes perderam a sustentabilidade de sua principal fonte geradora
de caixa, a venda de jogadores. Na Europa, antes do ocorrido em 1996, os clubes já
apresentavam um histórico de profissionalização da gestão e da busca de outras fontes de
receita baseadas na aproximação entre cliente e clube como: a bilheteria, contrato com mídia e
área comercial. Assim, o impacto da extinção do passe nas fontes de receita dos clubes
europeus foi menor, visto que os clubes haviam desenvolvido alternativas como a venda de
pacotes de viagens para os jogos, carnês antecipados, lojas, museus e até canais próprios de
TV com programação diária sobre os clubes.
60
No Brasil, uma das conseqüências desse novo cenário está no número de transações de
jogadores para o exterior, que é cada vez maior. Sem gestão profissional no futebol, os clubes
brasileiros não conseguem competir com os salários oferecidos pelos de outros países e como
resultado, desde os anos 90, o número de jogadores deixando o país subiu de 130 para 850.
Não só os jogadores brilhantes, mas também os de menor expressão, saem do país para
destinos menos óbvios como Indonésia, Armênia, Islândia e Índia (The Economist, 2005).
Outro fator relevante é que o futebol brasileiro, era o detentor da tríplice coroa mundial até
2005 (Copa do Mundo; Mundial sub-23 anos e Mundial sub-17 anos) e participou das ultimas
três finais de Copa do Mundo vencendo duas, o que indica que o jogador brasileiro está cada
vez mais em alta no futebol internacional.
Por conta dessa no va s it uaç ão re gula tór ia e ta mbé m pe las co nd içõ es fa vor á ve is à sa ída dos
jogadores pa ra o e xte r ior, é necessá r io q ue o s c lubes b ras ile iros dese nvo lva m est raté gias q ue
diminua m s ua depe nd ê nc ia da ve nd a de jo gado res de ntro de s uas fo ntes de rece ita e b usq ue m
a lter nat ivas q ue s upr a m es se ite m.
Como analisado anteriormente, isso requer um melhor relacionamento com os clientes, o
que inclui atratividade para o torcedor e também equilíbrio competitivo e qualidade nos
campeonatos, itens esses, citados anteriormente, como fatores determinantes para
estimular a demanda.
Ainda com relação à capacidade de se relacionar com os torcedores, cabe ressaltar um
exemplo ocorrido no futebol inglês, quando a média de público no campeonato diminuiu, ao
longo da década de 80 e 90. O governo, através do relatório Taylor, atuou como uma das
grandes forças externas para atrair o torcedor de volta aos estádios. O relatório Taylor ocorreu
em janeiro de 1990 quando o governo Inglês percebeu que estava havendo uma diminuição do
61
público no campeonato inglês em decorrência de problemas como violência e conforto nos
estádios. A violência já estava presente nos estádios ingleses desde a década de 60, mas o
ponto crucial ocorreu no desastre de Hillsbourg, em 1989, com a morte de 95 pessoas em um
pisoteamento. Peter Taylor, responsável pela investigação das causas do desastre e das
condições dos estádios ingleses, chegou às seguintes conclusões: estádios e campos velhos,
“hooliganismo”, excesso de bebida e pouca liderança (Conn, 1998). Assim, o governo
obrigou os clubes a investirem de forma a resolver esses problemas e essa obrigação deu
origem a abertura de capital em Bolsa, pois os clubes necessitavam de capital para realizar
esses investimentos.
No Brasil, o estatuto do torcedor (Lei nº. 10.671 de 2003) foi uma das tentativas de “copiar” o
relatório Taylor. Em seus artigos 14 e 19, o estatuto atribui aos dirigentes dos clubes e a
entidade de prática desportiva mandante do jogo a responsabilidade pela segurança do
torcedor bem como do ressarcimento dos prejuízos causados por falhas de segurança.
Entretanto, suas conseqüências ainda não são relevantes para que o público volte aos estádios.
A média de público do campeonato brasileiro tem diminuído e é menor que nos anos 70.
Um outro fator relevante é que os clubes vem há muito tempo tentando negociar com o
governo, pois muitos apresentam dividas de caráter fiscal. Uma das ações que poderia ser
implementada seria a criação de programas que ajudem o parcelamento dessas dívidas e em
contra partida obriguem os clubes a caminhar no sentido de profissionalização. Nesse
contexto, um novo programa que está sendo trabalhado no Ministério dos Esportes pode ser
uma solução no curto/médio prazo. Uma loteria (sorteio) estaria sendo criada: Time Mania.
Os clubes emprestam suas marcas e como contrapartida recebem parcela da receita do jogo
lotérico. Essa parcela fica comprometida com o pagamento de dívidas e aqueles que quitarem
suas dividas passarão a receber integralmente sua parte no seu caixa.
62
Esse programa cria um marco zero no qual as dividas dos clubes ficam parceladas e
comprometidas a uma loteria. Desse modo, os clubes passam a controlar seu orçamento para o
presente e futuro. Umas das exigências para estar nesse programa de parcelamento é que os
clubes não podem mais atrasar seus pagamentos como pena de ficarem fora do programa. Esta
pode ser uma boa iniciativa abrindo um novo horizonte que não atrelado somente às suas
dividas impagáveis. Porém, não terá resultado positivo se os clubes não profissionalizarem
sua gestão e procurarem manter suas contas equilibradas.
3.3 EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL
Após a contextualização da indústria do futebol e das medidas de concentração ligadas as
teorias de concorrência, utilizadas na literatura de economia industrial e administração
estratégica, esta seção tem como objetivo apresentar a discussão mais especifica em torno do
equilíbrio competitivo no futebol, bem como as medidas utilizadas para testá- lo.
Para isso, essa seção será dividida em três partes: i) a primeira parte está relacionada aos
condicionantes do equilíbrio competitivo no futebol; ii) a segunda parte está destinada à
descrição de exemplos e fatores que influenciam na formação de clubes competitivos; iii) a
terceira está relacionada à apresentação das medidas de equilíbrio competitivo esportivo
demonstradas na literatura.
63
3.3.1
CONDICIONANTES DO EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL
O debate sobre a competitividade nas ligas de futebol tem raízes nas preocupações com o
sucesso das ligas (campeonatos) no longo prazo e está baseado na premissa de que as ligas
esportivas requerem níveis de equilíbrio competitivo para crescer e se manter (Oughton and
Michie, 2004).
De acordo com essa premissa, a falta de competitividade nas partidas e nas ligas as torna
previsíveis e isso faz com que a quantidade de torcedores que vai aos estádios e que
assiste aos jogos pela televisão não seja maximizada. Por outro lado, o equilíbrio
competitivo é importante porque, ao gerar interesse pelos torcedores, provoca mudanças
(deslocamentos) na curva de demanda pe los jogos (ver figura 8). Essa premissa pode ser
aplicada a outros os esportes, como por exemplo, as corridas de carro no caso, da Formula-1.
Figura 8: Impacto de Equilíbrio Competitivo na Curva de Demanda dos Espectadores:
(OUGHTON e MICHIE, 2004)
Preço
D1
D2
No de Espectadores
Ainda segundo Oughton e Michie (2004), ligas desequilibradas também podem resultar em
outros riscos tais como:
a) Falência, ou ameaça de falência de clubes.
64
b) Ameaça de outras ligas rivais (Exemplos de Criação de Super Ligas Européias)
c) Criação de grandes gaps de receita entre e dentro das ligas, resultando em ganhos maiores
por participação em determinados campeonatos (European Champions League). Esses
Gaps podem aumentar o risco da indústria ao incentivar uma estrutura que encoraja os
clubes a gastar ainda mais para garantir sucesso.
Como podemos ver, essa discussão tem raízes na performance financeira, em particular na
distribuição de receitas dos clubes.
Um dos grandes riscos a ser entendido está no que Lam (2006) trata como ciclo vicioso do
futebol, conforme figura 9. Clubes com maiores receitas, provenientes de maior bilheteria,
participação em grandes competições, cotas de televisão, ou oriundas de estratégias de
marketing e relacionamento com os clientes, são os que obtém maior sucesso financeiro. É
esse suc esso que possibilita maiores contratações e gastos com salários, influenciando
diretamente no sucesso dentro de campo. Com o sucesso dentro de campo, o clube passa a ter
maiores receitas, conforme descrito no começo desse raciocínio (ciclo vicioso).
Figura 9: Ciclo Vicioso do Futebol Europeu –(LAM, 2006; adaptado de Márquez & Martin,
2000)
65
É esse ciclo vicioso do futebol que está diretamente ligado à dominância de certos clubes
sobre outros, assunto principal deste trabalho. Para que um clube entre nesse ciclo vicioso a
única barreira à entrada é ´dinheiro´ (BESANKO et al.2006). No outro lado da análise, os
clubes que também não conseguem esse sucesso financeiro e operacional entram num ciclo
vicioso de insucesso. Em médio e longo prazo, essa situação também pode gerar cada vez
mais a criação de ligas regionais, gerando menor atenção às competições locais e aumentando
ainda mais o gap entre os clubes nos países. Esse assunto está diretamente relacionado ao
equilíbrio competitivo no futebol.
Esse cenário, acima descrito, contribui para uma estratificação dos times em torno de perfis
tais quais descritos por Lam (2006), At Kearny (2004) e Marquez e Martin (2000).
Segundo a At Kearny (2004) os clubes europeus podem ser divididos em três categorias: i)
fábrica de jogadores; ii) estrela nacional; iii) marca internacional. Ainda nessa perspectiva,
para se alcançar o segundo e terceiro estágios, respectivamente, é necessário: i) do primeiro
para o segundo estágio – sucesso estável em nível nacional; presença constante em
campeonatos europeus; atração de astros nacionais; base de torcedores nacional; fontes de
receitas oriundas de tv e patrocínios; ii) do segundo para o terceiro estágio – sucesso
repetitivo na Europa; atração de astros internaciona is; base de torcedores internacional;
modelo orientado para esporte como entretenimento; fontes de receitas diversificadas e
balanceadas. A tabela com as características dos três grupos, propostos por At Kearny (2000)
encontra-se em anexo.
Marquez e Martin (2000) apresentam visão complementar, dividindo os clubes europeus em
quatro grupos: i) elite do futebol europeu; ii) seguidores de elite; iii) times nacionais; iv) times
sobreviventes. As características dos clubes estão apresentadas na figura abaixo (La m, 2006).
66
Figura 10: Características dos Clubes de Futebol Europeu: Fonte: Lam (2006), adaptado de
Márquez e Martin (2000).
Ainda em complemento a esses quatro grupos, Márquez e Martin (2000) concluem que existe
uma distância entre eles e que é difícil alcançar o nível de elite do futebol, tal qual
demonstrado na figura 11:
Figura 11: Distancia entre os grupos do futebol Europeu: Lam (2006), Márquez e Martin
(2000)
67
3.3.2
FORMANDO CLUBES COMPETITIVOS
Essa seção tem como objetivo apresentar fatores e exemplos que contribuem para a formação
de clubes competitivos. Em verdade, existem outras causas para a performance operacional e
financeira, associada ao ciclo vicioso do futebol proposto por Lam (2006), que não estão
somente ligadas à quebra da barreira de entrada em torno do dinheiro, conforme citado
anteriormente por Besanko et al.(2006)
Analogamente à discussão da seção 3.1.1, desprezar o papel da conduta das empresas e a
busca incessante por vantagens e inovações que as diferencie é na verdade atribuir o sucesso
dos clubes e o nível de equilíbrio competitivo somente à estrutura do mercado, o que ex-post
seria possível medir com indicadores de medida de concentração industrial.
Na raiz dessas condutas está a administração eficiente dos clubes, de forma a construir
vantagens competitivas frente aos seus concorrentes. Essa visão está diretamente relacionada
ao tema tratado anteriormente na seção 3.1.3, em torno da busca e manutenção de vantagens
competitivas e tem alguns exemplos, citados a seguir, baseados na construção de
administrações sólidas e na reputação e relacionamento do clube com seus clientes.
Dell’Osso e Symanski, S (1991) analisam como alguns times ingleses atingem certa posição
privilegiada dentro do cenário de negócios competitivos em torno do futebol e concluem que
quatro fatores são importantes para criar vantagens competitivas: i) monopólio; ii) reputação;
iii) tecnologia; iv) arquitetura.
68
O estudo conclui que alguns times foram capazes de atingir melhor performance do que seus
rivais pelos seguintes motivos:
§
Nottingham Forest – A performance de Brian Clough, principal manager da
Inglaterra no período, conseguindo melhorar a posição media do clube no campeonato,
que entre os anos de 1946 a 1975 era de ‘21,3’, para ‘7,0’ entre 1976 e 1989, período
em que dirigiu o clube. Assim, Brian Clough pode ser considerado um input
monopolizado pelo clube para o período, gerando efeitos diretos na performance do
clube;
§
Manchester United – O clube Manchester United criou sua reputação no póssegunda guerra. O clube que era reconhecidamente o mais famoso na Inglaterra,
apesar de declínio nos resultados em campo, mantinha liderança de média de público
nos estádios. Assim como tecnologia, reputação requer investimento de longo prazo e
o Manchester United soube cria-la;
§
Liverpool – O Liverpool, segundo os autores, tinha sua performance atribuída a
arquitetura, o que significa que o produto do coletivo de indivíduos é superior a soma
do produto desses mesmos indivíduos, separadamente. Liverpool era um clube
organizado, que mantinha boas relações contratuais e seleção de jogadores, que
levavam a uma performance superior a seus rivais.
Assim, o papel da gestão estratégica das empresas passa a ser componente decisivo na
formação de clubes competitivos.
Se você tem um projeto, tem um rumo, mas os clubes do Rio não costumam pensar no dia seguinte.
No Palmeiras, montamos um primeiro projeto cujo tempo médio era de três anos para ganhar um
título. Acabamos ganhando vários. Percebemos que os outros não faziam nada (...) O Rio de
Janeiro sempre foi um grande revelador de talentos, mas está se esquecendo de olhar para a base.
Os grandes títulos do Flamengo foram conquistados com jogadores feitos em casa. O processo
está se invertendo. (Brunoro, 2005)
69
3.3.3
MEDIDAS DE EQUILIBRIO COMPETITIVO NO FUTEBOL
Apesar de ser difícil quantificar o equilíbrio competitivo de determinados campeonatos, ou
ligas, e até mesmo entre dois times, existe uma série de trabalhos na literatura que se
preocupam com esse assunto. O trabalho de Oughton e Michie (2004) sumariza as principais
técnicas não só para o futebol, mas também para as ligas esportivas americanas. Esse sumário
encontra-se na tabela 1 no apêndice desse trabalho.
Conforme pode ser visto na tabela 1, no apêndice, em geral as linhas de pesquisa em torno das
medidas de competitividade são trabalhadas na dominância de longo prazo, nos equilíbrios
durante a temporada e na probabilidade de vitória para determinadas partidas, assim como
descrito por Cairns (1987): match uncertainty; seasonal uncertainty; inter-seasonal
uncertainty or lack of dominance across seasons.
70
4. METODOLOGIA DE PESQUISA
A pesquisa sobre o equilíbrio competitivo foi primeiramente estudada em torno do que a
literatura em economia industrial e regulação econômica apresenta como medidas de
concentração industrial. Essas são medidas que, conforme analisado na revisão de literatura,
demonstram, ex-post, o que pode ser considerado uma posição dominante, ou ainda, em
termos de regulação, poder de mercado, que certa empresa detém frente aos seus
concorrentes. A listagem dessas medidas encontra-se na tabela 1, no apêndice deste trabalho.
Dentre essas medidas de concentração industrial destacam-se as razões de concentração e
principalmente o índice HHI, como indicador que inclusive é utilizado na análise de atos de
concentração pelos órgãos de regulação econômica, como é o caso do Federal Trade
Commission dos Estados Unidos.
Já na pesquisa especifica em torno do equilíbrio competitivo, o trabalho de Oughton e Michie
(2004) sumariza as principais técnicas utilizadas em ligas esportivas. Essas medidas estão
listadas na tabela 2 do apêndice deste trabalho. No caso especifico do equilíbrio competitivo
no futebol, a tabela 2, em seu item “b” mostra os diferentes trabalhos em torno desse esporte,
classificados em torno dos objetivos de pesquisa tais como: i) dominância de longo prazo, ii)
sazonal; iii) jogo.
Na análise dos trabalhos de equilíbrio no futebol e nas ligas esportivas, percebe-se que o
indicador HHI é utilizado tanto para preocupações de dominância de longo prazo, quanto
sazonalmente, o que está de acordo com a delimitação do estudo proposto. Assim, tendo em
vista a aceitação deste indicador como medida de concentração, bem como nas publicações
em torno de ligas esportivas e no futebol, este trabalho buscará calcular os resultados em
71
torno dos cinco maiores mercados de futebol europeu (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra
e Itália) tendo o HHI como medida de analise.
A escolha do período a ser pesquisado é de dez anos, levando em conta as dificuldades de se
obter os números para o Campeonato Brasileiro em anos mais distantes, devido aos diferentes
formatos adotados pelos clubes.
Nesse cenário, dois problemas passam a ser relevantes para a pesquisa. Eles serão
apresentados a seguir e solucionados na apresentação dos dois cálculos que serão utilizados.
i) A mudança do modelo de campeonato utilizado na serie A do Campeonato
Brasileiro
Antes de 2003, o modelo de campeonato brasileiro adotado era conhecido como um modelo
de fase de classificação; Após o ano de 2003 (inclusive) o modelo escolhido foi o de pontos
corridos. Dessa forma, por exemplo, como no ano de 2002, os oitos primeiros colocados na
primeira fase do campeonato se classificam para a segunda fase. Isso significa dizer que um
clube poderia ter maior numero de pontos, ou aproveitamento, ao longo do campeonato, e não
ser campeão, pois a vantagem adquirida na primeira fase poderia ser eliminada na segunda
fase. Dessa forma, alguns clubes (os que se classificam para fase seguinte) acabam por jogar
mais partidas do que outros (que não se classificam), o que prejudica o calculo a ser realizado.
ii) A quantidade de times que disputa os campeonatos.
72
Tanto na Europa, quanto no Brasil, existem casos em que a quantidade de times que disputam
o campeonato varia de um ano para o outro, na seqüência histórica que será pesquisada. Além
disso, a quantidade de times que disputam também varia de um país para o outro.
Esses problemas serão solucionados a seguir, dentro da demonstração dos dois tipos de
cálculos realizados.
§
Calculo 1: HHI – Modelo de Oughton e Michie (2004) – Sazonal
Este cálculo é utilizado por trabalhos como o de Oughton e Michie (2004 e por Depkin
(1999), realizando o calculo do HHI sobre a tabela de classificação e o aproveitamento
percentual de cada clube. Para fins de demonstração, a tabela abaixo descreve o HHI, para o
exemplo de máximo desequilíbrio possível, no caso de 20 times.
O calculo é feito sobre o aproveitamento de cada time no campeonato fazendo a soma dos
quadrados desse aproveitamento, tal qual descrito na fórmula abaixo, sendo Si o
aproveitamento de cada clube em relação ao total de pontos máximo potencial:
73
Tabela 1: Maximo Desequilíbrio para 20 times:
Times
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Jogos
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
38
Vitorias
38
36
34
32
30
28
26
24
22
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
PPG
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
Total
Maximo Aproveitamento % (Aproveitamento%)
114
114
100%
1,000
108
114
95%
0,898
102
114
89%
0,801
96
114
84%
0,709
90
114
79%
0,623
84
114
74%
0,543
78
114
68%
0,468
72
114
63%
0,399
66
114
58%
0,335
60
114
53%
0,277
54
114
47%
0,224
48
114
42%
0,177
42
114
37%
0,136
36
114
32%
0,100
30
114
26%
0,069
24
114
21%
0,044
18
114
16%
0,025
12
114
11%
0,011
6
114
5%
0,003
0
114
0%
0,000
BASE
6,842
HHI (MAXIMO)
0,068
2
A tabela abaixo demonstra esse HHI máximo e mínimo de acordo com a quantidade de times
que disputa o campeonato. Assim, no caso de um campeonato com 20 times, caso o cálculo
do HHI chegue ao valor de, por exemplo, “0,4789”, em determinado ano, significa que nesse
ano o HHI está a 70% do HHI máximo, ou seja, do máximo desequilíbrio, que nesse caso
seria “0,0684”. Dessa forma, o problema “ii” apresentado acima, com relação à quantidade
de times que disputa o campeonato estaria resolvido, já que a utilização de um percentual
sobre o HHI máximo servira como padronizador, independente do numero de times.
74
Tabela 2: Máximo e Mínimo Desequilíbrio - Resumido
Times
18
20
22
24
25
26
28
jogos*
17 ou 34
19 ou 23
21 ou 42
23 ou 46
24 ou 48
25 ou 50
27 ou 54
Max HHI
0,0684
0,0684
0,0751
0,0817
0,0851
0,0884
0,0951
Min HHI
0,0222
0,0222
0,0244
0,0267
0,0278
0,0289
0,0311
* Para o calculo do HHI Max, independe se
o formato for de um turno (jogo de ida)ou dois turnos (ida e volta)
Dessa forma será possível calcular, para os cinco maiores campeonatos europeus e
Campeonato Brasileiro, um histórico nesses dez anos em relação ao HHI máximo e uma curva
de tendência, permitindo assim comparar o equilíbrio competitivo brasileiro em relação aos
outros campeonatos.
Para evitar problemas com relação à quantidade de jogos, no caso do Brasil, para os anos que
não tiveram campeonatos de pontos corridos (antes de 2003), serão utilizados apenas os dados
da primeira fase (fase de classificação).
No entanto, apesar de ser um dos melhores indicadores de comparação, sua utilização
significa assumir o problema “i” apresentado anteriormente, no qual o campeão pode não ter
o melhor aproveitamento entre todos os times do campeonato, para o caso do campeonato
brasileiro antes de 2003. Esse problema será compensado no calculo “2” deste trabalho.
75
§
Calculo 2: Modelo de Dell’Osso e Symanski, S (1991) – Dominância de Longo Prazo
O trabalho utilizará também a medida proposta por Dell’Osso. F & Symanski, S (1991) no
artigo intitulado ‘Who Are the Champions?’, como um cálculo simples para complementar a
análise anterior, atribuindo 1, 2 e 3 pontos para o terceiro, segundo e terceiro lugares dos
campeonatos e verificando a concentração dos mesmos times nas primeiras posições do
campeonato, representando assim uma dominância de longo prazo.
Essa metodologia será complementada com a utilização do HHI, com o intuito de
demonstrarmos a concentração dos mesmos times nas primeiras posições dos campeonatos ao
longo de um período, no caso, dez anos. Essa metodologia é baseada em Gerrad (2004) e
Eckard (2001) para dominância de longo prazo.
Também para esse calculo, serão comparados os números alcançados com o HHI máximo.
Nesse caso, o “HHI Maximo” representa o máximo de concentração de times nas três
primeiras posições, representando o maior desequilíbrio possível, conforme demonstrado a
seguir.
O comparativo desse “HHI máximo” (exemplo 1) será feito com uma outra situação mais
equilibrada (exemplo 2). No exemplo 2, o HHI histórico para os dez anos estudados
representa apenas 32% do HHI Máximo, que representaria o máximo desequilíbrio.
76
Tabela 3: Exemplo de Calculo para Longo Prazo
Exemplo 1
País
2005
Time A
3
Time B
2
Time C
1
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
Exemplo 2
País
2005
Time A
3
Time B
2
Time C
1
Time D
0
Time E
0
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
2004
3
2
1
2003
3
2
1
2002
3
2
1
2001
3
2
1
2000
3
2
1
1999
3
2
1
1998
3
2
1
1997
3
2
1
1996
3
2
1
SOMA
SOMA
30
20
10
60
%
50%
33%
17%
100%
HHI MAX
2500
1111
278
3889
2003
3
2
1
0
0
2002
2
1
0
3
0
2001
2
1
0
3
0
2000
2
1
0
3
0
1999
1
0
0
2
3
1998
1
0
0
2
3
1997
1
0
0
2
3
1996
1
0
0
2
3
SOMA
SOMA
19
9
3
17
12
60
%
32%
15%
5%
28%
20%
52%
HHI
1003
225
25
803
400
1253
3pts
2pts
1pt
2004
3
2
1
0
0
3pts
2pts
1pt
HHI MAX % HHI MAX
3889
32,21%
Dessa forma, será possível calcular esse indicador para os cinco maiores campeonatos
europeus e também o Campeonato Brasileiro, analisando a diferença de concentração dos
mesmos times nas primeiras divisões. Essa se torna uma medida eficaz de dominância de
longo prazo.
Além disso, complementando o calculo “1” proposto anteriormente, essa passa a ser
uma maneira de solucionar o problema “i” de forma que os primeiros colocados na
classificação final são os que servem de base para o comparativo.
77
5. RESULTADOS
Os resultados das pesquisas serão demonstrados conforme os dois cálculos descritos na
metodologia de pesquisa. O primeiro deles é baseado no modelo de Oughton & Michie (2004)
e em outros trabalhos como o de Depkin (1999), para determinação de equilíbrio competitivo
sazonal. O segundo, está baseado em autores como Dell’Osso e Symanski, S (1991), Gerrad
(2004) e Eckard (2001) para dominância de longo prazo As interpretações sobre os resultados
e os comentários sobre outros esportes e sobre futuras pesquisas serão apresentadas em
seguida.
5.1 CALCULO SAZONAL
O calculo sazonal levou em conta as tabelas de classificações anuais, de cada campeonato,
para o período de dez anos. Primeiro serão apresentados os dados de cada país, calculados
anualmente e comparados com o máximo desequilíbrio possível, para a quantidade de times
que disputara o campeonato. Esses dados serão apresentados nas tabelas a seguir
Tabela 04: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Brasileiro
Campeonato Brasileiro
Temporada times jogos
2005 22
42
2004 24
48
2003 24
48
2002 26
25
2001 28
27
2000 25
24
1999 22
21
1998 24
23
1997 26
25
1996 24
23
Max
0,0751
0,0817
0,0817
0,0884
0,0951
0,0851
0,0751
0,0817
0,0884
0,0817
H INDEX
Min Índice Brasileiro % Max Des.Brasil
0,0244
0,0487
64,9%
0,0267
0,0508
62,1%
0,0267
0,0524
64,2%
0,0289
0,0582
65,9%
0,0311
0,0632
66,5%
0,0278
0,0552
64,9%
0,0222
0,0471
62,8%
0,0267
0,0534
65,4%
0,0289
0,0561
63,4%
0,0267
0,0529
64,7%
78
Tabela 05: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Inglês
Campeonato Inglês
Temporada
times jogos
2005 / 06
20
38
2004 / 05
20
38
2003 / 04
20
38
2002 / 03
20
38
2001 / 02
20
38
2000 / 01
20
38
1999 / 00
20
38
1998 / 99
20
38
1997 / 98
20
38
1996 / 97
20
38
Max
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
H INDEX
Min Indice Inglaterra
0,0222
0,0485
0,0222
0,0451
0,0222
0,0443
0,0222
0,0458
0,0222
0,0456
0,0222
0,0444
0,0222
0,0460
0,0222
0,0433
0,0222
0,0443
0,0222
0,0422
% Max Des.Ing
70,9%
65,9%
64,8%
67,0%
66,7%
64,9%
67,3%
63,3%
64,7%
61,6%
Tabela 06: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Italiano
Campeonato Italiano
Temporada
times
2005 / 06
20
2004 / 05
20
2003 / 04
18
2002 / 03
18
2001 / 02
18
2000 / 01
18
1999 / 00
18
1998 / 99
18
1997 / 98
18
1996 / 97
18
jogos
38
38
34
34
34
34
34
34
34
34
Max
0,0684
0,0684
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
H INDEX
Min Indice Italia % Max Des.Italia
0,0222
0,0464
67,8%
0,0222
0,0425
62,1%
0,0200
0,0416
67,3%
0,0200
0,0397
64,3%
0,0200
0,0405
65,6%
0,0200
0,0401
64,9%
0,0200
0,0399
64,6%
0,0200
0,0398
64,5%
0,0200
0,0409
66,3%
0,0200
0,0379
61,3%
Tabela 07: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Espanhol
Campeonato Espanhol
Temporada times jogos
2005 / 06
20
38
2004 / 05
20
38
2003 / 04
20
38
2002 / 03
20
38
2001 / 02
20
38
2000 / 01
20
38
1999 / 00
20
38
1998 / 99
20
38
1997 / 98
20
38
1996 / 97
22
42
Max
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0751
H INDEX
Min Indice Espanha % Max Des.Esp
0,0222
0,0444
64,8%
0,0222
0,0446
65,2%
0,0222
0,0446
65,1%
0,0222
0,0443
64,7%
0,0222
0,0432
63,1%
0,0222
0,0440
64,3%
0,0222
0,0422
61,6%
0,0222
0,0446
65,1%
0,0222
0,0433
63,3%
0,0244
0,0492
65,5%
79
Tabela 08: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Alemão
Campeonato Alemão
Temporada
2005 / 06
2004 / 05
2003 / 04
2002 / 03
2001 / 02
2000 / 01
1999 / 00
1998 / 99
1997 / 98
1996 / 97
times
18
18
18
18
18
18
18
18
18
18
H INDEX
jogos
34
34
34
34
34
34
34
34
34
34
Max
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
Min Indice Alemanha
0,0200
0,0394
0,0200
0,0420
0,0200
0,0415
0,0200
0,0398
0,0200
0,0423
0,0200
0,0402
0,0200
0,0397
0,0200
0,0400
0,0200
0,0386
0,0200
0,0410
% Max
Des.Alem
63,8%
68,0%
67,1%
64,4%
68,5%
65,1%
64,2%
64,8%
62,5%
66,3%
Tabela 09: Calculo do Índice de Concentração (HHI) para o Campeonato Francês
Campeonato Francês
Temporada
times jogos
2005 / 06
20
38
2004 / 05
20
38
2003 / 04
20
38
2002 / 03
20
38
2001 / 02
18
34
2000 / 01
18
34
1999 / 00
18
34
1998 / 99
18
34
1997 / 98
18
34
1996 / 97
20
38
Max
0,0684
0,0684
0,0684
0,0684
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0618
0,0684
H INDEX
Min
Indice Franca
0,0222
0,0429
0,0222
0,0406
0,0222
0,0446
0,0222
0,0433
0,0200
0,0388
0,0200
0,0390
0,0200
0,0386
0,0200
0,0397
0,0200
0,0401
0,0222
0,0431
% Max Des.Fra
62,7%
59,4%
65,1%
63,2%
62,7%
63,1%
62,4%
64,2%
65,0%
63,0%
Em seguida serão apresentados os valores das tabelas acima em forma de gráfico, nas figuras
abaixo, primeiro em relação a esse máximo desequilíbrio e segundo, com a curva de tendência
em logaritmo do gráfico anterior.
80
Figura 12 – Comparativo Sazonal em Relação ao Máximo Desequilíbrio
Comparativo Sazonal em Relação ao Máximo Desequilíbrio
72%
70%
68%
66%
64%
62%
60%
58%
2005
2004
2003
2002
% Max Des.Brasil
% Max Des.Fra
2001
2000
1999
% Max Des.Italia
% Max Des.Esp
1998
1997
1996
% Max Des.Alem
% Max Des.Ing
Figura 13 – Curva de Tendência (Sazonal) em Relação ao Máximo Desequilíbrio
Curva de Tendência (Sazonal) em relação ao Máximo Desequilibrio
70.0%
69.0%
68.0%
67.0%
66.0%
65.0%
64.0%
63.0%
62.0%
61.0%
60.0%
2005
2004
2003
Log. (% Max Des.Alem)
Log. (% Max Des.Fra)
2002
2001
2000
Log. (% Max Des.Italia)
Log. (% Max Des.Esp)
1999
1998
1997
1996
Log. (% Max Des.Brasil)
Log. (% Max Des.Ing)
5.2 CALCULO DE DOMINANCIA
O calculo de dominância levou em conta as posições finais nas classificações anuais. A partir
delas, foi calculada a concentração dos mesmos times nas posições de liderança (Primeiro,
81
Segundo e Terceiro Lugares), utilizando indicador de concentração HHI, para o período de
dez anos, e comparando entre os distintos campeonatos nacionais.
As tabelas abaixo mostram os cálculos por Campeonato Nacional, e sem seguida será
apresentada uma tabela em ordem de desequilíbrio, que sumariza os dados apresentados.
Tabela 10: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Inglaterra.
Inglaterra
Chelsea
Manchester
Arsenal
Liverpool
Leeds
New Castle
2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997
3
3
2
1
2
1
1
3
1
3
3
3
2
2
3
2
3
2
2
2
3
1
2
1
1
1
1
1996
3
1
2
SOMA
SOMA
9
22
20
5
1
3
60
%
15%
37%
33%
8%
2%
5%
100%
HHI
% HHI MAX
225,0
1344,4
1111,1
69,4
2,8
25,0
2777,778
71%
Tabela
11: Calculo
doHHI
Índice
de3889
Concentração (HHI) para o Campeonato Francês.
Campeão
3pts
MAX
Vice Campeao
Terceiro Lugar
2pts
1pt
Tabela 11: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Espanhol.
Espanha
Barcelona
Valencia
Real Madrid
Deportivo
Villareal
Real Sociedad
Mallorca
Atletico Bilbao
Sevilla
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
2005 2004 2003 2002
3
3
2
1
3
2
2
3
1
1
1
2
2001 2000 1999 1998 1997
2
3
3
3
1
1
3
2
2
2
3
1996
2
3
1
1
1
2
1
SOMA
3pts
2pts
1pt
HHI MAX
SOMA
18
8
16
9
1
3
2
2
1
60
%
30%
13%
27%
15%
2%
5%
3%
3%
2%
100%
HHI
% HHI MAX
900,0
177,8
711,1
225,0
2,8
25,0
11,1
11,1
2,8
2066,667
53%
3889
82
Tabela 12: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Francês.
França
Lion
Monaco
Nantes
Bordeaux
Lens
Lille
PSG
Marseille
Auxerre
Metz
2005 2004 2003 2002 2001
3
3
3
3
3
1
1
2
2000 1999
2
1
3
3
2
1998 1997
1
1
3
1
3
2
1
1996
3
2
1
2
2
2
1
2
1
2
SOMA
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
3pts
2pts
1pt
HHI MAX
SOMA
19
11
4
5
5
4
6
3
1
2
60
%
32%
18%
7%
8%
8%
7%
10%
5%
2%
3%
100%
HHI
% HHI MAX
1002,8
336,1
44,4
69,4
69,4
44,4
100,0
25,0
2,8
11,1
1705,556
44%
3889
Tabela 13: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Alemão.
Alemanha
Bayer Munique
Werder
Borussia
Kaiserslautern
Hamburger
Shalke 04
Bayer Leverk.
Stuttgart
Hertha
2005 2004 2003 2002
3
3
2
3
2
1
3
1
2001 2000 1999 1998 1997
1
3
3
3
2
3
1
1996
3
1
3
1
1
2
2
1
2
2
2
1
2
2
1
SOMA
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
3pts
2pts
1pt
HHI MAX
SOMA
26
6
6
3
2
4
10
2
1
60
%
43%
10%
10%
5%
3%
7%
17%
3%
2%
100%
HHI
% HHI MAX
1877,8
100,0
100,0
25,0
11,1
44,4
277,8
11,1
2,8
2450,00
63%
3889
Tabela 14: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Italiano.
Italia
Juventus
Milan
Roma
Lazio
Inter Milao
Fiorentina
Udinese
Parma
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997
3
3
1
3
3
2
2
3
2
2
3
1
1
3
2
2
3
1
3
2
1
1
2
1
2
1
1
1996
3
1
2
SOMA
3pts
2pts
1pt
HHI MAX
SOMA
23
12
7
6
8
1
1
2
60
%
38%
20%
12%
10%
13%
2%
2%
3%
100%
HHI
% HHI MAX
1469,4
400,0
136,1
100,0
177,8
2,8
2,8
11,1
2300,00
59%
3889
83
Tabela 15: Calculo de Dominância de Longo Prazo para o Campeonato Brasileiro
BRASIL
Corinthians
Santos
Cruzeiro
Vasco
Atl Par
Gremio
São Caetano
São Paulo
Atletico MG
Inter
Palmeiras
Portuguesa
Fluminense
Goias
2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997
3
2
3
3
3
2
3
1
3
1
2
3
3
2
3
1
2
2
1
1
1
2
2
1
2
1996
3
1
2
1
1
SOMA
Campeão
Vice Campeao
Terceiro Lugar
3pts
2pts
1pt
HHI MAX
SOMA
11
9
6
6
5
4
4
3
3
3
2
2
1
1
60
%
18%
15%
10%
10%
8%
7%
7%
5%
5%
5%
3%
3%
2%
2%
100%
HHI
% HHI MAX
336,1
225,0
100,0
100,0
69,4
44,4
44,4
25,0
25,0
25,0
11,1
11,1
2,8
2,8
1022,222
26%
3889
A tabela abaixo agrupa os resultados, em ordem de máximo desequilíbrio, do ponto de vista
de dominância a longo prazo, acima apresentados. Assim, o Campeonato Inglês, nos últimos
dez anos, tem o maior índice de desequilíbrio, representados pela concentração dos mesmos
times nas três primeiras posições na classificação final.
Tabela 16: Tabela Agrupada de Concentração no Longo Prazo.
Pais
Inglaterra
Alemanha
Italia
Espanha
França
Brasil
% HHI MAX
71%
63%
59%
53%
44%
26%
84
5.3 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
Esta seção de interpretação dos resultados será divida em pequenos tópicos de forma que
possam ser endereçados os comentários e conclusões pertinentes, relativos aos dados da
pesquisa e em associação com a revisão de literatura. A interpretação será dividida
respeitando a seguinte ordem: i) Análise Sazonal; ii) Análise de Longo Prazo; iii) Análise
Final por Campeonato Nacional; iv) Associação do Tema com Padrão de Concorrência e
Papel da Estrutura; v) Indicador de Concentração (ex-post); vi) Papel das Condutas das
Empresas e Busca de Vantagens Competitivas; vii) Análise da Influência do Novo Modelo de
Campeonato Brasileiro.
5.3.1 ANÁLISE SAZONAL
Os dados relativos à análise sazonal (temporada,) evidenciaram que os campeonatos nacionais
da série A na Itália, Alemanha e Inglaterra apresentam níveis altos e crescentes de
desequilíbrio por temporada, conforme gráfico de tendência, demonstrado no item 5.1.2. Já os
campeonatos Brasileiro e Espanhol, no período de dez anos, mantiveram um nível
relativamente constante, com mais equilíbrio competitivo sazonal que os campeonatos
Alemão, Inglês, e Italiano. Por fim, a França apresentou a maior tendência de equilíbrio
dentre os países estudados. Esses números têm relação direta com a atratividade de cada
campeonato e com a capacidade que os times tem de se reforçar ano a ano, vis à via a
concorrência. Da forma apresentada na pesquisa, evolutivamente, esse indicador sazonal pode
ser um primeiro passo na análise de competitividade no longo prazo. No entanto, mesmo com
o crescimento de um desequilíbrio por temporada, isso não significa dizer que são os mesmos
times que alcançam as primeiras posições na tabela. Da mesma forma, no caso, por exemplo,
85
da França, um aumento no equilíbrio competitivo, não deixa uma conclusão definitiva sobre a
presença dos mesmos times no topo, como será demonstrado na análise a seguir.
5.3.2 ANÁLISE DE LONGO PRAZO
A análise sazonal é na verdade um primeiro indicador de dominância podendo, por exemplo,
ser associado à média de publico anual dos campeonatos. No entanto, do ponto de vista de
concentração dos times, esses indicadores devem ser complementados com os resultados da
análise de longo prazo. Nesse sentido, o Brasil apresentou o maior equilíbrio dentre os
países estudados, conforme tabela o item 5.2.2. A Inglaterra atingiu o maior índice de
desequilíbrio, representando 71% do máximo desequilíbrio possível, do ponto de vista
de concentração dos mesmos times nas primeiras posições do campeonato. Esse índice
para o Brasil ficou apenas em 26%, seguido pela França, com 44%. As conclusões sobre
o tema, por país, serão apresentadas a seguir:
5.3.3 ANÁLISE FINAL POR CAMPEONATO NACIONAL
•
O Campeonato Inglês mostrou ser o campeonato de maior desequilíbrio dentre os
mais importantes do mundo, concentrando-se em dois times: Manchester United e
Arsenal. Mais recentemente o Chelsea entrou nesse grupo seleto. Conforme
demonstrado na revisão de literatura, os clubes ingleses conviveram com a construção
de grandes times, como foi Liverpool e Manchester, com reputação superior aos
outros e com administrações eficazes (Dell’Osso. F; Symanski, S, 1991). Esses clubes
desenvolveram-se financeiramente e entraram em um ciclo virtuoso de sucesso, tal
qual estudado por Lam (2006). A entrada do Chelsea nesse grupo de times principais
deve-se a uma grande injeção de capital de investidores russos, o que parece coincidir
86
com a afirmação de Besanko et al (2006) relativa à única barreira à entrada, que
conforme o autor, seria ‘dinheiro’. No entanto, conforme visto anteriormente, a
Inglaterra foi pioneira em legislação relacionada à proteção e segurança do torcedor,
bem como nos passos positivos da administração e criação de clubes empresas. A
estrutura do mercado inglês (conjunto de leis, órgãos reguladores e organização de
campeonato) parece influenciar as condutas e o desempenho das empresas.
Independente disso, os novos temas de governança e de equilíbrio competitivo já se
mostram pertinentes em terreno britânico, já que existe um gap de receitas entre os
clubes. Este distanciamento entre as estruturas de clubes pode estar associado a um
possível encorajamento a uma estrutura de custos altos, com altos salários, levando a
perdas financeiras no final da temporada. No entanto, mesmo alguns times famosos,
como o Liverpool, preferem uma administração mais preocupada com os resultados
financeiros, mas não tem conseguido chegar no topo da classificação do campeonato
inglês, trazendo de volta a discussão: qual o objetivo de um clube; resultado financeiro
ou conquista de títulos?
•
O Campeonato Alemão também apresenta alto nível de desequilíbrio, sazonal e de
longo prazo, principalmente devido ao papel de liderança do Bayer de Munique e do
Leverkusen na primeira metade estudada (96-01). O campeonato alemão parece já
sofrer com a ameaça de ligas rivais, de tal forma que na Europa, os campeonatos
Inglês, Espanhol e Italiano detém maior apelo, com melhores jogadores internacionais.
Além disso, as ligas européias também são de grande influência frente a constância
dos mesmos clubes nas mesmas posições na liga alemã.
•
O Campeonato Italiano sempre foi visto como um dos grandes campeonatos
mundiais. Nos últimos anos, as equipes da Juventus e do Milan dominaram o cenário
87
influenciando os números altos de desequilíbrio encontrados na pesquisa.
Recentemente, na temporada de 2005/06, o campeonato sofreu investigação sobre
compra de resultados e alterações de balanços. Esses dois principais clubes foram
penalizados e a Juventus foi rebaixada para a segunda divisão. É possível que essa seja
uma oportunidade para outros times, como o Inter, mas em geral, o peso dos mesmos
clubes (os três citados) permanece alto devido a presença dos mesmos nas ligas
européias e a uma injeção de capital no Milan e na Juventus, que excede o raciocínio
puramente financeiro. Nesses clubes, e mais notadamente no Milan, os diretores e
sócios, também ligados à política, compensam com aporte de capital, os eventuais
prejuízos no fim do ano. Esse ano, no entanto, a Juventus foi penalizada e não
participa também de nenhuma liga européia, o que representa uma menor receita para
o clube. Independente disso, os principais clubes italianos apresentam elevado índice
de profissionalismo do ponto de vista de dar condições aos atletas, com centros de
treinamento e calendários planejados. O risco presente na indústria está no
encorajamento de custos altos, na tentativa de outros clubes acompanharem os altos
salários e investimentos vis à vis Milan, Juventus e Inter.
•
O Campeonato Espanhol também apresenta, assim como os demais acima citados,
dominância de mesmos clubes nas primeiras posições. Mais recentemente, o
Barcelona retomou o posto de principal equipe, inclusive no cenário europeu e
mundial. A Espanha também foi pioneira em legislação obrigando aos clubes a abrir
capital, caso tivessem resultados negativos em seus balanços. Isso os obrigou a
aperfeiçoar seus instrumentos de gestão e de prestação de contas. O Barcelona, devido
à grande quantidade de sócios, mantém-se como um clube fechado, assim como o
Real Madrid. Este, recentemente, não vem conseguindo o título espanhol, apesar de
88
liderar os rankings de altos salários aos jogadores, que estão também associados à
uma agressiva estratégia de marketing e resultados financeiros, que vem sendo
alcançados. Os clubes, acima citados, constam na listagem de clubes mais ricos do
mundo.
•
O Campeonato Francês, apesar do resultado mais baixo de desequilíbrio, dentre os
campeonatos europeus, vem apresentando uma das maiores seqüências do mesmo
time na liderança da classificação. O Lion é o atual penta-campeão seguido do
campeonato. A resposta para os índices alcançados na França está provavelmente
associada a uma disputa mais equilibrada entre todos os times (à exceção do Lyon),
influenciando o resultado do calculo final. Este parece ter conseguido entrar no ciclo
virtuoso, descrito por Lam (2006), associado a capacidade de ma nter grandes
jogadores por mais de uma temporada e criando um padrão de longo prazo.
•
O Campeonato Brasileiro tem como principal característica à alternância dos
mesmos times nas primeiras posições. Ao contrário do que acontece com clubes como
o Lyon, Bayer de Munique, Barcelona, Milan, Juventus, dentre outros grandes na
Europa, os clubes Brasileiros não conseguem manter uma estrutura de longo prazo,
com formação de equipes competitivas. O modelo de receita dos clubes de futebol,
associado à venda de jogadores, faz com que a necessidade de se conseguir resultados
positivos ao final da temporada leve os clubes a desmantelar suas equipes, mesmo no
meio da temporada. A estrutura desorganizada, associada a uma economia frágil,
encoraja a transferência de jogadores para o exterior, em um cenário de decadência
doméstica (The Economist, 2005). Assim, por conta de uma incapacidade estrutural e
também administrativa da maioria dos clubes, o campeonato brasileiro, por uma via
errada, atinge o melhor nível de equilíbrio competitivo. Conforme será analisado nos
89
três tópicos a seguir, isso significa que os clubes brasileiros precisam se preparar para
alterar esse modelo de receita, através de um melhor relacionamento com os clientes e
através de condutas relevantes (estratégias e buscas de vantagens competitivas), se
diferenciarem e mudarem o panorama do mercado. No entanto, o principal desafio
está na manutenção do equilíbrio histórico já inerente ao campeonato brasileiro.
5.3.4 ASSOCIAÇÃO DO TEMA COM PADRÃO DE CONCORRÊNCIA E PAPEL DA
ESTRUTURA
Conforme apresentado na seção 3.1, ambiente competitivo está relacionado à necessidade de
estratégias empresarias, mas também à criação de fatores sistêmicos favoráveis à concorrência
e competitividade tais como: criação de externalidades positivas, infra-estrutura, mão-de-obra,
financiamento e instrumentos de defesa de concorrência. No caso do futebol. No Futebol, a
presença de instrumentos públicos (ações governamentais) mostraram-se eficazes na
Inglaterra e na Espanha, no sentido de impulsionar os clubes a em direção à um melhor
relacionamento com os clientes e à uma estrutura organizacional profissional. Conforme
apresentado, Kupfer (2005, p.14): “competitividade é a função da adequação das estratégias
das empresas individuais ao padrão de concorrência vigente.”
5.3.5 INDICADOR DE CONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL (EX-POST)
A utilização de indicadores de concentração é na verdade uma maneira rápida de se
diagnosticar determinada situação de desempenho, no caso do futebol, as posições na tabela
de classificação. Entretanto, a principal discussão a ser apresentada é: Quanto tempo de
maturação (retorno para os investimentos) é necessário na construção de equipes
continuamente competitivas? Seguindo o mesmo raciocínio, até que ponto uma determinada
90
situação hoje representa a competitividade alcançada anteriormente (em um dado momento, o
grau de eficiência da firma é na verdade determinado por estratégias competitivas adotadas
anteriormente)? Em alguns casos, como o do clube inglês Chelsea, o grande aporte de capital
foi suficiente para criar resultado operacional (títulos), mas será que isso é uma verdade para
todos os clubes?
5.3.6 PAPEL DAS CONDUTAS DAS EMPRESAS E BUSCA DE VANTAGENS
COMPETITIVAS
Conforme apresentado anteriormente: “Essa dinâmica industrial sugere que as situações
monopolísticas criadas a partir de inovações devem ser vistas como o resultado do processo
competitivo”. Nesse caso, os clubes de futebol que conseguirem melhor acesso a mão-deobra, (como jogadores e técnicos) e investirem em centros de treinamento e formação de
equipes competitivas no longo prazo, serão aqueles que se diferenciarão da média dos seus
rivais. Essa seria uma estratégia baseada em recursos (Hitt 2003, p.21). No caso do
Nottingham Forest, citado na seção 3.2.2, a captação do melhor general manager foi crucial
para o desempenho do clube.
5.3.7 ANÁLISE DA INFLUENCIA DO NOVO MODELO DE CAMPEONATO
BRASILEIRO
Um fator relevante para a discussão apresentada é a mudança do modelo de campeonato
adotado pelos clubes no Brasil em 2003, em uma tentativa de se ‘copiar’ os campeonatos
91
nacionais europeus. O modelo de pontos corridos foi adotado e as conclusões sobre o impacto
desse formato para o equilíbrio competitivo são ainda precoces.
Apesar disso, é de se esperar que os times mais organizados repetitivamente alcancem as
primeiras posições da tabela, uma vez que os campeonatos de pontos corridos privilegiam os
melhores times e normalmente dão menos margens às “zebras” (resultados não esperados) a
medida que elas são compensadas no longo prazo.
Assim, as instituições que comandam o futebol brasileiro, bem como os clubes de futebol
devem se preocupar de antemão e estarem alertas para eventuais concentrações de títulos,
representando um risco de perda de atratividade para o torcedor.
Vale dizer, que o campeonato já conta com uma baixa média de público, devido às más
condições dos serviços oferecidos. Conforme descrito na revisão de literatura, o futebol
compete com outros eventos de entretenimento e os clubes, apesar da fidelidade (Giovanetti et
al.,2004), parecem não perceber essa ameaça de produtos substitutos.
Outro fator relevante, conforme apresentado na seção 3.2.3, é a loteria (Time Mania) que está
sendo criada Esse programa cria um marco zero para as dívidas dos clubes e aqueles que
estiverem com suas contas saneadas acabarão recebendo mais capital para investir no futebol.
Além disso, grandes clubes, como, por exemplo, o Flamengo, já contam com um orçamento
alto. No momento em que este orçamento não estiver comprometido com dividas passadas, o
clube poderá investir melhor na construção de equipes competitivas. Entretanto, essa não será
uma solução se os clubes não profissionalizarem sua gestão e procurarem manter suas contas
equilibradas.
92
5.4 ANALOGIA COM OUTROS ESPORTES
A discussão do tema sobre equilíbrio competitivo pode ser também apresentada em outros
esportes, tal como as ligas de basquete e baseball (ver anexo tabela 2).
Além desses exemplos, uma das aplicações poderia estar nas corridas de automóveis, mais
especia lmente a Fórmula 1, que teve seu predomínio em quase sete anos da mesma equipe e
do mesmo piloto, Ferrari e Michael Schumacher, respectivamente. Nesse sentido, a
preocupação sobre a atratividade do evento esportivo se torna mais visível, influenciando a
curva de demanda com relação principalmente ao nível de audiência da televisão,
influenciando contratos de patrocínio e a realização do evento como um todo.
5.5 SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS
Algumas sugestões de pesquisas podem ser feitas a partir da discus são apresentada nesse
trabalho.
•
Qual o período de Maturação para se construir um Clube Competitivo?
•
Até que ponto um nível de desequilíbrio sazonal interfere na média de público?
(Regressão entre evolutivo do índice HHI com a média de público)
93
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho procurou apresentar o debate sobre o equilíbrio competitivo no futebol desde
suas raízes, encontradas no conceito de competitividade e concorrência da literatura, até a
busca de vantagens competitivas e construção de clubes de sucesso dentro da indústria do
Futebol. O objetivo final foi testar o equilíbrio competitivo do futebol brasileiro comparado
ao futebol europeu , usando métodos quantitativos e interpretando os resultados à luz da
literatura econômica e administrativa.
Os conceitos de competitividade foram associados às noções de eficiência e desempenho além
da evolução do seu tratamento nas escolas clássica, marxista, neoclássica, schumpeteriana,
estrutura-conduta-desempenho,
neo-schumpeteriana,
teoria
dos
jogos
e
teoria
da
contestabilidade, todas relevantes para o entendimento da construção de ambientes
competitivos e da associação do tema, dentro da literatura de administração, em torno da
busca de inovação e vantagens competitivas.
A teoria econômica aliada aos conceitos de estratégia foi levada em conta para elaboração da
pesquisa, considerando as limitações dos indicadores utilizados e a relevância da estratégia
para diferenciação e posicionamento superior no mercado, de uma empresa, em relação aos
seus rivais.
A metodologia para a pesquisa foi baseada nos indicadores de concentração industrial e nos
trabalhos de Oughton e Michie (2004) e Dell’Osso e Symanski, S (1991) para testar equilíbrio
competitivo sazonal (por temporada) e no longo prazo. O indicador de concentração industrial
94
utilizado foi o HHI (Herfindahl- Hirschman), utilizado na análise de atos de concentração
pelos órgãos de regulação econômica, como é o caso do Federal Trade Commission dos
Estados Unidos.
Os objetos de pesquisa foram os clubes de futebol disputando a Série A do campeonato
brasileiro e dos cinco maiores campeonatos europeus (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra
e Itália). Os resultados obtidos foram analisados levando em conta inclusive o novo cenário
brasileiro, que a partir de 2003 passou a adotar um modelo de pontos corridos, copiando os
formatos adotados na Europa.
Nesse contexto, os campeonatos europeus apresentam maior nível de desequilíbrio frente ao
campeonato brasileiro. A Inglaterra mostrou o maior índice de desequilíbrio dentre os
pesquisados. No entanto, por mais que seja positivo ter um campeonato equilibrado, o
resultado brasileiro só apresenta o melhor desempenho devido à falta de gerenciamento e de
estrutura do futebol no país como um todo.
Face ao modelo brasileiro de receitas, baseado na venda de jogadores, os clubes não
conseguem manter os mesmos times por mais de uma temporada, de tal forma que o resultado
da pesquisa mostra que não existe dominância de clubes no longo prazo no Brasil. O novo
modelo de campeonato ainda é recente e por isso, a análise da sua influencia sobre o tema de
equilíbrio se torna precoce. Entretanto, a preocupação de dominância já pode ser apresentada
às organizações que controlam o futebol. Além disso, conforme descrito na revisão de
literatura, os resultados oriundos do desempenho de clubes podem estar associados a
estratégias e investimentos realizados no passado, de tal forma que os efeitos do novo modelo
de campeonato também só podem estar mais claros nos próximos anos.
95
Vale ressaltar que a preocupação do tema está associada ao risco de perda de atratividade para
os torcedores. Esse risco, aliado à ameaça de falência de pequenos clubes e à entrada de
outros campeonatos (ligas continentais) como substitutos fazem com que esse assunto seja
pertinente para o futebol brasileiro.
O futebol brasileiro já vem enfrentando a perda de espectadores devido a fatores como
segurança e conforto do torcedor e deve se preocupar com esses assuntos diretamente ligados
à continuidade do esporte. O presente trabalho, dessa forma, pode ser considerado um passo
na introdução de um tema que pode vir a ser ainda mais relevante futuramente.
96
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acesso
em
20
de
outubro
de2006.
100
APÊNDICE A
TABELA 1 - Sumário das Medidas de Concentração Industrial
Fonte
Bikker & Haaf
(2001), Araujo, Neto
& Ponce (2005)
Hoffmann (1998),
Bikker & Haaf (2002)
Bikker & Haaf (2002)
Bikker & Haaf
(2002)
Medida
HTI (HallTiedman)
RI (Índice de
Rosenbluth)
CCI
(Comprehensive
Industrial
Concentration)
HKI (Hannah and
Kay Index)
Fórmula
Descrição
n
HTI = 1 (2∑ i si − 1)
i −1
n
B = 1 (2∑ i y − 1)
i −1
n
i
CCI = s1 + ∑ s (1 + (1 − si ))
i −2
n
HKI = (∑ s )
i −1
2
1
α 1 /(1−α )
1
Comentários
Onde “i” é designado segundo o
tamanho dos bancos. A
participação de cada banco recebe
peso igual a sua ordem na
apuração. HTI varia de 1/n 1, no
caso de monopólio.
Utilizadas em análises de
Concentração em segmentos
financeiros (Bancos)
Onde “y” são as empresas. Índice
para varia de B=0 (produção
dividida de maneira igualitária
entre as empresas) e B=1, para
monopólio.
Utilizada como índice de
concentração industrial.
Medida é a soma da participação
de mercado da empresa líder, com
a soma dos quadrados das
participações das outras empresas.
α > 0 eα ≠ 1
Índice surgiu do debate de
concentração e dispersão em
bancos.
Ver Bikker & Haaf (2002) para
descrição completa
1
TABELA 2 - Sumário das medidas de Equilíbrio Competitivo nas ligas Esportivas Americanas e no Futebol
a ) Ligas Esportivas Americanas
Autor e Ano de
Publicação
Tipo de Equilíbrio
Competitivo
Scully(1989), Quirk and
Fort (1992)
Descrição da Medida
Comentários
Sazonal
Desvio Padrão da percentagem de vitórias dividido pelo
desvio padrão ideal
Medida Padrão nas ligas americanas.
Fort and Quirk (1992)
Dominância de Longo
Prazo
Curva de Lorenz medindo a percentagem cumulativa de
campeonatos vencidos no período de 1901 a 1990.
Horowitz (1997)
Sazonal
Depkin (1999)
Sazonal
Eckard (2001)
Sazonal e Dinâmica
Eckard (2001)
Dominância
Medida Entrópica usada em percentagem de vitórias.
Relativa ao Maximo Valor Relativo em uma liga
perfeitamente desequilibrada
Índice de Herfindahl-Hirschman calculado pela diferença
entre a soma dos quadrados do percentual de vitória de
cada time e 1/N
Medida de Variância que considera o nível de efeitos
cumulativos de vitórias decompondo a variância das
percentagens de vitória ao longo do tempo em variância
cumulativa e variância no tempo
Índice de Herfindahl-Hirschman baseado no percentual de
participação nos 4 primeiros lugares na liga em um
período de 5 anos
Usada para comparativo cross-section e
dominância para longo prazo. Mostra que a
NBA tem o pior índice de competitividade nas
5 maiores ligas americanas
Estima a Entropia Relativa da liga de Baseball
Americana entre 1903-1995 e descobre
aumento de equilíbrio competitivo.
Pesquisa de competitividade na liga de baseball
no período de 1920-1996 resultando em mais
estabilidade
Medida de variância cumulativa entre 1975 e
1999 para a liga de baseball.
Encontra resultado consistente com a medida
de variância em ligas americanas
b) Futebol
Autor e Ano de
Publicação
Tipo de
Equilíbrio
Competitivo
Peel and Thomas (1988) Jogo
Descrição da Medida
Comentários
Probability Odds: Probabilidades para vitórias em partidas
disputadas em casa.
Captura incerteza na partida. Usada para explicar
a variação da demanda por futebol. Curva (UShaped) de relação entre inerteza entre as partidas
e publico nos estádios.
2
Kuyoers and Szymanski
(1999)
Sazonal
Kuyoers and Szymanski
(1999)
Dominância de
Longo Prazo
Dobson and Goddard
(2001)
Jogo
Szymanski (2001)
Sazonal e
Tendências
Forrest and Simmons
Jogos
Dominância
Buzzacchi, Szymanski
and Valleti (2003)
Sazonal
Morrow (2003)
Dominância
Bourg (2004)
Sazonal
Dobson and Goddard
(2004)
Sazonal e
Tendência para
Copa Inglesa.
Dominância
Gerrad (2004)
Desvio Padrão para cada pontuação de clube na temporada em
10 temporadas desde 1946. Sensível para mudanças no sistema
de pontuação e no . de times.
Mostra que a media de desvio padrão dos pontos
totais (para as ultimas 10 temporadas) aumentou
nas ultimas 3 decadas desde 1946, mas caiu no
período entre 1986-96.
Segue o modelo de Fort and Quik (1992) para a curva de Lorenz Mostra que a liga Inglesa tem o menor grau de
medindo o percentual cumulativo das vitórias de campeonato no dominância no longo prazo e o Campeonato
período de 1946-1998 para as 5 ligas Européias.
Holandês tem o maior para o período de 19461998
Modelos de Previsão usando probabilidades e informações
Performance passada é usada para prever
históricas para previsão de partidas.
performance futura, mas ainda com efeitos
randomicos
SDW (Desvio padrão das pecentagens de vitória) calculado entre Mostra que não existe clara tendência no
os clubes das ligas de Futebol e na Premier League no período de equilíbrio competitivo. A medida combina 4 ligas
1977 – 1999. Medida mais comum nos estudos americanos que
e compara o SDW nas ligas.
em maioria são deflacionados pelo desvio padrão ideal onde cada
clube tem igual chance de ganhar uma partida.
Baseada em probabilidades.
Usada como variavel para explicar media de
publico. Captura Incerteza das partidas na
temporada 1977/8
Indicador que olha para o atual numero de times que vencem o
3 ligas fechadas americanas tem mais equilíbrio
campeonato ou entram nos primeiros 5 lugares comparando com que 3 ligas fechadas européias
a distribuição teórica de probabilidade de vitórias
O trabalho também inclui estimativas (medias de 5 períodos de
Medida de SDW para liga inglesa mostra declínio
10 anos) de SDW
em equilíbrio competitivo no final dos anos 80 e
melhoras nos anos 90.
Pesquisa dos cinco maiores clubes no período de 5 anos (1998Produz uma tabela para os cinco maiores clubes
2002)
para 7 ligas européias
SDW, como Scully(1989) e Fort and Quirk(1992)
Media de SDW para o periodo de 4 anos entre
1980-200. Encontra que o equilíbrio competitio
deteriora entre 86-90, melhora entre 91-95 e volta
a deteriorar entre 96-2000
Probabilidade de vitórias nas partidas da FA Cup condicionante a Assim como Szymanski (2001) acha declínio na
posição do clube na liga.
competitividade da FA CUP.
Assim como Eckard (2001) usa o Herfindahl index para medir
A concentração de titulos é usada para analise
concentração de títulos e participação nos 4 maiores lugares.
cross-section e comparação entre competitividade
Também analisa a participação de títulos nos top 2 e top 3 clubes entre diferentes ligas nacionais.
e as diferenças de pontos entre os 1o . E 2o . Lugares.
3
Fonte: Oughton & Michie (2004); Tabela adaptada pelo Autor.
TABELA 3 – Tipologias e Autores em Estratégia
TIPOLOGIA
OBJETIVOS
AUTOR
ANO
Chandler
Learned et al
Ackoff
Andrews
Rhenman
Rumelt
Drucker
Lorange & Vancil
Steiner & Miner
Miles & Snow
Christensen et al.
1962
1965
1970
1971
1973
1974
1977
1977
1977
1978
1978
Hofer & Schendel
Ansoff
Fahey & Randall
Johnson & Scholes
Bethlem
1978
1984
1998
1999
2001
TIPOLOGIA
VANTAGEM
COMPETITIVA
COMPETËNCIA
ESSENCIAL
INTERAÇÃO
C/
COMPETIDORES
n/a
AUTOR
Porter
Andrews
Henderson
Hax & Majluf
Pfeffer
Fahey & Randall
Hofer & Schendel
Andrews
Quinn
Werther & Kerr
Hamel & Prahalad
Von Neumann &
Morgensten
Simon
Newmann
Schelling
Allison
Quinn
Dixit & Nalebuff
Zaccarelli
ANO
1980
1987
1989
1991
1998
1998
1978
1987
1992
1995
1995
1944
1947
1950
1960
1971
1991
1992
2000
Fonte: Boaventura & Fischmann (2003) – tabela adaptada pelo autor
4
TABELA 4 – Características dos Três Grupos de clubes de Futebol Europeu, segundo AT KEARNEY (2000)
5
6
Download

uma comparação da competitividade do futebol brasileiro