ATIVIDADE FÍSICA COM IDOSOS EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA MARIA DEL PILAR HORTENCIA LOPEZ ANNUNZIATO RESUMO Este estudo de revisão bibliográfica teve como objetivo mostrar a importância da atividade física no envelhecimento e seus benefícios aos idosos institucionalizados ou não, pois se pressupõe que a melhora das condições físicas do idoso vem contribuir tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos quanto nas Atividades de Vida Diária (AVD) e como conseqüência uma melhor qualidade de vida. Inúmeras perdas, face às transformações nas famílias, nível social, econômico, baixo nível educacional são possíveis indicadores de futuros abandonos e maus tratos levando o idoso a uma situação que merece reflexão da sociedade. Com o aumento da expectativa de vida há de se pensar na qualidade de vida que o idoso usufruirá; a Organização Mundial de Saúde – OMS projeta para o Brasil, no período de 1950 a 2025, projeta o aumento do grupo de idosos em 15 vezes enquanto que o da população total crescerá 5 vezes. O Brasil ocupará o 6º lugar no contingente de idosos. A atividade física realizada com regularidade traz benefícios ao Idoso em todos os aspectos; seus efeitos são notórios, minimiza a degeneração provocada pelo envelhecimento, tem efeito direto sobre sua capacidade funcional melhorando seu bem estar associado à diminuição da incidência de morbidade e mortalidade. Os idosos institucionalizados apresentam um perfil diferenciado, por isso a proposta de intervenção com atividade física em ILPIs se faz necessária e urgente afim de se obter maior independência, autonomia e qualidade nessa fase da vida. Os estudos sobre o tema enfocado tomaram como base publicações, revistas, artigos científicos, e literaturas sobre envelhecimento relacionados na bibliografia.Em síntese, verificou-se que a inclusão da atividade física regular em ILPIs traz benefícios para o Idoso que ali reside e a inserção de educadores físicos no quadro de seus funcionários se faz necessária. SUMÁRIO CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO..................................................................................5 1 - INTRODUÇÃO E OBJETIVO.................................................................................5 CAPÍTULO 2: REVISÃO DE LITERATURA....................................................... 2.1 – ASPECTOS DO ENVELHECIMENTO............................................................. 2.1.1 – Aspectos Psicosociais....................................................................................... 2.1.2 – Aspectos Físicos e Biológicos.......................................................................... 2.2 – O IDOSO E A ATIVIDADE FÍSICA................................................................ 2.2.1 – Benefícios da Atividade Física para o Idoso................................................... 2.2.2 – Efeitos da Atividade Física sobre a Capacidade Funcional............................ 2.2.3 – Classificação Funcional do Idoso................................................................... 2.2.4 – Classificação da Capacidade Funcional......................................................... 2.3 – INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS – ILPI..... 2.3.1 – Origem da Instituição Asilar......................................................................... 2.3.2 – Definição de Instituição de Longa Permanência para Idosos – ILPI............ 2.3.3 – Histórico da Educação Física e a sua Herança nos Tempos Modernos....... 2.3.3.1 – As raízes européias na Historia da Educação Física................................. 2.3.3.2 – Influencia Histórica na Formação Pedagógica da Ed.Física no País........ 2.3.3.3 - Atuais programas de Educação Física versus Idosos.............................. 2.4 – BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA RESIDENTES EM ILPI.. CAPÍTULO 3 – CONCLUSÃO......................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................ ATIVIDADE FÍSICA COM IDOSOS EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANENCIA Capítulo 1 – Introdução I.Introdução e objetivo O presente estudo de revisão literária tem como objetivo, verificar se as atividades físicas regulares em ILPI (instituições de longa permanência, asilos, casas de repouso, e similares), trazem benefícios aos idosos residentes, e se a atividade física, faz parte do cronograma regular das instituições asilares. Sendo de grande relevância a atividade física para o ser humano e principalmente para o idoso e tendo trabalhado em uma instituição asilar de longa permanência por vários anos, e sabendo da importância que a atividade física regular trás para o dia a dia de qualquer ser humano, sendo ele criança, jovem adulto ou idoso, não importando a faixa etária, e estudando o envelhecimento, tive como motivação a revisão bibliográfica sobre o tema “Atividades Físicas para Idosos Institucionalizados”, isto é, residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos, ILPI. São grandes as dificuldades em se encontrar profissionais capacitados e preparados para trabalhar com idosos, idosos asilados e em instituições de longa permanência, e também encontrar instituições que tenham no seu cronograma a atividade física regular. Há sim muitos estudos, pesquisas científicas sobre a atividade física dentro de asilos, por períodos, curtos, semanas, meses, e até alguns anos, porém é feito um estudo de intervenção, estudo de observação, e não se vê a continuidade do programa,( na maioria das instituições) ficando como algo “experimental”, do estudo realizado.A comprovação dos benefícios para os idosos residentes, é sem dúvida uma realidade no que diz respeito aos aspectos biopsicosociais que a atividade física regular traz ao idoso residente. Todos os artigos pesquisados sobre as várias aplicações das atividades com idosos institucionalizados, em todos os setores, isto é, em relação a música, teatro, dança, dança sênior, alongamento, jogos com bola , atividades recreativas, caminhadas, exercícios resistidos,natação, hidroginástica, ginástica localizada,exercícios aeróbicos, enfim atividades que o idoso realize com prazer, dentro dos seus limites físicos e cognitivos, são de grande relevância, e é comprovado o seu benefício, através de publicações científicas. Os resultados desses estudos são na maioria relevantes tanto para os idosos como para a instituição que os acolhe. Diante dessa problemática, porque não dar mais importância à prática de atividades físicas já que sua aplicação tem resultados tão positivos? Essa é uma pergunta que me fiz ao visitar e pesquisar várias instituições asilares e onde pude constatar que a atividade física regular não consta no cronograma da grande maioria das instituições asilares do estado de São Paulo. Ciente da importância da atividade física para idosos, acredito contribuir com este estudo de revisão para que educadores físicos, profissionais da Gerontologia e as Instituições Asilares, que a Educação Física se faz necessária dentro da instituição asilar. Apoiada em estudos científicos e bibliográficos, apresento nesta minha monografia os aspectos físicos, biológicos e psico-sociais do envelhecimento;o papel do profissional de Educação Física; descrever a origem de uma instituição asilar,os prós e os contras dessas instituições, o objetivo da instituição e sua contribuição social. Com isso pretendo mostrar a grande importância que a atividade física regular traz aos idosos asilados. Capítulo 2: Revisão de Literatura 2.1 - Aspectos do Envelhecimento O envelhecimento populacional é hoje um fenômeno universal, características tanto dos países desenvolvidos como, de modo crescente, do Terceiro Mundo. Pesquisas apresentam dados que ilustram a verdadeira revolução demográfica desde o início do século e estimativas até o ano 2025. Os fatores responsáveis pelo envelhecimento são discutidos com especial referência ao declínio tanto das taxas de fecundidade como das de mortalidade. Em conjunto, tais declínios levam a um menor ingresso de jovens em populações que passam a viver períodos mais longos. Esse processo gradativo é conhecido como transição epidemiológica e seus vários estágios são abordados. As repercussões para a sociedade, de populações progressivamente mais idosas, são consideráveis, particularmente e no que diz respeito à saúde. Os padrões de mortalidade e morbidade são discutidos e o conceito de autonomia como uma forma de quantificar qualidade de vida é introduzida. É proposta redefinição do próprio conceito de envelhecimento, refletindo a realização médicosocial do Terceiro Mundo. São formuladas questões sobre interação, envelhecimento, mudanças sociais em curso nos países subdesenvolvidos cujas respostas podem ser grandemente facilitadas pelo uso do método epidemiológico.(KALACHE, ª et al. O Envelhecimento da População Mundial. Um Desafio Novo.Revista Saúde Pública, São Paulo-21:200-10;1987). Considerando-se o Brasil no período de 1950 a 2025, segundo projeções estatísticas da OMS – Organização Mundial de Saúde, o grupo de idosos deverá aumentar 15 vezes enquanto a população total somente crescerá 5 vezes. O país ocupará, assim, o sexto lugar quanto ao contingente de idosos, alcançando em 2025, cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos conforme tabela publicada na revista saúde Pública, S.Paulo, 21(3), 1987. TABELA 1 Mudanças na população de países que terão mais de 16 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no ano 2025 População Países Class.1950 1950 1975 2000 2025 Class.2025 China 1º 42 73 134 284 1º Índia 2º 32 29 65 146 2º URSS 4º 16 34 54 71 3º EUA 3º 18 31 40 67 4º Japão 8º 6 13 26 33 5º Brasil 16º 2 6 14 32 6º Indonésia 10º 4 7 15 31 7º Paquistão 11º 3 3 7 18 8º México 25º 1 3 6 17 9º Bangladesh 14º 2 3 6 17 10º Nigéria 27º 1 2 6 16 11º Fonte: World Health Statistics Annuals, 1979,1982 Em países do Terceiro Mundo, por outro lado, aumento substancial na expectativa de vida ao nascimento pode ser observado a partir de 1960. Desde então até o ano 2020, as estimativas são de um crescimento bastante acentuado; a expectativa média de vida ao nascimento no Terceiro Mundo nesses sessenta anos terá aumentado mais de 23 anos, atingindo 68,9 anos em 2020 (Segel e Hoover – Tabela 2) TABELA 2 Expectativa de vida ao nascimento em alguns países ou regiões menos desenvolvidas Em 1960/5, 1980/5, 2000/5 e 2020/5 (em anos) Países 1960/5 1980/5 2000/5 2020/5 Subdesenvolvidos 45,6 56,6 63,2 68,9 Ásia do Sul 45,1 53,6 61,8 68,7 América Latina 56,5 64,1 69,4 72,2 Brasil 55,9 63,4 68,6 72,1 África 41,6 49,7 57,6 64,9 África do Norte 46,5 55,9 65,1 71,0 Todos os Países Fonte: Siegel e Hoover, 1982 Considerando-se o exemplo do Brasil, no início do século, a expectativa de vida ao nascimento e de 33,7 anos, tendo atingido 43,2 em 1950. No decorrer da década imediatamente posterior a expectativa de vida havia aumentado em quase 8 anos (55,9 em 1960). Na década seguinte a expectativa de vida ao nascimento passou a 57,1 e em 1980 ela atingiu 63,5 anos (Fundação IBGE, 1982); desde então até o ano 2000 ela deverá experimentar um aumento de cinco anos, quando um brasileiro ao nascer esperará viver por 68,5 anos. Importantes que sejam estes aumentos espera-se que aos poucos o diferencial entre a expectativa de vida de brasileiros ricos e pobres possa ser diminuída. Em termos atuais essa diferença é elevada: cerca de 15 anos, refletindo a profunda divisão social e econômica que sempre existiu no país e que foi acentuada nas décadas mais recentes. É importante notar que embora as diferenças entre as atuais expectativas de vida ao nascimento sejam consideráveis quando se comparam países desenvolvidos com Terceiro Mundo, elas se tornam muito menores quando se coparam as expectativas de vida em idades mais avançadas (Siegel e Hoover, 1982). Por exemplo, na Grécia a expectativa de vida aos sessenta anos é uma das mais altas do continente europeu, apesar de o país figurar entre os mais pobres da região. No México, em 1970, a expectativa de vida para uma mulher ao atingir os 65 anos de idade era cerca de 3 anos mais elevada que nos Estados Unidos em 1970. Já aos 45 anos a expectativa de vida de uma mulher em São Paulo é mais elevada do que a expectativa de vida de uma mulher da mesma idade vivendo na Inglaterra (Ramos e col. 1987). Isso se deve a dois fatores concomitantes. Em primeiro lugar há que se levar em consideração o fato de que o estilo de vida daqueles que sobreviveram até idades mais avançadas a fatores de risco menos acentuados para determinadas doenças. Por exemplo, o consumo generalizado do tabaco ocorreu mais recentemente em tais países, e somente nos últimos anos a incidência de doenças como câncer de pulmão tem mostrado sensíveis aumentos. Além do fumo, a hiperalimentação, a relativa falta de atividade física e a exposição constante a fatores de stress são todos componentes do estilo de vida do mundo moderno mais desenvolvido e que terminam por elevar a incidência de doenças cardiovasculares, de certos tipos de câncer e de certos tipos de distúrbios como o diabetes. Por outro lado, as taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias são baixas na idade adulta, mesmo nos países subdesenvolvidos. Uma vez atingida a idade adulta, as causas de morte variam pouco e a maioria das pessoas termina morrendo de doenças crônicodegenerativas, quer vivam em países desenvolvidos ou não. Segundo KALACHE, A. et al., no artigo da revista Saúde Pública, 23(3) 200-10, 1987 sobre O Envelhecimento da População Mundial, Um Desafio Novo, os significativos ganhos na expectativa de vida das populações européias estão ligados historicamente a uma melhor qualidade de vida pela maioria da população; conquistas médico-tecnológicas de relevância foram quase todas subseqüentes. Em recente artigo é discutido, de modo bastante abrangente, um paralelo entre a Alemanha e o Brasil (Imhof, 1985). No entanto, ainda que muitos milhões de pessoas continuem vivendo em graus absolutos de pobreza por todo o mundo menos desenvolvido, as conquistas tecnológicas da medicina moderna, ao longo dos últimos cinqüenta anos, conduziram a meios que tornaram possíveis prevenir ou curar muitas doenças fatais do passado. O aumento atual na expectativa de vida consequentemente à redução da mortalidade verificada na maioria dos países subdesenvolvidos é, portanto, um fenômeno que se pode chamar artificial, já que está ocorrendo em função da disponibilidade de meios inexistentes até um passado muito próximo. O processo de transição demográfica no Brasil caracteriza-se pela rapidez com que o aumento absoluto e relativo da população adulta e idosa modificara a pirâmide populacional, principalmente, nos grandes centros urbanos. De acordo com a versão nacional do Conselho Nacional de Saúde (1999), Política Nacional de Saúde do Idoso, a persistente tendência do envelhecimento como fenômeno urbano projetará para o início do Século XXI a porcentagem de 82% do total de idosos masculinos morando em cidades (Política Nacional de Saúde do Idoso – 12.11.1999). As regiões mais urbanizadas, como Sudeste e Sul, ainda oferecem alguma possibilidade de emprego, disponibilidade, ainda que precária, de serviços públicos e oportunidades, melhor alimentação, moradia e assistência médica e social. Embora grande parte das populações ainda viva na pobreza, nos países menos desenvolvidos, certas conquistas tecnológicas da medicina moderna, verificadas nos últimos 60 anos – assepsia, vacinas, antibióticos, quimioterápicos e exames complementares de diagnóstico, entre outros, favoreceram a adoção de meios capazes de prevenir ou curar muitas doenças que eram fatais até então. O conjunto dessas medidas provocou uma queda da mortalidade infantil, e conseqüentemente, um aumento da expectativa de vida ao nascer. A população idosa no Brasil já atinge uma média de 72 anos, havendo expectativa de contarmos com uma parcela considerável de octogenários e até centenários nos próximos 25 anos. Paralelamente a esse aumento na expectativa de vida, tem sido observado, a partir da década de sessenta, um declínio acentuado da fecundidade, levando a um aumento importante da proporção de idosos na população brasileira. O processo de urbanização e a conseqüente modificação do mercado de trabalho aceleraram a redistribuição da população entre as zonas rural e urbana do país. Em 1930, dois terços da população brasileira viviam na zona rural; hoje, mais de três quartos estão na zona urbana. O emprego nas fábricas e as mais diferenciadas possibilidades de trabalho nas cidades modificaram a estrutura familiar brasileira, transformando a família extensa do campo na família nuclear urbana. Com o aumento da expectativa de vida, as famílias passaram a ser constituídas por várias gerações, exigindo os necessários mecanismos de apoio mútuo entre as que compartilham o mesmo domicílio. Além das transformações demográficas, o Brasil tem experimentado uma transição epidemiológica, com alterações relevantes no quadro de morbimortalidade. As doenças infectocontagiosas que, em 1950 representavam 40% das mortes registradas no país, hoje são responsáveis por menos de 10% (RADIS: “Mortalidade nas Capitais Brasileiras, 1930-1980”). O oposto ocorreu em relação às doenças cardiovasculares: em 1950, eram responsáveis por 12% das mortes e, atualmente, representam mais de 40%. Em menos de 40%, o Brasil passou de um perfil de morbimortalidade típico de uma população jovem, para um caracterizado por enfermidades crônicas, próprias das faixas etárias mais avançadas, com custos diretos e indiretos mais elevados. O sério impacto econômico e social dessa mudança em nossa estrutura etária vem exigindo medidas urgentes para se buscar uma vida digna aos nossos velhos. A maioria dos idosos brasileiros vive em precárias condições de vida, quer do ponto de vista social, quer do ponto de vista financeiro. Enormes são as carências nas áreas de saúde, previdência, educação, cultura e lazer, entre outras. De modo geral se constata que a esse crescimento da população idosa não corresponde a valorização da sua pessoa. Existe um problema ético de fundo da situação do idoso que tem sua origem na contradição entre valorização e desvalorização da velhice e cuja causa está no paradigma cultural que sustenta a sociedade atual. 2.1.1 - Aspectos psícosociais Tentando deter o processo do envelhecimento, pesquisadores se deparam com um dilema social. Existe um contra-senso em aumentar a quantidade e não pensar na qualidade de vida, com efeito, prolongar os anos de vida equivale também em renovar a qualidade de vida que muitas vezes a sociedade oferece aos idosos. Por isso, pesquisadores gerontólogos, hoje discutem o rumo que suas pesquisas devem tomar e se preocupam com a influência que motivos psicológicos e sociais exercem sobre o processo do envelhecimento (Caderno Adulto, Santa Maria, nº 02, 1998). Segundo o documento elaborado pelo Ministério da Previdência Social, “Idosos: Problemas e Cuidados Básicos” – Brasília – 1999, a família é ainda uma instituição social, pois nela origina-se o processo de socialização, o desenvolvimento da personalidade e as relações interpessoais são mais intensas e qualificadas. É na socialização que os jovens recebem dos adultos a motivação e as condições para assumirem seus papéis sociais. Os papéis sociais de filho, pai, avo vão sendo construídos ao longo da vida e variam de acordo com a idade e as condições de vida de cada indivíduo. É na família que se vive a experiência do primeiro exercício de relações intergeracionais e na qual as pessoas satisfazem suas necessidades físicas, psíquicas e sociais. As relações familiares estão baseadas em afeto e sentimento de reciprocidade e obrigação. Na relação pais e filhos, esses últimos, inicialmente numa situação de dependência total vão aos poucos se tornando independentes. Ao chegar à velhice a tendência ao aumento de limitações e incapacidades, faz com que os filhos sejam levados a dispor maior atenção e cuidados a seus pais, invertendo-se os papeis anteriores a relação de autoridade. A família está sujeita às condições do momento histórico e assim sofre as influencias do ponto de vista cultural, econômico e político da sociedade, o que a transforma ao longo do tempo, bem como faz com que elas não apresentem características homogêneas. Os idosos provêm de uma época na qual a família era ampla, caracterizando-se por um convívio intenso e freqüente entre gerações. A sociedade moderna fez com que a família se constitui de forma nuclear, ou seja, convivem sob o mesmo teto os pais e os filhos. Mesmo assim os laços afetivos, a cooperação e o contato com os demais membros permanecem presentes. Dessa forma, para o idoso a família ainda é a principal fonte de ajuda e apoio, tanto para as atividades domésticas, como nas de vida diária, companhia, cuidados em caso de doença, entre outras. Muito embora a sociedade esteja oferecendo cada vez mais alternativas de atendimento dessas necessidades fora da família, é nesta que permanece a tomada de decisões. A família tradicionalmente considerada o mais efetivo sistema de apoio aos idosos está passando por alterações decorrentes dessas mudanças conjunturais e culturais. O numero crescente de divórcios e segundo ou terceiro casamento, a contínua migração dos mais jovens em busca de mercados mais promissores e o aumento no número de famílias em que a mulher exerce o papel de chefe são situações que precisam ser levadas em conta na avaliação do suporte informal aos idosos na sociedade brasileira. Essas situações geram o que se convencionou chamar de intimidade à distância em que diferentes gerações ou mesmo pessoas de uma mesma família ocupam residências separadas. Segundo Almeida, Vera Lúcia V., Direitos Humanos e Pessoa Idosa, Brasília - 2005, para milhões de brasileiros, a velhice representa inúmeras perdas, como por exemplo do trabalho, dos amigos e parentes, da saúde, da autonomia, da segurança etc. Na velhice, como em outras faces da vida, temos perdas e ganhos. No entanto, nossa sociedade parece esquecer-se disso; para ela, envelhecer significa apenas “perder”. Ela nega, ou simplesmente ignora, as conquistas e aquisições presentes na velhice. Ao colocar os idosos à margem da sociedade e da cultura, aos princípios maiores da igualdade, do respeito e da dignidade humana são esquecidos e abandonados, fazendo com que homens e mulheres tenham valor apenas enquanto trabalham e durante o período em que reproduzem biologicamente a vida gerando filhos. Sem negar o fato de que envelhecer representa um aumento de dificuldades, temos que considerar que as capacidades humanas dependem, em qualquer idade, de constante estimulação para permanecerem ativas. A elaboração de projetos de vida é uma das formas, talvez a mais importante de viver com dignidade. Mas é aqui que se observa um dos maiores desafios da velhice: nossa sociedade insiste em negar, aos que envelhecem a possibilidade de elaborar projetos, por mais discretos que sejam. Frente a isso, gostaríamos de chamar a atenção para uma das principais perdas vivenciadas pelos idosos: a da cidadania! Segundo Guite I. Zimermam, o envelhecimento da população traz uma modificação no status do velho e no relacionamento dele com outras pessoas em função de: Crise de identidade, provocada pela falta de papel social, o que leva o velho a uma perda de sua auto-estima. Mudanças de papéis na família, no trabalho e na sociedade. Com o aumento de seu tempo de vida, ele deverá se adequar a novos papéis. Aposentadoria, já que hoje, ao aposentar-se, ainda restam à maioria das pessoas muitos anos de vida; portanto, elas devem estar preparadas para não acabarem isoladas, deprimidas e sem rumo. Perdas diversas, que vão da condição econômica ao poder de decisão, à perda de parentes e amigos, da independência e da autonomia. Diminuição dos contatos sociais, que se tornam reduzidos em função de suas possibilidades, distâncias, vida agitada, falta de tempo, circunstâncias financeiras e a realidade da violência nas ruas. É necessário um trabalho para que sejam ajustados suas relações sociais, com filhos, netos, colegas e amigos, assim como para que sejam criados novos relacionamentos, já que muitos acabaram, e a aprendizagem de um novo estilo de vida para que as perdas sejam minimizadas. Segundo texto da revista SESC SP (vol.15- nº 31-set.2004 ), a valorização de um fato, de um bem, de um momento, de uma pessoa depende de como se interpreta para si mesmo esse fato, esse bem, esse momento, essa pessoa. A valorização desse período da vida vai depender da concepção que se tem de velhice, de idoso e do valor que se imprime a esse período da vida. Como diz Pessini (1992): “Dar espaço ao idoso em nosso próprio ser não é uma tarefa fácil. A velhice está escondida não somente de nossos olhos, mas muito mais de nossos sentimentos. No mais profundo de nós mesmos, vivemos a ilusão de que sempre seremos os mesmos. Nossa tendência não é de somente negar a existência real do idoso, mas também o idoso que está despertando dentro de nosso próprio ser”. Ele é um estranho e, como todo desconhecido, nos incute medo. O que define o sentido e o valor da velhice diz Beauvoir (1990) é o sentido atribuído pelos homens à existência, é o seu sistema global de valores. Vivemos em uma sociedade que se caracteriza por uma visão utilitarista do ser humano em que têm mais importância os valores referentes às condições materiais de ter, saber, poder, subestimando-se quase sempre o ser. “Entender a velhice e aprender a valorizá-la implica também no conhecimento de determinados valores éticos e morais que são fundamentais para sua compreensão e, sobretudo, para com o trato com o idoso, considerando principalmente que no mundo atual muitas conquistas da intervenção científica abriram ao homem novas possibilidades de intervenção, inclusive em sua própria vida, exigindo assim uma avaliação ética destas intervenções para que o homem seja sempre respeitado em sua dignidade, em seu valor de fim e não de meio“. Maria Auxiliadora Cursino Ferrari (Terapeuta Ocupacional, Doutora em saúde pública pela USP) 2.1.2 - Aspectos Físicos e Biológicos Segundo consulta a Revista Paulista de Educação Física – 13.1.46-66Janeiro/Junho1999, Andreotti, Okuma, o envelhecimento traz, como uma de suas conseqüências, a diminuição do desempenho motor na realização das atividades da vida diária (AVD), o que, entretanto, não leva as pessoas a se tornarem necessariamente dependentes de outros. Embora aproximadamente 25% dos idosos cheguem ao estado de dependências para realizar tarefas cotidianas (Sperduso – 1995), o que é uma parcela considerável da população que traz problemas para a sociedade, essa situação não se traduz como a totalidade dos idosos, ou como uma condição que todos terão quando envelhecerem. Sem duvida, o aumento da expectativa de vida proporciona as pessoas um maior período de tempo para sintetizar e culminar a realização de seus projetos de vida. Porem, para que isso ocorra, e necessário que a velhice seja vivida com qualidade (Okuma, Andreotti, Lara, Miranda & Suckow, 1995). Infelizmente, o aumento do numero de idosos na população tem se traduzido em um maior numero de problemas de longa duração, seja em nivel pessoal ou social (Kalalche et al2, 1987< Pescatello& Di Pietro, 1993). Em nível pessoal, Pescatello & Di Pietro (1993) citam que aproximadamente 80% das pessoas acima de 65 anos apresentam ao menos um problema crônico de saúde. Da mesma forma, Okuma (1997) ressalta que porcentagem de pessoas acima de 60 anos tem algum tipo de dificuldade para realizar atividades cotidianas. Em nível social, Schoueri Junior et al2 (1994) citam que na Inglaterra, 17% de pessoas com mais de 65 anos utilizam 60% do orçamento do Departamento Nacional de Saúde e Cuidados Sociais. Em 1980, o gasto “per capita” que esse departamento teve com indivíduos com mais de 75 anos foi cerca de oito vezes maior que com a população geral. A maioria das doenças crônicas que acometem o indivíduo idoso tem na própria idade seu principal fator de risco. Envelhecer sem nenhuma doença crônica é mais exceção do que regra. No entanto, a presença de uma doença crônica, não significa que o idoso não possa gerir sua própria vida e encaminhar o seu dia a dia de forma total e independente. A maior parte dos idosos é, na verdade, absolutamente capaz de decidir sobre seus interesses e organizar-se sem nenhuma necessidade de ajuda de quem quer que seja. Consoante aos mais modernos conceitos gerontológicos, esse idoso que mantém sua autodeterminação e prescinde de qualquer ajuda ou supervisão para realizar-se no seu cotidiano deve ser considerado um idoso saudável, ainda que seja portador de uma ou mais de uma doença crônica. Tem sido preocupação dos vários domínios da ciência descobrir as Virtudes da Velhice, prolongar a juventude e envelhecer com boa qualidade de vida individual e social. Em decorrência do evidente aumento da população idosa mundial, identificar as condições que permitem envelhecer bem se torna tarefa de varias disciplinas no âmbito das ciências biológicas psicológicas e sociais (Lawton, 1991, Néri, 1993). Não e suficiente considerar apenas o aumento da expectativa de vida da população. E necessário avaliar se os anos adicionados a vida de um individuo serão saudáveis. Segundo Hayflick (1996), o desejo de avaliar as condições nas quais o individuo vive seus últimos anos de vida criou uma variante denominada expectativa de vida ativa, saudável ou funcional”. A expectativa de vida ativa termina quando a saúde de uma pessoa se deteriora a ponto de provocar a perda de sua independência nas atividades da vida cotidiana, tornando-se dependente de outros ou de algum tipo de assistência. Um dos elementos que determinam a expectativa de vida ativa ou saudável e a independência para realização de AVD. Sem duvida, na velhice, a capacidade de realizar AVD pode sofrer alterações ( Adrian, 1986, Anianssson, Rundgen & Sperling, 1980, Gallahue, 1995,Mendes De Leon, Seeman, Baker & McAvay, 1996). Envelhecer pressupõe alterações físicas, psicológicas e sociais no individuo. Tais alterações são naturais e gradativas. É importante salientar que essas transformações são gerais, podendo se verificar em idade mais precoce ou mais avançada e em maior ou menor grau de acordo com as características genéticas de cada indivíduo e principalmente como o modo de vida de cada um. A alimentação adequada, a prática de exercícios físicos, a exposição moderada ao sol, a estimulação mental, o controle do estresse, o apoio psicológico, a atitude positiva perante a vida e o envelhecimento são alguns fatores que podem retardar ou minimizar os efeitos da passagem do tempo. O envelhecimento não se manifesta biologicamente homogêneo devido à variabilidade genética original e a diferença das experiências vitais. A superposição de duas variáveis complexas (organismo e experiência) da origem a uma gama de variações praticamente infinita. Não existe uma velhice semelhante entre duas pessoas diferentes organicamente, e a vida experimentada, por cada uma, contribui para uma diferenciação ilimitada entre idosos. A noção de saúde integra dois outros termos complementares: o bem estar social e a qualidade de vida. O bem estar social ou saúde social trata do meio ambiente do individuo em termos relacionados, interpessoais e de participação social. A atividade física insere-se na saúde social na medida em que a pessoa a pratica mais em grupo do que individualmente. Considerada de forma diferente por cada pessoa, a qualidade de vida reflete um conjunto de conhecimentos, experiências, percepções e valores. Ela inclui ao mesmo tempo o estado funcional (hábitos de vida saudáveis, mobilidade, condição física), os componentes corporais e físicos (nível de dor, doença, e tratamento dos sintomas, por exemplo), os componentes psíquicos (capacidade de adaptação, emoções, satisfação em relação à vida ou auto- estima), os componentes sociais (o local das relações, a interação comunitária) e enfim, os valores existenciais e espirituais tais como o amor, o respeito e a liberdade De acordo com Guite I. Zimerman (2000,p.21,22) as principais mudanças do adulto jovem para o velho são as seguintes, Modificações externas As bochechas se enrugam e embolsam, aparecem manchas escuras na pele (manchas senis), a produção de células novas diminui, a pele perde o tônus, tornando-se flácida, podem surgir verrugas, o nariz alarga-se, os olhos ficam mais úmidos, há um aumento na quantidade de pelos nas orelhas e no nariz, os ombros ficam mais arredondados, as veias destacam-se sob a pele dos membros, enfraquecem, encurvamento postural devido a modificações na coluna vertebral, diminuição de estatura pelo desgaste das vértebras. Modificações internas Os ossos endurecem, os órgãos internos atrofiam-se, reduzindo seu funcionamento, o cérebro perde neurônios e atrofia-se, tornando-se menos eficiente, o metabolismo fica mais lento, a digestão e mais difícil, a insônia aumenta, assim como a fadiga durante o dia, a visão de perto piora devido à falta de flexibilidade do cristalino, a perda de transparência (catarata), se não operada, pode provocar cegueira, as células responsáveis pela propagação dos sons no ouvido interno e pela estimulação dos nervos auditivos degeneram-se,o endurecimento das artérias e seu entupimento provocam arteriosclerose, o olfato e o paladar diminuem. Com o passar dos anos, o desgaste e inegável. Sabemos que a velhice não e uma doença, mas, sim, uma fase na qual o ser humano fica mais suscetível a doenças. E uma época na qual as pessoas adoecem mais, mais rapidamente (alias, costuma-se dizer que o velho e como vaso de cristal, qualquer coisa trinca) e, quando adoecem, demoram mais tempo para se recuperar. O importante e enquadrar as doenças crônicas do velho no termo normal, e o entendimento de que essas doenças estão dentro do quadro de normalidade da idade que essa pessoa tem. Segundo Moragas (1997, p. 39), o soma, corpo ou organismo físico constitui o ponto de partida de qualquer fenômeno vital. A vida social não pode existir sem a vida orgânica. O que é certo historicamente para o indivíduo, também o é no desenvolvimento das ciências do envelhecimento. As ciências do corpo humano são as que trataram, antes, do envelhecimento e de suas conseqüências. A medicina, desde suas origens, interessou-se pela senescência. A tradicional defasagem de conhecimentos entre ciências naturais e sociais ocorre, também, do estudo do envelhecimento sendo o volume de contribuições, e sua história, mais longos no campo do biológico que no psicossocial. Os biólogos e médicos se interessam pelo envelhecimento antes dos psicólogos e sociólogos e, consequentemente, surgem antes as cátedras e pesquisas em geriatria do que a formação e os estudos em gerontologia social. Por que o organismo do homem, suporte de qualquer fenômeno humano envelhece? A pergunta tem interessado todo tipo de cientistas das ciências naturais e as respostas não são definitivas. Procuraram-se respostas quantitativas: “Quantas pessoas e com que características estarão configuradas a população idosa do futuro?” E, também, qualitativas: “Que tipo de organismo terão estas pessoas?” De acordo com as necessidades da população idosa, a organização política, social e econômica das nações deverá mudar, e as necessidades referentes ao organismo biológico constituirão uma variável importante. A assistência sanitária, a medicina, as necessidades de moradia e de serviços serão diretamente afetadas pela mudança quantitativa e qualitativa da futura população idosa. O que fazer com o crescente número de eleitores idosos? É a preocupação de qualquer político que procura respostas sobre as características biológicas desta população. Envelhecimento Normal Constitui as velhices saudáveis, que não tem doença nem deficiência. Contrariamente à crença popular, a maior parte dos idosos não está doente, nem apresenta deficiências. O envelhecimento como processo vital de acumulação de anos não tem por que ser um processo patológico ao atingir os sessenta e cinco anos a pessoa não contrai nenhuma doença. Não obstante, na realidade, parece que os maiores de sessenta e cinco anos estão sujeitos a uma maldição semelhante à lepra bíblica que os incapacita para papéis sociais produtivos. Muita gente se surpreende ao comprovar que pessoas aposentadas desempenham atividades físicas e intelectuais com plena efetividade. Um preconceito amplamente difundido associa o término da vida profissional com inatividade pessoal, social e doença. Esta crença deve ser combatida com fatos, visto que, em todas as sociedades, o número de idosos constitui uma minoria. O envelhecimento encerra uma etapa vital como a infância, a maturidade ou a adolescência, com doenças características e oportunidades próprias, mas que não tem necessariamente que se associar com doença. Kastembaum,Vejez,anos de plenitud, Harper e Row, México,1980,pp17-18. Uma definição útil associa velheci normal com condição física em que não há doença aguda. Um conceito relacionado com a saúde na velhice é o da longevidade ou extensão da vida humana, considerando-se não somente o número de anos, mas também a qualidade de vida. Envelhecimento Saudável As causas de uma velhice orgânica saudável devem ser encontradas em fatores genéticos, originais e hereditários de cada pessoa e em fatores do meio ambiente material e psicosocial. Estabelece-se a difícil e nunca resolvida tarefa de identificar quais os fatores mais importantes no resultado final, se os originais, ou os do meio ambiente, se os orgânico-materiais, ou os psicosociais. A Gerontologia Social não pode oferecer a resposta, quando as próprias ciências sociais não puderam estabelecê-la para outras etapas do desenvolvimento humano – como a adolescência ou infância. O máximo a que se chegou, atualmente, é reconhecer que o ser humano constitui um produto complexo da infância e de fatores hereditários, originais, do meio ambiente, materiais e psicosociais. Normalidade Mas o que é a normalidade biológica, na velhice? Não faz muitos anos, o “normal” para os aposentados era esperar a morte mais ou menos prazerosamente, e qualquer intento de atividade física era considerado um risco desproporcional à capacidade orgânica. Atualmente, quando existem maratonistas maiores de 65 anos, os pesquisadores se colocam novas perguntas sobre o envelhecimento normal. Uma opinião sustenta que a forma de envelhecer atual é, radicalmente, diferente daquela de poucas décadas atrás. Antes, a capacidade global do organismo decrescia progressivamente. Hoje, parece que a aptidão vital se prolonga, o processo final de decadência vital dura menos e a queda final é mais súbita. Com o aumento da qualidade de vida durante o envelhecimento, reduziu-se o número de anos em que se manifestam as limitações orgânicas. O que se começa a comprovar é que a aptidão orgânica esta estreitamente ligada a fatores psicosociais de motivação, estilo de vida, interesses, ocupações, companhia e capacidade de decisão, e que estes fatores afetam, diretamente, variáveis biológicas como a produção de linfócitos, secreções hormonais, neurotransmissores, responsáveis diretos pelo bem estar fisiológico da pessoa. Uma vez mais, o fator biológico depende do social e vice-versa, estabelecendo-se uma sutil inter relação em que é difícil isolar o agente causal e o resultado da influencia. R. Kalish, La vezez. Perspectivas sobre el dasarrollo humano, Pirâmide, Madri, 1983,p.43. Envelhecimento Patologico A velhice não é uma doença em si mesma, mas a probabilidade de adoecer durante a velhice e de que a doença deixe seqüelas no organismo é muito maior do que em outras etapas da vida. Isto se reflete na diferenciação habitual entre doença aguda e a doença crônica entendendo-se por aguda a de curta duração, cujo desenlace pode ser previsto; enquanto a doença crônica se caracteriza pela longa duração e por acarretar uma limitação residual. A doença dos idosos possui características comuns a outras idades, assim como patológicas específicas. As doenças que se manifestam principalmente na velhice são: osteoporose, artrose, adenocarcinoma de próstata, artrite e polialgia reumática. Há doenças relacionadas com a idade avançada, mas que podem manifestarse na maturidade, como diabetes (não insulínica), Mal de Parkinson, neoplastia, enfizema e hipertensão. Com uma etiologia mais definida encontramos a septicemia, pneumonia, cirrose, nefrite, acidentes cerebrais vasculares e infarto do miocárdio. Em última instância, ao tratar pessoas idosas, o mais importante é reconhecer suas peculiaridades, a cronicidade das situações, e a qualidade de vida radicalmente diferente da aplicável a populações mais jovens.Recuperar o movimento de uma articulação, ainda que parcial, pode supor, num organismo velho, impedir a anquilose de todo o membro, e evitar um situação definitiva, que num organismo mais jovem seria passageira.Evitar os efeitos colaterais de um medicamento no aparelho digestivo pode resultar na manutenção de sua funcionalidade durante anos, caso contrário poderá acarretar problemas para toda vida restante.Trata-se, em suma, de reconhecer a individualidade do idoso em sua doença e considerar os efeitos gerais de sua patologia concreta no conjunto de sua vida tanto biológica, como psíquica e social. Na velhice, a doença é “classista”, prejudicando os menos favorecidos e favorecendo os que dispõem de maiores possibilidades. A desigualdade social não excetua nenhuma área vital, nem idade. Comprovamos que a saúde das classes menos privilegiadas, medida por qualquer tipo de indicador, mortalidade, morbidade, esperança de vida etc., é menor do que a dos que desfrutam de maiores oportunidades. Um objetivo da medicina ivã consiste em identificar os fatores de risco e atuar sobre as populações afetadas, possibilitando uma maior igualdade de oportunidades vitais e sanitárias. 2.2 - O Idoso e a Atividade Física 2.2.1 - Benefícios da atividade Física para o Idoso Segundo Okuma (2002), estudos vêem evidenciando a atividade física como recurso importante para minimizar a degeneração provocada pelo envelhecimento, possibilitando ao idoso manter uma qualidade de vida ativa. Visto que ela tem potencial para estimular várias funções essenciais do organismo, mostra-se não só um coadjuvante importante no tratamento e controle de doenças crônico-degenerativas (como diabetes, hipertensão, osteoporose), mas é também essencial na manutenção das funções do aparelho locomotor, principal responsável pelo desempenho das atividades da vida daria e pelo grau de independência e autonomia do idoso. Estudos em gerontologia têm demonstrado que atividade física, junto com hereditariedade, alimentação adequada e hábitos de vida apropriados podem melhorar em muito a qualidade de vida dos idosos. De acordo com vários autores – dentre os quais citamos Berger (1980) e Shephard (1991)-, o declínio linear natural das capacidades funcionais, que se inicia ao redor dos 30 anos, pode ser substancialmente modificado pelo exercício, pelo controle de peso e pela dieta. Evidências demonstram que mais da metade do declínio da capacidade física dos idosos é devida ao tédio, à inatividade e à expectativa de enfermidade. Pesquisas sugerem que 50% do declínio, frequentemente atribuído ao envelhecimento biológico, na realidade é provocado pela atrofia por desuso, resultante da inatividade física que caracteriza os países industrializados (Spirduso 1989; Paffenbarger et al. 1994). Segundo estudo realizado por Sandra Maheda Matsudo, Victor K.R. Matsudo, Turíbio Leite de Barros Neto e Timóteo Leando de Araújo, entre 25 e 65 anos de idade há diminuição substancial da massa magra livre de gordura de 10 a 16% por conta das perdas na massa óssea, no músculo esquelético e na água corporal total que acontecem com o envelhecimento. A perda gradativa da massa do músculo-esquelético e da força que ocorre com o avanço da idade, também conhecida como sarcopenia, tem sido definida por alguns autores como a perda de massa correspondente a mais de dois desvios padrões abaixo da média da massa esperada para o sexo na idade jovem ou para outros com o mesmo critério de desvio padrão mas utilizando a massa esquelética apendicular (massa em quilogramas dividida pelo quadrado da estrutura). A perda da massa muscular e, consequentemente, da força muscular é, a nosso ver, a principal responsável pela deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo. Por essa razão, tem despertado o interesse de pesquisadores a procura das causas e mecanismos envolvidos na perda da força muscular com o avanço da idade e, dessa forma, criar estratégias para minimizar esse efeito deletério e manter ou melhorar a qualidade de vida nessa etapa da vida. A sarcopenia é um termo genérico que indica a perda da massa, força e qualidade do músculo esquelético e que tem impacto significante na saúde pública pelas suas bem reconhecidas conseqüências funcionais no andar e no equilíbrio, aumentando o risco de queda e perda da independência física funcional, mas também contribui para aumentar o risco de doenças crônicas como diabetes e osteoporose. De acordo com a maioria dos estudos analisados por Cartee e Porter et al., as conclusões são bem consistentes: o tamanho da fibra do tipo 2 é reduzido com o incremento da idade enquanto que o tamanho da fibra do tipo I (fibra de contração lenta) permanece muito menos afetado. Na nossa opinião, tal fato se explica por serem as fibras do tipo 2 também muito importantes na resposta a urgências do dia-a-dia, pois contribuem com o tempo de reação e principalmente , de resposta, que assim inviabilizariam apropriada resposta corporal para situações de emergência, como a perda súbita de equilíbrio. A perda da massa muscular é associada, evidentemente, a um decréscimo na força voluntária, com declínio de 10- 15% por década, que geralmente se torna aparente somente a partir dos 50 a 60 anos de idade. Dos 70 aos 80 anos de idade tem sido relatada perda maior, que chega aos 30%. Indivíduos sadios de 70-80 anos têm desempenho 20-40% menor (chegando a 50% nos mais idosos) em testes de força muscular em relação aos jovens. Essa perda do desempenho pode também ser explicada pelas mudanças nas propriedades intrínsecas das fibras musculares. Considerando as informações expostas por Rogers e Evans e Booth et al. Podemos concluir que a perda de fibras musculares, motoneurônios, unidades motoras, massa muscular e força muscular começa entre os 50 e 60 anos; por volta dos 80 anos idade essa perda alcançaria 50% desses componentes. Parece que os dois maiores responsáveis por esse efeito do envelhecimento são o progressivo processo neugênico e a diminuição na carga muscular, o que poderia levar a hipotetizar que essa atrofia muscular não seria necessariamente conseqüência inevitável do incremento da idade. É claro que, as pessoas que se mantêm fisicamente ativas têm somente perdas moderadas da massa muscular, mas quanto dessa perda de massa muscular é conseqüência do envelhecimento e/ou a diminuição do nível de atividade física é desconhecida. Segundo Matsudo e Matsudo, 1992, Pescatillo e Di Pietro, 1993, a atividade física regular e sistemática aumenta ou mantém a aptidão física da população idosa e tem o potencial de melhorar o bem-estar funcional e, consequentemente, diminuir a taxa de morbidade e de mortalidade entre essa população. A atividade física e a aptidão física também têm sido associadas à diminuição da incidência de morbidade e mortalidade produzidas por doenças ente indivíduos de meia idade. Dentre estas, são citadas as doenças coronarianas, a hirpertensão, a hiperlipidemia, o diabetes nãoinsulino dependente e o câncer. Resultados recentes mostram uma associação favorável entre atividade física, aptidão física e fatores de risco para doenças cardiovasculares entre a população idosa, sugerindo um efeito da atividade física como fator de proteção para esse grupo de pessoas. Nos últimos anos, os profissionais da saúde têm enfatizado a necessidade de prevenir ou retardar o desenvolvimento das doenças crônicas que acometem a população idosa, numa tentativa de aumentar a expectativa de vida ativa, através de manutenção do bem-estar funcional. Para Pescatello e Di Pietro (1993), muitas das alterações nas estruturas e funções fisiológicas que ocorrem com a idade resultam da inatividade física. Como por exemplo, as autoras citam a alteração na sensibilidade à insulina, na massa corporal magra, na taxa metabólica basal e na capacidade aeróbica. Além disso, apontam o impedimento que muitos idosos podem ter para manter suas atividades diárias por problemas de diminuição da resistência física (diminuição da capacidade aeróbica), fraqueza generalizada e/ou quedas sistemáticas (diminuição na força). Embora ainda existam muitas questões a ser respondidas em relação ao papel da atividade física no processo de envelhecimento, já há muitos dados que configuram seu benefício incontestável para aqueles que a praticam, em relação à saúde física, mental, psicológica e social.Para Astrand (1992), há uma evidente plasticidade e adaptabilidade nas propriedades funcionais e/ou estruturais de células, tecidos e órgãos do corpo humano, quando submetidos a vários estímulos. Embora haja unanimidade em relação ao caráter essencial da atividade física regular par o funcionamento ótimo do corpo, não se pode deixar de considerar também fatores extrínsecos como dieta. Além do significativo impacto que a atividade física regular pode ter sobre a prevenção e o tratamento de doenças crônico-degenerativas em idosos, ela tem efeitos importantíssimos na manutenção da capacidade funcional, mesmo na presença de doenças. Capacidade cardiovascular, massa muscular, força muscular, flexibilidade e capacidade funcional declinam com o avançar da idade e com o “desuso” do corpo ou seja, com o sedentarismo. Embora a capacidade cardiovascular, as doenças crônicas e a capacidade funcional estejam inter-relacionadas, serão analisadas separadamente. 2.2.2 - Efeitos da atividade física sobre a capacidade funcional. “A Atividade Física é provavelmente o melhor investimento na saúde para as pessoas em processo de envelhecimento”. As conclusões cientificas são categóricas: seus benefícios salutares potenciais são essenciais para todas as pessoas. Por esse motivo, o programa Envelhecimento e Saúde , da Organização Mundial da Saúde, concede um lugar privilegiado ao exercício físico. Segundo Marie, Jose Manidi, Jean Pierre Michel, o fato de a Atividade Física trazer benefícios para cada um de nós que envelhecemos é inegável; as pessoas devem ser muito bem aconselhadas sobre o que fazer, durante quanto tempo e com que freqüência. Nessa perspectiva o papel dos professores é de importância fundamental (Marie, José Manidi, Juan, Pierre Michel – Atividade Física para adultos com mais de 55 anos). Em 1958, a Organização Mundial da Saúde definiu a saúde como um estado de completo bem estar, físico, mental e social, ou a capacidade de funcionar de modo ideal num ambiente individual (adaptação ao meio) e não em função da ausência de doença ou enfermidade. A carta de Ottawa para a promoção da saúde (1986) desenvolve o conceito de saúde positiva, propondo uma assistência aos indivíduos a fim de aumentar o controle sobre sua saúde física e psíquica. Foi comprovado que a prática regular de uma atividade física pode: Prevenir a manifestação de certas doenças tais como as cardiopatias isquêmicas ou hipertensão arterial; Contribuir para limitar o aumento da obesidade do diabético não insulino dependente e da osteoporose. Independentemente da idade as pessoas podem beneficiar-se dos efeitos favoráveis da atividade física, contudo, o tipo de atividade física deve ser escolhido em função das necessidades e possibilidades de cada pessoa e dos objetivos aos quais ela se propõe. O método de prevenção que parece ter efeito mais favorável é a pratica de uma atividade física regular, de intensidade moderada, durante pelo menos 30 minutos, diariamente. A pratica ocasional de exercícios é insuficiente para exercer uma ação preventiva valida sobre o sistema cardiovascular. A regularidade da pratica é importante sendo mais fácil de ser exercida com atividades moderadas do que com atividades intensas. Estimativas da prevalência da incapacidade funcional decorrente das limitações físicas apontam para o fato de que uma grande porcentagem de pessoas (mais de mulheres do que de homens) tem dificuldade ou incapacidade para realçar as atividades cotidianas, como carregar um peso ou caminhar alguns quarteirões, sendo que tal dificuldade aumenta com a idade. A perda da capacidade funcional leva à incapacidade para realizar as Atividades da Vida Diária (AVDs) e as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs). As primeiras referem-se às atividades de cuidados pessoais básicos, como vestir-se, banhar-se, levantar-se da cama e sentar-se numa cadeira, utilizar o banheiro, comer e caminhar uma pequena distância. As segundas referem-se a tarefas mais complexas do cotidiano e incluem, necessariamente, aspectos de uma vida independente, como fazer compras, cozinhar, limpar a casa, lavar roupa, utilizar meios de transporte e usar o telefone. São as perdas no domínio cognitivo e as disfunções físicas que contribuem para a maior redução da independência do idoso, limitando suas possibilidades de viver confortável e satisfató riamente, além de restringir sua atuação na sociedade. Isto, por sua vez, fatalmente tem reflexos nos domínios sociais e psicológicos. Do ponto de vista do modelo médico, tais limitações têm sido tradicionalmente vistas como resultantes, predominantemente, de condições patológicas, a ponto de o Committee on a National Agenda for Preventin of Disabilities afirma que “a incapacidade sempre tem origem numa condição patológica” (Phillips e Haskell 1995, p. 262). De acordo com esses autores, há estudos que apontam a artrite, as doenças cardíacas, a cegueira/diminuição da visão, a perda da força de membros inferiores e as doenças cérebro-vasculares como as cinco principais causas de incapacitação e de limitações das atividades das pessoas entre 70 e 80 anos, isto sem considerar que um mínimo de aptidão física é necessário para a realização das AVDs e das AIVDs. Tal visão leva as pessoas a pensar que o envelhecimento está associado a fragilidade,doenças e perda de vitalidade. Este é um estereótipo perpetuado pelos profissionais da saúde que vêem essas alterações como conseqüência natural do envelhecimento. Essas atitudes e esses pontos de vista incorrem no erro de não levar em conta a importância que a aptidão física tem para a manutenção ótima da capacidade funcional do corpo, ignorando o fato de que suas alterações mais importantes resultam de seu “desuso” e de seu mau uso ao longo da vida, e não do processo de envelhecimento. Tais atitudes vão contra a diminuição do sedentarismo, cujo impacto poderia ser minimizado se as pessoas estimulassem o corpo fisicamente com mais intensidade. Já em 1961- ou seja, há mais de 35 anos-, Kraus e Raab criaram o tremo “doença hipocinética”, ao estabelecerem a relação entre inatividade e saúde (Phil2ps e Haskell 1995, p. 263). Embora para a população mais jovem essa associação, atualmente, esteja bem clara, o mesmo não se pode afirmar em relação à população idosa, pois são ainda bastante recentes os conhecimentos a respeito dessa relação. Não obstante a ausência de uma ampla compreensão das influencias, dos mecanismos e das relações casuais, atualmente reconhece-se a importância da inter-relação entre atividade física, aptidão fisiológica, saúde, qualidade de vida, morbidade, longevidade e dieta (Paffenbarger et al. 1994). Podemos explicar melhor os efeitos da atividade física no idoso,compreendendo a influencia do “desuso”do corpo sobre os sistemas e os órgãos responsáveis pela interação do individuo com o meio ambiente- ou seja, os órgãos responsáveis pela capacidade de movimento- e os efeitos da atividade física sobre esses órgãos.Deve ficar claro que, sem negar o importante papel da aptidão cardiorespiratória, começa a surgir um conceito mais amplo de aptidão física, denominado aptidão da saúde, aptidão corporal, aptidão funcional ou fisiológica e capacidade funcional.Este último termo pode ser compreendido como a capacidade do indivíduo em manter os cuidados pessoais e realizar as atividades cotidianas, o que inclui a força muscular, a resistência muscular localizada, a potência muscular, a agilidade, a flexibilidade, os reflexos, o tempo de reação, a eficiência metabólica, a composição e outros aspectos da aptidão corporal total. Segundo Meirelles, 1999; Rauchbach, 2001; Santarém & Jacob Filho, 2003, a atividade física realizada com regularidade é uma das principais bases para a manutenção da saúde em qualquer idade, junto à correta alimentação e ao estado emocional equilibrado. No envelhecimento a atividade física é fundamental tanto para as funções cardiovasculares e pulmonares, como também na manutenção da saúde mental. É recomendado que o programa de exercícios deva ser feito com regularidade e continuidade, no mínimo duas vezes por semana, de 40 até 60 minutos. Observa-se que a pessoa que faz exercícios regulares tem menores chances de desenvolver diabetes com a idade, e o processo de osteoporose tem sua velocidade diminuída. A atividade física regular, melhora a força e massa muscular como também aumenta a flexibilidade. É um excelente instrumento de saúde em qualquer faixa etária,em especial no idoso, induzindo várias adaptações fisiológicas,e psicológicas, a atividade física diminui a incidência de quedas, risco de fraturas e a mortalidade em portadores de doença de Parkinson. Durante o processo natural de envelhecimento ocorre redução de força muscular em conseqüência da atrofia de fibras de contração rápida, esta perda de força é frequentemente potencializada pela hipotrofia de desuso. A realização das atividades de vida diária depende basicamente da força e da flexibilidade, que em idosos asilados é reduzida, por eles não serem ativos, e se apresentarem significativamente fragilizados, devido a vários fatores, tanto físicos como mentais. Muitas vezes se imagina que as atividades físicas com tensões musculares elevadas sejam perigosas para pessoas debilitadas, realmente, em atividades contínuas como correr, pedalar ou nadar, atividades com maior velocidade ou cargas, que impõe sobrecargas músculo-esqueléticas e cardiovasculares são potencialmente perigosas. No entanto, nos exercícios chamados resistidos, realizados com pesos, as tensões musculares podem ser aplicadas a músculos isolados, de forma muito suave e lentamente progressiva. No caso de situações patológicas articulares, degenerativas e inflamatórias, os exercícios resistidos não apenas são tolerados como apresentam importantes efeitos terapêuticos. Segundo Okuma (2005), para que um programa de atividade física integre fundamentos científicos e ações pedagógicas que levem à prática da atividade física permanente e à conquista dos objetivos dos idosos é necessário que, antes de iniciá-lo e durante seu desenvolvimento, eles sejam avaliados. É importante determinar a aptidão física e/ou funcional daquele que vai iniciar um programa. Além disso, se quisermos acompanhar a evolução de um treinamento ou estudarmos algum efeito especial sobre variáveis que influenciam na capacidade de movimento dos idosos há necessidade de que testes específicos para essa população estejam disponíveis. 2.2.3 - Classificação Funcional do Idoso. De acordo com Katz (1983), a avaliação de AVD na velhice é um assunto que vem sendo estudado desde o final do século passado. No final dos anos de 1800 e início dos anos 1900, na Europa e nos Estados Unidos, informações sobre a capacidade funcional de idosos foram obtidas através de entrevistas e levantamentos estatísticos, com o objetivo de detectar enfermidades e doenças que impediam as pessoas de trabalharem. Durante a década de 40, devido ao aumento da prevalência de doenças crônicas nos Estados Unidos, a Commission of Chronic Illness começou a estudar o assunto de maneira mais intensa. Surgiram classificações de incapacidades e limitações e, um número variado de funções como locomoção, cuidados de higiene, comunicação, atividades manuais, capacidade de alimentar-se e vestir-se, que começaram a ser investigadas na população idosa. Nas últimas décadas, o estudo de metodologias de mensuração de funções físicas, mentais e sociais expandiu consideravelmente e uma série de outros instrumentos mais sofisticados foi desenvolvida. Em 1972, Lawton criou um modelo que classificava as AVD por seu nível de dificuldade: a) atividades básicas da vida diária (relacionadas a ações básicas do cotidiano e que suprem as necessidades fundamentais); b) atividades instrumentais dea vida diária (tarefas mais complexas, relacionadas à adaptação do indivíduo no meio ambiente ) (Katz, 1983). Desde então, vários testes começaram a ser criados, abordando as atividades realizadas na vida diária, desde as mais simples até as mais complexas, através da utilização de diferentes tipos de metodologias, como, por exemplo, os testes de desempenho motor ou de auto-percepção. Segundo Rikli & Jones (1997), para a seleção de instrumentos para avaliar o nível de desempenho de AVD em idosos, deve-se levar em consideração o nível de capacidade funcional desta população. Infelizmente, a maioria dos testes desenvolvidos para avaliação de AVD de idosos destina-se às duas primeiras categorias propostas por Spirduso (1995), os fisicamente frágeis, que correspondem a apenas 25% da população idosa mundial. Rikli & Jones (1997) comentam que poucos instrumentos de pesquisa têm capacidade para classificar diferentes níveis de função de indivíduos independentes e detectar mudanças ao longo do tempo. Outro ponto de discussão na literatura é o da utilização de testes de desempenho motor versus testes de auto-percepção. De acordo com Guralnik, Branch, Cummings & Curb (1989) e Spirduso (1995), os instrumentos de pesquisa que medem desempenho motor apresentam uma série de vantagens: maior validade e reprodutividade, maior sensibilidade na detecção de mudanças ao longo do tempo, menor influência da função cognitiva, bem como da cultura, linguagem e educação do indivíduo. Porém, apresentam algumas desvantagens: consomem mais tempo de realização que um teste de auto-percepção, necessitam de espaço e equipamentos especiais, apresentam risco de lesões e podem gerar ansiedade e medo nos participantes. Ainda, Guralnik et al2 (1989) comentam que testes simples podem não refletir o desempenho em tarefas complexas da vida diária. Por outro lado, as técnicas de auto-percepção, que consistem em perguntar aos sujeitos sobre a percepção que têm de suas habilidades e capacidades para desempenhar AVD, usando-se entrevistas, questionários ou escalas, têm vantagens relacionadas à fácil administração, à baixíssima porcentagem de riscos de causar danos ao indivíduo e à predição de índices de morbidade e mortalidade (Spirduso, 1995). Segundo Okuma, Avaliação do Idoso, p.18,19, dada a grande variabilidade entre os idosos é necessário que todos, antes de serem submetidos à qualquer avaliação, passem por uma pré-avaliação. Esta permite levantar informações sobre as necessidades de cada um, que é realizada através de auto-relato sobre os antecedentes médicos e entrevista. A pré-avaliação diminui riscos durante os testes e o programa, possibilita ao profissional indicar o tipo de atividade mais adequada, as atividades contra-indicadas, os cuidados especiais que cada idoso requer e como lidar com as diferenças individuais. Permite, também, acompanhar os tratamentos médicos que possam estar sendo feitos, e sugerir modificações a serem feitas pelos médicos (COTTON, 1998). Considerando que o envelhecimento é um processo muito complexo, não se pode definir um único modelo que categorize a grande variabilidade de idosos existente entre esta população. Assim, estudiosos têm utilizado critérios que combinam status funcional com nível de saúde que correspondem à aplicações práticas do dia-a-dia (COTTON, 1998). Para isso têm usado como referência as atividades de vida diária (AVD) para determinar se um idoso é capaz de viver independentemente. As medidas de AVD permitem saber o que um idoso pode realmente fazer. Há vários índices que classificam tanto pacientes idosos, como idosos da comunidade em relação às AVD. PHILLIPS e HASKELL (1995) fazem referência às atividades da vida diária ( AVD) e às atividades instrumentais da vida diária (AIVD). A primeira refere-se às atividades de cuidados pessoais básicos, como vestir-se, banhar-se, levantar-se da cama e sentar-se numa cadeira, utilizar o banheiro, comer e caminhar uma pequena distância. A segunda refere-se à tarefas mais complexas do cotidiano e incluem, necessariamente aspectos de uma vida independente, como fazer compras,cozinhar, limpar a casa, lavar roupa, utilizar meios de transporte e usar o telefone. De acordo com a American Geriatrics Society (COTTON,1998), as atividades da vida diária (AVD) são classificadas como básicas (ABVD), intermediárias (AIVD) e avançadas (AAVD). As ABVD incluem as atividades de auto-cuidado. As AIVD englobam as ABVD e incluem tarefas essenciais para a manutenção da independência. As AAVD referem-se às funções necessárias para viver sozinho, sendo específica para cada indivíduo. Elas incluem a manutenção das funções ocupacionais, recreacionais e prestação de serviços comunitários. 2.2.4 – Classificação da capacidade funcional, SPIRDUSO (1995). Idosos fisicamente dependentes: eles necessitam melhorar as funções que permitam realizar as atividades de auto-cuidado, como alimentar-se, banhar-se, vestirse, usar o banheiro, transferir-se de um lugar para outro e caminhar. Tais atividades requerem força muscular ( tronco, braços,pernas, quadril, mãos e dedos), flexibilidade Ombros, quadril, joelhos, punho e tornozelo/pés) e destreza (mãos). Idosos fisicamente frágeis: necessitam melhorar as funções que permitam realizar as ABVD e as AIVD, tais como cozinhar, limpar a casa, fazer compras, sair de casa. Estas últimas requerem força muscular e flexibilidade para melhorar o padrão da marcha, estabilizar ombros e melhorar a postura, que influenciarão no equilíbrio. Idosos fisicamente independentes: necessitam melhorar e manter as funções físicas que lhes dá independência e previne doenças, incapacidades ou lesões que possam leva ao nível de fragilidade. Isto requer força e resistência muscular, flexibilidade, endurance cardiovascular, equilíbrio, tempo de reação e de movimento, agilidade e coordenação. Idosos fisicamente ativos/aptos: necessitam manter em nível ótimo a aptidão física e funcional,ou seja, a força e resistência muscular, a flexibilidade, a endurance cardiovascular, o equilíbrio, o tempo de reação e de movimento, a agilidade e a coordenação. Idosos atletas: necessitam de treinamento que mantenha o nível de aptidão física e condições de performance máximas específicas das atividades competitivas ou recreativas. De acordo com estas considerações, SPIRSUDO(1995) determina que os testes que devem ser incluídos em uma bateria de avaliação de indivíduos maiores de 60 anos de idade de acordo com o nível funcional são: Fisicamente dependentes....................... Testes de ABVD Fisicamente Frágeis................................ Testes de ABVD e AIVD Fisicamente Independentes..................... Testes de aptidão física: VO2max; força; flexibilidade; tempo de reação e de movimento; agilidade; equilíbrio. Testes de AAVD. Fisicamente ativos/aptos............................ Testes de aptidão física: VO2max; força; flexibilidade; tempo de reação e de movimento; agilidade; equilíbrio. Atletas......................................................... Testes de aptidão física: VO2max; força; flexibilidade; tempo de reação e de movimento; agilidade; equilíbrio; específicos da modalidade. Dados de pesquisa mostram que, com o avanço da idade, há um aumento progressivo da necessidade de assistência na realização de AVD. Tradicionalmente, a involução motora decorrente do processo de envelhecimento, bem como as doenças e disfunções sempre foram vistas como causa da dificuldade ou incapacidade para realização de AVD em idosos. Os modelos médicos tradicionais sugerem que são as patologias que levam, progressivamente, o indivíduo a um prejuízo das funções básicas, a limitações funcionais e finalmente à incapacidade. Entretanto, evidências indicam que, nos últimos anos de vida, um estilo de vida fisicamente inativo também pode ser causa primária da incapacidade para realizar AVD (Grimby, 1995). Uma grande variedade de autores, entre eles, Hombergh,Schouten, Staveren, Almesvoort& Kok (1995), Pescatello & DI Pietro(1993) e Spirduso (1989), incluem os programas de atividades físicas como meios efetivos na compressão da morbidade, na diminuição e prevenção de doenças, na melhora das capacidades físicas e motoras. Para Shephard (1994), a atividade física regular para idosos tem papel fundamental, na medida em que prolonga e aumenta a capacidade de trabalho do indivíduo, otimiza a realização de AVD e previne a incapacidade e a dependência nos últimos anos de vida. Apesar de parte dos indivíduos idosos (pelo menos aqueles não institucionalizados) apresentarem diminuição de desempenho na realização de atividades motoras do cotidiano, no que se refere à velocidade de execução da tarefa, ao padrão motor e à freqüência com que são realizadas, ainda apresenta independência para execução das AVD em geral (Spirduso,1995). Entretanto, parte considerável da literatura sobre envelhecimento continua reforçando as perdas dessa fase, e enfatizando a dependência como uma característica das pessoas em geral. Como conseqüência, continua a predominar propostas de avaliação das AVD voltadas para o idoso fisicamente frágil e dependente. Segundo MARIE, José Manidi, JEAN Pierre Michel, Atividade Física para Adultos com mais de 55 Anos, 2001, a atividade física é provavelmente o melhor investimento na saúde para as pessoas em processo de envelhecimento. As conclusões científicas são categóricas: seus benefícios salutares potenciais são essenciais para todas as pessoas. Por esse motivo, o programa “Envelhecimento e Saúde”, da Organização Mundial da Saúde, concedem um lugar privilegiado ao exercício físico. O fato de atividade física trazer benefícios para cada um de nós que envelhecemos é inegável; as pessoas devem ser muito bem aconselhadas sobre o que fazer durante quanto tempo e com que freqüência. Nesta perspectiva, o papel dos professores é de importância fundamental. 2.3 - Instituições de Longa Permanência para Idosos - ILPI 2.3.1 – Origem de uma Instituição Asilar De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (Seção São Paulo, 2003), a palavra Asilo define-se (do grego ásylos, pelo latim asylu) como casa de Assistência Social onde são recolhidas, para sustento ou também para educação, pessoas pobres e desamparadas, como mendigos, crianças abandonadas, órfãos e velhos. Considera-se ainda asilo o lugar onde ficam isentos da execução das leis, os que a ele se recolhem. Relacionam-se assim, a idéia de guarita, abrigo, proteção ao local denominado de Asilo, independentemente do seu caráter Social, Político ou de cuidados com dependências físicas e/ou mentais. Conforme o texto sobre A Atividade Física em Uma Instituição de Longa Permanência Para Idosos, Uma Reflexão sobre o Seu Significado, Ana Maria Costa de Souza, Goiânia, para entendermos melhor o significado da palavra asilo, se faz necessário contextualizar o envolvimento social que estas instituições carregam ao longo dos tempos, pois, falar sobre instituição asilar é falar sobre um processo histórico antigo envolvendo saúde, sociedade e religião. As instituições se apresentam através dos tempos, como instrumentos sociais que refletem um significado, ora de exclusão ora de caridade, falamos dos presídios, dos manicômios, das casas de isolamento, dos albergues e como não poderia ser diferente, dos abrigos de velhos. Através de uma padronização entre o belo, o perfeito e o saudável, que o pensamento positivista delimitou, definiu-se na sociedade, uma linha de normalidade entre aquilo que é “aceitável” e o que não é aceitável, sendo necessário a criação de formas de organização, de dominação e de controle para todos aqueles que se enquadravam fora destes ditos “padrões normais”. Foucault (1989) relata o início deste processo quando no fim do século XV2 era declarada a peste em alguma cidade. Todas as medidas que se faziam necessárias, caracterizavam uma forma de exercer o poder sobre os homens e de controlar suas relações, tudo em nome da saúde e do bem estar social. Esse esquema de segregação iniciado para “limpar” a cidade de peste trouxe para a sociedade, a prática da exclusão, onde o leproso era apenas um personagem simbólico, mas que representava na realidade todo aquele que se apresentava fora do padrão de normalidade, o mendigo, o vagabundo, o louco, o violento, o velho... Essa difusão constante entre o normal/anormal, louco/não louco, perigoso/inofensivo, jovem/velho a que todo indivíduo é submetido, trouxe a necessidade social da existência de um conjunto de técnicas e de instituições que assumem como tarefa medir, controlar e corrigir estes ditos “anormais”, formando assim, uma lógica que justifique esta “exclusão”. Talvez seja esta a origem do perfil negativo que todo asilo reflete e que permanece no seu significado mesmo quando já percebemos hoje, um outro significado para os abrigos. Um relato histórico, passado no VI Encontro Nacional das Entidades de Usuários e Familiares do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, realizado na cidade de Goiânia, em novembro de 2000, retrata um pouco deste contexto: “Era uma vez, há 300 anos atrás, a sociedade começou a se preocupar com os menos favorecidos. Resolveram, então, criar um lugar que acolhesse e protegesse os deficientes, os doentes mentais, os mendigos e os velhos abandonados. Estava, assim, criado o ASILO. Mas, com o passar do tempo, a proteção se tornou prisão, pois quem entrava não saía mais. Por incrível que pareça, quem mais gostou dos asilos não foram os internos. Quem gostou, cada vez mais, foi a própria sociedade. Afinal, não se viam mais nas ruas aquelas pessoas sujas, pobres e indesejadas, vagando livremente. Era como se o mundo tivesse se tornado melhor, com os incapazes sendo assistidos e a sociedade mais limpa”.(sociedade de Apoio aos Portadores de Sofrimento Mental de Ipatinga “Loucos por Você, 2000. Hoje, percebemos uma grande necessidade de repensarmos todas essas questões ideológicas que perpassam por uma instituição asilar, assim como dos manicômios, das prisões, dos conventos... que carregam o mesmo peso histórico no contexto de revoltas e manifestações sociais, não somente pela frieza das paredes, dos muros, do frio e da fome, mas também pelo isolamento, pelos tranqüilizantes e pela solidão que estas instituições adotam pelo próprio significado de cada uma. (Foucault,1989). É assim, então que se faz necessário repensarmos em qualquer atividade destinada ao idoso institucionalizado, discutindo todo o envolvimento político que este idoso representa através do seu corpo e da instituição e que reflete os processos da história social. É desta forma que percebemos que a proposta da prática da educação física dentro do asilo, não pode nunca ser estruturada sem a percepção e a observação histórica do corpo do idoso e da herança social que as instituições possuem, a fim de podermos através de uma relação com a prática proposta, mudarmos o rumo deste processo, ou seja, não podemos deixar de lado a formação crítica dos profissionais envolvidos neste contexto histórico, assim como o perfil negativo de um assistencialismo que reforça e enquadra cada vez mais as diferenças e os “diferentes”. A necessidade de atendimento ao idoso e a instituição asilar: As instituições de uma forma geral não tiveram realmente uma boa finalidade durante o processo histórico, no entanto, o aumento populacional de idosos tem nos solicitado uma avaliação sobe o seu significado nos dias atuais. O processo do envelhecimento sempre fez parte de um contexto de exclusão social, seja pelo processo histórico de produção e de exploração do corpo ou pelo simples “estigma” de ser velho. Pelo que parece, nem a família nem a comunidade estão suficientemente preparadas para enfrentar os problemas decorrentes do acelerado envelhecimento populacional. Cada sociedade lida com o processo de envelhecimento de forma particular, dependendo muito dos seus valores culturais, históricos e sociais. No Brasil, em função de grandes desigualdades sociais, a velhice se constituiu em sinônimo de marginalização e que se torna ainda mais fortalecida pela existência de qualquer possível deterioração física, psíquica ou econômica do idoso.(PAVARINI,1996). Dessa forma, a institucionalização se torna uma situação bastante delicada e polêmica. Existe um relato de que a associação entre a pobreza, o baixo nível educacional e as modificações nos valores familiares (famílias cada vez menores e desorganizadas) são possíveis indicadores de futuros abandonos e maus tratos aos idosos, e que vem piorar muito quando o idoso apresenta algum grau de dependência, seja física ou psíquica, combinada com insuficiência de recursos econômicos e/ou afetivos, o que torna, então, em alguns casos, a institucionalização uma solução alternativa e até mesmo necessária. (NERI E DEBERT apud PAVARINI, 1996). Portanto não nos parece o momento ideal de fecharmos os olhos para a questão da institucionalização, sendo necessário sim, criar estratégias capazes de promover um envelhecimento com qualidade, “uma vez que as instituições continuarão sendo importantes ambientes de moradia no futuro próximo,”(PAVARINI, 1996, p. o5) e os idosos hoje institucionalizados são cidadãos com direitos ao atendimento de boa qualidade, além do que, hoje já existe um olhar direcionado para as questões do envelhecimento, que permite uma avaliação, um planejamento e até mesmo uma fiscalização de atividades desenvolvidas dentro de instituições gerontológicas. Uma boa consideração sobre este assunto foi levantada por Tomiko Born,1996, quando ela coloca que um bom começo seja talvez iniciarmos desmistificando a natureza das instituições para idosos, reconhecendo que o aumento da população idosa e a longevidade criaram sim, uma nova categoria de idosos e que estes necessitam de cuidados especializados em instituições.A autora considera através de perspectivas futuras, que muitas das instituições necessitam superar o estágio de assistencialismo que ainda se encontram, desenvolvendo uma nova compreensão do seu papel social face à nova realidade, a fim de adequarem seus programas para a atualidade em busca de um atendimento de qualidade. O asilo como uma instituição viável: Já que o asilo não seria uma das melhores alternativas, porém uma alternativa necessária vamos entender melhor o seu contexto. Historicamente falando, a assistência social ao idoso brasileiro expressou-se inicialmente através da criação de asilos destinados aos abandonados, sem família, economicamente carentes e física ou mentalmente comprometidos (QUEIROZ apud PAVARINI, 1996). Associados à tradição dos “Asilos de Mendicidade”, tinham orientação religiosa, já que eram ligados à Sociedade São Vicente de Paula, criada por Ferderico Ozanam em 23 de abril de 1833 em Paris, com o objetivo de prestar atendimento material e espiritual à pobreza, segundo os princípios da caridade cristã. Cerca de 20 anos mais tarde essas associações estavam espalhadas pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil. As instituições para idosos foram embasadas, portanto com ênfase na caridade e no atendimento assistencialista que durante algumas décadas foram e continuam sendo, em vários lugares, as formas predominantes de se prestar assistência aos idosos. (PAVARINI, 1996). A dificuldade encontrada como conseqüência disto tudo, é que os idosos institucionalizados passaram a ser considerados “coitados”, “pessoas sofridas”, que merecem toda a ajuda necessária, como se isso fosse um ato de caridade em lhes prestarmos qualquer atendimento, e não como um direito deles. A educação física entra então neste momento como mediadora e promotora de um melhor atendimento ao idoso institucionalizado, contemplando assim, toda uma preocupação científica e gerontológica. No entanto, essa prática se apresenta hoje, nas instituições de uma forma bastante inovadora em todo o seu contexto histórico, pois a prática da educação física sempre elitizada, quase nunca atingiu esta parte da população historicamente excluída da sociedade, vindo hoje, participar de uma proposta de intervenção diferenciada, e que nasce diante da análise crítica dos vários fatores sociais e históricos que estas instituições carregam. A educação física ponteia então, algumas considerações que a envolvem enquanto setor prático e interacional dentro do asilo e que intervêm diretamente na sua atuação. Um dos pontos a serem considerados, foi o levantamento realizado em um trabalho publicado em 1991 por Haddad apud Pavarini (1996), onde a autora discute as políticas de inserção da velhice no Brasil e ressalta que a assistência à velhice no passado confundia-se bastante com a assistência dispensada aos indigentes, favorecendo em muito a formação de uma dependência cada vez mais irreversível. Esse é um dos problemas que enfrentamos dentro da instituição e que vai refletir imensamente no comportamento do idoso de uma forma negativa e constante, pois, o corpo, que já se apresenta cansado, limitado e que vive dentro das instituições, ao se enquadrarem nas rotinas disciplinadoras, muitas vezes promotoras de dependência, são reforçadas cada vez mais a obedecer um quadro de tarefas e horários, que perpetuam a imagem de incapacidade, dependência e inutilidade que o idoso institucionalizado possui. Tomiko Born (1996), nos alerta quando diz ser necessário desenvolver uma programação planejada para os idosos, pois a ausência de esforço para marcar os vários momentos do dia, tende a deixar a rotina diária do idoso na instituição extremamente monótona, e quanto maior a perda da autonomia, maior a monotonia. Também se corre um grande risco em tornar os dias a serem meras repetições de cuidados pessoais, alimentação, eliminação e repouso com poucas variações e interrupções. (BORN, 1996) “Os idosos podem rapidamente desenvolver uma passividade aprendida, serem reduzidos a corpos decadentes e rostos inexpressivos, sem história, com conseqüências negativas, tanto para os idosos, como para os próprios cuidadores”. (BORN, 1996,p.408).Esta dificuldade dentro do abrigo é real, e a educação física terá que atuar em dois sentidos, ora sendo incluída dentro desta rotina do idoso e da casa com a finalidade de ser absorvida como prática freqüente nas atividades, ora quebrando essa monotonia através de atividades recreativas, comemorativas e estimulantes fora do contexto rotineiro do idoso. Um outro fator negativo da instituição é percebermos que efetivamente na sociedade predomina no contato com idosos a prática de se fazer por eles, mesmo quando estes podem responder por si. Baltes e Reinsenzein apud Pavarini (1996), abordam que esse tipo de concepção, ao contrario, não é observado nos ambientes que prestam cuidados a crianças, onde se verifica que os atendentes são mais construtivos, instigadores e aceitadores da autonomia nas crianças do que nos idosos. Provavelmente porque atendentes de crianças têm uma formação mais voltada para a educação, enquanto que o pessoal que trabalha em asilos possui um perfil de atendimento mais assistencialista. Não é difícil observarmos nas instituições o “fazer pelo idoso”, onde os funcionários tomam decisões pelo idoso como: onde ficar e como se vestir, isso acontece muitas vezes, porque “a dependência física é com muita freqüência confundida com dependência para tomada de decisão, o que leva o funcionário a tender a fazer pelo idoso e negar sua liberdade, autonomia e capacidade de escolha”.(BATLES e SILVERBER, apud PAVARINI, 1996,p.49). Neste sentido, se torna importante quebrarmos de ambos os lados este perfil “protecionista” presente nas interações, é necessário a busca de uma prática mais autônoma através de uma constante avaliação das condutas de aplicação e do perfil das atividades desenvolvidas. Relacionando a esta problemática também devemos levar em conta e que interferem nas atividades da instituição, são as exigências das instituições quanto ao número, ao ritmo e ao tipo das tarefas impostas aos funcionários como rotina da casa, que possivelmente, muitas vezes não tem outra alternativa senão interagir rapidamente com os idosos, manejando-os fisicamente, sem lhes dar tempo para as opções, decisões, pedidos, recomendações, iniciativas verbais ou auto ajuda como seria desejável num quadro de interação com o idoso que tente buscar ou resgatar a autonomia do idoso. Percebemos que, manter a ordem e a disciplina se torna um processo teoricamente fácil seguindo uma rotina padronizada, o difícil é combinar tudo isso com a liberdade e a autonomia do idoso. Esse é um dos pontos críticos das atuais atividades desenvolvidas dentro das instituições e que apesar de possuírem objetivos baseados na autonomia, esbarram todo momento, no contexto significativo e funcional dos asilos. Uma última observação quanto aos problemas oriundos do sistema institucional, é que “as instituições foram criadas para pessoas que, segundo se pensa, são incapazes e inofensivas” (GOFFMAN apud PAVARINI, 1996,p.29), isso promove, em geral, uma situação em que os moradores possuam um contato restrito com o mundo existente lá fora e que a equipe que ali trabalha esteja integrada ao mundo externo, fazendo assim,uma ponte entre os dois extremos, possibilitando e promovendo portanto, uma grande distância social entre esse dois grupos: asilo e sociedade. Esta é outra grande dificuldade do trabalho em instituições, pois percebemos que pelo próprio perfil institucional de ser um sistema fechado, justificado pela heterogeneidade do perfil do idoso existente dentro dos asilos (demenciados, pacientes psiquiátrico...), os fazemos realmente isolados,não de um convívio social, mas sim de uma prática social de relacionamento e de utilidade. Evitar ou minimizar a tendência de a instituição tornar-se isolada e fecha exige esforços contínuos, tanto dos dirigentes como da comunidade. Na medida do possível, seria interessante que a instituição oferecesse oportunidades aos grupos locais para visitarem suas dependências, eventualmente organizarem atividades conjuntas, tanto de jovens como de idosos, com os residentes. Abrir seus serviços para usuários da comunidade, organizar cursos e palestras sobre técnicas de cuidado do idoso para familiares de idosos e voluntários são alguns exemplos de programas que podem ser desenvolvidos. Manter um pequeno playground ou uma pequena praça ajardinada com bancos e abrir esses espaços para crianças da comunidade pode ser um ótimo serviço à comunidade, vindo a ter efeitos benéficos para os próprios idosos. Temos observado que a presença de crianças pequenas, filhas de funcionários ou visitantes, traz alegria despertando sentimentos ternos nos residentes de instituição. 2.3.2 - Definição de Instituição de Longa Permanência para Idosos ILPI. Por definição, segundo o manual de funcionamento da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) Seção São Paulo, Biênio 2002/2003, as ILPIs são estabelecimentos para atendimentos integral institucional,cujo público alvo são as pessoas de 60 anos e mais, dependentes ou independentes, que não dispõem de condições para permanecer com a família ou em seu domicílio. Essas instituições, conhecidas por proporcionar serviços nas áreas social, médica, de psicologia, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, odontologia, e em outras áreas, conforme necessidade desse segmento etário. Esse atendimento é realizado em locais, fisicamente adequados e equipados para proporcionar cuidados aos idosos, mediante pagamento ou não, durante um período indeterminado. Estes locais devem reproduzir um ambiente residencial, mantendo as características de um lar. Não devem ser marcados pelo isolamento, afastados da vida urbana, nem ser espaço de uniformização da vida de seus usuários. Devem prever, na medida do possível, a participação dos usuários na qualidade individual dos ambientes, especialmente naqueles mais íntimos e reservados – os dormitórios, por exemplo. Além disso, esse local deve contemplar o uso de elementos que atuem de forma positiva sobre a memória física dos idosos e, em suas relações com o novo lar o aprendizado desse novo espaço, deve ser facilitado pela inclusão de objetos que sejam capazes de resgatar antigos hábitos, experiências, recordações e traze-los para o cotidiano atual dos usuários. Deve dispor de um quadro de recursos humanos para atender às necessidades de assistência social, alimentação, higiene, repouso e lazer dos usuários e desenvolver outras atividades que garantam sua qualidade de vida. Sempre que possível, as atividades deverão ser planejadas em parceria e com a participação efetiva dos idosos, respeitando suas demandas e características sócio-culturais. Esses estabelecimentos deverão ser classificados segundo as modalidades, observando a especialização do atendimento. Embora na Portaria n* 073/01 do Ministério de Previdência e Assistência Social constem três modalidades de Atendimento Integral Institucuonal, considerando as necessidades específicas das ILPIs do Estado de São Paulo, fizemos constar neste manual quatro modalidades de atendimento: Modalidade I É a instituição destinada aos idosos com até uma Atividade da Vida Diária (AVD) comprometida e com capacidade cognitiva preservada, mesmo que requeiram o uso de algum equipamento de auto-ajuda, isto é, dispositivos tecnológicos que potencializem a função humana, como por ex., andador, bengala, adaptações para vestimenta, escrita, leitura, alimentação, higiene, etc. Capacidade máxima recomendada por Unidade: 40 pessoas. Modalidade II É a instituição destinada a idosos com até três AVDs afetadas e com comprometimento cognitivo controlado, que necessitam de auxílio e de especializados e exijam controle e acompanhamento adequado por profissionais de saúde. Capacidade máxima recomendada pó unidade: 30 pessoas. Modalidade III É a instituição destinada a idosos com quatro a cinco AVDs comprometidas, com quadro demencial e/ou cognição alterada. Necessita de uma equipe multiprofissional de saúde. Capacidade máxima recomendada por unidade: 30 pessoas. Modalidade IV É a instituição destinada a idosos dependentes que requeiram assistência total nas AVDs. Necessita de uma equipe multiprofissional de saúde. Capacidade máxima recomendada por Unidade: 30 pessoas. Recursos Humanos Equipe Permanente: Médico(até 10hs/ semana); Assistente social(a critério); Nutricionista ( até 2hs/sem..); Limpeza (até 72hs/ sem.); Segurança (a critério); Lavanderia (a critério); Copa/cozinha ( até 112hs/sem.); Cuidadores (até 392hs/sem.). Equipe de Enfermagem: Modalidade I, 4hs/sem., Modalidade 2, Enfermeiro 8hs/sem., Técnico Enfermagem, 168hs/sem., Modalidade 2I,Enfermeiro 20hs/sem., Técnico Enfermagem,168hs/sem.e Auxiliar Enfermagem, Modalidade IV,Enfermeiro 20hs/sem., Técnico Enfermagem 168hs/sem. E Auxiliar Enfermagem 280hs/sem. OBSERVAÇÕES: 1- Em todas as instituições deve haver, além da equipe permanente, profissionais das várias áreas, os quais, ainda que não tenham vínculo empregatício, estejam disponíveis para atendimento ao idoso. Nas instituições beneficentes/filantrópicas, sugere-se que o assistente social integre a equipe permanente. A instituição deverá elaborar uma lista desses profissionais com seu nome completo, registro no conselho profissional, endereço e telefone. 2- O critério adotado neste documento foi turno de 8 horas, considerando 24 horas nos sete dias da semana. O quadro refere-se ao quantitativo necessário, presente diariamente. Não foram computados férias, folgas, licenças e absentismo. Para tanto, deve se prever o índice de segurança técnica de 30%. Importante: Quadro calculado, supondo-se que a instituição já tenha uma estrutura física e administrativa organizada. Quanto as necessidades Físico-Espaciais as Instituições tem que seguir todo um Regulamento Técnico que define as normas de funcionamento (Resolução da Diretoria Colegiada- RDC n* 283, de 26 de setembro de 2005). 2.3.3 – Histórico da Educação Física e a sua Herança nos Tempos Modernos. Segundo uma pesquisa sobre Atividade Física em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos, realizada por Ana Claudia Costa de Souza, hoje, a educação física possui uma abordagem comunitária de lazer, de integração e de formação; é discutida dentro do contexto escolar; conduz os sonhos de milhares de pessoas no campo esportivo, sendo destinado a ela a disputa de pódios e medalhas olímpicas; faz parte do discurso médico como componente principal de uma melhor qualidade de vida, além de ser veículo de comunicação, de poder e de status social, porém, uma nova abordagem destinada à educação física atualmente é a sua relação com idosos. Por ser algo tão novo e recente dentro das ramificações da educação física, torna-se necessário buscarmos uma avaliação sobre a influência que os programas de atividades físicas para idosos podem estar carregando, através de uma herança histórica onde a educação física fora sempre instrumento de dominação e marginalização social. Dados demográficos podem justificar esta preocupação. Existe a perspectiva de uma explosão no número de pessoas idosas. De 1940 a 1980, a população idosa passou de 4,0%, para 7,2, e até o ano 2025 as estimativas projetam esse segmento etário em mais de 15% da população.(PRATA apud SILVA et al,p.167). Podemos considerar que, segundo Nóbrega apud Silva et al (1998), uma das mais importantes transformações na estrutura da sociedade no final do século passado foi a mudança do padrão demográfico brasileiro. 2.3.3.1 - As raízes européias na História da Educação Física Iniciamos uma reflexão sobre a Educação Física, a fim de melhor a contextualizar, a partir do século XIX, quando na Europa a burguesia lutava pela sua consolidação enquanto classe. Esta luta entre classes, necessitava de um novo homem, e a construção desta nova imagem foi fundada com bases positivistas através de uma visão biológica do corpo, com fundamento anátomo-fisiológico, ou seja, era necessário um homem forte, vigoroso, saudável, transformando-os e corpos a-históricos. (SOARES, 1983). Rompe-se então, as relações feudais em toda a Europa ocidental, e o grande crescimento desorganizado das cidades dão sustentação para uma higiene, causando focos de epidemias e de doenças. Surge assim, o início do pensamento higienista e aparece então, uma das primeiras funções da Educação Física de servir a causa social de dominação e de disciplina em prol do mercado capitalista. Podemos dizer que a partir deste momento histórico, a Educação Física inicia a formação de suas bases filosóficas e pedagógicas sendo fortemente influenciada por vários pensadores liberais clássicos do século XVIII e XIX. Rousseau, teórico francês e John Locke, teórico político liberal inglês, foram grandes defensores da educação para a elite com bases nos exercícios físicos. A partir de Leppelletier, político francês, a educação física adquiriu caráter de lei e foi incluída pela primeira vez no currículo escolar como matéria intelectual e teórica através da escola Pilantropinum, do pedagogo alemão Basedow. Esta escola teria a principio um caráter democrático, porem, sua prática era de extrema discriminação com atividades diferenciadas para as classes sociais; para ricos era importante a prática da dança, da música, da equitação e da esgrima, porém, os pobres não tinham acesso a estas atividades, pela afirmação de que, as crianças plebéias necessitavam de menos instruções. (idem). Assim segue a formação histórica da Educação Física com o apoio de representantes de uma classe elitizada, que defende pensamentos positivistas e forma uma filosofia classista para o início da formação pedagógica da Educação Física. A gerontologia como ciência que estuda o envelhecimento procura situar o corpo envelhecido dentro do contexto social não podendo deixá-lo de fora, quando percebemos a relevância que o meio possui, indicando que o corpo está submisso a esta prisão invisível através do domínio e das limitações sociais. O resultado desta história social dos corpos seja talvez, a imagem do idoso institucionalizado, cansado, analfabeto, abandonado, limitado e marginalizado presente nos abrigos. Concluímos então que deste conto histórico, infelizmente o inventário destes dois séculos foi herança de uma formação pedagógica competitiva, elitista e disciplinadora para uma Educação Física conduzida pelas diretrizes sócio-econômicas, e que deixaram suas marcas negativas em corpos também conduzidos por meio da exploração social. 2.3.3.2 - Influência Histórica na formação pedagógica da educação física no nosso país No Brasil, a formação da nossa sociedade, seguia os mesmos traços da Europa, o homem, era valorizado pela sua raça e pela sua classe social. No período colonial, esse caráter discriminatório, era bastante claro e já se formava uma padronização do que era belo, normal e moral, o que não ficasse dentro destes padrões, seria marginalizado, pelo Estado, pela economia e pela sociedade. Neste momento histórico, o país acaba de sair do escravismo, passava por uma transformação econômica e social, porém, o povo não conseguiu acompanhar fielmente tantas mudanças, a nossa população era essencialmente rural, desqualificada profissionalmente pelos séculos de exploração, analfabeta e servil, não estando de acordo com a nova sociedade. As marcas históricas foram muito fortes. Após três séculos de regime colonial, a transformação política e econômica do nosso Império, e fortalecida com a proclamação da República, projeta na nossa sociedade uma elite com idéias burguesas de um lado e de outro uma população analfabeta, com valores de uma relação escravagista, desqualificada, doente, marcada pela miséria, pela prostituição, pelas epidemias e pela insalubridade dos portos e que não recebia nenhum respeito aos seus direitos de cidadãos. (SOARES, 1983). É assim, que neste contexto também surge, no Brasil, o pensamento Eugênico, baseado na regeneração das raças, e que , através do intelectual Fernando Azevedo e do Dr. Renato Kehl, fundador e presidente da Sociedade Eugênica de São Paulo, era defendido e promovido.Eles declamavam a necessidade de ...restringir a proliferação de infra –homens, de semi-alienados e de dementes, pela higiene do corpo e do espírito(...) (além de ) fazer com que as pessoas fortes, equilibradas, inteligentes e bonitas, tenham um maior número de filhos, para que o número médio destas pessoas(...) se eleve progressivamente.( KHEL apud SOARES, 1994, p. 144), dando seqüência ao antigo processo de exclusão e marginalização.Infelizmente o Brasil, absorveu estes pensamentos e a prática da Educação Física passa a ser direcionada à medição e à avaliação de corpos, segrega-se os bons dos maus, as crianças são separados pelo nível de inteligência, as débeis, retardadas são excluídas e promove-se um trabalho de homogeneização não como forma metodológica de atividades, e sim como seqüência de uma política discriminatória.(SOARES, 1994). Hoje a prática da educação física passa por vários questionamentos, existem inúmeros discursos sobre novas tendências, discussões que avaliam diferentes teorias críticas e inovadoras, chamadas humanistas. Todavia, torna-se interessante percebermos uma incompatibilidade das ações... ora por parte dos professores marcados pela herança de uma prática tecnista em constante conflito com os vários pontos de interrogações gerados pela nova teoria humanista, ora por parte dos alunos (no nosso caso idosos) sempre acostumados à disciplina, através do processo histórico onde fomos (somos) tutelados e obrigados a obedecermos na maior parte do tempo, e que gerou, sem dúvida uma legião de não cidadãos, de excluídos, de desiguais, pois Tratados como menores, no tornamos menores. (CANÔAS, 1996,p.456). Causando grandes impasses na prática de uma educação física, que possui hoje um perfil de grandes indagações e contradições perante tantas influências sociais versus estruturação política pedagógica. 2.3.3.3 - Atuais programas de Educação Física versus Idosos Segundo Alves Junior (1997), e através de tamanhas transformações históricas, percebemos que, os idosos do início do século passado não possuem mais o mesmo perfil do final do século, não que as diferenças sociais tenham terminado, mas que as pessoas estão envelhecendo diferentemente. E é numa perspectiva atual que a velhice está sendo abordada, também pela educação física, como sendo uma nova área de estudo e também de mercado. No entanto, se faz importante refletirmos sobre suas várias considerações. Na França, em 1973, quando se iniciou a implantação da ginástica para idosos, identificou-se uma fase operacional caracterizada por uma euforia generalizada (ALVES JUNIOR, 1997), assim como no Brasil, também houve uma explosão de atividades e macro eventos voltados para o idoso, contudo, logo se constataram alguns fracassos resultados de uma simplificação infantilizante ou de uma tecnicidade rebarbativa. (Longeville, apud Alves Junior, 1997, p. 1352). Hoje, após tantos anos, ainda observamos ambas as características nos programas de atividade física. Alguns programas ainda trabalham de forma eufórica com grandes eventos e macro atividades, sem objetivos específicos, que promovem aglomerados de pessoas de forma desqualificada apenas pra contar números. Outros programas apenas reproduzem técnicas de aulas padronizadas que perde muito quando de encontro com idoso, pois hoje se trabalha muito mais através da sensibilidade e da flexibilidade seguindo o perfil da pessoa envelhecida, do que se buscando um programa ideal, padronizado e eficaz. A infantilização também continua sendo um problema pedagógico da atividade com velhice. Não é difícil ouvirmos pessoas se referindo aos idosos como vovôzinhos, levante sua perninha, vamos fazer um teatrinho... provavelmente atitudes enraizadas e dependentes da educação física escolar, prevalecendo uma hiper-infantilização que é maléfica e desrespeitosa. (Alves Junior, 1997). Uma outra observação a se fazer é a propaganda errônea de que a prática da atividade física na terceira idade seria a promotora da saúde e do bem estar prevenindo e retardando o envelhecimento como atividade salvadora do processo de envelhecimento. É importante perceber que, “Para que alguma atividade física seja capaz de fazer frente ao processo biológico e social que é o envelhecimento, é fundamental que entre outras, que sua prática seja regular e preferencialmente durante toda a vida, uma educação física permanente.”(Alves Junior, 1997, p. 1352)Pois a prática de exercícios físicos somente no período do envelhecimento poderá até ter benefícios de manutenção, mas dificilmente alcançará os resultados de prevenção, como se divulga. Hoje, percebe-se que o perfil do idoso já passa por outras transformações neste início de século,quando se torna então, essencial observar-mos outras possíveis considerações: “O que se observa é o risco de uma pandemia de incapacidades, com o aumento da população idosa, principalmente porque o grupo que mais cresce é o de indivíduos com mais de 85 anos (...) Eles são frágeis, portadores de múltiplas doenças, usam vários medicamentos (...) confusão mental, hospitalizações... “(COSTA, 2000,p.4), ou seja, teremos ou poderemos ter num futuro próximo, um perfil totalmente diferenciado para a velhice neste novo século. A educação física está então, destinada a trabalhar num futuro próximo com idosos caracterizados pelas influências sociais e pelo processo diferencial do envelhecimento mais significativo (tardio). Teremos então, idosos mais dependentes, com alterações psicológicas e físicas mais significativas. Agora, se esta população sempre esteve fora do contexto da normalidade e consequentemente fora das práticas físicas, qual prática realizar com estes idosos e como fazer? Copiar modelos de programas com bases tecnicistas, inspirar em atividades escolares ou perpetuar a história de marginalização através da competição e da estética, com certeza não seria um dos melhores caminhos! Segundo Vendruscolo (1999), um envelhecimento satisfatório, com boa qualidade de vida, leva-nos a aceitação de uma formulação comprovada por vários autores de que “a influência da educação física sobre a saúde do idoso, bem estar social e afetivo, é relativa.” (BEAUVOIR; NERI et al apud VENDRUSCOLO, p.1165). Depende sim, da interação entre o indivíduo e o ambiente em que vive, ou seja, a pessoa idosa está sujeita às forças históricas, econômicas e sociais (VENDRUSCOLO, 1999). Em sendo assim, segundo Marie – José Manidi, a atividade física é provavelmente o melhor investimento na saúde para as pessoas em processo de envelhecimento. As conclusões científicas são categóricas: seus benefícios salutares potenciais são essenciais para todas as pessoas. Por esse motivo, o programa “Envelhecimento e Saúde”, da Organização Mundial da Saúde, concede um lugar privilegiado ao exercício físico. O fato de atividade física trazer benefícios para cada um de nós que envelhecemos é inegável; as pessoas devem ser muito bem aconselhadas sobre o que fazer durante quanto tempo e com que freqüência. Nesta perspectiva, o papel dos professores é de importância fundamental (MARIE – JOSÉ MANIDI, JEAN PIERRE MICHEL, 2001). 2.4 - Benefícios da Atividade Física para Residentes em Instituições de Longa Permanência O acelerado ritmo de envelhecimento no Brasil cria novos desafios para a sociedade Brasileira contemporânea, onde esse processo ocorre num cenário de profundas transformações sociais, urbanas, industriais e familiares. A família encontra grandes dificuldades para o desempenho das funções tradicionais a ela atribuídas, de educadora das crianças e cuidadora dos mais velhos. Se as instituições para idosos, conhecidas como asilos, se destinavam à velhice desvalida, hoje, na sociedade marcada pelo envelhecimento, passam a ter uma nova missão: cuidar de idosos necessitados de uma assistência multiprofissional, em face das perdas funcionais que tornaram problemática a vida a sós ou com a família. Com o crescimento dessa população idosa e dependente de cuidados especiais, as instituições destinadas a prestar assistência a essa população se tornam cada vez mais necessárias. A busca de novos modelos institucionais que propiciem um ambiente e cuidados específicos e que preservem e promovam os direitos funcionais do idoso como ser humano deve ser incentivado. Essa busca muitas vezes proporciona a aproximação entre a comunidade e a universidade e vice-versa. Os idosos institucionalizados apresentam um perfil diferenciado, elevado nível de sedentarismo, carência afetiva, perda de autonomia causada por incapacidades físicas e mentais, ausência de familiares para ajudar no auto cuidado e insuficiência de suporte financeiro. Estes fatores contribuem para a grande prevalência de limitações físicas e comordidades refletindo em sua independência e autonomia. O novo paradigma de saúde do idoso brasileiro é manter a sua capacidade funcional mantendo-o independente e preservando a sua autonomia. O idoso institucionalizado e a entidade que o abriga, geralmente, não conseguem arcar sozinhos com a complexidade e as dificuldades da senescência e/ou senilidade. Como se pode ver, o prolongamento da vida não é uma atitude isolada. Profissionais que trabalham com o processo do envelhecimento nas mais diversas áreas de saber (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros), tentam proporcionar, (primário,secundário e em terciário), todos o bem os estar níveis de atenção bio-psico-social à saúde dos idosos institucionalizados, potencializando suas funções globais, a fim de obter uma maior independência , autonomia e uma melhor qualidade para essa fase da vida. A partir da revisão bibliográfica realizada neste trabalho, apesar da dificuldade de encontrar artigos específicos publicados no Brasil, obtive artigos mencionados que comprovam os estudos dos benefícios aos idosos institucionalizados. A atividade física, segundo Chogahara, Cousins& Wankel (1998), possui influências sociais nos idosos e traz benefícios em relação à família, amigos, bem estar, integração social e melhoria na auto-estima. Em um estudo com idosos, Safons (2000) teve como objetivo verificar as contribuições da prática regular de atividade física para a melhoria da auto-imagem e auto-estima, os resultados mostram que participar de um programa regular de atividades físicas contribui de forma significativa para a melhoria da auto-imagem e auto-estima dos idosos. Segundo um estudo sobre exercícios físicos, auto-imagem e auto- estima em idosos asilados (Artigo Original), Tânia Bertoldo Benedetti, Édio LuizPetroski e ´´Lucia Takase Gonçalves,em uma residência asilar de Florianóplolis, SC,(2003), verificou-se que ao participar de um programa regular de atividades físicas, contribui de forma significativa para a melhoria da auto- imagem e auto-estima, porém para que se possa resgatar a auto-imagem e auto-estima dos idosos asilados é necessário retomar a cidadania, participando de grupos de discussão, trabalho voluntário, atividades físicas de maneira geral, fazendo se sentirem úteis para a sociedade e ocupando a seu tempo livre.No asilo, a participação dos idosos em grupos fora da instituição é inexistente, dificultando ainda mais o resgate da auto-estima. Pequenas falas ou carinhos de terceiros são muito importantes e gratificantes para os idosos institucionalizados. A auto-estima positiva indica bem-estar, saúde mental e ajustamento emocional, implicando diretamente na satisfação com a vida. A atividade física além de prevenir a dependência é um estímulo para o bem estar dos idosos. Consequentemente, melhora a autonomia e a independência, o que irá se refletir em melhor auto-imagem e auto-estima. Em estudo publicado na Revista Baiana de Saúde Pública, v.29 n.1, p.57-68 jan./jun.2005,sobre a Incidência de Quedas Relacionada aos Fatores de Riscos em Idosos Institucionalizados, observou-se que a incidência de quedas é bem elevada, portanto se faz necessário, instituir um programa de prevenção no trabalho de força muscular, resistência, equilíbrio entre outras atividades da vida diária. Segundo MIRELLES,1999; RAUCHBACH,2001; SANTAREM & JACOB FILHO,2003) a atividade física realizada com regularidade é uma das principais bases para a manutenção da saúde em qualquer idade, junto à correta alimentação e ao estado emocional equilibrado. No envelhecimento a atividade física é fundamental tanto para as funções cardiovasculares, como também na manutenção da saúde mental. É recomendado qual programa de exercícios deva ser feito com regularidade e continuidade, no mínimo duas a três vezes por semana, por 40 a 60 minutos. Observa-se que a pessoa que faz exercícios regulares tem menores chances de desenvolver diabetes com a idade, e o processo de osteoporose tem sua velocidade diminuída. A atividade física regular, melhora a força e massa muscular como também aumenta a flexibilidade. É um excelente instrumento de saúde em qualquer faixa etária, em especial no idoso, induzindo várias adaptações fisiológicas e psicológicas, a atividade física diminui a incidência de quedas, risco de fraturas e a mortalidade em portadores de doença de Parkinson. Durante o processo natural de envelhecimento ocorre redução de força muscular em conseqüência da atrofia de fibras de contração rápida, esta perda de força é frequentemente potencializada pela hipotrofia de desuso. A realização das atividades de vida diária depende basicamente da força e da flexibilidade, que em idosos é reduzida, por eles não serem ativos, e se apresentarem significativamente fragilizados, devido a vários fatores, tanto físicos como mentais. Muitas vezes se imagina que as atividades físicas com tensões musculares elevadas sejam perigosas para pessoas debilitadas, realmente, em atividades contínuas como correr, pedalar ou nadar, atividades com maior velocidade ou cargas, que impõe sobrecargas músculo-esqueléticas e cardiovasculares são potencialmente perigosas. No entanto, nos exercícios chamados resistidos, realizados com pesos, as tensões musculares podem ser aplicadas a músculos isolados, de forma muito suave e lentamente progressiva. No caso de situações patológicas articulares, degenerativas e inflamatórias, os exercícios resistidos não apenas são tolerados como apresentam importantes efeitos terapêuticos. O incremento da força muscular, induzido por um programa adequado de exercícios com pesos, promove incremento da performance nas atividades da vida diária que,como conseqüência, melhora a qualidade de vida de pessoas idosas e incapacitadas, (Rev. Bras. Ciên. E Mov. Brasília v.8 n.2 p.41-49 março 2000). Vários estudos comprovam a eficácia dos exercícios resistidos (com pesos) para pessoas idosas, entre os quais destacamos a experiência do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – Celafiscs, publicado na Revista Brasileira Ciência e Movimento, Brasília, v.8, n.2,p. 41-49, março 2000, e com uma grande bibliografia de estudos comprovados pela American Geriatrics Society,1994, American Journal of Epidemiology,1996, Journal of Applied Physiology,1990, Medicine and Sciencein in Sports and Exercise,1997, 1998,1999;Archives of Physical Medicine and Rehabilitation,1993, Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde,1995, entre outros, todos relatando a comprovação dessa atividade. Outros trabalhos pesquisados sobre a eficácia do efeito do exercício físico para o idoso institucionalizado, seja em estudos de observação ou intervenção publicados em livros, congressos, simpósios, revistas e jornais científicos nacionais e internacionais, comprovam todos esses benefícios citados; encontram-se relacionados nas Referencias Bibliográficas. 3 - Conclusão Como foi visto, a atividade física para o idoso institucionalizado é de suma importância em todos os aspectos, e com a estimulação que lhe é proporcionada, trazemos grandes benefícios ao idoso, melhorando assim a sua motricidade, destreza física, força dos membros inferiores e superiores (evitando a incidência de quedas), oxigenação, a mobilidade articular, equilíbrio, flexibilidade, postura, coordenação, circulação e desenvolver a auto-confiança, a auto-imagem, socialização e tudo que é pertinente às atividades físicas. Ao levantar o tema, “Exercícios Físicos para Idosos Institucionalizados”, pude constatar como é importante a prática da atividade física regular para essa população bem como os benefícios cientificamente comprovados através de publicações e de artigos técnicos. Sentindo a necessidade e o desejo de ver o idoso asilado beneficiado com um programa multidisciplinar onde possibilite, a ele, a melhoria na qualidade de vida e nas suas atividades da vida diária, entendo que se faz necessário incentivar cada vez mais os profissionais Educadores Físicos a trabalharem com os idosos residentes em asilos. . Está comprovado que podemos contribuir muito com essa parcela da sociedade que se encontra “afastada” do convívio social, para que seja tratada com mais dignidade, tolerância e cidadania. Os resultados deste estudo de revisão bibliográfica evidenciam sobremaneira e, me permitem concluir que toda intervenção feita aos idosos institucionalizados através de programas de atividades físicas regulares e orientada, (levando-se em consideração o estado físico, mental e cognitivo do idoso), traz benefícios altamente positivos em todos os aspectos, tanto no biológico, psicológico e social, sendo necessários investimentos em contratação de profissionais de educação física preparados para atuarem com idosos nas instituições asilares. Já as instituições asilares necessitam voltar mais a sua atenção para a relevância da atividade física regular que traz, sem duvida, uma melhor qualidade de vida e bem estar geral aos idosos residentes, como a todos que a compõe; inserir no seu quadro de funcionários o educador físico, com certeza, contribuirá para o início do benefício esperado. Conscientes de que nós profissionais de Educação Física somos parcela importante da transformação a ser alcançada nas instituições asilares, precisamos de imediato dar maior atenção em áreas de atuação até então adormecidas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MARIE José Manidi – JEAN Pierre Michel – Atividade Física para Adultos com mais de 55 Anos, 1ª Edição, Editora Manole, São Paulo, 2001. MATSUDO Sandra Marcela Mahecha – Avaliação do Idoso Física e Funcional, 2ª Edição, São Caetano do Sul, 2005. MORAGAS Ricardo Moragas – Gerontologia Social - Envelhecimento e Qualidade de Vida, 1ª Edição, Editora Paulinas, São Paulo, 1997. OKUMA Silene Sumire – O Idoso e a Atividade Física, 2ª Edição, Editora Papirus, São Paulo, 2002. PAPALEO NETTO Matheus – BORN Tomiko – Gerontologia, Cuidado ao Idoso em Instituição, 403-414,Editora Atheneu, 1996. ZIMERMAN Guite I. – Velhice Aspectos Biopsicossociais, Editora Artes Médicas Sul, 2000. 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